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O Poder do Mito

Joseph Campbell

Idéias

Um personagem principal

Dar a Vida por algo ou alguem maior que ele mesmo


Porque é sobre isso que vale a pena escrever. Mesmo nos romances
populares, o protagonista é um herói ou uma heroína que descobriu ou
realizou alguma coisa além do nível normal de realizações ou de
experiência. O herói é alguém que deu a própria vida por algo maior que
ele mesmo.

2 tipos de heroi, um fisico e outro espiritual


Bem, há dois tipos de proeza. Uma é a proeza física, em que o herói
pratica
um ato de coragem, durante a batalha, ou salva uma vida. O outro
tipo é a proeza espiritual,
na qual o herói aprende a lidar com o nível superior da vida espiritual
humana e retorna
com uma mensagem.
A façanha convencional do herói começa com alguém a quem foi
usurpada alguma coisa,
ou que sente estar faltando algo entre as experiências normais
franqueadas ou permitidas
aos membros da sociedade. Essa pessoa então parte numa série de
aventuras que
ultrapassam o usual, quer para recuperar o que tinha sido perdido,
quer para descobrir
algum elixir doador da vida. Normalmente, perfaz se um círculo, com
a partida e o retorno.
Transformação = morte e renascimento
Mas a estrutura e algo do sentido espiritual dessa aventura já podem
ser detectados na
puberdade ou nos rituais de iniciação das primitivas sociedades
tribais, por meio dos quais
uma criança é compelida a desistir da sua infância e a se tornar um
adulto – para morrer, dir
se ia, para a sua personalidade e psique infantis e retornar como
adulto responsável. E essa
é uma transformação psicológica fundamental, pela qual todo
indivíduo deve passar. Na
infância, vivemos sob a proteção ou a supervisão de alguém, entre os
quatorze e os vinte e
um anos – e caso você se empenhe na obtenção de um título
universitário, isso pode
prosseguir talvez até os trinta e cinco. Você não é, em nenhum
sentido, auto responsável,
um agente livre, mas um dependente submisso, esperando e
recebendo punições e
recompensas. Evoluir dessa posição de imaturidade psicológica para a
coragem da auto
responsabilidade e a confiança exige morte e ressurreição. Esse é o
motivo básico do
périplo universal do herói – ele abandona determinada condição e
encontra a fonte da vida,
que o conduz a uma condição mais rica e madura.

3 provações de Jesus e Buda


Jesus: Econômica, Política e Espiritual
No deserto, Jesus sofreu três tentações. Primeiro, a tentação
econômica,
quando o Diabo chega até ele e diz: “Tu pareces faminto, meu jovem!
Por que não
transformar estas pedras em pão?” E Jesus responde: “Não só de pão
vive o homem, mas de
toda palavra que sai da boca de Deus”. Em seguida, a tentação
política. Jesus é levado ao
topo da montanha, de onde avista as nações do mundo, e o Diabo lhe
diz: “Tudo isto te
darei, se, prostrado, me adorares”, que vem a ser uma lição, ainda
não suficientemente
conhecida, hoje, sobre quanto custa ser um político bem sucedido.
Jesus recusa. Finalmente
o Diabo diz: “Pois bem, já que tu és tão espiritual, vamos ao topo do
templo de Herodes e
atira te para baixo. Deus te acudirá e tu não ficarás sequer
machucado”. Isto é conhecido
como enfatuação espiritual. Eu sou tão espiritual que estou acima das
preocupações da
carne e acima deste mundo. Mas Jesus é encarnado, não é? Então ele
diz: “Tu não tentarás
o Senhor, teu Deus”. Essas são as três tentações de Cristo, tão
relevantes hoje quanto no
ano 30 da nossa era.

Buda: Desejo ou luxuria , medo e o dever social de fazer o que


nos dizem.
O Buda, também, se dirige à floresta e lá entretém conversações com
os gurus da época.
Então ultrapassa os e, após um período de provações e busca, chega
à árvore bo, a árvore da
iluminação, onde igualmente enfrenta três tentações. A primeira é a
tentação da luxúria, a
segunda, a do medo e a terceira, a da submissão à opinião alheia,
fazer o que lhe é
ordenado.
Na primeira tentação, o Senhor da Luxúria exibe suas três belas filhas
diante do Buda. Seus
nomes são Desejo, Satisfação e Arrependimento futuro, presente e
passado. Mas o Buda,
que já se havia libertado do apego a toda sensualidade, não se
comoveu.
Então o Senhor da Luxúria se transformou no Senhor da Morte, lançou
contra o Buda todas
as armas de um exército de monstros. Mas o Buda tinha encontrado
em si mesmo aquele
ponto imóvel, interior, que pertence à eternidade, intocado pelo
tempo. Uma vez mais, não
se comoveu e as armas atiradas transformaram se em flores de
reverência.
Finalmente, o Senhor da Luxúria e da Morte se transformou no Senhor
dos Deveres
Sociais, e argüiu: “Meu jovem, você não leu os jornais da manhã? Não
sabe o que há para
ser feito hoje?” A resposta do Buda foi simplesmente tocar o chão
com as pontas dos dedos
da sua mão direita. Então a voz da deusa mãe do universo se fez
ouvir, como um trovão
rolando no horizonte, dizendo: “Este aqui, meu filho bem amado, já se
doou de tal forma ao
mundo que não há mais ninguém aqui a quem dar ordens. Desista
dessa insensatez”.
Enquanto o elefante, no qual o Senhor dos Deveres Sociais estava
assentado, curvava se em
reverência ao Buda, toda a coorte do Antagonista se dissolveu, como
num sonho. Naquela
noite, o Buda atingiu a iluminação e permaneceu no mundo, pelos
cinqüenta anos
seguintes, ensinando o caminho da extinção dos grilhões do egoísmo.

Objetivo do mito
Transformação da Consciência através de provações e revelações

Descer à escuridão
Jonas e a baleia

Caminho
Os Mestres não mostram a verdade, mas o Caminho para a Verdade.