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A questão: O Estado nacional nas ***metrópoles imperialistas

Identificar os erros nas diversas posições sobre o assunto (conforme assinalado no


principio do artigo)

Parte 1 – O Estado e a Questão da Burguesia Nacional

Denunciar os mitos que custam a desaparecer


A questão:
- O que pode, ou não, o Estado, em face das grandes firmas multinacionais**?
- Qual é o grau, ou a forma, de perda desses poderes em face das possibilidades dos
gigantes internacionais?

São formulações falsas pois as instituições ou os aparelhos não possuem poder próprio
- Só exprimem e cristalizam os poderes de **classe

Logo, torna-se outra a questão:


- Relações das burguesias ****europeias e do capital americano
- De que burguesias se trata exatamente?

E dessa forma se coloca a questão da ***burguesia nacional


Definindo a burguesia nacional***
- Se distingue da burguesia compradora, e não somente no plano econômico**
- Deve-se delimitar a burguesia nacional fazendo referencia também aos critérios **(1)
políticos e (2) ideológicos de sua **determinação estrutural de classe
- Não pode ser apreendida como um capital “autóctone”**, radicalmente distinto do
capital imperialista “estrangeiro”** (em referenca as únicas contradições econômicas
que o separam dele)
- Nota-se que desde os primórdios do imperialismo há tendência de interpenetração
internacional dos capitais**
- A distinção entre burguesia nacional e compradora também não destaca (como
frequentemente se considera) **a distinção entre capital industrial/capital comercial
- Pela referencia nos critérios de mercado, a burguesia nacional não **pode ser
apreendida como uma burguesia autóctone que age sobre o mercado nacional “interior”
- E isso porque pode-se ter setores da burguesia industrial e comercial inteiramente
enfeudados no capital estrangeiro**
- Cita-se como exemplo** certos países da América Latina** em que as burguesias
latifundiárias exportadoras de produtos de monocultura, no entanto, apresentam as
características de burguesias nacionais***** (importante)
- Finalmente, e mais significativo***, a distinção burguesia nacional – burguesia
compradora não destaca a **distinção capital monopolista (grande capital) – capital não
monopolista (médio capital)
- E isso porque pode-se encontrar grandes **monopólios funcionando como burguesias
nacionais, e setores de capital médio inteiramente enfeudados*** no capital estrangeiro

Essas observações apontam que as contradições econômicas entre (1) o capital


estrangeiro e o (2) capital autóctone desempenham um papel importante na delimitação
da burguesia nacional mas não é suficiente**

E assim, de fato entende-se por burguesia nacional: “a fração autóctone da burguesia


que, a partir de certo tipo e grau de **contradições com o capital imperialista
estrangeiro, ocupa, na **estrutura ideológica e política, um lugar relativamente
autônomo**, apresentando assim uma unidade própria” (p. 76)

Esse lugar relativamente autônomo


- Referindo-se à determinação estrutural de classe, não se **reduz à sua posição de
classe
- Mas tem efeitos sobre ela (posição de classe)
- A burguesia nacional é suscetível***, em conjunturas determinadas de luta anti-
imperialista e de liberação nacional, de **adotar posições de classe que a incluem no
“povo”, e é então passível de certo tipo de aliança com as massas populares**

Definindo a burguesia compradora***


Entende-se por burguesia compradora: “a fração burguesa que não tem **base própria
de acumulação do capital, que **age de algum modo como simples “**intermediária”
do capital imperialista estrangeiro – é por isso que as vezes assimilamos a esta
burguesia a “**burguesia burocrática” – e que é assim, do **triplo ponto de vista
econômico, politico, e ideológico, **inteiramente enfeudada no capital estrangeiro”
Dessa forma
- Pode-se ver que os dois conceitos – burguesia nacional e compradora – não permitem
analisar as burguesias das **metrópoles imperialistas em face do capital
americano, na fase atual do imperialismo***
- Prender-se a esta única distinção conduz à redução economista e a conclusões falsas

1) Constata-se contradições de **interesses econômicos entre setores da burguesia


autóctone e o capital imperialista estrangeiro
- E isso sobretudo pelo fato que esta burguesia autóctone apresenta uma **camada
industrial e bases de acumulação próprias do capital, ao mesmo tempo no **seio e no
exterior da formação, concluindo-se que se trata de verdadeiras burguesias nacionais**
(corrente de Mandel-e do Partido Comunista)

2) Ao contrário, constata-se que essas burguesias são aquelas que **não podem
mais adotar posições de classe que as levem a fazer parte do povo**
Mas conclui-se então, diretamente, que só se pode tratar de **burguesias compradoras,
no sentido de que elas só seriam **simples intermediárias entre a economia nacional e o
capital estrangeiro (Corrente do “superimperialismo”)

Dessa forma é necessário introduzir um **conceito novo que


- permita analisar a situação concreta ao menos das **burguesias das metrópoles
imperialistas em suas relações com o capital americano
- É o que o autor designa, provisoriamente e na falta de melhor, pelo termo burguesia
interior (ou burguesia interna)*** (p. 77)
A burguesia interna
- Esta burguesia, coexiste com setores propriamente compradores
- Não possui mais, em graus certamente desiguais nas diversas formações imperialistas,
as características estruturas da burguesia nacional***

Em razão da reprodução do capital americano no próprio seio dessas formações, ela é


- por um lado imbricada por **múltiplos elos de dependência aos (1) processos de
divisão internacional do trabalho e de (2) concentração internacional do capital
sob a dominação do capital americano
O que pode até tomar a forma de uma transferência de uma aprte da mais-valia
para o lucro desse capital
- Por outro lado, e além disso, em razão da **reprodução induzida das **condições
politicas e ideológicas desta dependência, ela é afetada por efeitos de **dissolução de
sua autonomia politico-ideológico em face do capital americano

Não se trata de uma simples burguesia compradora


- A burguesia interna **possui um fundamento econômico e uma base de acumulação
próprios ao mesmo tempo no interior de sua formação social
- Dessa forma, não afetando a dominação do capital americano as economias das outras
metrópoles da mesma forma que aquelas das *****formações periféricas e no exterior

Mesmo no nível politico-ideológico, a burguesia interna


- continua a apresentar **especialidades próprias
- prendendo-se tanto à (1) sua situação presente e (2) ao seu passado de capital
imperialista "autocentrado”**, o que a ***distingue das burguesias das formações
periféricas*** (importante)

Mas, pela “industrialização periférica”


- ***núcleos de burguesia interna podem igualmente aparecer nas formações periféricas
(importante!!!)****
- Se essas burguesias não constituem de modo algum as burguesias nacionais das fases
precedentes ao imperialismo***, elas não se reduzem à Lumpen-burguesias (critica a
Gunder Frank)

Dessa forma
- **Há contradições importantes entre a burguesia interna e o capital americano
- Mas que, mesmo que não as levem a adotar posições de efetiva autonomia ou
independência em face deste capital
- **Provocam efeitos sobre os ***aparelhos de Estado dessas formações nas suas
relações com o **Estado americano*** (importante)
A questão dos Estados nacionais
- É feita levando em conta as formas atuais de **aliança – inclusive contradições – entre
as (1) burguesias imperialistas e o (2) capital americano (sob sua hegemonia)

Dessa forma
- A internacionalização atual do capital não suprime e não abala os Estados nacionais
- E isso nem no sentido de **uma integração pacífica dos diversos capitais “por cima”
dos Estados (todo processo de internacionalização operando-se sob o domínio do capital
de um país determinado)
- E nem no sentido de **sua extinção sob o super-Estado americano (como se o capital
americano digerisse pura e simplesmente as ****outras burguesias imperialistas***)

A questão é que essa internacionalização afeta profundamente ***a política e as


**formas institucionais desses Estados
- E isso pela sua **inclusão em um sistema de interconexões
- Esse sistema de interconexões não se limite de forma alguma a um jogo de pressões
(1) exteriores e (2) mutuas entre Estados e capitais justapostos
- Esses Estados encarregam-se **eles próprios dos **interesses do capital imperialista
dominante no seu **desenvolvimento no próprio seio da formação “**nacional”, em
sua interiorização complexa com a **burguesia interior que ele domina

Esse sistema de interconexões


- Não tende para a constituição de formas ou instancias institucionais supranacionais e
supra-estatais efetivas
- Esse seria o caso se tratasse de uma internacionalização em um contexto de Estados
justapostos de relações externas (contexto que teria sido necessário ultrapassar), mas
que é, primeiramente, fundado sobre uma reprodução induzida da forma do poder
imperialista dominante em cada **formação nacional e seu próprio Estado

Esse Estados
- Se encarregam dos interesses do capital dominante, de forma direta
1) apoio ao capital americano, com frequência do mesmo tipo (subvenções públicas,
dispensas fiscais, etc.) daquele que é concedido ao capital autóctone***
2) apoio necessário ao capital americano em sua extensão ulterior, em cadeia, ao
exterior desta formação, **servindo-lhe assim de reserva
Tal apoio pode ir até o ponto de ajudar o capital americano a circundar o próprio Estado
americano (legislação antitruste por exemplo)
A reprodução internacional do capital sob a dominação do capital americano apoia-se
sobre os vetores que são os **Estados nacionais, tentando cada Estado fixar sobre ele
um momento deste processo***
- E de forma indireta
1) politica industrial de cada Estado com respeito ao seu capital autóctone**, visando a
concentração e à expansão internacional deste capital
Certamente existem contradições importantes, em toda uma série de pontos, entre a
burguesias internas das **metrópoles imperialistas e o capital americano
São contradições assumidas por **cada Estado nacional quando concede seu apoio,
como é mais frequentemente o caso, à sua burguesia interna1

Mas ainda é necessário ir mais além e observar que esses antagonismos não
constituem** atualmente a contradição principal no seio das classes dominantes
**imperialistas
- A forma atual dominante das “contradições **interimperialistas” não é aquela que
existe entre o “capital internacional” e o “capital nacional”
- Ou entre as burguesias imperialistas apreendidas como entidades justapostas**

A dependência do capital autóctone em relação ao capital americano *atravessa as


diversas frações do capital autóctone***
- Sua desarticulação interna, constituindo as contradições** entre capital americano e
burguesia interna frequentemente a forma complexa da reprodução, no seio das
burguesias internas, das contradições próprias do capital americano**

Por outro lado


- As contradições do **capital autóctone são por mediações complexas, extrapoladas**
em função do capital americano
- Dessa forma, a burguesia interna é composta de **elementos (1) heterogêneos e (2)
conjunturais

A distinção burguesia interna e burguesia compradora


- *não abrange, menos ainda hoje do que no passado, no caso da burguesia nacional,
nem a (1) distinção entre grande capital monopolista e capital não-monopolista
- Nem** aquela entre capital produtivo (industrial) e capital bancário
- Nem aquela entre a *8burguesia limitada ao mercado interno (podendo setores dessa
burguesia ser inteiramente enfeudados no capital americano e constitui sua ponta de
lança neste mercado) e uma burguesia de estratégia expansionista internacional (setores
desta, e até mesmo “firmas multinacionais” com predomínio francês – Renault,
Michelin, etc – holandês, mesmo britânico) podendo elas mesmas apresentar uma
**autonomia característica em relação ao/e contradições importantes com o **capital
americano**
- Ela as atravessa numa direção que **depende da conjuntura***, como provam as
peripécias da política “gaullista”***

Dessa forma***
“o conceito de burguesia interna remonta ao processo de internacionalização, e não a
uma burguesia “fechada” em um espaço nacional”*** (p. 80)

1
Aponta que esses é um dos aspectos da comunidade econômica europeia – CEE. Aponta que uma das
formas deste apoio do Estado nacional à sua burguesia interna consiste atualmente no setor nacionalizado.
Mas seria falso acreditar que este setor funcione como **capital nacional. Motivo: de fato ele é parte
tomada do processo de internacionalização.
O Estado nacional
- Intervém assim, em seu papel de organização da hegemonia**, em (1) um campo
interior (1.1) já atravessado pelas **contradições imperialistas e (2) onde as
contradições entre as frações dominantes no seio de sua formação social (2.1) já estão
internacionalizadas** (internacionalização das contradições)

A intervenção do Estado
- Em favor de certos grandes monopólios autóctones contra outros**, em favor de
grandes monopólios ou setores do capital médio autóctone contra outros**, em favor
enfim de **certas frações do capital europeu contra outros
- Só são frequentemente intervenções ***indiretas em favor de certas frações ou setores
do capital americano contra outros deste mesmo capital (e de que dependem as diversas
frações e setores do capital autóctone e do capital europeu**

Dessa forma, a **contradição principal nas burguesias imperialistas se passa então


- **segundo a conjuntura
- No seio das contradições do **capital imperialista dominante e da
**internacionalização que ele impõe
- Ou ainda, no seio da **burguesia interna e de suas lutas internas
- Deslocando-se raramente entre a burguesia interna como tal e o capital americano

É esta desarticulação e heterogeneidade da burguesia interna que explica a


- Fraca resistência, com seus diversos desníveis, dos **Estados europeus em face do
capital americano
- Novos meios reais de **pressão das firmas multinacionais americanas sobre os
Estados europeus (evasões fiscais, especulação sobre as moedas, afastamento dos
obstáculos aduaneiros**) são somente elementos secundários do negócio
- E isso ao contrário do que sustenta a corrente ideológica dominante que coloca o
problema “Estado nacional x firmas multinacionais”**
É a partir dessas análises que pode ser colocado o problema da ***configuração atual de
classe no ****bloco no poder, aliança específica das classes e frações de classe
politicamente dominantes, nas *****metrópoles imperialistas
- De um lado, esse bloco no poder **não pode ser apreendido doravante sobre um plano
puramente nacional****
Os Estados imperialistas se encarregam ***não simplesmente dos interesses de suas
burguesias interiores; mas igualmente se encarregam dos interesses do **capital
imperialista dominante e ***daqueles interesses dos outros capitais imperialistas
E isso em sua articulação, dos capitais imperialistas, no seio do processo de
internacionalização
- Por outro lado, esses capitais “estrangeiros” não fazem diretamente parte, como forças
sociais relativamente autônomas, de cada bloco*** no poder em questão
A burguesia americana e suas frações, a burguesia alemã e suas frações, não estão
diretamente presentes como tais no bloco no poder na França****
E isso mesmo que elas ajam pelos diferentes desvios no seio dos aparelhos de Estado na
França
Sua presença no bloco no poder na França é assegurada por ********(1) certas frações
da burguesia francesa (importante) e ***(2) pelo estado de internacionalização que afeta
estas, e (3) pela sua ***interiorização e representação no próprio seio da burguesia
francesa, (4) e pela reprodução induzida do **capital imperialista dominante nas
metrópoles imperialistas

É o que explica toda uma série de ****defasagens sobre o plano da hegemonia nesses
blocos no poder
- As frações hegemônicas dos blocos no poder nessas metrópoles imperialistas não
são** necessariamente aquelas que tem mais vínculos com o capital americano
- Sem que isso queira dizer, nestes casos, que não esteja presente nesses blocos no
poder**
Distinção entre a perspectiva de Poulantzas das concepções do superimperialismo e de
Mandel-PC ocidentais.

Sobre a corrente de Mandel-Pc ocidentais


- Aceitam** a existência, ***nos paises europeus, de uma burguesia nacional
- Porém não a delimitam da mesma forma, em que para cada um, é óbvio, sua burguesia
nacional**
- Para Mandel, essa burguesia nacional é **produto dos grandes monopólios “europeus”
ao contrário do que se passa com o médio capital europeu

A crítica de Poulantzas se direciona principalmente a ideia de falta de


coordenação/cooperação entre as burguesias europeias
- Não se trata então de um “paradoxo” devido a incompetências técnicas, insuficiências
jurídicas ou incompatibilidades de humor
- Se as burguesias europeias não “cooperam” e não se “coordenam” em face do capital
americano, é em razão dos efeitos tendenciais sobre elas da nova estrutura de**
dependência em relação ao capital americano
- As relações dessas burguesias entre si são relações **descentralizadas, ou seja, passam
pela **distorção da interiorização do capital americano em seu próprio seio
- É cada Estado nacional europeu que se encarrega dos interesses das **outras
burguesias europeias, bem como de sua concorrência – das outras burguesias europeias
– com a burguesia interna (assumindo seu estado de dependência em relação ao capital
americano)

Sobre as análises dos PC’s europeus (especialmente do PCF)


- Insistencia na interpenetração dos grandes monopólios e na dominação do capital
americano
- A burguesia nacional seria o capital não-monopolista/capital médio
- A única fração dominante seria a dos grandes monopólios, globalmente
“cosmopolitas”
- O capital médio seria incluído no pequeno capital nacional (pequena burguesia), e a
partir dele se procura a aliança para a instauração de uma “democracia avançada” que
enfrentaria o capital americano

A crítica de Poulantzas se refere ao ignore dos efeitos da socialização do processo de


trabalho e da concentração sobre a dependência do médio capital em relação ao grande
capital
Parte 2 – O Estado e a Nação

Se o Estado atual das **metrópoles imperialistas se modifica conservando sua natureza


de Estado nacional**
- Isso é devido ao fato de que o Estado não é a simples ferramenta ou instrumento
manipulável à vontade, das classes dominantes***
- E que provoca automaticamente, toda etapa de internacionalização do capital uma
“**supranacionalização” dos Estados
- O Estado, que mantém a unidade e a coesão de **uma formação social dividida em
classes, concentra e resume as **contradições de classe do conjunto da formação social
- E assim, consagra e legitima (1) os interesses das classes e frações dominantes em face
das outras classes dessa formação, (2) ao tempo que assume contradições mundiais de
classe**** (importante)

O problema então não se reduz a uma contradição simples e mecanista entre (1) a base
(internacionalização da produção) e (2) um rótulo superestrutural (o Estado nacional)
que não lhe corresponderia mais**
As transformações superestruturais dependem das **formas assumidas pela luta de
classe em uma corrente **imperialista marcada pelo desenvolvimento de seus elos

Primeiro, foi visto que a ***a internacionalização do capital não da lugar a uma efetiva
***”fusão transnacional” dos capitais***

Dessa forma é preciso apontar o que se passa do lado das classes operárias dos **paises
europeus?
- Mesmo quando as lutas das massas populares se desenvolvem mais do que nunca
sobre uma **base mundial determinando as conjunturas concretas
- Mesmo quando a instauração de relações de produção mundiais e a socialização do
trabalho reforçam*** objetivamente a solidariedade2 internacional dos trabalhadores
- **É a forma nacional que prevalece em sua luta, essa sendo, em sua essência,
internacional**

Isso se prende
- de um lado, ao desenvolvimento desigual e às especificidades concretas de cada
formação social***
- Há então traços da própria natureza do capitalista, ao encontro do que sustentam as
***diversas ideologias da “mundialização”
- Mas, nas particularidades que estas formas assumem** atualmente, isso se prende às
organizações – partidos, sindicatos – que tem a preponderância nas classes operárias
europeias***

2
Ou a competição??
É também necessário levar em consideração a pequena burguesia*** (que se reproduz
sob novas formas) e as classes do campesinato** (cujos Estados procuram o apoio
indispensável e cuja situação de classe tem como efeito um nacionalismo todo particular
E também as categorias sociais dos **aparelhos de Estado (burocracia administrativas,
integrantes de partidos políticos) para as quais o Estado permanece uma fonte de
privilegios

Chega-se então ao problema da permanência da nação pelos efeitos que ela produz
sobre as “formas nacionais” das lutas de classe****

Acontece que o problema da relação entre Estado e nação, colocado pelo Estado
nacional, não está resolvido**
- Se a nação está constitutivamente ligada à existência do capitalismo, e isso sem deixar
de lado o seu estádio imperialista***, o marxismo-leninismo não confundiu jamais (1)
Estado e (2) Nação*** (importante)
- Somente foi sustentado a tese da emergência do “Estado nacional” e da “formação
social nacional” sob o capitalismo***.

O problema então é reapresentado sob outro ângulo: a internacionalização atual da


produção e as relações de produção mundiais, **(1) se não eliminam certamente a
entidade nacional, **(2) não modificam o espaço da formação social? Ou seja, a
**configuração dos locais do processo de reprodução, ao ponto de fazer explodir a
formação social nacional e romper assim os vínculos entre Estado e nação (Estado
supranacional)
(3) Os locais onde se desenvolvem a reprodução ampliada do modo de produção
capitalista e os núcleos do desenvolvimento desigual são ainda **formações sociais
nacionais?

São questões que remontam diretamente ao problema das condições politicas e


ideológicas da reprodução no campo da luta de classes***

De fato
- Os vínculos entre **Estado e nação não estão rompidos
- Os **locais essenciais da reprodução e do desenvolvimento desigual continuam a ser
ainda as **formações sociais nacionais
- E isso na medida em que **nem a nação nem a relação Estado e nação se reduzem a
**simples vínculos econômicos
A nação
- Em toda a complexidade de sua determinação – unidade econômica, territorial,
linguística, simbólico-ideológica ligada à tradição – conserva sua entidade própria
quanto às “formas nacionais” da luta de classes
- Assim permanece a relação Estado e nação, por esse meandro
- As modificações da internacionalização só afetam, ***pelo menos nas metrópoles
imperialistas, certos elementos desta determinação** (e isto de forma desigual**)
- Essas modificações se cristalizam então como **modificações de um Estado que
continua sendo em seu núcleo rígido, **o Estado nacional
- Essas modificações permanecem consideráveis** e **colocam em causa a
conceptualização jurídica da **soberania nacional
- Ou seja, o papel que cada Estado assume na repressão da luta de classes no plano
internacional (OTAN, etcs)***
- Extraterritorialidade** das funções e das intervenções de cada Estado, estendendo
essas funções e intervenções nas formações exteriores** onde se desenvolve seu capital
autóctone** (importante)
- Modificações dos próprios sistemas jurídicos internos de cada Estado de maneira a
cobrir a internacionalização de suas ***intervenções
- Modificações politico-ideológicas daqueles aparelhos de Estado*** baseados por
excelência na **estrutura do Estado nacional, principalmente o Exército, etc.**

Dessa forma
- Certas distorções manifestam-se atualmente no caso das metrópoles imperialistas** de
que nos ocupamos, entre (1) o Estado e a (2) nação
- Mas isso não no sentido geralmente entendido como supranacionalização do
Estado**
- Não** se assiste à emergência de um novo Estado acima das nações
- Se assiste às rupturas da unidade nacional subtendendo os Estados nacionais existentes
- Esse seria o **fenômeno do regionalismo
- A internacionalização então **provoca mais um fracionamento da nação, tal como é
historicamente constituída, do que uma supranacionalização do Estado**
- Esse fenômeno é muito mais característico porque, longe de representar uma
**pretensa cooperação supranacional dos paises europeus contra o capital americano**,
ele corresponde à (1) reprodução ampliada do capital internacional sob a dominação do
capital americano no próprio seio dos países europeus***, e à (2) **nova estrutura de
dependência
- E isso suscita uma ***tendência à desarticulação interna das formações sociais
europeias e de suas economias (acentuação dos “polos de desenvolvimento”**)
- Podendo assim chegar até a fenômenos reais de colonização interior** sob os diversos
rótulos de aproveitamento ordenado do território***
- É sobre essa desarticulação** que cria raízes a desintegração da unidade nacional
capitalista**
Parte 3 – A internacionalização e o Papel Econômico do Estado

A partir das considerações feitas


- A internacionalização atual do capital e a emergência de “**gigantes multinacionais”
nas suas relações com o Estado *não podem então se colocar em termos de ***duas
entidades “possuidoras” do poder*** que o redistribuem a si próprias

É desconhecimento sustentar que


- quanto mais o ** “poder econômico”** aumenta e se concentra *** mais ele tira
poder do **Estado
- É desconhecimento não somente que o **Estado não possui poder próprio
- É desconhecimento que ele intervem de maneira decisiva** nessa concentração
- O processo de internacionalização **não fere em nada o papel dominante do Estado**
no estádio capitalista monopolista

Esse domínio do Estado


- **corresponde ao crescimento de suas funções **econômicas, indispensáveis a
reprodução do **grande capital
- Mas a questão é que isso não explica** por que as intervenções **econômicas do
Estado continuam a ter como portadores essencialmente os **Estado nacionais

A questão
- Não se poderia admitir que essas intervenções econômicas, permanecendo essenciais,
troquem de portador** e que o Estado nacional seja atualmente desprovido** de uma
larg parte dessas intervenções em favor de instituições supra-estatais ou de um embrião
de **Estado supranacional???

Formas de “coordenação” das politicas econômicas dos **diversos Estados são


necessárias (diversas instituições internacionais, CEE), mas
- Essas formas de coordenação não constituem, de fato, aparelhos que suplantam os
Estados nacionais ou a eles se superpõem
- E isso por uma razão suplementar as que já foram apontadas, ou seja, **essas
intervenções econômicas do Estado não são** funções técnicas e **neutras, impostas
pelas necessidades de uma “produção” considerada ela própria de maneira neutra
- Essas funções econômicas** do Estado são expressões de seu ***papel politico total
na exploração e dominação de ***classe (importante)
- Essas funções econômicas se articulam constitutivamente ao seu papel repressivo e
ideológico*** no campo da **luta de classe de uma formação social
- Dessa forma, não se pode separar as diversas intervenções*** (e seus aspectos), do
Estado, visando **uma transferência efetiva das ** “*funções econômicas” aos
aparelhos supranacionais ou supra-estatais
- E o Estado nacional então só mantendo um papel repressivo e ideológico**
A questão é que olhando nessa direção, perde-se as tendências reais
- Ou seja, perde-se as transformações interiorizadas do próprio Estado nacional em vista
de se encarregar da internacionalização das funções publicas com respeito ao capital
- Atinge-se assim uma linha de defesa de seu “próprio” Estado nacional contra as
“instituições cosmopolitas”**

Essas formas institucionais e internacionais


- Não** se superpõem também a esses Estados nacionais
- São a expressão de suas transformações interiorizadas**
- Essas transformações não se referem somente às **intervenções econômicas do
Estado nacional, mas igualmente aos aspectos **repressivo e ideológico pelos quais
essas intervenções se realizam

A concepção das “funções econômicas” neutras e técnicas do Estado é a dos PC


ocidentais (referencia ao PCF – O Estado fator orgânico da produção, o Estado fazendo
parte da base) na teorização do “Capitalismo monopolista de Estado”
- Suposição de que essas funções em si neutras, sejam “distorcidas” em proveito dos
únicos grandes monopólios e poderiam ser utilizadas em proveito das massas populares
(por uma simples mudança do poder de Estado e sem que seja quebrada a máquina de
Estado)
- Essas analises deveriam ter conduzido o PCF a adotar a concepção do Estado
supranacional no contexto de uma internacionalização da produção
- Se não for isso, é porque se situam na concepção da **corrente imperialista como
**justaposição e adição de Capitalismo Monopolista de Estado nacionais
- Insiste então sobre o fato de que o “capital internacional” se insere em cada formação
social**, jutando-se e dobrando-se às especificidades do seu capitalismo monopolista de
Estado
- Mas na realidade é a própria estrutura de cada formação social**8 que é reorganizada
em relação à internacionalização do capital (importante)
- Na versão do PCF, considera-se que as funções do próprio Estado nacional** com
respeito a internacionalização do capital, não transformam e modificam profundamente
esse Estado, e sim sobrepõem às suas funções nacionais***
- Dessa forma, poderia em defesa do Estado nacional e apoiada na “burguesia nacional”
– médio capital contra o cpital “cosmopolita” – se utilizada para uma efetiva
“cooperação internacional” imposta pelas necessidades da “produção”, sem quebrar o
aparelho do Estado**

Voltando ao problema
- O Capital que ultrapassa os seus limites nacionais tem **recursos nos Estados
nacionais não somente no seu próprio Estado de origem, mas também nos outros
Estados****
- Isso produz uma distribuição complexa do papel dos Estados na reprodução
internacioanl do capital sob a **dominação do capital americano, podendo ter efeitos
descentralizações e deslocamentos no exercício dessas funções entre seus portadores,
sendo esses portadores, no essencial, os Estados nacionais
- Segundo a conjuntura, pode acontecer de ser incumbido este ou aquele Estado
nacional das **metropoiles a tarefa de uma ou outra intervenção de alcance
internacional, concernentes a esta reprodução e a manutenção do sistema no seu
conjunto**

Parte 4 – O Estado na reprodução internacional das classes sociais

As diversas funções do Estado que foram objeto de estudo concentraram-se na


reprodução ampliada do modo de produção capitalista
- O momento **determinante dessa reprodução refere-se à reprodução ampliada das
**classes sociais e relações sociais
- O Estado tem um papel próprio e epsecífico** nesse sentido, intervindo na (1)
**reprodução dos lugares das classes sociais e (2) na “qualificação-sujeição” dos
agentes, de maneira que possam ocupar esses lugares (das classes sociais) e na
distribuição dos agentes entre esses lugares

Duas questões
1) Se é ao Estado nacional que atualmente sempre retorna esse papel
2) Se esse papel depende ainda da especificidade da formação social e de suas
**lutas de classe
Não significa que esteja (o Estado Nacional e o seu papel) atualmente colocado cada
vez mais sob o signo da **divisão social imperialista do trabalho e de uma
**reprodução capitalista das classes sociais no plano mundial

Dessa forma
- O papel dos Estados nacionais **europeus, no que tange o aparelho escolar, formação
permanente, etc., consiste em reproduzir** as novas formas de divisão do trabalho
instauradas entre os Estados Unidos e a Europa**
- As formas de reprodução ampliada da classe operária, de sua qualificação e de sua
composição, as formas e os ritmos de reprodução da nova pequena-burguesia, do êxodo
rural ou do trabalho imigrado na Europa, e o papel dos Estados nacionais europeus
nesse sentido **dependem estritamente dessa divisão do trabalho **Estados
Unidos/Europa***
- Isto é, afastamentos tecnológicos, afastamentos de níveis e hierarquias de salários,
formas de socialização do trabalho e na produção integrada
- O aspecto de desqualificação do trabalho que acompanha o aspecto de alta
qualificação, tendendo a localizar-se no exterior dos Estados Unidos, restringindo-se por
outro lado a Europa a formas relativamente inferiores de tecnologia***

São exemplos que fazem assinalar o problema, e que leva a uma tese mais geral que
demonstra os limites de uma concepção muito difundida (Sweezy e Baran)
- Essa concepção vê os Estados Unidos como o modelo ou imagem prefigurada do
futuro para o qual tenderia a Europa
- Tal concepção negligencia as novas delimitações de dependência que se intercalam
- Os ritmos e formas de desenvolvimento, de fato bem diferentes nos Estados Unidos e
na Europa****, são devidos ao lugar que os EUA detém atualmente como **centro
administrativo mundial, e não a um simples “atraso” da Europa num caminho –
americano – que ela recuperaria
- Ou seja, por um exame das classes sociais** e dos aparelhos de Estados nos **países
imperialistas, não poderíamos limitar-nos ao caso dos Estados Unidos e tratar esta
formação da mesma forma exemplo que Marx o fazia para a Grã-Bretanha***
- As outras metrópoles imperialistas***, e principalmente a Europa, constituem um
**campo e um objeto específicos

Por fim,
- As modificações do (1) papel dos Estados nacionais europeus com o objetivo de
ocupar-se da reprodução internacional do capital sob a **dominação do capital
americano, e (2) das condições **politicas e ideológicas dessa reprodução
- Provocam **transformações institucionais decisivas desses aprelhos de Estado**
- Não há duvida de que as formas particulares de “Estado forte” (autoritário-policial) –
cujo estabelecimento assistimos muito ou pouco por toda Europa***- e a acumulação
das condições de processos eventuais de fascistização, são a expressão** ao mesmo
tempo da luta de classes nessas formações e de seu lugar na nova estrutura de
dependência**