Você está na página 1de 16

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (ISCED)

CURSO DE DIREITO

CADEIRA DE DIREITO FISCAL E ADUANEIRO

ÂMBITO E NATUREZA DO DIREITO FISCAL

ANÁLISE GERAL SOBRE OS IMPOSTOS

Nome do estudante: Fidel Francelino Chimica

O tutor: Edmo Alfredo da Silva

19 de Maio de 2019
Fidel Francelino Chimica

ÂMBITO E NATUREZA DO DIREITO FISCAL

ANÁLISE GERAL SOBRE OS IMPOSTOS

Trabalho de campo apresentado ao Curso de


Direito, no Instituto Superior de Ciências e
Educação a Distância, cadeira de Direito Fiscal e
Aduaneiro, relativo a teste 2, pela orientação do
tutor Edmo Alfredo da Silva.

ISCED Quelimane

Maio, 2019
Fidel Francelino Chimica

- ÂMBITO E NATUREZA DO DIREITO FISCAL

- ANÁLISE GERAL SOBRE OS IMPOSTOS

Trabalho de campo apresentado ao Curso de


Direito, no Instituto Superior de Ciências e
Educação a Distância, cadeira de Direito Fiscal e
Aduaneiro, relativo a teste 2, pela orientação do
tutor Edmo Alfredo da Silva.

Aprovado em: ____ /____/________

____________________________________

Prof. (orientador): Edmo Alfredo da Silva

Considerações:__________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________
______________________________________________

ISCED Quelimane

Maio, 2019
ÍNDICE

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................... 3
1. ÂMBITO E NATUREZA DO DIREITO FISCAL .............................................................................. 4
1.1. Âmbito do direito fiscal ................................................................................................................ 4
1.2. Natureza do direito Fiscal ............................................................................................................. 5
2. ANÁLISE GERAL SOBRE OS IMPOSTOS ...................................................................................... 6
2.1. Conceito e Evolução ..................................................................................................................... 6
2.2. Caracteristicas dos impostos ......................................................................................................... 8
2.2.1. Prestação pecuniária ............................................................................................................. 9
2.2.2. Prestação coativa .................................................................................................................. 9
2.2.3. Prestação unilateral ............................................................................................................... 9
2.2.4. Classificação dos impostos ................................................................................................. 10
2.2.5. Função dos impostos .......................................................................................................... 10
CONCLUSÃO ........................................................................................................................................... 12
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA............................................................................................................ 14
3

INTRODUÇÃO

O Direito Fiscal é o conjunto de normas que disciplinam as relações que se estabelecem entre o
Estado e outros entes públicos, por um lado, e os cidadãos, por outro lado, por via do imposto em
suas fases, nomeadamente, a incidência, o lançamento, a liquidação e a cobrança. Ou seja, o
direito fiscal estabelece normas que regulam o “nascimento, o desenvolvimento e a extinção das
relações jurídicas suscitadas pela percepção do imposto”.
O Direito Fiscal tem como matérias fundamentais as normas que estabelecem o regime jurídico
da cobrança de impostos e taxas pelo Estado Moçambicano considerando a sua evolução histórica

Nos dizeres de Claudia Jone, o direito fiscal regula ainda matérias sobre as infracções fiscais e
respectivas sanções, o exercício da soberania financeira e formulação de leis fiscais e estabelece
normas que disciplinam os conflitos internacionais de tributação (Direito fiscal internacional).
No presente trabalho, iremos falar do âmbito e natureza do Direito Fiscal e análise geral sobre os
impostos (Evolução, conceito e veremos finalmente as três características dos impostos).
4
1. ÂMBITO E NATUREZA DO DIREITO FISCAL

1.1. Âmbito do direito fiscal


Para Sebastião Oliveira, o Direito Fiscal é o ramo do direito que disciplina a receita pública,
denominada impostos.

E por sua vez, Eduardo Sabbag, nos dá a seguinte hipótise:

A cobrança de tributos se mostra como a principal fonte das receitas


públicas, voltadas ao atingimento dos objetivos fundamentais...tais como a
construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do
desenvolvimento nacional, a erradicação da pobreza e da marginalização,
tendente à redução das desigualdades sociais e regionais, bem como a
promoção do bem-estar da coletividade. Daí haver a necessidade de uma
positivação de regras, o que se dá por meio da ciência jurídica intitulada
Direito Tributário, também denominado Direito Fiscal.

Com esta afirmação, pode-se concluir que o Direito Fiscal é o ramo de Direito Tributário que
disciplina o sector das receitas coactivas unilaterais, isto é, é o Direito dos impostos. Ou por
outra, o Direito Fiscal é o sistema de normas jurídicas que têm por objectivo assegurar a
capacidade funcional do Estado, proporcionando-lhe os meios financeiros que suportam tanto a
sua existência como o seu funcionamento.

E segundo Sebastião Oliveira “o Direito Fiscal está contido no Direito Tributário, que por sua
vez está contido no Direito Financeiro. E o Direito Financeiro contem o Direito Tributário, que
por sua vez contem o Direito Fiscal.”

Claudia Jone elucida que da obrigação fiscal, resultam outras relações às quais devem aplicar-se
os princípios e normas do direito fiscal. Essas relações estendem-se do direito procedimental,
direito processual fiscal ao direito sancionatório fiscal, passando por muitos outros domínios
como o direito fiscal internacional, entre outros.

Por conseguinte, o direito fiscal abrange ainda as seguintes normas:

a) Normas de soberania fiscal:


5
Que, ao regularem os princípios fundamentais do sitema fiscal, incluindo a formulação da lei
fiscal, fazem apelo ao direito constitucional, formando o que se designa direito constitucional
fiscal. (Vide, artigos 100 e 127 da CRM)

b) Normas relativas ao nascimento, desenvolvimento e extinção da obrigação fiscal:

Quer as que se referem à incidência do imposto, quer as que têm um carácter procedimental, ao
disciplinarem o lançamento, a liquidação e a cobrança do imposto, incluindo igualmente normas
atinentes à fiscalização dos sujeitos passivos e normas relativas às garantias administrativas dos
contribuintes.

c) Normas relativas às obrigações acessórias impostas ao contribuinte ou a terceiros:

Normas de natureza declarativa ou contabilística, destinadas a possibilitar ou a controlar a


percepção dos impostos;

d) Normas de Sanção fiscal:

Que estabelecem as sanções, quer de natureza penal quer de natureza contra-ordenacional, a


aplicar a quem infringe os comandos jurídicos fiscais e regulam o respectivo processo.

1.2. Natureza do direito Fiscal


Segundo Sebastião Oliveira, quanto a natureza do direito fisca, é um ramo de Direito Público.
Entre o contribuinte e o Estado não existe uma relação de igualdade. O Estado tem um poder de
soberania sobre o contribuinte. O direito Fiscal é autónomo. Tem leis próprias, tem um conjunto
de diplomas que lhe conferem autonomia. Não quer isto dizer, que não vá aos outros direitos
buscar as suas normas para exercer com plenitude as suas funções.

Assim como também nos dizeres de Eduardo Sabbag:

O Direito Tributário é ramificação autônoma da Ciência Jurídica, atrelada


ao direito público, concentrando o plexo de relações jurídicas que imantam o
elo “Estado versus contribuinte”, na atividade financeira do Estado, quanto
à instituição, fiscalização e arrecadação de tributos. Com efeito, o Direito
Tributário é a representação positivada da ciência jurídica que abarca o
conjunto de normas e princípios jurídicos, reguladores das relações
intersubjetivas na obrigação tributária, cujos elementos são as partes, a
prestação e o vínculo jurídico.
6
Segundo Claudia Jone, para alguns autores, o Direito Fiscal insere-se no Direito Administrativo.
Para outros ainda, o Direito Fiscal tem autonomia científica e, portanto, apesar das suas relações
com esses ramos do direito, tem de ser considerado um ramo autónomo do Direito Público.

E por sua vez ela afirma o seguinte:

Quanto ao enquadramento nos ramos do direito, os autores são unanimes em


considerar que o direito fiscal se integra plenamente no Direito Público, não
só tendo em conta as finalidades prosseguidas pelo imposto como também
por o seu sujeito activo ser o Estado, ou outro ente público, que intervêm nas
relações jurídico-fiscais dotados de poder de autoridade. – Claudia Jone

Depois da sua afirmação acima, ela ainda continua dizendo que importa então saber se o Direito
Fiscal é efectivamente autónomo ou se insere-se em outros sub-ramos do direito público. E como
disse Sebastião Oliveira, ela também concluiu o mesmo, afirmando o seguinte:

A posição por nós adoptada é a da autonomia do direito fiscal, ou seja trata-


se de um ramo do direito público independente e com características
próprias. Assim, o Direito Fiscal corresponde a um conjunto de normas
ordenadas com vista a um fim comum que é a regulamentação de normas
suscitadas pelo imposto

Assim, sendo sai como conclusão que, Direito Fiscal quanto a sua natureza, ele pertence ao
direito público e é efectivamente autónomo. Ou seja insere-se em outros sub-ramos do direito
público. Sendo independente, e possuindo caracteristicas proprias.

2. ANÁLISE GERAL SOBRE OS IMPOSTOS

2.1. Conceito e Evolução


Sengundo Sebastião Oliveira, na sua obra “Direito Fiscal”, pag. 6, define o imposto imposto
como sendo uma prestação pecuniária unilateral, definitiva e coactiva, fixada por lei exigida as
pessoas com capacidade contributiva, a favor de entidades que desenvolvem ou exercem funções
publicas. Com vista a satisfação de necessidades colectivas e que nao tem caracter de sanção de
acto ilícito.
7
Segundo Claudia Jone, a palavra Imposto veio do Latim “impositu”, que significa obrigado a
aceitar ou a realizar à força. É uma contribuição financeira que o Estado exige das pessoas
singulares ou colectivas, a fim de fazer face às despesas públicas.
Segundo a mesma autora, ao longo dos tempos o conceito de imposto tem vindo a sofrer
alterações consideráveis, variando a mesma segundo a época e segundo as características que o
iam informando.

Desde da ideia da relação da subordinação de vencido para vencedor até à obrigação de contribuir
para a satisfação das despesas publicas, o conceito de imposto passou, na sua evolução, por
diversas fases, nomeadamente: na idade Média tinha a característica de presente dado ao
soberano, traduzindo, por vezes, a ideia de humilde pedido feito por este aos seus vassalos para
prover à sua subsistência. Em certa altura significou, mesmo, assistência dada ao Estado a título
de favor, mas, com o fortalecimento do poder real, tornou-se contribuição obrigatória e anual
com vista à satisfação das necessidades do soberano e do reino.

Com o advento da Revolução Francesa, transformou-se o conceito de imposto na honrosa


obrigação de cada um contribuir para a satisfação das despesas públicas.

Actualmente, “não existe uma definição constitucional do imposto”, assim diz Claudia Jone,
limita-se a lei fundamental a afirmar no seu artigo 100 CRM que: “os impostos são criados ou
alterados por lei, que os fixa segundo critérios de justiça social”, ou ainda no artigo 127, nºs 2 e 3
que:

“2.Os impostos são criados ou alterados por lei, que determina a incidência,
a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes.”

“3. Ninguém pode ser obrigado a pagar impostos que não tenham sido
criados nos termos da Constituição e cuja liquidação e cobrança não se
façam nos termos da lei.”

Do ponto de vista doutrinário, existem várias definições de imposto, desde Montesquieu que
considera o imposto como a porção que cada cidadão dá dos seus bens para ter a segurança dos
outros ou para poder gozá-los pacificamente. Para este autor o imposto não constitui um dever,
mas sim um pagamento de um serviço de segurança, não competindo ao Estado senão uma
função policial a exercer.
8
Duma forma tradicional, o imposto vem sendo definido como “ uma prestação pecuniária,
exigida aos particulares por via da autoridade, a título definitivo e sem contrapartida, com vista à
cobertura dos encargos públicos”. Neste tipo de conceito sobre o imposto surge a necessidade de
diversificação das finalidades do imposto, pois para além de obter receitas o imposto contribui
para o desenvolvimento da economia e da sociedade.

Assim como estabelece o artigo 127, no disposto nº1 da CRM:

O sistema fiscal é estruturado com vista a satisfazer as necessidades


financeiras do Estado e das demais entidades públicas, realizar os objectivos
da política económica do Estado e garantir uma justa repartição dos
rendimentos e da riqueza.

Segundo Claudia Jone, duma forma geral, o imposto pode ainda ser definido como “uma
prestação coactiva, patrimonial, positiva, definitiva, não sinalagmática, sem carácter de sanção,
estabelecida por Lei, a favor de uma entidade pública ou com funções públicas, para a satisfação
de necessidades públicas e redistribuição de riqueza, independentemente de qualquer vínculo
anterior”.1 Neste conceito pode se perceber-se que, o sujeito activo não é apenas o Estado, como
também todas as entidades públicas ou com funções públicas.

2.2. Caracteristicas dos impostos


Segundo Claudia Jone, os impostos apresentam as seguintes caracteristicas: prestação pecuniária,
prestação coactiva, prestação unilateral, prestação a título definitivo, prestação sem carácter de
sanção, prestação devida ao Estado ou outros entes públicos, prestação com vista a realização de
fins públicos.

E também Sebastião Oliveira, elucida que os impostos apresentam as seguintes caracteristicas:


prestação, pecuniário, unilateral, definitiva, coativa, e não tem caracter de sanção de acto ilícito.
Este autor diz que a “prestação”, é o acto de entregar, ou dar de caracter obrigatório.

Apesar de termos muitas caracteristicas, neste tema, somente vamos nos basear das primeiras três
caracteristicas apresentadas por Claudia Jone, nomeadamente: prestação pecuniária, prestação
coativa e prestação unilateral.

1
WATY, T., Direito Fiscal, 3ª Ed. W&W Editora, 2007, p. 148.
9
2.2.1. Prestação pecuniária
O imposto é uma prestação ou obrigação pecuniária, isto é, a obrigação de
prestar dinheiro ao Estado. Na prestação pecuniária o imposto é pago em dinheiro ou em
equivalente em dinheiro, contrariamente as modalidades de pagamento em espécie que
vigoravam no passado. O pagamento do imposto em dinheiro contribui para acelerar o
desenvolvimento da economia de mercado, conduzindo as pessoas que não tinham dinheiro para
pagar impostos sentiram-se obrigados a vender ou trocar seus bens materiais em troca de
dinheiro.

Ademais, ainda hoje, em alguns casos excepcionais, como é o da dação em cumprimento,


prevista no artigo 45 da Lei nº 2/2006 de 22 de Março, pode de falar da modalidade de
pagamento em espécie. Este dispositivo permite que o Estado adquira por exemplo bens valiosos,
enriquecendo o seu património. Trata-se de situações em que, no lugar de efectuar o pagamento
da dívida tributária, o contribuinte entrega ao estado algo diverso, como por exemplo uma obra
de arte.

2.2.2. Prestação coativa


A prestação coativa, significa que não resulta da vontade das partes, é imposta por lei. Não existe
azo à autonomia de vontade. Sejam qual for a modalidade de pagamento, o pagamento do
imposto tem carácter obrigatório, pois, o Estado intervém dotado de seu poder de autoridade. A
obrigação de pagar o imposto resulta da lei, por conseguinte o contribuinte não tem a prerrogativa
de optar em não pagar a dívida tributária ou de negociar ou determinar livremente o montante do
imposto.

Caso o contribuinte não cumpra com as suas obrigações dentro do prazo estabelecido por lei, o
Estado e outros entes públicos, podem recorrer ao processo de execução de modo a obrigá-lo a
cumprir o seu dever de pagar o imposto.

2.2.3. Prestação unilateral


A prestação unilateral, significa que, quando pago não recebo da outra parte uma contrapartida.
Ao pagamento do imposto não corresponde uma contraprestação por parte do Estado. Este aspeto
visa distinguir o imposto de outras figuras afins, como é o caso da taxa e do empréstimo forçado.
Ao pagar o imposto, o contribuinte não recebe nada de específico em troca, está apenas a
contribuir para o financiamento das despesas do Estado, com vista a realização do interesse
público
10
2.2.4. Classificação dos impostos
Sebastião Oliveira classifica os impostos em duas partes nomedamente: Impostos Directos ou
Impostos Indirectos; Impostos periódicos ou Impostos de obrigação única; Impostos Reais ou
Impostos Pessoais; Impostos de Quota Fixa ou Impostos Quota Variável; Impostos Estaduais ou
Impostos não Estaduais; Impostos Gerais ou Impostos Especiais; Impostos Principais ou
Impostos Acessórios; Impostos sobre o Rendimento ou Impostos sobre o Património ou ainda
Impostos sobre o Consumo; Impostos Fiscais ou Impostos Extra Fiscais; e finalmente Impostos
Ordinários ou Impostos Extraordinários.

E Claudia Jone, classifica os impostos da seguinte maneira:

- Impostos directos e impostos indirectos;

- Impostos reais e impostos pessoais;

- Impostos de quota fixa e imposto variável;

- Impostos periódicos e impostos de obrigação única;

- Impostos principais, impostos acessórios e impostos dependentes;

- Impostos estaduais e impostos não Estaduais;

- Impostos sobre o rendimento, impostos sobre o património e imposto sobre o consumo.

Sobre a classificação, não nos importa tanto neste tema, porém esta é materia muito vasta que se
pode aprofundar com muitos detalhes.

2.2.5. Função dos impostos


Segundo Tavares (1982, p. 313 e 314,) citado por Claudia Jone, pode-se ver que foi tratado as
funções do imposto num regime de economia liberal evoluída. Entender-se-á que com a
expressão de funções do imposto se pretenderá fazer ressaltar apenas a utilização que lhe é dada,
a missão que lhe é assinalada, ou seja fazer ressaltar as consequências que, com a sua aplicação,
se pretendem atingir. Verifica-se, assim, que ao imposto podem ser atribuídas três funções
nomeadamente: função financeira, função económica e função social.

a) Função financeira

À função financeira do imposto chama-se também função fiscal do imposto. Mediante ela são
fornecidos ao tesouro público os fundos indispensáveis ao Estado para ocorrer aos gastos com
11
a satisfação das necessidades colectivas, o que nos indica tratar-se da função clássica do
tributo.

b) Função económica

Através da função económica do imposto pode verificar-se a intervenção dos poderes públicos na
economia. Servindo-se duma conveniente orientação do sistema tributário, o Estado pode agir
sobre a conjuntura ou sobre as estruturas económicas modificando, pela utilização de medidas
temporárias ou definitivas, o volume da repartição da carga fiscal, influenciando, assim, o nível
das actividades, a importância do consumo e o montante da poupança individual.

O imposto, sob a forma de reduções ou de isenções, é geralmente utilizado como incentivo ao


desenvolvimento económico nos países onde tal desenvolvimento se torna necessário em vista,
nomeadamente, à promoção do bem-estar das populações.

c) Função social

No domínio da função social do imposto, o legislador pode orientá-lo no sentido da obtenção dos
efeitos mais convenientes. Assim, pode-se, mediante impostos elevados sobre o tabaco,
desencorajar o seu consumo tendo em vista a salvaguarda da saúde pública. Sem dúvida que,
quando se atinge o resultado pretendido, o rendimento do imposto passará a ser insignificante,
mas, tal inconveniente é sabiamente compensado pela concretização da finalidade extra-fiscal
pretendida.

Outro exemplo seria do papel importante que pode atribuir-se ao imposto numa política
demográfica: a tributação dos solteiros e as deduções ou reduções de impostos em função dos
encargos de família, podem encorajar os casamentos e o consequente aumento da natalidade. Se,
porém, se pretender um efeito contrário, isentam-se ou reduz-se o imposto dos solteiros e
tributam-se mais pesadamente os casados.
12
CONCLUSÃO

Depois de termos desenvolvido o tema, chegamos então ao fim, onde temos como nossa
conclusão daquilo que vimos no desenvolvimento.

Sobre o âmbito do direito, como vimos as afirmações de muitos autores, chegamos a coclusão de
que o Direito Fiscal é o ramo de Direito Tributário que disciplina o sector das receitas coactivas
unilaterais, isto é, é o Direito dos impostos. Ou por outra, o Direito Fiscal é o sistema de normas
jurídicas que têm por objectivo assegurar a capacidade funcional do Estado, proporcionando-lhe
os meios financeiros que suportam tanto a sua existência como o seu funcionamento. Como disse
Sebastião de Oliveira “o Direito Fiscal está contido no Direito Tributário, que por sua vez está
contido no Direito Financeiro. E o Direito Financeiro contem o Direito Tributário, que por sua
vez contem o Direito Fiscal.” Neste caso o seu âmbito é o tributo ou imposto.

E sobre a natureza do Direito Fiscal, vimos também afirmações de por exemplo Eduardo
Sabbag, Claudia Jone, e Sebastião Oliveira. Todos eles são unânimes em afirmar que o Direito
Fiscal é efectivamente autónomo ou se insere-se em outros sub-ramos do direito público. E
concluimos Segundo Claudia Jone que, a posição adotada para nós será da autonomia do direito
fiscal, ou seja trata-se de um ramo do direito público independente e com características próprias.

E sobre os impostos, vimos a afirmação de Claudia Jone, que a palavra Imposto veio do
Latim “impositu”, que significa obrigado a aceitar ou a realizar à força. É uma contribuição
financeira que o Estado exige das pessoas singulares ou colectivas, a fim de fazer face às
despesas públicas. E ao longo dos tempos o conceito de imposto tem vindo a sofrer alterações
consideráveis, variando a mesma segundo a época e segundo as características que o iam
informando. E tendo passado na sua evolução, por diversas fases, nomeadamente: na idade Média
tinha a característica de presente dado ao soberano, traduzindo, por vezes, a ideia de humilde
pedido feito por este aos seus vassalos para prover à sua subsistência. Em certa altura significou,
mesmo, assistência dada ao Estado a título de favor, mas, com o fortalecimento do poder real,
tornou-se contribuição obrigatória e anual com vista à satisfação das necessidades do soberano e
do reino. Com o advento da Revolução Francesa, transformou-se o conceito de imposto na
honrosa obrigação de cada um contribuir para a satisfação das despesas públicas.

E vismos que duma forma geral, o imposto pode ainda ser definido como “uma prestação
coactiva, patrimonial, positiva, definitiva, não sinalagmática, sem carácter de sanção,
13
estabelecida por Lei, a favor de uma entidade pública ou com funções públicas, para a satisfação
de necessidades públicas e redistribuição de riqueza, independentemente de qualquer vínculo
anterior

Falamos tambem das suas caracteristicas, onde vimos as seguintes carasteristicas: prestação
pecuniária, prestação coactiva, prestação unilateral, prestação a título definitivo, prestação sem
carácter de sanção, prestação devida ao Estado ou outros entes públicos, prestação com vista a
realização de fins públicos. E dentre estes, nos interessou somente em defenir as primeras três
caracteristicas. E finalmente vimos da classificação dos impostos e a sua função como: função
financeira, económica e social.
14

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SABBAG, Eduardo. Direito Tributário I. Saberes do direito. São Paulo : Saraiva, 2012. (Coleção
saberes do direito; 42) Editora Saraiva.

JONE, Cláudia Eunice. Direito das obrigações. Manual do curso de


Licenciatura em direito, 2º ano. ISCED

Constituição da República de Moçambique, actualizado pela Lei nº 1/2018 de 12 de junho.

OLIVEIRA, Sebastião. Direito Fiscal. Citações e referências a documento electrónico.


Disponível em: http://www.aeiscap.com/wp-content/uploads/2014/01/37193722-Sebenta-do-
Prof-Sebastiao.pdf , acesso em 18/05/2019

Citações e referências a página eletrônica. Disponível em: https://direito-fiscal.blogspot.com/ ,


acesso em 18/05/2019

Citações e referências a página eletrônica. Disponível em:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito_tribut%C3%A1rio , acesso em 18/05/2019

NETO, António. Direito Fiscal. Citações e referências a documento electrónico


https://www.academia.edu/3676607/Direito_Fiscal , acesso em 18/05/2019

Citações e referências a página eletrônica. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Direito ,


acesso em 18/05/2019