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Data do estudo Lição 10

Texto base: Romanos 5.3-5

Frutos da
Tribulação
Por Felipe Pinto Lima

Por que experimentamos tribula- que Paulo estava escrevendo à


ções? Qual deve ser a nossa postu- igreja de Roma, que enfrentava tri-
ra diante delas? É possível aprender bulações tanto no contexto social
alguma coisa? quanto no de sua fé. É bem verdade
Em fevereiro de 2015, a minha es- que os cristãos foram justificados,
posa começou a sofrer de uma ter- isto é, declarados inocentes, atra-
rível hemorragia. Buscamos auxílio vés do sacrifício de Jesus. O fato de
médico e, depois de vários exames, terem sido reconciliados conferiu-
recebemos o seguinte diagnóstico: -lhes paz e o direito de se alegra-
Raquel havia adquirido um câncer rem na esperança da glória divina.
muito agressivo, que se alojou no No entanto, eles não estariam isen-
útero. Aquela notícia nos abalou tos das tribulações. Ao contrário!
profundamente. Nós tínhamos uma Todos os cristãos, inclusive eu e
família feliz, uma bela filha, pen- você, devemos nos gloriar na espe-
sávamos em outro bebê e éramos rança da glória de Deus, ainda que
cristãos. Em razão disso, fomos le- nas tribulações. Vejamos o porquê:
vados a fazer perguntas como as
que iniciamos esta lição. 1. A tribulação produz
perseverança
Infelizmente, as tribulações fa-
zem parte da vida humana. No tex- A vida humana nos primeiros
to base da nossa lição, percebemos anos do cristianismo era mórbida,

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insalubre e nociva. Nos bairros mais à vida humana. Quando o apóstolo
populosos da cidade de Roma, por Paulo diz que devemos nos gloriar
exemplo, lixo e dejetos eram atira- nas tribulações, considera até mes-
dos das janelas das casas. Nesse mo a pior delas, isto é, a que pode
sentido, as péssimas condições de nos esmagar como um rolo com-
higiene expunham as pessoas a in- pressor. Se a temos que experimen-
fecções, enfermidades e, em boa tar, ao invés da vitimização, ou seja,
parte dos casos, a morte. Como de culparmos algo ou alguém, que
não havia policiamento, a violência possamos nos alegrar e, portanto,
assumia contornos assustadores. empenharmo-nos para que, atra-
Além disso, pessoas que aceitas- vés das tribulações, cresçamos em
sem a Jesus como Senhor e Salva- perseverança.
dor estavam sujeitas às persegui-
ções. Inicialmente, por parte das 2. A perseverança produz
autoridades judaicas, e, depois, caráter aprovado
pelo Império Romano.
A perseverança é uma das mais
Ainda que o corpo social daque- estimadas virtudes que o ser huma-
le período dispusesse de defor- no pode adquirir. Ela, na verdade,
midades, suas intercorrências ou desempenha um papel fundamen-
irregularidades eram consideradas tal no modo como lidamos com as
parte do processo, pelos inspira- tribulações. No entanto, dá-se ao
dos escritores do Novo Testamento. luxo ou se reserva do direito de não
Em razão disso, o apóstolo Paulo ser teórica ou especulativa. Em ou-
recomenda que os cristãos deve- tras palavras, ainda que estudásse-
riam ter especial interesse pelas mos todos os livros a seu respeito,
tribulações. Isso não significa dizer não conseguiríamos entendê-la
que deveriam assumir uma postura totalmente. Também não adianta-
masoquista, isto é, de busca pelo ria fazer orações no sentido de que
sofrimento ou pela humilhação. Em fôssemos agraciados com perseve-
momento algum o apóstolo Paulo rança. Isso não faz parte da peda-
propõe que o sofrimento, resultante gogia de Deus! Mas só aprendere-
das tribulações, tenha um fim em si mos sobre perseverança por meio
mesmo. No entanto, faz referência de seu exercício prático.
ao elemento pedagógico.
A perseverança, de que trata o
Como dito por Benjamin Franklin, apóstolo Paulo, significa um tipo de
um dos líderes da revolução que paciência que nos faz triunfar. Ela
deu a independência aos norte-a- não é passiva ou, na impossibili-
mericanos, “viver é enfrentar um dade de se fazer algo, espera para
problema atrás do outro”. O que sig- ver o que vai acontecer. A perse-
nifica dizer que eles são inerentes verança nos concede uma estabi-

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lidade positiva, a semelhança, por aprovação é resultado da prova-
exemplo, da primeira vértebra da ção. Quando o apóstolo Paulo es-
coluna vertebral, que é responsável creve a igreja de Roma, lembra-os,
pela sustentação do crânio huma- assim como também a nós, que as
no. Este pesa cerca de cinco qui- tribulações são um elemento fun-
los, mas, uma vez inclinado, pode damental para que a perseverança
chegar a vinte sete quilos. Durante nos leve à vitória. Na linguagem por
toda a vida humana, em condições ele utilizada, o caráter aprovado. Do
normais, esta vértebra oferecerá as contrário, as tribulações só servirão
oportunidades ideais para a manu- para nos fazer sofrer.
tenção do crânio. Os cristãos que desejam receber
Uma vez que as tribulações são a aprovação são submetidos a um
inevitáveis, precisamos suportá-las. processo semelhante a que um ou-
Não como sendo o último recurso. rives (pessoa que trabalha com me-
Isso para nada nos adiantaria. Mas, tais preciosos) emprega para refinar
na verdade, buscando conhecer o ouro, por exemplo. Ao ser subme-
mais a natureza dessa tribulação, tido ao fogo, extrai-se, ou retira-se,
o que podemos fazer para ameni- todo tipo de impureza. A partir de
zá-la e nos colocando inteiramen- então, torna-se puro. Na mesma
te nas mãos poderosas do nosso medida, ao enfrentarmos as pesa-
Deus. Como nas palavras do es- das lutas que a vida nos impõe, com
critor aos Hebreus (10.36), “vocês a devida perseverança, isto é, paci-
precisam perseverar, de modo que, ência triunfadora, temos a oportuni-
quando tiverem feito a vontade de dade de nos tornarmos mais puros,
Deus, recebam o que Ele prometeu”. melhores e, ainda, aproximarmo-
Esta, sim, é o que podemos chamar -nos de Deus. Ele, em razão disso,
de uma perseverança que gera em irá nos chancelar ou confirmar o ca-
nós uma paciência, que nos fará ráter aprovado.
triunfar sobre todas as tribulações. O apóstolo Paulo encerra o pro-
cesso instaurado, ou seja, tribula-
3. O caráter aprovado ção, perseverança e caráter apro-
produz esperança vado, com a esperança. Não no
Na discografia de um dos grupos sentido de um otimismo sem fun-
mais conhecidos de todo o Brasil damento ou temerário. Esse não é
Batista, o Grupo Logos, encontra- um processo cujo resultado poderá
mos uma bela canção chamada apresentar uma surpresa. Pelo con-
Espinhos. A certa altura, a letra diz: trário! A esperança tem a ver com
“Senhor, se estou por ti sendo pro- uma certeza inequívoca ou irrefu-
vado, eu quero ser aprovado agora”. tável, conquistada por Jesus Cristo
Essa afirmação nos lembra que a na cruz do calvário. Eu e você não

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nos decepcionaremos. É bem ver- ção. Como dito pelo apóstolo Paulo
dade que poderemos nos unir a à mesma igreja de Roma, “pois dele,
Sadraque, Mesaque e Abdenego, por Ele e para Ele são todas as coi-
naquela fornalha de fogo ardente, sas. A Ele seja a glória para sempre.
mas “nem um só fio de cabelo ‘será’ Amém!” (Rm 11.36).
chamuscado” (Dn 3.27).
Para pensar e agir
Conclusão
1. Certas tribulações parecem
Na parte introdutória desta nos- nos esmagar como um rolo com-
sa lição, comentamos acerca do pressor. É tanta pressão que cor-
câncer que a minha esposa Raquel remos o risco de perder o controle.
havia adquirido. Aquela fora a nos- Nesses momentos, podemos nos
sa maior tribulação. Morávamos há assentar para ver qual será o resul-
cerca de cento e quarenta quilôme- tado ou, então, empenharmo-nos
tros de distância da clínica em que para que a nossa perseverança
Raquel fez o seu tratamento, e não produza uma paciência triunfadora.
foram poucas as vezes que fizemos Qual tem sido a sua opção?
aquele trajeto. Em algumas ocasi- 2. Na medida em que as tribu-
ões, os efeitos colaterais da medi- lações produzam em nós a perse-
cação tornavam as viagens ainda verança, ou seja, a paciência triun-
mais difíceis. O tratamento foi feito fadora, fortalecemos os nossos
até o final, e Raquel ficou curada. No músculos espirituais. Nessa acade-
entanto, não poderíamos ter mais fi- mia de Deus, você hoje seria apro-
lhos. Assim que começamos a nos vado ou reprovado?
acostumar com a situação, um mi-
3. Que tal aproveitar as tribu-
lagre aconteceu: Raquel ficou grá-
lações, que são próprias da vida
vida! Além da bela Sofia, recebe-
humana, e se aproximar mais de
mos de Deus o esperto Calebe.
Deus? Não deixe passar essa opor-
Essa minha história teve um úni- tunidade.
co motivo: mostrar a você que, a
despeito das tribulações, o Senhor Leitura Diária
Deus continua conosco e que é SEG Daniel 3.1-30
possível “nos gloriarmos na espe- TER Lamentações 3.1-26
rança da glória de Deus” (Rm 5.2b).
Ele se utiliza do sofrimento humano, QUA Jó 42.1-6
resultante da queda, para nos ensi- QUI 1 Reis 19.9-18
nar, aperfeiçoar e nos dar a oportu- SEX João 11.38-45
nidade de nos aproximarmos dele.
Que fique claro que não há mérito SÁB Filipenses 4.10-20
algum em nós por causa da aprova- DOM Lucas 22.39-46

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