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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 2
UNIDADE 1 – PSICOLOGIA: COMEÇO DE CONVERSA ......................................... 5
1.1 Conceitos e definições ....................................................................................... 5
1.2 Surgimento e evolução ...................................................................................... 6
1.3 Objeto e objetivos ............................................................................................ 11
1.4 Campos de atuação ......................................................................................... 11
UNIDADE 2 – NEUROLOGIA ................................................................................... 16
2.1 Conceitos e definições ..................................................................................... 16
2.2 Surgimento e evolução .................................................................................... 17
2.3 Doenças abordadas pela Neurologia ............................................................... 19
UNIDADE 3 – NEUROPSICOLOGIA........................................................................ 22
3.1 Aspectos históricos .......................................................................................... 25
3.2 A interdisciplinaridade da Neuropsicologia ...................................................... 35
3.3 Neuropsicologia molecular............................................................................... 38
3.4 A Neuropsicologia no Brasil ............................................................................. 41
UNIDADE 4 – NEUROIMAGEM APLICADA ............................................................ 44
UNIDADE 5 – MÉTODOS QUANTITATIVOS EM NEUROPSICOLOGIA – A
PSICOMETRIA ......................................................................................................... 50
5.1 Medir, provar, testar ......................................................................................... 51
5.2 A Teoria Clássica dos Testes – TCT ............................................................... 54
5.3 A Teoria de Resposta ao Item – TRI ............................................................... 56
5.4 Parâmetros dos testes: fidedignidade, validade e normatização ..................... 57
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 61
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INTRODUÇÃO

Velocidade de informação, inovações tecnológicas, tragédias, conquistas,


novos valores, conhecimentos sendo produzidos, desconstruídos, reelaborados!
Essas são algumas caraterísticas deste mundo contemporâneo em que vivemos e
que ao mesmo tempo nos fascina e nos atormenta.
E nesse emaranhado de fatos e sentimentos, eis que vimos surgir uma
ciência, a qual muito tem contribuído para o estudo das relações cérebro-
comportamento, investigando áreas cognitivas do indivíduo, a Neuropsicologia.
Por dedução óbvia, Neuropsicologia é uma especialidade clínica da
Psicologia que estuda a relação entre cérebro e comportamento humano, abordando
questões sobre o funcionamento cerebral saudável e patológico.

Figura 1: Neuropsicologia.
Fonte: http://www.clinicarenove.com/Blog/12Jul16-Voce-sabe-o-que-e-Neuropsicologia

Para começo de conversa, precisamos dos conceitos, definições, história e


evolução da Psicologia e Neurologia para que o nosso caminhar até a
Neuropsicologia seja claro e sem tropeços, por isso, neste módulo introdutório,
partiremos justamente das disciplinas acima!

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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Bastos e Rocha (2007) justificam a importância das interações que levaram


à Neuropsicologia, ao afirmarem que as transições que marcam o mundo
contemporâneo e, mais especificamente, a produção de conhecimento sobre ele,
sinalizam claramente a falência de qualquer abordagem disciplinar que, fechada em
seus próprios domínios, desconsidere o diálogo com outras disciplinas e minimize a
necessidade de construir pontes entre diferentes perspectivas para uma maior e
mais apropriada compreensão de qualquer parcela da realidade.
Igualmente, para Xavier e Helene (2007, p. 188), ao se tratar os

fenômenos psíquicos como originários de processos biológicos, ampliam-se


nossas possibilidades de entendê-los, com ganhos científicos e teóricos,
além dos sociais, éticos e morais, gerando-se um quadro explanatório mais
coerente sobre esses fenômenos.

Desejamos boa leitura e bons estudos, mas antes algumas observações se


fazem necessárias:
1) Ao final do módulo, encontram-se muitas referências utilizadas
efetivamente e outras somente consultadas, principalmente artigos retirados da
World Wide Web (www), conhecida popularmente como Internet, que devido ao
acesso facilitado na atualidade e até mesmo democrático, ajudam sobremaneira
para enriquecimentos, para sanar questionamentos que por ventura surjam ao longo
da leitura e, mais, para manterem-se atualizados.
2) Deixamos bem claro que esta composição não se trata de um artigo
original1, pelo contrário, é uma compilação do pensamento de vários estudiosos que
têm muito a contribuir para a ampliação dos nossos conhecimentos. Também
reforçamos que existem autores considerados clássicos que não podem ser
deixados de lado, apesar de parecer (pela data da publicação) que seus escritos
estão ultrapassados, afinal de contas, uma obra clássica é aquela capaz de
comunicar-se com o presente, mesmo que seu passado datável esteja separado
pela cronologia que lhe é exterior por milênios de distância.
3) Em se tratando de Jurisprudência, entendida como “Interpretação
reiterada que os tribunais dão à lei, nos casos concretos submetidos ao seu

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Trabalho inédito de opinião ou pesquisa que nunca foi publicado em revista, anais de congresso ou
similares.

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julgamento” (FERREIRA, 2005)2, ou conjunto de soluções dadas às questões de


direito pelos tribunais superiores, algumas delas poderão constar em nota de rodapé
ou em anexo, a título apenas de exemplo e enriquecimento.
4) Por uma questão ética, a empresa/instituto não defende posições
ideológico-partidária, priorizando o estímulo ao conhecimento e ao pensamento
crítico.
5) Sabemos que a escrita acadêmica tem como premissa ser científica, ou
seja, baseada em normas e padrões da academia, portanto, pedimos licença para
fugir um pouco às regras com o objetivo de nos aproximarmos de vocês e para que
os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos
científicos.
Por fim:
6) Deixaremos em nota de rodapé, sempre que necessário, o link para
consulta de documentos e legislação pertinente ao assunto, visto que esta última
está em constante atualização. Caso esteja com material digital, basta dar um Ctrl +
clique que chegará ao documento original e ali encontrará possíveis leis
complementares e/ou outras informações atualizadas. Caso esteja com material
impresso e tendo acesso à Internet, basta digitar o link e chegará ao mesmo local.

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FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio. Versão 5.0. Editora
Positivo, 2005.
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UNIDADE 1 – PSICOLOGIA: COMEÇO DE CONVERSA

1.1 Conceitos e definições


Psicologia é a ciência da alma, ou da psique, ou da mente, ou do
comportamento. Etimologicamente a expressão Psicologia deriva das palavras
gregas “psyché” (alma, espírito) e “logos” (estudo, razão, compreensão), portanto,
podemos dizer: estudo ou compreensão da alma.
Essa ciência refere-se, na verdade, a um conjunto de funções que se
distinguem em três grandes vias:
a via ativa (movimentos, instintos, hábitos, vontade, liberdade, tendências, e
inconsciente);
a via afetiva (prazer e dor, emoção, sentimento, paixão, amor);
a via intelectiva (sensação, percepção, imaginação, memória, ideias,
associação de ideias).
Essas três vias articulam-se em grandes sínteses mentais, tais como:
atenção, linguagem e pensamento, inteligência, julgamento, raciocínio e
personalidade (MEYNARD, 1958 apud GOMES, 2005).
Essas funções também são conhecidas como cognitivas, afetivas e
conativas. As cognições são as capacidades do intelecto, as afeições são os
sentimentos e emoções, e a conação refere-se às nossas atividades, que são as
respostas expressivas ou comportamentais.
A Psicologia é ciência que gera uma prática profissional. Enquanto ciência
tem por objetivo explicar como o ser humano pode conhecer e interpretar a si
mesmo e como pode interpretar e conhecer o mundo em que vive (aí incluídas a
interação dos indivíduos entre si, a interação com a natureza, com os objetos e com
os sistemas sociais, econômicos e políticos dos quais façam parte). Enquanto
prática profissional, a Psicologia coloca o conhecimento por ela acumulado a serviço
de indivíduos e instituições (IP/USP, 2017).
A Psicologia constitui-se numa ciência que, reconhecidamente, tem exercido
uma função social de grande relevância, quer como área de conhecimento que tem
contribuído para ampliar a compreensão dos problemas humanos, quer como campo
de atuação cada vez mais vasto e efetivo na intervenção sobre estes (ANTUNES,
2014).
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Figura 2: Psicologia.
Fonte: http://mundodapsi.com/tag/psicologia/

1.2 Surgimento e evolução


Concordamos com Campos (2008) ao inferir que o conhecimento do
passado é condição essencial para a melhor orientação das escolhas feitas no
presente, e para ampliar as bases da reflexão sobre a condição humana e sobre o
papel das reflexões em Psicologia ao longo dessa trajetória. Por isso, vamos falar,
mesmo que com breves recortes, sobre sua evolução.
Também é fato que, apesar de nossos antepassados terem uma história de
muitos milhares de anos, temos que aceitar que o número “cem” é uma marca
razoável para comemorações, não é verdade? Pois bem, em 1979 começaram as
comemorações do centenário de fundação do laboratório de Wilhelm Wundt em
Leipzig, na Alemanha.
Wundt (1832-1920), médico, filósofo e psicólogo alemão, é considerado um
dos fundadores da Psicologia Experimental junto com Ernst Heinrich Weber e
Gustav Theodor Fechner.
Podemos dizer que foi Wundt que determinou o objeto de estudo, o método
de pesquisa, os tópicos a serem estudados e os objetivos da nova ciência, tanto que
o ‘seu’ Primeiro Laboratório de Psicologia Experimental seguiu os modelos dos
laboratórios das ciências naturais e logo se tornou um centro de investigação,

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permitindo a Wundt atingir o seu principal objetivo que era contribuir para o processo
de autonomização da Psicologia relativamente à Psicologia.
Influenciado pelas descobertas da química, segundo as quais todas as
substâncias químicas são compostas por átomos, foi decompor a mente nos seus
elementos mais simples, que são as sensações.
Tanto para Wundt como para os seguidores do estruturalismo, as operações
mentais resultam da organização de sensações elementares que se relacionam com
a estrutura do sistema nervoso.
Wundt recorre aos métodos experimentais das ciências naturais,
particularmente as técnicas usadas pelos fisiologistas, e adaptou os seus métodos
científicos de investigação aos objetivos da Psicologia. Dessa forma, a Fisiologia e a
Filosofia ajudaram a moldar tanto o objeto de estudo da nova ciência como os seus
métodos de investigação.
Deixemos Wundt um pouco de lado e lembremos que no mundo atual, o
desenvolvimento científico e tecnológico tem alcançado patamares nunca antes
imaginados. Tempo e espaço adquirem novos significados com a eliminação das
distâncias pelas redes informatizadas. Novos conhecimentos vêm transformar
profundamente a estrutura produtiva, a educação, a assistência à saúde, as artes,
as relações humanas (ANTUNES, 2014).
Alguns velhos problemas, no entanto, não apenas permanecem como
tendem a agravar-se: a miséria, a exclusão social, a violência, a limitação do acesso
ao saber e à saúde, o desemprego, a xenofobia, o racismo, as guerras imperialistas,
a escassez de perspectivas existenciais.
Nesse panorama, os problemas do presente e os que vislumbramos para um
futuro próximo impõem à Psicologia tarefas cada vez maiores e mais desafiadoras;
disso decorre a imperativa necessidade de reflexão sobre seu significado e sua
responsabilidade na construção do devir histórico.
É preciso que tenhamos uma compreensão mais ampla da Psicologia e de
sua relação com a sociedade (ANTUNES, 2014).
Nessas idas e vindas ao passado, que se mescla com o presente, a verdade
é que conhecer a história ajuda a evitar os erros do passado e a prever o futuro, mas
seu maior valor está em permitir-nos compreender o presente.

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Como diz Goodwin (2005), o conhecimento da história coloca os fatos da


atualidade numa perspectiva melhor, contribui para que nos imunizemos contra a
crença de que o presente tem problemas insuperáveis em relação aos velhos
tempos. Cada era tem seus problemas. O conhecimento da história também
contribui para reduzir a tendência a pensar que as realizações da atualidade
representam uma culminância do “progresso” que conseguimos em relação às
realizações inferiores do passado.
Nesse sentido, Cambaúva (2000) reforça que, ao mesmo tempo em que a
Psicologia é uma ciência antiga, ela é jovem! Enquanto Ciência autônoma é jovem,
pois data da segunda metade do século XIX; entretanto, formulações psicológicas,
como psique e fenômenos psíquicos (consciência, sensação, percepção, sonhos,
memória) já preocupavam os filósofos da antiguidade.
Quanto à evolução no Brasil, Antunes (2014) nos conta que a preocupação
com os fenômenos psicológicos fez-se presente em ‘terras tupiniquins’3 desde os
tempos da colônia, aparecendo em obras escritas nas diferentes áreas do saber e,
mais tarde, durante o século XIX, em produções advindas de instituições como
faculdades de medicina, hospícios, escolas e seminários.
As mudanças advindas com o Império (século XIX) e mesmo com autonomia
relativa, trouxe profundas transformações à sociedade brasileira, entre as quais se
incluem significativas mudanças no plano cultural, inserindo-se aí a produção de
ideias e práticas de natureza psicológica. Nesse contexto, o pensamento psicológico
produzido nesse período diferenciou-se do precedente, particularmente pela
vinculação às instituições então criadas. A produção do saber psicológico ainda foi
gerada, no entanto, no interior de outras áreas de conhecimento, fundamentalmente
na Medicina e na Educação.
As Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia foram criadas em
1832, tendo sua origem nas Cadeiras de Cirurgia, na Bahia, e de Cirurgia e
Anatomia, no Rio de Janeiro, instaladas em 1808. Nessas faculdades, como
exigência para a conclusão do curso, o aluno deveria defender publicamente uma
tese de doutoramento ou inaugural, que lhe conferia o título de doutor. Grande parte
3
O primeiro contato dos portugueses quando chegaram ao Brasil se deu com os nativos da tribo
tupiniquim, da grande família Tupi-guarani, os quais lhe ofertaram de presente papagaios e araras,
espécies não existentes na Europa. Quando os portugueses voltaram para lá contaram esse encontro
e por um tempo o Brasil ficou conhecido como “Terra tupiniquim ou terra dos papagaios”.
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dos trabalhos sobre assuntos psicológicos, nessa época, é proveniente dessas


teses, que tratavam de temas relacionados à: Psiquiatria, Neurologia, Neuriatria,
Medicina Social e Medicina Legal. Muitas dessas teses antecedem a criação formal
de uma cátedra afim às questões psicológicas, pois a primeira delas, denominada
“Clínica das Moléstias Mentais”, foi criada em 1881 e, desde 1836, encontram-se
teses que tratam do fenômeno psicológico. Os assuntos tratados são muito variados,
dentre os quais: paixões ou emoções, diagnóstico e tratamento das alucinações
mentais, epilepsia, histeria, ninfomania, hipocondria, psicofisiologia. Instrução e
educação física e moral, higiene escolar, sexualidade e temas de caráter
psicossocial (ANTUNES, 2014).
Crescente interesse pela Medicina Legal é observado, assim como sua
proximidade com a Psicologia Social. A tese de Júlio Afrânio Peixoto, denominada
“Epilepsia e Crime”, é demonstrativa desse fato.
Nos anos finais desse período, temas bastante próximos da Psicologia,
propriamente dita, começam a aparecer de maneira significativa, revelando maior
rigor metodológico e uma base científica mais apurada. Vale lembrar que a
Psicologia conquistou o estatuto de ciência autônoma no último quartel daquele
século, momento em que aparecem teses que podem ser identificadas com a
ciência psicológica.
No final do século XIX é defendida a tese “Duração dos Atos Psíquicos
Elementares”, de Henrique Roxo, considerada por Lourenço Filho, Pessotti e
Pfromm Netto como o primeiro trabalho de Psicologia Experimental, baseado em
número significativo de dados obtidos experimentalmente, com o uso do “psicômetro
de Buccola”.
Não há duvidas de que a produção de ideias psicológicas foi também
produto dessa sociedade em transformação, sobretudo na busca de respostas às
necessidades que se diversificavam e se impunham pelos novos tempos. As
transformações econômicas, com suas consequências para o incremento do
processo de urbanização, acabaram por trazer à tona novos problemas ou a
explicitação de problemas antigos, que o país não se encontrava preparado para
resolver. Nesse contexto, a Medicina e a Educação foram chamadas a contribuir

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para a solução dos problemas, incluindo-se aí a preocupação com o fenômeno


psicológico em várias de suas dimensões.
Em resumo, o desenvolvimento do pensamento psicológico no Brasil, no
século XIX, não pode ser visto apenas na sua dimensão local. É necessário
considerar que a preocupação com os fenômenos psicológicos vinha, durante
séculos, se desenvolvendo; entretanto, é no século XIX que a evolução da Filosofia,
de um lado, e dos conhecimentos produzidos pela Fisiologia, de outro, começaram a
caminhar em direção a uma possível síntese.
O século XIX trouxe essa possibilidade para as ciências e para a Psicologia,
foi o momento fundamental que preparou as condições para sua autonomia. Esse
período não apenas sintetizou e aprofundou o conhecimento a respeito dos
fenômenos psicológicos, mas, mais que isso, as mudanças ocorridas na Europa do
século XVIII criaram desafios e necessidades que precisavam ser respondidas pelo
conhecimento produzido no século XIX. Aparece aqui também a problemática do
incremento do processo de urbanização decorrente, na Europa, do avanço do modo-
de-produção capitalista. Assim, uma sociedade que enfrentava, de um lado, os
problemas relativos à saúde, saneamento, habitação e outros, criados pela
densidade demográfica e, por outro lado, os movimentos sociais que questionavam
as bases sobre as quais aquela sociedade se erigia, precisava de instrumentos para
melhor compreender tais problemas e sobre eles intervir. Era necessário buscar o
controle, não apenas de problemas como epidemias, mas também da conduta
humana. A isso, acrescenta-se que a ideologia burguesa colocava no indivíduo o
fundamento de uma sociedade baseada na propriedade privada, portanto pessoal e
individual; fazia-se necessário, pois, compreender o homem nessa dimensão. De
resto, é preciso considerar que uma formação social baseada na divisão social do
trabalho e no avanço técnico apontava para a especialização do conhecimento.
Nesse panorama, o contato de muitos brasileiros com os movimentos
intelectuais europeus inevitavelmente fez com que essas ideias, lá em franca
expansão, mais cedo ou mais tarde aqui chegassem também. A profusão de ideias
na Europa, somada às necessidades da sociedade brasileira, permitiu que aqui se
desenvolvessem, dentre várias áreas de conhecimento, também as ideias
psicológicas (ANTUNES, 2014).

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1.3 Objeto e objetivos


A Psicologia é uma ciência que tem como objeto de estudo os seres vivos
que estabelecem trocas simbólicas com o meio ambiente. Está relacionada às
ciências humanas (Filosofia, Teoria do Conhecimento) e biológicas (Biologia,
Neurofisiologia, Psicofarmacologia) e apresenta elementos comuns às ciências
sociais (Sociologia, Antropologia) e exatas (Ergonomia, Psicofísica).
Decorre daí a diversidade das abordagens e áreas de estudo na Psicologia,
bem como o grau de interdisciplinaridade e convergência dos seus temas. Na
Universidade de São Paulo, por exemplo, pesquisas no Instituto de Psicologia
abrangem desde o nível molecular, na Psicofarmacologia, ou biofísico, na
Psicofisiologia, ao epistemológico, na Epistemologia Genética, ao subjetivo, na
interpretação dos sonhos e motivações inconscientes, mantendo-se como fio
condutor o interesse pelo comportamento e pela experiência do indivíduo.
A Psicologia é a ciência que estuda nossas atitudes, nossos valores, nossos
pensamentos, nossos sentimentos, nossas ações, tanto de forma individual quanto
grupal, através de nossas intra e inter-relações com o mundo que nos cerca.
Souza (2011) pondera que o objeto de estudo da Psicologia de forma bem
ampla é o homem, porém a Psicologia não é considerada totalmente científica, pois
o pesquisador ao mesmo tempo em que pesquisa ele também está inserido na sua
própria pesquisa, agregando seus pensamentos e emoções à pesquisa tornando a
mesma cientificamente um tanto inválida.
Levando apenas em consideração o objeto humano como estudo da
Psicologia, ela pode ser de certa forma confundida com outras ciências. Mas o que
faz a Psicologia diferir das outras ciências humanas é o estudo da subjetividade, e é
ela que nos faz compreender a totalidade da vida humana, pois é o indivíduo em
todas as suas expressões visíveis, invisíveis, singulares e genéricas.

1.4 Campos de atuação


O campo da Psicologia é muito vasto. Inclui atividades consagradas como a
Psicologia Clínica, Escolar, atividades em pesquisas básicas como o estudo dos
processos psiconeurológicos e memória, e um enorme conjunto de possibilidades
aplicadas e de pesquisa que inclui Matemática, Física, Informática, Engenharia,

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Enfermagem, Trânsito, Ecologia, Psicofísica, Genética, Administração, Comunidade,


Sociologia, Antropologia, Educação e Marketing.
A Psicologia é uma ciência aplicada, mas também é uma ciência básica de
grande importância para qualquer campo de conhecimento. Uma maneira de
entender o seu vasto campo é distinguir suas duas grandes tradições. De um lado, o
interesse em saber o que é o nosso intelecto, isto é, a nossa capacidade de
conhecer (via cognitiva). Do outro, o interesse em saber como e porque somos
diferentes uns dos outros e respondemos de modos diferentes as influências
ambientais (via afetiva e conativa). Por exemplo, por que de uma mesma família sai
um filho altruísta e dedicado às soluções dos grandes problemas da humanidade e
um outro delinquente e criminoso? Por que uma criança vai para a escola e aprende
as lições com a maior facilidade e uma outra apresenta uma grande dificuldade no
seu aprendizado?
A Psicologia que conhecemos hoje é o resultado da confluência de
preocupações e métodos oriundos da Filosofia e da Fisiologia. Todas as funções
psicológicas decorrem de processos orgânicos. Avanços nos campos da Genética,
Neurofisiologia e Bioquímica trouxeram importantes esclarecimentos sobre
processos psicológicos básicos como, por exemplo, hereditariedade, agressividade,
depressão e ansiedade (GOMES, 2005).
Tanto que nosso curso será voltado para as questões neuropsicológicas,
mas antes, vejamos alguns dos campos dessa ciência que, por vezes, intriga aos
leigos.
A Psicologia Clínica é geralmente centrada em torno de ambientes
hospitalares, sendo mais um tipo de Psicologia que lida com distúrbios mentais,
como a depressão, entre outros. O aspecto de aconselhamento é bastante
autoexplicativo. Os terapeutas oferecem um aconselhamento familiar para resolver
problemas.
A Psicologia Social se concentra na interação de pessoas em condições
especiais e em grupos. Em resumo, ele examina a maneira como as pessoas
interagem umas com as outras. Destaca a lógica por trás daqueles que podem estar
com falta de capacidade na comunicação em grupo. O estudo da Psicologia Social

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seria mais bem aplicado aos grandes grupos que podem ter dificuldade em lidar com
o outro também.
A Psicologia aplicada ao ambiente industrial nos lembra de relações de
trabalho. São atribuídos psicólogos para ajudar as grandes empresas e escritórios
de empresas com problemas que os funcionários podem ter. Com o esforço
contínuo de trabalho, família e finanças, bem como as relações que desempenham
um papel importante na vida de tantas pessoas, o domínio industrial da Psicologia é
uma grande ajuda que é oferecida pelos empregadores a seus empregados.
Segundo Santos (2000), em Psicologia, o termo atividade se alinha
conceitualmente às diferentes abordagens que procuram explicar a natureza do
comportamento e sua previsibilidade social. A busca pela elaboração de modelos
que permitam compreender os comportamentos do homem, de um lado, como um
sistema de recepção e tratamento da informação, e de outro lado, como um sistema
de transformação de energia, produziram diferentes formulações sobre o
desempenho das pessoas naquilo que elas fazem ou se proponham a fazer.
A visão de “homem” movido por determinantes internas (solicitações) ou
submetido às condicionantes externas (cargas de trabalho), originou, na Psicologia
do trabalho, concepções que contemplam ambas as definições. Na verdade, o
trabalho pode ser visto como um subsistema menor das coisas que fazemos para
aliviar nossas tensões, mas também pode representar a atividade principal de
realização objetiva do ser humano. De uma forma ou de outra, o trabalho é
incorporado subjetivamente no nosso modo de perceber e fazer as coisas que
necessitamos.
Além disso, podemos dizer que a diferença entre o trabalho formal (tarefa) e
o trabalho real (atividade), elemento fundamental do estudo do comportamento do
homem no trabalho, permite definir níveis da análise das atividades de trabalho, que
podem servir à teoria psicológica geral.
Segundo essa ótica, existem três grandes campos que são
interdependentes, relativos ao estudo das atividades de trabalho:
1. as comunicações – para agir é necessário efetuar trocas de informações
sobre o estado da situação na qual nos encontramos;

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2. as regulações – toda ação consiste em reduzir a diferença entre um estado


desejado de uma determinada situação e o estado atual no qual nos
encontramos;
3. as competências – as modalidades e as possibilidades de reduzir esta
diferença dependem diretamente das habilidades cognitivas e sensório-
motoras que o sujeito dispõe (SANTOS, 2000).

Pois bem, os psicólogos buscam estudar conceitos como a percepção,


cognição, emoção, personalidade, comportamento, relacionamento interpessoal,
individual e coletiva e do inconsciente, incluindo-se aqui questões relacionadas com
a vida quotidiana, por exemplo, família, educação e trabalho. Focam também o
tratamento de problemas de saúde mental, buscando compreender o
comportamento social e a dinâmica social, ao mesmo tempo em que incorporam os
processos subjacentes fisiológicos e neurológicos em suas concepções de
funcionamento mental.
Inclui muitos subdomínios de estudo e de aplicação em causa em áreas
como o desenvolvimento humano, desporto, saúde, indústria, meios de
comunicação social, direito (ALVES, 2008).

Guarde...
Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e seus
processos mentais, ou seja, é a área da ciência que estuda o que motiva o
comportamento humano – o que o sustenta, o que o finaliza e também seus
processos mentais, que passam pela sensação, emoção, percepção, aprendizagem,
inteligência.
Os conhecimentos produzidos pela Psicologia e a complexidade e
capacidade de transformação do ser humano, acabaram por ampliar em grande
medida sua área de atuação, possibilitando cada área uma gama infinita de
descobertas sobre o homem e seu comportamento, ou sobre o homem e suas
relações.
O estado psicológico humano é fundamental para desfrutar do bem
individual e, por consequência, o bem comum. Assim, a Psicologia busca

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permanentemente métodos para o desenvolvimento cognitivo, emocional e


relacional dos indivíduos e sua interação social.

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UNIDADE 2 – NEUROLOGIA

Figura 3: Neuropsicologia.
Fonte: https://www.amato.com.br/content/o-que-faz-o-neurologista

2.1 Conceitos e definições


A Neurologia é a especialidade médica que se dedica ao diagnóstico e
tratamento das doenças estruturais do Sistema Nervoso Central (composto pelo
encéfalo e pela medula espinal) e do Sistema Nervoso Periférico (composto pelos
nervos e músculos), bem como de seus envoltórios (que são as meninges) (REED,
2004).
Doença estrutural significa que há uma lesão identificável em nível genético-
molecular (mutação do material genético DNA), bioquímico (alteração de uma
proteína ou enzima responsável pelas reações químicas que mantêm as funções
dos tecidos, órgãos ou sistemas) ou tecidual (alteração da natureza histológica ou
morfológica própria de cada tecido, órgão ou sistema).
Em outras palavras, existe uma alteração neuroanatômica ou
neurofisiológica que produz manifestações clínicas, as quais devem ser
interpretadas.
Este exercício de associação dos sintomas e sinais neurológicos
apresentados pelo paciente (diagnóstico sindrômico) com o tipo de função alterada e
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17

com a estrutura anatômica a ela associada (diagnóstico anatômico ou topográfico) é


a base do raciocínio em Neurologia Clínica.
De acordo com a Academia Brasileira de Neurologia, o Neurologista,
Neurocirurgião e Neurologista infantil possuem formações diferentes.
O Neurologista estuda as doenças que serão tratadas clinicamente, tendo
durante a sua formação um grande aporte de conhecimento e experiência a
respeito de medicamentos, as interações entre esses medicamentos e sua
ação sobre a doença e sobre o indivíduo. Tem antes de tudo uma formação
clínica e não realiza procedimentos cirúrgicos.
O Neuropediatra exerce o mesmo papel do neurologista, mas a sua formação
é voltada especificamente para as doenças neurológicas de crianças.
O Neurocirurgião não é submetido ao mesmo tipo de treinamento do
neurologista para a aprendizagem do diagnóstico, tratamento clínico e
conhecimento sobre o manejo das drogas da extensíssima variedade de
doenças neurológicas. O seu foco é o tratamento das doenças do sistema
nervoso através de cirurgia e atua, principalmente, em centros cirúrgicos4.

2.2 Surgimento e evolução


A Neurologia surgiu como uma especialidade da Medicina Interna, durante a
segunda metade do século XIX, no hospital Salpêtrière, em Paris, França, com o
médico Jean-Martin Charcot5. Pode-se dizer que, graças a ele, a Neurologia se
desenvolveu e passou a ser lecionada no ensino universitário da França, por isso
que Charcot é considerado o “Pai da Neurologia” tendo influenciado todo o mundo,
inclusive na formação da escola brasileira de Neurologia, sendo este período
considerado o pré-clássico da história.
Além de Charcot, podemos incluir alguns discípulos como Joseph Babinski,
Gilles de la Tourette, Edouard Bissaud e outros que influenciaram a formação
brasileira.

4
Ver o site:
http://www.cadastro.abneuro.org/site/conteudo.asp?id_secao=33&id_conteudo=51&ds_secao=Impren
sa
5 Em 1882, Jean Martin Charcot (1825-1893) foi indicado na Faculdade de Medicina de Paris como
professor da autônoma disciplina neurológica, notabilizada por seu detentor, apesar de pouco antes a
Universidade de Harvard ter criado a cadeira de Fisiologia e Patologia de Sistema Nervoso (1864) e a
Universidade da Pensilvânia, a de Neurologia.
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18

Como a maioria dos psiquiatras da segunda metade do século XIX aderiu à


“Psiquiatria do cérebro”, principalmente a Escola Germânica, a prática
neuropsiquiátrica era comum, mesmo no Brasil, e em alguns estados brasileiros
permaneceu assim até meados do século XX. Charcot na Europa e, mais tarde,
Antônio Austregésilo Rodrigues de Lima (“o pai da Neurologia brasileira”) estudaram
a histeria com especial atenção.
Até 1883, Neurologia e Psiquiatria indistintamente eram ministradas pelos
mestres da Clínica Médica. Teixeira Brandão foi um dos fundadores da Policlínica
Geral do Rio de Janeiro (1881) e médico do seu Serviço de Moléstias do Sistema
Nervoso. Em 1893, foi criado no Hospício o Pavilhão de Observação que desde
então foi dirigido por um professor de Doenças Nervosas e Mentais da Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro, e não pelo diretor do Hospício. Antônio Austregésilo
Rodrigues de Lima (1876-1960), fundador da Neurologia Brasileira (1912-1943?), foi
nomeado para o Hospício Nacional de Alienados em 1904 e tornou-se responsável
por sua ala masculina. A avaliação de rotina no hospício incluía também um exame
do sistema nervoso, além de testes antropométricos. Para superar os problemas que
foram relatados por comissões anteriores, novos pavilhões foram construídos, entre
eles um para as crianças e epilépticos. Entre os pavilhões preparados para
epilépticos, incluíram-se Griesinger (para mulheres) e Guislain (para homens). Para
esses pacientes, camas especiais foram compradas com tábuas de madeira
forradas que impediam que os pacientes caíssem em caso de crises noturnas. Na
época, o conhecimento era de que os pacientes com epilepsia podiam cometer o
pior tipo de loucura, por isso deviam passar por um processo de ordem social e
proibição de viver livres nas ruas (GOMES, TEIVE, 2012).
O início da Neurologia formal começa em 1912, com a Neurologia clássica
brasileira e a primeira cátedra da área. A fundação da Academia Brasileira de
Neurologia (ABN) se configurou no arauto da Neurologia moderna. A Neurologia
pós-moderna se situa na atualidade e, especialmente, no âmbito da world wide web
(rede de alcance mundial), na revolução de costumes, incremento ainda maior de
conhecimento e de divulgação/ intercâmbio (GOMES; TEIVE, 2012).
Dando um grande salto na história (século XX e XXI), tempos de constantes
mudanças sociais, políticas e tecnológicas, o campo da Neurologia conta com as

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19

mais variadas técnicas, instrumentos, metodologias e conceitos para estudo,


diagnóstico e tratamento de doenças neurológicas.
Enfim, as fases pelas quais passou a Neurologia no Brasil foram muitas.
Sugerimos a quem interesse por essa parte da história que leia a publicação da
Associação Brasileira de Neurologia “História da Neurologia Brasileira” que se
encontra disponível em:
http://www.cadastro.abneuro.org/site/Livro%20ABN%20Historia%20da%20Neurologi
a%20no%20Brasil.pdf

2.3 Doenças abordadas pela Neurologia


Se considerarmos a enorme complexidade anatômica e funcional do
Sistema Nervoso, entende-se que os sinais e sintomas que sugerem uma doença
neurológica sejam muito variados e possam ocorrer de forma isolada ou combinada
(REED, 2004).
Tais sintomas e sinais neurológicos são principalmente:
a) alterações psíquicas (distúrbios da consciência, do comportamento, da
atenção, da memória, da organização do pensamento, da linguagem, da percepção
e da organização de atos complexos, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor e
involução neuropsicomotora);
b) alterações motoras (déficit de força muscular ou paralisias nos diferentes
segmentos corporais, distúrbios da coordenação e do equilíbrio, movimentos
involuntários, por exemplo, tremores, e outros);
c) alterações da sensibilidade (anestesias, formigamentos, entre outros);
d) alterações da função dos nervos do crânio e da face (olfação, visão,
movimentos dos olhos, audição, mastigação, gustação, deglutição, fala,
movimentação da língua, do ombro e do pescoço);
e) manifestações endócrinas por comprometimento do hipotálamo ou
hipófise, que são as áreas do Sistema Nervoso que controlam as glândulas
endócrinas (atraso de crescimento, puberdade precoce, diabetes insipidus, e
outras);

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20

f) alterações dependentes da função do sistema nervoso autônomo


(cardiovasculares, respiratórias, digestivas, da sudorese, do controle de esfíncters
anal e vesical e outras);
g) manifestações devidas ao aumento da pressão intracraniana, em
decorrência do aumento de volume de um dos três componentes que ocupam a
caixa craniana (tecido cerebral, vasos sanguíneos cerebrais ou líquido
cefalorraquidiano), tais como dor de cabeça e vômitos; crises epilépticas, com ou
sem convulsões motoras, com ou sem alterações da consciência; manifestações de
comprometimento das meninges, principalmente rigidez de nuca.
Por sua vez, as doenças neurológicas podem ter diferentes origens:
genética ou hereditária;
congênita, ou seja, dependente de um distúrbio do desenvolvimento
embrionário ou fetal do Sistema Nervoso Central ou Periférico;
adquirida, ou seja, ocorrendo, com maior ou menor influência do ambiente, ao
longo dos diferentes períodos da vida, desde a fase neonatal até a velhice
(REED, 2004).
Quanto às doenças mais comuns tratadas pelo neurologista são:
cefaleias ou dores de cabeça;
distúrbios do sono (insônia, excesso de sono, sono não restaurador, ronco,
apneia do sono);
doenças cérebro-vasculares (AVC) ou “derrames”;
distúrbios do movimento (como tremores, tics e doença de Parkinson);
demências (como doença de Alzheimer);
doenças desmielinizantes (como a Esclerose Múltipla);
neuropatias periféricas (como a diabética);
doenças musculares e de junção (como a Miastenia Gravis);
desmaios, crises convulsivas e epilepsias;
tonturas e vertigens;
infecções do sistema nervoso (como meningites e encefalites);
tumores;
doenças degenerativas;
déficit de atenção e hiperatividade;

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21

formigamentos, perda de memória, confusão, perda de força, alteração na


visão, mudança de comportamento, entre outros.
A Neurologia tem interface com a psiquiatria e pode tratar de casos de
depressão, ansiedade, irritabilidade, pânico, entre outros (JACOBINA, 2017).

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22

UNIDADE 3 – NEUROPSICOLOGIA

Figura 4: Neuropsicologia.
Fonte: http://www.inpn.pt/neurop.htm

O Art. 3º da Resolução nº 02, de 03 de março de 2004, do Conselho Federal


de Psicologia (CFP), define assim a especialidade de Neuropsicologia:
Atua no diagnóstico, no acompanhamento, no tratamento e na pesquisa da
cognição, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da
relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral. Utiliza-se para isso de
conhecimentos teóricos angariados pelas neurociências e pela prática clínica, com
metodologia estabelecida experimental ou clinicamente. Utiliza instrumentos
especificamente padronizados para avaliação das funções neuropsicológicas
envolvendo principalmente habilidades de atenção, percepção, linguagem,
raciocínio, abstração, memória, aprendizagem, habilidades acadêmicas,
processamento da informação, visuoconstrução, afeto, funções motoras e
executivas. Estabelece parâmetros para emissão de laudos com fins clínicos,
jurídicos ou de perícia; complementa o diagnóstico na área do desenvolvimento e
aprendizagem.
O objetivo teórico da Neuropsicologia e da reabilitação neuropsicológica é
ampliar os modelos já conhecidos e criar novas hipóteses sobre as interações
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23

cérebro-comportamentais. Trabalha com indivíduos portadores ou não de


transtornos e sequelas que envolvem o cérebro e a cognição, utilizando modelos de
pesquisa clínica e experimental, tanto no âmbito do funcionamento normal ou
patológico da cognição, como também a estudando em interação com outras áreas
das neurociências, da medicina e da saúde.
Os objetivos práticos são levantar dados clínicos que permitam diagnosticar
e estabelecer tipos de intervenção, de reabilitação particular e específica para
indivíduos e grupos de pacientes em condições nas quais:
a) ocorreram prejuízos ou modificações cognitivas ou comportamentais
devido a eventos que atingiram primária ou secundariamente o sistema nervoso
central;
b) o potencial adaptativo não é suficiente para o manejo da vida prática,
acadêmica, profissional, familiar ou social; ou,
c) foram geradas ou associadas a problemas bioquímicos ou elétricos do
cérebro, decorrendo disto modificações ou prejuízos cognitivos, comportamentais ou
afetivos.
Além do diagnóstico, a Neuropsicologia e sua área interligada de
Reabilitação Neuropsicológica visam realizar as intervenções necessárias:
i. junto ao paciente, para que possam melhorar, compensar, contornar ou
adaptar-se às dificuldades;
ii. junto aos familiares, para que atuem como coparticipantes do processo
reabilitativo;
iii. junto a equipes multiprofissionais e instituições acadêmicas e profissionais,
promovendo a cooperação na inserção ou reinserção de tais indivíduos na
comunidade quando possível, ou ainda, na adaptação individual e familiar
quando as mudanças nas capacidades do paciente forem mais permanentes
ou a longo prazo.
Ainda no plano prático, fornece dados objetivos e formula hipóteses sobre o
funcionamento cognitivo, atuando como auxiliar na tomada de decisões de
profissionais de outras áreas, fornecendo dados que contribuam para as escolhas de
tratamento medicamentoso e cirúrgico, excetuando-se as psicocirurgias, assim como
em processos jurídicos nos quais estejam em questão o desempenho intelectual de

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24

indivíduos, a capacidade de julgamento e de memória. Na interface entre o trabalho


teórico e prático, seja no diagnóstico ou na reabilitação, também desenvolve e cria
materiais e instrumentos, tais como testes, jogos, livros e programas de computador
que auxiliem na avaliação e reabilitação dos pacientes.
Desenvolve atividades em diferentes espaços:
a) instituições acadêmicas, realizando pesquisa, ensino e supervisão;
b) instituições hospitalares, forenses, clínicas, consultórios privados e
atendimentos domiciliares, realizando diagnóstico, reabilitação, orientação à família
e trabalho em equipe multidisciplinar.

Pois bem, a Neuropsicologia é uma área do conhecimento em pleno e


constante desenvolvimento. Sua interface com diferentes disciplinas a torna
indispensável para uma melhor compreensão dos processos cognitivos normais e de
suas alterações em diferentes estados patológicos. Um dos aspectos da
Neuropsicologia que vem ganhando grande destaque no mundo todo é sua
aplicação no estudo dos processos cognitivos envolvidos no envelhecimento normal,
bem como no das alterações cognitivas associadas a diferentes doenças comuns
aos idosos, em particular as neurodegenerativas e cerebrovasculares (DINIZ, 2013).
Outros conceitos trazidos6 por Haase et al (2012):
A Neuropsicologia é considerada uma disciplina científica que se ocupa das
relações cérebro/funções cognitivas, ou seja, das funções cognitivas e suas bases
biológicas (RODRIGUES, 1993).
É uma ciência de caráter interdisciplinar em suas origens, que busca
estabelecer uma relação entre os processos mentais e o funcionamento cerebral,
utilizando conhecimento das neurociências, que elucidam a estrutura e o

6
RODRIGUES, N. Neuropsicologia: uma disciplina científica. Em: Rodrigues, N. & Mansur, L. L.
(Eds.). Temas em neuropsicologia, 1, 1-18. São Paulo: Tec Art., 1993.
SERON, X. Toward a cognitive neuropsychology. International Journal of Psychology, 17, 149-156,
1982.
LEZAK, M. D., HOWIESON, D. B., & LORING, D.W. Neuropsychological Assessment (4th ed.). New
York: Oxford University Press, 2004.
BARBIZET, J., & DUIZABO, P. Manual de Neuropsicologia. Porto Alegre: Artmed, 1985.
LURIA, A. R. Higher cortical functions in man. New York: Basic Books, 1966.
BENTON, A. L. Introducción a la neuropsicología. Barcelona: Fontanella, 1971.
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25

funcionamento cerebral, e da Psicologia, que expõe a organização das operações


mentais e do comportamento (SERON, 1982).
Define-se também como uma ciência dedicada a estudar a expressão
comportamental, emocional e social das disfunções cerebrais (LEZAK et al., 2004),
os déficits em funções superiores produzidos por alterações cerebrais (BARBIZET &
DUIZABO, 1985), as inter-relações entre cérebro e comportamento, cérebro e
funções cognitivas (LURIA, 1966) e, de forma mais ampla, as relações entre cérebro
e comportamento humano (BENTON, 1971). Entre as funções neuropsicológicas
estão atenção, percepção, orientação autopsíquica, temporal e espacial, linguagem
oral e escrita, memória, aprendizagem, funções motoras, praxias, raciocínio, cálculos
e funções executivas.

3.1 Aspectos históricos


Mais uma vez vimos enaltecer a história, pois ela sempre é um recurso
precioso para o estudo do movimento das ideias, isto é, o surgimento de uma
determinada proposição, seu impacto imediato ou tardio, seu declínio, seu retorno
em outro tempo sob condições diferentes, ou a rejeição definitiva pela falta de
evidências (KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES, 2001).
A Neuropsicologia é uma ciência do século XX, que se desenvolveu
inicialmente a partir da convergência da neurologia com a Psicologia, no objetivo
comum de estudar as modificações comportamentais resultantes de lesão cerebral.
Atualmente, podemos situá-la numa área de interface entre as neurociências (neste
caso, ela também pode ser chamada de neurociência cognitiva), e as ciências do
comportamento (Psicologia do desenvolvimento, Psicolinguística, entre outras)
entendendo que o seu enfoque central é o estudo da relação sistema nervoso,
comportamento, e cognição, ou seja, o estudo das capacidades mentais mais
complexas como a linguagem, a memória, e a consciência (PINHEIRO 2005).
Vamos nos contradizer... embora, seja uma ciência nova, em franco
desenvolvimento e recheada de novas descobertas, podemos dizer que sua história
começa na Antiguidade. Vejamos:
De acordo com Lent (2002), desde os primórdios, as antigas civilizações
como: astecas, maias, egípcios, chineses e assírios tinham curiosidade em

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26

compreender a mente em relação ao corpo, inclusive cogitavam que o encéfalo era


essencial para a vida, pois era a base da cognição e dos comportamentos humanos.
Posteriormente, grandes colaboradores para o avanço da ciência como Hipócrates,
Aristóteles, Galeno, Charles Darwin, Galvani, Broca, Franz Gall, entre outros,
mostram diferentes estudos sobre a anatomia do corpo sob diversos pontos de vista.
Os filósofos afirmavam que a mente estava localizada no cérebro, pois a
questão da região em que encontrava-se a mente era muito evidente, veja:
Pitágoras (580-510 a.C.) admitia que no encéfalo estava situada a mente,
enquanto no coração localizavam-se a alma e as sensações;
Alcmeon (cerca de 500 a.C.) descreveu os nervos ópticos e investigou os
distúrbios funcionais do encéfalo, considerando-o a sede do intelecto e dos
sentidos;
Hipócrates (cerca de 460-370 a.C.) discutiu a epilepsia como um distúrbio do
encéfalo, e o considerava como sede da inteligência e das sensações (tese
cefalocentrista);
Platão (427-347 a.C.) considerava o encéfalo como sede do processo mental
e julgava a alma tríplice, sendo o coração a sede da alma afetiva, o cérebro
da alma intelectual, e o ventre da concupiscência (apetite sexual);
Aristóteles (384-322 a.C.) admitia ser o coração o centro das sensações, das
paixões e da inteligência (tese cardiocentrista), enquanto o encéfalo tinha
como função refrigerar o corpo e a alma;
Herófilo (335-280 a.C.), médico de Alexandria, efetuou grandes avanços
anatômicos, estudando com minúcias, entre outros, o sistema nervoso central
e o periférico (PINHEIRO 2005).
A última grande contribuição da Idade Antiga veio de Galeno (129-200 a.C.),
cujas teorias sobre o corpo humano, com seus acertos e erros, dominaram a
medicina por quatorze séculos. Para ele, os nervos originavam-se no cérebro e na
medula e não no coração como ensinava Aristóteles. Os nervos seriam condutos
que transportariam os fluidos secretados pelo cérebro e medula espinhal para a
periferia do corpo. O cérebro seria a sede da sensação, do movimento e do
intelecto. Galeno explicava que a sensação era a mudança qualitativa de um órgão

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sensitivo e a percepção, enquanto ação do cérebro, era a consciência dessa


mudança (KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES, 2001; PINHEIRO, 2005).
O problema corpo-alma continuou a preocupar o homem e durante a
segunda metade do século XVII e o início do século XVIII, motivou vários
pesquisadores na proposição de novas interpretações; tais ideias, contudo, tinham
como característica principal o fato de que se baseavam em especulações e não em
observações clínicas ou experimentais. Uma das teorias melhor conhecida é a de
René Descartes (1596-1650); esta teoria admitia que a alma (denominada res
cogitans, “a coisa pensante”) era uma entidade livre, não substantiva, imaterial,
indivisível e o corpo (res extensa, “extensão da coisa”) uma parte mecânica,
material, divisível.
Embora diferentes, a alma interagia com o corpo por meio da glândula
pineal, que também funcionava como centro de controle. Assim, no conceito
cartesiano, a alma (o espírito) transcende o corpo e este é matéria dotada de
movimento, como uma máquina (KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES, 2001;
PINHEIRO, 2005).
Esta teoria provocou uma “dissociação mente e corpo e os indivíduos
passaram a se identificar com a sua mente racional e não com o organismo”
(SANVITO, 1991, p. 152); surgiram então as expressões “corpo sem alma”, “alma
sem corpo”, e “de corpo e alma” (completamente, inteiramente).
Damásio (1996) discute a afirmação “penso, logo existo” (em francês, “je
pense, donc je suis”), publicada por Descartes, em 1637, na obra O discurso do
método, e depois, em 1644, na obra Princípios de Filosofia (em latim, “cogito ergo
sun”). Para Damásio, a referida citação afirma o oposto daquilo que ele acredita ser
verdade acerca das origens da mente e da relação entre a mente e o corpo. Isso
porque o conhecimento atual sobre o desenvolvimento filogenético (entre espécies
biológicas) e ontogenético (em uma espécie biológica; no caso, Homo sapiens)
permite-nos compreender que muito antes do aparecimento da humanidade, os
seres já eram seres. O surgimento de uma consciência elementar e com ela uma
mente simples, que com uma maior complexidade possibilitou o pensar e, mais tarde
o uso de linguagens para comunicar e melhor organizar os pensamentos, é anterior
ao surgimento dos humanos modernos. Mesmo no presente, quando viemos ao

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28

mundo e nos desenvolvemos, começamos por existir, e só mais tarde pensamos;


daí, para Damásio (1996, p. 279) “existimos e depois pensamos e só pensamos na
medida em que existimos, visto o pensamento ser, na verdade, causado por
estruturas e operações do ser”.

A crença de Descartes em uma mente separada do corpo, uma mente


desencarnada, contribuiu para alterar o rumo da medicina, ajudando-a a
abandonar a abordagem da mente-no-corpo que predominou de Hipócrates
até o Renascimento, e moldou a forma peculiar como a medicina ocidental
aborda a investigação e o tratamento da doença (prática médica). Como
resultado, as consequências psicológicas das doenças do corpo,
propriamente dito, as chamadas doenças físicas, são normalmente
ignoradas ou levadas em conta muito mais tarde; mais negligenciados ainda
são os efeitos dos conflitos psicológicos no corpo (DAMÁSIO, 1996, p. 282).

Além disso, a ideia cartesiana da mente separada do corpo explica porque


ainda hoje muitos investigadores em Psicologia se julgam capazes de entender a
mente sem nenhum recurso à Neurobiologia (“Psicologia sem cérebro”) ou porque
para muitos neurocientistas a mente pode ser perfeitamente explicada em termos de
fenômenos cerebrais, deixando de lado o resto do organismo e o meio ambiente
físico e social (ignorando também que o próprio meio é um produto das ações
anteriores do organismo) (PINHEIRO, 2005).
No século XVIII, os esforços para a explicação da relação mente-cérebro
prosseguiram com os trabalhos de David Hartley (1705-1757), de Albrecht von Haller
(1707-1777) e do húngaro Porchaska (1749-1820). Hartley recorreu à teoria das
vibrações no Principia de Newton, publicado em 1687, para explicar a sensação
como um processo físico. Assim, as alterações dos nervos, produzidas pela ação de
um objeto sobre o organismo constituindo impressões eram para ele decorrentes de
vibrações. Para tanto, nervos, medula espinhal e cérebro eram descritos como
uniformes, homogêneos e formados por uma só substância.
Haller interessou-se pelas localizações cerebrais, mostrando inicialmente
que o córtex não era a sede da sensação nem causa exclusiva do movimento. A
base da sensação e do movimento era a substância branca do cérebro e do
cerebelo. Ademais, Haller definiu a memória como sendo a persistência das
impressões sobre a substância cerebral. As circunvoluções do cérebro eram para
aumentar o espaço disponível para a memória.

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29

Porchaska localizou as faculdades (imaginação, percepção, memória) no


ponto terminal interno dos nervos. Mesmo com os avanços decorrentes da pesquisa
anatômica, os cientistas no século XVIII ainda consideravam o cérebro como um
órgão homogêneo, que distribui energia vital para todas as partes do corpo, atuando
conforme a vontade do indivíduo (LECOURS; LHERMITTE, 1983 apud
KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES, 2001).
No século XIX, a descoberta de que o córtex cerebral, até então considerado
homogêneo do ponto de vista funcional, apresentava áreas anatomicamente
definidas, deu suporte à ideia de que diferentes funções mentais estavam alojadas
nas diferentes porções do córtex. O mais ilustre e provavelmente o primeiro
proponente da localização cerebral das funções mentais foi o austríaco Franz
Joseph Gall (1758-1828), o qual acreditava que o cérebro era na verdade um
conjunto de órgãos separados, cada um dos quais controlava uma “faculdade”
(aptidão) inata separada (WALSH, 1994, p. 14 apud PINHEIRO, 2005).
Originalmente, Gall postulou a existência de 27 “faculdades afetivas e
intelectuais” (entre elas, benevolência, agressividade, sentido da linguagem, amor
parental); este número foi posteriormente aumentado. O desenvolvimento de uma
determinada “faculdade” causava uma hipertrofia na zona cortical correspondente;
esta zona hipertrofiada exercia pressão sobre a calota craniana, produzindo neste
local uma pequena saliência óssea. As funções pouco desenvolvidas ou ausentes
produziam, ao contrário, uma depressão na superfície craniana.
Assim, pelo processo da cranioscopia (apalpação das proeminências) o
praticante da Frenologia poderia determinar a natureza das propensões do
indivíduo. E como as “faculdades” se encontravam em áreas circunscritas, essas
ideias deram origem à chamada corrente localizacionista (e ao consequente
surgimento dos mapas frenológicos).
Descartada a partir de meados do século XX enquanto procedimento
científico, a Frenologia, ainda hoje apresenta muitos adeptos. Quem nunca ouviu as
expressões “cabeça chata” e “testa baixa”; elas se mantêm de uso corrente e são
usadas no cotidiano para denotar pouca inteligência ou mesmo características de
sujeitos de “raça inferior” (numa clara alusão preconceituosa) (PINHEIRO, 2005).

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Gall estabelecia a função a partir do sintoma, isto é, se a lesão de uma


determinada zona do cérebro causava perturbação de um determinado
comportamento, isso se devia ao fato desta atitude ter sua sede nesta região.
Admitir que cada parte do córtex cerebral tem uma função diferente deveria
permitir, por exemplo, que se provocasse deficiências comportamentais específicas
por meio da remoção de porções circunscritas desse córtex; com o intuito de testar
essa hipótese, muitos cientistas começaram a provocar lesões cerebrais em animais
de laboratório e a observar suas consequências. Para Herculano-Houzel (2001, p.
21), “estes experimentos marcaram o nascimento da neurociência experimental que
conhecemos hoje”.
Entre os opositores do localizacionismo, merece destaque o Fisiologista
francês Marie-Jean-Pierre Flourens (1794-1867); este acreditava que as funções
mentais não dependiam de áreas particulares do sistema nervoso, mas que este
funcionava como um todo, de modo orquestrado, integrado. Suas ideias anteciparam
a noção de equipotencialidade (plasticidade neuronal), isto é, a capacidade de
outras partes do cérebro assumirem funções do tecido neural lesado e deram início
ao movimento que resultou na corrente holista (não localizacionista, unitarista) da
função cerebral.
O século XIX foi também particularmente importante por ter demarcado o
nascimento da Neuropsicologia da linguagem. Isso porque, embora a literatura
inclua registros de observações clínicas sobre distúrbios de linguagem em
decorrência de traumatismo cerebral feitos há milhares de anos, foi apenas no
século XIX que as correlações anátomo-clínicas entre lesões cerebrais e patologia
da linguagem tornaram-se um importante foco de atenção.
Entre os estudiosos que investigaram indivíduos com comprometimento na
linguagem decorrentes de lesão cerebral, destaca-se o médico e antropólogo
francês Pierre-Paul Broca (1824-1880) e o neurologista alemão Carl Wernicke
(1848-1905).

Em 1865, baseando-se em vários estudos anatomo-patológicos de


pacientes com perda da fala (‘amnésia verbal’), Broca estabeleceu para
sede da linguagem articulada a parte posterior da terceira circunvolução
frontal do hemisfério esquerdo (região atualmente conhecida como área de
Broca). O distúrbio descoberto por Broca foi por ele denominado de afemia,
mas na literatura médica, o termo consagrado foi ‘afasia’. Anos depois,
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Broca publicou a famosa frase ‘nous parlons avec l’hémisphère gauche’ –


nós falamos com o hemisfério esquerdo (WALSH, 1994, p. 17).

A frase de Broca depois se tornou um marco na história do funcionamento


cerebral. A localização da sede da faculdade de expressão oral no hemisfério
esquerdo não implicava apenas na aceitação de uma assimetria funcional dos
hemisférios cerebrais; Broca também acreditava que, no que tange a linguagem
expressiva, o hemisfério esquerdo era dominante sobre o direito, ou seja, o direito
exercia apenas papel coadjuvante ou secundário.
Note-se que a ideia da dominância hemisférica é precursora da concepção
moderna de especialização funcional dos hemisférios cerebrais que, em síntese,
admite que os dois hemisférios sempre trabalham em conjunto, mas como detêm
especializações funcionais, um se encarrega de um grupo de funções enquanto o
segundo encarrega-se de outro; no caso dos dois hemisférios realizarem a mesma
função, as diferenças residem nos modos de execução ou estratégias funcionais de
cada hemisfério.
Em 1874, Wernicke mostrou que, assim como uma lesão unilateral anterior é
suficiente para perturbar a expressão oral, uma lesão do mesmo lado localizada
posteriormente no hemisfério esquerdo causa frequentes problemas de
compreensão da linguagem falada. Esses problemas são associados a uma
linguagem fluente, mas aberrante, sendo que a pessoa erra ao usar palavras ou
sons.

A área atingida pelas lesões estudadas por Wernicke recebeu,


posteriormente, em sua homenagem, a denominação de área de Wernicke
e, atualmente, tem sido considerada restrita ao terço posterior do giro
temporal superior esquerdo, incluindo a parte oculta do assoalho do sulco
lateral de Sylvius (LENT, 2001, p. 636).

Deve-se também a Wernicke, a elaboração do primeiro modelo científico do


processamento linguístico − este modelo considera que a área de Broca contém os
programas motores da fala (isto é, as memórias dos movimentos, que permitem a
estes expressar os fonemas, compô-los em palavras e estas em frases), enquanto a
área descrita por Wernicke contém as memórias dos sons que compõem as
palavras, possibilitando sua compreensão. Quando as duas áreas se conectam, a
pessoa associa a compreensão das palavras ouvidas com a sua própria fala.
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Anatomicamente, as duas áreas são conectadas por um feixe de fibras nervosas


que se encontra imerso na substância branca cortical e se denomina feixe arqueado.
Assim, Wernicke previu corretamente que uma lesão desse feixe deveria provocar
uma “afasia de condução”, na qual os pacientes seriam capazes de apresentar uma
fala fluente, mas cometendo erros de repetição e de resposta a comandos verbais.
A descoberta do fato de que formas complexas de atividade mental podiam
ser localizadas em regiões circunscritas do córtex cerebral da mesma forma que
funções elementares (tais como movimento e sensação), suscitou a realização, por
mais de meio século, de um grande número de estudos que visavam demonstrar
que todos os processos mentais complexos eram o resultado do funcionamento de
áreas locais individuais. Tal abordagem de estudo é dita reducionista
(KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES, 2001; PINHEIRO; 2005).
Paralelamente ao trabalho de Broca e Wernicke, foram descritas áreas
cerebrais responsáveis por funções não linguísticas. Por exemplo, em 1855, o
neurologista italiano Panizza relatou uma importante descoberta: cegueira
permanente desenvolvida em indivíduos com uma lesão na região occipital (LURIA,
1966).
Esta descoberta foi posteriormente reforçada pela observação de que
animais com tais lesões, embora retivessem a visão, perdiam formas mais
complexas de percepção visual. Em 1881, Munk observou em cachorros que a
destruição de áreas occipitais dos hemisférios cerebrais produzia um fenômeno
característico: o animal mantinha a habilidade para ver e evitar objetos, mas não
conseguia reconhecê-los (Luria, 1966 apud KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES,
2001).
Após vários recortes ao longo da história, vamos chegando aos séculos XX
e XXI, mas somente com algumas amostras dos acontecimentos, pois estes serão
vistos em detalhes ao longo do curso.
O termo Neuropsicologia foi usado pela primeira vez pelo neurologista
William Osler, em 1913, mas já sabemos que essa área do conhecimento é bem
mais antiga e interdisciplinar. A Neuropsicologia, tal como conhecemos hoje, surge,
em 1932, na França, como o trabalho pioneiro de três autores representantes de

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diferentes áreas: um neurologista (Aloajouanine), um psicólogo (Ombredane) e uma


linguista (Duran).
É importante salientar que a história da Neuropsicologia se mescla com a
história da Neuropsicologia da Linguagem (ou Neuropsicolinguística), desde o início
da década de 1860, com as ideias de Dax (1836) e de Broca (1861) sobre o papel
especial do hemisfério cerebral esquerdo (HE) para a fala/linguagem. Conhecida
inicialmente como “afasiologia”, apenas a partir de 1932 ela se torna realmente uma
área interdisciplinar, congregando as áreas de Neurologia, Linguística e Psicologia
(KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES, 2001; PINHEIRO, 2005; HAASE et al., 2012).
Kristensen; Almeida e Gomes (2001) ressaltam que o termo Neuropsicologia
apareceu ainda como um subtítulo na obra de 1949 de Donald Hebb chamada The
Organization of Behavior: A Neuropsychological Theory. No entanto, anterior a esta
data, a Psicologia já almejava o status de ciência através da Psicologia Fisiológica.
O termo Psicologia Fisiológica foi, na verdade, proposto por Wundt como título do
seu livro ‘Princípios da Psicologia Fisiológica’, publicado em 1874 e reeditado na
Alemanha até 1911. Durante muitos anos ‘Psicologia Fisiológica’ foi um termo
genérico utilizado para se referir a pesquisas realizadas em laboratório e, por isso,
mais associado ao método do que ao objeto. As mudanças na agenda da Psicologia,
por influência do evolucionismo, intensificaram os estudos funcionais sobre
comportamento, pensamento e inconsciente, colocando em segundo plano as
relações entre mente e cérebro. Esse interesse continuou com muito vigor entre
médicos que tratavam e estudavam os problemas de afasia e a associação desta
disfunção com alguma parte do cérebro.
Recentemente, os sistemas linguísticos foram tratados pelos psicolinguistas
sob uma abordagem neuropsicológica, passando-se a produzir obras especializadas
nas bases neurais da linguagem. Entre tantas contribuições, destacam-se as
revisões conceituais sobre as áreas de Broca e de Wernicke, anteriormente citadas.
O “modelo neurolinguístico”, proposto por Wernicke, foi substituído pelo
“modelo neuroanatômico conexionista da linguagem falada”, que surgiu a partir da
análise dos sintomas de pacientes com lesões pequenas e envolve a interação de
diversas áreas corticais, mais restritas do que as definidas por Broca e Wernicke.
Pelo modelo conexionista, a área de Wernicke não é a responsável pela

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compreensão do significado das palavras, mas faria a identificação das palavras


como tal, isto é, seria uma das sedes do léxicon fonológico.
A afasia de compreensão propriamente dita seria típica de lesões mais
posteriores, que atingem o giro angular e o supramarginal; nessas regiões estaria
uma das sedes do léxicon semântico ou mesmo o centro conceitualizador. Pacientes
com lesões nestes locais repetem corretamente as palavras, mas não entendem o
que repetiram. Outro tipo de afasia de compreensão surge a partir de lesões dos
giros temporais médios e inferior (também locais do léxicon semântico); esta afasia é
denominada anômica fluente porque os pacientes têm fluência verbal, mas
incapacidade de identificar nomes de pessoas, animais ou objetos.

A revisão feita sobre a área de Broca considera que os portadores de


distúrbios de expressão mais severos apresentam alguma disartria
(dificuldade de articular a fala; um distúrbio claramente motor), afasia
anômica não fluente (fala dificultada principalmente nos verbos) e
agramatismo (dificuldade de construir frases gramaticalmente corretas).
Contudo, nos casos de lesões mais restritas, esses sintomas aparecem
dissociados; por exemplo, anomia com disartria surge quando as lesões
envolvem, além da área de Broca, as regiões motoras e pré-motoras
posteriores da fala (LENT, 2001, p. 638).

A partir da segunda metade do século XX, a Neuropsicologia firmou-se


efetivamente enquanto área de estudo, e embora a linguagem tenha sido a área
mais amplamente investigada, diversos temas têm sido enfatizados nos últimos anos
tais como: a atenção, a percepção visual e auditiva, e a memória.
Ainda entre os avanços obtidos, destacam-se a introdução e o
desenvolvimento de técnicas de observação do cérebro e/ou de sua atividade
(tomografia computadorizada, ressonância magnética, tomografia por emissão de
pósitrons, entre outros), o aperfeiçoamento dos instrumentos de avaliação
neuropsicológica, e o desenvolvimento de métodos de intervenção com o objetivo de
obter a restauração de funções psíquicas superiores comprometidas por lesão
cerebral (PINHEIRO, 2005).

Guarde...
Experimentalismo (século XIX) – envolve a mente e as sensações, e as
influências do inato e do aprendido sobre estes fenômenos.

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Funcionalismo e Comportamentalismo (início séc. XX) – através da


observação do comportamento, compreender o funcionamento da mente,
como se relacionam e favorecem a adaptação do indivíduo ao meio.
Cognitivismo (meados séc. XX) – estudos relacionados à percepção, intelecto
e memória.
Após o cognitivismo veio a influência da Gestalt e do advento da computação,
e assim a Psicologia Cognitiva foi definida como ramo da Psicologia,
buscando explicar cientificamente o processamento da atenção, da memória,
das funções visuomotoras, da linguagem e do pensamento (década de 70).
Na década de 80 houve o encontro da Neuropsicologia e Psicologia Cognitiva
– a Neuropsicologia Cognitiva.
No Brasil, a Neuropsicologia começou a aparecer com os estudos infantis dos
distúrbios da aprendizagem, através do prof. Lefèvre e os estudos sobre os
aspectos neuropsicológicos das epilepsias.
A partir do ano de 2004, a Resolução do Conselho Federal de Psicologia, nº
002/2004, regulamenta a prática da Neuropsicologia como área de
especialização da Psicologia, através de registro e titulação dos profissionais
(LEITÃO, 2012).

3.2 A interdisciplinaridade da Neuropsicologia


A Neuropsicologia faz parte de um corpo maior de conhecimento, as
Neurociências. Ela é uma área interdisciplinar7 de conhecimento e atuação, que
integra conhecimentos, instrumentos, métodos e modelos teóricos de várias áreas,
como a Psicologia, a Neurologia, a Psiquiatria (e outras áreas da Medicina), a
Linguística, a Psicolinguística, a Neurolinguística, a Inteligência Artificial, a
Fonoaudiologia, a Farmacologia, a Fisioterapia, a Terapia Ocupacional, a Educação,
a Biologia, entre outras (LEIS, 2005).
O profissional em Neuropsicologia, portanto, realiza uma revisão dos
conhecimentos, seleciona-os e utiliza-os em função de seu objetivo: compreender a
relação entre cérebro e funções mentais/cognitivas.

7
Interdisciplinaridade pode ser definida como um ponto de cruzamento entre atividades (disciplinares
e interdisciplinares) com lógicas diferentes.
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36

Conforme Lezak et al. (2004 apud HAASE et al., 2012), os profissionais


nesse campo têm formações em Psiquiatria, Neurologia, Neurocirurgia, Psicologia,
Fonoaudiologia, entre outras. As sociedades de classe em Neuropsicologia no Brasil
(Exemplo: Sociedade Brasileira de Neuropsicologia – SBNp) e no mundo (Exemplos:
Sociedade Latinoamericana de Neuropsicologia – SLAN –, e Sociedade
Internacional de Neuropsicologia – INS) são formadas por profissionais de várias
áreas e congregam conhecimentos advindos de pesquisa básica e aplicada de
contribuições interdisciplinares relevantes.
A Neuropsicologia Cognitiva, por exemplo, busca compreender o
funcionamento do cérebro normal e de suas disfunções por meio de modelos ou
arquiteturas funcionais de tratamento da informação. Procura extrair conclusões
sobre os processos cognitivos normais a partir dos padrões de processos alterados
ou intactos e das estratégias utilizadas, observados em pacientes com
lesões/disfunções cerebrais.
Conceitualmente, a Neuropsicologia cognitiva atual pode ser considerada
como uma das disciplinas que compõe a tentativa de síntese representada pela
Neurociência Cognitiva como uma possibilidade de uma moderna ciência da mente
(KANDEL; KUPFERMANN, 1997).
A Neuropsicologia refere-se, então, ao estudo das relações entre cognição e
comportamento humano e as funções cerebrais preservadas ou alteradas. Embora
possa existir um certo consenso quanto a uma definição geral do campo, não é
possível identificar uma abordagem metodológica hegemônica. Embora a linguagem
tenha sido a área mais amplamente estudada em Neuropsicologia, diversos outros
tópicos veem sendo enfatizados nesses últimos trinta anos, tais como: atenção,
percepção visual e auditiva e memória. Influenciada pelos avanços da Bioquímica, a
Neuropsicologia interessa-se pelos substratos orgânicos das emoções,
reconsiderando funções de áreas subcorticais e corticais e reanalisando as
consequências de lesões pré-frontais (DAMÁSIO, 1996; FUSTER, 1997 apud
KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES, 2001).
A Neuropsicologia Cognitiva tem papel importante também na validação de
conclusões obtidas com os estudos de neuroimagem e outros dados

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37

neuropsicológicos (CARAMAZZA & COLTHEART, 2006), tendo uma forte


contribuição da Psicologia Experimental (TEMPLE, 1997).
Ela está mais interessada no estudo de sintomas e manifestações (exemplo:
anomia) e não síndromes (grupos de sintomas), como afasia de Broca
(CARAMAZZA & COLTHEART, 2006), tendo sido útil no diagnóstico do lócus
funcional dos déficits cognitivos do paciente, considerando que um mesmo nível de
desempenho em um teste pode ser decorrente de diferentes razões relacionadas ao
funcionamento cerebral (HAASE et al., 2012).

Guarde...
Campos/área de atuações do Neuropsicólogo:
a) Ensino e pesquisa: contribui no avanço e difusão da ciência. O campo
das pesquisas vem possibilitando grandes avanços no conhecimento do perfil
neuropsicológico normal da população brasileira (região a região), possibilitando a
padronização de baterias, testes e escalas, o que é de grande importância para as
atividades de avaliação cognitiva.
As pesquisas em Neurociências também contribuem bastante para o
conhecimento das disfunções, patologias e alterações de padrões cognitivos e
comportamentais. Além de divulgar, através de publicações, o que há de avanço no
Brasil, assim como trocar informações e fazer intercâmbios de pesquisa com outros
países.
O ensino possibilita transmitir todo esse conhecimento para capacitar
profissionais a atuarem na área.

b) Avaliação e diagnóstico: a avaliação neuropsicológica é uma das


atividades precursoras da prática dessa ciência que tem várias finalidades:
– avaliação clínica, da aprendizagem, do comportamento, forense e para
reabilitação;
– avaliação infantil, de adulto, de idoso, de pessoas portadoras de alterações
neurológicas congênitas ou adquiridas, alterações comportamentais, da
aprendizagem, entre outras.

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c) Acompanhamento clínico: essa prática se dá através do


acompanhamento longitudinal do quadro de um paciente.
Ele será acompanhado com avaliações periódicas, instruções à família, a
escola, reabilitação, bem como com intercâmbio com outros profissionais que o
acompanham; estando ele aos cuidados de um hospital, em sua casa ou indo ao
consultório.

d) Reabilitação cognitiva: tem como objetivo corrigir ou atenuar os efeitos


de déficits cognitivos genéricos, de forma que os pacientes encontrem meios
adequados e alternativos para alcançar metas funcionais específicas. Consiste na
reintegração do paciente junto ao seu ambiente social, profissional ou escolar.
Esse processo ocorre por meio do uso de técnicas adequadas a cada caso,
a partir de uma avaliação minuciosa de todas as incapacidades e capacidades do
paciente. É um trabalho em conjunto com a família, amigos, professores e
profissionais de outras áreas, no intuito de proporcionar uma adaptação com
qualidade de vida.

e) Neuropsicologia forense: é uma área na qual os conhecimentos e


instrumentos da Neuropsicologia irão auxiliar em processos jurídicos, embasando
causas com substratos científicos acerca das capacidades cognitivas, funcionais e
comportamentais do paciente.
Exemplos:
– comprovação de sanidade mental para causas legais, como a interdição,
por exemplo;
– aposentadoria;
– direito aos benefícios públicos;
– justiça criminal (LEITÃO, 2012).

3.3 Neuropsicologia molecular


Um dos grandes feitos científicos do século XX foi sem dúvida o
sequenciamento do genoma humano, sendo evidente que os estudos genéticos e
moleculares somam-se e podem melhorar a compreensão de aspectos

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neuropsicológicos e de transtornos neuropsiquiátricos, ajudando a desvendar a


associação de genes específicos com os diversos quesitos neuropsicológicos
(NICOLATO et al., 2014).
De todo modo, os autores acima ressaltam que ainda estamos lidando com
cenários de alta complexidade, e não há como sonhar, por ora, que determinado
gene ou seu polimorfismo impacte isoladamente a atenção, a memória e os demais
quesitos neuropsicológicos. No entanto, podemos pensar que muitas funções
neuropsicológicas e quadros neuropsiquiátricos podem ser também alterados ou
regulados por determinados polimorfismos genéticos, bem como pelo meio ambiente
e por determinadas condições psicossociais, que por sua vez, podem modificar
ainda mais as funções neuropsicológicas, mediante certas alterações genéticas ou
epigenéticas, regulando justamente a relação entre meio ambiente e genética da
Neuropsicologia e dos transtornos neuropsiquiátricos.
A Neuropsicologia tem ganhado, nos últimos anos, enorme apoio das
técnicas e descobertas genéticas para uma melhor adequação dos estudos que
visam a compreensão do comportamento humano e, mais especificamente, dos
processos cognitivos. A palavra determinação é equivocada e deve ser substituída
por expressões como tendência, propensão ou influência genética. Os genes
definem tendências, mas são sempre as experiências individuais que as modulam.
Segundo Corrêa e Rocha (2008), qualquer gene precisa, para uma
expressão adequada, de determinadas circunstâncias externas, sejam elas
bioquímicas, físicas ou fisiológicas, portanto, a pergunta clássica “Este
comportamento é herdado ou adquirido pela experiência?” perde completamente o
sentido, dando lugar à difícil questão: “Como os genes interagem com o ambiente
para a produção deste comportamento?”.
Na genética molecular, os estudos podem ser voltados para ligação ou
associação dos genes. Nos estudos de ligação, dois Ioci gênicos estão muito
próximos em determinado cromossomo e apresentam grande possibilidade de
serem herdados em conjunto (daí o termo estudo de ligação), sem que haja
influência do crossing-over ou troca de material nos cromossomos. Contudo, para a
realização de estudos de ligação, são necessários muitos indivíduos, recrutados de
várias famílias.

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Os estudos de associação são, em sua maioria, caso-controle em


populações grandes e não necessariamente relacionadas. O estudo de associação
relaciona um alelo específico de um gene em particular com um fenótipo. Essa
metodologia de estudo é uma estratégia mais apurada de mapeamento em relação
ao estudo de ligação. O estudo de ligação identifica se o alelo de um marcador de
um pequeno segmento de DNA é ou não uma mutação causadora da doença ou
está próximo a esse segmento (i.e., em desequilíbrio de ligação). Isso ocorre ao
verificar que o alelo em hipótese é mais frequente em indivíduos doentes em
comparação a sujeitos-controles. A vantagem dos estudos de associação é a
possibilidade de se identificarem correlações alélicas fracas com amostras menores,
o que não é facilmente feito em estudos de ligação.
Os estudos de associação também podem detectar mutações em um gene e
suas relações com o transtorno genético.
Geralmente, os genes escolhidos são aqueles que apresentam fundamento
neurobiológico relevante na Fisiopatologia do transtorno ou associado ao efeito
farmacológico de substâncias eficazes em seu tratamento.
Dois tipos de polimorfismos do DNA respondem pela maioria dos
polimorfismos no genoma: os marcadores microssatélites, que possuem muitos
alelos, e os polimorfismos de nucleotídeos únicos (SNP, do inglês single nudeotide
polymorphisms). Os SNP são o tipo mais comum de polimorfismo do DNA, e, como
seu nome sugere, um SNP envolve uma mutação em um nucleotídeo, como, por
exemplo, uma mutação do códon de TAC para TCC, substituindo a arginina pela
metionina. Os SNP que envolvem a mudança de aminoácidos são chamados de não
sinônimos, e provavelmente são funcionais: a proteína resultante conterá um
aminoácido diferente. A maioria dos SNP não altera a sequência de aminoácidos,
porque o SNP envolve um dos códigos de DNA alternativos para o mesmo
aminoácido. Embora os efeitos funcionais sejam mais prováveis com os SNP não
sinônimos, pois alteram a sequência de aminoácidos da proteína, é possível que os
SNP sinônimos tenham algum efeito ao mudarem a velocidade com que o RNAm é
traduzido em proteína. Essa especialidade vem crescendo com a descrição de
efeitos funcionais de outros SNP do genoma, como aqueles em região de RNA não
codificante do genoma. Mais de 10 milhões de SNP foram validados, e mais de 2

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milhões satisfazem os critérios de ocorrência em pelo menos 1% da população. O


projeto é chamado de Hap Map porque tem o objetivo de criar um mapa de SNP
correlacionado ao longo do genoma.
Enfim, pesquisas com DNA, com endofenótipo, com interações genético-
ambiental, estudos do transtorno depressivo maior (TDM), transtorno bipolar,
ansiedade, esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo, memórias de trabalho
são áreas importantes e estudadas em sua base molecular na atualidade.
Ainda há muito que se estudar em termo de Neuropsicologia Molecular e
genética aplicada à Psiquiatria. Muitos estudos são contraditórios e não replicados.
Há muita variabilidade, conforme a população estudada. As amostras dos pacientes
precisam ter melhor uniformidade quanto a características clínicas,
neuropsicológicas, demográficas, classificação e fase da doença, gravidade,
comorbidade clínica e psiquiátricas, para avaliação dos dados e comparação
genuína entre as diferentes populações mais aprimoradas. Contudo, o avanço e a
convergência de diversos campos de estudo, como a Epidemiologia Molecular, de
escalas para aferição de sintomas psiquiátricos, de entrevistas estruturadas ou
semiestruturadas e dos exames de neuroimagem funcionais permitirão a melhor
avaliação da genética aplicada à Neuropsicologia (NICOLATO et al., 2014).

3.4 A Neuropsicologia no Brasil


No editorial da Revista Psicologia em Pesquisa, editada pela UFJF, volume
7, número 1, janeiro-junho de 2013, Maria Alice Pimenta lembra que, recentemente,
a Neuropsicologia ficou fortalecida, em parte, devido à valorização do estudo do
cérebro e de tecnologias de imagens cerebrais. Entretanto, como já vimos, seu
espectro de estudo e de atuação foi ampliado com a participação interdisciplinar de
profissionais da área da Saúde, das Ciências Humanas e da Educação, gerando
propostas inovadoras de pesquisa e de trabalho clínico.
O diálogo entre profissionais de áreas diversas criou um corpo de
conhecimentos transdisciplinares, com características próprias, tanto que desde
1939, quando um psicólogo, uma fonoaudióloga e um neurologista (Alajouanine,
Ombredane & Durant), fizeram o marco inicial dessa interdisciplinaridade no

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Ocidente, temos os mais diversos caminhos a seguir, com diversidade de teorias,


metodologias e igualmente focos diversos de distúrbios neuropsicológicos a estudar.
Igualmente consta no Boletim Especial (julho de 2014) da Sociedade
Brasileira de Neuropsicologia (SBNp), que a Neuropsicologia é uma ciência em
evolução no Brasil, assim como em outros países. Juntamente com outras áreas das
neurociências, tem por objeto de estudo a integração dos conhecimentos sobre o
sistema nervoso central, comportamento, cognição e emoções. Os diversos campos
de pesquisa relacionados às neurociências abrangem desde pesquisa básica até o
tratamento de pessoas com doenças que afetam o funcionamento cognitivo,
comportamental e emocional das pessoas. Portanto, as ciências que hoje estudam
cérebro e comportamento se entrelaçam e colaboram entre si.
A Neuropsicologia brasileira, desde sua origem, constituiu-se com uma base
interdisciplinar congregando profissionais da área Médica, da Psicologia, da
Fonoaudiologia e alguns representantes de outras profissões.
O funcionamento “inter” ou “multi” disciplinar já está mais elaborado em
outros países, mas, no Brasil é preciso encontrar a fórmula certa de acordo com a
estrutura da formação acadêmica (Graduação e Pós-graduação) e das organizações
profissionais. Sob este prisma, fica claro que a Neuropsicologia é uma área de
especialização em nível de Pós-graduação, pois nenhuma das graduações
envolvidas consegue abranger todas as disciplinas necessárias para a formação de
um neuropsicólogo.
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) instituiu em 2004 a Neuropsicologia
como uma especialidade. Posteriormente, o Congresso da Psicologia de 2007
aprovou a abertura de diálogo com as instituições e sociedades científicas nas
questões relacionadas ao atendimento de pacientes com diversas doenças
(demências, epilepsias, entre outras) nas quais a atuação do neuropsicólogo é
bastante requisitada. Em 2010, com base nas discussões sobre avaliação
psicológica, uma publicação do CFP insere um artigo de Primi e Nunes sugerindo
que a Neuropsicologia é uma área de atuação interdisciplinar no âmbito de Pós-
graduação, e que o diagnóstico neuropsicológico abrange testes cognitivos também
utilizados por outros profissionais especializados. De certa forma, uma abertura para
a integração com as neurociências (JOAQUIM, 2014).

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direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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Ao longo do curso, faremos vários excertos de artigos publicados pela SBNp


que ajudarão sobremaneira na compreensão dessa área de conhecimento, assim
como de suas especificidades como o trabalho com a terceira idade, a variante
forense, entre outros.

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UNIDADE 4 – NEUROIMAGEM APLICADA

A Neuroimagem pode ser definida como um conjunto de técnicas que


permite obtenção de imagens do encéfalo de forma não invasiva. Os primeiros
equipamentos dessa modalidade que propiciaram a investigação do cérebro de
sujeitos humanos in vivo surgiram na década de 1970 com a tomografia
computadorizada. Os maiores avanços, no entanto, ocorreram com o
desenvolvimento e a utilização da ressonância magnética (RM), uma vez que ela
permite maior detalhamento e melhor resolução e contraste do que a tomografia
computadorizada (GOMES; TRZESNIAK; FERRARI, 2011; TOGA, FRACKOWIAK &
MAZZIOTTA, 2012 apud NEVES; CORRÊA, 2014).

Figura 5: Neuroimagem.
Fonte: http://www.lni.hc.unicamp.br/

As técnicas de imagem cerebral in vivo podem ser utilizadas em pesquisas


que buscam compreender a especialização funcional dos circuitos neurais e a
Fisiopatologia dos transtornos da neuropsiquiatria. A Neuropsicologia e a
Neuroimagem podem ser pensadas como campos complementares de
conhecimento, e cada vez mais, estudos tem combinado paradigmas
neuropsicológicos e mapeamento cerebral estrutural e funcional. As imagens
cerebrais são fonte de informação essencial para diagnóstico e manejo de pacientes
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com transtornos neuropsiquiátricos. Além disso, as aplicações clínicas da


Neuroimagem vêm sendo cada vez mais consolidadas (NEVES; CORRÊA, 2014).
A Neuroimagem pode ser dividida em estrutural e funcional. Imagem
estrutural pode ser definida como informação obtida em relação à constituição física
e morfológica do cérebro em um ponto no tempo e independe de qualquer tipo de
atividade cerebral. Imagens obtidas por tomografia computadorizada (TC) e
ressonância magnética (RM) são classificadas como estruturais (NEVES; CORRÊA,
2014).

Figura 6: Neuroimagem Estrutural.


Fonte: http://slideplayer.com.br/slide/3757040/

Gomes, Trzesniak e Ferrari (2011) explicam que na ressonância magnética


(RM), por exemplo, coloca-se o indivíduo em longa estrutura semelhante a um tubo,
que contém um ímã de alta potência. Forma-se então um campo de força magnética
elevada (equivalente a cerca de 30.000 vezes o campo magnético da Terra), usado
para que os núcleos de átomos de hidrogênio contidos em moléculas (como as da
água, por exemplo) se alinhem paralelamente ao campo magnético do aparelho.
Para obter as imagens, o equipamento de RM produz ondas de
radiofrequência que fazem com que as moléculas girem 90 ou 180 graus em torno
de seus eixos, fazendo com que as mesmas percam sua condição inicial de
orientação. Após breve tempo, a radiofrequência é desligada e observa-se que os
prótons dos átomos igualmente retornam ao estado original de orientação, efetuando
o que se denomina relaxamento. Durante essa manobra, liberam energia por meio
de emissão de ondas de radiofrequência, as quais são captadas pelo equipamento.
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O hidrogênio, em forma de água, ocorre em grande abundância no corpo


humano e é capaz de produzir sinais mais intensos em comparação aos demais
átomos. Os diferentes tipos de tecidos no cérebro (líquor, sangue, substância branca
e cinzenta) são desiguais em termos de concentração de água. Dessa forma,
apresentam distintas respostas ao pulso de radiofrequência, possibilitando a
visualização e diferenciação das estruturas, bem como a formação das imagens.
Já a imagem funcional mede indiretamente a atividade neuronal. As
principais técnicas desse tipo de neuroimagem são tomografia computadorizada por
fóton único (SPECT), tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET),
ressonância magnética funcional (RMf), magnetoencefalografia (MEG),
eletroencefalografia (EEG) e espectroscopia por luz infravermelha (NIRS, do inglês
near-infrared spectroscopy).
A RM funcional possibilita a aquisição de imagens de contraste, ocasionado
por diferentes níveis de oxigenação do sangue (blood-oxygenation level dependent –
BOLD), durante estados de estimulação mental. Desse modo, esta técnica não
necessita de isótopos radioativos, o que a torna mais segura e menos invasiva
(GOMES; TRZESNIAK; FERRARI, 2011).
O efeito BOLD advém da observação de que alterações na proporção
relativa do sangue entre hemoglobina oxigenada (que contém ferro diamagnético) e
hemoglobina desoxigenada (que contém ferro paramagnético) podem ser
detectadas como variações em imagens de RM (BUSATTO; GARRIDO; CRIPPA,
2004).
Assim, através da obtenção de centenas de imagens do cérebro durante a
execução de tarefas específicas, com curtos intervalos de aquisição, é possível
detectar quais são as regiões mais ou menos ativadas naquela situação (GOMES;
TRZESNIAK; FERRARI, 2011).
Em palavras mais simples, o princípio da RMf é a oxigenação sanguínea.
Em áreas com maior atividade neuronal, há oferta de oxigênio maior que o consumo
local. Isto causa um aumento da concentração regional de hemoglobina saturada de
oxigênio (oxi-hemoglobina). Essa molécula tem propriedades magnéticas diferentes
da hemoglobina não saturada (desoxi-hemoglobina). Assim, utilizando técnicas

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especiais (sequências BOLD) podemos observar pequenas variações da intensidade


do sinal devidas à ativação cerebral.
É possível apresentar estímulos visuais, auditivos, sensitivos e mesmo
olfativos e gustativos. A principal vantagem é a possibilidade de repetir várias vezes
cada estudo no mesmo paciente, já que não há radiação ionizante ou necessidade
de injeção de contraste (AMARO; YAMASHITA, 2001).

Guarde...
A RMf é uma das técnicas mais promissoras em neuroimagem. Suas
principais aplicações são estudos que investiguem a localização de funções
cerebrais, fisiopatologia de transtornos neuropsiquiátricos, resposta a intervenções
terapêuticas farmacológicas, psicoterápicas ou de neuromodulação.
Suas principais aplicações clínicas estão relacionadas à determinação de
áreas de linguagem no tratamento cirúrgico da epilepsia e de áreas eloquentes de
córtex antes da ressecção de tumores, bem como localização de focos ictais
(relativo a uma crise).
Os pesquisadores esperam ansiosos pelo dia em que poderemos utilizar
mapeamento por RMf para identificar sinais prodrômicos (iniciais) de doenças e
realizar diagnósticos precoces (NEVES; CORRÊA, 2014).

A tomografia por emissão de pósitrons (PET) é assim denominada por gerar


imagens do funcionamento cerebral a partir de isótopos emissores de pósitrons, que
são entidades radioativas utilizadas para marcar moléculas específicas, as quais
fornecem medidas de parâmetros fisiológicos in vivo.
Existem quatro principais isótopos emissores de pósitrons: oxigênio 15 (15O),
nitrogênio 13 (13N), carbono 11 (11C) e flúor 18 (18F), com meia-vida de 2; 10; 20,3 e
110 minutos, respectivamente. As substâncias marcadas radioativamente são
injetadas por via intravenosa, e, em seguida, a cabeça do indivíduo é posicionada
dentro de um detector de radiação, O isótopo radioativo se decompõe liberando um
pósitron, que colide com elétron, emitindo dois fótons. Os fótons são detectados nos
lados opostos da cabeça, e a localização do pósitron emissor pode, então, ser
estimada.

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15
A água marcada com O é utilizada para aferir a extração e o metabolismo
cerebral regional de oxigênio.
18
A utilização da F-Fluordesoxiglicose (PDG) fornece uma estimativa do
metabolismo regional cerebral de glicose. Como a maior parte do uso de energia
cerebral é sináptico, o mapeamento com FDG pode indicar atividade neural. A
captação de FDG requer cerca de 30 minutos, um tempo relativamente longo para
neuroimagem funcional. Com frequência, as imagens cerebrais são obtidas em
repouso ou durante a mesma tarefa por cerca de 30 minutos. Além disso, o tempo
de obtenção das imagens limita o número de estados cerebrais ativado. Por causa
da radiação, cada participante pode ser estudado apenas de 2 a 4 vezes por ano
(PATTERSON; KOTRLA, 2006 apud NEVES; CORRÊA, 2014).
11
O radioisótopo C oferece a capacidade de ser incorporado a biomoléculas
(enzimas, fármacos) sem alterar suas propriedades biológicas. A descoberta da
11 18
incorporação do C e do F a biomoléculas capazes de rastrear atividade
enzimática e de neurorreceptores inaugurou um novo campo do conhecimento, a
Neuroimagem Molecular.
O objetivo principal dessa técnica é a visualização e quantificação in vivo de
entidades moleculares cerebrais e suas correlações com eventos fisiopatológicos.
O mapeamento por PET é extremamente valioso para pesquisas em
neurociências. Pode ser utilizado para investigar Fisiopatologia de transtornos
neuropsiquiátricos, por meio da mensuração da quantidade de receptores e
transportadores de neurotransmissores (ANAND e colaboradores, 2011; YATHAM e
colaboradores, 2010 apud NEVES; CORRÊA, 2014) ou da comparação de estados
de repouso em pacientes com transtornos psiquiátricos e controles saudáveis
(PALLANTI et .al, 2010 apud NEVES; CORRÊA, 2014).
Dados cada vez mais consistentes nos dão esperanças de futuras
aplicações clínicas do PET em Neuropsiquiatria, especialmente nos processos
neurodegenerativos (ZIMMER; LUXEN, 2012 apud NEVES; CORRÊA, 2014).
Entretanto, devemos conhecer suas limitações. O mapeamento por PET tem menor
resolução espacial e precisa ser realizado perto do ciclotrônio que produz os
isótopos emissores de pósitrons; além disso, a radioatividade limita o número de
varreduras (NEVES; CORRÊA, 2014).

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Figura 7: Tomografia computadorizada por emissão de pósitrons – PET – Diagnóstico do Alzheimer.


Fonte: http://www.alzheimerperu.org/diagnostico-enfermedad-de-alzheimer.html

O estudo da Neuroimagem é desafiador, intrigante, os seus métodos se


multiplicam, e, junto com eles, surgem técnicas de processamento cada vez mais
sofisticadas, portanto, fica a dica para buscarem sempre por atualizações.
A Neuroimagem é, hoje, um campo de conhecimento em franca expansão.
Entretanto, alguns entraves ainda precisam ser superados para que os dados
obtidos possam ser replicados e consolidados. Pesquisadores precisam uniformizar
os métodos utilizados para obtenção e processamento das imagens e utilizar
critérios rigorosos para a seleção das amostras (NEVES; CORRÊA, 2014).

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UNIDADE 5 – MÉTODOS QUANTITATIVOS EM


NEUROPSICOLOGIA – A PSICOMETRIA

Embora tenhamos um módulo específico para tratar da avaliação


neuropsicológica, a qual pode ser definida classicamente como um método para se
examinar o encéfalo por meio do estudo de seu produto comportamental, vamos nos
adiantar e ver um pouco da Psicometria.
A avaliação neuropsicológica envolve o estudo intensivo do comportamento
por meio de entrevistas, questionários e testes normatizados que permitam obter
desempenhos relativamente precisos (LEZAK et al., 2004 apud SEABRA;
CARVALHO, 2014).
À semelhança dos procedimentos usados na avaliação psicológica, a
avaliação neuropsicológica pode se basear em duas perspectivas distintas: a
idiográfica e a nomotética (PRIMI, 2010; TAVARES, 2003).
A perspectiva idiográfica está mais relacionada com procedimentos não
padronizados, pouco estruturados, já que visa a obtenção de informações
aprofundadas sobre o sujeito, relacionando-as com o seu histórico específico e os
contextos culturais e sociais nos quais está inserido.
Em uma perspectiva nomotética, o foco é nos padrões, nas tendências
populacionais, nas informações sobre as pessoas que podem ser generalizadas.
Esta última perspectiva, portanto, está mais relacionada aos procedimentos mais
estruturados, com padronização estabelecida previamente (SEABRA; CARVALHO,
2014).
Do ponto de vista clínico (TAVARES, 2003), é importante que o profissional
considere as duas perspectivas no momento da avaliação, utilizando procedimentos
padronizados e não padronizados, o que lhe permite o acesso a informações
provenientes de diferentes naturezas e, portanto, complementares.
Tradicionalmente, o campo de estudo que se foca na perspectiva nomotética é a
Psicometria, cujos conhecimentos são altamente requeridos na avaliação
psicológica, influenciando também a avaliação neuropsicológica.
Aroldo Rodrigues, ao prefaciar o livro “Manual de Psicometria”, de Tereza
Cristina Erthal (2009), ressalta que a Psicologia, mais do que qualquer outro setor
das Ciências Sociais e Humanas, logrou aperfeiçoar seus métodos de medida, mas
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ainda temos muito que caminhar para admitir a cientificidade do saber psicológico, e,
por conseguinte, perceber a importância de mensuração de fenômenos psicológicos.
A construção de uma Psicologia Científica passa necessariamente pela
conscientização do uso da Psicometria, entendido como o conjunto de técnicas que
permite a quantificação dos fenômenos psicológicos.

5.1 Medir, provar, testar


Medir significa atribuir magnitudes a certa propriedade de objeto ou classe
de objetos, de acordo com certas regras preestabelecidas e com ajuda do sistema
numérico, de modo que possa ser provado empiricamente.
O processo de medir apresenta as seguintes características:
1. implica sempre em um resultado numérico – quantitativo;
2. apresenta-se em unidades relativamente constantes. Exemplo: 1 metro;
3. no caso da Psicologia, a medida é relativa, por não dispor de um ponto
zero absoluto. Partimos de uma média da população (ERTHAL, 2009).
Teste é uma palavra de origem inglesa que significa “prova”; deriva do latim
testis e é usada internacionalmente para denominar uma modalidade de medição
bastante conhecida hoje em dia em diversos campos científicos e técnicos.
Muitas vezes, a palavra teste vem expressa como sinônimo de medição,
embora exista uma diferença entre os dois termos. Uma medição só é chamada de
teste se for usada, primordialmente, para se descobrir algo sobre o indivíduo, em
vez de responder a uma questão geral. As medidas de limiares de som podem,
claro, ser utilizadas como testes. Porém, mais tipicamente, um teste consiste em
questões ou tarefas apresentadas a um indivíduo e as contagens obtidas não são
expressas em unidades físicas de qualquer espécie (TYLER, 1973 apud ERTHAL,
2009).
Quando os testes produzem contagem de pontos, podem-se usar ambos os
termos, medição ou teste. Embora alguns testes de personalidade não devam ser
considerados medições, pode-se dizer que a grande maioria dos testes é vista como
instrumentos de medida.
Essencialmente, a finalidade de um teste consiste em medir as diferenças
existentes, quanto a determinada característica, entre diversos sujeitos, ou então o

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comportamento do mesmo indivíduo em diferentes ocasiões – diferença inter e


intraindividual, respectivamente.
O instrumento psicométrico mais típico é o teste. Todavia, não é o único.
Trata-se de uma situação estimuladora padronizada (itens de teste e ambiente de
aplicação) à qual uma pessoa responde. Os escores assim obtidos refletem a
posição do indivíduo em relação a uma ou mais características psicológicas
(ERTHAL, 2009).
Etimologicamente, a Psicometria representa a teoria e a técnica de medida
dos processos mentais, especialmente aplicada na área da Psicologia e da
Educação, ou na definição de Ferreira (2005): medida da duração e da intensidade
de processos mentais, por meio de métodos padronizados.
A Psicometria se fundamenta na teoria da medida em ciências em geral, ou
seja, do método quantitativo que tem, como principal característica e vantagem, o
fato de representar o conhecimento da natureza com maior precisão do que a
utilização da linguagem comum para descrever a observação dos fenômenos
naturais (URBINA, 2007; PASQUALI, 2009).
A Psicometria diz respeito ao estudo da atribuição de medidas e números
sobre as operações psicológicas (ou como também pode ser chamada, operações
“da mente”). Em outras palavras, é um campo de estudo que faz uso de
componentes das ciências exatas, e mais especificamente da estatística, na
tentativa de analisar e compreender o funcionamento psicológico. Além disso, a
Psicometria tem seu foco voltado para teorias e técnicas de mensuração dos
diversos construtos psicológicos (por exemplo, habilidades, atitudes e traços de
personalidade) (CARVALHO, 2011).
Segundo Mäder (1996), é do século XIX que datam os primeiros trabalhos
envolvendo a mensuração de comportamentos humanos, interesse pela inteligência
e testagem intelectual. Começou a se desenvolver a Psicometria, “avaliação
quantitativa dos traços e atributos psicológicos de um indivíduo” (SATTLER,1992
apud MÄDER, 1996).
Os ingleses preocupavam-se com a análise estatística, os franceses com a
experimentação clínica, os alemães enfocaram mais os estudos das psicopatologias
e funções cognitivas mais complexas. Os americanos procuraram implementar as

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ideias de Binet desenvolvendo escalas e métodos estatísticos para trabalhar com os


dados. Os objetivos variavam desde estudos sobre hereditariedade (Galton),
diferenças individuais (Cattell) e nível intelectual (Binet).
Num outro modo de contar a história, Pasquali (2009) explica que
historicamente, a Psicometria tem suas origens na Psicofísica dos psicólogos
alemães Ernst Heinrich Weber e Gustav Fechner. O inglês Francis Galton também
contribuiu para o desenvolvimento da Psicometria, criando testes para medir
processos mentais; inclusive, ele é considerado o criador da Psicometria. Foi,
contudo, Leon Louis Thurstone, o criador da análise fatorial múltipla, que deu o tom
à Psicometria, diferenciando-a da Psicofísica. Esta foi definida como a medida de
processos diretamente observáveis, ou seja, o estímulo e a resposta do organismo,
enquanto a Psicometria consistia na medida do comportamento do organismo por
meio de processos mentais (lei do julgamento comparativo).
De imediato, vale ressaltar que não há só uma corrente de pensamento na
Psicometria, isto é, existem diferentes paradigmas a partir dos quais os profissionais
podem se pautar. Basicamente, dois amplos paradigmas podem ser destacados, a
teoria clássica dos testes (TCT) e a teoria de resposta ao item (TRI), que veremos
adiante.
Segundo Coltheart (2002 apud REPPOLD et al., 2015), a Psicometria tem
passado por grandes transformações em função do desenvolvimento dos
microcomputadores e dos softwares e da geração de novas técnicas de análise de
dados a cada ano. Novos métodos, estratégias e perspectivas trazem um ar
revigorado à Psicometria, abrindo caminho para novas agendas de estudo e campos
de investigação. Por sua vez, a Neuropsicologia vivencia um momento único de
impulsionamento no campo das neurociências, estudos sobre o cérebro, o sistema
nervoso, suas redes e conexões com o comportamento.
Em função de sua relevância e crescimento, não é incomum que essas
tradições em Psicologia interajam e que pesquisadores reflitam sobre como esses
diferentes campos podem se articular para a melhoria da Psicologia e, por
conseguinte, da Neuropsicologia.
Voltemos aos paradigmas citados anteriormente: TCT e TRI.

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A teoria clássica dos testes (TCT) e a teoria de resposta ao item (TRI) são
duas vertentes da Psicometria Moderna. A TCT foi axiomatizada por Gulliksen
(1950) e a TRI foi inicialmente elaborada por Lord (1952) e por Rasch (1960) e,
finalmente, axiomatizada por Birnbaum (1969) e por Lord (1980) (PASQUALI, 2009).
Uma importante distinção inicial entre esses dois paradigmas refere-se ao
foco de cada um deles:
a TCT foca-se em uma perspectiva macroscópica, isto é, nas propriedades
relacionadas aos instrumentos de medida como um todo;
a TRI tem seu foco nos elementos relacionados aos estímulos que compõem
os instrumentos (por exemplo: itens), em um panorama mais microscópico
(ANDRIOLA, 2009).

5.2 A Teoria Clássica dos Testes – TCT


De um modo geral, a Psicometria procura explicar o sentido que têm as
respostas dadas pelos sujeitos a uma série de tarefas, tipicamente chamadas de
‘itens’. A TCT se preocupa em explicar o resultado final total, isto é, a soma das
respostas dadas a uma série de itens, expressa no chamado escore total (T). Por
exemplo, o T em um teste de 30 itens de aptidão seria a soma dos itens
corretamente acertados. Se for dado 1 para um item acertado e 0 para um errado, e
o sujeito acertou 20 itens e errou 10, seu escore T seria de 20. A TCT, então, se
pergunta: O que significa este 20 para o sujeito? (PASQUALI, 2009).
Pasquali (2009) mostra o modelo da TCT elaborado por Spearman e
detalhado por Gulliksen:
T=V+E
Sendo,
T = escore bruto ou empírico do sujeito, que é a soma dos pontos obtidos no
teste;
V = escore verdadeiro, que seria a magnitude real daquilo que o teste quer
medir no sujeito e que seria o próprio T se não houvesse o erro de medida;
E = o erro cometido nesta medida.
Dessa forma, o escore empírico é a soma do escore verdadeiro e do erro e,
consequentemente, E = T - V, bem como, V = T - E.

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Figura 8: Curva característica do item (CCI).


Fonte: Pasquali (2007).

Observe na ilustração acima a relação entre estes vários elementos do


escore empírico, onde se vê que este é a união do escore verdadeiro (V) e do erro
(E), ou seja, o escore empírico ou bruto do sujeito (T – resultado no teste, conhecido
como o escore tau – τ) é constituído de dois componentes: o escore real ou
verdadeiro (V) do sujeito naquilo que o teste pretende medir e o erro (E) de medida,
este sempre presente em qualquer operação empírica. Em outras palavras, estamos
aqui assumindo que, diante do fato de que o escore bruto do sujeito difere do seu
escore verdadeiro, esta diferença é devida ao erro ou, melhor, esta diferença é o
próprio conceito de erro.
As principais vantagens da TCT como abordagem da medida psicológica
são sua relativa simplicidade conceitual (o principal lema é a fidedignidade) e a
grande disponibilidade dos métodos em programas estatísticos. Em boa parte dos
estudos empíricos na área da Psicologia, autores relatam um ou mais coeficientes
da TCT como medida da fidedignidade dos instrumentos utilizados nas análises. A
fidedignidade, de fato, é uma das principais propriedades psicométricas de um teste
(American Educational Research Association [AERA], American Psychological
Association [APA), & National Council on Measurement Education [NCME), 1999),
de modo que a TCT fornece definições que são úteis mesmo atualmente. A TCT é
uma elegante e simples abordagem ao problema da medida psicológica,

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representando um importante marco na história da Psicometria (HAUCK FILHO;


ZANON, 2015).

5.3 A Teoria de Resposta ao Item – TRI


A TRI não está interessada no escore total em um teste; ela se interessa
especificamente por cada um dos 30 itens e quer saber qual é a probabilidade e
quais são os fatores que afetam esta probabilidade de cada item individualmente ser
acertado ou errado (em testes de aptidão) ou de ser aceito ou rejeitado (em testes
de preferência: personalidade, interesses, atitudes). Dessa forma, a TCT tem
interesse em produzir testes de qualidade, enquanto a TRI se interessa por produzir
tarefas (itens) de qualidade.

Guarde...
O modelo da TRI trabalha com traços latentes e adota dois axiomas
fundamentais:
1) o desempenho do sujeito numa tarefa (item do teste) se explica em
função de um conjunto de fatores ou traços latentes (aptidões, habilidades, entre
outros). O desempenho é o efeito e os traços latentes são a causa;
2) a relação entre o desempenho na tarefa e o conjunto dos traços latentes
pode ser descrita por uma equação monotônica crescente, chamada de CCI
(Função Característica do Item ou Curva Característica do Item) e exemplificada na
ilustração abaixo, através da qual se observa que sujeitos com aptidão maior terão
maior probabilidade de responder corretamente ao item e vice-versa (θi é a aptidão e
Pi (θ) a probabilidade de resposta correta dada ao item).
Nas explicações de Seabra e Carvalho (2014), na TRI, o modelo matemático
representa os elementos centrais da situação de testagem na qual um indivíduo
responde a determinado estímulo. Quanto mais presente for o construto latente no
sujeito, maior a probabilidade de ele acertar ou endossar um estímulo que
represente o construto latente. Já naqueles indivíduos com níveis inferiores no
mesmo construto latente, a probabilidade de endosso ou acerto ao mesmo item
deve ser menor.

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Essa situação é representada no paradigma da TRI pela curva


característica do item (CCI), que indica a probabilidade de escolha de uma
determinada resposta em função do nível no construto das pessoas que o
respondem (chamado theta) e do nível no construto latente do item
(chamado b). Ressalta-se que existem modelos mais complexos que
incluem outras características do item, como o índice de discriminação e a
probabilidade de escolhas da resposta ao acaso (SEABRA; CARVALHO,
2014, p. 69).

Figura 9: Curva característica do item (CCI).


Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000500003

No final, então, temos ou testes válidos (TCT) ou itens válidos (TRI), itens
com os quais se poderão construir tantos testes válidos quantos se quiser ou o
número de itens permitir. Assim, a riqueza na avaliação psicológica ou educacional,
dentro do enfoque da TRI, consiste em se conseguir construir armazéns de itens
válidos para avaliar os traços latentes, armazéns estes chamados de bancos de
itens para a elaboração de um número sem fim de testes (PASQUALI, 2009).

5.4 Parâmetros dos testes: fidedignidade, validade e normatização


Em geral, ao se utilizar um instrumento para avaliação neuropsicológica, é
necessário que se conheçam minimamente suas características, sobretudo acerca
do seu funcionamento. Considerando que um instrumento deve avaliar com
prioridade um determinado construto, uma primeira verificação relevante busca
observar se os estímulos que compõem o teste referem-se suficientemente a um
único construto. Garantido isso, é importante assegurar que o construto avaliado é
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de fato aquele que se espera que o teste avalie. Existindo evidências de que o
instrumento avalia prioritariamente um mesmo construto e que o construto avaliado
é o pretendido, o passo seguinte refere-se ao estabelecimento de uma escala de
medida e normas que possibilitem identificar a localização de um determinado
sujeito no construto avaliado.
Estes três elementos referem-se, respectivamente, à verificação das
propriedades psicométricas dos instrumentos avaliativos, a saber, fidedignidade,
validade e normatização.

a) Fidedignidade
A fidedignidade em um instrumento de avaliação está relacionada com a sua
capacidade de avaliar prioritariamente um único construto (SEABRA; CARVALHO,
2014).
Medir sem erros significa que o mesmo teste, medindo os mesmos sujeitos
em ocasiões diferentes, ou testes equivalentes, medindo os mesmos sujeitos na
mesma ocasião, produzem resultados idênticos, isto é, a correlação entre estas
duas medidas deve ser de 1 (PASQUALI, 2009).
Sumariamente, estes são os métodos para verificar os índices de
fidedignidade:
a.1 método por avaliadores – caracteriza-se por verificar a concordância
entre duas ou mais pessoas que corrigem ou atribuem pontuação a um determinado
instrumento. Essa verificação tem o objetivo de determinar o nível de concordância
entre as atribuições dadas pelos avaliadores a um mesmo instrumento respondido
por um ou mais sujeitos;
a.2 teste-reteste – tem como finalidade investigar o quão estável são os
resultados obtidos em um teste respondido mais de uma vez por uma mesma
pessoa ou grupo de pessoas;
a.3 o método de formas alternadas – metades (Split half) – trata da
verificação da equivalência do conteúdo abordado por uma ferramenta de avaliação,
de modo que esse conteúdo é geralmente dividido em duas metades equivalentes;

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a.4 para determinar o quão consistente é um grupo de itens ou estímulos,


costumam ser utilizados métodos que verificam sua homogeneidade, o alfa de
Cronbach (a) e o Kudler-Richardson 20 (α e K R-20);
a.5 o método das formas alternadas retardadas diz respeito à integração
do método de formas alternadas e teste-reteste, isto é, verifica-se tanto a
equivalência do conteúdo de um instrumento que é dividido em formas equivalentes
quanto a estabilidade das pontuações obtidas ao longo do tempo (duas aplicações
ou mais) (SEABRA; CARVALHO, 2014, p. 70-1).

b) Validade
Pasquali (2009) explica que nos manuais de Psicometria, costuma-se definir
a validade de um teste dizendo que ele é válido se de fato mede o que
supostamente deve medir. O que se quer dizer com esta definição é que, ao se
medirem os comportamentos (itens), que são a representação física do traço latente,
mede-se o próprio traço latente. Tal suposição é justificada se a representação
comportamental for legítima.

c) Normatização
O processo de normatização de uma ferramenta de avaliação diz respeito ao
estabelecimento de uma escala de medida que possibilite localizar o sujeito no
construto e pode ser realizado com base em distintos referenciais.
Esse procedimento pode ser realizado com base em três procedimentos
distintos (Cronbach, 1996):
c.1. referência à norma – compara os escores de um indivíduo com aqueles
obtidos por um grupo de referência (grupo normativo) e indica a posição relativa
desse escore com relação ao grupo;
c.2. referência ao critério – confere significado ao escore relacionando-o a
alguma outra medida que se queira prever, chamada critério externo (PRIMI, 2004;
URBINA, 2007) (c.1 e c.2 - ambas utilizadas com frequência em avaliação
psicológica e neuropsicológica);
c.3. referência ao conteúdo – é utilizada quando o conjunto de problemas
presente no instrumento pode ser considerado uma amostra representativa do

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universo de problemas de um determinado conteúdo (ou domínio), geralmente


empregada na área educacional.
Apesar de, na avaliação neuropsicológica, ser comum empregar as
referências à norma e ao critério, destaca-se a necessidade de normalizações com
referência ao conteúdo. Por exemplo, um teste de leitura, que pode ser usado com
indivíduos com transtorno de leitura adquirido ou do desenvolvimento, em vez de
simplesmente fornecer normas sobre qual é o desempenho esperado de pessoas
em determinada série (referência à norma) ou com determinado diagnóstico
(referência ao critério), poderia fornecer referenciais para interpretar quais
estratégias de leitura o sujeito utiliza. Para isso, basta que todas as estratégias
possíveis estejam adequadamente representadas nos diferentes itens do teste
(SEABRA; CARVALHO, 2014).

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REFERÊNCIAS

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