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Revolução Marginalista

Esse material foi organizado a partir das referências indicadas para a


leitura e tem um caráter apenas de apoio às aulas. Neste sentido, não
é autoral e nem está referenciado em normas formais.
• A chamada revolução marginalista não pode ser considerada como
um corpo teórico sem divergências internas, porém, é apresentada
aos estudiosos da teoria econômica – principalmente na
compreensão de parte da economia política e/ou da história do
pensamento econômico – a partir de seus elementos comuns, seja
por sua base utilitarista, por sua ligação com o positivismo, pela
aceitação da chamada Lei de Say, pelos pressupostos do equilibrismo
ou pela busca da formalização como tentativa de dar credibilidade
científica à ciência econômica.
História do Pensamento
Econômico
CAPÍTULO 6:
O Subjetivismo Racionalista
Hunt
Cinco premissas da teoria da utilidade
• Primeiro, a especialização do trabalho e o isolamento dos produtores
levaram os indivíduos a considerar-se não como parte integrante de
um todo socioeconômico interligado e interdependente, mas como
unidades isoladas, atomizadas, cada qual preocupada com sua
própria sobrevivência contra as forças impessoais e imutáveis do
mercado.
Cinco premissas da teoria da utilidade
• Em segundo, aceitando o caráter competitivo e egoísta da natureza
humana, os teóricos dessa corrente passaram a achar, cada vez mais,
que todos os motivos humanos eram causados pelo desejo de obter
prazer e de evitar a dor. Essa crença chama-se utilitarismo e é a base
filosófica da teoria do valor-utilidade e da moderna economia
neoclássica (embora, no século XX, os economistas neoclássicos
tenham feito muito esforço para disfarçar, conforme veremos, a base
utilitarista de suas teorias).
Cinco premissas da teoria da utilidade
• Em terceiro lugar, a especialização econômica criava,
necessariamente, uma dependência completa, tanto individual
quanto social, do funcionamento, com êxito, do mercado. Os
produtores especializados não poderiam viver se não conseguissem
vender suas mercadorias em troca de moeda e comprar a variedade
de mercadorias de seus produtores especializados, necessária para
eles se manterem. Portanto, um mercado que funcionasse com
relativa liberdade era parte necessária do modo de produção
capitalista – muito embora pudesse ser desnecessário para modos de
produção anteriores ou para modos de produção futuros.
Cinco premissas da teoria da utilidade
• Em quarto lugar, o pré-requisito mais importante da especialização
produtiva era a criação e a acumulação de ferramentas, maquinaria e
fábricas novas e mais complexas, quer dizer, a acumulação de capital.
É óbvio que os próprios meios de produção só podem ser produzidos
e acumulados se uma parcela significativa da capacidade produtiva da
sociedade for destinada à produção deles, em vez de se destinar à
produção de alimentos, abrigo, vestuário e outros bens de consumo.
Assim, a acumulação de capital exige um custo social que, caso o
capitalismo seja aceito como natural, será pago pelo capitalista,
justificando moralmente os lucros com base nos sacrifícios feitos
pelas capitalistas.
Cinco premissas da teoria da utilidade
• Em quinto lugar, à medida que o sistema de mercado capitalista foi se
desenvolvendo, foi aumentando a concorrência entre os capitalistas. Auferir
lucros não era um fato casual, relaxante e romântico. Cada capitalista tinha de
enfrentar concorrentes que queriam vender a preços mais baixos que os seus,
colocá-lo fora do mercado e destruí-lo economicamente. Auferir lucros dependia
de conseguir certo grau de controle calculado, racional e previsível sobre as
matérias-primas, o trabalho, os gastos de produção e de transporte e as vendas
finais no mercado.
• O comportamento humano nunca era explicado como meramente habitual,
caprichoso, acidental, supersticioso, religioso, altruísta ou, simplesmente,
emocional e não racional. Todos os atos humanos passaram a ser vistos como
consequência de decisões calculadas, racionais, nas quais o indivíduo agia de
modo muito parecido com um contador, ponderando todos os lucros (prazeres) a
serem obtidos com determinado ato, deduzindo todos os custos (dor) a serem
causados por esse ato e, depois, escolhendo racionalmente o ato que
maximizasse o excesso de prazer sobre a dor.
Jeremy Bentham (1780)
• Existem dois mestres soberanos – A dor e o prazer
• Único principio: o desejo de maximizar a utilitade
• O prazer e a fuga a dor podem ser quantificáveis: ciência do bem-
estar ou da felicidade
• Onde não há utilidade não pode haver valor
• Oferta cria demanda e poupança cria investimento
Jean-Baptiste Say (1821)
• O valor de troca de uma mercadoria é totalmente determinado pelo
seu valor de uso ou utilidade
• “Agentes de Produção” se combinam para fazer mercadorias. O
resultado natural da economia capitalista é a harmonia e não o
conflito de classes
• Os indivíduos só conseguem coisas úteis com sacrifício: os
trabalhadores trabalhando e os capitalistas com prudência no
consumo
Jean-Baptiste Say (1821)
• Não foi Say o primeiro a falar sobre a tendência natural ao equilíbrio
no livre mercado, mas o nome que ficou foi “A lei dos mercados de
Say”
• Para o autor o papel da moeda é neutro. Impossibilidade de
superprodução e desemprego involuntário
Nassau Senior (1830)
• Uma preocupação para Senior era os salários se transformarem em
reflexo da necessidade de cada trabalhador e não o resultado do livre
mercado
• Com a determinação de uma remuneração para a subsistência os
trabalhadores poderiam achar que mereciam existir, mesmo sem
trabalhar
Nassau Senior (1834)
• Reformulou a Lei dos Pobres (1834)
• (1) os trabalhadores deveriam aceitar qualquer trabalho que o mercado
oferecesse, independente das condições de trabalho ou da remuneração
oferecida;
• (2) qualquer pessoa que não achasse ou não pudesse achar emprego
deveria receber apenas o suficiente para não morrer de fome;
• (3) a assistência prestada a essa pessoa deveria ser substancialmente
menor do que o salário mínimo oferecido pelo mercado, e sua situação
geral deveria ficar tão miserável e estigmatizá-lo de tal modo, que ele se
motivasse a procurar qualquer emprego, independente da remuneração ou
das condições de trabalho.
Nassau Senior
• Metodologia de Senior: primeira definição explícita de uma
abordagem “neoclássica”, buscando conferir neutralidade científica à
economia
Quatro proposições de Senior:
1) Todo homem quer mais riqueza com o mínimo de esforço;
2) A população é limitada pelo medo da falta
3) Mais trabalho pode gerar mais riqueza
4) Há produtividade marginal decrescente do trabalho agrícola
A ideia geral de utilitarismo
• Com base no utilitarismo que perpassa de Bentham e Senior a Say,
parte-se do pressuposto de que a busca por um valor absoluto é uma
tarefa desnecessária e que o valor imputado aos bens e serviços
produzidos na economia é determinado pela utilidade que
proporciona ao agente que os demanda, dando prosseguimento à
máxima de que o homem, independentemente da sociedade, do
período histórico e como todos os animais, busca fugir da dor e
aproximar-se do prazer.
História do Pensamento
Econômico
CAPÍTULO 10:
O Triunfo do Utilitarismo
Hunt
A ideia geral de Marginalismo
• Diferentemente ao utilitarismo clássico, os ditos revolucionários
puderam generalizar o formalismo a partir da noção de utilidade
marginal, em que agentes (indivíduos e firmas) racionais calculam
acréscimos em uma utilidade já existente à medida que se deparam
com a possibilidade de aumentá-la ou de diminuí-la, definida a partir
do cálculo da inserção de uma unidade a mais de determinado bem
ou serviço.
William Stanley Jevons (1835-1882)
• O valor (preço) depende inteiramente da utilidade
• Assim tem-se uma teoria da utilidade marginal e da troca
• Maximizar o prazer é o problema da economia
• Afirmo que todos os autores sobre a economia tem de ser
matemáticos para poderem ser científicos
• A harmonia social é o estado natural do capitalismo de mercado
Carl Menger (1840-1921)
• Criador da curva de demanda
• Definiu que para ser ciência a economia deve analisar as firmas e as
famílias como unidades individuais

Marie-Ésprit-Léon Walras (1834-1910)


• Supôs a economia em concorrência perfeita
• O valor de troca (preço) é natural em sua essência
• A demanda geral é igual a oferta geral
Formalização da Economia
Neoclássica
Pressupostos da Concorrência Perfeita
• Atomização do mercado: existência de grande número de
compradores e de vendedores atuando isoladamente, que se
comparado ao tamanho do mercado, nenhum deles conseguem
influenciar no preço. Assim, os preços dos produtos são fixados
uniformemente no mercado;
• Produtos homogêneos: isto é, são substitutos perfeitos entre si; dessa
forma não pode haver preços diferentes no mercado. Os
compradores são indiferentes em relação às firmas (vendedores) no
momento de adquirir o produto;
Pressupostos da Concorrência Perfeita
• Informações simétricas: transparência de mercado, ou seja, existe
completa informação e conhecimento sobre o preço do produto. Assim,
nenhum vendedor colocará seu produto no mercado por um preço inferior
ao do concorrente; da mesma forma, os consumidores não estariam
dispostos a pagar um preço superior ao vigente;
• Livre mobilidade de capital e trabalho: a entrada e saída de firmas e
trabalhadores no mercado são totalmente livres, não havendo barreiras
legais e econômicas. Isso permite que agentes menos eficientes saiam do
mercado e que nele ingressem outros mais eficientes e,
• Lucratividade normal: consiste em lucros que apenas remunerem fatores
de produção, isto é, inexistem lucros extraordinários.
Oferta, Demanda
Equilíbrio de Mercado
Formalização matemática
• 𝐷 = 𝑓 (𝑃) coeteris paribus
• 𝑂 = 𝑓 𝑃 coeteris paribus

• 𝑫(𝒙) = 𝟏𝟎𝟎𝟎 – 𝑷(𝒙) + 𝑷(𝒚) – (𝑷𝒛) +/− 𝑹


• 𝑶(𝒙) = 𝟕𝟓𝟎 + 𝑷(𝒙) – 𝑷(𝒊) + 𝑻
Quadro 8 – comportamento da firma no curto prazo a partir do
aumento da produção
Produção Custo Receita Lucro Custo Receita
Preço
Vendas Total Total Total Marginal Marginal
0 10 5 0 -10 - -
1 15 5 5 -10 5 5
2 18 5 10 -8 3 5
3 20 5 15 -5 2 5
4 21 5 20 -1 1 5
5 23 5 25 2 2 5
6 26 5 30 4 3 5
7 30 5 35 5 4 5
8 35 5 40 5 5 5
9 41 5 45 4 6 5
10 48 5 50 2 7 5
11 56 5 55 -1 8 5

𝐶𝑚𝑔 = 𝑅𝑚𝑔 = 𝑃
Concorrência Imperfeita e práticas de
mercado
• Monopólio (Monopsônio)
• Concorrência Monopolista
• Oligopólio (Oligopsônio)

• Cartel
• Truste
• Dumping
• Holding

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