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Ana Dorotéia Arantes Medeiros


REGÊNCIA VERBAL

Regência é o mecanismo que regula as ligações entre um verbo ou nome e os seus complementos.
Regência verbal: quando o termo regente é um verbo. Ex.: Isto pertence a todos.
termo regente = pertence (verbo)
termo regido = a todos

Regência nominal: quando o termo regente é um nome. Ex.: Tenho opinião semelhante a sua.
termo regente = semelhante (nome)
termo regido = a sua

O conhecimento da regência correta de cada verbo e de cada nome é em função do uso. Desta
forma, cada falante conhece a regência dos verbos e dos nomes que fazem parte do seu repertório
usual. Entretanto, aqui, como em todos os domínios da norma culta,
pode haver desencontros entre o uso popular e o uso culto. Pode acontecer também que o falante
desconheça simplesmente certas regências de norma culta por não ocorrer no uso popular.

REGÊNCIA VERBAL
Alguns casos de regência verbal que costumam trazer problemas:

1. VERBOS QUE ALTERAM O SIGNIFICADO, CONFORME ALTERAM A


REGÊNCIA

ASPIRAR
a. No sentido de sorver (o ar) é transitivo direto. Ex.:
Aspiramos / um ar poluído.
aspiramos = sentido de sorver, aspirar
um ar poluído = objeto direto

b. No sentido de desejar, almejar, é transitivo indireto com a preposição A. Ex.:


Aspiramos / a uma boa faculdade.
aspiramos = sentido de desejar
a uma boa faculdade = objeto indireto

ASSISTIR
a. No sentido de presenciar, ver, é transitivo indireto com a preposição A. Ex.:
Assistimos / ao espetáculo.
assistimos = sentido de presenciar
ao espetáculo = objeto indireto

b. No sentido de caber, competir, é transitivo indireto com a preposição A. Ex.:


Este direito / não assiste / ao aluno.
assiste = sentido de competir, caber
ao aluno = objeto indireto

c. No sentido de ajudar, é transitivo direto. Ex.:


O médico / assistiu / o doente.
assistiu = sentido de ajuda (dar assistência)
o doente = objeto direto
Obs.: Nesse sentido, há uma preferência pela construção como transitivo direto, mas há autores
que aceitam a construção como transitivo indireto com a preposição A.
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d. No sentido de morar, residir, constrói-se com a preposição EM e o verbo é intransitivo. Há
autores que classificam-no, entretanto, como transitivo adverbial. Ex.:
O caiçara / assiste / no litoral.
assiste = sentido de morar, residir
no litoral = adjunto adverbial de lugar (para alguns autores, complemento adverbial de lugar)

VISAR
a. No sentido de mirar, apontar a arma, é transitivo direto. Ex.:
O atirador / visou / o alvo.
visou = sentido de apontar a arma
o alvo = objeto direto

b. No sentido de passar visto, é transitivo direto. Ex.:


O gerente / visou / o cheque.
visou = sentido de passar (dar) visto
o cheque = objeto direto

c. No sentido de objetivar, ter em vista, é transitivo indireto com a preposição A. Ex.:


Eu / visava / ao seu bem.
visava = sentido de ter em vista
ao seu bem = objeto indireto

Obs.:
a. Os verbos: aspirar, no sentido de almejar; assistir, no sentido de presenciar; visar, no
sentido de ter em vista, apesar de transitivos indireto, não aceitam os pronomes oblíquos
átonos lhe, lhes como complemento. Aceitam apenas as formas tônicas: a ele, a ela, a eles, a
elas. Ex.:
• Aspiras ao cargo?
• Sim, aspiro a ele.
Recomendo este filme, já assisti a ele.
Não pretendo essa condição social, não viso a ela.
b. Os verbos transitivos indiretos não admitem voz passiva. Por isso, são erradas as frases:
O filme foi assistido por nós. / O cargo é aspirado por muitos. / As glórias de heróis são visadas
por todos.
CORREÇÃO: Nós assistimos ao filme. / Muitos aspiram ao cargo. / Todos visam as glórias de
heróis.

CHAMAR
a. No sentido de convocar, é transitivo direto. Ex.:
O mestre / chamou / os alunos / para a classe.
chamou = sentido de convocar, mandar vir
os alunos = objeto direto
para a classe = adjunto adverbial de lugar
Obs.: Quase no mesmo sentido, encontra-se a seguinte construção:
O mestre chamou pelos alunos.
b. No sentido de cognominar, denominar, admite as seguintes construções:
• objeto direto / predicativo do objeto (com ou sem a preposição de);
• objeto indireto (com a preposição a) / predicativo do objeto (com ou sem a preposição de).
Ex.:
Chamaram / Pedro / de herói.
Chamaram / Pedro / herói.
Chamaram / a Pedro / de herói.
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Chamaram / a Pedro / herói.

CUSTAR
a. No sentido de ser custoso, ser difícil, tem sempre como sujeito o nome referente à coisa e
é transitivo indireto com a preposição A. Ex.:
Custa / ao homem / o trabalho.
custa = sentido de ser custoso
ao homem = objeto indireto (pessoa)
o trabalho = sujeito (coisa)

Custa / ao homem / trabalhar.


custa = sujeito de ser custoso
ao homem = objeto indireto (pessoa)
trabalhar = oração subordinada substantiva subjetiva (coisa)

b. No sentido de acarretar, é transitivo direto e indireto. Ex.:


A tarefa / custou- / nos / muita dedicação.
custou = sentido de acarretar
nos = objeto indireto
muita dedicação = objeto direto

PROCEDER
a. No sentido de ter procedência, ter fundamento, é intransitivo. Ex.:
Sua argumentação não / procede.
procede = sentido de ter fundamento

b. No sentido de provir de, é intransitivo e rege a preposição de antes de adjunto adverbial


(para alguns autores, é transitivo adverbial e pede o complemento adverbial de lugar). Ex.:
Nós / procedíamos / do bairro.
procedíamos = sentido de provir, ser proveniente
do bairro = adjunto adverbial de lugar (ou complemento
adverbial de lugar)

c. No sentido de dar andamento, é transitivo indireto, rege a preposição A. Ex.:


Nós / procedemos / aos exames.
procedemos = sentido de dar andamento
aos exames = objeto indireto

QUERER
a. No sentido de desejar, é transitivo direto. Ex.:
Eu / queria / um punhado de balas.
queria = sentido de desejar
um punhado de balas = objeto direto

b. No sentido de estimar, gostar, é transitivo indireto com a preposição A. Ex.:


Eu / quero / aos meus amigos.
quero = sentido de estimar
aos meus amigos = objeto indireto

PRECISAR
a. No sentido de ter necessidade, ocorre como:
a.1. transitivo direto. Ex.:
Eu / preciso / mais tempo.
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preciso = sentido de ter necessidade
mais tempo = objeto direto

a.2. transitivo indireto, rege a preposição A.Ex.:


Eu / preciso / de mais tempo.
preciso = sentido de ter necessidade
de mais tempo = objeto indireto

b. No sentido de marcar com precisão, é sempre transitivo direto. Ex.:


O informante não / informou / o lugar do acidente.
informou = sentido de marcar com precisão
o lugar do acidente = objeto direto

2. VERBOS COM MAIS DE UMA REGÊNCIA E O MESMO SIGNIFICADO

Há verbos que, sem alterar o significado, admitem regências diferentes.

ESQUECER / LEMBRAR
a. Quando não pronominal, são transitivos direto. Ex.:
Eu / esqueci / os fatos passados.
esqueci = não é pronominal, é transitivo direto
os fatos passados = objeto direto
Eu / lembrei / os dias passados.
lembrei = não é pronominal, é transitivo direto
os dias passados = objeto direto

b. Quando pronominais, são transitivos indiretos, regem com a preposição DE. Ex.:
Eu / me esqueci / dos fatos passados.
(me) esqueci = verbo pronominal, transitivo indireto com a preposição DE
dos fatos passados = objeto indireto

Eu / me lembrei / dos dias passados


(me) lembrei = verbo pronominal, transitivo indireto com a preposição DE
dos dias passados = objeto indireto
Obs.: verbo pronominal é aquele que vem acompanhado de um pronome oblíquo da mesma
pessoa do sujeito, sem função sintática.
c. Quando o sujeito é um nome referente à coisa e o nome referente à pessoa é objeto, o
verbo esquecer torna-se transitivo indireto com a sentido de cair no esquecimento. O mesmo
acontece com o verbo lembrar com o sentido de vir à lembrança, ocorrer. Ex.:
Esqueceram- / me / os fatos passados.
esqueceram = sentido de cair no esquecimento
me = objeto indireto (pessoa)
os fatos passados = sujeito (coisa)

Lembraram- / me / os dias passados.


lembraram = sentido de vir à lembrança, ocorrer
me = objeto indireto (pessoa)
os dias passados = sujeito (coisa)
Obs.: o verbo lembrar pode ocorrer também como transitivo direto e indireto. Ex.:
Eu lembro / a vocês / o compromisso assumido.
a vocês = objeto indireto
o compromisso assumido = objeto direto
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INFORMAR
Como transitivo direto e indireto, o verbo informar admite duas construções:
a. quando o nome referente à pessoa é objeto direto e o nome referente à coisa é objeto
indireto com a preposição de ou sobre. Ex.:
Informamos / o prefeito / do (sobre o) desastre.
informamos = sentido de cientificar, avisar
o prefeito = objeto direto (pessoa)
do (sobre o) desastre = objeto indireto (coisa)

b. Quando o nome referente à coisa é objeto direto e nome referente à pessoa é objeto
indireto com a preposição A. Ex.:
Informamos / ao prefeito / o desastre.
informamos = sentido de cientificar, avisar
ao prefeito = objeto indireto (pessoa)
o desastre = objeto direto (coisa)

c. A mesma alternância do item b deve ser observada quando o objeto for uma oração. Ex.:
Informo- / o / de que as coisas vão bem.
o = objeto direto (pessoa)
de que as coisas vão bem = oração subordinada substantiva objetiva indireta
Informo - / lhe / que as coisas vão bem.
lhe = objeto indireto (pessoa)
que as coisas vão bem = oração subordinada substantiva objetiva direta
Obs.: Admitem a mesma construção que informar os seguintes verbos: avisar, certificar,
notificar, prevenir, cientificar.

NECESSITAR
Com o único sentido de ter necessidade, carecer, esse verbo pode ocorrer como:
a. transitivo direto. Ex.:
Necessito / algumas explicações.
algumas explicações = objeto direto

b. Transitivo indireto com a preposição DE. Ex.:


Necessito / de algumas explicações.
de algumas axplicações = objeto indireto

PAGAR / PERDOAR
a. Quando o objeto refere-se à coisa, são transitivos direto. Ex.:
Não pagamos / os salários de dezembro.
os salários de dezembro = objeto direto (coisa)
Perdoaram / o crime.
o crime = objeto direto (coisa)

b. Quando o objeto refere-se à pessoa, são transitivos indireto com a preposição A. Ex.:
Ninguém pagou / ao conferencista.
ao conferencista = objeto indireto com a preposição a (pessoa)
Perdoaram / ao criminoso.
ao criminoso = objeto indireto com a preposição a (pessoa)
c. Estes verbos podem ser também transitivos direto e indireto. Ex.:
Pagaram / o salário / ao funcionário.
o salário = objeto direto (coisa)
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ao funcionário = objeto indireto (pessoa)

Perdoaram / o crime / ao criminoso.


o crime = objeto direto (coisa)
ao criminoso = objeto indireto (pessoa)

3. VERBOS COM REGÊNCIAS DIFERENTES NO USO POPULAR E NO CULTO

Há certos verbos que, no uso popular, ocorrem com uma regência e, no uso culto, com outra. Neste
caso, a Gramática propõe como “correto” apenas o uso culto.

CHEGAR / IR

Uso popular (ou informal): Eu cheguei em casa. (desaconselhável)

Uso culto: Eu cheguei a casa. (“correto”)

Como se vê, com o verbo chegar, usa-se a preposição A e não EM antes do lugar para o qual se
dirige a ação.

Obs.: a preposição EM, depois do verbo chegar, indica o lugar dentro do qual ocorre a ação. Ex.:
Chegou no avião da Vasp (= chegou dentro do avião)

IR
Com o verbo ir, ocorre a mesma construção. Ex.:

Uso popular: O menino foi no jogo com o pai. (desaconselhável)

Uso culto: O menino foi ao jogo com o pai. (“certo” )

Obs.: O menino ia no carro. (= dentro do carro)

IMPLICAR
No sentido de acarretar, é costumeiro ocorrer com a preposição
EM; no uso culto, é transitivo direto. Ex.:

Uso popular (ou uso costumeiro, informal, coloquial): A falta ao serviço implicou na sua demissão.

Uso culto: A falta ao serviço implicou a sua demissão.


a sua demissão + objeto direto

OBEDECER / DESOBEDECER
Pela norma culta, esses dois verbos são transitivos indiretos com a preposição A.Ex.:
Uso coloquial: Não obedeço / o semáforo / à noite.
o semáforo = objeto direto

Uso culto: Não obedeço / ao semáforo / à noite.


ao semáforo = objeto indireto

PREFERIR
a.Segundo a norma culta, esse verbo é transitivo direto e indireto e constrói-se assim: ocorre como
objeto direto a coisa mais apreciada e, como objeto indireto a coisa menos apreciada precedida da
preposição A. Ex.:
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Todos preferem / o elogio / à censura.
o elogio = objeto direto (coisa mais apreciada)
à censura = objeto indireto (coisa menos apreciada)

b.No uso coloquial, costumam ocorrer as seguintes construções que, por se desviarem da norma
culta, são consideradas “erradas”:
Todos preferem o elogio que a censura.
Todos preferem antes o elogio que a censura.
Todos preferem mais o elogio que a censura.

c. No uso culto, pode-se também omitir o objeto indireto. Ex.:


Antigamente, preferia / cinema
cinema = objeto direto

Hoje, prefiro / teatro.


teatro = objeto direto

SIMPATIZAR
Pela norma padrão, esse verbo não é pronominal como , muitas vezes, ocorre no uso coloquial.
Ex.:
Uso culto: Não simpatizo com a idéia.
Uso coloquial: Não me simpatizo com a idéia.

OBSERVAÇÒES IMPORTANTES:
a. O verbo transitivo indireto não admite voz passiva. São, portanto, incorretas frases do
tipo:
O filme foi assistido por nós.
Altas posições são aspiradas por nós.

b. Não é próprio da norma culta dar um único complemento a verbo de regências diferentes.
São incorretas frases como:
Assisti e gostei do filme.
O verbo assistir, no sentido de ver, é transitivo indireto com a preposição A. O verbo gostar,
no sentido de apreciar, é transitivo indireto com a preposição DE. O uso correto é:
Assisti ao filme e gostei dele.
Gostei do filme a que assisti.

c. O pronome relativo pode funcionar como complemento do verbo. Nesse caso, é preciso
que o pronome obedeça à regência do verbo do qual é complemento. Dizendo de outra forma,
a preposição ocorre ou não antes do pronome relativo em função do verbo do qual é
complemento. Ex.:
Estas são as pessoas / ... / que / aprecio.
/ de / que / gosto.
/ em / que / creio.
/ a / que / me refiro.
/ de / quem / discordo.
d. Os pronomes oblíquos o(s), a(s) funcionam como objeto direto, ao passo que lhe(s)
funciona com objeto indireto. Assim sendo:

d.1. os pronomes o(s), a(s) não podem funcionar como complemento de verbo transitivo
indireto:
d.2. os pronomes lhe(s) não podem funcionar como complemento de verbo transitivo direto.
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No uso coloquial, tem havido certa oscilação no emprego desses pronomes, ocorrendo, sobretudo,
o uso de lhe com verbos transitivos diretos. É comum encontrarem-se frases como:
Eu lhe amo. / Eu lhe adoro.
Tais construções não encontram respaldo na norma culta, onde amar e adorar são considerados
transitivos diretos. O correto, portanto, é:
Eu o amo. / Eu o adoro.

VERBOS TRANSITIVOS DIRETOS VERBOS TRANSITIVO INDIRETOS


abraçar (abraçá-lo) caber (caber-lhe)
acudir convir
adorar desobedecer
ajudar obedecer
amar pertencer
compreender
convidar
cumprimentar
entender
estimar
estimular
julgar
namorar
ouvir
prejudicar
ver
visitar

REGÊNCIA NOMINAL

Regência nominal é a relação de dependência ou subordinação entre um nome


(substantivo, adjetivo ou advérbio) semanticamente não auto-suficiente e os termos por ele
regidos. Tal relação dá-se por meio de preposição (ou de locução prepositiva).
Muitos nomes “transitivos” (que carecem de complemento) apresentam a mesma regência
dos verbos que têm em comum com esses nomes a família de raiz e significação. Seguem, em
geral, este princípio: os complementos nominais mantêm as mesmas preposições das construções
verbais (obedecer aos pais/ obediência, obediente, obedientemente aos pais); quando o verbo
cognato é transitivo direto, o complemento nominal correspondente ao objeto direto é introduzido
pela preposição de (conhecer as leis/ conhecimento, desconhecimento, conhecedor das leis).
Quando a palavra admite regências diversas, a escolha da preposição deve subordinar-se à
necessidade de clareza, de eufonia e de adequação aos diferentes matizes do pensamento. Em
“temor do inimigo”, a preposição de gera ambigüidade, pois ela pode marcar o agente ou o
paciente (o inimigo teme ou o inimigo é temido). A solução é substituí-la: temor por parte do
inimigo ou temor ao inimigo. Vê-se, então, que a variedade de regência pode implicar mudança
de significado (conferido a = concedido, dado; conferido com = comparado, tratado). Por isso,
convém ter sempre à mão um bom dicionário de regência nominal (recomenda-se o Dicionário
Prático de Regência Nominal, de Celso Pedro Luft e o Dicionário de Regimes de Substantivos e
Adjetivos, de Francisco Fernandes).
A seguir, uma pequena lista de nomes acompanhados das preposições mais utilizadas:
Advérbio terminado em "mente": a regência de advérbio formado por “adjetivo + mente” é, em
regra, a mesma do adjetivo que o compõe: favorável / favoravelmente a; rasante / rasantemente
com; independente / independentemente de; etc. Ex..: Ele opinou favoravelmente ao réu. Voou
rasantemente com o mar. Pode-se exercer qualquer atividade, independentemente de
autorização.
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Antinomia: com, entre: Falou sobre a antinomia da razão com a emoção / entre razão e
emoção.
Anuência: a, em*: Sua anuência ao pedido denota desejo de reconciliação. Sou-lhe grato por
sua anuência em (a) auxiliar-me (* antes de infinitivo, usa-se preferencialmente em; quando a
palavra seguinte não é um infinitivo, só a preposição a pode ser usada).
Avesso: a, em**: “Sou, ainda, avesso a todas as restrições que, não ofendendo a liberdade,
sejam desnecessárias, contudo, aos interesses razoáveis da ordem.” (Rui Barbosa) Nero era
avesso em caráter (** com a preposição em, significa mau).
Ávido: de, por: Ele estava ávido de (ou: por) tomar um drinque. Ele estava ávido por (ou: de)
um drinque.
Certeza: de, sobre: Tinha certeza da (ou: sobre) sua aprovação. Tenho certeza de que ele virá.
Obs.: Na linguagem culta formal, não se omite a preposição de entre a palavra certeza e a oração
completiva (certeza de que ele virá e não: certeza que ele virá). Esse princípio estende-se ao
emprego de outros nomes, como certo, convicção, convicto, impressão, medo etc.
Coetâneo: de, com, a: Rui Barbosa, coetâneo de Machado de Assis, foi um dos membros
fundadores da Academia Brasileira de Letras. O tropicalismo foi coetâneo com (ou: ao) o regime
militar no Brasil.
Condescendência: com, para com, em, para, a: “O silêncio dos grandes muitas vezes não
significa outra coisa que a sua condescendência com os atentados.” (Rui Barbosa) Ela tinha
muita condescendência para com a filha. Pediu ao juiz condescendência no julgamento. Sua
condescendência para os arrependidos é imensa. Era pronta sua condescendência às solicitações
dos amigos.
Cúpido / cupidez: de: Era uma pessoa cúpida de glória. Sua cupidez de lucros é insaciável.
Derradeiro: a, em*: Foi o derradeiro a (ou: em) partir. Foi o derradeiro na classificação. (*
Quando o elemento regido não é infinitivo, só a preposição em pode ser usada.)
Encadeado: a: Escrevia assim: uma idéia encadeada a outra, numa seqüência lógica.
Ladeado: de, por: Crucificaram o Filho de Deus, ladeado de (ou: por) dois criminosos.
Limítrofe: com, de, entre: O Ceará é limítrofe com o Piauí (ou: do Piauí). Uma cidade é
limítrofe de outra (ou: com outra). É muito tênue o sentimento limítrofe entre a paixão e o ódio.
Tendência: a, para: Sua tendência à rebeldia era conhecida de todos. Sempre teve tendência
para o magistério. Antes de infinitivo, pode-se usar a, para, de e em: Revela uma forte
tendência para (ou: de, em, a) repetir os erros.
Tendente: a, para: Elaboraram projeto tendente a impedir a devastação da floresta. Era uma
corrente política tendente para a esquerda.
Vizinho: de, a, com: A prefeitura é vizinha deste prédio (ou: a este prédio; com este prédio).

Regência verbal e nominal - Exercícios

1. (Ufam) Assinale o item em que há ERRO quanto à regência:


a) São essas as atitudes de que discordo.
b) Há muito já lhe perdoei.
c) Informo-lhe de que paguei o colégio.
d) Costumo obedecer a preceitos éticos.
e) A enfermeira assistiu irrepreensivelmente ao doente.

2. Assinale a alternativa que não admite ambas as regências.


a) Andava alheio a/de tudo.
b) Sois propensos ao/para o trabalho.
c) O perdão é preferível ao/que o ódio.
d) Está apto ao/para o trabalho.

3. Preencha as lacunas com a preposição adequada, se necessário:


a) Todos assistiram __o jogo da seleção.
Ana Dorotéia Arantes Medeiros 10
b) O jovens aspiram ___o sucesso profissional.
c) O banco informou o cliente __a dificuldade ocorrida.
d) Você obedeceu ___o regulamento.
e) Ele estava alheio ___os acontecimentos.

4. (UFPR) Assinale a alternativa que substitui corretamente as palavras destacadas.


1. Assistimos à inauguração da piscina.
2. O governo assiste os flagelados.
3. Ele aspirava a uma posição de maior desta que.
4. Ele aspira o aroma das flores.
5. O aluno obedece aos mestres.
a) lhe, os, a ela, a ele, lhes
b) a ela, os, a ela, o, lhes
c) a ela, os, a, a ele, os
d) a ela, a eles, lhe, lhe, lhes
e) lhe, a eles, a ela, o, lhes

5. (PUCC-SP) As sentenças abaixo, exceto uma, apresentam desvios relativos à regência verbal
vigente na língua culta. Assinale a que não apresenta esses desvios.
a) Vi e gostei muito do filme apresentado na Sessão de Gala de ontem.
b) Eu me proponho a dar uma nova chance, se for o caso.
c) Deve haver professores que preferem negociar do que trabalhar, devido os vencimentos serem
irrisórios.
d) Com o empréstimo compulsório, não se pode dar o luxo de ficar trocando de carro.
e) A importância que eu preciso é vultosa.

6. (Unimep-SP) Quando implicar tem sentido de “acarretar”, “produzir como conseqüência”,


constrói se a oração com objeto direto como se vê em
a) Quando era pequeno, todos sempre implicavam comigo.
b) Muitas patroas costumam implicar com as em pregadas domésticas.
c) Pelo que diz o assessor, isso implica em gastar mais dinheiro.
d) O banqueiro implicou-se em negócios escusos.
e) Um novo congelamento de salários implicará uma reação dos trabalhadores.

7. (Unimep-SP) “A exposição ... inauguração assisti mostrou os lindos quadros ... me referi na
nossa conversa do outro dia Amanhã haverá um leilão na mesma sala ... estão expostos
A alternativa que preenche corretamente as lacunas é:
a) a cuja, aos quais, em que.
b) a cuja, os quais, na qual.
c) cuja, a que, em que.
d) a qual, aos quais, na qual.
e) à qual, que, que.

8. (Fatec-SP) Indique a alternativa em que há erro quanto à regência.


a) Eu o agradei, António?
b) Eu não lhe agradei, António?
c) Muito lhe ama, saiba disto.
d) Você não é uma pessoa de que eu goste.
e) Sua explanação, contra cuja oportunidade me volto, é bem agradável, mas falha.

9. (Fatec-SP) A regência verbal está conforme à gramática normativa na alternativa:


a) Quero-lhe muito bem e vou assistir a seu casamento.
b) Logo que lhe encontrar, aviso-lhe do ocorrido.
c) Juliano desobedecia seus pais, mas obedecia ao professor.
Ana Dorotéia Arantes Medeiros 11
d) João namora com Maria mas prefere mais seus amigos de bar do que ela.
e) Ele esqueceu do compromisso e não pagou ao médico.

10. (UEL-PR) “Importa ... com mais assiduidade.”


a) obrigá-lo trabalhar
b) obrigar-lhe trabalhar
c) obrigá-lo à trabalhar
d) obrigar-lhe a trabalhar
e) obrigá-lo a trabalhar

11. (UEL-PR) “Cônscio ... sua grande responsabilidade, desempenhou-se muito bem ... tarefas ...
foi incumbido.”
a) em, nas, que
b) de, nas, que
c) com, das, a que
d) em, às, de que
e) de, das, de que

12. (UFV-MG) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas abaixo.


A enfermeira procede ... exame do paciente.
O gerente visa ... cheque do cliente.
A equipe visa ... primeiro lugar no campeonato.
O conferencista aLudiu ... fato.
Não podendo lutar, preferiu morrer ... viver.
a) ao, o, ao, ao, a
b) ao, ao, o, a, do que
c) ao, a, o, o, que
d) o, a, ao, ao, à
e) a, ao, o, ao, que

13. (UFV-MG) Substituindo a expressão destacada, em cada uma das frases abaixo, pelo
pronome oblíquo átono devidamente empregado, assinale a alternativa cuja substituição esteja
incorreta.
a) Enviaram o relatório ao diretor.
b) Dirão ao juiz o que souberem.
c) Eis a história que narraram a meu avô.
d) Teremos iniciado os debates amanhã.
e) Quem houver concluído a prova poderá sair.

a) Dir-lhe-ão o que souberem.


b) Eis a história que lhe narraram.
c) Enviaram-no o relatório.
d) Tê-los-emos iniciado amanhã.
e) Quem a houver concluído poderá sair.

14. (UM-SP) Assinale a alternativa que apresente um desvio no domínio da regência nominal.
a) Estava ansiosa para saber se podia gerar filhos.
b) Ela precisava domar os caprichos, dirigir suas forças para se sentir apta àquela situação
conjugal.
c) Bernardo moera com alegria o punhado de milho no salão contíguo à fazenda.
d) Ávido de esperanças, abandonou seu abrigo e lançou-se entre os perseguidores.
e) Com o espírito ambicioso com verdades, aplacou a ira daquele momento.

15. (UM-SP) Aponte a alternativa em que a regência do verbo pagar contraria a norma culta.
Ana Dorotéia Arantes Medeiros 12
a) Aliviando-se de um verdadeiro pesadelo, o filho pagava ao pai a promessa feita no início do
ano.
b) O empregado pagou-lhe as polias e tachas roídas pela ferrugem para amaciar-lhe a raiva.
c) Pagou-lhe a dívida, querendo oferecer-lhe uma espécie de consolo.
d) O alto preço dessa doença, paguei-o com as moedas de meu hábil esforço.
e) Paguei-o, com ouro, todo o prejuízo que sofrera com a destruição da seca.

16. (Fuvest-SP) Indique a alternativa correta.


a) Preferia brincar do que trabalhar.
b) Preferia mais brincar a trabalhar.
c) Preferia brincar a trabalhar.
d) Preferia brincar à trabalhar.
e) Preferia mais brincar que trabalhar.

17. (FCMSCSP) Quando chamar tem sentido de qualificar, pode-se construir o período, por
exemplo, com objeto direto mais predicativo. Tudo isso se observa na alternativa:
a) João é alto, mas treinador nenhum chamou-o para jogar.
b) Era a viúva a chamar pelo falecido.
c) Os inimigos chamam-lhe de traidor do povo.
d) Chamei pelo colega em voz alta.
e) Alguns chamam-no de fiscal.

18. (UM-SP) Assinale a alternativa incorreta quanto à regência verbal.


a) Ele custará muito para me entender.
b) Hei de querer-lhe como se fosse minha filha.
c) Em todos os recantos do sítio, as crianças sentem-se felizes, porque aspiram o ar puro.
d) O presidente assiste em Brasília há quatro anos.
e) Chamei-lhe sábio, pois sempre soube decifrar os enigmas da vida.

19. (UFMG) Em todas as alternativas, a regência verbal está correta, exceto em:
a) Preferia-me às outras sobrinhas, pelo menos nessa época.
b) Você chama isso de molecagem, Zé Lins.
c) Eu lhe acordo antes que meu marido se levante.
d) De Barbacena, lembro-me do frio e da praça.
e) Um implica o outro que, por sua vez, implica um terceiro.

20. (F. C. Chagas-BA) “A mãe não ... bem, nem ... bem; isso talvez explique seu ... humor.”
a) o queria, lhe tratava, mau
b) o queria, o tratava, mau
c) lhe queria, lhe tratava, mau
d) lhe queria, o tratava, mau
e) lhe queria, o tratava, mal

21. (UFUb-MG) Nas frases seguintes, há uma apenas em que a regência verbal está correta.
Assinale-a.
a) Nós fomos no cinema ontem.
b) Ele aspirava uma posição mais elevada.
c) Não os deixei sair.
d) Forçai ele a devolver o que lhe pagaram demais.
e) Eu o quero muito bem.

22. (UFF-RJ) Assinale a frase que apresenta um erro de regência verbal.


a) Esse autor tem idéias com que todos simpatizamos.
b) Eis a ordem de que nos insurgimos.
Ana Dorotéia Arantes Medeiros 13
c) Aludiram a incidentes de que já ninguém se lembrava.
d) Qual o cargo a que aspiras?
e) Há fatos que nunca esquecemos.

23. (ITA-SP) Assinale a frase correta.


a) Prefiro mais um asno que me leve que um cavalo que me derrube.
b) O cargo que aspiras se conquista não se ganha.
c) Sua afirmação de agora redunda com o que antes disse.
d) As do Nordeste são as frutas que mais gosto.
e) O bom do amigo carregou-o, como a uma criança.

24. (UFF-RJ) Assinale a alternativa em que está usado indevidamente um dos pronomes o ou lhe.
a) Não lhe agrada semelhante providência?
b) A resposta do professor não o satisfez.
c) Ajudá-lo-ei a preparar as aulas.
d) O poeta assistiu-a nas horas amargas, com extrema dedicação.
e) Vou visitar-lhe na próxima semana.

25. (UFF-RS) Assinale a frase em que o pronome que está empregado indevidamente.
a) É este o quadro que eu te falei sobre ele ontem.
b) Eis o homem que nos vem trazer uma palavra de estímulo.
c) As dificuldades com que tive de lutar foram imensas.
d) A casa em que eu morava há vinte anos foi vendida.
e) Venceu o partido a que dei meu voto.

26. (Aman-RJ) Escolha, abaixo, a exata regência do verbo chamar.


a) Chamamo-lo inteligente.
b) Chamamo-lo de inteligente.
c) Chamamos-lhe inteligente.
d) Chamamos-lhe de inteligente.
e) Todas as regências acima estão corretas.

27. (UM-SP) A regência verbal está errada em:


a) Esqueceu-se do endereço.
b) Não simpatizei com ele.
c) O filme a que assistimos foi ótimo.
d) Faltou-me completar aquela página.
e) Aspiro um alto cargo político.

28. (Cesgranrio-RS) Assinale a alternativa que está de acordo com a norma culta.
a) Visei a um passaporte e fui viajar.
b) Aspirei ao perfume e achei-o delicioso.
c) Perdôo aos teus erros, pois acho-os bem humanos.
d) Ensino a você as regras do bem viver.
e) Eu lhe vi e você não me viu.

29. (PUCC-SP) Assinale a alternativa incorreta.


a) Nunca me esqueceram aquelas cenas da praia.
b) Chamei-lhe de covarde.
c) Prefiro mais cinema do que teatro.
d) Não me lembra quanto tempo lá ficaste.
e) n. d. a.

30. (UFG-GO) Indicar a alternativa correta.


Ana Dorotéia Arantes Medeiros 14
a) Sempre pago pontualmente minha secretária.
b) Você não lhe viu ontem.
c) A sessão fora assistida por todos os críticos.
d) Custei dois anos para chegar a doutor.
e) O ideal a que visavam os parnasianos era a per feição estética.

31. (Fuvest-SP) Assinale a alternativa que preencha corretamente os espaços:


Posso informar ... senhores ... ninguém, na reunião, ousou aludir ... tão delicado assunto.
a) aos, de que, o
b) aos, de que, ao
e) aos, que, à
d) os, que, à
e) os, de que, a

32. (FEI-SP) Reescreva a frase “E o rio deu pra falar grosso”, substituindo deu por:
a) cismou;
b) passou;
c) deliberou.