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UNIDADE DIDÁCTICA Nº 3

SISTEMA FONÉTICO E FONOLÓGICO DAS LÍNGUAS


BANTU
Fonética (estudo dos sons) Fonologia (estudo dos fonemas)

LIÇÃO Nº 1
Nesta 1ª lição começaremos por saber as diferenças que se estabelecem entre a
Fonética e a Fonologia.

TRUBETZKOY (1939) diz que “genericamente falado, a Fonética investiga o que na


realidade se pronuncia ao falar-se uma língua e a Fonologia, o que se imagina pronunciar.”

A partir deste ponto de vista pode-se verificar que enquanto a Fonética se debruça
sobre o lado material ou físico dos sons a Fonologia trata da função linguística dos sons ; em
estabelecer oposições dentro de um dado sistema.

Diferenças entre a Fonética e a Fonologia


Fonética Fonologia
(i) Ciência dos sons da fala; (i) Ciência dos sons da língua;
(ii) Ciência da face material dos sons (ii) Ciência da função linguística dos sons da
da linguagem humana; língua;
(iii) A fala é um mundo de fenómenos (iii) A língua é uma instituição social, mundo
empíricos, por isso os métodos da de relações das funções e de valores, por isso
Fonética são os das ciências a Fonologia emprega os métodos das ciências
naturais. sociais.

Fonética / fala vs Fonologia / língua

(Concreto) vs (Abstracto)

Ex: Emakhuwa:

1 2 3 4 5

O m a l a (acabar) possui 5 segmentos

2 tipos de segmentos vocálicos Fonética

Consonânticos
Por exemplo, considerando a palavra OMALA (Acabar) do Emakhuwa a Fonética
indicar-nos- ia que ela é composta de cinco (5) segmentos os quais por natureza de sua
produção se podem dividir em dois grupos. O primeiro contendo sons cuja produção não é
acompanhada de obstrução de ar no trato vocal ou seja, as vogais [a e o] e o segundo
apresentando sons cuja produção é acompanhada de obstrução de ar no trato vocal ou seja as
consoantes [m e l ] Assim a palavra anteriormente apresentada tem a seguinte pronuncia:
[o m a’ Ɩ a ]. Contudo, este tipo de descrição não interessa à Fonologia. Esta ciência
procuraria verificar dentre os segmentos que constituem a palavra Omala qual é que pode
marcar oposição dentro do sistema fonológico do Emakhuwa. Assim constatar-se-ia que por
exemplo o som [a] pode opor-se a [ε] que ocorre no mesmo contexto que aquele na palavra
omela (germinar), para daí se concluir que /a/ vs /e/ são fonemas em Emakhuwa.
FONEMA: É de acordo com TRUBETZKOY membro de cada uma das oposições
distintivas de uma língua não susceptível de se subdividir em unidades distintivas ainda
menores.
Os fonemas realizam-se por meio de sons linguísticos mas nem todos os sons
linguísticos são fonemas, a menos que apresentem traços fonologicamente relevantes.

Ex: /a/ /e/

+bx - bx
-arr - arr

Shimakonde: muwa (cana de açucar) / mugwa (cana de açúcar)


[w] [gw]
NB: Estes dois sons não são fonemas em shimakonde porque não distinguem palavras.
Dois vocábulos que apresentam fonemas em oposição são designados pares mínimos. No
entanto se uma sequencia de mais de duas palavras apresenta fonemas em oposição estar-se-à
perante um conjunto mínimo.

Ex: Cinyanja:
Kutola (apanhar) / kunola (afiar) / kufola (desenhar) / kupola (sarar)
/t/ /n/ /f/ /p/

Fonemas são entidades que integram um conjunto de traços ou propriedades


simultâneos. Cada oposição num dado sistema famémico não se constitui pelo simples facto
de existirem fonemas com função distintiva. Os fonemas são por si mesmos entidades
estruturais e são os seus componentes que determinam a natureza de oposição. Qualquer par
de fonemas apresenta uma base de comparação constituída não só por propriedades em que se
diferenciam mas também por aquelas que apresentam em comum.
Lição nº2

Oposições Fonémicas

 Oposições Bilaterais Neste tipo de oposições a base de comparação


é restrita a dois fonemas apenas. Por exemplo em
Inglês, / k / ; / ɡ / é bilateral uma vez que os traços [velar ] e [oclusivo] são restritos a
esses dois membros, não sendo comuns a outros membros do sistema fonémicos do
Inglês.
/ d /; / d /, / k / dois sons
/ b / / d /, / g /

 Oposições Multilaterais A base de comparação ocorre em mais do que


Dois segmentos. Por exemplo, contrariamente ao
inglês em que existe apenas duas séries de oclusivas estando todos os pares
bilateralmente opostos. Na língua Kannada, por exemplo, em cada lugar de
articulação há mais do que uma oclusiva. Estas oposições são multilaterais.

Labial Dental Retroflexo Velar

Surda p t ʈ= t k
Sonora b d ƌ= d g
Aspirada ph th ʈh kh
Sonora / Aspirada b d ƌ=d g
.. .. .. ..

Paralelamente a esses dois grandes tipos de oposições fonémicas podem ser


encontrados no esquema de TRUBETZKOY vários subtipos de oposicoes dentro de
cada um dos grandes tipos.
a) Oposições Proporcionais – Este é um subtipo das oposicoes multilaterais com
estrutura a : b : : c : d … etc.; isto é, sequencia de pelo menos duas oposicoes
separadas implantadas da mesma forma.

/p/: /b/ :: /t/: /d/ :: /k/: /g/

+ant +ant +ant +ant -ant -ant

-cor -cor +cor +cor -cor -cor

-son +son - son +son -son +son

-nas -nas -nas -nas -nas -nas

NB: Cada par é oposto pelo traço sonoro.

b) Oposições Primitivas – Um membro é caracterizado pela presença e o outro pala


ausência de um traço ; geralmente o traço que é considerado como marcado.

Traço marcado vs traço não marcado

boi vs vaca são termos

normais que

usamos nor

malmente

galo vs galinha

Ex: Carne de vaca e não carne de boi.

/ m / : / b / ; / n / : / d / ; / b / : / p / (nestes pares um dos sons é marcado e outro, não).

Traço marcado traço não marcado não marcado não marcado

Os traços [+nasal] / [-nasal] existem em quase todas as línguas do mundo.


Os traços [+son] / [ -son ] não há línguas que não tenham sons surdos.
c) Oposições Graduais - Este tipo de oposição depende não apenas da presença
vsausência de um traço, mas dos degraus ou graduações duma certa propriedade.
m exemplo claro deste tipo de oposição é a altura da vogal.

i u +alt

e o -alt
-bx

a +bx
[alto] ; [médio] ; [baixo]

d) Oposições Equipolentes – Neste tipo de oposição, a relação entre os membros da


oposição é de equivalência lógica, isto é, os membros da oposição não podem ser
considerados primitivos ou graduais por outras palavras não podemos defini-los
em termos de qualquer critério minimal: eles funcionam no sistema como pares
equipolentes não minimalmente opostos.

Ex: Em Inglês: electric ~ electricity ~ electrician

Ex: em Inglês: Electric Electricity Electrician

/k/ /s/ /ʃ/

Yao: Kuteka ~ tutecile

/ k/ / tς /

Regras para a identificação de fonema segundo Trubetzkoy

1ª Regra - “ Se dois sons da mesma língua aparecem exactamente na mesma vizinhança


fónica e se poderem ser substituídos um pelo outro sem que se produza com isso uma
diferença de significação intelectual da palavra, então esses dois sons não são mais que
variantes facultativas de um único fonema”.
Ex: Shimakonde : muwa : mugwa “cana de açúcar “

[w]

/ ɡw /

[ɡw]

Gitonga: ndolo : ndrolo “caranguejo”

/ ndr /

[ndr]

Neste caso diz-se, por outras palavras, que há uma variação livre.

2ª Regra – “Se dois sons aparecem exactamente na mesma posição fónica e não poderem
ser substituídos um pelo outro sem alterarem a significação das palavras ou sem que a
palavras se torne irreconhecível, então esses dois sons constituem realizações de dois
fonemas distintos”.

Ex: Cindau : kususa (chuviscar) : kuzuza (sacudir)

/s / /z/

Gitonga : folo ( ) : vs volo ( )

/f / /v/

3ª Regra - “Se dois sons duma língua aparentadas entre si do ponto de vista acústico ou
articulatório jamais se apresentarem na mesma vizinhança fónica devem ser considerados
variantes combinatórias do mesmo fonema.”
Ex: casa / caça

/z / /s /

São fonemas

Casa [z]

Saco [s] Não são fonemas mas sim variantes combinatorias.

Casas [ʃ]

Emakhuwa : w i i s a (profundo) wiisera

W i i r a (dizer / fa + el wiirele

O p a s a (arrebentar) opasera

O l e p a (escrever) olapela

[r] [s] + __

/L/ [ℓ] [r] + ____

[p]

( Arquifonema )

Assim pode-se afirmar que os sons [r] e [ℓ] estão em distribuição complementar e
por isso são variantes combinatórias ou alofones de um mesmo fonema.

Diz-se que os sons estão em distribuição complementar quando cada um deles


ocorre num conjunto fixo de contextos no qual nenhum dos outros sons pode ocorrer.
Traço pertinente É todo o traço que permite por si só distinguir um signo do outro.

/ t/ /d/

+ ant + ant

+ cor + cor

- nas - nas

- son - son

Shimakonde : k u t a a n g a / kudaanga

Kutola / kufola

/t/ /f/

+ ant - soant

+ cor + ant

- nas - cor

- son - son

+ cont

Neste caso, não temos fonemas que se opõem por um traço pertinente.

Dois fonemas que se distinguem por um traço pertinente diz-se que se encontram numa
relação exclusiva. Vários pares de fonemas que se encontram numa relação exclusiva em
que cada um dos membros se distingue do outro pela presença ou ausência de um mesmo
traço pertinente, formam uma correlação.

Ex: / t / : / d / ; / p / : / b / ; / k / : / ɡ / ; / s / : / z / ; /ʃ / : / ʒ /

Correlação: cuja marca é a sonoridade.

Correlação: conjunto de pares de fonemas que se opõem um único traço pertinente.


Outros traços distintivos

a) Quantidade da vogal / Duração vocálica


Em certas línguas a quantidade da vogal é uma propriedade fonológica (traço
distintivo) porque exprime diferença entre palavras.
YAO: Kupata / kupaata
Kusala / kusaala
Kusona / kusoona
/ a / : / aa/ /o/ : / oo /

+ bx + bx - alt - alt
+ rec + rec - bx - bx
-long + long - long + long

Emakhuwa: O m e l a (germinar) / O m e e l a (partilhar)

/ e / /ee/

-alt -alt
-bx -bx
-rec -rec
-long +long

b) A Palatização : É provocada pela semi-consoante ou semi-vogal [y] ao se associar


a um outro som.
Nyanja: /p/ : / py / kupola / kupyola
(sarar) (perpassar)

Tsonga: /b/ : / by / kubala / kubyala


(pregar na mesa) / (semear/ plantar)
+ant +ant
-cor -cor
+son +son pal = palatal
-nas -nas
-pal +pal

c) Labialização É provocada pela semivogal [w] quando se associa a um outro som.


Tsonga: /t/ : / tw / kutala (encher) / kutwala (ouvir-se / sentir-se)

+ant +ant

+cor +cor

-son -son lab = labial

-nas -nas

-lab +lab

MATRIZ FONOLÓGICA

É em termos gerais a relação e sistematização dos segmentos necessários e suficientes


para representar o nível fonológico duma língua. Os segmentos são definidos por
subconjuntos de traços distintivos seleccionados dentre o conjunto de traços fonéticos
universais.

Portanto, a base duma matriz fonológica é o conhecimento fonético duma língua e sua
especificação em traços distintivos. Porem, a matriz fonológica não inclui todos os segmentos
fonéticos mas apenas aqueles que se estabelecem ao nível fonológico.

Traços Fonológicos

(i) Soante (soan) - vozeamento espontâneo;


(ii) Traço anterior (ant) ;
(iii) Traço coronal (cor); diferentes posições da língua;
(iv) Traço recuado (rec)
(v) Traço alto (alt)
(vi) Traço baixo (bx) diferentes alturas na posição da língua

(vii) Traço arredondado (arr) – projecção dos lábios;

(viii) Traço nasal (nas)


Saída do sopro fónico, respectivamente pelo nariz e pelos
Lados da lingua;
(ix) Traço lateral (lat)
(x) Traço sonoro (son)
Vibração das cordas vocais;
(xi) Traço vozeado (voz)
(xii) Traço aspirado (asp) – produção de um sopro de ar extra;
(xiii) Traço continuo (cont) – saida de ar sem oclusão;

Quando cada um dos traços anteriormente mencionados está presente emprega-se o sinal
+ (mais) e quando está ausente, usa-se o sinal – (menos).

Demonstração
Africadas

(i) Lábio-dentais [ pf] ; [bv]

Ex: Cindau : [k ú pf u r a] ; [‘bv e n i] kúpfura ; bveni

(ii) Alveolares [ts] ; [dz]

Ex: Cinyungwe: tsenga ; dzino

[‘ʈs ε ŋ ɡ a] ; [‘dz i n o]

(iii) Lábio-alveolares [ps] [bz]

Ex: Cindau: kupsa ; bziti


[ku’ps a] [‘bz i t i]

(iv) Palatais [ tςh] ; [ ʈʃ ] [ ʤ]


Ex: Cinyungwe: ku chola

[ ku’ ʈʃh ᴐ ℓ a]

Cinyanja: Cimanga ; jekete

[ ‘ʈʃ i m а ŋ ɡ a ] [‘ dᵹ ε k ε t e ]

Fricativas

(i) Lábio-Dentais [f] ;[v] [o]

Ex: Xitsonga : f o l e ; v utomi

[ ‘f ᴐ l e] (rapé) [ ‘o u t o m i ] (vida)

(ii) Alveolares [s];[z]

Ex:Cicopi: Kusamba ; kuzonda

[‘kusаmba] [ ‘ k u z ᴐ n da ]

(iii) Lábio-Alveolares [ s ] ; [z ]

Ex: Cindau: kusvasva ; zvita


[ ku’ş a ş a ] [ ‘z i t a ]

(iv) Palatais [ʃ] ; [ᵹ ]

Ex: Xitsonga: Xaka ; jen’we

[ʃaka] ; [ ᵹ ε n’ w e ]

(v) Glotal [h]


Emakhuwa: O h e l a
[ o’ h ε l a ]

Liquidas

(i) Alveolares [ℓ] ; [r]

Emakhuwa: O l e l o ; Orupa

[ o’ℓ ε ℓ o ] [o‘ȓupa]

(ii) Palatais [₲] ; [λ]

Ex: hl a m pf i lh u l a m e t i

[ ‘₲ a m p f i ] [ λ u’ l a ‘ m e t i ]

(peixe)

Implosivas

(i) Bilaterais
[b]

Ex: Xitsonga: bava


[ b a’ϲ a ] (pai)
(ii) Alveolares [!] ; [ɡ!] [d]

Ex: Xitsonga: gatha ; ɡqeke

[ ‘! a t h a ] ; [‘ɡ!εke]

Cinyanja: d a z i

[‘dazi]

Classe Natural

Uma classe natural é aquela cujo número de traços que tem que ser especificado para definir
essa classe é inferior ao número de traços necessários para distinguir qualquer membro dessa
classe.

P, t, k - cont

- son

/p/ - cont

+ ant

- cor
- nas
- son

m, n, ɳ, ᵹ - cont

+ nas
P, t, k, b, d, ɡ - cont

- nas

[ + alt ] / u, i /

[- bx ] / u, o, e /

[ +arr ] / u, o /

[ + rec ] / u o, a /

/u/ + alt /i/ + alt

+ arr - arr

+ rec - rec
Lição nº3

SÍLABA
Sílaba É a unidade mínima da estrutura da Língua e imediatamente

superior ao fonema na hierarquia da palavra.

Sílaba como unidade estruturada

A Sílaba não é constituída por uma meia sequência de segmentos, ela é uma unidade
hierarquicamente estruturada. Estruturalmente uma sílaba é constituída de ONSET (O) e
RYME (R). Por sua vez (R) é constituída de PEAK (P) e CODA (Co):

RYME

Peak (P) Coda (Co)

Todas estas categorias, exceptuando Peak (P) podem em certos casos estar vazias.

Representação da Sílaba

Ϭ (Sílaba)

O R

P C

Ex: Inglês: at, cat

Ϭ (at)

O R

P Co

v c

ø æ ʈ
Ϭ (Cat)

O R

P Co

C V C

K æ ʈ

Ϭ (Stops)

O R

P Co
C C
V C C

s ʈ ͻ p s

NB: (As palavras (at, cat, stops ) são monossilábicas).

Em geral nas Línguas Bantu, a sílaba pode apresentar-se de acordo com os seguintes
padrões estruturais:

a) VOGAL – Podendo ocorrer tanto em posição inicial ou medial de palavra.

Ex: Tsonga: a - hanti (talvez)


(1) Representação da vogal em posição inicial

O R

P Co

ø a Ø

(2) Representação da vogal em posição medial

Tsonga : ɡ u – e – mbelela (cantar)


Ϭ

O R

P Co

ø e Ø

b) Consoante mais vogal (CV)


Tsonga: nu – na (esposa)
Ϭ

O R

P Co

C V

n u Ø
 Shimakonde: ma- do – do (dedos)
Ϭ

O R

P Co

C V

m a Ø

Sílaba Monomórica vs Bimórica


Uma sílaba monomórica é aquela que contém uma vogal breve com núcleo silábico,
contrariamente a uma sílaba bimórica que apresenta como núcleo silábico uma vogal longa.

As estruturas das duas sílabas são respectivamente CV e CVV. Todos os exemplos anteriores
ilustram sílabas monomóricas

Ex: Silabas Bimóricas.

Emakhuwa : O – maa – la

O R

P Co

C V V

m a a Ø

Paralelamente a este facto, as Línguas Bantu contêm sílabas constituídas por mais de um
segmento consonantal.
a) CCV
 Ex: Tsonga : Svi – pu – nu (colheres)
Ϭ

O R

C C P Co

S V i Ø

b) CCCV
 Cibalke : mbve – re (pêlo)

O R

C C C P Co

m b v e Ø

Descrição Silábica de uma palavra complexa

Na descrição silábica de uma palavra de uma Língua Bantu deve-se ter em conta o tom, uma
vez que cada sílaba de palavra corresponde a um tom.
Cinyanja: m – pu – ngá (arroz)

Ϭ Ϭ Ϭ

O R O R O R

P Co P Co p Co

C V C V C C V

m (u) ø p u ø n ɡ a ø

NB: (Por razões históricas as nasais consomem as vogais, mesmo que não apareçam
expressas.)

Ciyao : U – ta – á – ndi (farinha)

Ϭ Ϭ Ϭ Ϭ

O R O R O R O R

P Co P Co P Co P Co

V C V V C C V

ø u ø ʈ a ø ø a ø n d i ø

TOM

A elevação da sílaba do tom de voz sobre uma ou mais sílabas pode influenciar ou
mesmo modificar o significado da palavra. Isto quer dizer que em certas Línguas há palavras
que apresentando os mesmos elementos segmentais (consoantes e vogais) distinguem-se
umas das outras graças a diferentes distribuições tonais.

Ciyao: n a p ú ú t i l é (Eu tinha batido em…..)


n á p u u t i l é (Eu tinha batido nele ou nela.)
n a p ú ú t i l e (Eu bato nela ou nela.)

Neste tipo de línguas (tonais) o tom pode marcar palavras de sentido diferentes; palavras
pertencentes a diferentes categorias gramaticais, etc.

De entre as línguas de graus de tonalidades, isto é, algumas línguas podem ser tonais, outras
mais ou menos tonais e outras menos tonais.

Tendo em conta a sua função na palavra o tom pode ser:


Lexical – quando marca diferença de significação intelectual entre palavras idênticas
em termos de elementos segmentais.
 Ex: Tsonga: M a v é l é (seios) M á v e l e (milho)
 Cinyanja: n t è n g ó (prego?) n t é n g o (árvore)

Gramatical – quando fornece informações de carácter gramatical, isto é, o tom pode


ser marca de categorias gramaticais, tais como o Tempo, o Aspecto, o Modo Verbal,
marca de Objecto, etc.
 Ciyao: n a p ú ú t i l é (mais+ que + perfeito)
n á p u u t i l é (mais + que + perfeito + objecto)
n a p ú ú t i l e (perfeito + objecto)

Algum resumo sobre as vogais e consoantes

TRAÇOS - São características dos segmentos fonológicos que correspondem a


propriedades fonéticas. Possuem uma função classificatória, pelo que são antecedidos pelo
traço + e -, consoante o seu valor relativamente ao segmento que identificam.

Traços para a identificação das vogais e semi-vogais

altura

baixo traços relacionados com o corpo da língua.

recuado

arredondado traço relacionado com a abertura ou arredondamento dos lábios.

nasal traço relacionado com a abertura secundária.