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Sumário

1 Noções de administração...........................................................................1
1.1 Abordagens clássica, burocrática e sistêmica da administração........1
1.2 Evolução da Administração Pública no Brasil após 1930; reformas
administrativas; a nova gestão pública.....................................................5
1.3 Princípios e sistemas de Administração Federal..............................11
2 Processo administrativo...........................................................................21
2.1 Funções da administração: planejamento, organização, direção e con-
trole........................................................................................................30
2.2 Estrutura organizacional..................................................................34
2.3 Cultura organizacional.....................................................................41
3 Administração financeira e orçamentária................................................43
3.1 Orçamento público...........................................................................43
3.2 Princípios orçamentários..................................................................43
3.3 Diretrizes orçamentárias..................................................................43
3.4 SIDOR, SIAFI..................................................................................43
3.5 Receita pública: categorias, fontes, estágios e dívida ativa.............43
3.6 Despesa pública: categorias, estágios..............................................43
3.7 Suprimento de fundos......................................................................43
3.8 Restos a pagar..................................................................................43
3.9 Despesas de exercícios anteriores....................................................43
3.10 Conta única do Tesouro.................................................................43
4 Ética no serviço público: comportamento profissional, atitudes no serviço,
organização do trabalho, prioridade em serviço.........................................73

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1 Noções de administração. 1.1 Abordagens


clássica, burocrática e sistêmica da
administração. 1.2 Evolução da Administração
Pública no Brasil após 1930; reformas
administrativas; a nova gestão pública.
1.3 Princípios e sistemas de Administração Federal

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Silvana Antunes
Especialista em Direito Empresarial e Gestão de Projetos;
Graduada em Direito;
Empresária; Consultora Empresarial;
Coordenadora de Projetos;
Palestrante.

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Administração é o ato de administrar ou gerenciar negócios, pessoas ou recursos, com o objetivo de alcançar
metas definidas.
A gestão de uma empresa ou organização se faz de forma que as atividades sejam administradas com plane-
jamento, organização, direção, e controle. Segundo alguns autores (Montana e Charnov) o ato de administrar é
trabalhar com e por intermédio de outras pessoas na busca de realizar objetivos da organização bem como de seus
membros.
A administração tem uma série de características entre elas: um circuito de atividades interligadas tais como
busca de obtenção de resultados, proporcionar a utilização dos recursos físicos e materiais disponíveis, envolver
atividades de planejamento, organização, direção e controle.
Administrar, independente do nível organizacional, requer algumas habilidades, que podem ser classificadas
em três grupos:
 Habilidades Técnicas – requer conhecimento especializado e procedimentos específicos e pode ser obtida
através de instrução.
 Habilidades Humanas – capacidade de relacionamento interpessoal, envolvem também aptidão, pois in-
terage com as pessoas e suas atitudes, exige compreensão para liderar eficazmente.
 Habilidades Conceituais – trata-se de uma visão panorâmica das organizações, o gestor precisa conhecer
cada setor, como ele trabalha e para que ele existe.
1.1 ABORDAGENS CLÁSSICA, BUROCRÁTICA E SISTÊMICA DA ADMINISTRAÇÃO.
Alguns fatores contribuíram para o surgimento das teorias da administração, entre eles podemos citar:
 Consolidação do capitalismo (lógica de mercado) e de novos modos de produção e organização de traba-
lho, que levou ao processo de modernização da sociedade (substituição da autoridade tradicional pela autoridade
racional-legal);
 Crescimento acelerado da produção e força de trabalho desqualificada;
 Ausência de sistematização de conhecimentos em gestão.
Vamos estudar detalhadamente cada uma das principais abordagens.
Abordagem Clássica –
A abordagem clássica da administração se divide em:
 Administração Científica – defendida por Frederick Taylor
 Teoria Clássica – defendida por Henry Fayol
Os dois autores acima citados partiram de pontos distintos com a preocupação de aumentar a eficiência na
empresa.
Taylor se preocupava basicamente com a execução das tarefas enquanto Fayol se preocupava com a estrutura
da organização.
 Administração Científica - Pressupostos de Frederick Taylor
• Organização Formal.
• Visão de baixo para cima; das partes para o todo.
• Estudo das Tarefas, Métodos, Tempo padrão.
• Salário, incentivos materiais e prêmios de produção.
• Sistema fechado: foco nos processos internos e operacionais.
• Padrão de Produção: eficiência, racionalidade.
• Divisão equitativa de trabalho e responsabilidade entre direção e operário.
• Ser humano egoísta, racional e material: homo economicus;
• Estudo de Tempos e Movimentos e Métodos;
• Desenho de Cargos e Tarefas;
• Seleção Científica do Trabalhador (eliminação de todos que não adotem os métodos);
• Preocupação com Fadiga e com as condições de trabalho;
• Padronização de instrumentos de trabalho;
• Divisão do Trabalho e Especialização;
• Supervisão funcional: autoridade relativa e dividida a depender da especialização e da divisão de trabalho.

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Princípios da Administração Científica
• Desenvolvimento de uma ciência de Trabalho: uma investigação científica poderá dizer qual a capacidade
total de um dia de trabalho, para que os chefes saibam a capacidade de seus operários;
• Seleção e Desenvolvimento Científicos do Empregado: para atingir o nível de remuneração prevista o operário
precisa preencher requisitos;
• Combinação da Ciência do trabalho com a Seleção do Pessoal: os operários estão dispostos a fazer um bom
trabalho, mas os velhos hábitos da administração resistem à inovação de métodos;
• Cooperação entre Administração e Empregados: uma constante e íntima cooperação possibilitará a observação
e medida sistemática do trabalho e permitirá fixar níveis de produção e incentivos financeiros
Princípios de Taylor
• Princípio da separação entre o planejamento e a execução;
• Princípio do preparo;
• Princípio do controle;
• Princípio da exceção.
 Teoria Clássica – Pressupostos de Henry Fayol
• Anatomia – estrutura.
• Fisiologia – funcionamento.
• Visão de cima para baixo; do todo para as partes.
• Funções da Empresa: Técnica, Comercial, Financeira, Segurança, Contábil, Administrativa (coordena as
demais).
• Abordagem Prescritiva e Normativa.
Funções da Administração Clássica - processo organizacional
• Prever: adiantar-se ao futuro e traçar plano de ação;
• Organizar: constituir o organismo material e social da empresa;
• Comandar: dirigir o pessoal;
• Coordenar: ligar, unir e harmonizar os esforços;
• Controlar: tudo corra de acordo com as regras.
Princípios Gerais da Administração Clássica
• Divisão do Trabalho: especializar funções;
• Autoridade e Responsabilidade: direito de mandar e poder de se fazer obedecer;
• Disciplina: estabelecer convenções, formais e informais com seus agentes, para trazer obediência
e respeito;
• Unidade de comando: recebimento de ordens de apenas um superior – princípio escalar;
• Unidade de direção: um só chefe e um só programa para um conjunto de operações que tenham
o mesmo objetivo;
• Subordinação do particular ao geral: O interesse da empresa deve prevalecer ao interesse
individual;
• Remuneração do pessoal: premiar e recompensar;
• Centralização: concentrar autoridade no topo;
• Cadeia escalar ou linha de comando: linha de autoridade que vai do topo ao mais baixo escalão;
• Ordem: um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar;
• Equidade: tratar de forma benevolente e justa;
• Estabilidade: manter as pessoas em suas funções para que possam desempenhar bem;
• Iniciativa: liberdade de propor, conceber e executar;
• Espírito de equipe: harmonia e união entre as pessoas.
Comparativo entre Administração Científica e Escola Clássica
Enquanto a administração científica preocupava-se na melhoria da produtividade no nível operacional a gestão
administrativa preocupava-se com a organização em geral e a busca da efetividade.

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Abordagem Burocrática – Trata-se de uma teoria que também tem por escopo a estrutura organizacional. Foi
defendida pelo sociólogo e economista alemão Max Weber que é considerado o “pai da burocracia”.
Weber distingue três tipos de sociedade e autoridades legítimas:
• Tradicional: patrimonial, patriarcal, hereditário e delegável.
• Carismática: personalística, mística.
• Legal, racional ou burocrática: impessoal, formal, meritocrática.
Além disso, Weber faz uma distinção entre os conceitos de Autoridade e Poder:
• Autoridade: probabilidade de que um comando ou ordem específica seja obedecido – poder oficializado.
• Poder: potencial de exercer influência sobre outros, imposição de arbítrio de uma pessoa sobre outras.
A Burocracia surge na década de 40 em razão da fragilidade da teoria clássica e relações humanas; necessidade
de um modelo aplicado a todas as formas de organização; racionalização do direito e consolidação da sociedade em
massa e capitalista. Ela busca organizar de forma estável, duradoura e especializada a cooperação de indivíduos,
apresentando uma abordagem descritiva e explicativa, mantendo foco interno e estudando a organização como um
todo.
Principais características:
• Caráter legal das normas;
• Caráter formal das comunicações;
• Divisão do trabalho e racionalidade;
• Impessoalidade do relacionamento;
• Hierarquização da autoridade;
• Rotinas e procedimentos padronizados;
• Competência técnica e mérito;
• Especialização da administração – separação do público e privado;
• Profissionalização: especialista, assalariado; segue carreira.
Vantagens Principais:
• Racionalidade
• Precisão na definição do cargo
• Rapidez nas decisões
• Univocidade de interpretação
• Continuidade da organização:
• Redução do atrito entre pessoas
• Constância
• Confiabilidade
• Benefícios para as pessoas
• O nepotismo é evitado, dificulta a corrupção.
A maior vantagem é a democracia: em razão da impessoalidade e das regras legais, que permitem igualdade de
acesso.
Desvantagens
• Internalização das normas;
• Excesso de formalismo e papelório;
• Resistência a mudanças;
• Despersonalização do relacionamento;
• Categorização do relacionamento;
• Superconformidade às rotinas e procedimentos;
• Exibição de sinais de autoridade;
• Dificuldades com clientes.

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Abordagem Sistêmica – Trata-se da teoria de Sistemas por Ludwig Von Bertalanffy, onde defende que os
sistemas existem dentro de sistemas; apresenta a Teoria da forma ou Gestalt; os Sistemas abertos; tem um objetivo
ou propósito; e as partes são interdependentes, provocando globalismo.
Características:
• Sistema é um conjunto ou combinação de partes, formando um todo complexo ou unitário;
• Organização como sistema vivo: orgânico
• Comportamento não determinístico e probabilístico;
• Interdependência entre as partes;
• Entropia: característico dos sistemas fechados e orgânicos, estabelece que todas as formas de organização
tendem à desordem ou à morte;
• Negentropia ou Entropia negativa: os sistemas sociais se reabastecem de energia, assegurando suprimento
contínuo de materiais e pessoas;
• Homeostase dinâmica ou Estado Firme: regula o sistema interno para manter uma condição estável, mediante
múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico de ruptura e inovação;
• Fronteiras ou limites: define a área da ação do sistema e o grau de abertura em relação ao meio ambiente;
• Diferenciação: os sistemas tendem a criar funções especializadas – Integração (coordenação);
• Equifinalidade: um sistema pode alcançar o mesmo estado final a partir de diferentes condições iniciais;
• Resiliência: determina o grau de defesa ou vulnerabilidade do sistema a pressões ambientais externas.
• Holismo: o sistema só pode ser explicado em sua globalidade;
• Sinergia: o todo é maior que a soma das partes;
• Morfogênese: capacidade das organizações de modificar a si mesmo e a estrutura;
• Fluxos: componentes que entram e saem do sistema (informação, energia, material);
• Feedback: é a retroalimentação, como controle do sistema, no qual os resultados retornam ao indivíduo, para
que os procedimentos sejam analisados e corrigidos;
• Homem Funcional: desempenha um papel específico nas organizações, inter-relacionando-se com os demais
indivíduos.
A teoria dos sistemas desmistifica a “ótima solução administrativa” para a ideia de “soluções alternativas
satisfatórias”.
1.2 EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL (APÓS 1930). REFORMAS
ADMINISTRATIVAS. A NOVA GESTÃO PÚBLICA.
A estruturação da Máquina Administrativa veio de um modelo patrimonial percebida até década de 30, na
sequencia veio a Era Vargas, onde vemos o modelo burocrático e na segunda metade da década de 90, deu início a
implementação do modelo gerencial.
Podemos dividir essa estruturação em sete etapas, quais sejam:
1) 1930 a 1945 – Burocratização da Era Vargas: Nessa primeira etapa, em decorrência do Estado patrimo-
nial, da falta de qualificação técnica dos servidores, da crise econômica mundial e da difusão da teoria keynesiana,
que pregava a intervenção do Estado na Economia, o governo autoritário de Vargas resolve modernizar a máquina
administrativa brasileira através dos paradigmas burocráticos difundidos por Max Weber. O auge dessas mudanças
ocorre em 1936 com a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), que tinha como atri-
buição modernizar a máquina administrativa utilizando como instrumentos a afirmação dos princípios do mérito,
a centralização, a separação entre público e privado, a hierarquia, a impessoalidade, a rigidez e universalidade das
regras e a especialização e qualificação dos servidores.
2) 1956 a 1960 – A administração paralela de JK: A administração paralela foi um artifício utilizado pelo
governo JK para atingir o seu Plano de Metas e seguir seu projeto desenvolvimentista. Surgiu com a criação de
estruturas alheias à Administração Direta.
3) 1967 – A reforma militar: Durante a ditadura militar, a administração pública passa por novas transforma-
ções, tais como: A ampliação da função econômica do Estado com a criação de várias empresas estatais, a facilidade
de implantação de políticas – em decorrência da natureza autoritária do regime, e o aprofundamento da divisão da
administração pública, mais especificamente através do Decreto-Lei 200/67, que distinguiu claramente a Adminis-
tração Direta (exercida por órgãos diretamente subordinados aos ministérios) da indireta (formada por autarquias,
fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista). Essa reforma trouxe modernização, padronização e
normatização nas áreas de pessoal, compras e execução orçamentária, estabelecendo ainda, cinco princípios estrutu-
rais da administração pública: planejamento, coordenação, descentralização, delegação de competências e controle.

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4) 1988 – A administração pública na nova Constituição: A nova Constituição da República Federativa do
Brasil voltou a fortalecer a Administração Direta instituindo regras iguais as que deveriam ser seguidas pela admi-
nistração pública indireta, principalmente em relação à obrigatoriedade de concursos públicos para investidura na
carreira e aos procedimentos de compras públicas.
5) 1990 – O governo Collor e o desmonte da máquina pública : Essa etapa da administração pública brasilei-
ra é marcada pelo retrocesso da máquina administrativa, o governo promoveu a extinção de milhares de cargos de
confiança, a reestruturação e a extinção de vários órgãos, a demissão de outras dezenas de milhares de servidores
sem estabilidade e tantos outros foram colocados em disponibilidade. Segundo estimativas, foram retirados do ser-
viço público, num curto período e sem qualquer planejamento, cerca de 100 mil servidores.
6) 1995/2002 – O gerencialismo da Era FHC: A reforma administrativa foi o ícone do governo Fernando
Henrique Cardoso em relação à administração pública brasileira. A reforma gerencial teve como instrumento básico
o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (PDRAE), que visava à reestruturação do aparelho do Estado
para combater, principalmente, a cultura burocrática.
7) Nova Administração Pública: O movimento “reinventando o governo” difundido nos EUA e a reforma
administrativa de 95, introduziram no Brasil a cultura do management, trazendo técnicas do setor privado para o
setor público e tendo como características básicas:
● O foco no cliente
● A reengenharia
● Governo empreendedor
● Administração da qualidade total
O modelo de administração pública burocrática, ou racional-legal, foi adotado em muitos países visando a
substituição aquele tipo de administração onde patrimônio público e privado eram confundidos. O modelo
burocrático visava o combate do clientelismo, nepotismo, empreguismo e, até mesmo, da corrupção
Ocorre que o modelo burocrático sofreu o ataque natural do tempo, não sendo o mais apropriado para gerir as
estruturas do Estado. Para responder a essas limitações do modelo burocrático, houve a adoção de certos padrões
gerenciais na administração pública. Esses novos modelos teóricos acerca da gestão do Estado foi chamado de Nova
Administração Pública.
Trata-se de um modelo mais flexível e mais próximo das práticas de gestão do setor privado, conhecido como
administração pública gerencial. No Brasil, a tentativa de se implantar tais teorias se deu com a publicação do Plano
Diretor da Reforma do Aparelho, com uma série de diretrizes a serem implementadas na administração pública
denominando esse modelo de pós-burocrático.
A partir da década de 90, o foco central das discussões de políticos e formuladores de políticas públicas passou
a ser a reforma administrativa. Com isso, deu-se início à implementação de novas formas de gestão, com modelos
mais próximos daqueles empregados na iniciativa privada.
Assim, a denominação de gerencialismo na administração pública seria referente ao desafio de realizar
programas direcionados ao aumento da eficiência e melhoria da qualidade dos serviços prestados pelo Estado. O
gerencialismo seria um pluralismo organizacional sob bases pós-burocráticas vinculadas aos padrões históricos
(institucionais e culturais) de cada nação, não se constituindo num novo paradigma capaz de substituir por completo
o antigo padrão burocrático.
Esse novo modelo não se materializou de modo completo, de forma a poder ser reconhecido um novo mecanismo
de governança do Estado, capaz de atuar totalmente independente da burocracia.
Autores mais recentes definem o tipo organizacional pós-burocrático como organizações simbolicamente
intensivas, produtoras de consenso através da institucionalização do diálogo. Essas organizações seriam mais
especificamente caracterizadas por:
 constituir grupos de trabalho flexíveis e forças-tarefa com objetivos claros;
 criar espaços para diálogo e conversação;
 enfatizar confiança mútua;
 usar o conceito de missão como ferramenta estratégica;
 disseminar informação;
 criar redes de difusão e recuperação de conhecimento;
 criar mecanismos de feedback e avaliação de performance
 criar capacidade de resiliência e flexibilidade na organização

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No entanto, organizações baseadas em princípios como esses são particularmente raras e, na verdade, mesmo
os defensores do conceito de pós-burocracia concedem que, como tipo ideal, organizações verdadeiramente pós-
burocráticas não existem.
A evolução dos modelos de gestão na Administração Pública
Vamos a partir de agora tratar da Administração Pública no Brasil, considerando a evolução histórica do modo
pelo qual a gestão das organizações governamentais vem sendo praticada em nosso país. A importância do tema
reside no fato de que a Administração Pública em todo o mundo vem experimentando um processo de profundas
transformações, que se iniciou na década de 70, formado por um conjunto amplo de correntes de pensamento, que
formam a chamada “Nova Gestão Pública”. Esse processo também ocorre no Brasil. Para entender o que é a gestão
pública hoje, precisamos retroceder no tempo e analisar sua evolução ao longo das décadas.
Nos últimos anos assistimos em todo o mundo a um debate acalorado – ainda longe de concluído – sobre o papel
que o Estado deve desempenhar na vida contemporânea e o grau de intervenção que deve ter na economia. Nos anos
50, o economista Richard Musgrave enunciou as três funções clássicas do Estado:
• Função alocativa: prover os bens e serviços não adequadamente fornecidos pelo mercado
• Função distributiva: promover ajustamentos na distribuição da renda;
• Função estabilizadora: evitar grandes flutuações nos níveis de inflação e desemprego.
De fato, entre o período que vai de 1945 (final da segunda guerra mundial) e 1973(ano do choque do petróleo),
a economia mundial experimentou uma grande expansão econômica, levando este período a ser denominado de
“era dourada”.
Desenvolveu-se a figura do Estado-Provedor de bens e serviços, também chamado de Estado de Bem-Estar
Social. Houve uma grande expansão do Estado (e, consequentemente, da Administração Pública), logicamente
com um crescimento importante dos custos de funcionamento da máquina pública. A partir dos anos 70, o ritmo de
expansão da economia mundial diminui, e o Estado começa a ter problemas no desempenho de suas funções, per-
dendo gradativamente a capacidade de atender às crescentes demandas sociais. Esta situação, aliada a um processo
de crescente endividamento público, acarretaria mais tarde, principalmente nos anos 80, a chamada crise fiscal do
Estado: a perda de sua capacidade de realizar os investimentos públicos necessários a um novo ciclo de expansão
econômica. Da crise fiscal passamos à crise de gestão do Estado, uma vez que a percepção dos cidadãos sobre a
disponibilidade de serviços públicos se deteriora gradativamente, à medida que o Estado perde a capacidade de rea-
lizar suas funções básicas, e não consegue acompanhar as pressões crescentes por mais saúde, educação, segurança
pública, saneamento, etc…Essa crise de gestão implica na tentativa de superar as limitações do modelo de gestão
vigente até então, conhecido como “modelo burocrático”, transformando-o em algo novo, mais parecido como o
modo de gestão do setor privado, conhecido na área pública como “modelo gerencial”.
Assim, a redefinição do próprio papel do Estado é um tema de alcance universal nos anos 90. No Brasil, essa
questão adquiriu importância decisiva, tendo em vista o peso da presença do Estado na economia nacional: tornou-
-se um tema constante a questão da reforma do Estado, uma vez que o mesmo não conseguia mais atender com
eficiência a sobrecarga de demandas a ele dirigidas, sobretudo na área social. Em resumo, a Crise do Estado define-
-se como:
1. Uma crise fiscal, caracterizada pela deterioração crescente das finanças públicas, sendo o déficit público um
fator de redução de investimentos na área privada;
2. Uma crise do modo de intervenção do Estado na economia, com o esgotamento da estratégia estatizante; as
empresas públicas não mais teriam condições de alavancar o crescimento econômico dos países; o paradigma do
Estado interventor, nos moldes da economia Keynesiana estava cada vez mais ultrapassado;
3. Uma crise da forma de administrar o Estado, isto é, a superação da administração pública burocrática, rumo
à administração pública gerencial.
No Brasil, a principal repercussão destes fatos foi a Reforma do Estado nos anos 90,cujos principais pontos
eram:
1. O ajuste fiscal duradouro, com a busca do equilíbrio das contas públicas;
2. A realização de reformas econômicas orientadas para o mercado, que, acompanhadas de uma política indus-
trial e tecnológica, garantissem a concorrência interna e criassem as condições para o enfrentamento da competição
internacional;
3. A reforma da previdência social, procurando-se dar sustentabilidade à mesma, equilibrando-se os montantes
de contribuições e benefícios;
4. A inovação dos instrumentos de política social, proporcionando maior abrangência e promovendo melhor
qualidade para os serviços sociais;

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5. A reforma do aparelho do Estado, com vistas a aumentar sua “governança”, ou seja, sua capacidade de im-
plementar de forma eficiente as políticas públicas.
A reforma do Estado envolve múltiplos aspectos. O ajuste fiscal devolveria ao Estado a capacidade de definir e
implementar políticas públicas. Através da liberalização comercial, o Estado abandonaria a estratégia protecionista
da substituição de importações. Nesse contexto, o programa de privatizações levado a cabo nos anos90 foi uma das
formas de se perseguir tais objetivos. Por esse programa, transferiu se para o setor privado a tarefa da produção,
dado o pressuposto de que este, a princípio, realizaria tal atividade de forma mais eficiente.
Finalmente, por meio de um programa de publicação, pretendia-se transferir para o setor público não-estatal a
produção dos serviços competitivos ou não-exclusivos de Estado, estabelecendo-se um sistema de parceria entre
Estado e sociedade para seu financiamento e controle.
Portanto, segundo a ideia da reforma, o Estado reduziria seu papel de executor ou provedor direto de serviços,
mantendo-se, entretanto, no papel de regulador e provedor indireto ou promotor destes, principalmente dos serviços
sociais como educação e saúde, etc. Como promotor desses serviços, o Estado continuará a subsidiá-los, buscando,
ao mesmo tempo, o controle social direto e a participação da sociedade.
Nessa nova perspectiva, busca-se o fortalecimento das funções de regulação e de coordenação do Estado, par-
ticularmente no nível federal, e a progressiva descentralização vertical, para os níveis estadual e municipal, das
funções executivas no campo da prestação de serviços sociais e de infraestrutura.
Considerando essa tendência, pretende-se reforçar a governança, a capacidade de governo do Estado, através da
transição programada de um tipo de administração pública burocrática, rígida e ineficiente, voltada para si própria
e para o controle interno, para uma administração pública gerencial, flexível e eficiente, voltada para o atendimento
do cidadão, melhorando a capacidade do Estado de implementar as políticas públicas, sem os limites, a rigidez e a
ineficiência da sua máquina administrativa.
As três formas de Administração Pública
No plano administrativo, a administração pública burocrática surgiu no século passado conjuntamente com
o Estado liberal, exatamente como uma forma de defender a coisa pública contra o patrimonialismo. Na medida,
porém, que o Estado assumia a responsabilidade pela defesa dos direitos sociais e crescia em dimensão, os custos
dessa defesa passaram a ser mais altos que os benefícios do controle. Por isso, neste século as práticas burocráticas
vêm cedendo lugar a um novo tipo de administração: a administração gerencial.
Assim, partindo-se de uma perspectiva histórica, verifica-se que a administração pública evoluiu através de três
modelos básicos: a administração pública patrimonialista, a burocrática e a gerencial. Essas três formas se sucedem
no tempo, sem que, no entanto, qualquer uma delas seja inteiramente abandonada.
Administração Pública Patrimonialista
Nas sociedades anteriores ao advento do Capitalismo e da Democracia, o Estado aparecia como um ente “pri-
vatizado”, no sentido de que não havia uma distinção clara, por parte dos governantes, entre o patrimônio público
e o seu próprio patrimônio privado.
O Rei ou Monarca estabelecia seu domínio sobre o país de forma absoluta, não aceitando limites entre a res
publica e a res principis. Ou seja, a “coisa pública” se confundia com o patrimônio particular dos governantes, pois
não havia uma fronteira muito bem definida entre ambas.
Nessas condições, o aparelho do Estado funcionava como uma extensão do poder do soberano, e os seus auxi-
liares, servidores, possuíam status de nobreza real. Os cargos eram considerados prebendas, ou seja, títulos passí-
veis de negociação, sujeitos à discricionariedade do governante.
A corrupção e o nepotismo eram inerentes a esse tipo de administração. O foco não se encontrava no atendimen-
to das necessidades coletivas mas, sobretudo, nos interesses particulares do soberano e de seus auxiliares.
Este cenário muda no final do século XIX, no momento em que o capitalismo e a democracia se tornam domi-
nantes. Mercado e Sociedade Civil passam a se distinguir do Estado. Neste novo momento histórico, a administra-
ção patrimonialista torna-se inaceitável, pois não mais cabia um modelo de administração pública que privilegiava
uns poucos em detrimento de muitos.
As novas exigências de um mundo em transformação, com o desenvolvimento econômico que se seguia, trou-
xeram a necessidade de reformulação do modo de gestão do Estado.
Administração Pública Burocrática
Surge na segunda metade do século XIX, na época do Estado liberal, como forma de combater a corrupção e o
nepotismo patrimonialista. Constituem princípios orientadores do seu desenvolvimento a profissionalização, a ideia
de carreira, a hierarquia funcional, a impessoalidade, o formalismo, em síntese, o poder racional legal.
Os controles administrativos implantados visam evitar a corrupção e o nepotismo. A forma de controle é sempre
a priori, ou seja, controle dos procedimentos, das rotinas que devem nortear a realização das tarefas.

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Parte-se de uma desconfiança prévia nos administradores públicos e nos cidadãos que a eles dirigem suas diver-
sas demandas sociais. Por isso, são empregados controles rígidos dos processos como, por exemplo, na admissão
de pessoal, nas compras e no atendimento aos cidadãos.
Uma consequência disto é que os próprios controles se tornam o objetivo principal do funcionário. Dessa forma,
o Estado volta-se para si mesmo, perdendo a noção de sua missão básica, que é servir à sociedade.
A principal qualidade da administração pública burocrática é o controle dos abusos contra o patrimônio público;
o principal defeito, a ineficiência, a incapacidade de voltar-se para o serviço aos cidadãos vistos como “clientes”.
Esse defeito, entretanto, não se revelou determinante na época do surgimento da administração pública buro-
crática porque os serviços do Estado eram muito reduzidos. O Estado limitava-se a manter a ordem e administrar a
justiça, a garantir os contratos e a propriedade. O problema começou a se tornar mais evidente a partir da ampliação
da participação do Estado na vida dos indivíduos.
Valem aqui alguns comentários adicionais sobre o termo “Burocracia”.
Max Weber, importante cientista social, ocupou-se de inúmeros aspectos das sociedades humanas. Na década
de 20, publicou estudos sobre o que ele chamou o tipo ideal de burocracia, ou seja, um esquema que procura sinteti-
zar os pontos comuns à maioria das organizações formais modernas, que ele contrastou com as sociedades primiti-
vas e feudais. As organizações burocráticas seriam máquinas totalmente impessoais, que funcionam de acordo com
regras que ele chamou de racionais – regras que dependem de lógica e não de interesses pessoais.
Weber estudou e procurou descrever o alicerce formal-legal em que as organizações reais se assentam. Sua
atenção estava dirigida para o processo de autoridade obediência (ou processo de dominação) que, no caso das
organizações modernas, depende de leis. No modelo de Weber, as expressões “organização formal” e “organização
burocrática” são sinônimas.
“Dominação” ou autoridade, segundo Weber, é a probabilidade de haver obediência dentro de um grupo deter-
minado. Há três tipos puros de autoridade ou dominação legítima (aquela que conta com o acordo dos dominados):
Dominação de caráter carismático
Repousa na crença da santidade ou heroísmo de uma pessoa. A obediência é devida ao líder pela confiança
pessoal em sua revelação, heroísmo ou exemplaridade, dentro do círculo em que se acredita em seu carisma.
A atitude dos seguidores em relação ao dominador carismático é marcada pela devoção. Exemplos são líderes
religiosos, sociais ou políticos, condutores de multidões de adeptos. O carisma está associado a um tipo de influên-
cia que depende de qualidades pessoais.
Dominação de caráter tradicional
Deriva da crença quotidiana na santidade das tradições que vigoram desde tempos distantes e na legitimidade
daqueles que são indicados por essa tradição para exercer a autoridade.
A obediência é devida à pessoa do “senhor”, indicado pela tradição. A obediência dentro da família, dos feudos
e das tribos é do tipo tradicional. Nos sistemas em que vigora a dominação tradicional, as pessoas têm autoridade
não por causa de suas qualidades intrínsecas, como acontece no caso carismático, mas por causa das instituições
tradicionais que representam. É o caso dos sacerdotes e das lideranças, no âmbito das instituições, como os partidos
políticos e as corporações militares.
Dominação de caráter racional
Decorre da legalidade de normas instituídas racionalmente e dos direitos de mando das pessoas a quem essas
normas responsabilizam pelo exercício da autoridade. A autoridade, portanto, é a contrapartida da responsabilidade.
No caso da autoridade legal, a obediência é devida às normas impessoais e objetivas, legalmente instituídas, e
às pessoas por elas designadas, que agem dentro de uma jurisdição. A autoridade racional fundamenta-se em leis
que estabelecem direitos e deveres para os integrantes de uma sociedade ou organização. Por isso, a autoridade que
Weber chamou de racional é sinônimo de autoridade formal.
Uma sociedade, organização ou grupo que depende de leis racionais tem estrutura do tipo legal-racional
ou burocrática. É uma burocracia.
A autoridade legal-racional ou autoridade burocrática substituiu as fórmulas tradicionais e carismáticas nas
quais se baseavam as antigas sociedades. A administração burocrática é a forma mais racional de exercer a domi-
nação. A burocracia, ou organização burocrática, possibilita o exercício da autoridade e a obtenção da obediência
com precisão, continuidade, disciplina, rigor e confiança.
Portanto, todas as organizações formais são burocracias. A palavra burocracia identifica precisamente as orga-
nizações que se baseiam em regulamentos. A sociedade organizacional é, também, uma sociedade burocratizada. A
burocracia é um estágio na evolução das organizações.

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De acordo com Weber, as organizações formais modernas baseiam-se em leis, que as pessoas aceitam por acre-
ditarem que são racionais, isto é, definidas em função do interesse das próprias pessoas e não para satisfazer aos
caprichos arbitrários de um dirigente.
O tipo ideal de burocracia, formulado por Weber, apresenta três características principais que diferenciam estas
organizações formais dos demais grupos sociais:
• Formalidade: significa que as organizações são constituídas com base em normas e regulamentos explícitos,
chamadas leis, que estipulam os direitos e deveres dos participantes.
• Impessoalidade: as relações entre as pessoas que integram as organizações burocráticas são governadas pelos
cargos que elas ocupam e pelos direitos e deveres investidos nesses cargos. Assim, o que conta é o cargo e não a
pessoa. A formalidade e a impessoalidade, combinadas, fazem a burocracia permanecer, a despeito das pessoas.
• Profissionalismo: os cargos de uma burocracia oferecem a seus ocupantes uma carreira profissional e meios
de vida. A participação nas burocracias tem caráter ocupacional.
Apesar das vantagens inerentes nessa forma de organização, as burocracias podem muitas vezes apresentar
também uma série de disfunções, conforme a seguir:
• Particularismo – Defender dentro da organização interesses de grupos internos, por motivos de convicção,
amizade ou interesse material.
• Satisfação de Interesses Pessoais – Defender interesses pessoais dentro da organização.
• Excesso de Regras – Multiplicidade de regras e exigências para a obtenção de determinado serviço.
• Hierarquia e individualismo – A hierarquia divide responsabilidades e atravanca o processo decisório. Real-
ça vaidades e estimula disputas pelo poder.
• Mecanicismo – Burocracias são sistemas de cargos limitados, que colocam pessoas em situações alienantes.
Portanto, as burocracias apresentam dois grandes “problemas” ou dificuldades: em primeiro lugar, certas dis-
funções, que as descaracterizam e as desviam de seus objetivos; em segundo lugar, ainda que as burocracias não
apresentassem distorções, sua estrutura rígida é adequada a certo tipo de ambiente externo, no qual não há grandes
mudanças. A estrutura burocrática é, por natureza, conservadora, avessa a inovações; o principal é a estabilidade
da organização.
Mas, como vimos, as mudanças no ambiente externo determinam a necessidade de mudanças internas, e nesse
ponto o paradigma burocrático torna-se superado.
Administração Pública Gerencial
Surge na segunda metade do século XX, como resposta à expansão das funções econômicas e sociais do Estado
e ao desenvolvimento tecnológico e à globalização da economia mundial, uma vez que ambos deixaram à mostra
os problemas associados à adoção do modelo anterior.
Torna-se essencial a necessidade de reduzir custos e aumentar a qualidade dos serviços, tendo o cidadão como
beneficiário, resultando numa maior eficiência da administração pública. A reforma do aparelho do Estado passa a
ser orientada predominantemente pelos valores da eficiência e qualidade na prestação de serviços públicos e pelo
desenvolvimento de uma cultura gerencial nas organizações.
A administração pública gerencial constitui um avanço, e até certo ponto um rompimento com a administração
pública burocrática. Isso não significa, entretanto, que negue todos os seus princípios. Pelo contrário, a administra-
ção pública gerencial está apoiada na anterior, da qual conserva, embora flexibilizando, alguns dos seus princípios
fundamentais, como:
• A admissão segundo rígidos critérios de mérito (concurso público);
• A existência de um sistema estruturado e universal de remuneração (planos de carreira);
• A avaliação constante de desempenho (dos funcionários e de suas equipes de trabalho);
• O treinamento e a capacitação contínua do corpo funcional.
A diferença fundamental está na forma de controle, que deixa de basear-se nos processos para concentrar-se
nos resultados. A rigorosa profissionalização da administração pública continua sendo um princípio fundamental.
Na administração pública gerencial a estratégia volta-se para:
1. A definição precisa dos objetivos que o administrador público deverá atingir sua unidade;
2. A garantia de autonomia do administrador na gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhe
forem colocados à disposição para que possa atingir os objetivos contratados;
3. O controle ou cobrança posterior dos resultados.
Adicionalmente, pratica-se a competição administrada no interior do próprio Estado, quando há a possibilidade
de estabelecer concorrência entre unidades internas.
No plano da estrutura organizacional, a descentralização e a redução dos níveis hierárquicos tornam-se essenciais.
Em suma, afirma-se que a administração pública deve ser permeável à maior participação dos agentes privados e/ou das
organizações da sociedade civil e deslocar a ênfase dos procedimentos (meios) para os resultados (fins).

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A administração pública gerencial inspira-se na administração de empresas, mas não pode ser confundida com
esta última. Enquanto a administração de empresas está voltada para o lucro privado, para a maximização dos in-
teresses dos acionistas, esperando-se que, através do mercado, o interesse coletivo seja atendido, a administração
pública gerencial está explícita e diretamente voltada para o interesse público.
Neste último ponto, como em muitos outros (profissionalismo, impessoalidade), a administração pública geren-
cial não se diferencia da administração pública burocrática. Na burocracia pública clássica existe uma noção muito
clara e forte do interesse público. A diferença, porém, está no entendimento do significado do interesse público, que
não pode ser confundido com o interesse do próprio Estado. Para a administração pública burocrática, o interesse
público é frequentemente identificado com a afirmação do poder do Estado.
A administração pública gerencial vê o cidadão como contribuinte de impostos e como uma espécie de “cliente”
dos seus serviços. Os resultados da ação do Estado são considerados bons não porque os processos administrativos
estão sob controle estão seguros, como quer a administração pública burocrática, mas porque as necessidades do
cidadão-cliente estão sendo atendidas.
O paradigma gerencial contemporâneo, fundamentado nos princípios da confiança e da descentralização da
decisão, exige formas flexíveis de gestão, de estruturas, descentralização de funções, incentivos à criatividade.
Contrapõe-se à ideologia do formalismo e do rigor técnico da burocracia tradicional. À avaliação sistemática, à re-
compensa pelo desempenho, e à capacitação permanente, que já eram características da boa administração burocrá-
tica, acrescentam-se os princípios da orientação para o cidadão-cliente, do controle por resultados, e da competição
administrada.
1.3 PRINCÍPIOS E SISTEMAS DE ADMINISTRAÇÃO FEDERAL.
Os conceitos, princípios e técnicas que se constituem no objeto da Ciência da Administração dizem respeito
às funções administrativas clássicas (planejamento, organização, direção e controle) aplicadas às atividades envol-
vidas com a produção de um bem e/ou à prestação de um serviço. No setor público, elas precisam ter o aspecto
legal, isto é, de um instrumento normativo que, por natureza, as apresenta de forma técnica, sem explicações. Cabe,
portanto, ao gestor público saber identificá-las, interpretá-las e aplicá-las corretamente quanto à forma de utilizar
os recursos da organização para conseguir os melhores resultados para o público-alvo e para os cofres públicos.
Abaixo veremos a classificação desses princípios e suas aplicações;
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU BÁSICOS - Constam no Art. 37 da Constituição Federal:
LIMPE - é uma combinação das letras iniciais dos princípios encontrados em nossa Constituição Federal que
facilitará a memorização dos mesmos na hora do estudo. São eles, respectivamente, os princípios da: Legalidade,
Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência.
Como regra geral, a Administração direta e indireta de qualquer dos Poderes a União, Estados, Distrito Federal,
Municípios, assim como as Autarquias, Fundações Públicas, Agências reguladoras e executivas, Empresas Públicas
e Sociedades de Economia Mista estão submetidas a esses princípios.
Princípio da Legalidade
Importância - O Princípio da legalidade é fundamento do Estado democrático de direito, tendo por fim comba-
ter o poder arbitrário do Estado. Os conflitos devem ser resolvidos pela lei e não mais através da força.
Conceito - “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. 5º, II
da CF).
O Princípio da legalidade aparece simultaneamente como um limite e como uma garantia, pois ao mesmo tempo
que é um limite a atuação do Poder Público, visto que este só poderá atuar com base na lei, também é uma garantia
a nós administrados, visto que só deveremos cumprir as exigências do Estado se estiverem previstas na lei. Se as
exigências não estiverem de acordo com a lei serão inválidas e, portanto, estarão sujeitas a um controle do Poder
Judiciário.
Segundo o princípio da legalidade, o administrador não pode fazer o que bem entender na busca do interesse
público, ou seja, tem que agir segundo a lei, só podendo fazer aquilo que a lei expressamente autoriza e no silêncio
da lei esta proibido de agir. Já o administrado pode fazer tudo aquilo que a lei não proíbe e o que silencia a respeito.
Portanto, tem uma maior liberdade do que o administrador.
Assim, se diz que no campo do direito público a atividade administrativa deve estar baseada numa relação de
subordinação com a lei (“Administrar é a aplicar a lei de ofício”, “É aplicar a lei sempre”) e no campo do direito
privado a atividade desenvolvida pelos particulares deve estar baseada na não contradição com a lei.

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Conceito de Lei – Quando o princípio da legalidade menciona “lei” quer referir-se a todos os atos normativos
primários que tenham o mesmo nível de eficácia da lei ordinária. Ex: Medidas provisórias, resoluções, decretos
legislativos. Não se refere aos atos infralegais, pois estes não podem limitar os atos das pessoas, isto é, não podem
restringir a liberdade das pessoas.
A Administração, ao impor unilateralmente obrigações aos administrados por meio de atos infralegais, deverá
fazê-lo dentro dos limites estabelecidos por aquela lei à qual pretendem dar execução. “Compete privativamente ao
Presidente da República sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos
para sua fiel execução” (art. 84, IV da CF). “Cabe ao Congresso Nacional sustar os atos normativos do Poder Exe-
cutivo que exorbitem o poder regulamentar ou dos limites da delegação legislativa” (art. 49, V da CF).
Princípio da legalidade em outros ramos do direito:
* No direito penal (Princípio da estrita legalidade): Também aparece como limite à atuação do Estado e como
garantia dos administrados contra os abusos do direito de punir, visto que uma conduta só poderá ser considerada
como crime e punida, se estiver prevista previamente em lei.
“Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal” (art. 5º, XXIX da Cons-
tituição Federal).
* No direito tributário: Também se apresenta como limite à atuação do Estado, visto que a União, os Estado, o
Distrito Federal e os Municípios não poderão exigir, nem majorar tributos, senão em virtude de lei (art. 150 da CF).
Há exceções que serão estudadas em direito tributário.
Princípio da Impessoalidade
Conceito - A Administração deve manter-se numa posição de neutralidade em relação aos administrados, fican-
do proibida de estabelecer discriminações gratuitas. Só pode fazer discriminações que se justifiquem em razão do
interesse coletivo, pois as gratuitas caracterizam abuso de poder e desvio de finalidade, que são espécies do gênero
ilegalidade.
Impessoalidade para ingressar na Administração Pública: O administrador não pode contratar quem quiser,
mas somente quem passar no concurso público, respeitando a ordem de classificação. O concurso pode trazer dis-
criminações, mas não gratuitas, devendo assim estar relacionada à natureza do cargo.
Impessoalidade na contratação de serviços ou aquisição de bens: O administrador só poderá contratar através
de licitação. O edital de licitação pode trazer discriminações, mas não gratuitas.
Impessoalidade na liquidação de seus débitos: A Administração tem que respeitar a ordem cronológica de apre-
sentação dos precatórios para evitar privilégios. Se for quebrada a ordem pode gerar sequestro de verbas públicas,
crime de responsabilidade e intervenção federal.
“À exceção dos créditos de natureza alimentar, os pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou
Municipal, em virtude de sentença judiciária far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos
precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou pessoas nas dotações orçamentá-
rias e nos créditos adicionais abertos para este fim” (art. 100 da CF).
Teoria do órgão - Esta Teoria atribui a responsabilidade pelos danos causados a terceiros, em vista de atos ad-
ministrativos, não ao agente que o praticou, mas à pessoa jurídica por ele representada.
“As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviço público responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável
nos casos de dolo ou culpa” (art. 37, §6º da CF).
Publicidade nos meios de comunicação de atos do governo: “A publicidade dos atos, programas, obras, servi-
ços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo, ou de orientação social, dela não
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridade ou servidores
públicos” (art. 37, §1º da CF).
A publicidade dos atos de governo deve ser impessoal em razão dos interesses que o Poder Público representa
quando atua. Tal publicidade é uma obrigação imposta ao administrador, não tendo qualquer relação com a com a
propaganda eleitoral gratuita.
Princípio da Moralidade
Conceito - A Administração deve atuar com moralidade, isto é de acordo com a lei. Tendo em vista que tal
princípio integra o conceito de legalidade, decorre a conclusão de que ato imoral é ato ilegal, ato inconstitucional e,
portanto, o ato administrativo estará sujeito a um controle do Poder Judiciário.
Instrumento para se combater a imoralidade dos atos administrativos:
Ação Civil Pública: Só pode ser promovida por pessoa jurídica. Ex: Ministério Público, Associação de Classe
e etc.

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Ação Popular: Só pode ser promovida por pessoa física que esteja no pleno exercício dos direitos políticos.
“Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público
ou entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e
cultural, ficando o autor, salvo comprovada má fé, isento de custas judiciais e ônus de sucumbência” (art. 5º, LX-
XIII da CF). Tendo em vista que só se anula o que é ilegal, confirma-se a ideia de que ato imoral é ato ilegal.
“Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular” (súmula 365 do STF).
O prazo prescricional para propositura da ação de improbidade administrativa é de 5 anos a contar do término
do exercício do mandato, cargo em comissão ou função de confiança (art. 23, I, da Lei 8429/92)
Hipóteses exemplificativas de imoralidade administrativa:
Atos de improbidade administrativa que importem em enriquecimento ilícito (art. 9º da Lei 8429/92). Ex: Uti-
lização em obra ou serviço particular, de veículos, materiais ou equipamentos públicos.
Atos de improbidade administrativa que importem em prejuízo ao erário (art. 10 da Lei 8429/92). Ex: Aquisi-
ção, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao do mercado.
Atos de improbidade administrativa que atentem contra os princípios da Administração (art. 11 da Lei 8429/92).
Ex: Fraude à licitude de concurso público.
É crime de responsabilidade o ato do Presidente da República que atente contra a Constituição Federal, espe-
cialmente contra probidade administrativa (art. 85, V da CF).
Sanções aos agentes públicos que pratiquem atos imorais - “Os atos de improbidade administrativa importarão
na suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao erá-
rio (cofres públicos), na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível” (art. 37, §4º da CF).
Estas sanções podem ser aplicadas simultaneamente, precedendo de instrumentos que apurem as irregularida-
des praticadas pelo servidor, ou seja, de processo administrativo disciplinar ou sindicância, garantindo o contradi-
tório e a ampla defesa.
Cabe ao legislador infraconstitucional estabelecer a forma e a gradação dessas sanções.
Cominações previstas na Lei 8429/92:
Na hipótese dos atos de improbidade administrativa que importem em enriquecimento ilícito (art. 12, I da Lei
8429/92):
 Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio
 Ressarcimento integral do dano, quando houver
 Perda da função pública
 Suspensão dos direitos políticos de 8 a 10 anos
 Pagamento de multa de até 3 vezes o valor do acréscimo patrimonial
 Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta
ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de 10 anos.
Na hipótese dos atos de improbidade administrativa que causem prejuízo ao erário (art. 12, II da Lei 8429/92):
 Ressarcimento integral do dano.
 Perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância.
 Perda da função pública.
 Suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos.
 Pagamento de multa civil de até 2 vezes o valor do dano.
 Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta
ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de 5 anos.
Na hipótese dos atos de improbidade administrativa que atentem contra os princípios da Administração Pública
(art. 12, III da Lei 8429/92):
 Ressarcimento integral do dano, se houver.
 Perda da função pública.
 Suspensão dos direitos políticos de 3 a 5 anos.
 Pagamento de multa civil de até 100 vezes o valor da remuneração percebida pelo agente.
 Proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta
ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de 3 anos.

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Princípio da Publicidade
Conceito - A Administração tem o dever de manter plena transparência de todos os seus comportamentos, in-
clusive de oferecer informações que estejam armazenadas em seus bancos de dados, quando sejam solicitadas, em
razão dos interesses que ela representa quando atua.
“Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse cole-
tivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado” (art. 5º, XXXIII da CF).
O prazo para que as informações sejam prestadas é de 15 dias (Lei 9051/95).
“A lei disciplinará as formas de participação do usuário na Administração direta e indireta, regulando especial-
mente o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto
no art. 5º, X e XXXIII” (art. 37, §3º, II da CF).
Exceções ao princípio da publicidade - Tendo em vista que algumas informações deverão permanecer em sigi-
lo, podemos concluir que o princípio da publicidade não é absoluto.
 Informações que comprometam o direito a intimidade das pessoas (art. 37, §3º, II da CF): “São invioláveis
a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material
ou moral decorrente de sua violação” (art. 5º, X da CF).
 Informações de interesse particular ou coletivo quando imprescindíveis para a segurança da sociedade ou
do Estado (art. 5º, XXXIII da CF).
Garantias contra a negativa injustificada de oferecimento pelo Poder Público:
 “Habeas data”: Tem cabimento quando a informação negada injustificadamente é personalíssima (a res-
peito do requerente). Toda informação ao meu respeito é de meu interesse particular, mas nem toda informação de
meu interesse particular é ao meu respeito.
 Mandado de segurança: Tem cabimento quando a informação negada injustificadamente é de meu interesse
privado ou coletivo ou geral.
Cabe mandado de segurança, pois tenho direito líquido e certo a obter informações de meu interesse privado
ou coletivo e geral. Ex: Informação sobre o número em que está o precatório; Sobre um parente que desapareceu;
sobre plano de desapropriação em determinado imóvel; Sobre transferência de um preso para outra penitenciária.
A negativa de publicidade aos atos oficiais caracteriza improbidade administrativa. Improbidade administrativa
que atenta contra os princípios da Administração Pública (art. 11, IV da Lei 8429/92).
O não oferecimento de certidões de atos ou contratos municipais, dentro do prazo estabelecido em lei, gera
como consequência a caracterização de crime de responsabilidade do prefeito (art.1º, XV do Decreto-lei 201/67).
Princípio da Eficiência
Conceito - A Administração Pública deve buscar um aperfeiçoamento na prestação dos serviços públicos, man-
tendo ou melhorando a qualidade dos serviços, com economia de despesas. - Binômio: qualidade nos serviços +
racionalidade de gastos.
É relevante lembrar que mesmo antes da inclusão deste princípio na Constituição com a emenda constitucional
19/98, a Administração já tinha a obrigação de ser eficiente na prestação de serviços. Ex: Lei 8078/90; Lei 8987/95.
Princípio da eficiência na Constituição:
 “A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas
ou provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei,
ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração” (art. 37, II da
CF). Também presente no princípio da impessoalidade.
 “A União, os Estados, e o Distrito Federal manterão escolas de governo para formação e aperfeiçoamento
dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos como um dos requisitos para a promoção na
carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes federados” (art. 39, §2º da CF).
 O servidor nomeado para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público submete-se a um
estágio probatório de 3 anos, em que o administrador irá apurar a eficiência na prática (art. 41 da CF). Ex: O admi-
nistrador verificará a frequência, o rendimento do trabalho, o cumprimento de ordens emitidas pelo superior.
 “Como condição à aquisição de estabilidade, o servidor está submetido à avaliação de desempenho por uma
comissão constituída para essa finalidade” (art. 41, §4º da CF): Trata-se de uma norma de eficácia limitada, pois
esta na inteira dependência de uma lei que dirá quem vai integrar a comissão, quais serão os critérios, quais matéria
serão avaliadas e etc.
 O servidor público estável poderá perder o cargo em razão de insuficiência de desempenho, mediante
procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma da lei complementar, assegurada a ampla defesa e
contraditório (art. 41, III da CF): Trata-se de uma norma de eficácia limitada, pois está na inteira dependência da lei.

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 “A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não
poderá exceder aos limites estabelecidos em lei complementar” (art. 169 da CF).
A LC 101/00 estabeleceu que a União não pode gastar com seu pessoal mais de 50% do que arrecada. Já os
Municípios e os Estados não podem gastar mais de 60% do que arrecadam. Para cumprimento destes limites acima
o Poder Público pode tomar algumas medidas (art. 169, §3º da CF):
Redução de pelo menos 20% as despesas com servidores que titularizem cargo em comissão e função de con-
fiança (art. 169, §3º, I da CF).
 Exoneração dos servidores não estáveis (art. 169, §3º, II da CF).
 Se as medidas acima não forem suficientes, dispensarão servidores estáveis, desde que o ato normativo
especifique a atividade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto de redução de pessoal (art. 169, §4º
da CF). O Poder Público deve demonstrar porque a escolha recaiu em determinado servidor, tendo em vista que
os critérios não são livres, isto é, que deve considerar o tempo de serviço, a remuneração percebida o número de
dependentes, a idade do servidor e etc. Assim, o servidor público pode perder o cargo por excesso de quadro ou
despesa, quando o Poder Público estiver gastando mais do que lhe for permitido, sendo assegurado o contraditório
e ampla defesa.
 “A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta
poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por
objeto a fixação de metas de desempenho para órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: o prazo de duração
do contrato; os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos diri-
gentes, a remuneração do pessoal” (art. 37, §8º, I, II e III da CF): Trata-se do contrato de gestão através do qual se
oferece maior autonomia às Autarquias e Fundações em troca do atingimento, durante prazo certo e determinado de
novas metas de desempenho (Agências executivas).
 “Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos orça-
mentários provenientes da economia com despesas decorrentes de cada órgão, autarquia e fundação, para aplicação
no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização,
reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio de produtivida-
de” (art. 39, §7º da CF).

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS - Estão regulados no Art. 6º do Decreto Lei 200/67:
- Planejamento: Consta também no Art. 174 da Constituição Federal. Consiste em um conjunto de ações
intencionais, integradas, coordenadas e orientadas para tornar realidade um objetivo futuro, de forma a auxiliar o
processo de tomada de decisão. O resultado final é a elaboração de um plano organizacional.
- Coordenação: Visa entrosar as atividades da administração, de modo a evitar a duplicidade de atuação, a
dispersão de recursos, a divergência de soluções e as disfunções da burocracia.
- Descentralização: É a existência de um ente, distinto do Estado, a qual, investido dos necessários poderes de
administração, exercita atividade pública ou de utilidade pública. Diversa da descentralização é a desconcentração
administrativa, que significa repartição de funções entre os vários órgãos de uma mesma administração, sem quebra
de hierarquia. Na descentralização, a execução de atividades ou a prestação de serviços pelo Estado é indireta e
mediata; na desconcentração é direta e imediata.
- Delegação de Competência: É a aplicação de uma forma do princípio da descentralização, ou seja, uma téc-
nica de descongestionamento da administração.
- Controle: É qualquer ação tomada pela administração com o objetivo de atingir metas estabelecidas. Sob o
aspecto contábil, visa a proteção de bens, confiabilidade e veracidade de informações. Sob o aspecto gerencial, visa
a observância de planos e normas, atingir os objetivos estabelecidos e o uso econômico e eficiente dos recursos.
De acordo com o autor NOGUEIRA, a importância na identificação dos princípios da administração pública
nos dispositivos legais em vigor e do seu perfeito entendimento pelo gestor público, está no fato de que eles nor-
teiam a estruturação e o funcionamento das atividades administrativas públicas.
Em razão disso, além dos princípios constitucionais e dos fundamentais já analisados acima, que são os princí-
pios constitucionais ou básicos e princípios fundamentais, ele cita ainda os princípios gerenciais e, acrescenta mais
dois grupos. Um que trata dos princípios do processo de Licitações & Contratos, porque norteiam as atividades de
compras e contratações no setor público. E outro que aborda os princípios da contabilidade aplicada ao setor públi-
co, porque tratam de aspectos e métodos relacionados às variações patrimoniais públicas.

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PRINCÍPIOS GERENCIAIS
Referem-se à aplicação de princípios da Ciência da Administração e constantes em dispositivos legais vigentes:
- Estratégia:
Para FERNANDES e BERTON, é a forma de realizar o mapeamento das futuras direções da organização a
partir dos recursos que possui, elaborando planos, estabelecendo políticas, definindo caminhos a serem percorridos
e efetivando ações para viabilizar esses desejos. Implica na realização de planejamento em três níveis básicos: o
estratégico, o tático e o operacional, pressupondo uma perfeita correlação entre estes níveis e a hierarquia orga-
nizacional. Desta forma, o planejamento estratégico refere-se ao nível institucional e elaborado numa perspectiva
temporal de longo alcance. O tático corresponde ao nível intermediário, sendo de médio prazo, e o operacional
refere-se à execução e de curto prazo.
No setor público, no nível estratégia de Estado, o princípio é aplicado conforme a publicação Cadernos NAE
Nr 6 que apresenta um projeto estratégico nacional de longo prazo, considerando três grupos de informações refe-
renciais necessárias: “onde” se encontra a sociedade brasileira, “para onde” se deseja ir e “como” chegar ao destino
desejado. Nos níveis tático e operacional do Estado Brasileiro, considerando o previsto no Art. 165 da Constitui-
ção Federal e as dimensões de curto e médio prazo, têm-se o Plano Plurianual (PPA) que é uma lei que define as
prioridades do Governo pelo período de 4 (quatro) anos, contendo diretrizes, objetivos e metas para as despesas de
capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada; a Lei de Diretrizes Orça-
mentárias (LDO) que é uma lei que define as metas e prioridades em termos de programas a executar, estabelecendo
metas e prioridades para o exercício financeiro subsequente; e a Lei Orçamentária Anual (LOA) que disciplina os
programas e ações do governo federal no exercício considerado.
Também pode ser encontrado no Art. 2º da Lei 10.180/01 expressa que “O Sistema de Planejamento e de Orça-
mento Federal tem por finalidade:
I - formular o planejamento ESTRATÉGICO nacional;
II - formular planos nacionais, setoriais e regionais de desenvolvimento econômico e social;
III - formular o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais;
IV - gerenciar o processo de planejamento e orçamento federal;
V - promover a articulação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, visando a compatibilização de
normas e tarefas afins aos diversos Sistemas, nos planos federal, estadual, distrital e municipal”.
Portanto, a estratégia constitui um processo de aprendizagem através do qual a direção da organização tenta
atingir níveis de aspiração, objetivos e metas, fazendo uso mais eficiente dos seus recursos frente a um meio cada
vez mais imprevisível.
- Eficiência:
É, também, um princípio constitucional, considerando o disposto no Art. 37 da Constituição: “a administração
pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obe-
decerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e EFICIÊNCIA e...”, bem como no
Art. 74 vê-se que “Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle
interno com a finalidade de: II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e EFICIÊNCIA
, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem como da
aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado”.
É a forma de fazer o que deve ser feito com o melhor emprego de recursos.
A Lei de Responsabilidade Fiscal, no seu Art. 67, aplica esse princípio ao expressar que o conselho de gestão
fiscal, constituído por representantes de todos os Poderes e esferas de Governo, do Ministério Público e de entida-
des técnicas representativas da sociedade, deve realizar suas ações visando a disseminação de práticas que resultem
em maior EFICÊNCIA na alocação e execução do gasto público.
O Art. 20 da Lei 10.180 também o aplica ao determinar a comprovação da legalidade e da avaliação dos resulta-
dos da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e nas entidades da Administração Pública Federal,
quanto à eficácia e EFICIÊNCIA da gestão.
O Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão, por intermédio da Secretaria de Logística e Tecnologia da
Informação e do Departamento de Logística e Serviços Gerais, aplica o princípio na sua publicação “Sistema de
Registro de Preços – Manual do Usuário, 2006” tem investido na sistematização das rotinas e procedimentos desti-
nados a melhorar a EFICIÊNCIA e a qualidade na utilização do sistema.
A Secretaria de Gestão (SEGES), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), na publicação
Guia Referencial para Medição de Desempenho e Manual para Construção de Indicadores, 2009, apresenta um con-
ceito de Eficiência, considerando a metodologia de Cadeia de Valor: “Eficiência é a relação entre os produtos/serviços
gerados (outputs) com os insumos utilizados, relacionando o que foi entregue e o que foi consumido de recursos,
usualmente sob a forma de custos ou produtividade. Por exemplo: uma campanha de vacinação é mais eficiente quanto
menor for o custo, ou seja, quanto menor for o custo da campanha, mantendo-se os objetivos propostos”.

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Portanto, a eficiência impõe a todo agente público realizar suas atribuições com presteza, perfeição, rendimento
e rapidez. Não basta desempenhar suas atividades com a observância da lei, é indispensável que o administrador pú-
blico as desempenhe com resultados positivos para o serviço público e com atendimento satisfatório das necessida-
des coletivas. Deve ser avaliada do ponto de vista da quantidade e da qualidade do serviço prestado, observando-se
o seu rendimento efetivo, seu custo operacional e sua real utilização para os administrados e para a administração.
- Eficácia:
É fazer o quê tem que ser feito. Ou seja, é a realização de um conjunto de ações que garantam atingir os objeti-
vos e metas determinadas no planejamento organizacional dentro do prazo estabelecido ou conveniado.
A Constituição Federal, no Art. 74, o aplica, discorrendo sobre as ações dos Poderes da União quanto à eficácia
no controle e na gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem
como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado.
Também pode-se encontrá-lo no Art. 7o da Lei 10.180/01 quando expressa que “compete às unidades respon-
sáveis pelas atividades de planejamento: III - acompanhar física e financeiramente os planos e programas referidos
nos incisos I e II deste artigo, bem como avaliá-los, quanto à EFICÁCIA e efetividade, com vistas a subsidiar o
processo de alocação de recursos públicos, a política de gastos e a coordenação das ações do governo”. E no seu
Art. 20 onde consta que o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal tem as seguintes finalidades:
“II - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à EFICÁCIA (grifo meu) e eficiência, da gestão orça-
mentária, financeira e patrimonial nos órgãos e nas entidades da Administração Pública Federal ...”.
A SEGES na publicação Guia Referencial para Medição de Desempenho e Manual para Construção de Indi-
cadores, 2009, apresenta um conceito de eficácia, considerando a metodologia de Cadeia de Valor: “Eficácia é a
quantidade e qualidade de produtos e serviços entregues ao usuário (beneficiário direto dos produtos e serviços da
organização)”.
A eficácia pode ser entendida como a adoção de um conjunto de ações que garantam a o alcance dos planos,
objetivos ou metas determinados, para entidades, empresas ou projetos públicos a custos razoáveis de maneira fac-
tível e dentro de um prazo estabelecido ou conveniado.
- Efetividade:
É a relação entre os resultados (impactos observados) e os objetivos (impactos esperados). É aplicado: no § 1º
do Art. 145 da Constituição quando trata da capacidade econômica do contribuinte em relação às características dos
impostos; no Art. 7o da Lei 10.180/01, visto anteriormente.
A SEGES na publicação Guia Referencial para Medição de Desempenho e Manual para Construção de Indica-
dores, apresenta um conceito de efetividade, considerando a metodologia de Cadeia de Valor: “Efetividade são os
impactos gerados pelos produtos/serviços, processos ou projetos. A efetividade está vinculada ao grau de satisfação
ou ainda ao valor agregado, a transformação produzida no contexto em geral”.
Em síntese, efetividade é a relação entre os resultados (impactos observados) e os objetivos (impactos espera-
dos). O valor efetivo das ações governamentais deve ser medido com base nos resultados qualitativos, ou seja, nos
impactos socioeconômicos produzidos.
- Economicidade:
É a avaliação das condições em que são adquiridos os recursos organizacionais, suas necessidades e comparan-
do-se com o que foi adquirido ou vai se adquirir, os padrões de qualidade aceitáveis, o grau de utilização dos bens
ou serviços a adquirir e os prazos e condições da obtenção dos recursos.
O Art. 70 da Constituição Federal emprega o princípio quando discorre sobre a fiscalização contábil, financeira,
orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta.
- Otimização:
Para SILVA, “é uma técnica para calcular a melhor distribuição de recursos para um determinado objetivo,
levando-se em conta determinadas restrições”. Este processo de se transformar os dados de um problema e organi-
zá-los segundo as necessidades organizacionais chama-se “modelagem”, utilizado pela Pesquisa Operacional (PO).
É um conceito sobre a busca da melhor utilização (técnica, econômica, social, política) de recursos e processos,
através da aplicação de métodos científicos, visando a maior satisfação do consumidor, definidos num contexto.
A publicação Licitações & Contratos, do TCU, aplica o princípio ao tratar da redução de custos operacionais e
otimização dos processos de contratação de bens e serviços pela Administração possibilitados pelo Subsistema de
Registro de Preços (SISRP).
Também é aplicado na publicação “A política de governo eletrônico no Brasil”, da Secretaria de Logística e
Tecnologia da Informação (SLTI), do MPOG, quando se refere ao poder de compra do Governo Federal para a
obtenção de custos menores e a otimização do uso de redes de comunicação.

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Pode-se verificar, ainda, na parte 3 – Modais de Transporte, do Tomo 3 – Base de Dados Geográfica, do Volu-
me I – Base de Dados, do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), do relatório elaborado pelo Exército
Brasileiro e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a aplicação desse princípio,
referindo-se à utilização das informações georreferenciadas sobre pontos de transbordo para a otimização de rotas
e transporte de mercadorias e no desenvolvimento de projetos de infraestrutura e direcionamento de investimentos.
- Produtividade:
Em seu conceito clássico é o resultado da divisão da produção física obtida numa unidade de tempo por um dos
fatores empregados na produção. É comumente relacionada à eficiência. A produtividade é entendida em “como
fazer o quê tem de ser feito”.
A Constituição Federal faz referência ao princípio quando trata, no § 7º do Art. 39, da aplicação de recursos
orçamentários em programas de qualidade e produtividade e no § 4 do Art. 218, quando discorre sobre investimen-
to das empresas em formação e aperfeiçoamento de recursos humanos, assegurando-lhes remuneração, distinta do
salário, conforme a produtividade de seu trabalho.
O Art. 30 da Lei 4.320/64 aplica o princípio, discorrendo sobre a estimativa da receita com base em variáveis
conjunturais que possam afetar a produtividade de cada fonte de receita.
A Lei 8.666, no Art. 48, emprega o princípio em relação às propostas no processo de compras e contratações,
exigindo que as empresas comprovem, se os seus coeficientes de produtividade são compatíveis com a execução
do objeto do contrato.
PRINCÍPIOS DO PROCESSO DE LICITAÇÕES E CONTRATOS
A publicação “Licitações e Contratos” do TCU apresenta os princípios do processo de Licitação & Contratos
para a administração pública:
- Princípio da Legalidade: Esse princípio vincula os licitantes e a Administração Pública às regras estabele-
cidas nas normas e princípios em vigor, fazendo referência ao Art. 3o da Lei 8.666 e ao Art. 37 da Constituição.
- Princípio da Isonomia: Significa dar tratamento igual a todos os interessados. É condição essencial para ga-
rantir competição em todos os procedimentos licitatórios.
- Princípio da Impessoalidade: Obriga a observância, nas suas decisões, de critérios objetivos previamente
estabelecidos, afastando a discricionariedade e o subjetivismo na condução dos procedimentos da licitação. Pode-
-se observar a obrigatoriedade da observância desse princípio no Art. 37 da Constituição e no Art. 3º da Lei 8.666
tratados anteriormente.
- Princípio da Moralidade e da Probidade Administrativa: A conduta dos licitantes e dos agentes públicos tem
de ser, além de lícita, compatível com a moral, a ética, os bons costumes e as regras da boa administração.
- Princípio da Publicidade: Qualquer interessado deve ter acesso às licitações públicas e seu controle, mediante
divulgação dos atos praticados pelos administradores em todas as fases da licitação. Vale lembrar que é, também,
um princípio constitucional.
- Princípio da Vinculação ao Instrumento Convocatório: Obriga a Administração e o licitante a observarem
as normas e condições estabelecidas no ato convocatório.
- Princípio do Julgamento Objetivo: Significa que o administrador deve observar critérios objetivos definidos
no ato convocatório para o julgamento das propostas.
- Princípio da Celeridade: Consagrado pela Lei nº 10.520, como um dos norteadores de licitações na modali-
dade pregão, busca simplificar procedimentos de rigor e de formalidade desnecessários. As decisões, sempre que
possível, devem ser tomadas no momento da sessão.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA CONTABILIDADE PÚBLICA
A PARTE II, Procedimentos Contábeis Patrimoniais, do Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público,
expressa que a Contabilidade Pública, sendo um ramo da ciência contábil, deve observar os Princípios Fundamen-
tais de Contabilidade, que representam a essência das doutrinas e teorias consoantes o entendimento predominante
nos universos científico e profissional do País.
- Princípio da entidade: Se afirma pela autonomia e responsabilização do patrimônio a ele pertencente. A au-
tonomia patrimonial tem origem na destinação social do patrimônio e a responsabilização pela obrigatoriedade da
prestação de contas pelos agentes públicos.
- Princípio da continuidade: Está vinculado ao estrito cumprimento da destinação social do seu patrimônio, ou
seja, a continuidade da entidade se dá enquanto perdurar sua finalidade.
- Princípio da oportunidade: É a base indispensável à integridade e à fidedignidade dos registros contábeis dos
atos e dos fatos que afetam ou possam afetar o patrimônio da entidade pública, observadas as Normas Brasileiras
de Contabilidade aplicadas ao Setor Público.
- Princípio do registro pelo valor original: Nos registros dos atos e fatos contábeis será considerado o valor
original dos componentes patrimoniais que, ao longo do tempo, não se confunde com o custo histórico.

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- Princípio da atualização monetária: Torna a atualização monetária compulsória quando a inflação acumula-
da no triênio, medida com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM/FGV), atingir 100% ou mais.
- Princípio da competência: É aquele que reconhece as transações e os eventos na ocorrência dos respectivos
fatos geradores, independentemente do seu pagamento ou recebimento.
- Princípio da prudência: Determina a adoção do menor valor para os componentes do ATIVO e do maior
para os do PASSIVO, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações
patrimoniais que alterem o patrimônio líquido.
Sistemas da Administração Pública Federal
A Administração Pública Federal (APF) tem vários sistemas de suporte para o andamento e funcionamento das
atividades fins dos órgãos e entidades, para a consecução de uma mesma finalidade.
Sistemas do Poder Público
Sistemas de suporte às atividades fins do Poder Executivo Federal:
 Sistema de Controle Interno – SCI;
 Sistema de Planejamento e Orçamento – SPO;
 Sistema de Administração dos Recursos de Informação e Informática do setor Público – SISP;
 Sistema de Serviços Gerais – SISG;
 Sistema de Pessoal Civil – SIPEC;
 Sistema de Organização e Modernização Administrativa – SOMAD;
 Sistema de Contabilidade Federal – SICON.
Sistemas de Escrituração na área pública:
Sistema Orçamentário: O sistema de contas orçamentário registra a receita prevista e as autorizações legais da
despesa constantes da Lei Orçamentária Anual e dos créditos adicionais, demonstrando a despesa fixada e a reali-
zada no exercício, comparando, ainda, a receita prevista com a arrecadada;
Sistema Financeiro: Nesse sistema são registrados a arrecadação da receita e o pagamento da despesa orçamen-
tária e extra-orçamentária. Tudo o que movimenta o disponível (entrada e saída de numerário) deve ser registrado
no sistema financeiro;
Sistema Patrimonial: No Sistema Patrimonial são registrados os bens patrimoniais do Estado, os créditos e os
débitos suscetíveis de serem permanentes ou que sejam resultado do movimento financeiro, as variações patrimo-
niais provocadas pela execução do orçamento ou que tenham outras origens e o resultado econômico do exercício;
Sistema de Compensação: Neste sistema são efetuados os registros dos valores que direta ou indiretamente
possam vir a ser compensados. Serão
registrados, entre outros, as responsabilidades contratuais do Estado e os bens e valores em poder de terceiros.
E abaixo, alguns softwares de sistemas utilizados com suas respectivas funções:
SIAFI - É o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal; Órgão Gestor: Secretaria do
Tesouro Nacional - STN / Ministério da Fazenda - MF; Função: registro, acompanhamento e controle da execução
orçamentária, financeira e patrimonial do Governo Federal.
Página: https://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/siafi
SIORG - Sistema de Informações Organizacionais; Órgão Gestor: Secretaria e Gestão - SEGES / MPOG. Fun-
ção: Armazenar as informações sobre a Estrutura Organizacional dos órgãos do poder Executivo - administração
direta, autarquias e fundações. Ou seja, é um grande banco de dados das informações da organização do executivo.
Página: http://www.siorg.redegoverno.gov.br/
SIAPE - Sistema de Administração de Pessoas - é o sistema informatizado de Gestão de Recursos Humanos
do Poder Executivo Federal, que controla as informações cadastrais e processa os pagamentos dos servidores da
Administração Pública Federal - APF - (ativos, pensionistas e aposentados).
Responsável: Secretaria de Gestão Pública - SEGEP / MPOG.
Página: http://www.siapenet.gov.br
SIAPA - Sistema Integrado de Administração Patrimonial. O Siapa é uma ferramenta específica de apoio à
administração dos imóveis dominiais da União com o objetivo de manter atualizado e operacional o cadastro dos
imóveis e seus respectivos responsáveis, ocupantes ou foreiros.

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Assim, o sistema permite o gerenciamento da arrecadação de receitas patrimoniais devidas pelo uso dos imóveis
da União e padronizar os procedimentos operacionais das Gerências Regionais do Patrimônio da União.
Responsável: MPOG
SIASG - Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais - é o sistema informatizado de apoio às ati-
vidades operacionais do Sistema de Serviços Gerais. Sua finalidade é integrar os órgãos da Administração Pública
Federal direta, autárquica e fundacional. O Siasg é o sistema onde são realizadas as operações das compras go-
vernamentais dos órgãos integrantes do Sisg (Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional). O
Sistema inclui a divulgação e a realização das licitações, a emissão de notas de empenho, o registro dos contratos
administrativos, a catalogação de materiais e serviços e o cadastro de fornecedores.
SIDOR - Sistema Integrado de Dados Orçamentários
O Sidor é um sistema que tem como objetivo aprimorar o processo orçamentário federal. Seu principal produto
é o Projeto de Lei Orçamentária enviado, anualmente, ao Congresso Nacional para aprovação e consequente gera-
ção da Lei Orçamentária Anual. Atualmente, o Sidor está sofrendo um processo de desativação, sendo substituído,
aos poucos, pelo Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo Federal (SIOP).
Página do SIOP: https://www.siop.planejamento.gov.br/siop/
SIGPLAN - Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento do Plano Plurianual. Essa é a mais simples:
é o sistema responsável pelo Plano Plurianual (PPA) do Orçamento Federal.
Página: http://www.sigplan.gov.br
SIEST - Sistema de Informações das Empresas Estatais
O Sistema oferece suporte ao Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest), do Mi-
nistério do Planejamento, Orçamento e Gestão, na captação de propostas de investimentos das empresas estatais
para o exercício financeiro subsequente. É constituído de cinco módulos: Programa de Dispêndios Globais (PDG),
Orçamento de Investimento, Cadastro Geral das Empresas Estatais, Balanços Patrimoniais e Endividamento.

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2 Processo administrativo.
2.1 Funções da administração:
planejamento, organização, direção e
controle. 2.2 Estrutura organizacional.
2.3 Cultura organizacional

www.maxieduca.com.br

Silvana Guimarães
Especialista em Direito Empresarial e Gestão de Projetos;
Graduada em Direito;
Empresária; Consultora Empresarial;
Coordenadora de Projetos;
Palestrante.

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O processo administrativo apresenta-se como uma sucessão de atos, juridicamente ordenados, destinados
todos à obtenção de um resultado final. O procedimento é, pois, composto de um conjunto de atos, interligados e
progressivamente ordenados em vista da produção desse resultado.
O devido processo legal simboliza a obediência às normas processuais estipuladas em lei; é uma garantia cons-
titucional concedida a todos os administrados, assegurando um julgamento justo e igualitário, assegurando a expe-
dição de atos administrativos devidamente motivados bem como a aplicação de sanções em que se tenha oferecido a
dialeticidade necessária para caracterização da justiça. Decisões proferidas pelos tribunais já tem demonstrado essa
posição no sistema brasileiro, qual seja, de defesa das garantias constitucionais processuais no sentido de conceder
ao cidadão a efetividade de seus direitos.
Seria insuficiente se a Constituição garantisse aos cidadãos inúmeros direitos se não garantisse a eficácia destes.
Nesse desiderato, o princípio do devido processo legal ou, também, princípio do processo justo, garante a regula-
ridade do processo, a forma pela qual o processo deverá tramitar, a forma pela qual deverão ser praticados os atos
processuais e administrativos.
Cabe ressaltar que o princípio do devido processo legal resguarda as partes de atos arbitrários das autoridades
jurisdicionais e executivas.
O processo é composto de fases e atos processuais, que devem ser rigorosamente seguidos, viabilizando as par-
tes a efetividade do processo, não somente em seu aspecto jurídico-procedimental, mas também em seu escopo so-
cial, ético e econômico. Razão pela qual, pode-se afirmar que o princípio do devido processo legal reúne em si todos
os demais princípios processuais, de modo a assegurar o cumprimento dos princípios constitucionais processuais,
somente aí, ter-se-á a efetivação de um Estado Democrático de Direito, no qual o povo não se sujeita a imposição
de decisões, mas participa ativamente destas.
Toda atuação do Estado há de ser exercida em prol do público, mediante processo justo, e mediante a segurança
dos trâmites legais do processo.
Autotutela administrativa: Vigora no Brasil o sistema de jurisdição única, insculpido no art. 5º, XXXV, da
CF, pelo qual detém o Poder Judiciário competência para decidir com força de definitividade quaisquer litígios
trazidos à sua apreciação, inclusive os de caráter administrativo.
Em complemento a esse sistema existe o poder-dever de a própria Administração exercer o controle de seus
atos, no que se denomina autotutela administrativa ou princípio da autotutela. No exercício deste poder-dever, a
Administração, atuando por provocação do particular ou de ofício, reaprecia os atos produzidos em seu âmbito,
análise que pode incidir sobre a legalidade do ato ou quanto ao seu mérito.
Na primeira hipótese – análise do ato quanto à sua legalidade - a decisão administrativa pode ser no sentido de sua
conformidade com a ordem jurídica, caso em que o ato terá confirmada sua validade; ou pela sua desconformidade,
caso em que o ato será anulado.
Na segunda hipótese – análise do ato quanto ao seu mérito -,poderá a Administração decidir que o ato permanece
conveniente e oportuno com relação ao interesse público, caso em que permanecerá eficaz; ou que o ato não se
mostra mais conveniente e oportuno, caso em que será revogado pela Administração.
Percebe-se que a autotutela administrativa é mais ampla que a jurisdicional em dois aspectos. Em primeiro lugar,
pela possibilidade da Administração reapreciar seus atos de ofício, sem necessidade de provocação do particular,
ao contrário do Judiciário, cuja atuação pressupõe necessariamente tal manifestação (princípio da inércia); por
segundo, em função dos aspectos do ato que podem ser revistos, já que a Administração poderá reanalisá-los quanto
à sua legalidade e ao seu mérito, ao passo que o Judiciário só pode apreciar, em linhas gerais, a legalidade do ato
administrativo.
O princípio da autotutela sempre foi observado no seio da Administração Pública, vejamos o teor da Súmula nº
473 do STF:
A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles
não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvada, em qualquer caso, a apreciação judicial.
A Lei 9.784/99 regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta (autar-
quias, fundações, etc.). Destina-se, assim, prioritariamente, ao Poder Executivo, onde se concentra boa parte da cha-
mada função administrativa. Não obstante, seus preceitos também se aplicam aos órgãos dos Poderes Legislativo e
Judiciário da União, quando no desempenho de função administrativa.
Trata-se de lei genérica, vocacionada a conviver com leis que disciplinam procedimentos específicos, tais como
a Lei de Licitações (Lei 8.666/93), a Lei de Processo Disciplinar (Lei 8.112/90 – Regime Jurídico dos Servidores
Públicos Civis da União), Lei de Desapropriação (Decreto-lei 3.365/41). Ou seja, é lei processual genérica, aplicá-
vel sempre que inexistir processo específico.
É imprescindível a leitura da Lei 9.784/99, para os candidatos a concursos que exigem o conhecimento do
processo administrativo.

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LEI Nº 9.784 , DE 29 DE JANEIRO DE 1999.
Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal
direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins
da Administração.
§ 1o  Os preceitos desta Lei também se aplicam aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União,
quandoo no desempenho de função administrativa.
§ 2  Para os fins desta Lei, consideram-se:
I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da Administração
indireta;
II - entidade - a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica;
III - autoridade - o servidor ou agente público dotado de poder de decisão.
        o
 Art. 2  A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação,
razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e
eficiência.
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:
I - atuação conforme a lei e o Direito;
II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo
autorização em lei;
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades;
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição;
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior
àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão;
VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados;
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos
direitos dos administrados;
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à
interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei;
XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados;
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que
se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS DOS ADMINISTRADOS
Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam
assegurados:
I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e
o cumprimento de suas obrigações;
II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista
dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas;
III - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo
órgão competente;
IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de
lei.

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CAPÍTULO III
DOS DEVERES DO ADMINISTRADO
Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo:
I - expor os fatos conforme a verdade;
II - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;
III - não agir de modo temerário;
IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos.
CAPÍTULO IV
DO INÍCIO DO PROCESSO
Art. 5o O processo administrativo pode iniciar-se de ofício ou a pedido de interessado.
Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser
formulado por escrito e conter os seguintes dados:
I - órgão ou autoridade administrativa a que se dirige;
II - identificação do interessado ou de quem o represente;
III - domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações;
IV - formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos;
V - data e assinatura do requerente ou de seu representante.
Parágrafo único. É vedada à Administração a recusa imotivada de recebimento de documentos, devendo o
servidor orientar o interessado quanto ao suprimento de eventuais falhas.
Art. 7o Os órgãos e entidades administrativas deverão elaborar modelos ou formulários padronizados para
assuntos que importem pretensões equivalentes.
Art. 8o Quando os pedidos de uma pluralidade de interessados tiverem conteúdo e fundamentos idênticos,
poderão ser formulados em um único requerimento, salvo preceito legal em contrário.
CAPÍTULO V
DOS INTERESSADOS
Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo:
I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício
do direito de representação;
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão
a ser     adotada;
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos;
IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos.
Art. 10. São capazes, para fins de processo administrativo, os maiores de dezoito anos, ressalvada previsão
especial em ato normativo próprio.
CAPÍTULO VI
DA COMPETÊNCIA
Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como
própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos.
Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da sua
competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando
for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.
Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência dos órgãos colegiados
aos respectivos presidentes.

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Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:
I - a edição de atos de caráter normativo;
II - a decisão de recursos administrativos;
III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.
Art.o 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio oficial.
§ 1  O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os limites da atuação do delegado,
a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva de exercício da atribuição
delegada.
§ 2oo O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante.
§ 3  As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão
editadas pelo delegado.
Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente justificados, a avocação
temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior.
Art. 16. Os órgãos e entidades administrativas divulgarão publicamente os locais das respectivas sedes e,
quando conveniente, a unidade fundacional competente em matéria de interesse especial.
Art. 17. Inexistindo competência legal específica, o processo administrativo deverá ser iniciado perante a
autoridade de menor grau hierárquico para decidir.
CAPÍTULO VII
DOS IMPEDIMENTOS E DA SUSPEIÇÃO
Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que:
I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;
II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações
ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau;
III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro.
Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato à autoridade competente,
abstendo-se de atuar.
Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impedimento constitui falta grave, para efeitos
disciplinares.
Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima ou inimizade notória
com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau.
Art. 21. O indeferimento de alegação de suspeição poderá ser objeto de recurso, sem efeito suspensivo.
CAPÍTULO VIII
DA FORMA, TEMPO E LUGAR DOS ATOS DO PROCESSO
Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei
expressamente a exigir.
§ 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização
e a assinatura da autoridade responsável.
§ 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de
autenticidade.
§ 3oo A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão administrativo.
§ 4  O processo deverá ter suas páginas numeradas sequencialmente e rubricadas.
Art. 23. Os atos do processo devem realizar-se em dias úteis, no horário normal de funcionamento da repartição
na qual tramitar o processo.
Parágrafo único. Serão concluídos depois do horário normal os atos já iniciados, cujo adiamento prejudique
o curso regular do procedimento ou cause dano ao interessado ou à Administração.

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Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos
administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior.
Parágrafo único. O prazo previsto neste artigo pode ser dilatado até o dobro, mediante comprovada justificação.
Art. 25. Os atos do processo devem realizar-se preferencialmente na sede do órgão, cientificando-se o
interessado se outro for o local de realização.
CAPÍTULO IX
DA COMUNICAÇÃO DOS ATOS
Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do
interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências.
§ 1o A intimação deverá conter:
I - identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa;
II - finalidade da intimação;
III - data, hora e local em que deve comparecer;
IV - se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar;
V - informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento;
VI -o indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes.
§ 2 o A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento.
§ 3  A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por
telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado.
§ 4o No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser
efetuadao por meio de publicação oficial.
§ 5  As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do
administrado supre sua falta ou irregularidade.
Art. 27. O desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia
a direito pelo administrado.
Parágrafo único. No prosseguimento do processo, será garantido direito de ampla defesa ao interessado.
Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição
de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu
interesse.
CAPÍTULO X
DA INSTRUÇÃO
Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de
decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito
dos interessados de propor atuações probatórias.
§ 1oo O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo.
§ 2  Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizar-se do modo menos oneroso para
estes.
Art. 30. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos.
Art. 31. Quando a matéria do processo envolver assunto de interesse geral, o órgão competente poderá,
mediante despacho motivado, abrir período de consulta pública para manifestação de terceiros, antes da decisão
do pedido, se não houver prejuízo para a parte interessada.
§ 1o A abertura da consulta pública será objeto de divulgação pelos meios oficiais, a fim de que pessoas físicas
ou jurídicas possam examinar os autos, fixando-se prazo para oferecimento de alegações escritas.
§ 2o O comparecimento à consulta pública não confere, por si, a condição de interessado do processo, mas
confere o direito de obter da Administração resposta fundamentada, que poderá ser comum a todas as alegações
substancialmente iguais.
Art. 32. Antes da tomada de decisão, a juízo da autoridade, diante da relevância da questão, poderá ser
realizada audiência pública para debates sobre a matéria do processo.

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Art. 33. Os órgãos e entidades administrativas, em matéria relevante, poderão estabelecer outros meios de
participação de administrados, diretamente ou por meio de organizações e associações legalmente reconhecidas.
Art. 34. Os resultados da consulta e audiência pública e de outros meios de participação de administrados
deverão ser apresentados com a indicação do procedimento adotado.
Art. 35. Quando necessária à instrução do processo, a audiência de outros órgãos ou entidades administrativas
poderá ser realizada em reunião conjunta, com a participação de titulares ou representantes dos órgãos competentes,
lavrando-se a respectiva ata, a ser juntada aos autos.
Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão
competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.
Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na
própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a
instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.
Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres,
requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo.
§ 1o o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão.
§ 2  Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados
quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.
Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou
terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionando-se data, prazo, forma e condições de atendimento.
Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria,
suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão.
Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação
de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação
implicará arquivamento do processo.
Art. 41. Os interessados serão intimados de prova ou diligência ordenada, com antecedência mínima de três
dias úteis, mencionando-se data, hora e local de realização.
Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão consultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo
máximoo de quinze dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de maior prazo.
§ 1  Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo não terá seguimento
até a respectiva apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao atraso.
§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o processo poderá
ter prosseguimento e ser decidido com sua dispensa, sem prejuízo da responsabilidade de quem se omitiu no
atendimento.
Art. 43. Quando por disposição de ato normativo devam ser previamente obtidos laudos técnicos de órgãos
administrativos e estes não cumprirem o encargo no prazo assinalado, o órgão responsável pela instrução deverá
solicitar laudo técnico de outro órgão dotado de qualificação e capacidade técnica equivalentes.
Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestar-se no prazo máximo de dez dias,
salvo se outro prazo for legalmente fixado.
Art. 45. Em caso de risco iminente, a Administração Pública poderá motivadamente adotar providências
acauteladoras sem a prévia manifestação do interessado.
Art. 46. Os interessados têm direito à vista do processo e a obter certidões ou cópias reprográficas dos dados
e documentos que o integram, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito
à privacidade, à honra e à imagem.
Art. 47. O órgão de instrução que não for competente para emitir a decisão final elaborará relatório indicando
o pedido inicial, o conteúdo das fases do procedimento e formulará proposta de decisão, objetivamente justificada,
encaminhando o processo à autoridade competente.

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CAPÍTULO XI
DO DEVER DE DECIDIR
Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre
solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência.
Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para
decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada.
CAPÍTULO XII
DA MOTIVAÇÃO
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos,
quando:
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
V - decidam recursos administrativos;
VI - decorram de reexame de ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas
e relatórios oficiais;
VIIIo - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.
§ 1  A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com
fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante
do ato. o
§ 2  Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os
fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados.
§ 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata
ou de termo escrito.
CAPÍTULO XIII
DA DESISTÊNCIA E OUTROS CASOS DE EXTINÇÃO DO PROCESSO
Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou parcialmente do pedido
formulado ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis.
§ 1oo Havendo vários interessados, a desistência ou renúncia atinge somente quem a tenha formulado.
§ 2  A desistência ou renúncia do interessado, conforme o caso, não prejudica o prosseguimento do processo,
se a Administração considerar que o interesse público assim o exige.
Art. 52. O órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua finalidade ou o objeto da
decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente.
CAPÍTULO XIV
DA ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-
los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para
os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro
pagamento.
§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe
impugnação à     validade do ato.
Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros,
os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração.

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CAPÍTULO XV
DO RECURSO ADMINISTRATIVO E DA REVISÃO
  
Art.o 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito.
§ 1  O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco
dias, o oencaminhará à autoridade superior.
§ 2 o Salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de caução.
§ 3   Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à
autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à
autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. 
Art. 57. O recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas, salvo disposição
legal diversa.
Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo:
I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo;
II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida;
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos;
IV - os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos.
Art. 59. Salvo disposição legal específica, é de dez dias o prazo para interposição de recurso administrativo,
contadoo a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida.
§ 1  Quando a lei não fixar prazo diferente, o recurso administrativo deverá ser decidido no prazo máximo de
trinta dias, a partir do recebimento dos autos pelo órgão competente.
§ 2o O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado por igual período, ante justificativa
explícita.
Art. 60. O recurso interpõe-se por meio de requerimento no qual o recorrente deverá expor os fundamentos do
pedido de reexame, podendo juntar os documentos que julgar convenientes.
Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo.
Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a
autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso.
Art. 62. Interposto o recurso, o órgão competente para dele conhecer deverá intimar os demais interessados
para que, no prazo de cinco dias úteis, apresentem alegações.
Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto:
I - fora do prazo;
II - perante órgão incompetente;
III - por quem não seja legitimado;
IV -o após exaurida a esfera administrativa.
§ 1  Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendo-lhe devolvido o prazo
para recurso.
§ 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não
ocorrida preclusão administrativa.
Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou
parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência.
Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente,
este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão.
Art. 64-A.  Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para
decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. 
Art. 64-B.  Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da
súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso,
que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização
pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. 

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Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido
ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da
sanção aplicada.
Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção.
CAPÍTULO XVI
DOS PRAZOS
Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindo-se da contagem o dia
do começo e incluindo-se o do vencimento.
§ 1o Considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não
houver oexpediente ou este for encerrado antes da hora normal.
§ 2o Os prazos expressos em dias contam-se de modo contínuo.
§ 3  Os prazos fixados em meses ou anos contam-se de data a data. Se no mês do vencimento não houver o dia
equivalente àquele do início do prazo, tem-se como termo o último dia do mês.
Art. 67. Salvo motivo de força maior devidamente comprovado, os prazos processuais não se suspendem.
CAPÍTULO XVII
DAS SANÇÕES
Art. 68. As sanções, a serem aplicadas por autoridade competente, terão natureza pecuniária ou consistirão em
obrigação de fazer ou de não fazer, assegurado sempre o direito de defesa.
CAPÍTULO XVIII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes
apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.
Art. 69-A.  Terão prioridade na tramitação, em qualquer órgão ou instância, os procedimentos administrativos
em que figure como parte ou interessado: 
I - pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos; 
II - pessoa portadora de deficiência, física ou mental; 
III – (VETADO) 
IV - pessoa portadora de tuberculose ativa, esclerose múltipla, neoplasia maligna, hanseníase, paralisia
irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia
grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação,
síndrome de imunodeficiência adquirida, ou outra doença grave, com base em conclusão da medicina especializada,
mesmo oque a doença tenha sido contraída após o início do processo. 
§ 1   A pessoa interessada na obtenção do benefício, juntando prova de sua condição, deverá requerê-lo à
autoridade administrativa competente, que determinará as providências a serem cumpridas.
§ 2o  Deferida a prioridade, os autos receberão identificação própria que evidencie o regime de tramitação
prioritária. 
§ 3oo  (VETADO) 
§ 4   (VETADO) 
Art. 70. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília 29 de janeiro de 1999; 178o da Independência e 111o da República.
2.1 FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO: PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO,
DIREÇÃO E CONTROLE.
Administração é o ato de administrar ou gerenciar negócios, pessoas ou recursos, com o objetivo de alcançar
metas definidas.
A gestão de uma empresa ou organização se faz de forma que as atividades sejam administradas com plane-
jamento, organização, direção, e controle. Segundo alguns autores (Montana e Charnov) o ato de administrar é
trabalhar com e por intermédio de outras pessoas na busca de realizar objetivos da organização bem como de seus
membros.

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A administração tem uma série de características entre elas: um circuito de atividades interligadas tais como
busca de obtenção de resultados, proporcionar a utilização dos recursos físicos e materiais disponíveis, envolver
atividades de planejamento, organização, direção e controle.
Administrar, independente do nível organizacional, requer algumas habilidades, que podem ser classificadas
em três grupos:
 Habilidades Técnicas – requer conhecimento especializado e procedimentos específicos e pode ser obtida
através de instrução.
 Habilidades Humanas – capacidade de relacionamento interpessoal, envolvem também aptidão, pois in-
terage com as pessoas e suas atitudes, exige compreensão para liderar eficazmente.
 Habilidades Conceituais – trata-se de uma visão panorâmica das organizações, o gestor precisa conhecer
cada setor, como ele trabalha e para que ele existe.
O conceito de administração representa uma governabilidade, gestão de uma empresa ou organização de forma
que as atividades sejam administradas com planejamento, organização, direção, e controle.
PLANEJAR
É a função administrativa em que se estima os meios que possibilitarão realizar os objetivos (prever), a fim
de poder tomar decisões acertadas, com antecipação, de modo que sejam evitados entraves ou interrupções nos
processos organizacionais.
É também uma forma de se evitar a improvisação.
Nesta função, o gerente especifica e seleciona os objetivos a serem alcançados e como fazer para alcançá-los.
Exemplos: o chefe de seção dimensiona os recursos necessários (materiais, humanos, etc.), em face dos objetivos
e metas a serem atingidos; a montagem de um plano de ação para recuperação de uma área avariada.
Planejamento: funciona como a primeira função administradora, pois serve de base para as demais.
• É uma reflexão que antecede a ação;
• É um processo permanente e contínuo;
• É sempre voltado para o futuro;
• É uma relação entre as coisas a serem feitas e o tempo disponível para tanto;
• É mais uma questão de comportamento e atitude da administração do que propriamente um elenco de planos
e programas de ação;
• É a busca da racionalidade nas tomada de decisões;
• É um curso de ação escolhido entre várias alternativas de caminhos potenciais;
• É interativo, pois pressupõem avanços e recuos, alterações e modificações em função de eventos novos ocor-
ridos no ambiente externo e interno da empresa.
• O planejamento é um processo essencialmente participativo, e todos os funcionários que são objetos do pro-
cesso devem participar.
• Para realizar o planejamento, a empresa deve saber onde está agora (presente) e onde pretende chegar (futuro).
Para isso, deve dividir o planejamento em sete fases sequenciais, como veremos abaixo.
Etapas do planejamento

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1.Definir: visão e missão do negócio
Visão
É a direção em que a empresa pretende seguir, ou ainda, um quadro do que a empresa deseja ser. Deve refletir
as aspirações da empresa e suas crenças.
Fórmula base para definição da visão:
Verbo em perspectiva futura + objetivos desafiadores + até quando.
Missão
A declaração de missão da empresa deve refletir a razão de ser da empresa, qual o seu propósito e o que a em-
presa faz.
Fórmula base para definição da Missão:
Fazer o quê + Para quem (qual o público?) + De que forma.
2. Analisar o ambiente externo
Uma vez declarada a visão e missão da empresa, seus dirigentes devem conhecer as partes do ambiente que pre-
cisam monitorar para atingir suas metas. É preciso analisar as forças macroambientais (demográficas, econômicas,
tecnológicas, políticas, legais, sociais e culturais) e os atores microambientais (consumidores, concorrentes, canais
de distribuição, fornecedores) que afetam sua habilidade de obter lucro.
Oportunidades
Um importante propósito da análise ambiental é identificar novas oportunidades de marketing e mercado.
Ameaças
Ameaça ambiental é um desafio decorrente de uma tendência desfavorável que levaria a deterioração das ven-
das ou lucro.
3. Analisar o ambiente interno
Você saberia dizer quais são as qualidades e o que pode ou deve ser melhorado na sua empresa? Esses são os
pontos fortes/forças e fracos/fraquezas do seu negócio.
4. Analisar a situação atual
Depois de identificados os pontos fortes e pontos fracos e analisadas as oportunidades e ameaças, pode-se obter
a matriz FOFA (força ou fortalezas, oportunidades, fraquezas e ameaças) ou SWOT (strengths, weaknesses, oppor-
tunities e threats). Inclua os pontos fortes e fracos de sua empresa, juntamente com as oportunidades e ameaças do
setor, em cada uma das quatro caixas:

A análise FOFA fornece uma orientação estratégica útil.

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5. Definir objetivos e Metas
São elementos que identificam de forma clara e precisa o que a empresa deseja e pretende alcançar. A partir dos
objetivos e de todos os dados levantados acima, são definidas as metas.
As Metas existem para monitorar o progresso da empresa. Para cada meta existe normalmente um plano ope-
racional, que é o conjunto de ações necessárias para atingi-la; Toda meta, ao ser definida, deve conter a unidade de
medida e onde se pretende chegar.
6. Formular e Implementar a estratégia
Até aqui, você definiu a missão e visão do seu negócio e definiu metas e objetivos visando atender sua missão
em direção à visão declarada. Agora, é necessário definir-se um plano para se atingir as metas estabelecidas, ou seja,
a empresa precisa de uma formulação de estratégias para serem implantadas.
Após o desenvolvimento das principais estratégias da empresa, deve-se adotar programas de apoio detalhados
com responsáveis, áreas envolvidas, recursos e prazos definidos.
7. Gerar Feedback e Controlar
À medida que implementa sua estratégia, a empresa precisa rastrear os resultados e monitorar os novos desen-
volvimentos nos ambientes interno e externo. Alguns ambientes mantêm-se estáveis de um ano para outro. O ideal
é estar sempre atento à realização das metas e estratégias, para que sua empresa possa melhorar a cada dia.
Princípios aplicados ao planejamento
I- Princípio da definição dos objetivos (devem ser traçados com clareza, precisão)
II- Princípio da flexibilidade do planejamento (poderá e deverá ser alterado sempre que necessário e possível).
Com esta primeira função montaremos o plano teórico, completando assim o ciclo de planejamento: Estabele-
cer objetivos, tomar decisões e elaborar planos.
ORGANIZAR
É a função administrativa que visa dispor adequadamente os diferentes elementos (materiais, humanos, proces-
sos, etc.) que compõem (ou vierem a compor) a organização, como objetivo de aumentar a sua eficiência, eficácia
e efetividade.
DIREÇÃO
Podemos dividir essa função em duas subfunções:
COMANDAR
É a função administrativa que consiste basicamente em:
Decidir a respeito de “que” (como, onde, quando, com que, com quem) fazer, tendo em vista determinados
objetivos a serem conseguidos.
Determinar as pessoas, as tarefas que tem que executar.
É fundamental para quem comanda desfrutar de certo poder:
• Poder de decisão.
• Poder de determinação de tarefas a outras pessoas.
• Poder de delegar – a possibilidade de conferir á outro parte do próprio poder.
• Poder de propor sanções àqueles que cumpriram ou não ás determinações feitas.
COORDENAR
É a função administrativa que visa ligar, unir, harmonizar todos os atos e todos os esforços coletivos através da
qual se estabelece um conjunto de medidas, que tem por objetivo harmonizar recursos e processos. Dois tipos de
Coordenação:
• Vertical/Hierárquico: É aquela que se faz com as pessoas sempre dentro de uma rigorosa observância das
linhas de comando (ou escalões hierárquicos estabelecidos).
• Horizontal: É aquela que se estabelece entre as outras pessoas sem observância dos níveis hierárquicos des-
sas mesmas pessoas. Essa coordenação possibilita a comunicação entre as pessoas de vários departamentos e de
diferentes níveis hierárquicos. Risco Básico: Desmoralização ou destruição das linhas de comando ou hierarquia.

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CONTROLAR
Esta função se aplica tanto a coisas quanto a pessoas.
Para que a função de controle possa efetivamente se processar e aumentar a eficiência do trabalho, é fundamen-
tal que o estabelecido ou determinado esteja perfeito, claramente explicado.
“O que perturba o bom entendimento não são regras do jogo muito exigentes, mas sim regras esclarecidas após
o jogo iniciado.”
É a função administrativa através da qual se verifica se o que foi estabelecido ou determinado foi cumprido (sem
entrar especificamente nos méritos e se deu ou não bons resultados).
Um sistema de controle deve ter:
• um objetivo, um padrão, uma linha de atuação, uma norma, uma regra “decisorial”, um critério, uma unidade
de medida;
• um meio de medir a atividade desenvolvida;
• um procedimento para comparar tal atividade com o critério fixado;
• algum mecanismo que corrija a atividade como critério fixado. O processo de controle é realizado em quatro
fases a saber:
a) Estabelecimento de padrões ou critérios;
b) Observação do desempenho;
c) Comparação do desempenho com o padrão estabelecido;
d) Ação para corrigir o desvio entre o desempenho atual e o desempenho esperado.
2.2 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL.
Para administrar nos mais variados níveis de organização é necessário ter habilidades, estas são divididas em
três grupos: as Habilidades Técnicas são habilidades que necessitam de conhecimento especializado e procedimen-
tos específicos e pode ser obtida através de instrução. As Habilidades Humanas envolvem também aptidão, pois
interage com as pessoas e suas atitudes, exige compreensão para liderar com eficiência. As Habilidades Conceituais
englobam um conhecimento geral das organizações, o gestor precisa conhecer cada setor, como ele trabalha e para
que ele existe.
De acordo com Chiavenato a estrutura garante a totalidade de um sistema e permite sua integridade, assim são
as organizações, diversos órgãos agrupados hierarquicamente, os sistemas de responsabilidade, sistemas de autori-
dade e os sistemas de comunicações são componentes estruturais.
Existem vários modelos de organização, Organização Empresarial, Organização Máquina, Organização Po-
lítica entre outras. As organizações possuem seus níveis de influência. O nível estratégico é representado pelos
gestores e o nível tático, representado pelos gerentes. Eles são importantes para manter tudo sob controle. O gerente
tem uma visão global, ele coordena, define, formula, estabelece uma autoridade de forma construtiva, competente,
enérgica e única. Fayol nomeia 16 diferentes atribuições dos gerentes. Os gerentes são responsáveis pelo elo entre
o nível operacional, onde os colaboradores desenvolvem os produtos e serviços da organização.
As Organizações formais possuem uma estrutura hierárquica com suas regras e seus padrões. Os Organogramas
com sua estrutura bem dimensionada podem facilitar a autonomia interna, agilizando o processo de desenvolvimen-
to de produtos e serviços. O mundo empresarial cada vez mais competitivo e os clientes a cada dia mais exigentes
levam as organizações a pensar na sua estrutura, para se adequar ao que o mercado procura. Com os órgãos bem
dispostos nessa representação gráfica, fica mais bem objetivada a hierarquia bem como o entrosamento entre os
cargos.
As organizações fazem uso do organograma que melhor representa a realidade da empresa, vale lembrar que o
modelo piramidal ficou obsoleto, hoje o que vale é a contribuição, são muitas pessoas empenhadas no desenvolvi-
mento da empresa, todos contribuem com ideias na tomada de decisão.
Com vistas às diversidades de informações, é preciso estar atento para sua relevância, nas organizações as in-
formações são importantes, mesmo em tomada de decisões. É necessário avaliar a qualidade da informação e saber
aplicar em momentos oportunos.
Para o desenvolvimento de sistemas de informação, há que se definir qual informação e como ela vai ser man-
tida no sistema, deve haver um estudo no organograma da empresa verificando assim quais os dados e quais os
campos vão ser necessários para essa implantação. Cada empresa tem suas características e suas necessidades, e o
sistema de informação se adéqua a organização e aos seus propósitos.
Para as organizações as pessoas são as mais importantes, por isso tantos estudos a fim de sanar interrogações
a respeito da complexidade do ser humano. Maslow diz que em primeiro na base da pirâmide vem às necessidades
fisiológicas, como: fome, sede sono, sexo, depois ele nomeia segurança como o segundo item mais importante,
estabilidade no trabalho, por exemplo, logo depois necessidades afetivo sociais, como pertencer a um grupo, ter
amigos, família; necessidades de status e estima, aqui podemos dar como exemplo a necessidade das pessoas em ter
reconhecimento, por seu trabalho por seu empenho, no topo Maslow colocou as necessidades de auto-realização,
em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser, explorando suas possibilidades.

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O raciocínio de Viktor Frankl “vontade de sentido” também é coerente, ele nos atenta para o fato de que nem
sempre a pirâmide de Maslow ocorre em todas as escalas de uma forma sequencial, de acordo com ele, o que nos
move é aquilo que faz com que nossa vida tenha sentido, nossas necessidades aparecem de forma aleatória, são nos-
sas motivações que nos levam a agir. Os colaboradores são estimulados, fazendo o que gostam, as pessoas alocam
mais tempo nas atividades em que estão motivados. Sendo assim um funcionário trabalhando em uma determinada
tarefa, pode sentir autorealização sem necessariamente ter passado por todas as escalas da pirâmide. Mas o que é
realização para um, não é realização para todas as pessoas. O ser humano é insaciável, quando realiza algo que
desejou intensamente, logo cobiçara outras coisas.
O comportamento das pessoas nas organizações afeta diretamente na imagem, no sucesso ou insucesso da mes-
ma, o comportamento dos colaboradores refletem seu desempenho. Há uma necessidade das pessoas de ter incenti-
vos para que o trabalho flua, a motivação é intrínseca, mas os estímulos são imprescindíveis para que a motivação
pelo trabalho continue gerando resultados para a empresa.
Os lideres são importantes no processo de sobrevivência no mercado, Lacombe descreveu que o líder tem
condição de exercer, função, tarefa ou responsabilidade quando é responsável pelo grupo. Um líder precisa ser
motivado, competente, conseguir conquistar e conhecer as pessoas, ter habilidades e intercalar objetivos pessoais e
organizacionais. O estilo do líder Democrático contribui na condução das organizações, ele delega não só tarefas,
mas poderes, isso é importante para estimular os mais diversos profissionais dentro da organização.
No processo de centralização a tomada de decisões é unilateral, deixando os colaboradores travados, sem poder
de opinião. Já no processo de descentralização existe maior estimulo por parte dos funcionários, podendo opinar
eles se sentem parte ativa da empresa.
Existem benefícios assegurados por leis e benefícios espontâneos. Um bom plano de benefícios motivam os
colaboradores. O funcionário hoje com todo seu conhecimento adquirido na empresa tem sido tratado como ativo
não mais como recurso. Dar estímulos como os benefícios contribuem para a permanência do funcionário na or-
ganização. São inúmeras vantagens tanto para o empregado quanto para o empregador. Reduzindo insatisfações e
aumentando a produção, gerando assim resultados satisfatórios.
A Estrutura Organizacional deve ser delineada de acordo com os objetivos e estratégias estabelecidos pela
empresa.
É uma ferramenta básica para alcançar as situações almejadas pela empresa.
Funções dos executivos:
O executivo tem a função de organizar toda a empresa para o seu perfeito funcionamento, além disso, três outras
funções básicas fazem parte da sua vida. São elas:
 Planejamento da empresa – objetivos esperados.
 Direção da empresa – orientação, coordenação, motivação, liderança das atividades.
 Controle da empresa – acompanhamento, controle, avaliação dos
 resultados.
 Organização – ordem nas coisas.
Benefícios de uma estrutura adequada.
 Identificação das tarefas necessárias;
 Organização das funções e responsabilidades;
 Informações, recursos, e feedback aos empregados;
 Medidas de desempenho compatíveis com os objetivos;
 Condições motivadoras.
Estrutura:
Toda empresa possui dois tipos de estrutura: Formal e informal.
A Estrutura Formal: É definida na empresa com todas as formalidades e padrões vigentes. Ela é feita por:
manuais de procedimentos ou organização, comunicados, instruções, forma gráfica (organograma), forma descritiva
(descrição dos cargos).

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A Estrutura informal: Organizações são conjuntos de pessoas e recursos que trabalham juntos para se alcançar
um objetivo comum. Elas não são estáticas, uma vez que são formadas por pessoas. Elas também possuem duas
realidades: a interna e a externa. Para sobreviver, as organizações precisam se readaptar continuamente. Trabalhar
em grupo pode ajudar a multiplicar ideias e para alcançarmos resultados, precisamos da autuação simultânea de
forças – sinergia – e para que ocorra o sucesso é preciso observar os seguintes pontos:
 O objetivo do trabalho em equipe;
 A associação, reunião de pessoas que partilhem os mesmos interesses;
 A autoimagem (motivações pessoais);
 A circunstância e o clima psicológico (ambiente propícios para realização do trabalho).
Para que este trabalho dê certo é preciso disseminar a ideia de que:
• Sozinhos somos incompetentes;
• Quando questionados, enriquecemo-nos;
• Quanto mais sabemos, mais amplo é nosso horizonte do não saber;
• Ás vezes é necessário retroagir para avaliar e corrigir rumos;
Em suma, a estrutura informal é a rede de relações sociais que não é estabelecida ou requerida pela estrutura
formal. Surge da interação social de pessoas, o que significa que se desenvolve espontaneamente quando as pessoas
se reúnem entre si. Portanto, apresenta relações que usualmente não aparecem no organograma.
TIPOS DE ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
ESTRUTURA FUNCIONAL

São estruturas divididas por departamentos pelos critérios funcionais no primeiro nível. Segundo Fayol as fun-
ções principais do primeiro nível são: produção, comercialização, finanças e administração.
As estruturas funcionais são agrupadas na mesma unidade, pessoas que realizam atividades dentro de uma
mesma área técnica ou de conhecimento, como por exemplo a área financeira, a área de produção, a área comer-
cial, a área de recursos humanos, entre outras. A necessidade de especialização por áreas técnicas e a existência
de pouca variedade de produtos constituem as principais razões para a criação deste tipo de estrutura. Trata-se do
desenho que agrupa pessoas com base em suas habilidades e conhecimento ou na utilização de recursos similares,
para aumentar a efetividade da organização no alcance de seu principal objetivo, fornecer aos clientes produtos de
qualidade a preços razoáveis. As diferentes funções surgem em resposta ao aumento de complexidade das tarefas e
à medida que as funções aumentam e se especializam, as habilidades melhoram e as competências surgem, dando
vantagem competitiva à organização.
A estrutura funcional é a primeira a se desenvolver porque fornece às pessoas a oportunidade de aprenderem
umas com as outras. Reunidas em um mesmo grupo funcional, elas podem aprender as melhores técnicas para rea-
lização de suas tarefas; as mais habilidosas podem treinar os novos empregados e serem promovidas a supervisores
ou gerentes. Assim vão aumentando as habilidades e o conhecimento da organização.

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As organizações são inicialmente organizadas por função para facilitar o gerenciamento do aumento de espe-
cialização e divisão do trabalho, mas à medida que elas continuam a crescer e se diferenciar, os problemas de con-
trole vão surgindo. Com o aumento das habilidades da organização para produzir melhores produtos e serviços, os
clientes também aumentam suas demandas que por sua vez pressionam ainda mais a capacidade de produzir mais
e mais rapidamente. Os custos crescem e a pressão para se manter na liderança dos concorrentes causa ainda mais
exigência por produtos de mais qualidade. Os tipos de clientes atraídos pela empresa podem mudar com o aumento
da oferta de produtos e serviços, e pode ser difícil identificar e atender as necessidades de novos clientes numa
estrutura funcional.
O desafio para as organizações é de como controlar o aumento de complexidade das atividades à medida que
elas crescem e se diferenciam.
Quando as funções se desenvolvem e criam suas hierarquias próprias, elas se distanciam umas das outras, oca-
sionando problemas de comunicação.
O crescimento e aumento da quantidade e complexidade de funções, produtos e serviços requerem informações
para medir as contribuições dos grupos funcionais; sem elas a organização pode não estar fazendo o melhor uso
de seus recursos. Pode também requerer o estabelecimento em regiões geográficas diversas, e com mais de uma
localização, é preciso um sistema de informação para balancear a necessidade entre centralização e descentralização
de autoridade. Se a alta gerência gastar muito tempo para solucionar problemas de coordenação do dia-a-dia, os
problemas estratégicos de longo prazo ficam sem tratamento.
O redesenho da estrutura permitindo maior integração entre funções pode auxiliar os gerentes a resolver proble-
mas de controle associados à estrutura funcional. O termo reengenharia tem sido usado para se referir ao processo
de redesenhar como as tarefas são agrupadas em papéis e funções, visando aumentar a efetividade da organização.
A reengenharia envolve repensar e redesenhar radicalmente os processos de negócios para se ter melhorias dramá-
ticas em medidas de desempenho (custo, qualidade, serviço e velocidade). O foco de atenção está nos processos de
negócio, que envolvem atividades entre funções. A habilidade dos grupos para trabalharem através das funções é o
fator principal para garantir o fornecimento de produtos e serviços com qualidade e custo baixo.
“As estruturas funcionais foram criadas com uma visão voltada para a sua realidade interna, ou seja, para si
própria”. Esse tipo de pensamento dominou e ainda domina a maioria das empresas que conhecemos. Nesse estágio
as funções são todas divididas por etapas, onde são fragmentados processos de trabalho. Trata-se de um trabalho
individual e voltado a tarefas. Esse tipo de estruturação tem sido padrão nas empresas. O agrupamento funcional
dos grupos de trabalho, porém tem sido questionado a partir de iniciativas competitivas como: qualidade total,
redução do tempo de ciclo e aplicação da tecnologia da informação, que tem conduzido a organização funcional a
mudanças fundamentais.
VANTAGENS DAS ESTRUTURAS FUNCIONAIS
A sua grande vantagem é, além da especialização técnica, o fato de permitir uma eficiente utilização dos re-
cursos em cada área técnica. Outra vantagem dessa estrutura é que pessoas agrupadas por suas habilidades comuns
podem supervisionar umas as outras. Trabalhando juntas por um longo período, elas também desenvolvem normas
e valores, que as tornam membros mais efetivos de uma equipe comprometida com as atividades da empresa e
que irá ocorrer a concentração de recursos onde vão resultar um elevado grau de especialização e de controle das
atividades. Esta especialização permite um avanço na aprendizagem e na redução de custos operacionais com o
passar do tempo. A promoção na carreira tende a ser mais fácil, pois, existe a possibilidade de desenvolvimento de
competências profissionais em tarefas mais específicas.
A organização funcional tenta tirar vantagem do conhecimento dos funcionários, agrupando todos aqueles que
possuem o mesmo perfil e mesma formação técnica juntos em unidades altamente especializadas e produtivas. O
plano de carreira neste tipo de organização é claro e como esses funcionários só possuem um chefe não há conflitos
de autoridade. Isso faz da organização funcional uma excelente executora de operações, ou seja, trabalho contínuo,
repetitivo e produtivo.
AS DESVANTAGENS DAS ESTRUTURAS FUNCIONAIS
A coordenação das diversas funções é feita no topo, e tende a atrasar as decisões que envolvem coordenação
entre funções a ponto de prejudicar a empresa.
A estrutura funcional não facilita a visão sistêmica da empresa, isto é, cada administrador de sua função não
esta preparado para assumir a função principal, pois é totalmente focado a sua função, para que este quadro mude
são necessárias medidas de inclusão à função principal como: treinamentos especializados, rodízios de funções,
assessoria ao principal executivo, etc,.
Na estrutura funcional não é possível comparar o desempenho de uma função com a outra, por serem de nature-
zas distintas. Desta maneira a estrutura funcional dificulta o controle, a não ser por comparações de outros períodos
e com descontos para as peculiaridades.
No caso de empresas pequenas estas desvantagens não costumam ser um problema grave, pelo fato de que cada
responsável de cada função estarem mais próximos uns dos outros e até mesmo com o principal executivo.

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QUANDO USAR A ESTRUTURA FUNCIONAL
Geralmente ao iniciar, uma empresa simples adota o modelo de estrutura funcional, e à medida que vai diver-
sificando seus produtos ou serviços ela irá analisar os sinais que indicam a mudança para outro tipo de estrutura,
sinais como: a empresa deixa de ser pequena, o grau da diversidade e alguns sintomas de exaustão do modelo de
estrutura funcional.
VERTICALIZAÇÃO E HORIZONTALIZAÇÃO
Verticalização ou integração vertical é quando a empresa começa a atuar em mais um estágio produtivo, exem-
plo, ela deixa de comprar para produzir, isto é, a substituição de transações de mercado por transações internas.
Horizontalização ou integração horizontal, neste caso a empresa usa seus recursos para produzir outros produ-
tos/serviços que não é o seu principal, por exemplo, a empresa usa seu parque de máquinas para produzir produtos
que não são insumos dos existentes e nem usar os existentes como insumos.
SINTOMAS QUE INDICAM A EXAUSTÃO DO MODELO FUNCIONAL
1. Centralização excessiva no topo, quando a empresa deixa de ser pequena e passa a ser de médio ou grande
porte, a comunicação entre o responsável da função e o principal executivo torna-se mais distante, pelo fato que
deste principal executivo estar com excesso de trabalho, isto ocasiona demora nas decisões e perde-se a agilidade e
flexibilidade no que pode gerar muitos problemas como a tomadas de decisões erradas.
2. Excesso de especialização, por existir apenas profissionais totalmente dedicados as suas funções, perde-se
a visão sistêmica da empresa. Estes responsáveis são voltados exclusivamente em obter a otimização de suas fun-
ções e não tem a visão ampla de todas as funções o que causa, se necessário, a falta de substituição do executivo
principal.
3. Dificuldade de coordenação, quanto maior a diversidade dos produtos e serviços oferecidos pela empresa,
maior é a dificuldade de coordenar, existem instrumentos para auxiliar a coordenação, como , comitês, grupos de
trabalhos, reuniões, etc. Quando a empresa utiliza de forma excessiva estes instrumentos, eles próprios podem-se
tornar novos problemas, quando isto acontece esta estrutura organizacional não é mais adequada.
4. Pirâmide alta: excesso de níveis, quanto maior a empresa maior são os níveis da estrutura. O excesso de
níveis torna-se cada vez mais distante a comunicação ou sentimento do executivo principal com os responsáveis
pelas funções.
5. Amplitude de supervisão alta: dificuldade de avaliação de pessoas e resultados, com esta amplitude de su-
pervisões grandes, torna-se mais importante gerir e controlar os níveis do que os próprios resultados das funções e
das pessoas.
Nos casos citados poderá haver situações que estes sintomas não são tão graves, mas no caso de haver estes
sintomas acreditamos que a estrutura funcional não seja a melhor opção.
ESTRUTURAS DIVISIONAIS
O chefe de divisão concentra-se principalmente nas operações de suas divisão, é responsável pelos lucrou ou
prejuízos, e pode até mesmo competir com outras unidades da mesma empresa....” (por Stoner e Freeman)
E os mesmos autores completam(....”Numa estrutura divisional, vários produtos podem florescer enquanto a
competência especializada tecnológica da organização como um todo pode continuar subdesenvolvida...”)
Divisional é a separação da estrutura funcional para divisões autônomas que passam a operar com relativa
independência.
Estruturas divisionais são caracterizadas pela forma de administração descentralizada. É quando a empresa
decide que cada setor agirá de forma “livre”, demonstrando independência nas suas tomadas de decisões e forma
de gerenciamentos.
Estrutura Divisional Geográfica: São agrupadas na mesma unidade pessoas que realizam atividades relacionadas
com uma mesma área geográfica, através da criação de áreas ou departamentos específicos para cada região (por
exemplo a divisão de um departamento comercial em Setor Comercial Norte, Setor Comercial Centro e Setor
Comercial Sul). As condições mais propícias à criação deste tipo de estruturas são a existência de elevada diferenciação
entre regiões que exijam tratamento especializado, a distância geográfica entre as regiões, a existência de volume
por região suficiente que justifique a existência de departamentos específicos. Neste caso para cada região existem
todos os demais departamentos envolvidos, por exemplo, a região A é composta pelos departamentos de Finanças,
Marketing, Administração e Produção assim sucessivamente para cada região. A principal vantagem deste tipo de
estruturas é a elevada especialização por área geográfica, o que permite lidar mais facilmente com os problemas de
cada área.

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Estrutura Divisional por Processo: São agrupadas na mesma unidade pessoas que realizam atividades
relacionadas com a mesma fase do processo produtivo (como por exemplo a divisão de uma fábrica em setor da
fundição, setor de montagem e seção de pintura). A elevada diferenciação entre as diferentes fases do processo e a
consequente necessidade de especialização por processo constitui a condição essencial para a utilização deste tipo
de estruturas.
Estrutura Divisional por Produto ou Serviço: São agrupadas numa mesma unidade pessoas que lidam com o
mesmo produto ou linha de produto - cada unidade acaba por ser semelhante a uma pequena empresa autossuficiente.
É um tipo de estrutura utilizada quando existe uma elevada diferenciação entre os produtos exigindo um elevado
grau de especialização por tipo de produto. Pode ser utilizada, por exemplo, num departamento comercial, através da
criação de divisões comerciais para cada grupo de produtos. Neste caso para cada produto existem todos os demais
departamentos envolvidos, por exemplo, o produto A é composto pelos departamentos de Finanças, Marketing,
Administração e Produção assim sucessivamente para cada produto.
Estrutura Divisional por Grupo de Clientes: São agrupadas na mesma unidade pessoas que estão relacionadas
com o mesmo tipo de cliente (por exemplo a criação de Departamentos Comerciais por tipo de cliente: um para
grandes empresas, outro para pequenas e médias empresas e um outro para entidades públicas). Deve ser utilizado
este tipo de estrutura sempre que se verifique a necessidade de tratamento especializado para cada tipo de cliente.
A Estrutura Divisional está indicada para empresas com diferentes linhas de produtos e mercados sendo geridas
por uma gestão descentralizada. Vai existir um órgão central que vai gerir divisões individuais assegurando assim
o controle e a coordenação global das tarefas. Nesta situação o planejamento é feito a longo prazo. A estrutura
divisional justifica-se num ambiente dinâmico onde tem de existir uma rápida adaptação, boa coordenação e
comunicação. Também vai permitir à empresa a diversificação para setores relacionados e não relacionados.
As grandes vantagens desta estrutura são o fato de a empresa poder crescer sem constrangimentos organizacionais
e ter capacidade de fazer o acompanhamento da evolução de novas linhas de produtos ou de mercados. Neste tipo
de estrutura vai ocorrer uma maior motivação nos membros que fazem parte da empresa.
Por outro lado vai aumentar a complexidade de gestão da empresa e vai ocorrer o conflito de interesses entre as
divisões distintas por causa de avaliações internas e pode ocorrer mesmo o caso de competitividade interna o que
vai prejudicar a performance da empresa. Por último de referir que vai ocorrer o aumento de custos operacionais.
O QUE CABE ÀS DIVISÕES E À ADMINISTRAÇÃO CENTRAL
Os principais executivos de cada função das divisões reportam-se hierarquicamente ao principal executivo da
sua divisão.
Os executivos da administração central tem autoridade funcional sobre os executivos nas divisões
VANTAGENS E DESVANTAGENS.
A principal vantagem é evitar a multiplicação de atividades, proporcionando redução de custos. Por estar
concentrado os setores de compras na administração central, o poder de barganha é muito maior.
Por outro lado, se a divisão tiver poucas funções será difícil cobrar apuração de todos os resultados.
Entretanto existem algumas desvantagens na estrutura divisional. Os interesses da divisão podem ser colocados
acima das necessidades e dos objetivos da organização como um todo, além disso as despesas administrativas
aumentam.
FUNÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL
A função de recursos humanos tem responsabilidade pelo pessoal de alto nível, tem autoridade funcional e é
responsável pelas normas de recursos humanos da empresa.
A função controle é responsável pela parte de contabilidade e auditoria da empresa.
Na tesouraria ou finanças o responsável também tem autoridade funcional, a tesouraria é como um “banco” da
empresa e o responsável é quem controla este fluxo.
Função qualidade ou técnica é o padrão desejado de seus produtos ou serviços pela empresa.
A função informações é de autoridade funcional e demonstrará as informações necessárias através de sistemas
operacionais e manutenção e preservação destas informações através de redes.
A função compras é que tem o poder de barganha devido ao volume desejado de compras.
A função jurídica ocupa-se de assuntos de origem societários e da orientação às divisões nos casos complexos.
A função comunicação social é o que diz respeito da projeção correta da imagem da empresa.
A função pesquisa é a função que busca informações para melhor atender a suas necessidades de produção e
desenvolvimento.
A função marketing efetua a pesquisa mercadológica, a análise dos competidores, a quantificação da demanda,
e as formas de distribuição.
O planejamento refere-se ao planejamento estratégico da empresa, como a empresa atuará em determinado
período.

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ESTRUTURAS MATRICIAIS
A estrutura matricial designa especialistas de departamentos funcionais específicos para trabalharem em uma
ou mais equipes interdisciplinares, as quais são conduzidas por líderes de projetos. Basicamente, a matriz combina
duas formas de departamentalização – funcional e por produto.
A estrutura matricial se baseia nos projetos voltados a realizar as atividades por período determinado, e as
pessoas que compõem estes projetos ficam neles somente enquanto são necessárias.
O projeto é uma unidade organizacional que envolve recursos humanos e materiais, sob a coordenação de um
líder, desenvolve atividades visando o resultado definidos em prazos estabelecidos.
A estrutura matricial é composta dos órgãos principais de trabalho que atuam até à duração do projeto e dos
órgãos de apoio, que ficam orientando permanentemente os projetos em assuntos especializados como prestadores
de serviços. Na estrutura matricial as pessoas são deslocadas de um projeto para outro de maneira flexível.
O projeto tem prazo estabelecido a partir de sua origem.
A estrutura matricial é temporária e provisória, apesar dos órgãos de apoio que permanecem permanentes em
assuntos especializados.
Geralmente esta estrutura contém os chamados grupos-tarefa que mantêm relacionamento intenso e permanente,
cada grupo-tarefa esta em permanente contato com o órgão de apoio funcional que lhe presta apoio técnico desejado
e trocas de informações sobre o projeto.
Para a criação de projetos é possível fazer o recrutamento interno de líderes do projeto, muitas vezes é necessária
a contratação externa de pessoas especializadas para compor o quadro desejado.
Quando o projeto chega ao fim os membros dos projetos voltam para seus quadros de origens para redesignação
de tarefas, treinamento, indicação a outros projetos ou dispensa da empresa.
A empresa que adota este tipo de estrutura esta sempre em constante busca de profissionais especializados para
compor seu quadro, e também esta em constante busca por novos projetos, uma vez, que as atividades exercidas são
totalmente dependentes de projetos.
Pelo motivo dos profissionais estarem constantemente na busca por projetos é que as organizações acabam
tendo um quadro de profissionais altamente qualificados, pois para fazer parte de um projeto os interessados tendem
a se especializar cada vez mais, trazendo com isso mão-de-obra de alto nível, por outro lado a busca constante do
profissional por projetos cada vez mais desafiadores é o que resulta a não lealdade à empresa.
Os participantes destes projetos são geralmente pessoas flexíveis que necessitam de fácil adaptação em qualquer
ambiente de trabalho, acomodados ou burocratas não tem vez neste tipo de estrutura.
Na estrutura matricial existe descentralização quando:
• O gerente do projeto tem plenos poderes pelo projeto e pelas pessoas envolvidas, mas no caso de pessoal téc-
nico, deve ouvir os gerentes dos órgãos permanentes;
• Os gerentes dos projetos decidem quando e como será realizado os projetos, que podem ser alterados ou deci-
didos também pelos gerentes de órgãos permanentes;
Os conflitos podem ser resolvidos pelos gerentes, somente os mais graves deverão ser encaminhados à direção.
Embora o gerente do projeto seja autoridade de linha, os gerentes das áreas funcionais têm também autoridade
com vantagens de serem permanentes. Um especialista que trabalha em um projeto sabe que seu chefe de linha é
provisório, enquanto o gerente da área funcional da sua especialidade é permanente. Caracterizando, em muitos
casos o duplo comando. Isso enfraquece a autoridade linha e obrigam as pessoas a saberem trabalhar de forma
eficaz em clima de incerteza e ambiguidade.
Modelo de estrutura matricial é o desenho que agrupa as pessoas e recursos simultaneamente por função e por
produto. A matriz é uma grade retangular onde no eixo vertical está a responsabilidade funcional e no horizontal,
a responsabilidade de produto. Com essa estrutura, a organização é diferenciada em funções de acordo com seus
objetivos, tem poucos níveis hierárquicos em cada função e autoridade descentralizada. Os empregados funcionais
se reportam aos gerentes de suas funções, mas trabalham num time de produto sob a supervisão de um gerente de
produto. Por isso, são chamados empregados de dois chefes, pois se reportam a dois superiores. A organização é a
principal unidade da matriz e o principal mecanismo de coordenação e integração. O controle vertical é mínimo, ao
contrário do controle horizontal, que é máximo.
A estrutura matricial tem vantagens significativas: as equipes interfunções devem reduzir as barreiras funcionais
e superar os problemas de orientação a subunidade; facilita a comunicação entre os especialistas dando oportunidade
aos membros das equipes de diferentes funções aprenderem uns com os outros podendo produzir inovações; permite
a organização maximizar o uso de competências profissionais; o foco duplo para função e produto favorece o
cuidado com custo e qualidade.
Na prática, a estrutura matricial tem também alguns problemas:
• falta de uma estrutura de controle que lidere os empregados diminuindo conflitos e ambiguidades;
• falta de uma definição clara da hierarquia de autoridade causando conflito entre as equipes funcionais e de
produtos.

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Ela precisa ser bem gerenciada para manter sua flexibilidade.
A Estrutura Matricial é adaptada por norma em grandes empresas que oferecem um vasto conjunto de produtos
parecidos em vários mercados simultaneamente. Este tipo de empresas está em melhores condições de captar
sinergias estratégicas.
A vantagem deste tipo de estrutura é que facilita a partilha de recursos e de informação com o objetivo de
explorar as sinergias captadas. Também podemos referir que consegue fazer a conciliação entre a flexibilidade
organizacional com uma elevada estabilidade operacional. As grandes empresas tendem a adaptar este tipo de
estrutura, pois, conseguem garantir a adaptação aos mercados existentes sem perder a eficiência interna da mesma.
Mas a estrutura matricial não é de rápida implementação em nível das orientações estratégicas pois podem
ocorrer diferentes perspectivas entre os membros dando origem a divergências e conflitos de interesses só sendo
posteriormente resolvidas com a intervenção de membros da hierarquia superior da empresa. O controle operacional
e o apuramento de responsabilidades nem sempre é feito de maneira rigorosa devido à dualidade de linhas de
comando. Por isso esta estrutura funciona melhor quando os membros da empresa têm um elevado grau de formação
e de autonomia para poder executar as suas tarefas.
A estrutura matricial combina as estruturas funcionais e divisionais que se cruzam e se complementam.
VANTAGENS E DESVANTAGENS DA ESTRUTURA MATRICIAL
Vantagens como o máximo aproveitamento do pessoal, com redução nos custos, flexibilidade, facilidade de
apuração de resultados e de controle de prazos e de custos por projetos e o destaque do pessoal técnico de alto nível,
estas são as vantagens em se optar pela estrutura matricial.
A vantagem da matriz reside em sua capacidade de facilitar a coordenação quando a organização possui
múltiplas atividades complexas e interdependentes. Quando uma organização se torna maior sua capacidade de
processamento da informação pode ficar sobrecarregada.
Uma das vantagens da estrutura matricial reside em sua capacidade de facilitar a distribuição eficiente dos
especialistas. Por que, quando os indivíduos com habilidades altamente especializadas são alocados em um
departamento funcional ou grupo de produto, seus talentos são monopolizados e subutilizados e além de ter a
vantagem em obter da economia de escala proporcionar à organização os melhores recursos e um modo eficaz de
assegurar sua articulação eficiente.
A principal desvantagem deste tipo de estrutura é a pouca lealdade por parte do pessoal de nível técnico, por
sempre buscarem projetos que possam realizá-los intelectualmente, também tem a falta de contato de especialistas
da mesma área porém com projetos distintos. Outra desvantagem são os conflitos causados pelo motivo de os
resultados serem avaliados pelos gerentes do projetos que geralmente não são especialistas em suas áreas, o que
ocasiona conflitos entre gerentes dos projetos e gerentes funcionais.
QUANDO USAR A ESTRUTURA MATRICIAL
Quando há projetos de magnitudes, neste caso quando a organização se depara com eventualidades, algo
fora da rotina e, também, quando há projetos interdisciplinares que são estabelecidos prazos e que tenha grande
interdependência entre as atividades.
O projeto existe quando se tem a necessidade de operar como uma entidade que tenha vida própria e objetivos
definidos ao invés de operar dividido em partes entre os órgãos.
Para concluir, podemos resumir que os três tipos de estruturas organizacionais têm vantagens e desvantagens.
Poucas organizações dependem exclusivamente de um tipo, e a maioria adapta e combina esses padrões genéricos
para refletir as estratégias e pessoal peculiares à sua organização. A melhor forma de se organizar uma empresa
é aquela que lhe proporcione maior performance de preparo e flexibilidade diante das mudanças do mercado,
proporcionando-lhe competência na aceitação de desafios e aproveitamento de oportunidades, na garantia da
satisfação não só de sua clientela potencial, mas inclusive dos seus empregados, parceiros indispensáveis para uma
empreitada bem-sucedida.
2.3 CULTURA ORGANIZACIONAL
A cultura organizacional é um conceito desenvolvido por pesquisadores para explicar os valores e as crenças
de uma organização. De um modo geral, ela é vista como as normas e atitudes comuns de indivíduos e grupos dentro
de uma organização. Através deste conjunto de entendimentos mútuos, a Cultura Organizacional controla a maneira
como os indivíduos interagem uns com os outros dentro do ambiente laboral, bem como com clientes, fornecedores
e outras partes interessadas existentes fora dos limites da empresa.

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Todas as empresas, independentemente do tamanho, do segmento em que atuam e dos bens ou serviços que pro-
duzem, possuem cultura organizacional, formalmente instituída ou não. Assim, cultura organizacional é um sistema
de valores compartilhados pelos seus membros, em todos os níveis, que diferencia uma organização das demais. Em
última análise, trata-se de um conjunto de características-chave que a organização valoriza, compartilha e utiliza
para atingir seus objetivos e adquirir a imortalidade.
A título organizacional, várias pesquisas sugerem que uma Cultura Organizacional saudável e vigorosa é capaz
de proporcionar vários benefícios, incluindo os seguintes:
• Vantagem competitiva derivada de inovação e serviço ao cliente;
• Maior desempenho dos empregados;
• Coesão da equipe;
• Alto nível de alinhamento na busca da realização de objetivos.
Características
De acordo com pesquisadores do assunto, existem sete características básicas que, em conjunto, capturam a
essência da cultura de uma organização:
Inovação e assunção de riscos: o grau em que os funcionários são estimulados a inovar e assumir riscos.
Atenção aos detalhes: o grau em que se espera que os funcionários demonstrem precisão, análise e atenção
aos detalhes.
Orientação para os resultados: o grau em que os dirigentes focam mais os resultados do que as técnicas e os
processos empregados para seu alcance.
Orientação para as pessoas: o grau em que as decisões dos dirigentes levam em consideração o efeito dos
resultados sobre as pessoas dentro da organização.
Orientação para as equipes: o grau em que as atividades de trabalho são mais organizadas em termos de equi-
pes do que de indivíduos.
Agressividade: o grau em que as pessoas são competitivas e agressivas em vez de dóceis e acomodadas.
Estabilidade: o grau em que as atividades organizacionais enfatizam a manutenção do status quo em contraste
com o crescimento.
Tipos de cultura:
Culturas adaptativas: Caracterizam-se pela sua maleabilidade e flexibilidade e são voltadas para a inovação e
a mudança. São organizações que adotam e fazem constantes revisões e atualizações, em suas culturas adaptativas
se caracterizam pela criatividade, inovação e mudanças. De um lado, a necessidade de mudança e a adaptação para
garantir a atualização e modernização, e de outro, a necessidade de estabilidade e permanência para garantir a iden-
tidade da organização. O Japão, por exemplo, é um país que convive com tradições milenares ao mesmo tempo em
que cultua e incentiva a mudança e a inovação constantes.
Culturas conservadoras: Se caracterizam pela manutenção de ideias, valores, costumes e tradições que perma-
necem arraigados e que não mudam ao longo do tempo. São organizações conservadoras que se mantêm inalteradas
como se nada tivesse mudado no mundo ao seu redor.
Culturas fortes: Seus valores são compartilhados intensamente pela maioria dos funcionários e influencia
comportamentos e expectativas.
Culturas fracas: São culturas mais facilmente mudadas. Como exemplo, seria uma empresa pequena e jovem,
como está no início, é mais fácil para a administração comunicar os novos valores, isto explica a dificuldade que as
grandes corporações tem para mudar sua cultura.
Com base nesse conjunto, pode-se dizer que a cultura organizacional onde você está inserido é representada
pela forma como os colaboradores em geral percebem as características da cultura da empresa.
Por que é importante entender a cultura organizacional? Aceitar melhor a sua existência, compreender os seus
meandros, entender como ela é criada, sustentada e aprendida, pode melhorar a sua capacidade de sobrevivência na
empresa, além de ajudá-lo a explicar e prever o comportamento dos colegas no trabalho.

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3. ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA.


3.1 ORÇAMENTO PÚBLICO. 3.2 PRINCÍPIOS
ORÇAMENTÁRIOS. 3.3 DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS.
3.4 SIDOR, SIAFI. 3.5 RECEITA PÚBLICA: CATEGORIAS,
FONTES, ESTÁGIOS E DÍVIDA ATIVA. 3.6 DESPESA PÚBLICA:
CATEGORIAS, ESTÁGIOS. 3.7 SUPRIMENTOS DE FUNDOS.
3.8 RESTOS A PAGAR. 3.9 DESPESAS DE EXERCÍCIOS
ANTERIORES. 3.10 CONTA ÚNICA DO TESOURO.

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Silvana Guimarães
Especialista em Direito Empresarial e Gestão de Projetos;
Graduada em Direito; Empresária;
Consultora Empresarial;
Coordenadora de Projetos;
Palestrante.

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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA
A Administração Financeira e Orçamentária, também conhecida como Orçamento Público, está alicerçada
nas normas do Direito Financeiro e tem como objeto principal o estudo da elaboração, execução e controle do
orçamento governamental.
Ela visa propiciar a padronização de procedimentos, garantir o fluxo permanente, confiável e oportuno de
informações das unidades executoras para os órgãos do sistema financeiro/contábil e dar segurança ao administrador
público na gestão dos recursos, mediante informações e orientações adequadas.

ORÇAMENTO PÚBLICO
Orçamento Público é um instrumento que contém a previsão de receitas e a estimativa de despesas a serem
realizadas por um Governo em um determinado exercício, sendo que, após elaboração pelo Poder Executivo é en-
caminhado para discussão e aprovação do Poder Legislativo e depois convertido em lei.
Através do Orçamento é que torna conhecido todo o direcionamento dos recursos arrecadados através dos im-
postos.
O Orçamento Público é constituído por:
 Orçamento Fiscal
 Orçamento da Seguridade Social e o
 Orçamento de Investimento das Empresas Estatais Federais.
a) Orçamento Fiscal: compreende os poderes da União, os Fundos, Órgãos, Autarquias, inclusive as especiais
e Fundações instituídas e mantidas pela União; abrange, também, as empresas públicas e sociedades de economia
mista em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto e que recebam
desta quaisquer recursos que não sejam provenientes de participação acionária, pagamentos de serviços prestados,
transferências para aplicação em programas de financiamento atendendo ao disposto na alínea “c” do inciso I do art.
159 da CF e refinanciamento da dívida externa;
b) Orçamento de Seguridade Social: compreende todos os órgãos e entidades a quem compete executar
ações nas áreas de saúde, previdência e assistência social, quer sejam da Administração Direta ou Indireta, bem
como os fundos e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; compreende, ainda, os demais subprojetos
ou subatividades, não integrantes do Programa de Trabalho dos Órgãos e Entidades mencionados, mas que se
relacionem com as referidas ações, tendo em vista o disposto no art. 194 da CF; e
c) Orçamento de Investimento das Empresas Estatais: previsto no inciso II, parágrafo 5º do art. 165 da CF,
abrange as empresas públicas e sociedades de economia mista em que a União, direta ou indiretamente, detenha a
maioria do capital social com direito a voto
PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS
Existem princípios básicos que devem ser seguidos para elaboração e controle dos Orçamentos Públicos, que
estão definidos no caso brasileiro na Constituição, na Lei 4.320/64, no Plano Plurianual, na Lei de Diretrizes Orça-
mentárias e na recente Lei de Responsabilidade Fiscal.
A lei estabelece os fundamentos da transparência orçamentária (art. 2º): “A Lei do Orçamento conterá a discri-
minação da receita e despesa, de forma a evidenciar a política econômico-financeira e o programa de trabalho do
governo, obedecidos os princípios da unidade, universalidade e anualidade”.
Princípio da Unidade
Cada esfera de governo deve possuir apenas um orçamento, fundamentado em uma única política orçamentária
e estruturado uniformemente. Assim, existe o orçamento da União, o de cada Estado e o de cada Município.
Princípio da Universalidade
A Lei Orçamentária deve incorporar todas as receitas e despesas, ou seja, nenhuma instituição pública deve
ficar fora do orçamento.

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Princípio da Anualidade
Estabelece um período limitado de tempo para as estimativas de receita e fixação da despesa, ou seja, o orça-
mento deve compreender o período de um exercício, que corresponde ao ano fiscal.
PLANO PLURIANUAL:
O plano plurianual – PPA é instrumento de planejamento de médio prazo, que estabelece as diretrizes, objetivos
e metas do governo para os projetos e programas de longa duração, para um período de quatro anos. Nenhuma obra
de grande vulto ou cuja execução ultrapasse um exercício financeiro pode ser iniciada sem prévia inclusão no plano
plurianual.
1) PROJETO DE LEI: O projeto de PPA (PPPA) é elaborado pela Secretaria de Investimentos e Planejamento
Estratégico (SPI) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e encaminhado ao Congresso Nacional pelo
Presidente da República, que possui exclusividade na iniciativa das leis orçamentárias. Composto pelo texto da lei
e diversos anexos, o projeto de lei deve ser encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto do primeiro ano
de mandato presidencial, devendo vigorar por quatro anos.
Recebido pelo Congresso Nacional, o projeto inicia a tramitação legislativa, observadas as normas constantes
da Resolução nº. 01, de 2006 – CN. O projeto de lei é publicado e encaminhado à Comissão Mista de Planos,
Orçamentos Públicos e Fiscalização – CMO.
2) PARECER PRELIMINAR: O parlamentar designado para ser o relator do projeto de plano plurianual
(PPPA) deve, primeiramente, elaborar Relatório Preliminar sobre o projeto, o qual, aprovado pela CMO, passa
a denominar-se Parecer Preliminar. Esse parecer estabelece regras e parâmetros a serem observados quando da
análise e apreciação do projeto, tais como:
I) condições para o remanejamento e cancelamento de valores financeiros constantes do projeto;
II) critérios para alocação de eventuais recursos adicionais decorrentes da reestimativa das receitas; e
III) orientações sobre apresentação e apreciação de emendas.
Em complemento à análise inicial, a CMO pode realizar audiências públicas regionais para debater o projeto.
Ao relatório preliminar podem ser apresentadas emendas por parlamentares, Comissões Permanentes da Câmara
e do Senado e Bancadas Estaduais.
3) EMENDAS: Após aprovado o parecer preliminar, abre-se prazo para a apresentação de emendas ao projeto
de plano plurianual, com vistas a inserir, suprimir, substituir ou modificar dispositivos constantes do projeto.
Ao projeto podem ser apresentadas até dez emendas por parlamentar, até cinco emendas por Comissão
Permanente da Câmara e do Senado e até cinco emendas por Bancada Estadual.
As emendas são apresentadas perante a CMO, que sobre elas emite parecer conclusivo e final, o qual somente
poderá ser modificado mediante a aprovação de destaque no Plenário do Congresso Nacional.
4) RELATÓRIO: O relator deve analisar o projeto de plano plurianual e as emendas apresentadas, tendo como
orientação as regras estabelecidas no Parecer Preliminar, e formalizar, em relatório, as razões pelas quais acolhe ou
rejeita as emendas. Deve também justificar quaisquer outras alterações que tenham sido introduzidas no texto do
projeto de lei. O produto final desse trabalho, contendo as alterações propostas ao texto do PPPA, decorrentes das
emendas acolhidas pelo relator e das por ele apresentadas, constitui a proposta de substitutivo.
O relatório e a proposta de substitutivo são discutidos e votados no Plenário da CMO, sendo necessário para
aprová-los a manifestação favorável da maioria dos membros de cada uma das Casas, que integram a CMO.
O relatório aprovado em definitivo pela Comissão constitui o parecer da CMO, o qual será encaminhado à
Secretaria-Geral da Mesa do Congresso Nacional, para ser submetido à deliberação das duas Casas, em sessão
conjunta.
5) AUTÓGRAFOS E LEIS: Após aprovado, o parecer da CMO é submetido à discussão e votação no Plenário
do Congresso Nacional. Os Congressistas podem solicitar destaque para a votação em separado de emendas, com
o objetivo de modificar os pareceres aprovados na CMO. Esse requerimento deve ser assinado por um décimo dos
congressistas e apresentado à Mesa do Congresso Nacional até o dia anterior ao estabelecido para discussão da
matéria no Plenário do Congresso Nacional.
Concluída a votação, a matéria é devolvida à CMO para a redação final. Recebe o nome de Autógrafo o texto do
projeto ou do substitutivo aprovado definitivamente em sua redação final assinado pelo Presidente do Congresso,
que será enviado à Casa Civil da Presidência da República para sanção.

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O Presidente da República pode vetar o autógrafo, total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados
da data do recebimento. Nesse caso, comunicará ao Presidente do Senado os motivos do veto. A parte não vetada é
publicada no Diário Oficial da União como lei. O veto deve ser apreciado pelo Congresso Nacional.
A Lei 4320/64 estabelece dois sistemas de controle da execução orçamentária: interno e externo. A Constituição
Federal de 1988 manteve essa concepção e deu-lhe um sentido ainda mais amplo.
Enquanto a Constituição anterior enfatizava a fiscalização financeira e orçamentária, a atual ampliou o conceito,
passando a abranger, também, as áreas operacional e patrimonial, além de cobrir de forma explicita, o controle
da aplicação de subvenções e a própria política de isenções, estímulos e incentivos fiscais. Ficou demonstrado,
igualmente de forma clara, a abrangência do controle constitucional sobre as entidades de administração indireta,
questão controversa na sistemática anterior.
O controle da execução orçamentária compreenderá:
I - a legalidade dos atos que resultem a arrecadação da receita ou a realização da despesa, o nascimento ou a
extinção de direitos e obrigações;
II- a fidelidade funcional dos agentes da administração responsáveis por bens e valores públicos;
III- o cumprimento do programa de trabalho, expresso em termos monetários e em termos de realização de
obras e prestação de serviços.
Com a adoção deste plano, tornou-se obrigatório o Governo planejar todas as suas ações e também seu orça-
mento de modo a não ferir as diretrizes nele contidas, somente devendo efetuar investimentos em programas estra-
tégicos previstos na redação do PPA para o período vigente. Conforme a Constituição, também é sugerido que a
iniciativa privada volte suas ações de desenvolvimento para as áreas abordadas pelo plano vigente.
A LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO
É a lei que antecede a lei orçamentária, que define as metas e prioridades em termos de programas a executar
pelo Governo.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (“LDO”) tem a finalidade precípua de orientar a elaboração dos orçamentos
fiscal e da seguridade social e de investimento das empresas estatais. Busca sincronizar a Lei Orçamentária Anual
(“LOA”) com as diretrizes, objetivos e metas da administração pública, estabelecidas no PPA, em estrita observân-
cia aos princípios do orçamento investimento e da unidade orçamentária.
De acordo com o parágrafo 2º, do art. 165, da Constituição Federal de 1988, a LDO 1 deverá trazer as metas e
prioridades da administração pública, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, 2
orientará a elaboração da LOA, 3 disporá sobre as alterações na legislação tributária e 4 estabelecerá a política de
aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.
Em observância do princípio da anualidade orçamentária, a LDO será elaborada, anualmente, pela Administra-
ção e aprovada pelo Poder Legislativo que, após aprovação, devolverá ao Executivo para sanção.
É importante destacar que a Constituição de 1988 não prevê a possibilidade de rejeição do projeto de lei de
diretrizes orçamentárias, uma vez que prescreve, em seu art. 57, §2º, que a sessão legislativa não será interrompida
sem a aprovação do projeto, logo, o projeto após entregue pelo Executivo deverá ser analisado e encaminhado para
aprovação.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 04.05.2000) ampliou a importância da LDO,
determinando a previsão de várias outras situações, além das previstas na Constituição. São elas 1 estabelecer os
critérios para o congelamento de dotações, quando as receitas não evoluírem de acordo com a estimativa orça-
mentária; 2 estabelecer controles operacionais e suas regras de atuação para avaliação das ações desenvolvidas ou
em desenvolvimento; 3 estabelecer as condições de ajudar ou subvencionar financeiramente instituições privadas,
fornecendo o nome da instituição, valor a ser concedido, objetivo etc., sendo importante ressaltar que serão nulas as
subvenções não previstas na LDO, excluindo casos de emergência; 4 estabelecer condições para autorizar os entes
a auxiliar o custeio de despesas próprias de outros entes, como por exemplo, gastos de quartel da Polícia Militar,
de Cartório Eleitoral, Recrutamento Militar, de atividades da Justiça etc.; 5 estabelecer critérios para o início de
novos projetos, após o adequado atendimento dos que estão em andamento; 6 estabelecer critérios de programação
financeira mensal; 7 estabelecer o percentual da receita corrente líquida a ser retido na peça orçamentária, como
Reserva de Contingência.
Além do estabelecimento e definição dos itens acima, a LDO deverá ser acompanhada dos chamados Anexos
de Metas Fiscais. Esses Anexos deverão conter: 1 metas anuais para receitas, despesas, resultados nominal e pri-
mário e montante da dívida para o exercício a que se referirem e para os dois exercícios seguintes; 2 a avaliação
do cumprimento das metas relativas ao ano anterior; 3 o demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e
metodologia de cálculo que justifiquem os resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas nos três últimos
exercícios, evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da política vigente; 4 o demonstrati-
vo da evolução do patrimônio líquido nos últimos três exercícios, destacando a origem e a aplicação dos recursos

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obtidos com a alienação de ativos; 5 a avaliação financeira e atuarial de todos os fundos e programas de natureza
atuarial; 6 o demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das des-
pesas obrigatórias de caráter continuado; 7 a avaliação dos passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar
as contas, informando as providências, caso se concretizem, como por exemplo, é importante verificar os processos
judiciais de devolução de tributos questionáveis, ou demanda de reivindicações salariais não concedidas.
Enfim, o Anexo de Metas Fiscais compreenderá: 1 a previsão trienal da receita, da despesa, estimando, assim,
os resultados nominal e primário; 2 a previsão trienal do estoque da dívida pública, considerando os passivos finan-
ceiro e permanente; 3 a avaliação do cumprimento das metas do ano anterior; 4 a evolução do patrimônio líquido ou
passivo real descoberto (resultado patrimonial negativo); 5 a avaliação financeira e atuarial dos fundos de previdên-
cia dos servidores públicos; 6 a Estimativa de compensação da renúncia de receitas (anistias, remissões, isenções,
subsídios etc.) e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.
A LDO, devidamente compatibilizada com o PPA, deverá conter:
● As metas e prioridades da Administração Pública, incluindo as despesas de capital, para o exercício seguinte;
● Orientações para a elaboração da Lei Orçamentária Anual;
● Disposições sobre alterações na Legislação Tributária;
● A política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento;
● Autorização específica para a concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, criação de cargos
ou alteração de estrutura de carreiras, bem como admissão de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos e entidades
da administração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, ressalvadas as
empresas públicas e as sociedades de economia mista;
Os limites para elaboração da proposta orçamentária dos poderes judiciário e legislativo
Na União, o prazo para envio do projeto de Lei da LDO pelo Executivo ao Legislativo é até o dia 15 de abril do
exercício anterior ao da Lei Orçamentária Anual.
A sessão legislativa ordinária não será interrompida até que o projeto de Lei da LDO seja aprovado.
Vale lembrar que, conforme a Emenda Constitucional nº 50, de14/02/2006, a sessão legislativa vai do período
de 02 de fevereiro a 17 de julho, e de 1º. de agosto a 22 de dezembro.
A LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL – LOA
A Lei Orçamentária Anual (“LOA”) ou orçamento anual visa concretizar os objetivos e metas propostas no
PPA, segundo as diretrizes estabelecidas pela LDO, em conformidade com o princípio da unidade do orçamento
público.
É uma lei, em sentido formal, elaborada pelo Poder Executivo e aprovada pelo Poder Legislativo, que estabe-
lece as despesas e as receitas que serão realizadas em determinado ano (princípio da anualidade do orçamento).
A Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura, sendo
competência do Chefe do Poder Executivo de cada ente público enviar ao órgão legislativo a proposta do orçamen-
to.
A proposta da LOA compreende os três tipos distintos de orçamentos, a saber:
1. o Orçamento Fiscal, que compreende os poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-
pios, os Fundos, Órgãos, Autarquias, inclusive as especiais, e Fundações instituídas e mantidas pelo ente público;
abrange, também, as empresas públicas e sociedades de economia mista em que o Poder Público, direta ou indi-
retamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto e que recebam desta quaisquer recursos que não
sejam provenientes de participação acionária, pagamentos de serviços prestados, transferências para aplicação em
programas de financiamento atendendo ao disposto na alínea “c” do inciso I do art. 159 da CF e refinanciamento
da dívida externa;
2. o Orçamento de Seguridade Social, que compreende todos os órgãos e entidades a quem compete executar
ações nas áreas de saúde, previdência e assistência social, quer sejam da Administração Direta ou Indireta, bem
como os fundos e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; compreende, ainda, os demais subprojetos
ou subatividades, não integrantes do Programa de Trabalho dos Órgãos e Entidades mencionados, mas que se rela-
cionem com as referidas ações, tendo em vista o disposto no art. 194 da CF; e
3. o Orçamento de Investimento das Empresas Estatais: previsto no inciso II, parágrafo 5º do art. 165 da CF,
que abrange as empresas públicas e sociedades de economia mista em que o Estado, direta ou indiretamente, dete-
nha a maioria do capital social com direito a voto.

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Constitui matéria exclusiva da lei orçamentária a previsão da receita e a fixação da despesa, podendo conter,
ainda segundo a norma constitucional:
● Autorização para abertura de créditos suplementares;
● Autorização para contratação de operações de crédito, inclusive por antecipação de receita orçamentária
(ARO) na forma da lei.
Os orçamentos fiscais e de investimentos serão compatibilizados com o PPA; terão a função de reduzir as
desigualdades inter-regionais, segundo critérios de população e renda per capita.
As emendas ao projeto de LOA ou aos projetos que o modifiquem terão que ser compatíveis com o PPA e com
a LDO, para serem aprovadas.
O prazo para envio do projeto da LOA ao Poder Legislativo é até 31 de agosto.
No prazo de trinta dias após o encerramento de cada bimestre, o Poder Executivo publicará relatório resumido
da execução orçamentária.
Ciclo do Orçamento Anual
Uma vez que a cada exercício será preciso uma nova Lei Orçamentária Anual, verifica-se que o processo
orçamentário se dá na forma de um verdadeiro ciclo, com quatro fases bem distintas:
1. Elaboração da Proposta Orçamentária
Trata-se do momento em que cada um dos diversos órgãos e entidades que compõem a Administração Pública
faz o levantamento das suas necessidades de e cursos para o exercício seguinte, levando em consideração os
programas do Governo e os objetivos de desenvolvimento econômico e social do país.
O órgão central de planejamento recebe todas estas demandas e as consolida num único documento,
compatibilizando-o com a estimativa das receitas esperadas para o próximo ano.
Em seguida, redistribui a previsão de gastos de acordo com os parâmetros macroeconômicos, estabelecendo as
quotas finais de recursos para cada órgão.
Finalmente, é produzido o texto do projeto da Lei Orçamentária Anual, juntamente com os diversos anexos que
irão detalhar todas as receitas e despesas, de acordo com classificação orçamentária própria.
O projeto da LOA é então remetido ao Poder Legislativo, junto com mensagem do chefe do Poder Executivo,
para aprovação.
2. Discussão e Aprovação da Lei Orçamentária
Ao chegar no Poder Legislativo, o projeto da LOA será apreciado pelos congressistas, que poderão propor
emendas ao texto inicial, dando origem a um texto substitutivo.
O projeto da LOA cumprirá um rito semelhante ao das demais leis que tramitam pelo Congresso Nacional,
sendo exigido apenas maioria simples para sua aprovação.
Após a devida aprovação da LOA, com ou sem emendas, o Poder Legislativo devolve para o Poder Executivo,
para sanção ou veto.
Sendo sancionada pelo Presidente da República, a LOA agora será promulgada, e com sua publicação no Diário
Oficial da União, estará produzindo os seus devidos efeitos legais.
3. Execução Orçamentária
A execução orçamentária ocorre concomitantemente com a financeira! Esta afirmativa tem como sustentação o
fato de que a execução tanto orçamentária como financeira estão atreladas uma a outra. Havendo orçamento e não
existindo o financeiro, não poderá ocorrer a despesa.
Por outro lado, havendo recurso financeiro, mas não se podendo gastá-lo, não há que se falar em disponibilidade
orçamentária.
Em consequência, pode-se definir execução orçamentária como sendo a utilização dos créditos na LOA.
Já a execução financeira, por sua vez, representa a utilização de recursos financeiros, visando atender à realiza-
ção dos projetos e/ou atividades atribuídas às Unidades Orçamentárias pelo Orçamento.
Na técnica orçamentária, inclusive, é habitual se fazer a distinção entre as palavras crédito e recursos.
O primeiro termo designa o lado orçamentário e o segundo, o lado financeiro. Crédito e Recurso são duas faces
de uma mesma moeda! O crédito é a dotação ou autorização de gasto ou sua descentralização, e o recurso é o di-
nheiro ou saldo de disponibilidade bancária.

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Uma vez publicada a LOA, observadas as normas de execução orçamentária e de programação financeira para
o exercício, e lançadas as informações orçamentárias, cria-se o crédito orçamentário e, a partir daí, tem-se o início
da execução orçamentária propriamente dita.
Executar o orçamento é, portanto, realizar as despesas públicas nele previstas, ressaltando que para que qual-
quer utilização de recursos públicos seja efetuada, a primeira condição é que esse gasto tenha sido legal e oficial-
mente previsto e autorizado pelo Poder Legislativo e que sejam seguidos à risca os três estágios da execução das
despesas previstos na Lei nº 4.320/64, isto é, 1. o empenho, 2. a liquidação e 3. o pagamento – atualmente se encon-
tra em aplicação a sistemática do pré-empenho antecedendo esses estágios, já que, após o recebimento do crédito
orçamentário e antes do seu comprometimento para a realização da despesa, existe uma fase geralmente demorada
de licitação obrigatória junto a fornecedores de bens e serviços que impõe a necessidade de se assegurar o crédito
até o término do processo licitatório.
Pois bem, o empenho é o primeiro estágio da despesa e pode ser conceituado como sendo o ato emanado de
autoridade competente que cria para o Estado a obrigação de pagamento, pendente ou não, de implemento de con-
dição.
Nele se registra o comprometimento da despesa orçamentária, obedecidos os limites estritamente legais, bem
como aos casos em que se faça necessário o reforço ou a anulação desse compromisso.
Não se deve confundir, entretanto, empenho da despesa com nota de empenho; esta, na verdade, é a materiali-
zação daquele, embora, no dia-a-dia haja a junção dos dois procedimentos em um único.
Todavia, ocorre que estando a despesa legalmente empenhada, nem assim o Estado se vê obrigado a efetuar o
pagamento, uma vez que, o implemento de condição poderá estar concluído ou não.
Seria um absurdo se assim não fosse, pois a Lei nº 4.320/64 determina que o pagamento de qualquer despesa
pública, seja ela de que importância for, passe pelo crivo da liquidação.
É nesse segundo estágio da execução da despesa que será cobrada a prestação dos serviços ou a entrega dos
bens, ou ainda, a realização da obra, evitando, dessa forma, o pagamento sem o implemento de condição.
O segundo estágio da despesa pública é a liquidação, que consiste na verificação do direito adquirido pelo cre-
dor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito, ou seja é a comprovação de que
o credor cumpriu todas as obrigações constantes do empenho.
Esse estágio tem por finalidade reconhecer ou apurar a origem e o objeto do que se deve pagar, a importância
exata a pagar e a quem se deve pagar para extinguir a obrigação e é efetuado pelo documento Nota de Lançamento
(“NL”).
Ele envolve, portanto, todos os atos de verificação e conferência, desde a entrega do material ou a prestação do
serviço até o reconhecimento da despesa.
Ao fazer a entrega do material ou a prestação do serviço, o credor deverá apresentar a nota fiscal, fatura ou conta
correspondente, acompanhada da primeira via da nota de empenho, devendo o funcionário competente atestar o
recebimento do material ou a prestação do serviço correspondente, no verso da nota fiscal, fatura ou conta.
O último estágio da despesa é o pagamento, que consiste na entrega de numerário ao credor do Estado, extin-
guindo dessa forma o débito ou obrigação.
Esse procedimento normalmente é efetuado por tesouraria, que deve ter como favorecido o credor do empenho.
O pagamento normalmente é efetuado por meio de crédito em conta bancária do favorecido. Se houver importância
paga a maior ou indevidamente, sua reposição aos órgãos públicos deverá ocorrer dentro do próprio exercício.
Todo esse processo ocorre observando, estritamente, os princípios constitucionais orçamentários, bem como
aqueles que regem a Administração Pública, dentre eles a moralidade, a publicidade e a eficiência, de modo que o
interesse público seja sempre garantido.
4. Controle e Avaliação
O controle se inicia junto com a execução do orçamento, uma vez que o próprio Governo, através dos seus
órgãos de controle interno ou de controle externo, iniciam a fiscalização sobre os gestores públicos, com relação à
legalidade dos procedimentos executados.
No tocante à avaliação, trata-se de preocupação específica com os resultados efetivos dos programas realizados
durante o ano, em termos de benefícios gerados para a população.
O ciclo orçamentário passa, portanto pelas seguintes etapas:
 Elaboração do projeto de lei
 Apreciação
 Aprovação Sanção
 Publicação
 Execução
 Acompanhamento
 Avaliação

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Sintetizando, pode-se afirmar que o orçamento cumpre as seguintes etapas:
 Elaboração / Planejamento
 Discussão / Estudo e aprovação
 Execução
 Avaliação / Controle
É importante se observar que ciclo é diferente de exercício financeiro porque, neste último, não há a fase de
preparação da proposta orçamentária e a elaboração legislativa bem como a fase de avaliação e prestação de contas.
SIDOR – SISTEMA INTEGRADO DE DADOS ORÇAMENTÁRIOS
A Secretaria de Orçamento Federal – SOF – dispõe do Sistema integrado de Dados Orçamentários – SIDOR
para operacionalizar a elaboração da proposta orçamentária. Portanto, o SIDOR é o meio pelo qual as informações
inerentes ao Orçamento da União são processadas.
Esse processamento engloba:
• Entrada
• Verificação
• Consolidação
• Alterações
• Edição
A rede SIDOR é composta de dois subsistemas básicos:
• Sub sistema Tabela de Apoio - Permite a consulta de dados de maneira padronizada porque disponibiliza todos
os códigos e nome dos processos que utiliza.
• Sub sistema Elaborar Proposta - Coordena os dados que comporão o Orçamento da União. Ele se desdobra em
três tipos: Receita, Despesa e gerar tipo de detalhamento.
Ela produz O QDD (Quadro de detalhamento de despesa) que contém o detalhamento das classificações das
dotações orçamentárias. Ela é apresentada em forma de relatório impresso e é classificada por:
• Unidade Orçamentária
• Unidade Orçamentária / Natureza de Despesa
• Unidade Orçamentária / Natureza de Despesa / Fonte de Recursos
• Unidade Orçamentária / Natureza de Despesa / Região Geográfica
• Etc.
SIAFI - SISTEMA INTEGRADO DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
A SIAFI – Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, desenvolvido em 1986, - é o
principal instrumento de administração orçamentária e financeira da União que oferece suporte aos órgãos da ges-
tão pública tornando segura a contabilidade da União.
Através do SIAFI se obtêm informações que subsidiarão o Balanço Geral da União e os relatórios de execução
do orçamento e de administração financeira, que compõem a demonstração das Contas apresentadas ao Congresso
Nacional pelo Presidente da República
O SIAFI permite a comunicação entre usuários facilitando a comunicação entre as Unidades Gestoras.
O SIAFI é um instrumento moderno e eficaz de controle dos gastos do governo.
O tesouro Nacional além de ser o principal usuário é ainda responsável pela definição das normas de utilização
do sistema bem como orienta e controla as atividades dos gestores que utilizam o SIAFI.
O tesouro Nacional arca também com os custos com equipamentos, pessoal, manutenção do SIAFI.
Portanto, a SIAFI é um sistema de teleinformática em rede administrada pelo SERPRO. Processa de forma
integrada e on-line, a execução orçamentária, financeira, patrimonial e contábil da administração Federal.

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Os três pilares que servem de apoio para o SIAFI:
 Plano de Contas (estrutura de informação)
 Conta única do Tesouro Nacional (conta contábil)
 Tabela de Eventos (Registros automáticos dos atos e fatos)

Os principais documentos do Siafi são:
• Nota de dotação (ND)– com a finalidade de registrar os créditos e seu detalhamento.
• Nota de movimentação de crédito –(NC)- com a finalidade de registrar as transferências de crédito.
• Nota de empenho – NE - com a finalidade de registrar o comprometimento de despesa, bem como para refor-
çar ou anular tal compromisso.
• Nota de Lançamento – NL – com a finalidade de registrar a apropriação e liquidação de receitas e despesas.
• Ordem bancária- OB – com a finalidade de pagar compromissos, liberar e transferir recursos.
• Guia de Recolhimento- GR- com a finalidade de registro de recolhimento.
• Nota de Lançamento – NL – com a finalidade de registrar a apropriação e liquidação de receitas e despesas.
• Ordem bancária- OB – com a finalidade de pagar compromissos, liberar e transferir recursos.
• Guia de Recolhimento- GR- com a finalidade de registro de recolhimento.
O SIAFI apresenta 9 níveis de acesso:
O nível de acesso que é atribuído a cada operador no momento de seu cadastramento permite indicar a quais
informações o operador pode acessar, conforme descrito a seguir:
Nível 1 - Permite ao operador consultar todas as informações da UG na qual ele está cadastrado;
Nível 2 - Permite ao operador consultar todas as informações da UG na qual ele está cadastrado e das UG das
quais sua UG é Polo de Digitação;
Nível 3 - Permite ao operador consultar todas as informações das UG do Órgão ao qual pertence a UG na qual
o operador está cadastrado, bem como as informações consolidadas deste Órgão;
Nível 4 - Permite ao operador consultar todas as informações das UG cuja UG do operador seja a setorial Con-
tábil, Orçamentária, Financeira ou de Auditoria;
Nível 5 - permite ao operador consultar todas as informações do Órgão ao qual pertence a UG na qual o ope-
rador está cadastrado, bem como as informações dos Órgãos que têm o Órgão da UG do operador como Órgão
Superior. Permite ainda acesso a todas as informações das UG pertencentes a estes Órgãos ;
Nível 6 - Permite ao operador consultar todas as informações das UG que estão localizadas na mesmo UF da
UG do operador;
Nível 7 - Permite ao operador consultar todas as informações das UG que estiverem cadastradas na tabela de
vinculação da UG do operador. Através desta opção é possível a UG Coordenadora consultar as informações das
UG que compõem seu Subórgão;
Nível 8 - Ainda não utilizado;
Nível 9 - Permite ao operador consultar todas as informações de qualquer UG ou Órgão do sistema.
RECEITA PÚBLICA
Define-se como receita pública todo o recebimento efetuado pela entidade com a finalidade de ser aplicado em
gastos operativos e de administração.
Receita Pública, em sentido amplo, compreende todos os ingressos financeiros ao patrimônio público. Portanto,
abrange o fluxo de recebimentos auferidos pelo Estado.
Em sentido estrito, a Receita Pública equivale a todos os ingressos de caráter não devolutivo auferidos pelo
Poder Público, compreendendo qualquer ente da Federação ou suas entidades, para atender as despesas públicas.
Nesse conceito, equivale à Receita Pública Orçamentária.

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Essa distinção é importante pelo fato de que alguns ingressos financeiros no caixa do Poder Público têm um
caráter transitório, extemporâneo, não podendo ser utilizadas pelo Estado na sua programação normal de despesas.
Exemplos são cauções, depósitos, etc... Equivalem esses ingressos à chamada Receita Pública Extra-orçamentária.
Vejamos a seguir as diversas classificações doutrinárias e legais das Receitas Públicas.
a) Classificação quanto à Origem: Originárias X Derivadas
- Receitas Originárias (Patrimoniais, de Economia Privada, de Direito Privado): São aquelas provenientes
da exploração do patrimônio da pessoa jurídica de direito público, ou seja, o Estado coloca parte do seu patrimônio
a disposição de pessoas físicas ou jurídicas, que poderão se beneficiar de bens ou de serviços, mediante pagamento
de um preço estipulado.
Elas independem de autorização legal e podem ocorrer a qualquer momento, e são oriundas da exploração do
patrimônio mobiliário ou imobiliário, ou do exercício de atividade econômica, industrial, comercial ou de serviços,
pelo Estado ou suas entidades. Exemplos: Rendas provenientes da venda de bens e de empresas comerciais ou
industriais; Rendas obtidas sobre os bens sujeitos à sua propriedade (aluguéis, dividendos, aplicações financeiras);
Rendas do exercício de atividades econômicas, ou seja, industriais, comerciais ou de serviços.
- Receitas Derivadas (Não-patrimoniais, de Economia Pública, de Direito Público): São aquelas cobradas
pelo Estado, por força do seu poder de império, sobre as relações econômicas praticadas pelos particulares, pessoas
físicas ou jurídicas, ou sobre seus bens.
Na atualidade, constitui-se na instituição de tributos, que serão exigidos da população, para financiar os gastos
da administração pública em geral, ou para o custeio de serviços públicos específicos prestados ou colocados a
disposição da comunidade.
São exemplos mais significativos das receitas derivadas os tributos que se encontram estabelecidos na
Constituição Federal nos termos do art. 145:
Art. 145 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
I - impostos;
II - taxas, em razão do exercício de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos
específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas
Quanto ao poder de tributar, seus limites são estabelecidos na Norma Constitucional nos seguintes termos:
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
I - importação de produtos estrangeiros:
II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;
III - renda e proventos de qualquer natureza;
IV - produtos industrializados;
V - operações de créditos, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários;
VI - propriedade territorial rural;
VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar;
§ 10. É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as
alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, lI, IV e V.
Art. 154. A União poderá instituir:
I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e
não tenham fato gerador ou base de cálculo próprio dos discriminados nesta Constituição;
II - na iminência ou no caso de guerra externa impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua
competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação.
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
I - transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos;
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual
e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;
III - propriedade de veículos automotores;
Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
I - propriedade predial e territorial urbana;
II - transmissão inter vivos, a qualquer titulo, por ato oneroso, de bens imóveis, exceto os de garantia, bem
como cessão de direitos à sua aquisição;
III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, lI, definidos em lei complementar;

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b) Quanto à Natureza: Receitas Orçamentárias X Receitas Extra-Orçamentárias
- Receitas Orçamentárias: São todos os ingressos financeiros de caráter não transitório auferidos pelo Poder
Público. Se subdivide ainda nas seguintes categorias econômicas: receitas correntes e receitas de capital.
- Receitas Extra-Orcamentárias: Correspondem aos valores provenientes de toda e qualquer arrecadação que
não figuram no orçamento público, por não pertencerem de fato ao Governo. São os recebimentos transitórios de
recursos, a exemplo de cauções, depósitos, retenções, etc.
c) Quanto à Repercussão Patrimonial: Efetivas X Não-efetivas
- Efetivas: São aquelas em que os ingressos de disponibilidades de recursos não foram precedidos de registro
de reconhecimento do direito e não constituem obrigações correspondentes. Por isso, aumentam a situação líquida
patrimonial. Exemplos: Receita Tributária, Receita Patrimonial, Receita de Serviços, etc.
- Não-Efetivas: São aquelas em que os ingressos de disponibilidades de recursos foram precedidos de registro
de reconhecimento do direito. Por isso, não alteram a situação líquida patrimonial. Exemplos: alienação de bens,
operações de crédito, amortização de empréstimo concedido no passado, cobrança de dívida ativa, etc.
d) Quanto à Regularidade: Ordinárias X Extraordinárias
- Receitas Ordinárias: Apresentam certa regularidade na sua arrecadação, sendo normatizadas pela Constituição
ou por leis específicas. Exemplos: arrecadação de impostos, transferências recebidas do Fundo de Participação dos
Estados e do Distrito Federal, etc.
- Receitas Extraordinárias: São aquelas que representam ingressos acidentais, transitórios e, as vezes, até de
caráter excepcional, como os impostos por motivo de guerra, heranças, etc.
e) Quanto à forma de sua realização: Receitas Próprias, de Transferências e de Financiamentos
- Próprias: Quando seu ingresso é promovido pela própria entidade, diretamente, ou através de agentes
arrecadadores autorizados. Exemplo: tributos, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, multas e juros de
mora, alienação de bens, etc.
- De Transferências: Quando a sua arrecadação se processa através de outras entidades, em virtude de
dispositivos constitucionais ou legais, ou ainda, mediante celebração de acordos ou convênios. Exemplo: cota-parte
de Tributos Federais aos Estados e Municípios (FPE e FPM ), Cota-Parte de Tributos Estaduais aos Municípios
(ICMS e IPV A), convênios, etc.
- Financiamentos: São as operações de crédito realizadas com destinação específica, vinculadas à comprovação
da aplicação dos recursos. São exemplos os financiamentos para implantação de parques industriais, aquisição de
bens de consumo durável, obras de saneamento básico, etc.
f) Segundo a Categoria Econômica: Receitas Correntes X Receitas de Capital
RECEITAS CORRENTES: São destinadas a financiar as Despesas Correntes. Classificam-se em:
- Receitas Tributárias - as provenientes da cobrança de impostos, taxas e contribuições de melhoria.
- Receitas de Contribuições - as provenientes da arrecadação de contribuições sociais e econômicas; por
exemplo: contribuições para o PIS/PASEP, contribuições para fundo de saúde de servidores públicos, etc.
- Receita Patrimonial - proveniente do resultado financeiro da fruição do patrimônio, decorrente da propriedade
de bens mobiliários ou imobiliários; por exemplo: aluguéis, dividendos, receita oriunda de aplicação financeira, etc.
- Receita Agropecuária - proveniente da exploração das atividades agropecuárias; por exemplo: receita da
produção vegetal, receita da produção animal e derivados.
- Receita Industrial - é proveniente das atividades ligadas à indústria de transformação. Exemplos: indústria
editorial e gráfica, reciclagem de lixo, etc.
- Receitas de Serviços - provenientes de atividades caracterizadas pela prestação se serviços por órgãos do
Estado; por exemplo: serviços comerciais (compra e venda de mercadorias ), etc.
- Transferencias Correntes - recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados ao
atendimento de despesas correntes.
- Outras Receitas Correntes - grupo que compreende as Receitas de Multas e Juros de Mora, Indenizações e
Restituições, Receita da Dívida Ativa, etc.
RECEITAS DE CAPITAL: São destinadas ao atendimento das Despesas de Capital. Dividem-se em:
- Operações de Crédito - financiamentos obtidos dentro e fora do País; recursos captados de terceiros para
financiar obras e serviços públicos. Exemplos: colocação de títulos públicos, contratação de empréstimos e
financiamentos, etc;
- Alienação de Bens - provenientes da venda de bens móveis e imóveis;
- Amortização de Empréstimos - provenientes do recebimento do principal mais correção monetária, de
empréstimos efetuados a terceiros;
- Transferência de Capital - recursos recebidos de outras entidades para aplicação em despesas de capital. O
recebimento desses recursos não gera nenhuma contraprestação direta em bens e serviços;
- Outras Receitas de Capital - envolvem as receitas de capital não classificáveis nas anteriores.

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DÍVIDA ATIVA
A Dívida Ativa da União é composta por todos os créditos desse ente, sejam eles de natureza tributária ou não-
-tributária, regularmente inscritos pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, depois de esgotado o prazo fixado
para pagamento, pela lei ou por decisão proferida em processo regular. Pode ser:
- Dívida Ativa Tributária: crédito da Fazenda Pública proveniente da obrigação legal relativa a tributos e
respectivos adicionais e multas.
- Dívida Ativa Não Tributária: demais créditos da Fazenda Pública tais como os provenientes de empréstimos
compulsórios; contribuições estabelecidas em lei; multas de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias; foros;
laudêmios; aluguéis ou taxas de ocupação; custas processuais; preços de serviços prestados por estabelecimentos
públicos; indenizações entre outras obrigações legais.
A dívida ativa pressupõe de certeza e liquidez, e equivale a prova pré-constituída contra o devedor.
A inscrição da dívida ativa é um fato de natureza extra-orçamentária e provoca um aumento no patrimônio líquido
representado por uma conta de variação patrimonial aumentativa, como uma superveniência ativa (acréscimo patrimonial).
DESPESA PUBLICA
Despesa pública é o conjunto de dispêndios do Estado ou de outra pessoa de direito público a qualquer título,
a fim de saldar gastos fixados na lei do orçamento ou em lei especial, visando à realização e ao funcionamento dos
serviços públicos. Nesse sentido, a despesa é parte do orçamento, ou seja, aquela em que se encontram classificadas
todas as autorizações para gastos com as várias atribuições e funções governamentais. Em outras palavras, as des-
pesas públicas formam o complexo da distribuição e emprego das receitas das receitas para custeio e investimento
em diferentes setores da administração governamental.
Quanto à sua natureza, classificam-se em:
- Despesa Orçamentária: é aquela que depende de autorização legislativa para ser realizada e que não pode ser
efetivada sem a existência de crédito orçamentário que a corresponda suficientemente.
- Despesa Extra-Orçamentária: trata-se dos pagamentos que não dependem de autorização legislativa, ou seja,
não integram o orçamento público. Correspondem à restituição ou entrega de valores arrecadados sob o titulo de receita
extra-orçamentária. Ex.: devolução de fianças e cauções; recolhimento de imposto de renda retido na fonte, etc.
A despesa Orçamentária se divide ainda conforme figura abaixo:

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A despesa pública é executada em três estágios: empenho, liquidação e pagamento.

1º ESTÁGIO – EMPENHO DA DESPESA

Ordinário – despesas normais


Estimativa – despesas variáveis
Global – despesas contratuais e sujeitas a parcelamentos

Empenho é o primeiro estágio da despesa e “é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado
obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição”. O empenho é prévio, ou seja, precede a rea-
lização da despesa e está restrito ao limite de crédito orçamentário (art. 59). É vedada a realização da despesa sem
prévio empenho (art. 60). A formalização do empenho se dá com a emissão do pedido de empenho, pelos setores
competentes, e devidamente autorizados, no Módulo Financeiro. A emissão da Nota de Empenho representa uma
garantia para o fornecedor ou para o prestador de serviço contratado pela Administração Pública de que a parcela
referente a seu contrato foi bloqueada para honrar os compromissos assumidos. Pode-se deduzir, portanto, que o
orçamento é compromissado através do empenho. O empenho da despesa é o instrumento de utilização de créditos
orçamentários.
Entende-se por nota de empenho o documento utilizado para fins de registro da operação de empenho de uma
despesa. Para cada empenho será extraída uma nota de empenho, que indicará o nome do credor (beneficiário do
empenho), a especificação e a importância da despesa.
O empenho para compras, obras e serviços só pode ser emitido após a conclusão da licitação, salvo nos casos
de dispensa ou inexigibilidade, desde que haja amparo legal na legislação que regulamenta as licitações (Lei nº
8.666/93). As despesas só podem ser empenhadas até o limite dos créditos orçamentários iniciais e adicionais, e de
acordo com o cronograma de desembolso da unidade gestora, devidamente aprovado.
O empenho deverá ser anulado:
• no decorrer do exercício:
– parcialmente, quando seu valor exceder o montante da despesa realizada; ou – totalmente, quando o serviço
contratado não tiver sido prestado, quando o material encomendado não tiver sido entregue ou quando o empenho
tiver sido emitido incorretamente.
• no encerramento do exercício, quando o empenho referir-se a despesas não liquidadas, salvo aquelas que se
enquadrarem nas condições previstas para a inscrição em restos a pagar.
O valor correspondente ao empenho anulado reverte ao crédito, tornando-se disponível para novo empenho ou
descentralização, respeitado o regime de exercício.

2º ESTÁGIO – LIQUIDAÇÃO

A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido


pelo credor, tendo por base os títulos e documentos comprobatórios
do respectivo crédito.

A liquidação tem por fim apurar:

 a origem e o objeto do que se deve pagar;


 a importância exata a ser paga e
 a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação

O estágio da liquidação da despesa envolve, portanto, todos os atos de verificação e conferência, desde a entrada
do material ou a prestação do serviço até o reconhecimento da despesa.
A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou por serviços prestados terá por base:
 Contrato, ajuste ou acordo respectivo;
 A nota de empenho;
 Os comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do serviço.

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3º ESTÁGIO – PAGAMENTO

A ordem de pagamento é o despacho exarado pela autoridade


competente determinando que a despesa seja paga.

A ordem de pagamento só poderá ser exarada em documentos


processados pelos serviços de contabilidade.

O pagamento da despesa será efetuado por tesouraria ou pagadoria


regularmente instituído por estabelecimentos bancários credenciados,
ou em casos excepcionais, por meio de adiantamento.

Não confundir ordem de pagamento com ordem bancária. A ordem de pagamento é despacho exarado pela
autoridade competente, determinando que a despesa seja paga. Ordem bancária é o documento emitido através do
Siaf, que transfere o recurso financeiro para a conta do credor.
Vale ressaltar que, a Secretaria do Tesouro Nacional considera, durante o exercício financeiro, a despesa pela
sua liquidação, entretanto, para fins de encerramento do exercício financeiro, toda a despesa empenhada e não anu-
lada até 31 de dezembro, será considerada despesa nas demonstrações contábeis.
SUPRIMENTOS DE FUNDOS
O Suprimento de Fundos (Parágrafo 3º do Art. 74 do D. L. Nº 200/67) ou o adiantamento (Art. 68 da Lei Nº
4.320/64) é um instrumento de exceção, ao qual pode recorrer o Ordenado de Despesa, a seu critério e sob a sua
inteira responsabilidade, para, através de Servidor, realizar despesas que não possam se subordinar ao processo
normal de aplicação.
O suprimento de fundos consiste na entrega de valores a servidor, sempre precedida de empenho na dotação
própria para o fim de realizar despesas, que não possam ater-se ao processo normal de aplicação.
É passível de concessão através de Suprimento de Fundos apenas as despesas:
 com serviços especiais que exijam pronto pagamento em espécie;
 que deva ser feita em caráter sigiloso, conforme se classificar em regulamento;
 despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor não ultrapasse a 0,25% do valor estabele-
cido no Art. 23, inciso II, do Lei 8.666, no caso de compras e serviços.
Na modalidade de suprimento de fundos, registram-se, antecipadamente, o empenho, a liquidação e o pagamento
da despesa, sem importar que o suprido ainda não tenha empregado os recursos.
Depois de ter utilizado os recursos para a finalidade que lhe foi confiada, o servidor suprido devera prestar
contas dos gastos. Ademais, pode haver a devolução de recursos confiados, ou na hipótese de restar saldo sem
aplicação, ou ainda na hipótese de impugnação de despesas.
Não se concederá Suprimento de Fundos:
 existência de dois suprimentos de fundos confiados ao servidor;
 não apresentação, ou não aprovação, da prestação de contas de suprimento antes concedido;
 o fato de o servidor ser responsável pela guarda ou pela utilização do material a ser adquirido por meio do
suprimento, a não ser que não exista, na repartição, outro servidor.
O SUPRIMENTO PODERÁ SER CONCEDIDO A:
 Servidor designado para a execução de serviço;
 Coordenador;
 Presidente de Comissão ou de grupo de trabalho, para as despesas em conjunto ou isoladamente de cada
integrante;
 Servidor a quem se atribua o encargo do pagamento de despesas, autorizadas pela autoridade ordenadora,
daqueles que tenham sido encarregados do cumprimento de missão que exija transporte, quando a repartição não
dispuser de meios próprios, ou para atender situações de emergência.

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O Suprimento de Fundos não poderá ser destinado a cobrir despesas de locomoção de servidor em viagem
quando este houver recebido diárias.
O Suprimento, coberto por empenho na dotação de “Serviços” poderá comportar despesas com materiais de
consumo, quando indispensáveis à execução dos serviços e desde que fornecidos ou adquiridos pelo prestador de
serviços, devendo ser observada a preponderância do custo dos serviços prestados.
Cabe ao Ordenador de Despesa A Fixação do Valor do Suprimento de Fundos, bem como, do Prazo de Aplicação,
que não deverá exceder a 90 (Noventa) dias, nem ultrapassar o término do exercício financeiro, e o da Prestação de
Contas, que deverá ser apresentada dentro de 30 (Trinta) dias subsequentes.
A importância aplicada até 31 de Dezembro será comprovada até 15 de Janeiro seguinte.
Na aplicação do Suprimento de Fundos devem ser rigorosamente observadas as condições e finalidades previstas
no ato da concessão.
Os documentos comprobatórios da despesa efetuada a conta de Suprimento de Fundos são extraídos em nome
da Unidade Gestora concedente do Suprimento.
Deve constar dos comprovantes ou recibos, A Atestação de que os serviços foram prestados ou de que o
material foi recebido pela unidade, passado por funcionário que não o Suprido.
O servidor que receber Suprimento de Fundos é obrigado a prestar contas de sua aplicação, sujeitando-se a
Tomada de Contas, se não o fizer no prazo assinalado pelo Ordenador de Despesa.
Quando uma Prestação de Contas deixar de ser apresentada no tempo devido, ou quando contiver irregularidade,
Ordenador de Despesa, sob pena de Corresponsabilidade, adotará as providências necessárias, para evitar prejuízo
à Fazenda Nacional.
FORMALIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS DE SUPRIMENTO DE FUNDOS
DOCUMENTOS NECESSÁRIOS:
1- Cópia do ato de concessão do Suprimento;
2- Primeira via da nota de empenho;
3- Extrato da conta bancária se for o caso;
4- Demonstração das receitas e despesas;
5- Comprovantes, em originais, das despesas realizadas, devidamente atestadas, emitidos em data igual ou
posterior ao recebimento do numerário, e compreendida dentro do período fixado para aplicação, em nome do órgão
emissor do empenho, sendo:
 Compra de material – Nota Fiscal de Venda ao consumidor;
 Prestação de serviços por pessoa jurídica – Nota Fiscal de Serviços;
 Prestação de Serviços por Pessoa Física – Recibo de Pagamento de Autônomo (RPA) ou recibo comum,
para os casos de credores inscritos ou não do INSS, respectivamente;
 Comprovante de recolhimento do saldo se for o caso.

RESTOS A PAGAR
O regime de competência exige que as despesas sejam contabilizadas conforme o exercício a que pertençam. Se
uma despesa foi empenhada em um exercício e somente foi paga no exercício seguinte, ela deve ser contabilizada
como pertencente ao exercício do empenho e o seu pagamento deve ser considerado extra-orçamentário.
Conceito
Consideram-se Restos a Pagar, ou resíduos passivos, de acordo com art. 36 da Lei nº 4.320/1964 , as despesas
empenhadas mas não pagas dentro do exercício financeiro (31.12). Para maiores esclarecimentos sobre o assunto,
veja também arts. 35 e 67 do Decreto nº 93.872/ 86.
As despesas inscritas em Restos a Pagar classificam-se em:
a) Processadas: são despesas em que o credor já tenha cumprido com as suas obrigações, ou seja, que já tenha
entregue o material ou executado o serviço ou etapa de uma obra, dentro do exercício, tendo, portanto, direito
líquido e certo e em condições de receber pagamento imediato.
b) Não Processadas: são as despesas que dependem ainda da prestação do serviço ou fornecimento do material,
isto é, o direito do credor não foi apurado. São despesas ainda não liquidas.

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Inscrição em Restos a Pagar 
Faz-se necessário recordar o estágio de Empenho da Despesa em que o art. 35 do Decreto nº 93.872/86 determina
que a despesa empenhada e não liquidada será considerado anulado em 31 de dezembro, para todos os fins, salvo
quando:
a) ainda vigente para cumprimento da obrigação assumida pelo credor;
b) vencido o prazo para cumprimento da obrigação, mas esteja em curso a liquidação da despesa, ou seja, de
interesse da Administração, exigir o cumprimento da obrigação assumida pelo credor;
c) se destinar a atender transferências a instituições públicas ou privadas; e
d) corresponder a compromisso assumido no exterior. Os empenhos enquadrados nas ressalvas anteriormente
citadas, bem como as despesas já liquidadas e não pagas, serão automaticamente inscritos em Restos a Pagar, no
encerramento do exercício.
Observações Importantes sobre Restos a Pagar 
1 - Os Restos a Pagar terão validade até 31 de dezembro do exercício financeiro subsequente, a partir de então
serão cancelados (prescrição interrompida).
2 - A inscrição da despesa em Restos a Pagar deverá ser feita pelo valor devido, ou caso o valor seja desconhecido,
pelo valor estimado. Neste caso, duas hipóteses podem ocorrerá) o valor a ser pago é superior ao valor inscrito: a
diferença deverá ser empenhada à conta de Despesas de Exercícios Anteriores ; e
b) o valor a ser pago é inferior ao valor inscrito: o saldo deverá ser anulado 
3 - É vedada a reinscrição de empenhos em Restos a Pagar  . O reconhecimento de eventual direito do credor
deverá ser feito através da emissão de nova Nota de Empenho, no exercício de   Administração Financeira e
Orçamentária recognição, à conta de Despesas de Exercícios Anteriores, respeitando-se a categoria econômica
própria.
4 - “Os Restos a Pagar com prescrição interrompida “ não significa dizer que o direito do credor também esteja
cancelado. O direito creditório terá validade por 5 (cinco) anos a partir da datada inscrição em Restos a Pagar.
O encerramento do exercício e os restos a pagar 
A designação de parcelas da despesa pública sob a denominação “restos a pagar” tem sua origem nos princípios
da legalidade da despesa e da anualidade do orçamento público.
A execução das despesas autorizadas no orçamento anual exige o cumprimento de diversas etapas, como a
elaboração de projetos, a publicação de editais, a licitação, a realização de contratos e a produção dos bens e
serviços, muitas vezes em prazo que se estende para além do exercício correspondente.
No entanto, as práticas contábeis usuais no setor público brasileiro, atreladas a esses princípios, recomendam
a apropriação das despesas orçamentárias no mesmo exercício financeiro do correspondente orçamento,
independentemente da fase em que se encontre a sua realização.
Com a indicação da totalidade das despesas realizadas no exercício, as quais, se não pagas, permaneceriam
registradas em restos a pagar, busca-se a preservação do princípio da anualidade do orçamento.
A prática permite, adicionalmente, demonstrar o cumprimento do princípio da legalidade da despesa, já que são
apropriadas no exercício as despesas integrantes do orçamento autorizado pelo Poder Legislativo.
Assim, a norma legal estabelece que, no encerramento do exercício, a parcela da despesa que se encontrar em
qualquer fase de execução posterior à emissão do empenho e anterior ao pagamento será considerada restos a pagar.
Atualmente, a definição legal para “restos a pagar” encontra-se inserida no art. 36 da Lei n. 4.320, de 1964, onde
se estabelece que “consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas mas não pagas até o dia 31 de dezembro,
distinguindo-se as processadas das não processadas.
”O arcabouço regulatório das finanças públicas brasileiras, anterior à edição da LRF, já exigia que o orçamento
aprovado apresentasse equilíbrio entre receitas e despesas, de modo que, caso se confirmassem as estimativas de
arrecadação, o resultado fiscal do exercício jamais apresentaria surpresas negativas.
Essa situação ideal, porém, nem sempre acontece. As deficiências dos mecanismos de elaboração das estimativas
de arrecadação resultam em que a receita efetiva do exercício se realize em montantes expressivamente diferentes
daqueles constantes da lei orçamentária anual.
A Lei 4.320/1964 previu hipótese de ajuste no orçamento apenas para as situações em que o erro das estimativas
de arrecadação se verifica no sentido da realização de uma receita de valor maior que o previsto. Caracterizado
o excesso de arrecadação, aquela Lei prevê abertura de créditos adicionais no mesmo exercício ou, em exercício
seguinte, mediante incorporação do superávit financeiro apurado no balanço anual.
A situação inversa, ou seja, a frustração da arrecadação, foi tratada na Lei 4.320/1964 apenas nos artigos que
determinam a elaboração de quadro de cotas trimestrais que cada órgão ficará autorizado a utilizar, mecanismo de
programação que se destinava a evitar “eventuais insuficiências financeiras”.

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No que diz respeito à execução orçamentária, a Lei 4.320 admitia que houvesse a inscrição em restos a pagar de
qualquer valor autorizado na lei orçamentária anual, independentemente de terem se realizado as receitas estimadas
e necessárias à sua cobertura.
A deficiência normativa da Lei 4.320/1964 talvez se explique pelo fato de que, à época de sua edição, e
mesmo no período imediatamente anterior, o País convivia com expressivos índices inflacionários, sendo comum a
ocorrência de excessos de arrecadação. Mesmo em período mais recente (até o final dos anos 80) a prática usual foi
a realização de estimativas de arrecadação com base em parâmetros conservadores, como, por exemplo, previsão de
índices de inflação mais baixos que aqueles apontados pelos indicadores econômicos, principalmente nas ocasiões
em que a variação de preços apresentava trajetória ascendente.
Com esse mecanismo, a receita era subestimada, de modo a permitir a realização de excessos de arrecadação ao
longo do exercício, o que abria espaço para a abertura de créditos adicionais, prática adotada principalmente antes
da edição da Constituição de 1988, quando o Poder Executivo dispunha de maior autonomia para abrir créditos
adicionais.
Outro procedimento de ajuste durante os anos em que o País conviveu com elevados índices inflacionários foi
a postergação de pagamentos. Uma vez que a peça orçamentária é estabelecida em valores nominais, no início de
cada ano, quanto mais tardiamente se realizasse a sua execução, menor seria o valor real das despesas pagas.
Ao final de cada exercício, mesmo que a receita realizada se apresentasse expressivamente menor que aquela
estimada no orçamento anual, a despesa excedente era inscrita em restos a pagar e a corrosão inflacionária, ao longo
do tempo, se encarregava de reduzir gradativamente o seu valor real, reduzindo, por consequência, a amplitude da
dificuldade financeira dos governos.
Assim, mediante expedientes como atrasos de pagamentos e postergação de reajustes salariais e de benefícios
diversos, o poder público terminava realizando o ajuste de suas contas sem necessidade de corte no orçamento.
A existência desses mecanismos permitiu ao País conviver, por muitos anos, com uma legislação orçamentária
incompleta.
Tais práticas, porém, deixaram de ser eficientes a partir de quando os índices de inflação foram reduzidos aos
níveis atuais. Não é difícil compreender que a realização de déficits orçamentários (despesas maiores que receitas)
ao longo de vários exercícios seguidos tem como resultado o crescimento contínuo do volume dos restos a pagar.
Essa foi a experiência vivida nas três esferas de governo no Brasil nos últimos anos, verificando-se, em muitos
casos, o comprometimento da execução do orçamento dos exercícios correntes, em vista do elevado volume dos
restos a pagar inscritos.
Ao final de cada ano, a inscrição em restos a pagar, de despesas que não se encontrem suportadas por receita do
próprio exercício, tem como resultado a necessidade de utilização de receitas futuras para o seu pagamento.
Porém, se as receitas estimadas para os exercícios seguintes são utilizadas como fonte para autorização de novas
despesas, jamais sobrarão os recursos necessários para o pagamento das despesas inscritas em montante superior às
disponibilidades financeiras do final do exercício da inscrição.
Na prática, as alternativas adotadas terminavam sendo as seguintes:
1) a inscrição de novas despesas em restos a pagar, ao final do novo exercício, gerando um processo de
contínuo crescimento dos compromissos não respaldados em arrecadação, ou seja, crescimento descontrolado de
endividamento e comprometimento das finanças públicas; ou
2) a não execução das despesas autorizadas no orçamento corrente, para que sobrassem os recursos financeiros
necessários ao pagamento das despesas do exercício anterior.
Especialmente em final de mandato, quando são ampliadas as pressões para acomodação das demandas de
gasto, essa prática poderia fazer com que o futuro governante deixasse de realizar seu programa de governo para
viabilizar o pagamento de compromissos assumidos pela administração anterior.
Foi por esse motivo que se introduziu na LRF o art. 42, disciplinando a inscrição dos restos a pagar em final de
mandato. Adicionalmente, introduziu-se também, no Código Penal Brasileiro, por intermédio da Lei 10.028/2000,
o art. 359-F, o qual prevê o cancelamento dos restos a pagar que tiverem sido inscritos em montante superior às
disponibilidades financeiras do encerramento do respectivo exercício.
As regras de limitação de assunção de compromissos, com impacto sobre a inscrição dos restos a pagar, devem
ser entendidas sob o enfoque da necessidade de arrecadação que dê o devido suporte financeiro para o pagamento
das despesas correspondentes.
De fato, não é razoável assumir compromissos de pagamento sem que se disponha de fonte de recursos definida
para saldá-los.
Assim, o que se pretende é evitar que o governo se insira no círculo vicioso já mencionado, inscrevendo restos
a pagar em montante que comprometa receitas futuras indefinidas.
O aspecto relevante da questão, portanto, se resume a que, quando o governo realiza arrecadação que comporta
a despesa, não há qualquer problema se o pagamento vier a ocorrer em exercício seguinte.

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Neste caso, cabe a apropriação dessa despesa à conta do orçamento vigente e sua inscrição em restos a pagar, de
forma que o seu pagamento se realizará no futuro, independentemente de nova execução orçamentária.
Em caso contrário, se o governo não contou com arrecadação suficiente para o pagamento de determinada
despesa, mas já assumiu compromisso irrevogável, cabe encontrar uma fonte de recursos que possa dar-lhe o devido
suporte financeiro.
Em situações como essa, só resta uma saída: realizar o pagamento à conta do orçamento futuro, no qual se
inserirá a correspondente fonte de receita.
Embora a LRF se refira apenas aos restos a pagar relativos às despesas dos dois últimos quadrimestres do último
ano do mandato, é de se reconhecer a conveniência de que os mesmos procedimentos sejam adotados em todos os
anos ao longo do mandato.
De fato, observados estritamente os termos do art. 42 da LRF, eventuais dívidas (restos a pagar) poderiam ser
roladas ao longo dos anos de um mesmo mandato.
No entanto, considerando-se que a finalidade da norma é disciplinar a execução do orçamento de forma a
reduzir os riscos de desequilíbrio, cabe recomendar a adoção da mesma regra em todos os anos do mandato. Três
questões se apresentam em situações como essa: a apropriação da despesa pelo regime de competência, a existência
ou não de dotação que comporte a mesma despesa no orçamento do exercício seguinte e a não execução de despesas
orçadas.
Cancelamento de restos a pagar como fonte para novas dotações orçamentárias.
O orçamento para o novo exercício poderá não contar com dotação que comporte a mesma despesa, principalmente
quando se tratar de projetos que não contem com dotações anualmente.
Assim, para viabilizar a execução dessa despesa, o governo terá que promover o devido ajuste em seu orçamento,
segundo as regras específicas de abertura de créditos orçamentários.
Nesse caso, a prática usual é a apropriação da despesa, no novo orçamento, em conta denominada “despesas de
exercícios anteriores”, em conformidade com o previsto na Lei nº. 4.320/1964. Os restos a pagar compõem a dívida
flutuante (de curto prazo) cujo total representa o passivo financeiro, nos termos do parágrafo 3º do art. 105 da Lei
4.320/1964.
Por sua vez, os créditos adicionais podem ter como fonte alternativa o superávit financeiro apurado no exercício
anterior, nos termos do inciso I do § 1º do art. 43 da mesma Lei.
Dessa forma, o cancelamento de restos a pagar, por implicar redução do passivo financeiro, contribuirá para a
formação do superávit financeiro do exercício em que ocorrer o cancelamento, abrindo espaço para sua utilização
como fonte para abertura de créditos adicionais no exercício seguinte.
No entanto, no exercício em que se realizar o cancelamento de restos a pagar, o valor correspondente não
constitui fonte para abertura de créditos adicionais, uma vez que não há previsão legal nesse sentido.
Possibilidade de não execução de despesas orçadas.
Em determinadas situações podem ser apontados eventuais questionamentos quanto a conflitos entre disposições
da LRF e da LDO ou da LOA. Em primeiro lugar, cabe considerar que o orçamento é autorizativo, de forma que a
LOA não impõe obrigatoriedade de realização das despesas nela alocadas.
Ademais, a LRF introduz normas gerais fundamentadas em princípios que devem ser observados por qualquer
administrador público, como a não assunção de obrigações em montantes maiores que a capacidade de pagamento
do governo.
Portanto, cabe aplicar a regra fundamental, qual seja:
Uma vez que não se realize a arrecadação estimada na LOA, o valor da despesa que ultrapassar o montante da
receita realizada não deverá ser executado para que não seja comprometida receita futura.
Por isso, as despesas a serem executadas necessariamente deverão ter valor menor que o orçado.
Esse comportamento prudente sempre foi possível, mas com a edição da LRF tornou-se obrigatório para o
último ano de mandato.
Determinações Específicas para Final de Mandato 
Infringe o art. 42 quem, nos últimos oito meses que antecedem o final do mandato, contrair obrigação de
despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele ou que a inscreva em restos a pagar sem deixar igual
disponibilidade de caixa para que o sucessor possa atendê-la.
O art. 42 da LRF foi concebido com a finalidade de vedar a rolagem de compromissos de um exercício para
outro, no último ano do mandato, evitando que sejam irresponsavelmente contraídas obrigações de pagamento que
não possam ser pagas com as disponibilidades financeiras existentes ao final do próprio exercício.
Assim, a norma legal busca impedir que compromissos não respaldado sem disponibilidades financeiras sejam
transferidos para o sucessor. Ou seja, a regra é que o governante “deixe a casa arrumada para seu sucessor”.

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Por sua vez, o art.359-F do Código Penal, introduzido pela Lei de Crimes Fiscais, prevê o cancelamento dos
restos a pagar ilegalmente inscritos, herdados do período anterior, ou seja, aqueles que houverem ultrapassado o
valor das disponibilidades financeiras existentes.
Os dois dispositivos legais fundamentam-se na compreensão de que, apesar de todo o instrumental instituído
pela LRF, visando a realização do ajuste entre receitas e despesas ao longo do exercício de execução do orçamento,
eventualmente surpresas de última hora, ou mesmo o simples descumprimento das determinações da Lei, podem
resultar desajustes. Nesse caso, poderá ocorrer situação em que a receita arrecadada não atinja os montantes
estimados na Lei Orçamentária e nas reestimativas realizadas nos relatórios bimestrais da execução orçamentária
e financeira.
Não tendo o ajuste se realizado na ocasião adequada, as referidas Leis determinam sua realização no fechamento
do balanço do último ano do mandato, mediante limitação dos restos apagar ao montante das disponibilidades
financeiras, ou, já no mandato seguinte, mediante cancelamento dos restos a pagar inscritos.
Assim, se a nova administração herdar restos a pagar que eventualmente não guardam conformidade com os
dispositivos do art. 42, cabe a aplicação do art. 359-F do Código Penal, a seguir transcrito: “Art. 359-F. Deixar de
ordenar, de autorizar ou de promover o cancelamento do montante de restos a pagar inscrito em valor superior
ao permitido em lei: 
Esse dispositivo legal exige que os restos a pagar inscritos, que tenham ultrapassado o limite das disponibilidades
financeiras, sejam cancelados. Evidentemente, o cancelamento de despesas inscritas em restos a pagar encontra
maior ou menor viabilidade conforme a natureza das despesas de que se trate, bem como do estágio de realização
dos compromissos assumidos.
Respeito aos contratos
Não cabe à LRF determinar o desfazimento de contratos perfeitos. Se o valor inscrito representar obrigação
irrevogável, o cancelamento dos restos a pagar deverá ser acompanhado de registro contábil que indique a situação
passiva correspondente.
Nesse caso, corroboramos a recomendação expedida por alguns Tribunais de Contas, no sentido de que os restos
a pagar cancelados nessa condição sejam apropriados na dívida flutuante, permanecendo pendentes de execução
orçamentária uma vez que, por não terem sido arrecadados os recursos necessários ao seu pagamento, deve-se
buscá-los em orçamento de exercício posterior ao da inscrição.
A LRF não autoriza nem incentiva a quebra de contratos perfeitos ou a adulteração ou “maquiagem” da
contabilidade.
O que a Lei exige é que as decisões de gasto do governante sejam pautadas pela prudência, o que implica
deixar de contrair despesas para as quais não exista certeza de que haverá, na época devida, os recursos financeiros
necessários para saldá-las.
Sobre o assunto, é de se ressaltar que a LRF não autoriza nem incentiva a realização de contratos à margem
do processo orçamentário. Ao contrário, seu art. 37 veda a assunção de obrigação junto a fornecedores de bens
ou serviços, sem autorização orçamentária, para pagamento “a posteriori” (os chamados “contratos de gaveta”),
caracterizando-se tal ação como operação de crédito irregular, sujeita a punição na forma da Lei de Crimes Fiscais.
Há que se considerar também que, em determinadas circunstâncias, é possível cancelar empenhos sem prejuízo
de compromissos firmados.
No entanto, quando as condições do contrato ou a situação em que se encontrar sua execução não permitirem
o cancelamento da despesa, os compromissos deverão ser honrados, para que o fornecedor de boa fé não venha a
ser lesado.
Individualização das responsabilidades
Em consonância com a LRF, que respeita e preserva o princípio constitucional de independência dos Poderes,
um Poder não será responsabilizado pela ação irregular do outro.
Assim, o art. 20 da LRF define os níveis de individualização das responsabilidades por Poder, dos quais
decorrem as seguintes conclusões:
a) A disponibilidade financeira e os restos a pagar a serem considerados para efeito de aplicação do art. 42 são
os do Poder ou órgão referido no art. 20. Não se trata aqui dos órgãos descentralizados do Poder Executivo, como
os Ministérios, as Secretarias ou Departamentos que administrem seus próprios orçamentos, mas tão somente os
órgãos do Legislativo (Câmara Municipal, no caso dos municípios), do Judiciário, e o conjunto dos órgãos do
Executivo.

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b) A regra possui cunho de responsabilização pessoal e aplica-se no último ano de mandato dos chefes de Poder
ou órgão referido no art. 20, ou seja, a todos os Poderes, independentemente dê ser o mandato eletivo ou não.
É importante destacar que a regra do art. 42 aplica-se no último ano de mandato, independentemente de quem
seja o sucessor. Assim, ainda que o sucessor seja a mesma pessoa, em caso de reeleição, a regra deverá ser atendida.
Respeito à ordem cronológica
Outro aspecto relevante é que, não obstante a regra do art.42 aplicar-se apenas às despesas contraídas nos últimos
oito meses do último ano de mandato, não deverá ser dada prioridade à liquidação desses débitos em detrimento
daqueles assumidos no período anterior. Isto porque, em primeiro lugar, o art. 5º da Lei 8.666/93 veda tal conduta,
nos seguintes termos: “...devendo cada unidade da administração... obedecer, para cada fonte diferenciada de
recursos, a estrita ordem cronológica das datas de suas exigibilidades, salvo quando houver relevantes razões de
interesse público e mediante prévia justificativa da autoridade competente, devidamente publicada ”.
Ademais, o Decreto-Lei 201/67, no seu art.1º, inciso XII, considera crime de responsabilidade do Prefeito
“antecipar ou inverter a ordem de pagamento a credores do Município, sem vantagem para o erário ”. A ação
também não estará condizente com as disposições da LRF, uma vez que o parágrafo único do art. 42 da Lei estabelece
que “na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas compromissadas
a pagar até o final do exercício ”. Portanto, a norma legal implica que as disponibilidades financeiras ao final do
exercício deverão ser suficientes para saldar todos os compromissos de despesas de competência do período do
mandato, incluindo as do último ano e as dos exercícios anteriores.
Orientações para início de nova administração 
As futuras administrações, poderão deparar-se, entre outras irregularidades, com duas situações distintas: a
existência de compromissos não inscritos em restos a pagar, por força do disposto no art. 42, mas que não possam
deixar de ser honrados, ou a existência de restos a pagarem montante superior à disponibilidade financeira.
Para os dois casos, é recomendável seguir a orientação de lançamento dos compromissos na dívida flutuante, já
mencionada. De qualquer forma, é importante observar que:
A regra é o cumprimento dos contratos que já tenham produzido compromissos para a administração.
Assim, cabem os seguintes comentários:
a) havendo irregularidade na contratação ou na emissão do empenho, inclusive nos casos previstos no art. 21
da LRF, eventualmente as despesas poderão ser consideradas juridicamente nulas, situação em que poderão ser
cancelados os empenhos correspondentes.
b) nos casos regulares, em que os restos a pagar cancelados representem contratos que não geraram compromissos
para a administração, o novo governo poderá optar por manter ou não a sua vigência.
Em caso afirmativo, a despesa deverá realizar-se com utilização de dotação do orçamento corrente, mediante
emissão de novo empenho.
c) nos casos de restos a pagar cancelados cujos contratos tenham sido firmados como observância da legislação
e das regras pertinentes ao processo orçamentário (PPA, LDO e LOA) e não possam deixar de ser honrados, para
que o fornecedor não seja prejudicado, caberá também a emissão de novo empenho, à conta do exercício corrente,
independentemente das cominações legais imputáveis ao governante anterior.
d) se verificado o descumprimento da LRF, o novo governante poderá apresentar denúncia-crime contra seu
antecessor, nos termos da Lei de Crimes Fiscais. Especificamente no que se refere a restos a pagar, o art. 2º daquela
Lei inseriu no Código Penal Brasileiro os arts. 359-B, 359-C, 359- De 359-F, tipificando os seguintes crimes:
►ordenar ou autorizar a inscrição, em restos a pagar, de despesa que não tenha sido previamente empenhada
ou que exceda limite estabelecido em lei (ver art. 167, II, da CF, art. 60 da Lei 4.320/1964 e arts. 15, 16, 17 e 42
da LRF);
►ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos dois últimos quadrimestres do último ano do mandato
ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou,caso reste parcela a ser paga no
exercício seguinte, que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade financeira (ver art. 42 da LRF);
►ordenar despesa não autorizada por lei (ver art. 167, II, da CF, art. 60 da Lei 4.320/1964 e arts.15, 16, 17 e
42 da LRF); deixar de ordenar, de autorizar ou de promover o cancelamento do montante dos restos a pagar inscrito
em valor superior ao permitido em lei (imputável ao novo governante que não cancelar os restos a pagar inscritos
pela administração anterior em montante maior que a disponibilidade financeira).
No que se refere à aplicação de penalidade pelo descumprimento do art. 42 da LRF, é de se ressaltar que a Lei
de Crimes Fiscais (Lei 10.028/2000) somente entrou em vigor no dia 20 de outubro de 2000. Portanto, observado
o princípio da não retroatividade das leis, não poderá o apenamento recair sobre ordenação ou autorização de
assunção de obrigação que tenha se realizado em data anterior.

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É importante destacar que os créditos suplementares se confundem com o orçamento, daí a sua vigência.
Quando o ato de autorização de créditos especiais e extraordinários for promulgado nos últimos 4 (quatro) meses
do exercício financeiro, estes poderão ser reabertos nos limites dos seu saldos e viger até o término do exercício
subsequente. Caso o ato de autorização seja promulgado até 31 de agosto, estes vigerão até o término do exercício.
Finalmente, devemos acrescentar que a reabertura de créditos especiais e extraordinários no exercício
subsequente se fará através de novo Decreto.
Recursos Disponíveis para Abertura de Créditos Adicionais 
Conforme o disposto no art. 43, § 1º, da Lei nº 4.320/1964, consideram-se recursos disponíveis para a abertura
de créditos especiais e suplementares:
a) o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior;
b) os provenientes do excesso de arrecadação;
c) os resultantes da anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados
em lei; e
d) o produto de operações de créditos autorizadas em forma que juridicamente possibilite ao Poder Executivo
realizá-las.
Entende-se como superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior, de acordo com
o § 2º, do art. 43 da Lei nº 4.320/1964, a diferença positiva entre o ativo e o passivo financeiro, combinado com
os saldos de créditos adicionais transferidos e as operações de crédito a eles vinculadas. Vale lembrar que o ativo
financeiro compreende os créditos e valores realizáveis independentemente de autorização orçamentária. Da
mesma forma, o passivo financeiro compreende os compromissos exigíveis cujo pagamento seja independente de
autorização orçamentária.
Exemplificando: Suponha que o ativo financeiro seja R$ 18 milhões e o passivo R$ 10 milhões temos um saldo
positivo de R$ 8 milhões.
Prosseguindo, no exercício foram reabertos créditos adicionais de R$ 6,5 milhões, com isto teríamos que subtrair
do saldo positivo apurado (R$ 8 milhões), restando R$ 1,5 milhão para utilização.
Estendendo a exemplificação, se houvesse operações de crédito vinculados a esses créditos reabertos no valor
de R$ 3 milhões, teríamos, então, um superávit financeiro de R$ 4,5 milhões de recurso disponível líquido.
Resumindo
Assim, consideram-se restos a pagar as despesas empenhadas e não pagas até o final do exercício financeiro.
Podemos exemplificar da seguinte maneira: Vamos imaginar que uma despesa foi registrada em 2013. Quer dizer
que ela passou pelo primeiro estagio, o empenho. Entretanto, chega o final de 2013, e o pagamento, por razões
quaisquer, não se realizou. O exercício de 2014 vai se iniciar e o orçamento de 2013 esta “finalizado”. Mas os
empenhos de 2013 que necessitam ainda de pagamento não poderão se misturar aos empenhos normais do ano
corrente. Afinal, são orçamentos de anos diferentes.
Em 2014 haverá tipos distintos de empenhos para continuar a execução de despesas orçamentárias: os atuais,
referentes a gastos autorizados para este ano, e os “esqueletos” de exercícios encerrados – os empenhos que se
tornaram restos a pagar.

DESPESAS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES


As despesas de exercícios anteriores (DEA) são outra modalidade de execução da despesa publica, cujo conceito
sempre e utilizado pelas bancas para “misturar” com o de restos a pagar.
 RESTOS A PAGAR = São empenhos que transitam de exercício
 DESPESAS DE EXERCICIOS ANTERIORES = as DEA atendem a obrigações de anos passados, para as
quais não existe empenho ou RP emitido.
Podem ser pagos à conta da dotação de despesas de exercícios anteriores, respeitada a categoria econômica
própria:
 As despesas de exercícios encerrados, para as quais o Orçamento respectivo consignava crédito próprio
com saldo suficiente para atendê-las, que se tenham processado na época própria, assim entendidas aquelas cujo
empenho tenha sido considerado insubsistente e anulado no encerramento do exercício correspondente, mas que,
dentro do prazo estabelecido, o credor tenha cumprido a obrigação;

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 Os restos a pagar com prescrição interrompida, assim considerada a despesa cuja inscrição como Restos a
Pagar tenha sido cancelada, mas ainda vigente o direito do credor; e
 Os compromissos decorrentes de obrigação de pagamento criada em virtude de Lei, mas somente reconhe-
cido o direito do reclamante após o encerramento do exercício correspondente.
O reconhecimento da dívida a ser paga à conta de Despesas de Exercícios Anteriores cabe à autoridade
competente para empenhá-la.
Para reconhecimento das Despesas de Exercícios Anteriores é necessário que o processo esteja instruído com
os seguintes elementos:
 Importância a pagar;
 Nome, CPF ou CGC e endereço do credor;
 Data do vencimento do compromisso;
 Causa da inobservância do empenho da despesa, se for o caso.
CONTA ÚNICA DO TESOURO
A Conta Única do Tesouro Nacional, mantida no Banco Central do Brasil, acolhe todas as disponibilidades
financeiras da União, inclusive fundos, de suas autarquias e fundações. Constitui importante instrumento de controle
das finanças públicas, uma vez que permite a racionalização da administração dos recursos financeiros, reduzindo
a pressão sobre a caixa do Tesouro, além de agilizar os processos de transferência e descentralização financeira e
os pagamentos a terceiros.
O Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, que promoveu a organização da Administração Federal e
estabeleceu as diretrizes para Reforma Administrativa, determinou ao Ministério da Fazenda que implementasse a
unificação dos recursos movimentados pelo Tesouro Nacional, através de sua Caixa junto ao agente financeiro da
União, de forma a garantir maior economia operacional e a racionalização dos procedimentos relativos a execução
da programação financeira de desembolso.
Tal determinação legal só foi integralmente cumprida com a promulgação da Constituição de 1988, quando
todas as disponibilidades do Tesouro Nacional, existentes nos diversos agentes financeiros, foram transferidas para
o Banco Central do Brasil, em Conta Única centralizada, exercendo o Banco do Brasil a função de agente financeiro
do Tesouro.
Neste contexto, cada agente ficou competente pelas seguintes atribuições:
- Tesouro Nacional - “titular” da conta
- Banco Central - instituição bancaria em que e mantida a Conta Única
- Banco do Brasil - principal agente operador de pagamentos e recebimentos relacionados à Conta Única.
As regras dispondo sobre a unificação dos recursos do Tesouro Nacional em Conta Única foram estabelecidas
pelo Decreto nº. 93.872, de 23 de dezembro de 1986.
Vamos acompanhar os principais dispositivos da norma supramencionada acerca do presente tema:
DECRETO Nº 93.872, DE 23 DE DEZEMBRO DE 1986
Dispõe sobre a unificação dos recursos de caixa do Tesouro Nacional, atualiza e consolida a legislação perti-
nente e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o artigo 81, itens Ill e V, da Cons-
tituição, e tendo em vista o disposto no artigo 92, do Decreto-lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967,
DECRETA:
CAPÍTULO I
Da Unificação dos Recursos de Caixa do Tesouro Nacional
Art. 1º A realização da receita e da despesa da União far-se-á por via bancária, em estrita observância ao
princípio de unidade de caixa.
Art. 2º A arrecadação de todas as receitas da União far-se-á na forma disciplinada pelo Ministério da Fazen-
da, devendo o seu produto ser obrigatoriamente recolhido à conta do Tesouro Nacional no Banco do Brasil S.A.

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§ 1º Para os fins deste decreto, entende-se por receita da União todo e qualquer ingresso de caráter originário
ou derivado, ordinário ou extraordinário e de natureza orçamentária ou extra-orçamentária, seja geral ou vincu-
lado, que tenha sido decorrente, produzido ou realizado direta ou indiretamente pelos órgãos competentes.
§ 2º Caberá ao Ministério da Fazenda a apuração e a classificação da receita arrecadada, com vistas à sua
destinação constitucional.
§ 3º A posição líquida dos recursos do Tesouro Nacional no Banco do Brasil S.A. será depositada no Ban-
co Central do Brasil, à ordem do Tesouro Nacional.
Art . 3º Os recursos de caixa do Tesouro Nacional compreendem o produto das receitas da União, deduzidas as
parcelas ou cotas-partes dos recursos tributários e de contribuições, destinadas aos Estados, ao Distrito Federal,
aos Territórios e aos Municípios, na forma das disposições constitucionais vigentes.
Parágrafo único. O Banco do Brasil S.A. fará o crédito em conta dos beneficiários mencionados neste artigo
tendo em vista a apuração e a classificação da receita arrecadada, bem assim os percentuais de distribuição ou
índices de rateio definidos pelos órgãos federais competentes, observados os prazos e condições estabelecidos na
legislação específica.
Art . 4º Os recursos de caixa do Tesouro Nacional serão mantidos no Banco do Brasil S.A., somente sendo
permitidos saques para o pagamento de despesas formalmente processadas e dentro dos limites estabelecidos na
programação financeira.
§ 1º As opções para incentivos fiscais e as contribuições destinadas ao Programa de Integração Nacional -
PIN, e ao Programa de Distribuição de Terras e de Estímulo à Agroindustria do Norte e Nordeste - PROTERRA,
constarão de saques contra os recursos de caixa do Tesouro Nacional, autorizados pela Secretaria do Tesouro Na-
cional, tendo em vista a programação financeira aprovada e o efetivo recolhimento das parcelas correspondentes.
§ 2º Os recursos correspondentes às parcelas de receita do salário-educação, de que trata o artigo 2º, do
Decreto-lei nº 1.422, de 23 de outubro de 1975, serão entregues às entidades credoras mediante saques previstos
na programação financeira.
§ 3º Em casos excepcionais e para fins específicos, o Ministro da Fazenda poderá autorizar o levantamento da
restrição estabelecida no caput deste artigo.
Art . 5º O pagamento da despesa, obedecidas as normas reguladas neste decreto, será feito mediante saques
contra a conta do Tesouro Nacional.
Art . 6º As entidades da Administração Federal Indireta não poderão utilizar recursos provenientes de do-
tações orçamentarias da União, inclusive transferências, nem eventuais saldos da mesma origem apurados no
encerramento de cada ano civil, em suas aplicações no mercado financeiro.
Parágrafo único. O Banco Central do Brasil prestará à Secretaria do Tesouro Nacional as informações por
ela solicitadas objetivando a verificação do disposto neste artigo.
Art . 7º As autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações integrantes da Adminis-
tração Federal Indireta, que não recebam transferências da União, poderão adquirir títulos de responsabilidade
do Governo Federal com disponibilidades resultantes de receitas próprias, através do Banco Central do Brasil e
na forma que este estabelecer.
Art . 8º É vedada às entidades referidas ao artigo anterior a aplicação de disponibilidades financeiras em
títulos de renda fixa, outros que não títulos de responsabilidade do Governo Federal, ou em depósitos bancários
a prazo.
Parágrafo único. O Conselho Monetário Nacional poderá suspender a proibição deste artigo e a restrição
prescrita no artigo anterior.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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Administração e Reforma do Estado, 1997, v.2. 74 p. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2009.Por: Andrea Cristi-
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Estenssoro/ Antonio Gasparetto Junior/Joviniano Queiroz/Carla Giane Soares da Cunha/MÁRCIA AUGUSTA DE
SOUZA HILARIO/www.portaldecontabilidade.com.br Por Reinaldo Luiz Lunelli / http://www.cursomarcato.com.
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Tecnológico de Brasília, Programa de Administração Pública – Curso de Contabilidade Pública, Brasília, 2008 /
http://www.segplan.go.gov.br/ http://dcf.proplan.ufsc.br/ http://www.orcamentofederal.gov.br/ - Por Ernani Luiz
Barros Fernandes e Prof. Paulo du Pin Calmon / www.iesde.com.br – Por Fernando Lima Gama Junior / Professor
Paulo Lacerda / Professor Alexandre Lima
EXERCÍCIOS
01 – (CESPE - 2009 - MCT-FINEP - Administração - Materiais e Licitações) - Quanto à evolução histó-
rica do pensamento administrativo, assinale a opção correta.
a) Weber propõe que uma das principais vantagens da burocracia consiste em conferir rapidez à tomada de
decisões.
b) A organização que busca mensurar e analisar as atitudes de seus empregados de modo a conseguir a sua
satisfação no trabalho está alinhada aos pressupostos da administração científica.
c) A organização que ressalta o papel dos gerentes como conhecedores dos detalhes das tarefas desenvolvidas
por seus empregados alinha-se aos pressupostos da teoria clássica.
d) A abordagem contingencial se preocupa em analisar as funções da organização, dividindo-as em seis funções
clássicas, que incluem as comerciais, as financeiras e as contábeis.
e) A teoria de sistemas adota uma visão reducionista e analítica da administração.
02 – (CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário – Administrativa) A respeito das novas tecnologias geren-
ciais que causam impacto nas organizações, assinale a opção correta.
a) Reengenharia é o processo sistemático, planejado, gerenciado, executado e acompanhado sob a liderança da
alta administração da instituição, envolvendo e comprometendo todos os gerentes e responsáveis e colaboradores
da organização.
b) Qualidade é o repensar fundamental e é a reestruturação radical dos processos empresariais que visam alcançar
drásticas melhorias em indicadores críticos e contemporâneos de desempenho, tais como custos, atendimento e
velocidade.
c) Gestão estratégica está relacionada a propriedades ou características de um produto ou serviço que influenciam
relacionadas à sua capacidade de satisfazer as necessidades explícitas ou implícitas dos que o utilizam.
d) Empreendedorismo governamental significa a capacidade de promover a sintonia entre os governos e as
novas condições socioeconômicas, políticas e culturais.

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03 - (UnB/CESPE / TJ-AL/ 2012) Acerca das diferentes abordagens da administração, assinale a opção
correta.
A - A abordagem sistêmica pressupõe uma alta especialização no desenvolvimento de uma tarefa específica de
modo que o trabalhador consiga ter uma visão holística do processo produtivo.
B - A abordagem clássica da administração tem como princípio aumentar o nível de entropia da organização.
C - A abordagem burocrática considera as pessoas em primeiro plano por serem as responsáveis pela aplicação
de suas normas e regras.
D - A visão mecanicista proposta por Bertalanffy revela que, para compreender a realidade, é preciso analisar
não apenas elementos isolados, mas também suas inter-relações.
E - De acordo com os princípios da administração científica descritos por Taylor, o objetivo da boa administração
é pagar altos salários e ter baixos custos.
04. (UnB/CESPE / TJ-AL/ 2012) Um dos objetivos da administração é estudar os processos produtivos.
Nesse contexto, o ser humano, peça fundamental na maioria dos sistemas organizacionais, deve ter seu
comportamento e as relações que estabelece com o meio em que vive estudados. As variáveis que influenciam
o seu desempenho devem ser conhecidas e assimiladas de modo a encontrar mecanismos de estímulo cada vez
melhores e, assim, incrementar a sua capacidade de produção. Tendo o texto acima como motivador, assinale
a opção correta a respeito da gestão de pessoas e das teorias administrativas.
A - A autocracia é um modelo de liderança voltado para o indivíduo, elemento central do processo de liderança.
B - O enfoque comportamental se divide inicialmente em dois grandes grupos, aquele que estuda as pessoas
como indivíduos e outro que busca compreender as pessoas como membros de grupos.
C - A estima corresponde ao topo da pirâmide de Maslow.
D - O enfoque sistêmico coloca a gestão de pessoas em primeiro plano por compreender que as relações de uma
organização dependem diretamente da interferência humana.
E - O experimento de Hawthorne, apesar de insignificante para a gestão de pessoas, conseguiu comprovar a
relação direta entre as variações na iluminação e a produtividade do grupo estudado, evento já conhecido na teoria.
05. (UnB/CESPE / TJ-AL/ 2012) De acordo com a abordagem neoclássica da administração, as principais
funções do processo administrativo são:
A - fiscalização, comunicação, correção e ação.
B - planejamentos estratégico, tático e operacional.
C - comunicação, direção, controle e avaliação.
D - planejamento, organização, direção e controle.
E - organização, direção, avaliação e controle.
06. (UnB/CESPE / TJ-AL/ 2012) Como proposto por Henry Fayol, o princípio geral da administração
que estabelece a necessidade de especialização de empregados, desde a alta hierarquia até os trabalhadores
operários, como forma de aprimorar a eficiência da produção e, consequentemente, aumentar a produtividade,
é o princípio da:
A - ordem.
B - equidade.
C - divisão do trabalho.
D - unidade de comando.
E - disciplina.
07 - CESPE - 2009 - MCT-FINEP - Administração - Processos Organizacionais, Planeja - O grau de des-
centralização administrativa de uma organização será tão maior quanto
a) menor for o número de decisões tomadas nas escalas mais baixas da hierarquia administrativa.
b) mais importantes forem as decisões tomadas nas escalas mais baixas da hierarquia administrativa.
c) maior for o número de funções afetadas pelas decisões nas escalas mais altas.
d) maior for a supervisão da decisão.
e) menor for a desconcentração da autoridade das mãos de um só executivo no topo da organização.

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08 - Dados do concurso: CESPE - 2009 - MCT-FINEP - Administração - Processos Organizacionais,
Planeja - A organização CPC Construções, do ramo de construção civil desagregou suas principais funções,
transferindo-as para empresas separadas, ficando responsável exclusivamente pela coordenação dos serviços
de engenharia, vendas, controle de estoque, contabilidade, entre outros. Em tal contexto, é correto afirmar
que a nova estrutura da organização é essencialmente:
a) funcional, pois as demais organizações assumiram as funções principais da CPC Construções.
b) matricial, pois a CPC Construções passou a ser a matriz das demais organizações.
c) por equipe, pois as demais organizações passaram a compor a equipe da CPC Construções.
d) de estrutura de assessoria, pois as organizações vinculadas são altamente especializadas.
e) de redes, pois transfere a terceiros as atividades principais da organização, vinculadas sob contratos e conec-
tadas, geralmente, por meio de tecnologias da informação ( TI ).
09 - Julgue as sentenças a respeito do paradigma pós-burocrático, da administração pública gerencial e
da nova administração pública.
I. O ideal do movimento da nova administração pública nos anos 60 era a superação da burocracia no sentido
do resgate da racionalidade substantiva dos sistemas administrativos.
II. O termo “pós-burocrático” está mais associado à relativa perda de poder das organizações públicas
contemporâneas que às emergentes novas formas organizacionais discrepantes do tipo ideal weberiano.
III. A abordagem do new public management é mais um recurso estruturador da discussão sobre as transformações
ocorridas na gestão pública nas duas últimas décadas que um paradigma prescritivo de reforma do estado.
IV. A “administração pública gerencial” busca diferenciar-se da burocrática no sentido de que se proclama
orientada para resultados, focada no cidadão, flexível e aberta ao controle social.
V. A implementação da “administração pública gerencial”, conforme proposta pelo Plano Diretor da Reforma
do Aparelho do Estado, requer prévia implementação da administração burocrática e completa eliminação da
administração patrimonial.
Estão corretos apenas os itens
a) I, II e I
b) I, III e IV
c) I, IV e V
d) II, III e V
e) III, IV e V
10 - Sobre cultura organizacional, assinale a opção correta.
a) Uma forte cultura organizacional é aquela onde predomina o autoritarismo e a centralização das decisões.
b) A realização de convenções, reuniões anuais e premiações são instrumentos utilizados para reforçar aspectos
da cultura organizacional.
c) Os valores, princípios e crenças organizacionais devem ser definidos no planejamento estratégico.
d) As organizações são como pequenas sociedades com padrões distintos e homogêneos de cultura.
e) Não é possível alterar-se a cultura organizacional.
11 - Ao longo de sua história, a administração pública assume formatos diferentes, sendo os mais
característicos o patrimonialista, o burocrático e o gerencial. Assinale a opção que indica corretamente a
descrição das características da administração pública feita no texto a seguir. O governo caracteriza-se pela
interpermeabilidade dos patrimônios público e privado, o nepotismo e o clientelismo. A partir dos processos
de democratização, institui-se uma administração que usa, como instrumentos, os princípios de um serviço
público profissional e de um sistema administrativo impessoal, formal e racional.
a)Patrimonialista e gerencial
b) Patrimonialista e burocrático
c) Burocrático e gerencial
d) Patrimonialista, burocrático e gerencial
e) Burocrático
12 - Um dos aspectos mais relevantes do processo de reforma do Estado que vem ocorrendo desde a
década de 80 em grande parte dos países ocidentais é a mudança do modelo de gestão pública, do paradigma
burocrático para o gerencial. Não se incluem entre os atributos característicos do paradigma gerencial na
administração pública os itens:

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1 - Ênfase na eliminação das rotinas, na flexibilidade dos procedimentos e na qualidade dos bens e serviços.
2 - A orientação para a busca de resultados em atendimento às demandas dos cidadãos.
3 - A responsabilização por resultados segundo critérios de prioridade política.
4 - A profissionalização e capacitação contínua dos servidores públicos.
5 - A gestão participativa, com o envolvimento dos membros das agências públicas e da sociedade na escolha
dos seus dirigentes e na avaliação do desempenho e dos resultados das atividades realizadas.
a) 3 e 5
b) 4 e 5
c) 3 e 4
d) 2 e 4
e) 1 e 2
13. (TRT1/2013 – FCC – Analista judiciário – Execução de mandados) A propósito dos princípios que
informam a atuação da Administração pública tem-se que o princípio da:
a) eficiência e o princípio da legalidade podem ser excludentes, razão pela qual cabe ao administrador a opção
de escolha dentre eles, de acordo com o caso concreto.
b) tutela permite que a administração pública exerça, em algum grau e medida, controle sobre as autarquias que
instituir, para garantia da observância de suas finalidades institucionais.
c) autotutela permite o controle dos atos praticados pelos entes que integram a administração indireta, inclusive
consórcios públicos.
d) supremacia do interesse público e o princípio da legalidade podem ser excludentes, devendo, em eventual
conflito, prevalecer o primeiro, por sobrepor-se a todos os demais.
e) publicidade está implícito na atuação da administração, uma vez que não consta da constituição federal, mas
deve ser respeitado nas mesmas condições que os demais.
14. (AL-SP/2010 – FCC – Agente técnico legislativo) A respeito dos princípios da administração pública
é correto afirmar que:
a) se aplicam também às entidades integrantes da Administração indireta, exceto àquelas submetidas ao regime
jurídico de direito privado.
b) possuem uma ordem de prevalência, situando-se em primeiro lugar os princípios da legalidade e da suprema-
cia do interesse público sobre o privado.
c) o princípio da eficiência com o advento da Emenda Constitucional no 19/98 ganhou acento constitucional,
passando a sobrepor-se aos demais princípios gerais aplicáveis à Administração.
d) se aplicam, em igual medida e de acordo com as ponderações determinadas pela situação concreta, a todas as
entidades integrantes da Administração direta e indireta.
e) o princípio da moralidade é considerado um princípio prevalente e a ele se subordinam o princípio da lega-
lidade e o da eficiência.
15. (Senado Federal/2008 – FGV – Técnico legislativo – Administração) Assinale a afirmativa incorreta.
a) O princípio da supremacia do interesse público prevalece, como regra, sobre direitos individuais, e isso por-
que leva em consideração os interesses da coletividade;
b) O tratamento isonômico por parte de administradores públicos, a que fazem jus os indivíduos, decorre basi-
camente dos princípios da impessoalidade e da moralidade.
c) O princípio da razoabilidade visa a impedir que administradores públicos se conduzam com abuso de poder,
sobretudo nas atividades discricionárias.
d) Constitui fundamento do princípio da eficiência o sentimento de probidade que deve nortear a conduta dos
administradores públicos.
e) Malgrado o princípio da indisponibilidade da coisa pública, bens públicos, ainda que imóveis, são alienáveis,
desde que observadas certas condições legais.
16. (TRE-PA/2011 – FGV – Técnico Judiciário – Segurança Judiciária) De acordo com a Constituição
Federal de 1988, a Administração Pública obedecerá aos seguintes princípios:
a) legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
b) legalidade, impessoalidade, moralidade, probidade e externalidade.
c) legitimidade, impessoalidade, moralidade, probidade e externalidade.
d) razoabilidade, proporcionalidade, improbidade e personalismo.
e) discricionariedade, ponderação, isenção e separação de poderes.

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17. (FCC - 2013 - TRT - 18ª Região (GO) - Técnico Judiciário - Área Administrativa) O Orçamento
Público no Brasil.
a) é uma peça administrativa, de caráter indicativo, sem efeito legal.
b) é um instrumento de elaboração técnico-contábil que independe de negociações políticas entre esferas de
poder.
c) tem sua proposição, aprovação e controle de execução como atribuições exclusivas de responsabilidade do
Poder Executivo.
d) constitui-se em instrumento legal que estabelece as possibilidades de despesas do poder público, com base
em estimativa de receita
e) é utilizado como ferramenta de política monetária a partir do controle dos padrões de investimentos dos entes
financeiros privados.
18. (FCC - 2010 - TRT - 12ª Região (SC) - Técnico Judiciário - Área Administrativa) Orienta a elaboração
do orçamento e sua execução, determinando que o orçamento deve conter todas as receitas e despesas
referentes aos Poderes que integram a esfera de governo. Trata-se do Princípio da
a) Universalidade.
b) Entidade.
c) Anualidade.
d) Competência.
e) Unidade.
19 - (CESPE - 2014 - TJ-CE - Técnico Judiciário - Área Administrativa) - Com relação à receita pública,
suas categorias, fontes, estágios e inscrição na dívida ativa, assinale a opção correta.
a) O superávit do orçamento corrente, resultante da diferença entre os totais das receitas e despesas correntes,
é considerado um item da receita orçamentária de capital para efeito da apuração do resultado orçamentário do
exercício.
b) Suponha que um crédito tributário vencido em 2010 tenha sido registrado pelo órgão X no exercício de
2011. Nessa situação, se o crédito for enviado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição
na dívida ativa em 2014, exercício no qual o órgão X deve efetuar a baixa do registro inicial, o ativo é transferido
para a PGFN.
c) A receita de exploração do patrimônio público, como a auferida pela cessão de uso de imóveis, é considerada
uma receita de capital.
d) Se, no momento da aplicação, uma pessoa jurídica de direito público efetua transferência de recursos para
outro órgão público, a transferência é classificada como despesas correntes.
e) A alienação de bens móveis acima do preço de aquisição constitui resultado positivo patrimonial caracterizado
como receita corrente.
20 – (FGV - 2011 - SEFAZ-RJ - Auditor Fiscal da Receita Estadual) - A despesa, no serviço público, é
contabilizada segundo o “regime de competência”. Isso significa ser passível de lançamento contábil quando
ocorre seu fato gerador, ou seja, o empenho (seu primeiro estágio). Apesar de a realização da despesa ser um
ato complexo, em termos de Direito Administrativo, basta a realização do empenho para haver o registro.
Isso significa que não é necessário haver desembolso para caracterizar a despesa. Regra geral, é possível
serem contabilizados milhões de reais em despesas sem ter havido pagamento algum. Ou seja: despesa não é
sinônimo de pagamento. Quanto às despesas, é INCORRETO afirmar que:
a) o empenho “é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento
pendente ou não de implemento de condição”.
b) o empenho é, na verdade, um compromisso, por parte da Administração Pública, no sentido de pagar por algo
em que tenha interesse e, por parte do fornecedor, de prestar o serviço ou entregar determinada mercadoria. Com o
empenho, a despesa já existe, embora ainda não tenha sido paga. Em termos orçamentários, sua realização diminui
os créditos disponíveis (valor autorizado para gasto).
c) o empenho possui duas etapas: a autorização, que consiste na verificação no orçamento da existência de crédito
orçamentário suficiente para a realização daquela despesa, e a formalização, caracterizada a partir da elaboração
da nota de empenho (NE), que possui os dados referentes à compra ou à contratação (dados do contratante, data da
entrega, valor, objeto, classificação da despesa etc.).
d) o empenho (registro da despesa) pode ser de três tipos: ordinário, quando o valor a ser empenhado é conhecido
e o pagamento deverá ser feito de uma só vez; estimativo, quando não é possível conhecer-se, com precisão, o
montante de todas as despesas a serem realizadas durante o exercício; global, quando o valor não é conhecido e o
pagamento se dará de maneira parcelada.

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e) principalmente na situação do empenho estimativo (mas não somente), caso o valor compromissado
seja insuficiente para atender aos gastos efetivamente ocorridos, pode ser feito um reforço de empenho. Isso é
particularmente comum quando envolve concessionários (energia elétrica, água, telefone etc.) uma vez que,
conforme mencionado, não se sabe com certeza o quantum a ser realizado até o final do exercício. Caso ocorra o
contrário (valor empenhado maior do que despesas ocorridas), pode ser feito um cancelamento (estorno) parcial do
empenho, de forma que o saldo não utilizado seja remanejado para outras despesas por meio dos chamados créditos
adicionais.
21. (FCC – 2009 - Analista de Controle Externo Orçamento e Finanças - TRIBUNAL DE CONTAS DO
ESTADO DE GOIÁS) São princípios orçamentários gerais substanciais que regem o orçamento, além do da
exclusividade, os de:
(A) unidade, universalidade, anualidade e equilíbrio.
(B) unidade, universalidade, competência e equilíbrio.
(C) universalidade, anualidade, transparência e publicidade.
(D) universalidade, anualidade, competência e publicidade.
(E) anualidade, competência, transparência e publicidade.
22. (ESAF - 2012 - CGU - Analista de Finanças e Controle) A transparência do processo orçamentário,
possibilitando a fiscalização pela sociedade, pelos órgãos de controle e pelo Congresso Nacional, é conferida
especialmente pelo seguinte princípio orçamentário:
a) Publicidade.
b) Universalidade.
c) Unidade (Totalidade).
d) Exclusividade.
e) Transparência (Especificação ou Especialização).
23. (FCC – 2009 - Analista de Controle Externo Orçamento e Finanças - TRIBUNAL DE CONTAS
DO ESTADO DE GOIÁS) “O planejamento, a programação e o orçamento, como um sistema integrado
de gerência, têm por objetivo avaliar os custos para a consecução das metas traçadas em comparação com
os benefícios a serem esperados dos mesmos, e assim tornar possível o uso inteligente pelo poder público.”
(SILVA, Lino M. Contabilidade Governamental. São Paulo: Atlas, 2004). Assim, verifica-se um esforço para
integrar os planos e orçamentos por meio de um instrumento de organização das ações governamentais,
visando a realização dos objetivos pretendidos pelos gestores públicos, denominado de:
(A) projeto.
(B) atividade.
(C) programa.
(D) operações especiais.
(E) plano de governo.
24. (FCC 2012 Analista de Controle Externo - Área Apoio Administrativo - tribunal de contas do estado
do Amapá) Conforme o artigo 165 da Constituição Federal “a lei [...] estabelecerá, de forma regionalizada,
[...] objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes
e para as relativas aos programas de duração continuada”, cujos princípios básicos devem incluir a
identificação clara dos objetivos e das prioridades do governo, garantia de transparência e gestão orientada
para resultados. No ciclo orçamentário tal lei será a
(A) de Diretrizes Orçamentárias.
(B) do Orçamento Anual.
(C) do Plano Plurianual.
(D) do Plano de Desenvolvimento Nacional.
(E) do Plano de Aceleração do Crescimento.

25. (CEPERJ - 2012 - PROCON-RJ - Técnico em Contabilidade) De acordo com as normas vigentes
aplicadas ao setor público, a realização de uma despesa orçamentária se processa através dos seguintes
estágios:
a) planejamento, execução e controle.
b) empenho, liquidação e pagamento.
c) fixação, empenho e controle.
d) previsão, empenho e controle.
e) planejamento, execução e liquidação.

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GABARITO
01 A
02 D
03 E
04 B
05 D
06 C
07 B
08 E
09 B
10 B
11 B
12 A
13 B
14 D
15 D
16 A
17 D
18 A
19 B
20 D
21. A
22. E
23. C
24. C
25. B

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4 Ética no serviço público:


comportamento profissional,
atitudes no serviço, organização do
trabalho, prioridade em serviço

www.maxieduca.com.br

Bruna Pinotti Garcia


Mestra em Teoria do Direito e do Estado pelo Centro Universitário Eurípides de Marília
(UNIVEM); Advogada e Pesquisadora; Membro dos grupos de pesquisa
“Constitucionalização do Direito Processual” e “Núcleo de Estudos e Pesquisas em Direito
e Internet”. Professora de curso preparatório para concursos (Maxieduca) e
Professora Universitária (Faculdade do Noroeste de Minas – FINOM). Autora de diversos
artigos jurídicos publicados em revistas qualificadas e anais de eventos, notadamente na
área do direito eletrônico e dos direitos humanos.

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O edital deste concurso público opta por trabalhar com conceitos genéricos correlatos à ética profissional em
vez de delimitar as legislações específicas que tratam da matéria. Tais conceitos possuem intrínseca relação um com
relação ao outro, motivo pelo qual serão abordados em conjunto.
1) Comportamento profissional: conjunto de atitudes esperadas do servidor no exercício da função
pública, consolidando a ética no cotidiano das atividades prestadas, mas indo além desta ética, abrangendo
atitudes profissionais como um todo que favorecem o ambiente organizacional do trabalho.
“Hoje em dia, cada vez mais as empresas procuram “verdadeiros” profissionais para trabalharem nelas. Com
isso, é evidente que não há mais espaço no mercado de trabalho para profissionais medíocres, desqualificados e
despreparados para a função a ser exercida, mas sim para profissionais habilidosos, com pré-disposição para o
trabalho em equipe, com visão ampliada, conhecimento de mercado, iniciativa, espírito empreendedor, persistente,
otimista, responsável, criativo, disciplinado e outras habilidades e qualificações.
É importante que você profissional, procure estar preparado para o mercado de trabalho, a qualquer momento
da sua vida, independentemente do fato de estar ou não empregado. A história do mercado de trabalho atual tem
mostrado que independentemente do cargo que você exerça, você deve estar sempre preparado para mudanças que
poderão surgir e mudarão todo o rumo da sua carreira. As empresas não são eternas e nem os seus empregos. Não
se engane, não existem mais quaisquer garantias de emprego por parte das empresas, trazendo aos profissionais
empregados um ônus constante para manter o seu emprego. Se para aqueles que estão empregados manter a
sua empregabilidade não é uma tarefa fácil, para aqueles que estão ingressando no mercado de trabalho atual,
as dificuldades serão ainda maiores. Portanto, a seguir vou discorrer sobre algumas das características dos bons
profissionais:
Preparado para mudanças
As empresas buscam por profissionais adaptáveis porque tudo no mundo moderno muda. As tecnologias, as
relações de emprego, o mercado, os valores e o modo encontrar soluções para os problemas mudaram, enfim tudo
mudou significativamente nos últimos anos e continuarão mudando. Portanto temos de acompanhar o ritmo das
coisas. Muitos profissionais pensam que podem fazer as mesmas coisas e do mesmo modo durante toda a vida e
depois reclamam porque não são bem sucedidos.
Competência
Competência é uma palavra de senso comum, utilizada para designar uma pessoa capaz de realizar alguma
coisa. O antônimo disso, ou seja, incompetência, implica não só na negação dessa capacidade como também na
depreciação do indivíduo diante do circuito do seu trabalho ou do convívio social.
Para ser contratado em uma empresa ou para a sua manutenção de emprego não basta ter diplomas e mais
diplomas se não existir competência. Por exemplo, um profissional que se formou em direito, até mesmo na melhor
universidade, mas que não sabe preparar uma peça processual não terá valor competitivo quer como profissional
empregado, quer como prestador de serviços.
Diplomas servirão para dar referencial ao profissional ou até mesmo para enfeitar a parede da sua sala, mas a
competência é o fator chave que atrelada à diplomação lhe dará subsídios profissionais para ser bem sucedido. Por
isso podemos afirmar categoricamente que a competência não é composta pelo diploma por si só, apesar de que ele
contribui para a composição da competência.
Espírito empreendedor
Os dias do funcionário que se comporta como funcionário pode estar com os dias contados. A visão tradicionalista
de empregador e empregado, chefe e subordinado estão caminhando para o desuso.
As empresas com visão moderna estão encarando seus funcionários como colaboradores ou parceiros e
implementando a visão empreendedora. Isso significa que os empresários perceberam que dar aos funcionários a
possibilidade de ganhar mais do que simplesmente o salário mensal fixo, tem sido um bom negócio, pois faz com
que o profissional dê maiores contribuições à organização, garantindo assim o comprometimento da equipe na
busca de resultados positivos.

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Equilíbrio emocional
O que quero dizer com o equilíbrio emocional? Bem, dito de modo simples, é o preparo psicológico para
superar adequadamente as adversidades que surgirão na empresa e fora dela.
Vamos chamar o conjunto de problemas que todos nós possuímos de saco de problemas. As empresas querem
que deixemos o nosso saco de problemas em casa. Por outro lado, os nossos familiares querem que deixemos
nosso saco de problemas no trabalho. Diante disso, a pergunta que surge é: onde colocar nosso saco de problemas?
Realmente é uma boa pergunta. E é justamente por isso que para tornar-se um profissional de sucesso é necessário
que tenhamos equilíbrio emocional, pois não importa quais problemas tenhamos de caráter pessoal, nossos colegas
de trabalho, subordinados, diretores e gerentes, enfim, as pessoas como um todo não tem culpa deles e não podemos
descarregar esses problemas neles.
Quando falamos em equilíbrio, emocional, é importante avaliar também as situações adversas pelas quais todos
os profissionais passam. É justamente aí que surge o momento da verdade que o profissional mostrará se tem o
equilíbrio emocional.
Marketing Pessoal
O marketing pessoal pode ser definido como o conjunto de fatores e atitudes que transmitem uma imagem
da pessoa. Os fatores a que me refiro incluem vestimenta como um todo, os modos pessoais, o modo de falar e a
postura do profissional diante dos demais.
Referindo-se à vestimenta, cabe salientar que o profissional deve vestir-se adequadamente ao ambiente em que
está inserido. Se a sua empresa adota um padrão formal, obviamente a sua vestimenta deve estar em conformidade
com ela e o mesmo se refere a uma entrevista de emprego. Da mesma forma, seria um contrassenso usar terno
e gravata para trabalhar em uma linha de produção. Portanto, a regra básica é vestir-se em conformidade com o
ambiente de trabalho.
Comportamentos que o profissional deve evitar
Vou destacar alguns dos defeitos que além de prejudicar a ambientalização dentro da empresa, caracterizam tais
pessoas como maus profissionais:
- Aquele que fala demais
Já viu aqueles profissionais que são os primeiros a propagar as notícias ou as “fofocas” dentro da empresa?
Costumo chamar tais profissionais de locutores da “rádio peão”. Recebem uma informação, sequer sabem se são
confiáveis, mas passam adiante e o que é pior, incluindo informações que sequer existiam inicialmente, alterando
totalmente a informação recebida. Cuidado para não ser um destes.
- Aquele que fala mal dos outros
São aqueles profissionais, se é que existe algum profissionalismo nisso, que insistem em falar sobre seus colegas
de trabalho, longe destes é claro, aquilo que com certeza não seriam capazes de falar na frente deles. Por isso, a
regra é: Se você não tem coragem de falar algo na frente do seu colega, nunca fale pelas suas costas.
- Aquele que vive mal-humorado
Esses são, sem dúvida, uns dos mais evitados pelos outros colaboradores. Existe algo pior do que conviver com
quem vive reclamando da vida ou que vive de mau humor? Pessoas de “mal com a vida”, repelem as outras pessoas
de perto delas. Ninguém tem a obrigação de estar sorrindo todos os dias, mas isso não significa que temos o direito
de estar sempre de mau humor. A propósito, como está seu humor hoje?
- Aquele que não tem higiene pessoal
Somente o próprio profissional é capaz de conseguir conviver com ele mesmo. Isso porque o corpo dele está
condicionado a suportar isso. Conheço pessoas, que tem um odor tão acentuado (falando de forma educada), que
não consigo permanecer mais do que cinco minutos conversando com elas. Um bom banho faria bem não só a ele,
mas como todos a sua volta.
- Aquele que não respeita os demais
O respeito aos outros é fundamental para o convívio em grupo. Já presenciei casos extremos de falta de respeito,
pois existem profissionais que não sabem respeitar seus colegas. Infelizmente, parte dessas pessoas estão em cargos
de direção. Tive um chefe no meu primeiro emprego que tinha uma campainha para chamar as pessoas. Quando
ele tocava uma vez, secretária atendia, quando ele tocava duas vezes, era eu, o office-boy. Bem, além de ser uma
falta de respeito usar uma campainha para chamar “seres humanos” muitas vezes fui chamado lá e ele nem sabia
porque tinha me chamado. A maior lição que tirei disso é que eu não devia nunca mais ter chefe. Por isso me tornei
empreendedor.
- Aquele que é egoísta

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O egoísmo é algo difundido nas empresas até mesmo porque a competitividade interna é muito grande. Pensar
somente em si mesmo o tempo todo não é a melhor alternativa para o profissional. Por isso cuidado, pois um dia a
vítima pode ser o próprio egoísta.
- Aquele que brinca demais
Brincar é bom, desde que as brincadeiras sejam saudáveis, num clima de respeito e equilíbrio. Aqueles que
brincam a todo o momento são pessoas extremamente inconvenientes e irritam quem está a sua volta. Isso tira a
credibilidade do profissional e pode lhe trazer problemas com a ambientalização.
- Aqueles que são inflexíveis
Já observou aqueles profissionais que são os únicos que se acham certos? Pois bem, isso é um grande problema
para a convivência em grupo. É importante que todos nós tenhamos em mente que não estamos certos o tempo todo
e nem tampouco precisamos fazer valer perante os outros as nossas próprias ideias a todo o momento.
As qualificações, comportamentos e atitudes dos bons profissionais são muitas e estão em constante mudança.
Mas com certeza aqueles1 que procuram o autoaprimoramento estarão mais bem preparados para tornarem-se
excelentes profissionais” .
b) Atitudes em serviço: ações que o servidor toma quando no desempenho de suas funções, acarretando
benefícios quando cumpridoras da ética e prejuízos quando não. Na verdade, trata-se de exteriorização do
comportamento profissional.
Os pilares do comportamento profissional adequado são:
“Integridade – agir de maneira honesta e confiável.
Modos – nunca ser egoísta, rude ou indisciplinado.
Personalidade – expressar os próprios valores, atitudes e opiniões.
Aparência – apresentar-se sempre da melhor maneira possível.
Consideração – ver-se do ponto de vista da outra pessoa.
Tato – refletir antes de fala”2.
Abaixo, listam-se 10 atitudes em serviço que devem ser evitadas:
“1) Assuntos profissionais x pessoais - É muito comum que o colaborador realize atividades como falar com a
família, acessar redes sociais e pagar contas durante o expediente. Para não prejudicar as obrigações na empresa,
o indicado é resolver essas questões após a jornada de trabalho. Caso o assunto só possa ser resolvido no horário
comercial, é de bom senso reservar o horário de almoço.
2) Roupa – Pode até parecer fútil para alguns, mas muitos profissionais ainda pecam no vestuário. Há situações,
como o abuso de decotes e transparências, e o uso de jeans em dias não permitidos, que podem criar problemas. Por
esse motivo, é importante que o contratado adote o traje de acordo com a cultura da empresa e tenha a preocupação
de adequar suas roupas ao ambiente de trabalho.
3) Postura – Cuidado com palavrões, gírias e falar alto no trabalho. Comportamentos como esses podem
prejudicá-lo no ambiente corporativo. Por isso, é fundamental ser educado e manter a compostura mesmo em
situações criticas.
4) Críticas em público – O feedback negativo nunca deve ser em público, pois tal atitude pode constranger o
colaborador. Porém, caso o assunto for um elogio ou reconhecimento é indicado fazer diante de outras pessoas
como forma de incentivo. Os especialistas afirmam que acima de tudo é preciso ter bom senso e respeito.
5) Falta de Pontualidade – A atenção ao horário não é apenas na entrada ao trabalho, mas inclui ser pontual nas
reuniões e outros compromissos da empresa. Além disso, o profissional deve respeitar o tempo estipulado para o
almoço e cumprir suas tarefas no prazo.
6) Falar mal da empresa – Criticar a organização por causa do salário, benefícios e discordar das novas políticas
da organização no ambiente de trabalho, não pega bem. Para os especialistas, existem os canais e os momentos
certos para relatar a insatisfação. O indicado é expor as ideias ao mesmo tempo em que propõe soluções.
7) Desrespeitar a hierarquia – Não acatar as regras da empresa é considerada insubordinação e pode levar a
demissão. Além disso, passar por cima da posição pré-estabelecidas na instituição não é visto como pró-atividade.
Em termos de postura, é essencial respeitar a hierarquia para evitar problemas na vida profissional.
8) Impor pensamentos ideais – É comum o líder ditar regras como crenças religiosas e política, entre outras
determinações que ele acredite. Segundo especialistas, o chefe deve agir como responsável e não como ditador.
Antes de tudo, é fundamental respeitar as diferenças e buscar o melhor de cada um para agregar valor à política da
empresa.
9) Ausência de feedback – A falta de esclarecimento dos funcionários perante seus colegas e ao publico externo
compromete a imagem da organização. Deixar de dar um retorno quanto a uma solicitação, por exemplo, pode
passar uma impressão negativa. As empresas são feitas de pessoas, que podem achar ruim a falta de informações.
1 Disponível em: <http://www.vocevencedor.com.br/artigos/recursos-humanos/principais-atitudes-e-comportamentos-dos-bons-profissionais>. Acesso
em: 06 out. 2014.
2 Disponível em: <http://imagempessoal.band.uol.com.br/seis-principais-habilidades-pessoais-para-aprimorar-seu-comportamento-profissional/>. Acesso
em: 06 out. 2014.

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10) Atmosfera negativa – Conviver com colega que reclama de tudo e ainda é mal-humorado não é nada agradável.
Antes de expor um comentário, avalie se ele3 vai causar um desconforto no local de trabalho. O aconselhável é agir
para sempre manter um ambiente positivo” .
c) Organização do trabalho: estabelecimento de uma estrutura organizacional, inclusive com divisões de
funções numa cadeia hierárquica, de forma a otimizar a eficiência do serviço público.
“A organização do trabalho atua precisamente para conseguir um objetivo que se define como qualidade.
Organizar qualquer tipo de trabalho é tarefa para técnicos preparados e que tem como função determinar um nível
qualificativo para qualquer tipo de tarefa.
Na realidade o verdadeiro motivo da organização do trabalho é para que tudo funcione como um relógio de
precisão.
Se prestarmos atenção no funcionamento de um relógio, todas as peças unidas dão uma informação preciosa
que resulta naquilo que precisamos para guiar-nos no tempo. Cada peça tem sua função a desenvolver-se. E depois
de tudo o que realmente nos dá a indicação final são peças que estão em perfeito funcionamento interligadas entre
si: os ponteiros.
Porém, a organização do trabalho depende da união de todas as peças. Os ponteiros não podem funcionar sem
uma máquina precisa e esta, por sua vez, não se move sem uma fonte de energia. Isso se chama organização do
trabalho; cada peça funcionando em conformidade com as demais, formando um grupo organizado e conseguindo
o objetivo ao qual nos referimos: organização do trabalho.
Se um trabalho é organizado, possivelmente todos os objetivos propostos obterão aquilo o que se propuseram
o objetivo final que é nada mais nada menos que cumprir todas as metas propostas por uma empresa, associação,
organização, etc.
Ter organização do trabalho leva à borda da perfeição gerando confiança a todas as pessoas que fazem parte
de uma organização. Organização do trabalho é simplesmente o fator preciso pelo qual uma empresa consegue
todos os seus objetivos, no caso contrário, sem organização do trabalho, os objetivos longe de serem cumpridos,
vagariam num limbo desorganizado e causariam todos os tipos de problemas que, na realidade, são o terror de uma
organização.
Como dissemos no princípio, a organização do trabalho é uma engrenagem perfeita para realizar todos os tipos
de tarefas as quais nos propomos com uma realização final mais satisfatória. A organização no trabalho é uma
janela aberta para o sucesso daquilo que se dispõe a fazer. A verdadeira via, sem a qual não4 se realiza plenamente
bem um trabalho. Quem organiza, rentabiliza; quem organiza, tem resultados satisfatórios” .
d) Prioridade em serviço: atenção que o servidor público deve dar àquele que o busca quando no exercício
de suas funções de forma a gerar o sentimento de bem-estar e satisfação do cidadão e da própria sociedade,
dado que sua ação deve estar voltada à promoção do bem comum. Não obstante, possui o dever de respeitar
as prioridades legais – notadamente, atendendo primeiro gestantes, lactantes, deficientes e idosos, bem como
as solicitações feitas pelos demais órgãos da Administração Pública.
Existem normas de atendimento prioritário ou preferencial, clarificando-se que, para além da hierarquização
desses direitos legalmente previstos, deve ainda ser considerada a sua ponderação casuística, bem como que essa
ponderação deve derivar da razão de ser de cada direito protegido. Logo, deve ser dada prioridade em serviço ao
atendimento de usuários que preencham determinadas condições especiais.
Assim, é conveniente prevenir litígios entre usuários de serviços públicos e entre estes e a Administração,
fundamentalmente em consequência de desconhecimento de normas sobre atendimento prioritário ou preferencial
nos referidos serviços, e reforçar a utilidade que pode revestir para o interesse público e para o bom funcionamento
dos serviços a existência de balcões, filas ou senhas especiais para esse atendimento.
Basicamente, deve ser dada prioridade ao atendimento de idosos, doentes, grávidas, pessoas com deficiência ou
acompanhadas de crianças de colo e outros casos específicos com necessidades de atendimento prioritário. Deve-
se, ainda, prever-se a criação de balcões, filas ou senhas especiais para o atendimento prioritário ou preferencial.
Por outro lado, as solicitações feitas por órgãos da Administração Pública, de qualquer dos Poderes, mas
principalmente as judiciais, devem ser atendidas prioritariamente.
Tudo isso repousa no adequado cumprimento da ética. Quanto à etimologia da palavra ética: No grego existem
duas vogais para pronunciar e grafar a vogal e, uma breve, chamada epsílon, e uma longa, denominada eta. Éthos,
escrita com a vogal longa, significa costume; porém, se escrita com a vogal breve, éthos, significa caráter, índole
natural, temperamento, conjunto das disposições físicas e psíquicas de uma pessoa. Nesse segundo sentido, éthos
se refere às características pessoais de cada um, as quais determinam que virtudes e que vícios cada indivíduo é
capaz de praticar (aquele que possuir todas as virtudes possuirá uma virtude plena, agindo estritamente de maneira
conforme à moral)5.
3 Disponível em: <http://revista.penseempregos.com.br/noticia/2013/04/saiba-10-comportamentos-inadequados-para-o-ambiente-de-trabalho-4110313.
html>. Acesso em: 06 out. 2014.
4 Disponível em: <http://queconceito.com.br/organizacao-do-trabalho#ixzz3FMiRtsor>. Acesso em: 06 out. 2014.
5 CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2005.

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Entre os elementos que compõem a Ética, destacam-se a Moral e o Direito. Assim, a Moral não é a Ética, mas
apenas parte dela. Neste sentido, Moral vem do grego Mos ou Morus, referindo-se exclusivamente ao regramento
que determina a ação do indivíduo.
Assim, Moral e Ética não são sinônimos, não apenas pela Moral ser apenas uma parte da Ética, mas
principalmente porque enquanto a Moral é entendida como a prática, como a realização efetiva e cotidiana dos
valores; a Ética é entendida como uma “filosofia moral”, ou seja, como a reflexão sobre a moral. Moral é ação,
Ética é reflexão.
Em resumo:
- Ética - mais ampla - filosofia moral - reflexão
- Moral - parte da Ética - realização efetiva e cotidiana dos valores - ação
No início do pensamento filosófico não prevalecia real distinção entre Direito e Moral, as discussões sobre
o agir ético envolviam essencialmente as noções de virtude e de justiça, constituindo esta uma das dimensões da
virtude. Por exemplo, na Grécia antiga, berço do pensamento filosófico, embora com variações de abordagem, o
conceito de ética aparece sempre ligado ao de virtude.
Aristóteles6, um dos principais filósofos deste momento histórico, concentra seus pensamentos em algumas
bases:
a) definição do bem supremo como sendo a felicidade, que necessariamente ocorrerá por uma atividade da alma
que leva ao princípio racional, de modo que a felicidade está ligada à virtude;
b) crença na bondade humana e na prevalência da virtude sobre o apetite;
c) reconhecimento da possibilidade de aquisição das virtudes pela experiência e pelo hábito, isto é, pela prática
constante; d) afastamento da ideia de que um fim pudesse ser bom se utilizado um meio ruim.
Já na Idade Média, os ideais éticos se identificaram com os religiosos. O homem viveria para conhecer, amar
e servir a Deus, diretamente e em seus irmãos. Santo Tomás de Aquino7, um dos principais filósofos do período,
lançou bases que até hoje são invocadas quanto o tópico em questão é a Ética:
a) consideração do hábito como uma qualidade que deverá determinar as potências para o bem;
b) estabelecimento da virtude como um hábito que sozinho é capaz de produzir a potência perfeita, podendo ser
intelectual, moral ou teologal - três virtudes que se relacionam porque não basta possuir uma virtude intelectual,
capaz de levar ao conhecimento do bem, sem que exista a virtude moral, que irá controlar a faculdade apetitiva e
quebrar a resistência para que se obedeça à razão (da mesma forma que somente existirá plenitude virtuosa com a
existência das virtudes teologais);
c) presença da mediania como critério de determinação do agir virtuoso;
d) crença na existência8 de quatro virtudes cardeais - a prudência, a justiça, a temperança e a fortaleza.
No Iluminismo, Kant definiu a lei fundamental da razão pura prática, que se resume no seguinte postulado:
“age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio de uma legislação universal”.
Mais do que não fazer ao outro o que não gostaria que fosse feito a você, a máxima prescreve que o homem deve
agir de tal modo que cada uma de suas atitudes reflita aquilo que se espera de todas as pessoas que vivem em
sociedade. O filósofo não nega que o homem poderá ter alguma vontade ruim, mas defende que ele racionalmente
irá agir bem, pela prevalência de uma lei prática máxima da razão que é o imperativo categórico. Por isso, o prazer
ou a dor, fatores geralmente relacionados ao apetite, não são aptos para determinar uma lei prática, mas apenas uma
máxima, de modo que é a razão pura prática que determina o agir ético. Ou seja, se a razão prevalecer, a escolha
ética sempre será algo natural.
Quando acabou a Segunda Guerra Mundial, percebeu-se o quão graves haviam sido as suas consequências, o
pensamento filosófico ganhou novos rumos, retomando aspectos do passado, mas reforçando a dimensão coletiva
da ética. Maritain9, um dos redatores da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, defendeu que o
homem ético é aquele que compõe a sociedade e busca torná-la mais justa e adequada ao ideário cristão. Assim,
a atitude ética deve ser considerada de maneira coletiva, como impulsora da sociedade justa, embora partindo da
pessoa humana individualmente considerada como um ser capaz de agir conforme os valores morais.
Já a discussão sobre o conceito de justiça, intrínseca na do conceito de ética, embora sempre tenha estado
presente, com maior ou menor intensidade dependendo do momento, possuiu diversos enfoques ao longo dos
tempos.
Pode-se considerar que do pensamento grego até o Renascimento, a justiça foi vista como uma virtude e não
como uma característica do Direito. Por sua vez, no Renascimento, o conceito de Ética foi bifurcado, remetendo-se
a Moral para o espaço privado e remanescendo a justiça como elemento ético do espaço público. No entanto, como
se denota pela teoria de Maquiavel10, o justo naquele tempo era tido como o que o soberano impunha (o rei poderia
fazer o que bem entendesse e utilizar quaisquer meios, desde que visasse um único fim, qual seja o da manutenção
do poder).
6 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2006.
7 AQUINO, Santo Tomás de. Suma teológica. Tradução Aldo Vannucchi e Outros. Direção Gabriel C. Galache e Fidel García Rodríguez. Coordenação
Geral Carlos-Josaphat Pinto de Oliveira. Edição Joaquim Pereira. São Paulo: Loyola, 2005. v. IV, parte II, seção I, questões 49 a 114.
8 KANT, Immanuel. Crítica da razão prática. Tradução Paulo Barrera. São Paulo: Ícone, 2005.
9 MARITAIN, Jacques. Humanismo integral. Tradução Afrânio Coutinho. 4. ed. São Paulo: Dominus Editora S/A, 1962.
10 MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2007.

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Posteriormente, no Iluminismo, retomou-se a discussão da justiça como um elemento similar à Moral, mas
inerente ao Direito, por exemplo, Kant11 defendeu que a ciência do direito justo é aquela que se preocupa com o
conhecimento da legislação e com o contexto social em que ela está inserida, sendo que sob o aspecto do conteúdo
seria inconcebível que o Direito prescrevesse algo contrário ao imperativo categórico da Moral kantiana.
Ainda, Locke, Montesquieu e Rousseau, em comum defendiam que o Estado era um mal necessário, mas que
o soberano não possuía poder divino/absoluto, sendo suas ações limitadas pelos direitos dos cidadãos submetidos
ao regime estatal.
Tais pensamentos iluministas não foram plenamente seguidos, de forma que firmou-se a teoria jurídica do
positivismo, pela qual Direito é apenas o que a lei impõe (de modo que se uma lei for injusta nem por isso será
inválida), que somente foi abalada após o fim trágico da 2ª Guerra Mundial e a consolidação de um sistema global
de proteção de direitos humanos (criação da ONU + declaração universal de 1948). Com o ideário humanista
consolidou-se o Pós-positivismo, que junto consigo trouxe uma valorização das normas principiológicas do
ordenamento jurídico, conferindo-as normatividade.
Assim, a concepção de uma base ética objetiva no comportamento das pessoas e nas múltiplas modalidades
da vida social foi esquecida ou contestada por fortes correntes do pensamento moderno. Concepções de inspiração
positivista, relativista ou cética e políticas voltadas para o homo economicus passaram a desconsiderar a importância
e a validade das normas de ordem ética no campo da ciência e do comportamento dos homens, da sociedade da
economia e do Estado.
No campo do Direito, as teorias positivistas que prevaleceram a partir do final do século XIX sustentavam que
só é direito aquilo que o poder dominante determina. Ética, valores humanos, justiça são considerados elementos
estranhos ao Direito, extrajurídicos. Pensavam com isso em construir uma ciência pura do direito e garantir a
segurança das sociedades.12
Atualmente, entretanto, é quase universal a retomada dos estudos e exigências da ética na vida pública e
na vida privada, na administração e nos negócios, nas empresas e na escola, no esporte, na política, na justiça,
na comunicação. Neste contexto, é relevante destacar que ainda há uma divisão entre a Moral e o Direito, que
constituem dimensões do conceito de Ética, embora a tendência seja que cada vez mais estas dimensões se juntem,
caminhando lado a lado.
Dentro desta distinção pode-se dizer que alguns autores, entre eles Radbruch e Del Vechio são partidários de
uma dicotomia rigorosa, na qual a Ética abrange apenas a Moral e o Direito. Contudo, para autores como Miguel
Reale, as normas dos costumes e da etiqueta compõem a dimensão ética, não13possuindo apenas caráter secundário
por existirem de forma autônoma, já que fazem parte do nosso viver comum.
Em resumo:
- Posição 1 - Radbruch e Del Vechio - Ética = Moral + Direito
- Posição 2 - Miguel Reale - Ética = Moral + Direito + Costumes
Para os fins da presente exposição, basta atentar para o binômio Moral-Direito como fator pacífico de
composição da Ética. Assim, nas duas posições adotadas, uma das vertentes da Ética é a Moral, e a outra é o Direito.
Tradicionalmente, os estudos consagrados às relações entre o Direito e a Moral se esforçam em distingui-los,
nos seguintes termos: o direito rege o comportamento exterior, a moral enfatiza a intenção; o direito estabelece uma
correlação entre os direitos e as obrigações, a moral prescreve deveres que não dão origem a direitos subjetivos; o
direito estabelece obrigações sancionadas pelo Poder, a moral escapa às sanções organizadas. Assim, as principais
notas que distinguem a Moral do Direito não se referem propriamente ao conteúdo, pois é comum que diretrizes
morais sejam disciplinadas como normas jurídicas.14
Com efeito, a partir da segunda metade do século XX (pós-guerra), a razão jurídica é uma razão ética, fundada
na garantia da intangibilidade da dignidade da pessoa humana, na aquisição da igualdade entre as pessoas, na busca
da efetiva liberdade, na realização da justiça e na construção de uma consciência que preserve integralmente esses
princípios.
Assim, as principais notas que distinguem Moral e Direito são:
a) Exterioridade: Direito - comportamento exterior, Moral - comportamento interior (intenção);
b) Exigibilidade: Direito - a cada Direito pode se exigir uma obrigação, Moral - agir conforme a moralidade
não garante direitos (não posso exigir que alguém aja moralmente porque também agi);
c) Coação: Direito - sanções aplicadas pelo Estado; Moral - sanções não organizadas (ex: exclusão de um grupo
social). Em outras palavras, o Direito exerce sua pressão social a partir do centro ativo do Poder, a moral pressiona
pelo grupo social não organizado. ATENÇÃO: tanto no Direito quanto na Moral existem sanções. Elas somente
são aplicadas de forma diversa, sendo que somente o Direito aceita a coação, que é a sanção aplicada pelo Estado.
11 KANT, Immanuel. Doutrina do Direito. Tradução Edson Bini. São Paulo: Ícone, 1993.
12 KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. 6. ed. Tradução João Baptista Machado. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
13 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
14 PERELMAN, Chaïm. Ética e Direito. Tradução Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

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O descumprimento das diretivas morais gera sanção, e caso ele se encontre transposto para uma norma jurídica,
gera coação (espécie de sanção aplicada pelo Estado). Assim, violar uma lei ética não significa excluir a sua
validade. Por exemplo, matar alguém não15 torna matar uma ação correta, apenas gera a punição daquele que cometeu
a violação. Neste sentido, explica Reale : “No plano das normas éticas, a contradição dos fatos não anula a validez
dos preceitos: ao contrário, exatamente porque a normatividade não se compreende sem fins de validez objetiva e
estes têm sua fonte na liberdade espiritual, os insucessos e as violações das normas conduzem à responsabilidade e
à sanção, ou seja, à concreta afirmação da ordenação normativa”.
Como se percebe, Ética e Moral são conceitos interligados, mas a primeira é mais abrangente que a segunda,
porque pode abarcar outros elementos, como o Direito e os costumes. Todas as regras éticas são passíveis de alguma
sanção, sendo que as incorporadas pelo Direito aceitam a coação, que é a sanção aplicada pelo Estado. Sob o
aspecto do conteúdo, muitas das regras jurídicas são compostas por postulados morais, isto é, envolvem os mesmos
valores e exteriorizam os mesmos princípios.
No mais, reforça-se que a ética está presente em todas as esferas da vida de um indivíduo e da sociedade que
ele compõe e é fundamental para a manutenção da paz social que todos os cidadãos (ou ao menos grande parte
deles) obedeçam os ditames éticos consolidados. A obediência à ética não deve se dar somente no âmbito da vida
particular, mas também na atuação profissional, principalmente se tal atuação se der no âmbito estatal.
O Estado é a forma social mais abrangente, a sociedade de fins gerais que permite o desenvolvimento, em seu
seio, das individualidades e das demais sociedades, chamadas de fins particulares. O Estado, como pessoa, é uma
ficção, é um arranjo formulado pelos homens para organizar a sociedade16 de disciplinar o poder visando que todos
possam se realizar em plenitude, atingindo suas finalidades particulares.
O Estado tem um valor ético, de modo que sua atuação deve se guiar pela moral idônea. Mas não é propriamente
o Estado que é aético, porque ele é composto por homens. Assim, falta ética ou não aos homens que o compõem.
Ou seja, o bom comportamento profissional do funcionário público é uma questão ligada à ética no serviço público,
pois se os homens que compõem a estrutura do Estado tomam uma atitude correta perante os ditames éticos há uma
ampliação e uma consolidação do valor ético do Estado.
Alguns cidadãos recebem poderes e funções específicas dentro da administração pública, passando a
desempenhar um papel de fundamental interesse para o Estado. Quando estiver nesta condição, mais ainda, será
exigido o respeito à ética. Afinal, o Estado é responsável pela manutenção da sociedade, que espera dele uma
conduta ilibada e transparente.
Quando uma pessoa é nomeada como servidor público, passa a ser uma extensão daquilo que o Estado representa
na sociedade, devendo, por isso, respeitar ao máximo todos os consagrados preceitos éticos.
Todas as profissões reclamam um agir ético dos que a exercem, o qual geralmente se encontra consubstanciado
em Códigos de Ética diversos atribuídos a cada categoria profissional. No caso das profissões na esfera pública,
esta exigência se amplia.
Não se trata do simples respeito à moral social: a obrigação ética no setor público vai além e encontra-se
disciplinada em detalhes na legislação, tanto na esfera constitucional (notadamente no artigo 37) quanto na
ordinária (em que se destacam o Decreto n° 1.171/94 - Código de Ética - a Lei n° 8.429/92 - Lei de Improbidade
Administrativa - e a Lei n° 8.112/90 - regime jurídico dos servidores públicos civis na esfera federal).
Em geral, as diretivas a respeito do comportamento profissional ético podem ser bem resumidas em alguns
princípios basilares. Tais comportamentos basilares demonstram a atitude em serviço esperada do servidor público
e, de maneira específica, a prioridade em serviço que ele deve ter em mente no desempenho de suas atividades,
entendendo-se por prioridade em serviço a satisfação e o bem-estar do atendido (ou seja, acima de tudo, deve-se
buscar que o atendido receba um tratamento adequado e compatível com a dignidade humana, sendo satisfeito na
medida do possível em seus interesses).
Segundo Nalini17, o princípio fundamental seria o de agir de acordo com a ciência, se mantendo sempre
atualizado, e de acordo com a consciência, sabendo de seu dever ético; tomando-se como princípios específicos:
- Princípio da conduta ilibada - conduta irrepreensível na vida pública e na vida particular.
- Princípio da dignidade e do decoro profissional - agir da melhor maneira esperada em sua profissão e fora
dela, com técnica, justiça e discrição.
- Princípio da incompatibilidade - não se deve acumular funções incompatíveis.
- Princípio da correção profissional - atuação com transparência e em prol da justiça.
- Princípio do coleguismo - ciência de que você e todos os demais operadores do Direito querem a mesma coisa,
realizar a justiça.
- Princípio da diligência - agir com zelo e escrúpulo em todas funções.
- Princípio do desinteresse - relegar a ambição pessoal para buscar o interesse da justiça.
15 REALE, Miguel. Filosofia do direito. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
16 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.
17 NALINI, José Renato. Ética geral e profissional. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.

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- Princípio da confiança - cada profissional de Direito é dotado de atributos personalíssimos e intransferíveis,
sendo escolhido por causa deles, de forma que a relação estabelecida entre aquele que busca o serviço e o profissional
é de confiança.
- Princípio da fidelidade - Fidelidade à causa da justiça, aos valores constitucionais, à verdade, à transparência.
- Princípio da independência profissional - a maior autonomia no exercício da profissão do operador do Direito
não deve impedir o caráter ético.
- Princípio da reserva - deve-se guardar segredo sobre as informações que acessa no exercício da profissão.
- Princípio da lealdade e da verdade - agir com boa-fé e de forma correta, com lealdade processual.
- Princípio da discricionariedade - geralmente, o profissional do Direito é liberal, exercendo com boa autonomia
sua profissão.
- Outros princípios éticos, como informação, solidariedade, cidadania, residência, localização, continuidade da
profissão, liberdade profissional, função social da profissão, severidade consigo mesmo, defesa das prerrogativas,
moderação e tolerância.
Dentro de tais princípios genéricos depreendem-se noções de organização do trabalho, pois todo o aparato
estatal deverá funcionar em conjunto, cada qual lidando com sua competência da melhor maneira possível, permitindo
que se preste um serviço eficiente. Uma melhor organização do trabalho exige muitas vezes pequenas mudanças
de um processo ou procedimento que resolvem importantes problemas relacionados ao trabalho. Por exemplo, a
redistribuição de carga de trabalho entre vários prestadores de serviços, a eliminação de passos desnecessários nos
procedimentos, ou a realização de certas tarefas ao mesmo tempo (ao invés de uma de cada vez) podem melhorar o
nível dos serviços e economizar tempo e recursos.
Destacam-se os dez mandamentos da gestão ética nas empresas públicas:
PRIMEIRO: “Amar a verdade, a lealdade, a probidade e a responsabilidade como fundamentos de dignidade
pessoal”.
SEGUNDO: “Respeitar a dignidade da pessoa humana.”
TERCEIRO: “Ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados.”
QUARTO: “Zelar pelo preparo próprio, moral, intelectual e, também, pelo dos subordinados, tendo em vista o
cumprimento da missão institucional.”
QUINTO: “Acatar as ordens legais, não ser negligente e trabalhar em harmonia com a estrutura do órgão,
respeitando a hierarquia, seus colegas e cada concidadão, colaborando e aceitando colaboração.”
SEXTO: “Agir, na vida pessoal e funcional, com dignidade, decoro, zelo, eficácia e moralidade.”
SÉTIMO: “Jamais tratar mal ou deixar à espera de solução uma pessoa que busca perante a Administração
Pública satisfazer um direito que acredita ser legítimo.”
OITAVO: “Cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades a que
estiver subordinado.”
NONO: “Agir dentro da lei e da sua competência, atento à finalidade do serviço público.”
DÉCIMO: “Buscar o bem-comum, extraído do equilíbrio entre a legalidade e finalidade do ato administrativo
a ser praticado.”
Em suma, respeitar a ética profissional é ter em mente os princípios éticos consagrados em sociedade, fazendo
com que cada atividade desempenhada no exercício da profissão exteriorize tais postulados, inclusive direcionando
os rumos da ética empresarial na escolha de diretrizes e políticas institucionais.
Vale destacar que, se a Ética, num sentido amplo, é composta por ao menos dois elementos - a Moral e o Direito
(justo); no caso da disciplina da Ética no Setor Público a expressão é adotada num sentido estrito - ética corresponde
ao valor do justo, previsto no Direito vigente, o qual é estabelecido com um olhar atento às prescrições da Moral
para a vida social. Em outras palavras, quando se fala em ética no âmbito do Estado não se deve pensar apenas na
Moral, mas sim em efetivas normas jurídicas que a regulamentam, o que permite a aplicação de sanções. Veja o
organograma:

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Logo, as regras éticas do setor público são mais do que regulamentos morais, são normas jurídicas e, como tais,
passíveis de coação. A desobediência ao princípio da moralidade caracteriza ato de improbidade administrativa,
sujeitando o servidor às penas previstas em lei. Da mesma forma, o seu comportamento em relação ao Código de
Ética pode gerar benefícios, como promoções, e prejuízos, como censura e outras penas administrativas. A disciplina
constitucional é expressa no sentido de prescrever a moralidade como um dos princípios fundadores da atuação da
administração pública direta e indireta, bem como outros princípios correlatos. Assim, o Estado brasileiro deve
se conduzir moralmente por vontade expressa do constituinte, sendo que à imoralidade administrativa aplicam-se
sanções.
O paradigma da Ética Pública parte da noção de liberdade social, envolta nos valores da segurança, igualdade
e solidariedade. Neste sentido, cada pessoa deve ter espaço para exercer individualmente sua liberdade moral,
cabendo à ética pública garantir que os indivíduos que vivem em sociedade realizem projetos morais individuais.
A Ética Pública pode ser vista sob o aspecto da moralidade crítica e sob o aspecto da moralidade legalizada:
quando estuda-se a lei posta ou a ausência de lei e questiona-se a falta de justiça, há uma moralidade crítica; quando
a regra justa é incorporada ao Direito, há moralidade legalizada ou positivada.
Sobre a Ética Pública, explica Nalini18: “Ética é sempre ética, poder-se-ia afirmar. Ser ético é obrigação de
todos. Seja no exercício de alguma atividade estatal, seja no comportamento individual. Mas pode-se falar em ética
realçada quando se atua num universo mais amplo, de interesse de todos. Existe, pois, uma Ética Pública, e apura-
se o seu sentido em contraposição com o de Ética Privada. Um nome pelo qual a Ética Pública tem sido conhecida
é o da justiça”
Assim, ética pública seria a moral incorporada ao Direito, consolidando o valor do justo. Diante da relevância
social de que a Ética se faça presente no exercício das atividades públicas, as regras éticas para a vida pública são
mais do que regras morais, são regras jurídicas estabelecidas em diversos diplomas do ordenamento, possibilitando
a coação em caso de infração por parte daqueles que desempenham a função pública.
Os valores éticos inerentes ao Estado, os quais permitem que ele consolide o bem comum e garanta a
preservação dos interesses da coletividade, se encontram exteriorizados em princípios e regras. Estes, por sua vez,
são estabelecidos na Constituição Federal e em legislações infraconstitucionais, a exemplo das que serão estudadas
neste tópico, quais sejam: Decreto n° 1.171/94, Lei n° 8.112/90 e Lei n° 8.429/92. Fato é que todas as diretivas
destas leis específicas partem da Constituição Federal, que estabelece alguns princípios fundamentais para a ética
no setor público. Em outras palavras, é o texto constitucional do artigo 37, especialmente o caput, que permite
a compreensão de boa parte do conteúdo das leis específicas, porque possui um caráter amplo ao preconizar os
princípios fundamentais da administração pública. Estabelece a Constituição Federal:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte: [...]
São princípios da administração pública, nesta ordem:
Legalidade
Impessoalidade
Moralidade
Publicidade
Eficiência
Para memorizar: veja que as iniciais das palavras formam o vocábulo LIMPE, que remete à limpeza esperada
da Administração Pública. É de fundamental importância um olhar atento ao significado de cada um destes
princípios, posto que eles estruturam todas as regras éticas prescritas no19Código de Ética20 e na Lei de Improbidade
Administrativa, tomando como base os ensinamentos de Carvalho Filho e Spitzcovsky :
a) Princípio da legalidade: Para o particular, legalidade significa a permissão de fazer tudo o que a lei não
proíbe. Contudo, como a administração pública representa os interesses da coletividade, ela se sujeita a uma relação
de subordinação, pela qual só poderá fazer o que a lei expressamente determina (assim, na esfera estatal, é preciso
lei anterior editando a matéria para que seja preservado o princípio da legalidade). A origem deste princípio está na
criação do Estado de Direito, no sentido de que o próprio Estado deve respeitar as leis que dita.
b) Princípio da impessoalidade: Por força dos interesses que representa, a administração pública está proibida
de promover discriminações gratuitas. Discriminar é tratar alguém de forma diferente dos demais, privilegiando
ou prejudicando. Segundo este princípio, a administração pública deve tratar igualmente todos aqueles que se
encontrem na mesma situação jurídica (princípio da isonomia ou igualdade). Por exemplo, a licitação reflete a
impessoalidade no que tange à contratação de serviços. O princípio da impessoalidade correlaciona-se ao princípio
da finalidade, pelo qual o alvo a ser alcançado pela administração pública é somente o interesse público. Com
efeito, o interesse particular não pode influenciar no tratamento das pessoas, já que deve-se buscar somente a
preservação do interesse coletivo.
18 NALINI, José Renato. Ética geral e profissional. 8. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.
19 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.
20 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.

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c) Princípio da moralidade: A posição deste princípio no artigo 37 da CF representa o reconhecimento de
uma espécie de moralidade administrativa, intimamente relacionada ao poder público. A administração pública não
atua como um particular, de modo que enquanto o descumprimento dos preceitos morais por parte deste particular
não é punido pelo Direito (a priori), o ordenamento jurídico adota tratamento rigoroso do comportamento imoral
por parte dos representantes do Estado. O princípio da moralidade deve se fazer presente não só para com os
administrados, mas também no âmbito interno. Está indissociavelmente ligado à noção de bom administrador,
que não somente deve ser conhecedor da lei, mas também dos princípios éticos regentes da função administrativa.
TODO ATO IMORAL SERÁ DIRETAMENTE ILEGAL OU AO MENOS IMPESSOAL, daí a intrínseca ligação
com os dois princípios anteriores.
d) Princípio da publicidade: A administração pública é obrigada a manter transparência em relação a todos
seus atos e a todas informações armazenadas nos seus bancos de dados. Daí a publicação em órgãos da imprensa e
a afixação de portarias. Por exemplo, a própria expressão concurso público (art. 37, II, CF) remonta ao ideário de
que todos devem tomar conhecimento do processo seletivo de servidores do Estado. Diante disso, como será visto,
se negar indevidamente a fornecer informações ao administrado caracteriza ato de improbidade administrativa.
Somente pela publicidade os indivíduos controlarão a legalidade e a eficiência dos atos administrativos. Os
instrumentos para proteção são o direito de petição e as certidões (art. 5°, XXXIV, CF), além do habeas data e -
residualmente - do mandado de segurança.
e) Princípio da eficiência: A administração pública deve manter o ampliar a qualidade de seus serviços com
controle de gastos. Isso envolve eficiência ao contratar pessoas (o concurso público seleciona os mais qualificados
ao exercício do cargo), ao manter tais pessoas em seus cargos (pois é possível exonerar um servidor público por
ineficiência) e ao controlar gastos (limitando o teto de remuneração), por exemplo. O núcleo deste princípio é a
procura por produtividade e economicidade. Alcança os serviços públicos e os serviços administrativos internos, se
referindo diretamente à conduta dos agentes.
Quando se fala num comportamento profissional conforme à ética busca-se que a atitude em serviço por
parte daquele que desempenha o interesse do Estado atenda aos ditames éticos. Pode parecer um conceito genérico,
mesmo com os esclarecimentos anteriormente expostos, razão pela qual nos ateremos ao conteúdo da legislação
específica a respeito do comportamento dos servidores esperado no respeito à ética.
Considerados os princípios administrativos basilares do art. 37 da CF, um diploma legal que permite compreender
questões inerentes ao comportamento ético do servidor público é a Lei nº 8.112/1990 – Regime Jurídico dos
Servidores Públicos Civis da União, que no título IV aborda o regime disciplinar aplicado a estes servidores, do
qual se selecionam alguns capítulos.
Título IV
Do Regime Disciplinar
Capítulo I
Dos Deveres
Art. 116. São deveres do servidor:
Os deveres do servidor previstos na Lei n° 8.112/90 são em muito compatíveis com os previstos no Código de
Ética profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (Decreto n° 1.171/94). Descrevem algu-
mas das condutas esperadas do servidor público quando do desempenho de suas funções.
I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
V - atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pes-
soal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior
ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para apura-
ção;
VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;
VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;

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IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
X - ser assíduo e pontual ao serviço;
XI - tratar com urbanidade as pessoas;
XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
Em resumo, o servidor público deve desempenhar suas funções com cuidado, rapidez e pontualidade, sendo leal
à instituição que compõe, respeitando as ordens de seus superiores que sejam adequadas às funções que desempe-
nhe e buscando conservar o patrimônio do Estado. No tratamento do público, deve ser prestativo e não negar o aces-
so a informações que não sejam sigilosas. Caso presencie alguma ilegalidade ou abuso de poder, deve denunciar.
Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via hierárquica e apreciada
pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.
Caso o funcionário público denuncie outro servidor, esta representação será encaminhada a alguém que seja
superior hierarquicamente ao denunciado, que terá direito à ampla defesa.
Capítulo II
Das Proibições
Art. 117. Ao servidor é proibido:
Em contraposição aos deveres do servidor público, existem diversas proibições, que também estão em boa parte
abrangidas pelo Decreto n° 1.171/94. A violação dos deveres ou a prática de alguma das violações abaixo descritas
caracterizam infração administrativa disciplinar.
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
Violação do dever de assiduidade.
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da repartição;
Violação do dever de zelo com o patrimônio público.
III - recusar fé a documentos públicos;
Violação do dever de transparência.
IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço;
Não cabe impedir que o trâmite da administração seja alterado por um capricho pessoal. Violação ao dever de
celeridade e eficiência.
V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
Violação do dever de discrição.
VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de atribuição que
seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
Quem é designado para o desempenho de uma função pública deve desempenhá-la, não podendo designar outra
pessoa para prestar seus serviços ou de seu subordinado.
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, ou a par-
tido político;
O direito de associação é livre, não podendo um funcionário forçar o seu subordinado a associar-se sindical ou
politicamente.
VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até
o segundo grau civil;
É a chamada prática de nepotismo. Do latim nepos, neto ou descendente, é o termo utilizado para designar o fa-
vorecimento de parentes (ou amigos próximos) em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que
diz respeito à nomeação ou elevação de cargos. O Decreto nº 7.203, de 4 de junho de 2010 dispõe sobre a vedação
do nepotismo no âmbito da administração pública federal.
Súmula Vinculante nº 13: “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por
afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica, investido
em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda,
de função gratificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição
Federal.”
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pú-
blica;
O cargo público serve apenas aos interesses da administração pública, ou seja, da coletividade, não aos interes-
ses pessoais do servidor.
X - participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer
o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
Não cabe ao servidor público administrar sociedade privada, o que pode comprometer sua eficiência e impar-
cialidade no exercício da função pública.

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XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de benefí-
cios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
Não cabe atuar como procurador perante repartições públicas de forma profissional. Daí a limitação à atuação
como representante de parente até segundo grau (irmãos, ascendentes e descendentes, cônjuges e companheiros).
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas atribuições;
A percepção de vantagem indevida gerando enriquecimento ilícito também caracteriza ato de improbidade
administrativa de maior gravidade.
XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
Indicia a intenção de praticar atos contrários ao interesse do Estado ao qual esteja vinculado.
XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;
Usura significa agiotagem.
XV - proceder de forma desidiosa;
Desídia é desleixo, descuido, preguiça, indolência.
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;
O aparato da administração pública pertence ao Estado, não cabendo ao servidor utilizá-lo em atividades par-
ticulares.
XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de emergência
e transitórias;
Cada servidor público tem sua atribuição legal, não cabendo designá-lo para desempenhar funções diversas
salvo em caso de extrema necessidade.
XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o
horário de trabalho;
O exercício de atividades incompatíveis propicia uma violação ao princípio da imparcialidade.
XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.
A atualização de dados cadastrais é necessária para manter a administração ciente da situação de seu servidor.
Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso X do caput deste artigo não se aplica nos seguintes casos:
I - participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União detenha,
direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade cooperativa constituída para prestar ser-
viços a seus membros; e
II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, na forma do art. 91 desta Lei, observada a legisla-
ção sobre conflito de interesses.
Nestes casos, é possível participar diretamente da administração de sociedade privada, pois o interesse estatal
não será comprometido.
[...]
Capítulo IV
Das Responsabilidades
Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições.
Segundo Carvalho Filho21, “a responsabilidade se origina de uma conduta ilícita ou da ocorrência de determina-
da situação fática prevista em lei e se caracteriza pela natureza do campo jurídico em que se consuma. Desse modo,
a responsabilidade pode ser civil, penal e administrativa. Cada responsabilidade é, em princípio, independente da
outra”.
É possível que o mesmo fato gere responsabilidade civil, penal e administrativa, mas também é possível que
este gere apenas uma ou outra espécie de responsabilidade. Daí o fato das responsabilidades serem independentes:
o mesmo fato pode gerar a aplicação de qualquer uma delas, cumulada ou isoladamente.
Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte em
prejuízoo ao erário ou a terceiros.
§ 1 A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na forma prevista no art.
46, na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial.
§ 2o Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, em ação
regressiva.
§ 3o A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até o limite do valor
da herança recebida.
21 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.

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O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do direito obrigacional, uma vez que a principal
consequência da prática de um ato ilícito é a obrigação que gera para o seu auto de reparar o dano, mediante o
pagamento de indenização que se refere às perdas e danos. Afinal, quem pratica um ato ou incorre 22em omissão que
gere dano deve suportar as consequências jurídicas decorrentes, restaurando-se o equilíbrio social.
A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, podendo recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até os
limites da herança, embora existam reflexos na ação que apure a responsabilidade civil conforme o resultado na
esfera penal (por exemplo, uma absolvição por negativa de autoria impede a condenação na esfera cível, ao passo
que uma absolvição por falta de provas não o faz).
Genericamente, os elementos da responsabilidade civil se encontram no art. 186 do Código Civil: “aquele
que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Este é o artigo central do instituto da responsabilidade civil, que tem
como elementos: ação ou omissão voluntária (agir como não se deve ou deixar de agir como se deve), culpa ou dolo
do agente (dolo é a vontade de cometer uma violação de direito e culpa é a falta de diligência), nexo causal (relação
de causa e efeito entre a ação/omissão e o dano causado) e dano (dano é o prejuízo sofrido pelo agente, que pode
ser individual ou coletivo, moral ou material, econômico e não econômico).
Prevê o artigo 37, §6° da Constituição Federal: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado
prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Este artigo deixa clara a formação
de uma relação jurídica autônoma entre o Estado e o agente público que causou o dano no desempenho de suas
funções. Nesta relação, a responsabilidade civil será subjetiva, ou seja, caberá ao Estado provar a culpa do agente
pelo dano causado, ao qual foi anteriormente condenado a reparar. Direito de regresso é justamente o direito de
acionar o causador direto do dano para obter de volta aquilo que pagou à vítima, considerada a existência de uma
relação obrigacional que se forma entre a vítima e a instituição que o agente compõe.
Assim, o Estado responde pelos danos que seu agente causar aos membros da sociedade, mas se este agente agiu
com dolo ou culpa deverá ressarcir o Estado do que foi pago à vítima. O agente causará danos ao praticar condutas
incompatíveis com o comportamento ético dele esperado.23
A responsabilidade civil do servidor exige prévio processo administrativo disciplinar no qual seja assegurado
contraditório e ampla defesa.
Trata-se de responsabilidade civil subjetiva ou com culpa. Havendo ação ou omissão com culpa do servidor
que gere dano ao erário (Administração) ou a terceiro (administrado), o servidor terá o dever de indenizar.
Art. 123. A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao servidor, nessa qualidade.
A responsabilidade penal do servidor decorre de uma conduta que a lei penal tipifique como infração penal, ou
seja, como crime ou contravenção penal.
O servidor poderá ser responsabilizado apenas penalmente, uma vez que somente caberá responsabilização civil
se o ato tiver causado prejuízo ao erário (elemento dano).
Os crimes contra a Administração Pública se encontram nos artigos 312 a 326 do Código Penal, mas existem
outros crimes espalhados pela legislação específica.
Art. 124. A responsabilidade civil-administrativa resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no desempe-
nho do cargo ou função.
Quando o servidor pratica um ilícito administrativo, a ele é atribuída responsabilidade administrativa. O ilícito
pode verificar-se por conduta comissiva ou omissiva e os fatos que o configuram são os previstos na legislação
estatutária. Por exemplo, as sanções aplicadas pela Comissão de Ética por violação ao Decreto n° 1.171/94 são
administrativas.
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si.
Se as responsabilidades se cumularem, também as sanções serão cumuladas. Daí afirmar-se que tais responsa-
bilidades são independentes, ou seja, não dependem uma da outra.
Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que ne-
gue a existência do fato ou sua autoria.
Determinadas decisões na esfera penal geram exclusão da responsabilidade nas esferas civil e administrativa,
quais sejam: absolvição por inexistência do fato ou negativa de autoria. A absolvição criminal por falta de provas
não gera exclusão da responsabilidade civil e administrativa.
22 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.
23 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São Paulo: Método, 2011.

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A absolvição proferida na ação penal, em regra, nada prejudica a pretensão de reparação civil do dano ex delic-
to, conforme artigos 65, 66 e 386, IV do CPP: “art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer
ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no
exercício regular de direito” (excludentes de antijuridicidade); “art. 66. não obstante a sentença absolutória no
juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência
material do fato”; “art. 386, IV – estar provado que o réu não concorreu para a infração penal”.
Entendem Fuller, Junqueira e Machado24: “a absolvição dubitativa (motivada por juízo de dúvida), ou seja, por
falta de provas, (art. 386, II, V e VII, na nova redação conferida ao CPP), não empresta qualquer certeza ao âmbito
da jurisdição civil, restando intocada a possibilidade de, na ação civil de conhecimento, ser provada e reconhecida
a existência do direito ao ressarcimento, de acordo com o grau de cognição e convicção próprios da seara civil (na
esfera penal, a decisão de condenação somente pode ser lastreada em juízo de certeza, tendo em vista o princípio
constitucional do estado de inocência)”.
Art. 126-A. Nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente por dar ciência
à autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra autoridade competente para apu-
ração de informação concernente à prática de crimes ou improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em
decorrência do exercício de cargo, emprego ou função pública.
Este dispositivo visa garantir que os servidores públicos denunciem os servidores hierarquicamente superiores.
Afinal, todos teriam receio de denunciar se pudessem ser responsabilizados civil, penal ou administrativamente por
tal denúncia caso no curso da apuração se verificasse que ela não procedia.
Com efeito, a atuação policial se dá no espaço público, que é aquele de uso comum e posse de todos. Por muito
tempo a atuação das polícias ficava restrita, apenas se limitava ao exercício do poder de polícia fiscalizatório e
repressivo. No entanto, uma preocupação social tem se arraigado nestas instituições, que tomaram novos rumos.
Por exemplo as polícias também têm desenvolvido iniciativas junto à população em complemento às suas funções
tradicionais, como o caso de campanhas preventivas, da presença em redes sociais e do serviço de ouvidoria e
pesquisa de satisfação.
Pouco a pouco, percebe-se que há uma preocupação em aproximar a polícia da sociedade, tirando a imagem de
uma instituição à parte, inimiga da população. Mais que isso, pretende-se acabar com a percepção da polícia como
uma instituição avessa aos direitos humanos garantidos à população, passando a ser protetora e efetivadora destes
direitos, mesmo quando estiver atuando na repressão de um cidadão que infringiu a lei.
Por outro lado, inegável que inúmeras notícias são veiculadas diariamente a respeito da atuação policial no
espaço público para dirimir conflitos e controlar manifestações. Muitas vezes, se dá o uso indevido da força, que
deve ser coibido e caracteriza clássica violação de direitos humanos. O uso desnecessário de disparos de armas,
bombas de efeito moral, balas de borracha e outros aparatos de contenção e dispersão caracteriza violação de direitos
humanos, notadamente, liberdade de expressão, liberdade de manifestação, integridade física, moral e psíquica e
vida. Portanto, é preciso responsabilidade na atuação policial no espaço público, utilizando da força apenas na
medida do necessário e sem perder de vista dos direitos humanos consagrados.
Neste ponto, será tecido um aprofundamento sobre as atitudes esperadas dos policiais no que tange ao respeito
dos Direitos Humanos. Ricardo Balestreri25, com base em sua experiência de quase uma década de parceria no
campo da educação para os direitos humanos junto a policiais e em demais aspectos de sua experiência prática, tece
treze considerações que devem ser guia na atuação da polícia em relação aos Direitos Humanos, que estudaremos
individualmente a partir deste ponto.
1ª) Cidadania, dimensão primeira
O policial é, antes de tudo um cidadão, e na cidadania deve nutrir sua razão de ser. Cidadão é aquele que possui
com o Estado o vínculo jurídico-político da nacionalidade, passando a compor o seu povo, adquirindo direitos
políticos aos quais correspondem deveres perante à sociedade. Um cidadão não é diferente do outro, todos têm a
mesma importância e o mesmo papel social.
Portanto, o policial é equiparado a todos os membros da comunidade em direitos e deveres. Sua condição de
cidadania é, portanto, condição primeira, tornando-se bizarra qualquer reflexão fundada sobre suposta dualidade ou
antagonismo entre uma “sociedade civil” e outra “sociedade policial”, isto é, a sociedade é uma só, composta por
todos os cidadãos brasileiros e a polícia não forma uma sociedade paralela.
24 FULLER, Paulo Henrique Aranda; JUNQUEIRA, Gustavo Octaviano Diniz; MACHADO, Angela C. Cangiano. Processo Penal. 9. ed. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2010. (Coleção Elementos do Direito)
25 BALESTERI, Ricardo. Direitos humanos: Coisa de polícia. Disponível em: <http://www.mpba.mp.br/atuacao/ceosp/artigos/Balestreri_Direitos_Huma-
nos_Coisa_policia.pdf>. Acesso em: 03 out. 2013.

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Essa afirmação é plenamente válida mesmo quando se trata da Polícia Militar, que é um serviço público
realizado na perspectiva de uma sociedade única, da qual todos os segmentos estatais são derivados. Portanto não
há, igualmente, uma “sociedade civil” e outra “sociedade militar”.
A “lógica” da Guerra Fria (socialismo/capitalismo), aliada aos “anos de chumbo”, no Brasil, quer dizer, ao
período de ditadura militar, é que se encarregou de solidificar esses equívocos, tentando transformar a polícia, de
um serviço à cidadania, em ferramenta para enfrentamento do “inimigo interno”. Assim, o cidadão que não fazia
parte do corpo policial passava a ser visto como um potencial inimigo que pudesse derrubar o Estado. Mesmo
após o encerramento desses anos de paranoia, sequelas ideológicas persistem indevidamente, obstaculizando, em
algumas áreas, a elucidação da real função policial.
2ª) Policial: cidadão qualificado
O agente de Segurança Pública é, contudo, um cidadão qualificado: representa o Estado, em seu contato mais
imediato com a população. Em verdade, todo cidadão que é designado para desempenho de uma função pública
passa a exteriorizar a imagem que o Estado pretende passar, à qual notadamente se encontra aliado um valor ético.
Mas não é o Estado que é ético ou não, e sim as pessoas que compõem o seu aparato. Entre elas, destaca-se o
policial, uma das figuras representativas do Estado que mais ficam aos olhos da população.
Sendo a autoridade mais comumente encontrada tem, portanto, a missão de ser uma espécie de “porta voz”
popular do conjunto de autoridades das diversas áreas do poder. Além disso, porta a singular permissão para o uso
da força e das armas, no âmbito da lei, o que lhe confere natural e destacada autoridade para a construção social ou
para sua devastação. O impacto sobre a vida de indivíduos e comunidades, exercido por esse cidadão qualificado
é, pois, sempre um impacto extremado e simbolicamente referencial para o bem ou para o mal-estar da sociedade.
3ª) Policial: pedagogo da cidadania
Há, assim, uma dimensão pedagógica no agir policial que, como em outras profissões de suporte público,
antecede as próprias especificidades de sua especialidade.
Os paradigmas contemporâneos na área da educação nos obrigam a repensar o agente educacional de forma mais
includente. No passado, esse papel estava reservado unicamente aos pais, professores e especialistas em educação.
Hoje é preciso incluir com primazia no rol pedagógico também outras profissões irrecusavelmente formadoras de
opinião: médicos, advogados, jornalistas e policiais, por exemplo.
O policial, assim, à luz desses paradigmas educacionais mais abrangentes, é um pleno e legítimo educador.
Essa dimensão é inabdicável e reveste de profunda nobreza a função policial, quando conscientemente explicitada
através de comportamentos e atitudes.
4ª) A importância da autoestima pessoal e institucional
O reconhecimento da mencionada “dimensão pedagógica” é, seguramente, o caminho mais rápido e eficaz
para a reconquista da abalada autoestima policial. Note-se que os vínculos de respeito e solidariedade só podem
constituir-se sobre uma boa base de autoestima. A experiência primária do “querer-se bem” é fundamental para
possibilitar o conhecimento de como chegar a “querer bem o outro”. Não podemos viver para fora o que não
vivemos para dentro.
Em nível pessoal, é fundamental que o cidadão policial sinta-se motivado e orgulhoso de sua profissão.
Isso só é alcançável à partir de um patamar de “sentido existencial”. Se a função policial for esvaziada desse
sentido, transformando o homem e a mulher que a exercem em meros cumpridores de ordens sem um significado
pessoalmente assumido como ideário, o resultado será uma autoimagem denegrida e uma baixa autoestima.
Resgatar, pois, o pedagogo que há em cada policial, é permitir a ressignificação da importância social da
polícia, com a consequente consciência da nobreza e da dignidade dessa missão.
A elevação dos padrões de autoestima pode ser o caminho mais seguro para uma boa prestação de serviços. Só
respeita o outro aquele que se dá respeito a si mesmo. Um policial insatisfeito com as funções que desempenha não
pode ser um bom policial.
5ª ) Polícia e “superego” social
Essa “dimensão pedagógica”, evidentemente, não se confunde com “dimensão demagógica” e, portanto, não
exime a polícia de sua função técnica de intervir preventivamente no cotidiano e repressivamente em momentos
de crise, uma vez que democracia nenhuma se sustenta sem a contenção do crime, sempre fundado sobre uma
moralidade mal constituída e hedonista, resultante de uma complexidade causal que vai do social ao psicológico.
Assim como nas famílias é preciso, em “ocasiões extremas”, que o adulto sustente, sem vacilar, limites que
possam balizar moralmente a conduta de crianças e jovens, também em nível macro é necessário que alguma
instituição se encarregue da contenção da sociopatia.

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A polícia é, portanto, uma espécie de superego social indispensável em culturas urbanas, complexas e de
interesses conflitantes, contendo o óbvio caos a que estaríamos expostos na absurda hipótese de sua inexistência.
Possivelmente por isso não se conheça nenhuma sociedade contemporânea que não tenha assentamento, entre
outros, no poder da polícia. Zelar, pois, diligentemente, pela segurança pública, pelo direito do cidadão de ir e vir,
de não ser molestado, de não ser saqueado, de ter respeitada sua integridade física e moral, é dever da polícia, um
compromisso com o rol mais básico dos direitos humanos que devem ser garantidos à imensa maioria de cidadãos
honestos e trabalhadores.
Para isso é que a polícia recebe desses mesmos cidadãos a unção para o uso da força, quando necessário.
6ª) Rigor versus violência
O uso legítimo da força não se confunde, contudo, com truculência. A fronteira entre a força e a violência
é delimitada, no campo formal, pela lei, no campo racional pela necessidade técnica e, no campo moral, pelo
antagonismo que deve reger a metodologia de policiais e criminosos. Significa que a lei delimita juridicamente a
atuação do policial, mas a própria moralidade incute no policial o bom senso que limita suas atuações. Assim, a
força deve ser usada com bom senso, na medida do necessário ao adequado desempenho das funções.
7ª) Policial versus criminoso: metodologias antagônicas
Dessa forma, mesmo ao reprimir, o policial oferece uma visualização pedagógica, ao antagonizar-se aos
procedimentos do crime.
Em termos de inconsciente coletivo, o policial exerce função educativa arquetípica: deve ser “o mocinho”, com
procedimentos e atitudes coerentes com a “firmeza moralmente reta”, oposta radicalmente aos desvios perversos do
outro arquétipo que se lhe contrapõe: o bandido.
Ao olhar para uns e outros, é preciso que a sociedade perceba claramente as diferenças metodológicas, isto é, que
distinga o mocinho do bandido, ou a “confusão arquetípica” intensificará sua crise de moralidade, incrementando a
ciranda da violência. Em outras palavras, a sociedade que não olha para o policial como a pessoa que está certa em
sua atuação, e para o bandido como aquele que deve ser reprimido, tende a delinquir. Isso significa que a violência
policial é geradora de mais violência da qual, mui comumente, o próprio policial torna-se a vítima.
Ao policial, portanto, não cabe ser cruel com os cruéis, vingativo contra os antissociais, hediondo com os
hediondos. Apenas estaria com isso, liberando, licenciando a sociedade para fazer o mesmo, a partir de seu patamar
de visibilidade moral. Não se ensina a respeitar desrespeitando, não se pode educar para preservar a vida matando,
não importa quem seja. O policial jamais pode esquecer que também o observa o inconsciente coletivo.
8ª) A “visibilidade moral” da polícia: importância do exemplo
Essa dimensão “testemunhal”, exemplar, pedagógica, que o policial carrega irrecusavelmente é, possivelmente,
mais marcante na vida da população do que a própria intervenção do educador por ofício, o professor.
Esse fenômeno ocorre devido à gravidade do momento em que normalmente o policial encontra o cidadão.
À polícia recorre-se, como regra, em horas de fragilidade emocional, que deixam os indivíduos ou a comunidade
fortemente “abertos” ao impacto psicológico e moral da ação realizada.
Por essa razão é que uma intervenção incorreta funda marcas traumáticas por anos ou até pela vida inteira, assim
como a ação do “bom policial” será sempre lembrada com satisfação e conforto.
Curiosamente, um significativo número de policiais não consegue perceber com clareza a enorme importância
que têm para a sociedade, talvez por não haverem refletido suficientemente a respeito dessa peculiaridade do
impacto emocional do seu agir sobre a clientela. Justamente aí reside a maior força pedagógica da polícia, a grande
chave para a redescoberta de seu valor e o resgate de sua autoestima.
É essa mesma “visibilidade moral” da polícia o mais forte argumento para convencê-la de sua “responsabilidade
paternal” (ainda que não paternalista) sobre a comunidade. Zelar pela ordem pública é, assim, acima de tudo, dar
exemplo de conduta fortemente baseada em princípios. Não há exceção quando tratamos de princípios, mesmo
quando está em questão a prisão, guarda e condução de malfeitores.
Se o policial é capaz de transigir nos seus princípios de civilidade, isto é, de relativizá-los, quando no contato com
os sociopatas, abona a violência, contamina-se com o que nega, conspurca a normalidade, confunde o imaginário
popular e rebaixa-se à igualdade de procedimentos com aqueles que combate.
Note-se que a perspectiva, aqui, não é refletir do ponto de vista da “defesa do bandido”, mas da defesa da
dignidade do policial.
A violência desequilibra e desumaniza o sujeito, não importa com que fins seja cometida, e não restringe-se a
áreas isoladas, mas, fatalmente, acaba por dominar-lhe toda a conduta. O violento se dá uma perigosa permissão de
exercício de pulsões negativas, que vazam gravemente sua censura moral e que, inevitavelmente, vão alastrando-se
em todas as direções de sua vida, de maneira incontrolável.

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9ª) “Ética” corporativa versus ética cidadã
Essa consciência da autoimportância obriga o policial a abdicar de qualquer lógica corporativista. Por lógica
corporativista, entende-se reforçar a distinção da polícia como uma corporação alheia à sociedade, autônoma.
Ter identidade com a polícia, amar a corporação da qual participa, coisas essas desejáveis, não se podem
confundir, em momento algum, com acobertar práticas abomináveis. Ao contrário, a verdadeira identidade policial
exige do sujeito um permanente zelo pela “limpeza” da instituição da qual participa.
Um verdadeiro policial, ciente de seu valor social, será o primeiro interessado no “expurgo” dos maus
profissionais, dos corruptos, dos torturadores, dos psicopatas. Sabe que o lugar deles não é polícia, pois, além do
dano social que causam, prejudicam o equilíbrio psicológico de todo o conjunto da corporação e inundam os meios
de comunicação social com um marketing que denigre o esforço heroico de todos aqueles outros que cumprem
corretamente sua espinhosa missão. Por esse motivo, não está disposto a conceder-lhes qualquer tipo de espaço.
Aqui, se antagoniza a “ética da corporação” (que na verdade é a negação de qualquer possibilidade ética) com
a ética da cidadania (aquela voltada à missão da polícia junto a seu cliente, o cidadão).
O acobertamento de práticas espúrias demonstra, ao contrário do que muitas vezes parece, o mais absoluto
desprezo pelas instituições policiais. Quem acoberta o espúrio permite que ele enxovalhe a imagem do conjunto da
instituição e mostra, dessa forma, não ter qualquer respeito pelo ambiente do qual faz parte.
10ª) Critérios de seleção, permanência e acompanhamento
Essa preocupação deve crescer à medida em que tenhamos clara a preferência da psicopatia pelas profissões
de poder. Política profissional, Forças Armadas, Comunicação Social, Direito, Medicina, Magistério e Polícia são
algumas das profissões de encantada predileção para os psicopatas, sempre em busca do exercício livre e sem culpas
de seu poder sobre outrem.
Profissões magníficas, de grande amplitude social, que agregam heróis e mesmo santos, são as mesmas que
atraem a escória, pelo alcance que têm, pelo poder que representam.
A permissão para o uso da força, das armas, do direito a decidir sobre a vida e a morte, exercem irresistível
atração à perversidade, ao delírio onipotente, à loucura articulada.
Os processos de seleção de policiais devem tornar-se cada vez mais rígidos no bloqueio à entrada desse tipo de
gente. Igualmente, é nefasta a falta de um maior acompanhamento psicológico aos policiais já na ativa.
A polícia é chamada a cuidar dos piores dramas da população e nisso reside um componente desequilibrador.
Quem cuida da polícia?
Os governos, de maneira geral, estruturam pobremente os serviços de atendimento psicológico aos policiais e
aproveitam muito mal os policiais diplomados nas áreas de saúde mental.
Evidentemente, se os critérios de seleção e permanência devem tornar-se cada vez mais exigentes, espera-se
que o Estado cuide também de retribuir com salários cada vez mais dignos.
De qualquer forma, o zelo pelo respeito e a decência dos quadros policiais não cabe apenas ao Estado, mas aos
próprios policiais, os maiores interessados em participarem de instituições livres de vícios, valorizadas socialmente
e detentoras de credibilidade histórica.
11ª) Direitos Humanos dos policiais: humilhação versus hierarquia
O equilíbrio psicológico, tão indispensável na ação da polícia, passa também pela saúde emocional da própria
instituição. Mesmo que isso não se justifique, sabemos que policiais maltratados internamente tendem a descontar
sua agressividade sobre o cidadão. Evidentemente, polícia não funciona sem hierarquia. Há, contudo, clara distinção
entre hierarquia e humilhação, entre ordem e perversidade.
Em muitas academias de polícia (é claro que não em todas) os policiais parecem ainda ser “adestrados” para
alguma suposta “guerra de guerrilhas”, sendo submetidos a toda ordem de maus-tratos (beber sangue no pescoço da
galinha, ficar em pé sobre formigueiro, ser “afogado” na lama por superior hierárquico, são só alguns dos recentes
exemplos que tenho colecionado à partir da narrativa de policiais).
Por uma contaminação da ideologia militar (diga-se de passagem, presente não apenas nas PMs mas também
em muitas polícias civis), os futuros policiais são, muitas vezes, submetidos a violento estresse psicológico, a fim
de atiçar-lhes a raiva contra o “inimigo” (será, nesse caso, o cidadão?).
Essa permissividade na violação interna dos Direitos Humanos dos policiais pode dar guarida à ação de
personalidades sádicas e depravadas, que usam sua autoridade superior como cobertura para o exercício de suas
doenças.
Além disso, como os policiais não vão lutar na extinta guerra do Vietnã, mas atuar nas ruas das cidades, esse
tipo de “formação” (deformadora) representa uma perda de tempo, geradora apenas de brutalidade, atraso técnico
e incompetência.
A verdadeira hierarquia só pode ser exercida com base na lei e na lógica, longe, portanto, do personalismo e do
autoritarismo doentios.

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O respeito aos superiores não pode ser imposto na base da humilhação e do medo. Não pode haver respeito
unilateral, como não pode haver respeito sem admiração. Não podemos respeitar aqueles a quem odiamos.
A hierarquia é fundamental para o bom funcionamento da polícia, mas ela só pode ser verdadeiramente alcançada
através do exercício da liderança dos superiores, o que pressupõe práticas bilaterais de respeito, competência e
seguimento de regras lógicas e suprapessoais.
12ª) Direitos Humanos dos policiais: humilhação versus hierarquia
No extremo oposto, a debilidade hierárquica é também um mal. Pode passar uma imagem de descaso e desordem
no serviço público, além de enredar na malha confusa da burocracia toda a prática policial.
A falta de uma Lei Orgânica Nacional para a polícia civil, por exemplo, pode propiciar um desvio fragmentador
dessa instituição, amparando uma tendência de definição de conduta, em alguns casos, pela mera junção, em “colcha
de retalhos”, do conjunto das práticas de suas delegacias.
Enquanto um melhor direcionamento não ocorre em plano nacional, é fundamental que os estados e instituições
da polícia civil direcionem estrategicamente o processo de maneira a unificar sob regras claras a conduta do conjunto
de seus agentes, transcendendo a mera predisposição dos delegados localmente responsáveis (e superando, assim,
a “ordem” fragmentada, baseada na personificação). Além do conjunto da sociedade, a própria polícia civil será
altamente beneficiada, uma vez que regras objetivas para todos (incluídas aí as condutas internas) só podem dar
maior segurança e credibilidade aos que precisam executar tão importante e ao mesmo tempo tão intrincado e difícil
trabalho.
13ª) A formação dos policiais
A superação desses desvios poderia dar-se, ao menos em parte, pelo estabelecimento de um “núcleo comum”,
de conteúdos e metodologias na formação de ambas as polícias, que privilegiasse a formação do juízo moral, as
ciências humanísticas e a tecnologia como contraponto de eficácia à incompetência da força bruta. Trata-se de
aprender a ser policial, tendo por base de estudo todas as diretrizes anteriores.
Aqui, deve-se ressaltar a importância das academias de Polícia Civil, das escolas formativas de oficiais e soldados
e dos institutos superiores de ensino e pesquisa, como bases para a construção da Polícia Cidadã, seja através de
suas intervenções junto aos policiais ingressantes, seja na qualificação daqueles que se encontram há mais tempo
na ativa. Um bom currículo e professores habilitados não apenas nos conhecimentos técnicos, mas igualmente nas
artes didáticas e no relacionamento interpessoal, são fundamentais para a geração de policiais que atuem com base
na lei e na ordem hierárquica, mas também na autonomia moral e intelectual. Do policial contemporâneo, mesmo o
de mais simples escalão, se exigirá, cada vez mais, discernimento de valores éticos e condução rápida de processos
de raciocínio na tomada de decisões.
Conclusão
A polícia, como instituição de serviço à cidadania em uma de suas demandas mais básicas - Segurança Pública
- tem tudo para ser altamente respeitada e valorizada. Para tanto, precisa resgatar a consciência da importância de
seu papel social e, por conseguinte, a autoestima.
Esse caminho passa pela superação das sequelas deixadas pelo período ditatorial: velhos ranços psicopáticos,
às vezes ainda abancados no poder, contaminação anacrônica pela ideologia militar da Guerra Fria, crença de que a
competência se alcança pela truculência e não pela técnica, maus-tratos internos a policiais de escalões inferiores,
corporativismo no acobertamento de práticas incompatíveis com a nobreza da missão policial.
O processo de modernização democrática já está instaurado e conta com a parceria de organizações como a
Anistia Internacional (que, dentro e fora do Brasil, aliás, mantém um notável quadro de policiais a ela filiados).
Dessa forma, o velho paradigma antagonista da Segurança Pública e dos Direitos Humanos precisa ser substituído
por um novo, que exige desacomodação de ambos os campos: “Segurança Pública com Direitos Humanos”.
O policial, pela natural autoridade moral que porta, tem o potencial de ser o mais marcante promotor dos
Direitos Humanos, revertendo o quadro de descrédito social e qualificando-se como um personagem central da
democracia. As organizações não-governamentais que ainda não descobriram a força e a importância do policial
como agente de transformação, devem abrir-se, urgentemente, a isso, sob pena de, aferradas a velhos paradigmas,
perderem o concurso da ação impactante desse ator social.
Direitos Humanos, cada vez mais, também é coisa de polícia!

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EXERCÍCIOS
1. (FCC - 2011 - NOSSA CAIXA DESENVOLVIMENTO - Advogado) No que concerne ao tema ética
profissional e empresarial, está correto afirmar:
a) A empresa necessita que a conduta ética de seus integrantes, bem como os valores e convicções primárias da
organização se tornem parte de sua cultura.
b) A ética empresarial é o conjunto de princípios que regem a conduta funcional de uma determinada profissão.
c) O indivíduo deve agir com respeito ao procedimento ético de sua profissão, não sendo necessária a observância
dos princípios éticos comuns a todos os homens.
d) Execução do trabalho no mais alto nível de rendimento, assiduidade e frequência ao serviço, embora
louváveis, não são exemplos de condutas éticas no exercício profissional.
e) A boa empresa atua apenas com foco no lucro, não importando se oferece um ambiente moralmente
gratificante.
R: A. Ética profissional e cultura organizacional são conceitos que andam juntos. Envolvem a adequada
organização do trabalho e o desempenho de funções de maneira compatível com os valores morais que repousam
na sociedade.
2. (ASPERH - 2010 - Professor auxiliar ética profissional) Sobre moral e ética é incorreto afirmar:
a) A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada sociedade,
um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc.
b) Uma moral é um fenômeno social particular, que tem compromisso com a universalidade, isto é, com o que
é válido e de direito para todos os homens. Exceto quando atacada: justifica-se se dizendo universal, supostamente
válida para todos.
c) A ética á uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas ela não é puramente teoria. A ética é um conjunto de
princípios e disposições voltados para a ação, historicamente produzidos, cujo objetivo é balizar as ações humanas.
d) A moral é um conjunto de regras de conduta adotadas pelos indivíduos de um grupo social e tem a finalidade
de organizar as relações interpessoais segundo os valores do bem e do mal.
e) A moral é a aplicação da ética no cotidiano, é a prática concreta.
R: B. A Moral, embora seja mais subjetiva que a Ética, reflete o seu conteúdo, logo, também possui universalidade.
O sentimento moral é uno e repousa no seio social, sendo assim universal. Logo, a Moral é válida para todos, não
supostamente válida.
3. (ASPERH - 2010 - Professor auxiliar ética profissional) Sobre a ética, moral e direito é incorreto afirmar:
a) Tanto a moral como o direito baseiam-se em regras que visam estabelecer uma certa previsibilidade para as
ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam.
b) O direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado.
c) As leis têm uma base territorial, elas valem apenas para aquela área geográfica onde uma determinada
população ou seus delegados vivem.
d) Alguns autores afirmam que o direito é um subconjunto da ética. Esta perspectiva pode gerar a conclusão
de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de conflitos entre a ética e o
direito.
e) A desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada
lei. Este é um exemplo de que a moral e o direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade, podem ter
perspectivas discordantes.
R: D. O Direito é um subconjunto da Ética e, por isso mesmo, suas normas devem refletir o conteúdo ético
sempre que possível, o que ocorre pela presença do valor do justo. Tomar como correta a afirmativa d seria entender
que o Direito pode não ser justo e ainda assim ser válido, premissa positivista refutada no contexto pós-guerra.
4. (CESPE - 2010 - Caixa - Advogado) A respeito das classificações da ética como campo de estudo, assinale
a opção correta.
a) Na abordagem da ética absoluta, toda ação humana é boa e, consequentemente, um dever, pois se fundamenta
em um valor.
b) De acordo com a ética formal, não existem valores universais, objetivos, mas estes são convencionais,
condicionados ao tempo e ao espaço.
c) Segundo a ética empírica, a distinção entre o certo e o errado ocorre por meio da experiência, do resultado do
procedimento, da observação sensorial do que de fato ocorre no mundo.
d) Quanto ao aspecto histórico, a ética empírica possui a razão como enfoque para explicar o mundo, na medida
em que ela constrói a teoria explicativa e vai ao mundo para ver sua adequação.
e) Em todas as classificações da ética, ela se torna equivalente à moral porque direciona o comportamento
humano para ações consideradas positivas para um grupo social.
R: C. Empirismo é a observação prática de um fenômeno. Enquanto que numa ética teórica bastaria a reflexão
para conhecer o certo e o errado, por uma ética empírica é preciso vivenciar o contato direto com situações que
permitam compreender estes valores.

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5. (ASPERH - 2010 - Professor auxiliar ética profissional) Sobre moralidade administrativa e a constituição
federativa é incorreto afirmar:
a) A carta magna faz menção em diversas oportunidades ao princípio da moralidade. Uma delas, prevista no art.
5º, LXXIII, trata da ação popular contra ato lesivo à moralidade administrativa
b) Em outra, o constituinte determinou a punição mais rigorosa da imoralidade qualificada pela improbidade
(art. 37, §4º)
c) Há ainda o art. 14, §9º, onde se visa proteger a probidade e moralidade no exercício de mandato, e o art. 85,
V, que considera a improbidade administrativa como crime de atividade administrativa
d) O princípio da moralidade, com o advento da Carta Constitucional de 1988 foi alçado, pela vez primeira
em nosso direito positivo a princípio constitucional, nos termos do artigo37, caput, o qual estabelece diretrizes à
administração pública
e) Também o artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, prevê a possibilidade de anulação de atos le-
sivos à moralidade administrativa
R: C. Embora o artigo 85, V faça referência à probidade administrativa como um dos objetos de violação, carac-
terizando crime de responsabilidade pelo Presidente da República, o ato de improbidade administrativa praticado
pelos servidores em geral tem natureza cível e está regulado na Lei nº 8.429/92.
6. (CESPE - 2012 - TJ-AL - Técnico Judiciário) Considerando a ética no serviço público, assinale a opção
correta.
a) O servidor público deve demonstrar cortesia em situações de atendimento ao público, com destaque para
aquelas pessoas com quem já tenha familiaridade.
b) A dignidade é o principal valor que norteia a ética do servidor público.
c) Com relação à administração pública, a moralidade limita-se à distinção entre o bem e o mal.
d) Espera-se que o servidor público sempre atue com respeito à hierarquia.
e) A boa vontade deve estar sempre presente no comportamento do servidor público em quaisquer situações e
em qualquer tempo de seu cotidiano.
R: D. A alternativa a) está incorreta pois diferenciar aqueles com que se tem familiaridade é violar o princípio da
moralidade; a alternativa b) está incorreta pois moralidade é o principal valor que norteia a ética do servidor público;
a alternativa c) está incorreta porque o servidor não pode se limitar a distinguir bem e mal (mas principalmente
honesto e desonesto); a alternativa e) está incorreta porque a prioridade deve se dar em serviço (fora dele o servidor
deve zelar por sua imagem, mas não é obrigado a atender pessoas que não em seu expediente). Obviamente, a d)
está correta porque a hierarquia é essencial em termos de organização do trabalho, embora não caiba ao servidor
atender ordens contrárias à ética.
7. (CESPE - 2012 - TJ-AL - Técnico Judiciário) Em sua atuação profissional, o servidor público deve
a) prestar informações sigilosas à sociedade, visto que toda pessoa tem direito à verdade.
b) colaborar com seus colegas apenas quando solicitado.
c) realizar suas atividades com afinco e resolutividade.
d) realizar suas atividades com rapidez, mesmo que ocorram algumas imperfeições ou erros.
e) abster-se de exercer sua função em situações de insegurança profissional.
R: C. O comportamento profissional esperado do servidor é que ele haja com afinco, ou seja, dedicação, e
resolutividade, isto é, buscando resolver todos os problemas que se apresentarem nos limites de sua competência.
Não cabe ao servidor violar o sigilo profissional, deixar de se atentar aos momentos em que pode colaborar no
trabalho (independente de solicitações), cometer erros e imperfeições ou deixar de exercer suas funções fora dos
casos aceitos em lei.
8. (CESPE - 2012 - TJ-AL - Técnico Judiciário) O comportamento profissional do servidor público deve ser
orientador por princípios e valores orientados a
a) ganhar sempre para o crescimento e engrandecimento da nação.
b) resolver os problemas imediatos e depois pensar nos futuros.
c) aproveitar as oportunidades, mesmo com incidência de risco de improbidade.
d) agir, se comportar e demonstrar atitudes relacionadas à tradição dos serviços públicos.
e) realizar suas atribuições em um ritmo confortável para si e buscar ter qualidade de vida sempre.
R: D. Não cabe ao servidor esquecer de si e pensar somente na nação, mas o inverso também não é aceito.
Aquele que desempenha função pública deve ter consciência de suas responsabilidades e servir de espelho para a
sociedade como um todo.

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9. (FCC - 2010 - DNOCS - Agente Administrativo) No que concerne às Regras Deontológicas estabelecidas no
Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, é correto afirmar que
a) o trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como obrigação,
independentemente do seu próprio bem- estar, já que, como funcionário público, integrante do Poder Executivo,
o êxito desse trabalho é requisito essencial à manutenção de seu cargo, não dizendo respeito ao seu patrimônio e a
sua vida particular.
b) a remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos, até por
ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, sendo
dissociável de sua aplicação e de sua finalidade.
c) a moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida
da ideia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor
público, é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.
d) toda pessoa tem direito à verdade, sendo que o servidor poderá omiti-la, caso seja contrária aos interesses
da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o
poder corruptivo da opressão, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação.
e) deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete ao setor em que exerça suas
funções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, é
comum e normal e, portanto, não causa dano moral aos usuários dos serviços públicos e nem mesmo configura
atitude contra a ética ou ato de desumanidade.
R: C. Tudo, em termos de ética no serviço público, é uma questão de equilíbrio. Moralidade é mais do que
distinguir o bem do mal: é preciso ter em vista o interesse difuso que repousa no seio social. Por vezes, respeitar a
lei não bastará: será preciso relativizá-la em vista do interesse público e da promoção do bem comum.
10. (FCC - 2013 - TRT - 1ª REGIÃO - Analista Judiciário - Execução de Mandados) Quando se determina ao
servidor público que ele exerça com zelo e dedicação as atribuições de seu cargo e atenda com presteza o público,
está-se diante de
a) obrigação legal implícita, na medida em que são decorrentes da interpretação dos direitos e deveres dos
servidores que constam na legislação vigente.
b) deveres morais, que somente podem ser utilizados para punição disciplinar na hipótese de haver positivação
da regra na unidade de classificação do servidor.
c) recomendação disciplinar implícita, punível, na reiteração, com demissão.
d) recomendação moral a todos os servidores públicos, não havendo possibilidade de punição disciplinar em
decorrência do desatendimento, a não ser pela análise de desempenho.
e) deveres legalmente expressos, de modo que o desatendimento possibilita a adoção de providências por parte
da Administração pública.
R: E. O dever de atendimento à ética, para o servidor público, vai além de cumprir regras morais, subjetivas,
ingressando na esfera do Direito, da realização do justo no caso concreto. Por isso, o servidor que viola as normas
éticas acaba por violar a própria lei.

ANOTAÇÕES

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