Você está na página 1de 34

Curso de Noções Básicas em Gerontologia

Conceitos básicos em gerontologia

Márcia Batista Santoro


Gerontóloga
Quem é o idoso?
Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, nos países em
desenvolvimento (como é o caso do Brasil), é considerado idoso todo
aquele indivíduo a partir de 60 anos de idade.

Em países desenvolvidos, são considerados idosos os indivíduos a


partir de 65 anos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE, já são 30,2


milhões de idosos, 4,8 milhões a mais do que em 2012. Isso representa um
aumento de 18% na quantidade de pessoas acima dos 60 anos.
E o que é gerontologia?

É a ciência que estuda os


processos dos envelhecimento
em todos os seus aspectos: Origem da Palavra
Gero(grego) = Envelhecimento
físicos, culturais, psicológicos e +
Logia= Estudo
econômicos. (Ribeiro, Euler. Gerontologia= Estudo do envelhecimento

Envelhecência. 2008).
Gerontologia Geriatria

•Explicando...

• Gerontologia e Geriatria não são a mesma coisa.

•A Geriatria é uma especialização dentro da medicina que trata da


promoção de saúde e prevenção da doença no indivíduo idoso.
Um pouco de história
•Cícero (106-42 antes de Cristo), cidadão e filósofo romano, no
manuscrito Senectude, levanta inúmeros dilemas sobre a velhice,
mostrando que o envelhecimento pode acontecer de forma diferente
para cada indivíduo e que os estereótipos nem sempre eram
verdadeiros. Cícero também aborda questões que apresentam a
heterogeneidade dos anciãos em relação ao convívio social, a
manutenção da capacidade física e mental.

•Para o filósofo, já idoso na época, a disciplina e as atitudes diante da


vida eram conceitos importantes para se envelhecer bem.
Fortalecimento da Gerontologia

Ao longo do século XX, os saberes populares, a demografia e as ciências


sociais contribuíram para estabelecer a gerontologia como disciplina científica
e para configurá-la como área de saber MULTIDISCIPLINAR e
INTERDISCIPLINAR.

Também colaboraram para sua formação a sociologia e a psicologia, ao


direcionar o olhar especializado para os chamados aspectos psicossociais
da velhice.

Além do corpo envelhecido, objeto da geriatria, os hábitos, as práticas, as


necessidades sociais e psicológicas dos idosos seriam agora alvo de um
saber especializado, que incluía novos aspectos em sua definição e tornava
mais complexa a categoria velhice.
Envelhecimento

O envelhecimento é um processo
natural e irreversível que
caracteriza-se por mudanças
físicas, psicológicas e sociais que
acometem de forma particular
cada indivíduo com sobrevida
prolongada.longada.
(https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/evelhecimento_saude
_pessoa_idosa.pdf)
Senescência e Senilidade

•SENESCÊNCIA
• SENILIDADE
Também chamada de
SENECTUDE. É o somatório Modificações determinadas
de alterações orgânicas, por afecções que acometem
funcionais e psicológicas pessoas idosas: PROCESSO
próprias do envelhecimento PATOLÓGICO.
natural e normal. É um
PROCESSO FISIOLÓGICO.
Conceitos Importantes
As variáveis normativas
Idade

Podemos entender o envelhecimento de modo geral através de variáveis


normativas e não-normativas.
•As variáveis normativas podem ser subdivididas em:
1. Idade: As variáveis normativas de idade referem-se ao período etário
onde se incluem eventos biológicos e sociais comuns a um grupo de
pessoas, como por exemplo, a puberdade, a inclusão escolar, a
menopausa e também a aposentadoria.
Conceitos Importantes
As variáveis normativas
Coorte ou de história

2.Coorte ou de história: As variáveis de coorte ou de história são


aquelas comuns a um grupo de indivíduos que por compartilharem um
mesmo momento histórico acabam também por dividir as mesmas
influências.
•Podemos citar como exemplo de variável histórica, a pandemia de
Covid-19, exemplificando: indivíduos que estão na mesma faixa etária
nesse período podem desenvolver características comuns durante a
vida, que poderão afetar sua maneira de envelhecer.
Conceitos Importantes
Variáveis não-normativas

As variáveis não-normativas
referem-se a eventos
específicos na vida de cada
individuo, que podem ser
biológicos, como doenças, ou
opções pessoais como o a
inclusão de atividade física em
seu cotidiano, ou o tipo de
alimentação ao longo da vida.
Somos seres biopsicossociais

Temos um corpo com


✓Genética características que vem de nossa
✓Personalidade genética e também possuímos
✓Crenças e valores personalidade, componentes
✓História familiares, um círculo social,
individual crenças, valores, códigos de
✓Círculo Social conduta e moral. Tudo isso nos
faz seres biopsicossociais.
Imagine-se com um ser de muitas dimensões

Biológica

Espiritual
Sócio
Intelectual

Legal Psicológica
Dimensão Biológica

Refere-se aos aspectos físicos do


corpo: anatomia, a fisiologia, os
sistemas muscular, digestivo,
ósseo, hormonal, respiratório, as
funções e disfunções dos diversos
órgãos, a inter-relação desses
sistemas. As necessidades
Biológica
fisiológicas estão aqui incluídas,
assim como o momento da
formação de nossas reservas.
Dimensão sócio intelectual

Refere-se aos aspectos da vida em


grupo, enfocando os fatores
econômicos, políticos, ideológicos e
culturais. Esta dimensão inclui,
necessariamente, a interação e,
consequentemente, todos os
Sócio
fenômenos que acontecem na
interação entre pessoas e grupos. As Intelectual
necessidades de associação, de uma
vida social estão aqui incluídas.
Dimensão psicológica

Refere-se aos aspectos ligados à


personalidade do ser humano,
manifestada no comportamento
motivado por fatores conscientes e
inconscientes. Incluem-se nesta
dimensão o pensamento, a memória,
os raciocínios o contato e a expressão Psicológica
de sentimentos, emoções, desejos,
vontades, necessidades de segurança,
de autoestima, de realização.
Dimensão legal

Refere-se ao momento em
que pela legislação de um
país o ser inclui-se nos
direitos e deveres de sua
faixa etária. O exercício da
cidadania de acordo com as
Legal
leis.
Dimensão Espiritual

Relacionada ao sentimento de
pertencer ao mundo, de ser uma
parte do Universo. Á noção da
existência de forças maiores ao
entendimento puramente racional; é
uma dimensão que ultrapassa a
matéria tal como a conhecemos. A
espiritualidade pode ser desenvolvida Espiritual
através de alguns caminhos entre os
quais a religião, a meditação, a
reflexão, o esoterismo, a ação.
Independência e Autonomia

INDEPENDÊNCIA
É a capacidade de fazer suas
atividades do dia a dia com
nenhuma ou pouca ajuda de
terceiros. Tem relação com a
habilidade física.

AUTONOMIA
É a capacidade de gerir a sua própria
vida, seus próprios compromissos
sociais e financeiros, segundo a sua
própria vontade.
Capacidade Funcional

Nossa CAPACIDADE FUNCIONAL é o que mantém as habilidades físicas


e mentais necessárias para uma vida independente e autônoma.

Esta Foto de Autor Desconhecido


está licenciado em CC BY-NC-ND
Capacidade Funcional e Declínio

•A diminuição da capacidade funcional do indivíduo durante a vida vai


determinar, seu grau de fragilidade na idade maior.

•Os hábitos adquiridos na fase da formação da reserva fisiológica se


apresentarão de forma determinante (alimentação, vida sedentária,
fumo etc).
Atividades da Vida Diária – AVD’s

Quando nossa independência e


autonomia se reduzem, diminui
também a nossa capacidade
funcional.
Nesse momento a manutenção de
nossas atividades da vida diária (AVD)
fica comprometida. Rotinas básicas
como escovar os dentes, tomar
banho, se alimentar, lembrar de pagar
as contas etc, tornam-se de difícil
realização e a fragilidade pode vir a
aumentar gradativamente.
O Conceito de Fragilidade

✓Vulnerabilidade excessiva a estressores, com reduzida capacidade de


manter ou retornar a homeostase após um evento desestabilizador.

✓Esta vulnerabilidade, que é o cerne da fragilidade, pode existir na


presença ou ausência de doença ou incapacidade.

✓Existem instrumentos validados cientificamente para se obter marcadores


diversos de fragilidade da pessoa idosa que são a base de pesquisas e
estudos que norteiam planos de ações.
Envelhecimento Bem Sucedido X Fragilidade

Facilidadede
adaptaçãoàs
Baixo risco de Funcionamento Envolvimento
mudanças
doenças e de físico e mental ativo com a Bom Humor
físicas,
incapacidades excelentes vida
emocionais e
sociais
Fatores de Fragilidade

Comprometimento Alterações de humor


da cognição sem motivo

Fraqueza de
membros e
Perda visual ou
anormalidade na
auditiva
marcha e no
equilíbrio

Uso de medicação
Idade muito
avançada Fragilidade sedativa e múltiplas
patologias crônicas
Prevenção – Tratamento – Reabilitação

•Fatores de prevenção: boa alimentação, atividade física, vacinas,


visitas periódicas ao médico e dentista, informação de qualidade a
respeito da saúde.
•Após o aparecimento de sintomas e diagnóstico feito por profissional,
o idoso passa aos cuidados secundários, ou seja, ao tratamento.
Nesse momento deve-se mais uma vez avaliar o idoso como um ser
“bio-psico-social-espiritual”.
•A fragilidade pode levar a dependência. A dependência se traduz por
uma ajuda indispensável para a realização dos atos elementares da
vida. As AVDs (atividades da vida diária).
Prevenção – Tratamento – Reabilitação

•Não é somente a incapacidade que cria


a dependência, mas sim a incapacidade
com a necessidade.
•No entanto, a dependência pode não
ser um estado permanente. Muitas
vezes é um processo cuja evolução
pode ser evitado, reduzido ou
prevenido, desde que haja um
ambiente e assistência adequados e
RESILIÊNCIA!
Resiliência

✓Dentre os vários conceitos de resiliência, podemos citar um que


abrange três categorias:

a) a capacidade do sujeito/família de manifestar resultados positivos


apesar dos riscos presentes no ambiente, que podem comprometer
esse processo;
b) a manutenção de certas competências, mesmo na vigência de
adversidades;
c) a capacidade do sujeito ou da família de recuperar-se das
adversidades que experiencia, ao longo de sua trajetória vital.
Empoderamento

✓Podem-se distinguir basicamente quatro formas básicas de poder:


cultural, social, político e econômico.

✓O empoderamento acontece durante todo o processo da vida. O ser


humano empoderado caminha para um envelhecimento exitoso.
Quem é o cuidador?

“ Pessoa, membro ou não da família que, com ou sem remuneração,


cuida/acompanha o idoso no exercício de suas atividades diárias.”
Reflexão e Ação
Muito Obrigada!

Muito Obrigada!
Bibliografia

• VERAS, R. Terceira Idade: Gestão Contemporânea em Saúde. Editora: Reluma-Dumara: UnATI/UERJ, 2002 – 190
Páginas.
• VERAS, R. e LOURENÇO R. Formação Humana em Geriatria e Gerontologia: Uma Perspectiva Interdisciplinar. Rio
de Janeiro: UnATI/UERJ, 2006.
• CAVALCANTI, José Gilson. Libertas Comunidade. http://www.libertas.com.br. Consulta em 07.02.2012.
• ELIZABETH V. F. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Editora Guanabara Koogan, 2002.
• MORAGAS, R. M. Gerontologia Social: envelhecimento e qualidade de vida. Ed. Paulinas: São Paulo, 1997.
• SALDANHA, Assuero Luiz e CALDAS, Célia Pereira. Saúde do Idoso: A arte de cuidar. 2º ed. Rio de Janeiro:
Interciência, 2004.
• RIBEIRO E. Tanatologia: Vida e Finitude. Rio de Janeiro: UnATI/UERJ, 2008.
• RIBEIRO, Euler. Envelhecência. Rio de Janeiro: UnATI/UERJ, 2008.
• KATZ, Laurence C. Mantenha o seu cérebro vivo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.
• https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2015/10/OMS-ENVELHECIMENTO-2015-port.pdf
• SILVA, Mara Regina Santos da et al . Resiliência e promoção da saúde. Texto contexto - enferm., Florianópolis
, v. 14, n. spe, p. 95-102, 2005 . Available from
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072005000500012&lng=en&nrm=iso>. access
on 16 June 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072005000500012.

Você também pode gostar