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A RESOLUÇÃO

Cabível nos casos de inexecução (voluntária, involuntária ou por onerosidade


excessiva) dos contratos. Pode ocorrer por falta de pagamento ou por
cumprimento defeituoso. No caso concreto, pode ser imputável ou inimputável
ao devedor. Denomina-se como o remédio disponível à parte prejudicada com o
inadimplemento da obrigação para romper o vínculo contratual mediante ação
judicial.

Como já dito anteriormente, os contratos têm caráter temporário e se


extinguem, em regra, com o cumprimento das prestações nele estipuladas. É
que o vínculo jurídico a que se obrigam as partes exige que ambas cumpram as
prestações que assumiram no tempo e na forma ajustadas, ocasião em que se
opera a extinção do contrato com a ampla satisfação das partes. Neste sentido,
interessa conhecer o magistério de CARLOS ROBERTO GONÇALVES:

Os contratos bilaterais ou sinalagmáticos geram obrigações para ambos os


contratantes, envolvendo prestações recíprocas, atreladas umas às outras.
Segundo preleciona Caio Mário, “nos contratos bilaterais as obrigações das
partes são recíprocas e interdependentes: cada um dos contraentes é
simultaneamente credor e devedor um do outro, uma vez que as respectivas
obrigações têm por causa as do seu co-contratante, e, assim, a existência de
uma é subordinada à da outra parte”. Se uma delas não é cumprida, deixa de
existir causa para o cumprimento da outra. Por isso, nenhuma das partes, sem
ter cumprido o que lhe cabe, pode exigir que a outra o faça. (in Direito civil
brasileiro, (e-book) volume 3: contratos e atos unilaterais, 11ª ed. São Paulo:
Saraiva, 2014)

Entretanto, existem casos em que a extinção do contrato ocorrerá mesmo sem


o cumprimento das obrigações nele pactuadas: são as chamadas formas de
extinção anômalas ou anormais do contrato. Essa noção de “bilateralidade” dos
contratos é importante para a compreensão dos efeitos jurídicos que podem ser
acarretados em caso de descumprimento, ou cumprimento defeituoso, da parte
contratante. O Código Civil diz que:

Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende
de interpelação judicial.
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do
contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos
casos, indenização por perdas e danos.

Os contratos bilaterais trazem consigo uma cláusula resolutiva que autoriza a


parte prejudicada com o inadimplemento a declarar ou a pedir sua resolução.
Quando o contrato traz, expressamente, essa faculdade concedida à parte
lesada de declarar o contrato resolvido de pleno direito em caso de não
cumprimento, ou cumprimento defeituoso, da prestação, dizemos que há
“cláusula resolutiva expressa”. Já nos casos em que as partes contratantes não
tratam expressamente a respeito do assunto, tanto a doutrina quanto a
jurisprudênciaentendem que há “cláusula resolutiva tácita”, uma vez que esta
decorre da própria natureza bilateral do ajuste. Sobre o tema, observem o
entendimento doutrinário:

Em todo contrato bilateral ou sinalagmático presume-se a existência de uma


cláusula resolutiva tácita, autorizando o lesado pelo inadimplemento a pleitear a
resolução do contrato, com perdas e danos. O art. 475 do Código Civil
proclama, com efeito: “A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a
resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em
qualquer dos casos, indenização por perdas e danos”. O contratante pontual
tem, assim, ante o inadimplemento da outra parte, a alternativa de resolver o
contrato ou exigir-lhe o cumprimento mediante a execução específica (CPC, art.
461). Em qualquer das hipóteses, fará jus à indenização por perdas e danos.
(GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: contratos e atos unilaterais
(e-book), vol. 3, 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2014)

A jurisprudência não diverge desse entendimento doutrinário, existindo


inúmeros julgados que reforçam a existência de cláusula resolutiva tácita em
todos os contratos bilaterais, a exemplo do julgado do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) cuja ementa é transcrita adiante:

DIREITO CIVIL. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. MORA DO


PROMITENTE VENDEDOR. INAPLICABILIDADE DO ART. 1º DO DECRETO-LEI
745/69. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. CLÁUSULA
RESOLUTIVA TÁCITA. CONTRATOS BILATERAIS. PRESENÇA. [...] II - A cláusula
resolutiva tácita pressupõe-se presente em todos os contratos bilaterais,
independentemente de estar expressa, o que significa que qualquer das partes
pode requerer a resolução do contrato diante do inadimplemento da outra. [...]
(STJ - REsp 159.661/MS, Rel. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta
Turma, julgado em 09/11/1999, DJ 14/02/2000, p. 35)

Por outro lado, a lei prevê a possibilidade de que as partes estipulem cláusula
resolutiva no contrato. A diferença mais significativa em relação à “cláusula
resolutiva tácita” é que, neste caso, a parte prejudicada pleiteia, apenas, que o
juiz declare por sentença a extinção do vínculo, sendo que os efeitos da
sentença declaratória retroagirão à data em que se verificou a inadimplência.
Confiram o precedente judicial adiante transcrito:

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO ORDINÁRIA.


DESCONSTITUIÇÃO DE TÍTULO. CANCELAMENTO DE REGISTRO IMOBILIÁRIO.
DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO RESOLUTIVA EXPRESSA. ILEGITIMIDADE
RECURSAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. PREVISÃO EXPRESSA DE
CLÁUSULA RESOLUTIVA. EXTINÇÃO DO DIREITO. PROVIMENTO
DECLARATÓRIO. IMPRESCRITIBILIDADE. [...] 2. A previsão expressa de
cláusula resolutiva conduz à extinção do direito a que ela se opõe, ou seja,
implementada a condição, independentemente de interpelação ou qualquer
outra ação judicial, resta extinto o direito. A resolução (resilição) opera-se ex
tunc. [...] 4. Nessas hipóteses, a sentença será meramente declaratória, com
efeito retroativo à data do descumprimento (ex tunc). [...] 7. Apelação do
Ministério Público Federal não conhecida. 8. Apelação do INCRA provida. (TRF
da 1ª Região - AC 2007.41.00.001066-0/RO, Rel. Desembargador Federal I'talo
Fioravanti Sabo Mendes, Quarta Turma,e-DJF1 p.244 de 30/05/2008)

No entanto, sendo o contrato plurilateral, o inadimplemento de uma das partes


não justifica a resolução quanto aos demais, a não ser que a obrigação
assumida seja essencial. Já os contratos de sociedade, quanto à sua resolução,
sujeitam-se a regras especiais disciplinadas em legislação específica.

Outra forma comum de resolução dos contratos é a “redibição”1, passível de


ocorrer em contratos onerosos, mais corriqueiramente no de compra e venda.
Consiste na inexecução parcial em razão de cumprimento da obrigação de dar
sem que a coisa tenha as qualidades próprias, vez que eivada de vícios
redibitórios.

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