Você está na página 1de 3

1 – LEITURA DO PROBLEMA

O candidato deverá ler o problema com atenção, para extrair seus dados indispensáveis e
conseguir realizar a peça processual. Para entender o enunciado, e retirar dele dados essenciais, é
necessário seguir um roteiro de questões senão vejamos:
a) Qual a infração penal praticada?
No enunciado da OAB, a infração penal pode aparecer de duas formas:
1. Com a indicação do artigo da Lei Penal.
Exemplo: José encontra-se preso em virtude de sentença condenatória proferida pelo
MM. Juiz da 6ª Vara Criminal, por ter incorrido nas penas do artigo 213, caput, do
Código Penal...
2. Com a descrição da conduta criminosa, junto ou sem artigo da Lei Penal.
Exemplo: José e Antônio, que trabalhavam no mesmo escritório de contabilidade em
São Paulo, não mais conversam nem se cumprimentam em razão de vários fatos que se
sucederam: no dia 28/1/04, José ofendeu Antônio, além de ameaçá-lo no sentido de que
não hesitaria em tirar-lhe a vida. As ofensas e ameaças foram feitas na presença de várias
testemunhas. Neste enunciado, a indicação da infração aparece descrita através dos
fatos narrados (crime contra a honra), sem indicação do artigo da lei penal.
O candidato não pode esquecer que no Brasil, em matéria de infração penal, adota-se o
sistema dicotômico, ou seja, a infração penal é gênero, do qual duas são as espécies: crime ou
delito (maior gravidade) e contravenção penal (menor gravidade).

b) Qual a espécie da ação penal?


Para o candidato descobrir a espécie da ação penal, deve consultar a Lei Penal e buscar
o artigo da infração penal indicada no enunciado:
1. Se não estiver nada previsto a respeito da ação penal, concluir pela regra, ou seja, que se
trata de ação penal pública incondicionada;
2. Se estiver prevista a seguinte expressão: "somente se procede mediante queixa", concluir
que a ação é penal privada. Para descobrir a espécie da ação penal privada, usar a seguinte
regra:
 se no enunciado aparecer o crime de induzimento a erro essencial (artigo 236, caput e
parágrafo único, do Código Penal), concluir que a ação penal privada é personalíssima;
 se no enunciado não aparecer o crime mencionado e constar a inércia do Ministério
Público, a ação penal privada é subsidiária da pública;
 se no enunciado não aparecer o crime que enseja a ação penal privada personalíssima,
nem constar a inércia do Ministério Público, a ação penal privada é exclusiva.
3. Se estiver prevista a seguinte expressão: "somente se procede mediante representação",
concluir que a ação é penal pública condicionada à representação.
4. Se estiver prevista a seguinte expressão: "somente procede mediante requisição do
Ministro da Justiça", concluir que a ação é penal pública condicionada à requisição do
Ministro da Justiça.

c) Qual a sanção penal?


Sanção penal é a conseqüência jurídica aplicada ao infrator da Lei Penal. No
ordenamento jurídico brasileiro são duas: (a) pena; (b) medida de segurança.
Pena é sanção imposta pelo Estado, mediante o devido processo legal, com característica
retributiva, preventiva e reeducativa, aplicada aos imputáveis e semi-imputáveis, desde que
comprovado juízo de culpabilidade. A pena pode ser: abstrata ou cominada, que é a prevista
na Lei Penal no preceito secundário, num limite mínimo e num limite máximo, e concreta ou
aplicada, que é a imposta pelo juiz na sentença criminal.
Medida de Segurança é a sanção imposta pelo Estado, mediante devido processo legal, com
característica preventivo-curativa, aplicada aos inimputáveis e semi-imputáveis, desde que
comprovado juízo de periculosidade. A Medida de Segurança pode ser: detentiva: internação em
hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, ou outro estabelecimento adequado; e restritiva:
tratamento ambulatorial.
Para o candidato descobrir a sanção penal, deve ter como ponto de partida o dado da infração
colocada no enunciado:
1. Pena abstrata: para descobrir a pena abstrata, o candidato busca na Lei Penal.
Exemplo: Suponha que o enunciado fale do crime de estupro, previsto no artigo 213 do
Código Penal. Neste caso, a pena abstrata é de reclusão de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
2. Pena concreta: para descobrir a pena concreta, o candidato verifica no enunciado o conteúdo
da sentença condenatória dada pelo juiz.
Exemplo: Tício foi denunciado e afinal condenado a pena de um ano de reclusão por
emissão de cheque sem provisão de fundos, pelo MM. Juiz da 20ª Vara Criminal. Neste caso,
a pena concreta é de 1 ano de reclusão.
3. Medida de segurança: para descobrir se foi imposta medida de segurança o candidato
verifica no enunciado o conteúdo da sentença absolutória dada pelo juiz: se absolver, sem
impor medida, chama sentença absolutória própria; se absolver e impuser medida, chama
sentença absolutória imprópria.
Exemplo: João da Silva foi denunciado pelo Ministério Público porque teria causado em
Antônio de Souza, mediante o uso de uma barra de ferro, as lesões corporais que o levaram à
morte. Durante a instrução criminal, o juiz, de ofício, determinou a instauração do incidente
de sanidade mental do acusado. A perícia concluiu ser este portador de esquizofrenia grave.
Duas testemunhas presenciais arroladas pela defesa afirmaram, categoricamente, que no dia
dos fatos Antônio de Souza, após provocar o acusado, injustamente, com palavras de baixo
calão, passou a desferir-lhe socos e pontapés. Levantando-se com dificuldade, João alcançou
uma barra de ferro que se encontrava nas proximidades e golpeou Antônio por várias vezes,
até que cessasse a agressão que sofria. Encerrada a primeira fase processual, o magistrado,
acatando o laudo pericial, absolveu sumariamente João da Silva, aplicando-lhe medida de
segurança, consistente em internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico
pelo prazo mínimo de dois anos.

d) Qual o procedimento criminal?


O candidato, para descobrir o procedimento criminal, tem que já ter extraído do
enunciado a infração penal praticada, bem como sua pena abstrata.
Dessa forma, se a pena privativa de liberdade abstrata máxima for menor ou igual a dois
anos, o procedimento será o sumaríssimo previsto nas Leis nº s 9.099/95 e 10.259/01. Não
importa se possui procedimento especial ou se é caso de competência da Justiça Federal.
Se a pena privativa de liberdade abstrata máxima for superior a dois anos, o candidato
deve verificar se existe na Lei Penal procedimento especial: se tiver: segue o procedimento
especial; se não tiver: o candidato deve olhar a espécie da pena abstrata: se for reclusão, o
procedimento será o Ordinário; se for detenção, o procedimento será o Sumário.
Cabe ressalvar que todas as contravenções penais, tenham ou não procedimento
especial, são infrações de menor potencial ofensivo, sujeitas, portanto, ao procedimento
sumaríssimo.

e) Qual o momento do procedimento criminal?


Para o candidato averiguar e precisar o momento do procedimento criminal, tem que
conhecer os procedimentos processuais que existem na Lei Penal. Tais procedimentos já
foram vistos em capítulo anterior.
Supondo que o candidato já conheça os procedimentos criminais, podemos estabelecer
os seguintes tipos de momentos, visando dar uma uniformidade entre os procedimentos
existentes:
1. Momento da investigação da infração penal.
2. Momento da ação penal: oferecimento da denúncia ou queixa.
3. Momento processual: do recebimento da denúncia ou queixa até a sentença.
4. Momento da sentença.
5. Momento do acórdão.
6. Momento do trânsito em julgado.
7. Momento da Execução Penal.

f) Qual é o cliente?
O candidato no Exame de OAB tem que posicionar como advogado, postulando os
interesses de alguém, que pode ser:
1. Crime de Ação Penal Privada: não importa o momento do procedimento criminal. O
candidato pode atuar:
 em nome do infrator, cujas terminologias são: (a) na fase da investigação: investigado
ou indiciado; (b) na fase processual: réu ou acusado ou querelado;
 em nome da vítima pela infração penal, cuja terminologia na fase processual é autor
ou querelante.
2. Crime de Ação Penal Pública: não importa o momento do procedimento criminal. O
candidato pode atuar:
 em nome do infrator, cujas terminologias são: (a) na fase da investigação: investigado
ou indiciado; (b) na fase processual: em nome do réu ou acusado;
 em nome da vítima pela Infração penal, cuja terminologia na fase processual é autor
ou querelante, no caso de inércia do Ministério Público;
 em nome do assistente de acusação.

g) Qual a situação prisional?


Quando o candidato da OAB estiver postulando em favor dos interesses de um infrator
da Lei Penal, deve sempre verificar a situação da liberdade de locomoção do seu cliente:
1. solto;
2. preso: para especificar a espécie de prisão, o candidato tem que saber quais são as espécies
de prisão que existem no ordenamento jurídico: (a) penal: decretada após o trânsito em
julgado da sentença penal condenatória; (b) processual ou cautelar ou provisória: decretada
antes do trânsito em julgado da sentença penal, podendo ser: flagrante, temporária,
preventiva, por pronúncia e por sentença condenatória recorrível; (c) civil: decretada em
caso de devedor de pensão alimentícia e depositário infiel; (d) disciplinar: decretada na
ocorrência de crime militar próprio ou transgressão militar; (e) administrativa: decretada
nas hipóteses do artigo 319 do CPP;
3. iminência de ser preso.

h) Qual a situação jurídica do seu cliente?


Nesta questão, o candidato tem que ler o enunciado, verificar o problema ou a
irregularidade praticada contra o seu cliente e descobrir, com base na legislação, doutrina e
jurisprudência, uma solução para o seu cliente.
Para descobrir a solução jurídica para o caso concreto, o candidato tem que buscar no
índice remissivo dos Códigos e livros as palavras-chaves e procurar até achar uma solução
para o caso e conhecer previamente as teses da área penal.