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Devaneios de um

Ébrio

Por Augusto Pires Meister

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Sem reticências, procuro encontrar meios para me comunicar.

Difícil hoje alguém que procure por um livro de poesias, não se sabe ao certo a
objetividade que a poesia busca na completude de um sentimento, mas sim
sabemos que a poesia nada mais é do que sentimentos despejados em folhas
em branco, buscando por aqueles que sentem semelhante sensação de
quando escrita.

Nós, poetas e poetisas, almejamos organizar nossos pensamentos em


palavras aleatórias que por fim, transformam-se em devaneios não muito nexos
e que não são necessariamente entendíveis para uma única interpretação.

Desejo a vós, desbravadores desse livro, que não o leiam de forma padrão.
Joguem os dados e arrisquem a sorte nos palavreados que foram
selecionados.

Há diversas ocasiões, momentos e tensões que apresento nessas páginas a


seguir, para quem sabe, vocês possam se identificar com esses manuscritos.
Boa leitura!

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Romance

18- Às vezes é preciso fugir para encontrar

19- Assim como a fina névoa branca de manhã

24- Chegou de braços e coração aberto

27- Então, você apareceu, como se nada fizesse diferença.

29- Com um beijo

32- Darei início então

34- De tolo sempre tive

35- Depois de muito sangue derramado

36- Depois que essa tempestade passar

39- E ainda me falaram que nada disse

46- E mais uma vez o medo da perda me aflige

49- E se eu não estiver feliz?

53- Eis que aqui estou eu

54- Ela escreve

57- Então me perguntaram o que é o amor

59- Espero que algum dia ainda te reencontre

60- Esqueça! Tire-a da cabeça! A fila anda!

62- Estava passando

63- Estou a morrer

70- Fez o que faz

75- Hoje está um belo dia

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76- Hoje, ouvindo um certo romance

85- Mais uma noite lisérgica

86- Mais uma vez a alegria de estar contigo

90- Meu sangue escorre frio e seco

93- Moça, por favor

95- Ainda não sei o porquê

100- Naquele dia tudo estava quase normal

102- Nem essas quatro paredes conseguiram parar meu grito

104- Nota-se semi-nua

105- Novamente acordei com meus braços ao redor de você

111- O vinho estava ótimo e a cachaça melhor ainda

113- Passei a noite inteira

116- Pela espera que se passa das pessoas do passado

118- Perdoe-me

120- Por mais que tenhas defeitos

121- Por muito tempo inquieto

125- Porque no real sentido da palavra esperança

129- Quando me aparece a chance de ter alguém novamente

134- Que essa chuva leve

139- Sacadas me mordam

144- Saudações poéticas

146- Se te quero apertar pra perto

148- Seria talvez mais fácil eu tomar cicuta do

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150- Sou amante e escritor

154- Sucinta ela é

156- Tentei dormir, não dá.

157- Você é minha respiração

158- Tive um sonho

169- É realmente cruel

Política

13- Algum dia

20- Cacos de vidro

28- Com determinação

55- Em dias de glória

79- Já sussurrei

96- Não sei o que faço agora

115- Peguei meu lápis

119- Pichamos muros

122- Por muitos anos de fome

151- Sou cidadão

161- Um país independente

166- Qualé que é irmão

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Pessoal

88- Me diga criança

123- Por um acaso

145- Sê numa liberdade plena

163- Tempo ao tempo

Cidade

73- Guardiões lhe aguardam

74- Há uma praça nesta cidade

92- Minha visão

108- Ó desterro

Aleatórias

11- A fogueira invertida

12- A tempos não via o sol nascer

14- Ao som de velhos baús se abrindo

16- As lembranças

17- As pessoas nos dizem

21- Caí numa noite

22- Capitão, meu capitão

23- Chapate não chapa mais

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31- Como será que é

33- De beco escuro a passarela

37- Di tanta raiva matei o portugueis

38- Digamos que acabemos por aqui

40- E chora o céu chuvoso

41- E com essas rimas

42- É incrível

43- E logo após toda aquela lisérgica noite

44- Várias almas perdidas

45- E mais uma batalha

48- E não é que um maluco delinqüente

49- E se eu não estiver feliz

51- É tão tortuoso esse caminho ao esquecimento?

52- Eis que a escuridão aparece

56- Em meio a batalha

58- Entre precipícios

61- Está frio este vento

64- Estou com

66- Fácil ser amigável

67- Falas muito bem

69- Fechei os olhos

71- Fiz esses versos

72- Quieto e atento

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78- Inutilizo sentidos

81- Joguei aquele pedaço de papel queimado fora

83- Lavo minas mãos

84- Lúcido estava.

87- Me convidaram para uma festa no céu

89- Meu emprego

91- Meus pés cansados

94- Não falo, porém escrevo

98- Não sou amador

101- Naquele estar

103- Nos trilhos tortuosos

106- Num instante

107- Nunca estive tão perto

109- Ó grande invenção

110- O vazio sempre me encheu de uma forma inexplicável

112- Ocultos ocultistas

114- Pedi cachaça - (Elfo Urbano)

117- Perdidos em meio a perguntas

124- Porquanto

126- Pra ser sincero eu espero que você

127- Prometo-me

128- Quando a porta se fechou

131- Quando nada mais tive

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132- Quando o instinto avisa

135- Reitifico-me assim

136- Roupas encharcadas

137- Sabe quando

138- Saberia eu que talvez por um infame instante

140- Sai do trabalho

142- São cinco minutinhos

143- São fuckin onze horas da manhã

147- Seremos jovens demais até que ponto

149- Sonho que nasce pequeno

152- Sou como nuvem

153- Sou escória independente

155- Tempestuosa lembrança

159- Todo dia ali

160- Voltei ao ponto cardinal

162- Numa estranha conversa

164- Vá e faça!

170- Familiarizo-me

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Poetas

15- Aqui não sou rei

30- Poesia para Vera

47- E Manuel

65- Haja tempo

68- Familiarizo-me - (Elfo Urbano)

97- Não sei quanto a vocês

99- Naquele dia leria poemas

133- Quando poetas

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10
A fogueira invertida

incandesce

desvenda oferecida

engrandece

poetas malditos

malditos poetas

Quebra cabeça de

letras aspiradas

e catarradas num

materialismo

metafísico

São notas numa

decifração acelerada

que fervulhecem

em harmonia

sintatônica.

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11
A tempos não via o sol nascer

Dormia sempre antes de clarear

Daquela chatice matinal

Eu sempre quis escapar

Mas a escrita distrai

e a cortina escurece

seguido de meus companheiros

logo logo amanhece

Enquanto a cidade dorme

os ébrios cuidam dela

poetas embriagados

brincando com cautela

Mas o que mais me entristece

eu vou ter que resumir

quando deito na cama

não estás ao meu lado para dormir.

Página
12
Algum dia

deixarei de

pintar com

o vermelho

sangue que

escorre da

periferia

o concreto

que aprisiona

nossas mentes

libertárias

e insanas.

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13
Ao som de velhos baús se abrindo

Tento tirar a poeira que cai sobre meus olhos

finjo que me cego perante tanta ultrapassagem

Surpreendo-me quando o castigo

para aqueles que fogem do aprendizado

é não aprender cada vez mais

Assim a bola de neve

se transforma em uma horda de servos-zumbis

que quando um material-corrosivo-mental novo aparece

formam filas para serem mais uma vez chicoteados

de risadas e gozações sadômicas

pois, para os de cima, parece tão hilário

eles trocarem seu tempo de vida por dinheiro

que não compra tempo

mas o inverso parece tão... avançado.

Página
14
Aqui não sou rei
Nem fui, nem serei
Mas limites teremos
E isso já avisei

Escreves o que pensa


o que diz ou o que vê
mas somos contra o plágio
então antes de tudo: lê

Respeite os escritores
poetas e amadores
amantes das artes
e também os leitores

Não pedimos métricas


Ou sonetos em rimas
suas contribuições aqui
serão sempre bem vindas

Mas não se exaltem


interajam como amigos
estamos aqui para crescer
e no palavreado procurar abrigo

Precisava falar algo


mas como eu não sabia
acabou que foi fluindo
esse pedido como uma rima.

Página
15
As lembranças

se localizam

dentre os

cantos e

prateleiras

acumulando

poeiras

Enjoados

de asneiras

ficam relembrando

de belas

serenatas

que seus

caseiros

lhe ficavam

cantando

e juras

de amor

aos velhos

retratos

declamando.

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16
As pessoas nos dizem: Dê o primeiro passo
Mas tudo que ouço, são palavras.
Passos solitários que ecoam no vácuo
De uma pessoa que segue adiante sozinha
Quando olho para trás
Vejo uns falando aos outros
Dê o primeiro passo
Mas estes têm seus pés acorrentados a algo.
Discutem e não andam
Filosofam e não praticam
Falam e não agem
Marquei com sangue o caminho de volta
Peguei na mão de um e falei
Vamos andar.

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17
As vezes é preciso fugir para encontrar,

fechar os olhos para ver e até mesmo

odiar para amar.

Também é preciso ficar quieto para falar,

correr para ficar e namorar para reatar.

Assim como é necessário o sol para ter a lua,

o bem para ter o mal, o calor para ter o frio.

Precisa-se da guerra para ter a paz, da sujeira

para ter limpeza, do tufão para ter a brisa.

Deixar de lado para lembrar, da linha reta para

ter curvas, da fome para ter comida.

Ter a luz para ter sombra, ter fogo para ter água

e ter preto para ter branco.

E eu para ter você.

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18
Assim como a fina névoa branca de manhã, você simplesmente

desaparece depois de um tempo. Não deixa rastros, nem ao menos

um recado.Já não sei ao certo se voltarás, onde voltarás, e talvez com

quem voltarás.

Fico a admirando, pela pessoa que é pela beleza que tem,

pela sorte - ou talvez competência - que tive.

Mas é de certo, assim como a névoa, você também não é de

ninguém, a não ser do mundo, que da voltas, mas nem sempre

retorna como era.

Suas lembranças me colocam um sorriso no rosto, e um aperto

no peito por não te ter por perto. Acordo para receber um

bom dia, mas que logo acaba com os olhos abertos, me vendo só.

Se vista de longe, no contraste do sol, és muy bela, mas intocável.

Por um curto período de tempo, imaginei lhe tocar, lhe beijar.

Mas é impossível beijar a névoa, esperar que ela tenha

sentimentos por ti, tão grandes quanto você tem por ela.

Será talvez eu, para você, mais um de seus admiradores?

Será talvez eu, para você ,apenas uma poça de água, por

onde pessoas se saciam e logo vão embora?

Fico por horas esperando por você, o dia inteiro, apenas

um sinal, mas se certeza eu tenho de que hoje não virás,

talvez amanhã, semana que vem, mês que vem...

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19
Cacos de vidro

intestino de porco

estômago de barata

burocracia

Merda com vermes

Gorfo de rango

Chorume de dias

armas de fogo

Cadáver decomposto

seringa ensangüentada

catarro fosforescente

Estado

Lixo radioativo

esgoto a céu aberto

feto no vaso

Fascismo.

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20
Caí numa noite

com pára-quedas furado

procurando bitucas

pra fechar um cigarro

Sóbrio ainda estou

e não quero mais estar

achei uns punks loucos

e tocamos manguear

Quinhentos e dezesseis

centavos nos faltam

pra voltar a júpiter

essas nunca falham

Insanos aos sãos

Loucos estaremos

ao começo do dia

e logo voltaremos.

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21
Capitão, meu capitão.

Seria eu mais um marujo esquecido no porto?

Seria eu um descontente admirador de naus?

Leve-me desta terra tão pútrida e bote-me no convés dessa marítima aventura.

Incita-me pelos mares da inspiração e tornarei almirante de sonetos

Conduz-me pelas águas até que então afundaremos em sulcos tão profundos
mais longínquos que atlantes.

Neste cais onde sonhos aportados viram venenos esparramados por tavernas,
onde humanos declamam, quem sabe uma vez, ter visto a aurora de uma
inspiração poética.

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22
Chapate não chapa mais

chapado tá que o

chapate não chapa mais

não quero não

era só uma frase

e agora...

Eu convidei um amigo

pra escrever comigo

mas desentendi tudo aquilo

eram só três pontinhos

O cachorrinho chega

perto das gatinhas

e esfrega-se na perna

ela tira, ele volta

distribuindo seu esperma

Eu ia mandar se foder

mas, vai tomar no cú

completo esse poema

lhe convidando para jantar no RU.

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23
Chegou de braços e coração aberto.

como um marujo de primeira viajem

apaixonado pelo mar.

Cada pergunta, um desafio

Feliz que sairia da terra, do caos

viajaria o mundo na calmaria

pois isso era o que mais desejara.

Cada palavra, um consolo

Entrou no barco de olhos vendados

assim como tinha sido sua vida

preparando sua vara para pescar.

Cada passo, valorizado

Mas ao chegar no barco, repreensão

Tiraram-lhe as vendas e zombaram

E ao convés de joelhos, chorou.

Cada lágrima, uma angústia

Página
24
Davam-lhe todo o serviço da nau

Todas as energias eram consumidas

E sua vara de pescar ainda intocada.

Cada término, um novo começo.

Até que o mar que lhe era bonito

de raiva foi tomado pela tormenta

E o barco sem mais, naufragou.

Cada olhar, um desespero.

O mar pode ser bonito e traiçoeiro

porém da beleza, ele foi ao pesadelo

e o marujo sobrevivendo pela sorte.

Cada segundo, uma eternidade

Pelo mar, lhe foi conduzido à terra firme

agora com seus olhos abertos sabendo

que até mesmo sua inspiração poderia lhe machucar

Cada realidade, uma cicatriz

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25
Casou-se, teve filhos e casa

e com trauma do mar, proibiu o filho de ir ao cais

jurando a si mesmo, que nunca mais voltaria para lá

Cada escolha, um arrependimento

Mas seu filho ao ficar velho, virou marinheiro

Voltava das viagens e contava histórias fascinante

Enquanto da terra, seu pai não sairia.

Cada partida, solidão

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26
Então, você apareceu, como se nada fizesse diferença

como se nada fosse importante, alem do meu cabelo.

De certo que a bebida me ajudou a falar... balbuciar.

Se faz de santa pra atrair pecadores, mortais.

Cai na tua rede, mas me desvencilhei.

E a magia se voltou contra o feiticeiro, ou maga.

Com o círculo metálico em mãos, mesmo nas horas mais...

Só esperando a hora do vamos ver.

Sabemos que nós dois temos a perder.

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27
Com determinação

é tempo de sair

arregaçar as mangas

ocupar e resistir

A repressão chegou

e vamos contra atacar

retomar o que é nosso

não adianta nos ameaçar

Vamos partir pra cima

em busca de libertação

lutarmos contra o sistema

e toda forma de opressão

Alunos e professores unidos

com a classe trabalhadora

vamos protestar

Quando o povo ir pra rua

Juntos sob mesma luta

quero ver quem vai nos parar.

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28
Com um beijo

de Judas

ébrio segui

e na noite

amargamente

pelos cantos sofri

Ao realizar

o temido fim

pus-me a corroer

o que restou de mim

Lágrimas secas

que por mim

escorrem

flecham meu

coração cujo

batidas já

não se movem.

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29
Como é

felicitante

e por deveras

agradante

ouvir

declamações

de uma poetisa

estonteante.

Que este

momento

seja repleto

de contentamento

e que até em

cafundós do

livramento

consigam

te escutar.

Vim lhe congratular

por este belo sucesso

Vera, pra ti este verso.

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30
Como será que é

acordar de manhã

num inverno frio

apreciando a

tempestade que

se termina

e ter de sair

para além

das expectativas

e não se isolar

em um casulo

de seda

regularmente

interrompido

por cigarros

e comprimentos

que formalizam

contratos de

afetividade social

e aleatoriedades

seletivas.

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31
Darei início então, pois.
enfim aqui estamos
sozinhos e apenas conversando
a respeito de nós dois.

ao término do começo
já digo aos desavisados
que de corações empoeirados
tudo se tem um preço.

no meio de nossas vidas


então o destino se meteu
ao que tudo reverteu
em minhas obras primas.

metade do que tens passado


parece tudo tão feliz
pelo ato que se contradiz
você será deixada de lado.

e finalmente você dirá


tudo que fiz foi em vão
tudo o que ouço agora é não
e então se arrependerá.

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32
De beco escuro a passarela

onde cosmicamente deslizam as estrelas

que brilham no sonante das

batucadas de guerra e paz

Uma postulagem prática

com todas as mãos calejadas

e com novas que brilham mais

ao passar do tempo

Delirante são as estaladas

que mitam por aquele lugar

Um espaço que absorve a essência

daquele que se dispõe a construir

a tão esperada convivência.

Diga-se de também passagem

que deixar-te-á uma marca tão forte

quanto consegues carregar

e tuas poeiras virão a ser poesias

para serem consumidas

quando assim precisar

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33
De tolo sempre tive

assim como quem usa

a maçaneta para abrir a porta

me senti passado

Fui jogado para fora

de um universo em expansão

em uma cápsula manchada

sem nem mesmo dizer adeus

Substituído por planetas virgens

troco-lhe por um buraco negro

onde fingi depositar todo meu ser

que nunca foi meu

Estou novamente acorrentado

a minha triste liberdade

que sufoca a esperança

de ser escravo do amor.

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34
Depois de muito sangue derramado, larguei a navalha.
Minha pressão baixa está ainda mais...
Meus olhos começam a ficar vermelho
Estico a língua para fora, é viçoso, frio.
Vou perdendo o equilíbrio aos poucos
Quero me sentar, mas os cacos de vidro...
espalhados pelo chão ...
Hipócrita eu, dizer que não queria ver a morte
Deito-me sobre a morte e rio, sorrio
Arrancar-lhe da mente não foi boa opção
pois sabia que ali você não estaria
Deveria ter eu arrancado é meu coração.

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35
Depois que essa tempestade passar, amor

vamos sair, nos encontrar, ver um filme, namorar

Até mesmo depois que o sol se for.

Assim que te ver, amor

Fico feio perto da tua beleza

que por nós tenho certeza

pois nosso fogo sempre terá calor

Estou com saudades de ti, amor

Faz dias que não te vejo

sentimento que desperta o desejo

que juntos saciaremos sem pudor.

Não consigo dormir sem você aqui, amor

passo infinitos dias acordado

preciso te ter ao meu lado

Arranca de mim essa dor.

Vou virar escrevendo de novo, amor

Sejas sempre minha inspiração

guardada a sete chaves no coração

Pois por ti, faço tudo com fervor.

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36
Di tanta raiva matei o portugueis

Joguei eli na vala juntu com a gramatica

Tava tão puto com as letra e usalfabetu

Que não dei bola nem pra praguimatica

Cum raiva de dizer que sofalubrasileiru

começei a ezercita meu imbromeichiom

hoji em dia falo espanhou, ingleis

vendo filmi e escutando massacreichiom

I na hora de iscreve dai fica pesado

assento pra mim so tem uma funssao

boto a bunda e estico os pes

seja em casa ou viagando de busaum

ainda falao que existe gramatica formau

e que no vestibular eu divia de usa

falaro que eu pudia faze prosa e dissertasaum

e que so da imaginassao eu tinha que abusa

Tau de vestibular nao me deu muito certo

dai intao que tive uma altas ideia

so pra pulitica eu ia consegui entra

dai os bobo que seria a plateia

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37
- Digamos que acabemos por aqui. O que você diria?
- Mas, você quer acabar?
- Não, apenas uma hipótese. O que você diria?
- Não sei, talvez nunca mais queira me encontrar com você, talvez eu te chame
de noite amanhã.
- Hum. Choraria?
- Porque me perguntas isso? É deveras constrangedor.
- Constrangedor foi o que passei hoje mais cedo.
- O que aconteceu?
- Me falaram que tinhas outro.
- Outro? Quem te falou isso?
- AHÁ! Então é verdade!
- Não... (estranha pausa) não. Apenas quero saber quem anda com falácias
sobre nós.
- Sobre nós? Acho que já não existem mais um nós.
- Calma, calma, você está sendo precipitado.
- É, eu já sabia de tudo. Já me adiantei.
- QUE? Como assim?
- É, sabe aquela tua amiga de infância que morava contigo na casa 221?
- Você não faria isso. Seu...
- E porque não? Olho por olho, dente por dente.
- Bem, fique sabendo você que estou bem feliz com meu 'outro' sim, já estava
farta desse relacionamento monótono, fazemos sempre as mesmas coisas,
seguimos sempre as mesmas rotinas, os mesmos horários. Vou-me embora
daqui!

Então ela se levanta, joga suas roupas dentro de uma grande mala, demora lá
suas 2 horas enquanto eu apenas olhava e pensava.
Abriu a porta do quarto e saiu, nem ao menos disse adeus.
E eu ali, agora solitário, apenas querendo saber qual filme assistiremos quando
ela voltar da casa da mãe dela.

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38
E ainda me falaram que nada disse

tolice falar de que nada sei

Tamanha besteira que me contaram

quando me disseram que nada disse a você.

Mas ainda me dizem

que dizendo sofro de vertigem

tudo por causa daquela virgem

que nada faz além de ler.

Se ver teus trabalhos é pecado

condenado então já sou

e de tanto tempo que se passou

de tontura fico abobado.

Nem café nem cigarro

seja a droga que for

nada é mais potente e embriagante

do que o maldito amor.

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39
E chora o céu chuvoso
Molha o clima amoroso
Há dias que não repouso
Pareço-me pouco mais que idoso

Passa pela estrada escorregadia


Onde passam milhares do dia-a-dia
Deixando de lado sua sofrida vida
Para ver a chuva, e com ela sorria.

Aqui dentro, o calor ainda é grande.


Calor de um singelo amante
Sentimento notado pelo coração palpitante
Observando o céu com esse clima dançante

Chove chuva.
Chove sem parar
Ainda que molhe
O que seco deveria ficar.

Página
40
E com essas rimas

completo mais um ciclo

de boemias repetidas

embriago-me de poesias

Em versos abstratos

brinco com meu léxico

quem dera eu ter experiência

pra deixar o leitor perplexo

Devemos falar baixinho

ouvir a sinfonia das narinas

esperando o inesperado

acontecer novamente

Meu corpo já foi prazer

e agora faço preza

assim termino esse poema

sem

nenhuma

pressa.

Página
41
É incrível
Como as coisas mudaram
Como os sentimentos afloraram
E como o temido se tornou a perfeição

O antes evitado pensamento


Hoje me domina
E as esperanças que sempre me distanciei
Tornaram-se atos concretizados

No simples momento um puro aconchego


E um sorriso que iluminava a noite
Por detrás de todo aquele tempo
Eu estava contigo, finalmente

E pensar que antes eu não sabia


E hoje eu vejo que é certo
O medo de tentar
É a maior montanha que temos de escalar

Por um momento
Breve, mas válido
Pensei em mudar toda a minha rota
Trocar os meus planos e inovar os meus sonhos

Mas quando Algo maior está no comando


Não há sentimento, desejo ou medo
Que impeça que o sonho seja concretizado
E que o certo seja vivenciado enfim.

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42
E logo após toda aquela lisérgica noite

Deparei-me frente a papel e caneta

Pensei, porque não contar minha estória?

Começando pela mesma errante silhueta

De mãos vazias e persistentes

A errante silhueta pela noite andava

juntando tudo que seus bolsos cabiam

moedas, bitucas, migalhas.

Então que uma alma amiga lhe aparece

"errante silhueta, tenho uma proposta a vos fazer!"

De orelhas em pé e toda atenta ela escuta

"Hoje iremos nos divertir, comer e beber!"

A errante silhueta se anima e diz

"Tenho moedas, bitucas e migalhas a oferecer"

Mas a alma amiga lhe responde

"Não tem problema, riremos até ao amanhecer"

Pela noite adentro encontram de tudo

de pobre mendigo, até rico fajuto

E com o que podem, riam e bebiam

E até mesmo as migalhas, de pão se faziam.

Página
43
Várias almas perdidas eles encontraram

E devolveram-nas suas loucuras

E assim todas seguiam em frente

Para fazerem uma festa nas alturas

Até que a noite vai se passando

e deixando a vez ao amanhecer

e todos começam a se perguntar

o que estaria para acontecer

A errante silhueta falou ir para casa

precisava por deveras descansar

mas lembrou a todas as almas perdidas

que a festa iria continuar

Assim a errante silhueta vagou

no seu recanto foi se aconchegar

pegando um lápis e um papel

se perguntando que estória agora iria inventar.

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44
E mais uma batalha que se passa, desta vez vitoriosa.
Vindo de uma guerra perdida, de um coração que antes me foi presenteado,
mas que quiseram lutar por ele.
Mas agora, armado com minha espada de argumentos, com meu escudo de
aprendizagem do passado, e com minha armadura de respeito, pronto estou
pronto para outra guerra, sabendo que terei muitas batalhas pela frente, luto
sozinho.
Luto porque sei da recompensa, sei que batalhas são perdidas e outras
ganhas, mas mesmo assim.
Luto por você, por mim. Sou soldado do amor, aprendiz de romancista,
aspirante a apaixonado.

Página
45
E mais uma vez o medo da perda me aflige.

Faz-me pensar no que eu poderia ter feito diferente

me faz lembrar de teus sorrisos

me faz lembrar, sorrio, só lembrar.

Já não sei muito bem quem é você agora

já não sei o que faço agora. Continuo?

Espero?

Como uma árvore que cresce e precisa ser

podada, você me cortou as raízes. Assim,

gradativamente morrendo por dentro, mas

que por fora parece completamente viva.

Seu silêncio dói mais que a negação, pois

a incerteza é tudo que vejo em meu coração.

Vive a tua vida, e fique de boa.

Espero nos reencontrarmos algum dia.

Página
46
E Manuel

que era

poeta

hoje me

ensina

E Manuel

que era

Barros

hoje virou

poesia.

A infância

que pra

Manuel

era primordial

não pode

ser esquecida

A vida

de um

poeta

pode acabar

mas seu legado

nunca termina.

Página
47
E não é que um maluco delinqüente

um tanto quanto contente

diz estar passando a corrente

apenas para quem lhe faz sorrir

Porém ferir a flor que vos cheira

é mais do que qualquer sujeira

e digo que poucos podem agüentar.

Quase qualquer coisa de repente

Não se contenha com a gente

Aqui estranho é quem é consciente

e sabe exatamente o que falar.

Embarcar numa viagem alucinante

que faz de ti tua própria almirante

pois não há coisa mais interessante

que juntos irmos a mar.

Página
48
E se eu não estiver feliz?

E se minha vida fosse baseada

no que os outros querem?

Acabou a palhaçada, agora vou ser eu

Já não sou mais o feliz de antes,o triste, o incerto.

É fácil ser quem os outros querem que você seja.

Com tantos anos assim passados

já é difícil me encontrar.

Acordo, peço ajuda.

Coloco a mão na testa, escrevo.

Amanhã não vai ser mais um

daqueles eus, será EU.

Vou fazer o que quero

lutar pela minha felicidade.

Se já não faço os outros felizes

é porque vejo que não sou feliz.

Cansei dessa babilônia, vou sair.

No meio da madrugada, acordo.

Acordo pra vida, pra realidade.

Página
49
E se eu quiser fazer diferente?

E se eu quiser ficar? Sair?

E se eu quiser chorar? Sorrir?

E se eu lhe falasse meus defeitos?

E se eu lhe contasse meus mais

obscuros segredos?

Ainda sim seria comigo?

Ainda sim viria?

Página
50
É tão tortuoso esse caminho ao esquecimento?

Tem pessoas que falam que nunca esquecem

E tem pessoas que não falam.

Será teu ópio meu sorriso para com tua maldição?

Será inaceitável a felicidade de outrem?

Feliz sou e feliz já fostes

Não fique preso a pedra que carregas.

Dou-lhe a chave, mas não posso abrir.

Levanta-te e tire a venda de teus olhos

Tantas oportunidades lhe são perdidas?

És a nota desse nosso monte claro

És o papel que queimamos ao ler

És o amigo a quem prezo tanto

Se por desventura lhe roubei algo

que seja um sorriso

Amigos são pra que?

Página
51
Eis que a escuridão aparece
Forma-se como um lençol que é posto sobre um cadáver
Meus olhos lentamente fecham-se
Enquanto sinto o gélido líquido que me preenche.

Sabes quando dizem que a vida passa rápido?


Não concordo.
Esse momento, por mim, duraria uma eternidade.
Ainda afirmo estar vivo, pois sinto o ar dentro de mim.
Como é bom estar vivo, ainda que desfalecendo.

Agora entendo o que o velho Ancião dizia sobre a escuridão


É tão bela quanto o frio que se sente
É tão extasiante quanto o sangue que derrama e enche teu copo
É tão.... complicadamente simples.

Minha respiração fica mais lenta


Minha pressão é tão baixa quanto seus elogios
As pontas de meus dedos já não existem mais
Tenho certeza de estar em queda livre ao chão.

Lembro-me eternamente do molde da garrafa


Parecia um machado que foi tenuemente afiado
Seu líquido pelo fim, culpa minha.

Dizem que você se aproxima da morte quando se bebe demais


Já eu, digo ser coisa dos Deuses.
Talvez o único modo de se chegar a Asgard

Página
52
Eis que aqui estou eu, novamente

e de novo e de novo, eu me pego pensando em ti.

Poderia estar lá fora, bebericando uma bebida barata, mas não!

Um pouco mais de tinta jogada fora nas palavras que insiro nesta carta.

Carta que nunca vi voltar.

Já não sei mais se eu as mando ao endereço certo

incerto o destino que elas levam, sorte de quem as tira tempo para ler.

Vejo e me incomoda aqueles raios solares matinais.

Está no meu tempo de dormir.

Mas não enquanto não terminar esta carta.

Ha vinte e dois anos e um dia, exatamente.

Com pena, em minhas mãos, borrei-lhe a primeira carta.

Falta de assunto, quando contigo, impossível.

Mesmo que, falando com as paredes, ainda me conforto.

Sei que algum dia, estas palavras chegarão ao teu ouvido.

Sentido por não poder lhe ter, faço um desvio coração-mente

Entende o que quero lhe dizer?

Se por um teto, já não posso te tocar, tocarei sonetos em teu nome.

Diga que me ama, agora ou tarde

Diga que me quer, inteiro ou por parte

Diga como está, feliz ou tristonha

Diga no que pensas, no real, ou sonha.

Página
53
Ela escreve
Eu leio
Ela pensa
Eu reflito
Ela fala
Eu retruco
Ela olha
Eu observo

Eu
Tu
Ela
Amo
Você.

Página
54
Em dias de glória

Nos favorece a vitória

Mesmo sabendo que a derrota

sempre fez parte da história

Ainda me sinto pesado

por meu irmão carregado, bala mirada,

perdida vinda da arma açoitado

Vândalo preso

por porte de direito

Liberdade excluída

do dicionário brasileiro

Manda quem pode

quem não manda se acode

Estado encarcera

Mas o muro povo explode

Olha o porco na candidatura

Da onde veio tanta assinatura

To ligado que vem mais oito anos

Bem vindo ao novo tipo de ditadura

Vândalo preso

por porte de direito

Liberdade excluída

do dicionário brasileiro

Página
55
Em meio a batalha

mais um sobrevivente

perdido paciente

bons encontros

aqui se acha.

O louco da praça

hoje retornou

com novos poemas

de palavras

se embriagou.

Sua noite mal dormida

lhe rendeu poesia

e com estonteante

alegria

os versos declamou.

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56
Então me perguntaram o que é o amor.
Não sabia o que responder, disse apenas que é um sentimento.

Hoje, vi a lua sorrindo e lhe retribui o favor.


Pensei novamente e me desmenti.
Amor? Sentimento?
Dizem uns não acreditarem no amor, digo eu não acreditar nessas
pessoas.
Outros ainda dizem que o amor é egoísta. Tolos, não sabem o que falam.

Amor, dar sem esperar retribuição.


Amor, ajudar, mesmo estando em maior dificuldade.
Amor, não um beijo qualquer.
O beijo.

É triste ouvir falar de amor verdadeiro. Por acaso existem falsos


amores?

Não existem tipos de amores, existe o amor.


Não o amor-sentimento, mas sim o amor.
Amor que tenho compartilhado.

Saí na rua, só.


Lembrei de ti, que me perguntasses o que é o amor.
Ri. Ri na rua, solitário.
Talvez se eu respondesse de uma maneira própria
para a ocasião...

Então, fico agora esperando novamente pela pergunta feita,


mas de uma forma diferente.
Porque não "O que é SEU amor?"
E depois de tudo que passamos, ainda penso.
Você.

Página
57
Entre precipícios

e pula-pulas

ajustamo-nos a

conduta de uma

mente disciplinada.

Abastados pelo

conformismo

nada confortável

nos depararmos

com a implacável

habilidade que temos

de deixar para depois.

Vai dar tempo de

tomar um banho?

Vai dar tempo de

tomar mais uma?

Vamos ter tempo de

terminar tudo

que começ

Página
58
Espero que algum dia ainda te reencontre.
Deixando o passado que juntos amaldiçoamos.

Possamos olhar nos olhos um do outro e dizer a verdade.


Sem espernear e dizer que ainda somos crianças.

Tentei suprimir esse amor o máximo que pude


Mas de tanto espremê-lo, ficou o mais puro sentimento.
Por anos e anos, disse que não queria mais ver-te.
Mas agora meu olho te persegue quando passas.

Ainda sinto aquela sensação de inacabado


Faz tempo que não lhe digo um oi.
Éramos o prego e o martelo
O cotidiano feijão com arroz.

O eu te amo que não sai mais da minha boca


Ficou preso junto ao seu nome
Ao menos me liberte dessa prisão solitária
Que mesmo acompanhado, ainda me sinto só.

O nunca mais que falei foi da boca pra fora.


Raiva que juntei de mim mesmo
Diga que me ama, ou não mais.
Diga que me quer ter, longe ou perto, tanto faz.
Diga que sente saudades, mesmo que rasa.
Diga quando quiser, me ligue e estarei na frente da sua casa.

Página
59
Esqueça! Tire-a da cabeça! A fila anda!

Como posso eu esquecer uma parte de minha vida

da qual ficou presa tão firme em meus pensamentos?

Como que posso beijar lábios que não são seus?

Pelo menos para mim, isso é considerado trair.

Não por trair você, mas trair meu coração, trair

e fechar os olhos para o sentimento mais verdadeiro

que já tive.

Prefiro ficar na mais angústia solidão e madrugar

pensando no que estaríamos fazendo agora, do

que estar junto com alguém que meu coração diz

não ser justo.

Ainda rezo por ti, rezo por nós, para que talvez

nos reencontremos e acertemos as pazes.

Não vou lhe forçar a ficar junto de mim, se seu

coração diz que isso já não lhe é correto, mas

apenas digo a você meus mais profundos sentimentos.

Seria eu um ser tão egocêntrico? Será que amar, amar

por uma inteira verdade, pode lhe trazer sentimentos

tão perversos assim?

Prefiro sentir a infelicidade e os arrepios gélidos

do não, do que sentir a esperança da felicidade de

algo que nunca mais irá se concretizar.

Página
60
Está frio este vento
Passos na rua correm apressados
Mãos no bolso e orelhas gélidas
Acendo o cigarro pra aquecer o...
Pulmão?

Invento mil trajetórias para minha cama


Descansar os pés na laje do bar
Comemorar o trabalho quase feito
Desejo de cansado não mais estar.

Está frio este inverno


Debaixo das cobertas me escondo
Proponho um filme para a noite
Ela mia e pula no colchão
Dorme o filme inteiro
Mas me acorda com sutil arranhão

Está frio este inverno


Fico pensando se aí também está
Abraço-me em teus calores
Amores que se encontram no inverno
Como esse nosso que nos faz bem
Onde escorrem palavras pelo meu caderno.

Página
61
Estava passando, pensando, resmungando, relembrando.
Ainda dormes longe.
Querendo, eu pude. Abrindo os olhos, já não tinha.
Perdi, caiu nesse mundo de torturas que ainda passo.
Mas ainda consigo sentir aquela luz. Calor que me traz de volta, pra perto.
Perto dessa insana lucidez, da loucura do amor.
Só tenho medo que eu não chegue a tempo de pegar o último expresso para o
seu mundo.
Pois já fiz as malas, seria triste ter que desfazê-las.

Página
62
Estou a morrer

tuas lágrimas, sangue

que me cai dos olhos

e que me corrói o coração

Estou a morrer

Teu pranto, me espanto

que de tanto sofrer

me sufoco na depressão

Estou a morrer

Se minhas palavras já não confortam

Com todo resto, pouco me importam

Vou ao inferno em busca de solução

Estou a morrer

Saudade me consome

de todas, busco apenas teu nome

a mais linda criação

Estou a morrer

de tristeza e arrependimento

pois se te fazer feliz já não consigo

só me resta uma última ação.

Página
63
Estou com

o coração quebrado

mas a

cabeça

tá bem

e chego

numa ilha

onde conheço

um alguém

mas logo

lhe convém

de que

no lugar

certo você

está e

que uma

vida

repleta de

amizades

e certezas

chegará.

Página
64
Tenho segundos para esperar o sinal abrir

Tenho minutos para maquiagem

Tenho horas para fazer o cabelo

Mas não para você.

Tenho dias para esperar o novo episódio da série

Semanas para chegada das férias

Anos para meu time subir de série

Mas não para você.

Tenho décadas para terminar o financiamento do imóvel

Séculos para receber minha herança

Milênios para povoar marte

Mas não para você.

Reclamas da contínua falta de cultura

Aos trabalhadores de rua

Não respeita nem atura

Pensas que a poesia

Não faz parte da literatura

Mas não te preocupes

Continuaremos ali, para quem sabe uma próxima vez

Haja tempo.

Página
65
Fácil ser amigável

Difícil é ser amigo

Não só na hora da abundancia

Mas também na hora do abrigo

Amizade inerte

Simplesmente engatinha

Enquanto a alegre

Segue sempre na ativa

Estou farto de esperar

Por uma simples mensagem

"Venha conosco festejar

valerá a pena a viagem"

Enquanto isso

Tocarei meu violão

e para vós que o lêem

Não custa me chamar não

Página
66
Falas muito bem, tens um esplêndido vocabulário.
Falas como um doutor em uma palestra.
Falas como um adulto para com uma criança.
Falas palavras
Palavras tênuas.
Falácias, apenas.
Pena que falas demais de mim, pensando em ti.

Página
67
Familiarizo-me mais

a cada dia que passa

nessa urbanização

deveras desordenada

Consomem a morte

corporal e mental

em rituais oligárquicos

de formas variadas

Licores estragados

sempre soltando fumaça

esperançosos que um dia

o tempo os desfaça

Cultuam o cinza

destroem minha casa

abrindo lugar aos carros

Erguem prédios num piscar

e não cansam de reclamar

de governos desnecessários.

Elfo Urbano.

Página
68
Fechei os olhos.
Senti um frio na espinha, quando eles foram reabertos .
Uma vila no meio do campo, com o crepúsculo ao céu, sem sinal
daquela aura acinzentada.
Abri um sorriso ao ver todos ali, reunidos, em harmonia. Todos iguais,
mas diferentes, usam vestimentas simples, mas que agrada aos olhares. Seus
adornos são de conquistas, merecidos.
Um som alegre e vibrante me faz caminhar e pular em direção a roda,
juntando-se ao meio de nós, instrumentos estranhos, um até me lembra uma
cítara, talvez um violão, não sei.
Depois de abraços e comprimentos, sentaram-se ao redor da fogueira
com suas canecas de cerâmica, peguei a colher do caldeirão e servi a eles o
jantar.
Cantamos mais uma vez, e comemos. Bebíamos do mais puro mel
quando uma escuridão se aproximava, me levantei e alertei a vinda do escuro,
mas eles falam que é normal, tenho que me acostumar com isso, então sentei
e me abracei a todos e fechei os olhos.
Ouvi sussurros: "Não tenha medo, sei que voltarás e sentarás á roda
novamente, aguardamos você".
Senti um frio diferente na espinha e abri os olhos.
É 4:00 da madrugada, despertador maluco, tinha colocado para
despertar as 16:00.
Sai da cama, me enrolei no cobertor, subi no terraço do prédio em que
moro, e na fumaça que subia, via de relance as brasas que ainda restavam da
fogueira.

Página
69
Fez o que faz

está feito, perfeito

Longe de tudo

seu próprio mundo

Rápida, ligeira

diz-se ser de

todos parceira.

Colabora e implora

para seu próprio bem

e se não lhe satisfaz

te faz refém.

Encontra-se no caos

se realizar

afasta-se repentinamente

procurando aquele

ser que te satisfaz

Com singelo olhar

te aprisiona

em poucas palavras

tu se apaixona

e quando pisca, abandona.

Página
70
Fiz esses versos

ao melhor

da minha

não existência

Deixei meu

espectro sombrio

vagar pelos pesadelos

que tive

desde minha

infância

e alimento todas as

esperanças

de um dia

tornar-me

realidade

assim como um dia

a paixão

que aquele

menino

teve e que

acabou

por virar

poesia-arte.

Página
71
Quieto e atento.

Num bar com amigos, bebendo.

Quieto e atento.

Observando loucos na rua, correndo.

Quieto e atento.

Transbordando o copo de cachaça, ardendo.

Quieto e atento.

Com a música, deixa o corpo agitado, aquecendo.

Quieto e atento.

Troca de olhares selvagem, querendo

Ergui a mão e falei

- Mais uma, por favor!

Página
72
Guardiões lhe aguardam

logo após o portal

a mera tentativa

de explicar como é

o paraíso se torna

em vão

Dejetos humanos

deixados por acéfalos

seres orgânicos

são recolhidos

por anjos

fugidos da

civilização

Mas o céu fechará

e demônios uivarão

se a santa água

lhes faltar

até que enfim

suprimentos

irão chegar

Página
73
Há uma praça nesta cidade

onde convivemos

Artesãos filósofos e musicistas

debatem seus devaneios

Há gregos e atlantes

também florianopolitanos

ou não. Juntamos conhecimento

e o mesmo com outra versão

Cantamos declamamos

sobre várias besteiras

em um intrigante bairro

chamado carvoeira

Há um belo painel

que conta uma história

já demonstrando seu tempo

e guardando memórias

Muitas amizades e amores

começaram-se ali

e saudades dessa época

sei que irei sentir.

Página
74
Hoje está um belo dia.
Um belo dia para se dividir um pedaço de pizza
para dividir alguns minutos olhando as estrelas que caem do céu
Uma bela manhã
que começa com seus cabelos compridos nos meus lábios
onde tua cama de solteira cabe exatamente nós dois e mais dois gatos.
Hoje só não está um belo dia
para lhe dar tchau
Hoje só não está um belo dia
para ficar te esperando por horas infinitas até sua volta
Pelo menos, sei que volta. Certeza.
Mesmo assim,
Hoje está um belo dia para tirar mais umas fotos
um belo dia para tocar minha bateria invisível
enquanto você some sorridente entre a fumaça
Hoje está um belo dia para dizer o quão feliz estou contigo
Hoje está um belo nosso dia
Não que ontem o dia não esteve belo
Nem que amanhã o dia não estará.
Mas é que Hoje, especificamente Hoje.
É o único 10/02/2014 que vou poder dizer
que te amo.

Página
75
Hoje, ouvindo

um certo romance

lembrei de

mademoiselle cochon

e de como um

nunca mais

pode ser levado

tanto a sério.

Quando cheguei

em casa procurei

por uma das muitas

cartas que queimei

na esperança que

aquelas lembranças

fossem desaparecer.

Daí então aprendi

o que é amar

e respeito sua

decisão de ser

pois te admiro

pela sua luta, nossa.

Página
76
Tenho construído-me

aos poucos, cuidadosamente

nos cacos que fiquei

nesse caos que

me instalei e ainda

penso no oi

que não lhe dei.

Lhe demonstro, enfim

um de meus incontáveis

devaneios que

tenho depositado

em folhas preenchidas

de memórias que

não consigo apagar.

Página
77
Inutilizo sentidos

inimigo-me a fome

já não falo mais

nem lembro meu nome

Ancorei-me num sonho

escapando de vil realidade

e quando abro os olhos

perdi noção de identidade

Preparo meu epitáfio

recordo-me não saber escrever

meu testemunho é inválido

vejo meu eu perecer

Procuro uma neutralidade

e antes tarde que nunca

me despeço de todos

Acostumado em mentir de verdade

numa aleatoriedade que nunca muda

oêixtepô, taix tolo?

Página
78
Já sussurrei, falei, gritei, mas de nada adiantou.
Então escrevo, para que quando me for.
Minhas idéias e princípios gerados pelo amor
Superem barreiras estúpidas que o mundo nos colocou.

Decidido a mudar o mundo onde o dinheiro é tudo


Matança de milhares por um pedaço de pão
Quando outros ainda rasgam a nota que tem na mão
Damos nossas opiniões, mas ainda me sinto mudo.

Cartão de crédito, juros e divida externa.


Acorrentados pela ganância eterna
Talão de cheque, notas e centavo.
Nesse mundo “livre”, sou forçado a permanecer calado.

Gostaria de fugir dessa selva de pedra


Deixar o mundo que reina em corrupção
Mas se eu o fizer, minhas idéias serão em vão
Então continuo a vida, mesmo que seja em regra

Luto pelos irmãos e irmãs que sentem necessidade


Crianças abandonadas e jovens sem escola
Não sou mágico para tirar educação da cartola
Mas sou militante, ainda sem faculdade

Cartão de crédito, juros e divida externa.


Acorrentados pela ganância eterna
Talão de cheque, notas e centavos.
Nesse mundo “livre”, sou forçado a permanecer calado.

Página
79
Choro ao ver este governo imundo
Onde o povo passa por dificuldade
Clama e sai na rua pedindo igualdade
E os políticos nos intitulam de vagabundo

Tudo que peço é um pouco de paz


Onde eu possa andar na rua sendo visto como igual
Entoando essas rimas em um sarau
Com o povo na rua, não por revolta
Mas pela felicidade de viver em um mundo ideal.

Página
80
Joguei aquele pedaço de papel queimado fora.

Comecei a pensar na real existência do eu.

Toquei-me. Senti que algo estava ali, meu corpo, sólido.

Ouvi o sangue correndo em minhas veias.

Mas ainda não provei que vivo estava.

Fui mais fundo

Viajei pelos órgãos, células e cada átomo que pude contar.

Senti que estava próximo a uma resposta

Cheguei em um corredor de pedras brancas e gastas

Um grande portão ali estava em seu final.

Passei por ele e tudo que vi foi nada.

Um vazio, escuro. Me deu medo.

Acendi outro.

Começava então o salão a ficar iluminado.

Vi memórias, sentimentos, gostos

Notei que ali também estava guardado algo inútil

Noção de tempo. Passado, presente e futuro

Tentei pega-los e jogá-los fora, mas foi inútil

estava tudo interligado, tudo.

Fiquei curioso e fui procurar pela raiz

Comecei a ouvir um barulho repetitivo

Uma bomba, dentro de mim,

prestes a explodir, uma bomba relógio

Página
81
Até que cheguei onde queria estar

Achei música, amigos e você

achei você

achei o que estava procurando

Acendi outro para iluminar nossa passagem de volta

Na volta conversamos, rimos e choramos

e fizesse uma pergunta para mim

- Mas o que você estava procurando?

Respondi que procurava pela razão

mas me desviei para o coração

Porque minha vida é regida pela emoção

e essa é a verdadeira razão

Página
82
Lavo minas mãos

no sangue da vida

enquanto sugam

minhas preocupações

mundanas

Largo de vez

minhas utopias

assim que o

primeiro choro

derramar

E sinto muito

o pesar de poucos quilos

apesar de longe

e eu lhe sentindo estar

Deposito as esperanças

em um caderno

quase branco de

lembranças que

aos poucos declamo.

Página
83
Lúcido estava.

Eu? Claro que não. Falo doutro.

Onde todos estavam ali

mas não estavam

seus corpos dançantes e vivos!?

Seus pés calejados e sorrisos colgatz

Felizes estavam

Eu? Claro que não. Falo doutro.

A música lhes transpassavam a cabeça

entra num ouvido e sai noutro

Letras? Hoje em dia só serve pra teclados.

Sentada estava aquela menina

A escuridão lhe era confortável

Ela sim estava ali, quem lhe dera não estar

Fui até ela e joguei-lhe um copo de cerveja

Com a roupa encharcada me olhou e doeu

- Pelo menos agora tens uma desculpa para ir embora, vamos?

Eu? Já fui...

Página
84
Mais uma noite lisérgica
mas agora acompanhado
aquela velha silhueta errante
agora tinha alguém ao seu lado

A silhueta errante vagou


por deveras bêbado e extasiado
e quando notou-se
estava perdidamente apaixonado

Muito errado a silhueta agia


e sua amada ele entristecia
quando a silhueta alterada
coisas alucinado ele fazia

A amada da silhueta era gentil


bonita e com bom coração
e quando a silhueta errava
choravam, mas aceitavam perdão

Arrependida a silhueta ficava


pois não queria entristecer a amada
desculpas a silhueta pedia
e o amor maior de ambos ficava

O Homem que porta a silhueta errante


mesmo que, as vezes, ambos machucados
faziam o impossível para seguirem seu amor
estando assim, eternamente apaixonados

Página
85
Mais uma vez

a alegria de estar contigo

risadas e lágrimas misturadas

iniciam uma terna amizade

além da imaginação

Força e determinação

encaixadas em uma só pessoa

relacionadas com o mundo

numa só sintonia

agradeço-te por ser

nada menos que companheira

de singelos poetas e

amantes da vida ébria

Devagar reafirmando que

inimizades são desnecessárias

á alguém com um coração tão

sincero.

Página
86
Me convidaram para uma festa no céu, mas não fui

Se eu disser que não fui por preguiça, estou quase mentindo

a subida é demorada e cansa, então prefiro ficar em casa

Me convidaram para uma festa na ilha, mas não fui

estou cansado dessa gente cansada que diz que vai

mas faz que nem eu, e fica em casa postando que não foi

Me convidaram para uma festa ontem, mas não fui

essa festa eu queria muito ir, muito mesmo

mas acabou que a natureza não quis que eu fosse

Me convidaram para uma festa hoje, mas não vou

as festas de hoje em dia são tão chatas

que até quem organiza as festas não vai

Me convidaram para ir numa festa do meu aniversário

mas estou mais duro que pedra e endividado até o pescoço

e aniversários são festinhas que vai só quem o aniversariante gosta.

Gostaria muito de ir numa festa agora

mas eis que não há festas

não há festeiros, nem festanças

o que resta é ficar só

eu, e você em minhas lembranças.

Página
87
Me diga criança

como está sua vida?

Aproveitando a infância?

Mal tenho a lembrança

se em casa tinha TV ou não

minha maior diversão era subir nas árvores

apostar corrida de carrinho de mão

Voltar pra casa todo barrento

melequento de suor por correr adoidado

e a única coisa que não deixava de lado

era antes de dormir fazer o forte

mais protegido que meu quarto

Fui usar o computador já bem mais além

quando mudava de cidade

não conhecia ninguém

dava os rolês de bicicleta

só parei por um tempo

quando aventureiro quebrei o braço

dai então fiquei mais lento

Ia pra biblioteca que tinha lá em casa

ficava dias e noites num livro só

parava de ler quando minha mãe reclamava

"Vamos pra escola menino, não se atrasa!"

Página
88
Meu emprego

é a boemia

meu salário

é a alegria

Ter a certeza

que esta vida

sempre foi minha

e que o que

se passou

foi a extensão

da linha

do conhecimento

a experiência

que adquiri

aos poucos

anos de

minha vida.

Página
89
Meu sangue escorre frio e seco
Um único furo feito por mais uma ponta
Pingos de um vermelho alcoólico mancham minhas roupas
Prefiro arrancar meu coração a ter seu alfinete nele estacado

Embarque no meu mundo que nosso tempo é curto


Segure minha mão e vá! Contigo eu posso ser
Não prometo que possa se arrepender
Pois com isso eu sofro até hoje comigo mesmo

Não confunda desespero com solidão


Mas ainda sou fraco do coração
Teus lábios são mel, porém um baú raro e vazio.
Um vácuo que me puxa para perto de ti

Um bordel de virgens, luvas para meus pés.


Quando essas palavras lhe fizerem algum sentido
Estarei ali, sentado ao teu lado.
Com meu rosto embriagado e um cigarro na mão.

Página
90
Meus pés cansados

influenciam meu dia

pensativo e inerte

procurando alegria

Nessa triste face

expondo preocupação

junto a galera

que já ta de milhão

Sem hora marcada

continuamos a festa

dada a largada

a loucura atesta

Guardando energia

para mente pensar

aguardando então

o rolê infinito acabar.

Novamente esperançoso

difícil raciocinar

minha mente conturbada

procurando abrigo

em qualquer lugar.

Página
91
Minha visão

morre em

um morro

que de tão

maciço

pede socorro

Sua estonteante

imponência

metamorfou-se

em perigoso

pois tornou-se

abrigo

de mídias

á qual

me inimigo

e hoje

é alicerce

de uma

cidade bonita

que aos poucos

sua magia

desaparece.

Página
92
Moça, por favor

Me diga que magia é essa!

Me diga que há cura!

Moça, por favor!

foi de propósito?

Estou morrendo vivo

Me ajuda, por favor!

MOÇA!

Que moléstia é essa que carrego comigo?

Me corto todo para achar onde fica alojado este malefício

Eu choro, grito! AJUDA!

MOÇA! POR FAVOR!

Página
93
Não falo, porém escrevo.

Se falo, digo apenas o verossímil.


Se digo o verossímil, dói, machuca.
Se machucar, peço desculpas.
Se não me desculpo por falar a verdade, só.
Só, por falar o que não querem ouvir.

Ouço, mas não falo.


Não falo, porém escrevo.

Escrevo o que penso, mas penso...


Penso e organizo as palavras.
Palavras de sentido, sentido que já não mais existe.
Persiste, sonha, realize.
Da vaga imagem a proeza, do camponês a realeza.

Ouço mas não falo.


Não falo, porém escrevo.

Escrevo quando necessário, pois assim deve ser com a fala.


Falta de assunto que não será o problema.
Pois assim como um noivo se ajoelha na frente da futura esposa,
Com sua caixinha, onde somente uma coisa poderá estar dentro dela.
Assim é minha cabeça, meu mundo que já falaste.
Onde tua presença é minha totalidade.

Página
94
Ainda não sei o porque

mesmo pensando em você

que fala, que escreve e que lê

que tudo faz, menos me vê

Me sinto moleque miúdo

Como feto preso em tubo

Como se não bastasse tudo

Até por tua vó fiquei de luto

Vira pra mim e desvia o olhar

olhos atentos para verificar

todas as estrelas e o luar

menos pra quem quer te amar.

Mas penso que nada que fiz foi em vão

a não ser já ter reservado um caixão

pois sei que é amor, e não paixão

e por ti enfrento até leão.

Página
95
Não sei o que faço agora

o dono da okupa ta lá fora

dizendo que é ordem de

despejo, vamo embora

Peguei portfólio e a viola, to fora.

Procurando um ponto de cultura

acho que hoje vou dormir na rua

beber cachaça e fazer loucura

participar da vida onde ninguém atua.

Os proprietários do castelo

destruindo a convivência

afirmando a proeminência

para que eu possa me lembrar

Declamo de peito aberto

que eu tenho onisciência

e já acabou a paciência

i viva La Anarkia, viva La Liberdad!

Página
96
Não sei quanto a vocês

mas ser poeta é

carregar fardos

E que para completar-se

despeja suas angustias

em frases que não

puderam ser faladas.

De início são de raiva

Conforme o desconto

Tornam-se suaves

E a cabeça começa

a ficar mais leve

encerrando seu

propósito em

arte passível

de varias interpretações.

Página
97
Não sou amador

e tampouco amante

um simples humano

uma silhueta errante

Vago pelas ruas

becos e travessas

Insano pela solidão

e inerte pela conversa

Sigo sempre em frente

Movido a cachaça

As vezes cevada

Vagarosamente soltando fumaça

Quando ébrio

Recito poesias

Quando sóbrio

Busco não o ficar

Aguardando encontros aleatórios

Vou infiltrando cada viela

Esperando a noite chegar

Quando minha vida começa.

Página
98
Naquele dia leria poemas
Naquele dia seria intelectual
Naquele dia usaria óculos
Usaria óculos sem grau

Falei palavras que li


em qualquer dicionário por ai
Falei palavras difíceis
Que nem mesmo eu sei falar.

Usei fontes para meus argumentos


Que foram indicadas por manipuladores
E finalmente comprei aquela camisa do Tche
Que achei naquela loja caríssima

Hoje, mas só hoje


Não vou compartilhar vídeos de gatos
E sim sobre aquela gente preta
Que não trabalha na áfrica e morre de fome

Vou pegar uma frase na internet


De algum cientista famoso
“Os Umanos São Estupídos”
Einstem

Naquele dia serei intelectual


Naquele dia serei Cult
E então me incluirão nas rodinhas
Porque sei falar, merda, mas sei falar.

Página
99
Naquele dia tudo estava quase normal
O céu quase azul, meio acinzentado
A comida estava quase boa, meio sem sal
A rádio estava ligada, mas era música boa

Naquele dia me senti doente


Algo me consumia por dentro
Mas começou pelo lado de fora.
Se não fosse aquele maldito sorriso

Foi tudo culpa de Vênus e seus anéis


Culpa do mar por ter tanta água
Culpa do culpado por não ser inocente
Culpa minha

Naquele dia tudo estava quase normal


Você junto estava, mas não sorria
Eu estava com fome, mas não comia
Estávamos felizes, mas não estávamos

É humanamente normal colocarmos a culpa em outrem


Mas claro que dessa vez, não fui eu.
Não foi você, nem ninguém
Talvez porque para culpar errar é preciso

Meus pés e mente viajam longe


Tenho medo de estar onde estão
Talvez por medo de perder algo que nunca foi meu
Talvez por ter certeza de algo que nunca soube.

Página
100
Naquele estar

não estando

continuo

contestando

não estar

raciocinando

onde é

que vou parar

E se é

que é delirando

na espera

estigando

do que me

possibilitar

No outono

estremecendo

continuo

aqui vivendo

então somente acontecendo

pra onde a vida me levar.

Página
101
Nem essas quatro paredes conseguiram parar meu grito

Gemidos de prazer na dor, frio de tanto calor

Agora o Aurélio não consegue me dizer a palavra exata

Nem mesmo Alexandria lhe teria escrito

Meu coração arde como faixa de gaza

E o Amazonas se enche com minhas tristezas

Me arranquei do meu próprio corpo

e o sangramento piora a cada lembrança

Nem mesmo o mistério da construção das pirâmides

é tão grande quanto o porque de eu lhe deixar

E as fossas marianas são tão rasas

Se comparadas ao fundo do poço que cavei

Gerações de mim construíram muralhas

bem mais resistentes que as da china

mas que com suas palavras se transformam

em um castelo de cartas que voam pelo tempo

Nem as musas gregas, nem as troianas

Nem as virgens, nem as santas

Ando perguntando-me por onde andas

que fizestes todas essas lhe darem passagem

Página
102
Nos trilhos tortuosos

que a vida nos apronta

alternamos entre

céu e inferno

espreitando entre

liberdade ilusória

e um silêncio interno

confino-me em um

baile de máscaras

que somos obrigados

a dançar ao ritmo

que nos mandam

Sorrisos a lá coringa

a deriva num mar

concretado em meio

a meios-fios

aguardamos um

Batman que não

conseguirá salvar-nos

de nossas insanidades

que findam-se na aceitação.

Página
103
Nota-se seminua

em trastes de madeira

numa freqüência

bem baixinha

Tons graves

em timbres altos

gemidos em

sintonia

MInha música

FAz teu SOL

REssonar LÁ

DO fundo em SI.

Página
104
Novamente acordei com meus braços ao redor de você,

ou do que talvez seria o lugar que ficava.

Seria minha vontade de te fazer feliz tão maior

do que o sorriso que poderia eu ver ao me olhar

em um reflexo de um mundo que já existiu e que

possivelmente ainda há de continuar em alguma

dimensão espaço-temporal em que ríamos juntos?

E de novo me pego pensando em você, possa eu estar

onde quiser, sorrio olhando para o céu, que me

lembra de você, como se isso já não fosse

doloroso saber.

Página
105
Num instante

nada temporal

aproveito o

vendaval e

escuto sua

história.

Diz que a

água que bebemos

e do suor

que transpiramos

já faz parte

de alguém

num passado

tão distante.

E numa destrutiva

e impressionante

construção

transformou-se

em brisa que se foi

mas eternamente

voltará.

Página
106
Nunca estive tão perto

de transcendência exata

coisa que ninguém sabe

consolar o amor

que virou de verdade

O que é na vida ingrata

sentado a mesa

com a rapaziada

ouvindo um jazz

fumar um cigarro e

bebendo gelada.

Página
107
Ó desterro

tuas veias

alimentam

e matam

a sede

daqueles

que buscam

por inspirações.

Tuas lágrimas

de felicidade

perdidas

no meio

da selva

de pedra

feito

templo

esquecido

em

espaço

tempo.

Página
108
Ó grande invenção

só tua menção

já me deixa

a salivar.

Me anseia esperar

pois hei de

me deliciar

contigo em

minhas mãos

Teus variados

formatos e

sabores são

motivos de

ciúmes aos

meus amores

Página
109
O vazio sempre me encheu de uma forma inexplicável

são 3:59 da manhã e eu não consigo dormir

A insônia constante que eu tenho tido não me da a causa

Afinal, já são 5 dias que não durmo bem

Mais um minuto se passa e eu tento entender

Tudo está tão normal como sempre foi

E eu fico aqui esperando algum evento extraordinário acontecer

E a coisa mais extraordinária que poderia acontecer

é amanhã ser segunda feira.

Fico me perguntando se essa insônia é por tua culpa

Mas são tantas culpas que essa nem faz mais diferença assim

Ando tão ocupado me justificando perante aos outros

que não justifico minha própria existência

Claro, como se fosse ridiculamente simples se justificar

Alguns se justificam por tudo: pelo ato, por deixar de fazer o ato

Eu justifico o uso do injustificável.

Quando nada se tem, tudo se pode

mas poder tudo é muito querer

e indago-me cada vez mais fundo

será o poder intrínseco a existência humana?

Página
110
O vinho estava ótimo e a cachaça melhor ainda.

Cheguei ao limite, de um último gole a privada.

Não deu tempo, foi chão, pia, roupa.

Já vou, já vou, ta tudo bem.

Exceto a visão, tudo turvo, mais ainda.

Abro a porta para desocupar.

Mas tua bondade ocupa-me a mente.

Apóio-me em tuas pernas e descanso.

Sonho conosco, você sentada comendo, eu dormindo.

Arrasto meus pés aos teus.

Não sei pra onde, pra quando, mas vou indo.

Neste ir cheguei ao frio e a fome.

Mas não só, tuas asas me aqueciam.

Vozes e pessoas que sorriam

Tempo passa, mas eu espero pois contigo sou.

Chego em casa e você me põe pra dormir

Cinco meses já se passaram. Quer namorar comigo?

Tua bochechas rosadas já me contaram.

Se nem a distância e sobriedade nos separaram

Nem que apareça um amor antigo

E no coração me atravesse a espada

terei prazer em quando for embora

voltar outra hora e dizer: Como vai, namorada?

Página
111
Ocultos ocultistas

taverneiros

contemporâneos

dá-me um prato

de comida

que estou

delirando de

fome.

De arroz integral

e alface ralo

complemento

com feijão e

chinelão meu

pesado prato.

Muito obrigado

minha barriga

cheia chega a

ficar dolorida

e de sobremesa

lhes faço essa poesia.

Página
112
Passei a noite inteira
Pensando no que dizer
Até que cheguei em cima da hora
Todo bobo, sem ter o que fazer

Pensava nos teus lábios


No tamanho da sua cama
Pensava em nós dois
Deitados na verde grama

Ai meu Deus !
Como a vida é louca
Não consigo dormir
Sem meu beijo na tua boca.

Ai meu Deus!
Como a vida é louca.
Uma vida com você
Já diria que é bem pouca.

Página
113
Pedi cachaça

Quanto tá?

Dôx Pila

Mi trax sêch!

Um brinde à você

Moça sóbria

Que trás alegria líquida

Para mortos-vivos ébrios

Degustando os sabores

E um amor consensual

(não vou rimar com sexo anal)

Pode nos oferecer companhias

E talvez sexo casual

Elfo Urbano- Um brinde a lóri comunitária.

Página
114
Peguei meu lápis

Calibre b6

Estourei todas minhas idéias

de uma só vez

Encontraram-na no meu quarto

cheia de manchas de grafite

amassada num canto

concentradas no papel sul fite

Heteronormatividade

racismo e Hino do Brasil TV Globo e Record

Mais fascistas presentes

para exercerem seu dever civil

Lambes se misturam com grafites

Os muros sempre gritaram

Somos o câncer institucional

de onde muitos brotaram

Vivemos na caixa de pandora

Ensinados por ventriloquia

Corte suas amarras

Toda criança nasce nua, ateia e na anarquia.

Página
115
Pela espera que se passa das pessoas do passado.
Pelos amorosos amores, beijos com calor.
Pela vera verdadeira semelhança com tudo.
Com todos.
Por todos.
Pelos quadros pintados, molhados, jogados.
Dentro, fora, no jardim aflora.
Imaginação que passa pelo corpo inteiro.
Dedos, olhos, braços, pernas.
Só cabeça que não.
Chegarei antes de você.
Tentarei.
Com o beijo tão esperado, vem a pílula de cianureto junto.
E aqui sepulto, minhas palavras, de luto.

Página
116
Perdidos em meio a perguntas

fixo-me em resposta única

se questionam indivualizar-sem

proponho-nos autonomizarmos

Num cubo universcolar

dedicam-se muitos o decorar

formas e mulas infinitas

que não se cansa repassar

Transformaremo-nos em

testes infindos

sujeicoitados a viver

conformados com nosso DNA

Tens certeza que sempre

fosse bem educado

por pessoas que nunca viu

Segue leis que nunca leu

Come e bebe o que não plantou

E já não sabes a quem pertence.

Página
117
Perdoe-me.
Não foi por querer te machucar
Perdoe-me
Não planejava que tão sério
Nós iríamos se amar.

Perdoe-me
Sei que pouco eu falo e me expresso
Perdoe-me
Mas a ti minhas lamúrias e dores
Sorrisos e valores eu confesso

Perdoe-me.
Mas meu amor é incondicional
Perdoe-me
Se no mundo em que vivo
O amor é pra mim a única coisa racional

Perdoe-me
Mas sinto falta de teus calores
Abraços na madrugada
Onde calados não pedimos mais nada
Do que junto compartilharmos
Nossos amores.

Perdoe-nos

Página
118
Pichamos muros

quebramos bancos

brincamos com fogo

e na arte arrasamos

Sempre nas ruas

encontrando irmãos

apoiando as lutas

dos que nos apertam as mãos

Construindo conhecimento

vamos aprimorar

nosso ideal comunitário

e para outros repassar

Antifascistas

Anti racistas

contra o Estado

Pela nossa autonomia

numa autogestão

um mundo libertário

Página
119
Por mais que tenhas defeitos
Fascina-me a coragem que tem
Batalhando de noite a noite
Pensando no agora e alem

Pensei que você não era única


Procurei por alguém parecido
Encontrei garrafas vazias
E uma palheta que havia perdido.

Quando tive a chance, perdi


Fiquei só e choraminguei
Sentei em meu canto desesperado
Tentando rever o que jamais encontrei.

Mas acredito que todos erram


E todos podem ser perdoados
E uma segunda chance deve ser dada
Aqueles que algum dia já foram realmente amados.

Página
120
Por muito tempo inquieto

quis acreditar em vão

que o nunca mais dito

deixou meu amor

a sete palmos do chão

Enterrado ainda vivo

mumificou-se imortal

aquela paixão de criança

não era mera

brincadeira carnal

Quando lhe jurei lealdade

jamais fui tão sincero

meu corpo já não basta

sua memória

ser contigo é tudo que peço

Intitulo essa carta saudade

e assim me despeço

de minhas lágrimas faz parte

o ponto final deste verso

Página
121
Por muitos anos de fome

deveria haver alguma solução

se a conversa é fiada

entraremos e resistiremos

na ocupação

Comida não se nega a alguém

lucro na fome para empresário

Cinqüenta anos de maçonaria

no poder

personificadas num reitor

salafrário

Não esquecemos da concha

e há muito mais a ser falado

o povo já esta cansado

de toda essa piada

chamada de Estado.

Página
122
Por um acaso

fizemos Poema

de um amor carnal

fixado em uma

atração irracional

Numa incerteza

deliro diariamente

afundando-me

em ilusões

de uma paternidade

inesperada

Tudo que peço

é nada

mas de todo coração

essa menina

será a mais bela

dentre todas

nossas

criações.

Página
123
Porquanto

essa reticências

me apavora

Torno-me

relógio

esperando

passar a hora

Ansiosamente

aguardando

saíres do

trabalho,

mas que

demora

mas que

demora

Página
124
Porque no real sentido da palavra esperança

ela significaria esperar.

Ainda então, tenho esperança em relação a você

e sei que não será em vão, não me importo

em lhe esperar, vir da onde estiver para lhe

demonstrar tudo o que sinto por ti.

Palavras para mim não são necessárias quando

demonstro por meio de ações o que sinto por

aqueles a quem amo.

Porque quando se ama, não esquece. Lembranças

do passado que voltam a tona, podendo ser tais

lembranças ruins ou boas.

Página
125
Pra ser sincero eu espero que você

não leia essa musica no ritmo de engenheiros

Nem que você veja

toda essa merda que andam escrevendo de ti por aí.

Aquela errante silhueta torna-se mais vaga

um espectro lucidamente corrosivo.

que cria uma órbita interespacial

intrínseco a uma pupila orbital.

Peça-me

Fale-te

Faça-nos

Quase qualquer coisa que seja útil unir-nos ao agradável.

Página
126
Prometo-me

como todos

estar no

lugar

onde tudo

acontece e

se conclui

o amanhã.

Nesse dia

pagarei

minhas

dívidas

procurarei

um trampo

e lerei

todos

aqueles

textos

e livros

que me prepararão

para o futuro, o depois de amanhã.

Página
127
Quando a porta se fechou, já não sabia se era o escuro da noite que não me
deixava mais enxergar ou se eram tantas lágrimas que dos meus olhos
escorriam...

Queria ter algo melhor para jogar na parede, meu violão, de presente seu,não.

Sento no mármore frio, tão quanto seu adeus.

Admito ter sonhado alto, mas prometeu-me asas.

Asas de sacrifício próprio, decaindo-se aos pés da realidade da qual nunca fui
muito fã.

Rasgo poemas e rabiscos que fiz em teu nome, mas o roxo no meu braço, só
com o tempo que se apaga.

Impiedoso tempo, dar-se-á a mim para que possa regurgitar os fétidos beijos
que lhe joguei?

Impiedosa verdade, dá-me teu aval para que possa crer nas águas que já me
molharam?

Página
128
Quando me aparece a chance de ter alguém novamente

quando a esperança tiver sido deixada de lado

e somente a desprezível sensação do prazer espontâneo

aparecer novamente, você me aparece

Me torna o impossível com um sorriso. Me faz

esquecer dos problemas e faz o mundo físico desaparecer

em volta de nós dois.

Faça com que o mundo em que vivemos desapareça, pois

o único mundo em que quero viver agora, é o mundo

em que você esta inserida.

Me traz a formicação do corpo novamente a tona, me faz

querer mais, mesmo quando nem tenho o inicial. Me faz querer

te ter demais, até alem do que eu poderia ter.

Não quero que se prenda a mim, e eu não queria me prender

a você. Fica difícil quando a paixão não é correspondida.

As lágrimas que correm dos meus olhos, poderia eu dizer

que são de sono, mas a cama esta do meu lado, e eu poderia

estar deitada nela neste momento.

Finalmente encontrei alguém, que apesar de nos conhecermos

em apenas algumas horas, não poderia eu fazer nada mais

a não ser acordar pensando em ti e ir dormir pensando em nós.

Página
129
Se não for para ser, que diga. Mas estou disposto a ir até

onde nunca fui para fazer dar certo. Estou consciente sim

dos riscos que poderemos enfrentar, mas porque se preocupar

mais com a tormenta do que com a calmaria?

Fico feliz de te fazer feliz, fico feliz ao te fazer rir,

fico feliz por te ter perto de mim, mesmo sem ter segundas intenções.

Se não for para ser, que diga. Mas muito obrigado pela companhia

que me fizeste até agora, mas meu coração dói por não te ter

comigo hoje.

Só não gosto de me deitar na cama, abraçando meu cobertor

porque você não esta aqui comigo.

E mais uma vez, durmo sozinho, pensando em você, quatro dias

que me trouxeram um sentimento que eu já havia esquecido.

Um sentimento do qual eu me alimento, pois amar nunca é demais.

O cuidado que temos um pelo outro, já é algo que prezo mais que

outras amizades.

Página
130
Quando nada mais tive

quando o fundo do poço já me era raso

ilumina-me uma corda presa a garganta

assim diria adeus quando me reerguessem.

Envenenei-me o cále-se para mudo ficar

Palavras me atravessavam o coração como facas

Descerei mais fundo que alguém já foi

Finda-se aqui minha sobrevida

Eles já me foram, todos, todos.

Até que sozinho, também me fui.

Implorei ao diabo a entrada do inferno

mas até isso me foi negado.

Um saco de pele e osso

Um espírito caído, maldição.

Onde a guerra entre amor e ódio foi perdida

Oh! Acabe de vez com essa infâmia

Nem chorar posso, pois tenho sede.

Até gritaria se alguém me ouvisse

Única coisa que me sustém é uma lembranças perdida

Um alguém que já disse eu te amo.

Página
131
Quando o instinto avisa

que é tempo de voltar

adianto-me os passos

para não ouvir os pássaros

que encerram

mais um ciclo

lunar

Página
132
Quando poetas

sentam-se a mesa

palavras são o alimento

que gorfamos em papéis

Copos que se fingem

de recipientes furados

fulminam turbilhões

de pensamentos embriagados

Desinibidos ficaremos

e juras eternas declamaremos

e finalmente quitaremos

as dívidas que nos ficar

Descendentes da boemia

juramos fidelidade ao pacto

casaremos com Afrodite

numa festa patrocinada

por Baco.

Página
133
Que essa chuva leve
Toda a água que já escorreu de meus olhos
Por conta de todos os dias de saudade.
Que esse vento aqueça
Nossos corpos unindo-se
Quando só o calor humano nos restar
Que esse tempo fechado
Abra-te os braços aos meus
Até que o mesmo nos esqueça

Página
134
Reitifico-me assim

por mim, que seja.

Veja, as coisas

não são bem assim.

Por enquanto

continuemos

e conforme cometemos

tudo aquilo

que nos atemos

ao que propiciar

Desatento e

por deveras lento

continuo a pensar

Quem dera

mais um gole

mas isso é

pra quem pode

e nos possibilita

continuar.

Página
135
Roupas encharcadas, bolsos cheios de nada.
Gotas escorrem pela fronte que já estava molhada
Antes mesmo da chuva, ele havia de tê-la secado.
Sacado o pano que agora lhe era inútil.

Sentei-me à calçada de um lugar aleatório


Observei o movimento dessa sociedade
Cada movimento, uma resposta diferente.
Ainda indiferente perante seu passado.

Gritos da cidade grande acordam espíritos


Espíritos que deveriam ficar dormindo
Entidades de um propósito sem fim.
Espíritos da revolta alocados dentro de mim

Página
136
Sabe quando

a chuva cai

no momento

propenso

a te fazer

agradecer

por estar ali.

acalmando

sua ânsia

e lhe oferecendo

esperanças

e cativantes

amizades

para um

bom dia

te desejar

A primeira

fumaça que

você soltar

far-te-á

esquecer

alguma coisa

que não lembro.

Página
137
Saberia eu que talvez por um infame instante

Deitar-me-ia sob um colchão de complicações

E que numa ilusória esperança da paixão

Restar-me-ia um breve descanso

Preferi ancorar meus pensamentos

Em placsplacs de plástico na alvorada

Para acalmar minha mente conturbada

Por anseios alheios mal resolvidos

Mas entre o descanso e os placs placs

Pondero as possibilidades de um bom dia

Que será por deveras agitado e que

Descarregará toneladas de pesos de meu ombro

Indeciso sobre minha próxima ação

Continuo vegetando alucinadamente

Em uma cacofonia interminável

Certeiro de minha necessidade

Vou para cama sem alarde

Pois cedo demais está para ser tarde.

Página
138
Sacadas me mordam

Se paredes pudessem falar

falariam mais do que não sei

e nós confortavelmente ébrios

sorriríamos com seus devaneios.

Sua aparição tornou-se marco

de uma nova era de acontecimentos

que nunca foram iniciados

e que não existe pretensão de serem concluídos .

Do estudo da linearidade temporal humana

aos meus neurônios já corrompidos

faz-se uma ligação um tanto quanto intrínseca

a sociabilidade que se têm

com uma etnografia política

derivada de indagações da psique terráquea.

Mesmo assim

a imensidão azul que contida em dois pequenos glóbulos oculares

tomou conta de mim

tornou-me escravo novamente

do mais terrível dos vícios

o amor.

Página
139
Sai do trabalho, pra trabalhar

Sai da escola, pra estudar

Sai do namoro, pra namorar

Quem?

Sai do esgoto pra não se esgotar

Sai da falácia pra não falar

Saiu de casa pra não casar

Quem?

Quem é que paga pra economizar?

Quem que sorri pra não se estressar?

Quem toma bala pra não se matar?

Quem?

Quem é que foge pra se encontrar?

Quem se apaga pra se iluminar?

Pra que palavras se eu não sei cantar?

Joga o papel e a caneta fora

Fazer um som e improvisa agora

Pega a viola e não demora

Sai da chuva pra se molhar

Sai da coluna pra caluniar

Sai do asfalto pra se afastar

Página
140
Quem?

Sai da garrafa pra não engarrafar

Sai da rede pra não rodar

Saiu da maca pra não mancar

Quem?

Quem puxa fumaça pra se enxergar?

Quem que se limpa para se sujar?

Quem se destrói pra se embelezar?

Quem?

Quem se exclui pra socializar?

Quem se explora pra valorizar?

Quem que se engana pra se acreditar?

Joga o papel e a caneta fora

Fazer um som e improvisa agora

Pega a viola e não demora

Que se melhorar, piora.

Página
141
São cinco minutinhos

de satisfação

por ter concluído

mais um arco

do que pensamos

ser a vida.

Nessa montanha russa

de emoções

todas as pessoas

almejam o clímax

Cinco minutinhos

de paz, descanso

brutalmente

encerrados por

cobranças que

impostas sob nós

forçam-nos a

ultrapassar as

expectativas

de nossos horizontes.

Página
142
São fuckin onze horas da manhã

São fuckin incontáveis encontros indesejados

Foda-se aos meus sonos desesperados

Se eu dormir agora, acordo só mais além

Dezenas de trabalhos, provas

Estudei a noite inteira pra chegar a conclusão:

Eu não sei de porra nenhuma ainda

AINDA NÃO SEI!

Meu último cigarro, das últimas moedas

Me olha com uma cara de fazido...

Tosto-lhe com um sorriso sarcástico

E ele ri de mim

Não quero sair de casa

Não quero sair

Não quero

Não, hoje não.

Esse meu dia de 33:27 horas me induz

Faz-me acreditar que eu ainda tenho tempo

Enquanto todo o tempo que eu tinha no mundo

Foi translocado diretamente a sua pessoa

Página
143
Saudações poéticas

Pobre poeta
acaba de achar seu par
mal sabe ele
que já sabe amar

Palavras são poucas


para descrever seus sentimentos
jura ele estar pensando na amada
em todos os momentos

Poderia ele sair gritando


para Deus e o mundo ouvir
que amor como esse
poucos irão conseguir

Por mais que distantes estejam


ele a ela fiel será
e quando a saudade apertar
poesias e músicas então fará

Desejar-lhe-á uma boa noite de sono


um bom descanso para recompor
enquanto aqui ele ficará escrevendo versos
para seu único e verdadeiro amor

Página
144
Sê numa liberdade plena

minha pequena

Deixo meu eu em ti

lhe aguardando a todo instante

Te dou bom dia e boa noite

com teu sorriso fotográfico

em minha simples estante.

Carrego sua lembrança

comigo onde vou

e músicas e poemas

farei em teu favor.

A longa distância

entre nós até

pode me cansar

mas viajarei para

onde estiver

se for para contigo estar

Fique em paz, pessoinha

sei que vais ser grande

E mesmo se tiver algum

problema, conte com

seu pai, Poema.

Página
145
Se te quero apertar pra perto
Segurando-o sem jamais soltar
É porque não sei ao certo
Se amanha irás voltar

Se te sou doce e te faço carinho


E te declamo sem motivo aparente
É porque não quero que sintas sozinho
E quero que fales o que sentes

Se te toco com firmeza, gosto


Querendo provocá-lo até ceder
É porque quero mais que tudo
Que seja eu a te dar maior prazer

Meu maior desejo não é você por inteiro


nem pela metade
Não lhe peço declarações de afeto
O que quero mais que qualquer coisa
mesmo nos íntimos desejos
É que, mesmo nas noites mais selvagens
na confusão dos cobertores,
Mesmo nos tempos mais frios e desnudos
Na quais não queira mais paixão,
De alguma forma nossas mãos ainda se encontrem
Que haja a seu retorno ao meu lado
O mais insignificante desejo de permanecer ao meu lado.

“Na confusão das cobertas desejo apenas que minha mão encontre a tua”

Página
146
Seremos jovens demais até que ponto?
Vocês reclamam da vida que não aproveitaram
e agora a morte vai ao seu encontro
não há tempo para curtir o que de lado deixaram.

Jovem demais para poder beber


Jovem demais para poder fumar
Jovem demais para poder saber
Jovem demais para poder amar

E ainda acham que sabem de tudo


mas nem de tudo vocês provaram
querem que eu seja um robô mudo
eis palavras de raiva que descontaram:

Jovem demais para poder se drogar


Jovem demais para poder sofrer
Jovem demais para poder matar
Jovem demais para poder morrer

Porém existe aquele que somente nos alerta


e nele você poderá se apoiar
porque mesmo que no final dê merda
nós teremos para quem voltar.

Jovem demais para poder andar


Jovem demais para poder correr
Jovem demais para poder gritar
Jovem demais para ter poder.

Página
147
Seria talvez mais fácil eu tomar cicuta do

que deixar de pensar em ti?

Seria talvez mais trágico para eu morrer de

várias maneiras em pesadelos do que deixar

de olhar para ti?

Seria talvez mais doloroso tirar meus próprios

olhos do que deixar de olhar para ti?

Sentiria eu mais frio estando pelado em algum

pólo do que saber que sua resposta é não?

E você? O que tens sentido?

E você? Por onde tens andado?

E você? O que tens ficado sabendo?

Mais uma vez as palavras não param de fluir,

o lápis se move sozinho e minha mente gira

em torno de uma profunda falta de ti.

Página
148
Sonho que nasce pequeno
Sereno assim comigo
Amigo para toda situação
Ação que tenho só quando dormindo.

Sonho que nasce pequeno


E aos poucos vira realidade
Mesmo que com poucas amizades
Cresce mas é engolido pela cidade

Sonho que nasce pequeno


Vive doente e calado
Mas que com esperança é alimentado
E nunca deixa de ser grande ao meu lado.

Sonho que morre pequeno


Mas que gera infinitas sementes
Que mesmo morto e enterrado
Nunca se havia visto grãos tão potentes.

Página
149
Sou amante e escritor
Poeta mal amado
Estarei eternamente a sua procura
Para poder descansar ao teu lado.

Arrasto-me pelas ruas


Acompanhado pela solidão
Mulheres ainda me aparecem nuas
E lhes dou meu corpo, mas não meu coração.

Fico a procura de minha musa


Apesar de não querer vê-la
Sei que minhas mãos não lhe tocarão
Mas ainda me sinto bem, por em pensamento tê-la.

Não vejo boca, mas tem bela vós


Não vejo olhos, mas me seca a alma.
Não sinto braços, mas me aperta.
Não a sinto perto, mas me acalma.

Sou amante e escritor


Poeta mal amado
Estarei eternamente a sua procura
Para poder descansar ao teu lado.

Página
150
Sou cidadão

Sou números aleatórios de uma certa certidão

Enquanto dorme em tua cama

Divido com vários outros esse pavilhão

Sou cidadão

Tenho direito, mas mais ainda obrigação

Direito de andar na mira do três oitão

Direito de morrer numa vala e não num caixão

Sou cidadão

Limpo tua sujeira e recebo migalha de pão

Sento com meus filhos na rua

sobrevivo de artesanato e de doação

Sou cidadão

Invisível cidadão.

Página
151
Sou como nuvem
Grande a pareço
mas pouco sou
Sou como nuvem
que surge em dias de sol
para lhe fazer sombra fresca
Sou como nuvem
que quando triste
gotas de água não consegue segurar
Sou como nuvem
que mesmo muito grande
um dia desaparece
Sou como nuvem
Serene e incolor
que percorre o mundo sem parar
Sou como nuvem
faço caras e bocas
me transformo quando bem entendo
Sou como nuvem.

Página
152
Sou escória independente

cátedra na faculdade

das serpentes

repentinamente usufruo

de personalidades que

apenas escuto e

sou mais um no escuro

que chamam de solidão.

Desço o abismo calmamente

e encontro repentinamente

coisas que deveria evitar

um amor, dinheiro que

sei que sempre vão levar.

Partículas abstratas

de felicidade volta e

meia aparecem e desaparecem

como cores em um sonho

Entre copos e tragadas

evito as escadas pois

tudo que sobe

tem que descer.

Página
153
Sucinta ela é

espontânea em ser

musa de delírios

quando chega ao meu ver

Sincera nos atos

desejo ao aparecer

entre amor e ódio

tenho-me a lhe oferecer

Seu nome me foge

mas não esquecerei de ti

sorriso mais belo

eu jamais vi

Moça de amores

Gosto muito de você

e lhe deixo esse verso

Espero sua companhia

em outros rolês

e assim me despeço.

Página
154
Tempestuosa lembrança

ancorei-me

na esperança

e proponho

mudanças

de uma mente

auterégoista

Sinto formigamentos

mentais

e proponho

ritos cerimoniais

entre deuses

que invejando

nossa mortalidade

nunca conheceram

a paz

Jaz aqui

algo que não terminou

pois enquanto acordado

meu dia não começou.

Página
155
Tentei dormir, não dá

parar de pensar em você não é fácil

Viro noites escrevendo cartas

vou viajar, faço o que for

mas quando paro para pensar em mim

volto sempre praquele antigo amor

Falar sobre você, não dá

ao mesmo tempo que te vejo

minha pressão normaliza

um oi é tudo que da para falar

não sei porque ainda me ignoras

pensei que o passado o tempo fosse apagar

Quando finalmente falo com você, acordo.

Tento dormir novamente

é sempre difícil continuar o sonho quando é bom

Mesma coisa vale para o que tivemos

não é simples isso

mas eu realmente amo te amar.

Ta difícil dormir

o papel acaba

e volto eu agonizar sobre como cego fui.

Página
156
Você é minha respiração
minha mais linda musa
minha pura inspiração

A distância é grande
mas devo dizer que
muito, mas muito maior
é meu amor por você

Amo seu jeito


até sua complicação
devo dar-te agora
todo meu coração

Cabelos castanho-claro
Branca como a neve
Gentil e lírica
com seu verso leve

Agradeço-te por tudo


Perdidamente apaixonado
sem mais palavras
descrevo agora meu estado.

Página
157
Tive um sonho, algo nada mais belo do que o real

Vi você, de perto, então abri a boca e falei...

Porém nada disse, o som não era feito, nem o ponto final

Estendi meu braço, cheguei a sentir-te, mas não tocar

A leve seda que ao tanger, se deforma ao dedo

Me arrependo, por não ter mais tempo para te abraçar.

Movi meus pés, e com eles corri, andei

O chão, por mais que depressa fosse, não se movia

Sofria por te ver perto, mas mesmo assim não parei.

Até que vi, que algo entre nós dois ainda existia

uma certa palavra que, por mim, não pode ser esquecida

e uma caixa de correio no meio dela perdida

Então escrevi meus mais sinceros pensamentos

lamentos de um garoto que não soube amar

Aí estão meus, sobre ti, meus sentimentos.

que dos quais, apesar do tempo, não pude apagar.

Página
158
Todo dia ali

sempre fazer alguém sorrir

quando a lua então surgir

é ser o último a cair

Fazer o dedo ficar roxo

e o vizinho no esporro

tava ficando meio sóbrio

mas todo mundo aqui é meio louco

Hoje fazemos a praça

onde o show

sempre é de graça

talvez cigarro e cachaça

quero levar alguém pra casa

As vezes fica frio, mas ta quente

vamos pro posto lá com a gente

a caminhada sempre é pra frente

vai que tu se encontra

de repente.

Página
159
Voltei ao ponto cardinal

Ordinário de minha vida

Por onde as determinações

Com o tempo

Tornam-se palpáveis

Com tão pouco...

I walktheline

Tangentes ao incoerente

Baile de máscaras

Com o propósito

De não ser mais um

Desfalecendo-se

Em epitáfios compassados

De uma maneira ébria

Poxa vida

Que coisa!

Permaneço neste Hiteatro

Sórdido e anômico

Do qual palavras dizemos

E nada falamos

Num obsoleto grilhão

Chamado rotina

Página
160
Um país independente

onde a sociedade ajuda.

Os anos passam rápido

e há muito que fazer.

Todos aqui contribuem

seja com um sorriso

ou seja com trabalho físico

e ainda sim contribuem.

Um lugar onde todo espaço

serve como palco de arte

tudo aqui é reaproveitável

até mesmo o que diriam que não.

Não existem líderes

e nem existem divisões

todos pensamos diferente

em busca da melhor solução

Um país independente

onde a sociedade ajuda

criado por humanos

sustentada por humanos.

Página
161
Numa estranha conversa

analisei uma realidade

que de ódio e rancor

lhe ordena uma personalidade

Poucos poderes

que não são mostrados

nem pouco nos importam

por quem sejam moldados

Me sinto cego

surdo e mudo

ataram minhas mãos

juntas a de muitos

Um ciclo infinito

que não pode terminar

mais hei que algum dia eu mito

e esse circo vou quebrar

Página
162
O tempo corre exatamente

Como o não esperado

Estúpido é pedir

Tempo ao tempo

Enquanto na labuta

Parecem os segundos

Entrarem em greve

Pedindo por maior carga horária

Assim, portanto no lazer

Confunde-se o relógio

Com peões que jamais

Cansarão de rodopiar

Pois então conclui

Tirar-lhe-ei os ponteiros

Para findar-se o tic-tac

Silenciarei as badaladas

Para que nosso momento junto

Nunca seja chamado de passado

Página
163
Vá e faça!

Isso é uma desordem!

Cumpra seu papel de humano ao menos

e jogue-se encabrestado

nessa dança socialite contemporânea

Vista-se como um não-mais-plebeu

e aja como um não-tão-superior

para que possamos parabeniza-lo

por sua conquista homérica

de se tornar mais um na escala hierárquica

Lembre da báskara e dos vetores

ocupe sua mente naquilo que designamos

e finalize seu serviço a tempo de poder faze-lo novamente

assim memorizarás o necessário imediato

e satisfarás os desejos de nossa corporação

É com orgulho que lhes apresento

essa magnificência adestrad..., ops, abastada de conhecimentos

que concretiza todas essas tarefas tão complexas

de padronizar e prevenir desastres comportamentais

otimizando a linha de produção fomentada então

Página
164
por esses agentes especializados em alinhamentos

dos quais balançam a cabeça concordando

e ainda assim, resistindo, agindo como indivíduos

esperando algum dia ter um mérito.

Página
165
Qualé que é irmão?

Tá achando o que?

Que sou ladrão?

To a mais de 30 anos

sem saúde e educação

e quando tudo que eu quero

é um pedaço de pão

Você me pega e diz

que vou para prisão

To morrendo aqui

de fome e indignação

quando todo dinheiro

que era pra estar nas nossas mãos

vai indireto e diretamente

financiar a corrupção

gasta em viagem pra vaticano

ou Paquistão

Tira essa algema, policial

de toda população

abre os olhos pra realidade

e vamos juntos dar essa lição

quando saímos na rua em greve

não é vandalismo não

Página
166
ficam dizendo que somos loucos

Mas isso é pura discriminação

To lutando pelo meu direito

e o de toda nação

de ter necessidade básica

sem viver na aceitação

de ser escravo do sistema

noiados pela televisão

Por aquele lixo de futebol

da utopia da seleção

Que esconde a realidade da favela

onde todo dia some negão

Onde está o Amarildo

Atrás das grades ou no caixão?

Tudo feito pelos porcos

que só pensam no cifrão

gerado pela aquela maldita corporação

Roubada do povo

pela privatização

que também foi esquecida como tudo

como o mensalão

Acorda meu senhor

quem é seu patrão?

Página
167
me fala de verdade

não quero enrolação

vem comigo pra essa causa

larga o cassetete e o três oitão

me acompanha nessa rima

e segura o violão

e não me diga que sou louco

Pois quem é que é são?

Página
168
É realmente cruel

e ao mesmo tempo saudosa

quando inventaram a fotografia

a paixão era ainda fogosa

Jogaram ácido em meu cérebro

E enfiam facas em meus olhos

mas tudo isso é pra complementar

a destruição que ocorre em meu coração

Olhar para aquilo que é teu

é como ver um álbum

de lembranças estilhaçadas

sem sentido algum

Hoje acordei pensando em você

e vou dormir tentando te esquecer

quem disse que eu tenho que te ter

pra você ser realmente minha?

Página
169
Familiarizo-me mais

a cada dia que passa

nessa urbanização

deveras desordenada

Consomem a morte

corporal e mentalmente

em rituais oligárquicos

de formas diferentes

Licores estragados

sempre soltando fumaça

esperançosos que um dia

o tempo os desfaça

Cultuam o cinza

destroem minha casa

abrindo lugar aos carros

Erguem prédios num piscar

e não cansam de reclamar

de governos desnecessários.

Elfo Urbano.

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170