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- Ahhh… perfume desgraçado.

Aquele odor delicioso que invade o


corpo sem pedir licença. - E a droga do elevador que não chega! Eu
pensava.

E do meu lado, ela, ali parada, quieta, pensando sabe-se lá o quê. Quanto a
mim, tentava manter uma postura séria, mas era pura fachada. Imaginava
um ponto escuro na parede e tentava concentrar-me nele. Se arriscasse
olhar para ela, tenho certeza que a “comeria” com os olhos até mal
restar-lhe os ossos.

Ossos… aqueles aglomerados de cálcio cobertos por aquela carne em


delineada formosura. E sem perceber, já divagava a imaginar-lhe nua.
Então, chacoalhava a cabeça, como se quisesse expulsar tais pensamentos
lascivos.

Num instante tive aquela sensação de ser observado. Era aquele lance
inexplicável que sentimos quando alguém nos observa, uma espécie de
“cutucada de olho”; sei que pode parecer bizarra mas todos concordam que
ocorre. Então, com “rabo de olho” dou uma verificada e constato que
realmente ela observava-me. Viro-lhe rosto, dou aquele sorriso tímido e
faço uma leve mesura com a cabeça. Como é incrível o que a gente consegue
notar com a visão periférica, mesmo sem focar pude notar aquele decote
generoso que por si só já fazia meu cérebro voltar a fervilhar.

- Ahhh...tentação! Dizia a mim, mesmo.

Já, do outro lado do corredor, depois da porta de vidro que dava acesso ao
escritório, alguns colegas faziam a pausa para o café, mas era mentira,
foram lá para “secá-lá” e tiveram a sorte de estarem perto da mesa do café
(filhos da puta, sortudos). O que eu não daria para estar lá, tomando aquele
café e apreciando aquela paisagem. Sem que ela visse, eles faziam-me
sinais, para que não obstruisse a vista daquele monumento. Com o dedo do
meio, coço a lateral da cabeça (se eu não vejo, vocês também não!), mas
acabo cedendo, afinal, sou bacana. Finjo mexer no celular e dou um passo
para trás. Em gratidão, recebi mesuras, aplausos e sinais de positivo.
Ofertei a eles aquela visão, um banquete.

Morena, as madeixas tão escuras quanto o destino das almas que a


desejavam, os fios corriam pela espádua nua e, delicados, recostavam no
busto escarpado e tentador.

(***)

Não é difícil imaginar quem era ela, é um clichê, eu sei! Mas vou ser legal e
direi, ela é a mulher do chefe. Não que isso importasse, se fosse outro chefe.
Você deve imaginá-lo um tirano, ditador. Antes o fosse, assim eu olharia
para ela sem importar-me com a saliva escorrendo-me pela boca. Mas ele
não, o filho da puta era legal, do tipo “pra caralho”. Pra ter ideia, umas
semanas atrás estava numa “bad”, mal mesmo. Era um daqueles dias que
você reza por uma desculpa para “descer a bolacha” em alguém. Tudo por
causa de um descuido meu, deixei o celular a vista e minha esposa
interceptou uma mensagem mais “caliente” da Su. A Su é da contabilidade
da empresa, também casada, e temos uma “lance nosso”. É assim: ela sabe
que não vai me dar e eu sei que não vou comê-la, então, a gente flerta um
com o outro. São coisas bobas, mas pra minha esposa era algo como se
estivessemos fazendo “anal giratório” no almoxarifado do escritório (antes
fosse, porque a Su tem um “senhor rabo”). Nem tentei explicar, amarguei a
derrota e fiquei quieto, o que, de certa forma, foi como lenha no surto dela.
Liguei o foda-se!

Então, naquele dia eu tava “putaço”, sentado na minha baia praguejando


deus e o mundo. De repente, sinto uma mão no meu ombro.

- Ooo Jota (meu apelido), vi que hoje você tá estranho. Tá tudo bem?
Era o meu chefe, tinha me visto lá da sala dele, onde a parede de
vidro dava bem pra minha baia.

- Não muito... problemas em casa. Digo, sem dar margem pra estender
aquele assunto.
- Hummm… esposa né?

Apenas aceno afirmativamente com a cabeça, mas nem desvio os olhos do


monitor para não alongar a conversa.

- Arruma tuas coisas? Ele diz, dando um tapa nas minhas costas.

- Putz… um dia folga! Penso, já sentindo-me mais animado. Iria sair


dali direto pra uma sauna que não ficava muito longe, lugar discreto,
daqueles que a gente diz “bem frequentado”. Permita-me explicar,
curto saunas, o calor ajuda a aliviar o estresse, mas também não iria
num lugar pra ficar rodeado de marmanjos pelados. Então, era
forçado a ir naquela dita “sauna para executivos” (sei...é um nome
cafona, até porquê não só executivos frequentam o ambiente). Tudo
bem, eu sei que podia ficar sozinho num espaço, mas as vezes é bom
poder conversar. Dai...é bom convidar uma dama, afinal, a ociosidade
deixa elas mau humoradas. Sim, sim, sim… a gente bebe um pouco e
acaba permitindo que coisas que não deveriam acontecer aconteçam.
Veja bem, elas são mulheres muito carentes...esse mundo capitalista
que não dá valor ao sentimento das pessoas! E a culpa, na verdade, é
da bebida, porque a conversa sempre começa séria, sem segundas
intenções (até posso jurar mas…) elas tem boas dicas de
investimento (você acha que os corretores de valores não vão lá?).

- Puxa, muito obrigado. Esse dia de folga vai me ajudar! Digo já


ansioso, já imaginando o vapor quente.

- Que folga, Jota! Lembra da fábrica nova? Ele diz, franzindo a


sobrancelha.

- A de Floripa? Pergunto surpreso. Eu fodido e ele querendo me enfiar


trabalho, maravilha!

- Essa mesmo? Conhece?


- Não, mas bem que gostaria. Tenho altas reclamações pra falar com o
pessoal da “engenharia” de lá.

Eu também sou engenheiro, mas o grupo de engenharia da fábrica sentia-se


mais “engenheiro” que o resto do pessoal. Posso garantir que o salário
deles é tão porcaria quanto o meu! E, quando eu ligava lá pra reclamar das
cagadas nos projetos, eles tinham a pachorra de dizer “Mas...você não é
engenheiro!” E eu, muito educadamente, sempre dizia: - Como não sou
engenheiro, CARALHO!!!! Seus bandos de arrombados!

Bem, talvez por isso a minha relação com setor de lá tenha ficada um tanto
abalada... Paciência!

- Então, te arrumas. Tenho uma reunião na fábrica antes do almoço e


você vai comigo.

Foram três horas de viagem, descemos de carro da antipática capital


paranaense até a animada e receptiva Floripa. Conversamos sobre coisas
que adoro, além de mulheres. Começamos com rock clássico do anos 80 e
intercalamos com a escolha das estagiárias; terminamos em carros, bossa
nova e as deusas do financeiro (obviamente, a Su). Confesso que só a
viagem já tinha livrado-me do estresse, o lazarento era bom de papo.

Chegando na fábrica, com um dos donos, já senti que tinha algum respeito.
Mas não foi só isso, ele apresentou-me como um provável ​cafetão de
gravata.​

- Cuidem dele porque é, praticamente, um dos donos! Chama o Sub


(sub-gerente da fábrica) e pede pra mostrar todas as instalações.
Ahhh, ele tem ideias para o pessoal da engenharia...então já sabem
né! Disse ele, apontando para uma das secretárias. Antes de entrar
pela porta de vidro ele vira-se para mim e fala:
- Toma um café no refeitório, mas deixa espaço pro almoço. Vou te
levar num lugar que vai adorar, vai ser a melhor lagosta que já comeu
na vida.

Nossa, acho que nunca comi uma lagosta. Então...todas serão a melhor que
já comi na vida. Aproveito da moral com a qual ele me deixou e ando pela
fábrica de nariz erguido. Lá na “engenharia” eu me esbaldei, falei de todos
os problemas que eles nunca quiseram ouvir mas, agora, tinha até uma
secretária para tomar nota. Observe que falei secretária, não uma
estagiária, porque, do contrário, podiam dizer que perderam as anotações e
culpar a infeliz, só pra não executar o que eu pedia. Naquele dia, senti-me
patrão. No café, não era aquele vagabundo de milho torrado que a gente tá
acostumado a tomar, era café “gourmet” lá do sul de Minas, com chocolate e
amêndoas. E de lanche, bolo “red velvet” com cobertura e raspas de limão.
No almoço, comi como se fosse a última vez.

No fim da tarde, ele recebeu uma ligação, que deixou ele meio
desconfortável em falar perto de mim, então se afastou mas podia vê-lo em
sorrisos bem animados. Desligando o telefone e voltando para perto de
mim, aperta-me o ombro e diz:

- Jota, é o seguinte… surgiu um imprevisto, não vou conseguir voltar


contigo. Fica com o meu carro que eu volto depois de avião.

- Mas...deixo o carro na empresa, no aeroporto? Pergunto, sendo o


mais solícito possível, afinal, queria agradar.

- Hummm... faz o seguinte. Vou precisar dele amanhã, então, fica com
ele essa noite e devolve no escritório.

Puxa vida, eu dirigindo aquele carrão que nem em cinco anos de escravidão
eu conseguiria pagar! Sem falar que poderia usar ele para buscar a “patroa”
na faculdade e quem sabe fazer uma moralzinha. Com sorte acabaria a noite
num motel para um “sexo de perdão”. Embora, também tenha cogitado em
ir na “sauna” e fazer uma moral com as “primas”. Mas... dessa vez a esposa
venceu.

(***)

O elevador chega, faço um aceno com a mão para que ela entre primeiro.
Sou gentil, não é? Mas não, aproveito para olhar aquele corpo. Aquele
vestido colado, delineando aquele quadril esculpido, as coxas grossas e as
costa nuas, que a blusinha não escondia. É… eu sei, vou pro inferno!

A porta do elevador fecha e minha mente já começa a viajar. Imagino


agarrando-a ali, pressionando-a na parede (dane-se a câmera), beijando o
pescoço enquanto minhas mãos levantam com ânsia aquele vestido preto.
Imaginava uma lingerie também preta, com uma liga na meia arrastão.
Então eu a viro, apoiando as suas mãos na parede espelhada, e sentido
aquela bunda arrebitada pelo ​scarpin salto alto.​ (Até abaixo uma pasta que
estava segurando para ocultar a ereção)

- Eu sei o que você pensa de mim! Diz ela, de repente, olhando para
frente. Nem deu aquela viradinha de rosto e um sorrisinho. Pegou-me
desprevenido, na minha cabeça, minha calça já estava arriada e o meu
pequeno amigo estava para fora todo faceiro. Aquela afirmação
fez-me suar frio, eu ali, comendo ela mentalmente e agora descubro
que ela lê mentes! Onde está a privacidade?

Tento voltar a racionalidade, afinal, ninguém lê mentes, ao menos era no


que eu tentava acreditar. Subo a pasta devagar, até porque já tinha
brochado, era como se o junior dissesse: - Bem, agora te vira. Fui!

Subo a pasta até o peito, talvez porque os protestantes levassem a bíblia


assim e, naquele momento, eu precisasse de auxílio divino. Depois, digo:

- O que exatamente eu penso? As gotas de suor começaram a correr


pelo meu rosto, visto que elas inicialmente começaram a sair dos
poros motivadas pelo fulgor do tesão, agora desciam geladas pelo
medo.

- Desculpe, não digo você, só você! Todos vocês do escritório pensam. -


Acha que não vejo como me olham?

Não sei as mulheres, porque ninguém as entende mesmo. Mas, nós homens,
a olhavamos com desejo, todo mundo queria comer ela, exceto, talvez, pelo
Juarez (ele não era muito chegado). Mas não podia dizer isso pra ela,
pensaria que só tocamos bronha no escritório, e é uma mentira porque... lá
a gente também trabalha!

- Acho que…(vai cérebro, pensa). - Nós homens, a olhamos com


admiração, perdoe a franqueza, digo com respeito, mas você é uma
mulher estonteantemente bonita. E as mulheres devem sentir uns
pinguinhos de inveja. Nada além disso.

Era mentira, como eu disse, vou pro inferno! Todo mundo achava que ela
tava atrás do dinheiro. Ele tinha mais que o dobro da idade dela, na
verdade, acho que a caçula dele era mais velha que ela. Quando a vi pela
primeira vez, achei que era uma filha desconhecida. Depois, quando os vi se
beijando, até pensei em incesto, mas isso não me deixou excitado (juro!).
Até fizemos uma aposta para ver quanto tempo ela iria durar, já adianto
que perdi, falei um ano e já estão juntos a três. Só o Juarez ainda está no
páreo, porque ele acredita no amor (ehhh frescura). E, mesmo depois desse
tempo, ela continua uma gostosa. Então, arremato o que comecei a dizer:

- Caso alguém tenha falado ou insinuado alguma coisa que a


desagradou, posso chamar essa pessoa “de canto” e falar com ela.
Pode ser que tenha havido um mal entendido, isso acontece.

Ouvindo isso, percebo que ela ficou mais calma. Ela era nova, talvez por isso
acreditasse em qualquer abobrinha.
- Sei que você desceu com ele lá para Florianópolis. Diz, em tom de
desinteresse.

Essa pergunta acionou um tipo de “pop-up” de alerta no meu cérebro. Era


como um alerta de antivírus sobre potenciais riscos.

- Sim, a fábrica de lá fechou o balanço de um ano e foi feita uma análise


estratégica, sabe… ver o que deu errado, o que deu certo, definir
metas, essas coisas. Digo, tentando parecer bem sério. Na verdade, a
única parte que me interessava na reunião era saber se a empresa
deu lucro e se eu teria um emprego por mais tempo.

- E você voltou com o carro dele, né? Diz ela, dessa vez encarando-me.

Agora abriu um “pop-up” de alerta vermelho, daqueles que quando abrem


você até leva um susto. Ela tava “jogando um verde”, isso eu percebia de
longe. Minha esposa joga tanto verde que ela devia estar estudando
agronomia e não fisioterapia.

- Voltei sim, até perguntei se devia deixá-lo em algum lugar mas ele
disse pra ficar com o carro e devolver no dia seguinte. Faço uma
pequena pausa, e digo: - Algum problema?

- Você sentiu falta de alguma coisa? Diz ela, olhando fixamente.

Nos seus olhos castanhos, olhando com atenção, enxergava os meus olhos
em desespero. Ela tinha alguma carta na manga, um trunfo, algo que a
permitiria enrabar o marido dela e, consequentemente, eu também. Nesse
momento meu cérebro já forneceu um subsídio. Quando estava voltando de
Floripa, bem não hora que tocava “Sex on Fire” (da minha playlist) vi um
objeto brilhando no chão, até parei no acostamento para recolher. Era um
brinco, coisa fina, ouro e pedras preciosas (até fiz a cara do “hummm, que
chique”), julguei que era dela (a esposa do patrão), então deixe num nicho
abaixo do multimídia do carro, lugar bem visível. Na hora, nem passou pela
minha cabeça que meu chefe poderia andar “pulando a cerca”. Mas... se ele
comia mignon em casa o que será que ele não pegava fora?

Só podia ser aquilo, agora pensava se arriscava ou não jogar essa carta,
afinal busquei a minha esposa com o carro e poderia dizer que era dela. Por
outro lado, podia dizer que não tinha perdido nada, concordar que ele era
um canalha, quem sabe até conseguiria convencê-la a um sexo de vingança.
Novamente volto onde havia parado, nela com a bunda na minha cintura, as
mãos no espelho do elevador. Quase podia sentir-lhe os seios firmes, com
aqueles mamilos eriçados roçando o centro das palmas de minhas mãos.

- Não pode fazer isso! Repreendia-me a consciência.

Em outro instante, já a imaginava ajoelhada, pagando na mesma moeda


aquela traição. Pensar naqueles olhos castanhos olhando-me por aquele
ângulo, naquela posição, fez até sorrir de satisfação.

Ainda sim, o “código do homem” proibia-me de ser tão cretino.

No entanto, se eu engordasse o caldo, falasse que já o havia visto outras


mulheres, que na viagem para floripa ele havia narrado, com soberba,
inúmeras fodas. Já imaginava ela oferecendo-me “o manjar” aquele
diminuto orifício do prazer que ela escondia entre as bandas da bunda.
Nesse momento abaixei a pasta novamente. Gostava do meu chefe,
confesso, mas não tanto assim.

- Eu perdi um brinco! Afirmo, indignado comigo mesmo. Ia fazer


exatamente o contrário, como isso sai da minha boca? Será algum
tipo de válvula de segurança do meu cérebro, que ativa quando meu
subconsciente percebe que vou fazer uma grande merda?

- Como era esse brinco, ela pergunta? Com uma cara interessada.

Descrevo o brinco que encontrei, falo que foi um presente de casamento do


meu sogro ( o que? aquele mão de vaca, nunca!). Disse-lhe que aproveitei o
carro para fazer um agrado a esposa, levando-a para uma noite romântica
(essa parte era verdade).

Ela fica séria e depois diz sorrindo: - Olha o que encontrei. Enquanto
levanta-me o brinco.

-Nossa… é esse mesmo! Minha esposa estava aflita atrás dele. Muito
obrigado. Digo-lhe abrindo um grande, largo e falso sorriso.

No térreo, vejo-a se afastar no hall. Disse-me “tchau” e acenou com um


sorriso. Acho que ela sentia-se aliviada por não portar dentre as belas
madeixas algum sinal de galhada. Ledo engano. Olhando aquele quadril
esculpido pelas majestosas mãos da natureza, senti uma pontada de
arrependimento e uma punhalada de desejo. Talvez devesse ter falado a
verdade, mesmo que não houvesse uma “​foda da vingança​” (mas tentaria
induzir). No final eu perderia o emprego e ela sairia com a algibeira cheia.
Por outro lado, vi amor naqueles olhos e se alguém tivesse que revelar algo
então que fosse ele. Desgraçado… como que ele consegue? Com um
banquete de mulher em casa e ainda sai comendo marmita na rua. Mundo
louco...

Por garantia, mandei uma mensagem ao chefe, para deixá-lo a par do


ocorrido. Já sentia a oportunidade de promoção.

A tarde ele me chama a sua sala, fecha a porta e as persianas. E quase a


meus pés, diz:

- Salvou-me a pele! Por deus que eu estava em reunião e ela não


conseguiu pegar-me de jeito.

- Que isso, sei que faria o mesmo por mim! Digo isso com falsa
humildade. Sabia que naquela situação quem mais perderia seria eu.
Então ele apertou-me a mão e acolheu-me em um forte abraço. Depois
pede-me o brinco, afinal, a verdadeira dona o queria de volta. Foi um
“mimo” da parte dele.

No fim do expediente, refletindo em frente ao elevador, inspiro um perfume


já conhecido...Su. Sorridente, dá-me uma piscadinha.

- Juro que paro esse elevador! Digo em tom provocativo. - Você está
maravilhosa hoje, como sempre.

- Muito obrigada, diz ela, sem disfarçar certa rubidez, não de timidez
mas de lascívia.

E dentre os seus fios de cabelo loiro, um brilho chama a minha atenção.

- Belo brinco. Digo intrigado.

E mostrando-me, ela diz.

- Maravilhoso, né! Foi um presente.

FIM

Dedicado a senhorita Ashley, que ela continue a despertar a inspiração nos corações por
ela admirados.

(Decameron - Jul/20)