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São Paulo, 6 de Julho de 2020

Ano 7 - Edição nº 00132

! Palavra do Estrategista
Atualização extraordinária: ajustando a Carteira
Oportunidades de Uma Vida para o segundo
semestre, de um cenário mais ordinário

Felipe Matheus
Miranda,
Spiess,
Autor Assistente

Resumo: esta atualização extraordinária do Palavra do Estrategista traz


mudanças na carteira Oportunidades de Uma Vida, de modo a prepará-
la para o segundo semestre do ano, em que se permite a assunção de mais
risco, em busca das histórias de maior rentabilidade na Bolsa. É uma
espécie de volta às origens, pois o cenário assim permite. Para verificar as
alterações sugeridas, vá direto à tabela ao final desta publicação.
Esmiuçaremos as respectivas teses na próxima edição oficial do Palavra.
Até lá!
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Edições extraordinárias deveriam ser, bem… como posso dizer…


extraordinárias. Quando você percebe uma frequência muito grande delas,
algo está fora do lugar. De fato, está. Ou estava pelo menos. O
extraordinário é fora do comum, do ordinário e, portanto, deveria ser raro.

O primeiro semestre deste ano foi absolutamente fora do comum,


desafiou qualquer padrão. Acho que todos nós pudemos perceber isso.
Seja em nossa atividade profissional, no ambiente familiar ou em nossos
investimentos. Naturalmente, portanto, vimos em nossas recomendações
também uma atividade atípica. Esperar duas semanas — o calendário oficial
de atualizações do Palavra do Estrategista — ensejava lentidão excessiva
diante de um cenário que mudava muito rápido. Um dinamismo muito
maior era necessário, visto que 15 dias significavam quase uma eternidade.
Curiosamente, no espaço de duas semanas tivemos o recorde de circuit
breakers da Bolsa brasileira, algo absolutamente incomum e raro.
Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias e foi por isso que
observamos uma maior frequência de atualizações da carteira
Oportunidades de Uma Vida. Era necessário fazê-las, dada a intensidade e
a rapidez da mudança na percepção sobre os fundamentos. Certamente, foi
o maior turnover da história dessa seleção de ações — não é uma opinião,
trata-se de um fato objetivo.

Além do requerido maior dinamismo, diante de muita incerteza e enorme


nível de risco, entendemos ser necessário dois outros elementos atípicos
para a composição desta carteira:

1. Uma diversificação bastante grande, fugindo um pouco da


característica original das Oportunidades de Uma Vida, de um portfólio
mais concentrado. Warren Buffett tem uma frase curiosa: a diversificação
é a arma daqueles que não sabem o que estão fazendo. Talvez sejam mais
curiosos ainda os fatos de que Buffett tenha mantido carteiras bem
diversificadas ao longo do tempo e só tenha vendido na crise, sem comprar
nada de relevante (ele se desfez de toda sua posição em aéreas e de boa
parte dos bancos). Mas essa é outra história. Diante de muita incerteza, risco
gigante e dispersão enorme de resultados possíveis à frente, sem que
soubéssemos aonde a pandemia poderia nos levar, não havia mesmo como
saber muito bem o que se estava fazendo. Ninguém sabia. “Os
desinformados estão cheios de certezas, e os informados, cheios de dúvidas.”
Nunca a frase foi tão apropriada. A resposta à enorme incerteza e elevação
de risco é a diversificação, a montagem de posições menores e a dispersão
entre vários fatores de risco. É isso que se faz na fronteira da gestão de
ativos. E foi isso que trouxemos aos nossos assinantes.
2. Um nível elevado de dolarização da carteira. Essa foi nossa forma de
proteger o portfólio — por ser uma carteira apenas de ações, não temos,
aqui, como fazer hedge diretamente com dólar, ouro ou outros seguros-
catástrofe clássicos, como o momento pedia diante de tanta incerteza e risco.
A forma possível de fazer algo parecido com isso (porque alternativas nunca
são 100% fiéis) era por meio da introdução de empresas defensivas e que se
beneficiassem do dólar alto. Por isso, introduzimos Vale (VALE3), Suzano
(SUZB3) e BRF (BRFS3). Obviamente, todas também tinham elementos
idiossincráticos, mas a principal motivação foi de cunho sistêmico. Foi o
mais alto grau de empresas dolarizadas que já tivemos na carteira também.

Aos poucos, porém, a vida começa voltar ao normal. Ou, pelo menos, a um
novo normal. Isso permite, claro, que a Carteira Oportunidades de Uma
Vida também volte ao seu “normal”, ou seja, às suas origens. Não que
tenhamos desviado delas. Definitivamente, não é o caso. O momento era
diferente e exigia, portanto, uma postura diferente. Agora, porém, voltamos
a discutir temas mais parecidos com aqueles do ano passado, ainda que a
pandemia esteja aí, claro, e não possamos nunca abaixar a guarda. Não
adotaremos jamais uma postura excessivamente concentrada, tampouco
abandonaremos por completo o dólar. Mas podemos concentrar um pouco
mais em nomes de maior convicção, surfar mais fortemente a onda do
“financial deepening”, curtir mais o peso da tecnologia e dar mais peso
a small e middle caps, o que sempre foi nossa maior especialidade,
nosso grande diferencial, ao lado de uma postura metodológica crítica
em montagens de carteira e “asset allocation”. Visto de outro modo, tudo
resulta em liberar um pouco as amarras e conferir à carteira um pouco mais
de retorno potencial.

Fazemos isso somente porque o cenário permite.


Fique claro: não estamos negligenciando a gestão de risco. Fato é que três
grandes temas permitem a assunção de uma carteira mais agressiva agora,
mais favorável à perseguição de altas rentabilidades, como sempre foi nosso
propósito aqui.

O primeiro se refere à rapidez e à intensidade da recuperação. Quase


todos os indicadores publicados recentemente sobre a economia mundial
têm surpreendido muito positivamente. Relatórios de Emprego e vendas ao
varejo nos EUA, PMIs e setor de serviços globais (atividade manufatureira),
dados internos do Caged, produção industrial brasileira, comportamento
doméstico da inadimplência e por aí vai. O que parecia um abismo em abril
e maio (e parecia mesmo) mostra-se bem diferente agora. A não ser que
vejamos uma segunda onda muito intensa de Covid-19, ou que esse
desempenho derive apenas dos estímulos monetários e fiscais
momentâneos, podemos afirmar com maior grau de convicção hoje que há
boas chances em favor de uma recuperação rápida, em V. Em sendo mesmo
o caso, faria sentido pensar que os ativos poderiam, como um todo, voltar às
máximas.
A segunda questão está mais associada ao vírus diretamente. Ainda que,
em vários lugares, haja recorde do número de casos, não há, ao menos neste
momento (e infelizmente temos de tomar decisões com base nas
informações disponíveis, ponderando sobre probabilidades e escolhendo
sob incerteza), uma perspectiva de lockdown ou quarentena tão intensa
como a que vivemos recentemente. A percepção é de que, de um jeito ou de
outro, conviveremos com a Covid-19, adotando protocolos de segurança e
mudando alguns de nossos hábitos. Se essa percepção é momentânea ou
estrutural, só o tempo vai dizer, mas hoje ela é predominante. É importante
ressaltar que, mesmo nas regiões de maior escalada dos casos, não há a
mesma proporcionalidade nas mortes. Além disso, cresce a expectativa pelo
desenvolvimento célere de uma vacina efetiva, o que resolveria de forma
mais definitiva o problema. A vacina devolveria de vez os mercados à rota
ascendente e ao bull market estrutural — talvez a intensidade das altas seja
menor à frente, por conta da herança de pesados déficits fiscais, balanços
inchados dos bancos centrais, elevado número de empresas zumbis que
foram salvas pelo Fed e outras mazelas da crise. Porém, em contrapartida,
há uma liquidez brutal no mundo, e a renda fixa apresenta retornos
negativos em termos reais. Não há muita alternativa a não ser comprar
ações.
O último ponto é de caráter local. O mercado brasileiro teve o pior
desempenho de todos (entre os minimamente relevantes) em 2020. E acho
que foi um título merecido. As turbulências políticas adicionaram incerteza
ao processo — gostemos ou não do governo, é um fato objetivo que o cenário
político foi conturbado e o mercado não gosta de agitação, turbulência e
volatilidade. Nossa trajetória fiscal está em risco e o real é a moeda de maior
volatilidade (e pior performance) do planeta. Dito isso, também gostando ou
não do governo, o fato é que as coisas melhoraram nas últimas semanas.
Aquele grande recrudescimento nas relações entre os três Poderes parece
amenizado e há, ao menos em termos relativos, maior harmonia entre
Executivo, Legislativo e Judiciário (talvez até pelo recesso, mas não
importam tanto as razões; estamos aqui para ganhar dinheiro, não para ter
razão). Depois daquela disparada para R$ 5,94, com características claras de
um “overshooting”, foi retirada uma maior pressão sobre o câmbio. E o
governo tem recuperado a discussão em prol das reformas e da agenda
fiscalista. O Brasil sofreu bastante, por razões merecidas. Contudo, elas têm
sido superadas e, portanto, faria sentido pensar numa recuperação mais
intensa agora, apenas para sair da condição de lanterna, que assumimos por
deméritos próprios. Não seria nada excepcional, mas apenas um retorno à
média, à nossa complacência típica, nosso caráter macunaímico e medíocre.

Toas as questões circunstanciais se inserem numa dinâmica mais estrutural


de muita liquidez global, sinalização de apoio infinito pelos bancos centrais,
tendência de juro muito baixo, grande migração de investidores locais da
renda fixa em direção à Bolsa e baixa inflação. Isso pavimenta a via para
uma dinâmica mais positiva das ações, abrindo espaço para uma carteira
mais agressiva. Reitero: sem, no entanto, abaixar a guarda, concentrar
demais ou desviar da imperiosa necessidade de ainda se manter algum
dólar em carteira.
A conclusão geral: estamos diminuindo o peso do dólar na carteira,
reduzindo o percentual de alguns nomes defensivos, concentrando em
algumas posições de maior risco e introduzindo as ações da B3 (B3SA3).
Com isso, vamos em busca de mais rentabilidade, como sempre foi
característica desta Carteira e, felizmente, agora é possível por conta de um
cenário (ao menos um pouco) mais normal. Além disso, promovemos um
ajuste em alguns pesos, para torná-los menos quebrados e mais redondos,
facilitando a vida do investidor. Essa era uma demanda de muitos
assinantes e eles tinham razão — ficamos felizes em atendê-los.

As mudanças da carteira e sua nova composição para se expor à maior


normalidade são apresentadas abaixo (a tabela ao final deixa a visualização
das mudanças mais fácil, mas segue também em texto).

Primeiramente, tratamos da introdução de B3 (B3SA3), com o equivalente a


3,50% da carteira. A ideia aqui é nos expormos ao processo de “financial
deepening” no Brasil. Obviamente, BTG e XP participam desse jogo
também, mas, aos valuations atuais, B3 parece ser o nome correto para
surfar essa enorme onda. Ganha também com a volatilidade do mercado, é
bastante líquida, bem tocada, tem muita tecnologia embarcada e é um
monopólio difícil de ser quebrado. Potencial de crescimento do mercado de
capitais brasileiro num ambiente de juro real negativo é brutal, e B3 pega
isso na veia. Como de costume, apresentaremos a tese de B3 detalhada na
própria edição oficial do Palavra do Estrategista, na semana que vem. Ali,
sim, o racional virá com profundidade. Aqui, estamos mais interessados na
atualização da carteira em si. Não poderíamos esperar dez dias para fazer
isso, pois poucos dias fazem toda a diferença.

Os aumentos de peso ocorrem nas seguintes ações:


Cosan Logística (RLOG3) e Eneva (ENEV3) passam a ter 9% de
participação, compondo as maiores posições, o que representa um
incremento de 1,31 ponto percentual frente à alocação anterior.

Banco Pan (BPAN4), Cosan (CSAN3), Itaú (ITUB4) e Jereissati (JPSA3)


ficam com 8% de participação cada. Aqui há apenas um ajuste marginal, de
modo a encerrar os percentuais quebrados. Sua posição prévia era de 7,69%
(portanto, há um incremento de 0,31 ponto percentual).

Lojas Americanas (LAME4) e Magazine Luiza (MGLU3) saem de 5,77%


para 6%, uma elevação de 0,23 ponto percentual, pela mesma razão acima.

Banrisul (BRSR6), Hypera (HYPE3), Oi (OIBR3), Sanepar (SAPR11), Vale


(VALE3) e Yduqs (YDUQ3) sofrem ajuste semelhante, saindo de 3,85% para
4,00%.

Mitre (MITR3) e Trisul (TRIS3) sobem, cada uma, de 1,92% para 3,50%,
com incremento, portanto, de 1,58 ponto percentual, para conferirmos
mais exposição a incorporadoras e a um beta alto.

E, obviamente, para poder comprar B3 e aumentar os pesos nas demais


ações, precisamos reduzir a participação de outras ou sair de algum
papel — o dinheiro precisa vir de algum lugar.
Para isso, vamos:

Reduzir o peso das ações da Suzano (SUZB3), dos atuais 7,69%, para
3,50%, ou seja, uma retração de 4,19 pontos percentuais. Suzano foi muito
importante para servir de seguro à carteira e dar-lhe uma maior dolarização
no ápice da crise. Agora, porém, com o cenário voltando ao normal,
podemos reduzir essa dolarização. Ademais, objetivamente, estando certo
ou errado (eu até acho que errado, mas isso não importa tanto), o mercado
passou a não mais olhar tanto para a Suzano como uma proxy de dólar em
Bolsa desde sua última publicação de resultados, por conta de sua política de
hedge. Faz sentido mantê-la em carteira, mas em uma posição menor. Ao
menos momentaneamente, a pressão cambial parece amenizada,
permitindo reduzir o peso das proxies de dólar.

Zerar (vender) a posição de BRF (BRFS3). Também era um caso, de certo


modo, defensivo e de exposição ao dólar, naquele contexto pesado de
março/abril, quando o mercado estava privilegiando muito frigoríficos e
papel e celulose. O cenário mudou muito rápido e agora pede uma nova
alocação. Não houve aquele surto gigantesco, e o que era apontado como
campeão num cenário mais pessimista e negativo perde um pouco de
sentido agora. Novas diretrizes para tempos de paz. Num ambiente mais
normal e de retomada, a ação tende a ficar para trás.
Zerar (vender) a posição de Alupar (ALUP11), que é um case de
transmissão de energia ainda barato em Bolsa. Era uma posição defensiva
importante. Agora, porém, queremos tornar a carteira mais agressiva e,
num cenário um pouco melhor, abrimos mão de coisas com menos potencial
de valorização. Ademais, há certa dúvida no mercado sobre a capacidade de
alocar capital da companhia, o que pode deixar as ações um pouco para trás
num caso de recuperação mais forte da Bolsa. É uma excelente empresa,
mas muito defensiva e sem grandes drivers no momento. Se queremos mais
potencial de valorização, havemos de abrir mão de algumas coisas. Essa é a
dura realidade.

A tabela abaixo resume as mudanças e a nova alocação.


Para facilitar a implementação das mudanças, disponibilizamos para os
assinantes do Palavra do Estrategista uma planilha em que você preenche
o capital aplicado nas Oportunidades de Uma Vida e ela “cospe" para você
quanto, em reais, você tem que vender de cada ação e quanto deve comprar
de cada ação. Caso haja alguma dúvida para operacionalizar as mudanças,
vale consultar esse guia sistematizado e simplificado, que certamente vai
ajudar. Basta clicar aqui para ter acesso a mesma.

Um abraço e bons investimentos,

Felipe e Matheus

Oportunidades de Uma Vida

Nossa sugestão é que você estruture a carteira inteira. Caso você não
consiga montar todo o portfólio, seguindo corretamente as indicações de
pesos, uma boa alternativa é investir pelo nosso fundo na Vitreo. Inserimos
um acesso logo após as usuais tabelas para controle das Oportunidades de
Uma Vida, sempre devidamente publicadas na área do assinante conforme
exposto abaixo.
Para conferir o track record da carteira, clique aqui
aqui.

Com a ajuda da Vitreo, nossa parceira, criamos um fundo para reproduzir a


carteira teórica, disponibilizada na série Palavra do Estrategista. O fundo
seguirá as minhas indicações, com a devida diligência e validação da equipe
da gestora. Caso você não consiga seguir a carteira como um todo, o fundo
pode ser uma oportunidade interessante.

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QUERO CONHECER O FUNDO DAS OPORTUNIDADES DE


UMA VIDA
Felipe Miranda
Autor

Matheus Spiess
Assistente

Rafael Brandimarti
Editor

Associada à: ANATEC, Instituto Palavra Aberta e Câmara Brasileira do Livro

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