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Capítulo 4 Fator de Potência

4.1 Introdução

A maioria das cargas dos modernos sistemas de distribuição de energia elétrica são
indutivas. Exemplos incluem motores, transformadores, reatores de iluminação e
fornos de indução, dentre inúmeros outros.

A principal característica das cargas indutivas é que elas precisam de um campo


eletromagnético para operar.
Por esta razão, elas consomem dois tipos de potência elétrica:

1) Potência Ativa (KW) para realizar o trabalho de gerar calor, luz, movimento, etc.
A potência ativa é medida em Watts (W) ou Kilowatts (KW).

2) Potência Reativa (KVAR) para manter o campo eletromagnético.


A potência reativa não produz trabalho útil, mas circula entre o gerador e a carga,
exigindo do gerador e do sistema de distribuição uma corrente adicional.
O excesso de energia reativa exige condutor de maior secção e transformador de
maior capacidade, além de provocar perdas por aquecimentos e queda de tensão
A potência reativa é medida me kilovolts-Amperes-Reativos (KVAR).

potência ativa e a potência reativa juntas formam a potência aparente. A potência


aparente é medida em kilovolts-amperes (KVA).

Assim, enquanto a potência ativa é sempre consumida na execução de trabalho, a


potência reativa, além de não produzir trabalho, circula entre a carga e a fonte de
alimentação, ocupando um espaço no sistema elétrico que poderia ser utilizado
para fornecer mais energia ativa.

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P(ativa)
(kW) P (reativa) Fornecedor de Energia
(kVAr) reativa
90° 90°
P (reativa) Receptor de Energia
(kVAr) reativa
P(ativa)
(kW)

Potência Ativa
Potência Reativa
θ
Pot
ênc
ia A
par
ent
e

Podemos definir o fator de potência como sendo a relação entre a potência ativa e a
potência aparente. Ele indica a eficiência do uso da energia. Um alto fator de
potência indica uma eficiência alta e inversamente, um fator de potência
baixo indica baixa eficiência. Um triângulo retângulo é freqüentemente utilizado para
representar as relações entre KW,
KVAR, e KVA. (Ver figura acima).
Define-se fator de potência como sendo a divisão de potência ativa (KW) pela
potência aparente (KVA).

kW
cos  = = FP
kVA

Pap = Pat2 + Pre2


Fisicamente, o fator de potência representa o co-seno do ângulo de defasagem
entre a onda senoidal da tensão e a onda da corrente. Quando a onda da corrente
está atrasada em relação à onda da tensão, o fator de potência é dito indutivo. Caso
contrário é dito capacitivo.

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Principais Causas do Baixo Fator de Potência

Tudo o que exige energia reativa elevada acaba causando baixo fator de potência:

A) Motores trabalhando em vazio durante grande parte de tempo.


B) Motores superdimensionados para as respectivas cargas.
C) Grandes transformadores alimentando pequenas cargas por muito tempo.
D) Lâmpadas de descargas (de vapor de mercúrio, fluorescente, etc.) sem correção
individual do fator de potência.
E) Grande quantidade de motores de pequena potência.

Um baixo fator de potência indica que você não está utilizando plenamente a
energia paga. Veja um exemplo:
Se seu fator de potência está em 80% sua rede está aproveitando 80% da energia
fornecida pela concessionária. Isto quer dizer que 20% do que você paga é
desperdiçado.

4.2 Considerações sobre Tarifação e legislação do fator de potência

4.2.1 Fundamentação

Para a adoção de estratégias para a otimização do uso de energia elétrica faz-se


necessário o perfeito conhecimento da sistemática de tarifação. Pois, a legislação
brasileira permite às concessionárias calcular as faturas em função do: (a) consumo
(kWh) , (b) demanda (kW), (c) fator de potência e (d) diferentes tipos de tarifas.
Para a elaboração das faturas os consumidores finais (indústrias, residências,
propriedades rurais, comércio e outros), são classificados em dois Grupos conforme
o Quadro 1

Quadro 1 - Grupos de Consumidores

Grupo A - Alta Tensão Grupo B - Baixa Tensão


A-1 - 230 kV ou mais; B-1 - Residencial;
A-2 - 88 a 138 kV; B-1 - Residencial Baixa Renda;
A-3 - 69 kV; B-2 - Rural;
A-3a - 30 a 44 kV; B-3 - Não Residencial Nem Rural; e
A-4 - 2,3 a 13,8 kV; e B-4 - Iluminação Pública.
A.S. - 2,3 a 13,8 kV (Subterrâneo).

Fonte: COPEL

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4.2.2 Parâmetros para Tributação

a) Consumo
Consumo refere-se ao registro do quanto de energia elétrica foi consumida
durante determinado período. No cálculo das faturas é considerado o período
mensal e este é expresso em kWh (quilo watts hora).

b) Demanda

Demanda corresponde ao consumo de energia dividido pelo tempo adotado na


verificação. Conforme legislação brasileiria é determinado para fins de faturamento
que este período seja de 15 minutos. Assim, por exemplo, se determinada
instalação possui quatro motores de 30 kW (40 cv) que são acionados da seguinte
maneira:
0 - 3 minutos - 2 motores - Carga = 60 kW,
3 - 10 minutos - 4 motores - Carga = 120 kW,
10 - 15 minutos - 1 motor - Carga = 30 kW.

Observa-se para este caso, que a demanda será:

D= (60kW.3min + 120kW.7min + 30kW.5min)/15 = 78 kW (105 cv)

No entanto, a demanda para o faturamento mensal será o maior entre os


seguintes valores:

Demanda registrada - corresponde ao maior valor de demanda medido em


intervalos de 15 minutos durante período, em média considera-se um mês. Desta
forma, dentre 3000 valores registrados, seleciona-se o maior.

Demanda contratada - cabe ao usuário, com base nas cargas instaladas e


processo produtivo, definir o valor de demanda necessário. Fator que será
considerado pela concessionária ao definir os equipamentos para atender a
solicitação de serviço, como: transformadores, dispositivos de proteção e/ou
eventualmente até a subestação.

Demanda Percentual - considerando o período de 11 meses anteriores ao mês em


questão, seleciona-se a máxima demanda registrada e calcula-se 85% deste valor.
O que demonstra ser necessário a monitoração do valor da demanda. Pois, um alto
valor pode refletir nos valores das faturas dos 11 meses subseqüentes.

c) Fator de Potência

Conforme legislação brasileira (Portaria N. 1569/DNAEE de 23/12/93, o fator de


potência deverá ter como limite mínimo o valor de 0,92. Caso ocorra valores
menores o consumidor será penalizado. O registro do fator de potência ocorre em
intervalos horários. Para o cálculo da fatura seleciona-se o menor valor ocorrido no
mês em questão. Assim, dentre 700 registros mensais, seleciona-se o menor

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4.2.3 Sistema Tarifário

Em estudos realizados nos anos oitenta, foi constatado que o perfil de


comportamento do consumo ao longo do dia encontra-se vinculado aos hábitos do
consumidor e às características próprias do mercado de cada região. Foi também
caracterizado que o sistema elétrico brasileiro, em quase sua totalidade, possui
geração por meio de hidroelétricas. Portanto, o maior potencial de geração
concentra-se no período chuvoso. Baseando-se nestas características originou-se,
em 1982, a nova Estrutura Tarifaria Horo-sazonal. Em que as tarifas tem valores
diferenciados segundo: horários do dia e períodos do ano, conforme descrito
abaixo:

a) Divisão do Dia
• Horário de Ponta - Corresponde ao intervalo de 3 horas consecutivas, ajustado de
comum acordo entre a concessionária e o cliente, situado no período compreendido
entre as 17:30h e 20:30h exceto os sábados e domingos.

• Horário Fora de Ponta - Corresponde às horas complementares ao horário de


ponta.

b) Divisão do Ano

• Período Seco - Compreende o intervalo situado entre os meses de maio a


novembro de cada ano (sete meses).

• Período Úmido - Compreende o intervalo situado entre os meses de dezembro de


um ano a abril do ano seguinte (cinco meses).

Considerando, os parâmetros de tributação e a sistemática horo-sazonal, têm-se


as tarifas Convencional e Horo-sazonal. O cálculo das faturas no sistema
convencional considera apenas os parâmetros de tributação. Enquanto no sistema
horo-sazonal é considerado os parâmetros de tributação e as variações horo-
sazonais descritas acima. Sendo que na estrutura Horo-sazonal têm-se as tarifas:
Azul e Verde.

A Tarifa Azul aplica-se às unidades consumidoras que possuem processo


produtivo contínuo e enquadram-se no Grupo A. A adoção desta é obrigatória aos
consumidores dos tipos A-1, A-2 e A-3 e opcional aos demais.

Enquanto, a Tarifa Verde aplica-se a consumidores com capacidade de


modulação do processo produtivo. Esta é opcional aos consumidores do Grupo A
tipos A-3a, A-4 e A-S.
Apresenta-se no Quadro abaixo os ítens considerados nos cálculos das faturas
ao aplicar as tarifas Azul e Verde.
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Quadro - Ítens considerados nos cálculos de faturas de energia elétrica para as
tarifas Azul e Verde.

Tarifa Azul Tarifa Verde


Demanda na Ponta Demanda
Demanda Fora de Ponta Consumo na Ponta
Consumo na Ponta Consumo Fora de Ponta
Consumo Fora de Ponta

4.2.4 Cálculo das Faturas

a) Cálculo da fatura - Tarifa Convencional - Grupo B


O faturamento é obtido pelo produto do consumo medido pela respectiva tarifa
em vigor.

Fc = C x Tc
em que,
Fc - valor da fatura, R$
C - consumo de energia elétrica medido no mês, kWh
Tc - Tarifa de consumo, R$/kWh

b) Cálculo da fatura - Tarifa Convencional - Grupo A


Somente aplicável de forma opcional aos consumidores dos tipos A-3a, A-4 e A-
S. Tem-se:

Ft = Dfat x Td + C x Tc
em que,
Ft - valor da fatura, R$
Dfat - valor da demanda faturável, kW
Td - tarifa de demanda, R$/kW
C - consumo de energia elétrica medido no mês, kWh
Tc - tarifa de consumo, R$/kW/h
c) Cálculo da Fatura - Tarifa Azul

Ft = Dfatp x Tdp + Dfatfp x Tdfp + Cp x Tcp + Cfp x Tcfp

em que,
Dfatp - demanda faturada no horário de ponta, kW
Tdp - tarifa de demanda de ponta, R$/kW
Dfatfp - demanda faturada no horário fora de ponta, kW
Tdfp - tarifa de demanda fora de ponta, R$/kW
Cp - consumo medido no mês - horário de ponta, kWh
Tcp - tarifa de consumo no horário de ponta, R$/kWh
Cfp - consumo medido no mês - horário fora de ponta, kWh
Tcfp - tarifa de consumo no horário fora de ponta, R$/kWh
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d) Cálculo da Fatura - Tarifa Verde

FT = Dfat x TD + Cp x Tcp + Cfp x Tcfp

em que,
Dfat - demanda faturada, kW
TD - tarifa da demanda, R$/kW
Cp - consumo medido no mês - horário de ponta, kWh
Tcp - tarifa de consumo no horário de ponta, R$/kWh
Cfp - consumo medido no mês - horário fora de ponta, kWh
Tcfp - tarifa de consumo no horário fora de ponta, R$/kWh

e) Acréscimo Fator de potência

A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL - determina que o fator de potência


deve ser mantido o mais próximo possível da unidade; porém permite um valor mínimo
de 0,92, indutivo ou capacitivo, correspondente a um certo valor de energia reativa
consumida. Á medida que o fator de potência decresce, temos valores maiores,
correspondentes à energia reativa consumida, ainda que a energia ativa consumida
permaneça constante.
Se o fator de potência medido nas instalações do consumidor for inferior a 0,92, será
cobrado o custo do consumo reativo excedente, decorrente da diferença entre o valor
mínimo permitido e o valor calculado no ciclo. O custo excedente é obtido pela seguinte
fórmula:

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4.3 BANCOS DE CAPACITORES

Os capacitores são equipamentos capazes de armazenar a energia reativa e


fornecer aos equipamentos essa energia necessária ao seu funcionamento.
Uma forma econômica e racional de obter-se a energia reativa necessária para a
operação dos equipamentos é a instalação de bancos de capacitores próximo a
esses equipamentos. A instalação de capacitores, porém, deve ser precedida de
medidas operacionais que levem à diminuição da necessidade de reativo, como o
desligamento de motores e outras cargas indutivas ociosas ou superdimensionadas.

Com os capacitores funcionando como fontes de reativo, a circulação dessa energia


fica limitada aos pontos onde ela é efetivamente necessária, reduzindo perdas,
melhorando condições operacionais e liberando capacidade em transformadores e
condutores para atendimento a novas cargas, tanto nas instalações consumidoras
como nos sistemas elétricos das concessionárias.

Os bancos de capacitores devem ser total ou parcialmente desligados, em


conformidade com o uso dos motores e transformadores, para não haver excesso
de energia reativa capacitiva, causando efeitos adversos ao sistema elétrico da
concessionária.

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4.4 Aplicações dos capacitores

Os pontos indicados para a localização dos capacitores numa instalação industrial


são:

a) No sistema primário
Neste caso, os capacitores devem ser localizados após a medição no sentido da
fonte para a carga. Em geral, o custo final de sua instalação, principalmente em
subestações abrigadas, é superior a um banco equivalente, localizado no sistema
secundário. A grande desvantagem desta localização é a de não permitir a
liberação de carga do transformador ou dos circuitos secundários da instalação
consumidora. Assim, a sua função se restringe somente à correção do fator de
potência e, secundariamente, à liberação de carga do alimentador da con-
cessionária

b) No secundário do transformador de potência

Neste caso, a localização dos capacitores geralmente ocorre no barramento do


QGF (Quadro Geral de Força). Tem sido a de maior utilização na prática, por
resultar, em geral, em menores custos finais. Tem a vantagem de liberar potência
do(s) transformador(es) de força e poder instalar-se no interior da subestação, local
normalmente utilizado para o próprio QGF.

c) No ponto de concentração de carga específica

Quando uma carga específica, como no caso de um motor, apresenta baixo fator de
potência, deve-se fazer a sua correção alocando-se um banco de capacitores nos
terminais de alimentação desta carga.
No caso específico de motores de indução, de uso generalizado em instalações
industriais, o banco de capacitores deve ter a sua potência limitada a
aproximadamente 90% da potência absorvida pelo motor em operação sem carga,
que pode ser determinada a partir da corrente em vazio e que corresponde a cerca
de 20 a 30% da corrente nominal, para motores de IV pólos e velocidade síncrona
de 1.800 rpm, A Tabela 4.5 determina a potência máxima do capacitor ou do banco
que deve ser ligado aos terminais de um motor de indução trifásico. Assim, num
motor de 100 cv, 380V, IV pólos, cuja corrente nominal é de 135,4 A, a potência
máxima do capacitor será de:
.
I0 = 0,27 x 135,4 = 36,5 A

PCAP = 3xVxI 0 = ( )
3x0,38x36,5 x0,90 = 21k var

Pela Tabela 4.5, tem-se:


Pm = 100 cv → Wm = 1.800rpm → Pcap = 21 kvar

Essa limitação tem como fundamento o fato de que, quando um motor de


indução é desligado da rede, o seu rotor ainda continua em movimento por alguns
instantes devido à sua inércia.
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Por motivo econômico, quando um capacitor for instalado junto a um motor de
indução, a chave de comando do motor deverá também seccionar ou energizar ó
capacitor, conforme mostra a figura abaixo. O circuito que liga o capacitor não
deverá ter seção inferior a 1/3 da seção do condutor que liga os terminais do motor.

Quando o motor é acionado através de uma chave estrela-triângulo, a ligação do


capacitor no sistema deve obedecer ao esquema da figura abaixo .

Tabela 4.5 - Potência máxima dos capacitores ligados a motores de


indução
Potência do motor de Velocidade sincrona do motor em rpm

indução (cv)
3.600 I 1.800 1.200 900 I 720 600
kvar
5 2,0 2,0 2,0 3,0 4,0 4,5
7,5 2,5 2,5 3,0 4,0 5,5 6,0
10 3,0 3,0 3,5 5,0 6,5 7,5
15 4,0 4,0 5,0 6,5 8,0 9,5
20 5,0 5,0 6,5 7,5 9,0 12,0
25 6,0 6,0 7,5 9,0 11,0 14,0
30 7,0 7,0 9,0 10,0 12,0 16,0
40 9,0 9,0 11,0 12,0 15,0 20,0
50 12,0 11,0 13,0 15,0 19,0 24,0
60 14,0 14,0 15,0 18,0 22,0 27,0
75 17,0 16,0 18,0 21,0 26,0 32,5
100 22,0 21,0 25,0 27,0 32,5 40,0
125 27,0 26,0 30,0 32,5 40,0 47,5
150 32,5 30,0 35,0 37,5 47,5 52,5
200 40,0 37,5 42,5 47,5 60,0 65,0
250 50,0 45,0 52,5 57,5 70,0 77,5
300 57,5 52,5 60,0 65,0 80,0 87,5
400 70,0 65,0 75,0 85,0 95,0 105,0
500 77,5 72,5 82,5 97,5 107,5 115,0

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4.5 Instalações em projeto

Na prática, tem-se notado que, durante a elaboração de projetos elétricos de


pequenas indústrias, há uma grande dificuldade em se saber, com razoável
confiança, os detalhes técnicos, o comportamento operativo da planta, tais como:

• ciclo de operação diário, semanal, mensal ou anual;


• taxa de carregamento dos motores;
• cronograma de expansão das atividades produtivas.

Esses dados são úteis para que se possa determinar o fator de potência médio
presumido da instalação e prever os meios necessários para sua correção, caso se
justifique.
Em planta de maior porte, porém, o planejamento prevê com razoáveis detalhes
todos os itens anteriorente citados e a seguir discriminados.

a) Levantamento de carga do projeto


MOTORES
- tipo (indução, rotor bobinado, síncrono);
- potência, em cv;
- fator de potência;
- número de fases;
- número de pólos

- potência nominal, em kW;

- potência de operação, em kW;

- número de fases.

ILUMINAÇÃO

- Tipo (incandescente, fluorescente, vapor de mercúrio, vapor de sódio);

- Reator (alto ou baixo fator de potência)

O próprio projetista pode decidir sobre o tipo de reator que utilizará.

b) Ciclo de operação diário, semanal, mensal e anual.

Como nas indústrias as máquinas em geral operam em grupos definidos, podem-se


determinar o ciclo de operação para cada conjunto homogêneo de carga e depois
compor os vários conjuntos, formando a curva de carga que corresponde ao
funcionamento da instalação, durante o período considerado. Na prática, determina-
se o ciclo de operação diário considerando-se um dia típico provável de produção
normal. Para as indústrias comprovadamente sazonais, é importante determinar o
seu comportamento durante um ciclo completo de atividade.

c) Determinação das demandas ativas e reativas para o ciclo de carga


considerado
d) traçado das curvas de demanda ativa e reativa
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4.5.1 Determinação do fator de potência estimado ( método analítico).

Este método se baseia na resolução do triângulo das potências. Cada carga


é considerada individualmente, calculando-se sua demanda ativa e reativa
com base no fator de potência nominal.
Ao se obter finalmente os valores de demanda ativa e reativa, calcula-se o
valor do FP.

Exemplo de Aplicação

Determinar o fator de potência, na demanda máxima prevista, de uma instalação


industrial cuja carga é composta por:

25 motores trifásicos de 3 cv, 380 V, IV pólos, com fator de potência 0,73;

15 motores trifásicos de 30 cv, 380 V, IV pólos, com fator de potência 0,83

500 lâmpadas fluoresecentes de 40W, com reator a baixo fator de potência, 0,4 em
atraso com perda de 15,3 W, a iluminação é ligada em 220V.

Para os motores de 3 cv, tem-se:

Pa3 = 3 x 0,736 x 25 = 55,2 kW

Pr3 = 55,2 x tg (ar cos 0,73) = 51,6 kvar

Para os motores de 30 cv,


tem se:

Pa30 = 30 x 0,736 x 15 =
331,2 kW
Pr30 = 331,2 x tg( arcos0,83) = 222,5 kvar

A carga de iluminação vale:

500 x40 500 x15,3


Pai = + = 27,6kW
1000 1000

500 x15,3xtg (ar cos 0,4)


Pri = = 17,5k var
1000 12
Os triângulos das potências correspondentes a cada conjunto de carga estão
mostrados acima. Compondo os diversos triângulos das potências, tem-se o
tiângulo resultante.

O fator de potência do conjunto vale:

Pat= 55,2+331,2+27,6=414kW

Prt= 51,6+222,5+17,5=291,6 kvar

Ψ=arctg(Prt/Pat)=arctg(291,6/414)=35,15˚

Fp= cos35,15˚=0,81

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4.6 Instalações em operação

A determinação precisa do fator de potência somente é possível quando a


instalação está operando em plena carga.
O fator de potência de uma instalação industrial somente deverá ser alterado após
terem sido executadas algumas providências de ordem administrativa terem sido
executadas, quais sejam:

• desligar da rede os motores que estiverem operando em


vazio;

• manter energizados somente os transformadores


necessários à carga, quando a indústria estiver operação
em carga leve, ou somente com a iluminação de vigia;
• substituir os motores superdimensionados por unidades de
menor potência.

Para a determinação do fator de potência podem ser adotados um dos


seguintes métodos:

4.6.1 - Método dos consumos médios mensais

Este é um dos métodos mais simples conhecidos. Consiste em tabular os


consumos de energia ativa e reativa fornecidos na conta de energia emitida pela
concessionária. É conveniente que sejam computadas as contas energia
correspondentes a um período igual ou superior a seis meses. Este método é válido
somente para os consumidores com avaliação mensal do fator de potência.
Caso a indústria apresente sazonalidade de produção, é necessário considerar
este fato, aumentando-se o nodo do estudo, para, por exemplo, 12 meses. Com os
resultados obtidos pela média aritmética dos valores observados, emprega-se a
equação abaixo.

C am
FP =
2
C am + C rm
2

Sendo :

Fp Fator de Potência médio mensal

Cam Consumo de energia ativa registrada no mês, expresso em kW

Crm Consumo de energia reativa registrada no mês, expresso em kvarh

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Tabela - Consumos médios

Mês Consumo
kWh kvarh
Jul 17.580 17.900
Ago 19.410 18.720
Set 20.070 19.400
Out 18.480 17.560
Nov 15.320 13.200
Dez 17.560 17.600
Soma 108.420 104.380
Média 18.070 17.396

EXEMPLO DE APLICAÇÃO

Considerar uma indústria cujos consumos mensais foram organizados segundo a


Tabela acima. Determinar o fator de potência médio da instalação.

18.070
Fp = = 0,72
18.070 2 + 17.396 2

4.6.2 - Método analítico


Este método é o mesmo explanado no item 4.5.1.

4.6.3 - Método das potências medidas

Atualmente existem vários aparelhos de tecnologia digital disponíveis no mercado,


fabricados ou distribuídos por diferentes fornecedores, que desempenham várias
funções no campo da medição de parâmetros elétricos, sendo um deles a medição
do fator de potência. Em geral, esses aparelhos são constituídos de uma caixa, no
interior da qual estão os componentes eletrônicos necessários às funções dedicadas
a que se propõem, além de um transformador de corrente religável para coletar a
corrente de carga do circuito. Quando utilizado em sistemas primários, deve-se
utilizar o transformador de potencial adequado ao nível de tensão da rede. Podem
ser fornecidos em unidades monofásicas ou trifásicas, e alguns aparelhos
apresentam as seguintes características técnicas.

medição de tensão, corrente, potência ativa, potência reativa, potência


aparente, freqüência, fator de potência, energia ativa e energia reativa;
16
. memória de massa para 6 ou 12 canais;

. medição direta da rede até o limite de corrente de 200A;

. classe de exatidão variando de 0,2% a 1 %;

. possibilidade de telemedição;

. medição de distorção harmônica.

4.7 - CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA

Como ficou evidenciado anteriormente, é de suma importância para o industrial


manter o fator de potência de sua instalação dentro dos limites estabelecidos pela
legislação. Agora, serão estudados os métodos utilizados para corrigir o fator de
potência quando já é conhecido o valor atual medido ou determinado.
Para se obter uma melhoria do fator de potência podem-se indicar algumas soluções
que devem ser adotadas, dependendo das condições particulares de cada instalação.
Deve-se entender que a correção do fator de potência aqui evidenciada não somente
visa à questão do faturamento de energia reativa excedente, mas também aos
aspectos operacionais internos à instalação da unidade consumidora, tais como
liberação da capacidade de transfonnadores, cabos, redução das perdas, etc.

4.7.1- Meios utilizados para a correção do fator de potência

4.7.1.1- Modificação da rotina operacional

Esta orientação deve ser dirigida, por exemplo, no sentido de manter os motores em
operação a plena carga, evitando o seu funcionamento a vazio. Outras providências
devem ser tomadas no sentido de otimizar o uso racional da energia elétrica
atuando-se sobre o uso da iluminação, dos transformadores e de outras cargas que
operam com ineficiência.

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4.7.1.2 - Instalação de motores síncronos superexcitados

Os motores síncronos podem ser instalados exclusivamente para a correção


do fator de potência ou podem ser acoplados a alguma carga da própria produção,
em substituição, por exemplo, a um motor de indução. Praticamente nenhuma
destas soluções é adotada devido a seu alto custo e a dificuldades operacionais.

4.7.1.3 - Instalação de capacitores-derivação

Esta é a solução mais empregada na correção do fator de potência de instalações


industriais, comerciais e dos sistemas de distribuição e de potência. A
determinação da potência do capacitor por quaisquer dos métodos adiante
apresentados não deve implicar em um fator de potência inferior a 0,92 indutivo
ou capacitivo em qualquer ponto do ciclo de carga da instalação.

Muitas vezes é necessária a operação dos bancos de capacitores em frações cuja


potência manobrada não deva permitir um fator de potência capacitivo inferior a
0,92 no período de O às 6 horas, a fim de se evitar o faturamento de energia
capacitiva excedente. O banco deve também ser manobrado no período de 6:00
às 24:00 horas para evitar o faturamento de energia reativa indutiva excedente. A
correção do fator de potência de motores aplicando-se banco de capacitores em
seus terminais deve ser feita com bastante critério, para evitar a queima do
equipamento.

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4.7.1.3.1 - Método analítico

Como anteriormente já foi mencionado, o método analítico baseia-se na resolução


do triângulo das potências. A determinação da potência dos capacitores para elevar
o fator de potência de FP1 para FP2 pode ser feita com base na equação:

PC= Patx(tg Ψ1-tg Ψ2)

Pat- potência ativa, em kW;


Ψ1- ângulo do fator de potência original;

Ψ2 ângulo do fator de potência desejado.

- Triângulo das potências

Na figura acima, Prel significa a potência reativa fluindo na rede antes da


instalação dos capacitores e Pre2 a Potência reativa fluindo na rede após a instalação
dos capacitores.

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EXEMPLO DE APLICAÇÃO

Corrigir do valor original de 0,81 para o valor de 0,92 o fator de potência da


instalação citada no Exemplo de Aplicação da Seção 4.5.1.determinar o banco de
capacitores considerando a potência de cada capacitor de 20kvar.

414,0 kW
35,15°

291,6 kvar
Fp= cos35,15?=0,81

Ψ1= ar cos0,81=35,15º

Ψ2= ar cos 0,92= 23,07º

Pc= 414,0x(tg35,15º - tg23,07º)

Pc= 123 kvar


Logo o número de células capacitivas do banco será: Nc=123/20=6,15 N= 7

414,0 kW
Ψ1 Ψ2
291,6 kvar
123 kvar

20
Através do método analítico é possível proceder facilmente à correção do fator de potência
horário tanto para indústrias em fase de projeto como em fase de operação. Considerando
para indústrias em projeto pode-se determinar o fator de potência pelo método analítico e
em seguida a necessidade de energia reativa horária para manter o fator de potência entre
0,92 indutivo e 0,92 capacitivo. Isto pode ser mostrado através da Tabela abaixo (exemplo)
A seguir serão demonstrados os cálculos relativos à Tabela para manter o fator de potência
na faixa anteriormente mencionada.
Fator de potência e potência capacitiva
horária
Período em horas
UD
- 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 20-22 22-24

Potência ativa kW 8,2 8,2 8,2 1.239 2.066 2.066 2.066 1.790 2.066 1.404 910 358

Potência indutiva kvar 1,7 1,7 1,7 905 1.476 1.476 1.476 1.233 1.476 1.060 659 260

Fator de potência - 0,97 0,97 0,97 0,80 0,81 0,81 0,81 0,82 0,81 0,79 0,81 0,81

Potência capacitiva kvar 0,0 0,0 0,0 401,0 615,5 615,5 615,5 486,7 615,5 491,4 247,4 97,6

a) Período de 0 a 6 horas

Fator de potência

k var  1,7 
FP = cos arctg ( ) = cos arctg   = 0,97
kW  8, 2 

Potência Capacitiva necessária

PCAP=0

b) Período de 6-8 horas

k var  905 
FP = cos arctg ( ) = cos arctg   = 0,80
kW  1239 

Ψ1= ar cos0,80=36,86º

21
Potência capacitiva necessária

PC= Patx(tg Ψ1-tg Ψ2)

Ψ2 =arcos0,92= 23,07º

PC=1239x(tg36,86 – tg23,07)= 401,0 kvar

Os demais cálculos são semelhantes, ver resultados na tabela.

Com base na tabela acima pode-se definir o diagrama unifilar do banco de capacitor
visto na figura abaixo, obedecendo a lógica de manobras para que o fator de potência
varie entre 0,92 indutivo e 0,92 capacitivo.

22
A análise da tabela e do diagrama da figura do exercício leva aos seguintes
resultados:
• a potência nominal do banco de capacidade é de Pc = 650 kvar;

• o menor bloco de potência capacitiva a ser manobrado é de


100 kvar (22-24 horas);

• a lógica de manobra dos blocos de potência capacitiva é:

- de 0-6 horas: todos os estágios devem estar desligados


Pc = O kvar;

- 6-8 horas: ligar os estágios 1-2-3-4-5 ~ Pc = 500 kvar;

- 8-14 horas: adicionar aos estágios já ligados os estágios


6-7 ~ Pc = 650 kvar;

- 14-16 horas: desligar os estágios 6-7 ~ Pc = 500 kvar.

- 16- 18 horas: ligar os estágios 6-7 ~ Pc = 650 kvar

- 18 – 20 horas: desligar os estágios 6-7 ~PC = 500 kvar

- 20 – 22 horas: desligar os estágios 4-5 ~ PC = 300 kvar

- 22 – 24 horas: desligar os estágios 2-3 ~PC = 100kvar.

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4.8 LIGAÇÃO DOS CAPACITORES

Ligação em triângulo série Ligação em triângulo paralela

Ligação em estrela série Ligação em estrela paralela

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