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O que Deus requer nos mandamentos primeiro, segundo e terceiro?

Primeiro, que conheçamos e confiemos em Deus como único Deus vivo e verdadeiro.
Segundo, que evitemos toda idolatria e não cultuemos a Deus de modo impróprio. Terceiro,
que tratemos o nome de Deus com temor e reverência, honrando também sua Palavra e suas
obras.

Ao Senhor, teu Deus, temerás. A ele servirás, e por seu nome jurarás. DEUTERONÔMIO 6.13–
14

CHARLES HADDON SPURGEON

Deus leva os homens a ver que o Deus revelado na Escritura e manifesto na pessoa do Senhor
Jesus é o Deus criador do céu e da terra. O homem forma para si um Deus segundo seu próprio
gosto; se não o faz de madeira ou de pedra, o homem faz imagens do que chama de sua
própria consciência, pensamento cultivado, uma divindade segundo seu gosto, que não será
muito severa com suas iniquidades nem dará estrita justiça aos impenitentes. Ele rejeita Deus
tal como é, elaborando outros deuses, como acha que o Ser Divino deveria ser, e diz, quanto a
essas obras de sua própria imaginação: “Eis os teus deuses, ó Israel!”. Mas o Espírito Santo,
quando ilumina as mentes, conduz-nos a ver que Jeová é Deus e que, além dele, não há
nenhum outro. Ele ensina seu povo a conhecer que o Deus do céu e da terra é o Deus da Bíblia,
um Deus cujos atributos são completamente equilibrados: misericórdia atendida por justiça,
amor acompanhado de santidade, graça revestida de verdade e poder ligado a sensibilidade.
Ele não é um Deus que vê o pecado com leviandade, muito menos que se agrada com ele,
como supõe-se serem os deuses dos pagãos, mas é um Deus que não pode olhar a iniquidade
e que jamais poupará os culpados. Essa é a grande contenda dos dias atuais entre o filósofo e o
cristão. O filósofo diz: “Sim, se você quiser, um deus, mas ele tem de reunir tais características,
conforme eu disponho dogmaticamente agora diante de você”. O cristão, por sua vez, replica:
“Nosso trabalho não é inventar um deus, mas obedecer ao único Senhor que é revelado nas
Escrituras da verdade”.

JOHN LIN

Os primeiros três mandamentos mostram como devemos viver em relação à luz e na luz do
Deus vivo único e verdadeiro.

O primeiro mandamento nos diz que não podemos ter outros deuses senão Deus. Ele tem de
ser objeto exclusivo de nossa adoração, objeto máximo de nosso amor e desejo. O segundo
mandamento é similar e nos diz que não devemos adorar a Deus de acordo com nosso próprio
conceito de Deus, o que a Bíblia chama de idolatria. Devemos adorar a Deus de acordo com
quem ele é, e não conforme aquilo que queremos que ele seja. Noutras palavras, não adorem
falsos deuses, e não adore a Deus de modo falso.

O terceiro mandamento é, na verdade, semelhante aos dois primeiros. Não podemos usar
equivocadamente o nome de Deus ou tratá-lo mal. Sabemos que o nome de Deus descreve
seu caráter, a essência de seu ser, razão pela qual ele disse a Moisés que seu nome é “EU
SOU”. Noutras palavras, Deus diz: “Meu nome significa que sou auto existente e eterno”. Não
tomar o nome de Deus em vão não significa simplesmente que existem certas palavras que
possamos ou não dizer. Significa que, quando falamos de Deus, quer por palavras, quer por
estilo de vida, temos de honrar plenamente e respeitar quem ele é. Consideremos um pouco
mais os primeiros dois mandamentos. Digamos, por exemplo, que você crê, de todo coração,
que alcançar determinado objetivo em sua vida — prestígio, um tipo de emprego, um
relacionamento com a pessoa de seus sonhos — proverá conforto máximo e responderá a
seus desejos do coração por significado. Cotidianamente, você olha para esse alvo a fim de lhe
prover conforto mais profundo do que Deus. Isso implica quebrar o primeiro mandamento.
Você fez de seu alvo um deus. Prestígio, um emprego ou uma pessoa se tornaram o objeto de
sua adoração.

O aspecto negativo disso é que, quando cultuamos a Deus porque cremos que ele tem de nos
prover conforto, dando-nos o prestígio, o emprego ou o relacionamento que desejamos e
procuramos, violamos os mandamentos. Impomos nosso conceito de quem Deus é sobre
Deus. Criamos um deus desenhado segundo o freguês, ou seja, um ídolo. Esses dois primeiros
mandamentos dizem para que adoremos somente a Deus, que adoremos a Deus como
verdadeiro Deus e não adoremos a um deus projetado ou inventado, um ídolo.

Por que esses mandamentos insistem para adorarmos somente a Deus e para o adorarmos
como ele é, e não como queremos que ele seja? Por que o terceiro mandamento insiste tanto
em honrar e respeitar seu nome e seu caráter? Porque Deus nos criou com um desejo que só
ele pode satisfazer: o desejo por ele. Se estivermos sempre tentando mudar quem Deus é ou
substituí-lo por outra coisa, jamais estaremos em paz. Nunca experimentaremos o verdadeiro
conforto, o verdadeiro significado ou a verdadeira alegria. Jamais seremos inteiros. Mas, se
Deus estiver no centro de nossas vidas – não outro deus ou uma versão revisada de Deus, mas
o Deus vivo e verdadeiro –, estaremos verdadeiramente em paz.

Isso é precisamente a razão pela qual Agostinho escreveu: “Tu nos criaste para ti, e nosso
coração é inquieto até que encontre descanso em ti”.

ORAÇÃO

Único e uno Deus, teu nome está acima de todos os nomes, e chegamos diante de ti com
reverência e temor. Guarda-nos fiéis aos teus mandamentos. Revela-nos quaisquer deuses
falsos que estiverem em nossas vidas. Faze-nos adorar somente a ti em espírito e em verdade.
Amém.