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Apresentação .....................................................................................................
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Siglas utilizadas no texto ...................................................................................


IX

Em busca do espaço absoluto 1

"hum—.
..............................................................................

Postulados da teoria da relatividade especial ................................................... 25

A transformação de Lorentz ..............................................................................


39

Mecânica relativistica .........................................................................................


61

Formalismo espaço—tempo 81

“CSU:
no ...........................................................................

Relatividade e eletrodinâmica .........................................................................


101

A teoria da relatividade geral ........................................... -. ...............................


119

Tabela de constantes úteis ..............................................................................


141

Bibliografia ........................................................................................................
143

Índice remissivo ................................................................................................


145
da relatividade especial
Albert Einstein criou duas teorias da relatividade: a teoria
teoria da relatividade geral,
(também denominada teoria da relatividade restrita),
e a

e TRG, respectivamente. A primeira


é essencial na for—
que abreviaremos por TRE
mesmo do engenheiro que se especialize
em
mação do físico, do químico teórico ou
de ser uma ferramenta teórica
alguns ramos modernos da engenharia. A TRG, apesar
apenas para astrofísicos e cosmologistas, desperta um interesse geral
indispensável
de Newton também porque a cos-
por ser uma teoria de gravitação que substitui a e

dos campos mais ativos e fascinantes da ciência.


mologia é hoje um

em física e trata
Este livro se principalmente a estudantes de graduação
destina
do leitor é o calculo diferencial e integral dos
apenas da TRE. A matemática exigida
básicas de cálculo matricial. A TRG,
primeiros anos do curso universitário e noções
.

que exigiria um instrumental


matemático mais completo, e' abordada apenas superfi-
cialmente no último capítulo, do ponto de vista de um
físico experimental, isto é, de

das experiências a testam.


seus fundamentos empíricos e que

início do curso de
A TRE tem sido ensinada, as vezes, de forma introdutória, já no
física na universidade e, por isso, é difícil estabelecer um ponto
de partida que conve-
o estudante não tenha
nha a todos os estudantes. Este texto foi escrito supondo que
ao terminar o livro,
prévio com a teoria, e a expectativa do autor é que
tido contato
domínio razoável dela.
ele compreenda os principais conceitos e consiga um
ao longo do
Recomendamos que o estudante resolva os problemas distribuídos
seu objetivo e consolidar os con-
texto, exatamente quando chegar a eles, porque
de fim de capítulo, evi—
ceitos aprendidos até aquele ponto. Quanto aos problemas
em geral, de
tamos os repetitivos e os que se apresentam como paradoxos, que são,
resolvidos com reflexão
resolução muito difícil. Acreditamos que poucos problemas
resolvidos mecanicamente. Demos
profunda ensinam mais do que muitos problemas
as respostas de alguns problemas a fim de que
o estudante, comparando sua resposta
não de todos, que o domi—
com a do livro ganhe confiança no aprendizado; mas, para

nio da teoria fique mais seguro.

original na criação de problemas de teoria da relatividade.


tantos
Não é fácil ser

são os apresentados em livros didáticos existentes, em


formas as vezes, apenas li—
deste livro foram lHSplI'ãtílOS
geiramente diferentes. Por isso, muitos dos problemas
imitaram. Procurei ser sele—
pelos dos livros citados na bibliografia e, muitas vezes,
os

conceitos fossem de alguma forma envolvidos. que o nivel


tivo de modo que todos os
muita repetição.
de dificuldade fosse adequado ao texto e que não houvesse
em disciplinas
O texto foi escrito de maneira sucinta para que possa ser utilizado
semestrais, trimestrais, ou mesmo bimestrais, por uma escolha judiciosa dos assun—
'
Teoria da relatividade especial

estudantes não tiverem


pitulo pode ser abandonado
se os
tos (capítulos). O sexto ca

estudado antes a teoria. eletromagnética de Maxwell.


pode utilizada numa disciplina
teoria da relatividade
ser
É opinião do autor que a
uma teoria l'i.
bom exemplo do desenvo lvimento de
de história da ciência como um

disponível sobre sua formulaç ão: os (fonliitos


sica, devith a qualidade informação
da
fim do século XIX, as tentativas de solução desses
existentes na física classica no
e finalmente comprovação
,

sua

coniiitos7 a dificuldade de aceitação da nova teoria


número de testes experimentais
não-reprovação pelo imenso

ou, pelo menos, sua desenvol—


notas históricas relativas
ao
enriquecer o texto com
Procurou-se, por isso,
de história da ciênci
vimento da teoria cientistas envolvidos. Numa disciplina
e aos

os três primeiros
e o ultimo capítulos podem ser

ou de evolução das idéias da física,


usados com proveito; o quarto parcialmente.
(:ledicaran
8. Chaves e Márcio Quintão Moreno que
Agradeço aos colegas Alaor fizeram muitos comentários
do seu tempo a revisão do texto e
parte considerável Luiz Vicente Vieira Filho. pela
Sou grato ainda a
críticos que foram aproveitados. de linguagem com.
não só corrigiu as imperfeições
excelente revisão do texto, que e a todo quadro
tei--
a torná-lo mais claro;
também a Carlos Lepique
também ajudou com qm—
Blucher, pela competência
e presteza
nico de editoração da Editora Edgard
chegar a sua forma final.
ajudaram este livro
de Fisica, do Instif
minha gratidão ao Departamento
Gostaria ainda de express ar desenvolvz
de Minas Gerais. onde
da Univ ersidade Federal
tuto de Ciências Exatas, tem me aco-
toda minha vida cientifica, e que agora,
depois de minha aposentadoria.
termo
per mitiii levar
«
a
convívio com antigos e novos colegas que me
lhido. Foi o

projeto de escrever este livro.

R. Gazziizeli
de 200.
Belo Horizonte, iiorembro
Siglas utilizadas no texto

CM Centro de
massa
MM Michelson-Morley

PE Princípio da equiValência

PR Princípio da relatividade

PRE Princípio da relatividade de Einstein

PRG Princípio da relatividade de Galileu

TG Transformação de Galileu

TL Transformação de Lorentz

TRE Teoria da relatividade especial

TRG Teoria da relatividade geral

17
Albert Einstein criou duas teorias da relatividade. A primeira, publicada em 1905.
denominada teoria da relatividade especial (TRE), ou teoria da relatividade res—
trita, trata da invariância das leis físicas sob uma transformação entre referenciais
que se deslocam com velocidades relativas uniformes. Sua estrutura matemática e

simples e pode ser dominada com a matemática estudada nos primeiros anos da
universidade. Seus postulados físicos levam a resultados à primeira vista estranhos.
mas que aceitamos como verdadeiros porque obedecem a uma lógica implacável e

são verificados por um experiências. A segunda


número imenso de a teoria da —

relatividade geral (TRG), publicada em 1916 generaliza os resultados da. primei-


ra para referenciais acelerados e incorpora a gravitação. Essa teoria exige um bom

conhecimento de geometria diferencial e cálculo tensorial e não será exposta neste


texto dela discutiremos brevemente apenas os fundamentos, para dar ao leitor uma

idéia de seu conteúdo físico. Começaremos pela discussão do conceito de referen-


cial inercial, essencial para a formulação da TRE.

I.] REFERENCIAIS INERCIAIS


A mecânica clássica foi construída nos séculos XVI a XVIII por vários cientistas, mas
seus fundamentos são devidos principalmente a Galileu Galilei e Isaac Newton. C ou—

be a este dar-lhe aformulação definitiva em seus Principia mathematicâ1 '. Ela


tem como pressupostos as seguintes idéias:
1. O tempo é absoluto, homogêneo e isotrópico. Newton exprimiu essa idéia as-

sim: “O tempo absoluto, verdadeiro e matemático, por si mesmo e por sua própria
natureza, Hui uniformemente sem relação com qualquer coisa externa". A ideia
de tempo absoluto implica independência em relação ao observador e ao objeto
ou fenômeno observados; ao dizer que “o tempo flui uniformemente". Nemon
-

estava afirmando sua homogeneidade. Só na física quântica a questão da iso—

tropia do tempo, isto é, a equivalência ou não dos sentidos passado'—>futuro e


futuroapassado, passou a ter significado e por isso a isotropia do tempo não é
2 Capítulo I —

Em busca do espaço absoluto

mencionada por Nevvton. Na mecânica clássica só há um sentido para


o tem,

de qualquer forma, podemos verificar


que é do passado para o futuro, mas,
,

suas leis são invariantes para uma inversão do tempo.

2. O espaço é absoluto, homogêneo, isotrópico e


Quotidiano. Nas palavras
sem relação com qualqi.»
'

Newton, “0 espaço absoluto, por sua própria natureza,


idéia de que o espaço r
coisa externa, permanece sempre similar e imóvel”.
A .

tem relação
com coisa externa e que permanece imóvel correspond+
qualquer
seu caráter de ser absoluto, ade que permanece sempre similar e uma afirmaç
Acrescentamos duas idéias, não declaradas por
Nemi
de homogeneidade.
.

sua
de todas direções i>
implícitas na mecânica clássica: de equivalência as

mas a

de que métrica a ser usada é a euclidiana: a distância mais cur“


tropia —

e a a

entre dois pontos e a reta.

pressupostos, construiu a mecânica sol :*


Como sabemos, Newton, com esses

três leis fundamentais:


de movimento retilin»
Primeira: As partículas mantém seu estado de repouso ou
externas não atuem
uniforme (vetor velocidade constante) desde que forças
s

bre elas.

é igual produto da massa da pair


Segunda: força que atua sobre
A uma partícula ao

tícula por sua aceleração:

F : ma.

partícula B, então E exerc


partículaA força F sobre
—-

a
Terceira: Se uma exerce uma

a força —F sobre A.

De agora em diante, nos referiremos a partículas sobre as quais não atuam força
primeira
livres. A lei é lei de inércia. Observem que a segunv
como particulas a

uma simples definição de força, porque há


leis independentes que bem .

lei não é
e de Coulomb. A afirmação
tem medir as forças, por exemplo, as leis de Hooke
i,
,

a dizer que a massa m na equação


F n a
que o espaço é isotrópico corresponde
=

escalar. Se na terceira )
independe da direção de a, ou seja, que m é uma grandeza
imaginarmos que as partículasA e B estao separadas,
isto é, que existe ação a distal
,

idéia de simultaneidade absoluta portanto de tempo absoluto es


,

e
cia, então

implícita.
explicação do mundo físico deset
imenso êxito da mecânica clássica,
,

a
Dexddo ao
esse paradign,
volvida nos séculos seguintes tomou—a como paradigma. Conforme
um fenômeno físico só e' considerado completamente compreendido
quando pod-
-

Além dos
mos construir um modelo mecânico para representa—lo.
mesmos press
-

básicos referentes ao espaço e ao tempo, adotou-se como forma de qualquwi


postos
em que o estai
lei física forma dinâmica das leis da mecânica; isto é, a forma
a

inicial de um sistema determina completamente o estado futuro por meio de ur:


determinisnt
equação diferencial. Essas idéias culminariam no século XIX com o
analise de dificuldades surgidas física no sécuÇ
de Laplaceºº). Vamos ver como a
na
I.] —

Referenciais inerciais

XIX conduziram a reconsideração dos pressupostos expostos acima e a construção


de uma nova teoria física, a teoria da relatividade especial. Para isso, vamos rever
algumas idéias da física clássica, importantes para nossa análise.

Para estudar o movimento dos corpos, e necessário medir o tempo e a posição


instantânea do corpo. Para registrar a posição de um corpo, é necessário introduzir
um sistema de referência referencial —, por exemplo, um sistema de coordenadas

cartesianas. Qualquer conjunto de corpos em repouso relativo (cada um em relação


aos outros) pode ser utilizado como referencial. Devido à homogeneidade e isotropia

do espaço, a origem e orientação dos eixos é arbitrária. A métrica adotada deve ser
euclidiana, isto é, nesse espaço, o teorema de Pitágoras é válido. Qualquer fenômeno
periódico pode ser adotado como relógio, isto e, pode ser utilizado para medir o tem—
po e, devido a homogeneidade deste, a origem pode ser escolhida arbitrariamente; no
entanto, como apontamos antes, o sentido será sempre do passado para o futuro.

Há, porém, um tipo particular de sistema de referência no qual a lei de inércia


de Newton é válida'e que é, por isto, denominado referencial inercial. Em outras
palavras, se um corpo, sobre o qual forças externas. está em repouso ou
não atuam
em movimento retilíneo uniforme referencial, ele e definido como inercial. Essa
num

afirmativa não é, porém, estritamente, uma definição.


A escolha de um referencial inercial não é trivial. P. W.
Bridgman, que deixou im-
portantes contribuições sobre os fundamentos da física, propôs a regra seguinte para
identifica—los: “um sistema de três eixos rígidos ortogonais constitui um referencial
inercial se três partículas, sobre as quais não atuam forças. projetadas ao longo deles
com velocidades uniformes, continuam a se mover com velocidades uniformes”. Essa

regra, de difícil aplicação. prática, é, de fato, uma definição operacional de referencial


inercial através de uma experiência i'magz'nam'aBl.

Pode-se verificarempiricamente que um referencial ligado às estrelas é, com alta


precisão, um referencial
inercial, e esse tipo de referencial é tomado tradicionalmen-
te como padrão para aplicação das leis de Newton. Sabemos, no entanto, que essas
estrelas não são realmente fixas porque nossa galáxia gira em torno de seu eixo e o
universo se expande. Então é mais apropriado considerar como padrão o referencial
ligado as galáxias, que se afastam radialmente de nós.
Será um laboratório fixo na Terra um bom referencial inercial? Que correção de-
vemos fazer na equação F : ma para levar em conta a aceleração devida ao movi-

mento do referencial?

Temos que considerar pelo menos o movimento diário da Terra em torno de seu
eixo e o anual em torno do Sol, que são os mais significativos. Consideremos inicial—
mente o movimento diário da Terra. Uma partícula em repouso no equador sofre uma

aceleração centrípeta

2
2
27:
a=—=ªººRT= _4 —6,4-106m-s_253,4-10—2m-s—2,
8,6«10
do espaço
absoluto
I Em busca
Capitulo rotação

a
de um
equador devido
ponto no
a ace—
e iª a velocidade referencial terrestre
raio da Terra Terra tem no
onde RTé o a superfície
da
terceiro algarismo
próxima valor que é afetado
no
diária Uma partícula a gravidade. devido
9,80 m-sfª, acima.
leração g
centripeta calculada
=

do
aceleração que resulta
significativo pela o calculo
da aceleração
m-s'z, que é
fazer, de maneira análoga.
achara valor N6-10'3
O leitor poderá órbita solar
e
o
então,
em sua diário poderá, e

movimento anual da Terra o efeito


do moximento do Sol, que
menor do que dexido ao movimento
uma ordem de grandeza com esse. O efeito Terra pode
ser

desprezado em comparação
fiXO na
que o laboratório uma
ser
ainda. oncluimos
C
que se quisermos
Terra, é menor precisão: mas.
galáxias,
arrasta grau de
a, às
inercial até esse
às estrelas ou

considerado como
adotar os referenciais ligados
deveremos
precisão maior
atras.
mencionados
DE GALILEU
DA RELATIVIDADE
1.2 PRINC ÍPIO se «foi:-ca para
nos e seguinte: dada
o
será sua
referencial. qual
:
1

em um certo
_.
ela se trans—
isto é. como
referencial. Se
para outro“?

referencial
_
,

deum
E. 3.3 ;assarmos é invarian—
dizemos que
a mesma forma.
ele c- ;“ serva

fr: f.;-'t :. transformação. na


referencial para outro
de um
A. Transformação comum e sua
dedução
atende ao senso
RCI, y, z)
e
fisica classica
Tomemos dois referenciais 1.1,
e' imediata. mostrada na Figura
na configuração
R' rj,"! ª,» '. :'i usada neste texto.
que sera
a corzjíguração padrãosão paralelos,
e o refe-
dois referenciais veloci-
Os eixos dos na direção as com
z') move—se
rencial R' (J', y', R. No ins-
relação ao referencial
u, em essa
dade uniforme coincidem. Observe que
as origens
tante inicial
mes-
a solução porque,
não particulariza é
configuração se dê numa
direção genérica,
mo que o
movimento coincida com
o eixo Ox
modo que
referencial R de
eixos do R' para que
seus eixos
fl-

sempre possivel
girar os
referencial
em seguida, girar
o

Figura 1.1 a direção


do inoximento e.
R.
aos do referencial
iner-
referencial R, no ins-
z) do referencial
O
cial R' move-se
ao
quem paralelos do espaço (35, y, mo—

longo do
eixo x do
que ocorre
no ponto
numa posição
determinada e num de
Um fenômeno
colisão de duas partículas
conjunto
referencial inercial referir ao
vamos nos
Por simplicidade
a
tante r. tal como de um
R com velocidade e um evento. inicial, as coordenadas t t'
Um mento determinado. evento. No instante z', =

x', y y'
u.
uniforme um z =
=

:. I) como
são iguais (x
= ,

referen-
evento no
coordenadas tir. y. definidos acima, supondo
cial R é definido referenciais R e R", na física
clássica e estamos
de evento nos
independe do referencial
pelo conjunto o tempo
coordenadas (x, y, =
0). porque nesse instante. as (:O-
é ab— as origens coincidam uniforme to na direção a:,
Z, 0. O tempo com velocidade
que
E' se desloca que a coordenada x
portanto, ao passo
y' e z z',
soluto e, como
No instante t,
=

não variam, y
=
os
o mesmo para ponto
referenciais. ordenadas y' e z' do
dois
1.2 —

Princípio da relatividade de Galileu

varia de acordo com a


equação x x' + ul. Se juntamos a essas
=

que exprime que equações a equação


tempo é absoluto, isto é, independente do
o

transformação de Galileu (TG): referencial, teremos a

x=x'+ill, yzy', z=z', tzt'.


(1.1)
A
transformação de velocidades na mecânica clássica pode ser obtida imediata-
mente derivando essas
equações em relação a t =
t':

uxzug+u$ uyzu'y, uz=ug, (1.2)


onde (il.,—, uy, uz) (dx/dl, alg/dl, dZ/dl)
:

Por
e
(ug, aí,, ug) :
(eu“/df, dy'/dt', de”/df).
exemplo, se um passageiro caminha com velocidade de 5 km-h*1
um navio que
no convés de
se desloca com velocidade de 50 kmh—1
cidade do passageiro
em relação a uma
bóia, a velo—
em relação a essa mesma
referência será de (50 : 5) km«h*1.
Dessa transformação de velocidades podemos concluir que. dado um
inercial, qualquer referencial que se desloca com referencial
velocidade uniforme em
ele será também
inercial, porque a lei de inércia é válida no novo relação a
dado um referencial referencial. Então,
inercial, temos sempre uma injinidade de
ciais, que são todos os referenciais
referenciais iner—
que se deslocam com velocidades
uniformes em
relação a ele.
Galileu verificou empiricamente
que as leis da mecânica conservam
sua forma
quando transformadas de um referencial
inercial para outro. Ele deu o
exemplo: se fizermos experiências de mecânica seguinte
na cabine fechada de
um navio
se desloca com
velocidade uniforme num que
lago muito tranquilo, não poderemos de—
terminar, através dessas experiências, se o navio está em
repouso ou em movimento.
Esse resultado empírico é tomado
beu o nome de
como um
princípio fundamental da física e rece—
principio da relatividade de Galileu
(PRG).
Vamos mostrar com um
exemplo como uma lei da mecânica permanece
quando se passa de um referencial inercial invariante
para outro.

Exemplo 1.1

Um vagão se move com


velocidade uniforme u em
relação à plataforma da
estação. Um passageiro deixa cair um
objeto de uma altura h,. O passageiro
observa que o objeto, em sua
queda, obedece a segunda lei de Newton. Mostre
que, para um observador na
plataforma, o objeto segue a mesma lei.

Solução
Tomamos referencial]? da plataforma, le0 na
o

rencial R' do vagão,


Terra, como inercial. O refe-
que se move com velocidade uniforme
taforma, é também inercial. Fazemos os eixos dos dois
ti em
relação a pla-
referenciais paralelos e
tomamos o eixo 095 como
direção do movimento do vagão. Um ponto do
tem coordenadas espaço
(x, y, z) em R e (x', y', z') em E'. Como o vagão se move
Capítulo I —

Em busca do espaço absoluto

na direção 90, as coordenadas g e z ÇQMLEÍYIE make—iradas O tempo. sendo


absoluto, é o mesmo para os dois refere-rs- aee att; _us que as origens dos
referenciais coincidem no instante ! : U. Temm. _:eça
»
';

r=1'+uz. u=,;,: :::,

O observador no ref.:—recai; .F.; vê :, «igual? cair na


'

y
direção y'. Assim. as

vantes neste probierg


“V relações entre as ( -:
e v' do objeto n :
,
R R
rivando
, “
se em
relaçã: 3: :—r:

z = -
a. i = =

Derivando r.::.:3:á—:r.:e em relação


: :

equaç: essas

tempo obtemos as rela


:

ao : :mponen-
tes das acelerações:
|
] a;». a
a! = =
;

_
Então, a. aceleração a do
objeto e' invariantes: :;b «: E"? A. firm? pode ser
Figura 1.2
medida por processos independentes do sistema
se carrier—.E
:»r exem— —
«
O referencial R é

plo pela lei de Hooke e não depende, portanto .:. s


:

fixo platafor-

« «—
na
__,.

ma da estação e o a massa é uma grandeza escalar e por isso indeperizi—f-ª _

referencval R num
denadas. Como a massa, a força e a aceleração sã :. ::

vagão Que se move


Nemon. F= ma, é invariante sob a TG— os dois extern-12:33-»—
com veloccdade u
naplataforma. observam que o objeto, em sua queda —:
'

direção x. Lm
_

na
-

objeto ca. da pos:— Observe que referencial R' do vagão, onde


d. y m.
no o experimentada-r realiza a ex—
ção (x = =

dentro do vagão. periencia.


x' :
d,
1 9 1 =,

-'=h,——
y g t'“ =h—— 91 :.
2 2

O objeto cai na (;r' d:) obedecendoa lei de quedalivre ª_r; _h le gtª).


vertical —

O observador no vagão não pode, por essa experiência. dizer se está ou não em
movimento porque o objeto obedece à mesma lei que «:»"t-edeceria se o vagão
estivesse parado na plataforma.

No referencial R da plataforma,
a: =
(1 + ut,
1 2
y h _

gf
ª

e a trajetória do objeto é a parábola


1.3 —

Aceleração absoluta e princípio de Mach

Aprimeira lei de Newton e obviamente invariante sob & TG porque é utilizada para
definir o referencial inercial. A massa e a
força são grandezas físicas independentes
do referencial. Como a terceira lei de Newton só envolve o conceito de força, também
ela é invariante sob a TG. A segunda lei envolve os conceitos de aceleração, massa, e

força, todos três invariantes sob a TG e e. por isso, também invariante. As três leis de
Newton são, portanto, invariantes sob & TG e como elas constituem os fundamentos
da mecânica clássica, concluímos que todas as leis da mecânica são invariantes sob a

TG. Esse é o conteúdo do PRG, que podemos formular assim: as leis da mecânica
são invariantes sob a TG. O fato de não haver mudança na forma da lei quando o

fenômeno é examinado em diferentes referenciais inerciais indica que um movimen-


to uniforme não altera o fenômeno. Podemos então enunciar o PRG numa forma que
salienta o conteúdo físico da lei: e' z'mpossz'rel detectar por meio de uma experien—
cz'a, mecânica o movimento de um referencial inercial. Apesar de descoberto por
Galileu no século 17, esse princípio só recebeu o nome de princípio da relativida-
de no contexto da teoria da relatixidade de Einstein.

O leitor deve observar que. quando transformamos uma equação qualquer da me-

cânica clássica de um referencial inercial para outro —

o que devemos fazer utilizando


as equações da TG —, sua forma permanece a mesma, isto é, o PRG é obedecido.

Concluímos que: a mecânica de Newton, a transformação de Galileu, e o prin-


cípio da relatividade de Gal z'leu são consistentes, isto e, formam um sistema de
leis sem contradições internas.

Esse sistema permaneceu válido, com imenso sucesso, até o início do século XX
e, comalguma restrição. que discutiremos depois, é utilizado até hoje. A quase tota-
lidade da mecânica planetária e a mecânica de foguetes, satélites artificiais e corpos
macroscópicos na Terra podem ser realizadas com esse sistema de leis. Apesar de
críticas a mecânica de Nemon terem surgido desde sua publicação, dificuldades re-
almente consideráveis só foram levantadas no fim do século XIX, quando se tentou
achar um referencial absoluto para o eletromagnetismo.

1.3 ACELERAÇÃO ABSOLUTA E PRINCÍPIO DE MACH


Nunca faltaram críticas ao conceito de espaço absoluto de Newton. Desde Huygens,

Leibniz Berkeley, seus contemporâneos, até Mach“) no século XIX, e Einstein, no


e ,

século XX, críticas argutas foram apresentadas ao conceito. Para Leibniz e Berkeley
o espaço não pode ser considerado como uma espécie de receptáculo ocupado pelos

objetos da natureza. Na visão desses filósofos, o espaço nada mais é do que o conjun-
to de relações de posição entre os objetos materiais, percebidas pelos sentidos a —

ausência de corpos materiais implicaria, portanto, a inexistência do espaço.

Serápossível determinar um moximento absoluto“? Se nos referimos a moxinien—


to uniforme, o princípio da relatividade de Galileu dá uma resposta negativa a essa
questão, porque não é possível escolher num conjunto infinito de referenciais iner-
ciais o referencial do espaço absoluto. Newton acreditava, porém, que e possivel de-
terminar uma aceleração absoluta. por causa das forças fictícias que aparecem nos
movimentos acelerados. Se isso fosse verdade, a idéia de espaço absoluto ganharia
consistência.
Capitulo I —

Em busca do espaço absoluto

Newton propôs a seguinte experiência. Tomamos


l um balde com agua suspenso por uma corda e o gi-

ramos várias vezes em torno de seu eixo. de modo a

torcer a corda. Se soltarmos o balde. ele terá um mo—

vimento de rotação em torno do euro. Inicialmente


a

superfície da agua permanecerá plana [Figura 1.13(a)],


mas o atrito da água com o balde comunicará o movi-

mento do balde a água e sua superficie tornará uma for—


ma côncava [(Figura 1.31%]. De acordo com NeWton,

um observador no eixo do balde. girando com ele e,

R (inercial) portanto, em repouso no referencial do balde [Figura se

1.3 (c)], ao observar a forma côncava da superfície da m

água, poderá aiirmar que o balde tem uma aceleração el


absoluta. Para Newton. as forças fictícias ou inerciais,
y
que aparecem em um referencial R' em rotação uni- Si!
forme (força centrífuga. força de Cszrnculís). que pro-
Z/ vocam a curvatura da superfície da agua, resultam de
2,

rotações absolutas, isto é. de rotações em relação ao

I/])! J
[l']
11
espaço absoluto.

No final do século XIX. Mach fez


fundamentos da mecânica de Newer, que teve grande
uma crítica aos

&

iniiuência nas concepções de Einstem sobre a relati-

R' (não—inercial) vidade. Para Mach, só existem movimentos relativos;


não importa se concebemos a Terra em rotação em
,
torno de seu eixo, ou em repouso. enquanto as estre—

giram em torno dela. Na experiência do balde, se-


las

y gundo Mach, 0 que o observador esta detectando de


fato não é a aceleração do balde ent relação ao espa-

ço absoluto, mas sim em relação a todas as massas do


universo, ou seja, em relação a um referencial ligado
às estrelas fixas a concavidade seria observada igualmente se deixassemos o bal-

igura 1.3
a experiência do
de leO e lizéssemos 0 conjunto das estrelas girar em torno da Tema. De acordo com
alde, de Newton, Mach, a lei de inércia não se refere ao repouso, ou moximento uniforme. em relação
referencial R da ao espaçoabsoluto, mas em relaçao ao centro de massa de todas as massas do uni-
é tomado
verso (referencial das estrelas). O que hoje denominamos 1377726211533 de Mach e uma
erra

amo (aproximada—
mente) inercial. conjetura que enfeixa o conjunto de idéias expostas acima. dificu de ser traduzida
Balde em numa única proposição. A formulação de Einstein para essa conjetura e' a seguinte:
u repou-
3 no referencial R “A inércia mede a resistência de um ponto material a aceleração com respeito as
observador em R. massas de todos corpos do universo, sendo, portanto, afetada por elas".
: Balde em rota-

ão no referencial

"-
& observador
R, 1.4 TEORIA ELETROMAGNÉTICA DE MAXWELL
53!de em rota-
Em meados do século XIX, Maxwell formulou uma teoria capaz de explicar todos os
â— em R e obser—
=..:»»' no referen- fenômenos elétricos e magnéticos conhecidos na época. Essa teoria está contida nas
a» R do balde. quatro equações para o campo eletrico E e o campo magnético B escritas a seguir
(' O
em sua forma integral:

_—
de Maxwell
1.4 ——
Teoria eletromagnética

o campo elétrico).
_9. (lei de Gauss para

ªnadia-gq (lei de Gauss para


o campo magnético)
(l .3)
gua-diko
dº (lei de Faraday),
Cªnªl” a?
__

d
Alnpere—Maxweu),
qSB-dhpoiwoeo %
(lei de

i, e (PE são. respectiva-


unidades do 81, q, %
9-109 ihr-104, em
íiuxo do camp—:-
magnético
:
no e e
sendo 1/41780
:

corrente elétrica, fluxo do campo


mente, carga elétrica,
e a den-
elétrico. continuidade para a carga q
de
equação
equações está implícita
a
Nessas
sidade de corrente j:
d
-—q-.
<i> j dA
=
-

dt

compreender
eletromagnetismo para
texto de do ter—
recorrer qualquer a com exceção
O leitor poderá As três primeiras
e a quarta,
do
equações. O segundo termo
o conteúdo físico dessas a partir de experiências. de deslo-
formuladas
foram corrente
a chamada
que contém (pE,
equação, que representa
mo
quarta
segundo membro da
Maxwell, num golpe
de ,/
camento, foi
introduzido por As *
com a lei de
Faraday.
simetria
intuição, por
genial extraordinário êxito
na

de Maxwell tiveram
equações “,
elétricos e magnéticos
co—
dos fenômenos i,
explicação de novos fenômenos.
nhecidos na época e na previsão e”
ª

com Hertz que o eletromagnetismo 42 'E'?


Podemos dizer partir delas A
foi
de Maxwell.
sistema, de equações sao fenô-
o
fenômenos ópticos l "“
verificar que os
possível e, assim,
unificar a óptica
e o l,
menos eletromagnéticos ',
mesma teoria. 0/4
eletromagnetismo na o PRG l
l
(bl amerx'ador
em R'

razoável perguntar—se: podemos estender


É serão elas invariantes
l
de Maxwell? Isto e, a TG
as equações
A resposta é negativa. Se aplicarmos
a uma TG“? elas não são Figura 1.4
veremos que
de Maxwell, simples. Observadores,
às equações com um exemplo
ilustraremos a seguir R. repouso nos
referencial inercial
como em
invariantes, no
ql e qz
em repouso referencrals iner-
cargas elétricas medir uma força R'(b),
Consideremos duas em E pode cuals R lã) &
.Um observador
mostra a Figura 1,4(a) O referencial E',
com os eixos pa- analisam as forças
situadas como cargas. e e as
F,,f atuando
nas de entre
uniforme u ao longo que atuam
:

eletrostática repulsiva com velocidade se cargas elétricas


q]
R, move—se as cargas
ralelos aos do referencial em R' [Figura
1.4 (b)] vê, no entanto,
em repouso
Um observador FI,. ob— e qz,

também inercial. u e, além


da força eletrostatica no referencial iner-
com velocidade duas
a esquerda para ele, agem como cial R.
moverem para F' entre elas, porque,
serva uma força
magnética atrativa
mesmo sentido.
correntes elétricas
no
10 Capítulo I —

Em busca do espaço absoluto

R o referencialR',
transformação da lei de Gauss do referencial para
Examinemos a

do referencial. FQl F;! + FÇnag.


quando aplicada a carga qª. Como força independe
:
a

> lF,,—l. ou lgg E'! > iqg E. A carga


elé-
Mas F[,( é F;,mg têm sentidos opostos, entao IFLA
entre referenciais: logo. 'E'i > iEi e
trica é um escalar invariante à transformação
Como 61/80 é invariante sob a TG. a lei de Gauss. &E-dA q/sO. não :

gâEªdA > çISE-dA.


dois referenciais e não é invariante sob a TG.
pode ser válida nos

Maxwell sob uma TG. há uma assime-


Além da nao-invariância das equações de
analisados em diferentes
tria na explicação dos fenômenos eletromagnéticos quando
uma espira (wi-r_juZ-Z-ra que se desloca
referenciais inerciais. Considere, por exemplo,
B. per-
uma região, onde há um camp-3 magnetic-o
com velocidade v para fora de
Para um observador em repouso em
pendicular ao plano da espira [Figura 1.5(a)].
B (referencial R a terça que atua sobre
relação ao imã que cria o campo magnético
.

do lado esquerdo da espira e F € v B jirigida para :


-

um elétron situado no centro


eletr-0772531": ÉS“. na espira é de
baixo. Do ponto de vista desse observador, força
a

ci": ser:; i :rr Eixo no refe-


origem puramente magnética e dada por giv >< B—dl. Para un
desloca para a es—gxerig Cªí-IT. velocidade
imã
rencial R' da espira [Figura 1.5(b)], 0 se

Ele observa, da mesma forr; que É :T: senador


em
—v e o elétron está em repouso.
mesma fem
B. que o elétron se desloca no sentido
anti-horário na es; re. & re:—: ;

dada pelo Obse- ªai : r err. ?. para o obser-


No entanto dá uma explicação diferente a

E induzido:- ra e:; 33 pelo mon'mento


vador em R' atua no elétron um campo elétrico
do imã de Faraday) e a fem é dada por ng-dl.
(lei
observadores explicam de maneira diferente
3 exigem da fem,
Dessa forma, os
.ein na intro-
valor para ela. Essa assimetria. _.Lfi
, -

calculam o mesmo
_

mas
*
.” f :; das difi-
1905 sobre a teoria da me;—a:. uma
dução de seu famoso artigo de
_

a recria.
culdades da física clássica que _o levaram a propor.

a conclusão de que: atransfonnação a): (3331; '... : .: rí'rzcz'pz'o da


Chegamos
a; Marnel! são
relatividade (estendido ao eletromagnetismo) e as água.; :s

incompatíveis.

-A

Figura 1.5
(a) A espira se des-
loca com velocida-
""""""""""""""""""""" B
de v para fora de "“""“ª"""'_ª"'"“”—""ª"",B :"

uma região onde ++++++++++i 3++++++++++


há um campo mag- '

nético uniforme B,
perpendicular
“X NR
ao

plano da espira. l +++.


lb) 0 imã que cria " N
: / Avx'
o campo magnéti— l R
co B move-se com *
++++++++++g à++++++++++
.e oc cade v para V

ªvi 3a espira. (a)


(b)
1.5 —

A velocidade da luz |I

Uma pequena reflexão colocará o leitor diante de três alternativas para resolver

o conflito:

estendido eletromagnetismo. Nesse caso deve existir um


a) 0 PR não pode ser ao

referencial absoluto para o eletromagnetismo.


TG são
b) O PR pode ser eletromagnetismo; a mecânica de Newton
estendido ao
e a

Maxwell não e” cor-


corretas. Nesse caso, a formulação do eletromagnetismo por
reta (porque não é invariante sob a TG) exige
e modificação.
teoria eletromagnética de Ma-
c) 0 PR pode ser estendido ao eletromagnetismo e a

xwell é correta. Nesse caso, a TG e a mecânica de Newton não são corretas e

exigem modificações.

A escolha entre três opções só poderá ser feita por meio de experiências.
essas
e Morley de determinar o re-
Vamos examinar inicialmente a tentativa de Michelson
ferencial absoluto (o éter), que poderia ou não eliminar a opção (a).

1.5 A VELOCIDADE DA LUZ


que das equações de Maxwell
O leitor poderá ver em textos de eletromagnetismo
(Equações 1.3) é possível deduzir a equação:
aºf Bgf
(1.4)
a—xg-uo Gagª,
onde f representa qualquer componente de E ou B. Comparando essa equação com

onda que propaga na direção x,


equação da mecânica clássica uma se
a para
2 2
aq) iaazo
8.762 nª Big

vemos que ela pode ser interpretada


como uma equação de onda para os campos E
e B. Nessa última equação, u e a velocidade da onda, e podemos então concluir que
a velocidade 1» da onda eletromagnética será dada por

2 1
v = —-
(1.5),
“080

calculado da última relação, a partir das constantes ,uo e 80 que podem


O valor de v

ser determinadas em experiências de laboratório


envolvendo cargas e correntes e —.

levou Maxwell
admiravelmente próximo do valor medido da velocidade da luz, que
o

então, de fato.
E e. Dessa
eletromagnética
7"
luz seria onda e,
a sugerir que a uma
e da-
equações de Maxwell unificaram eletricidade, magnetismo óptica
e
forma, as

da física. A existência de ondas eletro-


vam um enorme passo na direção da unidade
Hertz vinte anos depois da
magnéticas só seria confirmada experimentalrnente por
publicação da'teoria eletromagnética de Maxwell.
1

'2
.

Capítulo I —

Em busca do espaço absoluto

1.5 que velocidade da luz e gr;— ri'—;'—;.íe das


Vemos pelas Equações 1.4 e a

podem ser ea 7" rendo-


equações de Maxwell. Na verdade, essas equações ..

velocidade da luz apaz—, :::.ente


sistema de unidades, de forma que
,

a , ,, -

se o
então. ,;f ; uma
lugar das constantes tio e 80. Coloca-se,
:; :,
nelas“)
«—

em
,

devemos prque,
importante questão: em relação a que referencial
'

- -—
-
,

de Maxwell estarão firm:


'

."?Íãs. A
somente nesse referencial equações

—-

as

deveria rei:-ção
'

foi
*

se:
resposta dada por Maxwell a essa pergunta
c

que
»

ondas eletromagne: ';


:; fisi—
ao e'ter, meio que seria o suporte para as

ª.'-'_ :-su—
conseguiam imaginar campo cont ;
-

não um
,

de época
_.

sua
__

cos
:—, eter.
introduziram por
capaz de propagar-se no Vácuo
:s

e
portável,
transversa 215 ;; ,agné-
'

',._ ,“ ?
de as oscilações
- —

Como deveria semi“ suporte


-ine os
peculiares: preencher *. ;-_i
'

o éter teria propriedades bem


,

ticas,
,
,

Eií'fllte
em relaçao ao espaço a": .=
_”
'

,”
'

corpos materiais. estar em repouso


«. ,

—;Ç, Pelo
elástico, não ter massa e, coroando todas essa propriedades
tº:
*

:—-' :
«

,.

abscv—Ç: __“: são


relaçao
=

fato de estar o éter em repouso ao espaço


_,

em _,

3:15 re—
de forma que nos referiremos muitas vezes r,-, -— sn;:
indistinguíveis. ,

ferenciais dos dois sem distinção.


Se o éter está em repouso espaço absoluto, e (is:; _:—_
no ; , - _zé_;g. TG)
velocidade da luz num laboratório ter?—:?; -; ::iições
'

';»;
medirmos a
,

que, se
sentida :— _" ; se:“.tido
moximento da Terra tem o mesmo :.


-

em que o
,

teremos resultados diferentes. Para obter a 'er É" ; .-



;3. ;: [ve-
oposto
,

—.

TG. iã— subtrair a


*

conta ,;
relação éter), levando & a';
—-

locidade em
-

ao
;

em
"_*.Í—Í, :::-. isto
valor medido. Um resultado nª:-;*:

velocidade da Terra
»
—»

-
ao
zes in—
iguais para a velocidade ; :; : ii.“, ;;

',:
forem medidos valores
__—
é, se

dicaria que o éter é arrastado pela Terra em seu IIIC'É—j'º'f'


'; 'Í-tf'rg & io éter,
XIX, a determinação do mov ser,“ : ,'- _:_—J'
No fim do século
—-—=.::3:i_<35 da físi-
denominado vento do éter, tornara-se um dos prOÍEÍ'J:
"

_,_—

analisarem »: ; ar;: :;3 tentativa


ca. A experiência de Michelson e Morley, que

de resolve-lo.

seja v a ve-
espelho situado Lªiª-; ,; ;; IÉÍÍE %
Considere uma fonte de luz e um
_

?.;:;-. '. "Í O leitor po-


locidade orbital da Terra, paralela a direção do feixe ie
_;

DIOR—Jffí'. f.;-; :::. da Terra é


derá mostrar que a velocidade relacionada ao : _“ . i;. ;; :

do que velocida je triz; + pne ser desprezada


duas ordens de grandeza menor a

no cálculo seguinte.
de l'; emitido pela fonte no
De acordo com a TG, o tempo gasto por um pulso
percurso total de ida e volta ao espelho é
*"

2]; 2]; ?-

t= + i-ª—, ;—- l—-—— (1.6)


=,—;=—(” (' (jª
C—U G+?) c“—v“ rj-
1.6 —

A experiência de Michelson e Morley

A aproximação feita no último membro da Equação


1.6 resulta da expansão binomial de
C —

v
E
—1 F
,
v
v“ . _.
l'"
_2 c + v
O
L

e é possível porque 1) « c. A velocidade orbital da Ter— ,,,


,,

ra comparece no cálculo de 13 no termo 13/02; como 17 E

3 '
10
4
m-s
—l
entao
»

Figura 1 6
-

*
A fonte de luz Fe
: 8 o espelho Eestão
LEªEm-B fixos na bancada
Cº 9.1015 que, estacionária
na Terra, move-se

Michelson
percebeu que relação éter
precisão poderia ser alcançada com métodos inter-
essa em ao

veloudade
.

com a
ferométricos e projetou o interferômetro de elevada precisão representado esque—
orbital v desta, De
maticamente na Figura 1.7
acordo com a física

O feixe de luz que parte da fonte F é dividido em dois pelo espelho semiprateado clássica, (

v e

c + u são as veloci-
A O feixe 1, que atravessa o espelho é reiietido no espelho B e, na volta, no espelho
dades do feixe de
.

A, dirigindo-se para a ocular O. O feixe


2, reiietido emA, é dirigido para o espelho C, qu emitido e re-

onde é novamente refletido. atravessa o espelho A, prosseguindo na direção da ocu- Hetido, respectiva-
lar. Os dois feixes, percorrendo agora a mesma trajetória, se recombinam e formam
na ocular O o padrão de interferência que é observado. A interferência resulta do
ªºgãôfaTóíªªçãº
fato de os dois feixes percorrerem caminhos ópticos diferentes. A diferença de cami-
nhos ópticos pode ser calculada multiplicando—se a velocidade da luz 0 pela diferença
dos tempos de percurso AI. Só é preciso levar em conta o trajeto do feixe 1 entre A

! Figura 1.7
O Espectrômetro de

& Michelson
ley. A figura
e Mor-
em
,
linhas pontilhadas
1 + 2 mostra o esoecvó—
,'
metro deslocado
ª de sua poacão
. L]
orugmal pelo "ªo»!-
mento da Terra em
B
A "
g“; relação ao espaço
“5 absoluto.

L2 ll "

C n—N .'
.). ...........

WWW ._________,__-,
'4 Capítulo I -—

Em busca do espaço absoluto

os outros trechos coincidem. Sendo


1) a
e B trajeto do feixe 2 entreA e C, porque
e o
ABA pelo febre 1 é dado por:
velocidade da Terra, o tempo de percurso do trajeto

t1=[6*lz7]+(c+lz7]= 41—63) [B“—;]


. L L 2L1 _?

ACA pelo feixe 2 e preciso levar em


tempo de percurso do trajeto
Para achar o
a da luz. No tempo t'
conta a velocidade orbital 7) da Terra na direção perpendicular
cr'. o espe-
que a luz leva para ir
do espelhoA ao espelho C. percorrerá—:. & distancia
luminosa e representado na Figura 1.7
lho C avança a distância vt'. O trajeto da onda
pela linha pontilhada. Portanto

t'=
'“

2 2'
xíc —v

O tempo de percurso do trecho ACA é, então:

2L2 ZLZ
t=2t'= :

Obtemos das expressões de tl e tz acima diferença de caminhos ópticos:

2 Lª (1 7)
cAt=c(tl—t2)= L

de forma que dois


experiência repetida
os
O instrumento foi girado de 90º e a

1 é agora perpendicular ao movimento da Terra e o


feixes trocam de papéis: o feixe
observação obtém:
longo dele. Com a nova se
feixe 2 situa-se ao

ZLl t,_
2L2
r: 2

cm, 41—52)
1

A nova diferença de caminhos ópticos será:

2 L
(1.8)
cAz'=c(zí-zg)= LI— __

v'l
_

x/1 B“ -
-

B“

entre duas observações (Equações 1.7 e 1.8) será:


A diferença as

2 L1 +L.) .)

c(At—At')= —(L1+L2) g(L1+L2)B“. (1.9)


WW
._L .)

(1132) 1+
%B'. possível porque 1" « c.
ª
E
onde fizemos a aproximação

__“
de Michelson e Morley
1.6 —
A experiência

deslocamento das franjas de


1.9) deveria produzir
um
um compri-
Essa diferença (Equação tentaram observar.
Para
e Morley
interferência e é isso que-Michelson deslocado de AN franjas,
sendo
A da luz, o padrão é
mento de onda

BI)-E
L l +L
( At—At' ): 2 (1 (110)
L +L.
o 25?
AN:
à A 1__ B..
de 1881),
utilizado por Michelson (experiência
Com espectrômetro como o
ser da ordem
de 0,04 de sua
da franja deveria
um
deslocamento mesmo
da ordem do erro experimental,
ol mas,
braços L m,%
com
é muito pequeno, isto é, que
Esse valor da medida era nulo,
largura.
Michelson concluir que o resultado
ao éter.
assim, permitiu
a
o moximento
da Terra em relaçao
nao era possível perceber e Morley em
1887. Ob-
foi realizada por Michelson
mais precisa e Morley aper-
Uma experiência a L. Michelson
das franjas é proporcional reflexões
serve que o deslocamento de uma série de
L dez vezes por meio
aumentando o aparelho
numa
feiçoaram o aparelho, do feixe. Além disso, montaram
em espelhos
colocados no caminho diminuir as tensões
mecâ-
tanque de mercúrio, para nova
flutuava num
dos espelhos. Nessa
placa de pedra que afetar as distâncias
que poderiam dado pela Equação
1.10,
nicas durante a rotação, de interferência,
das franjas que
experiência, o deslocamento0.4 da largura da franja.
Os experimentadores julgavam
os
da largura da franja,
de mas
deveria ser da ordem de um centésimo
de detectar desvios do valor calculado
seriam capazes a uma pequena fração
correspondiam movimento da Terra
em
deslocamentos observados concluir que o
Puderam, entao,
não eram consistentes.
e

ao éter não podia


ser detectadoªº.
relaçao
por uma
combinação do movimento
acidentalmente, a componen-
Seria possível imaginar
que.
e da Via Láctea,
movimentos do Sistema Solar
orbital da Terra com
os
nulo. É claro, entao, que,
do feixe de luz fosse
a Terra direção e seria, em
sentido invertido
na
te do movimento da Terra teria o
depois avelocidade orbital possível acidente a
seis meses orbital. Para anular esse

éter, o dobro da velocidade diferentes estações


do ano,
relação ao
diferentes horas
do dia e em
suas expe-
experiência foi realizada
em
Michelson e Morley realizaram
nulos. Desde que outros expe-
com resultados sempre aperfeiçoamentos, por
varias vezes, com
riências, elas foram repetidas nulos.
com resultados
rimentadores, sempre para a física clás-
um problema grave
da experiência constituiu É claro que se
O resultado nulo do éter pela Terra.
seria o arrastamento
sica. Uma explicação possível o experimentador
devera achar um
seu movimento,
pela Terra o arrastamento
em
o éter é arrastado a ele. Porém
velocidade da Terra em relação
realizadas no passado
e
a
resultado nulo para com duas experiências
do éter estava em
contradição direta
discutiremos a seguir.
bem confirmadas, que

utiliza-se
de Michelson-Morley.
Supondo espectrômetro
que, num
mede 1 calcule o
Problema 1
m.
o braço do espectrômetro da franja.
590 nm) e que
amarela (A em relaçao a largura
=
luz
de interferência esperado,
de franjas 230 kIll-S-l. e
deslocamento
=
Terra r

física clássica. A
velocidade orbital da
de acordo com a

l
Capítulo I ——

Em busca do espaço absoluto

1.7 ABERRAÇÃO DA LUZ DAS ESTRELAS E


EXPERIÉNCIA DE FIZEAU
A primeira das experiências citadas na Seção Lô mestrando a;;;-: ssii iíidade do ar-
rastamento do éter pela Terra é a
observação da clfé'í'WJ—ELÇ da É ..: 13:25 estrelas.

O fenômeno da aberração da luz das estrelas foi jes : : ':»:rí: _:-:: [acties Bradley,
em 1725. Ao examinar a variação da
posição aparer'e :: ; ,
:]; Í'JÉIÍÉÉ o ano,
ele observou que, após serem feitas todas as
cone; ,; ie: :
Zenite da eclíptica movia—se numa órbita quase circular : :?:“. "ª

obrigava a inclinar
telescópio num ângulo a E 20". Ele
o : ; ';
'

meno como resultado da


combinação da velocidade da lu; :;_;
em seu movimento
orbital, como mostraremos a seguir.
Seja R o referencial da estrela. Se a Terra estivesse fixa ?, 'ial teles-
“lip
o

cópio deveria ser dirigido direção


na do eixo y, isto é.
a O. = '
%T'Í; se desloca
com velocidade z" em relação a estrela,
precisamos introduziur : "ra: ::; R' da Ter-
ra. A velocidade do raio de luz no referencial R' resulta da cor.; —

:.í ;;; velocidade


c do raio de luz da estrela velocidade da
com a a" Terra, ambas :zei ici err.
relação ao
éter (referencial R), como mostra a Figura 1.8.
O ângulo sob o qual se observa & *strela é dado
por
*

v_3-lOªm-s'l
-

ª
tga=— &
_
211!
C 3'lO'm's':

a E 10“; rad E 20”.

/ em excelente acordo com a


observação.
m »1 "l m Essa experiência nos mostra que «: elza. que e es-
tacionário no referencial R. não e arrastado
pela Terra
(referencial E'). Se fosse. não haveria aberração e o
telescópio deveria ser direcionado na vertical.
Figura 1.8 A outra
Experiência da
experiencia mencionada é a experiência de F z'zea u—F res-nel sobre o ar—
rastamento do eter por um meio em movimento. Um tratamento
aberração da luz rigoroso dessa teo-
das estrelas. A ria só pode feito teoria
ser
eletromagnética de Maxwell. por isso exporemos
com a

figura da esquerda aqui apenas os resultados. Segundo uma teoria de Fresnel, verificada experimental-
mostra a observa-
mente por Fizeau em
ção da estrela no
1853, a velocidade da luz 1,7 em um meio de índice de refração
72, que se desloca com velocidade u em
referencial desta relação ao observador, e dada por
e a da direita, no

referencial da Ter- 1
ra. Neste último é
vzíi 1___) % (1.11)
72 n“
necessário incli—
nar 0 telescópio
num ângulo a em tomando-se o sinal superior ou inferior se o movimento da luz é no mesmo sentido ou
relação à vertical em sentido contrário ao movimento do meio, respectivamente.
para compensar o
movimento orbital No entanto. pela TG, se o éter fosse totalmente arrastado
pelo meio. a velocidade
da Terra. da luz seria dada por 0 c/n A
:
i u.
Equação 1.11 sugere que o éter é parcialmente
_

1.7 —

Aberração da luz das estrelas e experiência de Fizeau '7

arrastado pelo meio em movimento. O fator (l —

imª) é o coefciente de arrasta—


do meio éter é
mento de Fresnel, que indica a fração da velocidade u com que o

arrastado.

É claro que, do resultado dessa experiência, refração


para um meio de índice de

% =
1 (como 0 ar) em movimento, o coeficiente de arrastamento é O. seja, o éter ou

de Fresnel-Fizeau e da aberração das es-


permanece estacionário. As experiências
trelas favorecem, portanto, a hipótese de que o éter não é arrastado pelos corpos
materiais em movimento.

explicar o resultado nulo achado por Michelson e Morley e. ao tempo. mesmo


Para
manter o éter estacionário, FitzGerald e Lorentz”) propuseram que os? corpos sofre-

riam uma contração na direção de seu movimento por um fator 1 tiº/c2 Com essa x

da Terra se
hipótese, o braço do espectrômetro de Michelson paralelo à velocidade
contrairia justamente o fator necessário para explicar o resultado nulo da experiên-
cia. Essa conjetura não resistiu a testes experimentais, que não discutiremos aqui, e
de explicar
logo perderia sua importância quando Einstein propôs sua teoria. capaz
o resultado nulo da experiência de Michelson a partir de princípios
muito gerais e
Devemos concluir que evidência experimental é em favor
de alcance mais amplo. a

da inexistência de um referencial absoluto, mesmo que apenas localmente estacio-

nário, como no caso do deslocamento do éter por um astro em movimento. Dos três
caminhos listados antes para resolver o conflito apontado na física classica, fica então
eliminado o primeiro.

Problema 2 Mostre que a hipótese de FitzGerald-Lorentz explica o resultado


nulo da experiência de Michelson—Morley.

Sugestão: reporte a Figura 1.7; suponha a velocidade da luz constante em relação


ao éter e a dimensão do espectrômetro, ao longo do movimento, sofrendo con—

tração por um fator [1 —

(vª/cªn“ 2. Mostre que sinais de luz enviados pela fonte

levam o mesmo tempo, no percurso de ida e volta, nas duas direções.

O segundo caminho exige modificação da teoria de Maxwell. As tentativas


uma

mais conhecidas são as teorias de emissão, em que a eletrodinâmica de Maxwell é


modiíicada fazendo com que a velocidade de uma onda luminosa esteja associada à
fonte e não a um referencial absoluto. Postula—se que a velocidade da luz, num meio
de índice de refração n, é 0/7? em relação a fonte emissora e independente do
mo—

vimento do meio. O leitor podera verificar que elas explicariam o resultado nulo da
da luz
experiência de Michelson—Morley. Essas teorias foram refutadas pelo exame
emitida por estrelas binárias eclipsantes (o par de estrelas gira em torno do centn ,

de massa de forma que, para um observador na Terra, uma se afasta quando a outra
se aproxima). É evidente que a velocidade da luz que atinge a Terra proveniente
iia

estrela que se aproxima deveria ser maior do que a da companheira que se afasta, «:»

não permite a exposição dessas teorias


que não foi verificado. A natureza deste texto
na expli-
e das experiências que as refutaram. O imenso êxito da teoria de Maxwell

cação dos fenômenos eletromagnéticos e ópticos nos levam a abandonar segundo


o

caminho sugerido.
Em busca do espaço absoluto
,8 Capítulo I —

da relatividade ao
caminho, que estende o princípio
Resta, dessa forma, o terceiro
procura corrigir
a
de Maxwell e
mantém a teoria eletromagnética
eletromagnetismo, consistentes com o princípio
da
essas teorias fiquem
mecânica de Newton, para que e que exporemos
nos pró-
por Einstein,
relatividade. Esse foi O caminho explorado
ximos capítulos.

Notas
da obra científica de
principia mathematica.
cume
Philosophiae natu ralis
(1) O tratado
maturidade desse grande mate-
Isaac Newton (1642—1727)*, foi publicado em 1687, na
maiores descobertas: o cal-
mãtico físico. Aos 25 anos Newton já tinha realizado suas
da luz e 0 telesc—í pio de re-
e

gravitação universal, dispersão


a
culo diferencial eintegral, a criaram
realizadas desde a juventude.
flexão. Os Principia. que sistematizam pesquisas continuam a
as ciências físicas nos
dois séculos seguintes e

paradigma que dominou


de mecânica no mundo macroscópico.
um
os fundamentos para
cálculos
ser. até nossos dias.
os limites das ciências físicas,
influenciando a filosofia e. em consequ-
A obra ultrapassou
ainda parte considerável
XVlll e XIX. Newton dedicou
ência, toda a cultura dos séculos
em alquimia e cronologias
biblicas.
de seu tempo a pesquisas
e outra inú—
a separar a obra de
Newton em uma parte boa
Muitas vezes somos tentados biblicas e de alquimia
tomar seus estudos das cronologias
til. Não devemos. no entanto, como uma demonstração
contexto da época e, sendo assim,
de forma derrisória, mas no
todo o conhecimento humano para
compreender o universo.
de sua tentativa de abarcar
no que se relacionava
Newton era um homem profundamente
religioso e até intolerante
de sua crença religio—
a religião. Mesmo nos Principia pode—se
perceber a manifestação
absoluto e eterno e parte integrante
o espaço
Deus não cria o espaço

sa. Para Nemon.


os corpos físicos por
sua onipresença no espa—
da existência da dixindade.
Deus percebe
o órgão de percepção
de Deus. Ele também atua
absoluto-. e como se o espaço fosse exitando
ço nas órbitas dos planetas.
as perturbações mútuas
no mundo Hsico. corrigindo
'

colisões. Leibniz, contemporâneo


e opositor
que elas venham desorganizar
a se
e causem

ironizava o talento do Deus


newtoniano como relojoeiro,
de Nem on em muitas questões,
à prova de perturbações.
incapaz de construir um mecanismo
não acompanhavam qualidades suas
Infelizmente. características sociais de Newton
as
antes do
pela orfandade
sua vida afetiva foi prejudicada
intelectuais. Provavelmente, ele não desenvol—
homem por quem
nascimento, casamento da mãe com um
seguida pelo e gastou parte de
sua
facilmente o sucesso de outros
veu nenhuma afeição.
Não aceitava
científicas. C onservava
de prioridades de descobertas
vida em disputas inúteis a respeito
ainda assim, mais pela dedicação
ressentimentos por toda a
vida. Teve poucos amigos,
da Universidade de Cam-
de humor era tal que um servidor
deles do que dele. Sua falta em cinco anos'. E mesmo
uma única vez
afirmava só tê-lo visto rir
bridge. contemporâneo, volume da geometria de
Newton havia emprestado um
dessa vez. por um motivopeculiar: estuda-lo.
de que lhe valeria
Euclides a um conhecido e este perguntou-lhe
az rest: a
de Newton e a obra de
Richard 5. Westfall Never
* A mais completa biografia
da qual existe uma edição
condensada pelo próprio autor,
biography Qflsaac Newton, de Isaac Neuton, Rio de
Janei-
com tradução em português:
Westfall, Richard S.,A vida
a órbita da terra
em
A pequena biografia: Newton

Editora Nova Fronteira,1995. cará-


ro, Editora. 2003. tem
Eduardo C., São Paulo, Odysseus
um copo (] 'a'gua, Valadares,
NeWton. Há ainda. com tradu-
de várias descobertas de
ter pedagógico, com explicação ticez' ros. White. Michael,
Isaac Newton, o último
dos fez"
ção em português, as biografias:

%
Notas

Com—
Isaac Newton, Gleick, James, São Paulo,
Record, 2000 e
Rio de Janeiro, Editora seleção de textos
de Newton:
2004. Há também a tradução de uma
Rio
panhia das Letras, B. e Westfall, R. S. (orgs.),
antecedentes, comentários, Cohen, 1.
Newton. Textos,
Janeiro, Editora Uerj/
Contraponto, 2002.
de

estado (posições e velocidades das par-


se o
De acordo com a mecânica newtoniana, determinado em
(2) num certo instante, poderá ser
sistema for conhecido a qual
tículas) de núcleo da idéia de determinismo,
um
ou futuro. Esse é o

qualquer momento passado 1749-1827) deu uma elegante formulação


Marquês de Laplace,
Laplace (Pierre Simon,
filosófica:
animam a
todas as forças que
dado instante, conhecesse
num
“Uma inteligência que, a compõem e se,
além disso, fosse su-
de todos os elementos que
natureza e a situação dados a análise, abrangeria
na mesma
submeter todos esses
ficientemente grande para
e os do mais
minúsculo átomo:
dos maiores corpos do universo
fórmula os movimentos o futuro, estaria
aberto diante de
desconhecido. e o passado,
como
nada para ela seria dessa inteligência, com a per-
uma fraca semelhança
seus olhos. A mente
humana provê
feição dada a astronomia“,

é uma des-
(hipotética, mental ou gedankenexpertmente)
(3) Experiência imaginária deduzidos
por
experimental e depossíveis resultados,
seus
de procedimento experimental
crição
com uma determinada teoria. O procedimento
raciocínio consistente empecilhos tecnológicos,
de sua realização, seja por
descrito não implica a possibilidade até mesmo por dificuldades de princípio
eventualmente ser superadas ou,
que poderiam utilizados na experiência imagi-
dos argumentos
insuperáveis. No entanto. as premissas ou invalidar, e
teoria física que se pretenda comprovar
naria devem pertencer
a alguma não deve haver
a partir dessas premissas
apenas:
numa dedução
a experiência
consiste
o raciocínio. Experiências
imaginárias
empíricos sobre os quais se apóia entram em con-
novos fatos e se os dois tipos
e observações reais,
substituir experiências é a imaginaria
teoria física, o mais provável
não podem que
Hito no contexto
de uma determinada

seja abandonada. em épocas de mudança


especialmente importantes
têm sido
As experiências imaginárias testar novos con-
(revoluções científicas), quando servem para ao conceito
de paradigmas científicos tem sido associado
disso, o nome de Einstein
ceitos. Justamente por
causa
das novas idéias não-intuitivas da teoria
imaginária porque, exposição
na
O leitor po—
de experiência
muitas vezes para experiências imaginárias.
teve que apelar inventor
da relatividade, Einstein foi um excepcional
como elas são poderosas. da
deráapreciar neste texto sobre os fundamentos
O famoso debate Bohr-Einstein
de experiências imaginárias. imaginárias, extraordinariamen-
realizou em cima de experiências
mecânica quântica se demolir o argumento
do outro.
cada um deles para
te sutis, inventadas por
um tipo de raciocínio
próximo do que hoje
imaginárias ou, pelo menos desde Tales e
Experiências
imaginária“, foram utilizadas na Antiguidade,
denominamos “experiência KW e XWI.
científica dos séculos
revolução
pré-socráticos. Galileu, já
na
outros iilósofos foi forma como demons-
das mais notáveis
a
Uma
com grande perspicácia.
em
utilizou-as ctênctasª'º, que aceleração de um corpo
a
sobre duas novas entre Salxiati
trou, nos Discursos do corpo. Reproduzimos o diálogo
queda independente da massa
livre é da física de Aristóteles).
que
e Simplício (defensor
o próprio Galileu) de seu peso:
(supostamente livre era função
natural de um corpo em queda
mantinha que a rapidez

".
20 Capítulo I —

Em busca do espaço absoluto

Salt ian —

Sem recorrei a outras experiencias pedem—;: pri: mar claramente através de uma
bieve concludente qae na; e ;**rr- mais pesado se
dentonstiação
'
*
'
'


e

move com rapidez do que DUUQ merci tese;; ie,» %


maiOi ,
_
ida mesma

matéria, como e o caso daqueles de que faia _xitçteies ? Simplicio, se


'

irei;

você admite que a cada corpo pesado em iªieif. 77:41. ia rapidez


' '

fixada pela natureza, de modo que nao se p '5: :. a não ser usan-
'

-. 3.1; ,.

do força (violenza) ou opondo——lhe alguma reSistencia

Simplício Não se pode duvidar que o mesmo c—; urt



..
meio. tem
a rapidez fixada e determinada pela natureza que cai a não ser

acrescentando— lhe um novo ímpeto nem dinunuída salin:


retarde.

Salt iatz' —

tivéssemos, portanto dois corpos cujas rapidez :s


Se desiguais. é

evidente que. se unirmos os dois, o mais rápido sera pagan—::.; , _

lento. enquanto este aumentará em parte sua rapidez devidc— &: :? Tel—sz, Não concor-
* *

da com minha opinião?

S zm pl z'cío ,

Parece—me que assim é indubitavelmente.

Salt zon —

Porem, assim, e se uma grande pedra se move. por em


se é com uma rapi—
dez. digamos de
oito, enquanto uma menor se move com une ra —; :::-.t rn
então
quando estão unidas, o sistema se moverá com uma rapidez nie
tanto as duas juntas formam uma pedra maior do que aquelame se : ria ;iru rapidez
de oito graus; do que se segue que esse Sistema, que também e na:: ,, 337 a primeira
pedra se mov era mais lentamente do que a prinieiia pedia qu;— ,
:.e..;:. ; ;_ue contra—
diz sua suposição. Você vê que, de sua suposição de que um cort-: ::.: _:ezaao se move

com mais rapidez do que um menos pesado, concluo que o mais pesai: se move com

menor rapidez.
Estou completamente confuso, pois pedra unida a
Simplício —

parece-me que a menor.

maior. aumenta seu peso e, aumentando seu peso, não vejo como não deva aumentar-lhe

também a rapidez ou, pelo menos, não diminui—la.

(4) filósofo, publicou uma análise critic a,.e »,órica da me-


Ernst Mach ( 182-38 1916), físico e

cânica que se tomou uma e teve grande iníiuência em Eira


obra clássica steir que a leu na
fé dogmática mecamca, As principais
juventude. especialmente porque balançou sua na

na mecânica de Mach são a abolição do espaço absoluto e a forniuiaçao da lei


inovações
de inércia em relaçao ao referencial das estrelas. Positivista. mantinha como central em
Galilei, Galileu, filosofia principio de que nenhuma proposição nas ciências naturais seria permis—
*
sua o

Duas novas mén— sível se nao fosse verificável empiricamente. Isso o levou a rejeitar como metafisicas as
mías, São Paulo. Nova idéias de espaço e tempo absolutos e o éter. Mas também o levou a rejeição de molecu-
Stella Ched Edito—
las e atomos nas teorias físicas, porque não eram diretamente observados. posição que,

rial, 5. data.
ainda em sua tida seria verificada como insustentável Para Mach nada existe no mundo

**
Mach, Ernst,
além de sensações e suas conexões. PorISSO a física deveria ser estudada 1um contexto
mais amplo que envolv esse psicologia e fisiologia: Física não e o mundo inteiro: a biolo-
Sciencia, 7, 225 **
citado por Holton, gia tambem esta presente e pertence essencialmente à visão do mundo.“
( ierald. Themalic
Einstein tinha grande admiração por Mach e 0 colocava entre os poucos cientistas que
vn'gms Qfscientijic
considerava como seus precursores: Newton, Maxwell, Mach, Planck e Lorentz. No iní-
fluvial/f. Cambridge,
Massa. Harvard l'ni-
cio de sua científica, Einstein sofreu forte iniiuência da epistemologia radicalmen—
tida
te positivista de Mach, mas afastou-se dela na maturidade. Para Mach o conhecimento
versuy Press 1988.
Cap. p. "3. 56 > científico do mundo consiste na descrição mais simples possível das conexões entre as
Notas 21

sensações (let's, teorias) e tem como único objetivo o domínio intelectual desses fatos
com o menor esforço possível (princípio da economia do pensamento ); para Einstein,

a invenção de conceitos científicos e a construção de teorias científicas eram livres cria-

ções da mente humana.

Nos primeiros anos após a publicação da TRE, Mach manifestou-se a favor dela. mas
afastou-se depois por julga—la cada vez mais dogmática. Einstein. com sua permanente
autoconfiança, debitou a mudança de posição de Mach na diminuição da capacidade Iles—
te em absorver novas idéias com a idade.

(5) As Equações de Maxwell têm no sistema gaussiano de unidades o seguinte formato:

gôsE-dA=q,
gSSB-dA=0,
gSE.d1=- 3%
dt c
7

4 d
cjaB-dh—"jJrl—(plc c dt

A velocidade da luz aparece explicitamente nessas equações. Para Maxwell, o referen-


cial qual velocidade deveria medida e no qual as equações seriam
em relaçao ao a 6 ser

válidas —

era o referencial do éter. Como o éter está em repouso em relação ao espaço


referenciais do éter do espaço absoluto são idênticos referiremos
absoluto, os e e nos a

ambos indistintamente.

(6) Na conclusão de primeira experiência com o interferômetro (1881), Michelson afir—


sua

mou que o resultado nulo implicava ser incorreta a hipótese de um éter estacionário. O

resultado nulo foi decepcionante nao apenas para ele, que esperava poder medir a velo-
cidade da Terra em relação ao éter o vento do éter —, como para físicos eminentes que

acompanhavam os desenvolvimentos da teoria eletromagnética. Lorentz teve dúvidas


quanto a interpretação do resultado e Michelson foi instado por Rayleigh a repeti-la. Foi
o que fez em 1887, com seu colega Edward. W. Morley, aperfeiçoando ainda mais o apa»

relho, que já era notável por sua precisão. O resultado nulo se repetiu. Muito trabalho
foi envolvido na análise dos detalhes do aparelho e do resultado, mas não se descobriu
nada que invalidasse a experiência. Abriu-se assim um problema de difícil solução para
a física clássica.

Albert Abraham Michelson (1852—1931) não obteve nenhum grau universitario formal-
mente —

todos lhe foram concedidos honoris causa. Antes da experiência de 1881. ele

já se tornara o físico norte-americano mais conhecido no meio científico, devido a suas


medições da velocidade da luz. Os extremos cuidados e a precisão com que fazia suas
experiências explica por que o resultado da experiência de medida da velocidade da Tér-
ra em relação ao éter, mesmo sendo totalmente inesperado, foi merecedor de crédito no

meio científico. Michelson foi agraciado com o Prêmio Nobel de 1907. citado pela imen—
çào de seu interferômetro e suas aplicações em metrologia e espectroscopia e não pelas
experiências relacionadas a medida da velocidade da Terra em relação ao éter. discutidas
neste texto.
.
._

22 Capítulo I —

Em busca do espaço absoluto

(T) O físico irlandês G. F. FitzGerald foi o autor da conjetura de que os corpos se contraem

por um fator de , 1 —

02/62 na direção do movimento. hoje denominada contração de


FitzGemld-Lorentz No breve artigo em que propõe a contração F itzGerald fez o se—

guinte comentário a respeito do arrastaniento Jf- éter na experiência de SBF“:

“Li com muito interesse a maiawlhosa e deiicaia exp-criericia


ladossenhores Michelson e

Morley que tenta decidir a importante questa:wie girar; «: et. er é arrastado com a Terra
O resultado deles parece oposto a outras experiéruziaª, se 31.13: strain que o éter no ar

não pode ser arrastado, a não ser de forma despreza-ei, fenda que tah ez a única
hipótese que poderia conciliar essa oposição e que «: 3:31; :; «if :s :orpos materiais
:

varia quando eles se movem atraves do éter depender je «* eentao


longo de seu ;
«

comprimento ou perpendicularmente a ele de uma grandeza que depende do quadrado


da razão da velocidade deles para a da luz.

Segue—se uma discussão a respeito de forças moleculares. rri-zestmndo que ele pensava

numa contração devida à modificação das forças moleculares n: »Z'bjeio por causa do
movimento deste, e não devida diretamente ao mort mm :3': :* “:?; eu? relação ao ob—
seri ado; Esse fato e a menção ao éter como uma entidade -: Ír
.
ÉHIÉRÉÉ real. mostram

que a contração proposta é uma hipótese ainda no context: «ia fic-a clássica e não tem
relação com a teoria da relatividade de Einstein.

Em sua excelente biografia de Einstein, A. Pais** desenha urr, _:í—ril curioso de FitzGe-
rald. Era um cientista ao mesmo tempo ousado e modest: :da competitivi-
ª
dade que hoje caracteriza o trabalho cientíiico. Dizia de si me sendo
:- nada sen-

sivel ao fato de cometer erros me apresso em expor rod; tip: .as mesmo cruas,
com a esperança de que elas possam motivar outros e con ou; & agnz ax anço. Tendo

Lorentz chegado independentementea conjetura da contra:ã: iss ”Org-OS em movimen-


to tres anos depois de FitzGerald e, tendo sido informado da idéia anterior deste, escre—

veu-lhe para obter referência da publicação e poder cita—la em seus trabalhos. A resposta
de FitzGerald é muito interessante: informa que seu artigo fora enviado
para a Science,
mas que não está certo de que fora publicado, e prossegue modestamente: “Estou bas-
tante seguro de que sua publicação (sobre o assunto) é anterior a qualquer das minhas
publicações impressas”.
Ha na obra mencionada de Pais uma citação de Oliver Heaviside. que fora amigo de Fit—
zGerald. que vale a pena reproduzir, pela originalidade com que expõe o perfil científico
deste : "Ele tinha, sem dúvida, entre nós todos o cérebro mais rapido e mais original.
Isso era uma grande distinção; mas era, penso, uma infelicidade para sua vida científica.
Ele xia muitos caminhos. Seu cérebro era muito fértil e inventivo. Penso que teria sido
melhor para ele se tivesse sido um pouco estúpido digo. não tão rápido —

e versátil, mas

mais pertinaz. Ele teria sido melhor apreciado, exceto por poucos."

Em 1892. Lorentz, ao tentar conciliar o resultado nulo da experiência de MM com a


*
FitzGerald, e. F., idéia do éter. chegou à mesma conjetura de FitzGerald. que é por isso denominada
Science, 13, 390 hipotese de F z'tzGerald—Lorentz. De acordo com Lorentz. também. a contração dos
(1889), COHfOTme objetos na direção do movimento é um efeito objetitªamerzte real e não um efeito re—
ª
biêgfªflª Citªdª
ªbªlxº'
lativo ao movimento do observador, e o éter persiste como ente real da natureza (éter
de Fresnel ou de Maxwell), A hipótese de FitzGerald—Lorentz desagradava os físicos da
**
Pais, Abraham, época porque era ad hoc inventada explicitamente para explicar o resultado nulo da

Sutil e' o Senhor —

a experiência de MM.
ciência e a rida de
Albert Einstein, Rio
de Janeiro, Editora
Nova Fronteira, 2000.
Problemas

//
Problemas de
interpretação clássica da experiência
1 3 estão relacionados a
Os problemas a

Michelson—Morley.
S +—> N e o velocimetro
A bússola de um avião
indica que ele voa na direção
1.1 um vento de 80 km/h
na
200 km/h relativa ao ar. Há
indica uma velocidade de b) Em
em relação ao solo"?
que
é a velocidade do avião
direção O t—a L. a) Qual um objetivo ao norte e qual

direção o deverá apontar o avião para atingir


piloto
velocidade relativa ao solo?
será sua

o norte com velocidade de 5 kmh: um


de largura corre para
1.2 Um rio de 100 m
de 5 km/h perpendi—
uma canoa, cruzando orio, com velocidade
homem rema bl
velocidade da canoa relativa margem“?
a
é
cularmente à corrente. a) Qual
a

atingira a margem oposta?


norte do ponto de partida a canoa
Em que ponto ao o rio?
a canoa levará para atravessar
c) Quanto tempo
cidades A e B com velocidade u
entre
trajeto de ida e volta
as
1.3 Um avião faz o
de trajeto entre
ar estacionário.
Calcule diferença dos tempos
a
em relação ao perpendicular
um vento com
velocidade U de A para E e

as situações em que há
a AB.

da aberração da luz das


4 6 se têm relação com a interpretação
Os problemas a

estrelas.
com inclinação de 30º,
verticalmente, deixam riscos
1.4 Gotas de chuva, que caem velocida-
de um trem, que viaja a
nas janelas dos vagões
em relação a vertical, da velocidade da
km/h leste. a) Ache a componente horizontal
de de 20 para
Ache a velocidade da gota
em
e em relação ao trem. b)
gota em relação ao solo

solo e em relação ao trem.


relação ao

34,6 km/h Uu
: 40 km/h.
Resposta: os
:

da
uma estrela distante próxima
ao plano da eclíptica
1.5 Um astrônomo observa fenômeno de aberra—
pela estrela, devido
ao
Terra. Qual é a figura desenhada de grau)?
de visão em segundos
ção da luz e qual é sua dimensão (ângulo
de aberração da luz das
estrelas
seguinte afirmativa: experiência
a
1.6 Justifique a
melhor do que o refe-
o referencial do
Sol é um referencial inercial
mostra que
rencial da Terra.
DE EINSTEIN
2.1 POSTULADOS criar ateoria da relatixidade.
nada melhor
der
a motivação
de Einstein em
científico Annalen
Para conhecer publicado no periódico
do que ler a
introdução de seu artigo,
Physik,“ que reproduzimos aqui.
entendida atualmen—
Maxwell tal como de

a eletrodinâmica que não


“Como se sabe, movimento, conduz a assimetrias
a corpos
em
exemplo, as ações
te », quando aplicada Consideremos. por
inerentes aos
fenômenos. O fenômeno
observá-
parecem ser um ímã e um condutor.
condutor e ima, enquanto
o
eletrodinâmicas recíprocas entre entre
movimento relativo que um
ou
depende apenas do entre os casos
em

faz uma distinção perfeita


vel
fica em re-
entendimento habitual Se 0 imã se movimenta
e o condutor
se move. com uma certa
energia
outro desses corpos campo elétrico, do
do imã um
criado em torno estiverem partes
pouso, será elétrica nas regiões onde
uma corrente em movimento,
definida, que criará está em repouso
o condutor
e
no en-
for 0 imã que
condutor. Mas,
se
do imã. Encontraremos,
na vizinhança
campo elétrico não correspon-
não surgirá um
condutor a qual,
em si mesma,

força eletromotriz no elétricas


e
com trajetória
a correntes
tanto, uma
energia, que da origem
mas
primeiro caso

de nenhuma forças elétricas


no
às produzidas por considerados.
grandezas iguais sejam iguais
nos dois casos
movimentos relativos feit
que os
insucesso das experiências
assim como o
que os fe—
“Exemplos desse gênero, da Terra em relaçao
ao éter, sugerem

detectar qualquer
movimento mecânica, “não apresentam
tal. como os da Ao
nômenos da
eletrodinâmica, a idéia de repouso
absoluto.
que corresponda que são
nenhuma propriedade todos os sistemas de coordenadas
em

que em
ópticas e eletrodi-
contrário, eles sugerem também são válidas as
leis
da mecânica demonstrado. Vamos
válidas as equações grandeza já esta
ordem de
chamaremos daqui
em
que até
a primeira
nâmicas conjetura (que

o

elevar a categoria de postulado essa


além disso,
o
introduzir postulado
vamos,
princípio da relatividade);
diante

/
.,
,

L
,

Postulados da teoria da relatividade


especial
26 Capítulo 2 ——

vácuo, 35
primeiro d e que a luz
no
aparentemente incompatível
,
com o

so do estado de mo—
Cl co

propaga com velocidade determinada independente . *

se construir
são suficientes para
Estes dois postulados
r'z' mento da fonte de luz. e lixre de contradi-
ref ,

uma eletrodinâmica
dos corpos em movimento. simples
A introdução de
na teoria de Maxwe
ll para corpos em repouso. Plat
ções, baseada
vamos desenvolver
uma vez que na teoria que
um éter se revelará supérflua, nem atribuir
um “espaço em repouso
absoluto“. .-

não necessitamos introduzir um "gt;


do espaço vazio em que ocorra
um vetor velocidade a um ponto qualquer ."
processo eletromagnético.” (itálicos nossos.)

Einstein apresenta os princi-


Esse texto merece lido cuidadosamente. Nele,
ser
a relatividade da teoria
de Maxwell aparen-
2
'

a teoria
pais argumentos que suportam

l [

nulos das experiências para


se

te em experiências da
eletrodinâmica e os resultados
estabelece os dois postulados
+,, ;

relativamente ao éter —.

medir a velocidade da Terra existe uma


na nov a teoria. Não
“,“;

o éter se mostrará supériiuo


da teoria e sugere que capítulo
como discutimos no 'ar—
teoria da relatividade, porém,
experiência que prov e a evidências contra a concepção de à (.

que: a) dão
anterior, ha resultados experimentais de massa. e b) as modifica- rª.
ou arrastado por corpos providos
'

um éter estacionário
de Maxwell não resistem a verificações
ções já imaginadas da teoria eletromagnética
_

si..
experimentais.
dois postulados da TRE. que repeti— ;;»,—

Foram destacados no texto reproduzido os

!
mos a seguir de outra
forma:

1. Postulado da relatividade
mesmaforma em todos os referenciais inerciais.
As leis da física tem a
____

da velocidade da luz
to Postulado da constância
do movimento de sua fonte.
A relocz'dade da luz e' independente
forma em to-
dizermos que as leis da física têm a mesma
Observe o leitor que, ao
deles
a possibilidade de
escolher um

dos os referenciais inerciais estamos negando fenômenos da física


estamos na verdade afirmando que
os
absoluto. ou seja, jig
a idéia de repouso abso—
como
propriedade que corresponda
não apresentam nenhuma 1 e a que aparece
equivalentes a forma dada acima para o postulado
luto. São então
no texto introdutório de Einstein.
todas as leis
da relatividade de Galileu
a

primeiro postulado estende princípio


o
O fí-
todas as outras leis da
Maxvvell devem, portanto, como
?

da física. As equações de
inercial para outro.
se passa de um referencial %
sica, permanecer invariantes quando velocidade da luz independe
desse postulado é que a
Uma consequência imediata dois observadores que se ;
relativo dos observadores;
isto e,
do movimento uniforme fonte de luz obterão
velocidades uniformes diferentes relação em a uma
movem com esse valor da
luz vácuo. Representaremos
valor para a velocidade da
no
o mesmo _ _,

velocidade da luz por c.

tornam sem significado


as srr
os postulados da teoria da rela tividade
Como veremos,
muitas vezes, é destacado um
de tempo absoluto P or isso,
idéias de espaço absoluto
e

M
2.2 —

Simultaneidade 27

o aspecto relativistico da teoria. No entanto, o que a teoria se propõe é justamente


o contrário: procurar leis físicas absolutas, isto é, que não dependam da escolha do
referencial inercial (na teoria da relatividade geral TRG — —

essa busca e estendida a

arbitrários). Einstein se referia a teoria, no início.


referenciais como uma teoria da

invariáncia, mas o nome teoria da relatividade, utilizado por H. Poincaré” e M.

Planck”), tornou-se comum e ele o adotou também.

Os postulados da teoria da especial (TRE) obrigam a rexisão do sig-


relatividade
nificado de vários conceitos físicos que consideramos intuitivos. Começaremos nossa
análise pelo exame da idéia de simultaneidade, tal como fez Einstein em seu Il'íviãYtªl
artigo de 1905.

2.2 SIMULTANEIDADE
Toda medida de tempo se veriiicação de simultaneidade. Quando dize—
baseia numa

'mos que um acontecimento ocorreu às 5 horas, estamos de fato afirmando a simul-

taneidade do acontecimento com a indicação do relógio, correspondente a 5 horas.


A sincronização de relógios exige, portanto, o estabelecimento prévio de um critério

para verificar a simultaneidade de dois acontecimentos.


Aceitaremos como razoável o seguinte critério: Dois eventos em um referencial
são simultâneos se sinais luminosos provenientes dos eventos atingem um ob-
servador eqitidistante no mesmo instante.

Consideremos situação representada na Figura 2.1. Nos pontosA e B do referen-


a

cial E são colocadas lâmpadas comandadas por células fotoelétricas. O observador


colocado em M, no meio do segmento AB, dispara um flash. A frente de luz esférica
que parte de M atinge as células fotoelétricas e acende as lâmpadas. As frentes de luz
que partem de A e B atingem o observador no mesmo instante porque a velocidade
da luz é a mesma para as frentes, de acordo com o segundo postulado de Eins-
duas
tein. Pelo critério estabelecido, o observador pode afirmar que as lâmpadas A e B se
acenderam simultaneamente

É óbvio que o observador em M podera sincronizarrelógios situados em A e B

disparando um flash. Os sinais luminosos que partem de M dão partida a relógios


idênticos situados em A e B e, como têm a mesma velocidade nos sentidos MHA e

MHB, os relógios serao sincronizados. Estamos supondo que, por causa da homo-
geneidade do espaço, os relógios têm o mesmo passo,
isto é, que a posição do relógio no espaço não altera o C C C __

passo do relógio. Com esse processo, todos os relógios GM ““W““ “'“/“Q


de um referencial podem ser sincronizados. Basta que
1 V A
A M B
o observador se coloque em posições equidistantes do

relógio tomado como referência e de cada um dos re— [


lógios do mesmo referencial que pretenda sincronizar
e envie sinais luminosos sincronizadores nos dois sentidos. Podemos então falar em Figura 2.1
tempo de um referencial, que e' o tempo indicado por um relógio local, previamente Sincronização de
sincronizado com um relógio tomado como base, por exemplo, o relógio situado na

do sistema de coordenadas. Acontecimentos simultâneos determina—


gnºelânrqílcigâíeªªial '

origem em um

1D
!
£!

28 Capitulo 2 —

Postulados da teoria da relatividade especial

do referencial são acontecimentos que ocorrem no mesmo instante de tempo indica—


do por relógios locais, prexiamente sincronizados.

Se dois eventos em um rejerencz'al inercial são simultâneos para um obser—


vadorestacíonárío nesse rejereizcíal, serão smzzzltáizeos para qualquer outro

2.3 RELATIVIDADE DA SIMULTANEIDADE


Vamos mostrar agora que suª“ ate—idade é um concei—
A
toirelativo: dois acontecmie- ças simultâneos em um
referencial inercial E. não & sã em outro referencial
l inercial R'. Queremos na veriaaje comparar relógios
| em diferentes referenciais. O Gisa Jader emR (Figura

——>u 2.2) está no ponto A]: nos pontos A e B. situados nos


dois lados de M e a igual distancia. são colocados reló—
,.

O
relogio. ob'ser
._
.

*
gios ele quer <
Sincronizar com
que Í?“ nos
_

Frente de onda *

/__'_ l vador dispara um jiaslz. que progride dOis sentidos

[
ªX l
4
l com velocidade 6 e da partida nos dois relógios, A e B,
O l )
1 simultaneamente.

G Consideremos um outro referencial inercial E', que


se move com velocidade 11. em relaçao ao referencial

B, na direção x, para a direita. O ':»t—sen'ador em E'


está junto ao observador em R, na posição M, no instante em que («faslz é disparado.
Figura 2.2
Relógios sincroni- O observador em E' vê o referencial R mover—se para a esquerda e B aproximar-se
zados no referen—
enquantoA se afasta. Então, para ele, a luz que partiu do ponto J.! chega a E antes de
cial R não estão
chegar aA e, portanto, o relógio B estará adiantado em relacao ao relógio A.
sincronizados no
referencial R'. Concluímos que relógios sincronizados em um referencial inercial não estão sin—
cronizados em outro referencial inercial Mostraremos adiante como calcular a dife-

rença de sincronia entre dois relógios sincronizados em um referencial inercial para


um observador situado em outro referencial inercial.

2.4 DILATAÇÃO Do TEMPO


Vamos introduzir um imaginario. que" chamaremos relógio de
marcador de tempo
luz. Ele consiste numa fonte de luz pulsada F. um espelho E situado a distância d, e
uma célula fotoelétrica C situada ao lado da fonte. como mostra a Figura 2.3. Um os-

ciloscópio registra a emissão de pulsos de luz pela fonte de luz e a recepção pela célu-
la fotoelétrica. Pelas marcas dos pulsos no osciloscópio. podemos calcular o intervalo
de tempo entre emissão e recepção. Esse relógio tem um "mecanismo“ simples, que
facilita a análise das questões relativas ao tempo.

A questão que pretendemos responder agora e como comparar intervalos de tem—

po entre os mesmos dois eventos VlStOS por observadores situados em referenciais


inerciais diferentes. Vamos fazer a seguinte experiência imaginaria. O referencial R'
2.4 —

Dilatação do tempo

desloca-se longo do eixo a; do referencial]? com


ao ve-

locidade uniforme u (Figura 2.4a). O observador em E

E' tem um relógio de luz colocado verticalmente em

relação a u. Os dois eventos que consideraremos são


a partida do pulso de luz da fonte F e sua chegada ao
At
detetor C. O observador em R' aciona o relógio e ve— d ª_f
rifica que o tempo medido pelo osciloscópio entre os
dois eventos e N' Zd/c. Para o observador em E, no
:

entanto, o relógio deslocou-se do ponto 361, quando o

pulso de luz foi emitido, até 0 ponto 932, quando o pulso


foi recebido.

Chamando de A1: o intervalo de tempo medido, te-


Figura 2.3
remos:
.
Relogio de luz. Um
2 2
pulso de luz e emi-
CA!“ UN 4dZL
_
:
dº +
_

e Atº =.—_.
tido pela fonte Fe.
2 2 62 _

uz depºis de refletido
no espelho E. vai

Então ao receptor C. Um
osciloscópio re—
2d 1 N' 1 gistra a emissão e
At
-

yAz', onde )! = 21 (2-1)


recepção do pulso.
_
_

7
;
0
1- ª)
C“
1-32 c
1-“79 0“

Portanto, o observador em R medirá um intervalo de tempo entre os dois eventos


maior do que o medido pelo observador em R', e concluirá que o relógio em R” é mais

atrasa. Esse é fenômeno que denominamos dilatação do tempo.


lento, ou seja, se o

7/1/000/1/0/1/1/0/0/4 VII/Ill/ll/Illl//l//Illlllz Figura 2.4


Um relogio de luz
esta parado no

u
referenCIai R' que
—v
se desloca com

X;
veloadade u em

& relação ao referen—


cial R. O observa-
dor em R'(a) e o
I
1
4: observador em R
O
Xi !*
“At
=i])Cz (b) medem tempos
diferentes.
,.,
-_.
os- fw
&

ª.,._,_I

30 Capítulo 2 —

Postulados_ da teoria da relatividade especiai

Note que o observador em partida do sinal da fonte de luz


R' vê os dois eventos —

e chegada a célula fotoelétrica lugar (no mesmo relógio). Nesse caso,


no mesmo

dizemos que o relógio mede o tempo próprio do observador. Em qualquer outro re—
ferencial inercial, o sinal parte da fonte em uma posição e chega ao detetor em outra,
sendo necessário, portanto, utilizar dois relógios prexiamente sincronizados.

O intervalo de tempo próprio entre dois eventos será menor do que o inter—
valo de tempo entre os mesmos eventos, med ido em qualquer outro referencial
inercial.

O fator y, que relaciona os intervalos de tempo nos dois referenciais, depende da


velocidade relativa destes; se u/c « 1, y 2 1 e At' E At.

Os
& A Figura 2.5 ilustra o conceito de tempo próprio.
R
»
relógios A1, A2 e A3 do referencial E são prexiamente
*

sincronizados; o relógio A'. situado no referencial R',


5 com velocidade 21 no referencial R. O relógio
A' move—se
ª
A inicia seu movimento ao lado de A;. no instante t =

R,

,
| t' = O. Queremos comparar a leitura do relógio A' com
*
A; 4 A2 A3 as leituras dos relógios Ai. Ai €:l3.
os,
© © , .

tempo e medido
,

V Observe que, no referencial R . o


V
V

relógio A' e. no no mesmo referencial R o tempo é me-


relógios colocados em posições diferentes.
dido em

Então, o relógio em R' mede o tempo próprio e deve,


Figura 25 portanto. se atrasar em relação aos relógios de R. Quando o relógio móvel passa por
Os relógios A,, A2, Ag. digamos que seu ponteiro indique 10 min, enquanto o ponteiro de Ag marca 15
A3. situªdºs "0 min Quando .-i' passar por A3, seu ponteiro indicará 20 min enquanto o ponteiro de
.


referencial
smcromzados
“ªº
no
Ar mostrará 30 min. Como mostra a Figura 2.5 os relógios A,. A.» e A3 estão sempre “

sincronizados entre si. O leitor poderá analisar o caso em que o observador em R“ Vê


instante inicial. O
o refei'encial R mover—se para a esquerda.
relógio Ag situa-
do no referencial _
R', mede otempo
próprio e deve se
Exemplo 2.1 Dilatação da Vida média de múons
atrasar em relação
ªºs rº'ÓºiºS A2 ª A observação na superfície da Terra de partículas p. (múons) formadas na
A3
parte superior da atmosfera, como radiação secundária de raios cósmicos,
'

constitui uma evidência experimental da dilatação relativistica do tempo. Os


múons são partículas instáveis e decaem segundo a lei N(t) No e_”7 onde No é :

o número inicial de partículas e 'r sua vida média; para a partícula em repouso,

'T 2 10”6 s.
= -

Solução
Imaginemos um pulso de múons formados na atmosfera, a uma altitude de
aproximadamente 10 km, com velocidade 7) E 0,9980. Se considerarmos a vida
média de repouso, os múons percorrerão, antes de desintegrar-se, a distância
2.4 —

Dilatação do tempo 31

Z 0,9980 2 1043 s
= —
600 m e não serão capazes de chegar até à superfície
. %

da Terra. Mas, o certo é considerar a vida média deles no referencial da Terra,


onde estão sendo observados, então

2 -

10”ô
r=2-106ys= 8530-10—68.
_

O percurso do múon será então, [. ,


'=“
0,9980 30 - —
10“6 s ª 9 -

103 rn, suficiente

para chegar à superfície da Terra.

Uma maneira melhor de resolverproblema é tomar um certo número de muons


o

(por exemplo 108), formados na parte superior da atmosfera (ª 10 km de altitude»


v

e verificar, usandoa lei de decaimento, quantos chegam a superfície da Terra. consi-

derando a vida média de repouso e a vida média no referencial da Terra e comparan-


do os dois resultados. O estudante poderá fazer isso sem dificuldade.

Exemplo 2.2 O “paradoxo” dos gêmeos


Dois gêmeos fazem a seguinte experiência: um de—
les parte da Terra numa astronave, com destino a
uma estrela distante, enquanto o outro permanece _.u

na Terra. Ao retornar, o viajante encontra—se com


B
o gêmeo que permaneceu observa que na Terra e àâ
este está alguns anos mais velho do que ele. Como
se explica isso no contexto da teoria da relativida—
T
de? Le

Figura 2.6
Solução “Paraooxo dos
4
Considere planeta Terra e a estrela tit—Centauri, situada à distância L gêmeos”, O gêmeo
=
o

O A fica Terra B B parte da Terra


anos—luz do Sistema Solar (Figura 2.6). gêmeo na e parte para
numa astronave
a-Centauri a velocidade u. 0,80. Vamos desprezar o movimento da Terra em
=

em direcão & uma

torno do Sol e considerar a Terra e a-Centauri Mas no referencial R; A está estrela distante,
referencial da
,

lixo nesse referencial. O referencialR' e o nave. enquanto o gêmeo


!
A permanece na
Do ponto de Vista do gêmeo A, seu viaja por um tempo L/u
irmão B :
Terra. Ao retornar
Alo/0,80 anos : 5 anos até a estrela e um tempo igual na volta; portanto A enve- à Terra 8 compara
retorno de B. sua Idade com a
lheceu 10 anos entre a partida e o
de A e verifica que

Para tempo de viagem e' o tempo que ele observa em seu relógio e,
B, o está mais novo.

portanto, é o tempo próprio N' Ait/y 3/5 5 3 anos e tempo igual para a
= : -
=

volta; ele envelheceu, portanto, 6 anos. No Em da experiência B está 4 anos


mais novo do que A.
32 Capítulo 2 —

Postulados da teoria da relatividade especial

Exemplo 2.2 está no fato de poder o gémeo alegar que


B
O aparente paradoxo no
e voltou, porque
o referencial R' da nave ficou parado enquanto o referencial B foi
anos mais
na TRE só importam movimentos
relativos. Nesse caso. A e quem estaria 4
na teoria. Observe. no entanto, que
não há
novo do que B e teríamos um paradoxo
B sente a aceleração da nave ao partir
e
simetria entre os dois casos. O astronauta
sabe. então, que foi ele
quando atinge estrela e inverte O sentido do moximento.
a

viagem estará mais vellfoí Não ha. portanto. paradoxo!


quem fez a e
! )
“'

#
Exemplo 2.3
medi—
velocidade relativa de dois observadores. para que
suas
Qual deve ser a

das de intervalo de tempo difiram 1%?

Solução
O referencial R' de um observadortem velocidade 14 em relação ao referencial
R, do outro. Queremos que:
At —

At'
————— =
0,01.
AZ,

Como At =
y A t',
At —

At' '_ yAt' —

N'
:y—l
At' &'

c, úteis em muitos cálculos


e que o leitor pode
Boas aproximações quando u «

demonstrar facilmente, são:

l 51—%Bº.
y=(1—Bª)—%51+%[32, 7
7—15%Bº

onde B : u/c.

Então,

;;;/0,02
%:omggpã u=0,14c.
e

do valor da
O resultado do Exemplo 2.3 é interessante porque da uma referência
velocidades
velocidade em que o uso da TRE torna-se necessário. Vemos que, para
medidas de intervalo de tempo nos dois
relativas dos referenciais até u :
0,146 as

referenciais diferem por menos de 1%.


2.5 ——

Contração do comprimento

2.5 CONTRAÇÃO DO COMPRIMENTO

consequencia dos postulados de Einstein é


a
Outra

contração dos corpos em movimento. Imaginemos


uma régua em repouso no referencial
R (Figura 2.7).

Um observador em R mede o comprimento da régua


no referencial
LU 12 x 1. Esse comprimento, medido
: —

está é chamado de com—


em que a régua em repouso,

primento próprio.
O referencial E' se desloca com velocidade u pa—

régua. Qual será o comprimento


ralela a régua da me-

observador de R”? Ele vê uma extremidade


dido pelo
da régua passar por ele e, algum tempo depois, vê a
Figura 2.7 Contração do comprimento. Uma régua
outra extremidade e mede tempo At' transcorrido
o
situada referencial R. quando medida por um
no
entre as duas passagens, em seu relógio; N' é um
observador desse referencial. tem comprimen-
intervalo de tempo próprio, porque é medido em um ao medir a
R
to próprio LO. Um observador err .

achará comprimento menor. É


(o relógio do observador). O compri- mesma régua, um
único relógio
essencial que o observador de R faca as medIÇÓeS
mento da régua no referencial E' pode então ser cal—
dos extremos da régua simultaneamente.
culado como: L' : U N'. Por outro lado, o observador

do referencial R mede tempo de passagem At do


o

os relógios colocados
observador do referencial E' pelos pontos ml e 9527 utilizando
e previamente sincronizados, e calcula LO
952,
uAt Mas, como vimos ante— :
em 961
riormente (Equação 2.1), At' :
Alf/y (N' é um intervalo de tempo próprio); então

At L
L'=uAt'=u——=—º.

Como 7 L0, e o observador achará para o


2 1, L' 5

comprimento de uma régua em movimento em relação


a ele um valor menor do que o medido no referencial
de repouso dela ele observará —
uma régua contraída
na direção do movimento.

Um observador situado no referencial E', por sua

vez, observaria régua uma do referencial R como con—

traída. AFigura 2.8 ilustra esse fato (as réguas A e B,


de mesmo comprimento próprio LO, vistas por obser-

vadores em R e R').
Muitas vezes, os estudantes ficam com a impres-
são de que contração
essa

assim como o atraso dos

relógios, estudado antes é um efeito aparente, de


Figura 2.8 A régua A tem comprimento próprio LO


É pre- no referencial R e a régua E tem comprimento pró—
alguma forma irreal, como, talvez, uma ilusão. da figura).
ciso salientar, no entanto, que ela é um efeito real. Di- prio LO no referencial R' (parte superior
Se R' se movimenta ao longo do eixo x em relação
ferentemente da contração proposta por FitzGerald e a R, o observador em R vêa régua B contraída e

Lorentz, citada na Seção 1.6 para explicar o resultado o observador em R' vê a régua A contraída (parte

nulo da experiência de Michelson e Morley, ela não inferior da figura).


Capítulo 2 —

Postulados da teoria da relatividade especial

resulta de algum mecanismo dinâmico que compacta as moléculas do corpo, mas é


consequência de serem o espaço e o tempo grandezas relativas. Resulta daí a nossa
dificuldade em aceitar esses novos fenômenos ,

fomos acostumados a lidar com o

espaço e o tempo como grandezas absolutas e agora o nosso absoluto e' a velocidade
da luz. Ao estudar a Seção 5.10 o estudante verá que a contração tem uma explicação
geométrica no espaço de quatro dimensões.

Diante dessa consequência postulados de Einstein, a conjetura de FitzGerald


dos
e Lorentz não e' mais necessária para explicar o resultado nulo da experiência de Mi—
chelson e Morley; tornou-se superdua e foi por isso abandonada“).

Exemplo 2.4

Analise a experiencia discutida Exemplo 2.1 do ponto de vista de um obser-


no

vador situado IÍC referencial do múon e mostre que os múons poderão chegar
ao detetor íZlZil-JJCãdÚ na superfície da Terra.

_ ia da superfície da Terra ao ponto da atmosfera onde são formados


3:15 e L ==
10 km. No referencial E essa distância é contraída de acordo

2
L 1/2

L=—º=L0
7
1-32— =104(1—0,9982)
0
5630 m.

Durante sua xida média os múons percorrem uma distância:

L :
0,9980-2-10433 %
600m

compar-a “el com a distância contraída. Portanto eles podem chegar até ao de-
tetor na superfície da Terra.

Exemplo 2.5

Uma astronave cujo comprimento próprio é 100 m passa por uma plataforma
espacial com velocidade u 0,60. O piloto pode acender duas lâmpadas, co—
:

da nave, por meio de sinais luminosos man-


'
locadas nas extremidades A' e B
dados do ponto C '. situado no meio da distância AÍB'. O piloto, situado em C',
ao passar pelo observador C, situado plataforma, dispara um flash. Piloto e
na

observador disparam seus relógios nesse momento. Ache: (a) a distância entre
as lâmpadas para o observador na plataforma; (b) a separação entre os clarões

em A' e B' no relógio do piloto em C'; (c) a separação entre esses clarões no

relógio do observador em C.
2.5 —

Contração do comprimento 35

Solução
a) SejamR e E' os referenciais do observador e da
nave, respectivamente.]? move-se com veloci-
'

dade u em relação a R. Supõe—se que o obser-


vador em R mede simultaneamente as posições ? _.

ª
de A' e B'. O comprimento próprio da nave e
100 m; ela será observada contraída no refe—
rencial R: .a

VV
L :
L'/y, O<
.

relogios
.

de C e C
, l

»ão »mcronizados
1
=
1,25,

Figura 2.9
L =
L'/y =
100 nfl/1,25 =
80 m.

'

b) Os clarões em A' e B serão simultâneos no referencial R' da nave porque


,
a velocidade da luz é a mesma nosdois sentidos e, portanto, a separação
*
'

entre eles no relógio do piloto é nula.

c) Para calcular a separação temporal entre os clarões no relógio do obser—


vador, o problema no referencial da plataforma e suporemos
analisaremos

que todos relógios da plataforma estão sincronizados. Calcularemos,


os

então, separadamente, as leituras desses relógios quando os pulsos de luz


'

provenientes de C' atingem A' e B respectivamente.

Enquanto o pulso de luz se desloca para a esquerda com velocidade 0,0


clarão de A' viaja para a direita com velocidade 0,60. Seja At o intervalo de tem—
po entre a saída do pulso de G' e sua chegada aA', no relógio do observador.
Então:

cAt + 0,60At =

%80 m, AtÇC' —> A') =


40 rtl/1,60 =
3,33 -10*8 8.

Para o pulso de luz que sai de C' e chega em B”, podemos, analogamente, es—

crever:

cAt— 0,60At =

%80 m, At(C' _> E') =


40 III/0,40 =
33,3 10-8
-

s.

A separação entre os clarões emA' e B', medida no relógio da plataforma e:

At (A', B') =
(33,3 _

8,83) io-ªs =
25 .

io-ªs.
2 Postulados da teoria da relatividade especial
Capítulo

Notas
seguintes livros. onde o leitor pode—
capítulo baseiam—se em parte
nos
As notas deste
rá encontrar referências mais completas:
a ciência e a vida de Albert Einstein, Caps. 6,
Senhor
Pais, Abraham, Sutil é o

1997.
7, 8, Rio de Janeiro, Nova Fronteira,
Mass,
scientific thought. Cap. 6. Cambridge,
Holton, Gerald, Thematic origins of
Harvard University Press, 1988.

brasileira desse artigo em


17 (1905), 891—921. Ha uma tradução
(l) Annaien der Physik. Rio de Janeiro. Editora LTRJ 2001. Esse
de Einstein,
.

Stachel, John. O o no mi raculoso


de Einstein publicados em 1905,
livro contém os cinco notáveis artigos

foi dos mais notáveis matemáticos


de sua época, quali-
(2) Henri Poincaré (1854-1912)
um
sua área de de
último dos universalistas, pela amplitude
ficado por E. T. Bell* como o
dinâmicos;
teoria de sistemas
da topologia e precursor da
pesquisas: foi um dos criadores dos problemas mais difi-
ao mesmo tempo que
trabalhou num
como fisico—matemático,
foi um de seus demo-
do problema de três corpos
ceis da mecânica clássica a análise
—.

de uma nora mecânica.


seus fundamentos e a proposta
lidores. com crítica arguta de
no ápice de suas carreiras
e Lorentz estavam
Nos anos iniciais do século XX, Poincaré
no escritório de
a sua. Na época em que trabalhava
cientificas enquanto Einstein iniciava
Conrad Habicht e Mau—
patentes em Berna (1902-1909),
juntamente com dois amigos.
filosofia e fisica. chamado por
de estudos de tópicos de
rice Soloxine. formou um grupo
divertimento. Um dos livros estudado pelo grupo foi a cole-
eles Academia Olimpia, por
critica aos conceitos
Ciência e hipótese?“k que contém
uma
ção de ensaios de Poincaré, em lugares diferentes.
de eventos que ocorrem
de tempo absoluto e de simultaneidade as reflexões de
imenso sobre eles e certamente iniiuenciou
impacto
Esse livro causou

Einstein que o levaram a TRE.

teoria da relatividade “estava no


ar“. Poincaré. assim como Lorentz,
Pode-se dizer que a
fechar uma teo—
mas nenhum deles
foi capaz de dar o passo para
estava a procura dela, Poincaré
a TRE
do artigo de Einstein sobre
n'a coerente. i'm ano antes da publicação
,

futuro da fisica matemática”, no


sobre “O estado atual e o
proferiu uma conferência EUA, onde afirmava: “Talvez
de Artes e Ciências de St. Louis,
Congresso internacional um
inteiramente nova, da qual podemos ter apenas
devêssemos construir uma mecânica da luz
com a velocidade, faria
da velocidade um

*Beli, E, T., Men of xisliunbre. onde a inércia, crescendo


mas apenas um programa
de fato, uma notável intuição,
mathematics, the limite insuperável“. Temos ai,
nd at,-hicie- teoria da relatividade.
[ires (1
para o que deveria ser a

ments oj'the great


mot/tentar ic ia ns
no inicio do século XX,
era
from Zeno to Point Max Planck (1858-1947),
criador do conceito de quantum,
(3) renome nos meios científicos.
Eins-
ré New York, de Berlim e tinha grande
professor da Universidade
ca ,

tivesse
Simon and Schuster, na principal revista
de fisica alemã, esperava que
tein. ao publicar seu artigo
1986. sua decepção, os números
idéias que expunha. Porém, para
repercussão. pelas novas
ao artigo. Só algumas
semanas
Poincaré, Henri, A não continham nenhuma menção
**

seguintes do periódico O interesse de Planck era


ciência e a hipótese. de Planck, pedindo esclarecimentos.
depois recebeu um carta a constante h da
Brasilia, Editora Uni— absolutas na física: assim como
motivado por sua busca de grandezas teoria.
versidade de Brasília, luz o era a constante fundamental
da nova
teoria quântica, a velocidade da
1985.
Problemas 37

Essa carta marcou o início do reconhecimento do trabalho de Einstein no meio cientí-


fico. Em poucos meses, Planck apresentou a TRE num
seminário em Berlim, publicou
não Einstein. e orientou
o primeiro trabalho sobre a teoria, feito por outra pessoa que
doutorado sobre relatividade. Paul Ehrenfest. sucessor de Lorentz
a primeira tese de a

também um artigo sobre a rela—


em Leyden e fundador de uma grande escola, escreveu

tividade, em 1907. A teoria estava assim adquirindo rapidamente adeptos importantes


ao ponto de a
no meio científico. No entanto, houve muitos opositores por longo tempo:

comitê do Prêmio Nobel, quando Einstein foi agraciado,


teoria não ter sido citada pelo
(o prêmio foi concedido pela explicação do efeito fotoeletrico
com o quattrun.
em 1921
de conferência sobre a teoria da rela-
mas Einstein proferiu na cerimônia aceitação uma

tividade).

(4) Em 1909, quatro anos depois da publicação do artigo de Einstein, Poincaré proferiu uma

conferência em Goettingen —

a última de uma série de seis —

sobre “A nova mecanica".

Nessa conferência, ele afirmava que a nova mecânica deveria se basear em três hipote—
a segunda. a da inva-
ses. A primeira, que a velocidade da luz era uma velocidade—limite;

riância das leis da física nas transformações entre referenciais inerciais (na linguagem
científica de hoje); e a terceira,a de que os corpos em movimento de translação sofre-

riam uma contração na direção do movimento (contração de FitzGerald-Lorentz). Como

vimos, a contração na direção do movimento é uma consequência dos dois postulados da


TRE e, portanto, dispensável como postulado. Como não podemos duvidar de que Poin-
caré conhecesse a teoria de Einstein que ja era discutida por físicos eminentes com os

quais mantinha contato —, isso indica que ele não aceitara a teoria e possivelmente
não

totalmente. Além disso, ele agarrava ainda à hipótese do éter eletro-


acompreendera se

magnético. Nenhuma menção foi feita a teoria de Einstein na conferência, o que indica que
Poincaré apresentava um programa para, possivelmente, outra teoria da relatividade..

Apesar de notável intuição do princípio da relatividade devemos a ele o nome e de


sua

que o aumento da inércia com a velocidade faria da velocidade da luz um limite insuperá-

vel, a conferência mostra que Poincaré não tem prioridade sobre Einstein na criação da
teoria. Esse episódio ilustra a dificuldade que os historiadores da ciência enfrentam ao
tentar desvendar a origem das teorias científicas. A excelente história do eletromagne-
tismo de Whittakerªª, físico matemático inglês, trata a teoria da relatividade num capítulo
intitulado “A teoria da relatividade de Poincaré e Lorentz”. Esse é um exemplo de como
os preconceitos do historiador podem conduzir a distorções.
No caso de Whittaker, pa—

rece que preconceitos foram maiores ainda


os do que a dificuldade em deslindar o ema-

ranhado das idéias nas origens da teoria.

'

:
Whitaker
íratado
Problemas & inalitica
: ?. tl »rinar
Os problemas deste capítulo têm como objetivo verificar a compreensão dos postula—
dos da TRE; o estudante deve tentar resolve-los sem apelar para a transformação de ,

,,; NWN. ,,,,Sqe

Lorentz, a ser estudada no Capítulo 3. iva seguindo a

trztliç-ão tl* La ra e,

Willijâwpãn nªm—?ª
.

paralelas
-

referenc1al R arestas
,

2.1 Um cubo de aresta L esta no e tem as aos euros

coordenados. Qual é volume do cubo para


o um observador que se move com _

apenas quam) dese—


nlios de órbitas
paralelamente ao eixo Ox“?
no
velocidade
A

u
,
penúltimo capítulo,
referencral E', que se move
. , ,

2.2 Uma fonte de raios X homogenea esta em repouso no dedicado à teoria ge-

com velocidade u relativamente ao referencial R, na direção Ox. Os comprimen- ral das órbitas.

17
"_?
&

38 Capítulo 2 ——

Postulados da teoria da relatividade especial

referenciais R e E', são A


tos X, medidos por observadores
de onda dos raios
nos

e X.
e X respectivamente. Ache a relação entre A
de 0,1 em B, de O a 1. Obser-
2.3 Faça um gráfico de 7 em função de B para variações
do comprimento e a dilatação do tempo.
ve o gráfico e reflita sobre a contração
se des—
2.4 As réguas A eB 1 m em seus referenciais de repouso. A réguaA
medem
Para observador no
0,50 paralelamente a régua B.
um
loca com velocidade v =

relativa das extremidades de trás das ré—


referencial da régua B, qual é a posição
da frente coincidem? Para ele, quanto tempo leva
guas quando as extremidades
a régua A para passar pela extremidade
de trás da régua B"?

Resposta: AL :
0,14 m, Az
:
5,77 ns

será a vida média


2.5 A xida média do méson «*
em repouso e' de 25 ns. &) Qual
movem com velocidade B
0.75 e qual é a distância
=

de: ses mesons quando se

sua vida média? b) Qual


seria a distância percorrida
percorrida por eles durante
Responda a questão (a) para B
=

se efeitos relativisticos fossem ignorados? c)


199.

Resposta: 6) 52,6 m

a velocidade máxima
de aproximadamente
2.6 Foguetes interplanetários atingem
está numa estação espacial quando
um
240 mil km/h. Imagine que um astronauta
Qual é contração percentual do foguete por
foguete passa a essa velocidade. a)
a
ao da
ele «:»bservada? b) Quanto tempo
atrasará o relógio do foguete. em relação
estação. num ano terrestre?

Resposta: b) 0,76 s

referencial E' ao longo da


2.7 Suponha que o relógio da Figura 2.4 está colocado no
como a dada pela Equa—
Mostre que a mesma dilatação do tempo,
velocidade u.

ção 2.1 e obtida.

n* e T 25 ns. L'm pulso de 106 mésons se—


2.8 A “da média de repouso do méson
=

de 30 m de raio com velocidade [3 0,995. a) quantas =

gue uma trajetória circular as partículas


volta? b) Quantas sobrew'veriam se
particulas sobrevivem após uma
estivessem em repouso durante o mesmo tempo"?
N (O)?” T.
referencial da partícula e N (t)
:

Sugestão: A lei de decaimento no


Vimos no Capítulo 1 que a transformação de Galileu (TG)
mecânica newtoniana, a

e o princípio da relatividade de Galileu (PRG) sãocompatíveis. Isto é, se aplicarmos


sua forma.
& TG a uma das equações da mecânica clássica, a equação preservará

satisfazendo assim o PRG. Vimos também que quando juntamos a esse conjunto de
leis as eguações de Maxwell, a consistência é perdida, porque essas equações não
são invariantes sob a TG. No Capítulo 1 apontamos três caminhos que poderiam ser
tomados para sanar esse coníiito:

pode estendido ao eletromagnetismo.


a) O princípio da relatividade (PR) não ser

Nesse caso, existe um referencial absoluto para o eletromagnetismo. x

b) A mecânica de Newton e a TG são corretas e o PR pode ser estendido ao eletro—


magnetismo. Nesse caso, formulação a de Maxwell do eletromagnetismo não é
correta (porque não é invariante sob a TG) e exige modificação.
do ele-
c) 0 PR pode ser estendido ao eletromagnetismo e a formulação de Maxwell
de Newton não são
tromagnetismo é correta. Nesse caso, a TG e a mecânica cor—

retas e exigem modificações.

Mostramos que a experiência de Michelson-Morley, combinada com as experiên—


cias de aberração das estrelas e de Fizeau, constitui evidência forte contra a existên-
cia de um éter eletromagnético, que poderia servir como referencial absoluto. Isso

significa que o PR deve ser eletromagnetismo. Por outro lado, não tinha
estendido ao

sido feita nenhuma experiência que pudesse ser considerada como teste negativo
não só tinham sido ca—
para as equações de Maxwell; pelo contrário, essas equações
como também
pazes de explicar todos os fenômenos eletromagnéticos conhecidos,
tinham se mostrado fecundas na previsão de novos fenômenos e, sobretudo, tinham

incorporado a óptica como fenômeno eletromagnético. As tentativas de substituir


a teoria eletromagnética de Maxwell por outra compatível com a TG não
resistiram

& verificações experimentais. Somos, então, induzidos a adotar o terceiro caminho,


entre os apontados acima.
40 Capitulo 3 —

A transformação de Lorentz

raciocínio apresentado no parágrafo anterior é uma argumentação


Na verdade, o
das teorias científicas. Basta que
posteriori. É muito difícil descobrir gênese
a
&

leitor consulte os periódicos cientificos dos


séculos XIX e XX para ver o número
o

imenso de conjeturas apresentadas que pareciam razoáveis, mas não sobreviveram


aos testes experimentais. Algumas
foram aceitas, chegaram a ter êxito na explicação
a categoria de teoria, para logo depois se—
de um domínio de observações. passando
caso da teoria
e caíram no esquecimento. No
rem suplantaclas por teorias melhores,
difícil seguir a evolução das idéias
da relatividade especial (TRE). e particularmente
versões diferen-
de Einstein porque ele próprio. em diferentes ocasiões, apresentou
a experiência de Michelson-Morley
não
tes da história de suas ideias. Provavelmente
no artigo de 1905 e ele, em conferências
desempenhou papel algum. Ela não é citada
se a conhecia na época da formulação
da teoria.“)
e entrexistas. diz não se lembrar
de Maxwell, citadas na intro-
Certamente as assimetrias presentes na eletrodinâmica
e a experiência de Fizeau (Seção 1.7)
constituíram
dução de seu artigo ( Seção 2.1)
caminho. Parece que Einstein foi guiado por
bases empincas que paximentaram seu
ideias muito gerai lli ligadas a sua crença na
unidade da física para ele, não havia razão —

a físicam.
.

e o PR devia ser aplicável a toda


para dar Lil status especial mecânica,
a

eletromagnetismo, e necessário procurar


uma nova
Erra ve: estendido o PR ao
substituir a
ÉTàlÍEÍ-C rr: “« .
r. sob a qual as equações de Maxwell sejam invariantes, para
invariãncia
transformação, as leis da mecânica clássica perderão
sua e
TG. S— ': n DVB
sob a transfor-
necessário inventar uma nova mecânica, invariante
nova
; i-.

ra que o PR seja também aplicável


a ela. Como sabemos que a mecânica
deverá ser uma aproximação
.. + a; lit-avel aos fenômenos comuns do mundo, ela
Com isso ficara preservada a compati—
-_

da nova mecânica para pequenas velocidades.


velocidades ordinárias de
Ívllldã ie mecânica de Newton com a TG e com 0 PR para
a ser a ferramenta utilizável
no
CETEM"; :roscopicos. A mecânica clássica continuará
como veremos adiante as velo-
criem:- ie í-rt'ítas de planetas ou de satélites artificiais;
tratamento relativistico.
cidades ermohidas são ainda pequenas para exigir
um

3.1 A TRANSFORMAÇÃO DE LORENTZ


achar a transformação que conserva invariantes
as equações de
Nossa meta agora e

outro. Para isso, vamos


analisar um
Maxwell a passar de um referencial inercial a
trans—
fenómeno eletromagnético simples em dois referenciais inerciais e procurar a

outro, que mantenha o fenômeno invariante.


formação. de um para o

são paralelos e cujas origens


Consideremos dois referenciais R e R', cujos eixos
t' O. O referencial R” move-se com velocidade u
coincidem no instante inicial [ = =

de luz, na origem do referencial R, emite um


paralelamente ao eixo Of., Uma fonte de raio ct
pulso de luz no instante [ O Um. observador em R vê uma onda esférica
= .

de 0. Já observador em R” vê uma onda esférica propagar a


se
sepropagar a partir o

raio cr'. porque a medida de seu tempo e t' se [. As equações dessas


partir de O' com

frentes de onda nos dois referenciais são:


N
I+y
2 2
+z
2
H O W “Y (3.1)
02 tº. (3.2)
9
-
—)

o
,17'“ + y'“ + z'ª :
i

41
|

|
3.1 —

A transformação de Lorentz

[, y' y, z' e, t'


aplicarmos a TG (x' x
= =

Se =

u =

'

a equação da frente de onda


» no referencial E', para
abre-la em R, teremos:

x“—2xut+u2t2+y2+22=cºzª,
.

que é formalmente
diferente da Equação 3.1 da frente
de onda no referencial R.

Procuramos uma transformação que mantenha a

invariante quando passa-


equação da frente de onda
reduza
mos de um referencial inercial a outro e que se

u/c exigência esta-


0. Com essa última
TG quando
r—>
a
uma aproxi—
com que a TG seja
mos procurando fazer
a velocidades baixas
em
mação da nova transformação
a c. A transformação procurada
deve ser
comparação
porque () móvi—
tal que y e z não sofram modificações, Figura B.]
a frente de onda esférica
se

mento é ao longo de x, e
deve ser linear em x e 15 porque Um pulso de luz
a transformação:
propaga velocidade uniforme. Tentamos
com
esférico é emi-
tido da origem
_(33)
x':x—ut,y'=y,z'=z,t'=t+k9ç, dos referenciais
inerciais R e R' no
a frente de onda
onde k é uma constante a ser determinada. Transformamos agora instante t= t'= O.
com essa nova transformação,
3.2) para o referencial R; desloca
R' se ao
do referencial R' (Equação do
longo do eixo x

obtemos: referencial R com


zº cªt2 +_2 oªk tx oªk 2x2. velocidade relativa
y2
+
xz- 2 xut + uªi2 + + :

u. O raio da onda
-

fizermos k u/c“
9
ou t' = t —

vir/cª, e teremos
esférica observada
xt se cancelarao
= —

se
Os termos em
em Ré r= cte, em
uº/c2 ) y2 zº 02t2 (1 —'u2/02).
xª(1 + a'.
:

+ R', é r' =

trº/cª), substituímos a transformação dada pelas Equações


Para eliminar (1 o fator —

3.13 pela transformação


t-ªx
u
CZ
1=7 t——2x
,
x—w: ,
z
,

=z, t: ,

35
,
=
1
=
Mac—ut), y :y, C
ª
“2
“2 ª 1
1 02
c2
onde:
1
7: 1-
ª
u2
1—7
c

Obtemos então:
22
x2+yª+zª=c
.
(

t,

idêntica a Equação 8.1, de onde partimos.


que é formalmente
Ji—

42 Capítulo 3 —

A transformação de Lorentz

Portanto a transformação

t'=y[t——ºx
u,

._i"=y(t1'—ut) y'=y, z'=z, , (3.4)


Cs

da onda
« denominada tra nsformação de Lorentz (TL), mantém invariante a equação
inercial R referencial
eletromagnética esférica na passagem do referencial para o

é válido para
inercial R'. Esse resultado. demonstrado aqui para um caso particular,
todas as leis do eletromagnetismo a TL conserva invariantes as leis
— do eletromag—
a outro. A transformação inversa,- de
netismo passagem de um referencial inercial
na
—u em relação
R' para R. é obtida facilmente, notando que B move—se com velocidade
z' e t' e vice-versa, e
.
a R'. Trocamos então nas Equações 3.4 x, y, z, e t por x', y',

substituímos 11 por —u.

Essa transformação foi descoberta por Lorentzfª) antes da descoberta indepen—

dente de Einstein e por isso recebeu seu nome. A TL foi destacada num quadro por

TRE; ela será utilizada frequentemente e convém memorizá-la.


sua importância na

TL PR são
seguinte situação: as equações de Maxwell, a e o con—
Temos agora a

sistentes. isto e. não apresentam contradições internas.

podemos dizer da mecânica clássica? Seria ela também invariante sob


a
O que
TL"? Não: («rumo mostraremos no próximo capítulo, a mecânica clássica, a TL e 0

PR H?0ír'/25ÍSÍ€72Í€S

Observe. porém. que quando u/c +—> O; então a mecânica clás-


a TL é idêntica à TG
a TL e o PR, desde que
sica e consistente com a teoria eletromagnética de Maxwell,
a c. Se quisermos tratar de velocidades
(1.5 reload/titles sejam. pequenas em relação
leis sejam invarian-
altas. a mecânica clássica terá que ser modificada para que suas
tes sot- a TL. Mais adiante faremos isso.

entre teoria clássica e a TRE.


A Tabela 23.1 resume uma comparação a

HM

Física clássica TRE

O éter e referencial absoluto. Não existe referencial absoluto.


Referencial absoluto um

A velocidade da luz deve ser medida A velocidade da luz é absoluta e


Velocidade da luz
no referencial do éter e independe do independe do movimento da fonte.
movimento da fonte.

Espaço tempo são independentes e Espaço e tempo são interdependentes e


Relação espaço-tempo e

absolutos. relativos e formam o espaço-tempo, que


é absoluto.

i i
Transformação entre
E feita pela TC. E feita pela TL.
referenciais inerciais.

Vamos agora estudar como a TL afeta as leis da física. lniciaremos repetindo


a

análise da variação do tempo e da distância em diferentes referenciais inerciais,


mas
3.2 —

Dilatação do tempo 43

configuração
utilizando agora a TL. Na discussão que segue utilizaremos sempre
a

R e R'; E' com velocidade constante u em


padrão: dois referenciais inerciais
se move

levar conta as coordenadas g e z


relação a R na Ox. Não
direção
em
precisaremos
movimento relativo ao longo de OJ". como se pode ver
4) porque elas não se alteram
no

nas Equações 3.4 _

da
ial ..

.ra 3.2 DILATAÇAO DO TEMPO _

lugar (950) do refe-


ÉNe Dois eventos ocorrem no mesmo
ª; l
132. Qual é o intervalo de
ªy
rencial R nos instantes tl e

observador no R R ?
tempo entre eles, quando vistos por
ªº um
%
,
º
referencial R' (Figura 3.2 )?
ª

Precisamos determinar como os tempos tl e 132


se _

Pela
,n—
modificam quando medidos por um relógio em R'.
'ºr
TL temos:

UL,—_*.m—
y[t1 900],
u ª“
n
t; : O
,-
,

) lg
)

/7

Figura 3.2
)a
by:),
2
t
2
_lx0 .

Dois eventos ocorrem no ponto xo do referencial R,


)
O 02 no referen-
'

nos instantes t] e tz, e são observados

cial R' nos instªntes ti 'e tz'-


O intervalo de tempo entre os dois eventos no re-
f
as-
ferencialR' é
ue
t'l (tg— tl) N.,. (3.5)
At' ; tg' y
:
:
'y

les
de tempo medido referencial B por um único relógio, situado
Ato o intervalo
no
m' sendo
no local onde ocorrem os eventos

Ato é o cHamado tem po próprio.


Entre um evento outro, E' se move
e e os eventos ocorrem em lugares diferentes
intervalo de tempo N' tem que ser medido em dois relógios. Como
de E'; portanto o

"Y 217At' 2 Ato.


entre dois eventos é menor do que o intervalo de
O intervalo de tempo próprio
Esse é fe-
medido em qualquer outro referencial.
o
tempo entre os mesmos eventos
_

'

obtido na Seção 2.4.


nômeno de dilatação do tempo que já tínhamos

3.3 CONTRAÇÃO DO COMPRIMENTO


tem comprimento pró—
régua em repouso no referencial inercial (Figura 3.3)
R
ie Uma
referencial E', que se desloca com velocidade
prio LO 932 351. Um observador no
: —

da régua acha o valor L. Para


uniforme to em relação a R, mede o comprimento
e
â

achar a relação entre L e L0, utilizamos a TL:

xi =?(íví+utí),
l
x—+ut 2)
l
03. —

x=
2 Y(z .

nas
44 A transformação de Lorentz
Capítulo 3 —

da régua no referencial R é:
Então o comprimento
ytl(tf3—t'1). (3-6)
13— Il
:
y (Jg—Jg) +

observador R' está em movimento,


i
em
Mas. como o

ao medir as coordenadas das extremidades da régua


diferentes. cometerá um erro
xi a";
e momentos
em
entre as medidas.
| correspondente a seu deslocamento
então. fazer medidas no mesmo instante,
l Deverá, as

ou seja, no instante tªí :


[É. A Equação 3.6 nos dá, en-

0' tão,
(3.7)
0 LO :
yL'.
47

Como 7 > 1, concluímos que o comprimento da régua,


de
'

r
e
o

refeientnl
nao
seja
-

que
qualouei
' "

medido
' '

Flgura 3.3
_

em
em repouso no refe-
Uma regua de comprimento Lo, comprimento pro—
.

menor dº que
,

O
R'. O observador pouso dºíª» sera
referencial
rencial R, é medida
resultado já obtido na Seção 2.6 pelo
no uso

R' mede as extremidades da régua


simultanea- prio. Esse é o
em
mªnte-
direto dos postulados de Einstein.

Exemplo 3.1

Exemplo 25 pode ser resolúdo de maneira mais


Mostraremos aqui como 0

simples utilizando as equações da TL.

Soluçao
e LO 3:55» xi. comprimento medido
Seu
comprimento próprio da nave :

a) O
Ax xA, será menor devido a contração de Lorentz
naplataforma, xB
:

(Equação 3.7).
: ——
m ='80 m.

velocidade
B' são simultâneos para o piloto, porque
a
Os clarões A' e
b) em

do movimento da nave: At' 0. :

da luz não depende

Obtém-se separação entre os clarões em A' e B', medida no relógio do


c) a
dada no
do que a da solução
observador, de maneira muito mais simples
da TL inversa:
Exemplo 2.5, utilizando a equação do tempo
u 'Ll, ;
!
! I _

At: % —tA
=

y[At'+%Ax')= l,25(0+9L€—53100 m]:


C 02
0,25 us.

|“
___—___P
3.4 —

Diferença de sincronização de relógios


45

3.4 DIFERENÇA DE SINCRONIZAÇÃO DE

RELOGIOS
Vimos na Seção 2.2 que é trivial sincronizar relógios
relógios _v _v'

]
situados no mesmo referencial. No entanto
inercial
sincronizados em um determinado referencial
em outro
estarão sincronizados para um observador
'não calcular É
referencial inercial? Vamos mostrar que e “

obser—
diferença de sincronização dos relógios para o
.=.

1'ador do outro referencial.

ocorram nos pontos 961


Supomos que dois eventos
0:
ªvi
R nos instantes tl e [32 (132 >
% Ig do referencial inercial
|

* xª
naqueles pontos e
marcados por relógios situados
,

l
à?”
.

'; ).
Pela TL, um. f'n
'

o
_trexiamente sincronizados (Figura 3.4). '

Í]
'
ªx L,Ç
;bservador que se move com velocidade uniforme %
/

em relação a R observará os
eventos nos instantes /

u
Figura 3.4
,_ Dois relógios situ-
t1—7t1_'íººi
0
,

ados no referencial
inercial R, separa-

' dos pela distância
r t2=7 t2—7x27 Lo, sincronizados,
c
não estão sincro—
intervalo de tempo entre os eventos será nizados em outro
marcados em seu relógio. Para ele, o
referencial inercial
u “
' l , R'.

que os eventos
entre os relógios. Vamos supor agora
L0 e a distânciaprópria
ande
At O
sejam simultâneos em R. Então,
: e

—y_—2_L0'
,

At :

observador emR' se u/c i—>


0,
eventos só seriam simultâneos para
o
Vemos que os

do observador.
30 é, para baixas velocidades
situados 901 e 302 para
diferença de sincronia dos relógios
em
Para determinar a
cuidado.
delicado que precisamos analisar com
observador em R”, ha um ponto os dois
é o intervalo de tempo entre
.

Í'bserve que At', dado pela equação anterior,


Do ponto de vista
de R' e isso não é o que procuramos.
relógio
medido no

eventos fator 7
o intervalo de tempo
medido por ele é dilatado por um
ic» observador em R',
se move em relação
em relação ao intervalo
de tempo medido no referencial R, que

3. ele (Equação 3.5). Então,


de acordo com esse observador :

istzrírzªª
.

AW=yAÚ 3
eventos medido nos relógios do referencial R é, por-
) intervalo de tempo entre os

tanto,
oa
M-M-_í%.
Capitulo 3 —

A transformação de Lorentz

Como os eventos são simultâneos em R, o que At mede“? At mede


a diferença de

dos relogiOs em R para o observador de R'. Note que


At tz tl < 0, :

sincronização
o observador em R'. o evento ocorre
mais cedo no relógio situ—
ou [3 <
tl; então, para
ado em ou seja. o relógio em I; está adiantado em relação ao relógio em 301.
553,

#
Exemplo 3.2

observador C referencial R
Na Figura 3.5. um no

distantes do
* of.-: 33. rii-jgios pontos A e B, um
nos

i
“R
TR' out.“: Li núnutos-luz. e uma lâmpada
no ponto in—
&
terre-iiano de A e B. onde permanece. O obser-
.

l '

está no referencial R', que se move "com


'ª'
l '

:»:iiia-je u. : 0.6 c relativa aR, paralelamente ao

passa por C ambos acionam


'

ª! C seus
l 4

nesse momento, O dispara um pulso


de
l 15 e.

B.
relógiosA
o

º'
gaz-a sntcrzzunizar os e
2.1;
l #
,

O, reló—
& em: e a instância medida por C' entre os
47
O
4. c 5
'

"r Çzaais são as indicações do relógio de G quando o _

.
:,
Figura 3.5 pulso detuzchegaaA. e

O observador Cé B, de
c) Qual e' o intervalo de temp-3 entre a recepção do pulso de luz emA e
equidistante dos
A e B no acordo com C'?
relógios
referencial R. O relógio
d) Quanto tempo o relógio A está adiantado ou atrasado em relação ao
observador C', no
referencial R', que B, de acordo com C "?
tem velocidade u
em relação a R,

passa por C no mo-

mento em que este


Solução
dispara um pulso a) A distância de 10 minutos-luz pode ser expressa por lOc min (observe que
de luz para sincro- essa grandeza tem a dimensão de comprimento).
A e B estão em repouso
nizar os relógios R é um comprimento pró—
no referencial R, entao o comprimento AB
em
A e B.
comprimento
'

prio. C mede um menor

: 8 -
0 min (8 min—luz).

no referencial E“ entre a partida


b) Queremos calcular O intervalo de tempo
No referencial R, o intervalo
do sinal de C (C ') e sua chegada à lâmpadaA.
f 3.5 —

Transformação das velocidades 47

%
de tempo entre a saída do pulso de luz de C e sua chegada emA é At :
5
min. Podemos usar a TL para transforma—lo do referencial R para o refe-
rencial R' :

y(Az—%J=L25 [5 ]
0,60(—5c min)
At' =
min _
=
10 min.
2
C C
'
'

i O leitor poderá calcular o intervalo de tempo no referencial E' entre a saí-


da do pulso de luz de O e sua chegada a B e achará 2,5 min. Observe que
i C
'
se afasta deA e se aproxima de B depois que o pulso de luz é emitido.
por isso At'CA At At'CB
|
> > .

c) Para O, o intervalo de tempo entre recepção dos dois clarões é At 0.


a :

porque são simultâneos para ele. De acordo com C 'o intervalo de tempo
'

é, no entanto,

, Ac'=y[Az-”Aº”)=1,25(o-M]=—7,5nún.
'

02
O sinal negativo indica a ordem em que C' percebe os clarões. Assim,

_,i.4
&' :
tig—Uá = —

7,5 min < 0,


então 221 > tjg (para C', o clarão de B precede o de A).

d) Os relógios/l e B estão sincronizados em R, mas não em R'. A diferença de


>— '

sincronização é dada no relógio C por

_'—- N' __2ª_ 0,60-IOCmin


9
=
6 min.
c“ 02
De acordo com C ', o relógio B esta adiantado 6 min em relação ao relógioA.

3.5 TRANSFORMAÇÃO DAS “R “R'


A

º”
i VELOCIDADES
Ev
Íc-nhecemos a velocidade V de uma partícula P no re—

— ferencial inercial R
referencial
e queremos achar sua velocidade
B”, que se desloca com velocidade uni-
'

f i

t.?“ne 11 em relaçao 211%. Como já vimos, é "


sempre pos-
9.931 girar os referenciais de modo que u fique paralela
:: eixo 0.1“ sem perder a O
generalidade.
à);
.ª. partícula deslocamento O
tem um (Ax, Ay, Az) no

*+rí;i:» At. Utilizamos a TL para transformar os des—


cimentos e o intervalo de
Figura 3.6
tempo de um referencial

Os referenciais inerciais R e R' têm velocndade rela-


143. ; 3 outro. As componentes da velocidade no refe- tiva A velocidade da referencial R
u. partícula P no

1 "i.—;;;alR' são: é v(v_l., vg) e no referencial R' e v (v z ).


E." «
48
'

Capítulo 3 —

A transformação de Lorentz

H_ ª
, M'_ y(Ar—uAt) A,; Uru
UI
_ _ _

_A—f—
_ —

Yí ]
u u Ax u
AZ—ÍAJS 1——— 1——vr
02 Aí 02
º
(:2
&
Ay, Ay At vg
v/ : : : :
]]
(3.9)
Ylªªªªºªl Ylªªíl Ylªªªº—fl
,
At' Ax

c“ c É cª
«

[ Z,:
172

A transformação
“/(1— ZÉ v,.) (a

da componente Z“; pode ser deduzida pelo leitor facilmente.

Se conhecermos velocidade da partícula no referencial R' e quisermos determi-


a

ná-la no referencial R. isto é, obter a transformação inversa, bastará trocar u por —u


nas Equações 3.8:

tv + u
vg ví
in:—" v
'

vy=—“
=—
,

(3.10)
a »
y
.

4
u , u u
1+ 1+ *) 0.1“
, ,

l ? UI y ), 1+ T PJ."
»
(“ C“ C“

Etc—plo 3.3

A luz tem velocidade 0 no referencial R. Qual é sua velocidade no referencial


E'. que se desloca velocidade relação R,
com u em a na mesma direção e sen—
tido da luz“?

Solução
Utilizamos a TL para calcular a velocidade da luz no referencial R':

N
,
c—u
v__=c,
.(
entao ?) =
=c,
.]?

1 l
26
_

como deveríamos esperar, tendo em vista o segundo postulado de Einstein.


_

Exemplo 3.4

Um problema interessante e' a determinação da velocidade da luz em um


,
líqui—
do que flui (veja a experiência de na Seção 1.6). A luz se des—
Fresnel-Fizeau
loca com velocidade c/n num meio defíndice de refração 71 que por sua vez se
desloca com velocidade u em relação ao observador. Fresnel deduziu, utilizan—
1 do argumentos clássicos, a seguinte fórmula (Equação 1.8) para a velocidade
3.6 »—

Efeito Doppler 49

luz em relação ao observa


dor: ª
V

c 1 ?
IJ:—i l—ª-g' U.
l
'I'L- nª
TRE.
pode ser obtida utilizando a

l dedução muito mais simples


'

íução (tomamos as
ve—

relativistica de adiç ao de velocidades


usar a fórmula de v' a v elocidade
l
emos e chamamos
do meio em se ntidos opostos
dades da luz e

,uz em relação ao meio):


o
ª+u u 0 1
0 u,
v'+u 2/3
% —+u 1--— g—+
n
1";
77”
v: ,
%
cn
vu u
1+ l+—e
2 cn
c

é idêntica à fór—
termos em itº/cº. A equação obtida
de foram desprezados
1la de Fresnel.

considerava a experimental da
verificação
que Einstein e não
interessante obse rvar
das importantes bases experimentais da TRE
velocid ades. Essa demonstração
Fizeau uma
,ção 1.8 por da composição de
aplicação de 1905.
ou nessa elegante
ção do artigo de Einstein
da publica
eita porLauem só dois anos depois ja citadofõ)
da teoria da relatividade
livro de po pularização
»ublicar, em 1917, o
crucial da TRE porque,
de Fizeau como experiência
tein tratou a experiência fazer as velocidades
se comporem

dessa experiênci a, devemos


obter o resultado
TG.
de acordo com a
,

cordo com a TL e não

6 EFEITO DOPPLER' &


l
si-

&
é a variação frequência de um na
feito Doppler está
por um observador
quando a fonte
percebida ele. Antes de atacar
o fe-
movimento em relaçao a
analisaremos por
neno pela teoria da relatividade,
0 caso do som emitido por
“todos da física clássica observador. Emissor
movimento em relação ao
la fonte em

está no referencial E'


O emissor da onda
sonora
R do labora—
(no referencial O
.e se afasta do receptor
paralela ao eixo Ox (Figura
i Wi
,?

rio) com velocidade u,


a
o som
propaga 3 7

meio em que se Fi ura emissor


Ogreceptor estávelocidepouso meio.
o e o
T). Observe que em R. O emissor emite,
em |,
no
meio. afas-
está em repouso ade relativa u ao
mosfera —

N cristas, move-se com


onda com
intervalo de tempo At,
uma
tando-se do receptor.
)
não há nada
e v' N/At. Repare que
ija frequencia
:
transformação de Lorentz
50 Capitulo 3 A
—-

do
Né número e o tempo é absoluto, portanto independentes
questionar aqui:
um
a

movimento da fonte.
meio é independente da velocidade do
A velocidade do som os em r elação ao

dades mecânicas (densidade


e propriedades
emissor e apenas das proprie
depende At no meio, no inter—
da onda percorre um a distância rs
elásticas) do meio. A frente uAt. A
o emissor. ele terá avançado
a última crista deixar
valo de tempo At. Quando existem
+ U) .V. Nesse espaço
fim do trem de ondas e (i";
distância entre a frente e o
de onda sera
N cristas, portanto o comprimento

_
(vs+u)At
_/N
,

referencial do emissor e' v' :


N/At; então
Mas a frequência no

“ (3.11)
V: ,
'

u
l+l
US
laboratório e v' a fre-
no referencial do
sendo v a frequencia medida pe lo observador emissor se afasta do receptor
referencial da fonte. Nesse caso,
o
quencia medida no
0 e v > v'.
emissor se aproxima do receptor,
u <
11 > O e v < v': se o

fonte é um avião a jato), o efeito é muito grande «

Se. 21 ª r, (por exemplo, se a


&

se u/tjS « 1.
-.
_.

_,-.—

a fonte está em repouso e o receptor e


no caso em que
Problema 1 Mostre que,
entre frequências é
afasta. a relação as

'

u
(3.1:
v=v' l——— .

US
a velocidac
entanto, que, quando a
velocidade é pequena em relação
Observe, no
emissor ou rece ptor em repouso.
do som, os resultados são idênticos para

luz. No caso discutido anti


estudo do efeito Doppler para
a
Passemos agora ao
se move ou está repouso em :
em
podemos distinguir que
o
há um meio (o ar) e
não há um meio materf
uma onda eletromagnética
lação passo que para
a ele, ao
o movimento relativo
uma vez que o éter é
desnecessário, e só tem significado
a anterior: o emis:
uma situação semelhante
emissor e receptor. Vamos analisar
velocidade u, em relação ao receptor, si
referencial E“ se desloca com
situado no

ado no referencial R.
3.6 —

Efeito Doppler

Os relógios dos referenciais são sincronizados para

marcar t = t' = 0 no momento em que suas origens


coincidem. O emissor é disparado nesse momento e

emite um trem de ondas durante o tempo t'. No refe— »


rencial R', a frente da onda é emitida na posição 1“ =

O, no instante t' O; no referencial R, ela é emitida na


=

posição 1 O no instante [
= O. A traseira da onda e
=
i

i Emissor
emitida no referencial E' na posição x' O, no instante =

instante t. Pode- i ÁlOJ' )


t' e, no referencial R, na posição a; no

mos relacionar a posição e o tempo nos dois referen—


R&eptºr “. [_

ciais pela TL:


Figura 3.8
x' + ut' ,
No caso da luz,
x = ——
:
yut ,

não há meio (não


Ji [32 -

há eter) de modo
u que so interessa a
t'+ x' velocidade relati-
,

CZ va; o emissor se

t=Ú—7t. afasta do receptor


com velocidade u.

A Figura represen—
No referencial R, o tempo gasto para que a luz percorra a distância que vai da tra— ta o instante de
é
seira da onda em x =
y u r' até o receptor, na origem, emissão da traseira
da onda nos dois
referenciais.
At
_Ax_ut_yut'
c c 0"

O relógio de R marcará, recepção da traseira da onda. um tempo que é a soma


na

do tempo em que foi emitida a onda e o tempo gasto no percurso entre o ponto de
emissão e o receptor:

t+At=yt'+yªt'=yt'[1+ª]=r il +B
,
'

C C V1 B —

Se interpretarmos a frente e a traseira da onda como dois nós


sucessivos da onda, z +

At será o período da onda no laboratório, e a frequência será dada por:

V:
1
:
1
=V
, fl—B .
(3.13)
t+At
t
, [HB 1+B
)l—B
e frequência no referen-
A frequência medida pelo observador no laboratório v e a

cial do emissor e v'. No caso tratado, a fonte se afasta do receptor; então, u > O, B >

0 e v < v'. Se a fonte se aproximasse do detetor, teríamos u < 0, B < 0 e v > D'.

O resultado obtido mostra que o fator que corrige a frequência no efeito Doppler
relativistico só depende de B, ou seja, de to, que é a velocidade relativa de emissor e

detetor, como seria esperado na TRE.


Capitulo 3 ——

A transformação de Lorentz

Problema 2 Faça o Doppler para o caso em que a fonte de luz


cálculo do efeito
esta em repouso e o receptor se aproxima dela com velocidade u. Mostre que 0
resultado é igual ao obtido na Equação 3.13. Só poderia ser assim, porque na teo-
ria da relatividade importa apenas a velocidade relativa (não há referencial abso-

luto).

É
interessante comparar o resultado clássico com o relativistico quando a veloci-
dade da fonte é muito menor do que a velocidade do som e da luz respectivamente.
No caso do som a Equação 3.11 nos da:

V' ,
a
V: EV 1—— para u«zvç
u v,
1+ >
"
7

178
E no relativistico (Equação 3.13).

—B
v'[1——l]
1— 7.
V: v' E para u, « c. (314)
l+B
'

(-

O desvio relativistico da frequência é igual. portanto, ao desvio clássico, em primeira


ordem (desprezando termos em Bª).
O efeito Doppler relativístico até segunda ordem (Bª) foi comprovado por H. E.
Ives e G. R. Stilwell (1988, 1941)ª'6"' em experiências com feixes atômicos de hidro—

gênio. Nessas experiências, íons moleculares de hidrogênio eram acelerados em po—


tenciais elétricos fortes e, no processo de desintegração dos íons, formavam—se ato-
mos de hidrogênio excitados. As velocidades dos átomos do feixe estudado eram da

ordem de 0,0056. A luz emitida pelos atomos do feixe no processo de desexcitação,


observada por espectroscopia, deve sofrer um desvio Doppler, por causa do movi-
mento deles em relação ao observador no laboratório. O comprimento de onda A0 da
luz emitida pelos átomos de hidrogênio numa ampola fechada pode ser considerado
como se fosse de átomos em repouso. porque as velocidades são baixas e dirigidas
aleatoriamente em todas direções.
Os experirnentadores tomaram como comprimento de onda da luz desviada pelo
efeito Doppler a média dos comprimentos de onda da luz emitida pelos átomos do
feixe no sentido de seu movimento e no sentido contrário (Equação 3.12):

“(Vl—BWHBJ
1 1 1+B 1—[3 ÃO
freme+ atm)
medlo
ZC 2
W
A dependência em Bº mostra que segunda ordem. Os expe-
o efeito observado é de
rirnentadores acharam AA Anmw —AU 0,0074 nm, enquanto o valor previsto pela
: %

TRE era & 0,0072 nm. A concordância é, portanto, excepcionalmente boa.

experiências de Ives e Stilvvell são importantes para a teoria da relatividade


As

porque constituem a primeira verificação experimental direta, até segunda ordem


em B, da dilatação do tempo entre referenciais inerciais, e têm assim um papel aná—
3.7 —

O modelo do Big Bang 53

logo ao das experiências de Michelson-Morley em relação ao comprimento. Em con-

TRE
junto,,as duas experiências poderiam constituir a base empírica sobre a qual a
poderia ter sido edificada.
Uma verificação excepcionalmente precisa do efeito Doppler de segunda ordem
foi obtida, com a descoberta do efeito Mossbauer (1958), que é tratado na Seção 7.4.
prevê tambem um efeito Doppler transversal, isto é, uma
A teoria da relatividade

variação da frequência quando a luz é observada em direção perpendicular a direção


do movimento da fonte. Esse efeito não é previsto pela física clássica. O fenômeno se
deve ao fato de que o tempo Hui de maneira diferente nos referenciais do emissor e

do detetor e, portanto, não pode existir no caso clássico, em que o tempo é absoluto.
As frequencias são inversamente proporcionais aos inversos dos tempos nos referen-
ciais respectivos; então:

1
1 1
(1—52)2
,
V:—=—= v.
[ yt (315)
Vemos que o efeito transversal e de segunda ordem em u/c.

3.7 o, MODELO DO BIG BANG


Em 1917, ano seguinte ao da publicação da teoria da relatividade geral (TRG), Eins-
tein publicou um trabalho que inaugurava o casamento da TRG com a cosmologia,
criando um novo e ativo campo da física. Nesse trabalho, para obter um universo iso-
trópico, homogêneo, ilimitado. mas espacialmente finito e estacionário modelo de

acordo com as observações astronômicas da época —, ele introduziu nas equações de


campo da TRG uma constante A (constante cosmológica). Anos depois,
comentaria

que aquela tinha sido a maior tolice de sua vida.

Justamente naquele Slipher publicou os resultados de suas observa—


ano. Yesto

ções, mostrando que a luz proveniente de 21 entre 25 nebulosas espirais estudadas


sofria um desvio Doppler para o vermelho, o que indicava um afastamento delas em
relação ao observador (posteriormente, foi possível mostrar que as quatro que não
obedeciam a regra geral pertenciam ao Grupo Local, galáxias ligadas a Via-Láctea
pela gravitação). Era passo inicial que conduziria a astrofísica a um notável de—
o

senvolvimento e tornaria a TRG uma ferramenta indispensável a formulação de seus


modelos.

Hubble, continuando as observações de Slipher descobriu que as nebu-


Edwin P.
losas eram de fato galáxias e que a presença nelas de estrelas variáveis Cefeidas per—
mitia estimar suas distâncias até nossa galáxia. Um gráfico da velocidade de recessão
das galáxias, calculada pelo efeito Doppler, em função da distância. calculada pelo
brilho das Cefeidasf“ mostra que a velocidade de recessão e proporcional a distan-
cia dagaláxia ao observador: L” = H 7“, sendo H a chamada constante de Hubble. de-
terminada empiricamente nesse gráfico (Figura 8.9).
Essa série de observações permitiu concluir que as galáxias estão se afastando
a mas das outras pois não havia sentido em imaginar a Terra como centro do uni-

Capítulo 3 —

A
transformação de Lorentz

verso e, em consequência,

fazer
conjetura de que a

A
o universo está em
expansão. Podemos compreender
isso facilmente:
imagine um balão de borracha sendo

.
enchido e dois pontos em sua
i
de 1 cm. que se afastem
superfície, a distância
com velocidade
à ti; quando

ª
estiverem a distância 72 cm, se
afastarão a velocida—
30
* de O valor atualmente
iii,",
,
Hubble. H É 15 km 5—1/106
aceito para a constante de
'
anos—luz, é bem inferior
ao valor
20 por ele calculado, com base
disponíveis
nas
observações

.
época. Com esse novo valor de
em sua

pode—se calcular que as distâncias H,


10 entre as galáxias
aumentam
aproximadamente 1% em 200 milhões de
anos.

As
observações de Slipher e Hubble estavam de
acordo com os resultados de Aleksandr
que havia
Friedmann,
Figura 3.9
ções possíveis das equações da TRG demonstrado, em
1922, que uma das solu—
A constante de era um universo em expansão. Foi
Hubble pode ser maítre quem fez em 1927 a
conjetura de
Georges Le—
que o universo estava em
calculada deste sua origem
átomo pr'z'mord ía!
num expansão, tendo
que teria explodido no inicio da
gráfico linear, que história cósmi—
.

ca. O apelido
“big bang” para
essa conjetura foi
dado derrisoriamente
representa velo-
as
Fred Hoyle (que acreditava pelo astrofísico
cidades de num universo
reces-
como nome. O estacionário), mas foi ahnal o que ficou
são das galáxias modelo foi recebendo
Stephen Hawking e Roger Penrose
aperfeiçoamentos até os dias de hoje,
, em função de suas quando
demonstraram matematicamente
' )
'

distâncias a Via Einstein implica o inicio do que a TRG de


Láctea. Os aglome—
universo e do tempo numa
_

singularidade.
3
,
rados de galáxias Em
1948, George Gamow conjeturou.
"
baseado no modelo do
são identificados tado do universo nos estágios iniciais
big bang, que o es-
de sua
pelos nomes das dade de evolução seria caracterizado
por densi-
radiação e
temperatura extraordinariamente
constelações onde sível observar os elevadas. Previu que seria pos—
são observados resquícios dessa radiação como uma
radiação de fundo isotrópica,
l céu com o espectro de
no
(Adaptada corpo negro, tendo seu máximo desviado pelo efeito
de Ferris, Timo— a região de microondas, devido a imensa
Doppler para

] thy, Coming of age velocidade de expansão do universo.


in the mi/ky A primeira
way, estimativa de Gamow para
Nova York, Double— de
a
temperatura dessa radiação de
cerca de 50
K, foi logo
corrigida. numa teoria de Ralph fundo,
day, 1998). para cerca de 5 K. Em Alpher e Robert Herman,
1965. Arno Penzias e Robert
antena de Wilson trabalhavam com uma
comunicações para satélites quando observaram
um ruído de
trópico, de energia correspondente a fundo, iso-
temperatura de 2,7 K, cuja
guiam explicar. Era exatamente a origem não conse-
radiação prevista por Gamow,
a
premiação de Penzias e a descoberta levou
e Wilson com o Nobel de física.
K calculado
alguns anos antes. com o valor da o valor de 5 Corrigindo-se
constante cosmológica de
nhecida em 1965, obtém-se a Hubble co—
temperatura de 2,7 K, em
o valor
observado. A radiação de fundo de extraordinário acordo com
microondas constitui uma das mais
evidências em favor do modelo fortes
do big bang.
O modelo do
big bang e a lei de Hubble
permitem obter
e a dimensão do universo. Vemos qualitativamente a idade
que H tem a dimensão
a dimensão de tempo e pode ser (tempofl; seu inverso tera
associada imprecisamente a idade do
universo:
Notas 55 ºr

i 3-1017
: 5 = 1010 anos.
H

obteremos a dimensão máxima que


Multiplicando esse valor pela velocidade da luz,
o universo poderia ter alcançado a partir
da explosão inicial:

cl z 1026 m,
H

maior rigor, mio do universo.


que denominamos, também
sem

5
Exemplo 3.5
é observado no labora—
* Um par de linhas característico do espectro de potássio
de uma certa galáxia
tório em 395 nm. Quando O espectro da luz proveniente
é observado, o mesmo par é identificado em
447 nm. Qual é a velocidade de
recessão da galáxia?

Solução
de onda
Observamos um desvio do espectro da galáxia para comprimentos
um desvio para o vermelho, que
indica afastamento da galá—
maiores, ou seja,
xia. O desvio percentual e:

M 52
= -—
= 13%.
A 395

da galáxia seja pequeno em re-


Vamos supor que a velocidade de afastamento Discussões detalha-
*

usar então a aproximação para


o bem documen-
lação à velocidade da luz, E « 1. Podemos
das e

tadas dopapel da
efeito Doppler (Equação 3.13) experiência de Xl.“
na gênese da TRE
V ª VIH _

B):
podem ser enm in-
C 6 tradas no exvelente
à '(1 + B),
,

: —

E
——
E
ensaio "Einstein.
V V'(1“' B)
Miclielsrm. and the
AÃ It'-— Ã “crucial" experiment".
_
= ——

E B. %, flw llYI'O
à à capitulo
de Holn in, (_ierald.

0,13. A galáxia observada se afasta com velocidade u ª 0,13 0. “M,," “,,-“5. of


Portanto B ª
Stª/””In? ';, «Iglu.
Hamarfl l'zªiversity
Press. ("siziiini'idge
Mass. eu .1988 e
Notas o'. 7
nos capitulos e

de Michelson—Morley (MM) na gênese da TRE


O papel desempenhado pela experiência S de Pais. Abraham,
“Não há. de fato, um caminho
palavras do próprio Einstein,
e difícil de deslindar*. Nas Sur/il n' o Senhor:
uma teoria científica mas apenas tentativas cons- (dência rida
lógico que leva ao estabelecimento de
(1 (? (:

cuidadosa consideração de conhecimento factual“. A experi— de Albert Einstein,


trutivas controladas pela
de 1905. a não ser de passagem e indi— Nova Fronteira, Rio
ência de MM não é citada no artigo fundamental
feitas para detectar de Janeiro. 1997.
retamente, quando se faz referência ao “insucesso das experiências
56 Capítulo 3 —

A transformação de Lorentz

qualquer movimento da Terra em relaçao ao éter“. Em um livro de divulgação publicado


m crucz's da TRE,
em 19 l 7**, Einstein toma a experiencia de Fizeau como e.;rperz'meutu

por estarem seus resultados de acordo com a TL e não


com a TG; experiência de MM é
a

mencionada num contexto de comprovação experimental e não de fundamentação. Per—

guntado quando teria ouvido pela primeira vez a respeito da experiência de MM, respon—
deu: “Não é fácil, não estou seguro quando ouvi pela primeira vez sobre a experiência.
Não estou consciente que ela tenha me iiuiuenciado diretamente durante os sete anos
em que a relatividade foi minha vida. Penso que supunha que o resultado
deveria ser
***
Em diferentes ocasiões entrevistas. conferências e cartas e, muitos
verdadeiro“.

anos depois publicação da teoria. Einstein deu respostas ambíguas e as vezes contra-
da
ditórias sobre quando teria tomado «í-«ívnhecimento da experiência de MM, mas sempre
reafirmando que a influência dela na formulação da TRE havia sido indireta, porque para
ele bastavam: a) o aberração da luz das estrelas: b) a experiencia de Fizeau
fenômeno da
sobre o arrastamento de éter: c) e principalmente. a convicção de que a fem induzida
numa espira em movimento num campo magnético nada mais era do que a manifestação
de um campo elétrico.

Ha umadescrença bastante generalizada no meio científico a respeito do papel secundá—


rio que Einstein deu a experiência de MM na gênese da TRE. No entanto o ponto de vista
exposto com clareza numa carta. escrita um ano antes de seu falecimento,
ao
dele está
historiador F. G. Davenport, e pode ser compreendido e aceito:

Antes do trabalho de Michelson. era sabido que, dentro dos limites de precisão das

experiências, não havia inHuência do estado de movimento do sistema de coordenadas

(referencial) nas leis dos fenómenos. H. A Lorentz tinha mostrado que isso pode ser

compreendido com base em sua formulação da teoria de Maxwell para todos os casos
em que a segunda potência da velocidade do sistema pudesse ser desprezada (efeitos
de

Em desenvolvimento próprio. resultado de Michelson não teve


primeira ordem) meu o

influência considerável. Nao me recordo mesmo sejá o conhecia quando escrevi meu pri—
meiro artigo sobre o assunto (1905) A explicação e' que eu estava firmemente convicto
**
Einstein A.. A de que não existia movimento absoluto e meu problema era apenas como isso poderia
teoria da reluz/rwla- ser conciliado com nosso conhecimento da eletrodinâmica. Pode—se, portanto,
entender
dlã £º.5'[_)€("/(l/ flw/ni. nenhum papel em minha luta pes—
!?
por que a experiência de Michelson não desempenhou
Cont rapont o Edit ora ****
soal. ou. pelo menos, nenhum papel decisivo."
Ltda., Rio de Janeiro.
2000 (traducao bra— Por que. então. a maioria das exposições didáticas da TRE, incluindo este texto, toma a
sileira de [lie/' (li/> experiencia de MM como experiência crucial"? Simplesmente por razões pedagógicas. O
da física a transformação entre refe-
Spez'z'elle uud dre caroço da TRE e O princípio da invariancia das leis
Allgemeine [fe/uti « «!
renciais inerciais e a teoria poderia perfeitamente ser construída sem a experiência de
'

[dislheom'a Gemezuf MM. como é provável que Einstein o tenha feito. A vantagem dessa experiência, porém,
zie'rstr'ixndlz'ch, de
é que ela. ao dar um resultado nulo para a velocidade da Terra em relaçao ao éter, deixa
1916).
clara para o estudante, de forma bastante concreta. a impossibilidade de escolher um
Shankland. R. S., referencial como absoluto para as leis do eletromagnetismo, e leva diretamente a gene-
***

American Jou rua!


ralização do PR ao eletromagnetismo.
ofPhysz'cs, 31 (1962)
47—57
(2) A pesquisa científica tem mostrado de maneira cada vez mais clara que a física não pode
****
Carta a F. C. Da—
ser separada em ramos estritamente independentes. Considere, por exemplo, um fenô-
venport (02/02/1954).
meno como o atrito, tratado usualmente na mecânica; sua compreensão só é possível
Cópia existente nos
arquivos Einstein, quando se faz uso de conceitos da física atômica e do eletromagnetismo. A física é essen—
citada nos livros cialmente indivisível, como a natureza. e só é separada em seções (mecanica, termodinâ—
referidos em *. nas mica, eletromagnetismo etc.) por razões metodológicas, pedagógicas ou históricas. Note
páginas 343 e 172, como os físicos procuram formular teorias cada vez mais abrangentes: a eletricidade, o

respectivamente, magnetismo e a óptica sao unificadas pela teoria de Maxwell, por exemplo.
Notas

a me-
princípio da relatixidade ficasse restrito
Para Einstein não havia
razão para que o
unidade foi um
a estende-lo a toda a física. A procura da
cânica e essa idéia levou—o
toda obra. Em suas próprias pala—
trabalho cientííico e permeia
sua
em seu
guia—mestre unificação do
simplificação e a
sempre foi a
“A verdadeira meta de minha pesquisa
vras:
da relatixidade restrita e
física teórica.“* Depois do grande êxito das teorias
sistema da
seus esforços, desde
1918 ate' o fim de sua vida,
dedicou a maior parte de
geral, Einstein teoria eletromagnética com a teoria da
sem êxito, de uma teoria que uniria a
a procura,
única teoria de campo unfz'jicado.
gravitação numa

publicou, exceto por um fator de estala.


Woldemar Voigt (1850-1919) quem primeiro
foi
.LO denominado trovªs-Tí

do sistema de equações que seria depois


em 1887, a descoberta, inje-
Larmor (1857—1942) descobriu
Em 1900, Joseph
mação de Lorentz por Poincaré. demonstrou que
exata (Equações 3.4) e, além disso,
pendentemente a transformação dela. Em 1899, Lorentz des—? i—-
era uma consequencia
contração de FítzGerald—Lorentz e em 1904 na
um fator de escala,
a transformação exceto por
briu independentemente
forma exata.
de Einstein, era uma ferramenta matemática util
A TL, descoberta pelos antecessores XIX
não óbvia para o físico do século
objetivos, porém, sua interpretação
era
para certos o tempo [ ter/ze
t e t'? Lorentz propôs chamar
como interpretar os tempos
por exemplo, o tempo verdadeiro em t.
mas é claro que, para ele,

o tempo t” tempo local,


po geral e dar a interpretação correta
Não foi, portanto, capaz de
tempodo referencial do ele)". dessa
referenciais inerciais diferentes
o e
verdadeiros em
aos tempos t e t” como tempos
forma abolir o tempo absoluto.
dois
tratou t' como um conceito físico, Para ele, se
Poincaré, deu um passo adiante e
de sinais lu—
relógios por meio
movimento relativo sincronizam
seus
observadores em
nenhum deles marca o tempo verdadeiro.
locais
minosos, ambos marcam tempos
«

o observador não
da relatividade, argumentava ele,
Gomo requerido pelo princípio próximo Poincaré es-
esta repouso ou em movimento absoluto. Vemos quão
sabe em
relatividade, criticava a intuição
se
principio da
teoria da relatividade: ele
usava o
tava da deveria ser
tempo absoluto previa que uma nova mecânica
e
de simultaneidade, negava o
referia a locais dife-
conceito de simultaneidade se
construída. No entanto sua crítica
ao
movimento relativo.
referencial e não a diferentes referenciais em
rentes de um mesmo adicional para construir a
como hipótese
era necessário tomar
e sempre acreditou que criar uma
FitzGerald-Lorentz Nunca chegou, de fato, a
de
nova mecânica a contração
.

uma possível teoria.


mas sim o programa para
teoria completa e coerente,
de sua teoria e, por—
A descoberta da TL por
Einstein foi feita a partir dos postulados
de Berna
no escritório de patentes
independente das anteriores. Em seu trabalho
tanto, admirava imensa-
científica; mesmo de Lorentz, quem
a
tinha pouco acesso a literatura afirmou repetidas
até 1895, como
1905 os trabalhos publicados
mente, só conhecia em feitos em completo isolamento
vezes. Na verdade, seus
notáveis artigos de 1905 foram
_
a reflexão independente;
desde os
Era próprio de sua natureza
da comunidade científica.

-ªÉ—f
mostrara gosto pela solidão. Ho—
tempos de estudante “Dux-as. Helen e

a parte pelo papel que desem— ffmarm B. (org.) AI-


merece um comentário
Hendrik A. Lorentz (1853-1928), XIX e por sua influ- ã'»"/T Etr/stein lado
no final do século
o
passou a física
penhou nas transformações por que do trabalho de Lorentz har/mm);, Brasília,
da relatividade. A grande importância
L
ência na criação da teoria elétrons e radiação“) com Editora Universida—
da física atômica (átomos,
está na ligação dos novos conceitos as de de BrasHia, 1985,
e Maxwell de maneira
coerente. Já em 1895 ele interpretava
as teorias de Fresnel fundamentais que p.15.
e correntes de partículas
-

em termos de cargas
equações de Maxwell
58 Capítulo 3 —

A transformação de Lorentz

chamava íons —

introduzia a força que atua sobre um “íon” de


e
carga e que se move
num campo eletromagnético (E, B): a força que hoje chamamosforça de Lorentz (em
1899, ele denominava íons os portadores de carga elétrica). Lorentz era admiravelmen-
te criativo e explorava todos os caminhos que física classica oferecia para
a
atingir seus
propósitos. Poincaré, que era seu
amigo e admirador. criticou—o sutilmente pelo excesso
de hipóteses que formulava, mudando-as constantemente. quando
percebia caminhos
melhores.

Seu conhecimento
amplo, profundo e coerente. associado caráter
ciente
a um
modesto, pa—
e justo (veja seu relacionamento com FitzGerald 6 do
na nota
Cap. 1) faziam de
Lorentz uma pessoa muito admirada estimada
e no meio cientifico (Einstein tinha par—
ticular estima respeito
e
por ele). Em 1902. junto
agraciado com com P. Zeeman. ele foi
o Prêmio Nobel, por seus trabalhos
espectroscopia. que se tornariam fundamentais
em

para o desenvolvimento da velha e da nova física


quântica. Lorentz passou toda sua Vida
na Holanda, tendo saído de seu
país pela primeira vez aos 45 anos para participar num
congresso científico do outro lado da fronteira.
Quando faleceu tinha se transformado
em pessoa admirada e respeitada por seus
COHClCladãOS; durante a cerimônia de seu
enterro. os sistemas de correios telefones da Holanda suspenderam
e
suas atividades
durante três minutos, em sinal desse respeito e
admiração

(3) Max von Laue


(1879—1960) foi um dos primeiros físicos a aceitar a TRE. Tomou conhe—
cimento dela através de Planck, de
quem era assistente, e marcou uma Visita a Einstein
em Berna para discutir
alguns aspectos da teoria. Relata que ficou muito impressionado
ao encontrar um
jovem físico, de sua idade. como autor da teoria. Em
1907, von Laue
publicou a nota sobre o tratamento relatixistico da
experiência de Fizeau (veja o Exem—
plo :3.3) e foi autor da primeira monografia sobre a teoria. Foi
agraciado com o prêmio
Nobel em 1914, alguns anos antes de
Einstein. pela descoberta da difração de raios X em
cristais.

(5) Referencia **
da nota 1.

(6) Ives H. É.. Stilwell G. R., J. Opt. Soc. Am. 28. 215
(1938); 31, 349 (1941).

(7) As estrelas variáveis Cefeidas são astros


gigantes, que têm três ou mais vezes a massa do
Sol. Elas pulsam, variando em brilho ao
tempo que variam em tamanho, A pulsa-
mesmo
ção da estrela está ligada ao ciclo de processos termonucleares envolvendo núcleos de
hidrogênio e hélio. O período é diretamente relacionado
ao brilho intrínseco da
isto e. termos
estrela,
em
astronômicos, grandeza absoluta. Conhecida a grandeza de uma
a sua

Cefeida e sabendo que o brilho cai com 0 quadrado da


cular
distância, o astrônomo pode cal-
sua distância,

Problemas
Resolva os problemas 2.4, 2.5 2.6 do
e
Capítulo 2 utilizando a TL.
3.1 Dois homens, situados nas extremidades A e B de uma nave
espacial, cujo com-
primento próprio é 60 m, atiram um contra 0 outro. Ela tem
velocidade 0/5 em
relaçao a uma plataforma espacial. Uma testemunha na nave diz
que eles atira-
ram simultaneamente. O
que diz uma testemunha situada na
plataforma, quan-

Problemas 59
to a ordem dos tiros e ao intervalo entre eles (refira—se ao homem da frente e ao
da traseira da nave em sua resposta)“?
Resposta: O da frente atirou 40.8 ns antes.

3.2 Um observador numa plataforma espacial, cujo comprimento próprio


é 100 m, %) Riº:
'

Oofifgygíf
L
mede a velocidade de ele acha
uma nave 0.56. Por meio de um
que passa por e '
, (
,,
arranjo experimental que permite medir as posições das extremidades da nave Q (,(;yç
simultaneamente, determina 60 m de comprimento dela. a) Qual é o compri- ff .gif
'

[, «'Aº
.
,.

mento da nave em repouso? b) Qual é o


comprimento da plataforma
"

o para
piloto da nave?
c) Qual é o intervalo de tempo no relógio da nave entre as duas
,

M .; L,
.

_
,,
,;
_

medidas realizadas pelo observador da ')


estação? d) Para o observador na pla-
'

/'
*
" '

taforma, quanto tempo leva a nave a passar por ele“? e) Para o piloto. quanto
tempo leva a plataforma a passar por ele“?

Respostas: b) D =
86,6 m: 0) At :
0115 as; e) At :
0,46 us.
3.3 Uma espacial
nave velocidade 0,90 em relação a uma plataforma
se move com

cujo comprimento próprio é 100 m. O controlador da plataforma, situado no


meio dela, aciona simultaneamente (em seu
relógio) sinalizadores luminosos
existentesnas extremidades da
plataforma. Ache a separação espacial e tem—
poral dos clarões dos sinalizadores no referencial da nave.

Resposta: At :
0,687 us (indique a ordem temporal dos clarões vistos na
nave) /

Um observador Vê duas partículas se moverem em sentidos


opostos, ambas
com velocidade 0,996 em relação a ele. Qual é a velocidade de uma
partícula em
relação a outra“? Comente esse resultado.
Uma partícula que se move com velocidade 0/2 no referencial R do laboratório
emite um fóton na direção sentido de
e trajetória. a) Calcule a velocidade
sua
do fóton, em módulo e direção, no referencialR' da partícula. b) Repita o cálcu-
lo para o caso fóton é emitido
em que o numa direção perpendicular a trajetória
da partícula.

Resposta: b) 17 =
C, 0 :
ôOº.
3.6 Demonstre que transformação do referencial R para o referencial R', na
na

configuração usual dos referenciais, aª Gtª :r'ª ct'ª (essa expressão é um



: —

invariante de Lorentz, muito conveniente na solução de problemas).


A velocidade de uma partícula tem componentes e, :
dat/dt, % :
alg/(tt tªz e :

ctz/dt referencial R vj,


no e :
dedt', ví] :
dy'/dt'
vg da'/dt' no e :
referencial
R', que se move com velocidade u, direçãox, em relação a R. a) Demonstre
na

que of,. :
(u,.
u)/(l u —

lvl./c), ug]: v,, (1 uª/cª) 1ª/(l u tv,/02) e 1,73 zvzÇl aº



: —

/cº)/(l UBI/CZ). b) Ache a transformação inversa. Deduza a expressão para a


grandeza 1/2 of,? + vj + UI,/2 em termos de %»


% 6 "oz. c) Mostre que se o
:
6, =

L" e' também igual a c (supondo u < e).

Uma astronave tem velocidade 0,90 em relação à Terra. Qual deve ser a
uma

velocidade relação a Terra de uma outra nave que deseja ultrapassa-la com
em

uma velocidade de 0,50relativaaela? -—

a:,
,.

.

4
, .

Resposta: 09665 "º “


"

0. &
60 Capitulo 3 —

A transformação de Lorentz

3.9 No referencial R são observados dois eventosA (351


yl : yo, zl
=
zo, ctl
1, : :
2)
e B (13 =
5, yz :
yo, 23 20, Ctz
=
l). : Ache a velocidade do referencialR', que se

move ao longo do eixo x, no qual os eventos são simultâneos.

Resposta: u : —

0/4.

3.10 Um pulso de laser é enviado da Terra para a Lua. Qual deveria ser a velocidade
de uma nave espacial que vai da Terra para a Lua para que o astronauta ob-
servasse a saída do pulso da Terra e sua chegada à Lua como acontecimentos

simultâneos?

3.11 Uma espacial tem uma antena de comprimento 1, que forma um ângulo 0
nave

com a direção de seu movimento. Qual é o comprimento e a direção da antena,

medidos por um observador de outra nave que passa por ela, movendo—se na
mesma direção e sentido com velocidade relativa a? Faça uma aplicação para

6 =135º e 1 =
1,0 m.

Resposta: [' =
0,866 m. 6“ :
—õ4,70.
3.12 Duas partículas são projetadas simultaneamente de um ponto do referencial R,
em direções ortogonais. com velocidades iguais o. Qual é a
velocidade de uma

das partículas em relação a outra“?


desvio de
3.13 Uma linha espectral de uma galáxia distante é observada e mostra um
de
õº/o em relação a mesma linha observada no laboratório. Qual é a velocidade
afastamento da galáxia em relação a Terra e qual a sua distância?

radar recebe
para um aeroporto, envia um sinal pelo
e o
3.14 Em aviao. dirigindo-se
sinal refletido na antena do aeroporto, com um aumento fracionario Av/v
:
6,6
>< 10". Qual é a velocidade do avião?

Resposta: 712 kmxh.


En-
3.15 Em astronauta deseja medir sua velocidade de aproximação a um planeta.
5 109 Hz e compara essa frequencia
.

via um sinal de radar de frequência v = .

com o eco. observando um desvio de 90 kHz. Calcule a velocidade da nave. Qual


será o erro se a aproximação classica for usada no cálculo?

18 10—6, 0,83 104).


Resposta: Na aproximação clássica, [3
= -

erro _:_ -

sinal vermelho depois alegou ao guarda ter visto


3.16 Um motorista atravessou um e

o sinal verde pelo efeito Doppler. O guarda, que estudante de física, multou— era

o motorista tenha falado a verdade,


o por excesso de velocidade. Supondo que
qual era sua velocidade“?
do
3.17 O espectro óptico de um feixe de átomos é observado na mesma direção
Se a
feixe (átomos se afastando do observador) e na direção ortogonal a ele.
e
velocidade dos átomos do feixe B 0,01, qual é a diferença entre as frequên-
=

da
cias de uma determinada linha, nos dois espectros, em função da frequência
mesma linha no espectro dos átomos em repouso.
4.1 CONSERVAÇÃO DO MOMENTO.
Vimos que para que o principio da relatividade fosse estendido
ao eletromagnetismo
era necessário substituir a
transformação de Galileu (TG) pela nova transformação
de Lorentz (TL). No entanto as leis da mecânica clássica não são invariantes
para
essa nova
transformação. como mostraremos a seguir, tomando como exemplo o
princípio de conservação do momento na colisão de dois corpos (por simplicidade,
usaremos a palavra momento em
lugar de momento linear ou quantidade de mo—
vimento).
Consideremos no referencial R do laboratório a colisão de duas esferas de massa
m e velocidades v e —v, iguais módulo
em e opostas. E fácil observar na Figura 4.1
que, nesse referencial, as somas das componentes das velocidades nas direções x e
;! são nulas antes e depois do choque e que, portanto, o momento total é conservado
no choque das esferas.

v
H'Izil,(2) —mzu,(2)
_

ª';—
X
2
Antes Figura 4.1
Depois Antes Depois
-
v _

0
,v Choque de partícu-
las no referencial R
do laboratório.

_ ,,
f

7 ,_
77

_
referencial E', que
'

Vamos verificar o que ocorre no

desloca em relação a E com velocidade u :


vx &,

um;
,
se

% sendo i o direção (Figura 4.2).


vetor unitário na 03:
_mv;,(1) mg;/(]) &
Utilizamos a TL para calcular as componentes das
l velocidades no referencial R' (Equações 3.8). Para a
O *
componente rj,. da esfera 1 antes do choque temos:
&
”w;/(2) ªvªl/(2) ,
v

u —u —

u —2u
vç<1>=
'

U
=

u
=

uª“
_,

ÉL(—U)
1 1-
»

1+
ª ? vi
_

Antes Depois 072


Da mesma maneira, O leitor poderá calcular a trans—
4.2 formação das outras componentes. A Tabela 4.1 apresenta os resultados desse cál—
Figura
Choque de partícu- culo.
las num referencial
inercial R', que se
move ao longo do
,
mas!
eixo xdo referen-
cial R, velo—
com
Ref. Antes Depois
cidade u
_

1), em
: “
l

relação a ele. -Ux(l) '-


—vy(l ) —vx(l) vy(l)
R
vx<2>
——

ºyo.) vaz) me)


(1)
'

(l)

252 —UL2—
—Z'

zªg
_

4—
”W)
,
_

P;“) viº)
=

v; (1)
= =

)![Hg]
-

HP? I/[l—Él H?
,(.

LJ"

.R,
“( 2 )

2
v' (2) = J)— v;(2)
,_£
V
vg<2>=o
v;(z)=_o
[kg)

7 ,
c2 :c2

. Problema 1 Calcule todos os termos da Tabela 4.1

velo-
Se utilizarmos definição clássica de momento como produto da massa pela
a

colisão das duas esferas, observada


cidade da partícula poderemos v erificar que na

se conserva mas o mesmo não


no referencial R' a componente :. do momento total
mostra que a conser—
acontece com a componente y, pois _p Wes # Epá,, depois, 0 que ,

é incompatível com a TL
vação do momento como definida na mecânica clássica,
mecânica clássica, a TL e 0 PR sáo incompa-
Concluímos, portanto, que: a

cíveis.

Isso nos induz a procurar uma nova formulação paramecânica, cujas leis se-
a

jam invariantes sob primeiro passo será


a TL. O achar uma nova delinição para O
momento que seja compatível com a TL. A nova. expressão deverá tender para a eX-

pressão classica quando a velocidade for muito menor do que 0, porque queremos


4.1 —

Conservação do momento 63

que a mecânica clássica continue válida a velocidades


ordinárias. Observando os termos da Tabela 4.1. ve-
T
mos que nossa dificuldade em manter a conservação l
do momento está na componente y: l

py :mvy =m lim A—y.


Al—>0 At

l
]

O valor de Ay se mantém constante sob a TL em to- ,

dos referenciais que se deslocam com velocidade uni—


forme paralela ao eixo Ox, mas o tempo At depende ”'ª'
*
i
do referencial é isso que faz com que a componente
e

e y da velocidade se altere. Vamos tentar substituir o


'

tempo medido pelo relógio do laboratório pelo tem- _


-'
.
v/c
po medido por relógio transportado pela partícula
um

cujo momento desejamos calcular o tempo próprio to —

'

da partícula e verificar se obtemos resultados consistentes.


— —

Figura 4.3
, . .
,- _
& Variação do mo-

grandeza Ay/Ato e invariante sob a TL, porque Ato (tempo proprio)


A e Ay (per— mento relativistico

pendicular a direção do movimento) são invariantes. Portanto p de uma partícula,

_ em função de sua
1
ª_ª.£= —
_ ª- —

7 0ª
velocidade.

Ato At Ato [ Z,z At '

«.

1—7
c
“:$
.

é invariante sob uma TL para um referencial que se desloca com velocidade paralela
ao eixo Ox . Podemos então deúnir & componente y do momento por ? ,“?
mvy
py mr vy
= =

1- ª,
C_

.; & )?pr/WQJPPÉPPJ? fwyâfâzkyfifãffyâ/

m V
p=_=ymv, (4.1)
02
1 *

7
C

Com essa definição


de momento, a lei de
conservação de momento é compatível
com a TL, isto e, ela é válida em os todos referenciais
inerciais.
A Figura 4.3 mostra
a variação do momento com a velocidade da
partícula. Ob—
serve que p quando tª
*—> 00 c e que
p_»—> m v para velocidades
F—>
pequenas (? « C):
vale, então, nessa condição, a definição clássica de momento. É usual denominar—se
massa relativistica a expressão M (o) =
'y m.

A massa de repouso de
m uma partícula é a mesma para observadores em di—
ferentes referenciais inerciais, ou seja, é um invariante de Lorentz (dizemos que
uma grandeza einvariante de Lorentz se permanece invariante sob
um
uma TL). Mas
M não é um invariante de Lorentz, porque 7 não o é.
64 Capítulo 4 -—

Mecânica relativistica

A Equação 4.3 partícula massiva pode atingir a velocidade


mostra que nenhuma
da luz, porque, nesse caso, seu momento seria iniinito, o que exigiria uma energia
iníinita. Um número imenso de experiências com aceleradores de partículas compro-
vam isso, Portanto c e a velocidade máxima com que e' possível transmitir um sinal,

seja por ondas eletromagnéticas ou por meio de particulas materiais. É preciso notar,
'

no entanto, que c é a velocidade da luz vácuo. Num meio transparente, a velocida-


no

de da luz e' 0/71 ,


sendo 71. o índice de refração do meio e. nesse caso, a velocidade de
uma partícula podera ser maior do que a velocidade da luz. L'm fenômeno interessan-
te que resulta desse fato e' o efeito Cherenkor. tratado no final deste capítulo.

4.2 ENERGIA
A lei de Newton na forma F :
ma não pode ser correta na teoria da relatividade,
porque conduziria à conservação do momento classico p :
mv. o que, como vimos
na seção anterior, não acontece de fato. Comojá temos uma expressão relativistica
para o momento, é razoável deiinição de força a mesma expressão usada
usar como

por Newton em sua formulação da mecânica,

dp
F =
,

dt

onde. agora, p é o momento relativistico, e verificar se as consequências são consis-

tentes.

Vamos começar examinando o conceito de energia cinética. O trabalho realizado

)» por uma força para acelerar uma partícula desde o repouso até uma velocidade ii é a
5 energia cinética da partícula. Portanto, considerando o moximento em uma direção
7'
apenas.

E, =

[Fds =

[5st =

[O vdwmv),
2 -> _
2 ->
*
v
*

mv
d(ymv)=d———=md v
1——,) =)); l—ff) dv,
U? 6“ c“

(4.2)
'A
3 1
2 É Z,2 É
, ,
º

Er— me 1—— alv=mc2 l——_) =mc“


c c“

Para simplificar as equações, é conveniente representar a grandeza l/Jl—vª/c2 por


7. Mas é preciso atenção aqui. Temos utilizado o simbolo y para representar uma ex-
pressão formalmente idêntica a essa, que aparece na transformação entre dois refe-
renciais inerciais; então,
vªepresentava, aqui avel—o_cidaderelatiàva,_dos_reíerenªais;
4.2 —

Energia 65

representação mais compacta,


Podemos usar essa
gil/velocidade_deumaparticula. transformação entre referenciais estiver
mas devemos ter o cuidado de, quando
uma

anterior (que envolve a velocidade


envolvida, utilizar o símbolo y com a significação
L'sando nota—
referenciais) e não a que estamos introduzindo agora.
essa
relativa dos '

ção, com a restrição discutida acima, temos:


"
EC :
ymcº —

mcª. (4.3)

Se v/c «1,

1+5í—2+...—1 NIH

771,02
E'C=mcª(y—l)=mc2
.

E 7

que é o valor clássico da energia cinética. Repare que na teoria da relatividade espe-
energia cinética pode ser escrita como % mcª
somente se v/c «1.

cial (TRE), a

Podemos escrever a Equação 4.3 na forma

ymc2 : mc2 + EC (4.4)

íl/
e interpretar o termo mc2 como energia de repouso
' da partícula, e o termo ymc2 como energia total da
Tum
partícula. Não se trata apenas de dar nomes conve—

nientes a termos de uma equação. A massa de repouso


tem um significado físico relevante. Na teoria da rela-
tividade, a energia potencial armazenada num sistema
aparece como massa de repouso. Suponha, por
exem-

Se mola
plo, duas partículas ligadas por uma mola.
a

e comprimida, de forma que o sistema armazene uma


Am U(ro)
energia potencial U, a massa do sistema aumenta '

: U/c2 em relação a soma das massas das partículas e


da mola distendida.
Fiºufª 4-4
atrativa. A
Imagine a formação de uma molécula por dois íons ligados por força Energia potencual
,

energia potencial U do sistema na situação de equilibrio (r 70),


em relação a ener— =
de um S' ste ma fo r-
distância mfinita, e negativa (veja a Figura mado po, (30,5 ions
gia potencial dos íons separados por uma
dois íons ligados, será inferior se atraem. em
4.4), e a massa de repouso do sistema, formado pelos
que
de
por uma quantidade Am [Km)/cz a soma das
: —

massas dos íons separados. De for- função suª ªº"

ma análoga, se os íons se repelissem, de modo que


a energia potencial fosse positiva.
Bªãç⪪cfggªm
aimassa do sistema aumentaria Am :
U/cª. tave, quando estão
à distância rg; um,)
_Na Equação 4.4, o termo é negativa em rela—
ção U(I) 0.
mcª, (4.5) a =

Eo :

de um corpo e
que é a equação de Einstein, mostra que a massa inercial
famosa
a ma medida de seu conteúdo de energia.
Muitas vezes, essa relação é denomi-
cuidado. essa
nada principio da equivalência de massa e energia. Mas tenha
A equação estabelece uma li-
equivalência não deve ser tomada como identidade.
a que existe entre inercial e massa
gação entre massa e energia semelhante massa
66 Capitulo 4 Mecânica relativistica

elas
proporcionalidade entre as duas,
mas

gravitacional na mecânica clássica: há uma


da matéria. A matéria (incluindo
a ra-

são manifestações de diferentes propriedades medida


4.5: inércia,
distintas, ligadas pela Equação
diação) tem duas propriedades A radiação, que é uma forma da
m, e energia
de repouso E0.
pela massa de repouso e a absorvem.
inércia entre corpos que a emitem
matéria, pode, portanto, transferir é
devido, por exemplo, um campo,
a
A acumulação de energia num ponto do espaço,
de inércia naquele ponto.
acompanhada por criação
segundo artigo sobre a TRE, publicado em

Einstein deduziu a Equação 4.5 num

utilizando—se sais de rádio, que, por


1905“) e sugeriu que ela poderia ser comprovada
variavel. Essa proposta mostra
serem radioativos, têm
conteúdo de energia bastante
da física experimental
seu conhecimento de
descobertas muito recentes (na época) )

dos fenômenos físicos.


e sua profunda percepção
relatixisticamente é verificada
A conservação da energia processos tratados
em
ou desintegração nuclear.
En-
inúmeras experiências de colisões de partículas
em
ser tratada isoladamente
da con—
TRE a conservação da massa não pode
tretanto, na
de massa e
faz na mecânica clássica. A equivalência
servação da energia, como
se
uma: a lei de
das duas leis de conservação por apenas
energia implica a substituição de mc2 + E (.. Num pro—
de massa—energia, que. exprime a conservação
conserraçáo da energia
cesso fisico qualquer, como, por
exemplo, uma colisão de partículas. parte
Podemos, tam-
ou o contrário.
em massa de repouso,
cinética pode ser transformada a energia total é
da massa relativistica M (73), porque
bém. nos referir a conservação de massa—ener-
E M (1002. A lei de conservação
proporcional a massa relativistica,
=

desinte- de
número imenso de processos
gia e confirmada experimentalmente
num
como veremos em
e tornou-se uma das
leis básicas da física nuclear.

ªr.—«
gração nuclear
vários exemplos neste capítulo.
em termos do
a energia total, E ,: ymcº,
,

,,;
_._ Muitas vezes é conveniente expressar

partícula. Temos então:


momento p da

e p
=
mn. (4.6)

Elevando ao quadrado essas duas equações obtemos:


*)

E2_(rnc)02
A

2 ) )

º_mdv—
e p

_

)
duas últimas equações, obtemos a importante equação:
Eliminando tº“ nas

(4.7)
E2 :
pªc3 + (mcª)?
como o fóton ou 0 neutrino, mc2 :
0, e

Se a partícula não tem massa de repouso,

E
(4.8)
:
pc.
4.2 —

Energia 67

1%. mesmo para partículas


equação é válida com erro menor do que
Essa última
de massa não-nula, se elas forem muito energéticas (E
2 877263). porque. nesse caso,
em comparação com o outro termo
na
a energia de repouso pode ser desprezada,

Equação 4.7.

Problema 2 Demonstre o que foi enunciado acima.

(pdª, fazendo E 8 mc2 na Equação 4.7. e mostre que


Sugestão: calcule
=

(E —pc)/E < 1%.

da
Nas duas
energia,
seções anteriores introduzimos
que são invariantes
velocidades. Não faremos aqui
TL e a uma

tratamento

nica relativistica completa. Nosso objetivo,


um
formas relativisticas do momento e
as

tendem para as formas clássicas a baixas


sistemático para construir uma meca-
que supomos já tenha sido alcançado

—.
-—*u.
é mostrar como se elaboram os novos conceitos
da mecânica.

Da mesma forma que fizemos energia, todos os outros con—


com o momento e a

invariantes sob a TL
ceitos da mecânica podem ser redeúnidos de modo que sejam
% tendam os conceitos clássicos-a baixas
velocidades. Assim podemos criar
para
TL princípio de relatividade de Einstein
uma nova mecânica compatível com a e o

'PRE). Portanto

as equações de Maxwell, a TL e o
formulação relattvísttca da mecânica,
A
internas.
PRE são consistentes, isto é, não apresentam contradições
das experiências entre o imenso
próximas seções discutiremos algumas

Nas
numero delas que comprovaram a
— mecânica relativistica. Mas antes faremos um
em física atômica e nuclear..
breve comentário sobre unidades de medida utilizadas
Em de
problemas nucleares e colisões
reações de partículas utiliza-se normalmente
como unidade de energia omegaelétron-volt (MeV):
lMeV =106 eV 1,603 >< 10*13
: J.

A unidade de massa será então 1 MeV/cª, e a de momento, 1 MeV/c. A massa de

repouso do elétron é 0,511 MeV/cª; a do próton 938,3 MeV/cª; e a do nêutron, 939,6


XieV/cz.
#

Exemplo 4.1 l

da mecânica clássica do que


Usualmente é mais fácil trabalhar com expressões
com as correspondentes relativisticas. Quando
é permitido usar a aproximação

clássica na solução de problemas de mecânica?

Solução
Da equação 4.6 obtemos
E ECM/noz
mc 772,6 777,0
Mecânica relativistica
68
4
Capítulo
——

menor do que
a energia
for muito
cinética relat ivística
Vemos que, se a energia utilizadas com
clássicas poderão ser
=”: 1 e, então, as expressões substitu—
de repouso,7
qual é o erro cometido quando
exemplo. por mc2 pela expres-
erro pequeno. Vejamos,
relativistica EC yrncº
» —

expressão da energia cinética


ímos a
será:
l/Zmuª. O erro na aproximação
são clássica

(SE ( =
Etr—%mu.2
“'
.
'
()
a

Er:
,

Q
Mas
&
! u2 .? lu3 3u4
y= 1— 51+——T+——í+/
80
*, c“
,
3c“
'-
',
*
Então,
l
'mu
22
2

E--(—1'ª2 —1—'Z+l3—
)mc =2mu
C— 7 2 mcª

,.: 3 E
õE,5——%.
“ªmt“
*

“, .

fizemos EC % 1/2mu2.
a Equaç (a) ão e

Para obter a última relação, utilizamos energia cinética para


1.5 vez a re lação da
O erro na aproximação é, portanto.
a energia de repouso.

______________...--——---
Exemplo 4.2 uma partícula
velocidade v colide com
m e
Uma partícula de massa de repouso a massa e a
velocidade da
em repouso, e se integram. Determine
de massa mo)
partícula composta.

Solução
movimento da partícula
com-
o
em repouso,
de massa mg está podemos
Como a partícula movimen to da partícula incidente,
e

na mesma direção do massa de repouso,


posta será esc alares. Sejam M, V e p a

levar em conta apenas valores


4.2 —

Energia 69
& velocidade e O momento da partícula composta. Partimos das
conservação da energia equações de
e do momento.

Conservação
'
da energia (chamamos de E a energia total do sistema):
º
l

E=——+mocº'= (pªcº+Mªc4)5. (a)

Conservação do momento:
'

mv MV
p=——=&.
,

02 V2 (b)
1—7 1—7
.

C C

Da Equação (b)»obtemos:
'

Vª: 10202
pg + Mºcª
(note que primeira igualdade de (b)
a
nos da o valor de p).
Elevando quadrado os dois membros,
ao

de 10
da equação (a) e substituindo o valor
dado pela equação
(b), obtemosncom alguma manipulação algébrica:
'me
Mº=mº+mf+
.

1.
«*
2
v

1“?
c

Exemplo 4.3
Mostre que, pelas regras de conservação de momento e
energia, um elétron
livre que se move com
velocidade v, no
vácuo, não pode emitir um único fóton
num processo qualquer. Por que um elétron
de um átomo de
estado excitado pode emitir um fóton hidrogênio num
sem violar as
regras de conservação?

Solução
Vamos admitir 'que o
realize e que as
processo se
momento e
equações de conservação de
conservação de energia nos levam a uma
a massa do
condição absurda. Seja m
elétron, E0 e po a energia e o momento antes do
processo, E1 e pl, a
energia e momento depois do processo e by a
energia do fóton. Supomos que
0 elétron é emitido na direção e sentido do movimento do elétron.
70 Capítulo 4 —
Mecânica relativistica

'
Conservação do momento:

'
Conservação da energia:

El :
EZ + h,v=>E% :"
% + hZV2 + 2E2hv.

Substituindo E] e E2 pelas expressões dadas pela Equação 4.6, obtemos:

(pãcº + mºcª)“ :
(pâcº + 77226512 + hv (b)

Substituindo Equação (b) a expressão de


na pl dada pela equação (a), com

alguma manipulação algébrica, obtemos:


mªcª O. :

s- que indica uma massa de repouso nula para o elétron, resultado inaceitável.
o leitor (se encon-
Deixamos resposta da segunda parte deste exemplo para
a
6 do Capítulo 7)
trar dificuldade, procure uma sugestão estudando a nota

4.3 O EFEITO COMPTON


No estudo do espalhamento de raios X pela matéria,
]
//_ª

observa—se uma modalidade de espalhamento em que


o comprimento de onda da radiação espalhada
é rela-

cionado ao da radiação incidente e independe do ma—

terial do alvo. Arthur H. Compton em 1922 propôs que


colisão dos
esse tipo de espalhamento resultava da
fótons com elétrons livres (ou quase livres) do alvo
Fóton
i
e calculou os resultados experimentais aplicando
hv as
* liv, ?
lleis de conservação da energia e do momento, em sua
forma relatiiistica. Ele próprio realizou experiências
maraxilhosamente precisas que confirmaram a teoria

e, por isso, o efeito recebeu seu nome.


Figura 4.5
de onda da
experiência é particularmente notável porque comprimento
Efeito Compton. O o
Essa
fóton colide com
radiação espalhada é medido pela'observação
da difração do feixe espalhado num
elétron de massa
a colisão é explicada
m, em repouso, utilizando, portanto, o conceito de onda, ao passo que
cristal,
de maneira clara, dualidade
experiência expõe, assim,
a
& e espªlhªdº nª em partículas.
termos de A
direção que forma onda-partícula do fóton.
um ângulo «pcom a
assim: um
muden- Sem entrar experimentais, a experiência pode ser descrita
detalhes
direçao (?º em
numa lâmina de grafite; o feixe
(? “ªfrº" feixe de raios X de comprimento de onda A, incide
“ªº recuª ,

. .
i

direçao que Sao observados d01s picos: um


N
,

espalhado e entao observado em diferentes angulos.


,
.

na , -

forma um ângulo não—espalhado, portanto e


do mesmo comprimento de onda A do feixe incidente

H com a direção de “'


com Compton, o segundo feixe re—
incidência. outro de comprimento de onda X > A. De acordo
4.3 —

O efeito Compton 71

sulta da colisão dos fótons com elétrons livres (ou quase livres) do alvo, e seu com—

prirnento de onda pode ser calculado como segue.

Suponha que um fóton de energia hu, que se move na direção.: colide com um
elétron livre, de massa m, em repouso (Figura 4.5). Depois da colisão. o fóton. de
energia hv', se desloca na direção que forma um ângulo <p com a direção OJ”. e o
elétron, com energia total Ee e momento Pe, recua na direção que forma um ângulo
6 com 096. Os momentos dofóton incidente e espalhado são, pela Equação 4.8. res-
pectivamente,
hv hv'
'

c c

Pela lei de conservação de energia:


hv+mcª=hif +E€,. (a)
As leis de conservação de momento podem ser escritas na direção de incidência
do fóton e na direção perpendicular:

EX:)“, cosrp+P€cosâ,
.

'
(b)
cc

,
h
O=—vsenç0—Pe c
sen 6. (c)

Isolando nas Equações (b) e (c) os termos que contêm 0, elevando ao quadrado e

somando membro a membro, eliminamos 0 e obtemos:

.,
(

hªv“ Zhªvv' hªv'


.

2

2
cos (p + 2
—Pº
_

C c c

nº(u- v')2 + 2h2w'º(i _

cos<p) =
Picª.
Substituindo a expressão de Pecg, dessa equação e a de EP, da Equação (a), na Equa-
ção 4.7,

E? Pªc2 : + (m cª)2,
:btemos
zap/_ v')m02 =
2h2vv'(l _

cos (p)
e. finalmente,
'
V h
Yc=ít'—/'L=—(l—cosço).
_

(4.9)
vv mc

Essa equação mostra que a variação do comprimento de onda AA X A : —

no efeito
J:»mpton independente
é do comprimento de onda da radiação incidente depende
e

ãngulo de espalhamento. A variação maxima ocorre para cos (p —1, ou seja. para
: :, =

retro-espalhamento (incidência frontal do fóton com o elétron). Esses cálculos


'

estão de acordo com os resultados experimentais dentro da precisão das medidas e


;:nstituem outra excelente comprovação da mecânica relativistica.
Mecânica relativistica
72 Capitulo 4 —

ANIQUILAÇÃO DE PARES
4.4 PRODUÇÃO E
ELÉTRON-PÓSITRON
carga elé- do elétron e
do elétron tem a mesma massa
antipartícula

O positron é a Paul
Sua existência, prevista por
em módulo, porém positiva.
trica igual ã do elétron raios cósmi—
Anderson (1932) em
por Carl D.
A. M. Dirac (1930), foi comprovada A observação de
era produzido um par elétron—positron.
processo em que
cos num
física porque constituiu
uma verificação da
Anderson teve um papel importante na

desde então. tem sido observado


com
O processo.
mecânica quântica relativistica. matéria.
de alta energia (raios y)
com a
facilidade na interação de fótons
de produção de um par elétron—positron,
Imaginemos inicialmente possibilidade
a
no refe—
E pc. É conveniente analisar processo
o

no vácuo, por um raio y de energia :

no qual o vetor
é definido como o referencial
rencial do centro de massa (GM), que é
considerado (º' iZleOÃZ') Naformação de um par, pre—
momento total do sistema ch2
de energia. que a energia do 7 seja no minimo
ciso. para que haja conservação
do par).O raio 31 terá então
de cada uma das particulas
(mc3 é a energia de repouso do CM, de-
2 mc > O. Porém, no referencial
mínimo igual a p E/c
: :

um momento no lei de conservação


o momento do sistema
deverá ser nulo. A
pois da formação do par, e o processo é impossível
de se realizar.
de momento não é, portanto, respeitada
a produção de par
só pode se realizar na. pre—
Desse argumento concluímos que recuarã com o
um terceiro corpo,
usualmente um núcleo atômico, que
sença de É claro,
se cumpra a lei
de conservação de momento.
momento necessario para que cinética depois da forma-
terá energia
então. que repouso inicialmente.
o núcleo, em
se realize)
mínima para que o processo
do e o limiar de energia (energia
ção par. massas de repouso
Zincº. requerida para formar as
esta portanto, acima da energia
de energia para um processo
Pode-se provar que o limiar
.

do elétron e do positron.
na vizinhança de um
núcleo de massa M é
que ocorre

E1A=2mcª[l+%)
(isso é demonstrado no Exemplo 5.1).

E produz um elétron—positron na vizinhan—


par
Problema 3 Um raio y de energia
conservação de energia e
momen—
leis de
núcleo de massa M. Escreva
as
ça de um conflitos.
podem ser obedecidas sem
to e mostre que
momento e energia, leve em con-

Su, gestão: Ao escrever as


leis de conservação de
recuo do núcleo.
ta o movimento de

de formação de
processo contrário
ao
é
do par positron-elétron
o
A aniquilação múltiplos de interação
par. Um elétron
e um pósitron perdem energia por processos em torno de seu CM,
se capturam e,
movendo—se
do outro,
quando próximos um
it)-“" 5).
cuja vida é muito curta (=
e,
formam um “átomo”, denominado posit'rô/nío,
são emitidos dois fótons
em
o positron se recombinam
e, no processo,
O elétron e
L______________--—-—-—.
campo magnético
73
4.5 ——

Movimento de uma partícula em

a emissão de
conservação de momento. É óbvio que
sentidos opostos, para garantir
a
de três fótons
de momento e a emissão
fóton violaria a lei de conservação ser 0,511
um único de cada fóton deve
conservar a energia, a energia
0,024 10'10 m, que
é rara. Para
ocorre, mas A
ou positron), ou
-

a massa de um elétron detectada e


Mev (correspondente simultâneos pode ser
emissão dos dois 3!
faixa dos raios 7. A
o coloca na
de energia da TRE.
constitui uma das melhores
comprovações das equações

referencial R* do CM
de aniquilação de par no

Problema 4 Considere processo


o
de momento e
utilizando as leis de conservação
Calcule.
do elétron e do pósitron. emitidos em termos da
massa m de
de onda dos fótons
de energia, o comprimento
cada partícula do par.
E'
é observado num referencial
5 O processo de aniquilação de par
Problema a direita, com
velocidade 71. em
linha de emissão dos fótons, para de
que se desloca Qual é o comprimento
na

R$ do C M do elétron e do pósitron.
referencial
relação ao
referencial R'?
da aniquilação no
onda dos fótons resultantes
e energia no referen—
equações deconservação de momento
Escreva as e do pósi-
Sugestão: relativisticas do elétron
trabalhar com as massas
cial E' (lembre-se de os momentos
dos fótons. Você
as expressões para ;
tron); deduza dessas equações um desxio Doppler
em
de onda dos fótons sofrem
observará que os comprimentos referencial R. Essa é outra
maneira
ao comprimento
de onda medido no !
relação relatin'stico.
3.13 para o efeito Doppler
de deduzir a Equação

PARTÍCULA EM
4.5 MOVIMENTO QE UMA
CAMPO MAGNETICO
nuclear está relacionada
ao mo-

Íma situação que aparece


frequência em física
com
em varios tipos
de
Eles são utilizados
em campos magnéticos.
“."unento de partículas casos, a
em técnicas para
identifica-las. Nesses
também
acelerador de partículas alta e a mecânica
e

a velocidade
das partículas é muito
indispensável apenas para exemplifi—
TRE e porque
Vamos estudar o caso simples,
.Lassica falha completamente. elétrica q e velocidade
v em

uma partícula
de massa m, carga
131'. do movimento
de de
sobre a partícula a força
constante B (Figura 4.5a). Atua
nn campo magnético

Lorentz:

F :

d㺠$
:
qv >< B,
(4.10)

º —

ª—Ç Y mv)
-

Y mªi '

dt dt
dt
da
não realiza trabalho,
e a energia total
a v, por isso
?bserve que F é perpendicular
constante:
:arrícula deve permanecer
constante.
ymcº constante 7
=> :

E,
:
:
4 Mecânica relativistica
Capítulo
74

é um círculo de
_L B, a trajetória da partícula
» Se v
B. Se v não for per-
plano perpendicular
a
raio 7“ num duas com—
l v em
decompor
a B. podemos
l pendicular B, que gera
uma tra-

É ponentes.
uma perpendicular a

a B, que
desloca o
B outra paralela
jetória circular.
e a
resultante será
en-

N ,

&
círculo ao longo de B:
hélice (Figura 4.5b).
a trajetória

Como a componente de

q'm tão uma considerar ape—


B não é afetada. podemos
l v paralela a

plano:
l
no
nas o movimento

ªk: "Z)/il],
2

q'rB :
my
dt ?"
“”
/
/
(
J)
,
,

obtemos
,"

Dessa expressão,
'

Figura 4.6
onde Lªº/T é a aceleração centrípeta. (4.11)
Trajetória de uma qBr :
myr
:
p.
massa
partícula de velo—
m, carga q e
se v/c « l,
cidade v em um Observamos que,
/-)
campo magnético
—i,_ .)

1 P“
B. a) VlB; b)
v tem 1)2 +...= l'.
l'"?

E:
uma componente 7
O
B.
paralela a

resultado clássico. da relati—


obtemos, então, a teoria
o
testar com precisão
utilizada para em um campo
acima pode ser
A equação
carga (772. q) conhecidas são lançadas de sua
de massa e
raio de curvatura
vidade. Partículas A medida do
velocidade determinada. (l pºr“?
magnético B com a relação y

determinar 7 e verificar
permite
trajetória
de núcleos
emitidas na desintegração discutido
de partículas
a
As energias foi
Problema 6. um método
baseado no que
ser determinadas
por a um campo |
radioativos podem numa câmara. perpendicularmente
*

uni
são lançadas
acima. As partículas depois de descreverem num detetor
são focalizadas B pode-se
uniforme B, magnética” e 7",
-

magnético e a "deliexão
a relação qu desse tipo,
semicírculo. Conhecendo—se Numa experiência
das partículas. Quais
e a velocidade T'm.
determinar a energia mediu—se B 7" 0,426 930 =

2%ilªo.
-

partículas emitidas por cometido fazendo-


Qual é o erro
a
feita com
energia cinética
da partícula“? a é calculada
sabendo-se
são a velocidade e a
da partícula
clássica"? (A relação q/
m

se a aproximação de He .)
é núcleo de um átomo
que ela
o

Resposta: E (.
=
8,762 MeV

E ESTABILIDADE NUCLEAR
4.6 REAÇÓES NUCLEARES atrativas, será
necessário
sistema estão ligadas por forças do sistema

para
partículas de energia. de Ligação
um
Se as
energia E( a

de
fornecer uma quantidade
separa—las.

4.6 Reações nucleares estabilidade nuclear 75

Vamos, como exemplo, calcular a energia de ligação de um núcleo de massa M,


formado por Z prótons e N nêutrons. Pelo
princípio de conservação de energia, a
energia de ligação é a
diferença entre a soma das massas das partículas separadas a
uma distância iniinita do sistema
e a massa
ligado. multiplicada por (“22
Ef : Amicº :
(Zmp + Nm“ —M)cg,
onde mp e
m,, são as massas do próton e do nêutron. Em geral são tabeladas as mas—
sas atômicas em vez de massas nucleares adota—se
e como padrão para medir massas
atômicas atômica do isótopo
a massa
12C .
que é bem determinada. Define-se então a
unidade de massa atômica como

1 .)
1 u =

E
(massa de 1—0) =
1,660 540 2 .10'27 kg =
931,481 2 MeV/cº.

Para escrever a expressão de E em termos de


[ massas atômicas, somamos e sub-
traímos a massa de Z elétrons e
agrupamos essa massa a massa dos prótons e à massa
do núcleo:

Ef “me Zm?) Nm (M 277269102 Mgcº.


=
+ +
(ZmH Nm,”
_

=
+ _

sendo me a massa do elétron.


um a massa atômica do hidrogênio e MA a massa atômi—
ca do elemento examinado
todos valores tabelados. —

De forma análoga, podemos calcular o rendimento energético de uma reação nu—


clear. Suponha a reação

A+B»—>C+D+Q,
:»nde A e B são
núcleos iniciais, C e D os produtos da
os
reação e Q a energia liberada
na reação. Pelo princípio de conservação de energia temos:

Q =
[(MA +
MB) _

(MC +
MB)]CZ.

&
Exemplo 4.4

Qual é a energia liberada na reação em que um próton reage com um núcleo de


âLi para formar duas partículas a?

Solução
Como vimos antes, para utilizar tabelas de
as massas atômicas, substituímos os
núcleos por átomos:

5Li+âH»—>23He+ó,
Q =
Mchi) + MGH) _

2Mç3He) =
(7,016 0 + 1,007 8 _

2 >< 4,002 6) u,
.

Q =
17,3 MeV.
Temos que a massa de repouso não é conservada o que se conserva e' a soma

ias massas e energia.


Capitulo 4 —

Mecânica relativistica

fissão nuclear que reatores nuclea-


Problema 7 Uma reação típica de ocorre nos

res e:

n + 235U +—> 236U +—> 141Ba + 92Kr + 371 + Q (calor desprendido).


cinética (% 0,025
Os nêutrons que produzem essa reação são térmicos e sua energia
e a massa transformada em
eV) pode ser ignorada na reação. Calcule Q (em MeV)
estão tabeladas em diversos
energia (em u). As massas atômicas dos elementos
manuais e podem ser encontradas também na Internet.

Resposta: Q ª 173,3 MeV.

de repouso do sistema de partículas ii-


Como vimos na seção anterior. a massa
distância
e' do que das massas das partículas separadas a uma

-h—ír_
gadas menor a soma

infinita, de uma quantidade

Am =
E1 (4,12)
7“
C

das
(denominado defeito de massa) é a diferença entre a soma mas-
O termo Am
sas das particulas quando isoladas e a massa do sistema ligado:

Am :
Em?— —M. (4.13)

medida da estabilida-
-. Esse conceito. muito usado em física nuclear, serve como
as partículas constituin-
de nuclear, Para que um núcleo seja estável com respeito
.

.L

tes —

prótons e neutrons —, é necessário que o defeito de massa seja positivo, isto é,


formar as massas das
Em > M Nesse caso a massa do núcleo não é suficiente para
.as-'
.

e o núcleo não pode desintegrar—se nelas.


particulas constituintes,
É preciso. no entanto, examinar a possibilidade de desintegração do núcleo em
dois ou mais núcleos de é, em
massas menores, o que princípio, possível quando os
números atómicos Z1 e ZZ e números de massaA1 eA2 dos
núcleos produzidos na de—
A. Se o defeito de massa do
sintegração satisfazem as relações Z 1 + 22 Z eA1+ A2
: :

dos núcleos produtos,


núcleo inicial for menor do que a soma dos defeitos de massa
isto é.

Am < (Ami + Amg),

sistema resultante do processo de desintegração sera mais


estável do que o núcleo
o
de partículas
inicial. Nesse caso, pode surgir no interior do núcleo uma configuração
nesses núcleos menores com uma certa
meia-
que leva o núcleo a desintegrar-se
Vida.
_I

4.7 ——

O efeito Cherenkov 77

Exemplo 4.5

Examine a estabilidade dos núcleos ÉBe e %Be.

Solução
O defeito de massa de ÉBe é

Am :
Emi —M :
4mp + 4—mn -M(âBe) (4 >< 1,007 286
: + 4 >< 1,008 66

8,005 31)u :
0,058 47 u > 0

Sendo M < Emi ,


o núcleo é estável em relação a desintegração nas partículas
constituintes.

Consideremos, no entanto. o decaimento de


8
Be em dois núcleos de âHe (par—
tículas a):
0,000 llu 0.
Am 2 M(%He) —M(ãBe) (2 >< 4.00 260 8,0053l)u : <
_

:
:

Neste caso, M > Emi e o núcleo é instável em relação a desintegração em par—

tículas a, o que de fato se observa experimentalmente.


mostrar que o núcleo de ÍBe é absolutamente estável
O leitor poderá agora
(o defeito de massa do núcleo de ÉBe é positivo relação a suas partículas
em

constituintes e também em relação a todos os núcleos possíveis em sua desin—

tegração).

4.7 O EFEITO CHERENKOV


Vimos que a velocidade da luz é uma velocidade-limite que não pode ser ultrapassa—
afirmativa é válida apenas
da pela velocidade de nenhtuna particula. No entanto essa

luz é (' 3.998 >< lOé m—sª. Num meio transparente


para o vácuo, onde a velocidade da
=

a velocidade da luz e 0/70 < 0, e uma


como a água, um plástico ou um material vítreo.
da luz naquele meio. Ocorre
partícula pode ter velocidade maior do que a velocidade
Che—
então um fenômeno interessante. observado em 1934, pela primeira vez, por
renkov.
na compreensão do
Existe análogo na mecânica clássica que nos auxiliará
um
num lago tranquilo, com
chamado efeito Cherenkor. Quando uma lancha se desloca,
ela criadas na
velocidade 'Lª maior do que a velocidade u de propagação das ondas por
como um ângulo cujo vértice
superfície do lago, a envoltória das ondas é observada
às ondas formadas
é a lancha. As duas retas que formam a envoltória são tangentes
velocidade maior
e se deslocam com velocidade u < 0. Um avião supersônico, com 17

As ondas criadas
do que a velocidade do som no ar as produz um fenômeno análogo.
,

e
no ar são envolvidas por um cone (agora estamos em três dimensões) cujo vértice
o avião. A superfície do cone, que é propaga com a veloci—
a envoltória nesse caso, se

uma onda de choque.


dade do som no ar as < ti. É essa envoltória que ouvimos como
velocidade supersônica; muitas
quando um avião passa sobre nossas cabeças com
vezes se diz incorretamente é devido a “quebra da barreira do som“.
que

/ __>V, *
. ><e7_7 .,v

-v—
_

k_f._,7_._
,
_

":T-1?
Quando uma
partícula, carregada eletricamente,
passa por um meio
transparente com velocidade maior
do que a velocidade da
luz naquele
meio, o > c/n, um
cone de luz é emitido, de forma
semelhante ao cone de
som do aw'ão
supersônico, como mostra a Figura 4.7
Um tratamento adequado por teoria
.

mostra que
eletromagnética
comprimento de onda dessa
o

esta radiação
na região do azul, e ela é, de fato, vista
como um
brilho azulado quando há um
feixe intenso de partícu—
las. Ela pode ser vista
facilmente em volta do
de um reator nuclear caroço
tipo piscina, quando em funcio-
namento.
,

As propriedades da
radiação de Cherenkov permi—
tem que seja utilizada
Figura 4.7 tículas relativisticas. Se para medir a velocidade de par—
Uma partícula (p é o ângulo entre feixe de partículas
com
(Figura 4.7), e a
radiação emitida
velocidade v maior
do que & velocida-
de da luz c/n num
meio de índice de
refração n produz
a
radiação de Che—
renkov (envoltória
Problema 8 Um feixe de elétrons
das frentes de on— atravessa um material transparente de
de refração % índice
das esféricas). 1,4. Observa-se radiação de Cherenkov
=

um
ângulo de 390
numa direção que forma
com a
direção do feixe. Calcule a
energia cinética dos elétrons.
Resposta: 0,785 MeV.

Notas
( 1) Esse artigo, que vale a pena ser
lido, tem por títuloA Márcia de
seu conteúdo de energia.? e foi publicado
um corpo depende de
18 (1905) p. 639—641. Einstein, Albert, Afnnalefn der Physik,
em:
Existe tradução em
lose de E ( português em:
Stachel, John, O ano miracu—
izstez'n, Rio de Janeiro, UFRJ (2001).

(2) Em muitos problemas de


interação de partículas há uma considerável
referencial do centro de massa simplificação se o
(GM) e utilizado. O referencial do
R*. e detinido como CM, representado por
aquele no qual o momento resultante do
sistema. é nulo.
Considere um sistema de
partículas com momento P
cial R (_ a somatória
Ep, energia E EEino referen-
e :
:

se faz sobre as partículas. z'


1, ...,N). Queremos determinar a velo—
=

cidade l'* do CM no referencial


R. Por simplicidade
está na suporemos que a velocidade do CM
direção OJ). depois generalizarenios. Utilizamos a TL
formar o momento e a (Equação 4.9) para trans—
energia do referencial R para o referencial
resultante é nulo (as grandezas no Riº, no qual o momento
referencial do CM têm sinal
um
*): í

Cº E V
*= Px
_

&,
P*=0=PZ, E*
=
, :
&, (4.14)
Problemas 79

obtemos:
onde Bªlª :
(Wª/clª. Da primeira das equações acima
*?

vª“
PIC—A .

a velocidade do centro de massa tem


o caso em que
Essa expressão, generalizada para
uma orientação geral, é:

Problemas
para que sua energia cinética
rapidez uma partícula deve
se mover
4.1 Com que
iguale sua energia de repouso?
momento de uma partícula cuja massa relativistica é quatro vezes a
4.2 Qual é o

massa de repouso?
Resposta: 3,87 mc.

2,2 as 105,7 MeV/cº) tem


de repouso m =

4.3 Um múon (vida média 7- = e massa

referencial do laboratório. Calcule a energia to-


energia cinética de 50 MeV no vida
laboratório durante a
tal, o momento do múon e a distância percorrida
no

média.

114,3 MeV/c, [ 713 m.


Resposta:
=
p =

elétron para sua massa de re—


razão da relativistica de um
4.4 a) Calcule a massa

as seguintes velocidades 0,1; 0,5; 0,9; 0,99; 0,999.


da partícula: B =

pouso para
elétron nas velocidades do item (a) em J
e
b) Calcule as energias cinéticas do
um próton e faça uma comparação
com
em MeV. c) Resolva o item anterior para

as energias cinéticas do elétron.

cinética de 2,5 BeV. Ache a velo—


4.5 Um acelerador fornece prótons com a energia
total desses prótons. (mp 938,2
cidade (B), a massa relativistica e a energia
:

MeV/cz).
Resposta: [3 =
0,962.
da ordem-
4.6 Partículas de raios cósmicos podem atingir extraordinárias energias
de 1013 MeV essa energia em joules). Qual
é o tempo próprio que uma
(calcule
nossa galáxia, cujo di-
energia, leva para atravessar
partícula estável, com essa

âmetro mede cerca de 105 anos-luz?

momento é 800 MeV/c colide com um próton em repouso. Qual


4.7 Um próton cujo
é a velocidade do CM do sistema?

Resposta: Bªº :
0,368.
Mecânica relativistica
80 Cªpítulo 4 —-

escrita na forma
a energia cinética de
uma partícula pode ser

4.8 Mostre que


.
.
,

relativ1sti-
.
. ,

energia cmetica
.

F] de Mc a
Ache que valores
-

i) m % +45; mtf, +
a
,—

E . ..
=
__ (.

energia cinética nao-relativistica.


,

10 vezes a
ca e igual a 1,01, 1,1, 2,0 ,

e energia cinética
de massa m, momento p
4.9 Demonstre que, para
uma partícula
são válidas:
E as seguintes equações
(mªil/ª mcª.
,
.
.
,
º

chºEC )“ª/c e E, [(mc“)ª


. _

., = +
p =
(E; +
aniquilam e
energias cinéticas desprezíveis
se

4.10 i'm elétron e um pósitron com


numa direção
um elétron livre
um deles é espalhado por
formam dois raios 7; incidência. a) Calcule a energia

faz um ângulo de
60“ com sua direção de
que num campo mag—
ao recuar, penetra
em eV. b) O elétron,
do raio y espalhado demonstre que a
a sua velocidade,
nético de intensidade 0,10 T, perpendicular
calcule seu raio.
trajetória é circular e

1,5
Resposta: a) 0,34 MeV; b)
cm.

de 0,009 00 nm, in-


105 X homogêneo de comprimento de onda
4.11 Em feixe de ra de 54º
0 feixe espalhado é observado a um ângulo
tide num alvo de carbono.
de onda dos raios
de incidência. Determine: a) o comprimento
direção c) a
fótons incidentes e espalhados;
com a
momento e a energia dos
espalhados; b) o
e a direção em que
se dá o recuo.
do elétron de recuo
momento
energia e o
num
o repouso e se desintegra
é desacelerado até quase
4.12 Em píon (méson 77) a energia cinética
do múon. As
e num neutrino (v).
Calcule
muon (méson p,)
respectivamente, 273me, 207701?
e

massas do píon,
do múon e do neutrino são,

zero.

Resposta: 4.07 MeV. é li-


pósitron. Qual
o
e um
gera um nêutron próton e
4.13 ln neutrino incide
num
ocorra?
<I-.£ miar de energia do
neutrino para que isso

Resposta: 1.81 MeV. R,


V2, movem—se
na direção Ox do referencial
4.14 Dois raios y. de frequências V1 e
CM.
velocidade de seu
sentidos opostos. Determine
a
em

(V1'- V2)/(V1 + 1/2).


RPSPOSÍUÉ B*
:
especial (TRE) de um pon—
reexaminar a teoria da relatividade
Neste capítulo vamos
dimen-
três dimensões do espaço e o tempo são considerados
to de vista em que as
Para isso, vamos intro—
contínuo quatro dimensões o espaço—tempo.

sões de um em
se mostrará muito útil.
duzir um novo formalismo, baseado em quadrivetores, que

5.1 VETORES
tratamento matemático das leis
É bem conhecida simplificação que se obtém no
a
vetorial. Essa simplificação resulta
em
da física com a introdução da representação
três eixos de co-
correspondentes as projeções nos
parte da concisão: três equações, vantagem.
uma equação vetorial. A principal
ordenadas, são substituídas por apenas
de uma lei física em termos de vetores é independen-
no entanto, é que a formulação
e a isotropia do espaço.
te do sistema de coordenadas. A homogeneidade
da escolha
da física clássica, são dessa
que, como vimos Capítulo 1, constituem fundamentos
no
vetorial.
forma incorporado pelo formalismo
no espaço
Vamos tomar o deslocamento Ar (AJ;, Ay, Az) que liga dois pontos
:

de translação do sistema de eixos de


euclidiano como protótipo. Sob uma operação
as mesmas e, sob uma operação
coordenadas, as componentes de Ar permanecem
as próprias coordenadas:
de rotação, elas se transformam como

Ax' =
(11le + aley + (IIBAZ,
(1ng2, (5.1)
Ay, =
052le + aggAy +

AZ, =
6%;le + OngAy + aggAZ,
rotação. Por exemplo, para
uma
sendo os 01 funções dos ângulos que especificam a

(p em torno
do eixo Oz a transformação é dada por:
rotação de um ângulo
Ar' =Mcos<p+Ay sencp,

Ax (5.2)
Ay' Ay cos cp sen cp,

Az' : Az.
Capítulo 5 —

Formalismo no espaço-tempo

Figura 5.1 representa


A a transformação do vetor
posição nesse caso.
Podemos agora definir assim o vetor no espaço eu-
clidiano de três dimensões: Qualquer grandeza cujas
componentes l'], Z'g. zx)» sofrem as mesmas transfor-
p(xl ,,) mações que as componentes AJ:. Ay, Az do desloca—
mento, sob as operações de translação e rotação do
;*, sistema de coordenadas. e' um tªetor. É óbvia a re—

x: presentação de um deslocamento por um segmento de


reta, com sentido definido. que une seus pontos inicial
=x ,

final,
_

e e e essa a razao
por que podemos representar
o vetor por uma iiecha.
Figura 5.1
Se as componentes de dois vetores são iguais, sistema de
Transformação do uma a uma. em um co—

vetor posição r por ordenadas, serão iguais


qualquer outro sistema, porque as trincas das novas com-
em
uma rotação «; em ponentes são as mesmas combinações das trincas antigas (Equações 5.1). Uma rela—
torno do eixo 2 do
ção como F ma, em que F e a representam vetores e m e um escalar, independe do
:

sistema de coorde-
sistema de coordenadas. Tecnicamente, podemos dizer
nadas. que as equações vetoriais são
formalmente invariantes sob translações e rotações em torno da
origem do sistema
de coordenadas. O fato de uma equação física poder ser representada vetorialmente
garante sua validade sob translações e rotações do sistema de coordenadas e é por
isso que vetores são tão úteis no tratamento matematico das leis da física.

5.2 EVENTOS E INTERVALOS


A transformação geral de Lorentz é o conjunto de
i operações formado pela translação. a rotação e a TL
deiinida pelas Equações 3.3. Vimos na seção anterior
que, se as equações da física clássica forem escritas
! em forma vetorial, elas serão independentes do sis-
_________________

o Evento
i tema de coordenadas escolhido. Pretendemos procu—
l
rar um formalismo no qual
equações da TRE sejam
as
i

formalmente invariantes sob transformação geral de


i

| a
.

Lorentz, da mesma forma que as equações da física


|
|

|
|

|
clássica eram independentes do sistema de coorde-
l
:X nadas quando escritas Íorma vetorial. É claro
ª
em
que
nesse formalismo procurado, as equações da TRE po-
Figura 5.2 derão ser escritas sem referência um sistema de coordenadas
Um evento
a
especifico.
no es-

paço-tempo é defi- Minkowski”) introduziu, pouco depois da publicação da teoria da relatividade,


nido pelas quatro a idéia de espaço-tempo, fundindo em uma só entidade o espaço e o tempo. Já em
coordenadas (x, y,
1908, importante congresso Cientifico realizado em Colônia, na Alemanha, dizia
num
2, t) e representado
ele: “As concepções de espaço e do tempo que
por duas coorde— desejo apresentar aos senhores bro—
tarani do solo da física experimental e nisso reside sua
nadas apenas: uma força. De agora em diante,
espacial x e a tem- o espaço. por si mesmo, e o tempo, por si mesmo, estão destinados a desaparecer
poral t. como meras sombras e somente uma espécie de união dos dois sobreviverá como
realidade independente.”(º)
5.2 —

Eventos e intervalos

Vamos introduzir agora alguns conceitos básicos


para a
formulação da TRE
espaço—tempo de quatro no

dimensões. É formulação mais abstrata do que a


uma

que temos utilizado até agora, mas não matematica— f

mente difícil.

Definimos como evento um fenômeno físico locali-


zado espaço e no tempo. Por simplicidade, vamos
no

nos referir ao evento pelas três coordenadas espaciais


do ponto onde ocorre e pelo instante de tempo em

que ocorre: (x,


t). O mesmo evento é descrito
y, z,
em outro
Para visualizar
referencial pelas coordenadas (x”, y', e', t').
utilizamos dois eixos apenas
um evento J O I;

um deles para as três coordenadas


espaciais (x, y, z), representadas por

(lª. e o ou-
Figura 5.3
tro para a coordenada temporal t, como mostra a
Figura 5.2. Inter—.alo $ : entre

os eventos 1 e 2.
O intervalo 512 entre dois eventos referencial]? é definido pela
no
relação:
5122 =
02032 _

[OZ _

(121102 _

(yz _

yi)?” _

(32 _31)2 = CZAÉZ _

Alº, (5-3)
representando cAt separação temporal a
separação espacial dos dois eventos e Al a

(figura 5.3). Observe que o fator c da ao termo temporal (cAt) a dimensão de com-
primento. Em forma diferencial, essa relação pode ser escrita como:
dsº : cªdtº— dxª _

dyº azº _

:
cªdtº— dlª. (5.4)
Se fizermos uma analogia com o espaço de três dimensões e considerarmos o in-
tervalo entre os eventos como a distância entre dois pontos no espaço de quatro di-
mensões, observaremos que há termos negativos na expressão de asª, o que significa
que o espaço não é estritamente euclidiano.
O intervalo entre emissão de pulso de luz
a um na origem (O, O, O, O) do referencial
R e sua recepção no ponto (I, y, 3, t) de R, é dado por
sª =
cºa _

0)º _

(x _

(nº _

(y _

of _

(e _

0)2 :
cªtª- (12 + yª + zª).
Mas a equação da frente de onda esférica do pulso de luz que parte da origem e:
ª) “7 ")
cºt2
º A

a"“ + yª + z” :
e cºtº— (xª +
“)
y“+
“)
e“) =
0.

Então 32 =
0 e, portanto, s é um escalar, independente, portanto, do referencial
inercial —

s é um absoluto.

Dizemos que grandeza e um absoluto quando é um invariante de Lorentz:


uma

uma grandeza escalar é sempre um invariante de Lorentz. Uma proposição mais ge-
ral, que pode ser demonstrada facilmente pelo leitor, é que o intervalo 513 entre dois
eventos quaisquer e um absoluto, isto é, tem o mesmo valor
quando calculado por
qualquer observador inercial. Isso nos permite dizer que o espaço—tempo e' absoluto.
apesar de serem relativos o espaço e o tempo.

Problema 1. Mostre que o intervalo entre dois eventos é um invariante de Lo-


rentz.

Sugestão: Escreva a expressão de 5%2 no referencial R, faça uma TL para o refe-


rencial R* e mostre que uma equação formalmente idêntica e' obtida.
) .

. 84 Capítulo 5 —

Formalismo no espaço-tempo

5.3 CONE DE LUZ


Vamos mostrar agora pode visualizar no espaço-tempo o passado e o futuro.
como se
O evento O (O, O, O, O) do referencial RQ", y, z, !) é a origem do tempo e das coorde—
nadas espaciais. Queremos examinar as
relações de todos os outros eventos do refe—
rencial E com o evento 0. Para fazer uma
representação gráfica tomaremos o eixo de
coordenadas [ para representar o tempo e o eixo x
para representar as três coorde-
nadas (x, y, a). O movimento retilíneo na
direção x de uma partícula. que passa pelo

ponto :r O no instante [
=
O, é representado por uma O, inclinada reta
=

que passa
em relação eixo t ângulo
por
ao um acuja tangente é a velocrdade da particula: u tg oz.
:

A equação dessa reta e .:. ur.


Analogamente,,o mom-
,,

:
ª

|
B
, Pam”,,2
A
r) mento de um pulso de Ju; (gaze
sªe—propaga Há drreçao 1”
e passa por a; O no instante [

]
() é representado
=

pela
=

Raio de luz
reta a: =
ct, que tem a inclinação c tg a em
relação ao
:

l eixo [. Nenhuma reta que represente o


., moxiniento de
, i
' uma partícula poderá ter inclinação ao eixo em relação
x
1: maior do que dessa reta, porque a velocidade da
a
ª luz
é o limite superior das velocidades.

( Na Figura 5.4 as retas DOA e COB


representam os
,
' *
( movimentos de sinais luminosos
to 1“ O, no instante [
=
que passam pelo pon-
O, em sentidos =

opostos do 3

!
Figura
'

,).
5.4 Na
representação do espaço—tempo (x,
elXO %.
.O movimento de qualquer particula que passa
!
as retas DOA e COB & representam os movimen- pela origem representado por uma reta dentro do
e
tos de sinais luminosos que
-

passam pelo ponto x= ângulo BOA


ºu dº 531181110 DOC. Se
:'(“ O no instante r= 0,
na direção do eixo Ox, em sen— sentar o movimento de um
QUÍSGHUOS repre- .“
tldos opostos. O pulso de luz enviado numa
,; movnmento
pªrt'CUIª que pªssª pela origem, uniforme de—qualquer direção qualquer do plano xy, bastará ,

d'rf窺
OX & a girar figura
..
representado por uma reta dentro dos
angulos AOB plana 5.4 em torno do eixo t e obteremos
e DOC,
porque sua velocidade é menor do
o cone
(Figu—
5.5), que e o lugar das representaçoes
/

ra
C. que ._
de todos os |
raios de luz que partem da
origem e estão situados no
plano xy. Esse cone é denominado cone de luz. Para
o
caso de um raio de luz
enviado numa
direção qualquer
do espaço, a
situação
complica porque temos qua—
se
tro variáveisa representar
(x, y, z, t) A figura gerada
seria então um
hipercone, que não pode ser represen—
tado graficamente (esse
hipercone continua a receber,
no
entanto7 o nome de cone de luz).
Para trabalhar com o conceito de intervalo e con—

#
veniente substituir na
representação gráíica a variá—
vel [ por cz, que tem
dimensão de comprimento (Fi-
a

gura 5.6). Considere agora no referencial R o


evento
M , interior a folha
superior do cone de luz do evento.
Um sinal luminoso, partindo de
i,,
—777
tem 0, sua trajetória
comº deex.—fff superfície do cone, representada pela reta x
,,x

na
F'gurª 5'5 luz” g'rªndº ª ct,
F'ºªfrª 5'4 :
em
torno do eixo tgeramos um cone que é a bissetriz do quadrante xOct. O sinal