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MÓDULO 1: A BNCC da Educação Básica

Neste Módulo, você verá os fundamentos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e sua
importância no contexto da educação nacional. Poderá também conhecer as principais
características da BNCC e como essas características foram pensadas para promover a
aprendizagem de todos os estudantes: crianças, jovens e adultos.
Para isso, serão abordados os seguintes assuntos:

O que é a BNCC
A BNCC e seus fundamentos pedagógicos.
O processo de construção da BNCC.
Qual a diferença entre Base e Currículo?
Por que falar em competências e habilidades?
Os fundamentos pedagógicos que orientam a BNCC.
As competências e as habilidades a serem desenvolvidas a partir da BNCC.
Implicações da BNCC na metodologia e no clima escolar.
Como a base está organizada?
Especificidades da organização da BNCC em cada etapa da educação básica.
Qual é o desafio posto aos educadores?
A contribuição da BNCC para a qualidade e a equidade na educação.

Objetivos do Módulo
Ao concluir este módulo, espera-se que você:

• Conheça a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e suas premissas pedagógicas.


• Entenda como essa referência nacional pode apoiar o desenvolvimento do currículo nas
ações cotidianas da gestão escolar e da sala de aula.
• Conheça as competências gerais que os alunos devem desenvolver ao longo de toda a
Educação Básica.
O que é a BNCC
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o
conjunto das aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo da
Educação Básica. E, com isso, tem assegurados os direitos de aprendizagem e desenvolvimento
conforme preconiza o Plano Nacional de Educação (PNE). A BNCC (2018) afirma que:

" [...] este documento normativo aplica-se exclusivamente à educação escolar, tal como a
define o § 1º do Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº
9.394/1996), e está orientado pelos princípios éticos, políticos e estéticos que visam à
formação humana integral e à construção de uma sociedade justa, democrática e
inclusiva, como fundamentado nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica
(DCN). "(MEC, BRASIL, 2018)
A elaboração da BNCC não foi feita do dia para a noite! Veja como ocorreu todo o processo de
construção da Base ao longo dos últimos trinta anos!
• 1988: Promulgada a Constituição Federal: a criação de uma Base Nacional Comum, com
a fixação de conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental, é prevista no artigo 210.
• 1996: A Lei das Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Básica é aprovada e reforça a
necessidade de uma base nacional comum.
• 1997 a 2000: Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) foram consolidados em partes:
1º ao 5º ano em 1997; 6º ao 9º ano em 1998; e, em 2000, foram lançados os PCNs para o Ensino
Médio.
• 2010 a 2012: Novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) orientadas para o
planejamento curricular das escolas e sistemas de ensino, as resoluções valiam para a Educação
Infantil e os Ensinos Fundamental e Médio.
• 2014: Plano Nacional de Educação (PNE) – A Lei n. 13.005, de 2014, instituiu o PNE com
vigência de dez anos. São vinte metas para melhorar a qualidade da Educação Básica, sendo que
quatro delas tratam da Base Nacional Comum Curricular.
• 2015: A Portaria nº 592 de 17 de junho de 2015 institui a Comissão de Especialistas para
a Elaboração de Proposta da BNCC. Em outubro, tem início a consulta pública para a construção
da primeira versão da BNCC com contribuições da sociedade civil, de organizações e entidades
científicas.
• 2016: Em março, após 12 milhões de contribuições, a primeira versão do documento é
finalizada. Em junho, seminários com professores, gestores e especialistas abertos à participação
pública são realizados por todo o Brasil para debater a segunda versão da BNCC. Em agosto,
começa a ser redigida a terceira versão, em um processo colaborativo com base na versão 2.
• 2017: Em abril, o MEC entregou a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) ao Conselho Nacional de Educação (CNE). O CNE elaborou parecer e projeto de resolução
sobre a BNCC e homologou as etapas da educação infantil e do Ensino Fundamental.
• 2018: Foi promulgada a Portaria nº 331, de 5 de abril de 2018 que institui o Programa de
Apoio à Implementação da Base Nacional Comum Curricular – ProBNCC e estabelece diretrizes,
parâmetros e critérios para sua implementação.
Em dezembro, foi homologado o texto sobre o Ensino Médio da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC).
Concluído o processo, a BNCC passou a integrar a política nacional da Educação Básica como
referência nacional para a formulação dos currículos dos sistemas e das redes escolares dos
estados, do Distrito Federal e dos municípios e das propostas pedagógicas das instituições
escolares.
Seu conteúdo também vai contribuir para o alinhamento de outras políticas e ações, em âmbito
federal, estadual e municipal, referentes à formação de professores, à avaliação, à elaboração de
conteúdos educacionais e aos critérios para a oferta de infraestrutura adequada para o pleno
desenvolvimento da educação.
Assista ao vídeo a seguir e veja o que as professoras Ghisleine Trigo e Guiomar Namo de Mello
têm para falar sobre a importância da BNCC para a educação nacional.

https://www.youtube.com/watch?v=CE4Soac8Gks&feature=emb_logo

No vídeo, as professoras Ghisleine e Guiomar deixam claro que a BNCC, ao definir as


aprendizagens essenciais, não suprime a necessidade de os estados, os municípios e as escolas
elaborarem seus próprios currículos, pelo contrário: os currículos e as propostas pedagógicas
devem ser orientados pela BNCC.
Base e Currículo
A Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017, institui e orienta a implantação da Base
Nacional Comum Curricular, a ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas
modalidades no âmbito da Educação Básica. No artigo 5º, a Resolução explicita a BNCC como
referência para que instituições ou redes construam ou revisem seus currículos.
Deve ficar claro, portanto, que a BNCC não é currículo. Mas há uma relação de
complementaridade entre BNCC e currículo. Como se vê a seguir:
" Os currículos devem adequar as proposições da BNCC à realidade local, considerando a
autonomia dos sistemas ou das redes de ensino e das instituições escolares, como
também o contexto e as características dos alunos. " (BNCC, 2017, p. 16)

Deve-se entender que a BNCC deve fundamentar a concepção, formulação, implementação,


avaliação e revisão dos currículos, e consequentemente das propostas pedagógicas das
instituições escolares (Resolução CNE/CP 2/17, Art. 5, § 1º).
Além disso, a BNCC, enquanto referência nacional, contribui para a articulação e coordenação de
políticas e ações educacionais desenvolvidas em âmbito federal, estadual, distrital e municipal,
especialmente em relação à formação de professores, à avaliação da aprendizagem, à definição
de recursos didáticos e aos critérios definidores de infraestrutura adequada para o pleno
desenvolvimento da oferta de educação de qualidade (Resolução CNE/CP 2/17, Art. 5, § 1º).
Muitas redes de ensino e escolas estaduais, distritais e municipais já iniciaram a elaboração de
seus currículos considerando a BNCC, seguindo as orientações disponíveis no Guia de
Implementação.

Os fundamentos pedagógicos da BNCC


A BNCC se apoia em dois fundamentos pedagógicos: o compromisso com a educação integral e
o foco no desenvolvimento de competências.
Ao estabelecer a formação e o desenvolvimento humano global como um de seus fundamentos,
a BNCC assume uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do
adulto, nos aspectos biopsicossociais e afetivos. Isso significa que os alunos devem ser
preparados para atuar com discernimento e responsabilidade, aplicar conhecimentos para
resolver problemas, ser proativo para identificar os dados de uma situação e buscar soluções,
conviver e aprender com as diferenças e as diversidades, ter autonomia para tomar decisões e,
ainda, aprender a aprender. Essa visão de aluno não se concretiza por meio de práticas
pedagógicas que privilegiam apenas a transmissão ou o acúmulo de informações. E é nesse ponto
que se destaca o desenvolvimento de um currículo orientado por competências, o segundo
fundamento pedagógico da BNCC.
Mas quais as implicações desses princípios na proposta e nas práticas pedagógicas? O que
significa dizer que o aluno não vai à escola só com a cabeça? Para saber, assista ao vídeo a seguir
com as professoras Ghisleine Trigo e Guiomar Namo de Mello.

https://www.youtube.com/watch?v=WIFXXRxUFVE&feature=emb_logo

(Fundamentos Pedagógicos)

No vídeo, fala-se a respeito das competências gerais da Educação Básica que devem ser
asseguradas a todos os alunos. Você sabe quais são elas? Essas competências servem como
parâmetro para a construção de novas propostas de ensino e asseguram aos estudantes os
direitos de aprendizagem e desenvolvimento, veja:
As competências gerais da Educação Básica
1: Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social,
cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a
construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2: Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a
investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas,
elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive
tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3: Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e
também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4: Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal,
visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e
científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em
diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma
crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se
comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e
exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6: Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e
experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer
escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia,
consciência crítica e responsabilidade.
7: Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e
defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos
humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e
global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8: Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na
diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade
para lidar com elas.
9: Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e
promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da
diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e
potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

10: Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e


determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos,
sustentáveis e solidários.
" [...] embora a BNCC não defina uma metodologia de ensino, a formação do aluno
caracterizado nas dez competências só pode ser alcançada por meio de metodologias
ativas. "
Ao ler as dez competências da Educação Básica, você pode identificar algumas diferenças
entre o aluno de hoje e o aluno mais passivo de anos atrás? É importante entendermos que o
momento histórico atual e a perspectiva de futuro demandam alunos com outra visão de mundo,
preparados para lidar crítica e eticamente, com um ritmo mais dinâmico e com os avanços
tecnológicos. Como escreve Lidia Goldenstein (Link abaixo), “o telefone fixo demorou 75 anos
para alcançar 50 milhões de usuários, o rádio levou 38 anos, a TV, treze anos, a internet, três
anos, o Facebook, apenas um ano, e o jogo Angry Birds, incríveis 35 dias”. O essencial é que se
perceba que, embora a BNCC não defina uma metodologia de ensino, a formação desse aluno
caracterizado nas dez competências só pode ser alcançada por meio de metodologias ativas.
Link: http://interessenacional.com.br/2017/11/17/4a-revolucao-industrial-impactos-no-emprego-e-na-
educacao/

Por que falar em competências e habilidades?

O que significa ter um currículo orientado por competências? E qual a diferença em comparação
com os currículos que definem apenas conteúdo? Assista ao vídeo com as professoras Ghisleine
e Guiomar e entenda essas e outras questões!

https://www.youtube.com/watch?v=m-fECy29qLo&feature=emb_title
(Competências e Habilidades)

A BNCC apresenta competências gerais que devem ser desenvolvidas por todos os alunos
ao longo da Educação Básica. Ela também define competências específicas para as áreas e os
componentes curriculares do Ensino Fundamental. Além delas, há habilidades descritas para os
componentes ao longo dos nove anos. Você sabe qual a relação entre competências e
habilidades? Assista ao vídeo a seguir!
https://www.youtube.com/watch?v=JdFgXCQAebc&feature=emb_title
(Diferença entre competências e habilidades)

Dúvidas?
Perguntas e respostas sempre ajudam na aprendizagem!
Analise as respostas que as professoras Ghisleine e Guiomar deram para perguntas frequentes
sobre desenvolvimento integral do aluno e sobre o impacto da BNCC na prática pedagógica!

https://www.youtube.com/watch?v=7nb4pDLXxfo&feature=emb_title
(Perguntas frequentes 1)
https://www.youtube.com/watch?v=EXY2oUCcuuA&feature=emb_title
(Perguntas frequentes 2)

Como a Base está organizada?

Para explicitar as aprendizagens que devem garantidas ao longo da Educação Básica a fim de
assegurar, como resultado do processo de ensino e aprendizagem, o desenvolvimento das
competências gerais, a BNCC tem uma estrutura própria para cada etapa – Educação Infantil,
Ensino Fundamental e Ensino Médio, em conformidade com seus fundamentos pedagógicos e
com os ordenamentos legais.

Ainda que essa estrutura não represente um modelo único de arranjo curricular que
obrigatoriamente deve ser adotado nos currículos e propostas pedagógicas de todo o país, ela
pretende ser clara e precisa na explicitação do que se espera que todos os alunos aprendam nos
diferentes momentos de sua escolarização, de modo a subsidiar sistemas, redes e escolas.

Veja como a BNCC está organizada:


• Educação Infantil:
Direitos de aprendizagem Campos de experiência Objetivos de aprendizagem
e de desenvolvimento e desenvolvimento
São seis direitos de São cinco campos nos quais as Os objetivos são
aprendizagem e crianças podem aprender e se organizados por faixa etária
desenvolvimento: desenvolver: (bebês, crianças muito
pequenas, crianças
Conviver; Brincar; 1. O eu, o outro e o nós; pequenas) para cada campo
Participar; Explorar; 2. Corpo, gestos e movimentos; de experiência.
Expressar e Conhecer-se. 3. Traços, sons, cores e formas;
4. Escuta, fala, pensamento e
imaginação;
5. Espaços, tempos, quantidades,
relações e transformações.
• Ensino Fundamental (anos iniciais e finais)

Áreas do Componentes Unidades Objetos de Habilidades


conhecimento temáticas conhecimento
São cinco áreas São nove As unidades Referem-se a Expressam as
do componentes temáticas conteúdos, aprendizagens
conhecimento, curriculares, definem um conceitos e essenciais
conforme abrigados nas arranjo dos processos relativas aos
definidas nas áreas do objetos de mobilizados objetos de
Diretrizes conhecimento: conhecimento em diferentes conhecimento
Curriculares língua portuguesa, ao longo do habilidades, que devem ser
Nacionais: arte, educação Ensino relativos a asseguradas aos
LINGUAGENS, física e língua Fundamental cada unidade alunos nos
MATEMÁTICA, inglesa adequado às temática. diferentes
CIÊNCIAS DA (LINGUAGENS), especificidades contextos
NATUREZA, matemática dos diferentes escolares.
CIÊNCIAS (MATEMATICA), componentes
HUMANAS e ciências (CIÊNCIAS curriculares. Há
ENSINO DA NATUREZA), unidades
RELIGIOSO. Há história e temáticas
competências geografia comuns aos anos
estabelecidas (CIENCIAS iniciais e finais e
para cada área. HUMANAS), unidades
ensino religioso temáticas
(ENSINO específicas para
RELIGIOSO). Há cada fase do
competências Ensino
específicas Fundamental.
estabelecidas para
cada um dos
componentes.

• Ensino Médio

Áreas do Componentes Aprendizagens Habilidades


conhecimento: Comuns
As áreas do Os componentes Os currículos e as Para assegurar o
conhecimento curriculares propostas desenvolvimento das
definidas nas obrigatórios esta pedagógicas devem competências
Diretrizes etapa são: garantir as específicas de área, a
Curriculares aprendizagens cada uma delas é
Nacionais para o 1. Língua Portuguesa, essenciais definidas relacionado um
Ensino Médio são: na BNCC e conjunto de
2. Matemática. contemplar, sem habilidades, que
1. Linguagens e suas prejuízo da representa as
Tecnologias, integração e aprendizagens
Há competências articulação das essenciais a ser
2. Matemática e suas específicas diferentes áreas do garantidas no âmbito
Tecnologias, estabelecidas para conhecimento, da BNCC a todos os
cada um dos estudos e práticas de: estudantes do Ensino
3. Ciências da componentes. Médio. Elas são
Natureza e suas • Língua Portuguesa; descritas de acordo
Tecnologias, com a mesma
• Matemática; estrutura adotada no
4. Ciências Humanas Ensino Fundamental.
e Sociais aplicadas. • Conhecimento do
mundo físico e
Há competências natural e da realidade
estabelecidas para social e política;
cada área.
• Arte;

• Educação Física;

• História do Brasil e
do mundo;

• História e cultura
afro-brasileira e
indígena;

• Sociologia e
Filosofia;

• Língua inglesa.

Organização de cada etapa


Para a Educação Infantil, os campos de experiências são comuns a todas as faixas etárias, mas
os objetivos de aprendizagem e de desenvolvimento são específicos para cada uma delas. Para o
Ensino Fundamental, são descritas habilidades específicas para cada um dos componentes em
cada ano do Ensino Fundamental.

No Ensino Médio, é relacionado um conjunto de habilidades para cada competência específica


de área.

Navegue pela BNCC para saber mais sobre essa organização! Observe que tanto os objetivos de
aprendizagem da Educação Infantil quanto as habilidades do Ensino Fundamental são descritas
por códigos alfanuméricos.

Entenda os códigos
As aprendizagens especificadas na BNCC são organizadas para as diferentes etapas e
identificadas por um código alfanumérico. Na Educação Infantil, os códigos se iniciam com EI, e
no Ensino Fundamental com EF.
O código EI02TS01 refere-se ao primeiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto
no campo de experiências “Traços, sons, cores e formas” para as crianças bem pequenas (de 1
ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses). A numeração sequencial dos códigos alfanuméricos não
sugere ordem ou hierarquia entre os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento.

O código EF67EF01 refere-se à primeira habilidade proposta em Educação Física no bloco relativo
ao 6º e 7º anos. Vale lembrar que o uso de numeração sequencial para identificar as habilidades
de cada ano ou bloco de anos não representa uma ordem ou hierarquia esperada das
aprendizagens.

O código EM13LGG103 refere-se à terceira habilidade proposta na área de Linguagens e suas


Tecnologias relacionada à competência específica 1, que pode ser desenvolvida em qualquer
série do Ensino Médio, conforme definições curriculares.

Na videoaula a seguir, você verá as professoras Ghisleine Trigo e Guiomar Namo de Mello
comentando essa diferenciação entre as etapas e outros aspectos estruturais da Base que
impactam a prática de sala de aula, como a progressão das aprendizagens.

https://www.youtube.com/watch?v=iX0WgMV23s0&feature=emb_logo
(Etapas e especificidades)

Ao longo da Educação Básica, as diferentes etapas têm suas especificidades e a transição entre
elas é marcada por transformações que impactam a aprendizagem. Na videoaula, as professoras
Ghisleine e Guiomar apontam para algumas dessas transformações: a mudança de escola
(podendo incluir, também, mudanças da administração municipal para a estadual), inserção de
professores especialistas, mudanças de currículos, mudanças biopsicossociais relacionadas ao
desenvolvimento e à adolescência, dentre outras. Nessa direção, é fundamental que se
considerem estratégias para o acolhimento e a adaptação dos alunos que passam por essas
transições. Para pensar nas estratégias, é interessante considerar:
1 - Os alunos participam de atividades desenvolvidas para que conheçam ou se familiarizem com
a nova escola ou com a próxima etapa?
2 - As atividades privilegiam quais aspectos da transição: familiarização com o espaço, com a
rotina, com os outros alunos, com o currículo?
3 - Os professores recebem algum retorno a respeito da adaptação / transição desses alunos?

Um dos desafios importantes para a educação que a organização da BNCC explicita refere-se à
progressão das aprendizagens [A progressão das aprendizagens pode tato estar relacionada aos
processos cognitivos em jogo – sendo expressa por verbos que indicam processos cada vez mais
ativos ou exigentes – quanto aos objetos do conhecimento – que podem apresentar complexa
sofisticação ou complexidade -, ou, ainda, aos modificadores – que, por exemplo, podem fazer
referência a contextos mais familiares aos alunos e, aos poucos, expandir-se para contextos mais
amplos], que se estrutura de maneira específica em cada componente. A progressão é uma
característica do próprio processo de aprendizagem: as aprendizagens vão se complexificando,
em função, até mesmo (mas não somente), do desenvolvimento sociocognitivo dos alunos. Há
que se considerar essa progressão para que as transições entre as etapas não se configurem
como uma ruptura neste processo. Outros desafios da educação brasileira explicitados pela BNCC
serão abordados a seguir.

Qual é o desafio posto aos educadores?

A BNCC, ao definir as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas a todos os estudantes
brasileiros - ou, de forma simplificada, estabelecer um ponto de chegada comum -, expressa um
parâmetro de igualdade educacional que deve ser referência em todas as escolas do país. Essa
igualdade também deve se concretizar nas oportunidades de acesso e de permanência da
Educação Básica, condições para que o direito de aprender seja assegurado.

No entanto, a qualidade educacional não se garante exclusivamente por parâmetros de


igualdade. É preciso, também, promover equidade.

Mas, afinal, o que é equidade? Como a imagem a seguir responde a essa pergunta?
Em termos da BNCC, igualdade significa definir as aprendizagens a que todos têm direito.
Equidade é oferecer condições adequadas às especificidades de cada indivíduo. Na imagem,
a BNCC é metaforicamente representada por um dos livros sobre os quais os alunos se
apoiam para ver além da cerca. Mas, é somente quando há outros apoios, além da BNCC, que
se alcança a equidade.

Promover a equidade supõe reconhecer que as necessidades dos estudantes são diferentes, e
portanto, orientar o planejamento e a ação curricular e didático-pedagógica para a inclusão de
todos e a superação das desigualdades. Em um país como o Brasil, marcado por acentuada
diversidade cultural e profundas desigualdades sociais, esse é um compromisso fundamental e
um grande desafio.

Isso significa fazer da escola um espaço de aprendizagem e de democracia inclusiva para todos,
considerando as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes, assim como suas
identidades linguísticas, étnicas e culturais, e as especificidades de cada contexto educativo.

“Promover a equidade supõe reconhecer que as necessidades dos estudantes são diferentes,
e portanto, orientar o planejamento e a ação curricular e didático-pedagógica para a inclusão
de todos e a superação das desigualdades.”

Mas esse não é um compromisso só da escola. Ele deve ser compartilhado na rede ou no sistema
de ensino, para que se ofereçam as condições necessárias à aprendizagem de todos: pessoas que
não puderam estudar ou completar sua escolaridade na idade própria, alunos com deficiência,
povos indígenas originários e as populações das comunidades remanescentes de quilombos e
demais afrodescendentes. Para isso, são necessárias práticas pedagógicas inclusivas e de
diferenciação curricular com vistas a reverter a situação de exclusão histórica que marginaliza
esses e outros grupos.
Em outras palavras, é no cotidiano escolar que se garantirão as aprendizagens a que todos os
alunos têm direito. Nesse contexto, BNCC, currículos e propostas pedagógicas devem ser
reconhecidos como instrumentos a serviço da melhoria da qualidade educacional.

Para aprofundar esse assunto tão importante, assista ao vídeo gravado pelas professoras
Ghisleine Trigo e Guiomar Namo de Melo:

https://www.youtube.com/watch?v=BhE-C1h_UXg&feature=emb_title
(Igualdade e equidade)

Resumo do Módulo
Ao longo deste módulo, você teve a oportunidade de:

1 - conhecer a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e suas premissas pedagógicas;

2 - entender como esse referencial pode apoiar o desenvolvimento do currículo nas ações
cotidianas da gestão escolar e da sala de aula;

3 - conhecer as competências gerais que os alunos devem desenvolver ao longo de toda a


Educação Básica.

Reveja alguns dos principais conceitos abordados no diagrama a seguir. Se desejar, imprima a
imagem e faça seu próprio mapa mental, estabelecendo as relações entre os diferentes
elementos.
ATIVIDADES:

Professor(a),

Agora que você finalizou o Módulo 1, responda às atividades a seguir que tratam dos aspectos
fundamentais da Base Nacional Comum Curricular e do impacto que esse referencial terá nas
suas atividades de sala de aula.

Como professor, é importante que você compreenda os princípios da BNCC para que possa
incorporá-los em suas práticas pedagógicas considerando, principalmente, as especificidades
locais dos alunos e da comunidade escolar.

Alguns pontos merecem destaque. Aqui, nos deteremos apenas nos que se referem às
Competências Gerais que devem ser desenvolvidas por todos os alunos durante a Educação
Básica, à transição bem-sucedida dos alunos de uma etapa ou fase para outra e à necessidade de
promover condições para que todos os alunos possam desenvolver as aprendizagens essenciais
definidas na Base. As atividades propostas têm como principal função incentivar que você faça
um diagnóstico da sua escola e promover sua reflexão sobre as implicações da BNCC no cotidiano
escolar e em sua prática como professor. Lembre-se que o Módulo 1 é apenas o ponto de partida
da formação que pretende contribuir para que todos os alunos possam desenvolver as
aprendizagens definidas na BNCC.

Bom trabalho!

Estrutura da BNCC
Na BNCC são utilizados códigos alfanuméricos para indicar os objetivos de aprendizagem e
desenvolvimento da Educação Infantil e as habilidades do Ensino Fundamental. Esses códigos
são compostos por 4 (quatro) pares de letras e/ou números que representam respectivamente:

Educação Infantil Ensino Fundamental


1º: etapa (EI); 1º: etapa (EF);
2º: grupo por faixa etária; 2º: ano (01 a 09) ou bloco de anos;
3º: campo de experiências; 3º: componente curricular;
4º: posição do objetivo de aprendizagem e 4º: posição da habilidade na numeração
desenvolvimento na numeração sequencial. sequencial.

Nas atividades a seguir, você deverá assinalar as alternativas que identificam corretamente os
códigos descritos.

Assinale a alternativa que representa o código EI 02 ET 03:


A. O terceiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo “Espaços,
tempos, quantidades, relações e transformações” para crianças bem pequenas (de 1 ano
e 7 meses a 3 anos e 11 meses).
B. O segundo objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo “O eu, o
outro e o nós” para crianças bem pequenas (de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses).
C. O primeiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo “Escuta,
fala, pensamento e imaginação” para crianças pequenas (de 4 anos a 5 anos e 11 meses).
D. O terceiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo “Espaços,
tempos, quantidades, relações e transformações” para bebês (zero a 1 ano e 6 meses).

Parabéns, você acertou!


A habilidade em questão envolve “compartilhar, com outras crianças, situações de cuidado de
plantas e animais nos espaços da instituição e fora dela”. As crianças bem pequenas são
extremamente curiosas e interessadas sobre o ser humano, os animais e as plantas. No contato
com outras crianças, com animais de seu entorno e com plantas, elas exploram, fazem
observações, formulam perguntas e têm a oportunidade de descobrir e conhecer ativamente
o meio natural, desenvolver atitudes de respeito, cuidado e permanente interesse por
aprender, aprimorando habilidades que permitam ampliar suas noções e sua compreensão
sobre os seres vivos e as relações dinâmicas com o seu entorno. Nesse contexto, é importante
que as crianças bem pequenas tenham a oportunidade de viver situações nas quais possam se
responsabilizar por pequenas tarefas, como regar e cuidar das plantas utilizando ferramentas
como pá, regador, arado etc., dar comida aos bichos e acompanhar o crescimento de alimentos
na horta, ampliando a compreensão que possuem sobre o mundo social e natural.

Assinale a alternativa que representa o código EF 15 LP 03:


A. A primeira habilidade proposta para o componente curricular Língua Portuguesa, bloco
de 6º a 9º anos, do Ensino Fundamental.
B. A terceira habilidade proposta para o componente curricular Língua Portuguesa, bloco de
1º a 5º anos do Ensino Fundamental.
C. A segunda habilidade proposta para o componente curricular Geografia, bloco de 1º a 5º
anos do Ensino Fundamental.
D. A terceira habilidade proposta para o componente curricular Língua Inglesa, bloco de 6º
a 9º anos do Ensino Fundamental.
E. A primeira habilidade proposta para o componente curricular Língua Inglesa, bloco de 1º
a 5º anos do Ensino Fundamental.

Parabéns, você acertou!


Trata-se da habilidade “Localizar informações explícitas em textos”, pertinente a todos os
campos de atuação, e tem como objeto de conhecimento Estratégia de leitura. Localizar as
informações explícitas em textos, no caso do texto escrito, requer do aluno que leia o
enunciado e a identifique. Muitos consideram essa habilidade como a menos complexa. É
preciso considerar, no entanto, que localizar informações não ocorre no vazio, mas a partir do
texto. Assim, é tarefa que pode ser tão complexa quanto o próprio texto.

Assinale a alternativa que representa o código EF 09 MA 06:


A. A nona habilidade proposta para o componente curricular Ensino Religioso, para o 9º ano
do Ensino Fundamental.
B. A sexta habilidade proposta para o componente curricular Arte, bloco de 1º a 5º anos do
Ensino Fundamental.
C. A primeira habilidade proposta para o componente curricular Matemática, bloco de 1º a
9º anos do Ensino Fundamental.
D. A sexta habilidade proposta para o componente curricular Matemática, para o 9º ano do
Ensino Fundamental.
E. A terceira habilidade proposta para o componente curricular História, para o 9º ano do
Ensino Fundamental.

Parabéns, você acertou!


Trata-se da habilidade de “Compreender as funções como relações de dependência unívoca
entre duas variáveis e suas representações numérica, algébrica e gráfica e utilizar esse conceito
para analisar situações que envolvam relações funcionais entre duas variáveis”, da unidade
temática Álgebra, do objeto de conhecimento “Funções: representações numérica, algébrica
e gráfica”.

Assinale a alternativa que representa o código EI 01 EO 01:


A. Primeiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo de
experiências “corpo, gestos e movimento” para bebês (zero a 1 ano e 6 meses).
B. Primeiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo de
experiências “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações” para crianças
pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses).
C. Segundo objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo de
experiências “O eu, o outro e o nós” para bebês (zero a 1 ano e 6 meses).
D. Primeiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo de
experiências “O eu, o outro e o nós” para bebês (zero a 1 ano e 6 meses).
E. Primeiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento proposto no campo de
experiências “Corpo, gestos e movimentos” para bebês (zero a 1 ano e 6 meses).

Parabéns, você acertou!


O código EI 01 EO 01 refere-se ao primeiro objetivo de aprendizagem e desenvolvimento
proposto no campo de experiências “O eu, o outro e o nós” para bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
da Educação Infantil. Trata-se da habilidade de “Perceber que suas ações têm efeitos nas
outras crianças e nos adultos”. Os bebês, desde bem pequenos, têm iniciativas de busca por
interagir com os adultos e as crianças. As relações de confiança e segurança são essenciais para
motivar suas auto iniciativas de interação para, por meio delas, explorar e aprender sobre o
mundo à sua volta. Por meio de relações de confiança nas quais os(as) professores(as)
respondem de forma positiva às suas ações e diferentes formas de expressão e comunicação,
os bebês começam a perceber que são capazes de conseguir reações específicas a partir de
suas ações, e que suas ações têm efeitos nas outras pessoas. Nesse contexto, para o
desenvolvimento dessa habilidade, é importante que os bebês possam participar de situações
nas quais são valorizados em suas iniciativas, acolhidos em suas expressões e manifestações
de desejos e necessidades, bem como acolhidos e acariciados por meio do contato físico
positivo.

Estrutura da BNCC: diferenças entre as etapas

Atividade de verdadeiro ou falso

Considerando a Estrutura da BNCC, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:

Na Educação Infantil devem ser assegurados seis direitos de aprendizagem e V F


desenvolvimento: conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-
se.
A Educação Infantil está organizada em cinco áreas do conhecimento. V F
As aprendizagens do Ensino Fundamental estão organizadas em cinco áreas do V F
conhecimento: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências
Humanas e Ensino Religioso.
Língua Inglesa é um componente curricular contemplado a partir dos anos V F
iniciais do Ensino Fundamental.

Parabéns, você acertou!


Os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento asseguram, na Educação Infantil, as
condições para que as crianças aprendam em situações nas quais possam desempenhar um
papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar desafios e a sentirem-se provocadas a
resolvê-los, nas quais possam construir significados sobre si, os outros e o mundo social e
natural.

Parabéns, você acertou!


A Educação Infantil é organizada em cinco campos de experiências, no âmbito dos quais são
definidos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Os campos de experiências
constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida
cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do
patrimônio cultural. A definição e a denominação dos campos de experiências também se
baseiam no que dispõem as DCNEI em relação aos saberes e conhecimentos fundamentais a
ser propiciados às crianças e associados às suas experiências.
Parabéns, você acertou!
As áreas do conhecimento Linguagens e Ciências Humanas abrigam mais de um componente
curricular: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Arte e Educação Física compõem a área de
Linguagens enquanto História e Geografia compõem a área de Ciências Humanas.

Parabéns, você acertou!


Embora o componente esteja contemplado na BNCC apenas a partir dos anos finais, as escolas
podem, em seus currículos, propor o componente para os anos iniciais e até para a educação
infantil.