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PARO, Vitor Henrique. Gestão Democrática da Escola Pública. São Paulo: Cortez, 2016. (Orig.

1997)

Capítulo 1 – “A utopia da gestão escolar democrática”, pp. 13-19. (Orig. 1987)

1. Gestão democrática da escola: “coisa utópica”. (pp. 13-14)


1.1. Utópica porque não está situada ainda: aspiração.
1.1.1. Deve ser nosso “horizonte”: transformar o esquema de autoridade dentro da escola.
1.1.2. Deve ser um processo: articulação desse horizonte com os interesses da classe trabalhadora, dominada.
1.1.2.1. Ou seja: a escola precisa ser conquistada pela classe trabalhadora.
1.1.2.2. Pois a escola que temos só pode ser transformadora em “tese”; sua realidade atual é de
reprodução e legitimação das injustiças sociais.
1.1.2.2.1. A escola só será transformadora quando ela mesma se transformar.
2. A transformação. (pp. 14-19)
2.1. A gestão escolar que temos hoje (1987):
2.1.1. Direção escolar em dupla contradição:
2.1.1.(1). O diretor é autoridade máxima da escola, mas é mero preposto do Estado.
2.1.1.(2). O diretor deve dominar técnicas administrativas, mas para administrar precariedade de
recursos.
2.1.2. Falamos, portanto, de um diretor (e consequentemente da escola) impotente e sem autonomia.
2.2. O que deveria acontecer:
2.2.1. Conferir poder (distribuindo responsabilidades) aos diferentes atores da escola e condições objetivas de
exercer autonomia e responsabilidade.
2.2.2. E isso só ocorrerá como conquista da classe trabalhadora.
2.3. Obstáculo maior: o diretor de escola tal qual é concebido hoje.
2.3.1. As atuais características da gestão escolar levam a alguns fenômenos que obstaculizam a democratização:
2.3.1.(1). Centralização dos processos no diretor – autoritarismo;
2.3.1.(2). Divisão entre direção e dirigidos – animosidade contra a pessoa do diretor;
2.3.1.(3). Identificação do diretor com os grupos dominantes (resultado de ser alvo dessa animosidade);
2.3.1.(4). Criação de uma aparência de poder nas mãos do diretor – resistência.
2.3.2. Por isso que experiências como os Conselhos de Escola são ensaios de uma futura e verdadeira gestão
colegiada da escola, que romperá com essas características.
2.3.2.1. Os órgãos colegiados devem se constituir em núcleos de pressão sobre o poder público pelo
atendimento dos direitos e objetivos educacionais das classes populares.
2.3.2.1.1. O diretor que vive nessa dinâmica, naturalmente vai adotar a tendência de agir em
sintonia com esse elenco de atores escolares.
2.3.2.2. Esse princípio poderia ser incluído na matéria constitucional, e regulamentada pelo Congresso.
2.4. Outro obstáculo: as condições concretas de participação popular.
2.4.1. Nesse caso, o Congresso Nacional também poderia prever o direito de participar nas reuniões escolares
com a redução da carga horária para este fim.

“É assim que penso a utopia de uma escola participativa. Ou seja, no sentido de que, aceita a necessidade, ou a
imprescindibilidade, da participação efetiva dos trabalhadores nas decisões que dizem respeito à educação de seus
filhos, procura-se identificar as condições de possibilidade dessa participação e buscam-se os mecanismos
necessários à distribuição da autoridade no interior da escola, de modo a adequá-la ao mister de – ao mesmo tempo
que procura formas democráticas de alcance dos objetivos educacionais a ela inerentes – constituir-se em
mecanismo de pressão junto ao Estado e aos grupos detentores do poder, para que sejam propiciadas as condições
que possibilitem o seu funcionamento e autonomia”. (p. 19)

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2.5. Se não for assim, melhor deixar de falar de escola transformadora, e permitir que as soluções venham pelas
“reformas” propostas pelos grupos dominantes.