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Presidente da Repú blica

José Sarney

Ministro-Chefe da Secretaria de Planejamento e Coordenação


João Batista de Abreu

Secretário-Geral
Ricardo Luis Santiago

FUNDAÇÃO
INSTITUTO BRASILEIRO
DE GEOGRAFIA
E ESTATÍSTICA - IBGE

Presidente
Charles Curt Mueller

Diretor-Geral
David Wu Tai

Diretor de Pesquisas e Inquéritos


Lenildo Fernandes Silva

Diretor de Geocieências
Mauro Pereira de Mello

Diretor de Informática
José Sant' Anná Bevilaqua

Chefe do Departamento de Recursos Naturais e Estudos Ambientais


Luiz Góes Filho
BALANÇO HIDRICD
ECLIMA DA
rn~rnoom rnrn~ rn~rnrnmrnrn~
SECRETAR IA DE PLANEJAMENTO E COO RDENA ÇÃO DA PRES IDt;N CIA DA REPúBLI CA

. ~·fUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA - IBGE


-~ Diretoria de Geociências - DGC
Departamento de Recursos Naturais e Estudos Ambientais - DERNA .

BALANCO •
HÍDRICO
ECLIMA DA
rn~rn~mrn rnrn~ ~~rnrnmrnrn~
Coordenação de
Edmon N imer
Ana Maria P. M . Brandão

Rio de Janeiro ·
1989
FUNDAÇAO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATfSTICA - IBGE
Av. Fran klin Roosevelt, 166 - Centro
20 021 - Rio de Jan eiro, RJ - Brasil

ISBN 85-240-0164-X
©- IBGE- 1989

Ba lanço hídrico e c lima da reg1ao dos Cerrados I Coordenação de


Edmon Nimer, Ana Maria P. M. Brandão. - Rio de Janei ro : IBGE,
Departamento de Recu rsos Naturais e Estudos Ambi enta is, 1989.
166 p. : ii.
Convênio IBGE / EMB RAPA
Bibliografia: p. 122
ISB N 85-240-0164-X

1. Hidrometeorologia- Bra si l - Cerrados. 2. Cerrado s - Clima.


I . Nimer, Edmon . 11. Brandão, Ana Maria P. M. I II. IBGE. Departa-
mento de Recursos Naturais e Estudos Ambi enta is.

IBGE. Gerênci a de Doc umenta ção e Bib li oteca CDU 551. 57(81-0CER)
RJ -IBGE/ 89-06
Equipe do Projeto

Execução

Ana Maria P. M. Brandão


Edmon imer
lolinda Gavinho
Sonia Regina P. Chagas
Aglae L. de S. D'Avila

Colaboração
..
Ronaldo Gimenez
Luiz C. A. Meneses
José Ronald . Lemos
Aníbal R. Fontes
José Carlos Q. M. Castro
Jorge Carlos C. de Azevedo
Rosane M. Tampasco
SUMÁRIO

OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

1 - INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

2 - ANALISE DO BALANÇO HíDRICO ANUAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

2 .1 - Altura anual da precipitação pluviométrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16


2. 2 - Necessidade potencial de água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2. 3 - Precipitação Efetiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2. 4 - D éficit de Precipitação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
2. 5 - Evapotranspiração Real . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2. 6 - Defici ência e Excedente Hídrico . . . . . . . . . . . . . . . • . . . . . . . . . . . . . 21
2. 6. l - Defi ciência Hídrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2 . 6 . 2 - Excedente Hídrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2. 6 . 3 - Volume de água da estação de excesso . . . . . . . . . . . . . . . 27
2. 6. 4 - lotas sobre o "veranico" . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2. 7 - Runoff . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

3 - ESSE 1CIAIS DE UMA CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA . . . . . . . . . . . . . 31

3. 1 - Algumas considerações metodológicas a partir da teoria geral . . . 31


3. 2 - Tipologia climática derivada do Balanço Hídrico: Metodologia . . . 34
3. 3 - Climas baseados no Grau de Umidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
3 . 3. 1 - Umidade Efetiva, índices de Aridez e de Umidade . . . 37
3. 3. 2 - Tipologia Climática - 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40

3. 4 - Climas ba eados na eficiência t énnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42


3. 4. 1 - Antecedentes teóricos de investigação . . . . . . . . . . . . . . . 42
3. 4 . 2 - Tipologia Climáti ca - 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
4 - DESCRIÇÃO E c~NÁLISE DO BALANÇO HíDI<ICO M:I!:S-A-MÊS A
PARTIR DE LOCALIDADES SELECIONADAS .... ... ............ . 45
4. 1 - Maranhão ............ ... . . ..... . ... . . .. . . . . ... ..... . . . .. . 46
4.2 - Piauí ............................. . ....... ... . ........ . . . 6U
4.3 - Goiás .. . .. .......... . . . ..... . ........ . . ...... . ..... . . . .. . 70
4.4 - Mato Grosso .. ......................... . . . ......... . .... . 76
4. 5 - Mato Grosso do Sul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..... . . 88
4.6 - Bahia ............................. . . ..... . . .... .. . . . 95
4. 7 - Minas Gerais ......... . ............. . .. . . . ........ . . . . ... . 98
4. 8 - Rondônia ................. .... . . .. . ........ . . . 116

5 - CONCLUSõES ......... . . .. ................... .... . .. .. . . . . 117

6 - RESUMO . .... . .. ....... . .. ... ... . .. . .. ....... . ... .. ... ... ... . 119

BIBLIOGRAFIA 121

ANEXO 1 - Tabelas e Gráficos ...... .. ..... . 123

Tabelas-Síntese de Balanço Hídrico das Estações Selecionad as


- CAD ELEITA: 100 mm

Maranhão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . l24
Piauí 127
Goiás 132
Mato Grosso do SEI . . . . . . . . . . . . . . . . . . ........ . . .. ... ... . 135
Mato Grosso 13\:1
Bahia 143
Minas Gerais 150
São Paulo ........... . .. ... . ............... ... . ........ . . . 160
Ceará . ... . .. . . . . . . . . ........ . ......... . . . .. . ....... . . . . .. ... . .. . 160
Pernambuco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160
Pará ........ . ... . ... .... .................. . . ......... . . . . . . .. . 160
Amazonas 160
Rondônia 160
Gráficos de Balanço H ídrico por Esta ções Selecionaclas
- CAD ELEITA: 100 mm
Maranhão . . . .. . .... . .. . . . ... . ... . . .. .. . .. . . .. . . 125
Piaui 129
Goiás 133
Mato Grosso do Sul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137
Mato Grosso 141
Bahia ........ .. ........ . . . .... .. . .... . . . . ............... .. .... . . 14.6
Minas Gerais .. . ........ . ... . ............ . . . . . . .. . . ... .. .. .. . . . . . . 153
São Paulo .............. . .. . ..... . .. . . . .. . . ..... ... .. . . . . . . .. ... . 163
Ceará ..... .. . . . .... . . ..... . .. .. ... . .. . ... .. . ....... .. ... . . . .. . . . 163
Pernambuco 165
Pará 165
Amazonas 165
Rondônia 166

ANEXO 2 - Cartogramas inseridos em bolsa anexa ao volume.

1 - Estações Meteorológicas Selecionadas


Escala: 1:5 .000.000

2 - Mês Mais Quente - Média (°C)


Escala: 1:5 . 000 .000
3 - Mês Mais Quente - Época de Freqüência Normal
Escala: 1:5.000.000

4 - Mês Mais Frio - Média (°C)


Escala: 1:5 .000.000

5 - Mês Mais Frio - Época de Freqüência Normal


Escala: 1:5 . 000 .000

6 - Altura Anual da Precipitação (mm)


Escala: 1:5 . 000 . 000
7 - Evapotranspiração Pote ncial Anual - Necessidade de Água ( mm)
Escala: 1:5.000.000

8 - Precipitação Efetiva - Excesso e Déficit de Precipitação Anual ( mm)


Escala: 1:5.000.000
9 - Déficit de Precipitação - Duração e Época de Ocorrência
Escala: 1:5 . 000 . 000
10 - Evapotranspiração Real Anual (mm)
Escala: 1:5.000 .000
11 - Meses de Deficiência Hídrica
Escala: 1:5.000.000
12 - Deficiência H ídrica Anual (mm)
Escala: 1:5.000.000
1:3 - ~il' cs tl e E:- cctle nlc ll ídrico
E~ ca l a: 1:2.500 . 000

I·J - Excedente Hídrico :\n ua ! ( 111111 )


Escala: 1:2.500 . 000

1.5 - Umidad e Efctiva


Escn la: 1:.5. 000. 000

16 - fndi cc d e Aridez
Escala: 1:.).000.000

lí - fndic e d< • midadc


Escala: J :2 ..'500. 000

18 - Tipologi a Climú tica 1 L' midaclc


Escala : 1:2.500.000

1Sl - Tipologia Climútica 2 - Efici <\ ncia Térmica


Esca la : l:2.500.000
OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS

Os objetivos específicos desta pesquisa resultam dos objetivos gerais


do "Projeto Cerrado" 0 , quais sejam o de conhecer a potencialidade dos
recursos e processos físicos, bi6ticos e humanos da Região dos Cerrados
e, a partir daí, oferecer aos órgãos de planejamento um documen to valio-
so aos planos de ocupação racional dessa região, de acordo com a política
de integração de todas as regiões brasileiras ao sistema nacional de pro-
dução. Considerando o caso specífico dos cerrados, esta integração
deverá se processar através do aumento da produção, da produtividade
e da diversificação de cultivos, ou seja, uma integração movida por uma
política de aproveitamento agrícola racional dos diversos ambientes dos
cerrados.
A pa; tir dessas considerações foi traçado o plano de desenvolvimento
deste projeto, com base no modelo contábil de balanço hídrico de
Thornthwaite & Math er ( 3) ( 4 ) ( 5) , e utili zando método da climatologia
normativa, procurou-se obter um quadro o mais detalhado possível da dis-
b.ibuição espacial dos mais importantes pru:âmetros do regime hídrico sazo-
nal da Região dos Cerrados, através dos valores "normais", isto é, do con~ ­
portamen to padrão das variáveis do balanço hídrico: precipitação, tempe-
ratura, evapob·anspiração potencial e real, precipitação cfetiva, neces-
sidade potencial de água, armazenamento e disponibilidade de água no~
solos, runoff e os p eríodos de cheias e vazan tes dos rios.
Foram ainda consb·uídas duas tipologias climáticas derivadas de um
modelo classificador baseado no p adrão de dish·ibuição desses parâ-
metros.
Espera-se que os resultados desta pesquisa forneçam subsídios espe-
ciais para elaboração de um zoneamento agroclimatológico da Região
dos Cerrados, ab·avés de análise de certos indicadores revelados neste

0 Este trabalho, concluído em 1980 , re:, ulta de um converuo entre n FunUação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatlstica - IBC E e a Empresa Ur ••sileirn de Pe•quisn Agropecu•\ria
- EMBRAPA relativo ao " Projeto Cerrado" - 1977

11
trabalho e complementados por outros a serem eleitos de acordo com
as exigências particulares de cada espécie de cultura economicamente mais
desejável.
A fim de atender a uma maior gama de interesses práticos de plane-
jamento cconômico regional, é desejável que os resultados obtidos através
deste trabalho venham a ser enriquecidos por outras investigações nas
quais os parâmetros revelados neste documento possam ser analisados
ab·avés de séries estatísticas temporais que visem ao reconhecimento da:>
oscilações, ano-a-ano, do balanço hídrico e das flutuações climáticas.
Recomenda-se para t al, que essa investigação seja levada a cabo a partir
de unidades geoclimatológicas selccionadas, seguindo critério de repre-
sentatividade regional, emersas das tipologias climáticas estruturadas neste
trabalho. Numa investigação dessa natureza devem ser empregados mé-
todos próprios da climatologia fís ica através do uso de técnicas estatísticas
de dispersão temporal ( Cartograma 1 e Tabelas em anexo).
Considera-se, contudo, que os resultados revelados neste documento
constituem mais do que uma razoável aproximação do quadro complexo e
rico dos recursos lúdricos e dos componentes climáticos dos ambientes
dos cerrados que se desejou conhecer.
O zoneamento agroecológico de um2 região visa à caracterização da
potencialidade do meio ambiente para um assentamento mais racional
de culturas econômi cas . É através de sua análise que se obtém respostas
quanto à viabilidade t écnica de instalação de culturas cm regiões específi-
cas (uma vez que pode oferecer a correta aptidão às variáveis climato-
lógicas ) dos solos locais e das culturas consideradas.
Tos es tudos de viabilidade natural para implan tação e d esenvolvi-
mento da atividade agrop ecuária, o clima é, evidentemente, o fator pri-
mordial da aptidão ecOlógica a ser es tudada. As limitações e possibilidades
decorrentes dos solos e de outros fatores naturais, embora igualmente im-
portantes, dependem das possibilidades e limitações climáticas.
Além dos objetivos c justificativas referidas, o Projeto Balanço Hídrico
e Clima da Região dos Cerrados almeja, ainda, fornecer subsídios a di-
versos setores de pesquisas ambientais, tais como, hidrológicas, pedológi-
cas e de engenharia ambiental, como também as de regionalização físico-
geográfica e ecológica, inserindo-se deste modo aos princípios de ordem
econômica c social, os quais exigem que os planos de desenvolvimento
garantam o uso adequado dos recursos, de tal forma qu e estes sejam
utilizados em consonància ao princípio básico da conservação: máximo
rendimento, p elo maior tempo c em benefício do maior número de pessoas.

12
1 - INTRODUÇÃO

Enquanto a ocorrência de caatingas do Nordeste está sempre rela-


cionada à existência de deficiências hídricas durante 7 a 12 meses, seja qual
for o tipo e grau de fertilidade dos solos sobre os quais a vegetação se
situa - constituindo-se num clímax ecológico· ligado unicamente à natureza
de seu clima seco -, as associações vegetais dos cerrados parecem se cons-
tituir em um clímax ecológico ligado tanto a fatores climáticos como aos
de natureza edáfica. É claro que do ponto de vista climático, não apenas
a ocorrência das formações florestais úmidas e as de caatinga, mas tam-
bém as dos cerrados são limitadas pelas disponibilidades climáticas de
água, e embora o clima não exerça sobre os cerrados aquela influência
preponderante tão facilmente evidenciada sobre as caatingas, não é di-
ficii, para quem estuda as relações entre clima e formações vegetais, esta-
belecer uma linha de aproximação entre os domínios ecológicos dos cerra-
dos e os parâmetros climáticos.
O regime sazonal climático da Região do Cerrado é regido por três
sistemas principais de perturbação atnwsférica geradores de tempos ins-
táveis e chuvas:
- os S-istemas de Oeste, representados por "linhas" de instabil:idades
tropicai.s ( IT) que atuam principalmente no verão sobre os Estados de
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia e Minas Gerais. Sua ação
sobre o Maranhão e Piauí é de importância secundária;
- os Sistemas de N arte, representados pela convergência intertropical
( CIT) , que são mais freqüentes no verão e outono, principalmente nesta
última estação. Sua ação é praticamente limitada ao Maranhão e Piauí;
- os Sísternas de Sul, representados pelas frentes polares ( FP). A ação
destas instabilidades frontais são mais freqüentes no inverno e decrescem
bruscamente para norte. Enquanto Mato Grosso do Sul - excluindo o
Pantanal Mato-grossense - é beneficiado por chuvas frontais durante quase
todo ano, no Maranhão e Piauí elas são praticamente inexistentes.

13
Os sistemas de norte c d e oeste são os mais importantes causadores d e
chuvas, e o enfraquecim ento d e ambos na primavera e no inverno constitui
a principal razão das prolongadas secas norm ais qu e caracteri zam estas
estações, quando a região fica sob regime predominante dos ventos diver-
gentes e anticiclônicos das altas tropicais. Conseqüentemente, nenhuma
outra região do território nacional possui clima tropical tão bem carac-
terizado quanto o da Região dos Cerrados.
ão obstante suas latitudes tropicais, esta região apresenta uma varia-
ção espacial da temperatura relativamente importante, a qual se d eve à
notável extensão meridional ; à passagem d e correntes d e ar frio de origem
polar (Siste mas de Sul ); c ao relevo.
No semestre primavera-verão as temperaturas se m antêm quase cons-
tantemente elevadas , principalmente na primavera, ocasião em qu e o sol
passa p elos paralelos da reg ião diri gindo-s e para o sul , e a estação das
chuvas ainda não se iniciou. Os meses mais qu entes assinalam médias ele
26° a 28°C no norte; 24° a 26°C nas sup erfícies baixas elo centro e sul;
e inferior a 24°C nas superfícies elevadas ele Goiás, Mato Grosso elo Sul,
Mato Grosso , Bahia e Minas Gerais. Nesses meses, excluindo as áreas ele-
vadas , as médias el as máxim as di á ri as variam d e 30° a 36°C ele sul para
norte, e as máximas diárias , n ão raramente, atingem valores el e 40°C , e até
mesmo 42°C no Pantanal M a to-grossense c norte ele Goiás.
No inverno, em função elo d ecréscimo ele umidade do ar (efeito ela
continentalidade) e das invasões sucessivas de sistemas de circulação
atmosférica d e origem polar, toda região, excluindo Maranhão e Piauí,
fica sujeita a mínimas diárias de tempera turas muito baixas: m édias d e
12° a l6°C d e sul para norte nas superfícies baixas c 6° a l2°C nas
terras altas. estas últimas áreas, mínimas cerca de 0°C não são muito
raras. Entretanto, como as mínimas diárias muito baixas d ep endem de
condições muito especiais - situações pós-frontais com massas d e ar pular
ou de transição, com baixa capacidade d e retenção d e vapor d'água nos
seus níveis inferiores, ventos fracos ou calmarias, e forte radiação telúrica
~ as médias dos m eses d e inverno não d escem a níveis compatíveis às
suas mínimas diárias. Razão p ela qu al somente as terras altas ele Minas
Gerais c do sul de Mato Grosso do Sul, apresentam m édias mensais de
inverno inferiores a l8°C , porém mantendo-se acima d e l5°C. Apenas os
níveis acima d e l . 000 ou l. 200 m etros registram m édias inferiores a
l5°C. Ao contrário, a maior parte do t erritório da Região do Cerrado
não possui sequer um m es cuja t emperatura m édia seja inferior a 20°C,
e no norte d e Goiás e sul elo Maranhão chega a ser superior a 24°C .
Assim sendo, cerca d e 60% ele toda Região dos C errados possui clima
Mega.térmico. A outra parte é abrangida por climas Mesotérmicos. D estes,
os mais representativos p ertencem às classes m esotérmicas próximas d e
clima M egatérmico.
O cerrado é uma região d e elevado índice d e precipitação, predo-
minando valores anuais m édios entre l. 000 e 2. 000 mm porém, mal dis-
tribuídos no tempo. Sua forte concentração no verão - para a maior parte

14
da região - ou no outono faz com que essas regwes sejam caracterizadas
por excesso de água, intenso escoamento superficial e por enchentes dos
rios (verão para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais
e Bahia; e outono para o Maranhão e Piauí) , enquanto que o inverno
e a primavera são estações marcadas por profunda deficiência hídrica,
por solos secos e vazantes dos rios. Tais deficiências normais que constituem
características marcantes do clima da Região dos Cerrados são respon-
sáveis por severas limitações para uso agrícola, com redução de seu
potencial forrageiro, impedimento p ara estender a esse período algumas
culturas anuais; e conseqüentemente, limitações no aproveitamento de
mão-de-obra e maquinário agrícola. Motivo pelo qual - excetuadas al-
gumas poucas áreas onde se pratica a irrigação - a agricultura intensiva
fica restrita à estação úmida.
Entretanto, considerando a ausência praticamente geral do uso da
irrigação, do ponto de vista agroclimatológico, outro fator negativo da Re-
gião dos Cerrados reside no fato de que - excluindo os Estados do
Maranhão, Piauí e, de certa forma o norte de Mato Grosso e Goiás - o
restante da região está sujeito ao regime de secas dentro da estação chuvo-
sa, o qual pode p ersistir durante duas ou três semanas. Este fenômeno
é conhecido regionalmente como "veranico" ( Cartogramas 2, 3, 4 e 5 ).
Não obstante a eventual incidência de "veranicos" e os "normais"
altos índices anuais de precipitação, a Região dos Cerrados, pelo seu
balanço hídrico sazonal, caracterizado normalmente por 5 a 6 meses de
deficiência hídrica, possui climas Subúmido e Omido. No con texto geral
da regionalização ecológica do território brasileiro eles se inserem como os
mais representativos de um vasto domínio de transição entre os domínios
úmidos e superúmidos das florestas p erenes ou subcaducifólias da Ama-
zônia e zonas litorâneas e os domínios semi-áridos cobertos p elas forma-
ções xerófilas da caatinga do Nordeste.

15
2- ANÁLISE DO BALANÇO HíDRICO ANUAL

2. 1 - Altura anual da precipitação pluviométrica

O conhecimento dos totais pluviométricos anuais médios, ou ano-a-ano,


são muito importantes para qualquer política de planejamento econômico
regional, uma vez que forn ecem parâmetros indispensáveis para avaliaçRo
do potencial hídrico de qu e podem dispor os planos de irrigação dos solos,
de regularização dos rios, de abastecimento de suas populações denh·e
outros, cujo êxito do empreendimento depende dos níveis de disponibili-
dade dos recursos hídricos.
Neste aspecto particular, o cerrado é uma região privilegiada, uma
vez que, embora a distribuição espacial de sua precipitação seja bastante
diversificada, os valores predominantes situam-se entre 1. 000 e 2. 000 mm.
A característica mais marcante desta distribuição é dada pela tendência
geral de decréscimo de noroeste para sudeste. Ao norte esta tendência
obedece a um gradiente muito inclinado, decrescendo de 2. 000 a 800 mm
do noroeste do Maranhão a sudeste do Piauí, quando penetra nos domínios
ela caatinga. Na zona central do cerrado , entretanto, esta tendência segue
um gradiente bem mais frouxo, decrescendo de 2. 400 a 1. 400 mm ao longo
de um território três vezes mais vasto, que se estende do noroeste de
Muto Grosso ao sul de Minas Gerais.
Escapam a esta tendência o Pantanal Mato-grossense, onde a perma-
nência quase constante de massas de ar continental, oriundas diretamente
da baixa do chaco, não p ermite totais médios pluviométricos maiores do
que 1. 200 mm . Ouhas áreas marginais são representadas pelos vales dos
rios São Francisco e Jequitinhonha que, em Min~_s Gerais, fugindo aos
domínios do cerrado e penetrando nos da caatinga, apresentam valores
que chegam a descer a níveis inferiores a 1. 000 mm ( Cartograma 6) .

16
2. 2 ~ Necessidade potencial de água

Nem toda água de precipitação fica naturalmente disponível, quer


para as comunidades bióticas, quer para as populações humanas . Em
qualquer ambiente natural, uma certa quantidade de água precipitada
retorna à atmosfera pelo processo de evapotranspiração. Na maioria dos
lugares ocorre que em certas épocas do ano o input hídrico atmosférico
se verifica em quantidade inferior a necessidade de água.
Assim sendo, os totais pluviométricos devem ser analisados conside-
rando as relações entre esses valores e o output potencial, que constitui
a quantidade de água evapotranspirável sob condições ideais de forneci-
mento de água. Este output é expresso pela evapotr(mspiração potencial
( EP) que, neste documento, representa a capacidade potencial máxima
de água evapotranspirável em função da temperatura e do tempo/hora
de luz solar ( sunlight) para cada mês. Isto significa que através do co-
nhecimento do potencial de evapotranspiração pode-se inferir o volume
de água necessária, os períodos sazonais de excesso e de déficit de preci-
pitação com as indicações sobre cheias e vazantes dos rios e, o que é
mais importante para os planos de aproveitamento agrícola, reconhecer
os meses em que as culturas, de acordo com suas necessidades particulares,
dispõem de maior ou menor quantidade de água no solo.
Refletindo a posição geográfica da Região dos Cerrados - situada
na zona intertropical - e o seu conseqüente clima Tropical Megatérm.ico
e Mesotérmico, os ambientes dos cerrados possuem altíssimos valores
anuais de evapotranspiração potencial. Em sua maior parte, porém, in-
feriores aos valores pluvioméb·icos. Contudo, os valores de EP variam
muito no espaço regional em função de dois fatores principais, latitude
e altitude, e em ambos, na razão inversa. As influências de outros fatores,
tais como, vento, sistema de circulação atmosférica, umidade relativa e
nebulosidade, estão de certa forma indiretamente implícitas nas conside-
rações daqueles dois fatores.
O cartograma 7 - Evapotranspiração Potencial - destaca o norte do
Maranhão, com potencial dos maiores do país, superior a 1 . 700 mm.
Dessa área até ao cenb·o de Goiás, há um decréscimo gradativo muito
lento, uma vez que os valores mais baixos se mantêm acima de 1. 425 mm.
Em função, entretanto, das temperaturas normalmente mais baixas
sobre as chapadas e serras de Mato Grosso, Goiás, Bahia e sul do Piauí, o
potencial de evapotranspiração nessas áreas é consideravelmente men.or,
inferior a 1.140 mm, chegando, até mesmo, a níveis abaixo de 997 mm.
Outras áreas de menor necessidade de precipitação aparecem em Minas
Gerais, onde as temperaturas mais baixas das mais altas superfícies dos
terrenos cristalinos, basálticos ou sedimentares, combinadas ao menor com-
primento do tempo/hora de insolação, não exigem mais de 997 mm de
precipitação ao ano.
Por outro lado, em zonas deprimidas, representadas pelas baixas alti-
tudes de algumas bacias hidrográficas, tais como, as dos rios São Francisco,

17
Jequitinhonha e Pantanal Mato-grossense, as temperaturas mais elevadas
intensificam o processo de evapotranspiração, tornando a necessidade po-
tencial de á~ua bem mais elevada: para o vale do Jequitinhonha o mínimo
necessário e de 1. 282 mm; para o vale do São Francisco preponderam
valores entre 1.140 e 1. .567 mm e para o Pantanal Mato-grossense a neces-
sidade supera o nível de 1.. 425 mm.

2. 3 - Precipitação Efetiva (PEF)

A grande maioria das espécies vegetais não utiliza a água · díreta-


mente da atmosfera, mas sim dos estoques do solo. Assim sendo, tai s
estoques devem ser avaliados a partir da relação entre a precipitação e a
evapotranspiração potencial.
Como foi mencionado, nem toda quantidade de água de precipitaçao
fica disponível para estocagem no solo. Parte dela retorna à atmosfera
pela evapotranspiração. A partir d essa idéia o conceito de evapotranspbi~
ção é desenvolvido de duas formas: evapotranspiração real ( ER) que
consiste na quantidade de água efetivamente evapotranspirada e evapo~
transpiração potencial ( EP) que representa, como foi visto, a capacidade
potencial máxima de água evapotranspirável em função da· temperatura,
do tempo/hora de luz solar ( sunlight) e outros fatores menos impor-
tantes. Assim sendo, EP representa a necessidade de úgua e ER o pro-
cesso de retorno de água à atmosfera. A subtração algébrica entre ·PRE e
EP define a precipitação efetiva (PEF = PRE-EP) . Se aPRE é superior
a EP, a PEF é positiva, isto é, a quantidade de água precipitada excede
às necessidades de suprimento às formações vegetais; se é inferior; :1
~EF ,é negativa, o q~e significa um ~uprimento hídrico atmosfé~·ico in~e­
nor a demanda ambiental e, consequentemente, o volume de agua d1s~
ponível para o solo é inferior a EP. Neste caso, há deficiência de água
( DEF) e não se verifica runoff ( RUN ); ao contrário, se a disponibilidade
supera a EP ocorre excedente hídrico ( EXC) e, conseqüentemente, runoff.
O cartograma 8 mostra a distribuição geográfica das precipitações
efetivas e, por conseguinte, expressa a relação entre a precipitação e ·a
necessidade potencial de água.
A isaritma de valor zero une os pontos onde essa relação é equilibrada
( PRE = EP) , significando, pois, a linha que separa as áreas de precipita-
ção efetiva positiva das de precipitação efetiva negativa. As positivas cons-
tituem aquelas em que os valores anuais de precipitação são superiores
aos da necessidade potencial ( PRE > EP) e as negativas representam
aquelas áreas em que os valores anuais de precipitação são inferiores :\s
necessidades ( PRE < EP).
A análise espacial desse parâmetro salienta que em quase toda Região
dos Cerrados os valores anuais de precipitação excedem aos da evapb-
transpiração potencial. Embora essa relação não se mantenha positiva ao
longo do ano - como pode ser observado no ca1tograma 9 - os valores
anuais positivos da PEF, por si só, representam um fator altamente favo-

18
rável ao suprimento de recurso hídrico às populações, principalmente no
que diz res}Jeito à disponibilidade de água para uso agrícola.
Considerando que o valor padrão da capacidade de armazenamento
máximo de água nos solos é de 100 mm, qualquer exces~o de precipitação
que ultrapasse esse valor fica direta e indiretamente para o consumo das
comunidades humanas, podendo alimentar as represas ~ serem utilizadas
nas estações de natural carência de oferta.
Para esta última finalidade deve ser observado que a maior parte
da Região dos Cerrados possui PEF positiva superior a 200 mm, chegando
à classe de 600 a 800 mm, em certas áreas de Minas Gerais, Goiás, Mato
Grosso do Sul e Mato Grosso. Neste último Estado os valores chegam
até mesmo a ultrapassar o limite superior desta classe, porém já pene-
trando nos domínios da floresta amazônica.
No Maranhão esses excessos de precipitação se verificam a pa1til' do
verão, mas se concentram, sobretudo, no outono; em Goiás, Minas Gerais,
Mato Grosso e oeste da Bahia, iniciam-se igualmente ·n a primavera e
concentram-se especialmente no verão. Em Mato Grosso do Sul, o qua-
dro se modifica um pouco: na metade leste o período de excesso inicia-se
na primavera e concentra-se especialmente no verão, entretanto na me-
tade oeste (Pantanal Mato-grossense) o período de deficiência de chuvas
se alonga de tal forma que a estação de excesso acaba por se confinar
no verão, porém com forte tendência a se deslocar para 6 outono. Razão
pela qual, esta área é vitimada, não raramente, por forte deficiência
hídrica durante parte do verão.
Contudo, nem toda Região dos Cerrados possui relação anual PRE/EP
positiva. Quase todas as áreas de cerrados no Maranhão e Piauí, pequena
parcela do norte de Goiás, as áreas dos chapadões do oeste da Bahia
voltadas para o vale do São Francisco, os vales dps rios São Francisco e
Jequitinhonha e o Pantanal Mato-grossense apresentam balanços negati-
vos que, no entanto, não são muito grandes, embora em certas áreas os
déficits alcancem valores entre 400 e 600 mm: Pantanal Mato-grossense,
sudeste do Piauí, vales dos rios São Francisco e Jequitinhonha em Minas
Gerais. Déficits superiores a 600 mm também ocorrem, porém, em áreas
de domínio da caatinga (Piauí e vale do São Francisco).

2.4 - Déficit de Precipitação

Em nenhuma parte do mundo o regime de precipitação pluviométri-


ca é distribuído igualmente. Em geral, ele se caracteriza por uma esta-
ção de abundância e excesso e por uma de escassez e déficit . Do ponto
de vista ecológico e agroclimatol6gico as estações de carência .ou déficit
de chuvas são mais imp01tantes que os de excesso, uma 'vez que as defi-
ciências definem limites rigorosos de tolerância para as espécies vegetais.
E isto é tanto mais importante para as culturas agrícolas dos cerrados,
considerando a ausência quase absoluta de práticas de irrigação nessa
região.

19
A distribuição espacial das deficiências pluviométricas na Região dos
Cerrados é claramente caracterizada pela predominância de uma estação
cuja inequação PRE > EP tem duração de 5 a 7 meses . consecutivos .
A dispersão geográfica do comprimento dessa estação é controlada,
principalmente, pelos sistemas dinâmicos da atmosfera já descritos. Há
um contínuo crescimento no sentido noroeste-sudeste. Ao norte - Mara-
nhão e Piauí - o comprimento é de 6 meses a oeste (maio a novembro
ou junho a dezembro), tornando-se de oito meses a leste do Maranhão
e ao norte do Piauí (maio a dezembro) , até atingir 10 meses a sudeste
do Piauí (abril a janeiro ), quando p enetra nos domínios da caatinga.
Ao sul destes Estados, o comprimento cresce do noroeste de Mato Grosso
( 4 meses - maio a agosto ou junho a setembro) ao oeste da Bahia e
Minas Gerais ( 6 a 7 meses - maio/ abril a outubro e abril a setembro/
outubro) . Déficits de 8 a 10 meses aparecem fora dos domínios dos
cerrados, nos vales dos rios São Francisco, Jequitinhonha, Doce e no
Pantanal Mato-grossense.

2 . 5 - Evapotranspiração Real (ER)

Como foi observado, o balanço hídrico da Hegião dos Cerrados é


caracterizado, sobretudo, por intensa evapotranspiração potencial, nota-
damente na primavera-verão . No Maranhão e Piauí chega alcançar os
maiores valores.
Paralelamente esse é o semestre de maior evapob'anspiraçâo real, cou-
centrando-se sobretudo no verão, embora no norte da região apresente
maior tendência de concenh·ação no outono.
As razões das taxas mais elevadas nessas estações são as seguintes :
radiação solar mais intensa e maior volume de água disponível. Com
efeito, nessas estações a radiação solar é mais intensa por unidade de
tempo e o comprimento do tempo diurno solar ( suniight) é mais longo .
Contudo, para alimentar o processo de evapotranspiração real não basta
a energia de radiação solar, torna-se evid entemente necessária que exista
água disponível. Considerando que tanto a oferta de energia como a
necessidade ambiental de água são ambas muito grandes nessa região,
sobretudo naquelas estações, é de se esperar que o processo de retorno
de água à atmosfera pela evapoh·anspiração seja muito intenso.
Evapotranspiração de determinado mês é igual ao somatório da
quantidade de água precipitada do mês em questão com a armazenada
no solo no mês anterior, menos o volume armazenado no mês em questão
- ER (t) = PRE (t) - ARM (t) + ARM (t-1) (Cartograma 10).
A quantidade de água evapob'anspirada na Região dos Cerrados varia
principalmente enb'e 800 a 1 . 200 mm. Taxas superiores a 1. 200 se verifi-
cam em áreas da floresta amazônica, onde, porém, as precipitações su-
peram em dobro as taxas de evapotranspiração.

20
Em contrapartida, em toda zona oriental dessa reg1ao, do Piauí a
Minas Gerais, a quantidade de água que retorna à atmosfera é um pouco
inferior àquela precipitada. Nos Estados do Piauí, Balúa e nos vales
dos rios São Francisco e Jequitinhonha a perda de água para a atmosfera
chega a ser quase a mesma daquela fornecida pela precipitação.
Outra característica da evapotranspiração nessa região é a sua forte
concentração - principalmente no verão-outono. Portanto, enquanto o
seu potencial, pela maior disponibilidade de energia solar, concentra-se
no semestre primavera-verão, o maior volume de água evapotranspirado
se dá geralmente no semesh·e verão-outono, por ser, este, mais chuvoso
que o anterior. Isto é tanto mais freqüente no Maranhão e Piauí, onde
as disponibilidades de energia e de água de precipitação melhor se justa-
põem.

2 . 6 - Deficiência e Excedente Hídrico

Neste modelo contábil de balanço hídrico, duas variáveis subjacentes


são consideradas e definidas: o armazenamento ( ARM), representado
pelo volume de água retido no solo e disponível às plantas e a negativa
acumulada (NEGAC ), que representa, ao contrário, o déficit potencial
de água no solo. Assim sendo, nes te sistema de inferição, o input lúdrico
ambiental é a PRE, e os outputs são a ER e, de certa forma, o EXC;
enquanto o ARM constitui a "caixa ou reservatório". Pode-se, portanto,
afirmar que o ARM de um certo período é função dos inputs do período
considerado ( t) e do ARM anterior ( t - 1). Existe, no entanto, um
limite máximo para o ARM, que varia em função da textura e espessura
do solo e das exigências hídricas específicas da vegetação . Este é o limite
de capacidade de água disponível, ao qual se denomina capacidade ele
campo (CAD ) . Quando o valor do AR ![ supera o da CAD, ocorrem as
perdas referidas por EXC.
Assim sendo, quando a evapoh·anspiração real é inferior à evapo-
lTanspiração potencial, ocorre deficiência hídrica (DEF = EP - EH).
Considerando que a quantidade evapotranspirada é função, como foi visto,
da PRE e do nível do ARM, tanto no excedente como na deficiência
hídrica, parte da água armazenada retorna à atmosfera pela evapoh·ans-
piração. Isto significa que a quantidade de água que o solo fomece à
evapoh·anspiração, num detemlinado período [ER ( t)], é função do nível
de ARM do período anterior [ARM ( t - 1)] e da diferença enh·e o
volume de água precipitada e a evapotranspiração do período em questão
( t) . Assim, quanto menor o ARM ( t - 1), tende a ser menor a ER ( t);
e quanto maior a PEF positiva ( t), tende a ser maior a ER ( t). Se
num determinado período ( t) a PEF é positiva, a evapoh·anspiração
real e a potencial são iguais [ER ( t) = EP ( t)] e esta diferença é adicio-
nada no ARM do período anterior ( t - 1), ocorrendo reposição de água
no solo. A reposição hídrica se verifica toda vez que o túvel de precipi-

21
tação supera o da evapotranspiração potencial ( PRE > EP) e o arma-
zenamento é inferior a capacidade de campo ( ARM > CAD). Essa re-
posição prossegue até que o armazenamento atinja a capacidade de campo
( ARM = CAD), o que, quando se dá, propicia excedente hídrico ( EXC
( t)). Ao contrário, se num determinado p eríodo ( t) a PEF é negativa,
ER ( t) < EP ( t) , e existe um certo nível de água armazenada no solo,
ocorre a utilização da água contida nesse reservatório. Esta utilização
prossegue até que seja esgotada inteiramente ou até que a PEF se torne
novamente positiva. A esse processo de reposição e utilização de água
do solo denomina-se alteração de água no solo ( AL TR), outra variável
subjacente definida.
Isto significa que os excedentes e as deficiências hídricas, que serão
a partir de agora abordados, diferem dos que até este momento foram
analisados. Enquanto os déficits e os excessos já descritos se referem aos
valores negativos ou positivos da relação PRE/EP, os déficits e os ex-
cessos analisados a seguir reportam-se aos excessos e déficits hídricos,
após consideração dos níveis de armazenamento e utilização de água do
solo 1 .

2.6.1 -Deficiência Hídrica (DEF )

Em quase todas as regiões do mundo o regime hídrico anual se


caracteriza por excessos e déficits sazonais de certa forma previstos, pelo
menos em termos qualitativos. Até mesmo as regiões que possuem gran-
de excessos anuais, como a Amazônia por exemplo, p ossuem, na maior
parte de seu território, áreas que se caracterizam por alguns meses de
deficiência. Excluindo as áreas desérticas ou quase áridas do globo, pode-
se dizer que a recíproca é verdadeira, isto é, as áreas de deficiência
anual possuem alguns meses caracterizados por alguns excedentes hídricos.
A estação de deficiência hídtica na Região dos Cerrados possui pre-
dominantemente 5 a 7 meses. Este é o comprimento padt·ão da estação
normalmente seca das áreas ocupadas pela vegetação elos cerrados de
Mato Grosso, Goiás, Bahia e Minas Gerais ( Cartogramas 11 e 12).
Nessas áreas os valores negativos de água variam, predominante-
mente, enb·e 200 a 500 mm em Goiás, oeste da Bahül e noroeste de
Minas Gerais; de 100 a 200 mm no Triângulo Mineiro, sul ele Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Tais déficits se verificam
enb·e fins do outono e início da primavera com aprofundamento no in-
verno em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Bahia; entre fins do inverno
e início do verão no Maranhão e Piauí, com aprofundamento na primavera.
Entretanto, algwnas áreas fogem normalmente desse padrão: 8 meses
no Piauí e les te do Maranhão - maio a dezembro - com déficits de

1 Considerando a insufici ência de iuformações bibliognüicas sobre as diferentes CAD para


os diversos solos dn Região d os Cerrados, elC'geu-se, neste documento, a CAD de 100 mm para
qualquer áJ:ea por ser esse o valo r padrão.

22
500 a 700 mm; e 4 meses em Mato Grosso do Sul, norte de Mato Grosso
e nos chapadões de Rondônia - 100 a 300 mm. Estações de compri-
mento superior a 8 meses ocorrem na Região dos Cerrados, porém em
áreas que penetram nos domínios da Caatinga - 500 a 900 mm. Da
mesma forma, estações com menos de 4 meses de déficits se verificam
em áreas de florestas úmidas e subúmidas - 50 a 300 mm.
Neste ponto duas observações devem ser destacadas:
- à primeira diz respeito à correlação entre o comprimento da estação
de déficit de precipitação ( Cartograma 9) e o da estação de déficit hídrico
( Cmtograma 12). Enquanto o déficit de precipitação é um índice exclu-
sivamente hidroclimático - relação entre a precipitação e a evapotrans-
piração potencial - o déficit hídrico é o resultado dessa mesma relação,
porém adicionado a uma certa quantidade ele água utilizada pelas plantas
após estocada no solo, tratando-se, portanto, de um índice hidropedológico.
Pode-se, também, considerar que o primeiro índice define estações cli-
matologicamente secas, enquanto o segundo caracteriza mais adequada-
mente o que se pode chamar de estações ecologicamente secas. Da análise
comparativa entre os referidos ca1togramas, pode-se observar, claramente,
que a utilização ela água estocada no solo após o término da estação ele
excessos ele precipitação torna, ele um modo geral, as estações ecologica-
mente secas em um mês mais curtas que as estações climatologicamente
secas. Como exemplos podem ser observadas as áreas do sul de Mato
Grosso do Sul. Nessa área, cinco meses climatologicamente secos trans-
formam-se em quatro meses ecologicamente secos; quatro transformam-se
em três; dois em um; e as áreas que possuem apenas um mês climatolo-
gicamente seco, quando examinadas após a utilização de água dos solos,
mostrUI11-Se não possuírem, sequer, um mês seco. Exemplos como estes
podem ser observados no Maranhão, Piauí e em Minas Gerais. Entretanto,
na maior parte de Goiás e Mato Grosso a referida redução de um mês
na extensão da seca não é muito bem .definida. Talvez s ja apenas de 15
a 20 dias. Contudo, deve ser lembrado que quanto maior for a CAD (ou
seja, a potencialidade do reservatório) maior será o volume de água dis-
ponível a ser ofertado às plantas, ao findar a estação de excesso. E neste
documento elegeu-se a CAD de 100 .mm como valor padrão;
. - a segunda observação refere-se à comparação entre o comprimento
da estação de déficit hidropedológico - estação ecologicamente seca -
e o correspondente valor quantitativo do volume deficitário de água desta
estação (Cmtogramas 11 e 12) . Esta específica comparação mostra que
a importância da água, armazenada no solo, é muito maior do que a
prim~ira análise comparativa permite explicitar. Mostra também que não
existe nenhuma correlação quantitativa definível.

23
Por exemplo:
- 4 meses de déficit hídrico em Rondônia, Mato Grosso do Sul e sul
de Minas Gerais correspondem a déficits de apenas 50 a 100 mm; en-
quanto que 4 meses em Mato Grosso correspondem à classe de 100 a
200 mm;
- 5 meses no centro-leste de Minas Gerais estão relacionados com a
classe de 50 a 100 mm; enquanto que no Triângulo Mineiro, sul de Goiás
e Rondônia se relacionam com 100 a 200 mm; e, em Mato Grosso, com
200 a 300 mm;
- 6 a 7 meses no Maranhão e Piauí estão relacionados com 400 a
600 mm; no oeste da Bahia, com 300 a 400 mm; no noroeste de Minas
Gerais, com 300 a 500 mm; no Pantanal Mato-grossense, com 200 a
300 mm e até menos.
Ess a ausência de correlações válidas para a Região dos Cerrados,
como um todo, demonstra que os valores quantitativos de déficit de pre-
cipitação, durante a estação ecologicamente seca, dependem não apenas
da duração da estação seca, mas, sobretudo, do caráter desta estação. Em
certas áreas da Região dos Cerrados a seca climatológica é caracterizada
por quase absoluta ausência de chuvas. As secas nessas áreas são, pois,
muito profundas e tão logo termina a estação de excesso ele chuvas o
solo tem seus estoques de água rapidamente esgotados. Ao contrário,
em Mato Grosso do Sul as chegadas periódicas de linhas de instabilidades
frontais (frentes frias) , durante a estação clima to logicamente caracteri-
zada por carências de chuvas, permitem um constante, embora incipiente,
recarregamento de água no solo que é imediatamente utilizada pelas plan-
tas. Este é o motivo pelo qual Mato Grosso do Sul se ressente menos
de carência de água do que, por exemplo, Maranhão e Piauí, dmante
a estação climatologicamente seca, isto é, de efetiva precipitação nega-
tiva. Estas são as mesmas razões que fazem com que 9 a 10 meses
secos no Pantanal Mato-grossense e no Piauí resultem em déficits muito
distintos. Enquanto essas áreas de longo período de PEF negativa resul-
tam déficits hídricos relativamente baixos, apenas 200 a 500 mm, no
Piauí, resultam d éficits de 700 a 900 mm.
Tais aspectos, descritos na primeira e segunda observação, são de
importância vital para a caracterização dos ambientes climáticos e ecológi-
cos da Região dos Cerrados, uma vez que:
- a época e a dmação da estação seca ou de deficiência hídrica
correspondem à estação de vazante dos rios;
- dependendo do valor do déficit hídrico dessa estação, os cursos
d'água podem ou não descerem a níveis críticos; o runoff pode cessar intei-
ramente para a maior parte da bacia atingida; e conseqüentemente seus
leitos d'água podem ficar, em sua maior parte, completamente secos,
como acontece na maior parte do Piauí;

24
- no caso de estações secas profundas, os estoques de água dos solos
ficam completamente esgotados, o que, certamente, além de criar sérios
limites para as plantas que não conseguem sobreviver por muito tempo
sem água nos solos, cria graves conseqüências agronômicas, principalmente
numa região como a dos Cenados, onde o emprego de irrigação é pratica-
mente inexistente.

2. 6. 2 - Excedente Hídrico ( EXC)

Nem toda água de precipitação que ultrapassa a necessidade das


plantas deve ser considerada excesso hídrico. Ela vai sendo naturalmente
armazenada no solo e utilizada pelas plantas à medida que as chuvas
se tornam insuficientes para atender à demanda ambiental. Entretanto,
qualquer solo, tem um limite específico de estocagem, além do qual
ele fica saturado de umidade, denominado de capacidade de campo.
Assim que esse limite é alcançado, qualquer nova entrada de água no
ambiente passa a se constituir em excesso hídrico, que pelos mesmos
métodos de inferição pode ser igualmente quantificável e, sua estação,
perfeitamente delimitada.
Os valores dos excedentes mensais resultam de equações muito com-
plexas nas quais são considerados não apenas os valores da precipitação e
da evapotranspiração potencial, mas, também, os níveis de armazenamento
do mês em questão e do mês anterior, e ainda as referidas variáveis sub-
jacentes, denominadas negativa acumulada (NEGAC) e alteração de ár;,ua
no solo (ALTR). Contudo, considerando que esta última variável e o
resultado da subtração algébrica entre o armazenamento do mês em ques-
tão e do mês anterior ALTR = ARM (t) - ARM (t-1), o EXC de
cada mês pode ser obtido pela equação: EXC = PEF - ALTR.
A distribuição espacial da duração da estação de excesso hídrico
( Cartograma 13) na Região dos Cenados é naturalmente o inverso do
quadro relativo ao comprimento da estação de déficit ( Cartograma 9) ;
onde a estação de deficiência é maior, a de excedente é menor, ou vice-
versa.
No norte do Piauí e leste do Maranhão a estação de excesso tem
duração de 2 a 4 meses. O auge da estação de excesso se verifica nor-
malmente no outono, principalmente em março e abril, embora nas áreas
de 4 a 3 meses a estação de excesso inicie-se normalmente no verão -
janeiro ou fevereiro. Duração inferior a 2 meses é típica de áreas
de caatinga, não ocorrendo em áreas de cerrados.
As áreas de cerrado do vale do São Francisco e do Pantanal Mato-
-grossense possuem normalmente 3 a 4 e 2 a 4 meses, respectivamente,
de excesso.
Contudo, o que melhor caracteriza a maior parte das áreas ocupadas
por cerrados em toda essa região é uma estação de excesso de 4 a 6
meses, do Maranhão ao sul de Mato Grosso do Sul; de Rondônia à Babia
e Minas Gerais.

25
Do litoral ao centro do Maranhão, a estação de excesso inicia-se
normalmente no verão - janeiro ou fevereiro ,.-- e tem seu pico no outono
- abril ou maio. Trata-se da área cujo regime hídrico anual é regido
predominantemente p ela chegada das instabilidades de tempo da CIT e
das ITs, que nessa área se intensificam de meados do verão até fins do
outono. Nas demais áreas da Região dos Cerrados o auge da estação de
excesso hídrico se dá no verão, embora se estenda ao outono. Contudo,
p ode iniciar-se na primavera, mais comumente em novembro.
Uma observação muito importante do regime hídrico na Região dos
Cerrados sobressai quando se analisa conjuntamente. as estações de _excesso
e de déficit hídricos.
Nas regiões de clima temperado ou frio , mesmo que a estação de
excesso pluviométrico termine bruscamente, a relativa lentidão do pro-
cesso de evapotranspiração permite que os estoques de água dos solos
sejam utilizados p elas plantas de modo menos rápido, razão pela qual
há retardamento de alguns meses· da estação ecologicamente seca, isto é,
de déficit hídrico efetivo. Nas regiões tropicais, ao contrário, essa situação
já não é tão favorável. Além da estação de excesso de chuvas terminar
abruptamente, os primeiros meses subseqüentes, p ela alta taxa de evapo-
transpiração potencial, costumam se caracterizar por profunda carência
hídrica, a não ser . que ocorram algumas chuvas em dias alternados .
O exame dos valores do balanço hídrico anual contido nas tabelas
individuais (visualizadas nos gráficos correspondentes) mostra, rep etida-
mente, es te caráter desfavorável na Região dos Cerrados, o que é per-
feitamente esperado, considerando que essa região, além de tropical, seu
clima é caracte1isticamente continental.
Com efeito, nessa região a utilização de água estocada no solo, ao
findar a estação de excesso, p ermite retardar a estação de defici ência
em apenas um mês.
Esses meses não são úmidos nem secos, não têm déficits de água,
mas também não têm excessos. Nesses meses o suprimento de água para
as plantas corresponde justamente as suas necessidades, não havendo,
portanto, excesso que permita alimentar o escoamento superficial. Con-
seqüentemente, nesses meses, inicia-se a vazante dos rios. Os solos que
tenham ficado supersaturados de água começam a perder umidade e os
nkeis dos lençóis d'água começam a descer.
Não obstante, existem áreas apreciáveis de 2 a 3 meses ( no Pantanal
Mato-grossense, Triângulo Mineiro, sul e Zona da Mata de Minas Gerais )
c até mesmo de 4 meses (no extremo sul de Mato Grosso e · São Paulo ),
onde o comprimento da estação realmente seca é consideravelmente reduzi-
elo. D eve-se, no entanto, observar que tais áreas estão situadas nas zonas
mais meridionais da Região dos Cerrados, ou mais próximas do oceano
no sudeste do Brasil onde, em ambas, além da redução importante ela
evapotranspiração · potencial, de um inverno razoavelmente definido, seus
déficits ele precipitação são normalm ente pequenos, um a v~z que as p e-

26
netrações periódicas de pelo menos uma frente fria por semana asseguram
substanciais entradas de água no balanço hídrico.
Neste ponto, deve ser dito que a constatação de que apenas um mês
separa a estação de excesso da estação de déficit hídrico em mais de
80% da Região dos Cerrados, e 2 a 4 meses nas áreas meridionais, deve
ser in:terpretada como sendo a tendência climática dessas áreas. Depen-
dendo da textura, estrutura e profundidade dos distintos solos da região,
a capacidade de' campo certamente deve variar e, conseqüentemente, o
tempo de duração do período de utilização de água dos solos pode ser
realmente ~aior em algumas áreas e menor em outras. Entretanto, a
impossibilidade de se considerar diferentes capacidades de campo, pelos
motivos já mencionados, não deve reduzir muito a importância dos valo-
res encontrados; uma ve'z que qualquer método matemático de balanço
hídrico que leve a extrapolações espaciais contém sua própria objetivação
filosófica, o caráter de aproximação do real. E para tal os autores deste
trabalho tiveram a preocupação de procurar, através de pesquisa biblio-
gráfica sobre solo e armazen'amento de água, qual a capacidade de campo
que pudesse representar um ,valor padrão para toda a região, e este valor
eleito, como foi mencionado, é de 100 mm.
Finalmente, outro aspecto de maior interesse resulta do relacio-
namento entre as estações de excesso e de déficit com o armazenamento
de água no solo e refere-se às situações cuja estação de déficit hídrico
ultrapassa lO ou ll meses. Nessas localidades, ao findar a estação de
déficit, os solos estão tão ressecados e as plantas tão sedentas de água
que a curta estação chuvosa, geralmente não é suficiente para formar ex-
cessos. Nesses meses as chuvas locais alimentam runoff somente nos dias
em que ela ocorre, e talvez por mais alguns dias após, dependendo evi-
dentemente do volume de água precipitada . Nessas ár.eas o fluxo de
água no leito dos 1ios durante esses meses são originários de ru.noff das
áreas a montante.
Este é o quadro típico do sertão do Nordeste que invade a Região
dos Cerrados, através do sudeste do Piauí e do vale do São Francisco.
No Pantanal Mato-grossense as áreàs de 9 a 10 meses de déficit hídrico
apresentam situações semelhantes. Nessa região as chuvas locais têm um
papel pouco importante para as cheias locais, sendo alimentadas princi-
palmente pelos excessos e runoff das áreas situadas nas cabeceiras dos rios
dessa bacia.

2. 6. 3 - Volume de água da eStação de excesso

Embora haja uma tendência de que quanto mais longa seja a esta-
ção de excesso, maior será a probabilidade de nela se registrar maior
volume de excesso de água, a verdade é que na Região dos Cerrados
não existe praticamente qualquer relação estatisticamente definível entre
esses dois parâmetros.

27
Na vasta Região dos Cerrados, onde prepondera 4 a 6 meses de ex-
cesso hídrico, a variação espacial do volume de água precipitado está
situada principalmente entre 200 e 1. 200 mm.
A comparação entre esses parâmetros pode melhor ser sintetizada,
examinando-se os cartogramas 13 e 14. De modo geral, estações de ex-
cessos com igual duração possuem volumes de água em excesso, maiores
ao norte do que ao sul da região. Por exemplo: 5 a 6 meses correspondem
no Maranhão a valores de 1. 200 a 400 mm, decrescendo para leste,
em Goiás, a valo1'es de 600 a 300 mm, decrescendo para sul ; em Mato
Grosso, a valores de 900 a 400 mm, decrescendo de no li e para o sul.
Este fenômeno não tem papel muito importante para as diferencia-
ções climáticas espaciais na Região dos Cerrados, mas é fora de dúvida
gue ele deve ter profundas repercussões na dinâmica ambiental, através
do papel que desempenha, quer nos processos morfoclimáticos atuais,
quer no regime de cheias dos rios. Um cuidadoso tratamento desse fenô-
meno pode revelar, ainda, importantes subsídios a qualquer setor de pes-
quisa e engenharia ambientais, bem como aos projetos de desenvolvi-
mento cujo aproveitamento agrícola seja privilegiado, principalmente se
nele estiver envolvido a utilização do potencial hídrico para irrigação.

2.6.4- Notas sobre o "veranico"

Do ponto de vista agroclimatológico, considerando, sobretudo, a


ausência quase absoluta de prática de irrigação, um outro fator negativo
do regim e hídrico na Região dos Cerrados reside no fato de que --
excluindo os Estados do Maranhão, Piauí e, de certa forma, o norte de
Mato Grosso e Goiás, bem como o oeste da Bahia - o restante da região
está sujeito a regime de secas dentro da estação chuvosa, o qual pode
persistir durante duas ou três semanas sem chuvas. Este fenômeno é
conhecido, regionalmente, como "veranico". Desde que a estação das chu-
vas - estação de excessos hídricos - constitui a época de maior potencial
de evapob·anspiração, os efeitos dessas secas - interrompendo a estação
das chuvas - sobre as culturas tradicionais podem ser muito severos .
Por exemplo: o ano agrícola de 1968/69 teve índices de precipitação
pluviométrica muito acima dos valores "normais", porém houve três se-
manas sem chuvas em janeiro. Nessa oportunidade, as culturas na Esta-
ção Experimental de Brasília (hoje CPAC) só puderam ser recuperadas
com irrigação suplementar . Em contrapaliida, não obstante os anos
1970/71 registrassem em totais de 50% abaixo dos valores médios para o
período chuvoso, no sul de Goiás, a ausência do "veranico" pennitiu co-
lheitas normais, embora a maior parte da produção de milho tenha sido
perdida ( 1) ( 6) .
Oub·a condição que agrava os efeitos dos "veranicos" é a textura da
maior parte dos solos da região que, sendo muito arenosa, facilita gran-
demente as perdas dos estoques de água armazenada ab·avés de um pro-
cesso intenso de evapotranspiração. Foi calculado que estas perdas cor-

28
tespondem cerca de 6mm/ dia. Considerando que em largas extensões dos
cerrados, os solos (latossolos) possuem 60 a IOO mm de capacidade máxi-
ma de .armazenamento, isto si'gnifica que um período de 6 a 10 dias sem
chuvas deixa as culturas na mais completa carência de água.
Não obstante o "veranico" não se verificar todos os anos, sua fre-
qüência é de certa forma comum na Região dos Cerrados. Foi calculada
a probabilidade de sua ocorrência em Brasília 2 , segundo o número· ·de
dias, com base em 42 anos de registras pluviométricos. O resultado ·dess·a
pesquisa pode ser assim sumariado:

NúMERO DE DIAS NúMERO DE VEZES/ANO


DE "VERANICO" QUE PODEM SER ESPERADOS

~ 5 dias 6 vezes/ano
~ 8 dias 3 vezes/ano
~ IO dias 2 vezes/ano
~ I3 dias I vez/ano
~ 18 dias 2 vezes /7 anos
~ 30 dias I vez/21 anos
~ 37 dias 1 vez/ 42 anos

Este é o quadro sobre probabilidades de ocorrência de "veranicos"


em Brasília. Embora essa área seja uma das mais representativas da
Região dos Cerrados, não é a única, como foi mencionado, a sofrer
periodicamente efeitos diretos de <•veranicos". Todo o Estado de Mato
Grosso do Sul, os territórios meridionais de Mató Grosso e Goiás, o
Triângulo Mineiro e sul de Minas, al.ém do Estado de São Paulo, estão
comprovadamente sujeitos a "veranicos".
O centro dispersar desse fenômeno parec~ ser a Região do Chaco,
sobre a qual está mais freqüentemente situada a chamada .baixa do chaco;
centro de baixa pressão com subsidência superior, ar seco e temperátura
elevada, formador de "massas de ar continental''. No território. brasileiro
este centro "dispersar" pode ser considerado Ó Pantanal Mato-grossense
que, no verão costuma registrar, normalmente, déficit de precipitação
em pelo menos um mês, conforme comprova o cartograma 9 - déficit
de precipitação. , · · · ·
A resposta sobre quais seriam as causas dos "veranicos" . deve ser
uma preocupação dos meteorologistas sinóticos. Certamente ela irá emer-

• Opu• cít. 6.

29
gir de outras preocu1)ações de ordem mais prática, relativas à prevtsao
ao tempo a médio e longo prazo . o objeto de preocupação do clima-
tologista deve ser, principalmente, o de delimitar o espaço geográfico
sujeito ao fenôm eno; avaliar a intensidade de seus efeitos ecológicos e
sociais e definir a probabilidade de sua incidência. Executadas essas tare-
fas os órgãos de planejamento poderão dispor de um documento certa-
mente muito valioso para os ruralistas especialmente interessados em pro-
dução e rendimento agrícola.

2.7- Runoff

Desde que a precipitação e a evapotranspiração são consideradas


fenômenos independentes, a relação entre seus índices não é necessaria-
mente simétrica. Em alguns lugares, a maior parte das chuvas precipitadas,
mês após mês, não podem ser usadas pela vegetação - o excesso de
água se move através do solo e sobre ele para formar córregos e rios
acabando por retornar ao mar (regiões de climas stiperúmidos) . Em ou-
tros lugares existe menos água no solo do que a vegetação poderia usar.
Nessa situação não há excesso de precipitação e não há runoff, exceto
onde o solo não pode absorver toda água assim que ela se precipita.
Conseqüentemente não existem rios e nem drenagem permanentes ( re-
giões de climas áridos ) . Existem ainda áreas em que as quedas de chuvas
são deficientes em uma estação e excessivas em outra, assim um período
de seca é seguido por um de runoff, ou vi ce-versa ( Região dos Cerrados,
por exemplo).
A curva sazonal da precipitação e da demanda de água não seguem
cursos necessariamente paralelos. Da comparação entre eles pode-se obter
uma série de informações importantes sobre outros parâmetros hídricos.
Primeiro, é possível determinar a evapotranspiração real, isto é, a perda
efe tiva de água da planta e do solo para a atmosfera que, em quase
todos os casos, é diferente da necessidade potencial de água. Isso é tanto
mais importante considerando ser na prática extremamente difícil medir
a evapotranspiração real, por causa da dependência da quantidade eva-
potranspirada em relação a alguns fatores, tais como: tipo de solo, tipo e
método de cultivo agrícola, tipo de cobertura vegetal e condições de
umidade do perfil do solo. Segundo, a diferença entre a necessidade
potencial de água e a evapotranspiração real fornece a medida do déficit
de umidade de um lugar. Terceiro, durante os períodos em que a neces-
sidade de água é maior do que a precipitação, existe uma demanda de
água, parte da qual é estocada no solo. Assim, é possível inferir sobre a
quantidade de umidade estocada no solo, quer mensal, quer em bases
diárias. Quarto, quando a precipitação excede a necessidade, o excesso
de água será, inicialmente, usado para recarregar o solo. Assim que este
é suprido totalmente, a quantidade remanescente será o excedente que se
perde através do solo pela superfície ou subsuperficialmente constitui n-

so
do--se em runoff. Deste modo, a última quantidade de água segue seu
caminho de. volta para- os c6rregos e rios ou é utilizada para recarregar o
solo novamente.
Mas nem todo excesso mensal se perde através de runoff. Cerca
de 50% do excedente mensal n·ansformam-se em água de escoamento super-
ficial. Se o processo é estudado por sua ocorrência em uma vasta área
ou bacia, deve ser considerado que em qualquer local o runoff do mês
em ·questão é constituído por 50% do excesso do mesmo mês, mais 50%
do runoff do mês anterior. Isto significa que o volume total do runoff
anual é igual ou pouco · inferior ao volume de água do excesso anual.
Entretanto, esses parâmetros podem dife1ir muito se observados mês:a-
mês, isto é, se o regime sazonal dos excessos e déficits hídricos for
comparado ao regime sazonal do escoamento superfi~ial. Na :jlegião .dos
Cerrados são vários os exemplos de meses cujo runoff .é muito supe-
rior ao excesso. Em certas localidades, embora. não hajam excessos em
detenninados ·meses, .há, no entanto, · uma certa quantidade de runoff.
As Tabelo..s de Balanço Hídrico por localidades; anexas ao trabalho, além
de · permitirem essas comparações, fornecem · ainda os valores do volume
de água disponível através do runoff para cada localidade. A conversão
desses parâmetros em volume total de água escoada por bacias hidro-
gráficas poderá fornecer importantes informações quantitativas para se
estimar o volume de água· disponível para toda gama de utilização por
parte das·populações humanas, quer para irrigação, após seu represamento;
quer como potencial hidreléh'ico. Pode ainda ·fornecer importantes.. parâ-
meb.'os para se avaliar o potencial hídrico de erosão e de enchentes por
bacias de drenagem; razão pela qual se espera que os dados de runoff,
contidos nas referidas tabelas (anexo), possam se constituir em mais uma
importante chave pai-a a compreensão dos processos naturais da dinâmica
ambiental e para avaliação dos recursos hídricos da Região dos Cerrados.

3 ESSENCIAIS DE UMA CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA

3. 1 --:- Algumas considerações metodológicas a partir da teoria geral

Quando vários elementos climáticos, tais como: temperatura, precipi-


tação e umidade, são plotados sobre mapas, as classes de valores dispõem-
se com regularidade, exceto nas áreas onde o gradiente torna-se mais
íngreme, como nas encostas das montanhas ou ao longo de certas costas
marítimas. Por esta razão, as delimitações espaciais são de certa forma
arbitrárias e, freqüentemente, atendem a objetivos climatológicos e às
limitações impostas pelas escalas cartográficas. Assim sendo, as unidades
espaciais selecionadas para atender a um dado esquema particular de
calor ou de umidade, passaram, no decorrer da evolução da climatologia,

31
a assumir status de regiões climáticas, ora como fronteiras agrícolas em-
piricamente determinaaas, ora como limites de conforto subjetivamente
definidos.
Koppen inh·oduziu significantes progressos nos sistemas de classifica-
ção climática quando incumbiu-se, primeiro, em identificar as regiões cli-
máticas e suas fronteiras a partir de estudos de distribuição da vegeta-
ção, e a partir daí, selecionar valores climáticos numéricos para as fron-
teiras. Penck, De Martonne, Thornthwaite ( 2), Gaussen e Holdridge empre-
garam métodos semelhantes, porém usaram dados de hidrologia e de solos
para suplementar os de vegetação com o objetivo de localizar melhor as
fronteiras das regiões climáticas.
Embora tais métodos representem um passo a frente, a verdade é
que eles mantiveram uma certa dose de empiTismo, uma vez que a
distribuição natural da vegetação na superfície da Terra não é determi-
nada unicamente pelo clima . A despeito da importância reconhecida do
clima como fator dos mais importantes, não se pode negligenciar o papel
dos oub"os fatores, tais como: a textura, espessura e composição química
dos solos, o relevo e o próprio prazo de estágio serial da vegetação.
A interação combinada desses fatores pode diferir muito de uma região
para outra, principalmente enb"e regiões de clima seco.
Estas são, certamente, as principais razões que não permitem exatas
superposições entre as fronteiras climáticas e as biogeoecológicas, mesmo
h-atando-se de macrorregiões. Conseqüentemente, qualquer modelo de
classificação de climas que objetive determinar fronteiras fitogeográficas
terá acertos em algumas regiões e desajustes em outras, o que é uma
decorrência de seu caráter mais ou menos empírico.
O meio ambiente é constituído, como se sabe, por um conjunto na-
tmal de componentes bióticos e abióticos em constantes e complexas
interações. Nessas relações mútuas, sem dúvida alguma, o clima desem -
penha papel muito importante, uma vez que, além de ser um componente
passivo, ele atua sobretudo como fator dessas interações.
Ciente desse duplo papel, é natural que geógrafos e ecologistas -
por serem os especialistas mais diretamente envolvidos com as relações
homem-meio ambiente, e mais preocupados em designar as formas mais
racionais de utilização dos recursos naturais do meio ambiente - esperem
que um modelo de classificação de climas possua o mérito de esclarecer,
mesmo que parcialmente, as relações que procuram conhecer, tanto entre
os componentes naturais como entre estes e o Homem . :f: evidente que
o modelo precisará ser aceitável do ponto de vista estritamente climato-
lógico, isto é, que o modelo de classificação de climas deva, antes de
tudo, exprimir as relações entre os diversos fatores do clima e, adicional-
mente, entre outros aspectos.
Essas foram as principais preocupações que levaram Thornthwaitc
a reformular seu sistema classifica tório ( 3) ( 4) ( 5), no qual está baseado
este documento .

32
No primeirq modelo os tipos climáticos e suas fronteiras eram iden-
tificados empiricamente através, principalmente, da distribuição da vege-
tação, solos e drenagem. Nele Thornthwaite adotou o mesmo posiciuna-
mento metodológico de Koppen no qual a vegetação era tratada como
um insh·umento meteorológico, o que a colocava dentre os vários fatores
do clima, e que podia ser lida como se lê um termómetro ou pluviómetro.
No atual modelo os tipos climáticos são definidos unicamente por
valores quantitativos e suas fronteiras são determinadas por dados mate-
máticos. Nele a vegetação é olhada como um mecanismo físico por meio
do qual a água é transportada do solo para a atmosfera pela evapotranspi-
ração, assim como o processo de evaporação e de formação de nuvens
é o mecanismo da precipitação.
O atual modelo é uma perspectiva estimulante de classificação climá-
tica, uma vez que é desenvolvido independentemente de outros fatores
geográficos, tais como: vegetação e solos, podendo, assim, fornecer uma
chave de suas distribuições geográficas, considerando que os processos
de formação de solos e do modelamento do relevo, os regimes hidro-
lógicos e os padrões de drenagem são esh·eitamente relacionados aos ex-
cessos e aos déficits de água, e esses dependem, principalmente, da pre-
cipitação e da evapotranspiração e, secundariamente, de outros fatores ,
tais como: relevo, solo e vegetação.
Não obstante, o modelo matemático deste documento possui certas
limitações - como qualquer outro modelo classificatório de clima -
impostas pelos princípios filosóficos que norteiam a construção de qual-
quer modelo de regionalização do espaço geográfico. Ele deve refletir
uma estruturação simplificada da realidade, que apresenta, supostamente,
características ou relações sob forma generalizada. Deve ser uma apro-
ximação no sentido de não incluir todas as observações e medidas asso-
ciadas mas que, como tais, são valiosas em ocultar detalhes secundários
e permitir o aparecimento dos aspectos fundamentais da realidade. Deve
ser suficientemente simples para a manipulação e compreensão pelos
usuários e de alta probabilidade de aplicação a uma extensa gama de
condições, as quais parece apropriado. .
Dessas limitações, comuns a qualquer modelo de regionalização,
emerge o problema da generalização que, nos modelos espaciais de clas-
sificação de climas, resulta de sua própria função simplificadora: o grau
de informações resultantes de um modelo de classificação de climas, ou
qualquer outro modelo classificador de combinações geográficas, é fun-
ção da escala em que se está estudando. Neste documento, a tipologia
climática foi construída em função da escala cartográfica de 1:2.500.000
(escala macroclimática). Isto significa que o grau de generalização que
se adotou dá a medida do tipo de diferenciação que se pretendeu es-
tabelecer.
Contudo, para a escolha dessas diferenciações foi verificada a ide~1ti­
dade dos indivíduos que foram classificados, e procmou-se manipular da
maneira mais adequada possível os dados climatológicos. Além disso,

33
indagou-se sobre o caráter representativo dos valores matemáticos consi-
derados no agrupamento, isto é, procurou-se inteirar dos conceitos que
estes valores encerram.

3. 2 - Tipologia climática derivada do Balanço Hídrico: Metodologia

O balanço de água fornece informações não apenas sobre os períodos


de excesso e déficit de umidade, mas também permite que a magnitude
dessas quantidades seja comparada com outras, como por exemplo: a
necessidade de água, com objetiyo de se obter índices climáticos, os quais
possam ser usados em estudo de classificação e correlação. Precipitação
e necessidade de água são, realmente, fatores muito importantes do clima
c, como tais, servem de bases para qualquer classificação dos climas da
Terra. Ao mesmo t empo, a comparação entre o excesso, ou o déficit de
umidade e a necessidade de água fornecem índices de umidade e de
aridez que, por sua vez, podem ser correlaci onados com a distribuição da
vegetação, dos solos e da drenagem.
A tipologia climática construída neste documento está fundamentada
no sistema classificador d e Thornthwaite de 1948 ( 3) e deriva do balanço
hídrico, inovado p elo mesmo autor em 1955 e 1957 ( 4) ( 5).
Seus principais índ·ices climáticos são:

lndice de umidade efetiva - Im


Este índice, determinante, se o clima é úmido ou seco, pode ser
obtido, ou através da relação entre os excessos e os déficits hídricos e a
necessidade potencial de água, conforme a equação:

(EXC X 100) - (DEF X 60)


Im = , onde
EP

EXC ~ excedente hídrico anual;


DEF ~ deficiência hídrica anual;
EP ~ evapotranspiração potencial;
ou através da relação entre os índices de umidade e de aridez, conforme
a equação:

Im = Ih 0,6 Ia

Por sua vez, os índices de u.midade ( Ih) e de aridez (Ia) foram


obtidos pelas seguintes equações:
EXC DEF
Ih = 100 Ia 100
EP EP

34
Como se observa as duas relações de obtenção do Im são afetadas
por dois fatores de correção : 100 pa.ra o excesso e 60 para o déficit.
A razão desta diferenciação decorre do seguinte: na maioria dos lugares
o excedente e a deficiência de água ocorrem em estações distintas, e ambas
devem ser computadas no índice de umidade efetiva - umidade global -
uma afetando positivamente e outra negativamente. Embora o excedente
de água de uma estação não compense a deficiência em outra, há uma
certa tendência à regularização pela existência de reservas mais profundas
- umidade subterrânea - do que aquelas consideradas no balanço hídrico,
e que minimizam os efeitos da midez, sobretudo se a vegetação comporta
J?lantas vivazes com sistema radicular profundo, como é o exemplo das
arvores do cerrado. Neste caso a transpiração continua, porém em taxas
reduzidas. Por essas razões é admitido que um excedente de 6 polegadas
de água em uma ce1ta estação possa amenizar ou até mesmo eliminar
os efeitos da falta de água na outra estação até um total de 10 polegadas.
Por isto, concedeu-se nas equações de umidade efetiva, mais peso ao
índice de umidade do que ao de aridez. Conseqüentemente a relação
entre o Ih e o Ia é afetada pelo coeficiente 6/10 (ou 60%).
Os valores do Im levam a considerar dois grandes grupos de climas:
úmidos ( Im positivos) e secos (Im negativos), os quais, por sua vez,
abrangem uma série de tipos com seus símbolos e valores correspon-
dentes:

GRUPOS DE CLIMA I TIPOS CLIMATICDS SIM BOLOS IM

Úmido .....•.. .. •• •...• Superúmido A > 100


Quarto úmido 8~ 100 1- 80
Terceiro úmido Ba 80 1- 60
Segundo úmido 82 60 1- 40
Primeiro úmido B, 40 1- 20
Subúmido úmido c2 20 1- o
Seco .. ... ..... . .. .... • Subúmido seco cl o- 20
Semi-árido D -20- 40
Ar ido E -40- 60

Variação sazonal da umidade efetiva


Este índice é destinado a marcar o traço dominante do curso sazonal
da umidade do clima. Ele é definido a partir de duas premissas:
- se o lugar pertence ao grupo dos climas úmidos (Im > 0), consi-
dera-se o índice de aridez (Ia), o valor do déficit de água e a estação
durante a qual este se verifica;
-se o lugar pertence ao grupo dos climas secos (Im < 0) , conside-
ra-se o índice de umidade (I h), o valor do excedente de água e a estação
durante a qual se apresenta o excesso.

35
Resultam daí, as seguintes subdivisões climáticas:

CLIMAS ÚMIDOS (A,B,C2 ) [NOICES DE ARIDEZ

pouco ou nenhum déficit de água.... o f- 16,7


s moderado déficit de água no verão.. .... .. . ....... .... .. 16,7 f- 33,3
w moderado déficit de água no inverno.......... . ........ .. 16,7 f- 33,3
s2 grande défiCit de água no verão ....... . ........ .. ... .. .. 2 33,3
w2 grande défi~it de água no inverno....... .. 2 33,3
CLIMAS SECOS (C 1 ,D,E) [NDICES DE UMIDADE

pouco ou nenhum excesso de água.. ..... o f- 10


s moderado excesso de água no inverno.. ................. . 10 f- 20
w moderado excesso de água no verão. ........ . .... ....... . 10 f- 20
s2 grande excesso de água no inverno .. ................... .. 2: 20
w2 grande excesso de água no verão ••... ..... •.. ... 2 20

Eficiência t érmica anual ( ET)

Este índice encerra um valor para o crescimento das plantas. Baseia-


se numa série de estudos acerca do comportamento fisiológico de plantas
e animais em relação à temperatura e ao número de horas de radiação
solar. Partindo da consideração de qu e a ação simultânea da tempe-
ratura e do comprimento do dia de luz solar constitui o fator mais
importante para o crescimento das plantas, e de que a evapotranspiração
potencial varia em função desses dois fatores, a eficiência t érmica foi
determinada através do valor da evapotranspiração potencial.

Concentração da eficiencia térmica no verão ( CETv )

Este índice avalia o grau de concentração da eficiência térmica no


verão. Sua escala de valores é construída a partir do princípio de que
sobre o equador o comprimento do dia sob ação direta da luz solar é
igual durante todo ano; que a temperatura é quase uniforme e, conse-
qüentemente, a variação sazonária da evapotranspiração potencial é muito
pequena. Resulta daí que nenhuma estação pode ser chamada de verão,
e a eficiência térmica de qualquer semestre será cerca de 25% do total
anual . Por outro lado, nas regiões p olares a estação de crescimento
vegetativo se confina inteiramente nos meses de verão e a eficiência tér-
mica nesses meses será cerca de 100%. Entre estes extremos a CETv
cresce dos climas megatérmicos do equador p ara os climas de gelo dos
pólos entre 25% a 100%. Portanto, esse crescimento porcentual resulta de
um crescente aumento ela duração dos dias no verão e das noites no
inverno com o aumento ela latitude .

36
Foi constatado que existe uma relação entre os índices de eficiência
térmica no verão e o de eficiência térmica anual. Esta relação é descrita
pela equação :
s = 157,76 - 66,44 log ET,

em que s é a percentagem da concentração no verão e ET é o índice


da eficiência térmica anual.
Entretanto, existem situações nas quais essa relação é alterada,
criando o que foi denominado anomalias que, por sua vez, foram ah·ibuí-
das a fatores locais, e até mesmo, mesorregionais.
Mediante essas relações foram definidos os seguintes tipos climá-
ticos quanto à eficiência t érmica:

TI POS -ET EP (cm)


I S[M80LOS CETv (%)
I CETv (TIPOS)

Megatérmi co. . .. ... ........ . .. ...••... . ... 11 4, 0 A' 48,0 a'


Quarto Mesotérmi co .. .... ...... .... ....... 99.7 a··I 51,9 b'4
Terceiro Mesotérmico.. .... ... •. .. . .....• . 85,5 8~ 56,3 b'3
Segundo Mesotérm ico ........ . .... . ... . . . . 71 ,2 8'2 61,6 bá
Primeiro Mesotérm ico... .. ...... ••. ... .. •. 57,0 8'1 68.0 b'I
Seg undo Microtérmico ....... .... .. . .... .. . 42.7 c; 76.3 c2
Primeiro Microtérmico.... ... ............ .. 28,5 C'I 88,0 c'I
Tundra . .. .. .. .. . ....................... ... 14.2 D'
Gelo .. .... ...... ... .. .. ... .... .. .. ... .. ... E'

3 . 3 - Climas baseados no Grau de Umidade

3. 3 .1 - Umidade Efetiva, 1ndices de Aridez e de Umidade - Im, Ia e I h

A Região dos Cerrados apresenta uma notável diferenciação de


wnidade efetiva ( Cartograma 15).
O oeste do Maranhão, o Piauí, o noroeste da Bahia e os vales dos
rios São Francisco e Jequitinhonha, bem como o Pantanal Mato-grossense
possuem valores negativos que oscilam entre 0,0 e -20. Valores inferiores
a este último aparecem no centro-sul do Piauí, no vale do São Francisco
na Bahia e em reduzidas áreas do vale do Jequitinhonha . Tais áreas, no
entanto, possuem clima semi-árido característico do sertão nordestino de
domínio da caatinga.
Em conh·apartida, no sul de Minas Gerais e norte de Mato Grosso
os índices de umidade efetiva oscilam, principalmente, entre 60 e 80
positivos. Contudo, essas áreas possuem climas úmidos (segundo,

37
terceiro e quarto Ú:mido) das florestas S(}micaducifólias e perenifólias da
Atlântica e da hiléia Amazônica.
Considerando que pelo sistema aplicado a este trabalho o grau de
umidade dep ende fundamentalmente não apenas dos valores pluviomé-
t:ricos mas, também, da necessidade potencial de água; que a necessidade
varia em função da evapotranspiração potencial ( Cartograma 7); e que
este parâmetro, por sua vez, decresce na razão direta da temperatura
( Cartogramas 2, 3, 4 e 5), compreende-se porque algumas áreas de maiores
altitudes, tais como : serra do Espinhaço em Minas Gerais, chapada dos
Pareeis em Rondônia e Mato Grosso e chapada do Amambaí no extremo
sul de Mato Grosso do Sul p ossuem também índices de umidade efetiva
superiores a 60 p ositivos, chegando a ultrapassar o índice de 100 na
chapada dos Pareeis.
Na chapada do Amambaí a ação combinada do relevo - no sentido
do acréscimo de chuvas e decréscimo de temperatura - com a grande
freqüência de massas de ar frio de origem polar - comum a toda zona
meridional de Mato Grosso do Sul - permite um acréscimo considerável
de umidade efetiva no clima dessa chapada .
Outras áreas menores e de topografia acima dos níveis gerais, prin-
cipalmente na zona meridional da Região dos Cerrados, apresentam,
igualmente, valores b em elevados de umidade efetiva como resposta a
valores relativamente baixos de evapotranspiração potencial, conforme
mostra o cartograma 7.
Contudo, apesar da ampla dispersão espacial do Im (amplitude >
120), o que melhor caracteriza os ambientes ecológicos dos cerrados são
os Im de -20 a 40, o que justifica algum as correlações climáticas do
sistema classificatório:
- a classe de -20 a 20 define as fronteiras elo clirna subúmiclo, b·an-
sição entre os dois grandes grupos de climas - úmidos e secos; dentro
do grupo seco, a classe de -20 a 0,0 traça as fronteiras dos climas
subúmiclos secos. Esses, embora denominados subúmidos, apresentam
um grau de umidade climática que mais lhes aproximam dos
climas secos do que dos climas úmidos. Aparecem em áreas relativamente
pequenas na Região dos Cerrados : oeste do Maranhão e norte do Piauí;
contorna os vales do São Francisco e Jequitinhonha em Minas Gerais
e Bahia, constitu indo uma "moldura" das áreas de climas semi-áridos.
Outra área expressiva abrangida por esta classe é o Pantanal Mato-
-grossense. Essa região, não obs tante possuir normalmente uma estação
deficitária em água, tão longa quanto a do sertão semi-árido do Nordeste
do Brasil, tem um índice ele aridez (Ia ) bem inferior ao do Nordeste -
cartograma 16. Razão pela qual seus índices de umidade efetiva, embora
dos mais baixos da Região dos Cerrados, são semelhantes aos do oeste
do Maranhão e norte do Piauí;
- a classe de 0,0 a 20 delimita os climas Subúmiclos Omiclos. Esses
apresentam grau de umidade climática que lhes deixa mais próximos dos
climas úmidos do que dos climas secos . Abrange longas faixas de lar-

38
gura vraiável do território, contornando o Clima Subúmido Seco.
Contudo, a classe de maior abrangência na Região dos Cerrados ocupa-
da por vegetação de cerrados é a de Im entre 20 a 40. Esta classe
pertence ao grupo dos climas úmidos propriamente ditos, embora, dentre
eles, esta classe representa o de menor umidade - Primeiro úmido. Esse
clima envolve largas extensões contínuas de cerrados, desde o norte do
Maranhão ao sul de Mato Grosso do Sul, desde o oeste da Bahia e Minas
Gerais ao Território de Rondônia.
O cartograma de umidade efetíva (n. 0 15) mostra ainda aspectos de
ce1ta forma smpreendentes: as classes de 40 a 60 e de 60 a 80 - Segundo
e Terceiro úmido, respectivamente - de vasta abrangência na Amazônia,
aparecem na Região dos Cerrados, embora de ocorrência em áreas
caracterizadas sobretudo por cerradões - classe de 40 a 60 - ou por
florestas - superiores a 60 .
Neste ponto, deve ser observado que as ocorrências espaciais de
umidade efetiva positiva ou negativa não devem ser entendidas como se
as áreas de índices positivos permanecessem úmidas e com excesso de
água dmante todo o ano e nem que as áreas de índices negativos perma-
necessem secas e com déficit hídrico ao longo de todo ano.
Como foi observado, na análise do balanço hídrico, o regime
sazonal na Região dos Cerrados é tipicamente tropical, geralmente com
uma estação de grandes excessos e outra mm·cada por profunda carência
de água.
Resulta daí que, com exceção da chapada do Amambaí, no extremo
sul de Mato Grosso do Sul, toda a Região dos Cerrados, de umidade
efetíva positiva, possui pelo menos um mês de déficit hídrico, conforme
mostram os cartogramas 11 e 12; e raras são as áreas abrangidas por cerra-
dos que possuem menos de 5 meses marcados por profundo déficit de água,
chegando até mesmo a alcançar 8 meses consecutivos . Da mesma forma ,
com exceção do Pantanal Mato-grossense e do sudeste do Piauí, onde
não existe estação de excesso hídrico, todas as áreas de umidade efetiua
negativa possuem uma estação caracterizada por excesso de água e
rttnoff ( Cartogramas 13 e 14).
Conseqüentemente, as áreas de umidade efetiva positiva possuem
uma estação árida de duração variável, mas geralmente de grande
intensidade ( Cartograma 16); e as áreas de umidade efetiva negativa
J>OSsuem uma estação úmida, de dmação também variável e geralmente
ele alto índice de umidade ( Cartograma 17) .
Esta é a razão p ela qual, apesar da umidade efetiva ser um índice
global de umidade afetado tanto pelos excessos e pelo índice de umidade
( EXC e Ih) da estação chuvosa, como pelo déficit e índice de aridez da
estação seca ( DEF e Ia ), esse índice ( Im) não traduz, por si só, a impor-
tância do clima como fator de condicionamento da ocorrência e distribui-
ção dos cerrados. Motivo p elo qual torna-se necessário considerar a umi-
dade efetiva juntamente com o regime hídrico sazonal; e esta é a abordagem
que se segue.

39
3.3.2 - Tipologia Climática- 1

Como foi observado, o Im 0,0 divide a Região dos Cerrados quase


ao meio ( Cartograma 18). De um ladu os valores negativos definem as
categorias dimáticas do grupo seco; do outro lado os valo;·ês p9sitivos
definem as categorias do grupo úmido . Esta situação revela o cará~er
prPdominantemente de transição dos climas da Região dos Cerrados.
Dentre os valores climáti..:os, os mais representativos desse carátcr
transicional são aqueles envolvidos pelos climas subúmidos . Suas fron-
teiras são demar~adas pelas isarítimas de 20 e de -20 da umidade efetiva.
Esses climas embora sejam os mais típicos das formações vegetais dm
cerrados, não são os mais representativos se se considerar o espaço geo-
gráfico ocupado por eles.
A classe dos climas Primeiro Om-ido, embora menos típicos, é igual-
mente muito representativa, uma vez que abrange vastas extensões de
cerrados.
Outra classe de grande abrangência de cerrado é a que demarca os
climas Segundo Omido, os quais estão relacionados com os cerradões de
Mato Grosso do Sul, de Goiás e de Minas Gerais .
Os climas Terceiro Omido aparecem também na Hegião dos Cerrados,
ocupando algumas importantes áreas de Minas Gerais, Goiás, Mato
Grosso do Sul e Mato Grosso. Tratam-se de áreas não representativas de
cerrados típicos. Nelas a ocorrência de cerradões e florestas constituem
o caráter mais presente .
Classes de climas mais úmidos - Qua'fto Onúdo, Prim eiro Superúmido
e Segundo Superúmido 3 - estão presentes na região. Estas classes,
embora mais representativas da flor esta Amazônica, ocorrem nas chapa-
das dos Pareeis e Pacaás Novos, ocupadas principalmente por cerradões
e cerrados .
No extremo oposto aos climas superúmidos, estão os climas semi-
áridos. Estes, não são igualmente representativos dos cerrados. Abrangem
as caatingas do Piauí, vales do São Francisco e do Jeqtútinhonha.
Pelas razões consideradas no item 3. 3 .1, cada wna dessas categorias
climáticas possui diferenciações internas, reveladas ora p ela quantificação
dos excessos hídricos e p elos índices de umidade da estação chuvosa, ora
pelos déficits hídricos e p elo índice de aridez da estação seca. Assim
é que, qualquer área do clima do Grupo Om,iclo, por exemplo, da classe
Primeiro Omido, pode se apresentar com até quatro diferenciações em
função do caráter mais ou menos seco de sua estação de deficiência

3 O sistema classificador de clitnas de Thornthwaite re vela apenas uma classe de clima


Supcrúmido. A classe dem arcad ora d o clima Segundo Superúmido foi introduzida no modelo
or.b ·'~•.l peJos autores deste trabalho, utilizando o próprio sisten1a contábil de inferição do balanço
hídrico e a mesma lógica d e construção da Ti.p ologia Climática empregad a p or Thorn.thwaite . Q,
autores deste trabalho, embora reconh eçam que a menor ou maior superumidade climática não
importa em menor ou maior potencialidade climática de suporte às formações florestais, consideram
necessário recon_h ecer tantas classes de superumidade quantas forem possíveis, uma vez que quanto
maior for a superumidade defU::dda neste modelo, maior será o potencial de excesso de água, de
runoff, de enchentes dos rios e do modelado topográfico das bacios.

40
hídrica: nenhum, pouco, moderado ou grande déficit de água na estação
de defic1ência .
Por razões inversas, qualquer área abrangida por climas do Grupo
Seco, desde que não seja Semí-árído ou Arído, pode-se apresentar, iguai-
mente, com até quatro distinções, em função do caráter mais ou menos
úmido da sua estação de excedente hídrico: nenhum, pouco, moderado
ou grande excesso hídrico na estação chuvosa .
Decorre daí a possibilidade de se verificar que um determinado
lugar, não obstante possuir umidade efetiva menos alta do que um outro,
pode, pelo seu regime sazonal de excessos e déficits de umidade, ser
considerado mais úmido do que aquele de Im mais alto. Exemplos
notáveis de situações como essas poaem ser observados na Região dos
Cerrados. Dentre eles, o mais destacado é revelado quando se compara
os climas úmidos das chapadas dos Pareeis e Pacaás Novos em Rondônia
e os climas úmidos da chapada do Amambaí, no extremo sul de Mato
Grosso do Sul. Nas chapadas de Rondônia, os índices de umidade efetiva
superior a 100 definem tipos climáticos designados por Pri.meiro e
Segundo Superúmido; na chapada do Amambaí, as classes de umidade
efetiva de 20 a 40, de 40 a 60 e de 60 a 80 traçam as fronteiras de climas
P1·.ímeiro, Segundo e Terce·iro úmido, respectivamente. Uma análise parcial
conduziria, ce1tamente, a considerar que os climas das chapadas de Ron-
dônia seriam bem mais úmidos do que os da chapada do Amambaí.
Essa conclusão, contudo, seria apressada uma vez que através de uma
análise mais profunda, que leve em consideração não apenas a umidade
efetiva mas, também, o regime sazonal dos excessos e dos déficits mensais,
conduz a concluir que os climas da chapada do Amambaí, apesar de não
pertencerem às classes dos climas superúmidos são realmente mais
favoráveis a formações florestais do que o das chapadas de Rondônia .
Estas, embora possuam climas Superúm.idos, têm uma estação cuja preci-
pitação é inferior às necessidades de água - pouco déficit. Na chapada
do Amambaí, os climas úmidos (Terceiro e Segundo úmido) são caracte-
rizados por um suficiente suprimento de umidade em qualquer mês, não
revelando, portanto, nenhum mês sequer deficitário em água.
Ainda nessa linha de comparação pode-se observar que, de um modo
geral, os climas do Grupo úmido - Quarto, Terceiro e Segundo - encon-
trados nas zonas meridionais da Região dos Cerrados possuem menos
déficits de água nas suas respectivas estações secas do que as mesmas
categorias existentes nas zonas setentrionais (Maranhão, Piauí, Bahia e
norte de Minas Gerais): os climas Segundo, Terceiro e Quarto úmidos
são quase sempre caracterizados· por pouco déficit de água na estação
seca ou, até mesmo, por nenhum déficit, e somente em restritas áreas
esses déficits são moderados, enquanto que no norte essas mesmas catego-
rias são caracterizadas por déficit moderado.
Os climas Primeiro úmido das zonas meridionais possuem pouco ou
moderado déficit de água na estação seca, enquanto que os das zonas
setentrionais são caracterizados por moderados déficits .

41
Os climas Subúmidos úmidos das zonas meridionais possuem pouco
ou moderado déficit de água, enquanto que nas zonas setentrionais os
déficits da estação seca variam de moderado a grande .
Em contrapartida, os climas Subúntidos Secos do Pantanal Mato-
g:-ossense embora sejam representados em algumas áreas ao norte por
pouco, moderado e até grande excesso hídrico na sua estação chuvosa,
a maior extensão geográfica desses climas não possue qualquer excesso
hídrico; enquanto que as áreas de clima Subúmido Seco do Maranhão,
Piauí e vale do São Francisco possuem sempre algum excesso hídrico, e
!lté mesmo moderados ou grandes excessos.
Os climas semi-áridos oconem apenas no Piauí e vales do São
Francisco e Jequitinhonha, onde são caracterizados por nenhum ou por
pouco excesso

3. 4 - Climas baseados na eficiência térmica

3 . 4 .1 - Antecedentes teóricos de investigação

Muitos estudos têm sido realizados com o objetivo de mensurar através


de equações a relação entre a temperatura e o crescimento de seres vivos.
Alguns investigadores têm medido o crescimento de folhas, caules e raízes
sob o efeito de temperaturas controladas. Outros têm determinado o
aumento do tamanho de folhas e do peso seco de certas plantas em função
da variação da temperatura. Sob temperaturas controladas tem sido deter-
minada a taxa de desenvolvimento de vários insetos. Para cada espécie
tem sido revelado um ótimo térmico no qual a taxa de crescimento é mais
alta. Abaixo ou acima deste ótimo o crescimento é mais lento. A tempe-
ratura de crescimento mais rápido varia em função simultânea de deter-
minadas temperaturas e do tempo de exposição dos organismos à radiação
luminosa. O tempo de exposição tem sido considerado como um dos
principais fatores responsável pelo zoneamento latitudinal da maioria das
espécies vegetais. D ecorre daí o reconhecimento geral por parte dos botâ-
nicos, de plantas de dias curtos, dias médios ou dias longos, além das
plantas indiferentes, para revelar grupos de espécies que para florescer e
frutificar precisam de uma certa quantidade acumulativa dia-a-dia de
energia luminosa para que possa induzir os processos fisiológicos de
floração.
Não obstante, seja qual fôr o tempo de exposição à luminosidade,
parece que acima de um a certa temp eratura a taxa de crescimento de
muitos organismos vivos decresce abruptamente. Para as plantas esta
temperatura parece estar próxima de 30°C ( 80°F) .
Até recentemente as plantas eram consideradas como sendo fisiolo-
gicamente inativas, apenas em temperaturas ambientais abaixo do ponto de
congelamento. Excetuando as áreas de maiores altimetrias, nas baixas

42
latitudes, tais temperaturas não ocorrem normalmente. Admite-se, atual-
mente, que as temperaturas muito altas impõem inatividade fisiológica
às plantas e, conseqüentemente, afeta as características morfológicas das
formações vegetais ao longo de um gradiente latitudinal. Holdridge ( 7)
observou que a floresta subtropical possui estatura mais alta que a floresta
tropical razoavelmente distante do equador. Na mesma linha de investi-
gação esse cientista observou que as zonas geográficas entre mais ou menos
12 a 25 graus de latitude, às vezes chamada de "trópicos externos" ou
"trópicos de correntes de ventos", são distingüidos da zona equatorial por
uma maior variação, através do ano, de médias mensais de temperaturas
e, durante os meses mais quentes, por média das máximas diárias signifi-
cantemente mais altas. De fato, as mais altas temperaturas diárias e sua
maior freqüência são registradas não perto do equador, mas, sim, nesses
cinturões externos. Nesses cinturões, durante os meses de verão as tem-
peraturas máximas diurnas sobem comumente acima de 30°C, ou até
quase 40°C (por vezes, até mesmo acima) e as médias máximas são,
freqüentemente, supeliores a 30°C. Comparando a fisionomia vegetacional
entre lugares cujos solos possuíam umidade semelhante, Hold1idge veri-
ficou que nos trópicos externos a vegetação possui, não apenas menos
diversidade de espécies, como também altura e biomassa inferiores àque-
las encontradas em lugares equivalentes na zona tropical interior, onde
as temperaturas máximas diálias mais altas não são características do seu
clima. Para Holill·idge essas altas temperaturas sazonais induzem inati-
vidade fisiológica às espécies dominantes que compõem a vegetação nos
trópicos externos. Poder-se-ia tratar, muito possivelmente, de uma res-
posta semelhante à "dormência do inverno" em função das temperaturas
de congelamento dessa estação nas altas latitudes. No caso das tempe-
raturas muito elevadas, tal resposta seria solicitada para o organismo
defender-se contra as perdas excessivas de água pela intensificação da
fotossíntese ou para limitar a tensão de água induzida pelas taxas de
transpiração excessivamente altas.
Em decorrência dessas observações, Holdridge revisou recentemente
sua fórmula matemática para o cálculo do que ele designou por biotem·
peratura média, a partir de dados climáticos.
Baseado nestas verificações anteriores às observadas por Holdridge,
Thornthwaite introduziu em seu sistema taxionômico de climas uma men-
suração sobre a importância simultânea das temperaturas médias mensais
e do tempo de duração da radiação solar ( sunlight), a qual ele designou
por Eficiência Térmica. Para isto é lançado mão, mais uma vez, dos
índices de evapotranspiração potencial, desde que, como foi observado,
este parâmetro possui a virtude de ser uma expressão da temperatura
e do comprimento do dia solar; justamente os dois fatores cuja ação sinml-
tânea sobre as plantas influem na velocidade do crescimento das mesmas,
e que, neste particular, consistem nos únicos fatores de interesse de
Thornthwaite.

43
3.4.2 - Tipologia Climática - 2

As regiões climáticas baseadas na Eficiência Térmica Anual são sim-


bolicamente representadas de modo análogo àquelas observadas na
regionalização baseada na umidade efctiva: Megatérmico (A'), Mesotér-
mico ( B' ), Microt.érmico (C' ), Tundra ( D') e Gelo (E') . Estes climas,
por sua vez, são subdivididos como são os climas Superúmidos, Omidos,
Subúmiclos e oub·os 4 •
A distribuição das regiões climáticas termais na Região dos Cerrados
são mostradas no cartograma 19. Nele acham-se representadas diversas
classes de Climas Megatérmicos e Mesotérmicos.
O Clima Megatérmico (A' ) é o mais extensivo. Ocorre do litoral do
Maranhão e Piauí até o centro de Goiás e de Mato Grosso. Abrange, ainda,
toda depressão do Pantanal Mato-grossense; os vales do São Francisco,
Jequitinhonha, Parnaíba, Grande e Paraná .
Uma série de classes de Eficiência Ténnica, sempre crescente para
o norte da região, determina um escalonamento no mesmo sentido de
climas crescentemente mais termais: Primeiro, Segundo, Terceiro, Qllarto
e Quinto Megatérmico.
O Quinto Megaténnico abrange o norte do Maranhão e do Piauí. No
Pantanal Mato-grossense e no vale do São Francisco estes climas se suce-
dem acompanhando a declividade dessas depressões, desde o Primeiro ao
Terceiro ou Quarto Megatérmico .
O Clima Mesoténnico estende-se do centro ao sul da região. Sua
ocorrência se dá, ou sob influência ela latitude - onde além das tempe-
raturas médias serem mais baixas, o tempo médio de horas de insolação
é menor - ou sob influência da altitude - onde a temperatura e o po-
tenci al de evapotranspiração são relativamente baixos. Envolve quase
toda a superfície do Planalto Central, a partir do paralelo de 13° Sul
aproximadamente.
O papel da altitude na revelação deste clima é mais destacável quando
se observa a sucessão de Cli1nas Mesotérmicos escalonados no sentido
das curvas altiméb·icas do Planalto. Dentre os Climas Mesotérmicos, a
classe demarcadora do Quarto Mesotérmico - categoria termal fronteira
do Clima Megatérmíco - é a mais extensiva. Em segundo plano aparece
o Terceiro e, finalmente o Segundo Mesot.érmico . Este último, um dos
mais representativos elas zonas temp eradas, aparece na Região dos Cerra-
dos associado aos mais altos níveis das "serras", na região de Brasília, e
nas Serras do Espinhaço e da Mantiqueira.

4 O sistema c]ass ificador de cli mas de 'Thornthwa ite revela apenns um a classe d e clim as
Megaté m1icos ( ET > 114,0 ) . A exemplo do que foi feito pa ra dem a rca r os climas baseados
no g rau de umidade e fetiva, os autores deste trabalho introduz iram no modelo original outras
classes demarcadoras de tántos Climas 1\tlegat é rm icos q uantos foram possív eis, uti lizando o próprio
s iste ma d e inferição d e evapotranspiração pote ncial e a m esma lógica de constntção da Ti pologia
Climática empregada p or T hornth wa ite para fazer emergir as categorias climáticas termais. Razão
pela qual, na n egião dos Cerrados foram reveladas cinco regiões ten11ais com d esignações de
cli ma Megaté1n1ico : Prim eiro, Segundo, T erceiro, Q uarto e Qu int o iHegatér mu:·o .

44
Não obstante a grande ·extensão geográfica no sentido meridional, o
regime anual da Eficiência Térmica na Região dos Cerrados é caracteri-
zado pela boa repartição sazonal. Seu percentual de concentração no verão
é trmito baixo, tanto para as áreas de latitudes menores ao norte:-- do
Maranhão e Piauí, como para as áreas de latitudes maiores de Mato
Grosso do Sul e Minas Gerais: em São Luís, cidade situada a 02°. 32'
Latitude Sul tem um percentual de Concentração da Eficiência Térmica
no verão de apenas 25,41, enquanto que em Cambuquira, cidade situada
a 21 °51' Latitude Sul, tem CETv de 31,94%. Este último é um valor anor-
malmente muito baixo - o normal estaria entre 56,3 e 61,6%.
Razão pela qual as taxas de CETv não determinam nenhuma outra
subdivisão de regiões climáticas baseada na ET. Em qualquer local da
Região dos Cerrados a CETv pertence a classe mais baiXa admitida p.elo
modelo classificat6Iio - entre 25% e 48% simbolizada pela letra (a') .
Considerando que as taxas de concentração no verão crescem na pro-
porção que decrescem as taxas de outras estações, principalmente a do
inverno, vale dizer que em qualquer estação do ano há uma razoável
oferta de energia térmiqa e luminosa para o crescimento das plantas, e que
nem mesmo no inverno as referidas · taxas são baixas. ·
.Daí se conclui que somente os climas Megatérmicos possuem CETv
normais a este clima. Toda região Mesotérmica possui taxas de CETv
abaixo dos valores teoricamente esperados. Estes desvios de até três clas-
ses comprovam, definitivamente, o caráter anômalo da maioria dos climas
do território nacional, em geral, e especialmente dos Climas M esotérmicos
do Planalto Central.
Contudo, as "anomalias" climáticas não são tanto devidas às baixas
taxas de CETv, mas, principalmente, ao caráter termal relativamente baixo,
tratando-se de altitudes tropicais, as quais deveriam ser representadas
por Climas Megatérmicos até cerca do paralelo de 23° Latitude.

4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO BALANÇO HíDRICO


MÊS-A-M~S A PARTIR DE LOCALIDADES
SELECIONADAS

Até aqui o "balanço hídrico sazonal da Região dos Cerrados" foi


descrito e analisado segundo uma abordagem regional com objetivo de
se enconh·lu fronteiras que delimitassem grandes espaços geográficos.
Estes, por sua vez, deveriam revelar a variação espacial de alguns dos
mais importantes parâmetros emersos do balanço hídrico . e; ao mesmo
tempo, fornecer uma esh·utura que pudesse servir de base para a cons-
trução de uma tipologia climática.
Considerando que esse tipo de abordagem não permite que seja
revelado em maiores detalhes o ritmo em que se processa o balanço hídrico,
o desenvolvimento da terceira parte deste trabalho é dedicado a análise
do balanço hídrico sazonal a partir de seu ritmo mês-a-mês. Enquanto

45
a primeira e segunda partes foram baseadas em métodos de análise
regional, na abordagem que se segue, procurou-se atender a objetivos
mais específicos da análise local ou mesorregional. Graças a este proce-
dimento tornou-se possível revelar outros parâmetros muito importantes
do balanço hídrico, tais como, o nível de água armazenada nos solos e a
porção dessa água utilizada p elas plantas para compensar a deficiência
sazonal de chuvas; o volume de água excedente e posto a serviço do
runotf, bem como das enchentes e vazantes dos rios, e ainda o valor do
déficit biológico de água nos meses de carência de chuvas.
Nesta abordagem é analisado o balanço hídrico de todas as estações
meteorológicas selecionadas a partir da análise regional anterior e que
estão posicionadas no intelior dos limites da Região do Cerrado traça-
dos para fins de Planejamento Regional. Foram excluídas as estações
localizadas fora da referida região, exceto aquelas que, por um motivo
ou oub·o, achou-se por bem incluí-las nesta análise. São elas: estações
do noroeste do Estado do Maranhão, porque nesta área existem manchas
de cerrado e sua inclusão complementaria todo o território estadual; as
estações do sudeste do Piauí que, embora abrangidas pela vegetação da
caatinga, esta representa uma área muito p equena em relação ao território
estadual predominantemente recoberto pela vegetação de cerrado, sendo
percorrida por alguns rios afluentes da única bacia hidTográfica do Piauí,
a bacia do rio Parnaíba; e, finalmente, a estação meteorológica de Vilhena
no Estado de Rondô1úa, por ser o balanço hídrico dessa localidade re-
presentativo dos regimes hídrico e climático de vastas áreas de cerrados
situadas nas chapadas de Mato Grosso e Rondônia (chapada dos Pareeis
e dos Pacaás Novos).
Com intuito de atribuir maior representatividade espacial do balanço
hídTico local, na análise do balanço hídrico de cada estação ou grupo de
estações meteorológicas, foi observado, paralelamente, o ritmo do balanço
hídrico de algumas estações mais ou menos próximas daquela ( s) cuja
análise encontrava-se em foco. Com esse fim, as estações de apoio
deveriam, preferencialmente, estar localizadas na mesma bacia fluvial, a
montante da estação focalizada, por se considerar que os excessos plu-
viométlicos, o runotf e o fluxo dos rios das áreas a montante da localidade
têm profunda repercussão nos resultados do balanço hídrico das áreas
a jusante.

4. 1 - Maranhão

Hacabal ( 01 )
O balanço hídTico sazonal desta localidade é representativo das áreas
situadas imediatamente ao sul do golfão Maranhense.
O forte decréscimo sazonal elas precipitações a partir de junho
( 31 mm) resulta em precipitação efetiva muito aquém da necessidade
potencial. Conseqüentemente, inicia-se a estação de precipitação efetiva

46
negativa que se estenderá normalmente até dezembro. A queda violenta
dos níveis de chuvas e a forte evapotranspiração potencial em junho fazem
com que ao findar a estação do excesso (maio), a água armazenada nos
solos se esgote em dois meses, razão pela qual a estação de deficiência
hídrica tem a mesma duração da estação de precipitação efetiva negativa
(junho a dezembro).
Durante esses sete meses o débito perfaz um total de 664 mm em
média; a descida do nível dos rios, iniciada em maio, irá atingir seus
níveis mais baixos em dezembro, quando o runoff é praticamente zero.
Não obstante a estação das chuvas se iniciar em dezembro ( 129 mm, em
média), as altas temperaturas, características de todos os meses, ativam
a evapotranspiração, não permitindo que haja oferta suficiente de água
para atender às necessidades das plantas; a precipitação efetiva perma-
nece negativa e os solos carentes de água ( 24 mm).
Somente em janeiro, quando a precipitação alcança o valor médio
de 235 mm, inicia-se a estação de precipitação efetiva positiva. Não
obstante a necessidade de água seja satisfeita, o débito de umidade dos
solos não permite ainda excesso de água. A continuidade das precipi-
tações em fevereiro - com total médio de 306 mm, muito acima, portanto,
da evapotranspiração potencial ( 131 mm) - resulta em excesso de água
nos solos, o qual começa a fluir superficialmente ( 82 mm) .
O balanço hídrico permanece positivo até maio, com ele ado excesso
de água, e o runoff alcança percentuais de quase 50% da precipitação do~
meses em questão: 144 mm em abril, quando as cheias dos rios alcançam
geralmente seus mais altos níveis. Ao final da estação úmida (maio),
há um excesso de 548 mm.
O clima local é subúmido úmido, embora a precipitação efetiva anual
seja negativa ( -116 mm, em média). A estação de déficit de água possui
grande deficiência hídrica e índice de aridez de 37,60. A estação úmida,
de fevereiro a maio, possui grande excedente de água e índice de umi-
dade de 31,03. As elevadas temperaturas médias durante todo ano
( 26. 4°C em julho e 29. 2°C em outubro) sustentam uma alta eficiência
térmica. Conseqüentemente, seu clima é dos mais quentes do Brasil -
Quinto Megatérmico.

Balaiada ( 02) .
Esta localidade, situada no vale do rio Iguaré, possui regime hídrico
sazonal representativo do setor ocidental de uma vasta região que se
stende do leste do golfão Maranhense até a fronteira do Estado do Piauí.
A estação das chuvas inicia-se em dezembro, garantindo um input
atmosférico de água acima da necessidade ambiental até maio . Contudo,
o déficit de 96 mm de água no solo, ao findar a estação seca, faz com que
este mês se caracterize mais pela reposição ou recarregamento de água
nos solos. Somente em janeiro, quando a precipitação crescente ( 248 mm
em média) excede em muito a evapob·anspiração potencial (146 mm),
a precipitação efetiva de 102 mm faz iniciar a estação de excesso efetivo

47
de água que se estenderá normalmente até maio, quando completa um
excesso de 750 mm em média . O runoff, ainda fraco em janeiro, inten-
sifica-se violentamente a p artir de fevereiro (91 mm em média) . Inicia-se
assim o período de cheias dos rios. Estas, quase sempre, alcançam s.eus
máximos em abril ou maio, quando o volume de água de escoamento
superfici al chega a atingir mais de 50% do volume precipitado ( 370 mm) .
Em junho as precipitações decrescem bruscamente e o balanço
hídrico sazonal torna-se negativo. A precipitação (57 mm) é b em infe-
rior às necessidades potenciais ( 137 mm ) ; a estação de deficiência hídrica
inicia-se neste mês e se estende até novembro. Durante este período o
déficit de água nos solos é muito grande, ultrapassando 100 mm de agosto
a outubro; o runoff é insignificante, chegando praticamente a zero em
dezembro, quando se reinicia a estação das chuvas.
O clima dessa área é Pri1neiro ú mido, com precipitação efetiva anual
p ositiva ( 192 mm em média ) . A estação úmida possui índice de umidade
de 42,78; e a estação seca, de junho a novembro, com moderado a grande
déficit de água, possui índice de aridez de 31,83 .
Seu clima é dos mais quentes do Brasil. Durante todo ano as tempe-
raturas médias se mantêm muito elevadas: 26,7°C em julho e superior
a 29°C em setembro e outubro. Conseqüentemente, a eficiência térmica
para o crescimento vegetativo permanece alta durante todo o ano, princi-
palmente na primavera. Seu clima é Quinto Megatérmico.

Barra do C arda ( 03 )
Situada no centro do Estado, às margens do rio Corda, o balanço
hídrico dessa localidade é representativo do médio curso da bacia desse rio.
Durante oito meses (maio a dezembro) a precipitação é muito inferior
à necessidade potencial (precipitação efetiva negativa: 432 mm em média) .
Os solos ficam quase que inteiramente sem umidade e o escoamento
superficial se mantém expressivo somente até junho, quando o nível das
águas dos rios já está muito baixo, alcançando níveis críticos em dezembro
e janeiro. Apesar das chuvas serem apreciáveis neste último mês, o déficit
de água nos solos é tão grande que toda ou quase toda precipitação de
janeiro (média de 186 mm ) é empregada para repor a umidade dos
solos. Essa estação é tão seca que, ao seu final, perfaz um déficit hídrico
de 591 mm em média.
E m janeiro, inicia-se a estação efetivamente úmida que se estenderá
até abril. Contudo, o excedente de água dessa estação é muito pequeno,
apenas 159 mm, em média, e muito concentrado em um só mês (março,
103 mm). Março e abril são os meses de enchentes dos rios.
O clima é Subúm·ido Seco, quase Semi-árido, com precipitação anual
de 1 . 073 mm, aquém, portanto, da necessidade ambiental, definida pela
evapotranspiração potencial das mais elevadas do Brasil ( 1. 505 mm). Sua
estação seca, de 8 meses, apresenta um índice de aridez de 39,27. Possui
uma curta estação úmida de quatro meses, ocasião essa que há um mode-

48
rado excesso de água e um índice de umidade de 10,56. A elevada tem-
peratura média de todos os meses ( 24,3°C em I'ulho, mês menos quente)
resulta em alta eficiência térmica para as p antas durante todo ano,
concentrando-se, sobretudo, na primavera. Conseqüentemente seu clima
é Terceiro Megatérmico.

Bom Jardim ( 04)


Esta localidade, situada a nordeste do Maranhão, próxima à fronteira
do Piauí, possui regime lúclrico representativo do setor oriental de uma
vasta região que se estende do golfão Maranhense até os limites com o
Estado do Piauí.
De janeiro a maio ocorrem altíssimos valores de precipitação, muito
acima da evapotranspiração potencial. Porém, a necessidade de reposição
de água nos solos não permite formação de excesso de água em janeiro,
o qual só se verifica a partir de fevereiro, atingindo seus maiores valores
em março ( 131 mm em média) e mantendo-se até maio, ocasião em que
termina a estação úmida, com excesso total de 512 mm, em média. Estes
excedentes alimentam intenso runoff que não resulta em graves enchentes,
porque essa área não é drenada por cursos fluviais longos.
O decréscimo brusco das precipitações, em junho, revela neste mês
uma carência de chuvas de 80 mm. Assim, inicia-se a estação de deficiên-
cia de água que irá estender-se até dezembro, perfazendo um déficit de
578 mm. Durante esta estação o runoff chega próximo de zero entre
novembro e janeiro e o esvaziamento dos rios, iniciado em junho, chega
ao final desta estação a uma situação quase crítica.
O clima local é Subúmido úmido, apesar da precipitação efetiva anual
ser negativa ( -66 mm em média). Não obstante os elevados excedentes
da estação úmida ( 512 mm), há uma longa estação (sete meses), cuja
precipitação é inferior à necessidade potencial, que é caracterizada por
moderados ou grandes débitos de água, principalmente de setembro a
novembro, quando o débito chega a ser muito grande, superior a 100 mm
por mês. Nenhum mês possui temperatura média inferior a 27°C, ultra-
passando os 29°C na primavera. Conseqüentemente, a eficiência térmica
se mantém no mesmo nível elevado, durante todo ano, resultando em
clima dos mais quentes - Quinto Megatérmico.

CaroliM ( 05)
Situada às margens do rio Tocantins, o balanço lúdrico dessa locali-
dade é representativo de toda região sudoeste do Maranhão, principalmente
das áreas abrangidas pelo vale do rio Tocantins.
Em outubro se inicia, geralmente, a estação das chuvas ( 119 mm em
média). Como essas são, porém, insuficientes pru·a o potencial de evapo-
transpiração ( 145 mm), isto significa que a precipitação efetiva, neste
mês, é, ainda, negativa ( -26 mm) .. Conseqüentemente, mantém-se o

49
déficit de água nos solos o qual desaparecerá no mes seguinte, porém,
ainda sem formar excedente hídrico.
Somente em dezembro, quando os solos já estão com sua capacidade
máxima de armazenamento atingida e as precipitações alcançam valores
dos mais elevado~ (média de 217 mm), é que há possibilidade de forma-
ção de excessos de água (29 mm), iniciando-se, efetivamente, o runoff.
O balanço hídrico permanece positivo e sempre crescente até março,
quando a precipitação normal de 294 mm define um excesso: cerca de
160 mm e nmoff de 124 mm. Neste mês se verifica mais comumente o
pico das enchentes dos rios. Em abril as precipitações decrescem sensi-
velmente, porém continua acima das necessidades; o excesso, embora
inferior, é, ainda, muito importante e o runoff pode sustentar os níveis
elevados dos rios.
A partir de maio, há um decisivo decréscimo de precipitação e a
situação do balanço hídrico se inverte, tomando negativa a precipitação
efetiva. Os solos ficam com um débito de água de 30 mm, iniciando-se
a estação biologicamente seca que se estenderá, normalmente, até outubro,
quando os solos estarão completamente carentes de água e o runoff torna-
se quase ine>..istente.
Não obstante a precipitação efetiva anual ser negativa (-51 mm em
média), o clima dessa área é Subúmido úmido, com um moderado
excesso de água de janeiro a abril ( 453 mm em média) e índice de
umidade de 28,0. Em contrapartida, a estação de deficiência de água tem
duração média de seis meses, seu débito biológico de água é grande
( 504 mm) e seu índice de aridez muito forte ( 31,17). As temperatmas
médias permanecem elevadas durante todo ano, resultando em alta efi-
Clencia térmica, sobretudo na primavera. Conseqüentemente seu clima é
Quarto Megatérmíco.

Catanhede ( 06)

Situada às margens do médio curso do rio Itapecuru, a estação chuvo-


sa, embora se inicie normalmente em dezembro, a quantidade de chuvas é
insuficiente para atender às exigências naturais; além da evapotranspiração
potencial se manter mais elevada do que os totais de chuvas, os solos
ainda se acham bastante deficitários em água, por causa dos sete meses
anteriores de carência de chuvas. Em dezembro, o volume de chuvas
precipitadas nonnalmente ( 294 mm) resulta em elevada precipitação efeti-
va positiva (148 mm). Esta situação, além de abastecer os solos até os
níveis máximos de capacidade de campo, libera 48 mm para excesso hídrico.
Deste, 50% escoa superficialmente. Assim, inicia-se a estação úmida e de
aumento de água no leito dos rios. Em março-abril o balanço hídrico
revela o ápice de precipitação, média de 382 e 312 mm, respectivamente.
Graças aos excessos de 238 e 165 mm e ao volume de água escoada super-
ficialmente (acima de 150 mm para cada mês), eleva-se o volume de
água dos rios de tal forma que pode causar problemas muito graves,
por ocasião das enchentes excepcionais. Em maio, não obstante o decrés-

50
cimo de 100 mm nas precipitações, estas permanecem acima da necessidade
potencial, e o pequeno excesso deste mês somado ao escoamento parciàl
do mês anterior, proveniente dos cursos d'água a montante, podem causar
~randes enchentes em suas bacias. Portanto, de fevereiro a maio a estação
de abundância de chuvas totaliza um apreciável excesso de água de
688 mm em média.
A partir de junho, o balanço hídrico se inverte: da precipitação efetiva
positiva de 60 mm, em maio, passa-se a 74 mm negativos, decrescendo
para valores inferiores a 100 mm até novembro. Contudo, a água arma-
zenada nos solos, ao findar a estação úmida, fica disponível para as
plantas que a utilizam até o mês de setembro, embora em quantidade
insignifiçante a partir de junho. Esta, e~gotando-se inteiramente a partir
de outubro, deixa os solos totalmente secos e as plantas dependentes unica-
mente das ocasionais, raras e incipientes chuvas de novembro ou mesmo
dezembro. Nos últimos meses desta estação, o runoff é insignificante
e os leitos dos rios ficam quase expostos. Ao longo desta estação o déficit
de água chega a totalizar valor inferior a 600 mm, justamente o inverso
da estação úmida.
Apesar do profundo déficit hídrico, durante sete meses os valores do
excedente de água da estação chuvosa asseguram a esta área um clima
Subúmido Omido, com índice de umidade da estação de excesso de 38,70.
Em contrapartida, a forte estação seca, iniciada no inverno e prolongada
até o início do verão, resulta em grande déficit de água e em intensa
aridez. Pelas temperaturas médias mensais, sempre elevadas, nunca infe-
riores a 26°C, a eficiência termal para o crescimento das plantas mantém-
se em taxas elevadas, durante todo ano. Daí seu clima ser dos mais quentes
do Brasil - Quinto Megatérmico.

Centro ]osias ( 07)


Situada a oeste do golfão Maranhense, o regime hídrico da área de
Centro Josias é característico dos climas Subúmidos do noroeste do Mara-
nhão, abrangido pela bacia do rio Turiaçu.
Tudo que foi observado e considerado para a localidade de Catanhede
é válido para Centro Josias. Trata-se de localidades que, embora muito
distantes entre si, estão sujeitas às mesmas interações de fatores. Contudo,
seu ~aior afastamento do sertão semi-árido do Nordeste ( 2° de longih1de
a mais) torna a estação de deficiência hídrica bem mais amena. Esta,
embora de sete meses (junho a dezembro), é caracterizada por débitos
de água bem inferiores ao que normalmente se verifica em Catanhede.
Em Centro Josias a estação de deficiência de precipitação não é iniciada
tão bruscamente quanto em Catanhede; os meses de junho e julho, apesar
de serem caracterizados por precipitações inferiores à necessidade poten-
cial, têm chuvas bastante apreciáveis ( 122 e 82 mm respectivamente).
Isto permite que os estoques armazenados nos solos, ao findar a estação
de excesso, somados às águas precipitadas de junho a julho, sejam utiliza-
das pelas plantas até outubro. Não obstante, o débito de água nos solos

51
é ·a caractel'Ística mais saliente até dezembro. Paralelamente o nmoff é
insignificante e a vazante dos rios é bastante profw1da.
A carência mensal de água nos solos é maior em novembro, quando,
além dos estoques terem sido esgotados inteiramente, a ocorrência de
chuvas nesse mês ainda é insignificante.
Como em Catanhede, o clima local é Subúmido Omido com precipi-
tação superior às necessidades anuais, e a estação úmida, com excesso
d'água (cerca de 600 mm) e índice de umidade de 34,58. Porém, a estação
seca possui débito hídrico b em inferior. Enquanto em Catanhede o débito
é grande, em Centro Josias é moderado ( 486 mm) e o índice de aridez
é de 27,55. Do ponto de vista termal, a eficiência térmica revela que esta
localidade possui igualmente clima dos mais quentes - Quinto Mega-
t érmico.

Caxias ( 08)
·· Situada às margens do médio curso do rio Itapecmu, esta localidade
possui balanço hídrico representativo de toda região centro-leste do Mara-
nhão, principalmente da área que se estende dessa localidade até próximo
ao alto curso da bacia do rio Itapecuru. Após a precipitação atingiT
elevado nível em abril (média de 283 mm), ultrapassando em muito a
necessidade. potencial ( 154 mm), as chuvas diminuem drasticamente, a
.p artir de maio ( 72 mm ), quando se inicia a estação cuja precipitação
se situa em níveis muito aquém da evapotranspiração potencial. Em
agosto, en9uanto a precipitação média é de 3 mm, a evap otranspiração
potencial e de 139 mm, acusando, portanto, um débito de 136 mm. Em
setembro e outubro o débito permanece semelhante, reduzindo lentamente
em novembro e dezembro, quando as precipitações aumentam, permane-
cendo, porém, em níveis inferiores às necessidades . Os 100 mm de água
de precipitação que ficam armazenados nos solos são utili zados pelas
plantas até se esgotarem inteiramente neste último mês, de form a que:
de setembro a dezembro, não há qualquer reserva disponível, e as chuvas
ocasionais não são suficientes para atender sequer às necessidades da
evapotranspiração; assim sendo, biologicamente, a estação seca é bas tante
severa e o escoamento superficial é quase inexistente. Neste fin al de esta-
'ção seca o leito de alguns 1ios ficam quas e completamente sem água e
o débito hídrico chega ao seu final com carência de 734 mm em média.
A partir de janeiro a curva da precipitação ullnpassa a da evapotrans-
piração potencial ; o balanço hídrico torna-se positivo, porém os altos
valores de precipitação em março-abril resultam em excessos apreciáveis
para alimentar o runoff e as cheias dos rios. Estes se mantêm em níveis
elevados por muito pouco tempo; a estação de deficiência de chuvas,
que se inicia normalmente em maio, faz com que a estação úmida seja
muito cwi:a, revelando forte influência do clima do sertão semi-á1ido do
Nordeste, com estação seca de severo índice de aridez, 43,90.
Seu clima é, por isso mesmo, do tipo Subúmido Seco, com precipitação
anual aquém da evapotranspiração potencial. Sua estação úmida, embora

5.2
curta, possui f01te índice de umidade ( 20,99) ·e ·grande excedente ·de
água ( 351 mm em média). De suas latitudes e altitudes baixas resultam
alta eficiência térmica, sobretudo na primavera, e clima quente do tipo
Quarto Megatérmico.

Grajaú (09)
Esta localidade, situada no centro do Estado, possui balanço hídr-ico
sazonal semelhante ao de Bana do Corda. Apesar .da . estação de -precipi-
tação efetiva ser relativamente grande - no.vembro e abril - .a· quantidade
de chuvas precipitada não é suficientemente elevada para: produzir excesso-,
enquanto não chega o mês de maio. De novembro a fevereiro os, solos
permanecem se reabastecendo e fornecendo às plantas a quantidade .q~
água que elas necessitam. Somente em março, após os solos terem alcan-
çado sua capacidade máxima de sustentação de umidade, a precipitaçãq
média de 281 mm torna possível a formação de excedentes significativos
que sustentarão um escoamento superficial apreciável até abril, quando,
normalmente, inicia-se a descida do nível das águas dos rios, os quais
terão seus menores volumes em agosto, setembro ou outubro.
Do ponto de vista hidroclimático e agronômico a estação seca é bexn
mais marcante do que a estação úmida; enquanto a estação seca persísté
por seis meses, a estação de precipitação efetiva positiva, embol'a dure
igualmente seis meses em média, o h·imestre de novembro-dezembro-ja-
neiro constitui um período de reabastecimento de água para os solos;
não sendo, portanto, nem úmido, nem seco. Resulta daí que enquanto a
estação seca acusa cerca de 465 mm de déficit de ·água, · a estação de
excesso dura efetivamente apenas três meses (fevereiro-março-abril) e
revela um excesso de apenas 271 mm em média. ·
Conseqüentemente seu clima é Subúmido· Seco e a estação seca regis-
tra elevado índice de aridez ( 30,67); a estação úmida, com moderado
excesso de água ( 271 mm em média), possui baixo índice de umidade
( 17,88). Embora a latitude do local seja razoavelmente superior às demais
localidades do Maranhão, até agora analisadas, a temperatura e a eficiência
térmica não são muito inferiores, porém o suficiente para que o clima
embora quente, seja de valor termal um pouco inferior - Terceiro Mega-
térmico. · ' · ·

Imperatriz ( 10)
Situada na margem direita do rio Tocantins, o balanço hídFico . de
Imperatriz é representativo de uma vasta área a sudoeste do Maranhão
de todo extremo norte de Goiás, entre os rios Tocantins e Araguaia.
A partir de novembro, a precipitação torna-se superior à evapotrans-
piração potencial. Contudo, a precipitação efetiva, apesar de positiva, não
é suficiente para garantir excesso de água; os solos, que haviam ficado
inteiramente sem umidade, utilizam todo o excedente de precipitação
para recarregar-se durante os meses de novembro e. dezembro. Tais meses

53
não são, portanto, nem secos, nem úmidos e as plantas têm, exatamente,
a água de que necessitam, não havendo excesso para alimentar o runoff.
Conseqü<:> ntemente os rios permanecem em seus níveis mais baixos. Somen-
te em janeiro, quando a reposição de água nos solos é completada, os altos
valores de precipitação que caracterizam esse mês, acima de 200 mm,
permitem grandes excessos, intenso escoamento superficial e se inicia a
estação efetivamente úmida, com elevação rápida do nível das águas nas
bacias.
Esta situação alcança seu ápice em março, quando a precipitação
média de 309 mm resulta em excedente hídrico de 194 mm em m édia, e
em runoff de 148 mm. Em abril a situação é quase a mesma, embora,
normalmente se inicie o declínio do nível dos rios, porém o excesso de
água ainda é muito grande (99 mm). Nessa localidade, março e abril
são os meses mais prováveis de graves enchentes do rio Tocantins. A
partir de maio o balanço hídrico sazonal se inverte : as precipitações pluvio-
métricas decrescem para níveis relativamente muito baixos; a precipitação
efetiva torna-se negativa ( -33 mm) e os solos começam a demonstrar
carência de umidade, a princípio pequena, uma vez que a água armaze-
nada, ao final da estação úmida, supre quase totalmente as necessidades
de água para asJJlantas durante o mês de maio (déficit m édio de apenas
4 mm). A retira a de água armazenada nos solos pelas plantas prossegue
até agosto. Entretanto, os baixos índices de precipitação, nessa epoca, re-
sultam em déficits muito grandes de água nos solos, cerca de 100 mm
em agosto. Em setembro e outubro, apesar da lenta subida do nível de
chuvas, os solos estão tão carentes de umidade que o runoff é quase
zero e os rios permanecem em níveis dos mais baixos. Em novembro,
reinicia-se o ano agrícola com a precipitação, elevando-se acima das ne-
cessidades potenciais.
Contudo, apesar da estação de deficic:~ncia de água durar seis meses
(maio a outubro) , seu déficit total não é muito grand e ( 365 mm em
média). Em contrapartida, a estação de excesso, embora dure normal-
mente quab·o meses (janeiro a abril) , caracteriza-se por excessos relativa-
mente grandes ( 555 mm em média). Conseqüentemente, o clima local
é Primeiro Omido, com moderado déficit d'água na estação seca. O índice
de umidade da estação de excesso é de 38,51, enquanto que o de aridez
da estação de deficiência é de 25,33. Pela permanência de forte eficiência
térmica, em qualquer época do ano e do ponto de vista termal , o clima
é muito quente - Terceiro Megatérmico.

Leandro ( 11)
Estando esta localidade relativamente prox1ma do Estado do Piauí,
seu balanço hídrico sazonal é muito semelhante ao que se verifica em
vastas áreas da região semi-árida do Nordeste.
A estação de deficiência hídrica apresenta-se muito longa ( 8 meses,
normalmente) e, geralmente, muito severa. Inicia-se em maio com folie
declínio das precipitações: a precipitação efetiva, de positiva em abril

54
passa a 58, 102 e 107 mm negativos em maio, junho e julho, respectiva-
mente, embora as plantas ainda possuam um pouco de água disponível
nos solos, até julho. A partir desse mês não existe nenhuma reserva hídrica
nos solos, e a necessidade potencial de água é quase igual aos altos
valores da evapotranspiração potencial, resultando em precipitação efetiva
negativa, abaixo de -100 mm. Esta situação permanece até novembro,
quando geralmente começa a se verificar chuvas razoáveis, porém, ainda
aquém da demanda ambiental, razão pela qual a estação, normalmente
deficitária em água, estende-se até dezembro; apesar de nesse mês a
precipitação média alcançar valor de 111 mm. Durante todo esse período
(maio a dezembro) o déficit biológico de água alcança o total médio de
681 mm e o runoff chega a ser praticamente zero nos h·ês últimos meses
da estação seca e, até mesmo, nos dois primeiros meses de precipitação
efetiva positiva. Esta estação começa em janeiro e termina em abril.
Os totais mensais, porém, são relativamente baixos: em janeiro e
fevereiro são apenas suficientes para a reposição de água nos solos extre-
mamente secos e para o atendimento essencial das plantas necessitadas
de água. Esses dois meses não são, portanto, secos, mas, também, não
são úmidos; não há excesso e o runoff é, ainda, quase zero.
Somente em março-abril, com os solos já recarregados, a precipitação
permite formar algum excesso que se escoa pela superfície dos solos.
Os 1ios não apresentam, normalmente, cheias apreciáveis, a não ser
que sejam alimentados pela ocorrência de fortes chuvas nos altos cursos
de suas bacias. O excesso referido ao findar o mês de abril é de, apenas,
35 mm, e o solo contém, apenas, 75 mm de água armazenada. Isto se
agrava pela deficiência de chuvas, mesmo ao se iniciar a estação de
precipitação efetiva positiva.
Seu clima é Subúmido Seco, e está próximo à fronteira do clima
Semi-árido. A precipitação efetiva anual é negativa ( -570 mm em média).
Enquanto sua estação seca possui forte índice de a1idez ( 38,43), a curta
estação úmida (maio a abril) possui muito pouco excesso de água e seu
índice de umidade é de apenas 3,16. Por se manterem muito altas dmante
todo ano, as temperaturas médias mensais sustentam uma eficiência termal
também muito forte, razão pela qual, todas as estações são quentes e
o clima é Quarto Megatérmico.

Pinhe-iros ( 12 )
Situada a oeste do golfão Maranhense, o balanço hídrico sa:;;:onal
dessa localidade, praticamente igual ao de Centro Josias, é tipicamente
tropical de transição enh·e climas úmidos e secos.
Há uma estação de duração razoável, muito bem marcada por carência
de chuvas e outra por grande excesso de precipitação. Embora dezembro
registre quase sempre razoáveis quantidades de chuvas, estas são, ainda,
insuficientes para a demanda ambiental. Em janeiro inicia-se, real-
mente, a estação de excesso de precipitação, contudo, a necessidade de

55
se recarregar os solos, não permite ainda excesso hídrico capaz de alimentar
e produzir escoamento superficial importante.
Somente a partir de janeiro podem ser iniciados, com maiores garan-
tias, as atividades agrícolas no que diz resp eito ao plantio e às semeaduras.
A partir de fevereiro, entretanto, com a continuidade das chuvas, acima
da necessidade potencial, começa a haver liberação p ara o runoff, pois
os solos ficam inteiramente saturados de água. Esta situação positiva
permanece até julho, com crescimento contínuo dos volumes mensais de
excesso até maio ou junho. As bacias alcançam seus níveis de enchentes
mais elevados. Estas, apesar da supersaturação de água nos solos, têm
pouca possibilidade de causar grandes danos, uma vez que os cursos
d'água dessa área não p ossuem percursos longos. Freqüentemente, julho
é o primeiro mês de redução de excesso de água, quando os rios começam
a retornar aos seus níveis médios . A partir de agosto a situação muda
completamente com a diminuição das chuvas. Inicia-se a es tação de defi-
ciência hídrica, com 109 mm de déficit de chuvas. Apesar do solo encon-
trar-se com sua capacidade máxima de retenção de água atingida, ao
iniciar o mês de agosto, o certo é que o débito de água para as plantas
já é bastante razoável em outubro, tornando-se muito grande de fins de
outubro até dezembro. Nesses meses os solos ficam totalm ente carentes
de umidad e e a possibilidade de se verificar runoff fica restrita às raras
e ocasionais chuvas; os rios descem a seus mais baixos níveis e voltam
a ascender em janeiro.
Seu clima é Subúntido úm,ido, com precipitação efetiva anual ligei-
ramente positiva ( 75 mm ). Apesar dos grandes excessos sazonais ( 631 mm
em média) e índice de umidade elevado 37,17, há um moderado a grande
déficit de água na estação oposta ( 556 mm em média) e com forte índice
de aridez ( 30,99). Seu regim e sazonal é permanentemente quente e a
eficiência térmica anual é das mais elevadas do Brasil, daí seu clima
ser Quinto Megatémzico.

São Bento ( 13)


Localizada a oeste do golfão Maranhense, o balanço híchico sazonal
de São Bento é muito semelhante ao da localidade vizinha de Pinheiros .
As d iferenças essenciais são as seguintes: enquanto em Pinheiros a estação
de deficiência dura de agosto a dezembro, em São Bento ela se inicia
em julho e vai até dezembro. Pmtanto, apesar de um pouco mais longa,
seu déficit hídrico é um pouco inferior ( 507 mm) . Como em Pinheiros,
o mês de janeiro é caracterizado pela reposição de água no solo e sem
excesso hídrico . O período de excesso se inicia, igualmente, em fevereiro
e estende-se até julho. Esta estação, apesar de um mês mais curta, é carac-
terizada por excessos de água maiores do que os de PinheiTos ( 647 mm).
Março, abril e maio são os meses de maiores excedentes, chegando, nor-
malmente, a ultrapassar o valor de 200 mm em abril. Por seus maiores
valores de runoff, estes meses são os mais representativos da estação das
enchentes dos rios . O volume total de água excedente, até findar o mes
de junho, chega a atingir a cifra de 647 mm, em média.

56
Em razão da estação chuvosa ser relativamente longa e marcada ·por
grandes excedentes de água e por índice de umidade elevado ( 39,60);
da estação biologicamente seca ser razoavelmente amenizada pelas reser-
vas de água armazenada nos solos e disponíveis para as plantas nos três
primeiros meses de balanço hídrico negativo; e, ainda, da existência de
apenas três meses verdadeiramente muito secos (setembro I outubro I no-
vembro ) , o clima de São Bento é ligeiramente mais úmido do que o de
Pinheiros, inclui-se na classe de clima Primeiro Omido, próximo à fronteira
da classe do clima Subúmido. Possui moderado a grande déficit hídrico
na primavera e início do verão. Embora com eficiência térriúca anual
muito elevada, seu clima é ligeiramente menos quente que o de Pinheiros
- Quarto Megatérmico.

São Joaquim dos M elos ( 14)


Situada muito próxima à fronteira do clima Semi-árido do Sertão,
esta localidade possui balanço hídrico sazonal muito semelhante ao das
regiões semi-áridas, embora seu clima seja Subúmido, porém do tipo
Seco. A estação de precipitação superior à evapotranspiração potencial
é curta, iniciando-se timidamente em janeiro, caracterizando-se melhor,
em fevereiro. Em tais meses a quantidade de água precipitada é tão
somente suficiente para suprir a necessidade das plantas, não sendo capaz
de saturar os solos. A capacidade máxima de armazenamento de água
nos solos é atingida em março e abril, quando a média da precipitação
efetiva sobe para 79 e 69 mm, respectivamente. Normalmente, esses
meses de outono são os únicos que propiciam excessos de água e, conse-
qüentemente, runoff. Contudo, como o volume liberado para o escoa-
mento superficial é muito pequeno, as cheias dos rios dessas áreas de-
pendem muito mais das chuvas que se verificam nessa mesma estação
nos altos cursos dos rios, que geralmente não são muito abundantes.
Em maio as chuvas decrescem para níveis freqüentemente abaixo
das necessidades potenciais. Inicia-se a longa estação deficitária que se
estenderá, normalmente, até dezembro. Durante os dois ou três primei-
ros meses dessa estação a água estocada nos solos é utilizada p elas plantas
que, embora em quantidade insuficiente, permite amenizar os ·déficits de
precipitação . A partir de julho ou agosto, esgotam-se, totalmente, as
reservas e os solos ficam inteiramente deficientes em umidade. Porém,
em novembro e dezembro, a chegada das primeiras chuvas importantes
costuma tornar o final da estaÇão seca, consideravelmente menos deficitária
em água . Em certos anos as. chuvas desses meses podem permitir o üúcio
do ano agrícola, com plantio de certas ·plantas menos exigentes quanto
à umidade. Por este motivo 'o déficit desta estação não é muito grande
como se poderia esperar, considerando a duração da estação (oito meses
em média).
Pelas razões observadas, esta localidade possui clima Subúmido Seco
(quase semi-árido) com pouco excesso de água na curta estação de
precipitação efetiva positiva . Enquanto a estação úmida possui excesso de

57
apenas ll1 mm, em média, e índice de umidade pouco significante ( 6,87),
a estação seca revela déficit hídrico de 581 mm, em média, e índice de
aridez de 37,50. Pelas suas latitudes c altitudes baixas as temperaturas
mensais se mantêm muito elevadas durante todo ano. Conseqüentemente
a eficiência térmica anual, nessa área, é muito alta e seu clima é do tipo
Quarto Megaténnico.

São Luís ( 15) e Turiaçu ( 16 )

A posição geográfica destas duas localidades situadas no extremo


norte do Maranhão é um fator fundamental do regime sazonal de chu-
vas. Este é controlado quase que exclusivamente pela maior ou menor
participação do sistema de instabilidades, representado pela convergência
intertropkal. Essa depressão barométrica tem seu posicionamento médio
no Hemisfério Norte, e p enetra no Maranhão de noroeste para sudeste.
Suas incursões, neste Estado, começam a adquirir grande importância a
partir do verão e se intensifica no outono, quando ocorrem chuvas abun-
dantes e quase diárias . Por isso mesmo, nenhuma outra área da Região
dos Cerrados possui estação chuvosa tão bem marcada por chuvas fortes
do que o centro-norte do Maranhão e Piauí.
Em São Luís e Turiaçu, embora a estação das chuvas se inicie em
de2:embro, somente a partir de janeiro ela registra quantidade superior às
necessidades potenciais. Contudo, apesar da precipitação desse mês ser
geralmente elevada ( 156 mm em média) , a evapotranspiração potencial
é, ainda, muito grande (145 mm ); razão p ela qual, o excesso pluviomé-
trico é de apenas 11 mm, considerando que ao iniciar o mês de janei ro
os solos ainda estão, completamente, deficitários em umidade; aquelas
chuvas são suficientes, apenas, para o consumo das plantas, sobrando ,
apenas, 11 mm para se iniciar a reposição de água nos solos. Conse-
qüentemente, o mês de janeiro não é úmido nem seco; não há excesso
de água, porém não há, também, déficit e o runoff é insignificante. So-
mente em fevereiro, com precipitação normal de 269 mm, os · solos têm
sua estocagem potencial alcançada e o excesso de precipitação de 141 mm,
resulta em um excesso hídrico nos solos de 52 mm, dos quais, 50% são
liberados para alimentar o escoamento superficial. ·
Assim é que, tanto em São Luís, como em Turiaçu, enquanto o
ano agrícola pode iniciar-se, mais seguramente, em janeiro, a estação de
excedente hídrico e de cheias dos rios se inicia em fevereiro . Em março
e abril, a precipitação alcança, em ambas as localidades, valores superele-
vados, normalmente acima de 400 mm para cada mês. Considerando
que os solos nessa época já estão saturados de umidade, todo o excesso
de precipitação (acima de 280 mm para cada mês, em média) resulta em
volume impressionante de água liberada, para o escoamento superficial,
igual ou maior do que os excessos dos meses em qu estão, uma vez que o
runoff de um ce1to mês e de qualquer localidade é fom1ado por um
determinado volume de água excedente ao do mês em questão mais uma
certa porção do runoff do mês antC('ior da bacia a montante ela locali-

58
dade. Estas são as razões que fazem com que março, abril e maio seJam
os meses de enchentes, os quais podem causar severos danos às popula-
ções e prejuízos à economia.
Neste ponto, torna-se necessário observar algumas diferenças que
normalmente se verificam na estação de excesso hídrico entre estas duas
localidades; (a) enquanto em São Luís essa estação se estende nom1al-
mente até junho, em Turiaçu vai até julho . Assim é que: em São Luís
ela dura cinco meses e perfaz um total médio de excedente de 826 mm,
enquanto que em Turiaçu, sua duração é de seis meses e completa um
excesso de 975 mm . O maior excedente de água de Turiaçu, em relação
a São Luís, deve-se ao fato de que Turiaçu está posicionada cerca de
1° de longitude a mais, sofrendo, por isso, maior ação da convergência
intertropícal que, como foi observado, invade o Estado do Maranhão pela
rota noroeste-sudeste. De qualquer forma, tanto numa quanto noutra lo-
calidade, mais de 90% do total das precipitações anuais se concentram
de janeiro a julho, principalmente de fevereiro a maio.
Contudo, há um traço comum no balanço hídrico destas localidades
e que também parece ser comum a quase todo o território do Estado do
Maranhão : pelo menos no primeiro mês de precipitação efetiva negativa,
os déficits de água para as plantas são muito pequenos . Isto decorre
de dois motivos: além do primeiro mês possuir precipitação em quanti-
dade razoáve~ embora insuficiente, seu déficit em relação à evapotrans-
piração é quase que inteiramente suprido pela água armazenada nos solos
e que fica disponível. Assim sendo, o primeiro mês de insuficiência de
chuvas em São Luís (geralmente julho) revela, apenas, um déficit médio
para as plantas de somente 2 mm; em Turiaçu (geralmente agosto), é
de apenas 19 mm. Entretanto, a partir do seguncfo ou terceiro mês as
precipitações se tomam tão insignificantes que, não obstante a existência
ae . afguma umidade disponível nos solos até o quarto mês, a partir do
terceiro o déficit de água se torna muito grande (superior a 100 mm) .
Isto faz com que o escoamento superficial fique reduzido a valores insig-
nificantes, durante os três últimos meses da estação de déficit. De qual-
quer forma, durante quatro a cinco meses a agricultura nessas áreas só
poderá ter suprimento de água, em quantidade necessária, pela prática de
irrigação, principalmente nos últimos três meses referidos, quando os solos.
ficam inteiramente sem umidade e, somente, as árvores dos cerrados, do-
tadas de raízes mu.tto profundas, podem suprir-se a partir dos lençóis
de água das camadas mais profundas do subsolo. Desse modo, apesar da
existência de uma estação de grandes excedentes de água, há sempre
uma outra que, apesar de poder registrar algumas chuvas razoáveis,
possui evapotranspiração potencial tão grande que torna a demanda de
água muito superior ao volume de água ofertado pela atmosfera; em São
Luís, o déficit hídrico da estação biofogicamente seca é de 517 mm e, em
Turiaçu, é de 450 mm, em média.
Resulta, daí, que o clima dessas áreas é do tipo úmido: Primeiro
Omido para São Luís, e Segundo úmido para Turiaçu, com grandes
excessos de água na estação úmida e elevado índice de umidad e (acima

59
de 50,0 ). A seca sazonal, porém, -é-bem Jnéircante ( sobretudo na primavera
e início do verão), quando há um moderado (quase grand e ) déficit de
água. Do ponto de vista termal a elevada eficiência térmica, durante todo
ano , torna o clima dessas áreas muito quente - Qua1to Me gaténnico.

4.2 - Piauí

Amarante (01), Barras (02) , Campo Maior (03) e Castelo do Piauí (04)

A semelhança da maior parte da Região dos Cerrados, o balanço


hídrico dessas localidades do centrei-norte do Piauí é 1·epresentativo das
regiões de clima de transição entre climas dominados por forte umidade
e grande excedente de água e climas semi-áridos, marcados, sobretudo,
por carência de água na maior parte do ano. Contudo, o centro-norte
do Piauí possui balanço hídrico sazonal de características mais próximas
dos climas semi-áridos do que dos climas úmidos. E de todas as áreas,
onde a vegetação de cerrados está presente, essa é a que se apresenta com
menos disponibilidade de recursos hidrometeorológicos.
No centro-norte do Piauí, a precipitação anual é inferior ao valor
total da evapotranspiração potencial, ao fim de um ano. Nas localidades
em questão o referido débito, anual, tem os seguintes valores m édios :
- 375, - 265, -426, -535, respectivamente. Nessas localidades a esta-
ção de deficiência de chuvas se inicia, normalmente, em maio. Não obs-
tante o caráter brusco que marca a passagem da estação de excesso
para a de déficit de precipitação, o primeiro mês, e, às vezes também, o
segundo, não são caracterizados por grandes déficits de água para as
plantas. Isto porque ao iniciar a estação climaticamente seca, além da
ocorrência normal de algumas precipitações importantes, os solos acham-
se com sua capacidade máxima de armazenamento satisfeita. Assim sendo,
o déficit de precipitação é parcialmente compensado pela oferta de água
dos solos, durante os dois primeiros meses de precipitação efetiva ne-
gativa. Entretanto, a partir do terceiro mês de déficit de água para as
plantas, torna-se muito grande, chegando, em certos meses, cerca de 120
a 150 mm. A primavera é a estação mais seca, quando os solos já não
contêm qualquer umidade armazenada e o déficit de água, em relação à
necessidade das plantas, chega, normalmente, àqueles valores mencio-
nados.
A partir de novembro as chuvas tornam-se mais fr eqüentes, porém,
somente a partir de janeiro o volume de água precipitada é superior à eva-
potranspiração potencial. Portanto, a estação de déficit hídrico é de oito
meses, exceto em Barras onde se prolonga, normalmente, por sete meses.
Nesta localidade, ao contrário das outras, o mês de maio tem normalmente
precipitação efetiva positiva, embora pouco acima de zero . Como foi
mencionado, em janeiro, inicia-se a estação de precipitação efetiva positiva,
porém, ainda instúiciente para completar a capacidade de campo . Geral-

60
mente, esse mês não é úmido, ·nem seco; não há excesso efetivo de água
e o runoff permanece insignificante.
Somente a partir de fevereiro, com os solos abastecidos e o aumento
do volume de água precipitada, inicia-se a estação de excedente hídrico,
que irá normalmente alcançar seu máximo em março ou abril. Estes são
os meses de maior escoamento superficial e das maiores enchentes. Con-
tudo, em virtude do excedente lúdrico não ser grande, as eventuais en-
chentes severas dependem dos outonos excepcionalmente muito chuvosos
e das chuvas precipitadas nas áreas das bacias a montante de suas áreas.
Em contraste com os moderados excessos de água da estação chuvosa,
a estação seca, além de relativamente longa, possui, normalmente, grandes
déficits de água: 640, 719, 745, 767 mm, respectivamente. Conseqüente-
mente o clima dessas áreas é· Subúmido Seco, com moderados excessos de
água na estação chuvosa. Exceto em Barras onde - menos pela redução da
estação de- déficit em um mês, mas, principalmente, pelo maior excesso
hídrico da estação chuvosa - o clima é Subúmido Omido, com grande
excesso de água na estação úmida. Os índices de aridez da estação de
déficit são muito elevados e semelhantes aos que se verificam em muitas
áreas de clima semi-árido: entre 38 e 50. As temperaturas dessas áreas são
muito quentes durante todo ano, razão pela qual a eficiência térmica anual
confere a essas localidades clima Quarto Megatérmico, chegando em
Barras a ser dos mais termais, Quinto Megatérmico :

Floriano ( 05) e Jaíc6s ( 06)


Estas localidades, situadas na zona central do Piauí, possuem regime
hídrico sazonal típico das regiões de clima Semi-árido.
· Normalmente há uma estação de razoável pluviomeh·ia (acima de
100 mm para cada mês): de novembro a março para Floriano e de janeiro
a março para Jaicós. Entretanto, somente em fevereiro e março os valores
mensais de precipitação são superiores aos da necessidade potencial.
Contudo, os referidos excessos de precipitação, nesses meses, são tão
pequenos que não são suficientes para saturar de água os solos, a não ser
durante curtos períodos de dias consecutivos. Conseqüentemente os meses
de fevereiro e março não são marcados por excedentes de água, mas,
também, não podem normalmente ser considerados como deficitários em
água. Tais meses, embora sejam os mais úmidos do ano, não possuem
chuvas suficientes para alimentar fluxos de água superficial. O runoff não
é revelado em nenhum mês e somente possui importância durante alguns
dias, principalmente nos meses de fevereiro e março, quando as chuvas
são mais freqüentes e abundantes. Em contrapartida, excluindo os meses
de fevereiro e março, os demais são deficientes em precipitação e as
chuvas são quase inexistentes durante o inverno e primavera. Em Floriano,
enquanto o excesso de precipitação de fevereiro-março é de apenas 46 Jl!m,
em média, o déficit hídrico de abril a janeiro atinge o valor médio de
789 mm. Em Jaicós o desequilíbrio é .ainda maior: o excesso de precipi-
tação de fevereiro-março é de 24 mm, e o déficit é de 885 mm. A partir

61
de abril, o nível dos rios desce bruscamente, ficando com seus leitos
praticamente secos na primavera e início do verão. Somente o rio Par-
naíba, por sua vasta bacia de recepção, mantém seu fluxo. Nesse período
os solos tornam-se completamente secos.
O clima dessas áreas é tipicamente semi-árido, com grande déficit
hídrico durante 10 meses e não tem sequer um mês de excesso de água.
O índice de umidade da curta estação de precipitação efetiva positiva
é zero e o índice de aridez da estação de defici ência é de 47,44 para
Floriano e de 58,96 para Jaicós. Nesta última localidade o índice de
umidade efetiva ( -35,38) revela que seu clima está próximo ao limite
de clima árido ( - 40,0). A precipitação efetiva anual é de -789 e
-885 mm. Além do caráter muito seco de seu clima, essas áreas são muito
quentes. As temperaturas médias mensais mantêm-se acima de 24°C, atin-
gindo valores cerca de 27°C na primavera. Conseqüentemente, a eficiência
térmica anual faz com que o clima dessas áreas seja dos mais term ais -
Quarto M egaté-rmico.

José de Freitas (07)


Embora o ano agrícola se inicie geralmente em novembro, a precipi-
tação nesse mês é ainda inferior à necessidade potencial. Além disso, os
solos estão ainda bastante deficitários em água em virtude da carência
de chuvas nos meses de inverno e primavera . Somente em janeiro, com
súbito aumento de precipitação (característica do no1te piauense) inicia-se
a estação de precipitação efetiva positiva, que se estenderá normalmente
até abril. Entretanto, como os solos ao terminar o mês de dezembro ainda
es tão com déficit de umidade, o mês de janeiro é mais caracterizado
pela reposição de água nos solos do que por excedente de água. Assim,
é que somente a chegada das fortes chuvas de fevereiro ( 265 mm em
média) p ermite precipitação efetíva positiva de 137 mm e excesso hídri-
co de 83 mm . Em março , além dos solos se encontrarem sa turados de
umidade, com precipitação atingindo o ápice de 364 mm, o excesso hídrico
chega a cifras superiores a 200 mm em média, para decair levemente em
abril, quando termina a estação úmida. O notável excesso hídrico a
partir de fevereiro alimenta valores de runoff, cuja intensidade em março
e abril resulta em enchentes normalmente muito importantes .
Em maio inicia-se a estação de precipitação deficiente. Porém, o
notável excedente de água em abril não permite rápido declínio do nível
dos rios a não ser a p artir de junho. Uma certa quantidade de água
estocada nos solos é utilizada para amenizar substancialmente a seca bio-
lógica durante um a dois meses após ser iniciada a estação de déficit de
chuvas. A partir de julho, entretanto, a redução drástica das chuvas,
aliada ao esgotamento quase completo de água nos solos, torna os déficits
hídricos muito profundos. De setembro a janeiro o runoff é quase inexis-
tente e completa-se a vazante dos rios.
Portanto, o regime hídrico sazonal dessa área é semelhante ao das
regiões tropicais subúmidas: uma curta estação de grande excedente de

62
água ( 439 mm em média) é sucedida por uma longa estação cujo déficit
hídrico chega a atingir valores superiores a 700 mm, na qual, a umidade
desaparece dos solos inteiramente nos últimos meses, quando somente as
árvores de sistema radicular muito profundo podem sobreviver a essa
estação .
Em função principalmente do caráter muito marcante da deficiência
hídrica sazonal, o clima dessa área ·é Subúmido Seco, embora com grande
excesso de água na curta estação úmida. Enquanto esta estação possui
índice de umidade de 25,85, a estação seca possui índice de aridez de 43,23.
A exemplo de todo Estado do Piauí, o regime anual da temperatura
e da eficiência térmica para o crescimento vegetativo das plantas se man-
têm em níveis muito elevados em qualquer estação. Daí seu clima ser
do tipo Quarto Megatérmico.

Luís Correia (08)


Esta localidade está situada no litoral do Estado, a poucos quilómetros
da cidade de Parnaíba.
Embora a estação das chuvas se inicie em janeiro, somente a partir
'de fevereiro estas se verificam em quantidade superior à evapotranspira-
ção potencial. Nesse mês a precipitação efetiva é positiva ( 86 mm).
Entretanto, em virtude dos solos em janeiro não possuírem qualquer es-
toque de água, o excesso de precipitação em fevereiro não é suficiente
para recompor umidade nos solos até o nível de sua capacidade máxima.
Conseqüentemente, embora janeiJ:o não tenha déficit lúdrico, não tem
também excedente; às plantas é fornecida a exata quantidade de
á:gua de que necessitam para seu consumo. Em março e abril a eleva-
díssima taxa de precipitação efetiva ( 307 e 272 mm em média, respectiva-
mente) resulta em excessos lúdricos muito semelhantes à precipitação
efetiva e em 1'Unoff muito intenso. São os meses das cheias dos rios,
sobretudo em ablil, quando ao excesso mensal se junta o volume parcial
de água escoada a montante dos cursos do lugar em questão. O balanço
lúdrico sazonal de Luís Correia pode ser extrapolado para todo o extremo
norte do Estado. O rio Parnaíba tem seu delta quase inteiramente ala-
gado no mês de abril e os solos superencharcados de água. Em maio,
embora as precipitações sofram um decréscimo acentuado, estas ainda
se verificam, quase sempre, pouco acima da necessidade potencial; o
runoff é ainda muito importante e, conseqüentemente, o nível das águas
dos 1ios permanece elevado.
Somente em junho, com redução violenta das chuvas, muito aquém
da evapotranspiração potencial (- 102 mm), inicia-se a estação de defi-
ciência lúdrica. Contudo, a água estocada nos solos, ao findar o mês de
maio ( 100 mm), começa a ser utilizada pelas plantas, de modo que a
deficiência de água no mês de junho é de pouca importância. Esta co-
.meça a se tornar crítica em julho, não obstante os solos conterem algum
estoque de água. De agosto a novembro a seca se intensifica; os solos
tomam-se exauridos de umidade e as chuvas são raras e insignificantes,

68
podendo até mesmo inexistir; o déficit hídrico para as plantas chega a ser
superior a 150 mm p ara cada mês. O escoamento superficial é mantido
apenas na área do rio Parnaíba. Os demais cursos ficam reduzidos a
mais baixa expressão, e alguns leitos ficam completamente secos, pela
intensidade do processo de evapotranspiração dessa estação. A chegada
das chuvas em janeiro faz recomeçar o ciclo sazonal com len ta subida
do nível dos rios, rees tocagem da água nos solos até fevereiro e reinício
do ano agrícola.
Apesar da longa estação normalmente seca e de seus profundos déficit~
hídricos (média ele 873 mm) seu clima não chega a ser Semi-árido;
os excessos hídricos elo outono, embora moderados ( 283 mm ), são sufi-
cientes para tornarem o clima dessas áreas elo extremo norte do Estado,
Subúmido Seco.
O índice ele aridez da estação seca é muito elevado ( 49,16) e o
de umidade dos meses de outono é relativamente alto ( 15,93 ). Comparando
o volume total de input hídrico atmosférico com o output da evapo-
transpiração potencial ao longo do ano, resta normalmente um déficit de
precipitação ele 590 mm. Pela freqüência quase constante de temperaturas
médias elevadas durante todo ano, sobretudo nos meses de primavera, a
eficiência térmica anual é das mais elevadas do mundo; daí seu clima ser
Quinto Megaténnico.

Oeims (09)
Esta localidade, situada na zona central do Piauí, apresenta um re-
gime sazonal típico das regiões semi-áridas do Nordeste.
Há uma forte concentração de chuvas em três ou quatro meses,
porém insuficientes para formar excessos de água para as plantas e solos,
capazes de alimentar escoamento superficial durante um período sazonal
que pudesse caracterizar uma estação de umidade excessiva.
Nessa localidade os meses de janeiro, fevereiro e março são os únicos
que possuem precipitação efetiva positiva, isto é, uma taxa de pluviosi-
dade superior àquela necessária para a demanda exata da vegetação
(acima de 150 mm p ara cada mês em média) . Entretanto, a evapo-
transpiração potencial é tão alta que os excessos pluviométricos desses
meses não são capazes de saturar os solos em umidade. Conseqüente-
mente esse trimestre, embora normalmente chuvoso, não forma exce-
dente hídrico suficientemente constante que resulte em runoff, a não
ser durante e após alguns dias de chuvas.
Em abril as chuvas declinam sensivelmente, e em maio drasticamente,
quando, não obstante a razoável quantidade de umidade ainda contida
nos solos, inicia-se a estação seca com profunda deficiência de água até
dezembro . Assim sendo, embora abril e dezembro sejam meses deficitá-
rios em recursos hídricos não são nmmalmente muito secos . Entretanto,
o semestre de junho a novembro é excessivamente seco, com déficits de
água para as plantas atingindo geralmente valores superiores a 100 mm
para cada mês. Nesse semesb·e, a possibilidade de umidade nos solos é

64
ocasional, isto é, depende das raras ocorrências de fracas chuvas. Nessas
áreas apenas o rio Parnaíba, pelo seu longo curso, mantém seu fluxo
durante todo ano; os demais permanecem com seus leitos secos durante
4 a 5 meses normalmente, podendo, nos anos de secas excepcionais, per-
manecer nessa situação durante mais de sete meses.
O clima dessa área é Semi-árido, com déficit hídrico durante a estação
seca de 709 mm em média e o índice de aridez é de 46,04. A estação nor-
malmente chuvosa não é suficiente para caracterizar sequer um mês de
excedente de água, e seu índice de umidade é zero. O clima, embora
Megatérmico, é um pouco menos quente do que o do norte do Piauí -
Tercei1'0 Megatérmico.

Paulistana ( 10), Picos ( 12), Pio IX ( 13), São João do Piauí ( 17), São
Raimundo Nonato (18), Simplício Mendes (19), Valença do Piattí
(22)

A região, representada por essas localidades, possui regime hídrico


sazonal semelhante ao das regiões de clima mais seco do sertão do Nor-
deste: uma muito c01ta estação, normalmente pouco chuvosa - fins do
verão a início do outono - e uma longa e profunda estação de carência
de chuvas. Todas estas localidades possuem Clima Arido.
Enb:etanto, o posicionamento geográfico de cada localidade resulta em
graus de aridez diferentes. A região de Pio IX e de Valença do Piauí, por
estar localizada mais ao norte do que as demais, é mais beneficiada pelas
chuvas de outono, derivadas principalmente da maior freqüência de ação
da Convergência Intertropical. Nessas duas localidades, durante 3 a 4 me-
ses, a precipitação pluviométrica é superior à necessidade potencial de água
para as plantas. Em Pio IX, esta estação compreende os meses de fevereiro-
março-abril. Nessa localidade, enh·etanto, o excesso de chuvas não é sufi-
ciente para repor a umidade do solo ao nível de sua capacidade potencial.
Assim, normalmente, não chega a registrar excessos reais de água. Tais me-
ses, embora não sejam secos, não são, no entanto, úmidos a ponto de formar
excessos hídricos que pudessem ser liberados para escoar superficialmente.
O runoff dessa área, mesmo na estação das chuvas, somente tem importân-
cia durante os dias de chuvas, que, aliás, são pouco n01nerosos.
Em Valença do Píattí a situação já é sensivelmente melhor. A estação
de precipitação superior à necessidade potencial em água se inicia nor-
malmente em janeiro e se estende até abril. Além disso, o volume de pre-
cipitação, geralmente, é bem superior. Isto permite que em março e abril
os solos sejam carregados em umidade até ao nível máximo de sua capa-
cidade. Essa é a diferença fundamental enb.·e essa localidade e as demais
agrupadas nesta análise. Com os solos abastecidos totalmente, o excesso
de precipitação permite excesso de água para as plantas ( 97 mm), e parte
desse é liberado para o escoamento superficial, que se verifica de setembro
a janeiro, quando os déficits hídricos se tornam críticos.

65
Em Picos e Simplício Mendes o balanço hídrico é mais desfavorável;
apenas nos meses de fevereiro e março há geralmente algum excesso de
precipitação ( 63 a 60 mm respectivamente, em média ), entretanto, não
chega para completar o armazenamento de água nos solos. Por conseguinte,
nessas localidades, tais meses, embora não sejam secos, não são, contudo,
úmidos; e somente em anos excepcionais se verificam excessos capazes
de saturar os solos em água e fluir superficialmente ao ponto de provoca-
rem enchentes de alguma importância. Como a quantidade de água arma-
zenada nos solos, durante esses meses, fica muito aquém da capacidade de
campo, até mesmo o início da estação seca é caracterizada por profunda
insuficiência de água, e o ru.noff só tem importância em alguns dias dos
meses de fevereiro e março.
Em Paulistana, São João do Piauí e São Raimundo Nonato a situação
é ainda mais desfavorável. Nessas regiões, posicionadas além dos limites
externos da Região dos Cerrados, apenas o mês de março tem normal-
mente chuvas em quantidades superiores às necessidades das plantas;
contudo, o excedente é tão p equeno ( 14,32 e 31 mm respectivamente) que
o volume de água estocada nos solos nesse mês não chega a atingir nem
30% da sua capacidade de campo, a não ser em anos excepcionalmente
chuvosos que, por sinal, são raros.
Em todas essas áreas de climas áridos, cujos balanços hídricos es tão
sendo analisados, a seca, além de normalmente muito longa, é muito in-
tensa : em Valença do Piauí para oito meses de deficiência, o débito é de
681 mm; em Pio IX, para nove meses, o débito é de 637 mm; em Picos e
Simplício Mendes, para dez meses de deficiência, o débito atinge taxa
média de 872 e 753 mm respectivamente; em Pauüstana, São João do
Piauí e São Raimundo Nonato, para onze meses de deficiência, o débito é
de 854, 789 e 691 mm respectivamente.
Por essas razões, o clima das áreas representadas pelos diagramas 10,
12, 13, 17, 18, 19 e 22 é do tipo Semi-árido, com profundo déficit anual
de água p ara as plantas, acompanhado por forte índice de aridez: 45,52 em
Valença do Piauí, 49,15 em Pio IX, 58,13 em Picos, 52,66 em Simplício
Mendes, 51,72 em São Raimundo Nonato, 53,93 em São João do Piauí, e
62,89 em Paulistana. Dentre essas localidades apenas Valença do Piauí
possui, normalmente, uma curta es tação úmida. As demais, embora con-
tenham uma curta estação de excesso pluviométrico, este não é suficiente
para formar excessos mensais; razão pela qual o índice de umidade é zero.
Os índices de umidade efetiva de Paulistana, São João do Piauí, São
Raimundo Nonato e Simplício Mendes revelam que suas áreas possuem
clima Semi-árido dos mais secos, próximo às fronteiras do clima árido.
Todas as áreas possuem clima fortemente Megaténnico. As áreas situadas
abaixo de 300 metros são da classe Terceiro Megaténnico, enquanto que
aquelas posicionadas em níveis altimétricos superiores têm seu clima me-
nos termal - Segundo Me gaténnico.

66
Pedro II ( 11)

Situada ao norte do Piauí, próximo da chapada de Ibiapaba, sua


estação de precipitação efetiva negativa inicia-se em maio e se estende
a dezembro. Não obstante começar com grande déficit de precipitação
( -500 mm em média), o mês de maio não revela grande déficit hídrico
em virtude, principalmente, do grande estoque de água nos solos dispo-
nível para as plantas, ao findar a estação úmida. Apesar de as reservas
hídricas dos solos se esgotarem somente em agosto, a partir de junho os
valores dos déficits hídricos tornam-se muito importantes, atingindo dé-
bitos, cerca de 130 mm em setembro e outubro, mantendo-se acima de
100 mm em novembro. Nesses meses o runoff é insignificante e os rios
descem a níveis muito baixos.
Em dezembro, inicia-se normalmente a estação das chuvas, porém,
estas são ainda pouco expressivas e os solos acham-se inteiramente sem
reservas de água; razão pela qual o runoff não tem significação e a ele-
vação do nível dos rios é retardada para janeiro ou, até mesmo, para
fevereiro. Quando inicia-se em fevereiro, os meses de dezembro e janeiro
podem ser caracterizados como dos mais secos; nessa situação o leito
dos rios costuma secar quase completamente.
Contudo, normalmente, o mês de janeiro assinala o início da estação
de excesso de precipitação m relação à evapotranspiração potencial e,
conseqüentemente, o início do ano agrícola, embora não haja ainda ex-
cesso hídrico capaz de alimentar o runoff. O forte aumento das chuvas
em fevereiro faz completar a reposição de água nos solos até o limite
máximo de sua capacidade de estocagem. A estação de excesso hídrico
torna-se bem marcada pela intensificação do runoff e pela elevação rápida
do nível das águas dos rios. As precipitações são, entretanto, abundantes
de março (294 mm) a abril (217 mm), permitindo excessos hídricos de
185 e 103 mm respectivamente. Tais excessos proporcionam as esperadas
cheias dos rios. Nesses meses o runoff é superior a 100 mm para cada mês.
Em anos excepcionalmente chuvosos o runoff é tão intenso que as cheias
dos rios somente não causam grandes danos às lavouras porque seus cursos
não são muito longos.
Em maio, como foi observado, a estação chuvosa termina bruscamente,
mas, em compensação, deixa os solos saturados em água para ser utilizada
ao iniciar a estação deficiente em chuvas.
Seu clima é Subúmido Seco, com grande déficit hídrico ao longo da
estação seca ( 668 mm) e elevado índice de aridez ( 47,99). A estação úmi-
da, entretanto, apesar de curta, é caracterizada por grande excesso hídrico
( 319 mm) e elevado índice de umidade ( 22,92). Em função de sua alti-
tude ser relativamente elevada ( 580 metros), esta localidade, apesar de
possuir clima quente, não é das mais termais - Segundo Megatérmico.

67
Piracuruca ( 14) e Piripíri ( 15)

Estas localidades, próximas en tre si, situadas ao norte do Estado, tem


regimes hídricos sazonais muito semelhantes. A estação de precipitação
efetiva negativa inicia em maio e se estende até dezembro. Pelo estoque
máximo de água nos solos ao iniciar essa estação, o mês de maio não possui
déficit hídrico, embora não seja caracterizado por excesso. Apesar das
reservas hídricas do solo se esgotarem somente em setembro, a partir de
julho os déficits de água para as plantas são bastante consideráveis pela
drástica redução das precipitações pluviométricas, que podem até mesmo
não exis tir, principalmente de julho a outubro. Nesses meses o runoff é
insignificante e a vazante dos rios pode ser muito severa . Apesar do
aumento razoável da precipitação em novembro e mais considerável em
dezembro, os déficits hídricos nesses meses são ainda muito elevados, uma
vez que os solos acham-se inteiramente sem qualquer reserva de água.
Conseqüentemente, apesar da chegada normal das chuvas, o runoff penna-
nece praticamente inexis tente. Nos anos excepcionalmente secos, os meses
de novembro e dezembro são os mais severamente áridos, e seus rios podem
ficar reduzidos a simples filetes de água ou até mesmo sem qualquer
corrente.
Normalmente o mês de janeiro marca o início da estação de excesso
de precipitação em relação à necessidade potencial e, conseqüentemente,
o início do ano agrícola, embora não haja ainda excesso hídrico capaz
de alimentar o então insignificante runoff. O formidável acréscimo de
chuvas em fevereiro, proporciona a satmação dos solos. A estação de
excesso hídrico torna-se bem marcada pela intensificação do runoff e p ela
subida do nível dos rios. Entretanto, são as precipitações mais freqüentes
e abundantes de março e abril (superior a 300 mm para cada mês) que
causam maior runoff e as mais notadas enchentes dos rios. Nos outonos
excepcionalmente chuvosos, o runoff é tão intenso que, mais do que as
enchentes dos rios, p odem causar grandes danos às lavouras. Como foi
observado, em maio termin a normalmente a es tação das chuvas de modo
muito brusco, deixando, em compensação, os solos saturados de umidade
para ser remanejada p elas plantas ao iniciar a estação de insuficiência de
chuvas.
O clima das regiões dessas duas localidades é Subúmiclo Onliclo com
grande déficit hídrico ao longo da estação seca ( 728 mm em Piracuruca
e 701 mm em Piripíri) e elevado índice de aridez ( 41,58 e 42,05, res-
pectivamente). Em compensação, a estação úmida, embora curta, é carac-
terizada por grandes excedentes de água ( 436 mm e 337 mm, respectiva-
mente) e forte índice de umidade ( 24,90 e 20,22). Do ponto de vista
termal seu clima é dos mais quentes do mundo - Quinto M egatérmico
em Piracuruca e Quarto Megatérmico em Piripili - exatamente igual ao
das áreas de altitudes baixas do nmte do Piauí.

68
Teresina (20) e União (21)
Situadas às margens do rio Parnaíba, muito próximas entre si e de
altitudes muito baixas, os regimes hídricos sazonais de ambas localidades
são praticamente iguais, bem como os climas de suas áreas que margeiam
o rio Pamaíba.
A estação de deficiência hídrica inicia-se em maio e se estende até
dezembro. Porém, ao findar a estação úmida (abril) os solos encontram-se
geralmente plenos em reservas de água, motivo pelo qual a grande defi-
ciência de chuvas no mês de maio é quase inteiramente compensada pela
disponibilidade de água nos solos. Resulta daí que a deficiência hídrica
no primeiro mês da estação de precipitação efetiva negativa é de apenas
9 e 7 mm respectivamente. Entretanto, a queda vertiginosa da pluviosidade
a partir de junho, faz com que o segundo mês seja caracterizado por pro-
fundo débito de água para as plantas, 75 e 64 mm respectivamente. De
julho a novembro a situação torna-se mais séria: o decréscimo contínuo
de precipitação e a exaustão dos estoques nos solos fazem os déficits
desses meses ultrapassarem os valores de 100 mm cada, e atingir em
setembro e outubro taxas de cerca de 140 mm. Nesses meses (primavera
e início de verão) o runoff adquire importância somente nos dias de chu-
vas expressivas que, por sinal, são muito raras nessa época do ano. Con-
seqüentemente, é nesta estação que os ~íveis de água dos rios descem
drasticamente e os leitos dos cursos curtos podem ficar quase inteiramente
secos.
Com a chegada das chuvas em janeiro (média de 170 mm), inicia-se
a estação de precipitação efetiva positiva. Enn·etanto, esta não é suficiente
para formar excessos de água para as plantas, uma vez que os solos, por
se acharem totalmente secos ao findar dezembro, o excedente de chuva
(cerca de 30 mm em média) não chega a armazenar mais do que 30% do
que é capaz. Conseqüentemente, o mês de janeiro, embora não seja defi-
citário em água, não tem excesso; o r-unoff é ainda insignificante, e os
rios continuam em estágio de vazantes.
. Graças as suas chuvas abundantes, somente o b."imestre de fevereiro-
março-abril é caracterizado por excessos hídricos muito além das necessi-
dades biológicas da vegetação (cerca de 300 mm em março e abril), dos
quais, mais de 70%são liberados para o escoamento superficial. Deste modo,
as cheias do rio Parnaíba, alimentadas pelo excedente da bacia a montante,
são, na região de Teresina e União, superabastecidas pelo r-u.noff de sua
própria região. Resultam daí as violentas ch~ias que tantos danos provocam
nos anos excepcionalmente chuvosos.
Apesar dos grandes excedentes de água (cerca de 300 mm em média)
e do elevado índice de umidade da curta estação úmida ( 20,0), o clima
dessa região é Subúmido Seco. Apesar de geograficamente muito afastada
da fronteira de clima semi-árido, a estação biologicamente seca de Teresi-
na e União é normalmente longa ( 8 meses) e profundamente deficitária
em água (cerca de 750 mm em média) e sua aridez é muito marcante

69
(índice de 43,0). Do ponto de vista termal o clima é dos mais quentes
- Quinto Megatérmico. A média térmica do ano é de 27.4°C; a média
mais baixa de março e abril é cerca de 26.0°C; e as médias mais altas d e
setembro a novembro ficam próximas de 29.0°C.

4 .3 - Goiás

Como foi visto, nos Estados do Maranhão e Piauí a estação de maior


evapotranspiração potencial é a primavera, enquanto a de maior preci-
pitação inicia-se no verão e se afirma no outono. Isto significa que nesses
Estados há, entre a marcha sazonal de cada uma dessas variáveis, uma ten-
dência à simetria, embora com desajuste de três a quatro meses. Nos demais
territórios da Região dos Cerrados a referida simetria é quase justa: o
verão é ao mesmo tempo a estação de maior evapotranspiração poten-
cial e a de maior precipitação, enquanto que o inverno é a estação de
menor evapotranspiração potencial e a de menor precipitação. Conclui-se
daí que, o período sazonal de maior demanda de água é o mesmo da
maior oferta desse recurso e o período d e menor oferta d e água corres-
ponde ao de sua menor necessidade potencial. Assim sendo, o balanço
hídrico sazonal da maior parte da Região dos Cerrados, excluindo aqueles
referidos Estados do norte, é sem dúvida muito favorável nesse aspecto,
uma vez que tal simetria ameniza a carência de água da estação de insu-
ficiência de chuvas e evita maiores excessos hídricos durante a estação de
chuvas abundantes, embora estes sejam ainda muito grandes.

Catalão ( 01), Formosa ( 02) , Pirenópolis ( 07) e Santa Rita elo Araguaia
(09)
Em Catalão, Formosa, Pirenópolis e Santa Rita do Araguaia a referi-
da simetria é quase que perfeita. Essas localidades são representativas de
clima dos mais úmidos da região cenh·o-sul do Estado de Goiás e de todo
território dominado p ela vegetação de cerrado.
Após cinco meses de deficiência híd1ica (maio a setembro), o mês
de outubro mosh·a-se quase sempre caracterizado pelo reinício do ano
agrícola, graças ao aumento considerável das precipitações (média de
120 a 170 mm) que permite um razoável excesso em relação à necessidade
ambiental. A partir de novembro, com os solos atingindo sua capacidade
máxima de estocagem de água e com a superabundância de precipitação
pluviométrica (cerca de 250 mm em média), o excedente hídrico chega
próximo a 100 mm e o wnoff eleva-se bruscamente até cerca de 50 mm.
Em dezembro e janeiro a estação das chuvas atinge seu apogeu, alcan-
çando normalmente totais médios cerca de 300 mm em cada mês. Os
excessos de água de cada mês são superiores a 200 mm em Catalão e
Formosa e cerca de 150 a 200 mm em Pirenópolis e Santa Rita do Ara-
guaia. Em função principalmente desses notáveis excessos e do enorme
volume de água escoada superficialmente, os 1ios dessas áreas costumam

70
apresentar grandes enchentes. Contudo, há pouca possibilidade de tais
cheias causarem grandes danos à economia dessas áreas, uma vez que
suas principais correntes fluviais são de altos cursos: alto curso do rio
Negro, formador do rio Paranaíba, em Formosa; alto curso do rio Para-
naíba, em Catalão; alto curso do rio Araguaia, em Santa Rita do Araguaia;
e área de Pirenópolis, divisora de águas que fluem para as bacias dos
rios Tocantins e Paranaíba. De fevereiro a março as chuvas se mantêm
muito abundantes, pouco inferiores às de dezembro-janeiro; da mesma
forma, mantém-se muito grande o volume excedente e o runoff. Razão
pela qual, a possibilidade dos picos das enchentes se verificarem em
fevereiro ou março é pouco menor do que em dezembro ou janeiro.
Geralmente há um forte decréscimo de chuvas em abril, embora seu total
seja mantido acima da evapotranspiração potencial. Porém o excesso de
água e o runoff são consideravelmente inferiores. Esse mês é normalmente
o último da estação de excedente hídrico.
Deve ser mencionado, que essas áreas, bem como todo centro-sul de
Goiás, estão sujeitas ao fenômeno de secas dentro da estação normalmente
muito chuvosa. Este fenômeno, conhecido por "veranico", tanto pode durar
poucos dias como se prolongar por mais de vinte dias. Nos anos de "vera-
nicas" muito prolongados o balanço hídrico do verão é muito distinto
do descrito acima. Contudo, o regime hídrico do semestre novembro a
março é freqüentemente mais semelhante ao descrito acima.
De maio a setembro, além da freqüência diátia de chuvas ser muito
baixa, o volume de água precipitada é quase sempre muito pouco expres-
sivo. Entretanto, em função da altitude e das periódicas invasões de
massas de ar flio de origem polar, o inverno nessas localidades é carac-
terizado, também, por temperaturas relativamente muito baixas. Assim
sendo, a demanda de água é muito inferior àquela da estação de excesso
de precipitação. Razão pela qual o balanço lúdrico de maio a setembro
não é muito negativo, e o débito de água em relação à necessidade
potencial é de apenas 200 mm, aproximadamente, e desprezível nos meses
de maio e junho em virtude da utilização de água estocada nos solos.
Do ponto de vista da umidade, o clima dessas áreas foge muito do
clima mais generalizado das áreas ocupadas por cerrados. O balanço hí-
drico sazonal apresenta-se com as características básicas do regime das
áreas de cerrados. Além disso é muito semelhante no que se refere aos
valores altamente excessivos do volume de água da estação chuvosa.
Entretanto, a deficiência hídrica no inverno é consideravelmente ameni-
zada pela altitude dos lugares. Seu clima é Terceiro Omido com grande
excesso de água, sobretudo no verão, e pouco a moderado déficit hídrico
no inverno. Do ponto de vista termal o clima é Quarto Megatérmico,
classe mesotérmica mais próxima do clima megatérmico. O caráter mesa-
térmico dessas áreas resulta principalmente da altitude relativamente alta.
Trata-se, pois, de clima anômalo, conforme revela a baixa concentração
da eficiência térmica no trimestre de verão, a qual seria normal para os
climas megatérmicos.

71
Goiânia ( 03 ) e Luziânia ( 05)

Embora o balanço hídrico de Goiânia seja caracterizado por excessos


de água maiores do que os de Luziânia, estes não são suficientes para
criarem modificações imp ortantes entre os climas dessas duas áreas.
A pluviosidade é drasticamente reduzida de maio a setembro. Entre-
tanto, a evapotranspiração potencial nessa época do ano não é também
muito grande, decrescendo ao mesmo tempo que reduz a oferta de água
da atmosfera. Deste modo, os baixos valores pluviométricos não deter-
minam débitos hídricos compatíveis, p1incipalmente de maio a agosto,
quando os estoques de água dos solos, ao findar a estação úmida, são
utilizados pelas plantas, tornando muito pouco expressivos os valores do
déficit e água. Agosto é o mês da vazante dos rios, embora haja grande
probabilidade de sua ocorrência em setembro.
Em outubro, geralmente, a precipitação se eleva a níveis superiores
ao das necessidades potenciais. Entretanto, o excesso de precipitação
( 34 mm em média) não é suficiente para formar excesso h1drico, e os
solos atingem sua capacidade de campo somente em novembro. Nesse mês
inici a-se a estação de excesso de água ( 70 mm em Goiânia e 59 mm em
Luziânia). A manutenção dos altos índices de precipitação até março
(média acima de 200 mm para cada mês) e a oferta de água aos solos,
além do que ele pode absorver e de que a vecretação possa consumir,
resulta em runoff muito intenso até o mês de abril, quando, normalmente,
termina a estação úmida. Ap esar do grande volume de água dos rios por
ocasião de suas enchentes, estas não devem ser motivo de grande pre-
ocupação, uma vez que as bacias fluviais dessas áreas não têm grandes
superfícies de recepção e sua topografia é levemente ondulada.
O clima dessas áreas é tão úmido quanto o das áreas do centro-sul
de Goiás já descritas - Terceim úmido com grande excesso de água na
estação úmida, sobretudo no verão ( 589 mm em Goiânia e 678 mm em
Luziânia) e pouco ou moderado déficit de água normalmente durante
cinco meses. Situadas em altitudes acima de 700 metros, o clima é Mesa-
térmico: Quarto em Goiânia ( 729 metros) e Terceiro em Luziânia ( 958
metros). Neste particular o clima é anômalo, uma vez que a baixa con-
cenh·ação da eficiência térmica no verão é normal para clima megatérmico.

Goúís (04)
A estação de precipitação efetiva positiva se inicia em outubro, após,
aproximadamente, cinco meses deficitários em umidade.
As chuvas do primeiro mês, entretanto, não são suficientes. para formar
excessos, e o runoff se deve, sobretudo, ao escoamento parcial do excesso
do mês anterior. Os elevados índices de precipitação de novembro com-
pletam o arm azenamento de água nos solos, e o excesso, geralmente
superior a 60 mm, libera um certo volume de água em forma de runoff,
iniciando-se lentamente a subida do nível dos rios .

72
A partir de dezembro a estação realmente chuvosa se inicia; a preci-
pitação efetiva ultrapassa normalmente os valores superiores a 200 mm
em dezembro e janeiro e pouco abaixo desta cifra em fevereiro e março.
Em virtude dos solos se encontrarem no limite de sua capacidade de
campo, durante esses quah·o meses os valores dos excessos de água são
semelhantes aos excedentes da pluviosidade, razão pela qual a média
mensal do volume do rtmoff nesse período é cerca de 150 mm. As en-
chentes fluviais são violentas e podem causar sérios danos às populações
locais, principalmente nos anos excepcionalmente chuvosos. Em abril a
precipitação mantém-se acima da necessidade ambiental; o volume de
água excedente, apesar de pequeno ( 15 mm em média) costuma manter
muíto ativo o wnoff, porque os solos permanecem saturados de umidade.
A descida do nível das águas fluviais, por isso mesmo, faz-se lentamente.
Em maio a freqü ência de chuvas caí drasticamente ( 19 mm em
média) e a precipitação efetiva negativa (- 72 mm). Essa estação se
estenderá provavelmente até setembro. A princípio, a deficiência hídrica
para as plantas, não é muito grande ( 20 mm) em virtude da disponibi-
lidade de água armazenada nos solos, mas, com a ausência quase absoluta
de chuvas nos meses seguintes, os solos ficam inteiramente exauridos de
umidade e os déficits de água para as necessidades potenciais tornam-se
muíto grandes; mesmo assim, inferiores a 80 mm no mês mais seco.
O runoff nunca cessa inteiramente, embora seja insuficiente para evitar
as notáveis vazantes que caracterizam os meses de agosto ou setembro.
Não obstante a ocorrência norn1al de cinco meses deficitários em
chuvas, a disponibilidade de grandes volumes de água armazenada ao
findar a estação de excesso, amenizam, consideravelmente, o caráter
climaticamente seco dessa estação, princiJ?almente nos dois primeiros
meses. Conseqüentemente, o clima dessa area é Segundo Úmido, com
notável excesso hídrico de novembro a abril ( 844 mm em média) e
moderado déficit de água de maio a setembro. Em virtude de sua latitude
não muito baixa e da altitude de cerca de 500 meh·os, as temperaturas
médias mensais são relativamente elevadas; exceto nos meses de inverno,
quando as chegadas periódicas de massa de ar frio de migem polar
fazem essas médias caü·em próximas de 20.0°C. Estas são as razões que
tornam a eficiência térmica nessa área consideravelmente inferior as das
regiões do norte do Estado, porém não o suficiente para gerar clima
mesotérmíco - seu clima é Primeiro Megatérmico.

Taguatinga ( 10)
Em novembro m1c1a-se a estação de precipitação efetiva positiva,
após seis meses deficientes em umidade. Entretanto o excesso desse mês
não é suficiente para gerar grande escoamento superficial. De qualquer
forma a estação das chuvas, iniciada timidamente em outubro (113 mm),
torna-se marcante em novembro ( 251 mm em média). Com o acréscimo
de chuvas em dezembro e a manutenção do. alto nível até abril, o exce-
dente hídrico chega a ultrapassar 200 mm em dezembro e pouco abaixo
em janeiro-fevereiro-março. Durante esses quatro meses os rios se mantêm
em níveis dos mais altos, porém, as enchentes não são potencialmente
perigosas, em virtude dessa área constituir um divisor de águas das bacias
dos rios Tocantins e São Francisco.
Geralmente em abril üúcia-se o decréscimo de precipitação, embora
ele se mantenha excessivo. Em maio chove razoavelmente, porém, o alto
índice de evapotranspüação potencial (superior a 100 mm mensais du-
rante todo ano) faz com que nesse mês seja iniciada a estação de umidade
abaixo das necessidades das plantas. A princípio o déficit é pequeno,
porém, a partir de julho, com os estoques de água nos solos quase com-
pletamente nulos, os déficits para as plantas tornam-se muito grandes
e o runoff é insignificante.
Não obstante a ocorrência normal de seis meses deficitários em água,
os períodos de secas muito profundas duram apenas três a quatro meses,
perfazendo um déficit de apenas 370 mm em média. Ao contrário, de
novembro a abril os excessos mensais são tão grandes que totalizam
normalmente valores de 881 mm. O clima dessa área é Segundo 011údo,
com grande excesso de água de dezembro a abril, quando o índice de
umidade chega a 63,15, e sua estação seca é caracterizada por moderados
a grande déficits de água e índice de aridez de 29,58. Em função da
altitude, a eficiência ténnica anual é inferior a que se verifica em outras
áreas próximas e em latitudes semelhantes mas, de altitudes baixas. Daí
seu clima ser Primeiro Megatérmico.

Paranã ( 06) e Porto Nacional ( 08)


Situadas na bacia do rio Tocantins, em níveis altimétricos muito
baixos, essas localidades, próximas entre si, possuem balanço hídrico e
clima semelhantes.
Embora o ano agrícola possa ser iniciado em outubro (precipitação
média cerca de 140 mm) suas chuvas não são suficientes para tornar esse
mês efetivamente úmido. A carência quase absoluta de umidade nos solos
faz com que esse mês seja deficitário em água. Normalmente a precipi-
tação efetiva torna-se positiva em novembro ( 113 mm). Isto permite um
excesso de 14 mm, suficiente para a subida do nível dos rios, após um
severo período de seca e vazante. A manutenção das freqüentes e fortes
chuvas durante dezembro a março (acima de 200 mm por mês) resulta
em notável excedentes de água (acima de 100 mm por mês). Os meses
de maiores excedentes são dezembro e janeiro, embora fevereiro ou março
possam ser os meses de maiores enchentes dos rios, p elo acúmulo
do escoamento superficial. Os efeitos dos formidáveis excessos nessa
estação são mais expressivos por se tratar de áreas baixas e marginais
a rios de vastas bacias principalmente a região de Pmto Nacional, cuja
cidade fica na margem direita do Tocantins. Durante a estação de exce-
dente hídrico - novembro a março em Paranã, e novembro a abril em
Porto Nacional - o volume de água excedente às necessidades potenciais
é, respectivamente, de 625 mm e 593 mm.
A partir de abril em Paraná e de maio em Porto Nacional, iniciaose
a estação cuja precipitação é geralmente inferior à evapotranspiração
potencial. Contudo, os estoques de água disponíveis nos solos durante
esses meses fazem com que a evapotranspiração real seja igual à potencial.
Conseqüentemente, o primeiro mês de precipitação efetiva não deve ser
considerado deficiente em suprimento de água para as plantas. Entretanto,
com o brusco declínio das chuvas a partir do segunao mês, inicia-se a
estação seca, apesar dos solos conterem alguma umidade durante quase
toda essa estação. No decorrer de junho a setembro os déficits mensais
aumentam de tal forma que chega a ser nos dois últimos meses superior
a 80 mm em Paranã e acima de 100 mm em Porto Nacional. Nesses dois
meses (agosto e setembro) o runoff é insignificante e as vazantes dos
rios atingem seus níveis mais baixos. Entretanto, apesar de outubl'O ser
bem representativo da fase do ano em que as chuvas começam a se
fazer presentes de modo razoável, os solos estão ainda tão carentes de
umidade que tais chuvas não chegam a ser suficientes para completar
a capacidade de campo, e as plantas ainda não têm a ofe1ta de água
de que necessitam. A evapotranspiração real torna-se igual à potencial
somente em novembro, quando a precipitação efetiva sobe para níveis
próximos de 100 mm.
O clima é dos mais típicos da Região dos Cerrados. Existem duas
estações profundamente distintas: uma muito chuvosa e de grande exce-
dente de água e outra muito marcada por deficiência de água. Seu clima
é Primeiro úmido, com grande excedente de água na estação chuvosa
e moderado a grande déficit hídrico na estação seca. O clima da área
de Porto Nacional é pouco menos úmido do que o de Paraná. O índice de
umidade efetiva de 20,94 revela que Porto Nacional está muito próximo
à fronteira do clima Subúmido. Ambas as regiões possuem clima Mega-
térmico, porém, Porto Nacional é um pouco menos quente. A classe
termal do clima em Paraná é Primeiro Megatérmico e em Porto Nacional
é Terceiro Megatérmico.

Tocantinópolis ( 11 )
Situada no extremo norte de Goiás, na margem esquerda do rio
Tocantins, o balanço hídrico sazonal dessa localidade é bem representativo
de vastas extensões da Região dos Cerrados.
Os regimes de evapotranspiração potencial e de precipitação são
simétricos, isto quer dizer que a estação de maior demanda de água é,
ao mesmo tempo, a de maior ofmta de água, embora haja um pequeno
atraso entre o pico dos dois regimes : os meses de outubro e de novembro
são os de maior evapob·anspiração potencial, enquanto que o ápice de
precipitação costuma se verificar entre janeiro e março, meses de eva-
potranspiração potencial pouco inferior a verificada em outubro ou no-
vembro. Por esse motivo, apesar da precipitação em novembro e dezembro
atingir normalmente total de cerca de 357 mm, a grande necessidade de
água, nesses meses, permite apenas uma precipitação efetiva de 97 mm

75
em média. Considerando que ao findar a estação seca no outono, os
solos estão totalmente carentes de umidade, o referido excesso pluvio-
métrico é inteiramente utilizado no recarregamento de água dos solos.
Assim sendo, os meses d e novembro e dezembro não são secos, mas,
também, não possuem excesso hídrico e o mnotf é tão insignificante
quanto o é em outubro e novembro. Este é o trimes tre das maiores
vazantes.
Somente em janeiro, após completar a capacidade de campo, os
excessos de precipitação se conve1tem em excedentes de água, que são
parcialmente postos a serviço do runotf. Neste mês, inicia-se a estação
de excedentes hídricos com rápida subida do nível das águas dos rios.
O trimestre seguinte, fevereiro-março-abril, constitui-se em estação das
enchentes, cujo pico máximo pode-se verificar em qualquer destes meses,
mas com maior probabilidade em março, devido à acumulação do volume
de água liberado no próprio mês com o volume parcial de água do
runotf elo mês anteriro, a montante de Tocantinópolis. Nos anos em que
essa estação é excepcionalmente muito mais chuvosa, as cheias do rio
Tocantins c de seus afl uentes, na área de Tocantinópolis, costumam pro-
vocar graves conseqüências para as populações e lavouras, assentadas nas
margens dos rios. Em maio a precipitação decresce em 50% e, em junho,
a mais de 90% em r elação a maio. Embora nesses meses a precipitação
efetiva seja n egativa, os estoques de água elos solos não p ermitem grandes
déficits ambientais. No trimestre seguinte, julho-agosto-setembro, os
d éficits mensais são muito maiores ( - 80 mm em média em cada mês).
As chuvas de outubro, embora mais freqüentes, permanecem aquém das
necessidades, porém, o déficit hídrico, em 50% em relação ao mês anterior.
Em novembro termina a estação biologicamente seca, mas, a subida do
nível das águas fluviais somente se verifica em janeiro, conforme foi
observado.
Com o conseqüência o clima dessa região é Prime-iro úmido, com
~randc excesso de água de janeiro a abril e uma estação de deficiência
11ídrica de maio a outubro, quando o d ébito ambiental de água é nor-
malmente mod erado (289 mm), embora possa tornar-se grande nos anos
de estação seca excepcionalmente mais longa. O regime t érmico sazonal
se mantêm em nível constantemente alto. Daí ser seu clima Terceiro
Megatérmico.

4. 4 - Mato Grosso

Utiariti ( 16)

Localidade situada ao norte da chapada dos Pareeis nas margens do


rio Saturnina, um dos formadores do rio Juruena.
Seu balanço hídrico sazonal é representativo das terras baixas da
bacia do rio Juruena e das demais bacias do noroeste de Mato Grosso.
Pela longa ex tensão ela estação de excesso de água (geralmente seis

76
meses ) ; pelo volume desse excedente; pela curta ~xtensão da estação
normalmente seca - o regime de umidade sazonal dessa área é bem
mais semelhante ao das regiões de clima muito úmido da floresta Ama-
zônica do que ao das regiões de cerrados.
Em outubro, inicia-se geralmente a estação em que a precipitação
pluviométrica é superior à evapotranspiração potencial. Apesar da grande
necessidade de água ·nesse mês, a precipitação efetiva é altamente positiva
(50 mm em média), mesmo assim, não é suficiente para formar excesso.
Os solos, quase exauridos de água ao terminar a estação de deficiência,
não chegam a ter seus estoques potenciais completados. Por conseguinte,
embora a oferta de água para as plantas seja suficiente para sua demanda,
a impossibilidade de excesso não permite que esse mês seja úmido, embora
não seja seco. Entretanto, a partir de novembro, a freqüência das chuvas
e o volume de água precipitada são semelhantes aos que caracterizam a
estação chuvosa na Amazônia. Da média de novembro, de cerca de 250 mm,
chega-se em fevereiro à média de cerca de 400 mm. A seguir decai para
273 mm em março e para 183 em abril. Durante essa estação (novembro
a abril) o total médio de excedente hídúco é de 1. 007 mm; quase todo
esse estupendo volume de água é liberado para o runoff e para as cheias
dos rios. Considerando que cada ponto dessa região possui excedentes
semelhantes nos mesmos meses, pode-se ter uma idéia sobre o grau de
importância das enchentes que, normalmente, se verificam nessa bacia,
destacando-se as das suas calhas p1incipais.
De maio a setembro as precipitações pluviomébicas decrescem para
níveis inferiores ao da necessidade ambiental e a evapotranspiração real
torna-se inferior à potencial. Não obstante, os déficits mensais de água
são pequenos. O volume de água armazenada ao terminar a estação de
excesso reduz, sobremaneira, os déficits de maio a junho ( 11 e 31 mm,
respectivamente), e a razoável ocorrência de chuvas em setembro tem
o mesmo efeito neste mês (déficit de apenas 11 mm). Somente os meses
de julho e agosto são realmente muito deficientes em recursos hídlicos
para as plantas, mesmo assim, o débito é geralmente infe1ior a 50 mm
em cada mês. Conseqüentemente, o déficit de água da estação de preci-
pitação efetiva negativa é de, apenas, 154 mm, em média.
O clima dessas áreas é Tercei-ro úmido com enormes excedentes
de água no verão e outono e pouco déficit no inverno. A eficiência
térmica é relativamente grande durante todo ano, embora no inverno a
temperatura esteja muito sujeita a bruscos declínios sob a ação de excep-
cionais frentes fr·ias de origem polar. Conseqüentemente seu clima é
Primeiro Megatérmico .

.Presidente Murtinho ( 10)


O balanço hídrico e o clima dessa localidade é representativo dos
chapadões do sudeste de Mato Grosso de altitudes de 500 a 600 metros.
De maio a outubro as chuvas são raras e pouco copiosas, muito
aquém da necessidade potencial. Entretanto, o notável decréscimo da

77
evapotranspiração JJotencial nessa época, principalmente nos meses de
inverno, e a água isponível nos solos, ao findar a estação chuvosa, redu-
zem drasticamente o déficit de água dessas áreas a, apenas, 144 mm em
média. A redução é tão grande em maio que, este mês, tem quase a mesma
probabilidade de ser caracterizado, ou por excesso ou por déficit de água.
Outubro assinala o início da estação de precipitação efetiva positiva, que
se estenderá, geralmente, até abril. Porém, somente a partir de novembro,
começam a formar excedentes hídricos, cujo total de novembro a abril
é em média de 820 mm, concenb·ando-se, sobretudo, de dezembro a
março. Exceto em dezembro, o runoff desse período é superior a 150 mm
por mês. Os rios, entretanto, são pouco sujeitos a enchentes muito pro-
longadas e graves, por se tratar de área drenada pelo alto curso de
diversos rios que fluem para as bacias do Xingu e do Araguaia, bem
como para a depressão do Pantanal Mato-grossense.
O clima dessas áreas tem o caráter mais úmido do que o das regiões
mais representativas de cerrados. O enorme excedente hídrico, dumnte
a referida estação chuvosa, e o pequeno déficit de água, do inverno ao
início da primavera, emprestam a essas áreas clima Terceiro Omido. As
médias térmicas são pouco elevadas em todos os meses e relativamente
baixas no inverno. Nesta estação são muito freqüentes as penetrações de
ar frio de origem polar quando são comuns temperaturas diárias inferiores
a 10,0°C. Conseqüentemente, a eficiência térmica é consideravelmente
reduzida nas terras altas das chapadas. Por isso seu clima pertence à classe
Quarto Mesotérmico, pr6xíma, contudo, da fronteira do clima megatér-
mico. A pouca concentração da eficiência termal no verão em relação
ao valor do total anual revela um pequeno desvio, quando comparado ao
valor normal dos climas megatérmicos. Trata-se, pois, de um clima razoa-
velmente influenciado por fatores dinâmicos, ligados à freqüência de in-
vasões de massas de ar polar no inverno.

Merure ( 08) e Taquari ( 14)


Essas localidades, situadas nas margens do rio Araguaia, possuem
regime hídrico sazonal semelhante ao de Presidente Murtinho. Entretanto,
ambas são pouco menos úmidas e pouco mais qu entes, principalmente a
área de Merure, situada em nível altimétrico inferior. Contudo são exata-
mente iguais à área de Santa Rita do Araguaia, situada na margem direita
elo mesmo rio em território Maranhense. O balanço hídrico dessas loca-
lidades é representativo do vale do rio Araguaia, em seu alto cmso.
A partir de abril, em Merure, e de maio, em Taquari, a relação entre
a precipitação pluviométrica e a necessidade potencial de água é desvan-
tajosa, isto é, a precipitação efetiva torna-se negativa. Essa situação se
estenderá até setembro. Entretanto, o primeiro desses meses não pode ser
considerado deficiente em água, pois, sua precipitação, apesar de insufi-
ciente, não é muito negativa. Além disso, a utilização de água disponível
nos solos é muito grande, o que faz com que o primeiro mês não seja
úmido, nem seco, e que as plantas tenham a quantidad e de água de

78
que necessitam. Entretanto, a partir do segundo mês, os déficits aumentam
consideravelmente, a despeito da existência de alguma quantidade de
água disponível nos solos até setembro. Não obstante, nenhum mes pode
ser considerado muito seco. O total médio do débito hídrico dessa estação
é de apenas 175. mm, em Merure e 107 mm, em Taquari.
A partir de outubro, o nível das chuvas eleva-se ao de evapotranspi-
ração potencial, porém, não o suficiente para formar importantes excessos.
Além do atendimento às necessidades de água para as plantas, o excesso de
precipitação desse mês é empregado para repor a umidade nos solos.
Somente em novembro, em Taquari, e dezembro, em Merure, o alto índice
de precipitação, combinado com a saturação de água nos solos, inicia-se
efetivamente a estação de excedentes importantes, a qual irá se estender
até março, embora, em Taquari, o mês de abril ainda contenha algum
excedente hídrico. Durante essa estação o volume de água excedente
(cerca de 600 mm em média) e o volume perdido por runoff são muito
grandes, com máximos de janeiro a março. Esta é a estação das enchentes.
Não obstante, a condição de alto curso da bacia do rio Araguaia, e a
pouca extensão da bacia de recepção de runoff, os excessos dessas áreas,
somados aos das serras e chapadas que molduram esse vale, podem provocar
enchentes devastadoras nos anos excepcionalmente mais chuvosos. Deve
ser observado que essas áreas são muito sujeitas a "veranicos" - carência
ou ausência de chuvas durante um certo número de dias ou semanas inse-
ridas na estação chuvosa - que, embora não modifiquem consideravelmente
o regime das cheias dos rios, costumam causar grandes danos à lavoura.
O clima dessas localidades é um pouco mais úmido do que os climas
mais representativos dos cerrados: Segundo úmido, com pouco déficit de
água no inverno e início da primavera. Pela influência da altitude, o clima
em Taquari é Quarto Mesotérmico (quase Megatérmico) e em Merure,
é Primeiro Mesotérmico.

Ç oldnia M erure ( 02)

O balanço hídrico de Colônia Merure é, juntamente com o de Merure,


Taquari e Santa Rita do Araguaia, muito representativo dos vales encai-
xados nas chapadas de Mato Grosso, embora haja algumas diferenças, ora
para mais ou menos úmido, ora para mais ou menos quente.
Na área de Colônia Merure, normalmente, durante seis meses, a pre-
cipitação é insuficiente para a necessidade ambiental, considerando a
elevada taxa de evapotranspiração potencial (abril a setembro). O mês
de abril, entretanto, não é de deficiência de água; além do total pluvio-
métrico médio ser de apenas 2 mm a menos do que a evapotranspiração
potencial, os solos estão com sua capacidade máxima de campo atingida.
Em maio, a precipitação decresce consideravelmente, mas a quantidade
de água, ainda retida nos solos, não permite mais do que 8 mm de débito
hídrico. Até mesmo o mês de junho, com apenas 8 mm de precipitação,
não é ainda muito seco (débito de 28 mm). Neste ponto deve ser observado
que a queda de temperatura, entre maio e agosto (média de cerca de 21 a

79
22°C), reduz consideravelmente a evapotranspiração de água, de tal
modo que, não obstante a quase ausência absoluta de chuvas, piincipal-
mente nos meses de inverno, os déficits hídricos para as plantas não são
muito grandes; o maior se dá, geralmente, em agosto, quando começam a
aumentar a temperatura e a necessidade potencial de água, e a disponibi-
lidade de água, nos solos, torna-se muito reduzida.
Com a chegada das freqüentes chuvas, em outubro, inicia-se a estação
de excessos pluviométricos. Considerando, contudo, que é o primeiro mês
que se sucede à estação de deficü~ncia de chuvas e que os solos estão
quase completamente exauridos de água, nesse mês, não chega, geral-
mente, a formar excesso. O runoff que declinara, a partir de abril, desa-
parece quase que inteiramente em setembro e outubro. Por esse motivo
esses são os meses mais prováveis de ocorrência das maiores vazantes
dos ri os. Em novembro, o aumento das chuvas é tão grande que geralmente
precipita quase o dobro da necessidade ambiental; os solos tomam-se em
pouco tempo saturados de água e o excesso hídrico é de 18 mm, em média,
iniciando-se a lenta subida do nível de água dos rios, tornando-se rápida
em dezembro. quando, além dos solos estarem saturados de umidade, a
precipitação pluviométrica é de quase 300 mm em média. Esta situação
se mantém até fevereiro, declinando lentamente em março. O trimestre
de dezembro-janeiro-fevereiro é o de maior excedente (cerca de 150 mm
para cada mês), enquanto que o h'imestre janeiro-fevereiro-março é o
de maior intensidade do runoff e o das maiores enchentes dos rios. Em
abril se encerra, · geralmente, o ciclo sazonal do balanço hídrico.
O clima é bem característico das áreas de cerrados de Mato Grosso
da classe Primeiro Omido. Possui grande excesso de água, concentrado
sobretudo no verão e moderado déficit de água no inverno. Do ponto de
vista termal, é Primeiro Megatérmico. Embora a eficiência térmica não
apresente grandes concentrações no verão, há um considerável crescimento
da evapotranspiração potencial e real nessa estação, mas, sobretudo, na
primavera, justamente na época que os inputs de água atmosférica cres-
cem em proporções ainda maiores.

Diamantino ( 05)
Esta localidade es tá situada a 258 metros de altitude, entre as cha-
padas do centro ele Mato Grosso, junto às nascentes do rio Paraguai.
Seu balanço hídrico sazonal é muito semelhante ao de Colônia Merure.
A única diferença está nos valores quantitativos: nessa localidade os
excessos hídricos da estação chuvosa são bem maiores ( 515 mm) bem como
os déficits da estação seca ( 283 mm).
A estação de deficiência de água dura normalmente de maio a setem-
bro, com maiores déficits em agosto e setembro, (média de 80 mm para
cada mês) . A estação de excedente se inicia em outubro, estendendo-se até
abril. O período de maiores excedentes é de dezembro a março e os meses
de níveis mais altos dos rios são geralmente fevereiro e março, quando
o runoff é mais intenso.

8.0
O clima é Primeiro Omiclo, com moderado déficit de água de maio
a setembro. As f!lédias mensais de temperaturas se mantêm elevadas du-
rante todo ano, apesar das eventuais quedas bruscas das temperaturas
diárias durante o inverno. Conseqüentemente seu clima é Segundo Me-
gatérmico.
Coxip6 da Ponte (03) , Cuiabá (04) e Rosário Oeste (12)
Coxipó da Ponte e Cuiabá estão situadas a cerca de 150 metros de
altitude e seus ~alanços hídricos sazonais são representativos do vale do
médio curso do rio Cuiabá, enquanto que Rosário Oeste, com uma altitude
de cerca de 170 metros tem balanço hídrico representativo do vale do alto
Cuiabá.
De maio a agosto o declínio de temperatura, apesar de não ser muito
grande, é suficiente para reduzir consideravelmente a evapotranspiração
potencial, motivo pelo qual, não obstante as chuvas serem muito raras
e pouco copiosas, os déficits hídricos não são tão grandes como seria de
se esperar. As passagens - de março para abril, em Coxipó da Ponte e em
Cuiabá, e de abril para maio, em Rosário Oeste - são marcadas por bruscos
declínios das precipitações (cerca de 50%). Por esse motivo, inicia-se a
estação de insuficiência de precipitação ou seja, de precipitação efetiva
negativa. Essa estação tem duração de sete meses em Coxipó da Ponte e
em Cuiabá (abril a outubro). Pelo seu posicionamento, mais setentrional, o
déficit de precipitação, em Rosário Oeste, inicia-se um mês depois (maio)
e estende-se, igualmente, até outubro. Contudo, apesar da forte redução das
chuvas, o primeiro mês de precipitação efetiva negativa, em Coxipó da
Ponte e em Cuiabá, tem mn déficit de água pouco aquém da necessidade
potencial. Além disso, o volume estocado nos solos, ao findar o mês de
março, não permite que o mês de abril seja caracterizado por carência de
água, embora o runoff sofra rápida desativação.
Em maio inicia-se efetivamente a estação de déficits; a precipitação
pluvioméb.·ica sofre forte redução, porém, não o suficiente para criar
grandes valores negativos, em virtude do decréscimo paralelo da evapo-
u·anspiração potencial. Conseqüentemente o déficit hídrico de maio nessa
área é muito pequeno.
Somente a partir de junho, quando os solos estão quase inteira-
mente exauridos de água e a precipitação pluviométrica torna-se insig-
nificante, os déficits de água para as plantas assumem grande importância,
principalmente e~ agosto e setembro ( 70 mm em média para cada mês) .
Estes são os meses mais secos que juntamente com outubro formam o
trimestre das maiores vazantes dos rios.
O retorno das chuvas em outubro traz volume de precipitação equiva-
lente ao da necessidade ambiental, porém, os solos sedentos de água não
permitem, geralJ:?ente, formação de excessos. Essa situação persiste até
janeiro, quando a reposição de água nos solos e o acréscimo considerável
das chuvas fazem iniciar a estação de excedente de água. Motivo pelo qual
as maiores vazantes dos rios têm também alguma possibilidade de se

81
verificarem em novembro ou dezembro, embora o ano agrícola possa ser
iniciado em qualquer desses meses. Iniciada a estação úmida, em janeiro,
somente em fevereiro e março há maiores excessos e volumes de água
escoadas para os rios. Em abril as chuvas tornam-se bem menos freqüentes
não apresentando geralmente, nem excesso, nem déficit de água. Embora
o mês de abril, em Ros ário Oeste, seja um pouco mais chuvoso do que
nas localidades do médio curso do rio Cuiabá, tendo por isso mesmo
menos probabilidade de ser caracterizado por algum excedente hídrico,
os déficits de água da estação seca, quer no alto, quer no médio curso
do rio, são praticamente iguais ( 244 mm em Coxip6 da Ponte, 306 mm
em Cuiabá e 328 mm em Rosário Oeste).
Oub·o aspecto muito semelhante entre essas áreas é dado pelo volume
de água excedente na estação chuvosa, o qual não é grande, mas, geral-
mente, moderado ( 179 mm em Coxip6 da Ponte, 180 mm em Cuiabá e
208 mm em Rosário Oeste). Assim, se dá em todas essas áreas ao final de
um ano; há geralmente um p equeno déficit de precipitação em relação
à necessidade potencial (entre 60 e 120 mm).
Não obstante ser negativa a precipitação efetiva anual, o clima dessas
áreas é Subúmido Omido, com moderados excessos de água na es tação
úmida (verão) e moderado déficit na estação seca. Portanto, a estação de
excesso não é muito úmida, nem a estação de déficit é muito seca. Do
ponto de vista termal o clima é Megatérmico : em Coxip6 e Cuiabá é
de Terceira classe, enquanto que em Rosário Oeste, em função da altih1de
pouco superior, o clima é um pouco menos quente- Segundo Megatérmico.

Rondon6polis ( 11)
Embora o mês de outubro assinale o início da estação das chuvas,
a curva da evapotranspiração potencial passa acima da curva da pluvio-
sidade, motivo pelo qual este mês é o último da estação seca. Somente
em novembro o balanço hídrico sazonal se inverte: a quantidade de água
precipitada é superior à da necessidade potencial, iniciando-se a estação
de precipitação efetiva positiva. Porém, a estação efetivamente úmida,
com excesso hídrico, somente é iniciada em dezembro, embora o volume
excedente seja ainda muito pequeno e os solos ainda não estejam saturados.
Isto faz com que o runoff seja ainda insignificante e os rios continuem
em níveis muito baixos. Em janeiro os valores pluviométricos de cerca
de 200 mm asseguram a reposição completa de água nos solos e excedentes
hídricos importantes. Essa situação não dura muito; após alcançar seu ápice
em fevereiro, ela começa a declinar rapidamente em março, retornando
ao balanço negativo em abril.
Pelo moderado excesso hídrico no verão e pelo posicionamento entre
médio e o alto curso da bacia do rio São Lourenço, que verte para a
depressão do Pantanal Mato-grossense, as cheias nessa área não acar-
retam normalmente grandes danos, exceto nos verões excepcionalmente
muito chuvosos, pelo volume de água excedente nas cabeceiras da bacia.

82
Deve ser observado que essa área está muito sujeita a "veranicos"
de janeiro a março. Ora, considerando que essa estação é normalmente
caracterizada por pequenos excessos de água, a ocorrência de "veranicos"
afeta consideravelmente o balanço hídrico e, conseqüentemente, a possi-
bilidade de sucesso agrícola sem a prática de irrigação.
Apesar da estação deficitária em água ser de 7 meses, em média, os
valores do débito de água não são grandes. Isto, aliás, é uma caracterís-
tica, não apenas do Pantanal Mato-grossense, como também do sul de
Mato Grosso e de todo o Estado de Mato Grosso do Sul. Se por um lado
a estação úmida é curta e de pouco excesso de água ( 192 mm), a estação
seca, apesar de longa, não acusa grande deficiência hídrica ( 255 mm) .
Seu clima é Subúmiclo Omiclo, com moderado excesso de água no verão
e moderado déficit, do inverno à primavera. Apesar do declínio das tem-
peraturas no inverno, quando há algumas possibilidades de mínimas diárias
relativamente muito baixas, as médias térmicas se mantêm em níveis altos
durante todo ano, principalmente na primavera-verão. Daí seu clima ser:
Segundo Megatérmico.

Itiquira ( 06)
Situada na periferia do Pantanal Mato-grossense, às margens do médio
curso do rio ltiquira, o balanço hídrico dessa localidade tem cinco meses
( maj o a setembro) de precipitação inferior à necessidade potencial de
:ígua, o mês de outubro assinala, quase sempre, o início da estação de pre-
cipitação efetiva positiva. Entretanto, valores elevados de evapoh·anspi-
ração potencial - comparáveis aos do verão - e a necessidade dos solos
em se reabastecer de umidade - após findar a estação de déficits -
não permitem que os excessos de precipitação de outubro e novembro
se convertam em excessos de água nos solos. Assim sendo, os meses de
outubro e novembro não são úmidos nem secos; neles a ofetta de água
de precipitação adicionada à quantidade disponível nos solos faz com
que a oferta de água seja justamente igual à demanda ambiental.
Somente iniciado o terceiro mês da estação de precipitação efetiva
positiva é que se inicia a estação de excessos efetivos, quando os solos
reabastecidos até o limite máximo de sua capacidade e a manutenção
dos níveis elevados de chuvas conduzem a excedentes hídricos que, normal-
mente, ultrapassam o nível de 100 mm, em fevereiro. De dezembro a
março o total de excedentes é de 306 mm, em média, concenh·ados,
sobretudo, em janeiro e fevereiro. No trimestre janeiro-fevereiro-março
verificam-se as enchentes dos rios, porém a maior probabilidade de sua
ocorrência recai em fevereiro ou março. Abril é o mês mais representativo
do final da estação chuvosa, da desativação do runoff e do retomo dos
rios aos seus leitos normais.
ltiquira, por estar situada às margens do médio curso do rio Itiquira,
está sujeita a inundações parciais por ocasião das cheias excepcionais,
as quais dependem muito mais dos excessos hídricos do alto curso da bacia
do que propriamente do runoff de sua própria área.

83
Nos verões excepcionalmente pouco chuvosos esta área está sujeita a
balanço hídrico negativo de até duas ou três semanas, inseridas na estação
normalmente mtúto chuvosa. Trata-se do fenômeno conhecido por "ve-
ranico".
De qualquer forma, essa localidade, apesar de possuir clima Subúmiclo
Orniclo, mesma classe do clima da vizinha área de Rondonópolis, é, do ponto
de vista agroclimatológico, mais favorável. Além dos excessos hídricos de
sua estação úmida serem um pouco maiores ( 306 mm, em média), o déficit
de água da estação seca é consideravelmente inferior ( 140 mm, em média).
A altitude dessa área de cerca de 500 meh·os reduz consideravelmente o
efeito da eficiência térmica, sobretudo no inverno. Conseqüentemente seu
clima é Quarto Mesotérrnico, classe termal vizinha da primeira classe do
clima Megatérrnico.

Mato Grosso ( 07)

O balanço hídrico dessa localidade é representativo de toda área da


bacia do alto curso do rio Guaporé.
Seu regime sazonal é caracterizado por um longo período de defici-
ência híd1ica e uma curta estação chuvosa. Contudo, a estação em que a
precipitação é inferior à necessidade potencial de água, apesar de longa,
é caracterizada por déficits de água pouco aquém da demanda ambiental
do ponto de vista da necessidade das plantas, e a estação chuvosa é carac-
terizada por pequenos excedentes hídricos, embora os verões excepcional-
mente chuvosos costumem revelar grandes excessos, e os excepcionalmente
poucos chuvosos (anos de "veranicos") possam resultar em carência de
água, p elo menos em um mês. Em março, normalmente termina a estação
em que a quantidade de água precipitada é superior àquela necessária às
plantas.
D e abril a outubro o balanço hídrico é negativo: a evapoh·anspiração
potencial de cada mês é maior do que o input de água da atmosfera. Apesar
disso o volume de água disponível nos solos a partir de abril não permite
que a pequena carência de chuvas ( -11 mm) torne esse mês carente de
água para as plantas. Esse mês não é úmido nem seco. Em maio, inicia-se
a estação de déficits. A princípio o déficit cresce lentamente: total médio
de março-abril é de apenas 19 mm e o de julho é de 27 mm. Somente
agosto e setembro têm probabilidade de se apresentarem muito secos,
mesmo assim os déficits de água para as plantas raramente ulh·apassam
100 mm. Em outubro, último mês, cuja evapotranspiração real é inferior
à potencial, a diferença é de apenas 5 mm em média. Observa-se, assim,
que a es tação de balanço hídrico negativo, embora seja longa, é geralmente
de aridez pouco importante: o decréscimo da necessidade de água, as
razoáveis chuvas durante esse período - motivadas por passagens de
frentes frias de origem polar - e a água disponível nos solos tornam o
índice de aridez, dessa estação, muito baixo ( 12,18). Conseqüentemente
há uma considerável desativação do runoff, porém, este nunca cessa intei-
ramente, embora torne-se insignificante no trimestre da primavera ( setem-

84
bro-outubro-novembro), quando os rios dessa bacia apresentam seus me-
nores volumes de água.
Em novembro, inicia-se geralmente a estação de precipitação efetiva
positiva. Porém a carência de água nos solos iguala a evapotranspiração
potencial à real. Conseqüentemente, não há excedente de água, o runoff
é ainda insignificante e os rios permanecem em vazantes. Em dezembro, o
aumento considerável de chuvas e a complementação da capacidade de
campo liberam excedentes hídricos que, embora razoáveis, são suficientes
para reativar o runoff e desencadear a subida de nível das águas dos rios.
Essa situação permanece até março, quando termina a estação de exce-
dentes hídricos. ·
A possibilidade de ocorrência de "veranicos", nessas áreas, é bem infe-
rior à daquelas regiões mais meridionais.
A bacia do alto curso do rio Guaporé, apesar de não possuir grandes
excessos hídricos na estação chuvosa, por causa de sua vasta planície
e do leito pouco encaixado do seu rio principal, dificultando a drenagem,
costuma ser parcialmente inundada durante as cheias.
Seu clima é tipicamente de transição enh·e climas úmidos de florestas
e secos de estepes e caatingas. Do ponto de vista da umidade ele se asse-
melha aos climas de Mato Grosso do Sul, onde a estação chuvosa normal-
mente não oferece grandes excessos ( 254 mm em média) e a estação
de precipitação insuficiente, apesar de longa, não acusa grandes déficits
de água ( 150 mm em média). Seu clima é Subúmido Omido, com moderado
déficit de água na estação seca e Primeiro Megatérmico.

Cáceres ( 01) e Porto Esperidião ( 09)


Estas localidades, situadas ao norte da depressão do Pantanal Mato-
grossense, possuem balanço hídrico sazonal muito semelhante e bastante
representativo de toda vasta região setentrional do Pantanal.
A estação chuvosa é curta e de pouco excedente hímico, enquanto
que a estação seca, apesar de muito longa ( 7 a 8 meses ) , não assinala
déficits de água compatíveis com a duração da estação de carência de
água. Trata-se de uma região onde a temperatura se mantém em níveis
médios muito altos. Conseqüentemente, a necessidade potencial de água
é muito grande durante todo ano.
Somente no inverno, com as invasões sucessivas de massas de ar frio
de origem polar e suas conseqüentes quedas bruscas na temperatura, a
evapotranspiração potencial é consideravelmente reduzida. Por essa razão
o decréscimo de chuvas no inverno não é muito sentido pelas plantas.
Com efeito, a partir de abril cessam quase que completamente as chuvas.
A precipitação torna-se inferior à necessidade ambiental, porém, a água
disponível nos solos saturados não permite que a evapotrlmspil'ação po-
tencial seja muito superior à real: em média, 4 mm emr:abri1, '1:8 mm em
maio, 32 mm em junho e 44 mm em julho. Somentercem agostol com a
eficiência térmica em forte ascensão, a precipitaçfu>,.mantendo,se em níveis
insignificantes e os solos quase exauridos de umidade, os déficits de água
para as plantas atingem niveis críticos, mantendo-se, assim, geralmente
até outubro, apesar do aumento considerável de chuvas nesse mês.
Os déficits de água de abril a julho são tão pequenos que poded am
ser eliminados facilmente por métodos de irrigação rudimentares, sem
grande custo para os proprietários de terras. Tal procedimento alongar-se-ia
à estação úmida que normalmente é muito curta e, conseqü entemente,
seriam viáveis cultivos de plantas de ciclo longo.
D e novembro a março a situação se inverte : a precipitação pluviomé-
h·ica torna-se superior ao volume de água potencialmente evap otranspirá-
vel. Nos dois primeiros meses ( novembro-dezembro ), entretanto, o
excedente de precipitação não é suficiente para formar excesso disponível
para o escoamento superficial; os solos e as plantas têm a exata quantidade
de água ele que necessitam. Somente os h·imesh·es janeiro-fevereiro-março,
em Cáceres e fevereiro-março-abril, em Porto Esperidião, com os solos
saturados desde janeiro ou fevereiro, são capazes de formar excedente, o
qual, como foi mencionado, é normalmente pequeno (média de 130 mm
cm Cáceres e 105 mm em Porto Esperidião ). D eve ser observado, entretan-
to que essa região está sujeita aos imprevisíveis "veranicos". Em virtude dos
pequenos excedentes hídricos, na estação chuvosa, as ench entes dos rios
dessa região ( Tenente, Cabuçu e Jauru são os rios mais importantes ) de-
pendem quase que inteiTamente dos excedentes das nascentes.
Em função dos p equenos excedentes hídricos na cmta estação úmida
e de longa duração da estação de deficiência, embora esta seja de mode-
rada intensidade ( 323 mm em Cáceres e 300 mm em Esperidião ) , o clima
dessa região é Subúmido Seco, com pouco excesso de água de janeiro-
fevereiro a março. D o ponto de vista termal, a forte eficiência térmica
durante todo ano faz dessa área uma das mais quentes do centro-oeste
elo Brasil - Terceiro Megatérmico.

São ]erônimo ( 13)


Situada na planície da bacia do rio Paraguai, a sudeste de Cáceres
c P01to Esp eridião, próximo ao rio São Lourenço, essa localidade tem
regime hídrico sazonal muito semelhante ao daqu elas. As únicas diferenças
importantes residem no fato de que a estação de deficiência de chuvas
é pouco mais longa ( 8 meses, em média), porém, os déficits hídricos
dessas áreas são praticamente os mesmos ( 308 mm em média) e a estação
chuvosa, embora tão curta quanto as de Cáceres e Porto Esp eridião, tem
excedente hídrico pouco maior ( 165 mm em média).
E mbora a estação de precipitação efetiva negativa dure 8 meses ( mar-
ço a outubro), março não é mês que possa normalmente ser considerado
seco e, em abril e maio, a deficiência é muito p equena ( 36 mm ). As
maiores vazantes dos 1ios se verificam quase sempre no fim da estação
seca (outubro) e no início da estação de precipitação efetiva positiva
(novembro-dezembro). As enchentes ocorrem normalmente no trimesh·e
janeiro-fevereiro-março, e são muito mais detenninadas pelos excedentes

86
hídricos do alto curso do rio São Lourenço do que dos excedentes da
própria localidade de São Jerônimo. Estas costumam inundar e supersa-
turar as baixas planícies da região, como acontece em quase toda a
depressão do Pantanal Mato-grossense.
Seu clima é Subúmido Seco com moderado excesso hídrico na curta
estação chuvosa. Deve ser observado que o balanço hídrico desta estação
pode ser muito afetado por "veranícos", inseridos no tr·imestre normalmente
úmido : janeiro-fevereiro-março. Seu clima é quente - Segundo Megatér-
mico, apesar das eventuais e bruscas quedas de temperatura no inverno,
quando a região é atingida por poderosos anticiclones de origem polar.

Uberaba ( 15)
Situada ao norte do Pantanal Mato-grossense, o balanço hídrico desta
localidade é dos mais representativos do clima do Pantanal Mato-grossense.
Considerando apenas a relação entr-e os totais pluvioméh·icos e a evapo-
transpiração potencial atr-avés do ano, ele tende preponderantemente em
favor da evapohanspiração potencial. Com efeito, apenas 3 meses apre-
sentam precipitação efetiva acima de zero, enquanto que durante 9 meses
a quantidade de chuvas é inferior à necessidade ambiental. Neste aspecto
tr·ata-se, pois, de um regime hídrico sazonal semelhante aos das regiões
de clima semi-árido, dominadas pela caatinga da Região Nordeste do
Brasil. Enh·etanto, se os valores quantitativos entre as duas áreas forem
comparados, verificar-se-á que existem importantes diferenças: o longo
período de deficiência híchica no Nordeste é caracterizado por intensa
seca e profundo déficit de água, enquanto que no Pantanal Mato-grossense
este é muito pequeno em relação à longa estação de deficiência. Por
outro lado, excluindo as áreas mais secas do sertão do Nordeste, no
restante a estação das chuvas, embora cmta, é caracterizada por excessos
de água relativamente grandes, enquanto que no Pantanal Mato-grossense,
inclusive na região de Uberaba, o excedente hídrico é pequeno, ou mesmo
inexistente.
Os meses de novembro e dezembro regish·am normalmente alguma
precipitação, cujos totais excedem à necessidade potencial, mas seu volume
é pequeno para formar excesso ambiental, e o runoff, além de esparso,
é ocasional. Nesses meses a quantidade de chuvas é suficiente para plantas.
Em janeiro há geralmente carência de umidade, porém, em fevereiro há
um acréscimo de precipitação que cria uma sih1ação semelhante à de
novembro-dezembro: a precipitação efetiva torna a ser positiva, porém,
em quantidade insuficiente para formar excesso, e o runoff pode se veri-
ficar apenas em lugares esparsos durante alguns poucos dias de chuvas.
Não só o regime das cheias e das vazantes, como também a própria
existência de cursos fluviais nessa região, dependem quase que exclusiva-
mente dos excedentes hídricos verificados a montante da área.
O período de março a outubro revela uma longa estação de deficiência
de água, a princípio fraca (março-abril), cresce de maio a setembro,
quando chega a ser superior a 100 mm. Assim sendo, nem mesmo os

87
meses mais chuvosos costumam registrar excedente hídrico, não havendo,
p ortanto, uma estação que possa ser considerada realmente úmida. Con-
tudo, durante três meses (novembro, dezembro e fevereiro) existe água
suficiente p ara as plantas, fornecida pelas chuvas locais. Como os d ébitos
de janeiro, março e ab1il são muito pequenos, apesar da longa duração
de carência de chuvas, o déficit hídrico d essa es tação n ão é muito grande
( 415 mm em média) . Não obstante a inexistência de excedentes hídricos
locais, as partes baixas são parcialmente alagadas p elas cheias fluviais
no verão.
Seu clima é Subúmido Seco, sem sequer um mês úmido. Pelo, índice
de umidade efetiva, apresenta-se muito próximo do limite climático da
semi-aridez. Do ponto de vista termal , apenas sob ação direta de anti-
ciclones de origem polar no inverno, as temperaturas caem a níveis relati-
vamente muito baixos, mantendo-se, porém, a temperatura média em níveis
relativamente elevados, razão pela qual seu clima é dos mais quentes
- Terceiro Megatérmico.

4. 5 - Mato Grosso do Sul

Ponta Porã ( 12)

Situada ao sul de Mato Grosso do Sul, sobre a superfície de Amambaí,


entre 500 a 700 metros de altitude, o balanço hídrico dessa localidade,
embora esp ecífico dessa superfície, tem muita coisa em comum com todo
o Estado.
Uma característica comum a toda a área de Mato Grosso do Sul
reside no fato de que, por mais longa que seja a estação de precipitação
inferior à necessidade potencial, sua deficiência é relativamente pequena,
se comparada com outras regiões do Brasil Cenh·al. Os motivos dessa
aparente in coerência, que por sinal é muito favorável às atividades agrí-
colas, são as seguintes:

1. 0 - o posicionamento latítudinal desse Estado p ermite um decrés-


cimo consid erável das t emperaturas mensais, principalmen te no inverno;
2. 0 - esta circunstância reduz a eficiência tmmal no qu e diz respeito
à evapotranspiração potencial e, conseqüentemente, à necessidade de água
para as plantas;
3.0 - o período sazonal de menor precipitação (outono e inverno) é
o mais frio e, portanto, o de menor necessidade biológica de água;
4. 0 - é justamente n esse período, especialmente no inverno, que toda
a área é mais atingida por frentes frias de origem polar que, além de
provocarem grandes quedas na t emperatura, trazem, geralmente, algumas
chuvas, por vezes até abundantes. Tais aspectos favoráveis são maximiza-
dos no sentido norte-sul e nas áreas elevadas das serras e chapadas.

88
O balanço hídrico sazonal de Ponta Porá é um bom exemplo do
progressivo favorecimento climático mencionado. Na superfície de Amam-
baí, normalmente nenhum mês registra deficiência de água para as plantas
e apenas agosto não assinala excedente hídrico. Apesar das condições
climáticas se manterem úmidas, durante todo ano, o regime mês-a-mês
do balanço hídrico não é w1iforme. Em julho e agosto há quase sempre
pluviosidade relativamente baixa ( 100 mm em média), enquanto que de
outubro a março o total médio de cada mês é superior a 150 mm, alcan-
çando valores de cerca de 200 mm em outubro. Considerando que a
umidade contida nos solos está sempre no limiar de sua capacidade
máxima de contenção, o volume excedente das precipitações de cada mês
é praticamente o mesmo liberado para o runoff. Contudo, por ser essa
área divisora de águas para as bacias dos rios Paraná e Paraguai, não
há possibilidade de enchentes graves.
Dentre as áreas da Região dos Cerrados, a superfície de Amambaí
é a que possui o mais equilibrado balanço hídrico sazonal. Seu clima
é Terceiro Omido, sem qualquer déficit mensal de água, nem mesmo
na estação menos chuvosa (inverno). Possui, ao contrário, 11 meses de
excedentes hídlicos os quais perfazem um total médio anual de 679 mm.
Quanto ao regime térmico, este é dos mais agradáveis. A probabilidade
de registro de valores térmicos diários muito elevados é pequena, até
mesmo no verão, e a ocorrência de temperaturas próximas de 0°C fica
linútada a alguns poucos dias, durante o inverno. Nessas situações, as
temperatw·as mínimas costumam ser acompanhadas de tempo bom e ar
seco e de geadas nas noites que sucedem a passagem de frentes frias,
excepcionalmente muito poderosas. Contudo as temperaturas predominan-
tes oscilam em torno de 22°C, na primavera e outono, 23°C no verão e
l7°C no inverno. Trata-se, pois, de um clima muito influenciado por
fatores locais, oriundos da altitude relativamente elevada, posicionada em
latitudes próximas da zona temperada, sob o trajeto usual de passagem
de sistemas frontais de circulação atmosférica, cuja instabilidade é agra-
vada pela topografia do lugar. Conseqüentemente o clima dessa área é
Quarto Mesotérmico, próximo à fronteira da Terceira classe.

Três Lagoas ( 15)


Situada na margem do rio Paraná o balanço hídlico dessa localidade
é representativo da vasta área do vale desse rio.
A estação de precipitação infmior à necessidade potencial de água
é razoavelmente longa, porém, seu déficit hídrico é insignificante e pode
ser anulado pelos mais simples e primitivos métodos de irrigação. Essa
estação se inicia em abril e se estende a outubro. Entretanto, os meses
de abril-maio-junho não revelam, normalmente, qualquer deficiência hídrica
para as plantas: além da evapotranspiração potencial não ser grande,
as precipitações ainda não sofrem muito decréscimo e há água disponível
nos solos. A carência de água para as plantas só começa a se fazer sentir
em julho, porém, é insignificante. De fato, apenas os meses de agosto

89
e setembro costumam apresentar deficiência de água, mesmo assim, apenas
56 mm em média.
Paralelamente ao aumento considerável de chuvas, a partir de outubro,
cresce a necessidade potencial de água, em virtude da elevação rápida
das temperaturas. Por isso, até dezembro, não há possibilidade de se formar
excesso hídrico capaz de alimentar a subida dos 1ios. Somente de janeiro
a março, com os solos saturados, a estação úmida fica perfeitamente
caracterizada, contudo o excedente hídrico nesse h·imestre não é grande.
Conseqüentemente, as cheias dos rios nessa secção do vale do rio Paraná
são controladas muito mais pelo escoamento superficial da bacia a mon-
tante do que pelo runoff local. Assim sendo, essa região possui três meses
de pouco excedente hídrico ( 166 mm), três meses de fraco déficit de
água ( 69 mm) e seis meses de balanço hídrico equilibrado, sem excessos
ou déficits.
Seu clima é Subúmido úmido, com pouco excesso de água de janeiro
a março, embora muito sujeito a "veranicos" nesse período. O inverno é
caracterizado, geralmente, por pouco déficit de água que, no entanto,
pode não existir em certos anos. O decréscimo sensível das temperaturas
no inverno, sobretudo de maio a setembro, reduz consideravelmente a
eficiência térmica, resultando em clima Primeiro Megatérmico, quase
1\fesotérm.ico.

Cmnpo Grande (05), Jaraguá (10) e Rochedo (14)


Estas localidades, situadas em altitudes de cerca ele 460 a 600 metros,
têm clima e balanço hídrico representativos dos divisores de água das áreas
centrais de Mato Grosso do Sul.
A partir de outubro a curva das precipitações p luviométricas ergue-se
acima da curva da evapotranspiração potencial, iniciando-se a estação
de precipitação efetiva positiva que irá se estender até maio ou junho
( 8 a 9 meses). Porém, somente os meses de janeiro e fevereiro t êm muita
possibilidade de formarem grandes excedentes hídricos ( cerca de 100 mm
para cada mês), embora dezembro seja um mês igualmente muito chuvoso.
No inverno, embora haja uma sensível diminuição de chuvas, a forte
queda dos níveis térmicos não permite que haja deficiência de água: o
déficit de água para as plantas nessa estação somente ultrapassa valores
superiores a 50 mm, em invernos excepcionalmente "secos". Assim sendo,
nessas áreas a relativa "seca" de inverno não oferece qualquer perigo
para as atividades agrícolas . O verão, ao contrário, embora seja normal-
mente chuvoso, costuma registrar fortes secas que podem durar até três
semanas sem um dia sequer de chuvas. Tais secas, pelo seu caráter impre-
visível, costumam causar grandes prejuízos à lavoura.
Seu clima é Primeiro úmido, com grandes excedentes de água no
verão-outono e pouco déficit no inverno e princípio da primavera. A redu-
ção sensível das temperaturas, em função da altitude, sobretudo no inverno,
quando descem comumente até cerca de 10°C, ou até para bem menos,
caracteriza o clima dessa área como Quarto Mesoténnico.

90
Nesse ponto merece uma observação: os valores quantitativos do
balanço hídrico sazonal das localidades de Jar aguá e Rochedo são preju-
dicados pela curta série de dados sobre a precipitação pluviométrica.
Acredita-se que os valores do balanço hídrico de Campo Grande ofereçam
uma melhor aproximação aos valores reais do que os revelados por essas
duas localidades. A deficiência de chuvas, em maio, para Jaraguá e Rochedo
parecem decorrer desse fato.
Aquidauana ( 01) e Bela Vista ( 02)
O balanço hídrico dessas localidades é representativo do regime hídri-
co e das condições climáticas sazonais da periferia sudeste do Pantanal
Mato-grossense, no Estado de Mato Grosso do Sul.
A partir de ouh1bro os volumes mensais de água precipitada são maio-
res do que a quantidade de água necessária para atender ao potencial
evapotranspirável: inicia-se a estação de precipitação efetiva positiva que,
normalmente, se estenderá até maio em Aquidauana, ou junho em Bela
Vista, embora o mês de março tenha uma fmte tendência a se apresentar
com alguma insuficiência de chuvas.
As diferenças mais importantes, entre essas localidades e aquelas
situadas sobre as áreas elevadas (Campo Grande, por exemplo), são moti-
vadas pelos valores mais altos de precipitação e pela menor evapotranspi-
ração potencial e temperatura. De fato, o ritmo sazonal do balanço hídrico
é praticamente o mesmo, porém, da relação quantitativa entre a precipita-
ção e a necessidade de água resultam valores quantitativos bem diferentes:
os excedentes hídricos são bem inferiores nas localidades de Aquidauana
e Bela Vista (cerca de 200 mm); igualmente menores são os déficits
hídricos da curta estação de carência de chuvas. Em contrapartida, apesar
dos excedentes serem inferiores aos das áreas mais elevadas, as enchentes
são bem mais impmtantes por h·atar-se de áreas baixas, situadas às margens
dos cursos médios dos rios Aquidauana e Apa, respectivamente.
Outra conseqüência importante de suas baixas altitudes refere-se ao
nível médio das temperaturas : apesar dessas áreas estarem sujeitas a
grandes quedas de temperaturas, sobretudo no inverno, o nível mais baixo
atingido situa-se sempre acima daquele registrado em Campo Grande.
Assim sendo, o clima é Subúmido Omido, com moderados excessos
de precipitação no verão e pouca deficiência de água no inverno e início
da primavera. Os restantes meses do ano · são mais caracterizados por
equilíbrio entre a oferta e a demanda ambiental de água. Do ponto de
vista termal, o clima de Bela Vista é Prirneiro Megatérmico, quase Mesa-
térmico, enquanto que em Aquidauana, situada mais ao norte ( cerca de
dois graus de latitude a menos), o clima é razoavelmente mais quente -
Segundo Megatérmico.
Coxim (07)
Situada às margens do rio do mesmo nome, o balanço hídrico sazonal
dessa localidade é bastante representativo das áreas baixas da periferia

91
do Pantanal Mato-grossense norte de Mato Grosso do Sul, entre as super-
fícies de 200 metros e o nível das Chapadas que lhes ficam a leste.
Em outubro inicia-se quase sempre a estação das chuvas e, conse-
qüentemente, o ano agrícola. Porém, os excessos de precipitação nesse e
no mês seguinte não são suficientes para formarem excedentes de água.
A quase exaustão de umidade dos solos ao iniciar a primavera e a forte
eficiência térmica desta estação, ativando a necessidade de água para as
plantas, só permitem formar excedentes a partir de novembro. A partir
desse mês até fevereiro os solos ficam quase que saturados e o runoff é
freqüentemente ativado. Mas quer o excedente, quer o escoamento super-
ficial , tornam-se importantes apenas nos verões excepcionalmente muito
chuvosos. Os excedentes da estação úmida nom1almente são moderados,
e as enchentes do rio Coxim são tipicamente torrenciais e provocadas mais
pelos excedentes do alto curso da bacia que ocorrem na mesma estação.
D e março a setembro a precipitação efetiva toma-se negativa. Porém,
as chuvas precipitadas até maio, embora em quantidade inferior à neces-
sidade potencial, não são h'aduzidas em importantes déficits de água para
as plantas. O débito de chuvas é quase que inteiramente desfeito pelos
estoques de água dos solos, de tal forma que, apenas em abril começa
realmente a se fazer sentir a carência de água. Contudo, nem mesmo nos
meses de menor precipitação (agosto e setembro) o déficit hídrico é
muito grande, cerca de 40 mm para cada mês.
D esse modo, embora a estação de deficiência de chuvas seja relativa-
mente grande (sete meses em m édia) , o déficit hídrico para as plantas
é p equeno. Apesar da estação de precipitação efetiva positiva ser em
media de cinco meses, apenas durante h'ês formam-se excedentes, os quais
.alimentam o runoff ao longo de todo ano.
Seu clima é Subúmido Omido, com pouco a moderado excesso de
água no verão e p equena deficiência hídrica no inverno. Não obstante a
predomin ância de temperaturas amenas durante o inverno, o clima é
Primeiro Megatérmico, próximo ao limite da Segunda Classe.

Guaicuru.s ( 09) e Miranda ( 11)


Essas cidades estão situadas às margens do rio Miranda, distantes
poucos quilômetros entre si .
O balanço hídrico e o clima dessas localidades serão analisados toman-
do-se como base o que é revelado pelo regime hídrico de Guaicurus, uma
v z que a série de dados de precipitação pluvioméh'ica de Miranda é
de ap enas 12 anos consecutivos, enquanto que a de Guaicurus é de 46
anos e fornece, certamente, uma melhor aproximação do balanço hídrico
da área de ambas as localidades.
Após um período de 4 a 5 meses de raras ocorrências de chuvas,
estas começam a se tornarem mais freqüentes e copiosas em outubro,
com média acima de 100 mm, sem, contudo, serem suficientes para tornar
úmido esse mês. Além da evapoh'anspiração potencial subir para níveis
ainda maiores, há muito pouca água disponível nos solos.

92
Com o aumento Çlo volume de chuvas ( 168 mm) o balanço híruico
torna-se, a partir de novembro, positivo, mas a manutenção dos solos,
aquém de sua capacidade de campo, não permite que os excessos de
chuvas se convertam em excessos de água nos mesmos. A oferta de água
para as plantas é suficiente, não o sendo, porém, para ativar o runoff que
continua praticamente insignificante. Esta situação se mantém inalte-
rada até janeiro, quando, além das precipitações formarem totais de cerca
de 200 mm em média, os solos, então saturados, revelam excedentes de
54 mm neste mês e 70 mm em fevereiro. Este é o mês de maiores exce-
dentes, embora não seja o de maior quantidade de chuvas. O nível
razoavelmente elevado de chuvas em março mantém certo volume de
água excedente. Em abril e maio os excedentes são insignificantes, muito
infeliores ao runoff.
Embora os totais de excedentes hídricos de verão-outono não sejam
grandes, o rio Miranda costuma ter enchentes violentas em função prin-
cipalmente do volume de água excedente e escoado superficialmente no
alto curso da bacia. Há alguma possibilidade de fortes enchentes em
janeiro e abril mas, os meses de maior freqüência de maiores enchentes
são fevereiro e março. Não obstante o regime torrencial de seus rios, o
runoff jamais cessa. Os rios são perenes, embora o volume de água
fluvial seja muito reduzido de agosto a dezembro.
Em suma: a estação deficitária é relativamente longa, cinco meses em
geral, mas, seu déficit de água é pequeno ( 79 mm); a estação de pre-
cipitação efetiva negativa é relativamente longa, sete meses em geral, a
contribuição de excedente da própria área é pequena ( 154 mm), podendo
ser bem menor nas eventuais ocorrências de "veranicos".
Seu clima é Subúmido Omido, com pouco excesso de água no verão
e outono, concentrando-se sobretudo no verão; e pouco déficit de água
no inverno e primavera (junho a setembro). Embora haja ocasional-
mente fortes quedas de temperatura, sobretudo no inverno, o nível médio
do regime térmico de todos os meses é alto. Conseqüentemente o clima é
quente, Primeiro Megatérmico, muito próximo de Segundo .

Bod oqu,ena ( 03), Campo Alto ( 04), C orumbá ( 06), Entre Rios ( 08)
e Porto Murtinho ( 13) .
Os balanços hídricos sazonais dessas localidades são semelhantes
entre si e representam o regime climático da maior parte da depressão
do Pantanal Mato-grossense ao sul do rio ltiquira (limite entre os Esta-
dos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), prolongando-se pela área ao
norte do referido rio .
Pode-se afirmar que normalmente nenhum mês nessa região é
caracterizado por muitos dias consecutivos sem chuva, inclusive no inverno
quando a chuva é freqüente e muito reduzida. É importante acres-
centar que o regime hídrico sazonal é dos mais irregulares. Em alguns
anos o inverno costuma revelar um ce1to número de ocorrência de chuvas
e totais pluviométricos muito acima do que normalmente se verifica,

93
enquanto que o verão, estação mais chuvosa e quente, pode passar muitos
dias consecutivos sem qualquer ocorrência de chuva. Nesta última situação
as condições climáticas tornam-se muito áridas do ponto de vista
estritamente climático. Entretanto, dada a deficiente drenagem de
seus solos aluviais, não fica bem caracterizada a seca pedológica ou
agronômica, que tanto marca as áreas de Mato Grosso do Sul nessas mes-
mas situações climáticas, denominadas regionalmente por "veranicos".
A estação chuvosa inicia-se, normalmente, na primavera (setembro
ou outubro) e estende-se ao outono (março ou abril) . Contudo, parale-
lamente ao crescimento dos totais pluviométricos mensais, verifica-se o
aumento proporcional da evapotranspiração potencial e, conseqüente-
mente, da necessidade de água para as plantas. Nem mesmo no período
sazonal mais pluvioso, os totais mensais de água precipitada elevam-se
acima da evapotranspiração potencial. Conseqüentemente, nenhum mês
de qualquer estação do ano se caracteriza por excedentes hídricos.
Ao conh·ário, de março a novembro ou dezembro, nove a dez meses,
há um permanente déficit de água e apenas o verão (novembro ou
dezembro a fevereiro) revela recursos hídricos suficientes para as
necessidades das plantas. Não obstante a longa estação de precipitação
efetiva negativa, os déficits de água para as plantas são razoavelmente
grandes apenas entre fins do inverno e início da primavera: agosto a
outubro ou julho a setembro.
Em Pmto Murtinho, área bem mais meridional que as demais, o
p eríodo de precipitação efetiva negativa é um pouco menor, iniciando-se
geralmente em maio e estendendo-se a dezembro. Nessas áreas meridio-
nais a estação de recursos hídricos suficientes para as plantas é nor-
malmente o outono (março e abril) .
Embora o regime híchico anual do Pantanal Mato-grossense seja
caracterizado por uma longa estação de precipitação, aquém das necessi-
dades das plantas, tão longa quanto as das áreas mais secas do Nordeste
do Brasil, esta estação apresenta características diversas. Enquanto no
sertão senú-árido da caatinga essa estação é marcada por profunda seca
climática e pedológica, no Pantanal Mato-grossense normalmente ocorrem
algumas chuvas trazidas por p eriódicas invasões de frentes polares, sobre-
tudo no inverno; tais invasões, somadas ao posicionamento latitudinal, acar-
retam sensível abaixamento dos níveis térmicos mensais, sobretudo no
outono e inverno. Isto faz desativar consideravelmente a evapoh·ans-
piração potencial e, conseqüentemente, a demanda ambiental de água é
reduzida. Do ponto de vista pedológico a deficiência de água é ainda
amenizada p ela maior profundidade de seus solos e pela difícil ch·enagem.
D este modo há sempre alguma quantidade de água estocada que se torna
disponível nas ocasiões climáticas desfavoráveis. Essas são as razões que
fazem com que no settão do Nordeste a estação de deficiência de chuvas
acuse profunda deficiência de água nos solos, enquanto que no Pantanal
Mato-grossense essa deficiência seja relativamente pequena, geralmente
entre 250 a 400 mm .

94
Oub·a diferença muito importante do balanço hídrico enb·e essas
regiões diz respeito à estação chuvosa; enquanto, até mesmo as áreas
mais secas do Nordeste são caracterizadas por excedentes, em quase todo
o Pantanal Mato-grossense nenhum mês revela, normalmente, qualquer
excesso de água, ou qualquer runoff de fonte local. Estes, quando se
verificam, permanecem presentes por alguns dias consecutivos em qual-
quer estação do ano e não, necessariamente, no período mais chuvoso.
Apesar da inexistência de estação de excedentes hídricos, o Pantanal
Mato-grossense está anualmente sujeito a marcantes enchentes fluviais ,
que costumam alagar grandes extensões de suas terras baixas . Enb·etanto,
o volume de água das enchentes é quase que inteiramente originário dos
excedentes de chuvas precipitadas no alto curso dos diversos rios que, em
seu conjunto, formam a bacia do Pantanal Mato-grossense, pontificada
pelo rio Paraguai.
Com precipitação efetiva anual negativa, seu clima é do tipo Sub-
úmido Seco, sem excedente hídrico sazonal. Contudo, apesar de sua Jrmga
estação de déficit de chuvas, os déficits ambientais de água durante esse
período são apenas moderados. Não obstante freqüentes quedas de tem-
peraturas por alguns poucos dias, sobretudo no inverno, principalmente
em suas áreas mais meiidionais, que estão sujeitas até mesmo à ocorrência
de geadas, o clima dessa região é quente - Segundo Megatérmico, pas-
sando a Terceiro ao norte, próximo ao rio Itiquira. Ao sul, a área de
Porto Mmtinho é bem mais amena, Primeiro Megatérmico, quase Mesa-
térmico.

4 .6 - Bahia

Correntina (13), Cotegipe (.14) e Santa Maria da Vitória (28)


Entre a escarpa do Chapadão Ocidental da Bahia (limite de Goiás
e Bahia) e o rio São Francisco existe uma vasta região abrangida parcial-
mente p ela vegetação de cerrados. Trata-se de uma área de chapadas
constituídas sobretudo por terrenos arenosos. O gradiente climático desta
região torna-se menos úmido de oeste para leste, isto é da divisa de Goiás
para o vale propriamente dito do rio São Francisco: Segundo Omido, Pri-
meiro Omido, Subúmido Omido e Subúmido Seco.
As localidades Correntina, Santa Maria da Vitória e Cotegipe são
representativas das áreas de clima Subúmido Omido situadas principal-
mente no setor meridional da região . Apresentam um período sazonal de
precipitação efetiva negativa de sete meses, em média (abril a outubro) .
Entretanto, ao iniciar o mês de abril, os solos acham-se saturados, razão
pela qual esse mês tanto pode se apresentar com algum déficit hídrico,
como pode ser mais caracterizado por algum excesso. Isto significa que
esse mês tanto pode representar o início da estação seca, como o final
da estação úmida. ·Embora os estoques de água disponíveis nos solos
sejam ainda razoáveis até junho, o certo é que, tanto maio como junho

95
são meses normalmente deficitários em recursos hídricos para as plantas.
Esse déficit cresce consideravelmente até setembro, atingindo valores
médios de cerca de 80 mm. O aumento das chuvas em outubro não é
suficiente para a necessidade de consumo de água das plantas e o déficit
biológico de água p ermanece, porém em níveis inferiores.
Em novembro inicia-se, geralmente, a estação chuvosa. Em algumas
áreas o total precipitado nesse mês chega a ultrapassar 200 mm. Desse
modo, a estação de excedente hídrico começa de forma muito abrupta,
para alcançar seu ápice em d ezembro. Decresce em janeiro e fevereiro,
mas, mantém-se em nível acima da necessidade potencial de água. Em
março há, geralmente, outro máximo, declinando-se definitivamente a
partir de abril . Durante esse período (novembro a março) os excessos de
água para as plantas e para a capacidade de campo dos solos não muito
grandes; o runoff só é ativo nas áreas d e solos de baixa permeabilidade,
não ocorrendo no alto das chapadas devido a maior porosidade, mas
alimenta o lençol freático responsável p elos elevados níveis dos rios . As
maiores enchentes verificam-se em d ezembro e janeiro, podendo se esten-
der até fevereiro e março.
O clima dessas áreas é Subúmido Omido, com grandes excedentes
hídricos, concentrados sobretudo no verão e moderados déficits de água
no inverno e primavera. O nível das temperaturas médias se mantém
razoavelmente alto durante quase todo ano, porém, o inverno é caracteri-
zado por temperaturas amenas, quando as altitudes de 500 metros apro-
ximadamente e o ar muito seco d eterminam fortes quedas noturnas nas
temperaturas. Como conseqüência o clima dessas áreas situa-se na fron-
teii·a entre o Primeiro Megatérmico e o Quarto Mesoténnico.

Barreiras (02), Breiolândia (05), Formosa do Rio Preto (15) Mariquita


( 21) e Ib·i petuba ( 17)
Essas localidades são representativas das áreas de clima Subúmido
Omido do oeste da Bahia .
O balanço hídrico sazonal dessa área é semelhante ao da área anali-
sada acima. A marcha sazonal da relação entre o input hídrico atmosférico
e a evapoh·anspiração potencial é praticamente igual à da citada área; os
p eríodos de excesso e de déficit são os mesmos, porém, os valores são um
pouco diferentes. Nas áreas subúmidas secas em questão, os d éficits de
água no inverno e primavera são maiores e os excessos de dezembro a
março são bem menores. Esta é a razão pela qual o clima dessas áreas
é Subúmido Seco, com moderado a grande déficit de água no inverno
e primavera e pouco excedente hídrico no verão. Os níveis altimétricos
inferiores a 600 metros são dominados por clima Primeiro Megatérmico,
embora no inverno as temp eraturas sejam amenas. As localidades situadas
acima de 600 metros têm clima Quarto Mesoté-rmico, como é o caso de
Mariquita.

96
Ca1'iparé (09), Cocos (11) e Santana (29)

O balanço hídrico sazonal dessas localidades é representativo dos


climas das áreas do planalto ocidental da Bahia, em cotas próximas de
500 metros.
Trata-se de área de clima Subúmido Seco. Mas, ao contrário de
outras de clima subúmido situadas mais a oeste, estas localidades possuem
um déficit de água um pouco maior e um excesso hídrico na estação
úmida comparável às áreas de clima Subúmido Omido desse mesmo
planalto.
A exemplo de toda área desse planalto, caracterizado por climas
subúmidos, essas localidades possuem sete meses de precipitação efetiva
negativa que correspondem, quase sempre, ao período de abril a outubro.
Há um forte decréscimo de freqüência de chuvas ao findar o mês de
março, que costuma ser superior a 50%. Não obstante, a água armazenada
nos solos não permite grandes déficits hídricos para as plantas . Apesar
dos solos permanecerem com apreciável quantidade de água até maio,
a insignificância das chuvas faz com que nesse mês as plantas sofram
grande carência de água (30 a 50 mm em média). Nos meses de inverno
(junho-julho-agosto) é muito rara a ocorrência de chuvas e quando
ocorre, a quantidade é desprezível. Por isso, a partir de junho os dé-
ficits ambientais de água em relação à alta evapotranspiração potencial
crescem de tal forma que acabam por afetar até mesmo os meses de setem-
bro e outubro, apesar desses meses registrarem normalmente algumas pre-
cipitações . Por essa razão o total da deficiência de água de abril a outubro
varia, em média, de 300 a 400 mm.
A exemplo das regiões semi-áridas do Nordeste, nas áreas em questão
a estação das chuvas inicia-se bruscamente, quase sempre em novembro.
Entretanto, o excesso de precipitação desse mês não é suficiente para
completar o potencial de armazenamento de água dos solos, de modo que
não há excedentes hídricos efetivos e os escoamentos superficiais neste
mês dependem de chuvas ocasionais muito fortes. Normalmente, o período
de maior vazante dos rios oscila entre setembro e novembro. A manu-
tenção de grande freqüência de chuvas em dezembro, além de fornecer
ao meio a quantidade de água necessária ao potencial evapotranspirável,
seu excedente permite que os solos atinjam sua capacidade máxima de
armazenamento de água. O runoff se intensifica e os rios iniciam a subida
dos níveis. Em janeiro e fevereiro o volume de precipitações se mantém
acima da evapotranspiração real, embora haja uma considerável dimi-
nuição de chuvas que voltam a aumentar em março. Por esse motivo,
durante janeiro e fevereiro, os excedentes hídricos se reduzem, e os
rios sofrem um leve decréscimo de nível, só voltando a se reativar em
março.
Em abril a precipitação torna-se inferior à evapotranspiração poten-
cial, termina a estação de pouco excedente hídrico e inicia-se lentamente
a estação seca, que se torna bem marcada a partir de maio.

97
O clima é Subúmído Seco, com moderado a grande déficit de água
no inverno e primavera e pouco ou moderado excesso de água no verão
e princípio de outono. Nessas áreas do planalto o clima é Prirne·iro
Megatérrnico, passando a Quarto Mesotérmico em torno de 500 a 600
metros de altitude, como é o caso de Cocos .

4. 7 - Minas Gerais

Frutal ( 15)
No Triângulo Mineiro, à m edida que se desloca de oeste para leste
o clima torna-se progressivamente mais úmido : Subúmido Omído, Primeiro
Omído, Segundo Omido e T erceiro Omido.
O b alanço hídrico em Frutal é representativo das áreas de clima
Prirne·iro Ornido, principalmente daquelas situadas no vale do rio Grande .
D epois de seis meses de precipitação pluviométrica insuficiente ( abril e
setembro) começa a chover com mais freqüência em outubro, porém, o
total desse mês é geralmente pouco superior à evapotranspiração poten-
cial. Além disso, o solo p or estar muito carente de umidade, absorve todo
excesso pluviométrico. Assim a necessidade das plantas é suprida, p orém,
não há excedente p ara alimentar o runoff. Este mês não é seco, mas
também não é úmido. Situação semelhante se verifica em novembro.
Somente em dezembro, com média d e 111 mm de chuvas acima da
necessidade potencial, os solos atingem sua capacidade de campo e
p ermitem formar apreciável excedente de S'7 mm, dos quais 50% escoam
superficialmente p ara o leito dos rios; conseqüentemente, o nível das águas
do rio Grande inicia sua ascensão sazonal. A continuidade de chuvas
abundantes até março fortalece a estação de excedente hídrico, intensi-
fica o processo de runoff e as enchentes dos rios atingem seu ápice no tri-
mestre janeiro-fevereiro-março .
Abril é normalmente caracterizado por grande declínio de precipi-
tação, geralmente seus totais são inferiores à quantidade necessária p ara
atender à evapotranspiração potencial, contudo, em função do decrés-
cimo da temperatura e do tempo/hora de insolação, a necessidade de água
para as plantas torna-se bem menor até agosto; além disso, ao iniciar o
mês de abril, os solos estão plenos de umidade estocada durante a estação
chuvosa. Isto explica o fato de que, embora não h aja excedente hídrico
em abril, não há carência de água para as plantas. O balanço hídrico
torn a-se marcadamente negativo em agosto e setembro, quando o déficit
de água para cada mês é d e 50 mm aproximadamente . Nesses meses o
ru.noff torna-se insignificante, e quase inexistente em outubro e novembro .
Nes te último mês iniciam-se a estação das chuvas e o ano agrícola .
O clima, é muito representativo das regiões, de cerrado : Prírnewo
Omi do com grande excedente hídrico de dezembro a março ( 418 mm em
média ) e pouco déficit de água de maio a setembro . Embora haja regis-
tras de temperaturas relativamente baixas no inverno, o nível médio dos
termômetros na área de Fruta] se mantém razoavelmente alto até mesmo

98
no inverno ( 19 a 20°C), razão pela qual seu clima é Primeiro Megatér-
?nico quase Quarto Mesotérmíco.

M ante Alegm de Mi nas ( 32)


Localidade próxima a Uberlândia. Tem balanço hídrico sazonal
praticamente idêntico ao de Fruta!.
O período de abril a setembro constitui a estação de precipitação
efetiva negativa, porém, os déficits hídricos para as plantas assumem
importância somente em agosto e setembro; o nível mais baixo da vazante
dos rios ocorre em outubro ou novembro. De dezembro a março verifica-
se a estação de excesso de água, de intensificação do runoff e de enchente
dos rios.
Seu clima é Primeiro úmido, com grande excesso de água de dezem-
bro a março ( 428 mm em média) e pequena deficiência hídrica de maio
a setembro. Do ponto de vista termal o clima dessa localidade é represen-
tativo de todas as áreas do Triângulo Mineiro sobre as chapadas e situadas
a cerca de 700 metros: Quarto Mesoténnico, com verões relativamente
quentes e invernos amenos, quando costuma registrar temperaturas diá-
rias inferiores a 10°C, sob ação direta de anticiclone, de origem polar.

Uberaba (57)
Situada no vale do rio Grande, sobre a superfície do planalto, a cerca
de 738 metros de altitude, esta localidade tem clima pouco mais úmido
do que o de Frutal, embora o balanço hídrico sazonal seja muito seme-
lhante ao desta localidade.
A estação de precipitação efetiva negativa tem duração média de 6
meses (abril a setembro). Dmante esse período os meses de abril e maio
não são muito deficientes em chuvas. Além disso seus solos possuem
ainda grande quantidade de água para suprir as necessidades das plantas,
conseqüentemente estes meses não são secos, embora não haja excesso de
água. O runoff decresce e se inicia a vazante dos rios. Junho e julho
revelam. alguma carência de água para as plantas. Contudo, somente em
agosto e setembro, em função das fracas chuvas e do quase total esgota-
mento de água dos solos, os déficits de umidade para as plantas assumem
característica predominante.
Embora as chuvas se tornem muito freqüentes a partir de outubro
ou novembro, estes meses não são caracterizados por excessos de água.
Os solos muito ressecados, principalmente em outubro, não liberam água
para o runoff, e a vazante dos rios atingem seu mais baixo nível, embora
esta possa ocorrer em novembro.
De dezembro a março as chuvas são muito abundantes e os solos
têm sua capacidade de campo atingida. Nesse período há grandes exce-
dentes de água, que alimentam o runoff e os rios registram suas maiores
enchentes entre janeiro e março.

.99
Seu clima é Segundo Ornido, com grande excedente hídrico de
dezembro a março ( 534 mm em média) e pouco déficit de água de junho
a setembro ( 136 mm em média) . Em função da altitude seu clima é
Quarto Mesotérrnico, com verão quente e inverno ameno.

Araguari ( 02 ) e Patos de Minas ( 41)


Do setor oriental do Triângulo Mineiro às nascentes do rio São
Francisco estende-se uma vasta área de clima dos mais úmidos e chuvosos
de Minas Gerais. Nela o clima varia desde o Terceiro Ornido ao
Superúrnido, abrangendo as superfícies altas, entre 800 e 1 . 000 metros.
As localidades de Araguari e Patos de Minas, situadas a 927 e 895 me-
tros de altitude, respectivamente, possuem balanço hídrico sazonal repre-
sentativo das áreas de clima Terceiro Ornido, principalmente ao norte
do rio Araguari.
O balanço hídrico nessa área é nitidamente positivo ao final de um
ano. Isto significa que a quantidade de água de precipitação é superior
àquela necessária à demanda anual de água: em m édia, o excesso de
precipitação em relação à evapotranspiração potencial ao final do ano é
de 667 mm em Araguari e 615 mm em Patos de Minas.
A estação de precipitação efetiva negativa tem duração norm al de
5 meses ( maio a setembro). Durante esse período as chuvas são geral-
mente p ouco copiosas e muito raras, exceto em setembro que, embora
pouco chuvoso, contribui razoavelmente com algumas chuvas. Contudo,
de maio a agosto as temperaturas decrescem sensivelmente, razão pela
qual reduz-se tamb ém a evapotranspiração potencial. Conseqüentemente,
apesar do f01te declínio de chuvas, os déficits de água para as plantas
não chegam a ser grandes e somente agosto registra um total médio
maior de 40 mm negativos.
A p artir de outubro inicia-se a estação das chuvas, qu ando a preci-
pitação torna-se muito superior à evapotranspiração potencial. Em no-
vembro começam a se formar importantes excedentes ( 60 a 80 mm),
que totalizam ao final de abril, valores normalmente superiores a 787 mm
em Araguari e a 727 mm em Patos de Minas. O penado de dezembro
a abril constitui-se, pois, numa estação excessivamente chuvosa e de
notáveis excedentes hídricos. Estes são postos parcialmente a serviço de
um in tenso escoamento superficial que, ao fluírem para as calhas dos
rios, costumam provocar enchentes muito danosas. A área de Araguari,
pelo seu posicionamento entre os rios Araguari e Paranaíba, está sujeita
a grandes enchentes entre dezembro e fevereiro, quando a quantidade
de água escoada superficialmente chega a ser de cerca de 150 mm para
cada mês.
O clima dessas áreas é muito úmido - Terceiro Ornido - com grande
excedente hídrico de novembro a abril ( 787 mm em Ara guari e 729 mm
em Patos de Minas, em média) , concentrados sobretudo de dezembro
a março (mais de 90%). Apesar da estação de deficiência de chuvas ser
geralmente de cinco meses, a redução da evapotranspiração potencial

100
nessa época não permite grandes déficits de água para as plantas, sendo
apenas moderados. Os solos permanecem com razoável umidade arma-
zenada, até mesmo o final da estação de escassas chuvas. Em função
das temperaturas médias mensais pouco altas em qualquer estação do
ano e relativamente baixas de maio a agosto, o clima dessas superfícies
elevadas do planalto é Terceiro Mesotérmico.

Araxá ( 03) e Barreiro do Araxá ( 05)


Na região cujo balanço hídrico foi acima descrito, situada entre o
Triângulo Mineiro e as nascentes do rio São Francisco, ocorrem ainda
algumas áreas de clima mais úmido do que o de Araguari e Patos de
Minas. Nelas o balanço hídrico sazonal pode ser representado por duas
localidades: Araxá e Barreiro do Araxá, situadas em torno da cota de
1000 metros de altitude.
De maio a setembro há uma dimimúção drástica de chuvas. Entre-
tanto, há, paralelamente, uma queda razoavelmente grande do nível de
temperatura em função das penetrações periódicas de massas de ar frio
de origem polar, conseqüentemente a necessidade de água para as plantas
é bem menor que no verão, o que faz com que o grande decréscimo de
chuvas não seja muito sentido. Em Araxá, apenas dois meses (agosto e
setembro) acusam déficit de valor médio superior a 30 mm para cada
mês; e em Barreiro do Araxá apenas agosto revela déficit de valor médio
maior do que 20 mm.
De outubro a abril a situação inverte-se completamente. Os totais
pluviométricos de cada mês são muito superiores à evapotmnspiração
potencial. Porém, somente a partir de novembro - com os solos plenos de
umidade e com o acréscimo dos valores pluviométricos que em dezembro
e janeiro alcança totais médios entre 300 a 400 mm - se verificam exce-
dentes hídricos. Nessa situação o volume de água precipitada excede
ao da necessidade ambiental, e o volume hídrico excedente de novembro
a março atinge seus mais altos valores médios, ultrapassando 200 mm em
c!ezembro e janeiro. Assim é verdadeiramente notável a quantidade de
água liberada através do runoff e escoada para as calhas dos rios Grande
e Paranaíba, principalmente de dezembro a março. Contudo, nas áreas
de Araxá e Barreiro do Araxá não há possibilidade de ocorrerem impor-
tantes inundações por ocasião das cheias dos 1ios, uma vez que se h·ata
de áreas divisoras de águas para as duas bacias hidrográficas mencionadas.
O clima dessas altas superfícies é muito úmido - Quarto úmido em
Araxá e Primeiro Sttperúmido em Barreiro do Araxá. De novembro a
abril há enorme excedente hídrico (cerca de 950 mm em média) e de
maio a setembro há pouca deficiência de água (entre 70 a 120 mm,
em média). Em função da altitude e das periódicas invasões de massas
de ar frio, sobretudo no inverno, quando o nível termal médio situa-se
enb·e 15 e 19°C, o clima é Terceiro Mesotérmico.

101
l guatama ( 18) e Bambuí

O balanço hídrico dessas localidades é representativo do regime


sazonal hídrico e climático do alto curso da bacia do rio São Francisco,
em altitudes aproximadas de 600 metros.
De abril a setembro há uma drástica redução de chuvas. Apesar
disso os totais mensais de precipitação não ficam muito aquém das necessi-
dades ambientais, uma vez que nesse período há, paralelamente, uma
grande redução das taxas de evapotranspiração potencial, sobretudo de
maio a agosto. Somente os meses de julho-agosto-setembro acusam déficits
mensais superiores a 20 mm, e em abril e maio a quantidade de água
armazenada e disponível nos solos não permite déficits importantes para
as plantas, embora sejam meses em que o volume de água de escoamento
superficial sofre grande redução até tornar-se insignificante de agosto
a outubro; neste último mês inicia-se a estação de excesso de chuvas.
A oferta de água é suficiente para as necessidades biológicas das plantas,
mas, os solos contêm apenas 50% de sua capacidade de estocagem, assim,
não há excedente hídrico, sendo esse mês o mais adequado para se iniciar
o ano agrícola.
De novembro a março os totais mensais de chuvas sobem de tal forma
que nenhum desses meses acusam totais médios inferiores a 200 mm e
os solos saturados permitem excedentes hídricos superiores a 120 mm em
cada mês. Em razão de os valores do runoff serem em janeiro e fevereiro
quase identicos ao volume de água excedente, nestes meses se verifica
o ápice das enchentes. Apesar de situar-se no alto curso do rio São
Francisco, o regime muito torrencial dos cursos de água nessa área pode
conduzir a enchentes muito graves para as populações de Iguatama e
Bambuí.
Em março há um sensível declínio de incidência de chuvas, embora
a quantidade ele água pluvial seja normalmente bem superior à evapo-
transpiração potencial. O excedente hídrico é drasticamente reduzido, mas
o runoff é tão importante quanto o verificado nos meses de verão, o qu e
faz com que em março haja ainda probabilidade de enchentes violentas.
Abril marca o início da estação chuvosa e de excedente hídrico.
O clima dessa área é semelhante ao das altas superfícies do sul de
Minas Gerais, principalmente no que se refere ao regime sazonal de
umidade - é Segundo úmido com grande excedente hídrico de novembro
a março ( 493 mm em média) e moderado déficit de água entre maio e
setembro ( 114 mm em média).
Embora sujeito a grandes quedas de temperatura no inverno, princi-
p almente nos dias de ação direta de massas de ar de origem polar,
as médias térmicas mensais dessa estação não se mantêm tão baixa
quanto as verificadas nas altas superfícies . Do ponto de vista termal seu
clima é Quarto Megatérmico.

102
Oliveira (36)
Apesar de Oliveira estar situada em áreas de florestas naturais, para
fins de planejamento é considerada dentro dos limites meridionais da
Região dos Cerrados. Seu balanço hídrico sazonal e clima são muito
semelhantes aos da região de matas do sul de Minas Gerais.
Nessa localidade, o balanço hídrico é caracterizado sobretudo por
enorme excedente hídrico de novembro a março (740 mm em média)
e por pequeno déficit de água de maio a setembro.
A partir de maio os totais mensais de chuvas tornam-se muito pe-
quenos, e insignificantes de junho a agosto, voltando a elevar-se em setem-
bro. Contudo, em virtude da redução paralela da evapotranspiração poten-
cial em nenhum desses meses os déficits de precipitação em relação à neces-
sidade potencial são grandes, considerando ainda que os solos se mantêm
com razoável estoque de água para as plantas durante os cinco meses
de carência de chuvas, o déficit biológico é ainda mais reduzido, 72 mm
em média.
A partir de outubro, o balanço hídrico sazonal inverte-se. As fre-
qüentes chuvas tornam a oferta de água maior que a demanda ambiental,
e começam, a partir de novembro, a se formar grandes excedentes que,
por sua vez, reativam o runoff. De dezembro a março o volume excedente,
liberado ao escoamento superficial é verdadeiramente notável.
Embora a duração da estação úmida não seja tão longa quanto
aquela das regiões de clima úmido da Amazônia, da Região Sul do Brasil
e do litoral da Região Sudeste, o clima de Oliveira e do sul de Minas
Gerais é quase igualmente muito úmido - Terceiro úmido, com cinco
meses (novembro a março) de grande excesso de água ( 740 mm em
média) e cinco meses (maio a setembro) de estação relativamente seca,
com muito pouca deficiência de água ( 72 mm em média).
Em virtude da elevada altitude padrão dessa superfície ( 800 a
900 metros) somente de novembro a março há possibilidade de ocorrência
de temperaturas altas. Contudo, até mesmo nesses meses a média termal
gira em torno de 20°C. Além disso, em função do decréscimo do tempo/
hora de luz solar no inverno e das periódicas e sucessivas invasões de
ar frio de origem polar no sul de Minas Gerais nesta estação, há uma
queda sensível das temperaturas de maio a setembro, razão pela qual o
clima, do ponto de vista termal é bastante ameno -Segundo Mesotérmico.
Pitangui ( 44), Sete Lagoas (53), Lagoa Santa ( 27) e Belo Horizonte ( 60)
Estas localidades, situadas em altitudes que variamJlincipalmente
entre 700 a 900 metros, possuem balanço hídrico sazon muito seme-
lhante ao das áreas típicas de cerrados. Nelas há uma estação de seis
a sete meses cuja precipitação pluviométrica é inferior à evapotranspi-
ração potencial. Contudo, ao contrálio do que se velifica nas áreas típicas
de cerrados do Brasil Cenh·al, nestas localidades a estação de deficiência
de chuvas revela poucos déficits hídricos.

103
A estação cujos totais mensais de chuvas são inferiores à necessidade
potencial, inicia-se em abril ou maio e, se estende a setembro ou outubro.
Não obstante sua duração relativamente longa e a fraca ocorrência de
chuvas em seu decorrer, sobretudo nos meses de inverno, o certo é que
o declínio paralelo de suas médias térmicas, desativando consideravelmente
o processo de evapotranspiração, reduz grandemente a necessidade bioló-
gica de água. Graças a isso, os estoques de água contidos nos solos ao
findar a estação úmida podem ser utilizados p elas plantas lentamente,
de modo que, até mesmo ao final da estação de deficiência de chuvas,
os solos ainda contêm apreciáveis reservas. D ecorre daí que apenas os
últimos meses dessa estação revelam importantes débitos de água para
as plantas. Nesses meses (agosto e setembro ou setembro e outubro) o
nmoff é quase inexistente.
A estação das chuvas inicia-se lentamente em setembro ou outubro,
mas, somente a partir de dezembro (às vezes novembro) inicia-se a
formação de grand e excedente hídrico, os quais se mantêm normalmente
até março, embora seja muito concentrada em dezembro-janeiro-fevereiro.
Este é o trimestre mais chuvoso, o de maior excedente hídrico, o de
runoff mais ativo e o de nível mais alto dos rios que, nessa área, fluem
para norte em direção a calha do principal rio da área - o São Francisco.
O clima dessa área é úmido - Primeiro e Segundo Omido - com
grand es excedentes de água, sobretudo no verão e pouco a moderado
déficit hídrico durante seis a sete meses, sobretudo no inverno. Do ponto
de vista termal, o clima é Terceiro e Quarto Mesotérmico, com inverno
ameno, embora registre temperaturas diárias relativamente baixas.

Curvelo ( 13)
A área de Cm·velo está situada a oeste da serra do Espinhaço no
médio cmso do rio Das Velhas, afluente da margem direita do rio São
Francisco.
O balan ço hídtico dessa área, embora se mostre muito semelhante
ao das áreas meridionais de Pitangui, Sete Lagoas e Lagoa Santa é, no
entanto, bem mais semelhante, aos regimes hídricos característicos de
áreas típicas de cerrados. Seu clima é sensivelmente menos úmido do
que o das áreas meridionais referidas. Sua posição ao norte daquela área
e sua altitude mais baixa (cerca de 600 metros) são os fatores resp ons áveis
por tais diferenças.
De abril a outubro a precipitação é insuficiente para a necessidade
potencial e as plantas ficam ressentidas de água. Entretanto os déficits
dessa estação são praticamente insignificantes nos dois primeiros meses
(abril e maio ); tornam-se importantes a partir de junho e agravam-se
de julho a setembro. Com a chegada das chuvas em outubro, o déficit
é bem reduzido. A es tação das chuvas começa geralmente em novembro,
mas, somente em dezembro é iniciada a estação de grandes excedentes
mens ais de água. A partir desse mês os totais pluviométricos, normalmente
superiores a 300 mm, completam a capacidade de campo dos solos e

104
permitem grandes excedentes. O escoamento superficial -é fortemente
reativado até fevereiro, sendo dezembro-janeiro-fevereiro os meses de
maiores enchentes. Em março se inicia a descida das águas, que retornam
ao leito normal dos rios. Em abril reinicia-se o ciclo, com o balanço
hídrico sazonal voltando a tornar-se negativo.
Do ponto de vista da umidade sazonal o clima é Primeiro Omido,
com grande excedente de água de dezembro a março ( 303 mm em média),
concentrado sobretudo em dezembro-janeiro. Possui uma longa estação
de deficiência (abril a outubro), mas, apenas o trimestre julho-agosto-
setembro é bem marcado por déficits mensais de água, os quais podem
ser qualificados de moderados.
Embora haja comumente registras de temperaturas diárias relativa-
mente baixas no inverno, esta estação é bastante amena e caracterizada
por pouca umidade. Entretanto, não obstante a altitude local ( 600 me-
tros), a primavera e o verão são marcados por altas temperatmas e
intensa taxa de evapob.·anspiração. Assim sendo, do ponto de vista da
eficiência termal o clima é Quarto Mesotérmico, quase Megaténnico.

Conceição do Mato Dentro (12), ltabira (19) e Diamantina (14)


O balanço hídrico destas localidades, é representativo do que ocorre
na sena do Espinhaço sobretudo entre os níveis altimétricos de 800 e
1.300 meu·os.
Durante geralmente cinco meses, os totais mensais de chuvas são
muito reduzidos (maio a setembro), enb:etanto, corno a temperatura cai
sensivelmente nessa época, os baixos valores pluviométricos não situam-se
muito abaixo da evapotranspiração potencial. De modo que não chegam
a afetar muito os mecanismos de adaptação das plantas à carência de
água. Além disso, no transcmso dos dois primeiros meses (maio-junho)
os estoques de água contidos nos solos compensam parcialmente os déficits
pluviométricos, de tal modo, que estes meses podem até mesmo apre-
sentar-se úmidos. Somente os dois últimos meses (agosto-setembro)
acusam, normalmente, déficit superior a 40 mm ao todo.
Em função da necessidade de reposição de água nos solos, o razoável
aumento de chuvas, em setembro e, sobretudo, em outubro, não é sufi-
ciente p ara evitar que estes meses sejam geralmente os de menor inten-
sidade do runoff.
A pal'tir de outubro, a situação do balanço hídrico começa a inverter-
se, pois a precipitação excede a evapob.'anspiração potencial. Somente a
partir de novembro, os totais de chuvas, cerca de 200 a 260 mm em média,
permitem revelar grandes excedentes hídricos que, por sua vez, reativam
consideravelmente o processo de escoamento superficial. O nível das águas
dos rios sobe rapidamente em dezembro extravasando seus leitos. Esta
situação permanece quase que inalterada até fevereiro, quando, a partir
daí, o decréscimo de chuvas aliado à intensificação da evapotranspiração
potencial (iniciada na primavera) reduz o volume de água excedente e,

105
conseqüentemente, o runoff. As águas dos rios retornam ao seu leito
normal.
Por tratar-se de uma região divisora de águas, os danos causados
pelas enchentes nessas áreas da serra do Espinhaço dependem muito das
condições topográficas.
O clima dessas áreas é muito úmido - Terceiro Omído em Conceição
do Mato Dentro e em Itabira (nível altiméh·ico entre 800 e 900 metros)
e Quarto Omido em Diamantina ( 1.261 metros) , com grande excedente
hídrico de novembro a abril ( 650 a 800 mm), concentrados sobretudo
no verão. O inverno é razoavelmente seco, embora os déficits biológicos
de água sejam p equenos ( 70 a 90 mm em média).
Em função principalmente das altitudes elevadas, as temperaturas
médias mensais mantêm-se em níveis moderados até mesmo no verão,
quando podem registrar-se algumas temperaturas diurnas relativamente
altas. De março a setembro, a ação de massas de ar hio de odgem polar,
principalmente em suas áreas meridionais, reduz muito a eficiência térmica
e concorre bastante para tornar o clima Mesotérmico: Terceiro Mesotér-
mico em Conceição do Mato Dentro e em Itabirito e Segundo Mesotérmico
em Diamantina. Esta localidade, situada a cerca de 869 metros de altitude
na serra do Espinhaço, norte de Minas Gerais, tem balanço hídrico e
clima pouco diferentes daqueles que se verificam nas áreas bem mais
meridionais desta mesma serra, conforme foi revelado pela análise do
balanço hídrico de Conceição do Mato Dentro, Itabira e Diamantina,
desde que a comparação seja entre áreas de altitudes e exposição
semelhantes.
Em Gameleira, durante seis meses, geralmente ab1il a setembro, o
balanço hídrico é negativo, isto é, os totais pluviométricos de cada mês
são inferiores à quantidade de água necessária para a evapotranspiração
potencial; embora a precipitação pluviométrica seja muito reduzida,
sobretudo entre maio e agosto, o déficit de água para as plantas é pequeno
a moderado; isto decorre principalmente do fato de que essa estação é
justamente aquela de temperaturas mais baixas e, conseqüentemente, a
de menor demanda de água. Desse modo, a água estocada nos solos
durante a estação chuvosa pode ser utilizada lentamente, reduzindo par-
cialmente os débitos de água causadas p elas insuficientes chuvas. Esta é
a razão p ela qual os dois primeiros meses de precipitação efetiva negativa
(abril e maio), embora não revelem excessos de água, também não revelem
deficiência para as plantas. Somente a partir do terceiro mês (junho)
as plantas começam a sentir os efeitos da insuficiência de chuvas. Esta
situação p ersiste até setembro, mas, nenhum mês revela grande deficiência
de água, embora o trimestre de agosto-setembro-outubro seja caracterizado
p ela ausência quase completa de runoff.
Em outubro, inicia-se a estação de balanço hídrico positivo, porém,
somente em novembro é possível formar excedente hídrico capaz de
reativar o escoamento superficial e aumentar o volume de água dos rios.
Os notáveis volumes de água precipitada de de:&embro são seguidos por

106
chuvas não menos importantes em janeiro; estas declinam considera-
velmente em fevereiro e· março, embora se mantenham ainda muito acima
da evapotranspiração potencial. Assim sendo, de novembm a março veli-
fica-se a estação de excedente de água e de intenso runoff; este fenômeno,
embora bastante desativado em março, decresce mais rapidamente a partir
de abril, quando reinicia-se a estação de precipitação efetiva negativa.
O clima, fortemente influenciado por fatores locais causados pela
altitude e pela topografia acidentada, é Terceiro Omido, com enorme
excedente de água de novembro a março ( 685 mm em média) e pouca
deficiência em recursos hídricos de maio a setembro. A ação do relevo
sobre as temperaturas, no sentido -de tornar suas médias mensais amenas
durante todo ano e relativamente baixas no inverno, torna o clima dessa
área Terceiro Mesotérmico.

Paracatu ( 29) e I oão Pinheiro ( 25)


Estas localidades, situadas no alto curso da bacia do rio Paracatu,
afluente da margem esquerda do rio São Francisco, possuem balanço
hídrico sazonal muito representativo das áreas de cerrados do Brasil
Cenh·al.
De ab1il a setembro ou outubro, a precipitação pluvioméh"ica não
fornece a quantidade de água necessária à demanda ambiental. :É bem
verdade que em abril os déficits de água para as plantas são insignifi-
cantes, porém, a partir de maio, com o contínuo decréscimo da pluviosi-
dade e da água disponível nos solos, o débito ambiental de água para
as plantas vai se tornando maior a cada mês, até atingir valores médios de
cerca de 80 mm em agosto e setembro. Isto faz com que o trimesh·e
ele agosto-setembro-outubro seja aquele de processos de escoamento super-
ficial menos ativos, tornando-se insignificantes no final da estação seca
(primavera).
Se a estação de precipitação efetiva tiver seu início em outubro, seus
excedentes são geralmente pequenos e consumidos totalmente na repo-
sição da água dos solos; as plantas têm a quantidade necessária de água,
porém, não há excedente para o runoff. Enh·etanto, se a referida estação
se iniciar em novembro, os excedentes pluviométricos são grandes e p r-
mitem, ainda nesse mês, completar a estocagem dos solos, sobrando pe-
quena quantidade para o escoamento superficial. Assim sendo, em
novembro, se dá· o fim da estiagem e os rios começam a ter seus volum s
de água aumentados- ·
De dezembro a fevereiro a pluviometria de cada mês eleva-se acima
de 200 mm; o nível do volume excedente mantém-se; o runoff se inten-
sifica; com a diminuição das chuvas em março, o runoff começa a ser
desativado; e em abril recomeça o ciclo, sendo o input atmosférico inferior
ao output potencial da evapotranspiração.
O clima é Primeiro Omido, quase subúmido, com grande excedent
hídrico de dezembro a março ( 400 a 500 mm em média) e grande déficit
de. água de maio a setembro ou outubro ( 200 a 300 mm em média).

107
As áreas situadas abaixo de 600 metros aproximadamente possuem clima
Megatérmico. Acima desse nível, torna-se Mesotérmico com verões muito
quentes e invernos amenos.

São I oão Evangelista (51)


A partir dos climas Quarto e T erceiro úmidos, dos níveis mais altos
da serra do Espinhaço, passa-se a Segundo e Primeiro úmido à medida
que se desce a encosta 01iental. O balanço hídrico de São João Evange-
lista é representativo do clima Segundo úmido que domina os níveis al-
timétricos entre 600 a 700 metros, principalmente.
O balanço anual pende, marcantemente, para o lado positivo. Somente
de maio a setembro os totais médios de precipitação são inferiores à ne-
cessidade potencial, tornando-se muito raras e pouco copiosas as chuvas
do b·imestre junho-julho-agosto; entretanto, justamente nesse período
( maio a setembro) as temperaturas se reduzem a tal ponto (média de
15° a l7°C) qu e a evapotranspiração potencial se torna pouco expressiva;
conseqüentemente, a insuficiência de chuvas não é muito sentida pelas
plantas e o débito total desse p eríodo é de ap enas 71 mm em média. Não
obstante, dmante o trimesb'e agosto-setembro-outubro o processo de
runoff é fortemente desativado e os rios sofrem suas maiores vazantes,
sobretudo em outubro.
Assim, em outubro o balanço hídrico sazonal se inverte de modo muito
brusco. A estação das chuvas se inicia e, com ela, o ano agrícola, embora
a necessidade de estocagem de água nos solos não p ermita que sejam
formados excedentes híd1icos capazes de ativar o runoff.
Somente a partir de dezembro inicia-se a estação efetivamente úmida
e de grandes excedentes de água, cujo ápice é alcançado quase sempre em
dezembro ou janeiro, sendo estes os meses de subida do nível dos rios com
possibilidades de inundações em suas margens.
Embora haja um sensível declínio de chuvas em fevereiro , seus totais
se mantêm, normalmente, acima da evapotranspiração p otenciaL Além
disso, os solos saturados permitem que todo excedente de chuvas conver-
ta-se em escoamento superficial. O volume deste, somado a uma certa
quantidade de água de escoamento derivada do mês anterior, faz com que
esse mes seja quase tão úmido quanto os de dezembro e janeiro. Pelos
mesmos motivos a situação não muda muito em março, mas, em abril, há
um grande decréscimo de chuvas, tornando o excedente pouco signifi-
cante, embora o processo de runoff ainda se mantenha razoavelmente
ativo.
Em maio inicia-se novo ciclo com o reinício da estação de raras chuvas
( pouco copiosas) e abnosfera relativamente seca.
Comparando as faixas de mesma altimetria, entre as encostas ocidental
e oriental da serra do Espinhaço, o setor oriental é mais úmido, chuvoso e
frio. A área de São João Evangelista, situada em uma superfície nas pro-
ximidades da encosta oriental, tem clima Segundo úmido, com grande ex-

108
cedente hídrico de novembro a abril ( 527 mm em média), concenh·ado,
sobretudo, em dezembro-janeiro, e pouco débito de água de maio a se-
tembro ( 71 mm em média). Embora haja registras de temperaturas
muito altas no verão, a verdade é que, até mesmo nesta estação, as
temperaturas médias são razoavelmente amenas, inferiores a 22°C. No
inverno o nível médio desce para 15° a 16°C, quando a participação
mais freqüente de massas de ar frio de origem po1ar provoca freqüente-
mente temperaturas mínimas diárias abaixo de l0°C, reduzindo sensivel-
mente a eficiência térmica. Conseqüentemente, do ,l?onto de vista do re-
gime da eficiência térmica, o clima da faixa altimetrica entre 600 e 700
meh·os, aproximadamente, tão bem representada pela localidade de São
João Evangelista, é Terceiro Mesotérmico.

I tarnarandiba ( 21)
Localizada a 1. 099 meh·os sobre um ramo oriental da serra do Espi-
nhaço, divisor de águas para as bacias dos rios Jequitinhonha e Doce, o
balanço hídrico e climático sazonal de Itamarandiba é representativo dos
níveis mais elevados do referido ramo.
Apesar da altitude mais elevada que a de São João Evangelista sua
localização geográfica, em uma vertente voltada para noroeste, responde
pelo seu clima menos úmido. A estação de precipitação efetiva negativa
começa com um mês de antecedência, tendo, portanto, duração média
de seis meses (abril a setembro) e é caracterizada por déficits de água
pouco maiores ( 126 mm em média). Além disso, a estação de excedente
hídrico é um pouco mais cmta (novembro a março) e revela menor vo-
lume de água para o escoamento superficial.
Conseqüentemente, seu clima é Primeiro Omido, com grande excesso
hídrico de novembro a março, concentrado, sobretudo, em dezembro-janei-
ro, e uma estação de pouca a moderada deficiência de água, sobretudo
no inverno. O regime termal anual de seus valores mensais é praticamente
igual ao de São João Evangelista, daí seu clima ser igualmente Terceiro
Mesotérmico.
Grão Mogol (17)
Grão Mogol está localizada em um anfiteatro de um ramo do Espi-
nhaço dirigido para nordeste, em uma altitude de cerca de 900 metros.
Por sua condição topográfica, entretanto, não espelha o clima da alta
superfície vizinha, o qual revela valores quantitativos de chuvas e exce-
dentes hídricos mais elevados do que os registrados em Grão Mogol.
Durante sete meses (abril a outubro) a precipitação de cada mês é
normalmente inferior ao volume de água necessário para equilibrar-se com
a evapoh·anspiração potencial; entretanto, no primeiro e no último mês
desta estação os déficits de precipitação são geralmente muito pequenos.
Além disso, no primeiro mês (abril), o referido déficit não é sentido pelas
plantas, pois, os solos estão supersaturados de umidade estocada ao findar

109
a estação úmida. o segundo mês, além de se agravar a deficiência de
chuvas, a quantidade de água contida nos solos torna-se menor, obrigando
as plantas a mobilizar seus mecanismos de economia de água. A partir
de junh o os déficits mensais crescem rapidamente até atingirem cerca de
50 mm em setembro. Mesmo assim, apesar da longa estação de precipita-
ção efetiva negativa e dos grandes déficits de água de julho e agos to, o
débito total dessa estação não é muito grande ( 176 mm em média ).
A p artir de novembro, a curva da precipitação pluviométrica passa
sobre a da evapotranspiração potencial e o excedente pluviométrico tor-
na-se superior a 100 mm. Conseqüentemente, não obstante ser o primeiro
mês da es tação de precipitação efetiva ,Positiva, com os solos inicialmente
muito deficientes em umidade, é possrvel formar apreciáveis excedentes
efetivos de água capazes de reativarem o processo de escoamento super-
ficial e iniciar a subida das águas dos rios. Até março, o !Úvel da pluviome-
h·ia mantém-se elevado, embora haja geralmente um razoável decréscimo
em fevereiro, voltando a subir em março. Assim sendo, o volume de água
liberado para o runoff de dezembro a março, pode ser considerado grande.
Os meses de maior probabilidade de enchentes são dezembro e janeiro,
embora um segundo pico possa ser esperado para março. D esse modo, a
dcsativação do processo de escoamento superficial somente deve ser espe-
rada para abril, quando também se dá a descida do nível das águas dos
rios. Abril é, geralmente, um mês de equilíbrio entre o input hídrico am-
biental e as p erdas de água para a atmosfera através da evapotranspiração.
Em maio, reinicia-se a estação seca.
O clima de Grão Mogol, embora p ertença à mesma classe do clima de
São João Evangelista - Primeim Omido, apresenta a estação de defici-
ência de chuvas mais seca e com maior déficit de água - moderado a
grande - e seu grau de umidade está próximo da classe de clima subúmi-
do. Do ponto de vista termal, pode-se dizer que os regimes térmicos dessas
localidades são muito semelhantes, daí a mesma classe de clima - Ter-
ceiro Mesotérmico, contudo, sua localização em um anfiteatro, encaixado
na alta superfície, é resp onsável p elo regime sazonal da eficiência térmica
razoavelmente mais alto e sua mesotermia climática se aproxima da Quar-
ta classe mesotermal.

Montes Clams ( 33)


O balanço hídrico sazonal e o clima de Montes Claros são bastante
representativos das condições hidroclimáticas da vasta superfície situada
a oeste da barra do Espinhaço enh·e 15 e 17° de latitude e 500 a 700 me-
tros de altitude, aproximadamente. Montes Claros situa-se a cerca de 600
metros de altitude, entre dois ramos do Espinhaço.
Nessa localidade a estação das chuvas inicia-se bruscamente a partir
de novembro. Enquanto outubro tem precipitação média de 61 mm, no-
vembro tem 205 mm, enh·etanto, apesar do notável volume de água, este
não é suficiente, normalmente, para formar excedente hídrico. O déficit
de umidade nos solos ao findar o mês de outubro é tão grande que o

110
excedente pluviométrico ( 92 mm em média) é inteiramente usado na
reposição dos solos. Assim, não obstante o grande excedente pluviométri-
co, o mês de novembro é caracterizado por efetivo excedente de água
capaz de alimentar o incipiente runoff do final de uma longa estação de
carência de chuvas e de umidade dos solos.
A partir de dezembro, entretanto, a manutenção de freqüentes chu-
vas, acima de 200 mm ao mês, além de atender plenamente a necessidade
fisiológica das plantas e repor nos solos aquela quantidade máxima de
água que eles são capazes de estocar, sobram, ainda, 150 mm em média,
dos quais 50% aproximadamente são utilizados pelo runoff. Esta é, também,
a situação do mês de janeiro. Em fevereiro e março a precipitação sofre
ligeira diminuição que, no entanto, é pouco sentida em virtude da redução
paralela da evapotranspiração potencial. Isto faz com que os níveis do
excesso hídrico e a intensidade do escoamento superficial sejam pouco
afetados pela redução pluviométrica.
Em suma, a estação das chuvas é iniciada em novembro, mas, a de
excedente hídrico começa em dezembro e termina em março. Esta, apesar
de ser curta (quatro meses), tem um excedente de água ao seu final, grande
e muito concenh·ado, em dezembro-janeiro; estes são os meses de níveis
mais altos das cheias dos rios.
A partir de abril as quedas de chuvas vão se tornando cada vez mais
raras e menos copiosas; o input hídrico atmosférico torna-se inferior às
perdas de água para a atmosfera e a insuficiência de água para as plantas
começa a se fazer sentir. A desativação do processo de runoff reduz o
v_olume de água dos rios e faz iniciar a estação de precipitação efetiva
negativa que, normalmente, estender-se-á até outubro. Durante esses sete
meses as chuvas se tornam gradativamente mais raras para se tornarem
quase inexistentes de junho a agosto. Nos dois últimos meses da estação
seca (setembro-outubro), embora a ocorrência de chuvas não seja tão
rara, os solos estão tão exauridos de água que os déficits mensais para
as plantas variam de 50 a 700 mm, mais comumente. Enh·e setembro e
novembro o runoff tende a desaparecer, e nos anos excepcionalmente
secos os rios de cursos menos longos podem ficar parcialmente secos .
· Seu clima é Subúmido · Omiilo (próximo à fronteira do Subúmido
Seco) . Sua estação úmida é curta, ·porém muito chuvosa e de grande
débito de água ( 285 mm em média) . Em função da altitude o clima é
Quarto Mesotérmico (quase Megatérmico), porém com predomínio de
temperaturas razoavelmente altas da primavera ao outono e de amenas
no inverno.

Pirapora ( 43), São Francisco ( 48), ]anuária ( 23) Salinas ( 46) e São
Gonçalo ( 49 )
O balanço hídrico sazonal dessas localidades é característico das
áreas baixas ( 400 a 500 metros aproximadamente) do vale do São Fran-
cisco, em Minas Gerais, situado em latitudes inferiores a 17.5°, mas, exclu-
indo o extremo norte desse Estado.

111
A p assagem da estação seca para a estação chuvosa é muito brusca
e, geralmente, se verifica em novembro. A estação seca é tão longa e
normalm ente intensa que ao seu final os solos apresentam-se totalmente
exauridos de umidade, o que faz com que todo excesso de precipitação
do mês de novembro seja empregado na reposição de água nos solos.
Assim, embora as plantas tenham a quantidade de água necessária para
atender à potencialidade da evapotranspiração desse mês, não há, entre-
tanto, ainda um excedente d e água para que o runoff possa ser ativado.
Somente em dezembro, com a continuação das chuvas e a capacidade
de armazenamento de água dos solos plenamente alcançada, parte da
água pode se converter em excedente. Inicia-se, assim, a estação realmente
úmida com pouco a moderado excesso de água, organizando-se o escoa-
mento sup erficial.
Este quadro positivo do balanço hídrico persiste até janeiro, podendo
se prolongar até mesmo a março . Quanto maior a latitude do lugar mais
longo é o p eríodo de persistência e maior é o volume do excedente hídrico
dessas estações . Mas seja qual for a localidade, as cheias do rio São
Francisco, nessa área, dependem muito mais dos excedentes hídricos do
alto curso dos rios que ocorrem em dezembro ou janeiro.
A p artir de fevereiro há um decréscimo tão sensível de chuvas que as
localidades mais setentrionais clessa área, como é o caso de Salinas, cos-
tum am acusar nesse mesmo mês um p equeno déficit de precipitação em
relação à necessidade potencial. Entretanto, à medida que se caminha
para o sul, o início da estação de precipitação efetiva negativa é retardado
para março ou abril, mas em qualqu er dessas localidades a referida
es tação ele deficiência de chuvas se estende geralmente a outubro. Em
seus dois primeiros meses há sempre algumas chuvas, de modo que o
consumo da água, estocada nos solos, pode ser processado lentamente.
Conseqüentemente, nas áreas setentrionais (Salinas e São Gonçalo ), o
primeiro mês de precipitação efetiva negativa não acusa déficit de água
para as plantas, e nas áreas meridionais ( Pirapora) somente o terceiro
mês dessa estação é realmente muito deficitário em água; mas seja qual
for o posicionamento latitudinal, a partir de maio, a ocorrência de chuvas
é tão rara e os solos estão t ão carentes de umidade que o déficit biológico
de água começa a se tornar crítico.
A ausência quase completa de chuvas, em setembro e outubro, aliada
à quase exaustão de umidade dos solos e ao aumento das temperaturas,
torna o déficit de água tão grande que pode atingir valores de 80 a
100 mm em cada um desses meses . De maio a outubro o processo de
nmoff é tão inexpressivo que os rios dessas áreas poderiam ter seus
fluxos seccionados durante p elo menos dois meses (setembro - outubro),
não fosse a superfície de suas bacias fluviais suficientemente vasta.
Em toda essa área do vale do rio São Francisco o clima é Subúmido
Seco com volume anual de precipitação inferior à necessidade potencial
de água para as plantas (precipitação efetiva negativa ), exceto as áreas
ao sul do São Francisco, que, em virtude de fatores locais, possuem clima
Subúmido Omido. A estação de excedentes de chuvas, além de curta,

112
possui pouco excesso de água, concentrado, sobretudo, em dezembro-
janeiro. Neste particular as localidades de Pirapora e São Francisco, pelo
posicionamento meridional, registram, mais comumente, moderados exce-
dentes hídricos.
A estação de carência de água dura de 7 a 9 meses, durante a qual,
em alguns meses, pode até mesmo não haver qualquer ocorrência de
chuvas. Conseqüentemente essa estação é muito seca e de moderado a
grande déficit de água para as plantas ( 300 a 500 mm em média) . O
nível médio das temperaturas mensais mantém-se muito alto na prima-
vera-verão-outono, e razoável no inverno. Resulta daí que seu clima é
Megatérmico, de Primeira ou Segunda classe. Portanto, do ponto de vista
do balanço hídrico, o clima dessa área representa uma transição entre os
domínios dos cerrados e das caatingas .
Manga (30)
Situada às margens do rio São Francisco, no extremo nmte de Minas
Gerais, a cidade de Manga tem o mais negativo balanço hídrico sazonal
desse Estado .
Durante cinco meses (novembro a março) a quantidade mensal de
água precipitada é relativamente grande (média superior a 100 mm),
ultrapassando 150 mm em novembro e dezembro. Entretanto, as eleva-
díssimas taxas mensais de evapotranspiração potencial entre outubro e
março somente são ultrapassadas pelos valores pluviométricos de novem-
bro, dezembro e janeiro. Por isso, os excedentes mensais de precipitação
não são grandes (cerca de 100 mm ao todo) . Conseqüentemente há
pouca possibilidade de se formar excedente para o escoamento superfi-
cial. De novembro a fevereiro as plantas têm a quantidade de água neces-
sária às suas necessidades, mas durante um mês (geralmente janeiro) há
condições de formar algum excedente parcialmente liberado ao runoff.
Normalmente, durante quatro a cinco meses (setembro ou outubro
a dezembro) não há, praticamente, qualquer processo de runoff. O
regime fluvial mantém-se perene unicamente em razão dos excedentes
hídricos da cabeceira dos rios.
A partir de fevereiro ou de março a quantidade de água precipitada
torna-se inferior à evapotranspiração potencial; os déficits mensais de
água paxa as plantas aumentam e ultrapassam os 50 mm, a partir de maio,
e atingem 80 a 100 mm de agosto a outubro.
Seu clima é do tipo Semi-Arido com oito a nove meses de carência de
chuvas e 6 a 7 meses de profunda falta de água para as plantas ( 486 mm
em média). Apenas, durante um a dois meses no verão, há um pouco de
excedente hídrico . O predomínio de altas temperaturas mensais em
qualquer estação do ano, até mesmo no inverno, é responsável pelo clima
quente do tipo Segundo Megatérmico.
Araçuaí ( 01) e Pedra Azul ( 42)
O balanço hídrico sazonal e o clima dessas localidades são represen-
tativos do vale do rio Jequitinhonha em seu médio curso. A exemplo do

113
que se verifica no vale do São Francisco, em Minas Gerais, no vale do
Jequitinhonha o clima é do Grupo Seco ( Subúmiclo Seco e Semi-Ariclo ),
entretanto as partes mais altas das cabeceiras desse rio e de alguns ele
seus afluentes apresentam-se com clima Sttbúmido úmido.
O regime hídrico sazonal de Araçuaí é representativo das partes bai-
xas, de todo o médio curso do vale do rio Jequitinhonha. A alta taxa de
evap otranspiração potencial durante todo ano e a pouca freqüência de
chuvas durante sete a nove meses fazem com que o m édio Jequitinhonha
seja uma regíão com totais anuais de chuvas ( 831 mm em média), quase
sempre inferiores à necessidade ambiental de água ( l. 264 mm) , havendo,
portanto, um déficit pluviométrico de 433 mm em média.
Somente no trimestre novembro-dezembro-janeiro o input atmosfé-
rico de água ( 494 mm) supera o output de retorno à atmosfera ( 388 mm
de evapotranspiração potencial ) . Durante esse trimestre as plantas têm
a oferta ideal de água de que necessitam . Porém, em virtude do abso-
luto esgotamento de umidade dos solos, ao findar a estação seca (geral-
mente outubro), o excesso de precipitação desse trimestre é quase todo
empregado na reposição de água nos solos. Conseqüentemente, ap enas o
mês de janeiro costuma registrar algu m excesso ( 6 mm em média) que
é parcialmente liberado para ativar o nm.off. Os registros de excedentes
hídricos em novembro e dezembro, ou em janeiro, são muito raros; assim,
as enchentes do rio Jequitinhonha, que normalmente se verificam cm
janeiro, dependem dos excedentes de chuvas precipitadas no alto curso
da bacia e nas encostas, razoavelmen te mais chuvosos.
A partir de fevereiro a precipitação já não é mais suficiente; a eva-
pob·anspiração real torna-se inferior à potencial e há, p or conseguinte, um
p equeno déficit de água p ara as plantas. Esta situação negativa elo
balanço hídrico vai se agravando mês-a-mês, até chegar a valores negati-
vos de 70 a 80 mm em agosto, setembro e outubro .
Embora dezembro e janeiro sejam meses caracterizados p or chuvas
em quantidade superior à evapotranspiração potencial, os solos, como foi
observado, utilizam o referido excesso de pluviosidade nesses meses para
se reabastecerem . Por esta razão, não somente o trimestre de agosto-
setembro-outubro, mas, também, os meses de novembro e dezembro, com-
põem o p eríodo em que o escoamento superficial de água é praticamente
inexistente. Nos anos em que a estação das chuvas é retardada, as águas
do Jequitinhonha, quer no médio, quer no alto curso, podem chegar a
níveis críticos, mantendo-se, entretanto, como um curso p erene, graças
aos excedentes das cabeceiras elos rios da bacia.
Do ponto de vista do regime sazonal de umidade, o clima do médi o
Jequitinhonha é do tipo Semi-Árído, com pouco excesso de água no verão;
longa estação de deficiência hídrica de fevereiro a outubro e forte aridez
em agosto, setembro e outubro. Embora haja um certo decréscimo de
temp eratura no invern o, a efi ciência térmica mantém-se muito ativa

11 4
durante todo ano, sobretudo de outubro a março. Conseqüentemente, do
ponto de vista termal, o clima é quente do tipo Primeiro Megatérmico,
próximo à fronteira do Segundo .
Os níveis altimétricos mais elevados das encostas do médio vale do
J equitinhonha possuem clima menos seco que o das áreas baixas repre-
sentadas, como foi visto, pela localidade de Araçuaí. O balanço híd1ico
de Pedra Azul, localidade situada a cerca de 600 metros de altitude é
bastante representativo do regime sazonal das encostas desse vale, cujo
clima Subúmido Omiclo é semelhante ao das terras baixas, onde a estação
chuvosa inicia-se, igualmente, em novembro e temlina em fevereiro.
Entretanto, nas terras altas o volume de água precipitada é bem superior:
acima de 200 mm em novembro e dezembro, e de 126 mm em janeiro.
Conseqüentemente o excedente hídrico posto parcialmente à disposição
do runoff nessa estação é maior do que nas terras baixas, 117 mm em
média .
Em fevereiro e março, embora haja geralmente algumas chuvas
importantes, a taxa de evapotranspiração potencial - em função das altas
temperaturas - é tão grande que 100 mm de chuvas mensais, que cm·acte-
rizam esses meses, não são suficientes para atender plenamente à neces-
sidade de água para as plantas. Contudo, os déficits, por serem pequenos,
são compensados pela água disponível nos solos. Esta situação de equilí-
brio hídrico pode abranger até mesmo o mês de abril. Assim, embora a
estação de precipitação efetiva positiva termine em janeiro, somente a
partir de maio o balanço se torna negativo .
Os déficits de água persistem geralmente até outubro, porém, jamais
atingem uma situação de extrema seca como a que se verifica na prima-
vera nas terras baixas. Nas terras altas das encostas do vale, o decréscimo
de temperatura e das taxas de evapotranspiração potencial não permitem
grandes débitos mensais de água, nem mesmo na primavera (entre 10 e
60 mm em cada mês) . São, portanto, bem inferiores aos registrados em
Araçuaí. Por esta razão, a estação de carência de água nas terras altas,
além de ser menos longa, é caracterizada por déficits bem menores, cerca
de 175 mm em média.
Seu clima é, de certa forma, semelhante ao das áreas dominadas por
cerrados, é Subúmido Omiclo, porém, próximo ao Subúmiclo Seco. No
verão há um moderado excedente hídrico e, no semestre de inverno-
primavera um pequeno a moderado déficit de água.
O regime térmico sazonal é quase uniforme, em se tratando de médias
mensais, e sua curva situa-se em níveis bem mais baixos do que os verifi-
cados no fundo do vale, sobretudo no inverno, quando costuma registrar
algumas temperaturas diárias relativamente muito baixas, sob ação direta
de ar frio de migem polar que sucede à passagem de frentes frias. Assim,
do ponto de vista termal o clima das terras mais altas do vale do rio
Jequitinhonha é do tipo Quarto Mesotérmico.

115
4. 8 - Rondônia

Vilhena ( 02)
Situada a 620 metros de altitude, sobre a superfície dos Pareeis, o
balanço hídrico sazonal desta localidade representa muito bem o regime
hidroclimático de toda esta área elevada. Os Pareeis servem de divisor
entre os rios que fluem para as bacias Amazônica e do rio Paraguai. Suas
maiores altitudes estão em torno de 800 metros e a diferença de níveis
em relação à superfície mais baixa próxima é de cerca de 400 a 500
metros.
É muito provável que seu posicionamento geográfico ao sul da Ama-
zônia, em oposição à h·ajetória das frentes de origem polar, após transpor
a Cordilheira dos Andes, seja o motivo principal que faz o clima dessa
área mais úmido e mais chuvoso do que o clima da sua superfície basal.
Além disso, sua altitude reduz consideravelmente as temperaturas médias
mensais em qualquer estação do ano e favorece as grandes quedas ter-
moméh·icas que sucedem às sucessivas passagens de fmnte polar,
sobretudo no inverno.
Em conseqüência da redução térmica, a evapotranspiração potencial
decresce consideravelmente . As médias térmicas mensais mais altas,
variando em torno de 20 a 21°C, não são capazes de provocar mais do
que 80 mm de evapotranspiração. Assim, a demanda ambiental de água
sofre, igualmente, importante redu ção. Por tudo isso, a localidade de
Vilhena revela que somente de maio a agosto a curva dos totais pluviomé-
tricos mensais passa sob a curva da necessidade potencial de água. A
ocorrência de chuvas nesses meses é muito pequena, porém, só excepcio-
nalmente é inferior a 20 mm por mês. Al ém disso, ao findar o mês de
abril os solos estão com sua capacidade de estocagem plenamente atin-
gida e sua umidade disponível pode ser utilizada pelas plantas a partir
de maio. Graças a isso o déficit de chuvas é parcialmente compensado .
Tudo isso faz com que o primeiro mês de deficiência de chuvas (geral-
mente maio) não seja caracterizado por déficit biológico de água, embora
também não haja excedente. Somente o trimestre de junho-julho-agosto
registra valores negativos muito expressivos, embora não chegue a acumu-
lar mais do que -80 mm, em média.
Em setembro, inicia-se a estação de precipitação efetiva positiva
( 109 mm em média) que normalmente se estenderá até abril. Dmante
esse período há um contínuo aumento da pluviosidade até atingir cerca
de 350 mm em janeiro; decresce ligeiramente em fevereiro para elevar-se
em março ao nível de janeiro; decresce muito em abril e, em maio, torna-se
negativa em relação à necessidade.
O primeiro mês de precipitação positiva não é suficiente para formar
excedente de água nos solos, uma vez que o excesso de chuvas não chega
a atingir a capacidade de campo dos solos dos Pareeis . Entretanto, a
partir de outubro as grandes chuvas começam a formar excedentes que os

116
solos não podem estocar, assumindo importância o escoamento superficial
que, de fevereiro a março, atinge valores mensais tão altos quanto o das
precipitações .
Seu clima é Segundo Superúmido, com enormes excedentes de água
de outubro a abril ( 1. 227 mm em média, ou seja, mais de 50% da precipi-
tação anual), concenh·ados, sobretudo, no trimestre janeiro-fevereiro-março.
Apesar do caráter superúmido de seu clima, o inverno é uma estaçã0
moderadamente seca e revela um déficit de água para as plantas que
varia de pouco a moderado. Portanto, é possível concluir que o clima
nessa área tem potencialidade para sustentar densas florestas úmidas e
que a vegetação de cerrados que aí existe é determinada muito mais pela
estrutura e textura dos seus solos muito permeáveis do que pelos mode-
rados déficits de água do inverno .
Os níveis relativamente baixos das temperaturas mensais, reduzindo
a eficiência termal, tornam o clima da superfície acima de 600 metros de
altitude Terceiro Mesotérmico.

5 - CONCLUSÕES

1 - A Região dos Cerrados possui totais anuais de precipitação


equivalentes aos de vastas extensões da Floresta Amazônica e do litoral
oriental do Brasil, primitivamente ocupado pela floresta Atlântica. Entre-
tanto, sua distribuição sazonal é bem mais inegular que a das regiões flo-
restais referidas, razão pela qual o regime lúdlico na Região dos Cerrados
é um dos mais marcados por estações opostas: uma com grandes exce-
dentes lúdricos, drenagem sujeita a violentas cheias e solos suficiente-
mente molhados, capazes de suplir convenientemente as culturas agrícolas;
e outra com profunda deficiência de água, solos secos, runoff insignifi-
cante e vazante muito rápida de seus rios.
2 - De modo geral, estações de excessos com comprimentos análogos
possuem volumes de água excedentes maiores ao norte do que ao sul da
Região. Nem sempre este fenômeno tem papel muito importante para
as diferenciações climáticas, mas é fora de dúvida que ele deve exercer
profundas repercussões na dinâmica ambiental, através do papel que
desempenha, qu~r nos processos morfoclimáticos atuais, quer no regime
de cheias dos Iios. Um cuidadoso h·atamento desse fenômeno pode revelar
ainda importantes subsídios a qualquer setor de pesquisa e de engenharia
ambientais, bem como aos projetos de desenvolvimento cujo aproveita-
mento agrícola do solo seja privilegiado, principalmente se nele estiver
envolvida a utilização do potencial híd!ico para irrigação.
3 - Não obstante a existência generalizada de estações secas, nor-
malmente muito marcadas, o volume de água excedente na estação chu-
vosa garante para a maior parte da Região, inclusive das áreas ocupadas
pela vegetação de cerrados, um total de precipitação efetiva positiva no

117
final de um ano. Este caráter é potencialmente favorável, pois permite
medidas racionais de aproveitamento de parte dos excedentes hídricos
sazonais por ocasião do período em que o recurso torna-se naturalmente
carente. Deste modo seriam viabilizados os projetos de uso agrícola dos
solos dos cerrados durante todo ano.

4 - Contudo, do ponto de vista agroclimático, e considerando sobre-


tudo a ausência quase absoluta de prática de irrigação, outro fator negativo
do regime hídrico na Região dos Cerrados tem sido a incidência de secas
induzidas na estação de excesso hídrico. Este fenômeno, conhecido regio-
nalmente por "veranico", pode persistir por duas ou três semanas sem
qualquer chuva. Desde que a estação das chuvas - estação de excedentes
hídricos - é ao mesmo tempo a estação de maior potencial de evapo-
transpiração, os efeitos dos "veranicos" - interrompendo a estação das
chuvas - sobre as culturas tradicionais podem ser muito severos, o
que tem sido comprovado em diversas oportunidades. Outra condição que
tem agravado os efeitos dos "veranicos' é a textura da maior parte dos
solos dos <.;errados que, sendo muito arenosa, facilita as perdas dos esto-
ques de água arn1azenada através de um processo intenso de evapotrans-
piração.
5 - Admitindo como mais provável, que os latossolos dos cerrados
possuem entre 60 e 100 mm de capacidade máxin1a de armazenamento,
e que de aCDrdo com pesquisas realizadas nesses solos na região de Bra-
sília, as perdas diárias por evapotranspiração são de 6 mm aproximada-
mente, conclui-se que um período de 6 a 10 dias sem chuvas deixa as
culturas na mais completa carência de água. Isto significa que o "vera-
nico", do ponto de vista agronômico, fica caracterizado somente após
6 ou 10 dias sem chuvas.
6 - Não obstante o "veranico" não se verificar todos os anos, sua
freqüência é de certa forma comum. Considerando a inexistência de
modelos de previsão do tempo a médio e longo prazo de cOIÚiabilidade
desejável, seria oportuno o emprego de métodos estatísticos que viessem
revelar índices de probabilidade de sua ocorrência para toda área sujeita,
a exemplo do que foi realizado para a área de Brasília. Neste particular
será conveniente demarcar o espaço geográfico sujeito ao fenômeno, ava-
liar a intensidade de seus efeitos ecológicos e sociais e definir a probabili-
dade de sua freqüência, segundo o número de dias. Em caráter preli-
minar, informa-se que a análise do balanço hídrico normal sugere que -
excluindo os Estados do Maranhão, Piauí e de certa forma o norte de
Mato Grosso e Goiás, bem como o oeste da Bahia - o restante da Região
dos Cerrados está sujeito ao fenômeno de "veranico", tal como foi defilúdo
neste trabalho. Isto significa que todo o Estado de Mato Grosso do Sul,
os territórios meridionais de Mato Grosso e Goiás, o Triângulo, o sul
de Minas Gerais e oeste de São Paulo estão sujeitos a essas secas indu-
zidas; e o centro dispersar desse fenômeno parece ser a Região do Chaco,

118
sobre a qual está mais freqüentem ente situada a chamada baixa do Chaco,
centro de baixa pressão, com subsidência superior, ar seco e temperaturas
mais freqüentemente elevadas, formador de "massas de ar continental".
No território brasileil'O este centro dispersar pode ser considerado o Pan-
tanal Mato-grossense que, até mesmo normalmente, costuma apresentar
algum déficit de precipitação em pelo menos um mês em cada verão.
7 - Considerando que o "veranico" é um fenômeno climatológico
caractmizado por ell:trema irregularidade temporal, e provavelmente cíclico,
a resposta sobre quais seriam as suas causas deve ser uma preocupação
particular dos meteorologistas sinóticos. Sua origem será certamente reve-
lada como um subproduto de investigações de ordem mais prática, relativas
a previsão do tempo a médio e longo prazo. O objetivo de preocupação
do climatologista deve ser pdncipalmente o de demarcar o espaço geo-
gráfico sujeito ao fenômeno, o de avaliar seus múltiplos efeitos e, na
ausência de modelos de previsão, procurar definir a probabilidade de sua
ocorrência. Executadas essas tarefas, os órgãos d e planejamento poderão
dispor de um documento ce1tamente muito valioso para os ruralistas, espe-
cialmente interessados em produção e rendimento agrícola.
8- Não obstante os eventuais "veranicos" por um lado e os "normais",
índices elevados de precipitação anual, por outro lado, a Região dos
Cerrados, pelo seu balanço hídrico sazonal - marcado principalmente
por 5 a 6 meses de deficiência hídrica - possui clima Subúmido ou
Omiclo que, no universo ambiental do tenitório brasileiro inserem-se como
os mais representativos de um vasto domínio de transição entre os domí-
nios úmidos e superúmidos das florestas p erenes ou subcaducifólias da
Amazônia e zonas litorâneas os domínios sem,i-áridos cobertos por for-
mações xerófilas das caatingas do Nordeste.
9 - A despeito de suas latitudes tropicais apenas 60% aproximada-
mente da Região é abrangida por Climas Megatérmicos. A presença de
vastos e elevados planaltos, a existência de territórios, que se estendem além
da linha do trópico e a freqüência relativamente grande de invasões de
massas de ar frio de migem polar nas suas zonas meddionais, resultam que
40%, aproximadamente na Região, possuem climas Mesotérmicos, embora
os mais extensivos destes pertençam a classes mesotermais próximas do
clima Megatérmico.

6- RESUMO

Nesta etapa do trabalho, objetivou-se obter urn quadro da distri-


buição espacial dos mais importantes parâmetros do balanço hídrico
sazonal da Região dos Cerrados, através do comportamento padrão, bem
como uma tipologia climática, fundamentada no balanço lúdrico.

119
O modelo de balanço hídrico e o de classificação climática aplicados
são de Thornthwaite & Mather, com introdução de alguns parâmetros
climáticos dos autores deste trabalho, emersos do próprio modelo original.
Não obstante suas latitudes intertropicais, essa Região possui uma
variação espacial de temperatura relativamente importante, motivada pela
vasta extensão latitudinal, p ela ação quantitativamente desigual de cor-
rentes de ar frio de origem polar e pela razoável irregularidade do relevo.
Em contrapartida, não obstante o semestre primavera-verão ser
caracterizado por valores térmicos mensais e máximas diárias muito ele-
vados em toda Região, e o inverno por alguns registras de mínimas muito
baixas, principalmente na sua zona centro-meridional, a oscilação sazonal
das temperaturas médias mensais em toda Região é de pouca significância.
Conseqüentemente, a eficiência térmica para o crescimento vegetativo
e a necessidade potencial de água permanecem em níveis altos durante
todo ano, principalmente no semestre primavera-verão. Razão pela qual
a maior parte da Região dos Cerrados possui clima Megatérmico, e so-
mente as áreas meridionais e de altitudes mais elevadas são Mesotérmicas
de caráter mais próximo ao Megatérmico.
O Cerrado é uma região de elevada precipitação pluviométrica, onde
predominam valores anuais médios entre 1 000 e 2 000 mm, porém muito
desigualmente distribuída ao longo do ano. Sua forte concentração no
verão - para a maior parte da região - ou no outono, torna essas estações
caracterizadas por grande excesso de água, intenso escoamento superficial
e enchentes dos rios, enquanto que o inverno - para a maior parte da
Região - e a primavera, são estações marcadas por profunda deficiência
hídrica, por solos secos, por descida dos lençóis de água e desativação da
drenagem com forte declínio do runoff e, conseqüentemente, por vazante
dos rios.
Tais deficiências normais constituem o fator mais limitante sob o
ponto de vista bioecológico, e o principal responsável pelas severas res-
trições ao uso do solo pelas atividades agrícolas, com redução de seu
potencial forrageiro, impedimento para estender a esse p eríodo algumas
culturas anuais e, conseqüentemente, pelas limitações no aproveitamento
de mão-de-obra e maquinária agrícola. Razão pela qual - excetuadas
algumas poucas áreas onde se pratica a irrigação - a agricultura intensiva
fica restrita à estação úmida.
Ainda sob o ponto de vista agroclimatológico, e considerando a
ausência quase geral do uso de irrigação, outro fator climatológico nega-
tivo na Região dos Cerrados é o "veranico". Este imprevisto fenôm eno,
responsável por uma curta, mas intensa seca, induzida na estação chuvosa,
atinge a zona centro-meridional da Região, causando, em alguns anos,
notáveis prejuízos à lavoura. Contudo, independentemente dos normais
e altos índices de precipitação anual e das eventuais incidências de
"veranicos", a Região dos Cerrados, pelo seu balanço hídrico sazonal,
caracterizado por 5 a 6 meses de defici ência hídrica, possui em sua maior

120
parte clima Subúmído ou climas Úmidos, estes de menor grau de umi-
dade dentre os climas úmidos. No contexto geral da regionalização
ecológica do espaço geográfico brasileiro esses climas inserem-se como
representativos de um vasto domínio de transição entre os domínios úmidos
e superúmidos das florestas p erenes e subcaducifólias da Amazônia e
zonas litorâneas e os domínios de climas semi-áridos das formações xeró-
filas da Caatinga do Nordeste.

BIBLIOGRAFIA

1. GARRIDO, W. E. & ai. - O Clima da Região dos Cerrados em


relação à agricultura- Comunicado Técnico, 4:1 - 37. EMBRAPA,
1978 .

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according to a new classification. Geog. Rev., 21:613 - 35, Oct.
1931.

3. THORNTHWAITE, C. W. - An approach toward a rational clas-


sification of clímate. Geog. Rev., 38:55 - 94, Jan. 1948.
4. THOR THWAITE C. W . & MATHER, J. R. - The water balance
in Clímatology. Ceterton, New Jersey, 8( 1):1- 104, 1955.

5. THORNTHWAITE, C. W. & MATHER, J. R.- Instruction and tables


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T. & TOSI JR., J. A.- Forest Environments in Tropical Life Zones.
A Pilot Study. Ed. Pergamon Press - Oxford, New York, Toronto,
Sidney, Braunscheweig. 1971.

121
ANEXOS

1 - Tabelas e Gráficos
TABELA SÍ~JTESE: BAlANCO HÍDRICO DAS ESTACÕES METEOROlÓGICAS
SElECIONADAS - CAD. ElEITA: .100mm.
MARANHÃO

a) Coordenadas geográficas, altitude c período operacional.

COORDENADAS
ALTI-
..
PERIODO OPERACIONAL
ESTAÇÕES GEOGRÁFICAS TUDE
METEOROLÚGICAS Precipi tação Temperatura
SELECIONADAS
latitude !
longi -
tu de
(m)
Série I doNúmero
Anos
I Fonte Série IdeNúmero
Anos
I Fnnto

01 - Bacaba l 04• 14' 44•47" 40 1965-1978 14 SUOENE


02 - Balarada 03:)52' 44'10 ' 70 1965-1976 12 SUDEN E
03- Barra do Corda 05°30' 45•16' 081 1931-1960 30 INEMET 1931-1960 30 IN[MEl
04- Bom Jardim 03'35' 45•42' 70 1962-1974 13 SUDENE
05 - Ca101ina 07'20' 47•78' 183 1931-1960 30 INEMET 193i ~i 960 30 INEMET
OB - Catanhede 03•38' 44' 24' 20 1965-1978 14 SUDENE
07- Cem10 Josias 03•07' 45•38' 70 1962-1974 13 SUDENE
08- Caxias 04'52' 43'21' 077 1932-1 960 29 IN[MET 1932-1960 29 INEMET
09 - Gra1aú 05•48' 46•27' 154 1931-1960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET
l O-I mperatriz 05•32 ' 47•30 ' 039 1931-1958 28 INEMET 1931 -1958 28 JN EM ET
11- l eand/0 05•59' 44•54' 220 1965-1978 14 SUDENE
12- Pinhei10s 02•31 ' 45•05' 69 1965-197ij 14 SUDEN E
13 - São Bemo 02•41 ' 44•43 ' 011 1S31-1 960 30 IN EM ET 1931-1960 30 INEMET
14 - São Joaquim dos Me-
los 05•48 ' 44•44' 220 1965-1 977 13 SUDEN E
15 - São luis 02•32' 44•17' 032 1931 -1960 30 INEMET 19:l1-1960 30 INEM EI
16- Turioçu 01•43' 45•24' 018 1931-1960 30 INEMEf 1931-1960 30 INEMET

b) Balanço hídrico

BALANÇO HIDRICO
ESTACÕES
METEOROlÚGICAS Ternpe - Precipi - Excedent e Délicit
EP PEF ER
SELECIONADAS ratura taçlio -
(' C) (mm ) (mm ) (mm ) (mm ) (mm ) I meses (mm )
I meses

01- Ba caba l 27.7 ' 1 650.0 1 766.0 -116, 0 1 102.0 548,0 fcv{mar 664.0 jun/dez
02- Ba laiada 27.7 " 1 945.0 1 753,0 192.0 1 195.0 7~0.0 jan{ma r 558,0 jun /nov
03 - Barra do Corda 7.6.0 1 073.0 1 505.0 -432,0 914,0 159.0 fe;{abr 591,0 mar /dez
04- Dom Jardim 27, 9" 1 708,0 1 774.0 - 66,0 1 196.0 512,0 fevfmar 578.0 jun/dez
05 - Carolina 26,5 1 566.0 1 617.0 -51.0 1 113,0 453.0 de1{abr 504,0 mar/out
06 - Catanhede 2R.O' 1 857.0 1 778.0 79,0 1 169,0 688.0 jantmar 609.0 jun/dcz
07 - Centro Josi as 27.8 ' 1 8~8.0 1 764.0 124.0 1 278,0 610,0 fev{mar 486.0 jun/dez
08- Caxias 26.9 1 259,0 1 672,0 -383.0 938.0 351,0 frv{aur 734.0 ma r/dez
09- Grajaú 25.8 1 322.0 1 516,0 - 194,0 1 051. 0 271.0 fev{aur 465 ,0 ma r/oul
1O- Imperatriz 25,4 1 63 1. 0 1 44 1.0 190.0 1 076,0 555,0 jan{ahr 365.0 mar/out
11- l eandro 26,5 " 1 046.0 1 616,0 -570,0 995,0 51.0 mdl/abr 621.0 mar/dez
12- Pinheiros 28.1" 1 869.0 1 794.0 75,0 1 238,0 631.0 lcvtjul 556,0 ago/dei
13- São Bento 26.4 1 774.0 1 534,0 140,0 1 127.0 647,0 fev{jun 507,0 jul/dez
14 - São Joaquim dos Me-
los 26.5" 1 146.0 1 616.0 -470,0 1 035.0 111,0 marjabr 5B1 .0 mar /dez
15- São luis 26.7 1 954.0 1 645,0 309.0 1 128.0 826. 0 fevfj un 517,0 jul/dez
16- Turiaçu 26.7 2 177.7 1 653,0 525.0 1 203,0 975,0 levJjul 4~0.0 ago/jan

· valores de ten1pcraturas estimados segundo ~:qu:Jr.5o rl e regra!:são múltipla .

121
BACABAL - MA BALAIADA - MA BARRA DO CORDA - MA

600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm


PAEC. , . 650 PREC. 1. 945 PREC. 1 073
EP. 1 . 766 EP. 1 . 753 EP. 1 .505
ER. 1 102 ER. 1 195 ER. 914
500 548 500 EXC . 750 500 FXC . 159
EXC .
DEF. SS4 OEF. 558 OE F. 59 1
lm 6,47 lm 23.69 lm - 13 ,00
400 LAT. 3°52'$ 400 LAT. 5°30'5
LONG. 44o10'W LONG. 45°16'W
ALT 70m ALT. 01 m
300 300

200 200

100 100

o
F M A .. J
o

BOM JARDIM - MA CAROLINA - MA CATANHEDE - MA


CAD 100 mm CAD 100 mm
600 CAD. 100 mm
PREC 1 708 PREC . 1. 566
EP. 1 774 PREC. 1. 857
EP 1. 617 EP. 1 778
ER . 1 196 ER. 1. 113
500 EXC 512 ER. 1 169
EXC. 453 EXC. GGS
DEF 578 DEF. 504
9.31 OEF. 6Q9
lm lm 9,31 18 , 14
lm
LAT. 7°20'$ LAT. JCJ.S'S
LONG. 47iJ28 v LONG . 44°24VI
ALT. 183m ALT. 20 m

J F .. A
" J J A s o N o
o
J F . "'
A J

CENTRO JOSIAS - MA CAXIAS- MA GRAJAO- MA


mm
CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mrn 60 0 CAD. TOO mm
PAEC 1 aos PAEC. 1 289 PREC. 1 322
EP. 1.764 EP. 1 672 EP. 1 516
ER. 1.278 ER . 938 ER. 1 .051
61 0 500 EXC. 35 1 500 271
EXC EXC.
DEF 486 DEF. -;'34 DEF. 465
lm 18,05 1m - 5.35 lm -0, 53
3°07'5 400 LAT. 4°52'$ 400
LAT.
LONO . 45° 38'\V 351 LONG 43°21 '\V
ALT. 70 m ALT 77m 271
300 300

200 200

IDO IDO

o
o
J F .. • "' J J A s o N o
PREC IPITAÇÃO
EVAPOTRANSPIRAÇÃO POTENCIAL
~ REPOSIÇÃO OE ÁGUA NO SOLO o- RETIRADA OE ÁGUA NO so..o

EVAPOTRANSPlAAÇÃO RfA L
[[]]] Of.FJCIÉNCIA HÍDR ICA •:•:•:1 EXCEDENTE H(ORlCO
IMPEAATniZ - M~

6 00 CAO 100 trm


PREC r"~1

EP I 4'1
500 EA I Q-:'6
EXC 555
OE r

<00
lm '"'
23.3:'

LAT 5~32 s
lONG. J7 0 JQ' ,'J
ALT 39m

J
' .. • "' J J A s o N o
LEANDRO - MA PINH EIRO - MA SÃO BENTO - M A

6 00 60 0 CAO tOO mm
60 0 CAD 100 m m
CAD 100 mm
PRE C 1 0.t6 PREC 1 669 PAEC I 77.1
(P ; 61 6 EP I i!l.t EP I 6 34
50 0 IR 995 50 0 EA , na 500 EA I 127
G<7
I XC
OEF
-
.,.
51

19. 90
EXC
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lm 1 6,58
631
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EXC
OE ~ 507
2C: .~
400 ''" < 00 631 <00 647
tAT 5°59 s ! LA T í' :lt·S
I
LONG 44 o5 4 'W LO NG 45"05 ...,
ALT 220m ALT 60 m
30 0

20 0 lOO ~~ 2 00

100 100

o
J F .. A
" J J A s o N o FMAIIICJJASONO J FMt.f\4 JJ AS O N0

SAO JOAQU IM DOS MELOS - MA SAO LUIS - MA TURI AÇU- MA

60 0 CAO 100 mm
600 CAD 100 rnm CAD 100 mm
PREC I 95 4 PHCC 2 176
PREC I 1-16
EP 1 6.1 5 EP 1 653
EP I 6 16 ER I 128 I 203
500 50 0 ER
ER 1 305
EXC 826 EXC 97>
EXC 111 026 975
OEF 517 DH '50
OEF 581 Jt , Jõ lm .t: 2 , b5
- 14, 70 400 '"'
LAT 2~32'S LAT 1°43'S
5°46'5
'"
LONG
ALT
44° 44 'W
220 m lO()
LONG
ALT
J 4" 1i" W
32 m
LONG.
ALT
4 5°2 -1 ~.'/
i8 r.1

200

100 10 0

o L-.-~-.-.-..-.-~~~­
J f"U A ~; J J A 30N0 .JF,..,AMJJAS O ND J F M A
TABELA SINTESE: BALANÇO HIDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONADAS - CAD. ELEITA: 1OOmm.
MARANHÃO

c) lndices climáticos e tipologia climática .

ESTAÇÕES INDICES CLIMÁTICOS


METEOROLÓGICAS TIPOLOGIA
SELECIONADAS CETv CLIMÁTICA
Ih la lm ET (%)

01- Bacabal 31.03 37.60 8.47 1 766.00 24.35 C,s,A' oa'


02- Balaiada 42.78 31.83 23.69 1 753.00 24.13 B11A' 5a'
03- Barra do Corde 10.56 39.27 - 13.00 1 505.00 75.51 C1wA' 1a'
04 - Bom Jardim 28.R6 32.58 9,31 1 774.00 23.84 C2sA·h,.
05- Caro! ina 28.01 31 .17 9.31 1 617.00 23.62 c,wA'·,a·
06- Catanhede 38.70 34.25 18.14 1 778.00 24.35 C2s.A' 5a'
07- Centro Josias 34.5R 27.!í5 18.05 1 764.00 23.87 C,sA'sa'
08- Caxias 20.99 43.90 - 6.35 1 672.00 25,24 C1w2A' 4a'
09- Grajaú 17.88 30.67 - 0,53 1 516,00 24.54 C1wA'aa'
1O- Imperatriz 38.51 25,33 23,32 1 441.00 24,50 B1wA' 1a'
11- Lo.andro 3.16 3R,43 -19,90 1 616.00 25.06 C1d.A' ,a·
12- Pinheiros 35.17 30, 99 16,58 1 794,00 23.97 C2sA' 5a'
13-SãoBanto 39,60 31,03 20.93 1 634,00 25.09 B1sA' 4a'
14- São Joaquim dos Meios 6.87 35.95 -14.70 1 616.00 25.06 C 1 d 2A·,~·
15- São luis 50.21 31.43 31.36 1 645.00 2!í.11 8,sA' ,a
16- Turiaçu 58,98 27,22 42,65 1 653.00 25,50 B,sA' ,a·

TABELA SINTESE: BALANCO HIDRICO DAS ESTACÕES METEOROLÓGICAS


SELECIONADAS - CAD. ELEITA : .100mm.
PIA UI

a) Coordenadas geográficas, altitude e período operacional.

COORDENADAS PERIODO OPERACIONAL


GEOGRAFICAS ALTI-
ESTACÔES TUOE
METEOROLÓGICAS Precipitaçáo Temperatura
SELECIONADAS
latituda l longi-
tudo
(m)
Série I Númoro
de Anos
I Fonto Série I Número
de Anos
I Fonte

01-Amarantc 06•15' 42'51' 072 1931-1970 40 ONOCS


02- Barras 04•15' 42•18' 075 1931-1970 40 ONOCS
03- Campo Maior 04•49' 42•11' 125 1931-1970 40 ONOCS
04 - Castelo do Piaul 05•20' 41•34' 250 1931 -1970 40 ONOCS
05 - Floriano 06•46' 43•01 ' 140 1931-1970 40 ONOCS
OS- Jaicós 07•22' 41•08' 255 1931 -1 970 40 DNOCS
07- José do Freitas 04•45' 42'35' 130 1931-1960 30 DNOCS
08 - luis Correia 02•53' 41 •40' 010 1931-1970 40 DNOCS
09-0eiras 07•01' 42•08' 170 1931 -1970 40 ONOCS
1O- Paulistana 08•08' 41•09' 350 1931-1970 40 ONOCS
11-Pedro 11 04•25' 41•28' 580 1931-1970 40 DNOCS
12 -Picos 07•05' 41•28' 195 1931-1970 40 DNOCS
13- Pio IX 06•50' 40•37' 550 1931-1970 40 ONOCS
14 - Piracuruca 03•56' 41•43' 070 1931 -1970 40 ONOCS
15- Piripíri 04•17' 41•47' 160 1931-1960 30 ONOCS
16-Porto 03•54' 42'43' 032 1931 -1 970 40 DNOCS
17- São João do Piauí 09•22' 42•15' 244 1931 -1970 40 ONOCS
18- São Raimundo Ncna-
to 09•01' 42•41 ' 386 1931-1970 40 DNOCS
19- Simpllcio Mendes 07•51' 41•55' 319 1931-1970 40 ONOCS
20- Teresina 05•05' 42•49' 079 1931 -1 970 40 INEMET 1931 -1960 ·3-Ó INEMET
21-Unilo 04•35' 42•52' 050 1931-1970 40 ONOCS
22- Valança do Pi< uí 06•24' 41'45' 295 1931 -1970 40 DNOCS

127
TABELA SÍNTESE: BALANÇO HÍDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONADAS - CAD. ELEITA: 1OOmm.
PIAUÍ

b) Balanço hídrico

BALANÇO HlO RICO


ESTAÇQES
METEOAOLOGICAS Precipi- EP PEF EA Excedente Déficit
Tempe·
SELECIONADAS taç ão
ratura
(' C) (mm) (mm ) (mm ) (mm ) (mm ) I meses (mm )
I meses

01-Amarante 26.7" 1 283.0 1 658.0 -375.0 1 018.0 2ü5.0 lev/abr 640.0 mar /dez
02- Barras 27.3 1 459.0 1 724.0 - 265.0 1 005.0 454.0 lev/maio 719.0 jun/dez
03- Campo Maior 27.0 " 1 272.0 1 698.0 -426.0 953.0 319,0 lev/abr 745,0 maio/dez
04- Castelo do Pia ui 26.1" 1 035,0 1 570.0 -535.0 803.0 232.0 mar/abr 767,0 maio/dez
05- floriano 26.8 " 874.0 1 663,0 - 789,0 874.0 0.0 n9.o abr/jan
06- Jaicós 25,6 . 616.0 1 501.0 -885,0 616.0 0,0 835.0 abr/jan
07- José de Freitas 27,0 " 1 403.0 1 698,0 -295.0 964. 0 439,0 lev/abr 734,0 ma io/dez
08- Luís Correia 28.0 " 1 186.0 1 776.0 -590.0 903.0 283,0 mar/maio 873,0 jun/Jan
09- Oeiras 26.0 " 831 .O 1 5~0.0 -709.0 831 ,O 0.0 709,0 abr/dez
1O- Paulistana 24,8 " 504,0 1 358.0 -854.0 504,0 0,0 864,0 abr/fev
11-Pedro 11 25.0 " 1 043,0 1 392,0 -349,0 724,0 319.0 fevi;br 668.0 maio/dez
12 - Picos 25,8 " 628.0 1 500.0 -872.0 628.0 0,0 872.0 abr/jan
13- PioiX 24,4 . 659,0 1 296.0 - 637.0 659,0 0.0 637,0 maio/jan
14 - Piracuruca 27,4 . 1 459,0 1 751,0 -292.0 1 023.0 436,0 lev/abr 728,0 jun/dcz
15 -Piripiri 26.e · 1 303.0 1 667.0 -364,0 966.0 337,0 fev/abr 701,0 jun/dez
16- Porto 27,7" 1 616.0 1 759,0 -143.0 1 054.0 557.0 fev/maio 705.0 jun/dez
17- São João do Piauí 25,4 . 674,0 1 463,0 -789,0 674.0 o. o 789,0 abr/jan
18- São Raimundo Nona ·
to 24.5. 645.0 1 336.0 -691.0 645.0 0.0 691 .0 abr/jao
19- Simpllcio Mendes 25.3 " 677,0 1 430,0 -753.0 677.0 0,0 753.0 abr/jao
20- Teresina 27,4 . 1 281.0 1 735.0 - 454.0 975.0 306,0 jan/mar 760,0 maio/dez
21- Uniãa 27.4 . 1 290,0 1 732,0 -442,0 981,0 309.0 lev/abr 751,0 maio/dez
22- Valença do Piauf 25.7" 912,0 1 496,0 -584,0 815,0 97,0 mar/ abr 681,0 maio/de!

·valores de temperaturas estimados segundo equ~ção de regrmão múltipla .

c ) Índices climáticos e tipologia climática.

ESTACÕES INDICES CLIMÁTICOS


TIPOLOGIA
METEOAOlliGI CAS CLIMÁTICA
SELECIONADAS Ih la lm ET CETv
(%)

01- Amarante 15.98 38,60 - 7.18 1 658.00 25,69 C1w A' 4a'
02- Oans 26,33 41 .71 1.31 1 724.00 24.94 C2s2 /\' 5a'
03 - Ca;. po Maior 18.79 ~3 . 88 - 7,54 1 598,00 24.56 C1w A'-1a'
04- Castelo do ?iauí 14.78 48,85 -14.54 1 570.00 25.28 C1·N A'.ta'
05- flcriano 0.00 47.44 -28.47 1 663,00 20,69 O d1A' 4a'
06-Jcicós 0,00 58.96 -35.38 1 501.00 27,38 O d1A' 4a'
07- José de rrei tas 25,85 43,23 - 0.08 1 698.00 24,56 C1w2A'4a'
08 - l. uls Correia 15.93 49.1 6 -13.56 1 776.00 24.21 c.w A'oa'
09-0eiras 0,00 46.04 -77.62 1 540,00 26,49 [ d1A' 3a'
1O- Paulistana 0.00 67.69 -37,73 1 359.00 26.58 C d1A'2 a'
11- Pedro 11 22.92 47.99 - 5,88 1 392.00 23.85 c,w2A'2a'
12-Picos 0,00 58.13 -34,88 1 500,00 26.73 O d1A' 3a'
13-PioiX 0.00 49.15 -2H.49 1 296,00 25.15 O d1A' 2a'
14 -Pirac uru ca 24,90 41, 58 - 0.05 1 751.00 24.56 C1w2A'óa'
15- Piri pirr 20,22 42.05 - 5,01 1 667.00 25.01 C1w2A' 4r1'
16-Porto 31.95 40.08 7.90 1 759,00 24.05 C2s2A' 5a'
17- S~o João do Piaur 0.00 53.93 -32,36 1 46ê.OO 27.3·1 n dtl\'aa'
18- São Raimundo Nona ro 0.00 51.72 -31,03 1 336,00 26,80 D d1A' 2 a'
19- Simplicio Mendes 0,00 52,66 -31,F9 1 430.00 26.08 D d1A' 3?.'
20- Teresine 17.64 43.90 - 8,65 1 735.00 24.78 C1w A' 6a'
21- União 17.04 43,36 - 8,18 1 732.00 24.83 C1w A'5a'
Z2- Valença do Piauí 6.48 45.52 -70,83 1 496,00 25,40 D d2A'aa'

128
BARRAS- PI mm CAMPO MAIOR - PI
AMARA NTE - PI
mm
CAD. 100 600 C AD. 100 mm eoo CAD. 100 mm
PAEC 1 283 PREC. 1 459 PAEC. 1.272
EP. 1 658 EP I 724 EP. 1.698
ER 1 018 ~00 E R. 1.005 eoo ER. 953
EXC 265 EXC <5• exc. 319
OEF 640 OEF 719 DEF. 745
1m - 7 18 1m 1 31 1m 7. 54
400 400
LAT 6°15'5 LAT 4°1 5'5
LONG 51 VI
ALT ' 72 m
3 00
LONG.
ALT
42° 18VI
75m

zoo

100

• ..
o
F M J
• s o N o
CASTELO DO PIAUI - PI FLORIANO - PI JAICoS - PI
60 0 CAO 100 mm 600 CAD 100 mm 600 CAD. 100 mm
PREC. 1 035 PAEC 874 PAEC. 81&
EP 1 570 EP 1 663 EP. 1 501
~o ER 803 ~o EA 874 ~o ER 618
EXC 232 EXC. o EXC o
OEF 767 OEF 769 DEF 885
1m - 14 54 1m - 2847 1m -35 38
400 40 0 4 00
LAT 5° 20'S LAT 6.:-465 LAT 1°22'S
LO~G 4 1~34'\V Lo·.o 4 3001 v LONG 410Q8'W'
AlT 250m ALT t.:om AlT. 225m
30 300 300

20

J F MAW JJAS OND

JOSé DE FREIT AS - PI LUIS CORREIA - PI mm OEIRAS- PI

600 60 0 CAD. 100 mm


CAD 100 mm CAD 100 mm
PREC 831
PAEC 1 403 PREC 1 :8(i
EP 1 S40
EP 1 698 EP 1 776
ER. 83t
ER 964 ~o EA 903 &:XC. O
EXC 439 EXC 283 OEF. 709
OEF 734 OEF 873 lm -2762
1m -o 08 1m -13 S6
400
LAT. 7001 '$
LAT 4°45'5 LONG. 4~8'W
LONG 42°35W ALT 170m
ALT 130m
300

200

100

J F WAWJ J A SONO
PAULISTANA - PI PEDRO SEGUNDO - PI PICOS- PI

600 CAD. tOO mm CAD. 100 mm


6 00 CAD. 100 mm

PAEC. 504 PAEC . 1 . 043 PREC. 628


EP. 1 . 358 EP. 1 .392 EP. 1.500
500 ER. 504 ER. 724 50 ER. 628
EXC. o EXC. 319 EXC . o
DEF. 854 ::>EF. 668 DEF . 872
lm - 37 73 lm -5 .88 lm ·- 34.89
400 400
LAT. aooa·s LAT. 4°25'S LAT. 7°05'5
LONG. .11 o09W LONG . 41°28W LONG . 41 °28'W
ALT.
319 ALT. 580 m ALT. ~95 m
350m
300 30 0

200
SIMPLICIO MENDES - PI
mm
GOO CAD. 100 mm
PREC. 677
EP. 1 . 430
500 ER. 677
exc o
OEF. 753
lm -31 59
400
LAT. 7° 51 '$
LONG. 41 ° 55'W
ALT. 319m
300

lO

TERESINA - PI mm UNIAO- PI VALENÇA DO PIAUI - PI


600 600 600 mm
CAD. 100 mm CAD. 100 mm CAD. 100
PREC. 1.28 1 PREC. 1. 290 PREC. 9 12
EP. 1 735 EP. 1, 732 EP. 1. 496
soo ER 975 !500 EA. 981 · soo EA. 815
EXC . 306 exc. 309 EXC. 97
DEF . 760 DEF. 751 OEF. 681
lm -8 65 lm - 8 . 18 lm -20 . 83
400 400 400
LAT 5005'5 LAT. 4°3S'S LAT: 6°24'$
LONG. 42°49W LONG. 42°52W LONG. -U 0 45W
ALT. 79 m ALT. 50 m ALT. , 295m
306 300 300
100

.JFMAMJJASONO JFNAMJJASONO JFMANJJASOND


TABELA SINTESE: BAlANÇO HÍDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROlÓGICAS
SElECIONADAS - CAD. ELEITA: 1OOmm.
GOlAS

a) Coord enadas geográficas, altitude e periodo operacional.

COORDENACAS PERIODO OPERACIO NAL


ALTI -
ESTAC ÕES GEOG RAF ICAS TUDE
METEOROlÓGICAS Precip itação Temperatura
SELE ClO NADAS
latitude I l ougi-
tu de
{m)
Série I Numero
L!o A!los
I Fonte Série INumero
de Anos
I Fonte

01 -Catalão 18•10' 47'58' 857 1931-1960 30 INEMET 1931 -1960 30 INEMET


02- Formosa 15•32' 47•18' 912 1931 -1960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET
03- Goiãnia 16•4 1' 49•17' 729 1941 -1960 20 INEMET 1941 -1960 20 INEMET
04- Goi!s 15•55' 50•08' 520 1911 -1942 32 INEMET 1911-1942 32 INEMET
05 - Luziânia 16•15' 47•56' 958 1931-1960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET
06- Paraná 12•34' 47•51' 271 1916-1942 27 INEMET 1916-1942 27 INEMET
07- Pirenópoli s 15•51' 48•58• 740 1931 -1957 27 INEMET 1931-1957 27 INEM ET
08- Porto Nacional 10•31' 48•43' 237 1931-1960 30 INEMET 1931 -1960 30 INEMET
09 - Santa Rita do Ara-
guaia 17'19' 53•12' 720 1923-1931 INEMET 1923-1931 INEMET
10- Taguaringa 12•1 6' 45•54' 660 1931-1960 30 INEM ET 1931-1960 30 INEMET
11- Tocantinópolis 06•19' 47•26' 131 1916-1942 27 INEMET 1916-1942 27 INEMET

b) Balanço hidrico

BALA NÇ O HIDRICO
ESTACÕ ES
METE ORO Ui GICAS Tempo- Precipi- EP PEF ER Excedento Délicit

I
SELEC IONAOAS ratura tação
(•C) {mm ) {mm ) {mm ) {mm ) {mm ) mesos (mm ) meses
I
01 -Catalão 21.4 1 667.0 1 028.0 639.0 856.0 811.0 nov/abr 172.0 maio/set
02- Formosa 21.3 1 559,5 1 016.0 544.0 809,0 751,0 nov/abr 207,0 maio/set
03- Goiânia 21.9 1 487,8 1 074.0 413.0 898,0 589.0 nov/abr 176.0 maio/set
04- Goi!s 23.6 1 785.7 1 182,0 604.0 942.0 844.0 nov/abr 240.0 maio/set
05-luziània 20.9 1 475.3 976.0 499.0 797.0 678.0 nov/abr 179.0 msio/set
06- Paraná 24.0 1 555.0 1 257.0 298.0 930.0 625.0 nov/mar 327.0 maio/out
07- Pirenópolis 21.9 1 695.0 1 060,0 635.0 866.0 829.0 nov/abr 194.0 maio/set
08- Porto Nacional 25,8 1 662.8 1 525.0 137,0 1 069.0 593.0 dez/abr 456,0 maio/out
09- Santa Rita do Ara·
guaia 21.3 1 799.4 1 042.0 757.0 981 .0 818.0 nov/abr 61.0 maio/set
1O- Taguatinga 24.1 1 671.0 1 251.0 420, 0 881.0 790.0 nov/abr 370.0 maio/out
11- Tocantinópolis 25.4 1 751.3 1 441 ,0 310.0 1 104.0 647.0 jan/abr 337.0 maio/out

132
CATALAO - GO FORMOSA- GO GOIANIA- GO
mm
600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm
PREC. 1.667 PREC. I 560 PREC. 1, 487
EP. 1. 028 EP 1. 016 EP. 1 .074
ER. 856 ~DO ER 809 ER. 898
!100 exc. 751 500
EXC. 8 11 EXC. 589
OEF. 172 OEF 201 OEF. 176
lm 68,85 lm 61,69 1m 45,01
4 00 400
~90 LAT. 16°41 'S
LAT.
LONG. LONG. 49° 17'W
ALT. ALT. 729 m
300 3 00
3~3

zoo 200

IDO IDO

o
o
J F N A .. J J A s o N o J F .. A U J J A s o N o
GOlAS - GO LUZIANIA - GO PARANA- GO
600 CAD 100 mm 60 0 CAD. 100 mm
600 CAD. 100 mm
PREC. 1. 475 PREC. 1 555
PREC. 1 . 786 EP. 1. 257
EP 1 182 EP 976 500
!100 ER 797 ER. 930
500 ER. 942 EXC. 625
EXC. 8« EXC . 678
OEF 179 OEF. 327
OEF. 240 lm 34 . 11
lm 59,22 lm 58.46 400
400 400
LAT . LAT. 12°34'5
~78 LAT. 1soss·s LONG. 47°5 1'W
LONG. 50°08W LONG. ALT. 271m
ALT 520m ALT. 300
300

200 zoo
zoo
IDO
IDO

o o
J F 11 A M J J A s o N o J F 11 A 11 J J A s o N o

PIREN6POLIS - GO PORTO NACIONAL - GO SAN TA RITA 00 ARAGUAIA - GO


600 CAD. tOO mm 6 00 CAD. 100 mm
600 CAD. 100 mm
PAEC. I 662 PAEC. 1. 799
PREC. 1 695 EP. 1 525 EP. 1 042
(P. I 060 ER. 1 .059 ~D O ER. 981
~ DO ER. 866 EXC. 593 EXC. 818
exc 629 DEF. 456 DEF. 61
OEF. 194 lm 20.94 lm 74 99
lm 67 23 400
400 LAT. 10°31'5 LAT. 17019'5
LONG. 48°43'W LONG. 53°12W
ALT. 237m 603 ALT. 120m
300

zoo

ID O
IDO

o o
o
J F 11 A 11 J J A s o N D
J F 11 A .. J J A s o N o J F 11 A .. J J A s O N o
TAGUATINGA - GO TOCANTINOPOLIS - GO
600 CAD 100 mm 6 00 CAD 100 mm
PREC 1 6;'1 PREC 175 1
EP 1 251 EP 1 380
500 ER 681 5 00 ER 1 09 1
EXC 790 EXC . 660
OEF 370 OEF 289
1m 45 40 1m 35 26
4 00 400
270
647
3 00 300

200 200

100 100

o o
J F .. ..
A J J A s o N o J F 11 A .. J J A s o N o
TABELA SINTESE: BALANÇO HIDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONADAS - CAD. ELEITA: 100mm.

GOlAS

c ) lndices climáticos e tipologia climática.

ESTAÇQES [NO ICES CLIMÁTICOS


METEOROLOGICAS TIPOLOGIA
SELECIONADAS CETv CLIMÁTICA
Ih la lm ET (%)

01 -Catalão 78.89 16.63 68.85 1


028.00 28.89 B3wB' 4a'
02- Formosa 73,92 20.37 61.69 1
016.00 28.05 Baw8'4a'
03- Goi,nia 54.84 16.39 45.01 1
074.00 29.33 82r28'4a'
04-Goiás 71.40 20.30 59.22 1
182.00 27.16 B2wA' 1a'
05 - Luzi ània 69.47 18.34 58.46 976.00 29.20 B2wB'aa'
06- Paranã 49.72 26.01 34.11 1 257.00 24.26 B1wA' 1a'
07 - Piranópolis 78.21 18.30 67.23 1 060.00 27.74 Baw8'4a'
08 - Pono Nacional 38.89 29.90 20.94 1 525,00 23.67 81wA'3a'
09- Santa Rita do Araguaia 78.50 5.85 74.99 1 042.00 30.90 B3r28'4a'
10- Taguatinga 63.15 29,58 45.40 1 251.00 24.62 B2wA' 1a'
11 - Tocantinópolis 44,90 23,39 30.87 1 441.00 24.50 B1wA'3a,

TAB ELA SINTESE: BALANÇO HIDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS


SELECIONADAS - CAD. ELEITA : 100mm.

MATO GROSSO DO SUL

a) Coordenadas geográficas, alt itude e período operacional.

COORDENADAS PERIODO OPERACIONAL


GEOGRÁFICAS ALTI-
fSTACÕES TUDE
METEO ROLÓGICAS Precipitação Temperatura
SELECIONAOAS
Latitude I Longi-
tuds
(m)
Série I Número
de Anos
I Fento Série I Número
de Anos
I Fonto

01 - Aquidauana 20•28' 65•48' 152 1931-1960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET


02- Bela Vista 22'06' 56•22' 160 1915-1935 21 INEM ET 1923-1935 13 INEMET
03- Bodoquana 19•51' 56• 58' 80 1954-1976 23 PP
04- Campo Alio 19•05' 56•06' 79 1961 -1976 16 PP
05- Campo Grande 20•27' 54•37' 566 1933-1960 28 INEMET 1933-1960 'i à INEMET
06- Corumbá 19•00' 57•39' 139 1931-1960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET
07- Coxim 18•26' 54'46' 259 1966-1976 11 ONOCS 1923-1936 14 INEMET
08 - Entra Rios 19•36' 56•28' 100 1959-1976 18 PP
09- Guaicurus 20•05' 56•42' 118 1931-1976 46 PP
10- Jaraguá 20•28' 54•45' 550 1963-1976 14 PP
11- Miranda 20°17' 56•24' 108 1965-1976 12 ONOS
12 - Poma Porã 22•32' 55'37' 650 1941-1976 36 INEMET
13- Pono Muninho 21°42 ' 57'52' 71 1966-1972 7 CFB
14 - Rochedo 19•57' 54'52' 365 1965-1976 12 ONOCS
15 -Três Lagoas 20•47' 51'42' 31 3 1931-1960 30 INEMET 193i ~i 960 30 INEMET

135
TABELA SINTESE: BALANÇO Hi DRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECI ONA DAS - CAD. ELEITA : 1OOmm.

MATO GROSSO DO SUL

b) Balanço hídrico

BALANÇO HÍDRICO
ESTACÕ ES
METEDROtóGICAS Tem- Preci- Excedente Défic it
SELEC IO NADAS pera- pita- EP PEF ER
tu ra
(•C)
ção
(mm) (mm) (mm ) (mm ) (mm ) I meses (mm) I meses

01 - Aquidauana 24,0 1 468.0 1 302.0 166,0 1 273,0 195,0 jan/maio 29.0 jul/set, nov
02- Bela Vista 22.6 1 336,0 1 151,0 185,0 1 147,0 189.0 novjlev, maio, jun 4.0 ago/set
03- Bodoquena 24.4 . 1 102.0 1 336,0 -234,0 1 102,0 0.0 234,0 mar/nov
04 - Campo Alto 24.4 . 1 035.0 1 335.0 -300.0 1 035.0 0.0 300.0 mar/nov
05- Campo Grande 22,4 1 444.0 1 098.0 346, 0 1 066.0 378.0 novjjun 32.0 jul/ago
06- Corumbá 25,1 1 063.0 1 424.0 -361,0 1 063,0 0.0 361 ,0 mar/dez
07- Coxim 23.6 1 280,0 1 230,0 50.0 1 113.0 167,0 dez/lev 117,0 mer/set
08- Entre Rios 24.3 ' 1 093.0 1 320.0 -227,0 1 093.0 0.0 227.0 marjnov
09-Guaicurus 23,9 ' 1 355,0 1 280,0 75,0 1 201 .0 154,0 janjmaio 79.0 jun/out
10- Jaraguá 21,8 ' 1 420.0 1 066.0 35 4.0 1 045.0 375, 0 nov/mar. ma io 21 .0 abr, jul/set
11-Mir~nda 24.0 . 1 203,0 1 283,0 - 80.0 1 155,0 48,0 jan/lev 128,0 mar. abr, jun/set
12 - Ponta Porã 20.9 ' 1 684.0 1 005,0 679.0 1 005.0 679.0 set/j ul 0.0
13- Porto Murtinho 24.0 ' 1 023.0 1 274.0 -251,0 1 07.3.0 0.0 251.0 maio/lev
14- Rochedo 22.9 ' 1 383,0 1 133.0 250,0 1 099,0 284,0 nov/mar, maio 34.0 abr, juljset
15- Três lagoas 23.1 1 305. 0 1 207,0 98.0 1 139.0 166,0 jan/ mar. maio 68,0 jui/OUt

' Valores de temperaturas estimados segundo equação de regressão múltipla.

c) lndices climáti cos e tipologi a climática.

INDIC ES CLIMÁTI COS


ESTAÇÕ ES TIPO LOGI A
METEOnOLOGICAS CETv CLIMÁTI CA
SELECI ONADAS Ih la lm ET (%)

O1 - Aquidauana 14,98 2,23 13.64 302,00 34.10 C2r2A'2a'


02 - Bela VISta 16,42 0, 35 16,21 151,00 35,97 C2rzA' 1a'
03- Bodoquena 0.00 17,51 -1 0,51 336. 00 31. 34 C1d1A'z'a'
04 - Campo Alto 0.00 22. 47 - 13,48 1 335,00 31,67 C1d1A'2a'
05- Campo Grande 34.43 2.91 32,68 1 098,00 32,15 B1rz8' 4a'
06- Corumbá 0,00 25,35 -15.21 1 424.00 32.23 C,drA'z'a'
07 -Coxim 13,58 9,51 7,87 1 230,00 33.41 Czr2A' 1a'
08 - Entre Rios 0,00 17.20 - 10.32 1 320.00 32.12 C1d1A' 2a'
09 - Guaicurus 12,03 6, 17 8,33 1 280,00 33,1 3 CzrzA'1a'
1O- Jaraguá 35,18 1.97 34, 00 1 066.00 31.52 Btrz8' 4 a'
11- Miranda 3.74 9,98 - 2.24 1 283,00 33.05 C1d2A'2 a'
12- Ponta Porá 67,56 0,00 67,56 1 005.00 37..94 B3r18' 4a'
13- Porto Muninho 0,00 19.70 - 11,82 1 284,00 35,52 C1d1A' 1a'
14- Rochedo 25,0 7 3.00 23,27 1 133,00 31, 33 81r28'1 a'
15 - Três lagoas 13.75 5,63 10,37 1 207.00 35.21 Czr~A' ta '

136
AOUIDAUANA - MS mm BELA VISTA - MS BOCOQUENA - MS
&00 600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm
CAD. 100 mm
PREC ,
(,(336 PAEC. 1 . 102
PA EC. 1. 468
EP. EP. 1 . 336
1 ' 151
500 EP. 1. 302 ER. 1 . 147 500 ER . 1.102
ER. 500
1 . 273
195 EXC. 189 EXC. o
EXC. DEF . 234
DEF.
OEF. 4
29 16 . 21 lm 10 . 51
lm .13 . 6-4 lm
400 400 400
LAT. 22°06'5 LAT. 19°51 '5
LAT. 20°28'5
LONG. 56°22'W LONG . saosaw
LONG. 55°48'W
ALT. 160m ALT. 80m
300 ALTM 152m
300 30 0
7
2~ 11~ 50 ~
200 200 2 00

100 100 IDO

o
J F .. ..
A J J A o N o
o
J F . ..
A J J A s o N o
o
J F . A .. J J A s o N o

CAMPO ALTO - MS CAMPO GRANDE - MS CORUMBA - MS


600 600 600
CAD. 100 mm. CAD. 100 mm CAD 100 mm
PREC. 1 . 035 PREC . 1 . 4d4 PAEC . 1.063
EP. 1 . 335 EP. 1 . 098 EP. 1 . 424
500 ER. 1 .035 500 ER. 1 . 066 500
ER 1. 063
EXC .. o EXC. 078 EXC. o
OEF. 300 OEF. 32 OEF. 361
lm 13 . 46 lm 32 . 68 lm -1 5 . 21
400 400 400
LAT . 19°05'5 LAT. LAT. 19°00'5
LONG. 56°06W LONG. LONG. 57°29'W
ALT. 79 m ALT. 300 ALT. 139m
300 300

.v
275
33 361
17 24 200
200 200

ID O IDO IDO

o o
o
J F .. .
A J J A s o N o J 'F .. ..
A J J A s o N o J F . . A J J A s o N o
. COXIM- MS ENTRE RIOS - MS GUAICURUS - MS
mm
600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm
PREC. 1 . 2SO PAEC. 1. 093 PREC . 1. 355
EP. 1 . 230 EP. 1 . 320 EP. 1. 280
soo ER . 1 . 113 500 ER. 1. 093 500 ER . 1. 201
EXC. 167 EXC. o EXC. 154
OEF . 117 DEF . 227 DEF. 79
lm 7 ,87 lm 10 . 32 lm 8 . 33
400 ~o 4 00
LAT. 16°26'$ LAT . 19°36'5 LAT. 20°05'5
LONG . 54°4S'W LONG. 56° 28'W LONG . 56° 42'W
ALT. 259m ALT. 100m ALT. 116m
30 0 300 30 0 -
" 4
36
200 200 zoo

100 IDO 100

o
J F . .
A J J A s o H o
o
J F . ..
A J J A s o H o
:-j
JARAGU A - MS MIRANDA - MS PONTA PORA - MS

600 CAD 100 mm 600 CAD. 100 mm


CAD. ~DO mm
PREC . 1 42J PREC . I 20G PREC. 1 . G84
EP. 1 066 EP. 1 . 28:1 EP. 1.005
soo - ER. ; . 045 ER . 1 . 155 500 ER. 1.005
EXC . 375 EXC . 48 EXC . 679
DEF. OEF. 128 OEF. o
lm 34 . 00 lm -2 . 24 lm 67.56
40 0 40 0
:...AT
4 00 2()0 17'5 22' 32'.3
::0:"28'S LAT. t..AT.
10 .-..:G 5.:. 0 4 6'',1',' L O I~ G . 56 °2~'W LONG . 55"3i'W
At.T 550 m ALT. 106 m ALT. 650 m
~00 300 300 -

20 0
r· 14 1
I
200
48 20 0
41 0
I
Z69
II

100 100 100

o
o D
J F .. .. A J J A s o N D J F .. .
A J J A
• D N D

PORTO MURTIN HO - MS
ROC HEDO - r~s TR ~ S LAGOAS - MS
600 ': t1D roo mrr. 6 00 600
CAD 100 rr. m CAD. 100 mm
f'nC G. 1 .023 1 383 PREC . 1. 305
PREC .
E P. 1 274 1 . 207
[R EP . 1 131 EP.
I 0 23 00 0 :)00 EA. 1 . 139
500 ER . 1. 099
EXC. o EXC. 284 EXC. 166
OEF . 25 1 DEF. 68
l;n .• 1! . 82 DE F . 3'
lm 23 . 27 lm 10. 37
40 0 400 4 00
-A T. ~1 °42 'S
LAT. 19057'5 LAT. 20°47'5
; _ Q ~JG . 57°52 ..-"J LONG. 51 ° 4 2'~...-
i..ONG . 54 °52"#
A•. T. :': m 365 m ALT. 3 13m
ALT.
300 300 3 00 16
187

200 - 2 00 20 0

100 100 10 0

o
J F . .
A J J A s o N D
o
J F 11 A . J J A s o
" D
o
F .. .
A J J
• s o N o
TABELA SINTESE : BALANÇO HIORICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONADAS - CAD. ELEITA : 100mm.

MATO GROSSO

a) Coordenadas geográficas, altitude e período operacional.

CO OR DE NADAS PER IODO OPERACIONA L


ESTAÇQ ES GEOGflÃFICAS ALTI-
METEOROLOGICAS Prccipit•ç5o Tempe rAtura
TliDE
SELE CIO NADAS
Latotu
. do I Longi-
tudo
(m) Série I Número
de Anos
I Fonte Série IdeNú mero
Anos
I Fonte
01 - Cãccres 16•03' 57•41' 117 1931-1960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET
02- Colónia Merure 15•55' 53•05' 420 1930-1976 47 INEMET
03- Coxipó da Ponte 15•38' 56•03' 150 1922-1966 45 INEMET 192ii-i 935 8 INEMET
04- Cuiabá 15•36' 56•06' 172 1931 -1 960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET
05- Diamantino 14•24' 56•27' 258 1932-1976 45 INEMET 1932-1941 10 INEMET
06 - ltiquira 17•12' 54•08' 520 1965-1976 12 DNAEE
D7- Mato Grosso 15•00' 59•57' 257 1966 1976 11 DNPVN 19Ú.i931 9 INEMET
06- Merure 15•43' 51•44' 416 1931-1960 3D INEMET 1931-1960 30 INEMET
09- Porto Esperidião 15•51 ' 58•27' 150 1966-1976 11 DNPVN
1O- Presidente Murtinho 15•38' 53•55' 552 1931-1960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET
11 - Rondonópolis 16•28' 54'38' 201 1965-1976 12 DNAEE
12 - Rosário Oeste 14•55' 56•23' 174 1943-1976 25 INEMET
13- São Jerónimo 17•10' 55•59' 112 1964-1976 13 DNOCS
14 - Taquari 17•49' 53•16' 863 1964-1976 13 DNAEE
15- Uberaba 17•14' 57•47' 90 1967-1976 10 DNOCS
16-Utiariti 13•02' 58•16' 385 1929-1942 14 INEMET 1929-1942 14 lrJÉMET

b) Balanço hidrico

BALANÇO HIDRICO
ESTAÇÕES
Excedente Déficit
METEORO LÕGICAS
SELECIONADAS
Tempo·
ratura
Precipi·
taç ão EP PEF ER I
('C) (mm) (mm) (mm ) (mm) (mm)
I meses
I (mm)
I meses

01 - Cáceres 25,1 1 240,0 1 433,0 -193,0 1 110.0 130,0 Jan/mar 323,0 abr/out
02- Colônia Merura 23,7" 1 550,0 1 204,0 346.0 993,0 557,0 nov/mar 211,0 maio/set
03- Coxipó da Ponta 24.9 1 332.0 1 397,0 - 65,0 1 153.0 179,0 jan/mar 224,0 maio/out
04- Cuiabá 25,6 1 375,0 1 495,0 -120,0 1 189,0 186,0 jan/mar 306,0 maio/out
05 - Diamantino 25,1 1 814,0 1 412,0 402,0 1 129,0 685,0 nov/abr 283,0 maio/set
06 - ltiquira 22,8' 1 279.0 1 113.0 166,0 973.0 306,0 dez/abr 140,0 maio/set
07- Ma•o Grosso 23.9 1 336,0 1 232.0 104,0 1 082,0 254,0 dez /mar 150.0 maio/out
08- Merure 23,2 1 570,0 1 142,0 428,0 967,0 603,0 nov/mar 175,0 maio/set
09- Porto Esperidião 25,4 . 1 270,0 1 465,0 -195,0 1 165,0 105,0 fev/mar 300,0 abr/set
10- Presidente Muninho 22.1 1 777,0 1 101.0 676,0 957.0 820.0 nov/ebr 144,0 maio/set
11 - Rondonópolis 24.5 ' 1 272.0 1 335,0 - 63,0 1 080, 0 192,0 dez/mar 255,0 abr/out
12- Rosário Oeste 25,3 ' 1 414,0 1 462.0 - 48,0 1 134,0 280,0 jen/abr 328,0 maio/out
13- São Jerónimo 24.7 ' 1 239,0 1 382.0 -143,0 1 097,0 142,0 Jan/fev 285,0 abr/out
14 - Taquari 21,2' 1 569,0 1 017,0 552,0 910,0 659,0 out/abr 107,0 jun /set
15- Uberaba 25,1' 1 019,0 1 434,0 -415,0 1 019,0 0,0 415.0 jan, mar/out
16-Utiariti 23,5 2 026.0 1 173,0 853,0 1 019,0 1 007,0 noviabr 154,0 maio/sat

' Valores de temperaturas estimados segundo equação de regressão múltipla.

139
TABELA SINTESE : BALANÇO HIDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONADAS - CAD . ELEITA : 100mm .

MATO GROSSO

c ) lnd ices climát icos e tipologia climática.

ESTACÕES lN OICES CLI MÁTICOS


METEOROLÓGICAS TIPO LOGIA
SELEC IO NADAS CETv CLIMÁTICI\
Ih la lm ET
1%1

01-Cáceres 9,07 22.54 - 4,45 433,00 30,57 C1d2A•,a•


02- Colónia Merure 46,26 17,52 35,75 204.00 29.15 B1wA' 18'
03- Coxipó da Ponte 12.61 17.47 2,33 1 397,00 29,92 C2wA'2a '
04- Cuiabá 12.44 20,47 0.16 I 495,00 29,30 C2wA' 8a'
05- Diama,tino 46,51 20,04 36,49 1 412.00 27,97 01wA' 2a•
06- ltiquira 27 ,49 12,56 19.95 1 113,00 29,74 Ctr'l8',1a'
07 - Mato Grosso 20,62 12.16 13,31 1 232,00 29,67 CzrzA'ta'
06- Mcrure 52,60 15,32 43,61 1 142.00 26,90 B2r2A• 1a•
09- Porto Esperidtão 7,17 20.46 - 5,12 1 465,00 29,01 C1d,A'aa'
1O- Presidente Muninho 74,48 13,06 66,63 1 101,00 29,16 B3r28' 4 a'
11 - Rondonópolis 14,38 19,1 o 2,9 2 1 335.00 29,89 C,wA•2 a•
12- Rosário Oeste 19,15 22.44 5,69 1 462.00 28.80 CzwA'aa'
13- São JerOmmo 10.27 20,62 - 2,10 1 382,00 30,39 C1wA'2a'
14- Taquafl 64,80 10,52 58,49 1 017,00 29,50 B!r28'4a'
15- Ub mba 0.0 28,94 -17.36 I 434,00 30,64 C1d 1 A'3:~'

16 - Utiarill 85,85 13,13 77.97 1 173,00 26,94 83r2A' 1a'

140
mm CACERES - MT COLÔNIA MEAUAE - MT COXIP6 DA PONTE - MT
600 CAD. 100 mm 800 600 CAD. 100 mm
CAD. 100 mm
PAEC. 1.2110 PAEC. 1. 5>0 PAEC. 1. 332
EP. 1 . 433 EP. 1. :.0. EP. 1 . 397
GOO
ER.
EXC
DEF
1m
1 . 110

- 4 45
130
323
500

40 0
ER.
EXC.
OEF.
1••
1103
587
211
.35,75
soo

400
ER.
EXC
DEF
lm
1 153

...
179

2. 33
400 LAT 16°03'S LAT. 15°36'$
LONG. 57°4 1'W LONG. S6°03'W
AL T 117 m ALT 150m
300 300 300
42 130 31 179

200 20 0

IDO 100

o
J F M A .. J J A s o N o
o
J F M A III J J A s o N o
CUIAB A - MT DIAMANTINO - MT ITIQUIRA - MT

soo CAD. 100 mm CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm


PAEC. I 375 PREC. 1.814 PREC. 1 279
EP. I 495 EP. 1 . .. 12 EP. 1 113
~00 ER. 1 189 ER . 1 . 129 ER. 973
500 308
EXC. 186 EXC. 685 EXC.
OE F 306 OEF. 283 OEF 140
lm 0,16 lm 3G, cv lm 19,36
400 400
LAT. 15°36'5 LAT. 17°1 2'5
LONG. 56'06"W LONG. 54008'V~
A LT. 172 m AL T • 20 m
300 1!16 300
259

200 200

100 IDO

o o o
F III A III J J • s o N o J F M A III J J
• s o N o J F M A M J J A s o 11 o

MATO GROSSO - MT MERUR[ - MT PORTO ESPERIDIAO - MT


600 600 600 CAD. 100 mm
CAD 100 mm CAD. 100 mm
PAEC. 1 336 PAEC. 1 . 570 PREC . 1 , 270
EP 1 232 EP. 1 . 142 EP. 1.485
600 ER. 1 082 500 ER. 967 ~o ER. 1. 165
exc 25< EXC. 603 EXC. 105
DEF 150 UEF. 75 OEF. 300
lm 13.31 1m 43 , 61 lm - 5 . 12
400 400 40 0
LAT. 15°00'S LAT. 15o51 'S
·~
LONG. 59°57'W LONG. 58027'W
ALT 257m ALT. 150 m
300 300
230 71

200 zoo

100 ID O

o o
J F III A M J J A s O N o F M • M J J A s o N o F M A III J J A s o N o
PHES IO ENT~ MURTINHO - MT

6 00 CAD . 100 mm
PRE C. I 777
EP. 1 10 1
500 ER 957
EXC. 820
ou: 14'
lm 66 63

F M
•. J J A s o
" o
RO NOON6PO LIS - MT ROSARIO OESTE- MT SAO JERóNIM O - MT
mm
600 CAD 100 mm 600 600
CAD 100 mm CAD. 100 rnm
I"' REC I 27? PAEC 1 414 PREC 1 2l:J
EP I 335 EP 1 4 ~ fp 1 382
:IDO ER 1 080 500 ER 1134 En 1 097
192 500
EXC EXC 280 F.XC 142
DEF 255 DEF. 326 DEF 2a5

400
lm
LAl
'"
16°:?8 5
400
LAT .
5 69

14°55 s
4 00
I Al
:! 10

\ 1° 10'S
LONG 54°38'\"V LONG , 56°23'W LON G s~os:rw
ALT 201m .AL T . 174m AL T 112m
300 30 0 300 14 2
280
90
20 0 200 200

IDO IDO IDO

o
J ' .., • .. J J • s o
" o
o
F .. • . J J
• s o N o
o
J F M A .. J J • s o
" o
1AOUARI - Mt UBER AB A - MT UTIARITI - MT
&00 6 00 600
CAD 100 mm CAD 100 mm CAD !00 mm
PAEC I 569 PAEC I 0 19 PAEC 2 026
EP 1 017 EP I 43<1 EP 11 73
5 00 ER 910 500 ER 500 1 019
1 01 9 ER
EXC 659 EXC o EXC . , 007
DEF 107 DE F 4 15 OEF . 1:;4
lm 58 49. 1111 - 17 36 lm 77 17
000 400 4 00
LA T !1 °49'S LAT 17 "1 4 s
LONG 53° 16'W LON G 57''47 W
At.T 863m Al T 90 m
300 448 30 0 300

47
12
200 200

IDO

o
FllltAhlJJA SO NO F MAWJ JASONO
TABELA SiNTESE : BALANÇO HIDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONADAS - CAD. ELEITA : 100mm.

BAHIA

a) Coordenadas geográficas, altitude e período operacional.

COOP.OENADAS PERIODO OPEilACIONAL

MET:g~~tS~~cAs
GEOGRAFICAS ALTI-
TUDE Precipitação Temperatura
SHECIONADAS
latitude I longi-
tu de (on ) Série I Número
do Anos
I Fonte Sério IdeNúmero I Font•
Ano~

01-Barra 11'05 43•10' 408 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET


02-Barreiras 12•09' 44•59' 435 1931-1970 40 ONOCS 1924-1933 10 INEMET
03- Bom Jesus da Lapa 13•16' 43•25• 435 1931-1970 40 ONOCS 1941-1947 7 INEMET
04- Boqueirão 11 •20• 43•51' 450 1945-1970 26 SUDENE
05 - Brejolândia 12•29' 43•57' 531 1945-1970 26 SUDENE
06- Brumado 14'06' 41 •50' 414 1914-1938 25 INEMET 1914-1938 25 INEMET
07- Caculé 14•30' 42•13' 5B6 1931-1970 40 DNOCS
08 -Caetitá 14•04' 42•37' 872 1931 -1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
09- Coriparé 11 •32' 45•04' 605 1945-1970 26 SUOENE
1O-Casa Nova 09•24' 41 •08' 380 1931 -1970 40 DNOCS 1914 -1938 25 INEMET
11 -Cocos 14'10' 44'32' 546 1945-1970 26 SUDENE
12- CondeúbJ 14'52' 41'59' 695 1931-1970 40 DNOCS
13- Correntina 13•20' 44•38' 579 1945-1970 26 SUDENE
14 - Cotegipe 12•02' 44•16' 484 1945-1970 26 SUOENE
15- Formosa da Rio Preto 11 •03' 45•12' 491 1945-1970 26 SUDENE
16 - Guanambt 14'13' 42•47' 483 1934-1967 34 DNOCS
17-lbipotuba 11'11' 44'31' 434 1931 -1970 40 INEMET 1931 -1960 30 INEMET
1B- Juazeiro 09•25' 40•30' 371 1931 -1970 40 DNOCS 1924-1932 10 INEMET
19- Macaúbas 13•02' 42•42' 600 1931 -1970 40 DNOCS
20- Mansidão 10•43' 44•02' 536 1945-1970 26 SUDENE
21-Mariquita 12•24' 44•15' 750 1945-1970 26 SUDENE
22- Palmas da Monte AI-
lO 14•16' 43•10' 600 1931 -1 970 40 DNOCS
23 - Paramirim 13•27' 42•14' 593 1931 -1970 40 DNOCS
24 -: Paratinga 12•41' 43•11' 422 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
25- Pilão Arcado 10'09' 42•25' 358 1931 -1970 40 ONOCS 1912-1933 22 INEMET
26- Remanso 09•41' 42•04' 411 1931 -1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
27 - Riacho da Santana 13•36' 42•56' 627 1931-1970 40 ONOCS
28- Santa Maria da Vité-
1ia 13•24' 44•12' 43 1 1920-1967 48 ONOCS
29- Santana 12•59' 44•03' 580 1931-1970 40 ONOCS 1926-194 2 17 INEMET
30 - Ura ndi 14•46' 42•40' 637 1936-1966 31 ONOCS
31 -Vitória da Conquista 14•51' 40•50' 928 1931 -1970 40 DNOCS 1931-1950 20 INEM ET

143
TABELA SINTESE . BALANCO HIDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONAOAS - CAD. ELEITA : 100mm.

BAHIA

b) Balanço hidrico

BALANÇO HlO RICO


ESTACÕES
METEOAO.LiiGICAS Tem- Preci - Excedente Déficit
SELECIONAOAS pera - pita- EP PEF EA
tura
(•C)
cão
(inm ) (mm) (mm ) (mm ) (mm ) I meses (mm)
I
meses

01 -Barra 26.3 696,0 1 582,0 886.0 696,0 0.0 886,0 jan/dez


02- Barreiras 24.2 978.0 1 269.0 291.0 830.0 148.0 dez/mar 439,0 abr/out
03- Bom Jesus da Lapa 24.2 783.0 1 269.0 486.0 771.0 12,0 dez 498,0 lev/OUI
04- Boqueirão 23.8 911.0 1 201.0 290,0 796.0 115.0 dez/mar 405,0 abr/out
05- Brejolándra 23.1 845, 0 1 151.0 306.0 778,0 67 .0 dezjjan/ma r 373,0 abr/OUI
OG- Brumado 22.0 684.0 1 091,0 407,0 684.0 0,0 407.0 jan/out
07- Caculé 22,3 638,0 1 100,0 462,0 638,0 0,0 462. 0 jantou!
08 - Caetité 21.2 901,0 1 013.0 112.0 773,0 128,0 dez/mar 240,0 abr/out
09- Cariparé 23.7 935.0 1 196,0 261,0 802,0 133,0 dez/ mar 394,0 abr/out
1O- Casa Nova 26.6 442.0 1 639,0 -1 197,0 442, 0 0,0 197,0 jan/dez
11- Cocos 22.6 937.0 1 132.0 195.0 811,0 126,0 dez/mar 321,0 abr/out
12 - Condeúba 21.7 727.0 1 069,0 342.0 727.0 0.0 342.0 fev/out
13- Correntina 22.8 1 063.0 1 11 0.0 47.0 809.0 254 ,0 novjmar 301,0 abr/OUI
14- Coicgipe 23,4 1 082.0 1 139.0 57.0 801.0 281,0 dez/mar 338,0 abr/out
15- Formosa do Rio Preto 23.8 926.0 1 201.0 275,0 814,0 112,0 dez/mar 387, 0 abr/out
16- Guanambi 22.7 642,0 1 103,0 461 ,O 642,0 0,0 461 ,O !av/ou!
17-lbipetuba 24,1 899.0 1 257,0 358,0 818,0 81 .0 dez/m ar 439,0 abr/OUI
18 - Juazeiro 76.4 392.0 1 590,0 - 1 198,0 392,0 0,0 1 198,0 jan/dez
19-Maca~íbas 23.2 738.0 1 158.0 420,0 738,0 0,0 420.0 jan, fev, abr/out
20- Mansidão 23.8 892.0 1 195.0 303,0 778,0 11 4,0 jan /mar 417.0 abr/out
21-Mariquita 22.3 836,0 1 113.0 277.0 765,0 71 ,O dez/mar 348,0 abr/out
22- Pa lmas de Monte AI·
lO 22,3 749,0 1 103,0 354.0 722,0 27,0 dez/lev 381,O mar/out
23- Paramirim 22.5 665.0 1 115,0 450,0 665,0 0,0 450,0 janjout
24- Paratinga 25,9 765.0 1 519.0 754.0 765.0 0,0 754 ,0 jan, mar/out
25- Pilão Arcado 26.8 630,0 1 669,0 - 1 039,0 630,0 0.0 1 039,0 jan/dez
26- Remanso 27,1 552,0 1 697,0 - 1 145,0 552,0 0,0 145,0 jan/dez
27- Riacho de SaniJna 22.4 e67.o 1 097,0 230,0 761,0 106,0 dez/lev 336,0 abr/OUI
28- Santa Maria da Vi·
!ória 23.4 119,0 1 159,0 40.0 817. 0 302.0 nov/mar 342.0 abr/out
29 - Santana 23.3 981.0 1 164.0 183.0 861.0 120,0 nov/mar 303,0 abr/out
30- Urandi 22.0 783,0 1 084.0 301,0 712.0 71, 0 dez/jan 372.0 mar/out
31 - Vitória da Conquista 21.5 64 1,O 1 034,0 393.0 641,0 0,0 393,0 jan/OUI

144
TABELA SINTESE : BALANCO HIDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONÀDAS - CAD. ELEITA : 100mm.

BAHIA

c) lndices climáticos e tipologia climática.

ESTAC0ES INDICES CLIMÁTICOS


METEOROLÓGICAS TIPOLOGIA
SELECIONADAS CETv CLIMÁTICA
Ih la lm ET (%)

01 - Barra 0,00 56,01 -33,60 1 582,00 27,18 Od1A'4a'


02 - Barreiras 11.66 34,59 - 9.09 1 269.00 25,77 c,wA',a'
03- Bom Jesus da lep• 0,95 39,24 -22,60 1 269,00 27,90 O d:!A' 1a•
04- Boqueirão 9,58 33,72 -10,66 1 201,00 27,64 C1d2A11a'
05 - Brejol!ndia 5.82 32.41 -1 3,62 1 151,00 28,06 C1d2A' 1a'
06- Brumado 0.00 37,31 -22,38 1 091,00 29,42 O d18'4a'
07 - Caculê 0,00 42.00 -25,20 1 100,00 29.73 O d18'4a'
08- Caetité 12,64 23,69 -1,58 1 013,00 28,53 C]W 8 '48'

09 - Cariparé 11,12 32,94 - 8,95 1 196.00 27,34 CtwA'ta'


1O- Casa Nova 0,00 73,03 -43,82 1 639,00 26,30 E d1A'4a'
11- Cocos 11,13 28,36 - 5,88 1 132,00 29,86 c,w s·.a·
12- Condeúba 0,00 31,99 -19.20 1 069,00 29,84 C1d1B';a'
13 - Correntina 22.88 27,12 6,61 1 110,00 29,01 c.w o•.a•
14 - Cotegipe 24.67 29.68 6.87 1 139,00 28.09 c,.w s·,a•
15 - Formosa do Rio Preto 9,33 32,22 -10,01 1 201 ,00 27,64 C1d2A' 1a'
16- Guanambi 0,00 41,80 -25,08 1 103,00 29,65 Od1B'4e'
17 - lbipetuba 6,44 34,92 14,51 1 257,00 26,49 C1w2A' 1a'
18- Juazeiro 0,00 75,35 -45,21 1 590.00 28.11 Ed2A'4 a'
19 - Macaúbas 0,00 36,27 -21.76 1 158,00 29.19 O d1A' 1a'
20 - Mansidão 9,54 34,90 -11,40 1 185,00 26.78 C1d1A' 1a'
21 - Mariquita 6,38 31,27 -12,38 1 113,00 28,21 c,d. 8',a'
22 - Palmas de Monto Alto 2,45 34.54 -18.28 1 103,00 29.65 C1d28'4a'
23- Para mirim 0,00 40,36 -24.22 1 115,00 29,15 Od20'4a'
24- Paratinga 0,00 49,64 -29,78 1 519,00 25,19 Od1A• 3a•
25- Pilão Arcado 0,00 62,25 -37,35 1 669,00 25,88 Od1A'4a'
26 - Remanso 0.00 67.47 -40,48 1 697,00 26,75 Ed1A' 4a•
27- Riacho de Santana 9,66 30,63 - 8.71 1 097,00 29.81 Ctd2B',a'
28- Santa Maria da Vitória 26,06 29,51 8,35 1 159,00 28,99 C2w A' 1a'
29 - Santana 10,31 26,03 - 5.31 1 164.00 31,27 C1w A' 1a'
30- Urandi 6,55 34,32 -1 4,04 1 084,00 29,98 C1d28'4n'
31 - Vitória da Conquista 0,00 38,01 -22,80 1 034,00 30,17 Od1B'4a'

145
BAR RA - BA BARREIRAS - BA BOM JESU S DA LAPA - BA

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CACULÉ - BA
CAETITÉ - BA CARIPA RÉ - BA
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PREC 638 PA EC. 90 1 rn.EC. G35
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500
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EXC 261 EX~. 112
CEF 301 OEF 338 Oi:F. • 3,57
lm 8 .61 • 87 lm - 10 .01
lm
400 400
LAT t2:J02'S LAT. 11 °03'5
LONG. 44°16",'11 LONG. 45,12'W
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CAD 100 mm CAD. 100 mm
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F.P 1 tCJ PREC . 9 10 PREC. 392
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EXC o 500 ER 825 500 EA . 392
OEF 461 EXC 85 EXC. o
lm -25 08 OEF 428 OEF. 1. 190
lm -1 3 71 lm - .5 .21
<00 14°08'$
400 400
LAT
LONG. 42°47"\N LAT I 1°01 'S LAT. 9°25'S
ALT 483m LONG. C4° 31W LONG. 40°30'W
ALT. 434m ALT . 37 1 m
300 300 !00

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MACAUBAS - BA MANSIDAO - BA MARIOUITA - BA
6 00 6 00 600
CAD. 100 mm CAD 100 mm CAD tOO mm
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LONG 4 2 !;1 4 2 '\V LO NG . 4 4°02'\'.' LONG 4 4° 15'W
ALT 600 m AL T 536 m ALT 750m
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PALMAS DE MONTE ALTO BA PARAMIR IM - BA PARATINGA - BA
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CA D 100 mm C AD 100 mm ct,D 100 mm
PRE C ;- .:g PREC 665 1"1\EC 757
EP. T 103 EP I 115 EP 1 519
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LAT. 14° 16'5
40 0 '"' LAT 12° 4 t'S
LAT 13°27'5
LONG. 43°1 0'W LON G 4 2° 14 'W LONG 43° 11W
ALT. 600m AL T 593m ALT. 422 m
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PILAO ARCADO BA REMANS O - BA niACHO DE SANTAilA - BA


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1697
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EP
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ALT 358m
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3 00
ALT 621 m
3 00

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SANTA MARIA DA VITóRIA - BA
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CAD. 100 mm
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300

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SANTANA - BA URANDI - BA VITóRIA DA CONQU ISTA - BA
600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm tOO CAD. TOO mm
PREC. 981 PREC. 763 PREC . 6'1
EP. 1 . 164 EP. 1 . 084 EP. 1 . 034
~00 ER. 861 ~o o ER. 712 500 ER. 641
EXC. 120 EXC. 71 EXC. o
OEF. 303 OEF. 372 DEF. 393
1m -5 . 91 1m 14 . 04 lm -22 .60
400 400 4 00
LAT. 12°59 '5 LAT. u o46'S LAT. 14°51 '$
LONG. 44°03W LONG. 4~40'\\1 LONG. co:tsow
ALT. 560m AlT. 637m ALT_ 928 m
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TABELA SÍNTESE : BALANCO HÍDRICO DAS ESTACÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONADAS - CAD. ELEITA :. 100mm.

MINAS GERAIS

a) Coordenadas geográficas, altitude e periodo operll cional.

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COORDE NA!lAS
ESTAÇÕES GEOGRAFICAS ALTI-
METEOR OLÓGICAS TU DE Precipitaç ão Temperatu ra
SELECIONADAS
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Long i-
t ude
(m)
Séri e I Número
do Anos
I Fonte Séria I I
Nú mero
do Anos Fonte

01-Araçual 16•51' 41•59' 264 1931-1960 30 INEMET 1931-1960 30 INEMET


02- Ara guari 18•30' 48•11' 927 1918-1945 28 INEMET 191e-1945 28 INEMET
03 -Araxá 19•34' 46•56' 961 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
04- Barba cena 21 ' 13' 43•47' 1 103 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
05 - Barreiro do Araxá 19•32' 46•00' 973 1925-1942 18 INEMET 1925-1942 18 INEMET
06- Belo Horizonte 19•56' 43•57' 915 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
07- Bonsucesso 21•02' 44•46' 915 1931-1970 40 INEMET 1920-1942 23 INEMET
08- Cachoeira do Campo 20•21' 43•30' 1 147 1918-1942 25 INEMET 1910-1942 25 INEMET
09- Cambuquira 21•51' 45•18' 963 1931-1970 40 INEMET 1926-1942 17 INEMET
10 - Caratinga 19•38' 42•09' 645 1931-1970 40 INEMET 1930-1960 30 INEMET
11- Caxamu 21•59' 44'57' 917 1931-1970 40 INEMET 1918-19~2 25 INEMET
12- Conceição do MaiO
Dentro 19•02' 43•25' 675 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
13- Curvolo 18•46' 44•26' 609 1931-1970 40 INE MET 1931-1960 30 INEMET
14- Otamantina 18•15' 43•36' 1 261 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
15 -F•utal 20•02' 48•56' 563 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
16- Gamei eira 15•05' 43•06' 869 1918-1942 25 INEMET 191 8-1942 25 INEMET
17- Grão Mogol 16•34' 42•53' 019 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 IN EMET
18 -lguHtama 20•10' 45•42' 606 1926-1942 17 INEMET 1926-1942 17 INEMET
19 -ltabira 19•37' 43•13' B26 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
20 - ltajubá 22•26 ' 45•27' 840 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
21 -ltamarandiba 17•51' 42•51' 1 099 1931-1970 40 INEMET 1925-1942 18 INEMET
22 -ltambacuri 17'57' 41•37' 240 1936-1942 7 INEMET 1936-1942 7 INEMET
23 - Januária 15•29' 44•22' 439 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
24 - Jequitinhonha 16•26' 41 •00' 225 1931-1970 40 INEMET 1929-1942 14 INEMET
25 - Jo!o Pinheiro 17•44' 46•10' 888 1931-1970 40 INEMET 1920-1942 23 INEMET
26- Juiz da Fora 21 •46' 43' 21' 680 1931 -1970 40 INEMET 1918-1942 25 INEMET
27 - Lagoa Santa 19•37' 43•54' 778 1931-1970 40 INEMET 1934-1942 9 INEMET
28- Lavras 21'14' 45•00' 842 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
29- Leopoldina 21•32' 42•32' 268 1931 -1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
30- Manga 14•16' 43•56' 415 1931-1970 40 DNAEE 1925-1942 18 INEMET
31 - Mar da Espanha 21 •52' 43•01' 456 1916-1942 27 INEMET 1916-1942 27 INEMET
32- Monte Alegre de Mi-
nas 18•52' 48•52' 756 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
33- Montes Claros 16•44' 43•52' 627 1931-1970 40 INEMET 1931-1958 20 INEMET
34- Muriaé 21 •08' 42'22' 240 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
35- Muzambinho 21•22' 46•32' 1 044 1931-1970 40 INEMET 1931-1959 29 INEMET
36 -Oliveira 20•42' 44•50' 962 1931-1970 40 INEMET 1931 -1960 30 INEMET
37 - Ouro Prato 20•23' 43•29 ' 1 110 1918-1942 25 INEMET 1918-1942 25 INEMET
38- Ouro Fino 22•16' 46•22' 936 1931-1970 40 INEMET 1918-1942 25 INEMET
39- Paracatu 17•13' 46•52' 698 1931 -1970 40 INEMET 1931 -1960 30 INEMET
40- Passa Quatro 22•32' 44'58' 920 1931-1970 40 INEMET 1924-1942 19 INEMET
41- Patos de Minas 18•36' 46•32' 895 1931 -1970 40 INEMET 1924-1942 19 INEMET
42 - Pedra Azul 16•00' 41•17' 613 1931 -1970 40 INEMET 1931-1959 29 INEMET
43 - Pirapora 17•21' 44•57' 412 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
44- Pitangui 19•40' 44•54' 695 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
45- Poços do Caldas 21•47' 46•34' 1 189 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
46- Salinas 14'17' 43•59' 435 1945-1965 21 SUO ENE
47 - Santos Oumom 21•27' 43•33' 908 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
48- S!o Francisco 15•57' 44'52' 440 1931 -1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
49 - São Gonçalo 14•20' 44•31' 500 1945-1966 22 SUOENE
60- São João dei Rei 21•00' 44'16' 907 1931-1970 40 INEMET 1931 -1960 30 INEMET
51 - São João Evangelista 18•32' 42•46' 662 1931 -1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
52 - S!o Lourenço 22•06' 45•02' 871 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
53- Sete Lagoas 19•27' 44•15' 732 1931 -1970 40 INEMET 1926-1942 17 INEMET
54 - Teólilo Otoni 17•46' 41•26' 37.9 1931-1970 40 INEMET 1918-1942 25 INFMET
55 - Três Corações 21•02' 45' 15' 893 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
56- Ubá 21•07' 42'56' 349 1931-1970 40 INEMET 1931 -1960 30 INEM ET
57- Uberab a 19•45' 47•55' 738 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
58 - Viçosa 20•45' 42•52' 658 1931-1970 40 INEMET 1920-1942 13 INEMET

150
TABELA SÍNTESE : BALANÇO HÍDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONADAS - CAD. ElEITA : lOOmm .
MINAS GERAIS
b) Balanço hidrico

BALANÇO HIDRICO
ESTAÇÕES
METEOROLÓGICAS Tempe- Preci pi- Excedente Délicit
SELECIONADAS EP PEF ER

-
ratura
(•C)
taçio
(mm) (mm) (mm) (mm) (mm) I moses (mm) I meses

01- Araçual 24,1 829.6 1 264,0 -433,0 825.0 6.0 jan 439,0 fev/out
02- Ara guari 20,3 1 609,8 944.0 667,0 824.0 787,0 nov/abr 120.0 maio/set
03 -Araxã 20,1 1 801.9 948,0 854,0 831,D 971,D nov/abr 117.D maio/set
D4- Barbacena 17.4 1 413,8 825,0 59D,O 769.0 646,0 nov/mar 56,D maio/set
D5- Barreiro do Araxã 18,9 1 782,9 887.D 897,0 825.D 959,D nov/abr 62,D maio/set
06- Belo Hori!onte 2D.7 1 454,8 969.D 486,0 83D.O 625,D nov/mar 139,0 maio/set
D7- Bonsucesso 19.4 1 531,0 900.0 630.0 817.D 713,0 nov/mar 83,0 maio/set
08- Cachoeira do Campo 16,1 1 538,3 848.0 692,0 804.D 736,0 nov/abr 44,0 maio/set
09- Cambuquira 19,2 1 339.4 91 1,0 427,0 851,0 487,0 novtmar 60.0 abr,jun/set
1O- Caratinga 20.4 1 126.9 967.0 159.0 853.0 273.0 dez/mar 114.0 maio/set
11- Caxambu 18.6 1 403.7 867.0 537.0 824.0 580.D nov/mar 43,0 abr/set
12- Conceição do Mato
Dentro 20.2 1 657,D 979,D 679,D 885.0 773.D nov/abr 94.D maio/set
13- Curvelo 21,9 1 238.4 1 D68.D 173.D 878.D 363.D dez/mar 19D.D abr/out
14- Diamantina 18.3 1 515.4 836,D 679.D 763,D 752,D nov/abr 73.D maio/set
15- Fruta! 22,9 1 437,9 1 15D.D 288.D 1 D20.D 418.D dez/mar 130.D meio/set
16- Gameleira 19.7 1 519.4 929,D 591 .0 835.D 685.D nov/mar 94.D maio/set
17- Grão Mogol 2D.9 1 135.4 99D.D 144.D 814.D 32D.D nev/mar 176.D maio/out
18 -lguatama 20.9 1 383.D 1 DD4.D 379,0 89D.D 493,D nov/mar 114.D abr/set
19- ltabira 19.5 1 5D8,8 901.D 608.D 821.0 688.0 nov/abr BO.D maio/sei
2D-Itajubã 19.3 1 389.2 892.0 490.D 866.D 524.D nov/mar 26.D maio/set
21 - ltamarendiba 19,1 1 122.7 896.0 227.D 77D.D 353.0 nov/mar 126.0 maio/set
22 - ilambacuri 22.0 1 178.8 1 061.0 118.0 934.0 245.0 dez/lev 127.0 mar/set
23- Januária 24.4 858,6 1 300,0 -442.0 794.0 64.0 dez/jan 506.0 fev/OUI
24 - Jequitinhonha 24.7 964.1 1 356.0 -392.0 964.0 0.0 392.0 jan/out
25- João Pinheiro 22.9 1 328.3 1 124.0 2D5.0 860.0 469.0 nov/mar 264.0 abr/out
26- Juiz de Fora 19.6 1 473.5 929.0 545.0 879,0 595.0 nov/mar 50.0 maio/set
27- lagoa Santa 21.2 1 324.5 1 027.0 298.0 851.D 474.D nov/mar 176,0 abr/set
28-lavres 19.3 1 417.1 924.0 493.0 845.D 572,D nov/mar 79.D maio/s91
29 -Leopoldina 22.6 1 252.1 1 128,0 125.D 1 014.0 239.0 dez/mar 114,D abr/set
30- Manga 24.4 822.6 1 302,0 -480.0 816,0 6.0 jan 486,D lev/out
31 - Mar de Espanha 20.5 1 472,5 989.0 486,0 930,0 545,0 nov/mar 59,D abr/set
32- Monto Alegre de
Minas 21.5 1 351.8 1 050.0 300,0 922,0 428.0 nov/mar 128,0 maio/set
33- Montes Claros 22.4 1 126.5 1 097,0 31.0 812.0 316,0 dez/mar 285.0 abr/out
34- Muriaó 22.5 1 377,2 1 131.0 246,0 039.0 338.0 nov/mar 92,0 ebr/set
35 - Muzambinho 18,9 1 539.5 890.D 651.0 859.0 682,0 nov/mar 31 ,0 jun/set
36- Oliveira 19.3 1 551.5 883,0 668.0 811,0 740.0 nov/abr 72.0 maio/set
37 - Ouro Preto 17.4 1 782.7 815.0 964.0 782.0 997.0 out/abr 33.0 maio/ago
38- Ouro Fino 19.4 1 406.8 886,D 521 .0 857.D 55D.O nov/mar 29.0 maio.juf/set
39- Paracatu 22.1 1 295,6 1 093,0 203,0 857.0 439,D nov/mar 236.0 abr/set
40- Passa Ouauo 18.0 1 510.4 855.0 656.0 829.0 682,0 nov/abr 26.0 maio/sot
41 -Patos de Mines 19.9 1 553.8 939,0 615,0 825,0 729.0 nov/abr 114,0 maio/set
42- Pedra Azul 22,2 1 039,3 1 099.0 - 58.0 924,0 117,0 nov/jan 175,0 ebr/out
43- Pirapora 23.3 1 021.8 1 175.0 -152.0 843,0 180,0 dez/lev 332.0 abr/OUI
44- Pitengui 21.2 1 390.5 1 D20.0 372.0 898,0 494.0 dez/mar 122,0 meio/out
45- Poços de Caldas 17.7 1 665.6 848,0 816.0 S33,0 831.0 out/mar 15.0 jul/ago
46-Sa lines 864.0 1 146.0 -282.0 790,0 74.0 daz/jan 356.0 lev.abr/out
47- Santos Dumont 23.0" 1 661,0 845.0 816.0 807.D 854.D OUI/abr 38,0 maio/ago
48- São Francisco 18.4 1 134,1 1 151.0 -18.0 835.0 298,9 dez/mar 316.0 abr/out
49- São Gonçalo 23,1 816,0 1 121.0 -306,0 765.0 50.0 dez/mar 356,0 abr/out
50- São João dei Rei 22,8" 1 445.7 908.0 537,0 833,0 612.0 nov/mar 75.0 maio/set
51 -São João
Evangelista 19,2 1 356,9 905.0 452,0 834,0 523.0 nov/abr 71.0 maio/sat
52- São Lourenço 19,1 1 494.2 852.0 642,0 834,0 660.0 out/mar 18.0 jun/set
53- Sete lagoas 18,4 1 318.3 988.0 330,0 832,0 486.0 nov/mar 166,0 ebr/sct
54- Teófilo Otoni 20.7 1 091.9 1 092.0 0.0 959,0 133.0 dez/jan 133,0 abr/out
55- Três Corações 22.1 1 441,9 915.0 525,0 863,0 577.0 nov/mar 52.0 maio/set
56- Ubã 18,2 1 253.8 1 061.0 201,0 950,0 312,0 dez/mar 111 .0 ebr/set
57- Uberaba 21,7 1 483.0 1 083.0 398.0 947,0 534,0 nov/mar 136.0 maio/set
58- Viçosa 21,0 1 281.8 884.0 400,0 817.0 467.0 nov/mar 67,0 maio/sei

• Valores de temperaturas estimados segundo equaç!o de regressão múltipla.

15!
TABELA SÍNTESE : BALANCO HÍDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONÁDAS - CAD. ELEITA : 100mm.

MINAS GERAIS

c) Índices climáticos e tipologia climática.

INOICES CLIMÁTICOS
ESTAÇÕES
METEOROLÓGICAS TIPOLOGIA
SELECIONAOAS CLIMÁTICA
Ih IA lm ET CETv
(%)

01 - Ara çuai 0.47 34.73 -20.36 1 264.00 31. 09 Od 2A' 1a'


02 - Ara guari 83.37 12.71 75.74 944,00 29.45 Bar29'aa'
03 - Araxá 102.43 12,34 95.02 948.00 29.85 B . 1 r ~B 'aB '
04 - Ba rbacena 78,30 6.79 74.23 825.00 32.36 BarzB'za'
05 - Barrei•o do Araxá 108,12 6.99 103.92 887.00 31. 91 A1r1B';ta'
06- Belo Horizonte 64.50 14.34 55.69 969.00 31.89 BzrzB'aa'
07- Bonsucmo 79.22 9.22 73.69 900.00 31 .56 B3rzB';;o'
08 - Cachoeira do Campo 86.79 5.19 83.68 848.00 31.84 8,1r28'za'
09- Cambuquira 53.46 6,59 49,5 1 911.00 31.94 BzrzB'aa'
1O- Cara tinga 28.23 11.79 21.16 967.00 32.68 81r2B'aa'
1 1- ~axamhu 66.90 4.96 63.92 867.00 33.22 Bar2B'za'
12- Conceição do MaiO Denno 78.96 9,60 73,20 979.00 33.09 Bar2B'aa'
13-Curvelo 33.99 17.79 23.31 068.00 31.65 a,wa•,a•
14- Diamantina 89.95 8.73 84.71 836,00 31,46 8 4 rzB'~a'
15-frutal 36,35 11.30 29.57 1 150.00 30.87 B1rzA ' 1a'
16- Gameieira 73.74 10.12 67,66 929.00 31,43 BizB'aa'
17 - Grão Mogol 32,32 17.78 21.66 990,00 30.81 B1w8'aa'
18 - lguatama 49.1 0 11.35 42.29 1 004.00 32.47 B :zr~8' 4 a'
19-liabira 76.36 8.68 71.03 901.00 32.85 83rzB'ia'
20 -liajuhá 58.74 2.91 57.00 892,00 33.74 B!rz8'3a'
21 -ltamarandiba 39.40 14.06 30.96 896.00 32.03 81rzB'aa'
22 - lt am~acuri 23.09 11.97 15.91 1 061.00 31,95 Czrz8'4a'
23- Januária 4,92 38.92 -18,43 1 300.00 27.54 C1dzA'za'
24 - Jequitinhonha 0.00 28.91 - 17,35 1 356.00 32.30 CtdzA'za'
25 - João Pinheiro 41.73 23.49 27.63 1 124.00 26.65 B1wB'4a'
26 - J uiz de Fora 64.05 5.38 60.82 929.00 34.45 BJT!B'aa'
27 - lagoa Santa 46.15 17.14 35.87 1 027.00 32.04 B1wB', a'
28 -lavras 61.90 8.55 56.77 924.00 32.47 B2r2B'3 a'
29 - Leopoldina 21.19 10,11 15.12 1 128.00 34.22 C21'z8'4a'
30- Manga 0.46 37.33 -21.94 1 302,00 28.1 9 Dd 2A' 2a'
31 - Mar de Espanha 55,11 5.97 51.53 989.00 34.78 Bzrz8' 3R'
32- Monte Alegre de Minas 40.76 12.19 33.45 1 050.00 31.24 B1rz8'4 a'
33 - Monles Claros 28.81 25.98 13.22 1 097.00 30.81 c,ws·,a•
34- Muriaé 29.89 8,13 25,00 1 131.00 34,04 a,r,s•,a•
35- Muzambinho 76.63 3.48 74. 54 890.00 32.70 BarzB'aa'
36- Oliveira R3.81 3,15 78,91 883.00 31.71 Bar2B'zn'
37- Ouro Prelo 122.33 4.05 119.90 815.00 32.64 A1r:B'za'
38 - Ouro Fino 62.08 3.27 60.11 886.00 32.05 B,r 2 B' 3a'
39- Paraca•u 40,16 21 .59 27.21 1 093.00 30, 01 B1wB' 4a'
40- Passa Quatro 79.77 3.04 77.94 855.00 34.27 B3rzB'za'
41 - Paios de Minas 77.64 12.14 70,35 939,00 31.74 BarzB'aa'
42- Pe1ra Azul 10,65 15.92 1.09 1 099.00 31. 21 C:Jrz8 '4a'
43 - Pirapora 15,32 28.26 - 1.63 1 175.00 30.38 C1wA' 1a'
44- Pitangui 48.43 11,96 41.25 1 020.00 31.27 B:!r28'4a'
45- Pocos de Caldas 98.00 1.77 96.93 848.00 33.14 B,r2B',a'
46- Salinas 6.46 31.06 - 12.1 8 1 146.00 29,67 C1d2A' 1a'
47 - Samos Dumont 101.07 4.50 98.37 845,00 33,61 B o~ rz8'2a'
48 - São f.rancisco 25.89 27.45 39.42 1 151.00 29.19 C2wA' 1a'
49 - São Gonçalo 4.46 31.76 -1 4.59 1 121.00 29.17 C1128' 4a'
50 - São João dei Rei 67,40 8,26 62.44 908.00 33.04 Bar2B'aa'
51- São João Evangelista 57.79 7.85 53.08 905.00 32.71 B2rzB'aa'
52- São Lourenço 77.46 2.11 76.20 852.00 34.98 B:tr2 B'za'
53- Sete lagoas 49,19 15.79 39,72 988.00 31.88 B1rz8'3 a'
54- Teófilo Otoni 12.18 12.18 4.87 1 092.00 32.51 Czrz8'4 a'
55 - Três Corações 63.06 5.68 59.65 915.00 33.22 Bzr2B 'aa'
56- Ubá 29.41 10.46 23,13 1 061.00 35,16 B1r28' 4a'
57- Uberaba 49.31 12.56 41,77 1 083.00 30.38 BzrzB'"a'
58-Viçosa 52,83 7,58 48.28 884.00 34,05 B:zrzB'za'

152
ARAÇUAI - MG ARAGUARI - MG ARAXA - MG
eoo C,A.O. TOO mm CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm
PAEC. 831 PREC. 1.6 11 PREC. 1, 802
EP. 1.264 EP. 9" EP. 948
'00 825 ER. 824 ER. 831
ER.
EXC. 6 EXC. 787 ·II '00 EXC. 971
OEF. 439 OEF. 120 OEF. 117
lm -20 .36 lm 75.74 lm 95 .02
400 4 00
lAT. 16°51'5 LAT. ~goas·s

l ONG. 41°59W lONG, 46°56'W


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600 CAD. 100 mm 600
CAD. 100 mm
PREC. 1 . 415 PAEC. 1.<155
EP. 825 500 EP. 969
,00 ER. 769 ER. 830
ex c. 646 EXC. 625
oeF. 56 DEF. 139
1m. 74.23 400 lm 55.89
40 0
LAT. 21 ° 13'S
LONG. 43°47'\'/
ALT. 1.103m 300
300

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600 600 000 CI,O, 100 mm
CAD. 100 mm CAD. 100 mm
PREC . 1,540 PREC. 1. 338
PREC. 1.530 EP. 911
EP. 900 EP. 848
~ 500 ER. 804 500 ER . 851
ER. 817 EXC. 487
EXC. 713 EXC. 736
OEF. 44 OEF. 60
OEF. 83 lm 49 . St
lm 73.69 lm 83.68
400 400 4 00
LAT. 20°2 1'S LAT. 21 ° 51'S
389 4JO)OW LONG. 45° 18W
LONG.
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600 CAD 100 mm 60 0 MATO DENTRO - MG
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4 00
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LAT 21 59'S
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LONG. 42'09 \V
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136 ALT.

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CAD 100 mm
PAEC. 1 . 503 PREC. 1 416
EP. 901 893 PREC. 1 123
EP . 806
500 ER. 821 500 ER. 874 500· EP.
EXC. 688 542 ER. 770
EXC.
DEF . 80 DEF 19 EXC. JSJ
1m 71 03 DEF. 1::6
1m 59 42
40 400 4 00 lm 30 &G
LAT . 19°37'5 LAT. 21°26'$
LONG . <3°13W LAT. 17°5 1'$
LONG. 45°28'W
ALT, 826m ALT. B40m LONG . 42°51'W
300 338 30 0 ALT 1 O~Om

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600 600 CAD 100 mm 60 0
CAD 100 rrm
CAD 100 mm
PREC. 858 PREC 984
PREC . 1 179 EP 1 300 EP. 1 356
500 EP. 1 061 794 ER 964
500 ER. 5 00
ER. 934
EXC 245 EXC. 64 (XC o
OEF. 506 OEF 392
DEF 127 - 18 43
15 91 1m 1m - 17 35
40 0 lm 400 4 00
LAT. 15°29'5 LAT 16, 26'5
LAT 17°57'$ 44o22W
41 037'W
LONG lONG .tJ DQQ'W
LONG ALT 439m ALT 225m
300 ALT 240m 300 3 00

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132
79

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100 100 10 0
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JOAO PINHEIRO - MG JUIZ DE FORA - MG LAGOA SANTA - MG


600
CA D. 100 mm •o o mm
CAD. 100 600 CAD 100 mm

1. 329 PREC. 1474 PREC. I 325


PREC . EP. 929
1 124 EP. 1 !)27
EP . ER 879
ER 860 500 5 00 ER. 8S1
500
EXC 469 exc. 595 EXC. 474
OEF 264 DEF. so OEF. 175
27 .63 lm 60 82 lm 35 87
lm
400 400 4 00
LAT. 21°46'$ lAT. 19°37'$
LAT. 17°44'$ 43°21'W
;601Q'W
LONG LONG . 43°54'W
LONG 354 ALT. 680 m
886m ALT. 178m
300
ALT
300 I 300

200 200 200

100 100 100

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J F 11 A . J J A s o H o
LAVRAS- MG LEOPOLDINA - MG MAA!GA- MG
•oo CAD. 100 mm 6 00 CAD. 100 mm 600
CAD. 100 mm
PAEC. 1 411 PREC. 1. 253
EP. 924 EP. 1 . 128 PREC. 822
!100 ER. 845 ER. 1 . 014 EP. 1.302

...•
50 0 500 ER. 816
EXC 572 EXC . 239
DEF 79 OEF. 114 EXC.
lm 55 77 lm 15 . 12 DEF.
lm - 21 . 94
400 400 4 00
LAT. 21°32'S
~ LONG . 42~"W LAT. 14°16'5
A LT. 268 m LONG: 43058'W
ALT. 4 15 m
500 500 500
127
V9
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MONTES CLAROS - MG
MAR OE ESPANHA - MG ~10?HI" ALE GRE DE W NAS - h'iG
6 00 60 0 600
CAD 100 m m CAD. 100 mm CAD. 100 mm
PREC 1 "75 PAEC 1 31 I PAEC. 1. t 2ll
EP. 989 EP 1 050 E?. 1. 087
soo ER . 930 50 0 ER 922
500 EA. 812
EXC . 545 EY.C 389 EXC. 316
DEF . 59 o~ r 120 DEF. 285
lm 5153 lm 29 73 tm 13 . 22
4 00 4 00 4 00
31 0 IAT. !8°52'S LA T. 16° 44'5
I ONG ~ S 0 52'W LOHG. 43D52'W
<LT 756 m AL T. 627 m
300 500 285 30 0
1~ 5

200 200 200

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MUAI AE- MG MU ZA V- 8 11\JHO - MG OLIVEIRA - MG


600 soo CAD 100 mm
CAD 100 mm CAD. 100 mm
PAEC I 377 PREC . 1 541 PREC. 1 .S5 t
EP I 13 1 EP 890 J:P. 883
soo EA 1 03!) 5 00 EA. 859 soo ER. 8"
EXC 338 EXC 632 EXC. 7<0
DEF 92 DEF 31 OEF. 72
lm lm 74 5-4 lm 78 91
25 00 40 0
40 0 'fOC
LA7 21°os·s LA7 21°22'5 LAT . 2Q042'S

300
LONG
ALT
42°22'W
240 rn
t •• LONG.
ALT.
46°32W
: 04 4 m
t.ONG.
Al l .
(.4050'\\1
1 . 002 m
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OURO PRETO - MG OURO FINO - MG PARACATU - MG
600 CAD 100 mm 600 600 CAD . 100 mm
CAD. 100 mm
PREC . 1, 779 PREC . 1 407 PREC. 1 . 296
EP 815 EP. 886 EP 1 . 093
o 782 ER.
~o ER
EXC 997
soo· ER. 857 ~o o EXC.
857
439
EXC. 550
DEF. 33 OEF . 29 DEF. 236 "
lm 119 90 lm 6011 lm 27 . 21
400 400 400
LAT. 22°16 '$ LAT. 17013'5
540 LONG oi6° 52'W
LONG. 46° 22-w
ALT. 936 m ALT. &77 m
300 300 30 0
Z03
347

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PASSA QUATRO - MG mm PATOS DE MINAS - MG PEDRA AZUL - MG
600 CAD 100 mm 600 CAD. 100 mm 600 CAD. 100 mm
PAEC 1 511 PREC. 1.554 PREC. 1 ,04 1
EP 855 EP. 939 EP. 1.099
~00 ER 829 500 ER. 825 500 ER. 924
EXC . 682 EXC . 729 exc. 117
OEF. 26 OEF. 114 OEF. 175
lm 77.94 lm 70 35 lm 1.09
400 400 400

300
48 1

300
r· LAT
LONG.
ALT.
18°36'5
46°32'W
89Sm
300
l.AT.
LONG.
ALT.
16°00'$
4 1°17'\"/
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mm PIRAPORA - MG PITANGUI - MG POÇOS DE CALDAS - MG
mm
600 600 600
CAD. 100 mm CAD. 100 mm CAD. 100 mm
PREC. 1 . 390 PREC. 1 .66 ~
PREC. 1.145
S P. 1. 172 EP. 1 020 EP. 848
~o o ER 866 ER. 893 ~00 ER. 833
831
E XC. 279 exc. 497 EXC.
OEF. 306 OEF. 127 OEF. 15
8 . 14 lm 41.25 lm 9õ .93
lm
400 4 00
LAT. 17°21'5 493 LAT
LONG, 44°57'W I LONG.
ALT . 412 m ALT.
300 300
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1 092
1 092
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EXC 4b'3
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4 00 40 0 400
LAT LAT 19°27"5 LAT . 17°51 s
LONG 44-' 15"W LONG. 4 1°30'\"1
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600 CAO 100 mm
PAEC. 1 , 440
EP. 915
soo ER. 863
EXC. 577
OEF. 52
1m 59 . 65
400
LAT. 21 °02'S
LONG. -45° 15'W
363 ALT 893m
300

20 0

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600 CAO 100 mm 6oo CAD. tOO mm 600 CAD. 100m:n
PREC. 1. 262 PAEC. 1. 481 PREC. 1. 2t t

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400 LAT 21 °07'5
400 400
LAT. 19°45'5 LAT 20."45'5
LONG 4~56W LONG. 47055"\\' LCNG. 4~ 0 52 "/J
A LT 349m ALT. 138m ALT. G58m
I 300 3e7 300 222
I

200 200

100 100

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TABELA SINTESE : BALANCO HIDRICO DAS ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS
SELECIONÁDAS - CAD. ELEITA : 100mm.

SAO PAULO CEARA - PERNAMBUCO - PARA - AMAZONAS RONDÜNIA

a) Coordenadas geográficas, altitude e perlodo operacional.

PERIODO OPERACIONAL
COOROENADAS
ESTACÕES GEOGRÁFICAS ALTI -
METEOROLÓGICAS TUDE Precipitação Temperatura
SELECIONADAS
. .~ o I Long
Latrtu tudoi-
(mJ
Série I Numero I Fonte
de Anos Sério I Numero
de Anos
I Fonte

sAo PAULO
O1 - Águas da Prata 21 •56' 46•44' 820 1919-1942 24 SETZER 1919-1932 14 SETZER
02- Aracatuba 21 ' 12' 50•26' 400 1931-1970 40 INEMET 1938-1942 5 INEMET
03- Barietos 20•33' 48•34' 554 1931-1970 40 INEMET 1944-1949 6 INEM ET
04 - 8uritis 20•13' 47•44' 630 1933-1945 13 SETZER 1901 -1932 32 SET2ER
05- Franca 20•32' 47'25' 1 035 1931 -19i0 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
06- Presidente Epitãcio 21•46' 52•07' 270 1914-1938 25 SET2ER 1914-1938 25 SET2ER
07- Presidente Prudente 22•00' 51•00' 460 1931-1970 40 INEMET 1948-1968 21 INEMET
08- São José do Aio
Pardo 21•36' 46•53' 700 1928-1940 13 INEMET 1928-1940 13 INEMET

CEARÁ

01- Aiuaba 06•38' 40•07' 350 1932-1967 36 DNDCS


02 -Araripe 07•13' 40•08' 605 1912-1967 56 DNOCS
03- Cococi 06•25' 40•30' 360 1934-1967 34 ONOCS
04- Crato 07•13' 39•23' 421 191 2-1967 56 ONOCS
05- Crateús 05•11' 40•40' 275 1910-1967 58 ONOCS
06- Granja 03•07' 40•:i0' 009 1911 -1967 57 DNDCS
07 - Jardim 07•35' 39•17' 630 1911 -1967 57 DNOCS
08- Nova Russas 04•42' 40•35' 241 1920-1967 48 DNOCS
09 - São Benedito 04•03' 40•52' 903 1912-1967 56 ONOCS
10 - Tauã 06•01' 40•26' 356 1912-1967 56 ONOCS

PERNAMBUCO

01 - Araripina 07'33' 40•35' 620 1935-1967 33 DNOCS


02 - Exu 07•31' 39•43' 510 1935-1967 33 ONOCS
03 - Ouricuri 07•53' 40•04' 432 1931-1970 40 DNOCS
04 - Petrolina 09•23' 40•30' 376 1931-1970 40 DN OCS

PARÁ

01- Alio Tapajós 07•20' 57'30' 125 1931-1970 40 INEMET 1931-1960 30 INEMET
02- Jacaré · a · Can-
ga 06•16' 57'44' 100 1931-1970 40 FA8 1951 -1965 15 INEMET
03- Salinépolis 00•39' 47•23' 14 1931 -1970 40 INEMET INEMET
04 - Serra do Cachimbo 09•22' 54•54' 432 1931-1970 40 FA8 1956-1968 13 INEMET

AMA20NAS

01- Humaitã 07•31' 63•02' 75 1931-1970 40 INEMET 1930-1942 13 INEMET


02 - Manicoré 05•49' 61 •18' 80 1914-1938 25 DNAEE 1931-1942 12 INEMET

RONOONIA

OI - Porto Velho 08•4 6' 63•55 ' 105 1931-1970 40 INEMET 1928-1942 15 INEMET
02 - Vilhena 02•43' 60•03' 620 1931 -1 942 12 INEMH 1931 -1942 12 INEMET

160
TABELA SINTESE : BALANÇO HIDRICO DAS ESTAÇ0ES METEOROLOGICAS
SELECIONADAS - CAD. ELElTA : 100mm.

SAO PAULO - CEARA - PERNAMBUCO - PARA AMAZONAS - RONDONIA

b) Balanço hldrico

BALANÇO HIDRICO
ESTAÇ0ES
METEOROLÓGICAS Tempe· Precipi- Excedente Déficit
SELECIONADAS EP PEF ER
r atura taçlo
(•C) (mm ) (mm) (mm) (mm ) (m m) I n~esos (mm) I meses

SÃO PAULO

01 -Águas da Prata 20,5 .1 621.0 966,0 655,0 938,0 683,0 nov/abr 28,0 meio, jul/set
02- Araçatuba 22,5 1 180,2 1 145,1l 35.0 1 032,0 148,0 jan/mar 113,0 abr/sut
03- Barretes 22,4 1 137,5 1 103,0 35,0 924,0 214,0 - dez/mar 179,0 abr/set
04-Bwitis 22,8 1 513,0 1 099,0 414.0 . 954,0 559,0 nov/mar 145,0 meio/set
05- Franca 20,0 1 508,4 941,0 567,0 851,0 657,0 nov/abr 90,0 maio/set
06- Presidenta Epitâcio 21,6 1 225,0 1 057,0 168,0 052,0 173.Q nov/mar 5,0 abr, )UI/ago
07- Presidente Prudente 22,2 1 241,0 1 108,0 133,0 1 071,0 170,0 janfmar 37,0 · libr, JUl/let
08- Slo José do Rio Par-
do 21,0 1 345,6 1 010,0 336,0 922.0 424.0 nov/mar 88,0 abr/slt

CEARA

01 -Aiuaba 25,3' 533.0 1 422.0 889,0 533,0 0.0 889,0 ebr/fev


02-Araripe 24.0' 597,0 1 224,0 632.0 558,0 34,0 mar 666,0 maio/jan
03- Cococi 25,3' 500,0 1 423,0 833.0 590,0 0.0 833,0 ebr/jen
04 -Crato 24,6 " "1 061,0 1 350,0 289,0 826,0 235,0 tev/~br 524,0 maio/doz
05- Crateús 25.9" 701,0 1 548,0 847,0 "687,0 14.0 abr 861 ,0 maio/jen
06- Granja 27,6" 1 012.0 1 763,0 751,0 830,0 182.0 mar/abr 933,0 maio/jan
07-Jardim 23.7" 783,0 1 196,0 415,0 764,0 19,0 abr 434,0 maio/jan
08- Nova Russas 26.4' 905,0 1 594,U 789.0 711,0 94,0 mar/abr 883,0 maio/jan·
09- SI o Banedito 23,4" 1 962,0 1 175,0 787,0 890,0 1 072,0 f•v/jun 285,0 jul/dez
10- Tauã 25,3 ' 612,3 1 423,0 811,0 612,0 0,0 811,.0 majo/jan

PERNAMBUCO

01 - Araripina 23,4" 632,0 1 210,0 - 578,0 604,0 28,0 mar 606,0 abr/dez
02- Exu 24.2" 826,0 1 264,0 - 438,0 ·813.0 13,0 abr 451,0 maio/jan
03- Ouricuri
04 - Petroline
24,7"
26,4"
622.0
381,0
1
1
351,0
590,0
--1 729.0
209,0
622,0
381 ,0
0,0
0,0
729,0
1 209,0
abr/fov
jan/dez

PARA

01 -Alto Tapajós 25,3 2 654,4 1 434,0 - 1 220,0 l 251 ,0 1 4·o3:o out/meio 183,0 jun/set
02 -Jacaré - a. Canga . 25.3 2 065,7 1 432,0 633,0 · H84,0 881,0 dez/maio 248,0 jun/out
03- Sefinópolis 26,3 2 767,3 1 597. 0 1 170,0 1 150,0 1 617,0 jan/jun 447;0 ago/dez
04- Sena do Cachimbo 24,7 2 177,7 1 339,0 839, 0 1 092,0 1 086,0 out/abr 247,0 meio/ego

AMAZONAS . :
01- Humaité 25,5 2 287,1 1 465,0 " 822. 0 1 294.0 993,0 nov/maio 171,0 jun/sel
02 - Menicoré 26,6 2 704,0 1 646. 0 1 058,0 1 479,0 1 225,0 out/maio 167,0 jun/ago

RONOONIA

01 -Porto Velho 25.0 2 191 ,0 380,0 . 812,0 1 205,0 987,0 nov/maio 175,0 jun/set
02- Vilhena 20.4 2 074,4 928,0 1 148,0 849.0 1 227,0 out/abr 79,0 maio/ago

' Valores de temperaturas estimados segundo equação de regressão m6ftipfa.

161
TABELA SINTESE: BALANÇO HIORICO DAS ESTAÇÕES METEOROLOGICAS
SELECIONADAS - CAD. ELEITA: 100mm.

SÃO PAULO - CEARA - PERNAMBUCO - PARA - AMAZONAS - RONDÔNIA

c) Indicas climáticos a tipologia climática .

ESTAÇOES INDICES CLIMATICOS


METEOROLÓGICAS TIPOLOGIA
SELECIONAOAS CETv CLIMATICA
Ih ln lno ET (%)

SÃO PAULO

01 - Águl! da Prata 70.70 2,90 68,96 966,00 31,16 B ar 2 B'~a'


02 - Araçatuba 12.93 9,87 7,00 1 145,00 32,66 C2r2A' 1a'
03- Barretos 19,40 16,23 9,66 1 103,00 31,10 C2r~8 ' 4 a'
04- Buritis 50.86 13,19 42,95 1 099,00 30.57 B2r:!8'4a'
05- Franca 69.82 9,56 64.08 941,00 30,18 Ba~ 2 B'aa'
06- Presidente Epitâcio 16,37 0,47 16,08 1 057,00 33 ,59 C2r,8' 4a'
07 - Presidente Prudente 15,30 3,30 13,40 1 108,00 33,20 C2r28'4a'
08- Si o José do Rio Pardo 41 ,98 8.71 36,75 1 010,00 32.48 B1r2 8' 4a'

CEARÁ

01- Aiuabe 0,00 62,52 - 37,51 1 422,00 25,6 7 D d,A'ta'


02- Araripe 2,78 54,41 -29,87 1 224,00 25,16 D d,A' 1a'
03- Cococi 0,00 58,54 -35,12 1 423,00 25,16 D d1A'2a'
04- Crato 17.41 38,81 -5,88 1 350,00 26,22 C1wA' 2a•
05- Crateú• 0,90 55,62 - 32,47 1 548,00 25,65 D d2A'3 a'
06- Granja 10,32 52,92 -21,43 1 763,00 24,22 O wA'5a'
07 -Jardim 1,59 36,23 -20.15 1 198,00 25.71 Od2A' 1a'
08 - Nova Russas 5,90 55.40 -27,34 1 594,00 25,28 Od,A'·4o'
09 -São Benedito 91 ,23 24,26 76,68 1 175,00 24,34 81i A'1a'
10- Tauá 0,00 56,99 -34,99 1 423,00 25,16 O d1A'2 a'

PERNAMBUCO

01 - Araripina 2,31 50,08 -27,74 1 210,00 25,45


02- Exu 1,03 35,68 -20,38 1 254,00 25,79
03- Ouricuri 0,00 53,96 -32,38 1 351,00 26,20
04- Petrolina 0,00 76,0 -45,6 1 590,00 28,1

01- Alto Tapaiós 97,84 12,76 90,16 I 434,00 24,69 B 4 r 2 A' 3 ~'
02- Jacaoé - a - Canga 61,52 17,32 51,13 1 432,00 23,53 B:!r2A'aa'
03-Salinópolis 101,25 27,99 84,46 1 597,00 24,86 B4s A' 4 a'
04- Serra do Cachimbo 81,11 18,45 70,04 1 339,00 24,8 7 B,wA'2 a'

AMAZONAS

01-Humaitâ 57.78 11,67 C0.7 6 I 465,00 24,30 Bjr2A'3a'


02- Manicorê 74,4 10,1 68,3 1 646,00 24,97 B,r2A',a'

RO NOONIA

01 - Pano Velho 71.52 12,68 63,91 I 380,00 25,94 B~r1.A'2a'


02- Vi lhena 132,22 8,51 127,11 928,ü0 25,65 A2r28' 1a'

162
BARRETOS - ~p
AGUAS DA PRA TA - SP ARAÇATUBA - SP
600 100 mn 600 CAD. 100 mm
CAD 600 CAD t OO mm
N l EC 1 62 1 PREC 1 180 PREC . 1 138

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EP 936 EP. 1 145 EP. 1 , 10)
. ,0 0 en 938 EA 1 .032 soo ER . 920
EXC 683 ,00
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LAT 21 " 513 s 4 00 ''" 400
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LONG. so<t26'W
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CAD. 100 mm C AD. 100 mm CAD. 100 mm
-600 600 6 00
PA EC. 1 ~I J PREC. , . .508 PREC. 1. 225

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300 229 300 300

200 200 200

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CAD. 100 mm
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(P. I 108 EP 1 0 10 PREC. 533
EA 1 07 1 ER. 922 EP I 422
,00 EXC 170 , 00 c. c 42 4 ,00 E R. 5:)3
OEF .!7 OEF e5 exc. o
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OEF.
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300 300 ALT. 350m
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