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RESENHA

Profª. Drª. Luciane Sippert


Lanzanova

luciane-sippert@uergs.edu.br
(55) 9 9999 7985
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Em quais situações
Sociocomunicativas estes gêneros
textuais mais aparecem?

Quais são as principais


competências necessárias para a
produção de uma resenha?
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Foco da aula : RESENHA


Para se fazer uma RESENHA é necessário que se faça primeiramente uma boa leitura.

Para um melhor entendimento de um texto, sugere-se que se faça a leitura em duas etapas:

1ª) ler para se ter a visão do conjunto do tema e/ou obra;

2ª) retomar a leitura com maior atenção, recorrer a diferentes estratégias de leitura, sinalizar
tópicos frasais de maior relevância.

O passo seguinte é a organização destas ideias em forma de texto, ou seja, é a redação do


resumo com base nesses pontos chave.
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1. Quais os TIPOS mais usuais de


RESENHA?

RESENHA-RESUMO OU RESENHA DESCRITIVA


• É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de
um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou
julgamento de valor. Trata-se de um texto descritivo e informativo, pois o
objetivo principal é informar o leitor.

RESENHA-CRÍTICA
• É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma
crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um
texto de informação e de opinião, também denominado de recensão crítica.
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Foco da aula : RESENHA

2. O que é uma RESENHA CRÍTICA?

• “É um gênero discursivo usado na academia para avaliar – elogiar ou


criticar – o resultado da produção intelectual em uma área do
conhecimento” (MOTTA-ROTH e HENDGES, 2010, p. 27)

• É um gênero discursivo em que a pessoa que lê e aquela que escreve têm


objetivos convergentes: uma busca e a outra fornece uma opinião crítica
sobre determinado livro, artigo, software de computador, filme, dentre
outros. – TEOR AVALIATIVO E INFORMATIVO.

• Ela terá sempre que ser escrita por outra pessoa, que emitirá um
julgamento crítico acerca das ideias e conclusões contidas no texto-base.
Resenha
É o resumo do documento, contendo também a análise crítica
do conteúdo apresentado. Segundo a Associação Brasileira de
Normas Técnicas – ABNT apud Silva et al, (2013, p.29)

resenha é uma análise crítica de um documento.


Segundo o Manual de Trabalhos Acadêmicos e
Científicos da UERGS (2018), as regras gerais de
apresentação da resenha são:

# a resenha deve ser precedida da referência do documento


analisado;
# deve-se escrever o texto na terceira pessoa do singular;
# evita-se símbolos, fórmulas, equações, diagrama, que não
sejam absolutamente necessários;
# resumos críticos não estão sujeitos a limite de palavras.
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3. Qual é a função social da


RESENHA?
A resenha exerce uma importante FUNÇÃO SOCIAL:

• formar opinião e, até mesmo, delinear valores estéticos sobre


diferentes manifestações artísticas e campos do
conhecimento (GOLDSTEIN, et. al.,2009);

• é um tipo de texto muito procurado pelos leitores que


consideram a opinião crítica especializada antes de decidir
por um espetáculo, um livro, um evento, um artigo científico
para leitura, etc.
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4. Qual a relação autor-texto-leitor na produção


e na leitura da resenha?
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Ênfase: Resenha Acadêmica de livros

╠►ESTRUTURA RETÓRICA BÁSICA DE UMA


RESENHA
(MOTTA-ROTH e HENDGES, 2010):
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Ênfase: Resenha Acadêmica de livros

╠►ESTRUTURA RETÓRICA BÁSICA DE UMA


RESENHA
(MOTTA-ROTH e HENDGES, 2010):
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╠►ESTRUTURA RETÓRICA BÁSICA DE UMA RESENHA

1 APRESENTAR O LIVRO
Passo 1 informar o tópico geral do livro e/ou
Passo 2 definir o público-alvo e/ou
Passo 3 dar referências sobre o autor e/ou
Passo 4 fazer generalizações e/ou
Passo 5 inserir o livro na disciplina e/ou

2 DESCREVER O LIVRO
Passo 6 dar uma visão geral da organização do livro e/ou
Passo 7 estabelecer o tópico de cada capítulo e/ou
Passo 8 citar material extratextual

3 AVALIAR PARTES DO LIVRO


Passo 9 realçar pontos específicos

4 (NÃO) RECOMENDAR O LIVRO


Passo 10A desqualificar/recomendar o livro e/ou
Passo 10B recomendar o livro apesar das falhas indicadas

Fonte: Descrição esquemática das estratégias retóricas usadas no gênero resenha


(MOTTA-ROTH e HENDGES, 2010)
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RESENHA DO LIVRO “Emergência. A dinâmica de rede em


formigas, cérebros, cidades e softwares”

O livro “Emergência. A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares”,


escrito por Steven Johnson, publicado em 2003 pela Editora Jorge Zahar Editor, aborda a
temática do comércio eletrônico. A gigante do comércio eletrônico Amazon.com envia
mensagens automáticas para os usuários avisando sobre novos lançamentos que combinam
Apresentar

com o perfil do usuário. O sistema consegue “acertar” nas dicas, pois usa informações de
compras anteriores, que funcionam para traçar um perfil do usuário e gerar um tipo de
propaganda personalizada. Sistemas como o usado pela Amazon são baseados em
inteligência emergente. Emergência explica os fenômenos emergentes, como surgiram e como
podem transformar a televisão, a propaganda, o trabalho, a política e, antes de tudo isso, a
tecnologia. O autor mistura biologia, história, literatura e matemática para explicar o que são
esses sistemas. Uma passada de olhos pela bibliografia do livro já é suficiente para despertar a
curiosidade do leitor: Charles Dickens; Marshall Mcluhan; James Joyce; Fernand Braudel e
Charles Darvin são algumas das referências usadas por Johnson, cuja formação é em
semiótica e literatura inglesa. Provavelmente graças a isso, e à abundância de analogias e
Avaliar

bons exemplos, a leitura é agradável e simples, mesmo quando o objetivo é entender questões
específicas do mundo da programação de computadores.
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O título é provocativo: o que poderiam ter em comum colônias de formigas, o cérebro


humano, grandes cidades e softwares? Todos usam, em menor ou maior grau, de
sistemas auto-organizados, nos quais é dispensada a presença de controle

Avaliar
centralizado. Nos sistemas emergentes, também chamados bottom-up (de baixo
para cima), agentes que residem em uma escala começam a produzir um
comportamento cujo padrão reside em uma escala acima deles: formigas criam
colônias, cidadãos criam comunidades, um software simples de reconhecimento de
padrões aprende como recomendar novos livros.
Na primeira parte do livro, Johnson procura desmontar o que chama de “mito da
formiga-rainha”. A existência desse mito explicaria a dificuldade que as pessoas têm
em aceitar a hipótese bottom-up, um mundo sem líderes ou os fenômenos coletivos.
Descrever partes

O estudo das colônias de formigas - demonstra que não há nada de hierárquico na


maneira como ela funciona. A rainha não é uma figura de autoridade, ela não decide
o que cada operária faz.. [...]
do livro

Em seguida, temos a discussão sobre modelos emergentes artificiais. A primeira


descrição prática de um programa de software emergente data da década de 1940.
O objetivo era criar processos capazes de aperfeiçoarem-se a si mesmos e assim
conseguirem reconher padrões que não podiam ser determinados por antecipação. A
partir daí, torna-se concreta a possibilidade de criar programas onde as interações
dos componentes desencadeiam consequências no sistema como um todo ao serem
repetidas milhares de vezes. Aqui o exemplo é SimCity (Simulation City, Cidade
Simulada), jogo eletrônico cuja primeira versão, surgida em 1990, tornou-se campeã
de vendas.
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Uma das teses interessantes levantadas no livro é sobre como esses sistemas
aprendem. As cidades aprendem, o corpo humano aprende, as formigas aprendem,
sempre a partir da interação com vizinhos, por meio de feedbacks positivos e
negativos, que determinam as modificações e adaptações no sistema. Mas, “a web
Avaliar
também está aprendendo?”, pergunta Johnson. Existe a chance das grandes redes
de computadores se tornarem autoconscientes? Antes que sejamos levados por
fantasias embaladas por filmes como Matrix, Johnson adianta-se: a resposta é não; e
o que vale a pena entender é porque não. [...]
Na terceira e última parte do livro estão algumas questões sobre o futuro da
emergência artificial. O que acontecerá quando as experiências em mídia e os
movimentos políticos forem delineados por forças bottom-up e não top-down? A
Descrever partes

emergência segue na direção de melhorar cada vez mais aplicações de software


capazes de desenvolver uma teoria sobre nossas mentes. Os programas que fazem
um levantamento dos nossos gostos e interesses são o começo de um mundo em
que poderemos interagir mais regularmente com a mídia, pois o software reconhecerá
do livro

nossos hábitos, antecipará nossas necessidades e se adaptará às nossas mudanças


de humor. O software, assim como o cérebro, será capaz de reconstruir estados
mentais, quase leitores de mentes.
No capítulo final, fica clara a visão otimista de Jonhson e sua crença em um mundo
onde a lógica bottom-up se espalha por todos os cantos. Algo que parece
questionável, pois se os sistemas emergentes estão presentes na lógica de
desenvolvimento das cidades, com a eficiência para organizar e estruturar a vida dos
homens no caos urbano, porque essas cidades nunca abandonaram as formas top-
down de organização?
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A conclusão do livro, entretanto, é de que a

Recomendar
emergência está se expandindo pouco a pouco para
ocupar várias, senão todas, as instâncias das nossas
vidas. A propaganda, o trabalho e a política ganham
outra face influenciados pelo modo bottom-up.

Fonte: MOTTA-ROTH, Désirré; HENDGES, Grasiela H. Produção textual na Universidade. São


Paulo: Parábola Editorial, 2010, p. 29-34. (Coleção Estratégias de Ensino)
1. Ao produzir um texto, você deve ter claro para
quem está escrevendo, com que objetivo etc. O
quadro abaixo está composto com as possíveis
características de produção de uma resenha.
Autor
Função social do autor
Destinatário real Professor que conhece a obra
Imagem que o autor tem que ter de seu Pessoa que não conhece a obra e por isso lerá a
destinatário resenha (apesar de o destinatário real ser o
professor, o resenhista/ aluno deve escrever
pensando que o leitor é alguém que não conhece
a obra).

Tema/objeto
Locais e/ ou veículos onde o texto possivelmente
circulará
Momento da produção
Objetivo do autor do texto
2. Faça um levantamento de aspectos que você
apresentará para valorizar o artigo lido e as
restrições em relação a ele.
Aspectos para valorizar o artigo Restrições em relação ao artigo
3. Resuma as principais etapas do texto lido. Para
isso, apoie-se no esquema apresentado:
O artigo de.../ No artigo “...”, (nome do autor)...
O objetivo do autor...
Para isso...
O artigo divide-se em...
Primeiro.../ Primeiramente.../ Na primeira parte...
No item seguinte.../ A seguir...
Finalmente...
O autor conclui...
4. Dentre os verbos abaixo, escolha aqueles que
melhor expressam o efeito que você acha que o
autor quis causar no leitor em cada uma das
etapas de seu artigo.
Sustentar – contrapor – confrontar – opor – justificar – defender a tese – afirmar –
objetivar – ter o objetivo de – se propor a – apresentar – desenvolver – descrever
– explicar – demonstrar – mostrar – narrar – analisar – apontar – estruturar-se –
concluir – dividir-se – organizar-se – concluir – terminar – começar – debruçar-se –
sustentar que – dedicar-se ao estudo – fazer um relato – eleger – abordar
5. Faça um inventário de adjetivos e substantivos,
negativos e positivos, que você poderia usar para
fazer comentários sobre a obra original.

Adjetivos Substantivos

Negativos

Positivos
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Em síntese:
O que se espera do AUTOR de uma RESENHA?

• conhecimento da estrutura composicional da resenha;

• a finalidade/propósito para qual irá produzir o texto;

• ter um leitor real ou virtual;

• conhecimento completo da obra (livro ou filme);

• fidelidade ao pensamento do autor;

• competência na matéria exposta;

• capacidade de juízo crítico para distinguir claramente o essencial do supérfluo;

• uso adequado da linguagem.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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2013.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristovão. Prática de texto: para estudantes universitários. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2007.
GOLDSTEIN, Norma; LOUZADA, Maria Silvia; IVAMOTO, Regina. O texto sem mistério: leitura e escrita na
universidade. São Paulo: Ática, 2009.
GUEDES, Paulo Coimbra. Da redação escolar ao texto: um manual de redação. 3.ed. Porto Alegre: Editora
da UFRGS, 2004.
KOCH, Ingedore Villaça. Ler e escrever: estratégias de produção textual. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2010.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, Ângela Paiva;
MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (org.). Gêneros Textuais & Ensino. Rio de Janeiro:
Lucerna, 2002. 232 p.
MARCONI, Marina de Andrade e LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. 6ª ed. São
Paulo: Atlas, 2005.
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MASINA, Léia. Como apresentar um trabalho num congresso científico: elaboração do


resumo. Disponível em: http://www2.uefs.br/geotropicos/como_elaborar_um_resumo.pdf.
Acesso: 10 jul. 2013.
MEURER, J. L.; BONINI, Aldair; MOTTA-ROTH, Désirée. (org). Gêneros: teorias, métodos,
debates. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
MOTTA-ROTH, Désirré. Redação Acadêmica: princípios básicos. Santa Maria: Universidade
Federal de Santa Maria, 2001.
____; HENDGES, Grasiela H. Produção textual na Universidade. São Paulo: Parábola
Editorial, 2010. (Estratégias de Ensino)
____. Termos de elogio e crítica em resenhas acadêmicas em linguística, química e
economia. Intercâmbio. VOL. 6, Nº 2,p. 793-813, 1997.
____, Désirée. A importância do conceito de Gêneros discursivos no ensino de redação
acadêmica. Intercâmbio. 8:119-28. 1999. Disponível em:
http://coralx.ufsm.br/desireemroth/algumas. _publicacoes/gen99.htm. Acesso em: 10. Jun
2020.