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Ancha de Fátima Mendes


Edgar Esmael Esquerda
Lúcia Mário Bernardo Ngoloca
Paciência André
Samira Carmindo Saíde
Sérgia Torge Luís
Virgílio Diogo Mizinda

Modelos de Localização de Industrias

(Licenciatura em Ensino de Geografia)

Universidade Pedagógica de Moçambique

Lichinga

2018
1

Ancha de Fátima Mendes


Edgar Esmael Esquerda
Lúcia Mário Bernardo Ngoloca
Paciência André
Samira Carmindo Saíde
Sérgia Torge Luís
Virgílio Diogo Mizinda

Modelos de Localização de Industria

(Licenciatura em Ensino de Geografia)

Trabalho de carácter avaliativo da


Cadeira de Geografia da Industria, a ser
entregue no Departamento de Ciências da
Terra e Ambiente, Curso Licenciatura em
Ensino de Geografia, 3º Ano, leccionado
pelo

MSc. Paulo Maica

Universidade Pedagógica de Moçambique

Lichinga

2018
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Índice

Introdução ................................................................................................................................... 4

1. Modelos de Localização Industrial ......................................................................................... 5

1.1. Teoria de Alfred Weber ....................................................................................................... 5

1.1.1. A Teoria dos Custos Mínimos “Alfred Weber” ............................................................... 5

Figura 1: Gráfico Locativo de Weber ......................................................................................... 7

1.2. Teoria de Launhardt............................................................................................................. 8

1.3. Teoria August Losch ........................................................................................................... 8

1.4. Teoria de Walter Isard ......................................................................................................... 9

1.5. Teoria de Harold Hotelling .................................................................................................. 9

1.6. Teoria Valida de Richardson ............................................................................................. 10

1.7. Teoria de Adam Smith....................................................................................................... 10

1.8. Teoria de Tord Palander .................................................................................................... 10

1.9. Teoria de Edgar Hoover .................................................................................................... 11

1.10. Teoria de Melvin Greenhut.............................................................................................. 11

1.11. Teoria dos Custos Logísticos de Bowersox ..................................................................... 12

2. Sistemas de Localização de Industrias ................................................................................. 13

3. Problemas de Localização da Industria ................................................................................ 15

3.1. Forças Locacionais ............................................................................................................ 15

3.1.1. Factores Qualitativos ...................................................................................................... 15

3.1.2. Factores Qualitativos ...................................................................................................... 16

3.2. Disponibilidade e Custos dos Insumos .............................................................................. 16

3.2.1. Mão-de-obra ................................................................................................................... 16

3.2.2. Matéria-Prima ................................................................................................................. 17

3.2.3. Energia Eléctrica............................................................................................................. 17

3.2.4. Água ............................................................................................................................... 18

3.2.5. Políticas e Descentralização ........................................................................................... 18

3.2.6. Aspectos Ambientais ...................................................................................................... 18


3

Conclusão ................................................................................................................................. 19

Bibliografia ............................................................................................................................... 20
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Introdução

O trabalho em abordagem enquadra-se na cadeira de Geografia da Industria e apresenta o


seguinte tema: Modelos de Localização de Industria. É de salientar que a localização da
actividade económica decorre, principalmente, da concentração espacial das indústrias e do
crescimento económico que tem ao longo do tempo estimulado o estudo locacional.

Até então, para efeito de estudos, boa parte das contradições que abordam, em especial, as que
se situam no campo do desenvolvimento económico, tratam de explicar a formação espacial
do sistema económico para, em seguida, sugerir possíveis meios de intervenção com o
objectivo de reduzir os desníveis económicos e sociais gerados pela concentração das
actividades produtivas.

Neste trabalho contém abordagens dos enfoques das principais contribuições à teoria da
localização industrial. Os autores considerados são discutidos em ordem cronológica para
traçar o gradual aparecimento do assunto através do tempo. À medida que cada trabalho
sucessivo é apresentado, suas principais contribuições ao crescente conjunto da teoria são
extraídas para discussão, com o objectivo de enfatizar a continuidade do desenvolvimento
teórico.

Objectivos

Objectivo Geral

 Analisar os modelos de localização de indústrias.

Objectivos Específicos

 Identificar as teorias de localização de indústrias;


 Descrever as teorias de localização de indústrias;
 Contextualizar sobre a problemática de localização de indústrias.

Durante a elaboração deste trabalho, o grupo baseou-se no uso de referências bibliográficas de


vários autores e o mesmo apresenta a seguinte estrutura: introdução, desenvolvimento
(contencioso da revisão da literatura), conclusão e a bibliografia.
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1. Modelos de Localização Industrial

A seguir evidencia-se alguns aspectos da contribuição dos teóricos de localização como forma
de melhor elucidar o tema.

Para CLEMENTE & HIGACHI (2000:36), “a indústria é considerada um sector dinâmico por
excelência, porque exerce fortes efeitos sobre as demais actividades económicas. Esses
efeitos, também denominados de ligações, são exercidos tanto sobre as actividades a jusante
(efeitos para frente), quanto sobre as actividades a montante (efeitos para trás) ”.

De acordo com MACHADO (1990:13), “as primeiras contribuições teóricas de localização


industrial devem-se a Alfred Weber, Launhardt e August Losch e foram desenvolvidas em fins
do século XIX”.

A escolha da localização de uma indústria é normalmente uma decisão racional, sendo


adoptada após uma apreciação das vantagens relativas de diferentes localizações para as
finalidades do negócio. A localização é uma das primeiras decisões do estabelecimento de
uma empresa, sendo ainda mais importante pelo facto de ser bastante difícil voltar atrás, se a
escolha vier a gerar insatisfação.

1.1. Teoria de Alfred Weber

Para CLEMENTE & HIGACHI (2000:38), “o modelo de localização de Alfred Weber foi o
mais representativo dentre outros autores que propõem a minimização dos custos. Weber, ao
explicar sua teoria, começa a estabelecer parâmetros de economia de custo para determinar a
escolha de um local”.

Alfred Weber assume que as diferenças dos custos associados às diversas regiões influenciam
na escolha do local, sendo explicado pela ponderação de três factores básicos: custo de
transporte, custo de mão-de-obra e a força de aglomeração e desaglomeração.

1.1.1. A Teoria dos Custos Mínimos “Alfred Weber”

Weber criou o modelo seminal da teoria de localização. A questão fundamental colocada por
Weber, era saber até que ponto a localização das indústrias pode ser explicada por factores
específicos e até que ponto é possível a introdução de factores gerais (CLEMENTE &
HIGACHI, 2000:41).
6

Sob seu ponto de vista, os factores específicos: economias de custo que podem ser auferidas
por um número reduzido de indústrias, e gerais: economias de custo que podem ser auferidas
por qualquer tipo de indústria, podendo esta última ser classificada quanto à escala geográfica
em que actuam:

a) Factores regionais;
b) Factores aglomerativos e desaglomerativos (técnico-locacional).

Os factores regionais - são capazes de explicar a escolha locacional entre regiões (custo de
transporte e custo de produção). Os factores técnico-locacionais - capazes de explicar a
concentração ou dispersão da indústria em certa região; economia e deseconomia de escala,
economia e deseconomia de localização, além da economia e deseconomia de urbanização.

Conforme o Escritório Etene (s.d.) os “factores regionais” são causas primárias que influem
sobre a distribuição espacial das indústrias, enquanto os factores “técnico-locacionais” podem
ser encarados como causas secundárias e, por isso, influem, principalmente sobre uma
redistribuição espacial das indústrias”.

CLEMENTE & HIGACHI (2000:41-42), destacam dois factores (gerais) regionais


identificados por Weber: transporte e mão-de-obra, e desenvolve análise comparativa dos
custos desses dois factores para obter a localização mínima de custo. Esta análise parte dos
seguintes pressupostos:

 A localização e a escala dos mercados são conhecidas e fixas;


 A localização das fontes de matérias-primas é dada;
 A localização da oferta de mão-de-obra é dada;
 A oferta de mão-de-obra é perfeitamente elástica ao salário corrente.

Já para POLESE (1998:87), “as economias de localização são ganhos de produtividade


específicos de uma indústria ou de um conjunto de empresas relacionadas que são imputáveis
à sua localização”.

É sabido que as economias de localização, como qualquer vantagem produtiva, raramente são
eternas ou imutáveis. Em qualquer indústria, a natureza exacta das economias de localização
depende, antes de mais nada, do nível de desenvolvimento de tecnologia, mas também de
factores que podem modificar as vantagens comparativas de diversas localizações. Já as
7

economias de urbanização são aquelas economias externas de que se beneficiam as indústrias


pelo simples fato de estarem localizadas na cidade x.

Weber preocupou-se com a questão da localização industrial, apresentando uma teoria geral e
abstracta, e, utilizando uma forma individual, analisou separadamente a influência dos custos
de transporte, do factor mão-de-obra e das forças aglomerativas. No primeiro caso, utilizou o
que denominou de “triângulo locacional” e nos demais, as curvas “isodapanas”, instrumentos
que se tornaram importantes na análise locacional. As isopanas permitem visualizar o padrão
de variação espacial do custo de transporte tal como as curvas de nível de uma carta
topográfica permitem visualizar a altitude e as curvas de variação (CLEMENTE e HIGACHI,
2000:43).

Figura 1: Gráfico Locativo de Weber

Legenda

C: Ponto de Consumo

M1: Fonte de Matéria-prima 1

M2: Fonte de Matéria-prima 2

P: Local de Trabalho Laboral

Fonte: Weber (1909) apud Clemente & Higachi, 2000).

Diante dessas suposições, Weber teve seu modelo qualificado de "técnico", em oposição ao
“económico”. Dois pontos de sua teoria devem ser destacados: a importância concedida ao
custo de transporte, tendo em vista que os demais factores são considerados em função da
localização, que leva à minimização desse custo, enfatizando esse último ponto; e a demanda
já determinada e independente da localização da firma. Diante disso, a localização óptima
para Weber é aquela que proporciona o menor custo de produção possível, sendo o factor
transporte o aspecto primordial desses custos.

Na óptica de HAMILTON (1975:22), “a localização fazia referência à disponibilidade


geográfica das matérias-primas, aquelas que apresentassem um melhor acesso às mesmas
teriam poucos problemas na localização das unidades”.
8

Já as características de processamento, estavam relacionadas com o aumento, manutenção ou


diminuição em peso do que antes era processado. Caso diminuísse, a melhor localização seria
aquela próxima da origem das matérias-primas, pois o custo com o transporte das mercadorias
finais seria menor devido ao menor peso do produto final.

1.2. Teoria de Launhardt

Segundo PINTO (1977:22), “a contribuição de Launhardt cita em seu modelo que um


sistema de transporte desenvolvido traz vantagens para um determinado local através de uma
maior acessibilidade, segurança e rapidez na viagem”.

Através de seus estudos, Launhardt desenvolveu a teoria de áreas de mercado. Para o autor, a
simples troca de mercadoria entre a cidade e o país forma o tráfego local ou de mercado, ao
contrário do que acontece na venda por atacado entre as cidades. No interior de cada cidade,
se desenvolveu o centro-mercado ou centro de venda e, ao redor, é a área de mercado ou de
venda.

1.3. Teoria August Losch

Segundo BREITBACH, (1992:111) “Losch criou um modelo de equilíbrio geral, de modo


que todas as áreas de possível localização de um sistema industrial possam se relacionar”.

A teoria parte do pressuposto do problema individual de localização, tanto do produtor como


do consumidor, assumindo uma superfície homogénea, na qual as condições de transporte,
custo de produção, distribuição populacional, matéria-prima são similares e deve ser ocupada
na totalidade em qualquer ponto.

O ponto geográfico descrito pelo modelo de Losch se constituiu numa área de mercado, na
qual os consumidores possuíam gastos e preferências idênticas, porém os que se instalaram
nas zonas limítrofes serão considerados indiferentes em relação aos vizinhos produtores na
questão de aquisição de bens de consumo.

August Losch demonstrou, também, em seus estudos que as áreas produtoras devem assumir
formas geométricas hexagonais, permitindo o melhor acesso dos consumidores e satisfazendo
com menor distância. De forma tal que a localização possa maximizar os lucros dos
produtores e permitir aos consumidores obter seus produtos ao menor preço (BREITBACH,
1992:112).
9

1.4. Teoria de Walter Isard

Em 1972, Walter Isard uniu várias considerações teóricas (Weber, Von Thunen e Lösch) e
tratou não só da localização industrial, mas também do conjunto das actividades económicas.

Esse teórico sintetizou os trabalhos de seus antecessores, formalizando um modelo geral de


minimização de custos, o qual incorpora a substituição de factores em função de variações de
preços relativos de insumos. Depois, analisou as áreas de mercado, para considerar os
elementos ligados às variações espaciais de receitas, integrando esses dois aspectos ao final.
Classificou, ainda, os factores locacionais em três grupos, levando em conta apenas o lado dos
custos: de transporte, de transferência (com base na distância) e outros custos de produção
(CLEMENTE & HIGACHI, 2000:45).

O modelo de Isard pode ser considerado um aperfeiçoamento do desenvolvido por Weber,


principalmente porque ambos adoptam o custo de transporte como a principal explicação para
a escolha locacional e para o padrão de distribuição espacial das actividades económicas.

Segundo CLEMENTE & HIGACHI, (2000:45-46), “se há algum sentido no estudo da


economia da localização, isso se deve ao fato de existirem certas regularidades nas variações
de custos e preços no espaço”.

Estas regularidades emergem fundamentalmente porque o custo de transporte é uma função


da distância. Se não fosse assim o padrão de distribuição espacial da indústria, dos centros de
consumo e da produção de matérias-primas seria completamente arbitrário do ponto de vista
económico).

1.5. Teoria de Harold Hotelling

Harold Hotelling baseou sua teoria locacional considerando a localização das empresas em
concorrência. Para as firmas definirem sua localização óptima, as indústrias deveriam levar
em consideração o local em que seus concorrentes estão localizados, melhorando as vantagens
competitivas. Para que as empresas em concorrência alavancassem um posicionamento mais
confortável, o mercado deveria ser estratificado.

Uma aglomeração de indústrias que produzem produtos concorrentes tem como característica
principal a competição, caso esta ocorra não-preço, isto é, quando a competição for para
adquirir uma maior fatia de mercado e os preços usados para indicar qualidade do produto
(HAMILTON, 1975:12).
10

1.6. Teoria Valida de Richardson

Segundo RICHARDSON (1975:110), “uma teoria para ser considerada inteiramente válida
deveria apresentar um modelo padrão que explique a localização da produção, a
interdependência entre os insumos e os produtores, e os padrões de comércio resultantes”.

Para o autor, mesmo que admitisse a existência de um certo tipo de equilíbrio, seria difícil
prever as consequências da perturbação desse equilíbrio.

1.7. Teoria de Adam Smith

Adam Smith é considerado um dos mais importantes teóricos do liberalismo económico, que
introduz alguns aspectos de localização afectos ao conceito de vantagem absoluta, através da
qual defende que as regiões não deveriam produzir aquilo que lhes fosse mais vantajoso. Para
que os países fossem produtivamente eficientes, apenas deveriam especializar-se em produtos
mais favoráveis à sua condição, importando assim as mercadorias em que tivessem uma
desvantagem absoluta (GUIMARÃES, 2005:33).

Adam Smith recorre a factores geográficos para explicar os diferentes níveis de riqueza entre
os países e as regiões, considerando que a manufactura tanto pode desenvolver-se por
intermédio do comércio externo, por meio da imitação da fabricação estrangeira, geralmente
localizada em áreas mais litorais, como pode ser um resultado do excedente das produções das
regiões mais manufacturadas (que o autor localiza nas regiões mais interiores).

1.8. Teoria de Tord Palander

O maior contributo sueco para a problemática da localização industrial surge por parte de
Tord Palander, quando em 1935, produziu a sua tese de doutoramento intitulada “Beiträge zur
Standorttheorie” (“Contribuição para a Teoria do Espaço”), debruçada na dificuldade de se
considerar adequadamente a localização industrial e a complexidade dos factores de
localização.

Palander procede à sua própria teoria tendo em conta duas questões fundamentais: primeiro,
dados o preço e a localização dos materiais e a situação do mercado, onde deverá situar-se a
produção; segundo: dados o local de produção, as condições de competitividade, os custos de
produção e as taxas de transporte, como é que o preço pode afectar a extensão de área em que
um determinado fabricante pode vender os seus produtos
11

Mais tarde, o autor insere na sua análise o método das isolinhas (à imagem de Von Thünen,
Olaf Jonasson e Alfred Weber), na figura das “isócronas” que correspondem a “lugares de
pontos para as quais a duração do transporte é a mesma, seja em relação a um só centro
(isócronas absolutas) seja em relação a vários centros (isócronas relativas)”. Recorre
igualmente ao “conceito de “isodapane” para designar o lugar geométrico dos pontos para os
quais a soma total dos custos de transporte é a mesma quer para as matérias-primas quer para
os produtos acabados” (RAMOS, 2000:27).

1.9. Teoria de Edgar Hoover

Hoover afirma que a teoria da localização da indústria apenas pode ser concebida de acordo
com três factores: i) distribuição dos recursos naturais; ii) preferências dos seres humanos; iii)
tecnologias económicas. Hoover faz uma distinção entre a qualidade e os diferenciais locais
dos agentes de produção, sendo que cada agente de produção poderá variar localmente, em
termos de produtividade e de preço (DJWA, 1958:14-15).

Hoover acredita que os empresários têm maior tendência para localizar as suas unidades o
mais próximo possível dos fornecedores e dos mercados de consumo mas que também estão
atentos aos locais onde os custos processuais são mais baixos. Os custos da produção são um
factor determinante para a escolha entre uma ou outra localização. O autor tem em
consideração “a possibilidade de custos de produção diferentes para firmas em localizações
diferentes”, com diferentes taxas de transporte. “Considera-se que cada uma das firmas está
optimamente localizada no sentido Weberiano do termo em (questão) de entradas (e é neste
sentido que os seus custos de produção podem diferir, exemplo: o custo de mão-de-obra pode
ser diferente ou a matéria-prima pode estar a distâncias diferentes)”.

1.10. Teoria de Melvin Greenhut

A primeira grande tentativa de integração das teorias de menor custo e de interdependência


locacional, surgem pela mão de Melvin Greenhut, que representa um enorme contributo para
a compreensão da temática da localização industrial, pelas variadas publicações que compôs
em torno da problemática locacional. Greenhut tem enfoque nos seguintes requisitos:

 Factores de custo de localização (transporte, mão-de-obra e custos de processamento);


 Factores de demanda de localização (interdependência locacional de firmas, ou
tentativas de monopolizar certos segmentos de mercado).
12

1.11. Teoria dos Custos Logísticos de Bowersox

Dentre os teóricos da actualidade destacam-se Bowersox, que, em seu livro, “Logistical


Management”, (1978) apresentou um estudo sobre a administração da logística, que vem
sendo desenvolvido até os dias actuais. Entretanto, no início, Bowersox estudava este assunto
em relação à localização de plantas industriais (ou unidades); actualmente, seu estudo está
voltado para a localização de armazéns ou centros de distribuição, como será visto adiante.

Além disso, o seu trabalho tinha uma abordagem gerencial, ao passo que no outro estudo,
apresentado posteriormente, em 1996, há uma abordagem mais quantitativa e menos
qualitativa, incluindo elementos de computação, programação linear e demais conteúdos da
matemática. Existem similaridades quando o autor utiliza a proximidade do mercado ou da
produção como critérios para a escolha de um local para a construção de uma fábrica ou
armazém (BOWERSOX e CLOSS, 1996).

Complementam os autores, que muitos estudos têm sido realizados na área de economia no
que tange à localização industrial. Geralmente, o tema abordado nos textos científicos é a
locação racional dos recursos escassos. A busca pela maximização de lucros, porém, pode
levar a decisões de localização inconsistentes com as metas sociais, aumentando a distância
entre a teoria económica e a prática dos negócios. Entretanto, para Bowersox, esta visão é um
pouco incorrecta, pois a função da teoria de localização é abstrair da prática todos os
elementos da natureza que afectam a localização e que podem ser identificados. Os factores
locacionais podem ser agrupados e resumidos em três amplas categorias: de factores de custo
mínimo; de factores de maximização de lucro; de factores intangíveis.

Os factores de localização relacionados aos custos podem ser divididos em custos de


transferência e custos de produção. Os custos de transferência são os que resultam do
movimento de matérias-primas para o local de produção (planta industrial), relacionados
como embarque dos produtos finais para o mercado. Os custos de produção são todos os
demais seleccionados com a operação da unidade industrial. O custo de locação é a soma de
todos os custos, de transferência e de produção, devendo ser minimizado.

Os factores intangíveis podem ser definidos como aqueles elementos que afectam os custos e
que não podem ser incluídos na classificação de transferência ou de produção.
13

Segundo BOWERSOX (1978):

Os custos de transferência podem ser divididos em: custos associados com a acumulação de
matéria-prima ou produtos semi-acabados e os custos da distribuição destes. Os custos de
acumulação resultam do movimento de matéria-prima ou produtos semi-acabados para o ponto
de transformação. Os custos da distribuição são derivados do embarque de produtos finais para
o mercado consumidor, através de passos intermediários.

A localização de uma planta industrial pode ser influenciada pelo mercado ou pela
proximidade da origem das matérias-primas, dependendo da soma minimizada dos custos de
acumulação e de distribuição. Em alguns casos, uma localização entre o mercado e a origem
das matérias-primas pode levar a custos mais baixos. Assim como Weber, Bowersox, em sua
análise de 1978, destacou que algumas plantas, principalmente a industrial, podem ser
localizadas próximas à origem das matérias-primas, devido a uma única localização de
matéria-prima ou a uma grande perda de peso no processo produtivo.

As indústrias de extracção como a agrícola, a mineradora e a madeireira devem ser


localizadas no ponto onde estão disponíveis as matérias-primas em quantidade suficiente para
a produção. Na agrícola, o suprimento e a quantidade de terra devem ser adaptadas às podas,
ou seja, às funções principais. Na mineradora, a localização é próxima dos depósitos; na
madeireira, das florestas (BOWERSOX, 1978).

Em suma, as forças que levam as plantas industriais a estarem posicionadas próximas ao


mercado são: peso ganho durante a produção, taxas de frete diferentes entre matérias-primas e
produtos finais; perecibilidade dos produtos finais.

Quanto às informações necessárias para a análise de localização, estas são definidas pelo
mercado, produtos, redes, demanda dos consumidores, encargos de transportes e custos
variáveis e fixos. Em relação à definição de mercado, a análise requer que uma demanda seja
classificada ou designada para uma área geográfica. A combinação de áreas geográficas
constitui áreas de serviços logísticos, as quais podem ser um país ou uma região global. A
demanda para cada consumidor é designada para uma das áreas de mercado.

2. Sistemas de Localização de Industrias

Simplificadamente, um sistema industrial compreende os seguintes elementos: unidades de


produção, relações funcionais entre essas unidades e suas interacções com o mundo exterior.
Os elementos, as inter-relações e as interacções do sistema de localização industrial
constituem factores decisivos na organização dos assentamentos industriais.
14

Segundo os geógrafos espanhóis LEDO & PÉREZ (1992:39-41), “o estudo dos assentamentos
industriais em diferentes escalas permite diferenciar basicamente quatro tipos de sistemas
territoriais, assim especificados:

a) Os sistemas locais formados por assentamentos industriais individualizados, de


diferentes tamanhos, funções e estrutura;
b) O complexo industrial, considerado como um assentamento fabril consolidado e
integrado;
c) Os sistemas industriais regionais, também conhecidos como região industrial,
correspondem a espaços mais amplos territorialmente formados por combinação de
vários tipos de assentamentos industriais;
d) Os sistemas industriais regionais interligados a sistemas territoriais mais amplos ainda,
como os sistemas nacionais, internacionais e globais”.

Nos sistemas locais dois critérios são recorrentes entre os geógrafos para classificar os
assentamentos industriais: a localização dispersa e a localização concentrada. A indústria
dispersa foi a primeira manifestação de industrialização devido a factores limitantes como a
dificuldade de transporte e os limites das matrizes energéticas.

Hoje a dispersão industrial corresponde a uma forma de organização espacial complementar


da concentração e tende a ser resgatada com a valorização do lugar.

Por sua vez, a concentração industrial, forma mais comum dos assentamentos industriais que
respondem pela força das economias de escala e de aglomeração urbana, pode ser simples,
composta ou formal As concentrações industriais também podem ser vistas como
espontâneas, como os eixos industriais, ou planejadas como os eixos de desenvolvimento
industrial (MANZAGOL, 1985:94).

Segundo CHARDONET (1965:74), sustenta que “o complexo industrial é entendido como


uma pujante concentração de indústrias em restrito espaço geográfico, vinculados por
relações de dependência mais ou menos estreitas”.

Para esse geógrafo francês, nem toda concentração industrial se constitui num complexo. Para
ser assim considerado, são necessários quatro componentes:

a) Determinadas dimensões no número e tamanho dos estabelecimentos industriais, no


valor da produção e no volume de capital investido e na mão-de-obra empregada
b) Diversificação industrial;
15

c) Relação de dependência entre as principais indústrias


d) Todas as indústrias devem estar localizadas num espaço restrito;

3. Problemas de Localização da Industria

O problema da localização industrial não se restringe à fase de implantação. Ao longo da


existência da organização é possível que haja necessidade de realocar ou distribuir sua
actividade.

Segundo HOLANDA (1975:23), “A localização óptima é aquela que assegura a maior


diferença entre custos e benefícios, privados ou sociais”.

Vale dizer, a melhor localização é a que permite obter a mais alta taxa de rentabilidade
(critério privado) ou o custo unitário mínimo (critério social). Do ponto de vista social, a
localização mais adequada é aquela que responde por uma melhor relação benefício/custo
para a comunidade onde o projecto vai ser implantado. Já do ponto de vista privado, a melhor
escolha do local de implantação do projecto é a que exibe a máxima rentabilidade.

3.1. Forças Locacionais

De acordo com MENDES (1997:78), “o estudo de localização consiste em analisar variáveis


chamadas de forças locacionais para determinar a localização em que a resultante das
referidas forças possa conduzir a uma taxa máxima de lucro ou a um custo mínimo”.

Para tanto, é necessário analisar alguns aspectos muito importantes:

a) A soma dos custos de transportes de insumos e produtos;


b) A disponibilidade e custos relativos dos recursos;
c) A posição com referência a factores como terrenos, edifícios, tributação e
problemas legais, condições de vida, clima, facilidades administrativas, política
de descentralização ou centralização, existência de águas residuais, odores e
ruídos incómodos.

Para ANDRADE (1998:112) aponta os conceitos de factores quantitativos e qualitativos,


na avaliação da melhor localização:

3.1.1. Factores Qualitativos

 Factores que tornam a localização dependente das entradas (produção exige


matérias-primas volumosas e/ou pesadas);
16

 Factores que tornam a localização dependente das saídas (mercado é de grande


importância e a empresa deve localizar-se próximo dele);

3.1.2. Factores Qualitativos

Os factores qualitativos dizem respeito, de modo geral, às preferências pessoais. Se não


atendidas podem implicar em custo de mudança ou formação de nova equipa de
trabalho.

HOLANDA (1974:31) detalha melhor estes aspectos que considera determinantes para
localização de projectos.

Na sua visão a escolha da localização está condicionada pelo comportamento e influência das
forças locacionais, sendo consideradas as variáveis que determinam ou orientam a
distribuição geográfica das actividades económicas e as suas características de concentração e
dispersão, em relação à base física da economia de um país ou região.

As forças locacionais mais importantes são:

 Custo de produção e custo de transferência;


 Custo básico e custo locacional;
 Localização e transporte;
 Disponibilidade e custo dos insumos, além de outros factores.

3.2. Disponibilidade e Custos dos Insumos

Quanto aos insumos é fundamental o conhecimento de suas disponibilidades e respectivos


custos.

Segundo ANDRADE (1998:124), “as disponibilidades deverão ser maximizadas e os


custos devem ser os menores possíveis. Destacam-se algumas variáveis básicas”:

3.2.1. Mão-de-obra

As indústrias tendem a localizar-se próximo aos centros de maior disponibilidade ou de


menor custo de mão-de-obra, quando se caracterizam por utilizar alta percentagem da
mesma na produção e por elaborar produtos de alto valor unitário.

A seguir é apresentado um método para se analisar a força de locação na mão-de-obra,


supondo-se que os demais factores se mantêm constantes:
17

a) Calcular a importância dos diversos tipos de mão-de-obra necessários no custo de


produção;
b) Investigar a disponibilidade dos diversos tipos de mão-de-obra em várias
localizações;
c) Investigar os níveis de remuneração e salário na localização; d) calcular o peso
da mão-de-obra no custo total de produção em localidades distintas.

3.2.2. Matéria-Prima

As características das matérias-primas podem ser um forte indicador da localização óptima da


empresa. Determinadas características são preponderantes para determinar a localização do
projecto próximo às matérias-primas. Nesta categoria podem ser enquadradas as empresas
que:

 Usam materiais brutos que, durante o processamento industrial, sofrem substancial


perda de peso por combustão ou desperdício (siderurgia, açúcar, cimento, vidro, etc.)
 Processam materiais que, embora não percam peso no processo produtivo, se
transformam em mercadorias de mais fácil transporte, quando sob a forma de produto
semi elaborado (por exemplo algodão, em pluma enfardado);
 Usam matérias-primas de baixo valor específico, ou em função da elevada incidência
dos custos de transportes sobre o valor da matéria-prima. Considerada a alternativa de
localização junto ao mercado, o índice custos de transporte dividido por valor da
matéria-prima seria excessivamente elevado (MENDES, 1997:82).

3.2.3. Energia Eléctrica

Nos países pouco desenvolvidos a disponibilidade de energia eléctrica geralmente é factor


decisivo na localização da indústria. A razão está em que determinados processos industriais
requerem energia eléctrica de qualidade, em grande quantidade, durante longo prazo.

Neste caso é de fundamental importância assegurar-se sobre a disponibilidade de energia


eléctrica no local. A energia eléctrica de baixo custo é essencial para determinadas indústrias:
electroquímicas, alumínio, etc.

A energia de baixo custo orienta a localização de certos projectos como de alumínio,


processamento de cobre e de fertilizantes em razão da elevada participação nos custos destas
empresas. Por outro lado quando a energia tem participação reduzida no custo da produção
industrial ela nada determina em termos orientacionais (MAGALHÃES, 1987).
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3.2.4. Água

Sua influência como factor de locação prende-se, em essência, à sua disponibilidade. Esta
influência pode ser pequena se houver água em quantidade e na qualidade necessária e pode
ser alta se houver apenas em algumas áreas.

A água é indispensável em todas as actividades produtivas para usos industriais como


resfriamento, produção de vapor, transformação industrial, etc., e para usos sanitários. Em
certas indústrias como cerveja, refrigerantes, papel, açúcar, etc., pesquisas preliminares sobre
disponibilidades de água são indispensáveis.

3.2.5. Políticas e Descentralização

Dado a existência de concentração industrial em certas áreas, com custos privados e sociais
elevados, pode ser recomendável a descentralização, orientando-se a actividade industrial para
outras áreas de menores custos ou para certas áreas debilitadas com o propósito de
desenvolvê-las.

O governo para promover a descentralização lança mão de políticas tributárias e fiscais. Para
atrair investimentos, utiliza-se de incentivos fiscais, financeiros (sob a forma de juros
subsidiados, prazos favorecidos ou insenção de impostos), oferta de terrenos, oferta de prédios
prontos para uso industrial, etc. (MANZAGOL, 1985:97).

3.2.6. Aspectos Ambientais

Existe forte legislação ambiental que precisa ser observada e pode se tornar determinante
quanto à localização do projecto. Do ponto de vista da legislação, duas normas jurídicas
devem ser atendidas:

 Código Florestal;
 Legislação Ambiental.

O Código Florestal define as áreas nas quais não são permitidas quaisquer actividades
comerciais/industriais.
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Conclusão

Depois de profundas pesquisas e leituras em torno da temática em alusão chega-se a concluir


que a geografia industrial é um ramo derivado da geografia económica e da geografia humana
que hoje assume um papel central dentro da ciência geográfica.

Vale ressaltar que a localização industrial pode ser entendida a partir de três momentos
básicos que correspondem, grosso modo, aos três paradigmas da ciência geográfica. No
âmbito da geografia industrial, esses momentos podem ser sintetizados em três abordagens: os
factores clássicos, a teoria da localização industrial e os sistemas industriais e, por último, as
tendências recentes associadas à alta tecnologia e à desconcentração espacial.

Neste sentido, é imperioso dizer que o facto de vários economistas terem estudado e escrito
sobre a localização e o processo de desenvolvimento industrial destacando-se principalmente
as contribuições de Von Thunen, Alfred Weber, August Losch e Walter Isard, denominadas
de teorias clássicas de localização, uma vez que, estes foram os primeiros autores a se
preocuparem com o problema da distribuição espacial e do crescimento económico, tendo
fixado as bases das análises subsequentes

Alfred Weber, até hoje trazido à teoria da localização, mas também, a primeira tentativa de
uma teoria geral da localização onde conclui que o local ideal era aquele que proporcionasse
menor custo em transportes da matéria-prima para as fábricas e dos produtos finais para o
mercado.

August Losch tratou da localização das actividades económicas, elaborando um modelo de


equilíbrio geral satisfatório. Para o teórico, a escolha locacional deve buscar o maior lucro
possível e não o menor custo possível. Walter Isard, uniu várias considerações teóricas de
Weber e Locsch e tratou não só da localização industrial, mas também do conjunto das
actividades económicas.
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