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1.

Introdução; 1. INTRODUÇÃO
2. Objeto;
3. Conteúdo;
A razão e o fundamento deste trabalho é a apre-
4. Evolução;
sentação para a discussão pública de um tema
que consideramos fundamental: a decadência
5 . O sistema obtém os elementos
da realidade empírica; da estrutura piramidal.
É sobre este esquema e aparato que se articula
6. O sistema obtém as
toda a metodologia da direção das organizações.
características da vida industrial;
Porém, se o sistema mantenedor não corres-
7. A estrutura piramidal:
ponde a nossos tempos, é cabível perguntar o
nascimento, apogeu e decadência;
que ocorrerá quando pretendermos utilizá-lo
8. Tecnologia do século XX,
como apoio para tecnologias avançadas.
estrutura do século XIX;
Este tema, ao qual demos o nome de nasci-
9 . Estado atual do problema;
10. As mudanças ou
mento, apogeu e decadência da estrutura pira-
midal, é o objeto primordial de nossa preocupa-
substituições importantes que se
manifestam; ção quotidiana. Para explicitá-lo de modo bem
11. A complexidade da vida
fundamentado, parece-nos necessário empreen-
organizacional; der uma incursão em antecedentes, terminolo-
gia e temas perüéricos, embora muito relacio-
12. Estrutura e funcionamento
do grupo de trabalho;
nados com nossa preocupação central, tais
13. A verdadeira dimensão
como: complexidade da vida organizacional e
humana da organização;
suas razões, a verdadeira dimensão humana tal
como se manifesta na empresa, e o homem que
14. O problema do homem que
dirige; dirige e seus problemas.
15. Conclusões finais. O esclarecimento destes temas, o principal e
os' perüéricos, constitui o motivo das páginas
seguintes. Começamos pelo objeto, conteúdo e
evolução das organizações porque acreditamos
que sua descrição contribui para a melhor com- .
Vicente L. Perel" preensão de nosso trabalho.

2. OBJETO

As organizações constituem o objeto da admi-


nistração uma vez que são elas os sistemas so-
ciais administrados.
Repetimos:
• Artigo traduzido do espanhol A administração é, pelo menos no presente,
pelo Prof. Fernando C. Prestes uma metodologia esclarecedora para a direção
Motta do Departamento de das organizações em suas fases de planeja-
Administração Geral e Relações mento, execução e controle. A etapa de execução
Industriais da Escola de compreende uma primeira fase de estruturação
Administração de Empresas da organização e uma segunda, de mando.
de São Paulo, da Fundação A direção tem lugar num contexto de valores
Getulio Vargas. sociais dados e conforma-se a esse contexto.
Vamos tornar claros dois dos termos de nosso
•• Professor titular de conceito.
Administração da Universidade
Buenos Aires; doutor em Ciências a) Significado do termo organização
Econômicas pela Universidade de
Buenos Aires e especialização em
Administração de Empresas na Segundo Bakke: 1 1. um sistema contínuo
de atividades humanas; 2. a fusão de diversos
Universidade de Pittsburg, EUA.
14(2) : 67-82, mar./abr. 1974
R. Adm. Emp., Rio de Janeiro,

Nascimento apogeu e decadência da estrutura piramidal


recursos (humanos, naturais, financeiros etc.); Essa "estrutura viva" utiliza recursos de todo
3. um todo único capaz de resolver problemas; tipo, equipando-se de meios capazes de facilitar
4. um sistema que se integra em outros para as decisões. Entre esses meios destaca-se a in-
satisfazer necessidades humanas. formação pela sua importância. 1: evidente que
Segundo Puckey 2 refere-se a: 1. individuos; as técnicas de produção, a circulação de formu-
2. inter-relações entre indivíduos e grupos; lários etc. constituem elementos físicos que ser-
3. grupos de indivíduos; 4. existência de um vem de base para a inter-relação de indivíduos
objetivo comum; 5. formalização de uma es- e grupos.
trutura viva na qual se agrupam os individuos;
6. estabelecer objetivos comuns, planejar seu b) Significado do vocábulo metodologia
atingimento e alcançá-lo; 7. utilizar para o
atingimento dos objetivos os recursos dispo- Sabemos que, no momento presente, uma gran-
níveis. de tarefa de penetração nas diversas ciências
Para Dale, 3 o tema deve ser compreendido utilizadas pelas organizações já foi realizada,
em duas fases: uma teórica e outra prática. seja nas ciências físicas, seja na matemática.
Teoricamente, as organizações constituem con- Tal penetração permitiu a utilização de re-
juntos humanos dotados de um sistema de cursos científicos variados, começando pelos
comunicação, que conseguem resolver proble- concretos e terminando pelos abstratos.
mas e possuem meios facilitadores da tomada Podemos dizer que um grande avanço foi feito
de decisões. Em termos práticos, a organização na direção do atingimento de um método orde-
existe quando se determina o que deve ser feito nado, seqüencial e cronológico de planejàmento,
para alcançar um objetivo desejado, quando se execução e controle, ou seja, na identificação
dividem as atividades necessárias para alcançar das coisas a serem feitas, de quando e de que
tal sorte de objetivos, graças a uma divisão do modo devem ser feitas e das pessoas que devem
objetivo em partes tão pequenas que possam ser fazê-las. De tudo isso já se tem um conheci-
levadas a termo por uma única pessoa; e, além mento adequado. Falta ainda, porém, alcançar
disso, quando se consegue utilizar meios de co- um grau maior de previsibilidade, com a ajuda
ordenação capazes de evitar o desperdício de de pesquisas de campo mais numerosas e pro-
esforços representado pela repetição de tarefas fundas, para elevar a metodologia atual ao nível
por pessoas diferentes. de ciência organizada.
Para Chapple,' a organização constitui um Ao começar este tópico dissemos que íamos
sistema de relações entre pessoas, no qual o in- esclarecer dois termos de nosso conceito de ad-
ter-relacionamento humano constitui o fator in- ministração: organização e metodologia. Acre-
tegrador da tecnologia, estrutura e personali- ditamos tê-lo feito a contento através de uma
dade. Tal inter-relacionamento humano não explicação de seu objeto.
ocorre num vazio; sua verdadeira existência
está determinada em grande medida pela dis- 3. CONTEÚDO
posição física dos meios de produção, pelas téc-
nicas, processos, informação etc. Acreditamos ter deixado suficientemente claro
68 Podemos conceituar melhor a organização, que o objeto da administração são as organiza-
integrando e explicitando o que dizem os tre- ções e que estas têm como conteúdo indivíduos
chos transcritos dos autores já mencionados. e grupos humanos. Desses indivíduos e grupos
Sem homens, nada se compreende e, portanto, obtemos como antecedentes. uma história e,
a organização é essencialmente um conjunto de como projeção, um futuro, além de idéias e no-
indivíduos. Esses indivíduos realizam funções e ções temporais (as idéias podem ser deste tem-
exercem atividades, não ao acaso, mas de acor- po ou de outro tempo) e toda a gama possível
do com um sistema contínuo. Esse sistema e de recursos.
essa continuidade os inter-relacionam e agru- Listando as principais expressões de Bakke,
pam. A inter-relação e o agrupamento só são e considerando que o campo da administração
possíveis dada a existência de objetivos comuns. é delimitado pelo planejamento das organiza-
O contrário implicaria dissociação e não o fun- ções, pela execução de seus objetivos e por uma
damental, isto é, associação para planejar, exe- determinada estrutura, e mediante sistemas
cutar e atingir objetivos comuns. aceitos de autoridade, não esquecendo uma ar-
Revista de Administração de Empresas
A divisão do trabalho é um legado do século
ticulação adequada de controle, teremos cons-
XVIII, como a obra de Adam Smith nos recorda.
truído um quadro que procura integrar o con-
O sistema de Estado Maior é um legado de
teúdo da administração (figura 1).
Frederico, o Grande; a estrutura escalar, hie-
rarquizada e departamentalizada é um legado
Figura 1
das organizações ferroviárias americanas do sé-
culo XIX, especialmente da Poor e McCallum.
Execução Pois bem: sobre essas premissas tais como di-
Controle
Planejamento visão de trabalho, sistema de linha e staff e
Estru- , M d
tura an o estrutura escalar e departamentalizada, estive-
mos trabalhando até há muito pouco tempo.
Eram, praticamente, os temas de estudo e de-
x x x x
Objetivos
x x x x senvolvimento na maioria das empresas, univer-
Funções x
Individuos e grupos de indivlduos x x x sidades e na literatura especializada.
Recursos materiais (matérias-primas, A administração passou por três impactos
instalações, equipamento para produzir
e administrar) x x x X
importantes até a II Guerra Mundial, e graças
Recursos de capital (tudo o que signüi- a eles desenvolveu o que talvez seja até agora
que riqueza e seus slmbolos; por exem-
plo, a moeda, o crédito, etc.) x x x l' o "pão nosso de cada dia" para dirigentes de
x x x x
Recursos naturais
Idéias (idéias propriamente ditas, lín-
empresas e professores universitários, ou seja,
x
guagem, cultura) x x x tanto para seus práticos como para seus teóri-
Sistemas de atividade (decisão e reso- cos. Esses três impactos foram o desenvolvi-
lução de problemas, liderança; preces-
x x x x mento da fábrica moderna, com toda a sua tec-
sos de fusão etc.)
nologia (época: príncípíos do século; personali-
dade marcante: Taylor); a explicitação de base
Os X em cada um dos itens e em cada uma científica dos objetos, conteúdos e técnicas da
das colunas indicam que todos os elementos ver- administração de empresas (época: I Guerra
ticais desse quadro são necessários para cada Mundial; personalidade marcante: Fayol); e a
uma das colunas que vão da esquerda para a investigação (e divulgação do conhecimento
direita, ou, em outras palavras, que a integra- dela resultante) das motivações não-econômi-
ção dos objetivos é necessária para o planeja- cas do homem na situação de trabalho (época:
mento, bem como o são, igualmente, a integra- década dos 30; personalidade marcante: Elton
ção das funções, indivíduos, grupos de indiví- Mayo).
duos, recursos materiais, capital, recursos na- Tudo isso "já era". Nossos filhos não se preo-
turais, idéias e de sistemas de atividade, enfim. cupam com a tecnologia industrial porque o
Da mesma forma, indicam que uma situação assunto lhes parece superado; o problema da
idêntica diz respeito à estrutura, ao mando e ao "hierarquia de necessidades" do homem é ensi-
controle. nado no ginásio; e assim por diante ... Por ou-
Eis aqui, portanto, o conteúdo da administra- tro lado, esperam uma administração que não
ção, integrado em todos os seus elementos com- seja a "velha administração". Nossos filhos se-
ponentes e em todas as suas fases técnicas. rão os administradores do futuro e não estão
satisfeitos com a administração, 'tal como é 69
4. EVOLUÇAO praticada nas empresas, no governo, no exér-
cito, na igreja ou na universidade. Interessa-
De onde viemos; quem somos agora; o que nos os, em turno, pela automação, pela energia nu-
espera no futuro? Essas três questões justifi- clear, pela computação, pela cibernética, pela
cam uma breve explicitação do tema "evolu- psicanálise. Eles sabem que o homem de hoje e
ção"; isto é, se o nosso tema fundamental é a dos próximos 10 ou 20 anos não é aquele da
"mudança", é de se imaginar que sua direção década de 50.
seja sugerida pela "evolução". Torna-se cada vez mais patente a articulação
Pouco depois da II Guerra Mundial, a admi- industrial da vida moderna. Como todos sabe-
nistração entra no século XX. Tal afirmação, mos, são cada dia mais evidentes as condições,
que parece falsa, é rigorosamente verdadeira. A circunstâncias e restrições do homem moder-
no. Este é um individuo condicionado por dois
administração do século XX tem poucos, muito
elementos principais: a cidade- e a indústria.
poucos, anos de vida.
Estrutura piramidal
Sendo o cidadão da década de 80 do século a consideração, no seu nível real de importância,
XX um homem de vida urbana industrialmente da complexidade da vida organizacional; o di-
articulada (uma vez que a indústria constitui lema atual do homem que dirige, que deriva da
a base vertical e horizontal de sua existência, dificuldade de formação de grupos administra-
pois derivam seus estilos de vida, seu tipo de tivos dotados de boa saúde mental e, enfim, de
consumo e de lazer), as matérias sobre as quais como experimentar sucessos legítimos no que
.toma partido, sobre as quais não permanece i~ poderíamos qualificar de "dimensão humana"
diferente, que provocam sua evolução como das organizações.
homem organizacional são a automação, a ener- Comecemos pelo princípio. Dissemos que con-
gia nuclear, a computação, a psicanâlise e a cebíamos a administração- como um sistema. En-
cibernética. tendemos por sistema um conjunto de partes.
Existem razões muito fortes para que assim identificáveis entre si e isoladamente, dispos-
seja: a automação transferiu a habilidade ma- tas seqüencialmente e de acordo com processos
nual do homem a uma máquina; a energia nu- de coordenação, controle e direção que permi-
clear terminou com a escravização do homem tem o atíngímento de objetivos.
pelos combustíveis antiquados; a computação
A ordem e a integração são os traços distin-
transferiu parte da habilidade mental de um
tivos de um sistema. Estas circunstâncias per-
homem a uma máquina; a psicanálise signifi-
mitem a planificação e a determinação de
cou o subsídio mais importante para a medicina
comportamentos e, através da informação do
no século XX, ligado à divulgação das raízes do
sistema, a tomada de decisões.
comportamento humano em si ou relacionado à
sociedade; e, finalmente, a cibernética, como A administração como sistema obtém seus
bem a definiu Norbert Wiener, permitiu "o uso elementos da realidade empírica e, contempo-
humano dos seres humanos", no sentido de raneamente, suas características são aquelas
conseguir sua liberação. que descrevem o perfil da vida industrial. Des-
creveremos estas condições (realidade empírica.
e características da vida industrial) do sistema
4.1 A administração como um sistema
qualificado como "administração" prontamente,
já que, como veremos posteriormente, suas con-
o objeto da administração são as organizações. seqüências são de enorme importância e dizem
As organizações são concebidas como sistemas respeito a um aspecto da mudança, estudada
complexos. A administração também o é. neste artigo, de alcance dificilmente imaginável.
A administração considerada como um sis-
tema tem a tarefa de integrar duas grandes par- 5. O SISTEMA OBT1:M OS ELEMENTOS DA
tes: uma, muito elaborada, chegando mesmo ao REALIDADE EMPíRICA
nível da sofisticação e outra, ainda em processo
de ser conhecida nos seus elementos constituin- Já analisamos o conteúdo da administração:
tes e nos seus processos de interação. objetivos, funções, grupos de indivíduos, re-
A primeira parte apresenta um caráter orto- cursos materiais, recursos financeiros, idéias e
doxo, em função de ser conhecida e aceita. sistemas de atividade. Em resumo, os elemen-
Compreede todo o sistema piramidal, com seus tos da realidade empírica são os homens, a tec-
70 conceitos de estrutura, áreas, funções, tarefas nologia e a informação.
etc ... ; abarca toda a gama de instrumentos que A administração obtém seu conteúdo do ex-
vão da contabilidade financeira até a pesquisa terior das organizações, isto é, da sociedade. Os
operacional. Inclui, igualmente, os ramos da elementos da realidade empírica que seleciona-
psicologia, sociologia e antropologia dedicados rá serão aqueles que permitirão o atingimento
aos problemas do homem e dos grupos humanos de seus objetivos. Este sistema, como a reali-
na sociedade industrial. dade empírica, tem no crescimento um dado im-
A segunda parte é aquela que trata da solu- portante. Sem crescimento, sem desenvolvi-
ção dos problemas ainda vigentes da adminis- mento, a administração perderia seu sentido e
tração entre os quais é fundamental o inter- sugeriria um retorno à Idade Média. Esta con-
relacionamento humano em grande escala. Dis- dição de crescimento é um produto da articula-
secar esse tema implica o trato de temas de ção industrial da vida do homem moderno. Sem
enorme importância para nós, tais como o da ela sobrevém a deteriorização, a perda de ener-
vigência e realidade da estrutura piramidal; gia e enfim a morte.
Revista de Administração de Empre'a8
perda de respeito etc. .. são indícios dos novos
6. O SISTEMA OBT1:M AS
CARACTERíSTICAS DA VIDA INDUSTRIAL tempos.
Dirijamo-nos, pois, sem mais demora, ao cer- ,
ne da situação, ou seja, à crise estrutural.
Faremos um breve retorno às características
mais significativas da vida industrial:
7. A ESTRUTURA PIRAMIDAL:
Alta racionalidade. NASCIMENTO, APOGEU E DECAD:&:NCIA
Investigação da realidade empírica.
Entende-se por estrutura, neste trabalho, a dis-
Crença na ciência. tribuição e o ordenamento das partes que sus-
tentam e apóiam o sistema qualificado como
Fixação e atingimento de objetivos. "administração".

Vida urbana, ou seja, grupos complexamente Estas partes constituem fundamentalmente:


organizados.
As áreas de atividade.
Mudança abrupta esperada, influenciada pelo
As funções correspondentes a cada área.
fator tecnológico.
Os níveis hierárquicos entre áreas e funções.
Planejamento de atividades.
Execução esperada das atividades planejadas. As inter-relações entre áreas, funções e aqueles
que as' detêm.
Sistema vertical de autoridade.
Controle do planejamento, da execução e do Os mecanismos de comunicações, com seus sis-
sistema de mando. temas de influenciação e seus processos de do-
tar a estrutura de coerência.
Esta listagem não necessita maiores esclare-
cimentos; com ela completamos o conceito de A autoridade que se exerce em seus tipos e ní-
"administração como sistema". veis distintos.
A que se referia nossa expressão "aspectos da
mudança de alcance dificilmente imaginável?" Os objetivos da organização, sejam os gerais,
Ao fato de que todo sistema chamado "adminis- sejam os setoriais e individuais.
tração" sustenta-se e apóia-se em uma estru-
A inter-relação entre a organização tratada e o
tura. A estrutura clássica é a piramidal e nos
encontramos em uma época na qual tanto os ambiente.
que estão dentro das pirâmides quanto aqueles Toda estrutura é o produto condicionado de
que estão fora expressam seu inconformismo vários fatores e variáveis. Por exemplo:
em relação ao sistema de diversas maneiras,
seja falando da falta de comunicações, de ca- 71
O tamanho da organização.
rência de informação, de lacunas na coordena-
ção, de ineficiência, de baixa produtividade ou, A tecnologia que esta utiliza.
simplesmente, lutando contra a pirâmide de
forma estritamente física. As tradições existentes no ambiente.
A guerrilha ou o Vietcong, lutando contra o
sistema estabelecido, e ganhando muitas vezes A necessidade de incluir o desenvolvimento en-
a batalha, constituem expressões últimas e fi- tre as metas.
nais de um sistema de planejamento, estrutura,
A necessidade de manter, ao mesmo tempo, a
mando e controle, que parece estar perdendo
força. O "estabelecimento" e a "ortodoxia" organização em equilíbrio.
(ainda que a ortodoxia da década de 60) não A necessidade de enfrentar as possibilidades de
resistem ao enfoque de sistemas aliado à mu-
mudanças abruptas na tecnologia, no mercado,
dança dos valores vigentes. Brechas e quebras,
Estrutura piramidal
ou na situação política do país ou dos países Seu nascimento é investigado, analisado e
vinculados. proclamado desde os princípios do século até
o presente. Os grandes precursores, desde Poor e
A dimensão do aparato gerencial, medida tanto
McCallum até Fayol, desagregam e dissecam as
em termos de quantidade quanto de suas con-
dições qualitativas. partes da pirâmide, a fim de conseguirem atin-
gir (como efetivamente conseguiram) gera-
A falta de conhecimento para agir melhor, pior, ções sucessivas de dirigentes. Esta formação his-
ou mais rapidamente, ou ainda, para tornar a tórica culmina com a empresa multinacional.
conjuntura favorável. Em pouco menos de um século, a estrutura
piramidal, formalizada, nasce com a expansão
Depois de esclarecer o termo estrutura e de
ferroviária nos Estados Unidos e atinge seu
delinear seus principais fatores condicionantes,
apogeu com a empresa multinacional, também
podemos explicar a razão do título: nascimento,
praticamente norte-americana, no campo do pe-
apogeu e decadência da estrutura piramidal.
tróleo, das finanças, das comunicações e de ou-
A estrutura piramidal surge com a atividade
tras atividades de alta especialização (e, logica-
humana, estando já mencionada na Bíblia. Po-
mente, de utilidade).
rém, a estrutura piramidal de que estamos tra-
As empresas de formação piramidal, o mana-
tando não é a mesma a que se refere a Bíblia
gement americano, são estudadas em todo o
em sua Gênesis e que corresponde à vida tribal.
A nossa estrutura é aquela da vida industrial mundo. Uma universidade adota o "estilo" do
moderna. mundo dos negócios por necessidades bélicas.
Na década de 40, Harvard adota o método do
O século XIX é o período em que os países
caso e forma administradores de acordo com
atualmente chamados "desenvolvidos" levam às
os requisitos estabelecidos pelos negócios do
suas últimas conseqüências a revolução indus-
mundo americano, nos Estados Unidos e no ex-
trial. Nos países não-desenvolvidos, tal processo
terior. Harvard é exportada; instala-se em Bar-
ainda está em marcha. É nesse século XIX que
celona, Milão, Buenos Aires e, além dessa ins-
os capitães de indústria constroem suas compa-
talação, forma, através de um sistema de bolsas
nhias para a exploração do ferro, do petróleo
de estudos, professores que ensinam a adminis-
e das matérias-primas dos países subdesenvol-
tração que as empresas americanas multínacío-
vidos.
nais requerem, para poder, dessa forma, con-
O século XX recebe essa herança, fortifica-a
tratar pessoal local treinado da mesma forma
e sublima-a. Depois da II Guerra Mundial, assis-
que seus colegas de origem americana.
timos à expansão e à instalação de um novo
A tecnologia da indústria estende-se à uni-
fenômeno organizacional: a empresa multina-
versidade e, além de penetrar na universidade
cional. Dotadas de fronteiras mais amplas que
em todos os países ocidentais, constitui centros
seu país de origem; de vida mais longa que a
paralelos para a formação de técnicos. E é ao
geração que a cria, a empresa multinacional
tomar essa dimensão que parece sofrer o co-
converte-se no arquétipo da empresa utilitária
meço de um processo de decadência.
sem bandeiras, dotada de uma estrutura pira-
Se o estilo da empresa multinacional é o
midal por excelência.
mesmo de um exército de operacionalidade
A empresa multinacional é uma espécie de
72 internacional, se nos apresentam, abrupta e
exército de ocupação de caráter econômico. Seu
brutalmente, dois exemplos de decadência dos
"pentágono" pode estar em Nova Iorque, em
exércitos e dos tecnocratas.
Chicago, em Londres, em Paris, em Berlim ou
Esses dois exemplos são o Vietcong e a guer-
em Milão. Porém, seu caráter estrutural e suas
rilha.
táticas e estratégias não se diferenciam daque-
las de um grande exército em operação inter- A luta do povo vietnamita contra as grandes
nacional. potências é o exemplo de uma estrutura pira-
midal de grande escala, e de nível internacional,
A estrutura piramidal, que experimenta sua
enfrentada por uma organização não-piramidal
formalização acadêmica básica com as primei- que a vence. Note-se, porém, que a derrota não
ras empresas norte-americanas, especialmente é simplesmente técnica. Não se trata de que a
com as companhias de estradas de ferro, atinge França, primeiramente, e os Estados Unidos,
- depois desse nascimento - seu apogeu na posteriormente, não tenham conseguido vencer
empresa multinacional. os pequenos vietnamitas menos equipados, mas
Revista de Administração de Empresas
sim do fato destes últimos lutarem com uma
Tendo nascido no apogeu da revolução indus-
estrutura organizacional totalmente diferen- trial, o sistema adotou em suas origens uma
ciada e não-piramidal. Um fenômeno de muito forma píramídal que conservou.
maior ressonância é produzido: a conquista da
simpatia do mundo não-comunista por parte Esta estrutura piramidal conservou-se. To-
dos vietnamitas e, além disso, um processo de davia, o que mudou foi muito e fundamental:
decomposição da própria sociedade norte-ameri-
cana, fundamentalmente devida a esta guerra 1. Passou-se de uma habilidade principal-
desigual e desprovida de sentido aparente. Den- mente manual a uma habilidade principalmente
tro desse processo de decomposição, alguns pon- mecânica e transferível de máquina a máquina:
tos são de grande relevância e merecem des- automação.
taque:
2. Passou-se de uma habilidade principal-
1. A esquerda: maiores explicações são des- mente mental e humana a uma habilidade
necessárias, a partir de a expansão da esquerda transferida a máquinas que, em certos aspectos,
nos Estado Unidos alcançar uma extensão im- podem levar a cabo atividades tradicionalmente
prevista, principalmente nos meios intelectuais, mentais, de forma melhor e mais rápida que o
não observada nem mesmo nos tempos de eu- homem: computação.
foria comunista. O aprofundamento da esquer-
da alcança os Estados Unidos com 30 anos de 3. passou-se de um sistema de energia anti-
atraso. quado ao sistema de energia atômica: energia
nuclear.
2. A informação: a informação escrita, tele-
visada e oral alcança volume e difusão fa- 4. passou-se de um conhecimento generali-
bulosos. Considerou-se, com toda razão, que uma zado a outro, produto da investigação empírica,
guerra, que pela primeira vez é vista pela tele- em matéria de comportamento social, passando
visão, demonstrou através desse meio sua ver- pela análise profunda da vida individual, le-
dadeira importância. vando em conta a análise mais profunda do
homem em sociedade: psicanálise social.
3. A sociologia: pelo seu estudo dos grupos
sociais, de suas origens, mecanismos de funcio-
5. Passou-se de sistemas parciais a um siste-
namento e possibilidades. ma total e integrado que permitiu concretizar
a grande aventura da humanidade, colocando o
4. A psicanálise: pelo problema originado
homem no espaço e, logo após, na lua: ciber-
pelas tensões e traumas das sociedades dotadas
nética.
de grandes recursos e alienadas pelo consumo;
pela profundidade na análise das razões do com-
portamento individual e social. E apesar de tudo - do homem na lua, da
automação, da computação, da energia nuclear
Chegamos a um ponto de nosso desenvolvi- e da psicanálise social - como resultado da
mento que nos obriga a uma pausa para a tradição, da resistência à mudança, talvez
recapitulação e a ordenação de nosso pensa- da ignorância, as organizações civis e militares 73
mento. Explicamos o que eram as organizações; continuaram apoiando-se em uma estrutura
dissemos que estas constituíam o objeto da ad- piramidal. No momento presente, atacada ex-
ministração, cujo conteúdo era formado de ho- terna e internamente, derrotada em parte por
mens atuando individualmente ou em grupos, organizações não-piramidais como o Vietcong e
dotados de uma história e de um futuro, de a guerrilha, essa estrutura piramidal, produto
idéias, noções temporais e recursos de naturezas da tecnologia, não acompanhou o avanço tec-
diversas. Dissemos, igualmente, que, em sua nológico. Ao contrário, permaneceu no século
evolução, a administração havia chegado ao ní- XIX, senão totalmente, pelo menos no sistema
vel de sistema. Completamos o conceito afir- de idéias: na divisão do trabalho, na linha de
mando que o sistema obtinha seus elementos staff, na estrutura escalar, departamentalizada
da realidade empírica, com todas as caracterís-
ticas concretas da vida industrial. e hierárquica.
Estrutura piramidal
8. TECNOLOGIA DO SÉCULO XX, o sistema piramidal, compulsivamente, requer
ESTRUTURA DO SÉCULO XIX conformismo e adaptação. Tal antinomia (cria-
tividade versus conformismo) repete-se em mui-
As sublimações da tecnologia .do século XX tos outros casos (como, por exemplo, desenvol-
(exército de ocupação internacional, com déca- vimento versus equilíbrio);
das de ocupação de território chamado inimigo;
empresa multinacional, seguidora da vitória
b) a submissão como estratégia: a pirâmide é
bélica) começam a rodear-se de inimigos, a so-
autoritária por natureza, mesmo quando pre-
frer ataques externos frontais e indiretos, a
tende tomar formas democráticas. O autorita-
sentir os impactos de dissenções intestinais. E,
rismo e a verticalidade são características ina-
para os que estudam este contexto, saber o que
lienáveis da forma piramidal. O choque entre o
ocorrerá com a administração, estando cons-
sistema de idéias sociais avançadas e progres-
cientes de que esta sempre toma os elementos
sistas e tais condições da pirâmide faz com que
do contexto para utilizá-los nas organizações,
esta última não esteja, no momento, relacio-
implica colocar-se diante da pergunta crucial,
nada com o contexto mais amplo;
intrínseca e radical: estamos assistindo à deca-
dência da estrutura piramidal?
c) o uso indevido dos recursos humanos: as
9. ESTADO ATUAL DO PROBLEMA organizações, em função de seu sistema hierár-
quico e piramidal, estão usando as pessoas como
Se a estrutura piramidal está em decadência, há 1/4 de século, isto é, como se estas não ti-
acreditamos pelo menos que: vessem a educação que atualmente têm. Existe
um desperdício de recursos humanos, no que
a) existe uma origem para tal fenômeno; se refere à sua capacidade intelectual que po-
deria ser aplicada às organizações. Ao tratar as
b) expressões desta origem já se concretiza- pessoas como homogêneas, considerando cada
ram; uma como equivalente a um posto ou posição,
as capacidades individuais serão subestimadas.
c) substituições ou mudanças importantes
Não somente o desperdício de potencial intelec-
anunciam-se.
tual é provocado, .como também uma reação
Como dissemos anteriormente, para nós a(s) desfavorável ao sistema estrutural que o per-
origem(ns) surge(m) com: mite;

a) a esquerda (por seus ataques ao sistema d) a estrutura planejada e a estrutura real:


institucional) ; praticamente não existe organização que não
possua duas ou mais estruturas, uma planejada
b) a informação (pela atualização constante e outras reais. Deu-se o nome de "formal" à pri-
que proporciona às pessoas); meira e de "informais" às segundas. Na ver-
dade, o que ocorre é que a primeira é concebida
c) a guerrilha (como exemplo não-piramidal segundo a ortodoxia organizacional: seções, de-
de estrutura); partamentos, cargos, homens que agem de for-
74 ma absolutamente previsível no exercício das
d) a sociologia (pelas suas pesquisas sobre as funções que constituem seus cargos, ou seja,
formas e o comportamento dos grupos); pessoas que mantêm um comportamento fixo
enquanto permanecem ocupando os mesmos
e) a psicanálise social (pela sua análise em
cargos. As segundas estruturas constituem o re-
profundidade dos problemas do homem).
sultado da reação contra a estrutura piramidal:
No que se refere às expressões concretas, di- pessoas que mudam com o tempo e que pro-
remos que as mais significativas, além das já curam mudar de posição e de função, ao mesmo
anunciadas, são: tempo que declaram obedecer à organização e
a seu design: antagonismo adaptativo dos que
a) as antinomias: as organizações exigem não podem agir de forma planejada; líderes
cada vez mais criatividade e, ao mesmo tempo, reais que têm autoridade efetiva ao lado de su-
Revista de Administração de Empresas
empresa deseja levar a cabo a consecução de um
pervisores "legais" que não possuem poder
projeto em tempo escasso, tudo depende da
concreto; niveis hierárquicos que não são res-
possibilidade de manejar com eficiência e coe-
peitados e "centros de poder" que merecem
são a unidade organizacional adequada. Até os
aquiescência etc.; exércitos e as forças de segurança abandona-
ram parte de seus princípios fundamentais, em
c) desorganização e disfunção: se a estrutura
primeiro lugar, em função da guerrilha rural e
piramidal fosse realmente vigente, a necessi-
em segundo, da guerrilhá urbana, para adotar
dade de "reorganizações sucessivas" não existi-
estruturas semelhantes às de seus inimigos.
ria ou, o que é mais importante, não existiria a
necessidade de se manter a função de evitar Um exército tradicional com suas unidades
a desorganização, como atividade permanente de combate é um exemplo clássico de estrutura
de toda instituição ou empresa de larga escala. híbrida, evitando as desvantagens preexistentes
A desorganização e a disfunção como constan- e operando com a mesma velocidade de seus
tes, reais e concretas de toda estrutura pirami- inimigos.
dal, e a necessidade de "voltar à situação nor- No que diz respeito ao futuro, podemos fazer
mal" mediante "sistemas", "métodos", "audito- a pergunta clássica: qual é a realidade empí-
ria operacional" etc., são provas evidentes da rica?
deterioração que o sistema de estrutura pirami- Colocamos esta hipótese. As organizações
dal traz em si, como elemento constituinte. obtêm sua forma e sua estrutura do contexto.
Se, socialmente, no que falta do século, as estru-
10. AS MUDANÇAS OU SUBSTITUIÇOES turas sociais resultaram ser instáveis, podemos
IMPORTANTES QUE SE MANIFESTAM dar a uma organização dedicada à produção de
aço, por exemplo, uma estrutura estável?
Classifiquemos as mudanças em passadas, pre-
Se um dirigente, para escalar a pirâmide,
sentes e futuras.
Parece um contra-senso referir-se ao passado precisa passar por uma geração e, nesse espaço
tratando-se de mudança. de tempo, modificam-se o nível de educação de
Porém, o fato de a estrutura piramidal não seus subordinados, a tecnologia de produção e
ser suficiente para o atingimento de determina- os hábitos de consumo da população, com que
dos objetivos manifestou-se de forma evidente- autoridade poderá exercer um poder vertical?
mente real nos grandes projetos de nosso Se uma aceleração é produzida na mudança
passado imediato: por exemplo, nos vôos es- tecnológica, se transformações políticas profun-
paciais. das têm lugar, se o ritmo de mudança passa de
Assim, historicamente podemos referir-nos a 15 a sete ou a cinco anos, se esse tipo de modi-
algumas mudanças importantes: ficação estrutural produz-se ao nível da socie-
dade global, como poderá manter-se - como
a) a estrutura matricial; 1\
tem-se mantido há quase um século - um sis-
b) a estrutura de grupos verticais interpene- tema organizacional piramidal com suas carac-
trantes; 6 terísticas de vigência?
A hipótese é, portanto, que se a estrutura
c) a estrutura referente aos critérios de deci-
social termina por ser do tipo instável, a das
são, caracterizada por um alto grau de descen-
organizações também o será e que os gráficos 75
tralização e pela ênfase na rentabilidade, como
que descrevem a estrutura, como os organogra-
se apresenta na empresa transnacional ou mul-
mas, tenderão todos a um caráter provisório.
tinacional. 7 Se o avanço cientifico continua e a especia-
A mudança mais clara que observamos no lização torna-se mais profunda, a cúpula não
presente é a procura de transformar cada área
será constituída de um lider supremo, a fun-
organizacional numa unidade administrável, ção não será de um líder supremo, mas prova-
velmente de um grupo de homens sem tarefas
sem que critérios ortodoxos impeçam a cons-
especificadas, mas dotado de um dado interesse
trução de estruturas de caráter híbrido: par-
cialmente descentralizadas, parcialmente fun- dominante (como levar o homem à lua); gru-
pos de trabalho instáveis serão aqueles que pas-
cionais etc. Repetimos: quando um país ou
sarão de certos trabalhos ou projetos a outros
setor geográfico determinado experimenta os
de forma cronológica, modificando-se a consti-
problemas do desenvolvimento, ou quando uma
Estrutura piramidaZ
tuição dos grupos conforme o interesse tiomi- 1. A complexidade da vida organizacional.
nante de cada indivíduo.
Interesse dominante em lugar de função; ins- 2. Os problemas do homem que dirige.
tabilidade em lugar de estabilidade: estas são
Expressado de outra forma, a estrutura de-
as mudanças importantes que se apresentam verá responder:
para o futuro, tais como o passado imediato e o
presente as vão configurando. 1 .. A realidade organizacional vigente (com
A estrutura organizacional do futuro deverá seu complexo de homens, grupos e recursos).
adequar-se a duas variáveis fundamentais, que
2. A realidade do homem ou grupo que dirige
enunciaremos posteriormente, e, ao mesmo tem-
a organização.
po, obedecer a dois imperativos: o social e o in-
dividual; ou seja, se a sociedade é instável, o Em síntese: à realidade empírica.
imperativo social é a organização que não seja Dissemos (e muitos outros o fizeram antes de
rígida; se o imperativo individual é satisfazer nós) que a organização é um ente social com-
o interesse predominante no indivíduo, em vez plexo. Não que ela seja complicada, mas sim
de limitá-lo aos parâmetros de uma função es- composta de partes múltiplas inter-relacionadas
tática, dever-se-á responder a esse imperativo, por processos, que fazem com que este ente seja
permitindo-lhe desempenhar uma atividade na complexo, no sentido de ser dotado de múltiplas
qual seu interesse dominante possa ser plena- partes cuja inter-relação recíproca faz com que
mente satisfeito. a variação de uma tenha efeito sobre todas as
De forma extremamente simplificada, pode- demais.
mos dizer que a mudança futura é a conseqüên- O que foi dito vai contra a tendência de sim-
cia inevitável de três fatores: plificar ou esquematizar a organização, em fun-
1. Transformações políticas. ção de um problema de racionalidade, segundo
o qual, quando não se pode considerar mental-
2. Educação científica e dinâmica social dos mente todos os elementos de um universo, sim-
subordinados. plifica-se os dados para que seja possível apre-
endê-los conjuntamente.
3. Articulação industrial da vida atual. Como já enunciaram muitos autores, mas
I

Lembremo-nos de que quando a estrutura principalmente Argyris e Chapple, a organiza-


piramidal esteve em sua plena vigência, a Eu- ção é uma teia complexa de fatores.
ropa era governada predominantemente por Vejamos os principais:
reis e a Africa e a Asia eram dominadas pelos
europeus e pelos americanos. Isso já não existe a) do ponto de vista do indivíduo na orga-
mais. Nessa mesma época, a educação científica nização:
e técnica estava limitada a uma elite reduzida;
conseguir satisfazer suas necessidades (físicas,
os utensílios domésticos, tão comuns para as
sociais e de seu ego);
crianças e às donas de casa de hoje, não exis-
tiam. E recordemo-nos de que não estamos fa- conhecer as razões das atitudes e comporta-
lando do século passado, mas das primeiras mentos individuais;
décadas deste.
76 A mudança foi tão tremenda e profunda, al- determinar as escalas de valores individuais;
cançou tantos aspectos da vida social, que é
simplesmente razoável e de se esperar que ela b) do ponto de vista dos grupos na organí-
se aprofunde também nas estruturas das orga- zação:
nizações.
determinar objetivos;
11. A COMPLEXIDADE DA VIDA analisar, interpretar e estabelecer normas
ORGANIZACIONAL grupaís;

Dissemos anteriormente que a estrutura organí- canalizar os processos de atividade do grupo;


zacional do futuro deverá responder a duas va-
riáveis. São elas: conseguir e manter sua coesão;
Revista de Administração de Empresas
c) do ponto de vista da organização, de sua fazer com que a organização fundamente sua
existência, no tempo, com um apoio permanen-
política e de suas atividades:
te dos recursos naturais (desde utilizar a tem-
o estabelecimento de um sistema de comunica- peratura até evitar a poluição);
ções adequado;
coordenar seus objetivos, funções, atividades,
produtos e processos, com o sistema de idéias,
a determinação do fluxo de trabalhos;
linguagem e cultura vigentes.
o sistema de recompensas e punições;
Eis aqui um conjunto de "familias" de fa-
as formas, modos e meios de exercicio do poder; tores que fazem com que a organização seja
extremamente complexa. Como é lógico, não
esgotamos a lista e nem mesmo chegamos pró-
d) do ponto de vista das atividades não pre-
ximos disso. Cada um dos subfatores (por
vistas, nem planejadas (atividades "infor-
exemplo: o ataque ao ego de um individuo)
mais") :
pode produzir efeitos em qualquer outro (no
caso, por exemplo, o estabelecimento de "quo-
as "quotas" de produção;
tas" de produção ou a produção de imperfeições
no trabalho).
a indiferença e a desconfiança;
O problema consiste em que a estrutura orga-
nizacional do futuro deve considerar a comple-
o conformismo;
xidade da vida organizacional, a fim de que no
planejamento, direção e controle das organiza-
a adaptação ínconíormísta ou mesmo antago-
ções, o homem ou grupo dirigente possa efeti-
.nismo; vamente dirigir.
A compreensão da real e extrema complexi-
e) do ponto de vista da tecnologia:
dade organizacional, desprovida de simplifica-
çõesmentais, permitirá a formalização de estru-
a importância, em maior ou menor grau, da turas que estejam de acordo com a realidade
própria tecnologia; empirica do homem e da sociedade atual.
Como resolver o problema? A nosso ver, atra-
a homogeneidade, ou sua ausência, no trabalho; vés de um verdadeiro conhecimento da estru-
tura e do funcionamento do grupo de trabalho.
as dimensões da linha de montagem ou traba-
lho, considerando que uma pequena dimensão
favorece a coesão do grupo, enquanto que uma 12. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO
grande dimensão a inibe; GRUPO DE TRABALHO
77
a perfeição ou imperfeição do trabalho, consi- O funcionamento do grupo de trabalho, de
derando que a primeira reduz os conflitos, en- acordo com Puckey, depende principalmente
quanto que a segunda os provoca e aumenta; de sua força, forma e estrutura.
Em termos gerais, a força é dada pelo nú-
a existência ou não de técnicos ou especialistas mero de pessoas que o compõem, pela área
considerados "indispensáveis"; coberta e pela habilidade demonstrada na so-
lução de problemas.
f) do ponto de vista dos recursos: Sua forma é resultante do tamanho e do sis-
tema de direção. Todo grupo grande é liderado
por um número reduzido de pessoas. Se o sis-
obter e combinar os fatores de produção (ma-
teriais, instalações e equipamentos, chegando ao tema de direção não é monocrático, mas sim
ponto mais próximo do ótimo); caracterizado por comitês, a forma também va-
Estrutura piramidal
ria. Graficamente poderíamos exemplificar di- Se os elementos chamados força, forma e
ferentes formas: estrutura são conhecidos, se sabemos para que
Figura 2
servem e como se comportam, podemos então
fazer seu planejamento.
A base da organização, o grupo de trabalho,
não é então produto da tradição, fruto do acaso
ou das influências, mas sim o resultado de um
planejamento.
Divisões1
Este planejamento poderá resultar; enfim, na
Pessool
operacional maximização da utilização dos recursos hu-
manos.
Tamanho
pequeno
Empresa descentralizado
com direl'OO centralizado Até agora, esses recursos eram considerados
bem empregados quando se conseguiam ganhos
crescentes por decisões oportunas; ou tempo,
energia e inteligência maiores do que exigido ou
Divisões ou
esperado de acordo com os estatutos; ou redu-
departamentos ção dos conflito pessoais graças a um estilo de
mando determinado; ou, para acabar com os
exemplos, reduções de custos e melhores ren-
Grande empresa com direcõo por comitês
dimentos, graças a novos métodos de obtenção
de capital, de matéria-prima ou de tempos de
No que diz respeito à estrutura do grupo, execução.
constituem seus fatores:
Permaneceu sempre misteriosa a utilização
insuficiente da inteligência, da criatividade e da
o(s) produto(s) e o(s) serviço(s) da organi-
possibilidade de gerar mudanças em todos e
zação;
em cada um dos membros da organização.
as funções que deve levar a cabo; Esta possibilidade é a segunda variável a ser
as áreas que deve cobrrr; considerada para finalizar este artigo e decidi-
mos chamá-la de "o problema do homem que
as questões de tipo temporal (por exemplo: o díríge".
tempo de duração das funções do grupo).
O processo principal responsável pela manu- 14. O PROBLEMA DO HOMEM QUE DIRIGE
tenção do grupo, aquele que provoca ações e
obtém consenso, aquele que difunde a comu- A fim de possibilitar a compreensão do leitor
nicação em todos os sentidos, é o processo de sobre o desenvolvimento desse ponto, como o
liderança, que também proporciona normas de de todos anteriores, apresentamos sua síntese,
comportamento para o grupo, através do que classificando seus temas principais como segue:
lhe assegura proteção, relações ínterpessoaís e
condições de status (denominação, horários, re- 1. A díreção como sistema.
78 tribuição etc.).
2 . A informação e seus instrumentos.
13. A VERDADEIRA DIMENSÃO HUMANA
DA ORGANIZAÇÃO 3. O caráter e a representação da autoridade
no exercício do poder.
Até agora estamos tratando da variável de mu-
dança a que denominamos "complexidade da 4. A direção dos grupos de trabalho e a saúde
vida organizacional". Depois de expor de forma mental do grupo.
sucinta sua teia complexa de fatores, chegamos
à conclusão de que o ponto nodal da questão 14. 1 A direção como sistema
estava na possibüidade de sua manipulação
graças à formação de grupos de trabalho carac- Likert foi, em nossa opinião, quem melhor
terizados por uma força, forma e estrutura expôs o sistema de direção, tal como o quisemos
conhecidas. ver no processo de mudança.
Revista ele Aelmintstração ele Empresas
deste modo de ação e à importância e ao cará-
o "sistema" de Likert compõe-se de: ter da interação individual que são os resul-
tados de tudo o que foi dito anteriormente.
a) processos de liderança utilizados; As car,acterísticas do processo decisório rela-
b) caráter das forças motivacionais; cionam-se com o nível em que as decisões são
formalmente tomadas, com o grau em que o
c) caracteristicas dos processos de comunica- conhecimento técnico e profissional é utilizado
ção; para sua tomada, com a medida em que seus
subordinados participam nas decisões relacio-
d) características dos processos de interação e nadas a seu trabalho e os membros do escalão
influência; superior estão inteirados dos problemas exis-
tentes, especialmente daqueles que se produzem
e) características do processo decisório; nos níveis inferiores da organização.
f) características da fixação de objetivos e seu As características da fixação de objetivos ou
de seu ordenamento dependem da existência de
ordenamento;
forças de aceitação, resistência ou inaceitação
g) caracteristicas do processo de controle. dos objetivos e, implicitamente, também da for- .
ma em que se realizam tal fixação e orde-
Este sistema de direção maxímíza-se em rela- namento.
ção crescente de participação dos integrantes As características do processo de controle
do grupo e, conseqüentemente, de utilização podem ser enunciadas da seguinte maneira:
mais adequada dos recursos humanos. grau em que as funções de controle estão con-
É óbvio que, para que isto ocorra, aconsti-
centradas; razões das funções de controle (se
tuição do grupo deva ser planejada e sua for- relativas à auto-orientação dos gerentes e so-
mação responda a condições de tipo especifico, lução por parte destes dos problemas do grupo
tais como as jã detalhadas e como algumas que ou ao exercício de um poder policial e punitivo) ;
terminaremos de indicar nas págínas seguintes. existência de uma "organização informal" que
apóia os objetivos da "organização formal" ou
O processo de liderança a ser utilizado requer
se opõe a eles.
a obtenção de um alto nível de confiança nas
Em todos os enunciados de Likert observamos
subordinadas, de um amplo sentimento de li-
um traço comum: seu "sistema de direção"
berdade por parte destes para a discussão dos
apóia-se em uma socialização adequada dos su-
aspectos importantes de suas tarefas com seu
bordinados na adesão total dos superiores em
superior imediato e de uma freqüência real de
um estilo de liderança não-autocrãtico, não-
consultas por parte do superior sobre as idéias vertical e enquadrado em uma dinâ.mica social.
e opiniões dos subordinados, sobre os modos e
meios de solução dos problemas de trabalho.
14.2 A informação e seus instrumentos
O caráter das forças motivacionais depende
das formas que assumam as motivações e do Em váríos trabalhos anteriores 8 desenvolve-
grau de responsabilidade sentida por cada mos com o detalhamento devido à idéia de que,
membro da organização no que se refere ao para poder dirigir, deve-se não somente contar 79
atingimento dos objetivos desta. com a informação adequada (não volumosa;
As características dos processos de comuni- mas correspondente e adequada à situação de-
cação manifestam-se de acordo com o grau de cisória), mas também com o fato de esta infor-
exatidão das comunicações ascendentes, com o mação estar instrumentalizada através de sis-
grau de aceitação pelos subordinados das comu- temas.
nicações descendentes, com a medida em que os
superiores conhecem e entendem os problemas Como se sabe, os sistemas referem-se a:
enfrentados pelos seus subordinados, com a controle superior;
quantidade de comunicações orientadas para
atingir os objetivos organ~acionais etc. controle operacional;
As características dos processos de interação métodos;
e influência correspondem à im.portâ.ncia do
trabalho em equipe, à cooperação derivada economia da empresa;
Eatrutura piramidal
planejamento e orçamento; 14.3 O caráter e a representação no exercício
do poder
patrimônio;
custos; O problema do homem que dirige não é mandar,
mas poder mandar, isto é, força ou poder para
impostos e outras exigências do Estado. mandar.
Do ponto de vista organizacional, recordemos
Em uma empresa de fins lucrativos, a infor- a existência de:
mação deve servir para sua direção e controle.
Com isto queremos deixar bem claro que a in- um planejamento;
formação, além de poder ser utilizada para
manter a empresa dentro dos limites ou parâ- uma execução;
metros f'âxados apriorlisticamente (por exem- um controle.
plo, planejamento, orçamento, programas, nor-
mas etc.), deve poder ajudar a criação, a ino- E no que se refere à execução:
vação e o desenvolvimento. A direção, portanto,
deve ser entendida neste parágrafo como a ca- uma estrutura;
pacidade para avaliar o cumprimento do plano, um comando.
a medição dos desvios e a determinação de suas
causas. Ter força ou poder para mandar é o que faz
Nas empresas de caráter industrial, a infor- falta para poder executar o planejado. Todavia
mação pode ser classificada em quatro grupos esse mando, força e poder só poderão ser efeti-
principais : vos se a estrutura servir de apoio e manutenção
de todo o planejamento, do sistema de mando
a) a que corresponde aos produtos da em- e dos meios de controle.
presa; A autoridade confere-se; o mando consente-
se. Portanto, poder mandar, ter força ou poder
b) a pertencente aos clientes atuais ou po- para tanto, não é um problema legal ou estatu-
tenciais; tário, mas sim um problema de planejamento,
forma e estrutura do grupo de trabalho, porque
c) a que se relaciona à estrutura interna da o problema do mando é fundamentalmente a
empresa; quantidade de poder que se concentra em uma
pessoa.
d) a que se refere ao meio no qual se desen- Etimologicamente mandar significa pratica-
volvem os negócios que desejamos realizar. mente estar em mãos de uma pessoa. E se esta
foi a tradição do senhorio, da propriedade (na
Esta concepção do sistema apóia-se, portanto, antigüidade dizia-se em latim: in manu esse e
em uma forte estrutura interna, dotada de manus dare, de onde provém nosso vocábulo
capacidade de conduzir, controlar e medir fun- "mandar"), nosso século XX, porém, não admi-
damentalmente: te socialmente a ditadura, e conseqüentemente
80 sua admissão é tampouco possível nas organiza-
1. Que produtos podemos e devemos vender a ções.
fim de maximizar os resultados. O mando por um grupo, já utilizado em
grandes empresas dotadas de direção por comi-
2. A que clientes devemos vender esta ou tês, é a colocação em prática de um velho afo-
aquela combinação ou combinações de produ- rismo: o poder tende a corromper; mas o poder
tos, com a mesma finalidade. absoluto sempre corrompe.
Dentro de nossa precupação (mando e/ou
3. Qual deve ser a ordem, a metodologia e a substituição da estrutura piramidal Clássica) o
cronologia do trabalho interno da empresa para problema do homem que dirige e o problema
o cumprimento das metas precedentes. dos que são dirigidos ocupam um lugar prio-
ritário.
4. Que dados nos devem ser proporcionados Para um sistema de direção dotado de alta
para melhorar nossa capacidade de decisão. participação, é necessário poder mandar, mas
Revista de Administração de Empresas
Aquele que se fanatiza por algo termina por ver
também o é evitar o abuso do poder. O mando
o mundo de forma muito estreita e, finalmente,
por um grupo, dentro de uma organização de
seu equilíbrio emocional e mental acaba sendo
certo tamanho constitui uma forma forte, sau-
dável e honesta de operar. t a que verdadeira- duvidoso.
mente outorga consentimento e, portanto, po- 4. A saúde mental se expressa em termos de
der para mandar. aceitar, cada um, suas próprias capacidades e
14.4 A direção, os grupos de trabalho e a limitações.
saúde mental do grupo 5. Finalmente, outro dos parâmetros do tema
tratado consiste na atividade e produtividade
Este tema encontra aqui seu lugar e seqüência
lógica e natural. A estrutura organizacional espontâneas e naturais. Ao longo do tempo, sem
necessidade dos incentivos que provocam as cri-
deve obedecer a uma realidade empírica consti-
ses, os problemas ou as situações de emergência,
tuída de duas variáveis:
a atividade e a produtividade devem ser autên-
1. A complexidade da vida organizacional, já ticas e pessoais; ou seja, sãs.
explicada.
E é assim, segundo esses requisitos e condi-
2. Os problemas do homem que dirige, que ções, que o grupo que se dirige deve ser cons-
culminam com o planejamento, forma, força e tituído.
estrutura do grupo de trabalho.
Sobre este tópico tão preocupante ( a opera- 15. CONCLUSõES FINAIS
cionalidade ou funcionamento de um grupo de Aqueles que, de uma ou outra maneira, preo-
trabalho) estender-nos-emos somente naquilo cupam-se com a administração têm, além da
que for pouco tratado: a saúde mental dos com- satisfação do que já conseguiram, a angústia e
ponentes do grupo. a preocupação de tudo o que ainda falta fazer.
É pouco inteligível que o grupo funcione, de- Sabemos que, sem uma mentalidade adequa-
senvolva-se, seja criativo e, finalmente, possa da, não será possível avançar. Até agora, alguns
exercer o mando sem uma saúde mental ade- instrumentos de controle foram levados a um
quada. Isto quer dizer que, na planüicação da alto nível de sofisticação, o que torna desneces-
composição do grupo, deve ser considerada como sária sua discussão. Sabemos também que exís-
elemento fundamental uma plena saúde men- te uma grande eficácia nos conteúdos e métodos
tal como patrimônio de cada um de seus me- de planejamento. Também conhecemos, vive-
bros. mos e sofremos os problemas da execução, seja
Levinson 9 estabeleceu de forma adequada os de área, de curto, médio ou longo prazo.
parâmetros da saúde mental: Se o problema que nos afeta pelas suas crises,
suas insatisfações e suas ineficiências é o da
1. A característica das das pessoas que tratam execução, nosso problema é o da estrutura e
as demais como a si mesmas, isto é, sem este- mando.
reótipos, tais como os preconceitos que impe- O auge de uma tecnocracia administrativa,
dem o ingresso no grupo de amarelos, negros, que em grande parte entra no terreno da "quan-
judeus, católicos, pessoas que usem barba, ou tofrenia", pela sua opção decidida pelas fórmu- 81
que não pareçam "gente bem", "boas pessoas", las sem conteúdo nem aplicação, não provocou
ou não sejam "como nós". nada mais do que a sofisticação de determina-
2. Ê também fator de saúde mental a manu- dos instrumentos, sem resolver nenhum dos dois
tenção de flexibilidade quando se está subme- aspectos fundamentais do nosso problema.
tido a tensões. Por exemplo: a morte de alguém Constituem fatos fundamentais de nossos
de quem uma pessoa gosta não pode fazer com dias:
que esta perca de vista os interesses do grupo a) a articulação industrial de nossa vida
a que pertence. social;
3.t condição de saúde mental obter gratifica-
ção de um amplo e variado espectro de origens. b) a mudança abrupta que, sem horizontes vi-
As pessoas, as idéias, as tarefas, os interesses síveis, estão produzindo as inovações tecnoló-
e os valores devem apresentar a gama do social. gicas;
Estrutura piramidal
c) a realidade da complexidade organiza-
cional;
d) a realidade dos problemas dos homens que
dirigem;
e) o uso crescente da informação além de seu
desperdício; a devastação de florestas inteiras
para conversão em celulose, com a qual se fa-
brica papel, em que se imprime a informação
que poucos lêem e que termina em uma grande
fogueira, de dimensões e profundidade piores
que a da inquisição medieval ou dos censores
oficiais dos nossos tempos.

Vemos também como tatos fundamentais de


nosso futuro imediato:
1. A transformação do conceito de estrutura.
2. A introdução do princípio da instabilidade
nas estruturas, no lugar da atual estabilidade
presumida.
3. O planejamento e formação de grupos de
trabalho sobre a base da idéia de saúde mental.
4. O dimensionamento humano das organiza- SE O SEU ASSUNTO
ções; chamamos sobre-humano o crescimento
que implica a impossibilidade de interação,
É ECONOMIA
de contato face a face, ao mito de uma "orga- PROCURE CONHECER
nização entre desconhecidos".
NOSSOS TÍTULOS
São estes os fatos que quisemos expor. O Editora da
Fundação Getulio Vargas
1 Bakke, E. W. Concept of social organization. In:
Haire, Mason. Modem organization tneoru. New York,
Wiley and Sons. 1959.
Livrarias:
2 Puckey, W. Organi2ation in busines8 management.
RIO DE JANEIRO
Londres, Hutchinson. 1970. Livraria Carneiro Felipe
« Dale, E. Organi2ation. New York, American Mana-
gement Association. 1967.
Praia de Botafogo, 188
4 Chapple & Sayles. The measure ot management.
C.P. 21120 Tel.: 266.1512 R. 110
82 New York, Macm1llan. 1961. Livraria Teixeira de Freitas
{; Lodi, João Bosco. Estrutura matricial e estrutura
sistêmica. Revista de Administração de Emt11Tesas,
Av. Graça Aranha, 26 Lj.He C
Fundação Getulio Vargas, v. 12, n. 3, set./72. Tel .: 222.4142
6 L1kert, Rens1s. O tutor humano na empresa. SÃO PAULO
Deusto. Bilbao. 1968.
Livraria Faria Lima
7 Moore, Russel F. American Management Associa-
tion Handbook. New York. 1970. Av. Nove de Julho, 2029
8 Perel, Dr. V. L. Una estruetura de mtormaciõ« C.P. 5534 - Te I. 288.3893
basada en centros de mtormacum. Facultad de Cien-
cias Económicas de Buenos Aires e Perel, Dr. V. L. BRASÍLIA
Organi2ación y control de empresas. Buenos Aires,
Editorial Macchi. 1972. S.Q. 104 Bloco A loja 11
9 Levinson. Man management and mental health. Tel.: 24.3008
Harvard University Press. Cambridge (Mass.). 1963.
Revista de Administração de Empresas

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