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Faculdade de Tecnologia de Campinas

Tecnologia em Processos Químicos

Relatório
Condutividade de Eletrólitos

Adriano Aparecido de Oliveira


Daniel Christian R. Corrêa
Izabela do Carmo Fernandes
Valdir José Silveira

Campinas, 11 de outubro de 2016


SUMÁRIO

1. Objetivo...................................................................................................................1

2. Introdução...............................................................................................................1

3. Materiais e reagentes.............................................................................................3

4. Procedimento experimental....................................................................................3

4.1 Condutividade dos eletrólitos...........................................................................3

4.2 Titulação: determinação do ponto final............................................................4

5. Resultados e discussão..........................................................................................5

5.1 Condutividade dos Eletrólitos..........................................................................5

5.2 Titulação Condutométrica................................................................................6

6. Conclusão...............................................................................................................8

Bibliografia.....................................................................................................................9
1

1. OBJETIVO

Observar as diferentes condutâncias de diferentes soluções.


Realizar uma titulação condutométrica afim de achar o ponto final e construir
um gráfico.

2. INTRODUÇÃO

A condutometria mede a condutância elétrica de soluções iônicas.


Simplificadamente, a condução da eletricidade através das soluções iônicas se dá
através da migração de íons positivos e negativos com a aplicação de um campo
eletrostático. Esta condutância vai depender do número de íons presentes, das
cargas e de suas mobilidades iônicas. Como a condutância elétrica de uma solução
é a soma das condutâncias individuais da totalidade das espécies iônicas presentes,
aquela propriedade carece de especificidade. [CITATION Ohl81 \l 1046 ]
A análise condutométrica pode ser direta, quando a concentração do eletrólito
é determinada através de uma única medição de condutância da solução, ou relativa
(titulações condutométricas), quando se procedem medições das variações da
condutância no decorrer de uma titulação e, através delas, estabelece-se o ponto
final da titulação. As medidas de condutância também são usadas para outros fins,
como a determinação de constantes de ionização, produtos de solubilidade,
condutâncias equivalentes, formação de complexos e efeitos de solventes. [CITATION
Ohl81 \l 1046 ]
As soluções de eletrólitos obedecem à lei de Ohm da mesma forma que os
condutores metálicos. Assim, a corrente (I) que passa pelo corpo de uma solução é
proporcional à diferença de potencial aplicada (V). A resistência (R) do corpo da
solução é dada (em ohm, Ω) por R = V/I, onde a diferença de potencial é expressa
em volts (V) e a corrente em Ampères (A). A condutância (G) é definida como o
inverso da resistência e expressa em Ω -1, ou Siemens (S), onde 1 S = Ω -1 = 1 C.V-1.s-
2

1
[CITATION ATK10 \t \l 1046 ]. A condutância de um corpo homogêneo e seção
uniforme são proporcional à área da seção (A) e inversamente proporcional ao
comprimento (l):

Α 1 l κ
G=κ ou κ= . =
l R A R

Onde a constante de proporcionalidade κ é a condutividade, dada em S.m-1.


São dois os fatores que influenciam a condutância das soluções: temperatura e
concentração do eletrólito.
A condutividade κ aumenta com o aumento da temperatura. Para
equipamentos que não possuam o sistema de compensação automático de
temperatura, a condutividade deve ser determinada a 25°C, que é a temperatura de
referência. Além disso, a condutividade de uma solução depende do número de íons
presentes, e o mais comum é utilizar a condutividade molar (m), definida por:

κ
Λ m=
M
Λm = condutividade molar (S.m2/mol)
M = molaridade ou concentração molar (mol/L, M)

A condutividade molar varia com a concentração do eletrólito. Entre as


principais razões para este efeito estão a variação no número ou na mobilidade dos
íons presentes. O primeiro caso acontece em eletrólitos fracos, onde a dissociação
dos íons em solução não é completa. O segundo caso ocorre com eletrólitos fortes,
cuja dissociação da molécula em seus íons em solução é total, ocasionando uma
interação muito forte entre os íons de carga oposta, que pode reduzir sua mobilidade
em solução.[CITATION Atk08 \t \l 1046 ]
Sólidos iônicos e ácidos fortes são substâncias que se encontram quase que
totalmente ionizadas em solução. Em uma solução concentrada de um eletrólito
forte, os íons estão suficientemente próximos uns dos outros, de forma que o
movimento dos mesmos é influenciado não apenas pelo campo elétrico imposto
pelos eletrodos, mas também pelo campo da vizinhança iônica. As velocidades
iônicas dependem, portanto, das duas forças.
3

Ácidos e bases de Bronsted fracos, como o ácido acético e a amônia, são


exemplos de eletrólitos fracos, pois não se dissociam completamente em solução.
Quando o eletrólito é fraco, observa-se um aumento na condutividade molar com a
diluição. Este comportamento é explicado devido ao deslocamento do equilíbrio de
dissociação.[CITATION Atk08 \t \l 1046 ]
A baixas concentrações de HA, o equilíbrio promove a formação de produtos
(as espécies iônicas H3O+ e A-). Assim, ocorre um aumento do número de íons
presentes na solução, correspondente ao maior grau de dissociação nas soluções
diluídas. Ou seja, quando o eletrólito é fraco, a condutividade molar depende do grau
de dissociação da molécula.
A prática em questão contará com o conhecimento destes princípios e, em um
primeiro momento, uma observação das diferentes condutâncias em diferentes
soluções. E, num segundo momento, uma titulação condutométrica, afim de
comparar os valores obtidos na prática com os valores teóricos, além de destacar
grandes pontos positivos deste tipo de titulação em relação à clássica.

3. MATERIAIS E REAGENTES

O experimento conta com os seguintes materiais: béquer (50mL), proveta


(20mL), vidro de relógio, pipeta volumétrica (1 e 5mL), bureta (25mL), bastão de
vidro, pera e condutivímetro
Os reagentes utilizados foram: água destilada, cloreto de sódio, sacarose,
etanol, hidróxido de sódio, ácido clorídrico, hidróxido de amônio, ácido acético
glacial, hidróxido de bário (0,1 mol.L -1), ácido sulfúrico (0,3 mol.L-1) e solução de
fenolftaleína

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
4

4.1 Condutividade dos eletrólitos

1) Água Destilada: adicionado 40 mL de água destilada no béquer de 50 mL,


mergulhado o eletrodo e observado o valor da condutividade.
2) Solução aquosa de NaCl: retirado o eletrodo, dissolvido 2 g de NaCl na água
que está no béquer e verificado novamente sua condutividade.
3) Solução aquosa de sacarose: com o béquer e o eletrodo limpos foi
preparado no béquer uma solução de 2 g de sacarose em 40 ml de água destilada e
verificado sua condutividade.
4) Solução aquosa de etanol: novamente foi lavado o béquer e o eletrodo e
preparado no béquer uma solução de 2 ml de álcool etílico em 40 ml de água,
repetindo as operações anteriores.
5) Solução aquosa de NaOH: Procedido da mesma forma com a solução de 2 g
de NaOH em 40 ml de água.
6) Solução aquosa de HCl: foi repetido o procedimento para uma solução de 2
ml de HCl concentrado em 40 ml de água. (OBS: Trabalho realizado na CAPELA e
utilizado a pera)
7) Solução aquosa de amônia: após lavar o béquer e o eletrodo, foi adicionado
no béquer 30 ml de água. Mergulhado o eletrodo, junto com 1 ml de solução
concentrada de hidróxido de amônio, agitado e verificado a condutividade.
Adicionado mais 5 ml da solução concentrada de hidróxido de amônio e verificado
novamente a condutividade. (OBS: Trabalho realizado na CAPELA e utilizado a
pera)
8) Ácido acético: após lavar o béquer e o eletrodo, seque-os bem antes de
iniciar. Adicionado 40 ml de ácido acético glacial no béquer e introduzido o eletrodo.
Observado a condutividade. Adicionou-se 5 ml de água ao béquer, agitando e
observando o que acontece o valor da condutividade.

4.2 Titulação: determinação do ponto final


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Adicionado em um béquer (de 50 mL) 40 mL de uma solução 0,1 mol/l de


hidróxido de bário, com algumas gotas de solução de fenolftaleína e introduzido o
eletrodo. A bureta foi completada (de 25 mL) com solução 0,3 mol/L de H2SO4 e a
solução foi escoada gota a gota no béquer, observando a condutividade e a cor da
solução. Realizada leitura da condutividade de 1 em 1 mL até 10 mL do ácido. Entre
10 e 15 mL do ácido realizado leituras a cada 0,5 mL. Entre 15 e 20 mL do ácido
realizado leitura de 1 em 1 mL. O ponto final foi mostrado tanto pela mudança de cor
do indicador como pelo valor da condutividade.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 Condutividade dos Eletrólitos

As leituras realizadas no condutivímetro nesta etapa do experimento se deram


de acordo com a tabela 1.

Tabela 1: Leitura das soluções em condutivímetro


PROCEDIMENTO A
Substância Leitura no Condutivímetro Temperatura
Água destilada 2,31 µS 23,1ºC
Sol. aquosa de NaCL 66,69 µS 23,1ºC
Sol. aquosa de sacarose 14,24 µS 23,9ºC
Sol. aquosa de etanol 3,96 µS 23,9ºC
Sol. aquosa de NaOH 136,00 µS 28,0ºC
Sol. aquosa de HCl 164,70 µS 24,8ºC
1 mL 699,90 µS 25,5ºC
Sol. aquosa de amônia
5 mL 1214,00 µS 24,4ºC
Puro  
Ácido Acético + 5mL
H2O  
Fonte: Dados obtidos em análise
6

Esta parte do procedimento experimental aproxima o aluno da técnica


envolvida no mesmo. Diferentes soluções foram utilizadas e, os valores encontrados
e anotados após a leitura no condutivímetro coincidem com os valores na literatura,
graças a uma boa calibração e um aparelho de boa qualidade.
No caso da água destilada, espera-se valores próximos de zero, pois somos
levados a imaginar que a água está totalmente livre de minerais e outros compostos.
Porém, apesar de destilada, ainda há pouquíssimos resquícios desses minerais, o
que eleva um pouco sua condutância.
No caso da solução aquosa de amônia é possível verificar que o aumento da
concentração reflete diretamente no aumento da condutância, seguindo a teoria
discutida anteriormente e confirmando experimentalmente.

5.2 Titulação Condutométrica

Os valores obtidos ao longo da titulação se dão conforme a tabela 2 e


ordenados no gráfico 1, para esquematização do ponto de viragem e sua relação
com a condutância.
Tabela 2: Leitura no condutivímetro ao longo da titulação
PROCEDIMENTO B
Quantidade de H2SO4 adicionado Leitura no condutivímetro
Temperatura
(mL) (mS/Cma)
0 36,78
1 32,74
2 29,29
3 25,33
4 21,25
5 18,69
6 15,27
7 12,04 23,0ºC
8 9,11
9 6,02
10 3,23
11 0,48
12 3,72
13 6,77
14 9,85
15 12,61
7

16 15,31
17 17,88
18 20,39
19 22,01
20 24,48
21 26,59
22 28,77
23 30,78
24 32,42
25 34,17
Fonte: Dados obtidos em análise

Conforme é adicionado ao analito 1mL do titulante, é verificado uma redução


na condutância da solução produto, até o momento em que ela atinge o menor valor,
equivalente ao ponto de viragem. Utilizando a técnica de titulação condutométrica é
possível, graficamente, traçar duas retas distintas que se encontram em seu ponto
mais baixo com um ângulo agudo, representando o ponto final. Isso se dá apenas
quando utilizamos um ácido forte HA e uma base MOH. O resultado encontrado
nesta prática se mostra muito satisfatório, pois equivale ao encontrado na literatura
para esta reação específica, que também pode ser explicada segundo as equações:

H+ + A- + M+ + OH- H2O + M+ + A- + H+, antes do ponto de viragem;


H+ + A- + M+ + OH- H2O + M+ + A-, no ponto de viragem;
H+ + A- + M+ + OH- M+ + A- + OH-, após ponto de viragem.

Ou seja, em um primeiro momento, como a mobilidade iônica do H + é muito


maior do que a do íon M+, o resultado é uma diminuição da condutância da solução
para cada adição de base até o ponto de viragem. No ponto final temos uma solução
salina, que neste caso é o sulfato de bário (BaSO 4). E com a contínua adição da
base temos um novo aumento da condutância da solução em função do aumento da
concentração de OH-.
A curva de condutância para esta titulação é representada segundo o gráfico 1.
Gráfico 1: curva de condutância da solução
8

40.00

35.00

30.00

25.00
mS.cm-1

20.00

15.00

10.00

5.00

0.00
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

Vol. Ba(OH)2 (mL)

É importante destacar algumas vantagens do processo de titulação


condutométrico em relação ao clássico. Por exemplo, ela pode ser utilizada para
soluções turvas, opacas ou coloridas. Neste experimento, a solução inicial
encontrava-se em um tom de rosa totalmente opaco, e sua forma final era ainda
opaca porém branca; também possui a vantagem do ponto final encontrado ser
muito próximo ao ponto de equivalência encontrado na literatura; utilizável em
reações pelas quais não seria praticável a técnica convencional devido a falta de
indicadores; permite automação; e aplicável para soluções muito diluídas.
[ CITATION Ohl81 \l 1046 ]

6. CONCLUSÃO

Constatou-se que o objetivo principal do desta aula prática foi atingido, uma
vez que a realização em bancada para a medição da condutividade elétrica das
amostras apresentadas foram desenvolvidas e apresentaram resultados de acordo
com o esperado.
E conclui-se que a condutância elétrica nas soluções depende basicamente
das ligações químicas envolvidas, onde a maior condutância de energia elétrica foi
encontrada amostras que apresentam ligações iônicas.
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BIBLIOGRAFIA

ATKINS, P., & PAULA, J. d. (2008). Physical Chemistry, vol. 1. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos.
ATKINS, P., & PAULA, J. d. (2008). Physical Chemistry, vol. 2. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos.
OHLWEILER, O. A. (1981). Fundamentos de Análise Instrumental. Rio de Janeiro:
Livros Técnicos e Científicos.

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