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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO


DEPARTAMENTO DE ECONOMIA

UM ESTUDO SOBRE O SETOR INFORMAL URBANO


E FORMAS DE PARTICIPAÇÃO NA PRODUÇÃO

Maria Cristina Cacciamali Souza

Orientador: Prof. Dr. Roberto Brás Matos Macedo

Tese apresentada à Faculdade de Economia e


Administração da Universidade de São Paulo
para a obtenção do título de DOUTOR EM
ECONOMIA.

SÃO PAULO
- 1982 -
Aos nossos anos 80.
À Agnes pelo estímulo.

2
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO................................................................................................................... 5
ABSTRACT ............................................................................................................................. 6
INTRODUÇÃO........................................................................................................................ 7
CAPÍTULO 1 ......................................................................................................................... 14
SETOR INFORMAL: UM CONCEITO CONTROVERTIDO............................................. 14
1.1 A ORIGEM DA DEFINIÇÃO DO SETOR INFORMAL ................................... 16
1.2 A INTERPRETAÇÃO DO PREALC .................................................................. 19
1.3. A ABORDAGEM SUBORDINADA.................................................................. 22
CAPÍTULO 2 ......................................................................................................................... 25
SETOR INFORMAL: UMA ABORDAGEM INTERSTICIAL E SUBORDINADA.......... 25
2.1. O SETOR INFORMAL NESTE TRABALHO................................................... 26
CAPÍTULO 3 ......................................................................................................................... 36
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O ESTADO DAS DEFINIÇÕES E
AFIRMAÇÕES A RESPEITO DO SETOR INFORMAL .................................................... 36
3.1. AS FORMAS USUAIS DE MEDIR O SETOR INFORMAL............................ 37
3.2. ALGUMAS QUALIFICAÇÕES SOBRE AS CARACTERÍSTICAS DO
SETOR INFORMAL.................................................................................................. 39
CAPÍTULO 4 ......................................................................................................................... 47
A HETEROGENEIDADE E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ASSALARIADO ..... 47
4.1. A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ASSALARIADO ................................. 48
4.2. IMPACTO DA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO EM LARGA ESCALA
SOBRE O TRABALHADOR .................................................................................... 51
CAPÍTULO 5 ......................................................................................................................... 59
CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS PARA PESQUISAS SOBRE CONDIÇÕES DE
TRABALHO E NÍVEIS DE RENDA.................................................................................... 59
5.1. UTILIZAÇÃO PRÁTICA DOS REFERENCIAIS TEÓRICOS ........................ 61
5.2. AS CATEGORIAS DE ANÁLISE: A CLASSIFICAÇÃO SOB AS FORMAS
DE PARTICIPAÇÃO NA PRODUÇÃO ................................................................... 63

3
5.3. CRITÉRIOS ADOTADOS PARA CAPTAR DIFERENTES GRAUS DE
QUALIFICAÇÃO ...................................................................................................... 73
5.4. CRITÉRIOS ADOTADOS PARA ENQUADRAR OS RAMOS DA
PRODUÇÃO .............................................................................................................. 74
CAPÍTULO 6 ......................................................................................................................... 77
FORMAS DE PARTICIPAÇÃO NA PRODUÇÃO NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO:
TRABALHADORES ASSALARIADOS E AUTÔNOMOS................................................ 77
6.1. POPULAÇÃO AMOSTRADA, CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS
TRABALHADORES AMOSTRADOS E PARTICIPAÇÃO NA PRODUÇÃO NO
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO.................................................................................. 78
6.2. COMPARAÇÃO ENTRE TRABALHADORES ASSALARIADOS E
AUTÔNOMOS: TESTES EMPÍRICOS .................................................................... 85
6.3. UMA APLICAÇÃO DO COEFICIENTE DE CONCORDÂNCIA DE
KENDALL ................................................................................................................. 99
CONCLUSÕES, CONSIDERAÇÕES SOBRE INTERVENÇÃO GOVERNAMENTAL E
SETOR INFORMAL............................................................................................................ 108
BIBLIOGRAFIA.................................................................................................................. 116
ANEXO ESTATÍSTICO...................................................................................................... 123

4
APRESENTAÇÃO

O ponto de partida para o desenvolvimento deste estudo é a existência de


segmentação na produção aqui entendida como contínua diferenciação de atividades
produtivas – de formas de organizar a produção e o trabalho, de processos produtivos e
de trabalhos e de atributos requeridos para exerce-lo – e com este pano de fundo
conceitua-se o termo Setor Informal e desenvolve-se o quadro metodológico que irá
originar um conjunto de elementos empíricos sobre os trabalhadores no Município de
São Paulo em 1980. O Setor Informal é aqui associado com as formas de organizar a
produção, que não tem como motor o trabalho assalariado, ou seja, considera-se Setor
Informal como o conjunto de produtores que, de posse dos meios de trabalho,
desenvolvem suas atividades baseadas na própria força de trabalho. O quadro
metodológico, por sua vez, foi desenvolvido com a finalidade de refletir espectros de
formas dos indivíduos participarem da produção – proprietários, assalariados e
trabalhadores por conta própria - , qualificados por aspectos referentes: requisitos para o
trabalho – idade, sexo e escolaridade –, condições de trabalho – vínculo jurídico,
qualificação, horas trabalhadas e tempo de permanência no posto de trabalho ou atividade
– e níveis de renda. Decorre da análise empreendida, dos elementos empíricos coletados,
bem como dos testes hipotéticos aplicados, que não se pode afirmar serem os
trabalhadores informais, sob a conceituação aqui adotada, proporcionalmente a massa de
trabalhadores que detêm os mais baixos requisitos e as piores condições de trabalho e
níveis de rena no Município de São Paulo. Propostas de políticas de emprego e renda
específicas para o Setor Informal não são priorizadas por este estudo, visto esse Setor
ocupar espaço econômico intersticial e subordinado aos movimentos das firmas
capitalistas. Além do que, no caso do Município de São Paulo em 1980, a maioria dos
trabalhadores é assalariada e compõe parcela significativa dos que exercem o trabalho em
condições e níveis de renda precários.
Agrade-se à Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e à Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas (FIPE), cujo apoio financeiro possibilitou a elaboração desta
pesquisa.
Agradece-se também aos Profs. Drs. José Tiacci Kirsten – Coordenador do Projeto
FINEP/IPE, Roberto Brás Matos Macedo – Orientador do trabalho de doutoramento, José
Paulo Z. Chahad., Carlos Antonio Luque, Ana Maria Bianchi, Ivo Torres e Maria Elisete
Licursi pelas leituras e discussões realizadas durante as etapas preliminares deste estudo.

Maria Cristina Cacciamali


09/82

5
ABSTRACT

The starting point for the development of this study is the existence of
segmentation in the production, understood herein as a continuous fashion of
differentiation in productive activities. With this background define the term Informal
Sector and develop a methodological picture that will result in a set of empirical elements
about the workers in São Paulo in 1980. The Informal Sector is herein related to the ways
of organizing the production that do not have, as its drive, the work payed on the basis of
wages. Therefore, the Informal Sector is considered as a set of producers that by
possessing the means of work develop their activities in their own labour force. The
methodological picture, was developed with the purpose of reflecting a spectrum of ways
of individual participation in the production – owners, wage workers and independent
workers – desegregated by specific work requirements – age, sex and education -,
conditions – legal ties, qualification, hours worked and duration in the position in his job
or activity – and income levels.
Considering the empirical elements gathered and the hypothesis tested, one can
not state that the independent workers – or the Informal Workers, under the definition
adopted herein constitute the mass of workmen who are the unqualified and have the
worst working conditions and income levels in São Paulo. Proposal concerning job
policies and income policies which are specific for the Informal Sector are not
emphasizes in this study due to the fact the refereed sector occupies and interstitial
economic space and depends on the movements of capitalistic enterprises. We should
also note that in the case of São Paulo in 1980, the majority of workmen work on a wage
payment basis and make us a significant part of those who perform their works under
precarious conditions and low income level.

6
INTRODUÇÃO

Os anos 70 marcam-se pela eclosão de interpretações críticas sobre o


desenvolvimento da produção e suas inter-relações com o mercado de trabalho. Algumas
correntes teóricas rejeitam as hipóteses de homogeneidade, livre opção e mecanismos de
mercados como condizentes para explicar a dinâmica do mercado de trabalho nos países
capitalistas avançados. A explicação de que os pobres são pobres de características
pessoais, tão a gosto dos seguidores da teoria do capital humano, passa a sofrer críticas
mais intensas. As análises duais, características para explicar a produção do mundo
atrasado, são reinterpretadas e passam a ser aplicadas para o estudo do mercado de
trabalho, em especial urbano, dos países adiantados. 1
O entendimento da dinâmica da produção nos países subdesenvolvidos também
passa por transformações. O setor tradicional para alguns economistas acadêmicos, e
para outros que em instituições internacionais estudavam o desenvolvimento econômico,
passa a ser visto não apenas como resíduo do passado, mas fruto do mesmo processo de
desenvolvimento econômico que cria o setor moderno. Uma nova roupagem e
denominação lhe são dadas: Setor Informal: 2 termo aplicado ao mercado de trabalho
urbano e que, em sua origem, significa a maneira de produzir caracterizada por:
facilidade de entrada; dependência a recursos nativos; propriedade familiar do
empreendimento; pequena escala de operações; intensidade de trabalho e tecnologia
adaptada; qualificações (no trabalho) adquiridas fora do sistema escolar formal e
mercados não regulados e concorrenciais. 3
Sendo que a maior parte das atividades no Setor Informal são economicamente
eficientes e lucrativas, apesar de pequenas na escala e limitadas por tecnologias simples,

1
Refere-se, aqui, à literatura americana sobre segmentação do mercado de trabalho que encontrou maior
penetração nos meios acadêmicos a partir dos últimos anos da década dos 60. Resenhas a respeito dos
diversos conjuntos de enfoque podem ser encontradas em: Cain, G.C. (1976), The Challenge of Segmented
Labor Market Theories to Orthodoxy Theory: A Survey, in J.E.L., vol. 4, nº 151, dez., p. 1215/1257. Lima,
R. (1980), Mercado de Trabalho: O Capital Humano e a Teoria da Segmentação in P.P.E., vol. 10, nº 1,
abril, p. 217/272.
2
Nós descrevemos estes dois setores urbanos como sendo formal e informal. Esta designação não
pretende contribuir para uma proliferação acadêmica de rótulos; nós queremos encontrar uma
terminologia analítica que descreva a dualidade, evitando a discriminação contra o setor de baixa renda
que é inerente à dicotomia moderno-tradicional. Ambos os setores são modernos, ambos são conseqüência
da urbanização que ocorreu em Kenya ao longo dos últimos 50 anos. Citado em OIT (1972), Employment,
Income and Equality. A Strategy for Increasing Productive Employment in Kenya, Genebra, p. 503/504.
3
OIT (1972), op. cit., p. 6.

7
pouco capital e falta de vínculos com o Setor Formal. 4 Além disso, esse Setor
compreende uma variedade de carpinteiros, pedreiros, alfaiates, negociantes, varejistas
e artesões, bem como cozinheiros e motoristas de táxi. 5
Tanto a definição como os elementos apresentados para caracterizar o Setor
Informal dão margem a ângulos interpretativos diversos, pois cada uma das condições
enumeradas para caracterizar esse setor, assim como o seu conjunto, não se dá, em geral,
nem com a mesma intensidade, nem simultaneamente.
A interpretação que está sendo adotada neste trabalho é a de abstrair, entre as
condições que compõem a definição, aquelas que se referem à forma de organização da
produção, acreditando-se que tal abordagem é a que mais se aproxima da conceituação
original. 6 O Setor Informal, nesse enfoque, reflete os trabalhos realizados por produtores
que, de posse dos meios de produção, se valem do trabalho familiar, ou de alguns
ajudantes, para dar fim às suas atividades. Em outras palavras, neste Setor, as formas de
organização da produção não se baseiam na força do trabalho assalariado. No entanto, o
entendimento e a aplicação do termo Setor Informal não seguem marcadamente este
caminho.
A denominação Setor Informal foi rapidamente generalizada em estudos da OIT a
partir dos anos 70, incorporada nos informes técnicos de outros órgãos internacionais,
nos discursos governamentais e pela literatura acadêmica, compondo discussões sobre
padrões de crescimento econômico nos países economicamente atrasados, perfis de
distribuição de renda que lhes estão associados e políticas de emprego e renda. Com o
intuito de propor políticas que aliviassem a pobreza e a desigualdade social nos países
economicamente atrasados, e a necessidade de construir uma categoria que encerrasse os
mais pobres nesses países, o Setor Informal passa então a ser geralmente associado a
conjuntos de indivíduos que, no interior do quadro social, detêm baixos níveis de renda. 7

4
OIT (1972), op. cit., p. 7.
5
OIT (1972), op. cit., p.7
6
O conceito forma de organização da produção está sendo entendido como organização do processo
produtivo sob a ótica e os cortes da propriedade, volume e qualidade dos meios de produção e uso da força
de trabalho.
7
Resenhas sobre o Setor Informal podem ser encontradas em Sethuraman, S.V. (1976), El Sector Urbano
no Formal; Definicion, Medicion y Políticas, RIT, vol. 94, nº 1, julho/agosto. PREALC (1978), Setor
Informal: Funcionamento y Políticas, Santiago. Manzudmar, D. (1976), The Urban Informal Sector in
World Development, vol. 4, nº 8, p. 655/679. Moser, C.O.N. (1978), The Informal Sector or Petty
Commodity Production: Autonomy or Dependence in Urban Development, in World Development, vol. 6,
nº 9/10, p. 1040/1059, Development Planning Unit, University College, London. Tokman, V.E. (1978), An
Exploration into the Nature of Informal-Formal Sector Relationships in World Development, vol. 6, nº
9/10, outubro, p. 1065/1076.

8
O Setor Informal é entendido, neste estudo, como o trabalho autônomo que
existiu e persiste até os dias de hoje, intersticialmente, no interior da produção capitalista.
A pequena produção ou o trabalho autônomo foi e é, continuamente, destruído pela
imposição capitalista, pela expansão das firmas em busca de lucros, pelos avanços
tecnológicos e pelos níveis de produtividade logrados. A produção capitalista, no entanto,
mesmo em escala oligopólica, não conseguiu destruir essa forma de organizar a
produção, mas sim recriá-la, sendo que esta recriação se dá sob a forma de inúmeros
trabalhos autônomos, que podem ser constatados na produção de qualquer país
capitalista:
Existem ainda sobrevivências do tipo de produtor-proprietário, chamados
trabalhadores por conta própria, de acordo com o senso populacional britânico, que os
registra como representando 5% da população trabalhadora (uma classe que tem mais
importância noutros países capitalistas, tanto na Europa como na América, do que
propriamente na Grã-Bretanha). 8
... os serviços domésticos e de reparação que se destinam às unidades domésticas
(em el hogar) estão organizados em empresas, apesar de que subsistem algumas pessoas
que executam essas tarefas por conta própria. Da mesma maneira, os profissionais estão
organizados em firmas em proporção muito maior que em nossos países (América
Latina), apesar de que também subsistem algumas pessoas que trabalham de forma
independente. Isso se reflete, por exemplo, na proporção de trabalhadores por conta
própria sobre o total da força de trabalho: nos países subdesenvolvidos essa proporção
se situa, em geral, acima dos 30% (México, 35%, Venezuela, 30%, Jamaica, 31%,
Honduras, 35%, Equador, 41%).
Por outro lado, esta participação não supera 20% nos países desenvolvidos
sendo, contudo, significativa (Japão, 19%, França, 15%, Estados Unidos, 11%, Suécia,
11%). 9
Dentro da perspectiva aqui adotada, a persistência do trabalho autônomo não
implica ocupação livre do espaço econômico, mas sim que esta ocupação se dá de forma
subordinada, ao toque da penetração e avanços das firmas capitalistas sobre os ramos da
produção existentes e sobre aqueles criados. A justaposição assimétrica e subordinada do
Setor Informal às formas de organização da produção capitalista lhe imprime restrições

8
Dobb, M. (1975), Capitalismo, Ontem e Hoje, 3ª Edição, Ed. Estampa, Lisboa, p. 19/20 (grifos desta
autora).
9
Tokman, V.E. e Souza, P.R. El Sector Informal Urbano em Algunas Cidudades: Asunción in PREALC
(1978), op. Cit., p. 146, rodapé (3). (Grifos e parênteses desta autora).

9
ao desenvolvimento das atividades que o compõem e às condições de trabalho e níveis de
renda auferíveis pelos indivíduos nele incluídos.
O pressuposto principal para o desenvolvimento deste trabalho é a existência de
segmentação na produção e sobre este conceito impõem-se, agora, algumas idéias. A
segmentação é vista, aqui, como conseqüência de características que emanam do modo
de produção capitalista. A produção norteada pela cumulação provoca o movimento
incessante de criação, ampliação e crescimento dos ramos da produção, isto é, da divisão
social do trabalho. A concorrência intercapitalista, conjugada pelo progresso técnico e
conduzindo ao processo de concentração e centralização do capital, vem acompanhada
pela mobilidade – trabalho livre – e controle sobre o trabalho e resume-se, nos dias de
hoje, a uma intensa divisão de trabalho. Visualiza-se, então, a contínua diferenciação de
atividades produtivas – e, dentro delas -, de formas de organizar a produção e o trabalho,
de processos produtivos e de trabalho, e de qualificações e habilidades do trabalhador.
Essa diversidade apresenta-se como uma segmentação, aqui entendida como um processo
de diferenciação da estrutura produtiva e dos atributos dos trabalhadores.
O desenvolvimento do processo de produção recompõe, continuamente, a
segmentação, redimensionando, quantitativa e qualitativamente, o espaço econômico, a
totalidade das atividades econômicas e sua forma de organização, e os postos de trabalho
e atividades disponíveis. Abstrações analíticas dentro do conceito exposto podem ser
feitas sob diversos ângulos, respeitado o objeto de estudo escolhido pelo pesquisador.
O impacto deste movimento sobre o Setor Informal Urbano – nosso objeto de
estudo – é que, ao mesmo tempo em que recompõem as relações entre as grandes e
pequenas firmas capitalistas, também se recompõem as relações entre as formas de
organização da produção capitalista e seus interstícios, a nível de outras relações de
produção – como compra e venda de bens e serviços, mobilidade do trabalho, acesso ao
mercado, qualificação do trabalho etc. É um único movimento que fortalece, mantém,
cria ou destrói atividades produtivas, sejam elas organizadas sob quaisquer formas.
Assim, estas relações devem ser analisadas em função do desenvolvimento econômico
encerrado em uma dada realidade e pelas especificidades que delas derivam.
No caso brasileiro, nos dias de hoje, a coexistência entre oligopólios
multinacionais, nacionais privados e estatais, subordinando firmas capitalistas menores e
demais formas de organização da produção, se manifesta de forma heterogênea e
contrastante. Isto é provado, em parte, pelas características do padrão de crescimento
econômico em movimento nos últimos três decênios. As qualificações deste processo,

10
apresentadas a seguir, embora sucintas, têm relevância por sua incidência sobre as formas
de organização da produção e do trabalho atualmente, em especial sobre o Setor Informal
e no Município de São Paulo.
O desenvolvimento ocorrido no país nestes últimos trinta anos, cujos traços
econômicos enlaçam mecanismos financeiros e a importação da matriz tecnológica dos
países economicamente avançados, ao contrário de certas afirmações 10 induziu ao
assalariamento elevado contingente de trabalhadores e, com a defasagem salarial em
relação à produtividade gerada, originou um imenso processo de acumulação. 11
O caráter da industrialização baseada em bens de consumo duráveis, cuja
correspondência ao nível da distribuição de renda foi de maior concentração, trouxe
consigo a importação da matriz tecnológica acoplada à organização do trabalho
assalariado em larga escala, com a subseqüente modificação de todo o quadro produtivo.
Geram-se e/ou recriam-se atividades, nos diversos ramos da economia urbana, ligadas
aos setores industriais mais modernos, às necessidades gerais da produção e daquela em
larga escala, às necessidades ou capacidades do perfil de renda resultante e às
necessidades sociais decorrentes do próprio desenvolvimento econômico.
Para o âmbito do presente trabalho, no interior desta dinâmica econômica,
destaca-se o Setor Serviços. Tal relevância explica-se pelas profundas modificações que
sofre em sua composição, pela plasticidade em se adequar aos avanços das modificações
da produção e, ainda, pelo fato de ser neste Setor que persistem e existem as maiores
possibilidades de trabalhos autônomos, frutos da especificidade do serviço, do reduzido
tamanho do mercado e/ou da inexistência de uma tecnologia apropriada para exploração
em larga escala.
Dentre os ramos da produção que se desenvolveram neste Setor, destacam-se
aqueles que se ampliaram em decorrência da expansão industrial: revenda, assistência
técnica, postos de venda, grande comércio em geral, transportes, comunicações, infra-
estrutura básica urbana, financiamento, atividades de apoio à administração e ao
planejamento. É necessário ressaltar que, à medida que a produção em larga escala se
desenvolve, estas atividades podem estar tanto concentradas na própria firma
demandante, como em firmas criadas para a prestação específica do serviço, e/ou em

10
O traço mais característico do processo de desenvolvimento da América Latina, nas últimas décadas, é
o baixo ritmo de criação de postos de trabalho produtivo, apesar de haver-se alcançado um crescimento
apreciável do produto, in Tokman, V.E. e Souza, P.R (1976), El Sector Informal Urbano em America
Latina in RIT, vol. 94, nº 3, nov/dez, p. 385. Outras citações podem ser encontradas, por exemplo, em
PREALC (1978), op. cit. p.6.
11
F.IBGE (1979), Indicadores Sociais, Tabelas Selecionadas, R.J., p. 55.

11
mãos de trabalhos autônomos. Outros ramos da produção ampliaram-se ou surgiram
ligados ao perfil de distribuição de renda, como, por exemplo, aqueles vinculados ao
padrão de consumo das famílias e dos indivíduos – lazer, diversões, tratos pessoais em
geral, restaurante, lanchonetes, pequeno comércio, artesanato – ou à reparação de bens
duráveis – residência e imóveis em geral, eletrodomésticos, veículos etc. Finalmente,
para atender necessidades decorrentes do próprio crescimento econômico, outro conjunto
de ramos de produção desenvolveu-se, destacando-se, neste caso, aqueles ligados à infra-
estrutura física urbana, à educação e à saúde.
É com este pano de fundo que o presente trabalho pretende contribuir para o
debate teórico sobre o Setor Informal Urbano, bem como apresentar evidências empíricas
para o Município de São Paulo e subsídios que colaborem para a formulação de políticas
econômicas, de emprego e de renda. Perseguem-se tais propósitos por meio de um duplo
desdobramento. Por um lado, retoma-se a origem do termo Setor Informal – associado a
trabalho autônomo – e sistematizam-se argumentos que qualificam a afirmação, corrente
na literatura econômica sobre mercado de trabalho, de que este Setor absorve, na
produção urbana, grande contingente de trabalhadores que retêm baixos níveis de renda.
Por outro lado, o número de assalariados, a concentrada distribuição de renda no país, as
reivindicações sindicais e as estatísticas sobre salários são pistas de que o percebimento
de rendas relativamente baixas não é característica exclusiva do trabalhador autônomo,
mas comum também ao assalariado. Surge, então, a questão "em que proporções se
estendem às situações precárias de trabalho e às baixas remunerações entre estes grupos
de trabalhadores?" Assim, no intuito de esclarecer a questão e, na ausência de estatísticas
oficiais, construiu-se, simultaneamente, um arcabouço conceitual adotado, um quadro
metodológico que desembocou num levantamento de campo realizado no Município de
São Paulo entre janeiro e fevereiro de 1980, de tal forma a captar as informações
necessárias para comparar a situação e os níveis de renda entre trabalhadores autônomos
e assalariados. O objetivo deste estudo é, em primeiro lugar, apresentar o conceito Setor
Informal associado a trabalhadores por conta própria que ocupam espaço econômico
intersticial, integrado e subordinado aos movimentos das firmas capitalistas, e, em
seguida, verificar em que medida os trabalhadores por conta própria no Município de São
Paulo apresentam características pessoais (idade, sexo, escolaridade), condições de
trabalho (qualificação, tempo de permanência na atividade, horas médias trabalhadas por
dia, vínculo jurídico) e níveis de renda diferentes daquelas apresentadas pelos
trabalhadores assalariados. Assim, a pergunta que se pretende responder é: será que os

12
trabalhadores por conta própria apresentam características pessoais, condições de
trabalho menos favorecidas e auferem menores rendimentos que os trabalhadores
assalariados?
Esse conjunto de indagações é abordado nos seis capítulos que compõem este
trabalho. Nos dois primeiros, fixa-se a perspectiva conceitual pela qual se encara o Setor
Informal. No capítulo terceiro, contrapõem-se diversas formas de mensurar o Setor
Informal urbano e afirmações freqüentes sobre o comportamento deste Setor à
conceituação teórico-metodológica adotada por este estudo. Desenvolve-se, no capítulo
quarto, o entendimento que está sendo adotado sobre a segmentação na organização do
trabalho assalariado, com a finalidade de fornecer a base para a construção das diversas
formas de participação dos assalariados na produção, tal que se possa comparar a
situação de trabalho entre esses dois grupos, trabalhadores assalariados e autônomos.
O elo de ligação entre a abordagem conceitual e as evidências empíricas que se
apresentam é o conteúdo do capítulo cinco, em que se expõe os pressupostos
metodológicos que conduzem à construção das diversas formas de participação na
produção e as classificações adotadas e os procedimento utilizado na pesquisa de campo.
No capítulo sexto, apresenta-se a descrição do quadro empírico e os testes
realizados para evidenciar diferenças entre características, situação de trabalho e níveis
de renda entre os trabalhadores assalariados e autônomos.
Finalmente, como conclusão, considera-se algumas propostas e conseqüências das
intervenções governamentais sobre o Setor Informal.

13
CAPÍTULO 1
SETOR INFORMAL: UM CONCEITO CONTROVERTIDO

INTRODUÇÃO

Este capítulo apresenta a origem do conceito Setor Informal e, a partir deste, o


eixo teórico de cada grupo de definições, as suas diversas interpretações e respectivas
implicações sobre estratégias de desenvolvimento econômico e políticas de emprego. O
objetivo não é resenhar exaustivamente a literatura sobre o tema, mas expor as linhas
mestras e gerais do conjunto de interpretações diretamente ligado aos itens específicos
deste estudo.
A falta de um marco conceitual rigoroso que pode ser observada ao longo desta
apresentação resulta, em parte, do próprio desenvolvimento teórico da categoria Setor
Informal. A inexistência de uma conceituação teórica que desembocasse numa definição
precisa, a qual permitisse procedimentos de mensuração comparáveis, o emprego deste
novo termo sem maiores questionamentos teóricos e os inúmeros trabalhos preocupados
principalmente em estimativas estatísticas sobre a dimensão e a composição do Setor,
implicaram em um uso difuso e pouco rigoroso do termo.
A denominação Mercado de Trabalho Informal foi empregada pela primeira vez
por Hart em estudo sobre Ghana 1; contudo, há que se destacar, em primeiro plano, a
interpretação que surge dos estudos realizados pela OIT – Organização Internacional do
Trabalho – sob o marco do Programa Mundial de Emprego. Este programa iniciou-se em
1969 e, entre outros objetivos, visava propor estudos sobre estratégias de
desenvolvimento econômico que observassem como variável-chave a criação de
empregos, ao invés do crescimento rápido do produto. Deriva desse programa um
conjunto de missões e convênios internacionais em diversos países, que tentam analisar
as questões do emprego e da renda sob este enfoque. 2
Um marco importante para a delimitação teórica – definição e natureza do Setor
Informal e suas relações com o conjunto da economia – está situado no relatório da OIT

1
Apud Sethuraman, S.V. (1976), op. cit. A rigor, A Dissertação de Mestrado de Machado, L. A. (1971),
utilizou paralelamente a Hart esta terminologia; contudo, pelo meio restrito em que circulou não se lhe
atribui, em geral, a primazia da definição.
2
Destacam-se, entre outros, os trabalhos: OIT (1970) sobre a Colômbia, OIT (1971) sobre Sri Lanka, OIT
(1972) sobre o Kenya, OIT (1972a) sobre a Costa Rica, OIT (1973) sobre o Iran, OIT (1973a) sobre as
Filipinas, PREALC (1973) sobre o Paraguai, PREALC (1973a) sobre San Domingos, PREALC (1973b)
sobre a Nicarágua, PREALC (1974a) sobre o México, PREALC (1974b) sobre San Salvador e PREALC
(1974c) sobre Panamá.

14
sobre Emprego e Renda em Kenya. 3 A finalidade da conceituação apresentada neste
relatório era construir uma categoria de análise que descrevesse as atividades geradoras
de uma renda relativamente baixa e aglutinasse os grupos de trabalhadores mais pobres
no meio urbano.Em seguida, por meio de políticas de emprego e renda específicas e
dirigidas a estes grupos, caracterizados como grupos metas, poder-se-ia minorar a sua
situação de pobreza e as desigualdades de renda ali observáveis. O relatório de Kenya é
aqui adotado como marco para discussão do conceito Setor Informal, por detalhar com
maior precisão quais condições caracterizariam as atividades e os trabalhadores informais
e pela sua influência sobre a maior parte dos estudos realizados pela OIT, servindo como
padrão ou referência seja em missões em países africanos e asiáticos, seja em trabalhos
realizados pelo PREALC – Programa Regional de Emprego para América Latina e
Caribe –, na América Latina, e pelo Banco Mundial.
Inicia-se, então, o capítulo com o cerne das interpretações que seguiram mais de
perto o conceito Setor Informal estabelecido pelo Relatório sobre o Kenya; em seguida,
apresenta-se a interpretação da OIT para a América Latina, com base nos trabalhos
realizados por diversas equipes técnicas de PREALC e, por último, sintetizam-se
algumas colocações que se contrapõem a essas duas visões. Os três grupos escolhidos
para fornecer o quadro conceitual sobre o Setor Informal apresentam intersecções em
suas interpretações, mormente quanto aos motivos de sua existência e às relações com o
Setor Formal. No entanto, foram construídos por existir, em geral, uma gradação na
forma de abordar a produção.
Enquanto o primeiro grupo trata a produção como sendo dual, o segundo ora
mantém a abordagem dual, ora expõe uma visão estratificada do quadro produtivo e
enfatiza as relações entre os Setores Formal e Informal; e o terceiro, pelo menos ao nível
das intenções, analisa a produção como um todo e insere, intersticialmente e de forma
subordinada, o Setor Informal no conjunto das relações de produção vigente. A diferença
que se quer destacar entre esses grupos é quanto ao conteúdo das propostas de políticas
específicas para ao Setor Informal e, até certo ponto, otimistas quanto aos seus efeitos,
para minorar a questão da pobreza nos países economicamente atrasados, enquanto o
último grupo, além de cético quanto ao conteúdo e impacto de políticas específicas para o
Setor, enfatiza medidas de política econômica a nível global.

3
OIT (1972), op. cit.

15
1.1 A ORIGEM DA DEFINIÇÃO DO SETOR INFORMAL

O Setor Informal, originalmente, foi delimitado sob a ótica da produção, em que a


unidade de análise que fixava os limites da informalidade era o estabelecimento
produtivo. A forma como as pessoas ou firmas organizavam a produção, além de sua
posição relativa frente ao conjunto das atividades produtivas, era o divisor do que
considerar como informal. Caracterizava-se os estabelecimentos informais por
apresentarem a organização da produção com pouco capital, com uso de técnicas pouco
complexas e intensivas de trabalho e com pequeno número de trabalhadores, fossem
remunerados e/ou membros da família. Além disso, tais estabelecimentos não eram alvos
de política governamental, tinham dificuldades para obtenção de créditos e atuavam em
mercados competitivos. 4
Esse conceito é apresentado como categoria analítica alternativa à dicotomia
setores moderno-tradicional, utilizada em inúmeros modelos de desenvolvimento
econômico, e ao conceito de subemprego, isto é, de subutilização ou baixa produtividade
da mão-de-obra. O corte moderno-tradicional é visto, tanto pelo relatório sobre o Kenya
como por inúmeros autores que adotam o dualismo formal e informal, como sendo
incorreto.
Inicialmente, o termo tradicional, segundo essa corrente de autores, é per se
preconceituoso e induziria à discriminação econômica e social: a conotação pejorativa
dada a esse termo é própria de uma cultura estrangeira que considera a tradição como
prejudicial ao desenvolvimento, ao invés de parte integrante da cultura e identidade
nacional. 5
Além disso, esse conceito destinar-se-ia usualmente, na literatura econômica, para
caracterizar o conjunto de atividades econômicas que empregam tecnologias
relativamente atrasadas na produção, isto é, o setor tradicional compreende formas
arcaicas de produção, remanescentes do passado e resíduo para trabalhadores não
incorporados no setor moderno. Neles estariam ausentes aspectos dinâmicos, sendo
receptáculo para grande proporção de desempregados e subempregados, com papel
irrelevante na provisão de bens e serviços.

4
Observe-se que, por esta definição, os trabalhadores por conta própria, independentes ou autônomos,
eram considerados como estabelecimentos e incluídos no setor Informal; este também era o caso, em geral,
das atividades e estabelecimentos não reconhecidos juridicamente.
5
Emmerij, L. (1974), A New Look at Some Strategies for Increasing Productive Employmente in Africa,
in I.L.R., vol. 110, nª 3, set., p. 232.

16
Esta visão sobre o setor tradicional é inconsistente para os autores vinculados à
OIT, com a observação de que nas economias subdesenvolvidas, caracterizadas pela
escassez de capital, os pequenos estabelecimentos, pelo fato de serem mais trabalho-
intensivo que os grandes, empregam o fator trabalho mais eficiente que estes últimos. 6
Ademais, o PREALC diz que esse conjunto de atividades que comporia o Setor
Informal é economicamente eficiente e exibe vantagens comparativas em relação às
atividades similares desenvolvidas na área formal. Sua principal vantagem constitui as
proporções socialmente adequadas de fatores utilizados no processo produtivo, já que
maximiza o emprego de mão-de-obra sem provocar requerimentos exagerados de capital
e pressões excessivas sobre a balança de pagamento. 7
A distinção Setor Formal/ Informal, nessa interpretação, prende-se à forma de
organização da produção e não apenas à tecnologia utilizada nos processos produtivos.
As atividades informais, para os autores ligados ao novo dualismo, são modernas, criadas
pelo próprio processo de desenvolvimento econômico. O padrão de desenvolvimento
capitalista e as relações de dependência nos países economicamente atrasados criam
desequilíbrios entre geração de empregos, crescimento demográfico, crescimento da
população urbana e educação, e entre as aspirações e expectativas de trabalho e a
estrutura de renda e oportunidade disponíveis. Estes fatores conjugam-se para originar
uma série de novas atividades geradoras de rendas, muitas delas de origem recente, que
refletem a situação de desemprego e subemprego, características das zonas urbanas. 8 O
funcionamento precário desse Setor Informal pode ser fruto da discriminação que lhe
confere a política governamental, baseada no pressuposto de que o Setor deverá
desaparecer à medida que o crescimento econômico se espalhe. Isto tem implicações
sobre a extensão e evolução das atividades informais, o preconceito pode tornar-se uma
profecia bem-sucedida, 9 agravando a questão da pobreza urbana nesses países.
Urgia, portanto, estudar formas de organização da produção nos países
economicamente atrasados, para buscar pontos de apoio para políticas de emprego e
renda que, específicas para o Setor Informal, intentassem elevar o padrão de vida dessas
populações. Isto se justifica, para essa corrente de interpretação, porque:
i) as estratégias de desenvolvimento econômico baseado na industrialização e
nas altas taxas de crescimento do produto, por si só, não conduziam nem a uma melhor

6
Weeks, J. (1975), Policies for Expanding Employment in the Informal Urban Sector of developing
economics in I.L.R., vol. 91, nº1, jan., p. 2.
7
PREALC (1978), op. cit., p. 65.
8
Sethuraman, S.V. (1976), op. cit., p. 78.
9
OIT (1972) op. cit., p. 6.

17
distribuição de renda nem à elevação automática do padrão de vida dos grupos sociais
mais pobres; e
ii) esses se concentrariam nos estabelecimentos não organizados, 10 que também
se constituíram no primeiro estágio de trabalho para os imigrantes recém-chegados aos
centros urbanos, seja por falta de qualificação, seja pela falta de empregos assalariados,
antes de ingressarem no setor moderno, organizado, formal. 11 Esta conceituação
desdobra-se em inúmeros trabalhos, implicando inúmeras formas de mensuração em que
o Setor Informal é associado, em geral, diretamente a indivíduos de baixo nível de renda,
sem o cuidado de reportar-se ao conjunto de condições que compunha a definição
original ou redefini-lo. Em linhas gerais, neste caso, o Setor Informal passa a ser
delimitado não mias pela forma de organizar a produção, mas pelo conjunto de
indivíduos que:

i) ou estão abaixo de um determinado nível de renda;


ii) ou detém características – ocupação, posição na ocupação, vínculo jurídico,
tipo de estabelecimento, características do mercado de trabalho – que lhe impõem baixo
nível de renda.

O potencial produtivo e a capacidade de geração de emprego no Setor Informal


são então, sob este conjunto de hipóteses, reconhecidos por diversos autores, mormente
pelos policy-makers vinculados a OIT, sob o marco do Programa Mundial de Emprego.

Pode-se destacar duas grandes linhas de recomendações de política econômica:

10
A denominação atividades não organizadas está associada, em geral, tanto àquelas atividades que não
constam das estatísticas oficiais como ao trabalho realizado por conta própria, independente.
11
Sethuraman, S.V. (1976), op. cit., p. 79
Esta visão do informal, em parte, transpassa para o escritório Latino-Americano da OIT – PREALC
(programa Regional de Emprego para América Latina e Caribe) e ganha força para fundamentar políticas
de emprego e renda. A posição básica dos estudos de PREALC será apresentada posteriormente, contudo,
abaixo citam-se alguns trabalhos: PREALC (1974), La Política de Empleo em América Latina in El
Trimestre Econômico, vol. 41, nº164, out/dez; Tokamn, V.E. e Souza, PR (1976), El Sector Informal
urbano em América latina in R.I.T., vol. 94, nº3, nov/dez, p. 385/397; Tokman, V.E. e Souza, P.R. (1978),
Distribucion Del Ingreso, Pobreza Empleo em Areas Urbanas in El Trimestre Economico, jan/abr. p.
737/766; Tokman, V.E. (1978), Pobreza Urbana y Empleo em América Latina: Líneas de Acion in
PREALC (1978), op. cit., p. 291/308. Em especial para o Brasil, entre os autores que expõem esta visão ou
que nela se apóiam, citam-se: Merrick T. (1976), Informal Sector: The Case of Belo Horizonte in The
Journal of Developing Áreas, vol. 10, nº 3, abril, p. 337/354; Cavalcanti, C. (1978), A Viabilidade do Setor
Informal: A Demanda de Pequenos Serviços no Grande Recife, IJNPS, Re.; Merrick, T. W. e Brito, F.
(1974), Migração, Absorção de Mão-de-obra, Distribuição de Renda in Estudos Econômicos, IPE, vol 1,
nº4, jan/maio, p. 75/122.

18
i) apoiar o Setor Informal, visando atingir grupos populacionais-metas,
caracterizados por serem os mais desfavorecidos em termos de níveis de renda e de
precariedade de trabalho; 12
ii) mudar o padrão de desenvolvimento capitalista existente, propondo-se, neste
caso, o crescimento não acelerado, em pequena escala, que reduza a dependência de
recursos e técnicas importadas. Afirma-se que esse programa seria mais adequado ao
nível de desenvolvimento econômico desses países e mais eqüitativo a nível de
distribuição de renda. 13

Na mesma linha de raciocínio, afirma-se que o Setor Informal possui caráter


autônomo ou complementar ao restante da economia, podendo se expandir para criar
emprego e melhorar a distribuição de renda face à própria capacidade de acumulação, à
oferta de trabalho que lhe é disponível, juntamente com o Setor Formal. 14 Nesse último
caso, alguns estudos foram feitos a respeito de vínculos de complementaridade entre os
Setores Formal e Informal e das hipóteses sobre as quais este último pode crescer
aclopado ao primeiro. Mazudmar, por exemplo, considera que, se a propensão a
consumir bens produzidos no Setor Informal for estável nos dois setores, o crescimento
do Setor Formal conduzirá o setor Informal a crescer à sua mesma taxa. Contudo, se essa
mesma propensão a consumir for decrescente, a taxa de crescimento do Setor Informal se
reduzirá à medida que o Setor Formal se expanda. 15
Não se antecipa, contudo, se a expansão do Setor Informal propiciará níveis de
renda maiores para seus integrantes. Isto dependerá de políticas governamentais que
estimulem o setor, em termos de melhoria tecnológica, fortalecimento de vínculos de
subcontratação com o Setor Formal (privado e público), aumento de vendas de produtos
informais para a agricultura e redistribuição de renda para grupos mais pobres. A injeção
de recursos permitiria aumentos de produtividade, necessários para absorver a crescente
força de trabalho disponível.

1.2 A INTERPRETAÇÃO DO PREALC

12
Sethuraman, S.V. (1976), op. cit.
13
Weeks, J. (1975), op. cit.
14
As diversas hipóteses dessa e de outras correntes de interpretação sobre o caráter do Setor Informal no
interior da produção urbana e as relações que mantêm com o Setor Formal são resenhados em PREALC
(1978), op. cit. P. 64/73, ou em Tokman, V.E. (1978), op. cit., p. 298.

19
Estudos específicos da OIT para a América Latina – PREALC – partem da
conceituação anterior e entendem que o Setor Informal agrupa todas as atividades de
baixo nível de produtividade, os trabalhadores independentes (exceção feita aos
profissionais liberais) e empresas muito pequenas ou não organizadas. A demanda de
mão-de-obra não obedece a uma definição técnica de postos de trabalho disponíveis. De
fato, o nível de emprego, ou melhor, o número de pessoas ocupadas, depende neste
mercado da magnitude da força de trabalho não absorvida pelo Setor Formal, da
economia e das oportunidades que têm essas pessoas de produzir ou vender alguma
coisa que lhes retribua alguma renda. 16 Tais estudos atribuem do Setor Informal o
padrão de desenvolvimento capitalista em ação na região – substituição de importações –
que gera poucos empregos e, acoplado ao padrão de crescimento demográfico, cria
extenso excedente de mão-de-obra que se auto-emprega para sobreviver.
A associação pobreza/migração/Setor Informal é mantida aqui como nos estudos
anteriores, contudo, existem algumas diferenças na interpretação. A produção é enfocada
como um todo, porém, segmentada pela expansão capitalista, e as relações entre os dois
setores são enfatizadas. As próximas páginas serão dedicadas a algumas afirmações que,
acredita-se, refletem o entendimento dessa corrente sobre o Setor Informal na América
Latina.
A rápida urbanização ocorrida nas últimas décadas impulsionou o fluxo de
migrantes, os quais são absorvidos pelas atividades modernas, seja pela pouca absorção
de mão-de-obra destas atividades (técnicas capital-intensivas), seja pelas habilidades
destes trabalhadores que não se adequam ao padrão de qualificação exigido pelo setor
moderno.
Estes fatos ocasionaram o Setor Informal: surge então um novo setor tradicional
em termos de renda e produtividade e que constitui o mecanismo através do qual
procuram subsistir os migrantes que não encontram emprego na área organizada do
mercado de trabalho. 17
Os estudos do PREALC afirmam, ainda, que os Setores Formal e Informal
participam de um mesmo mercado, sendo que o segundo se constituiria no último degrau

15
Manzudmar, D. (1976), p. 672/674.
16
PREALC (1978), op. cit., p. 10/11. esta conceituação é mantida dos trabalhos de Souza, P.R. e Tokman,
V.E. (1976) e (1978).
17
PREALC (1974), op. cit., p. 9.

20
na hierarquização da atividade econômica estabelecida pela heterogeneidade
estrutural. 18
Nesse quadro de segmentação da produção, o Setor Informal é caracterizado por
um conjunto de atividades pouco capitalizadas estruturadas em base a unidades
produtivas muito pequenas, de baixo nível tecnológico e organização formal escassa ou
19
nula. Nessas unidades, não predomina a divisão entre proprietários do capital e do
trabalho, característica do Setor Formal, e, como conseqüência, o salário não é a forma
mais usual de remunerar o trabalho, apesar de que a produção está voltada
principalmente para o mercado. 20 Essas atividades têm acesso àqueles estratos de
mercado (que são) competitivos ou constituem a base da pirâmide de oferta de uma
estrutura oligopólica concentrada. Em ambos os casos, a atomização da oferta é tal que
nenhum produtor pode determinar preços, não percebendo, portanto, ganhos
extraordinários. 21
A participação do Setor Informal na totalidade dos ramos da produção e nos
mercados, para essa corrente de interpretação, não pode se elevar de forma permanente.
À medida que a economia se diversifica, a tendência é reduzir-se o espaço econômico
que o setor ocupa. Se o tamanho do mercado de uma atividade informal permitir sua
exploração sob formas capitalistas e, simultaneamente, existir tecnologia que envolva
ganhos de escala, esta atividade perde o espaço frente à produtividade das firmas
capitalistas. A expansão do Setor Informal pode se dar em termos quantitativos em
função do excedente de mão-de-obra, que não decresceria, seja em função da pouca
capacidade de absorção do Setor Formal ou da evolução do mercado de trabalho no
campo e da alta taxa de crescimento demográfico, implicando níveis de renda
decrescentes para seus integrantes. 22 Entretanto, na medida em que a tendência
decrescente da participação do produto do Setor Informal não seja monotônica e a taxas
poucos previsíveis, esse Setor, por prazo relativamente longo, constituir-se-á no locus de
inserção na produção para os mais pobres no meio urbano. 23

18
Tokman, V. E. e Souza, P. R. (1976), op. cit., p. 386. A visão piramidal da produção em estratos
sucessivos que refletem poder de mercado de várias atividades corresponde a uma das maneiras de enfocar
a questão da segmentação, no entanto, não corresponde à maneira como foi apresentada neste estudo, nem
corresponde à conceituação que será adotada para o Setor Informal. No próximo capítulo esta colocação
ficará mais clara.
19
Id. Ibid., p. 386.
20
Id. Ibid., p. 386.
21
Id. Ibid., p. 387.
22
Souza, P.R. (1978), El Sector Informal Urbano em Algunas Ciudades, São Salvador, in PREALC (1978),
op. cit., p. 174; Tokman, V.E. (1978), in PREALC (1978), op. cit., p. 293; Tokamn, V.E. e Souza, P.R.
(1976), op. cit. p. 388.
23
Tokman, V.E., (1978), in PREALC (1978), op. cit., p. 293.

21
Cabe, então, integrar este Setor à política econômica global mediante mudanças
na distribuição do excedente e alocação de recursos; caso contrário, as desigualdades de
renda tenderão a aumentar.
Para tanto, propõe-se também que se analisem as atividades informais em função
do tipo de mercado de que participam, sendo que aquelas inseridas em mercados
oligopolistas estão numa posição mais frágil do que aquelas que participam de mercados
mais competitivos. Apesar de o Setor não se expandir de forma permanente, ele não está
sujeito à extinção. Essas atividades expandir-se-ão, ou não, face ao ritmo de expansão da
demanda, da escala mínima de operações para diversos tamanhos de planta, das
economias de escala e de fatores políticos. Neste sentido, as atividades informais podem
ser lucrativas a curto prazo; a longo prazo, contudo, tendem a perder participação no
mercado.
A partir desse quadro, as atividades informais são separadas em funcionais ou
marginais. As recomendações de política propostas são específicas a cada subgrupo. As
primeiras estão sendo exercidas a níveis de produtividade que permitem ao Setor
Informal resistir à concorrência capitalista, devendo ser, assim, estimuladas. As segundas
tendem a desaparecer rapidamente, restando pensar em qualificar os trabalhadores ali
inseridos, de tal forma a capacitá-los pra outras ocupações. 24

1.3. A ABORDAGEM SUBORDINADA

As diversas conceituações, hipóteses e conclusões apresentadas até agora sobre o


Setor Informal e sua evolução não são de consenso generalizado. Autores sob inspiração
do corpo teórico marxista oferecem análise alternativa. 25 À medida que se conheça a
complexidade do todo produtivo, as diferentes formas de organização da produção não
podem ser encaradas como divisão dual da realidade, pois correspondem a expressões de

24
Tokman, V.E. e Souza, P.R. (1978), El Sector Informal Urbano en Algunas Ciudades in PREALC
(1978), p. 146/153. PREALC (1974), op. Cit., p. 28.
25
Destacam-se aqui os seguintes autores e trabalhos: Bienefeld, M (1975), The Informal Sector and
Peripheral Capitalism: The Case of tanzânia in IDS Bulletin, vol. 6, nº 3, February, p. 35/73; Gerry, C.
(1978), Petty Production and Capitalism Production in Dakar: The Crisis of the Self-Employed in World
Development, vol. 6, nº 9/10, p. 1147/1160; Bienefeld, M. e Godfrey, M (1975), Measuring
Unemployment and the Informal Sector. Some Conceptual and Statistical Problem in IDS Bulletin, vol. 7,
nº 3, October, pp. 4/11; Kovarick, L. (1977), Capitalismo e Marginalidade na América Latina, 2ª edição,
Paz e Terra, R. J.; Cunha, P.V. (1979), A Organização dos Mercados de Trabalho: Três Conceitos
Alternativos, in ERA, vol. 19, nº 1, jan/mar., p. 29/46; Singer, P (1978), Economia Política do Trabalho,
Ed. Hucitec, S.P.; Souza P.R. (1979), Salário e Mão de Obra Execedente in Valor, Força de Trabalho e
Acumulação capitalista, Caderno CEBRAP, nº 25, Ed. Brasiliense, S.P.; Souza P.R. (1980), Emprego,
Salários e Pobreza, ed, Hucitec, S.P. Quer se destacar também as resenhas que incluem considerações
sobre essa linha de interpretação: Moser, C.O.N. (1978), op. cit.; Tokman, V.E. (1978), op. cit.

22
relações de produção não isoladas. Gerry sintetiza a interdependência entre os Setores
Formal e Informal e a posição subordinada deste último ao primeiro: Os pequenos
produtores têm vínculos com a grande indústria e comércio – muito mais no contexto de
compras do que no de vendas – bem como com diversas instituições do estado. O mundo
do pequeno produtor e do trabalhador ocasional interpenetra aquele das corporações
multinacionais, de grande comércio, dos bancos e das agências internacionais. No
entanto, como em todas as relações caracterizadas pelo binômio
dominação/subordinação, não existe igualdade na extensão e natureza desta
interpenetração. Cada pólo da relação se beneficia e depende do outro, mas de maneira
diversa. A dependência é complexa e fortemente favorável à hegemonia capitalista. 26 O
Setor Informal, nesse quadro de interpretação, engloba as formas de organização da
produção que se mantêm não tendo como base o trabalho assalariado. Este, caso exista,
não é utilizado de forma regular ou permanente e nem é fundamental à sustentação do
processo de produção. A partir dessa conceituação, o Setor Informal passa a ser
composto por conjuntos de trabalhadores por conta própria, unidades de produção com
base em trabalho familiar, ajudantes e/ou trabalhadores que ocasionalmente trabalham
para esses grupos.
O Setor Informal, neste último enfoque, é considerado como esfera da produção
subordinada ao padrão e ao processo de desenvolvimento capitalista, logo, à expansão da
produção capitalista a níveis nacional e internacional. Tal subordinação se dá em vista de
os movimentos da dinâmica capitalista fluírem ao toque das grandes firmas e grupos
oligopolistas que, em países economicamente atrasados, encontram-se vinculados ao
capital estrangeiro e, em geral, ratificados pelos modelos de desenvolvimentos
fomentados pelo estado. A subordinação reporta-se tanto na ocupação dos espaços
econômicos, no acesso às matérias-primas e equipamentos, na implantação da tecnologia,
no acesso a crédito, nas relações de trocas, nos vínculos mais concretos de
27
subcontratação, como na esfera da produção ou circulação. 28 A subordinação dos
movimentos das atividades informais aos das formais provoca, constantemente, a
destruição e recriação das primeiras. Esta conceituação teórica implica visualização do

26
Gerry, C. (1978), op. cit., p. 1150.
27
O termo subcontratação representa, aqui, vínculos de dependência entre uma atividade e outra, que
constituem a própria sobrevivência daquela que está na posição de subcontratada. Esses vínculos não são
obrigatoriamente contratuais ou formais do ponto de vista jurídico.
28
Bienefeld, M. (1975), por exemplo, assume que a subordinação se demonstra pelas relações de troca,
pela dependência aos insumos que são fornecidos pela grande indústria, pelo deslocamento que sofre a
pequena produção quando o mercado atinge determinado tamanho que possibilita a penetração de firmas

23
Setor Informal como forma dinâmica de produção, que não se atém à produção de
mercadorias e serviços de má qualidade, não visa atender somente mercadorias de baixa
renda e nem a utilização de técnicas tradicionais. É neste sentido que esse Setor se
desenvolve e se moderniza continuamente no seio da produção capitalista. Há introdução
de tecnologia nessas atividades que, às vezes, existem em função de nova tecnologia. A
discussão, nesta última interpretação, volta-se para a tendência à involução que
determinadas atividades informais, num determinado momento, apresentam, em razão
das desvantagens inerentes, quando comparados ao Setor Formal e os vínculos de
subordinação que lhe emperram a extensão e o crescimento.
O Setor Informal, nessa conceituação, não tem características que lhe capacitem
crescimento sustentado. Por que, então, o Estado deveria incentivar ou carrear recursos
para esse Setor? Seria esse o melhor uso dado ao capital? Deve-se ponderar, ainda, que
quase toda intervenção governamental tem caráter seletivo, discriminando, portanto,
contra os não beneficiados. Nessas circunstâncias, segundo Gerry: o resultado inevitável
da discriminação seria uma mais ou menos rápida concentração de poder entre os
selecionados, relativamente aos concorrentes anteriores, bem como uma aceleração no
processo de diferenciação entre os trabalhadores por conta própria. A capacidade
produtiva e de mercado tornar-se-ia concentrada em cada linha de produção entre as
poucas firmas promovidas (pela intervenção estatal). 29
A intervenção governamental, a partir deste último enfoque, passa a ser proposta
sob outros ângulos. A questão do desemprego e da pobreza não se resume a políticas
específicas sobre o Setor Informal, mas a medidas globais de política econômica, ao
padrão de crescimento econômico posto em movimento, à massa de salários gerados e
sua distribuição. Além do mais, mesmo que se adotassem ações específicas para o Setor
Informal, estas acabariam, quase invariavelmente, recaindo sobre as totalidades dos
ramos de produção e sua reorganização em todos os níveis.
Esse trabalho volta-se, principalmente, para esta última corrente de interpretação.
Pretende-se expor, nos próximos dois capítulos, os pressupostos e as hipóteses que este
trabalho coloca para a análise do Setor Informal, bem como discutir algumas das
proposições elaboradas pelos diversos autores citados, concordando ou discordando, total
ou parcialmente.

capitalistas. Diversas hipóteses e evidências de vínculos de subordinação são resenhadas por Moser,
C.O.N. (1977), op. cit., e Tokman, V.E. (1978), op. cit. PREALC (1978), op. cit.
29
Gerry, C. (1978), op. cit., p. 1157.

24