PESQUISA

PARTICIPANTE

MITO

E

REALIDADE

Pedro Demo

Brasília, 1982 UnB/INEP

(Versão Preliminar)

ÍNDICE

INTRODUÇÃO .................. ............................... p . CAPÍTULO I: O QUE É PESQUISA ................................ p. 1. Pesquisa Teórica .......................... p. 2. Pesquisa Metodológica ..................... p. 3. Pesquisa Empírica ......................... p. 4. Pesquisa Pratica .......................... p. 5. Conclusões Preliminares .................. p.

CAPÍTULO II: A DECEPÇÃO DA PESQUISA TRADICIONAL ............ 1. A repulsa por parte da PP ................ 2. Crítica à pesquisa tradicional ........... 3. Inutilidade relativa das ciências sociais

p. p. p. p.

CAPÍTULO III: ELEMENTOS METODOLÓGICOS DA PP ................ 1. Teoria e Prática ......................... 2. Postura dialética ........................ 3. Como se entende a PP .....................

p. p. p. p.

CAPÍTULO IV: USOS E ABUSOS DA PP ........................... p. 1. Validade da PP............................ p. 2. Algumas críticas e autocríticas........... p. 3. Precariedades teóricas e metodológicas .... p. 4 . Alguns abusos ............................ : p.

CONCLUSÃO ................................................... p.

Como de praxe. America Latina e América do Norte. FLACSO. p. o asiático e o africano(l). Pesquisa participante. (1) Cfr. "A participação não envolve uma atitude do cientista para conhecer melhor a cultura que pes_ quisa. cela GAJARDO. A uma educação fortemente reprodutora do sistema e das desigualdades sociais pretende -se responder com outra comprometida com os oprimiddos(2). e ao da Iugoslávia em 1980. BRANDÃO (org. .. 19 82. Desde pelo menos 1975 alastrou-se pelo mundo das ciências sociais uma dedicação por vêzes intensa em torno do assunto. s. bem como na linha da pesquisa participante.d. (2) No Brasil. 12)'. Participatory Research.INTRODUÇÃO No Brasil o interesse pela pesquisa par ticipante esta com algum atraso. XIV. a preocupação costuma nascer no âmbito da educação. Brasiliense. Europa. Santiago. do planejamento participativo. por razões históricas conhecidas. destacando-se sobretudo o americano (principalmente latino-americano). Ásia. mim. Mar . mas é comum às ciências sociais. HALL. 6ss. cultura ou histórica se quer conhecer porque se quer agir" (p. Com a abertura democrática iniciada nos últimos anos da década passada começou a incrementar-se o interes_ se em torno de processos participativos da sociedade. Ed. podendo-se talvez atribuir relevo maior ao de Cartagena (Colombia) em 1977. Ao mesmo tempo. Evolución. 1981. Budd L.). foram levados a termo vários encontros internacionais. Ela determina um compromisso que subordina o próprio projeto científico de pesquisa ao projeto político dos grupos populares cuja situação de cias se. a obra mais conhecida ê certamente a de Carlos R. seja na linha da organização da sociedade civil. In: Convergence. do processo eleitoral. o que motivou o surgimento de grupos mais ou menos organizados. n9 3. popular Knowledge and power: a personal reflection. Apresenta-se um pequeno his_ tórico e a formação dos grupos principais da África. situación actual y perspec tivas de las' estrategias de investiagación participativa en America Latina.

porém. cremos que nossos exercício de reflexão crítica sobre a pesquisa participante pode ser iniciado. com vistas a chegarmos a uma posição que desejaríamos e-quilibrada. mente de nível organizativo explícito. alem de um modismo va zio e de muita confusão metodológica. Ao mesmo tempo. Somos da opinião de que a pesquisa participante é uma maneira válida de pesquisar e. se não fora por outra razão. embora tenhamos tido con_ tato com obras de/Veras fundamentais e conheçamos vários experimentos concretos que. como. De modo geral. o fato de ter colocado as ciências sociais em intenso debate do ponto de vista da prática política já basta ria para lhe garantir suficiente relevância.Num trajeto já relativamente longo é claro que ocorreram. embora nao seja o conhecimento todo. Há os que nada vêem de aproveitável naqui_ lo que chamamos de pesquisa participante. é preciso indagar até que ponto trata-se de pesquisa e até que ponto trata-se de participação. Dentro da universidade predomina geralmente a teoria sem prática. existem os exageros e abusos. que seriam assumidas como co-sujeitos da pesquisa. tam bem inúmeras críticas. A 'prática é uma for ma de conhecimento. o contexto concreto de realização da pesquisa participante se apresenta desfavorável. • Este trabalho nao reivindica de forma al guma. conservando sempre abertas as por tas para retomadas e revisões. As_ sim.. 0 enriquecimento real que a pesquisa pode obter atra vés de posturas participativas não pode obscurecer mediocridades metodológicas. mesmo porque não foi possível o acesso a produção já elaborada na sua extensão geral. uma visão exaustiva da questão. nao lemos tudo o que seria bom 1er. carecem geral. pelo menos na intenção. ao lado do natural entusiasmo pelo tema. qualquer processo participativo demanda muito tempo para amadurecer e solidificar-se. não somente por formação acadêmica. Todavia. Dentro de instituições governamentais certamente prefere-se ã pes quisa clássica. mas igualmen te por temor a tudo que se chame participação. Atendonos especificamente aos termos "pesquisa participante". se querem participantes. a produção vigente é bastante repetitiva. que gostaríamos também de ressaltar. sem falarmos em que o pesquisador identificase com . As comunidades. bem como grandes ingenuidades.

ciais. Não banalizá-la. Comunicação e Planejamento. é tão central quanto sobreviver. porque no mínimo é um vento criativo que passa pelas ciências so-. mim. este efeitos participativos. REPORT OF THE INTERNATIONAL SEMINAR ON POPULAR PARTICIPATION. não escamoteála.. Por outro lado. No encontro da Yugoslavia. 140 pp. Mas o objetivo é reforçá-la . superando as enganosas e irreais. Horacio M. Cuidar que exista democracia. nem desacreditar de suas posbilidades. Paz e Terra. Pedro DEMO. Hã muito menos participação do que boa vontade de fazê-la. p. June 1980. é tão relevante como superar a pobreza mate rial. CETREDE . Ljubljana.grande. bem como há muito mais sofisticações participativos da do opressão que através reais de processos pretensamente Todavia. não deixa de impressionar a persistência com que se manteve a bandeira da pesquisa partici pante até hoje._Juan D. mesmo porque a consciência critica é um de seus móveis fundamentais. também naquilo que chamamos de ciência. aperfeiçoar as possibilidades da democracia. admitia-se: "we still do not Know how to participate" (nao sabemos ainda como participar). de CARVALHO. Embora nao seja nenhuma panacéia. cuja importância está muito acima dos abusos. Realiza-se. mim. 6. UFCE. Department of Technucal Cooperation for Development. trata-se da mesma dificuldade que cerca o "pla_ nejamento participativo". são condições de seu possível êxito. que é a conquista de si mesmo.noções de política social participativa. dentro de sistemas hoje já sem saída. A ideologia do planejamento participativo. Fortaliza.. Participa -ção é conquista . cfr. é preciso regar esta plan tinha frágil que é a participação. 17-25 May 1980. o capitalismo e o socialismo. também porque vem sendo mantida sem maiores coberturas institucionais. Criticá-la é essencial. 1982. Ao mesmo tempo. Olhando assim. a pesquisa participante não pode morrer. o traço fundamental do fenômeno participativo. dificuldade com o oprimido(3). UnB/INEP. Tal persistência é uma prova concreta de participa ção. Brasília. N. York. . Yugoslavia. United Na tons. É o cerne da democracia. reconhecimento é muito mais sinal de bom nível e de realismo científico. BORDENAVE & Horacio M. não deturpá-la. Poderá certamente arrefecer e banlizar- se. 1982. 19 80. de certo modo. E tal vez uma saída. hoje de modo geral apagadas e acomodadas. (4) Cfr. de CARVALHO. (3) De certo modo. do que recuo(4).

até que ponto o tratamento teórico e prático da realidade social está sendo levado em frente pela pesquisa participante. precisamos inda -gar. mito e realidade.parece -.Construindo Ciências Sociais. (5) Usaremos como referência científica nosso em livro: Pedro DEMO. Cfr. usos e abusos dela. Atlas. Nosso esforço aqui deverá caracteri -zarse pelo rigor metodológico. quanto podem ser uma bela inspiração. Introdução à Metodologia da Ciência . Por isto mesmo. Já estamos consados de modismos. S. também F. tocaremos os seguintes pontos básicos: o que é pesquisa. inutilidade relativa das ciências sociais para a população. na devida profundidade. pelo menos tolerável. Nenhum entusiasmo pode substituir sua devida funda mentação. Mais que venerá-la. acompanhanos sempre a pergunta. visão metodológica da pesquisa participante . quan to inventar suficiente comida. pelo aspecto de investigação científica. Se a desigualdade social é inevitá -vel . não fazemos mais que oferecer um esquema possível de dis_ cussão fecunda. Não há metodologia única ou obrigatória. teoria e prática.Já é importante o brado de alerta con tra o excesso de opressão. a crítica ã pesquisa tradicio nal. Inventar a democracia viável. a sair Atlas. pela Ciências Sociais. dentro da ótica das ciências so ciais. para que cheguemos a uma sociedade. Assim. Sem descurar do aspecto participativo.. é certamente evitável que seja tão exasperada . senão desejável. é tão essencial. DEMO. De modo geral. é mister desmascará-la(5). Nem vamos camuflar ideologias. Por outro lado. a ciência nem de longe dá o que prome te. Metodologia 1980. . São tão inevitáveis. ou também uma deturpação grosseira.. mas delas partir. Ê importante lembrar que o progresso em ciências sociais vive do ambiente aberto de crítica livre e fundamentada. Paulo.

Infelizmente. quanto a comunicabilidade salutar. . é mister revê-las brevemente. Capítulo Pesquisa. mesmo porque entre as regras metodológicas mais cultivadas aparece sempre o distanciamento para com envolvimentos subjetivos(2). Cfr.CAPÍTULO I: O QUE É PESQUISA "A atividade básica da ciencia é a pesquisa. ideológica distante pratica. 1930. a sair pela Atlas. o que permite. Ou seja. p. Embora sejam muito intrincadas tais questões. o termo pesquisa está pro fundamente estereotipado por vezos consolidados academicamente .Construindo Ciências So ciais. a fim de obtermos um qua dro de referência fundamentado para nossas análises e reflexões. sobretudo no terreno da economia. mas uma relativa autonomia. a muitos ilação ocorre que a de e ato intrinsecamente qualquer teórico. seja apenas outro um de lado. Esta afirmação pode estranhar. De geração qualidade de conhecimento lógica. não se alia a teoria ã prática. P. Antes. 1977. em outras é cla ramente medíocre. existe o fenômeno fundamen -tal da geração do conhecimento"(1). Hans ALBERT. Paulo. DEMO. as ciên -cias sociais possuem paradigmas metodológicos próprios frente às ciências naturais. Altas. pesquisa é somente isto. porque temos muitas vezes a idéia de que a ciência se concentra na atividade de transmitir conhecimento (docência). tal atividade é subsequente. Sem podermos negar excelências reconhecidas nas ciências sociais nor te-americanas. Antes de mais nada. Imago. Introdução a Metodologia da Ciência . Não defendemos a impermeabilidade dos dois cam pos. Na verdade. S. Tratado da Razão crítica. tanto propostas metodológicas próprias. são nossos pressupostos metodológicos: a) Ao lado de coisas comuns. O Mito de Neutralidade científica. De um lado. segundo a qual pesqui sa significa o manejo de técnicas de coleta e tratamento de dados empíricos. 1975. Em muitos círculos universitários. (1) Pedro DEMO. Tempo Brasileiro. Metodologia científica em Ciências Sociais. 13. e de absorvê-lo (discência). predomina a postura americana. valendo como paradigma praticamente indiscutível. (2) Hilton JAPIASSU.

ou no uso que dela se faz.Certamente nao é fácil montar a idéia de que as ciências sociais lidam com uma realidade relativamente autônoma. ao contrário da ciência que teria como objetivo básico descobrir e manipular a realidade. a realidade natural nao é ideológica. por ser inevita velmente histórica e política. a deturpação da rea lidade. contra a suposição oposta (e dominante) de que a realidade. diríamos que o divisor de águas poderia ser detectado ao nível da ideologia. mas pode ser ideológico o uso que dela se faz. na medida que fornece crenças comuns em destinos po (3) P. a ideologia lança mão da ciência. sem a usurpação. b) Ideologia é conseqüência necessária do fenômeno do poder. O movimento de legitimação. é uma só. Simplificando muito as coisas. através das quais provoca sobretudo mentira. e assim por diante. e as ciências naturais extrínsecamente ideológicas. Des_ tina-se a motivar a obediência por parte dos dominador. Também serve para gerar coe -são grupai. extrínsecamente ideológico signi_ fica que a ideologia nao aparece na própria realidade. cit. op. mas no tratamento dado a ela. como nao seria possível descobrir ideologia na matemática. DEM}. capítulo sobre I-deologia. Para chegar a tanto. devendo ser tratada de modo unitá rio (conforme os parâmetros válidos para as ciências naturais). tornar as a camuflar as relações conflituosas como da sociedade. no f undo. quando quer. altas sofisticações teóricas. alean çando. a se atmosfera isto for de irretorquível. Intrinsecamente ideológico signifi ca que a ideologia existe na própria realidade. no sentido de que as ciências sociais sao intrinsecamente. Assim. apto pode a também buscar. e até mesmo a considerado justificar privilégios ameaçados. Por isto a definimos como "um sistema teó ricoprático de justificação política das posições sociais"(3). que aparece como instrumento essencial a serviço dos dominantes. desigualdades sociais aceitas produto incontestá vel da realidade. a montar a expectativa de que os dominantes o são por mérito. que é seu disfarce maior. com explicitação maior ou menor. acentuando seu traço político justificador. a criar a convicção social de que a situação não deve ser contestada. . Intrudução à Metodologia da Ciência.. manutenção e maximização das estruturas de poder provoca a necessidade da ideologia.

Da Ideólo già. De todos os modos. (5) Sobre a visão histórico-estrutural da dominação e da desigua]. Hans FREYER. mas que pode ser feita e pelo menos em parte conduzida. da a Neste contexto. Ideologia não é qualquer sistema de crenças. Entre os conflitos básicos estão a desigualdade social e a dominação. mas nao somente o o objetivo realidade pobreza exemplo. podemos também influir com nossas iniciativas próprias. c) Ao lado do caráter ideológico. Zahar. o que significa principalmente que não somente aconte ce. uma introdução crí tica a sair pela Atlas. Sociologia. A consciência histórica.). ou uma simples mundivisão. Sociologia ciencia de la realidad. Paulo. De um lado. ao lado de condições objetivas. 1983. aquelas car regadas de justificação política no quadro da dominação vigente. De outro. aparece como instrumento de opressão de cima para baixo. a ideologia pode ter outra face. Ideologia na Ciencia Social. imaginamos poder planejar a história. é intrinsecamente conflituosa. está dada e feita. nunca é completa. podemos acrescentar outras conotações que levariam a fundar a diferença entre ciências sociais e naturais. crescente material igualmente aspecto da mobilização política. Paz e Terra. para a qual concor re também a figura do intelectual. 1944. BLACKBURN (org. 1980. ou um mundo povoado de idéias. Buenos Aires . dade cfr. (por é importante o etc).). mas está em constante devir. A realidade social é histórica. (4) CENTER FOR CONTEMPORARY CULTURAL STUDIES (org. o que a faz sempre carente de superação histórica. ainda realidade que social está marcada pela predominem fenômenos inconscien tes. R. ou seja. 1982.líticos comuns (4). que são estruturas fundamentais da dinâ mica histórica(5). P. acir ramento dos conflitos. pode ser arma dos oprimidos contra os opressores. mas designa um campo específico das idéias. S. Na altura dos dominados. o que acarreta a crença de que. . que é central tomar em conta. se houver condições históricas de gerar a contra-ideologia com vistas à transformação social aspecto da realidade. DEMO.

a no fundo. ou de mero retrato. pelo menos até certo ponto. Embora as ciências sociais contenham também justificações políticas. De mo do geral. Não conseguem ser uma expressão pura de lógica formal. d) cuição próxima ideológica. . objetivantes. ideologia. apenas porque expedientes ideologia é montar um quadro de pretensa isenção ideológica. embora devam distinguir. entre o que a realidade é e o que gostaríamos que fosse. No mínimo. como se fosse a finalidade primei-ra da ciência. o que já eliminaria a possibilidade de mera descrição. social há. a teoria e a prática metodologicamente fundamen tadas. As ciências sociais não são objetivas e neutras. estudamos a nós mesmos. na medida do possível. como. consistentes. a detur pação é inevitável. 0 controle da ideologia (não sua eliminação) está entre os compromissos metodológicos mais fundamentais das ciências sociais. pode-se mesmo dizer que em ciências sociais o mais re levante raramente coincide com o mais mensurável. estudando sociedade. rigorosas etc. porém. exemplo. deve predominar nelas a argumen tação. a questão não é simplesmente como não deturpar. objeto.-interessa a realidade. reclama-se entre sujeito e objeto interação dialética dinâmica. mas como reduzir ao mínimo pos_ sível a deturpação. mas é importante que se atenham a parámetros da lógica. ou seja. Enfim. ou de mera estática lógica. É importante esta colocação. o fenômeno ideológico dificilmente se submete a mensurações.é corriqueiros ideologia. não sua deturpação. dificultando mensurações. para não recairmos na ideologia solta. Ao pretendermos isentá-la da Não há a já ciências demarcação que isto mais sociais seria sem imisvão a da realizarmos um dos científica. que sejam coerentes.Na identidade entre sujeito e realidade porque. mas nem por isto é menos importante. É inevitável e conseqüência necessária. Claro. mas nem por isto sempre desejável. procedimentos de manipulação exata as ou realidades as usuais sociais se maniPor festam sob formas mais qualitativas do que quantitativas. originais.

Sobre uma Epistemologia concordatária. reconhecendo-se que poderiam existir outros. p. N9 28. a empírica e . 47 ss.. sempre superável. a sensibilidade. in: Epistemo logia. embo ra sem confundi-las. ser totalmente desco -berta e esgotada. procuramos distinguir pelo comunicações de estilo religioso ou místico. Existem outros saberes. Par timos da idéia de que a realidade nao pode. mas na sua interação dinâmica. G. 13 ss. aceitamos que a realidade social é intrinseca -mente ideológica. Só pode ser uma ideologia obtusa aquela que quer um modo único de pesquisa. a ciência nao é a Ünica manei_ ra de conhecer. 1968.Ademais. cit. a identificação com pretensas realidades extraterrenas menos quatro gêneros de pesquisa: a teórica. linha. o cue nos remete a um conceito processual . porém. ou seja é uma das práticas e favorece a alguém. que valorizem mais. não há sentido só na teoria. Tempo Brasileiro. o contato ecológico simples. A conjunção entre teoria e prática é essencial em ciências sociais. que nao aqueles certas definições básicas: Assumimos as ciências sociais como o gerados na universidade ou nas instituições de pesquisa. intrinsecamente dialético. por exemplo. a própria falta de prática possui significado ideológico. ainda que predomine a crença da necessidade de isenção de envolvimentos pra ticos. G. DEMO. etc. Assim. Ainda. precisa ser demonstrada. nao suposta. partimos de tratamento teórico e prático da realidade social. A expecta tiva de que o modo dito científico seja o preferencial e talvez "superior". de ciência. Se. Metodologia Cien tífica em Ciências Sociais. CAN-GUILlllví. BACHELARD. Nesta a prática. Pesquisa aparece no contexto da ciên -cia como seu movimento fundamental de descoberta da realidade. nossa ma neira de fazer ciência deveria ser chamada de "modo ocidental de produzir ciência". Para aclararmos esta postura. nao há como fabricar tal isenção. nem só na prática. discutível e histórico. op. lempo Brasileiro. Ao contrário. (6) Sobre o problema da demarcação científica. (6) . O Novo Espírito Científico. a intuição. p. a metodológica. É possível descobrir a realidade de mui tas maneiras. Também o que chamamos ciência não passa de um dos modos possíveis de tratar a realidade social. veja P.

A ciência sempre é também uma forma de pensar a realidade. mesmo a especulação pode ser criativa. de a elaborarar em categorias mentais. geralmente estran geiros. ou a veneração dos clássicos. se colocam tantas questões teóricas prévias e precedentes. antes de qualquer ação. por isto mesmo. por exem plo. dominar realidade gostariam mesmo mãos com ticas concretas. ou a fuga teórica. facilmente quase sobre até sujar as tendência. Ou seja. e assim por diante. que sempre é possível mostrar que ainda não é tempo para entrar mos nas vias de fato. Não é diencontrarmos saberiam por sociólogos Podem que manipular aqueles a possuem teorias e de nhecimentos não desprezo teóricos. Pesquisa Teórica Admitimos que nao há ciencia sem o adequado movimento teorico. . É a indigestão Há teórica. Todavia. cer prá como talvez fosse o caso da sociologia e da filosofia. enquanto que a teoria produz a sensação de superioridade de quem nasceu para julgar . à sombra dos quais se parasita tranquilamente. ou o começo fatal de tudo por "Adão e Eva". sem apresentar contraproposta.crítica nesta que a Existe pela exacerbação reflexiva. como expediente para se evitar o encurralamento na prática. quando desanda num movimento subjetivista e alienado. já que toda prática limita e compromete. porque muitas vezes confundimos teoria com especulação. não chegam a ser resolvidos. e somente é condenável quando passa a substituir a realidade. porque já seria pura especulação. deprezan-do-se por vezes olimpicamente a realidade concreta que nos cerca. Aspectos deste extremo são. Nao há pesquisa apenas teórica. que significa a ordenação da realidade ao nível mental. as discussões intermináveis em torno de problemas que. somente realidade devotam co . fícil mas to que mister recaem que evitar os extremos. ou a tendência a simples crítica das propostas alheias.1. de tal sorte que a realidade se reduza a mero jogo de idéias. não para fazer. disciplinas a crítica. . no sentido de que. a. Pode surpreender que consideremos a possibilidade e mesmo a necessidade da pesquisa teórica.

p. Sem teoria. porque é mis -ter teoria para negar a teoria(7). coerente. Assim. desde que direcionado ã descoberta e discussão da realidade. 1965. contextuada no espaço e no tempo. (8) Mesmo Popper reconheceria que todo enunciado observável já é uma "interpre taçao à luz de teorias" . ou seja. cit. où seja. como acreditava Marx. a "demissão teórica"-. 51-52. Nao há real antes da ciência ou fora dela" . mas precisa ser interpretada. podemos vislumbrar a teoria como nosso diálogo científico interminável com a realidade que não conseguimos nunca dominar de todo. . quando dizia que. ou. Alguns momentos centrais dele serian: a) A elaboração de quadros de refe rancia toca a questão vital da sistematização da realidade em nossa mente. criativa e profunda.K. Qualquer dado já é um produto teórico. como diria Bachelard. Embo ra a teoria tenha sempre uma estrutura sistemática. se o fenômeno coincidisse cem a essência da realidade. op. pura e simplesmente. 107. Não-existe a evidência empírica. se admitimos que a realidade não se dá. não tem condições de perenidade explicativa. R. como teoria do conhecimento. Entre estes dois extremos. e sobretudo o realismo empírico. não seria necessária a ciência. encontre graças.O outro extremo seria a negação teórica. Hutchinson of London. signi-fica geralmente que seu autor foi genial. aliás. e não somente facetas circustanciais.: "Nao é. o trabalho teórico é fundamen tal ao processo científico. ninguém escapa em ciências sociais da validade histórica. surpreendente que nenhum rea lismo. consistente. seria a própria morte da pesquisa. conseguiu a-tingir aprofundamentos estruturais da realidade. Ao mesmo tempo. tôda teoria torna-se clás -sica. (7) Cfr. G. Talvez seja possível afirmar que a forma mais comum de mediocridade ci entífica é a falta de base teórica. bem No fundo. pois. Todavia. quer dizer. p. que. 0 fato de que usamos depois de muito tempo teorias passadas. uma análise teorica -mente fundamentada seria aquela apresenta onde "amarrada". é importante insistirmos na idéia do diálogo. aos olhos de Bachelard. sólida. é preciso reconhecer uma contradição básica nesta postura. desdobram de forma concatenada. POPPER. CANGUILHEM. The Logic of scientific discovery. para fazermos justiça a seu conteúdo histórico. é uma das medidas que da nossa uma os capacidade estrutura enunciados de ção se compreensão do que se passa na realidade. somos apenas cré dulos(8).

Diríamos sua que respeitar e os clássicos reduzi-los é a prinmera cipalmente revidar criatividade. o que o mestre já disse. através da qual pode -mos nos armar básica com de alternativas cada as explicativas. Traduzem acumulação conhecimento. marcando já polêmicas algumas ainda pelo seu menos trajeto vigentes. Por vezes. a principais profundamente elaborada havidas e de temporal. de descobrir a dinamica dos processos nisto ricos. Porquanto. mas quer saber por que acontecem. a estilo do discípulo que nada mais faz do que redizer. na qualidade de receptor ou de discípulo. ao mesmo tempo. Consegue discordar e contrapropor. as causas reais. e talvez ate alternativa. significa isto que construiu seu próprio lugar. ficamos na descrição. Quando se aceita alguém como "teórico" de certa disciplina. mas. A partir dele. Significa. circunscrevem ainda cristalizam maneiras típicas de ver a realidade. o melhor discípulo é aquele . na complexidade desencontrada. acentua-se demais o respeito aos clássicos. de forma geralmente empobrecida. elaborar quadro próprio teórico de referência é o desafio substancial da formação teórica. o trajeto de amadurecimento do cientista. O problema maior neste terreno é o mo do como se estudam os clássicos. na acumulação de fatos e dados. quando não deturpada. e assim por diante. para os efei tos. mais que isto. parcialmente válidas. nao transmissão ou repetição. através do qual adquire solidez própria e apresenta-se como capaz de produção original. No entanto. Os clássicos significam a referência histórica disciplina. criativa. Não se contenta em constatar como as coisas acontecem. No lado oposto. de a in vestigar e sistematizar. de superar a superfície para atingir dobras mais profun -das da realidade. emerge o repetidor. o cientista não somente sabe explicar a realidade .O quadro teórico de referencia decide nossa capacidade explicativa. tem sua forma própria de explicação. poucos fe nómenos são mais negativos dentro do processo científico. Sem quadro de referência. do que o do discípulo fiel. Predomina certamente o estudo passivo. Corrige e se corrige. no sentido de apontar. Assim. b) A compreensão dos clássicos é ou -tro campo importante da pesquisa teórica. que se resolve no tirocínio árduo e profundo da pesquisa teórica. tem mensagens próprias.

ao contrário. indicativo teórico discussão determinada disciplina. acadêmica outras não da e aprofundamos autores. a debater-se com. mas. atividade tionamos. domínio teórica. por vêzes. nao aquele que as paraliza. um tratamento subserviente. clássicos 0 bom não clássico tem como é aquele que continua emperrar. manter viva a luz da criati vidade. conflituosa e formação teórica. provocan as do boas discussões. de modo geral. 0 processo de criação não é. procedimento elaborada da básicas na gra é de . c O ) vigente. a formação visões reflexão teóricas. referencia. Esta nos desafia constantemente de a novas a idéias. o autor é é a elaboração convidado a constante dominar da a reflexão literatura circundante. sequer na pós-graduacão.revisões de quadros em torno já de cristalizados atraente. drão lidade de pelo menos na de constante aceitamos. espontâneo. A demasiada aceitação dos clássicos significa. contrário. uma das maneiras mais profícuas teórica.que supera o mestre. estamos sugerindo que o cientista deveria ser fundamentalmente uma instância criativa. a leitu ra assídua dos finalidade alternativas explicativas. de pesquisa é. . na qualidade de convite perene à indagação incansável. Caso alternativas. através qual inventamos Infelizmente privilegia duação e. d) A um exercício fundamental conceitos. polêmicas inventivas aspectos relevantes. A produção vigente tem principalmen te a finalidade de recompor interminavelmente o contexto da criatividade científica sobre uma realidade entendida como inex gotável. no qual a fidelidade ideológica é preferida à construção de identidade teórica própria. assim por este teórica categorias diante. dividindo os cientistas entre here-ges e asseclas. a. de na tal qual cultivo. e neste relativo é através da da produção na ques O pa vita fa qual da especialidade própria. tal qual aconteceu com o próprio mestre. Ao aceitarmos que a atividade básica da ciência é a pesquisa. construído rejeitamos propomos sentido. Assim. como sempre. chega-se cilmente ao marasmo ou às igrejinhas fechadas. que a tanto chegou porque nao aceitou ser apenas discípulo. de tal sorte que a vida continua. Precisa ser cultivado.

(9) "A má vontade crítica não é uma penosa necessidade da qual o sábio poderia desejar se ver dispensado. nao vamos além da ficha bibliográfica. a estruturar explicações. Ê preciso saber interpretar um autor. op-cit. Qualquer proposta alternativa alimen ta-se da vigilância crítica.G. é essencial trabalhar mos indagações teóricas com profundidade e rigor. não ao cárcere das próprias idéias. desde que nao nos A crítica é ela teórica que sempre sua corre o risco da alienação prática. mas.. A ruptura com o passado dos conceitos. discordar dele. •Neste refugiemos na mera especulação. Neste sentido. porque ela não é uma conseqüência da ciência. A teoria crítica traduz a envergadura con -creta da capacidade de produção teórica e significa o grito de alerta contra dogmatismos. também questão de coerência: se a realidade é crítica (conflituosa e dinâmica). Isto é pouco. adequadamente conduzida. p. que precisa ser complementada com a capacidade prática. que nada mais seria do que controle de leitu ra. mas sua essência. que não nos permite degeneramos em fósseis acadêmicos. a polêmica. Saber elaborar um trabalho teórico já é grande virtude. dificilmente poderia supervalorizada. e) mesmo a alma da É em superar o ambiente frouxo das discussões marcadas pela falta de leitura prévia. é o oxigê -nio da sobrevivência científica(9). CANGUILHEM. pode ser ciência. mas não sem paradoxo. Os quadros de referência devem levar-nos à criatividade . sentido. dialogar com ele de igual para igual. nada tem a ver com procedimento uni versitário. Bache lard coloca na recusa a mola propulsora do conhecimento" . A capacidade crítica. . porque leva a ordenar idéias.propostas divergentes. No fundo. a dialética é tudo o que nós encontramos ao fim da analise dos meios do saber. reinventá-lo. porquanto 1er um autor ê uma característica prévia. porque mantém proces ser sualidade imorredoura. Colabora pelo "achismo" ou pelo preconceito ideológico. monolitismos e maniqueismos. a formular posição própria etc. apresen -tar alternativas explicativas. 51. precisa ser tratada critica-mente. A reali dade é mais importante que nossas classificações e sistematiza-ções. Sem exagero. Muitas vêzes. a sistematizar pressupostos teóricos.

Exceto para o metodólogo. acumula-se. repete-se. a cientificidade é sobretudo questão de método. Talvez se possa dizer que é mais importante chegar ao "o que fazer". Assim. o que poderiam dizer em menos. 0 abuso teórico não tolhe seu uso. existe capaz a de boa teoria. seja produzido original -mente. A falta disto traduz o traço típico da mediocridade científica que não possui material de discus -sao. Mas concisa e criativa. difusas e prolixas. é uma disci plina instrumental. nao de criá-los. nao é necessário atribuir sentido pejo rativo a um trabalho teórico. mas igualmente de cientistas capazes de montar explicações teóricas sólidas.A sível. porque geralmente temos da metodologia a idéia vaga e superficial de aprender ins_ trumentos de pesquisa. imaginando substituir a própria realidade. mas aos instrumentais de captação e manipulação dela. Dizem nu-ma infinidade de páginas. Não há somente falta de pesquisadores que saibam ar rumar e interpretar dados. . A metodologia não diz respeito diretamente ã realidade. inspirada e certamente provacante. do que perder-se apenas no "como fazer". mas de cultivar a formação de quadros criativos de referen cia e o espírito crítico. Pesquisa Metodológica Também pode surpreender a tentativa de considerar válida a pesquisa metodológica. mas necessaria. 2. Todavia. São monótonas. o co levar nhecimento para frente e de desobstruir veredas emperradas da ciência. Nao se pesquisa trata de teorica nao o é somente pos_ es recompor extremo da peculação vazia ou de reimplantar a discussão teórica interminá vel. se realizar a condição de instrumento de descoberta da realidade. se complementam. A teoria provoca efeitos negativos somente quando se encerra em si mesma. mas não se explica. um não substitui o outro. muito embora um possa sentir-se mais vocacionado teoricamente e o outro mais empiricamente. São concéntricas. seja retirado de outros autores. porque voltam sempre sobre si mesmas. Descreve-se. Aí está um vício comum e lamentável. antes. Muitas teorias são dispersas.

porque enquanto esta metodologia é a não é propriamente explicativa a da estruturação realidade. Cremos que a realidade social é sufi cientemente específica pax"a merecer método próprio. também na diferenciarem no adjetivo. há mesmo contraditórias. Para isto insiste-se na pesquisa me todológica. A uma realidade entendida como intrinsecamente conflituo-sa. Todavia. DEMO. marxista(10). Nao se coloca o problemàtica problema de instrumental captar e é em si a manipular realidade.: "Elementos da metodologia dialética". nem deixa de conviver frutuosamente com as metodologias outras. apenas uma dia letica. Por isto. sobretudo com a lógica. na verdade. são lógicas. também a social. Nao existe. De todos os modos. . cap. Todavia. que. nao há amadurecimento científico adequado sem amadurecimento metodológico.A conséquente. que é dinâmica precisamente por causa de suas infindáveis contradições históricas. P. Isto depende de um tipo especí- (10) Cfr. que imaginamos poder explicá-la. pode-se entender a dialética como a metodologia própria das ciências sociais.. é certo afirmar que a metodologia é tendencialmente uma indagação de estilo teórico e varia de acordo com a visão teórica respectiva .cit. por outra. op. A teoria. que não pre_ tende por isto mesmo explicar as ciências naturais. identificam-se no substan tivo. é dentro de uma idéia que te -mos da realidade. da antes ciência de se ocidental. que há de significar a descoberta criativa e crítica de modos alternativos de dialogar com a realidade social. ou seja. aquela é o modo de estruturação. aplicamos a uma realidade que cremos dialética. cabe uma metodologia inspirada nesta visão e que é a dialética. precisamente o método dialético. Introdução a Metodologia da Ciência. Embora isto pudesse em tese ser objetado como vício da ciência ocidental. A lógica perpassa formal todas e a as metodologias dialética. sem com isto deixar de se aproveitar também dos métodos' das ciências natu rais. se não tivermos já uma noção previa do que é a reali dade. lógica Em todas há virtudes e defei -tos. acontece que dentro da ciência por nós praticada concebemos a realidade. como logicamente tratável.

(11) (12) Cfr. Se aceitamos que nenhuma metodo logia é completa e final. EDUSP. qualitativo etc são secundárias. a discussão constante sobretudo com as metodologias adversárias é um expediente salutar para não se transformar questões de método em camisa de força. Metodologia científica em Ciências Sociais. Sobretudo o sistemismo defende também a unicidade do método. cfr. polêmica de Lévi-Strauss com Sartre. ou seja. ideológico. sobre as superações. LEVI-STRAUSS. capitulo IX. O Pensamento Selvagem. como se fora delas não existisse salvação. mesmo a maior transformação imaginável(11). ainda que dinâmica. P. é fácil vermos que toda esta discussão é complexa e no fundo frágil. Sobre positivismo. não faz sentido optar por uma. 1970. natural e social(12). que substitui o argumento pela autoridade. momentos da pesquisa metodológica . porque partese da visão de uma realidade única. mas condicionada. Alguns poderiam ser: a) A discussão das alternativas metodológicas favorece a visão ampla do processo de formação da ciência. na concepção de realidade que sub jaz a cada uma. Seja como for. funcionalismo e dialética. estruturalismo. dentro da qual diferenças de caráter histórico. O funcionalismo e o sistemismo asseme lham-se na ótica institucionalizante que emprestam às análises.C. sistemismo . 0 positivismo e o estruturalismo se encontram na postura de unificação metodológica da ciência. Até para a história vale: tudo o que acontece na história é his toricamente explicável. que o entende no fundo ordenado. condicionado. permitindo o posicionamento aprofundado e a opção metodoló gica com conhecimento de causa. causado. porque privilegiam a persistência histórica. Nas ciências sociais conhecemos uma certa profusão de metodologias.fico de visão do mundo. ou apenas de forma voluntarista. DEMO. Ademais. empirismo. Para as ciências sociais. de qual -quer maneira. o que já atestaria a influência ideológica na origem. cit. op. já para todos evidente. porque seria im possivel fecharmola num resultado final. à base do conceito de sistema que se aplicaria a tôda a realidade. A propria mudança não se dá ao léu. o repto é curvar-se ao paradigma das ciências naturais. sem co tizar com ás outras. Isto somente seria possivel no dogmatismo.

A formação do espírito crítico. Não é façanha criticar adversa rios. aquilo que mais acha mos evidente e principalmente a nós mesmos. é a luta constante contra nossas tendências à credulidade. Duro é criticar as "vacas sagradas". não conhecemos tudo. contra o objeto da crítica. ao cientista como artista. até ao ponto de considerar ideologia simplesmente a opinião do adversário. que cultivam em excesso a monotonia empírica. É também a inspiração pr_i meira do pesquisador. Ê preciso sobretudo não fugir a pro postas alternativas. não tem o que pesquisar. Ou seja. mesmo que sempre criticáveis. própria imagina-se explicar tudo. onde existe fidelidade excessiva a certas posturas. como seria talvez o caso de ciências sociais • na maioria dos países socialistas. b) principalmente uma perspectiva A formação do espírito através crítico da qual é se metodológica. Outra é a situação. precisamos reformular nossas explicações. e mesmo nos Estados Unidos. mas não constrói o pesquisador. não pode esquecer que a coerência da crítica está na auto critica. um. . é colocar-se como objeto da crítica. contra a superficialidade. contra o "argumento" de autoridade. contra os dogmatismos e fe chamentos ideológicos etc. dos traços europeus importantes da formação científica é a discus -são metodológica e o ambiente de criatividade infindável nesta parte. contu do.Ainda que possamos discordar. a saber. não se cria mais nada. A causa a mesma mediocridade se consegue credulidade. porquanto pesquisamos porque temos dúvidas. porque se reduz tudo ao tamanho da própria visão. Quem nao padece de dúvidas. Mas a críti ca autocrítica é fonte de criatividade e abriga a condição fundamental da originalidade científica. Onde impera a evidência. A ciência por pacote facilita o término do curso. A critica me ramente teórica é o refúgio de quem teme a prática. Não falta da ver de nada preocupação de base da além metodológica Resta ótica a e falta teórica. Talvez se chegue ao idiota especializado/ não ao criador original. É por demais comum o vício da crítica unidirecionada. exerce a vigilância crítica sobre o que fazemos e acreditamos . con tra o comodismo das leituras fáceis. mais importante que criticar os outros.

Para chegarmos ao controle da ideólo -già. Se a credulidade dos outros é um problema. fácil. contornada de todos os lados. Outros esparramam-na nas entrelinhas ou chegam mesmo não se dão conta.predominar a argumentação sobre a justificação. que será sempre apenas relativo. Por isto diríamos que. e por ele que passa a chance de alternativa. porque. um tipo de ideologia pode ser colocado sem protestos. direto. admitir-se ideológico. Partindo daí. deste ponto de vista. porque deve. A ideologia aparece de formas mais ou menos explícitas. o ponto de partida será o de se reconhecer ideológico. E ainda há os que porque acham que somente os outros são ideológicos. caminho virada pelo avesso. que é a predominância do argumento sobre a justificação. porque contêm sempre erros. é possível à situação de presença controlada da ideologia. muito maior problema é a nossa. c) fundamental inevitável e do processo de mesmo necessária O controle da ideologia a subverter é a um passo como pesquisa. busca-se então seu controle. a . Em determinado momento histórico. Dentro da perspectiva do con trole. De outro. o que permitiria o fenômeno fun damental metodológico. não se coloca mais a idéia ingênua e irreal de eliminação da ideologia. de acordo com o cientista e com o momento histórico.Nisto a ciência é diferente do senso comum (embora nem sempre por isto superior:não crê em conhecimento imediato. não Reconhecer ideologia significa pretensão científica. mas a própria. É simplesmente coerente para quem julga serem as ciên cias sociais intrinsecamente ideológicas. a primeira ideologia a ser detectada nao será a dos outros ou dos adversarios. O erro é companheiro solidário do científico." Assim. seja a ser subliminares. a ideologia pode mesmo ser uma inspiração. até mesmo porque acreditam que o debate aberto é pre_ ferível. Há cientistas que colocam sua ideologia mais ao alcance dos outros. sob em pena bora de deva nao ser passarmos superado de simples que descrições e de fotografias passageiras. A realidade precisa ser escavada. enquanto outros causam estranheza ou são coibidos. no sentido de conseguir detectar nossos apegos ideológicos e de conviver criativamente com eles. sempre possível. seja porque nao chegam a preocupar-se com isto. De um lado. As teorias sao sempre superáveis.

Insiste na objetividade e na neutralidade sobretudo por temor que a desmascarem. como qualquer processo pedagógico: mais domestica. as ciências sociais sao justificação política da sociedade em que se vi ve. Mais do que descobrir a realidade e de a manipular. Em tudo há pouco de arte criativa. . do que educa. até a própria identifica ção metodológica vital. do que de sua redução. o cien -tista vê na ciência a maneira de montar uma forma privilegiada de vida. É profundamente um projeto pequeno-burguês. De modo geral não há grandes autores. Muito mais do que imaginamos. Justifica muito mais facilmente os poderosos. participação pode ser real. resumindo e recompondo. d) O cultivo da originalidade cientí fica Pouca novas é uma promessa acontece. que metodológica e entre os as fundamental. não ternativas perceptíveis. mas é muito mais fácil ser uma farsa. Transparece aqui também o lado sociali zador da formação científica. Ê muito mais instrumento da desigualdade social. £ decisivo armarmos o quadro metodológico que nos leve ã desinstabilização constante. Impera a máquina de moldagem. não há teorias abalem fundamentos muito ciência. do que assume o risco da prática do oprimido. à som bra dos quais é geralmente produzida. a ciência é uma história muito mal contada. lavrado sobre a distinção ex eludente entre trabalho intelectual e manual. de instrução programada. do que com os humildes. embora talvez às custas do povo. Não é produzida pelo povo. Principalmente ideológica totalizante. de absorção de ensinamentos. repetindo. Não são instâncias de criação de alternativas científicas. Do ponto de vista ideológico. ao protesto contra nossa própria me diocridade. esta preocupação para os cientistas é que A desejam a aproximação com os oprimidos. que acontecem da principalmente talvez esteja há se a al tomarmos em conta o relativo marasmo atual das ciências sociais. São instâncias de aprendizagem. e muito mais ten -dente a identificar-se com os poderosos.pesquisa metodológica é algo vital. ã quebra de rotinas explicativas. Estamos mais transmi tindo. coisa pesquisa participante.

Se olharmos também para o cansaço das ciências sociais. como se fosse a única maneira de descobrir a realidade. Pesquisa empírica é a pesquisa mais usual. interpretar fatos. Caracteriza-se pela experimentação da influência deve-se também ao fato de ter sido adotada como paradig ma central das ciências sociais nos realidade. para termos o possivel. 3. recompor a esperança em nossa potencialidade. ainda que possa ser irrelevante do ponto de vista social. Produzir dados. mas igualmente a capacidade de ser mais útil. foi um "santo remédio" con tra a tendência especulativa de ciências sociais muito dadas a teorizaçoes mirabolantes e subjetivistas. Em ciências sociais passou praticamente a monopolizar o sentido de pesquisa. segundo a qual a demarcação científica passa pelo teste da realidade empírica observável. num contexto de realidade tida por intolerável. que poce encontrar nisto instrumen tos de grande valor para suas análises. De certa forma. Sua Estados Unidos. manipular estatísticas é uma virtude fun damental do cientista social. Em absoluto é possível negar os méritos da pesquisa empírica. Participa da visão. está pelo menos dentro da realidade observável. porque operacionalmente traduzida. urge inventar coisas novas. construiram-se infindá veis técnicas de coleta e tratamento de dados. Privilegia processos de quantificação e de mensuração. como adequar o desejável dentro do viável. A pesquisa participante. cuanto à capacidade de resolver os problemas angustiantes do homem. enquanto que também ofereceu base mais consis . O uso da estatística alargou muito o campo de trabalho. lançando mãe de todas as técnicas de coleta. na qualidade de instrumento de descoberta contante de uma realidade infindável. mensuração e manipulação de dados e fatos. constituindo-se hoje um legado importante. por mais cue possa exagerar sua promessa. AO mesmo tempo. representa a sofreguidão pela alter nativa. o que acarretaria não somente o traço de uma proposta testada. é o que esperamos da pesquisa. perdidas num patamar de relativa inutilidade. descobrir novos rumos. O que se estuda empiri camente.

da quantificação. sem escon der a crítica contra analises feitas longe da realidade ou dema siadamente subjetivas. São muito conhecidos indicadores de certas faces da realidade. . da experimentação. que veremos adiante. Todavia. Hoje temos já indicadores consagrados em cada disciplina. sanitários (mortalidade infantil. As_ sim. 0 uso do computador permitiu grandes sofisticações. bem como a formação de bancos de dados. reduzindo-a à devida modéstia das afirmações fundamentadas. por exemplo. embora sempre frágeis e mutáveis.tente para as afirmações e generalizações. A quantificação pode ser muito útil e tem sempre a vantagem de poder ser refeita por outros. que. Muitas críticas hoje feitas aquilo que se chama pesquisa clássica ou tradicional são certamente corretas. uma análise das funções da universida de na sociedade. A pes quisa empírica somente é condenável quando acometida do vício empirista. a idéia válida do teste empí rico foi freqüentemente abusada como forma única de conhecimento da realidade. de analfabetismo etc). traduzem o esforço de produção científica testada e replicável facilmente. até a observação participante. índice de Gini etc). como indicadores econômicos (renda per capita. tes -tes psicotécnicos etc). não precisa ser funcionalista. que viabilizam o acompanhamento de fenômenos ao longo do tempo sob for_ ma bastante controlada. psicológicos (quociente de inteligência. do teste etc só faz bem. a aplicação adequada da mensuração. No mínimo traz a teo -ria ao terra à terra. O grande valor da pesquisa empírica é • a produção de análises empiricamente testadas. porém. o que permite também o teste intersubjetivo. confundem pesquisa empírica com pesquisa empirista. De qualquer forma. Outras. trouxe a necessidade do contato direto entre sujeito e objeto. educacionais (taxas de escolarização . O trato da realidade empírica enriqueceu imensamente o repertorio das analises. desde comportamentos mais formais da observação seca e distancia -da. espe -rança de vida etc) e assim por diante.

porque a realidade social é incrivelmente mais rica e exuberante do que as mensura ções que possamos Inventar(13). Assim. Brasília. raramente o mais mensurável coincide com trouxe grande descrédito ã pesquisa empírica. porque revela crescimento. Notas gerais sobre Indicadores Sociais. MEC. Certamente. segundo. ou seja. Quando unilateralizada . no contato com a realidade descobrem-se coisas que a teoria sequer havia suspeitado. Secretaria Geral. uma vez foi usual fazer este tipo de comparação. porém. in: Indica dores educacionais no contexto do desenvolvimento so cial. 0 exemplo do uso da vêzes renda exigimos per demais para da quano capita medir desenvolvimento dos países é ilustrativo.Muitas tificação. p. mas não pode medir sua distribuição inter na. mas não uma falha da própria medida. Renda per capita significa tão somente uma relação entre o produto econômico gerado e a população e xistente. como a renda per capita. (13) p. especulando parar. ss. como se existisse apenas para camuflar a realidade. Série Planejamento 2. é erro do analista. 13. não da medida. A principalmente na atração de da pesquisa com empírica está a característica permitir facilidade descoberta da realidade. com razão a pesquisa participante se insurge contra isto. primeiro porque uma média não revela bem os extremos e. perdido numa ex trema indigestão teórica. Para quem vive na sala de aulas. o que daria uma média de renda por habitante. Em si. E é isto que se interpreta. oportunidade para se testar até que ponto o que se pensa ba_ te com a realidade. torna-se ridícula. impugnou -se a validade desta medida e passou-se a ver nela alguma "perversidade" intrínseca. ainda que em doses pequenas e muitas vezes forçadas. Em ciências sociais é assim que. A partir de certo momento. 1980. porque é uma grosseria amarrotar dimensões qualitativas em padrões rígidos quantitativos. Esta re lação mede apenas o crescimento do produto econômico relacionado com os habitantes. O problema é como o mais relevante. uma falha dos intérpretes. DEMO. o que aconteceu foi muito mais um abuso da medida. Exigir que esta medida reflita a distribuição do produto. Assim . não desenvolvimento (= crescimento participativamente distribuí do) . . cercado sem por intermináveis a empiria questiúncu-las significa uma metodológicas. não há nenhum demérito em formar uma medida.

A pesquisa prática não substitui as outras. outra ê ir vê-los de perto e. a critica desenfreada. todavia. . No concreto. convive com as outras e pode ser unilate ralizada como as outras. Ademais. A pesquisa empírica também serve como controle da ideologia. pelo menos no sentido do teste da realidade concre ta. porque irreal. do que incríveis teóricos. 4. A isto deu-se o no me de observação participante. não se trata da pra tica do senso Tratacomum. Pesquisa prática A pesquisa prática contém elementos da empírica. embora possa facilmente recair no extremo oposto. mas a ultrapassa de longe com referência ao conceito de pra tica. que assume compromisso com opções de ralização histórica. da ilusão da isenção ideológica. até conviver com eles. contenha o elemento da descoberta científica." Em termos de planejamento. O cuidado teórico. por que uma generalização excessiva retiraria sua especificidade. a exas_ peração ideológica. Sem avançar outros componentes que serão posteriormente tratados. Trata-se da prática político-ideológica. que. que é sempre político-ideológico. cai a mascara da empáfia teórica. uma simples pessoa do povo opera melhor soluções viáveis. se de que prática poderia ser simples ativismo ou ou seja. nada tem a ver com a pesquisa participante. mero que condicionamento externo e objetivo de nossas pretensões teóri -cas. outra é propor o viável. a coisa é outra. é preciso acentuar qua a prática é também uma forma de descobrir a realidade e de a manipular. Por vezes. para lhe poder caber a marca de pesquisa. Não se trata de qualquer prática. Mais que isto. científicamente contextuada.uma coisa é estudar os índios nos livros. 0 contato com a realidade concreta fa cilmente cura o vedetismo teórico. se possível. metodológico e empí_ rico não lhe faz nenhum mal. Quando se mexe com a realidade concreta. Descobre-se que o mundo teórico é por vezes muito ordenado. uma coisa é imaginar o desejável.

o que transparece já com suficiente clareza na predominância das metodologias positivista. S. tendencialmente as ciências sociais escondem ou revelam uma proposta de estilo conservador . Intelectuais e Vivaldinos. da desigual dade e de outros conflitos estruturais. Aimed. Por isto. à medida que motivam a formação de uma elite intelectual capaz de produzir e manipular ideologias a ser viço dos poderosos. antagônica". isto que as ciencias sociais sejam que insao quer também significar necessariamente práticas. a questão do poder.Assumindo-se trinsecamente ideológicas. ou sobretudo quando. A postura prática assume uma opção teó rica e por isto coloca a questão ideológica de modo explícito . Mas isto basta para incutir nas ciências sociais o gosto típico de proposta conservadora. condensados na posição geralmente privilegiada dentro do sistema de produção e de poder(14). Carregam a função fortemente legitimado ra dos grupos dominantes. valem os condicionamentos objetivos.. A omissão da prática passa a ser também uma espécie de pratica. porque. ne -guem isto. postura "não estruturalista. como expressão social. As ciências sociais são necessariamente um fenômeno político. historicamente condiciona dos. Não é necessário perder o senso do controle ideológico. embora isto facilmente aconteça. nem burgueses. As ciências sociais são produzidas por homens de carne e osso. maneira. Mas mesmo a dialética conhece versões amansadas. porque esconde ou revela um tipo de opção política e o favorecimento de alguém. funcionalista também e passa sistêmica. poder como intocáveis e me ritocráticas. alocados concretamente na estrutura de poder. 1982. entre outras coisas. Paulo. Dentro da problemática social emerge. Geralmente os cientistas são pequeno-burgueses. nem proletários. . a pintar sobre a dialética. O controle ê feito de outra engajamento declarado. ao la do dos traços epistemológicos. sao marcadas pela problemática so cial em que são geradas e cultivadas. mesmo quando. sobretudo na quando estruturas vigentes de. não através do distanciamento mas através do A cultivado como acontece nos outros tipos de pesquisa. mais que as intenções. (14) P. DEMO. que também são.

mas de modo contido. Assim. surgem as distorções usuais: deturpações grosseiras da realidade.ciência coloca-se ostensivamente a serviço de uma ideologia. primário pesquisa prática tenha vocação natural a defender os oprimidos. A reacionária não é menos prática . mas não grante a direção da política e da ideologia. embora na teoria o pesquisa dor aprecie fantasiar-se de transformador do mundo. Cabe isto somente aos atos políticos fun damentados na postura da pesquisa científica. seja conscientemente. Se usarmos a figura do "intelectual organi co". Assim nao se pode chamar de pesquisa prática a qualquer ato político. ê contrária. cultivo do dogmatismo e do "argumento" de autoridade. pode facilmente haver. ela quer conotar em si o intelectual que colabora na justificação do acesso ao poder. . quanto no sentido de mudar a estrutura de po der em favor dos "dominados. massacre do espírito crítico em nome de uma ideologia obtusa. é mister que predomine o cuidado científico. do ponto de vista de uma produção pequeno-burguesa á tendência é a contrária. Ao mesmo tempo. e é muito rara a prática revolucionária. erro Prática supor significa que a opção política e ideológica. e assim por diante. Sem este cuidado. tanto no sentido de manter nele os poderosos vigentes. esta característica existe. Mesmo quando se as explicitamente ideologia. tendência predominar postura conservadora. Predomina geralemente o primeiro tipo. capazes de descobrir e manipular a realidade. Predomina a prática conservadora. ou seja. Para ser pesquisa e nao mera ideologização política. unilateralização da pesquisa como se somente valesse a prática. é de Muito mais a naturalmente compromete-se com os opressores. é extremamente ingênuo imaginar que somente seja práti-ca a postura revolucionária. seja inconscientemente . condenação apressada de ou -tras posturas possíveis. Ao contrário. No caso geral. nos cientistas que se iludem com a objetividade e com a naturali dade. apenas está na direção Neste ideológica sentido. prática reformista e também reacionária. no sentido pelo menos de ser uma ideologia cientificamente conduzida e fundamentada. a ciência comprometida não precisa necessariamente sume comprometer-se a com a os oprimidos. há diversos níveis da prática.

a serviço da qual se coloca a pes_ . a partir de baixo para cima. e intervindo na realidade pró pria. de tal sorte a eliminar a característica de objeto. seja no sentido de nao atentar para sua dificuldade real dentro dos conflitos concretos da sociedade. porque se exclusiviza apenas um nível da prática. A pesquisa participante pode ser aloca da dentro do espaço da pesquisa prática. desde o pesquisador que gosta ria de se identificar com a comunidade de forma constante e defi nitiva. saia de cena. de modo geral. mas a autoprono -ção. se o problema não é a promoção. ainda. mas que nao subtraem seu valor.•como corrente especifica. produzindo conhecimento. Ademais. A po pulação pesquisada é motivada a participar da pesquisa como agen te ativo. A pesquisa parti cipante caracteriza-se pelo compromisso ideológico ostensivo. identificar-se ideologicamente sumindo sua proposta política. não ganha apenas para reproduzir sua força de trabalho nem faz parte do exercito de reserva. Aliás. a identificação ideológica é muito complexa e penosa. de um pesquisador. ser proletario tí pico. Ao pesquisador que vem de fora quisa. Mesmo porque nao há condições reais. entre A pesquisa sujeito e participante identificação totalizante somente participação.A pesquisa pràtica serve a incontáveis farsas. mistifica-se pelo menos em parte a questão da prática. seja no sentido de esquecer o lado da pesquisa e fazer-se crítica. embora prefira-mos busca colocar a ambas como sinônimas. se tomarmos a sério a questão das diferenças de clas_ ses e considerarmos o pesquisador como pertencente geralmente ã pequena burguesia. a partir de certo momento. Não é menos participante a pesquisa i deologicamente identificada com os dominadores. até aquele que faz este tipo de pesquisa intermitentemen te. A pesquisa cabe torna-se instrumento no sentido com de a possibilitar comunidade. pertence à elite intelectual. aquela de propensão transformadora. mas não garante que seja de esquerda ou direita. o compromis so admite gradações importantes. talvez fosse muito mais desejável que o pesquisador. Nesta linha. um dos vícios mais comuns é a banalização do fenômeno político-participativo. quando a comunidade anda pelas próprias per nas. que tem formação superior. recaindo no ativismo sem reflexão objeto. à as comunidade assumir seu próprio destino. ou seja.

Caracteriza-se pelo compromis so ostensivo ideologico-político com o objeto da pesquisa. Também tem seus defeitos. dis_ tinguindo-se por alguma acentuação específica no plano do conhe cimento e da intervenção na realidade. sem duvida. b) Os outros gêneros de pesquisa . é uma forma válida de descobrir e manipular a realidade. não é qualquer processo participativo que merece o nome de PP. ê possível preservar o lado da pesquisa. é incorreto considerá-los excludentes ou inferores. Alguns passos iniciais sobre a pesquisa participante (PP) poderiam ser: a) A PP é um gênero de pesquisa. pesquisa metodológica (PM) e pesquisa (PE) têm sua razão de ser. de modo geral sao complementares. buscando nisto uma via de descober ta e de manipulação da realidade. O compromisso ostensivo com determinada ideologia pode também ser uma via de controle i Geológico. mas só tem a perder se não ostentar base teórica. Assim. passando a instrumento importante na realização da proposta política do grupo estudado.Por tais razões. em função do qual se desfaz a condição de objeto. não só porque a prática é componente constituinte do processo de conhecimento. mas não é con dição absoluta. mas igualmente porque o processo participativo admite. c) A P? acentua o lado da prática . d) Não obstante. e assim por diante. Mesmo que pudéssemos mostrar que todo processo . A pesquisa pode ser um instrumento relevante de processos participativos. tendemos a conride rar como pesquisa participante aquela que privilegia a relação prática com a realidade social. pesquisa teórica (PT). por mais que possa apontar defeitos neles e que certamente existem. no sentido de recair facilmente no ati -vismo. co mo tal nao substitui os outros. amadurecimento metodológico e uso conveniente de testes experimentais. pelo menos no sentido de que é mais fácil controlar o jogo aberto. e) Todavia. fundamentação científica. no partidarismo. no dogmatismo.

que tenta contrapor os quatro neros . desde que nao se conceba exclusiva e substitutiva dos outros generos de pesquisa. muitas vezes um péssimo subterfúgio para pesquisadores mal formados. razões ideológico-político. Em ciên cias sociais. Tem como finalidade principal mostrar que é incorreto prender a pesquisa ao espaço empírica . Quando o científico é reduzido ao observável e mensurável. políticas. mas também de trazer os ventos pena. 5. com vistas momentos em que o distanciamento ideológico (nao sua elimina ção). Conclusões preliminares da alternativa na esfera das ciências sociais. conota medíocre e superficial. as dimensões qualitativas são essenciais. f) Nao se há de responder a um erro. e sem condições de conduzir o mínimo teste empírico. E vale o no reverso: sentido seja nem. sem base teorica e metodológica. nao responderemos com a banaliza ção da PP. Isto já vale muito a A organização proposta do espaço da pesquisa é certamente tentativa.participativo traz alguma descoberta da realidade. tôda pesquisa precisa Have a rá uma acarretar ate por participação. g) O mérito da PP nao está só em re colocar o âmbito da prática. com o erro oposto. desejável. mas estão longe de serem decisivos. Nisto a FT trouxe uma colaboração inestimável. crité -rios quantitativos podem ajudar muito. propomos através de algumas características da pesquisa: o seguinte esquenta instrumental. que facilmente : . recai quase sempre na superficialidade e na irrelevância. A título de ilustração. aos excessos da PE. pesquisa é muito mais que isto. Assim. intervenção mais fundamentada na realidade.

por exemplo. . A a distinção de entre de ao descritiva. A de relações de necessárias entre os fenômenos. PP opção política ci entificamente fun dada . predominância teórica • instrumental de explicação teórica. mono ação(15). p. A mono dirige-se isto de estabelecimento co. Oquist. instru mentos teor. teórica. lógica é por e em de Guttman. para além de servi_ rem de esclarecimento explicativo. La Epistemología de la investigación-acción. Ideologi a inerente. predominância prática experimentação e política teste. (15) Paul OQUIST. mas contida através da cri tica através da criti ca Controle ideologi metodol. geralmente quantitativo. opção metodoló sistematização teorica. no sentido nomotético. 5-6. Teoria e Pra tica explic. teó rica. adequação insDemarcação científica coerência e obtrumental à predomi -nante jetivação realidade Quanto a Preduto científico PE experimentação . ao propõe lógica.PT PM quadro de refe -rência. no sentido aqui atribuído.teste direta .pratica experrimen tal. e teor analíti formulação políticas conota a pesquisa no contexto do planejamento político. Naciones Unidas. identidade totalizante distanciamento fusão direta . baseando-se pesquisa políticas. Quito. através da experimentação. sistematização Realidade instrumental. 1978.siste indireta Descoberta matização categorial. formulação a-tém-se de descritiva registro. lógico-experimental critério da prática É sempre possivel inventar outros es quemas. identidade relativa Relação Sujei(objetivação) to/Objeto dialogal indireta . instrumentos quantitativos. co. Não insistimos em tais categorizações. da realidade. gica. E a pesquisa/ação coincide com a partici pante. política. qualitativa ostensiva através da opção clara.

a PP funda cientificamente. obtida geralmente através de instrumentos quantitativos. enguanto que as PE e PP sao predominantemente práticas. e a PP através da prática política. no sentido da objetivação. através da crítica metodológica a ser viço da processualidade científica. e a PP ao compromisso político. a PE geralmente insiste mais na necessidade do tende à fusão. a fim de que predomine o argumento sobre a justifi cação. A descoberta ce realidade é indireta nas PT e PM. levando à elaboração de instrumentos teóricos de explicação da reali dade. a PT organiza quadros teóricos de referência e amarra sistematizações teóricas. A PT persegue a realidade através da sistematização categorial. através da opção clara. No que se refere à relação entre teoria e prática. a PE à constituição de condições experimentais e de teste. enquanto que a PP PM trabalham um relacionamento dialogal. e é direta nas outras duas. embora se insista em contê-la. é entendida como fenômeno inerente nas PT. na PT através da crítica teórica vigilante. é obtido. uma opção política e trabalha com pertinácia componentes qualitativos da realidade. através da experimentação. PM e PE. enquanto que as outras à identidade relativa. na PE. a PM leva a amadurecer opções metodológicas e a fundamentar por que cremos que aquilo que fazemos deva ser reconhecido como científico. na PM.Voltando ao esquema proposto acima. a ideologia é ostensiva e assumida. no caso da PP. na PP. A PT e a distanciamento. quantitativamente con trolada. No que se refere à ideologia. a PM através da sistematização instrumental. Quanto ao controle ideológico. no que se refere ao produto científico. a PE produz a experimentação. a PE através dotaste experimental.. contra dogmatismos e relati vismos. a P? propende à identidade tatalizante. . a PM a produção de instrumental de explicação teórica. A PT volta-se a explicações de base teórica. que são importantes para qualquer intento explicativo. No que tange a relação sujeito/objeto. as PT e PM são predominantemente teóricas.

No plano da demarcação científica pre dominante. a PT age com base na coerência lógica e no esforço de objetivação ao construir seu objeto. a PE atém-se ao padrão lógico-experi mental. e a PP . e a realidade funda-se no criterio da pratica. a ser captada e manipulada. a PM busca a adequação entre instrumentos de captação e manipulação.

em parte. esta decepção estende-se às ciências sociais como tais. 1980. Intelectuais e Vivaldinos. da pobreza crítica. porque nela se cultiva um grupo ensimesmado. Edit. Por outro lado. que nao a própria PP. A alienação da universidade faz eco a esta mesma decepção. Muitas vezes foi vasculhada sem tejo en todos os ángulos imagináveis. profundamente elitista e capaz de justificar qualquer ideologia. Aí revela-se marca fundamental da pertença de classe: o privilegiado. 1982. Aimed. tendente a desprezar os que a ela não têm acesso. talvez ficasse patente. mas refere-se principal-ite à PE. mas seriam incapazes de assumir a pra tica coerente. muitos pesquisadores enfeitam-se com um discurso progressista sobre a pobreza. da política social em geral: sao chances renovadas de pesquisa. se preciso for.in: Pobreza sócio-econômica e política. Ao mesmo tempo. desde que bem paga. Mas nao saiu de objeto. isto é muito dificil de mostrar. Pobreza tornou-se um objeto interessante e promissor de estudo. que enquadra o mundo dentro das quatro paredes. é o caso do tema do mercado informal.CAPÍTULO II: A DECEPÇÃO DA PESQUISA TRADICIONAL Não será incorreto afirmar que a PP. certamente. da Univ. mas que tenham real -mente diminuído a pobreza dos marginalizados. Feder. o quanto a pes quisa está a serviço do próprio pesquisador e do grupo social a que pertence ou ao qual se subordina. das estratégias de sor revivencia. nasce e se sustenta sob o signo da decepção com respeito à pesquisa tradicional. . Nao se enfrenta a realidade e ensaia-se na sala de aulas um teatro artificial. Por pesquisa tradicional podemos entender tocos os gêneros. propende a justificar seus privilégios e usa para tanto. Embora o diapasão do discurso possa vibrar desde a máxima (1) Pedro DEMO. Apobreza também te charme. de Santa Catarina.. a própria linguagem contra os privilégios(1). Florianópolis. das necessidades básicas. no sent: que sao em grande parte inúteis para resolver os grandes problemas da sociedade. Id. Se debulhássemos algumas iniciativas ti picas dos últimos tempos.

esquerda até à máxima direita. etc. 24: "Like most of us. São dispensáveis? Tal vez. em si dedicadas ao fomento destes objetivos caros à socieda de. instrument design (almost always some form of questionnaire) . 1975. talvez apontava seja a repetida. animal. chegaram talvez ao fim de suas potencialidades. Deba tese a miséria até cansar. entre a avalanche de teorias sociológicas sobre a desigualdade social e a diminuição das discriminações classistas. a monta -nha de estudos econômicos e a efetiva realização do desenvolvimen to. Ao mesmo tempo. A repulsa por parte da PP Na cantilena mais literatura Budd sobre já PP. The essentials of most research courses cover such subjects as hypothesis construction. as instituições internacionais. Hall. Nao há a mínima proporcionalidade adequada entre. VIII. sampling strategies. to guide the novice through this process and into the work of 'science'". . praticamente todos se encontram no mesmo clube de conservadores da pequena burguesia iluminada. There are many thorough textbooks. como a UNESCO. chemical and physical properties. HALL. imputando-lhes o tra ço pejorativo frequente de "receitas culinárias"(2): (2) Budd L. 1. in: Convergence. Participatory Research: an approach for change. em esta 1975. Mas nao se consegue assumir uma prati ca de redução efetiva. and interpretation. a OIT etc. such 'orthodox social science research methodology is based on the attempts . a CEPAL. p. quatro principais defeitos da pesquisa tradicional. my trai-ning in educational research was based on what might be called a classical approach to social science research. written rather as cookbooks. entre a profusão de recomendações pedagógicas e a implantação da educação. mas política. the methods natural scientists use to study plant. of sociologists and psychologists to develop an approach to understanding human behavior as much as possible like. entre a massa de discussões psicológicas e a efetivação da felicidade humana. data analysis (aggregation of individual data into group statistics). por exemplo. E força política elas não têm. Estão cansadas nossas ciências sociais. porque a questão não é propriamente técnica.

a) a PE simplifica em excesso a realidade., tornando-se contêm ção de pessoas duzem imprecisa; os Instrumentos informa as e promais a forçar, arbitrariedades, indivíduos a meras selecionar extraem

isolados,

respostas,

descrições

estáticas;

que descobrir a realidade, enquadra-a em sistematizações artificiais; deturpam dialética da vida social real; b) a PE muitas vezes se apresenta alienan te, dominadora ou opressiva, porque, ao buscar isenção ideológica, e sociais pratica favorável o e é vedado uma ss con o ideologia trole dela subrepticia é

discriminações

vigentes;

unilateral

acesso por parte do pesquisado; c a PE nao facilita a ligação com a ação ) subsequente, principalmente por causa do distanciamento intencional com rela_ ção ao objeto; d) a PE usa métodos inconsistentes com cer. tas características da população estuda da, porque esta pode de fato colaborar como sujeito. em 1978 acentuava Hall, ao lado das preca riedades acima levantadas, três inspirações básicas do movimente da PP: a) cs métodos quantitativos não estão ofe recendo compreensão adequada da realidade; b) o desejo de uma pesquisa que leve a pra ticas alternativas, capazes de sedimentar o desenvolvimento, a justiça social e a autopromoção;

c) a vontade de repor o humanismo no terreno da ciincia(3). é preciso desmascarar ou "desindotrinar" a influência ideológica opressora das pesquisas tradicionais, por — que acabam produzindo um efeito conservador com respeite à ordem vigente. Quanto mais se apresentam objetivas, neutras, rigorosas, mais sao capazes de exercer o papel de reprodução do sistema(4). A tendência quantitativa é preciso opor a valorização das dimensões qualitativas da realidade(5). Segundo Tandon, duas foram as idéias-força que motivaram de o surgimento da PP. "A primeira diz respeito acharam ao o do desconforto paradigma alguns pesquisadores ênfase na profissionais, neutralidade que

paradigma da pesquisa clássica insuficiente, bem como opressivo. O clássico põe axiológica pesquisador; faz da objetividade a marca do processo de pesquisa; sugere completo controle unilateral pelo pesquisador sobre os pro cessos inteiros de pesquisa; trata a população como objeto, do qual se espera apenas que responda às questões do pesquisador; e pretende estudar a população e os fenômenos sociais como o fazem as ciências naturais. Muito tem sido escrito sobre estes aspec -tos e as limitações do paradigma clássico de pesquisa. 0 ponto importante aqui é que a PP é uma expressão, pelo menos em parte, contra as limitações do paradigma dominante"(6).

(3) Budd HALL, La Creación de Conocimiento: la ruptura del monopo lio, métodos de investigación, participación y desarro -llo, in: Crítica y Política en Ciencias Sociales, Simposio Mundial de Cartagena, Ed. Punta de Lanza, Bogotá, vol. I, 1978, p. 1. (4) Bude L. HALL, Participatory Research, Popular Knowledge and Power: a personal reflection, in: Convergence, XIV, Nº 3 1:31, p. 13. (5) M. PILSWORTH & R. RUDDOCK, Some Criticisms of Survey Research Methods in Adult Education, in: Convergence, VIII, 1975, p. 37. (6) Rajesh TANDON, Participatory Research in the Empowerment People, in: Convergence, XIV, Nº 3, 19 81, p. 21. of

A segunda idéia-força, a PP participante a retira da crescente marginalização da população majoritária, apoiada pelo acesso ao saber, que é "uma fonte de poder" (7). 0 paradigma clássico produz uma socialização conservadora dos pesquisadores profissionais, através da qual emergem como baluar tes ideológicos da ordem vigente. A inculcação de premissas valo rativas da neutralidade e da objetividade leva o pesquisador a "considerar-se acima da ideologia e, de fato, faz tentativas na maioria das vezes sem êxito - de remover a ideologia da pesquisa. 0 pesquisador mostra 'o que é', 'como é', mas raramente mostra 'por que é', porque isto poderia revelar a ideologia do pesquisador"(8). Ao mesmo tempo, monta-se a idéia de que a pesquisa é coisa de perito profissional; como tais peritos provêm da parte privilegiada da sociedade, as pesquisas tendem a servir à manutenção dos privilegiados e de seus privilégios. "A es sência do nosso argumento é que a PP é uma tentativa de insti -tuir uma alternativa ao paradigma dominante de pesquisa, bem co mo de providenciar acesso ao saber por parte dos marginalizados. distingue de outras modas e novas técnicas"(9).
E

esta dupla ênfase na PP que a

a torna algo mais que um conjunto de

'(7) Id. , ib. : "The second motive force for Participatory Research has emanated from the continued and ever-increasing exploitation and oppression of a large majority of people. In many ways, the power of the oppressors is derived from their superior knowledge about legal rights of a sharecropper or land-holding patterns to a landless labourer or the balance sheet of a corporation to a contract labourer are some of the comemon place illustrations or the same.. Knowledge has been and will continue to be a source of power. Participa tory research has been an attempt to shift this balance of power in favour of the have-nots" (p. 21). (8) Id., ib. (9) Id., ib., p. 22.

não busca isolar variáveis e controlar o saber a partir do centro. (10) Willy E. não democratiza o saber. (12) David C. p. encerra a questão no âmbito fechado dos especialistas. acaba disfarçando sua ideologia . o pesquisador executa de forma autônoma. 1979. não em métodos analíticos. Falando do conhecimento científico (que se aproxima do que se está chamando paradigma tradicional). Nov. Brasilia. da postura coercitiva e alienante. mero objeto. não leva a popula -ção a responder ativamente. 1981. 613. mim.Para Salinas. e limitando a invés tigação àqueles efeitos observáveis e mensuráveis(12). Todas es tas precariedades levariam a motivar traços negativos da manipu lação comportamental. O "conhecimento científico" marca-se pela ordem. numa atitude distanciada de estudo. 1977. quer o envolvimento participativo na produção do conheci -mento coler ivo. p. possíveis propostas são lançadas de cima para uma postura o que a torna fator de dominação e de alienação. Pro-jecto PNUD/UNESCO. SALINAS./Dac. in: Public Administration Peview. que passa a peculiaridade da elite. Le Broterf também estigmatiza a pesquisa clássica como passiva. . tendendo a conservadora e a uma percepção segmentada. Asociación de Asistentes Sociales del Peru. (31) Guy Le BROTEKF. isolando a causalidade ¿tra vés de métodos experimentais e quasiexperimentais. KOI-fT'EN.3-5. e os resultados acabam interessando somente aos pesquisadores e contratantes(11). Korten faz interessante distinção entre conhecimento científico e conhecimento social. desconhecendo-a na maioria das vêzes. a pesquisa clàssica no máximo informa a população pesquisada dos resultados da pesquisa. estática. Descripción del Metodo de "Encuesta-Participativa" utilizada. La Encuesta-Participación. separando-o de qualquer ação. o que a reduz a baixo.. Lima. 6. da. baseia-se em processo organizacional. por sua vez. p. colocando o pesquisador no papel de observador objetivo. Una Investigacion sobre Necesidades Educativas Básicas de la población de seis comunidades rurales en el área centroamericana.visão mecânica e determinista. The Management of Social Transformation. diz que "os métodos da moderna ciência ocidental têm sido baseados num processo de reducionismo analítico que procede pela redução de problemas complexos em partes componentes para estudo individual. 0 "conhecimento social". ao insistir na neutralidade(10).

1982. . e refletir a tolerância pela ambigüidade e incerteza inerentes no processo de aprendizagem social. o estruturalismo. Bogotá. três posturas epistemológicas são contrárias à PP: o empirismo. que estabelece a interação necessária entre teoria e prática(14). Por la Praxis: el problema de como investigar la realidad para transformaria. para quem a observação é a medida do conhecimento. 1978. Punta de Lanza. e chega à idéia discutí vel de ciência. do proletariado. manipulação externa e controle. Insiste no valor do saber popular. "Os métodos de promoção do aprendizado social devem enfatizar a tolerância central sobre o controle central. Simposio Mundial de Cartagena. esconde um planejamento prévio. duas outras aceitam a PP: e pragmatismo. E é claro que por baixo de tuco isto lateja forte crítica aos métodos tradicionais. para o qual a ciência tem sua própria prática teórica. . dentro da concepção de que o único fim do conhecimento é a solução de problemas. deveriam encorajar a inicia tiva local e o autocontrole. ib. que não aceita confundir teoria científica com prática científica. o positivismo lógico. Id. convive com o erro e ê imprevisível. 0 "conhecimento social" aproxima-se do caótico. p. 42 ss. in: Carlos Rodrigues Brandão (org. alienantes. (13) (14) (15) Id. opressores(15). independente da prática política. no fundo. 1978. • Para Oquist. a posição de Fals Borda.1. p. deturpantes e. p. Orlando FALS BORDA. e o materialis_ mo dialético. La Epistemología de la Investigación-Acción. 7-16. Pesquisa Participante. Vol. imposto de fora. tornando-se a interpretação humana fonte de erro. Semelhantemente. o desempenho acompanhado e autocorrigido sobre o planejamento prévio. Naciones Unidas. ideologicamente comprometidos com a ordem vigente. Ed. Quito. Ê muito conhecida também. 13 ss. Brasilienbe. Em contraposição. pelo menos em parte.precisão. Paul OQUIST. sugerindo ênfase substancial no re forço a sistemas de informação que provêem realimentação do nível de desempenho local"(13). grande propulsor na Colômbia da PP.. Aspectos Teóricos da Pesquisa Participante: considerações sobre o significado e o papel da ciencia na participação popular. mesmo no sentido comum.) . dentro do modelo lógico-formal. in: Critítica y Política en Ciencias Sociales. que constrói o conheci -mento através de operações ativas.

decidem da identificados. e vê na PP um novo paradigma. KRAMER. assim. instrumentos científicos. in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. p.S. FLACSO Santiago. 'observados' nenhum poder sobre uma pesquisa que é feita sobre eles e nunca (16) D. S. ORNAUER. nem aceri tua o conhecimento como gerador de consciência crítica. Heinz MOSER. quantifica representam. Bogotá.Kramer e outros acentuam igualmente a busca de alternativa em ciências sociais. como aponta Marcela Gajardo . 1. Marcela GAJARDO. KRAMER. 1975. falta a ligação entre teoria e pratica. (17) (18) . La Investigación-Acción como nuevo paradigma en las Cien_ cias Sociales. Colocam a pesquisa tradicional como um trabalho em colaboração com os poderosos ou a seu pedido. sobre os paradigmas da produção científica. satisfaz-se com resultados tidos por científicos . Investigación-Acción y Realidad. porque seu acesso é reservado e vem elaborada numa linguagem inteligível somente a iniciados. questionando o modelo tradicional de' pesquisa e conhecimento. 1978. Ou. T. Moser retoma a idéia conhecida de Kuhn. contexto sua são fora aqueles auxilio que. "As riam um os dos cial nam que e relação segundo mesmo ao cada de de que de o o o sempre padrão objeto temáticas que é são adotado são objeto mas. a atividade acadêmica tradicional não assume nem explicita suas opções frente à sociedade e aos grupos que beneficia. destino Os a pelo que dos e ser grupos sócio-político pesquisa: comportamento contestários programados São com sobre que. Evolución. insiste na distância entre pesquisador e pesquisado e na comunicação estereotipada. p. p. cujos resulta dos são insatisfatórios(17). Situación actual y Perspectivas de las estrategias de investigación participativa en America Latina. opressor detêm quando dado ou analisados. no fundo é uma "ciência oculta". mascarando compromissos muito cla_ ros(16).. LEHMANN Y H. A estrutura das revolluções científicas. e. 3. Perspectiva. divergente do enfoque empírico usual. in: ib. sempre ou o por saber deve o uso por pelo os de estudo tôda pesquisador opromidos aqueles e ser a não o que poder va parte. 146-148. 117 ss. compreende pouco a realidade(18). Siiriposio Mundial de Cartagena. ser têm determi feito unilateralmente como pesquisado resultados pesquisa. Punta de Lanza. ilude-se com "a objetividade. Ed. KUHN. H. sem comprometer-se com mudanças sociais. vol. em e o so e dos com.

o grevista. (19) Rosiska D.eles. Pesquisa Participante. Na verdade. É sobretudo uma técnica de controle social. É esta população em si mesma que é percebida e estudada como um problema social do ponto de vista dos que estão no poder. aquele que sai da norma: o delinquente. o agitador. Fara o pesquisador. assim.). Por outro lado. os problemas estudados nao são nunca os proble mas vividos e sentidos pela população pesquisada. Ao modelo do e bom cidadão vai se contrapor o do marginal. os cientistas sociais contribuíram para a implantação gradual de tôda uma série de instituições de controle social . como sobretudo envolve-se com possibilidade sempre aberta de manipulação por parte dos poderosos. o subversivo. as ciências sociais têm sido mobilizadas para identifi car. entendido a comprometido revelia ao próprio modelo como da profundamente pretensa ob- jetividade. e da própria essência de uma sociedade de massas domesticadas uniformizadas a produção de seus 'marginais'. de OLIVEIRA. poderosos. 1982. esta ciência que se queria neutra. tais grupos sao simples objetos de estudo e pouco se lhe importa que os dados e respostas colhidos du rante a pesquisa possam ser utilizados pelos que financiam o seu trabalho para melhor controlar os grupos que ameaçam a coesão so cial. Exposto à exe cração pública. o louco. "Na verdade. A ciência social que nega suas mascara a e não tem condições de as controlar. através da qual um conhecimento inocentemente neutro serve à manipulação dos dominados por parte vinculaçoes ideológicas ou com elas nao se preocupa. Brasiliense. . Empregados por agências governameli tais.. Em defesa do conformismo social ameaçado por estes comportamentos anômalos. de OLIVEIRA & Miguel D. as dos que detêm as rédeas da sociedade. em meros instrumentos de controle social"(19). ele cumpre o seu papel de assustar os bons cidadãos. ou precisamente por causa dela. individualizar e anatamatizar o 'marginal1. Pesquisa Social e Ação Educativa: conhecer a realidade para poder transformá-la. a crítica estende-se também vigente de ciência com os social. in: Carlos Rodrigues Brandão (org. Nesta visão. apolitica e descomprometida acabou sendo utilizada cada vez mais como uma fer ramenta de engenharia social.desde a escola e o hospital até o asilo psiquiátrico e a prisão cuja finalidade ê modelar o comportamento de todos pelos padrões de normalidade definidos pelos donos do poder. Ao rejeitar envolvimentos políticos. não só os mistifica. As ciências trans formam-se. 18-19. p.

Setembro de 1982. pequeno. Sem buscar aqui uma revisão exaustiva da literatura em torno da PP. mas não vai alem da associação delas.na qual todas as variáveis componentes estariam especificadas. se é causa. ESMANHOTO. que podem compensar a imprecisão estatística e o envolvimento sub jetivo com aprofundamentos muito mais reais. não explicações. se é somente isto que as ciências sociais produzem.WERTHEIN. ib. in: A proposal for research on participatory evaluation strategies for rural education systems in Brazil. p. que isto: mascaram a ideo-logia mais banal de sustentação da ordem vigente. S. ( 2 0 ) I d . além de não levar a mudanças sociais importantes. p. que busca medir impactos causais. também Paulo FREIRE. Cfr. é no so mente funciona naquela situação fundo inviável. (22) Id. De modo geral. e muito mais ainda o controle das variáveis componentes. O que quer precisamente dizer: são descrições.. Criando Métodos de Pesquisa Alternativa: aprendendo a fazê-la melhor através da ação. este excurso basta para caracte rizar a marca típica de crítica ao modelo chamado tradicional ou clássico de pesquisa e de ciências sociais. E xatamente por causa disto.. Num trabalho de grande densidade sobre avaliação participativa no contexto de projetos e programas Werthein e outros falam da "crise na metodologia "quantitativa"(21) A redução da realidade às manifestações de ordem quantitativa já é um problema. Em vista disto.. nao valem a pena. e sempre interminável a discussão era torno do que causa o que. ê preciso recompor a potencialidade e a possibilidade dos métodos qualitativos. Brasilia. do que vem antes ou depois. E mai?. idealizada . p. KLEES & P. O recurso à estatística proporciona um domínio maior do campo das varia veis. IICA. Associação. o 'marginal* entra no circuito destas instituições que vão curá-lo de sua marginalidade de modo a eliminar a causa da desordem e restabelecer a paz social"(20). sobra a impressão de que. 8-11.34 ss (21) J. .e impossível . fragmentário. O conhecimento aí gerado é insatisfatório. Educational Evaluation: trends towards more participatory approaches. porque . porém. não é causação. determinação do que determina ou é determinado. ib. 7. 23. Mesmo a analise de regressão múltipla. só pode ser seletivo e fragmentário.. ou mero condicionamento etc(22). in: ib. . p.Rejeitado pelos 'normais'.

Pode-se fazer uma análise funcional sem ser funcio nalista. como c dado empírico nao fala por si. Qualquer gênero de pesquisa po de ser proposto e praticado sob forma viciada. nao na simples estatística. Para começo de discussão. ou quando cultiva os vícios metodológicos de cada gênero. Assim. outra é a empirista. 0 dado empírico nao tem "culpa". dando a impressão que tratamento empírico e empirista devesse sera mesma coisa. mas na altura do intérprete quando reduz tudo a um gênero só de pesquisa. a substituição de um possível dogmatismo pelo oposto. é incrí vel falta de espírito crítico e. A pesquisa teórica nao precisa ser mera especulação . Critica a pesquisa tradicional A terística. é uma visão alu cinada aquela que imagina a PP como incompatível com a experimen tação operacional. embora contenha repulsa claros manifestada excessos. pela PP é caracde distorções. Ver na montagem estatística algum demo nio escondido. e disto não está isenta inclusive a PP. pode ser um instrumento fecundo. uma coisa é a pesquisa empírica. ao contrário. Geralmente. em última instância. . ou no simples uso de dados. que tem produzido muito menos do que prometia e se esperava. Assim como seria absurdo ima ginar que a dialética seja adversária da lógica. £ importante compor um quadro pelo menos inicial da crítica possivel à pesquisa tradicional. como se a manipular a realidade fosse a versão única maneira de descobrir e em pírica.2. a PE não precisa ferir nenhum princípio da dialética. o problema não se encentra ao nível dos meros instrumentos. é mister re- conhecer que a crítica oriunda do campo da PP contém muitas vezes a tendenciosidade de ver a pesquisa tradicional sob o ângulo de seus vícios metodológicos. além autovalorizações exageradas. mas através de um quadro teórico de referência. o problema está aqui. nem a metodológica moralismo instrumental barato. Se nao fizermos tais distinções recai-mos em posturas que já vêem empirismo na mera feitura de uma tabe]a. como se fosse de antemão fadada a mistificar a realidade e a fundar uma postura política conservadora.

Trata-se. mais criativa e nao oferece. se busca uma análise quan_ titativa. Quando. A brief Review of critical opinions and responses on issues facing participatory research. que a pos_ sível prevalência geral das falhas está mais nos abusos. p. uma análise de regressão dá somente possíveis associações entre variáveis. KASSAM. Todavia. no que a PP pode estar com intei ra razão e trazer importantes contribuições ao processo cientí fico. talvez. "Deve-se admitir que as formulações primeiras da PP estavam. do qual a técnica não tem "culpa". Cónchelos e Kassam. nº 3. 53. cremos. Exigir isto deles. em trabalho de 1981. o que pode ser perseguido em estudos posteriores é a prevalência geral das falhas" (23) .O aspecto mais correto da crítica oriunda da PP parece-nos ser a idéia de que a pesquisa tradicional não pode ser considerada como a forma exclusiva de pesquisar. Por exemplo. mas gênero na pesquisa tradicional nao são inerentes e vícios metodológicos. Alguns vícios que merecem a preocupação crítica poderiam ser: (23) G. o fato de nao dar causas. se o interesse está na descoberta e manipulação de dimensões qualitativas da realidade social. não é defeito de les. de novo. Todavia. dependerá de alguma clarificação dos termos. por vezes. 1981. do que em qualquer vício inato. pois. porque os efeitos apontados necessários. os métodos empíricos quantitativos não serão os mais indicados. Se estas ou outras críticas da pesquisa tra dicional se sustentam ou não. Todavia. que podem aparecer em qualquer de pesquisa. comete um abuso da técnica. sem subvalorizar ou su pervalorizar. tecnicamente inapropriados ou inefectivos. reco nhecem os excessos da crítica. dentro de seu âmbito próprio. porque isto não está dentro de suas propriedades. CÓNCHELOS & Y. a PE pode ser muito adequada e produzir o que se espera. de criticar possíveis ví_ cios da pesquisa tradicional. porém. Não é defeito. . nem de longe. Muitas vezes usa-se o instrumento inadequado para a finalidade prevista. in: convergence. mas do analista. Tal vez nao seja a os resultados imaginados no aspecto específico do domínio da realidade. XIV. É verdade que a pesquisa tradicional não pode produção e uso de métodos que sucedem ser impugnada pela sua ser. Se alguém procurar estabelecer causas sociais através da análise de regressão. preocupadas em demasia em atacar a fraqueza do levantamento empírico e de outros métodos específicos da pes -quisa tradicional.

. segundo a qual a realidade se impõe ao sujeito. existir produção científica. cfr. DEMO. não depende Mas para Destarte. 30% diz apenas que estamos a 70 pontos de 100 e a 30 de zero. pode explicar. empirismo seja a demissão teórica. por A parte realidade postura do não vai de encontro à visão empi do se rista. pesquisa forma realidade. nem que a realidade exista por causa da ciência. não somente que existem saberes fora da ciência . Metodologia científica em ciências sociais. mas no quadro de referência em que é colhido. levanta. se analisa. de pes cons quisada precisa truirmos ou ser a manipulada. Todavia. Ao afirmarmos que a ciência manipula um objeto construído. não está no número 30. O que importa não são as teorias. no sentido da construção coletiva. interpreta. Dizemos que o vício principal. por que sequer sabe disto. A realidade. que busca a intervenção na rea lidade. uma estatística diz somente uma relação numérica: por exemplo. O dado não fala por si. para existir. que nao precisa ferir a pretensão de tornar a população estudada sujeito da pesquisa. o que significa dizer que a ciência é um modo de interpretar a realidade. mas os fatos.a) A ciência nao trabalha diretamente com a realidade. mas com uma construção dela. ao imaginar-se do uma fórmula teoricamente não interpretativa da realidade. a realidade que se manipula e aquela cientificamente ela borada. assim como imaginamos que realmente seja(24). A idéia do objeto cons truído. (24) Sobre estas questões. construída. Esta envolvimento conhecimento. no sentido de possuir nele mesmo informação objetiva e prévia. as idéias. mascara sua própria interpretação. parte introdutória. nao quer dizer que o in vente. Mesmo na PP. é péssima. porque. Esta interpretação. mas igualmente que dentro da ciência proliferam variedades per vezes até contraditórias de se construir a explicação da realida de. em a nada de como é que seja uma pensada. porém. 1980. P. Atlas. talvez. o que quer isto dizer. que a ciência propõe como real. as intenções. 0 dado empírico ê visto como algo que fa la por si. Qualquer tipo de sujeito se acarretaria mas deturpações se descreve.

no número de perguntas. porque julgamos não poder perguntar de mais. não passa de uma proposta de interpretação do fenomeno. que dependerá de seu quadro teórico de referência. A inflação é um fenômeno real. Ademais. e tanto é assim que sua determinação teórica e empírica é sempre questionável. como são coletados. ou aber tas. nem de menos. A própria formação de um índice de inflação escancara a problemática teórico-interpretativa de fundo : que componentes são colocados para agregar a medida. quantos . e assim por diante. talvez até necessários para depois atingirmos os patamares da distribuição mais equitativa. como são mensurados. Se o dado fosse evidente em si e se impusesse ao sujeito. Mas na economia temos dela uma visão construída. A inflação como o Governo a mede. de percurso. Os dados que obtivermos através do questionário sao. Se ria extrema ingenuidade assumir que o índice traduz a realidade exatamente assim como ela é. na atitude preconizada para o pesquisador. Se os operários organizarem sua medida da inflação. por causa da discriminação crescente social. Quando montamos um questionário. possivelmente mais real. nem será a puramente real. sobra o problema da análise posterior. o mesmo dado pode ser utilizado para explicações até mesmo contraditórias. na exclusão de coisas que não achamos importante saber. O caso dos dados sobre inflação pode ser ilustrativo. Os altos índices de Gini no Brasil mostrariam para os adversários do sistema sua inviabilidade. Ha verdade. . mas outra maneira de a construir. ou livres etc. no sentido de que o crescimento nao seria capaz de alcançar seu desenvolvimento. que existe com ou sem economia. construídos e alguns até in ventados. por isto diz-se inflação segundo os dados oficiais. pois. porque elas não existem por aí já dadas. para os adeptos do sistema sao acidentes na fase de acumulação. que vai optar entre fazer perguntas secas. está marca da pela maneira oficial de a construir. dificilmente há de coincidir com a oficial. teria mos a mesma análise em todos os analistas. nas definições operacionais do que vamos medir.Por isto. e assim por diante. que podem sempre variar. o aspecto da construção interpretativa aparece em inúmeros momentos : na seleção das perguntas.

e mal podemos acreditar que possam e xistir percebam tal evidência. Por -tanto. o mero levantamento estatistico. ou seja. porque é extremamente simplório acre ditar em evidências empíricas dadas. mas como interpretar. quer irmos além da cros ta externa e dizer. é instrumento de melhoria de sua qualidade. E neste sentido que é possível afirmar que o empirismo é a versão metodológica mais miserável. é de sua qualidade. Nao faz sentido discutir sua eliminação. e que é a desconfian-ça entranhada contra análises superficiais. como a realidade aparace. porque pode não passar de uma edição mais sofisticada do senso comum. a mera acumulação inocente de dados. ou seja. Não interessa propriamente o fenômeno. Todavia evidência nao é do dado e do fato. a ingenuidade crédula. b) A sombra desta problemática. para explicarmos a realidade é mister penetrarmos no seu interior. Não será injusto constatar que em muitas pesquisas experimentais a descoberta nova da realidade e a possibilidade de a usar para a intervenção prática são muito menores que toda a parafernália utilizada para sua construção. crue Há mais irrelevãncia bem tratada. pois. mas o que ela de fato é. mas do quadro teórico explicativo que usamos.• perfide. bem . bem ordenada. Sao inúmeros os casos em que o esforço de levantamento de dados não ultrapas-sa aquilo que se considera "óbvio". concomitantes e conseqüentes. Em tudo já existem produtos teóricos prévios. que se poderia saber sem a pesquisa. A empiria nao substitui a interpretação teórica. codificada. não é não in -terpretar. tamanha gritante de dados e fatos. A questão. É uma balela pretender que a experimentação elimine a incerteza de nossas explicações da realidade. Trata-se . é um erro metodológico fa_ tal imaginar o envolvimento teórico-interpretativo como espúreo em ciência. quanto mais aquelas análises de su. Não existe a mera descrição. Conside rando-se esta como inesgotável em si. *A realidade se dá à primeira vista. ao con trário. Nisto o empirismo vai não de encontro a uma tradição salutar da ciência. o empirismo tropeça precisamente naquilo que gostaria de superar.Muitas outras pessoas que nao vezes temos a sensação de evidência . Por conseguinte. na verdade. mesmo as explicações mais profundas deixam a desejar.

O uso que as ciências sociais fazem disto pode ser estabelecem ser importante vestir a ciências naturais. o positivismo e o estruturalismo. como vício metodologico. o que faz do esforço científico muito mais uma busca desafiante do que um achado. Ao mesmo tempo. não daquilo que nos parece duvidoso. Para estas. como se a maneira científica carapuça já empírica. pois o tratamiento que se lhe reserva não é compatível com aquilo que imaginamos ser sua natureza real. muito Onde incerteza. mas não questionamos. mas principalmente daquilo que mais nos parece evidente. por exemplo. É preciso duvidar . A realidade social possui dimensões fecundo. no sentido da objetividade e da neutralidade. A quantificação. única quantificáveis no que de e é um acessível diálogo fosse à experimentação com as empírica. acumulamos e descrevemos. impera a evidencia. não podemos afirmar que a quantificação seja em si um equívoco. Esta se esconde atrás das aparências. logicamente formalizado e empiricamen te testado. Não se reconhecem especificidades próprias da realidade social. Em termos antropomórficos. quando visualizada posturas tais como o empirismo. Se acreditamos piamente nos fatos e nos dados. c) Possui conseqüências também fatais a tendência a reduzir a realidade e sua face quantificável. apenas constatamos. já nao se pesquisa. procurando-se encurralar qualquer envolvimento humano na análise da realidade como fator de influência negativa. da processo científico da indagação alimenta-se incessante. dentro do modelo das ciências naturais. que recomendassem tratamentos também específicos.conhecimento realmente novo e útil. O mais da dúvida. abordagens de teor mais qualitativo. O mal esta na imitação empobrecida. poderíamos dizer que é a maior "in justiça" que se faz contra a realidade. A questão ideológica e valorativa é considerada espúrea em ciên cia. a demarcação científica é de tendência lógico-experimental. nem explicamos a realidade . corresponde as pretensões sobretudo de . Defende-se a unicidade do método. como.

não a encontramos em si. a ciência A de modo geral. Ao mesmo tempo. destinado a controlar o experimento e a si mesmo. se o modelo for a realidade natural. pelo menos relativa. Assim. mas faz-se um uso extremamente ideológico dela. neutra. a distinção faz sentido. 0 cientista aparece como observador. absolutamente inocente. Na realidade. porque neles geralmente há mais imitação que potencialidade. certamente pode não estar fazendo política. na teoria.De fato. na realidade. embora dificilmente sejam os mais criativos. é em si. porém. para não haver influências estranhas nos resultados. munido de todo um processo de treinamento metodológico. a manipulação ideológica fica ainda mais visível. que seus conhecimentos são usados preferencial. Num espaço des de o início polarizado. por exemplo. pelo menos. Se esta utilização propènde visivelmente a um uso preferencial. Assim. face à análise quantitativa. permite tanto que se faça a distinção necessária. A questão. a tecnologia. entre sujei to e objeto. a ma nipulação ideológica é inevitável. para fins Certamente. é tão rara quanto a sociedade pura. assim colocada. na medi-da. Não se concebe interventor. Não • há por que ver ideologia em fórmulas matemáticas ou ensacá-las em dialéticas holistas. quanto o mútuo aproveita mento de figuras metodológicas. usada preferentemente para fins de dominação e destruição. co mo seria o caso da tecnologia. A análise significa o processo de decomposição da realidade em suas partes componentes. por exem plo. incluída a natural. É neste sentido que podemos afir mar que as ciências sociais podem de fato beneficiar-se dos métodos quantitativos. mas utilizada concretamente por determinada so ciedade. ciência absolutamente inocente. Mesmo assim. não precisa ser. ela nao parece intrinsecamente ideológica. Quando um cientista manipula uma molécula de água e descobre sua constituição interna. isto funda uma diferença im portante na linha da síntese qualitativa. a física não é em si ideo lógica. pura. Dificilmente se poderia ver alguma identidade. corresponde também a um projeto social de dominação da natureza igualmente i-deológicos. mente para fins destrutivos e dominadores. ou. como é uma sociedade de desiguais. Não se pode negar que este é um . Somente no uso que se faz dos conhecimentos adquiridos aparece a ideologia.

humano. mas nem por isto mito é feijão. decomposto em seus indivíduos. exarando a necessidade da explicação pela subjacência. porquanto estão eivadas de fenôme nos qualitativos. . Tais considerações permitem aproximar a análise da quantificação. Por isto é a metodologia prefe_ rencial das ciências sociais. mas as partes. tiu muito nesta propriedade metodológica. no sentido de que propende a pinçar na realidade aquilo que se traduz mais facilmente em dimensões mensuráveis e testáveis. a que se atribuiria a propriedade grupai. Facilmente chega as dimensões qualitativas. em nenhum lugar se perceberia algo diferente. outra é reduzir a realidade a ele. Certamente. Por outra. mal podemos imaginar que é composta dos elementos básicos que a física acabou descobrindo. precisava co mer. na qual se supera a complexi_ dade superficial e através da qual podemos montar nossos modelos explicativos. mas jamais quer dizer que não exista. para o índio produzir seus mitos. Cremos que a idéia de que todo fenômeno quali_ tativo se reduz. Decompondo a matéria orgânica cerebral. só é diretamente tes_ tável. Na linha da análise. Enquanto a física nao encontrou seus elementos fundamentais da matéria. tendo em vista que uma coisa é aceitar o condicionamento material. é materialismo crasso. não encontremos mito. nao conseguiu sair da síntese embaralhada superficial. O estruturalismo francês insis. a uma base material física. o que aparece empiricamente. analisando o cérebro de um índio em observação microscópica. a síntese faz o jogo inverso . quer apenas dizer que o mé todo de pesquisa não capta a dimensão qualitativa. Este foi o caminho de todas as ciências naturais. só aparece como quantidade isolada. nem intenções. em última instância. Para se conhecer uma realidade. mas um substrato material decomponível Um grupo. mas apenas massa orgânica. O fato de que. Quando olhamos para a natureza.roteiro dos mais clássicos de obtenção de conhecimento. não vemos o todo. é mister decompô-la nas partes. não vemos i-deoiogiàs. onde apa_ rece mais simples e manipulável. porque acredita ser algo mais que a soma das partes. Geralmente é assim que a primeira visão das coisas traduz um panorama complexo.

em ciências interessante aparece à primeira vista é geralmente superficial. mas de preservar a especificidade de cada uma. e assim por diante. O que conseguimos quantificar é geral mente superficial. porque. uma realidade dialética sociais além de o precisa mais ser tratada está dialeticamente. não há análise sem visão de conjunto. Fazemos. a revelia das aparências. Na verdade. no método. sacrificando . seus hábitos. e nao uma há sintese a sem noção de par tes quan constituintes. Todavia . O behaviorismo cometeu precisamente este equívoco. de outro. chegarmos às dobras ín_ limas da personalidade. "injustiça" à realidade social. é pre_ ciso descermos à profundidade de seu ser. tende privilegiar dimensões titativas. sua manifestação visível. Na verdade. Raramente o mensurável coincide com o relevante em ciências sociais. Se partimos da idéia de qua a realidade so- . mais exuberante. deixarmos o consciente para penetrarmos o inconsciente. naquilo que não a embo se ra vê. como já dizia Marx. ou seja. complexa e difusa. não na realidade.Aí reduzir a realidade está às uma"deturpação suas dimensões monumental possível: quan- social possivelmente tificáveis. A falha está. externo e secundário. No fundo. corresponde a este simplismo: negamos a exis -tência daquilo que não conseguimos captar empiricamente. sua aparência. a afirmação que ainda se faz muito de que o inconsciente ê somente uma suposição ou um constructo. outra qualitativas. simplesmente. se o fenômeno e a essência coincidissem.a no altar do método. porque não se trata de reduzir uma à outra. quando possível. não era necessária a ciência. com ele não vamos descrições. Apenas. seria enorme superficialidade reduzir a pessoa aquilo que podemos observar. lançar mão da quantificação. Para entendermos uma pessoa. Por trás desta casca há muita realidade outra. possa O que aproveitar-se com êxito das quantificações. pois. Muitas vezes confundimos as duas coisas: de um Jado. Explicar significa buscar profundidade complexa. etc. considerar conhecimento válido semente aquele extraído da quantificação. Não precisamos também opor síntese e análise. quando lhe negamos a dimensão qualitativa. O que mais conseguimos controlar empiricamente na pessoa é seu comportamento externo.

É neste sentido. Mas deturpa menos. de estigmati-zar os vícios e as limitações. não nelas. são gêneros vali dos de pesquisa. teremos dela sempre apenas uma explicação se letiva. porque não explicamos tudo. É claro que. está no método de captação. como tentativa estratégica. com expectativas. quando entramos na esfera qualitativa. não vamos além disto.e em grande parte inútil . se alguma falha existiria nisto tudo. porque a simplificação recolhe a relevância maior. em que pese o cuidado possível . no fundo. Não há aprofundamento adequado da explicação . Se esta problemática já determina deturpações em nossas explica -ções. não da realidade. se nelas somente ficarmos. que aparece com . mas seletivamente. ou seja. mas também da PT e da PM. Embora na explicação simplifiquemos a realidade. porque ela também explica seletivamente. Assim sendo. entramos num pantanal praticamente indevassável. com quantificação. com teste etc. Contudo. de privilegiar certas dimensões que julgamos as principais . que podemos dizer que as análises empíricas sao. em si. muito parciais e. com conflitos e outras "filosofias". Trata-se.cial é inesgotável. lançamos mão da expectativa de manipular pelo menos as variáveis principais. quanto mais isto não acontece. mas não há realidade social que se esgote na face mensurável. pode-se apre sentar insatisfações várias com respeito a elas também. como exploração primeira. com ideologias. de modo geral. achamos um procedimento válido. de produ -zir suas ideologias justificadoras. A princi pal talvez seja o distanciamento excessivo entre teoria e prática freqüência na PT e na PH. Choca mo-nos com subjetivismos. à luz da PP. No fundo.' d) A pesquisa tradicional não é composta so mente da PE. a redução da realidade à sua face men surável é uma deturpação grosseira. porquanto. com intenções. é problema do pesquisador. insatisfatórias. inadaptado à realidade . Nao é possível dominarmos todas as variáveis componentes. como já repisávamos. É muito difícil captar todas estas dimensões. Que não consigamos descobrir esta realidade eston -teante de modo satisfatório. Nem por isto o homem deixará de filosofar. Assim. Podem servir como aproximação inicial.com objetividade. Não é assim que a dialética nao deturpe. quando selecionamos somente aspectos empiri -cos. de intervir na historia subjetivamente.

a idéia e miméticas. trocar a análise dos condicionamentos objetivos . na pista de Feuerbach. sem quadros teóri cos rigorosos de referência. descoberta manipulação criatividade conta muito mais que a especialização. De certa ma neira. que uma precisamos ca onde de a defender técni arte.sem cuidado teórico e metodológico. mais é realidade. com respeito à PT a à PM. Isto faz parte indispensável da construção científica do objeto. porque acredita que a potencialidade se desdobra em ambiente de liberdade de criação. o vício de Hegel: substituir o mundo real pelo mun do das idéias. A ciência é. esta tendência foi cu nhada como hegeliana. Inutilidade relativa das ciências sociais É sempre um risco colocar a utilidade prática de algo como critério de sua vigência. instrumen to fim. mas já inventado. demasiadamente manipulado em termos subjetivos. Mas é instrumento. porque crédulas. Todavia. Sem reflexão crítica. ê ate uma necessidade do ponto de vista da captação das dimensões qualitativas. sem discussão das opções metodológicas e sua adequação à realidade. Historicamente. não finalidade da ciência. de que a da superficiais. temos ciências sociais medio cratizadas. alguém poderia querer conhecer pelo conhecer. 3. no extremo. No do fundo. No extremo. sua possível aliena ção da prática. ciência. mesmo que a ciência não tivesse utilidade alguma. a verve teorica das ciências sociais não precisa em absoluto ser um vício. O critério da utili dade instrumentaliza as coisas e pode distorcer profundamente a questão das finalidades. ao mesmo tempo. o rigor lógi co não faz mal a ninguém. Todavia. pela visão subjetiva pessoal. especulado. Assim. Em si. Poderíamos talvez apelar para um exemplo: a formação superior na universi- . porque Marx assim interpretava. A arte tem como característica a insubmis-são a esquemas rígidos. a PP aponta sobretudo dois caminhos de crítica à pesquisa tradicional: com respeito à PE. sua pos sível futilidade. preferir a arrumação mental ao con fronto com os problemas concretos. nao temos um objeto construído. É por isto talvez que a excessiva formalização em ciências sociais as torna um es quema empobrecido de captação da realidade.

a função de formação à cidadania é mais importante. o que de fato ela também é. O mesmo vale para a educação como tal. nao se resolve pela pesquisa clássica. Ao contrário. o fato de termos ainda uma realidade so cial incrivelmente distanciada da realização das expectativas edu cacionais da sociedade(25). Aparece presença no da domínio da natureza. exemplo. Seja como for. faz pouco sentido imaginar uma finalidade em si. Universalizar a educação bá sica. O que faz mais sentido é esperar que tenham utilidade prática. o que acon na medicina. a taxa de escolarização obrigatória atingia somente 67%. Havia Estados em que mais da metade da população escolarizável estava fora rias escolas. analfabetos de 15 anos e mais de idade eram mais de 25%. que perderiam seus empregos e sua pose. nao resta dúvida que a formação superior é igual -mente finalidade em si. não é uma questão tão científica. teceria mundo? Provavelmente nada. ao na comunicação. que dificilmente têm acesso à ciência. A utilidade prática das ciências naturais é. Qual é a função precípua da educação: inserir no mercado de traba_ lho ou formar o cidadão? Sem desmerecer a função de instrumentali zar a inserção no mercado de trabalho. por na agricultura. Do ponto de vista destas. Embora tal postura seja certamente exagera -da. muito maior. o fato de não termos resolvido isto relativamente. de modo geral . no transporte etc. principalmente quando falamos de populações marginalizadas. a taxa de rendimento do 19 grau era de somente 20% na oitava série. quanto política.dade é muitas vezes julgada através da inserção no mercado de tra balho dos egressos. não é nenhum enigma técnico. existe também o aspecto ins trumental. (25) Segundo o Censo de 1980. Esta ótica se coloca como instrumento de ascen sao social através da conquista de um emprego. na qualidade de reprodução de uma elite especifica da sociedade. ou seja. Mas. Aí a pergun ta: as ciências sociais têm utilidade prática para os dominados? * Insistentemente a PP se coloca esta pergun -ta. há muita verdade aí. apagássemos a sociologia. Voltando ao exemplo da educação. se. uma das perplexidades importantes é a di cotomia fácil entre conhecer a realidade e nela intervir. que somente poderia ser resolvido após grandes investimentos em pesquisa. a nível de aumentar os conhecimentos. Mas. a não ser os problemas típi cos para os sociólogos. e assim por diante. . por hipótese. colocar todas as crianças em idade escolar na esco la.

A negação de utilidade prática ê a própria utilidade dela. Já não é questão de isenção ideológica. Apenas acumular pesquisas tradicionais. a inutilidade pura e simples. A desilusão é imensa. sabemos muito mais da realidade. a dependência é externa etc. mas somente uma inutilidade relativa da pesquisa. porque não é competência da ciência solucionar problemas sociais. a concentra -ção da renda. É por isto que podemos di zer que as ciências sociais. pelo próprio fato de que a realidade nunca esta esgotada. Sua tendência será sempre . Ao lado de tanta sabedo ria de sociologica. a consideração é semelhante. mas mistificação dos comprometimentos concretos. aumentando a dose de conhecimento. mas resolvidos. Nao é pela pesquisa comum que obteremos possíveis solu çoes. Nao defendemos.Diante da pobreza. na situação em que se encontram. que nao devem apenas ser estudados. Ao lado de tanta produção econômica acadêmica. estão no mínimo se mascaram as coisas. pois. é difícil de entender a falta de soluções mi_ nimas para problemas corriqueiros como a inflação. porque não há a mínima pro porcionalidade entre o que já conhecemos dos problemas e a capacidade de os enfrentar na prática. Todavia. poder. que envolve milhares de inteligências privilegiadas. A pesquisa ajuda. do que a conseguimos resolver. A própria idéia de que a ciência nada tem a ver com a solução dos problemas reve la que esta postura serve a alguém: aqueles que não têm os problemas e os solucionam às custas dos outros. se podemos constatar que os problemas existem e talvez se deteriorem e a ciência nada pode fazer. mas. além de pouco ou nada resolver. certamente traz benefícios cla ros ao pesquisador. há os que dizem ser a desilusão um enga no. sao extremamente passivas e ineficientes. Porquanto. e é necessária. "uma ciência que se se limita presta à previsão a e elaboração todo tipo de de resultados utilizáveis facilmente difícil entender nossa incapacidade histórica instaurar pelo menos os primórdios da democracia e do controle do manipulação por parte dos que contro lam os centros de decisão e de poder. pode ter o impacto de mascaramento dos problemas reais. no sentido de a reduzir substancialmente.

sem querer remexer ou desenterrar sonhos. bem como congelar o dinamismo social numa fotografia está tica.. sem se aventurar pelo terreno arriscado e imprevisível dos julgamentos de valor que podem. racionalidade com impulsos é ticos. Desfaz-se a necessidade do compromisso político. objetividade com emoção. então. "Isto sao problemas que escapam da esfera própria da ciência e que devem ser tratados por quem de direito. Para nao cair em armadilhas deste tipo. estudar o que é imediatamente visível e quantificável. Mas não apaga a decepção dian te de resultados miseráveis. op. 2324. de OLIVEIRA & Miguel D. Nao sao jamais inúteis. as ciên -cias sociais não são um fenômeno inocente. Para os dominadores são pelo menos técnica de controle social. isto é. A dimensão política é parte componente inevitável. Mas há também os que dizem ser a desilusão ingênua. uma bela autodefesa. a não ser por. Ê uma polarização constante e processual. ou como privilegiado. p. . esperanças e ilusões que podem revelar o desejo reprimido de mudança e des velar um outro real possível" (26) . Isto é verdade. no fundo. A redução do complexo ao simples e do dinâmico ao estático são típicas do pensamento conservador : sob esta ótica. nos colocar em oposição ao que é. mais vale. Assim. pouco importa. hierarquizada e autoritária. (26) Rosiska D. os políticos. estudo sério com jornalismo impressionista. de repente. mas carregado historicamente com as cores próprias de um projeto de sociedade. Nao se deve misturar ciência com política.reduzir a complexidade do real a uma visão simplista e superficial. hoje. cit. A insistência sobre a objetividade e o distancioamento é. o que existe hoje é o único real possivel. São inúteis apenas à solução dos problemas dos dominados. porque era esparada. opressão. se nos conscientizarmos que as ciências sociais são um produto social geralmente de origem pequeno-burguesa. porque servem a alguém. Se a sociedade é desigual. A realidade social nao é algo neutro . de OLIVEIRA. a realidade. A missão do cientista é constatar o que existe. Nao há como ser mero expectador.

sem unilateralizar o sentido prá tico das ciências sociais. para a própria so brevivência delas. teria "sido melhor. Cientificamente estamos aparelhados para produzir qualquer quantidade de alimentos. E isto provoca o vazio árido tipi co de instituições de pesquisa e planejamento. faz política. Se a fome persite.Assim. • A própria formação do pesquisador e do técnico leva ao distancia mento entre teoria e pratica. estão gerando re sultados muito menores do que se poderia imaginar. que se sentem i-núteis. a formulação de programas que a querem enfrentar. Se o estudo dos problemas sociais leva siste maticamente a nao resolvê-los. pelo menos in_ conscientemente. Tôda esta fome interessa. a alguém. acompanha. esta próximo da chacota ou do sarcasmo. não sera por falta de pesquisa. até c excesso de produção. Poderíamos aduzir o exemplo da supera -ção da fome. . Particularmente os estudos sobre a pobreza. não como compromisso de solução relativa. Quando a ciência se isenta do proble ma político. é mister exigi-lo. Nao é sem razão que paira intensa dúvida sobre a conveniência dos gastos em instituições de estudo e planejamento. se o dinheiro fosse dado ao pobre diretamente. avalia. Persistentemente a pobreza aparece como objeto de estudo. a não-soluçao faz parte deste pro jeto de estudo. porque nao há correspondência entre o que se invés te e o que se produz. o planeja mento social que os propõe. Porque o estudo da pobreza que nao se compromete com sua redução. por vezes macabra. Em certos ca sos. Mas certamente por questões políticas.

num pacote bonito.des não só a de a de pretensão vã de se constituir na unica forma válida de pesquisa. a PP ainda vive. mais do entusiasmo. sempre muito comprometi das com a ordem vigente. A critica feita aos métodos tradicionais de pesquisa deve vir acompanhada de uma contraproposta.CAPÍTULO III: ELEMENTOS METODOLÓGICOS DA PP Tentaremos fazer uma aproximação metodo lotica da PP. do que da fundamentação teórica. A participação nao elimina o poder. não problematizam mal formados identidade medíocres. no sentido de elaborar algumas referências fundamentais para se constituir como genero de pesquisa.. por vêzes. quando. mas busca uma alternativa democrática dele. Preocupa na PP. idéia pesquisa. Outros manipulam a idéia vaga de que as estruturas de poder precisam ser superadas. A PP tem tudo para ser apenas a próxima farsa. Em vez de superar a decepção histórica com respeito à uti lidade das ciências sociais para os dominados. precisamente aqueles pesquisado res alimentam esperança reconhecidos pela fumaça que levantam. esconder um "pre sente grego". mas nao refletem sobre a questão vital. até banalizam. Diríamos que. Ademais. a mesmo de tempo. entre outras coisas. com que dominados. serem banqueteiam-se na PP. ou seja. mas também a idéia de participação. Nas existem posturas igualmente meramente serias ativistas fragilidades que metodológicas. pelo menos sob forma latente. sua e Ela não é menos os possível entre Ao os pes quisadores que se querem de "esquerda". de que nenhuma sociedade sobrevive e se organiza sem estruturas de poder. precisamente naquilo que se rejeitava na pesquisa tradicional. tendo em vista a presença maciça de marginalizados. peculiaridade de instituições oficiais ou governamentais. por exemplo. porque na verdade não pos_ suem fogo. até que ponto é mais participação do que pesquisa e em que medida participação pode ser uma maneira descobrir a realidade e de a manipular. Alguns simplesmente se refugiam no materialismo histórico. existe na PP uma contrapropos_ ta. A farsa não seria. pode refinar os controles sociais vigentes e. de modo geral. transformando-o numa "receita culinária". de . de modo algum.

pura e simplesmente. Teoria e Prática "Para as ciências sociais uma teoria desligada da prática nao chega sequer a ser uma teoria. Aí já temos uma característica fundamental da prática: é sempre uma opção da teoria que a funda -menta por trás. Mas."Teoria e Prática" . mas versões concretas dela.sempre relativa . nao se pode dizer que prática seja o critério da verdade.cit.As questões pretender exauri-las. teríamos verdades contraditórias. DEMO. porque opcional. O fanatismo é precisamente isto: parte da necessidade de in -terpretação única. como sua solidez teórica e lógica. da verdade. para aclarar a problemática. Neste sentido. Assim. não se pratica toda a teoria.cap. Assim. Da mesma bíblia produzem-se muitas seitas. o que quer também dizer que a prática ten de a ser exclusivista. A partir daí. mesmo porque esta é uma marca própria (1) P. Porquanto. que é generalizante. A teoria usa concei -tos universalisantes. Nao podemos elementos levantar alguns metodológicos. da qual derivam uma prática exclusiva. sua capacidade de objetivação. fora da qual nao há salvação.de uma teoria. precisamos de outros critérios mais. é correto afirmar que. No entanto. porque o simples fato de uma teoria Ê a um critério che gar à prática nao a faz necessariamente verdadeira. porque será um discurso irreal ou alienante. e se a mera prática as tornasse a todas verdadeiras. para estabelecermos a verdade . nunca foi sequer teoria. de outro mundo. E ê neste sentido que muitos diriam ser a prática o critério da verdade teorica"(1). de uma mesma teoria podemos deduzir várias práticas opcionais. outra característica da prática é seu traço concreto. op. Introdução à Metodologia da Ciência. 1. ao contrário da teoria. a não ser sob o peso do dogmatismo e do fanatismo. sua adequação histórica e assim por diante. da teoria marxista existem muitas práticas. mas tão somente são inúmeras. Nao é possível imaginar que de uma mesma teoria se derive uma úni ca orática. inclusive contraditórias. se uma teoria nao leva a prática. até mesmo contraditórias.

o que introduz inúmeras limitações conhecidas dos processos democráticos. face à teoria. uma coisa é a realidade teoricamente es_ truturada e sistematizada. Na prática. Toda prática apequena a teoria. também a limita. quer dizer. a democracia nao é governo do povo. suissa. já que na prática." ao mesmo todas as potencialidades teóricas. outra é a realidade como se dá efetivamente no mundo real. e assim por diante. pelo povo e para o povo". Assim. porém. pois. mas uma versão historicamente condicionada dela. A democracia é o uma tempo que realiza a teoria. pretensamente. irrealizáveis historicamente. podemos dizer que a democracia americana é tao somente um caso possível do conceito geral de democracia. Chega somente através de representan -tes que. no sentido de que não consegue esgotar teoria contém geralmente elementos utópicos. à sombra desta característica. por isto mesmo. buscando manter-se e impor-se. toda prática. não se constata que o povo. aos quais imaginamos poder ajustar seu conteúdo teórico. ou seja. ou do capitalismo liberal. mas nao é em particular nenhum deles. brasileira. Que cada democracia em particular levante a pretensão de ser a única possivel. Assim. nao praticamos a democracia. mas de seus possíveis represen tantes. o representam. Quando. isto já é uma questão ideológica de autojustificação . pois isto seria mera abstração ou fuga teórica. porquanto nao ultrapassa a condi ção histórica de uma versão dela. Quando dizemos que a "governo do povo. Seria obtuso pretender mostrar que o caso concreto da democracia americana esgote a potencialidade do conceito ge ral de democracia. . mas não se esgota nos momentos particulares subsumidos. £ uma abstração e que. diz respeito a todos os casos concretos cobertos por ele. chegue ao governo. aparece outra que é o caráter limitante da prática. trata-se de afirmação teórica. a versão grega. O conceito de democracia aplica-se a todos os casos concretos históricos. E é neste sentido que a prática sempre também trai a teoria. É comum ouvirmos que na prática a teoria é outra. ou outra qualquer. optamos pela democracia.de qualquer conceito em sentido logico. em pessoa.

conflituosa e poten -cial. por exemplo. própria constituição da realidade social. porque está inevitavelmente polarizada entre opções históricas e políticas possíveis. à superação das necessidades materiais através da produção ilimitada deveria ser condição prévia e assim por diante. porque é um produto também social. não ne la mesma. Embora faça parte do projeto de sociedade.uma coisa. Nao é que a teoria nao seja também ideológica. mas e na por isto intrinsecamente ideológica. enquanto que a prática sequer se realiza sem a imiscui-ção ideológica. abandonou a idéia de espontaneidade da massa (desenten -deuse. é dogmatismo primário e excrescencia ideológica. isenta. a evolução do socialismo ao tempo de Lenin. Ao passe que a realidade social é fundamentalmente à realidade prática. porque realiza-se dentre de uma opção política. assume diretamente a ideologia e é a realização de uma ideologia. outra coisa é o so cialismo como é viável na pratica. Ademais. Por isto mesmo. tôda prática é necessariamente ideológica. como a realidade fisica é. porquanto o próprio distanciamento para com a prática significa um tipo de compro -misso ideológico. na pratica a dita_ dura é do partido. A física. o socialismo deveria ser universal. Nao é somente dada. o socialismo soviético é somente uma versão possível. interpretada. que possivelmente não se aplica nas ciências naturais. a ideologia aparece no tratamento dado à realidade física. para tomarmos outro exemplo. É interessante notar. seria o socialismo como se deseja na teoria. A idéia de que a única interpretação possível do socialismo deva ser a soviética. Lenin introduziu a modificação do "socialismo num só país". por exemplo. Na verdade. por esta ótica. tem o problema de sua utilização social. o partido deveria ser apenas órgão da massa. é também produzida. A ditadura do proletariado nao passou até hoje de uma pretensão teórica. Mas a teoria pode imaginar-se pura. Em teoria. Por isto é um traço típico das ciências sociais. mas não é uma prática intrínseca.ob jetiva. . Na prática. A ideologia não aparece somente na opção de tratamento científico dado social. com Rosa Luxemburg) e teve que virar-se num país subdesenvolvido. .

como. Mas isto não é um defeito. se for prática. nova porque é contraditória. porém. universal. a traia e a deturpe. porque tem medo da condenação histórica. Todavia. Prefere criticar a propor. nao há "historia real precisamente sem limi tações. De um lado temos a propensão absolutizante da teoria. porque tôda proposta. caso contrario. é característica da historicidade dialética.A prática é condição de historicidade da teoria. Somente era teoria podemos imaginar uma ciência totalmente evidente . por sua vez. concreta. é relativa. a não ser comprometendo-se com opções políticas concretas. é um produto histórico. Porque não há outra maneira de se fazer história. a fuga da prátic . Ambos os termos se necessitam e se repelem. não como defeito. tôda história é in -trinsecamente defeituosa . mas uma versão dela. pois não representara a perfei ção histórica. 0 teórico foge muitas vezes da prática. Quer dizer. Porquanto a prática nao esgota a história. processual. Mesmo que a prática limite a teoria. A teoria po de ser absoluta. Recompõe-se nisto a gualidade diale -tica do relacionamento entre teoria e prática. enten dido como fenômeno intrínseco e normal. a prática. Aí está toda a grande za da prática: de ser realização histórica concreta. produtiva. O realizado não consome a utopia. mas como marca própria. Na prática. acabada. é também atacável. O factual nunca esgota o possível. o que possibilita um relacionamento dinâmico. A história é dinâmica. Tôda prática histórica pode ser condenada. sem traições e sem deturpações. A mera teoria é uma fuga da realidade. 0 conteúdo fundamental da história é sua incompleição. criativa. mas cada um possui den sidade própria. particular. os compromissos históricos possuem consequentemente defeitos. um não existe sem o outro. do compromisso a tacável. mas a realiza relativamente. relativo. A tradução mais concreta desta incompleição é o conflito.e é por isto que se mantera históri ca -. verdadeira. numa identidade de contrarios. abstrata. realizada. Dizemos que é mister "sujar as mãos com a prática". porque usa-se a idéia de que a prática nos le va a compromissos atacáveis. diante de outras opções adversas. utópica. ou seja. infindável. limitado. nao acontece.

mais útil. em sua pretensão absoluta. e vice-versa. Por exemplo.é. Na pra tica. Para nao recairmos no simplismo de que uma determinada versão ci entífica se erija em parâmetro final. mas há os relativos. à revelia. nao deixa de ser importante. Onde não há utopia. não é inutilidade vazia. é quem realmente produz. e quando por nao malandragem. É pre cisamente este o papel da utopia. é quem representa a contradição da sociedade capitalista e a potencialidaaos . como se já nao houvesse alterna va. Nao existe verdade absoluta. faz parte integrante do processo científico. sem o qual nos satisfaríamos com os produtos relativos. ao querermos não sujar as mãos. mas faz parte da histeria. superável. assim como a teo ria. dentro do espaço e do tempo em consideração. por ser uma construção abstrata. por estar exposta a todas as fragilidades históricas naturais. é relativa. é mister voltar à teo ria. • Assim. encontra sempre sufici entes defeitos históricos. o proletariado perfaz a maioria da sociedade. gostamos a de tomar escamoteamos lar. histórica. que. Ao contrario. sa-craliza-se uma situação dada. A prática. para a declarar superável. ao atribuirmos ao proletariado consciência verdadeira. que argumentos se usam? Esta questão não tem solução fechada. Não temos argu mentos cabais. Na da faz tão bem à teoria como sua prática. geralmente conservador. A discussão em torno da consciência verdadeira coloca adequadamente este problema. quer dizer. como sabemos < que uma consciência é ou não verdadeira? Por exemplo. ou que nao um tipo de compromisso quando revê cons político. nem a prática em nome da teoria. embora não tenha a posse da produção. ou por do ciência compromissos escusos chegamos compromisso latente que é a falta de compromisso. mas uma consciência relativamente verdadeira. Nem por isto o conceito de verdade absoluta perde seu sentido. Assim. nao é historicamente realizável. nao podemos sacrificar a teo ria em nome da prática. porque na prática não existe a consciência absolutamente verdadeira. uma pratica. sujamo-las inocência ainda. e burgueses consciência falsa.

nao faz historia. porque o burguês também pode apreender criticamente a realidade. Mas sao argumentos relativamente válidos e que pos_ suem sua verdade histérica. Assim.uma teoria não precisa ser verdadeira. Quera passa a vida "encima do muro". jamais chegará à prática. Isto significa. seria indiferente qualquer prática. que a define em seu conteúdo concreto. porque é em um projeto político determinado. atribui-se normalmente consciência verdadeira ao partido. opta-se por ela. em nome de uma prática histérica. são os excluídos do processo. perde-se a tônica do argumento e passa-se à submissão à autoridade. sem pelo menos um pouco de fanatismo. na prática.de da mudança. de novo. Tudo isto é simplesmente histérico. não há somente argumentos.etc. Isto pode ser justifica -do. Por ser opção política. No caso da Polônia. Por medo do compromisso. ou e tragado por ela. Quem não tiver coragem de as sumir também. Por outra. e assim por diante. sobretudo nome dele que se chega a dar a vida por aquelas mais ostensivas e contestatórias. fazer história que nao há como . para enaltecer as virtudes e para encobrir os defeitos. ou o povo contrário à condução par tidária?. o partido. b) não se define a consciência verdadeira fora de uma prática ideológica. a busca de autodefesa. in tiliza sua passagem pela historia. quem tem cons -ciência verdadeira. no sentido de autodefesa i deolégica. fica patente que tôda prática possui tendência exclusivista. Lança-se mão da ideologia para justificar a prática. ou seja. exclui mos as demais. Tal característica pode facilmente ser apreendida nos momentos em que se põe em questão a condição do partido como representante legitimo do proletariado. ou serve a compromissos escuses. Se a questão for fechada. porque é uma marca própria da ide ologia. Quando se assume uma prática. Duas dimensões são aqui vitais: em teoria defendemos facilmente o pluralismo ideológico. praticamos nossa ideologia. Tudo isto nao é argumento cabal. Assim. caso contrário. Mas é claro que prevalece o "argumento" de autoridade. porque os marginalizados também sofrem de alienação social. porque a maioria não precisa ter razão. não há decisão histérica prática. mas opções políticas concretas. parece claro que: a) pelo simples fato de ser prática. os defeitos da prática. No socialismo. com vir tudes e defeitos.

E somos melhor necessariamente atores. para aprender de outras práticas. já não levantamos a pretensão tola tipo de compromisso vamos justificar? Ao mesmo tempo. A prática traz novas dimensões na ao co- nhecimento científico social. que são essenciais para sua construção. Quem nao volta à teoria. de quanto no sentido de isentar-se de qualquer compromisso. Todavia. é importante demais sempre voltar à teoria. porque não nos serve na manipulação da realidade. tanto no servir de constante teste para a validade da teoria. por causa disto. submergindo no ativismo fechado e obtuso. a prática é elemento me todológico integrante do processo científico. Não adianta escamotear a ideologia. montamos a farsa de espectadores de um estranho circo.sem "sujar-se" com ela. para aperceber-se do fanatismo. nem temos noção clara daquilo que é viável. Em primeiro lugar. porque através dela testamos conhecimento vi gente e produzimos novo. se for o caso. Se admitimos que estamos de qualquer maneira comprometidos. mas vamos logo àquilo de que se trata de fato: que de assumir que a própria pesquisa é uma intervenção na realidade. do qual. nossa teo ria não fica histórica. daqui lo que é possivel. de ver o mundo através da sala de aulas. na medida que também fazemos parte da realidade social. Ao mesmo tempo. recebe_ mos uma formação alienada. a prática é uma forma de conhecimento. e para. Assim. sentido. bem como dialogamos dinamicamente • com a realidade e conosco mesmos. Sem o componente da prática. em ciências sociais. a dialética entre teoria e prática é condição fundamental da pesquisa e da intervenção na realidade social. deixa de ser crítico e autocrítico. daquilo que é realizável. Em ciências sociais. porque . contudo. discutir qual é a preferencial. obriga à revisão teórica. e pas_ sa a condenar tudo que não esteja de acordo com sua teoria ou com sua prática. até mudar de prática. A título de rigor lógico e de objetividade . produzimos a típica alienação acadêmica. 0 senso de relativa inutilidade que as_ sola hoje as ciências sociais se deriva em grande parte do ab-senteismo prático.

mas é péssima. ao mesmo tempo aproveitável e condenável. Em quarto lugar. redirecionada. centrada em superficialidades e divertem a alienação universitária. por que em contato com a realidade concreta e política descobre-se facilmente que. quer Em sétimo lugar. ou seja. que humana Nao esgotamos a realidade. submete a. irrelevâncias. Em sexto lugar. . Em oitavo lugar. de vigilância indomável contra as desigualdades sociais. reduzir o desacerto. que não somente acontece. sabendo disto. toda a verdade na mão. Em quinto lugar. pode colaborar no controle ideológico. também quando desejássemos fazer pura teoria.pratica tôda teoria é outra. inquieta. nos colocar fora de história. que pouco tem a ver com uma visão muito arrumada e estereotipada da realidade social. gente que deturpa. para que o projeto po litico seja expressão da sociedade desejada. leva o cientista a "sujar" as mãos. imaginando que isto nos daria condições melhores de a conhecer. ou pelo menos tole rada. Não consegui mos ser meros observadores de uma trama que é necessariamente nossa. mas que não consegue tornar as ciências sociais baluartes concretos de realização . conflituosa. uma coisa é o discurso. repõe a importância do componente político da realidade. a pretexto de objetividade e isenção analítica. nem temos somos apenas pesquisadores. sabe disto. leva ao questionamento constante da formação académica. Porquanto a alienação é uma maneira de fazer história. mas pode. porque sequer. de salvaguarda da democracia. teoria ao teste saudável da modéstia. Por isto estamos imersos na pratica. mas que. as sume a opção ideológica e pratica a decência de se submeter ao julgamento histórico aberto. até onde possível. que erra. ou seja. tornando-o concretamente histórico. pelo menos em parte. Nos mesmos somos produto histórico. outra é a prática. na medida que não se dá ao escamoteamento de suas justificações políticas. influenciada. torna a teoria muito mais produtiva. que duvida. Em segundo lugar. ser conduzida. a prática traz a oportunidade histórica de construirmos. Não conseguimos. acima dela. ou ao lada dela. Em terceiro lugar. nossa própria história. porque a obriga a adequar-se a uma realidade processual.

Por outro lado, a pratica não pode ser a porta escancarada da devassidão ideológica. Se for prática no contexto científico, há de "predominar o argumento sobre a ideologia. Ao dizermos que a prática é necessariamente ideológica , nao quer dizer que Se seja nao só ideologia o cientificamente apreendida e contralada. perdermos relacionamento dialético entre

teoria e prática, fica mais fácil evitarmos o ativismo e o fana tismo de uma prática que já desfez a sensibilidade pela teoria crítica(2). 2. Postura dialética é praticamente impossível a PP fora de uma postura dialética. Sua forte crítica à pesquisa tradicional acaba coincidindo com a reivindicação de uma metodologia própria para as ciências sociais, que nao tenta imitar tacanhamente as ciências naturais. Tal postura pode vir maculada pelos ex cessos mais ingênuos, desde imaginar que a dialética acabe com a lógica e a experimentação, até imaginar que a dialética seja a tábua de salvação das ciências sociais e da humanidade(3). De todos os modos, é preciso visuali -zar algo da dialética para entender muitas das pretensões da PP. Todavia, temos aqui um problema logo de partida: a dialética: co mo qualquer outra metodologia', nao é unitária. É um erro primário supor que a única dialética possível ou aceitável seja o ma terialismo dialético. Por isto, torna-se difícil compor elementos gerais da dialética, no sentido de serem bem comum de todas as versões praticadas, mesmo porque há as antagônicas. Seja como for, levantamos aqui alguns elementos para início de discussão e que são necessários para apreendermos certos rumos da PP.

(2) A.S. VASQUEZ, Filosofia da Praxis, Paz e Terra, 1977. F. CHATELF.T, Logos e Praxis, Paz e Terra, 1972. K. KOSIK, Dia letica do Concreto, Paz e Terra, 1976. (3) H. LEFEBVRE, Lógica formal/lógica dialética, Civilização Bra sileira, 1975. J.P. SARTRE, Questão de método, Difel, 1972. M. HARNECKER, Los conceptos elementales del materialismo his_ tórico, Siglo 21, 1972. A. CHEPTULIN. A dialética Materialis ta, Ed. Alfa-Omega, 1982. E.M. LAKATOS & M. de A. MARCONI, Metodologia Científica, Atlas, 1982.

Num primeiro momento, vale dizer que a dialética é vista como a metodologia própria das ciências sociais. Isto não precisa coincidir com exclusivismos, como se as ciências sociais não pudessem lançar mão das metodologias das ciências naturais. Porquanto não há pureza metodológica, mas relativa especifidade. 0 que permite uma definição própria, mas igualmente a convivência com outras, ainda que conflitos também. Não é fácil mostrar que as ciências sociais trabalham com uma realidade tão específica, que merecem ser tratadas especificamente do ponto de vista metodológico. Mas nao é problema muito diferente aceitar que a realidade é unitá ria, devendo-se pois aplicar a ela metodologia unitária, retira da dos cânones das ciências naturais. Na verdade, isto depende da concepção de realidade, que pode ser explicitada, mas não propriamente demonstrada. Nao dá para mostrar dialeticamente que' a realidade é dialética. Temos, pois, aí um ponto de partida, já que não há partida sem ponto, mas que é um pressuposto no sentido lídimo do termo: supomos que seja assim, pelo menos como hipótese de trabalho. Em todo ocaso, a PP supõe que assim seja e por isto lança mão da metodologia dialética (4). Ao mesmo tempo, desiste-se da idéia de que a dialética seja metodologia unitária para todas as rea lidades. Ela serve para captar fenômenos históricos, caracteri zados pelo constante devir, não para captar fenômenos naturais, que são dados(5). Caracteriza profundamente a dialética a idéia de que tôda formação social é suficientemente contradi-tória, para ser historicamente superável. Embora nem todas a-ceitem isto, serve como ponto de partida. Privilegia-se na rea lidade seu lado conflituoso, não como defeito, mas como característica histórica natural. No fundo, entende-se o histórico como conflituoso. A superação histórica é um fenômeno natural, porque predominam conflitos, não somente conflitos de menor porte, mas igualmente conflitos que não conseguimos resolver e que decretam o término de um sistema dado. Tais contradições nao são extrínsecas, embora as possa haver; são intrínsecas , (4) H. MARCUSE, Zum Problema der Dialektik, in: Die Gesellschaft 7 (1930). H. FREYER, Sociologia ciencia de la realidad, B. Aires, 1944. (5) Assim, a idéia clássica de Engels de construir uma "dialética da natureza" estaria em decadência. A natureza possui talvez cronologia, mas não propria mente história; está estruturalmente dada, e por isto nao é propriamente produzida na e pela história.

no sentido de que fazem parte constituinte da realidade. A história é irriquieta, incabada, supe rável, porque é contraditória. uma história não contraditória coincidiria com uma história parada, tranquila, onde já nada acontece. Ou seja, não é um fenômeno histórico. A pedra de toque da dialética é o conceito de antítese. Do seu entendimento surgem De de as mais variadas versões dialéticas, a inclu vigência i-dentidade sive de de contraditórias. num todo só modo geral, antítese o que significa resulta na

contradições dentro de determinada formação social, ou seja, a convivência polos contrários, contrários..Se a antítese for radical, leva à superação do sistema, porque reflete um conflito que o sistema já não consegue absorver ou resolver. Se a antítese não for radical, deter mina a manutenção do sistema, ainda que introduza modificações internas. Simplificando as coisa, as superações históricas-são trabalhadas por antíteses radicais que levam a mu -danças do sistema. Antíteses não readicais induzem mudanças dentro do sistema ou a relativa manutenção da situação dada. De todos os modos, a realidade histórica é uma polarização intrínseca e nisto exercita sua dinâmica própria de uma totalidade em infindável processo de mudança. A história é uma sucessão de fases. O conceito de fase introduz cs dois movimentos típicos da antítese: existe a persistência histórica relativa sem a qual a fase não se institucionaliza; mas nao passa de fase, ou seja, é provisória, porque na história tudo nasce, cresce, vive e morre. Embora seja correto que a dialética pri vilegia o fenômeno da transição histórica, ela faz parte da visão metodológica da ciência ocidental, ou seja, também é nomotética Concebe-se como esquema explicativo de mudanças históricas, desaparecimento dos sistemas. Contém, acontecer. Ao aplicarmos mas nao desaparece com o pois, formalizações e é, no fundo,

um tipo de lógica. Elabora, senão leis do devir, pelo menos regularidades do a certo tipo de fenômeno histórico o conceito de revolução, supomos que embora se trate de mudanças radicais, muita coisa aí se repete, tanto que se aplica o mesmo conceito.

ou totalmente subjetiva. A consciência histórica e a possibilidade de intervenção humana são constituintes centrais deste processo. sobretu do quando os objetos são sujeitos sociais também. Há também um modo próprio de ver o rela_ cionamento entre sujeito e objeto. admite a intervenção É O da maneira que aí está. isto somente é possível se a admitimos pelo menos regular. de tal sorte que tudo o que acontece na história é historicamente explicável. Colocados tais elementos esparsos. mas também construída na história. E outras procuram um meio termo. é uma das opções políticas caso do materialismo humana. que vêem a his_ tória mais feita pelo homem. dentro do quadro da teo ria e da prática. que nunca é apenas dada objetivamente. Acabam-se identificando. Ao mesmo tempo. que caberia somente em ciências natu rais. nao sabemos trabalhar com uma realidade que fosse irregular. Mesmo a história não acontece de qualquer maneira . Outras são mais subjetivistas. o que ocasiona versões diversificadas histórico. mas também construída socialmente. nem é puramente decidido pela vontade humana. nao apenas fisicamente dada. do tipo hegeliano. mas interação dinâmica e dialética. Embora objetivamente condicionada. nem imposição evidente por parte do segundo. imprevisível. foi causado por fatores antecedentes. Por mais que o salto seja qua litativo e radical. admite-se como central o componente político . o que permite desfazer a idéia de objeto. derivado da concepção específica de realidade social. para ser previsível e manipulável. Entre sujeito e objeto não há mera observação por parte do primeiro. se aceitamos que a história pode também ser feita e planejada. porque acentuam os condicionamentos objetivos. do que acontecida objetivamente. definido como a participação e intervenção do homem nos acontecí mentos históricos. mas é condicionada.Ao mesmo tempo. Decididamente. o que determina a ideologia intrínseca da rea lidade social. atribuindo ao elemento político o . em na que prática. mas política determinada ultima instância pela infra-estrutura econômica . Nao cai do céu. Algumas dialéticas sao mais "objetivistas". sur gem já algumas divergências. caótica. Pelo menos um laivo de determinismo é típico" de nosso modo de fa zer ciência. o fato de que nossa história se desenrole possíveis.

radicalmente diverso. A idéia de que toda formação social seria suficientemente contraditória para historicamente superável. Não seria o socialismo simplesmente uma fase histórica como qualquer outra. que baseia a idéia constante de entender a história até ao capitalismo como préhistória. feudal e burguês moderno podem ser qualificados como épocas progressivas da formação econô mica da sociedade. mas não se supera a característica específica conflituosa da história. No entanto. Destarte. contradi tória nao no sentido de uma contradição individual. P. ser já nao depois mais do capitalismo porque -ria teríamos não até con ao radical. as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa. a pré-história ca sociedade humana"(6). MARX. porque tende a. No materialismo histórico predomina a tendencia de considerar o capitalismo o último modo contraditório de produ -ção. os modos de produção asiático. . 1973.mesmo peso dos elementos ditos infra-estruturais. superando o reino da necessidade. As relações de produção burguesas são a últi ma forma contraditória do processo de produção social. É incisivo este texto da Contribuição à Crítica da Economia Política: "A traços largos. assim. capazes de satisfazer a todas as necessidades materiais. com esta organização social termina. Contribuição para a Crítica da Economia Política. apresentaria o conflito de classes. Ademais. 28-29. mas de urna contradição que nasce das condições de existencia social dos in divíduos. vale capitalismo. também con flituosa. correspondente precisa -mente a radicais. criam ao mesmo tempo as condições materiais para resolver esta contradição. Parece muito discutível esta postura . que história seria esta já sem contradições radicais? Neste uma situação histórica já sem desdobramento. produziriam as condições suficientes do reino da liberdade. ou de qualquer fase que venha após o capitalismo. Certamente não apre (6) K. camuflar os conflitos de socialismo. conflitos os soviéticos porque innão ventaram a "dialética não antagônica". As condições econômicas novas. traditória. Se o dinamismo dela provêm de suas contradições. a visão da antítese histórica é variada. antigo. superamos tao somente a maneira histórica própria do capitalismo de o conflito acontecer. também superável? Se superarmos o conflito de classes capitalista. outra ótica da antítese. Estampa.

porém. assim. Estas admitem que a história tenha estruturas dadas. inquieta. Sociologia uma introdução crítica. mas são precisamente a fonte do dinamismo histórico(8). conflituosa e superável (7). e uma outras polêmica ditas forte en marxista histórico- estruturais. P. que é um conflito tipica_ conseguimos sociedade eliminar. teoricamente considerado . ao mesmo tempo. BAHRO. R. Die Alternative . sobre a questão histórico-estrutural. DEMO. Rororo.senta o conflito de classes como no capitalismo. a "desgraça" e o dinamismo histórico. é pro -blema do capitalismo o conflito de classes. por causa desta característica. realiza formas concre tas de desigualdade. porém. (7) Ch. (8) Cfr. mas da história como tal. E mais: são históricas. 1983. nao é um problema capitalista. 19-76. a desigualdade social é uma estrutura histórica. no sentido de que não há história que não contenha esta característica. como a própria infra-estrutura econômica. O conflito. como no caso da metodologia estrutu ralista. tre dialéticas de inspiração então. a realidade. nao esfriam a história. Por isso mesmo. continua histórica. Tais estruturas. históricas não se concentram Por causa su- sobre a questão da desigualdade social. a sair pela Atlas. nao Mas mais apresenta pela o conflito ou da desigualdade.Zur Kritik des real existierenden Sozialásimis*. ou seja. por ser histórica. Por mais que a sociedade possa sonhar com a utopia da igualdade. insuperável: continua a superações reduzir. As mente dela. BETTELHEM. Paz e Terra. Sobretudo. 0 fenômeno da desigualdade seria. perável. dos meios de inspro trumentalizado posse não-posse dução. somente. precária. 1970. problemática. . porque nao exis_ tiria mais-valia. mas pelo acesso à elite burocratica e partidária. Trava-se. A Luta de Classes na União Soviética.

do que a segunda. de que a desigualdade social é estrutural e disto a história retira seu dinamismo próprio social. nunca rela ções de produção novas e superiores se lhe substituem antes que às condições materiais de existência destas relações se produzam no próprio selo da velha sociedade. uma organização social nunca desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que ela é capaz de conter. A hipótese anterior está mais próxima do mito. pelo menos. (10) K. de aparecer"(10). Por estas razões. seriam não anta gónicos(9). descobrir-se-a que o próprio problema só surgiu quando as condições materiais para o resolver já existiam ou estavam. ima_ gina uma historia posterior nao contraditória. no sentido de que o consequen-te já não seria explicável pelo antecedente. é preciso. ENGELS. não se poderá julgar uma tal época de transformação pela sua consciência de si. diz ele: "Assim como não se julga um indivíduo pela idéia de que ele faz de si próprio.p. pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as relações de produção. Retomando o texto anteriormente citado de Marx. explicar esta consciência pelas contradições da vida material. cit. 98.O materialismo histórico. Pode-se perguntar: como pode uma história contraditória gerar outra não contraditória? É claro que. ih. MARX. O Estado não sera 'abolido1. consideradas praticamente inesgotáveis e nunca total mente conhecidas. existem divergências sobre a profundidade das superações históricas. Mas a hipótese contrária. em vias. Mesmo porque a história passada não é parâmetro definitivo para a futura. Do socialismo utópico ao Socialismo científico. Não parece possível defender a revolução total. apelando-se para as potencialidades históricas. 1972: "0 governo sobre as pessoas é substituído pela adminis tração das coisas e pela direção dos processos de produção. pelo contrário. . numa ob servação atenta. é permitido levantar a hipótese de uma histó -ria profundamente diferente da conhecida. por conter a noção de que a historia contraditória vai até ao capitalismo. (9) Visão típica de F. É por isto que a humanidade só levanta os problemas que é capaz de resolver e assim.. sem a "dominação do homem pelo homem". embora persistam conflitos. também é válida e tem a seu favor a história conhecida. op. Já não se colocaria a superação histórica. Estampa. extingue-se" .

a idéia de que a história futura. de privile -giar aspectos políticos da intervenção humana na história sobre condições materiais. como se fossem necessariamente melhores. Nossa posição tenderia a ver os dois fatores no mesmo pé de igualdade. predomina o novo sobre o velho. mas praticamente" infundada. . O fato de podermos considerar o capitalismo como a fase histórica mais perversa jamais conhecida. elaborando' a opção política menos em se conformar. mesmo porque não há revolução sem ideologia revolucionária. que não se contenta em esperar. É mister a produção. Dificilmente a mudança nas estruturas da desigualdade se fazem sem a intervenção dos de desiguais. e. secundarizando o lado da intervenção humana. como porque facilmente isentamos fases posteriores da crítica. Por isto. "objetivismo" excessivo acaba desestimulando. já não seria antagônica. Concretamente falando: mera conscientização política não adianta. 0 lado material circunscreve precisa -mente os limites e possibilidades da ação humana. Para a PP.à luz deste texto. O materialismo histórico pode igual -mente exceder-se em sua acentuação objetivista. mas é preciso obtê-lo. uma concessão mítica. uma questão capitalista e que. tanto porque supervalorizamos a importan cia apenas relativa de uma fase histórica. em observar. Todavia. não revelia. por outra. nos pare ce uma expectativa possivel. em parte. a capacidade de assumir. A questão do poder não nos parece su pra-esturural. que o insiste muito nesta possibilidade participação histórica. mas o novo relativo. embora seja facilmente condicionada pela infra-es_ trutura material. e muito Porquanto história humana é aquela feita aquela que acontece à sua pelo homem a serviço do homem. é outra coisa. no fundo. é a fonte da energia humana. superando-se o capitalismo. pós-capitalista. é uma visão curta descrever o capitalismo como o re sumo de todos os males. su pera-se o problema do poder. na ordem da utopia. porque pelo menos não interessa mera pobreza participada. 0 equilíbrio entre o objetivo material e Não cremos que a questão do poder se ja o subjetivo político é complicado. que mais pareça conveniente à comunidade. Não se trata. que já nao fosse historicamente explicável. ou seja. na mesma importância. parece claro que a superação histórica nao produz o novo total. seu destino histórico. Seria uma colocação a -histórica aquela que previsse um salto de tal ordem.

ou imaginando que a unica dialética possivel seja a versão do materialismo histórico. Beilage zur Wochenzeitung "Das Parlament". míticas. Ela existe na carestia e na abundância. É claro que havia o condicionamento da sobrevivência mate rial. ma instância. (12) As sociedades ditas "primitivas" conheciam o fenômeno do po der. mas que existe em qualquer sociedade. nela colocaríamos pelo menos mais a questão do poder. e que é a mais próxima das pretenções da PP (11). que é certamente condicionada pe lo econômico.. bem como seus reflexos ideológicos. Abre-se o espaço para o político.1970.07. mesmo quando não havia um modo organizado de produção (12). . Se conser -vássemos a linguagem da infra-estrutura. comunidades e socieda des. (11) 0. grupos. de estilo histórico-estrutural. Em nossa concepção. se. Assim. Der ideologis. pudéssemos dominar os condicionamentos objetivos da desigualdade. preferimos uma vi são de tipo maoista. Ao mesmo tempo. por hipótese. supondo-se muitas vezes ingenuamente dialéti ca.che Konflikt zwischen Moskau und Pe king. não é possí vel imaginar que a desigualdade política possa ser extinta pela superação da carestia material. não para substituir o econômico. ao aceitar-se uma revolução cultural e nao somente ao nível da mu dança do modo de produção. fica superado o esquema tendencialmen te monocausal de uma única infra-estrutura que determina em ülti. B 28/70. E é uma pena que a PP nao a tome a serio. mas o acesso ao poder era instrumentalizado fundamentalmente pelas crenças. porque possui raízes no próprio relacionamento social entre os homens.Temos de reconhecer a complexidade desta discussão. 11. mas na mesma ordem de importância. WEGGEL. e não apenas no relacionamento dos homens com sua realidade externa. restariam ain du os subjetivos. embora não possuíssem um modo organizado de produção. Em primeiro lugar.

. é estrutural na história a tendência do partido social: de em distanciar-se tôda da massa existe e po de tornar-se e ele uma burocracia privilegiada. É fácil demais mos trar que o revolucionário de hoje poderá ser o reacionário de amanhã. que esperamos seja prefe rível. Assim. e procurará instaurar uma ordem social. parece-nos muito mais realista. Depende da ideologia política. ao aceitar-se a revolução permanente. como se entende a PP Tentaremos agora fazer um rápido percurso sobre a auto definição da PP.o histórico. Se chegar ao poder. mas simplesmente sociedade der grupo caracteriza-se e maioria principalmente pela desigualdade entre dominante dominada. de tempos em tempos. já que nao existe uma historia nao antagônica. se realiza modalidades: uma e o revolução envelhece. movimento radical que leva à transição histórica e o movimento não antagônico que pro duz a permanência histórica. verá a sociedade de cima para baixo. é preciso. más será certamente uma ordem institucionalizada. E ' isto e profundamente histórico. que pode ferir crenças do materialis_ . porque pode produ_ zir efeitos reformistas. Esta ótica. quando não produz efeitos conservadores e até reacionários. Nao é uma problemática ca pitalista. Para recompor a transição na rota de uma organização cada vez mais democrática da sociedade . Por exemplo. para posteriormente avaliarmos sua ade -quação como pesquisa.Ao mesmo tempo. 3. porque não há somente transição. .' se 0 conceito mas de também antitese institucionalização ao mesmo as tempo duas previ histórica.. é uma ótica apressada imaginar que a PP deva somente-produzir efeitos transformadores. conclamar uma revolução para res tabelecer a oportunidade dos dominados e submeter a seu juízo o processo social. de tempos em tempos. monta-se a idéia mais realista de que é preciso abalar a história de forma permanente. que insti-tucionaliza.

quanto dificuldade para quem se engajou na PP ou experimentou entende-la. e é central para a PP o papel de reforço 'à cons ) cientização no povo de suas próprias habilidades e recursos. como aqueles com treinamento especializado.Segundo Hall. d) A ênfase da PP esta no trabalho com uma larga camada de grupos explorados ou oprimidos: migrantes. A que combina investigação destes social. e o apoio à mobilização e à organização.* g) Embora aqueles com saber/treinamento espe - cializado muitas vezes provenham de fora da situação. "a PP é descrita de modo mais comum como uma atividade e integrada ação. Al gumas das características do processo incluem: a) o problema se origina na comunidade ou no pró prio local de trabalho. num trabalho processo educacional combinação elementos interrelacionado ocasionou tanto estímulo. b) A finalidade ultima da pesquisa é a transformação estrutural fundamental e a melhoria de vida dos envolvidos. trabalhadores. f 0 ) termo "pesquisador" pode referir-se tanto à comunidade ou às pessoas envolvidas no local de trabalho. c) A PP envolve o povo no local de trabalho ou a imunidade no controle do processo inteiro de pesquisa. Os beneficiarios sao os trabalhadores ou o povo atingido. mulheres. são participantes comprometidos e aprendizes num processo que conduz . populações indígenas.

in: Convergence. porque acredita-se que o domínio do saber é uma fonte de poder. Daí a importância da criação do poder popular. por exemplo. 14. HALL. 1981.o compromisso político talvez mais do que o compromisso com a pesquisa. acentuando o que é típico .mais a militância. L. p.. cujos traços poderiam ser: um dos objetivos da PP. por que procura combinar o problema da participação com o da pesqui_ sa. (16) B. "A PP . cit. p. Participatory research has been an attempt to shift this balance of power in favour of the have-nots" -p..pode semente ser julgada a longo prazo se ou não possui a habilidade de servir aos interesses es pecíficos e reais da classe trabalhadora ou das populações oprimidas" (16) . do que ao distanciamento"(13). Este texto é bastante ilustrativo. Hall reflete uma posição crítica face ao materialismo histórico. 7-8. o que colaboraria no projeto de de (13) (14) Budd. has been and will continue to be . Id. International Forum on Participatory Research. 21.. Nº 3. ib. a PP significa a repulsa contra a manipulação das comunidades . p. Todavia. ib.. que pode ser gerada dentro de outras versões dialéticas.. no sentido do com -promisso transformador. 1980. na idéia de "transferir poder ao povo através do processo de conhecimento"(14). XIV. que Fais Borda chega a denominar "ciência do povo"(17). criar saber popular é transformação social(15). 19 81. Participatory Research. buscando produzir o saber através da analise coletiva e mantendo o controle nas suas mios. Popular Knowledge and Power: a personal reflection. p. Nº 3. . 13. é clara a insistência sobre o problema do poder. Participatory Research in the Empowerment of People. e ainda usando outros métodos possíveis. "Knowledge. (17) Id. o que podeser visto. Rajesh TANDON. FALS BORDA.. dentro de um novo paradigma de conhecimento. XIV. usa-se o termo "empowerment of people". Yugoslavia . in: Convergence. op. para respeitar a criatividade própria da PP. reconhecendo sua utilização possivel. 11. Ao mesmo tempo. mas de forma não dogmatica. Assim. TANDON.a source of power. HALL. Mas existe consciên -cia da descoberta da realidade. ib. 0. Science and the Common People. preocupando-se muito com o problema que o pesquisador treinado nao substitua o povo. (15) R.

Hall desenvolveu uma série de pontos. p. ou seja.a) "Retornar a informação ao povo na linguagem e na forma cultural na qual foi originada. 14: (19) B. d) integrar a informação como base do 'intelectual orgânico'. a comunidade ou a população deve ser envolvida no processo inteiro. g) aprender a escutar"(18). diálogo através do tempe. . "o processo de pesquisa deveria ser visto como parte de uma as experiên cia educacional des visto da como total. b)" estabelecer o controle do trabalho pelo povo e pelos movimentos base. in: Convergence. L. e nao como um desenho estático a partir de um ponto no tempo". cit.. Participatory Research: an approach for change. na ótica da pesquisa. 28-31. Segundo sua visão. f) reconhecer a ciência como parte do dia a dia de toda a população. HALL. p. até à busca de soluções e à interpretação dos achados. "o processo deveria dialético. deve haver envolvimento de todos os interessados nela. que e serve para a um estabelecer de pesquisa necessida ser comunidade. mas representar beneficio direto e imediato à comunidade. op. 1975. VIII. um processo aumentar conscientização e o compromisso dentro da comunidade". se a meta é mudança . e) manter um esforço consciente no rit mo ação/reflexão do trabalho. os princípios da PP seriam: todos os métodos de pesquisa estão impregnados de implicações ideológicas. (18) D. HALL. deve ter alguma utilidade pratica social. a meta é a liberação do potencial criativo e a mobilização no sentido de resolver os problemas(19). de c) popularizar técnicas de pesquisa. Em trabalho anterior. o processo de pesquisa não pode esgotar-se num produto acadêmico.

em que os investigados formam parte do processo ao mesmo nível do investigador. 6. (20) B. ao falar do envolvimento da comunidade: "Aqui chegamos"ao princípio fundamental talvez da PP. planejamento. como dos enfoques teóricos melhorados. ca en Ciencias Sociales. . c) Variam a extensão e a natureza da participação. 0 processo investigativo deve estar baseado em um sis_ tema de discussão. I. Ed. e intervenção na realidade. a própria população inicia o processo e pode até mesmo dis_ pensar o perito externo.. Id. No caso ideal. vol. in: Crítica y Políti. in: International Development Review 1977/4. Gira em torno de um problema existente. o envolvimento da população é essencial. coleta de dados. ainda começando pelo perito.Mas. A população engajada na PP simulta neamente aumenta seu entendimento e conhecimento de uma situação par ticular.Em outro momento. Bogotá. bem como parte para uma ação de mudança em seu benefício". Punta de Lanza. b) E iniciada na realidade concreta que os marginalizados pretendem mu dar. 23-26. p. participación y desarrollo. investigação e análise. a) É um processo de "conhecer e agir. métodos do investigación. 1978.. acentuava. Tandon constrói as seguintes características da PP. Simposio Mundial de Cartagena. Participatory Research: expanding the base of analysis. e a seu ponto mais radical de diferença tanto dos enfoques ortodoxos de pesquisa. A realidade se descreve mediante o processo pelo qual uma comunidade desenvolve suas próprias teorias e soluções sobre si mes ma"(20). p. a população participa do processo inteiro: proposta de pesquisa. Caso haja consciência su fidente.. HALL. As teorias nao se desenvolvem de antemão para serem comprovadas nem esboçadas pelo investigador a partir de seu contacto com a realidade. análise. La Creación de Conocimiento: la ruptura del monopolio.

p.. O elemento educativo é muito acentuado. A Citizens Research Project in Appalachia. o que é denominado frequentemente de retroalimentação. e) Tenta-se eliminar ou pelo menos reduzir as limitações da pesquisa tradicional. 24-26. educação/treinamento. (afinação. p. in: Convergence XIV. MacCall une a trilogia: pesquisa. 1981. Po de empregar métodos tradicionais na coleta de dados. (21) Rajesh TANTON. nº 3. o que na verdade enfatiza a ligação entre teoria e prática. mas enfatiza posturas quali-tativas e hermenêuticas. fixação dos objetivos seleção de variáveis e dos instrumentos de pesquisa. Popular Participation. e organização. escolha das variáveis a observar e dos instrumentos de pesquisa. entre conhecer e agir. que traz o subtítulo: "An International Journal of Adult Education". (23) Brian MACCALL. f ) g ) E E um processo coletivo. (24) John GAVENTA. 1981. XIV. op.d) A população deve ter o controle do proces_ so. Research and New Alliances. in: Convergence. USA. um ele mento constante(24). e é construída em três fases: a ) 1ª fase: "exploração" geral da comunida -de(25) 1. (25) o termo "exploração" significa levantamento exploratório. dos dados. principalmente no campo da educação de adultos(22). A PP utiliza-se destes passes. 35 ss. objetivos. Nº 3. elaboração hipóteses). uma experiencia educativa(21). . e a comunicação interpessoal. cit. entre pensar e intervir(23). tal vez porque o movimento da PP tenha sido profundamente marcado por educadores. que é assim montado: observação formulação das varia da problemática análise provisória e síntese (conceitos. 66-70. p. -veis. e por isto colocamos entre aspas. Também o retorno da pesquisa ao povo é. transfor mação) de uma nova problemática. (22) um dos veículos mais importantes de divulgação tem sido a revista Convergencia. 2. Le Broterf visualiza a PP ligada a certo "processo ex perimental".

partir para soluções(27). (27) . p. (26) 0 autor fala de necessidades educativas básicas (NEB).fase: identificação das necessidades básicas(26). 1. o técnico é educador. 4 comunidade assume estratégia . para se chegar à ação é preciso a participação do interessado. e na altura da discussão com a população da terceira fase. 4. encima de alguns postulados: potencialidade do. 1978.fase: elaboração de uma estratégia educativa 1 elaboração de estratégias hipotéti cas . 5 execução. porque se refere a um projeto educacional. mas poderia ser apli cado a qualquer projeto sobre necessidades básicas. com este processo consegue-se: identificar as necessidades. 2. realização 4. com formação e ação. é necessária a confrontação crítica com os resultados (retroalimentação). é pesquisa e é ação. Le Broterf é dos autores que mais caracterizam o aspecto de pesquisa da PP. 3 discussão com a população . levantar os recursos disponíveis. reações. a população tem expectativas. b) realização da pesquisa síntese 2. ao terminar a segunda fase. Descripción del Método de "encuesta partici pativa" utilizada: Una Investigación sobre Necesidades Edu cativas Básicas de la población de seis comunidades rurales en el área centroamericana. Brasília. grupo. 12-15. formular estratégia de ataque. Une pesquisa. recursos. elaboração da problemática da pesquisa nova seleção das variáveis e instrumentos 3. análise e síntese dos c ) 3. 2 elaboração de dispositivo de compro vação . Projeto PNUD/UNESCO.3. Guy Le BROTERF. Neste processo de três fases há também momentos de retroalimentação: ao terminar a primeira fase. .

bem como os pesquisadores a cerca do significado da ação pretendida. in: Conver gence. VIII. entre ciência e vida"(28). Por mais pobres que possam ser as comunidades e ainda que nunca tenham todos que as torna con-vém(29). ademais. Participatory Research or Participatory putdown? Reflec tions on the reserch phase of an Indonesian experiment in non-formal education. (29) Nat J. Innovative Processes in Social Change: theory. Es te três passos são vistos. 1981. p. entre intelectuais e trabalhado- Busca-se. ademais. p. com vistas a promover uma transformação social em benefício dos participantes. são dotadas de criatividade.Num encontro em "Toronto. COLETTA. conota a PP "como uma combinação inseparável de teoria . é uma atividade de pesquisa. Research as an educational Tool for Development. pertencem a diferentes finalidades do mesmo contínuo"(30). "Não há diferença qualitativa entre conhecimento teorico e prático. (31) Ulf HITMMELSTRAND. capazes de visualizar o desenvolvimento que lhes nasce nos cérebros de uma parte da sociedade. in: Convergence. onde cita Swantz. Nº 3 . Himmeslstrand. que Grossi assim expressa: "é um pro cesso de pesquisa no qual a comunidade participa na análise de sua própria realidade. iluminando os atores. University of Uppsala. que sao oprimidos. p. in: Sociology: the state of the art. ação social. 44. GROSSI. Retomando um esquema de Moser. fundamentar a idéia de que o "conhecimento não produzido através de um processo compartido por todas as partes. Peasants and Intellectuals: an essay review. 43 ss. XIV. p. Nº 4. Portan to. "Em certa medida. e entre atores e pesquisadores. Nº 3. in: Convergence. 1976. e pesquisadores. educacional e orientada para a ação". SWANTZ. ao lado de críticas relê vantes. foi for_ mulada uma definição de PP. discussão da informação entre atores. é socialmente os recursos necessários. (30) Michael ETHERTON. 20. caracterizadas pelo diálogo entre atores.44 ss. pesquisa e prática. Socio-political Implications of Participatory Research. 43. a tentativa da PP foi vista como uma abordagem que poderia resolver a tensão contínua entre o processo de geração do conhecimento e o uso deste conhecimento. XIV. method and social practice. 1981. V. 1975. Embora com possíveis exageros. in: Convergence IX. de 1977. e resultando eventual mente numa autonomia aumentada dós atores em relação aos pesquisadores e à emancipação de crenças questionáveis e restritivas na inevitabilidade da ordem dada das coisas"(31). e para trabalhar diretivas da ação social. Marja L. entre res. . mas o mundo 'acadêmico' e o 'irreal'. dentro da circularidade sis(28) F. para clarificar problemas e intenções. organiza três passos da PP: coleta de informação no contexto da ação. p. a PP constitui-se num ato de fé na potencialidade da comunidade.

por outra.têmica da retro-alimentação. De certa forma. "primeira fase de um trabalho de educação participativa". in: Crítica y Po litica en Ciencias Sociales. assim. Emergem. 174-175. Werthein & M. in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. Portanto. Punta de Lanza. Investigación-Acción y Ciencia Social apli cada: valor científico. Por vezes parece que Himmelstrand confunde o enfoque objetivista com a pesquisa tradicional e. talvez. Heinz MOSER. ib. o paradigma cientifico tradicional pre ocupa-se mais em "entender como somos produzidos pela sociedade. três passos fundamen tais: o diagnóstico comunitário. p. . já que a determinação e conômica é mais fundamental. p. vivências. e o enfoque hermenêutico ilumina as implicações destas caracterís_ ticas objetivas para a formação da consciência de classe e para a auto-realização humana"(33). (34) Marcela GAJARDO & Jorge WERTHEIN.117 ss. experiências e interesses dos membros de um grupo.). "a retro-alimentação no processo de (32) Id. "Em seus traços gerais. tal estratégia se desenvolve com base na realidade. Simposio Mundial de Cartagena. por mais que se unam os. mas tem pouco ou nada a dizer como produzimos ou poderíamos pro duzir a sociedade"(32). Gajardo (orgs. La Investigación-Acción como nuevo paradigma en las ciencias sociales. P. 1982. 60. vol. HIMMELSTRAND. acentua-se persistentemente a idéia de "aprendizagem coletiva". beneficios prácticos y abusos. se vincula estreitamente com as ações que têm por objetivo estabelecer linhas de trabalho e organização que redundem em benefício coletivo"(34). se operacionaliza através de métodos de trabalho grupai e aprendizagem coletiva e se orienta para o fortalecimento organizacional dos grupos menos privilegiados. se sustenta sobre uma horizontalidade e diálogo entre os que parti cipam do ato de aprender. recolocando a importância da participação política humana na história. Da ótica do educador.enfoques.I. Bogotá. A postura mais interessante. Mas é pertinente a idéia em si: a PP combina o tratamento de condições objetivas dadas com nossa capacidade histórica de intervir nelas. a sair p. já que O terceiro passo pode engatar no primeiro. prevalece o primeiro.. Entende que o materialismo histórico per faz esta combinação: "o enfoque objetivista indaga pelas características objetivas inerentes aos diferentes modos de produção. in: Educação e participação: Alternativas Me todológicas. cit. esquece que para o materialismo histórico clássico. Ed. 19. seja a apreensão de que a PP une os enfoques objetivista e hermenêutico. Paz e Terra. J. Educação Participativaalternativas metodológicas. op... 1978. (33) U.

artigo da revista publicada pelo Institut d'Action Culturelle. ou da insistência sobre o aspecto do envolvi mento político. 20. Evolución. GAJARDO & Jorge WERTHEIN. Popular Education: concept and implications. típico da antropologia. Também na ótica do educador.p. May 1981. mim. Participatory Research by Indian Women in Northern Ontario Remote Communities. mobilização coletiva para a transformação social. (35) Id.PP. Inclui pessoas. Situación actual y Perspectivas de las estrategias de investigación participativa en America Latina. p.mas que significa somente a convivência1 de perto com o objeto de pes quisa. op. ao mesmo tempo que se constata que a ação ex elusiva do Governo não resolve os problemas (36). GAJARDO. a detecção de componentes organizacionais for mais e não formais já existentes para a solução de problemas (37). Suissa. é seja utilizada no a expressão de "observação" do ou sentido distinguir conceito clássico de "observação participante". p. Yugoslavia.. 20 ss. ao qual se liga o nome de Paulo Freire. replanejamento da ação futura . .. (36) Grace HUDSON. Santiago. reconhecer que as comunidades podem assumir E mister de e responsabilida desejam isto. 1980: "The key to changing this unsatisfactory situation is for government to . Também "pesquisa militante". a especifica ção dos recursos humanos e materiais disponíveis e o provimento de outros possiveis. Trinidad. and to make available the necessary responsability and resources so that Indian people are free to develop and provide the services that they themselves choose" . (38) F. reavaliação do diagnóstico prévio da realidade social" (38) . cit. De modo geral o diagnóstico inicial prevê três coisas importantes : o levantamento dos principais problemas que a comunidade enfrenta. p. FLACSO. Nº 5. OBSERVAÇÃO MILITANTE. in: Internatio nal Council for Adult Education. recognize that Indian people and communities have the capacity and the de ¿ire to provide for their own needs. 21. 25. F. revi são crítica da ação implementada. seja sobretudo no sentido de "instrumento e estratégia da pesquisaação" (39). in: Forum of Participatory Research. (39) M. tais como: "crítica da realidade social vigente. 1978. 71. (37) M. GROSSI. e a organização de grupos instrumentais que assumem a ação (?5). a análise dos dados com participação comunitária". ib. p. ou seja. acentua-se com força o objetivo da conscientização.

Ao mesmo tempo. 0 conhecimento nao é mera contemplação. se não se expressam numa permanente inter-relação' unitária" (40) . 3. à primeira vista. a teoria se reduz a meros enunciados verbais . É essencial à PP o reencontro com a capacidade criativa humana. ao longo desta sumária revisão. porque é a que assume o contexto histórico. sobretudo dos humildes. . Mas é patente igualmente que a teoria é frequentemente sacrificada em favor da prática. a idéia de superação dos procedimentos tradicionais de conhecimento. op. se parada da pratica. tratando-se já de questões mais propria -mente educativas e participativas. a opção crítica e política. Porquanto. o envolvimento comunitário. de modo geral não chega a ser abandonado. sempre resta pelo menos interesse em diagnósticos. propugna a transição histórica e acredita no fator humano como capaz de interferir em condições objetivas dadas. todavia. separada da teoria. a união en tre teoria e prática. a prática não é mais que um ativismo inconducente. Sobre el Sentido y Uso de la Investigación-Acción in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. não seria possível negar que a prática é componente essencial também do processo de conhecimento e de intervenção na realidade. a metodologia que cabe à PP é certamente a dialética. mesmo no maior ativismo. que. Em certos autores. cit. característicos. "Conhecimento e ação são dois aspectos inseparáveis. Não há. do ponto de vista metodológico é a união entre conhecimento e ação.A tònica bàsica. privilegia a apreensão e o tratamento dos conflitos sociais . dos oprimidos.le vantamento de dados pré-existentes etc. dos carentes.. do que de pesquisa. p. e. é patente a filiação educativa. (4 0) Luis RIGAL. Se aceitarmos o relacionamento dialético entre teoria e prática. A autodefinição da PP insiste em certos traços que são. planejamento. nem a prática mera atividade. pois autêntico conhecimento e autêntica ação.da atividade humana. avaliações. a preocupação com o aspecto da pesquisa mantém-se vivo. ten demos a estigmatizar como impotentes.

É disto que resulta a constante insinuação de que a PP já seria o único gênero valido de . não resta dú vida de que c discurso sobre quantificação está mais adiantado que o discurso sobre propostas qualitativas. pela ilusão ou pela saturação teórica desvalorização Cremos que vai atividade nisto ativismo. Nestas prolifera ain da a "conversa fiada". potencial e promissor. A crítica. é preciso entender que a PE. Assim. por maiores limita -ções que tenha. tem elaborado uma fundamentação extensiva e fruti ficou uma plêiade de técnicas dignas de nota. que o simples entusiasmo não pode superar. pode-se igualmente concluir que a fundamentação empírica de dialética estilo mesmo da PP é incipiente. muitas vezes brilhante. Assim. contra a ciên -cia clássica não é seguida da necessaria fundamentação do novo pa radigma. por vezes como refúgio de pesquisadores que não teriam condições de enfrentar o mínimo rigor lógico e empiri co. é o que veremos no capítulo seguinte. ou pesquisadores marcados. pesquisa. tradicional. frequentemente o equívoco de querer superar um erro com o erro oposto. ou do pela Isto já denota da que é e impulsionada por acadêmica.Do que foi visto. embora devendo-se reconhecer que a PP seja um gênero valido de pesquisa. es_ tá cercada de banalizações excessivas. criativo.

Porquanto é difícil imaginarmos a PP como processo educativo naquele pesqui .se quisermos ser coerentes .da crítica acrítica Aimed. a discussão se complica por esta razão já que não seria possivel . Felizmente.isto sim .CAPÍTULO IV: USOS E ABUSOS DA PP O abuso nao tolhe o uso. Pode ser usada e abusada. Intelectuais e vivaldinos . que discutem suas duvidas com a maior liberdade possivel. para que seja possível preferir fundamentações a imposições. . já permite alguma avaliação de sua potencialidade. ou seja. nossa atitude é francamente favorável a PP. Mas precisamente por causa disto é preciso sempre voltar à teoria. Todavia. Embora haja os dogmáticos inacessíveis. Por ser ainda teorica e metodologicamente pouco fundada. mesmo quando enterrados na ação comprometida. Sendo uma forma de pesquisa que assume ideologia explícita. Qundo nao fosse por outras razões. S. Paulo.fazer uma crítica nao ideológica à ideologia. como qualquer forma de pes quisa. 0 que salva aí é a crítica e a autocrítica abertas. na prática. Pode-se perfeitamente praticar a vigilância cri tica. lidimente autocrítica (1). crítica .". há outros pesquisadores incri velmente abertos. não quer dizer que nao o possa ser . é especificamente um gênero válido de pesquisa. 1982. sobretudo quando o projeto politi.consigo mesmos. como veremos a seguir.Em bora o movimento seja relativamente recente. possui virtudes e defeitos. mas nao crítica era primeiro lugar contra os outros •• os adversários. a revisão de nossos paradigmas usuais a que somos obrigados por ela já seria uma justificativa ponderável. nao pode levantar idéias exclusivistas de único gênero válido. co é de vida ou morte. não falta o espirito crítico entre os defensores da PP. à discussão tranquila impiedosamen te crítica . facilamente esquecemos nossos compromissos teóricos com o pluralismo ideológico. Mas não é somente isto. ou seja. DEMO. Levada a sério é uma promessa importante. Apesar da a-titude necessariamente critica.(.13 A preocupação da autocrítica está algo desenvolvida em: • P. No calor da batalha.

mas sobretudo realizan do e explicitando a opção política e ideologica contida. E pior que isto: assim fazendo. Se voltarmos aos passos do capítulo anterior. Mas é histórica. mas é possível fazê-lo. realizado. histórico. sem sujar as mãos. É sempre ideológica sobremaneira. há banalizações quanto à pesquisa e quanto à participação. não escamoteiar esta propensão histórica. é preciso assumir-se como tal. Assim como a te oria que mata a ação é vazia. Não se faz historia fora da ideologia.' sobre teoria e pratica.. mas são contornáveis. no contexto de uma ciência social bastante inútil em termos práticos. Validade da PP A PP não é somente possível. não a influenciam. se resume nisto: nao detêm um papel relevante na história. que se sentem vazias e inúteis. se for prático. e. por-se a reduzi-la. e isto a justifica . não são decisivas. Para enfrentar a condição de instrumento tendencial de controle social. a PP raliza as marcas típicas deste relacionamento dialético: traduz a teoria numa opção concreta. Ela não esgota a poten cialidade teórica.sador que já nao-admite mais aprender de ninguém. e estabelecer entre eles a contrariedade dialética típica cri ativa. é sempre também atacável por opções adversárias. 1. não somente testando-a com a realidade concreta. Falta maior substrato teòrico e metodologico. a ação que destròi a teoria é suici da. escondem um compromisso ainda maior com a opção vigente dos dominadores. É muito possível manter a propriedade de cada polo.•• para repormos a inter-relação dinâmica entre teoria e pratica. fora do envolvimento com opções históricas políticas. Ao mesmo tempo. a partir daí. Em grande parte o drama das ciências sociais. Assim como podemos certamente afirmar que o surgimento da PE foi um santo remédio. assim como as há na teoria. podemos igualmente di zer que a PP é um santo remédio. produz o efeito substancial de "acontecer na história". é preciso reconhecer igualmente as limitações da prática. Constrói ura contexto adequado em termos do relacionamento dialético entre teoria e prática. Ainda que e comprometida. no contexto de uma ciência excessivamente marcada pelo discurso especulativo e irreal. porque não precisa "afogar a teoria. mas necessaria . O conhecimento torna-se útil. Neste sentido.

Embora sempre ligada ao elemento participativo. é mister realizar o possivel. Mas é de todos os modos coerente não es-camoteiar pretensões ideológicas. devendo ser criticada e a partir de certo momento superada. Força à criativida de. Neste sentido. da ação acrítica etc. No fundo. também do modo como estamos constituindo as ciências sociais e a forma como é reproduzida na Universidade. É difícil conseguir um meio termo visível. Nao é um efeito necessário. banaliza-se o termo pesquisa e já não poderia ser considerado um gênero válido de pesquisa. já e alguma realização. Assim. Nao se pode dispensar • a PP do rigor lógico. já não se ilude com discursos infinitos. porque na sociedade concreta o conhecimento nao pode ser inocente. na medida que a ideologia for explícita. Portanto.realizasse pouco. da fundamentação teórica e metodológica. não é qualquer experiência participativa que se pode denominar PP. porque o exclusivismo dogmático é cer tamente mais possível.te que já não se trata de pesquisa. bem como da base empírica. sempre que possível. porque a realidade é finita. é possível ver pesquisa também no mero ativismo. Se quiséssemos aguar os termos. Embora se possa querer conhecer por conhecer. a PP não precisa perder a noção de pesquisa. Mais que o desejável. Assim. poderíamos dizer que o específico da PP é a fundamentação científica da opção histórica política. . mas é preciso colocar claramen. Nao atrapalha a posi são de instrumento. procurando superar o marasmo mimético da simples transmissão das lorotas consadas. Caso contrário. porquanto qualquer contato com a realidade pode produzir sua descoberta. pesquisa participante pode ser vista como participação baseada na pesquisa. em ciências sociais esta postura é muito discutível. caso este componente não exis_ ta. esta fundamentação científica deve sempre exis -tir. porque não faríamos a pesquisa pela pesquisa. é possível concorrer para um con trole ideologico maior. obriga à revisão teórica. nao há realização que satisfaça em tu do. se não quisermos a disper_ são incontrolável ao nível do senso comum. Todavia. da predominância ideo lógica. Ao mesmo tempo. exceto como exercício acadêmico.

preci. que nao somente é tangida por fatores objetivos dados. Precisamente busca-se. Mesmo que tivéssemos que aceitar que a determinação de fato res objetivos é muito maior que fatores subjetivos. em que pesem todas as determinações objetivas. Para visões outras. pelo menos em parte. Não haveria sequer possibilidade de discutir opções históricas. A prática da PP reforça. de seu questionamento. Ademais. ao contrário métodos clássicos. o relacionamento entre pesquisadores e ato res da comunidade. geralmente filiadas ao paradigma das ciências naturais. Ao mesmo tempo. e assim por diante. sua propriedade dialética. que se sustenta em teoria e se comprova na pratica. em ultima instância. O fato de podermos constata uma capacidade ainda mui-to limitada de intervenção na realidade objetiva. é sempre dinâmico . cer tamente.A fundamentação científica da opção polí. A dialética não é evidente. e isto é em grande parte participação. embora também submetida ao veredicto históri co. sem conceder a nenhum lado determinação ma ior. se não acreditássemos que as pudéssemos tomar. colocando de partida uma decisão metodológica importante. No fundo. bem como entre pesquisador/comunidade e a reali_ dade circundante. voltamo-nos precisamente para a bus_ . Encaixa-se adequadamente o quadro contraditório na da dimensão histórica Não o e reflete vê como realidade. expectadora. sujeito e objeto se identificam. é uma opção metodológica. Visualiza a relação entre sujeito e objeto na maneira conveniente às ciências sociais. quando viciados. a PP realiza-se no contex to dialético. mas é igualmente. de sua manipulação mais adequa A ciência perde a postura de finalidade em si. nas quais. não significa im portância menor. une-se o enfoque obje-tivista com o hermenêutico. tica é que salvaguarda o efeito de pesquisa ou de descoberta da. aparece como algo espúreo. sámente porque a realidade social é intrinsecamente ideológica. realidade. restaura a presença do homem na história. o homem não vai desistir de influenciar seu destino. cons -truída por nós. Ao contrário. equilibra a relação entre o economico e o político. que a PP funde a pratica possibilite a realização histórica pela qual gostaríamos de da dos e optar. de deleite acadêmi co. Na linguagem já proposta. e torna-se útil. Somos da opinião de que não existe uma solução objetiva para esta circunstância. mas como atora comprometida. polarizado e produtivo.

ca de influência maior. favorece ao pesquisador. de modo geral. Constatou que a pes quisa. na base de sua participação plena no processo de desenvolvimento e de uma distribuição honesta dos benefícios aí gerados" . "0 objetivo fundamental do desenvolvimento é o incremento sustentado do bem-estar da população total. porque isto seria considerado humilhante. Caracterizou das ciências sociais atuais. 17-25 May 1980. 4 e 5. há recursos. dentro do mundo cultural"pró prio. para o envolvimento da população na contribuição ao esforço de desenvolvimento. Em termos de redução do problema. No caso da pesquisa da pobreza. United Nations. mas nem por isso menos monumentais. Cfr. Há energias. também David C. é mister também produzir. Yugoslavia. dominar os A PP esta fazendo descobertas em si óbvias. Communi- . participando de modo equânime nos benefícios daí derivados. (2) O encontro da Yugoslavia apelava para revisões importantes: A definição de participação "apela. Elas não são tabula rasa. REPORT OF THE INTER NATIONAL SEMINAR ON POPULAR PARTICIPATION. KORTEN. cujo produto acadêmico nao a relativa inutilidade tem proporção com a capacidade de enfrentar os problemas e arran -jar soluções reais. formulação de políticas e planejamento e implementação dos programas de desenvolvimento econòmico e social". inter alia. não interessa miséria par ticipada. superar as carências materiais. porque a falta de prática leva no máximo à indigestão teórica. Ljubljana. pelo menos parcialmente. June 1980. esta ainda não emergiu da condição de objeto e está servindo como campo proveitoso de realização profissional. que nós memos podemos construir e pagar. Em muitos momentos não existe sequer produção acadêmica. há disposição.cfr. York. crescer. Departament of Tecnical Co-operation for Develop mente. muito pouca coisa aconteceu. mas mera repetição de conhecimento importado e inadequado. p. um dos resultados típicos desta situação é a convivência tranquila en_ tre discurso radical e prática conservadora. Mas é muito preferível sustentar o desenvolvimento possível. e na tomada de decisão com respeito à fixação de metas. seu destino. A arrogância da formação acadêmica tende a impedir que aprendamos delas. pelo próprio fato de estarem sobrevivendo a um processo duro de opressão. que as capacitam a assumir. A formação universitária é caricatural. Descobriu que as populações carentes possuem reais potencialidades. a arrastar-se nas migalhas dos outros( 2 ) . questão? ao contrário. Nao quer dizer que a simples conscientização política resolva a. realizando o que é objetivo pelo menos implícito da ciência: fatores em nosso benefício. N.

procurando ba sear cientificamente a opção histórica política. a preocupação em tor no da seriedade de um processo extremamente complicado e frágil.experiências do IDAC em educação popular. de outro. (3) Na linguagem de Paulo Freire. Deste modo. Nat. como ato de conheci mento. 7. Brasiliense. e assim por diante. A experiência de pesquisa e planejamento participativos no Ceará. EDUCAÇÃO RURAL INTEGRADA. de um lado. Do lado da comunidade. tem como sujeitos cognoscentes. os grupos populares vão aprofundando. min. Abril de 1982. o ato de conhecimento de si em suas relações com a sua realidade. . como (3) realização comunitária . passou-se a entender para que existe ciência. 1982. Sep. 35-36. p.p. fazendo pesquisa. pelo contrário.) . o que faz de bom a universidade. os grupos populares e. J. Brandão (org. educo e estou me educando com os grupos populares. como sujeitos.su jeito do processo de tratamento da realidade. como objeto a ser desvelado. 1980 .O diálogo com as comunidades pobres foi aperfeiçoa do. em uma tal forma de conceber-se prática a pesquisa. 'no qual a ciência se regenera como arte. os pesquisadores profis sionais. '. Pesquisa Participante. 15-18. redirecioná-las. p. in: Public Administration Review. ao mesmo tempo que sentiu-se envolvida no processo de definição e tratamento das necessidades básicas. ty Organization and Rural Development: a learning process ap-proach. como co.. 1979/3. a realidade concreta. o que resultou em mudanças perceptíveis de grande envergadura. o cuidado em nao impor ou em impor menos. (2) Continuação da pagina anterior. a modéstia de quem também vai aprender e de quem er ra. sobre tudo por pesquisadores que se definen como educadores: "Na perspectiva li bertadora em que me situo. FREIRE. que sempre e lembrado neste contexto.P."a-distribuição de comida é muito mais rápida do que ensinar as pessoas a produzi-la" . influir nas propostas. in: Carlos R. Criando métodos de pesquisa alternativa: aprendendo a fazê-la melhor através da ação. a pesquisa. pode ser um fenômeno de grande densidade humana./Oct. Viven do e Aprendendo . IICA/Se -cretaria de Educação do Ceará. Quanto mais. P. pode avaliar o pes_ quisador. COLLETTA. Voltando à área para por em prática os resultados da pesquisa não estou somente educando ou sendo educado: estou pesquisando ou tra vez.. 1980. FREIRE e o. No sentido aqui pesquisar e educar se identificam em um permanente e dinâmico movimento" . Brasiliense. tanto mais vão po dendo superar ou vão superando o conhecimento anterior em seus aspectos mais ingênuos. Se bem possa ha ver aí muita farsa. Do lado do pesquisador perito passou-se a valorizar o respeito pe la comunidade. in: International Development Review. como estética. para que serve uma pesquisa. The Sarvodaya Experience.

Esta oprimidos tenham aces so ao postura justifica a identificação ideológica. A PP é. ainda que complicada e arriscada. porque é um gênero válido de pesquisa. uma rota de democratização do saber. Aí nasce a "opção pelos pobres". é preciso que os poder. Se o saber é fonte de poder. é preferível discutir um compromisso social mais aceitável. aquele construído na turbina da história. investe-se na sua redução ao mínimo possivel. que. mas de envolvimentos pre ferenciais. Se as ciências sociais foram até hoje sobretudo técni ca de controle social era favor dos dominantes. Mais que isto. Se pudéssemos simplificar as coisas. no repto da potencialidade humana. gera saber. diríamos que a PP traz o desafio essencial de conclamar as ciências sociais a serem uma salvaguarda teórica e pratica da democracia. Nao se trata de distanciamento. entre pesquisadores e "comunitarios. Mas não é somente uma via de tratamento do saber já acumulado. pode ser igualmente uma grande opção. Principalmente gera saber dialético. . em vez de escamo -tear este compromisso"histórico cuidadosamente conservado oculto sob a capa da objetividade cientifica. e se se trata de atin gir estruturas de poder. no calor das contradições sociais. sem duvida. a par de poder ser uma grande mentira.Descobriu-se também que nao existe a isenção ideo lógica. Mesmo que não se destrua a estrutura de dominação.

in: Convergence XIV. Constatando que o questionário seco e formal. não só da pesquisa. um dos maiores riscos da PP é a banalização. dedicado a entender a vida dos índios . mas. Grossi aceita que muitas PP não vão alem disto. Socio-political Implications of Partici patory Research. Todavia. tornou-se comum que o antropólogo. A participação formal significa confundir "observação participante" com PP. onde reconhece sobretudo três problemas possíveis: a redução da PP à partici pação formal. a abordagem manipulativa. 19 81. Em outras áreas das ciências sociais aconteceu algo semelhante. (4) Francisco V. Nº 3. passasse a viver algum tempo numa determinada tribo ou em estreito contato com ela. Supunha apenas proximidade de convivência. começou-se a praticar um relacionamento mais direto e dinâmico. pede ser muito demorada. e o ativismo de aproxima ções ingênuas (4). para fins de um conhecimento mais aprofundado. trata-se de um tema muito importante que não desdobrare mos neste momento. 0 questionário formalizado permitia tratamento estatístico mais adequado . em compensação. mas também da participação. levanta características qualitativas mais difíceis de manipular. ate ao convívio com o objeto da pesquisa.p-43 ss . a "observação participante" não supunha identidade ideológica com o grupo estudado. GROSSI. é mais profunda. não traduzia maior profundidade. Na verdade. Desde muito tempo as ciências sociais praticam a observação participante. que descobriram a utilidade de o pesquisador conviver com seu objeto. introduzida geralmente pelos antropólogos. A "ob servação participante" dedica-se somente a pequenos grupos.2. Algumas criticas e autocríticas uma das autocríticas mais interessantes pede ser encontrada em Grossi. mas posteriormente. Guiados por esta percepção. num trabalho de 1981. aplicava-se a grandes números e tinha manipulação facilitada. da pergunta e da resposta estereotipada.

45-46. incorporando o ponto do povo. Pode esconder-se. nem nunca quis ser um novo sistema ideológico científico de caráter holístico. com o de vista intuito de contribuir a um tipo de trans formação social que elimine a pobreza. "A PP não é. (5) Id. 44. é um modo de ver a realidade com vistas transformá-la"(6). Nada impede que uma pratica reacionária se ja enfeitada por um discurso revolucionário.. más estabelecemos também que o processo geração do conhecimento poderia ser um continuo desde o científico. uma transferência sibilina das idéias do pesquisador. é uma nova e mais sofisticada maneira de manipulação.. dentro de um pacote sabiamente rotu lado de participativo. ib. pois.. Esta asserção requer ulterior análise de seus componentes. e De um lado. "Fazer com que o objeto acredite que ela ou ele é um sujeito. seja qual for o contexto regional. Nao somente implantamos uma reavaliação do saber a_ de saber e popular até ao científico". Nunca foi imaginado ser um compêndio completo de respostas finais ou 'instruções' permanentes para a ação. conotação de muitas ambigüidades teóricas e práticas". a . busca começar a pesquisa a partir da realidade concreta e específica. não para enfrentá-los. (6) Id.À sombra deste desafio. Ao contrário. O materialismo histórico foi instuído como um método de investigar a realidade com vistas a revelar as principais tendências de mudança para orientar a ação. so cial ou político. De novo. Grossi estigmati za a possibilidade de vender sob o discurso participativo nova prática de manipulação. é clara a intenção de "abolir a distância tradicio nal entre objeto e sujeito da pesquisa. p. ib. o intento é imposição e dominação a-través de idéias e conceitos não bem entendidos pelos seus objetos" (5) . p. a PP mostra por vezes posições confusas. entre saber popular cumulado do povo.. o entusiasmo pela PP levou a muita ingenuidade. uma alternativa ao materialismo histórico. A transformação social pretendida não decorre de meras intenções. Sob á. Ademais. a parti-pação pode ser usada em muitos sentidos. a dependência e a expio ração. rejeitando-se o positivismo lógico. também para contornar conflitos. Enfim.

46. (7) Id. não haveria participativo. p. o que revela que não se apagou a distinção entre sujeito e objeto. p. o investigativo e o PP do mesmo modo que o pesquisador não as tem. relativiza sua presença. Se assim fosse. "a sabedoria popular nao deve ser idolatrada". que leva à mudança social estrutural"(8). identifica dialética com materialismo histórico. porque a comunidade não tem todas as respostas. . ela pressupõe a existência da organização popular. Ele tende fortemente a falar pela comunidade. o com ponente 'participativo' contribui para realizar este começo a par_ tir do ponto de vista do povo ou do estágio de desenvolvimento . sem condi -ções de se expressar e de assumir a co-autoria da pesquisa. 47. entre trabalho intelectual e manual. .. Falta aqui fundamentação teórica. Mas é defeituosa. De um lado. a crítica de Grossi é correta apenas' em parte. De outro.. por outro lado. (9) "This dynamic will also teach that. Ademais. sem a qual não se pode conduzir e controlar o processo. O pesquisador não é povo e não deve escamotear isto(9). Aponta ainda algumas dificuldades relvan tes no processo da PP. Ambos os aspectos. mas simplifica a identificação com a comu nidade. "O aspecto 'investigativo' da colabora na aplicação do método a uma realidade específica. ib.. a new right will emerge for the 'researcher': to speak for the community"-in: Id. Também o conceito de transformação social precisa ser aprofundado. ib. mas somente aquela que se liga especificamente a atividade. Quem esquece disto. escamoteando o conceito de classes. é incrivelmente complicada a relação entre pesquisador e população. são essenciais. quando pede que se distinga entre ações transformadoras e não transformadoras. Neste sentido. no fundo. (8) Id. para nao lhe atribuir dogmatismo. "Não é qualquer ação. de certa maneira..É interessante notar que Grossi. como se fosse expressão exclusiva da metodologia dialética. Sobre este assunto há muito que discutir. tanto quanto possível"(7). ib. porque o efeito participativo não precisa ser somente revolucionário.. Também aqui a problematização de Grossi é meritoria. necessidade da PP. in due time. acaba designando como participativa a consulta esporádica a um grupo humano disperso. quando pretende exclusivi zar a PP na rota da superação estrutural. Mas.

antes mais cedo do que mais tarde. que mostra bem que pairam ainda muitas imprecisões teóricas "Parece difícil para nós ir além dos limites que decre vi aqui. in: Sociology: the state of the art. . Seminário "Estado. como outros.. As ambigui dades da comunicação participatoria: notas para um debate.Rejeita ainda a idéia. fazendo uso de sua potencialidade e superando suas limitações. levantam alguns pontos pertinentes: (10) Id. Burocracia. Há sempre alguma margem de manobra. 44.. a vitória final"(10). 1980. Recife. ou agir coletivamente sobre a realidade. Yugoslavia. 18 a 21 de outubro de 1982. A pesquisa aparece quando muito incidentalmente(11). Grace HUDSON. de CARVALHO. conflitos entre influências externas (pes -quisadores do Governo. Cfr. Participatory Research by Indian Women in Northern Ontario Remote Communities. com vistas a com pletar. Id. Semina • rio de Políticas Agrícolas. 1981. É também questionável a suposição de que não haja antagonismo en -tre os comunitários sobre as opções políticas possíveis/ Dialeti camente falando. com o aspecto investigativo. também Horacio M. e chega a conceder que muitos movimentos chamados PP nada mais sao que processos políticos de mobilização da base. Conchelos e Kassam. de que dentro do sistema é impossível praticar a participação. poderíamos supor muito mais que se encontrem con flitos de liderança. e também conflitos entre a comunidade e os pesquisadores. Maceió. Mathod and Social Practice. (11) Ulf HIMMELSTRAND. p. Novembro de 1982. de partidos da oposição. in: International Forum on Partici patory Research. A ideologia do planejamento participativo. Outubro de 1982.. Seria mui to imaginável que a comunidade. Cfr. da Igreja etc). fazendo uma breve revi são de críticas recebidas. 50. Id. muitas vezes espalhada. p. Innovative Processes in Social Change: Theory. mim. dispense o pesquisador. Participação". como se estivéssemos demostrando que o saber por si mesmo é capaz de transformar a rea lidade. mesmo porque também há contradições possíveis no grupo dominante. Planejamanto e ' Estado nas sociedades capitalistas. p. E termina com uma consideração. University of Uppsala. Sabemos que temos duas alternativas principais: ou continuar debatendo sobre reformas estruturais. se for capaz de suficiente autono mia. 24: "Government welfare and social programs have never been adequate to raise our standard of living to that of southern Canadians of European descent.Since Eurepean contact our people have lived in conditions of poverty and powerlessness". O que seria vitória final? uma realidade social sem oprimidos? Sem contradição? Existe vitória final? Himmelstrand preocupa-se.

.. (13) (14) (15) (16) CONCHELOS Id. d) de todos os modos. 61-62. teoría y la práctica del partido político. p.1981. . p. por exemplo. b) alguns querem que o materialismo histórico seja a metodologia própria da PP. in: Convergence XIV. p. en gran medida. afirma que nenhum método vigente (mes mo o materialismo histórico) deve ser assumido como único. pode-se Problematizar a participação dos comunitários e do pesquisador. a PP e "um tipo de pesquisa"(14).. in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. outros não. 162: "como la teoría y la prác tica política son.a) há críticas sobre se a PP é pesquisa. f) enfim. Punta de Lanza. Bogotá. Aliando-se a Grossi . Id. la investigación militante así como ha sido presentada hasta hoy. cit. a poco de avanzar. Vol. ib. A Brief Review of Critical Opi nios and Responses on Issues Facing Participatory Research. el límite impuesto por sus concepciones y acciones individualistas. este nem sempre se compromete indefinidamente. aqueles dificilmente chegam ao controle real do processo(16) (12) Greg CONCHELOS & Yussuf KASSAM. uma mudança dentro do sistema não precisa levar a uma mudan ça do sistema(15). contudo em conta que a visão de Briones é althusseriana.. p. Simposio Mundial de Cartagena. 56. 61 p. 59. I. Nº 3. p. Ed. encuentra.Cfr. op. con la correspondiente desviación voluntarista".. também Guilhermo BRIO NES.. . 1978. ademais. há abusos claros nesta parte. para muitos nao passa de ativismo sol to sob a máscara de pesquisa(12). ib. ib. c) há quem diga que a PP contrabandeia e lementos estranhos ao conceito de pes_ quisa e dá o nome de pesquisa. 50. Leve-se. & KASSAM. Id. a meros processos de aprendi zagem(13). Sobre Cuestiones de Objeto y Método en la investigación militante: notas para discusión. e) a mera intenção nao garante participa ção efetiva.

Bogotá. Meeting of Trini -dad. Investigaciónacción: investigación social y realidad. No fundo. numa experiência na Indonèsia. concebendo-se a PP como processo educativo. "O investigador segue sendo investigador e suas possibilidades de introduzir mudanças na vi da diária de jovens. p. GROSSI. mas fundamentaria que há uma diferença de classe en tre pesquisadores e comunitários. que geralmente é ignorada. (18) REPORT OF THE INTERNATIONAL SEMINAR ON POPULAR PARTICIPATION. (19) Nat J. Talvez seja pessimista es ta postura. r. é preciso reconhecer que. quando admitiu que o avan ço em matéria de participação foi pouco. vol. 1978. COLLETTA. Participatory research or participation putdown? Reflections on the research phase of an Indosnesian experiment in non-formal education. Nº 3. p. é muito autêntica a autocrí_ tica do encontro de Yugólávia em 1980.n ã o sabemos ainda como parti cipar' Chega a ser veemente a preocupação de Colletta. para melhorar a situação de vida dos homens. a consciência aguda de que o perito externo exerce influência sobre a comunidade. se pergunta. op. Popular Education: concept and implications. 44. O fato de que se produza uma relação no transcurso da in -vestigação entre sujeito e sujeito. 149. pressos e grupos marginalizados são reduzi das. 70. relações "Agentes sua externos autoridade em de e pro desenvolvimento dominação incrementam criando ilusão participativas cessos de desenvolvimento?"(19). in: Crítica y Política en Ciencias Sociales. . S. 1976. Simposio Mundial de Cartagena. in: Internacional Council for Adult Education. quando coloca entre as lições aprendidas no processo de pesquisa. p. KRAMER/ H. LEHMANN y H. p. Nesta linha.Esta ùltima preocupação encontra-se viva mente formulada em Kramer e outros. in: Convergence IX. Oque (17..Pun ta de Lanza. Ed. (20) F.) D. May 1981. são sumamente limitadas"(17).V. "we still do not know how to participate"(18) . se isto foi participação atualmente uma ou nao de imposição. e nao mais entre sujeito e objeto não deve nos enganar sobre o fato de que as possibilidades das ciências sociais. KRAMER. a educação pode agir nos dois lados: matendo ou superando o status quo(20). ORNAUER. cit.1. E voltando a Grossi. 6.

um mérito inconteste: ajudas ao lado os de ter-se por si embora com várias. 1979. p. 3. 21-22. sobretudo do encontro de Cartage na e da Yugoslavia. Precariedades teóricas e metodológicas a) Seria certamente injusto supor uma ex cessiva destituição teórica na PP. citando Bryceson. in: Convergence XIV. que a mudança social pretendida nao precisa ser necessariamente revolucionária . Os produtos. encontros constantes traduzem a busca de reflexão teórica. BRYCESON & K. Tanzania. que resume tudo. XIV.leva a refletir com Etherton. MANICOM. sobretudo se pensarmos que se remete frequentemente ao materialismo histórico. p. num contex to de constante busca e de vigilância teórica-sobre a prática.20. inci pientemente. 1981. que precisamos levantar. on Participatory Research. Mas há visíveis precariedades". MUSTAFA. o que já é garantia de um processo válido. Tanzania. (22) Rajesh TANDON. que passaremos a aprofundar. L. às propostas de Paulo Freire. cremos que a posição é corre ta e acaba coincidindo com a visão histórico-estrutural. é mister reconhecer que o movimen to internacional organizado da PP tem mesmo.O. Y. . Nº 3. Participatory Research: redefining the relationship between theory and practice. KASSAM. 1981. African Regional VJorkshop. bem co mo de pesquisa. muito rapidamente na discriminação en tre os que possuem e os que não possuem (entre "the haves and the havenots)(22). mas a pos tura é muito simplificada. Peasants and Intellectuals: an essay review. . 1979. Participatory Research in the Empowerment of Peo pie. Mzumbe. D. Todavia. Nesta breve seqüência de críticas e auto críticas nota-se que existe suficiente vitalidade no movimento da PP. e mesmo reacionária (21). Continua pequeno o amadurecimento teorico e metodoló gico e há fortes banalizações do conceito de participação. sem falarmos nos trabalhos de Fals Borda e outros . Nº 3. Em última instância. BRYCESON. (21) Michael ETHERTON. uma postura típica pode ser considerada a de Tandon. in: Convergence. Mzum be. Mas não se esconde que existem muitos problemas. African Regional Workshop on Participatory Research. D. pode ser reformista. The methodology of the Participatory Research Approach. para não se sucuni bir ao pragmatismo. refletem intenso espírito crítico.

não se reflete com a necessária profundidade sobre as condições de trans_ formação desta realidade.e é o que ardentemente esperamos -. geralmente feita em comunidades restritas e carentes. dialeticamente falando. esquecendo-se completamente que a transformação so cial. mais que a consciência política. que privilegiaria os condicionamentos objetivos. é simplesmente passo normal da his tória. Ademais. é preciso discutir o tipo de a história a relação entre dominan tes e transfor mação imaginado. gerado sobre a figura do poder: um grupo dominante mino ritário e um grupo dominado majoritário. percebe-se com suficiente realismo o núcleo da questão. até que ponto a PP. a pesquisa tradicional propende a proteger o grupo dominante. Todavia. embora nao seja jamais suficien te sozinha. ou de eliminação do poder? . para não ficar apenas no jogo de palavras ou na dispersão mítica. Seria inclusive uma contradição no materialismo histórico. poderá instaurar uma ordem social mais justa . precisa explicitar teoricamente isto. se coloca este objetivo de forma realista. De modo geral. pelo conceito muito fluido de transformação so ciai. Pergunta-se. E mais que isto: o elemento participativo não provoca sozinho tamanho efeito. Em termos práticos isto redunda facilmente na ilusão que se transmite sobre os resultados da participação ou na camuflação de imposições sofis_ ticadas. trata-se de demo cratização do poder. De outro lado. Se a comunidade antes oprimida chegar ao poder. mas não se pode escamotear que se faz mis ter poder para organizar tal sociedade. Aí volta a questão do poder. Ademais. entre outras coisas. quando fantasiamos sociedades futuras destituídas de contradição.Tal simplificação pode ser percebida. A reflexão em torno deste ponto deixa a desejar. Facilmente comete-se a simplificação implícita de que a PP levaria a destruir dominados. necessita a seguir de institucionalização . há um fenômeno fundamental de desigualdade. Mas não acontece por entusiasmo. Se fôssemos pela via marxista. De um lado. ela supõe a mudança de modo de produção. Seja como for. mesmo que alguém acredite nu ma ordem histórica totalmente nova. se bem sucedida. geralmente sucede que perdemos o fio da história concreta. é possível aceitar que a PP pode estar entre estas condições. Afinal. e. Cremos que a transformação social é possí -vel.

Bem como pode haver revolução apenas no plano das expectativas e das idéias. Mas que seja de direi ta ou de esquerda. Esta problemática está extremamente escamoteada na PP. Se fôssemos rigorosos. como sem -pre. na prática uma ínfima minoria é revo lucionária efetivamente. depois viria uma história nao contraditória. lança-se sobre o capitalis mo uma condenação histórica que certamente merece. o perito não é povo. participação necessariamente ligados transformação descoberta da. segundo a qual a história contraditória vai até ao capitalismo . Trata-se da mesma simplificação que espera do compromisso político que seja sempre de esquerda. que consideramos central: a banalização da posição de classe. Assume-se. a possibilidade de indentificação entre pesquisador perito e a comunidade .Ao mesmo tempo. Em primeiro lugar. como se somente fosse PP aquela que gere transformação Porquanto. nao de é sustentável pesqui à sa. E se a prática dos socialismos vigentes insinua al guma coisa. Não vamos aqui defender explicitamente esta ou aquela posição. sem precisar mudar a prática. a prática sobretudo vai demonstrar se esta expectativa teóri ca faz sentido. A opressão como tal nao é um fenômeno capitalista. Todavia. bem como da participação. que é a elite intelectual. Reconhecendo isto. com isto. O envolvimento político é inevitável. enquanto que a prática é outra. diríamos até que está servindo de autodefesa para pesquisadores que vendem. estão conceito conceito social. a PP o assume explicitamente. Entre intelectuais é fenômeno comum: a maioria se diz revolucionária em teoria. é outra questão. fechá-la nem o na ótica de A revolucionária. certamente insinua que é contraditória. embora nao à mais . A é a parte dominada da sociedade.realidade pode ser instrumen tada em favor do reacionarismo. 0 perito pertence a uma das elites sociais. na PP. se aceitarmos que povo importante. Apenas é preciso reclamar das simplificações excessivas que pululam social. 0 reacionário não se compróme-te menos e pode ser muito explícito. com demasiada pressa. mas que nao substitui o senso crítico de considerá-lo simplesmente uma fase. pelo menos até hoje. que. E isto leva a outra precarieda_ de. Do mesmo nem o modo. uma face char mosa. É um fenômeno social. Certamente é possível construir a visão . encontra-se em todas as socieda des.

nem classe baixa. (23) Sobre o conceito de pequena burguesia. da qual depende em seus privilégios . mas. p. 42 ss: O intelec -tual como pequeno-burguês. a pequena burguesia pertence ao setor privilegiado da sociedade e ideologicamente tende a identificar-se mui to mais com a burguesia. que não é classe alta . Inte lectuais e Vivaldinos. DEMO. Por mais que a comunidade seja alçada à condição de sujeito da pesquisa. sempre há diferença entrepe rito e comunitários. é claro que pode ocorrer um processo de empobrecimento do perito. sua identificação com os proletários é de extrema dificuldade. que é de fato fonte de poder. até chegar a tal situa -ção. do que com probletariado(23). Mas certamente subestimou-se a força do saber especializado na sociedade. Apenas . No processo histórico esperava-se sua queda na classe baixa. por isto mesmo. Isto não coibe a participação. porque já não lhe cabe a situação de pro letário que vive de um salário de estrita sobrevivência. Mas é porquanto suficiente continua a intelectual ideo e privilegiado lógica. De modo geral. Aimed. prática. importância ao conceito de pequena burguesia. Se a posição do pequeno burguês não é de proletario. se no for identificação . De todos os modos. conta mais a posição objetiva no sistema sócio-econômi co. mas isto não é o caso geral.pròpria formação superior o impede de se identificar materialmente com a classe baixa. do que a intenção e a consciência. Não é impossível. nem a situação de exercito de reserva. não terá tendencialmente consciên cia de proletario. burguês. acontece a identifica ção ideologica. no sentido de que o perito assume na pratica o •projeto político da comunidade. é muito problematica. mas reconhecendo-a criticamente e pondo-se a enfrentála. 1982. veja P. Marx deu. Ademais. Cremos ser extrema mistificação. nem a supe ração da condição de objeto por parte da comunidade. Mas isto não desfaz sua carac teristica de pequeno sistema. segundo o materialismo his- tórico. Por isto mesmo. ven derse à comunidade como proletário. torna realista o relacionamento e não escamoteado. Não é pelo escamoteamento que se reduz a desigualdade.

Em lugar. do que dos apoios. mim. Em primeiro lugar. dedicação profunda e exigente. auto justificação. a identificação i-deológica prática é uma árdua conquista. controle sobretudo por isto julgamento há mais dela. nem outorgada. Quando em teoria se brinca de partici pação. no máximo a motiva. E mais: não tem nenhuma condição de ser pesquisador participante aquêle" que não se reconhece opressor. Participação permanece um conceito vago. A consciência pesada nao cura o problema. Neste sentido. Tendencialmente. do que participação. 1982. apoia. segundo não acontece a processo participativo. está mais na ordem dos obstáculos. Existe somente na medida de sua conquista. nunca pode substituir o oprimido. o pesquisador não traz participação. 0 pesquisador. (24) P. mais do que entre as vítimas. de sentido dialético. embora possa possuir pouco. que muito poucos sabem fazer(24). dominantes e Se partimos da e crua discriminação dominandos. o pesquisador nao está no segundo caso.Esta problemática é a fonte principal das farsas típicas da PP. participação de vez em com consulta vai à quando. a prática será ou ingênua. Brasília.noções de política social participativa. Por outra. mas E identificação pelo que prática ao PP. Participação é Conquista . nem pré-existente. ou maliciosa. muito mais um desejo. UnB/INEP. Quando distin güimos a sociedade entre os que possuem e os que nao possuem. Assim. que não passa apenas pelo ou vir a comunidade. se não houver algum nível de organização da comunidade. ideológica submeter-se em muitas Não exis_ supõe e tem uma ao representantes legítimos. . Confunde-se intermitente às bases. Cremos que participação é um processo histórico de conquista. incrível que não se tome a sério a questão prática da dominação. Se for coerente com este esquema. é grande banalização supor processos dureza participativos da com tamanha entre facilidade. assessora. o pesquisador deverá reco nhecerse entre as causas da desigualdade. Também não há parti cipação suficiente. DEMO. nem consciência política suficien te. do que uma proposta fundamentada. comunidade e busca legitimar seu trabalho ouvindo algumas pessoas. Não há participação dada. a nao ser a identificação ideológica prática.

a uni -versidade constitui-se numa das instituições mais reacionárias do sistema e as ciências sociais são relativamente inúteis aos pobres.Se libertação dos dominados. A vocação tendencial é precisamente a contrária. mesmo porque o debate sobre as deficiên -cias da pesquisa tradicional. E extrema banalização imaginar que o pesquisador que se diz participante tenha algo que pudesse ser chamado de vocação para se identificar com o pobre. como opressor. porque na dialética do poder existe igual mente o outro lado da medalha. Mesmo porque. O fato de que exis_ ta um movimento explícito em favor de uma PP ligada ao destino dos oprimidos. em primeiro lugar. mas pode igualmente ser banalizada. o pesquisa -dor propende mais para o outro lado. nem pré-existe. podemos dos perceber que a PP nao pode ser identificada apenas como instrij mento de colocar-se à dipo-siçao dominantes. De um momento para outro. A insistência sobre a educação comunitário-participativa pode muito bem ser formulada. após anos de ênfase sobre a propensão da educação em ser reprodução do sistema. nem é dada ou outorgada. mas é essencialmente conquista. Por isto mesmo. e é o que mais sucede. Ela assim pode olharmos as coisas. Se o enfoque da reprodução foi unilateral. Porquanto. nao esgota o conteúdo histórico do que chamamos PP. Todavia presistem notáveis pre_ cariedades. . participação não é de graça. torna-se do mesmo modo unilateral o enfoque exclu sivo da transformação social em educação. passase a admitir um compromisso exclusivo com os pobres. embora muito úteis aos dominantes. E mais: a existência de um tal movimento nao garante que a PP seja de fato participante e opte definitivamente pelo pobre. a ótica constestadora do oprimido. e a seguir conquistar a identificação ideológica com o oprimido. Coisa semelhante ocorre com a expectativa de efeitos participativos por parte da educação. Vale aqui também: somente torna-se educador participativo quem souber passar pela dura ascese de se assumir. b) Em termos metodológicos a PP pare ce mais amadurecida. clássica ou ortodoxa clarificou muitos componentes importantes. da posição de pequeno burguês. ou seja.

pesquisa aparece somente na medida da necessidade. p. Sep. Educational Evaluation: trends towards more participatory approaches. senão como salvação da humanidade. ESMANHOTO. Esquemas como o de Le Bro-terf e de outros são elucidativos. Deste modo. Nes_ te particular. De um lado. S. porquanto trata_ -se simplesmente de um processo de aprendizagem. Brasilia. o que certamente é substituir uma ingenuidade por outra. mas participada. realidade intrinsecamente ideológica. nao somente aspecto inves-t-igativó. KLEES & P. . a preocupação com a descoberta e com o tratamento da realidade social. Embora a penetração na esfera qualitativa(25) ainda seja incipiente. não pode estabelecer isto apenas co mo negando-o aos outros. IICA. quando prevalece o ativismo. É direito preciso entender que tôda crítica ideológica é também ideológica. a fundamentação científica como do sob forma compromisso quebra-se a no qual o elemento ideológico-político. é bem concebida esta colocação e pode dar muitos frutos. 11 ss: "The resurgence of qualitative methods". Em algumas chega-se a ter muita dificuldade em sur preender o que haveria propriamente de pesquisa.WERTHEIN. in: A proposal for research on participatory evaluation strategies for rural education systems in Brazil. se não quisermos re cair na isenção de compromisso. bem montados e criativos. 1982.• Todavia. Seja como for.É muitas PP o componente de preciso de partida de reconhecer forma que em e pesquisa aparece esporádica intermitente. a com respei social to é à manipulação pessoal. sacralizando comprimissos escusos (25) J. se lesiona o De outro. é importante fixar a PP como gênero vá lido de pesquisa. mesmo que seja usando técnicas tradicionais. onde mais se transmite do que se produz conhecimento. . sobretudo dialética entre teoria e prática. ideológica. ou de mobilização parti cipativa. emerge uma precariedade Quem assume muito que típica. Pelo menos dois componentes precisam ser constatados. a PP está tirando aqui alguns frutos naturais da prática e monstrando no concreto que a prática pode ser forma vá lida de pesquisa. persiste certa tendência a con siderar a PP cómo gênero único. Houve já um cuidado específico em torno de como construir os passos da PP.

ao lado da exacerbação política. 1972. é uma decor_ rência necessária da participação democrática. Se a PP significar devassidão ideológica. Los conceptos elementales del materialismo histórico. Todavia. os condi -cionamentosobjetivos sobre os subjetivos. o direito ao engajamento ideológico que defendemos para nós é o mesmo que o adversário pode defender para si mesmo. (26) A título de mero exemplo. E isto decreta a importância vital de voltarmos sempre à teoria. para nao sucumbirmos ao dogmatismo sectário. HARNECKER. mas isto precisa ser explici tamente feito. parece-nos por vezes precário o uso do materialismo histórico. embora não devesse existir em qualquer postura. cfr. é necessário defendê-lo. perde sua característica de pesquisa científica. E um componente relevante e criativo a acentuação da capacidade histórica de intervenção humana na realidade. o materia lismo histórico ortodoxo privilegia. porque já argumento sobre a justificação. porque isto ape -nas mostra que o compromisso político é para valer. A exacerbação política torna-se aí ainda mais incompreensível. porque não se trata de substituir a infra-estrutura econômica por uma pretensa infra-estrutura política. a PP precisa instaurar como passo metodológico insubstituível o agar-ramento à postura crítica e autocrítica. Pelo menos em teo ria. como também destruiria a característica central de descoberta da realidade social e de manipulação cientificamente fundamentada-dela. " A pesquisa nao nao predomina o pode ser reduzida a mero nao somente instrumento de autojustificação política. puxando-o para tendências de caráter maoista. Siglo 21. Por mais que seja difícil realizar o pluralismo ideológico. Para não recair no erro vituperado em outros métodos. Aí coloca-se igualmente a necessidade do controle ideológico. mas de equilibrar os dois componentes em patamares iguais. e não apenas suposto. Po de-se certamente redefinir o materialismo histórico.É um efeito natural que a prática polí tica tenda ao exclusivismo e até ao fanatismo. M. Não obstante isto. . Ademais. já que isto sacrificaria a teoria no altar da prática. como se sabe(26).

de mensurações estatísticas. por exemplo. ainda que estas sejam privilegiadas em nome do fenômeno basico da transição his tórica. Falando de avaliação "iluminativa". uma das sugestões interessantes passa pela idéia de pesquisa "iluminativa".Em deficiente a postura. de testes experimentais. Mas há muito mais o que fazer. até mesmo porque são usados. do aumento de controle do process so de investigação por parte da comunidade. É preciso. consideradas em si reformistas.. dizem Parlett e Hamilton: "Avaliação iluminativa não é um pacote metodológico estandardizado. como o aprofundamento qualitati vo da realidade social. A partir de certa altura . do diálogo aberto entre pesquisador e comunidade. se é geralmente o ma porque facilmente sacraliza terialismo histórico como forma única de dialética. da PT e da PM. seja termos de dialética. Ao contrário. seja por -que se usa dentro de uma terminologia vaga. muitas ações sao. A PP nada tem a perder se usar com criatividade (sem mimetismo) ás facetas muito aproveitáveis da PE. algum momento em que a PP lança mão de levantamentos empíricos. O conceito de antí tese inclui nao somente transformações sociais. no entanto. ou conservadoras. aprofundar facetas consideradas próprias. Quanto mais o movimento é sustentado pelos oprimidos. Ademais. Talvez tenha sido muito importante a fase inicial em que a PP esforçou-se em mostrar-se alternativa com relação à pesquisa tradicional. mas alcançam impacto revolucionário a longo prazo. que certamen te sao reais também. A transformação social pode ser obtida dentro de um trajeto crescente de refor mas sempre mais profundas. produz muito mais atitudes reformistas. como a avaliação através da expressão crítica da comunidade. além do mais. mas uma estraté -gia geral de pesquisa. da redução de formalizações desnecessárias. ou mesmo reacionárias. A intervenção na realidade não preci sa somente produzir revoluções. é mais importante o diálogo crítico com os outros métodos. Pertence ao caráter histórico da transfor mação social que ela se institucionalize. mas igualmente as persitências históricas. e assim por diante. mais terá conseqüência revolucionária. por exemplo. Geralmente aparece. provindo de pesquisadores. Busca ser simultaneamente adaptável e . Já existem muitas idéias interessantes.

p. HAMILTON. KLEES & P. mas ecleticista. nenhum método (com suas limitações de coisa pré-fabricada) é usado exclusivamente ou isoladamente. Evaluation as Illumination: a new approach to the study of innovatory programmes. tam -bém J. WERTHEIN. a antimetodologia é essencialmente a busca de uma metodologia alterna_ tiva. é muito importante superar o pacote estandardizado. A questão não é receita ou não-receita. nao vice-versa. veja "Planejamento sem Plano". op. (27) M.. mas das decisões em cada caso no sentido das técnicas mais adequadas: o problema define o método usado . Bem como. Sem um mínimo dela. Assim. não ha estratégia! Ao mesmo. D. mas uma postura alternativa de planejamento. Comunicação e Planejamento Paz e Terra. p. . Cfr. a idéia de que o problema faz o método é redondamente empirista. ESMANHOTO. não de uma doutrina da pesquisa. S. é falta de método. é difícil manter a posição de que o problema faz o metodo. e não acabar com a metodolo gia. London. Esta proposta é muito interessante. Macmillan. 19 77. BORDEN AVE & H. Por exemplo. não é método nenhum. (2 8) J. uma "receita". 17. uma ciência "sem receitas". A alternativa. Além de visualizar o problema a partir de um núme ro de ângulos. 207 ss. tempo. mas a qua lidade da receita(28). A escolha das táticas de pesquisa decorre. in: D. cit.). técnicas diferentes são combinadas para lançar luz sobre um pro blema comum. M. esta abordagem "triangulada também facilita o te cruzado. de outros achados tentativos" (27) . 1980. "Planejamento sem plano" não significa falta de planejamen to. Igualmente.para método pré-concebido. mas mesmo uma estratégia geral contém diretrizes de pesquisa.eclético. Ha -milton et al. nisto mesmo. PARLETT & D. (eds. No fundo. porque já não se trata de uma visão eclética.mas contém impropriedades metodológicas flagrantes. Nao se pode desconhecer que estamos buscando alternativas metodológicas. Beyond the numbers game: a reader in educational evaluation. tomando-se ao pé da letra. CARVALHO. sugere.

é mister considerar uma questão sempre crucial nesta discussão. a formação da representatividade legítima. sob a capa da participação. a exacerbação política e ideológica. e que é a atividade sistêmica. Nao. Encontra-se esta crença mesmo entre técnicos de Governo. quanto que se possa continuar dentro do sistema. como já se ve rificou anteriormente. Em outras palavras. Ao lado do componente pesquisa. . etc.4 . como componente. sem interesse pela reflexão crítica. O abuso mais típico da PP será. os exercícios democráticos. se pode igualar a PP com mobilização social participativa. sem dú vida. Nao se há de responder a uma mediocridade com outra. a PP entra aí como passo pos_ sível e desejável. De fato. No caso da ingenuidade. exis tem outros problemas de igual envergadura: a organização da comu nidade. se alguém constrói a visão teórica da impossibilidade total de políticas realmente favorá -veis aos oprimidos e por eles conquistadas. Alguns Abusos Mais no intuito de resumir a problemática. Todavia . tanto que possam ser propostas e executadas. tornando-se facilmente armadilha da ingenuidade ou da malandragem. Nem tôda participação é pesquisa. imaginando que a consciência substitua fatores objetivos da realidade social. Posturas que se querem marxistas assumem facilmente e compreensivelmente esta tendência. Nem toda pesquisa é participante. os canais de reivindicação e de influência para fo ra. trata-se do posicionamento ideo-lõgico-práticc apressado. é difícil aceitar . agregamos ainda algumas idéias referentes a certos posicio namentos precários. o problema-da avaliação. do planejamento. em detrimento do com ponente científico. Se a teoria sem prática claudica e é insatisfató ria. é comum a postura. a PP aproxima-se da banalização da pesqui sa. com refe rência ao problema da participação. outra coisa nao acontece com a prática sem teoria. do acompanhamento. da execução de políticas. . o ativismo. trata-se do escamoteamen-to do controle social sofisticado. Ademais. segundo a qual não poderia haver planejamento e pesquisa participativas dentro do capitalismo. No caso da malandragem.

porém. que. não. porque somente fa vorece a manutenção da ordem vigente. a posição adversa do capitalismo não é tanto problema. são sistêmicas. quando necessari rio. foi o que aconteceu na Europa. b) dentro diverso como de do capitalismo outros o problema precisa da ser participação nao se coloca de modo totalmente sistemas: avesso à a conquistada. consideradas em si. podem levar ao amadurecimen to do sistema. e) sobretudo técnicos de Governo não vão além de ações reformistas. o capitalismo também se rã superado. gum de ) participação ou que não possa ser construído. possui suficiente farò pela sobrevivência. mas consideradas na trajetória histórica. não é dialética. além de dispensar o crítico da ação pratica. para também ceder. c a idéia de que não exista espaço al. porque supõe uma história totalmente fechada. o capitalismo pode ser qualificado profundamente participação econòmica. porque. mas por conquista. por acaso. mas se admitimos que • participação é conquistada. como qualquer sistema. d) ademais. a atitude de que nada se pode fazer de decente é profundamen te contraditória.pode-se ponderar o seguinte: a é excessivamente moralista a visão ) conspiratôria do capitalismo. o exemplo da educa - . quanto ponto de par tida.

partido de oposição é tam bem sistêmico e produz tendencial-mente reformas.ção é claro: lutar. sobretudo válida reforçar a luta pela democratização do poder. não está lon ge da "conversa fiada". com vistas É a válida tecnocracia. sobre reinvenção da humanidade. assim como a PE pode tripudiar so bre a virtuosidade estatística. não é coerente a crítica do intelectual de oposição. mas sua qualidade. quando se quer vituperar Contra a a conivência. Por outra. segundo a qual tudo no Governo é indecência. é pertinente. O discurso sobre dia]ética. é preciso tomar critica ) mente a idéia de estar fora do sistema. sobre qualidade. Nisto a PP tem seu mérito inconteste. mais não deve esconder que trabalha nu reacioná rias do sistema e ainda é pago pe lo Governo. porém. sobre ideologia. o problema não é Governo. na teoria e na prática. f por fim. g) coisa semelhante vale para o inte lectual possui ma das da universidade publica. sobre engajamento político. pode tornar-se ridículo porque não estabele causalida des explicativas nem transforma um dado mal coletado em bom. é a co-optação. porque retira seu próprio tapete se chegar ao Governo. AÍ. no máximo. pode acontecer. mutatis mutandis. o entreguismo. A crítica.pela universalização do 1º Grau é uma proposta reformista em si. mas pode plantar a transformação social no tempo. a PP pode abusar da aura qua_ litativa de seu campo de ação. ademais. sobre al_ ternativa histórica. na PP o excesso de zelo pela prática e a dispersão qualitativa serão a mesma vingança metodológica: assim como na PE o excesso de zelo estatístico . mas distanciamento instituições maior.

testados precisamente pela prática e pela qualidade do enfoque. Por isto. a PP já está se tornando uma cantilena monótona. mesmo porque é conseqüência natural de fenômenos dotados de capacidade política. . tanto quanto um relatório repleto de quantificações sofis_ ticadas. Logo mais. a PP deve precaver-se do discípulo fiel. compreensivelmente. como se a perspicácia histórc hb tse smne atn ad ds oet cm rmt d d r a i a aia s o et ed a ecbr a opo eia a elidade. Mas não deve ceder a modismos. diríamos: o resto é papo. porque é a expressão mais concreta do mimetismo parasitario. herméticas e inúteis. os traços de moda. Isto não espanta. Não fora do óbvio exagero. como se o simples desprezo por outros gêneros de pesquisa fosse condição de criatividade alternativa.como se o entusiasmo substituisse o aprofundamento cientí-fico . Se rá implacavelmente julgada pela redução da opressão cientificamente fundada. Em ciência somente sobrevive a engenhosidade crítica. Sem dúvida.será mo nôtona. A PP tem.

Assim. Isto é em si reformista. Embora não seja o resumo de todos os males. Mesmo que pudéssemos mostrar que os socialismos reais são preferíveis ao capitalismo. De des culpa em desculpa. Sempre é possível dizer que este que aí está. que não passa de resposta mítica a outros mitos. no sentido de aperceber-se da necessidade de transição histórica estrutural. é pre ciso analisar o socialismo. se for permitido propor. Nisto ficaram muito mais argutos. autogestão. a não ser por cataclismas nucleares e outras violências físicas. Seria mais importante. As melhores idéiias da humanidade. Porque é no pequeno que funciona a comunidade. cremos que espe-riências comunitárias participativas precisam inventar outras saí-das. são pequenas. de forma correta ou incorreta. Em vez de "grande vitória". acabamos nos contentando com muito pouco. comuna. não satisfaz trocar "roto" pelo "rasgado". tentar elaborar alternativas para além do que existe e já experimentamos.Conclusão Não será errado afirmar que a PP. para extrairmos a proposta de um rela-cionamento alternativo entre dominantes e dominados. Para onde iríamos? Os sistemas se defendem fortemente. Investiu-se muito na comprovação de que o capitalismo. não servem como parâmetro nem o capitalismo nem o socialismo. não vele. como democracia. não presta. principalmente na versão do Terceiro Mundo. não funcionam em patamares demasiadamente complexos de sua organização. As ações comunitárias não sacodem o mundo. seria preferível recompor o espaço possível para a experiência humana comunitária de sentido profundamente democrático. Mas carregam . Se não for brincadeira. ainda que seja na sua pequenez. não só em teoria. mas também na prá-tica. igualdade de oportunidade. A capacidade de manejar conflitos foi refinada. a utopia da sociedade é a comunidade. autopromoção. E o espaço da mudança estrutural parece difícil. Todavia. espera a transformação social. com que analisamos o capitalismo. Faz parte do sinal dos tempos. Funcionam propriamente na comunidade. é um sistema ex- cessivamente desigual para ser tolerado. Com o mesmo espírito crítico. se a meta deva ser alternativa.

Mas basta de imitação. Há mais sabedoria em experiências co-munitárias por vezes simples. quanto for experimentada comunitariamente. por isto que pretendemos pressentir que a rota comuni-tária deve estar correta. é o ritmo que a comunidade pode cristalizar. A . E é. do que no torvelinho do progresso planetário. porque nossa história é contraditória. Não se doma de todo a desigualdade. lento e profundo.em si a potencialidade de alternativa. Mas será tanto mais su-portável. A sociedade desejável não está na rota do sistemas vigentes. Neste sentido. não busca nesta velharia. A democra-cia mais profunda é a pequena. nos descaracterizam. Traz o vício de origem. porque não saímos da história. mais que todas as outras propostas qualidade da história está na realização comunitária. porque este é o tamanho do ho-mem. Não inventamos do começo. Estas ações são pequenas. A transformação social que desejamos não pode ser igual a nada do que está por aí. Pouco e bom. não está nas coisas que. E se é possível falar em felicidade. mas naquilo que cabe na palma da mão. ingenuas. Quem Quer novidade. Nelas mesmas não dizem muito. porque tudo saiu da mesma forja. coisas que nem o capitalismo. de tão grandes. é o que há de mais transformador. Mas na tragetória histórica. inocentes. nem o socialismo nos garantem. a PP é uma colaboração válida trabalhadas na megalomania do progresso. denso e qualitativo.

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