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DOENÇAS DA

A Embrapa Hortaliças, desde a década de 1980, tem-se destacado


CENOURA
nas pesquisas com a cultura da cenoura, uma das principais hortaliças na
mesa do consumidor brasileiro. O lançamento de cultivares adaptadas
ao calor e com resistência às principais doenças de verão foi um marco
histórico ao possibilitar o cultivo de cenoura durante todo o ano.
Esta publicação reúne conhecimentos acumulados ao longo
de décadas de estudos e experiências. Tem como principal objetivo
mostrar ao leitor as alternativas para o controle racional das doenças
de cenoura. Dessa maneira, a Embrapa espera contribuir para que os
produtores, observadas as peculiaridades da sua área de plantio, possam
decidir sobre a maneira mais correta de conduzir sua lavoura para obter
maior produção e melhor qualidade do produto, com respeito ao meio
ambiente e à saúde do consumidor.
Para atingir esse objetivo, os autores preocuparam-se em facilitar
o diagnóstico correto das principais doenças da cenoura que ocorrem
no Brasil, por meio de imagens e textos explicativos e, a partir daí,
informar sobre as medidas de controle mais adequadas, seja para cultivo
empresarial ou de agricultura familiar, orgânico ou convencional, para
produção de raízes ou de sementes.
Esta publicação também foi concebida como fonte de consulta
para extensionistas, estudantes e pesquisadores que se dedicam ao
estudo da cenoura.

Carlos Alberto Lopes


Ailton Reis
CGPE 12923

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CENOURA

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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Hortaliças
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

DOENÇAS DA
CENOURA
Carlos Alberto Lopes
Ailton Reis

Embrapa
Brasília, DF
2016

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Exemplares desta publicação podem Comitê de Publicações da Embrapa Hortaliças
ser adquiridos na: Presidente
Warley Marcos Nascimento
Embrapa Hortaliças
BR 060 Rodovia Brasília–Anápolis, km 9 Editor Técnico
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Unidade responsável pelo conteúdo Milza Moreira Lana
Embrapa Hortaliças Mirtes Freitas Lima
Valdir Lourenço Júnior

Revisão de texto e supervisão editorial


Renato Argôllo de Souza

Normalização bibliográfica
Antônia Veras de Souza

Projeto gráfico, capa e editoração eletrônica


Júlio César da Silva Delfino

Fotos da capa
Giovani Olegario (superior esquerda)
Warley Nascimento (inferior esquerda)
Henrique Carvalho (direita)

1ª edição
1ª impressão (2016): 1.000 exemplares
2ª impressão (2018): 1.000 exemplares

Todos os direitos reservados


A reprodução não autorizada desta publicação,
no todo ou em parte, constitui violação
dos direitos autorais (Lei nº 9.610).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Embrapa Hortaliças
Lopes, Carlos Alberto.
Doenças da cenoura / Carlos Alberto Lopes, Ailton Reis. - Brasília, DF :
Embrapa, 2016.
69 p. : il. color. ; 17 cm x 24 cm.
ISBN 978-85-7035-580-5
1. Daucus carota. 2. Doença de planta. I. Reis, Ailton. II. Título,
III. Embrapa Hortaliças.
CDD 635.13
© Embrapa 2016

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Autores
Carlos Alberto Lopes
Engenheiro-agrônomo, Ph.D. em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Hortaliças,
Brasília, DF.

Ailton Reis
Engenheiro-agrônomo, doutor em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Hortaliças,
Brasília, DF.

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Os autores agradecem a Jairo Vidal Vieira,
Agnaldo Carvalho e Giovani Olegário da
Silva, pela leitura crítica do texto e cessão
de imagens ilustrativas da obra.

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Apresentação
Esta publicação é mais uma contribuição da Embrapa Hortaliças para a
olericultura brasileira. Aqui estão reunidas de forma sistematizada as principais
informações a respeito das doenças e distúrbios fisiológicos que afetam o cultivo da
cenoura no Brasil.
Apoiada em literatura especializada e na grande experiência dos autores, a
publicação aborda, em linguagem de fácil entendimento, a etiologia e a epidemiologia
das doenças da cenoura que ocorrem com frequência no Brasil.
Os sintomas típicos das doenças e dos distúrbios fisiológicos estão ricamente
ilustrados, de modo a facilitar o diagnóstico e a contribuir para a tomada de decisão
sobre as medidas adequadas de controle. Destaca-se, entretanto, a dificuldade de
alguns diagnósticos no campo, em face da similaridade de sintomas causados por
agentes bióticos e abióticos. Nesses casos, o produtor rural ou outro interessado
pode recorrer ao laboratório de análise da Embrapa Hortaliças ou de outra instituição
pública ou privada, enviando amostras de material para diagnóstico exato.
São enfatizadas na publicação medidas gerais de manejo integrado da lavoura
que, se corretamente adotadas, proporcionarão controle preventivo eficaz das doenças
e distúrbios, tornando mínimo ou até desnecessário o uso de agrotóxicos. Algumas
medidas são especialmente aplicáveis à produção orgânica de cenoura, atendendo
preocupação da Embrapa de promover a agricultura sustentável e a produção e o
consumo de alimentos seguros.

Jairo Vidal Vieira


Chefe-Geral da Embrapa Hortaliças

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Sumário
Introdução, 13
Doenças da parte aérea, 21
Queima das folhas, 21
Oídio, 24
Amarelão ou Vermelhão, 25
Mosaico, 27
Doenças de colo e de raiz, 29
Tombamento de plantas, 29
Sarna comum, 31
Mancha pestana, 32
Podridão mole, 33
Podridão de esclerócio, 33
Podridão de esclerotínia, 34
Galhas, 35
Doenças pós-colheita, 37
Podridão mole, 38
Podridão negra, 39
Podridão de geotricum, 40
Podridão de levedura, 41
Podridão de fusário, 42
Podridão de esclerócio, 42
Podridão de esclerotínia, 43
Podridão de rizopus, 44
Podridões de rizoctônia, 44
Distúrbios fisiológicos, 47
Amarelecimento das folhas, 47
Pendoamento, 47
Ombro verde e ombro roxo, 48
Rachaduras, 48
Prateamento, 49
Raiz marrom, 50
Raiz arroxeada, 50
Raiz murcha, 51
Raiz bifurcada, 51
Rabo de rato, 52

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Raiz cinturada, 52
Raiz brotada, 53
Enraizamento, 53
Deformações, 54
Doenças na produção de sementes, 55
Podridão de raízes, 56
Oídio, 56
Queima de alternária, 57
Principais medidas gerais de controle, 59
Algumas palavras sobre produção de cenoura orgânica, 65
Referência, 67
Literatura recomendada, 67

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Introdução

Foto: Jairo Vidal Vieira


A cenoura (Daucus carota L). é
uma das principais hortaliças consumi-
das no Brasil. Da família Apiaceae e do
grupo das raízes tuberosas, é produzida
em todas as regiões brasileiras, com des-
taque para as regiões Sudeste, Nordeste
e Sul. No Entreposto Terminal São Paulo
(ETSP) da Companhia de Entrepostos e
Armazéns Gerais (Ceagesp), que serve
de referência por ser o maior centro de Figura 1. Campo comercial de cenoura em
distribuição de hortaliças na América do área de cerrado.
Sul, disputa com a alface o terceiro lugar
em volume de vendas, que tem a lide-

Foto: Carlos Alberto Lopes


rança do tomate e da batata.
Nos últimos dez anos, a área
plantada com cenoura no Brasil variou
muito pouco, ficando em torno de 28
mil hectares por ano. A produção atual é
estimada em aproximadamente 800 mil
toneladas. Faltam informações consolida- Figura 2. Aspecto interno típico de raiz co-
mercial de cenoura.
das e atualizadas.
Na natureza, a cenoura é uma
Foto: Carlos Alberto Lopes
planta bienal (seu ciclo dura dois anos).
No primeiro ano, a planta oriunda da C
semente subsiste cerca de 120 dias e
produz uma raiz tuberosa, que é o pro- B
duto comercial encontrado em feiras e
supermercados e largamente consumido
(Figuras 1 e 2). A raiz é formada princi- A
palmente pelo acúmulo de carboidratos
elaborados pela fotossíntese realizada
nas folhas. Ao final dessa fase, as folhas
secam e o pequeno caule localizado Figura 3. Raiz (A), caule (B) e folhas (C) de
na base das folhas entra em dormência cenoura.
(Figura 3).

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14 Doenças da cenoura

A segunda fase do ciclo inicia-se

Foto: Jairo Vidal Vieira


após a quebra natural ou artificial da dor-
mência, induzida por choque frio. A par-
tir daí, em processo que demanda grande
quantidade inicial de energia acumulada
na raiz, forma-se um caule diferenciado
que é a haste floral, estrutura que suporta
as umbelas (inflorescências) onde se for-
mam as sementes (Figura 4). Esta é a fase
reprodutiva, comercialmente importante
somente para a produção de sementes. Figura 5. Cenoura cultivada em pequena pro-
priedade, em Brejo da Madre de Deus, PE.
(O pendoamento na fase de produção de
raízes é indesejável e é indicativo de má
qualidade da semente, provavelmente

Foto: Jairo Vidal Vieira


porque não foi devidamente selecionada
para evitar essa característica).
Foto: Carlos Alberto Lopes

Figura 6. Cenoura cultivada em média pro-


priedade, em Brasília, DF.

Figura 4. Umbelas de cenoura florescidas.


Foto: Ailton Reis

Antes produzida em pequenas


propriedades e basicamente no inverno,
hoje a cenoura é cultivada durante o
ano todo e principalmente em grandes
áreas, com destaque para as regiões
do Alto Paranaíba, em Minas Gerais,
e em Irecê, na Bahia (Figuras 5, 6 e 7).
Essa mudança se deve em boa parte ao
dinamismo empresarial dos produtores,
respaldado por boas práticas de cultivo, Figura 7. Cenoura cultivada em grande pro-
com ênfase em técnicas de irrigação e no priedade, no Triângulo Mineiro.

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Introdução 15

uso de cultivares produtivas, uniformes Além das doenças provocadas


e resistentes às principais doenças. Hoje por microrganismos parasitas, as plan-
se pode afirmar que o cultivo de cenoura tas podem ser afetadas por distúrbios
durante o verão, mais sujeito a proble- fisiológicos, também conhecidos como
mas fitossanitários de diferentes causas, doenças fisiológicas ou não parasitárias.
dificilmente seria economicamente viá- Em sua maioria, os distúrbios fisiológicos
vel sem o uso de cultivares resistentes às são causados por estresses ambientais,
principais doenças. nutricionais ou hídricos e, portanto, não
são transmissíveis de planta para planta,
Embora a cenoura não esteja entre
sendo controlados pela eliminação da
as hortaliças mais sujeitas ao ataque de
fonte de estresse.
pragas e doenças, o controle fitossani-
tário é essencial para garantir máximas Dezenas de doenças podem atacar
produtividade e qualidade do produto. a cenoura. Didaticamente elas serão divi-
Este controle, que deve ser feito de forma didas nesta publicação em cinco grupos:
racional e sustentável, exige a adoção de Doenças da parte aérea que
medidas ordenadamente integradas, que ocorrem durante o ciclo vegetativo da
vão desde a escolha da área até a comer- cultura. Afetam a folhagem reduzindo
cialização. Ao conjunto dessas medidas a área fotossintetizante responsável
dá-se o nome de “controle integrado”. pela produção de matéria seca que é
Informações gerais sobre controle inte- translocada para as raízes e promove o
grado de doenças da cenoura são encon- seu crescimento, o que compromete a
tradas na seção Principais medidas gerais produtividade.
de controle.
Doenças que se manifestam no
O processo infeccioso de plan- colo da planta jovem e na raiz tuberosa
tas somente se estabelece e resulta em durante o ciclo vegetativo. Reduzem o
doença quando três fatores estão presentes estande de plantas, a produtividade e a
simultaneamente, formando o clássico “tri- qualidade das raízes, com consequente
ângulo da doença”: a) planta hospedeira perda de valor comercial e renda.
suscetível; b) patógeno em sua forma viru-
lenta; e c) condição ambiental favorável Doenças pós-colheita. Aparecem
ao processo infeccioso. Esses fatores não após a colheita. Afetam diretamente a
atuam individualmente, e sim em cons- qualidade das raízes, com danos que
tantes e complexas interações, formando prosseguem até o consumo ou o descarte.
assim os “patossistemas”. O conhecimento Distúrbios fisiológicos. Frequen-
adequado dos patossistemas é fundamen- temente são confundidos com doenças
tal para o estabelecimento de estratégias e causadas por parasitas. Manifestam-se na
a efetividade do controle das doenças. fase vegetativa ou após a colheita.

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16 Doenças da cenoura

Doenças que afetam a fase repro- Para uma visão geral e sucinta, todas as
dutiva da planta. São de interesse espe- doenças descritas estão agrupadas na
cial na produção de sementes. Tabela 1, com os respectivos agentes etio-
lógicos, importância relativa e estação do
Informações sobre a etiologia e a
ano em que causam mais perdas. E na
epidemiologia de cada doença e distúr- Tabela 2 estão relacionados os agrotóxi-
bio fisiológico são detalhadas a seguir, cos registrados no Ministério da Agricul-
com ilustrações para ajudar na identifi- tura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)
cação de sintomas e de causas ou con- indicados para as respectivas doenças,
dições que favorecem a sua ocorrência. caso seu uso seja necessário e permitido.

Tabela 1. Principais doenças da cenoura, transmissibilidade do patógeno pela semente


e sua importância relativa de acordo com a época de cultivo.
Transmissão Maior
Doença Patógeno Importância(1)
semente frequência
Doenças da parte aérea
Queima das folhas Complexo Alternaria, Cercospora Sim Verão +++
e Xanthomonas
Amarelão ou Carrot red leaf virus (CtRLV) Não Inverno +
Vermelhão
Oídio Erysiphe heraclei Não Inverno +
Doenças de colo e de raiz
Tombamento Vários fungos e oomicetos de solo Sim Verão +
Sarna comum Streptomyces spp. Não Ano todo +

Podridão de fusário Fusarium spp. Não Verão +


Podridão mole Pectobacterium spp. e Não Verão ++
Dickeya spp.
Podridão de Sclerotium rolfsii Não Verão ++
esclerócio
Podridão de Sclerotinia sclerotiorum Não Inverno ++
esclerotínia
Podridão de Rhizoctonia spp. Não Inverno +
rizoctônia
Galhas Meloidogyne spp. Não Verão +++
Doenças pós-colheita
Podridão mole Pectobacterium spp. e Não Verão +++
Dickeya spp.
Continua...

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Introdução 17

Tabela 1. Continuação.

Transmissão Maior
Doença Patógeno Importância(1)
semente frequência
Podridão negra Chalara elegans (Thielaviopsis Não Verão ++
basicola)
Podridão de Geotrichum candidum Não Verão +++
geotricum
Podridão de levedura Candida sp. Não Verão +
Podridão de fusário Fusarium spp. Não Verão +
Podridão de Sclerotium rolfsii Não Verão +
esclerócio
Podridão de Sclerotinia sclerotiorum Não Inverno +
esclerotínia
Podridão de rizopus Rhizopus sp. Não Verão ++
Importância relativa: +++ Muita importância; ++ Importância média; + Pouca importância. Obs. A importância
(1)

pode variar de acordo com fatores tais como local e época de plantio, cultivar, manejo da lavoura, microclimas, etc.

Tabela 2. Produtos químicos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e


Abastecimento (Mapa) para o controle de doenças da cenoura(1).

Nome IS
Princípio ativo Classe Doença/Agente etiológico CT/CA
comercial (dias)

Fungicidas

Amistar Azoxistrobina Sistêmico Ad, MA, QDF 15 III e II

Bravonil Clorotalonil De contato Ad, Cc, MA, MC, QDF 7 II e II

Bunema Metam-sódico De contato Rhizopus stolonifer nd II e I

Cantus Boscalida Sistêmico Ad, MA, QDF 7 III e III

Cabrio Top Metiram + Sistêmico Ad, MA, QDF 7 III e II


Piraclostrobina

Caramba Metconazol Sistêmico Ad, MA, QDF 14 III e II

Certus Iprodiona + De contato Ad, MA, QDF 14 III e II


Pirimetanil

Comet Piraclostrobina Sistêmico Ad, MA, QDF 7 II e II

Constant Tebuconazol Sistêmico Ad, MA, QDF 14 III e II


Continua...

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18 Doenças da cenoura

Tabela 2. Continuação.

Nome IS
Princípio ativo Classe Doença/Agente etiológico CT/CA
comercial (dias)
Contact Hidróxido de De contato Ad, Cc, MA, MC, QDF nd IV e III
cobre
Cupravit azul Oxicloreto de De contato Ad, MA, QDF 7 IV e IV
cobre
Cuprozeb Oxicloreto De contato Ad, Cc, MA, MC, QDF 7 IV e II
de cobre +
Mancozebe
Dacobre Clorotalonil + De contato Ad, MA, QDF nd II e II
Oxicloreto de
cobre
Daconil Clorotalonil De contato Ad, MA, QDF 7 II e II
Dacostar Clorotalonil De contato Ad, MA, QDF 7 I e II
Dithane NT Mancozebe De contato Ad, MA, QDF 7 I e II
Domark Tetraconazol Sistêmico Ad, MA, QDF 7 I e II
Fegatex Cloreto de De contato Ad, MA, QDF 3 I e III
benzalcônio
Folicur Tebuconazol Sistêmico Ad, MA, QDF 14 III e III
Fungitol Azul Oxicloreto de De contato Ad, Cc, MA, MC, QDF 7 IV e III
cobre
Garant Hidróxido de De contato Ad, Cc, MA, MC, QDF nd IV e II
cobre
Graster Famoxadona + Sistêmico e Ad, MA, QDF 7 I e II
Mancozebe protetor
Isatalonil Clorotalonil De contato Ad, MA, QDF 7 I e III
Mancozeb Mancozebe De contato Ad, Cc, MA, MC, QDF 7 III e II
Sipcam
Manzate Mancozebe De contato Ad, MA, QDF 7 I e II
Midas Famoxadona + De contato Ad, MA, QDF 7 I e II
Mancozebe
Mythus Pirimetanil De contato Ad, MA, QDF 14 III e II
Nativo Tebuconazol + Mesostêmico e Ad, MA, QDF 14 III e II
Trifloxistrobina sistêmico
Polyram Metiram De contato Ad, MA, QDF 7 III e III
Rovral Iprodiona De contato Ad, MA, QDF 14 II e III
Continua...

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Introdução 19
Tabela 2. Continuação.

Nome IS
Princípio ativo Classe Doença/Agente etiológico CT/CA
comercial (dias)
Score Difeconazol Sistêmico Ad, MA, QDF 7 I e II
Sialex Procimidona Sistêmico Ad, MA, QDF 7 II e II
Starky Sulfato tribásico De contato Ad, MA, QDF nd I e II
de cobre
Strike Clorotalonil + De contato Ad, MA, QDF 7 I e II
Oxicloreto de
cobre
Sumiguard Procimidona Sistêmico Ad, MA, QDF 7 II e II
Sumilex Procimidona Sistêmico QDF 7 II e II
Triade Tebuconazol Sistêmico Ad, MA, QDF 14 III e II
Tutor Hidróxido de De contato Ad, MA, QDF 7 II e III
cobre
Vanox Clorotalonil De contato Ad, MA, QDF 7 II e II
Vantigo Azoxistrobina Sistêmico Ad, MA, QDF 7 IV e III
Inseticidas e nematicidas
Bunema Metam-sódico De contato Mi, Mj, Meloidoginose, nd II e I
NDG
Carboran Carbofuran Sistêmico Mi, Mj, Meloidoginose, 60 I e II
Fersol NDG
Cierto Fostiazato Sistêmico Mi, Meloidoginose, NDG 60 III e II
Furacarb Carbofuran Sistêmico M. javanica, 60 III e II
Meloidoginose, NDG
Furadan Carbofuran Sistêmico M. javanica, 60 III e II
Meloidoginose, NDG
Bactericidas
Kasumin Casugamicina Sistêmico ECC, Podr. mole, Canela 2 III e III
preta
Fegatex Cloreto de De contato ECC, Canela preta, Podr. 3 I e III
benzalcônio mole
Os nomes de doenças e de agentes etiológicos nesta tabela estão de acordo com o registro no Agrofit/Mapa, em
(1)

alguns casos com terminologia diferente da usada no texto desta publicação.


IS = Intervalo de segurança = Período de carência; CT = Classificação toxicológica; CA = Classificação ambiental;
nd = não determinado; Ad – Alternaria dauci; MA – Mancha de alternária (Alternaria dauci); QDF– Queima
das folhas; Cc – Cercospora carotae; MC – Mancha de cercóspora (Cercospora carotae); Mi – Meloidogyne
incognita; Mj – Meloidogyne javanica; NDG – Nematoide de galhas; ECC – Erwinia carotovora subsp. carotovora
(Pectobacterium spp. e Dickeya spp.).
Fonte: BRASIL (2015).

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Doenças da parte aérea

As doenças da parte aérea da planta independentemente da cultivar, da


de cenoura comprometem o crescimento região e da época de plantio, embora
normal das raízes, resultando em baixa com mais intensidade nos cultivos de
produtividade. Isto ocorre porque as verão por ser favorecida por temperatura
doenças reduzem a área foliar fotossinteti- e umidade altas. Considerada doença
zante, o que afeta negativamente a produ- por questões práticas, a queima das
ção de carboidratos e outras substâncias folhas é de fato um complexo patológico
essenciais ao desenvolvimento das raízes. que envolve três agentes etiológicos: dois
O controle das doenças da parte fungos (Alternaria dauci e Cercospora
aérea é essencial também na produção carotae) e uma bactéria (Xanthomonas
de sementes, pois a sanidade das semen- hortorum pv. carotae). A ocorrência e a
tes é fator preponderante no estabeleci- prevalência de cada um desses agentes
mento de plantios comerciais. na lavoura dependem principalmente
da presença do patógeno na semente
Queima das folhas (os três são transmitidos pela semente)
e do local e da época de plantio, que
Agentes etiológicos: Alternaria dauci determinam as melhores condições de
(Kühn) Groves & Skolko, Cercospora estabelecimento e de multiplicação de
carotae (Pass.) Kazn & Siemaszko e cada um.
Xanthomonas hortorum pv. carotae (Ken- A queima das folhas afeta a
drick) Vauterin, Hoste, Kersters & Swings. integridade da parte aérea e, pois, a
A queima das folhas aparece em fotossíntese da planta, o que prejudica
praticamente toda lavoura de cenoura, a formação e o desenvolvimento das

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22 Doenças da cenoura

raízes e resulta na queda de produção. de sintomas causados pelos três patóge-


As lesões se manifestam inicialmente nos resulta em frequentes erros de diag-
nas folhas mais velhas, aparecendo nose, dificultando a adoção de medidas
como pequenas manchas castanho- adequadas de controle.
-escuras ou pretas, circundadas por
tecido amarelado, principalmente ao

Foto: Agnaldo Ferreira


longo da margem da folha. À medida
que as lesões crescem, todo o tecido
foliar fica necrosado e distorcido
(Figura 8). No pecíolo, a infecção indi-
vidual ou conjunta desses patógenos
resulta em manchas alongadas marrons
que podem provocar a secagem da
folha inteira (Figura 9). A doença afeta
também as umbelas, causando escure-
cimento das sementes (seção Doenças Figura 9. Detalhes de lesões causadas por
queima das folhas em cenoura.
na produção de sementes).
Os sintomas podem ainda ser
Foto: Jairo Vidal Vieira

diferentes conforme a cultivar e as


condições ambientais, sendo comum
encontrar mais de um patógeno na
mesma lavoura, na mesma planta e até
na mesma lesão. Entretanto, quando
ocorre individualmente, tem-se obser-
vado que o ataque de C. carotae
acontece em estádios mais jovens de
desenvolvimento da planta e em tem-
Figura 8. Folhas de cenoura necrosadas pela peraturas mais amenas, em compara-
doença queima das folhas. ção com os outros dois patógenos. Já
X. hortorum pv. carotae causa manchas
A distinção a olho nu entre as mais encharcadas e escuras, com con-
lesões causadas pelos três patógenos é tornos angulares, às vezes circundadas
praticamente impossível, pois a folha da por halo amarelado. Quanto a A. dauci,
planta de cenoura é muito recortada, e por ocorrer mais frequentemente e ser
as lesões, mesmo pequenas, causam mais agressivo, tem sido considerado,
secamento dos folíolos, dando à folha de forma equivocada, o único agente
aspecto de crestamento. A similaridade causador da doença.

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Doenças da parte aérea 23

A disseminação primária dos pató- de sementes sadias, ou seja, que não


genos da queima das folhas ocorre por estejam contaminadas com nenhum dos
meio de sementes infectadas ou infesta- três patógenos. É possível erradicar os
das. Quando presentes na lavoura, sobre- fungos das sementes tratando-as com
vivem em restos culturais infectados, fungicidas apropriados que tenham regis-
mantendo-se viáveis de uma estação de tro no Ministério da Agricultura, Pecuá-
cultivo para outra. Em países de clima ria e Abastecimento (Mapa) (Tabela 2).
tropical como o Brasil, o plantio contínuo Também o tratamento com água quente
de cenoura favorece a sobrevivência dos a 55°C, durante 15 minutos, elimina os
patógenos, principalmente em cultivos três patógenos das sementes e pode até
extensivos sob pivô central, onde ocor-
melhorar a germinação. No entanto,
rem semeaduras escalonadas em curto
alerta-se para o fato de que a falta de
espaço de tempo. Quando a colheita é
precisão no binômio tempo x tempera-
efetuada, normalmente a parte aérea da
tura pode resultar em falha no controle
planta é deixada no campo, sendo muitas
ou perda de viabilidade da semente.
vezes incorporada apenas parcialmente
ao solo, prática que favorece a sobrevi- Outras medidas preventivas de
vência dos patógenos e a contaminação controle e de grande eficácia são: a esco-
de novos cultivos. lha criteriosa da área de plantio, evitando-
A velocidade de infecção depende -se áreas mal ventiladas, áreas próximas
muito das condições climáticas prevale- a outras lavouras e áreas encharcadas; o
centes e da susceptibilidade da cultivar. preparo adequado do solo; a rotação de
Os fatores mais relevantes para a ocor- culturas; e o manejo adequado da irriga-
rência da doença são: temperatura ele- ção (seção Principais medidas gerais de
vada (acima de 25°C) e alta umidade no controle).
ambiente e/ou água livre na planta. Em condições de clima quente
O controle da queima das folhas e úmido, que favorecem a ocorrência
deve ser preventivo. As cultivares escolhi- da doença, na fase inicial de estabe-
das para plantio de verão no Brasil devem lecimento da lavoura as pulverizações
ter resistência à doença, pois mesmo sob devem ser feitas com fungicidas de con-
alta pressão de inóculo elas geralmente tato, tendo antes o cuidado de se certi-
não sofrem perdas significativas; a apli- ficar da identidade do patógeno ou dos
cação de fungicidas, se necessário, será patógenos presentes nas plantas. Após
mínima, diferentemente do que ocorre o fechamento da folhagem, é recomen-
com o plantio de cultivares suscetíveis. dável, também de forma preventiva, a
Outra medida essencial para o alternância entre fungicidas de contato
controle da queima das folhas é o uso e fungicidas sistêmicos. Em caso de

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24 Doenças da cenoura

presença da bactéria, fungicida à base de pó branco. Medidas especiais de con-


de cobre deve ser usado periodicamente. trole do oídio raramente são necessárias
para a produção de raízes.
Oídio

Foto: Ailton Reis


Agente etiológico: Erysiphe heraclei D.C.
(Oidium sp.)

Oídio em cenoura é causado pelo


fungo Erysiphe heraclei (Oidium sp.)
e praticamente só ocorre em cultivos
sujeitos a baixa umidade do ar. Lavouras
conduzidas em períodos de chuvas fre-
quentes ou em qualquer época do ano Figura 10. Folha de cenoura com esbranqui-
com irrigação por aspersão raramente çamento causado por oídio.
sofrem ataques severos desta doença,
porque as gotas de água de chuva ou de

Foto: Carlos Alberto Lopes


irrigação removem as estruturas do fungo
das lesões, com significativo efeito no
controle.
Plantas de cenoura para produção
de sementes, entretanto, têm sido ata-
cadas com mais frequência pelo oídio,
em boa parte em razão do sistema de
irrigação adotado, geralmente por gote-
jamento, e porque o cultivo para produ- Figura 11. Folhas baixeiras de cenoura co-
ção de sementes ocorre normalmente bertas por camada pulverulenta produzida
em períodos mais secos do ano, que são pelo ataque de Oidium.
menos favoráveis à maioria das outras
doenças. Em campos de produção de
O oídio é reconhecido nas plan- sementes, o ataque nas hastes das estru-
tas pela presença de estruturas brancas turas florais (Figura 12) reduz o tamanho
(micélio e conídios) que se assemelham da umbela e, como consequência, afeta
a pó de giz (Figura 10). A doença é mais a produção e o vigor das sementes (seção
severa na superfície das folhas mais Doenças na produção de sementes).
velhas (Figura 11). Sob ataque intenso, Neste caso, o controle químico pode ser
toda a planta fica amarelada e coberta necessário, com a recomendação de que

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Doenças da parte aérea 25

se usem produtos registrados no Mapa problemas sérios para o cultivo da


(Tabela 2) para essa doença. cenoura, motivo pelo qual existem pou-
cas informações a respeito delas no País.
O amarelão, no entanto, tem potencial
Foto: Jairo Vidal Vieira

para provocar perdas na produção de


até 50% ao reduzir o tamanho das raí-
zes, conforme caso relatado no Estado de
São Paulo, em plantios de abril a junho,
época de maior incidência.
As plantas afetadas pela doença
desenvolvem-se mais lentamente e apre-
sentam as folhas amareladas ou aver-
melhadas (Figura 13), em tonalidades e
intensidade variáveis, dependendo da
cultivar, das condições climáticas e da
idade por ocasião da infecção.

Foto: Jairo Vidal Vieira


Figura 12. Umbela de cenoura atacada por
Oidium.

Amarelão ou Vermelhão
Agente etiológico: Carrot red leaf virus
(CtRLV) Figura 13. Folhas de cenoura amareladas e
arroxeadas por viroses.
O amarelão, também conhecido
Embora sintomas similares de
como “vermelhão”, “amarelo” ou “ver-
mudança de pigmentação das folhas
melho”, é uma enfermidade de difícil
possam ser causados por outros fato-
diagnóstico, pois sintomas similares
res, inclusive de origem viral, no Brasil
podem ter outra causa, como outros vírus
foi encontrado somente o Carrot red
e fatores nutricionais.
leaf virus (CtRLV), da família Luteo-
Muito destrutivas em outras hor- viridae, que também infecta coentro
taliças, as viroses não são consideradas e salsa. O vírus é transmitido com

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26 Doenças da cenoura

muita eficiência pelo pulgão Cavariella pelo qual talvez ainda não tenham sido
aegopodii, que o adquire de outras encontrados no Brasil.1
plantações (Figura 14). A transmissão é Amarelecimento e vermelhão das
circulativa, ou seja, uma vez contami- folhas podem ser causados também
nado, o vírus permanece viável dentro por deficiência mineral, principalmente
do pulgão por muito tempo. de nitrogênio, magnésio e potássio, ou
por ataque de insetos e ácaros (seção
Foto: Carlos Alberto Lopes

Distúrbios fisiológicos). A observação


cuidadosa das plantas afetadas e a sua
distribuição no campo dão boa indica-
ção da causa da sintomatologia. Viroses
normalmente não se manifestam em
todas as plantas do campo ou em fileiras,
como acontece com deficiência nutricio-
nal. Insetos e ácaros podem ser vistos a
olho nu ou com o auxílio de lupa.
Para o controle preventivo do ama-
Figura 14. Pulgão transmissor de vírus em
plantas de cenoura. relão devem ser evitados plantios pró-
ximos a outras lavouras de cenoura ou
a outra planta hospedeira do vírus e do
Outros sintomas similares são
vetor, tais como salsa, coentro e salsão.
produzidos por infecções mistas envol- Também se devem evitar plantios esca-
vendo o polerovirus Carrot red leaf lonados de cenoura na mesma área por-
virus (CtRLV) e os umbravirus Carrot que mantêm alta a população do vetor,
mottle virus (CMoV) e Carrot mottle resultando em maior intensidade de ata-
mimic virus (CMoMV), porém não que. Existem relatos de que as cultivares
detectados no Brasil em plantações de
cenoura. Este complexo viral foi relatado 1
Sintomas semelhantes aos do amarelão ou ver-
melhão podem ser causados também pela bactéria
na Austrália, no Japão, em Israel, nos Candidatus Liberibacter solanacearum, importante pra-
EUA e em alguns países da Europa, onde ga quarentenária encontrada em plantações de cenoura
em vários países da Europa. A bactéria, transmitida pela
provoca, além do amarelão, nanismo semente e por insetos psilídeos, não foi detectada no
nas plantas. Foi relatado também Brasil, mas há o risco de ser introduzida via semente
de cenoura ou batata-semente. O patógeno ataca
infectando coentro nas Ilhas Maurício. também a batata, causando a doença conhecida como
O complexo viral é transmitido pelo pul- “zebra chips”. Essa doença exótica é de grande preocu-
pação para a indústria de batata processada. Da mesma
gão C. aegopodii. Aparentemente, nem forma que ocorre com viroses, as folhas das plantas
afetadas pela bacteriose ficam amareladas ou averme-
o CtRLV, nem o CMoV e nem o CMoMV
lhadas e entram em declínio. A ocorrência também não
são transmitidos pela semente, motivo é generalizada ou em toda a plantação.

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Doenças da parte aérea 27

respondem diferentemente ao ataque registrado no Estado de São Paulo cau-


dessa virose, mas não se dispõem de sando perdas de 10% a 15% em peso
resultados recentes indicando a reação de raiz sob condições muito favoráveis à
das principais cultivares hoje plantadas doença e com alta população do vetor.
no Brasil.
O CMV pode ou não estar asso-
O controle químico do pulgão ciado a plantas com amarelão. O vírus
vetor é medida eficaz, já que o inseto pertence à família Potyviridae. A defor-
morre em seguida à pulverização, antes mação das folhas é o sintoma caracterís-
de iniciar a transmissão. Deve-se atentar tico. É transmitido mecanicamente pelos
para o fato de que só devem ser apli- pulgões Cavariella aegopodii, Myzus
cados produtos químicos registrados persicae e Dysaphis apiifolia.
no Mapa e que devem ser observadas
as normas de segurança de aplicação. Por ter sido considerado de peque-
na importância econômica, nenhuma
medida de controle foi recomendada
Mosaico
na ocasião de seu relato. Não existem
Agente etiológico: Carrot mosaic virus trabalhos recentes que indiquem se
(CMV) esse vírus está presente em lavouras de
cenoura nas principais regiões produtoras.
Considerada doença de impor- Observada a presença de pulgões, sua
tância secundária, o mosaico, transmi- população deve ser monitorada e, se
tido pelo Carrot mosaic virus (CMV), foi necessário, controlada com inseticidas.

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Doenças de colo e de raiz

São doenças que afetam o estande produtividade e a uniformidade do tama-


de plantas, determinante da produção e nho das raízes.
do tamanho de raízes e da qualidade das Entre os patógenos envolvidos na
raízes por ocasião da colheita. Por serem doença, os mais comuns são: Alternaria
causadas por patógenos associados ao dauci, A. radicina, Rhizoctonia solani e
solo, difíceis de serem atingidos por pro- Pythium spp. Os dois primeiros são pató-
dutos químicos, seu controle deve ser genos específicos da cenoura e são trans-
basicamente preventivo. mitidos pela semente, enquanto os outros
são habitantes de solo e podem atacar
Tombamento de plantas várias outras espécies de hortaliças.
A infecção pode ocorrer antes ou
Agentes etiológicos: Alternaria dauci,
após a emergência das plantas. Em pré-
A. radicina (Meier) Drechsler & E.D. Eddy,
-emergência, os patógenos provocam o
Rhizoctonia solani (Kühn) e Pythium spp.
apodrecimento de sementes, evitando
Pringsheim.
que elas germinem, ou a morte prema-
tura de plântulas, quando os tecidos são
O tombamento de plantas ainda muito tenros e, portanto, altamente
(“damping-off”) de cenoura é causado sensíveis ao ataque de microrganis-
por um complexo de fungos e oomicetos mos presentes no solo ou associados à
de solo e/ou associados à semente. A pro- semente. O tombamento normalmente
liferação é favorecida por alta umidade ocorre em reboleiras, em locais muito
do solo. Provoca a redução de estande úmidos ou com maior presença de pro-
e, como consequência, compromete a págulos dos patógenos.

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30 Doenças da cenoura

O tombamento pós-emergência, No caso de o ataque acontecer


ou tombamento propriamente dito, acon- com a planta mais desenvolvida, somente
tece quando a base da plântula é afetada o tecido externo é afetado, com lesões
pelos patógenos após a emergência. escurecidas e/ou rachaduras na altura
Neste caso, pode ocorrer inicialmente do colo; o tecido interno não é afetado,
uma lesão encharcada na região do colo por ser mais duro e resistente. Alternaria
da planta, com posterior escurecimento dauci, A. radicina e R. solani também
da lesão, ou crescimento micelial no causam doenças na fase adulta da planta,
caule e nas raízes, que pode variar con- podendo atacar pecíolos, folhas e raízes.
forme o patógeno envolvido e a umidade
do solo.

Foto: Carlos Alberto Lopes


Dependendo da idade da planta e
das condições ambientais, a lesão causa
anelamento completo do caule na linha
do solo, sendo o ataque tão rápido e
intenso que os cotilédones e as primeiras
folhas permanecem verdes mesmo com
o comprometimento da base do caule.
Como consequência, a planta tomba,
morre e seca em razão da interrupção do
fluxo de água e de nutrientes para a parte
aérea (Figura 15). Ao matar plantas jovens
e provocar falhas no campo, o tomba-
mento tem efeito significativo no estabele-
cimento do estande da lavoura (Figura 16).
Foto: Ailton Reis

Figura 16. Estande de cenoura comprome­


tido pela ocorrência de tombamento.

O principal fator que favorece a


ocorrência e a intensidade do tomba-
mento é a umidade do solo. Solos argi-
losos e compactados devem ser evitados
por serem mais sujeitos ao encharca-
Figura 15. Tombamento de plantas jovens de mento, condição que contribui para a
cenoura causado por patógenos de solo. proliferação da doença. Canteiros altos,

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Doenças de colo e de raiz 31

bem drenados, e irrigação adequada- mais comum delas. É uma bactéria encon-
mente manejada são medidas importantes trada em muitos solos do mundo todo.
para o controle do tombamento. É uma das principais doenças em lavouras
O tratamento das sementes com fun- de batata, mas raramente encontrada em
gicidas ou com água quente pode eliminar plantações de cenoura.
os patógenos das sementes ou reduzir o seu Sua ocorrência em cultivos de
nível de infestação e/ou infecção. Quando cenoura está normalmente ligada a solos
permitido, o tratamento químico deve ser anteriormente cultivados com batata.
feito com fungicidas registrados para tal e Solos alcalinos e sujeitos a períodos
com os cuidados que eliminem os riscos de seca também favorecem a doença.
inerentes ao manuseio de produtos tóxicos. Os sintomas só aparecem nas raízes, onde
O tratamento com água quente deve ser são observadas lesões superficiais secas,
feito com temperatura e tempo ajustados corticosas, orientadas transversalmente ao
(50 °C/20 minutos), para não reduzir a taxa eixo da raiz, geralmente associadas a cica-
de germinação das sementes. trizes deixadas pelas raízes secundárias
A rotação de culturas com espécies (Figura 17). O diagnóstico dessa doença
vegetais não suscetíveis ao complexo de não é fácil, porque sintomas similares
fungos, como as gramíneas, reduz con- podem ser causados por outros fatores
sideravelmente a incidência do tomba- bióticos ou abióticos, alguns ainda de
mento. O desbaste das plantas, necessário causa desconhecida. Assim, o histórico da
para evitar a competição entre plantas área é importante para se conhecer a real
vizinhas e garantir bom desenvolvimento causa da doença.
das raízes, deve ser feito o mais cedo pos-
sível. Com isso, têm-se menos ferimentos
das raízes das plantas remanescentes em Foto: Carlos Alberto Lopes

início de desenvolvimento e menos som-


breamento, responsável pelo aumento da
umidade relativa no microambiente for-
mado no dossel da planta.

Sarna comum
Agente etiológico: Streptomyces spp.
Figura 17. Lesões verrucosas em raiz de
Waksman & Henrici. cenoura causadas por sarna (Streptomyces
spp.).
A sarna comum é causada por uma
ou mais espécies de Streptomyces, sendo O controle da sarna comum é feito
aparentemente S. scabies (ou S. scabiei) a por meio de práticas culturais. A principal

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32 Doenças da cenoura

medida é não plantar em solo que tenha Às vezes o tecido necrosado se destaca
sido recentemente cultivado com batata. da lesão, formando pequena cratera na
Além dessa, a manutenção da umidade superfície da raiz principal.
do solo durante todo o ciclo da cultura, Em regiões de clima temperado, em
a rotação de culturas e o plantio em solos especial da América do Norte, sintoma
ligeiramente ácidos são também eficazes. muito similar ao que tem sido observado
no Brasil é atribuído ao ataque de espécies
Mancha pestana (Cavity Spot) de Pythium, principalmente P. ultimum,
P. violae e P. sulcatum. Todavia, mesmo lá
Agente etiológico: Pythium spp. Pringsheim reconhece-se que o diagnóstico é difícil.
Há relatos de que seja uma doença com-
A mancha pestana tem sido obser- plexa, podendo ser causada por outros
vada no Brasil com certa frequência patógenos ou mesmo por fatores genéti-
em raízes recém-colhidas ou em pós- cos ou fisiológicos, como deficiência de
-colheita. Embora chame a atenção por cálcio ou excesso de potássio.
causar danos cosméticos consideráveis
Em praticamente todos os casos,
ao produto, ainda não teve sua causa
a anormalidade é notada com mais fre-
devidamente identificada no Brasil.
quência em solos úmidos e a associação
Os sintomas aparecem somente nas raí-
com Pythium spp. se dá sob temperatu-
zes, onde são observadas lesões superfi-
ras amenas. Assim, se a doença ocorrer
ciais escuras, orientadas transversalmente
em climas com temperaturas elevadas,
ao eixo da raiz, geralmente associadas acima de 25°C, deve-se colocar em
a cicatrizes formadas pelo desprendi- dúvida a associação da doença com esse
mento das raízes secundárias (Figura 18). gênero de oomiceto, embora possa haver
interação entre a temperatura e a espécie
Foto: Carlos Alberto Lopes

do patógeno.
A presença de microrganismos
patogênicos e saprófitas nas lesões, em
especial espécies de Fusarium, nor-
malmente tem levado a diagnósticos
incorretos, havendo a necessidade de
comprovar a patogenicidade dos agentes
isolados nas lesões por meio de metodo-
logia científica apropriada.

Figura 18. Mancha pestana causada por Embora de causa ainda não bem
complexo de fungos e oomicetos. definida, algumas medidas de controle

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Doenças de colo e de raiz 33

podem ser recomendadas, com especial Sob condições ideais de evolução


atenção ao manejo de água, pois a doença da doença, as raízes apodrecem e a parte
só tem sido observada em lavouras com aérea murcha e seca, situação normal-
alta umidade no final do ciclo. Deve-se mente observada em reboleiras em locais
atentar ainda para as diferenças varietais, mais úmidos da lavoura, decorrentes de
pois se acredita que as cultivares reagem vazamentos no sistema de irrigação, de
diferentemente ao ataque da doença. depressão no terreno (parte mais baixa
Adubação balanceada, baseada em aná- do campo) e de solos compactados.
lise de solo, também é recomendada. Deve-se atentar para o fato de outros
patógenos, de origem fúngica, também
Podridão mole causarem podridão amolecida nas raízes,
conforme descrito mais adiante.
Agentes etiológicos: bactérias dos gê-
O controle da doença deve ser pre-
neros Pectobacterium Waldee 1945 e
ventivo e baseado em medidas culturais,
Dickeya Samson et al. (2005).
que são: plantar em terrenos não infesta-
dos, ou seja, evitar os que tenham sido
A podridão mole é uma doença
cultivados anteriormente com espécie
muito comum em hortaliças no mundo
hospedeira da bactéria; preparar o solo
todo, em especial naquelas que possuem
de modo que não haja partes do terreno
órgãos subterrâneos carnosos, como batata,
compactadas; fazer canteiros mais altos
cebola e cenoura. Os principais patógenos
no verão, de modo que não haja acú-
causadores de podridão mole são bactérias
mulo de água na região onde as raízes se
pectolíticas dos gêneros Pectobacterium e
desenvolvem; fazer adubação balance-
Dickeya. Esses microrganismos, até pouco
ada, principalmente não deixando faltar
tempo conhecidos como Erwinia spp., são
cálcio e evitando excesso de nitrogênio;
habitantes de solo muito comuns na natu-
controlar insetos de solo e nematoides,
reza e são capazes de provocar podridões
para evitar ferimentos na raiz; e fazer
moles em várias hospedeiras.
rotação de culturas, de preferência com
A doença ocorre tanto durante gramíneas. O controle químico não é efi-
o cultivo como após a colheita (seção caz após o aparecimento da doença.
Doenças pós-colheita). Maior predis-
posição à doença no campo ocorre na Podridão de esclerócio
presença simultânea de alta umidade,
alta temperatura e ferimentos mecânicos Agente etiológico: Sclerotium rolfsii Sacc.
ou causados por insetos e nematoides.
Por isso, é alvo de preocupação quase Esta doença é causada pelo fungo
que exclusivamente em cultivos de verão. de solo Sclerotium rolfsii. Aparece em

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34 Doenças da cenoura

lavouras submetidas a altas temperatura escleródios do fungo produzidos por


e umidade, condições similares àquelas vários hospedeiros, como feijão e tomate,
que favorecem a podridão mole causada permanecem viáveis no solo por longo
por bactérias pectolíticas. Por isso, é tam- tempo, requerendo rotação de culturas
bém mais comum em cultivos de verão, mais longa, por volta de dez anos.
concentrando-se em áreas com maior
teor de umidade no solo. Podridão de esclerotínia
Plantas atacadas murcham e
Agente etiológico: Sclerotinia sclerotiorum
secam. Quando o ataque é tardio, as
(Lib.) de Bary
raízes já formadas apodrecem e se desin-
tegram ao ser arrancadas, sintoma que
Esta podridão é causada pelo
pode confundir com o da podridão mole
fungo de solo Sclerotinia sclerotiorum.
causada por bactérias. Na podridão de
Aparece esporadicamente em cultivos
esclerócio, no entanto, aparecem, ao
sujeitos a períodos de temperatura baixa
redor das plantas afetadas e em solo
e alta umidade. No campo, o ataque do
úmido, estruturas do fungo, que são
fungo causa o apodrecimento mole da
micélio branco cotonoso e escleródios
coroa e da raiz, sintoma que pode ser
redondos, inicialmente de cor branca,
confundido com as podridões causadas
passando a marrom, assemelhando-se a
por Sclerotium rolfsii e por bactérias
sementes de mostarda (Figura 19).
dos gêneros Pectobacterium e Dickeya,
embora essas sejam mais comuns em
Foto: Carlos Alberto Lopes

condições de alta temperatura.


Outra característica da podridão
de esclerotínia é o aparecimento de
micélio branco na base da planta em
solos úmidos, similar ao produzido por
S. rolfsii, porém seguido da formação de
escleródios grandes e irregulares, diferen-
tes dos escleródios de S. rolfsii, que são
Figura 19. Raízes de cenoura deterioradas pequenos e redondos. É também uma
por podridão de esclerócio. doença pós-colheita (seção Doenças
pós-colheita).
As medidas de controle da O controle da podridão de escle-
podridão de esclerócio são as mesmas rotínia é o mesmo indicado para podri-
recomendadas para a podridão mole. dão mole e para podridão de esclerócio.
Deve-se levar em conta, entretanto, que A doença merece especial atenção pelo

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Doenças de colo e de raiz 35

fato de que S. sclerotiorum possui ampla raiz principal e nas raízes secundárias
gama de espécies hospedeiras e também (Figura 21).
produz escleródios que permanecem no
solo por muitos anos. Assim, terrenos

Foto: Jadir Pinheiro


anteriormente cultivados com feijão, soja
e tomate devem ser evitados.

Galhas
Agentes etiológicos: Meloidogyne
incognita (Kofoid & White) Chitwood e
M. javanica (Treub.) Chitwood
Figura 20. Raízes de cenoura deformadas por
O aparecimento de raízes com nematoide das galhas.
galhas e/ou “pipocas” causa grandes

Foto: Carlos Alberto Lopes


perdas em lavouras de cenoura, especial-
mente em cultivos de verão, que favore-
cem a multiplicação dos nematoides que
as causam. O problema se agrava em áreas
cultivadas intensivamente, onde existe alta
população do patógeno no solo.
No Brasil, as espécies mais
encontradas em cenoura são do gênero
Meloidogyne, com destaque para
M. incognita e M. javanica, que são capa-
zes de infectar grande número de espécies
vegetais. O ataque nas raízes de cenoura
compromete o desenvolvimento da parte
aérea da planta. As infecções precoces
provocam vários sintomas, tais como
galhas, rachaduras, estrangulamento, rami-
ficação e bifurcação das raízes (Figura 20).
Esses sintomas, entretanto, podem ter Figura 21. Galhas ou pipocas em raízes de
cenoura, causadas por nematoide.
outras causas (seção Distúrbios fisiológi-
cos). As infecções tardias são as mais fáceis
de serem diagnosticadas, pois resultam A dispersão de nematoides de
basicamente em galhas, também conhe- uma área para outras se dá por meio
cidas popularmente como “pipocas”, na de partículas do solo contaminadas

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36 Doenças da cenoura

transportadas por implementos agrícolas, fazer rotação de culturas com espécies


água de irrigação, inundações, patas de não hospedeiras, como as gramíneas;
animais e material propagativo. facilitar a propagação de inimigos natu-
rais pela adição de matéria orgânica, na
Para o controle efetivo é necessário
forma de adubação verde ou esterco; e
adotar medidas principalmente preventi-
plantar cultivar resistente. As cultivares
vas, porque as plantas na fase inicial (da
atualmente plantadas no verão possuem
germinação até o desbaste) são muito
bom grau de resistência, mas não devem
suscetíveis. Como as áreas cultivadas
ser plantadas em áreas com alta popula-
com hortaliças são usadas de forma
ção de nematoides.
intensiva e praticamente todas as espé-
cies são hospedeiras ou suscetíveis, as Além do gênero Meloidogyne,
medidas a seguir deverão ser considera- outros nematoides de menor relevância
das para reduzir ou manter baixa a popu- podem afetar a cenoura, como espécies
lação de nematoides na lavoura: remover dos gêneros Rotylenchulus, Pratylenchus,
as raízes doentes da lavoura anterior, Rotylenchus, Radopholus, Heterodera e
para reduzir a quantidade de inóculo Hemicycliophora.
inicial do solo; fazer aração e gradagem, Por questões de alto custo e con-
seguidas da manutenção da área limpa, taminação ambiental, o controle químico
sem vegetação (alqueive); usar plantas deve ser evitado. O controle biológico,
antagônicas, como o cravo-de-defunto, embora com alguns resultados promisso-
crotalária, mucuna-preta, erva-de-santa- res, na prática ainda não é passível de ser
-maria, aveia preta e feijão-de-porco; empregado pelos agricultores.

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Doenças pós-colheita

Acredita-se que quase um terço da

Foto: Giovani Olegário


cenoura colhida no Brasil é perdido sem
ser consumido. Essa perda é causada por
fatores abióticos e bióticos que alteram
sua importância de acordo com a época
de plantio, condução da lavoura e formas
de manuseio do produto.
As primeiras perdas pós-colheita
acontecem ainda no campo. Boa parte
das raízes produzidas é deixada no campo Figura 22. Raízes de cenoura deformadas,
por conta de defeitos diversos que as des- refugadas e deixadas em campo.
qualificam comercialmente. São defeitos
causados por raízes bifurcadas, quebradas a contaminação do solo e não prejudicar
e malformadas (Figura 22). Essas raízes cultivos posteriores. Da mesma forma,
podem ser parcialmente aproveitadas devem ser destruídos os restos de folhas
na fabricação de produtos minimamente (Figura 23), em especial quando epidemias
processados para consumo humano ou da queima das folhas tiverem ocorrido.
mesmo para alimentação animal.
As perdas pós-colheita mais comuns
Também são deixadas no campo e mais significativas ocorrem quando raí-
raízes parcialmente apodrecidas, que não zes colhidas em solos muito úmidos abri-
devem ser aproveitadas para consumo gam alta população de fungos e bactérias
humano ou animal e que devem ser des- apodrecedores em sua superfície. Essas
truídas por enterrio profundo, para evitar raízes, ao sofrerem ferimentos durante a

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Foto: Jadir Pinheiro 38 Doenças da cenoura

Foto: Ailton Reis


Figura 23. Restos de folhagem e de raízes
deixados no campo após colheita.

colheita e lavação e permanecerem em


ambiente úmido e não refrigerado durante
o transporte e comercialização, podem
apodrecer rapidamente. Já raízes colhidas Figura 24. Raízes de cenoura acondicionadas
em solos secos e mantidas em ambiente em caixas K.
de baixa temperatura e baixa umidade
relativa praticamente não sofrem perdas O controle das doenças pós-
com as podridões, porém podem ficar -colheita passa pela condução adequada
sujeitas a outras anormalidades, como da lavoura, com controle efetivo das doen-
murchamento, bronzeamento e escureci- ças no campo, e nos cuidados durante a
mento de superfície. colheita, transporte, lavação, embalagem
É comum a contaminação de raí- e exposição do produto nos equipamen-
zes com microrganismos apodrecedores tos de comercialização. As principais
ocorrer quando caixas e sacaria contami- medidas gerais de controle de doenças
nadas na lavoura são usadas na colheita, pós-colheita da cenoura estão resumidas
ou quando são usadas repetidamente no final desta seção. Antes, convém ana-
sem a devida descontaminação. As caixas lisar cada uma dessas doenças.
de madeira (caixas K), ainda usadas em
pequenas propriedades, não são reco- Podridão mole
mendas para uso na colheita, transporte Agentes etiológicos: Bactérias dos gê-
e comercialização porque são porosas e neros Pectobacterium Waldee (1945) e
de difícil manutenção, limpeza e desin- Dickeya Samson et al. (2005).
festação (Figura 24). Em mercados mais
desenvolvidos, as caixas de madeira não É a principal doença pós-colheita
são mais utilizadas, tendo sido substituí- em cenoura produzida no verão. As bac-
das por caixas de papelão ou de plástico. térias pectolíticas (Pectobacterium spp.

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Doenças pós-colheita 39

e Dickeya spp.), causadoras de apodre- de ferimentos na colheita e transporte;


cimento, são favorecidas por alta tem- lavação das raízes com água fria e não
peratura e alta umidade. Raízes colhidas contaminada imediatamente após a
em solos quentes e úmidos possuem na colheita; secagem rápida das raízes; e
sua superfície alta quantidade de célu- exposição no mercado em locais venti-
las bacterianas capazes de desencadear lados, porém não muito secos, para que
o apodrecimento, que normalmente as raízes não murchem com rapidez.
começa a partir de ferimentos que A limpeza de caixas, sacaria e gôndo-
ocorrem na colheita, no transporte e na las, bem como cuidados no manuseio
lavação. Se a temperatura e a umidade de raízes apodrecidas na operação de
permanecerem altas após a colheita, o troca de material nas gôndolas, são
apodrecimento ocorrerá de forma rápida relevantes para evitar a contaminação
e causará perdas relevantes durante o de raízes.
transporte e a comercialização.
O principal sintoma da doença é Podridão negra
uma “mela” superficial da raiz, que se
Agente etiológico: Chalara elegans Nag
aprofunda com condições favoráveis,
Raj & W.B. Kendr. [Thielaviopsis basicola
podendo ou não escurecer (Figura 25),
(Berk. & Broome) Ferraris]
conforme descrito na seção Doenças de
colo e de raiz.
Embora haja relatos de ocorrência
da podridão negra em campo, esta é
Foto: Carlos Alberto Lopes

uma doença que ocorre quase exclusi-


vamente após a colheita. O patógeno,
Chalara elegans (Thielaviopsis basicola), é
um fungo encontrado principalmente em
solos ácidos e com alto teor de matéria
orgânica. Produz clamidósporos, que
são estruturas de resistência capazes de
promover sua sobrevivência no solo por
longos períodos.
Figura 25. Podridão mole em raízes de ce-
noura, em banca de supermercado. As condições que favorecem o
aparecimento da doença são: raízes
Dentre as medidas recomenda- lavadas, temperatura alta (acima de
das para o controle da podridão mole 25°C), alta umidade do ar, exposição em
visando ao aumento da vida de prate- local mal ventilado e acondicionamento
leira do produto, destacam-se: redução em embalagem de plástico.

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40 Doenças da cenoura

O sintoma inicial da doença é o

Foto: Carlos Alberto Lopes


aparecimento de estruturas pulverulentas
escuras do fungo em locais que coinci-
dem com ferimentos na superfície da
raiz (Figura 26). Em condição favorável, a
doença se espalha rapidamente para toda
a raiz e para raízes vizinhas. O tecido
afetado fica amolecido e se desintegra
quando tocado (Figura 27).

Figura 27. Apodrecimento de raízes de ce-


Foto: Carlos Alberto Lopes

noura causado por podridão negra.

fria e com cloro logo após a colheita; e


transportar, armazenar e expor as raízes
em local ventilado e fresco (cerca de
10°C).

Podridão de geotricum
Agente etiológico: Geotrichum candidum
Link

É uma doença pós-colheita muito


comum. O fungo causador (Geotrichum
candidum) ataca várias hospedeiras e
produz grande quantidade de estruturas
Figura 26. Início de podridão negra em raízes
(micélio e conídios) que contaminam cai-
de cenoura, após colheita.
xas, embalagens e gôndolas de supermer-
cado. As raízes afetadas ficam amolecidas,
O controle da doença é feito com
com manchas encharcadas, inicialmente
medidas preventivas: não plantar em solos
infestados, ou seja, que tenham histórico quase sem mudança de cor (Figura 28)
da doença em cultivos anteriores; evitar e com odor avinagrado. Mantida a alta
ao máximo a ocorrência de ferimentos umidade do ar, a superfície afetada fica
nas operações de colheita, lavagem e coberta com estruturas do fungo, de cor
transporte; mergulhar as raízes em água branca a creme (Figura 29).

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Doenças pós-colheita 41

de plástico, ou quando expostas ainda


Foto: Carlos Alberto Lopes

molhadas em embalagens ou bancadas


pouco ventiladas. Raízes produzidas em
solos com baixa umidade, colhidas com
cuidado para evitar ferimentos e depois
mantidas em ambiente frio e seco dificil-
mente desenvolvem a doença.
A podridão de geotricum também
Figura 28. Lesões superficiais e escorregadias
em raiz de cenoura decorrentes de ataque é frequente em cenoura minimamente
inicial da podridão de geotricum. processada e armazenada em condi-
ções de alta temperatura e alta umidade
(Figura 30).
Foto: Carlos Alberto Lopes

Foto: Carlos Alberto Lopes


Figura 30. Cenoura minimamente pro-
cessada, em deterioração pelo ataque de
Geotrichum sp.

O controle da doença é obtido


com prevenção de ferimentos, limpeza
das caixas e das bancas de supermercado
Figura 29. Raiz de cenoura em estado avan- e secagem e refrigeração do produto.
çado de deterioração causada por podridão
de geotricum.
Podridão de levedura
A doença só se desenvolve quando Agente etiológico: Candida sp. Berkhout
as raízes sofrem ferimentos e são armaze-
nadas em condições de alta temperatura As leveduras são raras em raízes
e alta umidade, como em embalagens de cenoura in natura, mas ocorrem

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42 Doenças da cenoura

com frequência em raízes processadas, recoberta por estruturas (micélio e espo-


como a cenourete (“baby-carrots”), ros) brancas do fungo (Figura 32). É de
embaladas e armazenadas inadequa- ocorrência rara nas bancas de supermer-
damente. Para se estabelecer, as leve- cado, pois o apodrecimento é mais lento
duras (Candida spp.) necessitam de do que o observado com outros patóge-
ferimentos (mecânicos ou causados por nos já relatados e pelo fato de as raízes
outros organismos) e alta temperatura atacadas serem facilmente identificadas
e alta umidade. Nesta situação, provo- e eliminadas.
cam apodrecimento mole escorregadio
(Figura 31) e odor de fermentação, que

Foto: Carlos Alberto Lopes


muito se assemelham ao ataque de
Geotrichum. A secagem e a embalagem
a frio são medidas eficazes para evitar
perdas pela doença.
Foto: Carlos Alberto Lopes

Figura 32. Podridão seca em raízes de ce-


noura causada por Fusarium spp.

Cultivos de verão são mais sujeitos


ao ataque da doença. O controle deve
ser preventivo, evitando-se ferimentos e
Figura 31. Cenoura minimamente proces- o plantio em áreas anteriormente planta-
sada, com aspecto melado pelo ataque de das com espécies suscetíveis, tais como
levedura. batata e mandioquinha-salsa.

Podridão de fusário Podridão de esclerócio

Agentes etiológicos: fungos do gênero Agente etiológico: Sclerotium rolfsii Sacc


Fusarium
Da mesma forma que acontece
Podridão causada por espécies com a podridão de fusário, a podridão
de fungo do gênero Fusarium, ocorre a de esclerócio (Sclerotium rolfsii) inicia-
partir de ferimentos e manifesta-se como -se em ferimentos nas raízes ainda no
podridão seca e escura, normalmente campo ou por ocasião da colheita,

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Doenças pós-colheita 43

lavação, transporte e embalagem. Dife- Podridão de esclerotínia


rencia-se da podridão de fusário por ser
mais clara e apresentar, na superfície Agente etiológico: Sclerotinia sclerotiorum
das lesões, micélio branco cotonoso (Lib.) de Bary
de crescimento rápido quando em
ambiente úmido, que em poucos dias A doença caracteriza-se por um
forma escleródios redondos inicialmente micélio branco na superfície das raízes,
brancos, adquirindo cor marrom em similar ao produzido por Sclerotium
seguida, ficando similares a sementes de rolfsii, porém seguido da formação
mostarda (Figura 33). de escleródios grandes e irregulares,
semelhantes a excrementos de ratos
(Figura 34). (Os escleródios de S. rolfsii
Foto: Carlos Alberto Lopes

são pequenos e redondos – ver Figura 19


na página 34).

Figura 34. Podridão mole coberta de micélio Foto: Carlos Alberto Lopes

e escleródios em raízes de cenoura com po-


dridão de esclerotínia.

A doença é causada pelo fungo de


solo Sclerotinia sclerotiorum e também
Figura 33. Podridão mole coberta de micélio
cotonoso em raiz de cenoura com podridão ocorre no campo, como já descrito em
de esclerócio. seção anterior.
O controle da doença é obtido
O controle da doença é obtido com prevenção de ferimentos, limpeza
com prevenção de ferimentos, limpeza das caixas e das bancas de super-
das caixas e das bancas de supermercado mercado e secagem e refrigeração do
e secagem e refrigeração do produto. produto.

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44 Doenças da cenoura

Podridão de rizopus Podridões de rizoctônia


Agente etiológico: Rhizopus stolonifer Agente etiológico: Rhizoctonia solani
(Ehrenb.) Vuill (Kühn) e R. carotae Rader

É uma podridão mole que evolui O fungo R. solani, além de causar


rapidamente em condições de alta umi- tombamento de mudas de cenoura, pode
dade. É causada pelo fungo zigomiceto atacar raízes de plantas adultas e nelas
Rhizopus stolonifer. Pode ser confun- causar cancros. Também pode produzir
dida com a podridão mole causada por microescleródios que se aderem à super-
pectobactérias. Na podridão de rizopus, fície da raiz e formam “crostas” escuras.
as lesões são rapidamente cobertas por
De ocorrência mais rara, outra
micélio branco solto, que escurece em
espécie de Rizoctonia, R. carotae, ataca as
poucas horas pela formação de esporos
raízes da cenoura promovendo a forma-
pretos (Figura 35).
ção de lesões deprimidas que aos poucos
são cobertas por uma massa miceliana
Foto: Carlos Alberto Lopes

branca (Figura 36), dando aspecto avelu-


dado às áreas afetadas da raiz.

Foto: Carlos Alberto Lopes


Figura 35. Podridão mole coberta de micélio
ralo e pontuações pretas em raízes com po-
dridão de rizopus.

Da mesma forma que ocorre com


outras podridões, as lesões iniciam-se
por ferimentos causados antes e após a
colheita. O controle é o mesmo indicado
para a podridão mole, principalmente no
que diz respeito à limpeza do ambiente e
dos equipamentos de exposição e embala-
Figura 36. Raízes de cenoura cobertas por ca-
gem, à manutenção das raízes em ambiente mada aveludada produzida por Rhizoctonia
seco e frio e à redução de ferimentos. carotae.

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Doenças pós-colheita 45

A infecção por R. solani e R. carotae O plantio de cenoura em áreas


acontece no campo, mas pode ocorrer livres da doença é a principal medida
de as lesões aparecerem apenas após a para evitar a contaminação. Detectada a
colheita, daí porque as podridões causa- doença, medidas de controle recomen-
das por esses fungos são também consi- dadas para fungos de solo podem ser
deradas doenças pós-colheita. aplicadas.

Medidas gerais de controle de doenças e distúrbios pós-colheita da cenoura


• Conduzir a lavoura em solo adequado e bem preparado, de modo a produzir raízes
sadias e bem formadas, e evitar ferimentos por nematoides e insetos;
• Evitar ao máximo a presença de ferimentos mecânicos nas raízes ao realizar as operações
de colheita, transporte, lavação e comercialização;
• Usar caixas de tamanho e formato adequados, para não causar ferimentos nas raízes
durante a colheita e o transporte;
• Usar caixas de transporte e sacaria novas ou devidamente sanitizadas, principalmente se
forem levadas ao campo;
• Na lavação, usar água fria e de boa qualidade e cuidar para que a lavadora não esteja
contaminada, desinfestando o equipamento se perceber presença de raízes apodrecidas;
• Após a lavação, cuidar para que as raízes estejam bem secas antes de serem embaladas;
• Raízes colhidas em solos úmidos hospedam maior número de microrganismos apodrece-
dores e podem requerer tratamento químico para aumentar a sua vida de prateleira; nesse
caso, usar somente produtos químicos registrados no Mapa, observando os cuidados
necessários para o manuseio;
• Manter a gôndola e outros equipamentos de exposição limpos e sanitizados;
• Evitar o manuseio de raízes aparentemente sadias após tocar raízes podres na operação
de renovação do estoque nas gôndolas;
• Usar plástico adequado na embalagem, que permita trocas gasosas, para evitar a forma-
ção de câmaras úmidas que favorecem o apodrecimento;
• Usar refrigeração para aumentar a vida de prateleira das raízes, pois ela desacelera signi-
ficativamente o desenvolvimento de microrganismos apodrecedores.

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Distúrbios fisiológicos

Distúrbios fisiológicos são provocam sintomas em plantas distri-


também conhecidos como doenças buídas ao acaso nos canteiros. A defi-
fisiológicas ou não parasitárias e são ciência mineral pode ser corrigida pelo
decorrentes de estresses ambientais, fornecimento de adubação equilibrada,
nutricionais ou hídricos. Não são trans- calculada a partir de análise do solo ou
missíveis para outras plantas e são da planta.
controlados pela eliminação da fonte
de estresse. Dentre elas, as mais impor- Pendoamento
tantes são descritas a seguir.
Na produção de raízes, o pen-
Amarelecimento das folhas doamento de plantas (Figura 37) é
indesejável, pois acarreta desvio da
A principal causa do amareleci- energia que seria usada para o cresci-
mento das folhas, às vezes com evolu- mento das raízes e para a produção de
ção para arroxeamento, é a deficiência umbelas, flores e sementes. As plan-
de macronutrientes, principalmente tas pendoam quando as raízes sofrem
nitrogênio e potássio. Sintomas simi- choque frio e quando a semente
lares podem ser causados por outros não é devidamente selecionada pela
patógenos ou por ataque de insetos. No empresa produtora para evitar esse
caso de deficiência mineral, o distúrbio distúrbio. Quando se plantam cul-
é generalizado em toda a lavoura ou em tivares melhoradas, especialmente
manchas de aplicação diferenciada do híbridas, o pendoamento é raramente
adubo, diferentemente das viroses, que observado.

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Foto: Jairo Vidal Vieira 48 Doenças da cenoura

Foto: Carlos Alberto Lopes


Figura 37. Pendoamento indesejável em
plantas de cenoura para produção de raízes.
Figura 38. Ombro verde e ombro roxo em
raízes de cenoura.
Ombro verde e ombro roxo
fatores de cultivo, sendo maior a incidên-
São os distúrbios que mais depre-
ciam a raiz de cenoura. O ombro verde cia em solos arenosos e em plantios com
se manifesta na parte superior da raiz, baixa densidade de plantas.
acima da linha do solo. É causado pela Para controlar esses distúrbios,
formação de clorofila em resposta à recomenda-se: plantar cultivar menos
exposição à luz. Em algumas cultiva- suscetível; preparar adequadamente o
res, em vez da clorofila, forma-se outro solo; usar maior densidade de plantas, de
pigmento, a antocianina, que confere forma a aumentar o sombreamento das
coloração avermelhada ou arroxeada às partes expostas das raízes; e plantar em
raízes, sendo este defeito chamado de solos mais argilosos.
ombro roxo (Figura 38).
O ombro verde é uma caracterís- Rachaduras
tica genética, portanto com manifesta-
ção variável entre cultivares. Da mesma Há dois tipos de rachaduras, ambas
forma, o crescimento das raízes acima longitudinais. A mais comum é uma
da linha do solo, que favorece o apare- anormalidade de causa fisiológica, mani-
cimento deste distúrbio, é controlado festando-se como fendas suberizadas, de
geneticamente. Por isso, algumas cultiva- bordas arredondadas de diferentes profun-
res são mais sujeitas à incidência desse didades, às vezes expondo o tecido interno
distúrbio do que outras. (Figura 39). Está associada à alternância
O esverdeamento da parte superior drástica da umidade do solo, provocada
das raízes também está relacionado com pelo crescimento desuniforme das partes

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Distúrbios fisiológicos 49

Foto: Carlos Alberto Lopes


Foto: Carlos Alberto Lopes

Figura 39. Rachadura cicatrizada durante o


desenvolvimento da raiz de cenoura.
Figura 40. Rachadura em raízes de cenoura
interna e externa da raiz em terreno úmido, causada por impacto durante a colheita e a
lavação.
após seca prolongada. Sintoma similar tem
sido atribuído à deficiência de boro, que
pode ser diagnosticada pelo histórico da O controle desses distúrbios deve
calagem e da adubação do terreno e pela começar antes do plantio, com bom
análise do solo. O ataque de nematoides preparo, correção e adubação do solo e
no início de crescimento da raiz também com bom manejo da água de irrigação.
pode provocar rachadura, mas neste caso A rachadura causada por impacto pode
normalmente ocorre também a formação ser reduzida pelo ajuste das máquinas
de galhas e/ou bifurcação das raízes. de colheita e esteiras de separação das
Um segundo tipo de rachadura, raízes.
mais estreito e com bordas angulares, é
causado por forte impacto na raiz durante Prateamento
a colheita mecânica, o transporte e a lava-
ção (Figura 40). Este tipo de rachadura, Raízes de cenoura, quando expos-
por não ter as bordas cicatrizadas, é mais tas a ambiente seco após a lavação, ficam
sujeito ao ataque de fungos e bactérias. com aspecto prateado, como se cobertas

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50 Doenças da cenoura

por pó esbranquiçado (Figura 41). Aparen-

Foto: Carlos Alberto Lopes


temente, esse sintoma depende da forma-
ção de lignina de cor branca em resposta
à abrasão das células superficiais, embora
haja dúvidas a respeito da associação de
lignina no prateamento das raízes. É, por-
tanto, um fenômeno físico-químico que
pode ser amenizado com lavagem mais
suave das raízes e pelo armazenamento
em ambiente úmido, alertando-se para o
favorecimento da umidade alta no desen-
volvimento de podridões. Pode haver
efeito da maturação da raiz e da cultivar
na sensibilidade à abrasão.
Foto: Carlos Alberto Lopes

Figura 42. Raiz marrom de cenoura exposta


à umidade baixa após a colheita.

O escurecimento é causado pela


oxidação de compostos fenólicos, expos-
tos pela abrasão que remove a camada
de células externas da epiderme da raiz
Figura 41. Prateamento em raiz de cenoura durante a lavação. Raízes colhidas mais
lavada e exposta à baixa umidade.
novas são mais sujeitas ao escurecimento.
Esse distúrbio pode ser amenizado com
Raiz marrom lavação das raízes logo após a colheita e
pela sua manutenção em ambientes frios
Embora a cenoura seja um dos ali- e úmidos.
mentos menos sujeitos ao escurecimento
após a colheita, raízes lavadas, quando Raiz arroxeada
expostas por período longo a tempera-
tura alta e baixa umidade, adquirem cor Caracteriza-se pela desuniformidade
amarronzada na superfície (Figura 42), da cor alaranjada da raiz e pelo apareci-
normalmente acompanhada de mur- mento de manchas ou estrias arroxeadas
chamento, típico de “cenoura velha” na no seu sentido longitudinal. Em casos mais
banca. extremos, a raiz pode ficar totalmente roxa

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Distúrbios fisiológicos 51

(Figura 43). A pigmentação varia de planta umidade (Figura 44). Para evitar perdas


para planta e, quando mais intensa, mais com murchamento, as raízes devem ser
ela se aprofunda na raiz. comercializadas em pouco tempo após a
colheita ou mantidas em ambientes frios
e úmidos.
Foto: Carlos Alberto Lopes

Foto: Carlos Alberto Lopes


Figura 43. Raiz de cenoura com manchas
arroxeadas de origem genética.

A causa desse distúrbio é princi-


palmente genética, porém há influência Figura 44. Cenouras murchas e com man-
de fatores ambientais, principalmente chas marrons, resultado da exposição longa
temperatura. A escolha da cultivar mais das raízes a ambientes secos.
adaptada ao local e época apropriada
de plantio reduzem a incidência deste Raiz bifurcada
problema.
Esse distúrbio acontece em decorrên-
Raiz murcha cia de qualquer fator que afete o ponto de
crescimento da raiz principal em início de
O murchamento de raízes é uma desenvolvimento. Ao ser quebrada a domi-
das principais causas de depreciação da nância apical, que mantém a raiz tuberosa
cenoura nos mercados. Quando expos- única, a raiz se bifurca, comprometendo
tas a granel em bancas de supermerca- seu valor comercial (Figura 45). A principal
dos ou em feiras, as raízes murcham após causa desse distúrbio é o ataque de insetos
alguns dias, mais ou menos lentamente e nematoides, embora alguns fungos de
de acordo com a umidade relativa do ar. solo e fatores físicos e químicos possam
Raízes mais finas são mais sujeitas a per- também estar envolvidos. Dentre os fatores
das por murchamento, que normalmente físicos, o desbaste atrasado é o principal e
é acompanhado de escurecimento (ver deve ser evitado, pois o arrancamento de
Raiz marrom), mas raramente por ata- plantas grandes afeta com maior intensi-
que de patógenos dependentes de alta dade a integridade de raízes vizinhas.

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52 Doenças da cenoura

uma salsicha (Figura 46). O aparecimento


Foto: Carlos Alberto Lopes

desse distúrbio tem o agravante de resul-


tar no aumento de raízes apodrecidas, já
que essas raízes, quando aproveitadas,
são quebradas para serem expostas nas
bancas de comercialização. Essa carac-
terística tem forte componente genético,
mas fatores nutricionais, presença de
nematoides e umidade do solo podem
influenciar o seu aparecimento.

Foto: Carlos Alberto Lopes


Figura 45. Raízes de cenoura bifurcadas pela A
quebra da dominância apical por causas bió-
ticas e abióticas.
B

O controle adequado desse distúr- C


bio em cada região e época de plantio Figura 46. Raízes de cenoura. A) com ápice
depende do diagnóstico correto da causa arredondado, B) com formato de rabo de
do problema. O clima parece afetar sua rato, quebrada, e C) com formato de rabo de
rato, inteira.
incidência, já que ele ocorre com mais
frequência em plantios que coincidem
com temperatura e umidade elevadas. De Deve ser observada a distribuição do
modo geral, o controle é feito com preparo distúrbio na lavoura: se em reboleiras, nor-
adequado do solo e com outras medidas malmente é de causa biológica; se generali-
que visem à eliminação dos agentes causa- zada no campo, a causa pode ser atribuída
dores do distúrbio. O controle de nematoi- à cultivar, ao clima ou à condição química
des merece atenção especial em cultivos ou física do solo. O controle dependerá do
de verão, pois é nesse período que são correto diagnóstico do problema.
maiores os índices de multiplicação.
Raiz cinturada
Rabo de rato
Conhecida popularmente pelo pro-
Distúrbio que se caracteriza pelo dutor rural como “lisura”, é um distúrbio
crescimento contínuo da extremidade da que deixa as raízes deformadas, com
raiz, sem que haja a formação desejada afinamentos irregulares do seu diâmetro,
de extremidade arredondada, como a de como se fossem pequenas cinturas ao

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Distúrbios fisiológicos 53

longo do comprimento da raiz (Figura 47). período de comercialização, depreciando


Ocorre em solos mal preparados ou com- o produto exposto para a venda. A brota-
pactados, durante o desenvolvimento da ção é normalmente observada em cenou-
raiz, e normalmente a partir de cicatrizes ras mantidas em refrigeração por tempo
deixadas na raiz principal após o despren- excessivo (Figura 48). Não há restrição
dimento natural das raízes secundárias. quanto ao consumo de raízes brotadas,
embora brotos grandes afetem a quali-
Foto: Carlos Alberto Lopes

dade da raiz por consumir parcialmente a


sua reserva de nutrientes.

Foto: Carlos Alberto Lopes


Figura 47. Raízes de cenoura cinturadas, com
superfície irregular, em comparação com raiz
de superfície lisa.

Além do fator solo, a cultivar, a pre-


sença de vírus e o manejo da adubação e
da irrigação aparentemente interferem no
aparecimento desse distúrbio. O controle Figura 48. Raiz de cenoura brotada, geral-
mente decorrente de acondicionamento em
requer o plantio de cultivar bem adaptada
ambiente úmido e fresco.
à época de plantio, adubação balanceada,
controle de viroses e bom manejo do solo
e da irrigação. Solos compactados devem Enraizamento
ser evitados.
Da mesma forma que a brotação
Raiz brotada pós-colheita, raízes acondicionadas em
ambiente úmido, em bandejas cobertas
Raízes acondicionadas em ambiente por filme de plástico transparente, emitem
úmido, como em bandejas cobertas por raízes secundárias, alterando negativa-
filme de plástico transparente, podem mente o aspecto visual e comercial do pro-
brotar e lançar novas folhas durante o duto (Figura 49). Aparentemente, cenoura

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54 Doenças da cenoura

pode ser consumida, mas é de pior quali-


Foto: Carlos Alberto Lopes

dade, principalmente pelo esgotamento do


seu conteúdo de açúcares.

Deformações

Além de rachaduras e bifurcações


que aparecem com frequência, existem
deformações de ocorrência rara que
Figura 49. Formação de raízes secundárias se originam de alterações genéticas ou
em raiz tuberosa de cenoura armazenada em
fisiológicas. Não causam preocupação.
ambiente úmido e fresco.
Podem ser evitadas ou amenizadas com
o plantio de cultivar bem adaptada ao
produzida em solos com alto teor de maté- clima e com sementes de boa quali-
ria orgânica é mais propensa a apresentar dade, com bom preparo do solo e com
esse distúrbio. Também da mesma forma controle adequado de pragas e doenças
que a brotação, a raiz tuberosa enraizada (Figura 50).
Fotos: Carlos Alberto Lopes

Figura 50. Raízes de cenoura com diferentes tipos de deformações provocadas por
causas diversas.

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Doenças na produção de sementes

As doenças da cenoura na fase invistam em técnicas modernas de seu


reprodutiva ou de produção de sementes monitoramento tanto na lavoura como
são praticamente as mesmas que ocorrem após a colheita.
na fase de produção de raízes. Entretanto,
O tratamento de sementes com
diferentemente da produção de raízes,
água quente a 50oC, durante 20 minu-
em que se pode conviver com determi-
tos, elimina os patógenos das sementes
nado nível de dano na lavoura sem que
e pode até melhorar a sua germinação.
se tenha perda significativa de produ-
Entretanto, nenhum tratamento substitui
ção comercial, a produção de sementes
sementes sadias, produzidas com tecno-
requer rigoroso controle das doenças, em
logia adequada e em local não favorável
especial aquelas que atacam as folhas e,
à doença.
mais ainda, as umbelas, onde se formam
as sementes. Obviamente, maior rigor A produção de sementes de
de controle deve recair sobre patógenos cenoura requer cuidados específicos
transmitidos pelas sementes. para garantir a qualidade na hora da
colheita, tanto em termos de sanidade
A sanidade é um dos principais
quanto em índice de germinação, fatores
requisitos de qualidade da semente
que são intrinsecamente relacionados.
e é considerada essencial quando se
As medidas gerais de controle de doen-
leva em conta o controle integrado de
ças em campos de produção de semen-
doenças. A importância da sanidade
tes de cenoura estão relacionadas no
das sementes faz com que as empresas
final desta seção.
produtoras se concentrem em regiões de
clima seco, pouco favorável ao desen- Além das medidas gerais de con-
volvimento da maioria das doenças, e trole, e independentemente do fato de

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56 Doenças da cenoura

as doenças detectadas na produção de altas temperaturas tem-se diminuição na


sementes serem praticamente as mesmas quantidade de plantas e consequente
que ocorrem na produção de raízes, des- redução na produção de sementes.
critas em seção anterior, convém reme-
Para amenizar esse problema,
morar e agregar informações sobre três
devem-se evitar cortes nas raízes e tratá-
doenças, as que mais afetam a produção
-las com fungicidas, antes do plantio. Para
de sementes.
as bactérias, o tratamento com cal nas
superfícies cortadas e feridas reduz a taxa
Podridão de raízes de apodrecimento (Figura 52). O controle
Agentes etiológicos: Pectobacterium spp., da irrigação, evitando excessos, tam-
Dickeya spp., Pythium spp., Phytophthora bém ajuda a diminuir a ocorrência de
spp., Rhizoctonia solani, Sclerotium rolfsii podridões.
e Fusarium spp.

Foto: Agnaldo Ferreira


Bactérias pectolíticas, como
Pectobacterium spp. e Dickeya spp., oomi-
cetos, como Pythium spp. e Phytophthora
spp., e fungos de solo, como Rhizoctonia
solani, Sclerotium rolfsii e Fusarium spp.,
frequentemente causam podridão em
raízes de cenoura após a vernalização
e posterior plantio para produção de
sementes (Figura 51). Essas raízes geral-
mente estão estressadas, e quando são Figura 52. Raízes de cenoura tratadas com
plantadas em solos muito úmidos e sob cal para evitar podridão após plantio para a
produção de sementes.
Foto: Ailton Reis

Oídio
Agente etiológico: Erysiphe heraclei D.C.
(Oidium sp.)

O oídio, causado por Erysiphe


heraclei (Oidium sp.), praticamente só
ocorre em cultivos sujeitos a baixa umi-
Figura 51. Apodrecimento de raiz de cenoura dade do ar (seção Doenças da parte
plantada para a produção de sementes. aérea). Embora aparentemente não seja

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Doenças na produção de sementes 57

transmitido pela semente, o oídio pode o oídio atacará as estruturas das hastes
atacar as umbelas e afetar a produção florais, o que reduzirá o tamanho da
de sementes e o seu vigor (Figura 53). umbela, resultando em queda de produ-
Como as plantas de cenoura para a pro- ção e sementes de baixo vigor.
dução de sementes são cultivadas em
condições controladas e/ou nas épocas Queima de alternária
mais secas do ano, elas são atacadas
com mais frequência pelo oídio. Isso Agentes etiológicos: Alternaria dauci
também ocorre pelo fato de o sistema (Kühn), A. radicina (Meier) Drechsler &
de irrigação na produção de sementes E.D. Eddy e A. alternata (Fr.) Keissl.
ser geralmente por gotejamento, não
havendo o impacto da gota de água Na produção de sementes de
sobre as estruturas do patógeno. cenoura, a queima das folhas decorre do
ataque de Alternaria dauci, A. radicina e
A. alternata. São patógenos frequente-
Foto: Jairo Vidal Vieira

mente associados à semente de cenoura.


As três espécies atacam as folhas e inflo-
rescências das plantas e de lá atingem e
infectam as sementes. Os dois primeiros
são mais correlacionados com apodreci-
mento de sementes recém-germinadas e
tombamento de mudas.
As três espécies ficam alojadas no
Figura 53. Umbela de cenoura com ataque
severo de Oidium.
pericarpo, no tegumento e no endos-
perma da semente, concentrando-se
O controle químico é necessário se mais no pericarpo, não se localizando no
o ataque de oídio for intenso, condição embrião. Esta informação indica maior
que deixa as plantas amareladas e cober- probabilidade de eficácia do tratamento
tas de pó branco. Devem ser usados físico ou químico; patógenos localizados
os produtos recomendados pelo Mapa em camadas superficiais da semente ficam
(Tabela 2). Se não for feito o controle, mais expostos à ação dos tratamentos.

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58 Doenças da cenoura

Medidas gerais de controle de doenças em campos


de produção de sementes de cenoura
• Escolher áreas isoladas, distantes ou separadas de lavouras comerciais;
• Evitar terrenos contaminados com patógenos de solo;
• Evitar áreas sombreadas, sujeitas a orvalho e a temperaturas elevadas;
• Preparar o solo adequadamente, para evitar encharcamentos;
• Plantar sementes com alto vigor e alta qualidade sanitária, de preferência tratadas com
fungicidas;
• Preferir irrigação por gotejamento à aspersão, de modo a evitar doenças da parte aérea;
• Evitar plantio muito adensado, para permitir ventilação entre as plantas;
• Monitorar constantemente o aparecimento de pragas e doenças, controlando-as adequa-
damente com pulverizações preventivas em caso de o ambiente se tornar favorável.

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Principais medidas gerais
de controle

As condições de cultivo da cenoura de sementes também requer eficiência e


variam muito e afetam diretamente o eficácia no controle das doenças, para
aparecimento e a intensidade com que os garantir a melhor condição sanitária
problemas fitossanitários se manifestam. do material a ser colhido. Cultivos de
Por esta razão, as medidas de controle verão estão mais sujeitos a doenças (ver
devem ser analisadas caso a caso. frequência na Tabela 1) e devem ser con-
duzidos com ainda mais cuidado.
Uma doença, depois de estabe-
lecida, deve ser controlada somente Dentre as mais de 20 doenças da
quando se vislumbrar que as perdas que cenoura relatadas no Brasil, é raro se ter
pode provocar representam valor eco- mais de duas ameaçando simultanea-
nômico maior do que o custo necessário mente uma plantação em uma determi-
para seu controle. Isto significa que, em nada situação. Conhecer a associação da
algumas situações, é possível se convi- cultivar com o local e a época de plantio,
ver com a doença sem que haja perda bem como com as práticas culturais ado-
expressiva de produtividade. tadas, auxilia sobremaneira a tomada de
decisões para o controle fitossanitário.
As doenças que afetam as raízes de
cenoura, entretanto, requerem controle Dificilmente uma só medida é
eficaz, pois o consumidor brasileiro é suficiente para controlar uma doença;
muito exigente e não aceita produto que o controle integrado é recomendado
apresente defeitos de qualquer natureza. porque leva em conta todas as fases do
O cultivo com a finalidade de produção processo produtivo que interferem no

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60 Doenças da cenoura

aparecimento e na evolução de doenças.


Algumas palavras

Foto: Jairo Vidal Vieira


O controle integrado também pressupõe
que a causa do problema deve ser bem
diagnosticada e que “prevenir é melhor
que remediar”, ou seja, o controle de sobre
uma doença normalmente é muito difícil
após ela se manifestar na lavoura.
As principais práticas culturais e
pós-colheita que interferem na mani-
festação das doenças da cenoura e que Figura 54. Campo de cenoura bem ventila-
do, com solos profundos e friáveis, adequado
devem ser respeitadas no estabeleci-
para a produção de raízes.
mento do controle integrado são descri-
tas a seguir.
facilidade e que favorecem sobremaneira
Época de plantio. Doenças ocor- o surgimento de organismos apodrece-
rem com mais frequência em lavouras dores de raízes. Novos plantios devem
conduzidas durante períodos quentes ser feitos distantes de outras lavouras
e chuvosos. Cultivares de maior valor de cenoura, principalmente de lavouras
comercial, se suscetíveis especialmente velhas, que podem abrigar insetos veto-
a doenças foliares, devem ser plantadas res de vírus e produzir inóculo que será
preferencialmente em períodos secos disseminado na vizinhança pelo vento,
e de baixa temperatura, como feito na pela água ou por máquinas.
produção de sementes. De outra forma,
Uso de sementes sadias ou tra-
demandariam pesadas aplicações de
tadas. Vários patógenos que atacam a
agrotóxicos para garantir a produção.
cenoura, tais como Rhizoctonia solani,
Escolha da área. Para o plantio de Cercospora carotae, Alternaria dauci,
cenoura, devem ser escolhidas áreas bem A. radicina e Xanthomonas hortorum pv.
ventiladas e ensolaradas onde não ocorra carotae, são transmitidos pela semente.
neblina, pois esta aumenta o período de É essencial, portanto, que as sementes
molhamento foliar e favorece epidemias sejam de qualidade sanitária comprovada
de doenças causadas por fungos e bacté- e adequada para o plantio. É importante
rias, principalmente a queima das folhas também que as sementes sejam tratadas
(Figura 54). Áreas anteriormente cultiva- com fungicidas apropriados para eliminar
das com cenoura ou com outras espécies propágulos de alguns desses patógenos
afetadas por doenças comuns, como eventualmente presentes na superfície
mandioquinha-salsa e batata, devem ser da semente, bem como para proteger as
evitadas. Também devem ser evitados plântulas logo após a germinação con-
solos compactados, que encharcam com tra patógenos da espermosfera, que é a

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Principais medidas gerais de controle 61

região do solo influenciada pelas raízes pouco tempo, normalmente associados


da planta. O tratamento de sementes aos restos de cultura não decompostos.
com água quente (50°C/20 minutos) Para esses, curta rotação, de 2 a 3 anos, é
é eficaz para eliminar patógenos na suficiente. Entretanto, os nematoides, bem
semente, mas deve ser feito com cui- como alguns fungos que formam estrutu-
dado, de preferência sob a supervisão ras de resistência, como Sclerotium rolfsii
de um agrônomo, para que variações no e Sclerotinia sclerotiorum, são capazes
binômio tempo x temperatura durante o de sobreviver por longos períodos, exi-
tratamento não afetem a germinabilidade gindo rotações que podem requerer até
da semente. dez anos. Nesses casos, ainda, a rotação
de culturas pode até não ser totalmente
Rotação de culturas. Várias doen-
eficaz, pois há grande risco de os pató-
ças, sejam elas causadas por patógenos
genos sobreviverem também associados
de solo ou da parte aérea, são controla-
a outras culturas ou mesmo a plantas
das quando se planta, em sequência à
daninhas, já que possuem ampla gama de
cenoura e na mesma época de seu plantio,
hospedeiras.
espécies não afetadas pelas doenças que
se pretende controlar (Figura 55). Assim, Sanitação. Alguns patógenos, como
evita-se a preservação e o acúmulo de bactérias e fungos apodrecedores, podem
propágulos do patógeno no solo, situação se multiplicar em raízes não comerciais
em que o controle se torna mais difícil. (deformadas, cortadas, podres) deixadas
O tempo de rotação irá depender da no campo após a colheita, aumentando
capacidade de sobrevivência do patógeno assim a população desses agentes infec-
no solo. Alguns patógenos, como os que ciosos no solo (Figura 56). Tanto quanto
causam manchas foliares, sobrevivem por possível, esse material descartado deve
Foto: Jairo Vidal Vieira
Foto: Jairo Vidal Vieira

Figura 55. Campo de cenoura em pequena Figura 56. Restos culturais de cenoura que
propriedade agrícola, que também requer podem ser contaminados por patógenos e
rotação de culturas. infestar o solo.

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62 Doenças da cenoura

ser retirado do campo. Da mesma forma, Plantio de cultivar com resistên-


patógenos associados à queima das folhas cia genética. A maneira mais prática e
podem sobreviver em restos de cultura não econômica de controlar e até evitar uma
decompostos, servindo como fontes de doença é o plantio de cultivar resistente
inóculo e de epidemias em cultivos sub- (Figura 58). Entretanto, nem sempre há
sequentes (Figura 57). Esses restos culturais cultivares com resistência total a todas as
devem ser eliminados fazendo-se enterrio doenças, motivo pelo qual não se pode
profundo, compostagem ou outro uso que deixar de adotar o controle integrado.
impeça a multiplicação e a manutenção de
No Brasil, duas das mais impor­
propágulos que serviriam de fontes de inó-
tantes doenças da cenoura são par-
culo. Outra medida de sanitação é a manu-
cialmente evitadas com o plantio de
tenção dos arredores da área de produção
cultivares resistentes: a queima das folhas
livres de plantas daninhas hospedeiras de
e a “pipoca” (causada por nematoides
patógenos e de vetores de patógenos (prin-
do gênero Meloidogyne). A resistência a
cipalmente pulgões) da cenoura, especial-
essas doenças hoje já está disponível nas
mente os transmissores de viroses.
principais cultivares, em especial as híbri-
das, encontradas no mercado. Embora a
Foto: Carlos Alberto Lopes

resistência dessas cultivares não seja total,


possibilita o cultivo de cenoura de verão
com pequena ou nenhuma dependência
de agrotóxicos.

Foto: Carlos Alberto Lopes

Figura 58. Parcela de cultivar de cenoura


suscetível à queima das folhas, em meio a
cultivares resistentes à doença.

Irrigação. É o trato cultural que


mais interfere na ocorrência e na inten-
Figura 57. Folhas secas de cenoura, após
colheita das raízes, que podem ser contami- sidade das doenças da cenoura. A irriga-
nadas e infestar o solo. ção por aspersão, mais usada em cultivos

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Principais medidas gerais de controle 63

de cenoura, promove molhamento foliar, e restos de produtos e respeitar o perí-


condição necessária e propícia para a odo de carência para evitar resíduos nos
instalação, infecção e disseminação dos alimentos (Figura 60). Para as cultivares
patógenos envolvidos com a queima plantadas no Brasil, raramente há neces-
das folhas. Irrigações não devem ser sidade de mais de cinco pulverizações
frequentes, para que as folhas fiquem por safra, desde que outras medidas de
secas o maior tempo possível. Irrigação controle sejam adotadas.
frequente ou pesada ainda propicia

Foto: Jairo Vidal Vieira


excesso de água no solo, o que favorece
as podridões de raiz (Figura 59). Investi-
mento em manejo da irrigação significa
controlar melhor as doenças da cenoura
e ao mesmo tempo fazer uso racional da
água.
Foto: Carlos Alberto Lopes

Figura 60. A pulverização de agrotóxicos em


campo de cenoura deve observar rigorosa-
mente os princípios de segurança.

O tratamento químico de sementes


é medida efetiva para garantir o estande,
em especial de cultivares híbridas, que
Figura 59. Irrigação excessiva em plantações
possuem alto valor unitário. Fungicidas
de cenoura favorece a ocorrência de queima registrados podem ser usados no tra-
das folhas. tamento de sementes para evitar o seu
apodrecimento e o tombamento de plan-
Controle químico. Em caso de tas causado por patógenos associados à
necessidade, e quando permitidos no sis- semente ou ao solo.
tema de produção, os agrotóxicos devem
ser usados de maneira responsável. Isto Produtores de sementes que bus-
quer dizer: usar somente os produtos cam alta sanidade do seu produto podem
registrados no Mapa (Tabela 2), respeitar priorizar o controle dos patógenos que
as doses recomendadas no rótulo de cada afetam as umbelas e que são transmitidos
produto, usar equipamentos adequados pela semente.
nas pulverizações, exigir equipamentos Cuidados pós-colheita. Existe rela-
de proteção ao aplicador, preservar o ção direta entre a população de propágu-
ambiente no descarte de embalagens los de patógenos na superfície das raízes

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64 Doenças da cenoura

na colheita e a velocidade com que as raí- E para que tenham maior vida de prate-
zes se deterioram após a colheita. Assim, leira, as raízes devem estar secas antes de
a lavoura deve ser conduzida de acordo serem embaladas, operação que deve ser
com as boas práticas de cultivo, recomen- realizada em ambiente limpo e em invó-
dadas para a obtenção de um produto lucros livres de impurezas.
de boa aparência e isento de contami-
nações químicas e biológicas. Também Merece atenção especial a ade-
são importantes os cuidados para evitar quação da embalagem e a sua limpeza.
ferimentos durante a colheita (Figura 61), As caixas de colheita, transporte e comer-
transporte (Figura 62), lavagem, seleção e cialização devem ter superfície lisa, de
embalagem (Figura 63), que funcionam modo a evitar ferimentos nas raízes e a
como portas de entrada dos patógenos. facilitar a limpeza e a desinfestação.
Foto: Jairo Vidal Vieira

Foto: Giovani Olegário


Figura 62. Transporte de raízes de cenoura
do campo para a lavadora.
Foto: Jairo Vidal Vieira

Foto: Ailton Reis

Figura 61. Colheita manual e colheita mecâ- Figura 63. Lavação e classificação de raízes
nica de cenoura. de cenoura.

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produção de cenoura orgânica

A cenoura é, entre as hortaliças, adequadamente, em especial quando


uma das mais fáceis de serem cultivadas não se conta com a aplicação de produ-
pelo método de produção orgânica, prin- tos químicos.
cipalmente por ter ciclo relativamente
Com a adoção de medidas preven-
curto e não ser afetada por doenças de
tivas de controle, doenças ainda poderão
alto poder destrutivo.
ocorrer, porém com severidade baixa a
No entanto, as medidas gerais tal ponto de se poder conviver com elas
de controle descritas no item anterior sem que haja alteração significativa da
devem ser observadas rigorosamente, produção e da qualidade do produto.
pois a maioria das doenças, depois de Dentre essas medidas, destacam-se as
instaladas, não pode ser mais controlada que seguem.

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66 Doenças da cenoura

Medidas preventivas de controle de doenças na produção de cenoura orgânica


• Escolher para plantio área isolada de outras lavouras comerciais, pois estas podem
produzir propágulos de patógenos que são disseminados pelo vento, pelo tráfego de
pessoas entre as áreas e por equipamentos operados nas lavouras;
• Plantar em áreas que não estejam contaminadas com patógenos de solo decorrentes de
cultivo anterior de hortaliças suscetíveis a doenças, tais como podridão mole, podridão
de esclerócio, podridão de esclerotínia e nematoides;
• Plantar preferencialmente em áreas bem arejadas, com solo bem drenado, não sujeito a
acúmulo de água de chuva ou de irrigação;
• Preparar bem os canteiros, fazendo-os mais altos em época chuvosa;
• Propiciar fertilização balanceada do solo;
• Irrigar de forma correta, com base no cálculo da necessidade de água da cultura, evitan-
do principalmente excesso de umidade na área cultivada;
• Plantar sementes de boa qualidade, adquirida de firma idônea, e que seja de cultivar
adaptada à região e à época de plantio;
• Colher, transportar e processar o produto de modo a causar o mínimo de ferimentos às
raízes;
• Embalar as raízes em embalagens adequadas, que não favoreçam o crescimento de mi-
crorganismos apodrecedores;
• Armazenar as raízes de preferência em ambiente refrigerado.

A produção de sementes orgâ- resultem na completa eliminação de


nicas não é tarefa fácil, pois, diferen- patógenos transmitidos pela semente
temente da produção orgânica de é de fundamental importância. Novas
raízes, não se pode tolerar a presença técnicas de cultivo, como o cultivo pro-
de patógenos. A adoção de medidas tegido, podem ser úteis na produção de
alternativas ao controle químico que semente orgânica.

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Literatura recomendada 69

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DOENÇAS DA

A Embrapa Hortaliças, desde a década de 1980, tem-se destacado


CENOURA
nas pesquisas com a cultura da cenoura, uma das principais hortaliças na
mesa do consumidor brasileiro. O lançamento de cultivares adaptadas
ao calor e com resistência às principais doenças de verão foi um marco
histórico ao possibilitar o cultivo de cenoura durante todo o ano.
Esta publicação reúne conhecimentos acumulados ao longo
de décadas de estudos e experiências. Tem como principal objetivo
mostrar ao leitor as alternativas para o controle racional das doenças
de cenoura. Dessa maneira, a Embrapa espera contribuir para que os
produtores, observadas as peculiaridades da sua área de plantio, possam
decidir sobre a maneira mais correta de conduzir sua lavoura para obter
maior produção e melhor qualidade do produto, com respeito ao meio
ambiente e à saúde do consumidor.
Para atingir esse objetivo, os autores preocuparam-se em facilitar
o diagnóstico correto das principais doenças da cenoura que ocorrem
no Brasil, por meio de imagens e textos explicativos e, a partir daí,
informar sobre as medidas de controle mais adequadas, seja para cultivo
empresarial ou de agricultura familiar, orgânico ou convencional, para
produção de raízes ou de sementes.
Esta publicação também foi concebida como fonte de consulta
para extensionistas, estudantes e pesquisadores que se dedicam ao
estudo da cenoura.

Carlos Alberto Lopes


Ailton Reis
CGPE 12923

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