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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO

DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL CÍVEL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE


SANTO ANDRÉ – SP.

EDUARDO GUSMÃO DOS


SANTOS, brasileiro, casado, portador da R.G. nº 0000, inscrito no CPF sob o nº 0000,
residente e domiciliado à Rua XXXXX, nº 45 AP.XX, bairro XXXXX, CEP 99999-999,
na cidade de XXXX/SP, e-mail xxxxxxxxxxx, telefone (11) 99999-999, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, propor a presente

AÇÃO DECLARATÓRIA C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO

E PEDIDO DE TUTELA INIBITÓRIA

em face da UNIÃO FEDERAL/FAZENDA NACIONAL, pessoa jurídica de direito


público, com representação legal na pessoa do Procurador-Chefe da Procuradoria-
Geral da Fazenda Nacional, podendo ser citada de forma eletrônica (art. 246, V e §1º
do NCPC);

e ECT - EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS, pessoa jurídica de


direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 034.028.316/0001-03, podendo ser citada
no Setor Bancário Norte Quadra 1 Bloco A, CEP 70003-902, Brasília, Distrito Federal,
ou também de forma eletrônica (art. 246, V e §1º do NCPC) com fulcro no art. 5º,
inciso XXXV, art. 59, inciso III, art. 150, §6º e art. 237, todos da Constituição
Federal, arts. 99, 100 e 111, do Código Tributário Nacional, art. 2º, inciso II do
Decreto-Lei nº 1.804/80, art. 497 do NCPC e arts. 42 e 84 do CDC, pelas razões de
fato e de direito a seguir expostas.

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1 - DOS FATOS

O Autor realiza compras de produtos advindos do exterior cujo os valores não


ultrapassam $100,00 (cem dólares americanos), cada compra. As compras foram
realizadas por um amigo que mora na cidade de Tóquio no país Japão e são
armazenadas e posteriormente despachadas pela empresa Tenso, inc. através do site
http:xxxxxx, para uso pessoal, já incluindo o valor do frete para entrega, até o destino
final, através de Remessa Postal.

No dia 26 de dezembro de 2017 o Autor comprou um Modelo Plástico no valor


de ¥ 3.700 ienes equivalente a US$ 34.04 (trinta e quatro dólares norte-americanos e
quatro centavos), enviado sob o código CL999999999JP totalizando o valor de ¥ 6.350
ienes equivalente a US$ 58.42 (cinquenta e oito dólares norte-americanos e quarenta e
dois centavos), já incluindo o valor do frete para entrega, no qual foi tributado no valor
de R$ 121,11 (cento e vinte um reais e onze centavos) acrescidos de mais R$
15,00 (quinze reais) cobrados pela 2ª Ré a título de “serviços postais”, totalizando R$
136,11 (cento e trinta e seis reais e onze centavos) pago no dia 01 de maio de
2018 (anexo).

No dia 15 de janeiro de 2018 o Autor comprou um Modelo Plástico no valor


de ¥ 5.000 ienes equivalente a US$ 45.50 (quarenta e cinco dólares norte-americanos
e cinquenta centavos), enviado sob o código CL999999999JP totalizando o valor de ¥
7.650 ienes equivalente a US$ 69.62 (sessenta e nove dólares norte-americanos e
sessenta e dois centavos), já incluindo o valor do frete para entrega, no qual foi
tributado no valor de R$ 145,91 (cento e quarenta e cinco reais e noventa e um
centavos) acrescidos de mais R$ 15,00 (quinze reais) cobrados pela 2ª Ré a título de
“serviços postais”, totalizando R$ 160,91 (cento e sessenta reais e noventa e um
centavos) pago no dia 01 de maio de 2018 (anexo).

Ocorre que a Receita Federal do Brasil, contrariando o disposto no Decreto


1.804/80, tributou ilegalmente os referidos produtos condicionando sua retirada, em
uma das agências dos Correios (ECT), mediante ao pagamento de imposto de
importação aonde foi obrigado também a efetuar o pagamento do “serviços postais”,
cobrado pela ECT, fixado em R$ 15,00 (quinze), apenas para encomendas que são
tributadas pela RFB.

A taxa de despacho postal passa a ser ilegal quando a encomenda não é


elegível para tributação, por se caracterizar enriquecimento sem causa, afrontando
dispostos do Código Civil e do Código do Consumidor, pois a ECT já recebe por todo
o serviço a ser prestado no ato da compra/postagem, com o pagamento do frete,
devendo entregar a mercadoria até o destino final. Assim, inexistindo o imposto de

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importação sobre as mercadorias adquiridas pelo autor, também inexiste a cobrança
do “serviços postais” cobrado pela ECT.

O Decreto-Lei 1.804/80 isenta do imposto de importação os bens contidos em


remessas de valor até cem dólares norte-americanos, ou equivalente em outra
moeda, portanto, a Receita Federal extrapolou os limites da lei ao estabelecer,
ilegalmente, a Portaria MF 156/99 e a Instrução Normativa SRF 096/99.

As referidas portaria e instrução normativa são inconstitucionais e ilegais por


afrontarem tanto o artigo 150, §6º da Constituição Federal quanto o artigo 176,
parágrafo único, do CTN, requerendo desde já que os referidos artigos sejam pré-
questionados.

Portanto, os produtos adquiridos pelo Autor encontram-se dentro do teto de


isenção estabelecido pelo Decreto-Lei 1.804/80, sendo indevido o tributo cobrado,
bem como o “serviços postais”, afinal as mercadorias estão isentas de imposto de
importação. São ilegais as portarias da Receita Federal do Brasil que extrapolarem os
limites da lei, pois, afinal, a instituição de imposto apenas deve ser feita através de
Lei, nos moldes do art. 150, §6 da CF88.

2 - DO DIREITO

2.1 - DA MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL

2.1.1 - DO DECRETO-LEI 1.804/80

O Decreto-Lei nº. 1804/80, em seu art. 2º, inciso II, aduz que as remessas
de até $100 dólares (cem dólares norte-americanos), ou o equivalente em outras
moedas, quando destinados a pessoas físicas, são isentas do imposto de importação,
vejamos:

Art. 2º O Ministério da Fazenda, relativamente ao regime de que trata o art. 1º deste


Decreto-Lei, estabelecerá a classificação genérica e fixará as alíquotas especiais a que
se refere o § 2º do artigo 1º, bem como poderá: (...)
II - dispor sobre a isenção do imposto de importação dos bens contidos em
remessas de valor até cem dólares norte-americanos, ou o equivalente em
outras moedas, quando destinados a pessoas físicas. (Redação dada pela Lei
nº 8.383, de 1991).
Já a Portaria MF 156/99 e a IN 096/99 da Receita Federal, restringem o
Decreto Lei 1.804/80, ao diminuir o valor da remessa isenta:

Portaria MF 156/99:
Art. 1º, § 2º - Os bens que integrem remessa postal internacional no valor de até US$
50.00 (cinqüenta dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em
outra moeda, serão desembaraçados com isenção do Imposto de Importação,
desde que o remetente e o destinatário sejam pessoas físicas.” (grifos nossos)

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Instrução Normativa 096/99:
Art. 2º, § 2º - Os bens que integrem remessa postal internacional de valor não
superior a US$ 50,00 (cinqüenta dólares dos Estados Unidos da América) serão
desembaraçados com isenção do Imposto de Importação desde que o
remetente e o destinatário sejam pessoas físicas.

Se na antiga Constituição, o Ministro da Fazenda poderia dispor sobre o


Imposto de Importação, na Constituição de 88 ele não pode mais, por força do art.
150, §6 da CF88.

Desta forma, a alteração da isenção do imposto de importação depende de lei


especifica, sendo certo que portaria e instrução normativa editadas pelo Ministro da
Fazenda ferem o princípio da legalidade ao limitar a isenção em $50 dólares, e
condicionar a fruição do benefício apenas na hipótese de o remetente e o destinatário
serem pessoas físicas.

Neste sentido, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal:

“CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INCENTIVOS FISCAIS: CRÉDITOPRÊMIO:


SUSPENSÃO MEDIANTE PORTARIA. DELEGAÇÃO INCONSTITUCIONAL. D.L. 491,
de 1969, arts. 1º e 5º; D.L. 1.724, de 1979, art. 1º; D.L. 1.894, de 1981, art. 3º, inc. I.
C.F./1967.
I.– Inconstitucionalidade, no art. 1º do D.L. 1.724/79, da expressão “ou reduzir,
temporária ou definitivamente, ou extinguir”, e, no inciso I do art. 3º do D.L. 1.894/81,
inconstitucionalidade das expressões “reduzi-los” e “suspendê-los ou extingui-los”.
Caso em que se tem delegação proibida: C.F./67, art. 6º. Ademais, matérias
reservadas à lei não podem ser revogadas por ato normativo secundário. II. –
R.E. conhecido, porém não provido (letra b). (RE 180828/RS Relator: Min. CARLOS
VELLOSO Julgamento: 14/03/2002 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJ 14-
03-2003 PP-00028).” (grifos nossos)

O Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência quanto ao tema em


recente decisão (data do julgamento 17 de abril de 2015):

“RECURSO ESPECIAL Nº 1.522.580 - PR (2015/0065142-3) RELATOR: MINISTRO


MAURO CAMPBELL MARQUES EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO.
VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO.
VIOLAÇÃO AOS ARTS. 2º DO DECRETO-LEI Nº 1.804/80 E 111 DO CTN.
NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA PARA REDUZIR O LIMITE DA ISENÇÃO
CONCEDIDA. ART. 150, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. FUNDAMENTO
CONSTITUCIONAL DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADO VIA RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 126 DO STJ. RECURSO ESPECIAL A
QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, DO CPC.
Da análise do acórdão recorrido, verifica-se que ele decidiu a lide com
fundamentos de ordem constitucional e infraconstitucional. Veja-se o seguinte
fundamento constitucional do acórdão recorrido, in verbis (fls. 178 e-STJ):
“Nota-se que de acordo com os artigos 176 do CTN e 150, § 6º, da CF/88, a
isenção depende de lei específica que defina suas condições, requisitos e
abrangência. Atendendo a esses pressupostos, restou editado o Decreto-Lei nº
1.804/80, que determina a isenção do imposto de importação dos bens contidos em
remessa de valor de até cem dólares norte-americanos, ou o equivalente em outras
moedas, quando destinados a pessoas físicas, nada mencionando sobre o remetente.
Após, a Portaria MF nº 156/99 e a IN SRF 096/99 passaram a exigir que tanto o
destinatário quando o remetente fossem pessoas físicas e diminuiu o valor da isenção
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para o limite de US$ 50,00 (cinquenta dólares). Impende obtemperar que a isenção
está submetida, de forma restrita, ao princípio da legalidade, não permitindo sua
mitigação. Desta Forma, está nítida a ilegalidade do ato da administração
fazendária em diminuir o valor da isenção mediante Portaria.”
Impende obtemperar que a isenção está submetida, de forma restrita, ao princípio da
legalidade, não permitindo sua mitigação. Desta Forma, está nítida a ilegalidade do
ato da administração fazendária em diminuir o valor da isenção mediante Portaria.
Com efeito, um dos fundamento do acórdão recorrido foi a impossibilidade de
diminuição do valor da isenção via Portaria em razão da necessidade de lei
específica para tanto, nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição Federal de
1988.”(grifos nossos)”

2.1.2 - DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL

O CTN estabelece regras para interpretação da legislação tributária nacional,


destacando no presente caso os artigos 99 e 100:

Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em
função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de
interpretação estabelecidas nesta Lei.

Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções
internacionais e dos decretos:
I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;

Em outras palavras, os atos normativos baixados pela administração pública


não podem inovar e/ou restringir norma legal vigente, mas tão somente complementar
sua aplicação/fiscalização.

Portanto, quando tratamos de isenções tributarias, a interpretação deve ser


literal, como determinam os artigos 111 e 176 do Código Tributário Nacional:

Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:


(…)
II – outorga de isenção;

Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei
que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a
que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração.

Assim, pouco importa se o Remetente é Pessoa Física ou Jurídica, a isenção é


estabelecida para destinatário pessoa física cujo valor do objeto não ultrapassar a US$
100,00 (cem) dólares americanos conforme estabeleceu o Decreto-Lei 1.804/80.

2.2 - DA MATÉRIA CONSTITUCIONAL

O Decreto Lei 1.804 entrou em vigor em 1980, quando estava vigorando no


Brasil a Constituição de 1967 e, após, a emenda de 1969. Naquela Constituição, as
questões de tributos eram tratadas por Decreto.
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As isenções tributárias foram alteradas pela Constituição de 1988. Se antes
as isenções eram de competência do Poder do Executivo, com a promulgação e
entrada em vigor da Constituição Federal de 1988, somente pode-se falar de isenções
tributárias através de Lei.

É o que determina o art. 150, §6º da Constituição Federal, pois as isenções


tributárias somente podem ser concedidas através de lei especifica que regule a
matéria:

Art. 150 (...)


§6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito
presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só
poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que
regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou
contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII.

A fim de poupar o Congresso Nacional, já que agora a matéria deveria ser


tratada por Lei, os Decretos existentes referente a tributos foram recepcionados pela
Constituição de 1988 com status de Lei Ordinária.

O Decreto Lei 1.804 apesar de não ser uma Lei Ordinária, por ser anterior a
Constituição Federal atual, possui status de uma, pois foi recepcionado pela atual
constituição como Lei Ordinária, e está em pleno vigor.

Insta frisar que se na antiga Constituição, o Ministro da Fazenda poderia


dispor sobre o Imposto de Importação, na Constituição de 88 ele não pode mais, por
força do art. 150, §6 da CF88, ou seja, requer Lei específica.

Afinal toda e qualquer delegação dada ao executivo foi revogada pelo art.
25 do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), que tem natureza
de norma constitucional, contendo regras para assegurar a harmonia da transição do
regime constitucional anterior (1969) para o novo regime (1988), além de estabelecer
regras de caráter meramente transitório, relacionadas com essa mudança, cuja
eficácia jurídica é exaurida assim que ocorre a situação prevista.

Desta forma, a isenção de que trata o Decreto Lei 1.804/80 somente pode ser
modificada por LEI ORDINÁRIA e, enquanto não houver outra lei alterando o limite de
isenção especificada no decreto de 1980, continua em vigor o valor de isenção fixado
em US$100 (cem) dólares americanos ou equivalente em outra moeda independente
do remetente.

Assim, temos que o limite de isenção de cinquenta dólares e a exigência de que


tanto o remetente como o destinatário da remessa postal sejam pessoas físicas,
determinados pela Portaria e pela Instrução Normativa da Receita Federal são
INCONSTITUCIONAIS.

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A Receita Federal do Brasil somente pode estabelecer ALÍQUOTAS para o
imposto de importação, observados os limites estabelecidos em lei, pois assim já
decidiu o STF:

“O art. 153, § 1º, da Constituição estabelece expressamente que o Poder Executivo


pode definir as alíquotas do II e do IPI, observados os limites estabelecidos em
lei.”
(RE 429.306, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1º-2-2011, Segunda Turma,
DJE de 16-3- 2011.)” (grifos nossos)

Sobre a aplicabilidade constante no art. 237 da Constituição Federal, temos


que:

“Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à


defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da
Fazenda.”

O referido artigo Constitucional NÃO PERMITE que a Receita Federal


estabeleça as isenções dos tributos, mas, tão somente, a fiscalização e o seu controle.

A isenção de que trata o Decreto-Lei 1.804/80 somente pode ser modificada


ou inovada por LEI ORDINÁRIA, como aliás ocorreu através da Lei 8383/91 na
alteração do limite de isenção original de U$ 20 para U$ 100. Enquanto não houver
uma LEI ORDINÁRIA restringindo a isenção nos moldes que a Receita Federal impõe,
vale o limite de isenção de 100 (cem) dólares americanos na redação vigente do DL
1804/80, bem como apenas a necessidade de o destinatário ser pessoa física.

2.3 - DA JURISPRUDÊNCIA ACERCA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO

2.3.1 - DA DECISÃO DA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO

A Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais já


uniformizou entendimento quanto a isenção estabelecida no Decreto-Lei 1.804/80
ser, de fato, US$100,00 (cem) dólares americanos deixando claro que a Receita Federal
do Brasil, ao editar as portarias normativas, extrapolou os limites da lei, sendo,
portanto, ilegais.

Desta forma, concluíram que é ILEGAL a cobrança de imposto de mercadorias


cujo valor seja inferior a US$100 (cem) dólares americanos e cujo destinatário seja
Pessoa Física (INDEPENDENTEMENTE SE O REMETENTE FOR PESSOA FÍSICA OU
JURÍDICA).

No acórdão do PEDILEF, a Turma Nacional de Uniformização, no processo


nº. 5027788-92.2014.4.04.7200/SC, julgado em 20/07/2016, foi lavrado nos
seguintes termos:

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RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE
IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO FISCAL. DECRETO-LEI 1.804/80 CONTENDO FAIXA DE
ISENÇÃO PARA REMESSA DE BEM COM VALOR DE ATÉ 100 DÓLARES. PORTARIA
MF Nº 156/99 E IN SRF 096/99 ALTERANDO A FAIXA DE ISENÇÃO PARA ATÉ 50
DÓLARES E ESTABELECENDO EXIGÊNCIA NO SENTIDO DE QUE O REMETENTE
TAMBÉM SEJA PESSOA FÍSICA. ATOS NORMATIVOS QUE EXTRAPOLAM O PODER
REGULAMENTAR E VIOLAM O PRINCÍPIO DA RESERVA DE LEI EM SENTIDO FORMAL
EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ILEGALIDADE DECLARADA. PEDILEF CONHECIDO E
DESPROVIDO. ACÓRDÃO MANTIDO INTEGRALMENTE.
Cuida-se de Pedido de Uniformização de Jurisprudência interposto pela UNIÃO
FEDERAL, insurgindo-se contra acórdão oriundo de Turma Recursal da Seção Judiciária
do Paraná, no bojo do qual foi declarada a inexistência de relação jurídica que sustente a
incidência do Imposto de Importação sobre o bem remetido a residente no País, quando
de valor inferior a cem dólares americanos, dando como ilegais a aplicação da Portaria
MF 156/99 e da Instrução Normativa 96/99, também no tocante à exigência, contida
nestes normativos, no sentido de que o remetente postal também seja pessoa física.
Argumenta a parte recorrente que o valor-limite para isenção tributo sobre importação
incidente sobre o valor de bens que integrem remessa postal internacional é o de US$
50,00 (cinquenta dólares americanos), conforme definido nos aludidos atos normativos,
alegadamente desprovidos de qualquer mácula.
Sustenta que, de acordo com o Decreto-Lei 1.804/1980, ao Ministério da Fazenda cabe
dispor sobre isenção, tendo fixado um limite ou um teto dessa modalidade de renúncia
fiscal em até 100 dólares americanos, silenciando quanto à fixação de um piso, motivo
pelo qual aquela norma legal estabeleceu que a autoridade fazendária poderia, até o valor
de 100 dólares americanos, dispor acerca de isenção do imposto sobre importação,
tratamento jurídico esse, porém, que não implica na impossibilidade de o Fisco
estabelecer um limite inferior (piso).
Defende que o mesmo raciocínio acima exposto se aplica à situação dos remetentes dos
produtos, alegando que o Decreto-lei n. 1.804/1980, ao autorizar a isenção dessa
tributação, estabeleceu que esse tratamento poderia ocorrer somente no caso de os
destinatários serem pessoas físicas, significando dizer que tal isenção não ocorre quando
o destinatário é pessoa jurídica, embora nada impeça que a autoridade tributária, dentro
dos limites que lhe permite a referida norma legal, estabeleça outras condições no que diz
respeito ao remetente do bem, inclusive exigindo que se trate, igualmente, de pessoa
física.
Apresenta como paradigma acórdão de Turma Recursal do Espírito Santo, entendendo
pela inexistência de ilegalidade na Portaria MF 156/1999 e na Instrução Normativa da
SRF 096/1999, tanto na fixação do limite de isenção para importações realizadas por via
postal em US$ 50.00, quanto na parte em que condiciona a isenção à qualidade de
pessoa física para o remetente e o destinatário da mercadoria importada.
O Ministério Público Federal opina pelo não conhecimento do incidente, argumentando
que não se encontra demonstrada a divergência jurisprudencial.
É o relatório.
Nos termos do art. 14, caput, da Lei n. 10.250/2001,"caberá pedido de uniformização de
interpretação de lei federal quando houver divergência entre decisões sobre questão de
direito material proferidas por Turmas Recursais na interpretação da lei", sendo que "o
pedido fundado em divergência de turmas de diferentes Regiões ou da proferida em
contrariedade a súmula ou jurisprudência dominante do STJ será julgada por Turma de
Uniformização, integrada por Juízes de Turma Recursais, sob a presidência do
Coordenador da Justiça Federal".
A Resolução CJF n. 345/2015 (RITNU), por sua vez, no art. 6º, incisos II e III, que, no
ponto, nada inovou quanto ao regramento dado ao tema pelo Regimento Interno
substituído, consigna que "compete à Turma Nacional de Uniformização processar e
julgar pedido de uniformização de interpretação de lei federal, quanto à questão de direito
material: I- fundado em divergência entre decisões de Turmas Recursais de diferentes
Regiões; II- em face de decisão de Turma Recursal proferida em contrariedade a súmula
ou jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça ou da Turma Nacional de
Uniformização; ou III- em face de decisão de Turma Regional de Uniformização proferida
em contrariedade a Súmula ou jurisprudência dominante do Superior Tribunal de
Justiça ou da Turma Nacional de Uniformização".
No presente caso, concessa venia quanto à posição adotada pelo Ministério Público
Federal, o dissídio jurisprudencial se encontra demonstrado, na medida em que o
acórdão apresentado como paradigma compreende o exame de matéria jurídica e fática

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similar ao litígio que deu ensejo ao presente incidente de uniformização, porém
apresentando solução em sentido oposto à encontrada nestes autos. É bem verdade que,
no caso ora sob exame, a matéria litigiosa diz respeito somente à exigência, introduzida
por meio dos administrativos impugnados, de os envolvidos na remessa postal
internacional se tratarem exclusivamente de pessoas físicas. Porém, nesta mesma
sessão, encontram-se em julgamento os Pedidos de Uniformização Jurisprudencial n.
0523644-74.2014.4.05.8300, 0501533-72.2014.4.05.8308, 0500947-35.2014.4.05.8308,
5013203-32.2014.4.04.7201, 0503077-67.2015.4.05.8500, 5001540-70.2015.4.04.7001,
5005375-94.2014.4.04.7003, todos da relatoria do Juiz Ronaldo José da Silva, e
5062916-94.2014.4.04.7000, da relatoria do Juiz Wilson José Witzel, bem como os de n.
5001143-02.2015.4.04.7004 e 5016025-12.2014.4.04.7001, da relatoria deste
Magistrado, abordando o outro tema litigioso, qual seja a fixação de faixa de isenção
limitada a até 100 (cem) dólares americanos, motivo pelo qual este Colegiado deve
conhecer do presente Pedido de Uniformização como Representativo da Controvérsia em
toda a sua integralidade.
Dadas as razões acima elencadas, o presente recurso deve ser admitido por completo,
para que este Colegiado se debruce sobre os dois temas debatidos nos autos
enumerados.
O Decreto-Lei nº 1.804/1980, recepcionado pela Constituição de 1988 como lei ordinária
(Art. 150, § 6º), regula o Regime de Tributação Simplificado para remessas postais
internacionais.
No art. 2º, II, do aludido Decreto-Lei, consta que o Ministério da Fazenda poderá "dispor
sobre a isenção do imposto de importação dos bens contidos em remessas de valor até
cem dólares norte-americanos, ou o equivalente em outras moedas, quando destinados a
pessoas físicas".
O Ministério da Fazenda, ao editar a Portaria nº 156/1999, e a Receita Federal do Brasil,
ao editar a Instrução Normativa nº 96/1999, sob o pretexto de regulamentarem o
Decreto-Lei n. 1.804/1990, estabelecem que os bens que integrem remessa postal
internacional no valor de até cinquenta dólares americanos (ou o equivalente em outra
moeda), serão desembaraçados com isenção do imposto de importação, condicionando
essa isenção, porém, à exigência de que tanto o remetente, quanto o destinatário do bem
postado sejam pessoas físicas.
Ocorre, porém, que o Decreto-Lei de 1.804/1980 não contém similar exigência, ou seja,
de que o remetente também seja pessoa física, motivo pelo qual os atos administrativos
normativos flagrantemente extrapolam o regramento contido naquela norma legal, ao
criarem mais um requisito para a fruição da isenção tributária em relevo, indo muito
além da vontade do Legislador Ordinário, no trato da matéria.
Da mesma forma, a redução da faixa de isenção, estabelecida no Decreto-Lei n.
1804/1980 em "até 100", para "até 50 dólares" ou" não superior a 50 dólares", subverte a
hierarquia das normas jurídicas, na medida em que, se admitida, importaria no
reconhecimento da possibilidade de revogação parcial da norma legal referida, para
alterar o tratamento dado à isenção fiscal em evidência, através da edição de ato
administrativo de natureza regulamentar, em desprestígio ao processo legislativo vigente
no Sistema Jurídico pátrio, além de ultrapassar, com ampla margem, o poder atribuído à
Administração Fiscal de introduzir modificações no tratamento reservado ao Imposto de
Importação, limitado somente à alteração de alíquotas, em obséquio às exigências da
Política Fiscal e do Comércio Exterior, nos termos do art. 153, § 3º, da Constituição
Federal, c/c o art. 21 do Código Tributário Nacional.
Assim, o Decreto-Lei n. 1.804/1980, ao reconhecer que o Ministério da Fazenda poderá
dispor acerca de isenção tributária em comento, em nenhum ponto delegou à Autoridade
Fiscal a discricionariedade para modificar a faixa de isenção e a qualidade dos
beneficiários dessa modalidade de renúncia fiscal, dado se tratarem de temas reservados
à lei em sentido formal, dada sua natureza vinculante, que não pode ficar ao sabor do
juízo de conveniência e oportunidade do agente público.
Por todo o exposto acima, há de se reconhecer a ilegalidade da Portaria MF 156/1999 e
da Instrução Normativa da SRF 096/1999, na parte em que fixaram o limite de isenção
para importações realizadas por via postal em US$ 50.00 - cinquenta dólares americanos
- e no tocante ao condicionamento da isenção fiscal à qualidade de pessoa física do
remetente da mercadoria, na forma decidida pela Turma Recursal de Santa Catarina.
No mesmo sentido já se manifestou este Colegiado, no PEDILEF n.
05043692420144058500, rel. Juiz Sérgio Murilo Wanderley Queiroga, j. 11.12.2015, DJe
05.02.2016, unânime.

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Por fim, peço licença para incorporar a este voto os judiciosos fundamentos adotados nos
Pedidos de Uniformização Jurisprudencial n. 0523644-74.2014.4.05.8300, 0501533-
72.2014.4.05.8308, 0500947-35.2014.4.05.8308, 5013203-32.2014.4.04.7201,
0503077-67.2015.4.05.8500, 5001540-70.2015.4.04.7001, 5005375-94.2014.4.04.7003,
todos da relatoria do Juiz Ronaldo José da Silva, e 5062916-94.2014.4.04.7000, da
relatoria do Juiz Wilson José Witzel, contendo a mesma solução proposta por este
Relator.
Pedido de Uniformização Jurisprudencial conhecido, mas improvido, mantendo-se
integralmente o Acórdão recorrido.
Recurso julgado como Representativo da Controvérsia, na forma do art. 17, inciso I, da
Resolução CJF n. 345, de 02.06.2015.
Sem honorários advocatícios e custas processuais.
É como voto.
Brasília/DF, 20 de julho de 2016.
RUI COSTA GONÇALVES
Juiz Federal Relator
ACÓRDÃO
A Turma, por unanimidade, conheceu do incidente de uniformização e, no mérito,
por maioria, negou-lhe provimento nos termos do voto do Juiz Relator.
(PEDILEF 5027788-92.2014.4.04.7200, RELATOR: JUIZ FEDERAL RUI COSTA
GONÇALVES, TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO, D.O.U. 29/07/2016
PÁGINAS 162-163)

Imperioso destacar que no PEDILEF sob nº. 0504369-


24.2014.4.05.8500/SE, referenciado no acórdão colacionado acima, que manteve o
acórdão da Turma Recursal que também manteve a r. sentença que concedia ao autor
os efeitos prospectivos, nos seguintes termos:

“Ante o exposto, Julgo o processo com resolução do mérito, nos termos do art. 269, II
do CPC e acolho o pedido da autora para:
1) Declarar o direito de a parte autora, em casos similares, não ser tributada
pelo simples fato de o remetente das mercadorias importadas ser pessoa
jurídica ou de o valor da mercadoria ser superior a US$ 50,00, desde que não
exceda a US$ 100,00;
2) Condenar a União Federal a devolver o valor correspondente a R$ 70,86 (setenta
reais e oitenta e seis centavos), atualizados conforme o manual de cálculos do CJF.
Defiro os benefícios da gratuidade da justiça.
Sem custas e honorários.”

Desta forma, desnecessário a discussão sobre a matéria, motivo pelo qual


invoca-se os referidos acórdãos da TNU como precedentes.

2.4 - DA NÃO INCIDÊNCIA DE DESPACHO POSTAL EM MERCADORIAS ISENTAS


DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO

Inicialmente, cumpre-nos esclarecer que se a encomenda for isenta de imposto


de importação, não há cobrança de “serviços postais” pela Ré, ECT.

É o que a própria ré esclarece em seu sitio eletrônico


(http://correios.com.br/para-voce/correios-de-a-a-z/importacoes-de-ate-us-500-00),
vejamos:

“Características:

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Uma vez que a mercadoria é tributada pela RFB, será emitida uma NTS, referente
ao Imposto de Importação. A NTS e a encomenda serão encaminhadas à agência dos
Correios mais próxima do domicílio do destinatário/importador, onde será realizado o
recolhimento do tributo e pagamento do Despacho Postal no valor de
R$12,00.” (grifos nossos)

Apenas há cobrança do Despacho Postal nas mercadorias que são tributadas


pela RFB, não sendo o caso dos autos, devendo, portanto, ser afastada e devolvido o
recolhimento de “serviços postais” cobrado do Autor pela ECT, devido a tributação
errônea da primeira Ré que não observou a legislação nos termos dos itens anteriores.

Nesse sentido, o Exmo. Juiz Federal CARLOS REBÊLO JÚNIOR, no processo


nº. 0508186-96.2014.4.05.8500/SE, assim julgou:

“A controvérsia reside no entendimento do valor limite de isenção e na necessidade de


serem pessoas físicas o remetente e o destinatário da mercadoria. (...)
Verifica-se que no art. 2º, inciso II, do Decreto-Lei nº 1.804/80 acima descrito,
estabelece que as remessas de até US$ 100,00 (cem dólares) são isentas do imposto
de importação quando destinados a pessoas físicas, nada mencionando sobre o
remetente.
Dessa forma, não pode a autoridade administrativa por ato administrativo,
afrontar o princípio da legalidade e extrapolar os limites da lei editando a
Portaria MF nº 156/99 e a Instrução Normativa SRF nº 096/99, passando a
exigir que tanto o destinatário quanto o remetente sejam pessoas físicas e ainda,
reduzir o valor da isenção para o limite de US$ 50,00 (cinqüenta dólares). (...)
Em relação ao pagamento da taxa postal, atualmente chamada de despacho postal,
somente é exigível quando a mercadoria sofre a incidência de imposto de
importação, ou seja, é verba acessória, nos termos da legislação civil. Com espeque
em tais fundamentos, inexistindo a cobrança do imposto de imposto, não deve
subsistir a cobrança da "taxa postal".” (grifos nossos)

2.4.1 - DA ILEGALIDADE DO DESPACHO POSTAL

A taxa de despacho postal cobrada pela ECT além de inexigível, também é


ilegal, uma vez que todos custos operacionais já são previstos e pagos no país de
origem pelo remetente. Veja que a ré não sabe explicar, muito menos justificar, o valor
fixo cobrado de forma adicional, não do remetente, mas sim do destinatário, não
conseguindo esclarecer a taxa instituída, de forma arbitrária, justamente por sua
ilegalidade.

Em uma forçosa tese, a ré buscou tentar justificar a cobrança de “Despacho


Postal” invocando o item 03 do art. 20 da União Postal Universal (UPU), do qual o
Brasil é signatário desde a década de 70, de onde se extrai:

“Os operadores designados, que obtiveram a autorização para realizar o


desalfandegamento por conta dos clientes, seja em nome do cliente ou em nome
do operador designado do país de destino, estão autorizados a cobrar dos clientes
uma taxa baseada nos custos reais da operação. Esta taxa pode ser cobrada por
todos os objetos declarados na alfândega, de acordo com a legislação nacional e
incluindo aqueles isentos de direitos aduaneiros (...)” (grifos nossos)

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A UPU é clara ao dispor da possibilidade de haver uma cobrança de uma taxa
sobre os CUSTOS DE DESALFANDEGAMENTO de seus clientes, DE ACORDO COM A
LEGISLAÇÃO NACIONAL, justamente por este motivo o “Despacho Postal” é uma taxa
ilegal de acordo com a legislação do país, pois vejamos.

A Receita Federal do Brasil ao editar Instrução Normativa SRF nº 96/99


estabeleceu:

Art. 8º Os bens integrantes de remessa postal internacional no valor aduaneiro


de até US$ 500.00 (quinhentos dólares dos Estados Unidos da América) serão
entregues ao destinatário pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos -
ECT mediante o pagamento do Imposto de Importação lançado pela fiscalização
aduaneira na Nota de Tributação Simplificada - NTS instituída pela Instrução
Normativa No 101, de 11 de novembro de 1991, dispensadas quaisquer outras
formalidades aduaneiras. (grifos nossos)

Com a regulamentação estabelecida foram dispensadas as formalidades de


desembaraço aduaneiro nas remessas postais internacionais de até US$500.00
(quinhentos dólares norte-americanos), não havendo qualquer atividade de
desalfandegamento.

Mesmo sabendo da normativa da RFB, a ECT omite tal informação de seu sitio
eletrônico (http://correios.com.br/para-voce/recebimento/em-agencias), vejamos:

“Encomendas Internacionais
As encomendas internacionais tributadas pela Receita Federal do Brasil com
valor aduaneiro de até US$500,00 são entregues nas agências para recolhimento
do Imposto de Importação e pagamento da Taxa para Despacho Postal” (grifos
nossos)

Ou seja, a ECT fornece esclarecimentos em seu sítio eletrônico sobre


importação de mercadorias e AFIRMA que somente encomendas tributadas estão
sujeitas ao pagamento do “despacho postal”, omitindo a parte de que há dispensa
de formalidades aduaneiras em mercadorias de até US$500,00 (quinhentos dólares
americanos).

Assim, só haveria custos adicionais na operação de desalfandegamento


para encomendas acima de US$500.00 (quinhentos dólares norte-americanos).

Em outro ângulo, há necessidade de saber se o cliente que a UPU se refere é o


remetente ou destinatário da remessa postal, ou seja, é por óbvio que o remetente é o
cliente, pois é o mesmo quem contrata o serviço, não devendo recair sobre o
destinatário eventual pagamento adicional que foi contratado por terceiro.

Neste cenário, não há como deixar de invocar o Código de Defesa do


Consumidor, afinal resta o consumidor vulnerável ante a forçosa relação de consumo
a ele imposta, pois o que a ECT busca fazer é induzir aos seus usuários consumidores
a realizar o pagamento de um serviço de “despacho postal”, mesmo estando as
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encomendas de valor até o limite de US$500,00 (quinhentos dólares americanos)
dispensadas de formalidades aduaneiras e, portanto, isentas da cobrança de qualquer
serviço adicional, não havendo, portanto, que se falar na cobrança de “Despacho
Postal”, sobre encomendas tributadas pela RFB, de mercadorias dentro do limite de
isenção estabelecido, comprovando-se o total desacordo com a legislação brasileira.

Deste modo, pela ilicitude da taxa cobrada pela ré, ECT, não há como de deixar
de aplicar o parágrafo único do art. 42 do Código de Defesa do Consumidor, com a
devolução em dobro das taxas ilegalmente instituídas e cobradas.

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a


ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à
repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano
justificável.

Note ainda que o abusivo Serviços Postais, força ao destinatário a pagar por
um SERVIÇO INCOMPLETO, ou seja, obriga o destinatário se deslocar até uma das
agências da ECT para realizar o pagamento deixando a ECT de finalizar o serviço de
entrega contratado até o seu destino final, ou seja, o endereço de entrega indicado na
encomenda.

A taxa é claramente abusiva e exige vantagem excessiva do consumidor pois


quem remete uma mercadoria já PAGA por todo custo operacional do serviço
postal NA ORIGEM para ser entregue até o DESTINO não se mostrando razoável
cobrança de um valor fixo, mascarado como serviço adicional, para que a ECT não
entregue a mercadoria até o seu destino final.

O Código de Defesa do Consumidor veda que os fornecedores exijam do


consumidor vantagens excessivas (art.39, V do CDC) que é justamente o caso do
despacho postal.

Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas


abusivas: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)
I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro
produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;
III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou
fornecer qualquer serviço;
IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade,
saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou serviços;
V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;
VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se
normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas
Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro);

Assim, restando devidamente comprovado que não existe qualquer atividade


excedente a caracterizar uma contraprestação extra de serviços, não pode agora,
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décadas após o Brasil ser signatário do tratado internacional (União Postal Universal),
a ECT venha a instituir e realizar cobranças devido a equívoco ou má-fé na
interpretação das leis/normas e tratados.

2.4.2 - ESCLARECIMENTO ACERCA DO SERVIÇO PRESTADO PELA


CONCORRÊNCIA

A ECT, de maneira pretenciosa, alega que o serviço de despacho postal já é


cobrado também pela concorrência, porém seu suposto serviço prestado em nada se
parece com o serviço executado pelas empresas concorrentes, afinal a ECT se
restringe a enviar um aviso de recebimento para o destinatário ir buscar sua
encomenda numa de suas agências, aviso que muitas vezes chegam após o prazo
estabelecido incidindo outra taxa denominada “taxa de armazenamento”. Na pior das
hipóteses, há a devolução da encomenda ao remetente causando prejuízo ainda maior
ao comprador.

No serviço prestado pela concorrência, a empresa contratada transporta a


encomenda a partir da origem e, ao chegar no Brasil, efetua todo o processo de
desalfandegamento por se tratar de remessa expressa, paga todos os tributos que
vierem a ser cobrados, entrega a remessa ao seu destino final sendo que, lá no
destino, é onde é realizada a cobrança dos tributos que já foram pagos mais as taxas
cobradas pela empresa, ou seja, se trata de um serviço muito mais cômodo,
diferenciado e de qualidade bem superior ao suposto serviço prestado pela ré.

Impende ressaltar que só há concorrência nos serviços de Remessas


Expressas, porquanto no serviço de remessa postal, utilizado no presente caso, há
regime de monopólio pela ECT.

2.4.3 - DA JURISPRUDÊNCIA ACERCA DO DESPACHO POSTAL

A matéria inclusive já foi objeto de julgamento no processo nº 0508186-


96.2014.4.05.8500/SE, como podemos ver a seguir o que disse o Douto Magistrado
Federal CARLOS REBÊLO JÚNIOR:

“Em relação ao pagamento da taxa postal, atualmente chamada de despacho postal,


somente é exigível quando a mercadoria sofre a incidência de imposto de importação,
ou seja, é verba acessória, nos termos da legislação civil. Com espeque em tais
fundamentos, inexistindo a cobrança do imposto de imposto, não deve subsistir a
cobrança da "taxa postal”.”

Ora, se há dispensa de qualquer formalidade aduaneira, qual efetivamente


seria o serviço para a cobrança de referida Taxa? Na verdade, com a tributação do

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produto, a ECT sequer tem o trabalho de entregar a encomenda, tendo que o
Autor se dirigir até a agência para a retirada do seu objeto.

Neste sentido, a Turma Recursal de Pernambuco, no processo nº 0500792-


22.2015.4.05.8300/PE de relatoria da Exma. Juíza KYLCE ANNE PEREIRA
COLLIER DE MENDONÇA, por unanimidade, se manifestou:

“No caso dos autos, verifica-se que os bens importados não ultrapassaram,
individualmente, o limite estabelecido tanto no Decreto-Lei n°1.804/80.
Quanto à cobrança da tarifa de serviços postais no valor de R$ 12,00 (doze
reais), tem-se igualmente pela sua ilegalidade/inconstitucionalidade.
É que tal valor não pode ser instituído e cobrado pelos Correios, empresa
pública federal, a título de taxa de serviço, porquanto esta entidade não
detém competência (legislativa) para a instituição desta espécie tributária
que, como as demais, só poderia ser instituída por lei, nos termos do que
preceituam os arts. 145, inciso II c/c art. 150, inciso I, ambos da CF/88.
Da mesma forma não se pode aceitar a sua cobrança a título de tarifa (preço
público). Ora, é sabido que nas compras internacionais pela internet o
consumidor, ao adquirir o produto, já paga o valor do frete. A Receita
Federal, ao entender que o produto deva ser tributado, encaminha-o aos
Correios, que não procede a sua entrega em domicílio, apenas avisa ao
destinatário da chegada da encomenda. Não há, portanto, serviço prestado
pelos Correios a fundamentar tal cobrança.
Por outro lado, o Código de Proteção e Defesa do Consumidor define como prática
abusiva a elevação de preços sem justa causa, vedando-a. Vejamos:
“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas
abusivas: [...] X – elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços; [...]”. (grifos
nossos)
(...)
Destarte, em vista de tudo o que foi exposto e por tudo mais que dos autos consta,
NEGA-SE PROVIMENTO AOS RECURSOS INOMINADOS DA UNIÃO DA EMPRESA
BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS – ECT E DÁ-SE PROVIMENTO AO
RECURSO INOMINADO DA PARTE AUTORA para determinar à UNIÃO que se
abstenha de realizar novas cobranças à parte autora, a título de Imposto de
Importação, em relação a todas as futuras remessas postais de importação
por ela realizadas, desde que tais remessas não ultrapassem o valor de
$100,00 (cem dólares americanos) e à EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E
TELÉGRAFOS – ECT a não mais cobrar do requerente pelo serviço de despacho
aduaneiro em remessas futuras.
Condenação da UNIÃO e da ECT em honorários advocatícios, solidariamente, fixados
em R$ 1.000,00 (mil reais). Sem condenação contra a parte autora.”
(3.ª Relatoria da 2.ª Turma Recursal de Recife, por unanimidade, RECURSO
INOMINADO Nº 0500792-22.2015.4.05.8300/PE. Juíza Federal Relatora: Kylce
Anne Pereira Collier de Mendonça). (grifos nossos)

A Turma Recursal de Santa Catarina, nos processos nº 5010594-


55.2014.404.7208/SC e 5022600-21.2014.404.7200/SC por unanimidade, se
manifestou:

TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. REMESSA POSTAL. TAXA


DE NACIONALIZAÇÃO DE DESPACHO POSTAL. CONVENÇÃO POSTAL
INTERNACIONAL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. ILEGALIDADE. 1.
Conforme disposto no Decreto-Lei nº 1.804/80, art. 2º, II, as remessas de até US$
100.00, quando destinadas a pessoas físicas, são isentas do Imposto de Importação.
2. Não pode a autoridade administrativa, por intermédio de ato administrativo, ainda
que normativo, extrapolar os limites claramente estabelecidos em lei, estabelecendo
como requisitos remetente e destinatário pessoa física, bem como valor máximo da
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operação de US$ 100.00, pois está vinculada ao princípio da legalidade. 3.
Caracterizado, no entanto, o fracionamento de remessas, nos termos art.15 do
Decreto-Lei n. 37/66 c/c art. 16 do Decreto 61.018/67, há claro impedimento para o
reconhecimento da isenção. 4. A cobrança da Taxa de Nacionalização de
Despacho Postal mostra-se abusiva porque representa uma segunda cobrança
pela prestação do mesmo serviço, uma vez que a custódia das encomendas até
sua entrega final é um serviço já pago pelo remetente no ato da compra. Por
mais que haja previsão para cobrança em na Convenção Postal Internacional,
deve-se prestigiar a interpretação de acordo com as normas do Código de
Defesa do Consumidor, em especial considerando-se a ilegalidade da
tributação. (TRF/SC. RECURSO CÍVEL Nº 5010594-55.2014.404.7208/SC.
RELATOR: Exmo. SR. Dr. ZENILDO BODNAR. Data do Julgamento: 18 de março de
2015.) (grifos nossos)

2.5 - DOS EFEITOS PROSPECTIVOS

O Autor não só pretende a devolução de imposto pago indevidamente


relacionados neste processo, mas também a declaração de ilegalidade das portarias
com a aplicação dos EFEITOS PROSPECTIVOS para isenção em futuras compras, de
modo a EVITAR QUE O ATO ILÍCITO PRATICADO SE PERPETUE, o que pode ser
concedido através de ação declaratória ou até mesmo através da Tutela Inibitória
prevista no Código de Processo Civil, tendo em vista a flagrante ilegalidade da
portaria e instrução normativa da RFB. Se aproveitando desta ilegalidade praticada,
a ECT também busca se beneficiar com a cobrança do Despacho Postal, que é
inexigível quando não há cobrança de imposto de importação.

Desta feita, o pedido de isenção em compras futuras é pertinente, cabível e


adequado, devendo, portanto, as rés ficarem impedidas de exigirem a cobrança de
imposto de importação e taxa de despacho postal nos casos previstos no Decreto-Lei
1.804/80.

2.5.1 - DA TUTELA INIBITÓRIA

A tutela inibitória tem como fito a prevenção da prática da continuação ou da


repetição do ilícito, não tendo para tanto caráter punitivo e sim preventivo. Assim,
caberá o uso da inibitória em face de alguém que, mesmo que sem culpa, estiver na
iminência de praticar um ilícito. (MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela Inibitória
Individual e Coletiva. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p.36.).

Imperiosa é a observação feita pela doutrina que a melhor definição legislativa


da inibitória é aquela que admite a tutela na forma pura (antes que se tenha ocorrido
o ilícito) e não apenas para impedir a continuação ou repetição do ilícito. (MARINONI,
Luiz Guilherme. Tutela Inibitória Individual e Coletiva. 4 ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2006, p. 31).

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Essa definição legislativa é encontrada no ordenamento jurídico pátrio através
do interdito proibitório, do mandado de segurança preventivo e, principalmente, pelo
art. 5.º, XXXV da CF. (MARINONI, Luiz Guilherme. Ob. cit., p. 56) sendo o
fundamento maior da tutela inibitória, ou seja, a base de uma tutela preventiva geral:

“Art. 5º- (...) XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário, lesão ou
ameaça a direito;”.

Quanto à lei processual civil e à defesa do consumidor, que atingem esta ação,
a tutela inibitória tem fundamento no que reza o caput dos artigos 497 do NCPC e 84
do CDC:

Art. 497 - Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se
procedente o pedido, concederá a tutela específica ou determinará
providências que assegurem a obtenção de tutela pelo resultado prático
equivalente.
Parágrafo único. Para a concessão da tutela específica destinada a inibir a prática,
a reiteração ou a continuação de um ilícito, ou a sua remoção, é irrelevante a
demonstração da ocorrência de dano ou da existência de culpa ou dolo.

Art. 84 - Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não
fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências
que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.

É de se observar, ainda, que junto ao referenciado art. 497, os parágrafos do


art. 536 do NCPC também são de grande importância para a concessão de uma
genuína tutela inibitória, tudo com o intuito de se obter a efetivação da proteção
estatal quanto a uma possível transgressão, ou mesmo a cessação da violação de um
direito, destacando-se, neste caso, o que preceitua o parágrafo 1º:

art. 536 – No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de


fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da
tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar
as medidas necessárias à satisfação do exequente.
(...) § 1º Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar, entre outras
medidas, a imposição de multa, a busca e apreensão, a remoção de pessoas e
coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, caso
necessário, requisitar o auxílio de força policial.

Ainda se reportando ao antigo CPC/73, o FONAJEF concretizou o enunciado


de nº 63, nos seguintes termos:

Enunciado nº. 63 - Cabe multa ao ente público pelo atraso ou não cumprimento de
decisões judiciais com base no artigo 461 do CPC, acompanhada de determinação
para a tomada de medidas administrativas para a apuração de responsabilidade
funcional e/ou por dano ao erário. Havendo contumácia no descumprimento, caberá
remessa de ofício ao Ministério Público Federal para análise de eventual improbidade
administrativa.

Buscando atender seu objetivo e vislumbrando sua aplicação de forma efetiva,


é imprescindível a possibilidade do uso da multa, situação legalmente prevista nos
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parágrafos do 536 do NCPC, como meio de coerção capaz de convencer o réu a fazer
ou não fazer, conforme se tema a sua ação ou omissão.

Neste sentido, destaca-se que, em recente julgado, a Exma. Juíza Federal ANA
CAROLINA OLIVEIRA SOARES, processo 0510355-56.2014.4.05.8500/SE assim se
pronunciou sobre o tema:

“III. Dispositivo.
Ante o exposto, Julgo o processo com resolução do mérito, nos termos do art. 269,
II do CPC e acolho o pedido da autora para:
1) Declarar o direito de a parte autora, em casos similares, não ser tributada
pelo simples fato de o remetente das mercadorias importadas ser pessoa
jurídica ou de o valor da mercadoria ser superior a US$ 50,00, desde que não
exceda a US$ 100,00;
2) Condenar a União Federal a devolver o valor correspondente a R$ 111,89 (cento e
onze reais e oitenta e nove centavos), atualizados conforme o manual de cálculos do
CJF.” (grifos nossos)

No mesmo sentido, a Exma. Juíza WANESSA CARNEIRO MOLINARO


FERREIRA do 1º Juizado Especial Federal do Rio de Janeiro, no processo nº.
0138637-15.2014.4.02.5151/RJ, assim julgou:

“Por outro lado, quanto ao pedido de tutela inibitória, para que a ré não cobre
indevidamente do Autor imposto de importações nas remessas postais internacionais
de produtos de valor inferior a cem dólares norte-americanos, ou o equivalente em
outras moedas, quando destinados a pessoas físicas, assiste razão ao Autor. A tutela
inibitória é medida preventiva que visa impedir alguma espécie de ato ilícito.
Sobre o tema, excelentes são os ensinamentos de Luiz Guilherme Marinoni e Sergio
Arenhart, em Processo de Conhecimento V.2, Ed. Revista dos Tribunais, 6ª Ed., pag
435 e seguintes.
Entendo adequada a tutela inibitória ora pleiteada, na medida em tem por
objetivo evitar atos ilícitos por parte da ré em desfavor do Autor nas situações
em que deve ser afastada a aplicação do ato normativo Portaria do Ministério
da Fazenda nº 156, de 24 de junho de 199, art. 1º, no § 2º, e da Instrução
Normativa n. 096/99, que exorbitaram a regulamentação e estabeleceram regras
contra legem. Obviamente, a medida só terá validade enquanto vigente o ordenamento
jurídico mencionado na presente sentença.” (grifos nossos)

A Receita Federal poderá tentar induzir Vossa Excelência a não deferir o pedido
de isenção em compras futuras, eis que a ação declaratória não poderia ser utilizada
para efeitos prospectivos. Entretanto, vale trazer à tona jurisprudência da turma
recursal do TRF4, citando jurisprudência do STJ, referente ao processo de nº
5007469-24.2014.404.7000/PR, onde foi proferido o seguinte:

“Melhor sorte não assiste à União em seu argumento de que não é autorizado
o uso da ação declaratória com efeitos prospectivos, ou seja, para alcançar
futuras operações de importação realizadas pelo autor como pessoa física.
Pondera-se que é recorrentemente utilizada essa via para a aquisição de produtos
importados por pessoas físicas como o autor, não sendo razoável que ingresse com
uma medida para cada operação que realizar, como pretende a União. Entendo que há
o interesse do autor não apenas com relação à importação indicada na inicial, mas por
se tratar de operação que ocorre em seu cotidiano, não configurando pretensão
declaratória para fatos incertos e indeterminados. Nesse sentido, o precedente do STJ:

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PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO
ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA. EFEITOS
PROSPECTIVOS. CABIMENTO. 1. Embargos de divergência em recurso especial nos
quais se discute o cabimento, ou não, de ação declaratória para obter o
reconhecimento de inexistência de relação jurídicatributária que iniba a Administração
Tributária de promover a autuação fiscal relativa a operações futuras concernentes à
atividade profissional da contribuinte. 2. Cabe ação declaratória para obter o
reconhecimento de inexistência de relação jurídica-tributária para fins prospectivos,
quando o contribuinte demonstra que o fato jurídico suscitado diz respeito ao cotidiano
de suas atividades e que há conduta rotineira do fisco infirmando o direito alegado já
manifestada em outros casos análogos, seja por meio de indeferimento de pedido
administrativo ou de lavratura de auto de infração. 3. No caso dos autos, a empresa
contribuinte logrou demonstrar que a sua pretensão declaratória não é meramente
abstrata, mas, ao contrário disso, que seu justo receio é concreto e iminente, uma vez
que já foi autuada pela administração municipal para recolher o ISS sobre as
operações de leasing de veículos comercializadas com os consumidores lá residentes.
4. Embargos de divergência providos. (EREsp 1135878/RS, Rel. Ministro BENEDITO
GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/06/2013, DJe 02/08/2013)

Com efeito, o alcance da ação declaratória não se restringe unicamente a fatos


consolidados, sendo viável a sua utilização para reconhecer a inexistência de relação
jurídica-tributária com alcance para operações futuras, desde que delineado que a
pretensão relaciona-se ao cotidiano do contribuinte e, ademais, que se posiciona o fisco
contrariamente ao conteúdo da declaração almejada, exatamente o caso dos autos.”
(grifos nossos)

2.5.2 - DA JURISPRUDÊNCIA ACERCA DOS EFEITOS PROSPECTIVOS

Como já reportado nos autos, com a demonstração de que o próprio acordão da


TNU manteve a sentença que continha a tutela inibitória, temos a seguinte
jurisprudência:

Recurso Inominado no processo nº 0500966-13.2015.4.05.8500/SE - Relator:


Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal FÁBIO CORDEIRO DE LIMA. Data: 02/12/2015

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PEDIDO DE


DEFERIMENTO DE TUTELA INIBITÓRIA ANTECIPADA NÃO APRECIADO. OMISSÃO
EVIDENCIADA. DEMONSTRAÇÃO DO FUMUS BONI JURIS. IMPOSTO DE
IMPORTAÇÃO SOBRE PRODUTO CUJO VALOR SEJA INFERIOR A US$ 100 (CEM
DÓLARES). PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA DO ATO ILEGAL. COBRANÇA DE
TAXA POSTAL CONSIDERADA LEGAL PELA MAIORIA DO COLEGIADO. EMBARGOS
CONHECIDOS E PARCIALMENTE PROVIDOS.
1. Cuida-se de embargos de declaração mediante o qual colima a embargante (parte
autora) seja suprimida omissão no acórdão embargado, consistente na falta de
manifestação sobre o pedido de tutela inibitória contida no art. 461 e seus parágrafos,
a fim de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil fique impedida, por decisão
judicial, de efetuar lançamentos e emitir notas de tributação para o autor, em
remessas futuras que não ultrapassem o valor de U$ 100 (cem dólares), assim como a
ECT de cobrar o “despacho postal”.
2. Inicialmente, cumpre salientar as hipóteses de cabimento dos embargos de
declaração, as quais estão dispostas no art. 535 do Código de Processo Civil, in verbis:
Cabem embargos de declaração quando:
I- houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade ou contradição;
II- for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o juiz ou tribunal.
3. A Lei n.º 9.099/95, em seu art. 48 dispõe que “caberão embargos de declaração,
quando na sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição, omissão ou
dúvida”, permitindo a correção de erro material ex officio.
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4. No caso em apreço, de fato, a parte autora requereu a tutela inibitória antecipada
prevista no art. 461 do CPC c/c art. 84 do CDC e não teve tal pedido apreciado no
acórdão embargado (anexo 22/23), pelo que a decisão se revelou omissa neste
sentido.
5. No tocante a tal pleito, após a reforma que introduziu o art. 461 no Código de
Processo Civil, a ação inibitória vem sendo utilizada de forma a prevenir o cometimento
de ato ilícito, que venha a trazer provável dano a quem pede. Evidencia-se desta
forma que na ação inibitória não é apenas necessário verificar a prática do ato, mas
também se tal ato configura ilícito. Diante disto, faz-se mister o confronto entre a
descrição do ato temido e o direito invocado.
6. Na hipótese em exame, o embargante pretende que seja concedida tutela inibitória a
fim de que não sejam efetuados lançamentos tributários contra si, baseados em
remessas futuras que não ultrapassem o valor o valor de U$ 100 (cem dólares), ou
seja, o que se objetiva é a tutela inibitória negativa.
7. Para se deferir a tutela inibitória antecipada, faz-se necessária a
demonstração do fumus boni iuris, que para esta tutela será a probabilidade
da ilicitude, ou seja, a probabilidade do ato contrário ao direito, e o que a
norma denomina de “justificado receio de ineficácia do provimento final”.
8. Nesta toada, tenho que assiste direito ao embargante, eis que o Ministério
da Fazenda, ao editar a Portaria MF nº 156, de 24 de junho de 1999, tem
clara intenção de fazer incidir Imposto de Importação sobre os bens que
integrem remessa postal internacional quando o remetente ou destinatário
for pessoa jurídica. Desta feita, resta evidenciada a grande probabilidade de
que o autor venha a ser autuado outras vezes em que efetuar compra
internacional, ainda que o valor seja abaixo de US$ 100, na hipótese em que
a outra parte for pessoa jurídica.
9. No que pertine à tutela inibitória em relação ao despacho postal, ressalto que, neste
aspecto, este Relator restou vencido quanto ao entendimento de abusividade na sua
cobrança, porquanto a Turma Recursal, por maioria, entendeu pela legalidade da
chamada “taxa postal”, razão por que descabe aqui a apreciação de tal pedido.
10. Assim, a hipótese é de concessão da tutela inibitória contida no art. 461 e
seus parágrafos c/c art. 84 do CDC, para que a Secretaria da Receita Federal
do Brasil se abstenha de efetuar lançamentos e cobrar o imposto de
importação do demandante Edson Wander da Silva Jesus Junior, CPF nº
062911935-07, que tenha por fundamento, exclusivamente, a tributação
prevista na Portaria MF nº 156, de 24 de junho de 1999, ou seja, aquela sobre
os bens que integrem remessa postal internacional quando o remetente ou
destinatário for pessoa jurídica.(grifos nossos)

Recurso Inominado no processo nº 0500448-17.2015.4.05.8308/PE - Exma.


Sr.ª Dr.ª Juíza Federal KYLCE ANNE PEREIRA COLLIER DE MENDONÇA. Data:
19/05/2015

“A parte autora insurge-se tão somente contra a parte da sentença que não acolheu o
pleito no sentido de que fosse União impedida de fazer futuras cobranças do imposto
de que trata os autos em situações semelhantes, mais especificamente para não mais
cobrar impostos da parte Requerente em remessas futuras que não ultrapassem o
valor de $100,00 (cem dólares americanos) ou o equivalente em outra moeda, para
evitar futuras demandas judiciais.
Merece prosperar o pleito da recorrente, porquanto não se vislumbra a como a Fazenda
possa ter direito a continuar agindo da mesma forma, se o Judiciário já decidiu que
não se pode cobrar imposto nessa hipótese. Basta imaginarmos, ademais, a
impropriedade de que a cada produto que o autor importar, venha a se
originar uma nova demanda, abarrotando o Judiciário de processos
desnecessários para se discutir a mesma coisa.” (grifos nossos)

Recurso Inominado no processo nº 5010585-93.2014.404.7208/SC Relator:


Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal ADAMASTOR NICOLAU TURNES – Data: 09/01/2015:
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“Desta forma, impõe-se reconhecer a inexistência de relação jurídico tributária para
incidência do imposto de importação sobre a importação do exterior de produto por
meio de remessa postal de valor até U$ 100, cujo destinatário seja pessoa física,
independentemente da natureza jurídica do remetente, reconhecimento este que
impede a exigência futura do tributo nas situações que se emoldem no Dec.Lei
1.804/80 e impõe a repetição do indébito tributário.” (grifos nossos)

Recurso Inominado no processo nº 5056386-74.2014.404.7000/PR Relatora:


Exma. Sr.ª Dr.ª Juíza Federal BIANCA GEORGIA ARENHART MUNHOZ DA CUNHA –
Data: 24/02/2015:

“Com relação à possibilidade de ação declaratória com efeitos prospectivos,


ou seja, para alcançar futuras operações de importação realizadas pelo autor
como pessoa física, assiste razão à parte autora. Pondera-se que é
recorrentemente utilizada essa via para a aquisição de produtos importados por
pessoas físicas como o autor, não sendo razoável que ingresse com uma medida para
cada operação que realizar. Entendo que há o interesse do autor por se tratar de
operação que ocorre em seu cotidiano, não configurando pretensão declaratória para
fatos incertos e indeterminados (vide evento 01, DARF3). Nesse sentido, o precedente
do STJ:
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO
ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA. EFEITOS
PROSPECTIVOS. CABIMENTO.
1. Embargos de divergência em recurso especial nos quais se discute o cabimento, ou
não, de ação declaratória para obter o reconhecimento de inexistência de relação
jurídica-tributária que iniba a Administração Tributária de promover a autuação fiscal
relativa a operações futuras concernentes à atividade profissional da contribuinte.
2. Cabe ação declaratória para obter o reconhecimento de inexistência de relação
jurídica-tributária para fins prospectivos, quando o contribuinte demonstra que o fato
jurídico suscitado diz respeito ao cotidiano de suas atividades e que há conduta
rotineira do fisco infirmando o direito alegado já manifestada em outros casos
análogos, seja por meio de indeferimento de pedido administrativo ou de lavratura de
auto de infração.
3. No caso dos autos, a empresa contribuinte logrou demonstrar que a sua pretensão
declaratória não é meramente abstrata, mas, ao contrário disso, que seu justo receio é
concreto e iminente, uma vez que já foi autuada pela administração municipal para
recolher o ISS sobre as operações de leasing de veículos comercializadas com os
consumidores lá residentes.
4. Embargos de divergência providos. (EREsp 1135878/RS, Rel. Ministro BENEDITO
GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/06/2013, DJe 02/08/2013)
Com efeito, o alcance da ação declaratória não se restringe unicamente a fatos
consolidados, sendo viável a sua utilização para reconhecer a inexistência de relação
jurídica-tributária com alcance para operações futuras, desde que delineado que a
pretensão relaciona-se ao cotidiano do contribuinte e, ademais, que se posiciona o fisco
contrariamente ao conteúdo da declaração almejada, exatamente o caso dos autos.
Por essas razões, o recurso merece provimento, devendo ser declarado o direito da
parte autora de não ser tributada em razão de o remetente das mercadorias
importadas ser pessoa jurídica e/ou de o valor da operação ser superior a US$ 50,00,
desde que não exceda a US$ 100,00 e esteja mantido o pressuposto fático, enquanto
vigente o art. 2º, inciso II, do Decreto-Lei 1.804/80, afastando-se, neste ponto
específico, a aplicação da Portaria MF 156/99 e da Instrução Normativa 96/99, nos
termos da fundamentação.” (grifos nossos)

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Recurso Inominado no processo nº 5017649-96.2014.404.7001/PR (sentença
integralmente mantida) Relatora: Exma. Sr.ª Dr.ª Juíza Federal BIANCA GEORGIA
ARENHART MUNHOZ DA CUNHA – Data: 06/03/2015:

Sentença: “Por todo o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido da inicial, resolvendo o


mérito com fulcro no artigo 269, I, do Código de Processo Civil, para o fim de
DECLARAR o direito da parte autora de, em casos similares, não ser tributada
pelo simples fato de o remetente das mercadorias importadas ser pessoa
jurídica ou de o valor da mercadoria ser superior a US$ 50,00, desde que não
exceda a US$ 100,00”
Voto: “Assim sendo, a sentença de procedência encontra-se em consonância com o
entendimento firmado por esta Turma, razão pela qual deve ser mantida
integralmente.” (grifos nossos)

Recurso Inominado no processo nº 0039369-03.2014.4.03.6301/SP – Exmo.


Sr. Dr. Juiz Federal UILTON REINA CECAT - Segunda Turma Recursal do Juizado
Especial Federal da Terceira Região – Data: 16/07/2015:

3. Rejeito a alegação de impossibilidade jurídica do pedido porquanto a parte autora


tem o direito de obter pronunciamento jurisdicional de cunho declaratório do
direito de importar as mercadorias sem a sujeição tributária imposta, sendo
intolerável admitir que a cada importação tenha que acionar o judiciário com
pretensão idêntica; (grifos nossos)

Desta maneira, fica evidente que, por ser o único meio utilizado para efetuar
importações pelo Autor, trata-se de um evento do cotidiano e a inexistência da relação
jurídica-tributária pleiteada pelo Autor deve ter alcance, também, para as operações
futuras, independentemente da vontade das Rés, pois, como pode-se inferir da
constatação feita pela Turma Recursal no caso acima mencionado: exigir que o Autor
ingresse com uma medida para cada operação que ele fizer, no contexto dessa causa,
afronta o princípio da razoabilidade.

3 - DOS PEDIDOS

Ante todo o exposto e ao que será suprido com o saber de Vossa Excelência,
requer que:

1) Seja deferido todos os benefícios da Gratuidade da Justiça, em relação a


todos os atos do processo, com fulcro no art. 98 do NCPC c/c Lei nº
1.060/50, pois o Autor não se encontra em condições de arcar com as
custas, despesas processuais e honorários advocatícios.

2) Sejam as rés citadas, na pessoa de seus representantes legais, conforme


indicado no preâmbulo, para que, querendo, contestem a presente peça
exordial.

3) Com relação à segunda Ré, a aplicabilidade do Código de Defesa do


Consumidor, com a respectiva inversão do ônus da prova, por se tratar de
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norma cogente e devido a relação de consumo, conferindo-lhe os direitos
básicos estabelecidos conforme preceitua o Código de Defesa do
Consumidor e ser o Autor Hipossuficiente no caso em tela.

4) Que seja recebida a presente ação, em todos os seus termos, determinando


sua autuação, processamento na forma da lei e, ao final, JULGAR
TOTALMENTE PROCEDENTES OS PEDIDOS determinando que:

a. Seja declarada a Ilegalidade da Portaria MF 156/99 e da Instrução


Normativa SRF 096/99, que extrapolaram os limites da lei ao
estabelecerem que o limite de isenção do imposto de importação seria de
US$50 (cinquenta dólares americanos) bem como que o remetente e
destinatário fossem pessoas físicas, como já uniformizou a Turma
Nacional de Uniformização nos processos 0504369-
24.2014.4.05.8500/SE e 5027788-92.2014.4.04.7200.

b. Seja a Ré (União Federal) condenada a efetuar a devolução dos valores


pagos a título de imposto de importação em remessas postais com valor
até $ 100,00 (cem dólares americanos), ou seja, dentro da isenção
estabelecida por lei, que totalizam R$ 267,02 (duzentos e sessenta e
sete três reais e dois centavos), acrescidas de juros e correção
monetária.

c. Seja Ré (União Federal) condenada a não mais cobrar impostos do Autor


em remessas futuras, dentro dos critérios de isenção, que não
ultrapassem o valor de $ 100,00 (cem dólares americanos) ou o
equivalente em outra moeda, evitando futuras demandas judiciais, sob
pena de multa diária, em caso de descumprimento, com valor a ser
estabelecido por este juízo, conforme recentes julgados nos processos nº
0507547-78.2014.4.05.8500/SE, 0500792-22.2015.4.05.8300/PE,
0500966-13.2015.4.05.8500/SE e inclusive a decisão de piso do processo
0504369-24.2014.4.05.8500/SE que deu origem ao PEDILEF da TNU,
desta forma, sendo deferido os efeitos prospectivos da isenção com a
concessão da Tutela Inibitória contida nos arts. 497 e 536 do NCPC e
seus parágrafos.

d. Seja declarada a inexigibilidade e ilegalidade da Taxa de Despacho Postal


cobrada pela segunda Ré (ECT), devido ao fato de importações até $500
(quinhentos dólares) serem isentas de desembaraço aduaneiro, conforme
legislação e fundamentação já exposta no item 2.4.

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e. Seja Ré (ECT) condenada a efetuar a devolução dos valores pagos a título
de Despacho Postal, em virtude da inexistência de imposto de
importação, portanto, inexistente a cobrança de despacho postal, que
atualmente somam o valor de R$ 15,00 (quinze reais) EM DOBRO (com
base no parágrafo único do art. 42 do CDC), pela ilegalidade da
cobrança, totalizando R$ 60,00 (trinta reais) acrescidos de juros e
atualização monetária.

f. Seja a Ré (ECT) condenada a não mais cobrar o despacho postal do Autor


em remessas futuras quando não houver imposto de importação, ou seja,
que não ultrapassem o valor de US$ 100,00 (cem dólares americanos) ou
o equivalente em outra moeda, inexistindo assim, qualquer
serviço/taxa/cobrança, devendo a encomenda ser diretamente entregue
em seu destino final, sob pena de multa diária em caso de
descumprimento, desta forma, sendo deferido os efeitos prospectivos e
a concessão da Tutela Inibitória contida no arts. 497 e 536 do NCPC e
seus parágrafos c/c art. 84 do CDC, conforme as várias decisões anexas
já proferidas em todo o Brasil.

g. Requer os benefícios da Justiça Gratuita, e declara a parte


Requerente desde já que não reúne condições financeiras para arcar com
as custas processuais sem prejuízo do próprio sustento e de sua família.

4 - DAS PROVAS

O Autor pretende provar o alegado mediante prova a documental inclusa e as


demais anexadas pelas rés em suas defesas, bem como todos os demais meios de
prova em admitidos, nos termos do art. 369 do NCPC. Invoca-se como precedente
todos os julgados colacionados no corpo desta peça.

5 - DAS AUDIÊNCIAS

Atendendo ao disposto no inciso VII do art. 319 do NCPC, manifesta o autor a


ausência de interesse nas audiências previstas no art. 334 do NCPC, bem como das
demais, por entender que a matéria em discussão é apenas de direito e, portanto,
desnecessária a designação de audiência.

6 - DO VALOR DA CAUSA

Atendendo ao disposto nos artigos 291 e 292 do NCPC, dá-se a causa o valor
de R$ 327,02 (trezentos e vinte e sete reais e dois centavos).

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Nestes termos,
pede e espera deferimento.

XXXXXX, 10 de Maio de 2018.

Seu nome
CPF 9999999999

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