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Aula 08

Direito Administrativo p/ PC-PR


(Delegado) Com Videoaulas - Pós-Edital

Autor:
Wagner Damazio
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6 de Maio de 2020
Wagner Damazio
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Sumário
Introdução .......................................................................................................................................................... 3

1. Considerações Iniciais .................................................................................................................................... 4

2.Regime Disciplinar ........................................................................................................................................... 6

2.1. Deveres e Proibições do Servidor Público Civil ........................................................................................ 7

2.2. Vedação à Acumulação de Cargos Públicos .......................................................................................... 11

2.3. Responsabilização nas Esferas Civil, Penal e Administrativa ................................................................ 15

3.Penalidades em Espécie ................................................................................................................................ 26

3.1. ADVERTÊNCIA ........................................................................................................................................ 28

3.2. SUSPENSÃO ........................................................................................................................................... 29

3.3. DEMISSÃO ............................................................................................................................................. 31

3.4. CASSAÇÃO de Aposentadoria ou Disponibilidade ................................................................................. 33

3.5. Destituição de Cargo em Comissão ou Função Comissionada .............................................................. 34

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3.6. Disposições Comuns à Demissão e à Destituição .................................................................................. 37

4.Autoridade Competente para Aplicação de Penalidade............................................................................... 39

5. Prazo de Prescrição da Pretensão Punitiva .................................................................................................. 40

6. Procedimento Sumário de Apuração Disciplinar ......................................................................................... 48

6.1. Acumulação Ilegal de Cargos, Empregos ou Funções Públicas ............................................................. 48

6.2. Abandono de Cargo e Inassiduidade Habitual ...................................................................................... 50

7. Processo Administrativo Disciplinar ............................................................................................................. 52

7.1. CONSIDERAÇÕES Iniciais ....................................................................................................................... 52

7.2. “Denúncia Anônima” ............................................................................................................................. 54

7.3. Sindicância............................................................................................................................................. 56

7.4. Afastamento Preventivo como Medida Acautelatória ......................................................................... 59

7.5. Processo Administrativo Disciplinar stricto sensu- PAD ........................................................................ 60

7.6. Revisão do PAD...................................................................................................................................... 77

8. Questões de Concursos Anteriores .............................................................................................................. 81

8.1 – Lista de Questões sem Comentários ................................................................................................... 81

8.2. Gabarito ................................................................................................................................................ 95

8.3. Questões Resolvidas e Comentadas ...................................................................................................... 96

9. Resumo....................................................................................................................................................... 123

10.Considerações Finais ................................................................................................................................. 138

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INTRODUÇÃO

Caríssimo(a)! Vamos dar continuidade, aqui no Estratégia Concursos, ao Curso de Direito Administrativo com
teoria e exercícios resolvidos e comentados para o concurso de ingresso à carreira de Delegado de Polícia
Civil do Paraná.
Hoje, nós estudaremos o Regime Jurídico Disciplinar.
Este tema possui base na Lei nº 8.112, de 1990, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos
civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais.
Além disso, há bastante jurisprudência no STF e no STJ acerca deste tema já que tão relacionado aos agentes
públicos, em especial aos servidores estatutários e comissionados.
É um tema que as bancas inevitavelmente exploram, porque faz parte do dia a dia do serviço público.

Havendo dificuldade na compreensão da teoria ou na resolução dos exercícios expostos nesta aula ou em
qualquer outra, não deixe de entrar em contato comigo pelo fórum de dúvidas!
Repito que estou sempre atento ao fórum de dúvidas para, de forma célere, buscar uma maneira de
reescrever o conteúdo ou aclarar a explicação anteriormente oferecida para que você alcance a sua
meta de aprendizagem.
Frise-se que o nosso objetivo precípuo é a sua aprovação e para isso me dedicarei ao máximo para atendê-
lo e auxiliá-lo nessa caminhada.
Além disso, para ficar por dentro das notícias do mundo dos concursos públicos, recomendo que você siga
o perfil do Estratégia Carreira Jurídica e do Estratégia Concursos nas mídias sociais! Você também poderá
seguir meu perfil no Instagram. Por meio dele eu busco não só transmitir notícias de eventos do Estratégia
e de fatos relativos aos concursos em geral, mas também compartilhar questões comentadas de
concursos específicos que o ajudará em sua preparação!

Que Deus o ilumine nos estudos!


Sem mais delongas, vamos ao trabalho!

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1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Como de praxe, introduzo esta nossa aula com as seguintes provocações:

PROVOCAÇÕES INTRODUTÓRIAS PARA A AULA DE HOJE


1) Que está submetido ao Regime Disciplinar da Lei nº 8.112, de 1990?

2) Segundo a Lei nº 8.112, de 1990, qual a definição de servidor público e de cargo público?

3) Em que casos há repercussão da esfera penal na esfera administrativa?

4) Um mesmo fato pode ensejar punibilidade nas esferas civil, penal e administrativa sem caracterizar
bis in idem?

5) Quais são as penalidades aplicáveis no regime jurídico disciplinar? Quais os fatores que influenciam
na dosimetria?

6) É possível a advertência verbal?

7) Em que casos se aplica a suspensão? Qual o prazo máximo de suspensão?

8) O que é reincidência? Quais os prazos para cancelamento dos registros?

9) A recusa injustificada à inspeção médica acarreta qual tipo de sanção?

10) Pode haver conversão da suspensão em multa? Em que condições?

11) O que se considera abandono de cargo? E inassiduidade habitual?

12) Em que casos se aplica a cassação da aposentadoria ou da disponibilidade?

13) Qual a diferença entre cargo efetivo, função comissionada e cargo comissionado?

14) Quais são as autoridades competentes para aplicação de penalidade?

15) As ações de ressarcimento ao erário são imprescritíveis? Qual o posicionamento do STF firmado
com repercussão geral no RE 852475?

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16) A abertura de sindicância ou instauração do PAD suspendem o prazo prescricional da pretensão


punitiva estatal?

17) Quais são os prazos prescricionais para cada sanção?

18) Aplicam-se os prazos de prescrição criminal na esfera administrativa?

19) Em que casos se aplica o procedimento sumário?

20) Em que casos se instaura a sindicância?

21) Pode haver instauração de PAD baseada em “denúncia anônima”? Qual a diferença entre
“denúncia anônima”, notícia anônima e delação apócrifa?

22) Qual o prazo para conclusão da sindicância? E do PAD? E do afastamento preventivo?

23) Pode haver monitoramento de e-mail corporativo de servidor público?

24) Qual a diferença entre sindicância acusatória e investigatória?

25) É possível a utilização no PAD de prova emprestada produzida em processo criminal? Inclusive
interceptação telefônica?

26) A falta de acompanhamento do servidor por seu Advogado no curso do PAD anula esse
procedimento?

27) Poderá ser agravada a pena de servidor já punido por meio de PAD?

28) O excesso de prazo para conclusão do PAD gera sua nulidade?

29) Poderá ser aplicado o princípio da insignificância no caso de infração disciplinar que gera demissão?

30) O termo de início do prazo prescricional para pretensão punitiva é a ocorrência do fato ou a data
em que este se tornou conhecido? Se for do conhecimento do fato, esse conhecimento pode ser de qualquer
autoridade pública ou deve ser da autoridade responsável pela abertura do PAD?

31) É constitucional a previsão de que, mesmo prescrita a infração disciplinar, fique registrada nos
assentos funcionais do servidor a conduta que a ensejaria?

32) Pode o PGR impetrar Mandado de Segurança contra decisão administrativa que reconheceu a
prescrição em PAD?

Se você não tem certeza de uma ou mais respostas a esses questionamentos, vamos juntos obtê-las na aula
cuja teoria agora se inicia!!!

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2.REGIME DISCIPLINAR

A Lei nº 8.112, de 1990, que dispõe acerca do Regime Jurídico dos servidores públicos da União, de suas
Autarquias e Fundações, disciplina em seu título IV o Regime Disciplinar desses servidores e no título V o
Processo Administrativo Disciplinar.

Conjunto de deveres,
proibições e responsabilidades

Processo Administrativo
Disciplinar - PAD pelo
descumprimento desse
conjunto

No título IV são fixados os deveres, as proibições, as responsabilidades e as penalidades a que se submetem


os servidores civis da União.

Ou seja, são fixadas as obrigações e determinadas as penalidades a que se submeterão os servidores


estatuários e comissionados em caso de descumprimento de cada uma das obrigações.

Cabe frisar que, em grande parte desse título, não haverá muito como fugirmos da listagem da lei. Isso, sem
dúvida, fará com que você lance mão de um dos instrumentos mais ingratos - mas, sem dúvida,
imprescindível para o concurseiro - que é a famosa decoreba.

É certo que explanarei para você o contexto no qual se insere a obrigação, elencarei as obrigações de forma
esquematizada e citarei as jurisprudências e principais doutrinas sobre os pontos polêmicos, tudo com o
objetivo de facilitar o seu aprendizado e fixação.

Mas, repise-se, nesse título não há muito como fugir do enfrentamento dessa dificuldade.

E passar por esse caminho é necessário para estudarmos o principal tópico da aula de hoje, que é o Processo
Administrativo Disciplinar.

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Sem dúvida, um dos temas mais recorrentes em concursos públicos federais na disciplina de Direito
Administrativo.

2.1. DEVERES E PROIBIÇÕES DO SERVIDOR PÚBLICO CIVIL

Preliminarmente, cabe destacar o escopo de aplicação e a definição de servidor público, de acordo com a Lei
nº 8.112, de 1990:

servidores públicos civis da União, das autarquias,


Quem se submete? inclusive as de regime especial, e das fundações públicas
federais

Servidor Público é a pessoa legalmente investida em cargo público

é o conjunto de atribuições e responsabilidades


Cargo Público efetivo
previstas na estrutura organizacional que devem ser
ou comissionado
cometidas a um servidor

Assim, em se tratando de Regime Jurídico aplicado aos servidores públicos civis, a Lei nº 8.112, de 1990, não
se aplica aos militares.

Cabe dizer, a disciplina dos membros das Forças Armadas é fixada pela Lei nº 6.880, de 1980 – Estatuto dos
Militares.

Ademais, adentrando na abrangência dos servidores públicos civis, esclareça-se que o Regime Jurídico
disciplinado na Lei nº 8.112, de 1990, só se aplica aos servidores públicos civis federais.

Destarte, compete às demais pessoas jurídicas de direito público interno estabelecerem, mediante lei
própria do ente, o Regime Jurídico a ser aplicado aos seus servidores civis.

Quanto à União, os servidores públicos civis que são submetidos aos princípios e regras fixados na Lei nº
8.112, de 1990, são aqueles investidos em cargos:

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a) nos órgãos da Administração Direta da União: Presidência, Ministérios, Congresso Nacional,


Ministério Público da União, Defensoria Pública da União, Tribunal de Contas da União e Órgãos Federais do
Poder Judiciário, exceto para os agentes políticos e membros de Poder que possuem regimes próprios;

b) nas Autarquias Federais, inclusive as de regime especial (agências reguladoras, por exemplo): Banco
Central, Autoridade de Governança do Legado Olímpico – Aglo, Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC,
Agência Espacial Brasileira – AEB, Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, Agência Nacional da Saúde -
ANS, Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis - ANP, Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT, entre outras.

c) nas fundações públicas federais: Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA, Fundação
Biblioteca Nacional, Fundação Casa de Rui Barbosa, Fundação Nacional de Arte – FUNARTE, Fundação
Cultural Palmares, entre outras.

#ficadica

De acordo com a Lei nº 8.112, de 1990, cargo público é o conjunto de atribuições e


responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um
servidor.

Atenção: os cargos públicos para provimento em caráter efetivo ou em comissão, com


denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, são criados por lei e acessíveis
a todos os brasileiros.

Ainda sobre a semântica de cargo público, Celso Antônio Bandeira de Mello1 assim o define:

“cargo é a denominação dada a mais simples unidade de poderes e deveres estatais a serem
expressos por um agente”.

Por seu turno, José dos Santos Carvalho Filho2 leciona que cargo público:

1
Curso de Direito Administrativo, 33ª edição. p. 539.
2
Manual de Direito Administrativo, 30ª edição. p. 773.
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“é o lugar dentro da organização funcional da Administração Direta e de suas autarquias e


fundações públicas que, ocupado por servidor público, tem funções específicas e remuneração
fixadas em lei ou diploma a ela equivalente”.

Feito este importante introito, vejamos a relação dos deveres fixados para os servidores públicos civis da
União:

DEVERES DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS DA UNIÃO, AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES PÚBLICAS FEDERAIS:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as
protegidas por sigilo;
atender com
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou
presteza:
esclarecimento de situações de interesse pessoal;

c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.


exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo
ser leal às instituições a que servir
observar as normas legais e regulamentares
cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais
levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade
superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra
autoridade competente para apuração
zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público
guardar sigilo sobre assunto da repartição
manter conduta compatível com a moralidade administrativa
ser assíduo e pontual ao serviço
tratar com urbanidade as pessoas
representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder

Atenção:a representação será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade
superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.

A seguir, você terá a lista com todas as proibições elencadas na Lei nº 8.112, de 1990, já esclarecendo que
as proibições que estão com as letras em azul são as que ensejam a penalidade de advertência, as com letra
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em vermelho, demissão, e com fundo amarelo, suspensão, conforme veremos de forma aprofundada
oportunamente.

PROIBIÇÕES AOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS:


recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado

ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato

retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da


repartição
recusar fé a documentos públicos
opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço
promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição
cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado
coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical,
ou a partido político
manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou
parente até o segundo grau civil
valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da
função pública
participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário

Atenção:essa proibição não se aplica nos seguintes casos:

a) participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União


detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade cooperativa
constituída para prestar serviços a seus membros; e

b) gozo de licença para o trato de interesses particulares, observada a legislação sobre conflito de
interesses.
atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
companheiro
receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas
atribuições
aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro
praticar usura sob qualquer de suas formas
proceder de forma desidiosa
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utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares


cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de
emergência e transitórias
exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com
o horário de trabalho

2.2. VEDAÇÃO À ACUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS


A Lei nº 8.112, de 1990, também disciplina a vedação à acumulação de cargos públicos, respeitadas as
disposições previstas na Constituição da República Federativa do Brasil – CRFB:

Art. 37 (...)

XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver


compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI3:

a) a de dois cargos de professor;

b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;

c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões


regulamentadas;

XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,


fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público

3
Lembre-se que o inciso XI do art. 37 da CRFB é o que trata do teto remuneratório no serviço público (XI - a
remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica
e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie
remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza,
não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como
limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador
no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o
subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por
cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário,
aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos).
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Art. 95 (...)

Parágrafo único. Aos juízes é vedado:

I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;

Art. 128 (...)

§5ºLeis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos
Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério
Público, observadas, relativamente a seus membros (...)

II - as seguintes vedações: (...)

d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de
magistério;

Ou seja, já no plano constitucional é estabelecida a proibição de acumulação remunerada de cargos,


empregos e funções públicas na Administração Direta e Indireta e nas sociedades controladas direta ou
indiretamente pelo Poder Público.
Há, entretanto, a permissividade constitucional de acumulação de cargos, empregos ou funções públicas,
desde que haja compatibilidade de horários:

a de dois cargos de professor

a de um cargo de professor com outro técnico ou científico


É vedada a acumulação de cargos,
empregos ou funções públicas,
exceto:
a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de
saúde, com profissões regulamentadas

a de juiz ou membro do Ministério Público com um de


magistério

Atente-se para o fato de que profissionais da saúde abarcam todos aqueles com profissões regulamentadas,
tais como enfermeiros, técnicos em enfermagem, fisioterapeutas, entre outros, e não só os médicos.
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Cabe dizer que, antes da Emenda Constitucional nº 34, de 2001, a previsão constitucional abarcava, quanto
a profissionais de saúde, apenas a possibilidade de acumulação de dois cargos privativos de médicos.
Ou seja, o texto original do inciso XVI do art. 37 da CRFB previa inicialmente a possibilidade de dois cargos
privativos de médico e não de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas. Essa alteração foi
promovida em 2001, pela Emenda Constitucional nº 34.
Portanto, até a aludida emenda, exclusivamente os médicos poderiam acumular dois cargos, empregos ou
funções na área da saúde. A partir de 2001, todo profissional de saúde com profissões regulamentadas
passou a poder acumular, respeitados os demais requisitos constitucionais (compatibilidade de horário,
respeito ao teto remuneratório e não mais que dois cargos, empregos ou funções).
Outro ponto a ressaltar é o cuidado que se deve ter com a expressão “profissionais de saúde”. Isto exige que
sejam profissionais que exerçam atividades técnicas ou profissionais diretamente relacionadas aos serviços
de saúde e não apenas indiretamente.
Portanto, cuidado para não confundir profissionais de saúde com profissionais da área da saúde, o que
poderia passar a falsa percepção de que atividades administrativas indiretamente relacionadas à saúde,
pudessem ser abarcadas (seguranças, recepcionistas, equipe de limpeza, entre outros).
Outrossim, importante também esclarecer que se entende por cargo técnico ou científico aquele que exija
conhecimentos reconhecidamente específicos de determinada atividade ou ciência. Contrasta essa
identificação das atividades que não necessitam de conhecimentos ou formação específicos.
Regressando à disciplina da Lei nº 8.112, de 1990, e nos atendo ao complemento do que vimos do texto
constitucional, ressalte-se que também será considerada acumulação indevida a percepção de vencimento
de cargo ou emprego público efetivo com proventos da inatividade, salvo quando os cargos de que decorram
essas remunerações forem acumuláveis na atividade.
Isto é, evita-se dessa maneira que um servidor aposentado pudesse acumular, após a ida para a inatividade,
os proventos da aposentadoria com a remuneração de outro cargo que, se estivesse na atividade, seria
incompatível.
Portanto, as regras de permissividade de acumulação remuneratória de cargos, empregos ou função valem
tanto para a atividade quanto para a inatividade.
Recobre-se que, ainda que lícita, a permissividade de acumulação de cargos é condicionada à comprovada
compatibilidade de horários.
De forma expressa, a Lei nº 8.112, de 1990, prevê a proibição de acumulação de cargo em comissão e de
ser remunerado pela participação em órgão de deliberação coletiva, exceto nos seguintes casos:

a) o servidor ocupante de cargo em comissão ou de natureza especial poderá ser nomeado para exercer,
interinamente, em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições do que atualmente ocupa,
devendo optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade; e
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b) remuneração devida pela participação em conselhos de administração e fiscal das empresas públicas e
sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, bem como quaisquer empresas ou entidades
em que a União, direta ou indiretamente, detenha participação no capital social, observada legislação
específica.

#ficadica

O servidor que acumula licitamente 2 cargos efetivos deve se afastar de ambos para ser
investido em cargo de provimento em comissão, salvo se houver compatibilidade de horário
e local com o exercício de 1 deles, declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou das
entidades envolvidos.

Exemplo: Mévio é assessor legislativo na Câmara dos Deputados, cargo efetivo titularizado
após concurso público de provas e títulos. Mévio também titulariza o cargo efetivo de
professor na Universidade de Brasília, cargo este também obtido após certame público.
Ocorre que, recentemente, Mévio foi convidado a assumir o cargo de provimento em
comissão de chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República. Questiona-se: em que condições
Mévio poderá tomar posse no aludido cargo em comissão?
Preliminarmente cabe esclarecer que o permissivo constitucional de acumulação de um cargo de professor
com outro técnico ou científico, previsto na alínea “b”, do inciso XVI, do art. 37 da CRFB, fundamenta a
regularidade da titularização dos dois cargos efetivos por Mévio, quais sejam assessor legislativo da Câmara
e professor da UNB, desde que demonstrada a compatibilidade de horários.
Supondo cumprido o requisito de compatibilidade de horário, por exemplo, Mévio exerce a atividade de
assessor legislativo no expediente diurno e leciona como professor no horário noturno, temos que, para
assumir o cargo de provimento em comissão de chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República, ele
terá que, em regra, se afastar dos dois cargos efetivos!
Contudo, a Lei nº 8.112, de 1990, excepciona a possibilidade de acumular o cargo de provimento em
comissão com apenas um dos cargos de efetivo exercício se houver:

a) compatibilidade de horário;
b) compatibilidade de local;
c) a declaração da compatibilidade de horário e local das autoridades máximas de cada órgão ou entidade
envolvido.

Assim, para que Mévio continue exercendo o cargo efetivo de assessor legislativo na Câmara dos
Deputados e assuma o cargo de provimento em comissão no Gabinete da Presidência da República, deve
o próprio Presidente da República e o Presidente da Câmara dos Deputados declararem haver a
compatibilidade de horário e de local no exercício desses 2 cargos por Mévio. Quanto ao local, não haverá

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maiores problemas já que bastaria atravessar a Praça dos Três Poderes. Contudo, quanto ao horário,
dificilmente seria possível conciliar. Mas, em tese, havendo compatibilidade de horário, seria possível
Mévio assumir o aludido cargo comissionado e continuar exercendo seu cargo efetivo de Assessor
Legislativo (afastando-se do cargo de professor da UNB).
Por outro lado, para que Mévio continue exercendo o cargo efetivo de professor da UNB e assuma o cargo
de provimento em comissão no Gabinete da Presidência da República, deve o próprio Presidente da
República e o Reitor da UNB declararem haver a compatibilidade de horário e de local no exercício desses
2 cargos por Mévio. Nesse caso, também não haveria maiores problemas quanto à localidade. Eventual
impossibilidade decorreria de incompatibilidade de horários. Mas, em tese, é possível que Mévio assuma
o aludido cargo comissionado e continue a lecionar na UNB (afastando-se do cargo de assessor legislativo).

2.3. RESPONSABILIZAÇÃO NAS ESFERAS CIVIL, PENAL E


ADMINISTRATIVA
Configurado o descumprimento de seus deveres ou a efetivação de ações proibidas no exercício de suas
atribuições, o servidor poderá ser responsabilizado, em regra, de forma independente nas esferas civil,
penal e administrativa, podendo, inclusive, ocorrer de as sanções serem cumulativas.

Ou seja, a depender do caso, um único evento poderá configurar a responsabilização concomitante nessas
três esferas.

O “em regra” na afirmação de independência das esferas civil, administrativa e penal faz sentido porque há
de se considerar o eventual reflexo da decisão criminal na seara administrativa quando houver absolvição
criminal que negue a existência do fato ou a autoria pelo servidor.

#ficadica

A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de


absolvição criminal que negue:
a) a existência do fato; ou
b) sua autoria.

Em sentido análogo prevê o art. 935 do Código Civil:

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Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais
sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem
decididas no juízo criminal.

Mas atenção! Mesmo que o servidor venha a ser absolvido em processo criminal por falta de provas, poderá
ser demitido com base em Processo Administrativo Disciplinar que comprove o ilícito praticado.

É importante também ressaltar que a existência de ação penal contra servidor não tem o condão de
suspender o Processo Administrativo Disciplinar – PAD.

Ou seja, não há que se sobrestar o PAD para aguardar o trânsito em julgado da ação penal para só depois
avançar no processo administrativo. De igual modo, também não se deve aguardar eventual conclusão de
ação judicial de âmbito civil para progredir com o PAD.

Mesmo sem o conhecimento da decisão na ação judicial penal (absolvição por inexistência do fato,
absolvição por negação da autoria, absolvição por falta de prova ou mesmo a culpabilidade, entre outras
variações possíveis), em privilégio à independência das esferas civil, penal e administrativa, o PAD poderá
seguir seu curso regular até a decisão final, bem como ter imediata execução da penalidade eventualmente
imposta.

No futuro, caso sobrevenha decisão judicial favorável ao servidor e que negue a existência do fato (fique
comprovado que o fato não ocorreu) ou a sua autoria (fique comprovado que o fato ocorreu, mas que o
autor foi outra pessoa), deverá ser revista a decisão administrativa que eventualmente tenha imposto
penalidade ao servidor por meio de Processo Administrativo Disciplinar.

São inúmeras as decisões no STF e no STJ que afirmam a independência das esferas civil, penal e
administrativa para fins de responsabilização do servidor e tratam dos temas correlatos.

Nesse sentido, vejamos a jurisprudência do STF e do STJ com alguns comentários pertinentes:

PENAL E PROCESSO PENAL. DENÚNCIA. FALSIDADE IDEOLÓGICA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO


JURIDICAMENTE RELEVANTE EM DOCUMENTO PÚBLICO. DOCUMENTOS QUE NÃO EXIGIAM
INFORMAÇÃO DO SUBSCRITOR QUANTO AO ACÚMULO DE CARGOS PÚBLICOS (...) 3. (a)
Preliminarmente, as decisões proferidas pelas esferas administrativas e jurisdicionais
competentes são autônomas e independentes, razão pela qual o juízo criminal não está vinculado pela
decisão proferida no âmbito administrativo, seja ela contrária ou favorável ao jurisdicionado. Ressai do art.
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125 da Lei 8.112/90 que “As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo
independentes entre si”. (...) Inq 4105/PE Relator Ministro Luiz Fux, julgado em 30/05/2017, DJe
20,06,2017.

ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE


SEGURANÇA. POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL. COBRANÇA DE PROPINA. DEMISSÃO POR
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA E PELA UTILIZAÇÃO DO CARGO PARA LOGRAR PROVEITO
PESSOAL OU DE OUTREM, EM DETRIMENTO DA DIGNIDADE DA FUNÇÃO PÚBLICA. PROCESSO
CRIMINAL. ABSOLVIÇÃO POR FALTA DE PROVAS. REPERCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES. PENA APLICADA POR FORÇA DE PREVISÃO LEGAL, APÓS
MINUCIOSA INVESTIGAÇÃO NA SEARA ADMINISTRATIVA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA
PROVIMENTO. RMS 34.041 AgR/DF. Ministro Teori Zavascki, 29/3/2016.

Mandado de segurança. É tranquila a jurisprudência desta Corte no sentido da independência


das instâncias administrativa, civil e penal, independência essa que não fere a presunção de
inocência, nem os artigos 126 da Lei 8.112/90 e 20 da Lei 8.429/92. Precedentes do STF.
Inexistência do alegado cerceamento de defesa. Improcedência da alegação de que a sanção
imposta ao impetrante se deu pelo descumprimento de deveres que não são definidos por qualquer norma
legal ou infralegal. Mandado de segurança indeferido. MS 22899 AgR/SP Relator Moreira Alves, jugado em
02/04/2003.

MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. DEMISSÃO DE


AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL, DO DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL, DO MINISTÉRIO DA
JUSTIÇA: TRANSPORTE DE MERCADORIAS CONTRABANDEADAS EM FOZ DO IGUAÇU.
ALEGAÇÃO DE EQUIVOCADA APRECIAÇÃO DAS PROVAS E DE QUE A DECISÃO DO PROCESSO
ADMINISTRATIVO DEVERIA AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO DO PROCESSO-CRIME. (...) 2. A
ausência de decisão judicial com trânsito em julgado não torna nulo o ato demissório aplicado com base
em processo administrativo em que foi assegurada ampla defesa, pois a aplicação da pena disciplinar ou
administrativa independe da conclusão dos processos civil e penal, eventualmente instaurados em razão
dos mesmos fatos. Interpretação dos artigos 125 da Lei nº 8.112/90 e 20 da Lei nº 8.429/92 em face do
artigo 41, § 1º, da Constituição. Precedentes. (...) MS 22534/PR, Ministro Maurício Côrrea, 19/05/1999.

MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA. DEMISSÃO DE


MOTORISTA OFICIAL DO QUADRO PERMANENTE DO MINISTÉRIO DA FAZENDA: TRANSPORTE
DE MERCADORIAS CONTRABANDEADAS, DE FOZ DO IGUAÇU PARA GOIÁS, EM CAMINHÃO DE
PROPRIEDADE DO GOVERNO FEDERAL. ALEGAÇÕES DE NULIDADES NO INQUÉRITO
ADMINISTRATIVO. (...) 2. Alegações improcedentes de cerceamento de defesa e de violação do princípio
do contraditório, porque observadas as normas legais. 3. Considera-se em exercício, para os efeitos dos
artigos 121 e 124 da Lei nº 8.112/90, o servidor que, mesmo em gozo de férias, utiliza caminhão de
propriedade do Governo Federal para transportar mercadoria contrabandeada de Foz do Iguaçu para
Goiás, em proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública (artigo 117, IX,
da mesma Lei). 4. A ausência de decisão judicial com trânsito em julgado não torna nulo o ato demissório
aplicado com base em processo administrativo em que foi assegurada ampla defesa, pois a aplicação da
pena disciplinar ou administrativa independe da conclusão dos processos civil e penal, eventualmente
instaurados em razão dos mesmos fatos. Interpretação dos artigos 125 da Lei nº 8.112/90 e 20 da Lei nº

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8.429/92 em face do artigo 41, § 1º, da Constituição. Precedentes. 5. Mandado de segurança conhecido,
mas indeferido. MS 22362/PR. Ministro Maurício Corrêa, 06/05/1999.

Súmula 18 do STF:
Pela falta residual, não compreendida na absolvição pelo juízo criminal, é admissível a punição
administrativa do servidor público.

DIREITO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE DE SUSPENSÃO DE PROCESSO


ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR DIANTE DA EXISTÊNCIA DE AÇÃO PENAL RELATIVA AOS
MESMOS FATOS. Não deve ser paralisado o curso de processo administrativo disciplinar
apenas em função de ajuizamento de ação penal destinada a apurar criminalmente os
mesmos fatos investigados administrativamente. As esferas administrativa e penal são independentes,
não havendo falar em suspensão do processo administrativo durante o trâmite do processo penal.
Ademais, é perfeitamente possível que determinados fatos constituam infrações administrativas, mas não
ilícitos penais, permitindo a aplicação de penalidade ao servidor pela Administração, sem que haja a
correspondente aplicação de penalidade na esfera criminal. Vale destacar que é possível a repercussão do
resultado do processo penal na esfera administrativa no caso de absolvição criminal que negue a existência
do fato ou sua autoria, devendo ser revista a pena administrativa porventura aplicada antes do término do
processo penal. MS 18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 8/5/2013.

ADMINISTRATIVO. CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. DEMISSÃO DE SERVIDOR


PÚBLICO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. ATO DE IMPROBIDADE.
INDEPENDÊNCIA ENTRE AS SANÇÕES DISCIPLINARES E AQUELASPREVISTAS NA LEI 8.429/92.
UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIAÀ AMPLA DEFESA E AO
CONTRADITÓRIO. PROVAS SUFICIENTES. EVOLUÇÃO PATRIMONIAL INCOMPATÍVEL COM A RENDA
AUFERIDA. ADEQUAÇÃO DA PENA. ART. 132, IV DA LEI 8.112/90. ORDEM DENEGADA. 1. À luz do disposto
no art. 12 da Lei 8.429/90 e nos arts. 37, § 4ºe 41 da CF/88, as sanções disciplinares previstas na Lei
8.112/90 são independentes em relação às penalidades previstas na LIA, daí porque não há necessidade
de aguardar-se o trânsito em julgado da ação por improbidade administrativa para que seja editado o ato
de demissão com base no art. 132, IV, do Estatuto do Servidor Público Federal. (...)5. Consoante o princípio
do pas de nulitté sans grief, não se declara a nulidade sem a demonstração de efetivo prejuízo para aparte
que a invoca. Logo, não havendo indícios de que as provas supostamente ilícitas embasaram o ato decisório
e a aplicação da pena, deve-se afastar a pretensão anulatória. (...)7. A conclusão do processo disciplinar
não está atrelada ao encerramento do procedimento fiscal. Isso porque são procedimentos distintos,
regidos por normativos próprios e com finalidades específicas. MS 15.848/DF, Ministro Castro Meira,
16/08/2013.

DIREITO ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO IMEDIATA DE PENALIDADE IMPOSTA EM PAD. Não há


ilegalidade na imediata execução de penalidade administrativa imposta em PAD a servidor
público, ainda que a decisão não tenha transitado em julgado administrativamente.
Primeiro, porque os atos administrativos gozam de auto-executoriedade, possibilitando
que a Administração Pública realize, através de meios próprios, a execução dos seus efeitos materiais,
independentemente de autorização judicial ou do trânsito em julgado da decisão administrativa.
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Segundo, pois os efeitos materiais de penalidade imposta ao servidor público independem do julgamento
de recurso interposto na esfera administrativa, que, em regra, não possui efeito suspensivo(art. 109 da Lei
8.112/1990). Precedentes citados: MS 14.450-DF, Terceira Seção, DJe 19/12/2014; MS 14.425-DF, Terceira
Seção, DJe 1/10/2014; e MS 10.759-DF, Terceira Seção

DIREITO ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR (PAD). DEMISSÃO


POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. É possível a demissão de servidor por improbidade
administrativa em processo administrativo disciplinar. A pena de demissão não é
exclusividade do Judiciário, sendo dever indeclinável da Administração apurar e,
eventualmente, punir os servidores que vierem a cometer ilícitos de natureza disciplinar, conforme o art.
143 da Lei n. 8.112/1990. Conforme o entendimento da Terceira Seção do STJ, em face da independência
entre as esferas administrativas e penais, o fato de o ato demissório não defluir de condenação do
servidor exarada em processo judicial não implica ofensa aos ditames da Lei n. 8.492/1992, nos casos em
que a citada sanção disciplinar é aplicada como punição a ato que pode ser classificado como de
improbidade administrativa, mas não está expressamente tipificado no citado diploma legal, devendo,
nesses casos, preponderar a regra prevista na Lei n. 8.112/1990. Precedentes citados: MS 15.054-DF, DJe
12/19/2011, e MS 12.536-DF, DJe 26/9/2008. MS 14.140-DF, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 26/9/2012.

Comentários: conforme articulado nas decisões do STF e do STJ até então expostas,
perceba que a avaliação judicial e a administrativa não estão vinculadas. Ao contrário,
são independentes e autônomas.
Assim, ações judiciais de caráter civil ou penal, bem como o Processo Administrativo
Disciplinar, devem seguir seu curso ordinário e, em regra, as decisões de uma não
influenciam na outra.
Nesse sentido, atente-se para o fato de que o STF já pacificou entendimento de que o prosseguimento do
processo na esfera administrativa, quando ainda em curso ação penal, não fere a presunção de inocência
de que trata o inciso LVII do art. 5º da CRFB.

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória;

Novamente, enfatize-se que o “em regra” se aplica para o caso em que o servidor venha a ser absolvido da
ação penal por negação da autoria ou pela comprovação da inexistência do fato.

Atenção:a absolvição no processo criminal por falta de provas não repercute no processo
administrativo disciplinar.

Ademais, não se justifica o sobrestamento do PAD em função de ajuizamento de ação penal ou, ainda, em
função do seu trâmite, com o intuito de se apurar nesta esfera fatos que estão sendo investigados em
âmbito administrativo.

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Também é importante consignar não haverá bis in idem no caso de o servidor ser punido na esfera
administrativa, por meio de PAD, na esfera criminal, em ação penal, e na esfera civil, por meio de ação de
improbidade administrativa.

CAI NA PROVA
O concurso para Defensor Público da União, realizado em 2017 pela banca CESPE, afirmou em uma
das assertivas de uma das questões da prova que: “Em procedimento disciplinar por ato de
improbidade administrativa, somente depois de ocorrido o trânsito em julgado administrativo será
cabível a aplicação da penalidade de demissão”.

Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque, de acordo com o STJ, MS 19.488/DF
(Informativo 559), é possível o cumprimento imediato da penalidade imposta ao servidor logo após
o julgamento do PAD e antes do julgamento do recurso administrativo cabível. Em outras palavras,
não há qualquer ilegalidade na imediata execução de penalidade administrativa imposta em PAD ao
servidor público, ainda que a decisão não tenha transitado em julgado administrativamente.

CAI NA PROVA
O concurso para Advogado da União, realizado em 2015 pela banca CESPE, afirmou em uma das
assertivas de uma das questões da prova que: “Se, em uma operação da Polícia Federal, um agente
público for preso em flagrante devido ao recebimento de propina, e se, em razão disso, houver
ajuizamento de ação penal, um eventual processo administrativo disciplinar deverá ser sobrestado
até o trânsito em julgado do processo criminal”.

Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque as esferas civil, administrativa e


penal são, em regra, autônomas e independentes. De acordo com o STJ, MS 22534/PR, a ausência
de decisão judicial com trânsito em julgado não torna nulo o ato demissório aplicado com base em
processo administrativo em que foi assegurada ampla defesa, pois a aplicação da pena disciplinar
ou administrativa independe da conclusão dos processos civil e penal, eventualmente instaurados
em razão dos mesmos fatos. Ou, ainda, conforme MS 18090/DF também julgado no STJ: Não deve
ser paralisado o curso de processo administrativo disciplinar apenas em função de ajuizamento de
ação penal destinada a apurar criminalmente os mesmos fatos investigados administrativamente.
As esferas administrativa e penal são independentes, não havendo falar em suspensão do processo
administrativo durante o trâmite do processo penal.

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Ainda em função dessa propalada independência, poderá o servidor público, mesmo que absolvido em
Processo Administrativo Disciplinar, ser condenado a ressarcir o erário por comprovado prejuízo ao tesouro
em tomada de contas especial pelo Tribunal de Contas de União – TCU. Isso porque a condenação pelo TCU
independe do resultado do PAD.

Cabe também ressaltar a possibilidade de utilização de prova emprestada entre as esferas civil, penal e
administrativa.

O instituto da prova emprestada está previsto no Novo Código de Processo Civil - CPC, Lei nº 13.105, de 2015,
especificamente em seu artigo 372:

Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-
lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.

Ou seja, a prova emprestada nada mais é do que a utilização de prova validamente produzida e constituída
de um processo em outro.

A solicitação da prova deverá ser realizada pela autoridade responsável pelo processo que necessita da
obtenção da prova já constituída em outro processo.

Além dessa previsão legal constante no art. 372 do CPC, a jurisprudência também tem acolhida a utilização
o PAD, de prova emprestada validamente produzida em processo criminal, independentemente do trânsito
em julgado da sentença penal condenatória.

#ficadica

É possível a utilização no PAD de prova emprestada validamente produzida em


processo criminal, independentemente do trânsito em julgado da sentença penal
condenatória.

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Atenção:inclusive poderá ser emprestada ao processo administrativo disciplinar prova constante


em processo criminal obtida por meio de interceptações telefônicas.

Nessa linha, veja novas jurisprudências do STF e do STJ que corroboram com o que até aqui exposto:

Agravo regimental em mandado de segurança. Tribunal de Contas da União. Violação dos


princípios do contraditório e da ampla defesa. Não ocorrência. Independência entre a atuação
do TCU e a apuração em processo administrativo disciplinar. (...) 2. O Tribunal de Contas da
União, em sede de tomada de contas especial, não se vincula ao resultado de processo
administrativo disciplinar. Independência entre as instâncias e os objetos sobre os quais se debruçam as
respectivas acusações nos âmbitos disciplinar e de apuração de responsabilidade por dano ao erário.
Precedente. Apenas um detalhado exame dos dois processos poderia confirmar a similitude entre os fatos
que são imputados ao impetrante. (...) MS 27.867 AgR/DF. Ministro Dias Toffoli, 18/09/2012.
DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE
SEGURANÇA. ATO DO MINISTRO DA FAZENDA. DEMISSÃO DE SERVIDOR PÚBLICO POR ATO DE
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR. NEGATIVA DE PROVIMENTO DO RECURSO. (...) 3. O acusado em processo
administrativo disciplinar não possui direito subjetivo ao deferimento de todas as provas requeridas nos
autos, ainda mais quando consideradas impertinentes ou meramente protelatórias pela comissão
processante (art. 156, §1º, Lei nº 8.112/1990). 4. A jurisprudência desta Corte admite o uso de prova
emprestada em processo administrativo disciplinar, em especial a utilização de interceptações telefônicas
autorizadas judicialmente para investigação criminal. Precedentes.5. Recurso ordinário a que se nega
provimento. RMS 28774. Ministro Marco Aurélio. Redator para o Acórdão: Ministro Roberto Barroso,
22/09/2015.
DIREITO ADMINISTRATIVO. UTILIZAÇÃO, EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR, DE
PROVA EMPRESTADA VALIDAMENTE PRODUZIDA EM PROCESSO CRIMINAL.É possível a
utilização, em processo administrativo disciplinar, de prova emprestada validamente
produzida em processo criminal, independentemente do trânsito em julgado da sentença
penal condenatória.Isso porque, em regra, o resultado da sentença proferida no processo criminal não
repercute na instância administrativa, tendo em vista a independência existente entre as instâncias.
Precedentes citados: MS 17.472-DF, Primeira Seção, DJe 22/6/2012; e MS 15.787-DF, Primeira Seção, DJe
6/8/2012. RMS 33.628-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 2/4/2013.
ADMINISTRATIVO - MANDADO DE SEGURANÇA - PROCESSO ADMINISTRATIVODISCIPLINAR
- UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA DE PROCEDIMENTO CRIMINAL - INTERCEPTAÇÃO
TELEFÔNICA - AUTORIZAÇÃO E CONTROLE JUDICIAL - PROVA ADMITIDA - PENA DE
DEMISSÃO - CONCLUSÃO DACOMISSÃO BASEADA NA PRODUÇÃO DE VÁRIAS PROVAS -
SEGURANÇA DENEGADA.1. A jurisprudência desta Corte pacificou-se no sentido de considerar possível se
utilizar, no processo administrativo disciplinar, interceptação telefônica emprestada de procedimento
penal, desde que devidamente autorizada pelo juízo criminal.2. Não há desproporcionalidade
excessivamente gravosa a justificara intervenção do Poder Judiciário quanto ao resultado do Processo
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Administrativo Disciplinar originário, em que a autoridade administrativa concluiu pelo devido


enquadramento dos fatos e aplicação da pena de demissão, nos moldes previstos pelo estatuto jurídico
dos policiais civis da União. 3. Segurança denegada. MS 16146/DF, Ministra Eliana Calmon, 22/05/2013.
Súmula 591:

É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que


devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla
defesa.

CAI NA PROVA
O concurso para Procurador da Câmara de Sumaré, realizado em 2017 pela banca VUNESP, afirmou
em uma das alternativas de uma das questões da prova que: “O uso de prova decorrente de
interceptação telefônica é vedado no processo administrativo disciplinar, mesmo que obtida
licitamente no processo criminal”.

Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a alternativa porque, conforme entendimento


sedimentado pelo STJ, é possível utilizar interceptação telefônica emprestada de procedimento
penal no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo criminal
(MS 16146; RMS 28774).

De acordo com a Lei nº 8.112, de 1990:

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no âmbito civil: dependerá de ato comissivo ou omissivo,


culposo ou doloso, desde que tenha resultado em prejuízo ao
erário ou a terceiros

no âmbito penal: abrangerá os crimes e contravenções


A Responsabilização do
imputadas ao servidor, desde que tenha agido na qualidade
Servidor
de servidor público

no âmbito civil-administrativa: resultará de ato omissivo ou


comissivo praticado no desempenho do cargo ou função

Caso o servidor cause prejuízo ao erário de forma dolosa, a indenização do débito deverá ser garantida pela
via judicial.

Entretanto, não havendo bens que assegurem a indenização, o servidor ativo, aposentado ou pensionista
deverá ser comunicado para o pagamento no prazo de 30 dias, podendo ser parcelado o valor, a pedido do
interessado.

Ou seja, a legislação prioriza que, em caso de prejuízo ao erário de forma dolosa, o débito seja garantido
judicialmente.

De todo modo, não havendo bens do servidor para garantir a liquidação do valor devido, a Fazenda Pública
adotará o procedimento padrão para reposição e indenização ao erário, qual seja: deve comunicá-lo para
que quite o débito em 30 dias, podendo, desde que solicitado pelo servidor, autorizar o pagamento
parcelado.

Como veremos no estudo da responsabilidade objetiva do Estado, havendo prejuízo a terceiros causado por
servidor público agindo nessa qualidade, o particular poderá ingressar com ação contra o poder público.

A Fazenda Pública, por sua vez, poderá acionar o servidor por meio de ação regressiva para reparar o seu
prejuízo.

Frise-se que a obrigação de reparar o dano é extensível aos sucessores e contra eles será executada, até o
limite do valor da herança eventualmente recebida.

Oportunamente veremos em detalhes os requisitos, doutrina e jurisprudência acerca da responsabilidade


objetiva do Estado. Mas, desde já, saiba que o seu fundamento de validade está no §6º do art. 37 da CRFB
que assim prevê:

Art. 37 (...)
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§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços


públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

#ficadica

O servidor que der ciência à autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento
desta, a outra autoridade competente para apuração de informação relativa à prática de
crimes ou improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício
de cargo, emprego ou função pública, NÃO poderá ser responsabilizado civil, penal ou
administrativamente pelo fato comunicado.

Vamos estudar a partir de agora as penalidades em espécies com todas as especificidades a elas inerentes.

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3.PENALIDADES EM ESPÉCIE

O Estatuto dos Servidores Civis da União estabelece as seguintes penalidades disciplinares:

Advertência

Suspensão

Demissão
PENALIDADES de Aposentadoria
Cassação
de Disponibilidade

de Cargo em Comissão
Destituição
de Função Comissionada

A espécie de penalidade a ser aplicada ao servidor dependerá dos seguintes fatores:

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natureza da
infração
cometida

gravidade circunstâncias
da infração atenuantes

Penalidade

danos
causados ao circunstâncias
serviço agravantes
público
antecedentes
funcionais

Assim, são 5 os tipos de penalidades possíveis: advertência, suspensão, demissão, cassação e


destituição;sendo que a cassação poderá ser aplicada tanto ao aposentado quanto ao servidor em
disponibilidade.

De modo semelhante, a destituição poderá ser aplicada tanto àquele que ocupa cargo em comissão quanto
àquele que ocupa função comissionada.

Como visto, a dosimetria da pena a ser aplicada deve necessariamente levar em consideração a natureza da
infração cometida, a gravidade da infração, os danos causados ao serviço público, as circunstâncias
agravantes e atenuantes, bem como os antecedentes funcionais do infrator.

Ademais, o ato da autoridade competente que vier a impor penalidade ao servidor sempre deverá
mencionar o fundamento legal e a causa da sanção disciplinar.

Vamos ao detalhamento de aplicação de cada uma das penalidades em espécies.

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3.1. ADVERTÊNCIA

A penalidade de menor dosimetria e com o mais baixo impacto a ser aplicada ao servidor é a advertência.

Frise-se que a advertência será aplicada nos seguintes casos:

violação a algumas das proibições estabelecidas no Estatuto dos Servidores

inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamento ou norma interna, que


não justifique imposição de penalidade mais grave

#ficadica

É obrigatório que a advertência seja aplicada por escrito!

Já na aula de hoje nós verificamos a lista de proibições a que estão submetidos os servidores públicos civis
da União e de suas autarquias e fundações. Naquela oportunidade, para chamar atenção, eu coloquei as
respectivas proibições ensejadoras de aplicação de advertência com letra azul na tabela.

Das 19 proibições listadas na Lei nº 8.112, de 1990, 9 dão azo à aplicação de penalidade de advertência.

Somando-se àquelas a possibilidade de aplicação de advertência pela inobservância de dever funcional


previsto em lei, regulamentação ou norma interna que não justifique imposição de penalidade mais grave,
temos o total de 10 tipos descritivos que acarretam a sanção de advertência, desde que não seja caso de
reincidência.

Veja a lista completa:

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INFRAÇÕES CUJA PENALIDADE, EM PRINCÍPIO, SERÁ DE ADVERTÊNCIA:


recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado

ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato

retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da


repartição
recusar fé a documentos públicos
opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço
promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição
cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado
coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a
partido político
manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou
parente até o 2º grau civil
inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não
justifique imposição de penalidade mais grave

Portanto, na tabela anterior, as 9 primeiras infrações são proibições que, se cometidas pelo servidor,
ensejarão, em princípio, a sanção de advertência.

Já a última infração da tabela decorre de determinação direta de aplicação de advertência prevista no art.
129 da Lei nº 8.112, de 1990.

3.2. SUSPENSÃO
Na dosimetria de aplicação de penalidades, a suspensão é a segunda na escala de gravidade.

Assim, a suspensão será aplicada nos casos de:

29

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reincidência das faltas punidas com advertência

violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de
demissão

Portanto, é preciso ter cuidado com a suspensão.

a) Como um dos fundamentos, a suspensão poderá ser aplicada em casos de reincidência de faltas punidas
com advertência.

Assim, se o servidor cometeu alguma infração que acarretou na aplicação da pena advertência e ele praticar
novamente infração sujeita à advertência dentro do prazo de 3 anos da sanção anterior, ocorrerá um
agravamento na sanção que passará a ser de suspensão.

#ficadica

Entende-se por reincidência a pratica de nova infração disciplinar, cometida pelo


mesmo infrator, dentro do prazo em que não cancelado o registro de penalidade
anteriormente aplicada.

Atenção: o prazo para cancelamento do registro das penalidades de advertência e de


suspensão, de que o servidor não pratique nova infração neste período, são:

Advertência:3 anos contados da data em que se tornar definitiva, administrativamente, a penalidade


relativa à infração anterior.

Suspensão:5 anos contados da data em que se tornar definitiva, administrativamente, a penalidade


relativa à infração anterior.

Assim, em respeito ao valor constitucional de não haver penalidade de caráter perpétuo (alínea “b”, do inciso
XLVII, do art. 5º da CRFB), ultrapassados os prazos de 3 ou 5 anos, deverá o registro da penalidade,
respectivamente, de advertência e suspensão, ser cancelado do registro do servidor.

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Importante também destacar que o aludido cancelamento não terá seus efeitos ou repercussões retroativos.

b) Outra possibilidade de aplicação da pena de suspensão ocorre em casos de violação de outras proibições
que não tipificarem infração sujeita à penalidade de demissão.

Portanto, a pena de suspensão também tem um caráter residual.

Isto é, há proibições que geram a expressa penalidade de advertência ou de demissão. Já para aquela em
que não haja citação expressa de aplicação da advertência ou da demissão, o servidor estará sujeito à pena
de suspensão em função do caráter residual dessa sanção.

#ficadica

A penalidade de suspensão do servidor não poderá exceder a 90 dias!

Atenção:o servidor que se recusar, injustificadamente, a ser submetido à inspeção


médica determinada pela autoridade competente será punido com suspensão de até
15 dias, cessando os efeitos dessa sanção em caso de realização da inspeção médica.

Interessante a autorização prevista na Lei nº 8.112, de 1990, para, quando houver conveniência para o
serviço, a conversão da penalidade de suspensão em multa, na base de 50% por dia de vencimento ou
remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em serviço.

Dessa forma, em que pese a sanção de suspensão aplicada, o servidor poderá, no interesse da administração
pública, ser obrigado a permanecer em serviço, sendo, contudo, aplicada multa em 50% da sua remuneração
diária ao longo do período da sanção efetivamente trabalhado.

3.3. DEMISSÃO
A sanção administrativa de maior gravidade a ser aplicada é a demissão. Para isso, deve realmente o servidor
ter agido, contundentemente, de modo a afrontar princípios administrativos ou vedações normativas com
grave repercussão à imagem da Administração Pública ou à dignidade dos demais servidores.

A prática de ato ilícito ou irregular por um servidor traz repercussões não só a ele, mas macula a
Administração Pública e todo o seu corpo de servidores que, ainda que de forma inconsciente, são julgados
por membros da sociedade diariamente acerca de suas condutas.
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Desta forma, compete ao servidor um grau de zelo ainda maior com o bem público, além de exercer com
presteza e urbanidade as suas funções ao público imediato ou mediato, que é a sociedade.

Veja os casos em que deve ser aplicada a pena de demissão:

FATOS EM QUE SE DEVE APLICAR A DEMISSÃO:


inassiduidade habitual
abandono de cargo

Atenção: considera-se inassidui-dade habitual


Atenção: considera-se abandono de cargo a
a falta ao serviço, sem causa justificada, por 60
ausência intencional do servidor ao serviço por
dias, interpoladamente, durante o período de
mais de 30 dias consecutivos.
12 meses.
crime contra a administração pública improbidade administrativa
insubordinação grave em serviço aplicação irregular de dinheiros públicos
ofensa física, em serviço, a servidor ou a
incontinência pública e conduta escandalosa,
particular, salvo em legítima defesa própria ou
na repartição
de outrem
revelação de segredo do qual se apropriou em lesão aos cofres públicos e dilapidação do
razão do cargo patrimônio nacional
acumulação ilegal de cargos, empregos ou
corrupção
funções públicas
aceitar comissão, emprego ou pensão de
praticar usura sob qualquer de suas formas
estado estrangeiro
utilizar pessoal ou recursos materiais da
proceder de forma desidiosa repartição em serviços ou atividades
particulares
valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da
função pública
participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário
atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
companheiro
receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas
atribuições

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O art. 117 da Lei nº 8.112, de 1990, lista as proibições ao servidor em XIX incisos. Desses 19 incisos, os 8
primeiros (I a VIII) e o último (XIX) são sancionados com advertência. Já os incisos IX a XVI são sancionados
com a demissão. Portanto, em função de seu caráter residual, os incisos XVII (cometer a outro servidor
atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias) e XVIII (exercer
quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o horário de
trabalho) serão sancionados, em princípio, com a pena de suspensão.

Importante citar aqui a jurisprudência do STJ no sentido de que não pode ser aplicado o princípio da
insignificância em caso de infração disciplinar que gere demissão, porquanto na esfera administrativa o
valor do proveito econômico auferido pelo servidor é irrelevante.

DIREITO ADMINISTRATIVO. IRRELEVÂNCIA DO VALOR AUFERIDO PARA A APLICAÇÃO DA


PENA DE DEMISSÃO DECORRENTE DA OBTENÇÃO DE PROVEITO ECONÔMICO
INDEVIDO.Deve ser aplicada a penalidade de demissão ao servidor público federal que
obtiver proveito econômico indevido em razão do cargo, independentemente do valor
auferido.Isso porque não incide, na esfera administrativa - ao contrário do que se tem na esfera penal -,
o princípio da insignificância quando constatada falta disciplinar prevista no art. 132 da Lei 8.112/1990.
Dessa forma, o proveito econômico recebido pelo servidor é irrelevante para a aplicação da penalidade
administrativa de demissão, razão pela qual é despiciendo falar, nessa hipótese, em falta de razoabilidade
ou proporcionalidade da pena. Conclui-se, então, que o ato de demissão é vinculado, cabendo unicamente
ao administrador aplicar a penalidade prevista. MS 18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
8/5/2013.

3.4. CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA OU DISPONIBILIDADE


A penalidade de cassação de aposentadoria ou disponibilidade tem efeitos análogos aos da demissão e é
aplicada ao aposentado ou ao servidor em disponibilidade (e, portanto, em inatividade) que tenha
praticado na atividade falta punível com a demissão.
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Assim, se o servidor praticou, quando em atividade, algum ato cuja penalidade prevista é a de demissão, mas
a sanção só veio a ser aplicada quando ele se encontrava aposentado ou em disponibilidade, a sanção será
a cassação da aposentadoria ou da disponibilidade.

Lembre-se que a aposentadoria é a ida remunerada do servidor à inatividade, desde que cumpridos os
requisitos constitucionais e legais.

Já a disponibilidade, de acordo com a Professora Maria Sylvia Zanella di Pietro4, é:

a garantia de inatividade remunerada, assegurada ao servidor estável, em caso de ser extinto o


cargo ou declarada a sua desnecessidade.

Frise-se, contudo, que a natureza jurídica da disponibilidade é de transitoriedade.

Isto é, garantir a remuneração ao servidor estável até o seu aproveitamento em cargo de atribuições e
vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado.

3.5. DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO OU FUNÇÃO


COMISSIONADA
Inicialmente é preciso distinguir o servidor ocupante exclusivamente de cargo em comissão daquele servidor
que é titular de cargo efetivo e, ao mesmo tempo, também titulariza cargo comissionado ou função
comissionada.

O denominado “comissionado puro” é aquele servidor que não titulariza cargo efetivo, mas apenas o cargo
comissionado que, respeitadas as condições previstas em lei, são de livre nomeação e exoneração – ad
nutum.

Frise-se que, de acordo com o inciso V do art. 37 da CRFB, as funções de confiança são exercidas
exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo.

V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo,


e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e

4
Direito Administrativo, 30ª edição. p. 386.
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percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e


assessoramento;

Resumindo, tem-se que:

Função Comissionada
Cargo Efetivo Cargo Comissionado
(Função de Confiança)

Livre nomeação e exoneração


Titularizado por servidor
Exercida exclusivamente por (ad nutum), respeitado o
investido após aprovação em
servidores ocupantes de preenchimento mínimo por
concurso público de provas
cargo efetivo servidores de carreira
ou de provas e títulos
previstos em lei

Destinação ampla, não só para Pode ser titularizado tanto


Destina-se à Direção, Chefia
Direção, Chefia ou pelo "comissionado puro"
ou Assessoramento
Assessoramento quanto por servidor efetivo

Destina-se à Direção, Chefia


ou Assessoramento

CAI NA PROVA

O concurso para Promotor de Justiça do Estado de Santa Catarina, realizado em 2014 por banca
própria, afirmou em uma das questões da prova que: “As funções de confiança, exercidas
exclusivamente por servidores ocupantes de cargos efetivos, e os cargos em comissão, a serem
preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei,
destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento”.

Comentários: correta a assertiva. Correta a assertiva que apresenta a literalidade do inciso V do art.
37 da CRFB.

#ficadica

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A destituição de cargo em comissão exercido pelo comissionado puro (por aquele


não ocupante de cargo efetivo) será aplicada nos casos de infração sujeita às
penalidades de suspensão e de demissão.

Assim, enquanto a pena de cassação da aposentadoria ou da disponibilidade é aplicada a quem houver


praticado na atividade ato punível com a demissão, a destituição de cargo em comissão é mais severa e
será aplicada também em infrações a que o servidor efetivo responderia apenas com suspensão.

CAI NA PROVA
O concurso para Procurador do Estado do Piauí, realizado em 2014 pela banca CESPE, apresentou a
seguinte questão na prova:

“Um servidor, vinculado à administração pública unicamente por cargo em comissão, cometeu
infração administrativa e, após regular processo administrativo disciplinar, a autoridade julgadora,
concordando com o relatório final da comissão processante, entendeu que a falta se enquadrava
nas hipóteses de suspensão.

Nesse caso, nos termos da Lei n.º 8.112/1990, a penalidade a ser aplicada ao servidor será

a) a exoneração de ofício.

b) a destituição do cargo em comissão.

c) a demissão.

d) a suspensão.

e) o desligamento”.

Gabarito: alternativa “b”. Correta a alternativa “b” porque, de acordo com o art. 135 da Lei nº 8.112,
de 1990, a destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo será
aplicada nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.

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Cabe dizer também que, caso o ex-servidor tenha sido exonerado do cargo comissionado antes da
aplicação da penalidade de destituição, aquela será convertida nesta, ou seja, prevalecerá no
assentamento funcional a pena de destituição em detrimento do mero expediente administrativo de
exoneração.

3.6. DISPOSIÇÕES COMUNS À DEMISSÃO E À DESTITUIÇÃO

O Estatuto do Servidor Público estabelece que a demissão ou a destituição de cargo em comissão, nos casos
a seguir indicados, implica também a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo
da ação penal cabível.

CASOS EM QUE, ALÉM DA DEMISSÃO OU DA DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO, TAMBÉM DEVERÁ HAVER A
INDISPONIBILIDADE DOS BENS E O RESSARCIMENTO AO ERÁRIO, SEM PREJUÍZO DA AÇÃO PENAL CABÍVEL:
improbidade administrativa aplicação irregular de dinheiros públicos
lesão aos cofres públicos e dilapidação do
Corrupção
patrimônio nacional

Importante ressaltar que o ex-servidor que foi demitido ou destituído do cargo em comissão por
infringências aos casos acima citados na tabela, bem como em caso de crime contra a administração pública,
NÃO PODERÁ RETORNAR ao serviço público federal.

Por outro lado, haverá a incompatibilidade do ex-servidor para nova investidura em cargo público federal,
pelo prazo de 5 anos, nos casos de demissão ou destituição de cargo em comissão por infringência às
seguintes proibições:
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valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da


dignidade da função pública

atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo


quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o
segundo grau, e de cônjuge ou companheiro

Vejamos a seguir quais são as autoridades competentes para aplicar as penalidades em espécie que
acabamos de superar.

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4.AUTORIDADE COMPETENTE PARA APLICAÇÃO DE


PENALIDADE

Segue, de modo esquematizado, a identificação das autoridades previstas em lei como competentes para
aplicação de cada uma das espécies de sanções previstas no Estatuto do Servidor Público Civil da União.
Autoridade Competente para Aplicação de Penalidade

demissão e cassação de Presidente da República, Presidentes das


aposentadoria ou Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais
disponibilidade Federais e Procurador-Geral da República

destituição de cargo em
Autoridade que fez a Nomeação
comissão

Autoridade um nível hierárquico abaixo


suspensão superior a 30 dias daqueles legitimados a demitirem ou cassarem
aposentadoria/disponibilidade

Chefe da Repartição e outras autoridades na


advertência ou suspensão de
forma dos respectivos regimentos ou
até 30 dias
regulamentos

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5. PRAZO DE PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA

Em respeito ao princípio da Segurança Jurídica e da estabilidade das relações jurídicas, a Lei nº 8.112, de
1990, fixou em seu próprio texto o prazo prescricional para a pretensão punitiva, isto é, o limite de tempo
que a Administração Pública Federal tem para iniciar a apuração da infração cometida.

Contudo, há algumas divergências de entendimento sobre os dispositivos legais, sobretudo quanto ao termo
de início de contagem de prazo e ao próprio período fixado, comparando-se aos estabelecidos na seara
penal, que chegaram até o STJ. Há também importantes decisões do STF, em especial quanto à
imprescritibilidade das ações de ressarcimento.

Portanto, vejamos não só o teor do dispositivo legal, mas também o posicionamento jurisprudencial acerca
do tema.

A CRFB, em seu artigo 5º, incisos XLII e XLIV, bem como em seu art. 37, §5º, fixa as infrações cujo lapso
temporal de pretensão punitiva é imprescritível:

Art. 37 (...)

§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente,
servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de
ressarcimento.

Art. 5º (...)

XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão,
nos termos da lei;

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares,
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

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Para nosso estudo, é relevante o §5º do art. 37, para o qual deve a lei fixar os prazos prescricionais para
ações relativas a ilícitos praticados por qualquer agente público que causem prejuízo ao erário, ressalvadas
as ações de ressarcimento.

Ou seja, essa parte final do aludido dispositivo constitucional levou doutrina e jurisprudência inicialmente a
interpretarem que todas as ações de reparação civil por dano causado ao erário eram imprescritíveis.

Contudo, recente julgamento no STF trouxe evolução sobre o tema.

Ao julgar o RE 852475, em 08 de agosto de 2018, que era o leading case do Tema 897 de repercussão geral
(Prescritibilidade da pretensão de ressarcimento ao erário em face de agentes públicos por ato de
improbidade administrativa), cujo fundamento era exatamente saber se, com base no §5º do art. 37 da CRFB,
a ação de ressarcimento ao erário fundado em ato tipificado como ilícito de improbidade administrativa era
ou não imprescritível, o STF fixou a seguinte tese de repercussão geral: “São imprescritíveis as ações de
ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa”.

Portanto, não são todas as ações que causem prejuízo ao erário que serão imprescritíveis, mas somente
aquelas fundadas em ato doloso.

Isto é, eventuais práticas culposas que causarem prejuízo ao erário deverão ser impetradas no prazo
prescricional de 5 anos, em respeito ao princípio da segurança jurídica.

Esse recente julgamento do STF fará o STJ rever seu posicionamento anterior no sentido de que todas as
ações de ressarcimento de danos causados ao erário eram imprescritíveis:

Jurisprudência em Tese do STJ (edição 38):

A eventual prescrição das sanções decorrentes dos atos de improbidade administrativa


não obsta o prosseguimento da demanda quanto ao pleito de ressarcimento dos danos
causados ao erário, que é imprescritível(art. 37, § 5º, da CF).

No que tange à contagem do prazo prescricional para aplicação da sanção na esfera administrativa, a Lei nº
8.112, de 1990, fixou que a contagem do prazo prescricional se inicia na data em que o fato se tornou
conhecido e não na data da efetiva ocorrência do evento.

Frise-se que a abertura de sindicância ou a instauração de Processo Administrativo Disciplinar propriamente


dito são fatores que interrompem a prescrição até a decisão final proferida pela autoridade competente.

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Importante que você saiba que o instituto da interrupção do curso da prescrição acarreta o reinício da
contagem do prazo a partir do momento em que cessada a interrupção. Ou seja, o prazo é reiniciado por
inteiro.

Diferentemente é o que ocorre com a suspensão da contagem do prazo, quando cabível. Nesse caso, o prazo
volta a fluir levando-se em conta o tempo anteriormente transcorrido. Ou seja, o prazo se inicia pelo tempo
que sobrou.

BIZU = Interrupção/Inteiro; Suspensão/Sobra

Antes de identificar os prazos de prescrição da pretensão punitiva prevista na Lei nº 8.112, de 1990,
importante consignar a seguinte dica:

#ficadica

Conforme expressa disposição legal, os prazos de prescrição previstos na lei penal se aplicam
às infrações disciplinares capituladas também como crime.

Vejamos, então, os prazos prescricionais para as sanções disciplinares previstos no Estatuto dos Servidores
Públicos Civis da União:

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5 ANOS

•Infrações puníveis com DEMISSÃO, CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA OU


DISPONIBILIDADE E DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO

2 ANOS

•Infrações puníveis com SUSPENSÃO

180 DIAS

•Infrações puníveis com ADVERTÊNCIA

Prazo de Prescrição da Lei Penal

•Infrações disciplinares também capituladas como CRIME

Ocorre que, de acordo com o STJ, para fixação do prazo prescricional da Lei Penal nas situações em que as
infrações disciplinares também são capituladas como crime, deve necessariamente haver apuração na esfera
criminal.

Portanto, é imprescindível que tenha sido proposta denúncia ou ao menos tenha sido instaurado inquérito
policial para apurar o fato.

Caso não esteja sendo apurado o fato na esfera criminal, aplica-se o prazo prescricional de pretensão
punitiva de 5 anos!

Veja, nessa linha, o entendimento do STJ:

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INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA E CRIMINAL. PRAZO PRESCRICIONAL.A Turma reiterou que a


pretensão punitiva da Administração Pública em relação à infração administrativa que
também configura crime em tese somente se sujeita ao prazo prescricional criminal quando
instaurada a respectiva ação penal.Ademais, destacou-se que a regra constante do art. 4º
da Lei n. 9.873/1999 não se aplica às hipóteses em que a prescrição já se haja consumado antes da entrada
em vigor do referido diploma legal. In casu, o tribunal a quo consignou que não houve sequer a abertura
de inquérito policial e que os fatos questionados são anteriores à edição da Lei n. 9.873/1999, motivos
pelos quais, na hipótese, torna-se inaplicável a aplicação da equiparação da prescrição administrativa
penal. Precedentes citados: MS 14.446-DF, DJe 15/2/2011; MS 15.462-DF, DJe 22/3/2011; EDcl no REsp
1.099.647-RS, DJe 15/12/2010, e REsp 1.088.405-RS, DJe 1º/4/2009. REsp 1.116.477-DF, Rel. Min. Teori
Albino Zavascki, julgado em 16/8/2012 (Informativo 502).

Por oportuno, cabe esclarecer o posicionamento do STJ quanto ao termo de início da contagem do prazo
prescricional.

Inicialmente, o STJ seguia a linha de que o termo inicial da contagem do prazo prescricional para a sanção
administrativa era a ciência do fato por qualquer autoridade pública.

Contudo, esse posicionamento evoluiu e, atualmente, em linha com a Lei nº 8.112, de 1990, a posição do STJ
é de que o termo inicial da prescrição é a data do conhecimento do fato pela autoridade competente para
instaurar o PAD.

(Jurisprudências Atuais - entre outros):

1) EDcl no MS 11493/DF (Julgado em 09/05/2018): 2. O termo inicial do lustro prescricional para a


apuração do cometimento de infração disciplinar é a data do conhecimento do fato pela autoridade
competente para instaurar o Processo Administrativo Disciplinar. A contagem da prescrição interrompe-
se tanto com a abertura de sindicância quanto com a instauração de processo disciplinar. Após o decurso
de 140 dias (prazo máximo conferido pela Lei n. 8.122/90 para conclusão e julgamento do PAD), o prazo
prescricional recomeça a correr integralmente.

2) AgInt no MS 23582/DF (Julgado em 10/11/2017): I - Não se verifica a presença do fumus boni iuris, tendo
em vista que o termo inicial da prescrição é a data do conhecimento do fato pela autoridade competente
para instaurar o Processo Administrativo Disciplinar, o que, ao que tudo indica, teria se dado com o
despacho da Chefe de Divisão de Disciplina e Ética da Corregedoria, em 03/09/2015 (fls. 99), determinando
a remessa à Auditora Fiscal do Trabalho, para análise, e não da ciência por outra autoridade.

3) MS 21669/DF (Julgado em 23/08/2017): 1. O termo inicial da prescrição da pretensão punitiva disciplinar


estatal é a data do conhecimento do fato pela autoridade competente para instaurar o processo
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administrativo disciplinar, a qual se interrompe com a publicação do primeiro ato instauratório válido, seja
a abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar, sendo certo que tal interrupção não é
definitiva, visto que, após o prazo de 140 dias, o prazo recomeça a correr por inteiro.

4) MS 20615/DF (Julgado em 08/03/2017): A Lei 8.112/90, ao versar sobre a prescrição da ação disciplinar
(art. 142), prevê como seu termo inicial a data do conhecimento do fato pela autoridade competente para
instaurar o processo administrativo disciplinar (§ 1º do art. 142), cujo implemento constitui causa
interruptiva (§ 3º do art. 142).

(Jurisprudência superada): DIREITO ADMINISTRATIVO. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO DA


PRETENSÃO PUNITIVA DE AÇÃO DISCIPLINAR. No âmbito de ação disciplinar de servidor
público federal, o prazo de prescrição da pretensão punitiva estatal começa a fluir na data
em que a irregularidade praticada pelo servidor tornou-se conhecida por alguma autoridade
do serviço público, e não, necessariamente, pela autoridade competente para a instauração do processo
administrativo disciplinar. Isso porque, de acordo com o art. 142, § 1º, da Lei 8.112/1990, o prazo
prescricional da pretensão punitiva começa a correr da data em que a Administração toma conhecimento
do fato imputado ao servidor. Ressalte-se que não se desconhece a existência de precedentes desta Corte
no sentido de que o termo inicial da prescrição seria a data do conhecimento do fato pela autoridade
competente para instaurar o PAD. No entanto, não seria essa a melhor exegese, uma vez que geraria
insegurança jurídica para o servidor público, considerando, ademais, que o § 1º, supra, não é peremptório
a respeito. Pressupõe, tão só, a data em que o fato se tornou conhecido. Assim, é patente que o
conhecimento pela chefia imediata do servidor é suficiente para determinar o termo inicial da prescrição,
levando-se em conta, ainda, o art. 143 da mesma lei, que dispõe que "A autoridade que tiver ciência de
irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou
processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa". Precedentes citados do STJ: MS
7.885-DF, Terceira Seção, DJ 17/10/2005; e MS 11.974-DF, Terceira Seção, DJe 6/8/2007. Precedente citado
do STF: RMS 24.737-DF, Primeira Turma, DJ 1º/6/2004. MS 20.162-DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima,
julgado em 12/2/2014 (informativo 543).
Comentários: perceba, portanto, que houve uma mudança de posicionamento no STJ quanto ao termo de
início da precrição.

Não houve qualquer alteração quanto a este se iniciar no conhecimento do fato em detrimento da data do
evento, mas houve evolução na exegese de quem seria a autoridade necessária a tomar conhecimento do
fato para dar início à essa contagem de prazo.

Na jurisprudência mais recente, portanto, o termo de início da contagem de prazo prescricional se dá no


momento em que o fato se torna conhecido pela autoridade competente para a instauração do PAD.

Imprescindível também já abordar o fato relativo à inconstitucionalidade prevista no art. 170 da Lei nº 8.112,
de 1990.

O aludido dispositivo prevê que:

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Art. 170. Extinta a punibilidade pela prescrição, a autoridade julgadora determinará o registro
do fato nos assentamentos individuais do servidor.

Ou seja, de acordo com o texto legal, ainda que prescrita a pretensão punitiva da administração, em função
do curso do lapso temporal relativo à prescrição, ainda assim deveria a autoridade julgadora determinar que
o fato fosse registrado na ficha individual relativa ao histórico funcional do servidor.

A inconstitucionalidade foi declarada incidentalmente pelo STF no MS 23.262 que apresenta a seguinte
ementa:

Constitucional e Administrativo. Poder disciplinar. Prescrição. Anotação de fatos


desabonadores nos assentamentos funcionais. Declaração incidental de inconstitucionalidade
do art. 170 da Lei nº 8.112/90.Violação do princípio da presunção de inocência. Segurança
concedida. 1. A instauração do processo disciplinar interrompe o curso do prazo prescricional
da infração, que volta a correr depois de ultrapassados 140 (cento e quarenta) dias sem que haja decisão
definitiva. 2. O princípio da presunção de inocência consiste em pressuposto negativo, o qual refuta a
incidência dos efeitos próprios de ato sancionador, administrativo ou judicial, antes do perfazimento ou da
conclusão do processo respectivo, com vistas à apuração profunda dos fatos levantados e à realização de
juízo certo sobre a ocorrência e a autoria do ilícito imputado ao acusado. 3. É inconstitucional, por afronta
ao art. 5º, LVII, da CF/88, o art. 170 da Lei nº 8.112/90, o qual é compreendido como projeção da prática
administrativa fundada, em especial, na Formulação nº 36 do antigo DASP, que tinha como finalidade
legitimar a utilização dos apontamentos para desabonar a conduta do servidor, a título de maus
antecedentes, sem a formação definitiva da culpa. 4. Reconhecida a prescrição da pretensão punitiva, há
impedimento absoluto de ato decisório condenatório ou de formação de culpa definitiva por atos
imputados ao investigado no período abrangido pelo PAD. 5. O status de inocência deixa de ser presumido
somente após decisão definitiva na seara administrativa, ou seja, não é possível que qualquer
consequência desabonadora da conduta do servidor decorra tão só da instauração de procedimento
apuratório ou de decisão que reconheça a incidência da prescrição antes de deliberação definitiva de
culpabilidade. 6. Segurança concedida, com a declaração de inconstitucionalidade incidental do art. 170 da
Lei nº 8.112/1990. MS 23262/DF. Ministro Dias Toffoli, 23/04/2014.

Após a declaração de inconstitucionalidade incidental do aludido art. 170 da Lei nº 8.112, de 1990, já houve
decisões do STJ levando esse fato em consideração. Veja:

DIREITO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 170 DA LEI 8.112/1990.

Não deve constar dos assentamentos individuais de servidor público federal a informação
de que houve a extinção da punibilidade de determinada infração administrativa pela
prescrição. O art. 170 da Lei 8.112/1990 dispõe que, "Extinta a punibilidade pela prescrição, a autoridade
julgadora determinará o registro do fato nos assentamentos individuais do servidor". Entretanto, o STF
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declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do referido artigo no julgamento do MS 23.262-DF


(Tribunal Pleno, DJe 29/10/2014). Nesse contexto, não se deve utilizar norma legal declarada
inconstitucional pelo STF (mesmo em controle difuso, mas por meio de posição sufragada por sua
composição Plenária) como fundamento para anotação de atos desabonadores nos assentamentos
funcionais individuais de servidor, por se tratar de conduta que fere, em última análise, a própria CF. MS
21.598-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/6/2015, DJe 19/6/2015.

Por fim, cabe também consignar a decisão do STF que fixou o entendimento de que o Procurador Geral da
República não possui legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança com o objetivo de questionar
decisão que reconheça a prescrição da pretensão punitiva em processo administrativo disciplinar.

MANDADO DE SEGURANÇA. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. PROCEDIMENTO DE


CONTROLE ADMINISTRATIVO. DECRETAÇÃO DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA
DISCIPLINAR CONTRA MAGISTRADA. PRAZO PRESCRICIONAL COMPUTADO CONSOANTE O
ART. 142 DA LEI 8.112/1990. CONDUTA TIPIFICADA COMO CRIME. ALEGADA
DESCONFORMIDADE COM ORDENAMENTO JURÍDICO E A JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. ATUAÇÃO COMO
CUSTOS LEGIS. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. PRECEDENTE. MANDADO DE SEGURANÇA NÃO
CONHECIDO. MS 33736/DF, Ministra Cármen Lúcia, 21/06/2016.

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6. PROCEDIMENTO SUMÁRIO DE APURAÇÃO DISCIPLINAR

Há a possibilidade de instauração de procedimento sumário de apuração disciplinar em 3 casos, quais


sejam:

Acumulação Ilegal de Cargos, Empregos ou Funções


Públicas

Procedimento Sumário de
Abandono de Cargo
Apuração Disciplinar

Inassiduidade Habitual

Vejamos o detalhamento de cada um deles.

6.1. ACUMULAÇÃO ILEGAL DE CARGOS, EMPREGOS OU FUNÇÕES


PÚBLICAS
Tão logo tome conhecimento da acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas, a autoridade
competente deve notificar o servidor, em tese, infrator, a optar por um deles no prazo improrrogável de
10 dias a contar da data da ciência.

Ressalte-se que essa notificação para opção deverá ser realizada por intermédio da chefia imediata do
servidor, em tese, infrator.

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Caso o servidor realize a opção dentro do prazo, restará configurada sua boa-fé, hipótese em que se
converterá automaticamente em pedido de exoneração do outro cargo.

De outro lado, transcorrido o prazo de 10 dias sem que o servidor tenha realizado a opção por um dos
cargos, empregos ou funções públicas, será adotado Procedimento Sumário para apuração e regularização
imediata.

São 3 as fases do Procedimento Sumário, cuja conclusão não poderá superar 30 dias, admitida uma
prorrogação por até 15 dias:

• Publicação do ato de constituição de comissão de apuração, composta por 02


servidores estáveis
• Indicação da autoria com nome e matrícula do servidor
• Indicação da materialidade da transgressão objeto da apuração com a descrição dos
Instauração órgãos ou entidades de vinculação, datas de ingresso, horário de trabalho e o
correspondente regime jurídico

• Indiciação - nesta fase a comissão, em até 3 dias após a publicação do ato que a
constituiu, lavrará termo com a indicação da materialidade e promoverá a citação do
servidor indiciado pessoalmente ou por intermédio de sua chefia imediata
• Defesa - prazo de 5 dias contados da citação, podendo dar vista do processo na
Instrução repartição
Sumária • Relatório - apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à
inocência ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos
autos, opinará sobre a licitude da acumulação em exame, indicará o respectivo
dispositivo legal e remeterá o processo à autoridade instauradora, para julgamento

• A autoridade julgadora tem prazo de 5 dias, contados do recebimento do processo,


Julgamento
para proferir a decisão do Procedimento Sumário

Perceba que a notificação pela autoridade competente para que o servidor realize a opção deve ser feita por
intermédio do chefe, enquanto a citação dele para apresentação de defesa pela Comissão instaurada poderá
ser realizada por intermédio do chefe ou pessoalmente.

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Ademais, achando-se o indiciado em lugar incerto e não sabido, será citado por edital, publicado no Diário
Oficial da União e em jornal de grande circulação na localidade do último domicílio conhecido, para
apresentar defesa cujo prazo será estendido para 15 dias a partir da última publicação do edital.

Por fim, cabe dizer que caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-fé do servidor infrator, será
aplicada a pena de demissão, destituição ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade em relação aos
cargos, empregos ou funções públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese em que os órgãos ou
entidades de vinculação serão comunicados.

6.2. ABANDONO DE CARGO E INASSIDUIDADE HABITUAL


O procedimento sumário também será aplicado no caso de constatação de abandono de cargo ou
inassiduidade habitual.

#ficadica

Lembre-se que:
1) estará caracterizado o abandono do cargo com a ausência intencional do
servidor ao serviço por mais de 30 dias consecutivos; e
2) estará caracterizada a inassiduidade habitual com a falta ao serviço, sem causa justificada, por 60 dias,
interpoladamente, durante o período de 12 meses.

Na indicação da materialidade que consta na fase de instauração do Procedimento Sumário deverá constar
a indicação:

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no caso de abandono do cargo: o período de ausência intencional do


servidor ao serviço superior a 30 dias

caso de inassiduidade habitual: os dias de falta ao serviço


sem causa justificada, por período igual ou superior a 60
dias interpoladamente, durante o período de 12 meses

Realizada a apresentação da defesa pelo servidor acusado de abandono de cargo ou inassiduidade habitual,
a comissão deve elaborar relatório conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, em que
resumirá as peças principais dos autos, indicará o respectivo dispositivo legal, e opinará, na hipótese de
abandono de cargo, sobre a intencionalidade da ausência ao serviço superior a 30 dias e remeterá o processo
à autoridade instauradora para julgamento.

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7. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

O Processo Administrativo Disciplinar, em sentido amplo, é disciplinado no título V da Lei nº 8.112, de 1990,
e inclui a sindicância e o PAD propriamente dito.

Sindicância
Processo Administrativo Disciplinar
lato sensu
Processo Administrativo Disciplinar
stricto sensu - PAD

Isto é, a sindicância e o PAD são dois instrumentos de apuração e execução da pretensão punitiva em âmbito
administrativo.

Neste tópico estudaremos inúmeros temas que despencam em prova, como o afastamento preventivo, as
fases do PAD (instauração, inquérito e julgamento) e a possibilidade de sua revisão.

Vamos em frente porque ainda há bastante coisa para estudarmos na aula de hoje!

7.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS


De acordo com o art. 143 da Lei nº 8.112, de 1990:

Art. 143. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a
promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar,
assegurada ao acusado ampla defesa.
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Portanto, tão logo tenha ciência de infração, ainda que em tese, deve a autoridade competente promover a
sua regular apuração, optando para tanto entre a sindicância ou diretamente pelo PAD, assegurado ao
eventual infrator a ampla defesa e o contraditório.

#ficadica

A sindicância é o procedimento instaurado para:

a) apurar infrações que comportem a pena máxima de suspensão de até 30 dias cuja alçada de decisão é
do chefe da repartição ou outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou regulamento;

b) apurar e elucidar fato cuja gravidade ainda não é adequadamente mensurada, embora se tenha indícios
de sua ocorrência e da necessária punição a ser aplicada pela Administração, podendo posteriormente ser
instaurado o PAD quando se conclua que a penalidade a ser aplicada supera a de suspensão até 30 dias.

Atenção:sempre que a infração praticada ensejar a penalidade de suspensão por mais de 30 dias,
demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será
obrigatória a instauração de PAD.Ou seja, se o fato for de grande gravidade, o PAD poderá ser instaurado
diretamente sem a necessidade de abertura de sindicância para apuração prévia.

Nessa linha, veja a decisão a seguir do STJ:

CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DEMISSÃO DE SERVIDOR PÚBLICOFEDERAL.


IMPUTAÇÃO DE VALIMENTO DO CARGO PARA A CONCESSÃO DEBENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO. ILEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA PENA APLICADA.

1. Questiona-se o ato demissional de servidor público federal acusado de se valer do cargo para deferir e
revisar, à margem da lei, benefício previdenciário à sua companheira. 2. A mera alegação de suspeição ou
impedimento da autoridade que determina a instauração do procedimento administrativo disciplinar não

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é suficiente para inquiná-lo de nulidade. 3. Constitui dever da autoridade pública instaurar, mediante
sindicância ou procedimento administrativo disciplinar, a apuração de infração disciplinar quando tiver
conhecimento da sua prática(Lei nº 8.112/90, art. 143).4. A opção pela realização da sindicância justifica-
se quando há anecessidade de elucidação de fatos que aparentemente constituem infração punível pela
Administração Pública. Entretanto, quando a existência do fato é plenamente caracterizada e a respectiva
autoria é conhecida, a Administração Pública pode optar pela instauração direta do procedimento
administrativo disciplinar. (...)MS 16.031/DF, Ministro Humberto Martins, 26/06/2013.

Além disso, cabe dizer que a apuração deve ser conduzida por autoridade de órgão ou entidade diverso
daquele em que tenha ocorrido a irregularidade, mediante competência específica para tal finalidade,
delegada em caráter permanente ou temporário pelo Presidente da República, pelos presidentes das Casas
do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo Procurador-Geral da República, no âmbito do respectivo
Poder, órgão ou entidade, preservadas as competências para o julgamento que se seguir à apuração.

Perceba que a delegação é apenas para apuração e não para a tomada de decisão e julgamento.

7.2. “DENÚNCIA ANÔNIMA”

Tema dificultoso é a eventual infração que chega a conhecimento da autoridade por meio da coloquialmente
denominada “denúncia anônima”.

Nesse caso, poderá a autoridade instaurar sindicância ou PAD com base em “denúncia anônima”?

Antes de apresentar a resposta para esse questionamento, preliminarmente cabe tecer um breve
comentário sobre a impropriedade técnica do termo “denúncia anônima”.

Tecnicamente, o termo “denúncia” é dado à ação penal pública promovida privativamente pelo Ministério
Público. Ou seja, é a petição inicial do MP em ação penal judicial com fulcro a noticiar e requerer a
condenação pela prática de ato criminoso.

Assim, é inadequada a utilização técnica da expressão “denúncia anônima”. Por isso, é muito comum
encontrar na doutrina e na jurisprudência a utilização de termos adequados tecnicamente, tais como notícia
anônima ou delação apócrifa.
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De acordo com a literalidade da Lei nº 8.112, de 1990, as denúncias realizadas por escrito sobre
irregularidades no serviço público devem ser apuradas, desde que contanham a identificação e o endereço
do denunciante.

Art. 144. As denúncias sobre irregularidades serão objeto de apuração, desde que contenham
a identificação e o endereço do denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada a
autenticidade.

Parágrafo único. Quando o fato narrado não configurar evidente infração disciplinar ou ilícito
penal, a denúncia será arquivada, por falta de objeto.

Portanto, em uma leitura literal do Estatuto do Servidor Público Civil da União, vedada estaria a possibilidade
de apurar fato baseado em “denúncia anônima”.

Ademais, já no art. 5º, inciso IV, da CRFB (é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato),
há a vedação ao anonimato o que corrobora com o texto legal.

Contudo, a Jurisprudência do STF e do STJ tem sopesado a vedação ao anonimato com o poder-dever de
autotutela da Administração Pública para autorizar a apuração e verificação da credibilidade do relato por
apurações preliminares (sindicância ou PAD).

Nesse sentido, podemos apresentar as seguintes decisões:

RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ATO DO MINISTRO


DE ESTADO DA JUSTIÇA. POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL. CASSAÇÃO DA APOSENTADORIA.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO A PARTIR DO RESULTADO DE SINDICÂNCIA QUE
APUROU FATOS NARRADOS EM DENÚNCIA ANÔNIMA.ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO
ART. 134 DA LEI N. 8.112/1990; OFENSA AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
ALEGADA NULIDADE DO PROCESSO E DA PENA APLICADA. INEXISTÊNCIA. RECURSO AO QUAL SE NEGA
PROVIMENTO. RMS 29198/DF. Ministra Cármen Lúcia, 30/10/2012.
MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. DENÚNCIA ANÔNIMA. NULIDADE. NÃO-OCORRÊNCIA.
SEGURANÇA DENEGADA. (...) 2. A denúncia anônima é apta a deflagrar processo
administrativo disciplinar, não havendo, portanto, qualquer ilegalidade na instauração
deste com fundamento naquela, tendo em vista o poder-dever de autotutela imposto à Administração e,
por conseguinte, o dever da autoridade de apurar a veracidade dos fatos que lhe são comunicados.
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Precedentes: MS 13.348/DF; EDcl no REsp1096274/RJ; REsp 867.666/DF; e MS 12.385/DF.3. Segurança


denegada. RMS 10419/DF, Ministra Alderia Ramos de Oliveira, 12/06/2013.

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. DEMISSÃO.


DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ANÔNIMA. NULIDADE. NÃO
OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. INSTÂNCIAS
ADMINISTRATIVA E PENAL. INDEPENDÊNCIA.(...) 4. O processo administrativo disciplinar
não está fundamentado tão somente em denúncia anônima. Extrai-se dos autos que as denúncias
inicialmente recebidas foram objeto de investigação por comissão regularmente constituída, revelando a
prática, pelo demandante, de superfaturamento em contratações de serviços na modalidade de dispensa
de licitação, bem como de apropriação indevida de valores destinados às pequenas empresas, além da falta
de prestação de contas.5. Alegação genérica de violação da presunção de inocência, que se repele em razão
de as instâncias penal e administrativa serem independentes. Assim sendo, a imposição de penalidade pela
Administração Pública, quando comprovado que o servidor praticou ilícito administrativo, prescinde de
anterior julgamento na esfera criminal.6. Segurança denegada. MS 7415/DF, Ministro OG Fernandes,
11/09/2013.

Ou seja, a notícia anônima ou delação apócrifa (“denúncia anônima”) é um elemento informativo e propulsor
de apuração e investigação por parte da autoridade que a recebeu, mas não elemento isolado a ser utilizado
para aplicação direta de penalidade.

7.3. SINDICÂNCIA

Como externado anteriormente, a sindicância poderá ser instaurada em 2 situações, quais sejam:

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para investigação e apuração prévia acerca de infração eventualmente


cometida por servidor cuja dosimetria da pena seja incerta em função
do desconhecimento da completude do evento ocorrido

para aplicação de sanção cuja dosimetria indique a pena de


advertência ou de suspensão de até 30 dias

No primeiro caso, a sindicância funciona como uma investigação preparatória do PAD.

Nessa linha, cabe dizer que da sindicância podem derivar os seguintes resultados:

Arquivamento do Processo

Aplicação de penalidade de Advertência ou de Suspensão até 30


Sindicância
dias

Instauração de PAD

O arquivamento do processo ocorrerá em caso de não ficar demonstrado que houve infração punível no
âmbito administrativo.

Quando da sindicância decorre a aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até 30 dias, sem
a instauração do PAD, diz-se que se tratou de uma sindicância acusatória. Nesse caso, é obrigatório que se
assegure ampla defesa e contraditório.

Por fim, quando da sindicância for instaurado PAD é porque restou configurada a prática de infração grave
cuja sanção poderá ser de suspensão superior a 30 dias, demissão, cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, destituição de cargo em comissão ou de função comissionada.

Nesse caso, diz-se que se tratou de sindicância investigatória e não há obrigatoriedade de atender ampla
defesa e contraditório nessa fase porque o servidor poderá lançar mão desses direitos no fluxo do PAD.

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Nessa linha, veja a jurisprudência a seguir do STJ, bem como a que veda que o servidor que realizou a
sindicância e determinou a instauração do PAD seja a autoridade que aprova o relatório final da comissão
processante:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. OFICIAL DE JUSTIÇA. PENA DECENSURA.


PROCEDIMENTO DE SINDICÂNCIA. OBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA
DEFESA. INEXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE DA DECISÃO. (...) 2. Descabido declarar a nulidade
do processo administrativo se este transcorreu de forma escorreita, tendo sido instaurado
inquérito administrativo por publicação de Portaria destinada a esse fim,apurando-se as denúncias
mediante sindicância investigatória.3. A sindicância constitui fase inicial de apuração, oportunidade em que
apenas se perquire sobre a verossimilhança das imputações, não se fazendo necessária, nesse momento,
a apresentação de defesa.4. Não se verificou cerceamento de defesa no decorrer do processo
administrativo, uma vez que, nos atos que exigiam contraditório e ampla defesa, a recorrente, quando
não assistida por advogado constituído, teve a assistência de defensora dativa.5. Agravo Regimental não
provido. (AgRg nos EDcl no RMS 46.442/PR. Ministro Herman Benjamin, 28/04/2015)
DIREITO ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR (PAD). NULIDADE
POR IMPEDIMENTO DE SERVIDOR.Há nulidade em processo administrativo disciplinar
desde a sua instauração, no caso em que o servidor que realizou a sindicância
investigatória determinou, posteriormente, a abertura do processo disciplinar,
designando os membros da comissão processante. A imparcialidade, o sigilo e a independência
materializam os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, devendo nortear os
trabalhos da comissão que dirige o procedimento administrativo, conforme dispõe o art. 150 da Lei n.
8.112/1990. O art. 18, II, da Lei n. 9.784/1999 prevê o impedimento para atuar em processo administrativo
do servidor ou autoridade que dele tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou
representante. A instauração do PAD envolve, ainda que em caráter preliminar, juízo de admissibilidade,
em que é verificada a existência de indícios suficientes a demonstrar que ocorreu transgressão às regras de
conduta funcional. Por isso, não se pode admitir que o servidor que realizou as investigações e exarou um
juízo preliminar acerca da possível responsabilidade disciplinar do sindicado, considerando patentes a
autoria e materialidade de infração administrativa, determine a instauração do processo administrativo e,
em seguida, aprove o relatório final produzido. Precedente citado: MS 14.135-DF, DJe 15/9/2010. MS
15.107-DF, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 26/9/2012.

CAI NA PROVA

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O concursopara Procurador da Câmara de Sumaré, realizado em 2017 pela banca VUNESP, afirmou
em uma das alternativas de uma das questões da prova que: “A participação do servidor é
indispensável na fase de investigação, ainda que desse procedimento não possa resultar a aplicação
de punição”.

Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a alternativa porque na sindicância investigatória


(aquela da qual não decorre punição direta ao servidor) não há necessidade de participação deste,
por não haver ampla defesa e contraditório. Esses mandamentos constitucionais deverão ser
respeitados em eventual Processo Administrativo Disciplinar em sentido estrito (PAD). Por outro
lado, na sindicância acusatória, da qual poderá decorrer punição direta ao servidor sem a realização
do PAD, é imprescindível a participação do servidor, a ampla defesa e contraditório.

Cabe consignar como dica que o prazo para conclusão da sindicância é de, no máximo, 30 dias prorrogáveis
por igual período.

#ficadica

O prazo para conclusão da sindicância não poderá exceder 30 dias, sendo prorrogável por
igual período, a critério da autoridade superior.

Ressalte-se também que, acordo com o Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União, no caso de o
relatório da sindicância concluir que a infração cometida pelo servidor está capitulada como ilícito penal, a
autoridade competente deverá encaminhar cópia dos autos ao Ministério Público, independentemente da
imediata instauração do processo disciplinar.

Saiba também que os autos da sindicância obrigatoriamente devem integrar o processo disciplinar dela
advindo, como peça informativa da instrução.

7.4. AFASTAMENTO PREVENTIVO COMO MEDIDA ACAUTELATÓRIA


A Lei nº 8.112, de 1990, autoriza que o servidor seja afastado do exercício do cargo pela autoridade
competente pela instauração do PAD, sem prejuízo quanto ao recebimento de remuneração, para não
influenciar na apuração da irregularidade.

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#ficadica

O afastamento cautelar para garantir o escorreito procedimento apuratório somente


poderá ocorrer pelo prazo de até 60 dias, prorrogável por igual período.

Transcorrido o prazo de afastamento, ainda que não finalizado o processo, ocorrerá a cessação dos efeitos
da medida cautelar e o servidor reassumirá suas funções.

Perceba que o prazo para afastamento não é de 60 dias e sim de até 60 dias.

Além disso, o prazo de prorrogação, caso necessário, será por período igual ao concedido inicialmente.

Ou seja, caso tenha sido determinado 30 dias de afastamento, em havendo a prorrogação, necessariamente
ela será de 30 dias.

7.5. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR STRICTO SENSU-


PAD
O ápice de importância da aula de hoje é o estudo do Processo Administrativo Disciplinar em sentido estrito,
referenciado na doutrina e na jurisprudência como PAD.

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PAD é o instrumento destinado a apurar a responsabilidade do servidor por infração praticada no


exercício de suas atribuições ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre
investido.

O PAD também se desenvolve em 3 fases, mas diferentemente do procedimento sumário, a fase


intermediária é denominada inquérito administrativo que, por sua vez, também se subdivide em 3 outras
fases, quais sejam instrução, defesa e relatório (no sumário a fase intermediária é denominada instrução
sumária com indiciação, defesa e relatório).

PAD PROCEDIMENTO SUMÁRIO


1º) Instauração 1º) Instauração
Instrução Indiciação
2º) Inquérito 2º) Instrução
Defesa Defesa
Administrativo Sumária
Relatório Relatório
3º) Julgamento 3º) Julgamento

Veja a seguir um resumo das 3 fases do PAD:

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• Publicação do ato de constituição de comissão de apuração, composta por 03


servidores estáveis
• O Presidente da comissão, escolhido entre os membros, deve ser ocupante de
cargo efetivo superior ou de mesmo nível ou ter grau de escolaridade igual ou
superior ao do indiciado.
Instauração
• O Secretário da comissão será escolhido pelo Presidente, podendo o indicado ser
um dos membros.

• Instrução - a comissão promoverá a tomada de depoimentos, acareações,


investigações e diligências cabíveis, objetivando a coleta de prova, recorrendo,
quando necessário, a técnicos e peritos, de modo a permitir a completa elucidação
dos fatos
• Defesa - prazo de 10 dias contados da citação, podendo dar vista do processo na
Inquérito repartição (havendo 2 ou mais indiciados, o prazo será comum de 20 dias)
Adm. • Relatório - apresentada a defesa, a comissão deve elaborar relatório minucioso e
conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, indicando neste
último caso o dispositivo legal ou regulamentar transgredido e as circuntâncias
agravantes ou atenuates, onde resumirá as peças principais dos autos e
mencionará as provas em que se baseou para formar a sua convicção

• A autoridade julgadora tem prazo de 20 dias, contados do recebimento do


Julgamento processo, para proferir a decisão do PAD

Conforme resumido no diagrama anterior, a apuração do PAD recai sobre uma comissão formada por 3
servidores estáveis designados pela autoridade competente, que já indicará o presidente da comissão.

Para auxiliar nos trabalhos administrativos da comissão (redução a termo da oitiva das testemunhas,
agendamento de reuniões e depoimentos, convocação dos interessados, entre outros), o presidente da
comissão designará um secretário que pode ser um dos outros membros da comissão ou não.

Assim, o presidente da comissão é designado pela autoridade competente, entre os membros da comissão.
Já o secretário é designado pelo presidente da comissão e pode ser, inclusive, uma pessoa de fora da
comissão.

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Todo o trabalho desenvolvido pela comissão deve ser realizado com independência e imparcialidade,
devendo seus membros garantirem o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da
administração.

Na linha de manutenção do sigilo, as reuniões e as audiências das comissões terão caráter reservado

Assim e para prevenir qualquer alegação de conflito de interesse, a Lei nº 8.112, de 1990, veda que parente
até o 3º grau do indiciado participe da comissão.

#ficadica

É proibido integrar comissão de sindicância ou de inquérito, cônjuge, companheiro ou


parente do acusado, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o 3º grau.

Para facilitar seu estudo, a seguir você terá um resumo dos conceitos de parentes em linha reta, colateral ou
transversal, bem como parentes por consanguinidade e por afinidade com base no Código Civil.

De todo modo, fixe que para identificar o grau de parentesco basta contar o número de gerações subindo
de um dos parentes até o ascendente comum (tronco comum na árvore genealógica) e descendo até
encontrar o outro parente a que se quer calcular o grau.

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são as pessoas que estão umas para com as outras na relação


Parentes em linha de ascendentes e descendentes:
reta
Exemplo: Pai/Filho; Avó/Pai; Avó/Filho, entre outros.

são aquelas pessoas provenientes de um só tronco, sem


Parentes em linha descenderem uma da outra e contabilizadas até o 4º grau.
colateral ou
Grau de Parentesco

transversal Exemplo: irmãos – parentes colaterais de 2º grau; tio e sobrinho


– parentes colaterais de 3º grau, entre outros.

como o nome sugere, é o natural e advém da vinculação


Parentesco por sanguínea.
consanguinidade
Exemplo: avós, pais, filhos, irmãos, tios, entre outros.

é aquele relacionado aos parentes do conjugue ou do


companheiro, mas limitado aos ascendentes, descendentes e
Parentesco por aos irmãos do conjugue ou companheiro, sendo que na linha
afinidade reta a afinidade não se extingue mesmo que haja a dissolução
do casamento ou união estável.
Exemplo: uma vez sogra, sempre sogra!

Ainda quanto aos trabalhos da comissão,cabe dizer que as suas reuniões devem ser registradas em atas
para detalhar as deliberações adotadas.

Quanto à fase do inquérito administrativo, frise-se que ela deve respeitar o contraditório e a ampla defesa
do indiciado, com a utilização por este de todos os meios e recursos admitidos em direito.

Assim, é assegurado ao servidor indiciado o direito de acompanhar o processo pessoalmente ou por


intermédio de procurador, bem como de arrolar e reinquirir testemunhas, produzir provas e contraprovas
e formular quesitos, quando se tratar de prova pericial.

Desde já fixe que a Súmula Vinculante nº 5 do STF estabelece que não haver advogado constituído no
Processo Administrativo Disciplinar não o torna inconstitucional.

Cabe ainda dizer que a OAB impetrou um pedido de cancelamento da aludida súmula no STF (PSV 58),
mas o plenário rejeitou o cancelamento em decisão apertada de 6 votos contra 5.

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Súmula Vinculante 5:

A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a
Constituição.

CAI NA PROVA

O concurso para Procurador da Câmara de Sumaré, realizado em 2017 pela banca VUNESP, afirmou
em uma das alternativas de uma das questões da prova que: “A falta de defesa técnica por advogado
no processo administrativo disciplinar ofende a Constituição”.

Comentários: incorreta a assertiva. A assertiva apresenta teor contrário à súmula vinculante nº 5 do


STF: a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a
Constituição.

Ademais, é prerrogativa do presidente da comissão negar requerimentos que sejam meramente


protelatórios, impertinentes ou de nenhum interesse para os esclarecimentos dos fatos.

Inclusive, poderá ser indeferido o pedido de prova pericial, quando a comprovação do fato independer de
conhecimento especial de perito.

Frise-se ainda que todas as testemunhas necessárias à elucidação dos fatos, conforme avaliação dos
membros da comissão, devem ser intimadas a depor mediante mandado expedido pelo presidente da
comissão,devendo a segunda via, com o ciente do interessado, ser anexado aos autos.

Esclareça-se que, caso a testemunha seja servidor público, a expedição do mandado será imediatamente
comunicada ao chefe da repartição onde lotado o servidor, com a indicação do dia e hora marcados para
inquirição.

#ficadica

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A testemunha não pode simplesmente apresentar seu depoimento por escrito à comissão,
devendo a oitiva ser realizada pelos membros da Comissão que reduzirão a termo o
depoimento prestado.

No procedimento de tomada dos depoimentos, o legislador fixou a orientação de que as testemunhas


devem ser inquiridas separadamente, mas havendo contradição ou depoimentos incompatíveis, deverá
ser realizada acareação entre os depoentes.

Ou seja, deverá ser realizada confrontação dos depoimentos na presença dos depoentes que
apresentaram informações contraditórias à Comissão.

Encerrada a fase de inquirição das testemunhas, deve a comissão interrogar o acusado.

Ressalte-se que, havendo dúvida sobre a sanidade mental do acusado, a comissão deve propor à
autoridade competente que o acusado seja submetido a exame por junta médica oficial, da qual participe
pelo menos um médico psiquiatra.

Esse incidente de sanidade mental dever ser processado em auto apartado e apenso ao processo
principal, após a expedição do respectivo laudo pericial.

Cabe dizer também que, havendo mais de um acusado, de modo análogo às testemunhas,
preliminarmente eles devem ser ouvidos separadamente pela comissão, contudo, constatada divergência
em suas declarações sobre fatos ou circunstâncias, também deverá promovida a acareação entre eles.

De acordo com a Lei nº 8.112, de 1990, são assegurados transporte e diárias ao servidor convocado para
prestar depoimento fora da sede de sua repartição, na condição de testemunha, denunciado ou indiciado,
bem como aos membros da comissão e ao secretário, quando obrigados a se deslocarem da sede dos
trabalhos para a realização de missão essencial ao esclarecimento dos fatos.

Ainda quanto ao inquérito administrativo, cabe frisar que se o acusado constituir procurador, poderá este
assistir ao interrogatório e a inquirição das testemunhas, sendo vedada a sua interferência nas perguntas
e respostas.

Por outro lado, é facultado ao procurador reinquirir as testemunhas, desde que por intermédio do
presidente da comissão.

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#ficadica

Encerrada as fases de inquirição das testemunhas e de interrogação dos acusados, caso a


comissão forme convicção de que se encontra tipificada infração disciplinar, deve ser
formulada a indiciação do servidor, com a especificação dos fatos a ele imputados e das
respectivas provas.

Atenção:por meio de mandado expedido pelo presidente da comissão, deve o indiciado ser citado para
apresente defesa escrita no prazo máximo de 10 dias, sendo a este assegurado o direito de dar vistas ao
processo na repartição onde este se encontre.

Cabe dizer que, em caso de recusa do indiciado em dar ciência na cópia da citação, o prazo para defesa
será contado a partir da data declarada em termo próprio pelo membro da comissão que fez a citação,
com a assinatura de 2 testemunhas.

Além disso, sendo desconhecido ou incerto o local do indiciado, deve ele ser citado para, em 15 dias,
apresentar defesa por edital, publicado no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação na
localidade do último domicílio conhecido.

Como já citado no resumo esquematizado do inquérito administrativo, havendo 2 ou mais indiciados, o


prazo para apresentação da defesa escrita será comum a eles e de 20 dias.

Ademais, fixe que o prazo para defesa poderá ser prorrogado pelo dobro, em casos de diligências
reputadas indispensáveis.

#ficadica

O prazo para a defesa no PAD, havendo um só indiciado é de até 10 dias. Por outro lado,
havendo 2 ou mais indiciados, o prazo será comum a eles e de 20 dias.

Atenção 1:o prazo para defesa poderá ser prorrogado pelo dobro.
Atenção 2:sendo desconhecido ou incerto o local do indiciado, deve ele ser citado para, em
15 dias, apresentar defesa por edital, publicado no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação
na localidade do último domicílio conhecido.

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Há um tema polêmico na jurisprudência que é a validade ou não de intimação do acusado mediante


remessa via Correios sendo que o AR foi recebido por terceiro.

Sobre o tema, há duas decisões conflitantes do STJ, uma de 2012 e outra de 2013, sendo que a mais
recente admite a validade.

PROCESSUAL E ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. COMISSÃO


PROCESSANTE. SUSPEIÇÃO DA PRESIDENTE NÃO COMPROVADA. NOMEAÇÃO DE
DEFENSOR DATIVO. AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADE. AMPLA DEFESA ASSEGURADA. (...) 11.
Nesse ponto, deve ser aberto um parênteses para consignar que, assim como ocorre na
esfera judicial, também no Processo Administrativo Disciplinar é de ser reconhecida a validade da
intimação realizada pelo correio, com aviso de recebimento (AR), sendo dispensada a assinatura do aviso
de recebimento pelo próprio destinatário, bastando que reste inequívoca a entrega no seu endereço.EDcl
no MS 17873/DF, Ministro Mauro Campbell Marques, 28/08/2013 (1ª Seção do STJ)
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. ATO DE DEMISSÃO. CIÊNCIA PESSOAL.(...)Ao apreciar o
mérito, entendeu a Min. Relatora que a União não conseguiu comprovar, por meio de
prova manifesta, a efetiva ciência do ora impetrante, por meio de notificação pessoal, do
desarquivamento do processo administrativo disciplinar e do ato de anulação de sua
absolvição. Salientou-se, por conseguinte, que a entrega de telegrama a terceiro não constitui prova
suficiente de que seu destinatário o tenha recebido. Seguindo essa linha de raciocínio, destacou-se
julgado da Corte Especial no sentido de que, na hipótese de citação pelo correio, seria necessária a
entrega da correspondência pessoalmente ao destinatário, sob pena de vício insanável. Assim, diante do
evidente prejuízo suportado pelo impetrante, que não teve assegurados os princípios da ampla defesa e
do contraditório, direitos fundamentais constitucionalmente consagrados, reputou-se necessária a
anulação do ato demissório e, consequentemente, sua notificação pessoal para que se manifeste acerca
da anulação do ato de sua absolvição e da possibilidade de ser aplicada a pena de demissão. Precedente
citado: SEC 1.102-AR, DJe 12/5/2010. MS 14.016-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
29/2/2012. (3ª Seção do STJ)

Importante ressaltar que há previsão de aplicação do instituto da revelia no PAD.

Ou seja, se o indiciado, regularmente citado, não apresentar defesa no prazo, será ele declarado revel por
termo próprio que será anexado aos autos do processo.

Cientificada da revelia, a autoridade instaurada do PAD deve designar um servidor, estável ou não,
ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível ou que tenha nível de escolaridade igual ou
superior ao do indiciado, como defensor dativo.

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Revelia no PAD

caso o indiciado, regulamente citado, não apresente defesa no prazo


legal, deverá ser declarada a sua revelia nos autos do PAD e a autoridade
instauradora deve designar um servidor, ocupante de cargo efetivo
superior ou de mesmo nível ou ter nível de escolaridade igual ou superior
ao do indiciado, como defensor dativo

Frise-se que o defensor dativo deve agir com diligência como se acusado fosse.

#ficadica

O prazo para a conclusão do PAD não excederá 60 dias, contados da data de


publicação do ato que constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por
igual prazo, quando as circunstâncias o exigirem.

Atenção:sempre que necessário, a comissão dedicará tempo integral aos seus trabalhos, ficando seus
membros dispensados do ponto, até a entrega do relatório final.

Por fim, quando do encerramento do inquérito administrativo, o PAD, com o relatório da comissão, deve ser
enviado à autoridade que determinou a instauração para julgamento

A autoridade julgadora tem prazo legal de 20 dias, a partir do recebimento do PAD, para proceder com sua
decisão.
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Perceba, portanto, que o prazo total para conclusão do PAD é de 140 dias: 60 dias iniciais, prorrogáveis
por igual período, mais 20 dias para julgamento.

CAI NA PROVA
O concurso para Procurador do Estado do Paraná, realizado em 2015 pela banca PUC-PR, afirmou
em uma das assertivas de uma das questões da prova que: “O Processo Administrativo Disciplinar –
PAD tem o prazo de 140 dias para conclusão e julgamento, que pode ser prorrogado e suspender o
prazo prescricional para a aplicação da respectiva sanção administrativa.”.

Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque, com base na Lei nº 8.112, de 1990,
o PAD tem prazo total de duração de 140 dias, já sendo levada em consideração a possibilidade de
prorrogação dos 60 dias iniciais. Portanto, com base na lei, não poderá haver mais prorrogação.
Ademais, frise-se que a abertura do PAD interrompe o prazo prescricional, nos termos do art. 142,
§3º, da Lei nº 8.112, de 1990 (a abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar
interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade competente). Lembre-se que,
havendo a interrupção, o prazo começa a recontar do início (por inteiro). Diferentemente da
suspensão, na qual o prazo continua a contar de onde ficou sobrestado (somente o período faltante).

Ressalte-se, contudo, que o julgamento fora do prazo legal não implica nulidade do processo.

Nessa linha, o STJ já decidiu reiteradamente que o excesso de prazo para a conclusão do PAD não gera, por
si só, nulidade do processo.

Caso, entretanto, o servidor demonstre prejuízo fundado e evidenciado em função dessa demora, poderá
assim então macular o PAD.

É muito comum doutrina e jurisprudência utilizarem a expressão francesa “pas de nullité sans grief” para se
referenciar ao brocardo de que não há nulidade sem prejuízo.

Veja jurisprudência do STJ nesse sentido de que o excesso de prazo, em regra, não gera nulidade do PAD, a
menos que demonstrado prejuízo pela parte.

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Súmula 592:

O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa


nulidade se houver demonstração de prejuízo à defesa.

DIREITO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE PREJUÍZO PARA O RECONHECIMENTO DE


NULIDADE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. O excesso de prazo para a
conclusão do processo administrativo disciplinar não gera, por si só, qualquer nulidade no
feito, desde que não haja prejuízo para o acusado. Isso porque não se configura nulidade
sem prejuízo (pas de nulité sans grief). Precedentes citados: MS 16.815-DF, Primeira Seção, DJe 18/4/2012;
MS 15.810-DF, Primeira Seção, DJe 30/3/2012. RMS 33.628-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
2/4/2013.
ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR. DEMISSÃO. ESCREVENTE JUDICIAL. PRÁTICA DE ATOS PARTICULARES EM
NOME DO JUIZADO ESPECIAL. EXCESSO DE PRAZO. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE
PREJUÍZO. RECURSO DESPROVIDO. 1. Esta Corte de Justiça firmou entendimento de que o
excesso de prazo para a conclusão dos trabalhos, quando não trouxer prejuízo ao exercício de defesa do
servidor, não gera nulidade do processo administrativo disciplinar. Precedentes. 2. Hipótese em que a
Comissão Processante foi nomeada em 30/6/2006, ato que marcaria o início do processo administrativo, o
qual se findou com a publicação do ato de demissão, ocorrido em 1º de dezembro de 2009. 3. Não prospera
a alegação de excesso de prazo, já que várias foram as interferências promovidas pelo próprio recorrente,
que acabaram por impedir a tramitação regular do processo disciplinar, na medida em que se recusou a
comparecer para prestar esclarecimentos, assim como, intimado, não apresentou defesa, tendo recusado
a defesa técnica quando nomeada em seu favor, somente vindo a apresentar alegações finais após meses
de delonga. 4. Ademais, não houve demonstração de prejuízo sofrido pelo recorrente, o que faz incidir, na
espécie, o princípio do pas de nullitté sans grief. 5. Recurso em mandado de segurança a que se nega
provimento. RMS 35458/MG, Ministro OG Fernandes, 26/05/2014.

CAI NA PROVA
O concurso para Promotor de Justiça Adjunto do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios,
ocorrido em 2015 e realizado por banca própria, afirmou em uma das assertivas de uma das questões
da prova que: “Em sede de procedimento administrativo, o particular que suscita nulidade de ato
está dispensado de demonstrar prejuízo concreto, dado que é a Administração Pública que não pode
conviver com atos eivados de máculas”.

Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque não se configura nulidade sem
prejuízo (“pas de nullité sans grief”). Nessa linha, o STJ sumulou (592) o entendimento de que o
excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade se
houver demonstração de prejuízo à defesa. Portanto, não está dispensado de demonstrar o efetivo
prejuízo o particular que suscita a nulidade do ato.

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De qualquer forma, havendo a constatação de vício insanável no PAD, a autoridade que determinou a
instauração do processo ou outra de hierarquia superior deve declarar a sua nulidade, total ou parcial, e
ordenar, no mesmo ato, a constituição de outra comissão para instauração de novo processo.

Fixe que não há qualquer impedimento de que a nova comissão seja formada pelos mesmos membros da
comissão anterior.

Uma questão bem interessante que foi tratada pelo STJ é se a obtenção de prova com base em
monitoramento de e-mail corporativo de servidor público configuraria ou não prova ilícita.

Nessa linha, decidiu o STJ que as informações obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de servidor
público não configuram prova ilícita quando relacionadas com aspectos “não pessoais” e de interesse da
Administração Pública e da própria coletividade.

Vejamos as jurisprudências anteriormente citadas, inclusive a decisão do STF pela qual também se fixa o
entendimento de que não há obrigação legal de que o acusado seja intimado para ciência do relatório final
da comissão:

DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE


SEGURANÇA. ATO DO MINSTRO DA FAZENDA. DEMISSÃO DE SERVIDOR PÚBLICO POR ATO DE
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR. NEGATIVA DE PROVIMENTO DO RECURSO. 1. Não há qualquer impeditivo legal
de que a comissão de inquérito em processo administrativo disciplinar seja formada pelos mesmos
membros de comissão anterior que havia sido anulada. 2. Inexiste previsão na Lei nº 8.112/1990 de
intimação do acusado após a elaboração do relatório final da comissão processante, sendo necessária a
demonstração do prejuízo causado pela falta de intimação, o que não ocorreu no presente caso.3. O
acusado em processo administrativo disciplinar não possui direito subjetivo ao deferimento de todas as
provas requeridas nos autos, ainda mais quando consideradas impertinentes ou meramente protelatórias
pela comissão processante (art. 156, §1º, Lei nº 8.112/1990). 4. A jurisprudência desta Corte admite o uso
de prova emprestada em processo administrativo disciplinar, em especial a utilização de interceptações
telefônicas autorizadas judicialmente para investigação criminal. Precedentes. 5. Recurso ordinário a que
se nega provimento. RMS 28774/DF, Ministro Roberto Barroso, 22/09/2015.

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DIREITO ADMINISTRATIVO. MONITORAMENTO DE E-MAIL CORPORATIVO DE SERVIDOR


PÚBLICO.As informações obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de servidor
público não configuram prova ilícita quando atinentes a aspectos não pessoais e de
interesse da Administração Pública e da própria coletividade, sobretudo quando exista, nas
disposições normativas acerca do seu uso, expressa menção da sua destinação somente para assuntos e
matérias afetas ao serviço, bem como advertência sobre monitoramento e acesso ao conteúdo das
comunicações dos usuários para cumprir disposições legais ou instruir procedimento administrativo.No
que diz respeito à quebra do sigilo das comunicações telemáticas, saliente-se que os dados são objeto de
proteção jurídica. A quebra do sigilo de dados telemáticos é vista como medida extrema, pois restritiva de
direitos consagrados no art. 5º, X e XII, da CF e nos arts. 11 e 21 do CC. Não obstante, a intimidade e a
privacidade das pessoas, protegidas no que diz respeito aos dados já transmitidos, não constituem direitos
absolutos, podendo sofrer restrições, assim como quaisquer outros direitos fundamentais, os quais,
embora formalmente ilimitados - isto é, desprovidos de reserva -, podem ser restringidos caso isso se revele
imprescindível à garantia de outros direitos constitucionais. No caso, não há de se falar em indevida
violação de dados telemáticos, tendo em vista o uso de e-mail corporativo para cometimento de ilícitos.A
reserva da intimidade, no âmbito laboral, público ou privado, limita-se às informações familiares, da vida
privada, política, religiosa e sindical, não servindo para acobertar ilícitos. Ressalte-se que, no âmbito do
TST, a temática já foi inúmeras vezes enfrentada (TST, RR 613/2000-013-10-0, DJe 10/6/2005). RMS 48.665-
SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 15/9/2015, DJe 5/2/2016.

CAI NA PROVA
O concurso para Promotor de Justiça do Ministério Público do Acre ocorrido em 2014 e realizado
pela banca CESPE, apresentou em uma das alternativas de uma das questões da prova que: “Não é
obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações finais após o relatório final de
processo administrativo disciplinar”.

Comentários: correta a assertiva. Correta a assertiva que está em linha com o posicionamento do
STF no julgamento do RMS 28774, no qual foi firmado o entendimento de que inexiste previsão na
Lei nº 8.112/1990 de intimação do acusado após a elaboração do relatório final da comissão
processante.

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Caso a comissão, em seu relatório final, pugne pela inocência do servidor, a autoridade instauradora
determinará o arquivamento do PAD, exceto se for flagrantemente contrária à prova dos autos.

De outro lado, havendo sanção a ser aplicada, a autoridade instauradora a aplicará se dentro de sua alçada.
Caso a sanção supere a alçada da autoridade que instaurou o PAD, este deverá ser encaminhado à autoridade
competente.

Além disso, havendo uma pluralidade de indiciados e uma diversidade de sanções a serem aplicadas, o
julgamento compete à autoridade que puder impor a pena mais grave.

De acordo com a Lei nº 8.112, de 1990, salvo quando contrariar prova constante no PAD, o julgamento
acatará o relatório da comissão.

Neste caso de contrariedade à prova dos autos, poderá a autoridade julgadora, desde que motivadamente,
agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou isentar o servidor de responsabilidade.

Veja jurisprudência do STJ que afirma que a autoridade julgadora não está atrelada às conclusões propostas
pela comissão, podendo delas discordar, desde que de forma motivada.

Aproveito também para inserir jurisprudência que veda a anulação da pena anterior já cumprida para aplicar
nova pena mais gravosa ao servidor com base no mesmo fato (reformatio in pejus após o encerramento do
PAD anterior).

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO


DISCIPLINAR. RELATÓRIO DA COMISSÃO PROCESSANTE. RECONHECIMENTO DA
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. INFRAÇÃO CAPITULADA COMO PASSÍVEL DE
DEMISSÃO. ENCAMINHAMENTO DOS AUTOS AO MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA.
ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO. (...) 4. A comissão que preside o
inquérito administrativo não pode se sobrepor à autoridade julgadora, aplicando de imediato as conclusões
propostas em seu relatório, ao reconhecer a prescrição da pretensão punitiva, pois não ostenta função
judicante. 5. A autoridade julgadora não está atrelada às conclusões propostas pela comissão, podendo

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delas discordar, motivadamente, quando o relatório contrariar a prova dos autos, nos termos do art. 168
da Lei n.º 8.112/90. 6. Mandado de segurança denegado. (MS 16174/DF, Ministro Castro Meira,
17/02/2012).

MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. PROCESSO


ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. CUMPRIMENTO DA PENA DE SUSPENSÃO POR TRINTA
DIAS, CONVERTIDA EM MULTA (ART. 130, § 2º, DA LEI 8.112/90). POSTERIOR REVISÃO DO
PROCESSO. APLICAÇÃO DA PENA DE DEMISSÃO PELOS MESMOS FATOS. OCORRÊNCIA DE
REFORMATIO IN PEJUS. SEGURANÇA CONCEDIDA. 1. Discussão acerca da possibilidade de anulação parcial
de processo findo, com sanção já cumprida, para aplicação de penalidade de demissão pelos mesmos
fatos. 3. O que se tem aqui é anulação de processo findo, com sanção já cumprida, ou seja, uma revisão
com reformatio in pejus, a qual está em sentido contrário à jurisprudência do STJ que proíbe o agravamento
da penalidade imposta a servidor, após o encerramento do respectivo processo disciplinar, com o
julgamento definitivo pela autoridade competente, como no caso dos autos em que já tinha sido cumprida
a pena de suspensão, convertida em multa, quando veio nova reprimenda (demissão). Dentre outros
precedentes: MS 11.554/DF, Rel. Ministro Og Fernandes, Terceira Seção, DJe 01/10/2013; MS 17.370/DF,
Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Seção, DJe 10/09/2013; MS 10.950/DF, Rel. Ministro Og
Fernandes, Terceira Seção, DJe 01/06/2012. 4. Incide, na espécie, o verbete sumular n. 19/STF: "[é]
inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo em que se fundou a
primeira". 5. Segurança concedida para anular as Portarias n. 1.511 e 1.512, publicadas no D.O.U de 15 de
fevereiro de 2006, do Ministro da Integração Nacional, e, por conseguinte, determinar a reintegração dos
impetrantes no cargo que ocupavam antes da demissão, com repercussão financeira a partir da
impetração. MS 11749/DF, Ministro Benedito Gonçalves, 11/06/2014.
Súmula 19:

É inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo em que se


fundou a primeira.

CAI NA PROVA
O concursopara Promotor de Justiça do Ministério Público do Acre, ocorrido em 2014 e realizado
pela banca CESPE, apresentou a seguinte afirmação em um das alternativas de uma das questões da
prova: “No processo administrativo disciplinar, quando o relatório da comissão processante for
contrário às provas dos autos, não se admite que a autoridade julgadora decida em sentido diverso
do indicado nas conclusões da referida comissão, mesmo que o faça motivadamente”.

Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta porque, de acordo com o §único do art. 168 da Lei nº
8.112, de 1990, quando o relatório da comissão contrariar as provas dos autos, a autoridade

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julgadora poderá, motivadamente, agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou isentar o servidor


de responsabilidade.

Ressalte-se que se a infração administrativa também tipificar crime, além das providências próprias no
âmbito administrativo, o processo disciplinar obrigatoriamente também deverá ser remetido ao Ministério
Público para a devida instauração da ação penal.

Outro ponto importante e que merece destaque, já que recorrentemente é cobrado em prova, é a previsão
do art. 172 da Lei nº 8.112, de 1990:

Art. 172. O servidor que responder a processo disciplinar só poderá ser exonerado a pedido, ou
aposentado voluntariamente, após a conclusão do processo e o cumprimento da penalidade,
acaso aplicada.

Pela literalidade do dispositivo, o servidor que estiver respondendo a um PAD deveria aguardar a decisão
final do processo e o cumprimento da penalidade, caso aplicada, para somente após poder ser exonerado a
pedido ou aposentado voluntariamente.

Contudo, essa não é a posição da jurisprudência que caminha no sentido de que, caso não respeitado prazo
razoável para conclusão do PAD, não seria legítimo não deferir eventual pedido de aposentadoria
voluntária.

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AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. AUSÊNCIA DE


PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. SERVIDOR PÚBLICO. PENDÊNCIA DE PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. DEFERIMENTO DE APOSENTADORIA AO SERVIDOR.
POSSIBILIDADE. CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA. CABIMENTO. 1. Este Superior Tribunal de
Justiça pacificou o entendimento, cristalizado no enunciado da Súmula 211/STJ, segundo o
qual a mera oposição de embargos declaratórios não é suficiente para suprir o requisito do
prequestionamento, sendo indispensável o efetivo exame da questão pelo acórdão objurgado.
Precedentes. 2. Não sendo observado prazo razoável para a conclusão do processo administrativo
disciplinar, não há falar em ilegalidade, à luz de uma interpretação sistêmica da Lei nº 8.112/90, do
deferimento de aposentadoria ao servidor. Com efeito, reconhecida ao final do processo disciplinar a
prática pelo servidor de infração passível de demissão, poderá a Administração cassar sua aposentadoria,
nos termos do artigo 134 da Lei nº 8.112/90.AgRg no REsp 916290/SC, Ministra Maria Thereza de Assis
Moura, 26/10/2010.
ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE
APOSENTADORIA VOLUNTÁRIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR.
EXTRAPOLAÇÃO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. ART. 172 DA LEI N. 8.112/90.
INAPLICABILIDADE. 1. O acórdão recorrido encontra-se em consonância com o
entendimento jurisprudencial firmado por esta Corte de Justiça, no sentido de que, em
caso de inobservância de prazo razoável para a conclusão do processo administrativo disciplinar, inexiste
ilegalidade na concessão do pedido de aposentadoria do servidor. 2. Agravo regimental improvido. AgRg
no REsp 1177994/DF, Ministro Nefi Cordeiro, 22/09/2015.

7.6. REVISÃO DO PAD


Como último tema da aula de hoje, nós trataremos do procedimento de revisão do Processo Administrativo
Disciplinar.

Prevê o Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União que o PAD poderá ser revisto, a qualquer tempo, de
ofício ou a pedido, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias hábeis a justificar a inocência do servidor
eventualmente punido ou a inadequação da pena aplicada, que não foram apreciados no processo originário.

Cabe ao requerente o ônus de provar o alegado, não sendo justificativa para revisão a mera alegação de
injustiça da penalidade aplicada.

Frise-se que qualquer pessoa da família do servidor poderá requerer a revisão, em caso de falecimento deste,
ausência ou desaparecimento. Pode também o curador requerer a revisão do PAD em nome do servidor com
incapacidade mental.

Além disso, cabe dizer que o pedido de revisão deve ser dirigido ao Ministro de Estado ou autoridade
equivalente na estrutura do respectivo órgão, contendo dia e hora para a produção de provas e inquirição
das testemunhas que arrolar.

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Assim, desde que autorizada a revisão, o pedido será encaminhado ao dirigente do órgão ou entidade onde
se originou o PAD para constituição de comissão de apuração que seguirá o rito ordinário deste
procedimento.

Ressalte-se que o Processo Administrativo Disciplinar originário deve ser mantido como apenso ao processo
revisional.

#ficadica

A comissão revisora terá 60 dias para conclusão dos trabalhos e a autoridade julgadora
20 dias para a tomada de decisão.

Atenção:do PAD revisional não poderá resultar agravamento de penalidade.

Julgado procedente o PAD Revisional, a penalidade anterior eventualmente aplicada se tornará sem efeito,
restabelecendo-se todos os direitos do servidor, exceto em relação à destituição do cargo em comissão, que
será convertida em exoneração.

Importante ressaltar, por fim, que a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que o controle jurisdicional
do PAD se restringe ao exame da regularidade do procedimento e da legalidade do ato, à luz dos princípios
do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, sendo vedado ao Poder Judiciário adentrar ao
mérito administrativo do processo de convencimento.

Veja algumas jurisprudências do STJ nesse sentido:

"É firme o entendimento no âmbito do Supremo Tribunal Federal e desse Superior Tribunal
de Justiça no sentido de que o mandado de segurança não é a via adequada para o exame
da suficiência do conjunto fático-probatório constante do Processo Administrativo
Disciplinar - PAD, a fim de verificar se o impetrante praticou ou não os atos que foram a ele
imputados e que serviram de base para a imposição de penalidade administrativa, porquanto exige prova
pré-constituída e inequívoca do direito líquido e certo invocado. O controle jurisdicional do PAD restringe-
se ao exame da regularidade do procedimento e a legalidade do ato, à luz dos princípios do contraditório,
da ampla defesa e do devido processo legal, sendo-lhe defesa qualquer incursão no mérito
administrativo, a impedir a análise e valoração das provas constantes no processo disciplinar" (MS

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16.121/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 25/02/2016, DJe
06/04/2016).

4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, "a discussão sobre o alcance e a
consistência das provas que serviram de base à conclusão adotada pela comissão
processante revela-se inadequada à via estreita do mandado de segurança - que exige prova
pré-constituída e inequívoca do direito líquido e certo invocado -, sendo certo, outrossim,
que o controle jurisdicional dos processos administrativos restringe-se à regularidade do procedimento, à
luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, sem análise do mérito
administrativo" (MS 16.530/DF, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 30/06/2011; MS
17.515/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 03/04/2012)

CAI NA PROVA
O concurso para Procurador da Câmara de Sumaré, realizado em 2017 pela banca VUNESP, afirmou
em uma das alternativas de uma das questões da prova que: “Em respeito ao princípio da
inafastabilidade da jurisdição, o ato disciplinar pode ser analisado pelo Poder Judiciário, que deverá
aplicar pena mais branda, quando cabível”.

Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a alternativa porque a jurisprudência firmada pelo STJ
é no sentido de que o controle jurisdicional do PAD restringe-se ao exame da regularidade do
procedimento e à legalidade do ato, à luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa e do
devido processo legal, sendo-lhe defesa qualquer incursão no mérito administrativo, a impedir a
análise e valoração das provas constantes no processo disciplinar (MS 17474; MS16121; MS 16530;
MS 17515).

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8. QUESTÕES DE CONCURSOS ANTERIORES

8.1 – LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS

1. (2019/FUNDEP/DPE-MG/Defensor Público) Analise as afirmativas a seguir.


I. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é permitida a instauração de processo
administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, desde que devidamente motivada e com amparo
em investigação ou sindicância.
PORQUE
II. À administração se impõe o poder-dever de autotutela.
A respeito dessas afirmativas, assinale a alternativa correta.
A) As afirmativas I e II são verdadeiras, mas a II não justifica a I.
B) As afirmativas I e II são verdadeiras e a II justifica a I.
C) A afirmativa I é verdadeira e a II é falsa.
D) A afirmativa I é falsa e a II é verdadeira.

2. (2018/VUNESP/TJ-MT/Juiz Substituto) A respeito do processo administrativo disciplinar, é correto afirmar


que
(A) a ação disciplinar prescreverá em um quinquênio, contado da data em que ocorreu o fato tipificado como
crime ou da data em que a prática do fato tipificado como crime tornou-se conhecida.
(B) no Estado de Mato Grosso, não se admite aplicação da sanção de cassação de aposentadoria aos
servidores estaduais porque não prevista expressamente no seu estatuto funcional, embora a jurisprudência
seja pacífica quanto à constitucionalidade dessa sanção administrativa.
(C) na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos
que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes
funcionais.
(D) a responsabilidade disciplinar do servidor será afastada no caso de absolvição criminal por ausência de
prova suficiente para a condenação.
(E) se aplicam os princípios da autotutela administrativa e da supremacia do interesse público, de sorte que,
verificada a existência de vício insanável, antes de decidir, a autoridade julgadora declarará a nulidade total
do processo e, no mesmo ato, interrompe-se o prazo prescricional da ação disciplinar.
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3. (2017/CESPE/DPE-AC/Defensor Público) Em razão da prática de infração disciplinar tipificada como crime,


foi instaurado procedimento administrativo disciplinar em desfavor de determinado servidor público, o
qual já responde à ação penal relacionada aos mesmos fatos.

Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta, de acordo com a jurisprudência dos tribunais
superiores sobre o assunto.
a) A independência das esferas administrativa e criminal não permite que a efetivação de penalidade de
demissão imposta em sede administrativa ocorra anteriormente ao trânsito em julgado da ação penal.
b) É aceita a utilização de prova emprestada no procedimento administrativo disciplinar em curso, desde que
autorizada pelo juiz criminal e respeitados o contraditório e a ampla defesa.
c) A absolvição criminal fundada na inocorrência de crime impede a imposição de penalidade em sede do
procedimento administrativo disciplinar.
d) A condenação criminal impõe a aplicação da penalidade administrativa em sede de procedimento
disciplinar, independentemente da regularidade do procedimento administrativo instaurado.

4. (2017/CESPE/DPU/Defensor Público) Considerando o entendimento do STJ acerca do procedimento


administrativo, da responsabilidade funcional dos servidores públicos e da improbidade administrativa,
julgue o seguinte item.

Em procedimento disciplinar por ato de improbidade administrativa, somente depois de ocorrido o trânsito
em julgado administrativo será cabível a aplicação da penalidade de demissão.

( ) Certo ( ) Errado

5. (2017/VUNESP/Câmara de Sumaré – SP/Procurador Jurídico) A respeito do processo administrativo


disciplinar, assinale a alternativa correta.

a) A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar ofende a Constituição.
b) O uso de prova decorrente de interceptação telefônica é vedado no processo administrativo disciplinar,
mesmo que obtida licitamente no processo criminal.
c) A participação do servidor é indispensável na fase de investigação, ainda que desse procedimento não
possa resultar a aplicação de punição.
d) Em respeito ao princípio da inafastabilidade da jurisdição, o ato disciplinar pode ser analisado pelo Poder
Judiciário, que deverá aplicar pena mais branda, quando cabível.

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e) É vedado o agravamento de penalidade imposta a servidor público após o encerramento de processo


disciplinar por decisão definitiva da autoridade competente, ainda que a Administração tenha aplicado pena
mais branda em desconformidade com a lei.

6. (2017/QUADRIX/CFO-DF/Procurador Jurídico) No que se refere a agentes públicos, julgue o item a seguir.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) não admite a utilização de prova emprestada no processo administrativo
disciplinar, mesmo que autorizada na esfera criminal diante do princípio da independência das instâncias.

( ) certo ( ) errado

7. (2017/CESPE/DPU/Defensor Público) Considerando o entendimento do STJ acerca do procedimento


administrativo, da responsabilidade funcional dos servidores públicos e da improbidade administrativa,
julgue o seguinte item.

É possível a instauração de procedimento administrativo disciplinar com base em denúncia anônima.

( ) certo ( ) errado

8. (2015/VUNESP/Prefeitura de Suzano/Procurador Jurídico) No que se refere a agentes públicos, julgue o


item a seguir.

Fulano da Silva, funcionário público municipal, detentor de cargo efetivo, praticou ato considerado ilícito nas
esferas criminal e administrativa. A sentença penal, transitada em julgado, negou a existência do fato e
absolveu Fulano. Considerando as normas do direito pátrio no que tange ao tema da responsabilidade dos
agentes públicos, é correto afirmar que Fulano
a) poderá ainda ser punido administrativamente, uma vez que essas duas instâncias são independentes e
não se comunicam.
b) não mais poderá ser punido pela Administração, tendo em vista que a referida decisão penal de absolvição
do servidor afasta a responsabilidade administrativa.
c) poderá ser punido pela Administração, posto que a responsabilidade administrativa somente poderia ser
afastada se a sentença criminal negasse a autoria do fato.
d) não mais poderá ser punido, uma vez já julgado na esfera penal, independentemente do fundamento, vez
que esta prevalece sobre as demais esferas de responsabilidade.
e) poderá ser ainda punido pela Administração, considerando que a absolvição criminal que negou a
existência do fato não vincula o administrador.

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9. (2015/CESPE/AGU/Advogado da União) No que se refere a agentes públicos, julgue o item a seguir.

Se, em uma operação da Polícia Federal, um agente público for preso em flagrante devido ao recebimento
de propina, e se, em razão disso, houver ajuizamento de ação penal, um eventual processo administrativo
disciplinar deverá ser sobrestado até o trânsito em julgado do processo criminal.
( ) certo ( ) errado

10. (2015/UEPA/PGE-PA/Procurador) Quanto ao regime disciplinar do servidor público e processo


administrativo, afirma-se que:

I. É punido com demissão a ofensa física praticada em serviço por servidor a outro servidor ou a particular,
ainda que em legítima defesa.

II. As penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados após o decurso de 5 anos
de efetivo exercício.

III. O cancelamento da penalidade aplicada não surtirá efeitos retroativos.

IV. A revelação de segredo por servidor do qual se apropriou em razão do cargo é falta punida por demissão.

A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é:


a) I e IV
b) II e III
c) III e IV
d) II e IV
e) I, II, III e IV

11. (2015/CESPE/MPU/Analista do MPU) Em cada um dos próximos itens, é apresentada uma situação
hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada com base no que dispõe a Lei n.º 8.112/1990.

João, servidor público federal, atuou, junto à repartição pública competente, como intermediário da
concessão de determinado benefício previdenciário do qual o seu pai figura como titular. Nessa situação,
conforme o disposto na Lei n.º 8.112/1990, João praticou conduta vedada pela norma regente.

( ) certo ( ) errado

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12. (2015/FCC/CNMP/Analista-Direito) Considere as seguintes situações:

I. Rovanilda, servidora pública federal, mantinha sob sua chefia imediata, em função de confiança, seu irmão,
Rivaildo.
II. Renata, servidora pública federal, aceitou comissão de estado estrangeiro.

Nesses casos, de acordo com a Lei no 8.112/90, considerando as condutas praticadas, bem como que ambas
são servidoras primárias, sem processo administrativo disciplinar anterior, Rovanilda e Renata estão sujeitas
às penas de
a) suspensão de até sessenta dias.
b) advertência e suspensão, respectivamente.
c) suspensão de até trinta dias.
d) advertência e demissão, respectivamente.
e) demissão.

13. (2015/FUNDATEC/PGE-RS/Procurador do Estado) Assinale a alternativa INCORRETA.


a) A absolvição do servidor público na esfera penal, por falta de provas, não impede a sua punição, em sede
administrativa, pelos mesmos fatos.
b) A condenação do servidor público na esfera penal vincula a Administração Pública, quanto à autoria e à
materialidade dos fatos, para fins de aplicação da sanção administrativa.
c) A absolvição do servidor público, por atipicidade do fato, não impede a sua punição, em sede
administrativa, pelo mesmo fato.
d) A absolvição do servidor público, por estar provado que o réu não concorreu para a infração penal, não
impede a sua punição, em sede administrativa, pelo mesmo fato.
e) Pela falta residual, não compreendida na sentença absolutória criminal, é admissível a punição
administrativa do servidor público.

14. (2014/CESPE/PGE-PI/Procurador do Estado) Um servidor, vinculado à administração pública unicamente


por cargo em comissão, cometeu infração administrativa e, após regular processo administrativo
disciplinar, a autoridade julgadora, concordando com o relatório final da comissão processante, entendeu
que a falta se enquadrava nas hipóteses de suspensão.

Nesse caso, nos termos da Lei n.º 8.112/1990, a penalidade a ser aplicada ao servidor será
a) a exoneração de ofício.
b) a destituição do cargo em comissão.
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c) a demissão.
d) a suspensão.
e) o desligamento.

15. (2014/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) As funções de confiança, exercidas exclusivamente por


servidores ocupantes de cargos efetivos, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de
carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições
de direção, chefia e assessoramento.

( ) certo ( ) errado.

16. (2014/VUNESP/Prefeitura de Poá/Procurador Jurídico) No tocante à responsabilidade dos agentes


públicos, na hipótese do servidor público cometer infração considerada, ao mesmo tempo, ilícito
administrativo e ilícito penal, é correto afirmar que
a) a absolvição judicial que nega a existência do fato ou afasta do acusado a respectiva autoria, repercute na
esfera administrativa.
b) a decisão judicial proferida no processo penal repercutirá na esfera administrativa, independentemente
de qual seja o conteúdo da decisão.
c) a decisão judicial em processo penal não repercute de forma alguma na esfera administrativa.
d) se o servidor público for condenado na esfera criminal, nada impede que seja absolvido em âmbito
administrativo, tendo em vista a incomunicabilidade de instâncias.
e) se houver absolvição do servidor público no processo criminal por falta de provas, ele deve também ser
absolvido na esfera administrativa.

17. (2017/CESPE/TRE-TO/Analista Judiciário) João delegou a Maria, sua esposa e pessoa estranha à repartição
pública onde ele exerce suas funções, o desempenho das atribuições de sua responsabilidade. Descoberto,
João sofreu um processo administrativo disciplinar, que resultou em sua condenação à penalidade de
advertência. Três meses após o trânsito em julgado do procedimento administrativo, João recusou fé a
documento público.

Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei n.º 8.112/1990, João está sujeito à pena de

a) suspensão de até noventa dias.


b) suspensão de até cento e vinte dias.
c) suspensão de até cento e oitenta dias.
d) repreensão verbal.

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e) demissão.

18. (20172017/CESPE/TRE-TO/Analista Judiciário) Após a conclusão de processo administrativo disciplinar


contra servidor público federal, a autoridade pública que tem atribuições legais para editar ato punitivo,
suspendeu o servidor por cento e vinte dias.

Nessa situação hipotética, o ato de suspensão do servidor por cento e vinte dias é nulo por vício de

a) forma.
b) finalidade.
c) objeto.
d) motivo.
e) competência.

19. (2017/CONSULPLAN/TRE-RJ/Analista Judiciário) Quanto às normas aplicáveis aos servidores, assinale a


alternativa que apresenta uma interpretação juridicamente correta.

a) O servidor federal que desviar recursos públicos é punido nos moldes da lei de improbidade
administrativa, em prejuízo da lei do regime jurídico dos servidores, devido à gravidade dos ilícitos.
b) Embora a lei do processo administrativo estabeleça o direito de ampla defesa e contraditório, nas ações
de improbidade administrativa, devido à gravidade dos ilícitos, referido direito é sobrestado.
c) O prazo para apresentação de recursos no âmbito dos processos administrativos federais é, em regra, de
dez dias, todavia, quando se tratar de processo administrativo disciplinar, o prazo para recorrer é de trinta
dias.
d) No processo disciplinar sumário, a comissão processante é formada por até dois servidores estáveis,
enquanto que no processo disciplinar comum ou ordinário, a comissão deve ser composta de três servidores
estáveis.

20. (2017/CESPE/TRF - 1ª REGIÃO/Analista Judiciário) Considerando o Código de Conduta do Conselho da


Justiça Federal de Primeiro e Segundo Graus, as regras para provimento de cargos públicos, direitos e
vantagens bem como o regime disciplinar dos servidores públicos, julgue o item a seguir.

Situação hipotética: Em 2015, Joaquim, servidor público federal, aposentou-se voluntariamente. Em 2016,
comprovou-se que Joaquim, em 2015, ainda no exercício de suas funções, havia cometido ato de
improbidade administrativa. Assertiva: Nessa situação, a aposentadoria de Joaquim deverá ser cassada.

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( ) Certo ( ) Errado

21. (2017/CESPE/TRE-TO/Analista Judiciário – ADAPTADA) Assinale a opção correta a respeito da comissão


responsável por conduzir o processo disciplinar relativo à apuração de responsabilidade de servidor por
suposta infração praticada no exercício de suas atribuições.

a) Se um dos integrantes da comissão for primo do indiciado, ele deverá ser substituído, sob pena de nulidade
dos atos da comissão.
b) O presidente da comissão deve ser necessariamente servidor ocupante de cargo de nível superior ao da
pessoa indiciada.
c) Sempre que necessário, os integrantes da comissão ficarão dispensados do ponto até a entrega do
relatório final.
d) Deverá ser designado como secretário o servidor mais antigo no cargo em relação aos outros dois
integrantes da comissão.
e) As reuniões e as audiências da comissão terão caráter público, sob pena de nulidade dos atos.

22. (2017/CESPE/TRF - 1ª REGIÃO/Analista Judiciário) Com base na Lei n.º 8.112/1990 e no regime jurídico
aplicável aos agentes públicos, julgue o item a seguir.

A destituição de servidor de cargo em comissão ou de função comissionada não pode ser aplicada como
penalidade disciplinar.

( ) Certo ( ) Errado

23. (2017/FCC/TRE-PR/Analista Judiciário) No que se refere à prescrição no âmbito da ação disciplinar, a Lei
n° 8.112/1990 estabelece que

a) o prazo prescricional começa a correr da data da ocorrência do fato.


b) a abertura de sindicância não interrompe a prescrição.
c) a instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade
competente.
d) infrações puníveis com demissão são imprescritíveis.
e) prescreve em 2 anos a ação disciplinar quanto às infrações puníveis com suspensão e advertência.

24. (2017/FGV/TRT - 12ª Região (SC)/Analista Judiciário) Alfa, Analista Judiciário do Tribunal Regional do
Trabalho de determinada região, utilizou, pelo período de seis meses, materiais de informática da Vara do
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Trabalho onde estava lotado, em serviços e atividades particulares, para ajudar sua irmã, que estava
montando uma empresa de propaganda e marketing.

De acordo com o regime disciplinar estabelecido na Lei nº 8.112/90, após regular processo administrativo
disciplinar, Alfa está sujeito à pena de:

a) demissão, aplicada pelo Presidente do TRT;


b) suspensão até 180 dias, aplicada pelo Presidente do TRT;
c) suspensão até 90 dias, aplicada pelo Corregedor do TRT;
d) suspensão até 90 dias, aplicada pelo Presidente do TRT;
e) advertência, aplicada pelo Corregedor do TRT. (CF).

25. (2017/FGV/TRT - 12ª Região (SC)/Analista Judiciário) Maria, ocupante do cargo de Analista Judiciário do
Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina, praticou, no exercício da função, crime contra a
Administração Pública. Após regular processo administrativo disciplinar (PAD), em que restaram
comprovados os atos ilícitos praticados, foi aplicada a Maria a pena disciplinar de demissão. A
Administração Pública, então, determinou o imediato cumprimento da penalidade imposta, logo após o
julgamento do PAD, na pendência de julgamento de recurso administrativo, e cessou o pagamento da
remuneração da servidora, bem como a afastou de suas funções. Inconformada, Maria impetrou mandado
de segurança, alegando ilegalidade da execução dos efeitos materiais da pena de demissão enquanto não
houvesse o trânsito em julgado da decisão administrativa.

De acordo com a Lei nº 8.112/90 e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a ordem deve ser:

a) denegada, por aplicação analógica da norma que faculta a autoridade administrativa que preside o PAD,
a qualquer momento, decretar cautelarmente o afastamento do servidor investigado do cargo, com corte
de seus vencimentos;
b) denegada, uma vez que não há ilegalidade no caso em tela, diante do atributo de autoexecutoriedade que
rege os atos administrativos e porque o recurso administrativo, em regra, carece de efeito suspensivo;
c) concedida, pois a servidora impetrante tem o direito líquido e certo ao devido processo legal na tramitação
do PAD, cujos recursos, em qualquer hipótese, têm duplo efeito: suspensivo e devolutivo;
d) concedida, eis que as decisões extremas de aplicação da penalidade de demissão somente produzem
efeitos após o trânsito em julgado da decisão, pelo atributo da imperatividade do ato administrativo;
e) concedida, haja vista que a execução provisória de decisão administrativa de demissão ou cassação de
aposentadoria de servidor público é possível apenas mediante decisão judicial, pelo princípio da
inafastabilidade da jurisdição.

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26. (2017/CESPE/TRE-BA/Analista Judiciário) Após a regular tramitação de processo administrativo disciplinar


instaurado contra servidor público federal, a comissão processante propôs, em relatório, penalidade de
suspensão de sessenta dias.

Nessa situação, segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a autoridade julgadora

a) pode divergir da conclusão do relatório, podendo majorar ou diminuir a penalidade administrativa.


b) pode alterar a capitulação da infração, mas deve manter a penalidade administrativa proposta.
c) deve acatar a conclusão do relatório e aplicar a penalidade administrativa proposta.
d) deve acatar a conclusão do relatório, podendo majorar a penalidade administrativa, mas não diminuí-la.
e) pode divergir da conclusão do relatório, mas não pode diminuir a penalidade administrativa.

27. (2017/FCC/TRT - 21ª Região – RN / Técnico Judiciário) Mateus é servidor público federal classificado em
uma repartição onde há grande movimento de público para atendimento. Aproximando-se a data em que
Mateus completaria o tempo de serviço necessário para aposentadoria, sua chefia imediata identificou
que há tempos ele vinha recebendo montantes em dinheiro de particulares para arquivar processos de
cobrança de multas impostas administrativamente. Foi instaurado procedimento administrativo
disciplinar contra Mateus, mas durante o trâmite das apurações ele veio a requerer sua aposentadoria por
tempo de serviço. Em razão disso,
a) eventual comprovação de autoria da infração, nos autos do processo disciplinar, posteriormente à
aposentadoria do servidor enseja a substituição da pena de demissão pela de cassação de aposentadoria.
b) ficam obstados o processamento e a concessão de sua aposentadoria, já que a infração precedeu a
aquisição do tempo para inatividade, ficando suspensa a contagem de tempo de serviço.
c) o processo administrativo prossegue regularmente e a aposentadoria, ainda que já concedida, fica anulada
no caso de constatação de autoria da infração, aplicando-se a penalidade de demissão.
d) fica extinta sua punibilidade, já que a infração praticada pelo servidor é punida com demissão, que se
tornou inócua diante da aposentadoria do mesmo.
e) comuta-se a pena passível de ser aplicável, passando de demissão para expulsão, independentemente da
conclusão do processo administrativo, hipótese em que ficam interrompidos os pagamentos de proventos
ou de vencimentos.

28. (2017/PR-4 UFRJ/UFRJ/Administração) Marcos Augusto, servidor público federal, investido no cargo de
Contador da UFRJ há 10 (dez) anos, manteve sua esposa sob sua chefia imediata, em cargo de confiança.
Em virtude de tal conduta, foi instaurado processo administrativo disciplinar para apurar violação do art.
117 da Lei nº 8.112/1990, que proíbe o servidor de manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função
de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil. Nos termos da referida lei,
considerando que Marcos Augusto não é reincidente, marque a opção correta quanto à penalidade a ser
aplicada ao servidor:
a) advertência.
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b) demissão.
c) suspensão por 30 (trinta) dias.
d) suspensão por 90 (noventa) dias.
e) exoneração.

29. (2017/PR-4 UFRJ/UFRJ/Técnico) Maria Augusta, servidora investida no cargo de Técnica em Assuntos
Educacionais da UFRJ, após 5 (cinco) anos de efetivo exercício, respondeu, pela primeira vez, a processo
administrativo disciplinar por ter recusado fé a documentos públicos. Após a conclusão do referido
processo, foi aplicada a pena de demissão à servidora. De acordo com a Lei nº 8.112/1990, a pena aplicada
a Maria Augusta:

a) não está correta. Considerando que a servidora não é reincidente, a pena a ser aplicada é a suspensão por
30 (trinta) dias.
b) não está correta. Considerando que a servidora não é reincidente, a pena a ser aplicada é a suspensão por
90 (noventa) dias.
c) não está correta. Considerando que a servidora não é reincidente, a pena a ser aplicada é a advertência.
d) está correta. A lei determina que a pena a ser aplicada é a demissão.
e) não está correta. Considerando que a servidora é estável, a única pena a ser aplicada é a exoneração.

30. (2017/PR-4 UFRJ/UFRJ/Assistente) José Marcos, servidor público federal, investido no cargo efetivo de
Economista da UFRJ há 7 (sete) anos, promoveu manifestação de desapreço no recinto da repartição, fato
que ensejou a instauração de processo administrativo disciplinar.

Nos termos da Lei n° 8.112/1990, considerando que o servidor não é reincidente, é correto afirmar que a
pena a ser aplicada é de:

a) demissão.
b) suspensão por 30 (trinta) dias.
c) suspensão por 90 (noventa) dias.
d) advertência.
e) exoneração.
Assinale a opção correta a respeito da classificação da referida lei e de sua vigência e aplicação.

31. (2017/FCC/TRF - 5ª REGIÃO/Técnico Judiciário) Breno, servidor público ocupante de cargo efetivo, viajou
à Fortaleza a trabalho por alguns dias. Com a proximidade do fim de semana, adiou o retorno para seu
domicílio, permanecendo na cidade por mais dois dias, que custeou pessoalmente no mesmo local de
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hospedagem em que já estava. De volta ao trabalho, pleiteou o recebimento de diárias por todo o período
ausente de seu local de classificação, como forma de ressarcimento pelas despesas de hospedagem e
alimentação. A conduta do servidor

a) é condizente com seus direitos e obrigações, na medida em que tem direito ao recebimento de algumas
vantagens além dos vencimentos, tendo as diárias natureza jurídica indenizatória pelas despesas incorridas.
b) viola os direitos legalmente previstos na Lei n° 8.112/1990, na medida em que não obteve prévia
autorização para permanecer na cidade de deslocamento por mais dois dias, com direito a diárias.
c) pode configurar ato de improbidade, na medida em que intencionalmente buscou indenização por
despesas que não se consubstanciam em fundamento para recebimento de diárias, devidas apenas para os
dias em que estivesse em serviço.
d) configura infração disciplinar e civil, esta sob a modalidade de ato de improbidade, processando-se as
responsabilidades de forma subsequente, iniciando-se pelo processo administrativo que poderá ensejar a
extinção do vínculo funcional, com a aplicação de penalidade de demissão, o que impedirá a condenação por
improbidade.
e) pode ser compatível com a legislação vigente, desde que o servidor demonstre que as despesas de
hospedagem e alimentação no período equivalem ou superam o montante pleiteado a título de diárias, para
que não reste configurado enriquecimento ilícito.

32. (2017/CESPE/TRF - 1ª REGIÃO/Técnico Judiciário) Tendo como referência o Código de Conduta da Justiça
Federal de Primeiro e Segundo Graus, as regras para provimento e vacância de cargos públicos, direitos e
vantagens bem como o regime disciplinar dos servidores públicos, julgue o item a seguir.

Não há vedação para que servidor público que esteja em gozo de licença para tratar de interesse particular
participe da gerência ou administração de sociedade privada.

( ) Certo ( ) Errado

33. (2017/FCC/TRE-PR/Técnico Judiciário) No que se refere ao processo administrativo disciplinar, a Lei n°


8.112/90 estabelece que

a) a denúncia pode ser verbal ou por escrito, sendo vedado o anonimato.


b) o prazo para a conclusão da sindicância é improrrogável.
c) a autoridade instauradora do processo disciplinar deverá determinar o afastamento do servidor do
exercício do cargo como medida cautelar.
d) o processo disciplinar será conduzido por uma comissão, cujas reuniões e audiências serão públicas.
e) é obrigatória a instauração de processo disciplinar sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a
imposição de penalidade de suspensão por mais de 30 dias.
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34. (2017/IF-TO/IF-TO/Administrador) Considerando as normas contidas na Lei nº 8.112/1990, em especial


quanto ao regime disciplinar e às responsabilidades do servidor, assinale a alternativa correta.

a) As sanções civis e penais não poderão cumular-se, pois representaria um bis in idem.
b) A responsabilidade administrativa do servidor não será afastada no caso de absolvição criminal que negue
a existência do fato ou sua autoria.
c) A responsabilidade civil do servidor apenas decorre de atos dolosos que resultem em prejuízo ao erário.
d) A obrigação do servidor de reparar o dano estende-se aos seus sucessores e contra eles será executada,
independentemente do valor da herança recebida.
e) A responsabilidade civil-administrativa do servidor resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no
desempenho do cargo ou função.

35. (2014/CESPE/MPE-AC/Promotor de Justiça) Acerca do entendimento do STJ sobre o processo


administrativo disciplinar, assinale a opção correta.
a) Não é obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações finais após o relatório final de
processo administrativo disciplinar.
b) Não é possível a utilização, em processo administrativo disciplinar, de prova emprestada produzida
validamente em processo criminal, enquanto não houver o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória.
c) No processo administrativo disciplinar, quando o relatório da comissão processante for contrário às provas
dos autos, não se admite que a autoridade julgadora decida em sentido diverso do indicado nas conclusões
da referida comissão, mesmo que o faça motivadamente
d) Considere que se constate que servidor não ocupante de cargo efetivo tenha-se valido do cargo
comissionado para indicar o irmão para contratação por empresa recebedora de verbas públicas. Nessa
situação, a penalidade de destituição do servidor do cargo em comissão só será cabível caso se comprove
dano ao erário ou proveito pecuniário.
e) Caso seja ajuizada ação penal destinada a apurar criminalmente os mesmos fatos investigados
administrativamente, deve haver a imediata paralisação do curso do processo administrativo disciplinar.

36. (2014/FMP Concursos/PGE-AC/Procurador do Estado) Com relação ao processo administrativo disciplinar,


assinale a afirmativa CORRETA.
a) Não há impedimento à aplicação de sanção disciplinar administrativa antes do trânsito em julgado da ação
penal.
b) A falta de defesa técnica, por advogado, no processo administrativo disciplinar ofende a Constituição.
c) Por ser procedimento de averiguação administrativa, não está sujeito ao contraditório, mas segue o
formalismo moderado.

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d) Sendo aplicável o formalismo moderado, a notificação de instauração não precisa conter todos os tipos
de infração em tese cometidas.

37. (2014/FCC/Prefeitura de Cuiabá/Procurador Municipal) Mauro e André, ambos servidores públicos, foram
citados em processo administrativo disciplinar e, concomitantemente, denunciados em ação penal, sob
suspeita de terem se apropriado de computador da repartição em que trabalhavam. Conforme consta na
Portaria do processo disciplinar e na denúncia, ambos teriam atuado em conluio, ingressando na
repartição pública durante determinado final de semana, ocasião em que subtraíram o referido
computador, o qual foi encontrado, horas depois da subtração, na residência de André. No processo penal,
ambos foram absolvidos: Mauro, pois ficou comprovado que no final de semana em questão estava em
férias, em localidade distante de seu local de trabalho e não poderia ter participado por qualquer forma
da conduta delituosa; André, porque ficou comprovada a intenção de utilizar-se do equipamento apenas
no final de semana, para elaborar trabalho escolar, pretendendo devolvê-lo em seguida, configurando
assim o chamado “peculato de uso”, figura atípica para a responsabilização criminal.

Diante de tal situação, conclui-se que a decisão proferida no processo penal


a) levará à extinção imediata do processo administrativo, sem necessidade de emissão de decisão
administrativa acerca da conduta dos servidores.
b) conduzirá à absolvição de Mauro no processo administrativo; não sendo possível dizer o mesmo em
relação a André.
c) conduzirá à absolvição de André no processo administrativo; não sendo possível dizer o mesmo em relação
a Mauro.
d) é absolutamente irrelevante para a decisão do processo administrativo, haja vista a chamada
incomunicabilidade das instâncias.
e) vincula a autoridade administrativa, que deve absolver ambos os servidores.

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8.2. GABARITO

1. B 14. B 27. A
2. C 15. CERTO 28. A
3. B 16. A 29. C
4. ERRADO 17. A 30. D
5. E 18. C 31. C
6. ERRADO 19. C 32. CERTO
7. CERTO 20. CERTO 33. E
8. B 21. C 34. E
9. ERRADO 22. ERRADO 35. A
10. C 23. C 36. A
11. ERRADO 24. A 37. B
12. D 25. B
13. D 26. A

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8.3. QUESTÕES RESOLVIDAS E COMENTADAS

1. (2019/FUNDEP/DPE-MG/Defensor Público) Analise as afirmativas a seguir.


I. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é permitida a instauração de processo
administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, desde que devidamente motivada e com amparo
em investigação ou sindicância.
PORQUE
II. À administração se impõe o poder-dever de autotutela.
A respeito dessas afirmativas, assinale a alternativa correta.
A) As afirmativas I e II são verdadeiras, mas a II não justifica a I.
B) As afirmativas I e II são verdadeiras e a II justifica a I.
C) A afirmativa I é verdadeira e a II é falsa.
D) A afirmativa I é falsa e a II é verdadeira.

Comentários:

De acordo com a súmula 611 do STJ, desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou
sindicância, é possível a instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia
anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à Administração.

Gabarito: Alternativa “b”.

2. (2018/VUNESP/TJ-MT/Juiz Substituto) A respeito do processo administrativo disciplinar, é correto


afirmar que
(A) a ação disciplinar prescreverá em um quinquênio, contado da data em que ocorreu o fato tipificado como
crime ou da data em que a prática do fato tipificado como crime tornou-se conhecida.
(B) no Estado de Mato Grosso, não se admite aplicação da sanção de cassação de aposentadoria aos
servidores estaduais porque não prevista expressamente no seu estatuto funcional, embora a jurisprudência
seja pacífica quanto à constitucionalidade dessa sanção administrativa.
(C) na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos
que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes
funcionais.

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(D) a responsabilidade disciplinar do servidor será afastada no caso de absolvição criminal por ausência de
prova suficiente para a condenação.
(E) se aplicam os princípios da autotutela administrativa e da supremacia do interesse público, de sorte que,
verificada a existência de vício insanável, antes de decidir, a autoridade julgadora declarará a nulidade total
do processo e, no mesmo ato, interrompe-se o prazo prescricional da ação disciplinar.

Comentários

Incorreta a alternativa “a”. Segundo o art. 142 da Lei Federal nº 8.112/90, nota-se que nem todos os prazos
prescricionais são de 5 anos. Ademais, segundo o § 1º do mesmo artigo, o prazo de prescrição começa a
correr da data em que o fato se tornou conhecido, e não de fato tipificado como crime, conforme afirmado
na alternativa.

Incorreta a alternativa “b”. Segundo o art. 154 da Lei Complementar 04/1990, do Estado do Mato Grosso, a
cassação de aposentadoria ou disponibilidade integra o rol de penalidades disciplinares previstas. A mesma
penalidade existe na Lei Federal nº 8.112/90, no art. 127.

Correta a alternativa “c”. A alternativa praticamente reproduz o art. 128 da Lei Federal nº 8.112/90, estando
correta em relação à previsão da norma.

Incorreta a alternativa “d”. Segundo o art. 126 da Lei Federal nº 8.112/90, a responsabilidade administrativa
do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.
Ausência de provas no âmbito penal não é matéria legalmente prevista para afastar a responsabilidade
disciplinar do servidor.

Incorreta a alternativa “e”. Nos termos do art. 142 da Lei Federal nº 8.112/90, ocorre interrupção da
prescrição com a abertura de sindicância ou com a instauração de processo disciplinar, não sendo o caso
aventado pela alternativa.

Resposta: alternativa “C”.

3. (2017/CESPE/DPE-AC/Defensor Público) Em razão da prática de infração disciplinar tipificada como crime,


foi instaurado procedimento administrativo disciplinar em desfavor de determinado servidor público, o
qual já responde à ação penal relacionada aos mesmos fatos.

Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta, de acordo com a jurisprudência dos tribunais
superiores sobre o assunto.
a) A independência das esferas administrativa e criminal não permite que a efetivação de penalidade de
demissão imposta em sede administrativa ocorra anteriormente ao trânsito em julgado da ação penal.
b) É aceita a utilização de prova emprestada no procedimento administrativo disciplinar em curso, desde que
autorizada pelo juiz criminal e respeitados o contraditório e a ampla defesa.
c) A absolvição criminal fundada na inocorrência de crime impede a imposição de penalidade em sede do
procedimento administrativo disciplinar.
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d) A condenação criminal impõe a aplicação da penalidade administrativa em sede de procedimento


disciplinar, independentemente da regularidade do procedimento administrativo instaurado.

Comentários

Resposta: alternativa “b”.

A alternativa “b” está em linha com a Súmula nº 591 do STJ (É permitida a “prova emprestada” no processo
administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o
contraditório e a ampla defesa).

A alternativa “a” incorre em erro por causa da partícula “não”. A independência entre as esferas permite a
conclusão do processo administrativo ainda que pendente processo criminal.

A alternativa “c” incorre em erro porque, nos termos do art. 126 da Lei nº 8.112, de 1990, a responsabilidade
administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou
sua autoria. Observe que a alternativa cita inocorrência de crime, mas não que não existiu o fato ou que o
investigado não foi o autor. A inocorrência de crime e, portanto, a absolvição pode ter ocorrido por exemplo
em função de falta de prova. Isso não é motivo para que a decisão penal repercuta na esfera administrativa.
Ademais, ainda que não tenha ocorrido crime, pode ter ocorrido infração puramente administrativa hábil a
impelir a aplicação de sanção apenas nesta seara.

A alternativa “d” incorre em erro porque não necessariamente a condenação criminal irá impor também
sanção administrativa, no caso de o PAD ter sido irregular, como cita a alternativa. O PAD irregular acarreta
sua nulidade.

4. (2017/CESPE/DPU/Defensor Público) Considerando o entendimento do STJ acerca do


procedimento administrativo, da responsabilidade funcional dos servidores públicos e da improbidade
administrativa, julgue o seguinte item.

Em procedimento disciplinar por ato de improbidade administrativa, somente depois de ocorrido o trânsito
em julgado administrativo será cabível a aplicação da penalidade de demissão.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: “errado”. De acordo com o STJ, MS 19.488/DF (Informativo 559), é possível o cumprimento
imediato da penalidade imposta ao servidor logo após o julgamento do PAD e antes do julgamento do
recurso administrativo cabível. Em outras palavras, não há qualquer ilegalidade na imediata execução de
penalidade administrativa imposta em PAD a servidor público, ainda que a decisão não tenha transitado em
julgado administrativamente.

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5. (2017/VUNESP/Câmara de Sumaré – SP/Procurador Jurídico) A respeito do processo administrativo


disciplinar, assinale a alternativa correta.

a) A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar ofende a Constituição.
b) O uso de prova decorrente de interceptação telefônica é vedado no processo administrativo disciplinar,
mesmo que obtida licitamente no processo criminal.
c) A participação do servidor é indispensável na fase de investigação, ainda que desse procedimento não
possa resultar a aplicação de punição.
d) Em respeito ao princípio da inafastabilidade da jurisdição, o ato disciplinar pode ser analisado pelo Poder
Judiciário, que deverá aplicar pena mais branda, quando cabível.
e) É vedado o agravamento de penalidade imposta a servidor público após o encerramento de processo
disciplinar por decisão definitiva da autoridade competente, ainda que a Administração tenha aplicado pena
mais branda em desconformidade com a lei.

Comentários

Resposta: “e”.

Correta a alternativa “e”, que está em linha com a jurisprudência do STJ que proíbe a revisão com reformatio
in pejus após o encerramento do processo disciplinar com o julgamento definitivo da autoridade competente
(MS 11554; MS 17.370; MS 10.950; MS 11749). Também está em linha com a Súmula 19 do STF: É
inadmissível segunda punição de servidor público, baseada no mesmo processo em que se fundou a primeira.

Incorreta a alternativa “a”, já que a Súmula Vinculante nº 5 do STF prevê exatamente o contrário: A falta de
defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

Incorreta a alternativa “b” porque, conforme entendimento sedimentado pelo STJ, é possível utilizar
interceptação telefônica emprestada de procedimento penal no processo administrativo disciplinar, desde
que devidamente autorizada pelo juízo criminal (MS 16146; RMS 28774).

Incorreta a alternativa “c” porque na sindicância investigatória (aquela da qual não decorre punição direta
ao servidor) não há necessidade de participação do servidor, por não haver ampla defesa e contraditório.
Esses mandamentos constitucionais deverão ser respeitados em eventual Processo Administrativo
Disciplinar em sentido estrito (PAD). Por outro lado, na sindicância acusatória, da qual poderá decorrer
punição direta ao servidor sem a realização do PAD, é imprescindível a participação do servidor, a ampla
defesa e contraditório.

Incorreta a alternativa “d” porque a jurisprudência firmada pelo STJ é no sentido de que o controle
jurisdicional do PAD restringe-se ao exame da regularidade do procedimento e à legalidade do ato, à luz dos
princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, sendo-lhe defesa qualquer incursão
no mérito administrativo, a impedir a análise e valoração das provas constantes no processo disciplinar (MS
17474; MS16121; MS 16530; MS 17515).

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6. (2017/QUADRIX/CFO-DF/Procurador Jurídico) No que se refere a agentes públicos, julgue o item


a seguir.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) não admite a utilização de prova emprestada no processo administrativo
disciplinar, mesmo que autorizada na esfera criminal diante do princípio da independência das instâncias.

( ) certo ( ) errado

Comentários

Resposta: “errado”. Assertiva incorreta porque, conforme súmula 591 do STJ, é permitida a “prova
emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo
competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa.

7. (2017/CESPE/DPU/Defensor Público) Considerando o entendimento do STJ acerca do


procedimento administrativo, da responsabilidade funcional dos servidores públicos e da improbidade
administrativa, julgue o seguinte item.

É possível a instauração de procedimento administrativo disciplinar com base em denúncia anônima.

( ) certo ( ) errado

Comentários

Resposta: “certo”. A assertiva está correta porque, conforme jurisprudência do STJ (MS 13.348; EDcl no REsp
1096274; REsp 867666; MS 10419; MS 12.385; MS 7415), “a denúncia anônima é apta a deflagrar processo
administrativo disciplinar, não havendo, portanto, qualquer ilegalidade na instauração deste com
fundamento naquela, tendo em vista o poder-dever de autotutela imposto à Administração e, por
conseguinte, o dever da autoridade de apurar a veracidade dos fatos que lhe são comunicados”.

8. (2015/VUNESP/Prefeitura de Suzano/Procurador Jurídico) No que se refere a agentes públicos,


julgue o item a seguir.

Fulano da Silva, funcionário público municipal, detentor de cargo efetivo, praticou ato considerado ilícito nas
esferas criminal e administrativa. A sentença penal, transitada em julgado, negou a existência do fato e
absolveu Fulano. Considerando as normas do direito pátrio no que tange ao tema da responsabilidade dos
agentes públicos, é correto afirmar que Fulano

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a) poderá ainda ser punido administrativamente, uma vez que essas duas instâncias são independentes e
não se comunicam.
b) não mais poderá ser punido pela Administração, tendo em vista que a referida decisão penal de absolvição
do servidor afasta a responsabilidade administrativa.
c) poderá ser punido pela Administração, posto que a responsabilidade administrativa somente poderia ser
afastada se a sentença criminal negasse a autoria do fato.
d) não mais poderá ser punido, uma vez já julgado na esfera penal, independentemente do fundamento, vez
que esta prevalece sobre as demais esferas de responsabilidade.
e) poderá ser ainda punido pela Administração, considerando que a absolvição criminal que negou a
existência do fato não vincula o administrador.

Comentários

Resposta: alternativa “b”.

A alternativa “b” está correta porque, em que pese, em regra as esferas civil, penal e administrativas serem
independentes e autônomas, haverá repercussão da decisão na seara criminal na seara administrativa
quando a absolvição criminal se der por negativa da existência do fato ou da autoria do agente público. Nessa
linha, por exemplo, é o teor do art. 126 da Lei nº 8.112, de 1990, na esfera federal: Art. 126. A
responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a
existência do fato ou sua autoria. Frise-se que nem mesmo por isso se pode dizer que a esfera criminal
prevalece sobre as demais esferas, bem como é importante ressaltar que se a absolvição for por outro motivo
que não a inexistência do fato ou a não autoria por parte do agente público (absolvição por falta de provas,
por exemplo), a sanção administrativa poderá ocorrer normalmente.

9. (2015/CESPE/AGU/Advogado da União) No que se refere a agentes públicos, julgue o item a


seguir.

Se, em uma operação da Polícia Federal, um agente público for preso em flagrante devido ao recebimento
de propina, e se, em razão disso, houver ajuizamento de ação penal, um eventual processo administrativo
disciplinar deverá ser sobrestado até o trânsito em julgado do processo criminal.
( ) certo ( ) errado

Comentários

Resposta: “errado”. As esferas civil, administrativa e penal são, em regra, autônomas e independentes. De
acordo com o STJ, MS 22534/PR, a ausência de decisão judicial com trânsito em julgado não torna nulo o ato
demissório aplicado com base em processo administrativo em que foi assegurada ampla defesa, pois a
aplicação da pena disciplinar ou administrativa independe da conclusão dos processos civil e penal,
eventualmente instaurados em razão dos mesmos fatos. Ou, ainda, conforme MS 18090/DF também julgado
no STJ: Não deve ser paralisado o curso de processo administrativo disciplinar apenas em função de
ajuizamento de ação penal destinada a apurar criminalmente os mesmos fatos investigados

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administrativamente. As esferas administrativa e penal são independentes, não havendo falar em suspensão
do processo administrativo durante o trâmite do processo penal.

10. (2015/UEPA/PGE-PA/Procurador) Quanto ao regime disciplinar do servidor público e processo


administrativo, afirma-se que:

I. É punido com demissão a ofensa física praticada em serviço por servidor a outro servidor ou a particular,
ainda que em legítima defesa.

II. As penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados após o decurso de 5 anos
de efetivo exercício.

III. O cancelamento da penalidade aplicada não surtirá efeitos retroativos.

IV. A revelação de segredo por servidor do qual se apropriou em razão do cargo é falta punida por demissão.

A alternativa que contém todas as afirmativas corretas é:


a) I e IV
b) II e III
c) III e IV
d) II e IV
e) I, II, III e IV

Comentários

Resposta: alternativa “c”. Atenção: em que pese a Lei nº 5.810, de 1994, do Estado do Pará disciplinar o
Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias e Fundações
Públicas daquele Estado, as respostas serão embasadas na Lei Federal nº 8.112, de 1990.

Dessa forma, pode-se afirmar que está incorreta a assertiva I, já que a legítima defesa é causa excludente da
ilicitude, bem como está correta a assertiva IV, já que, de fato a revelação de segredo apropriado em razão
do cargo é motivo para demissão. Nessa linha, a Lei nº 8.112, de 1990, art. 132, prevê que são puníveis com
demissão: I - crime contra a administração pública; II - abandono de cargo; III - inassiduidade habitual; IV -
improbidade administrativa; V - incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição; VI -
insubordinação grave em serviço; VII - ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima
defesa própria ou de outrem; VIII - aplicação irregular de dinheiros públicos; IX - revelação de segredo do qual
se apropriou em razão do cargo; X - lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional; XI -
corrupção; XII - acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas; XIII - transgressão dos incisos IX
a XVI do art. 117.
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Incorreta a assertiva II porque, de acordo com o art. 131 da Lei nº 8.112, de 1990, as penalidades de
advertência e de suspensão terão seus registros cancelados, após o decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de
efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração
disciplinar.

Correta a assertiva III que está em linha com o §único do art. 131 da Lei nº 8.112, de 1990.

11. (2015/CESPE/MPU/Analista do MPU) Em cada um dos próximos itens, é apresentada uma


situação hipotética, seguida de uma assertiva a ser julgada com base no que dispõe a Lei n.º 8.112/1990.

João, servidor público federal, atuou, junto à repartição pública competente, como intermediário da
concessão de determinado benefício previdenciário do qual o seu pai figura como titular. Nessa situação,
conforme o disposto na Lei n.º 8.112/1990, João praticou conduta vedada pela norma regente.

( ) certo ( ) errado

Comentários

Resposta: “errado”. De acordo com o art. 117, inciso XI, da Lei nº 8.112, de 1990, ao servidor público é
proibido atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro.
Portanto, como João atuou como intermediário para concessão de benefício previdenciário para seu pai,
ascendente em 1º grau, não há proibição.

12. (2015/FCC/CNMP/Analista-Direito) Considere as seguintes situações:

I. Rovanilda, servidora pública federal, mantinha sob sua chefia imediata, em função de confiança, seu irmão,
Rivaildo.
II. Renata, servidora pública federal, aceitou comissão de estado estrangeiro.

Nesses casos, de acordo com a Lei no 8.112/90, considerando as condutas praticadas, bem como que ambas
são servidoras primárias, sem processo administrativo disciplinar anterior, Rovanilda e Renata estão sujeitas
às penas de
a) suspensão de até sessenta dias.
b) advertência e suspensão, respectivamente.
c) suspensão de até trinta dias.
d) advertência e demissão, respectivamente.
e) demissão.
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Comentários

Resposta: alternativa “d”. De acordo com o art. 129 combinado com o art. 117, inciso VIII, Rovanilda está
sujeita a penalidade de advertência, já que esta é a sanção prevista por manter sob sua chefia imediata, em
cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil. Por outro lado,
Renata está sujeita à pena de demissão, já que, de acordo com o art. 132, inciso XIII, combinado com o art.
117, inciso XIII, aplica-se essa penalidade para o servidor que aceitar comissão, emprego ou pensão de estado
estrangeiro.

13. (2015/FUNDATEC/PGE-RS/Procurador do Estado) Assinale a alternativa INCORRETA.


a) A absolvição do servidor público na esfera penal, por falta de provas, não impede a sua punição, em sede
administrativa, pelos mesmos fatos.
b) A condenação do servidor público na esfera penal vincula a Administração Pública, quanto à autoria e à
materialidade dos fatos, para fins de aplicação da sanção administrativa.
c) A absolvição do servidor público, por atipicidade do fato, não impede a sua punição, em sede
administrativa, pelo mesmo fato.
d) A absolvição do servidor público, por estar provado que o réu não concorreu para a infração penal, não
impede a sua punição, em sede administrativa, pelo mesmo fato.
e) Pela falta residual, não compreendida na sentença absolutória criminal, é admissível a punição
administrativa do servidor público.

Comentários

Resposta: alternativa “d”.

Incorreta a alternativa “d” porque afirmar que o réu não concorreu para a infração penal é o mesmo que
indicar que o réu não foi o autor, ou seja, é a negativa da autoria. Assim, há reflexo na esfera administrativa,
conforme prevê o art. 126 da Lei nº 8.112, de 1990: A responsabilidade administrativa do servidor será
afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria. As demais alternativas
estão corretas.

A alternativa “a” está correta porque, de fato, só haverá reflexo na seara administrativa se na seara penal
houver a negativa da autoria ou a inexistência do fato.

Correta a alternativa “b” porque o examinador quis transmitir a ideia exatamente do art. 126 da Lei nº 8.112,
de 1990, mas para isso utilizou a forma redacional do art. 935 do Código Civil: A responsabilidade civil é
independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o
seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.

Correta a alternativa “c” porque, ainda que o ato não configure crime, pode ser um ilícito administrativo.

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Correta alternativa “e” que apresenta o teor da Súmula 18 do STF: Pela falta residual, não compreendida na
absolvição pelo juízo criminal, é admissível a punição administrativa do servidor público.

14. (2014/CESPE/PGE-PI/Procurador do Estado) Um servidor, vinculado à administração pública


unicamente por cargo em comissão, cometeu infração administrativa e, após regular processo
administrativo disciplinar, a autoridade julgadora, concordando com o relatório final da comissão
processante, entendeu que a falta se enquadrava nas hipóteses de suspensão.

Nesse caso, nos termos da Lei n.º 8.112/1990, a penalidade a ser aplicada ao servidor será
a) a exoneração de ofício.
b) a destituição do cargo em comissão.
c) a demissão.
d) a suspensão.
e) o desligamento.

Comentários

Resposta: alternativa “b”. Correta a alternativa “b” porque, de acordo com o art. 135 da Lei nº 8.112, de
1990, a destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo será aplicada nos casos
de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.

15. (2014/MPE-SC/MPE-SC/Promotor de Justiça) As funções de confiança, exercidas exclusivamente


por servidores ocupantes de cargos efetivos, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores
de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições
de direção, chefia e assessoramento.

( ) certo ( ) errado.

Comentários

Resposta: “certo”. De acordo com o inciso V do art. 37 da CRFB, as funções de confiança, exercidas
exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos
por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas
às atribuições de direção, chefia e assessoramento.

16. (2014/VUNESP/Prefeitura de Poá/Procurador Jurídico) No tocante à responsabilidade dos


agentes públicos, na hipótese do servidor público cometer infração considerada, ao mesmo tempo, ilícito
administrativo e ilícito penal, é correto afirmar que
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a) a absolvição judicial que nega a existência do fato ou afasta do acusado a respectiva autoria, repercute na
esfera administrativa.
b) a decisão judicial proferida no processo penal repercutirá na esfera administrativa, independentemente
de qual seja o conteúdo da decisão.
c) a decisão judicial em processo penal não repercute de forma alguma na esfera administrativa.
d) se o servidor público for condenado na esfera criminal, nada impede que seja absolvido em âmbito
administrativo, tendo em vista a incomunicabilidade de instâncias.
e) se houver absolvição do servidor público no processo criminal por falta de provas, ele deve também ser
absolvido na esfera administrativa.

Comentários

Resposta: alternativa “a”.

Correta a alternativa “a” porque, de acordo com o art. 126 da Lei nº 8.112, de 1990, a responsabilidade
administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou
sua autoria.

Incorretas as alternativas “b” e “c” porque, exceto quanto à absolvição por negativa da autoria ou do fato,
as esferas civil, penal e administrativa são autônomas e independentes.

Incorreta a alternativa “d” porque a condenação na esfera criminal significa a confirmação da autoria e do
fato, repercutindo na esfera administrativa. Assim, a absolvição não ocorrerá no âmbito administrativo.

Incorreta a alternativa “e” porque a absolvição por falta de provas não afasta a punibilidade na seara
administrativa.

17. (2017/CESPE/TRE-TO/Analista Judiciário) João delegou a Maria, sua esposa e pessoa estranha à
repartição pública onde ele exerce suas funções, o desempenho das atribuições de sua responsabilidade.
Descoberto, João sofreu um processo administrativo disciplinar, que resultou em sua condenação à
penalidade de advertência. Três meses após o trânsito em julgado do procedimento administrativo, João
recusou fé a documento público.

Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei n.º 8.112/1990, João está sujeito à pena de

a) suspensão de até noventa dias.


b) suspensão de até cento e vinte dias.
c) suspensão de até cento e oitenta dias.
d) repreensão verbal.
e) demissão.
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Comentários

Resposta: alternativa “a”. De acordo com o art. 130 da Lei nº 8.112, de 1990, a suspensão será aplicada em
caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação das demais proibições que não
tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias. Assim,
considerando que, de acordo com os incisos III e VI do art. 117 do Estatuto, é proibido ao servidor e punido
com advertência tanto recusar fé a documento público quanto cometer a pessoa estranha à repartição, fora
dos casos previstos em lei, o desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu
subordinado, João será reincidente em infração sujeita à advertência e poderá ser suspenso por até 90 dias.
Lembre-se que, de acordo com o art. 131, as penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros
cancelados, após o decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor
não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar. Como João cometeu a infração apenas após
3 meses o encerramento do PAD anterior que o condenou, caracterizada a reincidência.

18. (20172017/CESPE/TRE-TO/Analista Judiciário) Após a conclusão de processo administrativo


disciplinar contra servidor público federal, a autoridade pública que tem atribuições legais para editar ato
punitivo, suspendeu o servidor por cento e vinte dias.

Nessa situação hipotética, o ato de suspensão do servidor por cento e vinte dias é nulo por vício de

a) forma.
b) finalidade.
c) objeto.
d) motivo.
e) competência.

Comentários

Resposta: alternativa “c”. De acordo com o art. 130 da Lei nº 8.112, de 1990, a suspensão será aplicada em
caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação das demais proibições que não
tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias. Portanto,
ato administrativo que suspenda servidor por 120 dias apresenta vício de objeto, em função de ausência de
fundamento de validade de o objeto conter lapso temporal superior a 90 dias.

19. (2017/CONSULPLAN/TRE-RJ/Analista Judiciário) Quanto às normas aplicáveis aos servidores,


assinale a alternativa que apresenta uma interpretação juridicamente correta.

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a) O servidor federal que desviar recursos públicos é punido nos moldes da lei de improbidade
administrativa, em prejuízo da lei do regime jurídico dos servidores, devido à gravidade dos ilícitos.
b) Embora a lei do processo administrativo estabeleça o direito de ampla defesa e contraditório, nas ações
de improbidade administrativa, devido à gravidade dos ilícitos, referido direito é sobrestado.
c) O prazo para apresentação de recursos no âmbito dos processos administrativos federais é, em regra, de
dez dias, todavia, quando se tratar de processo administrativo disciplinar, o prazo para recorrer é de trinta
dias.
d) No processo disciplinar sumário, a comissão processante é formada por até dois servidores estáveis,
enquanto que no processo disciplinar comum ou ordinário, a comissão deve ser composta de três servidores
estáveis.

Comentários

Resposta: alternativa “c”.

A alternativa “a” incorre em erro porque, de acordo com o art. 121 da Lei nº 8.112, de 1990, o servidor
responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições, podendo, com base
no art. 125, as sanções cumularem-se, por serem independentes entre si.

A alternativa “b” está errada porque o direito à ampla defesa e ao contraditório decorre do inciso LV do art.
5º da Constituição da República Federativa do Brasil (os litigantes, em processo judicial ou administrativo, e
aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes). Isto é, são fixados no altiplano constitucional, não havendo autorização para seu sobrestamento
em função de infração à Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429 de 1992).

Quanto à alternativa “c”, a banca fez uma comparação entre o art. 108 da Lei nº 8.112, de 1990, e o art. 59
da Lei nº 9.784, de 1999. De fato, a regra de prazo para interposição de recurso administrativo com base na
Lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal é de 10 dias, a partir
da ciência ou divulgação oficial. Por outro lado, o art. 108 da Lei nº 8.112 estabeleceu que o prazo para
interposição de pedido de reconsideração ou de recurso é de 30 dias, a contar da publicação ou da ciência,
pelo interessado, da decisão recorrida.

Assim, a banca considerou correta a alternativa “c”. É fato que há um grande debate acerca da possibilidade
ou não de peça recursal em função de decisão condenatória em PAD. Há o entendimento de que no PAD não
há tecnicamente recurso. Portanto, caberia ao servidor, no máximo, o direito de petição constitucionalmente
previsto, bem como disciplinado no art. 104 e seguintes da Lei nº 8.112, de 1990. Por outro lado, há aqueles
que consideram que, independentemente de previsão expressa ao tratar do Regime Disciplinar, aplica-se
também o recurso na seara disciplinar. A banca seguiu essa linha.

A alternativa “d” incorre em erro porque no procedimento sumário de que trata o art. 133 da Lei nº 8.112,
de 1990, a comissão será composta por dois servidores estáveis e não até dois, o que poderia abrir margem
para um único servidor isoladamente ser responsável pela apuração.

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20. (2017/CESPE/TRF - 1ª REGIÃO/Analista Judiciário) Considerando o Código de Conduta do Conselho


da Justiça Federal de Primeiro e Segundo Graus, as regras para provimento de cargos públicos, direitos e
vantagens bem como o regime disciplinar dos servidores públicos, julgue o item a seguir.

Situação hipotética: Em 2015, Joaquim, servidor público federal, aposentou-se voluntariamente. Em 2016,
comprovou-se que Joaquim, em 2015, ainda no exercício de suas funções, havia cometido ato de
improbidade administrativa. Assertiva: Nessa situação, a aposentadoria de Joaquim deverá ser cassada.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: certo. De acordo com o art. 134 da Lei nº 8.112, de 1990, será cassada a aposentadoria ou a
disponibilidade do inativo que houver praticado, na atividade, falta punível com a demissão. Além disso,
prevê o art. 132 do aludido Estatuto dos Servidores que a demissão será aplicada, entre outros casos, em
havendo improbidade administrativa (art. 132, inciso IV).

21. (2017/CESPE/TRE-TO/Analista Judiciário – ADAPTADA) Assinale a opção correta a respeito da


comissão responsável por conduzir o processo disciplinar relativo à apuração de responsabilidade de
servidor por suposta infração praticada no exercício de suas atribuições.

a) Se um dos integrantes da comissão for primo do indiciado, ele deverá ser substituído, sob pena de nulidade
dos atos da comissão.
b) O presidente da comissão deve ser necessariamente servidor ocupante de cargo de nível superior ao da
pessoa indiciada.
c) Sempre que necessário, os integrantes da comissão ficarão dispensados do ponto até a entrega do
relatório final.
d) Deverá ser designado como secretário o servidor mais antigo no cargo em relação aos outros dois
integrantes da comissão.
e) As reuniões e as audiências da comissão terão caráter público, sob pena de nulidade dos atos.

Comentários

Resposta: alternativa “c”. De acordo com o art. 152, §1º, da Lei nº 8.112, de 1990, sempre que necessário, a
comissão dedicará tempo integral aos seus trabalhos, ficando seus membros dispensados do ponto, até a
entrega do relatório final. Portanto, correta a alternativa “c”. Cabe esclarecer que, na questão original, a
banca não incluiu na alternativa “c” a partícula “sempre que necessário” e, por esse motivo, anulou a
questão.

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A alternativa “a” está incorreta porque, de acordo com o §2º do art. 149, não poderá participar de comissão
de sindicância ou de inquérito cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consanguíneo ou afim, em
linha reta ou colateral, até o terceiro grau (primo é de quarto grau).

A alternativa “b” está errada porque o presidente deve ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo
nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado (“caput” do art. 149).

A alternativa “d” está errada porque, de acordo com o §1º do art. 149, a Comissão terá como secretário
servidor designado pelo seu presidente, podendo a indicação recair em um de seus membros.

Por fim, a alternativa “e” está errada, porque afronta o §único do art. 150, que prevê que as reuniões e as
audiências das comissões terão caráter reservado.

22. (2017/CESPE/TRF - 1ª REGIÃO/Analista Judiciário) Com base na Lei n.º 8.112/1990 e no regime
jurídico aplicável aos agentes públicos, julgue o item a seguir.

A destituição de servidor de cargo em comissão ou de função comissionada não pode ser aplicada como
penalidade disciplinar.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: errado. De acordo com o art. 127 da Lei nº 8.112, de 1990, são penalidades disciplinares: I -
advertência; II - suspensão; III - demissão; IV - cassação de aposentadoria ou disponibilidade; V - destituição
de cargo em comissão; VI - destituição de função comissionada.

23. (2017/FCC/TRE-PR/Analista Judiciário) No que se refere à prescrição no âmbito da ação disciplinar,


a Lei n° 8.112/1990 estabelece que

a) o prazo prescricional começa a correr da data da ocorrência do fato.


b) a abertura de sindicância não interrompe a prescrição.
c) a instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade
competente.
d) infrações puníveis com demissão são imprescritíveis.
e) prescreve em 2 anos a ação disciplinar quanto às infrações puníveis com suspensão e advertência.

Comentários

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Resposta: alternativa “c”.

A alternativa “a” incorre em erro porque, nos termos do §1º do art. 142 da Lei nº 8.112, de 1990, o prazo de
prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido.

A alternativa “b” está incorreta e a “c” correta porque a abertura de sindicância ou a instauração de processo
disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade competente.

A alternativa “d” está errada porque decisão punível com demissão prescreve, em regra, em 5 anos. Lembre-
se da possibilidade de se aplicar a prescrição penal quando a infração administrativa também for crime e
haja instauração de investigação criminal.

Por fim, errada a alternativa “e”, já que a advertência prescreve em 180 dias (a suspensão, de fato, prescreve
em 2 anos).

24. (2017/FGV/TRT - 12ª Região (SC)/Analista Judiciário) Alfa, Analista Judiciário do Tribunal Regional
do Trabalho de determinada região, utilizou, pelo período de seis meses, materiais de informática da Vara
do Trabalho onde estava lotado, em serviços e atividades particulares, para ajudar sua irmã, que estava
montando uma empresa de propaganda e marketing.

De acordo com o regime disciplinar estabelecido na Lei nº 8.112/90, após regular processo administrativo
disciplinar, Alfa está sujeito à pena de:

a) demissão, aplicada pelo Presidente do TRT;


b) suspensão até 180 dias, aplicada pelo Presidente do TRT;
c) suspensão até 90 dias, aplicada pelo Corregedor do TRT;
d) suspensão até 90 dias, aplicada pelo Presidente do TRT;
e) advertência, aplicada pelo Corregedor do TRT. (CF).

Comentários

Resposta: alternativa “a”. De acordo com o inciso XVI do art. 11 da Lei nº 8.112, de 1990, é proibido ao
servidor utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares. Além
disso, fixa o art. 132 que transgressão aos incisos IX a XVI do art. 117 acarreta a demissão. Por fim, a
autoridade para aplicar pena de demissão, de acordo com o inciso I do art. 141 é o Presidente da República,
o Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e o Procurador-Geral da República,
quando se tratar de demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade de servidor vinculado ao
respectivo Poder, órgão ou entidade.

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25. (2017/FGV/TRT - 12ª Região (SC)/Analista Judiciário) Maria, ocupante do cargo de Analista
Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina, praticou, no exercício da função, crime
contra a Administração Pública. Após regular processo administrativo disciplinar (PAD), em que restaram
comprovados os atos ilícitos praticados, foi aplicada a Maria a pena disciplinar de demissão. A
Administração Pública, então, determinou o imediato cumprimento da penalidade imposta, logo após o
julgamento do PAD, na pendência de julgamento de recurso administrativo, e cessou o pagamento da
remuneração da servidora, bem como a afastou de suas funções. Inconformada, Maria impetrou mandado
de segurança, alegando ilegalidade da execução dos efeitos materiais da pena de demissão enquanto não
houvesse o trânsito em julgado da decisão administrativa.

De acordo com a Lei nº 8.112/90 e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a ordem deve ser:

a) denegada, por aplicação analógica da norma que faculta a autoridade administrativa que preside o PAD,
a qualquer momento, decretar cautelarmente o afastamento do servidor investigado do cargo, com corte
de seus vencimentos;
b) denegada, uma vez que não há ilegalidade no caso em tela, diante do atributo de autoexecutoriedade que
rege os atos administrativos e porque o recurso administrativo, em regra, carece de efeito suspensivo;
c) concedida, pois a servidora impetrante tem o direito líquido e certo ao devido processo legal na tramitação
do PAD, cujos recursos, em qualquer hipótese, têm duplo efeito: suspensivo e devolutivo;
d) concedida, eis que as decisões extremas de aplicação da penalidade de demissão somente produzem
efeitos após o trânsito em julgado da decisão, pelo atributo da imperatividade do ato administrativo;
e) concedida, haja vista que a execução provisória de decisão administrativa de demissão ou cassação de
aposentadoria de servidor público é possível apenas mediante decisão judicial, pelo princípio da
inafastabilidade da jurisdição.

Comentários

Resposta: alternativa “b”. De acordo com o STJ (MS 19.488/DF, informativo 559), é possível o cumprimento
imediato da penalidade imposta ao servidor logo após o julgamento do PAD e antes do julgamento do
recurso administrativo cabível. Não há qualquer ilegalidade na imediata execução de penalidade
administrativa imposta em PAD a servidor público, ainda que a decisão não tenha transitado em julgado
administrativamente.

26. (2017/CESPE/TRE-BA/Analista Judiciário) Após a regular tramitação de processo administrativo


disciplinar instaurado contra servidor público federal, a comissão processante propôs, em relatório,
penalidade de suspensão de sessenta dias.

Nessa situação, segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a autoridade julgadora

a) pode divergir da conclusão do relatório, podendo majorar ou diminuir a penalidade administrativa.


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b) pode alterar a capitulação da infração, mas deve manter a penalidade administrativa proposta.
c) deve acatar a conclusão do relatório e aplicar a penalidade administrativa proposta.
d) deve acatar a conclusão do relatório, podendo majorar a penalidade administrativa, mas não diminuí-la.
e) pode divergir da conclusão do relatório, mas não pode diminuir a penalidade administrativa.

Comentários

Resposta: alternativa “a”. De acordo com o STJ (MS 15.095/DF), a autoridade julgadora pode divergir da
conclusão da comissão processante, para majorar ou diminuir a penalidade administrativa, desde que haja
a devida fundamentação, que pode utilizar as razões trazidas pela consultoria jurídica. Atenção! Fique atento
ao comando da questão. Foi solicitada resposta com base na jurisprudência do STJ. Se você se prendeu ao
art. 168 da Lei nº 8.112, de 1990, pode ter encontrado dificuldade. O aludido art. 168 prevê que: o
julgamento acatará o relatório da comissão, salvo quando contrário às provas dos autos. Parágrafo único.
Quando o relatório da comissão contrariar as provas dos autos, a autoridade julgadora poderá,
motivadamente, agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou isentar o servidor de responsabilidade. Mas
a resposta estava na posição do tribunal e não na lei.

27. (2017/FCC/TRT - 21ª Região – RN / Técnico Judiciário) Mateus é servidor público federal classificado
em uma repartição onde há grande movimento de público para atendimento. Aproximando-se a data em
que Mateus completaria o tempo de serviço necessário para aposentadoria, sua chefia imediata
identificou que há tempos ele vinha recebendo montantes em dinheiro de particulares para arquivar
processos de cobrança de multas impostas administrativamente. Foi instaurado procedimento
administrativo disciplinar contra Mateus, mas durante o trâmite das apurações ele veio a requerer sua
aposentadoria por tempo de serviço. Em razão disso,
a) eventual comprovação de autoria da infração, nos autos do processo disciplinar, posteriormente à
aposentadoria do servidor enseja a substituição da pena de demissão pela de cassação de aposentadoria.
b) ficam obstados o processamento e a concessão de sua aposentadoria, já que a infração precedeu a
aquisição do tempo para inatividade, ficando suspensa a contagem de tempo de serviço.
c) o processo administrativo prossegue regularmente e a aposentadoria, ainda que já concedida, fica anulada
no caso de constatação de autoria da infração, aplicando-se a penalidade de demissão.
d) fica extinta sua punibilidade, já que a infração praticada pelo servidor é punida com demissão, que se
tornou inócua diante da aposentadoria do mesmo.
e) comuta-se a pena passível de ser aplicável, passando de demissão para expulsão, independentemente da
conclusão do processo administrativo, hipótese em que ficam interrompidos os pagamentos de proventos
ou de vencimentos.

Comentários

Resposta: alternativa “a”. É preciso ter cuidado com essa questão. Isso porque, analisando de forma isolada,
teríamos que a resposta deveria estar em linha com o “caput” do art. 172 da Lei nº 8.112, de 1990, pelo qual
o servidor que responder a processo disciplinar só poderá ser exonerado a pedido, ou aposentado
voluntariamente, após a conclusão do processo e o cumprimento da penalidade, acaso aplicada. Assim, a
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alternativa mais próxima seria a “b”. Contudo, a parte final dessa alternativa “b” invalida a assertiva porque
não há nenhuma indicação no enunciado de que o servidor na ativa ficou afastado de suas atividades. Logo,
não haveria motivação para suspensão da contagem do tempo de serviço. Mas não é só, a jurisprudência do
STJ é firme no sentido de que “Não sendo observado prazo razoável para a conclusão do processo
administrativo disciplinar, não há falar em ilegalidade, à luz de uma interpretação sistêmica da Lei nº 8.112
/90, do deferimento de aposentadoria ao servidor. Com efeito, reconhecida ao final do processo disciplinar a
prática pelo servidor de infração passível de demissão, poderá a Administração cassar sua aposentadoria,
nos termos do artigo 134 da Lei nº 8.112 /90” (AgRg no REsp 916290/SC) ou “A existência de processos
disciplinares instaurados contra o servidor que pretende a concessão de aposentadoria voluntária impede a
apreciação do pedido, conforme preceitua o artigo 172 da Lei n.º 8.112/90, entretanto, tendo sido
extrapolado o prazo para julgamento dos referidos processos, resta afastada a aplicabilidade do dispositivo
legal, sob pena de o servidor ficar à mercê da Administração, aguardando indefinidamente a conclusão de
procedimento que pode, inclusive, concluir pela não aplicação de penalidade. Além disso, a concessão de
aposentadoria sem levar em consideração a existência de processo disciplinar em curso contra o servidor não
impede que ele seja posteriormente punido, caso lhe seja atribuída a pena de demissão, pois o artigo 134 da
Lei 8.112/90 dispõe que "será cassada a aposentadoria do inativo que houver praticado, na atividade, falta
punível com a demissão". Assim, extrapolado o prazo para a conclusão do processo disciplinar, sem previsão
para o seu julgamento, é direito líquido e certo do servidor a análise de seu pedido de aposentadoria, sem se
levar em consideração o disposto no artigo 172 da Lei n.º 8.112/90” (REsp 1177994/DF).

Nessa esteira, correta a alternativa “a”. As alternativas “c”, “d” e “e” estão incorretas porque, nos termos do
art. 134, será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na atividade,
falta punível com a demissão.

28. (2017/PR-4 UFRJ/UFRJ/Administração) Marcos Augusto, servidor público federal, investido no


cargo de Contador da UFRJ há 10 (dez) anos, manteve sua esposa sob sua chefia imediata, em cargo de
confiança. Em virtude de tal conduta, foi instaurado processo administrativo disciplinar para apurar
violação do art. 117 da Lei nº 8.112/1990, que proíbe o servidor de manter sob sua chefia imediata, em
cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil. Nos termos da
referida lei, considerando que Marcos Augusto não é reincidente, marque a opção correta quanto à
penalidade a ser aplicada ao servidor:
a) advertência.
b) demissão.
c) suspensão por 30 (trinta) dias.
d) suspensão por 90 (noventa) dias.
e) exoneração.

Comentários

Resposta: alternativa “a”. De acordo com o art. 117, inciso VIII, da Lei nº 8.112, de 1990, é proibido ao
servidor manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente
até o segundo grau civil. Ademais, fixa o art. 129 da mesma lei que a advertência será aplicada por escrito,
nos casos de violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever
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funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade
mais grave.

29. (2017/PR-4 UFRJ/UFRJ/Técnico) Maria Augusta, servidora investida no cargo de Técnica em


Assuntos Educacionais da UFRJ, após 5 (cinco) anos de efetivo exercício, respondeu, pela primeira vez, a
processo administrativo disciplinar por ter recusado fé a documentos públicos. Após a conclusão do
referido processo, foi aplicada a pena de demissão à servidora. De acordo com a Lei nº 8.112/1990, a pena
aplicada a Maria Augusta:

a) não está correta. Considerando que a servidora não é reincidente, a pena a ser aplicada é a suspensão por
30 (trinta) dias.
b) não está correta. Considerando que a servidora não é reincidente, a pena a ser aplicada é a suspensão por
90 (noventa) dias.
c) não está correta. Considerando que a servidora não é reincidente, a pena a ser aplicada é a advertência.
d) está correta. A lei determina que a pena a ser aplicada é a demissão.
e) não está correta. Considerando que a servidora é estável, a única pena a ser aplicada é a exoneração.

Comentários

Resposta: alternativa “c”. De acordo com o art. 117, inciso III, da Lei nº 8.112, de 1990, é proibido ao servidor
recusar fé a documentos públicos. Ademais, fixa o art. 129 da mesma lei que a advertência será aplicada por
escrito, nos casos de violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de
dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de
penalidade mais grave. Assim, considerando que Maria Augusta não era reincidente (respondeu a PAD pela
1ª vez), nem sequer seria caso de suspensão (art. 130) quanto mais de demissão (art. 132).

30. (2017/PR-4 UFRJ/UFRJ/Assistente) José Marcos, servidor público federal, investido no cargo
efetivo de Economista da UFRJ há 7 (sete) anos, promoveu manifestação de desapreço no recinto da
repartição, fato que ensejou a instauração de processo administrativo disciplinar.

Nos termos da Lei n° 8.112/1990, considerando que o servidor não é reincidente, é correto afirmar que a
pena a ser aplicada é de:

a) demissão.
b) suspensão por 30 (trinta) dias.
c) suspensão por 90 (noventa) dias.
d) advertência.
e) exoneração.
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Assinale a opção correta a respeito da classificação da referida lei e de sua vigência e aplicação.

Comentários

Resposta: alternativa “d”. De acordo com o art. 117, inciso V, da Lei nº 8.112, de 1990, é proibido ao servidor
promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição. Ademais, fixa o art. 129 da mesma
lei que a advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição constante do art. 117,
incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna,
que não justifique imposição de penalidade mais grave. Assim, considerando que José Marcos não é
reincidente, a pena prevista é a advertência.

31. (2017/FCC/TRF - 5ª REGIÃO/Técnico Judiciário) Breno, servidor público ocupante de cargo efetivo,
viajou à Fortaleza a trabalho por alguns dias. Com a proximidade do fim de semana, adiou o retorno para
seu domicílio, permanecendo na cidade por mais dois dias, que custeou pessoalmente no mesmo local de
hospedagem em que já estava. De volta ao trabalho, pleiteou o recebimento de diárias por todo o período
ausente de seu local de classificação, como forma de ressarcimento pelas despesas de hospedagem e
alimentação. A conduta do servidor

a) é condizente com seus direitos e obrigações, na medida em que tem direito ao recebimento de algumas
vantagens além dos vencimentos, tendo as diárias natureza jurídica indenizatória pelas despesas incorridas.
b) viola os direitos legalmente previstos na Lei n° 8.112/1990, na medida em que não obteve prévia
autorização para permanecer na cidade de deslocamento por mais dois dias, com direito a diárias.
c) pode configurar ato de improbidade, na medida em que intencionalmente buscou indenização por
despesas que não se consubstanciam em fundamento para recebimento de diárias, devidas apenas para os
dias em que estivesse em serviço.
d) configura infração disciplinar e civil, esta sob a modalidade de ato de improbidade, processando-se as
responsabilidades de forma subsequente, iniciando-se pelo processo administrativo que poderá ensejar a
extinção do vínculo funcional, com a aplicação de penalidade de demissão, o que impedirá a condenação por
improbidade.
e) pode ser compatível com a legislação vigente, desde que o servidor demonstre que as despesas de
hospedagem e alimentação no período equivalem ou superam o montante pleiteado a título de diárias, para
que não reste configurado enriquecimento ilícito.

Comentários

Resposta: alternativa “c”.

As alternativas “a” e “e” estão incorretas porque, nos termos do art. 58 da Lei nº 8.112, de 1990, as diárias
são destinadas a indenizar as despesas de servidor que, a serviço, afastou-se da sede. A permanência de
Breno em Fortaleza foi manifestação exclusiva de sua vontade, para fins particulares, não podendo onerar a
Administração Pública.
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A alternativa “b” incorre em erro porque, ainda que a chefia anuísse com a permanência por mais dois dias
na cidade, a diária não seria devida, já que seu fundamento é o afastamento para efetiva atividade do serviço
e não fins particulares.

A alternativa “c” está correta porque a ação de Breno de requerer diárias, inclusive quanto aos dias que se
manteve na cidade para atividades particulares afronta não só o art. 58 já citado, mas aos artigos 10 (causar
prejuízo ao erário) e 11 (atentar contra princípios da Administração Pública, em especial os deveres de
honestidade e lealdade à instituição) da Lei de Improbidade Administrativa – LIA (Lei nº 8.429, de 1992).
Ademais, ainda em referência à alternativa “b”, caso o chefe tivesse anuído com a permanência na cidade
com custos para a Administração também ele poderia ser incluso nos aludidos dispositivos.

A alternativa “d” incorre em erro porque o servidor, nos termos do art. 121, responde civil, penal e
administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições. Ademais, dispõe o art. 125 que as sanções
civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si. Ou seja, a pena de
demissão não importa em impedimento à condenação por improbidade.

32. (2017/CESPE/TRF - 1ª REGIÃO/Técnico Judiciário) Tendo como referência o Código de Conduta da


Justiça Federal de Primeiro e Segundo Graus, as regras para provimento e vacância de cargos públicos,
direitos e vantagens bem como o regime disciplinar dos servidores públicos, julgue o item a seguir.

Não há vedação para que servidor público que esteja em gozo de licença para tratar de interesse particular
participe da gerência ou administração de sociedade privada.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: certo. Em que pese haver a proibição no art. 117, inciso X, da Lei nº 8.112, de 1990, para que o
servidor participe de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada,
exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário, o próprio §único, inciso II, do
aludido artigo prevê que essa proibição não se aplica nos seguintes casos: I - participação nos conselhos de
administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente,
participação no capital social ou em sociedade cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros;
e II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, observada a legislação sobre conflito de
interesses.

33. (2017/FCC/TRE-PR/Técnico Judiciário) No que se refere ao processo administrativo disciplinar, a Lei


n° 8.112/90 estabelece que

a) a denúncia pode ser verbal ou por escrito, sendo vedado o anonimato.


b) o prazo para a conclusão da sindicância é improrrogável.
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c) a autoridade instauradora do processo disciplinar deverá determinar o afastamento do servidor do


exercício do cargo como medida cautelar.
d) o processo disciplinar será conduzido por uma comissão, cujas reuniões e audiências serão públicas.
e) é obrigatória a instauração de processo disciplinar sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a
imposição de penalidade de suspensão por mais de 30 dias.

Comentários

Resposta: alternativa “e”.

A alternativa “e” apresenta inteligência do art. 146 da Lei nº 8.112, de 1990, pelo qual se afirma que sempre
que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de penalidade de suspensão por mais de 30 (trinta)
dias, de demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo em comissão, será
obrigatória a instauração de processo disciplinar.

A alternativa “a” está incorreta porque, de acordo com a Lei nº 8.112, de 1990, art. 144, as denúncias sobre
irregularidades serão objeto de apuração, desde que contenham a identificação e o endereço do
denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada a autenticidade. Atenção! Lembre-se que, de
acordo com a jurisprudência do STF e do STJ é aceito que com base em notícia anônima ou delação apócrifa
(“denúncia anônima”) sejam apurados em sindicância ou PAD a veracidade da denúncia, em privilégio ao
poder-dever de autotutela. Mas tenha atenção ao comando da questão. Aqui o examinador perguntou com
base na lei e não na jurisprudência.

A alternativa “b” está errada porque, conforme art. 145, o prazo para conclusão da sindicância não excederá
30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior.

Também errada a “c” porque, nos termos do art. 147, como medida cautelar e afim de que o servidor não
venha a influir na apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá
determinar seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, sem prejuízo da
remuneração. Ou seja, não é uma obrigação e sim uma faculdade acautelatória.

Por fim, errada a “d”, já que, conforme art. 150, as reuniões e as audiências das comissões terão caráter
privado.

34. (2017/IF-TO/IF-TO/Administrador) Considerando as normas contidas na Lei nº 8.112/1990, em


especial quanto ao regime disciplinar e às responsabilidades do servidor, assinale a alternativa correta.

a) As sanções civis e penais não poderão cumular-se, pois representaria um bis in idem.
b) A responsabilidade administrativa do servidor não será afastada no caso de absolvição criminal que negue
a existência do fato ou sua autoria.
c) A responsabilidade civil do servidor apenas decorre de atos dolosos que resultem em prejuízo ao erário.

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d) A obrigação do servidor de reparar o dano estende-se aos seus sucessores e contra eles será executada,
independentemente do valor da herança recebida.
e) A responsabilidade civil-administrativa do servidor resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no
desempenho do cargo ou função.

Comentários

Resposta: alternativa “e”. A alternativa “e” está em linha com o art. 124 da Lei nº 8.112, de 1990.

A alternativa “a” está incorreta porque as sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo
independentes entre si (art. 125).

Errada a alternativa “b” porque será afastada a responsabilidade neste caso (art. 126).

Incorreta a alternativa “c”, já que a responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou
culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros (art. 122).

Por fim, errada a “d” em função de a obrigação estar limitada ao valor da herança (§3º do art. 122).

35. (2014/CESPE/MPE-AC/Promotor de Justiça) Acerca do entendimento do STJ sobre o processo


administrativo disciplinar, assinale a opção correta.
a) Não é obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações finais após o relatório final de
processo administrativo disciplinar.
b) Não é possível a utilização, em processo administrativo disciplinar, de prova emprestada produzida
validamente em processo criminal, enquanto não houver o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória.
c) No processo administrativo disciplinar, quando o relatório da comissão processante for contrário às provas
dos autos, não se admite que a autoridade julgadora decida em sentido diverso do indicado nas conclusões
da referida comissão, mesmo que o faça motivadamente
d) Considere que se constate que servidor não ocupante de cargo efetivo tenha-se valido do cargo
comissionado para indicar o irmão para contratação por empresa recebedora de verbas públicas. Nessa
situação, a penalidade de destituição do servidor do cargo em comissão só será cabível caso se comprove
dano ao erário ou proveito pecuniário.
e) Caso seja ajuizada ação penal destinada a apurar criminalmente os mesmos fatos investigados
administrativamente, deve haver a imediata paralisação do curso do processo administrativo disciplinar.

Comentários

Resposta: alternativa “a”. De acordo com o STF (RMS 28774), inexiste previsão na Lei nº 8.112/1990 de
intimação do acusado após a elaboração do relatório final da comissão processante. Na mesma linha é o STJ,
por exemplo, no julgamento do MS 18090.

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Incorreta a alternativa “b” porque, de acordo com a súmula 591 do STJ, é permitida a “prova emprestada”
no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e
respeitados o contraditório e a ampla defesa. Ademais, não há que se aguardar o encerramento da esfera
penal para a persecução na esfera administrativa, já que são instâncias independentes e autônomas. Na linha
de permitir o empréstimo de prova ainda que não encerrada a instância penal tem-se o julgamento do RMS
33628 pelo STJ.

Incorreta a alternativa “c” porque, de acordo com o §único do art. 168 da Lei nº 8.112, de 1990, quando o
relatório da comissão contrariar as provas dos autos, a autoridade julgadora poderá, motivadamente,
agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou isentar o servidor de responsabilidade.

Incorreta a alternativa “d” porque, conforme entendimento do STJ no julgamento do MS 17.811: Deve ser
aplicada a penalidade de destituição de cargo em comissão na hipótese em que se constate que servidor não
ocupante de cargo efetivo, valendo-se do cargo, tenha indicado irmão, nora, genro e sobrinhos para
contratação por empresas recebedoras de verbas públicas, ainda que não haja dano ao erário ou proveito
pecuniário e independentemente da análise de antecedentes funcionais. Com efeito, é de natureza formal o
ilícito administrativo consistente na inobservância da proibição de que o servidor se valha do cargo para
lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública (art. 117, IX, da Lei
8.112/1990). Nesse contexto, não importa, para configuração do ilícito, qualquer discussão acerca da
eventual ocorrência de dano ao erário ou da existência de proveito pecuniário, pois o que se pretende é
impedir o desvio de conduta por parte do servidor. Ressalte-se que a existência de bons antecedentes
funcionais não é suficiente para impedir a aplicação da penalidade, pois a Administração Pública, quando se
depara com situações como essa, não dispõe de discricionariedade para aplicar pena menos gravosa,
tratando-se, sim, de ato vinculado.

Incorreta a alternativa “e”, já que as esferas civil, administrativa e penal são, em regra, independentes e
autônomas, não havendo motivo para que se interrompa o fluxo do processo administrativo disciplinar em
função de haver ação criminal em curso (STJ MS 18090).

36. (2014/FMP Concursos/PGE-AC/Procurador do Estado) Com relação ao processo administrativo


disciplinar, assinale a afirmativa CORRETA.
a) Não há impedimento à aplicação de sanção disciplinar administrativa antes do trânsito em julgado da ação
penal.
b) A falta de defesa técnica, por advogado, no processo administrativo disciplinar ofende a Constituição.
c) Por ser procedimento de averiguação administrativa, não está sujeito ao contraditório, mas segue o
formalismo moderado.
d) Sendo aplicável o formalismo moderado, a notificação de instauração não precisa conter todos os tipos
de infração em tese cometidas.
Comentários
Resposta: alternativa “a”.
A alternativa “a” está em linha com o entendimento do STF (MS 22362): a ausência de decisão judicial com
trânsito em julgado não torna nulo o ato demissório aplicado com base em processo administrativo em que
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foi assegurada ampla defesa, pois a aplicação da pena disciplinar ou administrativa independe da conclusão
dos processos civil e penal, eventualmente instaurados em razão dos mesmos fatos.
Incorreta a alternativa “b”, já que a súmula vinculante nº 5 prevê exatamente o contrário.
Incorreta a alternativa “c” porque, de acordo com o art. 5º, inciso LV, da CRFB: aos litigantes, em processo
judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes.
Incorreta a alternativa “d” porque na instauração deve constar a (s) transgressão(ões) objeto(s) da apuração.
Frise-se que formalismo moderado é o que orienta a adoção de “formas simples e suficientes para propiciar
adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados, promovendo, assim, a
prevalência do conteúdo sobre o formalismo extremo, respeitadas, ainda, as praxes essenciais à proteção
das prerrogativas dos administrados” (TCU – Acórdão 357/2015).

37. (2014/FCC/Prefeitura de Cuiabá/Procurador Municipal) Mauro e André, ambos servidores


públicos, foram citados em processo administrativo disciplinar e, concomitantemente, denunciados em
ação penal, sob suspeita de terem se apropriado de computador da repartição em que trabalhavam.
Conforme consta na Portaria do processo disciplinar e na denúncia, ambos teriam atuado em conluio,
ingressando na repartição pública durante determinado final de semana, ocasião em que subtraíram o
referido computador, o qual foi encontrado, horas depois da subtração, na residência de André. No
processo penal, ambos foram absolvidos: Mauro, pois ficou comprovado que no final de semana em
questão estava em férias, em localidade distante de seu local de trabalho e não poderia ter participado
por qualquer forma da conduta delituosa; André, porque ficou comprovada a intenção de utilizar-se do
equipamento apenas no final de semana, para elaborar trabalho escolar, pretendendo devolvê-lo em
seguida, configurando assim o chamado “peculato de uso”, figura atípica para a responsabilização
criminal.

Diante de tal situação, conclui-se que a decisão proferida no processo penal


a) levará à extinção imediata do processo administrativo, sem necessidade de emissão de decisão
administrativa acerca da conduta dos servidores.
b) conduzirá à absolvição de Mauro no processo administrativo; não sendo possível dizer o mesmo em
relação a André.
c) conduzirá à absolvição de André no processo administrativo; não sendo possível dizer o mesmo em relação
a Mauro.
d) é absolutamente irrelevante para a decisão do processo administrativo, haja vista a chamada
incomunicabilidade das instâncias.
e) vincula a autoridade administrativa, que deve absolver ambos os servidores.
Comentários
Resposta: alternativa “b”.
Correta a alternativa “b” porque, como foi afastada a autoria de Mauro na esfera criminal, então, com base
no art. 126 da Lei nº 8.112, de 1990, deve ser afastada a responsabilidade administrativa (A responsabilidade
administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou
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sua autoria). Por outro lado, em relação a André, em que pese a absolvição criminal, não só não ficou negada
sua autoria como se verifica tipo que configura, sem dúvida, ilícito administrativo que é o “peculato de uso”.
Ou seja, utilizar o patrimônio público para proveito próprio. Logo, o processo administrativo disciplinar
contra André não sofrerá reflexo da absolvição administrativa e, seguido o rito e observadas a ampla defesa
e o contraditório, deverá chegar à decisão independente com base nos elementos do processo e a lei de
regência.

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9. RESUMO

1. A Lei nº 8.112, de 1990, que dispõe acerca do Regime Jurídico dos servidores públicos da União, de
suas Autarquias e Fundações, disciplina os deveres, as proibições, as responsabilidades e as
penalidades a que se submetem os servidores civis da União. Ou seja, são fixadas as obrigações e
determinadas as penalidades a que se submeterão os servidores estatuários e comissionados em
caso de descumprimento de cada uma das obrigações.

Quem se submete servidores públicos civis da União, das


à Lei nº 8.112, de autarquias, inclusive as de regime especial, e
1990: das fundações públicas federais

Servidor Público é a pessoa legalmente investida em cargo público

é o conjunto de atribuições e
Cargo Público responsabilidades previstas na estrutura
efetivo ou organizacional que devem ser cometidas a um
comissionado servidor

2. Quanto à União, os servidores públicos civis que são submetidos aos princípios e regras fixados na Lei
nº 8.112, de 1990, são aqueles investidos em cargos:

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•Presidência, Ministérios, Congresso Nacional, Ministério


Público da União, Defensoria Pública da União, Tribunal
nos órgãos da Administração
de Contas da União e Órgãos Federais do Poder
Direta da União:
Judiciário, exceto para os agentes políticos e membros
de Poder que possuem regimes próprios;

•Banco Central, Autoridade de Governança do Legado


Olímpico – Aglo, Agência Nacional de Aviação Civil –
ANAC, Agência Espacial Brasileira – AEB, Agência
nas Autarquias Federais, inclusive
Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, Agência Nacional
as de regime especial (agências
da Saúde - ANS, Agência Nacional de Vigilância
reguladoras, por exemplo):
Sanitária - ANVISA, Agência Nacional do Petróleo, Gás
Natural e Biocombustíveis - ANP, Agência Nacional de
Transportes Terrestres - ANTT, entre outras.

•Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA,


Fundação Biblioteca Nacional, Fundação Casa de Rui
nas fundações públicas federais:
Barbosa, Fundação Nacional de Arte – FUNARTE,
Fundação Cultural Palmares, entre outras.

DEVERES DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS DA UNIÃO, AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES PÚBLICAS FEDERAIS:

a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as


protegidas por sigilo;
atender com
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou
presteza:
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.

exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo

ser leal às instituições a que servir

observar as normas legais e regulamentares

cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais

levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade


superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra
autoridade competente para apuração

zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público

guardar sigilo sobre assunto da repartição


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manter conduta compatível com a moralidade administrativa

ser assíduo e pontual ao serviço

tratar com urbanidade as pessoas

representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder


Atenção: a representação será encaminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade
superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.

3. Vedação à Acumulação de Cargos Públicos: no plano constitucional é estabelecida a proibição de


acumulação remunerada de cargos, empregos e funções públicas na Administração Direta e Indireta
e nas sociedades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público. Exceções:

a de dois cargos de professor

a de um cargo de professor com outro técnico ou científico


É vedada a acumulação de
cargos, empregos ou
funções públicas, exceto: a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de
saúde, com profissões regulamentadas

a de juiz ou membro do Ministério Público com um de


magistério

4. Também será considerada acumulação indevida a percepção de vencimento de cargo ou emprego


público efetivo com proventos da inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas
remunerações forem acumuláveis na atividade. Portanto, as regras de permissividade de
acumulação remuneratória de cargos, empregos ou função valem tanto para a atividade quanto para
a inatividade.

5. A Lei nº 8.112, de 1990, também prevê a proibição de acumulação de cargo em comissão e de ser
remunerado pela participação em órgão de deliberação coletiva, exceto nos seguintes casos:

O servidor ocupante de cargo em comissão ou de Remuneração devida pela participação em


natureza especial poderá ser nomeado para conselhos de administração e fiscal das empresas
exercer, interinamente, em outro cargo de públicas e sociedades de economia mista, suas
confiança, sem prejuízo das atribuições do que subsidiárias e controladas, bem como quaisquer
atualmente ocupa, devendo optar pela empresas ou entidades em que a União, direta ou
remuneração de um deles durante o período da indiretamente, detenha participação no capital
interinidade; social, observada legislação específica.

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6. O servidor que acumula licitamente 2 cargos efetivos deve se afastar de ambos para ser investido em
cargo de provimento em comissão, salvo se houver compatibilidade de horário e local com o exercício
de 1 deles, declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou das entidades envolvidos.

7. Responsabilização nas Esferas: configurado o descumprimento de seus deveres ou a efetivação de


ações proibidas no exercício de suas atribuições, o servidor poderá ser responsabilizado, em regra,
de forma independente nas esferas civil, penal e administrativa, podendo, inclusive, ocorrer de as
sanções serem cumulativas, uma vez que as esferas são independentes e autônomas.

8. Quando houver absolvição criminal que negue a existência do fato ou a autoria pelo servidor haverá
reflexo da esfera criminal na esfera administrativa e a responsabilidade administrativa do servidor
será afastada.

9. Ainda em função dessa propalada independência, poderá o servidor público, mesmo que absolvido
em Processo Administrativo Disciplinar, ser condenado a ressarcir o erário por comprovado prejuízo
ao tesouro em tomada de contas especial pelo Tribunal de Contas de União – TCU.

10. Mesmo que o servidor venha a ser absolvido em processo criminal por falta de provas, poderá ser
demitido com base em Processo Administrativo Disciplinar que comprove o ilícito praticado.

11. A existência de ação penal contra servidor não tem o condão de suspender o Processo Administrativo
Disciplinar – PAD.

12. Não será caracterizado bis in idem nos casos em que o servidor for punido na esfera administrativa,
por meio de PAD, na esfera criminal, em ação penal, e na esfera civil, por meio de ação de
improbidade administrativa.

13. Segundo a Súmula nº 591 do STJ “é permitida a “prova emprestada” no processo administrativo
disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e
a ampla defesa”. Provas obtidas por meio de interceptações telefônicas estão inclusas nesta
possibilidade.
14.

no âmbito civil: dependerá de ato comissivo ou omissivo, culposo ou


doloso, desde que tenha resultado em prejuízo ao erário ou a
terceiros

A Responsabilização do no âmbito penal: abrangerá os crimes e contravenções imputadas ao


Servidor servidor, desde que tenha agido na qualidade de servidor público

no âmbito civil-administrativa: resultará de ato omissivo ou comissivo


praticado no desempenho do cargo ou função

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15. A legislação prioriza que, em caso de prejuízo ao erário de forma dolosa, o débito seja garantido
judicialmente. Mas, não havendo bens do servidor para garantir a liquidação do valor devido, a
Fazenda Pública adotará o procedimento padrão para reposição e indenização ao erário, qual seja:
deve comunicá-lo para que quite o débito em 30 dias, podendo, desde que solicitado pelo servidor,
autorizar o pagamento parcelado.

16. O servidor que der ciência à autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta,
a outra autoridade competente para apuração de informação relativa à prática de crimes ou
improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego
ou função pública, NÃO poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente pelo fato
comunicado.

17.

Advertência

Suspensão

Demissão
PENALIDADES de Aposentadoria
Cassação
de Disponibilidade

de Cargo em Comissão
Destituição
de Função Comissionada

natureza da
infração
cometida
gravidade circunstâncias
da infração atenuantes

Penalidade
danos
causados ao circunstâncias
serviço agravantes
público
antecedentes
funcionais

18. Advertência: Deve ser aplicada por escrito.

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INFRAÇÕES CUJA PENALIDADE, EM PRINCÍPIO, SERÁ DE ADVERTÊNCIA:

recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado

ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato

retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da


repartição

recusar fé a documentos públicos

opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço

promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição

cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado

coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a


partido político

manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou
parente até o 2º grau civil

inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não
justifique imposição de penalidade mais grave

19. Suspensão: se aplica no caso de reincidência das faltas punidas com advertência e nos casos de
violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão (daí o
caráter residual da pena de suspensão). O prazo da suspensão não poderá exceder a 90 dias.

20. Reincidência: pratica de nova infração disciplinar, cometida pelo mesmo infrator, dentro do prazo
em que não cancelado o registro de penalidade anteriormente aplicada. Esses prazos são de 3 anos
para o cancelamento da advertência, e de 5 anos para o cancelamento da suspensão, sendo contados
da data em que a penalidade da infração anterior se tornar definitiva.

21. Segundo autorização prevista na Lei nº 8.112, de 1990, na condição de haver conveniência para o
serviço, pode haver a conversão da penalidade de suspensão em multa, na base de 50% por dia de
vencimento ou remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em serviço.

22. Demissão: aplicada quando o servidor tiver agido, contundentemente, de modo a afrontar princípios
administrativos ou vedações normativas com grave repercussão à imagem da Administração Pública
ou à dignidade dos demais servidores.

FATOS EM QUE SE DEVE APLICAR A DEMISSÃO:

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inassiduidade habitual
abandono de cargo
(falta ao serviço, sem causa justificada, por 60
(ausência intencional do servidor ao serviço por
dias, interpoladamente, durante o período de
mais de 30 dias consecutivos.)
12 meses.)

crime contra a administração pública improbidade administrativa

insubordinação grave em serviço aplicação irregular de dinheiros públicos

ofensa física, em serviço, a servidor ou a


incontinência pública e conduta escandalosa,
particular, salvo em legítima defesa própria ou
na repartição
de outrem

revelação de segredo do qual se apropriou em lesão aos cofres públicos e dilapidação do


razão do cargo patrimônio nacional

acumulação ilegal de cargos, empregos ou


corrupção
funções públicas

aceitar comissão, emprego ou pensão de


praticar usura sob qualquer de suas formas
estado estrangeiro

utilizar pessoal ou recursos materiais da


proceder de forma desidiosa repartição em serviços ou atividades
particulares

valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da


função pública

participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não


personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário

atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
companheiro

receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas


atribuições

23. Cassação de aposentadoria ou disponibilidade: tem efeitos análogos aos da demissão e é aplicada
ao aposentado ou ao servidor em disponibilidade (e, portanto, em inatividade) que tenha praticado
na atividade falta punível com a demissão.

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Função Comissionada
Cargo Efetivo Cargo Comissionado
(Função de Confiança)

Livre nomeação e exoneração


Titularizado por servidor
Exercida exclusivamente por (ad nutum), respeitado o
investido após aprovação em
servidores ocupantes de preenchimento mínimo por
concurso público de provas
cargo efetivo servidores de carreira
ou de provas e títulos
previstos em lei

Destinação ampla, não só para Pode ser titularizado tanto


Destina-se à Direção, Chefia
Direção, Chefia ou pelo "comissionado puro"
ou Assessoramento
Assessoramento quanto por servidor efetivo

Destina-se à Direção, Chefia


ou Assessoramento

24. Destituição de cargo em comissão exercido pelo comissionado puro (por aquele não ocupante de
cargo efetivo): será aplicada nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.

25.

CASOS EM QUE, ALÉM DA DEMISSÃO OU DA DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO, TAMBÉM DEVERÁ HAVER A
INDISPONIBILIDADE DOS BENS E O RESSARCIMENTO AO ERÁIO, SEM PREJUÍZO DA AÇÃO PENAL CABÍVEL:

improbidade administrativa aplicação irregular de dinheiros públicos

lesão aos cofres públicos e dilapidação do


Corrupção
patrimônio nacional

26.

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Autoridade Competente para Aplicação de

Presidente da República, Presidentes


demissão e cassação de
das Casas do Poder Legislativo e dos
aposentadoria ou
Tribunais Federais e Procurador-Geral
disponibilidade
da República

destituição de cargo em
Autoridade que fez a Nomeação
Penalidade

comissão
Autoridade um nível hierárquico abaixo
suspensão superior a 30 daqueles legitimados a demitirem ou
dias cassarem
aposentadoria/disponibilidade
Chefe da Repartição e outras
advertência ou
autoridades na forma dos respectivos
suspensão de até 30 dias
regimentos ou regulamentos

27. Prazos prescricionais para cada sanção:

5 ANOS
•Infrações puníveis com DEMISSÃO, CASSAÇÃO DE APOSENTADORIA OU
DISPONIBILIDADE E DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO

2 ANOS
•Infrações puníveis com SUSPENSÃO

180 DIAS
•Infrações puníveis com ADVERTÊNCIA

Prazo de Prescrição da Lei Penal

•Infrações disciplinares também capituladas como CRIME

28. Seguindo a Lei nº 8.112, de 1990, a posição do STJ é de que o termo inicial da prescrição é a data do
conhecimento do fato pela autoridade competente para instaurar o PAD.

29. A previsão contida no art. 170 da Lei nº 8.112, de 1990. (“Extinta a punibilidade pela prescrição, a
autoridade julgadora determinará o registro do fato nos assentamentos individuais do servidor.”), foi
considerada inconstitucional pelo STF no MS 23.262, uma vez que há violação do princípio da
presunção da inocência.

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Acumulação Ilegal de Cargos, Empregos ou Funções Públicas

Procedimento Sumário
de Apuração Disciplinar Abandono de Cargo

Inassiduidade Habitual

30.

• Publicação do ato de constituição de comissão de apuração, composta por 02


servidores estáveis
• Indicação da autoria com nome e matrícula do servidor
• Indicação da materialidade da transgressão objeto da apuração com a descrição dos
Instauração
órgãos ou entidades de vinculação, datas de ingresso, horário de trabalho e o
correspondente regime jurídico

• Indiciação - nesta fase a comissão, em até 3 dias após a publicação do ato que a
constituiu, lavrará termo com a indicação da materialidade e promoverá a citação do
servidor indiciado pessoalmente ou por intermédio de sua chefia imediata
• Defesa - prazo de 5 dias contados da citação, podendo dar vista do processo na
Instrução repartição
Sumária • Relatório - apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à
inocência ou à responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos
autos, opinará sobre a licitude da acumulação em exame, indicará o respectivo
dispositivo legal e remeterá o processo à autoridade instauradora, para julgamento

• A autoridade julgadora tem prazo de 5 dias, contados do recebimento do processo,


Julgamento para proferir a decisão do Procedimento Sumário

31. No caso de acumulação de cargos, a autoridade competente deve notificar o servidor, em tese,
infrator, a optar por um deles no prazo improrrogável de 10 dias a contar da data da ciência.

32. A conclusão do Procedimento Sumário não poderá superar o prazo de 30 dias, admitida uma
prorrogação por até 15 dias.

33. Achando-se o indiciado em lugar incerto e não sabido, será citado por edital, publicado no Diário
Oficial da União e em jornal de grande circulação na localidade do último domicílio conhecido, para
apresentar defesa cujo prazo será estendido para 15 dias a partir da última publicação do edital.
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no caso de abandono do cargo: deve constar no processo o período de


ausência intencional do servidor ao serviço superior a 30 dias

caso de inassiduidade habitual: devem constar no processo os


dias de falta ao serviço sem causa justificada, por período
igual ou superior a 60 dias interpoladamente, durante o
período de 12 meses

Sindicância
Processo Administrativo
Disciplinar lato sensu Processo Administrativo Disciplinar
stricto sensu - PAD
34.

35. Denúncia Anônima: A Jurisprudência do STF e do STJ tem sopesado a vedação ao anonimato com o
poder-dever de autotutela da Administração Pública para autorizar a apuração e verificação da
credibilidade do relato por apurações preliminares (sindicância ou PAD), em detrimento da leitura
literal do art. 144 do Estatuto do Servidor Público Civil da União (“As denúncias sobre irregularidades
serão objeto de apuração, desde que contenham a identificação e o endereço do denunciante e sejam
formuladas por escrito, confirmada a autenticidade”).

36. Os termos “notícia anônima” e “delação apócrifa” são preferíveis.

37. Sindicância:

para investigação e apuração prévia acerca de infração eventualmente


cometida por servidor cuja dosimetria da pena seja incerta em função
do desconhecimento da completude do evento ocorrido

para aplicação de sanção cuja dosimetria indique a pena de


advertência ou de suspensão de até 30 dias

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Arquivamento do Processo

Sindicância
Aplicação de penalidade de Advertência ou de Suspensão até 30 dias
deriva em:

Instauração de PAD

SINDICÂNCIA

Quando da sindicância decorre a aplicação de penalidade de advertência ou suspensão


Acusatória de até 30 dias, sem a instauração do PAD,
São obrigatórios o contraditório e ampla defesa;

Quando da sindicância for instaurado PAD, porque restou configurada a prática de


infração grave cuja sanção poderá ser de suspensão superior a 30 dias, demissão,
Investigatória cassação de aposentadoria ou disponibilidade, destituição de cargo em comissão ou
de função comissionada.
São obrigatórios o contraditório e ampla defesa.

38. Afastamento preventivo como Medida Acautelatória: A Lei nº 8.112, de 1990, autoriza que o
servidor seja afastado do exercício do cargo pela autoridade competente pela instauração do PAD,
sem prejuízo quanto ao recebimento de remuneração, para não influenciar na apuração da
irregularidade.

39. PAD: é o instrumento destinado a apurar a responsabilidade do servidor por infração praticada no
exercício de suas atribuições ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre
investido.

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• Publicação do ato de constituição de comissão de apuração, composta por 03


servidores estáveis
• O Presidente da comissão, escolhido entre os membros, deve ser ocupante de cargo
efetivo superior ou de mesmo nível ou ter grau de escolaridade igual ou superior ao
Instauração do indiciado.
• O Secretário da comissão será escolhido pelo Presidente, podendo o indicado ser um
dos membros.
• Instrução - a comissão promoverá a tomada de depoimentos, acareações,
investigações e diligências cabíveis, objetivando a coleta de prova, recorrendo,
quando necessário, a técnicos e peritos, de modo a permitir a completa elucidação
dos fatos
• Defesa - prazo de 10 dias contados da citação, podendo dar vista do processo na
Inquérito repartição (havendo 2 ou mais indiciados, o prazo será comum de 20 dias)
Adm. • Relatório - apresentada a defesa, a comissão deve elaborar relatório minucioso e
conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, indicando neste
último caso o dispositivo legal ou regulamentar transgredido e as circuntâncias
agravantes ou atenuates, onde resumirá as peças principais dos autos e mencionará
as provas em que se baseou para formar a sua convicção

• A autoridade julgadora tem prazo de 20 dias, contados do recebimento do processo,


Julgamento para proferir a decisão do PAD

40. É proibido integrar comissão de sindicância ou de inquérito, cônjuge, companheiro ou parente do


acusado, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o 3º grau.

41. SÚMULA VINCULANTE Nº 5 DO STF: ESTABELECE QUE NÃO HAVER ADVOGADO CONSTITUÍDO NO PROCESSO
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR NÃO O TORNA INCONSTITUCIONAL.

42. SÚMULA Nº 591 DO STJ: “É PERMITIDA A “PROVA EMPRESTADA” NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR, DESDE
QUE DEVIDAMENTE AUTORIZADA PELO JUÍZO COMPETENTE E RESPEITADOS O CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA”

43. Segundo jurisprudência do STJ, não pode ser aplicado o princípio da insignificância em caso de
infração disciplinar que gere demissão, porquanto na esfera administrativa o valor do proveito
econômico auferido pelo servidor é irrelevante.

44. Prazos:

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•No máximo 30 dias, sendo prorrogável por igual período, a critério da


Sindicância
autoridade superior.

•não pode exceder 60 dias, contados da data de publicação do ato que


PAD constituir a comissão, admitida a sua prorrogação por igual prazo, quando as
circunstâncias o exigirem.

Afastamento •poderá ocorrer pelo prazo de até 60 dias, prorrogável por igual período.

45. Sendo desconhecido ou incerto o local do indiciado, deve ele ser citado para, em 15 dias,
apresentar defesa por edital, publicado no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação
na localidade do último domicílio conhecido.

46. Havendo 2 ou mais indiciados, o prazo para apresentação da defesa escrita será comum a eles e
de 20 dias.

47. A autoridade instaurada do PAD deve designar um servidor, estável ou não, ocupante de cargo
efetivo superior ou de mesmo nível ou que tenha nível de escolaridade igual ou superior ao do
indiciado, como defensor dativo.

Revelia no PAD

caso o indiciado, regulamente citado, não apresente defesa no prazo legal, deverá ser
declarada a sua revelia nos autos do PAD e a autoridade instauradora deve designar
um servidor, ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível ou ter nível de
escolaridade igual ou superior ao do indiciado, como defensor dativo

48. STJ decidiu reiteradamente que o excesso de prazo para a conclusão do PAD não gera, por si só,
nulidade do processo.

49. “pas de nullité sans grief”: não há nulidade sem prejuízo.

50. Não é permitido que do PAD revisional resulte agravamento da penalidade, segundo a Súmula 19 do
STJ.

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51. O STJ decidiu que as informações obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de servidor
público não configuram prova ilícita quando relacionadas com aspectos “não pessoais” e de interesse
da Administração Pública e da própria coletividade.

“ Art. 172. O servidor que responder a processo disciplinar só poderá ser exonerado a pedido,
ou aposentado voluntariamente, após a conclusão do processo e o cumprimento da penalidade,
acaso aplicada.”

52. Revisão do PAD: O PAD poderá ser revisto, a qualquer tempo, de ofício ou a pedido, quando surgirem
fatos novos ou circunstâncias hábeis a justificar a inocência do servidor eventualmente punido ou a
inadequação da pena aplicada, que não foram apreciados no processo originário.

53. A comissão revisora terá 60 dias para conclusão dos trabalhos e a autoridade julgadora 20 dias para
a tomada de decisão.

54. Julgado procedente o PAD Revisional, a penalidade anterior eventualmente aplicada se tornará sem
efeito, restabelecendo-se todos os direitos do servidor, exceto em relação à destituição do cargo em
comissão, que será convertida em exoneração.
55. A previsão contida no art. 170 da Lei nº 8.112, de 1990. (“Extinta a punibilidade pela prescrição, a
autoridade julgadora determinará o registro do fato nos assentamentos individuais do servidor.”), foi
considerada inconstitucional pelo STF, com base no princípio de presunção de inocência.

56. O Procurador Geral da República não possui legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança
com o objetivo de questionar decisão que reconheça a prescrição da pretensão punitiva em processo
administrativo disciplinar (PAD).

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10.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caríssimo(a), finalizamos aqui essa nossa aula de hoje.


Trata-se de tema com fundamento predominantemente legal, mas que há bastante jurisprudência a respeito.
As bancas sabem disso e acabam explorando esses detalhes!
Por isso, para que não sejamos surpreendidos, é sempre importante revisitar o tema de tempos em tempos.

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Que DEUS o ilumine abundantemente para que você consiga focar nos estudos e, em breve, alcançar a sua
vaga!!!!!

Cordial abraço

Wagner Damazio

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Direito Administrativo p/ PC-PR (Delegado) Com Videoaulas - Pós-Edital 139


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