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Grupo de Oração Novo Pentecostes, Vitória-ES - Renovação Carismática Católica do Brasil

A Igreja Católica salvou a civilização ocidental - Parte II


Categoria : Formações
Publicado por FAquino em 04/6/2009

A Igreja e os Bárbaros

Quando o bárbaro Átila, rei dos hunos, ameaçou invadir e destruir Roma, foi o Papa S. Leão Magno
(†460) quem os enfrentou em Mântua; ele foi se encontrar com o terrível Átila, “o flagelo de Deus”,
e o fez retornar. O mesmo se deu com o bárbaro Genserico.

Afirma Daniel Rops, historiador que ganhou um Prêmio da Academia Francesa de Letra, que: “Se a
Igreja Católica Romana não tivesse tido uma admirável organização temporal como poderiam ter
subsistido os melhores princípios do Evangelho?” [“A Igreja dos Tempos Bárbaros”, Ed. Quadrante,
vol. II, 1991, SP, pág. 85, v. II].
Firme em torno do “Bispo de Roma”, o Papa, a Igreja católica era o único ponto estável num mundo
em que tudo estremecia. O poeta Lactâncio, neste tempo, escreveu: “Somente a Igreja conserva e
sustenta tudo” (idem).
Os homens da Igreja souberam dar sentido aos acontecimentos trágicos da queda de Roma: S.
Bento de Núrcia, S. Agostinho de Hipona, S. Leão Magno e tantos outros, foram os gigantes da
Igreja que, do caos da barbárie, começaram a modelar uma nova Civilização, por amor a Deus e
pela missão que Cristo lhes deu.
Disse Daniel Rops que: “O maior serviço que o Cristianismo prestou ao século V, foi o de dar um
sentido a seu drama, impedindo-os de permanecer inertes, sós e angustiados, à beira de um abismo
para além do qual já não enxergavam” (Idem, 86).
Roma, a “Cidade Eterna” estava dominada. São Jerônimo, cidadão romano, que já estava em
Belém, na Judéia, traduzindo a Bíblia do grego e hebraico para o latim, a pedido do Papa Damaso,
exclama chorando: “O navio está afundando!” “A minha voz extingue-se; os soluços embargam-me
as palavras. Foi tomada a Cidade que tinha tomado o mundo! Pereceu pela fome e pela espada;
está em chamas a ilustre cabeça do Império”. Para todos, era inimaginável a queda de Roma.
Santo Agostinho disse: “Talvez não seja ainda o fim da Cidade, mas em breve a Cidade terá um
fim”. A sua obra “Cidade de Deus” foi a resposta de Santo Agostinho ao caos instalado pelos
bárbaros. “Nas piores circunstâncias é preciso cumprir o nosso dever de homens”. Com a fé da
Igreja, Agostinho sustentava os fiéis. A idéia de que todos os acontecimentos, por piores que sejam,
obedecem ao desígnio de Deus, foi a grande força do cristianismo para fortalecer os corações.
Os cristãos sempre souberam que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (1Ts 5,17) e
por isso, não se desesperam.
A Igreja sempre teve nos seus bispos e monges uma elite consciente de suas responsabilidades
sociais e históricas e muito bem preparados para as assumir; eram homens de primeira linha. Eles
souberam enfrentar a longa e árdua missão de civilizar os bárbaros pela amabilidade e acolhimento.
Para isso, tiveram inevitavelmente que exercer um papel político além do religioso, porque o bispo
passou a ser o representante do povo na noite escura da barbárie.
Ele passou a ser o “defensor da Cidade” até o heroísmo e o sacrifício. Santo Agostinho sustenta a
coragem em Hipona, São Nicácio deixa-se matar em sua catedral de Reims (França); S. Exupério
de Toulouse resiste aos bárbaros e é decapitado, S. Aide organiza a defesa de Orleans, S. Lobo
lidera a resistência em Troyes...

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Não podemos calcular o papel decisivo desses gigantes da Igreja na salvaguarda diante da
tempestade dos bárbaros; o destino de nossa civilização teria sido totalmente diferente se esses
homens não tivessem feito o que fizeram, afirma D. Rops [pg. 90]. S. Pedro Crisólogo (†450), S.
Máximo de Turim (580-662), S. Leão Magno (400 - 461), S. Paulino de Nola (†431), S. Sinésio de
Cirene, S. Germano de Auxerre de Paris, foram infatigáveis defensores da civilização ameaçada.
Além dos bispos outra instituição da Igreja que foi fundamental na defesa da civilização foram os
mosteiros. Eles nasceram no Oriente com Santo Antão e os Padres do Deserto, no século III, sob a
forma eremítica, depois cenobítica (cenóbios) graças a S. Pacônio, e finalmente foi organizado na
Ásia Menor por S. Basílio Magno (330 - 369) – bispo de Cesaréia na Palestina. Por volta do ano 400
os mosteiros estão presentes em toda a cristandade. São homens e mulheres que se consagram a
Deus radicalmente e que vivem sob uma Regra fixa, uma vida de penitência e oração.
O papel dos mosteiros foi primeiro espiritual; a fé os sustentava e com ela os monges sustentaram o
mundo da época que desabava. Os mosteiros foram sementeiros de grandes bispos para toda a
Igreja. Os monges atraíram para os mosteiros jovens bárbaros e os civilizavam. Ao mesmo tempo
os mosteiros preservaram a cultura ameaçada. Os mosteiros de Lerins e Marselha foram centros de
estudos. Em todos eles foram criadas escolas externas – os “alunados” – ficaram famosos.
A Igreja, que sabe que “o Reino de Deus não é desse mundo”, sabe trabalhar as realidades políticas
do momento, com fé e tranqüilidade, por pior que sejam. Ela soube assim aproveitar a força bruta
dos bárbaros e a transformar aos poucos. Só os bispos se impunham aos bárbaros, e o seu desejo
era ganhá-los para Cristo.
São Leão Magno (†460) deu à Sé Apostólica uma autoridade e respeito que nunca mais ela haveria
de perder. A Igreja era a única força de resistência aos bárbaros.
S. Leão deixava com freqüência o palácio do Latrão, em Roma, cedido por Constantino, para se
ocupar das misérias públicas, erguer as ruínas, dirigir as pesquisas nas catacumbas e distribuir pão
aos famintos.
Quando, em 4 de setembro de 476, o Império romano do Ocidente caiu definitivamente sob o rei
hérulo Odoacro, já não havia mais Europa e Ocidente, restou apenas um mosaico de estados
bárbaros divididos. A queda de Roma desencadeou lutas ferozes entre esses povos pelo domínio do
espólio imperial: visigodos, vândalos, francos, hérulos, anglos e saxões, entre outros, queriam sua
parte e a única instituição unificada e com algum nível de organização era a Igreja Católica. E os
reis bárbaros sabiam disso.
O único princípio de unidade que restou foi a Igreja Católica que continuou a resistir os bárbaros; os
papas, os bispos e os monges começavam a gigantesca tarefa de reconstruir o Ocidente, o que
levou cerca de seis séculos. Brilhou então a figura dos Papas.
Santo Hilário (461-468), papa, trata de reerguer tudo quanto os vândalos de Genserico tinham
destruído. São Simplício (468-483) fez-se respeitar por Odoacro. S. Félix III (483-492) exigiu de
Odoacro e do Imperador bizantino Zenão “o direito de a Igreja se reger por suas próprias leis”. S.
Gelásio I (492-496) se impôs pela inteligência, energia, obras sociais e defesa dos pobres. Foi ele
quem escreveu ao Imperador do Oriente: “Ficai sabendo que quando a Sé do bem-aventurado
Pedro se pronuncia, a ninguém é permitido julgar o seu julgamento”. Foi o mesmo que S. Agostinho
já tinha dito antes: “Roma locuta, causa finita”.
Santo Anastácio (496-498) alicerçou a unidade cristã ameaçada, e começou a grande e longa
jornada de conquistar espiritualmente os bárbaros para Cristo. Com esta garra, já no ano 500, Clovis
e Clotilde, reis dos francos, se tornavam católicos e foram batizados. Três séculos depois, outro rei
descendente dos bárbaros, no ano 800, o franco Carlos Magno é também batizado e coroado
imperador pelo Papa.
Duzentos anos depois, com esta mesma certeza o imperador Otão do “Sacro Império
Romano-Germânico” continua a obra dos imperadores cristãos: Constantino, Teodósio e Justiniano.
Assim esses homens, na fé de Cristo e da Igreja mantiveram o Império, para eles fundamental para

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o mundo; e agora a tarefa era integrar nele os bárbaros. E somente a Igreja, o tronco dessa árvore
poderia cumprir essa missão.

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Sobre o autor:

Felipe Aquino.
felipeaquino@cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino, casado, 5 fihos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor
da Fundação João Paulo II. Participa de Aprofundamentos no país e no exterior, já escreveu 60
livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando
Idéias". Conheça mais em www.cleofas.com.br

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