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AGRICULTURA ORGÂNICA

Introdução

A agricultura é uma das atividades humanas que mais dependem do meio ambiente e que tem
uma relação muito estreita com ele. Com o crescimento da demanda por alimentos e fibras, e de
uma população cada vez mais numerosa, a agricultura foi submetida a uma mudança acelerada, já
que são necessários mais recursos naturais para atender as crescentes necessidades humanas e
foram introduzidas tecnologias para explorar mais intensamente esses recursos. Por isso, a
agricultura transformou-se numa das principais causas de deterioração e esgotamento e
contaminação dos recursos naturais.

Atualmente, o objetivo é alimentar de maneira eficaz e igualitária uma população crescente sem
destruir a natureza e prejudicar permanentemente o ambiente.

Na Cúpula Mundial sobre Alimentação, que aconteceu em Roma (novembro de 1996) afirmou-se
que “A produção mundial de alimentos aumentou rapidamente durante os últimos 30 anos, e
chegou a superar o crescimento demográfico. Entretanto, no mundo de hoje, onde é possível
produzir alimentos suficientes para fornecer uma dieta adequada a todos, centenas de milhões de
pessoas sofrem com a fome. Ainda persiste a desnutrição crônica, principalmente nos países de
baixa renda, que geralmente dependem da agricultura. Enquanto essa situação persistir, será
necessário haver um esforço para acelerar o desenvolvimento agrícola e rural, visando a
eliminação da fome generalizada”.

No campo, o lugar onde se manifestam mais evidentemente a estreita relação entre os recursos
naturais, a capacidade de produção e o nível de vida da população, as condições de
sobreexploração ou subutilização dos recursos naturais são associadas geralmente à situações de
pobreza.

Agricultura orgânica

A agricultura orgánica - ou ecoagricultura- é um sistema de produção baseado na rotação de


cultivos, resíduos de cultivos, adubos animais, adubos verdes, leguminosas, dejetos orgânicos
provenientes do exterior do terreno, lavoura mecânica, rochas minerais e controle biológico de
pragas para manter a produtividade e fertilidade do solo, controlando os insetos, males e doenças.

Esse modelo evita ou restringe consideravelmente o uso de fertilizantes e pesticidas químicos


sintéticos, assim como reguladores de crescimento (hormônios) e aditivos para pastos de gado.

Essa agricultura é praticada em mais de cinqüenta países. Os Estados Unidos encabeçam a lista,
com mais de 300.000 agricultores e menos de 1% das terras agrícolas; enquanto a Comunidade
Européia registra um número entre 12.000 e 13.000 produtores orgânicos.

Métodos e técnicas

Dentro do modelo da agricultura orgânica, o solo desempenha um papel determinante, já que o


objetivo é o de manter um equilíbrio dinâmico, formado pelos organismos vivos como bactérias,
fungos, parasitas da terra e uma alta taxa de matéria orgânica, para que as plantas se
desenvolvam de maneira exuberante e sem doenças.

Os métodos e técnicas utilizados na agricultura orgânica são:

Manejo orgânico do solo - reciclagem de biomassa para promover uma cobertura


permanente do solo e a reciclagem de nutrientes, mediante práticas como a adubação
verde, que consiste em incorporar uma massa vegetal cultivada (geralmente leguminosas)
com o objetivo de enriquecer o solo com nitrogênio, reciclar os lixiviados do solo e
melhorar o conteúdo de materia orgânica; e fertilizantes orgânicos derivados de dejetos
animais (esterco e urina); assim como de outras fontes orgânicas.

Fabricação de compostagem - técnica baseada na transformação dos residuos orgânicos


mediante a ação dos microorganismos. São duas etapas: física (desintegração) e química
(decomposição)

Rotação de cultivos - o revezamento de cultivos diferentes de maneira contínua e na


mesma área. Geralmente são alternadas gramíneas com leguminosas, para manter a
fertilidade do solo. A rotação de cultivos variados é um elemento chave para evitar a
proliferação de pragas e doenças.

Associação de cultivos - as plantas associadas adequadamente beneficiam-se umas às


outras, utilizando melhor as propriedades do solo, da água e do Sol, como por exemplo, o
cultivo de milho combinado com feijão, fava e abóbora.

Controle biológico - esse método consiste em eliminar um parasita ou um inseto daninho


para um cultivo por meio de seus inimigos naturais.

Benefícios e limitações

Uma das limitações apresentadas pela atividade orgânica é que o trabalho necessário é muito
maior, em comparação com aquele utilizado para as práticas modernas. Outra limitação é a restrita
disponibilidade de quantidades adequadas de fertilizantes orgânicos, como o esterco. Além disso,
a falta de acesso fácil a fontes confiáveis de informação sobre agricultura orgânica cria uma
barreira para essa conversão. Por esse motivo, muitos agricultores adotariam essa tecnologia se
dispusessem de mais informação baseada em pesquisa.

A diferença mais importante entre a agricultura orgânica e a moderna é a restrição ao uso de


fertilizantes e pesticidas químicos artificiais. Na agricultura orgânica, é menor a quantidade de
petroquímicos, já que essa prática é mais eficiente no uso da energia que a agricultura
mecanizada. Esses fatores, juntamente à alta contínua dos preços dos fertilizantes, pesticidas e
combustíveis, fazem com que o modelo de agricultura orgânica seja uma opção mais viável para o
desenvolvimento do campo.

Fontes de informação

? CALVA, J.L., et al. Alternativas para el campo mexicano. Tomo II. Fundación Friedrich
Ebert y PUAL-UNAM, Editorial Fontamara, México, 1993.

? OCD. Desarrollo sustentable: estrategias de la OCDE para el siglo XXI Organización para
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? ECHARRI, Luis. Livro eletrônico - Ciencias de la tierra y del medio ambiente. Escuela
Superior de Ingenieros de San Sebastián, Universidad de Navarra. Navarra, Espanha.
http://www.esi.unav.es/Asignaturas/Ecologia/Hipertexto/00General/IndiceGral.html

? ENKERLIN, E., et. al. Ciencia Ambiental y Desarrollo Sostenible. International Thomson
Editores, México, 1997.

? GRANADOS, D. e López, G. Agroecología. Universidad Autónoma Chapingo, México,


1996.
? MASERA, ASTIER e S. LÓPEZ-RIDAURA. Sustentabilidad y manejo de recursos
naturales. Mundi-Prensa, México, 2000.

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