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Monitoramento e Diagnóstico de Sistemas


Isolados a Gás SF6 pela Metodologia Acústica
L.T.B. Santos, CEPEL; H.J.A. Martins, CEPEL

campo e em laboratório além da proposta de extensão da


Resumo—Este documento apresenta os princípios básicos da mesma a outros equipamentos com outro tipo de isolação.
aplicação da metodologia acústica no diagnóstico e
monitoramento de sistemas isolados a gás SF6. Inicialmente serão II. SISTEMAS ISOLADOS A GÁS SF6
abordados os tipos de instalações e equipamentos com esta
isolação e suas particularidades quanto aos principais tipos de Em determinadas regiões com elevada densidade de carga e
defeitos. Posteriormente será apresentada a aplicação da localizadas em grandes centros urbanos, onde o custo do metro
metodologia de emissão acústica no monitoramento de tais quadrado é elevado e a disponibilidade por grandes áreas é
sistemas, as características da instrumentação adotada e a escassa, as Subestações Isoladas à Gás SF6 (SIGs), por serem
identificação de padrões de defeitos na fase de diagnóstico.
mais compactas e ocuparem menor área que as subestações
Encerrando o trabalho, alguns comentários serão abordados
sobre a aplicação da metodologia no campo e a sua extensão na com isolação a ar de mesmo porte, representam uma economia
avaliação de outros equipamentos e sistemas. significativa no projeto e instalação, além de oferecerem maior
confiabilidade por apresentarem as partes energizadas
Palavras Chave — Emissão Acústica, Monitoramento, protegidas do meio externo através de compartimentos
Diagnóstico, SF6 . pressurizados [1].
Além das SIGs e todos os equipamentos a ela associados, os
I. INTRODUÇÃO sistemas isolados a gás SF6 também se estendem às GITLs

O s sistemas isolados a Gás SF6 compreendem um conjunto


de instalações e equipamentos de grande importância e
aplicação no setor elétrico em todo o mundo. A excelente
(Gas Insulated Transmission Lines) que representam uma
alternativa ao acesso a regiões urbanas com elevada densidade
de carga, permitindo o fluxo de potência em sistemas elétricos
propriedade dielétrica do gás, bem como a sua aplicação como em alta tensão, sendo estas últimas com um sistema isolante
meio de interrupção do arco elétrico muito superior à do ar em geralmente composto por nitrogênio e SF6. As Figuras 1 e 2
equipamentos de manobra, contribuem para a sua ampla apresentam respectivamente, as fotos de uma subestação e de
aplicação nos sistemas elétricos de potência com efetiva e uma linha de transmissão isolada a gás SF6.
comprovada confiabilidade. Dentre os pontos desfavoráveis, as SIGs apresentam
Apresentando-se como uma alternativa ao sistema de problemas com manobras de secionadores e disjuntores
monitoramento UHF (Ultra High Frequency), somente isolados a SF6, pois produzem surtos de alta freqüência
possível em determinadas instalações que já possuam denominados de VFTs (Very Fast Transients) que são bastante
acopladores capacitivos integrados ou através da adaptação de prejudiciais à isolação de outros equipamentos acoplados, tais
outros sensores, a Emissão Acústica é uma ferramenta de como transformadores de potência, TP’s e buchas
diagnóstico não invasiva, de fácil aplicação e amplamente condensivas.
viável para o monitoramento de tais sistemas, bem como na
identificação de possíveis padrões de defeitos considerados
como típicos nestas instalações.
Através deste artigo, mostra-se a aplicação da metodologia
acústica no diagnóstico e monitoramento de sistemas isolados
a gás SF6, bem como os tipos de sinais e padrões de defeitos
que geralmente ocorrem nestas instalações. Nas conclusões
serão apresentadas algumas aplicações da metodologia no

Este artigo foi desenvolvido com autorização do CEPEL – Centro de


Pesquisas de Energia Elétrica.
Leonardo Torres Bispo dos Santos é engenheiro eletricista, Msc. e
trabalha no CEPEL como pesquisador desde 2006 (telefone: (21) 2598-6190,
e-mail: ltorres@cepel.br). Helvio J. A. Martins é engenheiro eletricista, doutor
e trabalha como pesquisador no CEPEL desde 1985 (telefone: (21) 2598- Fig. 1. Foto de uma SIG com os barramentos, secionadores, disjuntores e
6351, e-mail: helvio@cepel.br) outros equipamentos associados [1].
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a ação da força eletrostática imposta pela ação do campo


elétrico, assim como a força gravitacional. Uma vez que a
força elétrica excede a força gravitacional que atua na
partícula, esta tende a levitar na região entre o invólucro e o
condutor central de alta tensão, por exemplo, em barramentos.
O movimento de partículas é bastante complexo no interior
de uma SIG e depende de diversos parâmetros tais como a sua
massa e geometria, o campo elétrico (freqüência e amplitude)
e a pressão do gás.
Fig. 2. Foto dos fluodutos de uma GITL [1]. B. Cavidades em Espaçadores
Apesar de representarem instalações de elevada Quando submetidos a campos elétricos de elevada
confiabilidade e com índices de falha inferiores às subestações intensidade em razão das descontinuidades e não
isoladas a ar, muitas instalações já apresentam tempos de uniformidades geométricas no dielétrico dos mesmos
operação superiores a 30 anos e no início deste período, nem cavidades e defeitos no interior de espaçadores podem gerar
todo o conhecimento técnico sobre este tipo de instalação, a descargas parciais no interior das SIGs. Normalmente, tais
tecnologia dos materiais envolvidos ou procedimentos de cavidades são identificadas durante o controle de qualidade na
manutenção adequados eram conhecidos e praticados. Desta fabricação destes materiais, tornando este tipo de defeito mais
forma, muitas instalações já necessitaram de algum tipo de difícil de ocorrer. Entretanto, descargas parciais mais intensas,
intervenção ou mesmo manutenção. Além disto, outros fatores da ordem de algumas centenas de picoCoulombs no interior de
potenciais de inserção de defeitos devem ser considerados tais espaçadores e próximas ao condutor central podem ser
como: identificadas pelas metodologias de diagnóstico existentes.
 Problemas de fabricação e montagem; C. Eletrodos Flutuantes
 Problemas com o transporte inadequado de
Eletrodos de blindagem são utilizados em conexões de
equipamentos e compartimentos da SIG;
barramentos normalmente localizados entre seções adjacentes,
 Procedimentos de limpeza inadequados durante a
mudanças de direção e em terminações das SIGs.
manutenção;
Eventualmente estes eletrodos tornam-se frouxos produzindo
 Problemas de natureza elétrica e mecânica devido a
vibrações mecânicas. Tais vibrações, ao longo do tempo,
desgaste de materiais.
causam mau contato elétrico entre o condutor central de alta
tensão e o eletrodo de blindagem, formando então a presença
III. PRINCIPAIS TIPOS DE DEFEITOS EM SIGS
de um objeto metálico flutuante. Desta forma, o eletrodo
Independente dos mecanismos e procedimentos que flutuante adquire potencial elétrico causando descargas de
possam levar as SIGs a algum tipo de falha, os principais energia considerável, entre o eletrodo e o condutor, podendo
tipos de defeitos encontrados nestas instalações podem ser assim levar a SIG à falha após uma disrupção.
classificados em quatro grandes grupos, sendo estes:
 Presença de partículas livres; D. Protuberâncias
 Cavidades nos espaçadores; Protuberâncias configuram-se como irregularidades no
 Eletrodos Flutuantes; condutor central ou no próprio invólucro, proporcionando uma
 Protuberâncias. intensificação de campo elétrico que resulta na ocorrência de
descargas parciais. Defeitos de fabricação e problemas durante
A. Partículas Livres
a montagem da SIG correspondem aos principais eventos
A presença de partículas no interior das SIGs corresponde a causadores deste tipo de defeito.
maioria dos defeitos encontrados neste tipo de instalação e sua
presença reduz significativamente o nível de suportabilidade IV. METODOLOGIA ACÚSTICA APLICADA EM SIGS
dielétrica à frequência industrial do sistema. Dependendo do
A metodologia acústica aplicada como ferramenta preditiva
seu comprimento e localização, podem colocar o sistema de
de diagnóstico, tem sido amplamente utilizada em diversos
alta tensão em risco, pois ao se carregarem eletricamente,
setores da área industrial e principalmente em equipamentos
promovem a ocorrência de descargas disruptivas. Outro
no sistema elétrico de potência.
problema relacionado à existência de partículas ocorre quando
Em relação aos equipamentos ou sistemas nos quais a
as mesmas fixam-se em espaçadores, onde com o tempo,
avaliação por Emissão Acústica (EA) já é bem difundida,
podem levar à deterioração dos mesmos através da ocorrência
destacam-se a aplicação em transformadores de potência,
de descargas superficiais.
cabos, muflas de alta tensão e as SIGs. Além disto, novos
Vale ressaltar que o risco de uma partícula, não é função
estudos estão sendo desenvolvidos com o objetivo de estender
apenas de sua geometria e peso, mas também de sua
sua aplicação à Transformadores para Instrumentos (TIs)
localização e sua movimentação [2]. Uma partícula condutora
como uma ferramenta preditiva de diagnóstico no campo.
em repouso no interior de uma SIG está sujeita principalmente
Dentre os principais motivos que justificam a sua ampla
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aplicação, destaca-se o fato de ser uma metodologia de trechos de barramento ou mesmo diversos equipamentos em
diagnóstico com caráter preditivo e não invasivo, o que de fato uma SIG em horas de monitoramento.
corresponde a um fator determinante para a sua crescente Através deste princípio, estes sinais mecânicos internos são
utilização nos setores de manutenção das empresas, frente aos convertidos em sinais elétricos e enviados a instrumentação via
novos padrões de confiabilidade e mais recentemente de cabo coaxial ou fibra óptica. Cabe destacar que os sensores
disponibilidade dos equipamentos e instalações exigidos no utilizados nas medições são do tipo ressonante, onde a sua
setor elétrico brasileiro. melhor resposta ocorre a uma dada frequência de ressonância
De uma forma geral, a utilização da metodologia acústica definida pelo fabricante. A Figura 4 a seguir apresenta as
aplicada no diagnóstico de equipamentos busca através da curvas de resposta em frequência do sensor R15I, adotado
medição de determinados parâmetros e gráficos, definir os como um dos transdutores utilizados nas medições de campo
chamados “mapas acústicos” de normalidade e os possíveis por EA.
padrões de defeitos característicos de um determinado
equipamento ou instalação durante o seu pleno funcionamento.
Desta forma, através da comparação entre os mapas
acústicos obtidos e os padrões de calibração previamente
determinados, pode-se inferir se determinado equipamento
apresenta ou não algum indicativo de anormalidade.
Aplicando a metodologia no monitoramento em SIGs,
inicialmente obtém-se os padrões de ruído de fundo ao longo
dos barramentos ou equipamentos isolados a gás SF6 como
condição de normalidade e posteriormente compara-se com a Fig. 4. Curvas de resposta em frequência do sensor Physical Acoustics
Corporation R15I- AST utilizado nas medições de campo de EA através dos
aquisição de novos “mapas acústicos” obtidos através do métodos de calibração ASTM E1106 (em azul) e ASTM E876 (em vermelho)
posicionamento do sensor em diversos pontos ao longo da [3].
estrutura a ser avaliada, buscando possíveis padrões de
anormalidade. A figura 3 apresenta o esquema básico do Em relação ao hardware de aquisição de sinais, atualmente
arranjo adotado pela metodologia de EA ao avaliar algumas empresas já desenvolveram sistemas de aquisição
equipamentos e sistemas isolados a gás SF6. completos para a aplicação da metodologia de EA para fins de
diagnóstico, entretanto, em relação ao monitoramento de SIGs
e equipamentos isolados a gás SF6, o Acoustic Insulation
Analyser (AIA 1) fabricado pela TransiNor As, foi adotado
para este tipo de monitoramento por apresentar aos usuários
ferramentas e rotinas em seu software dedicadas ao
diagnóstico de sistemas com este tipo de isolação. A figura 5
apresenta o AIA sendo utilizado na avaliação de barramentos
isolados a gás SF6.

Fig. 3. Arranjo básico utilizado para avaliação de SIGs.

Em determinados locais onde a medição de campo é feita


em equipamentos isolados a gás SF6 instalados ao tempo e
com elevados níveis de indução eletromagnética, utiliza-se
fibra óptica no lugar de cabos coaxiais pois a mesma oferece
uma maior isolação entre o elemento sensor e o sistema de
aquisição operado pelo especialista. Apesar desta pequena
variação no arranjo, o monitoramento é facilmente realizado Fig. 5. Analisador Acústico de Isolação acoplado a um sensor para a
em razão da simplicidade do sistema de medição. avaliação de barramentos isolados a gás SF6 em uma SIG [5].

A. Sistema Básico de Medição por EA B. Análise dos Sinais de EA e Diagnóstico por


Padrões
Utilizando sensores piezoelétricos posicionados sobre o
Utilizando o Analisador Acústico de Isolação (AIA 1) no
invólucro dos equipamentos, torna-se possível de detectar
monitoramento e diagnóstico de sistemas isolados a gás SF6,
sinais ultrassônicos provenientes de defeitos ou falhas internas,
inicialmente seu software apresenta três tipos de gráficos que
que podem ser de origem elétrica ou mecânica. Considerando
compõem os chamados mapas acústicos. Estes gráficos são
que a sensibilidade do sensor acústico empregado em
utilizados na análise comparativa com os padrões de ruído de
instalações isoladas a gás SF6 apresenta uma abrangência de 3
fundo característicos de uma instalação ou equipamento
a 5 metros do seu ponto de posicionamento, mesmo adotando
previamente estabelecidos no início da medição [4]. A cada
um sistema monocanal, torna-se possível monitorar extensos
nova aquisição com o sensor acústico em um determinado
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ponto da instalação, gráficos de análise com 1000 (mil) pontos Desta forma, sua avaliação é muito útil, pois apresenta padrões
são obtidos e armazenados em um período de tempo não acústicos específicos para todos os defeitos típicos em SIGs
superior a 1 (um) minuto, sendo eles: como partículas, componentes mecânicos internos frouxos (por
 Gráfico em Modo Contínuo: exemplo, um anti-corona ou o suporte de contato em
Gráfico de barras que permite ao usuário identificar sem barramentos) ou na existência de corona e descargas em
interrupção a amplitude dos sinais captados pelo sensor no regiões internas à SIG devido à intensificação de campo
interior da SIG. Os gráficos de barras representam as elétrico. A Figura 8 a seguir apresenta o gráfico de fase obtido
amplitudes em miliVolts (mV) dos sinais obtidos no tempo e pelo AIA 1 após a medição de ruído de fundo em uma SIG.
sem interrupção, além de indicarem se os mesmos apresentam
alguma modulação na frequência 1 correspondente a
fundamental em 60 Hz ou na frequência 2 relativa a 120 Hz
(em casos de vibrações mecânicas ou componentes frouxos e
flutuantes internamente). A Figura 6 apresenta o modo de
medição contínuo do analisador acústico indicando
normalidade.

Fig. 8. Gráfico em modo de fase obtido pelo AIA com indicativo de


normalidade. Baixa amplitude e constante em 360° elétricos.

Através de ensaios laboratoriais e experiências com


medições de campo em SIGs, a metodologia acústica utiliza os
padrões dos mapas acústicos previamente obtidos através de
simulações e casos reais para estabelecer um diagnóstico
indicativo de anormalidade. Durante as medições, o padrão de
Fig. 6. Gráfico em modo contínuo do AIA apresentando um padrão de
normalidade. Baixas amplitudes em mV e sem componentes de frequência 1
defeito e sua provável localização são obtidos pela
(correlação com o 60 Hz) e frequência 2 (correlação com 120 Hz). movimentação do sensor sobre a estrutura avaliada e a
observação das alterações dos parâmetros de medição. A
 Gráfico em Modo de Pulsos por Intervalo: Tabela 1 a seguir apresenta as características dos principais
Gráfico que correlaciona a amplitude do sinal acústico parâmetros de análise obtidos através de simulações
obtido com o intervalo de tempo entre cada pulso gerado. Em laboratoriais para os principais tipos de defeitos encontrados
uma aquisição são gerados 1000 pulsos que compõem o em SIGs [4].
gráfico. Através deste “mapa” pode-se inferir em relação ao TABELA I
tempo de elevação ou “altura de vôo” no caso de partículas ou PARÂMETROS DE ANÁLISE PARA OS PRINCIPAIS TIPOS DE DEFEITOS EM SIG
avaliar a taxa de repetição de um dado sinal interno à SIG.
Considerando a análise específica em relação a suspeita de
partículas, um gráfico auxiliar para a análise de severidade é
fornecido na literatura como apoio à decisão [5]. A Figura 7
apresenta um padrão de ruído de fundo indicando a condição
de normalidade após uma dada medição.

Através da tabela 1 observa-se que apenas para o caso de


partículas fixas em espaçadores ainda existem indefinições
quanto ao padrão obtido pelos mapas acústicos. Tal fato
ocorre devido à forte atenuação acústica oferecida pelos
Fig. 7. Gráfico em modo de pulso obtido pelo AIA com indicativo de
normalidade. Baixas amplitudes e com intervalos entre pulsos não espaçadores de epóxi aos sinais acústicos provenientes de
concentrados no eixo de tempo em milissegundos. descargas superficiais sobre os mesmos. Entretanto,
considerando que a existência de partículas, de corona e de
 Gráfico em Modo de Fase: componentes flutuantes são bem caracterizadas pela
Gráfico que relaciona a amplitude dos sinais acústicos metodologia de EA, pode-se considerar que a mesma
obtidos com a fase de ocorrência dos mesmos em relação a um representa uma boa ferramenta na análise de sistemas e
sinal de sincronismo externo ou interno. Esta referência equipamentos isolados a gás SF6.
representa uma correlação entre graus elétricos (de 0° a 360°)
com o período da frequência industrial em 16,67 ms em 60 Hz.
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V. ESTUDOS DE CASO Apesar do padrão de partículas apresentar uma amplitude


As figuras e gráficos a seguir apresentam alguns tipos de bem superior ao de corona (40 mV contra 1,5 mV observado
padrões obtidos em medições laboratoriais e de campo em no sinal típico de corona), ambos os pontos foram avaliados e
SIGs. Em cada caso, dependendo do tipo de defeito simulado confirmados sucessivas vezes após a identificação de tais
ou registrado no campo, obteve-se convergência em todos ou padrões. Posteriormente, após uma intervenção com
na maioria dos parâmetros de análise apresentados na tabela 1. movimentação do gás no interior da SIG, notou-se que o
Vale lembrar que determinados fenômenos no interior da SIG padrão de partículas apresentou uma sucessiva queda de
apresentam natureza randômica e podem ocorrer em amplitude e, após a quarta medição em 2 meses apresentou
intensidades variadas e por isso, nem sempre todos os padrão similar ao de ruído de fundo e com indicativo de
parâmetros de análise são convergentes mesmo nas simulações normalidade. Tal fato ocorreu, pois dependendo do tamanho e
de defeito em laboratório. Somente após diversas medições peso das partículas, ao se deslocarem no interior dos
laboratoriais e de campo com diversos tipos de instalações e compartimentos com o fluxo de gás, migraram para a junção
equipamentos, torna-se possível identificar pequenas variações dos flanges ou regiões onde a força de origem elétrica não
nos mapas acústicos para o mesmo tipo de defeito [6]. consegue mais vencer o peso da partícula e com isto não se
deslocam mais no interior da SIG.
A. Medições no Campo
A Figura 9 apresenta o padrão de ruído de fundo em uma
dada SIG no campo, utilizado como referência durante as
medições e a Figura 10 apresenta os indicativos de partículas e
de corona na mesma instalação em dois pontos após
intervenções e manutenções. Cabe ressaltar que a metodologia
adotada durante as medições utilizou a comparação dos mapas
acústicos de ruído de fundo previamente registrados com os
padrões obtidos em cada ponto da instalação com o sensor
acústico. Considerando que a medição de campo avaliou
trechos de barramento blindado com 5 (cinco) metros de
comprimento e que as regiões com potencial de defeito
correspondem às extremidades de cada barra devido aos
espaçadores e os contatos entre cada barramento, 2 (duas)
aquisições a aproximadamente 20 (vinte) centímetros de cada
extremidade, foram registradas e analisadas nos três modos de
medição do AIA 1 em cada trecho.

Fig. 10. Padrões de partículas e de corona encontrados em outros dois pontos


da SIG

Já o padrão de corona identificado em outro ponto da


instalação, em todas as medições realizadas apresentou o
mesmo mapa acústico característico e será monitorado
periodicamente até a realização de uma próxima intervenção
das equipes de manutenção na SIG.
B. Simulações Laboratoriais
Nas simulações laboratoriais, procurou-se estabelecer outro
tipo de defeito que ainda não havia sido caracterizado em SIGs
para se obter a resposta do sensor e a definição do padrão
acústico. Desta forma utilizou-se um trecho de SIG com duas
buchas em suas extremidades para a aplicação de tensão no
barramento. Neste caso, o defeito simulado foi o afrouxamento
da blindagem interna dos contatos do barramento e na figura
Fig. 9. Padrão de ruído de fundo observado na SIG
11 são apresentados os mapas acústicos obtidos.
Analisando-se as figuras 9 e 10 observa-se claramente a De acordo com os parâmetros do sinal caracterizados na
diferença do padrão de ruído de fundo da subestação isolada a tabela 1, observa-se a confirmação dos mesmos nos gráficos
gás em relação aos pontos com indicativo de defeitos. em modo contínuo e de fase da Figura 11. Ao apresentar uma
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forte modulação com a componente de frequência 2 no gráfico estende-se os agradecimentos aos profissionais de Furnas
de barras, tipicamente encontrada em defeitos mecânicos desta Centrais Elétricas S.A. por todo apoio prestado ao CEPEL
natureza, além de amplitudes maiores que nos casos de corona, durante o monitoramento da SIG de 138 kV em Grajaú no Rio
pôde-se confirmar a repetibilidade da medição e ratificar o de Janeiro pela metodologia acústica.
padrão apresentado na literatura pelo fabricante do analisador
acústico AIA 1. VIII. BIBLIOGRAFIA
[1] Siemens Energy – Gas-Insulated Transmission Lines (GIL). 2010.
www.siemens.com/energy.
[2] Santos, L.T.B., Martins, H. J. A.; Neves, A.; "Identificação e
Quantificação de Defeitos Incipientes em Subestações Isoladas a Gás
SF6 por Emissão Acústica. Fase Experimental – Ensaios de Campo e
Laboratório". 2004, Janeiro. Relatório Técnico DIE 1218/2004, Cepel
– Centro de Pesquisas de Energia Elétrica, Rio de Janeiro, Brasil.
[3] R15I-AST Sensor. Integral Preamplifier. Acoustic Emission Sensor.
Mistras, Rev. 10/05 # 81-05.
[4] Transinor As; AIA – 1 – Acoustic Insulation Analyzer – User’s Guide,
Version 5.0.1, May 2001.
[5] Santos, L.T.B., Menezes, R.C.; "Avaliação de Trecho de Barramento
Blindado e Isolado a Gás SF6 Utilizando a Metodologia Acústica".
2004, Dezembro. Relatório Técnico DIE 51765/2004, Cepel – Centro
de Pesquisas de Energia Elétrica, Rio de Janeiro, Brasil.
[6] Suwarno, Caesario P., Anita P. "Partial Discharge Diagnosis of Gas
Insulated Station (GIS) Using Acoustic Method". 2009, 5-7 August.
International Conference on Electrical Engineering and Informatics,
Selangor, Malaysia.
[7] Cigré, WG 33/23-12, Insulation Coordination of GIS: Return of
Fig. 11. Padrão obtido com o AIA ao simular uma blindagem frouxa no experience, on site tests and diagnostic techniques” Paper to be
interior da SIG. published in ELECTRA.

VI. CONCLUSÕES IX. BIOGRAFIA


Tanto na identificação de padrões como em medições de
campo, pôde-se comprovar a eficácia da metodologia acústica Leonardo T. B. dos Santos – Nascido no Rio de
Janeiro, em 16 de Fevereiro, 1977. Possui Mestrado
como uma ferramenta de suporte à decisão no monitoramento em Engenharia Elétrica na Pontifícia Universidade
e diagnóstico de sistemas isolados a gás SF6. Católica – PUC - Rio, e graduado na Universidade
Outros estudos devem ser desenvolvidos em relação às Federal Fluminense. Sua experiência profissional
limitações dos sensores acústicos em determinados casos em inclui a antiga Companhia de Eletricidade do Rio
de Janeiro – CERJ, atual AMPLA, MPE –
que o tipo de defeito sofre grande atenuação no interior da Montagens e Projetos Especiais e o Centro de
SIG, como no caso de descargas superficiais em espaçadores Pesquisas de Energia Elétrica – CEPEL, empresa do
[7]. Entretanto, para a grande maioria dos defeitos tipicamente Sistema Eletrobrás no qual trabalha desde 2002.
Sua principal área de interesse inclui pesquisas e
encontrados em SIGs, principalmente em relação à existência trabalhos relacionados ao Diagnóstico de Equipamentos Elétricos de Potência
de partículas livres e de defeitos de natureza elétrica e e a Aplicação de Inteligência Artificial em Sistemas de Potência. Atualmente
mecânica, as simulações laboratoriais e as medições de campo desenvolve trabalhos relacionados ao diagnóstico de transformadores de
potência através da Análise de Gases Dissolvidos, além de outras técnicas de
foram amplamente satisfatórias, pois cada tipo de defeito teve diagnóstico em equipamentos elétricos no campo como a Metodologia
o seu diagnóstico comprovado com um padrão acústico Acústica na identificação de defeitos em Subestações Isoladas a Gás SF6.
distinto. Cabe ressaltar que novos estudos estão sendo
desenvolvidos para a adaptação da mesma metodologia a Helvio J. A. Martins - Nascido em Nova Friburgo -
RJ, em 11 de Julho de 1955. Graduado em Engenharia
outros equipamentos como transformadores para instrumentos Elétrica (sistemas de potência) pela UFRJ, 1979, onde
e pára-raios, uma vez que a literatura técnica já aponta uma também obteve o grau de Mestrado em Engenharia
consagração da mesma no diagnóstico de transformadores de Elétrica (Alta Tensão), 1987; e Doutorado em
potência, cabos e muflas de alta tensão. Engenharia Elétrica em 2007, desenvolvendo tese
sobre monitoramento de deslocamentos geométricos
Considerando a metodologia de diagnóstico não invasiva e de enrolamentos de transformadores de potência
de fácil aplicação, tais fatores já justificam sua aplicação nas utilizando a resposta em freqüência associada a
rotinas de manutenção nas empresas do setor elétrico brasileiro algoritmos de inteligência artificial. Sua experiência
profissional inclui a ex-PTEL-Projetos e Estudos de Engenharia, onde
como uma ferramenta de apoio à decisão confiável e viável participou de estudos de planejamento da interligação do sistema elétrico
economicamente pela simplicidade de aplicação. brasileiro e projetos de subestações. No CEPEL desde 1985, atua no
desenvolvimento de técnicas de ensaios aplicados na avaliação de
equipamentos elétricos de AT. Atualmente desenvolve pesquisas relacionadas
VII. AGRADECIMENTOS a métodos e técnicas para monitoramento, avaliação e diagnóstico de
Os autores agradecem a R. C. Menezes, F.M. Silva e L.E. equipamentos elétricos. É autor de diversos trabalhos, nacionais e
Dias, profissionais do Labdig - Laboratório de Diagnóstico de internacionais, participando ativamente de alguns grupos de trabalho do
Cigré.
Equipamentos do Departamento de Linhas e Estações do
CEPEL, pela participação das medições de campo. Além disto,