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WESTPHAL, Kenneth R. Hegel, natural law & moral constructivism. The Owl of Minerva, v.

19,
n. 1-2, 2016-17, p. 1-44.

§ Introduction
Em PR, Hegel apresenta uma defesa do direito natural que é, ao mesmo tempo, uma teoria
política e uma teoria moral da república moderna. Ele desenvolve uma forma de
construtivismo moral que é neutro quanto à motivação moral e quanto à relação entre ações e
motivos (se interna ou externa). As normas morais básicas podem ser artificiais, no sentido de
construções nossas, mas não deixam de ser objetivamente válidas por dois motivos: são
necessárias, do ponto de vista da agência semirracional e finita que somos – 1 -; uma
justificação para essas normas pode ser apresentada para todas as pessoas. Temos um
conteúdo nuclear de uma teoria do direito natural sem precisar apelas para questões
ontológicas ou metafísicas. Hegel leva a um passo adiante a resposta à Hobbes que havia sido
iniciado por Hume, passou por Rousseau e chegou em Kant. -2

§2 A Basic Distinction in Moral Theory


O ponto de partida é uma distinção entre realismo moral e não realismo moral. No segundo
caso, haveria uma divisão ainda entre convencionalismo, relativismo e ceticismo, porém essa
divisão parte de uma falsa premissa, que se os parâmetros morais são artificiais, eles não
podem ser objetivamente válidos, logo são relativos, convencionais ou arbitrários. Hume ataca
mostra a falsidade dessa premissa, mas apenas esboça um construtivismo do direito natural. -
2

§3 A Natural Law Constructivism?


O ponto de partida são os elementos básicos daquilo que ser quer “construir”. No caso da
filosofia moral, temos, tradicionalmente, estados mentais, como sentimentos (Hume),
interesses individuais (Rawls) e pretensões de validade (Habermas). Nenhum desses foge, ou
pretende fugir, da questão da arbitrariedade. Uma consequência é que os princípios morais só
podem ser justificados para aqueles que aceitam os elementos básicos, o que é difícil, se não
impossível, através do espaço e das culturas. Uma solução é buscar fatos morais “mind-
independent”. Os elementos básicos deixam de ser estados mentais e viram fatos objetivos
sobre a nossa própria espécie, assim como características básicas do nosso contexto de ação. –
3

Como pano de fundo, temos a constatação de Hobbes que a liberdade ilimitada de ação
humana gera interferências mútuas, assim como a mera ignorância do que pertence a quem –
os dois problemas de coordenação de Hobbes. Para Hobbes, Hume e Rousseau, estes são
problemas morais que apenas podem ser resolvidas por princípios de ação públicos e
mutuamente reconhecidos, institucionalizados como práticas sociais. Para Rousseau, esses
princípios são legítimos apenas na medida em que trazem independência e segurança de que
ninguém irá exerce o poder unilateralmente. - 4

§Hume Reconstructs Natural Law


Para Hume, as regras básicas sobre propriedade são um exemplo de elementos básicos
objetivos, mas ele não adentra em questões de legitimidade. - 4

§5 Rousseau’s Juridical Insight


Rousseau coloca dois problemas a serem resolvidos pela “jurisdição”: preservar a liberdade de
ação; garantir um bem-estar material suficiente. Isso seria feito atacando três problemas:
evitar ou minimizar formas de cooperação social que geram relações assimétricas de
dependências; - 4 – criar instituições sociais que permitam aos indivíduos perseguir e, ao
mesmo tempo, contribuindo para o bem-estar geral; sem que isso viole a liberdade de cada
um. Com isso, a legislação seria legítima. Logo, a legislação deve proteger e facilitar o bem-
estar material de cada cidadão e evitar efeitos de cooperação que prejudiquem a liberdade
individual, ou seja, as pessoas não podem se tornar dependentes das escolhas arbitrárias de
outras. Além disso, a lei deve ser reconhecida, pelo cidadãos individualmente, como produtos
da sua vontade. - 5

§6 Kant Non-Contractual Moral Constructivism


Kant apresenta sua teoria construtivista do direito natural na primeira parte da Metafísica da
Moral. – 5 – Sua primeira condição é o Princípio Universal de Justiça, que é a formulação
jurídica do seu princípio universal de justificação racional. Esse princípio funda o único direito
inato, a liberdade, o direito de não depender a decisão arbitrária de outra pessoa. – 6

Os seres humanos não são capazes de alcançar seus fins ex nihilo. Eles precisam de bens e
coisas para que isso aconteça. Além disso, esses fins não são alcançáveis de modo isolado, pois
vivemos em contexto que envolvem necessariamente interação. Considerando que os meios
são relativamente escassos, - 7 – algum tipo de direito à posse material é necessário, pois ao
agir usando os recursos materiais à minha disposição necessariamente estou impondo uma
limitação aos demais e não é possível uma limitação unilateral da ação dos outros. Portanto, a
pergunta é quais as condições que tornam a posse e aquisição de coisas possível e legítima. – 8

Como vemos os outros humanos como seres racionais, como nós, a aquisição e posse de algo
por mim implica que também o outro poderia adquirir e possui algo. Ao fazer isso, eu obrigo os
demais a respeitar esse meu ato na medida em que também estou obrigado a respeitar o
mesmo ato por parte dos demais. Há um reconhecimento mútuo dos direitos e obrigações.

“Kant thus proves – I deliberately use a success term – that our rights to possession, together
with our obligation to recognise and respect others’ rights to possession, are mutual and
equally fundamental, because the very point of possession consists in mutual social
coordination under conditions of relative scarcity, by which anyone’s acquisition reduces
others’ prospects for acting (RL §6; 6:250.5).” - 9

§7 Hegel’s Natural Law Constructivism in his Philosophical Outlines of Justice


“Kant’s constructivist methodology and this same conditio sine qua non for rational
justification in non-formal domains Hegel adopts, undergirds and further develops through his
analysis of mutual recognition as a constitutive, indeed as a transcendental principle of rational
autonomy and of rationally justifiable judgment in both theoretical and in practical domains” –
10

(…)

Que alguém possa possuir algo não é contingente, mas uma condição legítima para o exercício
da liberdade. É uma exigência de justiça que serve para todas as pessoas. Nas suas Lições, ele
chega falar que a justiça exige que todos tenham propriedade (Rph §49Z; VPR 1819-20,
18:106-7). Nesse ponto, são irrelevantes questões de raça, religião, gênero, etc. (Rph §209R). -
12

§8 Hegel’s Analysis of Rights to Things


“If basic moral norms can be or are, according to natural law constuctivism, literally artificial,
then these norms consist in our principles and in our adherence to our principles within our
actions and activities, in the form of social practices or, in a word, as customs (Sitte). To any
such custom belongs, as a constitutive necessity, some form, perhaps implicit, of moral self-
understanding as an agent who uses and so can and must abide by those principles and
practices (cf. Rph §187).” - 15

§9 Relations of Justice as Forms of Human Action


“Hegel notes that his own account of contract largely accords with Kant’s (Rph §80). This holds
true for much more than Hegel’s account of contract; it holds for his entire account of Justice
in the Abstract (Rph, Part I): like Kant Hegel too justifies his juridical results by indirect proof
using the principles and strategy of Natural Law Constructivism. Like Kant, Hegel examines the
principles required to structure legitimate forms of activity; much more than Kant, Hegel also
examines why and how various forms of social activity are necessary to us as individuals and as
members of society.” – 17

“Exactly here Kant subverts his own methodological, entirely appropriate division of his Critical
moral philosophy! What Kant here calls a ‘moral anthropology’ is very much needed, but prior
to it a specifically ‘practical anthropology’ must be provided, which considers ‘the specific
nature of human beings’ – and basic features of our earthly, global context of action – ‘in order
to [demonstrate] the consequences of these universal moral principles’ by specifying and
justifying our duties, rights and permissions (MdS, Intro. §II; 6:216–7). Only so doing can fulfill
this desideratum of Kant’s metaphysics of morals”

“Now in expounding his Metaphysics of Morals, in the course of which he inevitably must and
does consider ‘the particular nature of human beings’, Kant clearly does consider and provide,
though unsystematically en passant, the sorts of practical-anthropological information about
our very finite human form of semi-rational embodied agency required to identify and to
justify our moral duties, both of justice and of virtue. Kant is quite correct, that his
Metaphysics of Morals does not provide a complete moral philosophy.”– 18

§10 Some Key Points of Hegel’s Analysis of Sittlichkeit


(…)

§11 Concluding Remark


(…)

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