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MateMática

Financeira
Julio Cezar Wojciechowski
Ícones
Afirmação Curiosidade

Assista
Dicas

Biografia

Esclarecimento
Conceito

Contexto Exemplo
Sumário
Apresentação ............................................................................................................................... 5
O autor ........................................................................................................................................... 6

Capítulo 1
Valor do dinheiro no tempo – capitalização simples ............................................................ 7
1.1 Introdução ................................................................................................................................ 7
1.1.1 Conceitos básicos .................................................................................................................................................................... 7
1.1.2 Fluxo de caixa de uma operação financeira ....................................................................................................................... 8
1.1.3 Regimes de capitalização ...................................................................................................................................................... 9
1.2 Capitalização simples .......................................................................................................... 10
1.2.1 Taxas de juros simples equivalentes ................................................................................................................................. 12
1.2.2 Análises de situações aplicativas no regime de juros simples ..................................................................................... 13
1.3 Desconto comercial simples .............................................................................................. 25
1.3.1 Prazo médio de um conjunto de títulos de crédito ........................................................................................................ 38
Referências .................................................................................................................................. 47

Capítulo 2
Capitalização composta ............................................................................................................ 49
2.1 Introdução ............................................................................................................................. 49
2.2 Equivalência de capitais a juros compostos .................................................................... 60
2.3 Taxas equivalentes de juros compostos ........................................................................... 75
2.3.1 Taxa acumulada de juros .................................................................................................................................................... 82
2.3.2 Taxa real de juros ................................................................................................................................................................ 87
Referências .................................................................................................................................. 97
Capítulo 3
Séries de pagamentos e sequências de capitais investidos ................................................ 99
3.1 Séries de pagamentos iguais com termos vencidos (postecipados) .......................... 99
3.2 Séries de pagamentos iguais com termos antecipados
e sequência de capitais acumulados .................................................................................... 121
Referências ................................................................................................................................ 146

Capítulo 4
Análise de investimentos e sistemas de amortização de empréstimos ......................... 147
4.1 Conceitos, métodos e critérios de avaliação de investimentos de capital ............... 148
4.1.1 Valor presente líquido (VPL) ............................................................................................................................................. 151
4.1.2 Índice de Lucratividade (IL) .............................................................................................................................................. 152
4.1.3 Método da taxa interna de retorno (TIR) ...................................................................................................................... 157
4.2 Sistemas de Amortização de Empréstimos .................................................................. 163
4.2.1 Sistema de amortização francês (SAF) .......................................................................................................................... 165
4.2.2 Sistema de amortização constante (SAC) ..................................................................................................................... 180
4.2.3 Sistema de amortização misto (SAM) .......................................................................................................................... 191
Referências ................................................................................................................................ 199
APÊNDICE A – Revisão sobre porcentagem e relações percentuais .................................................................................. 200
APÊNDICE B – Manual de uso da calculadora HP 12 C ........................................................................................................ 210
Apresentação

A Matemática Financeira enfoca o estudo do valor do dinheiro no tempo, seja nas


transações comerciais ou na qualidade de vida das pessoas. Esse conhecimento tem
sido apresentado de modo formal e presencial nos cursos de ensino superior, vista sua
aplicabilidade nas profissões ligadas às áreas de negócios.
Esse alto grau de aplicabilidade faz com que a demanda pelo ensino nesse as-
sunto aumente cada vez mais. Percebe-se, então, a necessidade de se otimizar a me-
todologia educativa nessa área. Tal acontecimento auxiliaria a execução de objetivos
mais pontuais, como a atualização dos eventos ligados às finanças, seus dados, índi-
ces e normas regimentais, especialmente no que diz respeito ao mercado financeiro e
comercial.
Um meio de se disseminar esse conhecimento é através da educação à distância
(EAD). Essa modalidade de ensino possibilita o uso de novas tecnologias e metodolo-
gias e se mostra muito eficiente na busca por uma aprendizagem efetiva. Graças ao
EAD, estamos conhecendo uma nova postura e diferentes métodos que podem trazer
maior êxito nesse aprendizado, fazendo com que um número mais abrangente de pes-
soas seja atingido.
O autor
O Professor Julio Cezar Wojciechowski é Especialista em Magistério Superior
pelas Faculdades Integradas Espírita, em convênio com o Instituto Brasileiro de Pós-
-Graduação e Extensão (Ibpex, 1998), e Graduado pela Universidade Federal do Paraná
(UFPR, 1989). Atualmente atua como docente na área de Matemática Financeira e
Comercial e Matemática Aplicada nos cursos de Administração e Ciências Econômicas.

Currículo Lattes:

<lattes.cnpq.br/0363402565195393>.
1 Valor do dinheiro no tempo – capitalização simples
1.1 Introdução
A Matemática Financeira tem como objetivo principal analisar o valor do dinhei-
ro no decorrer do tempo, seja em aplicações financeiras, seja em pagamentos de em-
préstimos e financiamentos. Graças a ela é possível fazer análises de avaliações de
investimentos em aplicações financeiras, bem como estudar as melhores condições de
pagamento de empréstimos.
Sua sistematização foi definida quando se
criaram, inicialmente, os conceitos de capital, ju-
ros, taxas de juros e montante. Desde então, os
cálculos financeiros tornaram-se mais justos e
exatos. Por sua extrema importância nos cálcu-
© KostaKostov / / Fotolia

los financeiros e nas análises de investimentos, a


Matemática Financeira é, atualmente, uma ferra-
menta essencial na tomada de decisões e na ges-
tão financeira das empresas e das pessoas.
Antes de iniciar o estudo do presente capítulo, sugere-se a análise da revisão so-
bre porcentagem e relações percentuais constante no Anexo I desta obra.

1.1.1 Conceitos básicos


De acordo com o que nos apresenta Vieira Sobrinho (2011, p. 19), os conceitos
fundamentais da Matemática Financeira podem ser definidos em: capital, juro, prazo,
taxa de juros e montante, conforme apontamos a seguir.
O capital é qualquer valor expresso em moeda, disponível em determinada épo-
ca. É o valor, normalmente em dinheiro, que se pode aplicar ou emprestar. É também
chamado de capital inicial ou principal, representado pela letra “P”.
O capital, por ser um bem, pode ser disponibilizado a outros. Com isso, é possí-
vel existir uma compensação para quem o possui. Tal compensação é a remuneração
desse capital – a qual chamamos de juro. Por outro lado, há quem necessite pegar em-
prestado uma quantia de capital ou adquirir bens de consumo. Para essas pessoas, tal
benefício deve ser igualmente compensado e o valor dessa renumeração é o juro pago
a quem disponibilizou o bem ou capital. Em nossos estudos, o valor do juro será repre-
sentado por “J”.
Matemática Financeira Organizacional
8

Por que os juros são cobrados?

É a possibilidade de não receber de volta o


Risco
valor emprestado (inadimplência).
A transação de empréstimo ou aplicação financeira gera
Despesas despesas operacionais, contratuais, tributárias e de
cobrança (principalmente judicial).
Índice de desvalorização do poder aquisitivo da moeda
Inflação
previsto para o prazo do empréstimo.

Toda operação financeira tem um tempo de duração. Esse tempo corresponde ao que
denominamos prazo. Ele é representado pela letra “n”.
A taxa de juros é o índice que determina a remuneração de um capital em um de-
terminado período de tempo. É representada pela letra “i” e está sempre relacionada à
unidade de tempo do prazo da operação financeira, por exemplo, ao dia (a.d.), ao mês
(a.m.), ao semestre (a.s.), ao ano (a.a.) etc.
A taxa de juros pode ser representada de duas maneiras: no formato percentual
ou fracionário.
Por exemplo:

Forma percentual Forma fracionária


A 2% a.m. 0,02 ao mês
B 0,8% a.m. 0,008 ao mês
C 6,25% a.a. 0,0625 ao ano
D 2,6% a.b. 0,026 ao bimestre

O montante é o capital inicial aplicado acrescido do rendimento obtido durante o


período de aplicação e é representado pela letra “M”.

1.1.2 Fluxo de caixa de uma operação financeira


Para apresentar a movimentação financeira ao longo do tempo, utilizamos uma
representação gráfica chamada fluxo de caixa. A geração de um fluxo de caixa se inicia
pela construção de um eixo horizontal no qual é marcado o tempo da operação a partir
do momento inicial. As entradas de dinheiro em um determinado momento são indica-
das por setas perpendiculares ao eixo horizontal e orientadas para cima (↑), enquanto
as saídas de dinheiro são indicadas com orientação para baixo (↓). É necessário enfati-
zar que o fluxo de caixa segue o referencial do elemento (pessoa física ou jurídica) que
executa a ação financeira.
Matemática Financeira Organizacional
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Assim, por exemplo, um tomador de certo valor em empréstimo tem seu fluxo de
caixa com:
• a entrada (valor emprestado), também chamada de valor presente;
• a saída (valor pago pelo empréstimo – com os devidos juros), também chama-
da de montante ou valor futuro.

Fluxo de caixa
Esquema padrão em Matemática Financeira
Aplicação financeira Empréstimo – Financiamento

M = Montante P = Valor principal,


capital inicial ou
valor presente/atual

n = Prazo da operação
0
0 i = Taxa de juros
n = Prazo da operação

i M = Montante
= Taxa de juros
(valor futuro)
P = Valor principal,
capital inicial ou
valor presente/atual

1.1.3 Regimes de capitalização


Entre as várias formas de se remunerar o capital investido, destacam-se duas:

Capitalização
Remuneração apenas sobre o valor inicial (capital inicial).
simples
Capitalização
Remuneração sobre o capital atualizado continuamente.
composta

A capitalização simples é a forma de remuneração do capital na qual a taxa de ju-


ros incide somente sobre o capital inicial empregado. Nesse regime de capitalização,
a taxa de juros varia linearmente, de modo constante, em função do tempo.
No regime de capitalização simples, temos aplicações mais restritas e específicas,
particularmente na cobrança de títulos de dívidas após o vencimento, quando são cobra-
dos juros de mora pelo atraso do pagamento.
Matemática Financeira Organizacional
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Outra importante aplicação se dá na antecipação de valores dos títulos de dívida


que as empresas recebem de seus clientes em vendas a prazo. É feito o cálculo do des-
conto, ou seja, o valor a ser reduzido do título, de modo que a empresa possa ter os re-
cursos disponíveis antes da data de vencimento.
Para exemplificarmos tal situação, gerarmos a fórmula de cálculo que envolve ca-
pitalização simples e calcularmos o valor dos juros e do montante em uma aplicação fi-
nanceira, vamos considerar a situação aplicativa a seguir.
Calcule o valor dos juros cobrados sobre um título de R$ 10.000,00 que foi pago
com 3 dias de atraso, sabendo que na operação há uma taxa de juros simples aplicada
de 0,3% a.d.

Prazo
Total a pagar:
(dias de atraso Valor dos juros obtidos (J)
montante (M)
no pagamento)
1.º dia Juros (1) = 0,3% (de 10.000,00) = R$ 30,00 (10.000,00 + 30,00) = 10.030,00
2.º dia Juros (2) = 0,3% (de 10.000,00) = R$ 30,00 (10.030,00 + 30,00) = 10.060,00
3.º dia Juros (3) = 0,3% (de 10.000,00) = R$ 30,00 (10.060,00 + 30,00) = 10.090,00

Portanto, após 3 dias de atraso, temos um total de juros de R$ 90,00 e um total a


pagar de R$ 10.090,00. Devemos considerar que a taxa de juros simples sempre incide
sobre o valor principal. Nesse caso, estamos falando do valor do título (R$ 10.000,00).
Para ilustrar esse evento, apresentamos uma figura que expõe esse fluxo de va-
lores em função do tempo (fluxo de caixa), com a nomenclatura que será utilizada em
nossos estudos.

1.2 Capitalização simples


Desse modo, podemos concluir que o cálculo de juros é feito por meio do seguin-
te processo:

Valor Taxa de Prazo,


principal juros período de
Juros = ou valor × simples × tempo da
presente aplicada transação

J = P × i × n
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Fluxo de caixa

P = Valor do título a pagar


R$ 10.000

0 1 2 3 N.º dias atraso

J1 = 30 J2 = 30 J3 = 30

M1 = 10.030 M2 = 10.060 M3 = 10.090

O valor dos juros obtidos é calculado por:

J=P×i×n

Utilizando essa fórmula no problema proposto, temos:

P = 10.000,00 × i = 0,3% a.d.

Ao utilizarmos a taxa de juros na fórmula matemática, devemos apresentá-la em


sua forma fracionária (centesimal), ou seja, sem o símbolo de porcentagem. Para isso,
dividimos o valor por 100. Assim:

0,3% = 0,3 / 100 = (0,003)

n = 3 dias

J=P×i×n

J = 10.000,00 × 0,003 × 3J = 90,00


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Montante M = representa o valor do capital inicial P acrescido dos juros.

M=P+J

M = P + (P × i × n)

Assim, o valor do montante é calculado por:

M = P (1 + i × n)

1.2.1 Taxas de juros simples equivalentes


Nas transações financeiras ou comerciais, geralmente a taxa de juros é expressa
no período de tempo em que a operação ocorre. Entretanto, em alguns casos, o perío-
do da operação (investimento ou empréstimo) não coincide com o que a taxa de juros
expressa, havendo a necessidade de se obter a taxa de juros equivalente ao período da
operação financeira.
É o caso, por exemplo, de um investidor aplicar R$ 5.000,00, por 7 meses, mas a
taxa de juros simples anunciada ser de 7,2% a.a. (ao ano). Assim, para a realização dos
cálculos dos juros e do montante, devemos fazer com que a taxa de juros esteja sin-
tonizada com o período da operação, ou seja, fazer a devida conversão da taxa de ju-
ros informada para o período da operação financeira. Portanto, temos que converter a
taxa de anual para mensal.
No caso das operações com juros simples, a conversão das taxas é feita de modo
proporcional entre os períodos existentes na operação. Assim, no exemplo apresenta-
do anteriormente, temos que converter 7,2% a.a. para a taxa mensal. Para isso, bas-
ta dividirmos o valor dado por 12 (ano para mês). Obtemos, portanto, a taxa de juros
(0,6% a.m.), visto que a aplicação será feita no prazo de 7 meses.
Para as demais conversões, segue-se a convenção do juro comercial, tomando-se
o mês com 30 dias e o ano com 360 dias.
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Seguem alguns exemplos de ajustes de taxas de juros simples em períodos


distintos.

1,4% a.m. (ao mês) é equivalente a


1,4% × 12
16,8% a.a. (ao ano)
0,5% a.d. (ao dia) é equivalente a
0,5% × 360
180% a.a. (ao ano)
12,6% a.b. (ao bimestre) é equivalente
12,6% / 2
a 6,3% a.m. (ao mês)
3,24% a.t. (ao trimestre) é equivalente
3,24% / 90
a 0,036% a.d. (ao dia)
6,75% a.s. (ao semestre) é equivalente
6,75% × 2
a 13,5% a.a. (ao ano)

Resolvendo o problema proposto anteriormente, temos:


Dados:

Valor aplicado P = 5.000,00


Prazo n = 7 meses
Taxa de juros i = 7,2% a.a. = 0,6% a.m. = 0,006
Juros J = ?
Resolução:

J=P×i×n

J =5.000 × 0,006 × 7

J =210,00

Assim, no final da aplicação, o investidor irá receber R$ 210,00 de juros, gerando


um montante de R$ 5.210,00.

1.2.2 Análises de situações aplicativas no regime de juros simples


Temos também casos de análises de aplicações financeiras no regime de juros
simples, sendo elas:
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Exemplo A
Vamos considerar a necessidade de uma empresa realizar uma aplicação financei-
ra de R$ 100.000,00 que será realizada pelo prazo de um ano, à taxa de juros simples
de 1,2% ao mês. Precisamos calcular o valor dos juros recebidos e o montante obtido,
que será o valor recebido no futuro, pela empresa, além de apresentar o fluxo de caixa
dessa operação.
Dados:

Valor aplicado P = 100.000,00


Prazo n = 1 ano = 12 meses
Taxa de juros i = 1,2% a.m. = 0,012
Juros J = ?

Resolução:

J=P×i×n

J = 100.000 × 0,012 × 12

J = 14.400,00

Assim, no final da aplicação, o investidor irá receber R$ 14.400,00 de juros,


gerando um montante de R$ 114.400,00.

Fluxo de caixa
Aplicação financeira

M = Montante

Valor futuro = 114.400,00

Valor presente

n = 12 meses J = 14.400,00

i = (0,012)

(- 100.000,00)
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Outra forma possível de calcular juros simples é quando uma empresa tem um tí-
tulo de dívida a pagar e, ao realizar o pagamento com atraso, pode sofrer a cobrança
de uma multa pelo atraso e também de juros, computados em função do tempo desse
atraso.
Exemplo B
Vamos analisar a condição de uma empresa que tinha uma duplicata, no valor de
R$ 2.000,00, e fez o pagamento com 12 dias de atraso. Por esse motivo, foi estipula-
da uma multa de 2% sobre o valor da duplicata e mais juros simples (de mora) de 4,5%
a.m. Qual foi o valor total pago, computando-se a multa e os juros cobrados?

Juros de mora são uma taxa percentual cobrada por conta de atraso no pagamento de um títu-
lo de crédito em determinado período de tempo. É uma penalização pelo não cumprimento da
obrigação no prazo determinado.

Valor da duplicata P =2.000,00


Prazo n =12 dias
Multa (2%) =40,00
Taxa de juros i =4,5% a.m. = 4,5 / 30 (conversão ao dia) = 0,15% a.d. = 0,0015
Juros J =?

Resolução:

J=P×i×n

J =2.000 × 0,0015 × 12

J =36,00

Total pago = 2.000,00 + 40,00 + 36,00 = R$ 2.076,00.


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Exemplo C
É mais comum, no mercado financeiro atual, termos aplicações realizadas em re-
gime de capitalização composta. Mas podemos ter casos de aplicações realizadas em
regime de juros simples.
Vamos considerar uma situação na qual juros de R$ 288,00 foram obtidos com a
aplicação de R$ 20.000,00, à taxa de juros simples de 8,64% a.a. Assim, vamos calcu-
lar o prazo dessa operação (número de meses de aplicação).
Utilize o ano e o mês comercial em seus cálculos (um ano = 360 dias e um mês =
30 dias).

Valor aplicado P =20.000,00


Juros J =288
Taxa de juros i =8,64% a.a. = 8,64 / 12 (conversão ao mês) = 0,72% a.m. = 0,0072
Prazo n =?

Resolução:

J=P×i×n

288 = 20.000 × 0,0072 × n


n = 2 meses

O prazo dessa operação é de 2 meses.


Exemplo D
Determinar o montante (M) gerado em uma aplicação de R$ 6.000,00, à taxa de
juros simples de 6,48% a.a. durante 5 meses.

Valor aplicado P = 6.000,00


Prazo n = 5 meses
Taxa de juros i
= 6,48% a.a. = 6,48 / 12 (conversão ao mês) = 0,54% a.m. = 0,0054
Juros J = ?
Montante M = ?
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Resolução:

J = 6.000 × 0,0054 × 5

J = 162

M = 6.000 + 162 = 6.162,00

O montante gerado será de R$ 6.162,00.

Exemplo E
Calcule a taxa mensal de juros simples para que, aplicando um capital a juros
simples por um prazo de 120 dias, o juro seja igual a 3% do capital aplicado.

Valor aplicado P = 100% do valor


Juros J = 3% do valor aplicado
Taxa de juros i = ? a.m.
i

Prazo n = 120 dias = 4 meses

Resolução:

J=P×i×n

3 = 100 × i
3 = 400 × i
i = 0,0075 = 0,75%

A taxa mensal de juros simples será de 0,15% a.m.


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Exemplo F
Uma duplicata, se for paga antes do vencimento, terá um desconto de 5% sobre
seu valor. Se for paga em atraso, será cobrada uma multa de 2% sobre o valor nominal
e mais juros simples de 3% a.m. Sabe-se que um comerciante, nessas condições, pagou
uma duplicata antecipadamente, com desconto, depositando o valor de R$ 11.495,00.
Assim:
a) qual é o valor nominal dessa duplicata, para pagamento na data de venci-
mento?
b) supondo que esse comerciante, em vez de ter feito o pagamento antecipado,
tivesse atrasado o pagamento em 18 dias, qual seria o valor pago (computan-
do-se a multa e os juros de mora pelo atraso)?
Resolução da questão a) – Valor nominal da duplicata:
Dados:
Valor duplicata P = ?
Valor pago antecipadamente A = 11.495,00

= 3% a.m. = 3 / 30 (conversão ao dia) =


Taxa de juros i
0,1% a.d. = 0,001

Prazo n = 18 dias

Resolução:

Valor pago antecipadamente A 95% (100% – 5% de desconto) = 11.495,00


Valor nominal da duplicata P 100% = x

De acordo com a regra de três, temos x = P = R$ 12.100,00.


Resolução da questão b) – Valor pago com atraso:
Dados:
P = 12.100,00

i = 0,1% a.d. = 0,001


n = 18
J =?
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Cálculo dos juros:

J=P×i×n

Valor aplicado J = 12.100 × 0,001 × 18


Juros J = 217,80
Taxa de juros M = 12.100 + 217,80 = 12.317,80

Valor da multa:

2% de 12.100,00 = 242,00

Total pago:

Valor da duplicata P = 12.100,00


Juros J = 217,80
Multa = 242,00
Total = 12.559,80

O valor total pago, incluindo juros e multa, é de R$ 12.559,80.


Exemplo G
Em aplicações financeiras, por conta da legislação, é comum que as institui-
ções financeiras façam a cobrança de impostos sobre os ganhos (juros) auferidos na
operação.
Vamos considerar uma aplicação financeira que tenha um prazo de 3 meses, com
taxa de juros simples de 1,8% a.m. Porém, o investidor deve pagar, no ato do resgate,
um imposto de renda que corresponderá a 17,5% do juro auferido na operação. Assim:
a) qual será o montante líquido (montante após o pagamento do Imposto de
Renda) em uma aplicação de R$ 10.000,00?
b) qual deve ser o capital aplicado para se obter o resgate de um montante líqui-
do de R$ 20.000,00?
Matemática Financeira Organizacional
20

Resolução da questão a) – Montante líquido:


Dados:
Valor aplicado P = 10.000,00
Taxa de juros i = 1,8% a.m. = 0,018
Prazo n = 3 meses
Juros J = ?
Tributação = 17,5% = 0,175

Cálculo dos juros:

J=P×i×n

Valor aplicado J = 10.000 × 0,018 × 3


Taxa de juros J = 540

Juro líquido = J – ( x Tributação)


Juro líquido = 540 – (540 × 0,175)
Juro líquido = 540 – 94,50
Juro líquido = 445,50
Montante líquido = 10.000 + 445,50 = 10.445,50

O montante líquido será de R$ 10.445,50.

Resolução da questão b)
Nesse caso, temos o valor do montante líquido (20.000,00), ou seja, o valor dos
juros líquidos é de 82,5% (100% – 17,5% da tributação). Assim, na utilização da fórmula
de cálculo do montante líquido, usamos essas informações, sendo:

Montante bruto = M=P+J = M = P + (P × i × n)

M = P + (P × i × n)
Matemática Financeira Organizacional
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M líquido = P + 0,825 × P x i x n
20.000 = P + 0,825 × P × 0,018 × 3
20.000 = P + 0,04455 × P
20.000 = 1,04455 × P
P = 20.000 / 1,04455

P = 19.147,00

O valor aplicado para se obter um montante líquido de R$ 20.000,00 é de


R$ 19.147,00.
Exemplo H
No mercado financeiro, na busca por melhores rendimentos, é razoável que os
investidores pesquisem as melhores taxas de juros. Vamos considerar que um inves-
tidor aplicou um capital por 45 dias. Contudo, 40% desse capital foi aplicado a uma
taxa de 0,72% a.m. e o restante a uma taxa de 0,84% a.m. No momento do resgate do
montante, esse investidor recebeu, de juros, R$ 1.500,00. Nessas condições, qual foi o
valor total aplicado?

Resolução para a Aplicação I – com taxa de juros de 0,72% a.m. Sendo V o valor
total aplicado na aplicação I, temos:
Valor aplicado corresponde a 40% do total. Assim P = 0,40 × V
Dados:

Valor aplicado P = 0,40 × V


Taxa de juros i = 0,72% a.m. = 0,72 / 30 = 0,024% a.d. = 0,00024
Prazo n = 45 dias
Juro J = ?

Resolução:

M=P+J

J = 0,40 × V × 0,00024 × 45

J = 0,00432 × V
Matemática Financeira Organizacional
22

Resolução para a Aplicação II – com taxa de juros de 0,84% a.m. Sendo V o valor
total aplicado na aplicação II, temos:
Valor aplicado corresponde a 60% do total. Assim P = 0,60 × V
Dados:

Valor aplicado P = 0,60 × V


Taxa de juros i = 0,84% a.m. = 0,84 / 30 = 0,028% a.d. = 0,00028
Prazo n = 45 dias
Juros J = ?

Cálculo dos juros:

M=P+J

J = 0,60 × V × 0,00028 × 45

J = 0,00756 V

Total de juros (Aplicação I + Aplicação II) = 0,00432V + 0,00756V = 0,01188V.

J = 0,01188 × V

Cálculo do valor aplicado:


Assim, como o total de juros recebidos foi de R$ 1.500,00, temos:

M=P+J

1500 = 0,01188 × V
J = 0,01188 × V

V = 1.500 / 0,01188

V = 126.262,63

O total do valor aplicado é de R$ 126.262,63.


Matemática Financeira Organizacional
23

Exemplo I
Utilizando as mesmas condições apresentadas no exemplo anterior, podemos ter
a necessidade de prever o prazo de aplicações financeiras para que um montante gera-
do por uma aplicação atinja o mesmo valor do montante gerado por outra aplicação.
Vamos considerar um Capital A de R$ 10.000,00, aplicado a juros simples com
uma taxa de 1,4% a.m., e um Capital B de R$ 10.161,00, aplicado à taxa de 1,22% a.m.
A partir de quanto tempo (meses) o montante produzido por A será superior ao produ-
zido por B?
Resolução para a Aplicação I – com Capital (A) de R$ 10.000,00:
Dados:

Valor aplicado P = 10.000,00


Taxa de juros i = 4% a.m. = 0,014
Prazo n = ?
Montante M = ?

Resolução:

M = P (1 + i × n)

Montante M = 10.000 × (1 + 0,014 × n )


Montante M = 10.000 + 140 × n

Resolução para a Aplicação II – com Capital (B) de R$ 10.161,00:


Dados:

Valor aplicado P = 10.161,00


Taxa de juros i = 1,22% a.m. = 0,0122
Prazo n = ?
Montante M = ?

Resolução:

M = P (1 + i × n)
Matemática Financeira Organizacional
24

M (B) = 10.161 × (1 + 0,0122 × n )

M (B) = 10.161 + 123,9642 × n

Exemplo J
Considere uma empresa que pagou um título com atraso de 10 dias. Esse fato ge-
rou uma cobrança de multa e mais juros simples (de mora) em decorrência de o paga-
mento ter sido feito após o vencimento. Sabe-se que a empresa fez um pagamento
total de R$ 12.612,50 (incluindo-se o valor da multa e os juros). O valor da multa cobra-
da foi de R$ 62,50 e correspondeu a 0,5% do valor do título. Nessas condições, deter-
mine a taxa mensal de juros simples que foi aplicada nessa operação.
Dados:
Taxa de juros i = ? % a.m.
Prazo n = 10 dias
Valor total pago M = 12.612,50
Valor da multa (0,5% do valor do título) = 62,50

1.º Passo – Cálculo do valor do título (P):


Como o valor da multa corresponde a 0,5% do valor do título, temos:

Valor do título P = 100% = x


Valor nominal da duplicata P = 0,5% = 62,50

Fazendo o cálculo de x, por regra de três, temos:


x = 12.500,00. Portanto, o valor do título (P) é = 12.500,00.
2.º Passo – Cálculo do valor dos juros:
O valor do título é de R$ 12.500,00.
O valor total pago com multa e juros foi de R$ 12.612,50.

J = 12.612,50 – 12.500 – 62,50

J = 50,00
Matemática Financeira Organizacional
25

3.º Passo – Cálculo da taxa de juros:

M=P+J

50 = 12.500 × i × 10
50 = 125.000 × i
i = 50 / 125.000
i = 0,0004
i = 0,04% a.d.
i = 1,2% a.m. (ao mês)

A taxa mensal de juros simples aplicada na operação foi de 1,2% a.m.

1.3 Desconto comercial simples


O desconto comercial simples é a forma de atualizar um valor nominal projetado
para um momento futuro, pago (ou recebido) antecipadamente. Desconto é a diferen-
ça entre o valor nominal do título (valor no futuro) e o valor atual (valor na data da qui-
tação ou do recebimento do solicitante).

As operações de desconto representam a antecipação do recebimento ou pagamento de va-


lores futuros apresentados por títulos (duplicatas, notas promissórias, cheques pré-data-
dos etc.). A prática, generalizada no Brasil, é de usar o desconto comercial ou bancário (“por
fora”) no regime de juros simples.

De acordo com Samanez (2010, p. 69), o desconto é classificado tradicionalmente


em duas modalidades: desconto racional simples (também chamado “desconto por den-
tro”) e desconto bancário ou comercial simples (também chamado “desconto por fora”).
Assim, ele tem sua aplicabilidade limitada.

A classificação dos descontos se limita a simples – também chamado adequadamente de bancário


ou comercial – e composto. O critério conhecido por desconto “por fora” nada mais é do que o pró-
prio desconto simples, com características claramente definidas. Já o desconto chamado “por den-
tro” (ou racional), não passa de uma aplicação de juros simples, nos casos em que a incógnita é o
valor presente. (VIEIRA SOBRINHO, 2011, p. 57).
Matemática Financeira Organizacional
26

Pela ampla aplicação da modalidade de desconto comercial simples nas opera-


ções bancárias ou comerciais de curto prazo, ela será apresentada com detalhamentos
e especificações.
O desconto simples comercial ou bancário (por fora) é obtido com cálculos linea-
res. Seu cálculo é feito sobre o valor nominal do título. Ele é análogo ao cálculo dos
juros simples, substituindo-se o capital (P) na fórmula de juros simples pelo valor no-
minal (N) do título. Assim:

J=P×i×n

E, no desconto simples, temos:

D = N × id × n

Desconto
Valor
realizado
nominal do Taxa de Prazo de
sobre o valor = título (valor × desconto × antecipação
nominal do
futuro)
título

Notações comuns na área de descontos:

10 Desconto realizado sobre o valor nominal do título


Valor atual do título
A
(valor líquido recebido antecipadamente após o desconto)
N Valor nominal do título
id Taxa de desconto
n Número de períodos para o desconto – prazo de antecipação

O valor do desconto simples é calculado por:

J=P×i×n
Matemática Financeira Organizacional
27

Como o desconto é a diferença entre o valor nominal do título e o valor recebido


antecipadamente, temos que:

D=N–A e D = N × id × n

E o valor atual, recebido antecipadamente, é calculado por:

A = N (1 – id × n)

Podemos evidenciar algumas situações aplicativas que envolvem operações de


desconto simples. Veja a seguir.
Exemplo A
No âmbito comercial, os conhecimentos de desconto simples e as fórmulas mate-
máticas aqui apresentadas possibilitam calcular taxas de descontos concedidos/aplica-
dos e pagamentos/prazos antecipados. Essas previsões se aplicam quando é possível
fazer a antecipação de valores das vendas a prazo.
Vamos considerar uma situação real: uma empresa do ramo comercial precisa
negociar um título de dívida com valor nominal de R$ 14.000,00. Esse título irá ven-
cer somente daqui a 4 meses, e o comerciante recorre a uma instituição financeira
que realiza a operação de desconto simples, aplicando uma taxa de desconto de 8,4%
ao ano. Nessas condições, vamos calcular o valor do desconto comercial (simples) e o
valor a ser pago antecipadamente a esse comerciante.
Dados:
Valor do título N = 14.000,00
Prazo n = 4 meses
Taxa de desconto id = 8,4% a.a. / 12 = 0,7% a.m. = 0,007
Desconto D = ?
Valor líquido A = ?
Matemática Financeira Organizacional
28

Resolução:

D = N × id × n

D = 14.000 × 0,007 × 4

D = 392,00

A=N–D

A = 14.000 – 392

A = 13.608,00

O valor do desconto é de R$ 392,00 e o valor pago antecipadamente ao comer-


ciante é de R$ 13.608,00.
Exemplo B
Um título no valor de R$ 10.000,00 foi pago antecipadamente a uma empresa
e, por isso, sofreu um desconto comercial de R$ 135,00, com taxa de 0,54% ao mês.
Quantos dias faltavam para o vencimento desse título?
Dados:
Valor do título N = 10.000,00
Desconto D = 135,00
Taxa de desconto id = 0,54% a.m. / 30 = 0,018% a.d. = 0,00018
Prazo n = ? dias

Resolução:

D = N × id × n

135 = 10.000 × 0,00018 × n


135 = 1,8 × n
n = 135 / 1,8

n = 75 dias

Faltam 75 dias para o vencimento desse título.


Matemática Financeira Organizacional
29

Exemplo C

Um título com valor nominal de R$ 20.000,00 foi resgatado no dia 1.º de julho de
2013 por R$ 19.795,00. Sabe-se que a taxa de desconto comercial simples aplicada na
operação foi de 1,23% a.m. Determine a data real do vencimento desse título.

Valor do título N = 20.000,00


Valor atual do título A = 19.795,00
Desconto D = 205,00
1,23% a.m. / 30 = 0,041% a.d. =
Taxa de desconto id = 0,00041
Prazo n = ? dias

Nesse caso, é necessário definir uma data no momento da resolução do problema. Independente do
dia escolhido, o prazo de antecipação é o que determina a data real do vencimento. Tomemos como
referência a data 1.º de julho de 2013.

Resolução:

D = N × id × n

205 = 20.000 × 0,00041 × n


205 = 8,2 × n
n = 205 / 8,2

n = 25 dias

Assim, pela data referencial, tomada arbitrariamente, temos: 01/07/2013 +


25 dias = 26/07/2013.
A data real do vencimento seria em 26/07/2013.
Exemplo D
Um título foi resgatado 20 dias antes do prazo, com uma taxa de desconto
comercial de 0,63% ao mês. Qual o valor nominal do título, se seu valor de resgate foi
de R$ 12.000,00?
Matemática Financeira Organizacional
30

Prazo n = 20 dias
0,63% a.m. / 30 = 0,021% a.d.
Taxa de desconto id = 0,00021
Valor atual do título A = 12.000,00
Valor nominal do título N = ?

Resolução: Nesse caso específico, não temos o valor do desconto comercial. Há


apenas a relação entre o valor nominal e o valor atual. Assim, utilizamos a fórmula a
seguir:

A = N (1 – id × n)

12.000 = n (1 – 0,00021 × 20)


12.000 = n × 0,9958
n = 12.000 / 0,9958

n = 12.050,61

O valor nominal do título é de R$ 12.050,61.


Exemplo E
Um banco realiza operações de desconto de duplicatas utilizando uma taxa de
desconto comercial de 2,4% a.m. Nessas condições, qual a taxa efetiva mensal de ju-
ros simples que o banco aplica em suas operações de cobrança de juros em títulos
vencidos?
Nesse caso, não temos (e não é necessário) o valor do título. Porém, podemos
considerar que o valor do título é de 100%. Assim:

Valor do título N = 100%


Taxa de desconto id = 2,4% a.m. = 0,024
Prazo n = 1 mês
Taxa mensal de juros N = ?
Matemática Financeira Organizacional
31

1.º Passo – Cálculo do valor de A:

D = N × id × n

D = 100 × 0,024 × 1

D = 2,4

A=N–D

A = 100 – 2,4

A = 97,60

2.º Passo – Cálculo da taxa de juros simples mensal:


Como sabemos, a taxa de juros simples deve incidir sobre o valor principal (P) para
que, no futuro, acumule juros (J) e resulte no montante (M).
Nesse caso, como a empresa recebe o valor do título antecipadamente (valor A),
para saber o valor da taxa de juros equivalente à taxa de desconto aplicada pelo banco
devemos considerar o valor A e fazer uma operação de capitalização para obter o valor
no futuro (M), que deverá atingir o valor do título a ser descontado.
Assim, o valor atual é de R$ 97,60 e o valor nominal é de R$ 100,00. Para calcular
a taxa de juros mensal, raciocinamos no sentido de determinar o índice (a taxa de ju-
ros) que faz o valor atual (hoje) se corrigir ao longo do tempo, gerando o valor futuro
(daqui a um mês), que totalizará cem. Ou seja, redefinindo esses elementos para o cál-
culo da taxa de juros, temos:
Dados:
Valor principal A = P (Valor principal – sobre o qual
os juros incidem)
D = J (Valor dos juros – que equivale
ao valor do desconto concedido)
n = Prazo (1 mês)

Assim, utilizando-se a fórmula de juros para encontrarmos (i) = taxa de juros


mensal:

J=P×i×n
Matemática Financeira Organizacional
32

2,4 = 97,6 × i × 1
2,4 = 97,6 × i

i = 2,4 / 97,6

i = 0,02459

i = 2,459% a.m.

A taxa de juros mensal em operações aplicada pelo banco é de 2,459% a.m.


Exemplo F
Uma nota promissória de R$ 12.000,00 foi descontada em um banco 50 dias an-
tes do vencimento. Sabe-se que o valor do desconto comercial foi de R$ 360,00.
Assim:
a) Calcule o valor da taxa de desconto comercial (simples) aplicada na operação.
b) Sabe-se que o banco cobrou da empresa uma taxa de serviço de 1% do valor
da promissória. Fazendo esse desconto, qual foi o valor líquido recebido pela
empresa?
c) Tomando por base o valor nominal (da promissória) e o valor atual do título já
aplicando o desconto (sem a taxa de serviços), calcule a taxa efetiva de juros
simples diária da operação.
Dados:
Valor do título N = 12.000,00
Valor de desconto D = 360
Valor atual A = 11.640
Prazo n = 50 dias
Taxa de desconto id = ?

A. Cálculo do valor de id:

D = N × id × n
Matemática Financeira Organizacional
33

360 = 12.000 × id × 50
360 = 600.000 × id
id = 360 / 600.000
id = 0,0006
id = 0,06% a.d.

A taxa de desconto comercial aplicada foi de 0,06% a.d.

B. Cálculo do valor líquido (VL) recebido pela empresa:

Taxa de serviço = 1% do valor nominal = 1% de


12.000 = 120,00
Valor líquido
recebido pela empresa VL =?
VL = n – D – Taxa de serviço
VL = 12.000 – 360 – 120 = 11.520

O valor líquido recebido pela empresa foi de R$ 11.520,00.


C. A (valor atual) passa a ser considerado o valor principal (sobre o qual a taxa de
juros incide), ou seja:

Principal P = 12.000 – 360 = 11.640


360 = 582.000 × i
n = Valor nominal do título (que corres-
ponde ao valor futuro), ou seja,
o montante da aplicação
Montante M = 12.000

Assim, a taxa de juros simples na operação pode ser calculada em função do va-
lor principal, rendendo juros que correspondem ao desconto do título, gerando o valor
montante.
Portanto:

J=P×i×n
Matemática Financeira Organizacional
34

360 = 11.640 × i × 50
360 = 582.000 × i

i = 360 / 582.000

i = 0,00062

i = 0,062% a.d.

A taxa de juros simples aplicada pelo banco foi de 0,062% a.d.


Exemplo G
Dois títulos foram descontados em duas instituições financeiras com as seguintes
condições:

1.º Título: 2.º Título:


Valor nominal = R$ 10.000,00
Valor nominal = R$ 20.000,00
Taxa de desconto = 1,2% a.m.
Taxa de desconto = 0,9% a.m.
Prazo = 10 dias antes do vencimento
do 2.° título

Sabendo que a soma dos descontos concedidos foi de R$ 1.400,00, determine o


prazo de antecipação relativo ao 1.º título, ou seja, quantos dias antes do vencimento
o valor foi resgatado pela empresa?
Dados do 1.º título:
Valor do título N = 10.000,00
Taxa de desconto id = 1,2% a.m. = 0,04% a.d. = 0,0004
Prazo n = n – 10 (10 dias antes do
vencimento do 2.º título)
i = 0,00062

i = 0,062% a.d.

Dados do 2.º título:


Valor do título N = 20.000,00
Taxa de desconto id = 0,9% a.m. = 0,03% a.d. = 0,0003
Prazo n = ?
Matemática Financeira Organizacional
35

Resoluções:
Desconto para o 1.º título:

D = N × id × n

D 1 = 10.000 × 0,0004 × ( n – 10)

D 1 = 4 × ( n – 10)

D 1 = 4 × n – 40

Desconto para o 2.º título:

D = N × id × n

D 2 = 20.000 × 0,0003 × n

D 2 =6 × n

Como a soma dos descontos concedidos foi de R$ 1.400,00, temos:

D 1 + D 2 = 1.400
4 × n – 40 + 6 × n = 1.400
10 × n = 1.400 + 40
10 × n = 1.440
n = 1.440 / 10

n = 1.44

O número de dias de antecipação do 1.º título é de 134 dias (10 dias antes do
vencimento do 2.º título (n)).

Exemplo H

Dois títulos, um com vencimento em 50 dias e outro em 90 dias, foram desconta-


dos com uma taxa de desconto comercial de 1,8% a.m. Sendo R$ 42.000,00 o valor do
Título I e R$ 3.852,00 a soma dos descontos aplicados, determine o valor do Título II.
Matemática Financeira Organizacional
36

Dados do 1.º título:

Valor do título N 1 = 42.000,00


Taxa de desconto id = 1,8% a.m. = 0,06% a.d. = 0,0006
Prazo n = 50 dias

Dados do 2.º título:

Valor do título N 2 = ?
Taxa de desconto id = 1,8% a.m. = 0,06% a.d. = 0,0006
Prazo n = 50 dias

Resoluções:
Desconto para o 1.º título:

D = N × id × n

D 1 = 42.000 × 0,0006 × 50

D 1 = 1.260

Desconto para o 2.º título:

D = N × id × n

D 2 = n 2 × 0,0006 × 90

D 2 = n 2 × 0,054

D 2 = 0,054 × n 2
Matemática Financeira Organizacional
37

Como a soma dos descontos concedidos foi de R$ 3.852,00, temos:

D 1 + D 2 = 3.852
0,054 × n 2 = 3.852
0,054 × n 2 = 3.852 – 1.260
0,054 × n 2 = 2.592
n 2 = 2.592 / 0,054

n 2 = 48.000

O valor do 2.º título é de R$ 48.000,00.


Exemplo I
Uma duplicata, cujo prazo de vencimento era de 90 dias, foi descontada em um
banco, à taxa de desconto comercial de 2,4% a.m. Calcule o valor nominal desse título,
sabendo que o banco cobrou uma taxa de serviços igual a 1% do valor nominal do títu-
lo e que a empresa recebeu um valor líquido de R$ 4.590,00.
Dados:
Prazo n = 90 dias = 3 meses
Taxa de desconto id = 2,4% a.m. = 0,024
Valor líquido recebido pela empresa = 4.590,00
Valor nominal N = ?
Valor do desconto D = ?
Valor atual A = ?

Resolução: Como temos o valor líquido recebido pela empresa e a taxa de servi-
ços (1% de N), partimos dessas informações.

VL = id – Taxa de serviços
4.590 = id – (0,01) × n

A = 4.590 + 0,01 × n

Pelo formulário de desconto simples, temos:

A = N (1 – id × n)
Matemática Financeira Organizacional
38

4.590 + 0,01 × N = N × (1 – 0,024 × 3)


4.590 + 0,01 × N = N × 0,928
0,928 × N – 0,01 × N = 4.590
0,928 × N = 4.590

N = 4.590 / 0,918

N = 5.000,00

O valor desse título é de R$ 5.000,00.

1.3.1 Prazo médio de um conjunto de títulos de crédito


Na prática, é bastante comum que instituições bancárias realizem a operação de
desconto de um conjunto de títulos de valores e prazos distintos com um único cálculo.
Essa operação permite que o desconto se dê em uma mesma data. Produz-se, então,
um valor que representa a soma do desconto de cada título.
Para a definição dessa data, ou seja, do prazo de antecipação de recebimento
desses títulos, calcula-se o prazo médio ponderado de desconto de títulos.
Sejam:

N1, N2, N3, Os valores nominais dos títulos a serem descontados


..., Np antecipadamente.
n1, n2, n3,
Os prazos de antecipações nos pagamentos dos títulos.
..., np

n’ Prazo médio do conjunto de títulos a ser descontado.

Portanto:

N1 n 1 + N2 n 2 + N3 n 3 + ⋯…….. + Np n p
n’=
N1 + N2 + N3+ ⋯……………….. + Np

Ou seja, o prazo médio é a média ponderada dos prazos dos títulos, sendo os pe-
sos iguais aos valores de cada título.
Matemática Financeira Organizacional
39

N = Somatório dos valores dos títulos

N1 N2 N3 N4 ... Np

n’ = Prazo médio dos títulos

id = Taxa de desconto

A = Valor atual

Valor recebido antecipadamente

Para melhor compreensão das análises e resoluções de situações aplicativas en-


volvendo operações de desconto simples em conjuntos de títulos, temos os exemplos
a seguir.
Exemplo A
Uma empresa apresenta o borderô de duplicatas a seguir para que sejam descon-
tadas em um banco à taxa de desconto comercial de 1,8% a.m. Qual o valor líquido re-
cebido pela empresa?

Prazo até o
Duplicata Valor
vencimento
A 10.000,00 20 dias
B 30.000,00 45 dias
C 80.000,00 65 dias

Resolução:
1.º Passo – Cálculo de n’ = Prazo médio dos títulos:

10.000 × 20 + 30.000 × 45 + 80.000 × 65


n´=
10.000 + 30.000 + 80.000

6.750.000
n´=
120.000
Matemática Financeira Organizacional
40

2.º Passo – Cálculo do desconto comercial:


Dados:
Prazo n ’ = 56,25 dias
Taxa de desconto id = 1,8% a.m. = 0,06% a.d. = 0,0006
Valor nominal dos títulos N = 120.000

Resolução:

D = N × id × n

D = 120.000 × 0,0006 × 56,25

D = 4.050,00

O desconto comercial desse conjunto de títulos é de R$ 4.050,00.


Exemplo B
Uma empresa apresenta o borderô de duplicatas a seguir para que sejam descon-
tadas em um banco à taxa de desconto comercial de 2,4% a.m. Qual o valor líquido re-
cebido pela empresa?

Prazo até o
Duplicata Valor
vencimento
P 18.000,00 20 dias
Q 24.000,00 45 dias
R 8.000,00 50 dias

1.º Passo – Cálculo de n’ = Prazo médio dos títulos:

N1 n 1 + N2 n 2 +N3 n 3 +………..+Np n p
n´=
N1 + N2 + N3 + ………………….. + Np

180.000 × 20 + 24.000 × 45 + 8.000 × 50


n´=
18.000 + 24.000 + 8.000

1.840.000
n´=
50.000

n´ = 36,8 dias


Matemática Financeira Organizacional
41

2.º Passo – Cálculo do desconto comercial:


Dados:
Prazo n ’ = 36,8 dias
Taxa de desconto id = 2,4% a.m. = 0,08% a.d. = 0,0008
Valor nominal dos títulos N = 50.000,00

Resolução:

D = N × id × n

D = 50.000 × 0,0008 × 36,8

D = 1.472,00

O desconto comercial desse conjunto de títulos é de R$ 1.472,00.


Exemplo C
No seguinte borderô de duplicatas, considere as taxas de desconto indicadas.
Sabendo que o valor líquido recebido pela empresa foi de R$ 97.560,00, determine a
taxa de desconto comercial aplicada ao Título C.

Prazo até o
Duplicata Valor Taxa de desconto
vencimento
A 10.000,00 40 dias 1,8% a.m.
B 40.000,00 25 dias 2,1% a.m.
C 50.000,00 60 dias id C% a.m.

1.º Passo – Cálculo do valor do desconto comercial para o título A:


Dados:
Valor do título N = 10.000,00
Prazo n = 40 dias
Taxa de desconto id = 1,8% a.m. = 0,06% a.d. = 0,0006
Desconto D = ?
Matemática Financeira Organizacional
42

Resolução:

D = N × id × n

D A = 10.000 × 0,0006 × 40

D A = 240,00

2.º Passo – Cálculo do valor do desconto comercial para o título B:


Dados:
Valor do título N = 40.000,00
Prazo n = 25 dias
Taxa de desconto id = 2,1% a.m. = 0,07% a.d. = 0,0007
Desconto D = ?

Resolução:

D = N × id × n

D B = 40.000 × 0,0007 × 25

D B = 700,00

3.º Passo – Cálculo do valor do desconto comercial para o título C:


Dados:
Valor do título N = 50.000,00
Prazo n = 60 dias = 2 meses
Taxa de desconto id = ?
Desconto D = ?

Resolução:

D = N × id × n

D C = 50.000 × id × 2

D C = 100.000 × id C
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43

4.º Passo – Total de descontos:


Dados:
Total dos descontos = 240 + 700 + 100.000 × id C = 940
+ 100.000 × id C
Valor atual (dado) = 97.560
Total título = 100.000
id = 2.440

Assim:

940 + 100.000 × id C = 2.440


id C = (2.440 – 940) / 100.000
id C = 0,015 = 1,5% a.m.

A taxa de desconto comercial aplicada ao Título C é de 1,5% a.m.


Exercícios propostos
1. Uma duplicata no valor de R$ 1.800,00 foi paga após o vencimento. Com
isso, houve a cobrança de juros de mora, com uma taxa fixada em 6,9% a.m.
Sabendo que o valor total pago com juros foi de R$ 1.833,12 e que, se fosse
feito o pagamento antes do vencimento, o valor cobrado seria de R$ 1.723,50,
determine:
a) Quantos dias após o vencimento essa duplicata foi paga.
b) Qual é o percentual de desconto dado para pagamento antecipado.

Questão a: 8 dias
Confira a resposta
Questão b: 4,25%
Matemática Financeira Organizacional
44

2. Uma empresa possui dois títulos nos valores de R$ 3.600,00 e R$ 5.200,00 ven-
cíveis em 30 dias e 45 dias, respectivamente. Sabe-se que a taxa de juros sim-
ples aplicada nas operações de cobrança desses títulos é de 4,5% a.m. Assim,
determine o valor a ser pago por esses títulos se a empresa fizer o pagamento
de ambos daqui a 60 dias.

Confira a resposta R$ 9.079,00

3. Apresente o valor do capital que deve ser aplicado durante um ano, à taxa efe-
tiva de juros simples de 2,4% a.b. (ao bimestre), para que seja resgatado o
montante de R$ 9.724,00.

Confira a resposta R$ 8.500,00

4. Calcule o valor nominal de um título recebido por uma empresa 45 dias antes
do vencimento, pelo valor de R$ 5.200,00, considerando uma taxa de desconto
simples, comercial ou por fora de:
a) 21,6% a.a.
b) 1,2% a.m.
c) 5,76% a.s.

Questão a: R$ 5.344,30.
Confira a resposta Questão b: R$ 5.295,32.
Questão c: R$ 5.275,97.
Matemática Financeira Organizacional
45

5. Um título, de valor a ser calculado, tem seu vencimento determinado para


daqui a 83 dias. A empresa credora deseja realizar uma operação de descon-
to simples e ter o valor recebido antecipadamente. Sabe-se que o banco aplica
uma taxa de desconto comercial de 2,4% a.m. e que, após os devidos cálculos,
informou-se que o valor do desconto foi de R$ 2.656,00.
Assim:
a) Determine o valor nominal da duplicata.
b) Tomando por base o valor nominal da duplicata e o valor atual do título (já
aplicando o desconto), calcule a taxa mensal de juros simples que esse banco
aplica, equivalente à taxa de desconto simples informada.

Confira a resposta Questão a: R$ 40.000,00.


Questão b: i = 2,57% a.m.

6. Considere as duplicatas A e B colocadas em uma instituição bancária para des-


conto antecipado às taxas de desconto informadas. Sabendo-se que o valor
líquido recebido pela empresa foi de R$ 48.509,00, determine o prazo de ven-
cimento do título B (representado por “d”).

Prazo até o
Duplicata Valor Taxa de desconto
vencimento
A 10.000,00 35 dias 2,7% a.m.
B 40.000,00 D 2,1% a.m.

Confira a resposta 42 dias


Matemática Financeira Organizacional
46

7. A taxa de desconto simples do banco A é de 2,5% a.m. para operações com


prazo de 90 dias. O banco B oferece uma taxa de desconto de 2,1% a.m. com
prazo de 120 dias. Considere que um título de R$ 10.000,00 será descontado
por uma empresa no banco A, e outro de R$ 20.000,00 será descontado no
banco B. Nessas condições, determine:
a) O valor do desconto aplicado no banco A e o valor líquido recebido pela empre-
sa, disponibilizado pelo banco B.
b) Qual banco está cobrando a maior taxa efetiva mensal de juros (simples), em
função da taxa de desconto simples que é aplicada por ambos, e qual é o valor
dessa taxa.

Confira a resposta Questão a: R$ 750,00 e R$ 18.320,00.


Questão b: Banco A; 2,7%.
Matemática Financeira Organizacional
47

Referências
HAZZAN, S. Matemática Financeira. São Paulo: Saraiva, 2007.
PUCCINI, A. L. Matemática Financeira Objetiva e Aplicada. São Paulo: Campus, 2011.
SAMANEZ, C. P. Matemática Financeira. São Paulo: Pearson, 2010.
SILVA, A. L. C. Matemática Financeira Aplicada. São Paulo: Atlas, 2010.
VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática Financeira. São Paulo: Atlas, 2011.
2 Capitalização composta
2.1 Introdução
Capitalização composta é a forma de remunerar o capital na qual a taxa de ju-
ros incide sobre o capital inicial empregado somado aos juros gerados no período an-
terior. Assim, os juros incidem sempre sobre os montantes gerados após cada período
imediatamente anterior ao que está sendo calculado. Ou seja, a capitalização e o ren-
dimento gerados pela aplicação são sempre incorporados ao montante total. Diz-se,
assim, que os juros são capitalizados.
Essa operação representa um poderoso conhecimento para analisar e comparar
valores monetários ao longo do tempo. A possibilidade de inflação, por exemplo, acar-
reta alguns efeitos sobre preços e salários. O resultado é que eles acabam gerando um
poder aquisitivo distinto, em função do tempo. Podemos dizer, certamente, que um
salário de R$ 3.000,00 terá um poder de compra diferente daqui a um mês, um semes-
tre ou um ano.
Para gerarmos a fórmula de cálculo que envolve capitalização composta e fazer a
correção dos valores monetários ao longo do tempo, mediante um índice (taxa de juros),
vamos considerar a situação a seguir.
Uma pessoa, após realizar determinado trabalho, recebeu a quantia de R$ 10.000,00,
que irá depositar em uma caderneta de poupança a uma taxa de juros de 0,5% a.m., para
retirar o montante depois de 3 meses. Qual será o valor, com juros, disponível na conta
poupança dessa pessoa?

P = valor aplicado = R$ 10.000,00

i = taxa de juros = 0,5% = 0,005


n = prazo da aplicação = 3 meses

Prazo de
Valor dos juros obtidos (J) Montante (M)
aplicação
1.º mês Juros (1) = 0,5% (de 10.000,00) = R$ 50,00 (10.000,00 + 50,00) = 10.050,00
Juros (2) = 0,5% (de 10.050,00) (valor do
2.º mês (10.050,00 + 50,25) = 10.100,25
montante do mês anterior) = R$ 50,25
Juros (3) = 0,5% (de 10.100,25) (valor do
3.º mês (10.100,25 + 50,50) = 10.150,75
montante do mês anterior) = R$ 50,50
Matemática Financeira Organizacional
50

Portanto, após 3 meses de aplicações, essa pessoa terá disponível em sua


conta de caderneta de poupança o montante total de R$ 10.150,75, recebendo, assim,
R$ 150,75 de juros.
Considerando um capital (P), uma taxa de juros compostos (i), o prazo da ope­
ração (n) e o montante obtido (M), podemos concluir que o cálculo do montante em re-
gime de capitalização composta é feito por meio do seguinte processo:
Montante após o 1.º período: M1 = P + P × i = P × (1 + i).
Montante após o 2.º período: M2 = P + P × i = P × (1 + i)².
Montante após o 3.º período: M3 = P × (1 + i)² × (1 + i) = P × (1 + i)³.

Assim, generalizando, após n períodos, o montante (M) será obtido por:

M = P × (1 + i)n

Utilizando essa fórmula no problema proposto, temos:

P = 10.000,00

i = 0,5% a.m. = 0,005


n = 3 meses

Ao utilizarmos a taxa de juros na fórmula matemática, devemos apresentá-la em sua forma


fracionária – centesimal –, ou seja, sem o símbolo percentual. Para tanto, dividimos o valor
por 100.

M = P × (1 + i)n

M = 10.000 × 1,005³

M = 10.000 × 1,015075

M = 10.150,75
Matemática Financeira Organizacional
51

Observações:
• Na fórmula, a taxa de juros deve sempre se referir à mesma unidade de tem-
po do período financeiro. Caso isso não ocorra, o procedimento de se alterar a
taxa de juros para que ela sintonize com a unidade de tempo da operação será
visto em um item específico deste capítulo.
• O fator (1 + i)n é chamado de fator de capitalização ou fator de acumulação de
capital para pagamento único.
As calculadoras financeiras possibilitam calcular diretamente qualquer valor das
variáveis da fórmula apresentada. Então, dos quatro elementos da fórmula, se temos
os valores de três deles, poderemos calcular o que falta. A nomenclatura utilizada nes-
sas calculadoras, em geral, é a seguinte:

Do inglês present value = valor presente.


PV
CFo Representa o capital (P) ou valor principal.

Do inglês future value = valor futuro.


FV
Nj Representa o montante (M).

i Representa a taxa de juros efetiva.


12 ÷

n
Representa o prazo da operação;
12 × número de períodos (tempo).

Antes de nos aprofundarmos nos estudos do tema deste capítulo, sugerimos, caso necessá-
rio, a observação das informações contidas no Anexo B. Nesse documento, são apresentadas
orientações básicas sobre o uso da calculadora HP 12C, que será utilizada intensamente nos
cálculos a seguir.
Matemática Financeira Organizacional
52

Ao tratarmos de fluxo de caixa, temos as seguintes situações:

Fluxo de caixa – Empréstimo –


Para o tomador do empréstimo
Financiamento – Único pagamento

PV = Valor presente

PV é uma entrada de caixa (+), e


o valor pago pelo empréstimo no
futuro (FV) é uma saída de caixa (–).
n = Prazo
FV = Valor
i = Taxa de juros futuro

Para quem empresta Aplicação financeira

PV é uma saída de caixa (–), e o valor FV = Valor futuro


recebido pelo empréstimo no futuro
(FV) é uma entrada de caixa (+).
Geralmente, nas calculadoras
financeiras, insere-se um número n = Prazo
negativo digitando-se a tecla + / – P
ou, no caso da calculadora HP 12C, a PV = Valor i = Taxa de juros
tecla CHS (change sign). presente

Para os cálculos em regime de capitalização composta que virão a seguir, utiliza-


remos a calculadora HP 12C, que possui a fórmula M = P (1 + i)n em sua programação.
Como nas operações financeiras temos entradas e saídas de valores em um fluxo de
caixa, convencionaremos que os valores na HP obedecerão aos seguintes critérios: as
saídas de valores (de nosso caixa) serão valores negativos e as entradas de caixa serão
valores positivos. Daí a necessidade de utilizarmos adequadamente a tecla CHS.
Ao iniciarmos os cálculos, devemos lembrar sempre de “limpar” os registros que
podem ter ficado na memória, digitando f (reg).
Matemática Financeira Organizacional
53

Exercício resolvido
Calcule o valor dos juros recebidos ao se aplicar um valor de R$ 10.000,00, por 3
meses, em regime de juros compostos, considerando uma taxa de juros de 2% ao mês.
Solução:
NPV
1.º Passo: 10.000,00 CHS PV
DATE CFo

AMORT
2.º Passo: 3 n
12 ×

INT
3.º Passo: 2 i
12 ÷

IRR
4.º Passo: FV = 106.612,08
Nj

Usando a calculadora financeira para a inserção do valor da taxa de juros (i), não é
necessário fazer a divisão por 100.
Utilizaremos as funções das calculadoras financeiras porque, dessa forma, conse-
guimos a objetividade necessária para a resolução dos problemas propostos, pois essa
ferramenta facilita a obtenção do resultado, o que prioriza a reflexão e o entendimento
da operação, sem que seja necessário se preocupar tanto com a parte mecânica do cál-
culo em si. À medida que as situações apresentadas exijam procedimentos específicos,
apresentaremos os respectivos modos de manuseio da calculadora.
Exemplo A
Vamos considerar a necessidade de uma empresa de fazer um investimento. Esse
investimento contará com um único valor aplicado. Para fazer o resgate do montante
(valor aplicado acrescido dos juros) após determinado tempo, a uma taxa de juros compos-
tos pré-fixada, recorre-se a uma instituição financeira. Essa instituição apresenta determi-
nadas condições iniciais de investimentos. Podemos, então, calcular o valor dos juros
obtidos e o montante total gerado em cada caso (A e B) apresentado a seguir.

Aplicação Capital aplicado Taxa de juros Prazo


A R$ 100.000,00 12% a.a. 2 anos
B R$ 72.000,00 0,8% a.m. 1 ano
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54

Aplicação A:
Dados:
Valor aplicado PV = 100.000,00
Taxa de juros i = 12% a.a.
Prazo da operação n = 2 anos
Valor do montante FV = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 100.000 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 12% i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 2 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 125.444,00
Nj

Com a resolução através do uso da calculadora financeira, temos que FV =


R$ 125.440,00.

Aplicação B:
Dados:
Valor aplicado PV = 72.000,00
Taxa de juros i = 0,8% a.m.
Prazo da operação n = 1 anos = 12 meses
Valor do montante FV = ?

O prazo deve estar sintonizado com o período da taxa de juros. Nesse caso, ambos estão em
meses.
Matemática Financeira Organizacional
55

Resolução:
NPV
1.º Passo: 72.000 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 0,8 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 12 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 79.224,39
Nj

Com a resolução através do uso da calculadora financeira, temos que FV =


R$ 79.224,39.
Portanto, o valor do montante gerado será de R$ 79.224,39, e o total de juros
R$ 7.224,39.

Exemplo B
Em muitas ocasiões, ao realizarmos uma compra a crédito, é comum nos informa-
rem sobre as taxas de juros aplicadas na operação. Contudo, sem termos o real conheci-
mento de como essas taxas são obtidas, ficamos à mercê do que nos diz o vendedor ou
gerente do local onde estamos fazendo a compra. Diante do que nos foi apresentado,
podemos agora fazer os cálculos corretos e verificar se a taxa de juros informada é real-
mente a correta. Vamos supor que desejamos comprar um determinado produto cujo
preço está fixado em R$ 500,00 para pagamento à vista. Mas pode, também, ser adqui-
rido com uma entrada de R$ 230,00 e mais um único pagamento de R$ 285,00, realizado
60 dias após a compra. Nessas condições, vamos determinar a taxa mensal de juros com-
postos aplicada na operação e também a taxa de juros diária equivalente.

Nesse momento dos estudos, não envolveremos períodos de aplicações que não estejam em
sintonia com o período das taxas de juros. Após a resolução desse exercício, veremos que a
taxa mensal de juros encontrada será equivalente à taxa de juros diária, pois ambas produzem
o mesmo montante.
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56

Dados:
Valor do produto = 500,00
Entrada = 230,00
Valor financiado PV = 270,00
Prazo da operação n = 60 dias = 2 meses
Valor pago com juros FV = 285,00
Taxa de juros i = ?

O prazo deve estar sintonizado com o período da taxa de juros. Nesse caso, ambos estão em
meses.

Resolução:
NPV
1.º Passo: 270 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 2 n
12 ×

IRR
3.º Passo: 285 CHS FV
DATE Nj

INT
4.º Passo: i = 2,74% a.m.
12 ÷

Para resolução utilizando a calculadora financeira, temos que i = 2,74% a.m.


Para se obter a taxa diária de juros compostos, refazemos os cálculos utilizando o valor
de n = 60 dias.
Matemática Financeira Organizacional
57

Assim, obteremos i = 0,09% a.d.


Dizemos que essas taxas são equivalentes, pois geram o mesmo montante na
operação. Logo, 0,09% a.d. é equivalente a 2,74% a.m. Observa-se que o valor não é
proporcional, pois em capitalização composta as taxas são funções exponenciais.
Para comprovar a equivalência das duas taxas, 0,09% a.d. e 2,74% a.m., faremos
novamente os cálculos.

Para 2 meses, temos: Para 60 dias, temos:

2 meses n 60 dias

2 meses PV 270,00
(Valor financiado)

2,74% a.m. i 0,09015265% a.d.

? FV ?
(Valor pago)
-285,00 -284,97

Resposta: Assim, a partir de um valor inicial comum (R$ 270,00), no mesmo pe-
ríodo de tempo (60 dias = 2 meses), chegamos a um mesmo montante (R$ 285,00).
Portanto, essas taxas de juros são equivalentes.
Exemplo C
Nas operações financeiras, com os cálculos possíveis, sempre temos a condi-
ção de obtermos o “valor real do dinheiro” ao longo do tempo. Para isso, a taxa de ju-
ros, que faz o valor monetário se corrigir com o tempo, é o elemento fundamental do
processo.
Vamos ver uma situação em que o tempo da operação financeira é apresentado
por meio de datas de ocorrência. O que se deseja é calcular o prazo de uma aplicação
financeira.
Consideremos o fato de uma empresa ter feito um empréstimo, em 20 de dezem-
bro de 2012, no valor de R$ 21.000,00. Sabe-se que a taxa de juros aplicada na opera-
ção foi de 1,25% a.m. e o valor pago, no final do período, foi de R$ 22.625,00. Nessas
condições, vamos determinar o prazo dessa operação e a data em que foi realizado o
pagamento.
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58

Dados:
Valor do empréstimo PV = 21.000,00
Valor do pagamento FV = 22.625,00
Taxa de juros i = 1,25% a.m.
Prazo n = ?

Resolução:

NPV
1.º Passo: 21.000 PV
CFo

IRR
2.º Passo: 22.625 CHS FV
DATE Nj

INT
3.º Passo: 1,25 i
12 ÷

AMORT
4.º Passo: n = 6 meses
12 ×

O empréstimo teve um prazo de 6 meses e a data do pagamento foi em 20 de ju-


nho deste ano.
Exemplo D
Uma ocorrência muito comum nas instituições financeiras é a concessão de con-
dições especiais para contas correntes. É o chamado limite, vantagem fornecida pelo
banco para os clientes que possuem uma conta especial. Esse recurso possibilita que o
saldo do cliente possa ficar “devedor” por determinado tempo. Com isso, os saques e
cheques que possam tornar esse saldo devedor são realizados e o cliente pagará juros
sobre o valor desse saldo em função do tempo (número de dias, por exemplo) que ele
ficará negativo.
Suponhamos que uma pessoa abriu uma conta corrente especial em um determi-
nado momento – por exemplo, em 1.º de dezembro de 2012, depositando R$ 4.000,00.
Matemática Financeira Organizacional
59

Essa conta lhe permite sacar e expedir cheques a descoberto até R$ 2.000,00 (li-
mite). Se o cheque produzir um saldo devedor acima de R$ 2.000,00, ele será devolvido.
Vamos supor que essa pessoa teve os seguintes movimentos em sua conta corrente:

Data Valor

01/12 Depósito inicial 4.000,00 C

08/12 Cheque 5.000,00 D

20/12 Cheque 2.000,00 D

26/12 Depósito 3.000,00 C

30/12 Cheque 1.000,00 C

Sabe-se que o banco cobrou uma taxa de juros compostos de 0,15% a.d. pelo sal-
do devedor registrado, de acordo com o número de dias em que esse saldo ficou a des-
coberto no mês. Nessas condições, vamos determinar qual foi o total de juros cobrado
desse cliente no mês de dezembro de 2012 e o valor do saldo final que ficou definido
em 1.º de janeiro de 2013.
Devemos considerar que, nesse momento dos estudos, não realizaremos cálculos
que ocorrem nessas circunstâncias, como multa sobre valor de cheques devolvidos e
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), visto que o saldo devedor assume a condi-
ção de um financiamento de curto prazo que o cliente do banco acaba realizando.
Resolução: Inicialmente, fazemos os cálculos sem a preocupação de determinar
os juros, preocupando-nos somente em descobrir os saldos que ficaram registrados no
período.

Assim, utilizando a tabela apresentada, temos:

Data Valor Saldo


01/12 Depósito inicial 4.000 C +4.000 C
08/12 Cheque 5.000 D -1.000 D
20/12 Cheque* 2.000 D ? -1.000 D
26/12 Depósito 3.000 C +2.000
30/12 Cheque 1.000 C +1.000

*Como o limite é de R$ 2.000,00, esse cheque foi devolvido. Assim, o saldo per-
maneceu o mesmo de 08/12.
Matemática Financeira Organizacional
60

Percebemos, então, que o saldo ficou devedor (-R$ 1.000,00) do dia 08/12 ao dia
26/12 (18 dias), quando voltou a ficar positivo. Assim, vamos calcular o valor cobrado
de juros nesse período:
Dados:
Valor do saldo devedor PV = 1.000,00
Prazo (número de dias com o saldo devedor) n = 18 dias
Taxa de juros i = 0,15% a.d.
Valor capitalizado com juros FV = ?
Valor dos juros cobrados J = 27,35

Resolução:

NPV
1.º Passo: 1.000 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 18 n
12 ×

INT
3.º Passo: 0,15 i
12 ÷

IRR
4.º Passo: FV = -1.027,35
Nj

O valor capitalizado, com juros, foi de R$ 1.027,35, o que representa R$ 27,35 de


juros. Portanto, em 01 de janeiro foi feita a cobrança desses juros, descontando-se so-
bre o saldo existente no mês anterior. Conclui-se, portanto, que o saldo dessa conta fi-
cou definido em R$ 972,65.

2.2 Equivalência de capitais a juros compostos


Dois capitais com datas de vencimento distintas são equivalentes quando tiverem
valores iguais e forem analisados em uma mesma data referencial determinada, à mes-
ma taxa de juros aplicada na operação.
Matemática Financeira Organizacional
61

O mesmo ocorrerá para um conjunto de capitais. Nesse caso, será feita a análise
dos valores em planos de pagamentos para que se possa fazer a comparação de valo-
res monetários em um momento específico. Geralmente, esse momento específico é o
momento inicial da operação financeira (data da realização do financiamento), ou seja,
o momento zero.
Vamos considerar os seguintes casos, que exemplificam essa situação.
Exemplo A
Em aplicações financeiras, temos a condição de fazer a capitalização dos valores
aplicados mediante uma taxa de juros predeterminada ou, em média, projetada.
Consideremos as aplicações de uma pessoa física que depositou R$ 2.000,00
em uma caderneta de poupança em uma determinada data. Dois meses depois, de-
positou mais R$ 3.500,00. E, no mês seguinte, fez o último depósito de R$ 1.500,00.
Computando-se uma rentabilidade líquida de, em média, 0,5% a.m., vamos determi-
nar qual foi o montante que essa pessoa teve a sua disposição após cinco meses de
movimentações, depois do primeiro depósito realizado.
Vamos, inicialmente, apresentar o fluxo de caixa para acompanharmos esses mo-
vimentos no tempo.

Fluxo de caixa
Montante gerado após 5 meses.

i = 0,5% a.m. N.º de meses = n


Data inicial
1.º depósito
0 2 3 5 M

2.000,00 3.500,00 1.500,00


Matemática Financeira Organizacional
62

Devemos calcular, separadamente, o montante gerado pelos valores aplicados


em função do tempo e apresentar o montante total das três aplicações.
Cálculo do montante 1 (no momento 5):
Dados:
Valor aplicado PV = 2.000,00
Taxa de juros i = 0,5% a.m.
Prazo n = 5 meses (do momento 0 ao 5)
Valor do montante 1 FV = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 2.000 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 0,5 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 5 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 2.050,50
Nj

Cálculo do montante 2:
Dados:
Valor aplicado PV = 3.500,00
Taxa de juros i = 0,5% a.m.
Prazo n = 3 meses (do momento 2 ao 5)
Valor do montante 2 FV = ?
Matemática Financeira Organizacional
63

Resolução:
NPV
1.º Passo: 3.500 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 0,5 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 3 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 3.552,76
Nj

Cálculo do montante 3:
Dados:
Valor aplicado PV = 1.500,00
Taxa de juros i = 0,5% a.m.
Prazo n = 2 meses (do momento 3 ao 5)
Valor do montante 3 FV = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 1.500 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 0,5 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 2 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 1.515,04
Nj
Matemática Financeira Organizacional
64

O montante total gerado será de R$ 7.118,30 (M1 + M2 + M3). Portanto, pode-


mos dizer que os valores depositados, em momentos distintos, repectivamente de
R$ 2.000,00, R$ 3.000,00 e R$ 1.500,00, terão um valor total de R$ 7.118,30, resultan-
te da capitalização através da taxa de juros aplicada.
Exemplo B
Analisemos a seguinte situação: a política de vendas de uma empresa que ven-
de produtos agrícolas é a de conceder 3 meses de prazo para os pagamentos de seus
clientes. Se o pagamento for feito à vista, concede-se um desconto de 5% sobre o va-
lor que seria pago em 3 meses. Nessas condições, qual é a taxa mensal de juros com-
postos dos financiamentos dessa empresa?
Nesse caso, independentemente do valor financiado, o importante é a taxa de ju-
ros que será cobrada sobre qualquer valor da compra. Assim, tomando por base o valor
da compra como 100%, esse será o valor a ser pago daqui a 3 meses. E o valor pago à
vista será de 95%, com 5% de desconto. Portanto, temos:

Valor presente PV = 95%


Valor futuro FV = 100%
Prazo mensal n = 3 meses
Taxa mensal de juros i = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 95 CHS PV
DATE CFo

IRR
2.º Passo: 100 FV
Nj

AMORT
3.º Passo: 3 n
12 ×

INT
4.º Passo: i = 1,724% a.m.
12 ÷

A taxa mensal efetiva de juros do financiamento dessa empresa é de 1,724% a.m.


Logo, podemos afirmar que o valor a ser pago em 3 meses é equivalente ao valor
pago hoje, considerando a taxa de juros aplicada no período.
Matemática Financeira Organizacional
65

Exemplo C
Na situação apresentada a seguir, vamos ver a condição de uma empresa que tem
títulos a vencer e deseja protelar esses pagamentos solicitando novos prazos para rea-
lizá-los. Desse modo, acontece uma renegociação desses títulos e, naturalmente, os
juros a serem cobrados são recalculados pela financeira que realizou a operação.
Vamos supor que essa empresa deva dois títulos de valores nominais iguais a
R$ 40.000,00 e R$ 20.000,00, com vencimentos previstos para 30 dias e 90 dias, res-
pectivamente. Prevendo não poder liquidá-los nos prazos estipulados, a empresa so-
licita ao credor a substituição desses títulos por um único, a vencer daqui a 120 dias.
Sabendo-se que a taxa mensal de juros compostos aplicada na operação de refinancia-
mento será de 1,4% ao mês, vamos determinar qual será o valor nominal do novo título
e o valor total de juros que serão pagos, no final do período de 120 dias, por essa ação.
Vamos, inicialmente, apresentar o fluxo de caixa para acompanharmos esses títu-
los a vencer:

Fluxo de caixa
Montante gerado após 5 meses.

i = 1,4% a.m.

30 dias 90 dias 120 dias


0 1 3 4 N.º de meses = n

40.000,00 20.000,00 Novo valor do título = ?

Separadamente, calculamos o novo valor de cada título em função do novo pra-


zo que cada um receberá. Assim, poderemos calcular os juros que serão cobrados em
cada caso. No final, teremos o somatório dos dois novos valores daqui a 4 meses.
Cálculo do novo valor do título 1:

Valor aplicado PV = 40.000,00


Taxa de juros i = 1,4% a.m.
Prazo n = 3 meses (do momento 1 ao 4)
Valor do montante 1 FV = ?
Matemática Financeira Organizacional
66

Resolução:
NPV
1.º Passo: 40.000 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 1,4 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 3 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 41.703,63
Nj

Cálculo do novo valor do título 2

Valor aplicado PV = 20.000,00


Taxa de juros i = 1,4% a.m.
Prazo n = 1 mês (do momento 3 ao 4)
Valor do montante 2 FV = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 20.000 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 1,4 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 1 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 20.280,00
Nj

O valor do novo título será de R$ 61.983,63 (M1 + M2).


Assim, os títulos, vencíveis em 30 e 90 dias, de R$ 40.000,00 e R$ 20.000,00, res-
pectivamente, terão valores equivalentes a R$ 61.983,63 daqui a 120 dias.
Matemática Financeira Organizacional
67

Exemplo D
Opondo-se à situação anterior, apresentamos uma empresa com títulos ainda a
vencer, mas que já tem os recursos para pagá-los. Com isso, pretende-se deixar o va-
lor aplicado antecipadamente em uma instituição e, com os juros obtidos ao longo do
tempo, fazer retiradas e pagar os títulos nas datas de vencimento.
Vamos considerar que uma empresa deve dois títulos de valores nominais iguais a
R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, com vencimentos previstos para 60 dias e 120 dias, res-
pectivamente. Vamos determinar o valor que a empresa deve aplicar “hoje”, para que
possa liquidar esses dois títulos nas datas de vencimento. Consideremos uma aplicação
financeira que remunera à taxa mensal de juros de 0,65% a.m.

Fluxo de caixa
i = 0,65% a.m.
60 dias 120 dias
0 2 4 N.º de meses = n

50.000,00 30.000,00
Valor da aplicação = ?

Separadamente, calculamos o valor presente (momento zero) de cada título em


função do prazo da aplicação financeira. Essa aplicação deve gerar o montante rela­
tivo para o pagamento dos títulos, após corrido o período do investimento. Ou seja,
o valor de cada título assume a condição de ser um valor futuro (FV). Após calcular o
valor presente de cada título, o total será o necessário a ser aplicado para se fazer o
pagamento dos títulos nas respectivas datas de vencimento.

Cálculo do valor a ser aplicado para o pagamento do título 1:


Dados:
Valor do título FV = 50.000,00
Taxa de juros i = 0,65% a.m.
Prazo n = 2 meses (do momento 0 ao 2)
Valor a ser aplicado 1 PV = ?
Matemática Financeira Organizacional
68

Resolução:
IRR
1.º Passo: 50.000 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 0,65 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 2 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV =49.356,28
CFo

Cálculo do valor a ser aplicado para o pagamento do título 2:


Dados:
Valor do título FV = 30.000,00
Taxa de juros i = 0,65% a.m.
Prazo n = 4 meses (do momento 0 ao 4)
Valor a ser aplicado 2 PV = ?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 30.000 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 0,65 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 4 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV =29.232,51
CFo

O valor a ser aplicado deve ser de R$ 78.588,79 (PV1 + PV2).


Portanto, os títulos, vencíveis em 2 meses e 4 meses, de R$ 50.000,00 e
R$ 30.000,00, respectivamente, têm valores equivalentes a R$ 78.588,79, hoje.
Matemática Financeira Organizacional
69

Outra importante aplicabilidade referente aos conhecimentos da capitalização


composta é a possibilidade de determinar, em um único momento, os valores monetá-
rios que são dispostos ao longo do tempo, especialmente quando se trata de análises
de planos de pagamentos, que podem apresentar diversos valores a pagar, distribuídos
mensalmente, bimestralmente, anualmente ou em qualquer período analisado.
Sem rigor, podemos dizer que R$ 1.000,00, hoje, certamente não corresponderão
ao mesmo “valor” de poder aquisitivo de R$ 1.000,00 daqui a um mês ou um ano. Pois,
evidentemente, há uma inflação no período, que faz o dinheiro desvalorizar. Diante dis-
so, apresentamos uma situação na qual podemos fazer a análise de duas alternativas de
pagamentos de um produto que pode ser financiado em condições distintas de tempo.
Para realizar a comparação de valores monetários ao longo de um período, deve-
mos eleger um momento em que todos os valores monetários estariam nas mesmas
condições de poder aquisitivo. Assim sendo, de modo padronizado, temos o momento
inicial (t = 0). Estipulamos esse referencial porque ele pode corresponder a momentos
distintos: em um financiamento, ele pode ser o momento da assinatura do contrato e
do recebimento do dinheiro emprestado ou do bem adquirido, ou pode ser o momento
inicial de uma aplicação financeira em um fluxo de valores aplicados.
Assim, toma-se o valor atual (valor presente) como o referencial comparativo
de valores monetários em diferentes períodos de tempo, a fim de analisar o fluxo de
valores.
Exemplo E
Para exemplificarmos essa análise de cálculos, consideremos a necessidade de
uma empresa de fazer a compra de uma máquina industrial que deverá ser financiada.
A revendedora propõe à empresa as seguintes alternativas de pagamento:
I. R$ 10.000,00 de entrada mais um único pagamento de R$ 20.000,00, 2 meses
após a compra, com taxa de juros efetivos de 0,99% a.m.;
ou
II. dois pagamentos de R$ 15.000,00 cada um, sem entrada, pagos um daqui a
2 meses após a compra e outro daqui a 3 meses, com taxa de juros de 1% a.m.
Vamos analisar as propostas pelo valor atual de cada plano (valor presente – VP) e
definir, por esse valor, qual é a melhor alternativa para o comprador em relação à ren-
tabilidade (Plano I ou Plano II). Por esse parâmetro, apresentaremos o valor presen-
te de cada plano e a real economia (em reais) que a empresa terá ao escolher a melhor
forma de pagamento.
Matemática Financeira Organizacional
70

Resolução do Plano I:
Dados:
Valor da entrada = 10.000,00
Pagamento realizado FV = 20.000,00
Taxa de juros i = 0,99% a.m.
Prazo n = 2 meses (do momento 0 ao 2)
Valor presente PV = ?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 20.000 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 0,99 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 2 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV =19.609,80
CFo

O valor presente (momento 0) desse plano é dado por:


PV + Entrada = 19.609,80 + 10.000,00.
Valor atual do Plano I = R$ 29.609,80.

Resolução do Plano II:


Primeiro pagamento realizado:

Pagamento realizado FV = 15.000,00


Taxa de juros i = 1% a.m.
Prazo n = 2 meses
Valor presente PV 1 = ?
Matemática Financeira Organizacional
71

Resolução:
IRR
1.º Passo: 15.000 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 1 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 2 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV =14.704,44
CFo

Segundo pagamento realizado:

Pagamento realizado FV = 15.000,00


Taxa de juros i = 1% a.m.
Prazo n = 3 meses
Valor presente PV 2 = ?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 15.000 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 1 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 3 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV =14.558,85
CFo
Matemática Financeira Organizacional
72

Exemplo F
Outra situação, comumente encontrada no comércio, é a compra de um produ-
to com o preço à vista, para pagamento do “mesmo valor” a prazo. É a considerada
compra com taxa zero.
Ao analisarmos essas condições, podemos perceber que elas possivelmente
escondem alguns elementos que, com o conhecimento que possuímos, podem nos fa-
zer refletir sobre as melhores opções de compra. Podemos pagar à vista, com ou sem
desconto; a prazo, com ou sem juros; ou, ainda, aplicar o valor que pagaríamos à vista
e, com o montante gerado na aplicação, pagar o produto adquirido a prazo.
Vamos analisar uma situação na qual um equipamento é vendido por R$ 50.000,00
para pagamento em 3 meses. À vista, o vendedor concede um desconto de 3% sobre o
preço do produto. Suponha que o comprador faça a compra a prazo e aplique o valor que
pagaria à vista, com o desconto de 3%, em uma instituição financeira, à taxa de juros de
1% a.m.
Assim, após 3 meses de aplicação, esse comprador receberia o montante do valor
aplicado e faria o pagamento. Se o montante for maior que o preço a pagar, ocorre o ga-
nho para o comprador (ou seja, seria bom aplicar e pagar o produto a prazo). Caso con-
trário, melhor seria para o comprador pagar o produto à vista, com o desconto de 3%.
Nessas condições, qual seria a melhor opção para o comprador: pagar à vista ou
investir o valor e pagar a compra a prazo? Apresente a real economia, fazendo a me-
lhor opção de compra, e o ganho em reais no momento do pagamento (à vista ou a
prazo).
Cálculo do valor à vista:
50.000,00 – 0,3% = 48.500,00
Simulação da aplicação financeira para, com o montante gerado, pagar a conta
a prazo:
Dados:
Valor aplicado PV = 48.500,00
Taxa de juros i = 1% a.m.
Prazo n = 3 meses
Valor do montante FV = ?
Matemática Financeira Organizacional
73

Resolução:
IRR
1.º Passo: 48.500 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 1 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 3 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV =49.969,60
CFo

Como o montante gerado pela aplicação não é suficiente para o pagamento da


compra a prazo, conclui-se que o desconto dado foi atrativo e, para o comprador, é
melhor comprar à vista.
O valor real da economia, ao se comprar à vista, é calculado no momento da com-
pra (momento zero). Fazendo a atualização de R$ 50.000,00 por 3 meses a 1% a.m., con-
clui-se que o valor atual dessa compra é de R$ 48.529,51. Com relação ao valor pago à
vista (R$ 48.500,00), o comprador tem uma economia de R$ 29,51 no momento da
compra.
Resposta: A melhor opção é pagar à vista com desconto de 3%.
Exemplo G
De modo mais efetivo, sabemos que, ao fazer algumas aplicações financeiras, são
cobradas taxas administrativas e impostos sobre o valor dos juros recebidos na ope-
ração. A cobrança de IRRF e de IOF (Imposto de Renda Retido na Fonte e Imposto so-
bre Operações Financeiras, respectivamente) é a mais usual. Vejamos uma situação
na qual incidem essas cobranças no momento do resgate de uma aplicação financeira.
Dessa forma, o aplicador precisa descontar esses impostos e taxas, a fim de calcular o
ganho de juros líquido na operação.
Imagine uma aplicação de R$ 10.000,00 que foi realizada por 6 meses, à taxa de
juros de 0,72% a.m. Nessas condições:
a) Qual foi o valor do montante gerado (caso não fossem cobrados impostos)?
Matemática Financeira Organizacional
74

Dados:
Valor aplicado PV = 10.000,00
Taxa de juros i = 0,72% a.m.
Prazo n = 6 meses
Valor do montante FV = ?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 10.000 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 0,72 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 6 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV =10.439,85
CFo

b) Sabendo-se que há a cobrança de impostos de 17,5% sobre os rendimentos


obtidos (juros obtidos na operação), determine o valor líquido recebido pelo
aplicador.
Juros brutos recebidos (item “a”) = 439,85
Impostos (17,5%) = -76,97

Resposta: Juros líquidos recebidos = 362,88.


c) Suponha que esse mesmo investidor queira fazer outra aplicação financei-
ra por um ano, com remuneração de 0,63% a.m. Considere que ele deseja, no
final da operação, receber um montante líquido (já descontando o IRRF de
17,5%) de R$ 20.000,00. Nessas condições, quanto ele deve aplicar, hoje, para
ter o montante líquido daqui a um ano? Nesse caso, vamos utilizar a fórmula
matemática que calcula o montante em uma aplicação a juros compostos.
Matemática Financeira Organizacional
75

M = P × (1 + i)n

Montante total = Valor aplicado + Juros


Montante líquido = Valor aplicado + Valor líquido juros

M líquido = P + 0,825 × M – P

M líquido = P + 0,825 × M – 0,825 × P

M líquido = 0,175 × P + 0,825 × M

Como M = P × (1 + i)n temos:

M líquido = 0,175 × P + 0,825 × P × (1 + i ]


n

Substituindo os valores dados:


20.000 = 0,175 × P + 0,825 × P × (1 + 0,0063) 12]
20.000 = 0,175 × P + 0,825 × P × 1,0783
20.000 = 1,0646 × P

P = 18.786,80

Resposta: Para se atingir um montante líquido de R$ 20.000,00, deve-se aplicar


R$ 18.786,40.

2.3 Taxas equivalentes de juros compostos


A seguir, vamos conhecer dois diferentes tipos de taxas de juros: a taxa nominal e
a taxa efetiva.
A taxa nominal é aquela em que a unidade de referência de seu tempo não
coincide com a unidade de tempo dos períodos de capitalização. Ela é quase sempre
fornecida em termos anuais e os períodos de capitalização podem ser semestrais, tri-
mestrais ou mensais. Exemplo:

12% ao 24%
12% ao
ano, com ano, com
capitalização capitalização
mensal semestral
mensal
a.a.c .m. a.a.c.c.s.
.c
Matemática Financeira Organizacional
76

A taxa nominal é bastante utilizada no mercado. Entretanto, seu valor não é mui-
to usado nos cálculos, pois pode não representar uma taxa efetiva. O que realmente
interessa é a taxa efetiva embutida na taxa nominal, pois é ela que será efetivamente
aplicada em cada período de capitalização.
A taxa efetiva é aquela em que a unidade de referência de seu tempo coincide
com a unidade de tempo dos períodos de capitalização. É a taxa utilizada nos cálculos
das operações financeiras.
Exemplo: 3% ao mês capitalizados mensalmente. Ou seja, i = 0,03.
Duas taxas de juros referentes a períodos distintos de capitalização são equiva-
lentes quando produzem o mesmo montante ao final de determinado tempo, pela
aplicação de um mesmo capital. Nesse caso, elas são chamadas de taxas equivalen-
tes. Se, em uma operação financeira, eventualmente a taxa de juros efetiva for infor-
mada sem estar sintonizada ao período da aplicação, devemos fazer a conversão para
o período da capitalização.
Para exemplificar o exposto, considere, por exemplo, uma aplicação de R$
10.000,00, por 2 meses, que rendeu R$ 609,00 de juros. Qual foi a taxa mensal efetiva
na operação e qual a taxa diária efetiva equivalente?

NPV NPV
1.º Passo: 10.000,00 CHS PV 1.º Passo: 10.000,00 CHS PV
DATE CFo DATE CFo

AMORT AMORT
2.º Passo: 2 meses n 2.º Passo: 60 dias n
12 × 12 ×

IRR IRR
3.º Passo: 10.609,00 FV 3.º Passo: 10.609,00 FV
Nj Nj

INT INT
4.º Passo: i = 3% a.m. 4.º Passo: i = 0,0986% a.d.
12 ÷ 12 ÷

Assim, podemos concluir que a taxa de juros de 3% a.m. é equivalente à taxa de


0,0986% a.d., pois ambas geram, no mesmo período de tempo, o mesmo montante.
Matemática Financeira Organizacional
77

Nomenclatura:

12% ao 12% ao 12% ao

a
i
ano, com
capitalização
mensal
i
ano, com
capitalização
s
mensal
i
ano, com
capitalização
t
mensal
Ta al xa r xa r

Ta
Ta

al
al
xa u de j st de j st
de j ur o s a n uros seme uros trime

12% ao 12% ao

m
i
ano, com
capitalização
mensal
ano, com
i
capitalização
d
mensal
Ta Ta
x ad sa x ári
a
l

e juros men a de
juros di

Métodos para conversão de taxas de juros compostos


Para determinar como fazer a conversão da taxa de juros de um período para
a taxa de outro período, precisamos lembrar que ambas devem gerar o mesmo
montante.
Vamos, por exemplo:
a) converter a taxa de juros compostos de 2% a.m. para anual.
Dados: 2% a.m. = (0,002) a.a. = ?
Nesse caso, temos o fator de conversão (12) = 12 meses no ano.
Para obter a taxa de juros maior, elevamos a base à potência 12.

M 1= M 2
Matemática Financeira Organizacional
78

Resolvendo a equação matemática (como P é elemento comum), temos:

P × (1 + i a
) = P × (1 + i m
) 12 =
1+ i a
= (1 + 0,02) 12
1+ i a
= (1 + 0, 2) 12
1+ i a
= 1,268242

i a
= 1,268242 – 1

i a
= 0,268242

i a
= 0,268242 × 100

i a
= 26,8242% a.a.

Portanto, a taxa de juros de 2% a.m. é equivalente à taxa de 26,8242% a.a.


b) converter a taxa de juros compostos de 12% a.a. para taxa diária.
Dados: 12% a.a. = (0,12) a.d. = ?
Nesse caso, temos o fator de conversão (360) = 360 dias no ano.
Para obter a taxa de juros menor, realizamos a raiz de índice 360.

M 1= M 2

P × (1 + i d
) 360 = P × (1 + i a
)1 =
(1 + i d
) 360 = (1 + i a
)1
(1 + i d
) 360 = (1 + 0, 12) 1
(1 + i d
) 360 = 1,12
(1 + i d
) 360 = 360 1,12
1+ i d
= 1,000315

i d
= 1,000315 – 1

i d
= 0,000315

i d
= 0,000315 × 100

i d
= 0,0315% a.d.

Portanto, a taxa de juros de 12% a.a. é equivalente à taxa de 0,0315% a.d.


Diante das operações realizadas nesse processo de conversão, podemos resumir
essas ações em três etapas.
Matemática Financeira Organizacional
79

Considerando a taxa de juros dada:

Determina-se o fator de
conversão (relação de
tempo entre as duas taxas)
Divide-se por 100 Diminui-se 1
e faz-se a potenciação
e soma-se 1. e multiplica-se por 100.
para deixar a taxa de juros
maior, ou a radiciação para
deixar menor.

Exercícios: Obtenção de taxas de juros equivalentes


Determinar:
a) A taxa anual equivalente a 0,8% a.m.
0,8% a.m.
I. (0,8 / 100) + 1 = 1,008
II. Fator 12 = (1,008) 12 = 1,1003
III. Diminui-se 1 e multiplica-se por 100 = 10,03% a.a.
Portanto, 0,8% a.m. é equivalente à taxa anual fixa de 10,03% a.a.
b) A taxa mensal equivalente a 0,15% a.d.
0,15% a.d.
I. (0,0015 / 100) + 1 = 1,0015
II. Fator 30 = (1,0015)30 = 1,04599
III. Diminui-se 1 e multiplica-se por 100 = 4,599% a.m.
Portanto, 0,15% a.d. é equivalente a 4,599% a.m. Podemos fazer o arredonda-
mento desse valor, se possível, para 4,6% a.m.
c) A taxa trimestral equivalente a 18% a.a.
18% a.a.
O fator de conversão é (4) = 4 trimestres no ano.
I. (18 / 100) + 1 = 1,18
II. Fator 4 (deixar menor) = 4 1,18 = 1,042247
III. Diminui-se 1 e multiplica-se por 100 = 4,2247% a.t.
Portanto, 18% a.a. é equivalente a 4,2247% a.t.
Podemos fazer o arredondamento desse valor, se possível, para 4,22% a.t.
Matemática Financeira Organizacional
80

Exemplo A
Consideremos uma aplicação financeira feita por uma empresa no valor de
R$ 40.000,00, que proporcionou juros compostos de R$ 4.700,00 ao final de um ano e
meio. Sabendo que essa aplicação gerava ao aplicador juros capitalizados mensalmen-
te, determine as taxas de juros mensais aplicadas e a taxa anual equivalente.
Dados:

PV = 40.000,00

n = 1,5 anos = 18 meses

FV = 44.700,00
i =?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 40.000 CHS PV
DATE CFo

AMORT
2.º Passo: 18 n
12 ×

NPV
3.º Passo: 44.700 PV
CFo

INT
4.º Passo: i = 0,619 = 0,62% a.m.
12 ÷

Obtenção da taxa anual equivalente.


0,62% a.m. = ? a.a.
I. 0,62 / 100 + 1 = 1,0062
II. Fator 12 (maior) = 1,006212 = 1,07699
III. -1 × 100 = 7,699% a.a. = 7,7% a.a.
Exemplo B
Considere uma taxa de juros efetiva de 8% a.a. e uma aplicação que pode remu-
nerar o capital mensalmente. Obtenha a taxa de juros mensais equivalente e calcule o
montante produzido pela aplicação de R$ 6.000,00 pelo prazo de 9 meses.
Matemática Financeira Organizacional
81

Resolução:
a) Obtenção da taxa mensal equivalente:
8% a.a. O fator de conversão é 12 = 12 meses no ano.
Assim:
I. 8 / 100 + 1 = 1,08
II. Fator 12 (deixar menor) = 12 1,08 = 1,006434
III. Diminui-se 1 e multiplica-se por 100 = 0,6434% a.m.
Podemos fazer o arredondamento desse valor, se possível, para 0,64% a.m.
b) Cálculo do montante:
Dados:

PV = 6.000,00

n = 9 meses

i = 0,64% a.m.

FV = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 6.000 CHS PV
DATE CFo

AMORT
2.º Passo: 9 n
12 ×

INT
3.º Passo: 0,64 i
12 ÷

IRR
4.º Passo: FV = 6.354,58
Nj

Resposta: Após 9 meses de aplicação, o montante gerado foi de R$ 6.354,58.


Matemática Financeira Organizacional
82

2.3.1 Taxa acumulada de juros


De acordo com Hazzan (2007, p. 55), a inflação é o fenômeno conhecido como o
aumento persistente dos preços de bens e serviços. A consequência disso é que a moe-
da perde seu poder aquisitivo, sendo que essa perda aumenta à medida que aumen-
tam os preços.
Existem inúmeros fatores que afetam a inflação: escassez de produtos, déficit or-
çamentário do governo com emissão descontrolada de dinheiro, desequilíbrio na ba-
lança de pagamentos, entre outros. Quando se diz que a taxa de inflação anual foi de
5%, isso não significa que o preço de todos os produtos subiu 5%, mas, sim, que a mé-
dia ponderada dos aumentos de preços de todos os produtos foi de 5%.
Dessa maneira, alguns produtos podem ter subido 3% e outros 8%, por exemplo.
Em uma época de inflação elevada, quem consegue aplicar taxas de juros superiores às
taxas de inflação acaba se beneficiando.
Em virtude da alta taxa de inflação corroer rapidamente o poder aquisitivo da
moeda, é fundamental relacionar as taxas de juros com as de inflação. Muitas vezes,
uma aplicação financeira produz resultados que são meramente ilusórios quando o
aplicador não leva em conta a inflação. Por exemplo, se alguém aplicar um capital por
um ano à taxa de 8% a.a., e a inflação no mesmo período for de 6%, seu ganho real,
em função de despesas financeiras, taxas sobre operações financeiras, impostos e ou-
tros elementos, nem sequer conseguirá repor o poder aquisitivo do dinheiro aplicado.
Entretanto, dependendo das oportunidades do investidor, é possível que seus in-
vestimentos fiquem abaixo da taxa de inflação. Mesmo assim, é melhor do que ficar
com o dinheiro parado.
A seguir, apontamos como calcular a taxa acumulada.
Vamos considerar várias taxas que incidem sobre determinado valor inicial. Sendo
taxa 1 = j1 ; taxa 2 = j2; taxa 3 = j3 ; (...); taxa n = jn, podemos determinar uma fórmu-
la matemática que calcula a taxa acumulada em n períodos de incidência sobre o valor
inicial.
Assim, sendo (jac) a taxa acumulada, temos:
jac=(1+j1 )×(1+ j2 )×(1+j3 )…(1+ jn )… -1
Se as taxas forem iguais no período, isto é, j1=j2= j3 =…= jn,
então: jac=(1+ jn )n-1
Para exemplificar o uso dessa fórmula, vamos considerar que, em 2 anos conse-
cutivos, um produto aumentou 8% e 10%. Qual foi a taxa de aumento acumulada no
período?
Matemática Financeira Organizacional
83

Podemos, apenas como exercício, determinar que o preço inicial do produto, em


porcentagem, era de 100%.
Após um ano, sofreu um aumento de 8%, atingindo um total de 108%, e, no ano
seguinte, ocorreu outro aumento de mais 10% sobre seu valor. Ou seja, 10% de 108% =
10,8% de aumento, atingindo um total final de 118,8%.
Portanto, em 2 anos, o produto acumulou um aumento de 18,8%.
Ao utilizarmos a fórmula de taxa acumulada (jac), obteremos, de forma mais dire-
ta, o mesmo resultado. Vejamos:
1.º aumento: j1 = 8% = (0,08)
2.º aumento: j2 = 10% = (0,10)
jac = (1 + j1 1) × (1 + j2) – 1
jac = (1,08) × (1,10) – 1
jac = (0,188) = 18,8%

Exemplo A
Nos últimos 3 meses, o preço de um produto teve os seguintes aumentos: 1,0%, 2,5%
e 4,2%. Qual a taxa acumulada de aumento no trimestre?
j1 = 1,0% = (0,01)
j 2 = 2,5% = (0,025)
j3 = 4,2% = (0,042)
jac(3) = ?
jac(3) = (1 + j1) × (1 + j2) × (1 + j3) × … (1 + jn) – 1
jac(3) = (1 + 0,01) × (1 + 0,025) × (1 + 0,042) – 1
jac(3) = (1,01) × (1,025) × (1,042) – 1
jac(3) = (1,0787) – 1
jac(3) = (0,0787)
jac(3) = (0,0787) × 100
jac(3) = 7,87%

Resposta: A taxa acumulada relativa aos aumentos sucessivos é de 7,87%.


Matemática Financeira Organizacional
84

Exemplo B
A tabela abaixo fornece as taxas mensais de inflação IPCA de janeiro a abril de
2013: janeiro = 0,86%; fevereiro = 0,60%; março = 0,47% e abril = 0,55%. Qual é a taxa
de inflação, pelo IPCA, acumulada nesses 4 meses de análise?
Resolução:
Dados:
j1 = 0,86% = (0,0086)
j2 = 0,6% = (0,006)
j3 = 0,47% = (0,0047)
j4 = 0,55% = (0,0055)

jac(4) = ?
jac(4) = (1 + j1) × (1 + j2) × (1 + j3) × … (1 + jn) – 1
jac(4) = (1,0086) × (1,006) × (1,0047) × (1,0055) 1
jac(4) = (0,02503)
jac(4) = 2,503%

Resposta: A inflação acumulada no período foi de 2,503%.

Exemplo C
Em um trimestre, um produto teve uma redução de 4,2%. No 1.º mês de análise,
a redução foi de 1,2% e, no 2.º mês, foi de 1,4%. Qual foi o percentual de redução que
ocorreu no último mês de análise?
Resolução:
Nesse caso, temos a taxa acumulada de redução = jac(3). Assim, tomaremos os va-
lores das taxas com os sinais negativos.
j1 = -1,2% = -0,012
j2 = -1,4% = -0,014
j3 = -4,2% = 0,042
j3 = ?
Matemática Financeira Organizacional
85

Jac = (1 + j1) × (1 + j2) × (1 + j3) × … (1 + jn) – 1


(-0,042) = (1 – 0,012) × (1 – 0,014) × (1 – j3) – 1
(-0,042) = (0,988) × (0,986) × (1 + j3) – 1
1 + (-0,042) = 0,9742 × (1 + j3)
0,958 / 0,9742 = 1 + j3
0,9834 – 1 = j3
-0,0166 = j3
J3 = -1,66%

No 3.º mês, a taxa de redução foi de 1,66%.

Exemplo D
Em um bimestre, a taxa acumulada de inflação foi de 1,2%. No 1.º mês, a taxa de in-
flação foi de 0,5%. Qual foi a taxa de inflação do 2.º mês?
Resolução:
Dados:
j1 = 0,5% = 0,005
jac(2) = 1,2% = 0,012
j2 = ?
jac(2) = (1 + j1) × (1 + j2) – 1
0,012 = (1,005) × (1 + j2) – 1
1 + 0,012 = (1,005) × (1 + j2)
1,012 / 1,005 = 1 + j2
1,00697 = 1 + j2
j2 = 0,00697
j2 = 0,697%

Resposta: No 2.º mês, a taxa de inflação foi de 0,697%.


Matemática Financeira Organizacional
86

Exemplo E
A taxa semestral de inflação projetada para o 1.º semestre deste ano é de 2,84%.
Qual deverá ser a taxa média de inflação do 2.º semestre para que a taxa anual acumu-
lada no período seja de 6,5% a.a.?
Resolução:
Dados:
j1.º sem = (2,84%) = (0,0284)
janual = (6,5%) = (0,065)
j2.º sem = ?
jac anual = (1 + j1.º sem) × (1 + j2.º sem) – 1
(0,065) = (1,0284) × (1 + j2.º sem) – 1
1,065 / 1,0284 = 1+ j2.º sem
j2.º sem = 0,0356
j2.º sem = 3,56%
Resposta: No 2.º semestre, a taxa de inflação deve ser de 3,56%.
Exemplo F
Qual a taxa mensal de inflação (taxa média, constante) que deverá vigorar em
cada um dos próximos 12 meses, para que a taxa acumulada no período seja de 6%?
Resolução:
Dados:
jm = taxa média de inflação mensal = ?
jac(12) = 6% = 0,06
jac(12) = (1 + jm) – 1
0,06 = (1 + j2) 12 – 1
1 + 0,06 = (1 + j2) 12
1,06 = (1 + j2) 12 (1+j2 )= 12 1,06
j2 = 1,00487 – 1
j2 = 0,00487
j2 = 0,487%
Portanto, a taxa de inflação média mensal que deve vigorar nos próximos 12 me-
ses deve ser de 0,487%.
Matemática Financeira Organizacional
87

2.3.2 Taxa real de juros


Se um capital (P) é aplicado durante certo período de tempo (t) à taxa i, o mon-
tante (M) será:

M1 = P × (1 + i)n

Se, no mesmo período, a taxa de inflação for j, o capital (P) corrigido monetaria-
mente pela inflação será:

M2 = P × (1 + j)n

• Se M1 = M2, dizemos que a taxa de juros i apenas repôs o poder aquisitivo do


capital.
• Se M1 > M2, dizemos que houve ganho real em relação à inflação.
• Se M1 < M2, dizemos que houve perda real em relação à inflação.
Chamamos de taxa real de juros (e indicamos por r) o ganho real expresso como
porcentagem do capital corrigido. Assim:

M1 – M 2 1+i
r’= = 1+r=
M2 1+j

Sendo:
i = Taxa de juros efetiva (que dentro do contexto
será chamada de taxa aparente, pois ela, por
si, não expurga os efetivos inflacionários).

j = Taxa de inflação

R = Taxa real
Matemática Financeira Organizacional
88

Para analisarmos esses elementos, vejamos alguns exemplos.


Exemplo A
Um capital foi aplicado por um ano à taxa de juros compostos de 14% a.a. No
mesmo período, a taxa de inflação foi de 6%. Qual foi a taxa real de juros?
Resolução:
1+ i
1+ R =
1+ j

i = 14% = 0,14
j = 6% = 0,06
1,14
1+ R =
1,06
R = 0,0755

R = 7,55% a.a.

Resposta: A taxa real da aplicação foi de 7,55% a.a.


Exemplo B
Um capital foi aplicado por 4 meses à taxa de juros de 4% a.b. No mesmo perío-
do, a taxa de inflação foi de 3,2% a.b. Qual foi a taxa real de juros?
Resolução:

1+ i
1+ R =
1+ j
i = 4% a.b. = 0,04
j = 3,2% a.b. = 0,032
1,04
1+ R =
1,032
R = 0,00775

R = 0,775% a.b.
Matemática Financeira Organizacional
89

Resposta: A taxa real da aplicação foi de 0,775% a.b.


Exemplo C
A taxa anual de juros cobrada por uma loja é de 12% a.a. Determine a taxa de in-
flação, sabendo que a taxa real de juros deve atingir 4% a.a.
Resolução:

1+ i
1+ R =
1+ j
i = 12% a.a. = 0,12
R = 4% a.a. = 0,04
1,12
1 + 0,04 =
1+ j
1,12
1+ j =
1,04
j = 0,07692

j = 7,692% a.a.

Resposta: A taxa de inflação no período foi de 7,692% a.a.


Exemplo D
Uma aplicação de R$ 20.000,00 resultou em um resgate de R$ 20.600,00, 6 me-
ses depois. No mesmo período, a taxa real de juros foi de 0,5%. Qual foi a taxa de in-
flação no período?
Dados:

Valor aplicado PV = 20.000,00


Montante FV = 20.600,00
Prazo n = 1 semestre = 6 meses
Taxa de juros i = ?
Taxa de inflação j = ?
Matemática Financeira Organizacional
90

Cálculo da taxa de juros:


NPV
1.º Passo: 20.000 CHS PV
DATE CFo

IRR
2.º Passo: 20.600 FV
Nj

AMORT
3.º Passo: 1 n
12 ×

INT
4.º Passo: i = 0,3% a.s.
12 ÷

Cálculo da taxa de inflação:


1+ i
1+ R =
1+ j
i = 3% a.s. = 0,03
R = 0,5% a.s. = 0,005
1,03
1 + 0,04 =
1+ j
1,03
1+ j =
1,005
j = 0,0248756

j = 2,48756% a.s.

Resposta: Portanto, a taxa de inflação no período foi de 2,488% a.s.


Matemática Financeira Organizacional
91

Analisando os dados apresentados, temos como determinar o que esses índices


representam em um contexto de aplicação financeira. Para tanto, expurga-se a infla-
ção do período e se define o percentual de rendimento real na operação. Por esse mo-
tivo, a taxa de juros (i) é chamada de taxa aparente.
a) Assim, usando a taxa de juros aparente (i) na aplicação de R$ 20.000,00,
temos:
Valor aplicado PV = 20.000,00

Prazo n = 1 semestre

Taxa de juros i = 3% a.s.

Montante FV = 20.600,00

Juros brutos = 600,00

b) Usando a taxa de inflação (j) na aplicação de R$ 20.000,00, para determinar a


correção monetária que a inflação proporcionaria, temos:
Dados:
Valor aplicado PV = 20.000,00
Prazo n = 1 semestre
Taxa de juros i = 2,48756% a.s.
Valor corrigido pela inflação FV = 20.497,51
Valor inflacionado = 497,51

Resolução:
NPV
1.º Passo: 20.000 CHS PV
DATE CFo

AMORT
2.º Passo: 1 n
12 ×

INT
3.º Passo: 2,48756 i
12 ÷

IRR
4.º Passo: FV = 20.497,51
Nj
Matemática Financeira Organizacional
92

Utilizamos, nesse caso, cinco casas decimais nos cálculos, em virtude de existir
uma variação muito pequena entre os cálculos aritméticos, em capitalização simples, e
os cálculos no regime de capitalização composta.
No exemplo apresentado, temos:
r = 0,5% a.s.; i = 3,5% a.s. Em capitalização simples, teríamos a inflação j = 2,5.
Se não utilizássemos cinco casas decimais nesse caso, poderíamos ser levados a ar-
redondar o resultado para os mesmos 2,5% da capitalização simples, sugerindo que se-
ria o mesmo resultado (em capitalização simples e em composta). Com isso, o correto é
uma taxa de 2,488% a.s.
c) Ganho real (em reais) = R$ 102,49 (600,00 – 497,51).
O percentual sobre o valor da inflação (taxa real de rendimento sobre a inflação) é:
102,49
= 0,005 = 0,5% (r)
20.497,51
Podemos, também, determinar a taxa efetiva de juros (não aparente) que faz o va-
lor aplicado se capitalizar, gerando um montante líquido e real, descontando-se a infla-
ção do período. Nesse caso, como o valor em reais do ganho, expurgando-se a inflação,
foi de R$ 102,49 em uma aplicação de R$ 20.000,00, ao refazermos os cálculos, temos:
Dados:
Valor aplicado PV = 20.000,00
Prazo n = 1 semestre
Montante líquido FV = 20.102,49
Taxa de juros efetiva i = 0,5125%

Resolução:
NPV
1.º Passo: 20.000 CHS PV
DATE CFo

AMORT
2.º Passo: 1 n
12 ×

IRR
3.º Passo: 20.102,49 FV
Nj

INT
4.º Passo: i = 0,5125% a.s.
12 ÷
Matemática Financeira Organizacional
93

Ou seja, 0,5125 é a taxa (T) que faz o valor aplicado gerar juros reais de R$ 102,49
nessa operação.

Exercícios propostos
1. Determinado produto foi comprado a prazo e pago em uma única parcela rea-
lizada 45 dias após a compra. O valor pago foi de R$ 500,00 e a taxa de juros
aplicada na operação foi de 1,51% a.m.
Nessas condições, determine:
a) O valor financiado na compra feita a prazo.
b) O preço à vista desse produto, sabendo que o comprador, ao financiar, deu
uma entrada de 15% do valor do produto.

Questão a: R$ 488,89.
Confira a resposta
Questão b: R$ 575,15.

2. Considere que uma empresa deve dois títulos de valores nominais iguais a
R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, com vencimentos previstos para 60 dias e 120
dias, respectivamente. Determine quanto essa empresa deve aplicar hoje para
que possa pagar esses dois títulos nas datas de seus respectivos vencimentos.
Considere uma aplicação financeira que remunere à taxa mensal de juros de
0,65% a.m.

Confira a resposta R$ 78.588,79


Matemática Financeira Organizacional
94

3. Uma empresa deve dois títulos de valores nominais de R$ 40.000,00 e


R$ 60.000,00 vencíveis em 30 e 90 dias, respectivamente. Prevendo não
poder liquidá-los nos prazos estipulados, solicita ao credor a substituição des-
ses títulos por um novo título, a vencer daqui a 120 dias. Em análise, a finan-
ceira definiu que a taxa mensal de juros compostos a ser aplicada na operação
de refinanciamento será de 1,2% a.m. Nessas condições, determine o valor do
novo título a ser pago pela empresa.

Confira a resposta R$ 102.177,35

4. Uma pessoa quer comprar uma televisão e dispõe de três alternativas de pa-
gamento, sendo que a taxa efetiva de juros aplicada em todos os casos será de
1% a.m. Se o plano tiver pagamento em outro período de tempo, a taxa pode
ser convertida para seu valor equivalente (use quatro casas decimais em seus
cálculos).
Plano A: um único pagamento, daqui a 120 dias, no valor de R$ 1.540,00.
Plano B: entrada de R$ 400,00 e mais dois pagamentos bimestrais de
R$ 530,00 cada um.
Plano C: três pagamentos trimestrais de R$ 510,00 cada um.
Nessas condições, determine o valor atual (valor presente) que cada um pro­
picia (PV) e, somente por esse aspecto, julgue qual seria a melhor opção de
pagamento para o comprador.

Plano A = R$ 1.479,94.
Confira a resposta Plano B = R$ 1.428,88.
Plano C = R$ 1.441,75.
Matemática Financeira Organizacional
95

5. Uma aplicação financeira de R$ 10.000,00 foi realizada e o resgate do montan-


te bruto obtido foi de R$ 10.660,78. Sabe-se que a taxa efetiva de juros aplica-
da foi de 0,04% a.d. e que houve cobrança de impostos e taxas administrativas
que correspondeu a 18% dos juros obtidos na operação. Nessas condições:
a) Determine o valor do montante líquido recebido pelo aplicador.
b) Considerando apenas o valor aplicado e o valor do montante líquido recebido
pelo aplicador, refaça os cálculos e determine a taxa de juros efetiva aplicada
na operação, já descontando os valores dos impostos e taxas cobrados nessa
aplicação financeira.

Questão a: R$ 10.541,84.
Confira a resposta
Questão b: 0,994% a.m.

6. A tabela a seguir fornece as taxas mensais de inflação de determinado país no


período de janeiro a maio de determinado ano:
jan. = 0,86%
fev. = 0,60%
mar. = 0,47%
abr. = 0,55%
mai. = 0,62%
a) Qual foi a taxa acumulada de inflação nesses 5 meses de análise?
b) Supondo que, nesse mesmo período, a taxa de juros compostos aplicada no
mercado financeiro tenha sido, em média, de 5,8%, determine a taxa real de
juros.

Questão a: 3,138%.
Confira a resposta
Questão b: R = 2,581%.
Matemática Financeira Organizacional
96

7. Em um quadrimestre, um produto teve um aumento acumulado de 6% em seu


preço. Nos 2 primeiros meses, os aumentos foram de 1,2% e 1,4%, respectiva-
mente. Nessas condições (utilize cinco casas decimais em seus cálculos):
a) Determine o percentual de aumento médio no preço do produto registrado nos
2 meses seguintes.
b) Calcule a taxa média de juros acumulada no semestre, considerando que a in-
flação acumulada do semestre foi de 5,2% e a taxa real de juros foi estimada
em 1%.

Questão a: 3,297%.
Confira a resposta
Questão b: 6,252%.
Matemática Financeira Organizacional
97

Referências
ASSAF NETO, A. Matemática Financeira e suas Aplicações. São Paulo: Atlas, 2012.
HAZZAN, S. Matemática Financeira. São Paulo: Saraiva, 2007.
SILVA, A. L. C. Matemática Financeira Aplicada. São Paulo: Atlas, 2010.
VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática Financeira. São Paulo: Atlas, 2011.
3 Séries de pagamentos e sequências
de capitais investidos
Neste capítulo, analisaremos diferentes opções de pagamentos. Um financia-
mento, por exemplo, pode ser pago não somente no final do período, em uma única
cota, mas, sim, em uma série de pagamentos periódicos uniformes ou desiguais, exis-
tindo a alternativa de pagar a primeira prestação no momento da compra ou no perío-
do seguinte.
Para facilitar o estudo desse tema, vamos dividi-lo em etapas, de acordo com a
natureza da operação financeira:
I. séries de pagamentos postecipados, iguais ou variáveis, com termos vencidos;
II. séries de pagamentos antecipados, iguais ou variáveis, com termos antecipados;
III. sequência de capitais acumulados com parcelas iguais ou variáveis, com ou sem
parcelas adicionais.

3.1 Séries de pagamentos iguais com termos vencidos


(postecipados)
Pagamentos iguais e periódicos são configurados como uma sucessão de paga-
mentos: P1 , P2, P3 , ..., Pn. A primeira parcela ocorre após um período (um mês, um tri-
mestre, um ano) a contar da data da assinatura do contrato de financiamento. Esse tipo
de operação é chamado de financiamento sem entrada, pois não há o valor da prestação
de entrada.
Desse modo, direcionaremos nosso olhar para um elemento presente nesse
estudo: o valor da prestação em um financiamento ou um depósito em aplicações fi-
nanceiras. Como utilizaremos a calculadora HP 12C, esse elemento (PMT) será cons-
tantemente utilizado.
Matemática Financeira Organizacional
100

Sejam:

NPV
Valor presente (valor principal, valor financiado ou o
PV = valor sobre o qual as prestações serão calculadas no
CFo
financiamento)
INT
i = Taxa efetiva de juros aplicada na operação
12 ÷

AMORT
n Número de prestações do financiamento que, nesse
12 ×
= caso, coincidem com o prazo total de pagamentos

RND (do inglês payment) Valor de cada parcela de pagamen-


PMT = to (que representaremos em cálculos, utilizando a cal-
CFj
culadora financeira)

Com isso, temos o seguinte fluxo de caixa:

Esquema padrão em Matemática Financeira

PV i = Taxa de juros

n = N.º de pagamentos

n (períodos)
0 1 2 3
dias/meses/
semestres/anos

P= PMT P= PMT P= PMT P= PMT

A partir dos dados do financiamento, obtemos a fórmula de cálculo das presta-


ções, que é gerada a partir dos conceitos da matemática elementar. Assim, temos:
Fórmula de cálculo do valor dos pagamentos (prestações) = PMT.

(1+i)n.i
PMT = PV × [ ]
(1+i)n-1
Matemática Financeira Organizacional
101

Dados:
PMT = Valor dos pagamentos periódicos (prestações)

PV = Valor financiado ou aplicado

Número de períodos ou número de prestações/


n =
parcelas/pagamentos realizados

i = Taxa efetiva de juros

Utilizaremos as calculadoras financeiras, pois elas permitem obter os valores envolvidos na


operação de modo rápido. A fórmula já se encontra programada em seu mecanismo. Diante
disso, apresentaremos situações que envolvem análise de financiamentos e cálculos dos valo-
res principais de sua estrutura.

Exemplo A
Vamos considerar a necessidade de se comprar um eletrodoméstico que está sen-
do vendido por R$ 1.000,00 à vista, mas que pode ser financiado em 10 pagamentos
iguais, sem entrada (0 + 10), a uma taxa de juros de 1,0% a.m. Nessas condições, qual
será o valor de cada prestação?
Dados:
Valor financiado PV = 1.000,00
Número de pagamentos n = 10 (0 + 10)
Taxa de juros i = 1% a.m.
Valor de cada prestação PMT = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 1.000 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 10 n
12 ×

INT
3.º Passo: 1 i
12 ÷

RND
4.º Passo: PMT = 105,58
CFj
Matemática Financeira Organizacional
102

Com a resolução através do uso da calculadora financeira, temos que PMT = 105,58.
O valor de cada prestação será de R$ 105,58.

Fluxo de caixa

PV = 1.000,00
i = 1 % a.m.

n = 10 (0 + 10)

0 1 2 3 10

PMT = 105,58

Exemplo B
Uma pessoa deseja fazer um empréstimo pessoal em uma financeira, no valor de
R$ 10.000,00, para ser quitado em 24 parcelas mensais iguais, com vencimento em 30
dias após a liberação do valor. Sabendo que a taxa de juros aplicada na operação é de
1,25% a.m., calcule o valor de cada parcela desse financiamento.
Dados:
Valor do empréstimo PV = 10.000,00
Número de pagamentos n = 24 (0 + 24)
Taxa de juros i = 1,25% a.m.
Valor de cada parcela PMT =?
Matemática Financeira Organizacional
103

Resolução: NPV
1.º Passo: 10.000 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 24 n
12 ×

INT
3.º Passo: 1,25 i
12 ÷

RND
4.º Passo: PMT = 484,87
CFj

Com a resolução através do uso da calculadora financeira, temos que PMT = 484,87.
O valor de cada parcela será de R$ 484,87.
Exemplo C
Uma bicicleta está sendo vendida em 3 prestações mensais iguais de R$ 94,00 cada
uma, sem entrada, vencendo a primeira 30 dias após a compra. Sabendo que a taxa de
juros aplicada é de 0,99% a.m., determine qual deve ser o valor para pagamento à vista.
Dados:
Número de pagamentos n = 3 (0 + 3)
Taxa de juros i = 0,99% a.m.
Valor de cada parcela PMT = 94,00
Valor do empréstimo PV =?

Resolução:
AMORT
1.º Passo: 3 n
12 ×

INT
2.º Passo: 0,99 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 94,00 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV = 276,51
CFo

O valor à vista deve ser de R$ 276,51.


Matemática Financeira Organizacional
104

Exemplo D
Uma loja de calçados está vendendo um par de sapatos por R$ 160,00 à vista ou
em 4 prestações mensais, iguais e sem entrada, de R$ 42,00 cada. Qual é a taxa de ju-
ros mensal que está sendo aplicada nesse financiamento?
Dados:
Valor financiado PV = 160,00
Número de pagamentos n = 4 (0 + 4)
Valor de cada parcela PMT = 42,00
Taxa de juros i =?

Resolução:

NPV
1.º Passo: 160,00 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 4 n
12 ×

RND
3.º Passo: 42,00 CHS PMT
DATE CFj

INT
4.º Passo: i =?
12 ÷

Fazendo a correta inserção dos dados, o valor da taxa de juros mensal aplicada na opera-
ção será de 1,98% a.m.

Nesse caso, é necessário determinar, na calculadora financeira, o valor da prestação como “negativo” ou
CHS, pois se trata de uma “saída de caixa” do comprador. Caso contrário, a calculadora não apresenta o
resultado, pois tem dois valores em condições opostas no fluxo, com o mesmo sinal operacional.
Matemática Financeira Organizacional
105

Exemplo E
Vamos considerar, nesse caso, um financiamento no qual há o pagamento de uma
“entrada”. Essa entrada não é o valor das prestações. Sua finalidade é a de reduzir o
valor financiado, para menos juros serem pagos na operação. Suponha que uma pes-
soa queira comprar um veículo no valor de R$ 30.000,00. Ela pretende dar 30% de en-
trada e financiar o restante em 36 parcelas iguais, vencendo a primeira 30 dias após a
compra. Sabendo que a taxa de juros aplicada será de 0,49% a.m., solucione as ques-
tões a seguir.
a) Qual deve ser o valor de cada prestação?
Dados:
Valor financiado PV = 30.000 – 30% = 21.000,00
Taxa de juros i = 0,49% a.m.
Número de pagamentos n = 36 (0 + 36)
Valor de cada parcela PMT =?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 21.000 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 0,49 n
12 ×

INT
3.º Passo: 36 i
12 ÷

RND
4.º Passo: PMT = 637,72
CFj

O valor de cada parcela será de R$ 637,72.


Matemática Financeira Organizacional
106

b) Suponha que, após um ano de pagamentos, no momento em que o compra-


dor está pagando a 12.ª prestação ele queira (ou necessite) liquidar o financia-
mento. Para isso, solicita o cálculo do valor a pagar e recebe a informação de
que haverá um abatimento (desconto) com uma taxa de desconto composto de
0,3% a.m., determinada pela financeira para esses casos (antecipação de paga-
mentos em um financiamento). Nessas condições, qual deverá ser o valor que
essa pessoa irá pagar, antecipando as 24 parcelas que ainda restavam?
Vamos apresentar o fluxo de caixa dessa operação para perceber esse procedi-­
mento:

Fluxo de caixa
PV = 21.000,00
i = 0,49% a.m.

n = 36 (0 + 36)

0 1 2 12 13 14 36

PMT = 637,72

Podemos observar que, nessa operação de liquidação antecipada do finan-


ciamento, temos que analisar quantas parcelas restam para pagar, pois o desconto
se dará sobre elas. A taxa de desconto é, certamente, inferior à taxa de juros cobra-
da pela financeira, pois a instituição não tem interesse em receber seus financia-
mentos antecipadamente. Por isso, em contrato, há a definição da taxa de desconto
a ser aplicada nesses casos, sendo, naturalmente, “desestimulante” para quem faz o
financiamento.
Assim, no momento em que a pessoa está pagando a 12.ª parcela, ao desejar liqui-
dar o financiamento, estará antecipando pagamentos futuros e, por isso, o valor que li-
quida essas parcelas é considerado, naquele momento, um valor presente em relação às
24 parcelas que irão vencer.
Matemática Financeira Organizacional
107

Dados:
Valor de cada prestação PMT = 637,72
Taxa de desconto composto i = 0,3% a.m.
Número de pagamento n = 24 = 36 – 12 parcelas pagas
Valor a pagar antecipadamente PV =?

Resolução:
RND
1.º Passo: 637,72 CHS PMT
DATE CFj

INT
2.º Passo: 0,3 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 24 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 14.745,96
CFo

O valor a pagar antecipadamente será de R$ 14.745,96.

Exemplo F
Uma ação muito interessante é fazer a análise de um financiamento proposto. Entre
muitos que se apresentam nas mesmas condições, sugere-se fazer um financiamento do
valor à vista em n pagamentos, sem juros e sem entrada.
Essa ação permite-nos refletir, pois, certamente, um produto que hoje vale X, ao lon-
go do tempo deverá receber o efeito da inflação e, teoricamente, terá seu preço reajustado,
no mínimo, ao índice de inflação do período. Assim, por exemplo, se um produto é anuncia-
do pelo valor à vista, hoje, de R$ 1.200,00, ou a prazo em 12 pagamentos, sem juros e sem
entrada (0 + 12), de R$ 100,00, podemos questionar esse valor “à vista”, que certamente da-
qui a um ano estará valendo mais, devido à inflação do período.
Nesse caso específico, para o comprador não há vantagem em fazer o pagamento à
vista, pois ele pode aplicar esse valor, recebendo juros mensais e, simultaneamente, pa-
gar as prestações mensais, que totalizarão R$ 1.200,00 após um ano. Com essa operação,
evidentemente, no final do período, haveria um saldo dessa aplicação feita, após pagar
todas as 12 parcelas do financiamento. O correto, então, será determinar o que o valor
Matemática Financeira Organizacional
108

(R$ 1.200,00) “vale realmente”, hoje – ou seja, seu valor atual (valor presente), consideran-
do uma inflação projetada de 0,5% a.m., por exemplo.
Realizando esse cálculo, temos:
Dados:
Valor de cada prestação PMT = 100,00

Taxa de inflação projetada


i = 0,5% a.m.
do período (12 meses)
Número de pagamentos
n = 12 (0 + 12)
realizados
Valor atual desses pagamentos PV = ?

Resolução:
RND
1.º Passo: 100 CHS PMT
DATE CFj

INT
2.º Passo: 0,5 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 12 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 1.161,89
CFo

Podemos concluir que, pelo índice inflacionário sugerido, esse produto, que ao
longo de um ano tem o valor de R$ 1.200,00, estaria valendo, hoje, R$ 1.161,89. Ou
seja, teoricamente, o preço à vista desse produto deveria ser de R$ 1.161,89 e, finan-
ciado em 12 parcelas, com a taxa inflacionária aplicada, geraria R$ 1.200,00, isto é, 12
pagamentos de R$ 100,00.
Com essa análise, podemos concluir que, utilizando um índice inflacionário pre-
visto, podemos determinar o valor atual de todos os elementos cujos financiamentos
nos sejam apresentados em circunstâncias semelhantes às que vimos. Vale ressaltar,
então, que, nesse caso, somente a fim de repor o índice inflacionário, poderíamos
negociar com o vendedor um desconto mínimo para pagamento à vista, que seria de
R$ 38,11, correspondendo a 3,18% do valor do produto (R$ 1.200,00).
Matemática Financeira Organizacional
109

Exemplo G
Outra análise que podemos fazer na compra de um produto a prazo ou à vista
é simularmos a aplicação do valor que pagaríamos à vista e, com o montante gera-
do, tentarmos pagar o financiamento realizado. Se, ao final das operações, tivermos
um montante restante em nossas aplicações, obteremos um “ganho” com esse
procedimento.
Vamos analisar um caso específico. Suponhamos que um equipamento está sen-
do vendido por R$ 20.000,00, para pagamento daqui a 2 meses. Se o pagamento for à
vista, será concedido um desconto de 1,2% sobre o valor do produto. Suponha que o
comprador possa fazer a aplicação financeira do valor que pagaria à vista, com descon-
to, hoje, à taxa de juros de 0,62% a.m. e, após os 2 meses de aplicação, com os juros
obtidos, tentasse pagar a dívida de R$ 20.000,00. Fazendo a devida simulação da apli-
cação financeira, podemos verificar se a operação é vantajosa para o comprador e se o
desconto concedido, para pagamento à vista, é atraente.
Valor à vista, com desconto de 1,2% (sobre o valor do produto) = 1,2% de R$
20.000,00 = R$ 19.760,00. (Simulação da aplicação do valor que se paga à vista).
Dados:

Valor aplicado PV = 19.760,00


Prazo de aplicação n = 2 meses
Taxa de juros i = 0,62% a.m.
Valor do montante esperado FV = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 19.760,00 CHS PV
DATE CFo

AMORT
2.º Passo: 2 n
12 ×

INT
3.º Passo: 0,62 i
12 ÷

IRR
4.º Passo: FV = 20.005,78
Nj
Matemática Financeira Organizacional
110

Com isso, concluímos que a essa taxa de juros a aplicação seria uma operação
vantajosa. Pois, após 2 meses, teríamos um valor superior aos R$ 20.000,00, restando
um saldo após o pagamento desse financiamento. Ou seja, o desconto concedido para
o pagamento à vista não foi atraente.
Outro modo de analisar os dados apresentados é calculando o valor atual de
R$ 20.000,00 sob o índice de 0,62% (taxa de juros projetada na simulação da aplicação
financeira). Assim, teríamos:
Dados:
Valor do financiamento PV = 20.000,00
Prazo n = 2 meses
Taxa de juros i = 0,62% a.m.
Valor atual (presente, hoje) FV =?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 20.000 CHS FV
DATE Nj

AMORT
2.º Passo: 2 n
12 ×

INT
3.º Passo: 0,62 i
12 ÷

NPV
4.º Passo: PV = 19.754,29
CFo

Com isso, concluímos que o valor atual da dívida é de R$ 19.754,29. Se pagásse-


mos à vista, com desconto (R$ 19.760,00), estaríamos levando um prejuízo de R$ 5,71.
Esse fato também comprova que o melhor seria fazer a aplicação financeira e pagar a
prazo, pois o desconto concedido para pagamento à vista não foi atraente.
Exemplo H
Como vimos anteriormente, o valor atual (valor presente – PV) de uma série de
pagamentos é um elemento decisivo na análise de um conjunto de valores pagos (ou
recebidos) ao longo do tempo. Ele determina, com o uso de um índice (taxa de juros ou
Matemática Financeira Organizacional
111

de inflação, por exemplo), o valor no momento inicial do processo de financiamento ou


de aplicação financeira, que corresponde aos valores daquela série de pagamentos dis-
tribuídos no tempo futuro.
Com esse conhecimento, além de podermos determinar o valor real dos paga-
mentos realizados, temos a possibilidade de comparar, de modo preciso, planos de pa-
gamentos distintos, com condições diferenciadas de prazos e taxas de juros.
Para exemplificar isso, vamos considerar a necessidade de determinar o valor
de um empréstimo feito por uma empresa. O saldo devedor foi liquidado em 3 anos,
com pagamentos postecipados semestrais, com taxa efetiva de juros de 3,5% a.s. (ao
semestre).
Sabe-se que os dois primeiros pagamentos foram de R$ 50.000,00 e os demais de
R$ 80.000,00. Nessas condições, o valor total pago foi de R$ 420.000,00. Assim, qual
foi o valor desse empréstimo?
Resolução:
Dados:
Trata-se de uma série de pagamentos variáveis:
(1.ª etapa com pagamentos de R$ 50.000,00 e 2.ª etapa com pagamentos de
R$ 80.000,00. Por isso, vamos fazer o fluxo de caixa, para melhor acompanhar a evolu-
ção dos cálculos.)

Fluxo de caixa 

PV = ? Valor do empréstimo i = 3,5% a.s.

0 1 2 3 4 5 6

PMT = 50.000,00 PMT = 80.000,00


Matemática Financeira Organizacional
112

Cálculo do valor do empréstimo:


1.ª etapa de pagamentos: (dois pagamentos de R$ 50.000,00 cada um)
Dados:

Número de pagamentos n = 2 (0 + 2) semestrais


Taxa de juros i = 3,5% a.s.
Valor dos pagamentos PMT = 50.000,00
Valor do financiamento (1.ª etapa) PV = ?

Resolução:
AMORT
1.º Passo: 2 n
12 ×

INT
2.º Passo: 3,5 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 50.000 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV = 94.984,71
CFo

O valor presente da 1.ª etapa (momento zero), de R$ 94.984,71, corresponde ao


valor do empréstimo que foi pago pelas duas parcelas de R$ 50.000,00 cada uma.
2.ª etapa de pagamentos: (quatro pagamentos de R$ 80.000,00 cada um)
Dados:

Número de pagamento n =4 (0 + 4) semestrais


Taxa de juros i =3,5% a.s.

Valor dos pagamentos PMT =80.000,00


Valor do financiamento (2.ª etapa) PV 2 =?
Matemática Financeira Organizacional
113

Resolução:
AMORT
1.º Passo: 4 n
12 ×

INT
2.º Passo: 3,5 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 80.000 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV = 293.846,34
CFo

O valor presente da 2.ª etapa, de R$ 293.846,34, não está no momento zero. Ele
está um semestre antes do pagamento da 1.ª parcela de R$ 80.000,00, ou seja, está
no momento 2 (ver fluxo de caixa). O valor presente de um fluxo de caixa em série de
pagamentos postecipados sempre está no momento anterior ao do 1.º pagamento da
série.
Assim, esse valor não representa o valor do empréstimo da 2.ª etapa, pois, na li-
nha do tempo, está 2 semestres à frente em relação ao momento zero, que é a con-
tratação do empréstimo. Por isso, temos que fazer a correção desse valor ao longo do
tempo, visto que ele é um valor futuro em relação ao momento zero, ou seja, devemos
atualizá-lo por 2 semestres.

Assim:
Dados:
Valor do financiamento
FV = 293.846,34
(2.ª etapa) momento (2)
Número de semestres
n = 2 (0 + 2)
de atualização
Taxa de juros i = 3,5% a.s.
Valor do financiamento
PV 0 = ?
(2.ª etapa)
Matemática Financeira Organizacional
114

Resolução:
IRR
1.º Passo: 293.846,34 FV
Nj

AMORT
2.º Passo: 2 n
12 ×

INT
3.º Passo: 3,5 i
12 ÷

NPV
4.º Passo: PV = 274.380,70
CFo

O valor presente da 2.ª etapa (no momento zero) é de R$ 274.308,70. Essa quantia
corresponde ao valor do empréstimo que foi pago pelas quatro parcelas de R$ 80.000,00
cada uma, no momento zero.
Portanto, o valor total do empréstimo, calculado no início do processo (momento
zero), foi de R$ 369.293,41 (94.984,71 + 274.308,70).
Exemplo I
Vamos, ainda com a abrangência de análise proposta pelo cálculo do valor atual
de uma série de pagamentos, analisar planos de pagamentos postecipados, em condi-
ções diferenciadas. O objetivo é compará-los e determinar qual seria a melhor opção
de pagamento para o tomador do empréstimo.
Considere que uma empresa deseja comprar uma máquina industrial. Para isso,
recorre a uma instituição financeira que propõe três planos de pagamentos (A, B e C).
Plano A: série de pagamentos postecipados: 12 (0 + 12) pagamentos mensais
iguais, de R$ 10.000,00 cada um, com taxa de juros de 0,87% a.m.
Plano B: série de pagamentos postecipados: uma entrada de R$ 30.000,00 e mais
4 (0 + 4) pagamentos trimestrais de R$ 22.500,00 cada um, com taxa de juros efetiva
de 12,36% a.a.
Plano C: um único pagamento de R$ 120.000,00, daqui a 6 meses, com taxa de
juros de 1,96% ao bimestre.
Nessas condições, analise cada plano de financiamento através do valor atual (va-
lor presente) que cada um propicia e, somente por esse aspecto, julgue qual seria a
melhor opção de pagamento para o comprador. Justifique sua escolha com cálculos
comparativos, apresentando a real economia obtida pelo comprador em relação aos
outros dois planos, menos vantajosos.
Matemática Financeira Organizacional
115

Plano A
Dados:
Número de pagamentos n = 12 (0 + 12) mensais
Taxa de juros i = 0,87% a.m.
Valor dos pagamentos PMT = 10.000,00
Valor atual
PV =?
(presente, momento zero)

Resolução:
AMORT
1.º Passo: 12 n
12 ×

INT
2.º Passo: 0,87 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 10.000 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV = 113.480,77
CFo

Plano B
Antes, devemos converter a taxa efetiva de juros (12,36% a.a.) para trimestral. O
fator de conversão é 4 = 4 trimestres no ano.
Assim:
I. 12,36 / 10 + 1 = 1,1236
II. Fator 4 (deixar menor) = 4 1,1236 = 1,02956
III. Diminui-se 1 e multiplica-se por 100 = 2,956% a.t.
Portanto, 12,36% a.a. é equivalente a 2,956% a.t. Podemos fazer o arredonda-
mento desse valor, se possível, para 2,96% a.t.
Dados:
Entrada = 30.000,00
Número de pagamentos n = 4 (0 + 4) trimestrais
Taxa de juros i = 12,36% a.a. = 2,96% a.t.
Valor dos pagamentos PMT = 22.500,00
Valor atual
PV =?
(presente, momento zero)
Matemática Financeira Organizacional
116

Resolução: AMORT
1.º Passo: 4 n
12 ×

INT
2.º Passo: 2,96 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 22.500 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV = 83.714,77
CFo

O valor atual desses pagamentos é de R$ 83.714,77.


Acrescentando o valor da entrada dada, temos que o valor atual do Plano B é de
R$ 113.714,77.
Plano C
Dados:
Valor do único pagamento FV = 120.000,00
Prazo n = 6 meses = 3 bimestres
Taxa de juros i = 1,98% a.b.
Valor atual (presente, momento zero) PV 0 = ?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 120.000 CHS FV
DATE Nj

AMORT
2.º Passo: 3 n
12 ×

INT
3.º Passo: 1,96 i
12 ÷

NPV
4.º Passo: PV = 113.211,82
CFo
Matemática Financeira Organizacional
117

O valor atual desse único pagamento é de R$ 113.211,82.


Conclusão: Analisando os valores presentes de cada plano, concluímos que, para
o comprador, o melhor plano de pagamentos é o plano C (PV = 113.211,82). Isso por-
que ele representa o menor valor a pagar pela máquina, independentemente dos
prazos e das taxas de juros aplicadas nos outros planos. A real economia feita pelo
comprador é:
Plano C para o Plano A = (113.211,82 – 113.480,77) = 268,95.
Plano C para o Plano B = (113.211,82 – 113.714,77) = 502,95.
Exemplo J
Algumas vezes, em um empréstimo ou financiamento, em função da necessi-
dade, exigem-se condições especiais de pagamentos, quer seja no prazo, quer seja
na quantidade de parcelas pagas. Diante disso, apresentamos a simulação de um fi-
nanciamento feito por uma empresa para a compra de um imóvel. O valor à vista é de
R$ 480.000,00 e pode ser pago mediante uma taxa de juros compostos de 1,28% a.m.,
em três etapas, da seguinte maneira:
1.ª etapa: 12 (0 + 12) pagamentos mensais de R$ 20.000,00;
2.ª etapa: o 13.º pagamento será de R$ 50.000,00;
3.ª etapa: os 11 últimos pagamentos mensais serão de valores superiores a R$
20.000,00, completando o financiamento feito em 24 parcelas.
Com base nessas condições, apresente o fluxo de caixa da situação e calcule o va-
lor de cada uma das últimas 11 parcelas desse financiamento.
Resolução:
Como cada etapa representa o total de pagamentos que fazem a amortização do
financiamento, temos que calcular os valores atuais de cada uma delas. Desse modo,
podemos determinar o valor financiado que gerou a cobrança das últimas 11 parcelas.
Para uma análise mais adequada dos cálculos a serem gerados, vamos apresentar o
fluxo de caixa desse evento:
Matemática Financeira Organizacional
118

Fluxo de caixa
PV = ? Valor do empréstimo

N.º de meses
0 1 2 12 13 14 15 24

PMT = 20.000 PMT = 50.000 PMT superior a 20.000

Cálculo do valor do empréstimo


Cálculo do valor presente da 1.ª etapa:
Dados:
Número de pagamentos n = 12 (0 + 12) mensais
Taxa de juros i = 1,28% a.m.
Valor dos pagamentos PMT = 20.000,00
Valor atual PV = ?

Resolução:
AMORT
1.º Passo: 12 n
12 ×

INT
2.º Passo: 1,28 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 20.000 PMT
CFj

NPV
4.º Passo: PV = 221.169,77
CFo
Matemática Financeira Organizacional
119

O valor atual da 1.ª etapa é de R$ 221.169,77.


Cálculo do valor presente da 2.ª etapa:
A 2.ª etapa consiste em um único pagamento de R$ 50.000,00, que será pago 13
meses após o início do processo, ou seja, é um valor futuro que deve ser descapitaliza-
do para o momento zero.

Valor do único pagamento FV = 50.000,00


Taxa de juros i = 1,28% a.m.
Prazo de capitalização n = 13 meses
Valor atual PV = ?
Resolução:
IRR
1.º Passo: 50.000 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 1,28 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 13 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 42.380,10
CFo

O valor atual da 2.ª etapa é de R$ 42.380,10.

Cálculo do valor presente da 3.ª etapa:


Sabemos que os valores atuais da 1.ª e da 2.ª etapas amortizam o valor total, ge-
rando o valor atual restante para a 3.ª etapa (no momento zero).
Assim, o PV da 3.ª etapa é de R$ 216.450,13 = (480.000,00 – 221.169,77 –
42.380,10). Porém, os valores das parcelas da 3.ª etapa são gerados a partir do valor
presente dessa etapa, que se encontra no momento 13, um mês antes do pagamento
da 14.ª parcela. Logo, temos que fazer a correção monetária do valor presente dessa
etapa, do momento 0 para o momento 13, e assim teremos o valor atual da 3.ª etapa
para calcular o valor das 11 parcelas restantes.
Matemática Financeira Organizacional
120

Dados:
Valor presente (momento 0) FV (0) = 216.450,13
Taxa de juros i = 1,28% a.m.
Número de pagamentos n = 13 meses
Valor atualizado (momento 13) PV = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 216.450,13 PV
CFo

INT
2.º Passo: 1,28 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 13 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV CHS = 255.367,64
Nj DATE

Assim, no momento 13, o valor restante do financiamento é de R$ 255.367,64,


que será liquidado pelos 11 pagamentos finais da 3.ª etapa.
Cálculo efetivo dos 11 últimos pagamentos da 3.ª etapa
Dados:
Valor presente
(momento 13) PV (13) = 255.367,64

Taxa de juros i = 1,28% a.m.


Número de pagamentos n = 11 (0 + 11)
Valor de cada pagament0 PMT =?
Matemática Financeira Organizacional
121

Resolução:
NPV
1.º Passo: 255.367,64 PV
CFo

INT
2.º Passo: 1,28 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 11 n
12 ×

RND
4.º Passo: PMT = 25.035,95
CFj

3.2 Séries de pagamentos iguais com termos antecipados


e sequência de capitais acumulados
Para analisarmos séries de pagamentos iguais, com termos antecipados e se-
quência de capitais acumulados, faremos a separação das operações financeiras em
dois tipos.
I. Financiamentos de bens de consumo
Esse tipo de financiamento configura-se pela realização de pagamentos em di-
nheiro, com valores periódicos iguais, sendo a ocorrência do primeiro pagamento no
momento da assinatura do contrato de financiamento (pagamento correspondente à
1.ª parcela – 1.ª prestação).
II. Investimentos (aplicações financeiras em sequência de capitais investidos)
Nesse caso, a aplicação financeira é feita por depósitos de valores periódicos
iguais. O primeiro depósito ocorre no momento da assinatura do contrato de aplicação
e, com isso, após determinado prazo e aplicada a taxa de juros, gera-se o montante.
Temos, assim, a sequência de capitais acumulados.
Matemática Financeira Organizacional
122

Fluxo de caixa
PV = Valor do financiamento i = Taxa de juros

n = N.º de pagamentos (1 + ...)

1 2 3 n

PMT PMT PMT PMT

Fluxo de caixa
Montante
FV = Valor Futuro

i = Taxa de juros

n = Número de depósitos (1 + ...)

M
1 2 3 n

PMT PMT PMT PMT

Obs.: No caso de investimentos ou aplicações financeiras, não temos o valor pre-


sente (PV). Isso porque, no momento zero, ocorre apenas o primeiro dos n depósitos
(PMT) para o acúmulo de capitais. Em contrapartida, ao final do evento, o aplicador
terá disponível o montante (FV – valor futuro), que sempre está disponível em um pe-
ríodo predeterminado (um dia, um mês, um ano) após o último depósito realizado. Um
exemplo típico dessa operação é o de uma pessoa que realiza aplicações em caderne-
ta de poupança e sistematiza depósitos mensais. O objetivo desse investidor é retirar o
montante gerado, para realizar alguma ação com o valor arrecadado por um determi-
nado período (comprar um bem, fazer uma viagem ou o pagamento de alguma dívida).
A seguir, apresentam-se algumas resoluções de situações aplicativas – financia-
mento na compra de bens com termos antecipados.
Para a resolução dos casos que têm o número de pagamentos do tipo (1 + n), fa-
zemos uma única alteração na inserção dos dados na calculadora financeira, para que
se diferencie do caso (0 + n).
Matemática Financeira Organizacional
123

Para isso, basta digitarmos na HP as teclas g BEG e aparecerá no visor BEGIN (iní-
cio). Esse procedimento levará a calculadora, em sua fórmula de cálculo programada,
a identificar que se trata de um número de pagamentos n, no qual (1 + n). O 1.º paga-
mento, então, será no início da operação financeira.
Exemplo A
Uma loja de departamentos anuncia que financia eletrodomésticos em 5 presta-
ções iguais (1 + 4), à taxa de juros de 0,99% a.m. Qual é o valor das prestações para um
produto, pago à vista, que custe:
a) R$ 1.000,00?
b) R$ 2.000,00?
Resolução para o valor A:
Dados:
Valor financiado (valor
PV = 1.000,00
presente no momento 0)
Taxa de juros i = 0,99% a.m.
Número de pagamentos n = 5 (1 + 4) beg
Valor de cada pagament0 PMT = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 1.000 PV
CFo

INT
2.º Passo: 0,99 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 5 g 7 n
BEG 12 ×

RND
4.º Passo: PMT = 203,96
CFj

O valor de cada um dos pagamentos é de R$ 203,96.


Matemática Financeira Organizacional
124

Resolução para o valor B:


Dados:
Valor financiado (valor
PV = 2.000,00
presente no momento 0)
Taxa de juros i = 0,99% a.m.
Número de pagamentos n = 5 (1 + 4) beg
Valor de cada pagament0 PMT = ?

Resolução:

NPV
1.º Passo: 2.000 PV
CFo

INT
2.º Passo: 0,99 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 5 g 7 n
BEG 12 ×

RND
4.º Passo: PMT = 407,92
CFj

O valor de cada um dos pagamentos é de R$ 407,92.


Como pudemos observar, o valor financiado em (b) é o dobro do valor financiado
em (a). Então, naturalmente, no mesmo prazo e com a mesma taxa de juros aplicada,
teremos que o valor da prestação (b) será o dobro da prestação (a).
Matemática Financeira Organizacional
125

Exemplo B
Uma geladeira está sendo vendida em 6 prestações mensais, iguais (1 + 5), de
R$ 150,00 cada uma. Se a taxa de juros aplicada é de 0,49% a.m., qual é o valor à vista
desse produto?
Dados:
Taxa de juros i = 0,49% a.m.
Número de pagamentos n = 6 (1 + 5) beg
Valor de cada pagamento PMT = 150,00
Valor à vista (valor
PV = ?
presente no momento 0)

Resolução:

INT
1.º Passo: 0,49 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 6 g 7 n
BEG 12 ×

RND
3.º Passo: 150 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV = 889,10
CFo

O valor à vista desse produto deve ser de R$ 889,10.


Matemática Financeira Organizacional
126

Exemplo C
Determine a taxa de juros aplicada na operação de financiamento de um micro-
computador. O pagamento pode ser realizado em 12 prestações mensais (1 + 11) de
R$ 125,00 cada, sendo o valor à vista R$ 1.400,00.
Dados:

Valor à vista
PV = 1.400,00
(financiamento total)
Número de pagamentos n = 5 (1 + 4) beg
Valor de cada pagament0 PMT = 125,00
Taxa de juros i = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 1.400 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 12 (1 + 11) g 7 n
BEG 12 ×

RND
3.º Passo: 125 CHS PMT
DATE CFj

INT
4.º Passo: i = 1,28% a.m.
12 ÷

O valor da taxa de juros aplicada nessa operação deve ser de 1,28% a.m.
Seguimos com a resolução de situações aplicativas – investimentos. Utilizaremos a ca-
pitalização sistemática de recursos com termos antecipados.

No uso da calculadora financeira, ao inserir dois valores monetários (PV e PMT, nesse caso),
como PMT é uma saída do caixa do comprador, devemos inserir o valor “negativo” CHS. Se
isso não for realizado, a calculadora tomará ambos os valores como entrada, gerando uma in-
consistência matemática (Erro).

Serão analisadas aplicações financeiras e investimentos com sequências de capi-


tais acumulados em um período de tempo. Os valores em questão são iguais, com ter-
mos antecipados.
Matemática Financeira Organizacional
127

Exemplo A
Consideremos que uma pessoa resolva depositar R$ 500,00 em uma conta de
poupança (em sistema de capitalização com termos antecipados), cuja rentabilidade
média deva ser de 0,52% a.m. Após um ano, ou seja, 12 depósitos iguais, qual será o
montante que esse investimento irá gerar?
Dados:
Taxa de juros i = 0,52% a.m.
Número de depósitos n = 12 (1 + 11) beg
Valor de cada depósito PMT = 500,00
Valor do montante
FV = ?
(valor futuro)

Resolução:

INT
1.º Passo: 0,52 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 12 g 7 n
BEG 12 ×

RND
3.º Passo: 500 CHS PMT
DATE CFj

IRR
4.º Passo: FV = 6.206,72
Nj

O valor do montante gerado será de R$ 6.206,72.

Exemplo B
Um indivíduo deseja acumular um montante de R$ 6.000,00. No mínimo, quantas
vezes ele deve aplicar R$ 1.000,00 mensalmente (com termos antecipados), levando
em conta a taxa de juros de 0,7% a.m.?
Matemática Financeira Organizacional
128

Dados:
Taxa de juros i = 0,7% a.m.
Valor de cada depósito PMT = 1.000,00
Valor do montante
FV = 6.000,00
(valor futuro)
Número de depósitos n = ? (1 + ?) beg

Resolução:
INT
1.º Passo: 0,7 i
12 ÷

RND
2.º Passo: 1.000 CHS PMT
DATE CFj

IRR
3.º Passo: 6.000 FV
Nj

AMORT
4.º Passo: n =6
12 ×

O número mínimo de depósitos a serem realizados será de 6.

O cálculo dos 6 depósitos de R$ 1.000,00 (1 + 5), à taxa de 0,7% a.m., soma R$ 6.148,73, va-
lor maior que a prospecção inicial. Isso porque é necessário aguardar o cálculo dos juros sobre
o último depósito (passados os 6 meses), devido ao fato de a capitalização da aplicação ser
mensal.

Exemplo C
Em aplicações financeiras, é possível que os depósitos periódicos possam ser
realizados em etapas distintas, com quantidades e valores diferentes. Vamos calcu-
lar o valor do montante de uma aplicação feita por 16 parcelas mensais, à taxa de ju-
ros de 0,75%, sendo que as 6 primeiras (1 + 5) serão de R$ 5.000,00 e as restantes de
R$ 8.000,00.
Resolução:
Para melhor entendimento, vamos apresentar o fluxo de caixa desse evento:
Matemática Financeira Organizacional
129

Fluxo de caixa
Montante total
i = Taxa de juros FV = Valor futuro

A M
M

1 2 6
PMT PMT PMT
7 8 16
PMT PMT PMT

Devemos calcular o montante total gerado pelos 6 depósitos de R$ 5.000,00


(1.ª etapa) e, em sequência, calcular o montante total gerado pelos 10 depósitos de
R$ 8.000,00 (2.ª etapa).
Dados:
Taxa de juros i = 0,75% a.m.
Número de depósitos n = 6 (1 + 5) beg
Valor de cada depósito PMT = 5.000,00
Valor do montante
FV = ?
(valor futuro)

Resolução:
INT
1.º Passo: 0,75 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 6 g 7 n
BEG 12 ×

RND
3.º Passo: 5.000 CHS PMT
DATE CFj

IRR
4.º Passo: FV = 30.797,42
Nj
Matemática Financeira Organizacional
130

Observamos, porém, que esse montante não está determinado no final do perío-
do das aplicações, e sim no momento A, um mês após o 6.º depósito. Logo, esse valor
deve ser corrigido, pois também será capitalizado por mais 10 meses (tempo decorrido
do momento A ao momento M, data do resgate do montante total).
Assim, fazendo essa capitalização, temos:
Dados:
Valor do momento (A) PV = 30.797,42
Taxa de juros i = 0,75% a.m.
Prazo de capitalização n = 10 meses
Valor capitalizado FV = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 30.797,42 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 0,75 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 10 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 33.186,76
Nj

Portanto, o montante total gerado pela 1.ª etapa será de R$ 33.186,76.


Cálculo do montante total da 2.ª etapa:

Taxa de juros i = 0,75% a.m.


Número de depósitos n = 10 (1 + 9) beg
Valor de cada depósito PMT = 8.000,00
Valor do montante
FV = ?
(valor futuro)
Matemática Financeira Organizacional
131

Resolução:
INT
1.º Passo: 0,75 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 10 g 7 n
BEG 12 ×

RND
3.º Passo: 8.000 CHS PMT
DATE CFj

IRR
4.º Passo: FV = 83.375,38
Nj

O valor do montante gerado pela 2.ª etapa será de R$ 83.375,38.


Observamos que esse montante já está determinado no momento final do even-
to (ponto M). Em conclusão, temos que o montante total será o somatório dos mon-
tantes de cada etapa, ou seja, (33.186,76 + 83.375,38), totalizando R$ 116.562,14.
Exemplo D
Devemos considerar que as aplicações financeiras, com exceção da caderne-
ta de poupança, podem receber deduções em seus rendimentos, advindas de im-
postos ou taxas de serviços administrativos. Vamos simular uma situação aplicativa
na qual esses elementos são inseridos. Suponha um investimento realizado em 12
aplicações mensais, dentro do conceito de termos antecipados, do seguinte modo:
5 parcelas de R$ 10.000,00 cada uma e mais 7 parcelas de R$ 20.000,00 cada uma.
Sabe-se que essa aplicação terá um rendimento médio de 0,82% a.m. e que, ao final
do processo, haverá a cobrança de impostos, correspondente a 20% do valor dos juros
recebidos. Nessas condições, determine o valor líquido que o investidor deve receber
no final do período.
Matemática Financeira Organizacional
132

Resolução:

Fluxo de caixa desse evento


Montante total
i = Taxa de juros FV = Valor futuro

A M
1 2 5 6 7 12

PMT PMT PMT PMT PMT

Devemos calcular o montante total gerado pelos 5 depósitos de R$ 10.000,00


(1.ª etapa) e, em sequência, calcular o montante total gerado pelos 7 depósitos de
R$ 20.000,00 (2.ª etapa).
Dados:
Taxa de juros i = 0,82% a.m.
Número de depósitos n = 5 (1 + 4) beg
Valor de cada depósito PMT = 10.000,00
Valor do montante
FV = ?
(valor futuro)
Matemática Financeira Organizacional
133

Resolução:
INT
1.º Passo: 0,82 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 5 g 7 n
BEG 12 ×

RND
3.º Passo: 10.000 CHS PMT
DATE CFj

IRR
4.º Passo: FV = 51.243,53
Nj

Observamos, porém, que esse montante não está determinado no final do


período das aplicações, e, sim, no momento A, um mês após o 5.º depósito. Logo,
esse valor deve ser corrigido, pois também será capitalizado por mais 7 meses (tem-
po transcorrido do momento A ao momento M, data do resgate do montante total).
Assim, fazendo essa capitalização, temos:
Dados:
Valor do momento (A) PV = 51.243,53
Taxa de juros i = 0,82% a.m.
Prazo de capitalização n = 7 meses
Valor capitalizado FV = ?
Matemática Financeira Organizacional
134

Resolução:
NPV
1.º Passo: 51.243,53 CHS PV
DATE CFo

INT
2.º Passo: 0,82 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 7 n
12 ×

IRR
4.º Passo: FV = 54.258,26
Nj

Portanto, o montante total gerado pela 1.ª etapa será de R$ 54.258,26.

Taxa de juros i = 0,82% a.m.


Número de depósitos n = 7 (1 + 6) beg
Valor de cada depósito PMT = 20.000,00
Valor do montante =?
(valor futuro) FV
Resolução:
INT
1.º Passo: 0,82 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 7 g 7 n
BEG 12 ×

RND
3.º Passo: 20.000 CHS PMT
DATE CFj

IRR
4.º Passo: FV = 144.668,09
Nj
Matemática Financeira Organizacional
135

O valor do montante gerado pela 2.ª etapa será de R$ 144.668,09.


Observamos que esse montante já está determinado no momento final do even-
to (ponto M). Em conclusão, temos que o montante total será o somatório dos mon-
tantes de cada etapa, ou seja, (54.258,26 + 144.668,09), totalizando R$ 198.926,35.
Analisando o valor aplicado ao longo do tempo (5 × 10.000 + 7 × 20.000), temos
um total de R$ 190.000,00. Observando o montante total gerado, temos que o valor
bruto dos juros auferidos é de R$ 8.926,35. Com a cobrança dos impostos sobre os ju-
ros recebidos (20% de 8.926,35), temos que o valor do juro líquido recebido será de R$
7.141,08.
Portanto, o montante líquido recebido pelo aplicador deverá ser de R$ 197.141,08.
Exemplo E
Vamos considerar uma aplicação financeira que foi realizada por 188 dias, à taxa
de juros médios compostos de 0,03% a.d. O resgate do montante bruto obtido foi de
R$ 42.320,48. Assim:
a) Calcule o valor aplicado pelo investidor.
b) Considere que houve uma cobrança de impostos e taxas administrativas sobre
o valor recebido pelo aplicador. O montante líquido, decorridas as cobranças,
foi de R$ 41.735,72. Tendo em vista essas informações, refaça os cálculos e de-
termine a taxa de juros aplicada, responsável pela geração de rendimentos lí-
quidos ao aplicador.
Calcule, também, o percentual de impostos e taxas administrativas que foram
executados sobre os juros brutos na aplicação.
a) Resolução da taxa de juros:
Considerando um montante líquido de R$ 41.735,72, temos:
Dados:
Prazo da aplicação n = 188 dias
Valor do montante líquido
= 41.735,72
(valor futuro) FV
Valor aplicado PV = 40.000,00
Taxa de juros i = ?
Matemática Financeira Organizacional
136

Resolução: AMORT
1.º Passo: 188 n
12 ×

IRR
2.º Passo: 41.735,72 FV
Nj

NPV
3.º Passo: 40.000 CHS PV
DATE CFo

INT
4.º Passo: i = 0,0226% a.d.
12 ÷

b) Resolução:
Valor aplicado = 40.000,00
Montante bruto = 42.320,48
Juros brutos (sem impostos) = 2.320,48

Montante líquido recebido = 41.735,72


Juros líquidos recebidos = 1.735,72
Valor dos impostos/taxas = 584,76 = 2.320,48 – 1.735,72
% sobre os juros brutos = 584,76 / 2.320,48 = 25,2%

Vamos considerar, agora, planos de pagamentos não tão tradicionais, aplicados a


empresas cujos capital de giro e receitas precisam ser mantidos de maneira regular e sus-
tentável. Como esses recursos são variáveis, o gestor precisa planejar adequadamente
a esfera financeira para assumir financiamentos que envolvem formas diversificadas de
pagamentos.
Exemplo F
Uma empresa precisa fazer um financiamento. Para tanto, recorre a uma institui-
ção financeira e recebe a proposta de quatro planos de pagamentos (I, II, III e IV) para
o empréstimo de determinado valor.
Plano I: 4 pagamentos trimestrais antecipados, iguais, de R$ 57.500,00 cada um,
com carência de 4 meses, ou seja, o primeiro pagamento será feito 4 meses após a assi-
natura do contrato de financiamento, com taxa de juros efetiva de 3,03% a.t.
Matemática Financeira Organizacional
137

Plano II: 2 pagamentos semestrais de R$ 115.000,00 cada um, no regime de séries


de pagamentos postecipados. Ou seja, o primeiro pagamento ocorrerá 6 meses depois
da assinatura do contrato de financiamento, com taxa de juros efetiva de 6,15% a.s.
Plano III: 6 pagamentos bimestrais antecipados de R$ 38.500,00 cada um, com
carência de 5 meses, ou seja, o primeiro pagamento acontecerá 5 meses após a assina-
tura do contrato de financiamento, com taxa de juros efetiva de 2% a.b.
Plano IV: um único pagamento de R$ 236.000,00, após um ano da assinatura do
contrato de financiamento, com taxa de juros efetiva de 1% a.m.
Nessas condições, apresente os valores atuais (valor presente) de cada plano de pa-
gamento. Com esse critério, então, determine qual é o melhor plano de financiamento
para a empresa, independentemente dos prazos, valores de pagamentos e taxa de juros
aplicada. Determine, também, a economia realizada ao se escolher o melhor plano.
Plano I: Carência de 4 meses
Dados:

Número de pagamentos
= 4 (1 + 3) trimestrais g beg
antecipados n
Taxa de juros i = 3,03% a.t.
Valor dos pagamentos PMT = 57.500,00
Valor atual (presente,
PV = ?
momento 0)

Resolução:

AMORT
1.º Passo: 4 n
12 ×

INT
2.º Passo: 3,03 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 57.500 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV =?
CFo
Matemática Financeira Organizacional
138

Fluxo de caixa
PV0

0 1 2 3 4

Carência
4 meses
PMT = 57.500,00

Cálculo do valor presente dos 4 pagamentos (momento 1):


RND
1.º Passo: 57.500,00 CHS PMT
DATE CFj

INT
2.º Passo: 3,03 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 4 g 7 n
BEG 12 ×

NPV
4.º Passo: PV (1) = 220.051,39
CFo

Plano II
Dados:
Número de pagamentos n = 2 (0 + 2) semestrais (postecipados)
Taxa de juros i = 6,15% a.s.
Valor dos pagamentos PMT = 115.000,00
Valor presente (momento 0) PV = ?
Matemática Financeira Organizacional
139

Resolução:
AMORT
1.º Passo: 2 n
12 ×

INT
2.º Passo: 6,15 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 115.000,00 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV =?
CFo

Fluxo de caixa

PV0

0 1 2
Carência
6 meses
PMT = 115.000,00

O valor atual do Plano II (presente no momento zero) é de R$ 210.397,80.


Plano III: Carência 5 meses
Dados:

Número de pagamentos
n = 6 (1 + 5) bimestrais g beg
antecipados
Taxa de juros i = 2% a.b.
Valor dos pagamentos PMT = 38.500,00

Valor atual (presente,


PV = ?
momento 0)
Matemática Financeira Organizacional
140

Resolução: AMORT
1.º Passo: 6 g 7 n
BEG 12 ×

INT
2.º Passo: 2 i
12 ÷

RND
3.º Passo: 38.500 CHS PMT
DATE CFj

NPV
4.º Passo: PV =?
CFo

Fluxo de caixa
PV0

0 1 2 3 4 5 6
Carência
5 meses

PMT = 38.500,00

Cálculo do valor presente dos 6 pagamentos (momento 1):


RND
1.º Passo: 38.500 CHS PMT
DATE CFj

INT
2.º Passo: 2 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 6 g 7 n
BEG 12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 219.968,19
CFo
Matemática Financeira Organizacional
141

Vamos atualizar o valor para o momento (0) por 5 meses = PV0 = ? (conversão da
taxa de juros de 2% a.b. para mensal): 2% a.b. é equivalente a 0,995% a.m.
Assim:
IRR
1.º Passo: 219.968,19 FV
Nj

INT
2.º Passo: 0,995 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 5 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 209.344,00
CFo

O valor atual do Plano III (presente no momento zero) é de R$ 209.344,00.


Plano IV: Carência 12 meses
Dados:
Número de pagamentos
n = 1 ano = 12 meses
antecipados
Taxa de juros i = 1% a.m.
Valor dos pagamentos FV = 236.000,00
Valor atual (presente,
PV = ?
momento 0)
Assim:
AMORT
1.º Passo: 12 n
12 ×

INT
2.º Passo: 1 i
12 ÷

IRR
3.º Passo: 236.000 CHS FV
DATE Nj

NPV
4.º Passo: PV =?
CFo
Matemática Financeira Organizacional
142

Fluxo de caixa
PV0

0 1
Carência
12 meses
PMT = 236.000,00

Cálculo do valor presente dos 6 pagamentos (momento 1):

IRR
1.º Passo: 236.000 CHS FV
DATE Nj

INT
2.º Passo: 1 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 12 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 209.438,02
CFo
0

O valor atual do plano IV (presente no momento zero) é de R$ 209.438,02.


Analisando o valor de cada plano, temos:

Plano I = R$ 211.465,06
Plano II = R$ 210.397,80
Plano III = R$ 209.344,00
Plano IV = R$ 209.438,02
Pelo critério do menor valor atual (valor presente no momento zero, que é a con-
tratação do financiamento), podemos concluir que, independentemente dos prazos
dados, das taxas de juros e do total a pagar em cada plano, o melhor é o Plano III. Seu
valor real de financiamento, de R$ 209.344,00, é o mais vantajoso.
Matemática Financeira Organizacional
143

Exercícios propostos
1. Considere um financiamento para a compra de um veículo cujo preço à vista é
de R$ 32.000,00. O comprador dará, como entrada, seu carro usado, avaliado
em R$ 18.000,00, e financiará o restante em 36 prestações mensais e iguais.
Sabe-se que a taxa de juros efetiva será de 0,99% a.m. Nessas condições:
a) Calcule o valor de cada prestação.
b) Suponha que o financiamento fosse feito nas mesmas condições apresentadas
no enunciado, porém o comprador pudesse fazer o pagamento da 1.ª presta-
ção 60 dias após a compra do veículo. Nessa nova condição, qual seria o valor
de cada prestação do financiamento?

Questão a: R$ 464,2
Confira a resposta
Questão b: R$ 468,79

2. Uma pessoa deseja acumular R$ 10.000,00 ao final de um semestre. Para tanto,


deposita mensalmente em um fundo de poupança uma certa importância, que é
corrigida a uma taxa de 0,65% a.m. Qual deve ser o valor dos depósitos mensais,
de forma que se possa obter o montante desejado ao final do período?

Confira a resposta R$ 1.629,20

3. Uma empresa fez um financiamento para a compra de um imóvel, a uma taxa


de juros efetiva de 1,28% a.m., o qual deverá ser pago em 3 etapas, nas seguin-
tes condições:
1.ª etapa: 12 pagamentos postecipados (0 + 12) mensais, iguais, de R$ 20.000,00
cada;
2.ª etapa: o 13.º pagamento será de R$ 50.000,00;
3.ª etapa: os 11 últimos pagamentos mensais serão de R$ 25.000,00, completando
o financiamento feito em 24 parcelas.
Determine o valor financiado.

Confira a resposta R$ 479.689,17


Matemática Financeira Organizacional
144

4. Uma pessoa resolveu fazer uma aplicação financeira (em regime de termos ante-
cipados) com parte de seu salário. Nesse investimento, define-se um rendimento
líquido de 0,6% a.m. Os primeiros 5 depósitos serão de R$ 500,00, o 6.º depósito
será de um valor maior que R$ 3.000,00 e os demais serão de R$ 1.000,00. Após
12 depósitos realizados, essa pessoa deseja ter um montante de R$ 12.000,00 para
realizar uma compra. Nessas condições, qual deverá ser o valor do 6.º depósito?

Confira a resposta R$ 3.086,53

5. Uma pessoa quer comprar um microcomputador e dispõe de três alternati-


vas de pagamento, sendo que a taxa efetiva de juros aplicada em todos os pla-
nos será de 1% a.m. Se o plano tiver pagamento em outro período de tempo, a
taxa deve ser convertida para seu valor equivalente.
Plano A: 8 prestações mensais, sem entrada, de R$ 306,00 cada.
Plano B: 4 (1 + 3) pagamentos antecipados, bimestrais, de R$ 600,00 cada.
Plano C: 2 pagamentos mensais de R$ 1.180,00, sendo que o 1.º pagamento
deverá ser feito somente daqui a 90 dias.
Nessas condições, analise cada plano de financiamento, calcule o valor presente
que cada um propicia e, somente por esse aspecto, responda qual seria o melhor
plano de pagamento para o comprador.

Use quatro casas decimais em seus cálculos.

Plano A: R$ 2.341,41
Confira a resposta Plano B: R$ 2.330,00
Plano C: R$ 2.279,26 (melhor)
Matemática Financeira Organizacional
145

6. Um financiamento será pago em 12 prestações mensais de R$ 5.000,00


e mais 24 prestações mensais de R$ 10.000,00 nos meses subsequentes.
Considerando que os pagamentos são postecipados e que as taxas de juros
efetivas são de 1% a.m. para o primeiro ano e de 1,2% para os dois últimos
anos de pagamentos, determine o valor desse financiamento.

Confira a resposta R$ 240.385,61

7. Uma aplicação em um fundo de poupança inicia-se com um valor de


R$ 10.000,00. Ao final de cada um dos meses seguintes, são investidos
R$ 1.000,00 e, simultaneamente, a cada semestre, são sacados R$ 4.000,00.
Considerando uma taxa média de juros efetivos de 0,7% a.m. e analisando os
valores gerados no período de 2 anos, determine qual será o valor disponível
ao aplicador nessas condições.

Confira a resposta R$ 23.801,97


Matemática Financeira Organizacional
146

Referências
ASSAF NETO, A. Matemática Financeira e suas Aplicações. São Paulo: Atlas, 2012.
PUCCINI, A. L. Matemática Financeira Objetiva e Aplicada. São Paulo: Campus, 2011.
SAMANEZ, C. P. Matemática Financeira. São Paulo: Pearson, 2010.
VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática Financeira. São Paulo: Atlas, 2011.
4 Análise de investimentos e sistemas de amortização
de empréstimos
Para o presente estudo, é imprescindível a análise substancial do conceito do mé-
todo e do critério de avaliação de investimentos de capital. Para tanto, utilizaremos a
análise abordada por Samanez (2010, p. 186):

Orçamentação de capital é o nome dado ao processo de decisões de procura e aquisi-


ção de ativos de longo prazo. Com esse fim, existem várias técnicas, métodos, conven-
ções e critérios que são comumente utilizados na análise e no processo decisório. O valor
de um projeto é baseado em sua capacidade de gerar fluxos de caixa futuros, ou seja, de
gerar renda econômica. Assim, as alternativas de investimento podem ser comparadas
somente se as consequências monetárias forem medidas em um ponto comum no tempo
e, como as operações de investimento ou de financiamento têm por característica um es-
paçamento de fluxos de caixa ao longo do tempo, os critérios de avaliação econômica de-
vem considerar sua atualização. Os critérios de seleção que não atualizam fluxos de caixa,
por exemplo o método do retorno sobre o investimento (ROI), aplicam conceitos contá-
beis, que, mesmo considerando a vantagem da simplicidade de seu uso, não são apro-
priados para medir renda econômica e criação de valor geradas por uma alternativa de
investimento.

Neste capítulo, discutiremos e apresentaremos a parte relacionada aos méto-


dos geralmente usados para medir a rentabilidade e analisar a viabilidade econômica
das alternativas de investimento. Focaremos principalmente o valor presente líquido
(VPL), a taxa interna de retorno (TIR) e outros elementos que mais se utilizam na aná-
lise de investimentos.
Após essa conceituação, passa-se à análise de um dos métodos de critério de
avaliação.
Frequentemente, quando vamos adquirir um bem ou um serviço, temos a opção
de escolher entre vários tipos de pagamentos ou, se quisermos investir valores, exis-
tem várias alternativas de investimentos.
Se os valores monetários forem colocados em uma mesma data, podemos facil-
mente efetuar sua comparação. Isso pode ser feito pela análise dos valores atuais de
cada alternativa (no momento inicial da operação = momento zero), ou seja, analisan-
do o valor presente desse conjunto de valores.
Matemática Financeira Organizacional
148

4.1 Conceitos, métodos e critérios de avaliação de


investimentos de capital
De acordo com Hazzan (2007, p. 78), temos, em geral, dois tipos de análises:
I) Alternativas de pagamento
Nesse caso, utilizando a taxa de juros para aplicar o dinheiro (taxa de atrativida-
des), podemos calcular o valor atual de cada alternativa. Aquela que produzir o menor
valor atual (menor custo) é a melhor.
II) Alternativas de investimento
Convencionalmente, em um investimento inicial (I) seguido de entradas de caixa
E1, E2, E3,..., En (fluxo de caixa abaixo), calculamos o valor presente (V) das entradas de
caixa. Para tanto, usamos a taxa de atratividade e comparamos com o investimento (I).
Se V > I, o investimento deve ser aceito e realizado (projeto economicamente
viável).
Se V < I, o investimento não deve ser realizado (projeto economicamente
inviável).

VPL = V –­­l

Valor presente líquido = Valor presente das entradas de caixa – Valor investido
Valor das entradas de caixa

E1 E2 E3 En

1 2 3 n

n = Prazo da operação

Valor do investimento i = Taxa de juros

Taxa de atratividade

Para melhor exemplificarmos essa análise, considere os seguintes exemplos:


Matemática Financeira Organizacional
149

Exemplo A
Considere um investimento de R$ 100.000,00 em uma franquia de determinado
serviço que tenha como referência entradas que, no final de cada ano, totalizam em
média R$ 40.000,00 de lucratividade líquida. Analisando o projeto por um período de
três anos e com uma taxa de atratividade em torno de 6% a.a. (taxa de juros definida
por aplicações financeiras que poderíamos realizar, por exemplo), apresente os devidos
cálculos concluindo se esse projeto é viável ou não.
Resolução:
• 1.ª ação: faremos um fluxo de caixa apresentando os movimentos previstos
nesse investimento.

Valor das entradas de caixa


E1 E2 E3
40.000 40.000 40.000

n
1 2 3

n = N.° de anos

i = 6% a.a.
l = 100.000,00
Valor do investimento

• 2.ª ação: faremos o cálculo do valor presente (valor atual – no momento zero)
de cada uma das entradas anuais previstas no projeto.
Dados:
E1
Valor E1 = 40.000,00
Taxa de juros = 6% a.a.
Prazo da operação = 1 ano
Valor capitalizado = ?
Matemática Financeira Organizacional
150

Resolução:
IRR
1.º Passo: 40.000 FV
Nj

INT
2.º Passo: 6 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 1 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 37.735,85
CFo

Portanto, seria como se investíssemos o valor de R$ 37.735,85, hoje, e, com a taxa


de juros de 6% a.a., tivéssemos um montante total de R$ 40.000,00.
Repetindo essa ação para as demais entradas anuais previstas, temos:
Dados:
E2
Valor E2 = 40.000,00
Taxa de juros = 6% a.a.
Prazo da operação = 2 anos
Valor capitalizado = ?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 40.000 FV
Nj

INT
2.º Passo: 6 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 2 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 35.599,86
CFo
Matemática Financeira Organizacional
151

Dados:
E3
Valor E3 = 40.000,00
Taxa de juros = 6% a.a.
Prazo da operação = 3 anos
Valor capitalizado = ?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 40.000 FV
Nj

INT
2.º Passo: 6 i
12 ÷

AMORT
3.º Passo: 3 n
12 ×

NPV
4.º Passo: PV = 33.584,77
CFo

Assim, o total de entradas previstas, calculadas no momento zero, será de


R$ 106.920,48. Denominamos esse valor de valor presente (VP). Nesse caso, temos
que o valor presente das entradas é maior que o valor investido. Ou seja, VP > I.
Conclui-se que o projeto deve ser aceito, pois os cálculos realizados comprovaram
que ele é viável, pois aplicando R$ 100.000,00 no projeto, obtemos as mesmas entra-
das de caixa que obteríamos se aplicássemos R$ 106.920,48, à taxa de 6% a.a.

4.1.1 Valor presente líquido (VPL)


O VPL é a diferença entre o valor presente das entradas (VP) e o valor investido (I):

VPL = V –­­l

Se VP > I, o projeto é economicamente viável. Caso contrário, ele não deve ser
aceito nas condições propostas.
Se VP > I, o projeto é economicamente viável. Caso contrário, ele não deve ser
aceito nas condições propostas.
Matemática Financeira Organizacional
152

No exemplo apresentado, VPL = (106.920,48) – (100.000,00) = + 6.920,48, o que


representa sua viabilidade.

4.1.2 Índice de lucratividade (IL)


Podemos também medir o índice de lucratividade do projeto (IL), o qual é a razão
entre o VP (valor presente dos fluxos de caixa) e o valor do investimento desse projeto.
Assim, nesse caso, o IL = 1,0692048, pois IL = 106920,48 / 100 000,00. Isso represen-
ta que, para cada um real investido no projeto, há um retorno efetivo de R$ 0,069, ou
seja, R$ 0,07.
Quando o investimento é não convencional (várias saídas de caixa e não uma úni-
ca data no momento zero), o valor de I é obtido como o valor atual das saídas de caixa.
A seguir, veremos mais exemplos envolvendo o cálculo do VPL (valor presente lí-
quido) e análise de viabilidade dos projetos.
A fim de facilitar os cálculos, utilizaremos a calculadora financeira, pois com sim-
ples operações o VPL é obtido, não havendo a necessidade de se obter o valor presen-
te de cada entrada (como fizemos no exemplo apresentado).
Para isso, devemos utilizar, na calculadora financeira, as teclas:

RND
g PMT
CFj

IRR
g FV
Nj

NPV

f PV
CFo

Assim, o mesmo exemplo, com o uso da calculadora, seria:


Dados:
Valor das entradas de caixa E = 40.000
Número de entradas / prazo da operação = 3
Taxa de juros = 6% a.a.
Valor presente = ?
Valor capitalizado = ?
Matemática Financeira Organizacional
153

Resolução:
RND
1.º Passo: 40.000 g PMT
CFj

IRR
2.º Passo: 3 g FV
Nj

INT
3.º Passo: 6 i
12 ÷

NPV
4.º Passo: PV = 106.920,48
f CFo

Portanto, o total de entradas previstas calculadas no momento zero será de


R$ 106.920,48, o que gera um VPL de R$ 6.920,48 para um projeto economicamente
viável.
Exemplo B
Um investidor dispõe de R$ 117.000,00 e lhe é oferecida a possibilidade de abrir
um restaurante, cujo lucro líquido médio mensal esperado será de R$ 20.000,00 fixos,
por um período de seis meses consecutivos. Sabendo que a taxa de atratividade exis-
tente é de 0,8% a.m., apresente o fluxo de caixa e, pelo valor presente líquido da ope-
ração, conclua se o projeto é ou não viável.

Valor das entradas de caixa

E1 E2 E6
20.000 20.000 20.000

1 2 3 4 5 6

n = N.° de meses

i = 0,8% a.m.
l = 117.000,00
Valor do investimento
Matemática Financeira Organizacional
154

Dados:

Valor das entradas de caixa E = 20.000


Número de entradas / prazo da operação = 6
Taxa de juros = 0,8% a.m.
Valor presente = ?

Resolução:

RND
1.º Passo: 20.000 g PMT
CFj

IRR
2.º Passo: 6 g FV
Nj

INT
3.º Passo: 0,8 i
12 ÷

NPV
4.º Passo: PV = 116.710,41
f CFo

Assim, o total de entradas previstas, calculadas no momento zero, será de


R$ 116.710,41. Portanto, VPL = VP – I = 116.710,41 – 117.000,00 = – 289,59.
Nesse caso, o valor presente líquido é negativo, sendo que o projeto não deve ser
aceito, pois é inviável.

Exemplo C
Uma empresa deve investir R$ 180.000,00 em um projeto de ampliação da
capacidade produtiva, para obter benefícios das entradas de caixa estimadas em
R$ 40.000,00 no primeiro ano de atividades. Para os anos seguintes, projeta-se um
aumento nas entradas de caixa, em torno de 8% a cada ano, durante os próximos
cinco anos. Considere uma taxa de atratividade sugerida de 7% a.a. Desse modo, cal-
cule o VPL e, por esse critério, conclua se o projeto deve ou não ser aceito.
Matemática Financeira Organizacional
155

Dados:
Nesse caso, devemos calcular o valor das entradas de caixa, que são variáveis a
cada ano, aumentando em média 8%.
Assim:
E1 = 40.000,00 E2 = 43.200,00 E3 = 46.656,00
E4 = 50.388,48 E5 = 54.419,56

Fluxo de caixa
Valor das entradas de caixa
E1 E2 E3 E4 E6
40.000,00 43.200,00 46.656,00 50.388,48 54.419,56

0 1 2 3 4 5

N.° de anos
i = 7% a.a.
l = 180.000,00
Valor do investimento

Resolução: Como, nesse caso, temos entradas de caixa com valores distintos, de-
vemos fazer os lançamentos individualizados na calculadora financeira.
Dados:
Valor das entradas de caixa E1 = 40.000,00
Valor das entradas de caixa E2 = 43.200,00
Valor das entradas de caixa E3 = 46.656,00
Valor das entradas de caixa E4 = 50.388,48
Valor das entradas de caixa E5 = 54.419,56
Taxa de juros = 7% a.a.
Valor presente = ?
Matemática Financeira Organizacional
156

Resolução:
RND
1.º Passo: 40.000,00 g PMT
CFj

RND
2.º Passo: 43.200,00 g PMT
CFj

RND
3.º Passo: 46.656,00 g PMT
CFj

RND
4.º Passo: 50.388,48 g PMT
CFj

RND
5.º Passo: 54.419,56 g PMT
CFj

INT
6.º Passo: 7 i
12 ÷

NPV
7.º Passo: PV = 190.442,45
f
CFo

VPL = V –­­l

VPL = 190.442,45 – 180.000,00


VPL = 10.442,45

Portanto, conclui-se que o projeto é viável e deve ser aceito.


Matemática Financeira Organizacional
157

4.1.3 Método da taxa interna de retorno (TIR)


Vimos que, dada uma taxa de juros (taxa de atratividade) em um investimento ou
aplicação financeira, podemos calcular o valor atual de um conjunto de capitais aplicados
ao longo do tempo (valor presente – PV).
Faremos agora, a análise de uma situação inversa. Em um empreendimento no
qual fazemos um investimento inicial (I) e temos previsões de entradas de caixa perió-
dicas (E), podemos calcular qual é a taxa percentual de retorno que podemos ter nesse
investimento ao longo do tempo, caso o projeto seja viável. É a chamada taxa interna
de retorno (TIR).
De um modo geral, pode-se definir a taxa interna de retorno como sendo a taxa
de juros que faz com que dois conjuntos de capitais (um de entradas de caixa e outro
de saídas de caixa) tenham o mesmo valor atual. Uma vez obtida essa taxa, podemos
fazer comparativos com uma taxa de juros de mercado e ver a viabilidade de ganhos
ou perdas, em relação a ela.
Segundo Samanez (2011, p. 189), a regra a ser seguida, no método da TIR, é a se-
guinte: devemos empreender o projeto de investimento de capital se a TIR for supe-
rior ao custo de oportunidade do capital (taxa de atratividade). Essencialmente, ela faz
uma tentativa de analisar a taxa esperada de retorno do projeto sobre a taxa de atra-
tividade, levando-se em conta o VPL. Tal procedimento faz com que esse método se
destaque dos outros na área de análise de investimentos, pois seu objetivo é encontrar
uma taxa intrínseca de rendimento. Esse mecanismo possibilita a tomada de decisões
tendo em vista comparações percentuais. Matematicamente, a TIR é uma taxa hipoté-
tica de desconto que anula o VPL, isto é, é a taxa que faz o investimento se igualar às
entradas de caixa, ao longo do tempo.
Para exemplificarmos a atuação desse novo elemento na análise de investimen-
tos e projetos, observemos os seguintes exemplos:
Exemplo A
Considere um valor investido por uma empresa na compra de uma máquina in-
dustrial no valor de R$ 270.000,00. Sabe-se, por projeções e estimativas, que essa má-
quina proporcionará retorno de receitas anuais de R$ 80.000,00 no primeiro ano e de
R$ 100.000,00 nos três anos seguintes. Analisando a viabilidade da compra no período
de quatro anos, determine a taxa interna de retorno (TIR) anual desse investimento.
Considere um custo de capital de 10% a.a.
Matemática Financeira Organizacional
158

Dados:

Valores das entradas de caixa – em milhares de reais


80 100 100 100
E1 E2 E3 E4

0 1 2 3 4
N.° de anos

l = 270
Valor do investimento

Resolução: Para o cálculo da TIR, necessariamente utilizamos o valor do inves-


timento, pois ele deve ser analisado em função do VPL. Desse modo, podemos de-
terminar a taxa que faz o valor presente das entradas de caixa e o investimento
equivalerem-se, no momento inicial da operação. Assim:
Dados:
Valor do investimento = 270
Entradas de caixa E1 = 80
E2; E3; E4 = 100
Repetições de entradas de caixa = 3
TIR (taxa interna de retorno) = ?
Resolução:
NPV
1.º Passo: 270 CHS g PV
DATE CFo

RND
2.º Passo: 80 g PMT
CFj

RND
3.º Passo: 100 g PMT
CFj

IRR
4.º Passo: 3 g FV
Nj

IRR
5.º Passo: f
FV =14,67% a.a.
Nj
Matemática Financeira Organizacional
159

A TIR desse investimento é de 14,67% a.a. e a taxa de atratividade é de 10% a.a.


Como TIR > I, concluímos que o projeto, nessas condições, é economicamente viável.
Caso obtivéssemos o VPL desse projeto, teríamos a mesma conclusão, porém
com valores em reais, sendo assim apresentados:

VPL = V –­­l

VPL = 298.804,73 – 270.000,00


VPL = 28.804,73

Pelo VPL, conclui-se que o projeto é viável e deve ser aceito.


Exemplo B
Podemos ter condições de analisar projetos de investimentos cujas entradas de
caixa não se apresentam, necessariamente, em períodos uniformes.
Vamos analisar o caso de um projeto que tem períodos distintos de entradas de
caixa, com valores de investimentos executados em momentos também distintos ao
longo do tempo.
De acordo com o fluxo de caixa apresentado abaixo, vamos determinar o VPL e a
TIR do investimento proposto e concluir a viabilidade de sua aplicação. Considere uma
taxa de atratividade de 0,05% a.d.

Valor das entradas de caixa

R$ 10.000,00 R$ 40.000,00

n = N.° de dias

30 dias 45 dias 82 dias

l1 = 20.000,00 l2 = 25.000,00

1.ª etapa: cálculo do investimento total (no momento zero).


Matemática Financeira Organizacional
160

Devemos determinar o valor presente no momento zero de I2:


Dados:

I 2
= 25.000
Prazo = 45
Taxa de atratividade = 0,05% a.d.
Valor Presente = ?

Resolução:
IRR
1.º Passo: 25.000 FV
Nj

AMORT
2.º Passo: 45 n
12 ×

INT
3.º Passo: 0,05 i
12 ÷

NPV
4.º Passo: PV = 24.443,92
CFo

Assim, o valor total do investimento (I 1 + I2) no momento zero é de R$ 44.443,92.


2.ª etapa: cálculo do VPL.
Como temos valores de entradas de caixa em momentos distintos, usamos um
recurso matemático na calculadora financeira para alimentar os valores propostos.
Assim, para a entrada E1 (de 10.000), que será realizada em 30 dias, define-se que nos
primeiros 29 dias não há valores de entrada. Somente haverá no 30.º dia. Do mesmo
modo, a entrada E2 (40.000) será realizada em 82 dias. Ou seja, do 31.º dia ao 81.º dia
não haverá entradas a se registrar; somente no 82.º dia. Portanto, usando esses racio-
cínios para calcularmos o VPL, temos:
Matemática Financeira Organizacional
161

Dados:
Valor das entradas até o dia 30 = 0
Número de entradas / prazo da operação = 29
Valor da entrada no dia 30 = 10.000
Valor das entradas do dia 31 ao 81 = 0
Número de entradas / prazo da operação = 51
Valor da entrada no dia 82 = 40.000
Taxa de atratividade = 0,05% a.d.
Valor Presente = ?

Resolução:

RND
1.º Passo: 0 g PMT
CFj

IRR
2.º Passo: 29 g FV
Nj

RND
3.º Passo: 10.000 g PMT
CFj

RND
4.º Passo: 0 g PMT
CFj

IRR
5.º Passo: 51 g FV
Nj

RND
6.º Passo: 40.000 g PMT
CFj

INT
7.º Passo: 0,05 i
12 ÷

NPV
8.º Passo: PV = 48.244,71
f CFo
Matemática Financeira Organizacional
162

VPL = V –­­l

VPL = 48.244,71 – 44.443,92

VPL = 3.800,79

Pelo VPL conclui-se que o projeto deve ser aceito, pois é viável.
3.ª etapa: cálculo da TIR.
Utilizamos o mesmo critério de cálculos para o VPL, porém inserimos o valor do
investimento para encontrar a taxa. Assim:
Dados:
Valor do investimento = 44.443,92
Valor das entradas até o dia 30 = 0
Número de entradas / prazo da operação = 29
Valor da entrada no dia 30 = 10.000
Valor das entradas do dia 31 ao 81 = 0
Número de entradas / prazo da operação = 51
Valor da entrada no dia 82 = 40.000
Taxa interna de retorno – TIR = ?
Matemática Financeira Organizacional
163

Resolução:
NPV
1.º Passo: 44.443,92 CHS g PV
DATE CFo

RND
2.º Passo: 0 g PMT
CFj

IRR
3.º Passo: 29 g FV
Nj

RND
4.º Passo: 10.000 g PMT
CFj

RND
5.º Passo: 0 g PMT
CFj

IRR
6.º Passo: 51 g FV
Nj

RND
7.º Passo: 40.000 g PMT
CFj

IRR
8.º Passo: f
FV = 0,1655% a.d.
Nj

Portanto, TIR = 0,1655% a.d. e i (taxa de atratividade) = 0,05% a.d.


Pela análise do método da TIR, conclui-se que o projeto é viável e deve ser aceito.

4.2 Sistemas de Amortização de Empréstimos


Apresentamos, a seguir, os sistemas de amortização de empréstimos de longo
prazo. Em Matemática Financeira, quando falamos de empréstimos, podemos distin-
guir três classes que se diferem em função do tempo: empréstimos de curto e médio
prazos (até três anos para o pagamento) e empréstimos de longo prazo (acima de três
anos para o pagamento). Nesse momento, vamos nos deter aos empréstimos de longo
prazo.
Matemática Financeira Organizacional
164

$ Empréstimos de curto prazo.


Até 3 anos para o
pagamento

$ Empréstimos de médio prazo.


Até 3 anos para o
pagamento

$ Empréstimos de médio prazo.


Acima de 3 anos
para o pagamento

Esse tipo de empréstimo assume fundamental importância na vida das pessoas e


empresas, especialmente na aquisição de imóveis (casas, apartamentos, salas ou lojas
comerciais).
Existem algumas formas pelas quais empréstimos ou financiamentos podem ser
resgatado (liquidado) por meio de pagamentos periódicos. Esses sistemas são utiliza-
dos especialmente em financiamentos de bens e capitais, tais como: imóveis urbanos e
rurais, navios, aeronaves ou equipamentos industriais. Em outras palavras, esses siste-
mas aplicam-se a todos os tipos de financiamentos a longo prazo.
Os principais sistemas de amortizações de empréstimos são:

Sistema de amortização francês (SAF) ou tabela Price, que


I se caracteriza por envolver prestações de valor constante e é
utilizado largamente em financiamentos de bens de consumo.

II Sistema SAC (sistema de amortizações constantes), caracterizado


por envolver amortizações periódicas iguais ou constantes.

Sistema misto, que incorpora os valores da prestação, os juros,


III a amortização e o saldo devedor como sendo a média aritmética
entre os respectivos valores do SAF e do SAC.
Matemática Financeira Organizacional
165

Segundo Vieira Sobrinho (2011, p. 220), o sistema de amortização francês –


Tabela Price – é vastamente utilizado em todos os setores financeiros, enquanto que os
dois últimos são mais utilizados pelo Sistema Financeiro de Habitação, principalmente
nas operações de financiamento para aquisição de casa própria.

4.2.1 Sistema de amortização francês (SAF)


O Sistema de amortização francês (SAF) – Tabela Price – deve sua denominação
ao matemático e filósofo inglês Richard Price, que viveu no século XVIII e incorporou
a teoria dos juros compostos na amortização dos empréstimos. O sistema é chamado
francês por ter sido efetivamente desenvolvido na França, no século XIX.
Esse sistema consiste em um plano de amortização de uma dívida em prestações
periódicas, iguais e sucessivas. Ele se insere dentro dos conceitos de termos vencidos
(ou postecipados), em que o valor de cada prestação ou pagamento é composto por
duas partes: uma de juros e outra de capital (chamada de amortização).
O valor das prestações é calculado com base na fórmula a seguir, utilizada em
séries de pagamentos com termos vencidos.

(1 + i)n.i
PMT = PV ×
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
(1 + i) – 1
AAAAAAAAAA
n

Nessa fórmula:

RND
PMT PMT = Valor dos pagamentos periódicos – prestações
CFj

NPV
PV PV = Valor financiado
CFo

AMORT
n n = Número de pedidos / prestações / pagamentos
12 ×

INT
i i = Taxa de juros
12 ÷
Matemática Financeira Organizacional
166

As prestações podem sofrer reajustes mediante determinado índice preestabele-


cido. Por exemplo, em financiamentos com prestações mensais, é possível definir que,
ao final de cada período (ano) as prestações serão reajustadas por algum indexador
(IPCA, IGPM ou outro a se determinar em contrato). A parcela de juros é obtida multi-
plicando-se a taxa de juros (i) pelo saldo devedor existente no período imediatamente
anterior.
Segundo Vieira Sobrinho (2011, p. 220):

É importante observar que o sistema francês (ou Tabela Price) não implica necessaria-
mente prestações mensais, como geralmente se entende. As prestações podem ser tam-
bém trimestrais, semestrais ou anuais; basta que sejam iguais, periódicas, sucessivas e de
termos vencidos. Também é importante que se esclareça que a Tabela Price não implica ne-
cessariamente taxas de juros de 1% ao mês (ou 12% ao ano, como normalmente é indicado),
podendo ser definida para qualquer taxa.

A parcela de amortização (A) é determinada pela diferença entre o valor da pres-


tação (PMT) e o valor da parcela de juros (J).
Segundo Samanez (2010, p. 156), o Sistema ou Tabela Price é, basicamente, um
caso particular e muito utilizado do sistema de amortização francês. Nesse método,
a taxa de juros é dada em termos nominais (na prática, é dada em termos anuais) e as
prestações têm período menor em relação à periodicidade da taxa de juros. Isso signi-
fica que, enquanto a maioria das amortizações são pagas em base mensal, a taxa de
juros pode ser informada em um período diferente, anual, por exemplo. Desse modo, o
cálculo das prestações é feito usando-se a taxa proporcional ao período a que se refere
a prestação, calculada a partir da taxa nominal. Assim, uma taxa de 12% a.a., com pa-
gamentos mensais dos juros, corresponde a uma taxa mensal de 1% a.m.
A seguir, apresentamos alguns exemplos envolvendo planos de amortizações de
empréstimos pelo sistema francês (SAF) – Tabela Price.
Exemplo A
Vamos apresentar um plano de pagamentos no sistema de amortização francês
(SAF) – Tabela Price – correspondente a um empréstimo de R$ 200.000,00, feito por
uma empresa, a ser liquidado em seis pagamentos semestrais, a uma taxa nominal de
juros de 10% a.a.
Matemática Financeira Organizacional
167

Iremos calcular os valores da 1.ª linha do plano de pagamentos.


• Cálculo do valor da prestação

Dados:
Taxa de juros nominal = 10% a.a.
Taxa de juros efetiva (semestre) = 5% a.s.
Número de pagamentos = 6
Valor do empréstimo = 200.000,00
Valor de cada prestação = ?

Resolução:
INT
1.º Passo: 5 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 6 n
12 ×

NPV
3.º Passo: 200.000,00 PV
CFo

RND
4.º Passo: PMT = 39.403,49
CFj

• Cálculo do valor dos juros (J1)


Dados:
Saldo devedor inicial = 0
Taxa de juros efetiva = 5% a.s.
Valor do empréstimo = 200.000,00

J 1
=?
Matemática Financeira Organizacional
168

Resolução:

J=P×i×n

J 1
= 200.000 × 0,05 × 0

J 1
= 10.000,00

• Cálculo do valor da amortização (A1)


Dados:
Valor da prestação = 39.403,49
Valor dos juros = 10.000,00
A 1
=?

Resolução:

A = PMT – J

A 1
= 39.403,49 – 10.000,00

A 1
= 29.403,49

• Cálculo do valor do saldo devedor (SD1)


Dados:
Saldo devedor anterior = 200.000,00
Amortização = 29.403,49
Saldo devedor atual = ?
Matemática Financeira Organizacional
169

Resolução:

SD = SD
1 0
– A 1

SD = 200.000,00 – 29.403,49
1

SD = 170.596,51
1

Valor da Saldo
Mês Juros 5% a.s. Amortização
prestação devedor
0 - - - 200.000,00
1 39.403,49 10.000,00 29.403,49 170.596,51

Com os mesmos procedimentos, obtemos os valores das demais linhas do plano.


• Plano de pagamentos:

Número de Amortização
Valor da Saldo
pagamentos Juros 5% a.s. (prestação–
prestação devedor
semestrais juros)
0 - - - 200.000,00
1 39.403,49 10.000,00 29.403,49 170.596,51
2 39.403,49 8.529,83 30.873,66 139.722,85
3 39.403,49 6.986,14 32.417,35 107.305,50
4 39.403,49 5.365,28 34.038,21 73.267,29
5 39.403,49 3.663,36 35.740,13 37.527,16
6 39.403,49 1.876,36 37.527,16 0

À medida que os meses sucedem-se, os juros diminuem (pois o saldo devedor também dimi-
nui) e, como o valor das mensalidades é constante, as amortizações mensais aumentam.

• Valor da amortização em um momento específico:


Os valores das amortizações aumentam em progressão geométrica (PG) a uma
certa razão (%). Assim, o valor da amortização em um determinado momento (n) é ob-
tido por meio do cálculo, utilizando a fórmula matemática da obtenção de um termo
geral de uma PG. Com o uso da calculadora financeira, esse cálculo torna-se simples e
direto, como verificaremos a seguir.
Matemática Financeira Organizacional
170

• Valor do saldo devedor em um momento específico:


O valor do saldo devedor em um determinado momento (n) é obtido fazendo-se
o cálculo do valor presente (PV): o número de prestações restantes no financiamento
é computado, à taxa de juros aplicada e ao valor de cada prestação (PMT). Esse valor
também pode ser objetivamente obtido pela calculadora financeira, como veremos no
exemplo a seguir.
Exemplo B
Vamos apresentar o esboço de um plano de pagamentos pelo sistema de
amortização francês (SAF) – Tabela Price – correspondente a um financiamento de
R$ 240.000,00 a ser liquidado em 10 anos (120 meses), com pagamentos mensais a
uma taxa de juros efetiva de 0,8% a.m. Calcularemos após dois anos de pagamentos:
a) o saldo devedor existente;
b) o total de juros pagos;
c) o valor da amortização relativa aos 24 pagamentos realizados.
Iremos calcular os valores da 1.ª linha do plano.
• Cálculo do valor da prestação
Dados:
Taxa de juros efetiva (mensal) = 0,8% a.m.
Número de pagamentos = 120
Valor do empréstimo = 240.000,00
Valor de cada prestação = ?

Resolução:
INT
1.º Passo: 0,8 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 120 n
12 ×

NPV
3.º Passo: 240.000,00 PV
CFo

RND
4.º Passo: PMT = 3.118,70
CFj
Matemática Financeira Organizacional
171

• Cálculo do valor dos juros (J1)


Dados:

Saldo devedor inicial = 0

Taxa de juros efetiva = 0,8% a.m.

Valor do empréstimo = 240.000,00

J 1
=?

Resolução:

J=P×i×n

J 1
= 240.000 × 0,008 × 0

J 1
= 1.920,00

• Cálculo do valor da amortização (A 1)


Dados:
Valor da prestação = 3.118,70
Valor dos juros = 1.920,00
A 1
=?

Resolução:

A = PMT – J

A 1
= 3.118,70 – 1.920,00

A 1
= 1.198,70
Matemática Financeira Organizacional
172

• Cálculo do valor do saldo devedor (SD1)


Dados:
Saldo devedor anterior = 240.000,00
Amortização = 1.198,70
Saldo devedor atual = ?

Resolução:

SD = SD
1 0
– A 1

SD = 240.000,00 – 1.198,70
1

SD = 238.801,30
1

Vamos inserir os valores obtidos na planilha a seguir:

Valor da Saldo
Mês Juros 5% a.s. Amortização
prestação devedor
0 - - - 240.000,00
1 3.118,70 1.920,00 1.198,70 238.801,30

Obtemos todos os elementos do quadro demonstrativo do plano de pagamentos


por meio da utilização da calculadora financeira. Introduzimos nas teclas n o valor 1,
após a obtenção do PMT. Assim, teremos os valores da linha 1.
Se desejarmos obter valores de uma linha m qualquer, introduziremos o número m
(na tecla n da calculadora) e, com os comandos f AMORT, teremos o total de juros pagos
até o momento m desejado.
FIN
Do mesmo modo, com o comando χ >< у calcula-se o total de amortizações no
χ <у
momento m.
E o comando RCL PV calcula o saldo devedor existente no momento m.
Em nosso exemplo, temos que calcular, após dois anos de pagamentos, o valor do
saldo devedor existente, o total de juros pagos e o total de amortizações pagas.
Para tanto, devemos alimentar, novamente, os valores iniciais na calculadora finan-
ceira e, de acordo com as solicitações, fazer os devidos comandos (teclas acionadas).
Matemática Financeira Organizacional
173

Calcular na seguinte sequência:


INT
1.º Passo: 0,8 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 120 n
12 ×

NPV
3.º Passo: 240.000,00 PV
CFo

RND
4.º Passo: PMT = 3.118,70
CFj

Juros após 2 anos:

AMORT
5.º Passo: 24 n = 43.271,24
f
12 ×

Total amortizado após 2 anos:

FIN
6.º Passo: χ >< у = 31.577,56
χ <у

Saldo devedor após 2 anos:

REG NPV
7.º Passo: RCL PV = 208.422,44
CFo

Exemplo C
Considere um financiamento pelo sistema de amortização francês (SAF) – Tabela
Price – de R$ 360.000,00, a ser pago em 5 anos, com prestações mensais e iguais com
taxa de juros nominal de 14,4% a.a. Nessas condições, calcule:
Matemática Financeira Organizacional
174

a) o valor de cada prestação;


b) o valor do saldo devedor após dois anos de pagamentos;
c) o total de juros pagos após um ano de pagamentos.
Para a resolução do item c, devemos observar a seguinte situação:
Dados:
Taxa de juros nominal (anual) = 14,4% a.a.
Taxa de juros efetiva (mensal) = 1,2% a.m.
Número de pagamentos = 60
Valor do empréstimo = 360.000,00
Valor de cada prestação = 8.451,41

Calcular na seguinte sequência:


INT
1.º Passo: 1,2 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 60 n
12 ×

NPV
3.º Passo: 360.000,00 PV
CFo

RND
4.º Passo: PMT = 8.451,41
CFj

Juros após 2 anos:

AMORT
5.º Passo: 24 n = 88.713,00
f
12 ×

Total amortizado após 2 anos:

FIN
6.º Passo: χ >< у = 114.120,84
χ <у
Matemática Financeira Organizacional
175

Saldo devedor após 2 anos:

REG NPV
7.º Passo: RCL PV = 245.879,16
CFo

Total de juros após um ano de pagamentos: como houve mudança de “linha-momen-


to” desejado, temos que realimentar os elementos (PV, i, n), obtendo novamente PMT.
A seguir, inserimos 12 e solicitamos: total amortizado, saldo devedor e total de
juros após 12 meses.
Calcular na seguinte sequência:

INT
1.º Passo: 1,2 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 60 n
12 ×

NPV
3.º Passo: 360.000,00 PV
CFo

RND
4.º Passo: PMT = 8.451,41
CFj

Total de juros após 1 ano de pagamentos:

AMORT
5.º Passo: 12 n = 48.433,43
f
12 ×
Matemática Financeira Organizacional
176

Exemplo D
Uma pessoa deseja adquirir um imóvel, cujo valor financiado será de R$ 180.000,00,
pelo sistema de amortização francês (SAF) – Tabela Price. O pagamento será feito em
15 anos, mensalmente, com taxa de juros efetiva de 0,8% a.m. Nesse caso, o valor nor-
mal das prestações mensais desse financiamento seria de R$ 1.890,48. Porém, devi-
do a problemas momentâneos, essa pessoa pode pagar inicialmente, no 1.º ano, apenas
R$ 1.200,00 de prestação, por mês. Ao final do primeiro ano de pagamentos, calculando-
-se o saldo devedor, o comprador compromete-se a pagar uma prestação maior, de valor
normal, que deverá ser calculada com base nas Séries de Pagamentos Postecipados.
Observe o esboço inicial da planilha de pagamentos. Percebe-se que, como o va-
lor da prestação mensal é inferior ao valor que realmente deveria ser, a amortização
do valor financiado não ocorre, e ainda gera um aumento mensal no saldo devedor,
pois a amortização é negativa. Isso acontecerá até o momento 12. A partir de então,
recalcula-se o valor das prestações restantes, com base no saldo devedor, e esse novo
valor da prestação fará com que o saldo devedor realmente diminua ao longo do tem-
po, com amortizações positivas.

Valor da pres- Juros 0,8% Saldo


Mês Amortização
tação – 1 a 12 a.m. devedor
0 - - - 180.000,00
1 1.200,00 1.440,00 (– 240,00) 180.240,00
2 1.200,00 1.442,92 (– 241,92) 180.481,92
... ... ... ... ...
11 1.200,00 ... ... C
12 1.200,00 B A D
13 E F G H

Diante dessa situação peculiar, determine os valores correspondentes às letras A,


B, C, D, E, F, G e H apresentadas nesse plano de financiamento.

• Cálculo do valor A (amortização no mês 12 = A 12)


Tomando por base os valores apresentados no plano, a amortização do 1.º mês
é de (–240,00) e seu valor irá diminuir nos primeiros 12 meses, com uma taxa de 0,8%
a.m. Assim, podemos determinar o valor de A12, fazendo sua devida atualização.
Matemática Financeira Organizacional
177

Dados:

Taxa de juros efetiva (mensal) = 0,8% a.m.

Número de pagamentos = 11

Primeira amortização = – 240,00

Valor da amortização no mês 12 = ?

Resolução:
NPV
1.º Passo: 240 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 11 n
12 ×

INT
3.º Passo: 0,8 i
12 ÷

IRR
4.º Passo: FV = – 261,99
Nj

O valor de A será, portanto: – 261,99.

• Cálculo do valor B (juros no mês 12 = J12)


Dados:
Prestação no mês 12 = 1.200,00
Amortização no mês 12 = – 261,99

J 12
=?
Resolução:

J 12
= PMT
12
– A 12

J 12
= 1.200 – (–261,99)

J 12
= 1.461,99
Matemática Financeira Organizacional
178

O valor de B será, portanto: 1.461,99.


• Cálculo do valor de C (saldo devedor 11 = SD11)
O valor 1.461,99 representa 0,8% do saldo devedor do mês 11, desta forma, utili-
zaremos a regra de três:
Dados:
SD
11
= 100% = x
SD
11
= 0,8 % = 1.461,99

O valor de C será, portanto: 182.748,75.

• Cálculo do valor D (saldo devedor 12 = SD12)


Dados:
Saldo devedor anterior = 182.748,75
Amortização = – 261,49
SD =?
12

Resolução:

SD
12
= SD 11
– A 12

SD = 182.748,75 – (– 261,99)
12

SD = 183.010,74
12

O valor de D será, portanto: 183.101,74.


• Cálculo do valor de E (prestação no mês 13 = PMT13)
Para encontrarmos o valor da 13ª parcela, utilizaremos os valor à partir do 12ª
pagamento.
Dados:
Taxa de juros efetiva (mensal) = 0,8% a.m.
Número de pagamentos = 168
Valor do empréstimo = 183.010,74
Valor de cada prestação = ?
Matemática Financeira Organizacional
179

Resolução:
NPV
1.º Passo: 183.010,74 PV
CFo

AMORT
2.º Passo: 168 n
12 ×

INT
3.º Passo: 0,8 i
12 ÷

RND
4.º Passo: PMT = 1.984,39
CFj

O valor de E será, portanto: 1.984,39.


• Cálculo do valor de F, G e H (J13, A 13, SD13)
Os juros do mês 13 representam 0,8% do valor do saldo devedor do mês 12
(183.010,74), desta forma, utilizaremos a regra de três:
Dados:
J 13
= 100% = 183.010,74

SD = 0,8 % = x
13

O valor de F será, portanto: 1.464,09.


Dados:
Valor da prestação = 1.984,39
Valor dos juros = 1.464,09
A 1
=?

Resolução:

A = PMT – J

A 13
= 1.984,39 – 1.464,09

A 13
= 520,30
Matemática Financeira Organizacional
180

O valor de G será, portanto: 520,30.


Para o saldo devedor utilizaremos os valores:
Dados:
Saldo devedor anterior = 183.010,74
Amortização = 520,30
SD =?
13

Resolução:

SD
13
= SD 12
– A 13

SD = 183.010,74 – 520,30
13

SD = 182.490,44
13

O valor de H será, portanto: 182.490,44.


Portanto, o quadro com os valores calculados é o seguinte:

Valor da Juros 0,8%


Mês Amortização Saldo devedor
prestação a.m.
0 - - - 180.000,00
1 1.200,00 1.440,00 (– 240,00) 180.240,00
2 1.200,00 1.442,92 (– 241,92) 180.481,92
... ... ... ... ...
11 1.200,00 ... ... C = 182.748,75
12 1.200,00 B = 1.461,99 A = (– 261,99) D = 183.010,74
13 E = 1.984,39 F = 1.464,09 G = 520,30 H = 182.490,44

4.2.2 Sistema de amortização constante (SAC)


O segundo tipo de amortização é o chamado sistema de amortização constante
(SAC). Nele, o financiamento é liquidado por meio de amortizações periódicas e cons-
tantes. Cada prestação contém juros e amortização, sendo que os juros são decrescen-
tes e a amortização é constante.
• A parcela de juros é obtida multiplicando-se a taxa de juros (i) pelo saldo deve-
dor existente no período imediatamente anterior.
Matemática Financeira Organizacional
181

• A parcela de amortização (A) é a razão entre o valor do financiamento (princi-


pal) e o prazo do financiamento.

Amortização = Valor do financiamento / Prazo 

A=P/n

Juros J = Taxa de juros × Saldo devedor anterior


Prestação PR = Amortização + Juros
Saldo devedor SD = Saldo devedor anterior - Amortização

OBS: O valor dos juros e da prestação representam uma P.A. (progressão aritmé-
tica) descrescente.
Exemplos envolvendo planos de financiamentos pelo sistema de amortização
constante (SAC):
Exemplo A
Vamos elaborar uma planilha de amortização pelo sistema SAC correspondente a
um empréstimo de R$ 100.000,00 a ser liquidado em 4 prestações semestrais, a uma
taxa de juros efetiva de 7,2% a.s.
• Cálculo do valor das amortizações
Dados:
Valor do empréstimo P = 100.000,00
Número de pagamentos PR =4
Amortização A = ?
Resolução:

A=P/n

A = 100.000,00 / 4

A = 25.000,00
Matemática Financeira Organizacional
182

Amortização
Valor da Juros 7,20%
Mês (Prestação Saldo devedor
prestação a.m.
– Juros)
0 - - - 100.000,00
1 32.200,00 7.200,00 25.000,00 75.000,00
2 30.400,00 5.400,00 25.000,00 50.000,00
3 28.600,00 3.600,00 25.000,00 25.000,00
4 26.800,00 1.800,00 25.000,00 0

Observações e conclusões
• À medida que os semestres sucedem-se, o valor das prestações diminui
(R$ 1.800,00 por semestre), pois o saldo devedor também diminui, gerando
uma PA (progressão aritmética) decrescente de razão (– R$ 1.800,00).
• O valor do saldo devedor vai diminuindo também em P.A. decrescente de ra-
zão (– R$ 25.000,00)
Assim, para a obtenção de valores em qualquer momento da planilha nos exemplos
a seguir, utilizaremos as fórmulas matemáticas de P.A:
I. Fórmula do termo geral

an = a1 + (n – 1)r

II. Fórmula da soma dos termos

(a1 + an )n
Sn =
2

Exemplo B
Vamos considerar um plano de pagamentos no SAC (sistema de amortização
constante) correspondente a um empréstimo de R$ 120.000,00 a ser liquidado em
5 anos, com pagamentos mensais a uma taxa de juros nominal de 18% a.a.
a) Determine os valores correspondentes às letras A, B, C, D, E, F, G e H.
b) Calcule o valor do total de juros pagos no final de 3 anos de pagamento.
Matemática Financeira Organizacional
183

Resolução da questão A:

Valor da Amortização
Juros 1,5%
Mês prestação/ (Prestação Saldo devedor
a.m.
mensalidade – Juros)
0 - - - 120.000,00
1 A B C D
2 E F G H
... ... ... ... ...
36 ... ... ... ...
... ... ... ... ...
60 ... ... ... 0

• Cálculo do valor das amortizações


Dados:
Valor do financiamento P = 120.000,00
Número de pagamentos PR = 60
Amortização A = ?

Resolução:

A=P/n

A = 120.000,00 / 60 

A = 2.000,00

• Cálculo do valor dos juros do primeiro mês: J1


Dados:
Taxa de juros nominal = 18% a.a.
Taxa de juros efetiva i = 1,5% a.m. = 0,015
Saldo devedor anterior SD 0 = 120.000,00
Juros J 1= ?
Matemática Financeira Organizacional
184

Resolução:

J 1
= i × SD 0

J 1
= 0,015 × 120.000,00

J 1
= 1.800,00

• Cálculo do valor da prestação do primeiro mês: PR1


Dados:
Amortização A = 2.000,00
Juros J 1= 1.800,00
Prestação PR 1= ?

Resolução:

PR 1= A + J 1

PR 1= 2.000,00 + 1.800,00

PR 1= 3.800,00

• Cálculo do saldo devedor no primeiro mês: SD1


Dados:
Saldo devedor anterior SD
0
= 120.000,00
Amortização A = 2.000,00
Saldo devedor SD
1
=?

Resolução:

SD = SD
1 0
– A

SD = 120.000,00 – 2.000,00
1

SD = 118.000,00
1
Matemática Financeira Organizacional
185

Com os mesmos procedimentos de cálculos, obtemos os valores de:


E = 3.770,00 F = 1.770,00
G = 2.000,00 H = 116.000,00

Valor da Amortização
Juros 1,5%
Mês prestação/ (Prestação Saldo devedor
a.m
mensalidade – Juros)
0 - - - 120.000,00
1 A = 3.800,00 B = 1.800,00 C = 2.000,00 D = 118.000,00
2 E = 3.770,00 F = 1.770,00 G = 2.000,00 H = 116.000,00
... ... ... ... ...
36 ... ... ... ...
... ... ... ... ...
60 ... ... ... 0

Resolução da questão B:
Para obtermos o valor do total de juros cobrados no final de três anos de parcelas
pagas, devemos calcular e analisar os valores da linha 36 do plano de pagamentos.

Valor da Amortização
Juros 1,5%
Mês prestação/ (Prestação Saldo devedor
a.m
mensalidade – Juros)
0 - - - 120.000,00
1 3.800,00 1.800,00 2.000,00 118.000,00
2 3.770,00 1.770,00 2.000,00 116.000,00
... ... ... ... ...
36 PR36 J36 A36 SD 36

• Valor da prestação no mês 36: PR36


Como as prestações diminuem em PA decrescente, nesse caso de razão (– 30), utili-
zando da fórmula do termo geral de uma PA, temos que:
Dados:
Prestação no primeiro mês PR 1= 3.800,00

Número de prestações = 36
Razão = – 30
Prestação no mês 36 PR 36 = ?
Matemática Financeira Organizacional
186

Resolução:

an = a1 + (n – 1)r

PR 36
= PR 1 + ( n – 1) × r

PR 36
= 3.800 + 35 × (–30)

PR 36
= 2.750,00

• Valor dos juros no mês 36: J36


Como os juros também diminuem em PA decrescente, de razão (– 30), temos:
Dados:
Juros no primeiro mês J 1 = 1.800,00
Número de prestações = 36
Razão = – 30
Juros no mês 36 J 36
=?

Resolução:

an = a1 + (n – 1)r

J 36
= J 1
+( n – 1) × r

J 36
= 1.800 + 35 × (–30)

J 36
= 750,00

• Valor do saldo devedor no mês 36: SD36


Como o saldo devedor diminui em PA decrescente, e nesse caso a razão é
(– 2.000), temos:
Matemática Financeira Organizacional
187

Dados:
Saldo devedor no primeiro mês SD
1
= 118.000,00
Número de prestações = 36
Razão = – 30
Saldo devedor no mês 36 SD
36
=?

Resolução:

an = a1 + (n – 1)r

SD
36
= SD 1+ ( n – 1) × r

SD = 118.000 + 35 × (–30)
36

SD = 48.000,00
36

Portanto, o saldo devedor após três anos de pagamentos será de R$ 48.000,00.


Para calcular o total de juros pagos após três anos, utilizamos a fórmula de cálcu-
lo da soma dos termos de uma PA:

(a1 + an )n
Sn =
2

Para tanto, necessitamos dos valores de juros (1) = R$ 1.800,00 e juros (36) =
R$ 750,00.
Assim:
Sn = Soma dos valores dos juros pagos (?)
a1 = Valor dos juros J 1

an = Valor dos juros J 36

n = Número de parcelas n
Matemática Financeira Organizacional
188

Dados:
Sn = ?
a1 = 1.800
an = 750
n = 36

Resolução:

(1.800+750)×36
Total Juros= =45.900
2

Portanto, o total de juros pagos após três anos será de R$ 45.900,00.


Exemplo C
Um financiamento, de R$ 216.000,00, pelo sistema de amortização constante
(SAC), deverá ser pago em 12 anos, anualmente, com taxa de juros nominal de 9% a.a.
a) Calcule o valor de cada amortização.
b) Faça um esboço do plano de pagamentos com os valores dos dois primeiros
anos.
c) Calcule o saldo devedor e o total de juros pagos após 10 anos de pagamento.
• Resolução da questão A:
Cálculo do valor das amortizações
Dados:
Valor do financiamento P = 216.000,00
Número de pagamentos PR = 12
Amortização A = ?

Resolução:

A=P/n

A = 216.000,00 / 12

A = 18.000,00
Matemática Financeira Organizacional
189

• Resolução da questão B:
Esboço do plano de pagamentos com os valores dos dois primeiros anos

Valor da Amortização
Mês prestação/ Juros 9% a.m (Prestação Saldo devedor
mensalidade – Juros)
0 - - - 216.000,00
1 37.440,00 19.440,00 18.000,00 198.000,00
2 35.820,00 17.820,00 18.000,00 180.000,00
... ... ... ... ...
12 ... ... 18.000,00 0

• Resolução da questão C:
Saldo devedor após dez anos de pagamentos
Como o saldo devedor diminui à razão de (18.000) por ano, temos uma PA
decrescente:
Dados:
Saldo devedor no primeiro mês SD
1
= 216.000,00
Número de prestações = 10
Razão = – 18.000
Saldo devedor no mês 10 SD
10
=?

Resolução:

an = a1 + (n – 1)r

SD
10
= SD 1+ ( n – 1) × r

SD = 216.000 + 10 × (–18.000)
10

SD = 36.000,00
10
Matemática Financeira Organizacional
190

Portanto, o saldo devedor, após 10 anos de pagamentos, será de R$ 36.000,00.


Para calcularmos o total de juros pagos após 10 anos, inicialmente calculamos o
valor dos juros pagos no 10º ano (no momento 10). Como o valor dos juros pagos di-
minuem em PA. (progressão aritmética) decrescente de razão (- 1620), ou seja os juros
pagos diminuem R$ 1620,00 a cada mês, podemos calcular o total de juros pela fórmu-
la de soma de termos de uma PA. Assim:
Dados:
Juros no primeiro mês J 1
= 19.440,00
Número de prestações = 10
Razão = – 1.620
Juros no mês 10 J 10
=?

Resolução:

an = a1 + (n – 1)r

J 10
= J 1
+( n – 1) × r

J 10
= 19.440 + 9 × (–1.620)

J 10
= 4.860,00

Após obtermos o valor dos juros no ano 10, podemos calcular então o valor total
dos juros:
Dados:
Sn = ?
a1 = 19.440
an = 4.860
n = 10

Resolução:

(19.440+4.860)×10
Total Juros= =121.500,00
2

Portanto, o total de juros pagos em 10 anos será de R$121.500,00.


Matemática Financeira Organizacional
191

4.2.3 Sistema de amortização misto (SAM)


O sistema de amortização misto (SAM) tem como referência o SAC e o Sistema
Price. Podemos perceber esse fato pela composição do valor da prestação do financia-
mento, que é a média aritmética dos valores das prestações de cada sistema corres-
pondentes aos respectivos prazos. Os valores das parcelas de amortização e dos juros
resultam da mesma regra.
A seguir, apresentamos um exemplo envolvendo o plano de amortização de em-
préstimos pelo sistema de amortização misto (SAM).
Vamos apresentar um plano de pagamentos no sistema de amortização misto
correspondente a um empréstimo de R$ 210.000,00, feito por uma empresa, a ser li-
quidado em 6 pagamentos semestrais a uma taxa nominal de juros de 10% a.a.
Resolução:
Para obtermos o valor da primeira prestação desse sistema, devemos calcular o
valor das prestações na Tabela Price e no SAC, visto que a prestação do sistema misto
é a média aritmética de ambos.
Cálculo I – Sistema Price
Dados:
Taxa de juros nominal = 10% a.a.
Taxa de juros efetiva (semestre) = 5% a.s.
Número de pagamentos = 6
Valor do financiamento = 210.000,00
Valor de cada prestação = ?

Resolução:

INT
1.º Passo: 5 i
12 ÷

AMORT
2.º Passo: 6 n
12 ×

NPV
3.º Passo: 210.000,00 PV
CFo

RND
4.º Passo: PMT = 41.373,67
CFj
Matemática Financeira Organizacional
192

Valor da prestação no sistema Price = 41.373,67


Cálculo II – Sistema SAC
Amortização:
Dados:
Valor do financiamento P = 210.000,00
Número de pagamentos PR =6
Amortização A = ?

Resolução:

A=P/n

A = 210.000,00 / 6

A = 35.000,00

Juros:
Dados:

Taxa de juros nominal = 10% a.a.

Taxa de juros efetiva i = 5% a.s. = 0,05

Saldo devedor anterior SD


0
= 210.000,00

Juros J 1= ?

Resolução:

J 1
= i × SD 0

J 1
= 0,05 × 210.000,00

J 1
= 10.500,00
Matemática Financeira Organizacional
193

Prestação:
Dados:

Amortização A = 35.000,00

Juros J 1= 10.500,00

Prestação PR 1
=?

Resolução:

PR 1= A + J 1

PR 1= 35.000,00 + 10.500,00

PR 1= 45.500,00

Valor da prestação no sistema SAC = 45.500,00


Cálculo III – Sistema SAM
O cálculo do valor da prestação será a média aritmética entre os valores das pres-
tações dos sistemas Price e SAC.
Dados:
Prestação sistema Price = 41.373,67
Prestação sistema SAC = 45.500,00 
Prestação sistema SAM = ?
Resolução:

Prestação SAM = (Prestação Price + Prestação SAC) / 2


Prestação SAM = (41.373,67 + 45.500,00) / 2
Prestação SAM = 43.436,84

Valor da prestação no sistema SAM = 43.436,84


Matemática Financeira Organizacional
194

Análise dos valores das prestações nos sistemas Price, SAC e Misto

Prestação Prestação
Prestação
Mês SAC razão SAM (Misto)
Price
(– 1.750) razão (– 875)
1 41.373,67 45.500,00 43.436,84
2 41.373,67 43.750,00 42.561,84
3 41.373,67 42.000,00 41.686,84
4 41.373,67 40.250,00 40.811,84
5 41.373,67 38.500,00 39.936,84
6 41.373,67 36.750,00 39.061,84

Plano de pagamentos pelo Sistema de amortização misto


Todos os elementos do SAM são a média aritmética dos valores apresentados na
planilha do SAF e do SAC, respectivamente.

Mês Prestação Juros 5% a.m Amortização Saldo devedor


0 - - - 210.000,00
1 43.436,84 10.500,00 32.936,84 177.063,16
2 42.561,84 8.853,16 33.708,68 143.354,48
3 41.686,84 7.167,72 34.519,11 108.835,36
4 40.811,84 5.441,77 35.370,07 73.465,29
5 39.936,84 3.673,26 36.263,58 37.201,71

Comparando os valores das prestações dos três planos, observa-se que: 1) no SAC, as presta-
ções iniciais são mais altas, mas a partir da metade elas começam a diminuir e terminam sendo
mais baixas; 2) no Misto, as prestações têm o mesmo comportamento que no SAC, mas os valo-
res sempre são mais altos.
Matemática Financeira Organizacional
195

Exercícios propostos
1. Considere um projeto de investimento de uma empresa que pretende com-
prar um equipamento industrial no valor de R$ 120.000,00. Por estimativas
e projeções, esse equipamento proporcionará retorno de receitas anuais de
R$ 40.000,00 nos três primeiros anos, e de R$ 50.000,00 nos dois anos se-
guintes. Considerando uma taxa de atratividade de 12% a.a., podemos anali-
sar a viabilidade da compra desse equipamento e sua perspectiva de retorno
financeiro no período de cinco anos. Nessas condições, determine os seguin-
tes elementos: VP (valor presente dos fluxos de caixa desse projeto), VPL (valor
presente líquido) e TIR (taxa interna de retorno).

VP = R$ 156.220,50
Confira a resposta VPL = R$ 36.220,50
TIR = 23,02%

2. De acordo com o fluxo de caixa apresentado a seguir, responda ao que se pede.

Valor das entradas de caixa – em milhares de reais

100 110 120 110 100 80


E1 E2 E3 E4 E5 E6

0 1 2 3 4 5 6

I =?

Valor do investimento n = 6 anos

Além das informações apresentadas, sabe-se que o VPL (valor presente líqui-
do) desse projeto é de R$ 35.858,68 e que a taxa de atratividade é de 8,4% a.a.
Desse modo, determine: o valor do investimento, a TIR (taxa interna de retor-
no) e o IL (índice de lucratividade), o qual é a razão entre o VP (valor presente
dos fluxos de caixa) e o valor do investimento desse projeto.

I = R$ 440.000,00
Confira a resposta TIR = 11,14%
IL = 1,0815
Matemática Financeira Organizacional
196

3. Considere dois projetos (A e B) e seus fluxos de caixa anuais, que são apresen-
tados na seguinte tabela (em milhares de reais). A taxa de atratividade estima-
da é de 10% a.a.

Momento 0 Investimento Inicial Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4


Projeto A – 360 100 120 140 160
Projeto B – 950 300 200 300 400

Determinar a viabilidade dos projetos (se devem ou não ser aceitos para imple-
mentação), analisando os valores de VPL, TIR e IL.

Confira a resposta Projeto A:


VPL = R$ 44.548,87
TIR = 15,16%
IL = 1,124
Projeto A é viável. Deve ser aceito.
Projeto B:
VPL = – R$ 13.383,65
TIR = 9,386%
IL = 0,986
Projeto B não é viável. Não deve ser aceito.

4. Uma empresa está avaliando a possibilidade de abrir uma franquia de um novo


negócio. O valor a ser investido é estimado hoje em 300 mil reais. Contudo, há
possibilidade de que, um ano após o início das atividades, seja feito um investi-
mento adicional de 100 mil reais. Os estudos projetam entradas de caixa em um
fluxo analisado para os próximos quatro anos do projeto. No final do primeiro
ano, espera-se uma entrada de 100 mil reais e, de acordo com cálculos estima-
dos, há previsão de aumento anual desses valores em 10% até o final do projeto.
Utilizando uma taxa de atratividade média de 9,6% a.a., podemos analisar a via-
bilidade desse projeto. Nessas condições, determine os seguintes elementos:
VPL (valor presente liquido), TIR (taxa interna de retorno) e IL (índice de lucra-
tividade). Com isso, analise a viabilidade do projeto.

VPL = R$ - 24.274,53

Confira a resposta TIR = 6,85%


IL = 0,938
Projeto não é viável. Não deve ser aceito.
Matemática Financeira Organizacional
197

5. Considere um empréstimo realizado por uma empresa em determinada insti-


tuição financeira com as seguintes características:
• valor: R$ 300.000,00;
• forma de pagamento: 10 prestações semestrais;
• taxa efetiva de juros aplicada: 5% a.s.
Com essas condições, utilizando os critérios do SAC (sistema de amortização
constante), execute o que se pede.
a) Apresente o esboço de uma planilha de pagamentos com as duas primeiras li-
nhas do plano .
b) Determine o saldo devedor após três anos de pagamentos.
c) Calcule o total de juros pagos nesse financiamento.

Confira a resposta

Questão a:
n (n.º de Valor da Saldo
Juros Amortização
pagamentos) prestação devedor
0 5% a.s. 300.000,00
1 45.000,00 15.000,00 30.000,00 270.000,00
2 43.500,00 13.500,00 30.000,00 240.000,00
Questão b: 120.000,00
Questão c: 82.500,00

6. Com base nos mesmos dados e informações do exercício anterior, mas consi-
derando o empréstimo realizado no SAF (sistema de amortização francês),
execute o que se pede.
a) Apresente o esboço de uma planilha de pagamentos com as duas primeiras li-
nhas do plano.
b) Determine o saldo devedor após três anos de pagamentos.
c) Calcule o total de juros pagos nesse financiamento.
Matemática Financeira Organizacional
198

Confira a resposta

Questão a:
n (n.º de Valor da Saldo
Juros Amortização
pagamentos) prestação devedor
0 5% a.s. 300.000,00
1 38.851,37 15.000,00 23.851,37 276.148,63
2 38.851,37 13.807,43 25.043,94 251.104,69
Questão b: 137.765,04
Questão c: 88.513,70

7. Do mesmo modo, com base nos mesmos dados dos exercícios anteriores (5 e 6),
mas considerando o SAM (sistema de amortização misto), execute o que se pede.
a) Apresente o esboço de uma planilha de pagamentos com as duas primeiras li-
nhas do plano.
b) Determine o saldo devedor após três anos de pagamentos.
c) Calcule o total de juros pagos nesse financiamento.
d) Fazendo os comparativos entre os três sistemas e os valores apresentados em
cada um, faça uma explanação dos principais pontos observados. Cite as parti-
cularidades que cada um pode apresentar.

Confira a resposta

No SAM, todos os valores da planilha de pagamentos são, respectivamente, a média


aritmética dos valores do SAC e do SAF. Assim, de acordo com os resultados já apre-
sentados nos exercícios 5 e 6, temos:
Questão a:
n (n.º de Valor da
Juros Amortização Saldo devedor
pagamentos) prestação
0 5% a.s. 300.000,00
1 41.925,69 15.000,00 26.925,69 273.074,31
2 41.175,69 13.653,72 27.521,97 245.552,34
Questão b) 128.882,52
Questão c) 85.506,85
Questão d) Dissertativa
Matemática Financeira Organizacional
199

Referências
ASSAF NETO, A. Matemática Financeira e suas Aplicações. São Paulo: Atlas, 2012.
HAZZAN, S. Matemática Financeira. São Paulo: Saraiva, 2007.
PUCCINI, A. L. Matemática Financeira Objetiva e Aplicada. São Paulo: Campus, 2011.
SAMANEZ, C. P. Matemática Financeira. São Paulo: Pearson, 2010.
VIEIRA SOBRINHO, J. D. Matemática Financeira. São Paulo: Atlas, 2011.
Matemática Financeira Organizacional
200

APÊNDICE A – Revisão sobre porcentagem e relações percentuais


Porcentagem – relações percentuais
Faremos, a seguir, uma breve revisão de cálculos de porcentagem e de rela-
ções percentuais, elementos que serão muito utilizados em operações da Matemática
Financeira. Bem como para a obtenção de valores através da regra de três simples. De
forma objetiva, esses temas serão expressos em situações aplicativas. Como utiliza-
remos a Calculadora HP 12C, sugerimos, em caso de necessidade, acessar o manual
da calculadora que se apresenta no Apêndice B. Os cálculos podem também ser feitos
com outra calculadora de sua escolha.
I. Cálculos fundamentais de porcentagem e relações percentuais:
a) 25% de R$ 84,00 = ?
PREFIX
Solução: 84 25% = 21
E
N
T
E
R
LSTχ

b) 15% de R$ 248,00 = ?
PREFIX
Solução: 248 15%= 37,30 = R$ 37,20
E
N
T
E
R
LSTχ

c) 7,5% de 620 = ?
PREFIX
Solução: 620 7,5% = 46,5
E
N
T
E
R
LSTχ

d) 1,2% de 128,5 = ?
PREFIX
Solução: 128,5 1,2% = 1,542
E
N
T
E
R
LSTχ
Matemática Financeira Organizacional
201

e) 0,2% de 7,25 = ?
PREFIX
Solução: 7,25 0,2% = 0,0145
E
N
T
E
R
LSTχ

f) 20% de 30% = ?
PREFIX
Solução: 30 20 = 6 (nesse caso, 6% é o resultado.)
E
N
T
E
R
LSTχ

II. Relações percentuais:


a) determinar a variação percentual de R$ 20.000,00 para R$ 23.000,00;
PREFIX SOYD
Pela HP → 20.000 23.000
E ∆%
N FRAC
T
E
R
LSTχ

Aparecerá no visor: 15 = 15%


Por outra calculadora, temos:
Variação = (23.000) – (20.000) = 3.000
Variação percentual = (3.000) = (0,15). Em porcentagem (× 100) = 15%
20.000
b) determinar a variação percentual de R$ 500,00 para R$ 350,00.
PREFIX SOYD
Pela HP → 500 350
E ∆%
N FRAC
T
E
R
LSTχ

Aparecerá no visor: (– 30) = – 30%


Por outra calculadora, temos:
Variação = (350) – (500) = – 150
Matemática Financeira Organizacional
202

Variação percentual = – 150 = (0,3). Em porcentagem (× 100) = – 30%


500

III. Resolução de situações aplicativas envolvendo porcentagem, relações percen-


tuais e regra de três simples.

1. O mesmo modelo de produto está sendo vendido em duas lojas do seguinte


modo:
• na 1.ª loja, sobre o preço de R$ 800,00 há um desconto de 8%;
• na 2.ª loja, sobre o preço de R$ 820,00 há um desconto de 10%.
Qual dessas ofertas é a mais conveniente para o cliente?
Solução:
1.ª loja: 800 – (8%) = 800 – (64) = 736 → R$ 736,00
2.ª loja: 820 – (10%) = 820 – (82) = 738 → R$ 738,00
Portanto, a 1.ª loja vende o produto mais barato.

2. Um comerciante adquiriu uma mercadoria por R$ 250,00, calculou seu preço


de venda inicial estipulando um acréscimo de 80% sobre o custo e, posterior-
mente, sobre esse valor obtido, efetuou mais dois acréscimos sucessivos de
20% e 10%, determinando o preço de venda do produto. Porém, se a venda for
à vista, será concedido um desconto de 15% sobre o preço do produto. Nessas
condições, apresente:
a) o preço de venda dessa mercadoria, sem o desconto de 15%;
b) o preço de venda, à vista, com o desconto de 15%;
c) a taxa (percentual) de lucro real que o comerciante obterá nessa operação,
considerando o valor de compra e o valor de venda à vista aplicado.

3. Uma pessoa adquiriu um veículo novo, o qual custa R$ 32.000,00 (preço de ta-
bela) com um desconto de 3%, pois fez o pagamento à vista. Após dois meses,
revendeu-o por um valor 2% abaixo do preço que pagou no veículo. Qual foi o
percentual total de prejuízo obtido por essa pessoa, em relação ao preço de ta-
bela do veículo?
Matemática Financeira Organizacional
203

Solução:
Preço da tabela: 32.000,00
Preço pago; 32.000,00 – 3 % = (32.000,00) – (960,00) = 31.040,00
Preço vendido: 31.040,00 – 2 % = (31.040,00) – (620,80) = 30.419,20
Prejuízo (em relação ao preço de tabela)
(30.419,20) – (32.000,00)= – 1.580,80
Percentual de prejuízo:
– 1,580,80 = – 0,0494 (em porcentagem: × 100) = 4,94%
32.000,00
Portanto, o percentual de prejuízo na operação, em relação ao preço de tabela,
foi de 4,94%.

4. O preço das passagens de ônibus de certa cidade em um determinado ano era


de R$ 2,60 e foi reajustada em 10%. No ano seguinte, houve um novo aumen-
to de 5%. Suponha que, em nova análise, a prefeitura faça a revogação desses
dois aumentos e defina que o preço de R$ 2,60 seja novamente aplicado.
Para isso ocorrer, qual deve ser o percentual de desconto a ser dado no valor
atual das passagens para que o preço volte a ser de R$ 2,60?
Solução:
I. Cálculo do valor atual das passagens:
(2,60) + (10%) = 2,86
(2,86) + (5%) = 3,00 (valor atual das passagens)
II. Desconto a ser dado para o preço voltar a ser de R$ 2,60:
(3,00) – (2,60) = (0,40)
Percentual de desconto sobre o preço atual (3,00):
(0,40) = 0,1333 (em porcentagem: × 100) = 13,33%
(3,00)
Portanto, o desconto a ser dado ao preço da passagem atual deve ser de 13,33%.
Matemática Financeira Organizacional
204

5. Um comerciante, da área de vestuários, comprou uma quantidade de camisas por


R$ 42.000,00 e outra remessa de calças por R$ 56.000. Revendeu as camisas com
40% de lucro e a remessa de calças com 35% de prejuízo, ambos sobre o preço de
custo. Qual foi a margem de lucro ou prejuízo total desse comerciante (percentual
de ganho ou perda), considerada em relação ao total de preços de venda aplicado?
Solução:
• Cálculo do valor das compras:
(camisas + calças) = (42.000,00) + (56.000,00) = 98.000,00
• Cálculo do valor das vendas:
camisas: (42.000,00) + 40% = (42.000,00) + (16.800,00) = 58.800,00
calças: (56.000,00) – 35% = (56.000,00) – (19.600,00) = 36.400,00
total de vendas = 95.200,00
• Cálculo do Prejuízo
Prejuízo (em reais) = (95.200,00) – (98.000,00) = – 2.800,00
• Percentual em relação ao total de compras:
– 2.800,00 = (– 0,028571) (em porcentagem: × 100) = 2,857%
98.000,00
Portanto, o percentual de prejuízo nessa operação foi de 2,857%.

6. A uma mercadoria de R$ 840,00 foram concedidos acréscimos sucessivos men-


sais de 10%. Considerando que ela foi vendida após três meses, calcule:
a) o preço final de venda;
b) a taxa única referente ao acréscimo em relação ao preço inicial de venda.
Solução:
a) (840,00) + 10% = 924,00
(924,00) + 10% = 1.016,40
(1.016,40) + 10% = 1.118,04
b) Após três meses, a mercadoria aumentou (em reais):
(1.118,04) – (840,00) = R$ 278,04
Em porcentagem:
278,04 = 0,331 (em porcentagem: × 100) = 33,1%
840,00
Matemática Financeira Organizacional
205

A taxa única de acréscimo total após três meses foi de 33,1%.

7. O preço de um produto teve reduções, por três meses consecutivos, de 5%,


7% e 2%. Qual foi a taxa (percentual) única correspondente a essa redução de
preços?
Solução:
O preço do produto não foi informado. Tomaremos como referencial um valor
de 100%, representando o preço total do produto em porcentagem:
(100%) – (5%) = 95%
(95%) – (7%) = (95) – (6,65) = 88,35%
(88,35%) – (2%) = (88,35%) – (1,767%) = 86,583%
Assim, o preço do produto, inicialmente a 100%, reduziu-se a 86,583% de seu
valor.
Portanto, a redução total do preço desse produto foi de 13,417%.

8. Sabe-se que um produto foi vendido com 7,5% de desconto, por ter sido feito o
pagamento à vista. O total pago com esse desconto foi de R$ 600,00. Qual é o
valor desse produto sem o desconto, para pagamento a prazo?
Solução:
Vamos rever o uso da regra de três que permite determinar o valor de um 4.º ele-
mento, sendo conhecidos os valores de outros três. Nesse caso, temos que o va-
lor desconhecido é o preço total do produto (sem o desconto), portanto ele vale
100%. Como foi dado um desconto de 7,5%, o valor líquido pago de 600 reais
corresponde a 92,5% (100% – 7,5%). Assim, matematicamente, podemos, por
meio da regra de três simples, calcular o valor (x) do preço total desse produto.
Cálculos:
(A) R$ 600,00 → (B) 92,5%
(C) Preço do produto (x) → (D) 100%

Após a montagem das colunas (R$) e (%), o cálculo de x é feito pela regra de três
(multiplicação cruzada), propriedade de razão e proporção da Matemática básica.
Assim, temos:
(A) × (D) = (C) × (D)
Matemática Financeira Organizacional
206

Então:
(92,5) × x = (600,00) × (100)
(92,5) × x = 60.000,00
x = 60.000,00 → x = 648,65
92,5
Confirmação: (648,65) – (7,5%) = (648,65) – (48,65) = 600,00
Portanto, o valor desse produto, a prazo, é de R$ 648,65.

9.
No contracheque de um funcionário consta o valor de desconto de
R$ 352,00. Qual é o valor de seu salário bruto, sabendo-se que se recolhe 11%
para o INSS e 6% de vale-transporte (ambos sobre esse salário bruto)?
Solução:
total dos descontos (11% + 6%) = 17%
Cálculos:
R$ % (17) × x = (352,00) × (100)
352,00 17 17 × x = 35.200,00
salário bruto (x) 100 x = 35.200,00
17
x = 2.070,59
Portanto, o salário bruto é de R$ 2.070,59.

10.Uma duplicata, caso seja paga após o vencimento, terá uma multa de 2%, e o
total pago deverá ser de R$ 1.566,00. Entretanto, se essa duplicata for paga
antes do vencimento, o valor a ser pago será de R$ 1.455,46. Assim, calcule
o valor da duplicata para pagamento na data do vencimento e a taxa (percen-
tual) do desconto para pagamento antecipado.
Matemática Financeira Organizacional
207

Solução:
a) Valor da duplicata:
valor da duplicata (x) = 100%
valor com multa (= 2%) = 102%
R$ % (102) × x = (1.566,00) × 100
1.566,00 102 (102) × x = 156.600,00
Valor da duplicata + multa →
Valor da duplicata (x) → 100 x = 156.600,00
102
x = 1.535,30
O valor da duplicata é de R$ 1.535,30.
b) Percentual de desconto para pagamento antecipado:
valor da duplicata = R$1.535,30
valor pago antecipado = R$ 1.455,46
desconto (em reais) = R$ 79,84
desconto (em porcentagem) = 79,84 = 0,052 (em porcentagem: × 100) = 5,2%
1.535,30
O percentual de desconto para pagamento antecipado é de 5,2%.

11.Uma fábrica produz certo modelo de mercadoria por R$ 50,00 e o revende por
R$ 120,00. Com este preço, tem havido uma demanda de 1.000 produtos com-
prados por mês. O fabricante pensa em elevar o preço de venda em 6,5%. Com
isso, estima-se que a demanda terá uma queda de 5%. Nessas condições, calcule:
a) o lucro total sem o aumento no preço;
Dados: Solução

custo reço venda demanda

R$ 50.00 R$ 100,00 1.000

custo total receita total lucro total
(custo unitário x demanda) receita unitária x demanda receita total
Custo total
(50,00) × (1.000) = 50.000,00 (100,00) × (1.000) = 100.000,00 50.000,00
O lucro total, sem o aumento no preço, é de R$ 50.000,00.
Matemática Financeira Organizacional
208

b) o lucro total com a aplicação do aumento de 6,5% no preço de venda e redução


de 5% na demanda;
Solução
custo preço de venda demanda
R$ 50.00 R$ 106,50 950

custo total receita total lucro total
(custo unitário × demanda) receita unitária × demanda receita total
custo total
(50,00) × (950) = 47.500,00 (106,50) × 950 = 101.175,00 53.675,00
O lucro total com o aumento no preço é de R$ . R$ 53.675,00.
c) variação total do lucro após aplicação do aumento no preço do produto.
Variação (em reais) = 3.675,00
(em %) = 3.675 = 0,0735 (em porcentagem: × 100) = 7,35 % 50.000
A variação percentual do aumento do lucro em função do aumento no preço do
produto será de 7,35 %

Exercícios de fixação propostos


1. Um comerciante comprou uma mercadoria por R$ 500,00 e calculou, inicial-
mente, o preço de venda 120% acima do preço de custo. Posteriormente, rea-
lizou dois acréscimos sucessivos de 10% e 5%, gerando o valor de venda do
produto.
a) Determine o valor de venda desse produto.
b) Tendo em vista que o lucro é a diferença entre o valor de venda e o valor de custo
do produto, calcule o percentual de lucro desse comerciante na operação:
Respostas: R$ 1.270,50 e 154,1%.
2. Em uma mercadoria de R$ 1.280,00 houve dois aumentos sucessivos mensais
de 4,5% e 5,5%. No terceiro mês houve uma redução de 10% no preço do pro-
duto. Assim, calcule:
a) o preço final de venda após três meses de aumentos e queda;
b) a taxa única referente ao acréscimo total (ou redução) em relação ao preço ini-
cial de venda do produto.
Respostas: R$ 1.270,05 e (– 0,78%).
Matemática Financeira Organizacional
209

3. Em uma nota fiscal de certo produto foram descontados R$ 960,00 de impos-


tos que correspondem a 17,5% do total. Calcule o valor total dessa nota fiscal.
Resposta: R$ 5.485,72.
4. Na compra de um aparelho, uma pessoa recebeu um desconto de 12,5% por
ter feito o pagamento à vista. Se o valor pago com desconto foi de R$ 1.020,00
pelo aparelho, qual era seu preço original?
Resposta: R$ 1.165,72.
5. Uma duplicata, ao ser paga antes do vencimento, teve um desconto de 10%
sobre seu valor e foi resgatada por R$ 9.180,00. Qual era o valor real dessa du-
plicata para pagamento no prazo estipulado?
Resposta: R$ 10.200,00.
6. Uma fábrica de sapatos produz certo modelo de par de sapatos por R$ 50,00 e
o revende por R$ 80,00. Com esse preço, tem havido uma demanda de 2.000
pares de sapatos mensais. O fabricante pensa em elevar o preço de venda em
5%. Com isso, estima-se que as vendas mensais sofrerão uma queda de 10%.
Com esse aumento no preço de venda, o lucro mensal dessa fábrica:
a) cairá em 10%;
b) aumentará em 20%;
c) aumentará em 2%;
d) cairá em 2%;
e) aumentará em 2,24%.
Resposta: Aumentará em 2%.
Matemática Financeira Organizacional
210

APÊNDICE B – Manual de uso da calculadora HP 12 C


Noções básicas - Utilização da calculadora financeira HP 12C.
A calculadora financeira HP 12C é uma das máquinas mais utilizadas nas resolu-
ções de cálculos da Matemática Financeira. Ela possui até três funções por tecla: bran-
cas (operações normais); laranjas, que aparecem acima da tecla e são acionadas pela
tecla ( f ) antes da operação e azuis, abaixo da tecla e acionadas pela tecla (g).
Apresentaremos, em síntese, as formas de se executar as operações matemáticas
mais básicas, assim como as principais funções financeiras (PV, FV, n, i e PMT), junta-
mente com o conteúdo ministrado.
Aos interessados em maiores detalhes e operações da calculadora, sugere-se a
leitura do manual completo.
Preparação inicial para utilização:
• ligar/desligar a calculadora: tecla ON;
• apagar o que se tem no visor: tecla CLX;
• apagar o conteúdo dos registros: ( f ) (REG);
• apagar o conteúdo das memórias: ( f ) (FIN);
• inserir um número, por exemplo: 4.256,73.
Devemos digitar 4 2 5 6 tecla “.” (ponto) e, a seguir, 7 e 3.
Caso no visor apareça “4,256.73”, devemos trocar a vírgula pelo ponto (n visor) e
vice-versa. Para isso:
• desligue a máquina (ON);
• aperte, simultaneamente, a tecla ON e a tecla “.” (ponto);
• solte primeiro a tecla “.”(ponto) e, em seguida, a tecla ON;
• insira novamente o número acima e veja se ficou na notação desejada.Definir o
número de casas decimais a serem utilizadas:
• f (quantidade de casas decimais desejadas).
• Exemplo: arredondar o n.º 4,2867 para duas casas decimais:
• digite o n.º seguido de ( f ) 2. Aparecerá no visor: 4,29;
• insira um número negativo (por exemplo: – 12);
• devemos digitar 12 tecla CHS.
• Operações elementares:
Matemática Financeira Organizacional
211

• adição/subtração/multiplicação/divisão/potenciação/radiciação.
• (Na HP, a operação desejada é a última digitação a ser realizada na operação).
A. 4 + 7 = 11
PREFIX
HP → 4 7 +
E
N
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 11
B. 12 – 5 = 7
PREFIX
HP → 12 5 +
E
N
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 7
C. 4 – 7 = – 3
PREFIX
HP → 4 7 −
E
N
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado -- 3
D. 4 × 7 = 28
PREFIX
HP → 4 7 ×
E
N
T
E
R
LSTχ
Matemática Financeira Organizacional
212

Aparecerá o resultado 28
E. 4 / 7 = 0,57
PREFIX
HP → 4 7 ÷
E
N
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 0,57


F. 4 + 7 × 5 = 39
PREFIX
HP → 7 5 × 4 +
E
N
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 39

G. 52 = 25
PREFIX
HP → 5 2 PRICE
E
N уχ
T χ
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 25
H. (–4)3 = – 64
PREFIX
HP → 4 3 PRICE
E
N CHS уχ
T DATE χ
E
R
LSTχ
Matemática Financeira Organizacional
213

Aparecerá o resultado – 64
I. (–0,5) 12 = 0,0002
PREFIX
HP → 0,5 12 PRICE
E
N CHS уχ
T DATE χ
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 0,000244


J. √81 = 9
PREFIX
HP → 81 PRICE
E
N g уχ
T χ
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 9

K. √ 1.250,28 = 35,36
PREFIX
HP → 1.250,28
E g
N
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 35,36


L. 3√64 = 4
PREFIX YTM PRICE
HP → 64 3
E 1/ χ уχ
N еχ χ
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 4
M. 5√125 = 2,63
PREFIX YTM PRICE
HP → 125 5
E 1/ χ уχ
N еχ χ
T
E
R
LSTχ
Matemática Financeira Organizacional
214

Aparecerá o resultado 2,63


N. 12√1,45 = 1,03
PREFIX YTM PRICE
HP → 1,45 12
E 1/ χ уχ
еχ χ
N
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 1,03

• Cálculo de porcentagem e variação percentual


A. 12% de 200 = 24
PREFIX DB
HP → 200 12
E %
N INTG
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 24
B. 4,5% de 124,50 = 5,60
PREFIX DB
HP → 124,50 4,5
E %
N INTG
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 5,60


• Cálculo de variação percentual (%) de dois valores
A. Variação percentual de R$20.000,00 para R$23.000,00 = 15%
PREFIX DB
HP → 20.000 23.000
E %
N INTG
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado 15%


Matemática Financeira Organizacional
215

B. Variação percentual de R$500,00 para R$350,00 = – 30%


PREFIX DB
HP → 500 350
E %
N INTG
T
E
R
LSTχ

Aparecerá o resultado – 30%


• Utilização da memória da HP
A HP possui 20 memórias disponíveis: 0, 1, 2, 3, ...9 e 0 (ponto 0),
1 (ponto 1), ...9 (ponto 9)
• Para armazenar, por exemplo, o número 36 na memória 1, devemos digitar:
HP → 36
STO 1
χr

• Para armazenar o número 72 na memória 2, devemos digitar:


HP → 72
STO 2
ŷr

E, assim, podemos armazenar valores em quaisquer das 20 memórias disponíveis.


• Para recuperarmos um número da memória 1, por exemplo, basta digitarmos:
REG
HP →
RCL 1
χ r

• Para recuperarmos um número da memória 2, basta digitarmos:


HP → REG
RCL 2
ŷr
Matemática Financeira Organizacional
216

Utilização das teclas de calendário da HP 12C


• Cálculo de número de dias entre duas datas.
Por exemplo: calcular o número de dias entre as datas 01.01.2013 e 12.07.2013.
I. Formatamos seis casas decimais:
HP → 6
f χw

II. Formatamos a tecla de inserção de datas:


HP → g 4
D.MY

III. Inserimos a 1.ª data, (dia.mêsano):


PREFIX
HP → 01.012013
E
N
T
E
R
LSTχ

Em seguida, inserimos a 2.ª data (dia.mêsano) – (não digitar ENTER)


HP → 12.072013
Finalmente, teclamos:
HP → g EEX
∆DYS

E, então, o número de dias entre as datas aparecerá no visor.


Matemática Financeira Organizacional
217

Solução:
PREFIX
HP → 01.012013
E g EEX
N ∆DYS
T
E
R
LSTχ

Aparecerá no visor: 192


Solução:
PREFIX
HP → 01.012013 185 g CHS
E
DATE
N
T
E
R
LSTχ

Aparecerá no visor: 05.07.2013 5


O valor 5 que aparece após a data refere-se ao dia da semana. Corresponde
ao 5.º dia útil da semana comercial, na qual 1 é 2.ª feira. Logo, 05.07.2013 foi uma
(sexta-feira).
Observação
As teclas das funções financeiras mais utilizadas são:
PV = valor presente (present value);
FV = valor futuro ( future value);
PMT = Pagamentos (Payment);
n = número de períodos (prazo da operação) = número de pagamentos;
i = taxa de juros (expressa em porcentagem).
Superintendente Prof. Paulo Arns da Cunha
Reitor Prof. José Pio Martins
Pró-Reitora Acadêmica Profa. Márcia Teixeira Sebastiani
Diretor de EAD Prof. Carlos Longo
Gerente Editorial e de Tutoria Profa. Manoela Pierina Tagliaferro
Gerente de Metodologia Profa. Dinamara Pereira Machado

Autoria Prof. Julio Cezar Wojciechowski


Supervisão de Josiane Cristina Rabac Stahl
Desenvolvimento de Conteúdo
Análise de Conteúdo Francine Ozaki
Análise de Qualidade Betina Dias Ferreira
Edição de Texto Elisa Novaski Cordeiro
Design Instrucional Alexandre Oliveira e Lucelí de Souza Fabro
Estágio de Design Instrucional Akemi Yaeda
Layout de Capa Valdir de Oliveira
Imagem de Capa Juliano Henrique e Thiago Sihvenger
Edição de Arte Denis Kaio Tanaami
Diagramação Janaina Benato Siqueira, Regiane Rosa,
Solange Souza Mendes e William Batista
Design Gráfico Carlos Henrique Stabile, Juliano Henrique,
Regiane Rosa e Thiago Sihvenger
Estágio de Design Gráfico Bernardo Beghetto, Luiza Morena Moraes e
Willian Batista
Revisão Caroline Chaves de França, Marina López
Moreira, Marilene Christine Costa Gonçalves
e Yohan Barczyszyn

*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados aos autores, salvo quando indicada a referência.

Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos. Nenhuma parte
desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos
direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.

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