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DIVERSIDADE LINGÜÍSTICA: AS DIFICULDADES NA COMUNICAÇÃO DOS

INSTRUTORES COM POVOS INDÍGENAS NOS CURSOS TECNOLÓGICOS


DO EIXO AMBIENTE E SAÚDE DO CETAM
Aluna: Mirian Regina Santos Barbosaa
Orientadora: Mestra Simone Helen Drumond Ischkanianb
a
Universidade do Estadual do Amazonas
b
Centro Tecnológico do Amazonas – Zona Sul de Manaus/AM

ARTI CLE INF O RESUMO

A metodologia utilizada no decorrer da pesquisa foi a dialético,


Palavra chaves: que explica o enredo da análise, e o contexto da comunicação
Palavra 1; Diversidade Lingüística entre os instrutores e os indígenas nos cursos tecnológicos do eixo
Palavra 2; Povos Indígenas ambiente e saúde do CETAM - Manaus. O estudo é de natureza
Palavra 3; Saúde
teórica, exploratória e descritiva. Optamos por abordagem
qualitativa que significa um estudo que os dados e analisados nas
E-mail: particularidades de cada etnia e suas lingüísticas e as experiências
ª email do autor a individuais dos instrutores mediante ao eixo tecnológico em
mirian_barbosa83@hotmail.com ambiente e saúde, porque precisa ter uma comunicação
intercultural entre os mesmos e será constituída por instrutores.
b
email do autor b Línguas, como formas de vida, recortam o mundo, produzem e
simone_drumond@hotmail.com comunicam valores e constroem perspectivas e sociedades. Elas 1
expressam e organizam cosmologias, racionalidades,
Eixo Temático:
temporalidades, valores, espiritualidades. Uma língua funda e
Ambiente e Saúde organiza o mundo, pois é material constituído de culturas, de
sujeitos culturais, políticos e humanos.

1 INTRODUÇÃO
Os indígenas ainda conservam e falam mais de 180 línguas nativas. Embora a língua
não seja o principal elemento que identifica um povo indígena, ela é um fator importante de
reprodução e produção dos conhecimentos tradicionais e de incorporação, de forma
apropriada, dos novos conhecimentos do mundo externo, principalmente no contexto
diversidade lingüística: as dificuldades na comunicação dos instrutores com povos indígenas
nos cursos tecnológicos do eixo ambiente e saúde do CETAM. O pensamento é único e
universal, mas a universalidade lingüística dos povos indígenas, se expressa de maneiras
distintas e específicas em cada língua. As categorias lógicas de pensamento, tempo e espaço,
de quantidade e qualidade, de causa e efeito expressam-se nas categorias gramaticais de
maneira distinta em cada língua humana. Os lingüistas classificam as atuais línguas indígenas
faladas por meio de troncos, famílias, línguas e dialetos. Quando os profissionais do CETAM
trabalham com a formação de certos povos indígenas já perderam suas línguas originais,
adotando as de outros povos indígenas ou mesmo o português, a comunicação no repasse dos
conteúdos dos cursos tecnológicos do eixo ambiente e saúde, torna-se de certa forma coesa.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E/OU TRABALHOS RELACIONADOS


A FUNAI apoia os processos de discussão dos indígenas sobre cursos técnicos e sobre
as adequações necessárias, em diálogo com povos indígenas para que respondam as demandas
específicas das comunidades indígenas. Mediante tais subsídios, articula junto ao MEC e
instituições de ensino, a inclusão de novos cursos no catálogo PRONATEC. Somando-se a
isso, pode ainda organizar localmente a demanda para os cursos PRONATEC, em articulação
com a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica do MEC. (FUNAI, 2009, p.12).
A Secretaria Especial de Saúde Indígena corresponde a uma área do Ministério da Saúde
responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo
o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do 2
Sistema Único de Saúde (SUS). Ela surgiu após uma reivindicação dos próprios indígenas
durante as Conferências Nacionais de Saúde Indígena e possui a missão de implementar um
novo modelo de gestão e de atenção no âmbito do Subsistema, com autonomia administrativa,
orçamentária, financeira e responsabilidade sanitária dos 34 Distritos Sanitários Especiais
Indígenas (DSEI) (BRASIL, 2010, p. 45). O perfil epidemiológico dos povos indígenas é
muito pouco conhecido, porém nos dias atuais, devido às mudanças culturais, no perfil sócio-
econômico, no estilo de vida, a inserção de hábitos da sociedade não indígena nas aldeias, a
modificação alimentar da população, elevou-se o número de indígenas com doenças crônicas,
quando comparado aos anos anteriores (SINNETT et al., 1992, p.54).
O primeiro atendimento ao indígena é realizado na aldeia, através das Equipes
Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI), caso o paciente precise de um atendimento de
média e alta complexidade, ele é encaminhado para a CASAI ou até mesmo para um hospital
de referência na cidade para ser atendido (OLIVEIRA et al., 2012, p.65). A educação em
serviço e as capacitações, não são realizadas somente a partir de uma lista de necessidades
individuais de atualização de cada profissional, mas sua realização ocorre prioritariamente
com base nos problemas da organização do trabalho, e é a partir dessa problematização que se
identificam as necessidades de qualificação, garantindo a aplicabilidade e a relevância dos
conteúdos e tecnologias estabelecidas (CECCIM, 2004, p. 23).
De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2012, p 26), os serviços de Atenção à
Saúde Indígena estão organizados em 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) -
unidades gestoras descentralizadas do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (Sasi) -, que
estão divididos estrategicamente por critérios territoriais, organizando os serviços de atenção
básica de saúde dentro das áreas indígenas, integradas e hierarquizadas com complexidade
crescente e articuladas com a rede do SUS. Conforme o censo realizado pelo IBGE, 1 foram
registradas 817.963 pessoas autodeclaradas indígenas, estando presentes nas cinco regiões do
Brasil, sendo que a região Norte é a que concentra o maior número de indivíduos, 342,8 mil, e
o menor, no Sul, 78,8 mil. (Silva, D. M. D., Nascimento, E. H. D. S., ET AL, 2016.

3 METODOLOGIA 3
A metodologia utilizada no decorrer da pesquisa foi a dialético, que explica o enredo da
análise e o contexto da comunicação entre os instrutores e os indígenas nos cursos
tecnológicos do eixo ambiente e saúde do CETAM - Manaus. O estudo é de natureza teórica,
exploratória e descritiva. Com a finalidade de analisar os desafios encontrados da
comunicação entre os instrutores e indígenas no eixo tecnológico em ambiente e saúde.
Para a construção do método, optamos por abordagem qualitativa que significa é por
meio deste estudo que os dados serão coletados e será realizado da seguinte maneira,
analisaremos as particularidades de cada etnia e suas lingüísticas, e as experiências
individuais dos instrutores mediante ao eixo tecnológico em ambiente e saúde, porque precisa
ter uma comunicação intercultural entre os mesmos e será constituída por instrutores, alunos
indígenas e alunos não indígenas. Para composição da investigação será utilizada a Pesquisa
Bibliográfica, entendemos que a mesma é a revisão de literatura sobre as principais teorias
que norteiam o trabalho científico, chamadas de levantamento bibliográfico ou revisão
bibliográfica (PIZZANI, L.; SILVA, R. C.; et.al). Este tipo de pesquisa é fundamental para
nossa investigação porque teremos embasamento sobre o determinado tema, a fim de ajudar
no esclarecimento da pesquisa. A análise dos resultados foi realizada de maneira, a perceber
se existe de fato a dificuldade do instrutor na comunicação intercultural com os indígenas ou o
grau de instrução desses indígenas é que dificulta o entendimento com o instrutor e os estudos
poderão contribuir para processos de ensino aprendizagem que articulam pesquisas,
conhecimentos e práticas, buscando construir diálogos com base na interculturalidade.

4 ESTRATÉGIAS
O Registro é um instrumento voltado para reconhecer o valor e imprimir destaque
especial a um tipo de bem cultural, e é fundamental para dar voz às línguas silenciadas e
oprimidas, como são as línguas indígenas, na medida em que contribui para dar visibilidade e
brasilidade a elas. Assim, o esforço pela criação de uma forma de comunicação coesa com os
indígenas, é importante neste momento histórico do país, em que a tendência globalizante da
economia aumenta a pressão niveladora que força a extinção das línguas e traz a redução da
variedade cultural. Após a coleta tabulou-se os dados em seguida a formatação dos gráficos 4

para obter os percentuais de resposta de cada item.


Tabela 1 - Representa as fases da metodologia da pesquisa.

POPULAÇÃO COLETA DE DADOS ANÁLISE DOS DADOS


Instrutores do Centro Questionário Agrupamento das questões
Tecnológico do Amazonas Zona semi-estruturado Tabulação dos dados
Sul de Manaus (Google Formulários) Gráfico
Povos Indígenas

Fonte: Barbosa & Ischkanian (2019).

Grafico1: Quantidade de instrutores que utilizam as diversas formas de comunicação

Fonte: Barbosa & Ischkanian (2019).


4.1. Resultados positivos e abrangentes do projeto

A língua indígena é um dos sinais diacríticos da identidade étnica, mas não o único. É
importante chamar a atenção para isto, uma vez que constantemente a perda da língua por um
povo é usada para negar o reconhecimento da identidade indígena.

Figura 2 – A informação transforma a vidas indígenas para melhor


Fonte: Mirian Regina Santos Barbosa

Tabela 2 – A pesquisa é de caráter descritivo com abordagem qualitativa


ATIVIDADE ANO 2019
Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
Elaboração da justificativa, questões
norteadoras e objetivos.
Produção da fundamentação teórica e
metodológica das praticas.
Apresentação do pré-projeto de pesquisa
Pesquisa de campo e coleta de dados
Defesa TCC
Produção do artigo e banner
Apresentação final dos trabalhos
Fonte: Resultados da pesquisa (própria autora), 2019
5 CONCLUSÃO
Concluímos que o indivíduo que conhece sua língua e sua cultura também se
desenvolve melhor como pessoa, como cidadão e como membro de uma coletividade, e mais
facilmente conhece o seu lugar e a sua responsabilidade na sociedade. A diversidade
lingüística é extremamente relevante para a diversidade cultural, na medida em que significa
não só variedade de tradições culturais e de desenvolvimento histórico dos povos, mas
também diversidade humana na elaboração de conceitos sobre as relações dos seres humanos
entre si e com a natureza, refletindo experiências milenares. Neste sentido é necessário que os
instrutores dos cursos tecnológicos do eixo ambiente e saúde necessitam, aprimorar seus
conhecimentos nas diversas formas de comunicação nas quais podemos citar a: verbal, escrita,
oral, não verbal, pelo olhar (onde as pessoas se fazem entender somente pelo olhar), por
mímica (gestos das mãos, corpo, face e que transmitem determinada informação) e na
atualidade uso da comunicação alternativa CA e as pranchas com símbolos PCS.
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REFERÊNCIAS
CECCIM, Ricardo Burg. O Quadrilátero da Formação para a Área da Saúde: Ensino, Gestão,
Atenção e Controle Social. Rio de Janeiro, 2004.
COIMBRA JR., C. E. A.; SANTOS, R. V.; ESCOBAR, A. L.; Epidemiologia e saúde dos povos
indígenas no Brasil / Organizado por (Carlos E. A. Coimbra Jr.) Rio de Janeiro: Ed. FIOCRUZ
FUNAI - Fundação Nacional do Índio. Educação Escolar Indígena. Disponível em: <
http://www.funai.gov.br/index.php/educacao-escolar-indigena> Acesso em: Acesso em: 16 jun. 2019.
______. Fundação Nacional de Saúde. Política nacional de atenção à saúde dos povos indígenas. 2a
Ed. Brasília, DF: Fundação Nacional de Saúde/Ministério da Saúde, 2002.
GUIMARÃES E VILLARDI. Susana M. G; Raquel. Educação Indígena. FGV On line.2010.
Disponível em: <http://moodle.fgv.br/ >. Acesso em: 16 jun. 2019.
SILVA, B. C. (2013). Profissionais de saúde em contexto indígena: os desafios para uma atuação
intercultural e dialógica [Internet]. Antropos, 5(6), 3-36.
SINNETT, P. F.; KEVAU, I. H.; TYSON, D. Social change and the emergence of degenerative
cardiovascular disease in Papua New Guinea. In: Human Biology in Papua New Guinea: The
Small Cosmos. Oxford: Clarendon Pres, p. 373-386, 1992.