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Índice

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

TRE-RJ
Técnico Judiciário - Área Administrativa
A Apostila Preparatória é elaborada antes da publicação do Edital Oficial, com
base no último concurso para este cargo, elaboramos essa apostila a fim que o
aluno antecipe seus estudos.
Quando o novo concurso for divulgado aconselhamos a compra de uma nova
apostila elaborada de acordo com o novo Edital.
A antecipação dos estudos é muito importante, porém essa apostila não lhe dá o
direito de troca, atualizações ou quaisquer alterações sofridas no Novo Edital.

ARTIGO DO WILLIAM DOUGLAS

LÍNGUA PORTUGUESA

1 Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados.........................................................................................01


2 Reconhecimento de tipos e gêneros textuais....................................................................................................................06
3 Domínio da ortografia oficial. 3.1 Emprego das letras...................................................................................................12
3.2 Emprego da acentuação gráfica.....................................................................................................................................17
4 Domínio dos mecanismos de coesão textual. 4.1 Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de
conectores e outros elementos de sequenciação textual............................................................................................................20
4.2 Emprego/correlação de tempos e modos verbais.........................................................................................................30
5 Domínio da estrutura morfossintática do período..........................................................................................................39
5.1 Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. 5.2 Relações de subordinação entre orações e
entre termos da oração................................................................................................................................................................65
5.3 Emprego dos sinais de pontuação..................................................................................................................................77
5.4 Concordância verbal e nominal.....................................................................................................................................80
5.5 Emprego do sinal indicativo de crase............................................................................................................................85
5.6 Colocação dos pronomes átonos....................................................................................................................................89
6 Reescritura de frases e parágrafos do texto. 6.1 Substituição de palavras ou de trechos de texto. 6.2 Retextualização
de diferentes gêneros e níveis de formalidade...........................................................................................................................92
7 Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República). 7.1 Adequação da linguagem
ao tipo de documento. 7.2 Adequação do formato do texto ao gênero..................................................................................102

Didatismo e Conhecimento
Índice

ATUALIDADES

Tópicos relevantes e atuais de diversas áreas, tais como segurança, transportes, política, economia, sociedade,
educação, saúde, cultura, tecnologia, energia, relações internacionais, desenvolvimento sustentável e ecologia, suas inter-
relações e suas vinculações históricas.........................................................................................................................................01

NOÇÕES DE INFORMÁTICA

1 Noções de sistema operacional (ambientes Linux e Windows)......................................................................................01


2 Edição de textos, planilhas e apresentações (ambientes Microsoft Office 2010, BrOffice/LibreOffice)......................23
3 Redes de computadores. 3.1 Conceitos básicos, ferramentas, aplicativos e procedimentos de Internet e intranet.
3.2 Programas de navegação (Microsoft Internet Explorer, Mozilla Firefox, Google Chrome e similares). 3.3 Programas
de correio eletrônico (Outlook Express, Mozilla Thunderbird e similares). 3.4 Sítios de busca e pesquisa na Internet. 3.5
Grupos de discussão. 3.6 Redes sociais. 3.7 Computação na nuvem (cloud computing)....................................................134
4 Conceitos de organização e de gerenciamento de informações, arquivos, pastas e programas................................183
5 Segurança da informação. 5.1 Procedimentos de segurança. 5.2 Noções de vírus, worms e pragas virtuais. 5.3
Aplicativos para segurança (antivírus, firewall, antispyware etc.). 5.4 Procedimentos de backup. 5.5 Armazenamento de
dados na nuvem (cloud storage)...............................................................................................................................................189

NOÇÕES DE ARQUIVOLOGIA

1 Arquivística: princípios e conceitos. 2 Legislação arquivística......................................................................................01


3 Gestão de documentos. 3.1 Protocolo: recebimento, registro, distribuição, tramitação e expedição de
documentos. 3.2 Classificação de documentos de arquivo. 3.3 Arquivamento e ordenação de documentos de arquivo.
3.4 Tabela de temporalidade de documentos de arquivo. 4 Acondicionamento e armazenamento de documentos de
arquivo.5 Preservação e conservação de documentos de arquivo................................................................................ 06

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

1 Constituição: conceito, classificações, princípios fundamentais....................................................................................01


2 Direitos e garantias fundamentais: direitos e deveres individuais e coletivos, direitos sociais, nacionalidade,
cidadania, direitos políticos, partidos políticos......................................................................................................................... 11
3 Organização político-administrativa: União, estados, Distrito Federal, municípios e territórios..............................45
4 Administração pública: disposições gerais, servidores públicos....................................................................................53
5 Poder legislativo: congresso nacional, câmara dos deputados, senado federal, deputados e senadores....................65
6 Poder executivo: atribuições do presidente da República e dos ministros de Estado..................................................76
7 Poder judiciário. 7.1 Disposições gerais...........................................................................................................................79
7.2 Órgãos do poder judiciário: competências...................................................................................................................82
7.3 Conselho Nacional de Justiça (CNJ): composição e competência..............................................................................89
8 Funções essenciais à justiça: ministério público, advocacia...........................................................................................90
Defensoria públicas...............................................................................................................................................................95

NOÇÕES DE DIREITO ELEITORAL

1 Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965 e alterações posteriores). 1.1 Introdução. 1.2 Órgãos da justiça eleitoral.
1.2.1 Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 1.2.2 Tribunais regionais eleitorais. 1.2.3 Juízes eleitorais e juntas
eleitorais: composição, competências e atribuições. 1.3 Alistamento eleitoral: qualificação e inscrição, cancelamento
e exclusão. ...................................................................................................................................................................... 01

Didatismo e Conhecimento
Índice
2 Lei nº 9.504/1997. 2.1 Disposições gerais. 2.2 Coligações. 2.3 Convenções para escolha de candidatos. 2.4 Registro
de candidatos. 2.5 Sistema eletrônico de votação e totalização dos votos...............................................................................14
3 Lei nº 9.096/1995: disposições preliminares; filiação partidária....................................................................................21
4 Resolução do TSE nº 21.538/2003. 4.1 Alistamento eleitoral. 4.2 Transferência de domicílio eleitoral. 4.3 Segunda
via da inscrição. 4.4 Restabelecimento de inscrição cancelada por equívoco. 4.5 Formulário de atualização da situação
do eleitor. 4.6 Título eleitoral. 4.7 Acesso às informações constantes do cadastro. 4.8 Restrição de direitos políticos.
4.9 Revisão do eleitorado. 4.10 Justificação do não comparecimento à eleição (com a alteração do Acórdão do TSE nº
649/2005).......................................................................................................................................................................................22

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

1 Noções de organização administrativa.............................................................................................................................01


2 Administração direta e indireta, centralizada e descentralizada...................................................................................02
3 Ato administrativo: conceito, requisitos, atributos, classificação e espécies.................................................................04
4 Agentes públicos: espécies e classificação; cargo, emprego e função públicos.............................................................07
5 Poderes administrativos: hierárquico, disciplinar, regulamentar e de polícia; uso e abuso do poder.......................07
6 Licitação: princípios, dispensa e inexigibilidade; modalidades.....................................................................................09
7 Controle e responsabilização da administração: controles administrativo, judicial e legislativo; responsabilidade
civil do Estado..............................................................................................................................................................................12

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

1 Estruturação da máquina administrativa no Brasil desde 1930: dimensões estruturais e culturais.........................01


2 Estrutura e estratégia organizacional..............................................................................................................................02
3 Cultura organizacional......................................................................................................................................................04
4 Administração pública: do modelo racional-legal ao paradigma pós-burocrático......................................................07
5 Empreendedorismo governamental e novas lideranças no setor público.....................................................................10
6 Convergências e diferenças entre a gestão pública e a gestão privada.........................................................................13
7 Excelência nos serviços públicos.......................................................................................................................................14
8 O paradigma do cliente na gestão pública.......................................................................................................................16
9 Gestão estratégica..............................................................................................................................................................17

NOÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS

1 Classificação de materiais. 1.1 Atributos para classificação de materiais. 1.2 Tipos de classificação. 1.3 Metodologia
de cálculo da curva ABC.............................................................................................................................................................01
2 Gestão de estoques.............................................................................................................................................................05
3 Compras. 3.1 Organização do setor de compras. 3ª Etapas do processo. 3.3 Perfil do comprador. 3.4 Modalidades
de compra. 3.5 Cadastro de fornecedores..................................................................................................................................06
4 Compras no setor público. 4.1 Objeto de licitação. 4ª Edital de licitação.....................................................................07
5 Recebimento e armazenagem. 5.1 Entrada. 5.2 Conferência. 5.3 Objetivos da armazenagem. 5.4 Critérios e técnicas
de armazenagem. 5.5 Arranjo físico (leiaute)............................................................................................................................10
6 Distribuição de materiais. 6.1 Características das modalidades de transporte. 6.2 Estrutura para distribuição.... 11
7 Gestão patrimonial. 7.1 Tombamento de bens. 7.2 Controle de bens. 7.3 Inventário. 7.4 Alienação de bens. 7.5
Alterações e baixa de bens...........................................................................................................................................................12

Didatismo e Conhecimento
SAC

Atenção
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Didatismo e Conhecimento
Artigo
O conteúdo do artigo abaixo é de responsabilidade do autor William Douglas, autorizado gentilmente e sem cláusula
de exclusividade, para uso do Grupo Nova.
O conteúdo das demais informações desta apostila é de total responsabilidade da equipe do Grupo Nova.

A ETERNA COMPETIÇÃO ENTRE O LAZER E O ESTUDO

Por William Douglas, professor, escritor e juiz federal.

Todo mundo já se pegou estudando sem a menor concentração, pensando nos momentos de lazer, como também já deixou de
aproveitar as horas de descanso por causa de um sentimento de culpa ou mesmo remorso, porque deveria estar estudando.
Fazer uma coisa e pensar em outra causa desconcentração, estresse e perda de rendimento no estudo ou trabalho. Além da
perda de prazer nas horas de descanso.
Em diversas pesquisas que realizei durante palestras e seminários pelo país, constatei que os três problemas mais comuns de
quem quer vencer na vida são:
• medo do insucesso (gerando ansiedade, insegurança),
• falta de tempo e
• “competição” entre o estudo ou trabalho e o lazer.

E então, você já teve estes problemas?


Todo mundo sabe que para vencer e estar preparado para o dia-a-dia é preciso muito conhecimento, estudo e dedicação, mas
como conciliar o tempo com as preciosas horas de lazer ou descanso?
Este e outros problemas atormentavam-me quando era estudante de Direito e depois, quando passei à preparação para concursos
públicos. Não é à toa que fui reprovado em 5 concursos diferentes!
Outros problemas? Falta de dinheiro, dificuldade dos concursos (que pagam salários de até R$ 6.000,00/mês, com status e
estabilidade, gerando enorme concorrência), problemas de cobrança dos familiares, memória, concentração etc.
Contudo, depois de aprender a estudar, acabei sendo 1º colocado em outros 7 concursos, entre os quais os de Juiz de Direito,
Defensor Público e Delegado de Polícia. Isso prova que passar em concurso não é impossível e que quem é reprovado pode “dar a
volta por cima”.
É possível, com organização, disciplina e força de vontade, conciliar um estudo eficiente com uma vida onde haja espaço para
lazer, diversão e pouco ou nenhum estresse. A qualidade de vida associada às técnicas de estudo são muito mais produtivas do que a
tradicional imagem da pessoa trancafiada, estudando 14 horas por dia.
O sucesso no estudo e em provas (escritas, concursos, entrevistas etc.) depende basicamente de três aspectos, em geral,
desprezados por quem está querendo passar numa prova ou conseguir um emprego:
1º) clara definição dos objetivos e técnicas de planejamento e organização;
2º) técnicas para aumentar o rendimento do estudo, do cérebro e da memória;
3º) técnicas específicas sobre como fazer provas e entrevistas, abordando dicas e macetes que a experiência fornece, mas que
podem ser aprendidos.
O conjunto destas técnicas resulta em um aprendizado melhor e em mais sucesso nas provas escritas e orais (inclusive entrevistas).
Aos poucos, pretendemos ir abordando estes assuntos, mas já podemos anotar aqui alguns cuidados e providências que irão
aumentar seu desempenho.
Para melhorar a “briga” entre estudo e lazer, sugiro que você aprenda a administrar seu tempo. Para isto, como já disse, basta
um pouco de disciplina e organização.
O primeiro passo é fazer o tradicional quadro horário, colocando nele todas as tarefas a serem realizadas. Ao invés de servir
como uma “prisão”, este procedimento facilitará as coisas para você. Pra começar, porque vai levá-lo a escolher as coisas que não são
imediatas e a estabelecer suas prioridades. Experimente. Em pouco tempo, você vai ver que isto funciona.
Também é recomendável que você separe tempo suficiente para dormir, fazer algum exercício físico e dar atenção à família ou
ao namoro. Sem isso, o estresse será uma mera questão de tempo. Por incrível que pareça, o fato é que com uma vida equilibrada o
seu rendimento final no estudo aumenta.
Outra dica simples é a seguinte: depois de escolher quantas horas você vai gastar com cada tarefa ou atividade, evite pensar em
uma enquanto está realizando a outra. Quando o cérebro mandar “mensagens” sobre outras tarefas, é só lembrar que cada uma tem
seu tempo definido. Isto aumentará a concentração no estudo, o rendimento e o prazer e relaxamento das horas de lazer.
Aprender a separar o tempo é um excelente meio de diminuir o estresse e aumentar o rendimento, não só no estudo, como em
tudo que fazemos.

*William Douglas é juiz federal, professor universitário, palestrante e autor de mais de 30 obras, dentre elas o best-seller
“Como passar em provas e concursos” . Passou em 9 concursos, sendo 5 em 1º Lugar
www.williamdouglas.com.br
Conteúdo cedido gratuitamente, pelo autor, com finalidade de auxiliar os candidatos.

Didatismo e Conhecimento
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍNGUA PORTUGUESA
Interpretar X compreender
1 COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE
Interpretar significa
TEXTOS DE GÊNEROS VARIADOS. - Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
- Através do texto, infere-se que...
- É possível deduzir que...
- O autor permite concluir que...
‘ - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...
É muito comum, entre os candidatos a um cargo público, a
preocupação com a interpretação de textos. Por isso, vão aqui al- Compreender significa
guns detalhes que poderão ajudar no momento de responder às - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente está es-
questões relacionadas a textos. crito.
- o texto diz que...
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas en- - é sugerido pelo autor que...
tre si, formando um todo significativo capaz de produzir interação - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
comunicativa (capacidade de codificar e decodificar ). - o narrador afirma...
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada
Erros de interpretação
uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a an-
terior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação
do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros
de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão de interpretação. Os mais frequentes são:
grande que, se uma frase for retirada de seu contexto original e - Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do contexto,
analisada separadamente, poderá ter um significado diferente da- acrescentado ideias que não estão no texto, quer por conhecimento
quele inicial. prévio do tema quer pela imaginação.

Intertexto - comumente, os textos apresentam referências di- - Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas
retas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto de ideias,
recurso denomina-se intertexto. o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema
desenvolvido.
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma interpre-
tação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A par- - Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às
tir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e, conse-
argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento das quentemente, errando a questão.
questões apresentadas na prova.
Observação - Muitos pensam que há a ótica do escritor e a
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a:
ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso,
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamentais de o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada
uma argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, mais.
procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança ou de Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relaciona
diferenças entre as situações do texto. palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em outras pa-
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado com uma lavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo,
realidade, opinando a respeito. uma conjunção (NEXOS), ou um pronome oblíquo átono, há uma
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secundárias relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito.
em um só parágrafo.
- Parafrasear – é reescrever o texto com outras palavras. OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia a dia
e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do pronome
Condições básicas para interpretar oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu
antecedente. Não se pode esquecer também de que os pronomes
Fazem-se necessários: relativos têm, cada um, valor semântico, por isso a necessidade de
- Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros literá- adequação ao antecedente.
rios, estrutura do texto), leitura e prática; Os pronomes relativos são muito importantes na interpretação
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e
de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coesão. Assim sen-
semântico;
Observação – na semântica (significado das palavras) incluem- do, deve-se levar em consideração que existe um pronome relativo
-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e adequado a cada circunstância, a saber:
antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre outros. - que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente, mas
- Capacidade de observação e de síntese e depende das condições da frase.
- Capacidade de raciocínio. - qual (neutro) idem ao anterior.
- quem (pessoa)

Didatismo e Conhecimento 1
LÍNGUA PORTUGUESA
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois o objeto 2-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMU-
possuído. NITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) De acordo com o poe-
- como (modo) ma, é correto afirmar que
- onde (lugar) (A) não se deve ter amigos, pois criar laços de amizade é algo
quando (tempo) ruim.
quanto (montante) (B) amigo que não guarda segredos não merece respeito.
(C) o melhor amigo é aquele que não possui outros amigos.
Exemplo: (D) revelar segredos para o amigo pode ser arriscado.
Falou tudo QUANTO queria (correto) (E) entre amigos, não devem existir segredos.
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria apa-
recer o demonstrativo O ). 3-) (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO – SE-
CRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA – AGENTE PENITEN-
Dicas para melhorar a interpretação de textos CIÁRIO – VUNESP/2013) Leia o poema para responder à ques-
tão.
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a lei- Casamento
tura;
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo me- Há mulheres que dizem:
nos duas vezes; Meu marido, se quiser pescar, pesque,
- Inferir; mas que limpe os peixes.
- Voltar ao texto quantas vezes precisar; Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor; ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor com- É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
preensão; de vez em quando os cotovelos se esbarram,
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada ques-
ele fala coisas como “este foi difícil”
tão;
“prateou no ar dando rabanadas”
- O autor defende ideias e você deve percebê-las.
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
Fonte:
atravessa a cozinha como um rio profundo.
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portugues/co-
Por fim, os peixes na travessa,
mo-interpretar-textos
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
QUESTÕES
somos noivo e noiva.
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- (Adélia Prado, Poesia Reunida)
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013)
O contexto em que se encontra a passagem – Se deixou de bajular A ideia central do poema de Adélia Prado é mostrar que
os príncipes e princesas do século 19, passou a servir reis e ra- (A) as mulheres que amam valorizam o cotidiano e não gostam
inhas do 20 (2.º parágrafo) – leva a concluir, corretamente, que a que os maridos frequentem pescarias, pois acham difícil limpar os
menção a peixes.
(A) príncipes e princesas constitui uma referência em sentido (B) o eu lírico do poema pertence ao grupo de mulheres que
não literal. não gostam de limpar os peixes, embora valorizem os esbarrões de
(B) reis e rainhas constitui uma referência em sentido não li- cotovelos na cozinha.
teral. (C) há mulheres casadas que não gostam de ficar sozinhas com
(C) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma referência seus maridos na cozinha, enquanto limpam os peixes.
em sentido não literal. (D) as mulheres que amam valorizam os momentos mais sim-
(D) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma referência ples do cotidiano vividos com a pessoa amada.
em sentido literal. (E) o casamento exige levantar a qualquer hora da noite, para
(E) reis e rainhas constitui uma referência em sentido literal. limpar, abrir e salgar o peixe.

Texto para a questão 2: 4-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 –


FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à questão,
DA DISCRIÇÃO considere o texto abaixo.
Mário Quintana
Não te abras com teu amigo A marca da solidão
Que ele um outro amigo tem. Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de pa-
E o amigo do teu amigo ralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a testa
Possui amigos também... pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de penumbra
(http://pensador.uol.com.br/poemas_de_amizade) na tarde quente.

Didatismo e Conhecimento 2
LÍNGUA PORTUGUESA
Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, dentro de Pela leitura do fragmento acima, é correto afirmar que, em sua
cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com pedrinhas e estrutura sintática, houve supressão da expressão
tufos minúsculos de musgos, formando pequenas plantas, ínfimos a) vigilantes.
bonsais só visíveis aos olhos de quem é capaz de parar de viver b) carga.
para, apenas, ver. Quando se tem a marca da solidão na alma, o c) viatura.
mundo cabe numa fresta. d) foi.
e) desviada.
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janeiro:
Tinta negra bazar, 2010. p. 47) 8-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo reduzi- Um carteiro chega ao portão do hospício e grita:
do no qual o menino detém sua atenção é — Carta para o 9.326!!!
(A) fresta. Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está em
(B) marca. branco, e um outro pergunta:
(C) alma. — Quem te mandou essa carta?
(D) solidão. — Minha irmã.
(E) penumbra. — Mas por que não está escrito nada?
— Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando!
5-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adapta-
PE/2012) ções).
O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a tota- O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto acima
lidade do universo, toda a sociedade, a história, a concepção de decorre
mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo, que se estende A) da identificação numérica atribuída ao louco.
a todas as coisas e à qual nada escapa. É, de alguma maneira, B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a carta no
o aspecto festivo do mundo inteiro, em todos os seus níveis, uma hospício.
espécie de segunda revelação do mundo. C) do fato de outro louco querer saber quem enviou a carta.
D) da explicação dada pelo louco para a carta em branco.
Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o Re- E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele.
nascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec,
1987, p. 73 (com adaptações). 9-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)
Um homem se dirige à recepcionista de uma clínica:
Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual “O — Por favor, quero falar com o dr. Pedro.
riso”. — O senhor tem hora?
(...) CERTO ( ) ERRADO O sujeito olha para o relógio e diz:
— Sim. São duas e meia.
6-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- — Não, não... Eu quero saber se o senhor é paciente.
PE/2010) — O que a senhora acha? Faz seis meses que ele não me paga
Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atingiu o aluguel do consultório...
pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge uma expli- Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adapta-
cação oficial satisfatória para o corte abrupto e generalizado de ções).
energia no final de 2009.
Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica No texto acima, a recepcionista dirige-se duas vezes ao ho-
(ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa estatal Fur- mem para saber se ele
nas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de 900 km que A) verificou o horário de chegada e está sob os cuidados do
separam Itaipu de São Paulo. dr. Pedro.
Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de investi- B) pode indicar-lhe as horas e decidiu esperar o pagamento
mentos e também erros operacionais conspiraram para produzir a do aluguel.
mais séria falha do sistema de geração e distribuição de energia C) tem relógio e sabe esperar.
do país desde o traumático racionamento de 2001. D) marcou consulta e está calmo.
Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adaptações). E) marcou consulta para aquele dia e está sob os cuidados do
dr. Pedro.
Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas do texto
acima apresentado, julgue os próximos itens. (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNICO
A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18 esta- DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010 - ADAPTADA) Aten-
dos do país” tem, nesse contexto, valor restritivo. ção: As questões de números 10 a 13 referem-se ao texto abaixo.
(...) CERTO ( ) ERRADO Liderança é uma palavra frequentemente associada a feitos
e realizações de grandes personagens da história e da vida so-
7-) (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMI- cial ou, então, a uma dimensão mágica, em que algumas poucas
NISTRAÇÃO – AOCP/2010) “A carga foi desviada e a viatura, pessoas teriam habilidades inatas ou o dom de transformar-se em
com os vigilantes, abandonada em Pirituba, na zona norte de São grandes líderes, capazes de influenciar outras e, assim, obter e
Paulo.” manter o poder.

Didatismo e Conhecimento 3
LÍNGUA PORTUGUESA
Os estudos sobre o tema, no entanto, mostram que a maioria No contexto, inter-relação significa
das pessoas pode tornar-se líder, ou pelo menos desenvolver con- (A) o respeito que os membros de uma equipe devem demons-
sideravelmente as suas capacidades de liderança. trar ao acatar as decisões tomadas pelo líder, por resultarem em
Paulo Roberto Motta diz: “líderes são pessoas comuns que benefício de todo o grupo.
aprendem habilidades comuns, mas que, no seu conjunto, formam (B) a igualdade entre os valores dos integrantes de um grupo
uma pessoa incomum”. De fato, são necessárias algumas habili- devidamente orientado pelo líder e aqueles propostos pela organi-
dades, mas elas podem ser aprendidas tanto através das experiên- zação a que prestam serviço.
cias da vida, quanto da formação voltada para essa finalidade. (C) o trabalho que deverá sempre ser realizado em equipe,
O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; envolve de modo que os mais capacitados colaborem com os de menor
duas ou mais pessoas e a existência de necessidades para serem capacidade.
atendidas ou objetivos para serem alcançados, que requerem a (D) a criação de interesses mútuos entre membros de uma
interação cooperativa dos membros envolvidos. Não pressupõe equipe e de respeito às metas que devem ser alcançadas por todos.
proximidade física ou temporal: pode-se ter a mente e/ou o com-
13-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
portamento influenciado por um escritor ou por um líder religioso
NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) Não pressupõe
que nunca se viu ou que viveu noutra época. [...]
proximidade física ou temporal ... (4º parágrafo)
Se a legitimidade da liderança se baseia na aceitação do po-
der de influência do líder, implica dizer que parte desse poder en- A afirmativa acima quer dizer, com outras palavras, que
contra-se no próprio grupo. É nessa premissa que se fundamenta (A) a presença física de um líder natural é fundamental para
a maioria das teorias contemporâneas sobre liderança. que seus ensinamentos possam ser divulgados e aceitos.
Daí definirem liderança como a arte de usar o poder que exis- (B) um líder verdadeiramente capaz é aquele que sempre se
te nas pessoas ou a arte de liderar as pessoas para fazerem o que atualiza, adquirindo conhecimentos de fontes e de autores diver-
se requer delas, da maneira mais efetiva e humana possível. [...] sos.
(Augusta E.E.H. Barbosa do Amaral e Sandra Souza Pinto. (C) o aprendizado da liderança pode ser produtivo, mesmo se
Gestão de pessoas, in Desenvolvimento gerencial na Administra- houver distância no tempo e no espaço entre aquele que influencia
ção pública do Estado de São Paulo, org. Lais Macedo de Oliveira e aquele que é influenciado.
e Maria Cristina Pinto Galvão, Secretaria de Gestão pública, São (D) as influências recebidas devem ser bem analisadas e pos-
Paulo: Fundap, 2. ed., 2009, p. 290 e 292, com adaptações) tas em prática em seu devido tempo e na ocasião mais propícia.

10-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉCNI- 14-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR –


CO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) De acordo com o FGV PROJETOS/2010)
texto, liderança
(A) é a habilidade de chefiar outras pessoas que não pode ser Painel do leitor (Carta do leitor)
desenvolvida por aqueles que somente executam tarefas em seu Resgate no Chile
ambiente de trabalho.
(B) é típica de épocas passadas, como qualidades de heróis da Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de sal-
história da humanidade, que realizaram grandes feitos e se torna- vamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo de uma
ram poderosos através deles. mina de cobre e ouro no Chile.
(C) vem a ser a capacidade, que pode ser inata ou até mesmo Um a um os mineiros soterrados foram içados com sucesso,
adquirida, de conseguir resultados desejáveis daqueles que cons- mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cumprimentando seus
tituem a equipe de trabalho. companheiros de trabalho. Não se pode esquecer a ajuda técnica
(D) torna-se legítima se houver consenso em todos os grupos
e material que os Estados Unidos, Canadá e China ofereceram
quanto à escolha do líder e ao modo como ele irá mobilizar esses
à equipe chilena de salvamento, num gesto humanitário que só
grupos em torno de seus objetivos pessoais.
enobrece esses países. E, também, dos dois médicos e dois “socor-
ristas” que, demonstrando coragem e desprendimento, desceram
11-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC-
NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O texto deixa na mina para ajudar no salvamento.
claro que (Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – painel
(A) a importância do líder baseia-se na valorização de todo o do leitor – 17/10/2010)
grupo em torno da realização de um objetivo comum.
(B) o líder é o elemento essencial dentro de uma organização, Considerando o tipo textual apresentado, algumas expressões
pois sem ele não se poderá atingir qualquer meta ou objetivo. demonstram o posicionamento pessoal do leitor diante do fato por
(C) pode não haver condições de liderança em algumas equi- ele narrado. Tais marcas textuais podem ser encontradas nos tre-
pes, caso não se estabeleçam atividades específicas para cada um chos a seguir, EXCETO:
de seus membros. A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...”
(D) a liderança é um dom que independe da participação dos B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma mina de
componentes de uma equipe em um ambiente de trabalho. cobre e ouro no Chile.”
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...”
12-) (GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO – TÉC- D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.”
NICO DA FAZENDA ESTADUAL – FCC/2010) O fenômeno da E) “... demonstrando coragem e desprendimento, desceram na
liderança só ocorre na inter-relação ... (4º parágrafo) mina...”

Didatismo e Conhecimento 4
LÍNGUA PORTUGUESA
(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
– VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às
questões de números 15 a 17.
Férias na Ilha do Nanja
Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as malas
nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo faz, pensan-
do nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, fissuras* – sem fa-
lar em bandidos, milhões de bandidos entre as fissuras, as pedras
soltas e as barreiras...
Meus amigos partem para as suas férias, cansados de tanto
trabalho; de tanta luta com os motoristas da contramão; enfim,
cansados, cansados de serem obrigados a viver numa grande ci- (Adail et al II. Antologia brasileira de humor. Volume 1. Porto
dade, isto que já está sendo a negação da própria vida. Alegre: L&PM, 1976. p. 95.)
E eu vou para a Ilha do Nanja.
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as A charge anterior é de Luiz Carlos Coutinho, cartunista mi-
férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce neiro mais conhecido como Caulos. É correto afirmar que o tema
como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já estou vendo apresentado é
os pescadores com suas barcas de sardinha, e a moça à janela a (A) a oposição entre o modo de pensar e agir.
(B) a rapidez da comunicação na Era da Informática.
namorar um moço na outra janela de outra ilha.
(C) a comunicação e sua importância na vida das pessoas.
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende. Adaptado)
(D) a massificação do pensamento na sociedade moderna.
*fissuras: fendas, rachaduras Resolução
15-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABA- 1-)
LHO – VUNESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descrever a Pela leitura do texto infere-se que os “reis e rainhas” do sécu-
maneira como se preparam para suas férias, a autora mostra que lo 20 são as personalidades da mídia, os “famosos” e “famosas”.
seus amigos estão Quanto a príncipes e princesas do século 19, esses eram da corte,
(A) serenos. literalmente.
(B) descuidados.
(C) apreensivos. RESPOSTA: “B”.
(D) indiferentes.
(E) relaxados. 2-)
Pela leitura do poema identifica-se, apenas, a informação con-
16-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABA- tida na alternativa: revelar segredos para o amigo pode ser arris-
LHO – VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar cado.
que, assim como seus amigos, a autora viaja para
(A) visitar um lugar totalmente desconhecido. RESPOSTA: “D”.
(B) escapar do lugar em que está.
(C) reencontrar familiares queridos. 3-)
(D) praticar esportes radicais. Pela leitura do texto percebe-se, claramente, que a autora narra
(E) dedicar-se ao trabalho. um momento simples, mas que é prazeroso ao casal.

17-) Ao descrever a Ilha do Nanja como um lugar onde, “à RESPOSTA: “D”.


beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio cresce como um bosque” 4-)
(último parágrafo), a autora sugere que viajará para um lugar Com palavras do próprio texto responderemos: o mundo cabe
numa fresta.
(A) repulsivo e populoso.
(B) sombrio e desabitado.
RESPOSTA: “A”.
(C) comercial e movimentado.
(D) bucólico e sossegado. 5-)
(E) opressivo e agitado. Vamos ao texto: O riso é tão universal como a seriedade; ele
abarca a totalidade do universo (...). Os termos relacionam-se. O
18-) (POLÍCIA MILITAR/TO – SOLDADO – CONSUL- pronome “ele” retoma o sujeito “riso”.
PLAN/2013 - ADAPTADA) Texto para responder à questão.
RESPOSTA: “CERTO”.

6-)
Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo menos
1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por “o qual”, portan-
to, trata-se de um pronome relativo (oração subordinada adjetiva).

Didatismo e Conhecimento 5
LÍNGUA PORTUGUESA
Quando há presença de vírgula, temos uma adjetiva explicativa RESPOSTA: “C”.
(generaliza a informação da oração principal. A construção seria:
“do apagão, que atingiu pelo menos 1800 cidades em 18 estados 14-)
do país”); quando não há, temos uma adjetiva restritiva (restringe, Em todas as alternativas há expressões que representam a opi-
delimita a informação – como no caso do exercício). nião do autor: Assisti ao maior espetáculo da Terra / Não se pode
esquecer / gesto humanitário que só enobrece / demonstrando co-
RESPOSTA: “CERTO’. ragem e desprendimento.
7-) RESPOSTA: “B”.
“A carga foi desviada e a viatura, com os vigilantes, abando-
nada em Pirituba, na zona norte de São Paulo.” Trata-se da figura 15-)
de linguagem (de construção ou sintaxe) “zeugma”, que consis- “pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, fissuras
te na omissão de um termo já citado anteriormente (diferente da
– sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre as fissuras, as
elipse, que o termo não é citado, mas facilmente identificado). No
pedras soltas e as barreiras...” = pensar nessas coisas, certamente,
enunciado temos a narração de que a carga foi desviada e de que a
deixa-os apreensivos.
viatura foi abandonada.

RESPOSTA: “D”. RESPOSTA: “C”.


8-) 16-)
Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais aparece Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta da
no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah, porque nós própria autora!
brigamos e não estamos nos falando”.
RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “D”.
17-)
9-) Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim.
“O senhor tem hora? (...) Não, não... Eu quero saber se o se-
nhor é paciente” = a recepcionista quer saber se ele marcou horário RESPOSTA: “D”.
e se é paciente do Dr. Pedro.
18-)
RESPOSTA: “E”. Questão que envolve interpretação “visual”! Fácil. Basta ob-
servar o que as personagens “dizem” e o que “pensam”.
10-)
Utilizando trechos do próprio texto, podemos chegar à con- RESPOSTA: “A”.
clusão: O fenômeno da liderança só ocorre na inter-relação; en-
volve duas ou mais pessoas e a existência de necessidades para
serem atendidas ou objetivos para serem alcançados, que requerem
a interação cooperativa dos membros envolvidos = equipe 2 RECONHECIMENTO DE TIPOS E
GÊNEROS TEXTUAIS.
RESPOSTA: “C”.

11-)
O texto deixa claro que a importância do líder baseia-se na
Gêneros Textuais
valorização de todo o grupo em torno da realização de um objetivo
comum.
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas
RESPOSTA: “A”. entre si, formando um todo significativo capaz de produzir
interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar).
12-)
Pela leitura do texto, dentre as alternativas apresentadas, a que Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em
está coerente com o sentido dado à palavra “inter-relação” é: “a cada uma delas, há uma certa informação que a faz ligar-se com a
criação de interesses mútuos entre membros de uma equipe e de anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação
respeito às metas que devem ser alcançadas por todos”. do conteúdo a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome
de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases é tão
RESPOSTA: “D”. grande, que, se uma frase for retirada de seu contexto original e
analisada separadamente, poderá ter um significado diferente
13-) daquele inicial.
Não pressupõe proximidade física ou temporal = o aprendi-
zado da liderança pode ser produtivo, mesmo se houver distância Intertexto - comumente, os textos apresentam referências
no tempo e no espaço entre aquele que influencia e aquele que é diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo
influenciado. de recurso denomina-se intertexto.

Didatismo e Conhecimento 6
LÍNGUA PORTUGUESA
Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma Um dia nasceu um menino, que foi chamado de Zim. O único
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A entre tantos que ficou livre da maldição que passara de geração em
partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, geração. Diferente de todos, era muito ágil e, ao crescer, saiu em
as argumentações, ou explicações, que levem ao esclarecimento busca de uma solução. Encontrou pelo caminho bruxas de olhar
das questões apresentadas na prova. feroz, gigantes de três, cinco e sete cabeças, noites escuras, dias de
chuva, sol intenso. Zim tudo enfrentou.
Textos Ficcionais e Não Ficcionais E numa noite morna, ao deitar-se em sua cama de folhas, viu
ao seu lado um velho de olhos amarelos e brilhantes. Era o mago
Os textos não ficcionais baseiam-se na realidade, e os
que havia sido roubado pelo pirata muitos anos antes. Zim ficou
ficcionais inventam um mundo, onde os acontecimentos ocorrem
apreensivo. Mas o velho mago (que tudo sabia) deu-lhe um frasco.
coerentemente com o que se passa no enredo da história.
Nele havia um antídoto e Zim compreendeu o que deveria fazer.
Ficcionais: Conto; Crônica; Romance; Poemas; História em Despejou o líquido no rio de sua cidade.
Quadrinhos. Lépida despertou diferente naquela manhã. Um copo de água
aqui, um banho ali e eram novamente braços que se mexiam,
Não Ficcionais: pernas que corriam, saltos e sorrisos. E a dança das sapatilhas cor-
de-rosa.
- Jornalísticos: notícia, editorial, artigos, cartas e textos de (Carla Caruso)
divulgação científica.
CRÔNICA
- Instrucionais: didáticos, resumos, receitas, catálogos,
índices, listas, verbetes em geral, bulas e notas explicativas de Em jornais e revistas, há textos normalmente assinados por um
embalagens. escritor de ficção ou por uma pessoa especializada em determinada
área (economia, gastronomia, negócios, entre outras) que escreve
- Epistolares: bilhetes, cartas familiares e cartas formais. com periodicidade para uma seção (por exemplo, todos os domingos
para o Caderno de Economia). Esses textos, conhecidos como
- Administrativos: requerimentos, ofícios e etc. crônicas, são curtos e em geral predominantemente narrativos,
podendo apresentar alguns trechos dissertativos. Exemplo:
FICCIONAIS
A luta e a lição
CONTO
Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no Tibete
É um gênero textual que apresenta um único conflito, tomado após escalar pela segunda vez o ponto culminante do planeta, o
já próximo do seu desfecho. Encerra uma história com poucas monte Everest. Da primeira, usou o reforço de um cilindro de
personagens, e também tempo e espaço reduzido. A linguagem oxigênio para suportar a altura. Na segunda (e última), dispensou
pode ser formal ou informal. É uma obra de ficção que cria um o cilindro, devido ao seu estado geral, que era considerado ótimo.
universo de seres e acontecimentos, de fantasia ou imaginação. As façanhas dele me emocionaram, a bem sucedida e a malograda.
Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, Aqui do meu canto, temendo e tremendo toda a vez que viajo no
personagens, ponto de vista e enredo. Classicamente, diz-se que o bondinho do Pão de Açúcar, fico meditando sobre os motivos que
conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela levam alguns heróis a se superarem. Vitor já havia vencido o cume
ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma mais alto do mundo. Quis provar mais, fazendo a escalada sem a
história e tem apenas um clímax. Exemplo: ajuda do oxigênio suplementar. O que leva um ser humano bem
sucedido a vencer desafios assim?
Lépida Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a humanidade.
Se cada um repetisse meu exemplo, ficando solidamente instalado
Tudo lento, parado, paralisado. no chão, sem tentar a aventura, ainda estaríamos nas cavernas,
- Maldição! - dizia um homem que tinha sido o melhor
lascando o fogo com pedras, comendo animais crus e puxando
corredor daquele lugar.
nossas mulheres pelos cabelos, como os trogloditas - se é que os
- Que tristeza a minha - lamentava uma pequena bailarina,
olhando para as suas sapatilhas cor-de-rosa. trogloditas faziam isso. Somos o que somos hoje devido a heróis
Assim estava Lépida, uma cidade muito alegre que no passado que trocam a vida pelo risco. Bem verdade que escalar montanhas,
fora reconhecida pela leveza e agilidade de seus habitantes. Todos em si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que prefere
muito fortes, andavam, corriam e nadavam pelos seus limpos ficar na cômoda planície da segurança.
canais. Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura de Vítor
Até que chegou um terrível pirata à procura da riqueza Negrete é a aspiração de ir mais longe, de superar marcas, de
do lugar. Para dominar Lépida, roubou de um mago um elixir ir mais alto, desafiando os riscos. Não sei até que ponto ele foi
paralisante e despejou no principal rio. Após beberem a água, os temerário ao recusar o oxigênio suplementar. Mas seu exemplo - e
habitantes ficaram muito lentos, tão lentos que não conseguiram seu sacrifício - é uma lição de luta, mesmo sendo uma luta perdida.
impedir a maldade do terrível pirata. Seu povo nunca mais foi o
mesmo. Lépida foi roubada em seu maior tesouro e permaneceu (Autor: Carlos Heitor Cony.
estagnada por muitos anos. Publicado na Folha Online)

Didatismo e Conhecimento 7
LÍNGUA PORTUGUESA
ROMANCE HISTÓRIA EM QUADRINHOS

O termo romance pode referir-se a dois gêneros literários. O As primeiras manifestações das Histórias em Quadrinhos
primeiro deles é uma composição poética popular, histórica ou surgiram no começo do século XX, na busca de novos meios
lírica, transmitida pela tradição oral, sendo geralmente de autor de comunicação e expressão gráfica e visual. Entre os primeiros
anônimo; corresponde aproximadamente à balada medieval. E autores das histórias em quadrinhos estão o suíço Rudolph
como forma literária moderna, o termo designa uma composição Töpffer, o alemão Wilhelm Bush, o francês Georges, e o brasileiro
em prosa. Todo Romance se organiza a partir de uma trama, ou Ângelo Agostini. A origem dos balões presentes nas histórias
seja, em torno dos acontecimentos que são organizados em uma em quadrinhos pode ser atribuída a personagens, observadas em
sequência temporal. A linguagem utilizada em um Romance é muito ilustrações europeias desde o século XIV.
As histórias em quadrinhos começaram no Brasil no século
variável, vai depender de quem escreve, de uma boa diferenciação
XIX, adotando um estilo satírico conhecido como cartuns, charges
entre linguagem escrita e linguagem oral e principalmente do tipo
ou caricaturas e que depois se estabeleceria com as populares tiras.
de Romance.
A publicação de revistas próprias de histórias em quadrinhos no
Quanto ao tipo de abordagem o Romance pode ser: Urbano, Brasil começou no início do século XX também. Atualmente, o
Regionalista, Indianista e Histórico. E quanto à época ou Escola estilo cômicos dos super-heróis americanos é o predominante,
Literária, o Romance pode ser: Romântico, Realista, Naturalista mas vem perdendo espaço para uma expansão muito rápida dos
e Modernista. quadrinhos japoneses (conhecidos como Mangá).
A leitura interpretativa de Histórias em Quadrinhos, assim
POEMA como de charges, requer uma construção de sentidos que, para que
ocorra, é necessário mobilizar alguns processos de significação,
Um poema é uma obra literária geralmente apresentada em como a percepção da atualidade, a representação do mundo, a
versos e estrofes (ainda que possa existir prosa poética, assim observação dos detalhes visuais e/ou linguísticos, a transformação
designada pelo uso de temas específicos e de figuras de estilo de linguagem conotativa (sentido mais usual) em denotativa
próprias da poesia). Efetivamente, existe uma diferença entre (sentido amplificado pelo contexto, pelos aspetos socioculturais
poesia e poema. Segundo vários autores, o poema é um objeto etc). Em suma, usa-se o conhecimento da realidade e de processos
literário com existência material concreta, a poesia tem um linguísticos para “inverter” ou “subverter” produzindo, assim,
carácter imaterial e transcendente. Fortemente relacionado com sentidos alternativos a partir de situações extremas. Exemplo:
a música, beleza e arte, o poema tem as suas raízes históricas
nas letras de acompanhamento de peças musicais. Até a Idade Observe a tirinha em quadrinhos do Calvin:
Média, os poemas eram cantados. Só depois o texto foi separado
do acompanhamento musical. Tal como na música, o ritmo tem
uma grande importância. Um poema também faz parte de um sarau
(reuniões em casas particulares para expressar artes, canções,
poemas, poesias etc). Obra em verso em que há poesia. Exemplo:

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado


Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado O objetivo do Calvin era vender ao seu pai um desenho de
Com olhos que contêm o olhar antigo sua autoria pela exorbitante quantia de 500 dólares. Ele optou por
Sempre comigo um pouco atribulado valorizar o desenho, mostrando todas as habilidades conquistadas
E como sempre singular comigo. para conseguir produzi-lo. O pai, no último quadrinho, reconhece
Um bicho igual a mim, simples e humano o empenho do filho, utilizando-se de um conector de concessão
(“Ainda assim”), valorizando a importância de tudo aquilo.
Sabendo se mover e comover
Contudo, afirma que não pagaria o valor pedido (como se dissesse:
E a disfarçar com o meu próprio engano.
“sim, filho, foi um esforço absurdo, mas não vou pagar por isso!”).
A graça está no fato de Calvin elaborar um discurso
O amigo: um ser que a vida não explica “maduro” em relação ao seu desenvolvimento cognitivo e motor
Que só se vai ao ver outro nascer nos dois primeiros quadrinhos e, somente depois, ficar claro
E o espelho de minha alma multiplica... para nós, leitores, que toda a força argumentativa foi em prol da
cobrança pelo desenho que ele mesmo fez. Em outras palavras,
Vinicius de Moraes o personagem empenha-se na construção de um raciocínio em
prol de uma finalidade absurda – o que nos faz sorrir no último

Didatismo e Conhecimento 8
LÍNGUA PORTUGUESA
quadrinho, já que é somente nele que conseguimos “completar” o Escola Municipal Cândido de Assis Queiroga obtiveram destaque
sentido. Claro, se você conhece os quadrinhos do Calvin, sabe que nas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática das
ele tem apenas 6 anos, o que torna tudo ainda mais hilário, mas a Escolas Públicas.
falta deste conhecimento não prejudica em nada a interpretação O segredo é absolutamente simples, e quem explica é a
textual. professora Jonilda Alves Ferreira: a chave é ensinar Matemática
através de atividades do cotidiano, como fazer compras na feira
NÃO FICCIONAIS - JORNALÍSTICOS ou medir ingredientes para uma receita. Com essas ações práticas,
na edição de 2012 da Olimpíada, a escola conquistou nada menos
NOTÍCIA do que cinco medalhas de ouro, duas de prata, três de bronze e
12 menções honrosas. Orgulhosa, a professora conta que se sentia
O principal objetivo da notícia é levar informação atual a triste com a repulsa dos estudantes aos números, e teve a ideia de
um público específico. A notícia conta o que ocorreu, quando, pô-los para vivenciar a Matemática em suas vidas, aproximando-
onde, como e por quê. Para verificar se ela está bem elaborada, os da disciplina.
o emissor deve responder às perguntas: O quê? (fato ou fatos); O que parecia ser um grande desafio tornou-se realidade
e, hoje, a cidade inteira orgulha-se de seus filhos campeões
Quando? (tempo); Onde? (local); Como? (de que forma) e Por
olímpicos. Os estudantes paraibanos devem ser exemplo para
quê? (causas). A notícia apresenta três partes:
todo o País, que anda precisando, sim, de modelos a se inspirar.
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA, na
- Manchete (ou título principal) – resume, com objetividade, sigla em inglês) – o mais sério teste internacional para avaliar
o assunto da notícia. Essa frase curta e de impacto, em geral, o desempenho escolar e coordenado pela Organização para a
aparece em letras grandes e destacadas. Cooperação e Desenvolvimento Econômico – continua sendo
- Lide (ou lead) – complementa o título principal, fornecendo implacável com o Brasil. No exame publicado de 2012, o País
as principais informações da notícia. Como a manchete, sua função aparece na incômoda penúltima posição entre 40 países avaliados.
é despertar a atenção do leitor para o texto. O teste aponta que o aprendizado de Matemática, Leitura e
- Corpo – contém o desenvolvimento mais amplo e detalhado Ciências durante o ciclo fundamental é sofrível, e perdemos para
dos fatos. países como Colômbia, Tailândia e México. Já passa da hora de
as autoridades melhorarem a gestão de nossa Educação Pública e
A notícia usa uma linguagem formal, que segue a norma culta seguir o exemplo da pequena Paulista.
da língua. A ordem direta, a voz ativa, os verbos de ação e as frases Fonte: http://www.oestadoce.com.br/noticia/
curtas permitem fluir as ideias. É preferível a linguagem acessível editorial-cidade-paraibana-e-exemplo-ao-pais
e simples. Evite gírias, termos coloquiais e frases intercaladas.
Os fatos, em geral, são apresentados de forma impessoal e ARTIGOS
escritos em 3ª pessoa, com o predomínio da função referencial, já
que esse texto visa à informação. É comum encontrar circulando no rádio, na TV, nas revistas,
A falta de tempo do leitor exige a seleção das informações nos jornais, temas polêmicos que exigem uma posição por parte
mais relevantes, vocabulário preciso e termos específicos que o dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso, o autor geralmente
ajudem a compreender melhor os fatos. Em jornais ou revistas apresenta seu ponto de vista sobre o tema em questão através do
impressos ou on-line, e em programas de rádio ou televisão, a artigo (texto jornalístico).
informação transmitida pela notícia precisa ser verídica, atual e Nos gêneros argumentativos, o autor geralmente tem a intenção
despertar o interesse do leitor. de convencer seus interlocutores e, para isso, precisa apresentar
bons argumentos, que consistem em verdades e opiniões. O artigo
de opinião é fundamentado em impressões pessoais do autor do
EDITORIAL
texto e, por isso, são fáceis de contestar.
O artigo deve começar com uma breve introdução, que
Os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo
descreva sucintamente o tema e refira os pontos mais importantes.
expressa a opinião da empresa, da direção ou da equipe de Um leitor deve conseguir formar uma ideia clara sobre o assunto
redação, sem a obrigação de ter alguma imparcialidade ou e o conteúdo do artigo ao ler apenas a introdução. Por favor tenha
objetividade. Geralmente, grandes jornais reservam um espaço em mente que embora esteja familiarizado com o tema sobre o
predeterminado para os editoriais em duas ou mais colunas logo qual está a escrever, outros leitores da podem não o estar. Assim,
nas primeiras páginas internas. Os boxes (quadros) dos editoriais é importante clarificar cedo o contexto do artigo. Por exemplo, em
são normalmente demarcados com uma borda ou tipografia vez de escrever:
diferente para marcar claramente que aquele texto é opinativo, e Guano é um personagem que faz o papel de mascote do grupo
não informativo. Exemplo: Lily Mu. Seria mais informativo escrever:
Guano é um personagem da série de desenho animado Kappa
Cidade paraibana é exemplo ao País Mikey que faz o papel de mascote do grupo Lily Mu.
Caracterize o assunto, especialmente se existirem opiniões
Em tempos em que estudantes escrevem receita de macarrão diferentes sobre o tema. Seja objetivo. Evite o uso de eufemismos e
instantâneo e transcrevem hino de clube de futebol na redação do de calão ou gíria, e explique o jargão. No final do artigo deve listar
Exame Nacional do Ensino Médio e ainda obtém nota máxima no as referências utilizadas, e ao longo do artigo deve citar a fonte das
teste, uma boa notícia vem de uma pequena cidade no interior da afirmações feitas, especialmente se estas forem controversas ou
Paraíba chamada Paulista, de cerca de 12 mil habitantes. Alunos da suscitarem dúvidas.

Didatismo e Conhecimento 9
LÍNGUA PORTUGUESA
CARTAS determinada ciência, certa teoria, um campo do saber. O uso da
terminologia científica dá maior rigor à exposição, pois evita as
Na maioria dos jornais e revistas, há uma seção destinada a conotações e as imprecisões dos termos da linguagem cotidiana.
cartas do leitor. Ela oferece um espaço para o leitor elogiar ou Por outro lado, a definição dos termos depende do nível de público
criticar uma matéria publicada, ou fazer sugestões. Os comentários a que se destina.
podem referir-se às ideias de um texto, com as quais o leitor Um manual de introdução à física, destinado a alunos de
concorda ou não; à maneira como o assunto foi abordado; ou à primeiro grau, expõe um conceito de cada vez e, por conseguinte,
qualidade do texto em si. É possível também fazer alusão a outras vai definindo paulatinamente os termos específicos dessa ciência.
cartas de leitores, para concordar ou não com o ponto de vista Num livro de física para universitários não cabe a definição de
expresso nelas. A linguagem da carta costuma variar conforme termos que os alunos já deveriam saber, pois senão quem escreve
o perfil dos leitores da publicação. Pode ser mais descontraída, precisaria escrever sobre tudo o que a ciência em que ele é
se o público é jovem, ou ter um aspecto mais formal. Esse tipo especialista já estudou.
de carta apresenta formato parecido com o das cartas pessoais:
data, vocativo (a quem ela é dirigida), corpo do texto, despedida RESUMOS
e assinatura.
Resumo é uma exposição abreviada de um acontecimento.
TEXTOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Fazer um resumo significa apresentar o conteúdo de forma
sintética, destacando as informações essenciais do conteúdo de um
Sua finalidade discursiva pauta-se pela divulgação de livro, artigo, argumento de filme, peça teatral, etc. A elaboração
conhecimentos acerca do saber científico, assemelhando- de um resumo exige análise e interpretação do conteúdo para que
se, portanto, com os demais gêneros circundantes no meio sejam transmitidas as ideias mais importantes.
educacional como um todo, entre eles, textos didáticos e verbetes Escrever um texto em poucas linhas ajuda o aluno a
de enciclopédias. Mediante tal pressuposto, já temos a ideia do desenvolver a sua capacidade de síntese, objetividade e clareza:
caráter condizente à linguagem, uma vez que esta se perfaz de três fatores que serão muito importantes ao longo da vida escolar.
características marcantes - a objetividade, isentando-se de traços Além de ser um ótimo instrumento de estudo da matéria para fazer
pessoais por parte do emissor, como também por obedecer ao um teste. Resumo é sinônimo de “recapitulação”, quando, ao final
de cada capítulo de um livro é apresentado um breve texto com as
padrão formal da língua. Outro aspecto passível de destaque é o
ideias chave do assunto introduzido. Outros sinônimos de resumo
fato de que no texto científico, às vezes, temos a oportunidade de
são: sinopse, sumário, síntese, epítome e compêndio.
nos deparar com determinadas terminologias e conceitos próprios
da área científica a que eles se referem.
RECEITAS
Veiculados por diversos meios de comunicação, seja em
jornais, revistas, livros ou meio eletrônico, compartilham-se com
A receita tem como objetivo informar a fórmula de um
uma gama de interlocutores. Razão esta que incide na forma como
produto seja ele industrial ou caseiro, contando detalhadamente
se estruturam, não seguindo um padrão rígido, uma vez que este sobre seu preparo. É uma sequência de passos para a preparação
se interliga a vários fatores, tais como: assunto, público-alvo, de alimentos. As receitas geralmente vêm com seus verbos no
emissor, momento histórico, dentre outros. Mas, geralmente, no modo imperativo, para dar ordens de como preparar seu prato seja
primeiro e segundo parágrafos, o autor expõe a ideia principal, ele qual for. Elas são encontradas em diversas fontes como: livros,
sendo representada por uma ideia ou conceito. Nos parágrafos sites, programas (TV/Rádio), revistas ou até mesmo em jornais e
que seguem, ocorre o desenvolvimento propriamente dito da panfletos. A receita também ajuda a fazer vários tipos de pratos
ideia, lembrando que tais argumentos são subsidiados em fontes típicos e saudáveis e até sobremesas deliciosas.
verdadeiramente passíveis de comprovação - comparações, dados
estatísticos, relações de causa e efeito, dentre outras. CATÁLOGOS
NÃO FICCIONAIS – INSTRUCIONAIS Catálogo é uma relação ordenada de coisas ou pessoas com
descrições curtas a respeito de cada uma. Espécie de livro, guia ou
DIDÁTICOS sumário que contém informações sobre lugares, pessoas, produtos
e outros. Têm o objetivo de dar opções para uma melhor escolha.
Na leitura de um texto didático, é preciso apanhar suas ideias
fundamentais. Um texto didático é um texto conceitual, ou seja, ÍNDICES
não figurativo. Nele os termos significam exatamente aquilo que
denotam, sendo descabida a atribuição de segundos sentidos ou Enumeração detalhada dos assuntos, nomes de pessoas,
valores conotativos aos termos. Num texto didático devem se nomes geográficos, acontecimentos, etc., com a indicação de sua
analisar ainda com todo o cuidado os elementos de coesão. Deve- localização no texto.
se observar a expectativa de sentido que eles criam, para que possa
entender bem o texto. LISTAS
O entendimento do texto didático de uma determinada
disciplina requer o conhecimento do significado exato dos termos Enumeração de elementos selecionados do texto, tais
com que ela opera. Conhecer esses termos significa conhecer um como datas, ilustrações, exemplo, tabelas etc., na ordem de sua
conjunto de princípios e de conceitos sobre os quais repousa uma ocorrência.

Didatismo e Conhecimento 10
LÍNGUA PORTUGUESA
VERBETES EM GERAL NOTAS EXPLICATIVAS DE EMBALAGENS

O verbete é um tipo de texto predominantemente descritivo. As notas explicativas servem para que o fabricante do
A elaboração reflete o conflito seminal que define a elegância produto esclareça ou explique aspectos da composição, nutrição,
científica: a negociação constante entre síntese e exaustividade. advertências a respeito do produto.
Os padrões do gênero valorizam tanto a brevidade e a abordagem
direta dos temas quanto o detalhamento e a completude da NÃO FICCIONAIS – EPISTOLARES
informação.
É um texto escrito, de caráter informativo, destinado a BILHETES
explicar um conceito segundo padrões descritivos sistemáticos,
determinados pela obra de referência da qual faz parte: mais O bilhete é uma mensagem curta, trocada entre as pessoas,
comumente, um dicionário ou uma enciclopédia. O verbete para pedir, agradecer, oferecer, informar, desculpar ou perguntar.
é essencialmente destinado a consulta, o que lhe impõe uma
O bilhete é composto normalmente de: data, nome do destinatário
construção discursiva sucinta e de acesso imediato, embora isso
antecedido de um cumprimento, mensagem, despedida e nome do
não incorra necessariamente em curta extensão. Geralmente,
remetente. Exemplo:
os verbetes abordam conceitos bem estabelecidos em algum
paradigma acadêmico-científico, ao invés de entrar em polêmicas
Belinha,
referentes a categorias teóricas discutíveis.
Por sua pretensão universalista e pela posição respeitável que Passei na sua casa para contar o que aconteceu comigo
ocupa no sistema de valores da cultura racionalista, espera-se que ontem à noite.
todo verbete siga as normas padrão de uso da língua escrita, em um Telefone para mim hoje à tarde, que eu vou contar tudinho
nível elevado de formalidade. Por sua natureza sistemática e por para você!
ser destinado à consulta, espera-se que a linguagem do verbete seja Um beijinho da amiga Juliana. 14/03/2013
também o mais objetiva possível. As consequências gramaticais
desse princípio são: no nível lexical, precisão na escolha dos termos CARTAS FAMILIARES E CARTAS FORMAIS
e ausência de palavras que expressem subjetividade (opiniões,
impressões e sensações); no nível sintático, simplificação das A carta é um dos instrumentos mais úteis em situações
construções; e no nível estilístico, denotação (ausência de diversas. É um dos mais antigos meios de comunicação. Em uma
ornamentos e figuras de linguagem). carta formal é preciso ter cuidado na coerência do tratamento, por
É comum a presença de terminologia especializada na exemplo, se começamos a carta no tratamento em terceira pessoa
construção do verbete, embora sua frequência varie conforme o devemos ir até o fim em terceira pessoa, seguindo também os
público consumidor da obra de referência em que se insere o texto. pronomes e formas verbais na terceira pessoa. Há vários tipos de
Elementos de linguagens não verbais (especialmente pictóricos) cartas, o formato da carta depende do seu conteúdo:
são tradicionalmente agregados ao verbete com função de - Carta Pessoal é a carta que escrevemos para amigos,
esclarecimento. parentes, namorado(a), o remetente é a própria pessoa que assina a
carta, estas cartas não têm um modelo pronto, são escritas de uma
BULAS maneira particular.
- Carta Comercial se torna o meio mais efetivo e seguro de
Bula pode referir-se a: comunicação dentro de uma organização. A linguagem deve ser
clara, simples, correta e objetiva. 
Bula Pontifícia - documento expedido pela Santa Sé. Refere-
se não ao conteúdo e à solenidade de um documento pontifício,
A carta ao ser escrita deve ser primeiramente bem analisada
como tal, mas à apresentação, à forma externa do documento, a
em termos de língua portuguesa, ou seja, deve-se observar a
saber, lacrado com pequena bola (em latim, “bulla”) de cera ou
concordância, a pontuação e a maneira de escrever com início, meio
metal, em geral, chumbo. Assim, existem Litterae Apostolicae
e então o fim, contendo também um cabeçalho e se for uma carta
(carta apostólica) em forma ou não de bula e também Constituição
formal, deve conter pronomes de tratamento (Senhor, Senhora, V.
Apostólica em forma de bula. Por exemplo, a carta apostólica
“Munificentissimus Deus”, bem como as Constituições Apostólicas Ex.ª etc.) e por fim a finalização da carta que deve conter somente
de criação de dioceses. A bula mais antiga que se conhece é do um cumprimento formal ou não (grato, beijos, abraços, adeus
Papa Agapito I (535), conservada apenas em desenho. O mais etc.). Depois de todos esses itens terem sido colocados na carta, a
antigo original conservado é do Papa Adeodato I (615-618). mesma deverá ser colocada em um envelope para ser enviado ao
destinatário. Na parte de trás e superior do envelope deve-se conter
Bula (medicamento) - folha com informações sobre alguns dados muito importantes tais como: nome do destinatário,
medicamentos. Nome que se dá ao conjunto de informações endereço (rua, bairro e cidade) e por fim o CEP. Já o remetente
sobre um medicamento que obrigatoriamente os laboratórios (quem vai enviar a carta), também deve inserir na carta os mesmos
farmacêuticos devem acrescentar à embalagem de seus produtos dados que o do destinatário, que devem ser escritos na parte da
vendidos no varejo. As informações podem ser direcionadas aos frente do envelope. E por fim deve ser colocado no envelope um
usuários dos medicamentos, aos profissionais de saúde ou a ambos. selo que serve para que a carta seja levada à pessoa mencionada.

Didatismo e Conhecimento 11
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NÃO FICCIONAIS – ADMINISTRATIVOS
3 DOMÍNIO DA ORTOGRAFIA OFICIAL.
REQUERIMENTOS
3.1 EMPREGO DAS LETRAS.
É o instrumento por meio do qual o interessado requer a uma
autoridade administrativa um direito do qual se julga detentor.
Estrutura:
- Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário), ou seja, A ortografia é a parte da língua responsável pela grafia correta
da autoridade competente. das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão culto da língua.
- Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do requerente As palavras podem apresentar igualdade total ou parcial no
(grafado em letras maiúsculas) e respectiva qualificação: que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo tendo significados
nacionalidade, estado civil, profissão, documento de identidade, diferentes. Essas palavras são chamadas de homônimas (canto, do
idade (se maior de 60 anos, para fins de preferência na tramitação grego, significa ângulo / canto, do latim, significa música vocal).
do processo, segundo a Lei 10.741/03), e domicílio (caso o As palavras homônimas dividem-se em homógrafas, quando têm
requerente seja servidor da Câmara dos Deputados, precedendo à a mesma grafia (gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular
qualificação civil deve ser colocado o número do registro funcional do verbo gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço,
e a lotação); Exposição do pedido, de preferência indicando os palácio ou passo, movimento durante o andar).
fundamentos legais do requerimento e os elementos probatórios Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem-se obser-
de natureza fática. var as seguintes regras:
- Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento”.
- Local e data. O fonema s:
- Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou cargo.
Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substantivadas
OFÍCIOS derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent:
pretender - pretensão / expandir - expansão / ascender - ascensão
O Ofício deve conter as seguintes partes: / inverter - inversão / aspergir aspersão / submergir - submersão /
divertir - diversão / impelir - impulsivo / compelir - compulsório /
- Tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão repelir - repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso / sentir
que o expede. Exemplos: - sensível / consentir - consensual

Of. 123/2002-MME Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes derivados dos
Aviso 123/2002-SG verbos cujos radicais terminem em gred, ced, prim ou com verbos
Mem. 123/2002-MF terminados por tir ou meter: agredir - agressivo / imprimir - im-
pressão / admitir - admissão / ceder - cessão / exceder - excesso
- Local e data. Devem vir por extenso com alinhamento à / percutir - percussão / regredir - regressão / oprimir - opressão /
direita. Exemplo: comprometer - compromisso / submeter - submissão
*quando o prefixo termina com vogal que se junta com a pala-
Brasília, 20 de maio de 2013 vra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimétrico / re +
- Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos: surgir - ressurgir
*no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exemplos: fi-
Assunto: Produtividade do órgão em 2012. casse, falasse
Assunto: Necessidade de aquisição de novos computadores.
Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos de
- Destinatário. O nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida origem árabe: cetim, açucena, açúcar
a comunicação. No caso do ofício, deve ser incluído também o *os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, Juça-
endereço. ra, caçula, cachaça, cacique
*os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, uço:
- Texto. Nos casos em que não for de mero encaminhamento barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço, esperança,
de documentos, o expediente deve conter a seguinte estrutura: carapuça, dentuço
*nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / deter - de-
Introdução: que se confunde com o parágrafo de abertura, tenção / ater - atenção / reter - retenção
na qual é apresentado o assunto que motiva a comunicação. Evite *após ditongos: foice, coice, traição
o uso das formas: “Tenho a honra de”, “Tenho o prazer de”, *palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r): marte -
“Cumpreme informar que”, empregue a forma direta; marciano / infrator - infração / absorto - absorção
Desenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se o texto
contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas devem ser tratadas O fonema z:
em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição;
Conclusão: em que é reafirmada ou simplesmente Escreve-se com S e não com Z:
reapresentada a posição recomendada sobre o assunto. *os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é substantivo,
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês, freguesa, fregue-
em que estes estejam organizados em itens ou títulos e subtítulos. sia, poetisa, baronesa, princesa, etc.

Didatismo e Conhecimento 12
LÍNGUA PORTUGUESA
*os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, metamorfose. As letras e e i:
*as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, qui-
seste. *os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem. Com “i”,
*nomes derivados de verbos com radicais terminados em “d”: só o ditongo interno cãibra.
aludir - alusão / decidir - decisão / empreender - empresa / difun- *os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são escritos
dir - difusão com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os verbos com
*os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís - Luisi- infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui.
nho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho - atenção para as palavras que mudam de sentido quando subs-
*após ditongos: coisa, pausa, pouso tituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície), ária (me-
*em verbos derivados de nomes cujo radical termina com “s”: lodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) / emergir (vir à
anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar tona), imergir (mergulhar) / peão (de estância, que anda a pé),
pião (brinquedo).
Escreve-se com Z e não com S:
Fonte: http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/orto-
*os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adjetivo:
grafia
macio - maciez / rico - riqueza
*os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de origem
Questões sobre Ortografia
não termine com s): final - finalizar / concreto - concretizar
*como consoante de ligação se o radical não terminar com s: 01. (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre as
pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis + inho - lapisinho frases que seguem, a única correta é:
a) Ele se esqueceu de que?
O fonema j: b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distribui-lo
entre os presentes.
Escreve-se com G e não com J: c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas críticas.
*as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, gesso. d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações dos fun-
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim. cionários.
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com poucas ex- e) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
ceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge.
02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alternativa
Observação: Exceção: pajem cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo com a norma-
*as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, litígio, -padrão.
relógio, refúgio. (A) Os tabeliãos devem preparar o documento.
*os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir. (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
*depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, surgir. (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
*depois da letra “a”, desde que não seja radical terminado com (D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos.
j: ágil, agente. (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos!
Escreve-se com J e não com G:
*as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje. 03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013).
*as palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia, man- Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para informar os
jerona. usuários sobre o festival Sounderground.
*as palavras terminada com aje: aje, ultraje. Prezado Usuário
________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do me-
trô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30,
O fonema ch:
começa o Sounderground, festival internacional que prestigia os
músicos que tocam em estações do metrô.
Escreve-se com X e não com CH:
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresentarão e
*as palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi, mu- divirta-se!
xoxo, xucro. Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se preencher
*as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J): xampu, as lacunas, correta e respectivamente, com as expressões
lagartixa. A) A fim ...a partir ... as B) A fim ...à partir ... às
*depois de ditongo: frouxo, feixe. C) A fim ...a partir ... às D) Afim ...a partir ... às
*depois de “en”: enxurrada, enxoval. E) Afim ...à partir ... as

Observação: Exceção: quando a palavra de origem não derive 04. (TRF - 1ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO -
de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente) FCC/2011) As palavras estão corretamente grafadas na seguinte
frase:
Escreve-se com CH e não com X: (A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é boa a
*as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo, chassi, ansiedade com que enfrentam o excesso de passageiros nos aero-
mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha. portos.

Didatismo e Conhecimento 13
LÍNGUA PORTUGUESA
(B) Comete muitos deslises, talvez por sua espontaneidade, ( ) Certo
mas nada que ponha em cheque sua reputação de pessoa cortês. ( ) Errado
(C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio de des-
cançar após o almoço sob a frondoza árvore do pátio. GABARITO
(D) Não sei se isso influe, mas a persistência dessa mágoa pode 01.E 02. D 03. C 04. A 05. B
estar sendo o grande impecilho na superação dessa sua crise. 06. E 07. C 08. E 09. A 10. C
(E) O diretor exitou ao aprovar a retenção dessa alta quantia,
mas não quiz ser taxado de conivente na concessão de privilégios RESOLUÇÃO
ilegítimos.
1-)
05.Em qual das alternativas a frase está corretamente escrita? (A) Ele se esqueceu de que? = quê?
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa. (B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para distri-
B) O mendigo não depositou na caderneta de poupança. bui-lo (distribuí-lo) entre os presentes.
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa. (C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos excessivos
D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupansa. nas críticas.
(D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindicações
06.(IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM] - CCI) – VU- dos funcionários.
NESP/2011) Assinale a alternativa em que o trecho – Mas ela (E) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
cresceu ... – está corretamente reescrito no plural, com o verbo no
tempo futuro. 2-)
(A) Mas elas cresceram... (A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = tabeliães
(B) Mas elas cresciam... (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis. = ci-
(C) Mas elas cresçam... dadãos
(D) Mas elas crescem... (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local. =
(E) Mas elas crescerão... certidões
(E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = degraus
07. (IAMSPE/SP – ATENDENTE – [PAJEM – CCI] – VU-
NESP/2011 - ADAPTADA) Assinale a alternativa em que o trecho
3-) Prezado Usuário
– O teste decisivo e derradeiro para ele, cidadão ansioso e sofre-
A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do metrô, a
dor...– está escrito corretamente no plural.
partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa o Sounder-
(A) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadãos ansioso
ground, festival internacional que prestigia os músicos que tocam
e sofredores...
em estações do metrô.
(B) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães ansio-
so e sofredores... Confira o dia e a estação em que os artistas se apresentarão
(C) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadãos ansio- e divirta-se!
sos e sofredores... A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado; antes de
(D) Os testes decisivo e derradeiros para eles, cidadões ansioso horas: há crase
e sofredores...
(E) Os testes decisivos e derradeiros para eles, cidadães ansio- 4-) Fiz a correção entre parênteses:
sos e sofredores... (A) Que eles viajem sempre é muito bom, mas não é boa a
08. (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – FUJB/2011) ansiedade com que enfrentam o excesso de passageiros nos aero-
Assinale a alternativa em que a frase NÃO contraria a norma culta: portos.
A) Entre eu e a vida sempre houve muitos infortúnios, por isso (B) Comete muitos deslises (deslizes), talvez por sua esponta-
posso me queixar com razão. neidade, mas nada que ponha em cheque (xeque) sua reputação de
B) Sempre houveram várias formas eficazes para ultrapas- pessoa cortês.
sarmos os infortúnios da vida. (C) Ele era rabugento e tinha ojeriza ao hábito do sócio de
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que ver- descançar (descansar) após o almoço sob a frondoza (frondosa)
mos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida. árvore do pátio.
D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento, principal- (D) Não sei se isso influe (influi), mas a persistência dessa má-
mente daqueles que procuram viver com dignidade e simplicidade. goa pode estar sendo o grande impecilho (empecilho) na superação
E) As dificuldades por que passamos certamente nos fazem dessa sua crise.
mais fortes e preparados para os infortúnios da vida. (E) O diretor exitou (hesitou) ao aprovar a retenção dessa alta
quantia, mas não quiz (quis) ser taxado de conivente na concessão
09.Assinale a alternativa cuja frase esteja incorreta: de privilégios ilegítimos.
A) Porque essa cara? B) Não vou porque não quero.
C) Mas por quê? D) Você saiu por quê? 5-)
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa. =
10-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNICO mendigo/caderneta/poupança
FORENSE - CESPE/2013 - adaptada) Uma variante igualmente C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa. =
correta do termo “autópsia” é autopsia. mendigo/caderneta/poupança

Didatismo e Conhecimento 14
LÍNGUA PORTUGUESA
D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupansa. 5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte Rio-Niterói,
=mendigo/depositou/caderneta/poupança percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas combinações históricas ou
ocasionais: Áustria-Hungria, Angola-Brasil, Alsácia-Lorena, etc.
6-) Futuro do verbo “crescer”: crescerão. Teremos: mas elas
crescerão... 6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super- quan-
do associados com outro termo que é iniciado por r: hiper-resisten-
7-) Como os itens apresentam o mesmo texto, a alternativa cor- te, inter-racial, super-racional, etc.
reta já indica onde estão as inadequações nos demais itens.
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-diretor, ex-
8-) Fiz as correções entre parênteses: -presidente, vice-governador, vice-prefeito.
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infortúnios,
por isso posso me queixar com razão. 8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: pré-natal,
B) Sempre houveram (houve) várias formas eficazes para ul- pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, etc.
trapassarmos os infortúnios da vida.
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que ver- 9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, abraça-o,
mos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida. lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
D) É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto sofrimen-
to, principalmente daqueles que procuram viver com dignidade e 10. Nas formações em que o prefixo tem como segundo ter-
simplicidade. mo uma palavra iniciada por “h”: sub-hepático, eletro higrômetro,
E) As dificuldades por que (= pelas quais; correto) passamos geo-história, neo-helênico, extra-humano, semi-hospitalar, super-
certamente nos fazem mais fortes e preparados para os infortúnios -homem.
da vida.
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudo prefixo termina
9-) Por que essa cara? = é uma pergunta e o pronome está na mesma vogal do segundo elemento: micro-ondas, eletro-ótica,
longe do ponto de interrogação. semi-interno, auto-observação, etc.
Obs: O hífen é suprimido quando para formar outros termos:
10-) autopsia s.f., autópsia s.f.; cf. autopsia reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.
(fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/
- Lembre-se: ao separar palavras na translineação (mudança de
start.htm?sid=23)
linha), caso a última palavra a ser escrita seja formada por hífen,
RESPOSTA: “CERTO”.
repita-o na próxima linha. Exemplo: escreverei anti-inflamatório
e, ao final, coube apenas “anti-”. Na linha debaixo escreverei: “-in-
O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado para ligar
flamatório” (hífen em ambas as linhas).
os elementos de palavras compostas (couve-flor, ex-presidente) e
para unir pronomes átonos a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei).
Não se emprega o hífen:
Serve igualmente para fazer a translineação de palavras, isto é,
no fim de uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa; 1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina
compa-/nheiro). em vogal e o segundo termo inicia-se em “r” ou “s”. Nesse caso,
Uso do hífen que continua depois da Reforma Ortográfica: passa-se a duplicar estas consoantes: antirreligioso, contrarregra,
infrassom, microssistema, minissaia, microrradiografia, etc.
1. Em palavras compostas por justaposição que formam uma 2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo ter-
unidade semântica, ou seja, nos termos que se unem para formar mina em vogal e o segundo termo inicia-se com vogal diferente:
um novo significado: tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, antiaéreo, extraescolar, coeducação, autoestrada, autoaprendiza-
tenente-coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva, arco- gem, hidroelétrico, plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.
-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos “dês” e
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e zoológicas: “in” e o segundo elemento perdeu o h inicial: desumano, inábil,
couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer, abóbora-menina, erva-doce, desabilitar, etc.
feijão-verde.
4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando o segun-
3. Nos compostos com elementos além, aquém, recém e sem: do elemento começar com “o”: cooperação, coobrigação, coorde-
além-mar, recém-nascido, sem-número, recém-casado, aquém- nar, coocupante, coautor, coedição, coexistir, etc.
-fiar, etc.
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram noção de
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas algumas exce- composição: pontapé, girassol, paraquedas, paraquedista, etc.
ções continuam por já estarem consagradas pelo uso: cor- -de-ro-
sa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de- -co- 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: benfeito, ben-
lônia, queima-roupa, deus-dará. querer, benquerido, etc.

Didatismo e Conhecimento 15
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Questões sobre Hífen 08.Assinale o item em que o uso do hífen está incorreto.
A) infraestrutura / super-homem / autoeducação
01.Assinale a alternativa em que o hífen, conforme o novo B) bem-vindo / antessala /contra-regra
Acordo, está sendo usado corretamente: C) contramestre / infravermelho / autoescola
A) Ele fez sua auto-crítica ontem. D) neoescolástico / ultrassom / pseudo-herói
B) Ela é muito mal-educada. E) extraoficial / infra-hepático /semirreta
C) Ele tomou um belo ponta-pé.
D) Fui ao super-mercado, mas não entrei. 09.Uma das alternativas abaixo apresenta incorreção quanto ao
E) Os raios infra-vermelhos ajudam em lesões. emprego do hífen.
A) O pseudo-hermafrodita não tinha infraestrutura para rela-
02.Assinale a alternativa errada quanto ao emprego do hífen: cionamento extraconjugal.
A) Pelo interfone ele comunicou bem-humorado que faria uma B) Era extraoficial a notícia da vinda de um extraterreno.
superalimentação. C) Ele estudou línguas neolatinas nas colônias ultramarinas.
B) Nas circunvizinhanças há uma casa malassombrada. D) O anti-semita tomou um anti-biótico e vacina antirrábica.
C) Depois de comer a sobrecoxa, tomou um antiácido. E) Era um suboficial de uma superpotência.
D) Nossos antepassados realizaram vários anteprojetos.
E) O autodidata fez uma autoanálise. 10.Assinale a alternativa em que ocorre erro quanto ao empre-
go do hífen.
03.Assinale a alternativa incorreta quanto ao emprego do hí- A) Foi iniciada a campanha pró-leite.
fen, respeitando-se o novo Acordo. B) O ex-aluno fez a sua autodefesa.
A) O semi-analfabeto desenhou um semicírculo. C) O contrarregra comeu um contra-filé.
B) O meia-direita fez um gol de sem-pulo na semifinal do cam- D) Sua vida é um verdadeiro contrassenso.
peonato. E) O meia-direita deu início ao contra-ataque.
C) Era um sem-vergonha, pois andava seminu.
D) O recém-chegado veio de além-mar. GABARITO
E) O vice-reitor está em estado pós-operatório.
01. B 02. B 03. A 04. E 05. C
06. D 07. D 08. B 09. D 10. C
04.Segundo o novo Acordo, entre as palavras pão duro (ava-
rento), copo de leite (planta) e pé de moleque (doce) o hífen é
RESOLUÇÃO
obrigatório:
A) em nenhuma delas.
1-)
B) na segunda palavra. A) autocrítica
C) na terceira palavra. C) pontapé
D) em todas as palavras. D) supermercado
E) na primeira e na segunda palavra. E) infravermelhos
05.Fez um esforço __ para vencer o campeonato __. Qual al- 2-)B) Nas circunvizinhanças há uma casa mal-assombrada.
ternativa completa corretamente as lacunas?
A) sobreumano/interregional 3-) A) O semianalfabeto desenhou um semicírculo.
B) sobrehumano-interregional 4-)
C) sobre-humano / inter-regional a) pão-duro / b) copo-de-leite (planta) / c) pé de moleque (doce)
D) sobrehumano/ inter-regional a) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não apresentam
E) sobre-humano /interegional elementos de ligação.
06. Suponha que você tenha que agregar o prefixo sub- às pa- b) Usa-se o hífen nos compostos que designam espécies ani-
lavras que aparecem nas alternativas a seguir. Assinale aquela que mais e botânicas (nomes de plantas, flores, frutos, raízes, semen-
tem de ser escrita com hífen: tes), tenham ou não elementos de ligação.
A) (sub) chefe c) Não se usa o hífen em compostos que apresentam elementos
B) (sub) entender de ligação.
C) (sub) solo
D) (sub) reptício 5-) Fez um esforço sobre-humano para vencer o campeonato
E) (sub) liminar inter-regional.
- Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h.
07.Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafa- - Usa-se o hífen se o prefixo terminar com a mesma letra com
das corretamente: que se inicia a outra palavra
A) autocrítica, contramestre, extra-oficial
B) infra-assinado, infra-vermelho, infra-som 6-) Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen também diante
C) semi-círculo, semi-humano, semi-internato de palavra iniciada por r. : subchefe, subentender, subsolo, sub-
D) supervida, superelegante, supermoda -reptício (sem o hífen até a leitura da palavra será alterada; /subre/,
E) sobre-saia, mini-saia, superssaia ao invés de /sub re/), subliminar

Didatismo e Conhecimento 16
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7-) Os acentos
A) autocrítica, contramestre, extraoficial
B) infra-assinado, infravermelho, infrassom acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i», «u» e
C) semicírculo, semi-humano, semi-internato sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras representam as
D) supervida, superelegante, supermoda = corretas vogais tônicas de palavras como Amapá, caí, público, parabéns.
E) sobressaia, minissaia, supersaia Sobre as letras “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre aberto.
8-) B) bem-vindo / antessala / contrarregra
Ex.: herói – médico – céu (ditongos abertos)
9-) D) O antissemita tomou um antibiótico e vacina antirrábica.
acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e” e “o”
10-) C) O contrarregra comeu um contrafilé. indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.: tâmara – Atlân-
tico – pêssego – supôs
acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com artigos
e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
3.2 EMPREGO DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA.
trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi totalmente abo-
lido das palavras. Há uma exceção: é utilizado em palavras deri-
vadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: mülleriano (de Müller)

A acentuação é um dos requisitos que perfazem as regras esta- til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais na-
belecidas pela Gramática Normativa. Esta se compõe de algumas sais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã
particularidades, às quais devemos estar atentos, procurando esta-
belecer uma relação de familiaridade e, consequentemente, colo-
Regras fundamentais:
cando-as em prática na linguagem escrita.
À medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a prática de
redigir, automaticamente aprimoramos essas competências, e logo Palavras oxítonas:
nos adequamos à forma padrão. Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”, “o”,
“em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – ar-
Regras básicas – Acentuação tônica mazém(s)
Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
A acentuação tônica implica na intensidade com que são pro- Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, seguidos
nunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá de forma mais ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. As demais, como são Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, seguidas
pronunciadas com menos intensidade, são denominadas de átonas. de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – compô-lo

De acordo com a tonicidade, as palavras são classificadas Paroxítonas:


como: Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
- i, is : táxi – lápis – júri
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a última
- us, um, uns : vírus – álbuns – fórum
sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel
Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai na pe- - l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps
núltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato – passível - ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos
-- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para quê?
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica está na Repare que essa palavra apresenta as terminações das paroxítonas
antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tímpano – médi- que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã,
co – ônibus ÃO. Assim ficará mais fácil a memorização!

Como podemos observar, os vocábulos possuem mais de uma -ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de “s”:
sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com uma sílaba so- água – pônei – mágoa – jóquei
mente: são os chamados monossílabos que, quando pronunciados,
apresentam certa diferenciação quanto à intensidade. Regras especiais:
Tal diferenciação só é percebida quando os pronunciamos em
uma dada sequência de palavras. Assim como podemos observar
Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos abertos),
no exemplo a seguir:
que antes eram acentuados, perderam o acento de acordo com a
“Sei que não vai dar em nada, nova regra, mas desde que estejam em palavras paroxítonas.
Seus segredos sei de cor”.
* Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma palavra
Os monossílabos classificam-se como tônicos; os demais, oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são acentuados. Ex.:
como átonos (que, em, de). herói, céu, dói, escarcéu.

Didatismo e Conhecimento 17
LÍNGUA PORTUGUESA
Antes Agora Antes Depois
assembléia assembleia apazigúe (apaziguar) apazigue
idéia ideia averigúe (averiguar) averigue
geléia geleia argúi (arguir) argui
jibóia jiboia
apóia (verbo apoiar) apoia Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do plural
paranóico paranoico de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo vir)

A regra prevalece também para os verbos conter, obter, reter,


Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acompanhados
deter, abster.
ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca – baú – país –
ele contém – eles contêm
Luís
ele obtém – eles obtêm
ele retém – eles retêm
Observação importante: ele convém – eles convêm
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando hiato
quando vierem depois de ditongo: Ex.: Não se acentuam mais as palavras homógrafas que antes eram
Antes Agora acentuadas para diferenciá-las de outras semelhantes (regra do
bocaiúva bocaiuva acento diferencial). Apenas em algumas exceções, como:
feiúra feiura A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do pretérito
Sauípe Sauipe perfeito do modo indicativo) ainda continua sendo acentuada para
diferenciar-se de pode (terceira pessoa do singular do presente do
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi abolido. indicativo). Ex:
Ex.: Ela pode fazer isso agora.
Antes Agora Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou...
crêem creem
lêem leem O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da prepo-
vôo voo sição por.
enjôo enjoo - Quando, na frase, der para substituir o “por” por “colocar”,
estaremos trabalhando com um verbo, portanto: “pôr”; nos outros
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos que, casos, “por” preposição. Ex:
no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais acento como Faço isso por você.
antes: CRER, DAR, LER e VER. Posso pôr (colocar) meus livros aqui?

Repare: Questões sobre Acentuação Gráfica


1-) O menino crê em você
Os meninos creem em você. 01. (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA
– VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que as palavras são
2-) Elza lê bem!
acentuadas graficamente pelos mesmos motivos que justificam,
Todas leem bem!
respectivamente, as acentuações de: década, relógios, suíços.
3-) Espero que ele dê o recado à sala.
(A) flexíveis, cartório, tênis.
Esperamos que os garotos deem o recado! (B) inferência, provável, saída.
4-) Rubens vê tudo! (C) óbvio, após, países.
Eles veem tudo! (D) islâmico, cenário, propôs.
(E) república, empresária, graúda.
* Cuidado! Há o verbo vir:
Ele vem à tarde! 02. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO
Eles vêm à tarde! PAULO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VU-
NESP/2013) Assinale a alternativa com as palavras acentuadas
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quando segui- segundo as regras de acentuação, respectivamente, de intercâmbio
dos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru-im, con-tri-bu-in- e antropológico.
te, sa-ir, ju-iz (A) Distúrbio e acórdão.
(B) Máquina e jiló.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estiverem (C) Alvará e Vândalo.
seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha. (D) Consciência e características.
(E) Órgão e órfãs.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem prece-
didas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba 03. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ACRE –
TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA - CESPE/2012) As pa-
As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz, com lavras “conteúdo”, “calúnia” e “injúria” são acentuadas de acordo
“u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i” não com a mesma regra de acentuação gráfica.
serão mais acentuadas. Ex.: ( ) CERTO ( ) ERRADO

Didatismo e Conhecimento 18
LÍNGUA PORTUGUESA
04. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS 2-) Para que saibamos qual alternativa assinalar, primeiro te-
GERAIS – OFICIAL JUDICIÁRIO – FUNDEP/2010) Assinale a mos que classificar as palavras do enunciado quanto à posição de
afirmativa em que se aplica a mesma regra de acentuação. sua sílaba tônica:
A) tevê – pôde – vê Intercâmbio = paroxítona terminada em ditongo; Antropológi-
B) únicas – histórias – saudáveis co = proparoxítona (todas são acentuadas). Agora, vamos à análise
C) indivíduo – séria – noticiários dos itens apresentados:
D) diário – máximo – satélite (A) Distúrbio = paroxítona terminada em ditongo; acórdão =
paroxítona terminada em “ão”
05. (ANATEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- (B) Máquina = proparoxítona; jiló = oxítona terminada em “o”
PE/2012) Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acen- (C) Alvará = oxítona terminada em “a”; Vândalo = proparo-
to gráfico tem justificativas gramaticais diferentes. xítona
(...) CERTO ( ) ERRADO (D) Consciência = paroxítona terminada em ditongo; caracte-
rísticas = proparoxítona
06. (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- (E) Órgão e órfãs = ambas: paroxítona terminada em “ão” e
PE/2012) Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” rece- “ã”, respectivamente.
bem acento gráfico com base na mesma regra de acentuação grá-
fica. 3-) “Conteúdo” é acentuada seguindo a regra do hiato; calúnia
(...) CERTO ( ) ERRADO = paroxítona terminada em ditongo; injúria = paroxítona termina-
da em ditongo.
07. (BACEN – TÉCNICO DO BANCO CENTRAL – CES- RESPOSTA: “ERRADO”.
GRANRIO/2010) As palavras que se acentuam pelas mesmas
regras de “conferência”, “razoável”, “países” e “será”, respecti- 4-)
vamente, são A) tevê – pôde – vê
a) trajetória, inútil, café e baú. Tevê = oxítona terminada em “e”; pôde (pretérito perfeito do
b) exercício, balaústre, níveis e sofá. Indicativo) = acento diferencial (que ainda prevalece após o Novo
Acordo Ortográfico) para diferenciar de “pode” – presente do In-
c) necessário, túnel, infindáveis e só.
dicativo; vê = monossílaba terminada em “e”
d) médio, nível, raízes e você.
B) únicas – histórias – saudáveis
e) éter, hífen, propôs e saída.
Únicas = proparoxítona; história = paroxítona terminada em
ditongo; saudáveis = paroxítona terminada em ditongo.
08. (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011) São acentua-
C) indivíduo – séria – noticiários
dos graficamente de acordo com a mesma regra de acentuação grá- Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; séria = paro-
fica os vocábulos xítona terminada em ditongo; noticiários = paroxítona terminada
A) também e coincidência. em ditongo.
B) quilômetros e tivéssemos. D) diário – máximo – satélite
C) jogá-la e incrível. Diário = paroxítona terminada em ditongo; máximo = proparo-
D) Escócia e nós. xítona; satélite = proparoxítona.
E) correspondência e três. 5-) Análise = proparoxítona / mínimos = proparoxítona. Am-
09. (IBAMA – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CES- bas são acentuadas pela mesma regra (antepenúltima sílaba é tôni-
PE/2012) As palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo ca, “mais forte”).
com a mesma regra de acentuação gráfica. RESPOSTA: “ERRADO”.
(...) CERTO ( ) ERRADO
6-) Indivíduo = paroxítona terminada em ditongo; diária = pa-
GABARITO roxítona terminada em ditongo; paciência = paroxítona terminada
01. E 02. D 03. E 04. C 05. E em ditongo. Os três vocábulos são acentuados devido à mesma
06. C 07. D 08. B 09. E regra.
RESPOSTA: “CERTO”.
RESOLUÇÃO
7-) Vamos classificar as palavras do enunciado:
1-) Década = proparoxítona / relógios = paroxítona terminada 1-) Conferência = paroxítona terminada em ditongo
em ditongo / suíços = regra do hiato 2-) razoável = paroxítona terminada em “l’
(A) flexíveis e cartório = paroxítonas terminadas em ditongo / 3-) países = regra do hiato
tênis = paroxítona terminada em “i” (seguida de “s”) 4-) será = oxítona terminada em “a”
(B) inferência = paroxítona terminada em ditongo / provável =
paroxítona terminada em “l” / saída = regra do hiato a) trajetória, inútil, café e baú.
(C) óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após = oxítona Trajetória = paroxítona terminada em ditongo; inútil = paroxí-
terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato tona terminada em “l’; café = oxítona terminada em “e”
(D) islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona terminada b) exercício, balaústre, níveis e sofá.
em ditongo / propôs = oxítona terminada em “o” + “s” Exercício = paroxítona terminada em ditongo; balaústre = re-
(E) república = proparoxítona / empresária = paroxítona termi- gra do hiato; níveis = paroxítona terminada em “i + s”; sofá =
nada em ditongo / graúda = regra do hiato oxítona terminada em “a”.

Didatismo e Conhecimento 19
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c) necessário, túnel, infindáveis e só. segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relati-
Necessário = paroxítona terminada em ditongo; túnel = paro- vo é um elemento coesivo, e a conexão entre as duas orações, um
xítona terminada em “l’; infindáveis = paroxítona terminada em “i fenômeno de coesão. Leia o texto que segue:
+ s”; só = monossílaba terminada em “o”.
d) médio, nível, raízes e você. Arroz-doce da infância
Médio = paroxítona terminada em ditongo; nível = paroxítona
terminada em “l’; raízes = regra do hiato; será = oxítona terminada Ingredientes
em “a”. 1 litro de leite desnatado
e) éter, hífen, propôs e saída. 150g de arroz cru lavado
Éter = paroxítona terminada em “r”; hífen = paroxítona ter- 1 pitada de sal
minada em “n”; propôs = oxítona terminada em “o + s”; saída = 4 colheres (sopa) de açúcar
regra do hiato. 1 colher (sobremesa) de canela em pó

8-) Preparo
A) também e coincidência. Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de
Também = oxítona terminada em “e + m”; coincidência = pa- sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o açúcar e
roxítona terminada em ditongo deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente,
B) quilômetros e tivéssemos. polvilhe a canela. Sirva.
Quilômetros = proparoxítona; tivéssemos = proparoxítona Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4.
C) jogá-la e incrível. São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.
Oxítona terminada em “a”; incrível = paroxítona terminada em
“l’ Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes
D) Escócia e nós. e modo de preparar. As informações apresentadas na primeira são
Escócia = paroxítona terminada em ditongo; nós = monossíla- retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primei-
ba terminada em “o + s” ra vez na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido,
E) correspondência e três. o qual exerce, entre outras funções, a de indicar que o termo deter-
Correspondência = paroxítona terminada em ditongo; três = minado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica
monossílaba terminada em “e + s”
já fizera menção.
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o
9-) Pó = monossílaba terminada em “o”; só = monossílaba ter-
açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se dissesse apenas adi-
minada em “o”; céu = monossílaba terminada em ditongo aberto
cione açúcar, deveria adicionar, pois se trataria de outro açúcar,
“éu”.
diverso daquele citado no rol dos ingredientes.
RESPOSTA: “ERRADO”.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada
ou antecipação de palavras, expressões ou frases e encadeamento
4 DOMÍNIO DOS MECANISMOS de segmentos.
DE COESÃO TEXTUAL.
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra grama-
4.1 EMPREGO DE ELEMENTOS DE
tical
REFERENCIAÇÃO, SUBSTITUIÇÃO (pronome, verbos ou advérbios)
E REPETIÇÃO, DE CONECTORES E
OUTROS ELEMENTOS DE “No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total
SEQUENCIAÇÃO TEXTUAL. igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ganham menos do
que aqueles em cargos equivalentes.”

Coesão Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o


termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a palavra homens.
Uma das propriedades que distinguem um texto de um amon- Os termos que servem para retomar outros são denominados
toado de frases é a relação existente entre os elementos que os anafóricos; os que servem para anunciar, para antecipar outros são
constituem. A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa aban-
palavras, expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por ele- donar a faculdade no último ano:
mentos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os
componentes do texto. Observe: “Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último
“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de ano?”
anotações, que segurava na mão.” São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os
pronomes relativos, certos advérbios ou locuções adverbiais (nes-
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão se momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os prono-
entre as duas orações. O iraquiano leu sua declaração num blo- mes pessoais de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes
quinho comum de anotações e segurava na mão, retomando na indefinidos. Exemplos:

Didatismo e Conhecimento 20
LÍNGUA PORTUGUESA
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na - Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois
cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.” termos distintos, há uma ruptura de coesão, porque ocorre uma
ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal
O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre. forma que o leitor possa determinar exatamente qual é a palavra
retomada pelo anafórico.
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como
um pensador cín iço e descrente do amor e da amizade.” “Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por
causa da sua arrogância.”
O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o
pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de Assis. O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator
quanto a diretor.
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando
roupa escura.” “André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que traba-
lha na mesma firma.”
O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico “que” por “o
com a fila.” qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.

O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema. Retomada por palavra lexical


(substantivo, adjetivo ou verbo)
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos fun-
cionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço aos Uma palavra pode ser retomada, que por uma repetição, quer
servidores.” por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, hipônimo ou an-
tonomásia.
A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugu- Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que possui o
rar e seu complemento. mesmo sentido que outra, ou sentido bastante aproximado: injúria
e afronta, alegre e contente.
- Em princípio, o termo a que o anafórico se refere deve estar Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma relação
presente no texto, senão a coesão fica comprometida, como neste do tipo contém/está contido;
exemplo: Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma relação
do tipo está contido/contém. O significado do termo rosa está con-
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários tido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma
meses.” flor, mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de
rosa, e esta palavra é hipônimo daquela.
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafó- Antonomásia é a substituição de um nome próprio por um
rico, pois não está retomando nenhuma das palavras citadas antes. nome comum ou de um comum por um próprio. Ela ocorre, prin-
Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudica- cipalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma ca-
do: não há possibilidade de se depreender o sentido desse prono- racterística notória ou quando o nome próprio de uma personagem
me. famosa é usada para designar outras pessoas que possuam a mes-
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a ne- ma característica que a distingue:
nhuma palavra citada anteriormente no interior do texto, mas que
possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que “O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.”
se inscreve o texto. É o caso de um exemplo como este:
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava de- recente minissérie de tevê.”
sesperado, porque eram 21 horas e ela não havia comparecido.”
Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” pela liberdade na Europa e na América.
é um anafórico que só pode estar-se referindo à palavra noiva. “Ele é um Hércules (=um homem muito forte).
Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser
pelo atraso da noiva (representada por “ela” no exemplo citado). Referência à força física que caracteriza o herói grego Hér-
- O artigo indefinido serve geralmente para introduzir infor- cules.
mações novas ao texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser
precedidas do artigo definido, pois este é que tem a função de indi- “Um presidente da República tem uma agenda de trabalho
car que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor extremamente carregada. Deve receber ministros, embaixadores,
referencial, a um termo já mencionado. visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo momento
tomar graves decisões que afetam a vida de muitas pessoas; ne-
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala cessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e no mundo.
de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito dinheiro Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e termi-
dentro, mas nem um documento sequer.” nar sua jornada altas horas da noite.”

Didatismo e Conhecimento 21
LÍNGUA PORTUGUESA
A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo
último período e o que vem antes dele. que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica subentendido, é omitido
por ser facilmente presumível.
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no
sempre o atraíram. exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidido (ou apagado)
antes de sentiu e parou:
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros,
que recupera os hipônimos estrelas, planetas, satélites. “Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no
peito e parou.”
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do ho-
mem era regido por humores (fluidos orgânicos) que percorriam, Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que
ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso cor- segue, aquela promoção é complemento tanto de querer quanto de
po. Eram quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmo- desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo:
nar), a bile amarela e a bile negra. E eram também estes quatro
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido. Afi-
fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco),
nal, queria muito, desejava ardentemente aquela promoção.”
à Água (úmido), ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamen-
te.” Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18. regência diferente, a coesão é rompida. Por exemplo, não se deve
dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma
se faz pela repetição da palavra humores; entre o terceiro e o se- o complemento inteiro, portanto teríamos uma preposição inde-
gundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos. vida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico
É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, e dispenso sem dó os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no
pois, se ela não for usada para criar um efeito de sentido de inten- complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo
sificação, constituirá uma falha de estilo. No trecho transcrito a verbo implicar.
seguir, por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é co-
e outras parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente locar o complemento junto ao primeiro verbo, respeitando sua
intenção de ridicularizar a condição secundária que um provável regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acres-
flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente: centando a preposição devida (Conheço este livro e gosto dele)
ou eliminando a indevida (Implico com estranhos palpiteiros e os
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas dispenso sem dó).
sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me provas, mas
tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.” Coesão por Conexão
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presiden-
te do clube, vice-campeão carioca e bi vice-campeão mundial. E Há na língua uma série de palavras ou locuções que são res-
isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, ponsáveis pela concatenação ou relação entre segmentos do texto.
no Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discur-
que vicejam. Espero que não viciem. sivos. Por exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 08/03/2000, p. seja.
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: es-
4-7.
tabelecem entre elas relações semânticas de diversos tipos, como
contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Es-
A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode
sas relações exercem função argumentativa no texto, por isso os
ser facilmente recuperado pelo contexto. Também constitui um operadores discursivos não podem ser usados indiscriminadamen-
expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria te.
repetido, e o preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcan-
(=elíptico) exige, necessariamente, que se faça correlação com ou- çou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está adequadamen-
tros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que te usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumenta-
se desenrola a fala. tiva contrária.
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Macha- Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resul-
do de Assis: tado seria um paradoxo semântico, pois esse operador discursivo
liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sen-
(...) do o segmento introduzido por ele a conclusão do anterior.
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
- Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela série de argumentos orientados para uma mesma conclusão. Divi-
Claridade imorta, que toda a luz resume!” dem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, v.III, forte de uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que
p. 151. subentendem uma escala com argumentos mais fortes: ao menos,
pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito.

Didatismo e Conhecimento 22
LÍNGUA PORTUGUESA
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem arti- O argumento introduzido por ao contrário é diametralmente
culado, conhece bem o assunto de que fala e é até sedutor.” oposto àquele de que o falante teria agredido alguém.

Toda a série de qualidades está orientada no sentido de com- - Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão
provar que ele é bom conferencista; dentro dessa série, ser sedutor em relação ao que foi dito em dois ou mais enunciados anteriores
é considerado o argumento mais forte. (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica
implícita, por manifestar uma voz geral, uma verdade universal-
“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Che- mente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois (o pois é con-
gará a ser pelo menos diretor da empresa.” clusivo quando não encabeça a oração).

Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo “Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao contro-
sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de trabalho; por le dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, não é moral-
outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para com- mente defensável.”
provar que ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe
(por exemplo, ser presidente da empresa) e que se está usando o Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirma-
menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos ção exposta no primeiro período.
de valor positivo.
- Comparação: outros importantes operadores discursivos são
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo os que estabelecem uma comparação de igualdade, superioridade
grau.” ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão
contrária ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como,
No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sen- mais... (do) que.
tido de ter muita dificuldade de aprender; supõe que há uma escala
argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está “Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves
usando o argumento menos forte da escala no sentido de provar a quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários.”
afirmação anterior; no máximo e quando muito estabelecem liga-
ção entre argumentos de valor depreciativo. O comparativo de igualdade tem no texto uma função argu-
mentativa: mostrar que o problema da fuga de presos cresce à me-
- Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam dida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por
uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um conjunto de ar- isso, os segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista
gumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também, sintático, mas não o são do ponto de vista argumentativo, pois não
ainda, nem, não só... mas também, tanto... como, além de, a par há igualdade argumentativa proposta, “Tanto maior será a cor-
de. rupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o
problema da fuga de presos”.
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões
da escola, é muito respeitado pelos funcionários e também é muito opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diálogo entre o dire-
querido pelos alunos.” tor de um clube esportivo e o técnico de futebol:

Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlo- “__Precisamos promover atletas das divisões de base para
cutor quem pode tomar uma dada decisão. O último deles é intro- reforçar nosso time.
duzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma __Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os
direção argumentativa dos precedentes. do time principal.”
Esses operadores introduzem novos argumentos; não signifi- Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção,
cam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já foi dito. Ou seja, pois ele declara que qualquer atleta das divisões de base tem, pelo
só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que
representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Dis- estes não primam exatamente pela excelência em relação aos ou-
farçou as lágrimas que o assaltaram e continuou seu discurso”, tros.
porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da expo- Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os seg-
sição. Não teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar mentos na sua fala:
dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
escondeu o choro que tomou conta dele”. “__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das
divisões de base.”
- Disjunção Argumentativa: há também operadores que in-
dicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem uma conexão Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da pro-
entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orienta- moção, pois ele estaria declarando que os atletas do time principal
ção argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, são tão bons quanto os das divisões de base.
caso contrário, ao contrário.
- Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a uma explicação ou uma justificativa em relação ao que foi dito
briga, para que ele não apanhasse.” anteriormente: porque, já que, que, pois.

Didatismo e Conhecimento 23
LÍNGUA PORTUGUESA
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autori- “Ele está num período muito bom da vida: começou a namo-
zação da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da guerra.” rar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empresa, recebeu
um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ga-
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a nhou uma bolada na loteria.”
tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos com o custo
da guerra contra o Iraque. O operador discursivo introduz o que se considera a prova
mais forte de que “Ele está num período muito bom da vida”; no
- Contra junção: os operadores discursivos que assinalam entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.
uma relação de contra junção, isto é, que ligam enunciados com
orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversati- - Generalização ou Amplificação: existem operadores que
vas (mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as assinalam uma generalização ou uma amplificação do que foi dito
concessivas (embora, apesar de, apesar de que, conquanto, ainda antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que.
que, posto que, se bem que).
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se
“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração
tanto umas como outras ligam enunciados com orientação argu-
de empregos. De fato, só o crescimento econômico leva ao aumen-
mentativa contrária?
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento intro- to de renda da população.”
duzido pela conjunção.
O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes.
“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta
mais decidido a vencer.” “Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que
atualmente militam no nosso futebol.
Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negati- O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado:
va sobre um processo ocorrido com o atleta, enquanto a começada não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol são retranquei-
pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segun- ros.
da orientação é a mais forte.
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é boni- - Especificação ou Exemplificação: também há operadores
ta” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primeiro caso, o que marcam uma especificação ou uma exemplificação do que foi
que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; afirmado anteriormente: por exemplo, como.
no segundo, que a falta de beleza perde relevância diante da sim-
patia. Quando se usam as conjunções adversativas, introduz-se um “A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas
argumento com vistas a determinada conclusão, para, em seguida, entre as camadas mais pobres da população. Por exemplo, é cres-
apresentar um argumento decisivo para uma conclusão contrária. cente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa toda sorte de delitos, dos menos aos mais graves.”
que predomina é a do segmento não introduzido pela conjunção. Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica,
exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenômeno
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramáti- adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”.
ca, trata-se de capacidades diferentes.”
A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação ar- - Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma re-
gumentativa no sentido de que saber escrever e saber gramática tificação, uma correção do que foi afirmado antes: ou melhor, de
são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção
fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em
argumentativa contrária.
outras palavras. Exemplo:
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia ar-
gumentativa é a de introduzir no texto um argumento que, embo-
ra tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com “Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar
orientação contrária. a viver junto com minha namorada.”
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é
de estratégia argumentativa. Compare os seguintes períodos: O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito an-
tes.
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argu- Esses operadores servem também para marcar um esclareci-
mento mais fraco), a realidade mostrou-se mais complexa (argu- mento, um desenvolvimento, uma redefinição do conteúdo enun-
mento mais forte).” ciado anteriormente. Exemplo:
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumen-
to mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais complexa (argu- “A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas
mento mais forte).” corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses dos fabri-
cantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que intro-
duzem um argumento decisivo para derrubar a argumentação con- O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito
trária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se antes.
fosse apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais, Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do
além de tudo, além disso, ademais. conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo:

Didatismo e Conhecimento 24
LÍNGUA PORTUGUESA
“Quando a atual oposição estava no comando do país, não - Operadores discursivos não explicitados: se o texto for
fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário, suas políti- construído sem marcadores de sequenciação, o leitor deverá in-
cas iam na direção contrária do que prega atualmente. ferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos
não explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos
O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito diferentes conectores estarão indicados, na escrita, pelos sinais de
antes. pontuação: ponto-final, vírgula, ponto e vírgula, dois-pontos.

- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explica- “A reforma política é indispensável. Sem a existência da fide-
ção, uma confirmação, uma ilustração do que foi afirmado antes: lidade partidária, cada parlamentar vota segundo seus interesses
assim, desse modo, dessa maneira. e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há ba-
ses governamentais sólidas.”
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se
processavam as negociações, atacou de surpresa.” Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa
de a reforma política ser indispensável. Portanto o ponto-final do
O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado primeiro período está no lugar de um porque.
antes.
A língua tem um grande número de conectores e sequencia-
Coesão por Justaposição dores. Apresentamos os principais e explicamos sua função. É pre-
ciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso
É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enun- inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafó-
ciados, marcada ou não com sequenciadores. Examinemos os prin- ricos ou catafóricos geram rupturas na coesão, o que leva o texto a
cipais sequenciadores. não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra
falha comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensá-
- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterio- veis da oração ou do período. Analisemos este exemplo:
ridade, concomitância ou posterioridade: dois meses depois, uma
semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predomi- “As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de
nantemente nas narrações). combate à fome que foi lançada pelo governo federal.”
O período compõe-se de:
- As empresas
“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele
- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da
esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos para o futuro.”
primeira oração)
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração su-
relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc. (são usados
bordinada substantiva objetiva direta da segunda oração)
principalmente nas descrições). - que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada
adjetiva restritiva da terceira oração).
“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, represen-
tando o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval de forma Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem
ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa escreveu o período começou a encadear orações subordinadas e
finíssima. (...) Do outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o “esqueceu-se” de terminar a principal.
dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior força do Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos
inverno.” longos. No entanto, mesmo quando se elaboram períodos curtos é
José de Alencar. Senhora. preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que
São Paulo, FTD, 1992, p. 77. suas partes estejam bem conectadas entre si.
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não bas-
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem ta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade de sentido,
dos assuntos numa exposição: primeiramente, em segunda, a se- mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um
guir, finalmente, etc. amontoado injustificado. Exemplo:

“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, “Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes
das agruras por que passam as populações civis; em seguida, dis- restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também o Rio de Ja-
correrei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmen- neiro tem favelas.”
te, exporei suas consequências para a economia mundial e, por-
tanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do planeta.” Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o
substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação entre o segun-
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conver- do e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra
sação principalmente, servem para introduzir um tema ou mudar cidade, vinculando o terceiro ao segundo período. O operador tam-
de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, bém realiza uma conjunção argumentativa, relacionando o quar-
fazendo um parêntese, etc. to período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto,
pois não apresenta unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pes- coesão, portanto, é condição necessária, mas não suficiente, para
soas. A propósito, era um homem que sabia agradar às mulheres.” produzir um texto.

Didatismo e Conhecimento 25
LÍNGUA PORTUGUESA
Coerência partes ganha sentido. No poema acima, os subtítulos “Infância”,
“Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice” garantem essa unidade.
Infância Colocar a participação formal do nascimento da filha, por exem-
plo, sob o título “Maturidade” dá a conotação da responsabilida-
O camisolão de habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido
O jarro unitário.
O passarinho Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que um
O oceano conjunto de enunciados pode formar um todo coerente mesmo sem
A vista na casa que a gente sentava no sofá a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo sem a presença
explícita de marcadores de relação entre as diferentes unidades lin-
Adolescência guísticas. Em outros termos, a coesão funciona apenas como um
mecanismo auxiliar na produção da unidade de sentido, pois esta
Aquele amor
depende, na verdade, das relações subjacentes ao texto, da não-
Nem me fale
contradição entre as partes, da continuidade semântica, em síntese,
da coerência.
Maturidade
A coerência é um fator de interpretabilidade do texto, pois
O Sr. e a Sra. Amadeu possibilita que todas as suas partes sejam englobadas num único
Participam a V. Exa. significado que explique cada uma delas. Quando esse sentido não
O feliz nascimento pode ser alcançado por faltar relação de sentido entre as partes,
De sua filha lemos um texto incoerente, como este:
Gilberta A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a medio-
Velhice cridade de uma vida que se acomoda e a grandeza de uma vida
voltada para o aprimoramento intelectual.
O netinho jogou os óculos A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De
Na latrina repente vejo que não sou mais uma “criancinha” dependente do
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas. “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma
4ª Ed. Rio de Janeiro profissão para me realizar e ser independente financeiramente.
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161. No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais
rico sempre é quem vence!
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao menos à Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira
primeira vista, seja a ausência de elementos de coesão, quer reto- (orgs).
mando o que foi dito antes, quer encadeando segmentos textuais. A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53.
No entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se
soubermos que o seu título é “As quatro gares”, ou seja, as quatro Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adoles-
estações. cência e escolha profissional; relações sociais sob o capitalismo)
Com essa informação, podemos imaginar que se trata de fla- que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando
shes de cada uma das quatro grandes fases da vida: a infância, a a continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do
adolescência, a maturidade e a velhice. A primeira é caracterizada todo e, portanto, configura um texto incoerente.
pelas descobertas (o oceano), por ações (o jarro, que certamente a Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que o com-
criança quebrara; o passarinho que ela caçara) e por experiências
põem, e, por isso, costuma-se falar em vários níveis de coerência.
marcantes (a visita que se percebia na sala apropriada e o cami-
solão que se usava para dormir); a segunda é caracterizada por
Coerência Narrativa
amores perdidos, de que não se quer mais falar; a terceira, pela
formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação
formal do nascimento da filha; a última, pela condescendência A coerência narrativa consiste no respeito às implicações ló-
para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir gicas entre as partes do relato. Por exemplo, para que um sujeito
a ação). A primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda, realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para tanto,
uma frase em que falta um nexo sintático; a terceira, a participação ou seja, que saiba e possa efetuá-la. Constitui, então, incoerên-
do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, po- cia narrativa o seguinte exemplo: o narrador conta que foi a uma
rém aparentemente desgarrada das demais. festa onde todos fumavam e, por isso, a espessa fumaça impedia
Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema que se visse qualquer coisa; de repente, sem mencionar nenhuma
em seus múltiplos sentidos, apesar da falta de marcadores de coe- mudança dessa situação, ele diz que se encostou a uma coluna e
são entre as partes? passou a observar as pessoas, que eram ruivas, loiras, morenas.
A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indis- Se o narrador diz que não podia enxergar nada, é incoerente dizer
pensável para a existência de um texto: a coerência. que via as pessoas com tanta nitidez. Em outros termos, se nega a
Que é a unidade de sentido resultante da relação que se esta- competência para a realização de um desempenho qualquer, esse
belece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a compreender a desempenho não pode ocorrer. Isso por respeito às leis da coerên-
outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma das cia narrativa. Observe outro exemplo:

Didatismo e Conhecimento 26
LÍNGUA PORTUGUESA
“Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Clu- Coerência Espacial
be, entrevistado por um repórter da Rádio Cidade. O Paraná tinha
tomado um balaio de gols do Guarani de Campinas, alguns dias A coerência espacial diz respeito à compatibilidade dos enun-
antes. O repórter queria saber o que tinha acontecido. Edinho não ciados do ponto de vista da localização no espaço. Seria incoeren-
teve dúvida sobre os motivos: te, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’
__ Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo ata- mostra a mudança sofrida por um homem que vivia lá no interior e
que do Guarani.” encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital, pois
Ernâni Buchman. In: Folha de Londrina.
aqui já não suportava mais a mesmice e o tédio”. Dizendo lá no
A surpresa implica o inesperado. Não se pode ser surpreendi- interior, o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está
do com o que já se esperava que acontecesse. sendo feito de algum lugar distante do interior; portanto ele não
poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o
Coerência Argumentativa tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em
síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” para indicar o mesmo
A coerência argumentativa diz respeito às relações de im- lugar.
plicação ou de adequação entre premissas e conclusões ou entre Coerência do Nível de Linguagem Utilizado
afirmações e consequências. Não é possível alguém dizer que é a
favor da pena de morte porque é contra tirar a vida de alguém. Da A coerência do nível de linguagem utilizado é aquela que con-
mesma forma, é incoerente defender o respeito à lei e à Constitui- cerne à compatibilidade do léxico e das estruturas morfossintáti-
ção Brasileira e ser favorável à execução de assaltantes no interior cas com a variante escolhida numa dada situação de comunicação.
de prisões. Ocorre incoerência relacionada ao nível de linguagem quando, por
Muitas vezes, as conclusões não são adequadas às premissas.
exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo ou pertencente à
Não há coerência, por exemplo, num raciocínio como este:
linguagem informal num texto caracterizado pela norma culta for-
Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros mal. Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o faze-
marajás. mos, acrescentamos uma ressalva: com perdão da palavra, se me
O candidato a governador é funcionário público. permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível:
Portanto o candidato é um marajá.
“Tendo recebido a notificação para pagamento da chama-
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada da taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, senhora prefeita, para
com certeza baseado em duas premissas particulares. Dizer que expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o
muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que IPTU foi aumentado, no governo anterior, de 0,6% para 1% do
qualquer um seja. valor venal do imóvel exatamente para cobrir as despesas da mu-
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anterior- nicipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos só-
mente também constitui incoerência. É o que se vê neste diálogo: lidos produzidos pelos moradores de nossa cidade. Francamente,
achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais um
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de
pedágio para circular no centro da cidade? gasto nas costas da gente.”
__ É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes ci-
dades. A degradação urbana atinge a todos nós e, por conseguin- Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa
te, é necessário reabilitar as áreas que contam com abundante completamente do utilizado no período anterior.
oferta de serviços públicos.”
Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este:
Coerência Figurativa Saltou para a rua, abriu a janela do 5º andar e deixou um bilhe-
te no parapeito explicando a razão de seu suicídio, em que há
A coerência figurativa refere-se à compatibilidade das figuras evidente violação da lei sucessivamente dos eventos. Entretanto
que manifestam determinado tema. Para que o leitor possa per- talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente incluir guar-
ceber o tema que está sendo veiculado por uma série de figuras danapos de papel no jantar do Itamarati descrito no item sobre
encadeadas, estas precisam ser compatíveis umas com as outras. coerência figurativa, alguém poderia objetivar que é preconceito
Seria estranho (para dizer o mínimo) que alguém, ao descrever um
considerá-los inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que,
jantar oferecido no palácio do Itamarati a um governador estran-
geiro, depois de falar de baixela de prata, porcelana finíssima, flo- afinal, determina se um texto é ou não coerente?
res, candelabros, toalhas de renda, incluísse no percurso figurativo A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos bá-
guardanapos de papel. sicos de verdade: adequação à realidade e conformidade lógica
entre os enunciados.
Coerência Temporal Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa, ar-
gumentativa, figurativa, etc. Em cada nível, temos duas espécies
Por coerência temporal entende-se aquela que concerne à su- diversas de coerência:
cessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do ponto - extratextual: aquela que diz respeito à adequação entre o
de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo, texto e uma “realidade” exterior a ele.
dizer: “O assassino foi executado na câmara de gás e, depois, - intratextual: aquela que diz respeito à compatibilidade, à
condenado à morte”. adequação, à não-contradição entre os enunciados do texto.

Didatismo e Conhecimento 27
LÍNGUA PORTUGUESA
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos con-
pode ser: vergem para um único significado: a celebração da capital do esta-
- o conhecimento do mundo: o conjunto de dados referentes do de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nos-
ao mundo físico, à cultura de um povo, ao conteúdo das ciências, so exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o
etc. que constitui o repertório com que se produzem e se entendem terceiro, a um prato que tornou conhecido o restaurante chamado
textos. O período “O homem olhou através das paredes e viu onde Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de
os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada” é Caetano Veloso; o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times
incoerente, pois nosso conhecimento do mundo diz que homens mais populares da cidade são denominados na variante linguística
não veem através das paredes. Temos, então, uma incoerência fi- popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não
gurativa extratextual. vigorava no resto do país.
- os mecanismos semânticos e gramaticais da língua: o con- - A situação de comunicação:
junto dos conhecimentos sobre o código linguístico necessário à
codificação de mensagens decodificáveis por outros usuários da __A telefônica.
mesma língua. O texto seguinte, por exemplo, está absolutamente __Era hoje?
sem sentido por inobservância de mecanismos desse tipo:
“Conscientizar alunos pré sólidos ao ingresso de uma carrei- Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de in-
ra universitária informações críticas a respeito da realidade pro- terlocução, porque deixa implícitos certos enunciados que, dentro
fissional a ser optada. Deve ser ciado novos métodos criativos nos dela, são perfeitamente compreendidos:
ensinos de primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a forma-
ção crítica de suas ideias as quais, serão a praticidade cotidiana. __ O empregado da companhia telefônica que vinha conser-
Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de tar o telefone está aí.
maneira discursiva a analisar conceituações fundamentais.” __ Era hoje que ele viria?
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58. - O conhecimento de mundo:

31 de março / 1º de abril
Fatores de Coerência
Dúvida Revolucionária
- O contexto: para uma dada unidade linguística, funcio-
Ontem foi hoje?
na como contexto a unidade linguística maior que ela: a sílaba é
Ou hoje é que foi ontem?
contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a
palavra; o período, para a oração; o texto, para o período, e assim
Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema: o que
por diante.
significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que foi ontem?”. No entanto,
“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napo- as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a
li, cruzar a Ipiranga com a avenida São João, o “Parmera”, o um episódio da História do Brasil, o golpe militar de 1964, chama-
“Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.” do Revolução de 1964. Esse fato deve fazer parte de nosso conhe-
cimento de mundo, assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia
À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enu- 1º de abril, mas sua comemoração foi mudada para 31 de março,
meração desses elementos. Quando ficamos sabendo, no entanto, para evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”.
que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para
gostar de São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se - As regras do gênero:
coerente:
“O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos
100 motivos para gostar de São Paulo escondiam a vítima que havia sido sequestrada.”

1. Um chopps Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é comple-


2. E dois pastel tamente coerente no mundo criado pelas histórias de super-heróis,
(...) em que o Super-Homem, por exemplo, tem força praticamente
5. O polpettone do Jardim de Napoli ilimitada; pode voar no espaço a uma velocidade igual à da luz;
(...) quando ultrapassa essa velocidade, vence a barreira do tempo e
30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João pode transferir-se para outras épocas; seus olhos de raios X permi-
(...) tem-lhe ver através de qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc.
43. O “Parmera” Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetiva-
(...) mente existe, ao que se pode ver, tocar, etc.: ele inclui também os
45. O “Curíntia” mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto,
(..) ficção científica, contos maravilhosos, mitos, discurso religioso,
59. Todo mundo estar usando cinto de segurança etc., regidos por outras lógicas. Assim, o que é incoerente num
(...) determinado gênero não o é, necessariamente, em outro.

Didatismo e Conhecimento 28
LÍNGUA PORTUGUESA
- O sentido não literal: party, Blake Edwards, 1968, com Peter Sellers), há cenas em que
os respectivos protagonistas exibem comportamento incompatível
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a com a ocasião, mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo
qualquer momento.” converge para que o espectador se solidarize com eles, por sua
ingenuidade e falta de traquejo social. Mas, se aparece num texto
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, pois, uma figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza
nessa acepção, o termo ideias não pode ser qualificado por adjeti- de que se trata de uma quebra de coerência proposital, com vistas
vos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao mesmo tempo, a criar determinado efeito de sentido, vai pensar que se trata de
as qualidades verde e incolor; o verbo dormir deve ter como sujei- contradição devida a inabilidade, descuido ou ignorância do enun-
to um substantivo animado. ciador.
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido não li- Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão
teral, como concepções ambientalistas, o período pode ser lido da da realidade seu princípio constitutivo; da incoerência, um fator de
seguinte maneira: “As ideias ambientalistas sem atrativo estão la- coerência. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país
tentes, mas poderão manifestar-se a qualquer momento.” das maravilhas” e “Através do espelho”, que pretendem apre-
sentar paradoxos de sentido, subverter o princípio da realidade,
- O intertexto: mostrar as aporias da lógica, confrontar a lógica do senso comum
com outras.
Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém
__ a chuva me deixa triste... mais de um exemplo do que foi abordado:
__ a mim me deixa molhado.
José Paulo Paes. Op. Cit., p 79. Teresa
Muitos textos retomam outros, constroem-se com base em A primeira vez que vi Teresa
outros e, por isso, só ganham coerência nessa relação com o texto
Achei que ela tinha pernas estúpidas
sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de intertextua-
Achei também que a cara parecia uma perna
lidade. É o caso desse poema. Para compreendê-lo, é preciso saber
que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do poeta Fernando Pes-
Quando vi Teresa de novo
soa; que heterônimo não é pseudônimo, mas uma individualidade
Achei que seus olhos eram muito mais velhos
lírica distinta da do autor (o ortônimo); que para Caeiro o real é a
[que o resto do corpo
exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões subjeti-
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando
vas; que sua posição é antimetafísica; que não devemos interpre-
[que o resto do corpo nascesse)
tar a realidade pela inteligência, pois essa interpretação conduz a
simples conceitos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de
Caeiro. Por outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando Da terceira vez não vi mais nada
Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções, falando da solidão in- Os céus se misturaram com a terra
terior, do tédio, etc. E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face
[das águas.
Incoerência Proposital Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro,
Aguilar, 1986, p. 214.
Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência,
com vistas a produzir determinado efeito de sentido, assim como Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no míni-
existem outros que fazem da não-coerência o próprio princípio mo, que nosso conhecimento de mundo inclua o poema:
constitutivo da produção de sentido. Poderia alguém perguntar,
então, se realmente existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é O Adeus de Teresa
aquele em que a incoerência é produzida involuntariamente, por
inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador, e não usada A primeira vez que fitei Teresa,
funcionalmente para construir certo sentido. Como as plantas que arrasta a correnteza,
Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador dis- A valsa nos levou nos giros seus...
semina pistas no texto, para que o leitor perceba que ela faz parte
de um programa intencionalmente direcionado para veicular de- Castro Alves
terminado tema. Se, por exemplo, num texto que mostra uma festa
muito luxuosa, aparecem figuras como pessoas comendo de boca Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles;
aberta, falando em voz muito alta e em linguagem chula, osten- que tenhamos noção da crítica do Modernismo às escolas literárias
tando sua últimas aquisições, o enunciador certamente não está precedentes, no caso, ao Romantismo, em que nenhuma musa se-
querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o da vulga- ria tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”; que fa-
ridade dos novos-ricos. Para ficar no exemplo da festa: em filmes çamos uma leitura não literal; que percebamos sua lógica interna,
como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny Marshall em criada pela disseminação proposital de elementos que pareceriam
1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The absurdos em outro contexto.

Didatismo e Conhecimento 29
LÍNGUA PORTUGUESA

4.2 EMPREGO/CORRELAÇÃO DE TEMPOS


E MODOS VERBAIS.

Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tempos. Veja:

1. Tempos do Indicativo

- Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.

- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente terminado: Ele
estudava as lições quando foi interrompido.

- Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele estudou as lições
ontem à noite.

- Pretérito Mais Que Perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já tinha estudado as lições quando os
amigos chegaram. (forma composta) Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram. (forma simples).

- Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele estudará as lições
amanhã.

- Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se eu tivesse dinheiro, via-
jaria nas férias.

2. Tempos do Subjuntivo

- Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.

- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o jogo.

Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas construções em que se expressa a ideia de condição ou desejo. Por exemplo: Se ele
viesse ao clube, participaria do campeonato.

- Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier à loja, levará as
encomendas.

Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele vier à loja, levará as
encomendas.

Didatismo e Conhecimento 30
LÍNGUA PORTUGUESA
Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal (1ª/2ª e 3ª conj.) Desinência pessoal
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo


1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Didatismo e Conhecimento 31
LÍNGUA PORTUGUESA
Presente do Subjuntivo
Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do indicativo pela desi-
nência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim,
o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim, o tema
desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda pessoa do plural (vós)
eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo

Eu canto --- Que eu cante


Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Didatismo e Conhecimento 32
LÍNGUA PORTUGUESA
Imperativo Negativo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

Observações:

- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido ou conselho só
se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

Questões sobre Verbo

01. (Agente Polícia Vunesp 2013) Considere o trecho a seguir.


É comum que objetos ___________ esquecidos em locais públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as pessoas
_____________ a atenção voltada para seus pertences, conservando-os junto ao corpo.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
(A) sejam … mantesse (B) sejam … mantivessem (C) sejam … mantém (D) seja … mantivessem (E) seja … mantêm

02. (Escrevente TJ SP Vunesp 2012-adap.) Na frase –… os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando quedas sucessivas de
2005 para cá. –, a locução verbal em destaque expressa ação
(A) concluída. (B) atemporal. (C) contínua. (D) hipotética. (E) futura.

03. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013-adap.) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de um ser cujas interações sociais
terminam, 99% das vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
(A) considerar ao acaso, sem premeditação.
(B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido dela.
(C) adotar como referência de qualidade.
(D) julgar de acordo com normas legais.
(E) classificar segundo ideias preconcebidas.

04. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alternativa contendo a frase do texto na qual a expressão verbal destacada exprime
possibilidade.
(A) ... o cientista Theodor Nelson sonhava com um sistema capaz de disponibilizar um grande número de obras literárias...
(B) Funcionando como um imenso sistema de informação e arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo virtual.
(C) Isso acarreta uma textualidade que funciona por associação, e não mais por sequências fixas previamente estabelecidas.
(D) Desde o surgimento da ideia de hipertexto, esse conceito está ligado a uma nova concepção de textualidade...
(E) Criou, então, o “Xanadu”, um projeto para disponibilizar toda a literatura do mundo...

05.(POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) No trecho: “O cresci-
mento econômico, se associado à ampliação do emprego, PODE melhorar o quadro aqui sumariamente descrito.”, se passarmos o verbo
destacado para o futuro do pretérito do indicativo, teremos a forma:

Didatismo e Conhecimento 33
LÍNGUA PORTUGUESA
A) puder. A) Existia – Haviam – Existiam
B) poderia. B) Existiam – Havia – Existiam
C) pôde. C) Existiam – Haviam – Existiam
D) poderá. D) Existiam – Havia – Existia
E) pudesse. E) Existia – Havia – Existia

06. (Escrevente TJ SP Vunesp 2013) Assinale a alternativa em GABARITO


que todos os verbos estão empregados de acordo com a norma- 01. B 02. C 03. E 04. B 05. B
-padrão. 06. A 07. C 08. B 09. C 10. D
(A) Enviaram o texto, para que o revíssemos antes da impres-
são definitiva. RESOLUÇÃO
(B) Não haverá prova do crime se o réu se manter em silêncio.
(C) Vão pagar horas extras aos que se disporem a trabalhar no 1-) É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú-
feriado. blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as pessoas
(D) Ficarão surpresos quando o verem com a toga... mantivessem a atenção voltada para seus pertences, conservando-
(E) Se você quer a promoção, é necessário que a requera a seu -os junto ao corpo.
superior.
2-) os níveis de pessoas sem emprego estão apresentando que-
07. (Papiloscopista Policial Vunesp 2013-adap.) Assinale a das sucessivas de 2005 para cá. –, a locução verbal em destaque
alternativa que substitui, corretamente e sem alterar o sentido da expressa ação contínua (= não concluída)
frase, a expressão destacada em – Se a criança se perder, quem
encontrá-la verá na pulseira instruções para que envie uma mensa- 3-) Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de
gem eletrônica ao grupo ou acione o código na internet. um ser cujas interações sociais terminam, 99% das vezes, diante da
(A) Caso a criança se havia perdido… pergunta “débito ou crédito?”.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de classificar
(B) Caso a criança perdeu…
segundo ideias preconcebidas.
(C) Caso a criança se perca…
(D) Caso a criança estivera perdida…
4-) (B) Funcionando como um imenso sistema de informação e
(E) Caso a criança se perda…
arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme arquivo virtual.
= verbo no futuro do pretérito
08. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013-adap.).
Assinale a alternativa em que o verbo destacado está no tempo
5-) Conjugando o verbo “poder” no futuro do pretérito do
futuro.
Indicativo: eu poderia, tu poderias, ele poderia, nós poderíamos,
A) Os consumidores são assediados pelo marketing … vós poderíeis, eles poderiam. O sujeito da oração é crescimento
B) … somente eles podem decidir se irão ou não comprar. econômico (singular), portanto, terceira pessoa do singular (ele)
C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessidades”… = poderia.
D) … de onde vem o produto…?
E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… 6-)
09. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assinale a (B) Não haverá prova do crime se o réu se mantiver em silên-
alternativa em que a concordância das formas verbais destacadas cio.
se dá em conformidade com a norma-padrão da língua. (C) Vão pagar horas extras aos que se dispuserem a trabalhar
(A) Chegou, para ajudar a família, vários amigos e vizinhos. no feriado.
(B) Haviam várias hipóteses acerca do que poderia ter aconte- (D) Ficarão surpresos quando o virem com a toga...
cido com a criança. (E) Se você quiser a promoção, é necessário que a requeira a
(C) Fazia horas que a criança tinha saído e os pais já estavam seu superior.
preocupados.
(D) Era duas horas da tarde, quando a criança foi encontrada. 7-) Caso a criança se perca…(perda = substantivo: Houve
(E) Existia várias maneiras de voltar para casa, mas a criança uma grande perda salarial...)
se perdeu mesmo assim.
8-)
10. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP – A) Os consumidores são assediados pelo marketing = presente
2013-adap.). Leia as frases a seguir. C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessidades”…
I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de madeira = pretérito do Subjuntivo
no animal. D) … de onde vem o produto…? = presente
II. Existiam muitos ferimentos no boi. E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… = preté-
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida movi- rito perfeito
mentada.
Substituindo-se o verbo Haver pelo verbo Existir e este pelo 9-)
verbo Haver, nas frases, têm-se, respectivamente: (A) Chegaram, para ajudar a família, vários amigos e vizinhos.

Didatismo e Conhecimento 34
LÍNGUA PORTUGUESA
(B) Havia várias hipóteses acerca do que poderia ter aconteci- Pretérito Imperfeito do Indicativo
do com a criança. eu valia
(D) Eram duas horas da tarde, quando a criança foi encontrada. tu valias
(E) Existiam várias maneiras de voltar para casa, mas a criança ele valia
se perdeu mesmo assim. nós valíamos
vós valíeis
10-) I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de ma- eles valiam
deira no animal.
II. Existiam muitos ferimentos no boi. Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida movi- eu valera
mentada. tu valeras
Haver – sentido de existir= invariável, impessoal; ele valera
existir = variável. Portanto, temos: nós valêramos
I – Existiam onze pessoas... vós valêreis
eles valeram
II – Havia muitos ferimentos...
III – Existia muita gente...
Futuro do Presente do Indicativo
eu valerei
tu valerás
Verbos irregulares são verbos que sofrem alterações em seu ele valerá
radical ou em suas desinências, afastando-se do modelo a que per- nós valeremos
tencem. vós valereis
No português, para verificar se um verbo sofre alterações, bas- eles valerão
ta conjugá-lo no presente e no pretérito perfeito do indicativo. Ex:
faço – fiz, trago – trouxe, posso - pude. Futuro do Pretérito do Indicativo
Não é considerada irregularidade a alteração gráfica do radi- eu valeria
cal de certos verbos para conservação da regularidade fônica. Ex: tu valerias
embarcar – embarco, fingir – finjo. ele valeria
nós valeríamos
Exemplo de conjugação do verbo “dar” no presente do indi- vós valeríeis
cativo: eles valeriam
Eu dou
Tu dás Mais-que-perfeito Composto do Indicativo
Ele dá eu tinha valido
Nós damos tu tinhas valido
Vós dais ele tinha valido
Eles dão nós tínhamos valido
vós tínheis valido
Percebe-se que há alteração do radical, afastando-se do origi- eles tinham valido
nal “dar” durante a conjugação, sendo considerado verbo irregular.
Exemplo: Conjugação do verbo valer: Gerúndio do verbo valer = valendo
Modo Indicativo
Presente Modo Subjuntivo
Presente
eu valho
que eu valha
tu vales
que tu valhas
ele vale
que ele valha
nós valemos
que nós valhamos
vós valeis que vós valhais
eles valem que eles valham
Pretérito Perfeito do Indicativo Pretérito Imperfeito do Subjuntivo
eu vali se eu valesse
tu valeste se tu valesses
ele valeu se ele valesse
nós valemos se nós valêssemos
vós valestes se vós valêsseis
eles valeram se eles valessem

Didatismo e Conhecimento 35
LÍNGUA PORTUGUESA
Futuro do Subjuntivo Ir
quando eu valer Presente do indicativo: Vou, vais, vai, vamos, ides, vão.
quando tu valeres
quando ele valer Pretérito perfeito do indicativo: Fui, foste, foi, fomos, fostes,
quando nós valermos foram.
quando vós valerdes
quando eles valerem Futuro do presente do indicativo: Irei, irás, irá, iremos,
ireis, irão.
Imperativo
Imperativo Afirmativo Futuro do subjuntivo: For, fores, for, formos, fordes, forem.
--
vale tu Querer
valha ele Presente do indicativo: Quero, queres, quer, queremos, que-
valhamos nós reis, querem.
valei vós
valham eles Pretérito perfeito do indicativo: Quis, quiseste, quis, quise-
mos, quisestes, quiseram.
Imperativo Negativo
-- Presente do subjuntivo: Queira, queiras, queira, queiramos,
não valhas tu queirais, queiram.
não valha ele
não valhamos nós Ver
não valhais vós Presente do indicativo: Vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem.
não valham eles
Pretérito perfeito do indicativo: Vi, viste, viu, vimos, vistes,
Infinitivo
viram.
Infinitivo Pessoal
por valer eu
Futuro do presente do indicativo: Verei, verás, verá, vere-
por valeres tu
mos, vereis, verão.
por valer ele
por valermos nós
Futuro do subjuntivo: Vir, vires, vir, virmos, virdes, virem.
por valerdes vós
por valerem eles
Vir
Infinitivo Impessoal = valer Presente do indicativo: Venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm.
Particípio = Valido
Pretérito perfeito do indicativo: Vim, vieste, veio, viemos,
viestes, vieram.
Acompanhe abaixo uma lista com os principais verbos irre-
gulares: Futuro do presente do indicativo: Virei, virás, virá, viremos,
Dizer vireis, virão.
Presente do indicativo: Digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, di-
zem. Futuro do subjuntivo: Vier, vieres, vier, viermos, vierdes,
vierem.
Pretérito perfeito do indicativo: Disse, disseste, disse, disse-
mos, dissestes, disseram. Vozes do Verbo

Futuro do presente do indicativo: Direi, dirás, dirá, dire- Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para indicar
mos, direis, dirão. se o sujeito gramatical é agente ou paciente da ação. São três as
vozes verbais:
Fazer - Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expres-
Presente do indicativo: Faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fa- sa pelo verbo. Por exemplo:
zem. Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)
Pretérito perfeito do indicativo: Fiz, fizeste, fez, fizemos, fi-
zestes, fizeram. - Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a ação ex-
pressa pelo verbo. Por exemplo:
Futuro do presente do indicativo: Farei, farás, fará, fare- O trabalho foi feito por ele.
mos, fareis, farão. sujeito paciente ação agente da passiva

Didatismo e Conhecimento 36
LÍNGUA PORTUGUESA
- Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agente e pa- Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
ciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo:
O menino feriu-se. Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancial-
mente o sentido da frase.
Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com a no- Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
ção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao outro) Sujeito da Ativa objeto Direto

Formação da Voz Passiva A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Passiva)
Sujeito da Passiva Agente da Passiva
A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico
e sintético. Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito
da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo assumirá a
1- Voz Passiva Analítica forma passiva, conservando o mesmo tempo. Observe mais exem-
Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particípio do plos:
verbo principal. Por exemplo: - Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
A escola será pintada. Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos mes-
O trabalho é feito por ele. tres.
- Eu o acompanharei.
Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado da pre- Ele será acompanhado por mim.
posição por, mas pode ocorrer a construção com a preposição de.
Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados. Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não esteja ex- haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: Prejudica-
plícito na frase: A exposição será aberta amanhã. ram-me. / Fui prejudicado.
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER),
pois o particípio é invariável. Observe a transformação das frases Saiba que:
seguintes: - Aos verbos que não são ativos nem passivos ou reflexivos,
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo) são chamados neutros.
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indicativo) O vinho é bom.
Aqui chove muito.
b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)
O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo) - Há formas passivas com sentido ativo:
É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)

- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mes- - Inversamente, usamos formas ativas com sentido passivo:
mo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. Observe a trans- Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas)
formação da frase seguinte: Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado)
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio) - Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido ci-
rúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o sujeito é
Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva analítica paciente.
com outros verbos que podem eventualmente funcionar como au- Chamo-me Luís.
xiliares. Por exemplo: A moça ficou marcada pela doença. Batizei-me na Igreja do Carmo.
Operou-se de hérnia.
2- Voz Passiva Sintética Vacinaram-se contra a gripe.
A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com o verbo
na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE. Por exemplo: Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.
Abriram-se as inscrições para o concurso. php
Destruiu-se o velho prédio da escola.
Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva sin- Questões sobre Vozes dos Verbos
tética.
01. (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMI-
Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz latina de NISTRAÇÃO – AOCP/2010) Em “Os dados foram divulgados
paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacionam com o sig- ontem pelo Instituto Sou da Paz.”, a expressão destacada é
nificado sofrimento, padecimento. Daí vem o significado de voz (A) adjunto adnominal.
passiva como sendo a voz que expressa a ação sofrida pelo sujeito. (B) sujeito paciente.
Na voz passiva temos dois elementos que nem sempre aparecem: (C) objeto indireto.
SUJEITO PACIENTE e AGENTE DA PASSIVA. (D) complemento nominal.

Didatismo e Conhecimento 37
LÍNGUA PORTUGUESA
(E) agente da passiva. 08. (GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO –
02. (FCC-COPERGÁS – Auxiliar Técnico Administrativo - PROCON – AGENTE ADMINISTRATIVO – CEPERJ/2012 -
2011) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. Transpondo- adaptada) Um exemplo de construção na voz passiva está em:
-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será: (A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos”
(A) era abatido. (B) fora abatido. (B) “o consumidor pode solicitar a devolução do dinheiro”
(C) abatera-se. (D) foi abatido. (C) “enviar o brinquedo por sedex”
(E) tinha abatido (D) “A empresa também é obrigada pelo Código de Defesa do
Consumidor”
03. (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) (E) “A empresa fez campanha para recolher”
... valores e princípios que sejam percebidos pela sociedade
como tais. 09. (METRÔ/SP –SECRETÁRIA PLENO – FCC/2010)
Transpondo para a voz ativa a frase acima, o verbo passará a Transpondo-se para a voz passiva a construção Mais tarde vim a
ser, corretamente, entender a tradução completa, a forma verbal resultante será:
(A) perceba. (A) veio a ser entendida.
(B) foi percebido. (B) teria entendido.
(C) tenham percebido. (C) fora entendida.
(D) devam perceber. (D) terá sido entendida.
(E) estava percebendo. (E) tê-la-ia entendido.

04. (TJ/RJ – TÉCNICO DE ATIVIDADE JUDICIÁRIA SEM 10. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL
ESPECIALIDADE – FCC/2012) As ruas estavam ocupadas pela PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011 - ADAP-
multidão... TADA)
A forma verbal resultante da transposição da frase acima para ... ele empreende, de maneira quase clandestina, a série Mu-
a voz ativa é: lheres.
(A) ocupava-se. Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal
(B) ocupavam. resultante será:
(C) ocupou. (A) foi empreendida.
(D) ocupa. (B) são empreendidos.
(E) ocupava. (C) foi empreendido.
(D) é empreendida.
05. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) (E) são empreendidas.
A frase que NÃO admite transposição para a voz passiva está em:
(A) Quando Rodolfo surgiu... GABARITO
(B) ... adquiriu as impressoras... 01. E 02. D 03. A 04. E 05. A
(C) ... e sustentar, às vezes, família numerosa. 06. B 07. C 08. D 09. A 10. D
(D) ... acolheu-o como patrono.
(E) ... que montou [...] a primeira grande folhetaria do Recife ... RESOLUÇÃO

06. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – 1-) No enunciado temos uma oração com a voz passiva do ver-
FCC/2010) O engajamento moral e político não chegou a consti- bo. Transformando-a em ativa, teremos: “O Instituto Sou da Paz
tuir um deslocamento da atenção intelectual de Said ... divulgou dados”. Nessa, “Instituto Sou da Paz” funciona como
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal sujeito da oração, ou seja, na passiva sua função é a de agente da
resultante é: passiva. O sujeito paciente é “os dados”.
a) se constituiu.
b) chegou a ser constituído. 2-) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. = Ele foi
c) teria chegado a constituir. abatido...
d) chega a se constituir.
e) chegaria a ser constituído. 3-) ... valores e princípios que sejam percebidos pela sociedade
como tais = dois verbos na voz passiva, então teremos um na ativa:
07. (METRÔ/SP – TÉCNICO SISTEMAS METROVIÁRIOS que a sociedade perceba os valores e princípios...
CIVIL – FCC/2014 - ADAPTADA) ...’sertanejo’ indicava indis-
tintamente as músicas produzidas no interior do país... 4-) As ruas estavam ocupadas pela multidão = dois verbos na
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal passiva, um verbo na ativa:
resultante será: A multidão ocupava as ruas.
(A) vinham indicadas.
(B) era indicado. 5-)
(C) eram indicadas. B = as impressoras foram adquiridas...
(D) tinha indicado. C = família numerosa é sustentada...
(E) foi indicada. D – foi acolhido como patrono...

Didatismo e Conhecimento 38
LÍNGUA PORTUGUESA
E – a primeira grande folhetaria do Recife foi montada... Estados e cidades brasileiros:
6-) O engajamento moral e político não chegou a constituir um Alagoas alagoano
deslocamento da atenção intelectual de Said = dois verbos na voz Amapá amapaense
ativa, mas com presença de preposição e, um deles, no infinitivo, Aracaju aracajuano ou aracajuense
então o verbo auxiliar “ser” ficará no infinitivo (na voz passiva) e o Amazonas amazonense ou baré
verbo principal (constituir) ficará no particípio: Um deslocamento Belo Horizonte belo-horizontino
da atenção intelectual de Said não chegou a ser constituído pelo Brasília brasiliense
engajamento... Cabo Frio cabo-friense
Campinas campineiro ou campinense
7-)’sertanejo’ indicava indistintamente as músicas produzidas
Adjetivo Pátrio Composto
no interior do país.
As músicas produzidas no país eram indicadas pelo sertanejo, Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro elemento
indistintamente. aparece na forma reduzida e, normalmente, erudita. Observe al-
guns exemplos:
8-)
(A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos” = voz ativa África afro- / Cultura afro-americana
(B) “o consumidor pode solicitar a devolução do dinheiro” = Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto inglesas
voz ativa América américo- / Companhia américo africana
(C) “enviar o brinquedo por sedex” = voz ativa Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
(D) “A empresa também é obrigada pelo Código de Defesa do China sino- / Acordos sino-japoneses
Consumidor” = voz passiva Espanha hispano- / Mercado hispano-português
(E) “A empresa fez campanha para recolher” = voz ativa Europa euro- / Negociações euro americanas
França franco- ou galo- / Reuniões franco italianas
9-)Mais tarde vim a entender a tradução completa... Grécia greco- / Filmes greco-romanos
A tradução completa veio a ser entendida por mim. Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
10-) ele empreende, de maneira quase clandestina, a série Mu- Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
Japão nipo- / Associações nipo brasileiras
lheres.
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
A série de mulheres é empreendida por ele, de maneira quase
clandestina. Flexão dos adjetivos

O adjetivo varia em gênero, número e grau.


5 DOMÍNIO DA ESTRUTURA
MORFOSSINTÁTICA DO PERÍODO. Gênero dos Adjetivos

Os adjetivos concordam com o substantivo a que se referem


(masculino e feminino). De forma semelhante aos substantivos,
classificam-se em:
Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou caracterís-
tica do ser e se relaciona com o substantivo. Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e
Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, percebemos outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa, mau e má, judeu
que, além de expressar uma qualidade, ela pode ser colocada ao e judia.
lado de um substantivo: homem bondoso, moça bondosa, pessoa Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino
bondosa. somente o último elemento. Por exemplo: o moço norte-america-
Já com a palavra bondade, embora expresse uma qualidade, no, a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda muda.
não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade,
moça bondade, pessoa bondade. Bondade, portanto, não é adjeti-
Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como
vo, mas substantivo. para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no femi-
Morfossintaxe do Adjetivo: nino. Por exemplo: conflito político-social e desavença político-
social.
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função dentro de
uma oração) relativas aos substantivos, atuando como adjunto ad- Número dos Adjetivos
nominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).
Plural dos adjetivos simples
Adjetivo Pátrio (ou gentílico) Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acordo com as
regras estabelecidas para a flexão numérica dos substantivos sim-
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Observe ples. Por exemplo: mau e maus, feliz e felizes, ruim e ruins boa
alguns deles: e boas

Didatismo e Conhecimento 39
LÍNGUA PORTUGUESA
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça função Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de superiorida-
de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra que estiver de, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles: bom /melhor,
qualificando um elemento for, originalmente, um substantivo, ela pequeno/menor, mau/pior, alto/superior, grande/maior, baixo/
manterá sua forma primitiva. Exemplo: a palavra cinza é origi- inferior.
nalmente um substantivo; porém, se estiver qualificando um ele- Observe que:
mento, funcionará como adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo: a) As formas menor e pior são comparativos de superioridade,
camisas cinza, ternos cinza. pois equivalem a mais pequeno e mais mau, respectivamente.
Veja outros exemplos: b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas (me-
Motos vinho (mas: motos verdes) lhor, pior, maior e menor), porém, em comparações feitas entre
Paredes musgo (mas: paredes brancas). duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se usar as formas
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos). analíticas mais bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por
exemplo:
Adjetivo Composto Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois elemen-
tos.
É aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, Pedro é mais grande que pequeno - comparação de duas qua-
esses elementos são ligados por hífen. Apenas o último elemento lidades de um mesmo elemento.
concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na
forma masculina, singular. Caso um dos elementos que formam Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de Inferiori-
o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o ad- dade
jetivo composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra rosa é Sou menos passivo (do) que tolerante.
originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um Superlativo
elemento, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra
por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substanti- O superlativo expressa qualidades num grau muito elevado ou
vo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Por em grau máximo. O grau superlativo pode ser absoluto ou relativo
e apresenta as seguintes modalidades:
exemplo:
Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de um ser
Camisas rosa claro.
é intensificada, sem relação com outros seres. Apresenta-se nas
Ternos rosa claro.
formas:
Olhos verde claros.
Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de palavras que
Calças azul escuras e camisas verde-mar.
dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo: O secretário é
Telhados marrom café e paredes verde claras.
muito inteligente.
Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer ad-
Sintética: a intensificação se faz por meio do acréscimo de su-
jetivo composto iniciado por cor de-... são sempre invariáveis. fixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo.
- Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os Observe alguns superlativos sintéticos:
dois elementos flexionados. benéfico beneficentíssimo
bom boníssimo ou ótimo
Grau do Adjetivo comum comuníssimo
cruel crudelíssimo
Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a intensidade difícil dificílimo
da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o comparativo doce dulcíssimo
e o superlativo. fácil facílimo
fiel fidelíssimo
Comparativo
Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um ser é
Nesse grau, comparam-se a mesma característica atribuída a intensificada em relação a um conjunto de seres. Essa relação pode
dois ou mais seres ou duas ou mais características atribuídas ao ser:
mesmo ser. O comparativo pode ser de igualdade, de superioridade De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
ou de inferioridade. Observe os exemplos abaixo: De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade
No comparativo de igualdade, o segundo termo da comparação Note bem:
é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão. 1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio dos
advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, etc., antepos-
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Superioridade tos ao adjetivo.
Analítico 2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob duas for-
No comparativo de superioridade analítico, entre os dois subs- mas : uma erudita, de origem latina, outra popular, de origem
tantivos comparados, um tem qualidade superior. A forma é ana- vernácula. A forma erudita é constituída pelo radical do adjetivo
lítica porque pedimos auxílio a “mais...do que” ou “mais...que”. latino + um dos sufixos -íssimo, -imo ou érrimo. Por exemplo:
fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A forma popular é constituída
O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Superiori- do radical do adjetivo português + o sufixo -íssimo: pobríssimo,
dade Sintético agilíssimo.

Didatismo e Conhecimento 40
LÍNGUA PORTUGUESA
3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, precariíssimo, de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavelmente,
necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual, as formas serís- quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe
simo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o desagradável hiato i-í.
de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efetiva-
O advérbio, assim como muitas outras palavras existentes na mente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubitavelmen-
Língua Portuguesa, advém de outras línguas. Assim sendo, tal qual te (=sem dúvida).
o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a ideia de proximidade, conti-
guidade. Essa proximidade faz referência ao processo verbal, no de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, somente,
sentido de caracterizá-lo, ou seja, indicando as circunstâncias em
simplesmente, só, unicamente
que esse processo se desenvolve.
O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no sentido de
de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, também
caracterizar os processos expressos por ele. Contudo, ele não é
modificador exclusivo desta classe (verbos), pois também modifi-
ca o adjetivo e até outro advérbio. Seguem alguns exemplos: de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto, você
está até bem informado. de designação: Eis
Temos o advérbio “distantemente” que modifica o adjetivo de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quando?
alheio, representando uma qualidade, característica. (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade), para
quê? (finalidade)
O artista canta muito mal. Locução adverbial
Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifica outro
advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos pudemos ve- É reunião de duas ou mais palavras com valor de advérbio.
rificar que se tratava de somente uma palavra funcionando como Exemplo:
advérbio. No entanto, ele pode estar demarcado por mais de uma Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
palavra, que mesmo assim não deixará de ocupar tal função. Te- Maria saiu à tarde. (indicando tempo)
mos aí o que chamamos de locução adverbial, representada por al-
gumas expressões, tais como: às vezes, sem dúvida, frente a frente, Há locuções adverbiais que possuem advérbios corresponden-
de modo algum, entre outras. tes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu apressada-
Dependendo das circunstâncias expressas pelos advérbios, eles
mente.
se classificam em distintas categorias, uma vez expressas por:
de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pressas, às
Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de modo são
claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, des-
se jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado flexionados, sendo que os demais são todos invariáveis. A única
a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior parte dos que terminam em flexão propriamente dita que existe na categoria dos advérbios é
-”mente”: calmamente, tristemente, propositadamente, paciente- a de grau:
mente, amorosamente, docemente, escandalosamente, bondosa- Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe - longís-
mente, generosamente simo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente - inconstitucio-
de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em exces- nalissimamente, etc.;
so, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto, Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto - perti-
que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de todo, de muito, nho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho.
por completo. Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo, indica
se ele está sendo empregado de maneira definida ou indefinida.
de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, ama- Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o gênero e o número
nhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, dos substantivos.
nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, breve,
constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, pro- Classificação dos Artigos
visoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã,
de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer Artigos Definidos: determinam os substantivos de maneira
momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia
precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal.
Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de maneira
de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás,
vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei um animal.
além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde,
longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro, afora, alhu-
res, nenhures, aquém, embaixo, externamente, a distância, à dis- Combinação dos Artigos
tancia de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao
lado, em volta É muito presente a combinação dos artigos definidos e inde-
de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de finidos com preposições. Veja a forma assumida por essas com-
forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum binações:

Didatismo e Conhecimento 41
LÍNGUA PORTUGUESA
Preposições Artigos Eles estavam em casa.
o, os Eles estavam na casa dos amigos.
a ao, aos Os marinheiros permaneceram em terra.
de do, dos Os marinheiros permanecem na terra dos anões.
em no, nos
por (per) pelo, pelos - Não se emprega artigo antes dos pronomes de tratamento,
a, as um, uns uma, umas com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa excelência re-
à, às - - solverá os problemas de Sua Senhoria.
da, das dum, duns duma, dumas
na, nas num, nuns numa, numas - Não se une com preposição o artigo que faz parte do nome
pela, pelas - - de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O Estado de
S. Paulo.
- As formas à e às indicam a fusão da preposição a com o
artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é conhecida por Morfossintaxe
crase.
Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas relações
Constatemos as circunstâncias em que os artigos se mani- com o substantivo. Assim, nas orações da língua portuguesa, o ar-
festam: tigo exerce a função de adjunto adnominal do substantivo a que se
refere. Tal função independe da função exercida pelo substantivo:
- Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do numeral A existência é uma poesia.
“ambos”: Ambos os garotos decidiram participar das olimpíadas. Uma existência é a poesia.

- Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso do artigo, Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações ou dois
outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza, A Bahia... termos semelhantes de uma mesma oração. Por exemplo:
A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as amigui-
- Quando indicado no singular, o artigo definido pode indicar nhas.
toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Deste exemplo podem ser retiradas três informações:
- No caso de nomes próprios personativos, denotando a ideia 1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu as ami-
de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso do artigo: O guinhas
Pedro é o xodó da família.
Cada informação está estruturada em torno de um verbo: segu-
- No caso de os nomes próprios personativos estarem no plu-
rou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três orações:
ral, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias, os Incas, Os
1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e mostrou
Astecas...
3ª oração: quando viu as amiguinhas.
A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e a ter-
- Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) para
ceira oração liga-se à segunda por meio do “quando”. As palavras
conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (o artigo), o pro-
“e” e “quando” ligam, portanto, orações.
nome assume a noção de qualquer.
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressados. Observe: Gosto de natação e de futebol.
(qualquer classe) Nessa frase as expressões de natação, de futebol são partes ou
termos de uma mesma oração. Logo, a palavra “e” está ligando
- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é facultativo: termos de uma mesma oração.
Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo.
Morfossintaxe da Conjunção
- A utilização do artigo indefinido pode indicar uma ideia de
aproximação numérica: O máximo que ele deve ter é uns vinte As conjunções, a exemplo das preposições, não exercem pro-
anos. priamente uma função sintática: são conectivos.
- O artigo também é usado para substantivar palavras oriundas Classificação
de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de tudo isso. - Conjunções Coordenativas
- Conjunções Subordinativas
- Nunca deve ser usado artigo depois do pronome relativo cujo
(e flexões). Conjunções coordenativas
Este é o homem cujo amigo desapareceu.
Este é o autor cuja obra conheço. Dividem-se em:
- ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gosto de
- Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no sentido cantar e de dançar.
de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme), a menos que Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas também,
venham especificadas. não só...como também.

Didatismo e Conhecimento 42
LÍNGUA PORTUGUESA
- ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de oposição, - PROPORCIONAIS
de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada. Principais conjunções proporcionais: à medida que, quanto
Principais conjunções adversativas: mas, porém, contudo, to- mais, ao passo que, à proporção que.
davia, no entanto, entretanto. À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha.

- ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância. - TEMPORAIS


Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.
Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora, quer... Principais conjunções temporais: quando, enquanto, logo que.
quer, já...já. Quando eu sair, vou passar na locadora.
- CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às orações.
Ex. Estudei muito, por isso mereço passar. Diferença entre orações causais e explicativas
Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois (depois
Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais (OSA)
do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos deparamos com a
dúvida de como distinguir uma oração causal de uma explicativa.
- EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex. É
Veja os exemplos:
melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá fora.
1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser atro-
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois (antes do pelado”:
verbo), porquanto. a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificativa ou
uma explicação do fato expresso na oração anterior.
Conjunções subordinativas b) As orações são coordenadas e, por isso, independentes uma
da outra. Neste caso, há uma pausa entre as orações que vêm mar-
- CAUSAIS cadas por vírgula.
Principais conjunções causais: porque, visto que, já que, uma Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado.
vez que, como (= porque). Outra dica é, quando a oração que antecede a OC (Oração
Ele não fez o trabalho porque não tem livro. Coordenada) vier com verbo no modo imperativo, ela será expli-
cativa.
- COMPARATIVAS Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo imperativo)
Principais conjunções comparativas: que, do que, tão...como,
mais...do que, menos...do que. 2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra cidade
Ela fala mais que um papagaio. porque não havia cemitério no local.”
a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordinada (parte
- CONCESSIVAS destacada) mostra a causa da ação expressa pelo verbo da oração
Principais conjunções concessivas: embora, ainda que, mesmo principal. Outra forma de reconhecê-la é colocá-la no início do
que, apesar de, se bem que. período, introduzida pela conjunção como - o que não ocorre com
Indicam uma concessão, admitem uma contradição, um fato a CS Explicativa.
inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”. Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar os
Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de estar mortos em outra cidade.
cansada) b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente depen-
Apesar de ter chovido fui ao cinema. dentes uma da outra.

Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções, sensa-


- CONFORMATIVAS
ções, estados de espírito, ou que procura agir sobre o interlocutor,
Principais conjunções conformativas: como, segundo, confor-
levando-o a adotar certo comportamento sem que, para isso, seja
me, consoante
necessário fazer uso de estruturas linguísticas mais elaboradas.
Cada um colhe conforme semeia.
Observe o exemplo:
Expressam uma ideia de acordo, concordância, conformidade. Droga! Preste atenção quando eu estou falando!
- CONSECUTIVAS No exemplo acima, o interlocutor está muito bravo. Toda sua
Expressam uma ideia de consequência. raiva se traduz numa palavra: Droga! Ele poderia ter dito: - Estou
Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”, “tanto”, com muita raiva de você! Mas usou simplesmente uma palavra.
“tão”, “tamanho”). Ele empregou a interjeição Droga!
Falou tanto que ficou rouco. As sentenças da língua costumam se organizar de forma ló-
gica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e os distribui
- FINAIS em posições adequadas a cada um deles. As interjeições, por outro
Expressam ideia de finalidade, objetivo. lado, são uma espécie de “palavra frase”, ou seja, há uma ideia
Todos trabalham para que possam sobreviver. expressa por uma palavra (ou um conjunto de palavras - locução
Principais conjunções finais: para que, a fim de que, porque interjetiva) que poderia ser colocada em termos de uma sentença.
(=para que), Veja os exemplos:

Didatismo e Conhecimento 43
LÍNGUA PORTUGUESA
Bravo! Bis! - Alívio: Arre!, Uf!, Ufa! Ah!
bravo e bis: interjeição = sentença (sugestão): “Foi muito - Animação ou Estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!, Eia!,
bom! Repitam!” Ânimo!, Adiante!, Firme!, Toca!
Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... ai: interjeição = sentença - Aplauso ou Aprovação: Bravo!, Bis!, Apoiado!, Viva!, Boa!
(sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!” - Concordância: Claro!, Sim!, Pois não!, Tá!, Hã-hã!
- Repulsa ou Desaprovação: Credo!, Irra!, Ih!, Livra!, Safa!,
Fora!, Abaixo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora!
A interjeição é um recurso da linguagem afetiva, em que não
- Desejo ou Intenção: Oh!, Pudera!, Tomara!, Oxalá!
há uma ideia organizada de maneira lógica, como são as sentenças - Desculpa: Perdão!
da língua, mas sim a manifestação de um suspiro, um estado da - Dor ou Tristeza: Ai!, Ui!, Ai de mim!, Que pena!, Ah!, Oh!,
alma decorrente de uma situação particular, um momento ou um Eh!
contexto específico. Exemplos: - Dúvida ou Incredulidade: Qual!, Qual o quê!, Hum!, Epa!,
Ah, como eu queria voltar a ser criança! Ora!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição - Espanto ou Admiração: Oh!, Ah!, Uai!, Puxa!, Céus!, Quê!,
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Nossa!, Hem?!, Hein?, Cruz!,
hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição Putz!
- Impaciência ou Contrariedade: Hum!, Hem!, Irra!, Raios!,
O significado das interjeições está vinculado à maneira como Diabo!, Puxa!, Pô!, Ora!
elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que dita o senti- - Pedido de Auxílio: Socorro!, Aqui!, Piedade!
do que a expressão vai adquirir em cada contexto de enunciação. - Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!, Viva!, Adeus!,
Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Ô, Ó, Psiu!, Socorro!, Valha-me, Deus!
Exemplos:
- Silêncio: Psiu!, Bico!, Silêncio!
Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão na - Terror ou Medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh!
rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! Ei,
espere!” Saiba que: As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não
Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão em sofrem variação em gênero, número e grau como os nomes, nem
um hospital; significado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos.
silêncio!” No entanto, em uso específico, algumas interjeições sofrem varia-
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! ção em grau. Deve-se ter claro, neste caso, que não se trata de um
puxa: interjeição; tom da fala: euforia processo natural dessa classe de palavra, mas tão só uma variação
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! que a linguagem afetiva permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo,
puxa: interjeição; tom da fala: decepção até loguinho.

As interjeições cumprem, normalmente, duas funções: Locução Interjetiva


Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma expressão
1) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria, tris-
com sentido de interjeição. Por exemplo : Ora bolas! Quem me
teza, dor, etc. dera! Virgem Maria! Meu Deus! Ó de casa! Ai de mim!
Você faz o que no Brasil? Valha-me Deus! Graças a Deus! Alto lá! Muito bem!
Eu? Eu negocio com madeiras.
Ah, deve ser muito interessante. Observações:
- As interjeições são como frases resumidas, sintéticas. Por
2) Sintetizar uma frase apelativa exemplo: Ué! = Eu não esperava por essa!, Perdão! = Peço-lhe
Cuidado! Saia da minha frente. que me desculpe.

As interjeições podem ser formadas por: - Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é o seu tom
- simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô. exclamativo; por isso, palavras de outras classes gramaticais po-
- palavras: Oba!, Olá!, Claro! dem aparecer como interjeições.
- grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!, Ora Viva! Basta! (Verbos)
Fora! Francamente! (Advérbios)
bolas!
- A interjeição pode ser considerada uma “palavra frase” por-
A ideia expressa pela interjeição depende muitas vezes da en- que sozinha pode constituir uma mensagem. Ex.: Socorro!, Aju-
tonação com que é pronunciada; por isso, pode ocorrer que uma dem-me!, Silêncio!, Fique quieto!
interjeição tenha mais de um sentido. Por exemplo:
Oh! Que surpresa desagradável! (ideia de contrariedade) - Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imitativas, que
Oh! Que bom te encontrar. (ideia de alegria) exprimem ruídos e vozes. Ex.: Pum! Miau! Bumba! Zás! Plaft!
Classificação das Interjeições Pof! Catapimba! Tique-taque! Quá-quá-quá!, etc.
- Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com a sua
Comumente, as interjeições expressam sentido de: homônima “oh!”, que exprime admiração, alegria, tristeza, etc.
- Advertência: Cuidado!, Devagar!, Calma!, Sentido!, Aten- Faz-se uma pausa depois do” oh!” exclamativo e não a fazemos
ção!, Olha!, Alerta! depois do “ó” vocativo.
- Afugentamento: Fora!, Passa!, Rua!, Xô! “Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
- Alegria ou Satisfação: Oh!, Ah!,Eh!, Oba!, Viva! Oh! a jornada negra!” (Olavo Bilac)

Didatismo e Conhecimento 44
LÍNGUA PORTUGUESA
- Na linguagem afetiva, certas interjeições, originadas de pala- Flexão dos numerais
vras de outras classes, podem aparecer flexionadas no diminutivo
ou no superlativo: Calminha! Adeusinho! Obrigadinho! Os numerais cardinais que variam em gênero são um/uma,
dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/duzentas em
Interjeições, leitura e produção de textos diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatrocentas, etc. Car-
dinais como milhão, bilhão, trilhão, variam em número: milhões,
Usadas com muita frequência na língua falada informal, quan- bilhões, trilhões. Os demais cardinais são invariáveis.
do empregadas na língua escrita, as interjeições costumam con-
ferir-lhe certo tom inconfundível de coloquialidade. Além disso, Os numerais ordinais variam em gênero e número:
elas podem muitas vezes indicar traços pessoais do falante - como primeiro segundo milésimo
a escassez de vocabulário, o temperamento agressivo ou dócil, até primeira segunda milésima
mesmo a origem geográfica. É nos textos narrativos - particular- primeiros segundos milésimos
mente nos diálogos - que comumente se faz uso das interjeições primeiras segundas milésimas
com o objetivo de caracterizar personagens e, também, graças à
sua natureza sintética, agilizar as falas. Natureza sintética e con- Os numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em
teúdo mais emocional do que racional fazem das interjeições pre- funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço e conseguiram
sença constante nos textos publicitários. o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexio-
Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89. nam-se em gênero e número: Teve de tomar doses triplas do me-
php dicamento.
Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e número.
Numeral é a palavra que indica os seres em termos numéricos, Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/duas terças partes
isto é, que atribui quantidade aos seres ou os situa em determinada Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma dúzia,
sequência. um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco. É comum na linguagem coloquial a indicação de grau nos nu-
[quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”]
merais, traduzindo afetividade ou especialização de sentido. É o
Eu quero café duplo, e você?
que ocorre em frases como:
...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”]
“Me empresta duzentinho...”
A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor!
É artigo de primeiríssima qualidade!
...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequência de
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda
“fila”]
divisão de futebol)
Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que os nú-
meros indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão Emprego dos Numerais
é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se trata de numerais,
mas sim de algarismos. *Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a ideia que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até décimo e a
expressa pelos números, existem mais algumas palavras conside- partir daí os cardinais, desde que o numeral venha depois do subs-
radas numerais porque denotam quantidade, proporção ou ordena- tantivo:
ção. São alguns exemplos: década, dúzia, par, ambos(as), novena.
Ordinais Cardinais
Classificação dos Numerais João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Cardinais: indicam contagem, medida. É o número básico: Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
um, dois, cem mil, etc. Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série dada: Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)
primeiro, segundo, centésimo, etc.
Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a divisão *Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até
dos seres: meio, terço, dois quintos, etc. nono e o cardinal de dez em diante:
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres, Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
indicando quantas vezes a quantidade foi aumentada: dobro, tri- Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
plo, quíntuplo, etc.
*Ambos/ambas são considerados numerais. Significam “um e
Leitura dos Numerais outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são largamente
Separando os números em centenas, de trás para frente, obtêm- empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez refe-
se conjuntos numéricos, em forma de centenas e, no início, tam- rência.
bém de dezenas ou unidades. Entre esses conjuntos usa-se vírgula; Pedro e João parecem ter finalmente percebido a importância
as unidades ligam-se pela conjunção “e”. da solidariedade. Ambos agora participam das atividades comu-
1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos e vinte nitárias de seu bairro.
e seis. Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática. Atual-
45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte. mente, seu uso indica afetação, artificialismo.

Didatismo e Conhecimento 45
LÍNGUA PORTUGUESA
Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários
um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normalmente há uma subor-
dinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão
textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

Tipos de Preposição
1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, contra, de, desde, em,
entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
2. Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições: como, durante, exceto, fora, me-
diante, salvo, segundo, senão, visto.
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas: abaixo de,
acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, graças a, junto a, com,
perto de, por causa de, por cima de, por trás de.
A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância em gênero ou
em número. Ex: por + o = pelo por + a = pela.
Vale ressaltar que essa concordância não é característica da preposição, mas das palavras às quais ela se une.
Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir de dois processos:

Didatismo e Conhecimento 46
LÍNGUA PORTUGUESA
1. Combinação: A preposição não sofre alteração. - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois termos
preposição a + artigos definidos o, os e estabelece relação de subordinação entre eles.
a + o = ao Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
preposição a + advérbio onde Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para procurar
a + onde = aonde um tratamento adequado.
2. Contração: Quando a preposição sofre alteração.
- Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar e/ou
Preposição + Artigos a função de um substantivo.
De + o(s) = do(s) Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como parte
De + a(s) = da(s) da família
De + um = dum
Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. / Creio
De + uns = duns
que a conhecemos melhor que ninguém.
De + uma = duma
De + umas = dumas
Em + o(s) = no(s) 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio das
Em + a(s) = na(s) preposições:
Em + um = num Destino = Irei para casa.
Em + uma = numa Modo = Chegou em casa aos gritos.
Em + uns = nuns Lugar = Vou ficar em casa;
Em + umas = numas Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência.
A + à(s) = à(s) Tempo = A prova vai começar em dois minutos.
Por + o = pelo(s) Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.
Por + a = pela(s) Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tratamen-
to.
Preposição + Pronomes Instrumento = Escreveu a lápis.
De + ele(s) = dele(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + ela(s) = dela(s) Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + este(s) = deste(s) Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + esta(s) = desta(s) Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + esse(s) = desse(s)
Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + essa(s) = dessa(s)
Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + aquele(s) = daquele(s)
De + aquela(s) = daquela(s) Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + isto = disto Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + isso = disso Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + aquilo = daquilo
De + aqui = daqui Fonte:
De + aí = daí http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
De + ali = dali
De + outro = doutro(s) Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou a ele
De + outra = doutra(s) se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o de alguma
Em + este(s) = neste(s) forma.
Em + esta(s) = nesta(s)
Em + esse(s) = nesse(s) A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!
Em + aquele(s) = naquele(s) [substituição do nome]
Em + aquela(s) = naquela(s) A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
Em + isto = nisto [referência ao nome]
Em + isso = nisso Essa moça morava nos meus sonhos!
Em + aquilo = naquilo
[qualificação do nome]
A + aquele(s) = àquele(s)
A + aquela(s) = àquela(s)
A + aquilo = àquilo Grande parte dos pronomes não possuem significados fixos,
Dicas sobre preposição isto é, essas palavras só adquirem significação dentro de um con-
texto, o qual nos permite recuperar a referência exata daquilo que
1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome pessoal está sendo colocado por meio dos pronomes no ato da comunica-
oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” seja um artigo, ção. Com exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os
virá precedendo um substantivo. Ele servirá para determiná-lo demais pronomes têm por função principal apontar para as pessoas
como um substantivo singular e feminino. do discurso ou a elas se relacionar, indicando-lhes sua situação no
A dona da casa não quis nos atender. tempo ou no espaço. Em virtude dessa característica, os pronomes
Como posso fazer a Joana concordar comigo? apresentam uma forma específica para cada pessoa do discurso.

Didatismo e Conhecimento 47
LÍNGUA PORTUGUESA
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. Obs.: frequentemente observamos a omissão do pronome reto
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala] em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias formas ver-
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? bais marcam, através de suas desinências, as pessoas do verbo in-
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se fala] dicadas pelo pronome reto: Fizemos boa viagem. (Nós)
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem se fala] Pronome Oblíquo

Em termos morfológicos, os pronomes são palavras variáveis Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na sentença,
em gênero (masculino ou feminino) e em número (singular ou plu- exerce a função de complemento verbal (objeto direto ou indireto)
ral). Assim, espera-se que a referência através do pronome seja ou complemento nominal.
coerente em termos de gênero e número (fenômeno da concordân- Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
cia) com o seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente no
enunciado. Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma variante do
pronome pessoal do caso reto. Essa variação indica a função diver-
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nossa sa que eles desempenham na oração: pronome reto marca o sujeito
escola neste ano. da oração; pronome oblíquo marca o complemento da oração.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância ade- Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com a acen-
quada] tuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou tônicos.
[neste: pronome que determina “ano” = concordância adequa-
da] Pronome Oblíquo Átono
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concordância
inadequada] São chamados átonos os pronomes oblíquos que não são pre-
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, de- cedidos de preposição. Possuem acentuação tônica fraca: Ele me
monstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. deu um presente.
O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim configurado:
Pronomes Pessoais
- 1ª pessoa do singular (eu): me
- 2ª pessoa do singular (tu): te
São aqueles que substituem os substantivos, indicando dire-
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
tamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve assume os
- 1ª pessoa do plural (nós): nos
pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”, “vós”, “você” ou
- 2ª pessoa do plural (vós): vos
“vocês” para designar a quem se dirige e “ele”, “ela”, “eles” ou
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
“elas” para fazer referência à pessoa ou às pessoas de quem fala.
Os pronomes pessoais variam de acordo com as funções que
exercem nas orações, podendo ser do caso reto ou do caso oblíquo. Observações:
O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se apresenta
Pronome Reto na forma contraída, ou seja, houve a união entre o pronome “o” ou
“a” e preposição “a” ou “para”. Por acompanhar diretamente uma
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, exerce preposição, o pronome “lhe” exerce sempre a função de objeto
a função de sujeito ou predicativo do sujeito. indireto na oração.
Nós lhe ofertamos flores. Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos diretos
como objetos indiretos.
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gênero (ape- Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como objetos
nas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a principal flexão, diretos.
uma vez que marca a pessoa do discurso. Dessa forma, o quadro Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem combinar-se
dos pronomes retos é assim configurado: com os pronomes o, os, a, as, dando origem a formas como mo,
mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, lhas; no-lo, no-los,
- 1ª pessoa do singular: eu no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Observe o uso dessas
- 2ª pessoa do singular: tu formas nos exemplos que seguem:
- 3ª pessoa do singular: ele, ela - Trouxeste o pacote?
- 1ª pessoa do plural: nós - Sim, entreguei-to ainda há pouco.
- 2ª pessoa do plural: vós - Não contaram a novidade a vocês?
- 3ª pessoa do plural: eles, elas - Não, no-la contaram.
No português do Brasil, essas combinações não são usadas; até
Atenção: esses pronomes não costumam ser usados como mesmo na língua literária atual, seu emprego é muito raro.
complementos verbais na língua-padrão. Frases como “Vi ele na
rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu até aqui”, co- Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas especiais
muns na língua oral cotidiana, devem ser evitadas na língua formal depois de certas terminações verbais. Quando o verbo termina em
escrita ou falada. Na língua formal, devem ser usados os pronomes -z, -s ou -r, o pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao mesmo
oblíquos correspondentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na pra- tempo que a terminação verbal é suprimida. Por exemplo:
ça”, “Trouxeram-me até aqui”. fiz + o = fi-lo

Didatismo e Conhecimento 48
LÍNGUA PORTUGUESA
fazeis + o = fazei-lo O quadro dos pronomes reflexivos é assim configurado:
dizer + a = dizê-la - 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
Eu não me vanglorio disso.
Quando o verbo termina em som nasal, o pronome assume as Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
formas no, nos, na, nas. Por exemplo:
viram + o: viram-no - 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
repõe + os = repõe-nos Assim tu te prejudicas.
retém + a: retém-na Conhece a ti mesmo.
tem + as = tem-nas
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
Pronome Oblíquo Tônico Guilherme já se preparou.
Ela deu a si um presente.
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos por pre-
Antônio conversou consigo mesmo.
posições, em geral as preposições a, para, de e com. Por esse mo-
tivo, os pronomes tônicos exercem a função de objeto indireto da
- 1ª pessoa do plural (nós): nos.
oração. Possuem acentuação tônica forte.
O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim configurado: Lavamo-nos no rio.
- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo - 2ª pessoa do plural (vós): vos.
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco - 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas Eles se conheceram.
Elas deram a si um dia de folga.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tônico são
a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As demais repetem A Segunda Pessoa Indireta
a forma do pronome pessoal do caso reto.
- As preposições essenciais introduzem sempre pronomes pes- A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se quando uti-
soais do caso oblíquo e nunca pronome do caso reto. Nos contex- lizamos pronomes que, apesar de indicarem nosso interlocutor
tos inter locutivos que exigem o uso da língua formal, os pronomes (portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa.
costumam ser usados desta forma: É o caso dos chamados pronomes de tratamento, que podem ser
Não há mais nada entre mim e ti. observados no quadro seguinte:
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
Não há nenhuma acusação contra mim.
Não vá sem mim.

Atenção: Há construções em que a preposição, apesar de sur-


gir anteposta a um pronome, serve para introduzir uma oração cujo
verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo pode ter sujeito ex-
presso; se esse sujeito for um pronome, deverá ser do caso reto.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Não vá sem eu mandar.

- A combinação da preposição “com” e alguns pronomes origi-


nou as formas especiais comigo, contigo, consigo, conosco e con-
vosco. Tais pronomes oblíquos tônicos frequentemente exercem a
função de adjunto adverbial de companhia.
Ele carregava o documento consigo.
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas por “com
nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são reforçados por
palavras como outros, mesmos, próprios, todos, ambos ou algum
numeral.
Você terá de viajar com nós todos.
Estávamos com vós outros quando chegaram as más notícias.
Ele disse que iria com nós três.

Pronome Reflexivo

São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcionem como


objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito da oração. Indicam
que o sujeito pratica e recebe a ação expressa pelo verbo.

Didatismo e Conhecimento 49
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Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) acerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no tratamento ceri-
monioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português do Brasil; em algumas regiões,
a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, ultra formal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação à pessoa com
quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratarmos um deputado
por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado supostamente tem para poder ocupar o cargo
que ocupa.

- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª pessoa. Assim, os
verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do texto, a pessoa do
tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não poderemos usar “te” ou “teu”. O
uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Pronomes Possessivos

São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa possuída).
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)

NÚMERO PESSOA PRONOME


singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
plural primeira nosso(s), nossa(s)
plural segunda vosso(s), vossa(s)
plural terceira seu(s), sua(s)

Note que: A forma do possessivo depende da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam com o objeto possuído:
Ele trouxe seu apoio e sua contribuição naquele momento difícil.

Didatismo e Conhecimento 50
LÍNGUA PORTUGUESA
Observações: Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aquela(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resultar da alte- - Também aparecem como pronomes demonstrativos:
ração fonética da palavra senhor: Muito obrigado, seu José. - o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e puderem
ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam posse. Po- Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
dem ter outros empregos, como: Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela que
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. te indiquei.)

b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 anos. - mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas que o
procuraram ontem.
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem lá seus
defeitos, mas eu gosto muito dela. - próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram o pro-
blema.
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, o pro-
nome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência trouxe sua - semelhante(s): Não compre semelhante livro.
mensagem?
- tal, tais: Tal era a solução para o problema.
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo con-
Note que:
corda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e anotações.
- Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em constru-
ções redundantes, com finalidade expressiva, para salientar algum
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais oblíquos
termo anterior. Por exemplo: Manuela, essa é que dera em cheio
átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir-lhe os passos. (=
casando com o José Afonso. Desfrutar das belezas brasileiras,
Vou seguir seus passos.) isso é que é sorte!
Pronomes Demonstrativos - O pronome demonstrativo neutro ou pode representar um ter-
mo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso em que aparece, ge-
Os pronomes demonstrativos são utilizados para explicitar a ralmente, como objeto direto, predicativo ou aposto: O casamento
posição de uma certa palavra em relação a outras ou ao contexto. seria um desastre. Todos o pressentiam.
Essa relação pode ocorrer em termos de espaço, no tempo ou dis-
curso. - Para evitar a repetição de um verbo anteriormente expresso, é
No espaço: comum empregar-se, em tais casos, o verbo fazer, chamado, então,
Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o carro verbo vicário (= que substitui, que faz as vezes de): Ninguém teve
está perto da pessoa que fala. coragem de falar antes que ela o fizesse.
Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o carro está
perto da pessoa com quem falo, ou afastado da pessoa que fala. - Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa mencio-
Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que o carro nada em último lugar; aquele, à mencionada em primeiro lugar: O
está afastado da pessoa que fala e daquela com quem falo. referido deputado e o Dr. Alcides eram amigos íntimos; aquele
casado, solteiro este. [ou então: este solteiro, aquele casado]
Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo quanto por
meio de correspondência, que é uma modalidade escrita de fala), - O pronome demonstrativo tal pode ter conotação irônica: A
são particularmente importantes o este e o esse - o primeiro lo- menina foi a tal que ameaçou o professor?
caliza os seres em relação ao emissor; o segundo, em relação ao
destinatário. Trocá-los pode causar ambiguidade. - Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em com pro-
Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar in- nome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta, disso, nisso, no,
formações sobre o concurso vestibular. (trata-se da universidade etc: Não acreditei no que estava vendo. (no = naquilo)
destinatária).
Reafirmamos a disposição desta universidade em participar Pronomes Indefinidos
no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universidade que en-
via a mensagem). São palavras que se referem à terceira pessoa do discurso, dan-
No tempo: do-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando quantidade inde-
Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se refere terminada.
ao ano presente. Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-planta-
Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se refere a das.
um passado próximo.
Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele está se Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa de
referindo a um passado distante. quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma imprecisa,
vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser humano que segura-
- Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou inva- mente existe, mas cuja identidade é desconhecida ou não se quer
riáveis, observe: revelar. Classificam-se em:

Didatismo e Conhecimento 51
LÍNGUA PORTUGUESA
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lugar do Pronomes Relativos
ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. São eles: algo,
alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, São aqueles que representam nomes já mencionados anterior-
tudo. mente e com os quais se relacionam. Introduzem as orações subor-
Algo o incomoda? dinadas adjetivas.
Quem avisa amigo é. O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um
grupo racial sobre outros.
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser expres- (afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = ora-
so na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade aproximada. São ção subordinada adjetiva).
eles: cada, certo(s), certa(s). O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e in-
Cada povo tem seus costumes. troduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra “sistema” é
Certas pessoas exercem várias profissões. antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome de-
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro- monstrativo o, a, os, as.
nomes indefinidos adjetivos: Não sei o que você está querendo dizer.
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), de- Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso.
mais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns, nenhu- Quem casa, quer casa.
ma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, quaisquer,
qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), Observe:
toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os quais,
Menos palavras e mais ações. cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, quantas.
Alguns se contentam pouco. Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis e Note que:
invariáveis. Observe: - O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo
por isso chamado relativo universal. Pode ser substituído por o
Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, tanto,
qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um
outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca, vária, tanta,
substantivo.
outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, nenhuns, todos, mui-
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
tos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas,
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)
Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, algo,
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)
cada.
- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente prono-
São locuções pronominais indefinidas: mes relativos: por isso, são utilizados didaticamente para verificar
se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem ter várias
cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem classificações) são pronomes relativos. Todos eles são usados com
quer (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de de-
(= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc. terminadas preposições: Regressando de São Paulo, visitei o sítio
Cada um escolheu o vinho desejado. de minha tia, o qual me deixou encantado. (O uso de “que”, neste
caso, geraria ambiguidade.)
Indefinidos Sistemáticos Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dúvi-
das? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.)
Ao observar atentamente os pronomes indefinidos, percebe-
mos que existem alguns grupos que criam oposição de sentido. - O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se
É o caso de: algum/alguém/algo, que têm sentido afirmativo, e refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou de ser
nenhum/ninguém/nada, que têm sentido negativo; todo/tudo, que poeta, que era a sua vocação natural.
indicam uma totalidade afirmativa, e nenhum/nada, que indicam
uma totalidade negativa; alguém/ninguém, que se referem à pes- - O pronome “cujo” não concorda com o seu antecedente, mas
soa, e algo/nada, que se referem à coisa; certo, que particulariza, e com o consequente. Equivale a do qual, da qual, dos quais, das
qualquer, que generaliza. quais.
Essas oposições de sentido são muito importantes na constru- Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas.
ção de frases e textos coerentes, pois delas muitas vezes dependem (antecedente) (consequente)
a solidez e a consistência dos argumentos expostos. Observe nas
frases seguintes a força que os pronomes indefinidos destacados - “Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente um
imprimem às afirmações de que fazem parte: pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:
Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado prá- Emprestei tantos quantos foram necessários.
tico. (antecedente)
Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são pes- Ele fez tudo quanto havia falado.
soas quaisquer. (antecedente)

Didatismo e Conhecimento 52
LÍNGUA PORTUGUESA
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre prece- Importante: Em observação à segunda oração, o emprego do
dido de preposição. pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do verbo intransitivo
É um professor a quem muito devemos. “ajudar” porque o pronome oblíquo pode estar antes, depois ou en-
(preposição) tre locução verbal, caso o verbo principal (no caso “ajudar”) esteja
no infinitivo ou gerúndio.
- “Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente Eu desejo lhe perguntar algo.
e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa onde morava Eu estou perguntando-lhe algo.
foi assaltada.
- Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em que. Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos:
Sinto saudades da época em que (quando) morávamos no ex- os primeiros não são precedidos de preposição, diferentemente dos
terior. segundos que são sempre precedidos de preposição.
- Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu estava
fazendo.
- Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:
- Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que
- como (= pelo qual): Não me parece correto o modo como
eu estava fazendo.
você agiu semana passada.
- quando (= em que): Bons eram os tempos quando podíamos A colocação pronominal é a posição que os pronomes pes-
jogar videogame. soais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que
se referem. São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as,
- Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa lhe, lhes, nos e vos.
só frase. O pronome oblíquo átono pode assumir três posições na oração
O futebol é um esporte. em relação ao verbo:
O povo gosta muito deste esporte. 1. próclise: pronome antes do verbo
O futebol é um esporte de que o povo gosta muito. 2. ênclise: pronome depois do verbo
3. mesóclise: pronome no meio do verbo
- Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a
elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente que conver- Próclise
sava, (que) ria, (que) fumava.
A próclise é aplicada antes do verbo quando temos:
Pronomes Interrogativos - Palavras com sentido negativo:
Nada me faz querer sair dessa cama.
São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou Não se trata de nenhuma novidade.
indiretas. Assim como os pronomes indefinidos, referem- -se
à 3ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interro- - Advérbios:
gativos: que, quem, qual (e variações), quanto (e variações). Nesta casa se fala alemão.
Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço. Naquele dia me falaram que a professora não veio.
Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas pre-
feres. - Pronomes relativos:
Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quantos A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje.
passageiros desembarcaram. Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram.

- Pronomes indefinidos:
Sobre os pronomes:
Quem me disse isso?
Todos se comoveram durante o discurso de despedida.
O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujei-
to na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo quando desem- - Pronomes demonstrativos:
penha função de complemento. Vamos entender, primeiramente, Isso me deixa muito feliz!
como o pronome pessoal surge na frase e que função exerce. Ob- Aquilo me incentivou a mudar de atitude!
serve as orações:
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. - Preposição seguida de gerúndio:
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais
ajudar. indicado à pesquisa escolar.

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exercem - Conjunção subordinativa:


função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso reto. Já na se- Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.
gunda oração, observamos o pronome “lhe” exercendo função de
complemento, e, consequentemente, é do caso oblíquo. Ênclise
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso, o pro-
nome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para a segunda A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta não
pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar.... aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos átonos. A ênclise
Ajudar quem? Você (lhe). vai acontecer quando:

Didatismo e Conhecimento 53
LÍNGUA PORTUGUESA
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de conhe-
Amem-se uns aos outros. cê-lo?
Sigam-me e não terão derrotas. D) ...não parecia ser um importante industrial... − não parecia
ser-lhe
- O verbo iniciar a oração: E) incomodaram o general... − incomodaram-no
Diga-lhe que está tudo bem.
Chamaram-me para ser sócio. 03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). A
substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente,
- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da preposição com os necessários ajustes, foi realizada de modo INCORRETO
“a”: em:
Naquele instante os dois passaram a odiar-se. A) mostrando o rio= mostrando-o.
Passaram a cumprimentar-se mutuamente. B) como escolher sítio= como escolhê-lo.
- O verbo estiver no gerúndio:
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes.
Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreocupada.
D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = nada lhes
Despediu-se, beijando-me a face.
acrescentariam.
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas.
- Houver vírgula ou pausa antes do verbo:
Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no mesmo 04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a al-
instante. ternativa em que o pronome destacado está posicionado de acordo
Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas. com a norma-padrão da língua.
(A) Ela não lembrava-se do caminho de volta.
Mesóclise (B) A menina tinha distanciado-se muito da família.
(C) A garota disse que perdeu-se dos pais.
A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado no futuro (D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha.
do presente ou no futuro do pretérito: (E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança.
A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela se
realizará) 05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alternativa
Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma proposta cujo emprego do pronome está em conformidade com a norma
a você) padrão da língua.
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos.
Questões sobre Pronome (B) Nos falaram que a diplomacia americana está abalada.
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks.
01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012). (D) Conformado, se rendeu às punições.
Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não está (E) Todos querem que combata-se a corrupção.
claro até onde pode realmente chegar uma política baseada em
melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, a 06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assinale a al-
água e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que mes- ternativa correta quanto à colocação pronominal, de acordo com a
mo que a ameaça dos preços do carbono e da água faça em si norma-padrão da língua portuguesa.
diferença, as companhias não podem suportar ter de pagar, de re- (A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que eles
pente, digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer sejam sempre trazidos junto ao corpo.
preparação. Portanto, elas começam a usar preços sombra. Ainda (B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situação de ter
assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar
de procurar a dona de uma bolsa perdida.
adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria das po-
(C) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos resti-
líticas de crescimento verde sempre será a segunda opção.
tuir um objeto à pessoa que o perdeu.
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)
(D) O homem se indignou quando propuseram-lhe que abrisse
Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, referem-
-se, respectivamente, a a bolsa que encontrara.
(A) dúvidas e preços. (E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma tendência
(B) dúvidas e insumos básicos. natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
(C) companhias e insumos básicos.
(D) companhias e preços do carbono e da água. 07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013).
(E) políticas de crescimento e preços adequados. Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ-
tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______
02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- adap.). prazo.
Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho grifado está correta- Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta e res-
mente substituído por um pronome em: pectivamente, considerando a norma culta da língua.
A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo A) a que … acaba … à B) com que … acabam … à
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-lhes de- C) de que … acabam … a D) em que … acaba … a
salentado E) dos quais … acaba … à

Didatismo e Conhecimento 54
LÍNGUA PORTUGUESA
08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – 2013- 3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las
adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e respectiva-
mente, as lacunas do trecho. 4-)
______alguns anos, num programa de televisão, uma jovem (A) Ela não se lembrava do caminho de volta.
fazia referência______ violência______ o brasileiro estava sujei- (B) A menina tinha se distanciado muito da família.
to de forma cômica. (C) A garota disse que se perdeu dos pais.
A) Fazem... a ... de que B) Faz ...a ... que (E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança
C) Fazem ...à ... com que D) Faz ...à ... que
E) Faz ...à ... a que 5-)
(A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos.
09. (TRF 3ª região- Técnico Judiciário - /2014) (B) Falaram-nos que a diplomacia americana está abalada.
As sereias então devoravam impiedosamente os tripulantes. (D) Conformado, rendeu-se às punições.
... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabeça... (E) Todos querem que se combata a corrupção.
... e fez de tudo para convencer os tripulantes...
Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos grifados 6-)
acima foram corretamente substituídos por um pronome, na ordem (B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situação de ter
dada, em: de procurar a dona de uma bolsa perdida.
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los (C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos restituir
(B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes um objeto à pessoa que o perdeu.
(C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes (D) O homem indignou-se quando lhe propuseram que abrisse
(D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los a bolsa que encontrara.
(E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los (E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma tendência
10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013- natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras dos esta- 7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produtos
belecimentos felizmente comprovam os acontecimentos, e teste- de que não necessitam e acabam tendo de pagar tudo a
munhas vão ajudar a polícia na investigação. – de acordo com prazo.
a norma-padrão, os pronomes que substituem, corretamente, os
termos em destaque são: 8-) Faz alguns anos, num programa de televisão, uma jovem
A) os comprovam … ajudá-la. fazia referência à violência a que o brasileiro estava sujeito
B) os comprovam …ajudar-la. de forma cômica.
C) os comprovam … ajudar-lhe. Faz, no sentido de tempo passado = sempre no singular
D) lhes comprovam … ajudar-lhe.
E) lhes comprovam … ajudá-la. 9-)
devoravam - verbo terminado em “m” = pronome oblíquo no/
GABARITO na (fizeram-na, colocaram-no)
01. C 02. E 03. C 04. D 05. C impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto; “lhe” é
06. A 07. C 08. E 09. A 10. A para objeto indireto
convencer - verbo transitivo direto = pede objeto direto; “lhe”
RESOLUÇÃO é para objeto indireto
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada 10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabelecimentos fe-
em melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, lizmente comprovam os acontecimentos, e testemunhas vão ajudar
a água e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que a polícia na investigação.
mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água faça em si felizmente os comprovam ... ajudá-la
diferença, as companhias não podem suportar ter de pagar, de re- (advérbio)
pente, digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer
preparação. Portanto, elas começam a usar preços sombra. Ainda Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Substantivo
assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais denominam
adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria das po- os seres. Além de objetos, pessoas e fenômenos, os substantivos
líticas de crescimento verde sempre será a segunda opção. também nomeiam:

2-) -lugares: Alemanha, Porto Alegre...


A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los -sentimentos: raiva, amor...
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os desalen- -estados: alegria, tristeza...
tado -qualidades: honestidade, sinceridade...
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de conhe- -ações: corrida, pescaria...
cê-las ?
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não parecia sê-lo Morfossintaxe do substantivo

Didatismo e Conhecimento 55
LÍNGUA PORTUGUESA
Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em geral Os substantivos abstratos designam estados, qualidades, ações
exerce funções diretamente relacionadas com o verbo: atua como e sentimentos dos seres, dos quais podem ser abstraídos, e sem os
núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto ou in- quais não podem existir: vida (estado), rapidez (qualidade), via-
direto) e do agente da passiva. Pode ainda funcionar como núcleo gem (ação), saudade (sentimento).
do complemento nominal ou do aposto, como núcleo do predica-
tivo do sujeito, do objeto ou como núcleo do vocativo. Também 3 - Substantivos Coletivos
encontramos substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e
de adjuntos adverbiais - quando essas funções são desempenhadas Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra abe-
por grupos de palavras. lha, mais outra abelha.
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
Classificação dos Substantivos Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame.

1- Substantivos Comuns e Próprios Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi necessário
Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila, com mui- repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, mais outra abe-
tas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil, toda lha...
a sede de município é cidade). 2. O centro de uma cidade (em No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural.
oposição aos bairros). No terceiro caso, empregou-se um substantivo no singular
(enxame) para designar um conjunto de seres da mesma espécie
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas e edi- (abelhas).
fícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada cidade. Isso
significa que a palavra cidade é um substantivo comum. O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de uma
mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, homem, mu- Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mesmo es-
lher, país, cachorro. tando no singular, designa um conjunto de seres da mesma espécie.
Estamos voando para Barcelona.

O substantivo Barcelona designa apenas um ser da espécie ci-


dade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Próprio: é aquele Substantivo coletivo Conjunto de:
que designa os seres de uma mesma espécie de forma particular: assembleia pessoas reunidas
Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil. alcateia lobos
acervo livros
2 - Substantivos Concretos e Abstratos antologia trechos literários selecionados
arquipélago ilhas
LÂMPADA MALA banda músicos
bando desordeiros ou malfeitores
Os substantivos lâmpada e mala designam seres com existên- banca examinadores
cia própria, que são independentes de outros seres. São substan- batalhão soldados
tivos concretos. cardume peixes
caravana viajantes peregrinos
Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que existe, cacho frutas
independentemente de outros seres. cáfila camelos
Obs.: os substantivos concretos designam seres do mundo real cancioneiro canções, poesias líricas
e do mundo imaginário. colmeia abelhas
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, Brasília, chusma gente, pessoas
etc. concílio bispos
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantasma, etc. congresso parlamentares, cientistas.
elenco atores de uma peça ou filme
Observe agora: esquadra navios de guerra
Beleza exposta enxoval roupas
Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual. falange soldados, anjos
fauna animais de uma região
O substantivo beleza designa uma qualidade. feixe lenha, capim
flora vegetais de uma região
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que depen- frota navios mercantes, ônibus
dem de outros para se manifestar ou existir. girândola fogos de artifício
Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser observa- horda bandidos, invasores
da. Só podemos observar a beleza numa pessoa ou coisa que seja junta médicos, bois, credores, examinadores
bela. A beleza depende de outro ser para se manifestar. Portanto, a júri jurados
palavra beleza é um substantivo abstrato. legião soldados, anjos, demônios

Didatismo e Conhecimento 56
LÍNGUA PORTUGUESA
leva presos, recrutas Flexão de Gênero
malta malfeitores ou desordeiros
manada búfalos, bois, elefantes, Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar sexo
matilha cães de raça real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há dois gêneros:
molho chaves, verduras masculino e feminino. Pertencem ao gênero masculino os subs-
multidão pessoas em geral tantivos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. Veja
ninhada pintos estes títulos de filmes:
nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.) O velho e o mar
penca bananas, chaves Um Natal inesquecível
pinacoteca pinturas, quadros Os reis da praia
quadrilha ladrões, bandidos
ramalhete flores Pertencem ao gênero feminino os substantivos que podem vir
rebanho ovelhas precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
récua bestas de carga, cavalgadura
A história sem fim
repertório peças teatrais, obras musicais
Uma cidade sem passado
réstia alhos ou cebolas
romanceiro poesias narrativas As tartarugas ninjas
revoada pássaros Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
sínodo párocos
talha lenha Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar nomes de
tropa muares, soldados seres vivos, geralmente o gênero da palavra está relacionado ao
turma estudantes, trabalhadores sexo do ser, havendo, portanto, duas formas, uma para o masculino
vara porcos e outra para o feminino. Observe: gato – gata, homem – mulher,
poeta – poetisa, prefeito - prefeita
Formação dos Substantivos
Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam uma úni-
Substantivos Simples e Compostos ca forma, que serve tanto para o masculino quanto para o femini-
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra. no. Classificam-se em:
O substantivo chuva é formado por um único elemento ou ra- - Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a cobra ma-
dical. É um substantivo simples. cho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré fêmea.
- Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pessoas: a
Substantivo Simples: é aquele formado por um único elemen- criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o
to. indivíduo.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja agora: - Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pessoas por
O substantivo guarda-chuva é formado por dois elementos (guarda meio do artigo: o colega e a colega, o doente e a doente, o artista
+ chuva). Esse substantivo é composto. e a artista.
Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou mais ele- Saiba que: Substantivos de origem grega terminados em ema
mentos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo. ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o sintoma,
o teorema.
Substantivos Primitivos e Derivados
- Existem certos substantivos que, variando de gênero, variam
Meu limão meu limoeiro,
em seu significado: o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação
meu pé de jacarandá...
emissora) o capital (dinheiro) e a capital (cidade)
O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de ne-
nhum outro dentro de língua portuguesa. Formação do Feminino dos Substantivos Biformes

Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de nenhuma - Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno - aluna.
outra palavra da própria língua portuguesa. O substantivo limoeiro - Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao masculi-
é derivado, pois se originou a partir da palavra limão. no: freguês - freguesa
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de três
Substantivo Derivado: é aquele que se origina de outra pala- formas:
vra. - troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
- troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
Flexão dos substantivos -troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona

O substantivo é uma classe variável. A palavra é variável quan- Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão - sultana
do sofre flexão (variação). A palavra menino, por exemplo, pode
sofrer variações para indicar: - Substantivos terminados em -or:
Plural: meninos Feminino: menina - acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho - troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz

Didatismo e Conhecimento 57
LÍNGUA PORTUGUESA
- Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: cônsul - con- b) Com referência a mulher, deve-se preferir o feminino: O
sulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque - duquesa / problema está nas mulheres de mais idade, que não aceitam a per-
conde - condessa / profeta - profetisa sonagem.
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo fotográ-
- Substantivos que formam o feminino trocando o -e final por fico Ana Belmonte.
-a: elefante - elefanta Observe o gênero dos substantivos seguintes:

- Substantivos que têm radicais diferentes no masculino e no Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó (pena), o
feminino: bode – cabra / boi - vaca sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o maracajá, o clã,
o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o proclama, o
- Substantivos que formam o feminino de maneira especial, pernoite, o púbis.
isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores: czar – czari-
na réu - ré Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a cata-
plasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido, a cal, a
Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Epicenos:
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. - São geralmente masculinos os substantivos de origem grega
terminados em -ma: o grama (peso), o quilograma, o plasma, o
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso ocorre apostema, o diagrama, o epigrama, o telefonema, o estratagema,
porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma para indicar o o dilema, o teorema, o trema, o eczema, o edema, o magma, o es-
masculino e o feminino. tigma, o axioma, o tracoma, o hematoma.
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma para de-
signar os dois sexos. Esses substantivos são chamados de epice- Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
nos. No caso dos epicenos, quando houver a necessidade de espe-
Gênero dos Nomes de Cidades:
cificar o sexo, utilizam-se palavras macho e fêmea.
A cobra macho picou o marinheiro.
Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
Sobrecomuns:
A histórica Ouro Preto.
Entregue as crianças à natureza.
A dinâmica São Paulo.
A acolhedora Porto Alegre.
A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo masculino,
Uma Londres imensa e triste.
quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem o artigo nem um Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
possível adjetivo permitem identificar o sexo dos seres a que se
refere a palavra. Veja: Gênero e Significação:
A criança chorona chamava-se João.
A criança chorona chamava-se Maria. Muitos substantivos têm uma significação no masculino e ou-
tra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que à frente da
Outros substantivos sobrecomuns: tropa, indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa cria- que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um bastão),
tura. a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou proibição
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de Marcela de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do corpo), o cisma
faleceu (separação religiosa, dissidência), a cisma (ato de cismar, descon-
fiança), o cinza (a cor cinzenta), a cinza (resíduos de combustão),
Comuns de Dois Gêneros: o capital (dinheiro), a capital (cidade), o coma (perda dos senti-
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. dos), a coma (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em
coro), a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado na
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? administração da crisma e de outros sacramentos), a crisma (sa-
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma vez que cramento da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de curar),
a palavra motorista é um substantivo uniforme. o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície de vegeta-
A distinção de gênero pode ser feita através da análise do arti- ção), o guia (pessoa que guia outras), a guia (documento, pena
go ou adjetivo, quando acompanharem o substantivo: o colega - a grande das asas das aves), o grama (unidade de peso), a grama
colega; o imigrante - a imigrante; um jovem - uma jovem; artista (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa (recipiente, setor
famoso - artista famosa; repórter francês - repórter francesa de pagamentos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento),
o moral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética), o
- A palavra personagem é usada indistintamente nos dois gê- nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte), o maria-fu-
neros. maça (trem como locomotiva a vapor), maria-fumaça (locomotiva
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada preferência movida a vapor), o pala (poncho), a pala (parte anterior do boné
pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens os personagens ou quepe, anteparo), o rádio (aparelho receptor), a rádio (estação
dos contos de carochinha. emissora), o voga (remador), a voga (moda, popularidade).

Didatismo e Conhecimento 58
LÍNGUA PORTUGUESA
Flexão de Número do Substantivo - Flexionam-se os dois elementos, quando formados de:
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
Em português, há dois números gramaticais: o singular, que substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos
indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que indica mais de adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens
um ser ou grupo de seres. A característica do plural é o “s” final. numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

Plural dos Substantivos Simples - Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados
de:
- Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e “n” fa- verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
zem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – ímãs; hífen palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-
- hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon - cânones. -falantes
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
- Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em “ns”:
- Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando forma-
homem - homens.
dos de:
substantivo + preposição clara + substantivo = água-de-colô-
- Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural pelo
nia e águas-de-colônia
acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-vapor
e cavalos-vapor
Atenção: O plural de caráter é caracteres. substantivo + substantivo que funciona como determinante do
primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do termo anterior:
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-se no palavra-chave - palavras-chave, bomba-relógio - bombas-re-
plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; caracol – ca- lógio, notícia bomba - notícias bomba, homem-rã - homens-rã,
racóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul e cônsules. peixe- -espada - peixes-espada.

- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de duas - Permanecem invariáveis, quando formados de:
maneiras: verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. - Casos Especiais
Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas maneiras: o louva-a-deus e os louva-a-deus
répteis ou reptis (pouco usada). o bem-te-vi e os bem-te-vis
- Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de duas o bem-me-quer e os bem-me-queres
maneiras: o joão-ninguém e os joões ninguém.
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acréscimo
de “es”: ás – ases / retrós - retroses Plural das Palavras Substantivadas
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis: o
lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras classes
gramaticais usadas como substantivo, apresentam, no plural, as
- Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural de três flexões próprias dos substantivos.
maneiras. Pese bem os prós e os contras.
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações O aluno errou na prova dos noves.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos
Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou “z” não
variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos seis e al-
- Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o látex
guns dez.
- os látex.
Plural dos Diminutivos
Plural dos Substantivos Compostos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final e
-A formação do plural dos substantivos compostos depende acrescenta-se o sufixo diminutivo.
da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o pãe(s) + zinhos = pãezinhos
composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são animai(s) + zinhos = animaizinhos
grafados sem hífen comportam-se como os substantivos simples: botõe(s) + zinhos = botõezinhos
aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés, chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
malmequer/malmequeres. farói(s) + zinhos = faroizinhos
O plural dos substantivos compostos cujos elementos são li- tren(s) + zinhos = trenzinhos
gados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e discussões. colhere(s) + zinhas = colherezinhas
Algumas orientações são dadas a seguir: flore(s) + zinhas = florezinhas

Didatismo e Conhecimento 59
LÍNGUA PORTUGUESA
mão(s) + zinhas = mãozinhas - Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, as
papéi(s) + zinhos = papeizinhos espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas - Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do singular:
funi(s) + zinhos = funizinhos bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, bom nome) e
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos honras (homenagem, títulos).
pai(s) + zinhos = paizinhos - Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas com sen-
pé(s) + zinhos = pezinhos tido de plural:
pé(s) + zitos = pezitos Aqui morreu muito negro.
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas im-
Plural dos Nomes Próprios Personativos provisadas.

Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas sempre que Flexão de Grau do Substantivo
a terminação preste-se à flexão.
Os Napoleões também são derrotados. Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir as varia-
As Raquéis e Esteres. ções de tamanho dos seres. Classifica-se em:
- Grau Normal - Indica um ser de tamanho considerado nor-
Plural dos Substantivos Estrangeiros mal. Por exemplo: casa

Substantivos ainda não aportuguesados devem ser escritos - Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho do ser.
como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto quando ter- Classifica-se em:
minam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz. Analítico = o substantivo é acompanhado de um adjetivo que
indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acordo com as Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de
regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os jipes, os esportes, aumento. Por exemplo: casarão.
as toaletes, os bibelôs, os garçons, os réquiens.
- Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho do ser.
Observe o exemplo:
Pode ser:
Este jogador faz gols toda vez que joga.
Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo que in-
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
dica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Plural com Mudança de Timbre
Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indicador de
diminuição. Por exemplo: casinha.
Certos substantivos formam o plural com mudança de timbre
da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato fonético chamado
Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pessoa, núme-
metafonia (plural metafônico). ro, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros processos: ação
(correr); estado (ficar); fenômeno (chover); ocorrência (nascer);
Singular Plural desejo (querer).
corpo (ô) corpos (ó) O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não os seus
esforço esforços possíveis significados. Observe que palavras como corrida, chuva
fogo fogos e nascimento têm conteúdo muito próximo ao de alguns verbos
forno fornos mencionados acima; não apresentam, porém, todas as possibilida-
fosso fossos des de flexão que esses verbos possuem.
imposto impostos
olho olhos Estrutura das Formas Verbais
osso (ô) ossos (ó) Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode apresentar
ovo ovos os seguintes elementos:
poço poços - Radical: é a parte invariável, que expressa o significado es-
porto portos sencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am. (radical fal-)
posto postos - Tema: é o radical seguido da vogal temática que indica a con-
tijolo tijolos jugação a que pertence o verbo. Por exemplo: fala-r
São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (falar), 2ª
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bolsos, es- - Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática - I - (partir).
posos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc. - Desinência modo-temporal: é o elemento que designa o tem-
Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de mo- po e o modo do verbo. Por exemplo:
lho (ó) = feixe (molho de lenha). falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.)
falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)
Particularidades sobre o Número dos Substantivos - Desinência número pessoal: é o elemento que designa a pes-
soa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (singular ou plural):
- Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o norte, o falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)
leste, o oeste, a fé, etc. falavam (indica a 3ª pessoa do plural.)

Didatismo e Conhecimento 60
LÍNGUA PORTUGUESA
Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados (com- * Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se
por, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, pois a forma apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver desa- A fruta amadureceu.
parecido do infinitivo, revela-se em algumas formas do verbo: põe, As frutas amadureceram.
pões, põem, etc. Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como verbos
pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadureceu bastante.
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura dos ver- Entre os unipessoais estão os verbos que significam vozes de
bos com o conceito de acentuação tônica, percebemos com facili- animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodilo, cacarejar:
dade que nas formas rizotônicas o acento tônico cai no radical do galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo
verbo: opino, aprendam, nutro, por exemplo. Nas formas arrizo-
tônicas, o acento tônico não cai no radical, mas sim na terminação Os principais verbos unipessoais são:
verbal: opinei, aprenderão, nutriríamos.
1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preci-
so, necessário, etc.):
Classificação dos Verbos
Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos bas-
Classificam-se em:
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências normais tante.)
de sua conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
canto cantei cantarei cantava cantasse. É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)
- Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alterações no
radical ou nas desinências: faço fiz farei fizesse. 2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da
- Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação com- conjunção que.
pleta. Classificam-se em impessoais, unipessoais e pessoais: Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de fu-
* Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Normalmen- mar.)
te, são usados na terceira pessoa do singular. Os principais verbos Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo Cláudia.
impessoais são: (Sujeito: que não vejo Cláudia)
** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.
fazer (em orações temporais).
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam) * Pessoais: não apresentam algumas flexões por motivos mor-
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram) fológicos ou eufônicos. Por exemplo:
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão) - verbo falir. Este verbo teria como formas do presente do in-
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz) dicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o que prova-
velmente causaria problemas de interpretação em certos contextos.
** fazer, ser e estar (quando indicam tempo)
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil. - verbo computar. Este verbo teria como formas do presente
Era primavera quando a conheci. do indicativo computo, computas, computa - formas de sonoridade
Estava frio naquele dia. considerada ofensiva por alguns ouvidos gramaticais. Essas razões
muitas vezes não impedem o uso efetivo de formas verbais repu-
** Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são diadas por alguns gramáticos: exemplo disso é o próprio verbo
impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer, escu- computar, que, com o desenvolvimento e a popularização da infor-
recer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci mal-humora-
mática, tem sido conjugado em todos os tempos, modos e pessoas.
do”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido figurado. Qualquer
verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser im-
- Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma forma
pessoal para ser pessoal.
Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu) com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno costuma ocorrer
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos) no particípio, em que, além das formas regulares terminadas em
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu) -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irre-
gular). Observe:
** São impessoais, ainda:
1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo:
Já passa das seis.
2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição de, indi-
cando suficiência: Basta de tolices. Chega de blasfêmias.
3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está bem, Está
muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem referência a sujeito
expresso anteriormente. Podemos, ainda, nesse caso, classificar o
sujeito como hipotético, tornando-se, tais verbos, então, pessoais.
4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente de “ser
possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uns trocados?

Didatismo e Conhecimento 61
LÍNGUA PORTUGUESA
INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR

Anexar Anexado Anexo


Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR

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Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais, ides, fui, foste,
pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal, quando acompanha-
do de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar as moscas.


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo


Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito
sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

Didatismo e Conhecimento 62
LÍNGUA PORTUGUESA
SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo


Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo


Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

Didatismo e Conhecimento 63
LÍNGUA PORTUGUESA
HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo
Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais


Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio
haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo


Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo


Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo
Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na mesma pessoa do su-
jeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no próprio sentido do verbo (reflexivos
essenciais). Veja:
- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos: abster-se, ater-
-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade já está implícita no radical do
verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mesma, pois não recebe
ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é
conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo.
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem

- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto representado por pronome
oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou
transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo:
Maria se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo:
Maria penteou-me.

Didatismo e Conhecimento 64
LÍNGUA PORTUGUESA
Observações: - Particípio: quando não é empregado na formação dos tem-
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos pos compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma
átonos dos verbos pronominais não possuem função sintática. ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por
- Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblí- exemplo:
quos átonos, mas que não são essencialmente pronominais, são os Terminados os exames, os candidatos saíram.
verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de
se encontrarem na pessoa idêntica à do sujeito, exercem funções Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma
sintáticas. Por exemplo: relação temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me (objeto (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a aluna escolhida para re-
direto) - 1ª pessoa do singular presentar a escola.

Modos Verbais

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo 5.1 RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO
na expressão de um fato. Em Português, existem três modos:
ENTRE ORAÇÕES E ENTRE
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu sempre es-
tudo.
TERMOS DA ORAÇÃO.
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu
5.2 RELAÇÕES DE SUBORDINAÇÃO
estude amanhã. ENTRE ORAÇÕES E ENTRE
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda agora, me- TERMOS DA ORAÇÃO.
nino.

Formas Nominais
Frase, período e oração:
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para estabele-
podem exercer funções de nomes (substantivo, adjetivo, advér-
cer comunicação. Expressa juízo, indica ação, estado ou fenôme-
bio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:
no, transmite um apelo, ordem ou exterioriza emoções.
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do verbo de
Normalmente a frase é composta por dois termos – o sujeito
modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substanti-
e o predicado – mas não obrigatoriamente, pois em Português há
vo. Por exemplo:
orações ou frases sem sujeito: Há muito tempo que não chove.
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)
Enquanto na língua falada a frase é caracterizada pela entoa-
ção, na língua escrita, a entoação é reduzida a sinais de pontuação.
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma
Quanto aos tipos de frases, além da classificação em verbais e
simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo:
É preciso ler este livro. nominais, feita a partir de seus elementos constituintes, elas podem
Era preciso ter lido este livro. ser classificadas a partir de seu sentido global:
- frases interrogativas: o emissor da mensagem formula uma
- Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas pergunta: Que queres fazer?
do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desinên- - frases imperativas: o emissor da mensagem dá uma ordem ou
cias, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexio- faz um pedido: Dê-me uma mãozinha! Faça-o sair!
na-se da seguinte maneira: - frases exclamativas: o emissor exterioriza um estado afetivo:
2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu) Que dia difícil!
1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós) - frases declarativas: o emissor constata um fato: Ele já chegou.
2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós)
3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles) Quanto à estrutura da frase, as frases que possuem verbo (ora-
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa co- ção) são estruturadas por dois elementos essenciais: sujeito e pre-
locação. dicado. O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo em
número e pessoa. É o “ser de quem se declara algo”, “o tema do
- Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou ad- que se vai comunicar”. O predicado é a parte da frase que contém
vérbio. Por exemplo: “a informação nova para o ouvinte”. Ele se refere ao tema, consti-
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio) tuindo a declaração do que se atribui ao sujeito.
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de adjetivo) Quando o núcleo da declaração está no verbo, temos o pre-
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na dicado verbal. Mas, se o núcleo estiver num nome, teremos um
forma composta, uma ação concluída. Por exemplo: predicado nominal:
Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro. Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de opi-
Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro. nião.

Didatismo e Conhecimento 65
LÍNGUA PORTUGUESA
A existência é frágil. Ele já partiu;
Os dois sumiram;
A oração, às vezes, é sinônimo de frase ou período (simples) Um sim é suave e sugestivo.
quando encerra um pensamento completo e vem limitada por pon-
to-final, ponto de interrogação, ponto de exclamação e por reti- Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos: o de
cências. determinação ou indeterminação e o de núcleo do sujeito.
Um vulto cresce na escuridão. Clarissa encolhe-se. É Vasco. Um sujeito é determinado quando é facilmente identificável
pela concordância verbal. O sujeito determinado pode ser simples
Acima temos três orações correspondentes a três períodos sim- ou composto.
ples ou a três frases. Mas, nem sempre oração é frase: “convém A indeterminação do sujeito ocorre quando não é possível
que te apresses” apresenta duas orações, mas uma só frase, pois so- identificar claramente a que se refere a concordância verbal. Isso
ocorre quando não se pode ou não interessa indicar precisamente
mente o conjunto das duas é que traduz um pensamento completo.
o sujeito de uma oração.
Outra definição para oração é a frase ou membro de frase que
Estão gritando seu nome lá fora;
se organiza ao redor de um verbo. A oração possui sempre um ver-
Trabalha-se demais neste lugar.
bo (ou locução verbal), que implica na existência de um predicado,
ao qual pode ou não estar ligado um sujeito. O sujeito simples é o sujeito determinado que possui um único
Assim, a oração é caracterizada pela presença de um verbo. núcleo. Esse vocábulo pode estar no singular ou no plural; pode
Dessa forma: também ser um pronome indefinido.
Rua! = é uma frase, não é uma oração. Nós nos respeitamos mutuamente;
Já em: “Quero a rosa mais linda que houver, para enfeitar a A existência é frágil;
noite do meu bem.” Temos uma frase e três orações: As duas últi- Ninguém se move;
mas orações não são frases, pois em si mesmas não satisfazem um O amar faz bem.
propósito comunicativo; são, portanto, membros de frase.
O sujeito composto é o sujeito determinado que possui mais
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída por de um núcleo.
uma ou mais orações, formando um todo, com sentido comple- Alimentos e roupas andam caríssimos;
to. O período pode ser simples ou composto. Ela e eu nos respeitamos mutuamente;
O amar e o odiar são tidos como duas faces da mesma moeda.
Período simples é aquele constituído por apenas uma oração,
que recebe o nome de oração absoluta. Além desses dois sujeitos determinados, é comum a referência
Chove. ao sujeito oculto ( ou elíptico), isto é, ao núcleo do sujeito que
A existência é frágil. está implícito e que pode ser reconhecido pela desinência verbal
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de opi- ou pelo contexto.
nião. Abolimos todas as regras. = (nós)

Período composto é aquele constituído por duas ou mais ora- O sujeito indeterminado surge quando não se quer ou não se
ções: pode identificar claramente a que o predicado da oração refere--se.
“Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver.” Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso contrário, tería-
mos uma oração sem sujeito.
Cantei, dancei e depois dormi.
Na língua portuguesa o sujeito pode ser indeterminado de duas
maneiras:
Termos essenciais da oração:
- com verbo na terceira pessoa do plural, desde que o sujeito
não tenha sido identificado anteriormente:
O sujeito e o predicado são considerados termos essenciais Bateram à porta;
da oração, ou seja, sujeito e predicado são termos indispensáveis Andam espalhando boatos a respeito da queda do ministro.
para a formação das orações. No entanto, existem orações forma-
das exclusivamente pelo predicado. O que define, pois, a oração, é - com o verbo na terceira pessoa do singular, acrescido do pro-
a presença do verbo. nome se. Esta é uma construção típica dos verbos que não apresen-
O sujeito é o termo que estabelece concordância com o verbo. tam complemento direto:
“Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos.” Precisa-se de mentes criativas;
“Minhas primeiras lágrimas caíram dentro dos teus olhos”. Vivia-se bem naqueles tempos;
Na primeira frase, o sujeito é minha primeira lágrima. Minha e Trata-se de casos delicados;
primeira referem-se ao conceito básico expresso em lágrima. Lá- Sempre se está sujeito a erros.
grima é, pois, a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno- O pronome se funciona como índice de indeterminação do su-
minada núcleo do sujeito. O núcleo do sujeito relaciona-se com o jeito.
verbo, estabelecendo a concordância.
A função do sujeito é basicamente desempenhada por substan- As orações sem sujeito, formadas apenas pelo predicado, arti-
tivos, o que a torna uma função substantiva da oração. Pronomes, culam-se a partir de um verbo impessoal. A mensagem está centra-
substantivos, numerais e quaisquer outras palavras substantivadas da no processo verbal. Os principais casos de orações sem sujeito
(derivação imprópria) também podem exercer a função de sujeito. com:

Didatismo e Conhecimento 66
LÍNGUA PORTUGUESA
- os verbos que indicam fenômenos da natureza: Na frase acima o verbo ser poderia ser substituído por estar,
Amanheceu repentinamente; andar, ficar, parecer, permanecer ou continuar, atuando como ele-
Está chuviscando. mento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele relacionadas.
A função de predicativo é exercida normalmente por um adje-
- os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam fenômenos tivo ou substantivo.
meteorológicos ou se relacionam ao tempo em geral:
Está tarde. O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta dois nú-
Ainda é cedo. cleos significativos: um verbo e um nome. No predicado verbo-no-
Já são três horas, preciso ir; minal, o predicativo pode referir-se ao sujeito ou ao complemento
Faz frio nesta época do ano; verbal.
Há muitos anos aguardamos mudanças significativas; O verbo do predicado verbo-nominal é sempre significativo,
Faz anos que esperamos melhores condições de vida; indicando processos. É também sempre por intermédio do verbo
que o predicativo se relaciona com o termo a que se refere.
O predicado é o conjunto de enunciados que numa dada oração O dia amanheceu ensolarado;
contém a informação nova para o ouvinte. Nas orações sem sujei- As mulheres julgam os homens inconstantes
to, o predicado simplesmente enuncia um fato qualquer:
Chove muito nesta época do ano; No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta duas fun-
Houve problemas na reunião. ções: a de verbo significativo e a de verbo de ligação. Esse predi-
cado poderia ser desdobrado em dois, um verbal e outro nominal:
Nas orações que surge o sujeito, o predicado é aquilo que se O dia amanheceu;
declara a respeito desse sujeito. O dia estava ensolarado.
Com exceção do vocativo, que é um termo à parte, tudo o que
difere do sujeito numa oração é o seu predicado. No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o comple-
Os homens (sujeito) pedem amor às mulheres (predicado); mento homens como o predicativo inconstantes.
Passou-me (predicado) uma ideia estranha (sujeito) pelo pen-
samento (predicado).
Termos integrantes da oração:
Para o estudo do predicado, é necessário verificar se seu núcleo
Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o comple-
está num nome ou num verbo. Deve-se considerar também se as
mento nominal são chamados termos integrantes da oração.
palavras que formam o predicado referem-se apenas ao verbo ou
Os complementos verbais integram o sentido dos verbos tran-
também ao sujeito da oração.
sitivos, com eles formando unidades significativas. Esses verbos
Os homens sensíveis (sujeito) pedem amor sincero às mulheres
de opinião. podem se relacionar com seus complementos diretamente, sem a
presença de preposição ou indiretamente, por intermédio de pre-
O predicado acima apresenta apenas uma palavra que se refere posição.
ao sujeito: pedem. As demais palavras ligam-se direta ou indireta- O objeto direto é o complemento que se liga diretamente ao
mente ao verbo. verbo.
A existência (sujeito) é frágil (predicado). Os homens sensíveis pedem amor às mulheres de opinião;
Os homens sinceros pedem-no às mulheres de opinião;
O nome frágil, por intermédio do verbo, refere-se ao sujeito da Dou-lhes três.
oração. O verbo atua como elemento de ligação entre o sujeito e a Houve muita confusão na partida final.
palavra a ele relacionada.
O objeto direto preposicionado ocorre principalmente:
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo significati- - com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns referentes
vo um verbo: a pessoas:
Chove muito nesta época do ano; Amar a Deus;
Senti seu toque suave; Adorar a Xangô;
O velho prédio foi demolido. Estimar aos pais.
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem apenas
para indicar o estado do sujeito, mas indicam processos. - com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes de trata-
mento:
O predicado nominal é aquele que tem como núcleo signifi- Não excluo a ninguém;
cativo um nome; esse nome atribui uma qualidade ou estado ao Não quero cansar a Vossa Senhoria.
sujeito, por isso é chamado de predicativo do sujeito. O predica-
tivo é um nome que se liga a outro nome da oração por meio de - para evitar ambiguidade:
um verbo. Ao povo prejudica a crise. (sem preposição, a situação seria
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, isto é, outra)
não indica um processo. O verbo une o sujeito ao predicativo, in-
dicando circunstâncias referentes ao estado do sujeito: O objeto indireto é o complemento que se liga indiretamente
“Ele é senhor das suas mãos e das ferramentas.” ao verbo, ou seja, através de uma preposição.

Didatismo e Conhecimento 67
LÍNGUA PORTUGUESA
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres; O poeta português deixou uma obra originalíssima.
Os homens pedem-lhes amor sincero; O poeta deixou-a.
Gosto de música popular brasileira. (originalíssima não precisou ser repetida, portanto: adjunto ad-
nominal)
O termo que integra o sentido de um nome chama-se com- O poeta português deixou uma obra inacabada.
plemento nominal. O complemento nominal liga-se ao nome que O poeta deixou-a inacabada.
completa por intermédio de preposição: (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo do objeto)
Desenvolvemos profundo respeito à arte;
A arte é necessária à vida; Enquanto o complemento nominal relaciona-se a um substan-
Tenho-lhe profundo respeito. tivo, adjetivo ou advérbio; o adjunto nominal relaciona-se apenas
ao substantivo.
Termos acessórios da oração e vocativo:
O aposto é um termo acessório que permite ampliar, explicar,
Os termos acessórios recebem esse nome por serem acidentais,
desenvolver ou resumir a ideia contida num termo que exerça
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o adjunto ad-
qualquer função sintática.
verbial, adjunto adnominal, o aposto e o vocativo.

O adjunto adverbial é o termo da oração que indica uma cir- Ontem, segunda-feira, passei o dia mal-humorado.
cunstância do processo verbal, ou intensifica o sentido de um ad-
jetivo, verbo ou advérbio. É uma função adverbial, pois cabe ao Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo ontem.
advérbio e às locuções adverbiais exercerem o papel de adjunto Dizemos que o aposto é sintaticamente equivalente ao termo que
adverbial. se relaciona porque poderia substituí-lo: Segunda-feira passei o
Amanhã voltarei de bicicleta àquela velha praça. dia mal-humorado.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu valor na
As circunstâncias comumente expressas pelo adjunto adver- oração, em:
bial são: a) explicativo: A linguística, ciência das línguas humanas, per-
- acréscimo: Além de tristeza, sentia profundo cansaço. mite-nos interpretar melhor nossa relação com o mundo.
- afirmação: Sim, realmente irei partir. b) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas coisas:
- assunto: Falavam sobre futebol. amor, arte, ação.
- causa: Morrer ou matar de fome, de raiva e de sede… c) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e sonho, tudo
- companhia: Sempre contigo bailando sob as estrelas. isso forma o carnaval.
- concessão: Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. d) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fixaram-se
- conformidade: Fez tudo conforme o combinado. por muito tempo na baía anoitecida.
- dúvida: Talvez nos deixem entrar.
- fim: Estudou para o exame. O vocativo é um termo que serve para chamar, invocar ou in-
- frequência: Sempre aparecia por lá. terpelar um ouvinte real ou hipotético.
- instrumento: Fez o corte com a faca. A função de vocativo é substantiva, cabendo a substantivos,
- intensidade: Corria bastante. pronomes substantivos, numerais e palavras substantivadas esse
- limite: Andava atabalhoado do quarto à sala. papel na linguagem.
- lugar: Vou à cidade.
- matéria: Compunha-se de substâncias estranhas.
João, venha comigo!
- meio: Viajarei de trem.
Traga-me doces, minha menina!
- modo: Foram recrutados a dedo.
PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO
- negação: Não há ninguém que mereça.
- preço: As casas estão sendo vendidas a preços exorbitantes.
- substituição ou troca: Abandonou suas convicções por privi- O período composto caracteriza-se por possuir mais de uma
légios econômicos. oração em sua composição. Sendo assim:
- tempo: Ontem à tarde encontrou o velho amigo. - Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma oração)
- Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia. (Pe-
O adjunto adnominal é o termo acessório que determina, es- ríodo Composto =locução verbal, verbo, duas orações)
pecifica ou explica um substantivo. É uma função adjetiva, pois - Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um protetor
são os adjetivos e as locuções adjetivas que exercem o papel de solar. (Período Composto = três verbos, três orações).
adjunto adnominal na oração. Também atuam como adjuntos ad-
nominais os artigos, os numerais e os pronomes adjetivos. Cada verbo ou locução verbal corresponde a uma oração. Isso
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu amigo implica que o primeiro exemplo é um período simples, pois tem
de infância. apenas uma oração, os dois outros exemplos são períodos compos-
tos, pois têm mais de uma oração.
O adjunto adnominal liga-se diretamente ao substantivo a que Há dois tipos de relações que podem se estabelecer entre as
se refere, sem participação do verbo. Já o predicativo do objeto orações de um período composto: uma relação de coordenação ou
liga-se ao objeto por meio de um verbo. uma relação de subordinação.

Didatismo e Conhecimento 68
LÍNGUA PORTUGUESA
Duas orações são coordenadas quando estão juntas em um Só passei na prova porque me esforcei por muito tempo.
mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco de informações, Só fiquei triste por você não ter viajado comigo.
marcado pela pontuação final), mas têm, ambas, estruturas indivi- Não fui à praia, pois queria descansar durante o Domingo.
duais, como é o exemplo de: PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia. (Pe-
ríodo Composto) Observe o exemplo abaixo de Vinícius de Moraes:
Podemos dizer: “Eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto.”
1. Estou comprando um protetor solar. Oração Principal Oração Subordinada
2. Irei à praia.
Separando as duas, vemos que elas são independentes. Observe que na oração subordinada temos o verbo “existe”,
É esse tipo de período que veremos agora: o Período Composto que está conjugado na terceira pessoa do singular do presente do
por Coordenação. indicativo. As orações subordinadas que apresentam verbo em
Quanto à classificação das orações coordenadas, temos dois qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do indicativo, sub-
tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Sindéticas. juntivo e imperativo), são chamadas de orações desenvolvidas ou
explícitas.
Coordenadas Assindéticas Podemos modificar o período acima. Veja:
São orações coordenadas entre si e que não são ligadas através Eu sinto existir em meu gesto o teu gesto.
de nenhum conectivo. Estão apenas justapostas. Oração Principal Oração Subordinada

Coordenadas Sindéticas A análise das orações continua sendo a mesma: “Eu sinto” é a
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas entre si, oração principal, cujo objeto direto é a oração subordinada “existir
mas que são ligadas através de uma conjunção coordenativa. Esse em meu gesto o teu gesto”. Note que a oração subordinada apre-
caráter vai trazer para esse tipo de oração uma classificação. As senta agora verbo no infinitivo. Além disso, a conjunção “que”,
orações coordenadas sindéticas são classificadas em cinco tipos: conectivo que unia as duas orações, desapareceu. As orações su-
aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas. bordinadas cujo verbo surge numa das formas nominais (infinitivo
- flexionado ou não -, gerúndio ou particípio) chamamos orações
Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas principais reduzidas ou implícitas.
conjunções são: e, nem, não só... mas também, não só... como,
assim... como. Obs.: as orações reduzidas não são introduzidas por conjun-
Não só cantei como também dancei. ções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente, introdu-
Nem comprei o protetor solar, nem fui à praia. zidas por preposição.
Comprei o protetor solar e fui à praia.
1) ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: suas princi-
pais conjunções são: mas, contudo, todavia, entretanto, porém, no A oração subordinada substantiva tem valor de substantivo e
entanto, ainda, assim, senão. vem introduzida, geralmente, por conjunção integrante (que, se).
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante. Suponho que você foi à biblioteca hoje.
Ainda que a noite acabasse, nós continuaríamos dançando. Oração Subordinada Substantiva
Não comprei o protetor solar, mas mesmo assim fui à praia.
Você sabe se o presidente já chegou?
Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas princi- Oração Subordinada Substantiva
pais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer; seja...seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador. Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também introdu-
Ora sei que carreira seguir, ora penso em várias carreiras di- zem as orações subordinadas substantivas, bem como os advérbios
ferentes. interrogativos (por que, quando, onde, como). Veja os exemplos:
Quer eu durma quer eu fique acordado, ficarei no quarto. O garoto perguntou qual seu nome.
Oração Subordinada Substantiva
Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas prin-
cipais conjunções são: logo, portanto, por fim, por conseguinte, Não sabemos por que a vizinha se mudou.
consequentemente, pois (posposto ao verbo) Oração Subordinada Substantiva
Passei no concurso, portanto irei comemorar.
Conclui o meu projeto, logo posso descansar. Classificação das Orações Subordinadas Substantivas
Tomou muito sol, consequentemente ficou adoentada.
A situação é delicada; devemos, pois, agir De acordo com a função que exerce no período, a oração su-
bordinada substantiva pode ser:
Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas princi- a) Subjetiva
pais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na verdade, pois (an- É subjetiva quando exerce a função sintática de sujeito do ver-
teposto ao verbo). bo da oração principal. Observe:

Didatismo e Conhecimento 69
LÍNGUA PORTUGUESA
É fundamental o seu comparecimento à reunião. c) Objetiva Indireta
Sujeito A oração subordinada substantiva objetiva indireta atua como
objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de
É fundamental que você compareça à reunião. preposição.
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subje- Meu pai insiste em meu estudo.
tiva Objeto Indireto
Atenção:
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser subs- Meu pai insiste em que eu estude. (Meu pai insiste nisso)
tituída pelo pronome “ isso”. Assim, temos um período simples: Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
É fundamental isso. ou Isso é fundamental.
Obs.: em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na ora-
Dessa forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a fun- ção.
ção de sujeito Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração prin- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
cipal:
d) Completiva Nominal
A oração subordinada substantiva completiva nominal com-
- Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo:
pleta um nome que pertence à oração principal e também vem
É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo - É claro -
marcada por preposição.
Está evidente - Está comprovado
Sentimos orgulho de seu comportamento.
É bom que você compareça à minha festa. Complemento Nominal
- Expressões na voz passiva, como: Sabe-se - Soube-se - Con-
ta-se - Diz-se - Comenta-se - É sabido - Foi anunciado - Ficou Sentimos orgulho de que você se comportou. (Sentimos
provado orgulho disso.)
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro. Oração Subordinada Substantiva Completiva No-
minal
- Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar
- ocorrer - acontecer Lembre-se: as orações subordinadas substantivas objetivas
Convém que não se atrase na entrevista. indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações
subordinadas substantivas completivas nominais integram o sen-
Obs.: quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o tido de um nome. Para distinguir uma da outra, é necessário levar
verbo da oração principal está sempre na 3ª. pessoa do singular. em conta o termo complementado. Essa é, aliás, a diferença entre o
objeto indireto e o complemento nominal: o primeiro complemen-
b) Objetiva Direta ta um verbo, o segundo, um nome.

A oração subordinada substantiva objetiva direta exerce fun- e) Predicativa


ção de objeto direto do verbo da oração principal. A oração subordinada substantiva predicativa exerce papel de
predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre
Todos querem sua aprovação no concurso. depois do verbo ser.
Objeto Direto Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito
Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem
isso) Nosso desejo era que ele desistisse. (Nosso desejo era isso)
Oração Principal oração Subordinada Substantiva Objetiva Oração Subordinada Substantiva Predicativa
Obs.: em certos casos, usa-se a preposição expletiva “de” para
Direta
realce. Veja o exemplo: A impressão é de que não fui bem na pro-
va.
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas desen-
volvidas são iniciadas por:
f) Apositiva
- Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A A oração subordinada substantiva apositiva exerce função de
professora verificou se todos alunos estavam presentes. aposto de algum termo da oração principal.
Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
- Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes re- Aposto
gidos de preposição), nas interrogações indiretas: O pessoal queria (Fernanda tinha um grande sonho: isso.)
saber quem era o dono do carro importado.
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
- Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes re- Oração Subordinada Substantiva Apositiva
gidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu não sei por reduzida de infinitivo
que ela fez isso.

Didatismo e Conhecimento 70
LÍNGUA PORTUGUESA
* Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : ) Exemplo 1:
Jamais teria chegado aqui, não fosse a gentileza de um homem
2) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS que passava naquele momento.
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor
e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As orações vêm Nesse período, observe que a oração em destaque restringe e
introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto particulariza o sentido da palavra “homem”: trata-se de um homem
adnominal do antecedente. Observe o exemplo: específico, único. A oração limita o universo de homens, isto é, não
Esta foi uma redação bem-sucedida. se refere a todos os homens, mas sim àquele que estava passando
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal) naquele momento.

Note que o substantivo redação foi caracterizado pelo adjetivo Exemplo 2:


bem-sucedida. Nesse caso, é possível formarmos outra construção, O homem, que se considera racional, muitas vezes age ani-
a qual exerce exatamente o mesmo papel. Veja: malescamente.
Esta foi uma redação que fez sucesso. Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva
Nesse período, a oração em destaque não tem sentido restritivo
Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e em relação à palavra “homem”; na verdade, essa oração apenas
o termo da oração principal que ela modifica é feita pelo prono- explicita uma ideia que já sabemos estar contida no conceito de
me relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, “homem”.
o pronome relativo desempenha uma função sintática na oração Saiba que: A oração subordinada adjetiva explicativa é separa-
subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o da da oração principal por uma pausa que, na escrita, é representa-
antecede. da pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação seja indicada
Obs.: para que dois períodos se unam num período composto, como forma de diferenciar as orações explicativas das restritivas;
altera-se o modo verbal da segunda oração. de fato, as explicativas vêm sempre isoladas por vírgulas; as res-
Atenção: Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o tritivas, não.
pronome relativo que: ele sempre pode ser substituído por: o qual
- a qual - os quais - as quais 3) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
Refiro-me ao aluno que é estudioso.
Essa oração é equivalente a: Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce a
Refiro-me ao aluno o qual estuda. função de adjunto adverbial do verbo da oração principal. Dessa
forma, pode exprimir circunstância de tempo, modo, fim, causa,
Forma das Orações Subordinadas Adjetivas condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida, vem introduzida
por uma das conjunções subordinativas (com exclusão das inte-
Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresen- grantes). Classifica-se de acordo com a conjunção ou locução con-
tam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as orações subordi- juntiva que a introduz.
nadas adjetivas são chamadas desenvolvidas. Além delas, existem
as orações subordinadas adjetivas reduzidas, que não são introdu- Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
zidas por pronome relativo (podem ser introduzidas por preposi- Oração Subordinada Adverbial
ção) e apresentam o verbo numa das formas nominais (infinitivo,
gerúndio ou particípio). Observe que a oração em destaque agrega uma circunstância
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. de tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada adverbial
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar. temporal. Os adjuntos adverbiais são termos acessórios que indi-
No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva de- cam uma circunstância referente, via de regra, a um verbo. A clas-
senvolvida, já que é introduzida pelo pronome relativo “que” e sificação do adjunto adverbial depende da exata compreensão da
apresenta verbo conjugado no pretérito perfeito do indicativo. No circunstância que exprime. Observe os exemplos abaixo:
segundo, há uma oração subordinada adjetiva reduzida de infiniti- Naquele momento, senti uma das maiores emoções de minha
vo: não há pronome relativo e seu verbo está no infinitivo. vida.
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de minha
vida.
Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam,
as orações subordinadas adjetivas podem atuar de duas maneiras No primeiro período, “naquele momento” é um adjunto adver-
diferentes. Há aquelas que restringem ou especificam o sentido do bial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”. No segundo
termo a que se referem, individualizando-o. Nessas orações não período, esse papel é exercido pela oração “Quando vi a estátua”,
há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas que é, portanto, uma oração subordinada adverbial temporal. Essa
restritivas. Existem também orações que realçam um detalhe ou oração é desenvolvida, pois é introduzida por uma conjunção su-
amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficien- bordinativa (quando) e apresenta uma forma verbal do modo in-
temente definido, as quais denominam-se subordinadas adjetivas dicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria possível
explicativas. reduzi-la, obtendo-se:

Didatismo e Conhecimento 71
LÍNGUA PORTUGUESA
Ao ver a estátua, senti uma das maiores emoções de minha Principal conjunção subordinativa concessiva: EMBORA
vida. Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locuções ainda
que, ainda quando, mesmo que, se bem que, posto que, apesar de
A oração em destaque é reduzida, pois apresenta uma das for- que.
mas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é introduzida Só irei se ele for.
por conjunção subordinativa, mas sim por uma preposição (“a”, A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” ir só se
combinada com o artigo “o”). realizará caso essa condição seja satisfeita.
Obs.: a classificação das orações subordinadas adverbiais é Compare agora com:
feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos adverbiais. Irei mesmo que ele não vá.
Baseia-se na circunstância expressa pela oração. A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: irei de
qualquer maneira, independentemente de sua ida. A oração desta-
Circunstâncias Expressas pelas Orações Subordinadas Ad- cada é, portanto, subordinada adverbial concessiva.
verbiais Observe outros exemplos:
a) Causa Embora fizesse calor, levei agasalho.
A ideia de causa está diretamente ligada àquilo que provoca Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos metade da
um determinado fato, ao motivo do que se declara na oração prin- população continua à margem do mercado de consumo.
cipal. “É aquilo ou aquele que determina um acontecimento”. Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / embora não
Principal conjunção subordinativa causal: PORQUE estudasse). (reduzida de infinitivo)
Outras conjunções e locuções causais: como (sempre introdu-
zido na oração anteposta à oração principal), pois, pois que, já e) Comparação
que, uma vez que, visto que. As orações subordinadas adverbiais comparativas estabelecem
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte. uma comparação com a ação indicada pelo verbo da oração prin-
Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve alterna- cipal.
tiva a não ser cancelá-lo. Principal conjunção subordinativa comparativa: COMO
Já que você não vai, eu também não vou. Ele dorme como um urso.
Saiba que: É comum a omissão do verbo nas orações subordi-
b) Consequência nadas adverbiais comparativas. Por exemplo:
Agem como crianças. (agem)
As orações subordinadas adverbiais consecutivas exprimem
Oração Subordinada Adverbial Comparativa
um fato que é consequência, que é efeito do que se declara na ora-
ção principal. São introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
No entanto, quando se comparam ações diferentes, isso não
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas estruturas tão...
ocorre. Por exemplo: Ela fala mais do que faz. (comparação do
que, tanto...que, tamanho...que.
verbo falar e do verbo fazer).
Principal conjunção subordinativa consecutiva: QUE (precedi-
do de tal, tanto, tão, tamanho) f) Conformidade
É feio que dói. (É tão feio que, em consequência, causa dor.)
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou concreti- As orações subordinadas adverbiais conformativas indicam
zando-os. ideia de conformidade, ou seja, exprimem uma regra, um modelo
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzida de adotado para a execução do que se declara na oração principal.
Infinitivo) Principal conjunção subordinativa conformativa: CONFOR-
ME
c) Condição Outras conjunções conformativas: como, consoante e segundo
Condição é aquilo que se impõe como necessário para a reali- (todas com o mesmo valor de conforme).
zação ou não de um fato. As orações subordinadas adverbiais con- Fiz o bolo conforme ensina a receita.
dicionais exprimem o que deve ou não ocorrer para que se realize Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm direitos
ou deixe de se realizar o fato expresso na oração principal. iguais.
Principal conjunção subordinativa condicional: SE
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, desde g) Finalidade
que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, sem que, uma As orações subordinadas adverbiais finais indicam a intenção,
vez que (seguida de verbo no subjuntivo). a finalidade daquilo que se declara na oração principal.
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, certa- Principal conjunção subordinativa final: A FIM DE QUE
mente o melhor time será campeão. Outras conjunções finais: que, porque (= para que) e a locução
Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o con- conjuntiva para que.
trato. Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos.
Caso você se case, convide-me para a festa. Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada entras-
d) Concessão se.
As orações subordinadas adverbiais concessivas indicam con- h) Proporção
cessão às ações do verbo da oração principal, isto é, admitem uma As orações subordinadas adverbiais proporcionais exprimem
contradição ou um fato inesperado. A ideia de concessão está dire- ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao expresso na
tamente ligada ao contraste, à quebra de expectativa. oração principal.

Didatismo e Conhecimento 72
LÍNGUA PORTUGUESA
Principal locução conjuntiva subordinativa proporcional: À 04. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013-adap.)
PROPORÇÃO QUE Em – ...fruto não só do novo acesso da população ao automóvel
Outras locuções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao mas também da necessidade de maior número de viagens... –, os
passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...(maior), quanto termos em destaque estabelecem relação de
maior...(menor), quanto menor...(maior), quanto menor...(menor), A) explicação. B) oposição. C) alternância.
quanto mais...(mais), quanto mais...(menos), quanto menos... D) conclusão. E) adição.
(mais), quanto menos...(menos).
À proporção que estudávamos, acertávamos mais questões. 05. Analise a oração destacada: Não se desespere, que estare-
Visito meus amigos à medida que eles me convidam. mos a seu lado sempre.
Quanto maior for a altura, maior será o tombo. Marque a opção correta quanto à sua classificação:
A) Coordenada sindética aditiva.
i) Tempo B) Coordenada sindética alternativa.
As orações subordinadas adverbiais temporais acrescentam C) Coordenada sindética conclusiva.
uma ideia de tempo ao fato expresso na oração principal, podendo D) Coordenada sindética explicativa.
exprimir noções de simultaneidade, anterioridade ou posteriorida-
de. 06. A frase abaixo em que o conectivo E tem valor adversa-
Principal conjunção subordinativa temporal: QUANDO tivo é:
Outras conjunções subordinativas temporais: enquanto, mal e A) “O gesto é fácil E não ajuda em nada”.
locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as vezes que, an- B )“O que vemos na esquina E nos sinais de trânsito...”.
tes que, depois que, sempre que, desde que, etc. C) “..adultos submetem crianças E adolescentes à tarefa de pe-
Quando você foi embora, chegaram outros convidados. dir esmola”.
Sempre que ele vem, ocorrem problemas. D) “Quem dá esmola nas ruas contribui para a manutenção da
Mal você saiu, ela chegou. miséria E prejudica o desenvolvimento da sociedade”.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando terminou a E) “A vida dessas pessoas é marcada pela falta de dinheiro, de
festa) (Oração Reduzida de Particípio)
moradia digna, emprego, segurança, lazer, cultura, acesso à saúde
E à educação”.
Questões sobre Orações Coordenadas
07. Assinale a alternativa em que o sentido da conjunção subli-
01. A oração “Não se verificou, todavia, uma transplantação
nhada está corretamente indicado entre parênteses.
integral de gosto e de estilo” tem valor:
A) Meu primo formou-se em Direito, porém não pretende tra-
A) conclusivo B) adversativo C) concessivo
balhar como advogado. (explicação)
D) explicativo E) alternativo
B) Não fui ao cinema nem assisti ao jogo. (adição)
C) Você está preparado para a prova; por isso, não se preocupe.
02. “Estudamos, logo deveremos passar nos exames”. A ora-
ção em destaque é: (oposição)
a) coordenada explicativa b) coordenada adversativa D) Vá dormir mais cedo, pois o vestibular será amanhã. (al-
c) coordenada aditiva d) coordenada conclusiva ternância)
e) coordenada assindética E) Os meninos deviam correr para casa ou apanhariam toda a
chuva. (conclusão)
03. (Agente Educacional – VUNESP – 2013-adap.) Releia o
seguinte trecho: 08. Analise sintaticamente as duas orações destacadas no texto
Joyce e Mozart são ótimos, mas eles, como quase toda a cul- “O assaltante pulou o muro, mas não penetrou na casa, nem as-
tura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. sustou seus habitantes.” A seguir, classifique-as, respectivamente,
Sem que haja alteração de sentido, e de acordo com a nor- como coordenadas:
ma- -padrão da língua portuguesa, ao se substituir o termo em A) adversativa e aditiva. B) explicativa e aditiva.
destaque, o trecho estará corretamente reescrito em: C) adversativa e alternativa. D) aditiva e alternativa.
A) Joyce e Mozart são ótimos, portanto eles, como quase toda
a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prá- 09. Um livro de receita é um bom presente porque ajuda as
tica. pessoas que não sabem cozinhar. A palavra “porque” pode ser
B) Joyce e Mozart são ótimos, conforme eles, como quase toda substituída, sem alteração de sentido, por
a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prá- A) entretanto. B) então. C) assim. D) pois. E) porém.
tica.
C) Joyce e Mozart são ótimos, assim eles, como quase toda a 10- Na oração “Pedro não joga E NEM ASSISTE”, temos a
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. presença de uma oração coordenada que pode ser classificada em:
D) Joyce e Mozart são ótimos, todavia eles, como quase toda a A) Coordenada assindética;
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. B) Coordenada assindética aditiva;
E) Joyce e Mozart são ótimos, pois eles, como quase toda a C) Coordenada sindética alternativa;
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. D) Coordenada sindética aditiva.

Didatismo e Conhecimento 73
LÍNGUA PORTUGUESA
GABARITO 8-) - mas não penetrou na casa = conjunção adversativa
01. B 02. E 03. D 04. E 05. D - nem assustou seus habitantes = conjunção aditiva
06. A 07. B 08. A 09. D 10. D 9-) Um livro de receita é um bom presente porque ajuda as
RESOLUÇÃO pessoas que não sabem cozinhar.
= conjunção explicativa: pois
1-) “Não se verificou, todavia, uma transplantação integral de
gosto e de estilo” = conjunção adversativa, portanto: oração coor- 10-) E NEM ASSISTE= conjunção aditiva (ideia de adição,
denada sindética adversativa soma de fatos) = Coordenada sindética aditiva.

2-) Estudamos, logo deveremos passar nos exames = a oração Questões sobre Orações Subordinadas
em destaque não é introduzida por conjunção, então: coordenada
assindética (Papiloscopista Policial – Vunesp/2013).
Mais denso, menos trânsito
3-) Joyce e Mozart são ótimos, mas eles... = conjunção (e
ideia) adversativa As grandes cidades brasileiras estão congestionadas e em pro-
A) Joyce e Mozart são ótimos, portanto eles, como quase toda cesso de deterioração agudizado pelo crescimento econômico da
a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida práti- última década. Existem deficiências evidentes em infraestrutura,
ca. = conclusiva mas é importante também considerar o planejamento urbano.
B) Joyce e Mozart são ótimos, conforme eles, como quase toda Muitas grandes cidades adotaram uma abordagem de descon-
a cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida práti- centração, incentivando a criação de diversos centros urbanos, na
ca. = conformativa visão de que isso levaria a uma maior facilidade de deslocamento.
C) Joyce e Mozart são ótimos, assim eles, como quase toda a Mas o efeito tem sido o inverso. A criação de diversos centros
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática. e o aumento das distâncias multiplicam o número de viagens, di-
= conclusiva ficultando o investimento em transporte coletivo e aumentando a
E) Joyce e Mozart são ótimos, pois eles, como quase toda a
necessidade do transporte individual.
cultura humanística, têm pouca relevância para nossa vida prática.
Se olharmos Los Angeles como a região que levou a des-
= explicativa
concentração ao extremo, ficam claras as consequências. Numa
Dica: conjunção pois como explicativa = dá para eu substituir
região rica como a Califórnia, com enorme investimento viário,
por porque; como conclusiva: substituo por portanto.
temos engarrafamentos gigantescos que viraram característica da
cidade.
4-) fruto não só do novo acesso da população ao automóvel
Os modelos urbanos bem-sucedidos são aqueles com elevado
mas também da necessidade de maior número de viagens... estabe-
lecem relação de adição de ideias, de fatos adensamento e predominância do transporte coletivo, como mos-
tram Manhattan e Tóquio.
5-) Não se desespere, que estaremos a seu lado sempre. O centro histórico de São Paulo é a região da cidade mais bem
= conjunção explicativa (= porque) - coordenada sindética ex- servida de transporte coletivo, com infraestrutura de telecomuni-
plicativa cação, água, eletricidade etc. Como em outras grandes cidades,
essa deveria ser a região mais adensada da metrópole. Mas não
6-) é o caso. Temos, hoje, um esvaziamento gradual do centro, com
A) “O gesto é fácil E não ajuda em nada”. = mas não ajuda deslocamento das atividades para diversas regiões da cidade.
(ideia contrária) A visão de adensamento com uso abundante de transporte co-
B )“O que vemos na esquina E nos sinais de trânsito...”. = letivo precisa ser recuperada. Desse modo, será possível reverter
adição esse processo de uso cada vez mais intenso do transporte indivi-
C) “..adultos submetem crianças E adolescentes à tarefa de pe- dual, fruto não só do novo acesso da população ao automóvel,
dir esmola”. = adição mas também da necessidade de maior número de viagens em fun-
D) “Quem dá esmola nas ruas contribui para a manutenção da ção da distância cada vez maior entre os destinos da população.
miséria E prejudica o desenvolvimento da sociedade”. = adição (Henrique Meirelles, Folha de S.Paulo, 13.01.2013. Adaptado)
E) “A vida dessas pessoas é marcada pela falta de dinheiro, de
moradia digna, emprego, segurança, lazer, cultura, acesso à saúde As expressões mais denso e menos trânsito, no título, estabele-
E à educação”. = adição cem entre si uma relação de
(A) comparação e adição. (B) causa e consequência.
7-) (C) conformidade e negação. (D) hipótese e concessão.
A) Meu primo formou-se em Direito, porém não pretende tra- (E) alternância e explicação
balhar como advogado. = adversativa
C) Você está preparado para a prova; por isso, não se preocupe. 02. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
= conclusão – 2013). No trecho – Tem surtido um efeito positivo por eles se tor-
D) Vá dormir mais cedo, pois o vestibular será amanhã. narem uma referência positiva dentro da unidade, já que cumprem
= explicativa melhor as regras, respeitam o próximo e pensam melhor nas suas
E) Os meninos deviam correr para casa ou apanhariam toda a ações, refletem antes de tomar uma atitude. – o termo em destaque
chuva. = alternativa estabelece entre as orações uma relação de

Didatismo e Conhecimento 74
LÍNGUA PORTUGUESA
A) condição. B) causa. C) comparação. D) tempo. B) Uma vez que se verifica a desconcentração e o aumento
E) concessão. da extensão urbana no Brasil, é importante desenvolver e adensar
03. (UFV-MG) As orações subordinadas substantivas que apa- ainda mais os diversos centros já existentes...
recem nos períodos abaixo são todas subjetivas, exceto: C) Assim como são verificados a desconcentração e o aumento
A) Decidiu-se que o petróleo subiria de preço. da extensão urbana no Brasil, é importante desenvolver e adensar
B) É muito bom que o homem, vez por outra, reflita sobre sua ainda mais os diversos centros já existentes...
vida. D) Visto que com a desconcentração e o aumento da extensão
C) Ignoras quanto custou meu relógio? urbana verificados no Brasil, é importante desenvolver e adensar
D) Perguntou-se ao diretor quando seríamos recebidos. ainda mais os diversos centros já existentes...
E) Convinha-nos que você estivesse presente à reunião E) De maneira que, com a desconcentração e o aumento da
extensão urbana verificados no Brasil, é importante desenvolver e
04. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). adensar ainda mais os diversos centros já existentes...
Considere a tirinha em que se vê Honi conversando com seu Na-
morado Lute. 06. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013). Em – É fun-
damental que essa visão de adensamento com uso abundante de
transporte coletivo seja recuperada para que possamos reverter
esse processo de uso… –, a expressão em destaque estabelece en-
tre as orações relação de
A) consequência. B) condição. C) finalidade.
D) causa. E) concessão.

07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013 – adap.). Consi-


dere o trecho: “Como as músicas eram de protesto, naquele mes-
mo ano foi enquadrado na lei de segurança nacional pela ditadura
militar e exilado.” O termo Como, em destaque na primeira parte
do enunciado, expressa ideia de
A) contraste e tem sentido equivalente a porém.
B) concessão e tem sentido equivalente a mesmo que.
C) conformidade e tem sentido equivalente a conforme.
D) causa e tem sentido equivalente a visto que.
E) finalidade e tem sentido equivalente a para que.

08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públi-


cas – VUNESP – 2013-adap.) No trecho – “Fio, disjuntor, toma-
da, tudo!”, insiste o motorista, com tanto orgulho que chega a
(Dik Browne, Folha de S. Paulo, 26.01.2013) contaminar-me. –, a construção tanto ... que estabelece entre as
construções [com tanto orgulho] e [que chega a contaminar-me]
É correto afirmar que a expressão contanto que estabelece en- uma relação de
tre as orações relação de A) condição e finalidade. B) conformidade e proporção.
A) causa, pois Honi quer ter filhos e não deseja trabalhar de- C) finalidade e concessão. D) proporção e comparação.
pois de casada. E) causa e consequência.
B) comparação, pois o namorado espera ter sucesso como can-
tor romântico. 09. “Os Estados Unidos são considerados hoje um país bem
C) tempo, pois ambos ainda são adolescentes, mas já pensam mais fechado – embora em doze dias recebam o mesmo número
em casamento. de imigrantes que o Brasil em um ano.” A alternativa que substitui
D) condição, pois Lute sabe que exercendo a profissão de mú- a expressão em negrito, sem prejuízo ao conteúdo, é:
sico provavelmente ganhará pouco. A) já que. B) todavia. C) ainda que.
E) finalidade, pois Honi espera que seu futuro marido torne-se D) entretanto. E) talvez.
um artista famoso.
10. (Escrevente TJ SP – Vunesp – 2013) Assinale a alternativa
05. (Analista Administrativo – VUNESP – 2013). Em – Ape- que substitui o trecho em destaque na frase – Assinarei o docu-
sar da desconcentração e do aumento da extensão urbana veri- mento, contanto que garantam sua autenticidade. – sem que haja
ficados no Brasil, é importante desenvolver e adensar ainda mais prejuízo de sentido.
os diversos centros já existentes... –, sem que tenha seu sentido (A) desde que garantam sua autenticidade.
alterado, o trecho em destaque está corretamente reescrito em: (B) no entanto garantam sua autenticidade.
A) Mesmo com a desconcentração e o aumento da Extensão (C) embora garantam sua autenticidade.
urbana verificados no Brasil, é importante desenvolver e adensar (D) portanto garantam sua autenticidade.
ainda mais os diversos centros já existentes... (E) a menos que garantam sua autenticidade.

Didatismo e Conhecimento 75
LÍNGUA PORTUGUESA
GABARITO C) O crescimento da escolaridade também foi impulsionado...
01. B 02. B 03. C 04. D 05. A D) ...elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio...
06. C 07. D 08. E 09. C 10. A E) ...impulsionado pelo aumento do número de universida-
RESOLUÇÃO des...
02.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013). Donos de
1-) mais denso e menos trânsito = mais denso, consequente- uma capacidade de orientação nas brenhas selvagens [...], sabiam
mente, menos trânsito, então: causa e consequência os paulistas como...
O segmento em destaque na frase acima exerce a mesma fun-
2-) já que cumprem melhor as regras = estabelece entre as ção sintática que o elemento grifado em:
orações uma relação de causa com a consequência de “tem um A) Nas expedições breves serviam de balizas ou mostradores
efeito positivo”. para a volta.
B) Às estreitas veredas e atalhos [...], nada acrescentariam
3-) Ignoras quanto custou meu relógio? = oração subordinada aqueles de considerável...
substantiva objetiva direta C) Só a um olhar muito exercitado seria perceptível o sinal.
A oração não atende aos requisitos de tais orações, ou seja, não D) Uma sequência de tais galhos, em qualquer floresta, podia
se inicia com verbo de ligação, tampouco pelos verbos “convir”, significar uma pista.
“parecer”, “importar”, “constar” etc., e também não inicia com as E) Alguns mapas e textos do século XVII apresentam-nos a
conjunções integrantes “que” e “se”. vila de São Paulo como centro...

4-) a expressão contanto que estabelece uma relação de con- 03. Há complemento nominal em:
dição (condicional) A)Você devia vir cá fora receber o beijo da madrugada.
B)... embora fosse quase certa a sua possibilidade de ganhar
5-) Apesar da desconcentração e do aumento da extensão urba- a vida.
na verificados no Brasil = conjunção concessiva C)Ela estava na janela do edifício.
B) Uma vez que se verifica a desconcentração e o aumento da D)... sem saber ao certo se gostávamos dele.
extensão urbana no Brasil, = causal E)Pouco depois começaram a brincar de bandido e mocinho
C) Assim como são verificados a desconcentração e o aumento de cinema.
da extensão urbana no Brasil = comparativa
D) Visto que com a desconcentração e o aumento da extensão 04. (ESPM-SP) Em “esta lhe deu cem mil contos”, o termo
urbana verificados no Brasil = causal destacado é:
E) De maneira que, com a desconcentração e o aumento da A) pronome possessivo B) complemento nominal
extensão urbana verificados no Brasil = consecutivas C) objeto indireto D) adjunto adnominal
E) objeto direto
6-) para que possamos = conjunção final (finalidade)
05. Assinale a alternativa correta e identifique o sujeito das se-
7-) “Como as músicas eram de protesto = expressa ideia de guintes orações em relação aos verbos destacados:
causa da consequência “foi enquadrado” = causa e tem sentido - Amanhã teremos uma palestra sobre qualidade de vida.
equivalente a visto que. - Neste ano, quero prestar serviço voluntário.

8-) com tanto orgulho que chega a contaminar-me. – a constru- A)Tu – vós B)Nós – eu C)Vós – nós D) Ele - tu
ção estabelece uma relação de causa e consequência. (a causa da
“contaminação” – consequência) 06. Classifique o sujeito das orações destacadas no texto se-
guinte e, a seguir, assinale a sequência correta.
9-) Os Estados Unidos são considerados hoje um país bem É notável, nos textos épicos, a participação do sobrenatural.
mais fechado – embora em doze dias recebam o mesmo número É frequente a mistura de assuntos relativos ao nacionalismo com
de imigrantes que o Brasil em um ano.” = conjunção concessiva: o caráter maravilhoso. Nas epopeias, os deuses tomam partido e
ainda que interferem nas aventuras dos heróis, ajudando-os ou atrapalhan-
do- -os.
10-) contanto que garantam sua autenticidade. = conjunção A)simples, composto B)indeterminado, composto
condicional = desde que C)simples, simples D) oculto, indeterminado

Questões sobre Análise Sintática 07. (ESPM-SP) “Surgiram fotógrafos e repórteres”. Identi-
fique a alternativa que classifica corretamente a função sintática e
01. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013). Os tra- a classe morfológica dos termos destacados:
balhadores passaram mais tempo na escola... A) objeto indireto – substantivo
O segmento grifado acima possui a mesma função sintática B) objeto direto - substantivo
que o destacado em: C) sujeito – adjetivo
A) ...o que reduz a média de ganho da categoria. D) objeto direto – adjetivo
B) ...houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. E) sujeito - substantivo

Didatismo e Conhecimento 76
LÍNGUA PORTUGUESA
GABARITO
01. C 02. D 03. B 04. C 05. B 06. C 07. E 5.3 EMPREGO DOS SINAIS DE
RESOLUÇÃO PONTUAÇÃO.
1-) Os trabalhadores passaram mais tempo na escola
= SUJEITO
A) ...o que reduz a média de ganho da categoria. = objeto direto
B) ...houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. = objeto Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem
direto para compor a coesão e a coerência textual, além de ressaltar es-
C) O crescimento da escolaridade também foi impulsionado... pecificidades semânticas e pragmáticas. Vejamos as principais
= sujeito paciente funções dos sinais de pontuação conhecidos pelo uso da língua
D) ...elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio... = portuguesa.
objeto direto
E) ...impulsionado pelo aumento do número de universida- Ponto
des... = agente da passiva 1- Indica o término do discurso ou de parte dele.
- Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em que
2-) Donos de uma capacidade de orientação nas brenhas selva- se encontra.
gens [...], sabiam os paulistas como... = SUJEITO - Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga e leite.
A) Nas expedições breves = ADJUNTO ADVERBIAL - Acordei. Olhei em volta. Não reconheci onde estava.
B) nada acrescentariam aqueles de considerável...= adjunto
adverbial 2- Usa-se nas abreviações - V. Exª. - Sr.
C) seria perceptível o sinal. = predicativo
D) Uma sequência de tais galhos = sujeito Ponto e Vírgula ( ; )
E) apresentam-nos a vila de São Paulo como = objeto direto 1- Separa várias partes do discurso, que têm a mesma impor-
tância.
3-) - “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo pão
A) o beijo da madrugada. = adjunto adnominal a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de
B)a sua possibilidade de ganhar a vida. = complemento nomi- nenhum espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
nal (possibilidade de quê?)
C)na janela do edifício. = adjunto adnominal 2- Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas.
D)... sem saber ao certo se gostávamos dele. = objeto indireto - Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, montanhas,
E) a brincar de bandido e mocinho de cinema = objeto indireto frio e cobertor.

4-) esta lhe deu cem mil contos = o verbo DAR é bitransitivo, 3- Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos, de-
ou seja, transitivo direto e indireto, portanto precisa de dois com- creto de lei, etc.
plementos – dois objetos: direto e indireto. - Ir ao supermercado;
Deu o quê? = cem mil contos (direto) - Pegar as crianças na escola;
Deu a quem? lhe (=a ele, a ela) = indireto - Caminhada na praia;
- Reunião com amigos.
5-) - Amanhã ( nós ) teremos uma palestra sobre qualidade de
vida. Dois pontos
- Neste ano, ( eu ) quero prestar serviço voluntário. 1- Antes de uma citação
- Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
6-) É notável, nos textos épicos, a participação do sobrenatural.
É frequente a mistura de assuntos relativos ao nacionalismo com 2- Antes de um aposto
o caráter maravilhoso. Nas epopeias, os deuses tomam partido e - Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à tarde
interferem nas aventuras dos heróis, ajudando-os ou atrapalhan- e calor à noite.
do-os.
Ambos os termos apresentam sujeito simples 3- Antes de uma explicação ou esclarecimento
- Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a
7-) Surgiram fotógrafos e repórteres. rotina de sempre.
O sujeito está deslocado, colocado na ordem indireta (final
da oração). Portanto: função sintática: sujeito (composto); classe 4- Em frases de estilo direto
morfológica (classe de palavras): substantivos. Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?

Ponto de Exclamação
1- Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto,
súplica, etc.

Didatismo e Conhecimento 77
LÍNGUA PORTUGUESA
- Sim! Claro que eu quero me casar com você! - Para isolar:
2- Depois de interjeições ou vocativos - o aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira,
- Ai! Que susto! possui um trânsito caótico.
- João! Há quanto tempo! - o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
Ponto de Interrogação
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. Fontes: http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo) http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-virgula.htm
Questões sobre Pontuação
Reticências
1- Indica que palavras foram suprimidas. 01. (Agente Policial – Vunesp – 2013). Assinale a alternativa
- Comprei lápis, canetas, cadernos... em que a pontuação está corretamente empregada, de acordo com
a norma-padrão da língua portuguesa.
2- Indica interrupção violenta da frase. (A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora,
“- Não... quero dizer... é verdad... Ah!” experimentasse, a sensação de violar uma intimidade, procurou a
esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju-
3- Indica interrupções de hesitação ou dúvida dar a revelar quem era a sua dona.
- Este mal... pega doutor? (B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e, embora
experimentasse a sensação, de violar uma intimidade, procurou a
4- Indica que o sentido vai além do que foi dito esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju-
- Deixa, depois, o coração falar... dar a revelar quem era a sua dona.
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora
Vírgula experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a
esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que pudesse aju-
Não se usa vírgula dar a revelar quem era a sua dona.
*separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se (D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e, embora
diretamente entre si: experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a
- entre sujeito e predicado. esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo que pudesse aju-
Todos os alunos da sala foram advertidos. dar a revelar quem era a sua dona.
Sujeito predicado (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora,
experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procurou a
- entre o verbo e seus objetos. esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo que pudesse aju-
O trabalho custou sacrifício aos realizadores. dar a revelar quem era a sua dona.
V.T.D.I. O.D. O.I.
02. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE/2013 - ADAP-
Usa-se a vírgula: TADA) Jogadores de futebol de diversos times entraram em cam-
- Para marcar intercalação: po em prol do programa “Pai Presente”, nos jogos do Campeo-
a) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância, nato Nacional em apoio à campanha que visa 4 reduzir o número
vem caindo de preço. de pessoas que não possuem o nome do pai em sua certidão de
b) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produ- nascimento. (...)
zindo, todavia, altas quantidades de alimentos. A oração subordinada “que não possuem o nome do pai em sua
c) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não certidão de nascimento” não é antecedida por vírgula porque tem
querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem abrir mão natureza restritiva.
dos lucros altos. ( ) Certo ( ) Errado

- Para marcar inversão: 03.(BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BN-


a) do adjunto adverbial (colocado no início da oração): Depois DES/2012) Em que período a vírgula pode ser retirada, mantendo-
das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas. se o sentido e a obediência à norma-padrão?
b) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos pesquisa- (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o treino.
dores, não lhes destinaram verba alguma. (B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos esportes?
c) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio de (C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se prepara
1982. para o evento.
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimoramen-
- Para separar entre si elementos coordenados (dispostos em to do desportista.
enumeração): (E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: judô,
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. natação e canoagem.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
04. (BANPARÁ/PA – TÉCNICO BANCÁRIO – ESPP/2012)
- Para marcar elipse (omissão) do verbo: Assinale a alternativa em que a pontuação está correta.
Nós queremos comer pizza; e vocês, churrasco. a) Meu grande amigo Pedro, esteve aqui ontem!

Didatismo e Conhecimento 78
LÍNGUA PORTUGUESA
b) Foi solicitado, pelo diretor o comprovante da transação. 08. (ACADEMIA DE POLÍCIA DO ESTADO DE MINAS
c) Maria, você trouxe os documentos? GERAIS – TÉCNICO ASSISTENTE DA POLÍCIA CIVIL - FU-
d) O garoto de óculos leu, em voz alta o poema. MARC/2013) “Paciência, minha filha, este é apenas um ciclo eco-
e) Na noite de ontem o vigia percebeu, uma movimentação nômico e a nossa geração foi escolhida para este vexame, você aí
estranha. desse tamanho pedindo esmola e eu aqui sem nada para te dizer,
agora afasta que abriu o sinal.”
05. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013 – adap.). Assinale No período acima, as vírgulas foram empregadas em “Paciên-
a alternativa em que a frase mantém-se correta após o acréscimo cia, minha filha, este é [...]”, para separar
das vírgulas. (A) aposto.
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na pulseira (B) vocativo.
instruções para que envie, uma mensagem eletrônica ao grupo ou (C) adjunto adverbial.
acione o código na internet. (D) expressão explicativa.
(B) Um geo localizador também, avisará, os pais de onde o 09. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL
código foi acionado. PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011) O período
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados, re- corretamente pontuado é:
cebem automaticamente, uma mensagem dizendo que a criança (A) Os filmes que, mostram a luta pela sobrevivência em con-
foi encontrada. dições hostis nem sempre conseguem agradar, aos espectadores.
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega primeiro (B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes entre si,
às, areias do Guarujá. podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma história ficcional.
(E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o telefone de (C) A história de heroísmo e de determinação que nem sempre,
quem a encontrou e informar um ponto de referência é convincente, se passa em um cenário marcado, pelo frio.
(D) Caminhar por um extenso território gelado, é correr riscos
06. (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013) iminentes que comprometem, a sobrevivência.
Para que o fragmento abaixo seja coerente e gramaticalmente cor- (E) Para os fugitivos que se propunham, a alcançar a liberdade,
nada poderia parecer, realmente intransponível.
reto, é necessário inserir sinais de pontuação. Assinale a posição
em que não deve ser usado o sinal de ponto, e sim a vírgula, para
GABARITO
que sejam respeitadas as regras gramaticais. Desconsidere os ajus-
01. C 02. C 03. D 04. C 05. E
tes nas letras iniciais minúsculas.
06. D 07. A 08. B 09.B
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas de
bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A) o pro-
RESOLUÇÃO
grama desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças utili-
zarem a bicicleta de forma segura e correta(B) os alunos ajudam 1- Assinalei com um (X) as pontuações inadequadas
a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre cidadania (A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embo-
e reciclagem(C) as escolas participantes se tornam também cen- ra, (X) experimentasse , (X) a sensação de violar uma intimidade,
tros de descarte de garrafas PET(D) destinadas depois para reci- procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que
clagem(E) o programa possibilitará o retorno das bicicletas pela pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
saúde das crianças e transformação das comunidades em lugares (B) Diante , (X) da testemunha o homem abriu a bolsa e, em-
melhores para se viver. bora experimentasse a sensação , (X) de violar uma intimidade,
(Adaptado de Vida Simples, abril de 2012, edição 117) procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo que
a) A pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
b) B (D) Diante da testemunha, o homem , (X) abriu a bolsa e, em-
c) C bora experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procu-
d) D rou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar algo que
e) E pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e, embora ,
07. (DETRAN - OFICIAL ESTADUAL DE TRÂNSITO – (X) experimentasse a sensação de violar uma intimidade, procu-
VUNESP/2013) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da rou a esmo entre as coisinhas, tentando , (X) encontrar algo que
pontuação. pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circuns-
tâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada. 2-) A oração restringe o grupo que participará da campanha
(B) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque (apenas os que não têm o nome do pai na certidão de nascimen-
você está junto; com os outros motoristas cujos comportamentos, to). Se colocarmos uma vírgula, a oração tornar-se-á “explicativa”,
são desconhecidos. generalizando a informação, o que dará a entender que TODAS as
(C) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma pessoa não têm o nome do pai na certidão.
extensão de nossa personalidade. RESPOSTA: “CERTO”.
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os
níveis de estresse em alguns motoristas. 3-)
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, (A) Quando o técnico chegou, a equipe começou o treino. =
são as principais causas da ira de trânsito. mantê-la (termo deslocado)

Didatismo e Conhecimento 79
LÍNGUA PORTUGUESA
(B) Antônio, quer saber as últimas novidades dos esportes? = 9-) Fiz as marcações (X) onde as pontuações estão inadequa-
mantê-la (vocativo) das ou faltantes:
(C) As Olimpíadas de 2016 ocorrerão no Rio, que se prepara (A) Os filmes que,(X) mostram a luta pela sobrevivência em
para o evento. condições hostis nem sempre conseguem agradar, (X) aos espec-
= mantê-la (explicação) tadores.
(D) Atualmente, várias áreas contribuem para o aprimoramen- (B) Várias experiências de prisioneiros, semelhantes entre si,
to do desportista. podem ser reunidas e fazer parte de uma mesma história ficcional.
= pode retirá-la (advérbio de tempo) (C) A história de heroísmo e de determinação (X) que nem
(E) Eis alguns esportes que a Ciência do Esporte ajuda: judô, sempre, (X) é convincente, se passa em um cenário marcado, (X)
natação e canoagem. pelo frio.
= mantê-la (enumeração) (D) Caminhar por um extenso território gelado, (X) é correr
4-) Assinalei com (X) a pontuação inadequada ou faltante: riscos iminentes (X) que comprometem, (X) a sobrevivência.
a) Meu grande amigo Pedro, (X) esteve aqui ontem! (E) Para os fugitivos que se propunham, (X) a alcançar a liber-
b) Foi solicitado, (X) pelo diretor o comprovante da transação. dade, nada poderia parecer, (X) realmente intransponível.
c) Maria, você trouxe os documentos?
d) O garoto de óculos leu, em voz alta (X) o poema.
e) Na noite de ontem (X) o vigia percebeu, (X) uma movimen- 5.4 CONCORDÂNCIA VERBAL
tação estranha. E NOMINAL.
5-) Assinalei com (X) onde estão as pontuações inadequadas
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la , (X) verá na
pulseira instruções para que envie , (X) uma mensagem eletrônica Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos nos re-
ao grupo ou acione o código na internet. ferindo à relação de dependência estabelecida entre um termo
(B) Um geo localizador também , (X) avisará , (X) os pais de e outro mediante um contexto oracional. Desta feita, os agentes
principais desse processo são representados pelo sujeito, que no
onde o código foi acionado.
caso funciona como subordinante; e o verbo, o qual desempenha a
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados ,
função de subordinado.
(X) recebem ( , ) automaticamente, uma mensagem dizendo que a
Dessa forma, temos que a concordância verbal caracteriza-se
criança foi encontrada.
pela adaptação do verbo, tendo em vista os quesitos “número e
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha , (X) chega pri-
pessoa” em relação ao sujeito. Exemplificando, temos: O aluno
meiro às , (X) areias do Guarujá.
chegou atrasado. Temos que o verbo apresenta-se na terceira pes-
soa do singular, pois faz referência a um sujeito, assim também
6-) expresso (ele). Como poderíamos também dizer: os alunos chega-
O projeto Escola de Bicicleta está distribuindo bicicletas de ram atrasados.
bambu para 4600 alunos da rede pública de São Paulo(A). O pro-
grama desenvolve ainda oficinas e cursos para as crianças utili- Casos referentes a sujeito simples
zarem a bicicleta de forma segura e correta(B). Os alunos ajudam
a traçar ciclorrotas e participam de atividades sobre cidadania e 1) Em caso de sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo
reciclagem(C). As escolas participantes se tornam também centros em número e pessoa: O aluno chegou atrasado.
de descarte de garrafas PET(D), destinadas depois para recicla-
gem(E). O programa possibilitará o retorno das bicicletas pela 2) Nos casos referentes a sujeito representado por substantivo
saúde das crianças e transformação das comunidades em lugares coletivo, o verbo permanece na terceira pessoa do singular: A
melhores para se viver. multidão, apavorada, saiu aos gritos.
A vírgula deve ser colocada após a palavra “PET”, posição Observação:
(D), pois antecipa um termo explicativo. - No caso de o coletivo aparecer seguido de adjunto adnominal
no plural, o verbo permanecerá no singular ou poderá ir para o
7-) Fiz as indicações (X) das pontuações inadequadas: plural:
(A) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circuns- Uma multidão de pessoas saiu aos gritos.
tâncias, ceder à frustração para que a raiva seja aliviada. Uma multidão de pessoas saíram aos gritos.
(B) Dirigir pode aumentar, (X) nosso nível de estresse, porque
você está junto; (X) com os outros motoristas cujos comportamen- 3) Quando o sujeito é representado por expressões partitivas,
tos, (X) são desconhecidos. representadas por “a maioria de, a maior parte de, a metade de,
(C) Os motoristas, (X) devem saber, (X) que os carros podem uma porção de” entre outras, o verbo tanto pode concordar com o
ser uma extensão de nossa personalidade. núcleo dessas expressões quanto com o substantivo que a segue:
(D) A ira de trânsito pode ocasionar, (X) acidentes e; (X) au- A maioria dos alunos resolveu ficar. A maioria dos alunos resol-
mentar os níveis de estresse em alguns motoristas. veram ficar.
(E) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua,
(X) são as principais causas da ira de trânsito. 4) No caso de o sujeito ser representado por expressões aproxi-
mativas, representadas por “cerca de, perto de”, o verbo concorda
8-) Paciência, minha filha, este é... = é o termo usado para se com o substantivo determinado por elas: Cerca de mil candidatos
dirigir ao interlocutor, ou seja, é um vocativo. se inscreveram no concurso.

Didatismo e Conhecimento 80
LÍNGUA PORTUGUESA
5) Em casos em que o sujeito é representado pela expressão 12) Casos relativos a sujeito representado por substantivo pró-
“mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais de um candi- prio no plural se encontram relacionados a alguns aspectos que os
dato se inscreveu no concurso de piadas. determinam:
Observação: - Diante de nomes de obras no plural, seguidos do verbo ser,
- No caso da referida expressão aparecer repetida ou associada este permanece no singular, contanto que o predicativo também
a um verbo que exprime reciprocidade, o verbo, necessariamente, esteja no singular: Memórias póstumas de Brás Cubas é uma cria-
deverá permanecer no plural: ção de Machado de Assis.
Mais de um aluno, mais de um professor contribuíram na cam- - Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo também per-
panha de doação de alimentos. manece no plural: Os Estados Unidos são uma potência mundial.
Mais de um formando se abraçaram durante as solenidades - Casos em que o artigo figura no singular ou em que ele nem
de formatura. aparece, o verbo permanece no singular: Estados Unidos é uma
potência mundial.
6) Quando o sujeito for composto da expressão “um dos que”,
o verbo permanecerá no plural: Esse jogador foi um dos que atua- Casos referentes a sujeito composto
ram na Copa América.
1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas gramati-
7) Em casos relativos à concordância com locuções pronomi- cais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, estando relacionado
nais, representadas por “algum de nós, qual de vós, quais de vós, a dois pressupostos básicos:
alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário nos atermos a duas - Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as demais:
questões básicas: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio.
- No caso de o primeiro pronome estar expresso no plural, o - Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar na 2ª ou
verbo poderá com ele concordar, como poderá também concordar na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. Tu e ele são primos.
com o pronome pessoal: Alguns de nós o receberemos. / Alguns de
nós o receberão. 2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer anteposto ao
- Quando o primeiro pronome da locução estiver expresso no verbo, este permanecerá no plural: O pai e seus dois filhos compa-
singular, o verbo permanecerá, também, no singular: Algum de receram ao evento.
nós o receberá.
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto ao verbo, este
8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo pronome poderá concordar com o núcleo mais próximo ou permanecer no
“quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do singular ou plural: Compareceram ao evento o pai e seus dois filhos. Compa-
poderá concordar com o antecedente desse pronome: Fomos nós receu ao evento o pai e seus dois filhos.
quem contou toda a verdade para ela. / Fomos nós quem contamos
toda a verdade para ela. 4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com mais
de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singular: Meu esposo
9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela palavra e grande companheiro merece toda a felicidade do mundo.
“que”, o verbo deverá concordar com o termo que antecede essa
palavra: Nesta empresa somos nós que tomamos as decisões. / Em 5) Casos relativos a sujeito composto de palavras sinônimas ou
casa sou eu que decido tudo. ordenado por elementos em gradação, o verbo poderá permanecer
no singular ou ir para o plural: Minha vitória, minha conquista, mi-
10) No caso de o sujeito aparecer representado por expressões nha premiação são frutos de meu esforço. / Minha vitória, minha
que indicam porcentagens, o verbo concordará com o numeral ou conquista, minha premiação é fruto de meu esforço.
com o substantivo a que se refere essa porcentagem: 50% dos
funcionários aprovaram a decisão da diretoria. / 50% do eleitora-
do apoiou a decisão. Concordância nominal é o ajuste que fazemos aos demais ter-
mos da oração para que concordem em gênero e número com o
Observações: substantivo. Teremos que alterar, portanto, o artigo, o adjetivo, o
- Caso o verbo apareça anteposto à expressão de porcentagem, numeral e o pronome. Além disso, temos também o verbo, que se
esse deverá concordar com o numeral: Aprovaram a decisão da flexionará à sua maneira.
diretoria 50% dos funcionários. Regra geral: O artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome con-
- Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no singular: cordam em gênero e número com o substantivo.
1% dos funcionários não aprovou a decisão da diretoria. - A pequena criança é uma gracinha.
- Em casos em que o numeral estiver acompanhado de deter- - O garoto que encontrei era muito gentil e simpático.
minantes no plural, o verbo permanecerá no plural: Os 50% dos
funcionários apoiaram a decisão da diretoria. Casos especiais: Veremos alguns casos que fogem à regra ge-
ral mostrada acima.
11) Nos casos em que o sujeito estiver representado por pro- a) Um adjetivo após vários substantivos
nomes de tratamento, o verbo deverá ser empregado na terceira - Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o plural ou
pessoa do singular ou do plural: Vossas Majestades gostaram das concorda com o substantivo mais próximo.
homenagens. Vossa Majestade agradeceu o convite. - Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui.

Didatismo e Conhecimento 81
LÍNGUA PORTUGUESA
- Irmão e primo recém-chegados estiveram aqui. - Como advérbios: são invariáveis.
Comi muito durante a viagem.
- Substantivos de gêneros diferentes: vai para o plural masculi- Pouco lutei, por isso perdi a batalha.
no ou concorda com o substantivo mais próximo. Comprei caro os sapatos.
- Ela tem pai e mãe louros. i) Mesmo, bastante
- Ela tem pai e mãe loura. - Como advérbios: invariáveis
- Adjetivo funciona como predicativo: vai obrigatoriamente Preciso mesmo da sua ajuda.
para o plural. Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.
- O homem e o menino estavam perdidos.
- O homem e sua esposa estiveram hospedados aqui. - Como pronomes: seguem a regra geral.
Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
- Adjetivo anteposto normalmente concorda com o mais pró-
ximo. j) Menos, alerta
Comi delicioso almoço e sobremesa. - Em todas as ocasiões são invariáveis.
Provei deliciosa fruta e suco. Preciso de menos comida para perder peso.
Estamos alerta para com suas chamadas.
- Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: concorda
com o mais próximo ou vai para o plural. k) Tal Qual
Estavam feridos o pai e os filhos. - “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o
Estava ferido o pai e os filhos. consequente.
As garotas são vaidosas tais qual a tia.
c) Um substantivo e mais de um adjetivo Os pais vieram fantasiados tais quais os filhos.
- antecede todos os adjetivos com um artigo.
l) Possível
Falava fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
- Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “melhor” ou
“pior”, acompanha o artigo que precede as expressões.
- coloca o substantivo no plural.
A mais possível das alternativas é a que você expôs.
Falava fluentemente as línguas inglesa e espanhola.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da
d) Pronomes de tratamento
cidade.
- sempre concordam com a 3ª pessoa.
Vossa Santidade esteve no Brasil. m) Meio
- Como advérbio: invariável.
e) Anexo, incluso, próprio, obrigado Estou meio (um pouco) insegura.
- Concordam com o substantivo a que se referem.
As cartas estão anexas. - Como numeral: segue a regra geral.
A bebida está inclusa. Comi meia (metade) laranja pela manhã.
Precisamos de nomes próprios.
Obrigado, disse o rapaz. n) Só
- apenas, somente (advérbio): invariável.
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a) Só consegui comprar uma passagem.
- Após essas expressões o substantivo fica sempre no singular
e o adjetivo no plural. - sozinho (adjetivo): variável.
Renato advogou um e outro caso fáceis. Estiveram sós durante horas.
Pusemos numa e noutra bandeja rasas o peixe.
Fonte:
g) É bom, é necessário, é proibido http://www.brasilescola.com/gramatica/concordancia-verbal.
- Essas expressões não variam se o sujeito não vier precedido htm
de artigo ou outro determinante.
Canja é bom. / A canja é boa. Questões sobre Concordância Nominal e Verbal
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada é 01.(TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) A con-
proibida. cordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase:
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores que
h) Muito, pouco, caro determinam as escolhas dos governantes, para conferir legitimida-
- Como adjetivos: seguem a regra geral. de a suas decisões.
Comi muitas frutas durante a viagem. (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem ser
Pouco arroz é suficiente para mim. embasados na percepção dos valores e princípios que regem a prá-
Os sapatos estavam caros. tica política.

Didatismo e Conhecimento 82
LÍNGUA PORTUGUESA
(C) Eleições livres e diretas é garantia de um verdadeiro regi- – Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de
me democrático, em que se respeita tanto as liberdades individuais quantificar adequadamente os insumos básicos.– está corretamen-
quanto as coletivas. te reescrito, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
(D) As instituições fundamentais de um regime democrático (A) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou até
não pode estar subordinado às ordens indiscriminadas de um único agora uma maneira adequada de se quantificar os insumos básicos.
poder central. (B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
(E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados para o agora uma maneira adequada de os insumos básicos ser quantifi-
momento eleitoral, que expõem as diferentes opiniões existentes cados.
na sociedade. (C) Ainda assim, temos certeza que ninguém encontrou até
agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
02. (Agente Técnico – FCC – 2013). As normas de concordân- quantificado.
cia verbal e nominal estão inteiramente respeitadas em: (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa leitura, agora uma maneira adequada para que os insumos básicos seja
que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimoramento intelec- quantificado.
tual, estão na capacidade de criação do autor, mediante palavras, (E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
sua matéria-prima. agora uma maneira adequada de se quantificarem os insumos bá-
B) Obras que se considera clássicas na literatura sempre de- sicos.
lineia novos caminhos, pois é capaz de encantar o leitor ao ultra-
passar os limites da época em que vivem seus autores, gênios no 05. (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINISTRATI-
domínio das palavras, sua matéria-prima. VO - VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as frases do texto:
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, lhe per- I. Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota negativa...
mitem criar todo um mundo de ficção, em que personagens se II. ... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior classifica-
transformam em seres vivos a acompanhar os leitores, numa ver- ção do continente americano (2,0)...
dadeira interação com a realidade. Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases I e II, a
D) As possibilidades de comunicação entre autor e leitor so- concordância segue as mesmas regras, na ordem dos exemplos,
mente se realiza plenamente caso haja afinidade de ideias entre em:
ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o crescimento intelectual (A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o próximo
deste último e o prazer da leitura. ano. Será que alguém tem opinião diferente da maioria?
E) Consta, na literatura mundial, obras-primas que constitui (B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas juninas. Vêm
leitura obrigatória e se tornam referências por seu conteúdo que pessoas de muito longe para brincar de quadrilha.
ultrapassa os limites de tempo e de época. (C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. Quase todos
quiseram ficar até o nascer do sol na praia.
03. (Escrevente TJ-SP – Vunesp/2012) Leia o texto para res- (D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, mas também
ponder à questão. existem umas que não merecem nossa atenção.
_________dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não (E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam.
está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada
em melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbo- 06. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
no, a água e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade Os folheteiros vivem em feiras, mercados, praças e locais de pe-
que mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água em si regrinação.
___________diferença, as companhias não podem suportar ter de O verbo da frase acima NÃO pode ser mantido no plural caso
pagar, de repente, digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, o segmento grifado seja substituído por:
sem qualquer preparação. Portanto, elas começam a usar preços- (A) Há folheteiros que
-sombra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma maneira (B) A maior parte dos folheteiros
de quantificar adequadamente os insumos básicos. E sem eles a (C) O folheteiro e sua família
maioria das políticas de crescimento verde sempre ___________ (D) O grosso dos folheteiros
a segunda opção. (E) Cada um dos folheteiros
(Carta Capital, 27.06.2012.
Adaptado) 07. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
Todas as formas verbais estão corretamente flexionadas em:
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as la- (A) Enquanto não se disporem a considerar o cordel sem pre-
cunas do texto devem ser preenchidas, correta e respectivamente, conceitos, as pessoas não serão capazes de fruir dessas criações
com: poéticas tão originais.
(A) Restam… faça… será (B) Resta… faz… será (B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status atribuído à
(C) Restam… faz... serão (D) Restam… façam… serão arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje nas melhores uni-
(E) Resta… fazem… será versidades do país.
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que a situa-
04 (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) Assinale a alternativa ção dos cordelistas não mudaria a não ser que eles mesmos requi-
em que o trecho zessem o respeito que faziam por merecer.

Didatismo e Conhecimento 83
LÍNGUA PORTUGUESA
(D) Se não proveem do preconceito, a desvalorização e a pouca RESOLUÇÃO
visibilidade dessa arte popular tão rica só pode ser resultado do
puro e simples desconhecimento. 1-) Fiz os acertos entre parênteses:
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu que os problemas dos (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e valores que
cordelistas estavam diretamente ligados à falta de representativi- determinam as escolhas dos governantes, para conferir legitimida-
dade. de a suas decisões.
(B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes devem (deve)
08. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ser embasados (embasada) na percepção dos valores e princípios
FCC/2010) Observam-se corretamente as regras de concordância que regem a prática política.
verbal e nominal em: (C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um verdadeiro
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como entre os regime democrático, em que se respeita (respeitam) tanto as liber-
mais diversos tipos de pessoas, das mais sofisticadas às mais hu- dades individuais quanto as coletivas.
mildes, são cada vez mais comuns nos dias de hoje. (D) As instituições fundamentais de um regime democrático
b) A importância de intelectuais como Edward Said e Tony não pode (podem) estar subordinado (subordinadas) às ordens in-
Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões polêmicas de discriminadas de um único poder central.
seu tempo, não estão apenas nos livros que escreveram. (E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) voltados (vol-
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre árabes e tado) para o momento eleitoral, que expõem (expõe) as diferentes
judeus, responsável por tantas mortes e tanto sofrimento, estejam opiniões existentes na sociedade.
próximos de serem resolvidos ou pelo menos de terem alguma tré- 2-)
gua. A) Alguns dos aspectos mais desejáveis de uma boa leitura,
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a verdade, que satisfaça aos leitores e seja veículo de aprimoramento intelec-
ainda que conscientes de que esta é até certo ponto relativa, costu- tual, estão na capacidade de criação do autor, mediante palavras,
sua matéria-prima. = correta
mam encontrar muito mais detratores que admiradores.
B) Obras que se consideram clássicas na literatura sempre de-
e) No final do século XX já não se via muitos intelectuais e
lineiam novos caminhos, pois são capazes de encantar o leitor ao
escritores como Edward Said, que não apenas era notícia pelos
ultrapassarem os limites da época em que vivem seus autores, gê-
livros que publicavam como pelas posições que corajosamente as-
nios no domínio das palavras, sua matéria-prima.
sumiam.
C) A palavra, matéria-prima de poetas e romancistas, lhes per-
mite criar todo um mundo de ficção, em que personagens se trans-
09. (TRF - 2ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) formam em seres vivos a acompanhar os leitores, numa verdadeira
O verbo que, dadas as alterações entre parênteses propostas para o interação com a realidade.
segmento grifado, deverá ser colocado no plural, está em: D) As possibilidades de comunicação entre autor e leitor so-
(A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) mente se realizam plenamente caso haja afinidade de ideias entre
(B) O que não se sabe... (ninguém nas regiões do planeta) ambos, o que permite, ao mesmo tempo, o crescimento intelectual
(C) O consumo mundial não dá sinal de trégua... (O consumo deste último e o prazer da leitura.
mundial de barris de petróleo) E) Constam, na literatura mundial, obras-primas que consti-
(D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se no custo tuem leitura obrigatória e se tornam referências por seu conteúdo
da matéria-prima... (Constantes aumentos) que ultrapassa os limites de tempo e de época.
(E) o tema das mudanças climáticas pressiona os esforços
mundiais... (a preocupação em torno das mudanças climáticas) 3-) _Restam___dúvidas
mesmo que a ameaça dos preços do carbono e da água em si
10. (CETESB/SP – ESCRITURÁRIO - VUNESP/2013) Assi- __faça __diferença
nale a alternativa em que a concordância das formas verbais desta- a maioria das políticas de crescimento verde sempre ____
cadas está de acordo com a norma-padrão da língua. será_____ a segunda opção.
(A) Fazem dez anos que deixei de trabalhar em higienização Em “a maioria de”, a concordância pode ser dupla: tanto no
subterrânea. plural quanto no singular. Nas alternativas não há “restam/faça/
(B) Ainda existe muitas pessoas que discriminam os trabalha- serão”, portanto a A é que apresenta as opções adequadas.
dores da área de limpeza.
(C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos riscos de 4-)
se contrair alguma doença. (A) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
(D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era sete da agora uma maneira adequada de se quantificar os insumos básicos.
manhã, eu já estava fazendo meu serviço. (B) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
(E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, começou agora uma maneira adequada de os insumos básicos serem quan-
a adotar medidas mais rigorosas para a proteção de seus funcio- tificados.
nários. (C) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
GABARITO quantificados.
01. A 02. A 03. A 04. E 05. A (D) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até
06. E 07. |B 08. D 09. D 10. C agora uma maneira adequada para que os insumos básicos sejam
quantificados.

Didatismo e Conhecimento 84
LÍNGUA PORTUGUESA
(E) Ainda assim, temos certeza de que ninguém encontrou até 9-)
agora uma maneira adequada de se quantificarem os insumos bá- (A) Não há dúvida de que o estilo de vida... (dúvidas) = “há”
sicos. = correta permaneceria no singular
(B) O que não se sabe ... (ninguém nas regiões do planeta) =
5-) Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos aos “sabe” permaneceria no singular
itens: (C) O consumo mundial não dá sinal de trégua ... (O consumo
(A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém tem (sin- mundial de barris de petróleo) = “dá” permaneceria no singular
gular) (D) Um aumento elevado no preço do óleo reflete-se no custo
(B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural) da matéria-prima... Constantes aumentos) = “reflete” passaria para
(C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quiseram (plu- “refletem-se”
ral) (E) o tema das mudanças climáticas pressiona os esforços
(D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem umas mundiais... (a preocupação em torno das mudanças climáticas) =
(plural) “pressiona” permaneceria no singular
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas as for-
mas estão no plural) 10-) Fiz as correções:
(A) Fazem dez anos = faz (sentido de tempo = singular)
6-) (B) Ainda existe muitas pessoas = existem
A - Há folheteiros que vivem (concorda com o objeto “folhe- (C) No trabalho em meio a tanta sujeira, havia altos riscos
terios”) (D) Eu passava a manhã no subterrâneo: quando era sete da
B – A maior parte dos folheteiros vivem/vive (opcional) manhã = eram
C – O folheteiro e sua família vivem (sujeito composto) (E) As companhias de limpeza, apenas recentemente, começou
D – O grosso dos folheteiros vive/vivem (opcional) = começaram
E – Cada um dos folheteiros vive = somente no singular
7-) Coloquei entre parênteses a forma verbal correta: 5.5 EMPREGO DO SINAL
(A) Enquanto não se disporem (dispuserem) a considerar o INDICATIVO DE CRASE.
cordel sem preconceitos, as pessoas não serão capazes de fruir
dessas criações poéticas tão originais.
(B) Ainda que nem sempre detenha o mesmo status atribuído à
arte erudita, o cordel vem sendo estudado hoje nas melhores uni- A palavra crase é de origem grega e significa “fusão”, “mistu-
versidades do país. ra”. Na língua portuguesa, é o nome que se dá à “junção” de duas
(C) Rodolfo Coelho Cavalcante deve ter percebido que a situa- vogais idênticas. É de grande importância a crase da preposição
ção dos cordelistas não mudaria a não ser que eles mesmos requi- “a” com o artigo feminino “a” (s), com o “a” inicial dos pronomes
zessem (requeressem) o respeito que faziam por merecer. aquele(s), aquela (s), aquilo e com o “a” do relativo a qual (as
(D) Se não proveem (provêm) do preconceito, a desvaloriza- quais). Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a
ção e a pouca visibilidade dessa arte popular tão rica só pode (po- crase. O uso apropriado do acento grave depende da compreensão
dem) ser resultado do puro e simples desconhecimento. da fusão das duas vogais. É fundamental também, para o entendi-
(E) Rodolfo Coelho Cavalcante entreveu (entreviu) que os mento da crase, dominar a regência dos verbos e nomes que exi-
problemas dos cordelistas estavam diretamente ligados à falta de gem a preposição “a”. Aprender a usar a crase, portanto, consiste
representatividade. em aprender a verificar a ocorrência simultânea de uma preposição
e um artigo ou pronome. Observe:
8-) Fiz as correções entre parênteses: Vou a + a igreja.
a) O desenraizamento, não só entre intelectuais como entre os Vou à igreja.
mais diversos tipos de pessoas, das mais sofisticadas às mais hu-
mildes, são (é) cada vez mais comuns (comum) nos dias de hoje. No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição “a”,
b) A importância de intelectuais como Edward Said e Tony exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo
Judt, que não se furtaram ao debate sobre questões polêmicas de “a” que está determinando o substantivo feminino igreja. Quando
seu tempo, não estão (está) apenas nos livros que escreveram. ocorre esse encontro das duas vogais e elas se unem, a união delas
c) Nada indica que o conflito no Oriente Médio entre árabes e é indicada pelo acento grave. Observe os outros exemplos:
judeus, responsável por tantas mortes e tanto sofrimento, estejam Conheço a aluna.
(esteja) próximos (próximo) de serem (ser) resolvidos (resolvido) Refiro-me à aluna.
ou pelo menos de terem (ter) alguma trégua.
d) Intelectuais que têm compromisso apenas com a verdade, No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (conhecer
ainda que conscientes de que esta é até certo ponto relativa, costu- algo ou alguém), logo não exige preposição e a crase não pode
mam encontrar muito mais detratores que admiradores. ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é transitivo indireto (referir-
e) No final do século XX já não se via (viam) muitos intelec- -se a algo ou a alguém) e exige a preposição “a”. Portanto, a crase
tuais e escritores como Edward Said, que não apenas era (eram) é possível, desde que o termo seguinte seja feminino e admita o
notícia pelos livros que publicavam como pelas posições que co- artigo feminino “a” ou um dos pronomes já especificados.
rajosamente assumiam. Casos em que a crase NÃO ocorre:

Didatismo e Conhecimento 85
LÍNGUA PORTUGUESA
- diante de substantivos masculinos: à noite às claras às escondidas à força
Andamos a cavalo. à vontade à beça à larga à escuta
Fomos a pé. às avessas à revelia à exceção de à imitação de
Passou a camisa a ferro. à esquerda às turras às vezes à chave
Fazer o exercício a lápis. à direita à procura à deriva à toa
Compramos os móveis a prazo. à luz à sombra de à frente de à proporção que
à semelhança de às ordens à beira de
- diante de verbos no infinitivo:
A criança começou a falar. Crase diante de Nomes de Lugar
Ela não tem nada a dizer.
Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do artigo
Obs.: como os verbos não admitem artigos, o “a” dos exemplos “a”. Outros, entretanto, admitem o artigo, de modo que diante de-
acima é apenas preposição, logo não ocorrerá crase. les haverá crase, desde que o termo regente exija a preposição “a”.
Para saber se um nome de lugar admite ou não a anteposição do
- diante da maioria dos pronomes e das expressões de tra- artigo feminino “a”, deve-se substituir o termo regente por um ver-
tamento, com exceção das formas senhora, senhorita e dona: bo que peça a preposição “de” ou “em”. A ocorrência da contração
Diga a ela que não estarei em casa amanhã. “da” ou “na” prova que esse nome de lugar aceita o artigo e, por
Entreguei a todos os documentos necessários. isso, haverá crase. Por exemplo:
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
Peço a Vossa Senhoria que aguarde alguns minutos. Vou à França. (Vim da [de+a] França. Estou na [em+a] Fran-
ça.)
Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes po- Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
dem ser identificados pelo método: troque a palavra feminina por Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
uma masculina, caso na nova construção surgir a forma ao, ocor- Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto Ale-
rerá crase. Por exemplo:
gre.)
Refiro-me à mesma pessoa. (Refiro-me ao mesmo indivíduo.)
Informei o ocorrido à senhora. (Informei o ocorrido ao se-
*- Dica da Zê!: use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou
nhor.)
A volto DE, crase PRA QUÊ?”
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo. (Peça ao próprio
Ex: Vou a Campinas. = Volto de Campinas.
Cláudio para sair mais cedo.)
Vou à praia. = Volto da praia.
- diante de numerais cardinais:
Chegou a duzentos o número de feridos. - ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado,
Daqui a uma semana começa o campeonato. ocorrerá crase. Veja:
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que, pela
Casos em que a crase SEMPRE ocorre: regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Irei à Salvador de Jorge Amado.
- diante de palavras femininas:
Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega. Crase diante dos Pronomes Demonstrativos Aquele (s),
Sempre vamos à praia no verão. Aquela (s), Aquilo
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.
Sou grata à população. Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo re-
Fumar é prejudicial à saúde. gente exigir a preposição “a”. Por exemplo:
Este aparelho é posterior à invenção do telefone.
Refiro-me a + aquele atentado.
- diante da palavra “moda”, com o sentido de “à moda de” Preposição Pronome
(mesmo que a expressão moda de fique subentendida): Refiro-me àquele atentado.
O jogador fez um gol à (moda de) Pelé.
Usava sapatos à (moda de) Luís XV. O termo regente do exemplo acima é o verbo transitivo indire-
Estava com vontade de comer frango à (moda de) passarinho. to referir (referir-se a algo ou alguém) e exige preposição, portan-
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro. to, ocorre a crase. Observe este outro exemplo:
Aluguei aquela casa.
- na indicação de horas:
Acordei às sete horas da manhã. O verbo “alugar” é transitivo direto (alugar algo) e não exi-
Elas chegaram às dez horas. ge preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso. Veja outros
Foram dormir à meia-noite. exemplos:
- em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de que Dediquei àquela senhora todo o meu trabalho.
participam palavras femininas. Por exemplo: Quero agradecer àqueles que me socorreram.
à tarde às ocultas às pressas à medida Refiro-me àquilo que aconteceu com seu pai.
que Não obedecerei àquele sujeito.

Didatismo e Conhecimento 86
LÍNGUA PORTUGUESA
Assisti àquele filme três vezes. Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA
Espero aquele rapaz. - diante de nomes próprios femininos:
Fiz aquilo que você disse. Observação: é facultativo o uso da crase diante de nomes pró-
Comprei aquela caneta. prios femininos porque é facultativo o uso do artigo. Observe:
Paula é muito bonita. Laura é minha amiga.
Crase com os Pronomes Relativos A Qual, As Quais A Paula é muito bonita. A Laura é minha amiga.

A ocorrência da crase com os pronomes relativos a qual e as Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo femini-
quais depende do verbo. Se o verbo que rege esses pronomes exi- no diante de nomes próprios femininos, então podemos escrever as
gir a preposição “a”, haverá crase. É possível detectar a ocorrência frases abaixo das seguintes formas:
da crase nesses casos utilizando a substituição do termo regido Entreguei o cartão a Paula. Entreguei o cartão a Roberto.
feminino por um termo regido masculino. Por exemplo: Entreguei o cartão à Paula. Entreguei o cartão ao Roberto.

A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade. - diante de pronome possessivo feminino:
O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade. Observação: é facultativo o uso da crase diante de pronomes
possessivos femininos porque é facultativo o uso do artigo. Ob-
Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a crase. serve:
Veja outros exemplos: Minha avó tem setenta anos. Minha irmã está esperando por
São normas às quais todos os alunos devem obedecer. você.
Esta foi a conclusão à qual ele chegou. A minha avó tem setenta anos. A minha irmã está esperando
Várias alunas às quais ele fez perguntas não souberam respon- por você.
der nenhuma das questões. Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de pronomes
A sessão à qual assisti estava vazia. possessivos femininos, então podemos escrever as frases abaixo
das seguintes formas:
Crase com o Pronome Demonstrativo “a” Cedi o lugar a minha avó. Cedi o lugar a meu avô.
Cedi o lugar à minha avó. Cedi o lugar ao meu avô.
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo “a” tam-
bém pode ser detectada através da substituição do termo regente - depois da preposição até:
feminino por um termo regido masculino. Veja: Fui até a praia. ou Fui até à praia.
Minha revolta é ligada à do meu país. Acompanhe-o até a porta. ou Acompanhe-o até à porta.
Meu luto é ligado ao do meu país. A palestra vai até as cinco horas da tarde. ou A palestra vai
As orações são semelhantes às de antes. até às cinco horas da tarde.
Os exemplos são semelhantes aos de antes.
Suas perguntas são superiores às dele. Questões sobre Crase
Seus argumentos são superiores aos dele.
Sua blusa é idêntica à de minha colega. 01.( Escrevente TJ SP – Vunesp/2012) No Brasil, as discussões
Seu casaco é idêntico ao de minha colega. sobre drogas parecem limitar-se ______aspectos jurídicos ou po-
liciais. É como se suas únicas consequências estivessem em lega-
A Palavra Distância lismos, tecnicalidades e estatísticas criminais. Raro ler ____res-
peito envolvendo questões de saúde pública como programas de
Se a palavra distância estiver especificada, determinada, a cra- esclarecimento e prevenção, de tratamento para dependentes e de
se deve ocorrer. Por exemplo: Sua casa fica à distância de 100km reintegração desses____ vida. Quantos de nós sabemos o nome de
daqui. (A palavra está determinada) um médico ou clínica ____quem tentar encaminhar um drogado
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A pala- da nossa própria família?
vra está especificada.) (Ruy Castro, Da nossa própria família. Folha de S.Paulo,
17.09.2012. Adaptado)
Se a palavra distância não estiver especificada, a crase não As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e respec-
pode ocorrer. Por exemplo: tivamente, com:
Os militares ficaram a distância. (A) aos … à … a … a (B) aos … a … à … a
Gostava de fotografar a distância. (C) a … a … à … à (D) à … à … à … à
Ensinou a distância. (E) a … a … a … a
Dizem que aquele médico cura a distância.
Reconheci o menino a distância. 02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013).Leia o
texto a seguir.
Observação: por motivo de clareza, para evitar ambiguidade, Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu
pode-se usar a crase. Veja: ______ cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do
Gostava de fotografar à distância. procedimento de Camilo. Vimos que ______ cartomante restituiu-
Ensinou à distância. -lhe ______ confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o
Dizem que aquele médico cura à distância. que fez.

Didatismo e Conhecimento 87
LÍNGUA PORTUGUESA
(Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio de (D) à … à … a
Janeiro: Globo, 1997, p. 6) (E) a … a … à
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem
dada: 07. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
A) à – a – a B) a – a – à – 2013-adap) O acento indicativo de crase está corretamente em-
C) à – a – à D) à – à – a pregado em:
E) a – à – à A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas com as
03 (POLÍCIA CIVIL/SP – AGENTE POLICIAL - VU- dificuldades para lidar com as frustrações de seus desejos.
NESP/2013) De acordo com a norma-padrão da língua portugue- B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações nos me-
sa, o acento indicativo de crase está corretamente empregado em: canismos biológicos de controle emocional.
(A) A população, de um modo geral, está à espera de que, com C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade.
o novo texto, a lei seca possa coibir os acidentes. D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunidade ali-
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à repensarem mentam a violência crescente nas cidades.
a sua postura. E) Um ambiente desfavorável à formação da personalidade
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à punições atinge os mais vulneráveis.
muito mais severas.
(D) À ninguém é dado o direito de colocar em risco a vida dos 08. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). O
demais motoristas e de pedestres. sinal indicativo de crase está correto em:
(E) Cabe à todos na sociedade zelar pelo cumprimento da nova A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na área de
lei para que ela possa funcionar. biotecnologia.
B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar à edu-
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.) Claro que não me cação dos filhos.
estou referindo a essa vulgar comunicação festiva e efervescente. C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as insta-
O vocábulo a deverá receber o sinal indicativo de crase se o lações do prédio.
segmento grifado for substituído por:
D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer detalhe
A) leitura apressada e sem profundidade.
que envolva a segurança das pessoas.
B) cada um de nós neste formigueiro.
E) É função da política é dedicar-se à todo problema que com-
C) exemplo de obras publicadas recentemente.
prometa o bem-estar do cidadão.
D) uma comunicação festiva e virtual.
E) respeito de autores reconhecidos pelo público.
09. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
O detetive Gervase Fen, que apareceu em 1944, é um homem de
05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
– 2013). face corada, muito afeito ...... frases inteligentes e citações dos
O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP) tam- clássicos; sua esposa, Dolly, uma dama meiga e sossegada, fica
bém desenvolve atividades lúdicas de apoio______ ressociali- sentada tricotando tranquilamente, impassível ...... propensão de
zação do indivíduo preso, com o objetivo de prepará--lo para o seu marido ...... investigar assassinatos.
retorno______ sociedade. Dessa forma, quando em liberdade, ele (Adaptado de P.D.James, op.cit.)
estará capacitado______ ter uma profissão e uma vida digna. Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem
(Disponível em: www.metropolitana.com.br/blog/qual_e_a_ dada:
importancia_da_ressocializacao_de_presos. Acesso em: (A) à - à - a
18.08.2012. Adaptado) (B) a - à - a
(C) à - a - à
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamen- (D) a - à - à
te, as lacunas do texto, de acordo com a norma-padrão da língua (E) à - a – a
portuguesa.
A) à … à … à B) a … a … à C) a … à … à 10. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO
D) à … à ... a E) a … à … a SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) Em qual das op-
ções abaixo o acento indicativo de crase foi corretamente indica-
06. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- do?
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) A) O dia fora quente, mas à noite estava fria e escura.
Assinale a alternativa que completa as lacunas do trecho a seguir, B) Ninguém se referira à essa ideia antes.
empregando o sinal indicativo de crase de acordo com a norma- C) Esta era à medida certa do quarto.
-padrão. D) Ela fechou a porta e saiu às pressas.
Não nos sujeitamos ____ corrupção; tampouco cederemos es- E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo.
paço ____ nenhuma ação que se proponha ____ prejudicar nossas
instituições. GABARITO
(A) à … à … à 01. B 02. A 03. A 04. A 05. D
(B) a … à … à 06.C 07. E 08. B 09.B 10. D
(C) à … a … a

Didatismo e Conhecimento 88
LÍNGUA PORTUGUESA
RESOLUÇÃO 7-)
A) Tendências agressivas começam à ser relacionadas com as
1-) limitar-se _aos _aspectos jurídicos ou policiais. dificuldades para lidar com as frustrações de seus desejos. (antes
Raro ler __a__respeito (antes de palavra masculina não de verbo no infinitivo não há crase)
há crase) B) A agressividade impulsiva deve-se à perturbações nos me-
de reintegração desses_à_ vida. (reintegrar a + a vida = à) canismos biológicos de controle emocional. (se o “a” está no
o nome de um médico ou clínica __a_quem tentar encaminhar singular e antecede palavra no plural, não há crase)
um drogado da nossa própria família? (antes de pronome indefini- C) A violência urbana é comparada à uma enfermidade. (arti-
do/relativo) go indefinido)
D) Condições de risco aliadas à exemplo de impunidade ali-
2-) correu _à (= para a ) cartomante para consultá-la sobre a mentam a violência crescente nas cidades. (palavra masculina)
verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que _a__car- E) Um ambiente desfavorável à formação da personalidade
tomante (objeto direto)restituiu-lhe ___a___ confiança (objeto di- atinge os mais vulneráveis. = correta (regência nominal: desfa-
reto), e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. vorável a?)
3-)
(A) A população, de um modo geral, está à espera (dá para 8-)
substituir por “esperando”) de que A) Este cientista tem se dedicado à uma pesquisa na área de
(B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à repensarem biotecnologia. (artigo indefinido)
(antes de verbo) B) Os pais não podem ser omissos e devem se dedicar à educa-
(C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à punições ção dos filhos. = correta (regência verbal: dedicar a )
(generalizando, palavra no plural) C) Nossa síndica dedica-se integralmente à conservar as insta-
(D) À ninguém (pronome indefinido) lações do prédio. (verbo no infinitivo)
(E) Cabe à todos (pronome indefinido) D) O bombeiro deve dedicar sua atenção à qualquer detalhe
4-) Claro que não me estou referindo à leitura apressada e sem que envolva a segurança das pessoas. (pronome indefinido)
profundidade. E) É função da política é dedicar-se à todo problema que com-
a cada um de nós neste formigueiro. (antes de pronome inde- prometa o bem-estar do cidadão. (pronome indefinido)
finido)
a exemplo de obras publicadas recentemente. (palavra mascu- 9-) Afeito a frases (generalizando, já que o “a” está no sin-
lina) gular e “frases”, no plural)
a uma comunicação festiva e virtual. (artigo indefinido) Impassível à propensão (regência nominal: pede preposição)
a respeito de autores reconhecidos pelo público. (palavra A investigar (antes de verbo no infinitivo não há acento in-
masculina) dicativo de crase)
Sequência: a / à / a.
5-) O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP)
também desenvolve atividades lúdicas de apoio___à__ ressocia- 10-)
lização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará--lo para A) O dia fora quente, mas à noite = mas a noite (artigo e subs-
o retorno___à__ sociedade. Dessa forma, quando em liberdade, tantivo. Diferente de: Estudo à noite = período do dia)
ele estará capacitado__a___ ter uma profissão e uma vida digna. B) Ninguém se referira à essa ideia antes.= a essa (antes de
- Apoio a ? Regência nominal pede preposição; pronome demonstrativo)
- retorno a? regência nominal pede preposição; C) Esta era à medida certa do quarto. = a medida (artigo e subs-
- antes de verbo no infinitivo não há crase. tantivo, no caso. Diferente da conjunção proporcional: À medida
que lia, mais aprendia)
6-) Vamos por partes! D) Ela fechou a porta e saiu às pressas. = correta (advérbio de
- Quem se sujeita, sujeita-se A algo ou A alguém, portanto: modo = apressadamente)
pede preposição; E) Os rapazes sempre gostaram de andar à cavalo. = palavra
- quem cede, cede algo A alguém, então teremos objeto direto masculina
e indireto;
- quem se propõe, propõe-se A alguma coisa.
Vejamos: 5.6 COLOCAÇÃO DOS
Não nos sujeitamos À corrupção; tampouco cederemos espaço PRONOMES ÁTONOS.
A nenhuma ação que se proponha A prejudicar nossas instituições.
* Sujeitar A + A corrupção;
* ceder espaço (objeto direto) A nenhuma ação (objeto indire-
to. Não há acento indicativo de crase, pois “nenhuma” é pronome
indefinido); A colocação pronominal é a posição que os pronomes pessoais
* que se proponha A prejudicar (objeto indireto, no caso, ora- oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que se
ção subordinada com função de objeto indireto. Não há acento referem.
indicativo de crase porque temos um verbo no infinitivo – “pre- São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as, lhe,
judicar”). lhes, nos e vos.

Didatismo e Conhecimento 89
LÍNGUA PORTUGUESA
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições na Se passar no vestibular em outra cidade, mudo-me no mesmo
oração em relação ao verbo: instante.
1. próclise: pronome antes do verbo Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.
2. ênclise: pronome depois do verbo
3. mesóclise: pronome no meio do verbo Mesóclise

Próclise A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado no


futuro do presente ou no futuro do pretérito:
A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela se
- Palavras com sentido negativo: realizará)
Nada me faz querer sair dessa cama. Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma proposta
Não se trata de nenhuma novidade. a você)
Questões sobre Pronome
- Advérbios:
Nesta casa se fala alemão. 01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2012).
Naquele dia me falaram que a professora não veio. Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não está
claro até onde pode realmente chegar uma política baseada em
melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, a água
- Pronomes relativos: e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que mesmo que
A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje. a ameaça dos preços do carbono e da água faça em si diferença,
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram. as companhias não podem suportar ter de pagar, de repente,
digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer
- Pronomes indefinidos: preparação. Portanto, elas começam a usar preços sombra. Ainda
Quem me disse isso? assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar
Todos se comoveram durante o discurso de despedida.
adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria das
políticas de crescimento verde sempre será a segunda opção.
- Pronomes demonstrativos:
(Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)
Isso me deixa muito feliz!
Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, referem-
Aquilo me incentivou a mudar de atitude!
-se, respectivamente, a
(A) dúvidas e preços.
- Preposição seguida de gerúndio:
(B) dúvidas e insumos básicos.
Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais
(C) companhias e insumos básicos.
indicado à pesquisa escolar.
(D) companhias e preços do carbono e da água.
- Conjunção subordinativa: (E) políticas de crescimento e preços adequados.
Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.
02. (Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- adap.).
Ênclise Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho grifado está
corretamente substituído por um pronome em:
A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta não A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo
aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos átonos. A ênclise B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-lhes
vai acontecer quando: desalentado
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de
Amem-se uns aos outros. conhecê-lo?
Sigam-me e não terão derrotas. D) ...não parecia ser um importante industrial... − não parecia
ser-lhe
- O verbo iniciar a oração: E) incomodaram o general... − incomodaram-no
Diga-lhe que está tudo bem.
Chamaram-me para ser sócio. 03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). A
substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente,
- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da preposição com os necessários ajustes, foi realizada de modo INCORRETO
“a”: em:
Naquele instante os dois passaram a odiar-se. A) mostrando o rio= mostrando-o.
Passaram a cumprimentar-se mutuamente. B) como escolher sítio= como escolhê-lo.
C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes.
- O verbo estiver no gerúndio: D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam = nada lhes
Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreocupada. acrescentariam.
Despediu-se, beijando-me a face. E) viu uma dessas marcas= viu uma delas.
- Houver vírgula ou pausa antes do verbo: 04. (Papiloscopista Policial – Vunesp – 2013). Assinale a

Didatismo e Conhecimento 90
LÍNGUA PORTUGUESA
alternativa em que o pronome destacado está posicionado de
acordo com a norma-padrão da língua. A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora
(A) Ela não lembrava-se do caminho de volta. possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais,
(B) A menina tinha distanciado-se muito da família. é nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas.
(C) A garota disse que perdeu-se dos pais. A prevalência varia de um país para outro e entre as cidades
(D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha. de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança. urbanos e se dissemina pelo interior.
As estratégias que as sociedades adotam para combater a
violência variam muito e a prevenção das causas evoluiu muito
05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2011). Assinale a alternativa
pouco no decorrer do século 20, ao contrário dos avanços ocorridos
cujo emprego do pronome está em conformidade com a norma no campo das infecções, câncer, diabetes e outras enfermidades.
padrão da língua. A agressividade impulsiva é consequência de perturbações
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos. nos mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências
(B) Nos falaram que a diplomacia americana está abalada. agressivas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks. que os tornam despreparados para lidar com as frustrações de seus
(D) Conformado, se rendeu às punições. desejos.
(E) Todos querem que combata-se a corrupção. A violência é uma doença. Os mais vulneráveis são os que
tiveram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao
desenvolvimento psicológico pleno.
06. (Papiloscopista Policial = Vunesp - 2013). Assinale a A revisão de estudos científicos permite identificar três fatores
alternativa correta quanto à colocação pronominal, de acordo com principais na formação das personalidades com maior inclinação
a norma-padrão da língua portuguesa. ao comportamento violento:
1) Crianças que apanharam, foram vítimas de abusos,
(A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se que eles
humilhadas ou desprezadas nos primeiros anos de vida.
sejam sempre trazidos junto ao corpo. 2) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmitiram
(B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situação de valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram
ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. limites de disciplina.
(C) Nos sentimos impotentes quando não conseguimos 3) Associação com grupos de jovens portadores de
restituir um objeto à pessoa que o perdeu. comportamento antissocial.
(D) O homem se indignou quando propuseram-lhe que abrisse Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de crianças
a bolsa que encontrara. que se enquadram nessas três condições de risco. Associados à
(E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma tendência falta de acesso aos recursos materiais, à desigualdade social, esses
natural das pessoas em devolvê-los a seus donos. fatores de risco criam o caldo de cultura que alimenta a violência
crescente nas cidades.
07. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). Há Na falta de outra alternativa, damos à criminalidade a resposta
pessoas que, mesmo sem condições, compram produtos______ do aprisionamento. Porém, seu efeito é passageiro: o criminoso
fica impedido de delinquir apenas enquanto estiver preso. Ao
não necessitam e______ tendo de pagar tudo______ prazo.
sair, estará mais pobre, terá rompido laços familiares e sociais e
Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta e
dificilmente encontrará quem lhe dê emprego. Ao mesmo tempo,
respectivamente, considerando a norma culta da língua. na prisão, terá criado novas amizades e conexões mais sólidas com
A) a que … acaba … à B) com que … acabam … à o mundo do crime.
C) de que … acabam … a D) em que … acaba … a Construir cadeias custa caro; administrá-las, mais ainda.
E) dos quais … acaba … à Obrigados a optar por uma repressão policial mais ativa,
aumentaremos o número de prisioneiros. As cadeias continuarão
08. (Agente de Apoio Socioeducativo – VUNESP – superlotadas.
2013-adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e Seria mais sensato investir em educação, para prevenir a
respectivamente, as lacunas do trecho. criminalidade e tratar os que ingressaram nela.
Na verdade, não existe solução mágica a curto prazo.
______alguns anos, num programa de televisão, uma jovem Precisamos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os
fazia referência______ violência______ o brasileiro estava sujeito policiais a executar sua função com dignidade, criar leis que
de forma cômica. acabem com a impunidade dos criminosos bem-sucedidos e
construir cadeias novas para substituir as velhas.
Enquanto não aprendermos a educar e oferecer medidas
A) Fazem... a ... de que B) Faz ...a ... que preventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão capazes
C) Fazem ...à ... com que D) Faz ...à ... que de criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-los na sociedade
E) Faz ...à ... a que por meio da educação formal de bom nível, das práticas esportivas
e da oportunidade de desenvolvimento artístico.
09. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP (Drauzio Varella. In Folha de S.Paulo, 9 mar.2002.
– 2013). Leia o texto a seguir: Adaptado)
Violência epidêmica Considere o seguinte trecho:

Didatismo e Conhecimento 91
LÍNGUA PORTUGUESA
Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmitiram 6-) (B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situação
valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impuseram de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida.
limites de disciplina. (C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos restituir
O pronome lhes, nas duas ocorrências, nesse trecho, refere-se, um objeto à pessoa que o perdeu.
respectivamente, a (D) O homem indignou-se quando lhe propuseram que abrisse
A) adolescentes e adolescentes. a bolsa que encontrara.
B) famílias e adolescentes. (E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma tendência
C) valores sociais altruísticos e limites de disciplina. natural das pessoas em devolvê-los a seus donos.
D) adolescentes e famílias.
E) famílias e famílias. 7-) Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produtos
de que não necessitam e acabam tendo de pagar tudo a
10. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – prazo.
2013- adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras dos
estabelecimentos felizmente comprovam os acontecimentos, e
8-) Faz alguns anos, num programa de televisão, uma jovem
testemunhas vão ajudar a polícia na investigação. – de acordo com
fazia referência à violência a que o brasileiro estava sujeito
a norma-padrão, os pronomes que substituem, corretamente, os
termos em destaque são: de forma cômica.
A) os comprovam … ajudá-la. Faz, no sentido de tempo passado = sempre no singular
B) os comprovam …ajudar-la.
C) os comprovam … ajudar-lhe. 9-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes
D) lhes comprovam … ajudar-lhe. transmitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não
E) lhes comprovam … ajudá-la. lhes impuseram limites de disciplina.
GABARITO Famílias que não impuseram aos adolescentes valores sociais,
formação moral e limites de disciplina.
01. C 02. E 03. C 04. D 05. C
06. A 07. C 08. E 09. A 10. A 10-) – Em ambos os casos, as câmeras dos estabelecimentos
felizmente comprovam os acontecimentos, e testemunhas vão
COMENTÁRIOS ajudar a polícia na investigação.
felizmente os comprovam ... ajudá-la
1-) Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não (advérbio)
está claro até onde pode realmente chegar uma política baseada em
melhorar a eficiência sem preços adequados para o carbono, a água
e (na maioria dos países pobres) a terra. É verdade que mesmo que 6 REESCRITURA DE FRASES E
a ameaça dos preços do carbono e da água faça em si diferença,
PARÁGRAFOS DO TEXTO.
as companhias não podem suportar ter de pagar, de repente,
digamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer 6.1 SUBSTITUIÇÃO DE PALAVRAS
preparação. Portanto, elas começam a usar preços sombra. Ainda OU DE TRECHOS DE TEXTO.
assim, ninguém encontrou até agora uma maneira de quantificar 6.2 RETEXTUALIZAÇÃO DE
adequadamente os insumos básicos. E sem eles a maioria das DIFERENTES GÊNEROS E NÍVEIS DE
políticas de crescimento verde sempre será a segunda opção. FORMALIDADE.
2-) A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los
B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase leva-
desalentado
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de -nos a refletir sobre a organização das ideias em um texto. Signi-
conhecê-las ? fica dizer que, antes da redação, naturalmente devemos dominar
D) ...não parecia ser um importante industrial... − não parecia o assunto sobre o qual iremos tratar e, posteriormente, planejar o
sê-lo modo como iremos expô-lo, do contrário haverá dificuldade em
transmitir ideias bem acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação
3-) transpor [...] as matas espessas= transpô-las de textos e a experiência de vida antecedem o ato de escrever.
Obtido um razoável conhecimento sobre o que iremos escre-
4-)(A) Ela não se lembrava do caminho de volta. ver, feito o esquema de exposição da matéria, é necessário saber
(B) A menina tinha se distanciado muito da família. ordenar as ideias em frases bem estruturadas. Logo, não basta
(C) A garota disse que se perdeu dos pais. conhecer bem um determinado assunto, temos que o transmitir de
(E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança maneira clara aos leitores.
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso aliado para
5-) (A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos. organizarmos as ideias de maneira clara em frases. Para tanto,
(B) Falaram-nos que a diplomacia americana está abalada. é necessário ter alguma noção de sintaxe. “Sintaxe”, conforme o
(D) Conformado, rendeu-se às punições. dicionário Aurélio, é a “parte da gramática que estuda a disposi-
(E) Todos querem que se combata a corrupção. ção das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a
relação lógica das frases entre si”; ou em outras palavras, sintaxe

Didatismo e Conhecimento 92
LÍNGUA PORTUGUESA
quer dizer “mistura”, isto é, saber misturar as palavras de maneira Observações:
a produzirem um sentido evidente para os receptores das nossas - tais construções não estão erradas, mas rompem com a or-
mensagens. Observe: dem direta;
- é preciso notar que em Língua Portuguesa, há muitas frases
1)A desemprego globalização no Brasil e no na está Latina que não têm sujeito, somente predicado. Por exemplo: Está cho-
América causando. vendo em Porto Alegre. Faz frio em Friburgo. São quatro horas
2) A globalização está causando desemprego no Brasil e na agora;
América Latina. - Outras frases são construídas com verbos intransitivos, que
não têm complemento: O menino morreu na Alemanha, (sujeito
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma frase, as +verbo+ adjunto adverbial), A globalização nasceu no século XX.
palavras estão amontoadas sem a realização de “uma sintaxe”, não (idem)
há um contexto linguístico nem relação inteligível com a realidade; - Há ainda frases nominais que não possuem verbos: Cada
no caso 2, a sintaxe ocorreu de maneira perfeita e o sentido está
macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a ordem direta faz-se
claro para receptores de língua portuguesa inteirados da situação
naturalmente. Usam-se apenas os termos existentes nelas.
econômica e cultural do mundo atual.
Levando em consideração a ordem direta, podemos estabele-
A Ordem dos Termos na Frase
cer três regras básicas para o uso da vírgula:
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que ela é 1)Se os termos estão colocados na ordem direta não haverá a
organizada de maneira clara para produzir sentido. Todavia, há necessidade de vírgulas. A frase (2) é um exemplo disto:
diferentes maneiras de se organizar gramaticalmente tal frase, tudo A globalização está causando desemprego no Brasil e na
depende da necessidade ou da vontade do redator em manter o América Latina.
sentido, ou mantê-lo, porém, acrescentado ênfase a algum dos seus Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração por
termos. Significa dizer que, ao escrever, podemos fazer uma série três vezes ou mais, então é necessário usar a vírgula, mesmo que
de inversões e intercalações em nossas frases, conforme a nossa estejamos usando a ordem direta. Esta é a regra básica nº1 para a
vontade e estilo. Tudo depende da maneira como queremos trans- colocação da vírgula. Veja:
mitir uma ideia. Por exemplo, podemos expressar a mensagem da A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” cau-
frase 2 da seguinte maneira: sam desemprego… = (três núcleos do sujeito)
No Brasil e na América Latina, a globalização está causando A globalização causa desemprego no Brasil, na América La-
desemprego. tina e na África. = (três adjuntos adverbiais)
A globalização está causando desemprego, insatisfação e
Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, apenas mu- sucateamento industrial no Brasil e na América Latina. = (três
damos a ordem das palavras para dar ênfase a alguns termos (neste complementos verbais)
caso: No Brasil e na A. L.). Repare que, para obter a clareza tive-
mos que fazer o uso de vírgulas. 2)Em princípio, não devemos, na ordem direta, separar com
Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado e o que vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo e o seu complemento, nem
mais nos auxilia na organização de um período, pois facilita as o complemento e as circunstâncias, ou seja, não devemos separar
boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a vírgula ajuda-nos a não com vírgula os termos da oração. Veja exemplos de tal incorreção:
“embolar” o sentido quando produzimos frases complexas. Com O Brasil, será feliz. A globalização causa, o desemprego.
isto, “entregamos” frases bem organizadas aos nossos leitores.
O básico para a organização sintática das frases é a ordem Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre os ter-
direta dos termos da oração. Os gramáticos estruturam tal ordem mos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas, assim o sentido
da seguinte maneira:
da ideia principal não se perderá. Esta é a regra básica nº2 para a
colocação da vírgula. Dito em outras palavras: quando intercala-
SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTO VERBAL+ CIR-
mos expressões e frases entre os termos da oração, devemos isolar
CUNSTÂNCIAS
os mesmos com vírgulas. Vejamos:
A globalização + está causando+ desemprego + no Brasil A globalização, fenômeno econômico deste fim de século XX,
nos dias de hoje. causa desemprego no Brasil.

Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem todas contêm Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o sujeito
todos estes elementos, portanto cabem algumas observações: e o verbo. Outros exemplos:
- As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.) normal- A globalização, que é um fenômeno econômico e cultural, está
mente são representadas por adjuntos adverbiais de tempo, lugar, causando desemprego no Brasil e na América Latina.
etc. Note que, no mais das vezes, quando queremos recordar algo
ou narrar uma história, existe a tendência a colocar os adjuntos nos Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada.
começos das frases: “No Brasil e na América…” “Nos dias de As orações adjetivas explicativas desempenham frequente-
hoje…” “Nas minhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os mente um papel semelhante ao do aposto explicativo, por isto são
verbos e outros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil também isoladas por vírgula.
existe…” A globalização causa, caro leitor, desemprego no Brasil…

Didatismo e Conhecimento 93
LÍNGUA PORTUGUESA
Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o seu com- Estas três regras básicas não solucionam todos os problemas
plemento. de organização das frases, mas já dão um razoável suporte para
A globalização causa desemprego, e isto é lamentável, no que possamos começar a ordenar a expressão das nossas ideias.
Brasil… Em suma: o importante é não separar os termos básicos das ora-
ções, mas, se assim o fizermos, seja intercalando ou invertendo
Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não pertence elementos, então devemos usar a vírgula.
ao assunto: globalização, da frase principal, tal oração é apenas
um comentário à parte entre o complemento verbal e os adjuntos. - Quanto à equivalência e transformação de estruturas,
Obs: a simples negação em uma frase não exige vírgula: outro exemplo muito comum cobrado em provas é o enunciado
A globalização não causou desemprego no Brasil e na Amé- trazer uma frase no singular, por exemplo, e pedir que o aluno
rica Latina. passe a frase para o plural, mantendo o sentido. Outro exemplo
é o enunciado dar a frase em um tempo verbal, e pedir para que
3)Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-a, tal que- a passe para outro tempo verbal.
bra torna a vírgula necessária. Esta é a regra nº3 da colocação da
vírgula. Níveis de linguagem
No Brasil e na América Latina, a globalização está causando
desemprego… A língua é um código de que se serve o homem para elaborar
No fim do século XX, a globalização causou desemprego no mensagens, para se comunicar. Existem basicamente duas modali-
Brasil… dades de língua, ou seja, duas línguas funcionais:
Nota-se que a quebra da ordem direta frequentemente se 1) a língua funcional de modalidade culta, língua culta ou
dá com a colocação das circunstâncias antes do sujeito. Trata- língua-padrão, que compreende a língua literária, tem por base a
-se da ordem inversa. Estas circunstâncias, em gramática, são norma culta, forma linguística utilizada pelo segmento mais culto
representadas pelos adjuntos adverbiais. Muitas vezes, elas são e influente de uma sociedade. Constitui, em suma, a língua utiliza-
colocadas em orações chamadas adverbiais que têm uma função da pelos veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio e
televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a
semelhante a dos adjuntos adverbiais, isto é, denotam tempo, lu-
de serem aliados da escola, prestando serviço à sociedade, colabo-
gar, etc. Exemplos:
rando na educação;
Quando o século XX estava terminando, a globalização co-
2) a língua funcional de modalidade popular; língua popular
meçou a causar desemprego.
ou língua cotidiana, que apresenta gradações as mais diversas, tem
Enquanto os países portadores de alta tecnologia desen-
o seu limite na gíria e no calão.
volvem--se, a globalização causa desemprego nos países pobres.
Durante o século XX, a Globalização causou desemprego Norma culta:
no Brasil. A norma culta, forma linguística que todo povo civilizado
possui, é a que assegura a unidade da língua nacional. E justa-
Obs 1: alguns gramáticos, Sacconi, por exemplo, conside- mente em nome dessa unidade, tão importante do ponto de vis-
ram que as orações subordinadas adverbiais devem ser isoladas ta político--cultural, que é ensinada nas escolas e difundida nas
pela vírgula também quando colocadas após as suas orações prin- gramáticas. Sendo mais espontânea e criativa, a língua popular
cipais, mas só quando afigura-se mais expressiva e dinâmica. Temos, assim, à guisa de
a) a oração principal tiver uma extensão grande: por exem- exemplificação:
plo: A globalização causa… , enquanto os países…(vide frase Estou preocupado. (norma culta)
acima); Tô preocupado. (língua popular)
b) Se houver uma outra oração após a principal e antes da Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)
oração adverbial: A globalização causa desemprego no Brasil
e as pessoas aqui estão morrendo de fome , enquanto nos países Não basta conhecer apenas uma modalidade de língua; urge
portadores de alta tecnologia… conhecer a língua popular, captando-lhe a espontaneidade, expres-
sividade e enorme criatividade, para viver; urge conhecer a língua
Obs 2: quando os adjuntos adverbiais são mínimos, isto é, culta para conviver.
têm apenas uma ou duas palavras não há necessidade do uso da Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das normas da
vírgula: língua culta.
Hoje a globalização causa desemprego no Panamá.
Ali a globalização também causou… O conceito de erro em língua:
A não ser que queiramos dar ênfase: Aqui, a globalização…
Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos casos
Obs3: na língua escrita, normalmente, ao realizarmos a or- de ortografia. O que normalmente se comete são transgressões da
dem inversa, emprestamos ênfase aos termos que principiam as norma culta. De fato, aquele que, num momento íntimo do dis-
frases. Veja este exemplo de Rui Barbosa destacado por Garcia: curso, diz: “Ninguém deixou ele falar”, não comete propriamente
“A mim, na minha longa e aturada e continua prática do erro; na verdade, transgride a norma culta.
escrever, me tem sucedido inúmeras vezes, depois de considerar Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua fala, trans-
por muito tempo necessária e insuprível uma locução nova, en- gride tanto quanto um indivíduo que comparece a um banquete
contrar vertida em expressões antigas mais clara, expressiva e trajando xortes ou quanto um banhista, numa praia, vestido de fra-
elegante a mesma ideia.” que e cartola.

Didatismo e Conhecimento 94
LÍNGUA PORTUGUESA
Releva considerar, assim, o momento do discurso, que pode Língua escrita e língua falada. Nível de linguagem:
ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é o das liberdades
da fala. No recesso do lar, na fala entre amigos, parentes, namora- A língua escrita, estática, mais elaborada e menos econômica,
dos, etc., portanto, são consideradas perfeitamente normais cons- não dispõe dos recursos próprios da língua falada.
truções do tipo: A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação (melodia
Eu não vi ela hoje. da frase), as pausas (intervalos significativos no decorrer do discur-
Ninguém deixou ele falar. so), além da possibilidade de gestos, olhares, piscadas, etc., fazem
Deixe eu ver isso! da língua falada a modalidade mais expressiva, mais criativa, mais
Eu te amo, sim, mas não abuse! espontânea e natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita a
Não assisti o filme nem vou assisti-lo. transformações e a evoluções.
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo. Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em importância. Nas es-
Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a norma colas, principalmente, costuma se ensinar a língua falada com base
culta, deixando mais livres os inter locutores. na língua escrita, considerada superior. Decorrem daí as correções, as
O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que é a lín- retificações, as emendas, a que os professores sempre estão atentos.
gua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se por base aqui as Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mostrando as
normas estabelecidas na gramática, ou seja, a norma culta. Assim, características e as vantagens de uma e outra, sem deixar transparecer
aquelas mesmas construções se alteram: nenhum caráter de superioridade ou inferioridade, que em verdade
Eu não a vi hoje. inexiste.
Ninguém o deixou falar. Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na língua falada.
Deixe-me ver isso! A nenhum povo interessa a multiplicação de línguas. A nenhuma na-
Eu te amo, sim, mas não abuses! ção convém o surgimento de dialetos, consequência natural do enor-
Não assisti ao filme nem vou assistir a ele. me distanciamento entre uma modalidade e outra.
Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe. A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-elaborada que a
língua falada, porque é a modalidade que mantém a unidade linguís-
Considera-se momento neutro o utilizado nos veículos de co-
tica de um povo, além de ser a que faz o pensamento atravessar o es-
municação de massa (rádio, televisão, jornal, revista, etc.). Daí o
paço e o tempo. Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será
fato de não se admitirem deslizes ou transgressões da norma culta
possível sem a língua escrita, cujas transformações, por isso mesmo,
na pena ou na boca de jornalistas, quando no exercício do trabalho,
processam-se lentamente e em número consideravelmente menor,
que deve refletir serviço à causa do ensino.
quando cotejada com a modalidade falada.
O momento solene, acessível a poucos, é o da arte poética, ca-
racterizado por construções de rara beleza. Importante é fazer o educando perceber que o nível da lingua-
Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume. Como tal, gem, a norma linguística, deve variar de acordo com a situação em
qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa de sê-lo no exato ins- que se desenvolve o discurso.
tante em que a maioria absoluta o comete, passando, assim, a cons- O ambiente sociocultural determina o nível da linguagem a ser
tituir fato linguístico registro de linguagem definitivamente consa- empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronúncia e até a entoação va-
grado pelo uso, ainda que não tenha amparo gramatical. Exemplos: riam segundo esse nível. Um padre não fala com uma criança como se
Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!) estivesse em uma missa, assim como uma criança não fala como um
Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir.) adulto. Um engenheiro não usará um mesmo discurso, ou um mesmo
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos dispersar nível de fala, para colegas e para pedreiros, assim como nenhum pro-
e Não vamos dispersar-nos.) fessor utiliza o mesmo nível de fala no recesso do lar e na sala de aula.
Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho de sair Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre esses ní-
daqui bem depressa.) veis, destacam-se em importância o culto e o cotidiano, a que já fize-
O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no seu posto.) mos referência.

As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos impedir, - Sinônimos


despedir e desimpedir, respectivamente, são exemplos também de São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto - abecedá-
transgressões ou “erros” que se tornaram fatos linguísticos, já que rio; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir.
só correm hoje porque a maioria viu tais verbos como derivados de Observação: A contribuição greco latina é responsável pela exis-
pedir, que tem início, na sua conjugação, com peço. Tanto bastou tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e antagonista;
para se arcaizarem as formas então legítimas impido, despido e de- translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo; contraveneno e antí-
simpido, que hoje nenhuma pessoa bem escolarizada tem coragem doto; moral e ética; colóquio e diálogo; transformação e metamorfo-
de usar. se; oposição e antítese.
Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário escolar
palavras como corrigir e correto, quando nos referimos a frases. - Antônimos
“Corrija estas frases” é uma expressão que deve dar lugar a esta, por São palavras de significação oposta: ordem - anarquia; soberba
exemplo: “Converta estas frases da língua popular para a língua - humildade; louvar - censurar; mal - bem.
culta”. Observação: A antonímia pode originar-se de um prefixo de sen-
Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a uma frase tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático e antipático;
“errada”; é, na verdade, uma frase elaborada conforme as normas progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo e inativo; esperar e
gramaticais; em suma, conforme a norma culta. desesperar; comunista e anticomunista; simétrico e assimétrico.

Didatismo e Conhecimento 95
LÍNGUA PORTUGUESA
O que são Homônimos e Parônimos: Os alunos da turma avançada de robótica, por exemplo,
- Homônimos constroem carros com sensores de movimento que respondem à
a) Homógrafos: são palavras iguais na escrita e diferentes na pro- aproximação das pessoas. A fonte de energia vem de baterias de
núncia: celular. “Tirando alguns sensores, que precisamos comprar, é tudo
rego (subst.) e rego (verbo); reciclagem”, comentou o instrutor de robótica do CMID, Leandro
colher (verbo) e colher (subst.); Schneider. Esses alunos também aprendem a consertar compu-
jogo (subst.) e jogo (verbo); tadores antigos. “O nosso projeto só funciona por causa do lixo
denúncia (subst.) e denuncia (verbo); eletrônico. Se tivéssemos que comprar tudo, não seria viável”,
providência (subst.) e providencia (verbo). completou.
b) Homófonos: são palavras iguais na pronúncia e diferentes Em uma época em que celebridades do mundo digital fazem
na escrita: campanha a favor do ensino de programação nas escolas, é ins-
acender (atear) e ascender (subir); pirador o relato de Dionatan Gabriel, aluno da turma avançada
concertar (harmonizar) e consertar (reparar); de robótica do CMID que, aos 16 anos, já sabe qual será sua pro-
cela (compartimento) e sela (arreio); fissão. “Quero ser programador. No início das aulas, eu achava
censo (recenseamento) e senso (juízo); meio chato, mas depois fui me interessando”, disse.
paço (palácio) e passo (andar). (Giordano Tronco, www.techtudo.com.br, 07.07.2013. Adap-
tado)
c) Homógrafos e homófonos simultaneamente: São palavras
iguais na escrita e na pronúncia: 02. A palavra em destaque no trecho –“Tirando alguns sen-
caminho (subst.) e caminho (verbo); sores, que precisamos comprar, é tudo reciclagem”... – pode ser
cedo (verbo) e cedo (adv.); substituída, sem alteração do sentido da mensagem, pela seguinte
livre (adj.) e livre (verbo). expressão:
A) Pelo menos
- Parônimos B) A contar de
São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: coro e cou- C) Em substituição a
D) Com exceção de
ro; cesta e sesta; eminente e iminente; osso e ouço; sede e cede;
E) No que se refere a
comprimento e cumprimento; tetânico e titânico; autuar e atuar;
degradar e degredar; infligir e infringir; deferir e diferir; suar e
03. Assinale a alternativa que apresenta um antônimo para o
soar.
termo destacado em – …“No início das aulas, eu achava meio cha-
to, mas depois fui me interessando”, disse.
h t t p : / / w w w. c o l a d a w e b . c o m / p o r t u g u e s / s i n o n i m o s , -
A) Estimulante.
-antonimos,-homonimos-e-paronimos
B) Cansativo.
C) Irritante.
Questões sobre Significação das Palavras D) Confuso.
E) Improdutivo.
01. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacu-
nas da frase abaixo: 04. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
Da mesma forma que os italianos e japoneses _________ – 2013). Analise as afirmações a seguir.
para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros ________ I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso por
para a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor; inter- homicídio. – o termo em destaque pode ser substituído, sem altera-
namente, __________ para o Sul, pelo mesmo motivo. ção do sentido do texto, por “faz”.
a) imigraram - emigram - migram II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser reescri-
b) migraram - imigram - emigram ta da seguinte forma – Todo preso aspira à libertação.
c) emigraram - migram - imigram. III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente aqui
d) emigraram - imigram - migram. no presídio devido ao bom comportamento. – pode-se substituir a
e) imigraram - migram – emigram expressão em destaque por “em razão do”, sem alterar o sentido
do texto.
Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP – 2013 - De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, está
Leia o texto para responder às questões de números 02 e 03. correto o que se afirma em
A) I, II e III. B) III, apenas.
Alunos de colégio fazem robôs com sucata eletrônica C) I e III, apenas. D) I, apenas.
E) I e II, apenas.
Você comprou um smartphone e acha que aquele seu celular
antigo é imprestável? Não se engane: o que é lixo para alguns 05. Leia as frases abaixo:
pode ser matéria-prima para outros. O CMID – Centro Marista 1 - Assisti ao ________ do balé Bolshoi;
de Inclusão Digital –, que funciona junto ao Colégio Marista de 2 - Daqui ______ pouco vão dizer que ______ vida em Marte.
Santa Maria, no Rio Grande do Sul, ensina os alunos do colégio a 3 - As _________ da câmara são verdadeiros programas de
fazer robôs a partir de lixo eletrônico. humor.

Didatismo e Conhecimento 96
LÍNGUA PORTUGUESA
4 - ___________ dias que não falo com Alfredo. altos índices de produção. Já no ano 2000, a preocupação era
fazer melhor ou diferente da concorrência e as empresas passa-
Escolha a alternativa que oferece a sequência correta de ram a atuar com responsabilidade sócio ambiental.
vocábulos para as lacunas existentes: O consumidor tem de aprender a dizer não quando a sua
a) concerto – há – a – cessões – há; relação com a empresa não for boa. Se não for boa, deve com-
b) conserto – a – há – sessões – há; prar o produto em outro lugar. Os cidadãos não têm ideia do
c) concerto – a – há – seções – a; poder que possuem.
d) concerto – a – há – sessões – há; É importante, ainda, entender nossa relação com a empresa ou
e) conserto – há – a – sessões – a . produto que vamos eleger. Temos uma expectativa, um envolvimento e
06. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP aceitação e a preferência dependerá das ações que aprovamos ou não
– 2013-adap.). Considere o seguinte trecho para responder à nas empresas, pois podemos mudar de ideia.
questão. Há muito a ser feito. Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pes-
Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmi- soas acreditam no consumo consciente, mas essas mesmas pessoas ad-
tiram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes mitem que já compraram produto pirata. Temos de refletir sobre isso
impuseram limites de disciplina. para mudar nossas atitudes.
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse tre- (Jornal da Tarde 24.04.2007. Adaptado)
cho, é:
A) de desprendimento. B) de responsabilidade. No trecho – Temos uma expectativa, um envolvimento e aceita-
C) de abnegação. D) de amor. ção... –, a palavra destacada apresenta sentido contrário de
E) de egoísmo. A) vontade. B) apreciação.
C) avaliação. D) rejeição.
07. Assinale o único exemplo cuja lacuna deve ser preen- E) indiferença.
chida com a primeira alternativa da série dada nos parênteses:
A) Estou aqui _______ de ajudar os flagelados das enchen- 10. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). Na frase
tes. (afim- a fim). – Os consumidores são assediados pelo marketing... –, a palavra desta-
cada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
B) A bandeira está ________. (arreada - arriada).
A) perseguidos. B) ameaçados.
C) Serão punidos os que ________ o regulamento. (inflin-
C) acompanhados. D) gerados.
girem - infringirem).
E) preparados.
D) São sempre valiosos os ________ dos mais velhos.
(concelhos - conselhos).
GABARITO
E) Moro ________ cem metros da praça principal. (a cerca
01. A 02. D 03. A 04. A 05. D
de - acerca de).
06. E 07. E 08. A 09. D 10. A
08. Assinale a alternativa correta, considerando que à direi- RESOLUÇÃO
ta de cada palavra há um sinônimo.
a) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar 1-) Da mesma forma que os italianos e japoneses imigraram
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros emigram para
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor; internamente,
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder migram para o Sul, pelo mesmo motivo.
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação
2-) “Com exceção de alguns sensores, que precisamos comprar, é
09. (Agente de Apoio Operacional – VUNESP – 2013). tudo reciclagem”...
Leia o texto a seguir.
3-) antônimo para o termo destacado : “No início das aulas, eu
Temos o poder da escolha achava meio chato, mas depois fui me interessando”
“No início das aulas, eu achava meio estimulante, mas depois fui
Os consumidores são assediados pelo marketing a todo me interessando”
momento para comprarem além do que necessitam, mas so-
mente eles podem decidir o que vão ou não comprar. É como 4-)
se abrissem em nós uma “caixa de necessidades”, mas só nós I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso por ho-
temos o poder da escolha. micídio. – o termo em destaque pode ser substituído, sem alteração do
Cada vez mais precisamos do consumo consciente. Será sentido do texto, por “faz”. = correta
que paramos para pensar de onde vem o produto que estamos II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser reescrita da
consumindo e se os valores da empresa são os mesmos em que seguinte forma – Todo preso aspira à libertação. = correta
acreditamos? A competitividade entre as empresas exige que III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente aqui no
elas evoluam para serem opções para o consumidor. Nos anos presídio devido ao bom comportamento. – pode-se substituir a expres-
60, saber fabricar qualquer coisa era o suficiente para ter uma são em destaque por “em razão do”, sem alterar o sentido do texto. =
empresa. Nos anos 70, era preciso saber fazer com qualidade e correta

Didatismo e Conhecimento 97
LÍNGUA PORTUGUESA
5-) Pela própria definição acima destacada podemos perceber que
1 - Assisti ao concerto do balé Bolshoi; a palavra é composta por duas partes, uma delas relacionada a sua
2 - Daqui a pouco vão dizer que há (= existe) vida forma escrita e os seus sons (denominada significante) e a outra
em Marte. relacionada ao que ela (palavra) expressa, ao conceito que ela traz
3 – As sessões da câmara são verdadeiros programas de (denominada significado).
humor. Em relação ao seu SIGNIFICADO as palavras subdividem-se
4- Há dias que não falo com Alfredo. (= tempo passado) assim:
6-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmiti- - Sentido Próprio - é o sentido literal, ou seja, o sentido co-
ram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impu- mum que costumamos dar a uma palavra.
seram limites de disciplina.
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse trecho, - Sentido Figurado - é o sentido “simbólico”, “figurado”, que
é de egoísmo podemos dar a uma palavra.
Altruísmo é um tipo de comportamento encontrado nos seres Vamos analisar a palavra cobra utilizada em diferentes con-
humanos e outros seres vivos, em que as ações de um indivíduo textos:
beneficiam outros. É sinônimo de filantropia. No sentido comum
do termo, é muitas vezes percebida, também, como sinônimo de 1. A cobra picou o menino. (cobra = réptil peçonhento)
solidariedade. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que 2. A sogra dele é uma cobra. (cobra = pessoa desagradável,
são as inclinações específica e exclusivamente individuais (pes- que adota condutas pouco apreciáveis)
soais ou coletivas). 3. O cara é cobra em Física! (cobra = pessoa que conhece
muito sobre alguma coisa, “expert”)
7-) No item 1 aplica-se o termo cobra em seu sentido comum
A) Estou aqui a fim de de ajudar os flagelados das en- (ou literal); nos itens 2 e 3 o termo cobra é aplicado em sentido
chentes. (afim = O adjetivo “afim” é empregado para indicar que figurado.
Podemos então concluir que um mesmo significante (parte
uma coisa tem afinidade com a outra. Há pessoas que têm tempe-
concreta) pode ter vários significados (conceitos).
ramentos afins, ou seja, parecidos)
B) A bandeira está arriada . (arrear = colocar arreio
Denotação e Conotação
no cavalo)
C) Serão punidos os que infringirem o regulamento.
- Denotação: verifica-se quando utilizamos a palavra com o
(inflingirem = aplicarem a pena)
seu significado primitivo e original, com o sentido do dicionário;
D) São sempre valiosos os conselhos dos mais velhos; usada de modo automatizado; linguagem comum. Veja este exem-
(concelhos= Porção territorial ou parte administrativa de um dis- plo: Cortaram as asas da ave para que não voasse mais.
trito). Aqui a palavra em destaque é utilizada em seu sentido pró-
E) Moro a cerca de cem metros da praça principal. (acerca prio, comum, usual, literal.
de = Acerca de é sinônimo de “a respeito de”.).
MINHA DICA - Procure associar Denotação com Dicionário:
8-) trata-se de definição literal, quando o termo é utilizado em seu
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) = sig- sentido dicionarístico.
nificados invertidos
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar = significados - Conotação: verifica-se quando utilizamos a palavra com o
invertidos seu significado secundário, com o sentido amplo (ou simbólico);
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder = significados usada de modo criativo, figurado, numa linguagem rica e expressi-
invertidos va. Veja este exemplo:
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação = signifi- Seria aconselhável cortar as asas deste menino, antes que
cados invertidos seja tarde demais.

9-) Temos uma expectativa, um envolvimento e aceitação... –, Já neste caso o termo (asas) é empregado de forma figurada,
a palavra destacada apresenta sentido contrário de rejeição. fazendo alusão à ideia de restrição e/ou controle de ações; discipli-
na, limitação de conduta e comportamento.
10-) Os consumidores são assediados pelo marketing... –, a
palavra destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, Fonte:
por perseguidos. http://www.tecnolegis.com/estudo-dirigido/oficial-de-justica-
-tjm-sp/lingua-portuguesa-sentido-proprio-e-figurado-das-pala-
Na língua portuguesa, uma PALAVRA (do latim parabola, vras.html
que por sua vez deriva do grego parabolé) pode ser definida como
sendo um conjunto de letras ou sons de uma língua, juntamente Questões sobre Denotação e Conotação
com a ideia associada a este conjunto.
1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU-
Sentido Próprio e Figurado das Palavras LO – ADVOGADO - VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto
para responder à questão.

Didatismo e Conhecimento 98
LÍNGUA PORTUGUESA
Outro dia, meu pai veio me visitar e trouxe uma caixa de ca- I. Foi acusado de ser o cabeça do movimento.
quis, lá de Sorocaba. Eu os lavei, botei numa tigela na varanda e II. Ele emprega sempre a palavra literalmente atribuindo-lhe um
comemos um por um, num silêncio reverencial, nos olhando de vez sentido inteiramente inadequado.
em quando. Enquanto comia, eu pensava: Deus do céu, como ca- III. Ignoro o porquê de você se aborrecer comigo.
qui é bom! Caqui é maravilhoso! O que tenho feito eu desta curta IV. Seus pensamentos são fantasmagorias que não o deixam
vida, tão afastado dos caquis?! em paz.
Meus amigos e amigas e parentes queridos são como os ca- Atende ao enunciado APENAS o que está em
quis: nunca os encontro. Quando os encontro, relembro como é a) I e II.
prazeroso vê-los, mas depois que vão embora me esqueço da reve- b) I e IV.
lação. Por que não os vejo sempre, toda semana, todos os dias desta c) II e III.
curta vida? d) III e IV.
Já sei: devem ficar escondidos de mim, guardados numa caixa, e) I e III.
lá em Sorocaba.
(Antônio Prata, Apolpando. Folha de S.Paulo, 29.05.2013) I. Foi acusado de ser o cabeça do movimento. = o líder, o
mentor (figurado)
Considerando o contexto, assinale a alternativa em que há termos II. Ele emprega sempre a palavra literalmente atribuindo-lhe
empregados em sentido figurado. um sentido inteiramente inadequado. (linguagem denotativa)
(A) Outro dia, meu pai veio me visitar… (1.º parágrafo) III. Ignoro o porquê de você se aborrecer comigo. (= o motivo;
(B) … e trouxe uma caixa de caquis, lá de Sorocaba. (1.º pará- denotação)
grafo) IV. Seus pensamentos são fantasmagorias que não o deixam
(C) … devem ficar escondidos de mim, guardados numa caixa… em paz. (perturbações; figurado).
(último parágrafo) RESPOSTA: “B”.
(D) Enquanto comia, eu pensava… (1.º parágrafo)
(E) … botei numa tigela na varanda e comemos um por um… 4-) (Agente de Promotoria – Assessoria – VUNESP – 2013).
(1.º parágrafo)
Leia o texto a seguir.
Sublinhei os termos que estão relacionados (os pronomes e ver-
Na FLIP, como na Copa
bos retomam os seguintes substantivos abaixo):
Meus amigos e amigas e parentes queridos são como os caquis...
RIO DE JANEIRO – Durante entrevista na Festa Literária
Quando os encontro, relembro como é prazeroso vê-los...
Internacional de Paraty deste ano, o cantor Gilberto Gil criticou
...devem ficar escondidos de mim, guardados numa caixa, lá em
as arquibancadas dos estádios brasileiros em jogos da Copa das
Sorocaba...
Confederações.
Através da leitura acima, percebemos que o autor refere-se aos Poderia ter dito o mesmo sobre a plateia da Tenda dos Au-
amigos, amigas e parentes. Ao dizer que ficam guardados em caixas, tores, para a qual ele e mais de 40 outros se apresentaram. A au-
obviamente, está utilizando uma linguagem conotativa, figurada. diência do evento literário lembra muito a dos eventos Fifa: classe
RESPOSTA: “C”. média alta.
Na Flip, como nas Copas por aqui, pobre só aparece “como
2-) (CREFITO/SP – ANALISTA FINANCEIRO – VU- prestador de serviço”, para citar uma participante de um protesto
NESP/2012 - ADAPTADA) Para responder à questão, considere o em Paraty, anteontem.
trecho a seguir. Como lembrou outro dos convidados da festa literária, o me-
Uma lei que, por todo esse empenho do governo estadual, “pe- xicano Juan Pablo Villalobos, esse cenário é “um espelho do que
gou”. E justamente no Rio, dos tantos jeitinhos e esquemas e da vista é o Brasil”.
grossa. (Marco Aurélio Canônico, Na Flip, como na Copa. Folha de
S.Paulo, 08.07.2013. Adaptado)
No contexto em que está empregada, a expressão “pegou” assu- O termo espelho está empregado em sentido
me um sentido que também está presente em: A) figurado, significando qualidade.
(A) Já não há dúvidas de que essa moda pegou. B) próprio, significando modelo.
(B) O carro a álcool não pegou por causa do frio. C) figurado, significando advertência.
(C) O trem pegou o ônibus no cruzamento. D) próprio, significando símbolo.
(D) Ele, sem emprego, pegou o serviço temporário. E) figurado, significando reflexo.
(E) Ele correu atrás do ladrão e o pegou.
05. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VUNESP
A alternativa que apresenta o verbo “pegou” em seu sentido co- – 2013). Leia o texto a seguir.
notativo é a letra “A”.
RESPOSTA: “A”. Violência epidêmica

3-) (TRF – 4ª REGIÃO – TAQUIGRAFIA – FCC/2010) Cons- A violência urbana é uma enfermidade contagiosa. Embora
titui exemplo de uso de linguagem figurada o elemento sublinhado possa acometer indivíduos vulneráveis em todas as classes sociais,
na frase: é nos bairros pobres que ela adquire características epidêmicas.

Didatismo e Conhecimento 99
LÍNGUA PORTUGUESA
A prevalência varia de um país para outro e entre as cidades B) A revisão de estudos científicos permite identificar três fa-
de um mesmo país, mas, como regra, começa nos grandes centros tores principais na formação das personalidades com maior incli-
urbanos e se dissemina pelo interior. nação ao comportamento violento... (6.º parágrafo)
As estratégias que as sociedades adotam para combater a vio- C) As estratégias que as sociedades adotam para combater a
lência variam muito e a prevenção das causas evoluiu muito pouco violência variam... (3.º parágrafo)
no decorrer do século 20, ao contrário dos avanços ocorridos no D) ...esses fatores de risco criam o caldo de cultura que ali-
campo das infecções, câncer, diabetes e outras enfermidades. menta a violência crescente nas cidades. (10.º parágrafo)
A agressividade impulsiva é consequência de perturbações E) Os mais vulneráveis são os que tiveram a personalidade
nos mecanismos biológicos de controle emocional. Tendências formada num ambiente desfavorável ao desenvolvimento psicoló-
agressivas surgem em indivíduos com dificuldades adaptativas gico pleno. (5.º parágrafo)
que os tornam despreparados para lidar com as frustrações de
seus desejos. 06. O item em que o termo sublinhado está empregado no
A violência é uma doença. Os mais vulneráveis são os que sentido denotativo é:
tiveram a personalidade formada num ambiente desfavorável ao
A) “Além dos ganhos econômicos, a nova realidade rendeu
desenvolvimento psicológico pleno.
frutos políticos.”
A revisão de estudos científicos permite identificar três fatores
B) “...com percentuais capazes de causar inveja ao presiden-
principais na formação das personalidades com maior inclinação
ao comportamento violento: te.”
1) Crianças que apanharam, foram vítimas de abusos, humi- C) “Os genéricos estão abrindo as portas do mercado...”
lhadas ou desprezadas nos primeiros anos de vida. D) “...a indústria disparou gordos investimentos.”
2) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes transmiti- E) “Colheu uma revelação surpreendente:...”
ram valores sociais altruísticos, formação moral e não lhes impu-
seram limites de disciplina. 07. (Analista em C&T Júnior – Administração – VUNESP –
3) Associação com grupos de jovens portadores de comporta- 2013). Leia o texto a seguir.
mento antissocial. O humor deve visar à crítica, não à graça, ensinou Chico
Na periferia das cidades brasileiras vivem milhões de crian- Anysio, o humorista popular. E disse isso quando lhe solicitaram
ças que se enquadram nessas três condições de risco. Associados considerar o estado atual do riso brasileiro. Nos últimos anos de
à falta de acesso aos recursos materiais, à desigualdade social, vida, o escritor contribuía para o cômico apenas em sua porção de
esses fatores de risco criam o caldo de cultura que alimenta a ator, impedido pela televisão brasileira de produzir textos. E o que
violência crescente nas cidades. ele dizia sobre a risada ajuda a entender a acomodação de mui-
Na falta de outra alternativa, damos à criminalidade a res- tos humoristas contemporâneos. Porque, quando eles humilham
posta do aprisionamento. Porém, seu efeito é passageiro: o cri- aqueles julgados inferiores, os pobres, os analfabetos, os negros,
minoso fica impedido de delinquir apenas enquanto estiver preso. os nordestinos, todos os oprimidos que parece fácil espezinhar,
Ao sair, estará mais pobre, terá rompido laços familiares e sociais não funcionam bem como humoristas. O humor deve ser o oposto
e dificilmente encontrará quem lhe dê emprego. Ao mesmo tempo, disto, uma restauração do que é justo, para a qual desancar aque-
na prisão, terá criado novas amizades e conexões mais sólidas les em condições piores do que as suas não vale. Rimos, isso sim,
com o mundo do crime. do superior, do arrogante, daquele que rouba nosso lugar social.
Construir cadeias custa caro; administrá-las, mais ainda. O curioso é perceber como o Brasil de muito tempo atrás sa-
Obrigados a optar por uma repressão policial mais ativa, aumen- bia disso, e o ensinava por meio de uma imprensa ocupada em
taremos o número de prisioneiros. As cadeias continuarão super- ferir a brutal desigualdade entre os seres e as classes. Ao percor-
lotadas. rer o extenso volume da História da Caricatura Brasileira (Gala
Seria mais sensato investir em educação, para prevenir a cri-
Edições), compreendemos que tal humor primitivo não praticava
minalidade e tratar os que ingressaram nela.
um rosário de ofensas pessoais. Naqueles dias, humor parecia ser
Na verdade, não existe solução mágica a curto prazo. Preci-
apenas, e necessariamente, a virulência em relação aos modos
samos de uma divisão de renda menos brutal, motivar os policiais
a executar sua função com dignidade, criar leis que acabem com opressivos do poder.
a impunidade dos criminosos bem-sucedidos e construir cadeias A amplitude dessa obra é inédita. Saem da obscuridade os no-
novas para substituir as velhas. mes que sucederam ao mais aclamado dos artistas a produzir arte
Enquanto não aprendermos a educar e oferecer medidas pre- naquele Brasil, Angelo Agostini. Corcundas magros, corcundas
ventivas para que os pais evitem ter filhos que não serão capazes gordos, corcovas com cabeça de burro, todos esses seres compos-
de criar, cabe a nós a responsabilidade de integrá-los na socieda- tos em aspecto polimórfico, com expressivo valor gráfico, eram os
de por meio da educação formal de bom nível, das práticas espor- responsáveis por ilustrar a subserviência a estender-se pela Corte
tivas e da oportunidade de desenvolvimento artístico. Imperial. Contra a escravidão, o comodismo dos bem--postos e
(Drauzio Varella. In Folha de S.Paulo, 9 mar.2002. Adapta- dos covardes imperialistas, esses artistas operavam seu espírito
do) crítico em jornais de todos os cantos do País.
(Carta Capital.13.02.2013. Adaptado)
Assinale a alternativa em cuja frase foi empregada palavra ou
expressão com sentido figurado. Na frase –… compreendemos que tal humor primitivo não
A) Tendências agressivas surgem em indivíduos com dificul- praticava um rosário de ofensas pessoais. –, observa-se emprego
dades adaptativas ...(4.º parágrafo) de expressão com sentido figurado, o que ocorre também em:

Didatismo e Conhecimento 100


LÍNGUA PORTUGUESA
A) O livro sobre a história da caricatura estabelece marcos No trecho do sexto parágrafo – Bom saber que, na correria
inaugurais em relação a essa arte. geral, em meio a tantos profissionais que acreditam estar dire-
B) O trabalho do caricaturista pareceu tão importante a seus tamente envolvidos no movimento de rotação da Terra, esse aí
contemporâneos que recebeu o nome de “nova invenção artística.” reservou-se cinco minutos de contemplação. –, o segmento em
C) Manoel de Araújo Porto Alegre foi o primeiro profissional destaque expressa, de modo figurado, um sentido equivalente ao
dessa arte e o primeiro a produzir caricaturas no Brasil. da expressão: profissionais que acreditam ser
D) O jornal alternativo em 1834 zunia às orelhas de todos e A) incompreendidos, que são obrigados a trabalhar além do
atacava esta ou aquela personagem da Corte. expediente.
E) O livro sobre a arte caricatural respeita cronologicamente B) desvalorizados, que não são devidamente reconhecidos.
os acontecimentos da história brasileira, suas temáticas políticas C) indispensáveis, que consideram realizar um trabalho de
e sociais. grande importância.
D) metódicos, que gerenciam com rigidez a vida corporativa.
08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças Públi- E) flexíveis, que sabem valorizar os momentos de ócio.
cas – VUNESP – 2013). Leia o texto a seguir.
GABARITO
Tomadas e oboés
“O do meio, com heliponto, tá vendo?”, diz o taxista, apon- 04. E 05. D 06. B 07. D 08. C
tando o enorme prédio espelhado, do outro lado da marginal: “A
parte elétrica, inteirinha, meu cunhado que fez”. Ficamos admi- RESOLUÇÃO
rando o edifício parcialmente iluminado ao cair da tarde e penso
menos no tamanho da empreitada do que em nossa variegada hu- 4-) O termo espelho está empregado em sentido figurado, sig-
manidade: uns se dedicam à escrita, outros a instalações elétricas, nificando reflexo do que é o país.
lembro- -me do meu tio Augusto, que vive de tocar oboé. “Fio,
disjuntor, tomada, tudo!”, insiste o motorista, com tanto orgulho 5-) criam o caldo de cultura que alimenta a violência crescente
que chega a contaminar-me. nas cidades. (10.º parágrafo)
Pergunto quantas tomadas ele acha que tem, no prédio todo. Criam o ambiente, as situações que alimentam, fortalecem a
Há quem ria desse tipo de indagação. Meu taxista, não. É um ho- violência.
mem sério, eu também, fazemos as contas: uns dez escritórios por
andar, cada um com umas seis salas, vezes 30 andares. “Cada 6-) com percentuais capazes de causar inveja ao presidente.
sala tem o quê? Duas tomadas?” Sentido denotativo = empregado com o sentido real da palavra
“Cê tá louco! Muito mais! Hoje em dia, com computador, es-
sas coisas? Depois eu pergunto pro meu cunhado, mas pode botar 7-) O jornal alternativo em 1834 zunia às orelhas de todos e
aí pra uma média de seis tomadas/sala.” atacava esta ou aquela personagem da Corte.
Ok: 10 x 6 x 6 x 30 = 10.800. Dez mil e oitocentas tomadas! Zunir: Produzir som forte e áspero. Empregado no sentido de
Há 30, 40 anos, uma hora dessas, a maior parte das tomadas “gritar” aos leitores as notícias.
já estaria dormindo o sono dos justos, mas a julgar pelo núme-
ro de janelas acesas, enquanto volto para casa, lentamente, pela 8-) indispensáveis, que consideram realizar um trabalho de
marginal, centenas de trabalhadores suam a camisa, ali no pré- grande importância.
dio: criam logotipos, calculam custos para o escoamento da soja, Comparando-se ao movimento de rotação, que acontece sem
negociam minério de ferro. Talvez até, quem sabe, deitado num a intervenção de quaisquer trabalhadores, “importantes” ou não.
sofá, um homem escute em seu iPod as notas de um oboé.
Alegra-me pensar nesse sujeito de olhos fechados, ouvindo Palavras e Locuções Denotativas são aquelas que, embora,
música. Bom saber que, na correria geral, em meio a tantos profis- em alguns aspectos (ser invariável, por exemplo), assemelhem-se
sionais que acreditam estar diretamente envolvidos no movimento a advérbios, não possuem, segundo a Nomenclatura Gramatical
de rotação da Terra, esse aí reservou-se cinco minutos de contem- Brasileira, classificação especial. Do ponto de vista sintático, são
plação. expletivas, isto é, não assumem nenhuma função; do ponto de vista
Está tarde, contudo. Algo não fecha: por que segue no escri- morfológico, são invariáveis (muitas delas vindas de outras classes
tório, esse homem? Por que não voltou para a mulher e os filhos, gramaticais); do ponto de vista semântico, são inegavelmente im-
não foi para o chope ou o cinema? O homem no sofá, entendo ago- portantes no contexto em que se encontram (daí seu nome). Clas-
ra, está ainda mais afundado do que os outros. O momento oboé sificam-se em função da ideia que expressam:
era apenas uma pausa para repor as energias, logo mais voltará à Adição: ainda, além disso, etc. Por exemplo: Comeu tudo e
sua mesa e a seus logotipos, à soja ou ao minério de ferro. ainda repetiu.
“Onze mil, cento e cinquenta”, diz o taxista, me mostrando Afastamento: embora. Por exemplo: Foi embora daqui.
o celular. Não entendo. “É o SMS do meu cunhado: 11.150 toma- Afetividade: ainda bem, felizmente, infelizmente. Por exem-
das.” plo: Ainda bem que passei de ano.
Olho o prédio mais uma vez, admirado com a instalação elé- Aproximação: quase, lá por, bem, uns, cerca de, por volta de,
trica e nossa heteróclita humanidade, enquanto seguimos, feito etc.. Por exemplo: Ela quase revelou o segredo.
cágados, pela marginal. Designação: eis. Por exemplo: Eis nosso carro novo.
(Antonio Prata, Folha de S.Paulo, 06.03.2013. Adaptado) Exclusão: apesar, somente, só, salvo, unicamente, exclusive,

Didatismo e Conhecimento 101


LÍNGUA PORTUGUESA
exceto, senão, sequer, apenas, etc. Por exemplo: Não me descon- A confusão entre polissemia e homonímia é bastante comum.
tou sequer um real. Quando a mesma palavra apresenta vários significados, estamos na
Explicação: isto é, por exemplo, a saber, etc. Por exemplo: Li presença da polissemia. Por outro lado, quando duas ou mais pa-
vários livros, a saber, os clássicos. lavras com origens e significados distintos têm a mesma grafia e
Inclusão: até, ainda, além disso, também, inclusive, etc. Por fonologia, temos uma homonímia.
exemplo: Eu também vou viajar. A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode sig-
Limitação: só, somente, unicamente, apenas, etc. Por exemplo: nificar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é polissemia
Só ele veio à festa. porque os diferentes significados para a palavra manga têm origens
Realce: é que, cá, lá, não, mas, é porque, etc. Por exemplo: E diferentes, e por isso alguns estudiosos mencionam que a palavra
você lá sabe essa questão? O que não diria essa senhora se soubes- manga deveria ter mais do que uma entrada no dicionário.
se que já fui famoso. “Letra” é uma palavra polissêmica. Letra pode significar o
Retificação: aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc. Por exem- elemento básico do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia
plo: Somos três, ou melhor, quatro. de um determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes significa-
Situação: então, mas, se, agora, afinal, etc. Por exemplo: Mas dos estão interligados porque remetem para o mesmo conceito, o
quem foi que fez isso? da escrita.

As palavras denotativas frequentemente ocorrem em frases e Polissemia e ambiguidade


textos diretamente envolvidos com as estratégias argumentativas.
Por esta razão, fique atento para o papel de palavras como até, aliás, Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na inter-
também, etc. e para os efeitos de sentido que produzem nas situações pretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode ser ambíguo,
efetivas de interlocução. Podem ser difíceis de classificar, mas isso ou seja, apresenta mais de uma interpretação. Essa ambiguidade
não impede que sejam importantes e necessárias. pode ocorrer devido à colocação específica de uma palavra (por
exemplo, um advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase:
Polissemia Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequentemente são
felizes. Neste caso podem existir duas interpretações diferentes.
Consideremos as seguintes frases:
As pessoas têm alimentação equilibrada porque são felizes ou são
Paula tem uma mão para cozinhar que dá inveja!
felizes porque têm uma alimentação equilibrada.
Vamos! Coloque logo a mão na massa!
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela pode
As crianças estão com as mãos sujas.
induzir uma pessoa a fazer mais do que uma interpretação. Para
Passaram a mão na minha bolsa e nem percebi.
fazer a interpretação correta é muito importante saber qual o con-
texto em que a frase é proferida.
Chegamos à conclusão de que se trata de palavras idênticas no
que se refere à grafia, mas será que possuem o mesmo significado?
Existe uma parte da gramática normativa denominada Semânti-
ca. Ela trabalha a questão dos diferentes significados que uma mes- 7 CORRESPONDÊNCIA OFICIAL.
ma palavra apresenta de acordo com o contexto em que se insere. 7.1 ADEQUAÇÃO DA LINGUAGEM
Tomando como exemplo as frases já mencionadas, analisare- AO TIPO DE DOCUMENTO.
mos os vocábulos de mesma grafia, de acordo com seu sentido de- 7.2 ADEQUAÇÃO DO FORMATO
notativo, isto é, aquele retratado pelo dicionário. DO TEXTO AO GÊNERO.
Na primeira, a palavra “mão” significa habilidade, eficiência
diante do ato praticado. Nas outras que seguem o significado é de:
participação, interação mediante a uma tarefa realizada; mão como
parte do corpo humano e por último simboliza o roubo, visto de Pronomes de tratamento na redação oficial
maneira pejorativa.
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo percebemos A redação Oficial é a maneira para o poder público redigir atos
que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo. Possibilidades normativos. Para redigi-los, muitas regras fazem-se necessárias.
de várias interpretações levando-se em consideração as situações de Entre elas, escrever de forma clara, concisa, sem muito compro-
aplicabilidade. metimento, bem como um uso adequado das formas de tratamen-
Há uma infinidade de outros exemplos em que podemos verifi- to. Tais regras, acompanhadas de uma boa redação, com um bom
car a ocorrência da polissemia, como por exemplo: uso da linguagem, asseguram que os atos normativos sejam bem
O rapaz é um tremendo gato. executados.
O gato do vizinho é peralta. No Poder Público, a todo momento nós nos deparamos com
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse. situações em que precisamos escrever – ou falar – com pessoas
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua sobre- com as quais não temos familiaridade. Nesses casos, os pronomes
vivência de tratamento assumem uma condição e precisam estar adequados
O passarinho foi atingido no bico. à categoria hierárquica da pessoa a quem nos dirigimos. E mais,
exige-se, em discurso falado ou escrito, uma homogeneidade na
Polissemia e homonímia forma de tratamento, não só nos pronomes como também nos ver-
bos.

Didatismo e Conhecimento 102


LÍNGUA PORTUGUESA
No entanto, as formas de tratamento não são do conhecimento O Manual ainda preceitua que a forma de tratamento “Dignís-
de todos. Para tanto, a partir do Manual da Presidência da Repú- simo” fica abolida para as autoridades descritas acima, afinal, a dig-
blica, apresentaremos as discriminações de usos dos pronomes de nidade é condição primordial para que tais cargos públicos sejam
tratamento: ocupados.
Fica ainda dito que doutor não é forma de tratamento, mas ti-
São de uso consagrado: Vossa Excelência, para as seguin- tulação acadêmica de quem defende tese de doutorado. Portanto, é
tes autoridades: aconselhável que não se use discriminadamente tal termo.
a) do Poder Executivo
Presidente da República; AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS
Vice-Presidente da República;
Ministro de Estado; 1. ASPECTOS GERAIS DA REDAÇÃO OFICIAL
Secretário-Geral da Presidência da República;
Consultor-Geral da República; O que é Redação Oficial
Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas;
Chefe do Gabinete Militar da Presidência da República; Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a maneira
Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República; pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações.
Secretários da Presidência da República; Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do Poder Executivo.
Procurador – Geral da República; A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoalidade,
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, formalidade
Federal; e uniformidade. Fundamentalmente esses atributos decorrem da
Chefes de Estado – Maior das Três Armas; Constituição, que dispõe, no artigo 37: “A administração pública
Oficiais Generais das Forças Armadas; direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União,
Embaixadores; dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
Secretário Executivo e Secretário Nacional de Ministérios;
e eficiência (...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios
Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
fundamentais de toda administração pública, claro que devem igual-
Prefeitos Municipais.
mente nortear a elaboração dos atos e comunicações oficiais.
Não se concebe que um ato normativo de qualquer natureza
b) do Poder Legislativo:
seja redigido de forma obscura, que dificulte ou impossibilite sua
Presidente, Vice–Presidente e Membros da Câmara dos De-
compreensão. A transparência do sentido dos atos normativos,
putados e do Senado Federal;
bem como sua inteligibilidade, são requisitos do próprio Estado de
Presidente e Membros do Tribunal de Contas da União;
Direito: é inaceitável que um texto legal não seja entendido pelos
Presidente e Membros dos Tribunais de Contas Estaduais; cidadãos. A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e
Presidente e Membros das Assembleias Legislativas Esta- concisão.
duais; Fica claro também que as comunicações oficiais são necessaria-
Presidente das Câmaras Municipais. mente uniformes, pois há sempre um único comunicador (o Serviço
Público) e o receptor dessas comunicações ou é o próprio Serviço
c) do Poder Judiciário: Público (no caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou
Presidente e Membros do Supremo Tribunal Federal; o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogê-
Presidente e Membros do Superior Tribunal de Justiça; nea (o público).
Presidente e Membros do Superior Tribunal Militar; A redação oficial não é necessariamente árida e infensa à evolu-
Presidente e Membros do Tribunal Superior Eleitoral; ção da língua. É que sua finalidade básica – comunicar com impes-
Presidente e Membros do Tribunal Superior do Trabalho; soalidade e máxima clareza – impõe certos parâmetros ao uso que
Presidente e Membros dos Tribunais de Justiça; se faz da língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Federais; jornalístico, da correspondência particular, etc.
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais Eleitorais; Apresentadas essas características fundamentais da redação ofi-
Presidente e Membros dos Tribunais Regionais do Trabalho; cial, passemos à análise pormenorizada de cada uma delas.
Juízes e Desembargadores;
Auditores da Justiça Militar.” A Impessoalidade

O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer pela
Chefes do Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo res- escrita. Para que haja comunicação, são necessários: a) alguém que
pectivo: Excelentíssimo Senhor Presidente da República; Excelen- comunique, b) algo a ser comunicado, e c) alguém que receba essa
tíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional; Excelentíssimo comunicação. No caso da redação oficial, quem comunica é sempre
Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal. o Serviço Público (este ou aquele Ministério, Secretaria, Departa-
mento, Divisão, Serviço, Seção); o que se comunica é sempre algum
E mais: As demais autoridades serão tratadas com o vocativo assunto relativo às atribuições do órgão que comunica; o destinatá-
Senhor, seguido do cargo respectivo: Senhor Senador, Senhor Juiz, rio dessa comunicação ou é o público, o conjunto dos cidadãos, ou
Senhor Ministro, Senhor Governador. outro órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes da União.

Didatismo e Conhecimento 103


LÍNGUA PORTUGUESA
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que deve ser
É importante ressaltar que a obrigatoriedade do uso do padrão
dado aos assuntos que constam das comunicações oficiais decorre:
culto na redação oficial decorre do fato de que ele está acima das
a) da ausência de impressões individuais de quem comunica:
diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas regionais, dos mo-
embora se trate, por exemplo, de um expediente assinado por Che-
dismos vocabulares, das idiossincrasias linguísticas, permitindo,
fe de determinada Seção, é sempre em nome do Serviço Público
por essa razão, que se atinja a pretendida compreensão por todos
que é feita a comunicação. Obtém-se, assim, uma desejável padro-
os cidadãos.
nização, que permite que comunicações elaboradas em diferentes
Lembre-se de que o padrão culto nada tem contra a simplici-
setores da Administração guardem entre si certa uniformidade;
dade de expressão, desde que não seja confundida com pobreza
b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com
de expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto implica
duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre
emprego de linguagem rebuscada, nem dos contorcionismos sintá-
concebido como público, ou a outro órgão público. Nos dois casos,
ticos e figuras de linguagem próprios da língua literária.
temos um destinatário concebido de forma homogênea e impes-
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente um “pa-
soal;
drão oficial de linguagem”; o que há é o uso do padrão culto nos
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o uni-
atos e comunicações oficiais. É claro que haverá preferência pelo
verso temático das comunicações oficiais restringe-se a questões
uso de determinadas expressões, ou será obedecida certa tradição
que dizem respeito ao interesse público, é natural que não caiba
no emprego das formas sintáticas, mas isso não implica, necessa-
qualquer tom particular ou pessoal.
riamente, que se consagre a utilização de uma forma de linguagem
Desta forma, não há lugar na redação oficial para impressões
burocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve ser evi-
pessoais, como as que, por exemplo, constam de uma carta a um
tado, pois terá sempre sua compreensão limitada.
amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo de um texto
A linguagem técnica deve ser empregada apenas em situações
literário. A redação oficial deve ser isenta da interferência da indi-
que a exijam, sendo de evitar o seu uso indiscriminado. Certos
vidualidade que a elabora.
rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o vocabulário próprio a de-
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de que
terminada área, são de difícil entendimento por quem não esteja
nos valemos para elaborar os expedientes oficiais contribuem, ain-
com eles familiarizado. Deve-se ter o cuidado, portanto, de expli-
da, para que seja alcançada a necessária impessoalidade.
citá-los em comunicações encaminhadas a outros órgãos da admi-
nistração e em expedientes dirigidos aos cidadãos.
A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais
Formalidade e Padronização
A necessidade de empregar determinado nível de linguagem
nos atos e expedientes oficiais decorre, de um lado, do próprio
As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto é,
caráter público desses atos e comunicações; de outro, de sua fi-
obedecem a certas regras de forma: além das já mencionadas exi-
nalidade. Os atos oficiais, aqui entendidos como atos de caráter
gências de impessoalidade e uso do padrão culto de linguagem, é
normativo, ou estabelecem regras para a conduta dos cidadãos, ou
imperativo, ainda, certa formalidade de tratamento. Não se trata
regulam o funcionamento dos órgãos públicos, o que só é alcança-
somente da eterna dúvida quanto ao correto emprego deste ou da-
do se em sua elaboração for empregada a linguagem adequada. O
quele pronome de tratamento para uma autoridade de certo nível;
mesmo se dá com os expedientes oficiais, cuja finalidade precípua
mais do que isso, a formalidade diz respeito à polidez, à civilidade
é a de informar com clareza e objetividade.
no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação.
As comunicações que partem dos órgãos públicos federais
A formalidade de tratamento vincula-se, também, à necessária
devem ser compreendidas por todo e qualquer cidadão brasileiro.
uniformidade das comunicações. Ora, se a administração federal é
Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem
una, é natural que as comunicações que expede sigam um mesmo
restrita a determinados grupos. Não há dúvida de que um texto
padrão. O estabelecimento desse padrão exige que se atente para
marcado por expressões de circulação restrita, como a gíria, os
todas as características da redação oficial e que se cuide, ainda, da
regionalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua compreen-
apresentação dos textos.
são dificultada.
A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes para o texto
Ressalte-se que há necessariamente uma distância entre a lín-
definitivo e a correta diagramação do texto são indispensáveis para
gua falada e a escrita. Aquela é extremamente dinâmica, reflete de
a padronização.
forma imediata qualquer alteração de costumes, e pode eventual-
mente contar com outros elementos que auxiliem a sua compreen-
Concisão e Clareza
são, como os gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas al-
guns dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua escrita
A concisão é antes uma qualidade do que uma característi-
incorpora mais lentamente as transformações, tem maior vocação
ca do texto oficial. Conciso é o texto que consegue transmitir um
para a permanência e vale-se apenas de si mesma para comunicar.
máximo de informações com um mínimo de palavras. Para que
Os textos oficiais, devido ao seu caráter impessoal e sua finali-
se redija com essa qualidade, é fundamental que se tenha, além
dade de informar com o máximo de clareza e concisão, requerem o
de conhecimento do assunto sobre o qual se escreve, o necessário
uso do padrão culto da língua. Há consenso de que o padrão culto
tempo para revisar o texto depois de pronto. É nessa releitura que
é aquele em que a) se observam as regras da gramática formal e
muitas vezes se percebem eventuais redundâncias ou repetições
b) se emprega um vocabulário comum ao conjunto dos usuários
desnecessárias de ideias.
do idioma.

Didatismo e Conhecimento 104


LÍNGUA PORTUGUESA
O esforço de sermos concisos atende, basicamente, ao princí- A Sua Excelência o Senhor
pio de economia linguística, à mencionada fórmula de empregar Fulano de Tal
o mínimo de palavras para informar o máximo. Não se deve, de Ministro de Estado da Justiça
forma alguma, entendê-la como economia de pensamento, isto é, 70.064-900 – Brasília. DF
não se devem eliminar passagens substanciais do texto no afã de A Sua Excelência o Senhor
reduzi-lo em tamanho. Trata-se exclusivamente de cortar palavras Senador Fulano de Tal
inúteis, redundâncias, passagens que nada acrescentem ao que já Senado Federal
foi dito. 70.165-900 – Brasília. DF
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial.
Pode-se definir como claro aquele texto que possibilita imediata Senhor Ministro,
compreensão pelo leitor. No entanto a clareza não é algo que se
atinja por si só: ela depende estritamente das demais características Submeto a Vossa Excelência projeto (...)
da redação oficial. Para ela concorrem:
- a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpretações Fechos para Comunicações
que poderia decorrer de um tratamento personalista dado ao texto;
- o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de en- O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade
tendimento geral e por definição avesso a vocábulos de circulação de arrematar o texto, a de saudar o destinatário. Os modelos para
restrita, como a gíria e o jargão; fecho que vinham sendo utilizados foram regulados pela Portaria
- a formalidade e a padronização, que possibilitam a impres- no 1 do Ministério da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze pa-
cindível uniformidade dos textos; drões. Com o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual
- a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos linguís- estabelece o emprego de somente dois fechos diferentes para todas
ticos que nada lhe acrescentam. as modalidades de comunicação oficial:
É pela correta observação dessas características que se redige a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da
República: Respeitosamente,
com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável releitura de todo
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar-
texto redigido. A ocorrência, em textos oficiais, de trechos obs-
quia inferior: Atenciosamente,
curos e de erros gramaticais provém principalmente da falta da
releitura que torna possível sua correção.
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a
A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pressa com
autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios,
que são elaboradas certas comunicações quase sempre comprome-
devidamente disciplinados no Manual de Redação do Ministério
te sua clareza. Não se deve proceder à redação de um texto que
das Relações Exteriores.
não seja seguida por sua revisão. “Não há assuntos urgentes, há
assuntos atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso, com Identificação do Signatário
sua indesejável repercussão no redigir.
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da Re-
Pronomes de Tratamento pública, todas as demais comunicações oficiais devem trazer o
nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local de
Concordância com os Pronomes de Tratamento sua assinatura. A forma da identificação deve ser a seguinte:
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa indireta) (espaço para assinatura)
apresentam certas peculiaridades quanto à concordância verbal, Nome
nominal e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa gra- Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República
matical (à pessoa com quem se fala, ou a quem se dirige a comu-
nicação), levam a concordância para a terceira pessoa. É que o (espaço para assinatura)
verbo concorda com o substantivo que integra a locução como seu Nome
núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o substituto”; “Vossa Ministro de Estado da Justiça
Excelência conhece o assunto”.
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pro- Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura
nomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: “Vossa Se- em página isolada do expediente. Transfira para essa página ao
nhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa ... vosso...”). menos a última frase anterior ao fecho.
Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero
gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa a que se refere, Forma de diagramação
e não com o substantivo que compõe a locução. Assim, se nosso
interlocutor for homem, o correto é “Vossa Excelência está ata- Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à seguinte
refado”, “Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, forma de apresentação:
“Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria deve estar - deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de corpo
satisfeita”. 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas de rodapé;
No envelope, o endereçamento das comunicações dirigidas às - para símbolos não existentes na fonte Times New Roman
autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a seguinte forma: poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;

Didatismo e Conhecimento 105


LÍNGUA PORTUGUESA
- é obrigatório constar a partir da segunda página o número OBS: Estas informações estão ausentes no memorando, pois
da página; trata-se de comunicação interna, destinatário e remetente possuem
- os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser impres- o mesmo endereço. No caso se o Aviso é de um Ministério para
sos em ambas as faces do papel. Neste caso, as margens esquerda outro Ministério, também não precisa especificar o endereço. O
e direta terão as distâncias invertidas nas páginas pares (“margem Ofício é enviado para outras instituições, logo, são necessárias as
espelho”); informações do remetente e o endereço do destinatário para que
- o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no míni- o ofício possa ser entregue e o remetente possa receber resposta.
mo, 3,0 cm de largura;
- o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distân- Memorando
cia da margem esquerda;
- o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm; Definição e Finalidade
- deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de O memorando é a modalidade de comunicação entre unidades
6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor de texto utilizado não administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquica-
comportar tal recurso, de uma linha em branco; mente em mesmo nível ou em nível diferente. Trata-se, portanto,
- não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado, de uma forma de comunicação eminentemente interna.
letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado
outra forma de formatação que afete a elegância e a sobriedade do para a exposição de projetos, ideias, diretrizes, etc. a serem adota-
documento; dos por determinado setor do serviço público.
- a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do
branco. A impressão colorida deve ser usada apenas para gráficos memorando em qualquer órgão deve pautar-se pela rapidez e pela
e ilustrações; simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar desneces-
- todos os tipos de documentos do Padrão Ofício devem ser sário aumento do número de comunicações, os despachos ao me-
impressos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7 x 21,0 cm; morando devem ser dados no próprio documento e, no caso de fal-
- deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de arquivo ta de espaço, em folha de continuação. Esse procedimento permite
Rich Text nos documentos de texto; formar uma espécie de processo simplificado, assegurando maior
- dentro do possível, todos os documentos elaborados devem transparência à tomada de decisões, e permitindo que se historie o
ter o arquivo de texto preservado para consulta posterior ou apro- andamento da matéria tratada no memorando.
veitamento de trechos para casos análogos;
- para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser Forma e Estrutura
formados da seguinte maneira:
tipo do documento + número do documento + palavras-chaves Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do padrão
do conteúdo ofício, com a diferença de que o seu destinatário deve ser mencio-
nado pelo cargo que ocupa. Ex:
Ex.: “Of. 123 - relatório produtividade ano 2002” Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
Aviso e Ofício
Exposição de Motivos
Definição e Finalidade
Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial prati- Definição e Finalidade
camente idênticas. A única diferença entre eles é que o aviso é ex- Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presidente
pedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades da República ou ao Vice-Presidente para: a) informá-lo de deter-
de mesma hierarquia, ao passo que o ofício é expedido para e pe- minado assunto; b) propor alguma medida; ou c) submeter a sua
las demais autoridades. Ambos têm como finalidade o tratamento consideração projeto de ato normativo.
de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente da
e, no caso do ofício, também com particulares. República por um Ministro de Estado.
Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um Mi-
Forma e Estrutura nistério, a exposição de motivos deverá ser assinada por todos os
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo do pa- Ministros envolvidos, sendo, por essa razão, chamada de intermi-
drão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca o destinatário, nisterial.
seguido de vírgula.
Exemplos: Forma e Estrutura
Excelentíssimo Senhor Presidente da República Formalmente, a exposição de motivos tem a apresentação do
Senhora Ministra padrão ofício. A exposição de motivos, de acordo com sua finali-
Senhor Chefe de Gabinete dade, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para aquela
que tenha caráter exclusivamente informativo e outra para a que
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguin- proponha alguma medida ou submeta projeto de ato normativo.
tes informações do remetente: No primeiro caso, o da exposição de motivos que simples-
– nome do órgão ou setor; mente leva algum assunto ao conhecimento do Presidente da
– endereço postal; República, sua estrutura segue o modelo antes referido para o
– telefone e e-mail. padrão ofício.

Didatismo e Conhecimento 106


LÍNGUA PORTUGUESA
Mensagem Fax

Definição e Finalidade Definição e Finalidade


É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é uma
Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas pelo Chefe forma de comunicação que está sendo menos usada devido ao de-
do Poder Executivo ao Poder Legislativo para informar sobre fato senvolvimento da Internet. É utilizado para a transmissão de men-
da Administração Pública; expor o plano de governo por ocasião
sagens urgentes e para o envio antecipado de documentos, de cujo
da abertura de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional
conhecimento há premência, quando não há condições de envio do
matérias que dependem de deliberação de suas Casas; apresentar
veto; enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo quanto seja de documento por meio eletrônico. Quando necessário o original, ele
interesse dos poderes públicos e da Nação. segue posteriormente pela via e na forma de praxe.
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos Ministérios à Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia do
Presidência da República, a cujas assessorias caberá a redação final. fax e não com o próprio fax, cujo papel, em certos modelos, dete-
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Congresso riora-se rapidamente.
Nacional têm as seguintes finalidades:
- encaminhamento de projeto de lei ordinária, complementar Forma e Estrutura
ou financeira; Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a estrutura
- encaminhamento de medida provisória; que lhes são inerentes.
- indicação de autoridades; É conveniente o envio, juntamente com o documento prin-
- pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-Presidente cipal, de folha de rosto, e de pequeno formulário com os dados
da República ausentarem-se do País por mais de 15 dias; de identificação da mensagem a ser enviada, conforme exemplo
- encaminhamento de atos de concessão e renovação de conces-
a seguir:
são de emissoras de rádio e TV;
- encaminhamento das contas referentes ao exercício anterior;
- mensagem de abertura da sessão legislativa;
- comunicação de sanção (com restituição de autógrafos); [Órgão Expedidor]
- comunicação de veto; [setor do órgão expedidor]
- outras mensagens. [endereço do órgão expedidor]
Destinatário:____________________________________
Forma e Estrutura No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___
As mensagens contêm: a) a indicação do tipo de expediente e Remetente: ____________________________________
de seu número, horizontalmente, no início da margem esquerda; b) Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____
vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e o cargo do des- No de páginas: ________No do documento:____________
tinatário, horizontalmente, no início da margem esquerda (Excelen-
tíssimo Senhor Presidente do Senado Federal); c) o texto, iniciando Observações:___________________________________
a 2 cm do vocativo; d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do
final do texto, e horizontalmente fazendo coincidir seu final com a
Correio Eletrônico
margem direita.

A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presidente Definição e finalidade


da República, não traz identificação de seu signatário. O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e cele-
ridade, transformou-se na principal forma de comunicação para
Telegrama transmissão de documentos.

Definição e Finalidade Forma e Estrutura


Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar os pro- Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua
cedimentos burocráticos, passa a receber o título de telegrama toda flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida para sua
comunicação oficial expedida por meio de telegrafia, telex, etc. estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de linguagem incompa-
Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa aos cofres tível com uma comunicação oficial.
públicos e tecnologicamente superada, deve restringir-se o uso do O campo “assunto” do formulário de correio eletrônico men-
telegrama apenas àquelas situações que não seja possível o uso de
sagem deve ser preenchido de modo a facilitar a organização do-
correio eletrônico ou fax e que a urgência justifique sua utilização e,
cumental tanto do destinatário quanto do remetente.
também em razão de seu custo elevado, esta forma de comunicação
deve pautar-se pela concisão. Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado,
preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem que enca-
Forma e Estrutura minha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre seu
conteúdo.
Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a estrutura Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de confirma-
dos formulários disponíveis nas agências dos Correios e em seu ção de leitura. Caso não seja disponível, deve constar da mensa-
sítio na Internet. gem pedido de confirmação de recebimento.

Didatismo e Conhecimento 107


LÍNGUA PORTUGUESA
Valor documental O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem de
correio eletrônico tenha valor documental, e para que possa ser 6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto adver-
aceito como documento original, é necessário existir certificação bial)
digital que ateste a identidade do remetente, na forma estabele- O problema - será - resolvido - prontamente.
cida em lei.
Esses seriam os padrões básicos para as orações, ou seja, as
ELEMENTOS DE ORTOGRAFIA E GRAMÁTICA frases que possuem apenas um verbo conjugado. Na construção
de períodos, as várias funções podem ocorrer em ordem inversa à
Problemas de Construção de Frases mencionada, misturando-se e confundindo-se. Não interessa aqui
análise exaustiva de todos os padrões existentes na língua portu-
A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas prin- guesa. O que importa é fixar a ordem normal dos elementos nesses
cipalmente pela construção adequada da frase, “a menor unidade seis padrões básicos. Acrescente-se que períodos mais complexos,
autônoma da comunicação”, na definição de Celso Pedro Luft. compostos por duas ou mais orações, em geral podem ser reduzi-
A função essencial da frase é desempenhada pelo predica- dos aos padrões básicos (de que derivam).
do, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser entendido como Os problemas mais frequentemente encontrados na constru-
“a enunciação pura de um fato qualquer”. Sempre que a frase ção de frases dizem respeito à má pontuação, à ambiguidade da
possuir pelo menos um verbo, recebe o nome de período, que ideia expressa, à elaboração de falsos paralelismos, erros de com-
terá tantas orações quantos forem os verbos não auxiliares que paração, etc. Decorrem, em geral, do desconhecimento da ordem
das palavras na frase. Indicam-se, a seguir, alguns desses defeitos
o constituem.
mais comuns e recorrentes na construção de frases, registrados em
Outra função relevante é a do sujeito – mas não indispen-
documentos oficiais.
sável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –, de quem
se diz algo, cujo núcleo é sempre um substantivo. Sempre que o
Sujeito
verbo o exigir, teremos nas orações substantivos (nomes ou pro-
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que executa a
nomes) que desempenham a função de complementos (objetos
ação enunciada na oração. Ele pode ter complemento, mas não ser
direto e indireto, predicativo e complemento adverbial). Função
complemento. Devem ser evitadas, portanto, construções como:
acessória desempenham os adjuntos adverbiais, que vêm geral- Errado: É tempo do Congresso votar a emenda.
mente ao final da oração, mas que podem ser ou intercalados aos Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda.
elementos que desempenham as outras funções, ou deslocados Errado: Apesar das relações entre os países estarem cortadas,
para o início da oração. (...).
Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos elementos Certo: Apesar de as relações entre os países estarem cortadas,
que compõem uma oração (Observação: os parênteses indicam (...).
os elementos que podem não ocorrer): Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim.
(sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adverbial). Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim.
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...).
Podem ser identificados seis padrões básicos para as orações Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...).
pessoais (i. é, com sujeito) na língua portuguesa (a função que Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, (...).
vem entre parênteses é facultativa e pode ocorrer em ordem di- Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, (...).
versa):
1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial) Frases Fragmentadas
O Presidente - regressou - (ontem).
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma oração
2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto - (adjunto subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase
adverbial) completa”. Decorre da pontuação errada de uma frase simples.
O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na manhã Embora seja usada como recurso estilístico na literatura, a frag-
de terça-feira). mentação de frases deve ser evitada nos textos oficiais, pois muitas
vezes dificulta a compreensão. Ex.:
3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto - (ad- Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso Na-
junto adverbial). cional. Depois de ser longamente debatido.
O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os setores). Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso Nacio-
nal, depois de ser longamente debatido.
4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. direto - Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa rece-
obj. indireto - (adj. Adv.) beu a aprovação do Congresso Nacional.
Os desempregados - entregaram - suas reivindicações - ao Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente subme-
Deputado - (no Congresso). tido ao Presidente da República, que o aprovou. Consultadas as
5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento adver- áreas envolvidas na elaboração do texto legal.
bial - (adjunto adverbial) Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente submetido
A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Buenos ao Presidente da República, que o aprovou, consultadas as áreas
Aires - (na próxima semana). envolvidas na elaboração do texto legal.

Didatismo e Conhecimento 108


LÍNGUA PORTUGUESA
Erros de Paralelismo Para corrigir a frase, ou suprimimos o pronome relativo:
Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sólida
Uma das convenções estabelecidas na linguagem escrita “con- formação acadêmica.
siste em apresentar ideias similares numa forma gramatical idênti- Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”:
ca”, o que se chama de paralelismo. Assim, incorre-se em erro ao Errado: Neste momento, não se devem adotar medidas pre-
conferir forma não paralela a elementos paralelos. Vejamos alguns cipitadas, e que comprometam o andamento de todo o programa.
exemplos: Da mesma forma com que corrigimos o exemplo anterior aqui
Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Ministérios podemos ou suprimir a conjunção:
economizar energia e que elaborassem planos de redução de des- Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas precipi-
pesas