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Mil Diótimas

Esquizofrenia, Amor, & Capitalismo

Detalhes de três estátuas de Diótima de Mantineia, uma antiga, uma moderna, e uma contemporânea.

Matilde Clemente & Sofia Harmonia


1968 - Introdução: Um Rizoma Que Virou Árvore
Sócrates, harmonizando as discussões em um banquete, humildemente assume que tudo
o que pudesse saber da filosofia advinha do que aprendera com sua mestra Diótima
(etimologicamente a “otimizadora justa de Deus”) acerca da genealogia do amor, filho de
fartura e escassez, através das metempsicoses até sua historiografia contemporânea em logos
sofísticos, numes e nomos pitagóricos até a proposição da escadaria amorosa. Tal cena dialógica
pariu a poética maiêutica rizomática de mil Platões desde a teatralização do inconsciente e
idealização de atributos sensíveis ao mundo inteligível das formas até a árvore ontológica das
leis passando pelo urbanismo atlante conceitual de práticas e teorias sociais. Aristóteles,
inspirado pela ressonância amorosa desta nascente linhagem de mestres e aprendizes que
punham a ficção e emotividade poética a serviço da política, encontrou coragem para nada
menos que institucionalizar a metafísica e a ética não em pressupostos inspirados-pela-fé mas
na experimentação científica.

Gilles Deleuze e Félix Guattari, defronte ao mal-estar civilizacional e às incapacidades


do arcabouço psicanalítico freudiano em lidar com as consequências sociais do modelo
civilizacional filosófico advindo deste processo sem no entanto querer recorrer ao inconsciente
coletivo arquetípico dialético junguiano, se vêem impelidos a ampliar os limites práticos da
produção conceitual psicológica para tentarem compreender a esquizofrenia contemporânea em
duas obras monumentais de descolonização do pensamento: “O Anti-Édipo” e “Mil Platôs”.
Queremos apresentar onde estes rizominhas acabaram por cair entre suas próprias críticas, se
estratificando como complexos sistemas arbóreos e arborizantes que compõem parte vital da
atual hegemonia cibernética da análise sociopsicológica.

Tendo tido a honra de conviver com mulheres que foram mestras e aprendizes, amigas e
amantes de Deleuze e Guattari não podemos nos furtar à pergunta de até onde a escrita
infinitiva e supostamente não-subjetiva de seus autores quando desvinculadas de suas práticas
cotidianas e clínicas acabaram por obscurecer a importância que estes davam à escuta
compassiva de quem os rodeava. Onde está a cozinha imantada de canções de cura às refeições
de La Borde entre conceitos como “máquinas de guerra” e “aparelhos de captura”?
Conseguiríamos sustentar as menores ecologias e lógicas dos sentidos através das engrenagens
coreopolíticas hegemônicas? Como estratificaríamos devires desejantes quando a parturiência
noética está relegada a mera metáfora maquínica? Quem honraria as preciosas relações íntimas
destas mulheres e homens sem cartografar-lhes como calculismo o amor? É possível mostrar
como a economia da dádiva e o sincero serviço de caridade e solidariedade formam o cerne da
filosofia diferencial contra o horror de sua subjetividade? Quais estratégias temos de
salvaguardar esta humilde obra colaborativa e aberta das representações frias que combate
como a capitalização dos afetos na obsolescência programada de conceitos, a fetichização
mercantilista da arte de pensar, e a criação artificial de paradoxos entre práticas e poéticas?

Este seria um livro de mil mãos de todo gênero preparando, sem pressa alguma, um
banquete esquizoanalítico de frutos vegetarianos da terra que ainda serviremos para
comemorar a feliz maiêutica criativa do ecoceno num brinde àquelas pessoas que realmente nos
amando ampararam esta missão através das eras e dos cotidianos, cada qual com suas solitudes
e laços dignificantes, como um bulbo de gengibre florescendo em água fresca ao sol e ao vento.
5500a.c. - Filosofia Como Prática De Transcriação
Diótima norteou a ascensão pela escadaria do amor desde a paixão instintiva por objetos
específicos, compreensão das sensualidades estéticas pela objetividade, respeito às relações
entre entendimentos pelas subjetividade, institucionalização de códigos-de-conduta pela
jurisprudência, métodos empíricos de laboratorialidade pela ciência, até a caridade solidária ao
bem-estar-social pela compaixão universal. Quando Sócrates, soldado ungido do Oráculo de
Delfos como mais sábio entre os gregos, dizia que só sabia que nada sabia não estaria ele
humildemente postulando os limites para a produção do saber filosófico quando destituído de
poder financeiro junto à escala social de amorosidade? Se limitando aos estudos acerca das
paixões humanas, relações sociais, e psicologias das subjetivações enquanto isentando-se das
funções institucionais da ágora, da jurisprudência de valores éticos nas produções tecnológicas
e do grande arcabouço do inconsciente coletivo de sua época. Não estaria ele com belas
retóricas em poesias, mesmo que compactuando com a cultura da paideia grega, incitando a
juventude aristocrática ao hedonismo ocioso de suas obrigações para com os necessitados?
Seriam as traduções metafóricas dos deuses, como a deste sofista, uma impiedade com a
religião civil? Aristóteles teria sido, neste sentido, o primeiro esquizoanalista?

A esquizoanálise histórica, deleuze-guattariana, seguiu em cada plano de consistência e


linha de fuga uma tradução criativa da tarefa filosófica. Através dos conhecimentos da
semiótica psicanalítica e da historiografia dialética aplicadas através das tecnologias de
transcriação poética moderna criou uma escrita menor acerca dos reveses da cibernética
filogenética das assim chamadas árvores do conhecimento científico buscando soluções práticas
imediatas para cultivar os avanços minoritários como parte imprescindível da civilização
humana. Saberes ancestrais como a epistemologia experimental da sobrevivência aceita ainda
hoje pela metodologia científica, os axiomas de minima moralia da etiqueta civil, a pedagogia
contra-incestuosa e anti-pederástica do cânone cristão, a engenharia de confiabilidade
alimentar, gestão de governança aberta, o ecumenismo laico interfé católico, a teoria cognitiva
progressiva da educação, e a psicologia bioética da informática open-source influenciam de que
modo a atual economia de produção cultural sustentável?

Agenciando as metodologias psicanalíticas ao mais amplo escopo possível da


experiência humana do cosmos, entre intimidade e sociologia, esta escola filosófica busca uma
ética da linguística dialética em nosso zeitgeist para a indústria cultural, metodologia científica,
movimentos civis laicos e interfé para fornecer à estadística internacional. Como, porém, suas
estratégias de fluxos e cortes-de-fluxo narrativo poderiam gerar uma experiência estética da
genealogia de nossos modos ocidentais de amar amorosamente para suster esta missão? Quais
metodologias museológicas existem para uma curadoria de máquinas micropolíticas
pacificadoras e administração-de-riscos clínicos que sustentasse uma ecologia pop? O que difere
hoje em dia a escadaria amorosa da pirâmide social? Há uma minima moralia possível entre
congregações religiosas monásticas, empresas, e casas de show? Quais estratégias de redução de
danos temos para o isolamento afetivo e comunitário em grau pandêmico? Como proteger a
inclusão da diversidade e a família nuclear ao mesmo tempo?

Seria possível uma tal interface do pensamento-amor sem o devir-teológico


hegemônico?
381a.c. - Uma Só Ou Várias Esquizoanálises
Diótima era sacerdotisa de Afrodite, a quem foi dada a responsabilidade de zelar pela
conduta bela e que por seu serviço bem-prestado era permitida andar sem véu perante à ágora
e falar como cidadão, honra concedida nem às mulheres aristocráticas de posse. O fantasma
desta mulher virtuosa de parresia (corajosa o bastante para dizer a verdade) perseguiria
Sócrates por toda sua vida na sua tentativa de manter, sem fonte de renda, seu casamento com a
burguesa Xantipa e a pobre Mirto em constante busca para não ceder às seduções orgiásticas de
revolução sob manutenção da pederastia do jovem tirano Alcibíades enquanto sustentava a
tarefa hercúlea de tentar ser um parteiro de idéias para a melhoria do bem-estar-social a partir
do melhor uso sabedoria em inquirição apodítica das tecnologias de seus concidadão. Sem o
amparo de um templo que o consagre a serviço da divindade, mas seguindo à risca a lição
sacerdotal diotímica, o filósofo se deparou com a multiplicidade de filhos conceituais que uma
pessoa tem com apenas uma prática simples e como as escadarias do amor se multiplicavam em
todas direções por espaços hiperdimensionais recursivos, complexos rizomas em platôs de
platôs. Seria sua aceitação da cicuta uma assunção de culpa na profanação da tarefa sacerdotal
de sua mestra e sua linhagem religiosa e na corrupção da juventude contra a religião civil
ateniense? Aceitou Sócrates à morte por amor? O que sabemos é que a filosofia platônica
proibiu a presença de poetas na república ideal enquanto os literatos de seu tempo criticavam
suas más-condutas sexuais em textos como “As Nuvens” de Aristófanes.

Michel Foucault, a partir da esquizoanálise, cartografou uma metodologia arqueológica


do saber à dialética buscando tornar mais transparentes a genealogia dos poderes apresentou-
nos a missão desestrutularista de criação de campos de consistência nas heterotopias ecológicas
de modo que incluíssem modos de vida e saúde minoritários, como na loucura e na diversidade
sexual, sem ceder à libertinagem hedonista ou às seduções panópticas de calculismo afetivo em
estratégias de controle e aparelhamento tecnológico de vigiar e punir. Não deixa de ser irônico
que sua análise teórica em flanagens filológicas, embora atravesse rapidamente sua própria
questão homoerótica e como a filosofia platônica se ampararam na pederastia como método
educacional, tenha fundamentado-se no estudo aprofundado da etimologia do direito canônico
cristão. Como este gesto, para além de mostrar seu desejo de um amor para a vida toda em meio
à libertinagem que o levou à morte aidética, não tentou reverter a cooptação da esquizoanálise
pela discursividade abstrata hegemônica da ciência sobre os temas minoritários e tangenciais
evitando a política de sua época mas ainda assim não pôde abarcar as polêmicas das instituições
jurisprudenciais como as apóstolas de Jesus, as diaconisas da igreja cristã primitiva, e das
doutrinas das mães do deserto incluídas nos primeiros cânones.

Quanto da pederastia própria da paideia grega, masculina e feminina, influi nas atuais
práticas culturais hegemônicas de idolatria da juventude e hábitos de infantilização erótica bem
como na violência histérica dos pensamentos contra-hegemônicos? Como salvaguardar a
herança da filosofia e esquizoanálise dos crimes cometidos pelas pessoas que as descobriram
sem somarmos ao ocultamento seletivo de agenciamentos de compensação histórica? Como se
entranham dispositivos de busca continuada de soluções práticas minoritárias e as questões que
estas levantam quanto a uma meta-historiografia do amor partindo da cartografia das
influências desta escola de pensamento até as práticas contemporâneas que estas sustentam?
111 - Uma Bioética Das Morais Minoritárias
(Quem A Ecologia Pensa Que Somos?)
Diótima nos apresenta uma sabedoria inspirada-pela-fé que diverge dos seculares
desenvolvimentos que sofreu a filosofia no platonismo. Negamos, porém, a leitura que Mary
Ellen Waithe nos apresenta em “História Das Filósofas Mulheres” de uma sacerdotisa, educada
sob intensa severidade por décadas, que após apresentar a escadaria amorosa a um Sócrates
soldado se reduziria à auto-preservação egoísta e ao hedonismo sem observar as obrigações da
caridade cósmica de seu sacro ofício. E cremos que Platão, apresentando-nos o mesmo Sócrates
convertido em pensador e arriscando sua vida ao clamar sua mestra em meio a aristocratas
pederastas, não aceitaria como honra digna da boa-morte ser alvo de elogios que o levariam a se
tornar meio de impiedade contra um templo da religião grega pela redução do nome sagrado
Afrodite à sua face venal Pandêmia desconsiderando sua face compassiva e racional Urânia.

Giorgio Agamben, alargando a proposta foucaultiana de arqueologia historiográfica


conceitual esquizoanalítica, pondera sobre como a ideia romana de homo sacer, passando de
pessoa consagrada ao sacerdócio à de excluído supliciado e sacrificado, serviu de base para a
instituição jurisprudencial dos juramentos, do dever social do trabalho, da soberania da religião
civil, e das bases teológicas cristãs de economia e governança. Desta minima moralia da
hegemonia ele pôde sistematizar a urgência bioética perante os estados-de-exceção
contemporâneos e singularidades niilistas no restauro daqueles em sobrevidas meramente
zoológicas (zoe) sob o controle comodificado de seus corpos a vidas-de-verdade na inteireza da
experiência biológica (bios) incluindo a subjetividade amorosa que estrutura a comunidade
futura. Assim, nos incumbiu da tarefa de desenvolvermos metodologias de experimentação
cientificamente confiáveis que permitam o diálogo intercultural para além da mera
mercantilização. Não teria a obra de Diótima sofrido também este processo de sacrifício da
sacralização quando buscou-se compreender o que ela chamou de filosofia fora de sua
teologia?

Negar o papel que os Mistérios de Elêusis tinham na formação básica dos cidadãos
gregos, em especial de sacerdotes como Diótima, além de reduzir os cultos dionisíaco-apolíneos
à mera embriaguez e repetição mecânica de rituais, oculta sua importância como antecessora
das vestais artes romanas de sustento compassivo, cuidados salutares, higiene confortante, e
modéstia de costumes que vieram a fundamentar a síntese universal (católica) cristã das
diferentes éticas culturais femininas naquele da salvaguarda e proteção da mãe nutridora (alma
mater) que culminaram nas práticas de amor filial e respeito pelos estudos das lógicas
(ecologia), da jurisprudência das leis (economia), e das estratégias de comunhão (ecumenismo)
da casa comum (eco), desde os lares até o planeta passando pelas instituições públicas da
religião civil. Haveria a nascente igreja, para desvencilhar a nascente pedagogia do legado
pederasta, buscado se apresentar como a singela educadora Maria, filha da professora Ana, mãe
de Jesus e não como sua sacerdotisa envolta em mistérios? Paulo de Tarso, judeu cidadão
romano, ao relembrar no Areópago a Deus Incognoscível de perfeito amor que, através de
monoteísmo e monogamia, podia gerar uma engenharia de confiabilidade ontológica para
distintos cultos numa religião centralizadora daquela civil, temendo o apagamento das minorias
que ampararam a missão de seu mestre da historiografia oficial bem como a continuação da
perversa cultura do sacrifício de pessoas, animais, e do meio-ambiente saudava em suas
epístolas ao sacerdócio de, entre outros, Gaio, Apolo, Priscila, Zenas, Joana, junto às minorias.
354 - O Que Não É Teologia?
(Da Dobra Biblioteconômica)
Diótima, mesmo no próprio corpus platônico tida como a fundadora do diálogo como
forma poética, surge no simpósio dialogando irritada com o maniqueísmo de Sócrates que, não
o permitindo ver gradações de opostos complementares, o levou à impiedade de elucubrar que
o amor seria mau. A apresentação não num monólogo explanativo mas sim numa conversa
entre duas personagens de conhecimentos diversos acerca acerca de um tema tem a vantagem
pedagógica de apresentar, além da conceitualização do problema, impressões subjetivas acerca
da experiência emocional de estudá-lo e da tentativa de comunicá-lo que podem vir a ser de
valia na busca por soluções práticas e teóricas. Se a perseguição a Jesus, judeu ungido a
sacerdote zoroástrico avestano ao nascer, e a falta de abertura social para ouvir suas críticas o
levaram em última instância à irritação com os mercadores do Templo e à sua execução, o
tranquilo comedimento socrático em utilizar as diversas técnicas da escadaria amorosa para
inquirir seus concidadãos tampouco o livra da sentença à morte. Como este temerário paradoxo
de impossibilidade da ação amorosa serviu de cerne à batalha ideológica dos cismas da igreja
levando a incontáveis levantes terroristas, à instauração dogmática de inúmeras inquisições
genocidas, ao ocultamento de importantes pesquisas minoritárias como a de gnósticos e cátaros
para a manutenção doutrinária, e à separação política entre civilizações através da distinção
cultural identitária? Quais as consequências dos históricos ataques ao sacerdócio estético e à
filosofia da inspiração-pela-fé diotímica, porém, na fundação da teologia cristã como missão de
redução-de-danos humanitária inclusiva pacificadora, ecumênica e sustentável?

Suely Rolnik nos apresentou, em “Cartografia Sentimental” e “Micropolítica”, como o


cânone da psicanálise e da estética curatorial museológica formam a arte relacional da caosmose
que, se relacionando com os arcabouços culturais hegemônicos vigentes, quer imateriais do
inconsciente coletivo ou materiais da arquitetura urbanística, configuram as ressonâncias
subjetivas da governança social. Como sua definição, coerente à deleuziana, da filosofia como
arte da criação de conceitos pelo exemplo vital interage com aquela das origens diotímicas da
filosofia como vida consagrada ao belamor e à busca por sabedoria? Poderíamos conceituar a
teologia como a criação de relações a partir do amor e busca da sabedoria perfeita em Deus?

A teologia cristã, buscando criar uma engenharia de confiabilidade social para a


experimentação de modos de vida minoritários em conformidade à estável estruturação
pedagógica dos núcleos familiares comunitários, encontrou muitas dificuldades logísticas em
fornecer soluções em tempo hábil para suas missões e também para proteger seus
pesquisadores minoritários. Em meio ao genocídio inquisicional de todo Sacro Império Romano
a fundamentação gramatical do bem prático em conformidade à lei como cerne da liberdade
agostiniana não impediu o ocultamento de sua negra e africana origem, o suporte sintático da
metafísica cartesiana lógica científica não salvou da excomungação semântica a ética corpórea
ecológica espinozana que ajudou a parir, nem a monadologia leibniziana conseguiu amparar
uma expansão pacífica da educação científica antes dos embates linguísticos dialéticos
iluministas. O que tem a historiografia esquizoanalítica a ensinar para as ciências da informação
e biblioteconomia sobre como saberes caritativos e passionais minoritários excepcionais de
suma importância à nossa cultura desejante subjetiva atual para amparar o discurso amoroso à
hegemonia cultural de modo a florescer práticas compassivas sustentáveis e resilientes?
678 - Às Linguísticas Dos Postulados
Diótima, sendo sacerdotisa e também filósofa, provavelmente utilizava-se da escadaria
amorosa não como um postulado hierarquizante a ser ascendido uma só vez em algum debate
acadêmico ou político, mas sim como uma prática ritual de pedagogia circular de meditação
que abrangia a otimização dos distintos platôs do amor na vida cotidiana. Seu exemplo,
seguido (bem ou não) por Sócrates, foi de suma importância para a governança da igreja
primitiva e sua missão de abolir com a prostituição pseudo-sagrada e a libertinagem orgíaco-
pederasta romana, ao menos é o que afere-nos a necessidade de seus contemporâneos de
perpetuar inúmeros ataques sarcásticos à sua pessoa (argumentum ad hominem) tal como as
tentativas de mitificar sua existência como fictícia, a assimilação de sua imagem à da aristocrata
Aspásia (mesmo esta tendo aparecido também, de forma demeritória, na obra de Platão),
chegando ao cúmulo de sua ridicularização como prostituta vaidosa enquanto embasava
postulados do direito canônico.

A pesquisa esquizoanalítica foucaultiano-agambeniana sobre as bases conceituais do


ofício sacerdotal o levaram a analisar como a lógica dos sentidos em palavras-valises foi
utilizada como armamento subjetivo (dito mágico) através dos tempos fundaram a atual
urgência de recuperarmos o conceito de profanação em sua etimologia de luzes e diálogos a
serem tidos entre os templos e a praça pública para lidarmos com a hermenêutica exegética
arqueológica da hipótese documental acerca de como a igreja católica usou o aprendizado
bíblico da história intertribal e imperial judaicas para, através da ideia de reino ideal, realizar
seus planos de diplomacia pacificadora em meio a incontáveis motins e corrupções internas e
externas. Seguindo esta mesma a metodologia padrão na comunidade científica não teríamos de
assumir que a esquizoanálise, em suas jornadas historiográficas desde subjetividades
minoritárias até a institucionalização da caridade sacerdotal, não se apresenta como uma crítica
ao pensamento filosófico mas sim uma continuadora de suas práticas ampliadas à
multiplicidade de novos conhecimentos surgidos à época do advento da psicanálise?

Mesmo que grande parte dos cristãos não tivessem encontrado força e amparo em suas
situações locais, por séculos, para seguir este ideal em sua completude ainda encontraremos a
influência de Diótima, com sua história já ocultada, entre as práticas ascéticas das mães e pais
do deserto bem como nas doutrinas congregacionais e monásticas, beneditinas e franciscanas.
Sua influência se expandiu através de obras de redução de danos, serviço caritativo, e
hospitalidade através de inúmeras culturas tentando sempre diminuir as consequências
nefastas das guerras, inclusive cruzadas e jihads. Para manter sua coerência metodológica a
esquizoanálise foucaultiano-agambeniana não precisaria para prosseguir sua pesquisa de
encontro aos concílios ecumênicos, respeitando as origens árabes de Jesus de Belém, gerar uma
taxonomia dos papéis dos conceitos islâmicos na formação de nossas noções e instituições
contemporâneas? Quais metodologias e tecnologias existem para lidar com o ocultamento
histórico da cultura árabe pré-islâmica, a análise semiótica e traduções neutras da proposta do
profeta Maomé incluindo sua crítica do cristianismo como idolatria deificante do profeta Jesus,
até a negação e cooptação da ciência árabe como a historiografia e governança intercultural de
Ibn Arabi? Em paralelo, como a escadaria amorosa poderia ser aplicada para o entendimento
das motivações que levaram o profeta Maomé a, já casado com Aixa, desposar diversas viúvas
(tantas idosas)? Como as linguísticas das aves poéticas das minoritárias formas de amar deste
outro monoteísmo ainda mais estrito se mantiveram em sua cultura de poligamia controlada?
1001 - Um Cânone Literário Menor
Diótima conviveu com sibilas e pítias que, sendo desde o nascimento cultivadas para a
manutenção de suas virgindades, eram mantidas em isolamento (provavelmente por leprosos) e
educadas sob tortura e ausência de contato físico tal que, sob situações de extremo sofrimento
físico e psíquico, proferiam sentenças oraculares em surtos histéricos que eram analisados pelos
oficiantes de seus ímpios cultos. Ela, no entanto, não aparece na história assim, mas
apresentando uma sentença de extrema síntese e eloquente erudição à praça pública a um velho
soldado, gesto de liberdade ímpar mesmo às aristocratas gregas. Safo, poeta contemporânea
sua, em seu “Hino A Afrodite” implora, porém, que lhe seja tirado o fardo de um tal sacerdócio.
Haveria um treino ainda mais doloroso para as cultuantes que buscavam versar à retórica como
o dos escribas escravos ou um monitoramento ainda mais severo por erros que o dos copistas?

Harold Bloom usou a hipótese documental para verter a arqueologia do saber


esquizoanalítico desde as literaturas menores em direção à questão sapiencial das obras que
formam o cânone literário ocidental crendo que pouco compreenderíamos da relação entre
Marcel Proust e a sociedade rural, Lewis Carroll e a família vitoriana de Alice Liddell, ou Franz
Kafka e a burocracia urbana sem um estudo intenso sobre a influência que os textos tidos como
sacros do mundo e o arcabouço laico, como o shakesperiano estudado detalhadamente por ele,
ainda têm em nossos ler e escrever. Em “O Livro De J” o pesquisador usa ambas estas técnicas
para,da hipótese javista de uma autora da bíblia em conjunto ao cânone da crítica literária,
analisar seus versículos não como teologia mas literatura de ficção escrita por uma mulher de
fina ironia analisando sua política passada e corrente permitindo um vínculo da psicologia
freudiana com Javé, enquanto personagem que representa Deus. Como utilizamos estas
metodologias exegéticas e hermenêuticas à historiografia respeitando as morfologias específicas
das criatividades inspirada-pela-fé e laicas através do cânone menor da esquizoanálise?

Catherine Clément, talvez para defender a incipiente pauta humanitária, não ousa
mostrar em “Ópera, Ou A Derrota Das Mulheres” e “O Feminino E O Sagrado” o papel que as
próprias minorias e suas cooptações tiveram na produção de sua própria derrota simbólica
quando aparelha o sacrifício dos mais desprivilegiados. E ainda vemos nas novelas camp a
mesma tensão dos libretos operáticos onde as minorias são retratadas de forma humilhante ou
erótica, sofrendo ou fazendo sofrer, escravizadas ou escravizando, ímpias alpinistas sociais
hedonistas ou piedosas subempregadas miseráveis, parceiras do crime ou salvas por outras
minorias ainda mais frágeis, levando a matar e morrendo por amor. No campo da inspiração
pela fé não-hegemônica das religiões institucionais as mitologias e contos de fadas apenas
marcaram estes arquétipos ainda mais fundo no inconsciente coletivo. Temia Safo que a tarefa
épica como defensora do belo viver a impedisse de cuidar de si apenas? Como não permitir que
isto gere justificativas ao ocultamento platônico da poesia lírica, da qual o corpus sáfico forma
dos primeiros exemplares? Que histórias nos conta Diótima, griot impedida, nas suas escassas
entrelinhas sobre as incontáveis sacerdotisas aprisionadas por micropolíticas como Sherazade
em “As Mil E Uma Noites”? Quais respostas suas poderiam ter florescido dentre os degraus da
escadaria amorosa sobre as estratégias de redução de danos do erotismo e estético usados na
manutenção da escravidão, do estupro, e da pederastia na paideia cultural? Como desenvolver
uma engenharia de confiabilidade que sustente futuras arqueologias intercivilizacionais de
saberes minoritários conforme ao pacto pacificador do movimento interfé mundial?
1175 - Caosmoética: Novas Estéticas Dos Paradigmas
Diótima em seu papel de sacerdotisa do Templo De Afrodite, para não reduzi-lo a um
prostíbulo pseudo-sagrado, precisava servir de exemplo de conduta de um culto de fé estética, o
que a demandava manter uma postura de excelência constante representando os mais íntegros
valores sacramentais. Algo como uma freira cristã hospitaleira, uma monja budista, uma gueixa
versada em todas artes, uma professora das ciências sustentáveis, uma estrategista da
pacificação humanitária, uma lavradora das histórias antigas, e uma esposa fiel ao mesmo
tempo. Se levarmos em consideração minimamente as invasões arianas ao vale Sarasvati onde a
cultura da mulher virtuosa de exímia técnica artística também ocorria, como apresentados por
Flávia Bianchini, podemos supor que Diótima teria um elevado grau de proteção,
endossamento, e mesmo imunidade na sociedade grega de sua época, o que deveria custar-lhe
uma imensa responsabilidade cosmoética em relação aos demais cultos da religião civil e
instituições laicas. Levando em conta que em sua época a violação, o rapto, a pederastia, a orgia,
e a drogadição ainda não tinham sido regulamentadas e ocorriam de modo quase corriqueiro
quão imensas dificuldades não enfrentou uma teoria como a escadaria amorosa para poder ser
exposta a um soldado de campanha reformado? O que a greve de sexo da “Lisístrata” de
Aristófanes poderia nos revelar se a tomássemos sob a jurisprudência da religião civil grega?

Jacqueline Lichtenstein em “A Cor Eloqüente” analisou como a hierarquização da


arquitetura geométrica das formas utilitárias distinguíveis sobre as recorrências impulsivas de
intensidades e intenções estéticas da cromatologia ressoam recursivamente tanto o controle
perspectivo do papel das minorias na história da pintura como a racionalização das pulsões
desejantes na pintura da história. Sua pesquisa se foca especificamente numa curadoria lírica,
onde as pinturas de ‘Toaletes De Vẽnus’ apresentam a naturalização à continuação histórica da
pederastia, frivolização da higiene, a hiper-erotização das mulheres, a predação entre classes, o
racismo, as relações mineralógicas entre tecnologias cosméticas e artísticas, e as consequências
desses processos todos nos corpos e costumes relacionais. Isto lhe permite examinar como as
obras de “Virgem Com Criança” mantiveram a intensidade erótica, de maneira respeitosa aos
tratados culturais de suas épocas, em sutilezas formais e cromáticas além do desenho figurativo.

Enquanto sua contemporânea secular Lady Godiva atravessava a cidade nua sobre o
cavalo de guerra de seu marido até que este se voltasse à paz, Hildegard Von Bingen como
cristã fervorosa, entre intensos surtos extáticos, compunha a jornada musical em textos
iluminados “Scivias” que seguem a escadaria amorosa como prescrita pela igreja para a vida
monástica sacerdotal, à qual escolheu livremente. Sendo uma estudiosa do catolicismo, quanto
da história de Roma começar com o rapto das mulheres sabinas pelos primeiros patriarcas, da
extradição e ostracismo que impediram o casamento do então sacerdote flamen dies de Júpiter
Júlio César com Cornélia Cinila, e de como este último convertido à guerra obrigou
Vercingetorix a sacrificar mulheres e crianças gaulesas à fome espetacular para ver se o comovia
à paz, em vão, no cerco de Alésia influenciaram sua visão de Jesus como exemplo de rei e
marido a serem honrados? Dados os constantes abusos da gramática sacerdotal e lógica
filosófica pela retórica política como a escolástica (nomeada em honra de uma teóloga) católica
conseguiu manter concomitantemente missões pacificadoras de justiça social, harmonização
familiar, museologia artística, pedagogia familiar, e engenharia de confiabilidade cosmológica
da ciência? Como Diótima pode nos ajudar a valorizar ações minoritárias à hegemonia sem
sobrecarregarmo-nos?
1321 - Clínica E Estadística
Diótima era respeitada à época do simpósio porque evitou por dez anos uma peste
quando os cidadãos atenienses ofereceram sacrifícios sinceros em seu templo num período logo
após o genocídio da comunidade de Pitágoras e Theano. Segundo os cidadãos de Crotona
perpetradores do ataque, embora a escola educasse a comunidade com minorias aceitas em suas
aulas abertas, ela também estava a instaurar um culto à harmonia através da matemática dos
afetos em rituais de mistérios acusmáticos e numéricos iniciáticos sem consentimento geral da
religião-civil e viria a impor suas doutrinas trazidas do exterior, como o não-sacrifício animal
vegetariano, de forma não-democrática a todos os cidadãos em direta impiedade ao culto de
Pallas Athenas; além disto ocultavam as fontes, como as órficas e herméticas, de suas práticas e
nomes divinos desonrando a própria religião civil. Como a escadaria amorosa do culto estético
a Afrodite defendeu as doutrinas órficas e herméticas que tinha em comum com os pitagóricos?

As crenças órficas de igualdade entre os seres advinda da transmigração das almas,


retroalimentação entre dietas e éticas, consagração ritual da disciplina cotidiana, pedagogia
musical, e busca pela harmonização relacional pela jurisprudência amorosa da ecologia quando
desonrada pelos excessos de um culto que negou a democracia parece o próprio mito do órfão
Orfeu quando sua esposa Eurídice (etimologicamente “ampla justiça”) é violada e morta em
suas núpcias pelo aristocrata Aristeu. Quando desce ao submundo para salvá-la parece Diótima
pregando os cuidados de higiene, saneamento básico, e bem-estar-social da estética filosófica
nas periferias miseráveis envoltas em crimes e doenças da religião civil. Quando, retornando à
superfície, defende a monogamia em sua comunidade poligâmica e acaba por ser o primeiro
crucificado da história pelas mulheres trácias, homem branco minoritário, parece Diótima
pregando a contenção dos desejos carnais para relações saudáveis e amorosas às que buscam a
beleza. Quando as musas recolhem sua cabeça no rio Hebrus e partes pela Grécia parece
Diótima sintetizando a jurisprudência do pensamento pré-socrático na filosofia platônica. As
estratégias de sobrevivência do culto hermético, quando usadas para fins não-democráticos
como apresentada contra os pitagóricos, nos mostram como aferir qualidades negativas a uma
representação divina tem efeitos nocivos perigosíssimos. Não foram o ensino ecumênico cristão,
a pedagogia escolástica, e a engenharia de confiabilidade científica católica respostas diretas à
iniciação não-consentida, ao desrespeito intercultural, à anti-intelectualidade xenofóbica, à
conspiração ocultista, e ao ruído criptológico comunicacional tentativas inspiradas pela crença
na ressurreição e retorno de Jesus de evitar que mais pessoas fossem entregues à crucifixão
pelos seus para serem humilhado por defenderem minorias, como Orfeu?

Como a precarização trabalhista e institucional levou o movimento civil a desenvolver


estratégias contra-hegemônicas que acabou por coibir-lhe? No caso da esquizoanálise como
cátedra universitária de estética interdisciplinar e psicologia antimanicomial, posto que Deleuze
defende a filosofia pop (logo, não-hermética), qual engenharia de confiabilidade seria necessária
para que este adentre à economia midiática? Como manter seu viés de produtividade menor
gerando sustentabilidade confiável para sua crescente rede de colaboradores, incluindo
assistidos, ditos independentes mas sem planos de empregabilidade e previdência? Quais
técnicas de governança minoritária há em suas iniciativas, como a clínica psíquica La Borde, que
podem retribuir às instituições cristãs por sustentaram a pesquisa acadêmica e a salvaguarda da
herança filosófica, como a diotímica, para somar à vasta literatura crítica de seus erros?
1666 - Sobre Algumas Dietas Relacionais
Diótima foi uma sacerdotisa do amor, em suas muitas formas, desde a sensualidade à
caridade cósmica passando pelo erotismo, amizade, familiaridade, e solidariedade que tinha de
combater incesto e pederastia. Isto a obrigou a compreender o fluxo de experiências subjetivas
qual um devir heraclítico de fenomenologias jônicas. Se Tales precisou endeusar processos
físicos para estabelecer bases linguísticas para o princípio arquetípico de Anaximandro e
Heráclito encontrou na necessidade de harmonia complementar dos opostos um equilíbrio em
meio a este ilimitado, a escadaria amorosa devia a sua antecedência unir o atomismo
democrítico e a infinitesimalidade eleata na ontologia não-contraditório de Parmênides.

A teologia católica encontrou similar equilíbrio quando foi aceita secularmente como
filosofia escolástica. Seus estudos semióticos de como a simbologia cristã provinha uma
engenharia de confiabilidade pedagógica para a amabilidade individual e comunitária serem
aceitas pela religiosidade civil da laicidade do Sacro Império Romano, embora tenha gerado
inúmeras dificuldades, era inadiável para a regulamentação da metodologia científica. A
hermenêutica bíblica amparou desde como a queda do paraíso no fruto da árvore do bem e do
mal se tornou a metodologia pedagógica do respeito às incontáveis gerações de mortos que
experimentaram plantas tóxicas para a evolução da dieta humana até a replicação do exemplo
crístico de amor na institucionalização de códigos de condutas sociais, eclesiais e laicos. Sem a
segurança social e liberdade de expressão, como na aceitação da nomeação de fenômenos como
deuses, propiciadas pela ontologia intercultural da religião civil romana sob a tutela da
doutrina amorosa cristã nós não teríamos pesquisas, então minoritárias, como a filosofia da
escadaria amorosa que baseou à alquimia de Maria Judia e Avicena, cujos benefícios somente à
medicina são incalculáveis. Tampouco teríamos a curadoria interfé de combate à idolatria do
Museu Do Vaticano ou a “Comédia” de Dante Alighieri que, inspirada pela “Epístola Do
Perdão” do árabe ateu Al Ma’arri entre tantas obras de incontáveis pagãos, além de um
panorama historiográfico ímpar nos legou talvez o primeiro estudo sociopsicológico das
relações amorosas. As demandas glocais civilizacionais à ciência por regulamentação bioética
dos limites experimentais, à filosofia amorosa por uma ética comportamental civilizatória, e à
museologia cultural por uma jurisprudência curatorial ecumênica regenerativa ecologicamente
e sustentável economicamente que mal conseguiam acompanhar a velocidade de descobertas
por seus incontáveis polímatas, como Fílon de Alexandria e Al-Kindhi, colocou suas instituições
controladoras após as grandes navegações num desafio exponencial de escalabilidade e
assimilação das inúmeras pesquisas minoritárias. Quais as melhores tecnologias disponíveis
para o resgate da importantíssima herança destas, sejam medicinas naturais indígenas, preces
tribais, oráculos xamânicos, artesanatos pagãos, ou cânticos griot “Iabás” sobre as dificuldades
de amar para as minorias?

Hakim Bey, defensor da pederastia apresentou, em “Utopias Piratas” e na sua Biblioteca


Hermética, como a anarquia ontológica estabeleceu nas conquistas argonáuticas pseudo-
coloniais e ostracismos das stultifera navis tanto o começo do capitalismo multinacional
predatório como as estéticas modernas do terrorismo poético e zonas autônomas temporárias.
Como o embasamento destes movimentos em fés e interfés anti-hegemônicas e ocultistas
sustentou a perseguição de religiosidades minoritárias nas colônias subdesenvolvidas e a
doutrina anticristã de transvaloração da moral e licenciosidade sexual do controversamente
proclamado messias judeu Sabbatai Zevi até em sua conversão islâmica tida como sufi?
1717 - Como Produzir Um Órgão-Sem-Corpos
Diótima, cidadã livre não-escrava, independente de sua raça e gênero era oficiante de
um culto da religião-civil em uma cidade-estado dentro da proto-federação grega. Traduzindo
em termos atuais ela seria, disposta de meios de sustentação e educada o bastante para a prática
política glocal, como uma xamã ou pajé de uma tribo representando uma assembléia de nações
originárias de seu país no Parlamento Das Religiões Do Mundo junto à Organização Das
Nações Unidas. Como os sofistas, ela contrapunha questões legais e política àquelas da física
natural, e como a comunidade monacal e eclesial exemplificou os mesmos através de sua
postura diária.

A igreja, para defender a missão emancipatória de Jesus, encontrou incontáveis


problemas para harmonizar-se entre a execução severa de seu poder hegemônico sobre a
laicidade civil, baseada na sua historiografia monástica estóica dehenelizante parecida com a
cosmologia jainista, e suas criticadas práticas de tolerância intercultural, como seu marianismo
epicurista semelhante ao budismo. A família de Anna Magdalena Bach e seu marido capelão
organista, obrigados a seguir as estritas etiquetas disciplinares civis católicas feudais, como a
proibição da escravidão, mesmo passando por imensas dificuldades como fome quase constante
e pestes que dizimaram dezenas de seus filhos, ainda assim prosperaram e nos deixaram um
legado cultural musical que preza pela amorosa boa conduta em respeito ao estado-de-direito.
Silvia Federici mostrou em “Calibã E A Bruxa” como, mesmo reconhecendo seus privilégios em
obediência à lei e servidão voluntária, as minorias foram perseguidas em inúmeros genocídios,
excluídas da política e economia, e suas importantes pesquisas excomungadas como heresias
foram ou cooptadas ou ocultadas. As inúmeras injustiças perpetradas através das nações e a
incapacidade da centralização imperial eclesial administrativa e jurisprudencial levaram
mulheres como Marie Dentière e Katharina Von Bora a somarem seus esforços à reforma
protestante que levou à instituição das nações. Marshall McLuhan documentou em “Galáxia
Gutenberg” como a invenção da imprensa de tipos móveis, representando esta molecularização
da política comunicacional na criação da rede de notícias, estruturou a regulamentação molar
do direito internacional para a manutenção da liberdade de expressão e de convívio civilizado.

Produtos criativos como os contos-de-fada e a ficção, tidos como inocentes, nos mostram
um pouco das imensas dificuldades da engenharia de confiabilidade e compliance cultural
econômico encontrados já que histórias pessoais podem trazer mentiras, críticas injustas a
vizinhos, interferências comunicativas, ou a divulgação de tecnologias perigosas à ordem
comum de modo distinto em cada lugar. Buscando resolver tais questões de diplomacia
operacional cognitiva na urgente área da alquimia os Templários e a Fraternidade Rosacruz
instauraram procedimentos e organizações de segurança experimental e laboratorial através de
estudos acerca da recursividade poética entre produções materiais e imateriais que permitiram
a fundação da Franco-Maçonaria e posterior implementação de sua constituição reguladora de
ritos religiosos não-hegemônicos. Como as comunidades miscigenadas, entre guerras coloniais
e sem acesso a esta história, a viveram em seus cotidianos? Como tal institucionalização
permitiu a salvaguarda de cultos de origens minoritárias, o movimento interfé internacional, e
missões estéticas antropológicas como a de Claudia Andujar no Alto Xingu, a da Biblioteca
Hermética pela Embaixada Do Livre-Pensamento, e a da Small Films em campos de
refugiados?
1723 - Uma Historiografia Universal Minoritária
Diótima conviveu com e serviu a famílias heteronormativas, homossexuais,
transgêneros, e mesmo com pederastas em sua vida. Contrapondo a escadaria amorosa de sua
argonáutica política, os pirronistas fundaram a historiografia da filosofia. De modo similar a
franco-maçonaria veio a desenvolver na sua escadaria de graus de instrução iniciática uma
historiografia das crenças minoritárias e práticas rituais para o estudo empírico de metodologias
de enredamento das mais diversas missões cristãs que levaram regulamentações nacionais,
através da diplomacia internacional, a lidar com questões de jurisprudência intersticial e
engenharia de confiabilidade liminares gerando laboratórios científicos e pedagógicas câmaras
de curiosidades naturais onde obras de taxonomia interlinguística como a “Virga Aurea” de
James Bonaventura e de historiografia universal como a de Emma Willard podiam ser
dispostas. Não foram xintoísmo, espiritismo, mormonismo, umbanda, e associação das primeira
nações empreendimentos nesta missão junto às minorias sem acesso à informação?

Peter Pál Pelbart mostrou em “Nau Do Tempo Rei”, através das correlações
foucaultianas da formação da capitania de navegação desde a administração do tempo
eclesiástico e disciplina clínica, como o método historiográfico esquizoanalítico criou instâncias
de resiliência à precarização do trabalho entre as dinâmicas de forças de libertação responsável
e engenharia de confiabilidade não-intrusiva. Tais técnicas podem ajudar a diplomacia sikh
entre islâmicos e hindus e outras questões interfé sem apelar à apropriação cultural de minorias
da indústria criativa neoliberal? Este foco nas metodologias menores, em tempos nos quais a
civilização chinesa após uma revolução cultural começava a abrir seus saberes ao ocidente,
somado a seu ocultamento da metodologia historiográfica universal dialética hegeliana e suas
raízes analíticas, qual a obra científica e literária de Johannes Von Goethe, não veio a dificultar
muitas de suas missões? Mas quais estratégias há para estudos não-hegemônicos sem incorrer
em ressentimentos contra-produtivos e ao mesmo tempo notando como as estratificações de
poder geradoras dos preconceitos fundamentaram a falsa necessidade do hedonista sadismo
cultural burguês em negação às estratégias kantianas para uma paz eterna? Como agenciar estas
tecnologias abstratas para as pôr a serviço da diplomacia interfé, como a sikh entre islâmicos e
hindus, sem apelar à apropriação cultural de minorias da indústria criativa neoliberal?

Arthur Schopenhauer traduziu em “O Mundo Como Vontade E Representação”,


conforme ao conceito maçônico de domínio público do conhecimento, a sabedoria vedanta
indiana, como o papel da defesa animal e do nacionalismo na perseguição ao vegetarianismo,
em termos do idealismo alemão. Friedrich Nietzsche critica este gesto de apropriação cultural
sarcasticamente com seu “Assim Falava Zaratustra”. Se a esquizoanálise, elevando este tipo de
gesto ao fractal metafórico rizomático, traduz o “Anti-Cristo” nietzscheano em seu “Anti-
Édipo”, a bioética de nossos tempos não nos demanda a crítica do uso social eugenista do
evolucionismo, como talvez em Richard Bucke, num “Anti-Darwin”? Mas isto não seria
possível apenas se reconciliarmos a filosofia compassiva do amor à teologia num “Anti-
Deleuze”? Jacques Lacan alertou que para entendermos as limitações da psicanálise erógena
freudiana precisar-se-ia retomar a clínica estética arquetípica terapêutica de seu aberto
confrontador Carl Gustav Jung sem perder de vista o horizonte político do amor. Não
precisaríamos para tanto de um “Anti-Nietzsche” que explicasse conforme a transvaloração
como o desamor libertino da “Anti-Madalena” Lou Salomé influiu em sua filosofia e na
computação de Ada Lovelace?
1884 - Metahistoriografia E A Segunda Alteridade
Diótima, ao que a historiografia escolástica nos indica, foi uma mulher cisgênera e não
um homem ou pessoa transgênera. Ao mesmo tempo sua apresentação da doutrina sacerdotal
escalar à praça pública em momento algum recorre ao elogio de Afrodite para explicar o amor.
O jônio Xenófanes propôs que a meditação acerca dos deuses leva inexoravelmente à concepção
atômica de um Deus perfeito. Este metodologia, depois chamada de argumento ontológico, foi
largamente estudada e usada pela igreja cristã e também está presente na constituição franco-
maçônica como obrigação de fé numa tal divindade sob juramento a livro de lei sagrada.

Hayden White mostrou em “Metahistória” como os processos literários da narrativa


influenciam no uso de dados comprováveis comparados estruturantes das historiografias e
como a verificação empírica desta em fontes originais fundou a arqueologia científica. Sua
crítica à teleologia salvífica da dialética hegeliana propunha que uma história que se quisesse de
fato universal demandaria um imenso esforço intercultural mundial holístico de adição
heterotópica de pontos-de-vistas minoritários em uma síntese inclusiva em sua base de estudos
a documentos institucionais e da vida privada, à presença de ideias vigentes na literatura, e à
reflexão dos próprios vieses pelos historiadores. Um esforço assim, voltado à questão do amor,
demandaria uma base de dados global para analisar as retroalimentações inter-civilizatórias
entre modos de vida íntima e macropolíticas de governança cultural, tal como a hagiografia dos
mártires minoritários cristãos, budistas, e islâmicos não canonizados por suas congregações, por
exemplo. Como Internet Archive, Wikipedia, e Manifesto Arquivista somam a tal pesquisa?

Marie Deraisme confrontou, como uma das primeiras mulheres franco-maçons e


fundadora nesta do “Le Droit Humain” que foi um dos primeiros movimentos por direitos
civis, questionamentos acerca de como a conduta virtuosa de cuidados-de-si e familiares
contribuiam à alienação da assunção de privilégios necessárias à justiça social. Não aplicou ela a
escadaria amorosa às questões de gênero, quando abandonou o egoísmo pseudo-feminista pelo
serviço solidário caritativo, e de raça quando amparou o incipiente humanitarismo que viria a
forjar a Cruz Vermelha Internacional? Como os princípios de sua obra influenciaram na
produção dos parâmetros de estudos arqueológicos vitorianos, como a egiptologia cristã interfé
averiguando o sacerdócio kemetico além das descrições bíblicas, na regulação de artes
esotéricas como o tarot e a astrologia, na salvaguarda da filosofia árabe e sufi e de tribos
judaicas minoritárias como essênios e terapeutas, e na engenharia de confiabilidade da sharia
pela fiqh islâmica em sua propagação na África tribal e Índia hindu, jainista, budista, e parsi? A
“Bilderatlas Mnemosyne” de Aby Warburg não foi um gesto similar às curadorias minoritárias
das kunstkammers e galerias para enfrentar a ímpia pseudo museologia-universal que gerou os
zoológicos humanos?

Como a esquizoanálise criaria um cânone de metahistoriografia minoritária? Como


cartografaria as influências do pensamento ecológico feminista de William Blake nas
ressonâncias da obra cristã protestante e franco-maçônica de Mary Wollstonecraft na ciência, no
“Frankenstein” de sua filha Mary Shelley, ou nas condutas de sua amiga, filha de George
Byron? Mas como seria possível um tal tipo de estudo sem uma estruturação da arqueologia
foucaultiana e agambeniana junto à metahistória como continuação “anti-esquizoanalítica” da
teologia vigente no ocidente? Onde o argumento ontológico agênero da escadaria amorosa
pode salvaguardar e evitar disputas em atuações junto a movimentos xamânicos e LGBTQS+?
1917 - Corporeidade Além Da Rostidade
Diótima clama Sócrates a não confundir a presença perfeita do amor de Deus com nossa
ânsia por este pois a prática amorosa sem o limite prático das relações é inviável, como uma fé
sem sabedoria. A ontologia de Parmênides, como em seu poema “Acerca Da Natureza”, nos
mostra a existência humana numa estreita ponte puxadas por duas éguas, chamadas Paixão e
Razão, que deve controlar. O apostolado cristão buscou de modo similar equilibrar as
obrigações íntimas com as obrigações comunitárias de modo a harmonizar os diversos campos
de força da escadaria amorosa às condições políticas executivas possíveis em pragmáticas laicas
e liturgias consagradas. A laicidade estadística e cultural, instaurada à revolução-francesa,
buscando reduzir os danos da cisão cristã-islâmica da civilização ocidental permitiu a
implementação da metodologia científica por todo mundo, também levou a sérios
questionamentos internacionais. Ainda assim a batalha entre carnaval e quaresma levou a
séculos de tortura de inúmeros casais de santos como Francisco e Clara ou Cipriano e Justina.

A antropologia de Claude Lévi-Strauss estudou políticas de intermediação para o


incesto como a rotatividade das mulheres e aos limites bioéticos dos direitos animais como nas
consequências religiosas de dietas vegetarianas e macrobióticas. Anne Campbell apresentou, em
“Uma Mente Própria Dela”, as dificuldades de uma leitura do evolucionismo biológico que não
incorra na eugenia comportamental com sua consequente teratologia das minorias. O conceito
esquizoanalítico de rostidade lida com estas complexas questões e seus enraizamentos culturais
desde a fisiognomia até a análise comportamental por inteligências artificiais. Como estas
questões influíram na exemplar execução de São Zeferino pelo fascismo espanhol que ocultou a
doutrina cigana de consagração da liturgia cristã do vinho cotidianamente, sua devoção da
madona negra e a Santa Sarah Kali, além de cultura do flamenco?

Ewa Domanska, em “História Multiespécie E Eco-Ecumênica”, utilizou para tanto na


simples análise de um cemitério a duração dos fatos históricos, de modo similar à
esquizoanalítica estratificação geológica. Uma tal ecologia da diferença, como honraria
mutuamente as performatividade da história da ciência frente à da Vênus Hotentote? Como
Gaston De Bachelard em sua poética científica trataria de ciclos menstruais ou Maurice
Merleau-Ponty estruturaria uma fenomenologia, se o corpo que ele usasse como metáfora para
corpo parisse jumentas escravizadas a moendas de açúcar? Um embasamento da filosofia
corpórea espinosana junto à hegemonia teológica teria consequências macropolíticas ao trazer o
conteúdo homoerótico e transgênero recalcado de inúmeros cultos, como os adoradores de
Ardhanarishvara hindus junto à yoga vedanta além do moral. Mas fôssemos criticar o jejum
ramadan e o zikr do amor poeira estelar sob as burcas por conta do homoerotismo à raiz sufi,
como poderíamos aceitar quaisquer esportes olímpicos ou mesmo a filosofia?

Bia Labate em sua pesquisa sobre a bioética do uso ritual do enteógeno ayahuasca
inquire constantemente sobre a necessidade de uma engenharia de confiabilidade para dietas
alternativas, apropriação cultural de condutas, e terapias alternativas na redução de danos e
administração de riscos. Não seria este modelo dietético experimental, usado em obras estéticas
como a de Orlan e Stelarc, no atravessamento entre gêneros de Paul Preciado, ou nas
tecnologias gynpunk de Paula Pin uma metodologia para regulamentação de condutas
experimentais? Isto não ajudaria incontáveis Christiane F’s a equilibrarem seus amores entre
paixões e razões?
1929 - Semiótica: Os Sentidos Da Economia Lógica
Diótima, qual uma sofista, unia devir heraclítico e ontologia parmenídica, instaurando a
forma comunicativa da filosofia da retórica política. Zeno, postulando este paradoxo da
infinitesimalidade da não-contradição, responsabilizou-nos da necessidade empírica da biologia
molecular médica e da doutrina cristã à base amorosa do julgamento. A filosofia, embora pareça
platônico-aristotélica, só amplia suas escolas às quais abarca. Buscar uní-las numa só estética
seria uma tarefa sofística comparável à “Defesa De Helena” por Górgias. O que a igreja, embora
parecendo hegemônica à civilização ocidental em incontáveis cisões internas, e seus modernos
concílios ecumênicos para melhorias de suas obras caritativas tem a auxiliar nesta pesquisa?

Umberto Eco apresentou em “Semiótica E Filosofia Da Linguagem” algumas


ressonâncias que as soluções às “Charadas De Lógica” de Lewis Carroll e aos “Atos Falhos” de
Sigmund Freud tiveram na linguagem humana. Mas como a “Lâmina Occam” de Charles
Sanders Peirce atuou na infinidade de ciências surgidas com a modernidade? Se Hellen Keller
mostrou como mesmo se o amor fôr cego ele ainda deve ser respeitado Henri Bergson tentou
protocolar a pesquisa fenomenológica respeitosa aos gatos de Schrodinger, julgando-a à
ontologia linguística de Ludwig Wittgenstein tal que baseasse pesquisas como a da
computabilidade da máquina de Turing sem perder de vista práticas minoritárias como a
ludoterapia de Melanie Klein. Piaget dispôs através da hierarquia da atenção um programa
educacional intergeracional que uniu estes saberes e práticas. Poderíamos correlacionar tais
avanços das psicanálises científicas e relacionais ao desenvolvimento sanitário civilizacional?

Herbert Marcuse, em “Eros E Civilização” mostrou como a guerra teve um papel


fundante no pessimismo freudiano de submeter o erotismo psicanalítico, sua Gradiva, ao mal-
estar-civilizacional. Se o psicanalista mantinha em sua drogadição uma esposa e inúmeros
filhos, seu rebento rebelde teve inúmeras amantes. E não tiveram todos os vilões machistas mãe
também? Qual seria o papel do verdadeiro amor na convivialidade vitoriana? Que matrioskas
de souvenirs acumularia Walter Benjamin de lojinhas femininas e igrejas industrializadas não
tivesse sido assassinado por soldados aliados por ser gay? Não teriam estes traumas influência
no que Hannah Arendt apresentou como tirania da pessoa comum seja no soldado do campo de
torturas, na agente-dupla Mata Hari, nas famílias do projeto Manhattan, nas divas do rádio ou
nos cientistas eletroacústicos aliados? Como reunir a obra terapêutica de Nise Da Silveira, que
encarou tais dificuldades da sincronicidade sociopsicológica no movimento anti-manicomial,
mostrando alguns dos limites do inconsciente meramente maquínico da esquizoanálise,
encontrando na arte-terapia uma catarse para o retorno de recalques, à psiquiatria medicinal?
Poderíamos encontrar na disciplina das artes marciais como o judô e o jiu-jitsu em relação ao
uso de anabolizantes estratégias para a redução de danos e administração de riscos nesta área?

Como a psicossomática de Georg Groddeck e a análise da complexidade de Hermann


Rorschach da semiótica esquizoanalítica poderia no entanto estruturar um modo de vida salutar
entre o movimento mundial da sociedade por direitos civis e a economia fair-trade do trabalho
que permitisse a análise segura da significância do santo sudário e da eugenia econômica
nepótica de “Germinal” na obra de Frantz Fanon, da reapropriação dos saberes dispostos por
Castañeda a incontáveis como Maria Sabina, ou da expansão de propostas como o teatro para
esquizofrênicos Ueinzz em missões mundiais da UNICEF ou em clubes como Rotary e Lions?
1948 - Uns Três Ecumenismos
Diótima teve um pai e uma mãe que a colocaram desde pequena a serviço da religião
civil grega como sacerdotisa, onde serviu de modelo para Sócrates, ungido de Delfos como mais
sábio dentre os homens, que no entanto seguindo-a foi punido por impiedade. Por que o
filósofo não se relatou como ele seguiu também o culto patriarcal de Zeus ou devotou o saber ao
culto de Athenas, oficial detentora do mesmo? A igreja também tem sua filiação entre religião
civil romana e o apostolado cristão, tendo influenciado a ciência e a laicidade. Mas se estas
instituições funcionassem para que necessitaríamos da Declaração Universal Dos Direitos
Humanos ou da Organização Das Nações Unidas? Félix Guattari, procurando em “As Três
Ecologias” mostrar uma saída sintética à eugenia pseudo-darwinista dividindo o estudo
semiótico da esquizoanálise em psicologia, sociologia, e filosofia mostraria-nos a dependência
da filosofia afrodita à salvaguarda ateniense e à governança patriarcal do culto zeusístico?

Robert Sepehrs em “1666: Salvação Pelo Pecado” mostrou como a mitologia, qual a ideia
do luciférico, levou à negação da pesquisa arquetípica. Se a interpretação dos sonhos de Carl
Gustav Jung, reavivando o problema ecológico de William Blake, reposicionou os aspectos
políticos das teorias de Helena Blavatsky para oferecer técnicas compassivas para se lidar com o
inconsciente racial e de gênero, como poderíamos pensar uma relação das três ecologias
guattarianas com sua analítica para estudar como Maria Orsich e tantas outras foram
escravizadas como pitonisas pelo nazismo para uso oracular no misticismo de Thule? Há espaço
para deuses astronautas e um Maomé (paz seja com ele) ruivo numa sequência de “Moonchild”
que acompanhasse Blanche Barton e Starhawk aos limites das mulheres que correm com lobos
ou um lobo só? Qual o papel que o fascismo de Mircea Eliade e Emil Cioran tiveram na
recepção do neopaganismo Rodnoveri? E como o shintoísmo, quando este se tornou a religião
do totalitarismo japonês, ajudou a criar tanto novas religiões ecumênicas naquelas terras como
yokais eletrodomésticos? Como reunir os tradicionalismos de René Guénon, G. K. Chesterton, e
C. S. Lewis sob este prisma com o respeito relacional de Martin Buber e a economia da fé
weberiana de Rodney Stark após a descoberta de Nag Hammadi? Isto para nem começar a falar
das mulheres em “New Thinking Allowed” com suas teses pós-apométricas sobre reiki, Ellen
Wheeler e as Plêiades, as famílias poliamorosas das comunidades intencionais, ou as indústrias
alimentícias Korin da Johrei. As questões poligâmicas que a interfé trazem podem se valer das
relações entre Iabás da Umbanda? A teopoética de Marie Steiner e da euritmia antroposófica
não poderiam nos ensinar algo com sua engenharia de confiabilidade que ajudasse neste
caminho rumo às três ecosofias entre sinergia fulleriana, metodologia científica natural
moriniana, e cuidados integrais wylberianas para encararmos o Homo-Deus de Yuval Harari?

Ao fundarem o movimento pela salvaguarda do patrimônio mundial Nicholas e Helena


Roerich buscaram unificar as lutas inspiradas-pela-fé e seculares para, em compliance às
hierarquias patriarcais, gerar sustentabilidade à produção cultural regenerativa capazes de
sustentar a comunidade global frente a crashs do sistema econômico. Como esta ecomuseologia,
base da UNESCO e ICOM, influenciou a engenharia de confiabilidade de instituições culturais
como as regras das Olimpíadas modernas? Como estas podem interagir melhor com
movimentos civis após as marchas por direitos inspiradas-pela-fé de Selma como no projeto
Sacred Land? Isto tudo na base do trato do Parlamento Das Religiões Do Mundo com minorias
como pensar com Diane L. Moore uma alfabetização em pluralismo religioso para pacificação?
1969 - Iteração E Recursividade
(Imagem-Amor Da Filosofia Pop)
Diótima aparece como personagem de destaque na história da filosofia grega antiga.
Pensando a intensidade desta trama cinematograficamente vislumbramos um pouco das
polêmicas de seu encontro com o soldado ungido Sócrates, pois ela se torna ao mesmo tempo a
mãe parteira da maiêutica e a musa de um marido descuidado de duas esposas com sabe-se
quantos filhos à beira da fome. Não tiveram os estados-nações um problema similar em suas
relações com a igreja? Não foi a contra-reforma moderna do pentecostalismo, iniciado no
avivamento da rua Azuza, com sua glossolalia contra o teatro-da-crueldade anti-sanitarista
folclorizante da sua atual cultura, uma tentativa de apresentar como o nacionalismo protestante
replicou o modelo centralizador junto a suas colônias? A leitura que Deleuze faz do primeiro
filósofo, frente à impossibilidade ontológica do mal relegado a mera ignorância, não aproxima
de algum modo sua semiótica sensorial à ficcionalidade de imagens-pensamentos tal e qual
seus conceitos em palavras-valises esquizoanalíticas do falar-em-línguas no-espírito
pentecostal?

Agnés Varda sublinhou em sua carreira como diretora de filmes o papel das sutilezas e
cotidianidades na novela vaga das imagens-tempo. Defendeu assim, meio que sem-querer,
modos de vida minoritários e aquelas mulheres de todos que não foram vagabundas. Como as
tensões entre as assumidas limitações etnológicas perante as experiências em comunidades
minoritárias apresentadas por Jean-Marie G. Le Clézio em “Índio Branco”, em concordância às
“Mitologias” de Roland Barthes, tentaram expandir um tal pensamento? Como este foi recebido
na mídia hegemônica? Panóptico, ctulhuceno. Quando o diário de Anne Frank a fez superstar,
diriam as múltiplas vozes narrantes em off, apresentar-se-iam fotos de famílias interétnicas,
mulheres que não foram pinups de revistas masculinas, o marido feio da autora de “O Segundo
Sexo” desenha as empregadas domésticas de Hedy Lamarr vestidas como Minnie Mouse,
técnicas desenvolvidas por Marie Curie usadas para testar cosméticos em animais na revista
Marie Claire, cartomantes lendo as mãos das esposas dos irmãos Villas-Bôas, Mãe Menininha
do Gantois no orfanato da Mãe Dulce planeja contra o racismo que suas crianças viriam a sofrer,
Zibia Gasparetto orando numa reunião de Evangelho No Lar em plena Mansão Do Caminho,
Asimov se entrega à Matrix pelos direitos robóticos de ciborgues e zumbis, divórcios como
cicatrizes não-escondíveis, relações entre os meridianos da medicina chinesa e a arquitetura da
Cidade Proibida; tudo com trilha sonora da cristã ortodoxa Alice Coltrane junto à Arkestra e seu
som neokemet. Quantas lindas histórias de amores funcionais saudáveis ainda são proibidas?

Em tempos nos quais a cinematografia se torna um commodity e o discurso


esquizoanalítico é assimilado mesmo pela extrema direita neonazista (!) é estratégico o bastante
o papel da mulher como objeto de desejo revoltada para combater a objetificação das minorias?
Não precisa o feminismo de um bushido geisha para retomar o respeito carnavalesco de
Chiquinha Gonzaga? Como porém não incorrer em higienismos geradores de micro-guerras
civis nem em contos-de-fadas que diminuam missões de pacificação? Quais as condições de
vida das elfas do Papai Noel ao esculpir lírios em impressoras 3D? Em um momento assim não
seria invocar a deusa atiçar desnecessariamente uns tantos deusos possíveis? Não poderia o
movimento #metoo assumir também os privilégios de suas mulheres como detentoras dos
meios de produção cultural? Como uma seguidora de Diótima poderia salvar Sócrates em meio
a seu julgamento? Nenhuma apóstola ou romana se ergueu contra a tortura estatal de Cristo?
1984 - N Narrativas Sobre Artes Multimídias
(O Que Não Poderia Acontecer?)
Diótima apresenta o amor como intermediação entre mortais e a perfeição divina imortal
que une tudo através da interpretação lógica dos desejos contrapostos às virtudes eternas, bem
como das obrigações advindas destas às responsabilidades imanentes ao agir. Como sacerdotisa
de Afrodite ela devia, para defender a beleza e as artes, além de ser um exemplo de respeito
filial ser diplomata com outros cultos distintos e com a religião civil. Sua prática prenunciava a
diplomacia interfé ecumênica e sua visão do amor poderia ser nomeada proto-cristã posto que
firmada numa boa fé na boa-vontade e não tida como mera técnica que pudesse ser totalmente
controlada. A igreja abraçou a diversidade religiosa e defendeu as artes como nos mostra a
abrangência das obras dispostas pedagogicamente nos Museus Do Vaticano, o que permitiu o
florescimento dos mercados culturais mundiais e ramificações produtivas que os mantêm.
Agora que a obra-de-arte-total (gesamtkunstwerk) mostrou no nazismo os limites horríveis da
estetização da vida, que caminhos menores há para produzir uma cultura artística amorosa?

O Conselho Mundial De Museus (ICOM) definiu ecomuseu como uma iniciativa social
com participação das comunidades circunvizinhas na salvaguarda de valores, materiais e
imateriais, glocais em conformidade aos Objetivos De Desenvolvimento Sustentável (ODS) da
ONU. Paulo Freire mostrou, em “Pedagogia Do Oprimido”, como a educação inclusiva além
de reduzir danos e administrar riscos em situações limites também amparam a salvaguarda de
patrimônio, material e imaterial e geram novos mercados, mas para tanto demandava a
segurança de bem-estar geral e valorização da produção minoritária cotidiana. O “Whole Earth
Catalogue”, a “Cidade Escola Aprendiz”, a “Afrika Operndorf”, a “Ópera Amazônica”, e o
“Teatro Das Origens” mostraram algumas dificuldades superadas pelas metodologias
freireanas no campo da produção estética ecomuseológica site-specific colaborativa em
situações de risco, dado a escassez de recursos e as variações de vocabulário ou mesmo de uso
da linguagem para não incorrer-se em paternalismo, nepotismo, corporativismo, ou mera
apropriação cultural ou de força de trabalho. Se iniciativas de base como estas ainda não
encontram ressonância social para suas estruturações como imaginar uma rede de makerspaces
como quer a Cryptorave?

Não seria a sociopsicologia tri-ecológica guattariana com suas práticas de clínica crítica
caosmótica a proposta curatorial menos pior que temos para a sinergia cibernética dos sistemas
complexos junto ao inconsciente maquínico da redução de danos e administração de riscos ao
atual panorama de um ponto-de-vista holístico? Mas não é o discurso hegemônico corrente na
curadoria internacional justamente a defesa das minorias através de suas linguísticas
minoritárias? Como uma defensora da beleza e das artes hoje em dia poderia se comunicar com
instâncias como as estratégias macropolíticas e macroeconômicas de modo a instituir uma
pedagogia do oprimido junto aos que temos em conta de opressores? Não seria necessário
estabelecer uma base ontológica de padrões comunicacionais e de conduta interfé e laica? Não
precisamos urgentemente para isto tudo de um galpão com dezenas de milhares de pessoas
num festival de tecnologias humanas também para podermos falar realmente de Campus
Party?
1995 - Internets, Macropolíticas, E Entranhamentos
Diótima não escreveu livros que nos tenham ficado. Ou ela seguia à risca a doutrina
anti-escriturária exposta por Platão para proteger a memória salutar ou seus textos foram
ocultados. O mesmo ocorreu com Jesus, embora dele tenhamos uma série de relatos
contemporâneos convergentes em aspectos relevantes acerca de seu estilo literário parabolar. A
história da igreja contém a constante busca por uma engenharia de confiabilidade tanto para os
relatos que sustentam sua fé, as práticas e condutas de seus, e a preservação de seus arquivos.

Pierre Teilhard De Chardin percebeu como questões complexas como a física quântica
adentravam na noosfera mas a rede mundial de computadores, ao trazer à tona a usina do
inconsciente deleuziano com suas raízes no engenho colonial freudiano, sublevou tensões
ecossistêmicas ao palco tecnológico ainda maiores. Quando Jimmy Wales fundou a Wikipédia
seu plano de expandir a salvaguarda colaborativa de patrimônio dentro da internet usando
metodologias e licenças open-source acabou por encontrar estratégias claras e precisas para os
problemas de convivialidade relatados por Gabriel Tarde em “Monadologia E Sociologia”, mas
que soluções há para a crise de identidade glocal como apresentada por Gilbert Simondon em
“Individuação, Comunicação E Informação”? Teriam estas para lidar com o que Peter Sloterdijk
em “Regras Para O Parque Humano” chamou de co-imunidade de, no mínimo, encontrar uma
harmonia entre as sinergias macropolíticas apresentadas por Buckminster Fuller em “Manual
De Operação Para A Espaçonave Terra”, as cibernéticas-de-segundo-nível da “Sociodinâmica
Cultural” de Norbert Wiener, e o “Método Da Método” de Edgar Morin. Como traduzir a
metodologia da Wikipédia a uma curadoria ecomuseológica open-source, colaborativa e aberta?

Quando a Geocities, ao ser comprada pela Yahoo!, tirou todos os sites que hospedava do
ar quantas curadorias valiosas perdemos? Mesmo que você não tenha interesse em ufologia
aplicada à estética, vitalismo cosmista russo, psicomagia Barbie, taxonomia dos clãs vampiros e
changeling, fanzines, graphic novels de Frida Kahlo no hip-hop latino e filipino, cristianismo
vegano ou outros tópicos alternativos encontrados lá o quanto não perdemos de modelos
distintos de navegação informacional e uso da linguagem da internet neste gesto? Mesmo para
evitar os muitos riscos de cultos extremos e fanáticos, não seria melhor saber como pensam tais
comunidades? Como desenvolvedores da cultura-livre e curadores que se dizem defensores das
minorias e da contra-cultura não perceberam a precedência que este gesto significou para a
censura monetária da produção estética? Após isto, como fazer da internet de novo o melhor
campo de experimentação virtual regulada sob jurisprudência intelectual de que dispomos?

A atual cultura de convívio online no YouTube, Facebook, Instagram, e Whatsapp


encontra paralelo no hábito de gerações de passear no shopping center em seu tempo livre do
qual fazemos parte. A teologia-da-prosperidade neopentecostal busca por bases éticas de
conduta neste tipo de situação. Mas uma hegemonia mundial deste comportamento coletivo se
assemelharia a um país apenas com megaigrejas do tamanho de estádios sem congregações
familiares, hortas, ou parques. Assim como Mirra Alfassa e Sri Aurobindo fundaram a
Auroville, uma cidade ecocêntrica de cultura regenerativa com um código vedanta sério e
restrito que se assemelha à fiqh islâmica, talvez mais que nunca precisemos de financiamentos
para o reflorestamento da internet com comunidades de criação sob compliances inclusivos.
Quanto vale nosso gesto de deixar aqui esta esquizoanálise sobre a obra de Diótima.
2001 - Moda: A Eco-Dobra E O Hiper-Barroco
(Apresentação A Uma Exposição Esquizoanalítica)
Diótima é pop! Toda fada-madrinha gostaria de ser como ela que foi a primeira a falar
em filosofia. A filosofia é pop, ela ajuda a melhorar nosso jeito de pensar e agir, nossas leis e
cultura a mais de dois mil anos. A igreja é pop, pela fé ela melhorou a própria filosofia e
permitiu a gente ter escolas e experiências científicas sem pôr todo mundo em risco. Deleuze e a
não é pop ainda, embora tenha vivido como um filosofastro. A esquizoanálise não é pop ainda.

Susan Sontag mostrou em “Notas Sobre O Camp” como o romantismo, buscando


estabelecer em lugar do cogito racional cartesiano um outro baseado na sensibilidade, veio a
fundamentar a indústria da moda e sua arbitrariedade jurisprudencial. Iniciativas como a
Fashion Revolution buscam uma produção de moda ética em compliance ao fair-trade anti-
escravagista sustentável ecologicamente internacional repensando as condições de trabalho
industrial e questões de cultura de costumes glocal para estar de acordo com clientelas
libertárias sem apoiar a hiperssexualização infantil ou a diminuição de minorias como as
islâmicas, por exemplo. Por que isto não está nas passarelas. Quando a moda deixou de ser
pop?

O amor minoritário é pop. Imaginamos uma exposição feita como uma passarela de
moda que verse sobre mendigas, escravas contemporâneas, empregadas domésticas, e operárias
porque é isto o que somos quando amamos pra valer. Uma capela interfé pra começar onde a
comunidade decide a feitura e normas de uso do espaço. Tudo bem organizadinho como se
preparado pela Marie Kondo para a produção ser feita pelos próprios visitantes. Paisagismo
visionário da Allyson Grey. Academia de ginástica que gera energia elétrica para exposição
toda. Canções de amor em todas as línguas se misturam por todo o perímetro. Teses e mais
teses sobre o amor, como a de Ligiana Costa sobre mucamas e velhas nas óperas, convivem com
romances cor-de-rosa Sabrina e revistas jovens Capricho. Colagens de Marie Curie sobre
revistas Marie Claire. Com o valor de “Corpo-Terra” de Ana Mendieta quantas de empregadas
poderia-se encomendar? Creche para adultos. Um calendário seguindo as práticas de “Para
Criaturas Pequeninas Como Nós” de Sasha Sagan. CEO’s como anjos vestindo cópias Prada
feitas com lixo num baile do MET dançando euritmia antroposófica. Anna Wintour servindo
sopa na madrugada sem câmeras depois de apresentarmos as roupas da Adbusters para ela.
Cursos de doulagem e maiêutica. Uma “Igreja E Sinagoga” de Marie Von Steinbach sendo
dançada pela Wuppertal Tanzcompany de Pina Bausch. Contos infantis budistas, como
contados por Noor Inayat Khan, sendo lidos somente para adultos maiores de dezoito anos.
Uma sala em vigília de preces contínua pelos desvalidos. Testes interativos para checagem de
privilégios. Lavanderias onde se pode lavar roupas para outrem. Começar um TED de
moradores de rua. Residências artísticas em ONG’s de assistência social. Um vídeo em
homenagem a casais não-convencionais como Lady J. e Genesis P. Orridge. Intervenções
urbanas da Frente 3 De Fevereiro clamando amor entre as raças. Privadas para limpeza pública.
Um Mapa dos Iconoclasistas sobre iniciativas mundiais amorosas para Diótima como a
“Nuestra Señora De La Rebeldía” deles. Um plano de pagamentos transparente para os
visitantes e participantes dos programas. Qual o lugar do sexo num espaço público pós-
pornográfico como este? Quando sonhar o amor deixou de ser pop?
2012 - Devir-Crente, Devir-Devir, Devir-Científico
Diótima, percebendo o papel intersticial do amor, o crê sempre perfeito mesmo que
paradoxalmente incompleto e pleno, rico e pobre além de, mostrando que somente a perfeição
de Deus poderia doar amor através da graça enquanto nós só conseguimos seguir buscando
aprender a amar, talvez ter sido a primeira teóloga monoteísta. O temor da religião civil
ateniense de sua hegemonia explicaria a impiedade e corrupção à juventude aferida a Sócrates.
A igreja se baseia na prática do seu pontificado, ponte entre extremos, pelo qual ainda é tida
como perigosa dentro da política institucional e ecologia teórica internacional.

O processo de compliance das múltiplas ciências realizada pela comunidade científica


no cerne dos padrões internacionais da cosmologia, replicado pela W3C na criação dos padrões
ontológicos da web-semântica para a internet, apontam para as dificuldades encontradas no
estabelecimento de práticas imediatas para a realização dos Objetivos De Desenvolvimento
Sustentável (ODS) da ONU. Quantas criptomoedas sociais em blockchain, como a Faircoin, ou
fundos de investimento, como o Effective Altruism, para este fim já não existem? Como aplicar
a metodologia de padrões técnicos auditáveis contabilmente na defesa de causas minoritárias?

Diógenes, o cínico, além de inventar o cosmopolitismo em sua obra perdida “Politéia”


levou a missão platônica-diotímica ao limite de se pôr a viver nas ruas talvez em defesa dos
refugiados e desvalidos das inúmeras guerras em seu tempo. Como um tal pensador receberia
uma iniciativa ontológica, portanto hegemônica, como as necessárias à engenharia de
confiabilidade para o desenvolvimento cultural? O pessimismo ultra niilista de Emil Cioran
seria uma possibilidade inicial, mas sua mordacidade provavelmente o levaria além. Eduardo
Viveiros De Castro em “Metafísicas Canibais” e Franco Berardi Bifo em “A Fábrica Da
Infelicidade” além de terem apresentado o pensamento dos excluídos encontraram novas
estratégias para se lidar com os problemas ecológicos do atual sistema glocal em construção.
Onde, porém, a filosofia crítica baliza seu devir quando posta entre suas crenças e a ciência?

Retomando a história da medicina feminina desde Hipátia, Ita Wegman produziu junto
à Sociedade Antroposófica, sob estrita disciplina inspirada-pela-fé, grande parte das
metodologias hospitalares ainda usadas hoje além de ajudar na objetificação da linguagem
médica. A pedagogia Waldorf, na qual ela também participou ativamente, deixou um legado
contra-hegemônico de sensibilização sensorial e simbólica para a abertura de diálogo de acordo
com as capacidades de cada indivíduo. Mas como não incorrer na patologização generalizada
de condutas não-normativas? Wilhelm Reich, em “A Função Do Orgasmo” defende que a
sexualidade encontre um papel saudável na vida social em conformidade à convivialidade
respeitosa às leis sociais, como dispostas pelo hassídico em “Eu E Tu” para combater-se a
mecanização dos afetos e o controle mercantil-industrial dos relacionamentos e condutas pelo
condicionamiento, como propostas por Ivan Pavlov e B. F. Skinner. Isto permitiu a Alexander e
Ann Shulgin, em “Pihkal: Uma História De Amor Química”, a relatarem décadas de auto-
experimentação com substâncias químicas no cerne de seu casamento. Destarte, que mesmo a
CIA e o FBI permitiram Ram Dass e Timothy Leary traduziram “O Livro Dos Mortos
Tibetanos” para a “Experiência Psicodélica” sob uso de LSD em universidades públicas dos
EUA. O que falta para a realização de experimentações amorosas ecológicas públicas às mídias
seria somente vontade pública e administrativa a partir do financiamento estável?
2013 - Da Musicologia Estocástica
Diótima, embora tendo sido das últimas sacerdotisas da religião civil grega, conseguiu
não obstante estabelecer as bases epistemológicas e noéticas da filosofia da ciência como uma
engenharia de confiabilidade mútua entre amar e saber (filia e sofia) mas ainda sentiu a
necessidade e apresentar ao amor como a poesia de nascer e parir a si e outros à graça da
perfeição de Deus. A igreja manteve um delicado equilíbrio entre promover as artes mais
avançadas de cada época e a manutenção dos cânones tradicionais. Que do amar e do saber
perdemos na ausência do não-utilitário artístico? Não é a contemplação estética uma face da fé?

Flo Menezes em “Música Maximalista” e Paul Hegarty, em “Música Ruído: Uma


História” apresentam como nossos tempos são os primeiros a não ouvirem a música de seu
tempo. Jacques Attali apresenta em “Ruído: A Política Econômica Da Música” apresentou a
falta de políticas auditoriais e padrões de consumo contábeis prévios para produções
minoritárias como o motivo para tal despotencialização do desenvolvimento cultural. Tatiane
Wells e Thiago Novaes, quando fundamentaram a Mídia Tática, buscaram subterfúgios para
este problema através de redes descentralizadas em crescimento grassroots. O que seria um
ritornelo noise?

Paul D. Miller, em seu “Sound Unbound” nos mostrou que a remixologia não pode se
reduzir a um mercantilismo sem destruir todo seu ecossistema. Cada sample traz em si os
esforços de seus trabalhadores que nos permitem o privilégio de fazermos a colagem que
estamos fazendo em consonância com os princípios da Creative Commons de que uma citação
requer uma amorosa e compassiva responsabilidade, ou como se diz na moda que sejam
sempre homenagens. Cédrik Fermont com sua gravadora Syrphé acaba de mapear quase mil
projetos musicais contemporâneos independentes da África e Ásia. Lá podemos encontrar uns
tantos Scriabin’s místicos com placas de circuit-bending, Satie’s transgêneros, grupos
inspirados-pela-fé desde o que se chama minimalismo-sacro até o maximalismo em suas mais
distintas vertentes. Tem soundwalks em songlines. São Ustvolskaya’s desenhando Schoenberg's
e Stravinsky's como action paintings de Matisse, trocentas Nina Simone’s de excelência sem
alcançar o diploma tão almejado por aquela. Há Mercedes Sosa’s liderando alinhamentos
intertribais e Xenakis de arquiteturas de terracota. Existe todo uma ecologia de novos terapeutas
ASMR mas o que realmente reina é um clamor ruidoso de mais e mais Merzbow’s tentando
reviver a “Freedom Now Suite”. Isto nos fez pensar sobre outros tribalismos da música
mundial. O que aconteceu com o rock de Shakira? Devemos temer por Ana Tijoux? Como nos
esquecemos de que canções de amor sincera ainda não foram proibidas? A musa noise Marli se
tornou gospel como crítica ruidosa por não haver mais louvores como os de Aretha Franklin?
Por que Matthew Barney não gravou um disco com Björk? Quando o movimento Feminatronic
vai compor com presas grávidas? Roberta Miranda ainda regerá uma orquestra lírica de
caminhões? O mathpop e o spectral progrock surgirão enfim? That’s what we call ‘girl talk’.

R. Murray Schafer em “O Ouvido Pensante” e Gene Knudsen em “Escuta Compassiva”


forneceram uma metodologia básica para uma ecologia acústica incluindo a educação
psicoacústica da escuta e musical audiológica, práticas de luthieria com reciclagem de
tecnologias e meios, redução de ruído através da engenharia acústica para o bem-estar em lares
e empresas, a abertura de uso do espectro radiofônico e midiático, o aumento exponencial de
orquestras e grupos musicais mínimas para pensarmos uma ópera “Diótima”.
2017 - Nomadologia Dos Tratados: Máquinas De Paz
Diótima alertou que a ânsia pelo amor perfeito de Deus gera o desejo de eternidade,
gestação, e preservação que nos leva ao ódio competitivo mas também à busca por excelência
através do aprendizado. A escadaria amorosa é, neste sentido, um filtro e uma bússola à moda
dos peripatéticos com linhas de fuga para escaparmos a pulsões de morte que aparelhariam
nosso amar a necropolíticas como relacionamentos abusivos, pactos, microadministrações
comunitárias como fanatismos familiares, religiosos sectários, partidários ou nacionalistas. A
igreja, através de incontáveis tensões políticas, estruturou o uma miríade de movimentos
caritativos e solidários além de seu movimento ecumênico, semente do diálogo interfé mundial.

O movimento interfé, como a Joint Learning Initiative For Faith & Local Communities
(JLIF&LC), ao buscar uma síntese gradual de variantes protocolares institucionais organizadas
pela ontologia pragmática da Organização Das Nações Unidas e demais padrões internacionais
acaba por se deparar com os problemas da teologia política da religiosidade civil global
contemporânea, que as conversas ao redor do fogo no Fórum Social Mundial (FSM) não
consegue ao menos assumir que exista. Isto o reduz a uma espécie de Anistia Internacional de
inspirações-pela-fé minoritárias, em especial tradições indígenas ecológicas espetaculares.

O “Atlas Esmagado” de Ayn Rand, mostrou tanto uma emancipação desenvolvimentista


como as ferramentas anti-religiosas dentro das instituições crentes e de ideologias seculares
pseudo-científicas hegemônicas de cooptação do colaborativismo à hiper-produtividade sub-
remunerada que mantêm a servidão voluntária baseada no desencanto dos valores amorosos da
virtude. Raquel Rolnik em “Guerra Dos Lugares” e Ricardo Antunes em “O Privilégio Da
Servidão” mostram como a financeirização da moradia e a mercantilização da subsistência em
tempo integral junto à perda geral de direitos trabalhistas se tornaram um commodity ativo de
investimentos no mercado mundial informatizado em blockchain.

Isto impede que a população mundial apta e desejosa de participar na busca por
conectar soluções aos que precisam o faça enquanto milhões de chineses sentem as dificuldades
de retorno das religiosidades ao seu cotidiano, a Legião Da Boa Vontade (LBV) precisa de um
aumento exponencial de servidores em suas missões ecumênicas, jazzistas não podem assumir
seu kemetismo mas Rosacruzes AMORC sim, milhões tomam LSD lendo a transcriação de Ram
Dass do “Livro Dos Mortos Tibetanos” como “A Experiência Psicodélica”, tantas jovens tatuam
Joana Darc e Pallas Athenas, a Ecumenical Accompaniment Programme In Palestine And Israel
(EAPPI) segue atravessando criancinhas de um lado a outro da fronteira, o Dreamspell é
acusado por populações mayas como apropriação cultural porque deuses não são astronautas,
comunidades do Unitarismo Universal buscam instaurar calendários multifé em seus
municípios, Ramadans vegetarianos são executados, centros de meditação e prece vinte e
quatro horas criam metodologias de acolhimento aos desvalidos, a Biblioteca Hermética Ritman
abre uma Embaixada Do Livre-Pensamento, Takaya Blaney clama por justiça tribal imediata
para Blackrock, transhumanismo adentra as grandes religiões instituídas com associações, etc.

Que interface poderia abrir diálogo entre o movimento interfé e a cultura laica mundial
de modo a amparar os necessitados neste cenário de acordo com os mais altos padrões de
conduta ética, institucional, e de justiça social? Como participar desta dentro do que
conseguimos realizar daquilo que sabemos de nosso atual degrau na escadaria amorosa?
2018 - Capturas Do Aparelho Revolucionário
Diótima, explicando que sua sucinta exposição do amor era apenas uma rasa introdução
menor, convocou Sócrates a receber os ensinamentos iniciáticos propriamente mas, ao que tudo
indica, o filósofo não se iniciou nos mistérios maiores como sacerdote nem tampouco se
entendeu com o mistério menor do casamento. Por situações como a dele a igreja achou por
bem pregar a hierarquização ascética escolástica e limitar os casamentos à monogamia vitalícia.
Mas como negar que havia monges budistas anteriores aos monastérios cristãos?

Davi Kopenawa mostrou, em “A Queda Do Céu”, como o culto aos ancestrais e mortos
com a piedade filial que lhe corresponde teve um papel fundante na organização
sociopsicológica desde aldeias até dinastias. Rosa Luxemburgo em “Dialética Da
Espontaneidade E Organização” como este instinto hierárquico implicou também na formação
de assembléias comunitárias e sindicatos. Não há nas ’unions’ também um ímpeto
monogâmico? E como o classismo trabalhista alteraram as relações íntimas em suas
necessidades interdisciplinares? Não seria justo termos um kuarup interétnico anual?

Quando Judith Butler apresentou em “Notas Para Uma Teoria Performativa De


Assembléia” os aspectos bioéticos da politização da vida levantou questões acerca do culto a
formas corpóreas hegemônicas e sobre a necessidade de salvaguarda de culturas minoritárias
junto a indivíduos, relacionamentos íntimos, e espaços públicos para a manutenção do legado
humano do amor. Mas como defender o amor erótico quando o movimento pós-porn se tornou
tão violento e pornográfico quanto a indústria criticava? O que seria uma iniciação ao ativismo?

Imaginemos Maria Baderna sonhando com um relacionamento íntimo enquanto


escrevia “Provos”. Percebendo talvez que os santos falharam ao somarem mais imagens de
martírio, Angela Davis instaurou práticas pacifistas sustentáveis junto a comunidades Panteras
Negras e a Frente Nacional De Liberação Zapatista executou marchas silenciosas. Níveis de
tolerância do Greenpeace, PETA, e Extinction Rebellion com relação a dietas carnívoras. As
palavras de Terence Mckenna acerca de crenças minoritárias ecoando numa vigília ecumênica
numa ecovila. Como prosperar como nos pediu tantas vezes Maya Angelou? Patti Smith, em
“O Sonho De Constantino”, responde bem à crítica de hipster alienada feita a ela em “All
Watched Over by Machines Of Loving Grace” descrevendo os perigos da hegemonia cultural.
Crentes e umbandistas de favela estão fazendo jardins com Plantas Alimentícias Não-
Convencionais (PANCS) como num sonho do reverendo Cornel West. Achille Mbembe ouvindo
os cânticos da “Underground Railroad” que as Mães Da Praça De Mayo não permitem que
sejam esquecidos. Por que nossos amigos esquerdistas estão todos tendo dificuldades em achar
relacionamentos amorosos? Em tempos nos quais Neri Oxman alinhava infraestruturas para a
programação biomolecular e Betina Walburg a algoritmização da economização da vida não
precisaríamos pensar uma esquizoanálise processual com Alfred North Whitehead? Existem
tranças de cabelos e teias de aranha anarquistas? Respondendo ao casamento consigo mesma da
emissária das Nações Unidas pelas mulheres Emma Watson não precisaríamos de uma ONG
“She For He” também para combater a violência contra as mulheres no cerne de onde esta é
produzida?

Como não permitir que nosso ativismo por amor se torne insalubre para nós ou outrem?
Como não virar uma força gentrificadora ou mais um gaslighting com as pautas minoritárias?
Existe alguma forma de ativismo amoroso ecologicamente regenerativo sustentável?
2019 - Dialéxica: O Trançado E O Hiperdimensional
Diótima, nos dando o paradoxo entre o amor perfeito teórico junto às especificidades
das práticas amorosas para a geração de governanças pacificadoras, fundou nossas categorias
atuais de afeição e relacionamentos mutualistas. Toda idéia de arte e pensamento como
imitação de um modelo ideal que temos já se encontrava neste saber. O belo-amar (eros)
distinguido na escadaria entre paixão (pathos), família (storge), amizade (filia) e caridade
(kairós) surge também nos textos bíblicos como os quatro arcanjos.

Isabelle Stengers em “O Fim Das Certezas” nos mostra como a irreversibilidade


temporal nos impõe a necessidade de uma cosmopolítica nos demandando somar à
esquizoanálise deleuze-guattariana o aparato conceitual bioético de Humberto Maturana e
Francisco Varela. Destarte uma filosofia, como gesamtkunstwerk do amar, conclama à união do
ativismo jurídico pela minorias de uma Fernanda Orsomarzo à liminaridade
interjurisprudencial da International Bar Association (IBA) e de modo similar no campo da
canonização conceitual responsável. Vinciane Despret usa a imagem da cama de gato para
expressar as complexidades de uma tal empreitada junto ao vocabulário whiteheadeano,
imagine quando precisarmos compará-lo à “Farmácia De Platão” de Jacques Derrida.

Raymond Williams em “Keywords” e Richard Barbrook em “Futuros Imaginários”


apresentaram o papel que a metahistória e tem na produção privada presente e atual do porvir.
Qual será o papel da obra de Greta Thunberg para a psicologia entre pais e filhos? Como a
compaixão de Amma se relaciona com a luta por relações interespécies justas e sementes
orgânicas de Vandana Shiva? Podemos falar de uma pedagogia para o ser humano ou nos
reduziremos aos extremos relatados por Donna Haraway de macacos-ciborgues? O que Lucia
Santaella teria a dizer da lista de cientistas da Wikipédia? Como Christiana Figueres e sua
Global Optimism, junto à UNFCCC e a Global Catholic Climate Action e seu “Laudato Si” vão
interagir com o movimento interfé mundial e com a Abrahamic Faith Covenant? Seguindo a
proposta esquizoanalítica de filosofia como criação de conceitos e deixamos um neologismo
com este livro: a dialéxica.

Respondendo a Margareth Urban Walker em “Diotima's Ghost: The Uncertain Place of


Feminist Philosophy in Professional Philosophy”, assim como a existência histórica de Jesus não
diminui a crença em sua obra também cremos que o pouco que sabemos sobre Diótima já nos
permite averiguar minimamente o com certeza o importante papel das mulheres na filosofia.

Diótima finda seu discurso a Sócrates lhe perguntando se uma vida amorosa seria
ignóbil. Não é a sua vida a tentativa de responder esta pergunta? Sendo esta também a cruz da
igreja, não estamos como civilização cristã com a responsabilidade de respondê-la com nossas
vidas também? Isto tudo ainda nem arranha a superfície do porque somos crentes e laicas. Mil e
um cristos não seriam o bastante para explicar o papel que Jesus teve somente em nossas vidas.
Para finalizar vos pedimos que ore e medite por Diótima, seus pais, familiares, amparadores,
por todas minorias que sofrem, e pelos que ainda não encontraram o amor. Deus vos guarde.
13.800.000.000.a.c. - Abecedário Diótima
A de Agenda Amorosa Afetiva Ativa Agenciadora Artística Arquetípica Atualizante.

B de Beleza Beatitudinal Biblioteconômica Beneficial.

C de Conduta Compassiva Caridosa Cristalina Confiável Consciente Corporificante Criativa Cultural


Comunicacional Cartográfica Clínica Colaborativa Cotidiana.

D de Divino Devir-Dignidade Deontológico Disciplinar Desenvolvedor Distribuído.

E de Ética Empírica Erótica Emotiva Estética Ecológica Econômica Ecumênica Escalonar Em Excelência.

F de Fé Filosófica Familiar Fenomenológica Fidelizante Florescente.

G de Governança Glocal Gramatical Geracional Gerativa.

H de Harmonia Higiênica Heurística Holística Heterotópica Hermenêutica Historiográfica Honrosa.

I de Inspiração Imanente Institucional Informática Intercivilizacional Iterativa.

J de Junção Jurisprudencial Juramentada.

L de Legado Laico Lógico Linguístico Literário Lúdico Libertador Limite Licensiada Legalmente.

M de Maiêuticas Metafísicas Metodológicas Midiáticas Minoritárias Missionárias Modelares.

N de Normativas Nucleares Noéticas Norteadoras.

O de Operações Otimizadoras Ontológicas Originantes.

P de Programado Plano Psicológico Pedagógico Poético Político Pacificador Principial Previdencial


Público.

Q de Qualia Quasi-Quântico.

R de Ritornelo Rizomático Racional Relacional Religador Respeitoso Responsável Regenerativo


Recursivo.

S de Serviço Sacerdotal Sustentável Sob Segurança-Social Saudável Subjetivante Semiótica Sintética


Singularizante.

T de Tradução Teórica Transgenérica Teopoética Temperada Temporalizada.

U de Univocidade Unificante.

V de Virtude Voluntária Vitalizante

X de Xenofilia Xamânica

Z de Zênite Zoológico Ziguezagueante