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O PODER DA VONTADE

OU

VOSSAS FORÇAS

DINÂMICAS

WILLIAM WALKER ATKINSON E EDWARD E. BEALS


TÍTULO ORIGINAL: “Will Power, or, Your Dynamic Forces”
Publicação da Personal Power Co., Detroit, Michigan (USA)

“Por uma longa meditação, convenci-me


de que um ente humano com um
propósito determinado deve realizá-lo, e
que nada pode resistir a uma Vontade
que arrisque até a própria existência na
sua realização”. – DISRAELI.

ESTE LIVRO É UMA CÓPIA DA PUBLICAÇÃO


EDITORA PENSAMENTO, São Paulo, Brasil
SEGUNDA EDIÇÃO

1943

CONTÉM NOTAS E OBSERVAÇÕES DO CER


ÍNDICE

Capítulo 01  O Poder da Vontade ..................................................................................................................................... 4


Capítulo 02  A Natureza da Vontade .............................................................................................................................. 11
Capítulo 03  Vontade Conata ......................................................................................................................................... 17
Capítulo 04  Vontade Deliberativa ................................................................................................................................. 23
Capítulo 05  Vontade Determinativa .............................................................................................................................. 30
Capítulo 06  A Vontade Ativa ........................................................................................................................................ 37
Capítulo 07  Treino da Vontade ..................................................................................................................................... 44
Capítulo 08  A Consciência da Vontade ......................................................................................................................... 56
Capítulo 09  Atmosfera de Vontade ............................................................................................................................... 60

PROJETO "SER" .............................................................................................................................................................. 52

ROTEIRO DE ANÁLISE DO LIVRO ............................................................................................................................. 52

SUGESTÃO DE ERRATA............................................................................................................................................... 60

Parte das publicações de Atkinson foi organizada numa série intitulada "O Livro dos
Poderes", composta de doze títulos que obedecem à seqüência apresentada abaixo. Sugerimos que
o livro “A Lei do Novo Pensamento” seja lido como introdução a essa série.
CONHEÇA TODA A OBRA DO AUTOR E SOLICITE SEUS LIVROS PELO SITE:
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"O Poder Pessoal, Ou, Vosso Eu Superior" (CER).


"O Poder Criador, Ou, Vossas Forças Construtivas" (CER).
"O Poder Do Desejo, Ou, Vossas Forças Energizantes" (CER).
"O Poder Da Fé, Ou, Vossas Forças Inspiradoras" (CER).
"O Poder Da Vontade, Ou, Vossas Forças Dinâmicas" (CER).
"O Poder Do Subconsciente, Ou, Vossas Forças Secretas" (CER).
"O Poder Espiritual, Ou, A Fonte Infinita" (CER).
"O Poder Do Pensamento, Ou, Radiomentalismo" (CER).
"O Poder Da Percepção, Ou, A Arte Da Observação" (CER).
"O Poder Do Raciocínio, Ou, A Lógica Prática" (CER).
“O Poder Do Caráter, Ou, A Individualidade Positiva" (CER).
"O Poder Regenerador, Ou, Rejuvenescimento Vital" (CER).
P R E F Á C I O

01. A Vontade está tão próxima do Ser que dificilmente pode ser separada dele; entretanto,
ainda é uma de suas vestimentas, sendo possuída por ele e podendo ser manifestada ou não.

02. De todas as faculdades e qualidades do “EU SOU EU”, é a única que precisa de si mesma
para ser desenvolvida: é preciso querer para ter vontade.

03. Esta é também a faculdade que, para existir, precisa agir, de modo que a vontade efetiva é a
raiz da ação.

04. A Vontade invencível não é a vontade de ferro, mas a vontade de aço; aquela quebra e não
verga diante dos obstáculos, esta é flexível, verga a uma pressão demasiado forte, porém volta à
mesma posição sem ter sofrido modificação alguma no seu objeto principal.

05. Os processos de desenvolvimento da vontade que se encontram nesta obra são os mais
científicos e positivos que se conhecem, tendo sido postos à prova pelos autores na sua roda de
relações.

06. A todo indivíduo que tenha vontade fraca, esta obra está destinada a prestar os mais
relevantes serviços, permitindo-lhes desenvolver normalmente a vontade, sem fazerem esforços
violentos.

A EMPRESA.
1
Capítulo – I –

O PODER DA VONTADE

01. De todas as diversas manifestações do Poder proveniente daquele PODER que o melhor
pensamento humano percebe ser a fonte e origem de todo o Poder do Universo, a manifestação que
conhecemos como Poder da Vontade parece ser a mais fundamental, a mais elementar, a mais
universal. Os filósofos consideram-na a mais íntima de todas as fases e formas de Poder Pessoal.
Muitos, até, pensaram que no Poder da Vontade está o princípio final do Universo – e que todas as
formas de Poder, Força e Energia devem, afinal, ser consideradas expressões do Poder da Vontade.
02. Sejam quais forem os fatos finais do Universo, não pode haver discussão a respeito da
posição dominante ocupada pelo Poder da Vontade na vida e existência do homem individual.
Quando empreendeis a tarefa da análise própria1, encontrais vossa Vontade no próprio centro de
vosso ser — tão íntima do “EU SOU EU” ou Ego, que é muito difícil desembaraçá-la de vosso Eu
Real.
03. Vossas sensações, vossas paixões, vossas emoções, vossos gostos e vossos talentos se acham
sob o domínio de vossa Vontade treinada. Podeis separá-los de vós, corrigi-los, melhorá-los;
porém, a Vontade está muito mais próxima de vós – não podeis separá-la de vós como podeis fazer
com os outros estados mentais. Não é sensação, nem emoção — embora possa dominar ambas.
Sempre é subjetiva e ativa, residindo na própria cidadela de vosso ser e aí agindo.
04. A Emoção e o Pensamento podem ter profundas raízes em vosso ser — porém a Vontade
reside em ponto ainda mais profundo. A Emoção e o Pensamento são objetivos à Vontade e podem
ser influenciados e dirigidos por ela. Tendes consciência de que vossas sensações e emoções são
apenas incidentes de vossa existência. Porém, tendes consciência direta da Vontade, da mesma
forma que o tendes da existência própria. Podeis modificar os vossos outros estados rnentais,
porém não podeis modificar da mesma forma a Vontade; a Vontade é o vosso único instrumento de
modificação e não pode ser dirigida contra si mesma. O papel da Vontade é o da Ação; e, em suas
atividades, dirige e ordena, manda e regula os outros estados mentais. Com efeito, a Vontade age
principalmente através de seu governo e direção dos vossos outros estados mentais e por meio
deles.
05. Sem dúvida, o Poder da Vontade pode ser desenvolvido e treinado — do contrário este livro
não teria objetivo e intento. Porém, não deve ser desenvolvido e treinado como os outros estados e
faculdades mentais — pois estes são modificados pela ação da Vontade sobre eles. Ao contrário
deles, o desenvolvimento dela consiste mais no despertamento e numa expressão mais completa de
um poder fundamental que já existe — a transformação da Vontade latente e estática na Vontade
ativa e dinâmica. Esta forma de “desenvolvimento” é definida como “o ato de libertá-la do que a
envolve”. Seu treino é, pois, diverso. Em lugar de ser treinada por uma faculdade ou poder mental
superior, a própria Vontade põe-se a aperfeiçoar, aprofundar, dilatar e fortalecer os canais através

1
Atk/PPES - A análise própria visa: o reconhecimento, por meio da inteligência, dos Princípios Fundamentais do Poder
Pessoal; a realização em vossos sentimentos; e finalmente a manifestação e prova em vossa vida e trabalho diários.
Passos da análise própria: 1) Certeza consciente da existência e presença do “EU”, ser separado e distinto dos outros.
“EU SOU EU” aqui e agora, sendo o aqui e o agora, relativos a vós mesmos; 2) Percepção de que o “EU” não é o
corpo, mas algo que habita o corpo; 3) Reconhecimento de que o “EU” não é a natureza emotiva (que é parte da parte
mental – sentimentos, emoções, estados mentais agradáveis e desagradáveis, desejos, etc.). Constata que os estados
emotivos são temporários, impermanentes e móveis; que podem ser observados e governados e que existe um Algo
imutável, permanente, constante, intacto; 4) Reconhece que o “EU” não é os “estados de pensamento”; 5) Reconhece
que a Vontade não é o “EU”; 6) Descoberta de que és um centro focal de Poder no Cosmos, chegando à Final
Consciência Própria do “EU SOU EU” - A Seidade consciente; 7) Descoberta de que és um centro focalizado de Algo
Maior, parte de todo o Poder espiritual do Universo. EU REAL é Poder do PODER. É o contato entre o Universal e o
particular, entre o Incriado e o Criado, algo que o liga com o TODO.

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1
dos quais fluem suas correntes. Por conseguinte, empregamos somente nesse sentido a expressão
“desenvolvimento e treino da Vontade”.
06. A Cultura da Vontade é realmente o processo de fornecer à vontade os convenientes
instrumentos mentais para sua expressão e manifestação mais completas e de animá-la a empregá-
los. A Vontade sempre está presente e permanente em seu poder total. Cabe a vós fornecer a ela os
convenientes incentivos à ação e suprir-lhe os canais do hábito e do uso através dos quais possa fluir
livremente. Parece coisa estranha que devais empregar os poderes da própria Vontade para
fornecer-lhe as coisas necessárias à sua expressão mais completa. Afinal, a própria Vontade deve
“querer” fornecer a si mesma os instrumentos do ato de querer. A Vontade deve querer ter vontade
e querer a existência dos instrumentos de seu futuro querer. Entretanto, sendo despertada
convenientemente, a Vontade tem sempre prazer em fazer tais coisas.
07. Não precisamos fazer esforço para convencer-vos de que é desejável possuirdes um Poder de
Vontade desenvolvido e treinado. Sabeis, por experiência e observação própria, que ter “uma
vontade forte” é ser um indivíduo forte – ser alguém que é respeitado. Sabeis também que ter uma
“vontade fraca” é ser um indivíduo fraco – pessoa digna de compaixão, se não de zombaria.
Entretanto, podeis ter caído no erro de supor que aqueles que possuem “vontade forte” são
indivíduos especialmente favorecidos e abençoados pela Natureza ou pelos poderes que estão acima
da Natureza. Podeis pertencer à classe daqueles que consideram a força de vontade semelhante à
altura, compleição ou idênticos característicos pessoais, que foram concedidos a certos indivíduos,
sem qualquer esforço da parte deles, e que quaisquer outros indivíduos não podem esperar possuir,
visto não terem nascido com eles.
08. Se caístes neste erro, agora é tempo de sairdes dele. Os psicólogos mais profundos têm uma
opinião inteiramente diversa a esse respeito. Embora reconheçam o fato de que, para alguns
indivíduos, a manifestação do Poder da Vontade é mais fácil no princípio – que ela “se apresenta
mais naturalmente” em alguns do que em outros, aqueles que fizeram um cuidadoso estudo deste
assunto sabem que também é verdade que cada indivíduo tem dentro de si um abundante
suprimento de Poder de Vontade latente, que pode desenvolver e treinar em grau admirável, se
empregar os convenientes métodos científicos. Com efeito, a experiência mostrou que muitos
indivíduos que assim adquiriram um alto grau de Poder de Vontade são capazes de manifestá-lo
mais firme e habitualmente do que aqueles que “nasceram com ela”, porém não aprenderam a
aplicá-la efetivamente.
09. É verdade que, a fim de desenvolver e treinar vosso Poder de Vontade precisareis despertar e
aplicar certo grau da própria Vontade – notareis também que vosso Poder de Vontade, depois de
posto em operação nesta direção, se porá à altura da ocasião e que vosso fornecimento de tal poder
será sempre igual à necessidade que tiverdes dele. Pode alguém começar com um grau de Poder de
Vontade muito inferior ao que possui o homem comum e, dai, seguir passo a passo, numa razão
crescente de resultado e desenvolvimento até chegar às alturas. A própria aplicação do Poder da
Vontade à tarefa de desenvolver a si mesma por um treino especial, é acompanhada de um despertar
correlativo de suas energias latentes; o emprego do Poder da Vontade, neste esforço, tende a
fortificar e dar energia ao seu poder de manifestação em outras direções.
10. Pedimo-vos que tomeis cuidadosa nota desta situação especial. O Poder da Vontade pode
ser desenvolvido e treinado somente pelo Poder da Vontade. É necessário Poder de Vontade
para desenvolver e treinar o Poder da Vontade. O Poder da Vontade é desenvolvido e treinado por
si mesmo. O Poder da Vontade aplica suas energias a si mesmo e por meio delas tende a
aperfeiçoar-se e a melhorar-se. As outras faculdades e poderes mentais têm necessidade de chamar
o Poder da Vontade para aperfeiçoá-las; porém, o Poder da Vontade não necessita de auxílio
exterior e não pode obtê-lo – deve voltar-se para seus poderes inerentes, quando quer desenvolver e
melhorar a si mesmo. Se não tivesses nenhum Poder de Vontade, nunca poderíeis desenvolver a
mínima parcela dele – porquanto nada teríeis para produzir esse desenvolvimento. Entretanto,
possuis, felizmente, a Vontade com que haveis de começar, embora possa existir apenas num estado

5
1
latente ou adormecido. O Poder da Vontade pertence-vos por direito de herança, se o quiserdes,
estará ao vosso serviço.
11. Quando empregais o Poder da Vontade para desenvolver Poder de Vontade, não só preparais
caminhos mentais pelos quais a Vontade passa depois, mas também fortificais e desenvolveis
realmente a própria Vontade por meio da própria tarefa de construir tais caminhos. Pela criação dos
instrumentos de que a Vontade deve fazer uso, também fazeis que a própria Vontade se torne mais
forte, melhor e mais eficiente. Temos aqui uma notável ilustração da velha afirmação bíblica: “Ao
que tem, mais lhe será dado”. Quanto mais persistentes e mais tempo forem continuados os
esforços de vossa Vontade para desenvolver e treinar vosso Poder de Vontade, mais forte se tornará
vossa Vontade em razão das energias empregadas no esforço. Empregando o Poder da Vontade na
tarefa, adquirireis realmente como resultado mais Poder de Vontade. Este é um fato de grande valor
e que deveis ter sempre presente na vossa memória. Quanto mais dais à Vontade, mais Vontade
tendes – tal é o caminho da Vontade!
12. Aqui, bem no começo, deveis convencer-vos de que não há estrada real para o
desenvolvimento e treino do Poder da Vontade. Não há encanto mágico que, sendo empregado,
transforme o indivíduo de vontade fraca em pessoa de vontade forte. Não há droga milagrosa,
contida numa cápsula atrativa, que baste ser engolida por alguém para torná-lo um verdadeiro
Sansão de Poder de Vontade ou um Napoleão da Vontade. Não existe varinha mágica que,
acompanhando um indivíduo, o transforme, num pestanejar de olhos, no homem que possua a
Vontade de um Titã. Aqueles que sonharam com tal processo mágico e milagroso de
transformação, devem também se compenetrar destes fatos aqui mesmo, no princípio.
13. Entretanto, também é verdade que os admiráveis resultados com que muitos sonharam que
podiam ser obtidos por alguma espécie de poder milagroso ou mágico podem ser alcançados por
vós, desde que vos apliqueis à tarefa com uma disposição reta e com a firme determinação de
triunfar. Podeis alcançar o máximo êxito nesta direção, porém deveis trabalhar para isso da mesma
forma que deveis trabalhar para qualquer outra coisa de mérito real na vida. Da mesma forma que
podeis desenvolver-vos fisicamente pelo exercício nas linhas da cultura física científica, assim
também podeis desenvolver vosso Poder de Vontade por métodos e exercícios científicos. De fato,
este é o único meio. O Poder de Vontade não pode ser conseguido de outro modo qualquer.
Contudo, por sua vez, a recompensa vos pagará muito bem os esforços feitos; além disso, desde que
tenhais dado os primeiros passos, notareis que vosso interesse aumentará e sereis animados pelos
numerosos pequenos indícios do desenvolvimento real do Poder da Vontade, que se manifestarão
desde o começo.
14. Chamamos aqui vossa atenção para outro fato importante e interessante a respeito da tarefa
de desenvolver e treinar o Poder da Vontade. Embora a disciplina e exercício desta tarefa exijam
certo grau de sacrifício próprio na direção de abandonar certos modos menores de proceder que
possam ter forte base no hábito, vos achareis mais do que compensado desta perda, pelo prazer que
resulta da consciência do desenvolvimento de novos poderes dentro de vós. O novo interesse logo
suplantará os velhos e a alegria desta posse ultrapassará o sacrifício do abandono.
15. A este respeito, desejamos convencer-vos do fato que nenhuma aplicação inteligente do
Poder da Vontade é uma perda – ela é sempre um ganho. Em todo exercício ou aplicação
inteligente da Vontade, estais fazendo depósito de Poder de Vontade – estais fazendo um depósito
no banco da Vontade e este banco paga uma atrativa porcentagem de juros. Não conhecemos
melhor colocação de capital para vós. Vossos gastos são transformados em economia armazenada
como fundo de reserva produtor de bons juros. Isto certamente é uma proposta atrativa para vós.
16. Vamos supor que já tenhais desenvolvido ao menos um grau médio de Poder de Vontade. O
fato de que empreendestes o estudo deste livro é prova de que desenvolvestes ao menos certo grau
da “Vontade de querer” – que sabeis que coisa valiosa é o Poder da Vontade e que desejais possuí-
lo e manifestá-lo em maior quantidade. Prosseguimos baseados nessa suposição, embora
pareçamos estar dando instrução aos que têm o menor grau possível de desenvolvimento. Não

6
1
cometais o erro de desprezar qualquer das fases simples e elementares de nossa instrução, apenas
porque julgais que estais acima dela e que já não tendes necessidade dessa instrução. A regra é esta:
Aquilo que fará forte uma vontade fraca fará mais forte ainda uma vontade forte. Até o método ou
exercício mais elementar pode ser empregado proveitosamente pelos que têm um gigantesco Poder
de Vontade, principalmente quando a força não foi efetivamente treinada ou eficazmente dirigida.
17. Se estiverdes procurando dirigir pelos métodos deste livro os esforços de algum amigo ou
conhecido, de vontade fraca, vos diremos que estais no caminho certo. Não há exceções à regra de
que o Poder da Vontade é capaz de desenvolvimento e treino em todos os indivíduos. Onde há
vontade, há esperança. Há vontade latente em todos, até na pessoa de mais fraca vontade. Além
disso, aqueles que sofrem de uma vontade doentia ou desanimada, podem ter certeza que um
esforço bem dirigido os libertará de seu estado infeliz. Não existe homem algum ao qual seja
negado o benefício da Cultura da Vontade. Não há homem tão fraco, tão velho, tão sobrecarregado
por longas séries de fraquezas da vontade, a quem não se possa dizer, em verdade: “As portas da
Esperança ainda vos estão abertas; entrai em vosso próprio reino da Vontade despertada!”.
18. Ora, aqui mesmo no começo de nossa instrução, vos pediremos que vos lembreis de uma
experiência de vossa infância – se tiverdes vivido alguma vez no interior, compreendereis o
princípio nela contido. Referimo-nos ao processo pelo qual a velha bomba da fazenda era “posta
em movimento” por meio do processo de “fazer-lhe pressão”, isto é, de colocar na bomba um balde
de água, a fim de pôr em atividade o mecanismo interno, pelo qual o movimento do braço da bomba
impelia para o cano um fornecimento abundante de água. Por isso, aqui mesmo vos pedimos que
“façais pressão” na vossa boa bomba de Poder de Vontade, a fim de “pô-la em movimento”. Mais
adiante encontrareis algumas boas sugestões a respeito daquilo que deveis colocar na bomba do
Poder de Vontade para “fazer-lhe pressão”. Colocai nela tal coisa e não levará muito que sentireis o
impulso do Poder de Vontade que sobe – a Vontade de querer.

Para fazer pressão na bomba do Poder de Vontade

19. I. Começai, compenetrando-vos do quanto realmente vos interessa conseguir um forte e


efetivo Poder de Vontade. Fazei que os sentimentos de vossa mentalidade subconsciente se elevem
à superfície de vossa consciência. Descobrireis que tendes alguns sentimentos muito fortes a este
respeito – dai a estes sentimentos inteira posse de vossa mente. Que o desejo de Poder de Vontade
penetre em todo o vosso ser. Não fiqueis satisfeitos enquanto não tiverdes necessidade do Poder de
Vontade como o homem que está a afogar-se precisa de ar, como o faminto precisa de alimento,
como o sedento precisa de água, como o animal selvagem precisa de seu par, como a mãe destes
animais precisa de seus filhos. Antes de poderdes obter alguma coisa, deveis “precisá-la
urgentemente”.1
20. II. Pintai-vos em imaginação como já possuidor de um forte Poder de Vontade. Vêde-vos,
em pintura mental, a manifestar os atos do homem de Vontade gigantesca. Vêde-vos como homem
de determinação invencível – de propósito fixado uma vez e dai à vitória ou à morte. Vêde-vos
como homem que possui a forte e incansável Vontade que calça2 aos pés as dificuldades e os
perigos, como a crença, calça aos pés a neve do inverno3. Vede-vos como possuidor deste propósito
estabelecido, que exige realização e que não aceita recusa. Vêde-vos como possuidor da
apaixonada e ardente Vontade, que realiza o que parece impossível à vista dos que são frios e
fracos. Vêde-vos como o homem que não cede aos acasos da vida, porém força-os a ceder-lhe e
que obriga as circunstâncias a servirem aos seus propósitos e desígnios, embora a princípio elas

1
Fórmula Suprema de Realização, da forma seguinte: “Podeis ter tudo o que precisais, desde que (1) saibais exatamente
o que precisais, (2) precisais disso urgentemente, (3) espereis confiantemente obtê-lo, (4) determineis persistentemente
alcançá-lo, e (5) tenhais boa vontade de pagar o preço de sua consecução”.
2
Calça = No sentido de subjugar.
3
A crença do indivíduo dá-lhe forças para subjugar a neve do inverno e ir assistir ao seu culto.

7
1
pareçam determinadas a frustrá-los. Vêde-vos como possuidor deste Espírito de Vontade, este
espírito firme e decidido que vos há de abrir caminho e dar liberdade de ação. Lembrai-vos das
seguintes linhas de Ella Wheeler Wilcox e refleti sobre elas:

“Não há sorte, destino ou fado1,


Que possa impedir, cercear ou governar
A resolução firme de uma alma determinada.
Os dotes nada valem, só a Vontade é grande;
Tudo cede a ela, cedo ou tarde.
Quais obstáculos podem paralisar a potente força
Do rio no seu curso premente para o mar,
Ou fazer parar o orbe ascendente do dia?
Toda alma bem nascida deve alcançar o que merece.
Que os tolos se queixem da sorte. Afortunado
É aquele cujo propósito vivo nunca se dobra,
De quem o menor ato ou inatividade
Seria para o grande objetivo
Pois, até a própria Morte, às vezes, para
E espera uma hora para tal Vontade”.

21. III. Considerai, em seguida, a questão de que estais ou não disposto a pagar o preço em
esforço, exercício e treino necessário para a consecução de um forte Poder de Vontade. Procedei
honestamente neste assunto: não procureis enganar-vos. Ponderai cuidadosamente as vantagens que
vos advirão como resultado de vossa consecução das qualidades e poderes vistos na pintura mental
que acabastes de considerar. Ponde no outro prato da balança o grau de trabalho, tempo, atenção e a
geral disciplina mental, que deveis realizar como preço dessa consecução. Comparai o peso das
“mercadorias” com o “preço” delas e decidi se vos darão o justo valor de vosso dinheiro.
22. Deveis decidir esta questão uma vez por todas, aqui mesmo no começo – não deveis levá-la
para as outras fases desta instrução para que ela não vos atormente e importune. Se notardes que
não tendes vontade de pagar o preço, muito bem – nesse caso, fechai este livro e afastai o assunto
de vossa mente: deixai-o para alguma alma mais corajosa e determinada. Porém, se, como cremos,
decidirdes que “a coisa vale a pena” e que “as mercadorias são baratas pelo preço”, então fechai o
contrato convosco mesmo e procedei como segue:
23. Tendo “disposto completamente vossa mentalidade”, deveis entrar na tarefa de
desenvolvimento da Vontade com Determinação total e Propósito resoluto. Deveis manifestar não
apenas uma resolução passiva ou morna, mas sim uma resolução real, ardente e viril, que vossa
qualidade de homem vos obrigue a cumprir. Deveis ter Vontade de querer, neste assunto. Deveis
colocar toda a força de vosso ser na tarefa desta Determinação proposital. Deveis estar preparados
para agir, agora, da forma que vos pintastes a agir, há pouco. Deveis cortar vossos laços e entrar no
caminho do qual não é possível retirada.
24. Tomai como vosso grito de guerra: “Eu posso, eu quero; eu ouso, eu faço”! Levai convosco
sua inspiração. Nas vossas horas de luta, esforço e combate contra as forças da letargia, apatia,
inércia e a tendência a “fugir” da decisão, fazei soar insistente e persistentemente esta nota. Nas
horas de desânimo, durante as quais o tentador murmura aos vossos ouvidos: “De que serve?”,
ponde em movimento as vibrações do grito de guerra. E, finalmente, nas horas de triunfo, em que
gozais de vossa realização, com o prazer vivo que vem somente àquele que venceu obstáculos por
uma persistência, determinação e Vontade firme, seja esta vossa nota vibrante de Vitória!

1
O único sentido desta palavra no Aurélio é na linha de canção ou dança popular de origem portuguesa, embora alguns
estudantes afirmem sua existência com o sentido de experiências.

8
1
25. Fazei soar esta nota repetidas vezes, até que suas vibrações dêem energia a todo átomo e
célula de vosso ser. Que seu ritmo desperte o impulso de Poder de Vontade dentro de vós – até que
o “Eu posso, eu quero; eu ouso, eu faço!", soem em todos os centros de vosso ser. Fazei-os soar
repetidas vezes; até ficardes perfeitamente conscientes de que suas vibrações começaram e que toda
a poderosa estrutura de vosso ser estremece, vibra, pulsa e bate, com a vibração rítmica da energia
de vossa Determinação Persistente – o Espírito de vossa despertada Vontade de querer.
26. Isto é, pois, a água da idéia sugestiva e imagem mental de Curso definido e Propósito
determinado, que colocais na vossa bomba de vontade, de modo a “fazer pressão” nela e “pô-la em
movimento” – e certamente “a porá em movimento!”

_____________

9
2
Capítulo – II –

A NATUREZA DA VONTADE

01. A psicologia, quando se põe a considerar a Vontade, se acha diante de um paradoxo.


Conquanto possa indicar claramente as diversas fases da atividade da Vontade e também mostrar
positivamente os métodos pelos quais a Vontade pode ser desenvolvida e treinada, entretanto, ao
procurar indicar a natureza essencial da Vontade, ela se acha a todo o momento desconcertada, e,
afinal, é obrigada a contentar-se com explicá-la por uma citação de suas atividades.
02. A Vontade é elusiva1. Quando julgamos tê-la presa para examinarmos sua natureza
essencial, verificamos que apenas estamos vendo uma das suas variadas formas de atividade; a
Vontade em si mesma continua livre de nossos instrumentos de limitação, desafiando-nos a fixá-la
por uma definição que, ao menos, seja satisfatória. Em relação ao conhecimento que temos da
natureza fundamental das emoções, da razão, da memória e da imaginação, nosso conhecimento da
natureza essencial da vontade é muito insatisfatório. Entretanto, sabemos, ao mesmo tempo, que
temos uma vontade e que queremos; e, além disso, sabemos como treinar nossa vontade e
desenvolver seu poder.
03. Temos apenas de tentar definir a Vontade, mesmo com o auxílio dos melhores dicionários,
para percebermos quanto está longe de todas as definições possíveis nosso conhecimento intuitivo e
direto de sua presença, seus poderes e suas atividades. Voltando aos dicionários, vemos que a
Vontade é definida: “O poder da mente que permite uma pessoa escolher entre dois modos de agir;
também o exercício real do poder de escolher”; e, em sentido secundário, “desejo ou inclinação
forte; desejo ou sentimento conato”. Os dicionários nos informam também que “o poder de
escolher” é o atributo distintivo da Vontade e que o exercício deste poder é mais propriamente
chamado “volição”.
04. Ora, esta definição não está de acordo com a mais completa concepção do termo “Vontade”,
formada pela maioria dentre nós; além disso, não está em perfeito acordo com o ensino da melhor
psicologia moderna. Muitos dentre nós, ao empregar o termo Vontade, têm em mente o exercício
do forte poder dirigido e determinado do Ego ou “EU SOU EU”. Sabemos que, dentro de nós, há
uma forte energia dinâmica que, sendo aplicada com propósito estabelecido e determinado, é capaz
de agir com uma força tremenda, vencendo obstáculos, rompendo barreiras e arrostando2 toda
oposição. Além disso, a melhor psicologia moderna nos informa que a Vontade sempre se relaciona
com a Ação; e que sem a Ação não há processo completo de Vontade.
05. Neste livro, consideraremos a Vontade como sendo essencialmente relacionada com a Ação,
e como sendo mais caracteristicamente manifestada nos estados mentais que conhecemos como
“Propósito” e “Determinação”, respectivamente. Todas as outras fases da Vontade serão
consideradas por nós como simplesmente incidentes em relação à de Determinação proposital e
contribuições à mesma fase. Seguindo este modo de agir, julgamos estar dando maior força ao lado
prático do Poder de Vontade e estar conservando este estudo e instrução no caminho que vos
promete o maior benefício na realização de vossos desejos e aspirações, ambições e esperanças.
06. O termo “Propósito” parece exprimir convenientemente esta idéia e concepção da Vontade.
É definido: “A opinião, aspiração, designo, intenção, determinação ou vontade de realizar ou
alcançar algum objeto particular”. Outra definição é: “Aquilo que uma pessoa estabelece para si
como objeto a ser obtido ou realizado; o fim ou aspiração que alguém tem em vista em qualquer
plano, medida ou ato; aquilo que alguém pretende fazer, e, portanto, sua intenção, desígnio, plano
ou projeto". O verbo “Propor-se” é definido: “Ter intenção, designo, determinar ou resolver sobre
alguma coisa com fim ou objeto a ser obtido ou realizado". O termo “Determinação”, neste sentido

1
Elusiva = verbete não encontrado no Aurélio.
2
Arrostar = Olhar de frente, encarar, sem medo; afrontar.

11
2
particular, é definido: “Força ou firmeza da mente; resolução firme e direção absoluta para um fim
certo”.
07. No estado mental de Determinação proposital e na ação que dele resulta, temos, ao menos,
um “princípio de trabalho” da fase do Poder de Vontade, que constitui nosso interesse vital neste
livro. Consideraremos e aplicaremos os princípios das outras fases da Vontade com o fim de
conseguir esta fase da “Determinação proposital” do Poder da Vontade. Pedimo-vos que fixeis este
princípio em vossa mente e o conserveis diante dos olhos durante todo o curso deste estudo e
instrução. Lembrai-vos da expressão – “Determinação Proposital”.
08. Julgamos conveniente apresentar-vos neste lugar uma breve e geral sinopse das cinco fases
da Vontade – as fases que todos os processos da Vontade manifestam à proporção que se
desenvolvem na expressão ativa. Quanto mais claramente compreenderdes os processos da
Vontade, mais claramente sereis capazes de querer. Estas cinco fases da Vontade são as seguintes:
(1) Sentimento e Emoção; (2) Desejo e Impulso; (3) Deliberação e Consideração; (4) Determinação
e Decisão; (5) Expressão Voluntária e Ação. Eis uma breve descrição de cada uma das cinco fases
acima citadas da Vontade.
09. (1) A fase do Sentimento e da Emoção – O Sentimento é definido: “O simples lado agradável
ou desagradável de qualquer estado mental”. A Emoção é o complexo de Sentimento. O
Sentimento é o elemento indispensável de todos os estados emotivos. Embora o Sentimento, em si
mesmo, não deva ser considerado como uma fase ou aspecto da Vontade perfeita, entretanto é
verdade que o Sentimento é um dos “materiais grosseiros” da ação da Vontade. Ou, expressando-
vos de outra forma, todas as atividades da Vontade têm sua base no profundo solo do Sentimento e
da Emoção. Este fato, geralmente, não é reconhecido pelas pessoas comuns, porém todas são
obrigadas a admiti-lo ao analisar e examinar os próprios processos da Vontade. Na categoria do
Sentimento e da Emoção, incluímos, sem dúvida, os sentimentos e as emoções morais e religiosas,
da mesma forma que todas as outras formas de Sentimento e Emoção.
10. Bem se disse que “os fenômenos do mundo só têm valor para nós na razão em que afetam
nossos sentimentos”. A importância disso é reconhecida quando compreendemos que todas as
atividades da Vontade provêm do Desejo e que o Desejo é apenas o aspecto ou a fase ativa do
Sentimento. “Queremos” fazer só o que desejamos fazer; e só desejamos fazer o que nossos
sentimentos nos dizem ser agradável, satisfatório e produtor de contentamento, e não o que é oposto
a isso. Se um objeto ou assunto deixa de despertar interesse e sentimentos agradáveis – se ele não
possui, assim, interesse e atração para nós – então não experimentamos Desejo ou Impulso para ter
ou fazer algo a respeito da realização deste objeto ou assunto. Se não temos aversão ou repulsão
(também fases de sentimento) a respeito de um assunto ou objeto, então não experimentamos
Desejo ou Impulso a evitar este assunto ou objeto, a escapar e fugir dele. Sem sentimentos
agradáveis ou desagradáveis ou interesse a respeito de qualquer coisa particular, não temos Desejo
ou Impulso de agir de qualquer modo em relação a tal coisa – em tal caso não tem para nós valor
como Vontade.
11. Se o sentimento e a Emoção fossem eliminados de nosso ser mental, então todas as coisas
seriam igualmente sem interesse para nós. Em tal caso, na frase familiar, todas as coisas “nos
pareceriam iguais” – não “precisaríamos” de qualquer delas, nem “precisaríamos” fazer qualquer
ato para conseguir algumas dentre elas; da mesma forma, não “teríamos antipatia” por alguma delas
e não “precisaríamos” fazer qualquer ato na direção de evitar qualquer coisa, afastar-nos ou fugir
dela. Em tal caso, nossa Vontade seria tão absolutamente passiva e inerte, que podia bem não
existir.
12. (2) A fase de Desejo ou Impulso – O elemento essencialmente ativo do Desejo e Impulso é o
que, na psicologia, se chama “Conação”1, que é definida: “O elemento da consciência que se
manifesta nas tendências, impulsos, desejos e atos de volição; é um estado essencialmente mental

1
Em latim conatio, empregado no mesmo sentido. – (T.).

12
2
de desassossego e se manifesta sempre que um estado mental; tende, pela sua natureza, a
desenvolver-se em alguma outra coisa”.
13. O Desejo é definido: “Uma tendência conata para o que promete satisfação e contentamento
emotivo, ou então afastamento daquilo que produz desgosto e descontentamento emotivo”. O
Desejo tem por objeto a satisfação de alguma forma de sentimento agradável ou afastamento de
alguma forma de sentimento desagradável. Este sentimento agradável ou desagradável pode,
entretanto, referir-se a acontecimentos (a) imediatos ou (b) remotos; da mesma forma pode também
referir-se (c) ao próprio indivíduo ou (d) a outros por quem se interessa e aos quais se relaciona
pelos laços de afeição ou simpatia. Por mais complexos que sejam os sentimentos que despertam os
impulsos conatos do Desejo, sua análise final mostrará que o sentimento básico é o inspirado por
algum prazer prometido ou algum sofrimento temido, imediato ou remoto, direto ou indireto, que se
julga provável de ser experimentado pelo indivíduo.
14. O Desejo é o laço que liga o Sentimento e a Vontade. De um lado se mistura com o
Sentimento, do outro lado se mistura com a Vontade. Depende, na sua existência, do Sentimento, e
na expressão depende da Vontade. O Desejo sempre se manifesta por uma “necessidade” mais ou
menos definida, que é acompanhada de um sentimento especial de tensão ou esforço, conhecido
como Impulso. Quanto mais forte for o Desejo, mais forte será esta tensão ou esforço do Impulso –
este impulso conato para a Ação.
15. O Sentimento e a Emoção, que inspiram o Desejo, podem manifestar-se no plano exterior da
consciência; ou, então, podem permanecer mais ou menos escondidos nos recessos da mentalidade
subconsciente, ou também podem existir disfarçados em hábito. Porém, seja onde for que existam,
ou, seja qual for a forma ou disfarce sob que se apresentem, são sempre Sentimento e Emoção, na
fase de transformação para a energia conata do Desejo, e no esforço para escapar-se e lançar-se na
Ação volitiva da Vontade.
16. (3) A fase de Deliberação e Consideração – A Deliberação é: “O ato de deliberar ou
ponderar na mente”. Nesta fase, vos achais diante de vários caminhos a seguir na ação ou diante da
questão de saber se “fareis ou não” alguma coisa particular. Entretanto, em todos os casos de
Deliberação, notareis que cada modo de agir contém certas fases de Desejo, isto é, certas tendências
a alcançar ou obter algo que promete satisfação e contentamento emotivo ou então a evitar algo que
promete descontentamento e desgosto emotivo.
17. Estes apelos alternativos do Desejo à Vontade apresentam atrações ou repulsões emotivas em
luta ou as duas ao mesmo tempo; vós ponderais umas ao lado das outras – um conjunto contra o
outro – até chegardes finalmente ao equilíbrio da Decisão. Em tais casos, vos encontrareis (falando
figuradamente) a experimentar estes diversos pratos de alimento emotivo, notando as qualidades
agradáveis ou desagradáveis de cada um e tentando decidir os que prometem o maior grau de
satisfação, contentamento ou descontentamento emotivo.
18. O fato de que, neste processo de Deliberação, pedis à razão, memória, imaginação e outros
poderes ou faculdades mentais, para ajudar-vos em vossa Decisão, não deve fazer-vos esquecer a
parte importantíssima representada nela pelo Desejo. Vereis que, no final, decidistes pelo modo de
agir que vos promete o maior contentamento e conforto emotivos e o menor descontentamento e
desconforto. Empregastes a Razão e suas faculdades e poderes auxiliares, simplesmente para vos
permitir descobrir qual das alternativas possui a maior promessa de valor emotivo final e
permanente nas linhas de contentamento e conforto. Vossas “razões” que dirigem vossa Decisão a
respeito da ação da Vontade são sempre baseadas em motivos desta espécie particular.
19. (4) A fase de Determinação e Decisão – A Determinação (neste emprego) é: “O ato de
terminar ou levar ao fim; o estado de Decisão”. Nesta fase, os processos de Deliberação ou a
“ponderação de motivos” são levados a termo e a “mente se determina”. A velha escola de
psicologia julgava ser este o último e final ato da Vontade – seu ato característico. Isto seria
realmente verdade, se aceitássemos a velha definição da Vontade, como “a faculdade que escolhe e
distingue”; porém, nas recentes concepções e definições da Vontade, em que se compreende que a

13
2
Vontade se relaciona essencialmente com a Ação, vemos a necessidade de continuar nossa
investigação.
20. Há uma diferença notável entre o costume de apenas “propor-se” ou mesmo “decidir-se a
agir” e o da realização real do ato relativo que decidistes realizar. Muitas vezes vos “propusestes” e
“decidistes a agir”, para depois deixar de agir ou de manifestar vossa decisão. Esta distinção é
ilustrada pela história familiar de Willian James relativa ao homem que “se propôs” e “se decidiu” a
levantar em uma manhã fria, ao toque do despertador – frequentemente nota que é necessário
“determinar sua mente” e “decidir” várias vezes antes de exprimir, finalmente, a idéia em ato.
21. Neste estudo e instrução, tomamos, portanto, conhecimento de mais esta fase da
Determinação que é definida como “força e firmeza da mente; resolução firme; direção absoluta a
certo fim”. Nesta fase da Determinação, alcançais o processo de Determinação proposital – aqui a
fase de Determinação se mistura com a de Ação Voluntária e se une com ela.
22. (5) A fase de Expressão voluntária e Ação – A Ação voluntária é definida: “O processo de
agir e mover-se pelo Poder da Vontade”. Esta é a fase final da Vontade. É a Vontade em completo
florescimento. É para este fim que a Vontade esteve lutando e se esforçando, esforço este que deu
atividade a todos os processos das fases precedentes da Vontade. A Ação voluntária é o verdadeiro
espírito da Vontade. Sem a manifestação da Ação voluntária, o processo da Vontade é praticamente
incompleto.
23. A Determinação é a Decisão de querer ou, em suas fases mais ativas, a resolução, a
Determinação proposital, ou em uma manifestação mais intensa, até a própria Vontade de querer.
Porém, na Ação voluntária, temos o que foi chamado a “Vontade querendo pôr-se em ação e
manifestando-se como Vontade”. Aqui o gatilho da Vontade foi impelido pelo “EU SOU EU”.
Aqui nasce a corrente da Ação. Aqui a Vontade se lança na ação – põe-se a trabalhar. Aqui a
Vontade não só “quer querer”, mas também realmente “quer” por-se em completa manifestação e
expressão. Aqui temos a Vontade real – a Vontade exprimindo seu propósito, sua determinação e
seu completo poder e natureza íntima.
24. Esta é a fase da Vontade que tanto embaraça nossa definição e termos formais, porque não
temos termos a não ser o de Vontade, para defini-la. Nas fases anteriores, podemos empregar os
termos de Sentimento, Desejo ou Razão, no esforço para indicar a natureza dos processos de tais
fases; porém aqui nada mais temos com que comparar a Vontade – pois não há outra coisa dessa
espécie. A Vontade é única – sui generis – só em sua classe – forma uma classe por si mesma. Não
podeis esperar aprender intelectualmente sua natureza essencial; porém podeis conhecê-la e a
conheceis, a experimentais dentro de vós, como o instrumento, a arma e o poder mais íntimo do
“EU SOU EU”, o Ego!
25. A Expressão e a Interdição – Existem duas fases ou formas gerais de Ação voluntária, de que
deveis tomar conhecimento. A primeira fase ou forma é a da Expressão: aqui a ação da vontade
segue a direção da expressão e manifestação real dos estados mentais que animam e inspiram a
Vontade. A segunda fase ou forma é a da Interdição: aqui a ação da vontade segue a direção de
impedir, restringir, reprimir a expressão de certos estados mentais insistentes, porém prejudiciais,
que procuram impelir a Vontade a agir; aqui o esforço é exercido em resposta aos estados mentais
mais fortes e opostos, que venceram no conflito da Vontade, durante a fase de Deliberação e
Decisão. Na Interdição, a Vontade é empregada com o fim de prender, segurar e reprimir a
atividade do conjunto vencido de Desejos, que se apresentam repetidas vezes em tentativa de
inverter a Decisão anterior da Vontade.
26. Muitos consideram a fase de Expressão como a atividade característica da Ação da Vontade,
e isto é certo, num ponto de vista. Entretanto, nunca deveis perder de vista o fato de que o homem
que pode manifestar e manifesta a fase de Interdição, quando se apresenta a necessidade de fazê-lo e
a sabedoria o ordena, não deixa de ser homem de gigantesco Poder de Vontade. Na realidade, o
homem de Vontade forte, geralmente realiza seus grandes resultados de Expressão, somente depois
de ter manifestado a Interdição na direção de reprimir a ação em muitos Impulsos e Desejos muito

14
2
fortes, que se opõem aos seus “valores máximos” de Vontade. Entretanto, em muitos casos,
empregamos na Interdição certo grau de Poder de Vontade não inferior ao que é exigido nos
processos de Expressão. É, muitas vezes, tão difícil “não fazer uma coisa” como é “fazê-la”.1
27. O homem de Determinação proposital e Poder de Vontade consegue sobressair, em grande
parte pelo fato de que é capaz de conservar na sua visão mental um Ideal ou conjunto de Ideais –
um conjunto de Motivos Principais – um conjunto de Propósitos – um Valor Máximo – e então,
resoluta, determinada e até desapiedadamente, expulsar de sua região da Vontade todas as
tendências e desejos, inclinações, impulsos e almejos, que se opõem e se acham em conflito. A fim
de manifestar em ato o único Grande Ideal, tal homem vê que é necessário interdizer2 e restringir
uma multidão de idéias, ideais, inclinações e impulsos menores. A fim de realizar alguma única
Coisa Grande, muitas vezes achareis necessário não fazer muitas outras coisas que se oponham a
esta única Coisa Grande e a contrariem.
28. Nos exercícios que constituem parte desta instrução, se vos pedirá que manifesteis esta fase
de Interdição pelo Poder da Vontade. Assim procedendo, fareis progresso na consecução da
Vontade gigantesca. Isto deve ser feito não porque haja algum mal especial nos desejos e atos
interditos, mas simples e somente em virtude de que, por esta ação deliberada e determinada da
Vontade, podeis desenvolver os “músculos” da Vontade e aprender a domar os fogosos corcéis do
Desejo, que puxam vosso carro de Vontade.
29. Os corcéis do Desejo servem bem a seus fins verdadeiros, quando se acham bem seguros pela
mão, porém, não domados, frequentemente saem do caminho e acabam por virar o carro e, talvez,
destruir o cocheiro. Seu treino consiste em estímulo e repressão alternados, deliberada e
determinadamente calculados e executados. O objeto do treino é, por meio da prática e exercício
real, fazer forte, firme, rija e tenaz a fibra de vossa Vontade. Treinando vossa natureza de Desejo a
submeter-se ao governo da Vontade, inteligentemente aplicada, e treinando vossa Vontade a
governar inteligentemente vossa natureza de Desejo, não só desenvolveis a arte da Ação voluntária
eficiente, mas também treinais a natureza de desejo a exercer seus completos poderes admiráveis ou
então reprimir suas forças, quando o objeto da Determinação proposital é mais bem servido por esta
repressão.

1
Exemplo, o filme “A Lista de Schindler”.
2
Interdizer = Interditar

15
2
30. A Expressão e a Interdição são as duas grandes alavancas de vossa máquina da Vontade.
Adquiri a arte de empregá-las eficiente e efetivamente, sob a direção e governo de vossa Razão e ao
serviço de vossos Motivos Primários, vossos Valores Máximos, vossos Grandes Ideais.

_________________

16
3
Capítulo – III –

VONTADE CONATA1

01. Em vossa tarefa de desenvolvimento e treino de vosso Poder de Vontade, deveis adquirir
perfeito conhecimento das diversas fases da Vontade, a fim de poderdes ficar senhor de cada uma
delas em particular. A fim de adquirirdes completo domínio de vossos processos de Vontade,
deveis tornar-vos senhor de cada fase da atividade geral nelas contida. Deveis combater
parceladamente, conquistando cada uma das fases ou divisões por sua vez. Tendo conquistado as
diversas divisões ou fases, notareis que estará feita a conquista total.
02. Se, até o presente, não conseguiste alcançar a conquista do Poder da Vontade, provavelmente
notareis que vosso insucesso foi devido ao fato de terdes cometido o erro de tentar um ataque de
frente ao exército inimigo – dirigindo vosso ataque aos seus pontos mais fortes, nos quais ele pode
opor-vos o máximo de suas forças defensivas. Tal tentativa geralmente produz a derrota. O
verdadeiro general ataca os flancos do inimigo, cortando-lhe as bases de fornecimento e depois o
derrotando detalhadamente. Este método de ataque é o plano que, neste livro, vos aconselhamos a
seguir. Ensinar-vos-emos a adquirir domínio sobre as bases de fornecimento e depois a atacar um
flanco após outro até terdes adquirido o domínio e a direção de todas as forças organizadas do Poder
da Vontade. Tendo realizado isto, podeis então impelir essas forças aprisionadas ao vosso próprio
serviço, fazendo-as lutar em vosso favor, em vez de o fazerem contra vós.
03. Deveis começar vosso ataque pelo lado do exército da Vontade que pode ser chamado a fase
geral da Vontade Conata. Nesta categoria, incluímos as fases de Sentimento e Desejo da Vontade,
as quais foram indicadas na seção precedente deste livro.
04. A Conação é definida: “O elemento de nossos estados mentais que se manifesta nas
tendências, impulsos, desejos e atos de volição2. A Conação, é essencialmente, o desassossego.
Existe desde que exista um estado mental que tenda, pela sua natureza, a desenvolver-se em outra
coisa”. A Conação se manifesta numa tentativa, esforço, impulso a alcançar algo, cuja idéia ou
imagem mental exista na consciência ou na subconsciência. Um caso típico é o esforço da memória
para lembrar-se de um nome que, na ocasião, escapou à memória. É, no plano mental, semelhante
ao que, no plano físico, se manifesta como esforço muscular resultante da contração dos músculos,
mais um sentimento de prazer ou de contrariedade, conforme o caso.
05. Uma obra que é autoridade para consultas diz: “A Conação é comum ao desejo, aspiração,
ambição, almejo, realmente a todos os estados de consciência que têm uma tendência inerente a ir
além de si mesmos. No desejo, a consciência se esforça para passar da necessidade de um objeto à
posse do mesmo, ou, se uma idéia desagradável entra na consciência – por exemplo, a idéia de uma
situação embaraçosa – levanta-se uma conação e a consciência faz um esforço persistente para
expulsar a idéia desagradável”.
06. A Conação é o estado mental em que o elemento sentimental do Desejo tende a transformar-
se no elemento de Vontade – em que transforma o “eu preciso” em “eu faço”. Segue a regra do
Desejo, que produz movimento, para o objeto ou a condição que promete a maior satisfação e
contentamento emotivo, ou o afastamento do objeto ou da condição, que produz o maior
descontentamento e desgosto emotivo. A Vontade nasce da Afeição; a Afeição nasce da Emoção e
do Sentimento. A Afeição diz “eu gosto”, o Desejo diz “eu preciso” e a Vontade diz “eu faço”.
A fim de compreenderdes a Vontade conata, deveis compreender e governar primeiramente os
Sentimentos, as Emoções e as Afeições de que nasce a Vontade conata.
07. Pouquíssimas pessoas compreendem que o Sentimento, a Emoção, a Afeição e o Desejo são
realmente fases da Vontade. Entretanto, a psicologia nos informa que a Vontade conata é o
1
Conação = Tendência consciente para atuar.
Conato = Vem de congênito, gerado, nascido com o indivíduo, inato.
2
Volição = Querer; Ato pelo qual a vontade se determina a alguma coisa.

17
3
departamento fornecedor do exército do Poder da Vontade; que é o ramo da organização do Poder
de Vontade, que fornece aos ramos ativos do serviço o material com que trabalham e sem o qual
não podem manifestar atividade. É muito importante para vós a completa compreensão deste fato,
visto que deveis começar vosso trabalho de desenvolvimento e treino da Vontade pela aquisição do
domínio sobre os processos dos Sentimentos, Emoções, Afeições e Desejos, que passam a formar o
que é denominada Vontade conata.
08. Estais familiarizados com o louvor que fazem “à Vontade forte”, porém, com toda certeza,
não estais familiarizado com o fato de que, sob a face exterior desta valiosa qualidade e poder
mental, sempre deve existir um forte, ardente, insistente e persistente Desejo. Sem o Desejo forte,
ardente e insistente, até a mais forte Vontade deixa de ser posta em ação. Muito bem se disse que o
“Desejo é a Chama, cujo calor produz o Vapor da Vontade”. Os homens de “Vontade forte” quase
sempre são os que possuem fortes Desejos.1 O que é denominado “Aspiração” e “Ambição” é
realmente apenas uma forma especial de Desejo forte, a que se deu forma e direção definida pela
Idéia. Da mesma forma, todas as espécies de aspiração religiosa ou espiritual ou aspirações morais,
são formas de Desejo.
09. Quase todos crêem que possuem o Desejo bem desenvolvido dentro de si mesmos, porém, na
realidade, poucos são os que apenas começaram a compreender o que o Desejo realmente é. A
maioria pensa que o Desejo é apenas a fraca e descorada “necessidade” ou o delicado e brando
“desejar”, que representa a extensão do seu desenvolvimento de Vontade Conata. Geralmente nem
mesmo têm a mais remota idéia do que significa ou “parece”, o achar-se repleto deste Desejo vivo,
ardente, devorador, que se exprime num pedido insistente do objeto ou da condição desejada e não
num simples “desejo brando” e vago da mesma.
10. Tais pessoas não têm concepção nem experiência do que é “precisar” uma coisa tão feroz,
insistente, persistente, ardente, voraz e vitalmente como o homem que está a afogar-se precisa
respirar o ar, como o homem perdido no mar ou no deserto precisa beber água, como o faminto
precisa do alimento, como o animal feroz e selvagem precisa de seu par, como a mãe precisa o bem-
estar de seus filhos. Enquanto não souberem por experiência real com que “se parece” o “precisar”
desta forma, não sabem o que realmente é o Desejo. Haveis de notar que empregamos a miúdo esta
ilustração do Desejo Insistente, na presente instrução. Assim fazemos, propositalmente, para que
sua repetição a fixe indelevelmente em vossa mente.
11. Porém, os indivíduos que realizaram grandes coisas – os grandes senhores das circunstâncias,
os grandes diretores do destino, nas linhas da vida e esforço humano – homens como Napoleão,
Cesar e outros semelhantes a eles em lugares menos elevados da vida – estes homens sabem muito
bem o que significa sentir esta ardente e elementar sede do Desejo e seu forte Poder de Vontade foi
despertado em ação e mantido na ação persistente e determinada pela força elementar assim posta
em manifestação e expressão.
12. Tais homens e mulheres agem de acordo com o princípio que “podeis ter tudo o que
precisais, desde que o preciseis urgentemente”, e começam “precisando-o urgentemente”. O
insucesso de muitas pessoas tem sua origem na falta do poder de “precisar urgentemente as coisas”.
Quando aprenderdes a “precisar urgentemente uma coisa”, tereis dado o segundo grande passo no
Caminho da Realização, pelo qual se sobe com a energia do Poder da Vontade, e cujo primeiro
passo é “saberdes exatamente o que precisais”. Os Ideais Definidos e o Desejo Insistente – são,
com a Vontade, os pré-requisitos da Determinação Persistente.2
13. O Desejo fornece os “motivos” para todo ato da Vontade. Sem esses motivos, a Vontade não
se poria, de modo algum, a agir, em qualquer direção que fosse. Se não tiverdes desejo algum a

1
Cer – (Interferência telepática do autor). “A consciência também fornece os elementos para a estruturação de uma
vontade forte. Nos planos superiores acima do plano do “homem dos desejos” está o plano da consciência e é nela que
o homem deixa de estar aderido às manifestações individuais ou materiais.”.
2
Fórmula Suprema da Realização: Ideais Definidos, Desejos Insistentes, Expectativa Confiante, Determinação
Persistente, Compensação Equilibrada.

18
3
respeito de uma coisa particular, então não manifestareis a atividade da Vontade para obtê-la ou
para afastar-vos dela. Em tal caso, permaneceríeis perfeitamente neutro e passivo em vossa atitude
para com tal coisa. Isto se aplica a respeito de vossa atitude mental e dos vossos atos para alcançar
qualquer coisa ou para afastar-vos dela.
14. A regra geral a respeito do efeito e da influência do Desejo sobre a atividade da Vontade é a
seguinte: Agis sempre na direção que, nesse momento particular de consciência, parece prometer-
vos o máximo grau de satisfação e contentamento emotivos ou produzir o menor grau de desgosto e
descontentamento emotivos – a promessa de contentamento ou produção de descontentamento
sendo direta ou indireta, imediata ou remota, tanto no tempo, como no espaço.
15. Esta regra se aplica até quando agis para abandonar um bem imediato ou presente em favor
de um futuro ou remoto, assim como também quando abandonais um bem presente por medo de
alguma consequência desagradável, remota ou futura, do ato. Em todos os casos, haveis de notar
que vossos atos se baseiam na regra de que sempre procuramos aquilo que dá prazer ou afasta do
sofrimento, imediato ou remoto, não só a nós, mas também aqueles a quem estamos ligados por
laços de simpatia ou afeição. Este prazer ou este sofrimento pode ser nos planos de sentimento
emotivo físico, mental, moral ou espiritual, respectivamente – o princípio se aplica a todos os
planos de atividade e manifestação emotiva.
16. A regra técnica de psicologia a respeito da ação da Vontade é a seguinte: “A Vontade põe-se
a agir nas linhas dos mais fortes motivos presentes e ativos, no pensamento e no sentimento, na
ocasião da ação”. Ao considerar esta regra, deveis lembrar-vos sempre que o “motivo” deve ser
sempre encontrado no Sentimento, na Emoção ou Afeição, elevada ao plano conato de Desejo, isto
sendo mais ou menos influenciado e dirigido pela Razão. Entretanto, em tais casos, a Razão, o
Intelecto, a Memória e a Imaginação servem apenas como dirigentes e auxiliares do elemento de
Desejo da Vontade. Afinal, vê-se que eles servem apenas para indicar o caminho pelo qual os
Desejos mais fortes podem viajar mais eficiente e triunfantemente, de modo a evitar consequências
indesejáveis – indicam apenas o modo e a direção em que o Desejo pode ser satisfeito mais efetiva e
completamente.
17. A compreensão desta regra absoluta, porém pouco conhecida, a respeito da ação da Vontade,
nos leva a algumas notáveis conclusões lógicas, quando procuramos levar até o fim nosso raciocínio
sobre o assunto. Vemos, então, que nossas mais altas e mais desprendidas ações, assim como as
mais baixas e mais egoístas, são realizadas sob esta mesma regra. Em ocasião alguma deveis cair
no erro de identificar o Desejo apenas com as manifestações baixas deste estado mental; pelo
contrário, as aspirações, ambições, pretensões e esforços para ideais superiores pertencem também à
categoria do Desejo. Tudo o que desejamos fazer, queremos fazer ou nos esforçamos por fazer –
alto ou baixo, egoísta ou altruísta, moral ou imoral, social ou anti-social, recomendável ou
repreensível, material ou espiritual – todas essas coisas são formas de Desejo baseadas no
Sentimento, na Emoção e na Afeição. A mais alta moralidade é a que se baseia num forte
Sentimento, Emoção, Afeição e Desejo de viver uma vida moral, que satisfaça e contente o espírito;
não é a que se apoia no Medo ou no simples desejo de ser bem considerado pelos outros e ter a
aprovação popular.
18. Entretanto, não deveis cometer o erro de julgar que o homem é simples autômato movido
para todos os lados pelo Desejo ou um escravo absoluto do Desejo. Embora seja verdade que
vossos atos sejam governados pela Vontade e que o Desejo seja o “motivo” da atividade da
Vontade, também é verdade que, pela introdução de Idéias e Ideais, até o Desejo recebe forma e
direção – força e poder para um fim definido. Por meio da introdução científica de Idéias e Ideais,
podeis dar à qualquer forma, fase ou aspecto do Desejo e do Sentimento um grau de força e poder
que não possuía anteriormente.1
19. Em tais casos, vossa Vontade quer que o Desejo esteja de acordo com a Vontade, quer que

1
CER - Gostaríamos de ressaltar o “Tema para Reflexão” que diz “O Equilíbrio é a maior genialidade do Universo”.

19
3
lhe seja fornecida uma boa qualidade de Poder de Desejo, que é necessário a fim de pôr em
atividade o grau necessário de Poder de Vontade. A Vontade não treinada é como uma corrente que
segue um canal para ela estabelecido por outrem; pelo contrário, a Vontade treinada, primeiramente
faz seu próprio canal e depois corre por diques e paredes impostas e limitadas por ela mesma –
limitada e dirigida por si mesma.
20. Os raciocinadores inteligentes objetam aqui que, até em tais casos, a Vontade é movida pelo
Desejo de alguma espécie ou grau. Tais indivíduos pretendem que a Vontade não faz mais do que
governar uma série de sentimentos e desejos para favorecer outra série mais elevada e dominante.
Este é um raciocínio exato; é logicamente correto e nunca foi vitoriosamente combatido.
Entretanto, mesmo em tal caso, o princípio do governo do Desejo pela Vontade continua de pé, no
que se refere à sua aplicação prática e material.
21. Embora nunca possais esperar libertar-vos da influência do Desejo, mesmo nas mais altas
atividades da Vontade, entretanto podeis ocupar a alta posição da Vontade Dominadora e desta
posição podeis governar, estimular, enfraquecer, animar ou reprimir o poder das formas mais
inferiores de Desejo e Sentimento. De fato, quando alcançardes a altura do Poder da Vontade,
notareis que o elemento do Desejo parece quase se misturar com o elemento essencial da própria
Vontade – quase se fazer idêntico a ele. Em tais casos, sereis forçados a formar a convicção
consciente de que, afinal, deixastes de apenas “desejar querer” e alcançastes o ponto em que sois
capazes de “ter vontade de querer”.
22. Seja qual for a teoria metafísica, subsiste o fato de que, para aquele que alcançou o Cimo da
Vontade, cedo ou tarde se apresenta esta suprema informação da consciência da Liberdade da
Vontade Última. Porém, tais alturas só são alcançadas pelos indivíduos que pagaram o preço da
consecução – que subiram persistentemente pelos áridos caminhos montanhosos do Poder da
Vontade e, afinal, chegaram ao espaço livre do cume. Tais experiências são desconhecidas às
grandes massas de povo. A pessoa comum é praticamente escrava de seus Desejos – geralmente
dos mais grosseiros e primitivos; não compreende nem mesmo os primeiros princípios do Domínio
do Desejo pela Vontade Dominante. A grande maioria das pessoas tem a vontade escravizada –
poucos são os reais Senhores da Vontade.
23. Eis, duas palavras, a distinção entre o que tem a vontade sujeita e o que tem a vontade livre:
A pessoa comum é impelida à atividade da Vontade pelas forças do Sentimento, Afeição e Desejo –
o mais forte desejo-motivo vencendo sempre na ocasião. Entretanto, aqueles que chegaram a uma
compreensão científica do assunto sabem que, embora seja certo que o Desejo mais forte sempre
ganha a luta, também é verdade que a força do Sentimento, da Afeição e do Desejo é diretamente
proporcional à força das Idéias ou Ideais que os animam. Por conseguinte, pelo emprego hábil da
Atenção, que é uma das principais armas da Vontade, na direção de conservar na consciência certo
conjunto de Idéias ou Ideais, pode alguém fazer que essas Idéias ou Ideais dêem energia ao conjunto
de sentimentos e desejos a eles associados e, ao mesmo tempo, enfraqueçam o conjunto oposto de
sentimentos e desejos.
24. Pelo governo da Atenção, o “EU SOU EU”, por meio da Vontade, é capaz de governar o
Sentimento e o Desejo, fazendo-os agir como servos e alcançando, assim, o domínio da Vontade.
Pelo emprego científico de Idéias e Ideais, por meio da Atenção, podeis governar, dirigir e dominar
as atividades da Vontade conata. Porém, como dissemos, as pessoas comuns ainda não obtiveram o
menor vislumbre desta verdade – e, em consequência disso, tais pessoas permanecem a vida inteira
escravas da Vontade, em vez de serem senhoras da mesma.
25. É axioma de psicologia que: “O grau de força, energia, vontade, determinação, persistência
e aplicação contínua, manifestado por um indivíduo em suas aspirações, ambições, pretensões,
realizações, atos e trabalhos, é determinado principalmente pelo grau de seu desejo de conseguir
seu objeto – seu grau de “necessidade” a respeito dele”. Esta é uma exposição mais técnica do
princípio contido no aforismo, que vos foi citado precedentemente, isto é: “O Desejo é a Chama
que produz o Vapor da Vontade”; a inferência lógica sendo que, quando quereis produzir e

20
3
empregar o Vapor da Vontade deveis primeiramente fornecer a Chama completa do Desejo.
26. No livro desta série intitulado “Poder do Desejo”, consideramos em seus detalhes o assunto
do Desejo nas suas relações com outras formas e fases do Poder Pessoal, inclusive a fase de Poder
da Vontade. Nele servimo-nos da familiar experiência humana e da história natural referente à vida
animal, com o fim de ilustrar a natureza e caráter do Desejo, considerado como poder motor da
atividade da Vontade, etc. O seguinte parágrafo, indicado com sinais de citação, reproduzido das
páginas do livro acima referido, segue-se à apresentação dessas ilustrações. Aconselhamos-vos a
estudar cuidadosamente o princípio nele indicado, e guardar na memória o espírito destes
princípios, expresso na Fórmula Suprema de Realização, da forma seguinte: “Podeis ter tudo o que
precisais, desde que (1) saibais exatamente o que precisais, (2) preciseis disso urgentemente, (3)
espereis confiantemente obtê-lo, (4) determineis persistentemente alcançá-lo, e (5) tenhais boa
vontade de pagar o preço de sua consecução”.
27. Chamamos vossa atenção aos exemplos e ilustrações acima, da força das emoções e desejos
elementares fortemente despertados, não só para vos mostrar quanto estes sentimentos, emoções e
desejos se tornam fortes sob as circunstâncias e condições apropriadas, mas também para fazerdes
compreender a existência dentro de todas as coisas vivas de uma força e poder emotivo latente, que
é capaz de ser despertado em grande atividade, sob um estímulo conveniente, e dirigido para certos
fins e propósitos definidos, indicados por este estímulo. É assunto de saber comum que esta força e
poder é despertado pelas formas particulares de estímulo acima indicadas e se dirige para elas.
Porém, não é conhecido por muitos que ela pode ser despertada com igual força, poder e
intensidade por outras formas de estímulo (sendo estes estímulos deliberadamente colocados diante
dela pelo indivíduo); poucos são os que aprenderam este segredo”.
28. O método acima referido pelo qual o latente Poder de Desejo pode ser despertado e
estimulado pela apresentação a ele do estímulo de idéias e pinturas mentais sugestivas e incitantes, é
baseado no seguinte princípio psicológico: “O Desejo é despertado pelas coisas representadas por
idéias sugestivas e pinturas mentais e flui para elas; quanto mais forte e clara for a idéia sugestiva
ou a pintura mental, mais forte e mais insistente é o desejo despertado, em igualdade de
condições”. O conhecimento e a aplicação deste princípio vos faz Senhor do Desejo, em vez de
serdes escravos dele – este último estado sendo o da grande multidão de pessoas, que não
aprenderam o segredo de dominar o Desejo.
29. A seguinte citação do Professor Halleck servirá para ilustrar o princípio contido no processo
do emprego do poder da Atenção na direção de apresentar ao Desejo o estímulo de idéias sugestivas
e imagens mentais, a fim de mais completamente despertar e fortificar o sentimento e a tendência
conata. Diz Halleck: “O primeiro passo no desenvolvimento da Vontade está no exercício da
Atenção. Há um sentimento de esforço na Atenção voluntária”.
As Idéias se desenvolvem em distinção e em força motora, à proporção que lhes damos atenção. Se
tomarmos duas idéias da mesma intensidade e centralizarmos a Atenção numa delas, notaremos
logo quanto ela aumenta em poder. Tomai a sensação de dois pontos dolorosos do corpo e fixai a
Atenção sobre um deles. Esta idéia adquirirá cada vez maior poder motor até que nos ponhamos a
agir na direção, que julgamos fazer cessar esta dor, sendo a outra comparativamente negligenciada.
Se, no princípio, precisamos de várias coisas em grau mais ou menos igual, seja, por exemplo, uma
bicicleta, uma máquina de escrever e uma enciclopédia, acabaremos por precisar mais daquela em
que nossa Atenção for mais fortemente concentrada. A idéia da bicicleta pode, assim, adquirir
maior força motora do que as outras duas; ou, se ficarmos pensando quanto nos seria útil uma
enciclopédia, a ação tenderia nessa direção.
30. “Podemos apresentar como lei o fato que a vontade determina o motivo que deve tornar-se o
mais forte, determinando as idéias que devem ocupar o campo da consciência”. Toda idéia que se
torna objeto de desejo é um motivo. É verdade que a vontade tende a expressar-se na direção do
maior motivo, isto é, para o objeto que parece mais desejável; porém ela, por meio da atenção
voluntária, coloca energia numa idéia motora e, assim, a fortalece. É impossível concentrar a

21
3
Atenção muito tempo numa idéia, sem desenvolver o interesse positivo ou negativo (a atração ou a
repulsão). Assim a vontade desenvolve os motivos.
31. “Vimos que a emoção e o desejo se despertam na presença de idéias, e que a vontade tem sua
influência na conservação ou na expulsão de uma idéia dada. Se uma idéia é conservada na mente,
um desejo e um motivo forte podem reunir-se ao redor dela. Se outra idéia é chamada, o poder da
primeira declinará. Quanto mais Macbeth e sua mulher conservaram em suas mentes a idéia da
fama e poder que o trono havia de lhes dar, mais forte se tornou neles o desejo de matar o rei, até
que, afinal, se tornou tão forte que não pode ser dominado. Entretanto, eles eram responsáveis por
terem alimentado o desejo; se tivessem pensado resolutamente nalguma outra coisa, o desejo se
teria enfraquecido”.
32. As “idéias sugestivas e as pinturas mentais” que vos aconselhamos a empregar, a fim de
despertar e elevar o vigor e poder do Desejo são as seguintes: as idéias sugestivas e as pinturas
mentais que servem para aprofundar e fortalecer o Sentimento e a Emoção a respeito do objeto de
vosso Desejo e que tendem para o despertar de um mais forte grau de Afeição para este objeto, o
qual, por conseguinte, eleva a Chama do Desejo e, assim, produz uma pressão maior do Vapor da
Vontade. Estas idéias sugestivas e pinturas mentais devem “tentar o apetite” do Desejo,
apresentando-lhe pinturas e sugestões da satisfação e contentamento, prazer e alegria, que se
seguirão à realização dos objetos do Desejo.
33. Este princípio é desenvolvido no livro desta série, o qual se intitula “Poder do Desejo”, e em
que também se acha sugestões e métodos destinados a auxiliar a prática do mesmo princípio.

_______________

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4
Capítulo – IV –

VONTADE DELIBERATIVA

01. Agora vos pedimos que considereis a fase do Poder da Vontade conhecida pelo nome de
Vontade Deliberativa. A Deliberação é definida: “O ato de deliberar ou ponderar na mente”. Na
fase de Deliberação, ponderais com mais ou menos cuidado os alternados cursos gerais ou especiais
de vossas ações, que se apresentam por si mesmos à Vontade. Cada um destes cursos possui certos
pontos de atração e também certos pontos de repulsão.
02. Os pontos atrativos nascem da promessa de satisfação e contentamento emotivo; os pontos de
repulsão resultam do receio de desgosto e descontentamento emotivo. Estes pontos opostos devem
ser comparados uns com os outros, com o fim de alcançar a fase de Determinação e a resultante fase
de Ação Voluntária, completando-se assim o processo da Vontade.
03. Provavelmente estais acostumados a considerar o processo de Deliberação como relacionado
apenas com a atividade intelectual. Provavelmente imaginastes que, quando deliberais a respeito de
dois modos alternados de agir, examinais o assunto com o espírito de um frio raciocínio e que vossa
decisão é tomada com base num juízo lógico. Porém, na realidade, a parte tomada pelo vosso
Intelecto e pela vossa Razão, na deliberação referente aos atos e nos juízos resultantes dela,
geralmente é apenas a parte do investigador de fatos referentes (1) à direção e aos meios pelos quais
podem ser obtidos a maior satisfação e contentamento emotivo; e (2) os prováveis resultados da
ação nas linhas de um dos dois cursos alternados – os resultados supracitados sendo sempre
medidos pelos seus efeitos prováveis sobre vosso estado de satisfação e contentamento emotivos.
04. Em resumo, vossa Razão é empregada para investigar os arquivos de experiência, a fim de
descobrir as associações e as relações de cada um dos dois modos alternados de agir, a fim de
poderdes ter a mais completa informação possível a respeito do provável valor emotivo final de
cada um dos atos; e também descobrir e recomendar à Vontade os métodos mais efetivos para
aplicardes um dos modos alternados de agir, desde que seja aceito.
05. É verdade que, no caso de pessoas de poderes intelectuais treinados, de experiência vasta, de
memória bem desenvolvida e de ativa imaginação construtiva, as faculdades intelectuais
representam um papel muito mais importante nos processos de Deliberação e Decisão do que nos
casos em que esses processos são realizados por pessoas que têm falta de qualidades mentais e desta
vasta experiência.
06. A Razão realiza serviços valiosos na direção de apresentar à Vontade os prováveis resultados
de dados modos alternativos de agir, a fim de que a Vontade possa determinar mais claramente o
real valor emotivo destes modos de agir. Ela presta também valiosos serviços à Vontade, na
descoberta, invenção e criação dos métodos pelos quais o “bem” da Vontade pode ser mais bem
realizado e expresso. Nisto e em modos semelhantes, fornece à Vontade motivos positivos e
negativos para escolha e ação, e assim dá mais peso a um dos modos alternados sobre os quais está
deliberando.
07. A Razão serve à Vontade desta forma, colocando suas forças de memória, imaginação e
associação de idéias à disposição da Vontade. Ajuda também a Vontade na direção de fornecer-lhe
a mais completa informação possível a respeito das carreiras alternadas em consideração –
“dizendo-lhe tudo o que sabe a respeito delas”, do melhor modo possível. Isto é do máximo valor
no processo de Deliberação e muitas vezes determina a Decisão.
08. Um modo de agir, “clara e definidamente conhecido”, tem maiores vantagens para ser aceito
pela Vontade do que outro que não seja tão bem conhecido. A Razão põe-se a ajudar a Vontade,
desta forma, com uma frieza que parece maquinal, desde que a Emoção seja impedida de intervir no
trabalho. A Razão nada tem a ganhar senão a satisfação de sua própria natureza em pensamento – a
Razão é muito fria e tende a proceder com a espantosa inexorabilidade de uma máquina. Não tem
sentimento, nem moral – prossegue logicamente, desde a premissa até a conclusão, sem dar atenção

23
4
aos valores emotivos ou morais.
09. Porém, afinal, se há de ver que a Razão, agindo como auxiliar da Vontade, sempre age
apenas na direção de descobrir fatos referentes ao provável valor emotivo dos modos de agir que
estão sendo considerados, ou então planeja e decide quais os métodos mais efetivos de exprimir e
manifestar os Desejos, Idéias e Ideais relacionados com Desejos, que foram aceitos pela Vontade
como contendo a promessa de valor emotivo. Em resumo, a Razão, em tais casos, se relaciona
apenas com a tarefa de descobrir ou dirigir a expressão efetiva de certos modos de agir que têm
valor emotivo. Este valor emotivo é sempre determinado pelo maior grau de satisfação e
contentamento emotivo prometido ou o menor grau de descontentamento e desgosto receiado.
10. Entretanto, deveis notar aqui a seguinte distinção: O elemento emotivo é diretamente contido
apenas na Deliberação e Decisão a respeito da conveniência de realizar certos atos ou seguir um
modo de agir. Desta forma ele está contido em todas as questões de “fazer ou não fazer” e em todas
as questões de “quais destes dois modos de agir devo escolher?” Não se acha contido, desta forma,
nos casos de esforço puramente intelectual ou processos de raciocínio lógico, como, por exemplo,
na resolução de problemas de lógica formal ou de matemática. Nem se acha diretamente envolvido
em casos em que a Razão é chamada a decidir e determinar, dentre certas idéias, planos, métodos ou
modos de proceder, qual é o que melhor serve para realizar certos fins e aspirações definidas. Nos
casos desta classe, a Deliberação e a Decisão a respeito da conveniência de empreender certas
tarefas e seguir certos modos de agir já foram anteriormente realizadas nas linhas de valor emotivo
comparado; e tudo o que resta agora a ser deliberado e decidido é o melhor modo de realizar e
executar os desígnios já adotados e o melhor modo para realizar os fins já aceitos como
emotivamente vantajosos.
11. Entretanto, a regra se aplica invariavelmente a todos os casos em que experimentais os
impulsos em conflito do “eu preciso fazer isto de uma forma; embora de outra forma preciso não
fazê-lo”, ou nos casos em que dizeis a vós mesmos: “Isto parece ser o que eu preciso ou levar ao
que eu preciso; porém receio que possa produzir complicações ou resultados que eu não quero”, ou
quando dizeis a vós mesmo: “Preciso fazer isto e preciso fazer aquilo, porém não sei o que mais
preciso fazer”. Em tais casos, o conflito realmente é do Desejo ou da Emoção e não um direto
conflito intelectual.
12. Podeis ter disposição para não apreciar esta afirmação e provavelmente fiqueis até indignado
e negueis veementemente sua verdade – muitas pessoas assim ficam quando este fato lhes é
apresentado pela primeira vez; de fato muitos gostam de pensar que decidem todas as questões de
conduta e ação no ponto de vista da lógica pura e razão fria – porém, na realidade, ninguém assim
faz nos casos acima mencionados. Se não percebeis a verdade desta afirmação e estais inclinados a
contestá-la, seria bom que a submetêsseis à seguinte prova de vossa razão e experiência, decidindo-
a uma vez por todas; porquanto, se ela não ficar inteiramente decidida na vossa mente, não sereis
capaz de entrar completamente no espírito de certos pontos de nossa instrução, os quais se baseiam
neste princípio psicológico particular.
13. Eis a prova da razão e da experiência – aplicai-a a vós mesmos, honestamente e com
disposição científica, respondendo-a da mesma forma: “Quais são as verdadeiras razões que
governam as minhas decisões a respeito dos modos alternados de ação e de conduta, ou de desviar-
me de certo modo de ação ou de conduta, em que o elemento de sentimento, emoção, afeição ou
desejo se acha envolvido? Considero e decido, ou não, a questão de “devo ou não devo”, ou, de
“que farei ou escolherei?”, sob o ponto de vista e com o motivo de obter a maior satisfação e
contentamento emotivo ou o menor desgosto e descontentamento – o maior prazer ou o menor
sofrimento”?
14. Ao responder a estas questões, deveis ter em mente que o prazer e o sofrimento podem ser
imediatos e remotos, e também podem referir-se diretamente à vossa experiência pessoal ou à de
outros pelos quais vos interessais ou com os quais estais ligados pelos laços de simpatia ou afeição;
todas estas formas de satisfação e contentamento emotivo estão sob a mesma regra geral.

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4
15. Uma cuidadosa análise de vós mesma e uma informação franca, honesta, baseada nela,
certamente vos levará à convicção de que vossas deliberações e decisões nos casos desta espécie, a
respeito de vossos atos e modos de agir, invariavelmente são feitas e realizadas de acordo com esta
base do maior valor emotivo. As “razões” de vossos atos e modos de agir nunca divergem de
vossos Sentimentos, Afeições e Desejos. De fato, na falta de Sentimento, Afeição e Desejo não
haveria “razões” para vossos atos ou modos de conduta. A única “razão” – a única “causa” e
“porque” – de vossas ações ou de vossa escolha de atos ou mesmo de vosso agir, é a “razão”, a
“causa” e o “porque”, que resultam da promessa de satisfação e contentamento emotivo ou o receio
dos resultados opostos – o provável valor emotivo, sobre o qual a Razão até certo ponto passou.
16. Às vezes é difícil recuar até o ponto de partida do Sentimento, Afeição ou Desejo,
determinadores de um ato ou de um modo de conduta, tão remotos ou tão complexos podem ser eles
às vezes; porém a influência do Sentimento, da Afeição e do Desejo está sempre presente, animando
e inspirando o ato ou modo de proceder – pois, do contrário, não haveria “razão”, “causa” ou
“porque” de vossa conduta ou ato e, por conseguinte, não haveria resposta à pergunta de “porque”,
feita a respeito de tal ato ou conduta. Neste ponto, deveis lembrar-vos que incluímos o Hábito
(resultante de atos antecedentes baseados no contentamento emotivo) entre os motivos emocionais;
sabeis que é mais agradável agir de acordo com o hábito do que contrariá-lo, e “ser agradável”
implica Sentimento e Desejo.
17. Antes que a Vontade Conata seja transformada em Vontade Ativa, deve dar-se um grau
maior ou menor de atividade mental, na fase de Deliberação. A Vontade Conata só se transforma
em Vontade Ativa em resposta a alguma idéia ou objeto que a chame a expressar-se e manifestar-se.
Geralmente existem várias idéias ou objetos alternados que são apresentados à Vontade para decidir
e escolher – ou ao menos há a alternativa de “fazer ou não fazer”. Aqui, a Vontade Deliberadora,
auxiliada pelo Intelecto, pondera e avalia estas alternativas opostas: o processo de Deliberação pode
demorar um tempo considerável ou pode ser quase instantâneo – porém sempre se realiza.
18. O prazer e o sofrimento, os estados mentais agradáveis ou desagradáveis, são os precedentes
de todas as atividades da Vontade. A ação, como se vê, se dirige sempre para o mais agradável
estado mental e se afasta sempre do mais desagradável. A Vontade sempre está interessada – nunca
deixa de ter interesse – nos seus atos. Ela se move sempre para chegar a algum fim – para adquirir
algo que lhe parece “bom”.
19. A vida é, em grande parte, questão de alcançar o agradável e fugir do desagradável. Porém,
não se deve esquecer que, desprezando o ponto de vista mental, nossos sentimentos emotivos
muitas vezes mudam do agradável ao desagradável e vice-versa – às vezes há um impulso violento
de um polo a outro de nossa natureza emotiva. Tais mudanças provêem da descoberta de novos
atributos nos objetos e idéias que se apresentam para Deliberação, Decisão e Determinação. Assim,
embora o Sentimento, a Emoção e o Desejo sejam os motivos de todas as ações da Vontade, as
outras faculdades mentais representam um papel importante, apresentando-lhes as idéias e as
imagens mentais que tendem a influenciar e dirigir as faculdades emotivas e ter assim uma
importante influencia na própria Vontade.

Para encontrar vossos Propósitos Definidos

20. Ilustraremos agora o processo de Vontade Deliberadora por um apelo à vossa experiência
pessoal. Ao fazê-lo, também estais realizando um exercício prático nas linhas de trabalho e
atividade de eficiente Vontade Deliberativa. Nas ilustrações e exemplos seguintes, os princípios
particulares em consideração serão mostrados; e, ao mesmo tempo, dareis vários passos importantes
na direção da prática real e treino de vosso Poder de Vontade. Em vez de exemplificar os princípios
em questão com casos abstratos e impessoais, empregaremos ilustrações e exemplos de vossa
própria experiência, de modo que, ao examinar estes exemplos, ao mesmo tempo estais exercitando
as faculdades mentais que os fornece.

25
4
21. Começai fazendo a vós mesmo a seguinte pergunta: “Para que fim desejo eu desenvolver e
treinar meu Poder de Vontade e manifestá-lo em ato? Em que direção desejo aplicá-lo e empregá-
lo, quando o tiver adquirido? Qual é o fim principal que pretendo realizar e alcançar por meio da
posse e manifestação de um Poder de Vontade desenvolvido e treinado”?
22. De vossas respostas a estas perguntas deve depender o caráter da instrução e informação
especial que deveis obter do estudo deste livro. Pensai bem nestas questões – ponderai-as
cuidadosamente e respondei-as completa, franca e honestamente para vós mesmo. Fareis bem de
tomar nota por escrito para referências futuras; “pensar com o lápis e papel” é um método muito útil
e aconselhado neste curso de instrução. As seguintes sugestões e conselhos vos ajudarão
materialmente na tarefa de descobrir vossos Propósitos Definidos, para a realização e consecução
dos quais procurais desenvolver e treinar vosso Poder de Vontade.
23. Se fordes como a maioria das pessoas que empreendem a tarefa de determinar seus
Propósitos Definidos, que procuram alcançar e realizar por meio de seu Poder de Vontade, vos
encontrareis em dificuldade para dar as respostas corretas às perguntas acima mencionadas e que se
espera poderdes responder o mais completamente possível. Como muitas outras pessoas,
provavelmente ainda não “vos encontrastes” neste assunto importante. Queremos dizer que ainda
não descobristes vosso Propósito Definido na Vida. Se assim for, esta instrução chegou para vós na
ocasião oportuna, porque, enquanto não descobrirdes vossos Propósitos Definidos, não podeis
esperar empregar eficientemente nem mesmo o grau de Poder de Vontade que já desenvolvestes,
sem falar do grau aumentado que esperais alcançar.
24. A maior parte das pessoas (e talvez estejais incluído no meio delas) se encontra nesta fase de
posse de uma inclinação e tendência apenas vaga e geral – embora talvez forte – a pôr-se a agir a
fim de alcançar e realizar aquilo que lhe há de ser “bom”. Sentem a pressão geral da Vontade
conata para exteriorizar-se, porém ainda não sabem exatamente em que direção exercer este poder
interior. Este estado é bom em si mesmo – porém não alcança grande coisa. O sentimento do Poder
da Vontade está presente, porém o Poder da Vontade, sem o Propósito Definido, é ineficaz e inútil.
Há necessidade aqui de uma direção forte, definida, positiva e proposital para a Vontade conata.
Apresentar-vos-emos agora os métodos pelos quais pode ser fornecido este elemento necessário.
25. Desejos Dominantes – Em primeiro lugar, deveis descobrir vossos Desejos Dominantes, isto
é, os Desejos mais fortes e mais insistentes que residem no vosso ente mental e emotivo. Não é
coisa fácil descobrir e encontrar vossos Desejos Dominantes, sem alguma instrução referente ao
processo. Notareis que vosso ente mental e emotivo está cheio de uma multidão de desejos, grandes
e pequenos, transitórios e permanentes, muitos dos quais são mutuamente opostos. É necessário
exercerdes uma ponderação e medida determinada e cuidadosa de vossos desejos, entrando no
cálculo o elemento de profundidade e amplidão, assim como o peso. Deve haver uma monda1 no
jardim do Desejo, um corte dos galhos secos da árvore do Desejo; uma prova de vigor e vitalidade
entre conjuntos opostos de Desejo, resultando na sobrevivência do mais apto.
26. No livro desta série intitulado “Poder do Desejo”, entramos em detalhes e numa extensa
consideração deste processo da descoberta dos Desejos Dominantes, ao qual vos remetemos, se
tiverdes especial interesse pelo assunto – as considerações detalhadas e extensas deste ponto
especial não podem ser repetidas neste livro e se limitam ao livro cujo objeto especial é tratar do
Poder do Desejo. Entretanto, a seguinte sinopse constitui um resumo, que servirá para dar-vos a
essência e substância do princípio geral envolvido no assunto:
(1) As regiões da mente são exploradas com o propósito de esclarecer os vários sentimentos,
emoções, afeições, aspirações e desejos, que compõem vossa natureza emotiva. À proporção
que estas são esclarecidas, são notadas por escrito numa lista.
(2) Então começa o processo de eliminação, como segue: (a) os desejos mais fracos e menos

1
Monda = Ato de mondar, arrancar (as ervas daninhas que medram entre as plantas cultivadas); cortar os ramos secos
ou supérfluos de; desramar; podar; eliminar, expurgar.

26
4
insistentes e aqueles que são de natureza claramente passageira são cortados da lista, ficando
apenas os mais fortes e permanentes; (b) a lista é, então sujeita a novo escrutínio1 cuidadoso –
os desejos que “permanecem", em virtude de seu poder superior, são conservados, o resto sendo
eliminado; (c) o processo é continuado nestas linhas de seleção crítica até que se torne
desaconselhável mais eliminação, pelo receio de “cortar planta viva”.
(3) Então os desejos sobreviventes são arranjados em classes e estas classes estão sujeitas a uma
luta de competição mútua, conservando a mais forte e mais permanente, sendo desprezada a
mais fraca e menos permanente.
(4) Depois, os conjuntos sobreviventes de desejos são comparados cuidadosamente, a fim de
descobrir antagonismo e oposição, isto é, as qualidades de contradição que tornam impossíveis
a coordenação e a cooperação harmoniosa e que tendem a impelir a Vontade em duas direções
opostas, e assim levá-la a um ponto de paralisação.
(5) Os conjuntos opostos e contrários de qualidades devem ser postos em luta uns com os outros,
pois um deles deve ser afastado do campo da Vontade. Ambos devem ser vistos sob todos os
ângulos mentais e emotivos possíveis e sujeitos às mais rígidas provas. O resultado final
revelará o mais forte dos conjuntos opostos e contraditórios de qualidades – os que venceram
na “luta pela vida” e que representam os “sobreviventes dentre os mais aptos”.
27. Os sobreviventes, neste processo de seleção e eliminação, representarão os mais fortes e mais
profundamente enraizados desejos do indivíduo e constituirão seus Desejos Dominantes. Estes
Desejos Dominantes representam suas mais fortes e permanentes Afeições, baseadas em seus
Sentimentos mais vigorosos, resistentes e ardentes e que se elevam ao grau de Vontade conata, na
forma de Desejo Insistente. Representam aquilo que alguém “precisa urgentemente” – precisa com
tanta insistência que, de boa vontade, “paga o preço de sua consecução”.
28. Idéias Energizantes – Porém, o Desejo não é o único elemento envolvido na Vontade
Deliberadora. Com efeito, pode-se dizer que todo grande departamento da atividade mental está
envolvido nele. A presença de Idéias e Ideais é necessária no processo de Deliberação. A ação é
influenciada pelas idéias representativas de objetos e coisas do mundo exterior. Cada idéia clara e
forte abre caminho para uma ação possível, e, portanto, constitui um elemento do processo
deliberativo. A Memória e a Imaginação são também chamadas a exercer grande influência no
processo da Vontade Deliberadora.
29. Diz o professor Halleck: “Quanto maior for a variedade de idéias que um homem tem, mais
numerosos serão os modos de agir que lhe estão abertos. Se um médico inteligente tem uma idéia
de vinte e quatro diferentes métodos de tratamento de reumatismo, pode variar seu tratamento de
acordo com isso e conseguir a cura nos casos em que um médico menos hábil não a obteria. Se um
comerciante tem uma dúzia de idéias para atender a uma emergência dada, pode agir em qualquer
destas direções; se tiver só uma idéia, poderá agir só numa direção. A idéia deve por-se a abrir
caminho para uma ação inteligente. Antes que Colombo se pusesse a navegar, tinha uma idéia de
terra além dos mares. Até um picheleiro2 deve ter uma idéia do modo de cortar rapidamente seu
cano, antes de poder fazê-lo”.
30. O mesmo afamado mestre disse: “A Deliberação é um processo tanto do intelecto como da
vontade; do intelecto para representar idéias e compará-las e da vontade para conservar as idéias
diante da atenção ou afastá-las desse campo e dar lugar a outras. No processo deliberativo, todo o
homem se faz sentir; todas as suas experiências passadas entram. Na ação impulsiva, o estado
momentâneo triunfa. Tomemos um racional ato humano e vejamos quanto a deliberação pode estar
envolvida nele. Desejo sair da cidade durante um tempo de calor. Antes de agir, não só tenho o
desejo de ir, mas também devo saber para onde ir. Encontro a localidade e vejo as qualidades e

1
Escrutínio = Exame atento, minucioso.
2
Picheleiro = Fabricante de pichéis, Fabricante e/ou vendedor de obras de folha-de-flandres. Pichel = Antiga vasilha
empregada para tirar vinho das pipas ou dos tonéis. Folha de Flandres = Folha de ferro estanhado, usada na fabricação
de numerosos utensílios: uma lata, um cabide, um baú de folha-de-flandres.

27
4
defeitos de muitos lugares em que costumam passar o verão. Passo, então, a deliberar. A) tem
banhos de mar; B) está um lugar montanhoso e tem excelente ar tonificante; C) está mais perto e
alguns meus amigos também vão para lá, porém nesse lugar há mosquitos aborrecedores, que não
deixam fazer um passeio confortável; D) tem bom ar e não se encontram mosquitos lá, porém é
lugar de muito luxo e muita exigência no vestuário; E) se adapta em todos os pontos, porém é muito
dispendioso; F) seria conveniente, mas está muito longe. Tomo, então, em consideração a
possibilidade de permanecer todo o verão na cidade. Apresentam-se três dias de calor. As noites
são tão quentes que não é possível dormir. Continuo, então, minhas deliberações sobre as estações
de veraneio. A Vontade necessariamente está presente em seu aspecto mais importante em todo ato
de deliberação. Pondero uma idéia contra outra. Pela força de vontade, volto minha atenção
somente para uma idéia; depois a abandono e volto a atenção para outra. Considero os banhos de
mar de A), o ar das montanhas de B), o aborrecimento de C), o luxo de D), as despesas de E) e a
distância de F)”.
31. As faculdades intelectuais são postas em atividade nos processos de Vontade Deliberadora do
modo descrito na ilustração acima a respeito da escolha da estação de veraneio. Apresenta, da
região da Imaginação e da Memória, muitos fatos que se relacionam com cada um dos modos
alternados de agir. Traz à baila os fatos associados e relativos que aumentam ou diminuem os
méritos dos pontos a decidir. Serve também para mostrar a natureza falsa de alguns dos modos
diferentes de agir e aumentar o valor de outros. Age na direção de escolha e adaptação dos meios a
fins dados, e estabelece a relação lógica de causa e efeito entre coisas diferentes. Antes que alguém
possa “saber o que precisa”, deve compreender a verdadeira natureza das necessidades alternadas –
deve conhecer as relações e consequências, as associações e os resultados dos modos particulares de
agir.
32. A pessoa que deseja saber com inteligência “exatamente o que precisa” e qual o modo de
ação geral que lhe trará o maior contentamento e satisfação final, deve empregar suas faculdades
raciocinadoras, além da exploração de sua natureza emotiva. Deve empregar tanto a cabeça como o
coração. Deve aprender a observar e examinar as coisas, a formar juízos lógicos, a empregar na
tarefa seus poderes de imaginação e memória. Como disse Halleck: “No processo deliberativo,
todo o homem se faz sentir".
33. O assunto da Vontade Deliberativa se mistura e se harmoniza, em muitas particularidades,
com a Vontade Determinativa. A Determinação é a fase final da Deliberação, e, ao mesmo tempo,
o primeiro passo da Ação Voluntária. Com este conhecimento na mente, passemos agora a
considerar a Vontade Determinativa, à qual o capítulo a seguir é dedicado.

______________

28
5
Capítulo – V –

VONTADE DETERMINATIVA

01. A fase de Determinação é a quarta fase do processo voluntário. A Determinação é definida


da forma seguinte: “(1) O ato de terminar ou levar a um fim; o estado de decisão; também (2) força
e firmeza mental; resolução firme e direção absoluta para certo fim”.
02. A primeira definição indica a terminação ou fim do processo de Deliberação – a decisão
resultante do processo de Deliberação. A segunda definição indica o começo de um novo processo,
isto é, o processo de impulsão para a ação voluntária e a direção deste impulso. Na seguinte
consideração da Vontade Determinativa, vereis que ambas estas fases são manifestadas pela
Vontade, ao passar pela fase de Determinação.
03. Deveis lembrar-vos aqui que, ao estudar este assunto, estais empregando um método que
pode ser definido “como encontrar vossos propósitos definidos”, e que é representado pelo esforço a
responder às seguintes perguntas que fizestes a vós mesmo:
“Com que objeto desejo eu desenvolver e treinar meu Poder de Vontade e manifestá-lo em
ato? Em que direção desejo aplicá-lo e empregá-lo, quando o tiver adquirido? Qual é o fim
principal que pretendo realizar e conseguir por meio da posse de um Poder de Vontade
desenvolvido e treinado”?
04. Sujeitastes estas perguntas à prova da Vontade Deliberativa e estais apresentando-as agora à
Vontade Determinativa para decidir e para subsequente ação positiva, baseada nesta decisão. Não
se pode chegar agora ao processo de Deliberação sem suficiente prova para garantir uma conclusão
inteligente.
05. O professor Halleck exemplifica seu ato de Decisão que segue sua Deliberação a respeito da
estação de veraneio (anteriormente citado), da forma seguinte: “Em relação à estação de veraneio, a
deliberação não termina o processo voluntário; o ato de vontade ainda está incompleto. Algo mais é
necessário do que (1) um desejo de sair, e (2) a deliberação a respeito de um grande número de
estações. Meu seguinte passo voluntário é escolher entre as muitas estações a respeito das quais
estava deliberando e decidir a ir-me para uma delas. G satisfaz minha razão, pois o lugar tem
natação e pesca, bons passeios, poucos mosquitos e seus preços são moderados. Então acabo
repentinamente a deliberação e decido a ir a G. A decisão é uma terminação do processo de
deliberação.
06. Entretanto, o exemplo que acabamos de citar termina com a realização da primeira fase da
Vontade Determinativa, isto é, a fase em que a Deliberação é levada ao fim e a Decisão é tomada;
aqui o indivíduo diz: “Decidi ir para G; irei a G”. Decidiu mentalmente a ir para G – porém ainda
não pôs em ação real o maquinismo da Vontade de agir de acordo com esta decisão. Deve também
chegar ao ponto em que pode dizer realmente: “Tenho agora o propósito definido de ir a G;
pretendo ir lá e começo já a exercer o Poder de minha Vontade para este fim”. Este último ponto
representa a segunda fase da Vontade Determinativa.
07. Na consideração desta fase particular das atividades da Vontade, achamos presentes os
exemplos típicos da distinção entre a Vontade forte, sadia, de um lado, e a Vontade fraca e doentia,
do outro. Os indivíduos que constituem a primeira classe determinam firme e positivamente suas
mentes e depois dirigem seus poderes impulsivos e dirigentes para a referida Vontade-ação. Os
indivíduos que compõem a Segunda classe, pelo contrário, acham muito difícil (1) determinar suas
mentes; (2) conservá-las firme na determinação tomada; e (3) exercer seus poderes impulsivos e
diretivos na manifestação e ação.
08. A decisão que termina o processo de Deliberação é distintamente um ato de Vontade, e o
sentimento de esforço e impulso voluntário é claramente perceptível no processo. Muitos acham
que a decisão é a parte mais difícil de todo o processo voluntário. Tais pessoas frequentemente
acham quase impossível determinar suas mentes – decidir e determinar como devem agir; têm uma

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5
tendência decisiva a deixar que os outros tomem as decisões por elas.
09. Outra grande classe se compõe de pessoas que têm o hábito de decidir-se rapidamente, sem a
devida deliberação ou o exercício do juízo. Tais pessoas frequentemente se encontram em
dificuldade em consequência de seus juízos precipitados e muitas vezes devem gastar tempo e
energia consideráveis no esforço de retificar as coisas ou escapar das consequências de suas
decisões inconsideradas. A carreira da pessoa prudente está na direção de fugir destes dois
extremos prejudiciais e manter o Meio Áureo1 entre eles.
10. Muitas pessoas que reconhecem em si mesmas a tendência a vacilar no tomar suas decisões e
a fugir o mais possível do ato real de Decisão e Determinação, procuraram em vão curar-se desta
dificuldade por meio do conselho convencional e da instrução chã a respeito do emprego da
Vontade em tais casos. Estas pessoas perceberam intuitivamente que deve haver algum método
científico, baseado em sérios princípios psicológicos, que lhes permita vencer o obstáculo e lhes
sirva para estabelecer um novo hábito de tomar decisões e determinações. Tal intuição tem base
firme nos fatos, pois tal método existe e realiza seu objeto; nas diversas páginas seguintes o
apresentaremos à vossa atenção.
11. Em muitos casos em que se acha dificuldade para chegar a uma Decisão, seguindo o processo
de Deliberação, a perturbação, como se há de notar, está no fato de que os valores emotivo-
intelectuais das alternativas em conflito são quase tão iguais que podem ser decididos com
facilidade.
12. Quando se percebe claramente o perfeito valor emotivo-intelectual das duas alternativas, a
Decisão é fácil, na maioria dos casos, pois o maior peso está claramente de um só lado. Na maioria
dos casos, a escolha é feita quase automaticamente. É axiomático que a escolha entre as
alternativas é rápida e fácil na proporção direta em que seus valores respectivos são clara e
definidamente conhecidos.
13. Entretanto, em certos casos, até o processo de Deliberação cuidadosa deixa de revelar uma
preponderância de peso de qualquer lado; e a descoberta de novos atributos serviu apenas para
elevar ambas as alternativas carreiras a um plano superior de interesse, sem dar a qualquer delas um
maior peso proporcional. Em tais casos, a pessoa está como o burro que morreu de fome por não
poder decidir entre dois feixes igualmente atrativos. É claro que, se a Deliberação deve ser
conseguida em tais casos, só poderá sê-lo pela introdução de algum novo elemento.
14. O Elemento de Padrão Fixo – Este novo elemento a ser introduzido na tarefa da
Determinação é conhecido como “o Elemento de Padrão Fixo”, a que agora dirigiremos vossa
atenção. Pedimo-vos que considereis cuidadosamente o seguinte método, destinado a aplicar o
princípio deste novo elemento, pois ele contém o segredo da correção de muitas fraquezas da
Vontade, e a chave da cultura de uma Decisão e Determinação pronta, positiva e certa.
15. O princípio fundamental e essencial do Padrão Fixo é expresso da forma seguinte: Deveis
estabelecer em vossa mente um Padrão Fixo claramente definido, certo e positivo de Valores da
Vontade, baseados numa aceita idéia geral de vosso Bem Supremo ou Summum Bonum, com os
graus relativos de “bondade” ou “maldade” na escala dos Valores da Vontade, estes graus sendo
determinados pela respectiva proximidade ou afastamento de vosso Bem Supremo.
16. Este Bem Supremo, que constitui vosso Padrão Fixo, deve ser escolhido por vós mesmo –
ninguém mais pode fazê-lo em vosso lugar. Deveis representar vosso Ideal soberano – vossa mais
alta concepção da conduta e ação geral – por meio da qual toda conduta ou ação especial deve ser
medida, pesada e avaliada. O termo Padrão é definido: “Aquilo que é estabelecido por autoridade
como regra para a medida de quantidade, qualidade, extensão ou valor; aquilo que é estabelecido
como regra ou modelo; um critério; uma prova”. No presente caso, vosso Padrão Fixo é a prova,
regra ou medida do Valor da Vontade.
17. Vosso Padrão Fixo pode ser modelado de acordo com o caráter de algum grande homem a

1
Meio Áureo é o ponto de equilíbrio, o termo médio. Ver Glossário Esotérico do CER.

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5
quem quereis adotar como modelo ou talvez sobre um caráter composto constituído dos caracteres
aprovados e admirados de certo número de tais indivíduos. Ou então, pode ser a idéia de algum
adágio, aforismo ou regra de conduta aceita, que pareça personificar vosso ideal de esforço e ação;
como, por exemplo, a Pedra de toque de Positividade, freqüentemente citada em nossa instrução, a
qual é expressa na pergunta verificadora: “Far-me-á isto mais forte, melhor e mais eficiente?”
18. Pode ser também alguma sentença aceita do princípio geral de conduta e ação moral, como,
por exemplo, o célebre Imperativo Categórico de Kant, a saber: “Agi apenas de acordo com a
máxima a qual podeis, ao mesmo tempo, querer que se torne uma lei universal”, ou numa forma
mais simples: “Agi sempre de forma que possais desejar que vossa ação e conduta se tornem o
modelo da ação e conduta de todos”. Outros aforismos desta espécie são, respectivamente, a Regra
Áurea: “Fazei aos outros como quereis que vos façam”, ou o axioma de Grotius: “Não façais mal a
ninguém, e dai a cada qual o que lhe é devido”.
19. Podeis também adotar como vosso padrão a máxima: “Todas as minhas ações devem
contribuir para meu êxito final”, ou a regra que todas as vossas ações devem dirigir-se para o
melhoramento do mundo ou nas linhas de algum ensino particular de moral ou religião.
20. Mencionamos os exemplos e ilustrações acima, apenas para indicar-vos o princípio geral
envolvido no assunto e não para que adoteis uma delas – podeis ter algum Padrão Fixo próprio, que
melhor se adapte aos vossos fins particulares. Nosso fim aqui é apenas fazer que adoteis algum
Padrão Fixo e não qualquer, de nossa preferência.
21. A Pedra de Toque de Positividade, tão freqüentemente mencionada nesta instrução, pode,
entretanto, ser adotada por vós como uma base séria e prática de conduta e de ação, pois,
corretamente interpretada e entendida, representa um ideal muito alto de filosofia prática: Sua
pergunta verificadora, “Far-me-á isto mais forte, melhor e mais eficiente?", é baseada no tríplice
ideal de Força, Virtude e Eficiência – que certamente não é um ideal indigno, não contraria o
Imperativo Categórico, nem a Regra Áurea, pois não pode ser contestado como regra de conduta e
ação universal ou de justiça para com os outros. Oferecemo-la como sugestão, porém sois livres de
rejeitá-la em favor de uma regra própria, sem prejudicar, de qualquer forma, a aplicação do
princípio ou método que vamos explicar-vos.
22. A adoção de vosso Padrão Fixo vos dará algo com que medir, pesar ou avaliar quaisquer
alternativas de ação que deixam perplexa vossa Vontade Determinativa. Com ele construireis uma
escala ou tábua de Valores da Vontade – uma escala bem definida e certa com que medir, pesar e
avaliar os modos alternados de agir que constantemente se apresentam para a decisão de vossa
Vontade Determinativa. Esta escala ou tábua de Valores da Vontade deve ser estabelecida com a
maior antecedência possível do tempo real de escolha ou decisão. À proporção do possível, deve
conter toda necessidade provável de decisão – principalmente o princípio geral de escolha, contido
em qualquer assunto especial que possa tornar-se de importância para vós.
23. Por outras palavras, deveis pôr-vos a dirigir vossa Deliberação muito antes do tempo em que
possa apresentar-se a necessidade de agir em tal sentido, de modo que, ao chegar a hora da prova,
estejais de posse da base para Decisão e Determinação já firme e positivamente estabelecida e assim
poderdes manifestá-la sem atraso, embora apoiada no peso de vossa consideração anterior. Desta
forma, estabeleceis um mapa adiantado da carreira que vossa Vontade deve tomar em suas futuras
viagens, fugindo assim aos perigos dos escolhos e baixios, que destroem o barco do navegante que
não possui tal mapa.
24. Na vossa Tábua de Valores da Vontade, deveis ter numerosos graus e graduações de valores.
No começo da lista se encontrarão vossos “valores principais” – certos princípios de ação de valor
principal para vós e que sempre devem ser dominantes. Estes “valores principais” devem
representar a conduta e a ação, que agem para obter resultados e consequências, que estejam no
mais perfeito acordo com o vosso Padrão Fixo. Assim, se adotastes a Pedra de Toque da
Positividade, vossos “valores principais” devem representar atos e conduta que, clara e
positivamente, tendam a fazer-vos “mais forte, melhor e mais eficiente”.

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5
25. Vossos “valores principais” (seja o que for que representem) nunca devem ser sacrificados,
seja qual for a tentação – qualquer modo de agir que contrarie ou denegue vossos “valores
principais”, deve ser rejeitado imediatamente. Vossos “valores principais” devem ter uma
significação quase religiosa; deveis estar tão inspirado por eles que até uma sugestão para violá-los
vos faça ficar horrorizado e indignado. Estes “valores principais” devem ser considerados como
algo sagrado e que deve ser tratado com reverência.
26. No outro extremo da escala, devem estar os “valores contrários”, isto é, certos modos de agir
que devem ser considerados com horror e desgosto e que, sejam quais forem as circunstâncias, não
devem ser seguidos por vós. Deveis determinar firmemente estes “valores contrários” e conservar-
vos afastado dos modos de agir e de conduta representados por eles. Não deve haver tolerância para
com eles, nem deveis comprometer-vos com eles – devem ser considerados essencialmente maus e
opostos ao vosso real bem-estar e felicidade, satisfação e contentamento permanentes. Estes
“valores inferiores” devem ser para vós o que o Diabo era para os antigos cristãos ortodoxos – não
deve haver qualquer compromisso com Satã; deveis sempre assumir a atitude de “Retira-te, Satã!”,
para com estes “valores inferiores”. No caso em que vosso Padrão Fixo seja a Pedra de Toque da
Positividade, então vossos “valores inferiores” representarão os modos de agir e de conduta que,
incontestavelmente, “tendam a fazer-vos mais fraco, pior e menos eficiente”.
27. Entre estes, sempre-a-colimar-se, “valores principais” e os, sempre-a-evitar-se, “valores
inferiores”, haverá uma grande série de valores médios ou neutros, colocados em seus respectivos
lugares, de acordo com seus graus respectivos de simpatia e antipatia, proximidade e afastamento
dos valores colocados nos dois pólos respectivos da escala. Vosso juízo indicará o lugar
conveniente na escala para cada espécie de valor e achareis que é tarefa interessantíssima a
colocação e arranjo destes modos possíveis de conduta e ação na vossa escala. Fareis bem de
empregar aqui o lápis e o papel e estabelecer uma escala “preta e branca” deste gênero.
28. O fato principal a ser lembrado – o único fato vital de que depende o valor de todo o sistema
– é que o arranjo deve ser confiado à memória, de modo a ser facilmente lembrado a todo o
momento. Cada grau, classe e subclasse da escala deve ter seu lugar definido e particular, de modo
que sempre se encontre nesse lugar, quando for procurado; e cada classe deve ser definidamente
separada da que lhe está imediatamente acima ou abaixo na escala. Quanto mais definida e positiva
for vossa classificação, maior será o grau de utilidade efetiva de vossa escala.
29. A escala ideal é aquela pela qual imediatamente podeis determinar qual entre dois modos
alternados de agir, possui o maior Valor de Vontade para vós. Quanto mais próximo puderdes
chegar deste ideal, mais efetiva se tornará vossa Tábua de Valores da Vontade. Um pequeno
emprego ativo de vossa imaginação neste ponto vos convencerá dos admiráveis serviços que vos
prestará uma tábua desta espécie. Pensai que podeis ter uma Tábua de Valores da Vontade tão
completa e infalível como a Tábua de Multiplicação! Vereis que é um melhoramento tão grande do
método ordinário de mais ou menos como o emprego da Tábua de Multiplicação é um
melhoramento da contagem nos dedos.
30. Se realizastes corretamente o trabalho de preparar vossa Tábua de Valores da Vontade,
notareis, no fim, que vossos “valores principais” representam (a) vossos sentimentos, emoções,
afeições e desejos mais fortes; (b) sujeitos ao cuidadoso escrutínio, análise, síntese e juízo final de
vossas faculdades raciocinadoras, e (c) provados pelos vossos mais altos princípios e padrões
morais. No estabelecimento de vossa Tábua de Valores da Vontade, vossas naturezas físicas,
mental, moral e espiritual tomaram parte – ela representa a essência de vossa natureza e caráter
totais.
31. Quando vos achais diante de duas ou mais alternativas embaraçosas que exigem Decisão e
Determinação, tendes apenas de aplicar a cada uma delas as seguintes perguntas, que servirão de
prova: “Que lugar, na minha Tábua de Valores da Vontade, tem este modo proposto de proceder?
Com que aproximação se assemelha e harmoniza com meus “valores principais”? Quanto está
longe dos meus “valores inferiores”?” A resposta vos dará o conveniente valor de cada uma das

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duas alternativas, imediata e diretamente; vossa Decisão e Determinação se seguirão rapidamente.
Além disso, por este método, a Vontade é treinada no hábito de Decisão e Determinação nas linhas
dos mais altos Valores da Vontade.
32. Entretanto, deveis lembrar-vos de que vossa Tábua de Valores da Vontade pode ser
aumentada, aperfeiçoada, modificada e sujeita ao processo de desenvolvimento evolutivo, à
proporção que vossa experiência alarga e dilata vossos horizontes intelectual, emotivo e moral. A
Tábua de Valores da Vontade da mocidade, embora boa para ser empregada por um rapaz, não pode
servir para dirigir um homem de experiência madura. Como em todas as coisas da Natureza, a Lei
de Evolução deve governar esta Tábua de Valores da Vontade. O sistema não é um código rígido e
inflexível que, uma vez formado e adotado, não pode ser melhorado e aumentado. Pelo contrário, o
homem inteligente e progressivo deve atender a que sua Tábua de Valores da Vontade esteja de
acordo com seu conhecimento e experiência progressiva.
33. Porém, deveis notar aqui dois pontos de conselho e prudência a respeito das mudanças
convenientes em vossa Tábua de Valores da Vontade, a saber: (1) Nunca mudeis ou modifiqueis
vossa escala de Valores da Vontade, quando estiverdes sob a influência de uma tentação ou sob a
sugestão de outros, interessados em vossa decisão, ou sob um ataque de oposição; (2) enquanto
vossa escala de Valores da Vontade permanecer inalterada e não modificada a respeito de alguma
decisão ou escolha de um modo de agir, deveis viver implícita e positivamente de acordo com ela –
deveis aderir estritamente a ela, enquanto não for modificada do modo conveniente e sob as
circunstâncias adequadas, isto é, livre de impulso exterior ou tentação, sugestão ou oposição.
34. O seguinte conselho referente a este ponto, sem dúvida, vos será muito útil:
(1) Como dissemos acima, vossa Tábua de Valores da Vontade nunca deve ser mudada ou
modificada, quando estiverdes sob os ataques da tentação, oposição direta ou a sugestões de outrem.
Todas as vossas mudanças, modificações e desenvolvimentos evolutivos de vossa Tábua de Valores
da Vontade devem ser feitos por vós, quando estais livre e afastado das influências referidas,
porque, estando sob a influência destas forças psicológicas, vosso juízo nem sempre é perfeitamente
claro e vossa natureza emotiva muitas vezes está agitada.
35. Eis a regra: As mudanças e modificações – as emendas à vossa Constituição da Vontade – só
devem ser feitas sob as mesmas (ou semelhantes) circunstâncias e com o mesmo cuidado,
consideração, deliberação e sujeição a provas, que houve quando estabelecestes as decisões que
levaram à formação original de vossa Tábua de Valores da Vontade – vossa Constituição da
Vontade. Observando esta regra, conservareis o pé em terreno sólido e escapareis de muitos perigos
e experiências desagradáveis.
36. (2) Também vos dissemos que sempre deveis dirigir-vos e viver de acordo com a vossa
Tábua existente de Valores da Vontade. Enquanto vossa escala permanecer sem modificação e
aperfeiçoamento a respeito de algum modo particular de agir, deveis considerá-la como
absolutamente imposta à vossa Vontade e juízo nessa ocasião. Qualquer outro modo de agir vos
levaria ao estado de instabilidade e incerteza, de indecisão e falta de determinação, que são sinais de
vontade fraca e vacilante.
37. Vossa Tábua de Valores da Vontade representa o que há de melhor em vós – o melhor em
toda a vossa natureza – em qualquer tempo; e, por conseguinte, com o tempo vereis que é o melhor
e mais seguro guia de vossos atos e decisões. Representar vos mesmo, em vosso estado de calmo e
cuidadoso conhecimento e decisão – em contraste convosco mesmo sob as influências
perturbadoras, que abalam vosso juízo e perturbam as águas de vossas emoções. Representa o juízo
de “Philippe sóbrio” em contraste com o de “Philippe bêbado”.
38. Entretanto, notai esta distinção: embora o homem obstinado e pretensioso se apoie na sua
Tábua de Valores da Vontade, não deixa a Lei de Evolução agir sobre a mesma – não admite idéias
novas, novos pontos de vista, novos fatos provenientes de circunstâncias mudadas. Pelo contrário,
o homem de verdadeira firmeza e estabilidade de Vontade, embora se apoie, da mesma forma,
firmemente em sua Tábua de Valores da Vontade, contudo está sempre disposto e interessado em

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“fazer que ela esteja de acordo com os tempos”, e sempre trabalha para melhorar as qualidades dela
nas condições convenientes. Conquanto ambos se dirijam, por suas Tábuas de Valor da Vontade,
como elas são na ocasião em que devem ser aplicadas, há tão grande diferença entre os respectivos
métodos como a distância entre os pólos. Num caso, o código é petrificado e rígido, ao passo que,
no outro, é flexível, vivo e sujeito a melhoramentos nas condições convenientes. O homem que
realmente é “firme” tem Propósito fixo, porém está disposto a mudar de Posição, quando isto serve
a seu propósito. O obstinado é fixo apenas em Posição – apega-se à sua posição, embora seu
propósito perigue e seja destruído por isso. Notai a distinção.
39. As duas regras de prudência acima traçadas serão bem úteis na prática, como se há de ver
com o tempo – as poucas exceções, ou exceções aparentes, servindo apenas para dar realce à regra
geral. Existem pouquíssimos casos em que estas regras poderão não ser o modo mais inteligente e
sadio de agir e de conduta. Se exercestes o devido cuidado na preparação de vossa Tábua de
Valores da Vontade, as exceções a estas regras serão notavelmente raras – realmente tão raras que
podem passar sem entrar na contagem do total de vossas experiências.
40. Este sistema, baseado na Tábua dos Valores da Vontade, não é tão arbitrário como parecerá à
primeira vista. Visto que vossa Tábua de Valores da Vontade foi construída com cuidado e foi
atentamente revista na decisão final, representa o que há de melhor em vosso ser emotivo, em vossa
entidade intelectual, em vosso ente moral. Isto sendo assim, segue-se que, vivendo de acordo com
estas mais altas informações de todo vosso ser e evitando o que é informado por todo vosso ser
como sendo inferior e indigno, estais vivendo de acordo com o que é de maior valor real e
permanente para vós – sendo assim, sois verdadeiros para convosco mesmos, e, conforme as boas
autoridades, assim fazendo, sois também verdadeiros para com todos os outros homens.
41. Estabelecimento de uma Consciência de Valores da Vontade – Se vos puserdes com o
interesse e a determinação convenientes ao trabalho de construir e estabelecer vossa Tábua de
Valores da Vontade, baseada nos vossos escolhidos Padrões Fixos e então passardes a aplicar os
padrões desta Tábua com sinceridade e consciência, não levará muito tempo que notareis ter
estabelecido o que se pode chamar uma Consciência de Valores da Vontade, na vossa entidade
mental subconsciente. Esta nova consciência se tornará mais forte e logo se manifestará com tanto
vigor e eficiência como o faz a mais familiar “consciência moral” ordinária com que todos nós
estamos mais ou menos acostumados.
42. A Consciência dos Valores da Vontade, há pouco despertada, existindo nas regiões
subconscientes de vosso ente, dará o sinal de alarme, quando estais em perigo de violar os
princípios de vosso Padrão Fixo e de deixar de observar vossos “valores principais”. Ela vos tirará
o sossego, quando não estiverdes vivendo de acordo com as exigências de vossos padrões; ela vos
dará um sentimento de calorosa circulação da satisfação, quando vos conformardes com o princípio.
O homem no qual esta Consciência dos Valores da Vontade foi despertada, é bem-aventurado; terá
“algo dentro” que conservará seu pé no caminho reto e o advertirá para não entrar nos desvios e
atalhos, que cortam a Estrada da Realização. E três vezes bem-aventurado é aquele que, tendo esta
consciência, adquire o hábito de seguir firmemente seus avisos e obedecer a suas ordens.
43. Este capítulo deste livro deve ser estudado em relação com o imediatamente precedente e o
imediatamente seguinte, pois os três capítulos estão intimamente ligados e a instrução de um deles
se mistura com a dos outros dois.
44. Neste capítulo consideramos apenas a primeira fase da Vontade Determinativa, isto é, a fase
de Decisão ou “fixação da mente”. A consideração da Segunda fase, isto é, resolução firme ou
“direção absoluta a certo fim”, será feita no capítulo que segue imediatamente o presente, isto é, no
que trata da Ação Voluntária. A razão desta divisão do assunto e desta mistura das duas fases da
Vontade-ação, se vos tornará mais aparente com a continuação.

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Capítulo – VI –

A VONTADE ATIVA

01. A fase da Ação é a quinta fase do Processo da Vontade. Aqui a Vontade se manifesta na
Ação Voluntária, isto é, “o processo de agir e mover-se pelo Poder da Vontade”. Esta é a fase final
do processo da Vontade – a fase de que as fases precedentes foram apenas preliminares. Na Ação
Voluntária, a Vontade manifesta seu caráter e natureza únicos. Todas as energias da Vontade foram
dirigidas para a Ação Voluntária. O Poder da Vontade se refere essencialmente à Ação. Todas as
ações humanas são produzidas pela Vontade. Quando a Emoção se eleva à motivação e ao ato, esta
motivação e este ato são atos da Vontade. A Vontade está inevitavelmente envolvida em todo
“fazer”. O elemento motor das idéias se obtém da Vontade.
02. Teoricamente, pode dizer-se que a Decisão e a Determinação completam o processo da
Vontade – e, realmente, os antigos psicólogos assim pensaram e ensinaram. Porém, a experiência
prática, apoiada pelo ensino da nova psicologia, insiste em que as decisões e determinações são de
pouco valor real a não ser que passem para a ação. O antigo dito de que “o caminho do inferno está
cheio de boas intenções” pode bem ser alterado no seu fraseado de modo a dizer-se que o caminho
do inferno está cheio de boas “decisões não completadas e de resoluções abortadas”. Muitas
pessoas têm o hábito de pensar que, tendo decidido e resolvido fazer alguma coisa, o assunto fica
liquidado e nada mais precisam fazer nele.
03. É muito fácil sentar numa confortável cadeira e resolver que haveis de agir desta ou daquela
forma no momento de o fazer; porém é bastante difícil realizar até mesmo um décimo dos atos que
assim podeis resolver e decidir a fazer – embora muitas pessoas pareçam não perceber a distinção e
diferença entre os dois processos. Como nos disse William James, estais no leito por uma manhã
fria e resolveis firmemente a levantar-vos e a começar o trabalho diário; decidis que este é o único
curso racional a seguir e vos decidis mentalmente a seguí-lo – porém, muitas vezes não chegais a
mover um músculo para agir desta forma. Em tais casos é só quando se torna insistente a idéia de
levantar-vos – quando vosso despertador mental soa com mais violência e insistência – que saltais
da cama, com um final resmungar de protesto.
04. O mundo está cheio de pessoas que são incapazes de compreender que a decisão e resolução
de fazer uma coisa são coisas muito diferentes do fazê-las realmente. Estas pessoas raramente
realizam um trabalho real de própria vontade – tudo o que fazem é forçado pelos outros ou pelas
circunstâncias. Sempre estão decidindo a fazer coisas, resolvendo a fazer coisas – porém nunca
fazem realmente as coisas. Seus processos de Vontade, raramente se completam. Os homens e as
mulheres que fazem coisas no mundo, que alcançam êxito, que realizam seus fins e aspirações, são
aqueles que tendo se resolvido e determinado firmemente a fazer certa coisa, completam o processo
da Vontade, pondo-se a agir na direção de fazer a coisa em questão.
05. Mas aqui também nos achamos em frente de outro destes estranhos paradoxos que são
abundantes na ciência da psicologia. Acabamos de ver que, se esperais realizar algo no mundo,
deveis passar além da fase de simples decisão, resolução e determinação – deveis elevar-vos ao
plano da Ação Voluntária. Porém, de outro lado, devemos informar-vos que, se esperais que vossa
Ação Voluntária “chegue a alguma coisa”, seja eficiente, realize seu propósito, deveis levar, na
vossa Ação Voluntária, uma forma altamente desenvolvida de Determinação. Na realidade,
analisando-a intimamente, se há de ver que a Ação Voluntária é a Determinação proposital
manifestando seu aspecto dinâmico. O aspecto subjetivo da Determinação é o aspecto dinâmico da
Vontade; ambos são aspectos gêmeos da mesma coisa, afinal.
06. Compreendendo este fato, ficais sabendo que vossa Ação Voluntária efetiva deve ser sempre
precedida e acompanhada de uma Determinação proposital forte e positiva. Repitamos aqui a
definição deste termo. O termo “Propósito” significa: “A vista, aspiração, desígnio, intenção,
determinação, resolução ou vontade de realizar ou alcançar algum objeto particular; aquilo que

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uma pessoa põe diante de si como objeto a ser conseguido ou realizado; o fim ou aspiração que
alguém tem em vista em qualquer plano, medida ou esforço; aquilo que alguém entende de fazer, e,
portanto, sua intenção, desígnio, plano ou projeto”. O termo “Determinação”, neste emprego
particular, é definido: “Força ou firmeza mental; resolução firme; direção absoluta para certo
fim”.
07. Pelas definições precedentes, não tendes dificuldade em formar um conceito claro e positivo
da Determinação proposital; porém, com o fim de ilustrar, vos pedimos que considereis, pondereis e
confieis à memória as seguintes citações de escritores eminentes. Cada uma delas foi escolhida
com propósito especial e para despertar e manifestar certa fase de vosso Poder de Vontade. Elas
vos ajudarão a encher os detalhes de vossa pintura mental ou idéia geral da Determinação
proposital, este espírito essencial da Vontade.
08. Diz Buxion: “Quanto mais tempo vivo, mais certo fico de que a grande diferença entre os
homens, entre o fraco e o forte, entre o grande e o pequeno, é a Determinação Invencível – um
propósito uma vez fixo e depois o Triunfo ou a Morte. Esta qualidade fará tudo o que pode ser feito
neste mundo – e sem ela nenhum talento, circunstâncias, oportunidades, farão de uma criatura de
duas mãos um homem”.
09. Diz Mitchell: “A resolução é o que manifesta um homem; não uma resolução fraca, não um
propósito vacilante – mas a forte e incansável Vontade, que calca aos pés as dificuldades e perigos
como um rapaz pisa sobre as terras cobertas de gelo do inverno; Vontade que lhe incendeia o olhar
e o cérebro numa pulsação para o inatingível. A Vontade faz os homens gigantes”.
10. Disraeli exprime: “Por uma longa meditação, cheguei à convicção de que um ente humano,
com um propósito determinado, deve realizá-lo e que nada pode resistir a uma Vontade que arrisque
até a própria existência para sua realização”.
11. Expressa Simpson: “Um Desejo apaixonado e uma Vontade inquebrantável podem realizar
coisas impossíveis ou o que pode parecer tal ao que é frio e fraco”.
12. Declara Foster: “É admirável notar-se como até as casualidades da vida parecem curvar-se a
um espírito que não se curva a elas e tender a servir um desígnio que, na sua aparente tendência,
procuram frustrar. Quando se apresenta um espírito firme e decidido, é curioso ver-se como o
espaço se aclara ao redor de um homem e lhe deixa lugar e liberdade”.
13. Expõe Emerson: “Saímos com disposição austera, concentrada, crente nos laços de ferro do
Destino e não damos volta aos calcanhares para salvar nossas vidas. Um livro, um retrato ou apenas
o soar de um nome espalha uma corrente de energia em nossos nervos e imediatamente acreditamos
na Vontade. Não podemos ouvir falar de qualquer espécie de vigor pessoal, de grandes poderes de
realização, sem tomar novas resoluções”.
14. Este é, pois, o espírito com que deveis estabelecer vossas Ações Voluntárias, que vos levarão
à consecução e realização de vossos “motivos principais”, vossos “valores superiores”, vosso
Padrão Fixo, vosso Summum Bonum ou Bem Supremo. Deveis entrar em vossa tarefa com o
espírito da Fórmula Suprema de Realização, a que nos referimos frequentemente: “(1) Ideais
Definidos, (2) Desejo Insistente, (3) Expectação Confiante, (4) Determinação Persistente, e (5)
Compensação Equilibrada”.
15. Pedimo-vos que considereis cuidadosamente os princípios desta Fórmula Suprema, que estais
para empregar na tarefa da Ação Voluntária para a Realização. Considerai detalhadamente seus
elementos, como vos serão apresentados nas diversas páginas seguintes; ponderai-os
cuidadosamente; confiai à memória seus pontos essenciais.
16. (1) Ideais Definidos – Antes que possais por-vos inteligentemente a fazer uma coisa, a obtê-
la ou a consegui-la, é necessário que tenhais uma idéia e ideal claro e definido de tal coisa. Na
vossa consideração da Determinação proposital, não deveis perder de vista a importância do
“Propósito” ao desenvolver a “Determinação”. A Determinação perderá muito de sua força
dinâmica se for dispersa, ou se o propósito que a dirige não é bem definido e claro. Lembrai-vos de
que uma das definições da Determinação é “direção absoluta para certo fim”; e que Propósito

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significa: “A ambição, desígnio, intenção, resolução, determinação e vontade de realizar ou
conseguir algum objeto ou fim particular”.
17. Notai especialmente a referência “a certo fim” e a “algum objeto ou fim particular”. As
palavras “certo” e “particular” implicam algo definido, clareza, precisão, especificação de sentido,
idéia e ideais. Indicam a necessidade de Ideais Definidos e Propósito Definido. Se faltar direção
definida em vossa Ação Voluntária, vossa Determinação Proposital perdeu um de seus braços
fortes. Este primeiro elemento da Fórmula Suprema é importantíssimo para o caso que nos
preocupa – o caso da manifestação da Ação Voluntária e da Determinação Proposital.
18. Antes de poderdes realmente determinar a agir efetivamente, deveis saber o propósito de
vossa ação – o fim a ser alcançado, a coisa a ser obtida ou a direção que desejais seguir. Quanto
mais definido e positivo for vosso propósito e aspiração, maior será o grau de concentração que sois
capazes de aplicar na tarefa. Aqui deveis por em ação vossos poderes de Ideação e Visualização.
Deveis aprender a fazer um mapa da terra pela qual deveis viajar – fazer um mapa dos mares pelos
quais desejais navegar. Deveis exercer a habilidade construtiva no desenho, plano, traçado e
preparação de um diagrama de trabalho daquilo que desejais realizar. Conheceis a direção geral, em
virtude de vosso conhecimento de vossos “motivos principais”, “valores superiores” e Padrão Fixo;
porém, provavelmente deixastes de traçar vosso plano com maiores detalhes e de encher-lhe os
pontos menores. Deveis corrigir e vencer esta deficiência, se ela existir em vosso caso.
19. Entretanto, achareis impossível fazer vossos planos em detalhes muito exatos. Em tal caso,
fazei o melhor que puderdes; traçai o delineamento geral o mais claramente possível, e depois
enchei os detalhes de tempos a tempos, logo que eles tomem forma em vossa imaginação
construtiva. Fazei o melhor que puderdes na criação de um propósito definido – um pouco de
prática aumentará vossa capacidade para esta espécie de trabalho. Não esperaríeis que um
construtor vos construísse uma casa, sem fornecer-lhe um plano de trabalho; não esperaríeis que um
construtor de estradas de ferro construa uma linha, sem lhe serem fornecidos os planos do
engenheiro dessa construção. Portanto, deveis saber positiva, clara e definidamente o que desejais
realizar, os fins e aspirações a serem conseguidos, a direção de vossos esforços, o propósito
particular que desejais conseguir, antes de poderdes esperar aplicar efetivamente vossa
Determinação Persistente.
20. Não é científico cantardes: “Não sei para onde vou, mas estou no meu caminho”. Deveis
saber para onde ides – e, não só isso, deveis saber também exatamente com que fim vos dirigis para
tal ponto e o que tendes probabilidade de encontrar no caminho. Deveis aprender a lição da antiga
história do arquiteto no banco das testemunhas: Afirmou que, para planejar qualquer construção, era
necessário alguém de sua profissão. O advogado contrário lhe perguntou sinceramente: “Peço-lhe
que nos diga, então, quem foi o arquiteto da Torre de Babel?” O arquiteto respondeu prontamente:
“Não havia nenhum, senhor; daí a confusão e o insucesso”.
21. Referindo-vos às citações de uma das páginas precedentes, vereis que os autores citados
deram ênfase especial ao “propósito fixo”, “propósito estabelecido”, “desígnio”. A afirmação de
Disraeli que “um ente humano de propósito determinado deve realizá-lo”, fornece a nota principal.
O propósito não deve ser somente claro e definido, mas também deve ser fixo e determinado – um
propósito ao qual se adere com persistência obstinada e firmeza determinada. Quanto mais
claramente puderdes ver o que precisais fazer, mais capaz sereis de fazê-lo e mais determinado
estareis a materializar este propósito idealizado e visualizado.
22. Não só deveis “precisar urgentemente”, mas também deveis “saber exatamente o que
precisais” – sabê-lo bem clara e bem definidamente. Possuindo e manifestando estes poderes de
vosso ente mental e emotivo, estais preparados a aplicar e a exercer vossa Determinação Proposital,
em sua mais completa capacidade e com seus poderes totais. Tendo descoberto vosso Propósito na
Vida, deveis por-vos a manifestá-lo em Ação Voluntária e a materializá-lo – quanto mais definida e
clara for a pintura mental, mais definida e positiva será a materialização.
23. (2) Desejo Insistente – Ficastes a par dos fatos referentes ao poder do Desejo. Vistes que

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todo Poder da Vontade é posto em operação pelo Desejo e que o grau manifestado de Poder de
Vontade é diretamente proporcional ao grau de Desejo que o impulsiona. Isto assim sendo, não
precisais mais argumentos a respeito da necessidade de manifestar um desejo forte e positivo,
quando pretendeis realizar alguma coisa. Compreendeis que a Chama do Desejo é necessária para
produzir o Vapor da Ação Voluntária.
24. Deveis procurar manifestar sempre este sentimento e desejo insistente, imperioso, dominante,
que não aceita recusa, para a consecução dos objetos ou circunstâncias representadas por vossos
“valores principais” ou “motivos principais” ou a manifestação de vosso Padrão Fixo.
Exemplificamos repetidas vezes este estado mental pelo exemplo do homem que está a afogar e
pede ar, pelo do faminto que pede alimento, pelo do sedento que pede água, pelo da criatura
selvagem que pede seu par, pelo da mãe que deseja a saúde e bem-estar de seus filhos. Este é o
espirito do Desejo Insistente com que deveis vos dirigir à vossa tarefa de Ação Voluntária para a
consecução de vossos “motivos principais” e “valores primordiais”.
25. (3) Expectação Confiante – O estado mental representado pelo termo “Expectação
Confiante” é de valor positivo para vós; seu oposto, isto é, o estado mental de Dúvida medrosa, vos
é muito prejudicial. A Expectação Confiante tende a por em atividade todos os poderes de vosso
ser mental e enchê-los deste ardor de realização que é baseado na confiança e crença no feliz
resultado final. O Medo e a Dúvida tendem a paralisar a Vontade, ao passo que a Fé e a Esperança
tendem a energizá-la e inspirá-la. Não temos necessidade, aqui, de entrar na psicologia deste fato –
basta para este propósito a afirmação do fato em si e a referência à experiência comum para ilustrar
suas operações.
26. Se considerardes os casos dos homens e mulheres que realizaram grandes coisas no mundo,
nas diversas linhas do esforço humano, vereis que, em todos os casos, estes indivíduos foram
inspirados pela crença em seu êxito final – esperaram confiantemente um resultado feliz. Se
tivessem tido outra crença, não teriam tido a coragem e perseverança que lhes permitiram vencer os
obstáculos em seus caminhos e subirem ao triunfo pelas escadas de pedra de seus próprios
insucessos aparentes.
27. É a Expectação Confiante – esta combinação da Fé e da Esperança – que permite a alguém
agir de acordo com o adágio: “Quando sentirdes que deveis deixar ir – então vos aferrai mais ainda,
porque a vitória está próxima”. Quando compreendemos o efeito da Expectação Confiante sobre as
atividades da Vontade, somos quase que impelidos a concordar inteiramente com Tanner, na sua
célebre afirmação que: “Crer firmemente é quase equivalente a realizar”. Porém, quer este
princípio seja ou não levado tão longe, é incontestável que a Expectação Confiante é um elemento
poderosíssimo na triunfante e efetiva Ação Voluntária.
28. Nesta instrução, insistimos sobre a adoção do lema: “Eu posso, eu quero; eu ouso, eu faço!”
O “eu posso” é baseado na Expectação Confiante; o “eu ouso” nasce da mesma convicção íntima de
êxito final. Com efeito, o espírito da Expectação Confiante respira através deste lema e o penetra
inteiramente – e todos os processos da Vontade Despertada.
29. (4) Determinação Persistente – Aqui nos aproximamos do elemento característico da
Determinação Proposital. A própria palavra “Determinação” leva consigo a idéia e o pensamento
de “persistência”. Acha-se presente a idéia de persistência em todas as aplicações do lema ou
máxima: “Eu posso, eu quero; eu ouso, eu faço”! Sempre deve estar presente não só a determinação
de fazer a coisa, mas também a aplicação persistente da Vontade na tarefa. A Determinação, sem a
persistência, seria como o drama de Hamlet, com omissão do caráter de Hamlet. Na realidade, é
difícil formarmos um conceito do Poder de Vontade prático sem incluirmos nele o elemento da
persistência ativa. A Vontade Persistente é a Vontade Efetiva – a Vontade Real em Ação. Seja
qual for a concepção que fizermos da Vontade efetiva, sempre devemos concebê-la como sendo
persistente.
30. Na Determinação Persistente, manifestais o Poder da Vontade não só na Ação Voluntária,
mas também na tarefa de fortalecer e prender no seu trabalho o Poder Dinâmico da Vontade.

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6
Quando tiverdes obtido um domínio completo de vosso despertado Poder de Vontade, deveis
aplicar a qualidade de persistência a suas atividades. Deveis manifestar esta qualidade na firmeza,
persistência, intenção fixa, direção positiva e constância inabalável na continuação da carreira
escolhida. Deveis manifestá-la, prosseguindo firmemente no trabalho empreendido e apegando-vos
com firmeza ao plano geral destinado a governar este trabalho. Deveis manifestá-la na
perseverança, apesar dos obstáculos e desânimos e na persistência diante da oposição e dos atrasos.
31. Os característicos da Determinação Persistente são estabilidade, persistência, fixidez de
propósitos, tenacidade, teimosia e aplicação persistente. A Determinação Persistente vos permite
conservar vossa Vontade presa à tarefa – conservá-la presa, firme e continuamente, até que o êxito
seja alcançado e a vitória seja ganha. O êxito, em muitos casos, depende da aplicação da
Determinação Persistente – a manifestação do poder e determinação de persistir até o fim. Muitos
homens, que possuíam outras qualidades do Poder da Vontade lutaram valentemente, porém, logo
antes da maré mudar-se em seu favor, abandonaram seus esforços e saíram da luta – vencidos, não
pelas circunstâncias, mas pela falta de Determinação Persistente. Estudando as vidas dos grandes
inventores – Morse e Edison, por exemplo – vereis a importância capital desta faculdade de
“manter-se firme” e este espírito de “nunca dizer: está perdido”.
32. (5) Compensação Equilibrada – Este elemento da Fórmula Suprema tem sua expressão
familiar na frase “pagar o preço”. Em toda realização deve ser pago o “preço”. A Compensação é
uma lei da Natureza e manifesta sua força em todos os planos da existência e em todas as formas de
atividade. Quem procura conseguir algo, deve estar preparado para “pagar o preço”. O “preço”
pode consistir em trabalho feito, perseverança, aplicação persistente, indústria e diligência, ou
serviço feito a outros com os quais se tenha negócios ou relações semelhantes – na capacidade e
vontade de pagar o “valor recebido” do que obtém para si pelo sacrifício e renúncia de idéias,
ideais, sentimentos, desejos, aspirações e ambições, que são opostas ao assunto ou objeto
representado pelos “motivos principais” ou “valores superiores”. Deve-se sacrificar de boa vontade
os valores menores em favor dos maiores.
33. Todos os homens que realizaram e alcançaram alguma coisa digna, “pagaram o preço” em
todas as diversas formas acima mencionadas. A Compensação é uma necessidade da Realização;
sempre há um Equilíbrio a estabelecer entre o que “obtemos” e o que “damos” ou “abandonamos”.
Aquele que procura fugir do “pagamento do preço” desafia uma grande lei da Natureza e da Vida.
É como se no Cosmos houvesse um grande livro em que estivessem escrito o “haver” e o “deve” em
cada página. A LEI procura continuamente estabelecer “equilíbrio” – “equilíbrios de prova” e
“liquidações finais”. O sábio compreende isso e aproveita tal conhecimento; os tolos o ignoram, e
perdem, devido à sua ignorância. “Disseram os deuses aos homens: “O que precisais"?". Tomai-o
e pagai-o!”
34. O Espírito da Vontade Ativa – As seguintes citações de escritores eminentes servirão para
ilustrar o espírito da Vontade Ativa, principalmente na sua fase de Determinação Proposital. Deveis
considerar cada citação cuidadosamente, ponderá-las com interesse e confiá-las à memória. Cada
uma delas foi escolhida com o propósito de apontar algum ponto ou princípio particular e todas são
destinadas a servir-vos de “máxima inspiradora” nos momentos de prova, tentação, dúvida ou
desânimo – são verdadeiras poções tônicas da Vontade. Desafiamo-vos a que as repitais com
interesse vivo, sem sentirdes as vibrações e impulsos da Vontade a mover vossa alma e despertar o
espírito de “eu posso, eu quero; eu ouso, eu faço!”.
35. Expõe Kennan: “Neste mundo, o espírito humano, com sua força dominadora, a Vontade,
pode e deve ser superior a todas as sensações do corpo e a todos os acidentes do meio ambiente”.
36. Harriet Beecher Stowe escreve: “Quando chegardes a um lugar de aperto e tudo estiver
contra vós até parecer que não podeis persistir mais um só minuto, então não cedais, pois este é
exatamente o lugar e o tempo em que a maré mudará”.
37. Diz d’Alambert: “Prossegui, senhor, prossegui! As dificuldades que encontrais se resolverão
por si mesmas, à proporção de vosso avanço. Continuai e a luz virá, brilhando com crescente

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claridade em vosso caminho.”
38. Exprime Henry Ward Beecher: É a derrota que endurece os ossos, muda as cartilagens em
músculos e faz os homens invencíveis, foi ela que formou as heróicas naturezas que agora estão
ascendendo no mundo. Não temais a derrota. Nunca estais tão próximo da vitória como quando
sois derrotados numa boa causa”.
39. Diz Cuyler: É espantoso como falta a muitos homens o poder de “manter-se firme” até
chegarem ao fim. Podem dar um impulso repentino, porém lhes falta continuidade. Desanimam-se
facilmente. Prosseguem enquanto as coisas correm bem, porém, quando há obstáculos, perdem o
ânimo. No que se refere a seu espírito e força, dependem de personalidades mais fortes. Falta-lhes
independência e originalidade. Ousam apenas fazer o que os outros fazem. Não se lançam
francamente fora da multidão, nem agem sem temor”.
40. Escreve Emerson: “Não conheço uma insígnia e distinção mais incontestável de uma mente
soberana do que a tenacidade de propósito, que, apesar de todas as mudanças de amigos, de
companheiros ou da sorte, nunca muda, não perde o ânimo e a esperança, mas triunfa da oposição e
chega a seu porto”.
41. Exprime John Huntler: “Haverá alguém ao qual as dificuldades desanimem, que se curve à
tempestade? Pouco fará. Haverá quem queira vencer? Este homem nunca é derrotado”.
42. Disse Napoleão Bonaparte: “A mais verdadeira sabedoria é uma Determinação Resoluta”.
43. Diz Munger: “Um forte propósito destemido tem muitos braços e prende tudo o que está
próximo e lhe pode servir; tem uma força magnética que lhe atrai tudo o que se lhe assemelha”.
44. Expõe Wirt: “O homem que hesita continuamente qual de duas coisas fará primeiro, não fará
nenhuma. O homem que resolve, porém aceita que sua resolução seja mudada pela primeira
sugestão de um amigo – que flutua de uma opinião para outra, de um plano para outro e se move
para todos os lados como um mostrador de quadrante, com cada sopro de capricho que circula—
nunca pode realizar qualquer coisa real ou útil. É apenas o homem que primeiro estuda bem,
resolve firmemente e depois executa seus propósitos com perseverança inflexível, sem deixar-se
desanimar pelas pequenas dificuldades que abatem um espírito fraco – é este homem que pode
progredir até a elevação em qualquer coisa”.
45. Diz Fothergill: “O Poder da Vontade é um dos grandes dotes naturais – da mesma forma que
é um dos melhores resultados da educação própria. O homem que consegue elevar-se, passo a
passo, vê seu Poder de Vontade expandir-se com suas energias, com as suas responsabilidades. A
Força de Vontade é um risco – o poder de “persistir”. Os ingleses sempre se gloriaram de suas
qualidades arriscadas, quer da tenacidade de seus buldogues, da persistência de seus cavalos de
corrida, da inabalável coragem de suas caçadas ou seus propósitos indomáveis. “Onde há uma
Vontade, há um caminho”. O caminho pode estar muito longe da vista, ser difícil de encontrar,
extenso, pedregoso e aparentemente interminável; porém o viajor prossegue nele com resolução
inabalável – para o êxito final.”.
46. Na Determinação Proposital e na Ação Voluntária a respeito dela, a Vontade
deliberadamente escolhe um fim ou objeto a ser atingido e então se põe a manifestar a
Determinação na forma e ação exterior. Dirige-se para seu fim com intensidade de propósito e
direção de aspiração. O fim deve ser claro, definido e capaz de visualização distinta. O esforço
para alcançar este fim deve pôr em ação toda a natureza da Vontade e toda a força e energia do
Poder da Vontade. Como disseram muito bem: “Toda a força viva da Vontade deve ser literalmente
empenhada nele, não uma ou duas vezes, mas continuamente, até sua realização”.
47. A Determinação Proposital deve ser real – deve ser manifestada por vós com todo o poder de
vossa alma. Não deveis brincar com tais resoluções; deveis ter o mais vivo interesse nelas.
Lembrai-vos de que a honra e integridade de vossa Vontade estão em jogo e que não deveis pô-las
em descrédito. Romper esta resolução é envergonhar a vós mesmo e à vossa Vontade. Fareis bem
de lembrar e seguir o conselho dado por um escritor religioso, que tratou do assunto e aconselhou
seus discípulos a começar a querer, fazendo, em primeiro lugar, a seguinte afirmação:

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“Sim! Diante de Deus, exprimo isto! Exprimo-o tão intensa e realmente como o posso!
Manterei esta resolução. Sei que posso mantê-la e o farei, porque o exprimo. Ainda mais,
tomarei toda precaução para conservá-la viva e vigorosa dentro de mim, fazendo-a muitas
vezes”.
48. Esta é a essência e o espírito da Determinação Proposital. Esforçai-vos para alcançá-lo,
sustentá-lo e manifestá-lo. Este é “o raio da Vontade que pode!”.

______________

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Capítulo – VII –

TREINO DA VONTADE

01. Não basta que desenvolvais um forte Poder de Vontade, por mais importante que seja tal
desenvolvimento. Não basta que o cocheiro tenha a seu serviço uma parelha vigorosa para puxar
seu carro – deve também ser capaz de guiá-la e governá-la, dirigi-la e dominá-la. Assim, embora
possuais uma Vontade forte, sereis incapazes de dirigir eficazmente suas energias e poderes, se não
tiverdes adquirido domínio sobre seu mecanismo por um treino e disciplina cuidadosa e científica.
Para “treinar” vossa Vontade, deveis instruí-la e cultivá-la; deveis educá-la, exercitá-la, discipliná-
la, de modo a dar-lhe o hábito e tendência a dirigir-se pelas linhas que vossa razão indica ser a mais
vantajosa e eficaz.
02. Todo treino científico da Vontade começa com a instrução a respeito da formação de hábitos
vantajosos – a construção de caminhos limpos e claros pelos quais a Vontade possa seguir na ação
para a realização. Estabelecendo os hábitos convenientes de Vontade-ação, dareis muito mais
eficiência à vossa Vontade e, ao mesmo tempo, realizareis o máximo de resultados desejáveis com o
mínimo de dispêndio de energia. Aqui encontramos outro paradoxo interessante que, como
dissemos, é coisa abundante no campo da psicologia. O paradoxo é (a) que, conquanto a Vontade
se mova mais facilmente e com menos fricção nos caminhos do hábito, entretanto (b) o próprio
hábito é originalmente formado pelo exercício da Vontade.
03. A Vontade cede mais facilmente ao hábito e prefere seguir “as linhas da menor resistência”
no movimento habitual; entretanto, sendo posta a agir, ela prepara as linhas e caminhos de hábitos
vantajosos e desejáveis pelos quais seguirá no futuro. Faz como a forte e vigorosa corrente de água,
que, primeiramente, prepara para si um profundo canal na terra e depois caminha por este canal
como se estivesse limitada e restrita por ele. Tanto a corrente de água como a Vontade está presa e
restrita pelos canais por elas mesmas construídos – e ambas criam para si as futuras paredes
restritivas e diretivas.
04. O hábito tem sua correspondência nos objetos materiais; na realidade, todas as coisas
parecem estar, de qualquer forma, sob a regra do hábito. Um pedaço de papel ou de pano tende a
dobrar-se mais facilmente pelas linhas da dobra feita pela primeira vez – quanto mais vezes é feita a
dobra, mas fácil se torna cada dobra seguinte na mesma linha. A água acha mais fácil seguir o
caminho passado pelas correntes anteriores; a gota de chuva na vidraça da janela segue a mesma lei.
Toda ação voluntária realizada várias vezes do mesmo modo, tende a desenvolver-se em hábito
motor; e, além disso, depois de algum tempo, o movimento se torna quase instintivo e é realizado
pela mentalidade subconsciente a que foi enviado para atender e dirigir. Cada vez que vos vestis ou
pondes o calçado, realizais muitos atos habituais de que quase não tendes consciência. Isto também
é verdade para vossos atos de andar, empregar a faca e o garfo e outros atos que se vos tornaram
habituais.
05. O valor do hábito, no treino e na educação da Vontade, é muito grande. Não só o hábito (1)
simplifica o processo de qualquer modo de agir, e (2) diminui o grau de atenção voluntária
necessária à realização de um ato dado, mas também (3) dá maior peso e energia ao impulso
emotivo para uma ação dada, aumentando assim seu valor emotivo e permitindo–lhe resistir mais
eficazmente às exigências e pressões de um conjunto oposto de impulsos e desejos emotivos.
Quando tiverdes “tornado hábito” a eficiente e vantajosa ação da Vontade, tereis progredido
bastante na estrada da consecução de um Poder de Vontade forte e eficiente.

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7
Regras para estabelecer hábitos de Vontade

06. As seguintes regras serão muito úteis e efetivas na vossa tarefa de estabelecer os hábitos
convenientes de Vontade. Na aplicação delas, deveis empregar vossa Tábua de Valores da Vontade
e vosso Padrão Fixo1 para determinar quais hábitos particulares deveis procurar desenvolver,
cultivar e adquirir. Quando encontrardes nas regras seguintes as palavras “o hábito” ou “os
hábitos”, compreendereis que estes termos se aplicam aos hábitos que exprimem os desejos
(experimentados pela razão) que ocupam o ponto culminante de vossa Tábua de Valores da
Vontade – ou então os modos menores da ação da Vontade, que servem para aumentar os interesses
destes “valores superiores”. Eis as regras:
07. I. Empregai uma Forte Iniciativa – Ao por em campo um novo hábito, empregai uma forte
iniciativa. Ponde, no princípio, a maior determinação e energia motora possível no modo particular
de agir. Lançai o barco do hábito o mais possível na corrente da ação, empregando toda a força
da determinação e força de vontade à vossa disposição. Isto fornecerá ao novo hábito o tempo
suficiente para levá-lo bem adiante dos primeiros lugares perigosos e a dar-vos uma “partida de
bastante alcance”. Vosso principal perigo de ceder à tentação virá na saída; porém, se tiverdes o
tempo suficiente para vos levar adiante destas tentações do início, sereis mais capazes de resistir às
outras; quanto mais procurardes adiar o tempo das primeiras tentações, menos poder terão sobre vós
essas tentações. Portanto, lembrai-vos sempre que deveis procurar obter uma partida de bastante
alcance.
08. II. Exercei cuidado no começo – O começo da formação do novo hábito é o tempo mais
crítico de toda a tarefa. Isto acontece porque o poder do hábito oposto ainda não começou a apagar-
se, em virtude da manifestação do oposto, isto é, do novo hábito. A regra é: Não permitais que uma
só exceção ou variação suceda enquanto o novo hábito não estiver bem estabelecido. Até que o
novo hábito fique bem enraizado, deveis guardá-lo com todas as vossas forças contra os ventos
tempestuosos da tentação e oposição. Disseram bem que a queda ou caída em tentação, neste
período primitivo, é como deixar cair a bola de barbante que se está a enrolar com tanto cuidado – o
simples escorregão desfaz mais do que muitas voltas da mão podem enrolar.
09. A psicologia do caso é esta: os dois impulsos opostos devem ser tomados de forma que o
vantajoso tenha uma série ininterrupta de êxitos e o desvantajoso tenha uma série contínua de
fracassos. O resultado desta série preliminar de conflitos representa um papel muito importante na
determinação da futura relação das duas forças opostas; aqui se aplica a regra do “para aquele que
tem, mais se dará e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”. Uma vez que os impulsos
vantajosos tenham adquirido o hábito de vencer, terá, desde então, uma imensa vantagem
psicológica sobre seu oponente, repetidas vezes vencido.
10. O homem que se determinar a estabelecer certo hábito vantajoso, certamente não o
conseguirá, se seguir o conselho de Rip Van Winkle de dizer “este não se conta”, quando a tentação
a violar a regra se apresenta. O fumar “um só” cigarro, quando decidistes a deixar de fumar ou o
“tirar mais uma soneca”, quando decidistes estabelecer o hábito de levantar a certa hora, podem
produzir a destruição de toda a Determinação Proposital. Pelo contrário, todas as vezes que se
resiste e se vence a estas “pequenas” indulgências do começo, a Determinação Proposital se torna
mais forte, às vezes até um grau que excede toda proporção com o atual valor real da realização.
11. III. Prática repetida – No estabelecimento de um hábito deveis repetir a prática da ação a
ele associada tão frequentemente quanto possível. Por este meio tornareis mais claro e vasto o
caminho mental pelo qual desejais que vossa Vontade passe habitualmente. Além disso, exercereis
também a faculdade particular que desejais fortalecer e desenvolver em eficiência. A Vontade é
fortificada não pela simples determinação mental de praticar um ato, mas de preferência pela prática
1
Cer – Padrão Fixo rever 5 (14,15,17)
Tábua de Valores da Vontade 5 (22 a 40)

45
7
real do próprio ato. O caminho para a produção de movimento é criado somente pela passagem
nele; e quanto mais vezes se passa por ele, mais fácil se torna a passagem seguinte. O real efeito
motor da ação da Vontade dá a “diretriz” às células e áreas cerebrais associadas a qualquer modo
particular de agir.
12. O esforço real vos obriga a firmar vossos pés no chão e exercer vossa energia. Como bem se
disse: “Aquele que não tem terreno sólido para apoiar-se nunca sairá da fase de simples gesto”.
Portanto, procurai toda oportunidade possível para tal ato, até que o hábito se torne firmemente
estabelecido. Uma chave funciona melhor depois de ter sido empregada várias vezes; um vestido se
ajeita melhor no corpo depois que foi ocupado algumas vezes; o pano se dobra mais facilmente
depois de ter sido dobrado algumas vezes; e como disse um velho escritor: “A ação continuada é
como a corrente de água, que prepara para si um canal de que não pode ser facilmente mudada”.
13. IV. Governai a Atenção – Na medida do possível, não permitais que a atenção permaneça
em idéias que sugerem um modo de agir oposto ao que está ligado ao novo hábito; conservai a
atenção fixa, o mais possível, nas idéias ligadas ao novo hábito. Assim alimentareis um conjunto
de idéias motoras e matareis o conjunto oposto. Se estiverdes vos esforçando para vencer o hábito
de fumar, será tolice permitirdes vossa mente pensar nos prazeres do cachimbo, charuto ou cigarro;
pelo contrário, deveis sustentar idéias sugestivas e pinturas das vantagens a serem conseguidas pelo
abandono do fumo, e, antes de tudo, conservai firmemente na mente a idéia que estais provando
que tendes uma Vontade bastante forte para permitir-vos vencer um mau hábito.
14. Fareis bem (particularmente a princípio) de seguir o exemplo dos companheiros de Ulysses,
que taparam seus ouvidos com cera para não poderem ouvir as vozes sedutoras das sereias; os
viajantes que negligenciaram esta precaução atraíram a própria destruição, porque permitiram os
sons tentadores entrarem em seus ouvidos. Isto não é covardia, mas ato de coragem, quando é bem
compreendido. “Zomba das feridas, quem nunca as sofreu”. Como bem se disse: “É necessário
mais coragem para desviar-se de certas idéias do que para enfrentá-las e o covarde é, às vezes,
aquele que não foge”.
15. Um dos métodos mais efetivos de repressão ou neutralização do poder de um desejo ou
impulso perturbador ou prejudicial é o de deliberadamente mudar a direção da atenção. É axioma
de psicologia que: “Conquanto a atenção siga o interesse, entretanto, o interesse pode ser dirigido
por um ato determinado da Vontade, de modo a despertar o interesse não presente anteriormente;
este interesse assim despertado se eleva ao Desejo e o Desejo dá poder motor e direção à
Vontade”.Neste axioma temos a chave do problema que agora estamos considerando.
16. É um fato bem estabelecido da psicologia que, nos processos da Vontade Deliberativa e da
Vontade Determinativa, o modo alternativo particular que, de alguma forma, atrai e prende a
atenção, terá maior valor e poder do que aconteceria noutro caso. O modo de maior interesse recebe
uma posição mais favorável, ao passo que outro é posto de lado – às vezes injustamente. Este
processo é semelhante ao que se passa em nós, quando damos preferência a um candidato político a
quem conhecemos e estimamos, em vez de fazê-lo a outro que não nos é familiar e não desperta
nossa atenção interessada.
17. Em vista deste fato, podeis ver quanto é importante que dirijais e conserveis vossa atenção, o
mais possível, no modo de agir que vossa razão e vossa Tábua de Valores da Vontade vos informam
ser melhor e mais vantajoso; e a afastar vossa atenção e interesse, o mais possível do lado oposto.
Assim fazendo, dais à idéia vantajosa maior força de atenção e interesse e colocais a ideia
desvantajosa em posição muito menos favorável.
18. Muitos homens evitaram agir louca e erradamente, voltando determinadamente sua atenção
para as consequências prováveis da proposta ação prejudicial. Muito bem designaram, como golpe
mestre da luta repressiva, por no campo da consciência uma idéia dos benefícios de uma ação
contrária ou a pintura mental dos maus efeitos da ação proposta. O beberrão, ao pensar na criança
doente que está em casa, fortifica seu esforço para reprimir o impulso do apetite. Quanto mais
Macbeth e sua mulher conservaram na mente e pintaram na imaginação a idéia de fama e poder,

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mais forte se tornou seu desejo e determinação de matar o rei. A atenção deles desenvolveu um
interesse e desejo crescente e assim aumentaram a força do motivo original.
19. A Vontade é capaz de determinar qual dos motivos que a influenciam se tornará mais forte;
realiza-o decidindo qual dos dois conjuntos opostos de idéias há de ocupar o campo da atenção
durante o conflito de desejo. A Emoção e o Desejo se desenvolvem sob o estímulo da atenção; a
Vontade, sendo senhora da atenção, tem o poder de animar ou repelir as idéias, que despertam o
sentimento emotivo e os desejos resultantes. Se um conjunto de idéias for bem conservado no
campo da atenção, um forte interesse e desejo emotivo podem formar-se ao redor dele; porém, se o
conjunto oposto de idéias for chamado ao campo da atenção e for conservado firmemente nele,
então o primeiro conjunto de idéias perderá interesse e poder motor.
20. Este princípio é exemplificado em uma das comédias de Moliére. Jeppe, caráter dissoluto, é
enviado, pela sua mulher (uma lavadeira), à vila, para comprar um pedaço de sabão e, para este fim,
ela lhe confia uma pequena moeda. Jeppe tem desejos de beber. Sabe que sua mulher o baterá, se
gastar o dinheiro, mas também sabe que tem grande desejo do copo de vinho. Resulta um conflito
de desejos. Jeppe diz a si mesmo: “Meu estômago diz vinho, minhas costas dizem sabão”. Fica
atormentado pela luta interna.
21. Finalmente, à proporção que caminha, vê a taberna diante de si. Isto decide o conflito, pois o
objeto que estava no campo da atenção foi mais forte do que aquele que estava fora. Diz: “Não é o
estômago de um homem mais do que suas costas? Sim, digo eu!” E entrou para a taberna. Se
tivesse lançado um olhar para a esquina e visto sua mulher com o olhar determinado, levando uma
boa vara consigo e aproximando-se dele, teria decidido em favor de suas costas e não de seu
estômago. Os dois conjuntos de desejos e impulsos eram quase equilibrados em Jeppe, porém o
elemento acrescentado da atenção e interesse despertados, deu a vitória ao vinho e a derrota ao
sabão.
22. As seguintes regras serão úteis em relação à Direção da Atenção no treino da Vontade,
principalmente na questão de cortar e restringir os desejos e impulsos prejudiciais e perturbadores,
que impelem para a direção oposta à dos “valores superiores” e do Padrão Fixo:
23. (1) Alimentai os Positivos – Alimentai a Vontade com idéias sugestivas e pinturas mentais
que representem favoravelmente os desejos e atos que constituem os “valores principais” de Vossa
Tábua de Valores da Vontade e que estão de acordo com vosso Padrão Fixo.
24. (2) Abafai os Negativos – Abafai os desejos e impulsos prejudiciais e as ações resultantes dos
mesmos, recusando resolutamente permitir que vossa atenção se dirija para as idéias sugestivas e as
ações que constituem os “valores inferiores” ou “valores baixos” de vossa Tábua de Valores da
Vontade e que estão em oposição com vosso Padrão Fixo.
25. (3) A Lei dos Opostos – Na cultura de um desejo, de um impulso vantajoso e sua ação
resultante, recusai resolutamente permitir que vossa atenção e imaginação se ocupem, de idéias
sugestivas e pinturas mentais que representam favoravelmente o conjunto oposto de desejos e
impulsos e sua ação resultante. Na restrição, destruição e neutralização de um desejo ou impulso
desvantajoso e a ação resultante dele, dirigi deliberada e determinadamente a atenção e imaginação
para as idéias sugestivas e pinturas mentais que representam o conjunto oposto (isto é, favorável) de
desejos e impulsos e suas ações resultantes.
26. A razão das regras acima é a seguinte: (1) A atenção e o interesse alimentam os desejos e
impulsos e fortificam as idéias: a falta de atenção e interesse abafa-as; (2) dando atenção e
interesse a um conjunto de desejos, impulsos ou idéias, tendeis a impedir, enfraquecer e abafar o
conjunto oposto. Ambos estes fatos são de suma importância: deveis lembrar-vos desta afirmação a
respeito deles.

Exercícios de Treino da Vontade

27. A observação das regras expostas nas partes precedentes deste capítulo dará à Vontade um

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considerável exercício de valor no treino do Querer. Entretanto, em acréscimo a elas, existem
várias formas gerais de exercícios que vos serão de grande valor na direção do fortalecimento da
fibra de vossa Vontade e de desenvolver vossos poderes de persistência, resolução e determinação.
Exercitando vossa Vontade contra obstáculos, oposições e dificuldades – as que existem no mundo
exterior e as que têm sua residência em vosso mundo interior de hábito, desejo e impulso – dareis à
vossa Vontade um poder de resistência e uma força agressiva que se farão sentir nos negócios e na
conduta de vossa vida diária, quando sois chamados a afirmar vosso Poder e Força de Vontade.
Vossa atenção è agora chamada para os seguintes princípios de Treino da Vontade, destinados a
estes fins.
28. Para temperar a Vontade nas linhas de resistência – Os pensadores práticos da humanidade,
desde séculos passados, sabiam que um dos melhores exercícios para o desenvolvimento de um
forte Poder de Vontade e para seu treino eficaz, é o da prática deliberada e determinada de certas
tarefas desagradáveis escolhidas; esta prática sendo empreendida e realizada não necessariamente
em razão de qualquer real proveito imediato para si ou para outrem, proveniente da realização dela,
mas somente por causa do valioso exercício da Vontade assim realizado e do igualmente valioso
treino da Vontade operado por estes meios.
29. Muitos dos antigos mestres ocultos começaram desta forma a instrução de seus discípulos,
resultando dai que a prática persistente deste método, sob a direção inteligente dos mestres,
desenvolvia e treinava os discípulos em verdadeiros gigantes de Poder da Vontade. A ordem,
universalmente conhecida, dos jesuítas empregou, durante centenas de anos, métodos semelhantes
com o fim de fortalecer as vontades de seus discípulos escolhidos e neófitos; em consequência
disso, os jesuítas são célebres pelas faculdades de determinação, persistência e resistência,
manifestadas pelos seus membros.
30. Muitos dos melhores psicólogos modernos renovaram este velho ensino e seus métodos e
encontram-se referências a este princípio em muitos livros dos mestres modernos deste ramo de
ciência. Por exemplo, o seguinte conselho de William James, um dos melhores filósofos práticos e
psicólogos dos tempos modernos: “Conservai viva a faculdade, por um pequeno exercício diário de
vontade. Isto é, sede sistematicamente ascéticos ou heróicos em pequenos pontos desnecessários;
fazei diariamente algo, pela simples razão de que preferiríeis não fazê-lo, de modo que, quando o
momento de dificuldade exigir sua realização, vos encontrareis preparado e treinado para isso. O
homem que diariamente se acostumou a hábitos de atenção concentrada, volição enérgica e recusa
para si de coisas desnecessárias, permanecerá como uma torre, quando tudo desmorona ao redor
dele e seus irmãos menos resistentes são arrastados como palha pelo vento”.
31. Vede como o acima exposto se assemelha, na prática, à disciplina dos antigos magos ou
ocultistas. Diz Evelyn Underhill: “A primeira lição do futuro mago é o domínio próprio. Na sua
essência, a iniciação mágica é uma forma tradicional de disciplina mental, que fortifica e focaliza a
vontade. Nada há de sobrenatural nela. O mais árduo, mais desinteressado treino do místico, é a
construção do caráter com um objeto, levada a um ponto heróico.
32. Diz Eliphas Levi: “Por meio de uma ginástica perseverante e gradual, as forças e agilidade do
corpo se desenvolvem ou se criam numa proporção que espanta. O mesmo se dá com os poderes da
alma. Quereis reinar sobre vós mesmo e sobre os outros? Aprendei a querer”.
33. “Como se pode aprender a querer? Aqui está o primeiro arcano da iniciação mágica e é para
fazer compreender o próprio fundo deste arcano que os antigos depositários da arte sacerdotal
rodeavam os acessos do santuário de tantos terrores e prestígios. Não acreditavam numa vontade,
sem que ela tivesse dado provas, e tinham razão. A força só pode afirmar-se por vitórias.
34. “A preguiça e a negligência são inimigas da vontade, e é por isso que todas as religiões
multiplicaram as práticas e tornaram minuciosos e difíceis seus cultos. Quanto mais alguém se
preocupa por uma idéia, mais força adquires no sentido da mesma. Não preferem as mães os filhos
que lhes causaram mais dores e lhes custaram mais cuidados? Por isso, a força das religiões está
inteiramente na vontade inflexível dos que a praticam”.

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7
35. O método antigo e moderno de acostumar a Vontade a enfrentar e realizar tarefas
desagradáveis e a vencer as condições desagradáveis por uma determinação firme, é um dos
melhores sistemas de educação e tempero da Vontade. Acostumando a Vontade a agir desta forma,
educá-la-eis de forma que agirá eficientemente, quando se apresentarem condições semelhantes na
vida real. Isto foi muito bem designado por “temperar a Vontade pelas linhas da maior resistência”.
A Vontade, treinada deste modo, sempre está preparada para enfrentar emergências desagradáveis,
por mais repentinas que elas se apresentem e mais sérias que sejam.
36. Bem se disse a respeito dos homens treinados desta forma que, enquanto os outros choram o
leite derramado, os possuidores de uma vontade assim treinada se põem a procurar a outra vaca para
tirar-lhe o leite ou então já a encontraram e começaram a ordenhá-la. Por outro lado, a pessoa que
se esforça cuidadosa e habitualmente para fugir das tarefas desagradáveis, dos fatos aborrecidos e
das circunstâncias contrárias, tem falta deste treino preparatório da Vontade; de modo que, quando
se acha realmente diante de circunstâncias desagradáveis ou condições aparentemente desastrosas,
sua Vontade não estará ao alcance da tarefa de vencê-los. Os homens que forçaram e abriram seu
caminho para as posições superiores do esforço, em qualquer campo da vida, desenvolveram a
Vontade desta forma. Muitos deles obtiveram o desenvolvimento por duras experiências na
“Universidade da Luta Penosa”, ao passo que outros o prepararam e preveniram pela preparação
científica, antes do dia do exame.
37. A vida está cheia de tarefas desagradáveis e circunstâncias penosas; praticar as primeiras e
governar as outras, só pode fazê-lo uma Vontade treinada. É sábio quem aprende sua lição antes da
hora da prova – está duplamente armado para a refrega. Esta espécie de treino foi comparada ao
seguro contra o fogo, em que se coloca uma casa; custa um pouco em esforço e negação de si
mesmo, porém é algo que serve para o momento de necessidade. É o grande fundo de reserva da
ação habitual da Vontade, de que podeis lançar mão nos momentos de necessidade. A importância
deste treino não pode ser exagerada. É como estabelecer e manter um depósito num banco de bons
juros; aumentado pouco a pouco e rapidamente, acumula-se em virtude dos juros compostos,
adquiridos pelos vossos depósitos.
38. Um conhecido mestre tinha o costume de aconselhar a seus discípulos que fizessem, às
vezes, alguma coisa, simplesmente porque “preferiram não fazê-la”, embora não fosse, por
exemplo, mais do que ceder um lugar num carro público. Napoleão tinha uma vontade treinada
desta forma; sua vontade estava tão completamente sob seu domínio que, aparentemente sem
qualquer luta emotiva, ele podia entrar em modos de agir desagradáveis, difíceis e aborrecidos,
mesmo que fossem extremamente penosos.
39. Tereis numerosas oportunidades para exercer vossa Vontade neste modo de treino – todos os
dias vô-las fornecerão. Fazei algo que especialmente tendes repugnância de fazer – fazei-o não por
haver mérito especial no fazê-lo, mas apenas e simplesmente por causa do treino que fornecerá à
vossa Vontade. Referem que certo homem foi observado a estudar cuidadosamente a grande obra
de John Stuart Mill sobre Economia Política – assunto a que tinha horror e para o qual não perdia
oportunidade de manifestar sua aversão. Quando lhe perguntaram porque estava fazendo isso,
respondeu: “Estou treinando minha Vontade; estou fazendo-o porque tenho intenso horror a isso”.
40. Os grandes homens da história treinaram suas Vontades nesta “linha da maior resistência”;
ao passo que o homem comum se contentou em exercitar sua Vontade apenas nas “linhas da menor
resistência”. Os primeiros treinaram-se de tal forma que, quando são obrigados a praticar algum ato
desagradável, o fazem com tanta facilidade e força como se o ato lhes fosse muito agradável; os
últimos acham quase impossível praticar atos desagradáveis e somente o fazem laçando-se
precipitada e loucamente na tarefa e mesmo assim realizam o ato sem ânimo e com pouquíssima
força e eficácia. Sois aconselhados a governar positivamente esta feição de vosso treino da Vontade
– pois chegará um dia em que nos ficareis grato, do fundo do coração, por vos termos dado este
conselho, desde que o tenhais seguido.
41. Para temperar a Vontade pela abnegação e esquecimento próprio. – Semelhante ao

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exercício precedente é o que consiste na prática casual do esquecimento de si mesmo, isto é, na
negação deliberada a vós mesmos de vosso prazer favorito. Esta recusa não deve ser feita por causa
de qualquer mérito no sacrifício ou no ato, mas apenas por causa do exercício de Vontade que é
exigido por ela e por causa da nova força adquirida pela sua prática. Muitos dos sacrifícios e outros
atos de abnegação impostos pelas autoridades que dirigem as grandes religiões do mundo tendem a
desenvolver o Poder da Vontade no indivíduo que os pratica; este fato é reconhecido pelas melhores
autoridades, porém geralmente não é compreendido pela massa de pessoas que praticam os atos em
questão. Os grandes mestres religiosos sabem que a pessoa que treinou sua vontade com atos de
abnegação, terá mais facilidade para resistir à tentação real, quando esta se lhe apresenta. A
psicologia reconhece um valor prático na abnegação e esquecimento de si mesmo, fora de seus
elementos puramente religiosos.
42. Os princípios gerais que governam os exercícios destinados a temperar a Vontade pela
prática de tarefas desagradáveis e incômodas, a que acabamos de nos referir, aplicam-se também no
caso atual de temperar a Vontade pela abnegação. A prática de tarefas desagradáveis e o ato de
afastar-se de expressões e manifestações agradáveis são ambos desagradáveis à Vontade não
treinada. Portanto, o mesmo princípio está contido em ambos e a Vontade é por eles treinada nas
mesmas linhas gerais, embora a aproximação seja feita de direções opostas.
43. No método de treino da Vontade pela abnegação, deveis escolher deliberadamente algum ato
ou modo de agir mais agradável – algo que muito ambicionais realizar – e então recusar
resolutamente fazê-lo dentro do limite de certo tempo. Esta recusa pode ser a de fumar vosso
costumeiro cigarro de depois da refeição, de tomar vossa habitual xícara de café, de ler a conclusão
de um livro interessante ou o novo fascículo de um romance, de comer algum alimento
particularmente desejado e apreciado, de assistir a uma peça que tivestes muita vontade de ver – na
realidade, a recusa de fazerdes qualquer coisa especial que desejais vivamente fazer.
44. O limite de tempo deve ser definidamente fixado – e ser estritamente observado. – Há um
positivo valor psicológico no definido limite de tempo. Deveis ser absolutamente honesto em vossa
escolha do objeto de vossa recusa a vós mesmos – deve conter uma prova real e exigir um esforço
real da Vontade para sua realização. Deveis abandonar algo de verdadeiro valor emotivo para vós
(sem dúvida, somente no tempo do exercício ou dentro do limite de tempo deliberadamente
escolhido por vós no princípio). O limite de tempo deve ser suficientemente extenso para fornecer
uma verdadeira prova à Vontade. O ato de abnegação deve “magoar-vos” – deve ser suficiente para
fazer-vos “sofrer”. Deveis ser um severo mestre de obras para vós mesmo nestas provas,
experiências e exercícios. Não deve haver brincadeira ou “pouco caso” na matéria. Deveis impor-
vos uma “tarefa para um verdadeiro homem” – e deveis ser o “verdadeiro homem” que a realize.
45. Nota – Em ambas as classes de exercícios acima considerados, deveis ter a prudência de não
escolher tarefas de natureza que, pela sua prática feliz, vos tragam o sentimento confortador de um
mérito religioso ou moral ou do “dever praticado”; nem alguma coisa que estais no dever de fazer
ou de não fazer, de acordo com vossos códigos aceitos de dever ou obrigação religiosa ou moral.
Esta precaução é necessária, pois, do contrário, teríeis o valor positivo do “dever” ou obrigações
religiosas ou morais, para fazer peso na vossa determinação resoluta e sua manifestação. Nestes
exercícios, deveis procurar escolher tarefas em que o único motivo é o “ter vontade de querer” –
opor a Vontade aos impulsos dos sentimentos, emoções e desejos; e deveis negar a vós mesmo o
auxílio do maior peso dado pelo “dever” ou as obrigações que foram mencionadas. A única razão
para a prática destes exercícios é a de despertar “a Vontade de querer” – o querer somente por
querer – a Vontade que quer provar que é Vontade.
46. Inversão dos Hábitos – Um terceiro método, que contém os mesmos princípios gerais, é o de
(1) fazer algo que é vosso hábito regular e costume não fazer; ou (2) não fazer algo que é vosso
hábito regular e costume fazer. Em ambos os casos deste exercício, deveis escolher por tarefa a
prática de alguma ação pela qual não tendes simpatia, nem antipatia especial, a não ser o hábito –
algo que não é especialmente agradável nem especialmente desagradável, mas estais habituado a

50
7
fazer ou a não fazer, somente em virtude de um hábito estabelecido. Algum pequeno hábito regular
de vestir, de ir para vosso trabalho por certo caminho, de tomar refeição em certo lugar ou em certa
parte da sala, ou algo desta espécie – tais são as tarefas a serem escolhidas. Ao pensar nestas coisas
pela primeira vez, vos parecerão bagatelas – porém, esperai o momento de tentá-las! Vereis, então,
a surpresa. Como nos outros casos, marcai um tempo determinado.
47. Como exemplos, podemos fornecer os seguintes: Depois de determinar qual é o calçado (ou a
meia) que costumais vestir primeiro, invertei deliberadamente a ordem, durante o período de uma
semana. Ou segui o mesmo processo na colocação em primeiro lugar (conforme o caso) de vosso
braço direito ou esquerdo na manga de vosso paletó – mudai a ordem em que estais habituados a
colocar o braço, durante o período de uma semana. Ou então mudai, às vezes, a escolha entre vosso
jornal da manhã e o da tarde. Ou, no vosso trânsito diário de um lugar para outro, tomai um
caminho diverso do que costumais seguir – isto produz efeito somente quando já estabelecestes o
hábito de seguir certo caminho regular. Se exercerdes vossa engenhosidade, descobrireis muitas
pequenas tarefas desta espécie para por em prática1. E, assim fazendo, não só treinareis vossa
Vontade em linhas particulares de treino, mas também aprendereis uma valiosa lição a respeito do
poder do hábito nos pequenos modos de agir da vida diária.
48. Prática de tarefas sem interesse. – Outro método, que é muito apreciado por algumas
escolas, é o de praticar deliberadamente alguma tarefa monótona, sem objetivo e sem interesse –
apenas com o fim de “ter Vontade de querer”. Por exemplo: (1) Assentar-se numa cadeira durante
cinco minutos, com os braços cruzados e os pés encostados e apertando-se dos lados; (2) andar de
um lado para outro em vosso quarto, tocando certos objetos em ordem regular à medida que passais
diante deles; (3) contar e recontar certo número de pequenos artigos, durante cinco minutos; (4)
mudar a cadeira em cada contagem de vinte e cinco, durante cinco minutos; (5) ler para diante e
para traz certo parágrafo de um livro (este, por exemplo), durante cinco minutos; (6) colocar em
ordem, numa caixa, devagar e com atenção, cem palitos de fósforos, botões ou pedacinhos de papel;
(7) vestir e despir um par de luvas, vagarosa e atentamente, durante cinco minutos. Os exemplos
acima vos darão uma idéia geral do caráter desta classe de exercícios, porém a prática real deles
será necessária para mostrar-vos a resolução persistente e a determinação exigidas para praticá-los
convenientemente.
49. Para temperar a Vontade pela afirmação da mesma. – Outra forma valiosa de treino da
Vontade, mas que deve ser empregada prudentemente é aquela em que a Vontade é temperada pela
afirmação real de seu poder. Por “afirmação” não queremos dizer “asserção, defesa, declaração
positiva”, que é uma significação deste termo; mas nos referimos ao sentido de “sustentar ou
defender pela palavra ou por atos”, que também tem. No temperar a Vontade pela afirmação ou
sustento dela, ponde-vos a sustentar a Vontade em pequenas coisas, de modo a “terdes um modo
próprio de agir a respeito delas, sem considerar o proveito real a ser tirado direta ou imediatamente.
O único objeto é habituar a vontade a “ter seu modo próprio” e assim dar-lhe confiança em si e
formá-la “no hábito do êxito”.
50. Notareis que estivestes no hábito de ceder aos outros nas pequenas coisas referentes ao modo
de agir e fazer as coisas, somente porque seria muito difícil fazer um esforço de vontade na direção
oposta. Em tais casos, enquanto a outra pessoa possui uma Vontade mais persistente para fazer as
pequenas coisas de seu modo próprio, achastes mais fácil deixá-lo assim fazer – isto apesar de
impordes facilmente vossa Vontade nas grandes coisas da vida. Há um perigo possível em deixar-
se a Vontade adquirir facilmente o hábito de ceder à Vontade dos outros, em virtude desta repetida e
costumeira falta de sustento nas pequenas coisas. Um pequeno exercício de revigoramento neste
ponto, às vezes, agirá como tonificador da Vontade e a conservará em bom estado.
51. Nesta espécie de exercício, deveis fazer vossa Vontade sustentar-se não por causa de algum

1
Para o escritor, o hábito de cortar os tt, por o ponto nos ii e acentuar as palavras fornece um excelente exercício,
quando se quer mudá-lo. – (T.).

51
7
proveito particular ou direto que possais obter pelo sustento da ação ou da coisa em que insistis,
mas apenas como exercício da própria Vontade e na direção de estabelecer para ela o hábito de
vencer. Com efeito, deveis escolher para estes exercícios algo que nada tenha de valor real – algo
de “nenhuma consequência”; o exercício deve seguir absolutamente as linhas da “Vontade de
querer” e não as da obtenção e realização de algo desejado por si mesmo. Deve ser como um
exercício físico, realizado somente com o fim de desenvolver e fortificar os músculos e não para
realizar trabalho útil ou conseguir algum desejado objeto real.
52. Aqui é necessária uma palavra de precaução. Não cometais o erro de sustentar com
vanglória vossa Vontade, ou com o fim de dominar e humilhar desnecessariamente os outros. Além
disso, não a empregueis de modo que adquirais a reputação de serdes “teimoso”, “irrazoável” ou de
“impordes vossa vontade sem respeitar o direito dos outros”. Evitai todos os exercícios que possam
atrair a atenção para vós ou para vossos motivos no assunto – tereis bastante oportunidade para vos
exercitardes desta forma sem tal inconveniente. Finalmente, não insistais em “ter vosso modo de
agir” nas pequenas coisas, quando, assim fazendo, dificultais terdes vosso modo próprio em coisas
de maior importância; e também não insistais em sustentar vosso modo de agir quando ele é errado
e o modo contrário é o certo.
53. Misturai o bom senso e um modo sincero neste exercício da Vontade – o exercício será muito
melhor assim. Porém, com as precauções acima em mente, adquiri o hábito de “ter vosso próprio
modo de agir” nas coisas pequenas e sem importância, ao menos de vez em quando, apenas para o
hábito se conservar firme e terdes a máquina da Vontade bem azeitada e sem atritos nos
movimentos. Não permitais que vossa Vontade se enferruje e fique presa em seus movimentos por
causa da falta de uso e exercícios.
54. Fortalecimento da Vontade por Afirmações. – Achareis bom seguir o método de “fortificar a
Vontade com afirmações” de seus poderes e possibilidades. As afirmações e asserções desta
espécie agem como verdadeiros tônicos e revigoradores da Vontade. Para este fim, podeis
empregar com êxito o poema de Ella Wheeler Wilcox, citado no Capítulo I parágrafo 20 deste livro,
assim como as citações dadas no Capítulo VI, em que se acham expressos os pensamentos de
algumas das maiores mentalidades da humanidade, a respeito do Poder de Vontade e suas
possibilidades. Todas estas citações foram escolhidas com algum importante ponto particular em
vista.
55. Podeis empregar, para este fim, também a Fórmula Suprema de Realização, a saber: I. Ideais
Definidos; II. Desejo Insistente; III. Expectação Confiante; IV. Determinação Persistente; V.
Compensação Equilibrada. Ou também o lema: “Eu posso, eu quero; eu ouso, eu faço!” Podeis
acrescentar à lista quaisquer citações favoritas, desde que sirvam para inspirar, energizar e fortalecer
vossa Determinação Proposital e despertar a Consciência da Vontade. Afinal, fareis bem de
acrescentar-lhe a citação de Lummis, que se acha na última página do próximo capítulo desta obra.1
56. O modo de proceder aqui é o seguinte: Lede cada citação, aforismo, máxima ou afirmação
escolhida, até que tenhais extraído todo seu espírito e essência e “apanhado o pensamento” de seu
autor. Confiai-a, então, cuidadosamente à memória, de modo que possais lembrá-la facilmente e
sem um esforço desnecessário – deveis sabê-la “de cor”, como acontece com as palavras de vossos
versos ou cantos favoritos. Levais tempo em conseguir isto; porém não o abandoneis enquanto não
o tiverdes completado. Entretanto, não façais uma Segunda escolha, sem terdes primeiramente
compreendido e decorado a primeira.
57. Tendo estas afirmações escolhidas, à vossa disposição, adquiri o hábito de lembrá-las de

1
Charles F. Lummis diz “A grande lição que tudo isso me ensinou é que o homem se destina a ser e pode ser mais forte
e maior do que tudo o que lhe pode acontecer. As Circunstâncias, o Destino, a Sorte, tudo é exterior, e se não pode
mudá-los, sempre pode vencê-los. Se não tivesse entrado em minha cabeça quebrada que o Capitão “Eu” conservaria o
forte; que a única chave era minha própria Vontade e que, se eu não a entregasse voluntariamente, ninguém podia tomar
a cidadela, eu teria morrido há muito tempo. Estou certo. Sou maior do que tudo o que me pode acontecer. Todas
essas coisas estão fora de minha porta – e obtive a chave”.

52
7
tempos a tempos. Fazei-o em qualquer hora do dia, quando tendes alguns momentos à vossa
disposição – no bonde, ao andar pela rua, ao esperar alguém numa sala de hotel, ao esperar o trem
na estação, etc. Meditai-as; aproveitai-lhes a inspiração e poder. Também, à noite, antes um pouco
de entrardes no sono, recordai-vos destas seleções ou afirmações uma por vez, e adormecei
pensando nelas. Se vos acontecer despertar no meio da noite, não vos aborreçais pela perda do sono
e não temais a insônia – pelo contrário, que vossa mente se preocupe com estas afirmações e faça
vossa alma banhar-se nas águas de seu espírito.
58. Sugestões gerais a respeito do treino da Vontade. - Em acréscimo aos exemplos especiais de
exercícios e métodos de treino da Vontade, que vos foram recomendados, achareis útil inventar e
estabelecer exercícios próprios destinados ao mesmo fim – ou constituir variações ou combinações
dos exercícios e métodos a que chamamos vossa atenção. Todas as formas de exercícios da
Vontade são proveitosas, desde que coloquem diante da Vontade uma tarefa bem definida, que não
esteja além do alcance dos poderes da Vontade despertada, desde que a própria Vontade se ponha
com interesse a realizar a tarefa. É absolutamente essencial que a Vontade enfrente ousadamente a
tarefa e esteja resolutamente determinada a executá-la inteiramente.
59. O exercício deve também exigir sempre esforço da parte da Vontade, se se espera que a
Vontade tire proveito dele. Um esforço isolado e casual dá pouco proveito à Vontade; é necessário
um esforço repetido muitas vezes. São particularmente proveitosos os esforços regularmente
repetidos e feitos de acordo com um método definido, que faça o Poder da Vontade manifestar-se de
um modo quase habitual. Em tais exercícios, será bom focalizardes vosso Poder de Vontade e
concentrá-lo em algum fim. Cultivai o hábito de concentrar a ação da Vontade nos vossos
exercícios. Formai uma Determinação Proposital forte e definida e então, colocai na sua
manifestação todo o poder de vossa Vontade – e durante esse tempo, fazei que a Determinação
Proposital seja vosso motivo dominante e sua manifestação vosso principal desejo na vida.
60. A prática bem feita destes exercícios criará em vós o hábito de realizar vosso objeto definido
– o costume de fazer a coisa desejada – o modo de levar avante vosso plano determinado. Desta
forma, vossa Vontade adquirirá nova confiança em si – adquirirá o hábito de triunfar. Ela se
dirigirá a tarefas mais difíceis com um novo espírito de confiança e expectativa de êxito. Um
espírito mais franco e ousado a animará e ela se dirigirá para a nova e mais difícil tarefa com o
espírito do conquistador. Terá aprendido a combater uma posição difícil, como se faz com um
inimigo físico. Pôr-se-á em combate com a tenacidade de determinação, com a energia de
resolução, com a paixão de triunfar, de que um escritor disse muito bem que “podia quase se
chamar vingativa” em sua qualidade agressiva e persistente.
61. Não permitais que a trivialidade aparente das tarefas vos faça dar pouca importância ao valor
que possuem para treinar vossa Vontade. Como disseram muito bem: “O Poder da Vontade é
constituído por um processo gradual de prática em coisas pequenas, e cada ato de conquista de si
mesmo numa esfera de vida facilita a luta em todas as outras esferas”. Os exercícios deste gênero,
inspirados pela determinação de alcançar força e poder de Vontade e sua direção e governo
definido, sendo feitos com persistência, inevitavelmente vos levarão ao que procurais conseguir
deles. Porém, como acrescentou um célebre mestre: “Os exercícios de Vontade devem ser
metódicos e bem regulados na sua graduação e extensão, do contrário não serão já inúteis, mas
prejudiciais”.
62. Quase seria desnecessário recordar-vos que não há virtude exclusiva em qualquer das tarefas
particulares que vos sugerimos para praticardes e exercerdes. Podeis substituí-las por qualquer
outra e, na verdade, fazeis bem de empregar vosso engenho e poderes inventivos para esse fim. A
única coisa que sempre deve ser observada a este respeito é que os princípios especiais e definidos
que vos mencionámos, devem estar sempre incluídos e contidos em vossos exercícios. Podeis
também vos exercitar nas linhas de (1) praticar atos positivos durante certo tempo; ou então (2)
evitar a prática de quaisquer atos particulares durante esse tempo. A primeira é a forma positiva do
exercício, a outra é a negativa.

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7
63. O Novo Motivo. – Quando tiverdes aprendido a praticar os exercícios de treino da Vontade,
como os que se encontram neste capítulo da presente obra, tereis feito uma descoberta interessante a
respeito de vossos sentimentos, impulsos, desejos e ação de Vontade. Até agora, tereis praticado os
atos de Vontade somente em virtude de um impulso de algum Sentimento ou Desejo forte; e tereis
notado que toda ação da Vontade é causada, direta ou indiretamente, pelo Sentimento e o Desejo.
Ora, na prática destes exercícios, tereis notado que estais agindo aparentemente sem impulso do
Sentimento ou do Desejo – na realidade, em vários exercícios agireis realmente contra tal impulso.
Então, haveis de perguntar: “Qual é o motivo de meu ato? Qual é sua causa motora?” Aqui, neste
ponto, é que fareis a descoberta em questão.
64. Notareis que tereis despertado em vós o Sentimento de Querer, o Desejo de Querer, o
Impulso de Querer – estes estranhos estados emotivos que se satisfazem e se contentam apenas no
exercício da Vontade pelo mero prazer de Querer, sem atender ao valor intrínseco do ato. Entrais
assim no conhecimento da “Vontade de Querer” – este estado mental único, que parece nascer bem
no centro de vossa entidade mental, mais profundo do que qualquer sentimento, qualquer emoção,
qualquer desejo, qualquer impulso. Eis ai a Vontade querendo Querer, movida somente pelo Querer
e satisfazendo somente ao Querer. Este estranho estado mental só é definível em seus próprios
termos – nada mais havendo com que compará-lo, nada mais com que defini-lo. Deve ser
experimentado para ser compreendido – porém, desde que seja experimentado uma vez, nunca mais
é esquecido.
65. Se tiverdes interesse neste estado mental, descoberto a pouco, que (ao menos esperamos) já
tereis encontrado em manifestação em vós, aconselhamo-vos vivamente a considerar atentamente o
capítulo seguinte deste livro. Nele vereis indicado, com maiores detalhes, vosso novo sentimento e
consciência. Se ainda não fizestes esta interessante e importante descoberta em vós mesmos, podeis
estar na véspera de fazê-lo; se assim for, a leitura do capítulo seguinte, intitulado “A Consciência da
Vontade” talvez apresse a hora de vossa libertação e facilite vosso nascimento no Poder Dinâmico
da Vontade. O homem ou a mulher que experimenta a “Consciência da Vontade” renasceu na
Vontade – desta vez no mundo da Vontade – desta vez no mundo da Vontade de Querer, no qual o
Domínio da Vontade é seu estado normal e habitual.

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Capítulo – VIII –

A CONSCIÊNCIA DA VONTADE

01. É fato perfeitamente atestado pela experiência real de muitos indivíduos, que existe um
estado de consciência que pode ser denominado “A Consciência da Vontade” – estado este em que
a Vontade se torna consciente de sua própria existência, seus poderes e possibilidades. Entretanto,
aqueles que ainda não entraram nesta experiência consciente, não há meio de provar o valor de tal
experiência, nem palavras apropriadas para exprimi-la ou defini-la convenientemente.
02. A experiência da Consciência da Vontade é semelhante à experiência da completa
Consciência do Eu, que para os outros não passa de uma denominação. Ou também é semelhante
ao despertar do sentido estético que, às vezes, brota repentinamente na consciência dos indivíduos
favorecidos, permitindo-lhes experimentar a Beleza com um novo sentimento, a qual, depois de
experimentada, nunca mais pode ser esquecida.
03. Porém, de outro lado, a Consciência da Vontade é diferente das outras duas experiências, um
tanto análogas. Estas experiências particulares são caracterizadas, respectivamente, por um
sentimento de existência individual e ser um ente real, no primeiro caso; e por um sentimento de
percepção aumentada no segundo. A Consciência da Vontade é, entretanto, caracterizada pelo
reconhecimento de poder próprio, de realização de ato próprio e manifestação da liberdade de
expressão, acompanhada pela vibração do sentimento de domínio próprio – pela certeza íntima de
domínio das coisas externas, que resulta da consciência da posse destes poderes próprios.
04. No estado completo de Consciência da Vontade, o conhecimento do poder, liberdade e
capacidade de agir, é acompanhado de um “sentimento” particular, que é muito de difícil descrever,
mas é bastante claro para aqueles que o experimentaram, mesmo em pequeno grau. Alguns
psicólogos o denominaram “Sentimento de Vontade”, por falta de um nome melhor. Este
“Sentimento de Vontade” é experimentado em todo verdadeiro ato de Vontade, porém só atinge o
estado de emoção, quando a Vontade “quer querer” pelo prazer de querer, principalmente quando,
ao fazê-lo, repele o forte impulso do Sentimento e Desejo ordinário. Em tais casos, é como se a
Vontade tivesse subido a um plano superior de consciência, deixando atrás de si, nos planos
inferiores, os sentimentos e desejos.
05. Este “Sentimento de Vontade” será mais vivamente experimentado por vós, quando vos
puserdes a manifestar o Poder de Vontade contra os obstáculos e impedimentos. Ele despertará em
vós a vibração de coragem e ousadia – o entusiasmo da bravura. Notareis que, à proporção que
desenvolveis e treinais vossa Vontade, abrireis a entrada para uma fase inteiramente nova de
emoção de contentamento e satisfação – fase que parece desenvolver-se nas linhas do
desenvolvimento e treino da Vontade, nunca se embota, nem se “deteriora”, pelo contrário, cresce
firme até que, afinal, se torna um dos elementos ou fatores dominantes de vossa vida emotiva.
06. Em suas fases mais altas, esta Consciência da Vontade parecerá diminuir a barreira que
separa vosso eu individual do que podemos chamar a Vontade do TODO-PODER – este Poder
Final que é a fonte e origem de todo o Poder manifestado no Universo. Nesta fase, às vezes tereis
um pequeno conhecimento do pulsar do Coração do Universo – sentireis a pulsação de suas
energias através de vossas artérias mentais e espirituais. Nestes momentos, tereis consciência de
que “O TODO é Um e cada qual é uma parte não separada, como parece; o Coração da Vida tem
um só pulsar, através de Deus, do barro e de MIM”! Neste despertar da Consciência da Vontade
vos virá um sentimento de alegria e paz que, na verdade, “ultrapassa todo entendimento”.
07. A Consciência da Vontade não pode ser comprada com dinheiro, nem pode ser recebida
como dádiva de outrem. Deve ser adquirida pelo trabalho e o exercício, por um desenvolvimento
persistente de vossos poderes inerentes. Aprendeis a “ter vontade de querer”, somente pelo ato de
querer; e só adquiris a Consciência da Vontade “querendo querer”. Pelos vossos próprios esforços,
deveis despertar o gigante adormecido dentro de vós; e pelos vossos próprios esforços, deveis levá-

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8
lo à realização consciente de sua própria existência e poder. Quando o tiverdes feito, virá um dia
em que, repentinamente, compreendereis que esta Vontade gigantesca sois realmente Vós mesmos –
vosso Eu Maior, que absorveu a velha manifestação parcial de seidade que supusestes, a princípio,
ser vosso Eu.
08. Desde o despertar de vossa Consciência da Vontade, tereis consciência de que sois Senhores
e não escravo. Experimentareis o sentimento de liberdade e independência e podeis ver quanto
éreis anteriormente semelhantes a um boneco. Tendo escapado do domínio dos desejos e impulsos
inferiores (pela entrada no espírito dos superiores), notareis que, então, estes desejos e impulsos
menores se reunirão ao redor de vosso padrão, vos prestarão obediência, vos renderão homenagem;
pois, desde o momento em que os vencestes, se tornarão servos dedicados e inteligentes. Não
desprezeis estes menores elementos do Sentimento, Desejo e Impulso – ser-vos-ão servos úteis e,
por isso, colocai-os ao vosso serviço. É sabido que o Sentimento, o Impulso e o Desejo, assim
como o Fogo, são bons servos, embora maus senhores. Lembrai-vos do antigo aforismo: “Todas as
coisas são boas para serem empregadas por vós; porém, nada é bom para empregar-vos”.
09. É coisa chã1 o dizer-se que “quem tem domínio próprio alcança o governo dos outros”;
porém, só quando tiverdes desenvolvido o Poder da Vontade e alcançado a Consciência da Vontade,
será capaz de compreender o sentido completo destas velhas e familiares palavras. Só então
percebereis a verdade dos ensinos dos antigos sábios ocultistas que diziam que podeis dominar as
outras pessoas e coisas – até os animais selvagens e as forças naturais – porém primeiramente
deveis ter adquirido domínio sobre os elementos rebeldes de vossa própria natureza, que usurparam
o trono que vos pertence de direito.
10. Quando tiverdes conquistado as forças internas, tereis adquirido o direito de governar as
forças exteriores. Quando tiverdes deposto os usurpadores de vosso reino e colocado a vós mesmo
no trono íntimo de vosso ente mental e espiritual, então podereis impor éditos2 ao reino exterior
sobre o qual tendes soberania. Quando tiverdes domado e amansado a coleção de animais
selvagens que está em vós, então sereis capazes de governar e dominar os animais selvagens que
estão nos outros. Assim disseram os antigos mestres; o melhor pensamento moderno apoia esta
doutrina.
11. Entretanto, há um lado sério nesta realização, que não deveis deixar de reconhecer e atender.
Ao alcançar esta recompensa do Poder da Vontade e Consciência da Vontade, tereis nas mãos um
poderoso instrumento para o bem ou para o mal. Às vezes, vos virá um sentimento de tremenda
responsabilidade pelo uso conveniente deste poder novo – quanto maior for o grau de poder que
tiverdes alcançado, maior será a responsabilidade. Vossas resoluções perderão seu anterior caráter
de impermanência e ineficácia – adquirirão o caráter de forças permanentes e efetivas. Elas se
tornarão profundamente enraigadas e profundamente presas na realidade; elas se tornarão
terrivelmente sinceras e reais – às vezes tereis um sentimento real de espanto ao contemplá-las.
12. Às vezes, vos virá a tentação de considerar-vos separado dos outros homens que ainda não
alcançaram as alturas por vós atingidas. Estes mostrarão que reconhecem algo “diferente” em vós e
deixarão de compreender-vos. Sentir-se-ão mais ou menos desassossegados na vossa presença e
poderão considerar-vos frio, antipático e sem as qualidades de humanidade – isto porque vos
elevastes acima de algumas das fraquezas da humanidade em sua fase atual de desenvolvimento e
evolução. Em certo sentido, vos achareis vivendo “na dianteira de vossa época”; manifestar-se-ão
em vós a profecia e o espírito nascente do Super-homem. Não fiqueis mais impressionados com
estas coisas; conservai-vos em contato com o mundo como é; conservai vossa simpatia pelo gênero
humano; e, antes de tudo, conservai vosso pé firme no terreno prático da vida diária do presente e
não cedais à tentação de vos deixar arrebatar à região das nuvens – cada plano por sua vez, não o
esqueçais!

1
Chã = superficial, comum, corriqueiro.
2
Éditos = mandato, decreto, ordem.

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13. Descobrireis que, depois de ter desenvolvido e treinado vossa Vontade – depois de terdes
adquirido o Poder da Vontade e terdes alcançado a Consciência da Vontade – vos tereis tornado um
Indivíduo verdadeiramente mais real do que éreis antes. Tereis vos tornado um Senhor do Destino,
em vez de ser um escravo da circunstância. Sabereis o que podeis fazer – e o fazeis. Sereis capazes
de fazer o que quiserdes e de querer o que fazeis. Tereis dominado tanto o Impulso como a Letargia
– tereis alcançado o Meio Áureo1 entre os dois extremos. Possuireis e empregareis a energia, porém
não a gastareis desnecessária e inutilmente. Sereis capazes de começar uma tarefa, continuá-la
enquanto for necessária e abandoná-la quando a prudência o recomenda. Sereis capazes de
caminhar exatamente até o ponto necessário, podendo parar nesse ponto e não dar passos
desnecessários.
14. Notareis também que não tendes inclinação a exibir e mostrar vosso novo poder para a
edificação ou mistificação dos outros – possuireis este sentimento certo de poder inerente que vos
faz elevar acima destas fraquezas e exibições vãs. O homem verdadeiramente forte não se
vangloria de seu poder e forças, nem procura exibi-los vaidosamente. Percebereis que os outros
reconhecem o poder que está dentro de vós e são influenciados por ele; entretanto, o mesmo
sentimento da posse de certo poder tenderá impedir-vos de vos vangloriar dele ou de exibi-los
desnecessariamente. Compreendereis que o Poder da Vontade não se manifesta pelo ranger dos
dentes, apertar das mãos, dilatar do peito, como faz um pombo embravecido, ou levantar o seio,
como faz uma heroína de cinema ao “registrar” uma emoção.
15. Da mesma forma, descobrireis, por vós mesmo, o que todos os sábios de todas as épocas e
regiões sempre souberam, isto é, que o Poder da Vontade e a Consciência da Vontade não
produzem necessariamente a aspereza, rudeza e severidade nos seus possuidores. O verdadeiro
Poder da Vontade frequentemente se disfarça sob um exterior de suavidade e agrado. Muitos
indivíduos do mais forte Poder de Vontade manifestam um modo agradável e exprimem uma
polidez suave, a tal ponto que o observador irrefletido pode ser enganado em crer que tal indivíduo
não tem Vontade própria e que seu único desejo e objeto na vida é ser agradável e atraente para os
outros. Porém, quando a oportunidade e a necessidade se apresentam, estes indivíduos manifestam
completa e iniludivelmente a força latente que está neles. A “mão de ferro na luva de veludo” é o
ideal do diplomata; e homens como Talleyrand possuíam esta qualidade em grau notável, com no-lo
diz a história. Os fanfarrões e jactanciosos geralmente não possuem poder real.
16. Afinal, descobrireis que a expressão figurada em que a Vontade forte é chamada “Vontade de
Ferro” é imperfeita. Notareis que esta expressão figurada não representa idéia do que realmente é a
Vontade fortemente desenvolvida e cientificamente treinada. Em seu lugar, preferireis empregar a
expressão “Vontade de Aço” – a Vontade de Aço finamente temperado.
17. A Vontade de Ferro pode romper-se sob a violência das circunstâncias, ao passo que a
Vontade de Aço pode ceder um pouco no momento, voltando para sua posição e forma original,
desde que a pressão seja vencida. A Vontade de Aço curva-se às vezes, mas não se deixa romper;
entretanto, sempre volta à posição, na sua forma, e retoma sua ação inspirada pela Determinação
Proposital. A Vontade de Aço se curva – porém nunca perde sua forma, disposição e força. Seu
propósito pode ser frustrado temporariamente, porém nunca é permanentemente derrotado. Com
efeito, a energia de sua repercussão e regressão serve, muitas vezes, para realizar o fim e propósito
desejado. Pensai que vossa Vontade é semelhante à bem temperada, fina, forte lâmina de Damasco,
1
Meio Áureo ou Norma Positiva = Atk/PCIP 2 (9) Toda qualidade ou faculdade mental ou emotiva do caráter tem sua
“Norma Positiva” e seus dois “Extremos Negativos”. A “Norma” de qualquer coisa é o “padrão, modelo ou tipo
autorizado” dessa coisa. Os Extremos Negativos de uma coisa servem para “negar” a Norma Positiva, contradizê-la,
anulá-la e torná-la inativa e ineficaz. (11) A Norma Positiva é o Meio Áureo; as duas Negações ou Extremos
Negativos são os afastamentos extremos da Norma Positiva que se relaciona com eles. 10 (81) A natureza humana
tende a ir de um extremo a outro. Poucos são capazes de “governar os extremos” e obter o Equilíbrio e o Poder, que só
vem ao que encontrou e conservou o lugar e a posição representada pela Norma Positiva ou Meio Áureo. (82) Uma
atitude levada ao excesso se torna um vício. Atk/PFFI 1 (43) Entre os extremos do Materialismo e do Idealismo, se
encontra a posição do Meio Áureo – o Ponto de Equilíbrio.

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8
que se curva e volta à mesma posição, quando é necessário, porém nunca se rompe, nem perde sua
forma – e não como a barra de ferro que se quebra à pressão ou então se curva para não mais voltar
à posição anterior.
18. Resumindo as descobertas que fizestes no desenvolvimento e treino de vosso Poder de
Vontade, até o grau em que pudestes experimentar ao menos o nascer da Consciência da Vontade e
da “Vontade de Querer”, vereis que adquiristes as seguintes qualidades, atributos e poderes:
I. A Consciência da Pura Vontade dentro de vós.
II. O hábito de empregar esta Vontade com direção, eficiência e exatidão científica.
III. O conhecimento de uma mina inesgotável de recursos internos, poder e capacidade
de agir com Determinação Proposital.
IV. O poder de ter Vontade de Querer pelo gozo da Consciência da Vontade.
V. O poder de manifestar ou reprimir a ação da Vontade pela Vontade.
19. Acima de tudo, tereis descoberto que, no próprio centro e coração de vossa Vontade – no
próprio trono da Vontade – VÓS residis, como Rei Soberano. E, quando tiverdes alcançado a
última fase da Consciência da Vontade, eis que a própria Vontade parecerá ter desaparecido,
permanecendo somente VÓS – então vereis que a Vontade se tornou a “parte ativa” de vosso Ser!
Diz muito bem Emerson: “Não pode haver força motora a não ser pela conversão do homem na
sua Vontade, fazendo-o ser Vontade e a Vontade ser ele!”.
20. Não conhecemos melhores palavras para apresentar-vos com nota principal do que
procuramos ensinar-vos neste capítulo do que o trecho de Charles F. Lummis, que resumiu nas
palavras seguintes o resultado de sua própria experiência numa vida de lutas, em que saiu vitorioso
de grandes obstáculos.
“A grande lição que tudo isso me ensinou é que o homem se destina a ser e poder ser mais
forte e maior do que tudo o que lhe pode acontecer. As Circunstâncias, o Destino, a Sorte, tudo é
exterior, e se não pode mudá-los, sempre poder vencê-los. Se não tivesse entrado em minha cabeça
quebrada que o Capitão “Eu” conservaria o forte; que a única chave era minha própria Vontade e
que, se eu não a entregasse voluntariamente, ninguém podia tomar a cidadela, eu teria morrido há
muito tempo. Estou certo. Sou maior do que tudo o que me poder acontecer. Todas essas coisas
estão fora de minha porta – e obtive a chave”.

_____________

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9
Capítulo – IX –

ATMOSFERA DE VONTADE

01. O indivíduo no qual a Consciência da Vontade foi desenvolvida e manifestada – aquele que
aprendeu a ter Vontade de Querer – desenvolveu inconscientemente a aura especial, campo de
emanação ou o que for que lhe possamos chamar, que é conhecido pelos estudantes atentos pela
denominação de “A Atmosfera de Vontade”.
02. A Atmosfera de Vontade é como o “campo de indução” de um forte imã, cujas forças
influenciam as partículas de ferro ou aço que estão nos limites de seu campo de ação. A Atmosfera
de Vontade do indivíduo de Consciência da Vontade exerce uma influência sutil, porém muito
poderosa, sobre aqueles com os quais entra em contato. De um modo estranho, as pessoas que
chegam dentro do “campo de indução” de tal indivíduo reconhecem, instintivamente, o poder
latente na região de sua Vontade e, consciente ou inconscientemente, se adaptam a ela.
03. Queremos exemplificar aqui este princípio da Atmosfera de Vontade pela citação de vários
casos célebres em que a força em questão foi manifestada de um modo notável. Alguns destes
exemplos devemos ao Dr. J. Milner Fothergill, que, há anos, reuniu vários casos e exemplos de
Poder da Vontade e os narrou numa obra sobre esse assunto, que julgamos estar esgotada.
04. Antes de tudo, vos pedimos que considereis este notável exemplo dado por Oliver Wendell
Holmes, o qual Fothergill prefacia com o seguinte comentário:
“A firme luta do olhar é familiar a muitos. A criança olha para sua mãe, a fim de ver se ela
está séria nas suas ameaças; quando é maior, também olha para seu mestre-escola, para ler seu
objetivo. Dois homens ou duas mulheres olham-se com firmeza; nenhum diz palavra; a luta logo
termina e, desde então, um caminha atrás do outro”.
05. O caso narrado por Holmes é exposto por ele do modo seguinte:
“O rosto de Koh-i-noor ficou tão pálido de raiva que seus bigodes e barbas pretas pareceram
terrivelmente feios ao lado dele. Rangeu os dentes com raiva e tomou um copo grande, como se
quisesse jogar seu conteúdo no interlocutor. O moço de Maryland fixou nele, energicamente, seus
claros olhos e pousou-lhe a mão no braço, quase descuidadamente, porém o Diamante1 sentiu que
estava impedido de movê-lo. Era inútil. O moço era seu senhor em musculatura, e esta
subentendida luta de Índio, em que os homens combatem com o olhar, termina em cinco segundos,
rompendo-lhe um dos ombros e servindo para setenta anos de sujeição. Basta uma tentativa para
determinar inteiramente as coisas, da mesma forma que, quando se encontram dois plumosos
cantores do terreiro ou pátio. Depois de uma ou duas investidas de um contra o outro e algumas
esporadas, termina a questão, e, desde então: “As vossas ordens, senhor”, se coloca a parte vencida,
em toda as relações sociais, para o resto de seus dias”.
06. Fothergill refere admiravelmente o célebre caso do encontro de Hugo, bispo de Lincoln, e
Ricardo, Coração de Leão, na igreja de Roche d’Andeli. Neste caso, Ricardo, estando envolvido
numa guerra com a Normandia, pediu mais fornecimentos aos seus barões. O bispo de Lincoln
recusou fornecer gente, pretendendo que a sede de Lincoln só estava obrigada ao serviço militar
quando a guerra se passava dentro dos quatro mares da Bretanha. Ricardo, que era um homem de
fortíssima vontade, ficou irritado pela recusa do bispo e chamou-o para a Normandia.
07. Quando o bispo chegou à Normandia, verificou que o Rei estava terrivelmente enraivecido
contra ele; amigos mútuos aconselharam-no a que enviasse uma mensagem conciliadora ao Rei,
antes de ir à sua presença. Porém, o bispo recusou o conselho e preferiu confiar no próprio
sentimento da despertada Consciência da Vontade.
08. O Rei estava a ouvir missa, quando o prelado se dirigiu a ele, e, apesar da carranca do
monarca, disse: “Beija-me, senhor Rei”! O Rei virou o rosto. Hugo sacudiu-o e repetiu seu pedido.

1
Apelido de homem. – (T.).

60
9
“Não o mereceste”, replicou o Rei, raivosamente. “Mereci-o”, respondeu o destemido prelado,
sacudindo o rei com mais violência. O Rei cedeu e beijou-o, passando o bispo calmamente a tomar
parte no serviço.
09. Acrescenta Fothergill: “A simples indiferença à morte nunca poderia ter produzido tal
resultado. Havia algo mais. Embora fosse extraordinariamente destemido, o bispo Hugo tinha
também um poder de vontade de caráter pouco comum, de que se citam vários casos. Não só
enfrentou o Rei e justificou, na sala do conselho, sua recusa de fornecer homens, mas foi além e
censurou o rei por sua infidelidade à rainha. O Leão foi domado na ocasião. O Rei nada
reconheceu, porém dominou sua paixão, observando depois: “Se todos os bispos fossem como o
senhor de Lincoln, nenhum príncipe dentre nós podia levantar a cabeça contra eles”. Tal é o fato
como foi narrado por Fronde. Entretanto, Ricardo não era homem que permitisse tomarem
liberdades com ele, como no-lo mostra toda a sua história.”.
10. Entretanto, este não foi o único caso na vida de Hugo, em que mostrou que seu Poder de
Vontade era capaz de dominar o de seu Rei. Um rei anterior, Henrique Plantageneta, que foi quem
o fez bispo de Lincoln, foi derrotado pelo Poder de Vontade do bispo, da mesma forma que
acontece ao seu sucessor. O rei Henrique fez pedido de um favor ao bispo, para ser concedido a
certo cortesão; seu pedido foi francamente recusado. Hugo já tinha caído no desagrado do rei e este
estava muito irritado contra ele. Henrique estava, com seu séquito, em Woodstock Park e sentou-se
no chão, pretendendo estar remendando sua luva de pele, quando o bispo se aproximou dele. O rei
não deu atenção ao seu par espiritual. Depois de breve pausa, Hugo, fazendo recuar um conde,
sentou-se ao lado do rei. Observando os modos do rei, disse: “Vossa Majestade me faz lembrar
vossos primos de Falaise”. Falaise era um lugar famoso pelos seus trabalhos em peles, e foi ali que
o duque Roberto encontrou Arlotta, filha do curtidor, mãe de Guilherme, o Conquistador, e avô do
rei Henrique. A referência à sua origem humilde foi demasiada para o rei, que foi vencido na
discussão que se seguiu.
11. Diz Fothergill: “Um caráter semelhante se nos apresenta no General Gordon. Não foi sua
absoluta indiferença a respeito de sua vida, que fez sua ascendência. Na China, em que a vida é
considerada da mínima importância, a falta de medo seria de pouco valor e não poderia constituir a
base das ascendências de Gordon sobre os chineses; seu segredo estava noutra coisa. Nem sua
supremacia no Sudão poderia apoiar-se em sua bravura; pois os árabes do Sudão são tão bravos
como quaisquer guerreiros do mundo, como mostra a história de seus conflitos. Quando Gordon
tomou uma cadeira e assentou-se em frente do rei João da Abyssinia, ou apresentou-se sozinho aos
sheiks árabes que tinham jurado tirar-lhe a vida, não foi seu desprezo da morte apenas que o levou
através de ambos os perigos, desarmado, e lhe permitiu conservar Khartum. Também a implícita
confiança na proteção do céu não salvou outros que se acharam em perigo.
12. “Toda a fé de Savonarola só o levou a uma horrível morte, no meio de torturantes chamas.
Entretanto, sem esta indiferença a seus destinos, nem o Bispo Hugo, nem o General Gordon podia
ter saído ileso dos terríveis perigos, que, deliberadamente, se propusera enfrentar. Todo temor da
morte, certamente teria acovardado qualquer homem que estivesse nessas circunstâncias. O Poder
de Vontade deve ser acompanhado da coragem pessoal, quando é necessário enfrentar perigo de
vida. O heroísmo dos Jesuítas que trabalharam entre os Índios Vermelhos, na história primitiva do
Canadá, estava apoiado em sua devoção, pois muitos sofreram terríveis crueldades. Nenhum deles,
porém, possuía em tão alto grau o Poder de Vontade, que força à obediência, como La Salle, o
bandeirante do Mississippi. Em Jorge Washington vemos um esplêndido exemplo deste poder, que
amolda os outros homens e os obriga a seguir seus desígnios. Sua paciente sagacidade se apoiava
na base de seu Poder de Vontade.
13. “Um caso curioso do Poder magnético da Vontade é fornecido pela história das relações do
falecido Benjamin Disraeli com o Partido Conservador da Inglaterra. Era um estranho, embaraçado
pelas suas anteriores ocupações; a princípio o parlamento recusou ouvi-lo. Entretanto, subiu pouco
a pouco, até chegar a ser um chefe Conservador que “educou” seu partido; e, afinal, foi primeiro

61
9
ministro, com um sólido cortejo de patrícios ingleses da mais alta linhagem normanda, a prestarem
atenta obediência a seus desejos; um chefe de homens – homens estes que estavam profundamente
imbuídos de tradições, e também foi amigo pessoal de seu soberano. Este é um exemplo vivo do
sentido das palavras: “Pela fé, movereis montanhas”.
14. “A Casa de Orange forneceu alguns notáveis exemplos do efeito do Poder da Vontade.
Guilherme, o Silencioso, conservou unidos seus vassalos por uma vontade de ferro que não se
dobrava à catástrofe, a desastre algum. Recusou submeter-se. Caráter semelhante foi o de
Guilherme, depois feito rei da Inglaterra. Homens que lhe tinham ódio faziam sua vontade.
Inspirou, com sua resolução, os aliados, já desanimados. Quando seus planos foram destruídos pela
derrota, pôs-se imediatamente a trabalhar para reparar suas perdas e subtraiu aos franceses o fruto
da vitória que tinham ganhado. Que a Casa de Orange possuiu muitas qualidades notáveis,
facilmente se admite; porém nenhum destes dotes é mais notável do que seu Poder de Vontade.
15. “O especial poder de mandar dos chefes, sejam de um regular, como um John Churchill, ou
de um chefe de guerrilhas, como Mina, na guerra da Península Hispânica; ou de um Pontiac Pele
Vermelha, que fez perigar a existência dos anglo-saxões no continente americano, ou o comandante
negro Toussaint l’Ouverture, parece não depender apenas da habilidade, mas do caráter, em que o
Poder da Vontade é fator principal. Homens de notável Poder de Vontade se elevam nas
emergências, como se vê em Oliver Cromwell, o criador dos pântanos, e Napoleão Bonaparte, o
subalterno de artilharia. Em ambos os casos, as convulsões nacionais produziram o caldeirão
fervente de que eles surgiram, cada qual para uma grande altura de posição e de fama. Estavam
muito tolhidos pela posição primitiva, e, no entanto, se elevaram acima dela. Contudo, no meio de
todos estes homens, se elevou uma mulher ainda mais notável do que eles – a aldeã Joanna D’Arc,
que inspirou coragem aos guerreiros vencidos de França e os levou à vitória. Onde está sua
feitiçaria, pela qual foi, finalmente, queimada? Na sua capacidade de animar os outros, que
realmente se baseava no seu Poder de Vontade”!
16. O caso de Disraeli, acima mencionado por Fothergill, é um exemplo típico da posse “deste
algo” – Poder de Vontade e Atmosfera de Vontade combinados – que distingue os indivíduos nos
quais a Consciência da Vontade foi despertada e desenvolvida. Quando se levantou, pela primeira
vez, para falar na Casa dos Comuns, foi apupado1 e escarnecido – o Parlamento nada queria dele.
Nesta ocasião, gritou aos seus oponentes esta notável profecia: “Comecei várias vezes muitas
coisas, e muitas vezes triunfei, no fim; pois bem! Embora eu tenha de assentar-me agora, chegará o
tempo em que haveis de ouvir-me!” E chegou esse tempo – e sem muita demora, também.
17. Diz Fothergill a esse respeito: “Chegou o tempo, sem dúvida, em que a Câmara não só o
ouviu, mas também reconheceu que ele a dominava. Disraeli tinha aprendido o que muitos outros
homens aprendem, que, por não ter triunfado no princípio, não se segue que o êxito final é
inatingível. O orador apupado chegou, afinal, a conservar a Câmara fascinada pelas suas aguçadas
setas de retórica. Logo atacou violentamente Sir Robert Peel, que era excelente orador; e a
mordacidade de suas observações ensinou a Câmara a temê-lo – aquele de quem ela zombara. Era
preciso uma grande resolução para enfrentar de novo a Câmara dos Comuns, depois da primeira
terrível derrota; porém, depois de ter sido feita uma vez a tentativa, o resto foi comparativamente
fácil”.
18. A subseqüente carreira de Disraeli fornece um dos mais notáveis exemplos do poder do
indivíduo para vencer, pela força vida do Poder da Vontade obstáculos, aparentemente, invencíveis.
Elevou-se, passo a passo, diante da oposição, a ponto de espantar um homem ordinário. Afinal,
Disraeli, o Judeu, tornou-se Primeiro Ministro da Inglaterra e o governante real dos destinos de uma
grande parte do mundo!
19. Este homem fez vibrar as almas de várias gerações seguintes, de homens corajosos e
ambiciosos, não só pela força de seu exemplo, mas também pelas suas notáveis palavras que já

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vaia, vaia prolongada.

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citamos neste livro, mas queremos imprimir com mais energia na vossa memória: “Cheguei, por
uma longa meditação, à convicção de que um ente humano com um propósito determinado deve
realizá-lo e que nada pode resistir a uma Vontade que arrisque até a própria existência para sua
realização”.
20. Não só a história das guerras e dos homens de estado está repleta de narrações de fatos em
que o Poder de Vontade, a Consciência de Vontade, a Atmosfera de Vontade se mostraram à luz do
dia – mas a história do comércio e dos negócios também é rica em exemplos deste gênero. Um
estudo da vida dos grandes Chefes da Indústria, dos homens que triunfaram nos vários campos da
vida comercial, convencerá todo leitor despido de preconceitos que existe “algo” que exerce suas
forças e energias em favor do indivíduo que o possui. Uma análise mais íntima revelará o fato de
que “este algo” tem o Poder da Vontade no próprio centro de si mesmo, é possuidor da Consciência
da Vontade e manifesta a Atmosfera de Vontade.
21. Fothergill nos dá vários exemplos típicos desta espécie, que observou no seu estudo da
história dos manufatureiros ingleses. Dar-vos-emos resumidamente uma exposição de alguns casos
mais típicos por ele citados; um estudo deste e de outros casos semelhantes servirá para despertar o,
talvez adormecido, Poder da Vontade no leitor e também exemplificar o princípio geral que agora
estamos considerando.
22. Josiah Wegwood era o mais moço dos quatorze filhos de um moleiro. Nessa época, o
comércio de objetos de louça, na Inglaterra, se limitava a um trabalho muito grosseiro; a louça fina,
hoje produzida, é, em grande parte, o resultado do trabalho deste precursor, realizado por ele,
quando ainda era rapaz fraco. Era aprendiz do ofício, porém tinha grande obstáculo na doença que
o fez paralítico da perna direita e da qual resultou a amputação da perna. Estropiado como era,
trabalhava sempre. Gladstone disse dele, mais tarde, que sua incapacidade “enviou sua mente para
dentro e o forçou a meditar sobre as leis e segredos de sua arte”.
23. Acrescentando sílica ao barro, conseguiu fazer um produto branco, em vez dos produtos de
cor feia até então produzidos. Começou, depois, a experimentar nas linhas de aperfeiçoamento de
seus vernizes. Teve, depois, de construir seus fornos. Chegou, então, a prova da arte. Pagou
grandes quantias por velhos exemplares de produtos artísticos e copiou-os com exatidão. Descobriu
de novo a arte perdida de pintar em “produtos de biscuit”, praticada pelos Etruscos, e depois
empregou Flaxman como seu artista. Trabalhou para o trono e veio a ser o “louceiro real”. Não só
fez seu progresso, mas também fez de sua parte do país um centro produtor de louças de alto valor.
Wedgwood fornece em exemplo típico do homem que se acha tolhido pela Natureza, enfrenta
grandes obstáculos, encontra muitos desânimos, mas, no final, triunfa por meio da aplicação
persistente de seu Poder de Vontade. Nele estava despertada a Consciência da Vontade; tinha a
Atmosfera de Vontade altamente desenvolvida, conforme o testemunho dos de seu tempo.
24. A história de Lister e do “desperdício de seda” também fornece um exemplo do princípio
geral em consideração. A atenção de Lister foi dirigida para o que se denominava “perda da seda”,
isto é, a perda resultante da manufatura de seda grossa e casulos furados, que pareciam fios
quebrados, novelos sujos ou fios viscosos e eram duros e embaraçados, estando cheios de folhas e
bichos de seda mortos. Durante anos, lutou com o problema de mudar este material perdido em
material aproveitável. Lutou com as circunstâncias e, por várias vezes, enfrentou a ruína completa
nesta tentativa.
25. Certa vez gastou a quantia de 1.500.000 dólares, que tinha ganhado anteriormente noutros
empreendimentos. Sua vontade indomável, sua energia inesgotável, seus esforços persistente,
levaram-no para diante e mudaram a derrota em vitória. No fim, conseguiu fazer veludos de seda,
veludos com direito de seda e avesso de algodão, tapetes de seda, fitas de veludo, fitas em cordéis,
linha de seda, seda japonesa, etc., da outrora desprezada “perda da seda”. Quando, anos mais tarde,
se tirou o pano de uma estátua de Lister, em Bradford, Inglaterra, disse um eminente orador: “Que é
que estamos honrando especialmente? É a persistência que este homem mostrou; é o sentimento de
que ele disse a si mesmo: “Aqui está algo que deve ser feito; não descansarei enquanto não

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encontrar como pode ser feito e, tendo-o encontrado, procurar o homem que me permita fazê-lo.”
26. Um escritor, ao referir a história de Josiah Mason, o manufaturista inglês que entrou na
profissão aos oito anos, apanhando pedaços de pão na rua e que, quando morreu, era um dos
maiores gigantes comerciais da Inglaterra, diz a respeito dele: “Mason tinha, para começar, umas
vontades fortes, poderosas, quase irresistíveis. O que precisava, havia de ter e, em grande parte, o
teve. Pequenos ou grandes, todos os objetos ou propósitos chegaram ao alcance de sua poderosa
vontade. E a qualquer coisa ou a alguém que se opusesse, vencia sempre, no fim. Não que fosse
cegamente obstinado ou não aceitasse conselho. Outra grande qualidade que possuía – muito útil à
realização de sua vontade – era uma paciência absoluta. Sabia esperar. Com a paciência, se achava
intimamente unida a perseverança. Mason era notavelmente tenaz. Conservava-se firme no seu
propósito e trabalhava com incessante vigilância e energia. Era a personificação do vivo Poder de
Vontade”.
27. Podíamos multiplicar as ilustrações e exemplos deste gênero. A história é a mesma. Seja a
respeito de quem for que se conte ou qualquer que seja sua terra natal. O estudante do assunto
adquire a certeza de que algum princípio geral e universal se acha sob estes variados casos. Sempre
está evidente a presença e poder do “algo” que se manifesta como Poder de Vontade, Consciência
de Vontade, Atmosfera de Vontade. A coisa se eleva acima da simples coincidência, pelo grande
número de casos em que se nota a operação do princípio. Vê-se que é o resultado de um invariável
processo de Causa e Efeito – da Lei de Causa agindo no plano da mentalidade.
28. Acreditamos que os princípios e métodos que expusemos nas páginas deste livro servirão
para mostrar ao indivíduo inteligente, persistente e corajoso o caminho que ele deve seguir na sua
rota para a Realização pelo Poder da Vontade. Julgamos que, na asserção da Fórmula Suprema, se
encontra o Segredo do Êxito. Repitamo-la de novo para vós, na sua forma popular: “Podeis ter
tudo o que precisardes, desde que (1) saibais exatamente o que precisais, (2) o preciseis
urgentemente, (3) espereis confiantemente obtê-lo, (4) determineis persistentemente alcançá-lo e
(5) tenhais boa vontade de pagar o preço de sua consecução”.
29. Relêde os diversos casos de Êxito por meio do Poder da Vontade, relatados nas páginas
precedentes deste capítulo, e considerai-os à luz da Fórmula Suprema de Realização, acima exposta.
Vereis que, em todos os casos, o indivíduo triunfante sabia exatamente o que precisava fazer ou
obter; que o “precisava urgentemente”; que acreditou firmemente e esperou confiantemente que o
obteria ou faria; que determinou persistentemente obtê-lo ou fazer e, finalmente, que sempre quis
“pagar o preço” da realização ou consecução. Em todos os casos, houve esta determinada
manifestação de (1) Ideais, (2) Desejo, (3) Fé, (4) Vontade, (5) Serviço.
30. Vamos concluir, citando as seguintes verdades escritas pelo Doutor Fothergill, o estimado
precursor no trabalho de relembrar os princípios e a prática do Poder da Vontade, cuja obra serviu,
ao menos com estrutura básica, para todas as que a seguiram. Diz ele:
“O Poder da Vontade se observa no homem que espera seu tempo, que sabe esperar – o que
inclui o “quando” e o “porque”. As circunstâncias podem impedir-lhe o caminho e ele terá de
esperar; porém, a vontade nunca se curva, se rompe ou se desanima, por este fato e sempre está
firme, mesmo quando parece estar ausente. Entretanto, o Poder da Vontade não é a simples
perseverança; é algo mais. É uma entidade em si mesma!”.

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9
ROTEIRO PARA ANÁLISE DO LIVRO

Os estudantes do CER devem utilizar o roteiro que se segue para melhor


aproveitamento dos livros em seus estudos. A cada livro estudado deve ter uma
síntese em que destaque os aspectos de maior relevância para o entendimento do livro
e o aproveitamento dos ensinamentos em seu projeto de autodesenvolvimento:
Projeto “SER1” (Saber, Evolução, Realização).

I - Relacione informações de interesse sobre o livro.

II - Faça uma síntese do assunto estudado em cada capítulo.

III - Destaque os aspectos que mais lhe chamaram a atenção em cada capítulo.

IV - Imagine que você está elaborando um projeto pessoal de evolução consciente e


autodeterminada e precisa escolher os pontos que poderiam aprimorar sua “forma de
ser”. Selecione “chaves” ou “dicas” que poderiam lhe ajudar no seu propósito de
crescimento através da consciência.

1
CER – O PROJETO “SER” é uma proposta pessoal de crescimento interno onde cada estudante identifica, seleciona
alternativas e revê procedimentos para impulsionar o autodesenvolvimento. Registra os aspectos que lhe parecem mais
relevantes, decorrentes de seus estudos e experiências pessoais para aplicá-los conscientemente no sentido de seu
crescimento interno. É a Vontade capacitada pelo Conhecimento e dirigida pela Intenção do desenvolvimento mental e
espiritual. O PROJETO “SER” é o principal objetivo do trabalho do Círculo de Estudos Ramacháraca. Uma aplicação
prática do aprendizado adquirido. Sua primeira fase é a do registro das pérolas do aprendizado. As etapas posteriores
obedecem a um roteiro especial aplicado pelos estudantes em etapas mais adiantadas dos programas do CER..

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SUGESTÃO DE ERRATA

Este formulário adotado pelo CER permite que os estudantes colaborem com o aperfeiçoamento do
trabalho, detectando possíveis erros ortográficos, de digitação ou gramaticais. Sua colaboração é
indispensável!

TITULO DO LIVRO:
PROPOSTO POR:
DATA:

Capítulo Parágrafo Linha Trecho com erro Correção Proposta Observação

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