Você está na página 1de 6

AUGUSTO BORGES MANRIQUE

SEMINÁRIO VII –CONTRIBUIÇÕES

Questionário relativo ao Seminário VII


apresentado ao Curso de Pós-Graduação em
Direito Tributário do IBET, como pré-requisito
para a obtenção parcial da média final do
Modulo exigibilidade do crédito tributário.

Goiânia/GO
2019

1
Questões

1. Definir o conceito de “contribuição”. Quais as espécies de contribuição existentes na CF/88?


A destinação do produto da arrecadação tributária é relevante para a classificação jurídica das
contribuições? Se os valores arrecadados a título de contribuição não forem aplicados na
destinação prescrita na lei, pode o contribuinte requerer restituição do tributo pago? Sob qual
fundamento? Justificar.
O conceito de contribuição deve estar em consonância com os preceitos do
sistema constitucional tributário brasileiro, portanto, pode ser delineado a partir do fato
gerador o qual gera o tributo, ou seja, se o fato gerador, ou a hipótese de incidência,
estiverem condicionados à algum serviço público ou á alguma atividade do estatal do poder
de polícia o tributo correspondente refere-se a uma taxa, por outro lado, se a hipótese de
incidência estivervinculada a realização de obra pública, trata-se de tributo da espécie
contribuição de melhoria, e, por fim, nas demais condicionantes residuais de formas de
tributação, o tipo tributário é o imposto.
Dessa forma, as contribuições são espécies de tributos destinados ao
financiamentode gastos específicos, decorrentes de circunstâncias de intervenção do Estado
no âmbito sociale econômico.

As variedades de contribuições existentes, em sintonia com a


ConstituiçãoFederal de 1988, em seu art. 149, são as seguintes: (i) Contribuições sociais;
(ii) contribuições de domínio econômico, e, (iii) Contribuição de interesse das categorias
profissionais ou econômicas.

A respeito da destinação do produto da arrecadação tributária, conforme


disposto no texto constitucional é condição para a própria caraterização e qualificação da
espécie tributária das contribuições e, portanto, tal finalidade é, além de relevante, essencial
para aexistência do tipo tributário. Para os casos de destinação diversa, o art. 150, em seu
parágrafosétimo, assegura ao contribuinte a imediata e preferencial restituição.

Portanto, tal dispositivo além de fixar os critérios de existência para as


contribuições,determina os casos de restituição, já que a hipótese de incidência ocorre
posteriormente aorecolhimento do tributo.

2. Sobre a hipótese de incidência das contribuições, pergunta-se:


a) A União pode, na criação de contribuição com fundamento no art. 149 da CF, utilizar
uma das materialidades que lhe foram atribuídas constitucionalmente para a instituição
de impostos?
Entendo que a União poderia utilizar-se de uma das materialidades
relacionadas aos impostos federais para instituir alguma das contribuições previstas no art.
149 daCF/88. Compreendo que não há qualquer vedação constitucional neste sentido.
2
Entendo, compreendo que, se a União quiser instituir outracontribuição, não
prevista inicialmente no texto constitucional, deveria serutilizada a sua competência
residual, prevista no art. 154, I. Caso haja a instituição, esta contribuição, por força do
artigo mencionado, deverá possuircmaterialidade diversa das já constantes no texto
constitucional.

.
b) A hipótese de incidência destas contribuições pode abranger fatos que, por ocasião da
repartição constitucional de competências para a instituição de impostos, foram
atribuídos como materialidades próprias dos Estados, Distrito Federal e Municípios?
Embora o legislador constituinte não tenha sido omisso sobre o assunto,
entendo que existe sim uma limitação ao legislador federal para instituir contribuições que
possuam as materialidades próprias de tributos estaduais e municipais.

Isto porque, as competências tributárias já estão fixadas pela Constituição, e


por consequência da precisão no texto constitucuinal, não seria coerente o entendimento de
que em um momento existe a fixação da competência e em outro momento haveria a quebra
dessa competência, permitindo a criação de contribuições exclusivamente por parte da
União

3. Por força do que prescreve o art. 195, I, “a”, da Constituição da República, a legislação exige
que o empregador recolha contribuição sobre a folha de salários e demais rendimentos do
trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. Neste
contexto, pergunta-se:
a) O que é “salário”? E “rendimentos do trabalho”?
O termo “salário” pode ser entendido como a totalidade dos valores recebidos
pelos trabalhadores, qualquer que seja a forma ou meio de pagamento, como
contraprestação a trabalho realizado comhabitualidade, excluídos os valores de cunho
indenizatório.

Por outro lado, rendimentos do trabalho pode ser compreendido como à


remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos
rendimentos que lhe são pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês,
destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os
ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste
salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do
empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de
convenção ou de acordocoletivo de trabalho ou de sentença normativa

b) Levando em consideração a resposta, quais das parcelas abaixo estão ou não sujeitas à
incidência deste tributo, justifique: (i) os serviços extraordinários (horas extras); (ii) terço
constitucional; (iii) férias indenizadas; (iv) aviso-prévio indenizado; (v) adicional de
insalubridade; (vi) adicional de periculosidade; (vii) adicional noturno; (viii) auxílio-
3
educação; (ix) auxílio-creche; (x) auxílio-doença; (xi) salário-maternidade; (xii) prêmio
assiduidade; (xiii) vale-transporte e (xiv) descanso remunerado. (Vide anexo I).
 (i) Serviços extraordinários (horas extras): Incide em virtude do
caráterremuneratório da parcela;
 (ii) Terço Constitucional: Não incidência decorrente do caráter apenas indenizatório
da parcela;
 (iii) Férias indenizadas: Não incidência decorrente de previsão legal (art. 28, §9°, d
da Lei 8.212/91).
 (iv) Aviso prévio indenizado: Não incidênciadecorrente do caráter remuneratório,
mas, sim, indenizatório da parcela.
 (v) Adicional deinsalubridade: Incide em virtude do caráter remuneratório da
parcela;
 (vi) Adicional depericulosidade: Incide em virtude do caráter remuneratório da
parcela.; (vii) Adicionalnoturno: Incide em virtude do caráter remuneratório da
parcela;
 (ix) Auxílio-creche: Não incide, conforme previsão da Lei 8.212/91;
 (x) Auxílio-doença: Não incidência em decorrência da inexistência do caráter de
contraprestação da parcela;
 (xi) Salário-maternidade: Incidência decorrente de previsão legal (art. 28, §2°, d da
Lei 8.212/91);
 (xii) Prêmio assiduidade: Ganhos eventuais e não integrados ao salário não integram
a base dacont ribuição (art. 28, par. 9º., “e”, “7”, da Lei 8212/91) ; (xiii) Vale-
Transporte:
 (xiv) Vale transporte:Conforme entendimento do STF, o vale transporte tem natureza
estritamenteindenizatória, não incidindo, assim, a contribuição em tela.
4. Com relação ao creditamento do PIS-COFINS, pergunta-se:
a) Estabeleça diferença entre o regime monofásico e não cumulativo.
O regime monofásico, ou da cumulatividade, é aplicado às receitas advindas
de determinadas mercadorias discriminadas em lei específica e atribui ao
produtor/industrial a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições ao PIS e
COFINS por toda a cadeia.

Ao passo que regime da não cumulatividade incide sobre o total das receitas por
alíquotas diferencias doregime monofásico, entretanto, possibilita a dedução de créditos apurados
sobre o valor dasoperações de entrada

b) Qual o alcance da não cumulatividade do PIS-COFINS prevista no art. 195, § 12, da


CF/88?

4
c) O que caracteriza “insumo” para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS?
Valores gastos com contratação de mão de obra terceirizada geram créditos de
PIS/COFINS? (Vide anexos II a VII).
Compreendo que o conceito de insumo para cálculo de crédito de PIS e
COFINS não está restrito às matérias-primas, produtos intermediários e material de
embalagem, como ocorre com outros tipos de impostos, ou seja, para o contexto tributário
do PIS e COFINS, insumo são todos elementos essenciais, isto é, os que sem eles não seria
viável a produção ou fabricação de bem destinado à venda ou prestação de serviço

5. A Lei Federal n. 10.865/04 instituiu a Contribuição para os Programas de Integração Social e


de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na importação de produtos
estrangeiros ou serviços (PIS/PASEP-Importação) e a Contribuição Social para o Financiamento
da Seguridade Social devida pelo importador de bens estrangeiros ou serviços do exterior
(COFINS-Importação). Analisando criticamente o art. 7º da referida lei, e os enunciados
constitucionais que atribuem competência para a União instituir contribuições, bem como o
conceito de valor aduaneiro, pergunta-se:
a) É possível identificar um conceito constitucional de valor aduaneiro? (Vide anexo IX).
A Constituição Federal, em seu artigo 149, estabelece o critério para calcular
as contribuições incidentes nas importações, qual seja: apenas o valor aduaneiro da
mercadoria (valor de mercado do bem, acrescido dos custos de transporte, carga, descarga,
manuseio eseguro), e o conceito de valor aduaneiro ficou estipulado pela legislação.

b) O que compreende o valor aduaneiro para fins de quantificação do PIS-Importação e da


COFINS-Importação?
Compreendo que para fins de quantificação do PIS-Importação e da COFINS-
Importação, o valor aduaneiro compreende o valor da transação.

6. Sobre as contribuições de intervenção no domínio econômico, pergunta-se:


a) Que se entende por intervenção no domínio econômico? As causas de intervenção estão
restritas aos arts. 170 a 181 da Constituição Federal?
Por intervenção no domínio econômico, entende-se a especialidade tributária
que tem abrangência sobre variados setores da atividade econômica, entretanto, ficam
submetidos,tantos aos princípios da ordem econômica fixados na Constituição, quanto aos
preceitos dosistema constitucional tributário, com critérios específicos determinados pela
constituição, emseus artigos 170 a 181.

b) O produto da arrecadação da CIDE deve ser legalmente destinado à intervenção no setor


econômico de que trata a contribuição (intervenção positiva), ou pode ser instituída com
finalidade de desestimular determinada atividade, ou seja, com caráter extrafiscal
(intervenção negativa)?
O produto da arrecadação da CIDE deve ser legalmente destinado à

5
intervenção no setor econômico de que trata a contribuição (intervenção positiva).

Contudo, considerando o caráter extrafiscal podem ter uma abrangência com


diversas outra finalidade, como, por exemplo, pode ser instituída com a finalidade de
desestimular determinada atividade, ou seja, com caráter extrafiscal (intervenção negativa).

c) A sua materialidade e o sujeito passivo devem estar relacionados com a destinação


escolhida pelo legislador como forma de intervenção no domínio econômico? (Vide anexo
XII).
Compreendo que a sua materialidade e o sujeito passivo devem estar
relacionados com a destinação escolhida pelo legislador como forma de intervenção no
domínio econômico.

A exemplo deste entendimento, o CIDE royalties, por exemplo, que é devida


pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos
tecnológicos.

d) a remuneração por direitos autorais em operações com o exterior se classificam como


royalties para fins da incidência da Cide? (Vide Anexo XIII)
Conforme entendimento adotado pelo CARF, a remuneração por direitos
autorais em operações com o exterior, se classificam como royalties para fins da incidência
da Cide.

Você também pode gostar