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MEURO de

LiV
LÍNGUA PORTUGUESA

3º-
ANO
ENSINO
F U N DA M E N TA L
L Í N G UA
PORTUGUESA

Samira Campedelli
Professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Bacharel e licenciada em Letras - Português pela Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo.
Doutora em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo
e autora de livros didáticos para o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.

1ª- edição
São Paulo
2017
APRESENTAÇÃO
Título original: Meu Livro de Língua Portuguesa – Volume 3
© Editora AJS Ltda, 2017

Editores: Arnaldo Saraiva e Joaquim Saraiva


Direção editorial: Antonio Nicolau Youssef
Equipe de Colaboradores: Roberta Lombardi Martins,
Márcia Mendonça, Jordana Thadei, Monique Mattos,
Conceição Longo, Daniel Ribeiro, Yara Najman, QUERIDO ALUNO,
Cândido Grangeiro, Tania Regina Zieglitz, Rosana Biani
Coordenação editorial: Ana Cristina Mendes Perfetti ESTE LIVRO É SEU. FIZEMOS CADA
Manual do Professor: Cultura Escrita PÁGINA COM MUITO CARINHO PARA
Edição de arte: Flávio Nigro, Jorge Okura VOCÊ APRENDER E GOSTAR DE LÍNGUA
Pesquisa iconográfica: Cláudio Perez
PORTUGUESA.
Licenciamentos: Paula Claro
Editoração eletrônica: Alfredo P. Santana, Juliana Cristina Silva, NESTAS PÁGINAS VOCÊ ENCONTRARÁ
Alan P. Santana, Flávio Balmant, Nelson Arruda,
Thiago Oliver, Marcos Dorado dos Santos, TEXTOS INTERESSANTES, DESAFIOS À SUA
Selma Barbosa Celestino CRIATIVIDADE AO PRODUZIR TEXTOS DE
Revisão desta edição: Carla Cássia Camargo,
Renata Tavares, Sâmia Rios, Cristiane Santos Mansor,
SUA AUTORIA, SUGESTÕES DE LIVROS
Edna Gonçalves Luna, Maria Inez de Souza, MARAVILHOSOS PARA VOCÊ LER, ALÉM
Fernanda Rizzo Sanchez
DO PRAZER DE APRENDER A LER E
Ilustrações: Adolar de Paula Mendes Filho, Alex Argozino,
Jótah, Roberto Weigand, Osvaldo Sequetin, ESCREVER NOSSA LÍNGUA.
Dawidson França, Giz de Cera, Fernanda Rinzler,
Maspi, Jorge Honda, All Maps ESPERAMOS QUE VOCÊ APROVEITE
Capa: Flávio Nigro MUITO TUDO QUE APRENDER.
Ilustração de capa: Adolar de Paula Mendes Filho
O AUTOR

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Campedelli, Samira
Meu livro de língua portuguesa, 3º ano : ensino
fundamental / Samira Campedelli. -- 1. ed. --
São Paulo : Editora AJS, 2017. -- (Coleção meu livro
de língua portuguesa)
Bibliografia.
ISBN - 978-85-8319-172-8
1. Português (Ensino fundamental) I. Título.
II. Série.

17-11935 CDD-372.6
Índices para catálogo sistemático:

1. Português : Ensino fundamental 372.6

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro


foram produzidas com fibras obtidas de árvores de
florestas plantadas, com origem certificada.

Editora AJS Ltda. – Todos os direitos reservados


Endereço: R. Xavantes, 719, sl. 632
Brás – São Paulo – SP
CEP: 03027-000
Telefone: (011) 2081-4677
E-mail: editora@editoraajs.com.br
CONHEÇA SEU LIVRO
PÁGINAS DE ABERTURA -
ESSA INTRODUÇÃO O
AJUDARÁ A RESGATAR
AQUILO QUE VOCÊ JÁ
CONHECE DO TEMA E DOS
TIPOS DE TEXTO QUE SERÃO
ABORDADOS, LEVANTANDO
HIPÓTESES SOBRE O QUE IRÁ
ESTUDAR NA UNIDADE.

PARA LER - AQUI VOCÊ IRÁ


ENCONTRAR DIFERENTES
TEXTOS PARA SEREM LIDOS E
INTERPRETADOS.

NOSSA LÍNGUA - REÚNE ATIVIDADES PARA


DESENVOLVER SEUS CONHECIMENTOS
SOBRE O USO CORRETO DE NOSSA LÍNGUA.

PRODUÇÃO DE TEXTO - ESSA


SEÇÃO TRAZ PROPOSTAS DE
PRODUÇÃO ORAL OU ESCRITA.

FIQUE SABENDO - AQUI VOCÊ ENCONTRARÁ


INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE OS
TEMAS E CONTEÚDOS QUE ESTÁ ESTUDANDO.

DESAFIO - ATIVIDADES QUE


IRÃO PROVOCAR VOCÊ COM
PROPOSTAS BEM INTERESSANTES.

SUGESTÃO DE LEITURA - AO FINAL DE CADA


CAPÍTULO, HÁ UMA OU MAIS SUGESTÕES DE
LEITURA, PARA AMPLIAR O SEU REPERTÓRIO.
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - FALANDO EM NATUREZA… . . . . . . . . 8
CAPÍTULO 1 - PAU-BRASIL, QUEM JÁ VIU? . . . . . . . . . . . . . 10
PARA LER > Pau-brasil Célia Soares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
PARA LER > Derrubada da floresta Rugendas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
> Lh e li > Sons da letra r > Encontros consonantais com r
PARA LER > Pau-brasil Lalau e Laurabeatriz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
PRODUÇÃO DE TEXTO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

CAPÍTULO 2 - FLOR AMARELA DA PRIMAVERA . . . . . . . . . . . 25


PARA LER > Haicai 1 Áurea Ruiz Leminski > Haicai 2 Sandra Lopes . . . . . . . . . . . . . 25
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
> Acento agudo e circunflexo
PARA LER > Haicai 1 Alice Ruiz > Haicai 2 Sandra Lopes > Haicai 3 Maria Valéria Rezende . . . . . 30
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
> Hífen
PRODUÇÃO DE TEXTO > Haicai . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

CAPÍTULO 3 - DE VERBETE EM VERBETE . . . . . . . . . . . . . . 37


PARA LER > Ipê Enciclopédia Britânica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
> Dois-pontos > Substantivos > Adjetivos
PRODUÇÃO DE TEXTO > Catálogo de árvores locais . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48

CAPÍTULO 4 - E A FAUNA, COMO FICA?. . . . . . . . . . . . . . . 52


PARA LER > Peixes-boi serão monitorados via satélite Jornal Joca . . . . . . . . . . . . . . 52
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
> Sons da letra g > G com som de j > Gue e gui
PARA LER > Projeto Peixe-boi Marcos André Carvalho Lins . . . . . . . . . . . . . . . . 59
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
> Gêneros do substantivo
PRODUÇÃO DE TEXTO > Texto expositivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
UNIDADE 2 - POR DENTRO DA CULTURA POPULAR.
POPULAR . . .74
. 74
CAPÍTULO 5 - VAMOS PARA UMA FESTA? . . . . . . . . . . . . . . 76
PARA LER > Arraiá da Freguesia Prefeitura de Campo Formoso . . . . . . . . . . . . . . . 76
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
> H inicial > Grafia de palavras derivadas > Dígrafos com h
PARA LER > Festival Folclórico de Parintins Cartaz. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
> Letras cursivas
PRODUÇÃO DE TEXTO > Cartaz > Enquete . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86

CAPÍTULO 6 - DELÍCIAS DO BRASIL . . . . . . . . . . . . . . . . 90


PARA LER > Comidas típicas brasileiras são prato cheio para turistas Ministério do Turismo . . . . 90
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
> Sons de ch e x > Derivação de palavras > Formação de palavras com sílabas aleatórias
> Formação silábica > Marcadores de nasalização
PARA LER > Caldo de piranha Ministério da Cultura . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102
PARA LER > Pamonha Ministério da Cultura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
> Pronomes como recursos coesivos > Verbos > Ch, lh e nh
PRODUÇÃO DE TEXTO > Livro de receitas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111

CAPÍTULO 7 - POESIA NO CORDÃO . . . . . . . . . . . . . . . 113


PARA LER > Literatura de cordel Francisco Diniz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
> Sílabas terminadas com l e u
PARA LER > Aos que vieram do Nordeste Moreira de Acopiara . . . . . . . . . . . . . . 121
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
> Diminutivos
PRODUÇÃO DE TEXTO > Sarau de cordéis. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129

CAPÍTULO 8 - COMO DIZ O DITADO... . . . . . . . . . . . . . . 132


PARA LER > Ditos populares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134
> Número de letras e sílabas > Classificação de palavras por número de sílabas
> Palavras em letras embaralhadas > Palavras dentro de palavras
PARA LER > O galo e a raposa Fábula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139
> Dois-pontos > Verbos de dizer > Travessão e aspas > Usos da inicial maiúscula
PRODUÇÃO DE TEXTO > Regras de jogo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142
UNIDADE 3 - APRENDENDO A CONVIVER . . . . . . 144
CAPÍTULO 9 - CRIANÇAS TÊM DIREITOS . . . . . . . . . . . . . 146
PARA LER > O Estatuto da Criança e do Adolescente Mauricio de Sousa . . . . . . . . . . 146
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159
> Usos da inicial maiúscula
PARA LER > O Estatuto da Criança e do Adolescente Mauricio de Sousa . . . . . . . . . . 161
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167
> Palavras terminadas em o e u
PRODUÇÃO DE TEXTO > O Estatuto da classe: direitos e deveres . . . . . . . . . . . . 168

CAPÍTULO 10 - ESCOLAS DE TODA PARTE . . . . . . . . . . . . 170


PARA LER > Veja como são as salas de aula em 20 escolas de diferentes países do mundo Folhinha . 170
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178
> Singular e plural > Gêneros do substantivo > Encontros vocálicos: ditongo, tritongo e hiato
PRODUÇÃO DE TEXTO > Carta pessoal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183

CAPÍTULO 11 - VAMOS BRINCAR DE QUÊ? . . . . . . . . . . . . 186


PARA LER > Jogos infantis africanos e afro-brasileiros Débora A. da Cunha e Cláudio L. de Freitas 186
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192
> C e ç > S e ss > S com som de z > C e qu > Verbos
PRODUÇÃO DE TEXTO > Festival de brincadeiras > Entrevista . . . . . . . . . . . . . 197

CAPÍTULO 12 - AMIZADES VERDADEIRAS . . . . . . . . . . . . 200


PARA LER > Jojoba Edson Gabriel Garcia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205
> Travessão > Ponto de interrogação > Diálogo
PARA LER > Jojoba Edson Gabriel Garcia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 212
> Palavras terminadas em e e i > Onomatopeias > Ponto de exclamação
> Tempos verbais: pretérito, presente e futuro > Concordância verbal
PRODUÇÃO DE TEXTO > Conto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220
UNIDADE 4 - ALÉM DA IMAGINAÇÃO . . . . . . . . 222
CAPÍTULO 13 - CONTOS DE ESPERTEZA . . . . . . . . . . . . . 224
PARA LER > O cavalo do rei Eraldo Miranda e Ricardo Mendes . . . . . . . . . . . . . . 224
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228
> Ordem alfabética > Adjetivos terminados em -oso e -osa > Pronomes pessoais: pessoas do discurso
PARA LER > Os talheres de ouro Henriqueta Lisboa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239
> Plural de palavras terminadas em ão > Marcadores de nasalização > Marcadores temporais
> Sujeito e predicado
PRODUÇÃO DE TEXTO > Conto de esperteza . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 242

CAPÍTULO 14 - HISTÓRIAS DE ARREPIAR . . . . . . . . . . . . . 246


PARA LER > A incrível história do menino que não queria cortar o cabelo Penélope Martins . . 246
PARA LER > A incrível história do menino que não queria cortar o cabelo Penélope Martins . . 250
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253
> Pronomes possessivos > Pronomes demonstrativos > Usos de m e n
PRODUÇÃO DE TEXTO > Contos de botar medo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259

CAPÍTULO 15 - DANDO A VOLTA POR CIMA . . . . . . . . . . . . 262


PARA LER > A cidade ideal Chico Buarque de Hollanda . . . . . . . . . . . . . . . . . 262
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 268
> Ge/gue
Ge/gue,
/ , gi/gui;
/gue gi/gui
/ ; qua e gua > Ordem alfabética
/gui
PARA LER > Todos juntos Chico Buarque de Hollanda . . . . . . . . . . . . . . . . . . 271
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273
> Sc > Palavras com letras embaralhadas > Reticências
PRODUÇÃO DE TEXTO > Roteiro e encenação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 276

CAPÍTULO 16 - HISTÓRIAS INDÍGENAS QUE


ENRIQUECEM NOSSA CULTURA . . . . . . . . . . . . . . . . . 280
PARA LER > O roubo do fogo Daniel Munduruku . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 280
Nossa língua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 285
> Palavras terminadas em -eza e -esa > Separação silábica
> Classificação de palavras por sílabas e tonicidade > Monossílabos tônicos e átonos
PARA LER > O roubo do fogo Daniel Munduruku . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291
NOSSA LÍNGUA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 295
> Derivação de palavras: sufixos e prefixos
PRODUÇÃO DE TEXTO > Reconto > Festival de contação de histórias . . . . . . . . . . 298

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . 301


1 FALANDO EM
UNIDADE

NATUREZA...
Nesta unidade, você lerá e produzirá textos que
tratam da fauna e da flora brasileiras. O tema que
vai estar por todos os capítulos dela é a natureza!

1. O que há de diferente
na árvore dessa cena?

8 OITO
2. O que as crianças
estão fazendo?

3. Você já ouviu falar da árvore


pau-brasil?
O que você sabe sobre ela?

NOVE 9
C A PÍ T ULO

1 PAU-BRASIL, QUEM JÁ VIU?

PARA LER

Para começar este capítulo, converse com seus colegas e o professor:


1. Você já ouviu falar em uma árvore chamada pau-brasil?
2. O que você sabe sobre ela?
3. Por que essa árvore foi importante para a história do Brasil?

Leia a seguir um texto de divulgação científica para conhecer um pouco


mais sobre a árvore que batizou o Brasil.

Pau-brasil

É Caesalpinia echinata / o nome do pau-brasil


Que deu nome à nossa Pátria / terra de encantos mil.
País único no mundo / que nome de planta tem
A cruz da primeira Missa / foi desta árvore também.
Célia Soares

Árvore do Brasil, cuja madeira fornece uma tinta vermelha, por ser
abundante nas matas do litoral, no século XVI, deu origem ao nome
Brasil, com que se passou a designar a Terra de Santa-Cruz.
Pode alcançar mais de 20 metros de altura e circunferência superior
a 1,50 m. Seu tronco é quase reto, áspero, com galhos sinuosos e
casca cinza-escura. Possui folhas verdes luzentes, flores amarelas,
discretamente perfumadas. O fruto é uma vagem de cor prata que,

10 DEZ
quando madura, abre com o calor. A semente é irregularmente
circular, marrom-claro, passando a escuro com o tempo, e germina
após cinco dias.

Isa/kino
Pau-brasil.

O pau-brasil foi, juntamente com a arara e o papagaio, o primeiro


produto de exportação do Brasil. Desde o descobrimento da Terra de
Vera Cruz, até o aparecimento dos corantes artificiais em 1875, ocupou
lugar de destaque na lista dos produtos exportados para a Europa.
[...]
A primeira ação de D. Manoel em defesa do pau-brasil foi considerar
a sua exportação como monopólio da Coroa, contrariando os governos
da Inglaterra, Holanda, Espanha e principalmente da França. Os
franceses ainda tentaram se apoderar da “rota do pau-brasil”, mas
não conseguiram graças à ação de Portugal no campo diplomático e
no campo bélico.
Outra medida tomada por D. Manoel em defesa do pau-brasil
foi um contrato de arrendamento com um grupo de mercadores
dirigido por Fernão de Noronha, um poderoso armador e comerciante
português, pessoa de grande prestígio junto ao Rei, descobridor da
ilha de Fernando de Noronha que, mais tarde, tomou seu nome.
Fernão não conseguiu cumprir totalmente seu compromisso, porque,
além das lutas contra a pirataria, lutava também contra os índios que
colaboravam com os piratas na obtenção do pau-brasil, em troca de
bugigangas e utensílios diversos.

ONZE 11
Em decorrência da exploração sem planejamento, o pau-brasil foi
extinto das matas, mais do que isso, foi esquecido, lembrado apenas
como história ou no dia da árvore. Em 1961, quando Jânio Quadros
era Presidente da República, aprovou o Projeto n. 3.380/61, que
declara o pau-brasil árvore nacional e o ipê amarelo, a flor nacional.
A Lei n. 6.607, de 7 de dezembro de 1978 (publicada no Diário
Oficial da União em 12 de dezembro de 1978), declara o pau-brasil
Árvore Nacional e institui o dia do pau-brasil.

ANDRADE, Maria do Carmo. Pau-brasil. Portal da Fundação Joaquim Nabuco. Biblioteca Blanche Knopfe. Disponível em:
<basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&id=633>. Acesso em: 25 ago. 2017.

Fundaj – Fundação Joaquim Nabuco – é uma fundação pública associada ao


Ministério da Educação do Brasil. Fica na cidade de Recife, no estado de Pernambuco. Foi
fundada em 1949, com o objetivo de preservar a cultura e a história de Joaquim Nabuco,
que defendia mudanças sociais, o fim da escravidão no Brasil e também a cultura e a
história brasileiras, principalmente das regiões Norte e Nordeste. Dentre os seus espaços
culturais, destacam-se o Museu do Homem do Nordeste, a Galeria Baobá, além de
várias outras galerias, o Memorial Joaquim Nabuco, salas de exposição, Biblioteca
Central, o Museu do Homem do Norte etc. Além disso, oferece espaços para locação,
realiza reprografia de documentos antigos, promove cursos de capacitação, pesquisa
e concursos histórico-científicos. No Portal da Fundação, há um mecanismo de busca,
pelo qual se podem pesquisar textos de divulgação científica disponibilizados pelos
pesquisadores e/ou bibliotecários da instituição. Para conhecer, visite site da fundação.
Disponível em: <www.fundaj.gov.br>. Acesso em: 24 nov. 2017.

1. De acordo com o texto, na época do descobrimento do Brasil, a árvore


pau-brasil era:

um produto natural, de valor e com várias utilidades.

um produto natural e sem valor.

um produto natural, apenas com utilidade decorativa.

2. Por que os países europeus desejavam tanto o pau-brasil?

12 DOZE
3. Marque as fotos que representam os animais que, juntamente com o pau-brasil,
foram os primeiros produtos a serem exportados:

Eric Gevaert/Shutterstock

Toniflap/Shutterstock
Mico-leão-dourado. Sucuri.

Ondrej Prosicky/Shutterstock
Papagaio.
Ondrej Prosicky/Shutterstock

Zanna Holstova/Shutterstock

Arara-azul. Lobo-guará.

4. Releia o trecho a seguir:

A primeira ação de D. Manoel em defesa do pau-brasil foi considerar


a sua exportação como monopólio da Coroa, contrariando os governos
da Inglaterra, Holanda, Espanha e principalmente da França.

TREZE 13
Agora, leia o verbete de dicionário que explica a palavra Coroa:

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio: o dicionário da


língua portuguesa. 8. ed. Curitiba: Positivo, 2010. p. 201.

a) Você já sabe que uma palavra pode ter diferentes significados. Qual
desses significados da palavra Coroa é o mais apropriado para o trecho
do texto que você leu? Por quê?

b) A ação de D. Manoel agradou ou desagradou Inglaterra, Holanda, Espanha


e França? Que palavra ou expressão desse trecho mostra isso?

Leia o verbete de dicionário que explica a palavra monopólio:

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio: o dicionário da


língua portuguesa. 8. ed. Curitiba: Positivo, 2010. p. 515.

c) A partir do que você conheceu sobre os significados das palavras Coroa


e monopólio, marque a opção verdadeira sobre o trecho que você leu:

Somente a Coroa portuguesa podia se beneficiar da exportação


do pau-brasil.

Qualquer país podia se beneficiar da exportação do pau-brasil.

14 CATORZE
5. Releia o trecho abaixo e converse com seus colegas.

[...] porque além das lutas contra a pirataria, lutava também contra
os índios que colaboravam com os piratas na obtenção do pau-brasil,
em troca de bugigangas e utensílios diversos.

Nesse trecho, vemos que os indígenas trocavam o pau-brasil por utensílios


diversos. Essa prática recebia o nome de escambo. Em sua opinião, os
indígenas tinham condições de avaliar as consequências do desmatamento
do pau-brasil? Por quê?

6. O que provocou a extinção do pau-brasil?

7. O texto que você leu é um texto de divulgação científica. Ele:

narra uma história passada em uma floresta de pau-brasil.

explica o que é e mostra a participação dessa árvore na história do Brasil.

noticia um fato ocorrido recentemente com uma árvore pau-brasil.

8. Volte ao texto e grife:


a) de azul a parte que apresenta uma explicação
sobre o que é o pau-brasil;

b) de vermelho a parte que apresenta as


características do pau-brasil;

c) de verde a parte que apresenta a história da


exploração do pau-brasil.

QUINZE 15
PARA LER

A seguir está reproduzida uma tela de Rugendas. Observe a cena e perceba


a ligação entre ela e o texto “Pau-brasil”, que você leu anteriormente.

Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

RUGENDAS, Johann Moritz. Derrubada de floresta. Reprodução colorida à mão pela artista Hannah Brandt.
Disponível em: <http://www.fibragaleria.com/peca.asp?ID=1731105>. Acesso em: 24 ago. 2017.

Rugendas, ou Johann Moritz Rugendas, artista alemão que viveu no Brasil nos anos
de 1820, produzindo desenhos e pinturas de cenas de paisagens brasileiras e da vida
cotidiana da população. Realizou vários estudos sobre plantas, negros e indígenas
e fez retratos e pinturas a óleo. Ao voltar à Europa, publicou um álbum de viagens,
mostrando paisagens brasileiras, chamado Viagem pitoresca através do Brasil.

16 DEZESSEIS
• Converse com seus colegas e o professor:
a) O que parece ser a cena representada no quadro?

b) O título do quadro confirma a sua ideia?

c) Na cena representada é dia ou noite? Como sabemos isso?

d) Quem parecem ser as pessoas na cena? O que elas estão fazendo?

e) Há pessoas que desempenham funções diferentes na cena representada?


O que indica isso?

f) Observe as roupas que os trabalhadores usam. O que elas indicam sobre


o clima do local da cena?

g) Os trabalhadores parecem usar equipamentos de segurança? Por que


você acha que isso acontecia?

h) Você acha importante que as empresas e indústrias ofereçam


equipamentos de segurança aos seus trabalhadores? Por quê?

NOSSA LÍNGUA

1. Observe as palavras e o som que as letras destacadas produzem:

Ilha Itália

a) Que letras estão destacadas nas palavras que você leu?

b) Compare as duas partes destacadas: o que você percebe quanto ao som


de cada uma?

O som é muito semelhante.

O som é muito diferente.

DEZESSETE 17
c) Olhe novamente as mesmas palavras e as partes destacadas: o que você
percebe quanto à escrita delas?

A escrita é igual.

A escrita é diferente.

2. Junto com seus colegas e o professor, leia em


voz alta estas palavras e preste atenção ao som
das partes destacadas:

alho dálias toalha


malha utensílios

3. Escolha três das palavras que você leu e escreva frases com elas:

a)

b)

c)

4. Complete as frases a seguir, usando as palavras do quadro. Perceba que


todas são grafadas com lh ou li:

a) Mamãe cobriu a mesa com uma bordada.

b) Ela enfeitou a mesa com um vaso de rosas e de


vermelhas.

c) Usamos vários para cozinhar.

d) Não pode faltar nos temperos.

18 DEZOITO
5. Complete a cruzadinha a seguir:

Ilustrações: Fernanda Rinzler


I

6. Releia este trecho do texto de divulgação científica “Pau-brasil”:

Árvore do Brasil, cuja madeira fornece uma tinta vermelha, por ser
abundante nas matas do litoral, no século XVI, deu origem ao nome
Brasil, com que se passou a designar a Terra de Santa-Cruz.

Pode alcançar mais de 20 metros de


altura e circunferência superior a 1,50 m. Edson Grandisoli/Pulsar Imagens

Seu tronco é quase reto, áspero, com


galhos sinuosos e casca cinza-escura.
Possui folhas verdes luzentes, flores
amarelas, discretamente perfumadas.
O fruto é uma vagem de cor prata que,
quando madura, abre com o calor.
A semente é irregularmente circular,
marrom-claro, passando a escuro com o
tempo, e germina após cinco dias. Pau-brasil.

Encontre, nesse trecho, palavras que contenham a letra r em várias posições


e escreva-as na linha adequada do quadro da página seguinte:

DEZENOVE 19
BR

CR

FR

PR

TR

R em início de palavra

RR

R fraco

R em final de sílaba
dentro da palavra

R em final de palavra

7. No quadro anterior, não aparecem palavras com dr, gr e vr. Pesquise


palavras com esses concontros consonantais em revistas, jornais e outros
materiais escritos e escreva-as nos locais indicados.

DR

GR

VR

20 VINTE
PARA LER

Agora que você já conhece um pouco sobre o pau-brasil, vamos conhecer


um poema que versa sobre esta histórica árvore.

Pau-brasil
Viva o Brasil
Do pau-brasil,
Ibirapitanga,
Do açaí,
Banana,
Manacá,
Manga,
Da mata fértil
E rica,
Do muriqui,
Bugio,
Jaguatirica,
Das chuvas,
Borboletas,
Tiziu,
Cachoeira,
Rio,
Tié-sangue,
Mangue,
Dias cor de anil,
Jótah

Mar azul,
Viva o pau-brasil,
Do Brasil.
LALAU; LAURABEATRIZ. Árvores do Brasil, cada poema no seu galho. São Paulo: Peirópolis, 2011. s.p.

ibirapitanga: outro nome do pau-brasil (ibira = árvore; pitanga = vermelho).


manacá: arbusto de flores muito usado para enfeitar praças, jardins etc.
mangue: terreno pantanoso, de lama escura e mole.

VINTE E UM 21
Lalau é publicitário, nascido em São Paulo, e autor de diversos livros de poemas
para crianças. Laurabeatriz é ilustradora e artista plástica, nascida no Rio de Janeiro, e
hoje vive em São Paulo.

1. No poema “Pau-brasil”, os autores apresentam:

uma lista das árvores brasileiras.

um fato acontecido com o pau-brasil.

uma homenagem ao pau-brasil.

Jótah
2. Que verso do poema confirma a opção que você escolheu?

3. Os versos “Da mata fértil / E rica” referem-se à:

riqueza de dinheiro. riqueza de seres vivos.

riqueza de árvores que podem ser cortadas e vendidas para fazer


móveis, navios etc.
4. O poema começa com um “Viva” ao Brasil. Em seguida, descobrimos o
motivo desse “Viva” – a riqueza da fauna e flora brasileiras, revelada pela
apresentação de vários nomes de árvores, animais, frutas e ambientes
naturais. No quadro a seguir, coloque cada um deles em seu lugar:

ambientes
árvores animais frutas
naturais

22 VINTE E DOIS
PRODUÇÃO DE TEXTO

Neste capítulo você conheceu muitas coisas sobre o pau-brasil, a árvore que
dá nome ao nosso país. Também aprendeu o que é um texto de divulgação
científica, que explica e/ou caracteriza algo.
Agora, você e alguns colegas vão pesquisar um dos animais citados no poema
“Pau-brasil”, cujos nomes você registrou no quadro da seção anterior. Quando
tiverem feito a pesquisa e sistematizado as informações que encontrarem, vão
apresentar esse animal à turma, com o auxílio de um cartaz.

PLANEJAMENTO
1. Reúna-se a três colegas e escolham um dos animais para a pesquisa.
2. Façam uma lista de possíveis fontes de consulta, ou seja, dos livros,
revistas, enciclopédias, dicionários específicos, sites etc. que possam
apresentar as informações de que precisam.
3. Para acessar sites, peçam ajuda ao professor.

DESENVOLVIMENTO
1. Leiam os textos que você e seus colegas de grupo selecionaram.
2. Selecionem as informações que servem para sua pesquisa.
3. Registrem-nas na ficha abaixo, colocando cada uma em seu lugar específico.

Nome do animal

Características físicas

Lugar em que vive

Alimentação

Curiosidades

4. Imprimam, façam uma cópia digital ou recortem uma imagem do animal


pesquisado e guardem-na. Vocês vão usá-la na divulgação de sua pesquisa.

VINTE E TRÊS 23
REVISÃO
1. Releiam juntos a ficha e confiram se ela está completa. Revisem as
informações, conferindo-as com as fontes usadas.
2. Observem a escrita e verifiquem se há palavras que precisam de correção.
Verifiquem também o uso da pontuação.
3. Façam as alterações necessárias.

DIVULGAÇÃO
1. Preparem um cartaz com as informações pesquisadas e colem a imagem
do animal que vocês guardaram. Estudem as características do animal
que pesquisaram e distribuam as informações entre vocês, para cada um
apresentar uma parte da pesquisa.
2. No dia marcado pelo professor, apresentem a pesquisa aos colegas, usando
o cartaz como material de apoio. Não se esqueçam de falar em uma
altura adequada para o tamanho da sala, para que todos possam ouvir.
3. Ao final, agradeçam a atenção dos colegas.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor:
1. Você aprendeu coisas novas sobre o animal pesquisado com seus colegas?
2. Você achou importantes os procedimentos de pesquisa orientados na
atividade? Por quê?
3. Como você avalia a sua parte na apresentação oral?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

LALAU; LAURABEATRIZ. Árvores do Brasil,


Brasil cada
poema no seu galho. São Paulo: Peirópolis, 2011. 56 p.
Conheça outros poemas sobre árvores brasileiras
criados por Lalau e Laurabeatriz. São 15 poemas ao
todo, um sobre cada espécie selecionada de nossa
flora. E, no final do livro, você ainda encontrará o
nome científico de cada uma, bem como muitas
informações sobre todas!

24 VINTE E QUATRO
C A PÍ T ULO

2 FLOR AMARELA DA PRIMAVERA

PARA LER

Nos livros do primeiro e do segundo anos, você viu muitos textos poéticos,
como os poemas, as quadrinhas, as letras de canção, entre outros. Para estudar
esses textos poéticos, você analisou estrofes, versos, identificou rimas etc.
Neste capítulo, você vai conhecer outro tipo de texto poético: o haicai ou
Hai-kai. Converse com o professor e os colegas:
1. Você já leu ou ouviu falar de haicai? O que sabe sobre eles?
2. Pelo nome desse texto poético, você imagina a origem dele?
3. Você sabia que a flor do ipê amarelo é a flor-símbolo do Brasil?
4. O ipê amarelo é conhecido em nosso país por diversos nomes: pau-d’arco-
-amarelo, ipê-do-morro, ipê-tabaco, ipê-amarelo-cascudo, ipê-açu, aipe. Na
região em que você vive, essa árvore tem algum nome diferente desses?
Leia dois haicais sobre o ipê-amarelo, árvore brasileira que é tema deste
capítulo.

Haicai 1
Dorival Moreira/Pulsar Imagens

Luz do ipê

Floresce o sol

Chão amarelo.

Ipê-amarelo em praça pública.


Brasília, DF, 2015.
LEMINSKI, Áurea Ruiz. VII Encontro Brasileiro de Haicai. S.l., 7 nov. 1992. Disponível em:
<www.kakinet.com/encontro/index.php?t=07>. Acesso em: 13 out. 2017.

VINTE E CINCO 25
Haicai 2

Fabio Colombini
Ipês amarelos no cerrado.

Coração do Brasil

é dourado.

Ipê-amarelo no cerrado, estado de Goiás, 2016.

LOPES, Sandra. Poesia é fogo, é terra, é água, é ar! Haicais. Rio de Janeiro:
Rocco Jovens Leitores, 2013. p. 47.

A curitibana Áurea Ruiz Leminski, atriz e jornalista, é filha dos poetas Paulo Leminski
e Alice Ruiz. Atualmente é uma das responsáveis pelo acervo deixado pelo pai.
A carioca Sandra Lopes é professora, mediadora de leitura e autora de diversas
obras para o público infanto-juvenil.

1. Comparando os dois haicais que você leu, o que você percebe:


a) quanto ao número de estrofes?

b) quanto ao número de versos?

c) quanto à presença de rimas?

26 VINTE E SEIS
2. Converse com seus colegas e o professor.
a) No haicai 1, a autora usa a expressão luz do ipê, mas, ipês não têm
luz. Observe as imagens que ilustram os haicais das páginas anteriores e
imagine o que a autora está chamando de luz.
b) Nesse mesmo haicai, lemos floresce o sol, mas sabemos que o sol não
floresce. Ao usar essa expressão, o que a autora pode ter querido dizer?
c) E o verso “chão amarelo”, o que ele registra sobre o ipê?

d) Ao usar expressões como luz do ipê e floresce o sol, a autora dá ao


ipê e ao sol características que não são deles na realidade. Isso prejudica
a compreensão do poema? Por quê?

FIQUE SABENDO
Metáfora
Na linguagem poética, é muito
comum os autores usarem palavras
que servem para comparar ou associar
uma coisa a outra. No caso dos
haicais que você leu, essa associação
é feita entre o ipê-amarelo e o sol.
Quando encontramos isso em um

Dawidson França
texto poético, dizemos que o autor
usou uma metáfora.

3. Responda, considerando agora o segundo haicai:


a) A que o cerrado brasileiro é comparado?

b) Ao afirmar que o coração do Brasil é dourado, o que a autora quer dizer?

VINTE E SETE 27
NOSSA LÍNGUA

1. Com seus colegas e o professor, leia as palavras a seguir.

ipê árvore símbolo


amarelo cipó café Brasil
espécie inverno indígena

• Agora, separe essas palavras em sílabas.

2. Com seus colegas e o professor, fale as palavras do quadro acima.


a) Para cada palavra, qual foi a sílaba que você falou com mais força?
Grife-as em cada palavra, no quadro.

b) Alguma palavra ficou sem sílaba forte?

3. Junto com seus colegas e o professor, leia as palavras a seguir.

avó baú fenômeno ânimo médico cômoda

a) Nessas palavras há alguns sinais que não são letras. Copie seus formatos
nos espaços: e .

b) Você sabe para que servem esses sinais? Converse com os colegas.

28 VINTE E OITO
4. Agora, leia as palavras:

Avó Avô

Converse com seus colegas e o professor:

a) Em qual delas o som da letra o é aberto?

b) Que sinal marca esse som?

c) Em qual delas o som da letra O é fechado?

d) Que sinal marca esse som?

e) Como você leria estas duas palavras, se elas não tivessem estes sinais?

O sinal ‘ pode ser usado em cima de qualquer vogal, quando a palavra


precisa deste sinal. Ele indica que aquela é a sílaba forte. Quando ele é
usado sobre as vogais a, e, o, indica, também, que o som destas vogais
é aberto.
Este sinal chama-se acento agudo.
O sinal ^ pode ser usado em cima das vogais a, e, o e também
indica que aquela é a sílaba forte. Ele indica ainda que o som destas
vogais é fechado.
Este sinal chama-se acento circunflexo.

5. Recorte de jornais, revistas ou outros impressos algumas palavras com


acento agudo e outras com acento circunflexo.

6. Junte as palavras que encontrou às de seus colegas.

7. Depois, com o professor e os colegas, organize as palavras em duas listas,


de acordo com os sinais de acentuação.

VINTE E NOVE 29
8. Por fim, escolha as dez palavras que mais chamaram sua atenção em cada
lista e copie-as no quadro a seguir.

ACENTO AGUDO ACENTO CIRCUNFLEXO

PARA LER

Você vai ler outros haicais. Preste atenção sobre o que eles tratam.

Haicai 1
Dawidson França

jasmim do cabo

um chão todo florido

e perfumado

RUIZ, Alice. Jardim de Haijin. São Paulo: Iluminuras, 2010.

30 TRINTA
Haicai 2

Pau-Brasil,

Teu coração de madeira

Dawidson França
ainda pulsa na mata brasileira.

LOPES, Sandra. Poesia é fogo, é terra, é água, é ar! Haicais.


Rio de Janeiro: Rocco Jovens Leitores, 2013. p. 47.

Haicai 3

Dawidson França
Para a formiguinha,

na folha da goiabeira,

há um mundo inteiro.

REZENDE, Maria Valéria. Hai-quintal: haicais descobertos no quintal.


Belo Horizonte: Autêntica, 2011. p. 21.

A poetisa curitibana Alice Ruiz começou a escrever muito cedo, ainda na adolescência,
divulgando sua obra em jornais e revistas. Desde então, publicou mais de 20 livros e,
em 2009, ganhou o Jabuti, maior prêmio de reconhecimento literário brasileiro, na
categoria Poesia, com o livro Dois em um.

Maria Valéria Rezende nasceu em Santos (SP) e embora tenha começado a


escrever ficção em 2001, já produziu extensa obra, reunindo romances, contos,
crônicas e literatura infanto-juvenil. Foi agraciada com o Jabuti em 2009, na
categoria Literatura Infantil, com a obra No risco do caracol; em 2013, na categoria
Literatura Juvenil, com a obra Ouro dentro da cabeça; e em 2015, na categoria
Romance, com a obra Quarenta dias.

TRINTA E UM 31
1. Os dois primeiros haicais que você leu no início do capítulo tratavam do
ipê-amarelo. De que trata cada um dos haicais que você acabou de ler?

Haicai 1 Haicai 2 Haicai 3

• Podemos concluir que os haicais lidos tratam de:

história de algo. natureza.

um fato ocorrido. lugares.

2. O Haicai 1 desperta um dos nossos sentidos.


a) Releia o haicai e marque, abaixo, esse sentido:

audição. paladar.

visão. olfato.

tato.

b) Que palavra do haicai mostra isso?

3. De acordo com o que você aprendeu sobre os haicais, escreva V para as


afirmativas verdadeiras e F para as falsas:

Haicais são contos sobre a natureza.

Haicais são poemas de uma única estrofe.

Haicais apresentam apenas três versos na estrofe.

Haicais tratam de temas da natureza.

Haicais apresentam números variados de versos em cada estrofe.

Haicais sempre apresentam rimas.

32 TRINTA E DOIS
NOSSA LÍNGUA

1. Nesta unidade, você viu palavras como:

Spotmatik Ltd/Shutterstock
Ipê-amarelo

Isa/kino

Pau-brasil

a) Ao observar essas palavras, notamos que elas têm algo em comum.


O que é?

b) De quantas palavras são formados os nomes de árvores que você viu?

c) Para que serve o sinal entre as palavras?

d) Ao ler as palavras que levam este sinal, o sinal é falado ou tem algum som?

TRINTA E TRÊS 33
2. Leia novas palavras formadas de duas outras:
khlungcenter/Shutterstock

Greg Amptman/Shutterstock
Vaga-lume Karel Gallas
Peixe-boi

BalkansCat
Tamanduá-bandeira Pica-pau

• Agora, pesquise em livros, dicionários, revistas, jornais ou na internet


mais cinco palavras que também sejam formadas de outras duas ou mais.
Pesquise também o significado delas. Faça uma lista do que descobriu em
uma folha de papel e compartilhe com os colegas.

O HÍFEN
O traço horizontal (-) que aparece entre duas palavras chama-se hífen
e é usado para ligar duas palavras que formam uma palavra composta,
que se refere a um ser apenas. Por exemplo: a palavra onça-pintada não
indica que uma das muitas onças seja pintada. Onça-pintada é o nome
de um animal da fauna brasileira, formado pelas duas palavras unidas pelo
hífen. Isso também acontece em couve-flor, o nome de um alimento.

34 TRINTA E QUATRO
PRODUÇÃO DE TEXTO

Neste capítulo, você estudou os haicais. Viu como são formados e do que
tratam. Agora é sua vez de escrever um haicai!

PLANEJAMENTO
1. Pense em um tema para o haicai. Se for possível, junto com seus colegas
e o professor, dê uma volta pelo jardim de sua escola ou bairro e observe
a natureza. Essa é uma forma de se inspirar para encontrar um tema e
escrever o haicai.

2. Escolhido o tema, liste as emoções ou sensações que ele desperta


em você.

3. Pense em como você pode expressar essas emoções ou sensações em


três versos.

DESENVOLVIMENTO
1. Leia novamente os haicais deste capítulo e consulte a lista de emoções
ou sensações que você anotou quando pensou no tema do seu haicai.

2. Escreva em uma folha à parte uma primeira versão do haicai.

3. Releia o haicai em voz alta a um colega e faça mudanças que o


deixem mais bonito ou interessante para quem for escutá-lo. Peça
a opinião dele.

4. Escreva a versão final do seu haicai em uma folha de sulfite e faça um


desenho para ilustrá-lo.

REVISÃO
1. Releia seu poema e verifique se as palavras estão escritas corretamente.

2. Verifique também o uso da pontuação.

3. Faça as alterações necessárias.

TRINTA E CINCO 35
DIVULGAÇÃO

Dawidson França
• Seu professor vai fazer um varal
de haicais em um local visível da
escola, para que outros amigos,
de outras turmas, possam ler.
Pendure seu haicai no varal; leia
e aprecie os haicais dos colegas.

AVALIAÇÃO
• Converse com seus colegas e o professor:
a) Qual dos haicais produzidos por você e seus colegas você achou mais
interessante? Por quê?
b) O que você achou de estudar os haicais? O que aprendeu sobre este
tipo de texto poético?
c) O que você aprendeu sobre o ipê-amarelo?

SUGESTÕES DE LEITURA

Divulgação
RUIZ, Alice; JABUR, Camila. Estação dos bichos.
São Paulo: Iluminuras, 2011. 64 p.
Mosquito, abelha, gato, peixe, cobra, cavalo,
libélula, cigarra, periquito, vaga-lume, esquilo...
Muitos bichos são inspirações para as autoras desse
livro de haicais. Uma delas, Alice Ruiz, foi autora de
um dos haicais que você leu neste capítulo!
Divulgação

BARROS, Sônia. Nas asas do haicai. Belo Horizonte:


Instituto Cultural Aletria, 2016. 64 p.

A autora inova neste livro, explorando em seus


haicais diferentes jeitos de voar. É como se tirasse
uma foto de cada voo. As ilustrações da premiada
Angela Lago, imitando desenhos de crianças,
contribuem ainda mais para uma leitura deliciosa...

36 TRINTA E SEIS
C A PÍ T ULO

3 DE VERBETE EM VERBETE

No capítulo anterior, você conheceu a beleza do ipê-amarelo e dos haicais


que versavam sobre ele. Viu os recursos que os autores usaram para descrever a
beleza dessa árvore brasileira de uma maneira poética e simbólica – as metáforas.
Mas será que os pesquisadores, os biólogos e os botânicos falam do ipê
do mesmo jeito que os autores de poemas e haicais? Será que os poemas são
adequados para conhecermos informações científicas sobre o ipê-amarelo?
Para cada caso e para cada objetivo existem um tipo de texto e um tipo de
linguagem. Neste capítulo, você vai ver outra maneira de abordar o ipê-amarelo.
Você vai conhecer a forma científica de falar sobre essa árvore.
Leia o verbete enciclopédico a seguir e observe as informações e a linguagem
utilizadas neste texto.

PARA LER

Ipê

O ipê é uma árvore diferente da


maioria das outras: quando suas
sidneydealmeida/Shutterstock

flores nascem, as folhas caem


dos galhos. Quando se vê um ipê
florido, sabemos que a primavera
está próxima – a maioria dos
ipês floresce no final do inverno
ou no começo da primavera.
A imagem do ipê é bastante
representativa do Centro-Oeste
e do Sudeste do Brasil.
Ipê-amarelo.

TRINTA E SETE 37
Sua madeira é de lei – quer dizer, é madeira

Fabio Colombini
de qualidade. Por ser dura e resistente, é
empregada na construção civil e naval, em
assoalhos, vigas, eixos de rodas e peças de
marcenaria. Por ser muito procurada, tem de
ser plantada em grande quantidade – para
reflorestamento –, a fim de que não seja
extinta. Suas flores são lindas e embelezam as
ruas em que se encontram. Ipê-branco.
O ipê cresce devagar e pode chegar a
30 metros de altura, mas a maioria tem de 7
a 15 metros de altura. É do gênero Tabebuia,

Wagner Santos/Kino
palavra tupi que significa “árvore de casca
grossa”. As espécies mais conhecidas são o
ipê-amarelo, também chamado de
pau-d’arco, frequente em Minas Gerais,
Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e
Paraná; o ipê-roxo, de flores cor-de-rosa,
comum nas regiões Centro-Oeste, Sudeste
e Sul; e o ipê-branco, que se encontra muito Ipê-roxo.
no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
As árvores florescem no inverno e na primavera. O ipê-roxo é o
primeiro a florir: de junho a agosto nas regiões quentes, um pouco
antes nos locais mais frios. O ipê-amarelo floresce entre agosto e
setembro e o ipê-branco, de setembro a outubro. No Brasil, existem
doze tipos de ipês com flor em tons de amarelo.
O ipê é a árvore-símbolo do Brasil. (A árvore nacional é o pau-brasil,
que deu nome ao país.)

BRITANNICA DIGITAL LEARNING; MINISTÉRIO DA EDUCÃO. Ipê. Britannica Escola.


Disponível em: <https://escola.britannica.com.br/levels/fundamental/article/ip%EA/483303>.
Acesso em: 9 out. 2017.

resistente: que resiste a provas, que é forte. reflorestamento: formação de nova floresta.
naval: referente a navios. extinto: acabado, que não existe mais.
marcenaria: referente ao que é feito de madeira. tupi: uma das muitas línguas indígenas brasileiras.

38 TRINTA E OITO
A Enciclopédia Britânica surgiu em Edimburgo, Escócia, em 1768 e existiu,
como enciclopédia impressa (em papel) durante 244 anos. Ela foi a mais antiga
enciclopédia inglesa. Hoje, ela se tornou inteiramente virtual e não edita mais os
volumes impressos. Além disso, na internet, ela dispõe também de uma enciclopédia
voltada para estudantes e professores: a Britannica Escola. Você pode consultá-la
sempre que precisar fazer uma pesquisa.
(Disponível em: <https://escola.britannica.com.br/levels/fundamental>. Acesso em: 15 out. 2017.)

1. De acordo com o verbete que você leu, por que o ipê tem esse nome?

2. O verbete apresenta os vários tipos de ipê. Você já conhecia algum deles? Qual?

Sim. Não.

3. O verbete apresenta também um

Waldemar Manfred Seehagen/Shutterstock


segundo nome pelo qual o ipê-amarelo
é conhecido.

a) Que nome é esse?

b) Por que a apresentação desse nome é importante?

TRINTA E NOVE 39
4. Releia este trecho do verbete:

Sua madeira é de lei – quer dizer, é madeira de qualidade. Por


ser dura e resistente, é empregada na construção civil e naval, em
assoalhos, vigas, eixos de rodas e peças de marcenaria. Por ser
muito procurada, tem de ser plantada em grande quantidade – para
reflorestamento –, a fim de que não seja extinta. Suas flores são lindas
e embelezam as ruas em que se encontram.

a) Se o leitor não souber o que quer dizer “é madeira de lei”, que parte
desse trecho explica isso?

b) Que palavras foram usadas no verbete para indicar que, em seguida,


haveria uma explicação para o termo madeira de lei?

c) Qual ou quais das expressões abaixo poderia(m) substituir a expressão


quer dizer nesse trecho:

até. ou seja. isto é.

5. Observe o trecho destacado a seguir:

É do gênero Tabebuia, palavra tupi que significa “árvore de


casca grossa”.

O termo Tabebuia fica claro depois da explicação sobre o que significa a


palavra tupi. Assim como, no trecho anterior, há a explicação da expressão
madeira de lei. Por que o verbete explica as palavras que usa?

40 QUARENTA
6. Complete o quadro com três informações que você aprendeu sobre o
ipê-amarelo com a leitura do verbete:

Informação 1

Informação 2

Informação 3

7. Nas afirmações abaixo sobre o verbete enciclopédico, coloque V para as


verdadeiras e F para as falsas.

A linguagem do verbete é igual à linguagem dos


poemas e haicais.

O verbete apresenta informações científicas

Wagner Campelo/Shutterstock
sobre o ipê-amarelo.

O verbete trata da beleza do ipê-amarelo.

O verbete indica onde a árvore nasce no Brasil.

O verbete explica como acontece a florada do ipê, como


é sua casca, seu uso medicinal.

O verbete tem o objetivo de entreter o leitor.

O verbete tem o objetivo de informar o leitor.

O verbete usa palavras científicas.

O verbete explica algumas palavras que o leitor possa não conhecer.

O verbete é escrito em versos.

QUARENTA E UM 41
8. Em sua opinião, onde podemos encontrar verbetes como esse?

9. Este verbete foi escrito para:


um público leigo e interessado em informações científicas sobre o
ipê amarelo.

outros cientistas estudiosos do ipê-amarelo.

profissionais que lidam com plantas em geral.

um apreciador de poemas.

NOSSA LÍNGUA

1. Releia o trecho a seguir:

O ipê é uma árvore diferente da maioria das outras: quando suas


flores nascem, as folhas caem dos galhos.

a) Sublinhe o trecho que explica a diferença entre o ipê e as outras árvores.

b) Agora, observe os dois-pontos (:) que aparecem nesse trecho. Qual foi a
função desse sinal nessa frase?

Você já sabe que os diferentes sinais de pontuação


têm funções distintas. Eles servem para indicar uma
afirmação (.), uma pergunta (?), uma exclamação ou
expressão de espanto, susto, encantamento (!).
Uma das funções dos dois-pontos (:) é indicar que
algo será descrito ou explicado.

42 QUARENTA E DOIS
2. Releia outro trecho do verbete e observe as palavras destacadas:

Árvore de casca grossa.

As palavras destacadas são:

nome de algo ou de alguém.

característica ou qualidade de algo ou alguém.

3. Leia este outro trecho que trata das flores do ipê e observe as palavras
destacadas:

[...] quando suas flores nascem, as folhas caem dos galhos.

As palavras destacadas são:

nome de algo ou de alguém.

característica ou qualidade de algo ou alguém.

4. Nas palavras a seguir, sublinhar aquelas que dão nome a algum objeto, lugar,
ser ou sentimento:

árvore fruto crescer grande semente florescer


casca tronco grossa amarelo flor

As palavras que dão nome a seres, objetos e sentimentos são chamadas


de substantivos.

QUARENTA E TRÊS 43
5. No verbete que você leu, encontramos vários substantivos e outras palavras
que indicam as características desses substantivos. Leia-as e separe cada
uma por sua função:

Eakwiphan Smitabhindhu/Shutterstock
ipê árvore resistente grossa
madeira casca flores
lindas florido diferente

nomear indicar características

As palavras que indicam características dos substantivos são


chamadas adjetivos.

6. Agora, observe novamente dois trechos do verbete:

Quando se vê um ipê florido, sabemos que a primavera está


próxima [...]

a) Nesse trecho, o texto está se referindo a quantos ipês?

44 QUARENTA E QUATRO
As árvores florescem no inverno e na primavera.

b) Nesse trecho, o texto está se referindo a quantas árvores?

c) Como é possível saber isso?

Quando falamos de algo pensando em um só, dizemos que estamos


usando o singular. Quando falamos em algo pensando em mais de um
(dois, três, cem, mil etc.), dizemos que estamos usando o plural.

7. Agora observe as transformações ocorridas nas palavras abaixo:

singular plural
abelha abelhas
ipê ipês
tronco troncos
abacaxi abacaxis
sapoti sapotis
canguru cangurus
semente sementes

a) O que aconteceu com as palavras quando foram colocadas no plural?

b) Essas palavras terminam com:

vogal. consoante.

QUARENTA E CINCO 45
c) Podemos concluir:

O plural das palavras terminadas em é feito


acrescentando-se ao singular a letra no final.

8. Observe as palavras deste outro quadro:

singular plural

flor flores

sabor sabores

feliz felizes

pomar pomares

amor amores

cantor cantores

nariz narizes

perdiz perdizes

a) O que aconteceu com as palavras quando passamos a usar os seus plurais?

b) Essas palavras, quando estão no singular, terminam com quais letras?

c) Essas letras finais são:

vogais. consoantes.

d) Podemos concluir:

O plural das palavras terminadas em e é feito


acrescentando-se ao singular a terminação no final.

46 QUARENTA E SEIS
9. Agora observe mais um quadro de palavras. Desta vez, você vai completar
com os plurais:

singular plural

anzol

lençol

azul

comestível

automóvel

barril

funil

canal

varal

a) Essas palavras, quando estão no singular, terminam com qual letra?

b) O que acontece com o plural das palavras terminadas em al, el, ol, ul?

c) O que acontece com o plural das palavras terminadas em il?

d) Podemos concluir:

O plural das palavras terminadas em , ,


e é feito retirando-se a letra e
acrescentando-se is no final. O plural das palavras terminadas em
é feito retirando-se a letra l e acrescentando-se s no final.

QUARENTA E SETE 47
PRODUÇÃO DE TEXTO

No capítulo anterior, você conheceu alguns haicais sobre o ipê-amarelo


e viu como sua beleza pode ser descrita pelos poetas. Neste capítulo, você
estudou o ipê do ponto de vista da ciência.
Há, ainda, quem goste de olhar para a fauna (os animais) e a flora (as
plantas) por trás das lentes, como o fotógrafo Ricardo, que você vai conhecer
em um áudio (podcast) da revista Ciência Hoje das Crianças.
Com o auxílio do professor, entre no site da revista, disponível em:
<www.chc.org.br> (acesso em 23 out. 2017).
Na página inicial da revista, clique em Rádio, que está à direita, logo
no início:

Clicando nesse link, você chegará a uma página que reúne alguns áudios,
chamados de podcasts. Entre eles, está o áudio intitulado Fotógrafo de natureza.
Clique em uma peça de quebra-cabeça que aparece abaixo do texto em azul.
Aparecerá uma ponta de seta.

48 QUARENTA E OITO
Clique sobre ela e ouça o áudio. Fique atento à sugestão de Ricardo ao final!

Inspirados na experiência de Ricardo, a proposta para este capítulo é de que


você e seus colegas elaborem coletivamente um catálogo de árvores da escola,
do bairro ou da cidade, fotografando-as, observando-as e relatando suas
características, como em um verbete.
O catálogo coletivo pode ser levado para casa para apresentação aos familiares
e depois pode compor o acervo (conjunto de obras) da biblioteca da escola.

PLANEJAMENTO
1. Com seus colegas e o professor, definam o que irão pesquisar: as árvores
da escola, da rua, do bairro ou da cidade.
2. Definido o campo da pesquisa, preparem o material para a visitação:
papel e lápis (para fazer anotações) e câmera fotográfica digital ou
aparelho de celular com câmera. Não se esqueçam de dar carga de
energia a esses equipamentos!
3. Com o auxílio do professor, consultem a previsão do tempo na internet
e vejam um dia favorável para uma saída de campo. Se necessário,
providenciem protetor solar e chapéu.

DESENVOLVIMENTO
1. No dia marcado e de posse dos materiais necessários, vocês e o professor
vão visitar o local escolhido e selecionar as árvores que serão fotografadas
e estudadas. Não é necessário que todos os membros do grupo fotografem.
Os participantes devem ajudar a avaliar o melhor ângulo, a posição do

QUARENTA E NOVE 49
sol etc., enquanto um membro
faz as fotos. É importante que
haja fotos de cada árvore como
um todo, mas também de partes
específicas dela – folhas, galhos,
tronco, frutos e flores, se houver.

2. Façam também anotações sobre


as características de cada árvore
(formato, cor e textura das folhas,
textura e cor do tronco, frutos
e flores etc.). Elas podem ser

Dawidson França
úteis à observação da fotografia
posteriormente escolhida para a
escrita de um pequeno verbete.

3. Descarreguem as fotos das árvores para um computador e salvem em


uma pasta, com um nome fácil de identificar.

4. Com a juda de seu professor, pesquisem o nome da árvore que vocês


fotografaram.
5. Escolha com um colega a foto de uma das árvores que vocês retrataram.
Retomem as notas de campo que vocês fizeram sobre essa árvore e
elaborem um pequeno verbete, organizando as informações coletadas.
6. Digitem as informações sobre o verbete no computador em que vocês
descarregaram as imagens. Insiram as imagens selecionadas na mesma
página onde vocês digitaram o texto e ajustem o tamanho delas para
que caibam na mesma página.

REVISÃO
1. Revise com o colega o texto que vocês escreveram, observando se:
• os adjetivos ajudam a caracterizar as árvores e suas partes;
• o texto do verbete está claro;
• as informações estão organizadas por tópicos específicos (nome da
árvore, folhas, tronco, flores, frutos etc.).
2. Façam os ajustes necessários.
3. Mostrem o verbete pronto ao professor e, então, imprimam a página.

50 CINQUENTA
DIVULGAÇÃO
1. Juntem a produção de vocês à de outras duplas e organizem o catálogo.
2. Elaborem um sumário para o catálogo.
3. Façam uma encadernação e montem um cronograma para que cada
aluno possa levar o catálogo para casa.
4. Depois que todos levarem o catálogo para casa, vocês podem
deixá-lo na biblioteca da escola para que outros alunos o consultem.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor.
• Qual foi sua opinião sobre esta produção textual?
• O que você aprendeu?
• O que você acredita que ainda pode aprender mais?
• Você usou os conhecimentos deste capítulo para elaborar o verbete?

SUGESTÕES DE LEITURA

Divulgação
TACUS. A criação das criaturas. São Paulo: Edições SM,
2008. 80 p.

Essa enciclopédia divertida não se limita à


descrição das espécies: conta também pequenas
histórias que revelam as qualidades e os defeitos
dos animais.
Divulgação

MELLO, Thiago de; FURTADO, Pollyana.


ABC da Floresta Amazônica. Fortaleza:
Conhecimento Editora, 2008. 40 p.
Esse livro leva você a um passeio pela
Amazônia, para conhecer os costumes e
valores daqueles que habitam o mundo
mágico da floresta.

CINQUENTA E UM 51
C A PÍ T ULO

4 E A FAUNA, COMO FICA?

PARA LER

A palavra fauna significa todo o conjunto de animais que habita numa


determinada região. Você imagina de que maneira a fauna e a tecnologia
podem estar ligadas? Converse sobre isso com o professor e os colegas.
Pense em um animal ameaçado de extinção. Imagine de que maneira
a tecnologia poderia nos ajudar a evitar o desaparecimento dessa espécie.
Discuta isso também com a turma.
Neste capítulo, você vai saber como a tecnologia está ajudando a
preservar uma espécie animal em extinção: o peixe-boi-marinho. Leia a
reportagem a seguir:

JOCA. Peixes-boi serão monitorados via satélite. Jornal Joca, São Paulo, ed. 97, p. 2, 2a quinzena, jun. 2017.
Caderno Brasil.

monitorado: controlado por aparelhos.


predador: que mata ou destrói o outro com violência.
interagir: entrar em contato.

52 CINQUENTA E DOIS
1. A reportagem trata do monitoramento via satélite que os
peixes-boi-marinhos terão. Responda:
a) Para que os peixes-boi-marinhos serão monitorados?

b) Como o monitoramento dos peixes-boi pode ajudar na preservação


deste animal?

2. O texto da reportagem apresenta duas características dos peixes-boi-marinhos


e de água doce.
a) Quais são essas características?

b) Você já conhecia o peixe-boi-marinho?

Fabio Colombini
Sim. Não.

c) Você imaginaria, vendo a foto da


reportagem, que eles têm essas
características que o texto apresenta?

Sim. Não.

3. Responda: Peixe-boi-da-amazônia.
a) De acordo com o texto da reportagem, quais são os riscos à saúde ou
mesmo à vida dos peixes-boi?

b) Quais desses riscos são provocados pelos humanos?

CINQUENTA E TRÊS 53
c) Você acredita que os seres humanos colocam a vida dos animais em
risco intencionalmente? Por quê?

d) Em sua opinião, de que maneira esses riscos poderiam ser evitados?

4. Releia o trecho a seguir:

“Alguns terão o equipamento de rádio e GPS preso na cauda, que


enviará informações para o satélite e para a central de monitoramento.
Com isso, vamos saber em que áreas os animais estão, como se
alimentam, se eles se relacionam”, conta João Borges, veterinário da
Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA).

• Converse com seus colegas e o professor.


a) Uma parte deste trecho está

Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens


entre aspas (“ ”). Por que
esses sinais foram usados
nesse trecho?

b) Que palavra, nesse trecho,


indica isso?

c) Quem falou o trecho entre aspas?

d) Por que a reportagem


informa a profissão do
falante, nesse trecho?
Filhote de peixe-boi sendo amamentado.
5. Releia a reportagem e responda:
a) Além das informações sobre o monitoramento do peixe-boi, a reportagem
apresenta informações sobre o animal protegido. Em que parte do texto
ela faz isso?

54 CINQUENTA E QUATRO
b) Qual das partes da reportagem você leu primeiro? Por quê?

6. Onde a reportagem foi publicada? Para quem ela foi escrita?

NOSSA LÍNGUA

1. Observe estas imagens e as legendas que as acompanham:

BESO GULASHVILI/Reuters/Latinstock
MARK RALSTON/AFP/Getty Images

Cães brincam em lago congelado Hipopótamo que fugiu de zoológico na


na China. Geórgia é capturado após ser atingido por
um tranquilizante neste domingo.
a) Nas legendas das imagens, aparecem palavras escritas com a letra g.
Copie essas palavras:

b) Em quais dessas palavras a letra g tem som de j?

c) Quais são as letras que aparecem logo após a letra g nessas palavras?

CINQUENTA E CINCO 55
2. Leia estas duas listas de palavras. Na primeira, elas são escritas com
j + vogal e, na segunda, com g + vogal:

LISTA 1 LISTA 2
janela gelo
jato gesto
jeito gemer
joelho giro
jorge girafa

a) Nas palavras listadas, o som das letras g e j é igual ou diferente?

b) Que vogais vêm depois de g?

c) Podemos concluir que:

Diante das letras e , a letra g tem som


ao da letra j.
3. Agora leia as seguintes palavras:

lago domingo fuga guri

a) O som da letra g, nessas palavras, é o mesmo das palavras zoológico


e gelo?

Sim. Não.

b) Que vogais vêm depois da letra g nessas palavras?

c) Podemos concluir:
Quando depois da letra g vêm as letras , e ,
o seu som é igual ao da letra g na palavra gato.

56 CINQUENTA E SEIS
4. Veja alguns animais da fauna brasileira e seus nomes:
Rostislav Stefanek/Shutterstock

Fabio Colombini
Enguia. Tié-sangue.

a) Separe as sílabas das palavras que nomeiam esses animais e circule a


sílaba em que aparece a letra g:
enguia

tié-sangue
b) Que letras formam cada sílaba que você circulou?

c) Nessas sílabas, todas as letras são pronunciadas? Explique.

5. Leia as palavras a seguir e assinale com um x aquelas em que a letra u,


depois da letra g, não é pronunciada:

guitarra mangue

guloso agulha

angu guia

guinada ninguém

CINQUENTA E SETE 57
6. Podemos concluir:

Quando está nas sílabas ou ,a


letra u não é pronunciada.

7. Complete as frases a seguir com a palavra certa:

a) O menino se machucou no recreio e do machucado saiu


muito .

sangue sange

b) O bebê que nasceu se chama .

Gilherme Guilherme

c) fez café!

Ninguém Ningém

8. Algumas palavras são formadas a partir da existência de outras. Por


exemplo, a palavra joalheria, que significa “a loja onde se vendem joias”,
vem da palavra joia. A palavra padaria, que significa “o lugar onde se
vende pão”, vem da palavra pão. Leia as palavras abaixo e escreva outras
que vêm de cada uma delas:

gelo –

joelho –

Jorge –

gemer –

58 CINQUENTA E OITO
PARA LER

Na reportagem do jornal Joca, você conheceu um trabalho de monitoramento


do peixe-boi, como forma de prevenir a sua extinção. Viu também que existem
peixes-boi-marinhos e peixes-boi de água doce, o peixe-boi-da-amazônia.
Conheça um pouco mais sobre esse grande e inofensivo animal marinho em
extinção, lendo o texto expositivo a seguir.

PROJETO PEIXE-BOI
ITAMARACÁ, PE

Andre Seale/Pulsar Imagens

Você sabia que o peixe-boi marinho é um mamífero que pode ter até
4 metros e meio, e pesar de 400 a 600 quilos? Pois é, estas entre muitas
outras informações você pode receber no Projeto Peixe-boi, em Itamaracá,
Pernambuco. O Projeto Peixe-boi foi criado em 1980 para avaliar a situação
em que se encontrava o peixe-boi marinho no litoral brasileiro.
Chegou-se à conclusão de que a espécie encontra-se em extinção pela caça
de natureza predatória realizada pelos pescadores: utilizavam-se de arpões,
principalmente, mas também havia outros artifícios, como colocar tampões de

CINQUENTA E NOVE 59
madeira nas narinas do animal quando este subia à tona para respirar; dessa
forma pretendia-se não prejudicar nem sua pele nem sua carne. Tudo no peixe-boi
era aproveitado: os ossos como material artesanal, a pele para confeccionar
carteiras, cintos, sapatos e cordas, enquanto a carne servia para degustação.
Na costa brasileira temos em torno de 400 a 500 unidades e o ideal, para
contornar o perigo de extinção, é, pelo menos, o dobro desse número!
Mas qual a importância do peixe-boi para o ecossistema?
Para quem não sabe, o peixe-boi marinho limpa os manguezais e controla a
biodiversidade marinha. O que significa isso?
Trocando em miúdos, os peixes-bois não só evitam que algas se acumulem
num único local da costa como também impedem que estas alcancem as
superfícies litorâneas e dificultem a vida marinha nesses locais. Alguns elementos
provenientes de suas fezes também são importantes para a reprodução de
determinadas formas de vida nos mares, pois são alimento de muitas larvas de
pequenos peixes, os quais servem como base da dieta de outros animais maiores
e, estes, por seu turno, também podem servir ao consumo humano.
No projeto de Itamaracá, atualmente, existem dezenove peixes-bois, em
cativeiro, a serem novamente reintegrados ao seu habitat natural, e mais dez
que se encontram já domesticados, ou seja, foram criados em aquários e não
sobreviveriam fora deles.
Ao atravessarem a ponte, rumo a Ilha de Itamaracá, lembrem-se de visitar o
Projeto Peixe-boi para acompanhar de perto um trabalho de grande relevância
ambiental, conduzido pelo IBAMA, com apoio da PETROBRAS e de outras
entidades criadas para este fim específico. O projeto fica instalado próximo ao
Forte Orange.
LINS, Marcos André Carvalho. Projeto Peixe-boi.
Disponível em: <http://www.overmundo.com.br/guia/projeto-peixe-boi>.
Acesso em: 20 out. 2017.

predatório: que traz prejuízo.


artifício: maneira de fazer algo.
degustação: experimentação de alguma comida.
ecossistema: sistema que reúne os seres vivos, o meio ambiente e as relações entre eles.
biodiversidade: diversidade de vida (animal e vegetal).
proveniente: originário de um determinado lugar.
reintegrado: integrado novamente, recolocado em algum lugar.
habitat: ambiente natural em que nasce ou vive um animal ou uma planta.

60 SESSENTA
1. O texto que você leu é um texto expositivo. Quem o escreveu?

2. Quem parece ser o público leitor desse texto? Como é possível saber isso?

3. Converse com seus colegas e o professor: que tipo de informações


aparecem nos textos expositivos?

4. Para que servem os textos expositivos?

5. Marque as características do texto expositivo que você leu:

Explica quem é o peixe-boi.

Conta uma lenda sobre o peixe-boi.

Apresenta informações científicas sobre


o animal.

Usa linguagem científica em algumas


partes do texto.

Ele é escrito em versos, que mostram a


Dawidson França

percepção do autor sobre o peixe-boi.

Apresenta rimas.

Em alguns momentos, pode usar linguagem


descontraída para brincar com o leitor.

Incentiva a visita ao projeto de defesa e preservação do animal.

Explica a importância do animal para o ecossistema.

SESSENTA E UM 61
6. Releia o texto.
a) Ao mudar de assunto, o autor:

continua escrevendo na mesma linha. muda de linha.

FIQUE SABENDO
Parágrafo
Cada bloco tratando de diferentes aspectos de um mesmo assunto
chama-se parágrafo. Os parágrafos sempre começam em uma nova
linha e com letra maiúscula.

b) Volte ao texto e numere os parágrafos. Quantos parágrafos ele tem?

c) Com que palavra começa o segundo parágrafo do texto? Com que


palavra ele termina?

7. No texto expositivo que você leu, aparecem algumas perguntas. Veja:

Você sabia que o peixe-boi marinho é um mamífero que pode ter


até 4 metros e meio, e pesar de 400 a 600 quilos?
Mas qual a importância do peixe-boi para o ecossistema?
O que significa isso?

Ao colocar essas perguntas no texto, o autor:


quer saber se o leitor sabe a resposta.

quer antecipar curiosidades que


sergiius/Shutterstock

o leitor vai desenvolvendo,


enquanto lê o texto.
quer verificar se o leitor
Ilha de Itamaracá (PE), local onde está
compreendeu o que leu. sediado o Projeto Peixe-boi.

62 SESSENTA E DOIS
8. Converse com os colegas e o professor:
a) De acordo com o texto expositivo que você leu, a que conclusão o
Projeto Peixe-boi chegou sobre a situação desses animais?
b) Qual é a importância dos peixes-boi para o ecossistema?

c) O que está levando a espécie ao desaparecimento?

9. O texto da reportagem considera que o único predador do peixe-boi é o


homem. Releia o segundo parágrafo do texto expositivo e grife o trecho
que mostra o homem como predador do peixe-boi.

10. Compare os dois textos que você leu neste capítulo.


a) Que informações da faixa verde ao final da reportagem aparecem
também no texto expositivo?

b) Que informações do texto expositivo complementam as apresentadas


na reportagem?

11. Releia o trecho abaixo e observe a parte destacada:

Trocando em miúdos, os peixes-boi não só evitam que algas se


acumulem num único local da costa como também impedem que estas
alcancem as superfícies litorâneas e dificultem a vida marinha nesses locais.

a) Converse com os colegas e o professor sobre o significado dessa expressão.

b) Quais das expressões a seguir poderiam aparecer no lugar dela?

Esclarecendo... Explicando melhor...

Dizendo em outras palavras...

SESSENTA E TRÊS 63
NOSSA LÍNGUA

Quando falamos de animais, às vezes, precisamos indicar se são machos ou


fêmeas. Para alguns deles, há nomes bem diferentes para o macho e para a fêmea.
Vamos ver isso!

1. Escreva a palavra que indica a fêmea dos seguintes animais:

1 2 3 4
1 Nixx Photography/Shutterstock; 2 Andrew Paul Deer/Shutterstock;
3 FABRIZIO CONTE/Shutterstock; 4 Palê Zuppani/Pulsar Imagens;

cão leão tigre bode

Há também nomes de animais que necessitam que informemos se estamos


falando do macho ou da fêmea, caso o próprio texto não dê pistas sobre isso.
Vejamos alguns exemplos:

a cobra-macho – a cobra-fêmea

o jacaré-macho – o jacaré-fêmea

a onça-macho – a onça-fêmea

a foca-macho – a foca-fêmea

Nesse caso, as palavras macho e fêmea especificam o sexo do animal.


Porém, isso só é acrescentado se for uma informação importante para a
compreensão do texto.

64 SESSENTA E QUATRO
Há ainda nomes de animais para os quais a mudança de uma única letra
já muda o gênero da palavra – masculino ou feminino – e com isso o sexo do
animal também fica marcado: macho ou fêmea. Vamos ver!

gato – gata coelho – coelha

cachorro – cachorra cabrito – cabrita

elefante – elefanta

Mas lembre-se: na nossa língua, as palavras podem ser do gênero masculino


ou feminino, mesmo que não tenham sexo. Por exemplo, a palavra Mesa é
feminina e a palavra carro é masculina. As palavras que as acompanham e as
caracterizam também seguem o gênero masculino ou feminino, combinando
com elas. Por exemplo:

A casa amarela pegou fogo e ficou destruída.

O carro amarelo pegou fogo e ficou destruído.

Na maioria dos casos, as palavras do gênero feminino terminam em a


(casa, planta, beleza etc.) e as do gênero masculino terminam em o (carro,
rio, orgulho etc.).

2. Analise a importância de indicar o sexo do animal em cada lacuna e


complete o texto a seguir com as palavras que estão entre parênteses:

a) – Menino! Não entre nesse galpão, porque pode ter aí.


Uma vez, fui procurar umas coisas que não usava mais em casa e
encontrei uma com seus ovos, bem aí onde você
está. Ela se sentiu ameaçada por eu me aproximar dos ovos e quase me
picou. (cobra / cobra-fêmea)

SESSENTA E CINCO 65
b) Dentre os , quem constrói o ninho são
os . (jacarés / jacarés-fêmeas)

c) O começa a se reproduzir a partir dos


6 anos de idade. O é um animal que
só se alimenta de plantas. (peixe-boi / peixe-boi-fêmea)

Como vimos, nas palavras em que identificamos o gênero (masculino ou


feminino) de alguma forma, mesmo aquelas que se referem a seres que não
têm sexo (carro, orgulho, beleza etc.), precisamos colocar no mesmo gênero
todas as demais palavras que se articulam com ela. Isso vale também para os
nomes de seres que têm sexo – macho e fêmea –, como os nomes dos animais.
Observe o exemplo:

O lobo belo – A loba bela

3. Complete os espaços com uma das palavras dos parênteses:

a) Todos tinham medo do leão, que parecia ser muito .


(bravo / brava)

b) Ninguém dormia enquanto a cobra não fosse .


(encontrada / encontrado)

c) A cadela estava porque não se alimentava


há muitos dias. (fraco / fraca)

4. Você conhece os dicionários e já aprendeu como as palavras estão


organizadas nele.
a) Converse com seus colegas e o professor sobre como as palavras são
distribuídas em um dicionário.

66 SESSENTA E SEIS
b) Agora, observe uma página de dicionário.

Thiago Oliveira

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio ilustrado. Curitiba: Positivo, 2008. p. 246.

SESSENTA E SETE 67
Nessa página, há vários nomes de animais. Quais são eles?

c) A imagem que aparece nesta página de dicionário mostra qual palavra?

d) Quais são a primeira e a última palavras escritas em vermelho na página?

e) Agora, veja as palavras que aparecem no alto da página, destacadas.


O que elas indicam?

f) Para que servem essas palavras no alto da página dos dicionários?

DESAFIO
Entre neste jogo e encontre todas as palavras escritas com G!

Regras:

a) Junte-se a um colega e unam as letras até formarem as palavras.


Elas podem estar nas seguintes posições:

vertical horizontal ou em duas linhas

68 SESSENTA E OITO
b) Não é permitido saltar linhas e letras.

c) Não vale voltar a uma letra que tenha sido usada na palavra.

Observe o exemplo.

Á G O T R

M U A G E

I T G R R

M O N H A

I G E O M

A L U L A

G U G O G

• Escreva, nas linhas a seguir, as palavras formadas.

SESSENTA E NOVE 69
PRODUÇÃO DE TEXTO

No segundo texto deste capítulo, você leu um texto expositivo sobre o


peixe-boi. Nele você viu que cada parágrafo trata de um aspecto diferente
desse animal.
Agora é sua vez de pesquisar sobre um animal de seu interesse e elaborar
um texto expositivo sobre ele.
Para isso, siga as orientações.

PLANEJAMENTO

Dawidson França
1. Escolha um animal sobre o
qual você tenha curiosidade ou
já conheça bastante e queira
apresentar a seus colegas.

2. Leia as informações que devem


constar em sua pesquisa e
acrescente outras que você
considerar importantes:
• Nome popular do animal.
• Nome científico do animal.
• Onde vive.
• De que se alimenta (alimentação).
• Características físicas.
• Está em extinção? Por quê?
• Algum projeto apoia a preservação do animal?
• (algo que você queira acrescentar).

3. Faça uma lista das fontes de pesquisa nas quais poderá obter
informações sobre o animal escolhido.

4. Selecione as fontes impressas ou digitais.

70 SETENTA
DESENVOLVIMENTO
1. No planejamento, você viu algumas informações relevantes para a
pesquisa e a possibilidade de acrescentar outras. Releia-as para saber
exatamente o que vai procurar em sua pesquisa.
2. É importante que você use mais de uma fonte de pesquisa para
complementar as informações.
3. Se puder escrever no material impresso utilizado, use um lápis ou caneta
marca-texto para demarcar as informações que procura. Com o lápis,
você pode grifar de leve as informações e apagar depois de utilizar a
fonte. Com a caneta marca-texto, você pode iluminar as informações
que busca.
4. Registre as informações no quadro a seguir:

Animal

Nome científico

Lugar onde vive

Tipo de alimentação

Encontra-se em extinção?
Em caso afirmativo, por quê?

Projeto que apoia sua


preservação

Outras informações

SETENTA E UM 71
5. Ao finalizar a pesquisa sobre o animal escolhido, elabore um texto,
reunindo as informações que você selecionou. As duas primeiras
informações devem ser o nome popular do animal e seu nome
científico, que podem ocupar o mesmo parágrafo. Depois, verifique
quais outras informações você acha interessante colocar em seguida.
Veja também se no mesmo parágrafo pode haver mais uma ou duas
informações que estejam relacionadas a ela. E assim por diante, até
incluir todas as informações no seu texto.

Dawidson França
6. Escolha uma imagem do animal pesquisado e reproduza-a por meio de
desenho, fotografia, cópia, recorte, impressão etc. para ilustrar o seu texto.

REVISÃO
1. Releia o seu texto e observe se:
• as informações planejadas estão presentes;
• a sequência em que elas são apresentadas está clara e não gera
confusão para o leitor;
• a escrita está correta;
• o texto está organizado em parágrafos, contendo assuntos ou blocos
de assuntos;
• os parágrafos começam com letra maiúscula;
• a pontuação está correta.
2. Faça as alterações necessárias e, na folha que seu professor distribuir,
transcreva o texto corrigido e coloque a imagem que escolheu.

72 SETENTA E DOIS
DIVULGAÇÃO
1. Seus colegas devem estar bem
curiosos para aprender sobre o
animal que você pesquisou, assim
como você deve estar curioso
para saber sobre os animais que
eles pesquisaram. Então, para
compartilharem as pesquisas,
elaborem juntos uma coletânea
sobre animais. Ela pode ficar na
sala de aula para consulta e, a
cada dia, ser levada para casa

Dawidson França
por um aluno, para que a família
também conheça as informações
sobre esses animais.
2. Não se esqueçam de escolher um critério para ordenar as pesquisas.
Vocês podem colocar em ordem alfabética ou agrupá-los por classes
(aves, mamíferos, répteis, peixes etc.).
3. Numerem as páginas e façam um sumário e uma capa para a coletânea.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor:
1. O que você aprendeu sobre o animal que pesquisou?
2. O que você aprendeu sobre reportagens e texto expositivo?
3. Você acredita que esses conhecimentos são importantes para você?
Por quê?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

VAL, Vera do. Histórias de bichos brasileiros. São


Paulo: Martins Fontes, 2010. 72 p.
A bicharada toda fala e ri, faz confusão e travessuras,
sente inveja e alegria... até parece gente! Vale a pena
conhecer este livro, com histórias recontadas do
folclore brasileiro.

SETENTA E TRÊS 73
2 POR DENTRO DA
UNIDADE

CULTURA POPULAR
É dia de festa! Alegria, música, diversão!
Quem não gosta disso tudo? Aproveite
para conhecer um pouco da cultura
popular que estudará nesta unidade!

74 SETENTA E QUATRO
1. Que festa está representada aqui?
O que você observa na cena?

2. Você já foi a uma festa como


essa? Conte aos colegas como foi.

SETENTA E CINCO 75
C A PÍ T ULO

5 VAMOS PARA UMA FESTA?

PARA LER

Para começar este capítulo, converse com seus colegas e o professor.


1. Dizem que o brasileiro é um povo festeiro. Você concorda? Por quê?
2. Você sabe o que são festas populares?
3. Já participou de alguma festa popular? Conte aos seus colegas onde ela
aconteceu e como foi.
4. Você saberia dizer por que essas festas são chamadas de populares?
As imagens a seguir mostram algumas festas populares brasileiras. Relacione
cada imagem ao nome da comemoração.

A C
CP DC Press/Shutterstock

The Asahi Shimbun via


Getty Images

B D
Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Ana Druzian/Fotoarena

Festa junina em Campina Festa da uva (RS), 2012.


Grande (PB), 2015.
Carnaval no Rio de Janeiro Festa do boi em Parintins
(RJ), 2016. (AM), 2014.

76 SETENTA E SEIS
Retome a conversa com seus colegas e o professor.
• Você já leu um cartaz de anúncio de uma festa?
• Que informações ele apresenta?
Leia o anúncio de uma festa popular brasileira.

CAMPO FORMOSO. 20 anos de Arraiá de Freguesia. Anúncio de festa junina.


CARTAZ DA CIDADE, 25 abr. 2016. Disponível em:
<http://cartazdacidade.com.br/noticias/5571,s-o-jo-o-de-campo-formoso-est-pr-ximo-de-ser-anunciado.html>.
Acesso em: 29 out. 2017.

1. Analise o cartaz com um colega. Depois, registrem juntos as respostas em


uma folha de papel e apresentem-nas para os colegas e o professor:
a) O que o anúncio está divulgando?

b) De que festa popular o anúncio trata? Como é possível saber?

c) Como é o nome da festa?

SETENTA E SETE 77
d) O que se pode observar quanto a:

Dawidson França
• quantidade de texto verbal no anúncio;
• distribuição dos textos no cartaz do anúncio;
• cores do anúncio;
• informações.

2. Responda:
a) Em que cidade ocorrerá a festa?

b) A festa já tem data marcada? O que indica isso?

c) É possível saber em que época do ano a festa acontecerá? Por quê?

3. Este trecho do anúncio – “O maior Santo Antônio da Região!” – quer


dizer que:

será a maior festa de Santo Antônio da região de Campo Formoso.

haverá a maior estátua de Santo Antônio da região de Campo Formoso.

4. Ao deslocarem essa expressão no anúncio, seus autores querem:

mostrar que conseguem fazer a maior festa da região.

convencer o público a participar da festa e prestigiá-la.

informar que a festa ocupa o maior espaço de festas da região e, por


isso, é a maior festa.

5. Essa festa é celebrada em sua região? O que há em comum com a festa do


anúncio? Troque ideias com os colegas e o professor.

78 SETENTA E OITO
NOSSA LÍNGUA

1. Leia as frases a seguir para responder às questões.

I. Muitas festas brasileiras, que antes eram realizadas na rua, hoje são
celebradas em lugares fechados.
II. Os grupos artísticos mostram a cultura brasileira com habilidade
nos festejos.
III. Os indígenas que habitam o Brasil são lembrados em algumas das
festas populares.

a) O que as palavras destacadas apresentam em comum?

b) No início de uma palavra, a letra h representa algum som?

2. Cada uma destas duplas ou grupos de palavras são formados por palavras
da mesma origem:

habitar – habitante
hábil – habilidade
haver – há – havia – houve
homem – humano – humanidade

• Leia as palavras dos quadros a seguir. Em seguida, escreva duas palavras


que tenham a mesma origem de cada uma delas.

hóspede

SETENTA E NOVE 79
hotel

humor

horta

homenagem

3. Na lista abaixo, todas as palavras estão iniciadas com a letra h, mas nem
todas estão escritas corretamente. Marque apenas as que estão:

humano humanidade

hum huniverso

humanitário hóspede

húmido higiene

hontem hamanhã

horário helicóptero

• Em uma folha de papel, escreva três frases usando algumas das palavras
que você marcou. Depois, pendure sua folha no mural de sala.

80 OITENTA
4. Agora vamos relembrar o uso da letra h em outras posições na palavra.
Você já sabe que, ao juntar-se a l, c e n, a letra h altera o som dessas letras.
Veja no quadro a seguir:

vela – velha

camada – chamada

sono – sonho

• Converse com seus colegas e o professor: o que mudou nas palavras do


quadro após a entrada da letra h?

5. Complete o quadro abaixo, colocando h nas palavras da primeira coluna ou


retirando o h das palavras da segunda coluna, formando, assim, novas palavras.
Dica: A letra h só pode entrar junto de c, l e n.

coluna 1 coluna 2

lhama

cama

mancha

bico

calha

mala
Dawidson França

falha

tina

OITENTA E UM 81
6. Observe os desenhos e escreva os nomes dos objetos representados.
Dica: Todos têm a letra h em alguma posição.
Ilustrações: FERNANDA RINZLER

fui
Mãe, bola na
r
jopga dro
sa do Pe oras
ca h
às 6
Volto e.
rd
da ta
Paulo

ELEMENTOS NÃO PROPORCIONAIS ENTRE SI.

82 OITENTA E DOIS
PARA LER

Agora você vai ler outro anúncio, sobre uma festa popular muito conhecida
na Região Norte do país, em que dois grupos se apresentam e disputam a
vitória entre si. Você já sabe que festa é essa?

PARINTINS. Festival Folclórico de Parintins 2017. Cartaz.

1. Responda:
a) Quem parece ser o homenageado dessa festa? Como você soube disso?

b) Onde acontece essa festa?

c) O que a posição dos dois bois parece mostrar sobre eles?

OITENTA E TRÊS 83
d) Por que o anúncio está dividido metade em vermelho e metade em azul?

e) Que outros símbolos são associados a cada boi?

FIQUE SABENDO
Festival Folclórico de Parintins
O primeiro Festival Folclórico de Parintins oficial e ainda sem o caráter
de competição aconteceu em 1964, na cidade de mesmo nome, no estado
do Amazonas. Até hoje se mantêm as duas torcidas originais: a do Boi
Garantido, marcado pela cor vermelha, e a do Boi Caprichoso, pela cor
azul, cuja rivalidade aumenta ano após ano.
Essa festa acontece atualmente no último final de semana de junho,
durante três noites, no Bumbódromo (Centro Cultural e Esportivo
Amazonino Mendes), uma arena que reproduz o formato de uma
cabeça de boi, e que chega a reunir 35 mil pessoas.
O enredo das apresentações versa sobre a história de Catrina, que,
grávida, tem o desejo de comer língua de boi. Seu marido, Francisco,
mata o boi favorito do patrão,
que, ao descobrir o que
Bruno Zanardo/Fotoarena

aconteceu, ameaça matar


o empregado. Um padre e
um pajé são chamados para
acalmar a fúriado patrão e
tentar reavivar o bicho, o que
termina por acontecer. Francisco
e Catrina são perdoados e tem
início uma grande festa.
Festival Folclórico de Parintins.

84 OITENTA E QUATRO
NOSSA LÍNGUA

Você já conhece os alfabetos maiúsculo e minúsculo em letras chamadas de


imprensa. Vamos retomar o alfabeto em letra cursiva?

Aa Bb Cc Dd Ee Ff Gg Hh Ii

Jj Kk Ll Mm Nn Oo Pp Qq Rr

Ss Tt Uu Vv Ww Xx Yy Zz

A a B b C c Dd Ee Ff Gg Hh Ii

Jj K k L l Mm Nn Oo Pp Qq Rr

S s T t U u Vv Ww Xx Yy Zz

1. Escreva em letra cursiva o nome da festa popular mais comum na sua região.

2. Nos bilhetes abaixo, marque aquele que foi escrito em letra cursiva:

CIDA, Professora, Filha,


Márcia não poderá Chego mais cedo
FOMOS AO CINEMA. fazer a aula de hoje, então, me
BEIJO. Educação Física hoje, espere para jantar.
pois torceu o tornozelo. Beijo,
ALINE E MATEUS Obrigada. Mamãe
Maria da Graça

OITENTA E CINCO 85
PRODUÇÃO DE TEXTO

Neste capítulo, você vai fazer duas produções de texto relacionadas. A


primeira delas é um cartaz com informações sobre uma festa popular escolhida
por você e seu grupo de trabalho. Depois que todos os grupos apresentarem
seus cartazes e você conhecer um pouco mais de cada festa, vocês vão participar
de uma enquete para saber de qual das festas vocês mais gostaram.
Para que você possa elaborar um cartaz sobre uma festa popular, você
precisa conhecer essa festa, certo? Converse com seus colegas e o professor e
veja o que você pode fazer para conhecer mais sobre uma festa que acontece
em uma região, que pode não ser a região onde você vive. O professor vai
dividir a turma em grupos.
Para produzir esse cartaz, você e seus colegas de grupo necessitam de
informações diversas sobre a festa que vão descrever. E, para isso, vão precisar
pesquisar e organizar algumas informações.

PARTE 1 - O CARTAZ

PLANEJAMENTO
1. Definam coletivamente as informações que serão pesquisadas,
refletindo sobre o que é importante informar em um cartaz sobre
uma festa popular.

2. Com seu grupo, escolha a região e a festa popular sobre a qual vão pesquisar.

3. Façam uma lista das fontes de pesquisa que vão utilizar. Se forem usar
materiais impressos, sigam este roteiro:
• Visitem a biblioteca da escola e identifiquem a localização das possíveis
fontes de pesquisa.
• Selecionem as fontes que apresentam as informações que vocês procuram.
• Façam uma leitura rápida, observando o título e os subtítulos de
cada publicação.
• Façam uma nova seleção do que é mais importante para sua pesquisa.

4. Selecionem ao menos duas fontes de pesquisa.

86 OITENTA E SEIS
DESENVOLVIMENTO

Dawidson França
1. Com os materiais da pesquisa em
mãos, leia cada um deles com seus
colegas de grupo e grifem as
informações que vocês listaram no
planejamento do texto.
2. Tomem nota das
informações encontradas.
3. A partir dos registros de cada componente de seu grupo, planejem o
cartaz que vão produzir, observando:
a) que informações ficarão no centro do cartaz;
b) que informações serão escritas com maior destaque;
c) como o destaque será dado: letras maiores, cores, sublinhados etc.;
d) que imagem comporá o cartaz (o que ela deve mostrar sobre a festa);
e) que informações ficarão no alto e no rodapé da página.
4. Façam um esboço do cartaz em uma folha de rascunho, escrevendo o
que ficará em cada posição.

REVISÃO
1. Defina com os colegas quem será o escriba dos textos de cada parte
e ajude o grupo a revisá-los, observando a escrita das palavras e a
pontuação e avaliando se os textos estão compreensíveis.
2. Quando as posições das informações estiverem definidas e os textos
revisados, produzam o cartaz definitivo.

DIVULGAÇÃO
1. Criem um mural de festas
populares brasileiras na classe.
2. Visite o mural e leia os
trabalhos dos outros grupos.
Dawidson França

Se houver dúvidas sobre


alguma questão, pergunte ao
grupo que elaborou o cartaz.

OITENTA E SETE 87
PARTE 2 – A ENQUETE
Agora que você já conhece várias festas populares, vamos identificar a festa
popular preferida de sua turma?
Como saber qual é a festa que mais pessoas preferem em sua classe? Você
já ouviu falar em enquete? Já participou de alguma?
Enquete é uma consulta para saber a opinião de um público sobre alguma
coisa. Geralmente é composta de uma só pergunta. Como esta que o
Plenarinho – um portal da Câmara dos Deputados para crianças – realizou, para
saber como melhorar seu site:

O que mais você quer aqui no Plenarinho?


Jogos
2 votos
Revistinhas
2 votos

Vídeos
1 voto

Textos para pesquisas


1 voto
Concursos

Total de votos: 6
15/03/2017

Câmara dos Deputados. BRASÍLIA. Enquete: O que você quer mais aqui no Plenarinho?
Plenarinho, 15 mar. 2017. Disponível em:
<https://plenarinho.leg.br/index.php/2017/01/12/o-que-voce-quer-ver-mais-aqui-no-plenarinho/>.
Acesso em: 29 out. 2017.

PLANEJAMENTO
1. Reflita sobre a festa popular de que você mais gostou. Você pode pensar
em questões simples sobre isso, como:
• Quais são as características de uma festa popular que agradam a você?
• Qual é o tipo de música? E de dança?
• Que figurino você acha mais interessante?
• Que histórias e lendas você gosta de ver representadas?
• E sobre a comida típica de uma festa, do que você gosta?
Agora você está pronto para responder à enquete. Seu professor vai
disponibilizá-la para que todos a respondam.

88 OITENTA E OITO
DESENVOLVIMENTO
1. Participe da enquete que você
ajudou a elaborar, respondendo às
perguntas da pesquisa.
2. Quantos votos cada festa popular
recebeu?
3. Com a ajuda do professor, elabore

Dawidson França
um gráfico do resultado da enquete.
4. Analise o gráfico e veja quais foram
as três festividades mais votadas.

DIVULGAÇÃO
• Com a turma toda, dê um título para o gráfico e ajude a colocá-lo no
mural elaborado após a pesquisa sobre as festas populares brasileiras.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor:
1. O que você aprendeu sobre festas populares brasileiras?
2. O que você aprendeu sobre cartazes de anúncios?
3. Que conhecimentos você utilizou ao pesquisar sobre as festas?
4. O que aprendeu com sua pesquisa?
5. Qual é sua opinião sobre este capítulo? Divulgação

SUGESTÃO DE LEITURA
XAVIER, MARCELO. Festas: o folclore do
Mestre André. 9. ed. São Paulo: Formato
Editorial, 2012. 32 p.
Vamos conhecer com esse livro as origens e
características das diferentes festas populares
brasileiras em textos e lindas imagens feitas de
massinha de modelar!

OITENTA E NOVE 89
C A PÍ T ULO

6 DELÍCIAS DO BRASIL

PARA LER

No capítulo 5, você estudou


algumas festas populares brasileiras.

Marcos André/Opção Brasil Imagens


Geralmente, as festas populares são
ricas em músicas, danças e pratos
típicos. Mas você conhece as comidas
típicas brasileiras?
Na cidade ou região onde você
vive, existe alguma comida que seja
característica? Que comida é essa?
No texto a seguir, você vai conhecer
um pouco da culinária e dos pratos
típicos de algumas regiões do Brasil. Comida mineira no fogão a lenha.

Comidas típicas brasileiras são prato cheio para turistas

A gastronomia brasileira é tão mestiça quanto seu povo. Ela se


compõe de heranças indígenas e africanas mescladas à culinária dos
povos colonizadores.
Do pão de queijo mineiro ao churrasco gaúcho, do acarajé baiano
à moqueca capixaba, o Brasil é, literalmente, um prato cheio àqueles
que desejam desbravar a cultura por meio de seus sabores.
Afinal, comer é também um ato social e a comida revela os hábitos
e a identidade do povo de cada região. Confira abaixo algumas das
iguarias que os turistas podem desfrutar pelo Brasil

90 NOVENTA
Região Norte
Maniçoba: é uma espécie de feijoada
paraense originária da culinária indígena

Werner Rudhadt/Kino
em que folhas de mandioca, conhecidas
pelo nome de maniva, são usadas
no lugar do feijão. Depois de lavada,
a maniva é moída e cozida em água
abundante por vários dias até perder
o ácido cianídrico presente nas folhas.
Depois de adicionar um pedaço de
paio, um pé de porco, uma costelinha,
surge a maniçoba. A iguaria costuma vir
Maniva e folhas de mandioca.
acompanhada de arroz branco, farinha
de mandioca e molho de tucupi com
pimenta-de-cheiro.

Fabio Colombini
Pato no tucupi: prato típico da
culinária amazônica. É elaborado com
tucupi, líquido de cor amarela extraído
da raiz da mandioca brava. Por ser uma
espécie venenosa, o líquido extraído da
mandioca brava é levado ao fogo para
cozinhar por muitas horas a fim de eliminar
o veneno. Os índios, inventores desta
iguaria, usavam o tucupi para o preparo do
Pato no tucupi.
pato selvagem, que assavam, no fogão de
pedra. A receita guarda a forma artesanal
cultivada pelos índios da região.
Chico Ferreira/Pulsar Imagens

Tacacá: também é feito com tucupi e


goma de tapioca extraída da mandioca. O
prato, servido quente, leva ainda camarão
seco e jambu, folha típica da região que
proporciona uma leve dormência na boca
de quem experimenta o tacacá. A exemplo
da grande parte dos pratos característicos
da região norte tem origem indígena.
[...] Tacacá.

NOVENTA E UM 91
Centro-Oeste
Arroz/galinhada com pequi:
de aroma e sabor peculiar, o pequi

Bruno Albergaria Santos/Shutterstock


– fruta típica de Goiás – é usada
inteira ou em polpa em diversas
receitas da região. A mistura tanto
com arroz quanto com galinhada
é uma das mais apreciadas tanto
por moradores locais quanto pelos
turistas. A fruta também costuma
ser consumida pura, mas para isso
é preciso cuidado, pois o fruto tem
espinhos entre a polpa e o caroço
que podem machucar a boca. Pequi.

Empadão goiano: também característica de Goiás, a empada


“gigante”, costuma ser servida no formato de torta e leva
ingredientes variados, tais como lombo de porco, linguiça, queijo,
frango, palmito e ovo cozido. Iguarias típicas da região como o pequi
e a guariroba também são acrescentados ao recheio, sempre farto.

Caldo de piranha: peixe abundante nos rios do Pantanal é


também bastante apreciado na cozinha [...]. É feito geralmente com a
carne do peixe batida e misturada à cebola e pimentão. Temperado
com alho, sal e colorau, o caldinho leva ainda especiarias como folhas
de louro, manjericão e pimenta malagueta. Pode ser servido como
entrada, acompanhado de torradas.

BRASIL. Comidas típicas brasileiras são prato cheio para turistas. Disponível em:
<http://www.brasil.gov.br/turismo/2015/03/comidas-tipicas-brasileiras-sao-prato-cheio-para-turistas>.
Acesso em: 2 out. 2017.

gastronomia: o que se refere a conhecer, desbravar: fazer descobertas.


preparar e saborear pratos.
iguaria: prato ou comida preparado com capricho
mestiço: misturado.
ou delicadeza.
culinária: referente às comidas de uma região, um
país, uma cultura etc. guariroba: palmeira nativa do Brasil.

capixaba: original do estado do Espírito Santo. abundante: farto; excessivo.

92 NOVENTA E DOIS
1. Converse com seus colegas e o professor:
a) Você já conhecia alguma(s) das comidas citadas no texto? Qual(is)?

b) Onde você comeu essa(s) iguaria(s)?

2. De acordo com o texto, a comida típica brasileira:

é muito parecida em todo o Brasil.

é muito diversificada e varia muito de uma região para outra


no Brasil.

3. Releia este trecho:

[...] o Brasil é, literalmente, um prato cheio àqueles que desejam


desbravar a cultura por meio de seus sabores.

• Esse trecho significa:

que alguém encheu muito o prato.

que os pratos servidos nos restaurantes brasileiros trazem muita


comida.

que o Brasil constitui uma boa oportunidade para aqueles que


querem conhecer a cultura por meio de sua culinária.
Dawidson França

4. De acordo com o texto:

a) Que pratos são típicos da Região Norte?

b) Que pratos são típicos da Região Centro-Oeste?

NOVENTA E TRÊS 93
5. Em qual das duas regiões mencionadas parece haver maior influência
indígena na culinária local?

6. O texto que você leu tem o objetivo de:


apresentar alguns pratos, contar de que são feitos e indicar a origem
de cada um.

alertar sobre alimentos venenosos ou com espinho.

7. Todo texto é escrito para um determinado público. Esse texto foi escrito
para que tipo de público?

Turistas interessados na culinária e na cultura brasileiras.

Moradores de cada região apresentada no texto.

8. Retome este trecho:

Mauro Akin Nassor/Fotoarena


Maniçoba: é uma espécie
de feijoada paraense originária
da culinária indígena em que
folhas de mandioca, conhecidas
pelo nome de maniva, são
usadas no lugar do feijão.

O trecho citado é uma explicação do que é a comida chamada maniçoba.


Que sinal de pontuação foi usado para indicar que haveria uma explicação
sobre a palavra maniçoba?

9. Grife, no texto:
a) o trecho que explica o que é tucupi;
b) o trecho que explica o que é o pequi.
10. Converse com seus colegas e o professor: por que esse texto traz explicações
sobre os ingredientes que apresenta?

94 NOVENTA E QUATRO
NOSSA LÍNGUA

1. Com seus colegas e o professor, leia em voz alta as palavras do quadro a


seguir e observe o som das letras destacadas:

cheia churrasco capixaba


gaúcho peixe macaxeira

a) No que diz respeito à pronúncia, as letras x e ch, nessas palavras, têm sons:

iguais. diferentes.

b) A letra x, no entanto, pode apresentar outros sons. Com seus colegas


e o professor, leia em voz alta as palavras abaixo, prestando atenção ao
som da letra x:

exame exato exercício hexágono

Nessas palavras, a letra x tem som igual a:

zebra cebola chocalho

jumento zarolho zabumba.

c) Agora vamos ler outras palavras também escritas com x:

experiência externo exclamação

Nessas palavras, a letra x tem som igual a:

astro chave

zinco jeca

NOVENTA E CINCO 95
d) Outros sons da letra x:

anexo complexo oxítona táxi

Nessas palavras, a letra x tem som igual a:

abacaxi exterior

oxigênio exagero

e) Você pode concluir, a partir das atividades que acabou de fazer:

O som de x pode ser bem diferente:


som de , de , de e de .

2. Agora, organize as palavras escritas com x no quadro a seguir, de acordo


com o som que elas apresentam:

exposição fixo roxo próximo exigente


caxumba trouxe bexigas executar
boxe coxa experiente exame

x com som x com som x com som x com som


de ch de z de s de cs

96 NOVENTA E SEIS
3. Observe o quadro a seguir:

inchar – inchaço
encher – enchente
machucar – machucado
enxugar – enxuto
caixa – caixote
faixa – enfaixar

Nos pares de palavras que você leu:


• quando a primeira palavra é escrita com ch, a palavra que vem
dela também é escrita com ch;
• quando a primeira palavra é escrita com x, a palavra que vem
dela também é escrita com x.

Agora complete o quadro, escrevendo palavras que têm origem nas


palavras dadas:

chuva chuvisco
chato chatice
chave
lixo
caixa
experiência
exame
táxi

À palavra que é formada a partir de uma primeira palavra, damos o


nome de palavra derivada. No quadro que você viu, chuvisco é uma
palavra derivada da palavra chuva.
À palavra que dá origem a outra (a palavra derivada), chamamos
de palavra primitiva. No quadro que você viu, chuva é a palavra
primitiva, por exemplo.

NOVENTA E SETE 97
Você observou que as palavras derivadas de outras escritas com
ch também são escritas com ch. As palavras derivadas das escritas
com x também são escritas com x. As palavras derivadas geralmente
seguem a escrita da palavra primitiva.

4. Com um colega, forme nove palavras com x ou com ch,combinando as


sílabas do quadro a seguir. Não deixe sobrar nenhuma sílaba!

xa ro ve en ro bo xa cha
chim xa péu cho ca le cha pe
xa xe re ta da drez

1. 6.

2. 7.

3. 8.

4. 9.

5.

5. Veja como são formadas as sílabas das palavras e complete o quadro


abaixo, registrando a divisão de cada palavra em sílabas e a formação de
cada sílaba. Use C para consoantes e V para vogais:

chu – va
chuva
CCV – CV

táxi

exame

experiência

98 NOVENTA E OITO
6. Nas palavras em que você separou as sílabas, circule:
a) uma sílaba formada somente por vogal (V);

b) uma sílaba formada por consoante, vogal e vogal (CVV);

c) uma sílaba formada por consoante, consoante e vogal (CCV);

d) uma sílaba formada por vogal e consoante (VC).

7. Observe a palavra região no texto “Comidas típicas brasileiras são prato


cheio para turistas”.
a) O que indica o som nasal da letra a nessa palavra?

b) Troque ideias com seus colegas e o professor: como essa palavra seria
lida se não houvesse nada indicando o som nasal?
c) Copie do texto outras palavras com sons nasais.

8. Organize, no quadro a seguir, as palavras que você copiou:

som nasal feito som nasal feito som nasal feito nasalização feita
pela letra M por NH pela letra N por til (~)

NOVENTA E NOVE 99
DESAFIO
Quando vamos fazer um prato pela primeira vez, quase sempre
precisamos seguir algumas orientações sobre como fazê-lo.
1. Complete as linhas com as letras do nome do texto que ensina a
fazer comidas:
E
2. Entre os textos a seguir, identifique com um x a receita:

J. Okura

Vitamina de banana
Ingredientes
1 banana
1 copo de leite
1 colher de chá de mel.
Modo de fazer
Corte a banana em
rodelas. Bata todos
os ingredientes no
liquidificador.

Rótulo de caixa de leite com


informações nutricionais.

Mãe,
Fui comer tapioca na casa da Jane.
A mãe dela me convidou..
Não demoro.
Beijo,
Mari

100 CEM
3. Pinte no mapa a seguir as duas regiões do Brasil que aparecem no
trecho que você leu do texto “Comidas típicas brasileiras são prato
cheio para turistas”:
50° O
Estados Brasileiros

Allmaps
Equador

OCEANO
PACÍFICO
Trópico de Capricórnio

OCEANO
ATLÂNTICO

0 300

km

Mapa do Brasil com os 26 estados e o Distrito Federal.

CENTO E UM 101
PARA LER

Conheça a receita de um dos pratos da Região Centro-Oeste: o caldo


de piranha.

Caldo de piranha

Paulo Vilela/Shutterstock
Caldo de piranha.
Ingredientes:
2 kg de piranha (limpa) Folhas de hortelã
2 tomates grandes 3 limões
4 cebolas grandes Água (para cobrir as piranhas)
1 pimentão pequeno Pimenta-malagueta (opcional)
2 folhas de louro 1 xícara de óleo
1 molho de salsinha Colorau
1 molho de cebolinha Sal a gosto
Folhas de coentro
Modo de preparo:
Primeiramente, retirar as escamas do peixe e cortá-lo em pedaços
grandes. Temperar com sal, pimenta e limão. Deixar por 2 horas.
Colocar óleo num caldeirão grande e levar ao fogo. Quando estiver
quente, jogar as piranhas, dando uma rápida refogada. Em seguida,
colocar água fervente até a metade do caldeirão, tampar e deixar
cozinhar por 2 horas ou até ficarem bem cozidas.
A seguir, coar todo o caldo e reservar. Retirar todas as espinhas da
piranha, cuidadosamente.

102 CENTO E DOIS


Bater no liquidificador a carne e o caldo até tudo ficar bem cremoso.
Reservar. Em outra panela, aquecer óleo e, quando estiver quente,
acrescentar o tomate, o pimentão, a cebola, a salsa, a cebolinha, o
coentro, a hortelã e o louro. Refogar bem e colocar o caldo batido.
Acrescentar o sal e o colorau. Servir bem quente, com molho de
pimenta-malagueta.

BRASIL. Ministério da Cultura. Aromas, cores & sabores do Brasil. Disponível em:
<http://www.copa2014.gov.br/sites/default/files/livreto_web17062013.pdf>. Acesso em: 2 out. 2017.

colorau: tempero e colorante de cor vermelha.


fervente: que está fervendo.
reservar: em receitas, significa deixar algo de lado, separado, enquanto se faz alguma outra coisa.

1. Responda:
a) Quantas partes tem o texto da receita? Quais são elas?

b) Para que serve cada uma dessas partes?

2. Observe o modo como as quantidades são indicadas na parte Ingredientes.


a) Por que não há indicação da quantidade de folhas Scisetti Alfio/Shutterstock

de coentro e de folhas de hortelã?

b) Nessa parte da receita, aparece a expressão sal a


gosto. O que ela significa? Coentro.
Valentina Proskurina/
Shutterstock

c) A quantidade de água indicada para essa receita


também não é indicada em litros. Por quê?

Hortelã.

CENTO E TRÊS 103


3. O que significa a palavra opcional que aparece junto ao ingrediente
pimenta-malagueta?

Breslavtsev Oleg/
Shutterstock
Pimenta malagueta.
4. Na parte Modo de preparo, há uma orientação sobre como o peixe deve
ser cortado. Assine a orientação que explica melhor como isso deve ser feito:

Retirar as escamas do peixe e cortá-lo em pedaços.

Retirar as escamas do peixe e cortá-lo em pedaços grandes.

5. Responda:
a) No primeiro parágrafo da parte Modo de preparo, há uma indicação
do momento em que se devem colocar as piranhas na panela. Que
momento é esse?

b) Ainda nesse parágrafo, que expressão indica a próxima ação a ser feita?

6. Releia este trecho:

Bater no liquidificador a carne e o caldo até tudo ficar bem cremoso.

• Que adjetivo explica como deve ficar o caldo batido?

7. Copie a palavra que explica como as espinhas da piranha devem ser retiradas:

8. As palavras e expressões que indicam o momento em que uma ação deve


ser realizada (por exemplo, primeiramente e a seguir) são importantes
em uma receita? Por quê?

104 CENTO E QUATRO


9. Por que as palavras e expressões como cuidadosamente e bem quente
são importantes em uma receita?

10. Releia este trecho da receita e observe as partes destacadas:

Retirar as escamas do peixe e cortá-lo em pedaços grandes.

a) De que peixe a receita está tratando?

b) A palavra lo, nesse trecho, está se referindo a que outra palavra?

PARA LER

Além da comida regional, a culinária brasileira também se destaca nos


pratos e iguarias das festas típicas. Leia a receita de uma comida típica das
festas juninas.

Pamonha

Comida de origem
Geraldo Gomes/Opção Brasil Imagens

indígena, a pamonha
apresenta uma diversidade
de temperos e sabores,
de região para região. No
Nordeste, por exemplo, ela
é doce, ganha leite de coco
e pode ser servida como
sobremesa e não como
Pamonhas enroladas em folha de milho, entre
espigas de milho. prato principal.

CENTO E CINCO 105


Em Minas Gerais, da mesma forma que em São Paulo, a pamonha
também ganha açúcar, com uma diferença: a massa é coada para
separar a parte grossa do milho.

Ingredientes:
6 espigas de milho verde
1/2 xícara de chá de leite de coco
Banha
Açúcar (se for pamonha doce)
Sal (se for pamonha salgada).
Reservar boas palhas de milho para fazer os saquinhos das pamonhas
e também para amarrá-las.

Modo de preparo:
Descasque e rale as espigas de milho, raspando os sabugos com
uma colher.
Acrescente o leite, a banha quente em quantidade suficiente para
uma massa consistente e tempere com açúcar ou com sal. Coloque a
massa em cada saquinho feito com a palha, amarre-os e leve-os para
cozinhar em um caldeirão com água fervente. Cubra com sabugos
para que as pamonhas afundem na água, proporcionando cozimento
homogêneo.
Observação: na pamonha salgada, podem-se acrescentar, a cada
uma, pedaços de queijo fresco.

BRASIL. Ministério da Cultura. Aromas, cores & sabores do Brasil. Disponível em:
<http://www.copa2014.gov.br/sites/default/files/livreto_web17062013.pdf>. Acesso em: 3 out. 2017.

1. Releia o trecho que apresenta o


Dawidson França

Modo de preparo: o que significa


o termo acrescente, que aparece
nessa receita?

106 CENTO E SEIS


2. Das palavras a seguir, qual não poderia substituir a palavra acrescente?

Junte. Amasse.

Coloque. Adicione.

3. Observe a palavra destacada neste trecho:

[...] leve-os para cozinhar em um caldeirão com água fervente.

Isso significa que a água deve estar:

fria. quente. muito quente.

4. Ao informar que a banha quente deve ser colocada em quantidade


suficiente para uma massa consistente, a receita:

indica exatamente quanto de banha deve ser acrescentada.

orienta que a quantidade de banha pode variar de acordo com a


decisão do cozinheiro, indicando apenas a consistência desejada.

não indica a quantidade de banha que deve ser colocada.

5. Que outros nomes podem aparecer no lugar de Modo de preparo?

6. De acordo com o que você observou nas duas receitas:


a) Existe uma ordem para listar os ingredientes da receita? Por quê?

b) Existe uma ordem para escrever o modo de preparar o prato? Por quê?

CENTO E SETE 107


7. Converse com seus colegas e o professor:
a) Você acha importante fazer tudo o
que a receita orienta? Por quê?

b) Para que servem as receitas?

c) Onde as receitas culinárias podem


ser encontradas?

Dawidson França
NOSSA LÍNGUA

1. Releia este trecho da receita de pamonha:

Coloque a massa em cada saquinho


feito com a palha, amarre-os e leve-os
para cozinhar em um caldeirão com
água fervente.

Dawidson França
a) Que palavra os termos destacados substituem?

b) Por que a palavra -os foi usada nesses lugares?

2. Leia algumas partes do modo de preparo de algumas receitas e reescreva-os,


de modo que não haja repetição de palavras:
a) Coloque o açúcar em uma panela funda e mexa o açúcar até o açúcar
derreter e dar uma calda dourada.

108 CENTO E OITO


b) Pique os tomates em cubinhos. Depois, tempere os cubinhos com azeite
e orégano. Acrescente azeitona aos cubinhos e sirva os cubinhos com
torradas quentes.

3. Imagine que você visitou um site de receitas e fez um desses pratos. Agora,
vai comentar essa receita, segundo a sua experiência e o resultado. Escreva
um comentário, usando adjetivos para dar sua avaliação sobre o que achou
da receita, dos ingredientes, do modo de fazer. Algumas dicas podem ajudar.

a) Você achou que a comida leva ingredientes que fazem bem à saúde e
que têm um bom sabor.

b) Apesar do bom sabor, a comida saiu cara.

c) O prato leva muito tempo para preparar.

4. No texto, na parte de Modo de preparo da pamonha, grife as palavras que


indicam as ações de:
a) tirar a casca da espiga do milho;

b) passar a espiga de milho no ralo.

5. Copie, dessa mesma parte da receita, outras três palavras que indicam
outras ações:

CENTO E NOVE 109


Você já sabe que as palavras que indicam nomes são chamadas de
substantivos. E aquelas que indicam as características desses nomes
ou substantivos são chamadas de adjetivos. E as palavras que indicam
ações, como são chamadas?
As palavras que indicam ações ou estados são chamadas de verbos.

Neste capítulo, você já comparou palavras como chave e capixaba,


observando o som de x e de ch. Você viu que elas representam o mesmo som
em alguns casos.
Agora, pronuncie estas palavras com seu professor e os colegas e observe o
som das letras destacadas:

milho pamonha piranha colher

Nelas, a letra h se junta às letras n ou l para formar um novo som.


6. Nas frases abaixo, complete as lacunas com uma das palavras dos parênteses:
a) Os três viajantes colocaram as no carro. (malas / malhas)

b) O mingau estava quente e . (mole / molhe)

c) A pediu a todos que acendessem uma


. (vela / velha)

d) A do professor foi aplaudida. (fala / falha)

e) Meu pé dói porque nele se formou uma . (bola / bolha)

f) Simone só toma banho na . (tina / tinha)

g) Minha é mais velha que eu. (mana / manha)

h) O pássaro deixou o e foi colher alimentos


para os filhotes. (nino / ninho)

i) sempre faz na hora de


levantar da cama. (Nino / Ninho; mana / manha)
110 CENTO E DEZ
PRODUÇÃO DE TEXTO

Neste capítulo, você conheceu pratos da culinária regional do Brasil. Que tal,
agora, fazer um livro de receitas? Ele pode ser virtual ou impresso. Para isso,
você vai pesquisar sobre pratos da região do Brasil em que vive ou de alguma
outra pela qual se interesse.
Você já sabe fazer uma enquete.
Então, elabore uma para saber o que seus
colegas preferem: um livro de receitas da
culinária de todas as regiões do país ou

Dawidson França
um livro da culinária do local onde vocês
vivem. Talvez vocês prefiram um livro de
receitas que possam ser feitas por crianças.
Decidam se preferem um livro impresso
ou um livro digital. Com os resultados da
enquete, comecem a trabalhar!

PLANEJAMENTO
1. Em grupos, você e a turma toda vão selecionar as fontes de pesquisa
(pessoas da família, livros de receitas, cadernos de receitas, jornais,
revistas, sites ou programas televisivos).
2. Escolham juntos as receitas que irão compor o livro da classe.
Observação: Se encontrarem informações sobre a história do prato
pesquisado, registrem-nas também.

DESENVOLVIMENTO
1. Definam um aluno do grupo para copiar a receita ou registrá-la em uma
folha avulsa, no caso de ser ditada por algum entrevistado.
2. Procurem uma imagem ou elejam um de vocês para fazer um desenho
que mostre o prato que seu grupo escolheu.

REVISÃO
1. Façam também a revisão em grupo:
a) Observem se a receita contém as partes Ingredientes e Modo de fazer.
b) Verifiquem se a lista de ingredientes está completa, conforme o original.
c) Se a receita tiver sido ditada por um entrevistado, leiam a lista de
ingredientes para conferir se não falta nenhum item.

CENTO E ONZE 111


2. Revisem o texto.
3. Em caso de registro de receita ditada por um entrevistado, observem
se a ordem das ações do cozinheiro está clara (o que ele deve fazer
primeiro, depois e ao final). Se necessário, acrescentem palavras que
ajudem a organizar essas ações no texto da receita.
4. Também nas receitas ditadas, observem se os verbos usados expressam
exatamente o que deve ser feito (as ações do cozinheiro). Se necessário,
troquem os verbos por outros que deixem clara a ação prevista.

DIVULGAÇÃO
1. Montem o livro, seguindo a orientação do professor, e levem-no para
casa, para que seus familiares o conheçam. Quem sabe alguém se anima
a fazer um dos pratos?
2. Se optaram por obra virtual, podem usar qualquer aplicativo ou
programa para a construção do livro digital. Nesse caso, acessem o livro
em casa, num computador ou num celular, se for possível, para mostrar
as receitas a seus parentes e amigos.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor:
• O que cada um de vocês aprendeu sobre a culinária brasileira?
• O que cada um de vocês aprendeu sobre receitas culinárias e o modo
como elas são organizadas?
• O que você aprendeu sobre como pesquisar receitas?
Divulgação

SUGESTÃO DE LEITURA
ZIRALDO. O livro de receitas do Menino
Maluquinho: com as receitas da Tia Emma.
São Paulo: Melhoramentos, 2016. 80 p.

Conheça as 47 receitas que esse livro traz. E,


com a ajuda de algum adulto, faça algumas:
elas são todas deliciosas!

112 CENTO E DOZE


C A PÍ T ULO

7 POESIA NO CORDÃO

PARA LER

Você já conheceu algumas festas e alguns pratos típicos do Brasil. Agora é


hora de conhecer um pouco da literatura popular brasileira.
Neste capítulo, vamos estudar os cordéis.
Converse com seus colegas e o professor:
1. Você sabe o que são cordéis? Releia o título deste capítulo e observe a
imagem abaixo. Juntos, eles formam uma pista para você descobrir o
que são cordéis.

J.L. Bulcão/Pulsar Imagens

Exposição de literatura de cordel, em uma feira de Cabedelo, PB, 2017.

2. Você já ouviu alguém lendo um cordel? Onde isso aconteceu?


3. Como o leitor do cordel se expressava?
4. Você sabe em qual região do Brasil os cordéis são mais comuns?

CENTO E TREZE 113


Literatura de cordel

JÓTAH
Literatura de cordel
é poesia popular,
é história contada em versos
em estrofes a rimar,
escrita em papel comum
feita pra ler ou cantar.

A capa é em xilogravura,
trabalho de artesão,
que esculpe em madeira
um desenho com ponção
preparando a matriz
pra fazer reprodução.

Mas pode ser um desenho,


uma foto, uma pintura,
cujo título, bem à mostra,
resume a escritura.
é uma bela tradição,
que exprime nossa cultura.

Os folhetos de cordel
nas feiras eram vendidos
pendurados num cordão
falando do acontecido,
de amor, luta e mistério,
de fé e do desassistido.

114 CENTO E QUATORZE


A minha literatura

JÓTAH
de cordel é reflexão
sobre a questão social
e orienta o cidadão
a valorizar a cultura
e também a educação.

Mas trata de outros temas:


da luta do bem contra o mal,
da crença do nosso povo,
do hilário, coisa e tal
e você acha nas bancas
por apenas um real.

O cordel é uma expressão


da autêntica poesia
do povo da minha terra
que luta pra que um dia
acabem a fome e a miséria,
haja paz e harmonia.

DINIZ, Francisco. Literatura de cordel. Francisco Diniz & Projeto cordel.


Santa Rita, PB: Aurélio Beltrão Produções Musicais; João Pessoa, PB: Cristiano Produções Musicais, 2006. CD.

artesão: artista que produz objetos por meio ponção: ou punção, instrumento pontiagudo
de trabalhos manuais, sem usar máquinas utilizado para fazer gravações ou furos.
nesse processo. desassistido: que não recebe assistência, cuidados.

Francisco Ferreira Filho Diniz é paraibano, nascido em Santa Helena. É professor


de Educação Física e autor de dezenas de folhetos de cordel. No interior da Paraíba e
na capital – João Pessoa –, realiza oficinas, ensinando a seus alunos a arte do cordel,
além de se apresentar em locais públicos, divulgando e valorizando o cordel.

CENTO E QUINZE 115


FIQUE SABENDO
Xilogravura
Xilogravura, ou xilografia, significa “gravura em madeira”. É uma
técnica em que o artista entalha uma imagem na madeira, deixando em
relevo a parte que será impressa
no papel. Quando esse entalhe é

Marco Antonio Sá/Pulsar Imagens


coberto com tinta e uma prensa
força o molde contra o papel, a
imagem é impressa. Essa técnica
é bastante usada no Nordeste
do Brasil, onde os cordéis são
ilustrados por xilogravuras.
Muitos cordelistas, inclusive, são Artesão prepara a matriz em xilogravura que
xilogravadores, como J. Borges. vai virar capa de um cordel. Bezerros, PE, 2012.

1. Converse com os colegas e o professor e responda abaixo:


a) De que trata o cordel que você leu?

b) Quem é o autor desse cordel? Onde você encontrou essa informação?

2. O cordel foi escrito:

em texto corrido. em versos e estrofes.

3. Você vê alguma(s) semelhança(s) entre os cordéis e os poemas? Qual(is)?

4. Observe as estrofes e os versos desse cordel. Responda:


a) De quantos versos é formada cada estrofe do cordel que você leu?

b) Escolha duas estrofes, localize as rimas que aparecem nelas e pinte-as,


usando uma cor para cada estrofe.

116 CENTO E DEZESSEIS


c) Em que versos dessas estrofes as rimas aparecem?

d) Observe as demais estrofes do cordel e verifique em que versos as rimas


aparecem. O que você conclui sobre a presença de rimas nesse cordel?

5. Converse com os colegas e o professor:


a) De acordo com o texto, de que os cordéis tratam, em geral?
b) Observe novamente a imagem que vem antes do cordel. Que estrofe
do cordel trata do que aparece nessa imagem? Por quê?
6. Contorne no texto a estrofe em que o cordel descreve a capa dos folhetos
de cordel.

DESAFIO
Compare as capas a seguir ao que está registrado na estrofe que você
contornou. Depois, marque a capa que pode ser a de um folheto de cordel.
Divulgação

Divulgação
Divulgação
Divulgação

CENTO E DEZESSETE 117


NOSSA LÍNGUA

1. Com seus colegas e o professor, leia as palavras abaixo:

cordel popular papel ler


xilogravura esculpe título
bela cultura

2. Agora, observando o som da letra l nas palavras que você leu na atividade
anterior, marque a afirmação correta:

A letra l tem som diferente nas palavras.

Em todas as palavras a letra l tem o mesmo som.

3. Complete o quadro abaixo conforme o exemplo:

separação número sílaba escrita


silábica de sílabas com a letra l
cordel cor-del 2 del

popular

papel

ler

xilogravura

esculpe

título

bela

cultura

118 CENTO E DEZOITO


4. No quadro que você completou, contorne, na última coluna, as sílabas em
que a letra l aparece no final.
Complete: No final das sílabas, a letra l tem o mesmo som da letra .

5. Leia as palavras a seguir:

topou concluiu barril convenceu


varal animal parou pensou
voltou fácil difícil
falou cruel móvel

6. No quadro abaixo, escreva na coluna correta as palavras que você acabou


de ler:

Palavras terminadas em l Palavras terminadas em u

CENTO E DEZENOVE 119


a) O que você observou sobre as letras u e l no final das palavras?

Elas possuem o mesmo som.

Elas possuem som diferente.

b) As palavras escritas na segunda coluna (com u no final) indicam:

nomes de coisas, sentimentos, pessoas ou lugares – substantivos.

qualidades de coisas ou pessoas – adjetivos.

ações que já aconteceram – verbos no passado.

7. Agora que você analisou as palavras escritas com l e com u e viu que,
naquelas que indicam ações já ocorridas, usamos u, complete a regra:

Sempre escrevemos com o final das palavras que indicam ações


que já aconteceram, como comeu, riu e estudou.

8. Reescreva no plural as frases abaixo:


a) O cordel, no Brasil, teve sua origem no Nordeste.

b) O papel usado para a publicação do cordel é áspero.

9. Além das palavras cordel e papel, que outras palavras foi necessário colocar
no plural na atividade anterior? Contorne-as.

10. Converse com seus colegas e o professor: por que foi preciso colocar essas
palavras no plural também?

120 CENTO E VINTE


PARA LER

Ouça a leitura que seu professor vai fazer deste segundo cordel. Em seguida,
leia-o silenciosamente para fazer um reconhecimento das palavras, do ritmo e da
entonação adequada ao cordel. Por fim, leia-o em voz alta com seus colegas, de
forma bem expressiva.
Ao ler o segundo cordel, confira se ele apresenta as características descritas
no primeirol.

Aos que vieram do Nordeste


Sempre tive um respeito muito grande
por quem veio de longe, como eu vim,
do Nordeste de secas prolongadas,
procurando algum meio para dar fim
à sequência de lutas e fracassos,
pois lutar sem vitórias é ruim.

Sempre tive um respeito muito grande


pelos que, pela falta de opção,
algum dia deixaram sua terra,
e, olhos tristes, doído o coração,
espantados chegaram na metrópole
perseguindo um trabalho, um ganha-pão.

No sertão nordestino quando há secas


veem-se trapos humanos de dar dó,
as estradas descritas, o sol quente,
pés cansados pisando o fino pó,
e o caboclo sem terra e sem futuro
JÓTAH

padecendo e sonhando muito só.

CENTO E VINTE E UM 121


JÓTAH
Eu confesso que sinto muita pena
dos matutos exaustos de lutar;
corpos magros, pés grossos, mãos calosas
já cansadas de tanto trabalhar,
e o retorno que vem é muito pouco
pra quem não nasceu pra fracassar.

No sertão nordestino o povo reza


implorando o poder do criador,
desejando que a seca não retorne
nem castigue o matuto sofredor,
suplicando atenção aos poderosos...
sertanejo é bastante sonhador.

E você, se não veio do sertão,


como eu vim quando tinha pouca idade,
se você teve vida confortável,
se não sabe o que é necessidade,
não calcula o que sofre um sertanejo
quando chega sem rumo na cidade.

Sempre tive um respeito muito grande


por quem veio e aqui fincou morada,
trabalhou de porteiro, de frentista,
cortou cana, carpiu e fez estrada,
foi padeiro, artesão, cavou metrô
e ergueu prédios, com força ilimitada.

122 CENTO E VINTE E DOIS


JÓTAH
Sempre tive um respeito muito grande
por quem é da batalha, como eu sou.
Do sertão de onde eu vim outros vieram,
muita gente venceu e aqui ficou,
outros hão de vencer, estão lutando;
e houve quem quis voltar, mas não voltou.

Do lugar de onde eu vim muitos vieram


com esperanças, com sonhos e alma aflita,
revivendo incertezas, tristes por
deixar muitos e muitos na desdita,
na batalha venceram os obstáculos
e hoje contam a história mais bonita.

Mas também é preciso que agradeça


ao lugar que um dia me acolheu,
abriu portas, proporcionou trabalho,
tudo que eu precisava ele me deu.
Acho até que deu muito para um simples
nordestino e matuto como eu.

ACOPIARA, Moreira de. Livro de bolso. Diadema: Ferrari Editora e Artes Gráficas;
Prefeitura de Diadema, 2008. p. 19-21.

prolongado: demorado. matuto: homem simples, que vive no interior


metrópole: cidade grande. do país.
ganha-pão: modo de se referir ao trabalho, à suplicar: pedir com muita intensidade, implorar.
atividade de sustento.

Moreira de Acopiara nasceu em 1961, em Acopiara, Ceará, onde morou até os 20


anos. Poeta, escritor e estudioso da cultura popular brasileira, já publicou dezenas de livros
de cordel e é membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). Alguns de
seus textos foram musicados e gravados por diversos artistas.

CENTO E VINTE E TRÊS 123


1. De que trata o segundo cordel?

2. No primeiro cordel que você leu neste capítulo, Literatura de cordel, o autor
explica o que é o cordel. Nas estrofes 4, 5 e 6, ele apresenta os temas dos
quais os cordéis geralmente tratam. Esses temas estão listados abaixo. Marque
aqueles que aparecem no segundo cordel, Aos que vieram do Nordeste:

JÓTAH
Um fato acontecido.

Uma história de amor.

Uma luta.

Algum mistério.

Pessoas desassistidas.

Problemas sociais (fome, analfabetismo,


seca, desemprego etc.).

Fé.

3. Quem é o autor desse cordel? Onde você encontrou essa informação?

4. Releia o título do cordel. Pelo título, podemos afirmar que seu autor:

ainda vive no Nordeste. não vive mais no Nordeste.

a) O que mostra isso?

124 CENTO E VINTE E QUATRO


b) Releia a estrofe abaixo e grife os versos que comprovam sua resposta do
item anterior:

Cassandra Cury/Shutterstock
Sempre tive um respeito muito grande
por quem é da batalha, como eu sou.
Do sertão de onde eu vim outros vieram,
muita gente venceu e aqui ficou,
outros hão de vencer, estão lutando;
e houve quem quis voltar, mas não voltou.

Vegetação típica do Nordeste


5. Responda: brasileiro. Alagoas, 2016.

a) Em que versos acontecem as rimas nesse segundo cordel?

b) De quantos versos são formadas as estrofes desse cordel? Todas elas têm
o mesmo número de versos?

6. Os dois cordéis que você leu:

são escritos em versos e estrofes.

são escritos em prosa – texto corrido.

usam rimas.

usam linguagem científica e termos técnicos.

usam linguagem do dia a dia.

CENTO E VINTE E CINCO 125


7. Copie a estrofe em que o autor mostra as marcas que a vida no interior do
Nordeste deixa nos corpos dos sertanejos:

8. Qual o sentimento do autor diante da situação dos sertanejos?

E qual é o sentimento do autor pela cidade que o acolheu?

9. Que sentimentos o autor demonstra por quem saiu do Nordeste para tentar
uma vida melhor?

FIQUE SABENDO
Literatura de cordel
O cordel é um texto poético, organizado em estrofes de seis ou dez
versos. De origem europeia, é produzido geralmente no Nordeste do
Brasil, mas conhecido e apreciado em todo o país. Geralmente, circula
em livretos que cabem no bolso e são feitos de papel barato. Suas capas
apresentam imagens de xilogravuras. Os cordéis costumam tratar de
temáticas sociais, como a seca e outras dificuldades enfrentadas pelo
povo do sertão nordestino, mas também narram histórias universais,
engraçadas, da cultura nordestina ou do cotidiano do sertão. São declamados
ou cantados em feiras populares, onde também se vendem os folhetos, que
ficam expostos em um cordão de barbante − por isso, o nome cordel.

126 CENTO E VINTE E SEIS


NOSSA LÍNGUA

1. Observe as imagens a seguir e ligue cada uma à palavra adequada. Para isso,
observe o tamanho das imagens.
Roncsakj/Shutterstock

pratinho
Roncsakj/
Shutterstock

prato

Nesta atividade, você percebeu que podemos usar palavras para indicar que
uma coisa é pequena. Chamamos de diminutivo a palavra que indica que
algo é pequeno.

2. Veja exemplos de alguns diminutivos:

1 MirasWonderland/Shutterstock; 2 Ingret/Shutterstock; 3 Dakalova Iuliia/Shutterstock;


4 Dakalova Iuliia/Shutterstock; 5 Lucadp/Shutterstock; 6 Lucadp/Shutterstock
1 2

gata gatinha

3 4

boneca bonequinha

5 6

panela panelinha

Observe a terminação das palavras do quadro no diminutivo. Todas as


palavras do quadro terminam de forma igual. Copie a terminação que se
repete nessas palavras: .

CENTO E VINTE E SETE 127


3. Agora, veja o exemplo de outras palavras no diminutivo:
1 Nirdesha Munasinghe/Shutterstock; 2 Elvira Koneva/Shutterstock; 3 Leolintang/
Shutterstock; 4 OHishiapply/Shutterstock; 5 Stockforlife/Shutterstock;
6 Stockforlife/Shutterstock

1 2

pé pezinho

3 4

trem trenzinho

5 6

chapéu chapeuzinho

Observe a terminação das palavras do quadro no diminutivo. Todas as


palavras do quadro terminam de forma igual. Copie a terminação que se
repete nessas palavras: .
4. Veja outros exemplos de palavras no diminutivo:
1 Mikolajn/Shutterstock; 2 Lemon Tree Images/Shutterstock; 3 Early Spring/Shutterstock;
4 OlVic/Shutterstock; 5 Dawidson França; 6 Dawidson França

1 2

casa casinha

3 4

mesa mesinha

5 6

asa asinha

Observe a terminação das palavras do quadro no diminutivo. Todas as


palavras do quadro terminam de forma igual. Copie a terminação que se
repete nessas palavras: .
128 CENTO E VINTE E OITO
5. Nos exemplos que você viu, a terminação dos diminutivos pode ser
, ou
.
a) Compare as palavras no diminutivo do 2o e do 3o quadros e converse
com seus colegas e o professor. Como podemos saber quando usar s ou
z nos diminutivos terminados em -sinho / -sinha e -zinho / -zinha?

b) Em qual destes grupos de palavras a letra s ou z já estava na palavra,


antes de ela ir para o diminutivo?

c) Converse com seus colegas e o professor:


• O que podemos concluir sobre a escrita dos diminutivos das palavras
que já têm s2na última sílaba das palavras?

• O que podemos concluir sobre os diminutivos escritos com z?

PRODUÇÃO DE TEXTO

Neste capítulo, você estudou os cordéis. Conheceu suas características,


descobriu como são feitos e ilustrados, bem como são vendidos e expostos.
Viu também que muitos cordelistas cantam ou declamam seus cordéis para o
público. Agora é hora de você preparar um sarau de cordéis. Para isso, você
vai precisar de mais estudo e pesquisa. Por isso, siga o planejamento.

CENTO E VINTE E NOVE 129


PLANEJAMENTO
1. Pesquise por cordéis na
biblioteca de sua escola, com
familiares ou na internet.

Dawidson França
2. Escolha um cordel para
apresentar no sarau.

3. Pesquise quem é o cordelista, autor do cordel que você escolheu. Você


pode formar uma dupla com algum colega e, assim, um lê, canta ou
declama, e o outro apresenta o cordelista. A turma pode optar também
por formar grupos maiores para declamar um cordel em conjunto.

4. Leia o cordel escolhido algumas vezes, para treinar o ritmo e a entonação.

5. Acesse, na internet, áudios ou vídeos de cordelistas e observe o modo


expressivo de declamarem. Observe a entonação que eles dão às palavras,
os trechos em que fazem as pausas, como enfatizam as rimas etc.

6. Ensaie a leitura do cordel pesquisado.

7. Se for possível, prepare, com seus colegas, um varal para, no dia do


sarau, pendurarem alguns folhetos de cordel.

8. Elabore, com ajuda do professor, uma abertura do sarau, incluindo uma


saudação à plateia, uma apresentação de como surgiu o evento e uma
lista dos cordéis que serão declamados. Prepare também, com seus
colegas, o encerramento do evento, incluindo um agradecimento aos
participantes e à plateia.

9. Escolha com os colegas um “mestre de cerimônias” – aquele que vai


abrir o sarau e anunciar cada participante.

10. Decida, com seus colegas e o professor, a data para a realização do


sarau e convidem a comunidade escolar.

REVISÃO
• Depois de ensaiada a leitura ou declamação, apresente-a para um ou dois
colegas e peça-lhes que avaliem o ritmo e a entonação, comparando-os ao
modo como os cordelistas leem ou declamam. Faça ajustes ou melhorias
na leitura, se for necessário.

130 CENTO E TRINTA


DESENVOLVIMENTO E DIVULGAÇÃO
1. No dia marcado, organize, com seus colegas, o espaço das apresentações.

2. Quando anunciarem o título do seu cordel, apresente-se à frente do


público e faça a leitura, tal como você ensaiou.

3. Ao terminarem as apresentações, o “mestre de cerimônias” deve fazer o


encerramento.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor:
a) O que você aprendeu sobre cordéis?

b) Em que eles diferem dos outros tipos de poemas que você já conhecia?

c) Você encontrou alguma dificuldade na pesquisa de cordéis? Como


resolveu isso?

d) Você encontrou alguma dificuldade na preparação do sarau? Como


resolveu isso?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

VIANA, Antonio Klevisson.


As aventuras de Dom Quixote
em versos de cordel. São Paulo:
Manole, 2011. 72 p.

Vamos conhecer as engraçadas


aventuras do clássico Dom Quixote
narradas em versos da literatura
de cordel.

CENTO E TRINTA E UM 131


C A PÍ T ULO

8 COMO DIZ O DITADO...

PARA LER

A vida em sociedade nos ensina algumas coisas. Quando, depois de anos,


décadas e séculos vemos uma situação se repetir e sempre acabar da mesma
forma, tiramos conclusões sobre essas situações. Daí surgem algumas falas
que passam por gerações e gerações.
Você já ouviu falar em ditos ou ditados populares? Eles também são
chamados de provérbios ou adágios.
Leia alguns deles e tente se lembrar da situação em que você os ouviu.

Quem tudo quer


nada tem.
Devagar se vai ao longe.

Quem não chora não mama.


JÓTAH

Onde tem fumaça tem fogo.

Água mole em pedra dura


tanto bate até que fura.

132 CENTO E TRINTA E DOIS


1. Das frases abaixo, marque aquelas que são ditos populares:

Quem espera sempre alcança.

Gasolina terá novo aumento na

JÓTAH
próxima semana.

Papagaio come milho, periquito


leva a fama.

A que horas você chega da aula?

Quem com ferro fere, com ferro


será ferido.

Quem quer faz, quem não


quer manda.

2. Converse com seus colegas e o professor e explique o significado de cada


um dos ditos populares que você marcou.

3. Marque as alternativas corretas sobre os ditos populares:

São textos longos.

Relatam um fato ocorrido.

São textos curtos.

Narram uma história inventada.

Expressam um aprendizado com situações da vida.

Falam sobre fatos da vida.

São de autoria desconhecida.

CENTO E TRINTA E TRÊS 133


NOSSA LÍNGUA

1. Observe este dito popular:

Quem espera sempre alcança.

a) De quantas palavras ele é composto?

b) Quantas letras há nas seguintes palavras desse dito popular?


espera: sempre:
c) Como você viu, essas palavras têm o mesmo número de letras. Agora,
conte o número de sílabas de cada uma delas:

espera: sempre:

Muitas vezes, as palavras têm o mesmo número de letras, mas


número de sílabas diferentes.

2. Separe as sílabas das palavras abaixo e escreva nos parênteses o número de


sílabas de cada uma delas:

periquitos: ( )

ferro: ( )

ferido: ( )

papagaio: ( )

quem: ( )

tudo: ( )

devagar: ( )

134 CENTO E TRINTA E QUATRO


3. Agora, escreva as palavras no quadro, de acordo com o número de sílabas
que cada uma tem:

quatro ou
uma sílaba duas sílabas três sílabas
mais sílabas

Existem nomes que indicam o número de sílabas de uma palavra.


Por exemplo: dizemos que uma palavra de uma única sílaba é uma
palavra monossílaba (mono = uma ou um).

a) Refletindo sobre essa explicação, identifique:


• o nome usado para indicar uma palavra de duas sílabas:

dissílaba. trissílaba. polissílaba.

• o nome usado para indicar uma palavra de três sílabas:

dissílaba. trissílaba. polissílaba.

• o nome usado para indicar as palavras de quatro ou mais sílabas:

dissílaba. trissílaba. polissílaba.

b) Você pode concluir:

As palavras que têm duas sílabas são chamadas de ;


as que têm três sílabas são chamadas de e as que
têm quatro ou mais sílabas são chamadas de .

4. Pesquise em jornais e revistas, recorte e cole em uma folha de papel:


a) 4 palavras monossílabas;

b) 4 palavras dissílabas;

CENTO E TRINTA E CINCO 135


c) 4 palavras trissílabas;

d) 4 palavras polissílabas.

• Compare as palavras da sua folha com a dos colegas.


5. Converse com seus colegas e o professor:
• É mais difícil encontrar palavras polissílabas, trissílabas, dissílabas ou
monossílabas? Por que você acha que isso acontece?

6. As palavras do quadro estão com as letras embaralhadas.


Organize-as e escreva a palavra que elas formam. Em
seguida, separe as sílabas e indique o nome que ela
recebe, de acordo com o número de sílabas:
Dica: todas as palavras são nomes de animais.

classificação
letras palavra separação
quanto ao
embaralhadas formada em sílabas
número de sílabas
rfaaig girafa gi - ra - fa trissílaba

ãmceolaa

eolrodpa

ãr

rolig

horccaro

7. Encontre outras palavras dentro das palavras a seguir. Você pode pular
letras, mas não pode voltar a leitura. Registre suas descobertas.

a) bailado

b) barbante

136 CENTO E TRINTA E SEIS


PARA LER

Os ditos populares, chamados de provérbios, como você já viu, costumam


aparecer também nas fábulas – histórias curtas envolvendo animais, plantas
ou objetos que ganham características humanas, mostrando virtudes
e comportamentos humanos e nos levando a pensar sobre a situação
apresentada no texto. Nesse caso, os provérbios geralmente aparecem como
moral da história.
Leia o título da fábula a seguir. Converse com os colegas e o professor.
1. Você já a conhece? Sobre o que ela fala?
2. Se você não a conhece, observe a imagem que a acompanha e reflita
sobre o que ela pode contar.

O galo e a raposa

Todas as manhãs, o galo subia no


telhado do celeiro para observar a
paisagem. Ali, ele também vigiava
o galinheiro, para que pudesse
avisar as galinhas caso algum animal

JÓTAH
suspeito se aproximasse. Então,
certa manhã, uma esperta e faminta
raposa se aproximou dizendo:

– Galo, querido galo! Você soube da novidade? Foi decretada uma


lei entre os animais que diz que galos e raposas devem ser grandes
companheiros. Por isso, desça já desse poleiro para eu
lhe cumprimentar.
O galo achou aquilo muito estranho, pois não ouvira nada a
respeito. Mas como poderia se livrar da raposa?

Escapando da raposa
O galo, então, teve uma ideia e falou:
– Que boa notícia! Deve ser por isso que estou vendo dois amigos
galos correndo lá no pomar. Acho que vão contar aos outros animais!

CENTO E TRINTA E SETE 137


Faminta, a raposa saiu correndo para encontrar os dois galos.
O galo saiu de seu poleiro e foi direto ao galinheiro para se certificar
de que todas as suas amigas galinhas estavam seguras.
Já a raposa, no pomar, encontrou apenas algumas maçãs
ainda verdes.

Moral da história: Quem se acha esperto para enganar, com sua


tolice também pode ser enganado.

CIRANDA Cultural. 365 histórias para ler e sonhar. Barueri, 2014. p. 26.

1. De qual das virtudes abaixo trata a fábula?

Da solidariedade. Da vingança. Da esperteza.

2. Contorne no texto a moral da história.

3. Converse com seus colegas e o professor e


expliquem a moral da história.

4. Quais dos provérbios (ditos populares) abaixo

JÓTAH
serviriam, também, para essa fábula?

Água mole em pedra dura tanto bate


até que fura.

Quem tudo quer nada tem.

Amor com amor se paga.

Quem ri por último ri melhor.

5. Converse com seus colegas e o professor e explique as opções que


você marcou.

138 CENTO E TRINTA E OITO


DESAFIO
Ao final do seu livro, na página 309, você vai encontrar um Jogo da
memória dos ditos populares. Recorte as peças.
Como você
imagina que se pode
jogá-lo? Converse com
seus colegas. Ouça-os
com atenção e espere
sua vez de falar. Se
houver algo da fala

Dawidson França
do colega que não
compreendeu, faça
perguntas, solicitando
esclarecimentos.
Jogue e veja se sua hipótese está correta.

NOSSA LÍNGUA

1. Releia um trecho da fábula “O galo e a raposa” e converse com seus


colegas e o professor sobre as questões que o seguem.

Todas as manhãs, o galo subia no telhado


do celeiro para observar a paisagem. Ali, ele
também vigiava o galinheiro, para que pudesse
avisar as galinhas caso algum animal suspeito se
aproximasse. Então, certa manhã, uma esperta e
faminta raposa se aproximou dizendo:
– Galo, querido galo! Você soube da
JÓTAH

novidade? Foi decretada uma lei entre os


animais que diz que galos e raposas devem
ser grandes companheiros. Por isso, desça já
desse poleiro para eu lhe cumprimentar.

CENTO E TRINTA E NOVE 139


a) No final do primeiro parágrafo, vemos o sinal de dois-pontos (:). O que
ele indica nesse texto?

b) Antes do sinal de dois-pontos (:), uma palavra dá uma pista sobre isso.
Que palavra é essa?

c) Que outras palavras poderiam indicar isso também?

2. Considere esse trecho que você releu:


a) Sublinhe a parte em que alguma personagem diz algo.

b) Com que sinal começa esse trecho?

c) Para que serve esse sinal?

O sinal de travessão, representado por um traço (–), indica a fala de


alguma personagem em uma história. Sempre que ele aparece, indica
alguém no texto, e não mais o narrador narrando a história.
Outros sinais também podem indicar falas de personagens, como
as aspas (“fala da personagem”).

3. No trecho abaixo:

– Galo, querido galo! Você soube da


novidade? Foi decretada uma lei entre os
animais que diz que galos e raposas devem
ser grandes companheiros. Por isso, desça já
JÓTAH

desse poleiro para eu lhe cumprimentar.

140 CENTO E QUARENTA


a) Quem está falando? Como podemos saber?

b) Copie a pergunta que aparece nessa parte do texto.

c) Que sinal foi usado para indicar a pergunta?

d) Como você leria esse trecho, se esse sinal não tivesse sido usado?
Leia aos colegas e ao professor.
e) Isso mudaria o sentido dessa parte? Por quê?

No início de um parágrafo, devemos usar letra maiúscula.


Em geral, também usamos letra maiúscula para iniciar uma nova
frase no meio do parágrafo. Ou seja, a palavra que aparece logo após
o ponto final, o ponto de exclamação ou o ponto de interrogação
normalmente é escrita com inicial maiúscula.

Observe estes exemplos:

Certa vez, um gato e uma raposa decidiram JÓTAH

viajar juntos. Ao longo do caminho, enquanto


caçavam para se manter, conversavam sobre as
coisas da vida.

O Cavalo e o Burro seguiam juntos para a


cidade. O Cavalo estava feliz da vida, levando
JÓTAH

uma carga leve, e a do Burro era tão pesada que


ele mal podia andar.

CENTO E QUARENTA E UM 141


4. Complete os espaços abaixo, usando letra maiúscula ou minúscula. Depois,
justifique oralmente cada uma de suas escolhas.
a) uem tudo quer nada tem.
b) uem espera sempre alcança.
c) uem com ferro fere, com ferro será ferido.

PRODUÇÃO DE TEXTO

Neste capítulo, você estudou os provérbios ou ditos populares e brincou


de Jogo da memória. Vamos registrar as regras desse jogo?
Você pode aproveitar os conhecimentos construídos sobre as receitas
culinárias e adaptá-los para essas regras. Para começar, siga o planejamento.

PLANEJAMENTO
1. Relembre com seus colegas como vocês brincaram com esse jogo. Se for
necessário, brinquem novamente em duplas.
2. Façam juntos uma lista da sequência dos passos desde a distribuição das
cartas até a identificação do vencedor.
3. Listem também os materiais necessários para o jogo.
Dawidson França

DESENVOLVIMENTO
• Imagine que você vai brincar desse jogo com alguém que não conhece a
brincadeira. As regras que você vai elaborar precisam estar muito claras
para que essa pessoa as compreenda. Então, descreva-as de maneira bem
clara e na sequência certa.
142 CENTO E QUARENTA E DOIS
REVISÃO
1. A melhor maneira de revisar as regras que você elaborou é... jogando!!!!
Convide um colega para brincar com você e sigam as regras registradas.
2. Vejam se as informações apresentadas são suficientes para que o colega
consiga jogar. Se faltar alguma informação, avalie como e onde ela deve entrar.
3. Observe se as informações estão claras. Se não estiverem, veja o que
precisa ser alterado.
4. Verifique se alguma informação pode ser complementada por uma
imagem ou desenho que esclareça o que está sendo informado. Você
pode fazer os desenhos ou realizar uma pesquisa de imagens na internet.
5. Observe se as palavras estão escritas corretamente, se há letras
maiúsculas nos inícios de parágrafos ou depois de pontos finais.

DIVULGAÇÃO
• Convide os alunos do 4o ano para jogar com você. Peça que leiam as
regras e veja se têm ou não dúvidas quanto aos passos do jogo. Se
tiverem, é importante revisar as regras novamente, ajustando o que os
colegas apontarem.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas sobre as seguintes questões:
a) Houve dificuldades para elaborar as regras? Quais? Como as resolveu?
b) O que você aprendeu sobre regras de jogo?
c) O que você aprendeu sobre ditos populares e a presença deles nas fábulas?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

MIGUEZ, Fatima. Quando o sabiá canta,


nossos males espanta. São Paulo: DCL,
2003. 32 p.

Porta-voz da realidade brasileira, é o sabiá


que conduzirá esta narrativa poética partindo
de 21 provérbios da cultura nacional.

CENTO E QUARENTA E TRÊS 143


3 APRENDENDO
UNIDADE

A CONVIVER

Você já pensou nos direitos e deveres individuais e


coletivos necessários para uma convivência cidadã?
Esta unidade vai fazer você refletir sobre isso.

144 CENTO E QUARENTA E QUATRO


1. Em que a imagem desta abertura faz você
pensar ou sentir? Converse com seus colegas
e o professor: será que ela suscita neles os
mesmos pensamentos e sentimentos?

CENTO E QUARENTA E CINCO 145


C A PÍ T ULO

9 CRIANÇAS TÊM DIREITOS

PARA LER

Converse com um colega:


1. Você sabia que as crianças têm direitos?
2. Se não sabia, qual você imagina que seja um dos direitos das crianças?
3. Se sabia, qual(is) deles você conhece?
Observe a imagem abaixo e pense sobre cada um dos direitos das crianças
apresentados pelas personagens do cartunista Mauricio de Sousa:
© Instituto Mauricio de Sousa

SOUSA, Mauricio de.


A turma da Mônica em: o estatuto
da criança e do adolescente.
São Paulo: Mauricio de Sousa Editora,
2006. p. 19. Disponível em:
<http://www.crianca.mppr.mp.br/
arquivos/File/publi/turma_da_monica/
monica_estatuto.pdf>.
Acesso em: 5 dez. 2017.

146 CENTO E QUARENTA E SEIS


Como as pessoas ficam conhecendo os direitos das crianças? Onde eles
estão escritos?
Os direitos das crianças e adolescentes brasileiros estão reunidos em um
conjunto de regras chamado Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Você já ouviu falar no ECA? O que sabe sobre ele?
Leia a história em quadrinhos em que o Franjinha apresenta o ECA a seus amigos.
© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E QUARENTA E SETE 147


148
© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E QUARENTA E OITO


© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E QUARENTA E NOVE


149
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© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E CINQUENTA
© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E CINQUENTA E UM
151
152
© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E CINQUENTA E DOIS


© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E CINQUENTA E TRÊS


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© Instituto Mauricio de Sousa

154 CENTO E CINQUENTA E QUATRO


© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E CINQUENTA E CINCO


155
© Instituto Mauricio de Sousa

SOUSA, Mauricio de. A turma da Mônica em: o estatuto da criança e do adolescente.


São Paulo: Mauricio de Sousa Editora, 2006. p. 3, 5 a 11, 13, 14. Disponível em:
<http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/turma_da_monica/monica_estatuto.pdf>.
Acesso em: 5 dez. 2017.

156 CENTO E CINQUENTA E SEIS


1. A versão oficial do ECA não é apresentada em forma de história em quadrinhos
(ou HQ). Para quem você imagina que ele foi escrito dessa forma? Por quê?

2. No primeiro quadrinho, Franjinha apresenta o ECA aos amigos. Eles já


conheciam esse estatuto? Como podemos deduzir isso? Explique oralmente
para os colegas.

3. A expressão de Franjinha nesse


primeiro quadrinho mostra:

© Instituto Mauricio de Sousa


que ele também não sabe
o que é o ECA.
que ele está curioso para
conhecer o ECA.
que ele está empolgado para
mostrar o ECA aos amigos.

4. De acordo com Franjinha, para que serve o ECA?

5. Dos direitos da criança que aparecem no trecho apresentado da HQ, indique


qual você acha mais importante e justifique sua escolha. Converse sobre isso
com os colegas e o professor.

6. Sobre a saúde da criança, que direitos o estatuto garante? © Instituto Mauricio de Sousa

7. Ao falarem das religiões, Cascão faz


uma brincadeira.

a) Que brincadeira ele faz?

CENTO E CINQUENTA E SETE 157


b) Qual é a reação de Franjinha com essa brincadeira? Como é possível
perceber isso?

c) Qual é a reação de Mônica? O que mostra isso?

8. Nesta HQ há textos dentro de balões e textos fora de balões. Sobre isso,


ligue as colunas:

Textos em balões indicam a fala do narrador.

Textos fora dos balões indicam a fala das personagens.

9. Nos dois últimos quadrinhos desse trecho,

© Instituto Mauricio de Sousa


professor e aluno falam da mesma coisa, mas
com palavras diferentes. De que eles falam?
Por que isso acontece?

10. A que direito das crianças esses dois últimos quadrinhos estão ligados?

158 CENTO E CINQUENTA E OITO


NOSSA LÍNGUA

1. Leia uma minibiografia de Mauricio de Sousa, autor da HQ que você leu:

O cartunista brasileiro Mauricio de Sousa nasceu em 1935, em Santa


Isabel, no estado de São Paulo. Cresceu em Mogi das Cruzes, fazendo
muitos desenhos em seus cadernos. Quando jovem, mudou-se para
São Paulo e trabalhou em um jornal como
ilustrador e repórter policial. Em 1959, criou

© Mauricio de Sousa Editora Ltda


sua primeira personagem – o cãozinho Bidu.
Em 1963, criou a personagem Mônica e, a
partir de então, diversas outras – Cebolinha,
Piteco, Chico Bento, Penadinho, Horácio,
Raposão, Astronauta etc. Em 1970, lançou
a Revista da Mônica, com tiragem de
200 mil exemplares. Em 2007, Mauricio de
Sousa criou a Mônica Jovem. Em 2013, a
Mauricio de Sousa e seus
personagem Mônica completou 50 anos. personagens.

• Converse com seus colegas e o professor: no trecho que você leu, há palavras
pintadas de azul. Todas elas começam com letras maiúsculas. Por quê?

2. Sublinhe, no texto do quadro, outras palavras que aparecem em letras


maiúsculas.

3. Por que essas palavras estão escritas com letras iniciais maiúsculas?

Relembrando: nomes de pessoas, cidades, personagens, lugares


são iniciados por letra maiúscula e são chamados de nomes próprios.
Sempre que começamos uma nova frase ou parágrafo, também usamos
letra maiúscula.

CENTO E CINQUENTA E NOVE 159


4. No quadro a seguir, encontre os nomes de pessoas, isto é, os nomes próprios,
que precisam ser reescritos e circule-os:

gabriela revista letícia cartunista luís

desenhos laura cadernos lúcia josé

ilustrador Paulo repórter pedro

cãozinho paloma marina personagem

5. Escreva, com letra cursiva, os nomes que você circulou, fazendo as


mudanças necessárias:

6. Com seu professor e os colegas, leia as frases a seguir e marque aquelas em


que a palavra destacada deve ser iniciada com letra maiúscula.

A rosa mora na casa da esquina.

Na casa da esquina há uma rosa no jardim.

A filha de branca adora estudar.

A blusa da menina é branca.

7. Agora, escreva em seu caderno as frases que você marcou, utilizando


letra cursiva.

160 CENTO E SESSENTA


PARA LER

É importante entender que o Estatuto da Criança e do Adolescente não


trata só de direitos – ele também apresenta proibições e deveres.
Você imagina o que pode ser proibido às crianças? E o que podem ser
seus deveres?
Vamos conhecer um pouco mais sobre o ECA.
© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E SESSENTA E UM 161


162
© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E SESSENTA E DOIS


© Instituto Mauricio de Sousa

CENTO E SESSENTA E TRÊS


163
© Instituto Mauricio de Sousa

SOUSA, Mauricio de. A turma da Mônica em: o estatuto da criança e do adolescente.


São Paulo: Mauricio de Sousa Editora, 2006. p. 15 a 18. Disponível em:
<http://www.crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/turma_da_monica/monica_estatuto.pdf>.
Acesso em: 5 dez. 2017.

164 CENTO E SESSENTA E QUATRO


FIQUE SABENDO
Como conhecer o ECA?
Outra maneira bem divertida

Reprodução
de conhecer o Estatuto da
Criança e do Adolescente
(ECA) é acessando o site
do Plenarinho – o site para
crianças criado pela Câmara
dos Deputados. Nele você pode
encontrar outros direitos seus
também em quadrinhos, de
forma mais detalhada:
Disponível em: <https://plenarinho.leg.br/index.php/2017/07/03/estatuto-da-crianca-e-do-adolescente/>.
Acesso em: 5 dez. 2017.

Reprodução

1. O que Mônica e Cebolinha acharam de conhecer o ECA? Como você pôde


saber isso?

CENTO E SESSENTA E CINCO 165


2. Converse com o professor e os colegas:
a) De acordo com o estatuto, quais são as proibições relacionadas
às crianças?
b) Para que servem essas proibições?

3. Quais são os deveres das crianças registrados pelo ECA?

4. Observe a expressão do Cascão, no

© Instituto Mauricio de Sousa


quadrinho em que aparece o dever das
crianças de conservar o meio em que
vivem. Por que ele está demonstrando esse
sentimento? Converse com os colegas e o
professor sobre isso.

5. Reflita e troque ideias com seus colegas e o professor:


a) Que outras ações podem ser realizadas para conservar o ambiente?
E o que não se deve fazer?
b) Em sua opinião, há algum outro dever das crianças que deveria estar
incluído no ECA? Qual é? Justifique sua resposta para a turma.

6. Observe o último quadrinho, em que a turma toda está reunida.


a) Como as crianças parecem se sentir? O que demonstra isso?

b) Com quem Cascão parece falar? O que permite deduzir isso?

166 CENTO E SESSENTA E SEIS


NOSSA LÍNGUA

1. Leia as palavras em voz alta e converse com seus colegas e o professor.

desistindo Bidu mundo louco


angu companheiro tatu

a) Ao falar as palavras terminadas em o, qual o som que você pronunciou:


som de o ou de u?

b) Ao falar as palavras terminadas em u, você pronunciou som de o ou


som de u?

2. Fale novamente as palavras da lista.


a) Circule aquelas em que a última sílaba é a mais forte de todas (sílaba tônica).

b) Com que letra estas palavras terminam?

3. Você observou que algumas palavras são faladas com o som final muito
parecido, mas algumas são escritas com a letra o e outras com a letra u. Por
que isso acontece? Você já descobriu? Converse com seus colegas e o professor.

4. Agora, escreva as palavras em duas colunas.

Palavras terminadas em o Palavras terminadas em u

CENTO E SESSENTA E SETE 167


5. Complete com V para verdadeiro ou F para falso quanto ao uso da letra o e
da letra u no final de palavras.

Se a última sílaba da palavra for forte, escrevemos com a letra u.

Se a última sílaba da palavra for fraca e escrita com a letra o, ela


pode ter o som de u.
Não podemos saber nunca se as palavras são escritas com a letra o
ou u no final.

PRODUÇÃO DE TEXTO

Agora que você já conhece o ECA e sabe que reúne conjunto de direitos e
deveres que protegem a criança, vamos elaborar um estatuto como o ECA para
os alunos de sua classe.
Para isso, é muito importante que vocês conversem sobre direitos e deveres
que lhes tragam benefícios, pensando no que é ser estudante do 3o ano.

PLANEJAMENTO
1. Com todos os seus colegas de turma, faça um levantamento sobre os direitos
dos alunos que devem ser garantidos pela escola e pelos próprios colegas.
2. Juntos, avaliem as sugestões feitas, verificando se fazem sentido e se já não
fazem parte do cotidiano da escola.
3. Listem o tema de cada sugestão.
4. Em seguida, pensem nos deveres dos alunos. Muitos deles podem estar
relacionados aos direitos apontados. Por exemplo: se é direito do aluno
ter um banheiro limpo e agradável de se usar, qual será o dever desses
mesmos alunos ao usar esse banheiro?
5. Pensem em estabelecer proibições que sejam necessárias à segurança e
ao respeito de todos os alunos. Façam uma lista e avaliem os itens, como
fizeram com os direitos.
6. Agora pensem nos deveres dos alunos, incluindo desde o uso do espaço
físico até as atitudes em classe, no pátio e no refeitório, e o cumprimento
dos compromissos escolares.
7. Avaliem os deveres sugeridos, reúnam aqueles que podem ser colocados
em um mesmo item e eliminem os repetidos.

168 CENTO E SESSENTA E OITO


8. Pensem na forma de iniciar cada parágrafo com os direitos, deveres
e proibições que protegem o aluno na escola e procuram garantir o
aprendizado, como: “Todo aluno tem o direito/dever... ou É proibido...”.

DESENVOLVIMENTO
• Redijam os direitos, as proibições e os deveres selecionados, conforme
o planejamento.

REVISÃO
1. Releiam o texto: é importante que ele esteja claro, de modo a não deixar
dúvidas para quem o leia.
2. Revisem a ortografia e a pontuação. Observem o uso de letras
maiúsculas no início de cada parágrafo, depois de pontos e em nomes
próprios. Observem também o uso de o e u em final de palavras.

DIVULGAÇÃO
• Criem cartazes com os direitos, obrigações e deveres dos alunos. Façam
desenhos para ilustrar alguns desses pontos. Afixem em local visível da
sala e... consultem sempre que necessário!

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor:
a) Que direitos e deveres da criança e do adolescente você aprendeu?
b) O que você aprendeu sobre estatutos?
c) Você acredita que esse conjunto de regras pode trazer benefícios para
você e seus colegas? Quais? Por quê?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

ZIRALDO. Flicts. 46. ed. São Paulo: Melhoramentos,


2003.48 p.
Uma cor rara, diferente, que acabou ficando triste
porque não encontrava um amigo entre as outras
cores. Afinal, quem é Flicts?

CENTO E SESSENTA E NOVE 169


C A PÍ T ULO

10 ESCOLAS DE TODA PARTE

PARA LER

Relembre as escolas onde você estudou e converse com os colegas


e o professor:
1. Elas são iguais ou diferentes da escola onde você estuda hoje?
2. Você conhece ou já ouviu falar de uma escola muito diferente da sua?
Conte aos colegas como ela é.
3. Será que as escolas são iguais em todas as partes do mundo?
Neste capítulo, vamos conhecer uma fotorreportagem sobre escolas de
todo o mundo. Você sabe o que é uma fotorreportagem? Observe a formação
da palavra e tente descobrir o que é. Conte aos seus colegas, ouça a hipótese
deles e tente chegar a uma conclusão.
Leia o texto da fotorreportagem e observe algumas das imagens que
ela apresenta.

Veja como são as salas de aula em 20 escolas de


diferentes países do mundo
Salas de aula pelo mundo
O professor
Guilhermo
Valenzuela
dá aulas de
primeira série
para jovens
e adultos em
Santiago, no
Chile.

170 CENTO E SETENTA


Salas de aula pelo mundo

Crianças indígenas
têm aula em
Manacapuru, no
Amazonas.

Salas de aula pelo mundo

Escola municipal
São José II tem
aula em um barco
no Rio Amazonas.

CENTO E SETENTA E UM 171


Salas de aula pelo mundo

A professora
Mahajera Armani
dá aula para as
meninas em um
campo aberto na
região da cidade
de Jalalabad, no
Afeganistão.

Salas de aula pelo mundo

Por causa da
construção de
um novo prédio,
os estudantes
da professora
Kristine Passag,
da escola Timoteo
Paes, em Manila,
nas Filipinas, têm
aula no corredor.

172 CENTO E SETENTA E DOIS


Salas de aula pelo mundo

Alunos do sexto
ano da escola
de Salusbury
em Londres. Na
mesma cidade,
há um colégio só
para refugiados.

Salas de aula pelo mundo

Estudantes do
colégio técnico
Don Bosco,
em Quito, no
Equador.

CENTO E SETENTA E TRÊS 173


Salas de aula pelo mundo

A escola Forest,
em Londres,
coloca os
alunos sentados
pertinho.

Salas de aula pelo mundo

Os alunos usam
chapéu na classe
da escola Harrow,
em Middlesex, no
Reino Unido.

174 CENTO E SETENTA E QUATRO


Como é a sala de aula da sua escola? Tem mesas, cadeiras, muitos
alunos? No mundo, nem todas são assim. As escolas são diferentes,
dependendo do país. É isso o que mostra um ensaio fotográfico feito
pela agência “Reuters”, que captou como as crianças de diversas
partes do mundo têm aula.
Em uma escola nas Filipinas, por exemplo, os alunos são obrigados
a ficar no corredor, enquanto o novo prédio não fica pronto. No Brasil,
no Amazonas, crianças da zona rural estudam em um barco. Tem
também uma escola para índios na mesma região.
Já no Afeganistão, crianças estudam ao ar livre e ficam sentadas
no chão. E nem todas as salas de aula são só para crianças. Alguns
adultos não tiveram a chance de estudar quando eram pequenos e
voltaram para a escola, como acontece em Santiago do Chile.

FOLHINHA. Veja como são as salas de aula em 20 escolas de diferentes países do mundo.
Folha de S.Paulo, 2 out. 2005. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2015/10/1689164-
veja-como-sao-as-salas-de-aula-em-20-paises-diferentes-do-mundo.shtml>. Acesso em: 5 dez. 2017.

ensaio fotográfico: conjunto de fotografias sobre um mesmo tema.


captar: coletar; recolher.
ao ar livre: em lugar descoberto, sem paredes e sem teto.

1. Converse com seus colegas e o professor:


a) A fotorreportagem era o que você imaginava? Por quê?
b) Dos tipos de escola apresentados nas imagens, qual ou quais você já
sabia que existiam? Como ficou sabendo deles?
c) Qual dos tipos de escola foi uma grande surpresa para você? Por quê?

2. Por que esse texto recebe o nome de fotorreportagem?

3. A fotorreportagem é formada por:

imagens (fotografias).

imagens (fotografias) e texto verbal (em palavras).

texto verbal (em palavras).

CENTO E SETENTA E CINCO 175


4. Observe o texto que aparece ao lado de cada imagem.
a) Se ele não estivesse ali, você saberia de que escola é a fotografia? Por quê?

b) Para que serve esse texto ao lado da fotografia?

5. O texto verbal que comenta a fotorreportagem (p. 175) começa com


uma pergunta:

Como é a sala de aula da sua escola?

a) A quem a pergunta é feita?

b) Por que se usa o recurso de começar o texto com uma pergunta?

c) Ao fazer a pergunta, o texto propõe ao leitor:

que compare suas lembranças à fotorreportagem.

que apague da memória tudo o que sabe sobre como são


as escolas.

6. Compare as imagens de escola apresentadas e o texto verbal. Quais delas


são citadas no texto?

176 CENTO E SETENTA E SEIS


7. Compare as imagens e converse com seus colegas sobre as seguintes
questões:
a) Nessas escolas, as crianças se sentam organizadas do mesmo modo?
Por quê?
b) Qual dessas salas de aula se parece mais com a sua? Por quê?

c) Das imagens das crianças que não se sentam em carteiras, qual delas
mostra uma situação temporária (que vai passar logo) e qual mostra uma
situação permanente (em que o modo de funcionar é esse mesmo)?

8. Retome a foto da escola do Afeganistão (p. 172), onde as crianças se


sentam no tapete:
a) Que regra ou combinado parece existir entre elas? O que mostra isso?

b) Qual é sua opinião sobre esta regra ou combinado?

c) Que público essa escola atende? Como sabemos disso?

d) Como é o local onde a sala de aula foi organizada? Como e onde você
imagina que seja o momento livre (intervalo, recreio etc.) dessas crianças?

9. Qual das salas de aula parece ser também um laboratório? O que mostra isso?

CENTO E SETENTA E SETE 177


10. Agora que você já analisou algumas fotos, converse com seus colegas e o
professor: qual é a importância das fotografias para a fotorreportagem?

11. Onde podemos encontrar fotorreportagens?

NOSSA LÍNGUA

1. Leia os trechos retirados da fotorreportagem e atente às palavras destacadas:

Em uma escola nas Filipinas, por exemplo, os alunos são obrigados


a ficar no corredor, enquanto o novo prédio não fica pronto.

As escolas são diferentes, dependendo do país.

Converse com seus colegas e o professor:


a) As palavras em vermelho indicam apenas um ser ou objeto ou mais de um?

b) E as palavras em azul?

c) Como podemos saber disso?

2. Das palavras destacadas:


a) Quais foram usadas no singular?

b) Quais foram usadas no plural?

178 CENTO E SETENTA E OITO


3. Complete o quadro, marcando um x para
indicar quais palavras estão no singular, plural,
masculino ou feminino:

substantivo singular plural masculino feminino

sala

carteiras

cadeiras

alunos

prédio

barco

salas

4. Leia as palavras a seguir e veja como os seus plurais foram formados:

mata – matas rede – redes


mata – matas rede – redes

criança – crianças garoto – garotos


criança – crianças garoto – garotos

avó – avós bolo – bolos


avó – avós bolo – bolos

índio – índios floresta – florestas


índio – índios floresta – florestas

Converse com seus colegas e o professor:


a) Ao passar para o plural, o que mudou nas palavras que você leu?
b) As palavras que você leu, quando estão no singular, terminam em vogal
ou em consoante?

CENTO E SETENTA E NOVE 179


5. Agora, leia estas outras palavras que dão nome a seres e objetos (substantivos):

curumim – curumins Sol – sóis


curumim – curumins Sol – sóis

farol – faróis jardim – jardins


farol – faróis jardim – jardins

radar – radares computador – computadores


radar – radares computador – computadores

Converse com seus colegas e o professor:


a) As palavras que você leu, quando estão no singular, terminam em vogal
ou em consoante?

b) Ao passar para o plural, o que mudou nas palavras terminadas em l?

c) Ao passar para o plural, o que mudou nas palavras terminadas em m?

d) Ao passar para o plural, o que mudou nas palavras terminadas em r?

6. Agora que você já viu que o plural de palavras terminadas em vogais e


em consoantes é feito de maneira diferente, reescreva as frases a seguir,
passando-as para o plural:
a) O jardim está florido porque é primavera.

b) A criança vai estudar na escola.

180 CENTO E OITENTA


7. As palavras abaixo foram retiradas da fotorreportagem.
Leia-as e observe a parte destacada de cada uma delas:

aula muitos feito agência cadeiras

a) As letras destacadas nas palavras são:

vogais. consoantes.

Quando há duas vogais seguidas na palavra e essas duas vogais


são pronunciadas, dizemos que há um encontro vocálico.

b) Separe as sílabas destas palavras:

aula – muitos –

cadeiras – feito –

c) As letras destacadas nas palavras ficam:

na mesma sílaba. em sílabas diferentes.

Quando há duas vogais juntas, na mesma sílaba, dizemos que há


um ditongo.

d) Converse com seus colegas e o professor:


• No dia a dia, você fala peixe ou pêxi?
• Você fala vou à aula ou vô à aula?
• Você fala pouco ou pôcu?
• E fala comprou ou comprô?

Em conversas cotidianas, costumamos não pronunciar a vogal que


tem menos força no ditongo. Porém, na escrita é importante que ela
seja registrada.

CENTO E OITENTA E UM 181


8. Leia a cantiga de roda e observe os encontros vocálicos:

Cai, cai, balão.


a) Contorne as palavras da cantiga
Cai, cai, balão.
que apresentam encontro vocálico.
Na rua do sabão.
b) Em qual dessas palavras as vogais
Não cai não, não ficam na mesma sílaba?
Não cai não.
Não cai não.
Cai aqui na minha mão.
Cantiga popular.

Quando, em um encontro vocálico, as vogais que se encontram na


palavra ficam em sílabas separadas, dizemos que há um hiato.

9. Contorne as palavras abaixo que apresentam hiato:

ruínas edifício paciente caía


ouvido viúva doutor peão

10. Agora observe esta outra lista de palavras e converse com seus colegas e
o professor.

Paraguai Uruguai Guaianases

a) O que você observa em comum nestas palavras?


b) As vogais destacadas aparecem juntas, na mesma sílaba, ou em
sílabas separadas?
c) Se duas vogais juntas na mesma sílaba são um ditongo, como você imagina
que seja o nome de um encontro vocálico de três vogais na mesma sílaba?

Três vogais juntas e pronunciadas na mesma sílaba formam um tritongo.

182 CENTO E OITENTA E DOIS


DESAFIO
Fotografe ou desenhe em uma folha de papel a sua sala de aula. Elabore
uma legenda para a imagem. Guarde-a para usar na Produção de texto.

PRODUÇÃO DE TEXTO

Veja a carta que Janaina, uma menina de 8 anos, escreveu para sua tia
Dora. Observe como a garota começa a carta, sobre o que escreve e como
termina seu texto.
Thiago Oliveira

Carta redigida
por J.C.F., 8
anos, 2017

CENTO E OITENTA E TRÊS 183


Como você viu, Janaina está contando da escola dela na carta para a tia.
Você gostou de conhecer escolas de diferentes partes do mundo?
Agora é sua vez de planejar sua troca de cartas com outra escola.
É possível que outras crianças queiram conhecer sua escola e que você
também queira conhecer escolas de crianças de outras regiões do país ou de
uma comunidade diferente da sua (uma escola privada de sua cidade, uma
escola indígena ou uma escola quilombola).
Nesta atividade, você e seus colegas vão escrever uma carta coletiva a
alunos de outra escola brasileira, contando como é sua escola e sua sala de
aula e convidando-os a contar sobre a escola deles a vocês. Não se esqueçam
de juntar à carta o desenho ou foto que você fez no Desafio.
Converse com seus colegas e o professor:
• Você já recebeu ou escreveu uma carta pessoal?
• De que tratava? Quem ou para quem escreveu?
• Geralmente, o que escrevemos em uma carta pessoal?
• Como as cartas chegam até a pessoa que vai recebê-la?

PLANEJAMENTO COLETIVO
1. Com os colegas e o professor, planejem com quem vocês vão se
corresponder (outra escola da mesma cidade e localizada em outro bairro,
uma escola de outra cidade, uma escola de um quilombo, uma escola
indígena etc.). Seu professor vai registrar o planejamento no quadro.
2. Listem o que querem contar aos alunos da outra escola e pensem em
como vão convidá-los a se corresponderem com vocês.
3. Decidam como vão cumprimentar os destinatários (pessoas que receberão
a carta). Você prefere ser mais formal ou menos formal? Para cada escolha
existe uma linguagem adequada.
4. Pensem sobre o que e como vão dizer sobre sua escola e/ou sua sala de
aula. O professor vai registrar no quadro de giz.
5. Pensem em como vão se despedir e em como o grupo vai ser identificado.
Registrem no quadro de giz.

DESENVOLVIMENTO
1. Comecem a redigir o texto, contemplando o que foi planejado. Iniciem
pelos cumprimentos e pelos motivos que os levaram a escrever a carta.
2. Coloquem uma despedida ou agradecimento e identifiquem a turma.

184 CENTO E OITENTA E QUATRO


REVISÃO COLETIVA
1. Releiam a carta escrita e verifiquem se apresenta itens planejados.
2. Observem se as ideias estão claras e compreensíveis para quem vai ler.
3. Observem se as palavras estão escritas com todas as letras. Se necessário,
consultem um dicionário para verificar a escrita de alguma palavra.
4. Em caso de uso de plurais, verifiquem se eles foram escritos corretamente.
5. Revisem as palavras que têm ditongo e vejam se as duas vogais do
ditongo foram escritas.
6. Observem se a pontuação está certa.

DIVULGAÇÃO
1. Depois de terem revisado a carta, decidam quem vai passá-la a limpo
em uma folha avulsa ou papel de carta, ou digitá-la no computador.
2. Depois de concluída a escrita ou digitação da carta, colem nela a foto ou
desenho de sua escola ou sala de aula (se a tiverem digitado, apliquem a
imagem no final do texto).
3. Enviem a carta à escola de destino, pelos correios ou pelo e-mail da
escola, que seu professor já terá pesquisado.

AVALIAÇÃO
Converse com os colegas e o professor:
• O que você aprendeu sobre • Como foi a experiência de
fotorreportagem? escrever uma carta?
• E sobre legendas de fotos? • O que você aprendeu com isso?
• O que aprendeu sobre escolas
do mundo?
Divulgação

SUGESTÃO DE LEITURA
PRADO, Adélia. Carmela vai à escola. Rio de Janeiro:
Galerinha Record, 2011. 32 p.
Com as aventuras de Carmela, vamos adentrar as
portas de uma escola no tempo de seus avós. Como
será que eram as escolas naquela época?

CENTO E OITENTA E CINCO 185


C A PÍ T ULO

11 VAMOS BRINCAR DE QUÊ?

PARA LER

No capítulo anterior, você viu que as escolas do mundo todo podem ser
muito diferentes. Mas, e as brincadeiras? Converse com os colegas e o professor:
1. Será que elas são as mesmas em toda parte? Será que são diferentes?
2. Você conhece alguma brincadeira africana? Qual? Como se brinca?
3. Será que as brincadeiras africanas são parecidas com as que você
costuma brincar?
4. O que você sabe sobre a África?
Neste capítulo, vamos conhecer algumas brincadeiras do continente africano!
Mas antes, veja o mapa da África, observe por quantos países a África é formada
e identifique os oceanos que banham sua costa.
MLPORT3_U3_001M
África
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SENEGAL SUDÃO ERITREIA
CHADE
GÂMBIA BURKINA DJIBUTI
GUINÉ FASSO
GUINÉ
BISSAU NIGÉRIA
SERRA LEOA GANA REP. CENTRO SUDÃO ETIÓPIA
LIBÉRIA AFRICANA DO SUL
CAMARÕES SOMÁLIA
COSTA DO TOGO BENIN UGANDA
Equador MARFIM CONGO RUANDA QUÊNIA
GUINÉ GABÃO
EQUATORIAL REPÚBLICA
DEMOCRÁTICA BURUNDI
DO CONGO
OCEANO
TANZÂNIA ÍNDICO
OCEANO ANGOLA MALAVI
ATLÂNTICO ZÂMBIA

MOÇAMBIQUE
ZIMBÁBUE
Mapa da África com
Meridiano de Greenwich

NAMÍBIA
Trópico de Capricórnio BOTSUANA
MADAGÁSCAR destaque para os países
que a compõem.
SUAZILÂNDIA
ÁFRICA
DO SUL
LESOTO
Fonte: adaptado de: Atlas
0 935 Geográfico Escolar. Rio de
km
Janeiro: IBGE, 2012.

186 CENTO E OITENTA E SEIS


Jogos infantis africanos e afro-brasileiros
1. Brincadeiras de atenção

Dawidson França
Terra-mar (Moçambique) – Uma
longa reta deve ser riscada no chão. De
um lado se escreve “terra” e de outro
“mar”. No início todas as crianças podem
ficar no lado da terra. Ao ouvirem: mar!
Todos devem pular para o lado do mar. Ao
ouvirem: terra! Pulam para o lado da terra.
Quem pular para o lado errado sai. O
último a permanecer sem errar vence. […]
Ampe (Gana) – Um jogador é o líder. Os outros estão em um
semicírculo. O líder fica de frente para o jogador que se encontra em uma
das extremidades do grupo. O líder e o jogador batem palmas, pulam, e
depois saltam e colocam um pé à frente. Se os dois colocarem o mesmo
pé para frente, o líder está fora e o jogador vira líder. Se colocarem os pés
diferentes, o líder se move para o próximo jogador e começa a mesma
rotina. Um ponto é marcado cada vez que o líder é bem-sucedido. Cada
jogador toma um rumo como líder. Ganha quem obtiver mais pontos. […]
2. Brincadeiras de correr
Mamba (África do Sul) – Marque e estabeleça os limites. Todos
devem permanecer dentro dos limites. Escolha um jogador para ser a
mamba (cobra). A cobra corre ao redor da área marcada e tenta apanhar
os outros. Quando um jogador é pego, ele segura sobre os ombros ou
a cintura do jogador que representa a cobra e assim sucessivamente.
Somente o primeiro jogador (a cabeça da serpente) pode pegar outras
pessoas. Os outros jogadores do corpo podem ajudar não permitindo
que os adversários passem, pois estes não podem passar pelo corpo da
serpente. O último que não foi pego vence. […]
Pegue a cauda (Nigéria) – Os jogadores se dividem em equipes.
Cada equipe forma uma fila segurando pelo ombro ou cintura. O
último jogador coloca um lenço no bolso ou no cinto. A primeira
pessoa na linha comanda a equipe na perseguição e tenta pegar uma
“cauda” de outra equipe. Ganha quem pegar mais lenços. Se for
apenas duas equipes ganha quem pegar primeiro. […]

CENTO E OITENTA E SETE 187


3. Brincadeira de saltar

Dawidson França
Saltando o feijão (Nigéria) – Escolha um
jogador para girar uma corda no chão. Este
será o “balançador” e os outros jogadores
formarão um círculo em torno dele. Este
balança a corda perto do chão e os jogadores
devem pular para não serem atingidos pela
corda. Caso isto aconteça o jogador estará fora
do jogo. O jogo continua até que haja apenas
um jogador o qual será o vencedor. […]
4. Brincadeira de audição
Mbube Mbube (Gana) – “Imbube” é uma das palavras Zulu
para “leão”. “Mbube” é chamar o leão. Neste jogo as crianças estão
ajudando o leão a capturar o impala. O jogo inicia com todos formando
um grande círculo. Dois jogadores são escolhidos (um para ser o leão
e outro o impala). De olhos vendados os dois são girados e afastados.
O leão deve ficar dentro do círculo e se mover para pegar o impala
que também pode se mover. Quando o leão se aproxima do impala, as
crianças devem cantar “Mbube, mbube”, mais alto e mais rápido. Se o
leão se afastar cantam mais baixo e lento.
5. Brincadeira de lançamento
[…] Kudoda (Zimbábue) – Os jogadores sentam em um círculo.
Colocam 20 bolinhas dentro de uma tigela. O primeiro jogador tem
uma bolinha e joga para o ar. Ele então tenta retirar quantas bolinhas
ele pode de dentro da tigela antes de pegar a bolinha atirada. Os
jogadores se revezam. Quando todas as bolinhas forem recolhidas, a
pessoa que estiver com mais bolinhas é o vencedor.

CUNHA, Débora Alfaia da; FREITAS, Cláudio Lopes de. Apostila de jogos infantis africanos e afro-brasileiros. Oficina.
In: SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, II. 2010, UFPA. Disponível em: <https://www.geledes.org.br/wp-content/
uploads/2015/11/Apostila-Jogos-infantis-africanos-e-afro-brasileiros.pdf>. Acesso em: 5 dez. 2017.

semicírculo: metade de um círculo. sucessivamente: repetidamente.


extremidade: ponta. zulu: uma das muitas línguas africanas.
mamba: tipo de serpente africana, cujo veneno impala: animal comum no sul da África que
pode ser fatal ao homem mesmo em quantidades costuma ser presa do leão.
muito pequenas.

188 CENTO E OITENTA E OITO


1. Procure no mapa da África os países

sombo sombo/Alamy/Fotoarena
representados pelas brincadeiras e
pinte-os. Com ajuda do seu professor
ou do bibliotecário, reúna-se com
alguns colegas para coletar algumas
informações sobre um dos países
(população, capital, principal fonte de
renda, religião, turismo etc.). Depois,
compartilhem essas informações com
a turma toda. Se vocês tiverem uma
Vista superior de Abuja, cidade
imagem da capital do país para mostrar, econômica da Nigéria Vista superior da
será bem interessante! cidade de Abuja na área central, Nigéria.

Wandel Guides/Shutterstock

CECIL BO DZWOWA/Shutterstock
Uma vista colorida e elevada de casas em Harare, Zimbabwe, 15 de março de
uma área residencial em Maputo, a capital 2016. Parte do horizonte da cidade de
de Moçambique com edifícios altos em Harare, visto da cimeira do Kopje, uma
segundo plano. colina com vista para a cidade.
2. Converse com seus colegas e o professor:
a) Você já conhecia alguma das brincadeiras apresentadas no texto?
Em caso afirmativo, qual delas?
b) Onde conheceu essa brincadeira?

3. O texto que você leu:

identifica a origem de cada brincadeira.

explica como brincar.

apresenta uma opinião de alguém sobre as brincadeiras apresentadas.

CENTO E OITENTA E NOVE 189


4. Marque com um x as informações que você pode encontrar no texto:

o papel de jogadores e líderes.

os materiais necessários para o jogo, quando há material.

o local onde as brincadeiras devem ser realizadas.

como se chega a vencedor do jogo.

a posição em que os jogadores e o líder devem ficar.

5. A falta de alguma das informações que você marcou pode deixar


incompreensível a instrução para o jogo? Por quê?

6. Uma das instruções para brincadeiras explica a origem


MBUBE!
do nome da brincadeira. Copie o trecho que apresenta
essa explicação:

Dawidson França

7. Sobre as palavras que aparecem dentro de parênteses:


a) O que elas indicam?

b) Por que essas palavras estão escritas com letra maiúscula inicial?

190 CENTO E NOVENTA


8. Observe o título do texto que ensina essas brincadeiras:

Jogos infantis africanos e afro-brasileiros

O que significa o termo afro-brasileiros?

9. Compare as brincadeiras
apresentadas com as brincadeiras
das quais você costuma participar
na escola ou na vizinhança.

Dawidson França
Elas têm semelhanças? Explique
oralmente sua resposta.

10. Algumas brincadeiras realizadas no Brasil têm influências africanas. Você


conhece outras influências africanas na cultura brasileira?

FIQUE SABENDO
Influências africanas no Brasil
O Brasil é o país que tem a maior população de origem africana fora
da África. Por isso, recebeu e ainda recebe grande influência das culturas
africanas, como a culinária, a música, a religião e as danças ou jogos
corporais, a exemplo da capoeira.
Para saber mais, leia o artigo: “Cultura afro-brasileira se manifesta
na música, religião e culinária”, disponível em: <http://www.brasil.gov.br/
cultura/2009/10/cultura-afro-brasileira-se-manifesta-na-musica-religiao-e-
culinaria>. Acesso em: 5 dez. 2017.

CENTO E NOVENTA E UM 191


NOSSA LÍNGUA

1. Leia em voz alta as palavras de cada coluna, observando se o som representado


pelas letras c e ç é igual ou diferente:
coluna 1 coluna 2 coluna 3
constelação cinto doidice
lenço círculo velhice
crianças ancião esquisitice
Moçambique certo burrice
poço vence criancice
açúcar permanece chatice

a) Observe as palavras da coluna 1: que vogais aparecem depois de ç?

b) Na coluna 1, há alguma palavra em que o ç é seguido da vogal e ou i?

Sim. Não.
c) Converse com seus colegas e o professor sobre a frase a seguir:

Não aparecem, em nenhuma das colunas, palavras iniciadas por ç.

d) Observe a coluna 2: nas palavras em que o c tem som de s, quais vogais


aparecem depois do c?

e) O que há em comum na escrita das palavras listadas na coluna 3?

f) Converse com seus colegas para responder a esta questão: o que se


pode concluir a respeito do emprego de ç e c, quando têm som de s?
Registre a seguir o que vocês concluíram:

192 CENTO E NOVENTA E DOIS


2. Vamos retomar o estudo das páginas de dicionário.
Você já sabe que as palavras que buscamos nos dicionários aparecem
em ordem alfabética. Também já sabe que as duas palavras em destaque
que aparecem no alto da página, uma à direita e outra à esquerda, são
palavras-guia, que servem para indicar o primeiro e o último verbetes
mostrados naquela página.

Thiago Oliveira

BORBA, Francisco S. Palavrinha viva. Curitiba: Positivo, 2008. p. 262.

Agora, observe as demais palavras em destaque na página de dicionário e


converse com seus colegas e o professor: por que elas aparecem destacadas?

CENTO E NOVENTA E TRÊS 193


Entrada é o nome dado à primeira palavra em destaque nos
verbetes de dicionário.

a) Copie os verbetes cujas entradas são escritas com ç.

b) Trocando ç por c em louça, que palavra se forma? Crie uma frase usando
essa nova palavra.

c) O verbete lotação aparece duas vezes nessa página. Por que isso acontece?

d) O verbete loucura não aparece nesta página de dicionário. Se fôssemos


colocá-la nesta página, ela entraria depois da palavra
e antes da palavra .

3. Leia estas palavras em voz alta e compare o som da letra s.

tesoura pássaro raposa pêssego

a) Grife, nas palavras que você leu, as letras que vêm imediatamente antes
e imediatamente depois de s e de ss.
b) As letras que você sublinhou são vogais ou consoantes?

c) Nessas palavras, s e ss têm o mesmo som? Explique.

d) De acordo com as palavras que você analisou, a letra s, quando está entre
duas vogais, tem som de . E ss, quando estão entre duas vogais,
têm som de .

194 CENTO E NOVENTA E QUATRO


4. Agora, complete as palavras com s ou ss.

aga alho pa ado a ado

trave eiro mú ica cami a

to e be ouro confu ão

de enho me a pre ente

fanta ia pa eio te ouro

5. Leia as palavras abaixo e observe as sílabas destacadas.

boca boquinha
Dawidson França

boneca
Dawidson França

porco
Dawidson França

macaco

CENTO E NOVENTA E CINCO 195


6. No capítulo 6, você ficou conhecendo os verbos, quando estudou receitas.
A seguir, vamos comparar como alguns verbos aparecem em uma das
receitas que você leu e como alguns deles aparecem em instruções para
uma brincadeira.
Leia os trechos dos textos e observe os verbos destacados:

Trecho da receita de pamonha:

Descasque e rale as espigas de milho, raspando

Dawidson França
os sabugos com uma colher. Acrescente o leite e a
banha quente em quantidade suficiente para uma
massa consistente e tempere com açúcar ou com sal.

Trecho da brincadeira nigeriana “pegue a cauda”:


Os jogadores se dividem em equipes.
Cada equipe forma uma fila segurando pelo
ombro ou cintura. O último jogador coloca um

Dawidson França
lenço no bolso ou no cinto. A primeira pessoa
na linha comanda a equipe na perseguição e
tenta pegar uma “cauda” de outra equipe.

Converse com os colegas e o professor:


a) Em qual dos trechos os verbos destacados parecem dar uma ordem?
b) Em qual dos trechos os verbos destacados parecem descrever as ações
e o que é feito?
c) Os verbos destacados nos dois trechos cumprem ou não a função de
mostrar como fazer algo? Por quê?

A receita culinária, assim como as regras ou instruções de jogos


e brincadeiras e, ainda, as bulas de remédio e manuais de instrução
servem para instruir alguém a fazer algo: preparar um prato, realizar uma
brincadeira, tomar corretamente um remédio ou montar algum objeto.
Por isso, são chamados textos instrucionais.
Neles, os verbos aparecem, geralmente, expressando ordens, sugestões,
pedidos ou descrevendo a ação realizada.

196 CENTO E NOVENTA E SEIS


DESAFIO
Responda à enquete:

Qual brincadeira você gostaria de experimentar agora?

Terra-mar. Saltando o feijão.

Ampe. Mbube, mbube.

Mamba. Kudoda.

Pegue a cauda.

Seu professor vai ouvir as respostas e formar os grupos de acordo com


as brincadeiras escolhidas. Releia as regras do jogo que seu grupo escolheu
e certifique-se de que você compreendeu. Brinque durante o tempo
estipulado por seu professor e, quando ele der o sinal, troque de brincadeira.
Quando todos os grupos tiverem experimentado ao menos duas
brincadeiras, forme um círculo com os colegas e conte à turma:
a) O que você achou da brincadeira escolhida?
b) As regras estavam claras?
c) Vocês tiveram que acrescentar algo para a brincadeira funcionar?

PRODUÇÃO DE TEXTO

Você conheceu brincadeiras africanas e as comparou com brincadeiras


brasileiras, observando como as culturas dos diferentes povos que formam uma
nação influenciam umas às outras.
Você vai agora participar de um Festival de brincadeiras de outros países
ou de outras regiões do Brasil, para compará-las às brincadeiras que você
conhece. Nesta produção você trabalhará tanto coletiva quanto individualmente.

CENTO E NOVENTA E SETE 197


PLANEJAMENTO
1. Pense em um adulto que tenha vindo de outro país ou que seja
descendente (filho, neto etc.) de estrangeiros (que nasceram em outros
países). Ou pense em uma pessoa que tenha vindo de uma região do
Brasil diferente da região onde você vive.
2. Com seus colegas e o professor, elabore algumas perguntas sobre uma
brincadeira do país ou da região de origem dessa pessoa. Essas perguntas
devem ter como respostas o país de origem e o nome da brincadeira, bem
como as regras que a constituem. As perguntas podem ser enriquecidas
se versarem também sobre informações de onde se deve brincar, da
possibilidade de materiais poderem ser substituídos (caso a brincadeira
envolva materiais) etc.

3. Marque um dia com a pessoa que dará as informações e leve as Dawidson França

perguntas anotadas.

DESENVOLVIMENTO
1. No dia marcado, entreviste a pessoa que você escolheu. Registre as
respostas para não esquecê-las. Depois disso, leia-as ao entrevistado e
pergunte se é necessário fazer alguma alteração no texto.
2. Você pode, também, enviar as perguntas ao entrevistado por e-mail,
informando um prazo para ele responder. Ou, ainda, fazer as perguntas
por whatsapp.
3. Quando estiver com a pessoa, se ela aceitar, vocês podem brincar um
pouquinho, para que você veja como a brincadeira funciona.

198 CENTO E NOVENTA E OITO


REVISÃO
1. Releia as respostas que você registrou e veja se elas estão claras. A parte
que ensina como se brinca, principalmente, é preciso estar muito clara,
para que você saiba ensinar a brincadeira aos colegas.
2. Para que você esteja bem atento ao que não pode faltar na instrução de
uma brincadeira, releia as questões 3, 4 e 5 da seção Para ler.

DIVULGAÇÃO
1. No dia marcado pelo professor, apresente a brincadeira que você
pesquisou, primeiramente lendo as respostas.
2. Conversem sobre as possíveis semelhanças destas brincadeiras com
outras que vocês já conheçam.
3. Com seus colegas, elejam cerca de 5 brincadeiras diferentes para o
festival, de acordo com o interesse da turma.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor:
1. Você aprendeu algo que não sabia sobre a África? O quê?
2. Você imaginava que as brincadeiras africanas tivessem semelhanças com as
brincadeiras que realizamos aqui?
3. O que é preciso para que a instrução de uma brincadeira fique clara para
quem se interessa em brincar?
4. O que precisamos pensar na hora de elaborar uma pergunta sobre um
fato, objeto ou ideia?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

MARIA, Selma. Um pequeno tratado de brinquedos


para meninos quietos. São Paulo: Peirópolis, 2009. 64 p.

Vamos conhecer jeitos criativos de brincar com o


“brinquedo-terra”, “brinquedo-bicho”, “brinquedo-cor”,
“brinquedo-pensamento”, entre outros “brinquedos”,
nesse belo “brinquedo-livro”?

CENTO E NOVENTA E NOVE 199


C A PÍ T ULO

12 AMIZADES VERDADEIRAS

PARA LER

Para você, o que é uma amizade verdadeira?


Você tem amigos de verdade, desses que são capazes de ajudar você em
um momento de perigo ou de tristeza? Conte a seus colegas.
Neste capítulo, vamos falar de uma amizade verdadeira. A amizade entre
Jojoba e Carina, que você vai conhecer em um conto, apresentado neste
capítulo em duas partes. Será que você consegue adivinhar quem são esses
dois amigos e o que um será capaz de fazer pelo outro?

Jojoba
– Promessa é promessa, pai. Você me prometeu e agora tem que
cumprir a promessa! Num quero nem saber.
– Mas não tem jeito, Carina! Eu já procurei em tudo quanto é lugar,
casa de bicho, e não achei nenhum pônei.
– Você prometeu, pai! Sem festa de aniversário eu fico, mas sem o
pônei, não!
O pai coçou a cabeça e comentou com a mãe da menina:
– Como é duro fazer uma criança entender!
A mulher não deu muita trela para o marido e disse:
– Bem feito! Onde já se viu, prometer um pônei! Agora vê se dá
um jeito de arrumar.
– Onde?
– Não sei. Põe um anúncio no jornal!
– Boa ideia, mulher! Vou procurar um desses jornais que anunciam
coisas usadas.

200 DUZENTOS
Zé Marcelo, pai da Carina, foi correndo até a banca de jornal
mais próxima e gastou lá uns bons trocados, comprando seis jornais
que anunciavam coisas de segunda mão. Chegou em casa e, com
a ajuda da própria filha, foi vasculhando tudo, página por página.
Tinha de tudo: gente oferecendo ajuda, gente pedindo remédio,
gente agradecendo milagre, gente vendendo sutiã, peruca, dentadura
e escova de dentes usados. Passaram um tempão procurando,
mas nada de encontrar um pônei para comprar. A única coisa que
encontraram foi um anúncio bem pequenino, num canto da página,
que deu alguma esperança.

Casal de velhos, cansados, querendo descansar, dá


seus bichos para quem tiver carinho sobrando. Rua
das Hortênsias, 33. Tratar o mais rápido possível.

– Rua das Hortênsias... sei onde fica! Vamos lá!


Zé Marcelo e Carina meteram-se no Gol azul cor do céu e partiram
a toda velocidade em direção ao endereço anunciado. Chegaram
logo: era uma casa com jeitão antigo, muitas plantas, muito verde e
um caramanchão de primaveras. Bateram palmas, e uma velha com
lenço colorido na cabeça foi atendê-los.
– Viemos por causa do anúncio, senhora.
– Ah! Já demos quase tudo.
– Num sobrou nada? – perguntou, apressada e angustiada, Carina.
– Bem... sobrou um gato…
– Não!
– Um cachorro…
– Não.
– Um papagaio...
– Não! Não sobrou um pônei? – perguntou,
angustiada, Carina.
– Um pônei? – A velhota simpática riu. – Não, garota, não sobrou
um pônei porque nós nunca tivemos um pônei...

DUZENTOS E UM 201
– Que pena – suspirou Carina, triste.
– É o Jojoba…

JÓTAH
– Bem... não sei se vocês vão querer, mas nós
temos um bicho grande... que ninguém quis.
A velhinha olhou mais para o homem do que para a menina,
sabendo ou pensando que a decisão seria do pai.

– Que bicho é, dona? – perguntou, avivada, Carina.


– Bem...
– Fala logo, dona.
– É o Jojoba…
– Jojoba? Tem bicho com esse nome?
– Tem… é um bode.
– Um bode!? – exclamou Carina.
– Um bode!!?? – exclamou Zé Marcelo.
– O Jojoba é nosso bode. Ele é muito amigo, até conversa comigo e
meu marido.
– Um bode...
Carina pensou, pensou… e, para desespero do pai, sugeriu:
– A gente pode ver o Jojoba?
– Claro! Venham por aqui.
JÓTAH

A velhinha levou os dois ao fundo do quintal


e mostrou um pequeno bode comendo capim.
O velho bode, quando viu os visitantes, ficou
saltitante e se pôs a berrar um berro de alegria
e esperança.
Zé Marcelo recuou:
– Ele não cabe no Gol, Carina.
– Cabe, sim, pai. Cabe, sim, no banco de trás – ela falava como se
já fosse dona do bicho.

202 DUZENTOS E DOIS


Depois de algum tempo de negociação, a menina convenceu o
pai a levar o bode. Com mil recomendações de cuidado e carinho da
velhota para o Jojoba, lá foram eles de volta, o bode berrando atrás,
o motor roncando e o pai resmungando.
Em casa, o lugar que estava reservado para o pônei ficou sendo
do Jojoba.
– Tá bom aqui, Jojoba? – perguntou Carina.
Parece que o danado do bode entendia mesmo, pois respondeu à
pergunta de Carina com um meneio de cabeça e um méééé suave.
Foi assim que começou uma grande amizade entre o bode e a
menina, amizade de longas conversas, de ajuda e de muita confusão.
Confusão como uma vez que o Jojoba entrou na sala da casa e
espantou uma vizinha, mulher chatíssima, que estava reclamando de
Carina. A mulher, quando viu o bode bodejando e investindo para o
lado dela, gritou a plenos pulmões:
– Socorro, querem me matar!!!
E sumiu no mundo, deixando atrás de si a peruca loira que usava
por sobre os cabelos enroladinhos. Jojoba deu seu grito de guerra,
mééééééé, e comeu a peruca, sem engasgar.
[…]

GARCIA, Edson Gabriel. Treze contos. Ilustrações de Michele Iacocca. 23. ed. São Paulo: Atual, 2009. p. 35-38.

caramanchão: pequena estrutura em quintais,


dar trela: dar atenção.
aberta e coberta.
vasculhar: revirar; remexer.
meneio: balanço; movimento.

Edson Gabriel Garcia nasceu em Nova Granada, uma cidade do interior de São
Paulo, em 1949. Em São José do Rio Preto, cursou Pedagogia. Há mais de 30 anos
mora em São Paulo, onde atuou como professor, coordenador e diretor de escolas.
Pós-graduado em Educação e Comunicação, tem mais de 10 livros publicados, e
alguns deles foram traduzidos para outros idiomas.

DUZENTOS E TRÊS 203


1. Converse com seus colegas e o professor:
a) A história de amizade relatada no conto era o que você imaginava?

b) Jojoba era quem você tinha pensado, antes de ler o conto? Explique.

2. Por que o pai de Carina não conseguia cumprir a promessa feita à filha?

3. O pai se esforçou para tentar cumprir a promessa? Grife o trecho do texto


que comprova sua resposta.

4. A mãe de Carina foi a favor ou contra a cobrança da filha? Por quê?

5. Converse com seus colegas e o professor:


você concorda com a mãe de Carina? Por quê?

JÓTAH
6. Carina conseguiu o animal com que sonhava? Justifique sua resposta.

7. Como Carina resolveu o problema?

8. A resolução de Carina agradou ao pai? Copie o parágrafo do texto em que


isso fica claro:

204 DUZENTOS E QUATRO


9. Dos itens a seguir, marque aqueles que fazem parte da amizade entre
Carina e Jojoba:

brigas. carinho.

JÓTAH
ajuda. conversas.

confusão. castigo.

10. Em certo trecho do conto, lemos que Zé Marcelo, o pai de Carina, gastou
“uns bons trocados” comprando jornais. O que significa essa expressão?

11. Contorne no conto o trecho em que há um suspense sobre o “bicho grande”


que a velhinha tinha para doar.

12. Converse com seus colegas e o professor.


a) O que garante o suspense nesse trecho?

b) Em sua opinião, a criação de um suspense sobre qual seria o animal foi


um bom recurso usado pelo autor? Por quê?

NOSSA LÍNGUA

Você já sabe que o travessão (–) é uma das formas de indicar a fala de
uma personagem do texto. No conto “Jojoba”, você leu trechos contados pelo
narrador e trechos de falas das personagens.

1. Copie, do conto que você leu:


a) uma fala de Carina:
JÓTAH

DUZENTOS E CINCO 205


b) uma fala do pai de Carina:

JÓTAH
c) uma fala da velhinha:

JÓTAH
2. Releia a seguir um trecho do conto:

– Jojoba? Tem bicho com esse nome?

a) Nesse trecho, a personagem Carina:

faz uma pergunta.

faz uma afirmação.


JÓTAH

faz uma exclamação de espanto.

b) O que comprova a opção que você escolheu?

206 DUZENTOS E SEIS


3. Contorne, no conto, um trecho apresentado pelo narrador.

Como você viu, o trecho apresentado pelo narrador não tem


travessão, pois esse sinal de pontuação é utilizado para indicar que
está havendo uma conversa entre as personagens – nos textos, o
trecho em que as personagens conversam, indicados por travessões,
é chamado de diálogo.

PARA LER

Leia a outra parte do conto e veja outras confusões aprontadas por Jojoba.

Mas a confusão maior o Jojoba aprontou foi na escola da Carina.


Lá pelas tantas, certo dia, Jojoba ouviu a menina reclamar de alguns
meninos da sua classe. Os danados andavam perturbando Carina, tirando
seu sossego. Vai daí que o Jojoba, para surpresa de todos, até da Carina,
apareceu na escola. Ninguém viu por onde ele entrou, mas entrou.
[...]
JÓTAH

E foi andando. Pelo cheiro, chegou aonde a classe da Carina estava: na


biblioteca. A professora lia um livro de história para os alunos. Quando o
bode chegou e parou na porta, ela interrompeu a leitura e exclamou:
– Um bode!

DUZENTOS E SETE 207


A princípio os alunos não entenderam: a história era de reis,
príncipes e princesas, como é que de repente aparecia um bode no
meio? Só depois perceberam o bicho ali na porta, ciscando o chão
com as patas dianteiras, os dois chifres apontados para o alto, a
barbicha eriçada e o grito de guerra: mééééééééééééééé.
–Jojoba! – exclamou Carina, entendendo imediatamente por que o
bode estava ali.
Ela deu uma olhada rápida para os tais meninos e ordenou:
– Subam na mesa depressa!
Os meninos, sem entender bem a ordem, mas imaginando alguma
coisa meio suspeita com a presença de um bode na escola, subiram –
não na mesa, mas numa estante de livros.
Jojoba entrou na sala e foi direto para cima dos meninos, que
por pouco não levaram chifradas. E ficou por ali, bufando, vez
ou outra soltando seu grito de guerra. Os meninos, em cima da
estante, tremiam de medo, balançando as prateleiras e fazendo cair
um punhado de livros no chão. Cada livro caído era uma investida
de Jojoba. No meio da correria, todo mundo tentando escapar, a
professora quase perdeu a peruca loira, nova, que estava estreando
naquele dia. A coisa só sossegou mesmo depois que os meninos
pularam da estante para a mesa e abraçaram e beijaram a Carina,
dando mostras de arrependimento.
Mas foi apenas por volta das
dez horas, na hora do recreio,
que Carina conseguiu convencer
o Jojoba a voltar para casa.
Mesmo assim, ele saiu bufando,
espichando seu grito de guerra,
batendo as patas no chão
cimentado e mandando olhares
irritados para todos os cantos.
JÓTAH

Na saída, a criançada se juntou


em volta do bode e começou a
gritar: “Jojoba, Jojoba, Jojoba!!!”.

208 DUZENTOS E OITO


Jojoba, já no portão, ergueu-se nas duas patas traseiras e soltou
um berro esticado que fez tremer a escola toda.
Tinha sido o maior e o melhor presente de aniversário da vida
de Carina!

GARCIA, Edson Gabriel. Treze contos. Ilustrações de Michele Iacocca. 23. ed. São Paulo: Atual, 2009. p. 38-40.

barbicha: barba curta.

1. Converse com seus colegas e o professor.


a) No meio da história que lia aos alunos, a professora diz: “Um bode!”. O
que os alunos estranharam?
b) Por que Carina, ao ver Jojoba, mandou alguns colegas subirem na mesa?

c) Ao ordenar aos colegas que subissem na mesa, qual foi a atitude de


Carina em relação aos mesmos colegas que a perturbavam?
d) O que você achou da atitude de Carina?

2. Qual foi a reação de Jojoba ao ver os meninos?

3. O que isso revela sobre Jojoba?

4. Na primeira parte do conto, a senhora que deu Jojoba a Carina afirmou que
o animal era muito amigo e até conversava com ela e com o marido.
a) Você acredita que Jojoba seja amigo de seus donos? Por quê?

DUZENTOS E NOVE 209


b) O que a senhora quis dizer, ao afirmar que Jojoba “até conversa” com
ela e com seu marido?

5. Sobre o conto que você leu, responda:


a) Onde se passa a história narrada?

b) Em quanto tempo parece acontecer tudo o que é narrado no conto?

c) Que personagens aparecem no conto?

d) Há algum que seja mais importante do que os outros? Justifique


sua resposta.

e) Na primeira parte do conto, há um problema a ser solucionado. Que


problema é esse e como ele é solucionado?

f) Como termina a história?

210 DUZENTOS E DEZ


6. Releia alguns trechos copiados da primeira e da segunda parte do conto
“Jojoba” e observe as partes destacadas:

Passaram um tempão procurando,, mas

JÓTAH
nada de encontrar um pônei para comprar.

Depois de algum tempo de negociação,


a menina convenceu o pai a levar o bode.

Lá pelas tantas, certo dia,, Jojoba ouviu


a menina reclamar de alguns meninos da
sua classe.

Quando o bode chegou e parou na porta,


ela interrompeu a leitura e exclamou:
– Um bode!

Na saída,, a criançada se juntou em volta


do bode e começou a gritar: “Jojoba, Jojoba,
Jojoba!!!”.

a) Essas partes têm uma função no conto. Elas servem para:

indicar o lugar onde se passa a cena.

indicar a passagem do tempo no conto e o momento em que os


fatos acontecem.

indicar a personagem que está falando.


b) As partes destacadas dão uma ideia exata ou aproximada do que
elas indicam?

DUZENTOS E ONZE 211


NOSSA LÍNGUA

1. Observe as imagens e fale o nome de cada uma delas com seus colegas
e o professor.
Ilustrações: Fernanda Rinzler

ELEMENTOS NÃO PROPORCIONAIS ENTRE SI.

a) Agora, escreva o nome de cada figura no espaço abaixo dela.

b) Você pronunciou a última sílaba de todas as palavras com a mesma força?

c) O que você notou de diferente?

212 DUZENTOS E DOZE


2. Agora escreva os nomes das figuras em duas colunas.

Palavras terminadas em i Palavras terminadas em e

3. Marque V para verdadeiro e F para falso.

Quando a palavra termina com i, a última sílaba é falada mais forte.

Quando a palavra termina com e, a última sílaba é falada mais fraca


e pode ter o som de i.
Tanto faz a palavra terminar com e ou com i, falamos e escrevemos
do mesmo jeito.

Quanto ao uso das letras e e i no final das palavras, concluímos que:


Quando a última sílaba da palavra for a mais forte, escrevemos com
, como em saci e abacaxi.
Quando a última sílaba for a mais fraca, escrevemos com ,
como em abacate e bode.

4. No conto que você leu, que palavra indica o som produzido por Jojoba?

5. Vamos ler a tira a seguir para entender o uso de expressões que


representam sons.

Recreio, São Paulo, ano 3, n. 139, p. 42, nov. 2002.

DUZENTOS E TREZE 213


a) No primeiro quadrinho, como é feita a reprodução do som da mosca?

b) E, no segundo quadrinho, que som é reproduzido?

c) Para que servem essas reproduções sonoras?

6. Ao trocar mensagens pela internet ou pelo telefone celular, muitas pessoas


usam as expressões kkkkk, rsrsrs, hehe, huahuahua. Que som elas imitam?

As palavras que imitam sons ou ruídos se chamam onomatopeias.


Geralmente, a onomatopeia é uma sílaba repetida, como: zum-zum
(som da abelha) e toc-toc (som de uma batida na porta).

7. Observe, a seguir, os seres, objetos e ações que produzem som. Escreva palavras
que podem representar o som que eles produzem. Veja algumas questões:

tique-taque bum
dim-dom buá
atchim fon-fon
donatas1205/Shutterstock

Sarah Marchant/Shutterstock

214 DUZENTOS E QUATORZE


Fotyma/Shutterstock

Linda Macpherson/Shutterstock
szefei/Shutterstock

Fotos593/Shutterstock

8. Releia o trecho a seguir:

– Subam na mesa depressa! JÓTAH

a) Esse trecho é apresentado pelo narrador ou é a fala de uma personagem?

b) O que demonstra isso?

c) O ponto de exclamação, nesse trecho, tem o objetivo de expressar:

alegria. espanto. ordem.

DUZENTOS E QUINZE 215


O ponto de exclamação pode ser usado para demonstrar
entusiasmo, alegria, surpresa, susto, autoridade etc.

d) Que palavra da fala de Carina reforça a ideia expressa pelo ponto


de exclamação?

e) Essa palavra é um:

substantivo. adjetivo. verbo.

9. Nos trechos a seguir, destacamos alguns dos verbos que aparecem no conto:

Jojoba entrou na sala e foi direto para cima dos meninos, que por
pouco não levaram chifradas.

Quando o bode chegou e parou na porta, ela interrompeu a


leitura e exclamou:
— Um bode!

a) Os verbos destacados nesses trechos indicam ações:

que aconteceram no passado.

que acontecem sempre.

que ainda vão acontecer.

Quando um verbo indica algo que já aconteceu, dizemos que


está no pretérito. Quando indica algo que acontece com frequência,
dizemos que está no presente. Quando indica algo que ainda vai
acontecer, dizemos que está no futuro.

216 DUZENTOS E DEZESSEIS


b) Neste outro trecho do conto, o verbo está no pretérito:

A princípio os alunos não entenderam.

Reescreva esse trecho do conto, como se apenas um aluno não


tivesse entendido.

Ao reescrever o trecho como se fosse apenas um aluno, que mudanças


você precisou fazer na forma verbal?

Você já sabe que o verbo é a classe de palavra que indica ação – mas não
apenas isso. Veja nos exemplos abaixo:

Jacira está feliz com o dia ensolarado.


A sala de aula de Carina estava vazia.
A menina está com fome.
JÓTAH

Na primeira frase, a palavra está não indica uma ação, mas um


estado. Isso demonstra como Jacira se apresenta: feliz. Na segunda frase,
a palavra estava indica o estado como a sala de aula se encontrava:
vazia. Na terceira frase, a palavra está indica também uma sensação que
a menina tem: fome. Nesses casos, nenhuma ação está sendo praticada.
O verbo estar, em suas formas está e estava, nas frases acima, indica
um estado.

DUZENTOS E DEZESSETE 217


10. A imagem do infográfico a seguir mostra uma previsão do tempo para a
cidade de São Joaquim, no estado de Santa Catarina, na Região Sul do Brasil.
Observe os ícones (desenhos) na parte inferior da imagem:

Fonte: Weather.com. 9 nov. 2017. Disponível em: <https://www.google.com.br/search?dcr=0&ei=6n


D7WZmQI4yP8wX8l7PoBw&q=previs%C3%A3o+do+tempo+para+s%C3%A3o+joaquim&oq=previs%
C3%A3o+do+tempo+para+S%C3%A3o+Joaquim&gs_l=psy-ab.1.3.0l8.9686.18843.0.21522.27.21.1.0.0.0.
448.4180.2-6j6j1.13.0....0...1.1.64.psy-ab..17.10.2666...0i67k1j0i131k1.0._XdmNuxIAj4>. Acesso em: 5 dez. 2017.

Converse com seus colegas e o professor.


a) O que os desenhos da parte inferior da página indicam?

b) O que significam as palavras que aparecem acima dos desenhos?

c) O que indicam os números abaixo dos desenhos?

d) De acordo com a imagem do infográfico, o que acontecerá na sexta-feira?


E no sábado?

Chover, trovejar, relampejar são fenômenos da natureza. Isto é,


são produzidos pela natureza, e não pelo homem.
Os verbos são as palavras que dão ideia de ação, que indicam
fenômenos da natureza ou estado.

e) Você conhece outros verbos que indiquem fenômenos da natureza? Quais?

218 DUZENTOS E DEZOITO


DESAFIO
Na tira a seguir, há uma onomatopeia. Identifique-a e converse com
seus colegas sobre o que ela representa.

© Mauricio de Sousa Editora Ltda


SOUSA, Mauricio de. Almanaque Bidu e Mingau,
Mingau, São Paulo, n. 11, p. 74, jul. 2013.

Depois, crie uma tira que represente o trecho abaixo. Observe que,
nele, há várias passagens que podem envolver onomatopeias:

– Subam na mesa depressa!


Os meninos, sem entender bem a ordem, mas imaginando
alguma coisa meio suspeita com a presença de um bode na
escola, subiram – não na mesa, mas numa estante de livros.
Jojoba entrou na sala e foi direto para cima dos meninos,
que por pouco não levaram chifradas. E ficou por ali, bufando,
vez ou outra soltando seu grito de guerra. Os meninos, em
cima da estante, tremiam de medo, balançando as prateleiras
e fazendo cair um punhado de livros no chão. Cada livro caído
era uma investida de Jojoba. No meio da correria, todo mundo
tentando escapar, a professora quase perdeu a peruca loira,
nova, que estava estreando naquele dia. A coisa só sossegou
mesmo depois que os meninos pularam da estante para a
mesa e abraçaram e beijaram a Carina, dando mostras de
arrependimento.

DUZENTOS E DEZENOVE 219


PRODUÇÃO DE TEXTO

Agora é sua vez de escrever um conto, narrando um fato interessante,


ocorrido ou criado por você, com um animal amigo ou com um amigo humano.
Depois de pronto e revisado, o conto será lido em uma “rodada de contos
autorais”, realizada entre os colegas da turma.

PLANEJAMENTO
1. Pense na situação que vai contar, liste as personagens envolvidas e o
local onde aconteceu o fato que você vai contar.
2. Registre, em poucas palavras, como o conto vai começar. Em seguida,
indique, também com poucas palavras, a sequência dos acontecimentos
no conto, até seu desfecho.
3. Imagine uma situação de suspense sobre o animal que você apresentar e
como vai criar esse suspense.
4. Pense em palavras e expressões que possam indicar o tempo decorrido
no conto. Ou seja, como o tempo vai passar e a ordem em que os
acontecimentos se darão.

DESENVOLVIMENTO
• Seguindo seu planejamento,
escreva o conto. Fique
atento ao uso das palavras
e expressões que indicam
Dawidson França

a passagem do tempo e
organizam os fatos narrados
em uma sequência temporal.

REVISÃO
1. Releia o conto e observe se você usou a pontuação adequada para
cada situação. Se houver diálogos em seu conto, observe se as falas das
personagens estão iniciadas por travessão ou outra forma de indicar o
diálogo, como as aspas.

220 DUZENTOS E VINTE


2. Verifique se há palavras e expressões que ordenam os acontecimentos
(no dia, semana, mês etc. seguinte; depois disso; algum tempo depois;
dias se passaram etc.).
3. Verifique se a escrita está clara e se o leitor conseguirá entender seu
conto. Uma boa forma de fazer isso é pedir a um colega que leia seu
texto e observe se ele está claro e compreensível.
4. Por fim, observe se as palavras estão escritas corretamente. Se houver
dúvida sobre a escrita de uma palavra, procure-a no dicionário.

DIVULGAÇÃO
• Em uma “rodada de contos autorais”, leia o seu conto aos colegas e
escute a leitura deles.

AVALIAÇÃO
• Converse com seus colegas e o professor:
a) O que você aprendeu sobre contos?
b) O que aprendeu sobre a escrita de um diálogo?
c) Qual é sua opinião sobre o conto lido?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

BOJUNGA, Lygia. Os colegas. 52. ed. Rio de


Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2012. 144 p.
Nesse clássico da literatura infantil e juvenil
brasileira, vamos acompanhar as aventuras do
urso Voz de Cristal, do coelho Cara-de-pau
e dos cães Virinha e Latinha, que, juntos,
descobrem a amizade e uma intensa alegria
de viver.

DUZENTOS E VINTE E UM 221


4 ALÉM DA
UNIDADE

IMAGINAÇÃO

222 DUZENTOS E VINTE E DOIS


Ouvir histórias em rodas de contação
é uma delícia! Rimos, choramos,
torcemos, trememos de medo...
Ui! Vai depender do contador!

1. Você já participou das rodas de contação de


histórias propostas nesta coleção. Elas se pareciam
com a roda de contação que você observa na cena?
O que é semelhante? O que é diferente?

2. Você conhece as personagens que aparecem


na cena? Converse sobre elas – e sobre outros
personagens imaginárias – com os colegas.

DUZENTOS E VINTE E TRÊS 223


C A PÍ T ULO

13 CONTOS DE ESPERTEZA

PARA LER

Você deve conhecer ou ter ouvido falar de gente que resolve seus problemas
com esperteza. Sua primeira leitura deste capítulo será de um conto de esperteza
(ou de artimanha). Nele você vai conhecer Pedro Malasartes: sujeito esperto,
astuto e cheio de manha. Converse com seu professor e os colegas:
1. Você já ouviu falar de Pedro Malasartes?
2. O que sabe sobre ele?
3. Pense sobre o significado do sobrenome Malasartes. O que ele sugere?
Ouça a leitura que seu professor vai fazer do conto chamado “O cavalo do rei”.
Descubra qual foi a esperteza de Malasartes nesse conto e o porquê desse nome.

O cavalo do rei
Já pensou se os cavalos falassem?
Esta é a história de Pedro Malasartes vivendo entre plebeus num
reino muito distante. O rei era um sujeito meio pinel da cabeça:
achava que seu cavalo poderia falar.
Certo dia, o porta-voz real anunciou, após o toque da trombeta:
– Cidadãos do reino real do rei,
Sua Majestade procura um homem com muita coragem e inteligência.
Todos ergueram os braços, voluntariosos.
– Sua Majestade propõe aos corajosos uma tarefa especial: ensinar
o cavalo real a falar – continuou o porta-voz.
A multidão caiu no riso, mas logo se calou, contida pelos guardas
reais, que ergueram suas espadas.
– Aquele que conseguir tal proeza ganhará três sacos de ouro, terras
e a proteção do rei por toda a vida.

224 DUZENTOS E VINTE E QUATRO


Duvidando da sanidade mental do rei, ninguém se habilitou.
Malasartes viu naquilo a oportunidade de se tornar rico e respeitado
por todo o reino. Foi à presença do rei.
– Sou professor de línguas
animalescas. Venho oferecer a Vossa
Majestade meus serviços.
– Professor de línguas animalescas?
Um caipira como você? E existe essa
profissão? – estranhou o rei com suas
imponentes sobrancelhas.
– Então, Vossa Majestade nunca
ouviu falar nas fábulas de Esopo,
que contava histórias de animais que
falam? Pois bem, meu nome é Pedro,
descendente desse fabuloso homem,
e posso muito bem fazer o cavalo real
não só falar, como também pensar
como um homem, se bem que alguns
não sabem fazê-lo direito.

Jótah
– Quem? Cavalos ou homens?
– Homens, Majestade. Há homens que não sabem nem o que
falam, não é mesmo? Os cavalos, se ensinados adequadamente,
aprendem a falar até três línguas...
– E qual é a fórmula para fazer cavalos falarem?
– Ah, majestade! É segredo de família que não posso revelar, sob
pena de uma terrível maldição.
Convencido da capacidade de Malasartes, o rei deu-lhe terras, os
três sacos de ouro e prometeu-lhe mais, para o caso de seu cavalo
aprender uma segunda língua.
– Quanto tempo vai levar? – perguntou o ansioso rei.
– Hum... vai demorar alguns anos. Cinco, dez, talvez vinte, depende
do cavalo. Não adianta ter pressa. E preciso trabalhar a sós com ele.
Quando ele aprender as primeiras palavras, Vossa Majestade esteja
certa de que será a primeira pessoa a ouvi-lo.

DUZENTOS E VINTE E CINCO 225


O rei acedeu, confiante na honestidade
de Malasartes.
Um amigo deste, quando ficou
sabendo da nova, foi encontrá-lo.
– Você está maluco, Malasartes?
Maluco, é? Quando o rei ficar
sabendo que é tudo mentira, que
você não sabe coisíssima nenhuma
ensinar o cavalo a falar, vai mandar
cortar sua cabeça!

Jótah
– Sossegue, meu amigo. Daqui
a vinte anos, o rei já terá passado
desta vida para melhor!
MIRANDA, Eraldo; MENDES, Ricardo. As aventuras de Pedro Malasartes.
4. ed. São Paulo: Elementar, 2008. p. 15-17.

pinel: maluco. habilitar-se: candidatar-se.


mental: que está relacionado à mente humana. aceder: concordar.

Eraldo Miranda nasceu em Tatuí (SP). Apaixonado por livros infantis, tornou-se
contador de histórias, o que o levou a estudar Letras. Ricardo Mendes nasceu em
São Paulo (SP), estuda muito e se dedica ao que mais gosta de fazer: ler e escrever.

1. Converse com seus colegas e o professor:


a) E então, você descobriu qual foi a esperteza de Pedro Malasartes?

b) Era o que você imaginou?

2. Explique por que todas as pessoas ergueram os braços, após ouvirem que o
rei procurava pessoas com coragem e inteligência.

226 DUZENTOS E VINTE E SEIS


3. Para que o rei queria pessoas corajosas e inteligentes?

Para ensinar o seu cavalo a falar.

Para poder ser bem orientado em suas decisões.

Para ter uma equipe pronta para a guerra.

4. Responda:
a) Como os cidadãos reagiram à solicitação do rei?

b) Ao reagir dessa forma, o que a população demonstrou sobre a ideia do rei?

5. Copie do texto o trecho que mostra que até mesmo o rei, que propõe a
tarefa, sabe que sua ideia representa uma tarefa muito difícil.

• Que palavra desse trecho mostra a dificuldade da tarefa?

6. Considere a atuação de Pedro Malasartes e responda.


a) Qual foi o plano de Pedro Malasartes ao
aceitar a proposta do rei?
Jótah

DUZENTOS E VINTE E SETE 227


b) O que Malasartes falou ao rei para convencê-lo de que ele poderia
ensinar o cavalo a falar não uma, mas até três línguas?

c) O que você pensa sobre a atitude de Malasartes?

7. Converse com seus colegas e o professor:


a) O que você faria se estivesse no lugar de Malasartes? Por quê?

b) Você considera justo o rei conceder riquezas e proteção apenas a quem


ensinasse o seu cavalo a falar? Por quê?

8. O texto que você leu:

narra uma história de uma personagem astuta.

explica como ensinar um cavalo a falar.

NOSSA LÍNGUA

1. As palavras a seguir aparecem no texto “O cavalo do rei”.

voluntariosos fabuloso plebeus ansioso


sanidade imponentes descendente

a) Coloque-as na ordem em que você as encontra no dicionário:

228 DUZENTOS E VINTE E OITO


b) Procure o significado de cada uma dessas palavras e registre no caderno
o que estiver de acordo com o texto.

2. Agora, observe as palavras destacadas nos trechos a seguir:

Trecho 1

– Sua Majestade propõe aos corajosos uma


tarefa especial: ensinar o cavalo real a falar –

Jótah
continuou o porta-voz.

Trecho 2
– Pois bem, meu nome é Pedro, descendente
desse fabuloso homem, e posso muito bem
fazer o cavalo real não só falar, como também
pensar como um homem, se bem que alguns
não sabem fazê-lo direito.

Jótah
Trecho 3

– Quanto tempo vai levar? – perguntou o


ansioso rei.
Jótah

a) As palavras destacadas nesses trechos são:

nomes – substantivos.

características – adjetivos.

ações, estados ou fenômenos da natureza – verbos.

DUZENTOS E VINTE E NOVE 229


b) Que parte dessas palavras é escrita da mesma forma?

c) Reescreva em uma folha de papel ou no caderno cada um desses


trechos, passando as palavras destacadas para o feminino, fazendo
ajustes e trocando palavras, quando for preciso.
d) Ao mudar as palavras destacadas desses trechos para o feminino, que
parte delas foi escrita da mesma maneira?

3. Leia as palavras abaixo:

Dawidson França
corajoso maldoso gostoso

saboroso espantosa bondosa

Complete as frases com nomes que dão origem aos adjetivos destacados.
a) Uma pessoa corajosa é uma pessoa que tem .

b) Alguém maldoso ou maldosa é quem faz .

c) Algo que seja gostoso é algo que tem bom.

d) Algo saboroso é algo que tem um bom .

As palavras saboroso / saborosa, gostoso / gostosa, maldoso /


maldosa, corajoso / corajosa são todas características de alguém ou
de alguma coisa. Elas explicam como alguém ou alguma coisa é.
Elas são adjetivos terminados em -oso e -osa.

4. Vamos registrar outras características? Observe:

Quem tem amor é amoroso. amor – amoroso


Quem tem saudade é saudoso. saudade – saudoso

230 DUZENTOS E TRINTA


Continue nas palavras abaixo:

Dawidson França
inveja espaço
fúria prazer
estudo caridade

5. Complete com o que aprendeu sobre a concordância dos adjetivos:


a) Maiara e Maraísa são cantoras . (fama)

b) Cristiano Ronaldo é muito . (talento)

c) A preguiça é um animal . (preguiça)

6. Agora, escreva no caderno uma frase que apresente uma característica


sua. Esta característica deve terminar em -oso ou -osa.

Adjetivos terminados em -oso ou -osa são escritos sempre


com -s. Exemplos: gostoso, maravilhosa, delicioso, perigosa,
amorosa, virtuoso, poderosa.
Se caracteriza uma palavra no feminino, o adjetivo fica no
feminino. Se caracteriza uma palavra no masculino, o adjetivo fica
no masculino.
Atenção!
Nem todo adjetivo termina em -oso e -osa. Exemplos: elegante,
macio, áspero, verde, azul, perfeito, estranho, bonito etc.

7. Converse com seus colegas e o professor sobre o sentido das expressões


destacadas nos trechos abaixo:
a) “É preciso trabalhar a sós com ele.”
b) “Quando o rei ficar sabendo que é tudo mentira, que você não sabe
coisíssima nenhuma ensinar o cavalo a falar, vai mandar cortar
sua cabeça!”
c) “Daqui a vinte anos, o rei já terá passado desta vida para melhor!”

DUZENTOS E TRINTA E UM 231


8. Releia os outros trechos do texto reproduzidos a seguir. Observe as palavras
destacadas e o que elas fazem ali:

Convencido da capacidade de Malasartes, o rei deu-lhe terras, os


três sacos de ouro e prometeu-lhe mais, para o caso de seu cavalo
aprender uma segunda língua.

a) A palavra lhe, destacada nesse trecho, está indicando o que ou quem?

b) A palavra seu, nesse trecho, está indicando o cavalo de quem?

Quando ele aprender as primeiras palavras, Vossa Majestade esteja


certa de que será a primeira pessoa a ouvi-lo.

c) A palavra lo, nesse trecho, refere-se a quem?

9. As palavras destacadas nos trechos da atividade anterior:

são nomes de objetos, pessoas, lugares ou sentimentos.

estão no lugar de palavras que nomeiam alguém ou alguma coisa.

O conjunto de palavras que substitui nomes nos textos é


chamado de pronome.

232 DUZENTOS E TRINTA E DOIS


Observe as legendas e os textos referentes a cada imagem a seguir.

Rodolfo Buhrer/La Imagem/Fotoarena


Ela foi a primeira ginasta
1 brasileira a conquistar uma medalha
de ouro em um campeonato
mundial.
Daiane dos Santos, ginasta
brasileira.

Eduardo Blanco/Alamy/Fotoarena
Eles são cerca de 35000
2 indígenas que vivem próximo à
fronteira entre o Brasil e o Peru.

Indígenas da etnia Tucuna.


Agência Brasil

Ele era carioca e continua sendo


3 um dos mais importantes escritores
do Brasil, tendo recebido várias vezes
o Prêmio Jabuti de Literatura.
Joel Rufino dos Santos (1941-2015),
historiador e escritor.

As palavras destacadas são chamadas de pronomes pessoais,


pois elas indicam as pessoas do discurso.

10. Siga o exemplo das imagens, legendas e textos que você leu.

Faça um desenho seu no quadro da página seguinte. Escreva seu nome na


legenda e nas linhas ao lado da imagem escreva um pequeno texto descritivo
sobre você. Use o pronome que serve para você falar de si mesmo.

DUZENTOS E TRINTA E TRÊS 233


Pronomes pessoais
Singulares: eu, tu, ele ou ela.
Plurais: nós, vós, eles ou elas.
No Brasil, tu e vós, geralmente, são substituídos por você e vocês.
Porém, em alguns estados do país, o pronome tu é usado.

11. Converse com seus colegas e o professor:


• No lugar onde você vive, o pronome pessoal tu é usado? Em caso
afirmativo, dê um exemplo.

PARA LER

Agora você vai ler outro conto de esperteza ou de artimanha, chamado


“Os talheres de ouro”. O que você espera de um conto com esse título?
Ouça a leitura de seu professor e, depois, leia-o silenciosamente.

Os talheres de ouro
Um dia roubaram a um rei uns ricos talheres de ouro que lhe tinham
sido dados de presente por um soberano oriental. O rei fez grande
empenho em descobrir o ladrão ou ladrões, mas, por mais que ele e
seus parentes se esforçassem, não foi possível atinar-lhes com a pista.
Alguém se lembrou, então, de lhe inculcar o Malasartes, como
única pessoa capaz de dar com os meliantes.

234 DUZENTOS E TRINTA E QUATRO


O rei mandou-o vir à sua presença, tratou-o
bem, deu-lhe excelentes aposentos em palácio,
mas declarou-lhe que dali não sairia enquanto
não desvendasse o mistério. Pedro foi para o seu
quarto muito preocupado, sem saber como havia
de se livrar da entalação.
Depois de algumas horas, veio um criado do
palácio trazer-lhe uma refeição numa bandeja,
encontrando-o mudo e absorto em seus
pensamentos. Quando o criado se retirava, apenas
ouviu Pedro exclamar consigo, com um suspiro:
– Lá vai um!
Chegando à cozinha, contou a um companheiro
o que vira, e ouvira, declarando que Pedro parecia
desconfiar dele e que lá não voltaria mais.
– Pois eu vou – disse o outro, e efetivamente
assim fez quando chegou a hora de se levar nova
refeição a Malasartes.
Encontrou-o do mesmo modo, taciturno
e preocupado, apenas exclamando quando o
homem se retirava:
– Lá vão dois!
O segundo criado chegou à cozinha e contou
o sucedido ao copeiro-chefe, acrescentando que
realmente Pedro parecia desconfiar de alguma
coisa e que lá não voltaria.
– Irei eu – bradou resolutamente o chefe. E
quando foi a hora, para lá se dirigiu com a bandeja.
Repetiu-se a mesma cena presenciada pelos
outros, exclamando Pedro entre si:
– Lá vão três!
Jótah

O copeiro-chefe, porém, ouvindo-o,


convenceu-se de que Malasartes estava realmente
na posse do segredo e, sentindo fugir-lhe a
valentia, abriu-se com o hóspede, confessou-lhe
tudo, afirmou o seu arrependimento e rogou-lhe
por caridade que não o prendesse.

DUZENTOS E TRINTA E CINCO 235


Respondeu-lhe Malasartes que não lhe faria mal algum, sob a
condição de que trouxesse ali para o quarto, muito às ocultas, os
talheres de ouro de sua majestade. Assim foi feito. No fim de três
dias, o rei entrou nos aposentos de Pedro e perguntou-lhe se já tinha
deslindado o problema. Pedro mostrou-lhe os talheres de ouro sobre
uma mesa. O rei ficou muito admirado e agradeceu-lhe o serviço,
recompensando-o generosamente.

LISBOA, Henriqueta. Literatura oral para a infância e a juventude.


Lendas, contos e fábulas populares no Brasil. São Paulo: Peirópolis, 2002. p. 137-139

soberano: autoridade máxima. entalação: dificuldade temporária; embaraço.


empenho: esforço; força. absorto: compenetrado em seus pensamentos.
atinar: perceber; descobrir. taciturno: calado; de pouca conversa.
inculcar: sugerir; recomendar. generosamente: com generosidade; com bondade.

Henriqueta Lisboa foi uma escritora mineira, nascida em 1901, na cidade de


Lambari, Minas Gerais. Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Mineira
de Letras. Dedicou-se principalmente à poesia e, ainda jovem, teve seu primeiro
poema vencedor do Prêmio Olavo Bilac. Sua primeira obra foi publicada quando
tinha 21 anos. Dedicou-se também à literatura para crianças, com os livros O
menino poeta (1943) e Lírica (1958). Faleceu em 1985.

1. O conto de esperteza se desenvolve em torno de um problema. Identifique


o problema em torno do qual se desenvolve o conto “Os talheres de ouro”.

2. Responda:
a) Como Malasartes entrou nessa história?

b) Malasartes realmente sabia como descobrir quem


havia roubado os talheres de ouro?

Sim. Não.

236 DUZENTOS E TRINTA E SEIS


c) Que parte do texto mostra isso?

d) Que estratégia Malasartes usou para descobrir os ladrões?

3. Para descobrir os ladrões, Malasartes usou:

investigação. adivinhação. esperteza.

4. Compare as participações de Malasartes nos dois contos de esperteza.


Em que eles se parecem? E em que eles se diferenciam? Converse com os
colegas e o professor.

5. Reescreva os trechos a seguir, trocando as palavras


ou expressões em destaque por outras que tenham
o mesmo sentido:
a) “– Irei eu – bradou resolutamente o chefe.”

b) “Respondeu-lhe Malasartes que não lhe faria mal algum, sob a condição
de que trouxesse ali para o quarto, muito às ocultas, os talheres de
ouro de sua majestade.”

c) “No fim de três dias, o rei entrou nos aposentos de Pedro e perguntou-
-lhe se já tinha deslindado o problema.”

DUZENTOS E TRINTA E SETE 237


6. Considerando os dois contos de esperteza ou de artimanha que você leu,
marque as respostas certas.

a) O conto de esperteza ou de artimanha:

é um conto curto e com muitas personagens.

é um conto longo e com muitas personagens.

é um conto curto e com poucas personagens.

é um conto curto e com muitas personagens.

b) No conto de esperteza:

a personagem passa por um desafio que é resolvido


com esperteza.

a personagem principal engana outras personagens porque


é um vilão.

a personagem principal aproveita-se da ingenuidade ou da


confiança de outra personagem, mesmo não sabendo como
resolver uma situação.

c) No conto de esperteza:

nem sempre a personagem dotada de esperteza dá prejuízos às


outras personagens, mesmo que use de esperteza com elas.

a personagem dotada de esperteza sempre dá prejuízos materiais


às outras personagens.

a personagem dotada de esperteza sempre se sai bem.

a personagem dotada de esperteza nem sempre se sai bem.

238 DUZENTOS E TRINTA E OITO


NOSSA LÍNGUA

1. Observe os desenhos e circule aqueles em cujo nome ocorre o som de ão.


Depois, escreva o nome de cada um.

LanKS/Shutterstock

topseller/Shutterstock

Luis Carlos Torres/Shutterstock


Photodisc

Photodisc

Stock Xing
2. Imagine que você tem mais de um destes objetos. Como escreveria o que
você tem? Registre:
a) balão

b) pão

c) caminhão

d) pião

3. Observe as mudanças ocorridas nas palavras da atividade 2, quando nos


referimos a mais de um elemento, e responda oralmente:
a) A nova palavra continua com som final nasal?

b) Qual é o sinal que usamos para indicar o som nasal nesses casos?

DUZENTOS E TRINTA E NOVE 239


4. A palavra ladrões, que aparece logo no início no texto que você leu, está no
plural, ou seja, indica mais de um ladrão. Que palavras usamos para indicar:
a) mais de um anão –

b) mais de uma canção –

c) mais de uma profissão –

d) mais de uma maldição –

e) mais de um irmão –

f) mais de um pão –

g) mais de um cão –

h) mais de uma mão –

Você já sabe que usamos uma palavra no


singular para indicar uma única coisa, pessoa
etc. Exemplos: um limão, o limão.
Usamos uma palavra no plural para indicar
mais de uma coisa, pessoa etc. Exemplos: dois

Dawidson França
limões, os limões, alguns limões.
O plural das palavras terminadas em ão
pode receber as terminações ãos, ães e ões.

5. Observe os termos destacados em amarelo no texto.


a) Eles servem para:

descrever as características das personagens.

indicar quando os fatos aconteceram.

indicar onde os fatos aconteceram.

240 DUZENTOS E QUARENTA


b) A expressão “Era uma vez”:

indica exatamente quando a história aconteceu.

indica alguma época, que não sabemos qual é exatamente.

não se refere a tempo.

c) Dos termos abaixo, qual deles indica com mais exatidão o momento do
fato ocorrido?

Depois.

Dias depois.

No dia seguinte.

6. Leia dois trechos do texto e converse com seus colegas e o professor.

O rei aceitou.

O rei entrou nos aposentos de Pedro.

a) Sobre quem ou sobre o que se está informando algo?

b) O que está sendo informado?

A coisa ou pessoa sobre a qual informamos algo é chamado de


sujeito. No trecho analisado, o sujeito é O rei, pois é sobre ele que
se informa algo.
A parte que indica o que é informado sobre o sujeito é chamada
de predicado. No predicado sempre há um verbo. No trecho
analisado, o verbo é entrou e o predicado é entrou nos aposentos
de Pedro, pois é o que se informa sobre o sujeito.

DUZENTOS E QUARENTA E UM 241


c) Nos trechos a seguir, contorne o sujeito e
sublinhe o predicado:
• Os ladrões foram descobertos.
• Os talheres estavam sobre a mesa do quarto.
• Henriqueta Lisboa nasceu em Lambari.

Dawidson França
• O copeiro-chefe mostrou-se arrependido
do roubo.
d) Quais dos sujeitos que você circulou estão
no plural?

e) Reescreva os trechos referentes a esses dois sujeitos, passando-os para o


singular e fazendo as alterações necessárias ao predicado.

PRODUÇÃO DE TEXTO

Neste capítulo, você conheceu o conto de esperteza. Agora é sua vez de


escrever um conto de esperteza para compor um livro de contos de esperteza
da turma.

PLANEJAMENTO Dawidson França

1. Pense em uma situação de esperteza


que você tenha presenciado ou ouvido
falar e que possa gerar um conto
interessante. Como o conto é uma
narrativa ficcional, ou seja, inventada,
você pode adaptar a situação que já
conheça, transformá-la ou mesmo
inventar uma situação totalmente nova.
2. Pense na personagem que será o
espertalhão da história.
242 DUZENTOS E QUARENTA E DOIS
3. Complete o quadro com o que você pretende colocar no conto:

Dawidson França
Qual é a situação inicial da
personagem principal – o
espertalhão?

Qual é a caracterização da
personagem espertalhão?

Que outras personagens


aparecerão no conto?

Onde a história vai se passar?

Qual será a atitude de


esperteza que vai mudar a
vida do espertalhão?

Quem será o alvo da


esperteza da personagem?

Que toque de graça ou


humor haverá no conto?

A esperteza vai ou não


gerar prejuízo a quem
foi enganado?

Como o conto vai terminar?

4. Faça uma lista de palavras que podem indicar a passagem do tempo no


conto, conforme você viu neste capítulo.

DUZENTOS E QUARENTA E TRÊS 243


DESENVOLVIMENTO
1. A partir do seu planejamento, elabore um conto, observando:
• o uso de parágrafos quando
iniciar outro aspecto sobre o
assunto tratado;
• o uso de letra inicial maiúscula
no início dos parágrafos, depois

Dawidson França
de pontos e em nomes próprios;
• a sequência em que as ideias
devem aparecer;
• as palavras que indicam a
passagem do tempo;
• se os verbos usados estão de acordo com os sujeitos (sujeito no
singular = verbo no singular; sujeito no plural = verbo no plural).
2. Para cada ideia que você escrever, antes de passar para a próxima, releia
o texto desde o início para decidir qual será a melhor palavra para iniciar
um novo trecho.

REVISÃO
• Depois de ter escrito o conto, releia-o e observe os seguintes aspectos:
1. As ideias estão compreensíveis para o leitor?
2. Você colocou todos os itens que planejou? Eles são fundamentais para
a organização do conto?
3. A sucessão dos fatos, ou seja, a ordem em que você narra os
acontecimentos está correta?
4. Há palavras que indicam para o leitor a passagem do tempo?
5. Você usou parágrafos no texto?
6. Você usou letras maiúsculas onde é necessário?
7. A pontuação está correta? Atenção! Se houver diálogos no texto, as
falas devem estar indicadas da forma como você já estudou.
8. Para que seu texto não fique repetindo o nome das personagens
várias vezes, você pode usar pronomes para substituí-los. Veja se
há alguma situação em que um nome precisa ser trocado por um
pronome, para dar mais beleza ao texto.
9. Os verbos estão de acordo com os sujeitos?

244 DUZENTOS E QUARENTA E QUATRO


DIVULGAÇÃO
1. Com seus colegas e o professor, definam um número de contos para
compor o livro de contos de esperteza.
2. Façam uma correção coletiva dos contos selecionados. Não precisa ser tudo
de uma única vez. Vocês podem dividir a correção em duas ou três etapas.
3. Digitem ou passem a limpo os
contos corrigidos, fazendo as

Dawidson França
alterações necessárias.
4. Escolham um critério de ordem
de apresentação no livro e
elaborem o sumário.
5. Organizem o livro. Seu professor
vai encapá-lo.
6. Se houver outras classes cursando o mesmo ano que você, troque o livro
de sua turma com o livro de outra, por alguns dias, e leiam os contos
produzidos por ela. Conversem sobre eles, observando as espertezas que
eles apresentaram e elegendo o conto de que mais gostaram.

AVALIAÇÃO
• Converse com seus colegas e o professor.
a) Você gostou dos contos de esperteza?
b) O que você aprendeu sobre eles?
c) Quais dos contos de esperteza produzidos por você e por seus
colegas encantaram você? Por quê?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

BANDEIRA, Pedro. Malasaventuras. Safadezas do


Malasartes. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2011.
Pedro Malasartes, personagem da cultura popular,
encarrega-se de vingar, com astúcia e esperteza,
os humilhados pela arrogância dos poderosos. São
ótimas aventuras em que as vítimas de Pedro caem
em armadilhas muito engraçadas!

DUZENTOS E QUARENTA E CINCO 245


C A PÍ T ULO

14 HISTÓRIAS DE ARREPIAR

PARA LER

Você já ouviu dessas histórias das quais a gente morre de medo, mas que
não quer parar de ouvir? Converse sobre isso com o professor e os colegas,
respondendo a estas questões:
1. Onde você ouviu essas histórias?
2. Quem as contava?
3. Como era a reação dos ouvintes nos momentos de suspense ou de medo?

Parece que esse tipo de narrativa é apreciado em todas as culturas e, no


fundo, todos gostam de um bom suspense.
Neste capítulo, você vai conhecer um conto assustador, sobre uma criança
que não gostava de tomar banho nem de cortar o cabelo.
Feche seu livro. Ouça a leitura que seu professor vai fazer para você.

A incrível história do menino que não queria cortar o cabelo


A história que você vai conhecer aconteceu há muitos e muitos anos
num vilarejo escondido entre florestas sombrias, onde se ouviam causos
tenebrosos, repletos de seres maléficos e horripilantes.
Num casebre isolado bem no alto da montanha viviam um menino
e sua mãe. O garoto parecia mula brava empacada em dia de chuva,
de tão teimoso que era! Não é que a mãe não gostasse do filho, mas,
por causa de tantas confusões, birras e malcriações do menino, a pobre
mãe vivia cansada.
Mas o maior problema do menino é que ele não gostava de tomar
banho, nem de escovar os dentes. Pentear-se? De jeito nenhum! E
ainda jurava por todos os cantos que nunca, mas nunca mesmo, iria
cortar um só fio do seu longo cabelo.

246 DUZENTOS E QUARENTA E SEIS


Todo dia, pela manhã, a mãe o acordava e
pedia que ele fosse se lavar para começar o dia.
E o menino respondia, em tom de zombaria:
− O dia não precisa que eu me lave pra
começar, mãe. Olha lá fora: ele já começou e eu
nem saí da cama.
A noite chegava, e o menino, ainda de
pijamas, se orgulhava por estar adiantado para ir
para a cama.
Sempre com remela nos olhos e o cabelo
desgrenhado parecendo rabiscos num papel, ele

Cris Alhadeff
provocava os gritos da mãe, que vivia nervosa:
− Vamos ao barbeiro dar um jeito nessa cabeleira!
− Nunca!!! Meu cabelo é precioso! Preciso dele mais do que tudo
nesta vida!
Cansada de tanta birra, a mãe começou a amedrontar o filho
com a história do bruxo que arrastava consigo crianças fedidas e
desobedientes. Nem ela mesma acreditava nessa história, mas parecia
não existir outra solução para o filho que não uma criatura daquelas.
− Saiba que há um bruxo com os pés compridos e cascudos, unhas
gigantes, cheias de musgo e lama, orelhas cobertas de pelos enormes
e grudentos, arrastando seu pesado corpo entre as árvores da floresta.
Um ser que perambula há tanto tempo sobre a Terra que, nas costas, no
lugar de pele, tem cascos de conchas.
A cara de espanto do garoto não inibiu a mãe, que continuou:
− O bruxo coleciona crianças. Não qualquer tipo de criança: só
aquelas que não se lavam. Ele sente o cheiro de birra e teimosia e corre
para apanhá-las! Certa noite, quando a lua cheia iluminava o céu, o
bruxo caçou um menino malcheiroso e desobediente e arrastou-o pelo
cabelo embaraçado até o castelo onde morava. Lá o jogou para dentro
de um caldeirão repleto de uma poção horripilante, uma espécie de
ensopado de cocô de vaca velha, casco podre de cavalo, rãs pegajosas,
aranhas venenosas, baba de cachorro bravo, pelo de sovaco de macaco,
couro de cobra e outras coisas. Depois de misturar o menino nessa
gororoba toda, o bruxo transformou-o numa pequena fera peluda e
verruguenta, com cheiro de terra podre.

DUZENTOS E QUARENTA E SETE 247


− Continue assim birrento, teimoso e fedorento e não vai
demorar muito pro terrível bruxo sentir seu cheiro e vir logo
buscá-lo. E eu, pobre de mim, nem poderei defendê-lo desse
monstro imenso.
− Blá... blá... blá... Não vou cortar meus
cabelinhos e nem tenho medo de bruxo
nenhum!
− Isso, continue zombando, que você vai
ser mais um dos meninos desobedientes que
servem de escravos no castelo mal-assombrado
do bruxo.
− Sério?
− Claro!
− Legal!!! Gente pra brincar comigo! Oba!!!
− Na verdade, não tem, não! − tentou
corrigir a mãe, já enfurecida. − O bruxo logo se
cansa dos moleques e, sem dó nem piedade,
derrete cera pegajosa com cheiro de enxofre e
os cobre para que fiquem imóveis para sempre.
Cris Alhadeff

É claro que o garoto não podia ouvir toda aquela história


horripilante e ficar sem um pinguinho de medo... Sua mãe,
afinal, sempre dizia a verdade! Assim, depois daquele dia, sem
que ela percebesse, o menino sempre corria para dar uma
lavadinha nas mãos e escovar rapidamente os dentes. Agora,
pentear o cabelo era outra história! Ele continuava deixando-o
emaranhado a seu modo, não se importando com um ou outro
galhinho − ou mesmo bichinho! − enroscado nos fios.

MARTINS, Penélope. A incrível história do menino que não queria cortar o cabelo.
Ilustrações de Cris Alhadeff. São Paulo: Folia de Letras, 2014.

desgrenhado: emaranhado, enroscado.


zombaria: gozação, chacota, mangação, gracejo.

Penélope Martins é escritora, narradora de histórias, colunista de literatura e


produtora de oficinas que versam sobre leitura e produção de texto.

248 DUZENTOS E QUARENTA E OITO


1. Após reler o texto, responda:
a) Quais são as personagens principais da história?

b) Qual é o nome dessas personagens?

2. Escreva uma característica física e outra da personalidade do menino:


a) característica física:

b) característica da personalidade:

3. A mãe usa uma estratégia para convencer o filho a tomar banho. Qual?

4. A mãe acredita na história que contou? E o menino?

5. Converse com seus colegas e o professor.


a) O que significa “fazer birra”?

b) O que você pensa sobre a atitude da mãe, exigindo que o filho se lave,
escove os dentes e corte o cabelo?
c) Você recebe ou já recebeu, de seus pais ou responsáveis, essas
orientações de higiene? Comente com seus colegas.

6. Reflita sobre o que você leu e responda.


a) O final dessa primeira parte da história foi o que você esperava? Que
outro final você daria a esse primeiro trecho?

b) O que você acha que vai acontecer no restante da narrativa?

DUZENTOS E QUARENTA E NOVE 249


PARA LER

Releia agora a segunda e última parte do conto. Verifique se estavam certos


os seus palpites!

A briga entre os dois, assim, não tinha mais fim, até que
um dia sua mãe, depois de trabalhar no mercado do vilarejo
vendendo sua colheita de tomates, pediu ajuda a um velho
barbeiro. Era um senhor muito grande, gorducho, limpo e
cheiroso. Sua cabeça exibia uma lustrosa careca com cabelinhos
bem aparados nas laterais. Vestia um avental branco com
bolsos enormes, onde portava seu tesourão.
Aquele homem não podia mesmo gostar de meninos
fedidos, encrenqueiros, emporcalhados e, ainda por cima, com
cabelo torto, confuso e malcheiroso!
Comovido pelo desespero da mãe, o barbeiro tentou
convencer o garoto, que brincava ali perto, a um bom corte de
cabelo, repetindo a história do bruxo.
− Não!!! − o menino gritou tão alto, que o povoado inteiro
Cris Alhadeff

se assustou. − Não corto meu cabelo por nada neste mundo!!!


O garoto saiu pulando e correndo feito cavalo
doido, dando coice para todos os lados. O pinote
foi tanto, que saltaram de seu cabelo três piolhos,
duas aranhas e uma barata preta com longas
antenas. Um horror!!!
De longe, o barbeiro falava alto para o menino
ouvir:
− Grite, pode gritar bastante com essa
cabeleira fedorenta! Assim, logo aparece o bruxo
para vir te pegar. Dizem que os olhos dele não
enxergam, mas seu nariz é um radar de fedor,
viu?
Ao ouvirem aquilo, as pessoas do vilarejo,
todas muito supersticiosas, fugiram para suas
casas e fecharam rapidamente portas e janelas.

250 DUZENTOS E CINQUENTA


Foi nesse instante − ou pouco depois − que as
nuvens começaram a escurecer rapidamente, formando
um grande manto negro no céu. Do meio do manto
surgiu de repente a criatura mais sinistra que alguém já
poderia ter visto, ou mesmo imaginado. Era o enorme
bruxo! Ele agarrou o garoto num só golpe pelo cabelo
e o aproximou do nariz, fungando-o.
− Socorrrooo!!! Socoorrrroooo!!! – pôs-se a gritar o
menino, já sentindo seu fim se aproximar. Desesperada,
a mãe segurava seus pés. O bruxo não conseguia
enxergar nada ao seu redor e não pôde ver quando
o barbeiro lançou um único golpe com sua tesoura
afiada no cabelo do garoto. Zapt!!!
Com o golpe certeiro, o bruxo voou com fios de
cabelo enroscados em seu longo nariz, enfeitiçado pelo
cheiro podre que deles emanava. E sumiu.
O menino, livre das garras do bruxo e do cabelo
nojento, acabou caindo bem no meio da fonte da
praça. E ali mesmo tomou o maior banho de sua vida!

Cris Alhadeff
Um tanto emocionado com sua nova aparência, o menino
disse ao barbeiro:
− Na verdade, eu já andava um pouco irritado com tantas
patinhas pisoteando minha cabeça.
Todos riram. A mãe, orgulhosa e satisfeita, voltou para casa
de braços da- dos com o filho, que seguiu sem mal-criações
pelo caminho.
Depois daquele dia, sempre que o garoto dizia que não
precisava tomar banho por não ter suado, a mãe fingia não dar
importância e, balançando os ombros, dizia tranquilamente:
− Por mim...
E lá ia o garoto tirar a roupa...
MARTINS, Penélope. A incrível história do menino que não queria cortar o cabelo.
Ilustrações de Cris Alhadeff. São Paulo: Folia de Letras, 2014.

pinote: pulo, salto dado por cavalos ou montarias.


sinistro: assustador, terrível.

DUZENTOS E CINQUENTA E UM 251


1. Converse com seus colegas e o professor.
a) Após ler a primeira parte do conto, você imaginou como seria a
continuação da história (atividade 6, p. 249). Aconteceu o que você
imaginava? Justifique sua resposta.
b) Você esperava que o menino mudasse de atitude em relação ao banho?

c) Em sua opinião, quais foram os momentos de suspense na segunda


parte do conto? Por quê?

2. Responda:
a) Além da mãe e do menino, duas personagens novas aparecem na
história. Quem são elas?

b) Quais das características abaixo são relacionadas ao barbeiro?

gorducho, limpo, cheiroso orelhas com pelos enormes

c) O conto termina dizendo “E lá ia o garoto tirar a roupa...” O que


significa essa frase?

3. No conto, encontramos uma onomatopeia, que é uma palavra que representa


sons produzidos por animais, pessoas, objetos etc. Releia o trecho:

O bruxo não conseguia enxergar nada ao seu redor e não pôde ver
quando o barbeiro lançou um único golpe com sua tesoura afiada no
cabelo do garoto. Zapt!!!

a) Sublinhe no trecho a onomatopeia.

b) Explique que som essa onomatopeia representa.

c) Identifique, no texto, um outro trecho em que poderia haver onomatopeia


e crie uma para ele.

252 DUZENTOS E CINQUENTA E DOIS


NOSSA LÍNGUA

Releia um trecho do conto:

− Vamos ao barbeiro dar um jeito nessa cabeleira!


− Nunca!!! Meu cabelo é precioso! Preciso dele
mais do que tudo nesta vida!

Cris Alhadeff

Algumas palavras acompanham outras, modificando seu sentido, como a


palavra meu em “Meu cabelo é precioso!”.
1. Converse com seus colegas e o professor.
a) Em “meu cabelo é precioso”, a palavra meu acompanha qual palavra?

b) Se no trecho aparecesse o no lugar de meu, o sentido mudaria? Por quê?

c) A quem pertence o cabelo mencionado nesse trecho? Como sabemos


disso?

As palavras que indicam pertencimento ou posse


de algo são chamadas de pronomes possessivos.

2. Considere este trecho do texto:

Era um senhor muito grande, gorducho, limpo e


cheiroso. Sua cabeça exibia uma lustrosa careca com
cabelinhos bem aparados nas laterais.

a) De quem é a cabeça mencionada nesse trecho?

b) Que palavra indica isso?

DUZENTOS E CINQUENTA E TRÊS 253


3. Nos trechos abaixo, sublinhe os pronomes possessivos:

a) − Na verdade, eu já andava um pouco irritado com tantas patinhas


pisoteando minha cabeça.
b) O barbeiro lançou um único golpe com sua tesoura afiada.

4. Agora, observe outro trecho da narrativa:

Cris Alhadeff
– Grite, pode gritar bastante
com essa cabeleira fedorenta!
Assim, logo aparece o bruxo
para vir te pegar.

a) A palavra destacada nesse trecho acompanha um nome (o substantivo


cabeleira). Ela é um pronome. A palavra essa serve para:

indicar posse, ou seja, indicar que a cabeleira pertence a alguém.

indicar de qual cabeleira se está falando.

b) Dizer “essa cabeleira” é o mesmo que dizer “a cabeleira”? Por quê?

Palavras como esse, essa, este, esta, aquele, aquela e seus plurais,
além de isso, isto e aquilo, são chamadas de pronomes demonstrativos.
Eles situam a coisa demonstrada (no caso, “a cabeleira”) em relação
a quem fala, indicando se a coisa está:
• próxima de quem fala (este, estes, esta, estas e isto);
• próxima de com quem se fala (esse, esses, essa, essas e isso);
• distante de quem fala e de com quem se fala (aquele, aqueles,
aquela, aquelas, aquilo).

254 DUZENTOS E CINQUENTA E QUATRO


5. Veja, a seguir, algumas frases feitas muito usadas no dia a dia e escreva
abaixo delas seu significado:
a) Dormir com as galinhas.

b) Conversa para boi dormir.

c) Arranjar sarna para se coçar.

Dawidson França
d) Custar os olhos da cara.

6. Leia as palavras do quadro abaixo:


Dawidson França

campo convidado vendo companheiro


pobremente despensa comendo

Converse com seus colegas e o professor.


a) Você observou que todas as palavras apresentam som nasal?
b) Distribua as palavras em modos distintos de nasalização e separe as sílabas:

Uso da letra n em Separação Uso da letra m em Separação


final de sílabas silábica final de sílabas silábica

DUZENTOS E CINQUENTA E CINCO 255


c) No quadro que você preencheu, circule as sílabas que têm som nasal.
d) Agora observe novamente as palavras da segunda coluna do quadro e
veja que letra vem depois das sílabas escritas com m:

e) Você já conhece os casos em que usamos a letra m no meio da palavra.


Antes de qual outra letra devemos usar m para dar som nasal a uma
consoante? Cite um exemplo.

7. Sobre o uso da letra m representando som nasal, podemos concluir que:


Usamos antes de e para dar
som nasal a uma vogal, como em campo e cambalhota.
8. Acrescente m ou n ao final da primeira sílaba, nasalizando o som
das vogais.
traça = mata =
bode = tapa =
sobra = cata =
lobo = boba =
9. O que você observou sobre a escrita dessas palavras? Marque a resposta certa:

Ao acrescentar a letra n ou m, a palavra se transformou em outra.

Ao acrescentar a letra n ou m, a palavra continuou com o mesmo


significado.
10. Você já sabe, também, que os sons nasais podem ser marcados pelo til (~) em
cima da letra a, como em cão, cães, ou em cima da letra o, como em balões.
a) Com seus colegas e o professor, leia as palavras abaixo:
Dawidson França

botão maçã mamão melão feijão caminhão


pinhão anão mão tostão fogão botijão
bujão mansão cordão órfão

256 DUZENTOS E CINQUENTA E SEIS


b) Leia as afirmativas a seguir e faça um x na correta:

As palavras que você leu indicam ações que aconteceram ou vão


acontecer.

As palavras que você leu indicam nomes de coisas.

c) Agora você vai ler outra lista de palavras:

cantarão dançarão comerão partirão


chegarão correrão caminharão voltarão

d) Leia as afirmativas a seguir e faça um x na correta:

As palavras que você leu indicam ações que vão acontecer.

As palavras que você leu indicam nomes de coisas.

11. Agora, apresentamos mais uma lista de palavras para você ler e depois
conversar sobre elas com seus colegas e o professor:

cantaram dançaram comeram partiram


chegaram correram caminharam voltaram

a) Estas palavras são faladas de modo igual ou diferente ao do quadro anterior?

b) A escrita das palavras desse quadro é igual ou diferente das do quadro


anterior?

c) As palavras deste quadro indicam ações que já aconteceram ou que


ainda vão acontecer?

DUZENTOS E CINQUENTA E SETE 257


12. Complete os espaços abaixo com a palavra certa:
a) Ontem, quase todos os alunos atrasados por causa
da chuva.

chegaram – chegarão

b) Meus pais de viagem na semana que vem.

voltaram – voltarão

c) Os atletas 17 quilômetros na maratona da semana


que vem.

correram – correrão

d) Meus avós 4 quilômetros ontem pela manhã.

caminharam – caminharão

13. Releia os pares de palavras do exercício anterior e contorne a sílaba forte


de cada palavra:
a) chegaram – chegarão c) correram – correrão

b) voltaram – voltarão d) caminharam – caminharão

14. Vamos registrar o que aprendemos!


Nas palavras que indicam ação realizada por mais de uma pessoa, usamos
quando a ação já aconteceu e usamos
quando a ação ainda vai acontecer.
15. Agora é sua vez! Escolha palavras da atividade 13 e forme duas frases:

a)

b)

258 DUZENTOS E CINQUENTA E OITO


DESAFIO
Geralmente, as famílias têm uma ou duas frases feitas que fazem parte
de seu dia a dia. Procure se lembrar de uma frase feita comum em sua
família e escreva-a em uma folha de papel. Guarde o significado dela só para
você. Apresente-a a seus colegas e desafie-os a adivinhar seu significado.

PRODUÇÃO DE TEXTO

Você já deve ter ouvido alguma história de dar medo, como a que leu neste
capítulo. Agora é sua vez de assustar seus colegas. Crie uma personagem
apavorante e uma história com muito suspense, para aumentar a expectativa
do leitor. Com isso, você vai escrever um conto de botar medo. Depois de
pronto, apresente o texto a seus colegas. Ao final, escolham o melhor conto e
a leitura mais assustadora da classe.

PLANEJAMENTO
1. Para elaborar a personagem assustadora de seu conto, liste:
• as características físicas dele;
• disfarces, se for o caso;
• características psicológicas (o que gosta de fazer, manias, hábitos) etc.

2. Planeje o local onde tudo vai acontecer.


3. Pense sobre o período em
Dawidson França

que a história vai acontecer e


faça uma pequena lista das
expressões que você pode usar
para marcar a passagem do
tempo. Por exemplo: “certo dia”,
“passaram-se tantas horas / dias”,
“logo depois”, “enquanto isso”,
“imediatamente” etc.

DUZENTOS E CINQUENTA E NOVE 259


4. Faça uma lista de palavras que possam ajudar na construção do suspense.
Por exemplo: “de repente”, “subitamente” etc.

5. Liste palavras, expressões ou frases feitas que possam mostrar como as


personagens vítimas do vilão da história se sentiam.
6. Pense sobre qual será o momento de maior suspense.

7. Elabore um final para sua história: quem levará a melhor: a personagem


má e assustadora ou as personagens aterrorizadas por ela?

DESENVOLVIMENTO
1. A partir do que planejou, escreva seu texto. Comece apresentando a
situação inicial que será perturbada pelo aparecimento do vilão.
2. Use elementos que ajudem a construir o suspense em partes do texto.

3. Tente criar um final surpreendente, ou seja, que ninguém esteja esperando.

REVISÃO
1. Verifique se você usou tudo o que planejou; se não usou, veja se houve
algum motivo para alterar o que foi planejado.

2. Revise seu texto, observando se as ideias estão claras e se a ordem dos


acontecimentos está correta.

3. Observe se você usa palavras que mostram a passagem do tempo.

4. Avalie se há cenas de suspense e se as palavras usadas ajudam a provocá-lo.

5. Verifique se há parágrafos que organizam o texto em assuntos específicos.

6. Observe a pontuação e o uso de travessões ou outros sinais indicadores


de fala, em caso de haver diálogos.

7. Por fim, observe se as palavras estão escritas corretamente. Em caso de


dúvida, consulte o dicionário.

Depois de revisar seu texto, leia-o a um colega e pergunte se está claro e


compreensível. Se for o caso, faça as alterações sugeridas por ele.

260 DUZENTOS E SESSENTA


DIVULGAÇÃO
1. Prepare a leitura de seu conto, observando a leitura que seu professor fez
do conto “A incrível história do menino que não queria cortar o cabelo”.

Dawidson França
2. Leia seu texto a seus colegas e ouça, com atenção, a leitura que eles
farão de seus próprios contos.
3. Escolha com os colegas o melhor conto e a leitura mais assustadora.

AVALIAÇÃO
• Converse com seus colegas e o professor:
a) De que conto você mais gostou? Por quê?

b) O que você aprendeu sobre esse tipo de conto?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

LAGO, Angela. Sete histórias para sacudir o esqueleto.


São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002.

Este livro traz casos de assombração (e de esperteza)


colhidos da tradição brasileira e narrados em uma
linguagem que recria o humor, o jeito e o ritmo
mineiros de falar.

DUZENTOS E SESSENTA E UM 261


C A PÍ T ULO

15 DANDO A VOLTA POR CIMA

PARA LER

No capítulo 12, você conheceu a história de Carina e do bode Jojoba, que


se tornaram grandes amigos. Jojoba era um animal querido por um casal de
idosos que o doou para quem também gostava de animais e o trataria bem.
Converse com seus colegas e o professor.
1. Será que todos os animais são bem tratados?
2. O que você pensa sobre maus-tratos em animais?
Neste capítulo, você vai conhecer cenas de um roteiro de uma peça musical
de teatro infantil de grande sucesso no Brasil, chamada Os saltimbancos,
de Chico Buarque de Hollanda. Ele traduziu e adaptou essa peça da original
italiana I musicante, de Sergio Bardotti, que, por sua vez, se baseou no conto
Os músicos de Bremen, dos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm.
A narrativa gira em torno de quatro animais muito diferentes entre si, mas
que têm, ao mesmo tempo, muitas coisas em comum: eles são maltratados
por seus donos, fogem de onde vivem e se juntam a caminho da cidade, onde
esperam ser livres e felizes, como músicos.
O que será que eles vão descobrir na cidade e sobre eles mesmos?
Leia uma cena do roteiro da peça teatral para saber!

A cidade ideal
1a parte
Cachorro – A cidade ideal dum cachorro
tem um poste por metro quadrado.
Não tem carro, não corro, não morro,
e também nunca fico apertado.

262 DUZENTOS E SESSENTA E DOIS


Galinha – A cidade ideal da galinha
tem as ruas cheias de minhocas.
A barriga fica tão quentinha
que transforma o milho em pipoca.

Crianças – Atenção porque nesta cidade


corre-se a toda velocidade
e atenção que o negócio está preto,
restaurante assando galeto.

Todos – Mas não, mas não,


o sonho é meu e eu sonho que
deve ter alamedas verdes,
a cidade dos meus amores.
E, quem dera, os moradores
e o prefeito e os varredores
fossem somente crianças.
Deve ter alamedas verdes,
a cidade dos meus amores.
E, quem dera, os moradores
e o prefeito e os varredores
fossem somente crianças.
Jótah

Gata – A cidade ideal duma gata


é um prato de tripa fresquinha.
Tem sardinha num bonde de lata,
tem alcatra no final da linha.

DUZENTOS E SESSENTA E TRÊS 263


Jumento – Jumento é velho,
velho e sabido,
e por isso já está prevenido.
A cidade é uma estranha senhora
que hoje sorri e amanhã te devora.

Crianças – Atenção que


o jumento é sabido,
é melhor ficar bem prevenido,
e olha, gata, que a tua pelica
vai virar uma bela cuíca.

Todos – Mas não, mas não,


o sonho é meu e eu sonho que
deve ter alamedas verdes,
a cidade dos meus amores.
E, quem dera, os moradores
e o prefeito e os varredores
e os pintores e os vendedores
fossem somente crianças.
Deve ter alamedas verdes,
a cidade dos meus amores.
E, quem dera, os moradores
Jótah

e o prefeito e os varredores
e os pintores e os vendedores,
as senhoras e os senhores
e os guardas e os inspetores
fossem somente crianças.

264 DUZENTOS E SESSENTA E QUATRO


2a parte
Jumento – Então, vamos começar os ensaios?
Cachorro – Sim, senhor maestro.
Galinha – Vamos.
Gata – Falou, bicho.
Jumento – Ótimo, vocês conhecem as notas?
Cachorro – Sim, senhor, conheço duas.
Galinha – Eu conheço três.
Gata – Eu? Umas trinta e nove.
Jumento – Eh! Ainda bem que o burro aqui sou eu. Vamos ao
trabalho, eu toco a escala e vocês cantam as notas, tá?
Galinha – Dó, tem dó, quem viveu junto, não pode nunca viver só.
Cachorro – Ré, reza uma prece, ave-Maria...
Galinha – Mi, milho verde, milho verde...
Gata – Fá, faró, faró, faró, faró, fá, fá, fá.
Cachorro – Sol, ó sol, tu que és o rei dos astros.
Galinha – Lá, lava roupa todo dia, que agonia.
Gata – Si, siiiiiiiiiiiii...
Jumento – Tá certo, já entendi, vamos desistir.
Gata – Ah! Não, a gente ‘tava só brincando!
Jumento – Brincando, brincando, isso aqui é música.
Galinha – Ah! Vamos tentar de novo?
Jumento – Tá bem, repitam comigo, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó.
HOLLANDA, Chico Buarque de. Os saltimbancos. 10. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. p. 15-18.

alameda: pequena rua. pelica: pele ou couro fino, delicado.


prevenido: precavido, preparado para evitar cuíca: instrumento musical.
surpresas. escala: sequência de notas musicais.

Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de julho de


1944. Na infância, destacou-se no futebol e no palco. Na vida adulta, destaca-se
como compositor, cantor e escritor. A qualidade do seu trabalho aparece também no
teatro e no cinema. Para o teatro, escreveu roteiros para diversas peças. Seus maiores
sucessos, porém, são as músicas, nas quais fala de amor, liberdade e justiça.

DUZENTOS E SESSENTA E CINCO 265


1. Na abertura do capítulo, contamos a você um pouco da história que originou
a peça Os saltimbancos. A cena apresentada aqui mostra:

Os animais vivendo maus-tratos de seus donos.

O que os animais esperam da cidade.

Os animais fugindo de seus donos.

2. De acordo com a cena reproduzida que você leu, como os animais, fora o
jumento, parecem se sentir por terem fugido de suas casas? O que mostra isso?

3. Ligue cada personagem à imagem de cidade ideal que ela tem:


Ilustrações: Jótah

266 DUZENTOS E SESSENTA E SEIS


4. Converse com os colegas e o professor. Depois, registre as respostas no
caderno.
a) Das personagens que aparecem nesta cena do roteiro, qual parece ter
uma ideia mais real sobre como é uma cidade?

b) Os quatro animais compartilham alguns pontos comuns sobre uma


cidade ideal. Quais são eles?

c) Qual é sua opinião sobre a cidade com a qual os animais sonham, seja
individual ou coletivamente? Apresente sua opinião e mostre os pontos
positivos e os pontos negativos desses sonhos.

d) Se você fosse um animal e se juntasse ao quarteto, que animal você


seria e como seria a sua cidade ideal?

e) Que personagens tentam mostrar aos colegas outra visão sobre a cidade
com a qual eles sonham? Que alertas essas personagens dão?

5. Leia este texto sobre roteiros teatrais:

Na primeira parte
da cena que você
leu, as personagens
revezam-se nas
partes em que
cantam sozinhas.
Na segunda parte
da cena que você
leu, as personagens
estão conversando
entre si.
Jótah

Em outros textos, você observou que o travessão é uma das


maneiras de indicar as falas das personagens.

• Agora troque ideias com seus colegas e o professor.


a) Na primeira parte da cena, como as falas das personagens são apresentadas?

DUZENTOS E SESSENTA E SETE 267


b) Na segunda parte da cena, como as falas das personagens são
apresentadas?

c) Por que o texto de um roteiro teatral é escrito assim, com as falas das
personagens indicadas por seus nomes?

d) Para quem os roteiros são escritos?

NOSSA LÍNGUA

Você já estudou palavras escritas com ge e gue, gi e gui e outras escritas


com que e qui. Vamos recordá-las com as atividades que seguem.

1. Com seus colegas e o professor, leia em voz alta as palavras da coluna da


esquerda e, depois, as da coluna da direita.

guitarra

Dawidson França
figueira gemada

mangueira relógio

foguinho ginásio

fogueira refrigerante

açougue gente

pessegueiro

Converse com seus colegas e o professor:


• Que diferença você percebeu no som da letra g nas palavras das
duas colunas?

268 DUZENTOS E SESSENTA E OITO


2. O professor escreveu diversas palavras no quadro de giz. Copie-as nos
espaços correspondentes.

Dawidson França
ge

gi

gue

gui

que

qui

DUZENTOS E SESSENTA E NOVE 269


3. Complete as palavras abaixo com a sílaba correta:

Dawidson França

Dawidson França
fo te formi ro
(ge – gue) (gei – guei)

Dawidson França

Dawidson França
abo ca .
(ci – qui) (ci – qui)

4. Circule as palavras em que a letra u é falada:

querida igual aquário queimada espaguete égua


quase quadrado água guindaste parque língua

Converse com seus colegas e o professor:


a) Das palavras que você circulou, que letra aparece depois da letra u?

b) O que você aprendeu ao observar estas palavras?

c) Em que estas palavras se diferenciam das palavras da atividade anterior?

270 DUZENTOS E SETENTA


PARA LER

Você viu que os amigos se dirigiam à cidade com o objetivo de serem


músicos. No caminho para lá, eles precisaram se abrigar em alguns lugares para
descansar. Será que eles chegam até a cidade? Será que se tornam músicos?
Será que mudam seus planos? Leia outro trecho da peça Os saltimbancos e
descubra. Observe que, neste trecho, o autor apresenta uma orientação para
os atores sobre o que devem fazer.

Todos juntos
Personagens cantam novamente a música da página 26.

Jumento – E assim, caro amigo, vamos ficando por aqui. Não é


preciso ir à cidade, se aqui na nossa casa estamos tão bem. Além
do mais, a gente não é muito exigente. O que é que a gente faz?
A gente trabalha. Você, cachorro, o que é que faz?
Cachorro – Eu? Faço sentinela.
Jumento – E você galinha?
Galinha – Eu? Arrumo a casa, faço uma comidinha...

Jumento – E eu? Eu, pra variar trabalho feito um jumento, certo, há


muito o que fazer. Preciso trabalhar pra valer. Quanto à gata... bem,
pra falar a verdade...
Gata – Miau, sou meio
preguiçosa...
Jumento – Mas mantém
a gente alegre, de noite ela
Jótah

se espicha na almofada e
canta um bocado de coisa
bonita pra valer. Ela sim;
virou realmente uma su...
uma... su, como é mesmo?
Gata – Uma superstar!

HOLLANDA, Chico Buarque de. Os saltimbancos. 10. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. p. 31.

DUZENTOS E SETENTA E UM 271


Jótah
1. Considerando as duas cenas do roteiro que você
leu, qual das personagens parece liderar o grupo?
Por quê?

2. De acordo com o roteiro, a gata não tem um trabalho doméstico a desempenhar.


Ela canta e mantém os amigos alegres.
a) O que o jumento parece achar disso?

b) Ao pensar assim, que profissão o jumento está valorizando?

c) Você conhece outra história em que uma personagem canta enquanto


as outras trabalham? Que história é?

3. Observe com atenção os dois trechos do roteiro que você leu e responda:
a) Ao dizer: “E assim, caro amigo, vamos ficando por aqui”, com quem o
jumento parece estar falando?

b) Qual é o título dessa segunda cena que você leu? Como podemos saber isso?

c) Para que serve a informação: “Personagens cantam novamente a música


da página 26”?

As partes do roteiro que não são faladas, mas indicam como as


personagens devem agir e demonstrar emoções, ou para onde devem
andar, olhar, se dirigir etc. são chamadas de rubricas.

272 DUZENTOS E SETENTA E DOIS


NOSSA LÍNGUA

1. Leia as palavras do quadro abaixo e observe as partes destacadas:

nascer crescer piscina descer


nascer crescer piscina descer

As letras destacadas nestas palavras têm o mesmo som das palavras:

fazenda cebola ciúme sapato

açúcar doce mesa camelo

2. Você já sabe que as palavras derivadas geralmente seguem a grafia, ou seja,


a maneira de escrever da palavra primitiva. Complete as frases a seguir com
uma palavra derivada dos verbos entre parênteses:

a) Alessandro caiu na (descer) do morro.

b) Alimentos saudáveis são importantes para o (crescer)


das crianças.

c) A data de (nascer) de Açucena é a mesma da minha.

3. Converse com seus colegas e o professor. Dawidson França

a) Será que todos os dicionários são iguais?


Justifique sua resposta.

b) Seu professor vai distribuir diferentes


dicionários. Procure a palavra carreira no
dicionário que você tem em mãos.

c) Compare as informações encontradas sobre essa palavra e as


encontradas por dois colegas em dicionários diferentes e veja se elas
têm alguma diferença.

DUZENTOS E SETENTA E TRÊS 273


4. As palavras do quadro foram retiradas do trecho do roteiro que você leu.

Fernando Favoretto/Criar
Imagem
prefeito reza cidade prece
moradores cuíca maestro

Cuíca.

a) Escreva essas palavras na ordem que aparecem em um dicionário:

b) Em quais dessas palavras precisamos olhar também para a segunda letra


para colocá-las em ordem alfabética? Por quê?

c) Em quais dessas palavras precisamos olhar também para a quarta letra


para colocá-las em ordem alfabética? Por quê?

5. Nas cenas que você leu do roteiro da peça Os saltimbancos, você viu nomes
de algumas profissões. Nos balões a seguir, embaralhamos as letras de outros
nomes de profissão. Descubra quais são e escreva-as na linha ao lado.

n l e r o r s s o r
i j oa r p o e f

a a t t n i t a s j
c r u i s n o r a l

Agora, coloque as palavras que você descobriu em ordem alfabética.

274 DUZENTOS E SETENTA E QUATRO


6. Na última fala do jumento, aparecem as reticências (que às vezes
chamamos de “três pontinhos”). Como deve ser lida a parte em que
essa pontuação aparece?

Reticências (...), também chamadas informalmente de “três pontinhos”,


é um sinal de pontuação que marca uma interrupção ou suspensão de uma
ideia ou um pensamento.

DESAFIO

Dawidson França
Você já sabe o que é uma leitura
jogralizada ou em jogral, em que
cada pessoa ou grupo lê a fala
de uma personagem e a parte do
narrador. Agora, que tal fazer uma
leitura dramatizada ou dramática?
Você já fez isso alguma vez?
A leitura dramatizada ou dramática é algo a mais que a leitura
jogralizada. Na leitura dramatizada, somente a atuação física não é
realizada, mas a voz, os gestos e expressões faciais são recursos usados
por quem participa. A fala, a voz e a entonação precisam ser exatamente
como a personagem falaria, pois essa é uma leitura viva, que permite ao
ouvinte criar a cena no seu imaginário.
Em grupos de cinco alunos, definidos pelo professor, ensaiem e
apresentem a leitura dramática do segundo trecho que vocês leram da
peça Os saltimbancos.

DUZENTOS E SETENTA E CINCO 275


PRODUÇÃO DE TEXTO

Neste capítulo, você conheceu a composição e organização de um roteiro


de teatro e viu para que ele serve.
Agora, você e um colega serão os roteiristas. Depois de escreverem um
roteiro, ele poderá ser encenado ou vocês poderão lê-lo de forma dramatizada
para a turma.
Transformem um conto, fábula ou lenda de que vocês gostem em roteiro de
teatro. Tomamos um trecho do conto “O cavalo do rei” como um exemplo das
transformações que você deverá fazer no texto que escolher:

Dawidson França
Como o texto aparece no conto
Certo dia, o porta-voz real anunciou, após o toque da trombeta:
– Cidadãos do reino real do rei, Sua Majestade procura um homem
com muita coragem e inteligência.
Todos ergueram os braços, voluntariosos.
– Sua Majestade propõe aos corajosos uma tarefa especial: ensinar o
cavalo real a falar – continuou o porta-voz.
A multidão caiu no riso, mas logo se calou, contida pelos guardas reais,
que ergueram suas espadas.
Duvidando da sanidade mental do rei, ninguém se habilitou. Malasartes
viu naquilo a oportunidade de se tornar rico e respeitado por todo o
reino. Foi à presença do rei.
– Sou professor de línguas animalescas. Venho oferecer a Vossa
Majestade meus serviços.
– Professor de línguas animalescas? Um caipira como você? E existe
essa profissão? – estranhou o rei com suas imponentes sobrancelhas.

MIRANDA, Eraldo; MENDES, Ricardo. As aventuras de Pedro Malasartes.


4. ed. São Paulo: Elementar, 2008. p. 15-17.

276 DUZENTOS E SETENTA E SEIS


Como o texto aparecerá no seu roteiro
(Som de trombetas) FO-FOOM-FOOOOOOOMMMM!
PORTA-VOZ REAL (limpa um pigarro da garganta) – Cidadãos do reino
real do rei, Sua Majestade procura um homem com muita coragem e
inteligência.
(Multidão ergue os braços com euforia.)
PORTA-VOZ REAL – Sua Majestade propõe aos corajosos uma tarefa
especial: ensinar o cavalo real a falar.
(A multidão ri, mas se cala ao ver os guardas reais erguendo as espadas.)
MALASARTES (Sai da multidão, faz uma reverência e se apresenta ao
rei) – Sou professor de línguas animalescas. Venho oferecer a Vossa
Majestade meus serviços.
REI (Com voz de espanto, mexendo as sobrancelhas) – Professor de
línguas animalescas? Um caipira como você? E existe essa profissão?

Observe que os trechos entre parênteses estão no lugar das descrições do


narrador. Essas partes mostram como as personagens se sentem, como devem
agir ou falar.
No roteiro teatral, essas informações não são ditas pelo narrador, mas
demonstradas pelo ator. Quando interpreta, o ator coloca emoções nas falas ou
faz o que o narrador nos contaria. Essas orientações para o ator, como você já
viu, são as rubricas.

PLANEJAMENTO
1. Junto com seu colega de trabalho, escolha
o texto que será transformado em roteiro
teatral. Para isso, observem juntos o tamanho
do texto e a ocorrência ou não de diálogos.
Dawidson França

Vocês podem, também, trabalhar com um


texto que não tenha diálogos, mas terão um
pouco mais de trabalho, porque vão precisar
transformar o que é contado pelo narrador
em falas das personagens.

DUZENTOS E SETENTA E SETE 277


2. Pintem ou sublinhem as partes do texto que devem ser transformadas
em rubricas.
3. Com outra cor, pintem ou sublinhem as partes que devem ser transformadas
ou que já são falas de personagens.
4. Façam uma lista de todas as personagens que participam do texto ou do
trecho que vocês selecionaram.

DESENVOLVIMENTO
1. Transcrevam o texto selecionado, como se fosse um roteiro de teatro.
2. Usem algum destaque para indicar as entradas das personagens (podem
ser cores diferentes para cada uma, letras maiúsculas etc.).
3. Usem cor diferente para indicar as rubricas.

REVISÃO
1. Releiam juntos o roteiro e vejam se todas as partes selecionadas do texto
original estão presentes.
2. Verifiquem se as falas correspondem às personagens certas.
3. Verifiquem se a pontuação ajuda o ator ou leitor a compreender como
aquela fala deve ser dita ou lida.
4. Verifiquem se as rubricas estão claras e se são suficientes para a leitura
dramatizada ou encenação.
5. Faça uma leitura dramatizada com seu colega de trabalho e veja se há
necessidade de alteração em alguma parte.

DIVULGAÇÃO
Dawidson França

1. Depois de alguns ensaios, façam uma


leitura dramatizada do seu texto para os
colegas da classe. Se o roteiro de vocês
tiver mais de duas personagens, poderão
convidar colegas que se sintam à
vontade com a leitura dramatizada para
completar o seu elenco.
2. Ouçam com atenção a leitura do texto
de seus colegas e participem da leitura
deles, caso eles também precisem de
mais personagens.

278 DUZENTOS E SETENTA E OITO


3. Com seus colegas e o professor, escolham um ou dois roteiros e
preparem uma encenação ou leitura dramatizada para toda a escola.

Importante!
Nem todas as pessoas se sentem à vontade para encenar uma peça.
Porém, na realização de um teatro há diferentes funções e formas
de colaborar, pois é necessário que haja bons roteiristas, cenógrafos,
figurinistas e, às vezes, músicos, maestros e coreógrafos. Você pode
escolher a melhor forma de contribuir e participar.

AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor.
1. O que você aprendeu sobre roteiro teatral?
2. O que você aprendeu sobre leitura dramatizada?
3. Em que a leitura dramatizada se diferencia da leitura jogralizada?
4. Em que a leitura dramatizada se diferencia da encenação de uma peça?
5. Você se sente à vontade para realizar uma leitura dramática ou encenar
uma peça? Por quê?
6. De que maneira você poderia contribuir para a encenação de uma peça
por sua classe?

SUGESTÃO DE LEITURA
Divulgação

GARCÍA-LORCA, Federico. Os títeres de porrete e


outras peças. São Paulo: Edições SM, 2007.
Esta obra reúne três peças de teatro escritas por um
dos mais importantes poetas espanhóis. Na primeira,
um porco e uma pomba vão a uma assembleia de
bichos julgar os seres humanos por suas crueldades.
Na segunda, uma pobre carvoeira quer namorar, mas
só lhe ensinam matemática. E na peça-título, Sinhá
Rosinha pensa em se casar por amor, mas seu pai
insiste em escolher quem será seu marido.

DUZENTOS E SETENTA E NOVE 279


C A PÍ T ULO

16
HISTÓRIAS INDÍGENAS QUE
ENRIQUECEM NOSSA CULTURA

PARA LER

Converse com os colegas e o professor:


1. O que você sabe sobre os povos indígenas brasileiros?
2. Será que todos os indígenas que vivem no Brasil têm os mesmos costumes?
3. Será que vivem em moradias semelhantes?
4. Será que contam e ouvem as mesmas histórias?
No Brasil, existem mais de 250 povos indígenas diferentes, que falam cerca de
180 línguas e dialetos e vivem em diferentes tipos de moradias, distribuídos pelo
país. São mais de meio milhão de pessoas que buscam manter suas tradições,
culturas e línguas.
Neste capítulo, vamos conhecer uma história contada pelo povo Guarani,
que vive nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo,
Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará.
Esse povo é formado por cerca de 35 mil pessoas, falantes das línguas
M’Bia, Nhandeva e Kaiowá.
O conto Guarani aqui apresentado será dividido em duas partes. Feche seu livro
e ouça a leitura que o professor vai fazer. Depois, leia o conto silenciosamente.

O roubo do fogo
Povo Guarani (Miro Guarani)
Em tempos antigos os Guarani não sabiam acender fogo. Na verdade
eles apenas sabiam que existia o fogo, mas comiam alimentos crus, pois
o fogo estava em poder dos urubus.
O fogo estava com estas aves porque foram elas que primeiro
descobriram um jeito de se apossar das brasas da grande fogueira do
sol. Numa ocasião, quando o sol estava bem fraquinho e o dia não
estava muito claro, os urubus foram até lá e retiraram algumas brasas

280 DUZENTOS E OITENTA


as quais tomavam conta com muito cuidado e zelo. Era por isso que
somente estas aves comiam seu alimento assado ou cozido e nenhum
outro ser da floresta tinha este privilégio.
É claro que todos os urubus tomavam conta das brasas como se
fossem um tesouro precioso e não permitiam que ninguém delas se
aproximasse. Os homens e os outros animais viviam irritados com isso.
Todos queriam roubar o fogo dos urubus, mas ninguém se atrevia
a desafiá-los.

Dawidson França
Um dia, o grande herói Apopocúva
retornou de uma longa viagem que
fizera. Seu nome era Nhanderequeí.
Guerreiro respeitado por todo o povo,
decidiu que iria roubar o fogo dos
urubus. Reuniu todos os animais, aves
e homens da floresta e contou o plano
que tinha para enfrentar os temidos
urubus, guardiões do fogo. Até mesmo o
pequeno cururu, que não fora convidado,
compareceu dizendo que também ele
tinha muito interesse no fogo.
Todos já reunidos, Nhanderequeí expôs seu plano:
– Todos vocês sabem que os urubus usam fogo para cozinhar.
Eles não sabem comer alimento cru. Por isso vou me fingir de morto
bem debaixo do ninho deles. Todos vocês devem ficar escondidos
e, quando eu der a ordem, avancem para cima deles e os espantem
daqui. Dessa forma, poderemos pegar o fogo para nós.
Todos concordaram e procuraram um lugar para se esconder. Não
sabiam por quanto tempo iriam esperar. Nhanderequeí deitou-se.
Permaneceu imóvel por um dia inteiro.
Os urubus, lá do alto das árvores, observavam com desconfiança.
Será que aquele homem estava morto mesmo ou estava apenas
querendo enganá-los? Por via das dúvidas preferiram aguardar mais
um pouco.
O herói permaneceu o segundo dia do mesmo jeito. Sequer
respirava direito para não criar desconfianças nos urubus que

DUZENTOS E OITENTA E UM 281


continuavam rodeando seu corpo. Foi no fim do terceiro dia, no
entanto, que as aves baixaram as guardas. Ficavam imaginando que
não era possível uma pessoa fingir-se de morta por tanto tempo.
Ficavam confabulando entre si:
– Olhem, meus parentes urubus – dizia o chefe urubu – nenhum
homem pode fingir-se de morto assim. Já decidi: vamos comê-lo.
Podem trazer as brasas para fazermos a fogueira.
Um grande alarido se ouviu. Os urubus aprovavam a decisão de
seu chefe, e por isso imediatamente partiram para buscar as brasas.
Trouxeram e acenderam uma fogueira bonita e vistosa.
O chefe dos urubus ordenou, então, que trouxessem a comida para
ser assada. Um verdadeiro batalhão foi até a presa e a trouxe em seus
bicos e garras. Eles acharam o corpo do herói um pouco pesado, mas
isso consideraram até muito bom, assim daria para todos os urubus.
Eles colocaram Nhanderequeí sobre o fogo, mas graças a uma resina
que ele passara pelo corpo, o fogo não o queimava. Num certo momento,
o herói se levantou do meio das brasas dando um grande susto nos
urubus que, atônitos, voaram todos. Nhanderequeí aproveitou-se
da surpresa e gritou aos amigos que estavam escondidos para que
atacassem os urubus e salvassem alguma daquelas brasas ardentes.
Os urubus, vendo que se tratava de uma armadilha, se esforçaram
o máximo que puderam para apagar as brasas, engoli-las e não
permitirem que aqueles seres tomassem posse delas. Foi uma correria
geral. Acontece, no entanto, que na pressa de salvar o fogo, quase
todas as brasas se apagaram por terem sido pisoteadas.
Dawidson França

Quando tudo se acalmou, Nhanderequeí chamou a todos e


perguntou quantas brasas haviam conseguido. Uns olhavam para

282 DUZENTOS E OITENTA E DOIS


outros na tentativa de saber quem havia salvado alguma brasinha,
mas qual não foi a tristeza geral ao se depararem com a realidade:
ninguém havia salvado uma pedrinha sequer.
– Só temos carvão e cinzas – disse alguém no meio da multidão.
– E para que nos há de servir isso? – falou Nhanderequeí. – Nossa
batalha contra os urubus de nada valeu!

MUNDURUKU, Daniel. O roubo do fogo. In: Contos indígenas brasileiros. São Paulo: Global, 2005. p. 13-19.

Daniel Munduruku é um indígena Munduruku. Como acontece com muitos


outros indígenas brasileiros, seu sobrenome é o nome do seu povo de origem – o
povo Munduruku, que vive na Amazônia. Daniel foi professor e, hoje em dia, é
contador de histórias e autor de mais de 20 livros para crianças e jovens. Algumas
de suas obras já foram premiadas no Brasil e no exterior, como Meu avô Apolinário,
agraciado pela UNESCO, órgão das Nações Unidas.

1. Responda:
a) Como os urubus conseguiram o fogo?

b) Por que os urubus eram chamados de guardiões do fogo?

2. O que quer dizer a parte destacada neste trecho do texto?

Foi no fim do terceiro dia, no entanto, que as aves baixaram


as guardas.

DUZENTOS E OITENTA E TRÊS 283


3. No parágrafo a seguir, as palavras destacadas estão no lugar de quais outras?

O chefe dos urubus ordenou,

Dawidson França
então, que trouxessem a comida para
ser assada. Um verdadeiro batalhão
foi até a presa e a trouxe em seus
bicos e garras. Eles acharam o corpo
do herói um pouco pesado, mas isso
consideraram até muito bom, assim
daria para todos os urubus.

• Depois de trocar ideias com o professor e os


colegas, responda:
I. Por que o autor usou diferentes termos
ou expressões para representar uma
mesma palavra?

Dawidson França

II. O que aconteceria com o texto se ele usasse a mesma palavra nas
partes destacadas?

4. Converse com seus colegas e o professor.


a) Qual é sua opinião sobre o fato de os urubus não dividirem o fogo com
os outros animais?

284 DUZENTOS E OITENTA E QUATRO


b) Que estratégia os homens usaram para roubar o fogo?
Era uma boa estratégia? Por quê?

c) Os homens conseguiram o que queriam? Por quê?

Dawidson França
d) Em sua opinião, o que pode mudar na segunda
parte do conto, que você ainda vai ler?

NOSSA LÍNGUA

1. No texto que você leu, encontramos as palavras:

tristeza surpresa

a) Fale cada uma dessas palavras, com seus colegas.

b) Que parte dessas palavras é falada do mesmo jeito?

c) Essa parte é escrita do mesmo jeito?

2. Leia as palavras a seguir e copie-as na coluna certa:

natureza francesa esperteza dinamarquesa camponesa


gentileza leveza inglesa grandeza holandesa

Palavras terminadas em eza Palavras terminadas em esa

DUZENTOS E OITENTA E CINCO 285


3. Agora, observe como foi formada esta palavra da primeira coluna:

natural – natureza

a) Que palavras deram origem a:


– esperteza – leveza

– gentileza – grandeza

b) Agora, você forma as palavras:


frio – duro –

miúdo – triste –

c) O final das palavras que você escreveu é esa ou eza?

Quando a palavra terminada em eza deriva de outra que é uma


característica ou qualidade de um ser ou objeto, ou seja, um adjetivo,
ela é escrita com z.

4. Veja, agora, a formação das palavras da segunda coluna:

campo – camponesa
França – francesa

Campo e França são nomes – substantivos.


Quando as palavras terminadas em esa derivam de outras que
indicam nomes, como essas, elas são escritas com s.

a) Que palavras deram origem a:


dinamarquesa
inglesa
holandesa

286 DUZENTOS E OITENTA E SEIS


b) Agora, você forma novas palavras:
• menina que nasce em Portugal: .
• menina que nasce na China: .
• menina que nasce no Japão: .

c) O final das palavras que você escreveu é eza ou esa? .

Como você viu, as terminações esa e eza têm o mesmo som, mas
são escritas de forma diferente. Você viu também os casos em que
usamos esa e eza.

5. Complete as frases de acordo com o modelo:

a) Mara é muito bela. A beleza de Mara é famosa.


b) Pedro é muito gentil. Sua
encanta a todos.

Dawidson França
c) Sandra está tão magra! Sua
é aparente.
d) Dona Áurea é muito franca. Sua é sua maior
qualidade.

6. Agora releia algumas palavras do texto e separe as sílabas de cada


uma delas:

a) urubus: f) armadilha:

b) árvores: g) máximo:

c) desconfiança: h) fogo:

d) parentes: i) herói:

e) gritou: j) não:

DUZENTOS E OITENTA E SETE 287


Quando não há espaço no fim da linha para escrevermos uma
palavra inteira, podemos dividi-la. Essa divisão, indicada por um hífen
(–), segue a regra da separação silábica. Ou seja, finalizamos uma sílaba
ao terminar a linha e continuamos com a sílaba seguinte no início da
próxima linha. Assim, em final de linha, uma palavra pode ser dividida
de várias formas. Exemplos: ar-madilha; arma-dilha; armadi-lha.

7. No quadro a seguir, classifique as palavras quanto ao número de sílabas.


Depois, circule a sílaba mais forte de cada palavra. Veja os exemplos:
Número Classificação quanto
Palavra
de sílabas ao número de sílabas

urubus 3 trissílaba

árvores

desconfiança

parentes

gritou

armadilha

máximo

fogo 2 dissílaba

herói

não

A sílaba forte de cada palavra é chamada de sílaba tônica. Cada


palavra tem apenas uma sílaba tônica. As sílabas que não são tônicas
(fortes) são chamadas de átonas.

288 DUZENTOS E OITENTA E OITO


8. Observe a sílaba tônica de cada palavra. Elas estão destacadas em vermelho.
Marque no quadro a seguir a posição que essas sílabas tônicas ocupam.
Veja os exemplos.

Antepenúltima Penúltima Última


sílaba sílaba sílaba

urubus X

árvores

desconfiança

parentes

gritou

armadilha X

máximo

fogo

herói

As palavras que têm a última sílaba tônica são chamadas de oxítonas.


As palavras que têm a penúltima sílaba tônica são chamadas de
paroxítonas.
As palavras que têm a antepenúltima sílaba tônica são chamadas
de proparoxítonas.
Na língua portuguesa, as palavras paroxítonas ocorrem em maior
quantidade. Todas as proparoxítonas sempre serão acentuadas, como
você viu em máximo e árvores.

DUZENTOS E OITENTA E NOVE 289


9. Agora, releia o trecho a seguir e observe os monossílabos destacados:

Sequer respirava direito


para não criar desconfianças
nos urubus que continuavam

Dawidson França
rodeando seu corpo.

a) Quantos monossílabos você encontrou? Escreva-os abaixo:

b) Quais deles você fala com mais força nesse trecho do texto?

c) Quais deles são falados com menos força nesse trecho?

Os monossílabos pronunciados com mais força em uma frase


são chamados de monossílabos tônicos, como mão, não, sim,
tem, meu, nós etc.
Os monossílabos pronunciados com menos força geralmente se
apoiam em outras palavras e são chamados de átonos. Eles não têm
sentido próprio, como de, pra, se, os, as, o, a, me etc.

d) Dos monossílabos que você analisou nesse trecho, quais são tônicos?

290 DUZENTOS E NOVENTA


10. Separe os monossílabos tônicos abaixo em acentuados e não acentuados:

sim eu nós ser vê pá dá pum pó vô


fé pé fim dó si (nota musical) sol ter pés

Monossílabos
tônicos
acentuados

Monossílabos
tônicos
não acentuados

Somente os monossílabos tônicos terminados em a, e e o são


acentuados. Se essas letras estiverem seguidas de s, serão acentuadas
também, como em pés e nós.

PARA LER

Leia, a seguir, a segunda parte do conto indígena que teve início na página
288 e veja se as hipóteses que você levantou ao final daquela seção estão certas.

Acontece que, por trás de todos,


saiu o pequeno cururu, dizendo:
– Durante a luta, os urubus se
preocuparam apenas com os animais
Dawidson França

grandes e não notaram que eu peguei


uma brasinha e coloquei em minha
boca. Espero que ainda esteja acesa.
Mas pode ser que...
– Depressa. Pare de falar, meu caro cururu. Não podemos perder
tempo. Dê-me esta brasa imediatamente – disse Nhanderequeí,
tomando a brasa em suas mãos e a assoprando levemente.

DUZENTOS E NOVENTA E UM 291


Todos os animais ficaram atentos às ações do herói que tratava com
muito cuidado aquele pequeno luzeiro. Pegou-o na mão e colocou um
pouquinho de palha e o assoprou novamente. Com isso ele conseguiu
um pequeno riozinho de fumaça. Isso foi o bastante para incomodar os
animais, que logo disseram:
– Se o fogo sempre faz fumaça, não será bom para nós. Nós não
suportamos fumaça.
Dizendo isso, os bichos foram embora, deixando o fogo com os
homens e com as aves.
Nhanderequeí soprou de novo. Ele o fazia com todo cuidado,
com todo jeito. Logo em seguida à fumaça aconteceu um cheiro de
queimado. Isso foi o bastante para que as aves se incomodassem
e dissessem:
– Nós não gostamos desse
cheiro que sai do fogo. Isso não é
bom para as aves. Fiquem vocês
com este fogo.
Dizendo isso, bateram as asas
e se foram deixando apenas os

Dawidson França
homens tomando conta do fogo.
Enquanto isso, Nhanderequeí
soprou ainda mais forte
e, finalmente, as chamas
apareceram no meio da palha
e do carvão que sustentaram o
fogo aceso para sempre.
Percebendo que tudo estava sob controle, o herói ordenou
que seus parentes encontrassem as madeiras canelinha, criciúma,
cacho-de-coqueiro e cipó-de-sapo e as usassem sempre toda vez que
quisessem acender e conservar o fogo. Além disso, o corajoso herói
ensinou os Apopocúva a fazer um pilãozinho onde guardar as
brasas e assim conservar o fogo para sempre.
Dizem os velhos desse povo que até os dias de hoje os Apopocúva
guardam o pilãozinho e aquelas madeiras.

MUNDURUKU, Daniel. Contos indígenas brasileiros. São Paulo: Global, 2005. p. 13-19.

292 DUZENTOS E NOVENTA E DOIS


Cururu: nome genérico dos sapos, em Tupi.
Nhanderequeí: herói civilizador entre os Guarani. Aquele que cria e ensina este povo a manipular seus
bens culturais. Nesta história, ele é o herói que ajuda o povo a roubar o fogo e ensina a conservá-lo.
Apopocúva-Guarani: o grande povo Guarani está localizado em oito estados brasileiros. Sua língua,
subdividida em Nhandeva, M’Bia e Kaiowá, pertence ao tronco linguístico Tupi. Sua população é a
segunda maior do Brasil. Segundo dados oficiais, chega a 35 mil pessoas. Os Guarani estão presentes
ainda em diversos países que fazem fronteira com o Brasil.

1. Converse com seus colegas e o professor:

Dawidson França
a) A segunda parte do conto indígena
seguiu o caminho que você
imaginava ou revelou alguma
surpresa? Por quê?

b) O que torna diferente as atitudes


do povo Apopocúva e dos urubus,
ao terem a posse do fogo?

c) Ao saberem que cururu tinha uma


brasinha de fogo na boca, a situação
já estava resolvida? Por quê?

2. Responda:

a) Como os Apopocúva conseguiram fazer fogo?

b) Por que o fogo acabou ficando apenas para os homens?

DUZENTOS E NOVENTA E TRÊS 293


3. Assinale as alternativas corretas:
a) No conto “O roubo do fogo”, havia uma situação inicial, que era:

todos guerreavam por causa do fogo.

só os urubus tinham o fogo, e eles não o dividiam com ninguém.

só os homens tinham o fogo.

b) Essa situação mudou quando:

os urubus resolveram proteger o fogo para que ficasse só com eles.

os urubus resolveram doar o fogo a quem mais o quisesse.

os homens resolveram roubar o fogo para dividi-lo com os


outros animais.

4. Converse com um colega e registre as respostas a que vocês chegarem.


a) Durante o roubo do fogo, algo saiu diferente do esperado e fez que o
plano quase desse errado. O que aconteceu?

b) Quem tinha a solução para que os homens não ficassem sem fogo? Que
solução era essa?

c) Como terminou o conto?

294 DUZENTOS E NOVENTA E QUATRO


NOSSA LÍNGUA

1. A palavra brasinha aparece bastante no texto que você leu. Ela é uma
palavra derivada de brasa e indica seu diminutivo. Outras palavras, porém,
podem ser derivadas de brasa. Veja:
Dawidson França

brasa – brasinha – braseiro

a) Observe as partes destacadas nas palavras do quadro. O que elas têm


em comum?

b) Agora, observe as duas palavras derivadas de brasa. Elas apresentam


terminações iguais ou diferentes?

c) Essas terminações mudam o significado das palavras ou formam


palavras sinônimas?

A parte destacada nessas palavras, que não muda em suas derivadas, é


chamada de radical. As terminações acrescentadas ao radical para formar
novas palavras são chamadas de sufixos.

2. Nas palavras a seguir:


• sublinhe o radical (parte que não muda nas palavras primitiva e derivada);
• contorne os sufixos (partes acrescentadas ao radical, para formar novas palavras).

pedra – pedrinha – pedreiro – pedrada

luz – luzinha – luzeiro


guerra – guerrilha – guerreiro

DUZENTOS E NOVENTA E CINCO 295


3. Agora é sua vez de formar novas palavras, acrescentando sufixos:

flor –
Ilustrações: Dawidson França

a)

vento –
b)

terra –
c)

4. Outras palavras derivadas são formadas por prefixos:

fazer – refazer mentir – desmentir


dizer – contradizer fazer – desfazer

a) O que aconteceu na formação das novas palavras?

b) Converse com seus colegas e o professor: com base no que você


observou nos exemplos mostrados, o que é um prefixo?
c) Sublinhe os prefixos das palavras formadas com eles no quadro anterior.
d) O que indicam os prefixos:
• re – • des –
• contra – • in –

5. Observando os prefixos das palavras destacadas abaixo,


reescreva as frases, esclarecendo o que elas significam:
a) Os pais estavam insatisfeitos com a
alimentação do filho.
Dawidson França

296 DUZENTOS E NOVENTA E SEIS


b) Sônia despenteou o cabelo que havia acabado de arrumar.

c) Patrícia recontou toda a história aos colegas.

d) Túlio contradisse seu amigo.

6. Usando prefixo, sufixo ou os dois, forme novas palavras a partir de:

a) ferro –

b) triste –

c) amor –

FIQUE SABENDO
Contação de histórias
Você já viu um contador de histórias exercendo seu ofício? Como ele
faz? Que recursos ele usa para deixar a história mais interessante para
quem ouve?
O texto que você leu neste capítulo foi contado por Bia Bedran, uma
contadora de histórias profissional. Em um buscador que o professor
indicar, pesquise na internet “O roubo do fogo”, contado por Bia Bedran.
Assista à contação de histórias e converse com seus colegas sobre os
recursos que ela utiliza: objetos para fazer sons, vozes, pausas etc.

DUZENTOS E NOVENTA E SETE 297


PRODUÇÃO DE TEXTO

Você vai participar de um festival de contação de histórias. Para isso, vai


precisar escolher um conto indígena e preparar sua contação, usando diferentes
recursos para deixá-la bem interessante e atraente.

PLANEJAMENTO
1. O professor vai formar alguns grupos. Com seus colegas de grupo,
pesquise um conto indígena na biblioteca da escola ou do bairro.
Depois, prepare com eles a contação. Escolham um conto que possibilite
usar recursos sonoros e visuais para animá-la!
Aqui você e seus colegas têm algumas dicas de autores indígenas:

Daniel Munduruku Kaká Werá

Tiago Hakiy Yguarê Yamã

Olívio Jekupé Graça Graúna

2. Depois de escolher o conto, o grupo deve ler o texto selecionado


atentamente e fazer um levantamento dos recursos que podem ser
utilizados para a contação da história.
3. Em seguida, o grupo deve providenciar os recursos e experimentá-los
enquanto faz uma leitura do conto, para ver se esses recursos estão
de acordo com o que você e seus colegas de grupo querem mostrar.
Não se esqueçam de que, em uma contação de histórias, o ouvinte não
tem imagens para ver. Ele apenas ouve a história e imagina o cenário,
as personagens, as ações. Então, quanto mais recursos para estimular a
imaginação de seus ouvintes, melhor.
4. Definidos todos os recursos, é hora de memorizar o conto e decidir
quem será o contador da história. O grupo pode escolher uma pessoa
que se sentir à vontade para isso ou mais de uma, dividindo o conto em
tantas partes quantos forem os contadores, simulando os diálogos etc.
O grupo pode, também, dividir as tarefas: uma pessoa conta a história
e as outras acompanham a contação usando os recursos visuais e sonoros
definidos. O importante é que seja feito um verdadeiro trabalho em equipe.

298 DUZENTOS E NOVENTA E OITO


DESENVOLVIMENTO E REVISÃO
1. Ensaie com o seu grupo a contação da história indígena que foi escolhida.

Dawidson França
2. Depois de alguns ensaios, façam os ajustes necessários, observando se
o contador:
• memorizou a narrativa indígena;
• se expressa de maneira a atrair a atenção dos ouvintes;
• faz expressões faciais que despertam suspense, medo ou outros
sentimentos suscitados pela contação da história;
• usa os recursos sonoros e visuais nos momentos certos e de forma
adequada para quem escuta (no volume certo, no melhor lugar e
momento etc.).

Se optarem por ter mais de um contador, vejam se a articulação entre


eles e o conjunto todo da contação estão adequados.
Por fim, avaliem juntos se a contação está empolgante para os ouvintes.

DIVULGAÇÃO
1. Façam a contação, primeiro, aos colegas da sala de aula e, depois, a
todas as turmas de 1o ano de sua escola, em um festival de contação
de histórias.
2. Essa primeira apresentação ainda pode ser revisada. Verifique se há algum
ponto a ser ajustado antes da apresentação para alunos de outras turmas.

DUZENTOS E NOVENTA E NOVE 299


AVALIAÇÃO
Converse com seus colegas e o professor:
• O que você aprendeu sobre contos indígenas?
• Você já conhecia Daniel Munduruku? E o autor indígena do conto que
você e seu grupo escolheram?
• O que você aprendeu sobre contação de histórias?
• Como você avalia as contações de histórias realizadas pela sua turma?
Há algo que precisa melhorar? O quê?

SUGESTÕES DE LEITURA

Divulgação
TAYLOR, Sean. Cobra-grande, histórias da
Amazônia. São Paulo: Edições SM, 2008.

Viajando de barco nos Rios Afuá e São


Francisco, o escritor inglês percorre a
Amazônia e nos conta lendas e casos que
escutou dos próprios moradores da floresta.
Divulgação

ZIRALDO. A Turma do Pererê: 365 dias na


Mata do Fundão. 2. ed. São Paulo: Globo,
2010.

Nessa história em quadrinhos, o Saci-Pererê


nos guia em um ano inteiro de passeios e
convivência com pessoas, plantas e seres que
habitam a mata.

300 TREZENTOS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABUJANRA, A. NOME DAS COISAS. IN: KARNAK. OS PIRATAS DO KARNAC. SÃO PAULO: SPIN
MUSIV, 2003. 1 DVD: DIGITAL, ESTÉREO. SPIN002.
CAMPEDELLI, G. VINHAS, VINHAS, ADIVINHAS. TEXTO NÃO PUBLICADO.
CATA-VENTOS BOMBEIAM ÁGUA. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.CATAVENTOSFENIX.COM.
BR/>. ACESSO EM: 22 DEZ. 2017.
CLEMENT, R. LENDAS AMAZÔNICAS: A LENDA DO GUARANÁ. DISPONÍVEL EM: <HTTP://
WWW.SUMAUMA.NET/AMAZONIAN/LENDAS-GUARANA.HTML>. ACESSO EM: 22 DEZ. 2017.
DINORAH, M. CANTIGA DE ESTRELA. 2. ED. PORTO ALEGRE: MERCADO ABERTO, 1999.
ÉBOLI, T. A LENDA DA VITÓRIA-RÉGIA. RIO DE JANEIRO: EDIOURO, 2001. (LENDAS
BRASILEIRAS.)
FOLCLORE BRASILEIRO ILUSTRADO: LENDA DO SACI-PERERÊ. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.
SITEDEDICAS.COM.BR/>. ACESSO EM: 26 DEZ. 2017.
GÓES, F. MELHORES POEMAS DE PAULO LEMINSKI. SÃO PAULO: GLOBAL, 2013.
HEINE, E. UMA HISTÓRIA DO SACI-PERERÊ QUE NINGUÉM TE CONTOU. DISPONÍVEL EM:
<HTTP://WWW.DIVERTUDE.COM.BR/HISTORIAS.HTM>. ACESSO EM: 26 DEZ. 2017.
LALAU; LAURABEATRIZ. ÁRVORES DO BRASIL: CADA POEMA NO SEU GALHO. SÃO PAULO:
PEIRÓPOLIS, 2011.
LOPES, S. CATA-VENTO. CURITIBA: NOVA DIDÁTICA, 2007.
MACHADO, A. M. VAMOS BRINCAR DE ESCOLA? SÃO PAULO: SALAMANDRA, 2005.
MACHADO, A. M.; CLAUDIUS. O RATO ROEU A ROUPA. SÃO PAULO: SALAMANDRA, 2013.
MACHADO, D. HISTÓRIAS COM POESIA, ALGUNS BICHOS E CIA. 4. ED. SÃO PAULO:
MODERNA, 1997.
NÓBREGA, M. J.; PAMPLONA, R. SALADA, SALADINHA: PARLENDAS. SÃO PAULO:
MODERNA, 2005.
RUIZ, A.; JABUR, C. ESTAÇÃO DOS BICHOS. SÃO PAULO: ILUMINURAS, 2011. 64 P.
SOUSA, M. DE. MAGALI E QUINZINHO. PORTAL TURMA DA MÔNICA. TIRAS.
SOUSA, M. DE. MANUAL DE BRINCADEIRAS DA MÔNICA. SÃO PAULO: GLOBO, 2003.
SOUSA, M. DE. MÔNICA. SÃO PAULO: GLOBO, N. 159, DEZ. 1999.
VOCÊ PENSA QUE UMA CENTOPEIA TEM CEM PÉS? DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.TJ.RO.GOV.
BR/EMERON/SAPEM/2003/AGOSTO/2908/PORTUGUES/P03.HTM>. ACESSO EM: 20 DEZ. 2017.
ZATZ, LIA. AVENTURA DA ESCRITA: HISTÓRIA DO DESENHO QUE VIROU LETRA. 2. ED. SÃO
PAULO: MODERNA, 2012.

TREZENTOS E UM 301
UNIDADE 2
ATIVIDADE COMPLEMENTAR X
PÁGINA 000

Quem tudo quer tem fogo.

Onde tem fumaça tem cem anos de perdão

Devagar ri melhor.

Ladrão
Quemque
tudorouba
quer de ladrão nada tem.

Água mole
Quem emquer
tudo pedra dura quer comprar.

Quem desdenha se vai ao longe.

Quem avisa amigo é.

Amor tanto bate até que fura.

Quem ri por último com amor se paga.

RECORTE.
TREZENTOS E TRÊS 303
9 788583 191728