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Prevençã o e primeiros socorros -

geriatria

UFCD_3546

762191 - Agente em
Geriatria

50 Horas
Prevenção e primeiros socorros - geriatria UFCD 3546

Índice

Objetivos e conteú dos................................................................................................................................................................. 4

Ú lceras de pressã o........................................................................................................................................................................ 5

Conceito de ú lcera de pressã o................................................................................................................................................. 5

Processo de desenvolvimento.................................................................................................................................................. 6

Classificaçã o.................................................................................................................................................................................... 6

Fatores de risco.............................................................................................................................................................................. 7

Cuidados com a pele e posicionamento............................................................................................................................... 8

Transporte e manipulaçã o do idoso...................................................................................................................................... 9

Risco de acidente........................................................................................................................................................................ 14

Quedas............................................................................................................................................................................................ 15

Intoxicaçõ es.................................................................................................................................................................................. 16

Atropelamentos........................................................................................................................................................................... 17

Incêndios........................................................................................................................................................................................ 18

Isolamento e imobilidade........................................................................................................................................................ 21

Envelhecimento físico e psicoló gicoInício da velhice.................................................................................................. 21

Sedentarismo/desporto........................................................................................................................................................... 32

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Objetivos:

 Identificar os fatores e utilizar as medidas que contribuem para a prevençã o de ú lceras


de pressã o.

 Reconhecer e utilizar medidas de prevençã o do risco de acidente para a pessoa idosa


no domicílio.

 Identificar alguns fatores que contribuem para o isolamento e imobilidade da pessoa


idosa.

 Atuar em situaçõ es de emergência.

Conteúdos

 Ú lceras de pressã o

 Conceito de ú lcera de pressã o

 Processo de desenvolvimento

 Classificaçã o

 Fatores de risco

 Cuidados com a pele

 Posicionamento

 Transporte e manipulaçã o do idoso

 Risco de acidente

 Quedas

 Intoxicaçõ es

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 Atropelamentos

 Incêndios

 Isolamento e imobilidade

 Envelhecimento físico e psicoló gico

 Sedentarismo/desporto

 Há bitos culturais/animaçã o

 Exercício físico e mobilidade

 Patologias vá rias

o Hipertensã o arterial

o Diabetes

o Arterial

o Diabetes

 Primeiros socorros

 Asfixia

 Hemorragia

 Traumatismo

 Fraturas

 Queimaduras

 Reanimaçã o cardiorrespirató ria

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Úlceras de pressão

Conceito de úlcera de pressão

A úlcera de pressão pode ser definida como uma lesão de pele causada pela interrupçã o
sanguínea numa determinada á rea, que se desenvolve devido a uma pressão aumentada por
um período prolongado. Também é conhecida como úlcera de decúbito, escara ou escara
de decúbito. O termo escara deve ser utilizado quando se tem uma parte necró tica ou crosta
preta na lesã o.

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Processo de desenvolvimento

A úlcera de pressão desenvolve-se quando se tem uma compressã o do tecido mole entre
uma proeminência ó ssea e uma superfície dura por um período prolongado. O local mais
frequente para o seu desenvolvimento é na região sacra, calcâneo, nádegas, trocânteres,
cotovelos e tronco.

Classificação

As úlceras de pressão podem classificadas em:

Estágio I

Quando a pele está intacta, mas se observa vermelhidã o e um pouco de ulceraçã o de pele.

Estágio II

Quando a pele já está a perder a sua espessura, manifestando abrasã o, bolha ou cratera
superficial

Estágio III

Quando se observa uma ferida de espessura completa, envolvendo a epiderme, a derme e o


subcutâ neo.

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Estágio IV

Quando se tem uma lesã o significante, onde há a destruiçã o ou necrose para os mú sculos,
ossos e estruturas de suporte (tendõ es e cá psula articular).

Fatores de risco

Sã o vá rios os fatores que podem aumentar o risco para o desenvolvimento da ú lcera de


pressã o como:

 Imobilidade,

 Pressõ es prolongadas,

 Fricçã o,

 Traumatismos,

 Idade avançada,

 Desnutriçã o,

 Incontinência uriná ria e fecal,

 Infeçã o,

 Deficiência de vitamina,

 Pressã o arterial,

 Humidade excessiva,

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 Edema.

Cuidados com a pele e posicionamento

Manter alguns cuidados com a pele do paciente é fundamental. A atuaçã o fundamental é no


alívio da pressão da pele, nas á reas de maior risco, ou onde se tem ossos mais proeminentes.
Alguns cuidados sã o bem importantes, e podem ser realizados desde os primeiros
momentos que o paciente ficou acamado, seja em casa ou no hospital.

Atenção – á reas avermelhadas nã o devem ser massageadas, para nã o aumentar a á rea já


lesionada.

Manter colchã o piramidal (caixa de ovo) sobre o colchã o da cama do paciente.

Mudar sempre o paciente acamado de posiçã o.

Colocar travesseiros macios em baixo dos tornozelos para elevar os calcanhares.

Colocar o paciente sentado em poltrona macia, ou revestida com colchã o piramidal,


vá rias vezes ao dia.

Quando sentado mudar as pernas de posiçã o, alternando as á reas de apoio.

Manter alimentaçã o rica em vitaminas e proteína.

Manter hidrataçã o.

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Trocar fraldas a cada três horas, mantendo paciente limpo e seco..

Hidratar a pele com ó leos e/ou cremes a base de vegetais

Utilizar sabonetes com pH neutro para realizar a limpeza da regiã o genital.

Estar atento para o aparecimento de candidíase e outras infeçõ es por fungos. Nesses
casos, procurar o médico.

Aplicaçã o de filme transparente e/ou cremes ou loçõ es a base de AGE nas á reas de
risco aumentado para lesõ es

Realizar massagem suave na pele sadia, em á reas potenciais de pressã o, com loçã o
umectante e suave.

Manter a limpeza das roupas de cama, bem como mantê-las seca e bem esticadas.

NÃ O utilizar lâ mpada de calor sobre a pele, pois estimulam o ressecamento da mesma.

Transporte e manipulação do idoso

Os procedimentos que envolvem a movimentação e o transporte de pacientes sã o


considerados os mais penosos e perigosos para os técnicos auxiliares de saúde.
Estudiosos da questã o defendem que o ensino desses procedimentos deve ser
complementado com uma avaliação do local de trabalho e com alternativas para torná -los
menos prejudiciais.

Os princípios a aplicarem nas transferências

Avaliação das condições e preparo do idoso

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Inicialmente, deve-se fazer uma avaliaçã o das condiçõ es físicas da pessoa que será
movimentada, da sua capacidade de colaborar, bem como a observaçã o da presença de soros,
sondas e outros equipamentos instalados. Também é importante, para um planeamento
cuidadoso do procedimento, uma explicaçã o, ao paciente, do modo como se pretende movê-lo,
como pode cooperar, para onde será encaminhado e qual o motivo da locomoçã o. Vale a pena
salientar que o doente deve ser orientado a ajudar, sempre que for possível, que não deve
ser mudado rapidamente de posição e tem que usar chinelos ou sapatos com sola
antiderrapante. Outro ponto muito importante é que a movimentação e o transporte de
obesos precisam ser minuciosamente avaliados e planeados, usando-se, sempre que
possível, auxílios mecânicos.

Preparação do ambiente e dos equipamentos

Considerando-se que determinados aspetos ergonó micos do posto de trabalho podem


prejudicar atividades ocupacionais, tais como os procedimentos relacionados com
movimentação e transporte abordam-se, nessa parte, os principais cuidados que
necessitam ser observados:
 Verificar se o espaço físico é adequado para nã o restringir os movimentos;
 Examinar o local e remover os obstá culos;
 Observar a disposiçã o do mobiliá rio;
 Obter condiçõ es seguras em relaçã o ao piso;
 Colocar o suporte de soro ao lado da cama, quando necessá rio
 Elevar ou abaixar a altura da cama, para ficar ao mesmo nível da maca
 Travar as rodas da cama, maca e cadeira de rodas ou solicitar auxílio adicional
 Adaptar a altura da cama ao trabalhador e ao tipo de procedimento que será realizado;
Devem-se, também, utilizar equipamentos auxiliares e adaptar as condiçõ es do ambiente a cada
paciente em particular. Neste caso, pode ser necessá rio:
o Colocar barras de apoio nos WC’s
o Elevar a altura da sanita
o Utilizar cadeira de rodas pró pria para banho ou higiene

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Preparação da equipa

Existem algumas orientaçõ es, especificamente relacionadas com os princípios bá sicos de


mecâ nica corporal, que devem ser utilizadas pelo pessoal de enfermagem durante a
manipulaçã o de pacientes:

 Deixar os pés afastados e totalmente apoiados no chã o;


 Trabalhar com segurança e com calma;
 Manter as costas eretas;
 Usar o peso corporal como um contrapeso ao do paciente;
 Fletir os joelhos em vez de curvar a coluna
 Descer a cabeceira da cama ao mover um paciente para cima
 Utilizar movimentos sincró nicos
 Trabalhar o mais pró ximo possível do corpo do cliente, que deverá ser erguido ou
movido
 Usar uniforme que permita liberdade de movimentos e sapatos apropriados;
 Realizar a manipulaçã o de pacientes com a ajuda de, pelo menos, duas pessoas;

A transferência da cama para a cadeira

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Estar deitado na cama por um longo período de tempo é geralmente deprimente e cansativo
para a maioria dos pacientes. Para melhorar o seu humor, os pacientes frequentemente
pedem para mudar de posiçã o e até sair da cama.
A ú nica maneira de fazê-lo é transferi-lo de forma segura da cama para a cadeira ou
cadeira de rodas:

O paciente pode executar essa transferência de uma forma independente ou com uma
pequena ajuda, utilizando uma tá bua de transferência, da seguinte maneira:

 Posicionar a cadeira pró xima à cama. Devem ter a mesma altura


 Travar a cadeira e o leito, remover o braço da cadeira e elevar o apoio dos pés
 Posicionar a tá bua apoiada seguramente entre a cama e a cadeira

Um outro modo é usar o cinto de transferência, seguindo-se os passos (Figuras 20a, 20b,
20c e 20d):
 Colocar a cadeira ao lado da cama, com as costas para o pé da cama
 Travar as rodas e levantar o apoio para os pés
 Sentar o cliente na beira da cama
 Calçar o cliente com sapato ou chinelo antiderrapante
 Segurar o doente pela cintura, auxiliando-o a levantar-se, virar-se e sentar-se na
cadeira

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A transferência da cama para a maca

Nã o existe maneira segura para realizar uma transferência manual da cama para uma maca. Existem
equipamentos que devem ser utilizados, como as pranchas e os plásticos resistentes de
transferências nesse caso, o paciente deve ser virado para que se acomode o material sob ele.

 Volta-se o paciente para a posição supina, puxando-o para a maca com a ajuda do material
ou do lençol; devem participar desse procedimento quantas pessoas forem necessá rias, dependendo
das condiçõ es e do peso do cliente.

 Nunca esquecer de travar as rodas da cama e do leito e de ajustar sua altura.

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Risco de acidente

Quedas

Lesões na cabeça, no pescoço ou no dorso

 O que observa?
 Suspeite de um Traumatismo Crânio-Encefálico (TCE) ou Vertebro-Medular (TVM) se a
vítima:

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 Esteve envolvida num acidente em que sofreu um


impacto físico sú bito, como um acidente de viaçã o ou
uma queda;
 Está ou fica letá rgica, sonolenta, agitada ou
inconsciente;

 Nã o se consegue lembrar exatamente do que aconteceu;

 Tem uma dor de cabeça forte e persistente, sente ná useas ou começa a vomitar,
torna-se irritá vel, comporta-se de modo estranho ou tem convulsõ es;

 Tem lesõ es sérias na cabeça;

 Se queixa de falta de sensibilidade ou dormência;

 Sente dores na zona cervical ou na coluna dorsal/lombar ou estas zonas estão


doridas

 O que fazer?

1- Acalme a vítima e tente convencê -la a nã o se mover;


2- Peça a um mirone que alerte os Serviços de Emergência ou vá você mesmo procurar ajuda, se
está sozinho;
3- Imobilize a vítima somente se ela concordar em cooperar.
4- Se a vítima está visivelmente inquieta ou agitada, nã o lhe deve manter a cabeça ou a coluna
cervical imobilizadas contra a sua vontade.

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Se a vítima nã o tem respostas normais, se estiver


agitada, etilizada ou com muita dor, a sua avaliaçã o
preliminar nã o irá ser particularmente fiá vel. Deve entã o informar os Serviços de Emergência
se nã o está certo quanto à natureza da lesã o.
Manter as vias aéreas desobstruídas é uma prioridade, mais importante do que a
proteçã o de uma potencial lesã o da coluna vertebral. A não ser que consiga assegurar-se, sem
margem de dú vidas, que a vítima ventila normalmente, deve colocá -la em decú bito dorsal
(virado de barriga para cima) para desobstruir as vias aéreas e verificar a ventilaçã o. Quando
necessá rio, colocar a vítima na posiçã o lateral de segurança para manter as vias aéreas
desobstruídas, é uma prioridade mais importante até do que a proteçã o de uma potencial lesã o
da coluna vertebral.

Intoxicações

 O que observa?

A vítima ingeriu uma substâ ncia tó xica ou apresenta-se com uma overdose (á lcool,
estupefacientes, medicamentos).

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 O que fazer?

Contacte o Centro de Informação Anti Venenos (CIAV) ou


outros serviços de emergência e siga as instruçõ es fornecidas.
Descreva o sucedido. Forneça informaçõ es acerca da substâ ncia
tó xica e o estado da vítima.
Sem o aconselhamento de profissionais de saú de, não deve
provocar o vó mito à vítima nem lhe deve dar á gua, leite ou outros
medicamentos.
O contacto telefó nico do CIAV (Centro de Informaçã o Anti
Venenos) é o seguinte:

Atropelamentos

Cumpra o có digo da estrada em todas as situaçõ es. Este dir-lhe-á o que deve fazer legalmente
quando se dá um acidente na via pú blica.

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Quando se aproximar do local de um acidente rodoviá rio reduza a velocidade, sem travar
bruscamente. Estacione o seu carro num local seguro, na berma ou à beira da estrada. Coloque
um colete refletor de segurança. Utilize sinais de aviso (como por exemplo, um triâ ngulo de
sinalizaçã o) para alertar o trá fego que se aproxima do local do acidente.

Nunca tente atravessar uma autoestrada a pé

Procure evitar incê ndios. Para tal, desligue a igniçã o de todos os veículos envolvidos no
acidente.

Nã o permita que ninguém fume perto do local do acidente. Lembre-se que um airbag que nã o
foi ativado pelo embate num acidente pode ativar-se inesperadamente. Se possível, tente
estabilizar os veículos envolvidos ao puxar o travã o de mã o de cada um.

 O que observa?

A vítima lesionou a sua mã o, braço, pé ou perna (durante a prática de desportos, numa pancada
ou numa queda). Frequentemente a vítima nã o
consegue mover o membro lesionado ou apoiar o
seu peso nele. A lesão é dolorosa e a zona pode
ficar inchada. Em alguns casos, o membro ou
articulação têm uma aparência anormal.

 O que fazer?

Se tem dú vidas quanto à gravidade da lesã o, deve assumir que o membro está fraturado e
providenciar para que a vítima seja observada por médico.

Se, no local de uma fratura, houver uma hemorragia grave, deve aplicar pressã o direta ou
uma ligadura de compressã o de modo a estancar a hemorragia.

 Nã o deve tentar recolocar no lugar, os membros que lhe parecem anormais ou


deslocados;
 Deve arrefecer a lesã o através do uso de gelo. Nã o deve
deixar o gelo entrar em contacto direto com a pele da vítima

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enquanto a tenta arrefecer, mas sim colocar um pano limpo entre a pele e o gelo. Se não houver
gelo disponível, pode utilizar uma bolsa de gel arrefecido;
 Nã o deve arrefecer o local da lesã o durante muito tempo e nunca por mais de 20
minutos de cada vez;
 Não deve imobilizar o membro lesionado se a chegada de ajuda médica é esperada em breve.
Deve igualmente aconselhar a vítima a nã o apoiar o seu peso numa perna lesionada ou pé
doloroso. Se a lesão é na mão, braço ou ombro, peça à vítima que mantenha o braço imó vel,
aconchegado ao peito. Este procedimento é geralmente menos doloroso do que a aplicação de
uma tala no membro lesionado.

Incêndios

 Incêndios em residências

Tente avisar todas as pessoas em perigo, sem arriscar a sua pró pria segurança. Nunca entre
numa casa em chamas. Afaste-se do local do incêndio e mantenha-se a uma distâ ncia de
segurança. Se o edifício onde se encontra estiver em chamas, saia imediatamente. Ajude
outras pessoas; consiga fazer as tarefas sempre em segurança.

 Acidentes elétricos em casa

Presuma que todos os cabos elétricos e eletrodomésticos têm corrente elétrica ativa até se
provar que a eletricidade está desligada. Não toque numa vítima enquanto esta estiver em
contacto com uma fonte de corrente elétrica. Lembre-se que os líquidos e objetos em contacto
com a vítima também conduzem eletricidade. Desligue a corrente elétrica.

Se tal nã o for possível, deve isolar-se do solo pisando material nã o condutor. Dessa forma
poderá entã o utilizar um objeto nã o condutor para afastar a fonte de energia da vítima. Se tal
nã o for possível, espere pela chegada dos bombeiros ou outro
pessoal especializado.

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Chave de Rautek
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 Remoção de emergência de uma vítima

A regra geral é não mover a vítima do local do acidente. Só deve mover-se uma vítima se esta
estiver exposta a perigo incontrolá vel, se a estabilidade da situaçã o nã o puder ser assegurada e
se puder agir sem risco para si pró prio. Se necessá rio, mova a vítima para um local pró ximo
que seja seguro (ex.: chave de Rautek).
Se a vítima estiver consciente, explique-lhe o que está a fazer e peca-lhe a sua cooperaçã o.
Tente apoiar-lhe a coluna cervical e evite torcer-lhe a cabeça, pescoço e corpo, durante os
procedimentos de evacuação. Tente usar a técnica correta, apesar de a prioridade ser uma
remoçã o rápida.

Tente proteger a vítima do frio ou do calor, mas mova-a somente se esta permaneceu num
ambiente frio durante um longo período de tempo e corre sérios riscos de entrar em
hipotermia. Cubra a vítima com um casaco ou um cobertor para a proteger do frio.

Pode igualmente utilizar um cobertor/lençol térmico. Para


proteger a vítima do calor, improvise uma sombra com
um casaco, cobertor ou chapéu-de-chuva, ou coloque-- se
sentado ou de pé , para que a sua sombra cubra a
vítima.

Examinar a vítima

Apresente-se e explique à vítima o que vai fazer, isso dar-lhe-á mais confiança. Verifique o
estado da vítima. Sobretudo, verifique que esta está consciente e ventila normalmente.
Situaçõ es em que o estado de consciência ou ventilação estão diminuídos representam risco de
vida. Outros exemplos de situaçõ es de perigo de vida são hemorragia abundante, queimaduras,
dor torá cica (EAM) ou Acidente Vascular Cerebral. Nestes casos, a vítima necessita de ajuda
imediata. Encontrará mais informaçõ es sobre estes casos no pró ximo capítulo.

 Dar o alerta

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Se é necessá ria ajuda, alerte os Serviços de Emergê ncia, o Centro de Informaçã o
Antivenenos (CIAV) ou outra ajuda qualificada, dependendo da situação. O 112 é o nú mero
de telefone de emergê ncia utilizado por todos os estados membros da Uniã o Europeia;
como alternativa, pode ligar para o nú mero de emergência do país.

 Informe inequivocamente:

 O que aconteceu e quais os perigos existentes;


 O local da ocorrê ncia, indicando pontos de referência;
 A identificaçã o do nú mero de vítimas e uma descrição do seu estado.

Se suspeita que as lesõ es da vítima nã o são acidentais, deve relatar este facto às equipas de
socorro.

 Prestar os Primeiros socorros

Tente prestar os primeiros socorros à vítima de uma forma calma e controlada. Os


procedimentos para a prestaçã o de primeiros socorros sã o explicados nos capítulos
seguintes.

Isolamento e imobilidade

Envelhecimento físico e psicológico da velhice

Tal como em todas as fases da vida, também a velhice implica perdas e ganhos.

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Um equilíbrio entre as perdas e os ganhos é fundamental para um envelhecimento ó timo, o
que implica um ajustamento ao declínio das capacidades físicas e da saú de e ao mesmo tempo
desenvolver sentimentos de autovalorizarã o e satisfaçã o em á reas sem ser o trabalho.

Aspetos físicos exteriores

 Reduçã o da agilidade e da força física

 Falta de firmeza nas mã os e nas pernas

 Rugas e cabelos brancos

 Aparecimento de manchas escuras na pele

 Cabelos mais finos

 Queda de cabelo

Aspetos físicos internos

 Entrada na menopausa / andropausa

 Visã o ao perto piora

 Fadiga durante o dia / insó nia durante a noite

 Perde de sensibilidade ao tato

 Diminuiçã o da capacidade auditiva

 Alteraçã o do olfato e do paladar

 Perda de memó ria

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 Reduçã o da eficiência respirató ria

 Mudanças no sistema nervoso

 Tempo de reaçã o torna-se mais lento

Principais desenvolvimentos:

 As mulheres entram na menopausa;

 Ocorre certa deterioraçã o da saú de física e declínio da resistência e perícia;

 Sabedoria e capacidade de resoluçã o de problemas prá ticos sã o acentuadas;


capacidade de resolver novos problemas declina;

 Senso de identidade continua a desenvolver-se;

 Dupla responsabilidade de cuidar dos filhos e pais idosos pode causar stress;

 Partida dos filhos tipicamente deixa o ninho vazio;

 Para alguns, sucesso na carreira e ganhos atingem o má ximo para outros ocorre um
esgotamento profissional

 Busca do sentido da vida assume importâ ncia fundamental;

 Para alguns, pode ocorrer a crise de meia-idade.

Alguns aspetos visíveis:

 Rugas;

 Cabelos brancos;

 Reduçã o da agilidade;

 Reduçã o da força física;

 Falta de firmeza nas mã os e pernas;

 Perda de sensibilidade no tato;

 Diminuiçã o da capacidade de audiçã o;

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 Diminuiçã o da capacidade de visã o;

 Alteraçõ es no olfato e paladar;

 Voz torna-se mais fina;

Aspetos psicológicos

 As mudanças bioló gicas têm influência a nível psicoló gico modificando a autoimagem /
autoconceito, assim como o ajustamento ao meio envolvente.

Em muitas culturas e civilizações, a velhice é vista com respeito e veneraçã o: representa a


experiência, o valioso saber acumulado ao longo dos anos, a prudência e a reflexão. A
sociedade urbana moderna transformou essa condiçã o, pois a atividade e o ritmo acelerado da
vida marginalizam aqueles que nã o os acompanham.

Velhice é o último período da evolução natural da vida. Implica um conjunto de situaçõ es


-- bioló gicas e fisioló gicas, mas também psicoló gicas, sociais, econó micas e políticas -- que
compõ em o quotidiano das pessoas que vivem essa fase.

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Nã o há uma idade universalmente aceita como o limiar da velhice.

As opiniõ es divergem de acordo com a classe socioeconó mica e o nível cultural, e mesmo
entre os estudiosos nã o há consenso. Para efeitos estatísticos e administrativos, a idade em
que se chega à velhice costuma ser fixada em 65 anos em diversos países, apó s o que se
encerra a fase economicamente ativa da pessoa, com a aposentadoria. Atualmente, nas naçõ es
mais desenvolvidas, esse limite nã o parece absolutamente adequado do ponto de vista
bioló gico, pelo que a Organizaçã o Mundial da Saú de (OMS) elevou-o para 75 anos.

Para compreender tal transformação, é preciso ter em conta o aumento progressivo da


longevidade -- e, portanto, da expectativa de vida -- que se produziu nas ú ltimas décadas do
século XX, fato sem precedentes na histó ria. O fenô meno se deve aos avanços na á rea de saú de
pú blica e da medicina em geral, e à melhoria das condiçõ es de vida em seus mais variados
aspetos. Por isso, é cada vez maior o nú mero de pessoas que ultrapassam a idade de sessenta
e setenta anos e, mais que isso, que atingem essa idade em boas condiçõ es físicas e mentais.

O crescimento do percentual de idosos, sobretudo nos países desenvolvidos, pô s em


evidência a problemá tica relacionada à velhice, tanto do ponto de vista estritamente médico
quanto do socioeconó mico. A questã o ganhou, assim, nova relevâ ncia entre as preocupaçõ es
dos governos, da sociedade e dos meios científicos.

Durante o envelhecimento, os principais fatores de influência da sociedade sobre o


indivíduo sã o:

 A resposta social ao declínio bioló gico,

 O afastamento do trabalho,

 A mudança da identidade social,

 a desvalorizaçã o social da velhice e

 A falta de definiçã o sociocultural de atividades em que o idoso possa perceber-se ú til e


alcançar reconhecimento social.

A vida do idoso é, portanto, dominada por um alto nível de stress, devido à s expectativas e
obrigaçõ es formalizadas.

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Velhice e envelhecimento: Conceitos e análise

O conceito de velhice remete-nos, em primeira aná lise, para a noção de idade,


indiciando que a velhice constitui-se num grupo de idade homogéneo; Fernandes (2000) diz-
nos que a idade nã o é um fator que pode, por si só , medir as transformaçõ es dependentes do
envelhecimento. As alteraçõ es surgidas com a idade dependem também do estilo de vida que
cada um teve ao longo do seu percurso.

A Organização Mundial da Saúde classifica cronologicamente como idosos as pessoas com


mais de 65 anos de idade.

Determinar o início da velhice é, sem dú vida, uma tarefa complexa, pois é difícil a
generalizaçã o em relaçã o à velhice e há distinçõ es significativas entre diferentes tipos de
idosos e velhices.

A velhice não é um processo, é um estado que caracteriza a condiçã o de ser; O registo


corporal é aquele que fornece as características do idoso: cabelos brancos, calvície, rugas,
diminuiçã o dos reflexos, compressã o da coluna vertebral e outros.

O envelhecimento é um processo complexo e universal que resulta da interaçã o entre


diversos fatores:

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 Biológicos (relativos à s mudanças operadas no organismo com a idade),

 Psicológicos (relativos à s mudanças no comportamento) e

 Sociais (relativos à s mudanças com origem nas forças sociais e nas respostas dadas
pelo indivíduo a essas forças).

Embora o processo de envelhecimento seja universal para todos os indivíduos, constata-se


que este é variá vel, pois a progressã o e intensidade diferem ao longo do processo individual e
entre indivíduos. As alteraçõ es causadas pelo envelhecimento desenvolvem-se a ritmos
diferentes de pessoa para pessoa, podendo iniciar-se prematuramente e conduzir à senilidade
precoce, ou entã o produzir-se de forma lenta e levar a um vida saudá vel por muito tempo.

É um processo diferencial, pois varia de indivíduo para indivíduo e assume ritmos diferentes,
porque na mesma pessoa podem-se processar tipos distintos de envelhecimento. · Processo
contínuo, que companha o indivíduo ao longo de toda a vida, tratando-se, portanto, de um
fenó meno normal e inerente ao ser humano.

Os termos envelhecimento e velhice sã o termos distintos, pois o envelhecimento é


um processo contínuo iniciado no momento em que nascemos e a velhice é a ú ltima etapa da

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vida que pode ser mais ou menos retardado de acordo com o indivíduo e a sua trajetó ria de
vida.

A nossa sociedade tem por norma ver a terceira idade como uma triste e penosa
decadência. Mas é possível encarar esta fase da vida como um momento oportuno para dar
um rumo melhor à existência e para superar todos os obstá culos que se vã o acumulando ao
longo da vida.

Mitos da velhice

Existem sete mitos sobre os idosos enumerados por Ebersole:

 A maioria das pessoas idosas é senil ou doente;

 A maior parte dos idosos é infeliz;

 No que se refere ao trabalho, as pessoas idosas sã o menos produtivas do que os jovens;

 A maior parte dos idosos está doente e tem necessidade de ajuda para as suas
atividades quotidianas;

 Os idosos mantêm obstinadamente os seus atos de vida, sã o conservadores e incapazes


de mudar;

 Todas as pessoas idosas se assemelham;

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 A maioria das pessoas idosas está isolada e sofre de solidã o.

Início da velhice e aptidões da velhice

A personalidade sofre modificações ao longo do processo de envelhecimento?

Estudos de Havighurst, Neugarten & Tobin (1968): primeiros dados sobre a personalidade
nos idosos. Estes autores descobriram 4 grandes tipos de personalidade presentes em
indivíduos entre os 50 e os 90 anos.

 Integrado: pessoas apresentando um bom funcionamento psicoló gico geral, com uma
“vida cheia”, interesses variados, com as suas competências cognitivas intactas e retirando um
elevado nível de satisfaçã o dos papéis desempenhados;

 Defensivo-combativo: pessoas orientadas para a realizaçã o, lutadoras e controladas,


experimentando níveis de satisfaçã o entre o moderado e o elevado;

 Passivo-dependente: dependendo do tipo de funcionamento ao longo da vida, assim


estas pessoas apresentam na velhice uma orientaçã o passiva ou dependente, mostrando graus
de satisfaçã o muito variados;

 Desintegrado: pessoas com lacunas no funcionamento psicoló gico, pouca atividade,


controlo pobre de emoçõ es e deterioraçã o dos processos cognitivos, com baixa satisfaçã o de
vida.

Para estes autores, as pessoas diferem muito na forma como vivem os ú ltimos anos das suas
vidas, acabando a sua personalidade por ser influenciada e modelada por fatores em linha
com aquilo que sempre foram as reaçõ es e os comportamentos ao longo da vida.

Os idosos com características de personalidade mais voltadas para si próprias, menos


interativas e pouco dominantes, apresentaram menos sintomas de depressã o em relaçã o

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à quelas que sã o mais voltadas e interessadas no outro, mais deferentes, organizadas,
persistentes e interativas

Passada a idade adulta, o ser humano enfrenta a terceira idade, etapa do ciclo vital na qual
há um nú mero maior de perdas, colaborando para que o idoso pense mais sobre sua finitude
(KOVÁ CS, 2005). A perda de amigos e familiares, perda da sua ocupaçã o, de parte de sua força
física, reduçã o do aparelho sensó rio e, em alguns casos, perda do funcionamento cerebral sã o
comuns nesta idade (SILVA; CARVALHO; SANTOS; MENEZES, 2007).

Em decorrência da terceira idade ser uma fase constituída por perdas, a morte nessa
idade, pode ser vista como natural e aceitá vel. Diante disso, é possível perceber que o tema
morte é algo que acompanha frequentemente os indivíduos de terceira idade. Bee (1997) nos
diz que na velhice as pessoas tendem a pensar e falar mais sobre o assunto se comparadas a
pessoas de qualquer outra faixa etá ria. Porém, tal facto nã o quer dizer que a temam menos do
que pessoas de outras idades (ROSENBERG, 1992

Negatividades da velhice

Existem dois lados (positivo e negativo) do envelhecimento

Em relação à memorização, com o envelhecimento aumenta a dificuldade em recordar


factos mais recentes e mantém-se a capacidade de recordar factos do passado longínquo. Pela

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positiva, o aspeto mais valorizado na velhice é a sabedoria a capacidade de observar, a
perspicá cia, a habilidade de comunicaçã o e julgamento (é fonte de bons conselhos,
compreensivo, capaz de entender a vida, apto a abranger todas as opiniõ es numa decisã o e
competente a pensar cuidadosamente antes de decidir). Mas, de facto, o envelhecimento físico
ganha especial relevo porque a vivência da velhice faz-se, em grande parte, pelas condiçõ es
corporais. Portanto, existem fatores que tornam as pessoas mais vulnerá veis na vivência da
idade avançada: deterioraçã o da saú de, problemas de memó ria, mobilidade e relacionamento
social.

Isolamento e solidão na velhice

O aparecimento de doenças degenerativas, ex: Alzheimer, Parkinson entre outras, associadas


à morte de um elemento do casal, assim como o abandono de familiares ou pessoas pró ximas
que nã o se sentem preparados, nã o tem condiçõ es ou simplesmente recusam cuidar do idoso,
que padece da doença, pode constituir uma das causas da solidão nesta fase.

Contudo é importante ter em consideraçã o que em determinados casos, é por vontade


pró pria, ou por se resignarem a esta condiçã o de vida, que alguns idosos rejeitam o apoio
social e psicoló gico, nã o permitindo a ajuda de centros de dia, a integraçã o em lares ou outras
entidades e instituiçõ es que poderiam assegurar a higiene, alimentaçã o e outros aspetos
bá sicos, proporcionando uma melhoria na qualidade de vida;

Outro dos aspetos relevantes é o nú mero reduzido de vagas que é desproporcional ao nú mero
elevado de idosos que fazem parte de infindá veis listas de espera, aguardando pela sua
entrada em lares de idosos ou centros de dia, onde poderã o estar ocupados e na presença de
profissionais que contribuem para diminuir ou atenuar o estado de solidã o muitas vezes
sentida por estes.

Algumas formas de lidar ou superar a solidão:

 Aprender a gerir as mudanças de diferentes estilos de vida;

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 Consultas de psicoterapia, que sã o encaradas como sendo um método bem-sucedido de
tratar a solidã o:

 Compreender a causa da solidã o e tratar pensamentos distorcidos associados a


sentimentos e atitudes negativas causadoras deste estado;

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