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Instituto IDEIA apresenta:

ESPETÁCULO “VIDA DE ARTISTA”


“O BRASIL É TODO INDIO”
Montagem teatral com base na pesquisa de coletânea de textos, contos e
lendas indígenas. Com danças, músicas em homenagem aos precursores da
história brasileira: Os índios

ABERTURA - A ORIGEM

Coreografia 1: ( Todos os atores) Dança dos Animais


Música 1: Dança dos Animais
(Balé contemporâneo, sombra e iluminação surreal)

CENA 1

CADA PINGO DE CHUVA

Elenco: Willian (de Fundo Música 2 – Txopai)

Antigamente, na terra, só existiam bichos e passarinhos, macaco,


catitu, tamanduá, tiú, e tantos outros animais. Naquele tempo, tudo era Alegria.
Os bichos e passarinhos viviam numa grande união. Cada raça de bicho e
passarinho era diferente, tinha seu próprio jeito de viver a vida.
Um dia, no azul do céu, formou-se uma grande nuvem branca,
que logo se transformou em chuva e caiu sobre a terra. Ela caiu... Caiu... E
quando estava terminando, o último pingo de água que caiu se transformou
em um índio.
O índio pisou na terra, começou a olhar as florestas, os pássaros
que passavam voando, a água que caminhava com serenidade, os animais que
andavam livremente e ficou fascinado com a beleza que estava em seu redor.
Conhecia a época boa de plantar, de pescar, de caçar e as ervas boas para
fazer remédios e seus rituais.
Durante o dia, o sol iluminava seu caminho e aquecia seu corpo.
Durante a noite, a lua e as estrelas iluminavam e faziam suas noites mais
alegres e bonitas. Quando era tardinha, apanhava lenha, acendia uma
fogueirinha e ficava ali olhando o céu todo estrelado.
Pela madrugada, acordava e ficava esperando clarear para
receber o novo dia que estava chegando. Quando o sol apontava no céu, o
índio começava o seu trabalho e assim ia levando sua vida, trabalhando e
aprendendo todos os segredos da terra.
Um dia, o índio estava fazendo ritual e enxergou uma grande
nuvem. Então, uma forte chuva caiu. Cada pingo de chuva ia se
transformando em índio. Depois que a chuva parou de cair, os índios estavam
por todos os lados.
O índio reuniu todos os outros e falou: Olha parentes, eu cheguei
aqui muito antes de vocês, mas agora tenho que partir. Os índios perguntaram:
- Pra onde você vai? O índio respondeu: - Eu tenho que ir morar lá em cima no
ITOHÃ, porque tenho que proteger vocês. Os índios ficaram um pouco tristes,
mas depois concordaram. – Tá bom, parente, pode seguir sua viagem, mas
não se esqueça de nosso povo.
Depois que o índio ensinou todas as sabedorias e segredos,
falou: O meu nome é “Txopai” . De repente, o índio se despediu e foi
subindo.... subindo... até que desapareceu no azul do céu, e foi morar lá em
cima no “ITOHÔ. Daquele dia em diante, os índios começaram suas
caminhadas aqui na terra.

Coreografia 2: ( Todos os atores ) Despedida de Txopai e Dispersão dos


índios pela Terra.
Música 3: Despedida e Dispersão

(O texto será declamado ao mesmo tempo do final da música, a personagem


representa um apelo através do vento, uma brisa, nuvem ou lua.)

Texto: Iva de Oliveira


Ao próximo

Hoje o céu é todo índio


Mistura de mar amar
Como flor e espinho assim juntinhos.
Hoje é cor nativa essa terra tropical
Linda flor
Que encanta as estrelas
Os tons e os tambores.
Germina a vida por entre pedras
Restitui na pele, o humano.
Hoje, nas mãos, o cheiro de mato
E orvalho.
É África que respira os olhos
Os lábios e o luar.
No ar, um lampião
Na Serra, um canto
Soante em verso visível
Na boca da gente nativa,
Sertanejo ser.
Hoje a terra é toda ela
Chão
Plantação
É chuva serena
É semente
É sorriso
É vida orvalhada
Na vida do irmão.
CENA 2

O BRASIL ANTES DE CABRAL

Elenco: Sávio
(Roupa de professor de história: óculos, sapato bem lustrado e livros)

As terras do extremo sul do Brasil, que ficam as margens de um


imenso lago foram povoadas por um sonho. Dizem que os índios chegaram
aqui através de uma marcha migratória épica gigantesca, iniciada há mais de
dois mil anos, e que rasgou o Brasil de norte a sul.

Eles partiram na Amazônia navegando rios desconhecidos,


atravessando vales, florestas e matas nunca vistas, lutavam com quem eles
cruzavam no caminho e até devoravam os inimigos para absorver-lhes a força,
tudo por que o sonho os guiava. Eles buscavam a terra sem males.

A água e a caça eram abundantes a florestas pródigas, mas,


certamente as searas e morros onde se estabeleceram não era a terra
prometida. Não se sabe ao certo por que foram ficando, foram plantando suas
roças, erguendo suas choupanas de formato oval onde viviam os clãs, todos
cuidavam das crianças e os únicos bens particulares eram a rede de dormir, as
armas e os adornos de plumas. Com eles se enfeitavam para celebrar a vida
em grandes festas no centro da aldeia.

Se os índios acreditassem no demônio, teriam certeza que ele


tinha pele branca, barba selvagem e que usava botas de couro.

Música: Pindorama . Cantada pelos alunos ( Aliny, Letícia, Flaviana, Levy,)


Ou cantor convidado.

CENA 3

A DESCOBERTA
Elenco:
 Narrador 1- Larissa
 Narrador 2 - Larissa
 Cabral - Érica
 Pedro Vaz - Glézia
 M 1- Sheila
 Marinheiros – Nádia, Iara.

Entram marinheiros cantando “Marinheiro sô, quem te ensinou a nadar”


( Sheyla, Larissa, Nádia,)
Narrador 1 – Dom Manuel em Portugal ambicioso como rei avisou para o
Cabral
Narrador 2 – (gritando ) Cuidado com genovês! Vai depressa a todo pano
antes que o americano tome tudo de uma vez.
Narrador 1 – E Cabral bom comandante querendo ao rei ser gentil.
Narrador 2 – Atirou-se no mar distantes e partiu.
Narrador 1 – Céu e mar.
Narrador 2 – Céu e mar.
Os dois – Aquela monotonia...
Cabral - (gritando) Terra a vista!
Marinheiros -... (continuam dormindo)!
Cabral – Eu disse terra avista!
Marinheiros -... (continuam dormindo)!
Cabral – (respira fundo) Mulher pelada.
Marinheiros - (todos correm pra ver) Onde? Onde?
Cabral – seus idiotas! Voltem aos seus postos. Pero Vaz... Caminhas vai ver
se isso é o Brasil.
Pedro Vaz – Cabral, Cabral...
Cabral – Sim.
Pedro Vaz – Cabral, Cabral...
Cabral – Sim...
Pedro Vaz – Cabral, Cabral...
Cabral – Estou aqui seu imbecil.
Pedro Vaz – Estou vendo, estou vendo.
Cabral – O quê?
Os marinheiros tocam Tema do Titanic com Flautas ( Nádia...)
Pedro Vaz – Estou vendo, estou vendo.
Cabral – (gritando) O quêeeeeeeee...?
Pedro Vaz – Um monte, um monte!
Cabral – É um o monte Pascoal?
Pedro Vaz – Não! É um monte de bosta.
Cabral – Não é pra esse lado, é pra lá sua cavalgadura.
Pedro Vaz – Sim é o Brasil! Descobrimos, descobrimos o Brasil!
(todos os marinheiro vêem pulando e gritando)
Marinheiros – Descobrimos, descobrimos, descobrimos o quê?
Cabral – Descobrimos o Brasil
Marinheiros – ah!!!!! Tenho mais o que fazer..
Cabral – Que dia é hoje?
M1 – Sei lá olha na folhinha
Cabral – Isso! A folhinha a folhinha, e adianta olhar na folhinha todo mundo
mexe na bosta dessa folhinha.
M1 – é verdade a folhinha na semana passada estava marcando 22 de
outubro.
Cabral – Pero Vaz... Caminha! vai buscar a folhinha.
Pedro Vaz – Sim senhor capitão (sai e volta) a folhinha está sendo usada.
Cabral – Por quem? Jesus!
Pedro Vaz – Sabe como é né? Ainda não inventaram o papel higiênico.
Cabral – Ai Jesus!
M1 – ah! Então chuta um dia qualquer.
Cabral – um dia qualquer... Um dia qualquer... Mas que dia?
M1 – Deixa comigo, que dia estava marcando?
Pedro Vaz – O marinheiro disse que estava marcando 11 de novembro, mas
ele disse que ia usar de três a quarto dia pra organizar nosso calendário.
M1 - De três a quarto dias... Tai 15 de novembro.
Cabral – 15 de novembro vai ser a proclamação da república.
Pedro Vaz – 12 de outubro.
Cabral – Padroeira do Brasil.
M1 – Sete de setembro!
Cabral – Independência do Brasil
Pedro Vaz – Primeiro de maio!
Cabral – dia do trabalho.
M1 – 21 de abril.
Cabral – Tiradentes.
Pedro Vaz – Essa terra vai ter tantos feriados assim?
Cabral – Vai! E é aqui que eu vou morar, e principalmente no Tocantins.
M1 – Então eu não sei.
Cabral – Já sei! Vamos dizer que é 22 de abril.
Pedro Vaz – Não, não, não gostei.
M1 – É mesmo Cabral esse dia só nasce perdedores, preguiçosos e jogador de
futebol.
Cabral – (com raiva) Minha mãe nasceu nesse dia.
M 1 – Sua mãe bate um bolão.
Pedro Vaz – É... Afinal de contas história é uma coisa que não aconteceu
contada por quem não estava lá.

CENA INTERNA - Brasil a descoberto


Elenco: Flaviana e Aline.

Entram dois índios. Um entra com uma máquina de datilografar e se


instala. O outro dita uma carta para o outro escrever.

Manhã em Pindorama!
Longe, bem longe, nas águas cor de anil,
O que viu Peri?
Cabral! Viu Pero Vaz e caminham caravelas, velas brancas.
Viram brancas areias e matas verdes.
Psicodélico pássaro cantarolando no oitizeiro,
Nas palmas dos coqueiros, vento brando se enrolando,
Compondo sonatas à quietude.
Chamando, o chefe rasga o sossego:
- Filha minha, Flor da Manhã, aqui chegai!
- Cá estou, meu pai!

- Dê madeira cor-de-brasa, dê ouro, diamantes,


Muita fruta para nossos visitantes.
De longe vêm atravessando comprida estrada azul,
Companheiros dos deuses das águas e dos ventos...
Amarão o solo, ar, rios, aves, florestas,
O labor do povo desta terra!

Graciosa, a filha do morubixaba, sentada à sombra da palmeira, pensava:


- Que mimos trazer para belos guerreiros, de roupas suntuosas,
Coloridas, diferentes, distintos,
Vindos de terras distantes, cantantes línguas falando? Cativando!
Valiosas e originais, dádivas que irmãos de outras peles,
Um dia se orgulharão nas terras das palmeiras, araras, ter pisado.
Encontrado um porto seguro.
Na luz do sol fixado no solo o sinal do grande Tupã - a cruz!

A bela Flor da Manhã (virgem dos lábios de mel),


Tênue graveto juntou, com traços fortes e vigorosos, gravou na areia:

- Ó senhores de além-mares,
Vossas primeiras pegadas neste chão tropical,
Diante da mesa sagrada de orações,

Cabral – Tripulação! (todos os marinheiros aparecem)


Marinheiros – Sim capitão!
Cabral – Vamos atraca r!
Marinheiros – (todos se agarram)
Cabral – Seus idiotas! Não é pra se atracar é descer lá.
Marinheiros – (todos saem desanimados)
Pedro Vaz – Cabral estou vendo uma índias peladas.
Marinheiros – (todos voltam)
Pedro Vaz – E uns índios armados com arco e flecha.
Marinheiros – (todos saem correndo. Cabral e M1 se escondem)
Cabral – E eles são muitos?
Pedro Vaz – Bom se fosse a PM diria que tem uns 150 índios.
Cabral – E se fosse a CUT?
Pedro Vaz – 40 mil.
Cabral – Ai Jesus! E eles parecem ser amigos?
Pedro Vaz – Sim.
(Cabral sai de trás da escada)
Cabral – E como você sabe?
Pedro Vaz – Eles estão vindo todos juntos.
(Cabral volta para trás da escada)
M1 – O que nós vamos fazer?
Cabral – Vamos mandar um recado pra eles no tambor, felizmente nós
conhecemos a linguagem desses aborígines. Escreve ai.

(Pedro Vaz pega um tambor)

Cabral – Vi em paz, ponto.


(Pedro Vaz toca o tambor com três batidas e mais uma significando o ponto)

Cabral – Trago presentes, dois pontos.

(Pedro Vaz toca o tambor com três batidas e mais duas significando os dois
pontos)

Cabral – Tecidos...

(Pedro Vaz toca o tambor)

Cabral – Um celular com dois chips

(Pedro Vaz toca o tambor)

Cabral – Também azeitonas pretas, azeitonas verdes, bacalhau, vinho do


porto, azeite de oliva extra virgem e alguns Cds de Michel Teló.

M1 – Michel Teló?

Cabral – Sim.

Pedro Vaz – Coitados! O que foi que eles fizeram pra você?

Cabral – E você acha que eu vou entregar os CDs do Latino!


M1 – Preparando para descer Comandante!

CENA 4

UM NOVO TEMPO.

Texto 1: Rony

Os Visitantes trouxeram com eles uma verdadeira arma química. O


extermínio e a expulsão dos índios, aconteceu em três atos: Os explorados de
Riquezas, nunca encontradas; Os religiosos preocupados em catequizar os
selvagens hereges; os caçadores de escravos. De todos, os chamados
Bandeirantes foram os piores, para vencer a resistência dos guerreiros,
jogaram uma nação contra a outra e depois comprava os prisioneiros por
preços módicos. Amarrados uns aos outros, eles formavam longas e
melancólicas filas que seguiam os Cavalheiros a pé. Hoje, aprisionados nesta
escravidão urbana, não resta mais nada, além de migalhas nas calçadas e
ranger dos dentes no asfalto. E viva a modernidade!

Coreografia 3: Serra de Maracaju ( Cantada por Léo Pinheiro)


Com um velho índio sempre em foco.
As cenas que seguem são encenadas com os atores cada um no seu foco
de luz ao mesmo tempo no palco.

(Entra um Riberinho, uma velha índia e um índio bêbado)

O Rosto – Willian
(o ribeirinho)

Aquele rosto nativo


Tão desfigurado
Barba, cabelo
Chinelo de dedo
Suor e cachaça
O que me corroeu
Não foi o bafo
Mas o que corroia ele por dentro.
A fome não tem nome
E o abandono faz o homem anônimo
Aquele não era, um, qualquer
Um dia ele e a sua gente foram os donos
Da Terra Santa, Ilha de Vera Cruz
E agora, ali parado
Mendiga
Um prato de comida
Eu, paralisado,
Nenhuma mísera folha de papel
Se dignaria a registrar a minha indignação.

Indomável -
(a velha índia vendedora de jóias)

Sou descendente de nativos,


A selva minha identidade,
Viver da caça e pesca,
Da coleta e na liberdade.
Destruíram este conjunto,
Tudo é privado, propriedade
Escravos da “civilização”,
“Progresso”, “confinamento”, cidade.
Sonho com este paraíso,
O sabor puro da terra,
Aqui o sol queima na laje,
Poluição e motores que aceleram.
Impregnado na mata infinita,
Barulho do arco, lançar a flecha.
Muitas portas e janelas,
Aqui batem e se fecham.
Íntegros do eco sistema,
Harmonia com fauna e flora.
Viver nas ruas e calçadas,
E pra comer pedir esmola.
Vivendo entre a loucura,
Nada conheço deste mundo.
Nos exploram com outra cultura,
E para o mercado somos vagabundo

Índio - Sávio
(índio bêbado)

Sobre os seixos dos rios


Correm águas sagradas.
Segredos de adubo
Ressurgem no terrário
Passado de areia
Profecia de floresta
Irreversível deserto.

O índio brasileiro
Tange o tacape no tronco
Toco-oco no solo.

Teclem sobre telas


Salvem a seiva dos eucaliptos
Libertem o lápis
Lapsos de verde na mata.
Ouçam a voz do Xamã
Nas flores que o vento traz.
As últimas folhas de papel se soltam do céu.

O índio canta no rio


E a terra se abre,
O vento sagra-lhe o cocar
E o sol acende sua coroa
O grito de luta, ecoa...

Coreografia 4: Música “Um índio” Voz de Zé Ramalho.


(Balé contemporâneo simbolizando a súplica pela preservação de uma
cultura)

CENA 5

AS LENDAS VIVAS

A lenda da Noite
(Odranio)
(Um contador de histórias)
Era no começo do mundo, quando tudo era di dia, todos falavam e
não tinha bicho, casaram a filha de MBOI GUAÇU, “o cobra grande”, mas a
danada não queria se deitar cum noivo purquê num tinha noite. Intão o noivo
apunrriado por ela mandô seus cabra mode buscar a noite na mão de seu
sogro. MBOI GUAÇU deu pra eles um caroço de tucumã e falô pra eles num
abrir, os canoero morrendo de curioso quebraru o danado do caroço no mei
do camim, uma iscuridão medonha tomô conta do ispaço e tudo se transformô.
Os criado transfomaro em macaco, os pescadô que tava remanu viraru pato
e da sua cabeça nasceu o bico do pato, a canoa virô o corpo do bicho e os
remo as perna.

A Lenda da Arvore Naliadigua


(Rony)
(Um mensageiro misterioso)

No tempo passado existia uma arvore cujo cimo frondoso e altaneiro


tocava o céu. Por isso as almas a haviam escolhido para alcançar o
firmamento. À sua frondosa sombra abria-se larga lagoa muito piscosa. Após
a pescaria, costumavam as almas a ela subir para ganhar o páramos
celestiais. Certo dia a alma de uma velhinha foi
mal sucedida na pescaria; e as companheiras egoístas negaram-lhe a
esmola de um peixinho. Enfureceu-se velha e, transformada em capivara,
atirou-se com unhas e dentes ao tronco da arvore até que conseguiu
derruba-la. Foi assim que acabou a escada do céu.
O Valente Gurupi
(Agnes)
(Uma menina prodígio)

O índio Gurupi, ou cacique Gurupi, que deu nome às matas, ao rio, ao


povoado de Gurupi, não é uma lenda. Lendária é a história que o envolve como
guardião do tesouro dos Jesuítas. Os feitos do bravo e astucioso Cacique
foram cantados nos versos dos foliões e suas aventuras contadas pelos
anciões.
Conta-se que quando os jesuítas foram expulsos pelo Marques de Pombal,
as missões possuíam grandes fortunas em ouro. Temendo o confisco de seus
bens pela coroa portuguesa, eles os entregaram aos catecúmenos indígenas
para que os guardassem até que eles voltassem para buscá-los.
Uma parte desse tesouro valioso teria sido entregue aos ancestrais do
Cacique Gurupi, que rumando para o Norte, vieram esconder nas matas do
povoado. O Cacique era um valente caçador, de tribo desconhecida, e tinha
sob seu comando uma plêiade de guerreiros destemidos, afamados pelos
confrontos sangrentos. Os pioneiros diziam que eram índios robustos, de
estaturas elevadas e velozes.
Conta-se ainda que várias expedições de aventureiros varreram os gerais
em busca do tesouro, e que por isso a tribo Gurupi, sentindo-se perseguida,
então vivia como um povo nômade: ora na Serra Santo Antonio, ora nas
margens do rio Gurupi, ora nas cabeceiras do Rio Santo Antonio e nas
margens esquerda do Rio Tocantins.
Eram atrevidos e destemidos, tanto que a estrada Real ( Porto Real –
Corumbá – Goiás Velho ) passava por Peixe, fazendo um grande desvio para
evitar as terras do Cacique Gurupi.
Dizem que Gurupi foi Morto em 1934, num conflito com os moradores da
Vila do Peixe. Os índios guerreiros, perdidos, perambularam até as matas da
ilha do Bananal. E nunca mais foram vistos. Seu nome ficou na cidade,
fundada em ______ por Benjamim Rodrigues Nogueira, mas o tesouros dos
Jesuítas jamais foi encontrado.

A Lenda do Guaraná
(Nádia)
(Uma índia guerreira)

Um casal de índios pertencente a tribo Maués, vivia junto por muitos


anos sem ter filhos mas desejavam muito ser pais. Um dia eles pediram a
Tupã para dar a eles uma criança para completar aquela felicidade. Tupã , o
rei dos deuses, sabendo que o casal era cheio de bondade, lhes atendeu o
desejo trazendo a eles um lindo menino.
O tempo passou rapidamente e o menino cresceu bonito, generoso e bom.
No entanto, Jurupari , o deus da escuridão, sentia uma extrema inveja do
menino e da paz e felicidade que ele transmitia , e decidiu ceifar aquela vida
em flor.
Um dia , o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou
da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente
venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.
A triste notícia se espalhou rapidamente. Neste momento, trovões
ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em
desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo
que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta
cresceria dando saborosos frutos.
Os índios obedeceram aos pedidos da mãe e plantaram os olhos do menino.
Neste lugar cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com
um arilo em seu redor, imitando os olhos humanos.

CENA FINAL – Manakereke.

Música Final – Manakereke. Cantada por Pinheirinho. E Acompanhada por


todos os atores.

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