Você está na página 1de 31

ADMINISTRAÇÃO APLICADA À ENGENHARIA DE

SEGURANÇA
Sumário

CONCEITOS BÁSICOS DE ADMINISTRAÇAO................................................ 3

CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO ................................................................... 3


PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO ................................................ 4
FUNÇÕES CLÁSSICAS DA ADMINISTRAÇÃO ............................................... 6
ADMINISTRAÇÃO DO PROGRAMA DE SEGURANÇA ................................... 8
POLÍTICA DE SEGURANÇA DO TRABALHO ................................................ 10
PROGRAMA DE SEGURANÇA DO TRABALHO ........................................... 15
SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM SEGURANÇA E MEDICINA DO
TRABALHO..................................................................................................... 19
COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇAO DE ACIDENTE (CIPA) ................... 22
A ENGENHARIA DE SEGURANÇA E AS ÁREAS DA EMPRESA.................. 24
RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL – ASPECTOS ÉTICOS................ 26
CUSTOS DE ACIDENTES .............................................................................. 27
SITUAÇÃO ATUAL X VERSÃO DO FUTURO ................................................ 29
REFERÊNCIAS .................................................................................... 29

1
FACULESTE
A história do Instituto Faculeste, inicia com a realização do sonho de um
grupo de empresários, em atender a crescente demanda de alunos para cursos
de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a Faculeste, como
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior.

A Faculeste tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de


conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos
culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e
comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de
comunicação.

A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de


forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir
uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma
das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela
inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.

2
CONCEITOS BÁSICOS DE ADMINISTRAÇAO
CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO
O conceito de Administração é bastante amplo e deve ser lembrado
sempre que se inicia um estudo sobre o assunto. De modo geral, podemos
definir Administração como o campo de conhecimento e de atividade que se
ocupa com situações nas quais um indivíduo ou grupo de indivíduos se
empenha em alcançar objetivos, valendo-se do trabalho de várias pessoas.

Embora a administração, sob diferentes formas, perpasse toda a vida


dos seres humanos, em todos os segmentos da sociedade, a empresa é uma
das áreas em que essa presença se faz mais importante.

Os dois conceitos (administração e empresa) são estreitamente ligados,


sendo que a empresa pode ser entendida como “toda instituição que se propõe
atingir determinados objetivos com a participação, pelo menos em trabalho, de
várias pessoas”.

Em resumo podemos dizer que a Administração é um campo que se


volta para as atividades empresariais.

Assim, a história da Administração tem a empresa como principal


cenário. Didaticamente, podemos dividi-la em três fases, considerando o seu
processo evolutivo.

 Fase Tradicional - os procedimentos administrativos são


baseados na transmissão assistemática de condutas
administrativas bem sucedidas. Esta transmissão, na maioria das
vezes, é realizada através de contatos pessoais, sem grande
formalismo.
 Fase Pragmática ou Racional - com a evolução social, dentro e
fora da empresa, seus integrantes já não se relacionam apenas
por meio de contatos pessoais. Faz-se necessária a criação de
procedimentos administrativos, estabelecendo-se tratados e
normas a respeito do assunto. Busca-se maior racionalidade nas
organizações com aumento direto de produtividade. São

3
representantes clássicos dessa fase o francês Henri Fayol e o
americano Frederick N. Taylor.
 Fase Científica - a Administração já não se ocupa com problemas
que possam ter soluções imediatas (a pesquisa experimental sem
finalidades imediatas é muito desenvolvida). Nessa fase a
empresa já não é vista como uma entidade isolada, os problemas
fora dela também passam ser considerados e a integrar
conscientemente o âmbito dos estudos e atividades.

Verifica-se, portanto, que a Administração é uma área em constante


evolução e vários conceitos relativos a ela foram produzidos por diferentes
autores. Neste momento, todavia, vamos focalizar dois, Fayol e Jiménes
Castro, principalmente para destacar o sentido evolutivo, já enfatizado.

a. Fayol (1956) considerava a administração como um conjunto de


atividades dentro da estrutura da empresa. Para ele, administrar é:
prever ou planejar; organizar; comandar; coordenar; controlar.
b. Jiménez Castro (1963) define a Administração como uma ciência
social composta de princípios, técnicas e práticas cuja aplicação a
conjuntos humanos, permite estabelecer sistemas racionais de
esforço cooperativo, por meio dos quais se podem alcançar
propósitos comuns que individualmente não seria fácil lograr. É a
própria visão científica da Administração.

No primeiro conceito (Fayol) está nítida a fase pragmática, enquanto que


no segundo (Jiménez) percebe-se uma preocupação mais universalista, mais
científica.

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ADMINISTRAÇÃO


São princípios básicos da Administração: divisão do trabalho, subordinação ao
interesse geral, centralização/descentralização, iniciativa e união do pessoal.

Divisão do trabalho

Para produzir mais e melhor com o mesmo esforço, é fundamental dividir o


trabalho a ser realizado entre diferentes pessoas. Pode até haver vários
trabalhadores executando as mesmas tarefas, porém, a divisão de trabalho implica

4
atribuir tarefas específicas a grupos de pessoas distintas. A divisão do trabalho implica
os seguintes aspectos:

a. autoridade: para que o trabalho grupal se desenvolva eficientemente, é


necessário que alguém goze do direito/poder de mandar em outras pessoas e de se
fazer obedecer;

b. disciplina: é a existência, entre as pessoas que desenvolvem uma


atividade grupal, de obediência às convenções estabelecidas entre a empresa e seus
agentes, obediência essa manifestada através da assiduidade e do cumprimento das
atividades, como também, através de sinais exteriores de respeito às convenções
existentes;

c. unidade de mando: é o princípio segundo o qual um funcionário da


empresa, para a execução de uma tarefa qualquer, deve receber ordens de um só
chefe;

d. unidade de direção: é o princípio segundo o qual as operações


desenvolvidas devem todas tender aos objetivos gerais da empresa.

Subordinação ao Interesse geral

Segundo o princípio da subordinação ao interesse geral, o interesse de

um funcionário ou de um grupo de funcionários não deve prevalecer contra o


interesse da empresa. No entanto, isso não dispensa a remuneração do pessoal.

Remuneração do Pessoal

O serviço prestado por qualquer funcionário em uma empresa tem um “preço”


e, portanto, deve ser “remunerado”. Esta remuneração pode ser feita de várias formas,
mas atualmente o mais usual é a remuneração financeira, que deve ser pré-
estabelecida, de forma equitativa, atendendo a interesses pessoais do empregado e
da empresa.

Centralização/descentralização

É necessário que haja certa centralização da autoridade a fim de evitar uma


dispersão de esforços que impossibilite a consecução dos objetivos da empresa. No
entanto, essa centralização deve ser distribuída em grau maior ou menor, de acordo
com a realidade de cada empresa, o que conduz a alguns aspectos como:

5
a. hierarquia: implica a divisão da autoridade pelos elementos da empresa
de modo claro e explicito, a fim de que as pessoas desfrutem de um grau de
autoridade bem definido e que se forme uma “pirâmide” com graus crescentes de
autoridade, até chegar a uma autoridade superior central.

b. ordem: a noção de ordem pode ser sintetizada da seguinte forma: “para


cada lugar uma pessoa ou coisa e para cada coisa ou pessoa, um lugar”.

c. equidade: para que haja eficiência no trabalho, há que se aplicar a


justiça, com benevolência e de forma semelhante para todos, em situação idêntica.

d. estabilidade de pessoal: para que haja bom funcionamento da empresa


e satisfação de seus empregados, é necessário assegurar-lhes condições de
estabilidade no trabalho; a forma e o grau de estabilidade assegurado podem variar no
tempo e no espaço, mas um mínimo deve ser respeitado.

e. iniciativa: a empresa deve propiciar condições de desenvolvimento do


espírito de iniciativa a todos os empregados, isto é, possibilitar-lhes conceber planos
que, se aprovados, terão asseguradas condições de bom desenvolvimento.

União do pessoal

Na medida em que a harmonia e a união do pessoal são fundamentais ao bom


desempenho dos empregados, a empresa deverá realizar esforços no sentido de
estabelecer esse congraçamento.

FUNÇÕES CLÁSSICAS DA ADMINISTRAÇÃO


Após considerarmos os princípios clássicos, poderemos analisar as funções
clássicas da administração: organizar; comandar; coordenar; controlar; avaliar;
supervisionar.

Organizar

Organizar é dispor os recursos da empresa a fim de constituir seu duplo


mecanismo, material e social. Todavia, quando falamos em dispor adequadamente os
recursos, podemos referir-nos a diversas organizações conforme tratemos de
diferentes tipos de recursos:

 humanos - organização do pessoal;


 materiais – organização do espaço físico (prédios e instalações móveis
e máquinas e equipamentos);

6
 financeiros - organização financeira;
 atividades - organização funcional.

Por onde devemos começar a organização de uma empresa?

É necessário, primeiramente, tratar da organização estrutural, pois é a partir


dela que tudo o mais se estrutura.

Comandar

Comando é a função administrativa exercida por pessoa investida de


autoridade para tanto. Basicamente consiste em:

 tomar decisões quanto ao que deva ser feito ou providenciado;


 delegar parte da autoridade a outros elementos, a fim de melhorar e
atingir os objetivos da empresa com menos esforço pessoal;
 determinar tarefas a serem executadas pelos subordinados;
 propor sanções positivas ou negativas para aqueles que se
desincumbam, satisfatoriamente ou não, das determinações que lhes
foram feitas.

Portanto, para exercer a função de comando é necessário ter poderes para:


decidir, determinar, delegar, propor.

Controlar

Controle, em sentido amplo é a função por meio da qual se verifica a execução


do que foi estabelecido ou determinado. Aplica-se tanto para coisas quanto para
pessoas. Por exemplo: controle de horário de pessoal ou controle de estoque.

Para que a função de controle possa se processar de fato e aumentar a


eficiência do trabalho, é fundamental que o estabelecido esteja perfeitamente claro e
explicado. O sistema de controle deve permitir chegar a uma conclusão real, pois, do
contrário, ocorre um descrédito generalizado no sistema estabelecido. Quando se trata
do controle de pessoas é fundamental que todos conheçam previamente os
mecanismos de controle que serão utilizados.

Avaliar

Avaliar é a função através da qual se procura verificar e analisar se o


determinado ou estabelecido atingiu os objetivos esperados. Ao observar o trabalho

7
executado por um empregado para configurar uma avaliação, temos que verificar se o
desempenho condiz ou não com o que se esperava do subordinado.

Assim como no controle, os critérios de avaliação devem ser previamente


estabelecidos a fim de se evitar subjetivismos na análise dos dados ou na coleta das
informações que retratam um fenômeno observado.

Coordenar

A função de coordenar diz respeito a um conjunto de medidas estabelecidas


dentro da empresa com o objetivo harmonizar recursos e processos, mesmo quando
já devidamente previstos, organizados, comandados, controlados e supervisionados.

Supervisionar

Supervisão é a função que consiste basicamente, em motivar e orientar


pessoas a desenvolverem suas atividades dentro de determinadas normas, julgadas
as melhores, para se alcançarem os objetivos da empresa.

Portanto, as medidas de supervisão são sempre aplicadas a pessoas. Não é


necessário que sejam permanentes, pois as normas são relativamente estáveis e, ao
mesmo tempo, a motivação e a orientação dos empregados, se bem feitas, não
necessitam de reforços constantes.

É importante lembrar que:

 quem exerce a supervisão deve possuir autoridade técnica;


 antes de exercer a supervisão, deve-se verificar previamente se há os
recursos e meios;
 as medidas de supervisão devem ser executadas de forma que o
supervisionado não veja, na pessoa que está exercendo a supervisão, a
figura de um fiscal ou alguém que imponha suas ideias.

ADMINISTRAÇÃO DO PROGRAMA DE SEGURANÇA


Conhecer bem tudo

Conhecer bem as pessoas, as linhas de produção, os ambientes de trabalho,


as atividades e os produtos e serviços existentes.

Recomendação

8
Um Engenheiro de Segurança iniciante deve principalmente ouvir sempre as
pessoas e visitar constantemente todos os ambientes de trabalho.

Conhecer bem a Política da Empresa, com relação a: Suas Atribuições

Quais são as suas tarefas (ex.: responder pela segurança patrimonial,


bombeiros, meio ambiente etc.). De início, devem-se aceitar todas as que lhe forem
sugeridas e, no decorrer do tempo, ir dando mais energia para aquelas mais
importantes, sempre informando a seu superior hierárquico que você tem atribuições
legais. Deve-se ter um descritivo de posto de suas atribuições.

Conhecer bem a Política da Empresa, com relação a: Sua Competência

Campo de ação (onde atuar), o qual deverá ser ilimitado (todos os locais) e até
onde (ex. interrupção da produção ou de tarefas, limitar compra de materiais perigosos
etc.)

Sua Autoridade

Deve ser fundamentada em bases pré-estabelecidas (Leis, Normas Técnicas,


Normas Internas etc.) e ser compartilhada com a diretoria, as gerências, as chefias, os
Técnicos de Segurança do Trabalho (TST), a CIPA, entre outros. O Engenheiro de
Segurança Trabalho (EST) não necessita ter autoridade e, sim possuir boa didática de
convencimento para fazer as pessoas entenderem o problema existente. O Engº de
Segurança deve ter sempre em mente que deve ser um excelente vendedor e que
qualquer funcionário é seu cliente.

Sua Responsabilidade

Saber o nível de conhecimento que as pessoas possuem com relação às


definições de responsabilidade civil e criminal, com o objetivo de evitar acidentes.
Procurar sempre, de forma natural e progressiva, transmitir os conceitos de que o
Engenheiro de Segurança é um assessor, que nada executa e não manda executar,
não delega, somente indica e alerta sobre os riscos e sugere ações preventivas e
corretivas afim de evitar acidentes/ perdas.

9
POLÍTICA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
Pressupostos

Muito embora a maioria dos empresários já tenha algum contato com as


políticas de segurança e possua consciência das suas atribuições e responsabilidades
pela Segurança do Trabalho, poucas são as empresas que fazem uso dessas
políticas.

Tal fato pode ser indicador de distorções involuntárias, pela falta de


compreensão ou até mesmo pela pouca importância que costuma ser atribuída à
segurança, o que pode indicar a inexistência de uma consciência prevencionista.
Portanto, a temática da segurança deve ser cuidadosamente analisada, desenvolvida
e adaptada à realidade de cada empresa antes de ser introduzida em seu programa
de trabalho.

Os acidentes do trabalho, como comprovam os fatos, constituem o tipo de


ocorrência que mais efeitos negativos impõe a uma comunidade: a dor e os problemas
de ordem psíquica causados ao trabalhador que sofre a lesão física; as sequelas que
reduzem sua capacidade laborativa; o ônus que isso representa para ele, sua família,
a empresa e o estado. Esses, entre outros problemas de ordem social e econômica,
constituem exemplos dos efeitos negativos dos acidentes de trabalho e, se não
impedem, pelos menos retardam muito a evolução de uma comunidade.

Assim, a Segurança do Trabalho, que visa essencialmente à prevenção dos


acidentes, tem um papel de imensurável importância e sua ação deve ser avaliada a
partir de dois pontos de vista:

 humanitário, buscando garantir a integridade física do trabalhador;


 produtivo, buscando eliminar os fatores negativos que distorcem um
processo de trabalho e impedem que se cumpra o programado.

Com essa visão, que desconsidera qualquer conotação meramente


paternalista, busca-se atingir o objetivo final da Segurança do Trabalho que é zelar
pelo bem-estar e o desenvolvimento da comunidade, com base no trinômio integrado
“Empregado, Empresa e Nação”.

Definição da política de segurança

10
Tal como as demais atividades desenvolvidas em uma empresa, as de
Segurança do Trabalho devem ser precedidas pela definição de uma política,
entendida como linha de conduta administrativa adotada pela direção.

Ao declará-la, é imprescindível que essa direção o faça de forma clara e de


fácil interpretação por todos os funcionários e que, em escopo, demonstre a vontade, o
interesse e o grau de importância, dedicados à atividade em pauta. Nesse contexto, os
profissionais especializados em Segurança do Trabalho, têm um papel de vital
importância, devendo contribuir por meio de sua assessoria, no direcionamento
daquela política, que deve se fundamentar em quatro elementos básicos:

 o apoio ativo da administração;


 definição precisa das responsabilidades por prevenção de acidentes;
 criação da consciência prevencionista em todos os empregados;
 pronta remoção das condições inseguras de trabalho, logo após sua
constatação.

Gerenciamento de linha

Os gerentes, traduzindo a alta administração, devem liderar as ações de


prevenção de acidentes, para que todos os empregados, de qualquer nível
hierárquico, sintam a preocupação da empresa pelo assunto. Essa preocupação deve
expressar-se, principalmente, no total apoio, moral e financeiro, ao desenvolvimento
de um programa prevencionista adequado.

Somente com uma política bem definida de delegação de atribuições e de


responsabilidades poder-se-á alcançar sucesso na área de Segurança do Trabalho.

Em uma empresa, a responsabilidade pela prevenção de acidentes compete a


todos; para que um programa alcance sucesso, é indispensável que todos os
integrantes da empresa, em todos os níveis hierárquicos, dele participem ativamente;
para tanto, torna-se necessário que, a cada categoria de pessoal, seja atribuída uma
cota de responsabilidade dentro do programa geral desenvolvido.

Responsabilidade da alta administração

 Estabelecer e divulgar a política de segurança da empresa;


 estabelecer e divulgar um programa de segurança para a empresa;
 adotar medidas administrativas e financeiras visando ao cumprimento
das normas e diretrizes e proporcionando a manutenção dos locais de

11
trabalho, de modo a mantê-los em condições seguras, ou seja, em
condições favoráveis à saúde e à integridade dos empregados.

Responsabilidade da área encarregada da Segurança do Trabalho

A alta administração de uma empresa tem diferentes formas de mostrar seu


interesse pelos assuntos de Segurança do Trabalho. Uma das mais importantes é
delegar à área especializada a coordenação da prevenção de acidentes na empresa.
Evidentemente, nem todas as empresas (pelo número de empregados e pelos poucos
riscos que apresentam) estão em condições de ter um funcionário para trabalhar em
tempo integral como responsável pela segurança, mas algumas podem dispor de
diversos técnicos dedicados exclusivamente à prevenção de acidentes. Em todos os
casos, porém, qualquer empresa deve contar com um responsável pela prevenção de
acidentes, que deve dispensar, rigorosa e diariamente, pelo menos parte de seu
tempo no desenvolvimento do programa de prevenção de acidentes.

Oportunamente, iremos estudar esse assunto em mais detalhes, mas podemos


relacionar algumas das principais responsabilidades da área de prevenção de
acidentes:

 elaborar o programa de prevenção de acidentes e estimular seu


desenvolvimento;
 fiscalizar a execução do programa;
 assessorar a alta administração e a supervisão em aspectos técnicos
envolvidos nas medidas preventivas a serem adotadas.

Responsabilidade de todos os níveis de supervisão

 Inteirar-se da política de segurança estabelecida pela direção da


empresa e do programa de Segurança do Trabalho, responsabilizando-
se pelo cumprimento das diretrizes estabelecidas e pelo resultado do
programa;
 cumprir e fazer cumprir as diretrizes e normas emanadas dos serviços
especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho e
da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes;
 tomar providências para a correção de condições inseguras e adotar
medidas de caráter preventivo;
 cuidar para que os respectivos subordinados sejam integrados e
instruídos sobre os aspectos da Segurança do Trabalho;

12
 manter os respectivos subordinados com consciência e espírito voltados
à prática da prevenção de acidentes.
 estabelecer medidas visando ao pronto atendimento médico aos
respectivos subordinados acidentados.

Responsabilidade dos trabalhadores

Geralmente, pela falta de conhecimento dos riscos, os trabalhadores são os


que mais dificilmente aceitam sua cota de responsabilidades pela prevenção de
acidentes, mas a eliminação da prática de atos inseguros depende deles, em grande
parte. Vejamos, pois as responsabilidades dos trabalhadores:

 cumprir as normas e diretrizes da empresa, dos serviços especializados


em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho e da Comissão
Interna de Prevenção de Acidentes;
 estar atentos para informar à respectiva chefia imediata quaisquer
anormalidades que possam resultar em acidentes envolvendo sua
pessoa, as de seus companheiros de trabalho ou as máquinas e
equipamentos da empresa;
 não executar trabalhos sobre cujos riscos não tenha pleno
conhecimento, buscando esclarecer as dúvidas com sua chefia
imediata;
 zelar pela manutenção de seu próprio espírito prevencionista e do de
seus companheiros de trabalho.

Criação da consciência prevencionista dos empregados

Esse fundamento da política de Segurança do Trabalho visa a criar nos


trabalhadores uma verdadeira consciência prevencionista, de maneira que deixem de
praticar atos inseguros, com a absoluta convicção de que a única maneira correta de
trabalhar é a maneira segura. O lema de todas as empresas deve ser segurança com
benefícios para todos, incluindo cada um no conjunto dos beneficiários da prevenção
de acidentes.

Pronta Remoção das Condições Inseguras de Trabalho

A experiência demonstra que os acidentes de trabalho geralmente são


provocados por condições inseguras e atos inseguros. Deve-se, em consequência, dar
grande importância à eliminação das condições inseguras de trabalho, mesmo porque,

13
com essa eliminação, tornar-se-á impossível a prática de muitos atos inseguros.
Vejamos agora um exemplo de declaração da política de Segurança do Trabalho de
uma empresa.

A direção da empresa X, entendendo que só é possível alcançar a plena


produtividade a partir da garantia do bem-estar físico, social e mental de seus
funcionários e que esse só será conseguido através de um alto grau de
desenvolvimento das atividades de trabalho com segurança e saúde para as pessoas,
define sua política de segurança, como segue:

a. Todos os entendimentos sobre as questões de Segurança do Trabalho


deverão ser feitos levando em consideração os aspectos legais e os técnicos; para
tanto serão considerados os dispositivos da legislação brasileira e da internacional,
bem como dados técnicos de especialistas.

b. Os serviços especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do


Trabalho constituem um órgão de assessoria e representam a empresa em questões
de Segurança do Trabalho; para tanto, terão desta direção todo o respaldo necessário
ao cumprimento de suas obrigações.

c. Cada um dos funcionários, individualmente, tem um compromisso com


o programa de Segurança da empresa, sendo, portanto, responsável pelos seus
resultados.

d. A responsabilidade pelo cumprimento das diretrizes, normas e medidas


de segurança é sempre da chefia imediata e tal responsabilidade não poderá em,
nenhuma circunstância, ser delegada.

e. A proteção coletiva é preponderante na prevenção de acidentes e sua


efetivação constitui uma meta desta direção; portanto, deverá ser considerada em
todas as atividades da empresa, desde a fase de planejamento e/ou projeto.

f. Enquanto a proteção coletiva não tiver sido efetivada, a empresa


fornecerá os equipamentos para proteção individual, cujo uso é de caráter obrigatório.

g. As medidas preventivas constituem o melhor caminho para atingir os


objetivos da Segurança do Trabalho e, portanto, deverão ser priorizadas.

h. Cumprir-se-ão e far-se-ão cumprir as disposições sobre a proteção do


trabalhador e a prevenção de acidentes.

14
i. Cumprir-se-ão e far-se-ão cumprir as diretrizes e normas emitidas pelos
serviços especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho.

PROGRAMA DE SEGURANÇA DO TRABALHO


Após termos constatado a necessidade de uma empresa ter definida a sua
Política de Segurança do Trabalho, vamos focalizar o Programa de Segurança que, na
realidade, irá colocar em prática tudo aquilo que ficou estabelecido na política.

O Programa de Segurança do Trabalho da empresa constitui a ferramenta por


meio da qual a direção busca atingir seus objetivos relacionados às atividades
prevencionistas.

Antes, de estabelecer a estrutura básica de um Programa de Segurança do


Trabalho, é importante alertar para algumas precariedades dos programas
tradicionais, que normalmente são baseados em:

(i) concentração dos esforços visando exclusivamente à eliminação de


acidentes com lesões;

(ii) ações reativas, isto é, adoção de medidas após o acidente.

Outro aspecto a ser considerado diz respeito aos programas-padrão. Ao usá-


los, é preciso evitar a repetição de falhas que são comuns, tais como:

a. falta de proteção de máquinas e equipamentos – muitas vezes não são


compradas com proteção, porque fica mais barato;

b. descaso com a ordem, a arrumação e a limpeza – normalmente esse


ponto não é incluído nos programas;

c. inadequação de normas e regras de segurança -- se são normas não


aplicáveis, tendem a ficar engavetadas;

d. campanhas baseadas na fixação de cartazes -- geralmente não se


avaliam os efeitos delas;

e. falta de atenção às Cipa -- se não houver um assessoramento, podem


desvirtuar seus objetivos;

f. concursos de segurança -- deve-se ter cuidado para que não venham a


inibir os empregados ou estimulá-los a esconder os acidentes;

15
g. tratamento pontual da Sipat - atentar para que o trabalho prevencionista
não se restrinja a uma semana, abandonando-se as demais 51 semanas do ano.

Independentemente das diferenças específicas de cada empresa -- tais como


porte, objetivos e cultura organizacional -- podemos fixar alguns elementos
considerados determinantes na estruturação do Programa de Segurança do Trabalho,
que deverá ter como objetivos centrais:

(a) a integridade física e mental dos funcionários e

(b) a produtividade, através da sistematização das atividades


prevencionistas.

Um programa de Prevenção de Acidentes de Trabalho pode ser subdividido em


quatro tópicos:

Atividades Básicas/ Diretrizes Gerais.

Atribuição precisa das responsabilidades com a Segurança.

Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do


Trabalho – SESMT.

Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - Cipa.

São tópicos de um programa de segurança:

Seleção de novos funcionários

A seleção de novos funcionários, sob o ponto de vista prevencionista, deve


considerar vários aspectos.

Em primeiro lugar, o requisitante da mão de obra, geralmente o supervisor


imediato, deve estar inteirado dos riscos da atividade específica e de outros aos quais
ficará submetido o trabalhador requisitado. Assim, ao fazer a requisição, o requisitante
deve fornecer ao selecionador as características comportamentais e outras que se
fizerem necessárias, segundo a visão prevencionista.

O selecionador deve inteirar-se dos riscos da atividade específica para a qual


será selecionado o novo funcionário, de forma a ter elementos para fazer uma
avaliação adequada. É importante discutir com a chefia requisitante as características
pessoais imprescindíveis e/ou aquelas nas quais é necessário julgar o potencial do
candidato necessário ao desenvolvimento de um trabalho seguro.

16
Tanto o requisitante quanto o selecionador deverão buscar assessoria do
SESMT. Além disso, devem ser levados em consideração os dispositivos relativos aos
exames médicos admissionais previstos na NR-7.

Integração de empregados novos

Quando do processo de integração de novos funcionários à empresa, devem


ser previstas atividades direcionadas à conscientização de segurança. O envolvimento
do SESMT e da supervisão no processo de integração facilitará ao novo empregado a
apropriação das diretrizes e normas da empresa relativas à prevenção de acidentes e
ajudará a enfatizar os riscos específicos de cada atividade e os cuidados que deverão
ser tomados para evitar os acidentes.

Deve-se prever, no programa de integração, a utilização de recursos


audiovisuais, dinâmicas de grupo, visitas a diversas áreas da empresa, entrevistas,
entre outros instrumentos que se mostrarem necessários.

O trabalho de integração de novos funcionários deve ser avaliado,


aperfeiçoado e atualizado constantemente, pois constitui a primeira atividade do
indivíduo como empregado da empresa, sendo, portanto, de importância vital no
desenvolvimento da consciência prevencionista.

Acompanhamento de novos empregados

O processo de acompanhamento de novos empregados visa ao


desenvolvimento de sua consciência de Segurança do Trabalho. Ele deve ser
contínuo, e desenvolver-se com base no estabelecimento de parâmetros. É importante
que o grau de consciência do empregado seja periodicamente avaliado, de modo a
estimular-lhe o desenvolvimento profissional.

Treinamento

Os empregados devem ser permanentemente treinados na prevenção de


acidentes, através de reciclagens, objetivando atualizar e manter viva a consciência de
segurança. Esse programa deve contar com a participação do setor responsável pelo
treinamento da empresa, em conjunto com o SESMT e as chefias. Em todos os
cursos, principalmente os profissionalizantes, deve haver um módulo de Segurança e
Medicina do Trabalho.

Planejamento e projetos de mudança

17
Os planejamentos e projetos de mudanças e instalações de leiautes,
estruturas, maquinarias, equipamentos etc. deverão ser elaborados considerando-se
os aspectos prevencionistas. Sempre que necessário, deve ser solicitada a assessoria
técnica do SESMT. Vale lembrar também a exigência legal da NR-2, que prevê a
inspeção prévia dos novos estabelecimentos.

Análise de acidentes

Toda ocorrência identificada deve ser objeto de análise conjunta do SESMT


com as chefias imediatas e a Cipa. Devem ser elaborados relatórios em comum por
esses setores, encaminhando-se cópias às lideranças da empresa, bem como a todas
as áreas envolvidas.

O SESMT deverá exercer controle sobre o desenvolvimento das atividades de


segurança da empresa, destacando-se as seguintes:

 levantamento de condições inseguras;


 ocorrência de acidente;
 coeficientes de frequência e gravidade.

Auditorias

O SESMT e a Cipa deverão realizar, em conjunto com as chefias dos diversos


setores da empresa, inspeções planejadas de segurança, de forma periódica e
rotineira, com vistas à detecção de riscos de acidentes e ao estabelecimento de
medidas de controle.

Temos que ter claro em nossas mentes que a implantação de um programa de


Segurança do Trabalho vai encontrar vários obstáculos dentro da empresa. Entre eles,
podemos destacar:

 hábitos relativos ao controle de lesões;


 não reconhecimento de problemas, por parte da gerência;
 falta de informação e de conhecimento técnico, sobre a prevenção de
acidentes
 entraves administrativos/ burocracia.

Portanto, para que o programa tenha ÊXITO, precisamos:

 diminuir a resistência, através de um trabalho de motivação e


treinamento;

18
 divulgar amplamente o desenvolvimento do programa;
 propiciar uma compreensão sólida do programa a todos os integrantes
da empresa.

SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM SEGURANÇA E


MEDICINA DO TRABALHO
No Brasil, os serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina
do Trabalho - SESMT têm seu dimensionamento regulamentado pela Portaria no
3.214/ 1978, através da respectiva norma regulamentadora no 4.

 Vejamos um exemplo desse dimensionamento.


 Empresa: Indústria Metalúrgica, fabricante de compressores com 4.500
empregados.
 No quadro I da NR4, temos o código de atividades: Fabricação de
Máquinas e Equipamentos = 28.
 Dado o número de empregados no estabelecimento (4.500) e o grau de
risco: (3), encontramos as seguintes demandas:

o Técnico de Segurança do Trabalho - 8

o Engenheiro de Segurança do Trabalho - 2

o Auxiliar de Enfermagem do Trabalho - 1

o Enfermeiro do Trabalho - 1

o Médico do Trabalho – 2

Uma vez determinado o número de profissionais que constituirão os serviços


especializados, em atendimento à exigência legal, é necessário que se faça uma
reavaliação com a finalidade de verificar se o estabelecido sob o ponto de vista legal
atenderá as necessidades reais de Segurança do Trabalho, sob o ponto de vista
técnico. Para tanto, devemos considerar, entre outros, os seguintes aspectos:

o programa de Segurança do Trabalho estabelecido pela empresa;

as características da empresa, tais como:

o distribuição física de suas unidades industriais;

o frentes de trabalho;

19
o tipo de trabalho x espaço.

Concluído o estudo sobre o dimensionamento do SESMT, bem como o


levantamento dos profissionais, de acordo com o item 4.17 da NR-4, este deverá ser
registrado no órgão do MTE. Tal registro será feito através de requerimento contendo
os seguintes dados:

 Nome dos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em


Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho.
 Número de registro dos profissionais na Secretaria de Segurança e
Medicina do Trabalho do MTE.
 Número de empregados da requerente e grau de risco das atividades,
por estabelecimento.
 Especificação dos turnos de trabalho por estabelecimento.
 Horário de trabalho dos profissionais dos Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho.

Embora existam modelos de estrutura organizacional de SESMT que, em


alguns casos, mostram-se mais eficientes que outros, não se pode generalizá-los,
padronizando-os, pois são inúmeros os fatores determinantes que podem estabelecer
situações diversificadas. Entre eles citamos:

 tipo de atividade da empresa;


 número de empregados;
 número de estabelecimentos;
 tipo de estrutura organizacional;
 política empresarial;
 cultura da empresa.

Conforme dissemos anteriormente, é necessário que o SESMT esteja situado


dentro da própria estrutura organizacional da empresa, de tal forma que,
administrativamente, possa exercer suas atividades com amplo apoio de todos os
funcionários.

O programa de trabalho do SESMT deve atender os dispositivos da legislação


em vigor e, principalmente, orientar seus esforços no sentido de alcançar o objetivo da
Segurança do Trabalho, definido pela amplitude do conceito técnico.

20
O programa de trabalho da área específica de segurança compõe-se
basicamente dos seguintes elementos:

 Objetivos.
 Atividades a serem desenvolvidas.
 Plano de ação.
 Avaliação e auditoria.

Objetivos

É importante explicitar os resultados a serem buscados pelo Programa de


Trabalho com vistas a cumprir o estabelecido pelo Programa de Segurança e a
assessorar os diversos setores da empresa no que diz respeito à prevenção de
incidentes e acidentes e à eliminação de condições adversas nos ambientes de
trabalho.

Atividades

É ampla a gama de atividades a serem previstas no Programa de Trabalho.


Entre elas, destacamos:

 participação no processo de seleção (adequação e integração


funcional);
 apoio às atividades da Cipa (organização, treinamento, assessoria etc.);
 análise de acidentes, inspeções de segurança e análise de riscos;
 participação na compra de maquinários e equipamentos bem como em
projetos e layouts, opinando sobre as questões de segurança;
 especificação de compra, manutenção e controle dos EPI;
 organização de estatísticas de acidentes;
 organização e manutenção de documentos relativos à área de
Segurança do Trabalho;
 planejamento e implementação de programas de conscientização e
manutenção do espírito prevencionista;
 controle e especificação de segurança para produtos químicos, tóxicos
e combustíveis;
 participação na auditagem de normas operacionais opinando sobre
aspectos de Segurança do Trabalho;

21
 levantamento de condições ambientais (riscos físicos, químicos,
biológicos ergonômicos e de acidentes);
 participação em reuniões internas e externas como representante da
Segurança do Trabalho da empresa;
 sistematização, organização e controle dos serviços e equipamentos de
prevenção e combate a incêndio;
 avaliação de locais de trabalho quanto a riscos de incêndios e/ou
explosões, especialmente em áreas confinadas;
 especificação e manutenção de sinalização de segurança;
 elaboração de normas e diretrizes de segurança;
 controle das atividades com estabelecimento de normas de segurança
para as empresas contratadas (empreiteiras).

Plano de ação

O plano de ação apresenta as estratégias que se estabelecerão, na forma de


“Tarefas”, “Responsabilidades” e “Metas”, para desenvolver as atividades de
Segurança do Trabalho. Os profissionais do SESMT devem estabelecer rotinas de
serviços para cada atividade de segurança, especificamente. Devem fazê-lo segundo
o critério de normalização da empresa, com o consenso de todas as áreas envolvidas
e de forma que se tenha um claro entendimento de suas diretrizes, o que pode ser
facilitado através de fluxogramas. Por exemplo: eleição de Cipa - fluxograma de todos
os passos do processo. Outro exemplo: a investigação de um acidente.

Avaliação e auditoria

Como em todas as atividades administrativas, é importante que se faça


periodicamente uma avaliação dos resultados obtidos com a aplicação das rotinas e
dos planos de metas de Segurança do Trabalho. A auditoria deve ser desenvolvida
pelo SESMT, enfatizando-se o caráter orientador com vistas a aprimorar o
estabelecido e assessorar todos os setores da empresa.

COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇAO DE ACIDENTE


(CIPA)
A Cipa é um ponto básico do programa de Segurança do Trabalho
relacionando-se estreitamente com o SESMT. Organismo criado pela Norma
Regulamentadora no 5, a Cipa tem como objetivos:

22
(i) observar e relatar condições de risco nos ambientes de trabalho;

(ii) solicitar medidas para reduzir e até eliminar os riscos existentes e/ou
neutralizá-los;

(iii) discutir os acidentes ocorridos, encaminhando ao SESMT e ao empregador


o resultado da discussão;

(iv), solicitar medidas que previnam acidentes semelhantes; e (v) orientar os


demais trabalhadores quanto à prevenção de acidentes.

Entre os temas abordados na NR-5, podemos destacar:

a. A Cipa será composta por representantes do empregador e dos


empregados.

b. Não deverá faltar, em qualquer hipótese, a representação dos setores


que oferecem maior risco ou que apresentem maior número de acidentes.

c. Quando não houver necessidade da constituição da Cipa, a


administração deverá designar um responsável pelo cumprimento das atribuições
normativas.

d. Organizada a Cipa, a mesma deverá ser registrada no órgão regional do


MTE.

e. Após a eleição, encaminhar à Superintendência Regional do Trabalho e


Emprego (ex Delegacia Regional do Trabalho - DRT) as atas e o calendário anual de
reuniões.

f. A eleição deverá ser realizada durante o expediente normal das


empresas.

g. O mandato dos membros eleitos da Cipa terá a duração de 1 (um) ano,


permitida uma reeleição.

h. O membro titular perderá o mandato, sendo substituído pelo suplente,


quando faltar a mais de 4 (quatro) reuniões ordinárias, sem justificativa.

i. O empregador designará, anualmente, dentre seus representantes titulares, o


Presidente da Cipa.

23
j. O Vice-Presidente da Cipa será escolhido pelos representantes dos
empregados, dentre os seus titulares.

k. Os titulares da representação dos empregados na Cipa não poderão ser


transferidos para outra localidade, salvo quando houver concordância expressa dos
membros.

l. O empregador, ouvido o SESMT, terá 8 (oito) dias para responder à


Cipa, indicando as providências adotadas ou a sua discordância devidamente
justificada.

m. O empregador deverá promover, para todos os membros da Cipa,


inclusive secretários, em horário normal de trabalho, curso sobre prevenção de
acidentes, com carga horária de 20 (vinte) horas.

n. Os membros titulares da Cipa, representantes dos empregados, não


poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal, aquela que não se
fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro.

o. De acordo com a Constituição de 1988, os membros eleitos para cargo


de direção da Cipa, representantes dos empregados, não podem sofrer despedida
imotivada, desde a sua inscrição para a Cipa, até um ano após o término do mandato.

A ENGENHARIA DE SEGURANÇA E AS ÁREAS DA


EMPRESA
Com o SESMT dimensionado e registrado no MTE, há necessidade de
assegurar ao serviço as condições necessárias para o cumprimento do respectivo
programa de Segurança do Trabalho. Um dos fatores importantes é alocar o SESMT
dentro da estrutura organizacional da empresa, de forma a viabilizar sua inter-relação
com as demais áreas, visando, entre outras coisas, ao atendimento das
recomendações e exigências de segurança e à criação de uma mentalidade
prevencionista cada vez mais forte, estreitando os vínculos entre a segurança e os
vários órgãos da empresa.

O programa do serviço de segurança deve prever contatos periódicos com os


gerentes da empresa, através de reuniões cujo tema seja a prevenção de acidentes.

Além dessas reuniões, o fortalecimento da segurança e sua relação com os


demais órgãos da empresa pode dar-se entre outros, pelos seguintes meios:

24
 inspeções;
 investigações/ análises de acidentes e incidentes;
 Cipa;
 Sipat;
 treinamentos;
 recrutamento;
 concursos.

Há um aspecto fundamental para o sucesso do trabalho do SESMT, que é a


necessidade de as demais áreas da empresa darem prioridade aos problemas de
segurança em seus orçamentos. Para tanto, cabe ao serviço de segurança determinar
com precisão os problemas considerados inadiáveis, distinguindo-os daqueles
programáveis.

Essa definição ajuda a fortalecer a credibilidade do SESMT perante os órgãos


e os empregados, além de influenciar o próprio orçamento do serviço de segurança.

Esse orçamento deve prever recursos para a aquisição de equipamentos


básicos e para a instalação e o funcionamento do SESMT:

 Material de inspeções e perícias: luxímetro, medidor de nível de ruído,


termômetros, bombas de coleta de ar, máquina fotográfica, filmadora,
explosímetro, oximetros etc.
 Material de treinamento: projetor de slides, retroprojetor, gravador, quadro
de giz, manequim para primeiros socorros, TV, DVD, data show,
computadores etc.

Ao se iniciar um novo ano de trabalho, devemos fazer uma previsão


orçamentária, cujas verbas poderão ser assim distribuídas:

a. pessoal - horas extras, adicionais;

b. viagens, passagens de ônibus ou avião, estadias, diárias;

c. previsão para manutenção periódica de equipamentos;

d. previsão para as Sipat - palestrantes, brindes, lanches, decoração etc.;

e. concursos – prêmios;

f. previsão para aquisição de filmes e materiais didáticos;

25
g. previsão para a compra de livros e revistas técnicas;

h. previsão para gastos com papelaria, cópias etc.;

i. previsão em participar de eventos externos, tais como: cursos,


congressos e seminários;

j. outros.

Para orientar a elaboração do orçamento, geralmente se leva em consideração


o desempenho no ano corrente e os projetos para o próximo exercício.

RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL – ASPECTOS


ÉTICOS
Um dos problemas sérios que envolvem as atividades dos profissionais de
segurança é a questão da responsabilidade civil e criminal.

A responsabilidade civil fica quase sempre imputada à empresa, desde que


haja perfeita relação causal do evento com uma das seguintes condições:

 descumprimento da legislação de Segurança e Medicina do Trabalho;


 inexistência de ordens de serviços e instruções de Segurança e de
Medicina do Trabalho;
 atos de negligência, imprudência ou imperícia, inclusive de prepostos,
chefes, encarregados e empregados;
 desobediência às determinações técnicas do Ministério do Trabalho;
 reincidência de condições inseguras;
 permissão de trabalhos proibidos por lei.

Quanto ao envolvimento criminal, lembramos o código penal - art. 132: “Expor


a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e eminente” - pena: detenção de 3 meses
a 1 ano.

Esse é o dispositivo legal de maior alcance na área de prevenção dos


infortúnios do trabalho. É aí que o profissional de segurança fica vulnerável.

Considerando a necessidade de o profissional acautelar-se contra possíveis


processos, torna-se vital a necessidade de comunicar à empresa, sempre por escrito,
os seguintes fatos principais:

 riscos, condições e atos inseguros identificados;

26
 o que se determinou de imediato a respeito desses elementos de
insegurança.
 o que se recomenda (quando há despesas envolvidas).
 necessidade de compra ou substituição de materiais e EPI.
 substituição do processo, método ou produto nocivo.
 isolamento da fase ou processo causador de risco ou doença.
 necessidade de limitar o tempo de exposição do trabalhador ao risco
ambiental.
 necessidade de modificar ou instalar máquinas e equipamentos.

CUSTOS DE ACIDENTES
Quando estudamos os custos dos acidentes, verificamos que há duas
modalidades, ou seja, o custo direto e o custo indireto.

Atualmente estas denominações são conhecidas como custo segurado e custo


não segurado, ou seja, o custo total de um acidente é o somatório do custo segurado
+ custo não segurado.

Custo segurado

O custo segurado define-se como todas as despesas ligadas ao atendimento


do acidentado:

 auxílio acidente (redução laborativa);


 reabilitação médica ocupacional;
 seguro acidente.

Seguro Acidente de Trabalho – SAT, Calculado sobre a folha de pagamento da


empresa (I - 1% - risco leve; II - 2% - risco médio; II - 3% - risco grave).

Custo não segurado

 Salários pagos durante o tempo perdido por outros empregados que


não o acidentado.
 Salários pagos ao acidentado (acidente sem perda de tempo).
 Salários adicionais pagos por trabalhos em hora extra.
 Salários pagos aos supervisores durante o acidente.
 Diminuição da eficiência do acidentado ao retornar ao trabalh0.
 Despesas com treinamento médico.

27
Custo de material ou equipamento danificado.

A negligência das empresas com os acidentes que causam danos à


propriedade, isto é, não provocam lesão, é de certa forma incompreensível. Por falta
de consciência se esquecem de que a gravidade das consequências de um acidente é
fortuita ou casual, isto é, se um acidente resulta em lesão pessoal ou somente em
dano à propriedade, é algo que irá depender apenas do acaso.

Por exemplo, se um empregado, ao transitar por um local da empresa, for


atingido pela queda de um determinado material e sofrer lesões, a ocorrência será
classificada como acidente de trabalho. Entretanto, nas mesmas circunstâncias, se o
empregado não for atingido e somente o material ficar danificado, é provável que o
acidente não seja registrado e analisado, e o risco, em consequência, não seja
eliminado ou reduzido.

Ora, se esse material cair novamente, o que garante que os trabalhadores não
serão atingidos? Não é importante controlar essa condição de insegurança, mesmo
que ainda não tenha provocado um acidente com lesão? Qual o custo do material
danificado? E quais as consequências econômicas dessa perda para a empresa?

Portanto, reforçando nossa tese inicial, é necessário que o programa de


prevenção abranja todos os riscos de acidentes. Para tanto, devemos partir para o
levantamento do custo efetivo dos acidentes, englobando os acidentes com lesão e
com danos à propriedade.

C = C1 + C2 + C3, onde: C = custo efetivo

C1 - Custo correspondente ao tempo de afastamento (até os 15 primeiros dias)


em consequência de acidentes com lesão.

C2 - Custo referente aos reparos e reposições de máquinas, equipamentos e


materiais danificados (acidentes com lesão e acidentes apenas com danos à
propriedade);

C3 - Custos complementares relativos às lesões (assistência médica e


primeiros socorros) e aos danos à propriedade (custos resultantes de paralisações,
manutenção e lucros cessantes).

Para que isso venha a ser efetivamente uma realidade, o SESMT deve lançar
um processo de ampla divulgação de seus programas e elaborar fichas que facilitem a
coleta de dados para colocar em prática essa orientação.

28
Esses dados devem ser repassados à Direção da empresa, mostrando o vulto
a que chegam os acidentes e a necessidade efetiva de se preveni-los.

O conceito amplo de Administração, voltado às atividades empresariais, nos


mais variados segmentos produtivos, despertou a Engenharia de Segurança do
Trabalho para a implantação de sistemas de Gestão de Segurança e Saúde, que
representam conjuntos de medidas adotadas para prevenir ou minimizar os acidentes
de trabalho e doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade
do trabalhador.

O papel das empresas é criar um sistema de gestão integrada que permita a


identificação dos perigos, a análise dos riscos e a consequente implantação das
medidas de controle para evitar ou neutralizar os acidentes de trabalho e os
incidentes, instrumentalizando a gerência com ferramentas gerenciais que contribuam
para a melhoria do desempenho das empresas.

SITUAÇÃO ATUAL X VERSÃO DO FUTURO


A situação atual mostra:

• Um mundo Globalizado;

• Empresas que passam pelo processo da internacionalização;

• Negócios que têm como base a competitividade;

• Pessoas que buscam o aprendizado continuado

• Mudanças que ocorrem atualmente e ocorrerão nos próximos anos


serão muito maiores do que as que ocorreram nos últimos 50 anos.

REFERÊNCIAS
BRASIL/ MINISTÉRIO DO TRABALHO. Normas Regulamentadoras da Portaria
no 3214 de 1978.

FAYOL, H. – Administración industrial y general. Buenos Aires, Ed. Ateneo,


1956.

JIMÉNEZ CASTRO, W. – Introducción al estudio de la teoria administrativa.


México, Fondo de Cultura Económica, 1963.

29
MAXIMIANO, Antônio Cesar Amaru. Introdução a Administração. São Paulo:
Atlas, 2007.

__________. Teoria Geral da Administração: da Revolução Urbana à


Revolução Digital. São Paulo: Atlas, 2006.

30

Você também pode gostar