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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA PSICOLOGIA MILITAR.

I Breve historial da Psicologia Militar.


Conceito, objecto e tarefas da Psicologia.
Objectivos e importância da Psicologia Militar.

Breve historial da Psicologia Militar.


Falar da Psicologia é falar de tudo quanto acontece no nosso dia-a-dia, ao nível da
nossa mente, da vida social individual, colectiva e familiar. É tudo quanto vemos,
ouvimos, sentimos, queremos etc.

Assim esta ciência aparece como a que vem interpretar todos estes factos. O Homem
desde os tempos passados procurou encontrar explicação sobre o que lhe ocorre na
“alma”, razão pela qual os gregos atribuíram a palavra “Psicologia” que originalmente é:
“PSYKE” =alma; LOGOS=estudo .

São vários estudiosos que se dedicaram ao estudo desta ciência, destacando-se entre
estes Aristóteles, que no século XIX conseguiu dar uma explicação sobre o que é
Psicologia e desvinculou da filosofia.

A Psicologia está estreitamente ligada com a biologia, fisiologia, pedagogia, sociologia,


história e outras ciências.
A Psicologia Militar aparece como aquela que vai interpretar a actividade militar ao
nível individual, em grupo ou colectivo militar.

Conceito, objecto e tarefas da Psicologia.

CONCEITO: Psicologia Militar é a ciência que estuda os processos Psíquicos que


ocorrem ao nível dos militares.
Os Processos Psíquicos são observáveis ao longo da realização da actividade militar.
OBJECTO DA PSICOLOGIA MILITAR (o que estuda a Psicologia), estuda o
comportamento diferenciado dos militares em actividade (o que lhe leva a agir e os
factores que o influenciam).

PROCESSOS PSIQUICOS – são tudo quanto ocorre na nossa mente na base do


sistema nervoso central (SNC). Estes podem ser: Pensamento, Sentimento, Imaginação,
Percepção, Temperamento, Carácter, etc.
Podem ser influenciados pela Educação, auto educação, podem ser permanentes ou
temporários.

Exemplos: O Temperamento e Carácter são considerados como propriedades psíquicas


permanentes, mas que podem mudar sob influência de Educação e Auto educação,
doenças ; são processos psíquicos temporários.

TAREFAS DA PSICOLOGIA MILITAR.


 Desenvolvimento do psiquismo no processo de actividade militar.
 Promoção de métodos para uma guerra psicológica.
 Definir as motivações que levam o Homem a agir e os factores que o influenciam.
Objectivos e importância da Psicologia Militar.

OBJECTIVOS: Entre vários há que destacar:


 Compreender o comportamento individual e colectivo.
 Conhecer a base da formação dos processos psíquicos.
 Interpretar com objectividade a vida social do indivíduo e da sociedade.
IMPORTANCIA:

Sendo uma ciência vasta, ela ajuda-nos a compreender as nossas capacidades de


programação das actividades; a compreensão do nosso próximos, possibilitando a
manutenção de boas relações uns com os outros.

Desta forma, podemos falar da existência das seguintes psicologias: Psicologia de


trabalho (particularidades psicológicas da actividade humana), Psicologia Pedagógica
(leis psicológicas da instrução e educação do Homem), Psicologia Clínica (actividade
medicinal), Psicologia Jurídica (aspectos psicológicos da aplicação do sistema jurídico),
Psicologia Militar (o comportamento do homem em circunstancias de guerra, aspecto de
interacção entre chefe e subordinado e o método para a promoção de Guerra psicológica),
Psicologia Desportiva (particularidades psicológicas desportivas), Psicologia de
Desenvolvimento (estudo de diferenças de processos psíquicos), Psicologia Especial
(desvios nos processos psíquicos ao seu desenvolvimento), Psicologia Comparada
(semelhanças entre os homens e animais inferiores), Psicologia Patológica (ocupa-se no
estudo de doenças);…

METODOS DE ESTUDO DA PSICOLOGIA

A reacção perante um determinado estímulo é determinada em grande parte pela sua


personalidade, no contexto das suas situações vividas, no meio físico e social.

A Situação- é o estímulo ou conjunto de estímulos.


A Reacção – é o conjunto de respostas mecânicas e determinadas pela situação.
Exemplo:
 O equipamento hereditário não é tudo.
 Cada individuo tornam-se fáceis em função das experiencias vividas na família,
na escola, no trabalho, na igreja, na rua, nos clubes, etc.
Capitulando os padrões culturais dos grupos em que se integra, assimilando-os ou
rejeitando-se.

METODOS DE ESTUDO DE PSICOLOGIA.


1-Metodo Introspectivo: refere-se a auto-observação (disposição interna, estudo de
espírito).
Pretende-se um conhecimento de nós mesmos e de que se passa em nós.
Tem como objecto:
 Estudo dos fenómenos psíquicos ou de consciência (emoção interior, associação
de ideias, imagens mentais…
 Preconiza uma observação sistemática a descrição de estudo de consciência feita
pelo próprio indivíduo.
DIFICULDADES/LIMITAÇÕES
 Dificuldades de observador se observar a si mesmo.
 Modificação dos fenómenos na tomada de consciência.
 Impossibilidade de psicólogo de observar a consciência de outrem.

2-METODO EXPERIMENTAL: preconiza a observação ordinária e experimentação de
forma a fazer verificação que lhe permite enunciar leis capazes de prever o conhecimento
dos seres vivos face a determinadas situações.

OBJECTIVO.
E’ chegar a formulação de leis do conhecimento susceptíveis de explicar condutas
comuns a generalidade de indivíduo de uma espécie.

3-METODO DE OBSERVAÇÃO – em psicologia grande parte das investigações não


ultrapassam a fase de observação.
 Nalgum caso a observação e’ ocasional (não obedece um plano pré-estabelecido
levando a um estudo aprofundado posteriormente).
 Enquanto a observação sistemática (sujeita a condições previamente fixadas que
delimita o que pretende observar) a mais utilizada.
 Na observação com fins terapêuticos, o observador tem que estar presente porque:
as observações são afectadas pelas subjectividades.
 Depois da observação, o observador elabora as hipóteses, que são suposições de
existência de uma relação entre dois ou mais factos.
4-METODO PSICANALITICO -um conhecimento agressivo pode ser estudado em
muitos aspectos:
 Forma física
 Verbal.
 Com a intensidade com que se manifesta.
 Reacções fisiológicas que o acompanha.

A perspective psicanalítica não interessa nenhum desses aspectos mas as motivações


profundas e conscientes de tal conduta.
Este método tem portanto, o seu campo de acção no diagnóstico e tratamento de
conhecimento, cujo sistema se apresenta aparentemente incompreensíveis
5-METODO CLÍNICOS pretende estudar de forma exaustiva e aprofundada um caso
particular.
E’ o método indicado para as crianças que experimenta dificuldades de aprendizagem.

São usadas varias vias:


 Psicanálise.
 Entrevista.
 Observação.
 Provas projectivas.
 Teste de inteligência e de aptidões, etc.
METODOS DA PSICOLOGIA MILITAR.
Fundamentos técnicos do método.

Tipos de métodos da Psicologia Militar.

Importância dos métodos da Psicologia Militar.

Fundamentos técnicos do método.


Método, etimologicamente significa entre outras interpretações “como caminho “, isto é
Segundo um determinado processo. Assim os métodos são as estradas ou ou as vias, os
caminhos da pergunta da pesquisa.

Em Psicologia, podemos dizer que o método significa a forma como nos aproximamos do
objecto desta ciência ,ou seja o caminho que percorremos em direcção ao objecto.

A partir do método fazemos o uso daquilo a que chamamos TECNICAS: são


procedimentos já estabelecidos e de carácter estático que utilizamos durante a caminhada.
A caminhada do Psicólogo depende da finalidade que visa atingir quando se dirige para o
objecto.

Paralelamente a’ finalidade que o Psicólogo visa o caminho a percorrer em direcção ao


objecto e’ também influenciada pelas teorias que perfilha. Teorias são resultados da
articulação de um conjunto de conceitos utilizados na análise do objecto. Assim elas são
um conjunto proposições que explicam e privem fenómenos. Servem de base a’
percepção e conhecimento do sujeito.
Tipos de métodos da Psicologia Militar.
Os métodos mais usados frequentemente em Psicologia são:
Extrospecção, onde se estuda fazendo observação de manifestações externas do
individuo.

Introspecção, realização de exame interno da pessoa. É tido como sendo subjectivo.


Experimental, fazendo experimentação e verificação dos resultados do individuo.

Testes, procura-se encontrar e medir as realidades psíquicas do indivíduo.

Histórico do Caso, consiste no conhecimento dos antecedentes históricos da pessoa


(sociais, económicos financeiros…).

Psicanalítico, procede-se a análise descritiva do indivíduo.

As grandes vias que o psicólogo pode optar são essencialmente dois: O método
Experimental, em que os objectos adquirem o estatuto de objectos de estudo; e o
Método Clínico que visa a mudança, adquirindo os sujeitos o estatutos de objectos de
intervenção.

Para proceder a investigação o psicólogo baseia-se em quarto fases distintas :


OBSERVACAO (ocasional ou sistemática).

ELABORACAO DE HIPOTESES (suposição sobre a existência de uma relação de


factos); indução e dedução.

EXPERIMENTACAO (observar, descodificar e interpretação dos face resultados).

ELABORACAO E GENERALIZACAO DOS FACTOS (trabalhar os dados brutos e


trais forma-los em dados significativos – as leis).
Importância dos métodos da Psicologia Militar.
Em actividade militar o uso dos métodos psicológicos importa-nos:
 Descobrir as vias mais correntes da sua explicação.
 Conduz-nos a aproximação da realidade do militar.
 Satisfaz os desejos do investigador naquilo que pretende atingir .

PROSESSOS PSIQUICOS.
Essência, função e estrutura dos processos psíquicos.

PROCESSOS PSIQUICOS.
É O conjunto de propriedades psíquicas, ou seja, são operações internas da personalidade
com uma limitação temporária que surge na base da actividade do SNC e que permitem
ao homem perceber do que se passa no seu meio interior ou exterior.
Na sua unidade dialéctica eles constituem a regulação de impulsão e cumprimento da
acção do homem.
ESSENCIA DOS PROCESSOS PSIQUICOS
Assentam no facto de serem eles a chave que possibilita ao homem o conhecimento do
meio ambiente (natureza) e intercâmbio com ele (meio ambiente).

FUNCOES DOS PROCESSOS PSIQUICOS


A função dos processos psíquicos consiste em permitir a regulação do comportamento do
homem.
As principais funções são: viver, conservar, esquecer, decidir, controlar e regular o
comportamento do homem. Todas estas funções realizam-se através do SNC.
ESTRUTURA DO PROCESSO PSIQUICO

Processo de Processo de Processo de Processo de Processo de


reconhecimento sentimento ou Memoria ou regulação ou Impulso ou
ou cognitivo Emocional mnésico Volitivo Motivação
Sensação Paixão Registo Desejo Necessidade
Reflexão Afecção Reflexão Vontade Motivos
Imaginação Disposição Reprodução Habito Interesses
Pensamento Emoções Conservação Instinto
Atenção Dor Representação Reflexão
Depressão Imaginação
Esquecimento
PROCESSOS DE MEMORIA

1. Registo, reprodução e associação.


2. Conservação, esquecimento e representação.

A memória anda intimamente relacionada com a associação, por isso se diz que não há
associação sem memória; para que os fenómenos sejam associados é necessário que se
tenham conservado no espírito e possam reaparecer.

Memoria -o é a forma de reflexão psíquica da realidade ou seja, o poder que o espírito


tem de conservar, reproduzir, reconhecer e localizar os estados e consciência
anteriormente experimentados.

O objectivo da memória é só os conhecimentos adquiridos, mas todos os estados de


consciência passados como emoções, pensamentos resoluções, isto é, tudo o que constitui
a nossa história pessoal e que faz parte integrante da nossa personalidade.

FORMAS DA MEMORIA
 Memorização lenta e esquecimento rápido (forma péssima).
 Memorização rápida e esquecimento rápido (forma pior).
 Memorização e esquecimento lento (forma normal).
 Memorização rápida e esquecimento lento (forma melhor).

Registo é uma fama de reflexão psíquica intimamente ligada a memória, pois só a


memória é que tem particularidade de captar, fixar (registar) para deois reproduzir. E’ por
isso que a perturbando o sangue ataca a memoria (acabando com a fixação e registo).

Reprodução – é a reaparição na consciência de passado. É costume dividir a reprodução


em espontânea e volitiva. A Espontânea faz-se sem nos, quando um fenómeno passado
surge na consciência, sem que, como a primeira vista parece nenhum motivo o evocasse,
como uma musica que nos vem obstinadamente a memoria durante todo o dia. E isso
reflecte de facto que esta ideia suplanta todas as outras pela sua vivacidade ou só
associação a outras (voluntaria).

Voluntaria – pressupõe esforço deliberado do sujeito, faz-se por nossa iniciativa e supõe
a orientação para o passado em busca da recordação que parece querer escape-se; e’ o
que acontece quando nos fazem uma pergunta e nos esforçamos por recorder as respostas,
e isso será inútil sem concentrarmos a atenção na ideia esboçada para dar realce e
facilitar, por associação e recordação dos elementos que a completam.

Associação – é a propriedade que os fenómenos psíquicos têm de se sugerirem uns aos


outros no campo da consciência. Na nossa consciência, verificando que um fenómeno
que se segue ao outro numa maior ou menor rapidez de sucessões a isso é a associação.
Assim visitando um museu e encontrando lá um quadro que representa uma cena que
traduza uma passagem da nossa vida, logo nos ocorre a’ um sem fim de recordações e
quando mais tarde, nos lembramos desse museu, recordaremos o quadro, a sala em que se
encontra o autor e todas representações que anteriormente observamos, e’ associação que
nos permite isso.
Conservação’ uma propriedade da memoria que nos faculta recorder os nossos estados, o
que não faríamos se não nos conservássemos. Isto se verifica porque todos os fenómenos
psíquicos persistem em nós, de forma a poderem evocados quando necessários. Esses
estados psíquicos quando deixam de ser conscientes não desaparecem mas persistem num
plano inferior da consciência passando ao domínio do subconsciente. Teoria Psicológica
para outros estados psíquicos a cada grupo de recordações esta’ armazenada numa célula
ou conjunto de células. A cada sinal corresponderia uma célula cerebral modificada na
sua própria estrutura anatómica ---Teoria Fisiológica.

Representação -são imagens de objectos e fenómenos que tinham sido percebidos antes,
e que surgem na consciência do Homem. Elas surgem quando os objectos e fenómenos
não influem imediatamente nos nossos órgãos dos sentidos.
Representações são intermediariam entre sensações e pensamento.

Esquecimento – é um fracasso de esforço evocativo e impossibilitado (as vezes o


passado momentânea) de reproduzir. O Esquecimento não deve confundir com os casos
de amnésia propriamente dita (esquecimentos anormais, que consistem na perda total
ou parcial das funções de fixação e de evocação) pois o esquecimento e’ um fenómeno
normal e condições de uma boa memoria e a amnésia propriamente dita e’ uma doença.

IMPORTANCIA DA MEMORIA
 A memória é condição do processo intelectual.
A Personalidade militar não existiria sem memoria pois é ela que conserva o nosso
passado e permite incorporar o que dela se vai seleccionando, para organizar pouco a
pouco a nossa personalidade em defesa do Pais

TEMPERAMENTO
 Noção do temperamento.
 Característica psicológica do temperamento e suas particularidades.
O Homem nasce trazendo no seu organismo um conjunto de predisposições orgânicas
provenientes por vezes da hereditariedade. Ele imprime uma maneira própria de reagir as
excitações internas e é nestas disposições hereditárias profundas, essenciais ao indivíduo
em que consiste o temperamento.
É uma expressão que provem do latim e que significa “justamente mistura “.

TEMPERAMENTO - reflecte o aspecto biológico (herdado) é a manifestação da


actividade do homem e do tipo do seu sistema nervoso. É aquela particularidade em que
manifesta-se a intensidade, a mobilidade, o equilíbrio dos processos de excitação e de
inibição do córtex cerebral.

O SNC do Homem tem dois (2) processos que são:


 Excitação.
 Inibição.
Estes são opostos activos e manifestam-se na interconexão. Nisto a excitação de certos
sectores do cérebro - Provocam a inibição de outros.
A cada um dos quatro tipos da actividade do SNC superior que são (tranquilo Inerte)
activo (vivo) Impetuoso e fraco, corresponde a um tipo de temperamento que também são
quarto: Fleumático, Sanguíneo, Colérico e Melancólico.

TIPOS DE SNC

Tipos de Particularidade do processo nervoso Tipo de


Actividade Temperamento
Nervosa Fraco Equilibrado Flexibilidade Colérico
Superior Sanguíneo
Impetuoso Forte Desequilibrad Vivo-flexivel
Fleumático
o
Melancólico
Activo (vivo) Forte Equilibrado Flexível
Inerte Forte Equilibrado Inerte-passivo
(tranquilo)
Fraco Fraco Desequilibrad pouco
o

CARACTERISTICA DE CADA TIPO DE TEMPERAMENTO

1-Colérico – pessoa generosa cheia de acção, móvel, vivo, no entanto a sua actividade
embora intenso é Febril é múltipla e geralmente dotado de aptidões, cheio de
impetuosidade, capaz de integrar-se em qualquer trabalho ou causa, compaixão, possui
uma irritabilidade elevada, razão pela qual é desequilibrado no comportamento e
agressivo, fraco nos pensamentos, energético nas actividades, toma decisões rapidamente
orienta-se facilmente na situação, não suporta pessoas lentas.
Traços negativos- reduzem estupidez, rapidez e mudança rápida de humor.

2-Sanguineo- são os ciclotimicos, oportunistas, espirituosos, irónicos, sabendo manejar


os Homens revelando-se geralmente hábeis, diplomáticos, é pessoa activa e móvel, muito
produtiva, mas só quando tem interesse para uma causa (isto é na condição de excitação,
quando a causa não lhe interessa pode aborrecer-se e é indolente; orienta-se na situação,
entra facilmente nos contactos com os outros, sociável, controla estavelmente o seu
comportamento permanece mais no estudo de espírito de optimista frequentemente ele é
brioso nos trabalhos, dinâmico e variável.

3-Fleumatico – Pessoa equilibrada, calma, homem de hábitos objectivos e ponderado,


contante no seu humor, não são dados a afeição de qualquer espécie, são pacientes,
tenazes e cumpridores de leis, toma decisões sem pressa; trabalho iniciado nunca deixa,
calmos em quaisquer condições, ultrapassa facilmente cargas psíquicas, muitas vezes são
vagarosos, podem cumprir trabalhos exigindo tensão prolongada, sangue frio e boa
capacidade de trabalho.
4-Melancolico – Alta sensibilidade emocional, são meditativos, tímidos, alimentando a
vida interior de recordações e entrando dificilmente em contacto com outros, são
individualistas, esquizotimicos, cujas ambições ficam sem um estado de aspiração,
frequentemente o seu comportamento está retraído, na situação perigosa tem muito medo,
preocupa-se por situações insignificantes, aguenta dolorosamente as ofensas, pode ser
amigo alegrado e de coração aberto, aguenta trabalho monótono.

PARTICULARIDADES DO TEMPERAMENTO

1- O cumprimento dum trabalho pode ser mais fácil para uma pessoa e difícil para
outra, o mesmo acontece nas reacções perante varias situações da vida

2- É necessário sempre desenvolver os traços positivos dos combatentes no processo


de instrução e educação. Traços condicionados pelas particularidades do
temperamento.

3- Qualquer particularidade do temperamento não pode ser a causa da manifestação de


rudeza e do mau comportamento em relação aos subordinados ou companheiros.

O TEMPERAMENTO é uma propriedade psíquica muito estável, ele forma-se na vida


e na actividade e em resultado disso pode ser alterado, mas altera-se não o tipo de
temperamento mas só as suas características qualitativas.

As forças dos processos nervosos determinam-se pela capacidade do sistema nervoso


do registo a grandes cargas nervosas sem provocar danos para a actividade nervosa.

EQUILIBRIO- é a correspondência do estado de excitação ao estado de inibição,


quando um desses processos predomina sobre o outro a actividade nervosa considera-se
desequilibrada.

Flexibilidade ou rapidez – é uma facilidade e rapidez da reconstrução dos reflexos


condicionados inclusive a possibilidade de elaboração de uma reacção positivo ao
irritante negative e vice-versa.
Excitação – é a irritação que é provocada por um fenómeno qualquer que pode ser
aborrecimento.

Irritação – é o inverso da excitação cuja tarefa fundamental é de acalmar as irritações.

PSICOLOGIA DA DISCIPLINA MILITAR

Essência, estrutura de uma acção combativa.


Vias psicológicas da função do alto nível da disciplina militar.

Acção Combativas é o modo de se comportar da personalidade no combate e cuja


importância social e; sentida pela própria personalidade.
As acções podem ser individuais ou em grupo.

OBJECTIVOS DUMA ACÇÃO COMBATIVA


São de alterar o comportamento trazido do mundo circundante anterior e
adequar os combatentes ao serviço militar de forma a sair vitorioso no
combate moderno.

A essência duma acção combativa consiste em alcançar por vias fáceis os objectivos do
combate.
Determinando para si um objectivo qualquer o homem esforça-se por prever mentalmente
todas as ligações entre as causas e efeitos que contribuem para alcançar o objectivo. A
forma de comportar e o objectivo duma acção estão ligados entre si.
Para avaliar correctamente uma acção os comandantes ou chefes devem conhecer o
motivo que leva o combatente a agir desta ou doutra maneira. Isso deve-se por seguinte
facto:
1. Excitação emocional -uma pessoa pratica acção e arrepende-se,
2. Transformação de uma acção em costume como resultado da repetição sistemática
duma acção.
A ACÇÃO DUM SOLDADO DEPENDE:
1. Das condições psicológicas internas duma personalidade e factores que influem
essa mesma personalidade.
2. Disciplina exemplar do comandante ou chefe.

Para determinar a disciplina duma personalidade existem quarto (4) critérios:


1. Mostrar a um combatente o dever e o cumprimento das suas obrigações de serviço
dai avaliar.
2. Carácter das acções a realizar.
3. Êxito na preparação combativa.
4. Grau de participação na vida social duma subunidade.

ESTRUTURA DUMA ACÇÃO


 Forma ou modo de comportamento.
 Objectivo duma acção.
 Motivo duma acção.
 Resultado da acção.

VIAS PSICOLOGICAS da FUNÇÃO DO ALTO NIVEL DE DISCIPLINA


MILITAR.

A educação duma alta disciplina dos combatentes:


Tem como objectivo de unir as personalidades diferentes num colectivo militar, unido e
único, organizado e estável que pode cumprir tarefa de defesa da pátria.
Desenvolve a compreensão e atitude para com o serviço militar o com base nos
regulamentos militares, por isso um educador deve-se forçar por:
Entregar os jovens combatentes todos os conhecimentos sobre o serviço militar.
a) Formar as convicções profundas dos combatentes na firmeza em relação ao
cumprimento das missões combativas.
b) Exigir a observação rigorosa da ordem interna do cumprimento claro de
todos os comandos e orientações.
Desenvolvimento da atitude correcta da personalidade do combatente; Esse processo
inclui:
 Explicações das normas e regras das inter-relações do colectivo militar dos
princípios de amizade e camaradagem militar.
 Estudo, análise e correcção pelos educadores, das inter-relações real do
colectivo.
Materialização das normas inter-relações com base no regulamento.
O método principal da influência que os subordinados é o exemplo pessoal que se
combina numa alta exigência, preocupação sobre os “resultados “ subordinados e respeito
das suas personalidades.
O grande papel nisso é desenvolvido pelo trabalho educativo individual, e pelos
regulamentos militares.
Ensinar aos soldados e chefes a dominar o seu comportamento em qualquer condição de
serviço militar em combate, ajudar a cada um a controlar as suas acções avaliar
correctamente os seus erros e faltas.
Nisto é necessário tomar em conta o trabalho individual e psicológico de cada
combatente, direcção do comportamento em todos tipos de actividade militar.

CONCIENCIA E INCONSCIENCIA
Quando estamos acordados encontramo-nos na parte da consciência.
A Inconsciência começa no momento que deitamo-nos e aparece o sono; É nesta
parte que residem os malucos.
Habito-o o actua sobre a consciência.

AUTORIDADE DO OFICIAL
Essência e significado de autoridade
Características de cada tipo de autoridade, tipos de dirigentes e suas características
Autoridades – provem do Latim “AUTORITAS”= Poder ou ainda influência.
Autoridade é a capacidade de influência sócio – psicológica duma pessoa a outra, ou de
grupo de pessoas para as outras, do dirigente paras o subordinado, do professor para o
aluno, da personalidade para o colectivo.
A essência da autoridade reside na capacidade de influenciar noutras, graças a certa
superioridade por estes reconhecidos.
Para que um oficial tenha autoridade é necessário que tenha um determinado número de
qualidades:
Conteúdo das noções ou esquemas conceptuais;
Firmeza de ideias;
Competências;
Capacidades organizativas;
Capacidade de crítica e autocrítica;
Disciplina exemplar;
Vocação de comandar ou chefiar;
Adaptação profissional;
Prontidão física e moral.

Nestes termos autoridade é a síntese (produto) da moralidade, conhecimento e


experiencia, que permitem a um homem impor, e influenciar noutras, graças a certa
superioridade por eles reconhecida sem ser tomados por coacção.
Para um bom colectivo tem muito significado a simplicidade dos seus membros e a
autoridade do dirigente. Essa unidade de simplicidade com a autoridade faz existir ou
nascer as relações mútuas.
Para garantir a autoridade é necessário o seguinte qualidade:
Unidade da simplicidade com a autoridade;
Ser bem-educado, sincero e sério;
Ser dinâmico e revelar iniciativa e criatividade;
Possuir conhecimentos profissionais sólidos e profundos;
Espírito de responsabilidade e camaradagem;
Humanismo e integridade moral;
Disciplina e exemplo;
Acolhedor temperado e tolerante
Ser culto e instruído;
Respeitar a honra dos outros.

Em qualquer sociedade a autoridade significa:


Capacidade de se impor e influenciar;
Domínio económico, político e social;
Importante elemento de convívio humano.

II TIPOS DE AUTORIDADE

Tipos de autoridade

De Serviço Moral ou social Profissional

Autoridade de Serviço – Cria-se através de leis e exigências especiais, a sua base são
factores sociais, o próprio cargo prevê uma certa autoridade. Por isso qualquer
Comandante ou Chefe no seu escalão (uma vez nomeado) representa sempre uma
autoridade estatal ou governamental; entretanto qualquer cargo não cria por si só
autoridade do dirigente, mas sim prepara premissas e possibilidades para a sua formação.

Para materializar essas possibilidades é necessário conquistar a autoridade, através de:


- Altas qualidades pessoais do oficial;
- Ganhar respeito pelos colegas e vice-versa;
- Ser um dirigente razoável que conhece a sua causa

Autoridade moral/social – Diferentemente da anterior, esta não se cria através de leis ou


exigências especiais, ela conquista-se apenas por si mesma, dependendo
consideravelmente das qualidades de personalidade (Ex: na família, na educação, na
sociedade, na igreja etc.).
A autoridade moral é índice de confiança e de respeito por parte dos subordinados, a sua
base é a mobilização. É a forma superior da autoridade dum oficial.

Autoridade Profissional – é a autoridade de Mestre, do conhecedor, do testemunho


(prova), aparece quando o chefe ou comandante se torna perito da sua profissão.
A incapacidade de um chefe em organizar trabalho ou dar ordens correctas, influencia
negativamente aos subordinados, provoca desgastes morais, cria barreiras psicológicas
nas inter-relações pessoais o que pode provocar graves consequências na actuação
combativa e perdas humanas incalculáveis.

Pequena autoridade – esta pode provocar duvidas no pessoal em relação as orientações


superiores.
- Acontece quando há falta de conhecimento dos problemas que existem nos
subordinados;
- Fraco conhecimento profissional;

Defeitos que surgem na direcção do colectivo


1. Utilização exagerada da coação;
2. Não observância do rendimento dos subordinados;
3. Ausência de contacto com o colectivo;
4. Erros teóricos devido o nível de educação e de formação geral do chefe.
Características de dirigentes
De acordo com as capacidades de influência no exercício da autoridade podemos
encontrar as seguintes características de dirigentes:

1- Com autoridade verdadeira - a personalidade com este tipo de autoridade, apresenta


as seguintes características:
. Firmeza na actividade militar, muita convicção para com as tarefas colocadas, iniciativa
na actividade e vida social da Unidade;
. Preparação profissional adequada, conhecimentos profundos da arte militar e domínio
da técnica;
. Preocupação com os problemas dos subordinados, abre-se a comunicação, estabelece
consultas com os subordinados;
. Amor à sua profissão, criatividade e responsabilidade perante o trabalho;
. Pureza moral, modéstia, honestidade e comportamento digno na actividade diária e na
família;
. Capacidade organizativa, e de pensar criticamente;
. Disciplina, orientação a um só objectivo, domínio de si próprio, coragem e capacidade
de resistir as dificuldades do serviço militar;
. Pensamento e mestria pedagógica;
. Capacidade de tomar uma decisão argumentada, no momento mais difícil da situação de
combate ou de serviço, não vacila;
. Impõe seus métodos com o objectivo de não tiranizar, mas de lhe dar segurança
considerando que o Homem precisa de ser dirigido.

2- Principalmente com autoridade – apresenta as seguintes características:


. É incapaz de aplicar os princípios de direcção à sua própria iniciativa;
. Goza de consulta aos subordinados;
. É um homem de escritório (gabinete);
. Toma decisões sem ter em conta o colectivo;
. Baseia-se na sua experiencia e manifesta a sua vontade;
. Alega sempre normas para dar solução a um problema;
. Procura respeitar o enquadramento jurídico.
3- Principalmente com liberalismo – caracteriza-se por:
. Mostra indiferença em todas as circunstâncias;
. Subestima a força e as possibilidades do colectivo;
. Não se interessa só toma decisões em casos da situação deflagrar-se ou sob ordens
expressas por seus superiores;
. Receia criar inimizades e para tal não toma medidas disciplinares, tentando a todo o
custo evitar conflitos, e é um comprometido;
. Conserva a sua posição na perspectiva de se as coisas virem a mudar;
. É tímido na tomada de decisões;
. Falta de exigências e de princípios de direcção, não assume as suas responsabilidades de
direcção;
. Cria uma independência total aos subordinados.

4- Com autoridade falsa -


. Demonstra superioridade nos direitos;
. Desejo de manter os subordinados com o medo permanente de castigo;
. Não confia nos outros e tem sempre necessidades de ter razão relativamente aos outros;
. Manifesta indiferença com os outros e não da conta das necessidades e exigências dos
outros;
. Desencoraja relativamente ao trabalho excelente;
. Sublinha a importância de si mesmo com o seu comportamento e modo de falar ser
exemplar.

INFLUENCIA DA SITUAÇÃO COMBATIVA PARA A PSICOLOGIA DUM


COMBATENTE E COLECTIVO MILITAR.

 Características psicológicas da personalidade na actividade combativa.


 Particularidades psicológicas no cumprimento das missões nas FADM.

ACTIVIDADE COMBATIVA.
E’ um certo tipo de actividade do Homem que lugar nas condições de Guerra e de
combate. A sua Essência reside na orientação para o cumprimento da missão combativa.
E’ uma modalidade da actividade militar num sistema de acções que se divide em dois
factores:

1- FACTORES NEGATIVOS.
São aqueles que impedem o funcionamento da actividade combativa prestam influencia
negative no psíquico e criam tensões e pânico.
EX:
 Perigo de morte.
 Situação inopinada.
 Alteração brusca de situação complexa.
 Ruídos fortes das explosões, incêndios, fumigações, etc.
 Baixa do pessoal.
 Terreno desfavorável.
 Condições meteorológicas.

2-FACTORES POSITIVOS.
Intensificam a actividade combativa dum soldado, revelam alta prontidão combativa e
moral, elevados conhecimentos do armamento e técnicas adicionais a alta confiança que
o soldado deposita para com o chefe ou comandante. Nisto imagina por exemplo:
 Ordem correcta.
 Exemplo pessoal do comandante ou do chefe.
 Superação com eficácia dos obstáculos.
 Golpe total ao inimigo.
 Controle total da situação.
 Funcionamento rigoroso da logística.
 Alta preparação do pessoal.
 Domínio da técnica.

PARTICULARIDADES PSICOLÓGICAS NO CUMPRIMENTO DAS MISSÕES


NAS FADM.

Cada missão combativa no ponto de vista psicológico pode ser dividida em três etapas:
1-ETAPA-PREPARATORIA OU INICIAL -envolve o período desde o momento da
recepção da missão ao momento de inicio do seu cumprimento na pratica. Nesta etapa
deve manifestar-se a alta flexibilidade por parte dos combatentes, esforço individual ou
colectivo por parte dos combatentes. Nesta etapa deve ser notória a forte mobilização do
comandante para o cumprimento com êxito da missão colocada a subunidade. O
levantamento pode ser feito através do sinal do alarme.

2-ETAPA- DO CUMPRIMENTO OU EXECUÇÃO inclui o movimento da


subunidade em direcção ao alvo indicado. O comportamento dos soldados deve ser
estável, combina-se possibilidades com suposições no cumprimento da missão. Há o
relaxo e maior concentração e atenção. Verifica-se também de vez enquanto tendências
de pânico provocadas pelas explosões.

Modo de dirigir o comportamento do soldado no combate.


a) Determinação oportuna das novas missões indicando novas formas de agir de
acordo com a nova situação.
b) Assegurar as realizações intensas da actividade sem interrupção; garantir o
seu controlo, manter o alto espírito patriótico nos subordinados, odio ao
inimigo e indicar alvos principais.
c) Distribuição de tarefas tendo em conta as capacidades individuais.
d) Apoiar subordinados em situação difícil.
e) Coragem e disciplina, exemplo pessoal por parte dos membros de direcção.

3-ETAPA- FINAL OU DE CONCLUSÃO. -A disposição depende do resultado obtido,


o estado psíquico tem a ligação com a duração e tensão dos combates . Perda no pessoal e
trabalho realizado pelo comandante. Depois do combate surge o estado psíquico seguinte.
 Desejo de um novo combate.
 Apatia ou indiferença.
 Preguiça.
 Desespero.
 Perca total de iniciativa.
 Soldado esforça-se por avaliar as suas próprias acções e as dos seus
colegas (companheiros), entender as causas dos resultados da
actividade.
 Será sempre positive no fim do combate fazer análise das acções
mostrando o que foi errado e positive como forma de elevar a situação
psico-moral dos combatente e tirar as devidas conclusões e lições das
acções combativas.

FUNDAMENTOS PSICOLÓGICOS DA MESTRIA COMBATIVA

1) Características psicológicas da mestria combativa.


2) Formação da mestria combativa nos combatentes das FADM.

MESTRIA COMBATIVA- é uma aprendizagem profissional do pessoal, que permite


aproveitar de forma melhor todas as forças e meios disponíveis para conquistar a Vitória
no combate.

ESTRTURA DA MESTRIA COMBATIVA

Conhecimentos Hábitos Perícias ou habilidades

CONHECIMENTO- São fundamentos da mestria combativa, elas representam por si as


informações sobre os objectos, fenómenos, todas actividades do mundo já percebido pela
personalidade. Quanto mais for complexo a técnica maior e’ o papel do conhecimento,
maior é a importância e o seu volume de qualidade.

HÁBITOS – são acções que se formam em resultado das repetições múltiplas que
cumpre de forma rápida, correcta e fácil sendo a concentração e atenção maior para as
modalidades do cumprimento. O Habito tem um carácter de necessidade, isto e’,
impulsiona para actividade, age como motivo da acção e posem-se tornar qualidade do
comportamento do homem.
Os Hábitos classificam-se em três tipos:
1. Motores.
2. Mentais ou intelectuais.
3. Sensoriais.

HABITOS MOTORES - são ligados as actividades em que o corpo exerce papel


importante e vão desde o simples gesto a actividades mais complicadas.
EX: vestir, pentear, fazer a barba, escrever, tocar piano, guiar veículos, utilizar
instrumentos de trabalho, andar de bicicleta, mudar a velocidade dos carros sem olhar
as alavancas etc.

HÁBITOS MENTAIS OU INTELECTUAIS OU PSICOLÓGICOS.


Que desenvolvem e aperfeiçoam a inteligência, a vontade e a sensibilidade, estão
ligados ao cumprimento rápido das operações mentais e dividem-se em Voluntários que
são activos e de Sensibilidade que tem carácter passivo.
Ex: capacidade de calcular rapidamente a soma, multiplicar ou então dividir dois ou mais
números.

HABITOS SENSORIAIS- elaboram-se com base no trabalho dos analisadores e outros


órgãos dos sentidos.
EX: comer, olhar, ouvir.

PERICIAS- são as formações psíquicas que englobam os conhecimentos e hábitos com


as acções de aperfeiçoamento correcto dos conhecimentos para resolver tarefas tácticas
ou militares

FORMAÇÃO DA MESTRIA COMBATIVA NOS COMBATENTES DAS FADM


A formação dos conhecimentos está ligada com as particularidades dos processos
psíquicos, eles representam por si a fixação na memória de várias informações
necessárias para habilidade militar no desenvolvimento do pensamento profissional.
1- A FORMAÇÃO DOS CONHECIMENTOS COMPREENDE:
 Informação
 Percepção e compreensão da material de ensino.
 Memorização.
 Aplicação rápida da material na prática.
Este último representa o mecanismo psicológico da assimilação dos conhecimentos.

2- FORMAÇÃO DE HABITOS- o método principal é a repetição consciente e


múltipla das acções visando o seu aperfeiçoamento.

Para a formação de hábitos existem quarto etapas:

1 ETAP-ANALITICA E SINTÉTICA - é uma etapa de divisão geral duma acção


em partes componentes depois a sua unificação.

1- ETAPA- DE APERFEICAOMENTO- aumenta-se a esperança, finalidades,


rapidez, mas a correcção das suas acções exige ainda atenção e pensamento inteiro.

3 -ETAPA DE AUTOMATIZAÇAO- todas as acções tornam-se rápidas, fáceis e


vivas. A atenção transfere-se da técnica do cumprimento para o alcance do acto ou
resultado final.

4- ETAPA DE GENERALIZAÇAO – os resultados podem ser obtidos de varias


maneiras em quaisquer condições, tendo sobrecargas prolongadas e obstáculos para
cumprir uma acção.

REGRAS DE TREINO
1°- Os homens devem ser treinados nos limites das dificuldades acessíveis.
2° – A complexidade dos treinos deve ultrapassar em pouco, a complexidade dos
treinos anteriores.
3 - Durante o treino dum soldado os outros devem observar as suas acções com
atenção e depois participar na análise dos erros.

4 – Os exercícios devem ser sistematizados, no inicio da elaboração são necessários


treinos diários de três a quarto vezes por semana.

5 – As acções complexas podem ser repetidas durante um treino não mais de três
vezes.

6 – Não se deve julgar que os treinos frequentes nas condições formam a mestria, são
necessários os treinos frequentes nas condições difíceis e complexas.

FORMAÇÃO DE PERICIAS E DE QUALIDADES DA PROFISSÃO


MILITAR

Realizam-se durante a preparação combativa, na elaboração de hábitos, no curso de


actividade prática e durante a implementação do método de desenvolvimento das
qualidades e perícias.

QUAIS SÃO ESSES MODOS:

a) Execução no interesse e na actividade consciente para com o serviço, estado


da aspiração para dominar a mestria militar.
b) Intensificação no melhoramento do pensamento, capacidades e forces
criativas dos soldados.
c) Impedimento dos elementos da decoração mecânica, da compreensão
incompleta do material.
d) Aumento ininterrupto das dificuldades, carga nos treinos e manobras.
e) Aproximação máxima da instrução com as acções combativas complexas
liquidando a simplicidade.
N.B: Os hábitos devem ser bem diferenciados dos costumes apesar da sua semelhança
exterior (hábitos efectuam-se conscientemente e os costumes podem-se efectuar
inconscientemente, ex: assobiar, meter mão no bolso).

VANTAGENS DO HÁBITO

O hábito tem largo papel na actividade humana, afirmando-se vulgarmente que “ o


Homem é um animal de hábitos “.
O hábito torna os actos mais espontâneos, fáceis, rápidos, precisos e perfeitos, pois
simplificam e reduzem os movimentos necessários à execução, diminuindo o esforço
e a fadiga. O hábito é a condição de progresso em todos campos da actividade
humana (cientifica, artística, literária, moral e mesmo mecânica).

DESVANTAGEM DO HÁBITO

Deformação profissional, a rotina, o conformismo demasiado, a anulação da


consciência, o enfraquecimento, endurecimento da sensibilidade e a escravidão da
vontade.

INTRODUÇÃO A PEDAGOGIA MILITAR

Conceito de pedagogia

A palavra pedagogia vem do grego (Pais, paidós = criança; agein= conduzir; logos =
tratado, ciência). Na antiga Grécia, eram chamados de pedagogos os escravos que
acompanhavam as crianças que iam para a escola. Como escravo ele era submisso à
criança, mas tinha que fazer valer sua autoridade quando necessária. Por esse motivo,
esses escravos desenvolveram grandes habilidades no trato com as crianças.
Hoje, pedagogo é o especialista em assuntos educacionais, e Pedagogia, o conjunto de
conhecimentos sistemáticos relativos ao fenómeno educativo.
Existem diversas definições de pedagogia:
- Pedagogia é a ciência da educação;
- Pedagogia é a ciência e a arte de educar;
- Pedagogia é a arte de educar;
- Pedagogia é a reflexão metódica sobre a educação para esclarecer e orientar a pratica
educativa.
Conceito moderno – Pedagogia é a filosofia, a ciência e a técnica de educação (este
conceito é o mais completo porque abrange todos os aspectos fundamentais da
pedagogia.

Divisão da pedagogia
1. Disciplinas filosóficas: História da Educação, Filosofia da Educação, Educação
Comparada, e Politica Educacional.
2. Disciplinas científicas: Biologia Educacional; Psicologia Educacional e
sociologia Educacional.
3. Disciplinas técnicas: Administração Escolar; Higiene Escolar; Organização
Escolar; Orientação Educacional; Didáctica Geral e Especial.

(O que deve ser, para onde vai/ O que é / Como)


PEDAGOGIA MILITAR – Ciência que trata das leis da educação, da instrução e de
ensino militares, da preparação do pessoal das Pequenas Unidades para que possam
realizar com êxito o combate moderno.
Metodologia – Ciência que trata das leis de instrução e da educação no processo de
estudo duma determinada matéria.
Ensino – É o processo organizado e orientado para a transmissão, aos militares, de
conhecimentos científicos, criação de hábitos e perícias (habilidades) assim como dota-
los com métodos necessários para uma actividade cognitiva.
Educação – É o processo sistemático e orientado com a finalidade de influenciar na
consciência, sentimentos, vontade dos soldados para um determinado objectivo.
Instrução – processo sistémico orientado para a satisfação das necessidades de formação
individuais, organizacionais e sociais. Engloba a Educação, a formação e Treino.
O PROCESSO DE INSTRUÇÃO NAS UNIDADES DAS FADM
Princípios de Instrução Militar
O processo de instrução nas unidades e subunidades das FADM obedece aos seguintes
princípios:
1. Carácter científico e ideológico da instrução – A instrução deve ser organizada
tendo em conta o desenvolvimento da tecnologia e arte militar, bem como os
objectivos e interesses do Estado;

2. Ensinar as tropas o necessário para a guerra – Na instrução, as acções ou


situações simuladas devem aproximar-se a realidade combativa, evitando
simplificações e alivio nas aulas de preparação combativa ou instrução;

3. Participação activa e consciente dos instruendos (envolvidos) – Todo o pessoal


envolvido na instrução deve tomar consciência da tarefa colocada e esforçarem-se
por cumpri-la. O pessoal deve participar activamente nas aulas e incrementar as
suas iniciativas, analisar todos os aspectos da matéria em estudo e assimilar;

4. Objectividade da Instrução – consiste em formar nos instruendos, conhecimentos


concretos da teoria de combate e do armamento, e dota-los de uma representação
correcta do combate moderno;

5. Sistematização da Instrução – Aqui joga papel importante a planificação


combativa (instrução) e a correcta elaboração do horário. Tanto as aulas teóricas
como praticas devem ser planificadas. Exige-se do Comandante ou
professor/instrutor a sequencia dos conteúdos, de modo a que os novos
conhecimentos apoiem-se nos anteriores. Nunca passar para uma nova matéria
sem que a anterior tenha sido compreendido e dominado;

6. Acessibilidade da Instrução – Exige-se que a instrução se realize de tal maneira


que os instruendos adquiram os conhecimentos necessários, dentro das suas
capacidades mentais e físicas, estando também o trabalho educacional a altura das
capacidades actuais dos instruendos.
Os professores/instrutores devem seguir rigorosamente as regras pedagógicas,
devendo ensinar da seguinte maneira:
- Do fácil ao difícil;
- Do simples ao complexo;
- Do conhecido ao desconhecido.
7. Solidez no domínio dos conhecimentos – adquire-se com a revisão sistemática da
matéria em estudo, para prevenir o esquecimento. Devendo-se sempre planificar
uma aula especial para sintetizar a matéria dada num determinado período;

8. Tratamento colectivo e individual na instrução – Caberá ao professor/instrutor,


conhecer as capacidades físicas e mentais de cada instruendo, por este ser parte
integrante do colectivo, é nesta base que se garante a coesão e coordenação das
acções do pessoal.

METODOS DE INSTRUÇÃO
Métodos de Instrução – São vias e meios com a ajuda dos quais os educadores
(Professores/Instrutores) transmitem os conhecimentos, sua assimilação pelos
combatentes, devendo estes serem capazes e prontos para actuar:
Os principais são:
a) Exposição oral da matéria - (Explicação, Conto, Conferencia);

b) Palestra - (informativa, Desdobrada, de Controlo e Verificação);

c) Demonstração – (com meios técnicos; com meios gráficos; através de acções e


técnicas feitas pelos soldados bem preparados);

d) Exercícios - (etapa inicial, etapa transitória, etapa final);

e) Trabalho individual – (com leitura, através do resumo da matéria lida, estudo


individual, treino individual).

A escolha dos métodos é determinada pelos seguintes factores:


o Objectivos;
o O conceito das matérias e suas particularidades;

o As formas de organização da instrução;

o Os meios de ensino existentes;

o O nível dos instruendos;

o A personalidade e nível de preparação metodológica do professor (instrutor).

Formas de instrução – As formas de instrução englobam o volume total dos trabalhos a


serem realizados no processo de instrução. É a organização do estudo dos militares por
grupo, lugar e duração da aula, elas incluem:
Aulas teóricas – asseguram a assimilação de conhecimentos dos fundamentos
teóricos do combate moderno, bases físicas e princípios de funcionamento de todo
o material;

Aulas práticas – desempenham um papel fundamental na preparação combativa


dos soldados e oficiais. Tais aulas realizam-se com o objectivo de preparar
tacticamente os soldados, de forma individual e em pequenas Unidades, para o
domínio da técnica de combate e armamento;

Tiro combativo – Constitui um grupo particular de formas de instrução; inclui tiro


com armas ligeiras, práticas individuais ou na composição de pequenas unidades,
tiro de tanque, Artilharia, lançamento de granadas. Realiza-se como regra geral
para verificar:

 O nível de preparação dos militares e pequenas unidades;

 A prontidão combativa de pequenas unidades;

 A formação de hábitos de trabalho com diferentes tipos de munições na


execução de fogo.

Manobras – é a forma superior da preparação combativa, e é a base da instrução


de campanha.
A esta forma, destacam-se:
 Manobras tácticas;

 Táctica especial

 Manobras com tiro prático.