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Junguiana

v.35-1, p.21-31

Prevenção começa em casa:


contribuições da neurociência

Maria Paula Magalhães Tavares de Oliveira*

Resumo
O aumento do uso de drogas e de outros com- sintomas ou resiliência, dependendo da intensi- Palavras-chave
portamentos que também provocam dependên- dade do agente estressor, da maturidade do siste- Dependências,
cia é evidente no mundo contemporâneo, assim ma nervoso e da relação entre criança e cuidador, prevenção,
desenvolvimento,
como a dificuldade no tratamento das depen- quer sejam eles pais, parentes, professores, ami-
arquétipo,
dências. Os achados da neurociência podem gos, analistas, enfim, pessoas com as quais seja
epigenética.
contribuir, dando subsídios para a prevenção possível estabelecer uma relação significativa. „
dessa patologia. O presente trabalho aborda a
importância do processo de tomada de decisão
nas dependências, enfocando o cérebro do ado-
lescente, e enfatiza o papel da intersubjetividade
no desenvolvimento. Estudos recentes que des-
crevem alterações epigenéticas relacionadas a
adversidades sofridas na vida precoce são apre-
sentados, assim como dados que mostram que
algumas alterações podem ser revertidas por
meio da qualidade do vínculo com o cuidador.
A prevenção é discutida como ação que começa
com a humanização dos arquétipos da grande
mãe e do pai, e continua vida afora, uma vez que
as adversidades podem contribuir para gerar

* Doutora em psicologia experimental pelo Instituto de Psicologia


da USP; analista membro da Sociedade Brasileira de Psicologia
Analítica; colaboradora do Projeto Quixote.
E-mail: <mpm_fto@uol.com.br>

RevistaRevista
da Sociedade
da Sociedade
Brasileira
Brasileira
de Psicologia
de Psicologia
Analítica,
Analítica, 2016 „ 21
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Nas últimas décadas, o consumo de drogas segurança e bem-estar para os filhos, acabam
vem se ampliando, assim como suas conse- pouco disponíveis, não privilegiando tempo e es-
quências. Passou a ser corriqueiro o relato de paço para a convivência e a intimidade. Além da
crianças e adolescentes que consomem álcool televisão, cada vez mais jogos eletrônicos são uti-
e começam a usar drogas cada vez mais cedo. lizados para entretê-los. Computadores, tablets
Novas drogas vêm sendo sintetizadas e seu uso, e celulares passaram a fazer parte do cotidiano,
disseminado, principalmente entre jovens que permitindo passatempo e até contato com outras
frequentam “baladas” (SANUDO; ANDREONI; pessoas, via tecnologia. Entretanto, o contato
SANCHEZ, 2015). Além do ecstasy (MDMA) e da humano é fundamental para o desenvolvimento.
cannabis sintética, há outras substâncias, como É na convivência que se humanizam os arquéti-
catinonas sintéticas (Flakka, Vanilla Sky) e fene- pos e a falta dessa convivência traz consequên-
tilaminas (N-Bome), cujos efeitos ainda não são cias. Depressão, ansiedade e dependências são
bem conhecidos pela comunidade médica e que transtornos prevalentes nos dias de hoje. Qual
podem ser adquiridas até pela internet. Meca- a influência dessa forma de viver atual dos pais
nismos neurobiológicos envolvidos nas depen- nos filhos? Quanto isso contribuiu para aumen-
dências vêm sendo elucidados com cada vez tar transtornos psiquiátricos na infância e na ado-
mais detalhes. Teorias comportamentais, cogni- lescência (mais especificamente, uso de álcool e
tivas e psicodinâmicas foram elaboradas e gru- de outras drogas)? O presente trabalho pretende
pos de autoajuda, como Alcoólicos Anônimos relacionar novos achados da neurociência a pre-
(AA) e Narcóticos Anônimos (NA), proliferaram. No venção, visando estimular resiliência e diminuir o
entanto, o tratamento de dependentes continua risco de psicopatologia, com ênfase principalmen-
pouco efetivo e campanhas de prevenção tam- te em dependências.
pouco mostraram resultados consistentes.
O estilo de vida da época pós-moderna agra- Neurobiologia da dependência
va esse quadro, incentivando não só o consumo Os estudos recentes ajudaram a compreender
de drogas, mas comportamentos que proporcio- melhor o mecanismo da dependência e por que é
nam sensação de prazer ou alívio, nem que seja tão difícil tratá-la. Quando há uso recorrente de
por algum período. Em tempos de Facebook, drogas psicotrópicas, um estímulo muito mais
Instagram etc., imagens de felicidade e sucesso potente do que o natural trapaceia o sistema ce-
imperam, assim como a necessidade de estar rebral de recompensa. Como afirma Damasio
conectado. A sensação de urgência e de cobrança (2003), os estados de alegria traduzem coorde-
atinge a todos e o imediatismo se impõe. Trocam- nação fisiológica ótima e um fluxo desimpedido
-se mensagens cada vez mais curtas e esperam-se das operações da vida. No entanto, os “mapas
respostas instantâneas (OLIVEIRA, 2013). Como neurais” que sinalizam a alegria podem ser falsi-
bem descreve Bauman (1998), na sociedade pós- ficados pelas drogas e não refletir o estado atual
-moderna, tudo é fluido, em movimento, e não há do organismo. Drogas procuradas para propor-
tempo de espera. Nesse ritmo, falta disponibilida- cionar bem-estar, com o uso repetido, induzem à
de interna para o encontro, para estar junto e ex- depressão. As marcas de consumo intenso des-
perimentar cumplicidade e solidariedade. sas substâncias ficam no corpo e o uso repeti-
Observam-se casais ansiosos por formar fa- do provoca neuroadaptações de longo prazo
mílias bem-sucedidas. Eficientes, frequentemen- (NESTOR; MALENKA, 2004).
te muito preocupados em garantir estabilidade, O processo de tomada de decisão tem papel

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central nas dependências, uma vez que o que ca- accumbens é mais ativado). A interação entre o
racteriza esse transtorno é o fato de o indivíduo córtex pré-frontal e as estruturas subcorticais
optar por um comportamento que provoca sen- muda durante o desenvolvimento. Com a idade,
sação de prazer imediato, em vez de resistir e de- aumenta a força de conexão e, em consequência,
cidir-se por uma recompensa futura. É importan- a capacidade de autocontrole (CASEY; JONES;
te lembrar que tomamos decisões o tempo todo, SOMERVILLE, 2011). Dessa maneira, adolescen-
geralmente de maneira inconsciente e automáti- tes tendem a ser mais impulsivos devido à fase
ca, entretanto, em alguns casos, é importante ter de desenvolvimento em que se encontram. Além
consciência da escolha e de suas implicações. disso, existem diferenças individuais em resistir
Assim, escolher pode ser tarefa difícil, uma vez ao impulso ou à gratificação imediata, observa-
que, ao se fazer uma opção, é necessário renun- dos na infância (MISCHEL; SHODA; RODRIGUEZ,
ciar as outras. Jung (1989) já falava da importân- 1989), que persistem na adolescência e na vida
cia do sacrifício no processo de individuação. Na adulta (EIGSTI; ZAYAS; MISCHEL et al., 2006).
tomada de decisão, pode haver conflito entre Estudos com imagem mostram que adolescen-
córtex pré-frontal (função executiva que avalia) e tes são mais sensíveis do que crianças e adul-
sistema límbico (que sinaliza a sensação de pra- tos a ameaças, no entanto isso não se traduz
zer). Dependência está justamente relacionada em seu comportamento, favorecendo que se ex-
à dificuldade de resistir a impulso associado à re- ponham mais a riscos (CASEY et al., 2011).
compensa imediata, apesar das consequências As pesquisas que estudam o funcionamento
negativas (PALMINI, 2007; VERDEJO-GARCIA; cerebral mostram que adolescentes podem fa-
BECHARA, 2009). zer escolhas sensatas, mas tendem a decidir mal
sob impacto de emoção (CASEY; CAUDLE, 2013).
Adolescência e o cérebro do adolescente E, nessa fase da vida, o que não falta são emo-
Nos adolescentes, esse aspecto tem importân- ções! Escolha e sacrifício exigem um sistema ma-
cia particular. Nessa fase da vida, há a constelação duro, capaz de reconhecer o que é melhor para
do arquétipo do herói, que favorece a passagem si, optando por ações que favoreçam o desen-
da infância para a vida adulta. A adolescência é volvimento. É necessário um diálogo equilibra-
caracterizada pela busca do inédito, pela experi- do entre eros e logos. Ou se sacrifica um polo a
mentação de novas sensações e por rupturas com favor do outro ou se suporta a tensão para trans-
padrões familiares. Em muitas culturas, essa pas- cender opostos e encontrar o novo. Os adoles-
sagem é marcada por rituais em que morte e centes se encontram frente a muitos dilemas e
renascimento ocorrem de maneira simbólica. No nem sempre têm condições de fazer um sacrifí-
entanto, na sociedade atual, muitas vezes o ritual cio ou suportar tensão por muito tempo. Tendo
não ocorre. É frequente a dificuldade em resistir a em vista a prevenção, objeto do presente artigo,
impulsos, sendo comuns comportamentos de ris- além da consciência desse fato para poder au-
co. É alta a incidência de acidentes graves, brigas xiliá-los nessa tarefa quando possível, é impor-
e uso de drogas que envolvem jovens, havendo tante explicitar aspectos que podem contribuir
atuação concreta e não apenas simbólica. para formar adolescentes capazes de escolhas
O córtex pré-frontal, responsável pelo controle mais sensatas e de identificar o que pode preju-
e eficiência cognitiva, ainda está em formação dicar esse processo.
durante a adolescência. As estruturas subcorticais
(que incluem o sistema límbico), responsáveis Desenvolvimento
pela saliência do estímulo, são mais sensíveis Os estudos recentes sobre desenvolvimento
nessa época da vida, sendo maior a suscepti- cerebral reforçam a tese de que prevenção co-
bilidade a estímulos emocionais (o nucleus meça em casa. A importância da constelação do

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arquétipo da grande mãe no cuidado, do arqué- primária. Observa-se uma coordenação mútua en-
tipo do pai na discriminação e do arquétipo do tre mãe e bebê, uma harmonização afetiva e uma
herói favorecendo transformação parece ter um cronometragem coordenada pela dupla. A inter-
correlato neurobiológico. O desenvolvimento do subjetividade secundária se verifica antes da ca-
cérebro se inicia na gestação e continua até a pacidade verbal ou simbólica, uma vez que, aos
idade adulta. Os achados da epigenética expli- 9 meses, bebês são capazes de ler a intenção
citam como cada um vai se desenvolver à sua do outro. Aos 12 meses, observa-se a importân-
maneira, uma vez que os genes se expressam cia da referência social: o estado afetivo mostra-
respondendo ao ambiente. do no outro é relevante para como a criança vai
Normalmente o arquétipo da grande mãe se se sentir. Aos 18 meses, a criança torna-se ver-
constela na gravidez. Mulheres eficientes e prag- bal, aprimorando sua forma de comunicação.
máticas muitas vezes se surpreendem valorizan- Novas formas de intersubjetividade são rapida-
do coisas que jamais lhes interessaram. O ritmo mente acrescentadas e, aos 5 anos, as crianças
diminui, sentem sono, ficam mais sensíveis. já adquiriram a “teoria da mente”, ou seja, a ca-
Conforme a gestação evolui, o ritmo da futura pacidade mais formal de representar estados
mãe muda. Volta-se para cuidar da casa, prepa- mentais de outras pessoas (STERN, 2004).
rar o canto para o bebê, enfim, mudanças no or- Assim, segundo Stern (2004), nossa vida men-
ganismo são acompanhadas por mudanças no tal é co-criada. O diálogo criativo contínuo com
psiquismo e se traduzem na maneira de viver. outras mentes é a matriz de subjetividade, en-
Quando o bebê nasce, o arquétipo da grande mãe volve a interpenetração mútua de mentes, haven-
reina e, conforme ele vai crescendo, o arquétipo do leitura do conteúdo da mente do outro. A iden-
do pai, introduzindo a lei, se faz cada vez mais tificação dos neurônios-espelho (RIZZOLATTI;
presente. Os arquétipos vão sendo humanizados, ARBIB, 1998) permitiu compreender como se dá
possibilitando a estruturação da personalidade e o processo de empatia e de estabelecimento de
o desenvolvimento de um narcisismo saudável contato intersubjetivo. O repertório de expres-
(GALIÁS, 2003). sões faciais e vocais, a linguagem de maneira
A importância da relação mãe-bebê é bem des- geral, não verbal e verbal, é muito eficiente em
crita pela literatura. Stern (2000) descreve o de- termos intersubjetivos. O olhar do outro ajuda a
senvolvimento e as fases de aquisição do Self e, fixar nossa autoposição relativa e a encontrar nos-
na revisão do seu célebre livro O mundo in- so senso de Self verdadeiro (STERN, 2004).
terpessoal do bebê, ressalta a importância de Esse processo explicita a importância da qua-
intersubjetividade desde o início da vida, mostran- lidade de relação para o desenvolvimento saudá-
do a relevância dos modos de estar com o outro vel da criança. O desenvolvimento emocional,
(que originalmente denominava RIG – represen- cognitivo e social vai se dando ao longo do tem-
tações de interações que foram generalizadas). po. A criança vai aprendendo a expressar seus
Esse autor afirma que intersubjetividade passou desejos e a controlar impulsos. Estudos mostram
a ser conceito central, outrora ocupado pelo in- que as crianças aprendem a não ser agressivas
trapsíquico. Ele descreve como, a cada fase do (TREMBLAY, 2010), ressaltando a importância da
desenvolvimento, a matriz intersubjetiva é mais presença do cuidador nesse sentido. Em condi-
rica e profunda, e relata que pesquisadores des- ções normais, a criança cresce e se desenvolve e,
crevem intersubjetividade já em crianças em ida- não havendo maiores intercorrências, passa pela
de pré-verbal e pré-simbólica. Bebês nascem com adolescência e chega saudável à vida adulta.
mentes afinadas com outras mentes; assim, po- Entretanto, nesse ritmo alucinado dos dias
de-se falar de psicologia de mentes mutuamen- atuais, muitos bebês não têm oportunidade de
te sensíveis, o que permite a intersubjetividade viver esse processo de desenvolvimento com

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relativa tranquilidade. Ansiedade, estresse, sin- Pesquisas realizadas no Canadá, a partir de uma
tomas depressivos, enfim, o estado emocional da grande tempestade em Quebec ocorrida em
mãe/do cuidador vai interferir na relação, uma vez 1998, que provocou graves danos na cidade e
que o bebê já capta a falta de disponibilidade afetou a população de forma severa, trazem con-
interna de quem cuida dele e reage a ela. Crian- tribuições interessantes nesse sentido. Cento e
ças agressivas, impulsivas e deprimidas, que apre- setenta e seis mulheres grávidas na época da
sentam sintomas desde pequenas, muitas vezes tempestade foram avaliadas e acompanhadas
já carregam uma história prévia. prospectivamente junto com seus filhos. Verifi-
cou-se que o comportamento ansioso, depres-
Contribuição da epigenética sivo e agressivo dos filhos estava relacionado
A epigenética trata da inter-relação dinâmica à vivência de estresse subjetivo da mãe na épo-
entre genes e experiência. Além das dificuldades ca da tempestade. Dessas, 36 mulheres permiti-
na relação mãe-bebê, foi observado que estímu- ram a coleta de sangue dos filhos para análise.
los ambientais podem provocar alterações na Observou-se que houve metilação em todos os
expressão de alguns genes, como as provocadas casos, permitindo concluir que metilação estava
por um processo chamado metilação (mudança relacionada ao estresse objetivo e que mudanças
na síntese de proteínas – a sequência do DNA na metilação permaneceram ao longo do tempo
não muda, mas o gene pode ser ativado ou si- em avaliações sucessivas, quando os filhos esta-
lenciado a partir de certas condições ambien- vam com 8 anos e, posteriormente, com 13 anos
tais). Algumas dessas alterações permanecem (CAO-LEI; MASSART; SUDERMAN et al., 2014).
como uma assinatura biológica, uma cicatriz, que Há estudos com animais que mostram os efei-
perdura ao longo da vida e pode ser transmitida tos da separação precoce da mãe e ilustram conse-
a gerações seguintes, e outras parecem ser re- quências epigenéticas da interação mãe-criança
versíveis. Essa expressão genética alterada pode (DETTMER; SUOMI, 2014). Ratos separados da mãe
ocorrer em múltiplos tecidos, incluindo o cére- ao nascer apresentavam, já aos 14 dias de vida,
bro, trazendo consequências para o funcionamen- metilação diferente do grupo controle. O impor-
to e a conectividade de circuitos neurais (MONK; tante a ser ressaltado é que experiências pós-na-
SPICER; CHAMPAGNE, 2012). tais podem moderar o efeito de vivências pré-
Consequências epigenéticas da interação -natais (MONK et al., 2012). Meaney e Sztf (2005)
mãe-criança vêm sendo estudadas (MONK et al., descrevem estudo com ratos que apresentavam
2012). Observou-se que vivências traumáticas ou comportamento ansioso comparado a ratos nor-
de estresse excessivo durante a gravidez podem mais. Esses autores verificaram que as fêmeas
provocar na futura mãe uma série de reações no normais lambiam com grande frequência seus
organismo que, via placenta, podem ser trans- filhotes, o que favorece o desenvolvimento sau-
mitidas ao bebê. A vulnerabilidade ao estresse dável, ao passo que as fêmeas ansiosas lam-
estabelecida no útero, como resposta ao estres- biam pouco seus filhotes e estes, ao crescerem,
se, depressão ou ansiedade pré-natal da mãe, entre outras consequências, tornaram-se ratos
pode levar a maior risco de psicopatologia. Por ansiosos. Em estudo posterior, os filhotes de fê-
exemplo, estudos realizados na Holanda com meas ansiosas foram trocados pelos filhotes de
mulheres que passaram fome devido à guerra fêmeas normais e vice-versa. O resultado foi sur-
mostraram associação entre características da preendente: verificou-se que, ao trocar as mães
vida das mulheres grávidas e desenvolvimentos estressadas por mães lambedoras normais, filho-
de saúde mental e cognitivos de seus filhos: tes, aos crescerem, tornaram-se adultos normais;
fome e estresse tiveram efeito neurotóxico no cé- e os que foram cuidados pelas mães ansiosas
rebro em desenvolvimento (MONK et al., 2012). tornaram-se ansiosos. Foi o comportamento da

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mãe que fez a diferença! Dessa maneira, se o ciclo de mães que não passaram por essas situações
não for interrompido, mãe ansiosa gera filhote adversas. Bebês/crianças que passaram por si-
ansioso, que, sendo fêmea, vai ser mãe ansiosa tuação de estresse intenso, negligência ou abuso
de filhote ansioso etc. (físico, sexual e/ou emocional) podem desenvol-
Pesquisas recentes com macacos apresentam ver alterações epigenéticas. Como o desenvolvi-
resultados na mesma direção. Sabe-se que a falta mento neural continua até os 20 anos e diferen-
de relação de apego seguro nos primeiros anos tes regiões do cérebro amadurecem em épocas
traz consequências para a saúde física e mental, distintas, há relação entre o momento e a intensi-
com efeitos que variam de acordo com o gênero dade da vivência de situação adversa (estresse) e
(CONTI; HANSMAN; HECKMAN et al., 2012). O gru- possível consequência, como patologias e trans-
po de pesquisa liderado por Suomi tem trazido tornos do desenvolvimento (LUPIEN; MCEWEN;
contribuições importantes para a compreensão de GUNNAR; HEIM, 2009). O resultado da exposição
fenômenos como ansiedade, alcoolismo, com- ao estresse depende da intensidade do estresse
portamento impulsivo, agressivo e antissocial e do estado de maturação da região do cérebro.
(DETTMER; SUOMI, 2014). Os pesquisadores des- Os circuitos se adaptam bem ou mal ao ambien-
crevem o comportamento de filhotes de maca- te adverso, como negligência socioemocional,
cos separados da mãe ao nascerem e as dife- abuso e experiências traumáticas. Isso pode re-
renças observadas quando esses filhotes foram sultar em sistemas neuronais disfuncionais, que
comparados aos que foram criados com a mãe. podem desencadear transtorno mental ou pro-
Filhotes separados precocemente apresentavam vocar respostas adaptativas e resiliência para si-
padrão de comportamento mais explosivo, al- tuações de estresse no futuro (BOCK; RETHER;
guns com déficits, e, aos 2 anos de idade, essas GROGER et al., 2014).
diferenças eram maiores. Observou-se menos Adversidades na vida precoce podem promo-
serotonina em diferentes áreas do cérebro e al- ver cicatrizes em áreas pré-frontais e límbicas,
gumas diferenças estruturais. Com relação ao regiões essenciais para o controle de emoções,
genoma, também foram notadas alterações. Al- aprendizagem, memória e tomada de decisão. O
guns genes eram mais ativados e outros menos estresse prejudica a regulação entre córtex pré-
(PROVENÇAL; SUDERMAN; GUILLEMIN et al., -frontal e sistema límbico, delicada no adolescen-
2012). Em estudo em que filhotes foram criados te, ainda em processo de formação. O que difere
somente com seus pares, ao ser introduzido um uso, abuso e dependência é justamente essa ca-
adulto no grupo, quando tinham entre 6 e 7 me- pacidade de conter impulso e avaliar a situação
ses, mudanças importantes foram observadas. para tomar a melhor decisão. Yan e cols. (2013)
As brigas entre os filhotes cessaram. As altera- afirmam que disfunções no córtex pré-frontal
ções não ocorreram apenas com relação ao com- relacionadas a avaliação, regulação emocional e
portamento, mas também no índice de cortisol, tomada de decisões precedem o abuso de dro-
na expressão dos genes e na metilação. Houve gas. A presença de fatores genéticos (sistema do-
alteração na expressão de alguns genes e a dife- paminérgico e serotonérgico) e ambientais, como
rença que havia entre esse grupo e o grupo de negligência, abuso (físico, sexual e/ou emocional)
controle desapareceu. Os pesquisadores cha- e estresse, contribuiriam para alguns indivíduos
mam atenção para o fato de que a intervenção serem mais propensos a ter problemas com uso
mudou a metilação um ano depois. Padrões fo- de drogas do que outros.
ram reversíveis! Assim, se nos adolescentes é natural maior
Assim, bebês filhos de mães que passaram impulsividade e exposição a risco, quando há
por vivências traumáticas ou depressão podem adversidades na vida precoce, os riscos de
nascer com alterações, se comparados a bebês consequências negativas ou de presença de

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psicopatologia são ainda maiores. Esses fato- diversas, enquanto outros tentam aplacá-la por
res devem ser ressaltados quando se pensa em meio do prazer imediato proporcionado pelo uso
prevenção, principalmente para interromper a ca- de substâncias ou pela prática de outros com-
deia epigenética. portamentos que proporcionam essa sensação.
Nem sempre acreditam que vale a pena lutar pelo
Prevenção de dependências que querem. O objetivo é logo banalizado ou é
A prevenção de dependências se dá em ações uma meta idealizada e inatingível. Há adolescen-
que propiciem a formação de indivíduos que atra- tes que não encontram motivos pelos quais fa-
vessem as diferentes etapas da vida e suas ad- zer sacrifícios. Ou então, que não sabem que é
versidades podendo fazer escolhas sensatas, necessário fazer sacrifícios, pois têm tudo à mão,
que tenham maior capacidade de resistir à grati- ou, ainda, que acreditam nas imagens de suces-
ficação imediata. Para tanto, esses indivíduos so fácil que consomem nas mais diversas mídias.
têm que conseguir parar e pensar para escolher; Portanto, é importante resgatar a jornada do he-
querer se cuidar; ter por que esperar por recom- rói, que tem que enfrentar batalhas e acender o
pensa futura. A presença de projetos, sonhos e prazer em conquistar desafios. O arquétipo do
esperança favorece a capacidade de suportar herói deve entrar em cena, auxiliando a enfrentar
frustração e persistir (OLIVEIRA, 2005). Isso se adversidades sem sucumbir; a criar estratégias e
constrói na relação com o outro, após terem hu- propiciar um diálogo equilibrado entre eros e
manizado os arquétipos da grande mãe e do pai, logos para transcender os polos opostos, encon-
tendo estruturado bem os papéis matriarcal e trar alternativas, inaugurar o novo. A presença do
patriarcal, sendo capazes de serem bons “pais” adulto – estimulando esse processo, testemu-
e “mães” de si mesmos (GALIAS, 2003). nhando, compartilhando sua própria experiência,
Bebês, quando pequenos, precisam de con- reconhecendo a dificuldade do adolescente e con-
tingência perfeita e, conforme crescem, é impor- ferindo sentido – contribui para que ele persista
tante a contingência imperfeita. Em boa medida, no seu caminho de individuação.
estresse pode provocar respostas adaptativas e
resiliência para situações de estresse no futuro. Considerações finais
Trata-se de um processo contínuo de autonomia Adolescentes são mais vulneráveis a abuso
progressiva em que a presença do outro é fun- e dependência devido à própria fase de desen-
damental. Adolescentes precisam testar seus li- volvimento em que se encontram. Adversidades
mites, se diferenciar de seus pais e encontrar sua sofridas durante a gestação e/ou primeira infân-
identidade. Para tanto, é necessária a presença cia podem deixar marcas e prejudicar os siste-
de pessoas significativas nessa fase conflituosa, mas envolvidos no processo de tomada de deci-
acolhendo e dando parâmetros, permitindo cres- são, sensíveis nessa época da vida. A consciên-
cimento e desenvolvimento. No entanto, frequen- cia de que adversidades provocam mudanças na
temente, pais e educadores não estão disponí- expressão de determinados genes – que, por sua
veis ou, então, não sentem segurança para im- vez, produzem alterações de comportamento ou
por limites aos adolescentes. Faltam figuras que até quadros psiquiátricos que podem ser trans-
inspirem respeito ou, pelo contrário, que supor- mitidos de uma geração a outra – realça a ne-
tem os questionamentos dessa fase e ajudem a cessidade de intervenções que possam tratar,
conferir significado às experiências. Nesse mun- reverter ou, pelo menos, minimizar esses danos.
do em permanente transição, os valores andam Epigenética e individuação, os genes se expres-
confusos, faltam referências e muitos adolescen- sam respondendo ao ambiente e cada um vai se
tes sentem-se perdidos. Alguns tentam expres- desenvolver de maneira singular. Saber que o vín-
sar sua angústia por meio de atuações as mais culo tem papel fundamental nesse processo faz

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toda a diferença. Intersubjetividade e comunica- o desenvolvimento da singularidade de cada in-


ção não verbal acontecem o tempo todo. Ter isso divíduo, que contribuem para a individuação.
em mente é importante para fazer bom uso des- Vivemos em um país marcado pela violência,
sa habilidade e estimular momentos de atenção desigualdade, pobreza, má condição de educação.
ao outro. Resgatar o papel fundamental de en- Um cenário em que é comum gravidez precoce,
contros significativos é imprescindível para fa- negligência, abuso de álcool e outras drogas,
zer frente à tendência atual de cuidado tercei- enfim, uma série de fatores que contribuem pa-
rizado e comunicação por texto e imagem, via ra manter o ciclo de violência e patologia. Esses
tecnologia. estudos ressaltam a necessidade de se investir
Exclusão gera exclusão, indiferença gera in- em cuidados básicos para interromper esse ci-
diferença, violência gera violência. Assim, é ne- clo. Campanhas de prevenção de gravidez na
cessário romper esse padrão. Atenção pode ge- adolescência, acompanhamento pré-natal, orien-
rar atenção. Humanizar o arquétipo da grande tação para amamentação e garantia de um am-
mãe para o cuidado e o arquétipo do pai para a biente com condições para pais poderem cuidar
discriminação é fundamental, e isso se dá por de seus filhos são fundamentais. Preparar edu-
meio de investimento nos vínculos. É muito va- cadores para terem a noção de que a qualidade
lorizada e divulgada a importância de oferecer do vínculo vai imprimir uma marca que pode
estímulos adequados às crianças e oportunida- mudar o curso da história da criança passa a ser
des de aprendizagem, mas o aspecto básico do imprescindível. Resgatar o valor da participação
contato, do encontro e da qualidade do vínculo na vida familiar durante todo o percurso, desde
vem sendo negligenciado. a gestação até a adolescência, ressaltando a im-
A vida é feita de encontros. Encontros trans- portância da presença, do modo de estar com o
formam! Esses estudos chamam atenção tam- outro, não só corpo presente e cabeça distante,
bém para a importância do trabalho do analista. como o uso de celulares denuncia, parece tarefa
Análise é encontro por excelência; encontro em óbvia, mas não é.
local e horário determinado, em vaso fechado É importante ressaltar que qualquer atividade
que possibilita uma intimidade singular. Falar de pode ser pretexto para promover essa oportuni-
si para um desconhecido, o sujeito suposto sa- dade de encontro significativo, que ajuda a cons-
ber, como definido por Lacan, que ocupa um lu- tituir um sujeito com identidade própria. Portan-
gar, mas que pode exercer diferentes funções de to, prevenção começa em casa e continua vida
acordo com o caso e com o momento. Pode ser afora, uma vez que pode ser realizada por todos,
a mãe suficientemente boa, o pai que discrimina, pois se trata de humanizar os arquétipos por meio
o irmão que compartilha. Encontros que ajudam de vivências significativas, que não se restringem
a instaurar a capacidade de pensar e a traduzir o a de pais e filhos, analistas e analisandos. Todo
que não pode ser dito, que conferem significa- encontro pode ter papel decisivo! „
do à experiência e ajudam o indivíduo a encon-
trar sentido na vida. Encontros que favorecem Recebido em: 16/12/2016 Revisão: 26/5/2017

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Abstract

Prevention starts at home: contributions from neuroscience


The increase of drug abuse and of other be- some alterations can be reverted by the quality
haviors that can lead to addiction are evident of the bond with the caregiver. Prevention is dis-
in contemporary world, as well as the difficul- cussed as an action that begins at home with
ties related to addiction treatment. Neuro- the humanization of the great mother and the
science data can contribute to the prevention father archetypes and continues throughout life,
of this pathology. The present paper shows the once adversities can contribute to generate
importance of the decision-making process in symptoms or resilience, depending on the stress
addiction, focusing in the adolescent brain and intensity, the maturity level of the nervous sys-
emphasizing the role of intersubjectivity in the tem and the relationship between the child and
development. Recent studies describing epige- the caregiver, being them parents, educators,
netic alterations related to early life adversities friends, analysts or whoever the child can estab-
are presented, including data revealing that lish a significant relationship with. „

Keywords: addiction, prevention, development, archetype, epigenetic.

Resumen

La prevención comienza en casa: aportaciones de la neurociencia


El aumento del uso de drogas y otras conduc- datos que revelan que algunas alteraciones
tas que causan dependencia es evidente en el pueden ser revertidas por la calidad de vínculo con
mundo contemporáneo, así como las dificultades el cuidador. La prevención se discute como una
relacionadas con el tratamiento de las adicciones. acción que comienza en casa con la humanización
Los datos de la neurociencia pueden contribuir a de los arquetipos de la gran madre y del padre, y
dar subsidios para prevenir esta patología. El pre- continúa a lo largo de la vida, ya que las adver-
sente trabajo muestra la importancia del proceso sidades pueden contribuir a generar síntomas o
de toma de decisiones en adicción, se centra en resiliencia, dependiendo de la intensidad del
el cerebro de los adolescentes y enfatiza el papel estresor, la madurez del sistema nervioso y la
de la intersubjetividad en el desarrollo. Se pre- relación entre el niño y su cuidador, sean padres,
sentan estudios recientes que describen alteracio- educadores, amigos, analistas o cualquier otra
nes epigenéticas relacionadas con las adversi- persona con la que el niño pueda establecer una
dades sufridas en la vida temprana y se incluyen relación significativa. „

Palabras clave: adicción, prevención, desarrollo, arquetipo, epigenética.

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