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MANEJO DO SOLO EM SISTEMAS


AGROECOLÓGICOS DE PRODUÇÃO – PARTE 2

Technical Report · January 2015


DOI: 10.13140/RG.2.1.2822.7925

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3 authors:

Marx Leandro Naves Silva Diego Antonio França de Freitas


Universidade Federal de Lavras (UFLA) Universidade Federal de Viçosa (UFV)
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Bernardo M Candido
Lancaster University
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Universidade Federal de Lavras – UFLA
Centro de Educação a Distância – CEAD

CURSO DA EMATER
MANEJO DO SOLO EM SISTEMAS AGROECOLÓGICOS DE
PRODUÇÃO – PARTE 2

Prof. Dr. Marx Leandro Naves Silva


Prof. Dr. Diego Antônio França de Freitas
Eng. Agrônomo Bernardo Moreira Cândido

Lavras/MG
2015

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Ficha catalográfica elaborada pela Coordenadoria de Processos Técnicos da
Biblioteca Universitária da UFLA

Silva, Marx Leandro Naves.


Curso da EMATER: manejo do solo em sistemas agroecológicos de
produção – parte 2 / Marx Leandro Naves Silva, Diego Antônio França de Freitas,
Bernardo Moreira Cândido. – Lavras: UFLA, 2015.
54 p.

Uma publicação do Centro de Educação a Distância da Universidade


Federal de Lavras
Bibliografia.

1. Sustentabilidade. 2. Segurança do solo. 3. Tecnologia conservacionista.


4. Erosão hídrica. 5. Agricultura familiar. I. Freitas, Diego Antônio França de. II.
Cândido, Bernardo Moreira. III. EMATER. IV. Título.
CDD – 631.58

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Governo Federal
Presidente da República: Dilma Vana Rousseff
Ministro da Educação: Aloísio Mercadante

Universidade Federal de Lavras


Reitor: José Roberto Soares Scolforo
Vice-Reitora: Édila Vilela Resende von Pinho
Pró-Reitor de Pós-Graduação: Alcides Moino Júnior

Centro de Educação a Distância


Coordenador Geral: Ronei Ximenes Martins

Curso de Extensão Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável


Coordenadores do Curso: Daniel Carvalho de Rezende, Marcelo Márcio
Romaniello e Luiz Cláudio Paterno Silveira

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO......................................................................................................7
2 SUSTENTABILIDADE DO USO DOS RECURSOS SOLO E ÁGUA NOS
SISTEMAS AGROECOLÓGICOS DE PRODUÇÃO................................................8
2.1 Conceitos de gestão e manejo em sistemas agroecológicos........................9
2.2 Sistemas agroecológicos ............................................................................10
3 Erosão hídrica e impactos ambientais................................................................11
4 PRÁTICAS CONSERVACIONISTAS NOS SISTEMAS AGROECOLÓGICOS...12
4.1 Práticas Vegetativas.....................................................................................12
4.1.1 Florestamento e reflorestamento..........................................................12
4.1.2 Rotação de culturas..............................................................................13
4.1.3 Consórcio de culturas...........................................................................14
4.1.4 Culturas em faixas de rotação..............................................................15
4.1.5 Culturas em faixas de retenção............................................................15
4.1.6 Plantas de cobertura.............................................................................16
4.1.7 Cobertura morta (mulch).......................................................................17
4.1.8 Alternância de capinas..........................................................................18
4.2 Práticas mecânicas......................................................................................18
4.2.1 Cultivo em contorno ou plantio em nível...............................................18
4.2.2 Linhas de pedra....................................................................................20
4.2.3 Terraceamento......................................................................................20
4.2.4 Canais escoadouros, paralelos e divergentes......................................22
4.2.5 Estabilização de voçorocas..................................................................22
4.3 Práticas edáficas..........................................................................................23
4.3.1 Ajustamento da capacidade de uso......................................................24
4.3.2 Controle de queimadas.........................................................................24
4.3.3 Adubação verde....................................................................................25
4.3.4 Adubação orgânica...............................................................................26
4.3.5 Adubação química................................................................................27
4.3.6 Calagem................................................................................................28
4.3.7 Fosfatagem...........................................................................................29
4.3.8 Gessagem.............................................................................................30
5 SISTEMAS DE PREPARO E MANEJO DO SOLO EM SISTEMAS
AGROECOLÓGICOS.............................................................................................31
5.1 Cultivo mínimo.............................................................................................31
5.2 Plantio direto na palha.................................................................................32
5.3 Integração dos sistemas lavoura, floresta e pecuária .................................35
5.4 Sistemas agroflorestais................................................................................37

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

6 TRATOS CULTURAIS PECULIARES DOS SISTEMAS AGROECOLÓGICOS


DE PRODUÇÃO.....................................................................................................40
6.1 Desbaste de plantas....................................................................................40
6.2 Controle de plantas invasoras......................................................................41
6.3 Condução das ramas...................................................................................41
6.4 Polinização...................................................................................................41
6.5 Desbaste de frutos.......................................................................................41
6.7 Proteção da parte inferior dos frutos............................................................42
6.8 Coquetéis vegetais.......................................................................................42
6.9 Compostos orgânicos..................................................................................43
6.10 Uso de biofertilizantes................................................................................43
6.11 Uso do óleo essencial do neem.................................................................44
6.12 Uso do leite como estimulante orgânico....................................................45
6.13 Uso da manipueira.....................................................................................45
7 REFERÊNCIAS ..................................................................................................46

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

1 INTRODUÇÃO

Ao observarmos a paisagem da maioria dos ecossistemas terrestres nosso


olhar é geralmente tomado pela vegetação exuberante, animais interessantes, rios
e lagos ou picos rochosos de extraordinária beleza. Quando se fala em conservação
ambiental, logo pensamos em animais, plantas e água. Raramente nos lembramos
de que essas plantas e animais tiram seu sustento de outro material e que a
qualidade e a quantidade da água também dependem desse mesmo material, esse
material é o solo. Por estar geralmente coberto por vegetação, ele tende a passar
despercebido da maioria das pessoas. No entanto, o solo influencia diretamente
no homem, animais, plantas e água. Mesmo em ambientes urbanos, a influência
do solo é sentida ao se realizarem construções, drenos para as águas pluviais e
depósitos de lixo.

O solo influencia até mesmo a vida nos oceanos, pois essa depende dos
nutrientes minerais trazidos pelas águas dos rios. Não é por acaso que a maior
parte dos animais marinhos está concentrada ao longo dos continentes, sendo a
parte central dos oceanos verdadeiros desertos. É justo, portanto, como já feito,
considerar o solo como o quarto reino da natureza, de igual importância aos
minerais, plantas e animais.

Por ocupar uma posição central na maioria dos ecossistemas terrestres,


ao classificarmos um determinado solo estamos também caracterizando um
determinado ambiente, um ecossistema específico e completo. Ao estudarmos as
relações entre diferentes solos numa paisagem, estamos também caracterizando
as relações entre os diferentes ambientes existentes naquele dado local.

O objetivo com este texto é levar ao leitor noções de sistemas de produção


agroecológico. Abordaremos temas como a sustentabilidade do uso dos recursos
solo e água, e também os aspectos relacionados ao preparo do solo, plantio,
semeadura e tratos culturais; discutiremos os sistemas de cultivo convencional,
mínimo e plantio direto na palha; discutiremos os sistemas de consórcio e rotação
de culturas; as práticas vegetativas, mecânicas de controle da erosão hídrica e
também discutiremos as práticas vegetativas de conservação de nutrientes nos
sistemas agroecológicos de produção.

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2 SUSTENTABILIDADE DO USO DOS


RECURSOS SOLO E ÁGUA NOS
SISTEMAS AGROECOLÓGICOS DE
PRODUÇÃO

O manejo de sistemas agroecológicos considerando a preservação


ambiental aparece no início deste século como a emergência de um processo
de mudança de paradigma, a fim de se prevenir a degradação dos recursos
naturais. Nesse contexto, o desenvolvimento sustentável representa uma
formulação mínima proposta pelas Nações Unidas, como um estilo de
desenvolvimento capaz de garantir as necessidades das atuais gerações
sem comprometer as futuras, envolvendo conceitos que têm sido bastante
discutidos, englobando contribuições de vários setores da sociedade, sendo
bastante relevante o estudo e aplicação desses conceitos em termos práticos
e operacionais.

O sistema solo é definido sob uma perspectiva ambiental como uma


unidade ecológica funcional da superfície da terra, que inclui sedimentos e
rochas permeáveis e águas subterrâneas. O solo apresenta nesse enfoque
várias funções, tais como produção de biomassa; fibras e proteínas; proteção
ambiental; filtragem e transformação; banco genético e fluxo gênico; suporte
infraestrutural de superfícies rurais, urbanas, industriais e tráfego; depósito de
resíduos; fonte de matéria-prima e ainda patrimônio cultural.

Essas funções, quando mal manejadas, deixam o solo sujeito à degradação,


que pode ou não apresentar caráter reversível. As consequências diretas da
degradação é a redução da produtividade das culturas e aumento de problemas
ambientais como erosão, assoreamento de cursos de água, falta de água e
poluição do ecossistema (Silva & Curi, 2001). Em muitos casos desencadeiam
reações que, em última análise, culminarão com empobrecimento, geração
de fome e desemprego. A perda da sustentabilidade do ecossistema pode
provocar, entre outros efeitos, o êxodo rural, com o agravamento de problemas
sociais no meio urbano. Desse modo, o uso sustentado do solo passa a ser
uma questão de sobrevivência das populações.

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2.1 CONCEITOS DE GESTÃO E MANEJO EM SISTEMAS


AGROECOLÓGICOS
Gestão e manejo sustentável representam um conjunto de medidas e
procedimentos que visam reduzir e controlar os impactos introduzidos ao
ambiente, tornando simples o entendimento da estreita relação entre a prática
e a sustentabilidade. Pela gestão e manejo sustentável busca-se qualidade de
vida, o que “a priori” não poderia coexistir com condições de miséria e fome em
uma população. A gestão e manejo ambiental são, portanto, um meio para que se
aumente a qualidade de vida do ambiente, não sendo difícil de entender que, neste
contexto, devem também ser satisfeitas as necessidades básicas de sobrevivência
dos seres humanos.

Uma série de conceitos de gestão e manejo sustentável tem sido


desenvolvida, sendo que a ideia central está associada ao uso equilibrado dos
recursos dos ecossistemas. A definição de indicadores da qualidade do solo
constitui importante instrumento para avaliação da sustentabilidade do sistema
como um todo (Freitas et al. 2012; Cândido et al. 2015). Esses indicadores,
no entanto, devem ser compreendidos dentro de um contexto multidisciplinar,
uma vez que, além dos aspectos físicos, químicos e biológicos, também estão
inseridos os aspectos econômicos e sociais. No caso em questão, relativos à
conservação e qualidade do solo, pois são relevantes para o manejo de sistemas
agroecológicos de produção.

Esses Sistemas de cultivos, que muitas vezes utilizam recursos naturais,


como o solo e a água, devem adaptar-se às novas normas, aplicando princípios de
gestão e manejo ambiental em consonância com o desenvolvimento sustentável. A
tendência nos dias atuais é que sejam assegurados níveis de qualidade ambiental
na exploração de recursos naturais e na extração de matérias-primas utilizadas
nos produtos oferecidos aos consumidores. Isso pode representar forte agente de
pressão sobre fornecedores, produtores e governos.

Os países de regiões tropicais provavelmente enfrentarão as maiores


dificuldades para certificar seus produtos, visando à competitividade no mercado
internacional, com a globalização da economia. Esses países estão vulneráveis
ao protecionismo e restrições impostas por países desenvolvidos, por possuírem
os ecossistemas mais preservados e com maior biodiversidade do mundo. Entre
outros, pode-se citar o uso desenfreado de defensivos e a ocupação dos grandes
ecossistemas (biomas) com lavouras, que quando mal manejadas, contribuem para
a poluição, aceleração do processo erosivo e redução da área de ecossistemas
típicos, citando-se como exemplo, as veredas, o pantanal, o cerrado e a mata
atlântica. Esse quadro aponta para a necessidade do país investir na gestão e

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manejo sustentável dos sistemas agrícolas para a garantia da certificação de seus


produtos e serviços, de acordo com as normas vigentes internacionais, adquirindo
condições que garantam a competitividade de produtos e serviços no mercado
globalizado.

2.2 SISTEMAS AGROECOLÓGICOS


Em um sistema agroecológico são observados diversos aspectos, além
das espécies vegetais e animais. Buscam-se formas de energia que sejam
menos poluentes, como a energia solar, da água e dos ventos. Os rios e lagos
são considerados fonte de água e de alimentos, que devem ser preservados.
As florestas podem fornecer matéria-prima, tal como lenha, madeira e frutos e
auxiliar na manutenção do equilíbrio ecológico e paisagístico. O lixo orgânico e
os resíduos em geral podem ser transformados em adubos de alta qualidade.
Nos sistemas agroecológicos também se busca a produção da própria semente
pelo agricultor, contribuindo para a diversidade das espécies cultivadas como
acontece em alguns países andinos e do sudeste asiático, evitando a total
dependência das grandes empresas produtoras de sementes. Essas ações
integradas garantem a sustentabilidade ecológica, econômica e social do
sistema de produção agrícola.

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3 EROSÃO HÍDRICA E IMPACTOS


AMBIENTAIS

Com a degradação dos atributos do solo, inicialmente, estabelece-se a


erosão laminar que, ao contrário da erosão em sulcos ou das voçorocas, é pouco
perceptível aos olhos dos agricultores, mas traz efeitos altamente destrutivos
ao ambiente (Silva & Curi, 2001), caso não ocorra o controle desse processo
erosivo, evoluem para sulcos e voçorocas, causando impactos ambientais,
econômicos e sociais irreversíveis.

Atualmente, existe uma grande preocupação em relação às perdas de


nutrientes, defensivos e carbono orgânico e à poluição ambiental, oriundas da
erosão hídrica em sistemas agrícolas. As perdas de matéria orgânica, macro e
microelementos podem comprometer a produtividade das culturas, devidos à
diminuição da fertilidade do solo, causar aumento do custo de adubação, além
de impactos no meio ambiente, como assoreamento e poluição de mananciais,
comprometendo a qualidade e a biodiversidade das águas (Silva & Curi, 2001).

A presença do carbono orgânico é de grande importância para que o solo


apresente boas condições físicas, químicas e biológicas. O teor de carbono
orgânico é um dos indicadores de qualidade do solo em sistemas agrícolas
(Freitas et al. 2012; Cândido et al. 2015). Perdas de matéria orgânica por
erosão têm grande importância para os processos de poluição de mananciais,
na medida em que a biodegradação de compostos orgânicos em rios e lagos
eleva a demanda bioquímica de oxigênio, colocando em perigo a vida aquática.
A aplicação de biossólidos na agricultura agroecológica é também motivo de
preocupação em virtude da possibilidade de movimentação de nitratos e metais
pesados nos sedimentos.

Os defensivos presentes no solo arrastado pela erosão, quando atingem


cursos de água e/ou são depositados em áreas de preservação, poderão ser
liberados com a mudança das condições físico-químicas do meio. O transporte
de pesticidas na água por escoamento superficial ou enxurrada, tem sido
considerado como um dos maiores meios de contaminação de rios e lagos. No
deflúvio, a água carrega substâncias solúveis ou adsorvidas nas partículas de
solo erodido.

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4 PRÁTICAS CONSERVACIONISTAS
NOS SISTEMAS AGROECOLÓGICOS

4.1 PRÁTICAS VEGETATIVAS


Uma boa cobertura vegetal é a forma mais eficiente de controle da erosão.
A parte aérea da vegetação protege o solo contra o impacto das gotas de chuva e
dificulta o movimento da enxurrada. Já o sistema radicular confere ao solo maior
resistência à desagregação e ao transporte de partículas, além de melhorar as
condições de infiltração de água no solo, notadamente das gramíneas.

As práticas vegetativas de controle da erosão podem ser usadas em associação


com métodos mecânicos descritos posteriormente. Dependendo da declividade e
da natureza do solo, as práticas vegetativas podem, sem a necessidade de práticas
mecânicas, controlar eficientemente a erosão hídrica.

As principais práticas vegetativas para conservação do solo e da água são:


rotação de culturas, culturas em faixas de rotação e de retenção, pastagens,
reflorestamento e adubação verde. A vegetação é utilizada, ainda, para o controle
da erosão em sulcos, estabilização de canais escoadouros, quebra-ventos e
estabilização de voçorocas.

4.1.1 Florestamento e reflorestamento

O revestimento florestal de áreas erodidas constitui um dos meios mais


eficientes de controle do processo erosivo, pois diminui o impacto das gotas da
chuva, aumenta o armazenamento superficial e a interceptação vegetal, além de
formar barreiras que impedem a ação dos ventos sobre o solo. A redução do impacto
das gotas de chuva evita a formação de selamento superficial e a compactação
da superfície do solo, aumentando, assim, a infiltração de água e reduzindo o
escoamento superficial. O aumento da cobertura do solo, propiciado pela queda
de folhas das florestas, faz com que haja maior rugosidade da superfície deste,
reduzindo a velocidade do escoamento superficial (Pruski et al., 2006).

Portanto, as terras de baixa capacidade de produção e, ao mesmo tempo,


muito suscetíveis à erosão, deverão ser recobertas de vegetações permanentes
bastante densas, como as florestas, permitindo, assim, uma utilização econômica
das terras inadequadas para cultura, e proporcionando-lhes, ao mesmo tempo, a
preservação.

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Para certos solos muito inclinados, muito pobres ou muito erodidos, a cobertura
com floresta é a maneira mais econômica e segura de utilização. Nas regiões de
topografia acidentada, as florestas devem ser formadas no topo dos morros a fim
de reduzir as enxurradas que se formam nas cabeceiras, atenuando os problemas
de controle de erosão nos terrenos situados mais abaixo, e proporcionando, pela
maior infiltração, uma regularização das fontes de água (Bertoni & Lombardi Neto,
1990).

De maneira geral, a prática de reflorestamento apresenta os seguintes


benefícios: a) aumento da infiltração de água no solo; b) filtragem de sedimentos;
c) proteção das barrancas e beiras de rio; d) aprofundamento e maior volume
de raízes, favorecendo a macroporosidade do solo; d) redução do escoamento
superficial da água; e) criação de refúgios para a fauna; f) fonte de energia (lenha).

4.1.2 Rotação de culturas

Rotação de cultura consiste na sucessão mais ou menos regular de diferentes


culturas numa mesma gleba ou faixa do terreno. A rotação de culturas tem como
benefícios: a) evitar o esgotamento do solo em determinados nutrientes, favorecendo
o uso mais equilibrado das reservas nutricionais do solo; b) reduzir a incidência de
doenças e pragas; c) melhorar a agregação do solo, com o emprego de plantas
com diferentes sistemas radiculares; c) redução da erosão, quando o sistema de
rotação é feito em faixas, com as faixas de culturas mais densas atuando como
dissipadores de energia da enxurrada.

No caso de redução de incidência de doenças e pragas, muitos patógenos


ficam preservados na palhada das culturas de uma safra para outra. Dessa forma,
quando se cultiva uma cultura sobre os restos dela mesma, a possibilidade de
incidência de doenças aumenta. Outro aspecto também benéfico da rotação de
culturas é a diversificação de atividades que contribui para a redução de riscos da
atividade agrícola.

A rotação entre gramíneas e leguminosas é benéfica para ambas. A leguminosa


tem capacidade de fixar nitrogênio atmosférico. Por outro lado, seu sistema radicular,
do tipo pivotante, é menos eficiente na agregação do solo, comparativamente as
gramíneas. O resultado final da rotação deve ser sempre a redução na perda
de solo e água, em relação às perdas que ocorreriam se o solo fosse cultivado
continuamente com a mesma cultura.

A rotação de culturas varia com a natureza do solo, condições econômicas,


sistema de manejo e especialização agrícola da região. O sistema de rotação que
inclui uma cultura principal, grãos, por exemplo, e gramíneas, ou consorciação

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de gramíneas e leguminosas, pode ser considerado básico. No entanto, deve-se


analisar, para cada região, as possibilidades de rotação que melhor se adequar à
realidade econômica e social, tanto em termos de quais culturas utilizar quanto em
termos de melhor época de implantação, para que os principais objetivos possam
ser alcançados.

Estudos conduzidos por Silva et al. (2005), avaliando sistema de cultivos em


rotação, a saber: cultivo convencional com batata (CCB); cultivo convencional com
batata sucedido por aveia em rotação com milho (CCBAM); cultivo convencional
com milho (CCM); plantio direto com milho (PDM); cultivo com eucalipto (CE)
e cerrado nativo (CN) como testemunha. A densidade do solo aumentou nos
sistemas CCBAM e PDM, em relação ao cerrado nativo. O volume total de poros
foi reduzido nos sistemas CCB, CCBAM e PDM, mesmo com o pouco tempo de
cultivo nos sistemas CCB e CCBAM. Os sistemas convencionais CCB, CCBAM e
CCM não alteraram a estabilidade de agregado do solo o suficiente para diferir do
cerrado nativo. Os sistemas com menor revolvimento estão estabelecendo uma
nova condição de equilíbrio. O menor revolvimento do solo, o acúmulo de matéria
orgânica e a ação agregante do sistema radicular das gramíneas nos sistemas
PDM e CE foram benéficos na manutenção da qualidade do solo. A resistência
à penetração foi reduzida nas camadas superficiais nos sistemas convencionais
CCB, CCBAM e CCM em função da mobilização do solo. Não houve diferenças
significativas na permeabilidade do solo à água entre os sistemas de manejo (CCB,
CCBAM, CCM e PDM) estando os valores na faixa de 35,4 a 54,6 mm h-1, sendo
a mesma classificada como lenta a moderada; esses valores foram bem inferiores
aos do sistema em equilíbrio (CN).

4.1.3 Consórcio de culturas

O manejo adequado do solo pode criar condições favoráveis ​​para reduzir a


erosão hídrica e escoamento superficial, e consequentemente aumentar a recarga
de água no solo. Entre os sistemas de manejo, o consórcio de culturas é um sistema
de manejo muita utilizado, principalmente por médios e pequenos agricultores.
Trata-se de um sistema em que duas ou mais culturas com diferentes ciclos e
arquiteturas vegetativas são exploradas concomitantemente, no mesmo local (Lima
et al. 2014).

O sistema consorciado é uma tecnologia muito utilizada na produção de


hortaliças, e que influencia profundamente a produtividade das culturas, além de
gerar inúmeros benefícios fitotécnicos; tornando-se necessário os maiores estudos
sobre os policultivos de hortaliças e suas diferentes associações. Os dados de
recentes pesquisas nos mostram que os sistemas consorciados de hortaliças

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favorecem o manejo fitotécnico das culturas associadas, ocasionando na maioria


das vezes um aumento de produção por unidade de área e uma maior lucratividade
para os olericultores, além do aspecto de favorecer o equilíbrio ecológico desse
sistema (Montezano & Peil, 2006).

Estudos desenvolvidos por Lima et al. (2014), avaliaram os efeitos do


consórcio entre a cultura do milho e o feijão de porco nas perdas de solo por erosão
hídrica. Segundo os autores pode-se concluir que as perdas de solo totais por
erosão hídrica sob chuva natural, no município de Lavras, MG, foram de 4,20, 1,86,
1,38 e 1,14 Mg ha-1, respectivamente, para o solo descoberto, milho, feijão de porco
e o consórcio entre as duas espécies, durante o período avaliado. Os valores de
fator C da EUPS calculados para os diferentes sistemas de cultivos foram 0,039,
0,054 e 0,077 Mg ha-1 para o milho, feijão de porco e o consórcio entre as duas
espécies, respectivamente. O plantio do milho solteiro apresentou menor índice de
cobertura vegetal, seguido do cultivo de feijão de porco solteiro e do consórcio entre
as duas espécies vegetais. O consórcio entre espécies apresentou maior potencial
no controle de processos erosivos, uma vez que seu cultivo resulta em menores
perdas de solo, quando se comparado ao cultivo solteiro das espécies estudadas,
esse aspecto é de grande importância para os pequenos e médios agricultores da
região de estudo.

4.1.4 Culturas em faixas de rotação

Entre os fatores que influenciam na erosão está o comprimento da rampa ou


lançante. A enxurrada em rampas muito longas aumenta em volume e velocidade,
aumentando a energia à medida que desce a encosta (rampa). Consequentemente,
o seu poder erosivo aumenta com o comprimento da rampa. O cultivo em faixas,
a exemplo do terraceamento, parcela a rampa em segmentos mais curtos. No
caso de faixas de culturas de diferentes densidades de parte aérea, essas atuam
como dissipadores de energia ao longo da encosta, reduzindo o poder erosivo da
enxurrada.

Essa prática consiste na disposição das culturas em faixas niveladas, de


larguras variáveis e alternadas. As culturas com diferentes densidades de plantio
são plantadas em faixas alternadas de forma a se constituírem em obstáculos
contra a enxurrada.

4.1.5 Culturas em faixas de retenção

A faixa de retenção é uma prática que diminui a erosão por obstruir o caminho
da enxurrada. Trata-se do plantio, geralmente de gramíneas como cana-de-açúcar,

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capim napier, erva cidreira, etc., que não sejam plantas invasoras, em faixas
com distância também definida como no caso de terraços. A faixa de retenção é
constituída de 3 a 5 linhas da planta protetora, em espaçamento bem mais reduzido
do que o geralmente recomendado no plantio convencional dessas espécies.

Em declives mais suaves essa prática garante eficiente controle da erosão. As


faixas podem também ser empregadas em adição aos terraços, quando cultivadas
logo após o camalhão do mesmo, garantindo maior estabilidade e eficiência dessa
prática mecânica no controle da erosão. Essas faixas, permanentes ou temporárias,
não fazem parte do plano de rotação, frequentemente são dedicadas à produção
de forragem. Em condições especiais, poderiam se prestar a frutas silvestres,
principalmente, para alimentação e abrigo da fauna.

As faixas de retenção, uma vez instaladas, apresentam vantagem de constituir


um guia permanente para as mobilizações do solo e para o plantio em nível. Essa
prática conservacionista é recomendada para terrenos plantados com culturas
anuais ou perenes e, especialmente, para declives irregulares, onde alguns pontos
necessitam de proteção especial. Faixas de retenção, geralmente, dispensam
cuidados especiais de manutenção, podendo haver necessidade, apenas, de
replantes nas falhas que porventura tenham ocorrido no início da instalação.

4.1.6 Plantas de cobertura

Plantas de cobertura ou de proteção têm a função de proteger o terreno da ação


de chuva e ventos durante o período de entressafra da cultura principal. Geralmente
se emprega alguma espécie de leguminosa que, além da proteção, garante boa
fixação biológica de nitrogênio. As leguminosas produzem matéria orgânica de
fácil decomposição, relativamente às gramíneas, o que as torna também excelente
adubo verde. A escolha da cobertura vegetal depende de condições locais, preço
e uso das eventuais colheitas. A cultura ideal para servir como planta de cobertura
deverá apresentar crescimento rápido, fornecer boa cobertura e ser tolerante à
deficiência nutricional ou à toxidez de alumínio. Plantas de raízes abundantes e que
ofereçam boa cobertura vegetal são ideais como plantas de cobertura.

Entre as espécies recomendadas como plantas de cobertura estão as


leguminosas: trevo, crotalária, ervilhaca, alfafa, caupi; e entre as não leguminosas:
azevém, centeio e aveia. A escolha da espécie vegetal a ser usada como cobertura
depende da região. Quando incorporadas ao solo, no caso das gramíneas, há
necessidade de aplicação de adubo nitrogenado para evitar que os microrganismos
retirem esse elemento do solo para a decomposição dos restos vegetais. A produção
de sementes mantém uma boa cobertura. Os cortes periódicos produzem grande
quantidade de matéria orgânica na superfície do solo, que constitui importante

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barreira contra o impacto de gotas de chuvas e a incidência direta de raios solares,


propiciando menor amplitude de variação de temperatura na superfície do solo, o
que melhora as condições para desenvolvimento de organismos.

Nos estudos conduzidos por Dias et al. (2013 o objetivo foi avaliar a influência
de três plantas de cobertura, em dois sistemas de manejo, no controle da erosão
hídrica em um Argissolo, no sul de Minas Gerais. As plantas de cobertura utilizadas
foram o feijão-guandu, feijão de porco e milheto, em dois sistemas de manejo (plantio
em nível e em desnível no sentido do declive). Segundo os autores O plantio em
nível proporcionou maior redução da erosão hídrica em comparação ao plantio
em desnível. O feijão de porco cultivado em nível obteve os menores valores de
perdas de solo, água, nutrientes e matéria orgânica. Resultados semelhantes foram
observados por Castro et al. (2011), Freitas et al. (2012) e Cardoso et al. (2012).

A utilização de plantas de cobertura é uma eficaz alternativa para proteção


do solo, entretanto, existem poucos estudos sobre as espécies indicadas para
esta técnica no sul de Minas Gerais (Cardoso, et al. 2013). Estudos conduzidos
pelos mesmos autores objetivaram-se avaliar o índice de cobertura do solo, as
produtividades de massa verde e matéria seca, no cultivo de Crotalaria juncea L.
(crotalária júncea), Canavalia ensiformis DC. (feijão de porco) e Pennisetum
glaucum (L.) R. Br. var. ADR 7010 (milheto), nos espaçamentos de 0,25 m e 0,50 m.
O feijão de porco propiciou a melhor proteção do solo, sendo o índice de cobertura
correspondente a 95,40%. A crotalária júncea apresentou a maior produtividade de
massa verde (62,50 t ha-1) e matéria seca (23,25 t ha-1). O espaçamento influenciou
a produtividade de massa verde do feijão de porco e do milheto; e a produtividade
de matéria seca da crotalária júncea.

Estudos conduzidos por Silva et al. (1998), confirmaram uma melhor agregação
do solo na sucessão plantas de cobertura e a cultura do milho.

4.1.7 Cobertura morta (mulch)

Espécies de gramíneas possuem baixa velocidade de decomposição da parte


aérea e, apesar de suas raízes ocuparem o espaço mais superficial do solo, a parte
aérea se mantém por mais tempo sobre o mesmo, formando cobertura morta muito
recomendada em regiões onde as condições climáticas são de temperaturas mais
elevadas e com déficit hídrico.

A cobertura do solo é o fator de maior importância relativa no controle da


erosão hídrica (Freitas et al. 2012). Assim, objetivou-se no presente estudo
elaborar a modelagem da cobertura vegetal de vinte e quatro plantas de cobertura,
em diversos sistemas de plantio e históricos de uso, com potencial para cultivo

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no sul de Minas Gerais. As plantas cultivadas sobre a palhada de feijão irrigado


apresentaram alto índice de cobertura do solo, o que pode estar relacionado à
maior disponibilidade de nutrientes deixados por esta cultura na palhada e a maior
reserva de água no solo, promovido pela irrigação do feijão. O milheto cultivado
em nível e sobre a palhada de milheto e feijão-de-porco apresentou o menor índice
de cobertura entre as plantas testadas. Na região sul de Minas Gerais os padrões
de chuvas ocorrem em maior quantidade nos períodos de outubro a março, com
elevação em dezembro e janeiro. Neste período o solo deve estar protegido do
impacto da gota de chuva, pois o risco de erosão hídrica é maior. Assim, a utilização
das plantas de cobertura é de grande importância, pois estas protegem o solo do
impacto direto das gotas de chuvas e diminuem os picos de temperatura do solo,
sendo que devem ser cultivadas, preferencialmente, sobre a palhada de feijão.

4.1.8 Alternância de capinas

Consiste na prática de alternar as épocas de capinas em ruas ou “leiras”


adjacentes, durante o período de chuvas. Realiza-se a capina rua sim, rua não
(nas lavouras plantadas em nível), sempre pulando uma ou duas ruas e somente
após algum tempo deve-se capiná-las. O solo transportado das faixas capinadas
será retido pelas faixas com cobertura vegetal que ficam imediatamente abaixo,
retardando o escoamento superficial. Em cada faixa, o número de capinas deve
ser o mesmo do sistema usual. O princípio de utilização é bem semelhante ao do
cultivo em faixas, que é alternar faixas de diferentes densidades de culturas.

Foram desenvolvidos estudos por Carvalho et al. (2007) em sistemas de


manejo do cafeeiro, a saber: café sob cultivo convencional, com capina manual;
cultivo convencional, com roçado; cultivo convencional, com utilização de herbicida;
cultivo orgânico, com capina manual; cultivo orgânico, com roçado; e como
referência parcela com solo descoberto. Nos sistemas de manejo adensado da
cultura cafeeira, em que foi mantida a cobertura da vegetação espontânea (roçado),
obteve-se maior eficiência da proteção do solo em relação às perdas de solo e
água, em comparação aos sistemas em que houve exposição do solo (capina). No
sistema que a herbicida foi utilizada ocorreu um comportamento intermediário.

4.2 PRÁTICAS MECÂNICAS

4.2.1 Cultivo em contorno ou plantio em nível

O cultivo em contorno, também conhecido como plantio em nível, consiste


em dispor as fileiras de plantas e realizar todas as operações de cultivo em sentido

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transversal à declividade do terreno, em curvas de nível ou linhas em contorno.


Todos os trabalhos culturais em um solo, do preparo à colheita, devem ser feitos
acompanhando as curvas de nível do terreno, sempre associando às demais
práticas. Essa prática pode ser utilizada isoladamente no controle da erosão apenas
nos terrenos em declividade menor que 3% e em pequeno comprimento de rampa
(Pruski et al., 2006).

No cultivo em contorno, o preparo do solo e a semeadura aumentam a


rugosidade orientada oposta ao sentido do declive, proporcionando assim o
aumento do armazenamento e da infiltração de água no solo. Além disso, o cultivo
em contorno filtra os sedimentos, retarda o início da enxurrada e reduz o volume
de escoamento superficial e as perdas de solo (Bertoni & Lombardi Neto, 1990). A
rugosidade ao acaso, caracterizada pela ocorrência aleatória de microelevações e
microdepressões na superfície do solo, também reduz as perdas de solo e água,
pois aumenta a retenção superficial da água da chuva. Quando o preparo do solo
é feito no sentido do declive, o processo erosivo é acelerado, pois os sulcos e
as linhas das culturas formam corredores, por onde a água desce livremente e
adquire velocidade suficiente para causar erosão, principalmente nos solos de
baixa infiltração (Pires & Souza, 2003).

Além de permitir um bom controle da erosão do solo, devido à redução do


volume de escoamento superficial, o cultivo em contorno proporciona a redução
do tempo gasto nos tratos culturais, dependendo da declividade do terreno, do
tipo de solo e da economia de combustível nos tratos culturais, devido ao fato de a
máquina trabalhar em velocidade mais uniforme, reduzindo as trocas de marcha.

O plantio em nível forma pequenos sulcos através da encosta. A água é


armazenada nos sulcos e, por isso, mais água é infiltrada e menos água é escoada.
O escoamento que realmente ocorre é normalmente mais lento e menos erosivo.
Esse tipo de cultivo reduz a erosão de chuvas de baixa ou média intensidade, mas
oferece muito pouco ou nada de proteção contra tempestades pesadas capazes de
inundar os sulcos formados pelo cultivo. De acordo com Troeh & Thompson (2007),
na média, cultivo em nível diminui a perda de solo em, aproximadamente, 50%
em encostas leves (2 a 7% de declive e comprimento moderado). O escoamento
de encostas com menos de 2% não é um problema, exceto em casos em que
a permeabilidade do solo é muito menor do que as taxas de chuva. Plantio em
nível é menos benéfico em encostas mais planas do que em encostas leves. As
encostas mais íngremes armazenam água nas depressões atrás dos pequenos
cumes que, por serem menores, são mais fáceis de transbordar e menos eficazes
no controle do escoamento. A eficácia de cultivo em nível em encostas moderadas
pode ser incrementada usando semeadoras ou outros implementos que produzem
superfícies ásperas.

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Quando é utilizado sem nenhuma outra prática, em terrenos de topografia


acidentada, em regiões de chuvas intensas ou em solos de grande erodibilidade,
há um aumento do risco de formação de sulcos de erosão, pois as pequenas
leiras, rompendo-se, podem soltar a água que estava acumulada, e o volume da
enxurrada, aumentando cada vez mais em cada leira sucessiva, causa um prejuízo
acumulativo.

Entre as práticas vegetativas, o preparo do solo, o plantio e a execução de todos


os trabalhos acompanhando as curvas de nível (cultivo em contorno) constituem-se
em atividade indispensável para a conservação do solo, devendo sempre associá-
las às demais práticas, quaisquer que sejam as condições do terreno.

4.2.2 Linhas de pedra

As linhas de pedra ou cordões de pedra em contorno, é uma prática


conservacionista de natureza mecânica, geralmente aplicada ao ambiente da
pequena propriedade, em áreas onde há dificuldade de uso da mecanização
agrícola, tração motora ou animal, por consequência do relevo e que tenha certa
disponibilidade de material, pedras, nas proximidades ou entorno da área, para
utilização da prática. Os cordões de pedras em contorno segmentam o comprimento
dos declives, fazem diminuir o volume e a velocidade das enxurradas, forçam a
deposição de sedimentos nas áreas onde são construídos e formam patamares
naturais (Silva & Silva, 1997).

A aplicabilidade dessa prática é mais adequada nas áreas cujas unidades


de solos apresentam pedregosidade superficial, como os Neossolos Litólicos
e Luvissolos Crômicos, priorizando as áreas críticas da propriedade, e que haja
disponibilidade de mão-de-obra (Oliveira, 2001). É uma prática simples, cuja
construção consiste na abertura de um canal, geralmente em nível, em que as
pedras vão sendo empilhadas (Macedo et al., 2009). Essa prática e muito utilizada
na Coreia do Sul e no Peru nos sistemas de cultivo do solo realizados pela agricultura
familiar, no Brasil a prática é utilizada no nas regiões sul e oeste do estado do
Paraná e na região de bananeiras no estado da Paraíba.

4.2.3 Terraceamento

Terraços são canais e camalhões de terra, construídos em nível (sem


gradiente) ou em desnível (com gradiente), no sentido perpendicular à direção do
declive. Essa prática tem sido usada há séculos em países carentes em áreas de
topografia mais plana. Muitos fatores, como o comprimento da encosta no sentido
do declive, o tipo de solo, tipos de cultura a ser cultivada e quantidade de chuvas

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determinam a necessidade e eficiência dos terraços, bem como a distância entre


eles e as dimensões dos mesmos são estruturas dimensionadas em toda sua etapa
(Pruski et al., 2006).

O terraceamento é uma das práticas hídricas de controle da erosão mais


difundidas entre os agricultores. Consiste na construção de terraços (estruturas
compostas de um canal e um dique ou camalhão), no sentido transversal à
declividade do terreno, formando obstáculos físicos capazes de reduzir a velocidade
do escoamento e disciplinar o movimento da água sobre a superfície do terreno
(Bertoni & Lombardi Neto 1990; Bertolini et al. 1994; Pruski et al., 2006; Pruski et
al. 2009).

Esse sistema pode ser descrito como um conjunto de terraços adequadamente


espaçados, com o objetivo de reter e infiltrar ou conduzir, com velocidade controlada,
o escoamento superficial para fora da área protegida, sendo a eficiência desse
sistema dependente do correto dimensionamento do espaçamento entre terraços e
de sua seção transversal (CODASP, 1994).

Práticas como plantio em nível, rotação de culturas, controle das queimadas


e manutenção da cobertura morta na superfície do solo são de fundamental
importância para se obter maior eficácia no sistema de terraceamento.

Terraço é normalmente muito efetivo. Muitos terraços são tão velhos quanto
os Romanos na Europa, os Incas na América do Sul e os povos do sudeste asiático.
Esses e outros povos antigos fizeram muitos declives parecerem escadarias
gigantescas, construindo terraços de cima para baixo. Muitos desses terraços
eliminaram completamente o efeito do declive por meio de paredes de pedras
verticais. O terraceamento de áreas agrícolas tem por objetivo reduzir o comprimento
da rampa onde se processa o escoamento superficial, reduzindo a velocidade deste
e, consequentemente, a tensão de cisalhamento, que ocasiona a liberação e o
arraste das partículas de solo. Assim, a erosão do solo pode ser bastante reduzida
ou até mesmo evitada. O aumento da infiltração de água no solo também é um dos
objetivos visados quando da construção de terraços, principalmente dos terraços
em nível.

Abaixo, algumas vantagens que podem ser conseguidas com a adoção


do terraceamento em áreas agrícolas: a) redução da velocidade e do volume
do escoamento superficial; b) redução das perdas de solo, água, defensivos
e insumos; c) aumento da umidade do solo, uma vez que há maior infiltração
de água; d) redução da vazão de pico dos cursos-d’água e aumento da
recarga de água no lençol freático; e) amenização da topografia, melhoria
das condições de mecanização das áreas agrícolas, melhor programação de
plantio e colheita.

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4.2.4 Canais escoadouros, paralelos e divergentes

Em solos de permeabilidade baixa ou média, os terraços devem apresentar


um gradiente que pode ser constante ou progressivo para escoamento do
excesso da água. Os terraços com gradiente (também chamados terraços de
drenagem) necessitam de canal escoadouro, para o escoamento seguro da
água, proveniente dos terraços encosta abaixo, sem que a água cause erosão
no interior do mesmo. Para essa finalidade podem ser usadas depressões
naturais do terreno, desde que não haja risco de erosão nas mesmas ou podem
ser construídos com a finalidade de escoamento de água. Em ambos os casos,
alguns cuidados como vegetação e colocação de dissipadores de energia da
água devem ser tomados.

Os canais paralelos são construídos nas estradas não pavimentadas com o


objetivo de drenar a água depositada no leito da estrada, esses canais orientam a
água para as bacias de captação de água e têm a função de evitar a erosão nas
áreas vicinais da estrada.

Os canais divergentes têm a função de assegurar a proteção de áreas


situadas a jusante ou a montante das áreas cultivadas, degradadas em estágio de
recuperação e de preservação permanente.

4.2.5 Estabilização de voçorocas

O termo voçoroca (ou boçoroca) tem origem na língua Tupi Guarani que significa
“fenda cavada pelas enxurradas”. Esse termo é, portanto, apropriado para designar
a causa do problema que é o escorrimento superficial e concentrado da água ao
longo de uma encosta. Entretanto, mesmo aquele observador mais desatento
percebe que as voçorocas parecem ser mais abundantes em umas regiões do que
em outras. Esse fato leva à conclusão de que outros fatores, além da enxurrada,
estão envolvidos no processo. A maior ou menor facilidade de estabilização dessa
forma de erosão depende dos mesmos fatores envolvidos no processo de formação
das voçorocas. A dificuldade de estabilização é maior naquelas áreas com solos
mais susceptíveis a erosão hídrica (Ferreira et al. 2011).

O processo de estabilização deve ser iniciado pelo desvio ou interrupção


da água que entra na área da voçoroca através de enxurradas. A quantidade de
água é uma função do comprimento da área a montante da voçoroca. Devem ser
implantadas práticas para a redução da enxurrada nessas áreas, de forma a se
prevenir que enxurradas continuem entrando na voçoroca. Após o desvio da água,
deve-se suavizar os taludes no interior da voçoroca, notadamente aqueles cuja
massa de solo tenha facilidade para desabar. Após esse procedimento inicia-se

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a implantação de paliçadas, que se constituem de peças de madeira ou bambu


gigante, dispostas a intervalos regulares no fundo da voçoroca, de forma a reter os
sedimentos que certamente ainda serão transportados pelo escoamento de água
gerado dentro da voçoroca. A etapa seguinte será a vegetação de fundo e encostas
dentro da voçoroca. Espécies arbóreas de crescimento rápido, com boa adaptação
regional, e bambu, são recomendadas para essa etapa. Árvores frutíferas também
poderão ser plantadas. Em todos os casos, as covas, adubação das covas e a
irrigação, são etapas necessárias para o estabelecimento de vegetação (Gomide
et al. 2011; Gomide et al. 2014).

Na formação da paliçada empregamos estacas de bambu gigante de cerca


de 1,5m são cortados e os gomos furados e cheios com água. Em seguida os
buracos nos gomos são fechados e o pedaço de bambu é fincado um ao lado
do outro para a formação da paliçada. A água propicia o desenvolvimento
inicial do bambu. Com o passar do tempo as paliçadas se transformam em
moitas de bambu. Espécies de bambu com menor diâmetro de colmo podem
ser plantadas nas encostas das voçorocas. Em Morro do Ferro, distrito de
Oliveira-MG são empregadas paliçadas para obstrução da enxurrada e
retenção de sedimentos no interior de voçorocas e as encostas são vegetadas
com bambu mais fino.

É comum em voçorocas o surgimento de água corrente no fundo. Nesse


caso, é aconselhável a construção de um ou mais drenos, no sentido do fluxo
da água, para disciplinar esse fluxo e torná-lo mais perene, antes das práticas
de estabilização apresentadas anteriormente. Esses drenos são valas de cerca
de 40cm de largura por cerca de 50 cm de profundidade (quando possível) em
que são deitadas varas de bambu até cerca de 10-15 cm da superfície da vala.
Cobre-se a vala com terra. Os espaços entre as varas de bambu servirão de
dreno para a água. Pedras também poderão ser empregadas para enchimento
das valas.

4.3 PRÁTICAS EDÁFICAS


São as práticas conservacionistas que, com modificações no sistema de
cultivo, além do controle de erosão, mantém ou melhoram a fertilidade do solo
(Bertoni & Lombardi Neto, 1990). Segundo Pruski et al. (2006), esse conjunto de
medidas está resumido em três princípios básicos: ajustamento à capacidade de
uso, controle das queimadas, adubação e correção do solo.

Essas práticas têm ação indireta sobre o processo erosivo, atuando em


melhorias das condições do solo, como aumento dos teores de matéria orgânica,
agregação, permeabilidade, porosidade e cobertura vegetal.

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4.3.1 Ajustamento da capacidade de uso

O termo “ajustamento da capacidade de uso” refere-se ao fato de que cada


solo tem um limite máximo de possibilidade de uso, além do qual não poderá
ser explorado sem os riscos de erosão. Em outras palavras, as culturas certas
devem estar nos lugares certos, para evitar um superuso do solo e potencial
risco de erosão. Os solos com declive acentuado (20 a 45%), por exemplo,
tem capacidade de ser usados, no máximo, para pastagem ou reflorestamento,
sendo desaconselhável o uso com culturas que necessitam aração. Por outro
lado, os solos profundos e permeáveis, com declives suaves, podem ter várias
utilizações, pois nestes a suscetibilidade à erosão geralmente é pequena
(Bertoni & Lombardi Neto, 1990; Lepsch et al. 1991; Pruski et al., 2006; Silva et
al. 2013).

4.3.2 Controle de queimadas

A queimada reduz a cobertura vegetal, responsável por dissipar a energia


da queda da chuva, e obstrui os poros do solo, aumentando o escorrimento
superficial (Heringer et al., 2002). O maior volume de escorrimento, associado
com o decréscimo na taxa de infiltração, explica o aumento nas perdas de
solo em áreas queimadas (Hester et al., 1997). As substâncias hidrofóbicas
formadas durante a queima tornam-se fortemente cimentadas na camada
subsuperficial do solo (Giovannini et al., 1987), podendo resultar na formação
de camadas repelentes à água e aumento do potencial de perdas por erosão
(Macedo, 1995).

Estudo feito por Heringer et al. (2002) demonstrou que a queima frequente
e contínua das pastagens naturais promove a redução nos teores de magnésio,
aumenta a acidez potencial e reduz a cobertura e umidade nas camadas superficiais
do solo em relação às práticas de manejo sem queima.

Sendo assim, práticas de manejo sem queima são mais conservacionistas em


termos de manutenção dos níveis de fertilidade do solo.

Em consonância com os estudos mostrando o depauperamento do solo em


virtude das queimadas, podemos dizer que de modo geral e nas circunstâncias em
que vem sendo utilizada, a queimada só poderá contribuir para o empobrecimento
das terras, com reflexos evidentes na degradação das áreas agricultáveis. O pouco
restante são as cinzas e, como ainda poderão ser arrastadas pela chuva ou pelo
vento, conclui-se que os campos ou lavouras, submetidos ao processo de queima
periódica, vão ficando cada vez mais pobres, em consequência do enfraquecimento
do próprio solo.

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Portanto, os seguintes aspectos podem ser considerados como


desfavoráveis na utilização de queimadas: a) consumo de matéria orgânica
do solo; b) eliminação dos microrganismos da camada superficial do solo;
c) volatilização das substâncias necessárias à nutrição das plantas; d) alta
propensão ao aumento da erosão, em virtude da exposição do solo; e) redução
da capacidade produtiva do solo.

4.3.3 Adubação verde

É a incorporação, ao solo, de plantas cultivadas para esse fim ou de outras


vegetações cortadas quando ainda verdes para serem enterradas. Essas plantas
protegem o solo contra a ação direta da chuva quando estão vivas e, depois de
enterradas, melhoram as condições físicas do solo pelo aumento de conteúdo de
matéria orgânica do solo (Bertoni & Lombardi Neto, 1990), cuja magnitude varia
com a quantidade e com a qualidade do adubo verde, condições edafoclimáticas e
práticas culturais utilizadas (Ventura & Watanabe 1993).

Constitui uma das formas mais baratas e acessíveis de repor a matéria


orgânica ao solo, promovendo a melhoria das suas condições físicas e estimulando
os processos físicos, químicos e biológicos do solo. Segundo Pruski (1996), com o
emprego de métodos de cultivo reduzido, como o plantio direto, os restos de plantas
de adubação verde podem ser deixados sobre a superfície, sendo paulatinamente
incorporados ao solo por via biológica, trazendo resultados ainda mais favoráveis.

O uso combinado de adubos minerais e de adubação verde constitui uma


prática de manejo por meio da qual se procura preservar a qualidade ambiente sem
prescindir da obtenção de produtividade elevada para as culturas. De acordo com
Peterson & Varvel (1989) e Rekhi & Bajwa (1993), a associação entre fontes orgânicas
e minerais é capaz de aumentar o rendimento das culturas, comparativamente ao
uso exclusivo de uma única fonte.

Segundo Fageria (1983), a capacidade intrínseca de produção agrícola dos


solos está íntima e diretamente relacionada com seus teores de matéria orgânica e
de nitrogênio; entretanto, é difícil manter um nível satisfatório de ambos na maioria
dos solos cultivados. Assim, os métodos de adição e de manutenção de matéria
orgânica devem ser considerados com antecipação em todos os programas de
manejo dos solos cultivados.

As leguminosas utilizadas como adubo verde apresentam a vantagem


adicional de ser capazes de fixar simbioticamente o nitrogênio do ar. Entretanto,
as plantas não leguminosas também são adequadas para a adubação verde e
contribuem para evitar o deslocamento ou a lixiviação de nutrientes do solo, para o

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seu enriquecimento em matéria orgânica e para inibir o desenvolvimento de plantas


daninhas (Pruski et al., 2006).

Lombardi Neto (1994) destaca as principais funções da adubação verde: a)


proteger a camada superficial do solo contra o sol e agentes erosivos; b) manter
elevadas taxas de infiltração de água pelo efeito combinado do sistema radicular e
da cobertura vegetal; c) promover grande e contínuo aporte de massa vegetal ao
solo de maneira a manter ou até mesmo elevar, ao longo dos anos, o teor de matéria
orgânica; d) atenuar a amplitude térmica e reduzir a evaporação, aumentando
a disponibilidade de água para as culturas; e) romper camadas adensadas e
promover a aeração e estruturação do solo, induzindo ao “preparo biológico do
solo”; f) reciclar nutrientes, translocando, por intermédio do sistema radicular, os
que se encontram em camadas profundas para as camadas superficiais do solo,
tornando-os novamente disponíveis para as culturas de sucessão; g) reduzir a
lixiviação de nutrientes, retendo-os na fitomassa e liberando-os de forma gradual
durante a decomposição do tecido vegetal h) adicionar nitrogênio ao solo através
da fixação biológica pelas leguminosas; i) reduzir a população de ervas daninhas
por meio do efeito supressor e/ou alelopático, ocasionado pelo rápido crescimento
inicial e exuberante desenvolvimento de massa vegetal; j) melhorar a dinâmica
física e química do solo, ativando o ciclo de muitas espécies de macrorganismos
e, principalmente, microrganismos do solo e k) apresentar múltiplos usos na
propriedade.

4.3.4 Adubação orgânica

Adubação orgânica pode ser entendida como a prática de aplicação de


adubos orgânicos, que podem ser descritos como fertilizantes volumosos
de baixo valor nutritivo. A composição total de nutrientes desses materiais
geralmente não ultrapassa 10 a 20% dos fertilizantes comerciais e a concentração
e disponibilidade dos nutrientes são pouco conhecidas. Com relação a esses
inconvenientes, esses materiais vêm sendo usados, através dos séculos,
para melhorar a fertilidade do solo e fornecer elementos minerais às plantas,
principalmente fósforo, potássio e nitrogênio, sendo este último, normalmente,
o de maior interesse (Pruski et al., 2006).

O emprego de fertilizantes orgânicos está associado, também, à melhoria das


propriedades físicas do solo, como retenção de água e diminuição da densidade
do solo, estabelecimento de microrganismos benéficos (Doran, 1995; Drinkwater
et al., 1995), redução da população de patógenos, aumento da matéria orgânica
do solo e da capacidade de troca de cátions (Bulluck & Ristaino, 2002). Nesses
benefícios ainda se incluem estabilização do pH, melhoria na taxa de infiltração

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

e agregação do solo (Stamatiadis et al., 1999; Lima, 2001). Enfim, a adição de


compostos orgânicos tem contribuído para a excelência da qualidade do solo,
que especialmente nos cultivos orgânicos tem promovido sustentabilidade nesse
sistema de produção (Silva et al., 2005).

Em relação à fertilidade do solo, há relatos de aumentos do valor de pH e dos


teores de MO, P, K, Ca e Mg após a utilização de resíduos orgânicos (Mazur et al.,
1983; Alves et al., 1999; Abreu et al., 2000; Abreu et al., 2002; Oliveira et al., 2002).
Os aumentos obtidos variam de acordo com o solo, tipo de experimento (campo
ou casa de vegetação), composição química do composto, grau de maturação e
quantidades aplicadas (Mantovani et al., 2005).

Estudos conduzidos por Mazur et al. (1983) constataram, em um


Latossolo Amarelo, aumento de 57% no teor de P disponível com a aplicação
do equivalente a 30 t.ha -1 de composto de lixo. Abreu et al. (2002) verificaram,
em amostras de 21 solos ácidos, incrementos no teor de P disponível que
variaram de 29 a 417% com a adição de 60 t.ha -1 do adubo orgânico. Quanto
ao pH, os aumentos relatados para a camada arável (0 - 20 cm) estão entre
0,7 e 1,8 unidade a cada 60 t ha-1 de composto de lixo aplicadas (Alves et al.,
1999; Abreu et al., 2000; Oliveira et al., 2002). Wong et al. (1998) verificaram
que, entre vários adubos orgânicos, o composto de lixo foi o que apresentou o
maior efeito corretivo. Segundo Abreu et al. (2000), uma aplicação de 60 t.ha -1
de composto de lixo, em condições de campo, tem efeito semelhante ao da
adição de 2 t.ha -1 de calcário.

A composição química do composto de lixo é bastante variável e, entre


os nutrientes presentes no adubo orgânico, o Ca é o que está em maiores
concentrações (Berton et al., 1991). Cravo et al. (1998) obtiveram, para compostos
de diferentes locais do Brasil, as seguintes concentrações, em g.kg-1: 160 a 317
de MO; 93 a 275 de C; 8 a 15 de N; 2 a 4 de P; 3 a 11 de K; 18 a 36 de Ca; e 2 a 5
de Mg. Além dos efeitos no solo, o uso de composto de lixo urbano pode propiciar
aumento de produção e maior acúmulo de nutrientes nas plantas (Alves et al.,
1999; Costa et al., 2001). Esses estudos focaram resíduos urbanos, mas além
deles são considerados adubos orgânicos os diversos tipos de tortas e resíduos
animais e industriais.

4.3.5 Adubação química

A manutenção e o restabelecimento contínuo dos níveis de fertilidade do


solo, por meio de um plano racional de adubação, devem fazer parte de qualquer
programa de conservação de solo. A adubação química é necessária para repor
regularmente os nutrientes retirados pelas culturas, de forma a manter um nível

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

adequado desses elementos nutritivos essenciais. Quando ocorre queda de


fertilidade, há diminuição do rendimento da cultura e redução do nível de proteção
do solo pela cobertura vegetal, acarretando aumento da erosão hídrica.

É, sem dúvida, mais econômico repor regularmente as pequenas diminuições


de fertilidade sofridas pelo solo, de forma a manter sempre um nível mínimo
necessário de elementos nutritivos essenciais, do que, após vários anos, tentar
restaurar, de uma só vez, depois que o solo já está empobrecido. Em geral as
adubações são praticadas visando ao aumento de produção da cultura, mas, na
realidade, asseguram a manutenção da fertilidade do solo (Bertoni & Lombardi
Neto, 1990).

Os elementos nutritivos essenciais que usualmente necessitam ser fornecidos


ao solo, sob a forma de fertilizantes, são o nitrogênio, fósforo e potássio. Outros
elementos secundários, como o cálcio, magnésio, enxofre, boro, cobre, manganês,
zinco e o ferro, são, em geral, fornecidos com os próprios fertilizantes empregados
para fornecer os três elementos principais.

Entretanto, de acordo com Voisin, citado por Primavesi (1986) o adubo é um


instrumento maravilhoso quando bem aplicado, mas é um perigo quando usado
indevidamente. O elevado custo dos corretivos e fertilizantes, o risco de contaminação
ambiental e os efeitos colaterais da sua aplicação exigem seu emprego com o
máximo critério técnico. Nos sistemas agroecológicos existem restrições no uso
de adubos concentrados, sendo necessário verificar quais são recomendados,
entretanto essa restrição é motivo de discussão nos meios científicos, notadamente
nos aspectos de reserva mineral, nutricional da planta e poluição ambiental.

4.3.6 Calagem

Os solos brasileiros, em sua maioria, são ácidos, com pH abaixo de 6,0.


Esses solos, além de apresentarem, geralmente, elementos tóxicos às plantas,
como o alumínio, apresentam baixa disponibilidade de nutrientes essenciais ao
seu desenvolvimento. Nos solos ácidos, o desenvolvimento de microrganismos é
bastante reduzido, principalmente de bactérias fixadoras do nitrogênio atmosférico
(Bertoni & Lombardi Neto, 1990) e geralmente apresentam alumínio e manganês
em nível tóxicos, além de deficiências de cálcio, magnésio e fósforo (Veloso et al.,
1992).

O cultivo agrícola dos solos ácidos exige a aplicação de corretivos agrícolas,


os quais ao elevarem seu pH, neutralizam o efeito dos elementos tóxicos e
fornecem cálcio e magnésio como nutrientes. Segundo Alcarde (1983; 1985) os
materiais que podem ser usados na correção da acidez dos solos são os que

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

contêm como constituintes neutralizantes ou princípios ativos, óxidos, hidróxidos,


carbonatos e silicatos de cálcio e/ou de magnésio, tais como; calcário dolomítico,
calcário calcinado, óxido de cálcio ou de magnésio, hidróxido de cálcio, hidróxido
de magnésio e escórias.

O calcário dolomítico é o mais utilizado devido à sua relativa frequência e


abundância e por constituir fonte de Ca e Mg. O calcário calcinado também pode ser
usado como corretivo. Esse é obtido pela calcinação parcial do calcário, nem todos
são decompostos, apresentando óxidos e carbonatos de Ca e Mg em sua constituição
(Veloso et al., 1992). Produtos de características e propriedades intermediárias entre
o calcário e a cal (Alcarde, 1983; 1985), como possíveis substitutos do calcário,
são diversos subprodutos de indústrias. Entre esses, as escórias, subprodutos das
indústrias do ferro e do aço, cujos componentes neutralizantes são os silicatos
de cálcio e magnésio, comportam-se semelhantemente aos calcários (Wutke &
Gargantini, 1962; Camargo, 1972) e apresenta escórias com teores relativamente
elevados de micronutrientes, podendo, em alguns casos, justificar seu uso como
corretivo e fertilizante.

Considerando-se o benefício trazido pela correção da acidez do solo às


culturas, pode-se concluir que a calagem proporciona melhor crescimento vegetal
e maior cobertura do solo, o que reflete em maior proteção contra o impacto das
gotas da chuva, diminuindo, portanto, as perdas de solo e água pela erosão.

4.3.7 Fosfatagem

A fosfatagem trata-se de prática corretiva, com o objetivo de se corrigir (elevar)


o teor de P, potencializando a adubação fosfatada de plantio. Por promover o maior
desenvolvimento do sistema radicular e devido à relação de compatibilização N/P,
a prática da fosfatagem proporciona maior desempenho da adubação nitrogenada
(Vitti et al., 2005).

Essa prática deve ser adotada em solos arenosos (teor de argila < 25%), que
apresentam menor fixação de P, e com teores baixos desse nutriente (P resina <
10 mg DM-3), utilizando a mesma área total, após o preparo profundo do solo, antes
da gradagem de nivelamento. Utilizar como fonte de P2O5 o superfosfato simples
ou produtos equivalentes, como fosfatos reativos, superfosfato triplo, termofosfatos
ou multifosfato magnesiano, nas dosagens de 100 a 150 kg de P2O5 ha-1 (Vitti &
Mazza, 2002).

As principais consequências da fosfatagem são: a) maiores volumes de P em


contato com o solo (> fixação); b) maior volume de solo explorado pelas raízes; c)
maior absorção de água e de nutrientes; d) melhor convivência com pragas do solo.

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4.3.8 Gessagem

O gesso agrícola (CaSO4.2H20) é um subproduto da obtenção do ácido


fosfórico, utilizado na fabricação de superfosfato triplo e fosfatos de amônio (MAP e
DAP). O gesso não corrige a acidez, isto é, não aumenta o pH do solo. Assim sendo,
não substitui o calcário, mas completa o seu efeito, reduzindo a fitotoxicidade do
alumínio em profundidade (Veloso et al., 1992). O gesso aumenta a quantidade
de cálcio nas camadas superficiais (Pavan et al., 1982; Vitti et al., 1985) quando
adequadamente aplicado (Alcarde, 1988), isto é, o gesso é um fertilizante que leva
cálcio e enxofre ao solo. Além de fornecer enxofre às plantas o gesso complexa o
Al3+ subsuperficial eliminando esta acidez, possibilitando um maior desenvolvimento
radicular e consequentemente maior tolerância aos veranicos. Seu uso propicia
também que outros nutrientes, como o magnésio e potássio, sejam arrastados
para as camadas mais profundas, mas a quantidade desses depende tanto da
quantidade de gesso aplicado e da textura do solo.

O gesso pode ser utilizado como um restaurador dos atributos físicos benéficos
do solo, por agir como floculante da argila, o gesso dificulta a formação de crostas
na superfície do solo, contribuindo para o aumento da capacidade de infiltração de
água no seu perfil do solo, o que reduz o escoamento superficial e a erosão hídrica
(Pruski et al., 2006).

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

5 SISTEMAS DE PREPARO E
MANEJO DO SOLO EM SISTEMAS
AGROECOLÓGICOS

Métodos de preparo do solo convencional, via de regra, requerem o uso


intensivo de máquinas e equipamentos para as operações de preparo, plantio e
controle de ervas daninhas. Normalmente o solo é arado e gradeado duas ou três
vezes antes do plantio. A aração, que revolve o solo, tem vários efeitos desejáveis,
como o controle de ervas. Os resíduos de cultivos anteriores são incorporados ao
solo e, depois de decompostos, irão contribuir para a agregação. Após a aração, o
solo é trabalhado com discos ou grades para destorroamento, retirada de eventuais
ervas daninhas e preparo da superfície para receber as sementes. Após o plantio,
algumas plantas daninhas são controladas pelo cultivo entre as linhas de plantio.
Cada uma dessas operações tem um custo, além de degradar a estrutura do solo
e expor à erosão hídrica e eólica.

Mais recentemente, a evolução dos herbicidas e equipamentos agrícolas tem


levado à adoção de formas de cultivo que protegem o solo contra a erosão hídrica.
O cultivo mínimo é uma prática que emprega menos operações mecanizadas para o
controle de ervas daninhas e preparo do solo para plantio. Herbicidas seletivos são
usados para o controle das ervas daninhas antes e após o plantio. Várias formas
de cultivo conservacionistas são empregadas: a) aração seguida de redução nas
práticas subsequentes, em alguns casos a aração é seguida de plantio; b) cultivo
somente nas faixas que receberão as sementes, o restante da área é deixado com
resíduos da cultura anterior; c) plantio direto sobre os resíduos da cultura anterior
ou alguma vegetação exclusiva para a produção de massa. Essa prática requer
o uso de equipamentos apropriados para cortar a palhada, sulcar o solo no local
da semente, adubar e controlar as plantas daninhas, tudo em uma só operação.
Atualmente, o plantio direto vem sendo expandido em diversas regiões do país.
Esse tipo de manejo confere ao solo, além de maior proteção contra a erosão,
maior acúmulo de matéria orgânica e melhoria de condições físicas e químicas,
além de diminuir a amplitude de variação na temperatura do solo, favorecendo a
atividade biológica, principalmente em regiões tropicais.

5.1 CULTIVO MÍNIMO


A técnica de cultivo mínimo consiste em um preparo mínimo do solo. Esse tipo
de cultivo é indicado para locais onde não se verifica forte compactação, problemas

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

com barreiras químicas, que necessitariam de calagem e gessagem, ou a existência


de pragas de solo.

De maneira isolada, a presença da cobertura do solo por resíduos vegetais é


o fator mais importante na dissipação da energia de impacto das gotas da chuva na
superfície do solo, visto que ela pode evitar a desagregação de suas partículas. Além
disso, resíduos vegetais em contato direto com a superfície do solo são eficazes na
redução da carga de sedimentos no escoamento superficial ou enxurrada (Bertol
et al., 2007). Desse modo, sistemas de manejo conservacionistas, como o cultivo
mínimo, que promovam pequenas ou nenhuma movimentação mecânica do solo,
manutenção de maior parte dos resíduos culturais sobre a superfície e elevação
da rugosidade superficial são mais eficazes do que os não conservacionistas no
controle das perdas de solo e água por erosão hídrica (Cogo et al., 1984; Beutler
et al., 2003).

As vantagens do cultivo mínimo em relação ao convencional são (Santiago


& Rossetto, 2007): a) possibilidade de plantio em épocas chuvosas, o que pode
significar a antecipação do plantio em até alguns meses; b) utilização mais intensa
da área de plantio, já que o intervalo entre a colheita e o replantio é menor; c) redução
da erosão hídrica; d) redução do uso de máquinas, implementos e combustível.

5.2 PLANTIO DIRETO NA PALHA


O plantio direto é o sistema de manejo de solo que engloba todos os requisitos
favoráveis à preservação ambiental e à sustentabilidade dos sistemas agrícolas.
É o único sistema de cultivo que oferece a possibilidade de uma cobertura do
solo ininterrupta por plantas em crescimento ou restos vegetais protegendo-o do
impacto das gotas de chuva e assim da erosão. Uma cobertura do solo adequada
geralmente só é obtida através de rotação de culturas apropriadas e pela inclusão
de espécies de adubação verde produtoras de massa vegetal abundante. O plantio
direto é executado na prática, no Brasil, desde 1972. Depois de algumas dificuldades
iniciais, entre 1977/78, com um retrocesso da área cultivada por esse sistema,
superaram-se os principais obstáculos que impediam um rápido desenvolvimento do
mesmo. Em fins de 1985 estimou-se uma área cultivada de 800.000 ha. Atualmente
o plantio direto vem se expandido por todo o país, notadamente na região dos
cerrados e no Norte e Nordeste do Brasil, região conhecida como MATOPIBA, polo
agrícola que envolve os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, conhecido
como a nova fronteira agrícola, amplia suas lavouras e se impõe enquanto “quarto
maior produtor” de grãos do Brasil. Com 4,5 milhões de hectares dedicados à
soja e ao milho e uma colheita estimada em 14,4 milhões de toneladas, a região
fica atrás apenas dos centros produtivos que correspondem aos estados de Mato
Grosso (líder nacional em área em volume), Paraná (segundo colocado em volume

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

e terceiro em área no verão) e Rio Grande do Sul (segundo colocado em área e


terceiro e volume. O Brasil apresenta uma das maiores áreas cultivadas do mundo
nesse sistema.

Para garantir bons resultados na implantação do plantio direto é necessário


cumprir, na propriedade agrícola, alguns quesitos como: participação em eventos
ligados ao plantio direto; uso de implementos apropriados; uso e manejo de
herbicidas apropriados e conhecimento técnico. Também o solo deve ser corrigido
e manejado adequadamente. A presença de cobertura morta suficiente é requisito
básico para uma boa proteção do solo. Plantas daninhas de difícil controle devem
ser eliminadas.

O parque de implementos no plantio direto deve incluir, além de semeadeiras


específicas, um pulverizador bem calibrado e uma roçadeira. A oferta variada e a
rápida disponibilidade de herbicidas apropriados possibilitam um eficiente controle
de plantas daninhas para o agricultor. O agricultor deve ter bom conhecimento sobre
propriedades, modo de ação e dosagem dos herbicidas, bem como saber identificar
corretamente as plantas daninhas existentes em sua propriedade e dominar as
técnicas de aplicação para obter êxito no controle das plantas daninhas. Falhas de
conhecimento em qualquer uma dessas áreas podem interferir na operacionalização
do sistema, com consequentes prejuízos na produção. Todas as possibilidades de
diminuição de emprego de herbicidas devem ser esgotadas. Deve-se aproveitar
sempre o efeito supressor de plantas daninhas e de aumento de rendimento da
adubação verde e da rotação de culturas.

O plantio direto é adequado tanto para grandes propriedades como para


pequenas. Em pequenas propriedades o controle de plantas daninhas deve ser
feito por uma adubação verde com espécies adequadas, pela rotação de culturas ou
ainda a eliminação das invasoras através de capina manual. Sistemas de imediata
aplicação prática foram desenvolvidos no estado de Santa Catarina empregando-
se tração animal e semeadeira manual. O grau de instrução e formação técnica
do agricultor é mais importante do que o tamanho da propriedade. O alto nível de
gerenciamento é básico para o sistema de plantio direto (Derpsch et al. 1991).

A vantagem mais importante do plantio direto é o controle eficiente da erosão


hídrica. Esse aspecto ocasionou um questionamento do uso de terraços no sistema
plantio direto. Entretanto, a função do terraço não é apenas reter os sedimentos
oriundos da erosão hídrica, mas manter água no sistema e organizar o uso do solo,
sendo assim não é recomendada a retirada dos terraços. Além da vantagem de
redução da erosão o plantio direto associado aos terraços de base larga, aumenta
o armazenamento de água no solo, importante nos períodos de déficit hídrico. O
plantio direto também proporciona a melhora dos atributos físicos, reduz a oscilação

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

da temperatura do solo, aumenta a atividade biológica do solo, aumenta o estoque


de carbono, mantém, em longo prazo, os níveis da fertilidade do solo. Em termos
operacionais o sistema propicia uma redução no tempo de trabalho, redução
na potência do trator, rendimentos mais altos e mais estáveis, bem como maior
economicidade.

O plantio direto tem proporcionado a melhoria de vários atributos de


solo. Estudos conduzidos por D’ Andréa et al. (2002b), avaliando os atributos
biológicos, em que foram selecionadas cinco propriedades agrícolas, baseadas
na sua representatividade para a região com relação ao histórico de uso e às
características dos sistemas de manejo adotados, os quais consistiram de:
cerrado nativo, pastagem, plantio direto, plantio direto com histórico de gradagem
superficial, plantio convencional de longa duração e plantio convencional recente
após pastagem. O cerrado nativo foi tomado como referência, uma vez que todos
os sistemas foram instalados em área originalmente de cerrado. Foram avaliados:
carbono da biomassa microbiana (Cmic), respiração basal, quociente metabólico
(qCO2) e relação Cmic/CO. Em adição, foram avaliados o carbono orgânico total
(CO) e alguns atributos de fertilidade do solo. A adoção dos sistemas agrícolas
e da pastagem reduziu os teores de Cmic na camada superficial, em relação ao
cerrado nativo. Excetuando o sítio sob cerrado, o maior valor de Cmic foi observado
na pastagem e o menor no plantio convencional de longa duração. Não foram
observadas diferenças significativas entre os sistemas de manejo para respiração
basal e qCO2. O Cmic indicou alterações significativas na instalação de sistemas
de manejo em relação ao cerrado nativo e, embora tenha apontado diferenças
apenas entre dois dos cinco sistemas cultivados, foi indicativo de maior equilíbrio
da microbiota do solo no cerrado.

Objetivando verificar alterações nos teores e no estoque de C orgânico e


N total do solo, e nas suas formas nítrica e amoniacal, em sistemas de manejo
implementados em área de cerrado nativo, foram coletadas amostras no Município de
Morrinhos, GO, num Latossolo Vermelho distrófico típico, textura argilosa, em cinco
profundidades, nos sistemas: cerrado nativo, pastagem de Brachiaria sp., plantio
direto irrigado com rotação milho-feijão, plantio direto irrigado com rotação milho-
feijão e arroz-tomate, plantio convencional de longa duração e plantio convencional
recente após pastagem (D’ Andréa et al., 2004), segundo os autores, não houve
diferença significativa nos teores e no estoque de C e N totais do solo, embora
o plantio convencional de longa duração tenha apresentado variações negativas
no estoque de C em relação ao cerrado nativo até 20 cm de profundidade, ao
contrário dos sistemas com menor revolvimento. O amônio predominou no cerrado
nativo e na pastagem ao longo de praticamente todo o perfil, enquanto os teores
de nitrato foram maiores na camada superficial dos sistemas com culturas anuais.

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

A pastagem e o plantio direto, desde que com esquema diversificado de rotação de


culturas, são promissores para aumentar os estoques de C orgânico do solo.

Estudos relacionados aos atributos físicos do solo foram desenvolvidos por


Beuther et al. (2001), D’ Andréa et al. (2002a) e Silva et al. (2005), que observaram
o melhor desempenho nos sistemas de plantio direto.

5.3 INTEGRAÇÃO DOS SISTEMAS LAVOURA, FLORESTA


E PECUÁRIA
A integração lavoura, floresta e pecuária (ILPF) pode ser definida como a
diversificação, rotação, consorciação e/ou sucessão das atividades de agricultura
e de pecuária dentro da propriedade rural, de forma harmônica, constituindo um
mesmo sistema, de tal maneira que há benefícios para ambas. Possibilita, como
uma das principais vantagens, que o solo seja explorado economicamente durante
todo o ano ou pelo menos, na maior parte dele, favorecendo o aumento na oferta
de grãos, de carne e de leite a um custo mais baixo, devido ao sinergismo que se
cria entre a lavoura e a pastagem (Alvarenga & Noce, 2005).

A integração ILPF promove a recuperação de áreas de pastagens degradadas


agregando, na mesma propriedade, diferentes sistemas produtivos, como os de
grãos, fibras, carne, leite e energia. Busca melhorar a fertilidade do solo com a
aplicação de técnicas e sistemas de plantio adequados para a otimização e a
intensificação de seu uso. Dessa forma, permite a diversificação das atividades
econômicas na propriedade e minimiza os riscos de frustração de renda por eventos
climáticos ou por condições de mercado.

A integração também reduz o uso de agroquímicos, a abertura de novas áreas


para fins agropecuários e o passivo ambiental. Possibilita, ao mesmo tempo, o
aumento da biodiversidade e do controle dos processos erosivos com a manutenção
da cobertura do solo.  Aliada a práticas conservacionistas, como o plantio direto, se
constitui em uma alternativa econômica e sustentável para elevar a produtividade
de áreas degradadas.

A integração lavoura/pecuária na agricultura familiar possui grande importância


no setor produtivo, principalmente pelo favorecimento do uso intensivo do solo. Nas
regiões-alvo predominam pequenas propriedades, nas quais a produção de leite
é uma alternativa interessante para a inclusão social, sustentabilidade do setor e
para assegurar a sobrevivência do homem no campo.

No sudoeste do Paraná, mais de 80% das pequenas propriedades fazem


integração lavoura/pecuária na produção de leite. A utilização dessa integração
exige um bom planejamento de utilização da área e amplo conhecimento em
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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

sistema de produção agrícola integrada. O produtor precisa quebrar tabus e


compreender que a entrada de animais em áreas de lavouras, quando realizada de
maneira adequada, não afeta o desempenho das culturas sucessoras destinadas
à produção de grãos. Esse sistema envolve muitas variáveis e demanda ainda
estudos complementares, cujos resultados ao serem aplicados pelos agricultores
podem tornar a integração lavoura/pecuária uma prática de alto benefício econômico
e ambiental. O sucesso desse sistema de integração está diretamente associado à
produção de biomassa para plantio direto e alimentação animal. Por essa razão, os
produtores e profissionais da área de ciência agrárias precisam conhecer, cada vez
mais, seu uso correto (Assmann, Soares & Assmann, 2008).

Estudos conduzidos por Neves et al. (2007) de avaliação das alterações em


atributos físicos, de um Latossolo Vermelho Distrófico típico sob uso com sistema
agrossilvopastoril, nos seguintes tratamentos: EA – eucalipto + arroz, primeira
sucessão do sistema agrossilvopastoril; ES – eucalipto + soja, ano um do sistema,
semeadura da soja em substituição ao arroz; EP - eucalipto + pastagem, ano dois
do sistema; EPG - eucalipto + pastagem + gado de corte, ano três do sistema e
introdução do pastejo; PC - pastagem de Brachiaria brizantha sob pastejo contínuo
de gado de corte em regime extensivo; EC - plantio de eucalipto no espaçamento
de 2,0 x 3,0 m; e CN - cerrado nativo, sistema de referência. Os resultados
mostraram que a implementação do sistema agrossilvopastoril alterou a densidade
do solo, volume total de poros, microporosidade, macroporosidade e estabilidade
de agregados, porém estes apresentaram valores dentro da faixa considerada não
restritiva ao crescimento e desenvolvimento do sistema radicular das plantas. A
resistência à penetração, condutividade hidráulica e o carbono orgânico total foram
negativamente influenciados pelo sistema agrossilvopastoril, notadamente na
camada mais superficial (0 – 5 cm), sendo esses atributos considerados como de
boa performance para indicar a qualidade do solo.

Estudos conduzidos por Neves et al. (2009), considerando os mesmos


tratamentos do sistema agrossilvopastoril citado acima, concluíram que o carbono
orgânico e o carbono da biomassa microbiana apresentaram valores mais elevados
na camada superficial (0-5cm), em relação às demais, em todos os sistemas. O
carbono orgânico mostrou alteração substancial em relação aos sistemas estudados
e às profundidades, revelando seu potencial como indicador da qualidade do solo
em termos de reflexos das modificações impostas pelo manejo. O teor de carbono
da biomassa microbiana foi reduzido em todos os sistemas estudados em relação
ao cerrado nativo, em função da ação antrópica. Com o progresso do sistema
agrossilvopastoril houve uma recuperação do carbono da biomassa microbiana.
Não foi observada diferença significativa entre os sistemas de manejo e o cerrado
nativo quanto ao quociente metabólico e à respiração basal.

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

Em relação ao estoque de carbono, estudos conduzidos por Neves et


al. (2004), pode-se concluir que houve diferença significativa nos teores e no
estoque de carbono dos sistemas avaliados em relação ao cerrado nativo.
De modo geral, os sistemas estão desempenhando um papel de emissores
de C-CO2, quando comparados com o CN, em que os vários revolvimentos
para o preparo do solo estão acelerando o processo de oxidação e perda de
carbono orgânico. No sistema agrossilvopastoril, foi observada uma tendência
de aumento do estoque do carbono com o passar dos anos, demonstrando a
eficiência do sistema em manter ou até mesmo aumentar o estoque de carbono
orgânico ao longo dos anos.

5.4 SISTEMAS AGROFLORESTAIS


Agrofloresta é um sistema de manejo sustentável da terra que aumenta a
produção total, combinando cultivos agrícolas, culturas perenes (frutíferas) e
essências florestais e/ou animais, simultaneamente ou sequencialmente, aplicando
práticas de manejo que são compatíveis com o padrão das populações locais (Bene
et al., 1977).

Ultimamente a recuperação de ambientes degradados e conservação de


recursos naturais são assuntos em voga, no entanto, atualmente a tendência da
produção agrícola é a redução da biodiversidade e degradação do ambiente em
menor ou maior grau, o que acaba comprometendo a sustentabilidade dos sistemas
produtivos (Macedo 2000, Macedo et al. 2006). E conforme relata Macedo et al.
(2000), os sistemas agroflorestais, por normalmente causarem pouca ou nenhuma
degradação ao meio ambiente, principalmente por respeitarem os princípios básicos
de manejo sustentável dos agroecossistemas, são considerados como uma das
alternativas de uso dos recursos naturais. Outro ponto bastante positivo desses
sistemas é que os sistemas agroflorestais têm um alto potencial para manter e
melhorar a produtividade em áreas que apresentam problemas de baixa fertilidade
( Montagnini et al., 1986).

Os sistemas Agroflorestais têm por objetivo maior otimizar a produção por


unidade de superfície, respeitando sempre o princípio de rendimento contínuo,
principalmente através da conservação e manutenção do potencial produtivo dos
recursos naturais Macedo & Camargo (1994). Alguns outros objetivos dos sistemas
agroflorestais são: a) assegurar a sustentabilidade por meio da intensificação
apropriada no uso da terra; b) diversificar a produção de alimentos; c) aumentar
a produtividade vegetal e animal; d) produzir madeira, lenha e outros diversos
materiais que sirvam para a subsistência do agricultor, para uso industrial ou para
exportação; e) diminuir riscos para o agricultor; f) direcionar técnicas para uso
racional do solo e da água, minimizando os processos erosivos.

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

Segundo Macedo et al., (2000) e Macedo et al. (2006), os sistemas


agroflorestais apresentam algumas vantagens intrínsecas, relacionadas com os
aspectos biológicos e físicos, tais como: a) apresentam similaridades muito próximas
aos padrões ecológicos naturais de estratificação e diversificação das espécies na
natureza; b) possibilitam melhor utilização dos perfis da paisagem e da energia
solar; c) favorecem a recirculação mais eficiente dos nutrientes no ecossistemas;
d) diminuem a ação danosa do vento. As plantas lenhosas perenes em sistemas
agroflorestais bem planejados podem servir como quebra-ventos, favorecer a
estabilização do solo em topografia íngreme e ajudar no controle das condições
de umidade do solo, proporcionando melhor manejo de bacias hidrográficas. e)
permitem um controle eficiente dos processos erosivos e um maior rendimento
nas adubações; f) estimulam os mecanismos de controle biológico pela maior
diversificação de espécies; g) possibilitam a fixação e incorporação de nitrogênio
ao ecossistema, com a utilização de leguminosas; h) produzem maior biomassa por
unidade de área.

Segundo Montagnini (1992), os sistemas agroflorestais apresentam as


seguintes vantagens socioeconômicas: a) evitam os riscos dos monocultivos
(sazonalidades de preços, clima, pragas e doenças); b) não provocam mudanças
drásticas no sistema tradicional; c) a demanda de mão de obra é pouco afetada
e permite maior flexibilidade para a distribuição desta; d) exigem menor controle
fitossanitário (menor custo); e) confere maior eficiência no aproveitamento de
insumos.

Quanto às desvantagens pode-se citar: a) a falta de conhecimento dos


agricultores e até dos técnicos e pesquisadores sobre os sistemas agroflorestais
são, ainda, limitados e os tratos culturais são mais diversificados (limpezas seletivas,
podas, desbastes, técnicas específicas de colheita e armazenamento, etc.), exigindo
técnicas apropriadas que muitos produtores ainda não utilizam; b) o custo da
implantação pode ser mais elevado, dependendo das espécies a serem utilizadas
e se o produtor irá adquirir ou produzir as mudas; c) o emprego da mecanização
torna-se mais difícil (Macedo et al., 2000), devido ao arranjo dos indivíduos na
área, englobando espécies de portes diferentes; d) mercado limitado para alguns
produtos, os quais não absorvem grandes quantidades ou necessitam de uma
produção inatingível por um produtor ou por um pequeno grupo de produtores, o
que sugere a formação de associações para viabilizar a comercialização; e) pode
ocorrer excessiva exportação de nutrientes com as colheitas (Macedo et al., 2000).

Assim, existem vários tipos de sistemas agroflorestais e segundo Combe &


Budowski (1979) e Müller et al. (2004), estes podem ser classificados em: sistemas
silviagrícolas (árvores associadas aos cultivos agrícolas, para produção simultânea
de culturas florestais e agrícolas); sistemas silvopastoril (árvores associadas aos

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animais e/ou às pastagens para produção de madeira, celulose, carvão e alimento


para animais domésticos; e sistemas agrossilvopastoril: árvores associadas
aos cultivos agrícolas e aos animais e/ou à pastagem, ao mesmo tempo ou em
sequência temporal. Os sistemas agroflorestais também podem ser classificados
conforme o arranjo temporal dos seus componentes: sequências sem superposição
temporal dos seus componentes; coincidentes, com superposição temporal
completa dos componentes; e concomitantes, com sobreposição temporal parcial
dos componentes.

Objetivando avaliar e comparar alterações dos atributos químicos e físicos


do solo em áreas com diferentes manejos em sistemas agroflorestais (Silva
et al. 2011). Os tratamentos avaliados foram: SAF1: plantios espaçados 3x1 m,
adubação orgânica com resíduos de exploração de urucum, espécies: coqueiro,
goiabeira, gravioleira e urucuzeiro; SAF2: plantios espaçados 3x1 m, adubação
orgânica com resíduos de exploração do urucum, espécies: coqueiro, goiabeira,
gravioleira e urucuzeiro; SAF3: plantios espaçados 3x1 m, adubação orgânica
com resíduos de exploração do urucum, espécies: coqueiro, cajueiro, pitangueira,
gravioleira e urucuzeiro; SAF4: plantios espaçados 3x1 m, adubação mineral, uso
de adubação verde com Gliricidia sepium (gliricídia) e de resíduos de exploração
do urucum, espécies: coqueiro, goiabeira, cajueiro, gravioleira e urucuzeiro; SAF5:
plantios aleatórios de espécies frutíferas no sistema de quintais e adubação
orgânica com resíduos de exploração do urucum, espécies: coqueiro, goiabeira,
cajueiro, pitangueira, gravioleira e urucuzeiro; SAF6: plantios espaçados 3x1 m,
adubação mineral, espécies: coqueiro, goiabeira, cajueiro e gravioleira; CCM:
cultivo convencional do mamoeiro irrigado (espaçamento 4x2 m) com manutenção
da vegetação espontânea na superfície, adubação mineral e FN: floresta nativa
(Mata Atlântica), referencial de equilíbrio no município de Prado - Bahia. Segundo
os autores a avaliação dos atributos físicos do solo, notadamente a resistência
do solo à penetração, permitiu distinguir os efeitos proporcionados pela adoção
dos sistemas agroflorestais em relação à floresta nativa. De modo geral, o SAF5
apresentou os valores de atributos químicos e físicos mais próximos daqueles da
floresta nativa, o que indica a maior tendência desse sistema de manejo de atingir
a sustentabilidade.

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6 TRATOS CULTURAIS PECULIARES


DOS SISTEMAS AGROECOLÓGICOS
DE PRODUÇÃO

Para um bom desenvolvimento das plantas é necessária a execução de


diversas práticas culturais, independentemente de qual seja o cultivo, convencional
ou orgânico. Deve ser observada a época adequada de cada trato cultural do
plantio até a colheita, principalmente do desbaste de plantas, controle de plantas
invasoras, adubações, condução das ramas, desbaste de frutos, polinização,
proteção dos frutos e rotação de cultura. Todas as operações devem ser executadas
cuidadosamente, sendo necessária uma visita diária ao campo para o efetivo
controle das necessidades do cultivo (Dias et al. 2010).

A sustentabilidade dos ecossistemas pode ser promovida por práticas como


rotação de culturas e aumento da biodiversidade, consideradas essenciais para
se evitar a degradação do solo nas regiões tropicais e subtropicais. O cultivo de
espécies para formação de cobertura morta - coquetel - a aplicação de compostos
orgânicos em sulco de plantio e a aplicação via fertirrigação e foliar de biofertilizantes
permitirão que a cultura tenha chances de um bom equilíbrio nutricional e atenda
às exigências do cultivo orgânico. Os ajustes de doses e épocas de aplicação dos
diferentes produtos poderão ser efetuados de acordo com cada local e tipo de solo
ou sistema de cultivo utilizado, e com a análise dos materiais orgânicos disponíveis,
como estercos, folhagens, etc. (Dias et al. 2010).

Muitas alternativas são apresentadas para o cultivo sustentável. Porém, deve


partir do agricultor o desejo de produzir alimentos com um mínimo de impacto ao meio
ambiente e o máximo de cuidado com a saúde das pessoas. Sem esse objetivo as
atividades diárias do campo ou qualquer prática agrícola orgânica ou agroecológica
se tornarão trabalhosas, complicadas e onerosas, pois as adaptações constantes
das técnicas e práticas aqui apresentadas são fundamentais para o sucesso do
cultivo. A seguir, são detalhadas algumas práticas permitidas pela agricultura
orgânica (Dias et al. 2010).

6.1 DESBASTE DE PLANTAS


O desbaste é feito no sistema de plantio com sementes, quando as plantas
apresentarem três a quatro folhas definitivas, entre 10 e 15 dias após o plantio,
conforme o desenvolvimento das mesmas, diferindo entre espécies. É realizado

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eliminando-se as plantas mais raquíticas e mantendo-se o número de plantas por


cova pré-estabelecido, de acordo com o espaçamento e a finalidade da produção
de frutos, grãos ou folhas. A eliminação das plantas excedentes deve ser feita,
preferencialmente, por meio de corte com facas, tesouras ou canivetes. Caso se
deseje fazer arranque manual é preferível fazê-lo logo após a irrigação, para não
danificar as demais plantas ou após uma chuva, se o cultivo for de sequeiro.

6.2 CONTROLE DE PLANTAS INVASORAS


O controle de plantas invasoras entre as linhas de cultivo pode ser feito
utilizando-se tratores ou tração animal. Entre as plantas, este controle deve ser
manual, com o uso de enxada, tantas vezes quanto for necessário para manter a
cultura sem a competição das mesmas.

6.3 CONDUÇÃO DAS RAMAS


Esta prática é comum no cultivo das cucurbitáceas e espécies que têm o hábito
de crescimento em ramas. Essa prática consiste no afastamento das ramas para fora
dos sulcos de irrigação e das faixas do terreno reservados ao trânsito. Essa operação
deve ser feita até três vezes antes da frutificação. Além de facilitar as capinas, as
pulverizações e a colheita, evita o apodrecimento dos frutos, causado pelo contato
com água ou por danos mecânicos. É importante planejar o plantio de maneira que
a direção dos ventos facilite o posicionamento das ramas, evitando-se, assim, o
desgaste das plantas por sucessivas operações de movimentação pelos ventos.

6.4 POLINIZAÇÃO
As abelhas são os principais agentes polinizadores das culturas. A polinização
das flores normalmente ocorre pela manhã. A presença de abelhas durante a fase
de florescimento é fundamental para aumentar a frutificação e a produtividade,
melhorando a qualidade dos mesmos e reduzindo o número de frutos defeituosos.
Recomenda-se evitar pulverizações com inseticidas durante a fase de florescimento,
principalmente pela manhã, e instalar de duas a três colmeias próximas à cultura,
quando houver escassez de abelhas no local. A polinização é mais efetiva quando
as colmeias forem distribuídas em toda a área, contudo, a distribuição destas pelo
perímetro é uma alternativa aceitável, podendo ser levadas ao campo quando as
plantas começarem a florescer.

6.5 DESBASTE DE FRUTOS


Devem ser eliminados todos os frutos defeituosos e com ataque de pragas ou
doenças, pois, além de as plantas direcionarem energia para frutos que não serão

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comercializados, a presença dos mesmos inibirá o crescimento de outros frutos de


qualidade na planta, além da possibilidade de contaminação.

6.7 PROTEÇÃO DA PARTE INFERIOR DOS FRUTOS


Recomenda-se evitar o contato direto dos frutos com o solo, principalmente
em épocas chuvosas. Os frutos devem ser calçados com palha de arroz, capim
seco ou similar evitando-se o apodrecimento de frutos, o que melhora a cotação do
produto no mercado.

6.8 COQUETÉIS VEGETAIS


O coquetel vegetal é a mistura de diferentes espécies, normalmente
leguminosas e gramíneas, cultivadas antes da espécie a ser plantada ou entre as
linhas da cultura principal. Sua utilização tem importância por melhorar a diversidade
de espécies na área, reduzindo as pressões dos patógenos oportunistas que se
encontram no local. Além disso, o uso do coquetel vegetal, principalmente com
leguminosas, permite a fixação de nitrogênio no solo e transporte de elementos
químicos de camadas inferiores para camadas superiores, pela ação dos diferentes
sistemas radiculares presentes, melhorando química, física e biologicamente o solo
da área onde é instalado.

Podem ser utilizadas várias espécies no coquetel vegetal. Porém, a escolha


das mesmas depende da disponibilidade de sementes no local e do interesse do
produtor. Espécies leguminosas como feijão caupi (Vigna unguiculata), feijão guandu
(Cajanus cajan L.), crotalária juncea (Crotalaria juncea L.), crotalária spectabilis
(Crotalaria spectabilis L.) lab-lab (Dolichos lablab L.), cunhã (Clitoria ternatea L.),
entre outras, possuem rápida decomposição e liberam nutrientes, principalmente
nitrogênio mais rapidamente para o solo (Dias et al. 2010).

A proporção entre as diferentes espécies a serem incluídas no coquetel vai


depender do objetivo do produtor: caso o solo esteja precisando de um aporte maior
de nutrientes é recomendada a utilização das leguminosas; caso o interesse seja
em formação de cobertura morta, recomenda-se maior proporção de gramíneas, de
preferência cortadas e depositadas sobre o solo.

Para se obter uma boa eficiência no uso do coquetel é preciso saber,


previamente, a época agendada para o plantio, evitando-se assim os efeitos
deletérios advindos da fermentação que ocorre na superfície ou no interior do solo.

Se o produtor optar por incorporar o coquetel visando à fertilização adicional


do solo - leguminosas - é importante fazê-lo com o mínimo de antecedência de 50
dias da data prevista para o plantio. Caso seja para formar uma densa camada

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de cobertura morta - gramíneas - o corte das plantas poderá ser feito próximo ao
plantio, tomando-se o cuidado de fornecer nitrogênio suficiente nas covas, na forma
de compostos orgânicos, torta de mamona, biofertilizantes, etc., evitando-se uma
competição com as bactérias decompositoras que atuarão sobre a palhada.

6.9 COMPOSTOS ORGÂNICOS


O coquetel vegetal, aplicado sobre o solo ou incorporado, dificilmente irá suprir
totalmente a demanda por nutrientes de qualquer espécie. Além de liberação lenta
de nutrientes, a quantidade de elementos liberados não é suficiente para suprir a
necessidade da maioria das culturas, principalmente quando se tratar de solos de
baixa fertilidade. Para a produção orgânica, um dos insumos mais importantes é o
composto orgânico, resultante da decomposição microbiana de diferentes resíduos
de plantas e animais. O uso do composto orgânico é de fundamental importância,
principalmente para solos de textura arenosa e com baixos teores de matéria
orgânica (MO). Apresenta as seguintes vantagens: a) aumenta o teor de MO em
solos normalmente arenosos e/ou pobres; b) reduz a temperatura do solo, mesmo
que seja irrigado ou quando se apresenta descoberto; c) favorece a estrutura física
e o ambiente do solo; d) permite liberação lenta de nutrientes ao longo do ciclo da
cultura; e) possui baixa quantidade de sementes viáveis de plantas invasoras.

O composto orgânico pode ser usado nas covas ou sulcos de plantio, na


proporção de 0,5 a 1,5 L por cova ou por metro linear, dependendo do nível de
matéria orgânica que o solo apresente.

Em solos com baixa disponibilidade de cálcio recomenda-se de maneira


alternativa, e quando disponível, aplicação de 3.000 kg ha-1 de cinza de caieira
- 42,8% de CaO e 5,1% de MgO - ao solo, junto ao composto orgânico, visando
à redução de ataque de fungos patogênicos. O calcário também é um insumo
permitido na agricultura orgânica e pode ser utilizado para sanar esse problema.
Esse distúrbio fisiológico é causado por deficiência de cálcio na planta que se
acentua em condições de altas temperaturas da atmosfera, baixos teores de cálcio
e baixa umidade no solo (Dias et al. 2010).

6.10 USO DE BIOFERTILIZANTES


Os materiais orgânicos adicionados pelos coquetéis vegetais e compostos
orgânicos apresentam liberação lenta de nutrientes para as plantas, apesar das
vantagens enumeradas anteriormente. Ao analisar quimicamente o solo, se
forem constatados baixos teores dos nutrientes, será necessário o aporte desses
elementos em formas mais prontamente disponíveis à planta. Uma das formas de
fertilização possível e permitida em agricultura orgânica é o biofertilizante líquido.

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Cuso da Emater – Manejo do solo em sistemas agroecológicos de produção...

Biofertilizantes líquidos são produtos naturais obtidos da fermentação de


materiais orgânicos com água, na presença ou ausência de ar. Possuem uma
composição altamente complexa e variável, dependendo do material empregado,
contendo quase todos os micro e macroelementos necessários à nutrição vegetal.
Quanto mais rica em nutrientes for a matéria-prima para o preparo do biofertilizante,
maior será o teor dos elementos químicos presentes na composição final.

Existem vários tipos de biofertilizantes que podem ser utilizados e muitos são
formulados, diariamente, nas propriedades de acordo com as opções de materiais
existentes e com a criatividade do produtor. Como sugestão geral, adicionar aos
biofertilizantes sulfato de zinco, sulfato de cobre e molibdato de amônio. Um dos
biofertilizantes que apresenta grande facilidade de preparo e resultados satisfatórios
em uso é o Vairo (Dias et al. 2010).

Os biofertilizantes também podem ser aplicados sobre a folha - adubação foliar,


pois a absorção pelos tecidos foliares se efetua com muita rapidez, de modo que
é muito útil para as culturas de ciclo curto ou no tratamento rápido de deficiências
nutricionais das plantas. É importante alertar que essa forma de aplicação é
indicada apenas quando se pretende suprir deficiências de microelementos que
normalmente são exigidos em pequenas quantidades pelas plantas. Na aplicação
via foliar, o biofertilizante também atua como um protetor natural das plantas
cultivadas contra doenças e pragas. Nesse caso, para melancia, as aplicações
poderão ser semanais, utilizando-se uma calda com biofertilizante a 5% (Dias et al.
2010).

O ideal para o aporte nutricional de macroelementos - N, P, K - é que se efetue


a aplicação via solo, pois a quantidade de nutrientes adicionada pelo biofertilizante
será maior, permitindo a absorção da quantidade necessária para o equilíbrio
nutricional das plantas. As aplicações deverão ter uma frequência semanal, porém
em uma maior concentração do produto, de preferência com adição de suplementos
permitidos como sulfato de potássio e de zinco ou cobre, de acordo com a análise
do solo apresentada.

6.11 USO DO ÓLEO ESSENCIAL DO NEEM


O neem (Azadiractha indica Just.) é uma planta de origem asiática que tem
revelado boa adaptação no Brasil. Sua propagação pode ser realizada através de
sementes ou estacas e as mudas crescem rapidamente em áreas irrigadas, bem
como nas dependentes de chuva. Além de um excelente quebra-vento, também
pode ser usado no controle de insetos.

Diversos relatos mostram eficiência do neem no controle de diferentes


insetos. O extrato aquoso de suas sementes tem efeito sobre as pragas atuando

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nas vias translaminar, sistêmica e de contato, nas dosagens 1%, 0,5% e 0,3%
respectivamente, bem como sobre os ovos, independente da idade dos mesmos.

Deve-se utilizar o óleo de neem, na formulação comercial ou preparar o


extrato das folhas ou das sementes. Para o preparo caseiro pode-se utilizar 2 kg de
sementes ou folhas trituradas em 15 L de água. Deixar em repouso por 48 horas
e aplicar, diluindo-se 200 mL do extrato em 20 L de água. Essa aplicação deve ser
repetida semanalmente, até que se observe a redução do nível de dano da praga a
ser controlada (Dias et al. 2010).

6.12 USO DO LEITE COMO ESTIMULANTE ORGÂNICO


O leite cru é uma fonte de nutrientes para crescimento microbiano que muitas
vezes é utilizado como ativador de processos biológicos no solo e em materiais
orgânicos em decomposição como caldas biofertilizantes e compostos orgânicos.
Atualmente, essa característica do leite ainda é pouco explorada. Porém, sob ponto
de vista de controle biológico, o leite tem apresentado resultados relevantes em
diversas culturas. O leite surge como uma alternativa para o controle das doenças
fúngicas, quando aplicado semanalmente na concentração de 20% (Dias et al.
2010).

6.13 USO DA MANIPUEIRA


A manipueira é o líquido extraído do processo de trituração e prensagem das
raízes da mandioca (Manihot esculenta Cranz) para a fabricação de farinha. Além
da presença de amido, glicose, linamarina e derivados cianogênicos, a manipueira
possui em sua composição vários elementos químicos cuja concentração pode
variar bastante: nitrogênio de 11,60 mg. L-3 a 1421,0 mg. L-3; fósforo, de 7,18 mg.
L-3 a 293 mg. L-3; potássio, de 90,12 mg. L-3 a 2650 mg. L-3 e cálcio de 18,08 mg.
L-3 a 220 mg. L-3.

Pode ser utilizada como fertilizante orgânico e na supressão de algumas


pragas e doenças. Em pepino, o uso da manipueira, antes do plantio, nos canteiros
contaminados com Meloidogyne  spp. e Helicotylenclus permitiu aumento no
faturamento em torno de 30%, associando-se à diminuição no uso de defensivos
agrícolas com consequente aumento da produção. Além do uso como nematicida,
a manipueira pura ou diluída proporção de 1:1 também se mostrou eficiente no
controle de formigas cortadeiras do gênero Atta spp. e Acromyrmex spp (Dias et al.
2010).

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