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A moda na sociedade Parisiense no século XIX

A sociedade francesa por muito tempo obteve o título de capital mundial da moda,
mais especificamente Paris. Segundo alguns autores a moda teria nascido na Itália,
porém a moda segue o poder, migrou-se então para Espanha no século XVI e para
França no século XVII.

Parecer devia corresponder ao ser segundo o “ancien régime


vestimentaire”,erabalizado por leis que regulavam a forma de vestir dependendo da sua
posição hierárquica social. Luis XIV proclama um novo padrão de consumo em Versailles,
como parte do processo civilizador, influenciando o exercício de retratação da
espontaneidade e de ritualização da vida cotidiana. Tendo transformado o consumo em
lei, percebendo a ligação entre luxo e controle social.

Neste momento a função do vestuário aristocrático seria significar hereditariedade,


trazer a questão de “rico de berço”, onde a sociedade ainda se mantinha estagnada para
a ascensão de classes.

A moda só pode nascer e medrar em uma sociedade cujas estruturas


sociais sejam mutáveis e na qual a ascensão de classe seja ao menos
formal e juridicamente possível. De outro modo, estaria ausente aquilo que
seria o mecanismo propulsor do surgimento da moda, a saber, as disputas
sociais e individuais por poder, por distinção, por legitimidade cultural e
estética. (MICHETTI, 2009, p. 235)

O fenômeno de massa em que é a moda nasce pelo crescimento da sociedade


burguesa pela necessidade de se diferenciar das outras classes e se aproximar da
nobreza; Revolução industrial e a invenção da máquina de costura; queda do custo dos
tecidos. Valorização pela população mais pobre de seu vestuário e a crescente
necessidade dos clones mais abastados de se diferenciar das outras classes, o que faz
fomentar a produção de moda.

É importante pensar que no século XVIII temos a burguesia no terceiro estado junto
com os camponeses e trabalhadores na luta contra o absolutismo. A França se encontra
em uma crise emblemática causada pelos privilégios do primeiro e segundo estado, que
não aceitavam a isenção de determinados tributos e o direito de cobrar impostos por suas
terras, o que é a raiz da crise enfrentada.
O país então não consegue acompanhar as mudanças econômicas que estão
ocorrendo com o avanço do capitalismo, criando então a Assembleia Nacional
Constituinte. Onde  o rei mostra-se contrário à Constituição que estava sendo elaborada e
ordena o fechamento da Constituinte; Gerando em 14 de julho de 1789 a queda da
Bastilha, prisão para onde eram enviados os opositores do Absolutismo Francês e
símbolo do Antigo Regime. Fica conhecida a tomada da prisão pela população parisiense,
marcando o início da Revolução Francesa e espalhando o fervor revolucionário pelo país.
Pensando a revolução ao meu trabalho vale refletir como a burguesia estava atrelada a
terceiro estado e usa desse apoio para promover a mudança e disseminar os ideais da
revolução, liberté, egalité, fraternité; ao qual no século XIX com os avanços econômicos
da burguesia, com a Revolução Industrial e a proliferação da indústria têxtil, a mesma
burguesia que fazia parte do terceiro estado e clamava igualdade, agora utiliza da moda
como diferenciador social se afastando das classes mais pobres e tentando se aproximar
esteticamente e pelos costumes da nobreza.

Miqueli acredita que apenas com essas disputas entre as classes é que podemos
realmente falar de moda:

Com a Revolução, passamos “da lei à norma” e é nessa conjuntura que a


moda se afirma como tal. Antes disso, falar em moda – como temos feito
aqui com as devidas ressalvas – caracteriza uma espécie de anacronismo,
no sentindo de que a moda só pode existir efetivamente quando a disputa
entre as classes é legítima e, mais que isso, quando existe a tentativa de
equilibrar apoio social e diferenciação individual.(MICHETTI, 2009, p.236)

Concordo com a autora na medida em que se utilizam da moda para se distanciar da


“ralé” e aproximar-se da aristocracia, onde ainda estaria moldado lei e regras, porém a
questão de aparentar ser é permitido. Fazendo parte de um grupo, querendo se
assemelhar a outro, mantendo distância dos inferiores e trazendo sua individualidade.

(…) o luxo e a moda passam a ser mais individuais, dado que agora a
individualidade passa a ser um valor, algo a ser buscado e construído, já
que não mais garantido pelo nascimento e, ademais, negado pela
sociedade industrial nascente(MICHETTI, 2009, p. 236)

O que é moda? Moda é Arte?


Para Gilda de Mello e Souza a moda:

serve à estrutura social, acentuando a divisão em classe; reconcilia o


conflito entre o impulso individualizador de cada um de nós (necessidade
de afirmação como pessoa) e o socializador (necessidade de afirmação
como membro de um grupo); exprime ideias e sentimentos, pois é uma
linguagem que se traduz em termos artísticos). (SOUZA, 1996, p.29)

Georg Simmel em filosofia da moda (1904) explica a diferença entre moda e


vestuário, onde moda seria todo o contexto político, social, arte, consumo, comportamento
e todos os aspectos que envolvem a moda propriamente dita. Vestuário tratando-se
propriamente da roupa.

Para O poeta Francês Baudelaire moda é entendida como um esforço para alcançar
a beleza inalcançável na tentativa de suprir nosso anseio pelo belo. Onde nosso dever
seria “extrair da moda todo elemento que ela possa conter de poesia na história, destilar o
eterno a partir do transitório” (BAUDALAIRE, data/pg ).

Já para Daniela Calanca, historiadora da indumentária, moda é “dispositivo social


definido por uma temporalidade muito breve e por mudanças rápidas que envolvem
diferentes setores da vida coletiva” (CALANCA, 2011, p. 13)

Vejo que é importante situar a moda dentro do campo das artes, já que é muito
desqualificada por ter uma preocupação estética dita “fútil” por não especialistas. Sendo
assim, moda é arte?

Para alguns autores sim, e o entendimento de moda como arte está nitidamente
ligado ao conceito de moda adotado. A moda e a arte se aproximam no processo criativo
adotado pelo artista e estilista utilizando de inspirações, formas, cores, texturas e
principalmente a capacidade de traduzir um momento em um objeto despertando
interesse e emocionando o observador.

Gilda de Mello e Sousa em O espírito das roupas diz que:

A moda poderia ter sido arte, antes do advento da era industrial, que a
transformou numa sólida organização econômica, numa “organização do
desperdício”, bastante característica de uma sociedade plutocrata. Hoje ela
seria uma pseudo-arte, um monopólio, cada produtor tendo exclusividade
sobre as suas criações, e variando-as apenas nos detalhes, de tempos em
tempos.(MELLO, 1996, p.30)
Discordo da forma que ela denomina moda como uma “pseudo-arte” pois o período
que dedico ao estudo é exatamente após a revolução industrial, e acredito que com os
avanços tecnológicos as possibilidades de fazer e produzir vestuário se expandem em
uma crescente.

Mas isso não quer dizer que não há uma preocupação estética, ou que a vestimenta
não transmita a emoção e a fugacidade da época. Entendo também o destaque da autora
em dizer que após a era industrial, moda, capital e as produções em massa, se tornam
sinônimos.

Porém nem toda moda é assim, há uma grande preocupação das mulheres
burguesas em se dedicar e vestir peças únicas, para se distanciar do povo e aproximar-se
da nobreza, como uma classe em ascensão. Todavia durante o séc XIX apareceram
vários estilistas com toda uma preocupação estética e arquitetônica, que é moda.

Deste modo entendo a moda como fenômeno de massa identificadora da


individualidade e também coletiva de um grupo, pensando como todos seus aspectos são
presentes em nosso cotidiano desde o social, política, consumo, arte, tribos, desing,
costumes, imaginário e comportamento. E é por estar tão presente em nosso meio, que
deve-se dar atenção necessária para a moda que é tão presente e fugaz.

Contudo é pensar como o mercado se apropria desse fenômeno cultural.

Juscelina Matos jornalista, especialista em Memória, História e Historiografia


também Mestre em Cultura Visual pela FAV/UFG, diz em seu capítulo no livro Modos de
ver a Moda que:

Partindo do entendimento da arte como um fazer, um processo de criação


que tem por objetivo transmitir emoções, despertar os sentidos então
podemos afirmar, sem medo de errar, que a moda é também uma forma de
arte. (MATOS, 2010, p.41)

A autora segue dizendo que nem toda moda pode ser considerada uma
manifestação artística, MATOS também diz que roupas produzidas em massa
desprovidas de uma preocupação estética não podem ser denominadas arte.
Míriam Mendonça (2006, p. 75) em O reflexo do espelho diz: “não há como dissociar
arte e moda. São fibras de um mesmo tecido e dispõe-se a um objetivo comum, que é a
transformação de um material plástico em formas estéticas.”

Diferente da pintura que só pode ser vista de um ângulo e a estátua que estará
sempre com a mesma feição, a vestimenta vive em sua plenitude, não apenas no
colorido, mas no movimento e na performance. Sendo assim para que a moda seja
considerada arte é também necessário que entre a roupa e a pessoa que a usa exista um
elo de identidade e concordância, que é a essência da elegância.

Pensando essa hierarquização da moda como arte, Jorge Coli em O que é Arte fala
que:

Eles intervêm, por assim dizer, na disposição relativa dos objetos artísticos;
pretendem ensinar-nos que tal obra tem mais interesse que outra, que tal
livro ou filme é melhor que outro, que tal sinfonia é mais admirável que
outra: isto é, criam uma hierarquia dos objetos artísticos.(COLI, 1995, p.13)

Não que a obra desqualificada pela hierarquização não seja arte, mas essa
hierarquização traz uma qualificação dentro das artes, da mesma forma acontece com a
moda que é qualificada e julgada por críticos. Dizendo que tal peça é melhor ou superior a
outra.

Assim o crítico nega o caráter artístico da produção, e segundo seus critérios de


julgamento, a qualidade da obra não atinge um nível significativo para ser considerado
uma obra de arte, o que não acontece somente na moda, mas em toda a arte geral.

Deste modo a crítica tem um papel fundamental para se pensar o que é arte ou não,
classificando e hierarquizando em uma ordem de excelências as obras avaliadas
seguindo seus próprios critérios.

À vista disso, a moda que tem uma preocupação estética na produção, é arte. Pois
tem o objetivo de emocionar, trazer sentimentos à tona e se fundir a quem veste. A moda
que é produzida para o mercado e o comércio, perde seu valor quando está mais
preocupada em produzir centenas de peças, em vez de se preocupar se uma única peça
traduz a estética a qual se referência. A preocupação quantitativa sobrepõe a qualitativa.
Moda na Paris do século XIX

Durante o século XIX devido ao prestígio financeiro da burguesia industrial, surge


então a Maison foi criada por Charles Frederick, sob uma nova dinâmica sobre a moda,
não mais criar modelos únicos, mas criar certo número de exemplares, criando a alta-
costura. Há então uma dualidade entre a moda em Alta Costura e a confecção industrial
marcando a institucionalização e racionalização da moda. Cria-se apreço pelo artista
criador de moda, que traduz sua época, seus gostos e vontade ao assinar suas criações.

Em épocas anteriores o estilista, em comparação, era uma pessoa humilde


que visitava as mulheres em suas casa. E em sua vasta maioria, eram
mulheres. Agora, M. Worth, que apesar de ser inglês, em dez anos se
tornara o ditador da moda de Paris, fazia as mulheres (com exceção de
Eugênia e sua corte) irem até ele.(LAVER, 2014, p.186)

A difusão dessa confecção é em medida pelos grandsmagasins, espécie de loja de


departamento aonde o desenvolvimento se confunde com o desenvolvimento do consumo
como lazer e uma cultura de consumo. Desta forma é com as lojas de departamento que
o consumo começa a ser visto como lazer. A qual se racionaliza a produção por meio da
divisão do trabalho manual e adota o sistema de vendas a preços fixos endereçados a
uma clientela popular.

Com o passar do tempo instaura-se os grandsmagasíns, de acordo com PERROT


(1981, p.111) as regras desses estabelecimentos seriam: a redução do lucro por peça,
compensada pelo volume das vendas e a renovação rápida dos estoques, sendo o
grandmagasínum perfeito exemplo de como o capital e o trabalho é concentrado,
caracterizando a nova fase do capitalismo

A divisão da moda em Alta Costura e confecção faz com que as normas


da moda sejam acessíveis a todos, juntamente com o conjunto de valores
que ela representa, como a mudança, o novo, o efêmero e a
individualidade. A moda carrega ainda consigo os ideais de civilização e de
modernidade, mas sua disseminação desigual no espaço, no tempo e nas
diferentes classes sociais faz dela um mecanismo de distinção social.
(MICHETTI, 2009, p. 246)
A moda se constrói resistindo ao desatualizado e as novidades do copista, tornando-
se reflexo do bom pertencimento social intercalando entre o ritmo curto das novidades e o
ritmo lento das imitações.

Falar em democratização da moda significa ocultar a sutileza das novas


estratégias distintivas que se instauram graças ao uso diferencial dessas
marcas temporais. Pelo lugar ocupado nos degraus da duração de uma
moda, que é também um degrau de preço, a roupa ainda significa o
estatuto de seu portador, o que revela certa inércia nas estruturas
econômicas, sociais e culturais.(MICHETTI, 2009, p. 247)

Desta forma pensar como a moda acaba se “democratizando” é apenas uma das
faces que o capitalismo usa para incluir mais grupos e levar moda para “todos”, assim
como a indústria que utiliza desses avanços para poder gerar e massificar cada vez mais
essas peças ditas como “moda”.

A segunda metade do século XIX foi marcada pelo império de Napoleão III na
França e por Vitória na Inglaterra, época também conhecida como Era Vitoriana. A década
de 1850 foi marcada principalmente pelo uso da crinolina, tecido feito de crina de cavalo,
que proporcionava um grande volume circular as saias pelo uso de uma armação de aros
de metal chamada cage.

E a crinolina certamente possuía uma relação simbólica com a época em


que floresceu. Em um dos seus aspectos, simbolizava a fertilidade
feminina, como um aumento do tamanho aparente dos quadris sempre
parece sugerir. (LAVE, 1989, p.184)
(OFF Pensar se realmente símbolo de é fertilidade ou castidade)

Ximenes em Corpo e roupa: território da existência e da cultura: reflexões para o


redesenho do corpo feminino no século XIX diz:

Cage, que traduzido do inglês significa gaiola foi literalmente o território


perfeito para as mulheres, pois tornava impossível uma atividade mais
dinâmica, e todas as críticas as crinolinas combinadas ao espartilho
confirmam a principal discussão que foi abordada no primeiro capitulo
desse trabalho, As mulheres tinham que confinar-se a prisão, exercendo a
roupa urn papel opressor para as mulheres, (ALICE, 2004, p.50)

Então na década de 1860 há uma mudança no volume das saias ganhando novos
formatos, ficando reta na frente e volumoso e de aspecto circular na parte de trás, o
volume das saias era adquirido com anquilhas inicialmente feitas de crina de cavalo e
posteriormente tornam-se “anquilhas científicas” feito com aço de metal e dobradiças,
esse vestidos foram chamados de devantdroit.

Os tecidos usados na época eram seda, cetim, fina lã, tafetá, brocado, crepe,
musseline, sendo usado também tecidos de decoração como cortinas e estofados.
Ficando para trás cores pálidas e suaves, dando lugar a cores vibrantes, companhados
sempre do espartilho, pequenos chapéus, salto alto e leques que ornamentava a mulher
burguesa.

Em meados de 1876 as saias se tornam mais cheias atrás, porém mais embaixo,
com caudas extremamente longas o que tornava anti-higiênico. No final da década de 70
surge o traje tricotado, ficando conhecido como o “Lírio de Jersey” variação para o vestido
para o chá que dispensava o uso do espartilho.

Em 1880 o gosto pelo espartilho pelo lado de fora como parte do corpete se torna a
moda, já a saia que surgia sob o espartilho drapeada horizontalmente dando a impressão
da cintura mais afunilada para as mulheres. Possibilitay também em 80 a fabricação de
roupas ready-to-wear para mulheres, onde saia e blusa eram separadas, essa inovação
permite às mulheres das classes média e trabalhadora terem variedade em seu guarda-
roupa apenas com a combinação de peças separadas. O custo de uma blusa pronta para
usar era uma fração do custo de um vestido feito sob medida.

Uma década antes da Belle Époque surge um movimento chamado Traje Racional
iniciado por Mrs. AmeliaBloomer com o apoio de alguns intelectuais, o traje consistia em
uma versão simplificada do corpete e uma saia razoavelmente ampla abaixo dos joelhos
seguida por calças largas. Seguiam as linhas de moda mais solta com mangas bufantes,
usadas sem espartilho, sapatos sem saltos, penteados mais suaves.

O movimento tinha como protesto em particular o espartilho deformador e camadas


de roupas desnecessárias. Esta moda não dura muito tempo. A sociedade pensa esse
movimento como um ataque ultrajante a posição privilegiada masculina

La Belle Époque, período que corresponde a última década do século XIX, onde há
mudança não somente na moda mas também nas artes, arquitetura. O gosto pelo
curvelíneo tornou o corpo feminino repositório de linhas curvas. A cintura nunca esteve tão
afunilada. Braga em História da moda diz que:

O ideal de beleza da mulher era o de ter aproximadamente 40 cm de circunferência


na cintura; para atingir tais proporções, algumas delas se submetiam às cirurgias
para serrarem suas respectivas costelas flutuantes e poderem se apertar
demasiadamente em seus espartilhos.(BRAGA, 2005, p.66)

Corpo e Moda

O corpo é um estado provisório da coleção de informações que constroem o corpo.


Vinculando-se aos acordos que são estabelecidos com os ambientes em que vive.
Pensando o corpo pela co-dependência com o ambiente, podemos entender melhor o que
o Walter Benjamin(1968) quis dizer quando observou que, quando o corpo muda, tudo já
foi transformado. Assim sendo o último ponto a ser alterado, onde o social, material e
cultural abrem espaço para chegar ao corpo.

Entendo o corpo como corpo-veículo-de-comunicação, a qual as informações


entram, são processadas e devolvidas para o lugar de onde vieram, principalmente com a
moda processo em que demanda tempo de mudança e adaptação ao novo.

Pensando as cages, armações usadas para dar volume as saias podemos pensar
como esses corpos estão sendo normatizados, e até que ponto as mulheres estão presas
em gaiolas e aos dispositivos de controle que as amarram, no caso o próprio vestuário,
que pelo seu formato traz incomodo, atrapalha sua locomoção e tarefas cotidianas.

Pensando assim, a mulher burguesa parisiense que estava “engaiolada” pelo uso da
cage, podemos raciocinar como o nome de um artifício que molda o corpo e que exige a
distância das demais pessoas é usado para impedir o contato. Principalmente especular
o porquê dessa gaiola aprisionar principalmente os membros inferiores femininos. Seria
uma forma inconsciente de preservar a virgindade dessas mulheres as prendendo em
gaiolas?

Com uma maior ornamentação feminina em seu vestuário, o guarda-roupa


masculino acaba por ficar cada vez mais sério e sóbrio. Onde a mulher seria a
representação do poder financeiro da figura masculina a qual ela está vinculada.

Enquanto os homens caminhavam para uma moda prática e até mesmo


previsível, as mulheres complicaram-se em uma sorte de adornos,
deixando bem claro o seu papel de esposa e mãe ao se emaranharem em
laços, babados, rendas, ancas, caudas, chapéus, sombrinhas e toda uma
gama de complementos ornamentais que lhe dificultam a vida prática.
(BRAGA, 2005, p.65)

A partir dessa citação podemos pensar como ocorre a fabricação desse corpo, e por
que ele deve ser fabricado, e por quem ele é fabricado.

Desde os primórdios da existência humana, o corpo foi fabricado pela


cultura. Os padrões estéticos consensualmente adotados pela cultura
sempre dizem respeito à cosmologia vivida num dado período sócio-
histórico. Parte de nosso sonho de consumo em relação à moda, por
exemplo, é, assim como em culturas primitivas, sofrer a transformação,
construção estética do corpo para integrar-nos ao padrão de imagem
vigente. O significado do adornar, ornamentar, ‘fabricar’ o corpo, constitui
uma prática de comunicação e representação de valores sociais, já que
este corpo só ganha existência por meio da fabricação social, isto é, da
atuação do social sobre o corpo, que lhe acrescenta um valor estético
imbuído de determinantes simbólicas da cosmologia local.(BRANDINI,
2007, p.3)

Desta forma Valéria Brandini traz a cultura como a produtora desse corpo fabricado,
e como a cultura burguesa força a mulher do século XIX a refazer seu corpo aos padrões
desejados e admirados. Por que esse corpo é fabricado? Para se enquadrar a uma
sociedade que elege características físicas, sociais e culturais que constroem o que o
homem deve ser, criando seus padrões estéticos, que formam grupos identificadores por
gênero, cor, classe social em que esses marcadores sociais também fazem parte da
cultura de um povo e da época. No século XIX em que a mulher não tem nenhuma voz
dentro dessa sociedade patriarcal, que a todo momento a molda e a reprime.

Analisando o conceito de dispositivo em Foucault, em que a vigilância tem um


aspecto central para a manutenção desses dispositivos de controle, levando em conta o
dispositivo como mecanismo usado de forma direta para dar força aos meios que
possibilitam determinado fim.

O dispositivo, portanto, está sempre inscrito em um jogo de poder, estando


sempre, no entanto, ligado a uma ou a configurações de saber que dele
nascem mas que igualmente o condicionam. É isto, o dispositivo:
estratégias de relações de força sustentando tipos de saber e sendo
sustentadas por eles. (FOUCAULT, 2004, p. 246)

O primeiro dispositivo usado pela sociedade segundo Foucault seria a vigilância:

O olhar vai exigir muito pouca despesa. Sem necessidade de armas,


violência física, coações materiais. Apenas um olhar. Um olhar que vigia e
que cada um, sentindo-o pesar sobre si, acabará por interiorizar, a ponto
de observar a si mesmo; sendo assim, cada um exercerá essa vigilância
sobre e contra si mesmo. Fórmula maravilhosa: um poder contínuo e de
custo afinal de contas irrisório. (FOUCAULT, 2004, p. 218)

Como foi dito e explicitado na citação a cima, a vigilância aparece como uma das
formas desse dispositivo de controle. Em que trazendo para o panorama dessas mulheres
burguesas do século XIX, podemos pensar como eram vigiadas a todo momento.

Refletindo em como essas mulheres são negadas ao espaço público da rua, em que
o Estado traz esses primeiros comandos de como a vida deve ser organizada. Pondero
que mesmo estando presas e sozinhas ao espaço privado do lar essas mulheres
continuam sendo de certo modo vigiadas. Prender, restringir ao espaço da casa que
deveria ser o único espaço de pertencimento feminino é uma forma de vigilância e
incentivar a mesmas as tarefas domésticas.

Quando saem as ruas com as governantes, um dos poucos momentos em que


ocorre a ida ao espaço publico, essa mulher ainda está sendo observada e vigiada por
outra mulher de classe social diferente. Porém perante o mesmo olhar que vigia, que
violenta, que é internalizado e faz com que essa mulher não tenha pertencimento do
espaço público que é a rua.
As mulheres parisienses do século XIX

Silvia Lúcia e Anni de Novais em Reflexões sobre o corpo feminino e beleza a partir
de leituras feministas traz uma síntese de algumas ideias da feminista Simone de
Beauvoir:

Do mesmo modo, Simone de Beauvoir com o Segundo Sexo, (1980)


reforça as ideias feministas que os homens foram os sujeitos da
história tradicional, enquanto as mulheres foram as outras, e por isso
o maior exercício de poder e de subjugação deu-se sob os corpos
das mulheres. A autora apresenta de modo muito detalhado tabus,
normas e costumes que modelavam os corpos das mulheres e
homens, o que é observado de maneira evidente na
contemporaneidade, a influência das instituições, como família, por
exemplo, e a relevância da cultura que se materializa nos corpos.
(FERREIRA, CARNEIRO, 2014, p.110)

Expondo muito do que os homens da época pensavam sobre as mulheres, temos


Baudelaire dizendo que a mulher é um belo animal, que com seus belos encantos tornava
mais fácil e alegre o jogo da política. Sendo considerada por C.G. como uma divindade,
“um astro que preside todas as concepções do cérebro masculino” (BAUDELAIRE, 1988,
p. 199) e todos os encantos da natureza que estão condensados por este único ser: a
mulher.
Assim tudo que adorna a mulher serve para realçar sua beleza própria. Acrescenta
Baudelaire que “a mulher é, sem dúvida, uma luz, um olhar, um convite a felicidade, ás
vezes uma palavra; mas ela é sobretudo uma harmonia geral” (BAUDELAIRE, 1988,
p.199). Assim, para ele, a mulher burguesa deve sempre estar arrumada e bela, pois
cumpre uma espécie de dever se esforçando em parecer mágica e sobrenatural. Mas
para quem essa mulher está se produzindo? E por quê?
A resposta é encontrada quando percebemos qual é o centro do século XIX: o
homem. Que concedia o favor de se casar com a mulher burguesa, pois aquela que não
casava era considerada a mulher fracassada, e tinha de aceitar o fardo de ser uma
solteirona, que apenas ajudava na criação e educação dos sobrinhos, acompanhante de
sua mãe, ou a vida humilhante de uma governante.
Se resolvesse ir trabalhar fora de casa descia de classe automaticamente, em
alguns casos eram obrigadas a trocar de nome, uma mulher burguesa de prestígio
deveria ser sustentada pelo marido e trabalhar apenas no serviço doméstico e na criação
dos filhos.
Desta forma a única saída para a mulher burguesa do século XIX seria o casamento.
Além de ser bela e do lar, ainda tinha que aprender com livros de boas maneiras como
deveria se portar diante dos homens.
Porém o casamento não colocava um ponto final nas frustrações da mulher,
enquanto o homem poderia se realizar na profissão nas ciências ou na arte, a mulher
burguesa era negado qualquer tipo de desejo que não fosse relacionado à casa e a
criação dos filhos.
Para Gilda de Mello e Souza em O espírito das roupas falando da mulher do século
XIX “era como se não tivesse um cérebro, como se o exercício da inteligência tornasse
duros os seus traços e lhe empenasse o brilho da virtude” (SOUZA, 1996, p.99).

Assim seria a moda o único meio lícito de expressão feminina, inquieta e insatisfeita
a mulher refaz o próprio corpo aumentando exageradamente os quadris e comprimindo a
cintura. Criando assim uma obra de arte com o próprio corpo.
Durante o dia a mulher se vestia com simplicidade e recato, as golas subiam até o
alto do pescoço, as mangas indo ao pulso e mão geralmente escondida por luvas. A noite
teria uma grande mudança nos teatros e bailes em que se encontrava a burguesia,
decotes, braços e colos nus apareciam ornamentados com joias em cena.
Este é o jogo de entregas parciais em que a mulher estava para não ferir a moral
burguesa, ao mesmo tempo oferecendo-se a uma quantidade de homens nos bailes e
teatros.
Pensando a prostituta no século XIX, vemos essa mulher como o mal da sociedade
parisiense, em que ela não é bem recebida. Atacando a preservação da virtude e
respeitabilidade feminina.

A prostituição seria o grande temor da era. Reformadores evangélicos na


Inglaterra de 1830 e 1840 escreveram comovidos tratados onde a
descreviam como o “grande mal social”, praga que apodreceria as mais
profundas bases da sociedade – e eles lutavam pela sua erradicação. De
modo significativo, muitas vezes associavam a prostituição com os ideais
da Revolução Francesa. Prostituição era, então não só uma ameaça social
e presente, mas também uma metáfora para a desordem e o transtorno
das hierarquias naturais e institucionais da sociedade. (WILSON, 2005,
139)
Com a citação fica claro o repudio dessa sociedade a essas mulheres que vendem
seus corpos e o ato sexual, principalmente por serem associadas com os princípios da
revolução francesa, ameaçado as hierarquias e as divisões de classes.
Mas há uma dualidade perante esses corpos, ao mesmo tempo em que são
reprimidos e descriminados, são desejados e procurados por homens burgueses; que
“necessitam” dos serviços para a continuidade da boa moral da sociedade parisiense.

Alain Corbin percebeu como os escritos de Parent-Duchâtelet


articulam uma ideologia contraditória da prostituição, em que o corpo
da prostituta está em putrefação e infecta o corpo social com
corrupção e morte; mas, ao mesmo tempo, é como um dreno que
suga o que, de outro modo, corromperia a sociedade inteira. Para
que a prostituta/dreno desempenhasse sua função sem contaminar
outras partes, a regulamentação e a vigilância burguesa manteriam
o bordel sob um regime utilitário de controle. (WILSON, 2005, 139)

Assim podemos visualizar como a prostituta é vista e recebida pela sociedade


moderna, como algo que contamina; mas que através desse contágio poderia drenar os
males que comprometeriam a moral burguesa.

Pensando a Governanta, que seria uma espécie de empregada que ajudaria nos
serviços domésticos, na criação dos filhos e outras atividades. A qual é permitido apenas
a cor preta em seus vestidos, desse exemplo podemos pensar a representação da cor
preta no vestuário, levando em conta que o preto que na época traduz e representa toda
essa vivência que era negada a essas governantas.
Longe da disputa amorosa a governanta vivia em luto, seu espaço social era o da
casa igualmente a mulher burguesa, porém sem o beneficio de ir aos bailes e teatros
burgueses. A vestimenta preta forma uma barreira simbólica entre o indivíduo e o meio, a
imagem de austeridade que cobra distanciamento da mundanidade.
Além de ser uma cor sóbria que evoca a ausência de luz, já na época usada para
velórios e afins, a governanta vive de luto além de apenas usar vestidos pretos era vista
perante a sociedade como auxiliar de família burguesa, pelo fato de sempre vestir essa
cor, era facilmente reconhecida entre a população.
Pensando a morte como evento comum a todas as mulheres, temos o exemplo da
rainha inglesa Vitória, onde perdera seu marido em 1837 conduzindo a política inglesa
mantendo o prestígio da realeza e a paz social.
(…) a rainha viveu e governou abalada pela angústia dessa perda e pela
responsabilidade de ser mulher, chefe de Estado e modelo de reputação.
Inconformada, para ela não existia no mundo dor comparável à sua. Viúva,
Vitória adotou o luto pelo resto da vida. Por não ter se casado de
novamente , ter vivido reclusa e nunca ser vista publicamente se divertindo
– sua imagem sempre rigidamente série, em negro total. Fiel ao marido até
o fim –, a rainha transformou o luto em sinônimo de virtude: sinal expresso
da esposa que não encontra mais alegria após a morte de seu
companheiro. Vestiu o luto profundo por mais de três anos e o meio-luto
por quarentena. (SCHMITT, 2009, p.79)

Desta forma podemos pensar como o exemplo da rainha Vitória interfere


diretamente na vida das mulheres burguesas, já que Vitória apreciava ser mais próxima
das classes médias, do que da corte luxuosa preocupada exclusivamente com roupas e
festa. Tendo impacto direto na burguesia inglesa e francesa.
O luto fechado para as mulheres durava cerca de dois anos, evitando joias, com o
vestuário todo preto, usava-se um véu cobrindo o rosto ao sair de casa, não sendo bem
visto arrumações demasiadas e penteados chamativos. Onde as atividades sociais
deveriam ser mínimas e preferencialmente ligadaa igreja.

Nenhum luto era mais longo do que o da esposa. Qualquer outro membro
da família, supostamente, sofria menos do que ela. Ao fim do segundo ano,
se a viúva não possuísse meios para se sustentar e ainda tivesse filhos
pequenos, era permitido e até aconselhável que se casasse novamente,
evitando assim, a necessidade de trabalhar. (SCHMITT, 2009, p.78)

A partir dessa citação penso essa dualidade em que a sociedade burguesa coloca a
mulher, em que ela deve dar respeito ao seu falecido marido, e sua virtude como mulher
prestígio dependerá disso, porém se não houvesse meios de se promover e
principalmente se tivesse filhos pequenos era aconselhável que ela se case novamente,
para não ter que trabalhar ou mudar de classe.
A questão do status social perpassa o respeito e a sobriedade que deveria ao
falecido, colocando a mulher viúva novamente no jogo de conquistas e entregas.
Pensando novamente como as mulheres do século XIX estão nessa sociedade
patriarcal em que depende não somente do casamento, mas do homem para ter sua
virtude aprovada. O casamento não coloca fim as cobranças que a mulher burguesa
estava, mas a amplia e as separa das diversas mulheres.
Sendo uma sociedade altamente baseada nos códigos de etiqueta a morte também
foi regulamentada em jornais de costumes e manuais de etiqueta 1.
1
Pensando os livros de costumes que eram disseminados na sociedade burguesa e o luto, temos alguns exemplos de
ritos e costumes que deveriam ser seguidos à risca. “O luto tornou-se um cerimonial complexo, normatizado desde
Não demorando muito para que a moda se aproprie desse fenômeno, sendo das
manifestações de luto a mais necessária e emblemática o luto vestimentar, expressando
apego ao morto e tristeza pela perda.
Aproveitando do fenômeno a moda ainda diferencia as formas de luto, as
classificando em luto fechado e meio-luto. Diferentemente do luto fechado já expresso, o
meio-luto possibilita as mulheres a usarem outras cores, como cinza, roxo e branco
sempre acompanhados do preto característico.

Ao suavizar o negro, o uso de jóias também era liberado porém estas


deveriam ser limitadas e discretíssimas, em tons sóbrios ou ainda em
formato de camafeus, nos quais se colocavam mementos mori, como
mechas de cabelo ou fotos do morto. O meio-luto, adotado após o período
de luto profundo, era flexível em sua duração, normalmente alguns meses
apenas. Após no máximo um ano, era então possível voltar a vestir todas
as cores. (SCHMITT, 2009, p.78)

Logo então o luto passa a ser vestuário de moda, desenvolvendo tendências e


novidades. Ostentado com orgulho por aquelas “verdadeiramente” virtuosas e honestas.

(…) o vestuário de luto passou a ser vestuário de moda, seguindo todas as


suas tendências e novidades, Era ostentado com orgulho por aquelas
“verdadeiramente” virtuosas e honestas. Nas classes médias e baixas,
apesar dos gastos, fazia-se o possível para vesti-lo pelo maior tempo.
Roupas eram artigos caros, e o comércio do luto passou a ser bastante
lucrativo, visto que as mulheres usavam-no cada vez mais e por tempo
maior. Portanto curiosamente, o luto era amaneira ideal de se mostrar a
riqueza e a respeitabilidade de uma mulher. (SCHMITT, 2009, p.79)

Mais uma vez podemos ver como que esse capitalismo e ocasionalmente a moda se
apropria e usa da dor da mulher, sendo extremamente rentável o seu luto. Produzindo
cada vez mais uma indumentária de luto extremamente cara, por saber que virtude da
mulher e a sua imagem dependeria desse artificio para ser vista com bons olhos perante
a sociedade patriarcal.

REF - REFLEXÕES SOBRE CORPO FEMININO E BELEZA A PARTIR DE LEITURAS


FEMINISTAS

as cartas de condolências até a maneira mais apropriada de se dirigir à viúva. Dentro das casas, as cortinas eram
abaixadas e os relógios parados na hora do falecimento. Espelhos eram cobertos. A família não se reunia para as
refeições enquanto o cadáver estivesse presente. Era aconselhável que se preparassem funerais dispendiosos, se
erguessem túmulos artisticamente preparados e com monumentos ao morto. Todos os detalhes eram observados –
até mesmo os cavalos usados no transporte do caixão deveriam ser pretos e decorados em preto.(SCHMITT, 2009,
p.77)
http://aninter.com.br/Anais%20CONINTER%203/GT%2007/08.%20CARNEIRO
%20FERREIRA.pdf

REF - Michel Foucault: Uma Análise do Poder


file:///C:/Users/aluno/Downloads/Dialnet-MichelFoucault-6172849.pdf

Modernidade

*Modernidade e moda como intrínsecos a Baudelaire

Ele busca esse algo, ao qual se permitirá chamar de Modernidade; pois não
me ocorre melhor palavra para exprimir a idéia em questão.Trata-se, para
ele, de tirar da moda o que esta pode conter de poético no histórico, de
extrair o eterno do transitório.(BAUDELAIRE, 1988, 173)

A importância que Charles da para a moda e extrair dela o que é poético, sendo para ele a
modernidade:

A Modernidade é o transitório, o efêmero, o contingente, é a metade da arte,


sendo a outra metade o eterno e o imutável. Houve uma modernidade para
cada pintor antigo: a maior parte dos belos retratos que nos provêm das
épocas passadas está revista de costumes da própria época. São
perfeitamente harmoniosos; assim, a indumentária, o penteado e o mesmo o
gesto, o olhar e o sorriso (cada época tem seu porte, seu olhar e seu sorriso)
formam um todo de completa vitalidade. (BAUDELAIRE, 1988, p.174)

Entendendo que a modernidade é parte da arte, composta de um elemento perpétuo, que seria a
beleza e o belo, e um elemento temporário que seria, a moda, o penteado, o gesto e o olhar.

O belo é constituído por um elemento eterno, invariável, cuja quantidade é


excessivamente difícil determinar, e de um elemento relativo, circunstancial,
que será se quisermos, sucessiva ou combinadamente, a época, a moda, a
moral, a paixão. Sem esse segundo elemento, que é como o invólucro
aprazível, palpitante, aperitivo do divino manjar, o primeiro elemento seria
indigerível, inapreciável não adaptado e não apropriado à natureza humana.

Já o belo seria formado por dois elementos, um eterno e outro circunstancial, aépoca, a moda, a
moral, a paixão
Em poucas palavras, para que toda Modernidade seja digna de tornar-se
Antiguidade, é necessário que dela se extraia a beleza misteriosa que a vida
humana involuntariamente lhe confere. É a essa tarefa que G. se dedica em
particular.” (BAUDELAIRE, 1988, p.175)

Pensar como que a moda entrepassa os conceitos de modernidade, e belo