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FACULDADE DO CENTRO LESTE

ISMAEL UCHÔA DA COSTA

PATOLOGIAS EM CONCRETO ARMADO

SERRA

2014
ISMAEL UCHÔA DA COSTA

PATOLOGIAS EM CONCRETO ARMADO

Monografia apresentada ao curso de


Engenharia Civil, da Faculdade do Centro
Leste Serra-ES, como requisito parcial para
obtenção de título de Engenheiro Civil.
Orientador: Prof. Dr. Mauro Ottoboni
Pinho.

SERRA

2014
ISMAEL UCHÔA DA COSTA

PATOLOGIAS EM CONCRETO ARMADO


Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado à Faculdade do Centro Leste-UCL-,
como requisito parcial para obtenção do Grau de Bacharel em Engenharia Civil.

Aprovado em_____de____________2015.

BANCA AVALIADORA

____________________________________
Mauro Ottoboni Pinho-Dr. Professor.
Faculdade do Centro Leste

____________________________________
Juliana da Cruz Vianna Pires-Dra. Professora.
Faculdade do Centro Leste

____________________________________
Karla Ponzo Vaccari-MSc. Professora
Companhia Espirito Santense de saneamento

SERRA

2014
AGRADECIMENTOS:

Agradeço primeiramente a Deus por ter me abençoado ao longo de todo esse caminho que
percorri, a meu orientador Prof. Doutor Mauro Ottoboni Pinho pelas sugestões e conselhos
que foram de suma importância para a elaboração deste trabalho,agradeço aos meus pais
Marcos ferreira da costa e Maria da Gloria Uchôa da Costa pela educação e caráter que me
deram,agradeço também meus irmão Thiago, Sara, Lucas e Matheus, agradeço minha esposa
Daniele Milioli da silva da Costa pela força, compreensão e sabedoria, meus filhos Isaac e
Davi, também agradeço a todos colegas de turma que ao longo dos anos sempre cooperaram
para que este trabalho pudesse acontecer.
RESUMO

Este trabalho tem por objetivo identificar as patologias que se desenvolvem no concreto
armado, algumas em função da má execução, por falta de profissionais habilitados e outras
pela aplicação de técnicas deficientes ou mesmo devido a estruturas mal dimensionadas, peças
que deveriam ter um controle maior de qualidade por ficarem expostas a um ambiente
marítimo ou industriais, após constatadas as patologias analisa-se como foi originado o
problema ,como se desenvolveu, assim apresentar as soluções para esses problemas, como
recuperar um pilar que tem sua armadura exposta ou mesmo uma viga que teve parte de sua
seção transversal de armadura perdida em função da oxidação ou uma laje exposta durante
muitos anos que desenvolveu varias trincas e fatalmente essas trincas facilitaram o acesso a
armadura da laje fazendo assim desenvolver-se uma patologia.

Palavras-Chave: Patologias. Concreto armado e seus defeitos. Problemas em concreto


armado.
ABSTRACT

This work aims to identify the pathologies that develop in reinforced concrete, some due to
the poor execution, lack of qualified professionals and other disabled by applying techniques
or even due to bad programmed structures, parts that should have greater control quality by
being exposed to a marine or industrial environment, found after the pathologies is shown as
originated the problem, how it developed, and present the solutions to these problems,
recovering a pillar which has its exposed armor or even a beam had part of its cross section of
armor lost due to the oxidation or an exposed slab for many years developed several cracks
and fatally these cracks facilitated access to armor slab doing so develop a pathology.

Keywords: Pathologies. Reinforced concrete and its defects. Problems in reinforced concrete
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Jazida de areia............................................................................17


Figura 2: Jazida de brita............................................................................19
Figura 3: Cimento............................. .......................................................21
Figura 4: Concreto com aditivo superplastificante...................................24
Figura 5: Durabilidade..............................................................................28
Figura 6: Carbonatação.............................................................................29
Figura 7: Concreto sem carbonatação.......................................................32
Figura 7a: Concreto com carbonatação.....................................................32
Figura 8: Carbonatação parcial, poros secos.............................................33
Figura 9: Carbonatação parcial, poros saturados de água.........................33
Figura 10: Carbonatação parcial, poros parcialmente com água..............34
Figura 11: Grau de carbonatação em função da umidade relativa............35
Figura 12: resultados do ensaio.................................................................37
Figura 13: parâmetros para ter um bom concreto.....................................38
Figura 14: Manilha deteriorada pelo sulfato.............................................39
Figura 15: Fissuras na laje........................................................................40
Figura 16: Causas extrínsecas...................................................................41
Figura 17: Modelização de viga................................................................42
Figura 18: detalhamento em concreto armado.........................................43
Figura 19: Ancoragem insuficiente..........................................................44
Figura 20: Fissura devido recalque..........................................................45
Figura 21: Recalque de fundação.............................................................46
Figura 22: Estratégia de manutenção.......................................................47
Figura 23: Laje com armadura exposta....................................................49
Figura 24: Cobrimento insuficiente.........................................................50
Figura 25: armadura de pilar exposta......................................................50
Figura 26: Armadura de viga exposta.....................................................51
Figura 27: Umidade por capilaridade......................................................52
Figura 28: Concreto saudável..................................................................53
Figura 29: Remoção de concreto danificado...........................................54
Figura 30: Jateamento de estrutura de concreto......................................54
Figura 31: Pintura de armadura...............................................................55
Figura 32: Complementação de armadura..............................................55
Figura 33: Complementação de armadura longitudinal..........................56
Figura 34: Complementação de armadura transversal...........................56
Figura 35: Grauteamento de pilar..........................................................57
Figura 36: Formas de pilar e viga..........................................................57
Figura 37: remoção de concreto excedente...........................................58
Figura 38: Tintas protetoras.....................................................................58
Figura 39: Gráfico custo x tempo.............................................................59
Figura 40: Gráfico corrosão x tempo........................................................60
Figura 41: Prevenção x correção.............................................................61
Figura 42: Desempenho x vida útil...........................................................61

LISTA DE TABELAS
Tabela 01-Fator água-cimento..........................................................................................22

Tabela 02- propriedades dos aços para concreto armado.................................................25

Tabela 3- Causas dos problemas patológicos em estruturas de concreto.........................26

Tabela 4- fatores intrínsecos e extrínsecos.......................................................................27

Tabela 5: fatores intrínsecos da deterioração do concreto................................................30

Tabela 6- Limite de cloretos.............................................................................................36

Tabela 7- Classificação dos cloretos.................................................................................37

Tabela 8: Causa de patologias...........................................................................................47

Tabela 9: Cobrimento x classe de agressividade..............................................................49

LISTA DE EQUAÇÕES
Equação 1: Reação CO2 com Ca(OH)2...................................................31
Equação 2: Medir profundidade da carbonatação....................................31

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................... 12

1.1 CONTEXTO DO PROBLEMA ................................................................... 13

1.2 OBJETIVOS .............................................................................................. 14

1.2.1 Objetivo geral ..................................................................................... 14

1.2.2 Objetivos específicos ........................................................................... 14

1.3 JUSTIFICATIVA ..................................................................................... 14

2. REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................ 15

2.1 O CONCRETO ARMADO AO LONGO DOS ANOS ................................ 16

2.2 O CONCRETO ARMADO E SUA COMPOSIÇÃO .................................. 17

2.2.1 Agregado miúdo ................................................................................. 17

2.2.2 Agregado graúdo ................................................................................ 18

2.2.3 Cimento ............................................................................................. 20

2.2.4 Água .................................................................................................. 22

2.2.5 Aditivos .............................................................................................. 23

2.2.6 Armadura .......................................................................................... 24

2.3 CAUSAS DE PATOLOGIAS .................................................................... 25

2.4 OS FATORES QUE GERAM AS PATOLOGIAS ..................................... 26

2.5 OS FATORES INTRINSECOS ................................................................. 28

2.5.1 Carbonatação ..................................................................................... 31

2.5.2 Ataques de Cloretos ............................................................................ 36

2.5.3 Ataque por ácidos e sais ...................................................................... 38

2.5.4 Ataque por Sulfatos ............................................................................ 38

2.5.5 Aumento da temperatura no concreto ................................................. 40

2.6 FATORES EXTRINSECOS ...................................................................... 41

2.6.1 Falha de projeto ................................................................................. 42

2.6.2 Falhas causadas por mau uso .............................................................. 44

2.6.3 Ações mecânicas ................................................................................. 45


2.6.4 Ações físicas ....................................................................................... 46

3. METODOLOGIA ........................................................................................... 48

3.1 TIPO DE PESQUISA ................................................................................ 48

3.1.1 Patologias encontradas ....................................................................... 48

3.2 ANALISE INVESTIGATIVA ................................................................... 48

3.3 RESULTADOS ......................................................................................... 49

4. RECOMENDAÇÕES PARA TRATAMENTO ................................................ 55

4.1 CUSTO DE PREVENTIVO X CUSTO CORRETIVO ............................... 60

5. CONCLUSÃO ................................................................................................. 63

6. RECOMENDAÇÃO DE TRABALHOS FUTUROS ......................................... 64

7. REFERENCIAS .............................................................................................. 65
12

1. INTRODUÇÃO

Muito se tem discutido sobre a evolução tecnológica dos materiais da construção civil. Porem
existe um fator que é determinístico no que tange a durabilidade, o que seria capaz de
converter uma construção grandiosa e robusta, a algo frágil e suscetível ao colapso. Muitas
empresas e estudiosos se dedicaram a encontrar as respostas, e o que se pode entender que o
que leva uma estrutura a desenvolver uma patologia são a soma de vários fatores, estes fatores
serão abordados e explicados ao longo desta obra. Fenômenos como carbonatação, ataques de
cloretos, ácidos e sulfetos, serão explicados, pois são o que ocorre com mais frequência em
obras de pequeno, médio e grande porte. De acordo com [8] a carbonatação é o fenômeno
responsável pela despassivação da armadura, deixando-a totalmente vulnerável ao ataque de
qualquer agente externo potencialmente agressivo. Obras executadas em ambiente marítimos
ou industriais sofrem uma agressão muito grande, pois podem entrar em contato com ácido ou
sulfatos que associados à chuva podem formar a chuva ácida, estruturas de concreto armado
executados nesses ambientes são da classe de agressividade III, segundo [2]. Também será
abordado um estudo de caso tomando como base uma edificação hipotética que apresentará as
patologias explicadas nesta obra, às soluções dessas patologias estarão descritas por etapas,
afim de que o leitor possa entender o quão é importante se executar cada etapa com a devida
atenção e mão de obra especializada.
13

1.1 CONTEXTO DO PROBLEMA

[1] A construção civil é uma das áreas do conhecimento mais antiga na história do mundo.
Desde tempos remotos até hoje esse setor evoluiu muito tanto na tecnologia dos materiais:
areias, pedras, cimento entre outros aglomerantes, aço, enfim os materiais que compõem as
edificações sofreram inúmeras manipulações para alcançarem o maior nível de qualidade
possível com isso a mão de obra também precisou sofre evoluções, pois é preciso mais
atenção e conhecimento para fazer uso das novas tecnologias.

[1] Dentro da engenharia civil tem uma área especifica que cuida da estabilidade
estrutural, antigamente essa área se preocupava exclusivamente em calcular e dimensionar a
estrutura para resistir aos esforços solicitantes, mas atualmente esse conceito mudou muito,
pois é considerado também o fator durabilidade. Afinal de nada adianta criar uma estrutura
que atenda as solicitações por pouco tempo, é preciso que a mesma dure tanto quanto
possível.

[1] E o que leva uma estrutura tão robusta composta de concreto e aço a sofrer uma
deterioração ou colapso tão precocemente, a resposta esta nos processos construtivos, insumos
que depois de serem mal usados acabam facilitando ou mesmo causando doença na
construção, muitas etapas desde a concepção do concreto existe um fator que é de suma
importância para um concreto saudável é a relação água/cimento, pois através dela podemos
saber a resistência à compressão do concreto e também a porosidade da peça, e mais a frente
vamos entender que a porosidade do concreto determina o quanto ele é suscetível à agressão
da corrosão, mas também existe reação químicas que também desprotegem o concreto entre
elas a RAA(reação álcalis agregado) que é uma reação química entre os componentes
mineralógicos dos agregados e o cimento, água e ou pasta cimenticia ou agentes externos,
dando origem a uma doença interna no concreto que inevitavelmente vai levar ao colapso
implicando em perdas financeiras e impactos ao meio ambiente, e o que se busca com o
estudo de patologias é evitar que coisas desse tipo aconteçam, podendo assim trazer mais
durabilidade as estruturas de concreto armado.
14

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo geral

Estudar o aparecimento de patologias em estruturas de concreto armado, os motivos que


fizeram com que aparecesse, o método de execução, o ambiente, os insumos usados, enfim
uma analise geral das patologias mais comuns em concreto armado.

1.2.2 Objetivos específicos

• Encontrar as patologias mais comuns;


• Classificar quanto à gravidade da patologia;
• Propor solução;
• Analisar quanto à eficiência da solução;
• Os custos envolvidos com a solução de patologias;
• Os resultados encontrados.

1.3 JUSTIFICATIVA

Com o aumento das construções civis no mundo ao longo dos anos provocou um grande
avanço, seguido de novos desafios dentre eles podemos destacar a durabilidade das obras
estruturais, muitas inclusive foram criadas com a expectativa de durarem por muitos anos,
mas devido a doenças desenvolvidas tiveram que sofrer manutenção ou mesmo serem
demolidas a fim de evitar problemas maiores.
15

2. REFERENCIAL TEÓRICO

Os materiais literários usados para a concepção deste trabalho foram essenciais para se
chegar a alguma conclusão, e serão relatadas ao longo desta obra. Sendo que os autores dessas
obras são todos profissionais renomados em seus campos de atuação, portanto os mesmos já
possuem experiência suficiente para explicar como essas patologias se desenvolvem e como
se devem tratar as patologias desenvolvidas pelas obras civis.
16

2.1 O CONCRETO ARMADO AO LONGO DOS ANOS

O concreto armado é sem duvida uma das melhores invenções do mundo, pois com a sua
invenção conseguimos construir pontes, prédios, barragens entre outras estruturas que nem se
quer passavam pela cabeça das pessoas anos atrás, mas onde foi criada essa mistura de
concreto e aço, especula-se que o primeiro a fazer o uso foi um agricultor francês chamado
Joseph Louis Lambot, que em sua primeira obra criou um barco que ele patenteou em 1855
mesmo ano que foi apresentado a feira mundial de París, o projeto não teve muita
repercussão, mas chamou a atenção de outros curiosos da época, tanto que em 1875 foi criada
a primeira ponte construída por Monier e que ainda existe, desde então o concreto armado
vem sofrendo evoluções significativas em sua concepção.
17

2.2 O CONCRETO ARMADO E SUA COMPOSIÇÃO


O concreto armado é um dos materiais mais utilizados no mundo, mas e sua composição
como se dá, quais as origens desses insumos, Qual a importância de cada um desses
elementos, Enfim são muitas perguntas que devem ser feitas quando se trata de um material
tão importante e que é responsável por permitir a execução de muitos arranha céus, o concreto
armado é composto de agregado miúdo: areia, agregado graúdo: brita (pedra), cimento, água e
aço (armadura), cada um desses materiais será explicado mais à frente.

2.2.1 Agregado miúdo


[1] Agregados miúdos podem ser obtidos de jazidas naturais ou através de processos
siderúrgicos, independente de qual tenha sido a origem o mesmo precisa estar limpo e ser
isento de qualquer tipo de material orgânico misturado a ele, inclusive silte e ou argila que
dificultam/impedem o processo de endurecimento/aderência do concreto.
Em relação à densidade do agregado miúdo pode se concluir que quanto mais denso o
mesmo for menor será sua porosidade consequentemente maior será a sua resistência o que
resultara é um concreto mais saudável e consumindo menos pasta de cimento.
Sabe-se que quanto maior for o grau de compactação do concreto maior será sua resistência
Pois o índice de vazios será menor, porem essa compactação é diretamente dependente do
grau de compactação do agregado miúdo.
Um fator que deve ser bem analisado é sobre a reatividade química de algumas substâncias
presentes no agregado miúdo um exemplo clássico é a sílica reativa, portanto fica claro que
para se ter um concreto de alto desempenho e durabilidade é preciso escolher bem a jazida de
onde se pretende extrair o material.
18

Figura 1
Jazida de extração de areia.

2.2.2 Agregado graúdo


[1] Os agregados em um contexto bem geral são materiais inertes, porem sabe-se que os
mesmos ajudam a diminuir a retração, aumentam a resistência mecânica entre outros fatores.
19

Lembrando sempre que esses agregados devem ser isentos de qualquer tipo de material
nocivo ao concreto como: materiais pulverulentos, substancias orgânica e materiais contendo
carbono.

Outro fator de extrema importância e o teor de humidade dos agregados, pois caso o mesmo
tenha esse teor alto poderá alterar a relação água cimento do concreto.

A granulometria dos agregados graúdos pode oferecer algumas características bem especificas
ao concreto, agregados com formato mais arredondados aumentam a trabalhabilidade e
facilitam o adensamento, já agregados com arestas mais definidas conferem ao concreto maior
resistência mecânica em detrimento da perda de parte da trabalhabilidade.

Figura 2
Jazida de extração de pedra.
20

2.2.3 Cimento
O concreto tem como matéria prima principal o cimento que é um aglomerante, o próprio
nome já deixa bem claro que esse material tem a função de unir os demais componentes
agregados. No Brasil e no mundo o cimento produzido passa por processo onde são
acentuadas algumas características físico-químicas do cimento com o objetivo de aumentar
sua eficiência para suportar uma determinada solicitação, no Brasil são produzidos alguns
tipos de cimentos que serão explicados detalhadamente logo abaixo:

CP-I (Cimento Portland Comum): é um cimento que contem 100% de clínquer e sulfato de
cálcio, por tratar-se de um cimento comum o mesmo não apresenta propriedades especiais,
não sendo resistente a sulfatos e a outros agentes agressivos.

CP-II (Cimento Portland Composto): Este cimento gera um calor de hidratação menor que o
cimento CPI, pois tem em seus compostos: escória, pozolâna ou filer. O concreto feito com
esse cimento possui boa resistência a sulfatos, é também muito recomendado para grandes
concretagens como: barragens, muros de peso, peças pré-moldadas.

CP-III(Cimento Portland de alto forno): Cimento produzido pela moagem em conjunto do


CPI com escória de alto forno, o fato de esse cimento possuir um grande percentual de escória
faz com que o mesmo tenha um baixo calor de hidratação, entretanto a cura é mais demorada
devido à baixa atividade da escória, o concreto produzido com a utilização desse cimento e
recomendado para concretagem de peças de grandes dimensões devido ao baixo calor de
hidratação o que consequentemente levará ao aparecimento de poucas fissuras.

CP-IV (Cimento Portland Pozolânico): Cimento produzido através da moagem do cimento


CP-I juntamente com as pozolânas com porcentagem entre 15% e 50%.

As pozolânas são materiais extremamente finos compostos basicamente de sílica e alumina


que quando entram em contato com o hidróxido de cálcio e umidade formam um composto
com características semelhantes ao cimento Portland, podem ser naturais aparecendo na forma
de cinzas de vulcões, ou seja, não são encontradas no Brasil ou podem ser artificiais que são
as cinzas volantes obtidas pela queima do carvão mineral em usinas termoelétricas, a sílica de
21

fumo também é utilizada como material pozolânico é obtido através do quartzo, e também a
sílica obtida pela extração de minerais com uso de ácidos.

CP-V ARI (Cimento Portland de Alta resistência inicial): esse tipo de cimento possui uma
característica muito particular, ele desenvolve resistência à compressão em um curto espaço
de tempo, essa característica pode ser obtida através de vários processos dentre eles:

*Aumentar a porcentagem de C3S, que é o componente responsável pela pega inicial do


cimento.

*Pelo maior tempo de cozedura, também aumentando a temperatura dos componentes.

*Pela intensificação da moagem do clínquer aumentando o grau de finura, inclusive esse


processo pode ser suficiente para se alcançar o CP-V ARI.

Esse tipo de cimento é recomendável normalmente para situações de emergência, em que há


necessidade de desforma rápida.

Figura 3: Cimento

Fonte: http://consumator.gov.md/libview.php?l=ro&idc=117&id=388 Acessado: 22 de


novembro de 2014
22

2.2.4 Água
Na concepção do concreto um item muito importante a ser observado é a água, fazendo uma
abordagem em relação à qualidade, a agua precisa ser potável ou ser isenta de gosto e cheiro,
não pode conter materiais em suspenção, tampouco ter algum tipo de cloreto dissolvido,
açucares em geral causam um grande retardo ou mesmo impedem que o concreto inicie a
pega, com relação à quantidade é preciso saber que a resistência do concreto é definido pela
relação agua-cimento, conforme a tabela 1.

Tabela 1-Fator agua cimento.

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
23

Partículas dissolvidas ou em suspenção podem ocasionar pelo menos três cenários críticos:

- Caso a agua possua íons que se associem ao cálcio do cimento podem retardar ou mesmo
impedir a pega/endurecimento do concreto, esses íons são muito comuns em aguas
magnesianas.

-Aguas que possuam em sua composição sulfatos ou íons álcalis podem reagir com o cimento
e/ou agregados aumentando a expansibilidade do concreto.

-Alguns tipos de íons podem deixar de atuar no concreto e atuar diretamente sobre o aço,
ocasionando o início da corrosão e/ou acelerando esse processo.

Sabendo dessas possibilidades é preciso ficar atento ao tipo de água utilizada para produzir o
concreto e também para a agua usada na cura, pois a mesma percola através do concreto
podendo facilmente causar grandes danos. Se a água utilizada for extraída de um poço
artesiano a mesma deve ser levada a um laboratório para se verificar sua composição e
qualidade.

2.2.5 Aditivos
Segundo [1], os aditivos são substancias que se usados nas quantidades corretas e aplicados
nos ambientes recomendados conferem ao concreto características especiais, sempre que
possível deve-se buscar alcançar tais características sem uso de aditivos, mas não sendo
possível é preciso que se façam todos os ensaios a fim de se atestar a compatibilidade entre o
aditivo e o aglomerante e também a armadura.
De acordo com [9] os aditivos para concreto são classificados pela NBR 11768 em aditivos
plastificantes, superplastificante, superplastificantes com retardado ou acelerador de pega,
aditivos incorporadores de ar, acelerador ou retardador de pega, acelerador de resistência, não
será explicado à função de cada um dos aditivos, pois não é parte desse estudo.

Figura 4: concreto com aditivo superplastificante


24

Fonte: Manual técnico aditivos para concretos e argamassas. 6ºedição. São Paulo: 2010

2.2.6 Armadura
[6] O concreto tem uma grande resistência à compressão porem sua resistência à tração é
muito baixa. Com o advento do aço para construção civil criou-se o concreto armado, o aço
utilizado é produzido a partir da combinação de ferro gusa e sucata, esse material vai para a
aciaria onde é transformado em aço liquido posteriormente passa por um processo chamando
lingotamento que consiste em dar a forma ao aço, na sequencia os lingotes passam pela
laminação onde serão comprimidos por sucessivos rolos para diminuírem sua seção e
aumentarem de comprimento. As peças então são dispostas em locais para serem resfriadas a
temperatura ambiente, esse aço é conhecido como aço natural que pode ser o CA-25, CA-50.
Segundo [6] o aço CA-60 sofre a trefilação a frio esse aço é produzido em fios de até
9,5mm de diâmetro. O mesmo possui baixíssima capacidade de escoamento, contudo possui
maior resistência à tração e compressão.
25

Tabela 2- propriedades dos aços para concreto armado

Fonte: NBR 7480/2007.

Apesar de o aço possuir grande resistência as mais diversas solicitações, o mesmo pode ter
sua durabilidade comprometida por um processo chamado corrosão, que segundo [1] se
tratando de aço seria a deterioração de sua composição através de um processo químico ou
eletroquímico do meio ambiente em conjunto ou não a uma solicitação mecânica.

2.3 CAUSAS DE PATOLOGIAS


De acordo com [1] existem inúmeras patologias cada uma delas aparece devido a um ou
mais fatores que são nocivos à estrutura. Essas falhas podem ocorrer durante o processo de
construção ou por falta de controle de qualidade. Ao longo dos anos muitos pesquisadores
vêm buscando entender qual o motivo principal que leva ao surgimento de uma patologia
Diversos pesquisadores apontaram as responsabilidades de determinadas partes de uma
construção na tabela a seguir:
26

Tabela 3- Causas dos problemas patológicos em estruturas de concreto

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

2.4 OS FATORES QUE GERAM AS PATOLOGIAS

Segundo [1] são muitas as patologias que causam a ruína de uma estrutura de concreto,
porem existem algumas que se apresentam por fatores intrínsecos, e outras por fatores
extrínsecos.
A tabela a seguir mostra quais são os casos mais comuns que levam ao aparecimento dessas
patologias.
27

Tabela 4- fatores intrínsecos e extrínsecos.

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
28

2.5 OS FATORES INTRINSECOS

Segundo [1] as causas intrínsecas são entendidas como processos que ocorrem na estrutura
devido à natureza dos materiais, mau uso, erros durante o projeto e a execução, má utilização
e falhas humanas, alem agentes externos como acidentes. Será explicado mais adiante cada
um dos fatores intrínsecos geradores de patologias.
A natureza dos materiais utilizados para concepção do concreto deve ser bem analisada,
pois segundo [1] reações químicas internas podem diminuir consideravelmente a vida útil da
estrutura ou mesmo leva-la ao colapso. Reações álcalis agregado, alto índice de
permeabilidade, porosidade e relação água cimento.
De acordo com [1] os pesquisadores devem se ater a desenvolver concretos cada vez mais
impermeáveis, pois todo e qualquer processo de degradação do concreto se dá através de
penetração de substancias nociva ao concreto ou sua armadura, de maneira simplificada a
figura a seguir representa o que o autor explicou.

Figura 5: Durabilidade

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
As patologias mais agressivas que ocorrem em concreto armado são químicas, provocadas
pela carbonatação, ataque de cloretos e sulfetos.
29

Figura 6: Carbonatação

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
30

Tabela 5: fatores intrínsecos da deterioração do concreto

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
31

2.5.1 Carbonatação
De acordo com [6] a carbonatação consiste na dissolução do CO2 presente na atmosfera
sobre o concreto com isso ocorre à formação do carbonato de cálcio e também a redução do
Ph do concreto normalmente esse fenômeno ocorre quando o Ph esta abaixo de 9, sabendo
que quanto mais alcalino for o concreto mais protegido do fenômeno da carbonatação estará.
A equação 1 mostra a equação química da reação do dióxido de carbono CO2 com o
hidróxido de cálcio Ca(OH)2 que se forma durante hidratação do cimento e o torna mais
alcalino, assim que se combinam é formado o carbonato de cálcio CaCO3(início da
carbonatação).

Equação 1: reação CO2 com Ca(OH)2

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

A carbonatação normalmente se inicia nos primeiros momentos após o lançamento do


concreto, pois o mesmo possui muita água e hidróxido de cálcio, assim que o concreto se
torna seco a água presente em seu interior é perdida para o meio ambiente com isso o
processo de carbonatação cessa ou diminui drasticamente, segundo[12] a velocidade de
avanço da carbonatação pode ser medida através da equação:
Equação 2: Medir profundidade da carbonatação

E: profundidade da carbonatação em mm.


K: 0,2 para bom concreto, 0,5 para um concreto razoável, sua unidade é mm/ano^(-0,5).
T: tempo de vida do concreto.

Ainda de acordo com[12], existe um método muito usado para se verificar a presença do
fenômeno da carbonatação, que consiste na aplicação de uma solução alcoólica de
fenolftaleína sobre o concreto, essa substancia quando entrar em contato com o concreto de
Ph maior que 12 exibe uma coloração rosa forte figura 7, e quando entrar em contato com o
concreto com Ph menor que 9 o mesmo se apresenta incolor.
32

Figura 7: concreto sem carbonatação

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará: 2008

Figura 7 a: concreto com carbonatação

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará: 2008

Segundo [12], existe uma grande diferença da taxa de difusão de CO2 na água e no concreto,
quando o concreto é exposto somente ao ar dependendo da organização dos poros o CO2 irá
se espalhar pelos poros porem a reação não ocorrerá devido à falta de água (figura 8). Quando
a peça esta saturada de água, processo que ocorre na figura 9, porem é pelo menos 10000 mais
lento do que quando ocorre na presença parcial de água figura 10.
33

Figura 8: carbonatação parcial, poros secos.

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará:2008

Figura 9: Carbonatação parcial, poros saturados de água.

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará:2008


34

Figura 10: Carbonatação parcial, poros parcialmente com água.

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará:2008

Ainda de acordo com [12] a umidade relativa influencia fortemente na carbonatação


conforme o gráfico da figura11.
35

Figura 11: Grau de carbonatação em função da umidade relativa.

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará:2008


36

2.5.2 Ataques de Cloretos

De acordo com [1] a contaminação do concreto com cloretos normalmente se dá através do


uso indiscriminado de aditivos aceleradores de pega, pois as grandes maiorias desses produtos
possuem em sua composição o cloreto de cálcio Cacl2. Normalmente o uso desses
aceleradores é limitado a 0,4% do peso de cimento valores que ultrapassem esses já são
considerados muito perigosos. Também ocorrem casos de contaminação por água e ou
agregados. Alguns produtos químicos usados para limpeza, como acido muriático e ou cloro
também são extremamente nocivos ao concreto.

A figura 12 mostra o teor limite de cloretos para o concreto, segundo normas internacionais.

Tabela 6: limite de cloretos

NORMAS TEOR DE CL-PARA CONCRETO ARMADO


(%)
EH-88 (Espanhola) 0.40
Pr EM-206 (Espanhola) 0.40
BS-8110/85 (Inglesa) 0.20-0.40
ACI-318/83 (Norte Americana) 0.15-0.30-1.00

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará:2008

Os íons cloretos em excessos na presença da umidade e oxigênio são capazes de consumir a


camada de passivação do aço deixando-o desprotegido a sujeito a corrosão.
Segundo [12] o ensaio de aspersão por nitrato de prata é capaz de identificar a presença de
cloretos livre e ou combinados, quando a substancia entra em contato com o concreto
contaminado é formado uma película branca e floculenta do cloreto de prata AgCl, a
classificação dos resultados é dado segundo a tabela 5.
37

Tabela 7: Classificação dos cloretos

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará:2008

Figura 12: resultados do ensaio (a) sem cloretos livre, (b) com cloretos livre.

(a) (b)

Fonte: Corrosão de armadura em estrutura de concreto armado. Pará:2008


38

2.5.3 Ataque por ácidos e sais

De acordo com [1] o hidrogênio pode contribuir fortemente para a deterioração do


concreto, o seu aparecimento está associado à exposição da estrutura a ácidos que ao reagirem
com o concreto, atacam a pasta de cimento. Ainda de acordo com [1] a poluição causada por
carros e indústrias lançam na atmosfera dióxido de enxofre SO2 e/ou trióxido de enxofre SO3,
esses gases normalmente aparecem em forma de fuligem resultado da queima de combustível,
óleos residuais e hidrocarbonetos. Quando ocorre a chuva essas substancias se dissolvem na
água formando a chuva ácida que inicialmente ataca o concreto, se não for tomada alguma
medida a fim de mitigar esse ataque à armadura será alcançada e fatalmente será destruída.

2.5.4 Ataque por Sulfatos

[1] Os ataques por sulfatos normalmente ocorrem da associação do gás sulfídrico H2S com
água, que na presença do cálcio do cimento Portland formam o sulfureto de cálcio e também
um sal chamado de sal de Candlot que irá descalcificar o concreto, amolecendo a pasta de
cimento.

Figura 13: Simplificação do ataque de sulfatos

Fonte: Durabilidade ataque por sulfatos. Porto: 2001


39

[13] Um exemplo pratico do ataque de sulfatos ocorre em manilhas de concreto armado,


que usadas para conduzir água de esgoto, essas água geralmente possuem altas concentrações
de sulfatos. Assim que ocorre o ataque se inicia a expansão e ou desintegração do concreto,
deixando a armadura exposta a outros agentes agressores.

Figura 14: Manilha deteriorada pelo sulfato

Fonte: Durabilidade ataque por sulfatos. Porto: 2001


40

2.5.5 Aumento da temperatura no concreto

[1] As reações do cimento com água são consideradas exotérmicas, ou seja, geram calor
que flui do interior do concreto para a superfície externa do concreto. Quando a superfície do
concreto se resfria o seu interior ainda esta aquecido, o que provoca dilatações e ou fissuras
que podem se estender até a superfície. Situações como essa ocorrem muito em concretagens
muito grande, como, barragens, bloco de coroamento ou mesmo radier.

Figura 15: Fissuras na laje

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
41

2.6 FATORES EXTRINSECOS

Os fatores extrínsecos de acordo com [1], são agentes externos que levam o surgimento de
uma patologia. Independente de a estrutura aparentar segurança esses agentes estão
trabalhando para corromper a estabilidades da edificação, esses agentes podem aparecer
durante a execução ou ao longo de sua vida útil.

Figura 16: Causas extrínsecas

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
42

2.6.1 Falha de projeto

De acordo com [1] a durabilidade de uma edificação pode ser comprometida por falhas no
projeto executivo ou mesmo estrutural, erros muito comum ocorrem sobre condições de
engastamento de vigas. A NBR6118/2014 trata do assunto no subitem 14.6.6.1 no qual
explica quais as considerações devem ser feitas na adoção do modelo de calculo de vigas
continuas. A figura 18 mostra um caso de consideração errada sobre a modelização de viga.

Figura 17: Modelização de viga

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

[1] Considerações equivocadas sobre vigas e lajes podem levar a flechas excessivas, trincas
em alvenaria ou mesmo em pisos e revestimentos. As normas devem ser estudadas para que
durante o dimensionamento sejam realizadas todas as verificações e lançamentos de cargas
conforme o tipo de edificação, podendo ser habitacional, comercial ou industrial.

[1] Outra situação que pode causar uma patologia é sobre o detalhamento de armaduras,
caso o projetista erre no detalhamento e durante a execução da obra esse erro não seja
observado, fatalmente aparecerão patologias, pois serão criados pontos de vulnerabilidade na
estrutura, o que facultara a ação de agentes agressivos. A figura 18 mostrara alguns tipos de
erros comuns em detalhamento de concreto armado.
43

Figura 18: detalhamento em concreto armado

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

Ainda se tratando de erros de detalhamento, existem casos em que o comprimento de


ancoragem é insuficiente, ângulo de dobramento das barras errado, cobrimento em desacordo
com a norma, cada um desses erros contribuem para o aparecimento de patologias.
44

Figura 19: Ancoragem insuficiente

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

2.6.2 Falhas causadas por mau uso

[1] Após a concepção a edificação passa a ser habitada, e com o tempo pode haver
necessidade de mudanças, essas que devem sempre ser acompanhadas por um engenheiro
civil. Casos em que ocorrem reformas e são feitas alteração do tipo, remoção de paredes
estruturais, supressão de pilares e/ou vigas, caracterizam mau uso, pois cada elemento
estrutural corrompido ou retirado causa uma sobre carga nos demais elementos, o que
inevitavelmente levará o surgimento de uma patologia, edificações que são projetadas para
serem residenciais e são utilizadas para fins comerciais ou mesmo industriais ,também são
consideradas mau uso, pois as cargas não são compatíveis. Algumas edificações são
aumentadas o numero de pavimentos, o que facilmente pode causar um colapso na fundação
ou pilares.
45

2.6.3 Ações mecânicas

[1] Após a concepção ou mesmo durante a execução da obra podem ocorrer recalques, pois
o solo esta suportando um carregamento maior que sua resistência, esse deslocamento só
cessara quando houve equilíbrio entre a carga aplicada e a resistência do solo, casos de
ampliação onde ocorre a união de uma construção antiga e uma nova também causam
fissuras, pois a nova construção estará sujeita a recalques enquanto a obra antiga já recalcou o
que deveria. Segundo [3] o valor mínimo de carga acidental para edificação residencial é de
1,5 KN/m² a 2,0 KN/m², por outro lado se for de uso para casa de maquina esse valor deve ser
de no mínimo 7,5 KN/m².

Figura 20: Fissura devido recalque

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
46

Figura 21: Recalque de fundação

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

2.6.4 Ações físicas

Segundo [1], as principais ações físicas estão associadas a variações de temperatura, não
somente a variação de temperatura que toda estrutura esta exposta, mas nos pontos que geram
um gradiente de calor. A superfície de uma laje descoberta recebe muita radiação ao longo do
dia, enquanto sua face inferior pode estará submetida a uma temperatura muito menor, quando
isso acontece se forma o gradiente de calor, que pode causar desde pequenas a grandes
deformações na estrutura, essas deformações levam a edificação a um quadro fissuratório e
consequentemente a uma patologia. A grande maioria das patologias se inicia em função da
água, nas suas diversas formas de acordo com [11], a tabela 8 mostra em porcentagem as
causas que levam o surgimento de uma patologia.
47

Tabela 8: Causa de patologias

Vedacit. Manual técnico recuperação de estruturas. 3ºedição. São Paulo: 2012

As recomendações dos autores para se ter uma edificação segura e durável estão mostradas na
figura 20.

Figura 22: Estratégia de manutenção

Vedacit. Manual técnico recuperação de estruturas. 3ºedição. São Paulo: 2012


48

3. METODOLOGIA
O método para obtenção de dados será um estudo de caso, baseado em uma situação
hipotética no qual serão observados quais foram os métodos construtivos, ambiente de
trabalho e os insumos utilizados para concepção da estrutura.

3.1 TIPO DE PESQUISA


A estrutura de analise é uma edificação de 2 pavimentos com área total de 160m², sendo
que cada pavimento possui 80m², foi construída em um bairro as margens da praia, possui
cobertura de telha cerâmica tipo colonial, laje maciça, pilares e vigas executados in-loco, todo
concreto utilizado na obra foi dosado no próprio canteiro.

3.1.1 Patologias encontradas


Durante investigação da obra foram encontradas trincas e desplacamentos na laje, inclusive
com exposição de armadura, pilares com armadura expostas e vigas com flecha excessiva e
armadura exposta. Parte inferior das paredes visivelmente úmidas, fenômeno da capilaridade,
de acordo com [10] que consiste no alastramento da agua pela parede até a altura de 1 metro.

3.2 ANALISE INVESTIGATIVA

A fim de entender o que levou tal construção a esse colapso eminente, foram entrevistados
agentes envolvidos durante a construção e também o proprietário do imóvel. Os construtores
informaram que durante a construção não houve acompanhamento de um engenheiro civil ou
qualquer profissional técnico com formação na área civil. A construção foi executada sem se
observar os pré-requisitos das normas vigentes, o proprietário por sua vez disse que não tem
nenhum conhecimento sobre construção civil e, portanto não poderia supervisionar o
construtor, informou que os materiais foram comprados conforme o construtor solicitou. A
dosagem do concreto utilizado na construção não obedecia a parâmetros como, relação agua
cimento, dimensão máxima do agregado, massa de cimento para cada m³ de concreto. O
cobrimento aplicado aos pilares, vigas e lajes desobedece à norma NBR 6118/2014, levando
49

em conta que o local da construção a enquadra em classe de agressividade III, segundo [2] o
cobrimento para vigas e pilares é de 40mm e lajes 35mm conforme tabela 9.

Tabela 9: Cobrimento x classe de agressividade

Fonte: NBR 6118 Referências - Elaboração. Rio de Janeiro. 2014.

3.3 RESULTADOS

Figura 23: Laje com armadura exposta


50

Fonte: Próprio autor

Figura 24: Cobrimento insuficiente

Fonte: Próprio autor

Figura 25: armadura de pilar exposta


51

Fonte: Próprio autor

Figura 26: Armadura de viga exposta


52

Fonte: Próprio autor

Figura 27: Umidade por capilaridade

Fonte: Próprio autor


53

Figura 28: Concreto saudavel.


54

Fonte: Manual técnico aditivos para concretos e argamassas. 6ºedição. São Paulo: 2010
55

4. RECOMENDAÇÕES PARA TRATAMENTO

De acordo com [11] o tratamento deve obedecer a uma ordem execução que consiste em,
limitar a área afetada pela patologia, conforme figura 25.

Figura 29: Remoção de concreto danificado

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

Assim que esta etapa for finalizada deve se iniciar o tratamento da armadura atacada pela
corrosão, é feita a limpeza da armadura a fim de retirar todo material oxidado, essa limpeza
pode ser feita de diversas maneiras, escovação, jato de agua, jato de areia, entre outras
técnicas.
Figura 30: Jateamento de estrutura de concreto
56

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

A pintura anticorrosiva na armadura é a alternativa mais citada por profissionais,


especialmente tintas com alta concentração de zinco, conforme figura 26.

Figura 31: Pintura de armadura

Vedacit. Manual técnico recuperação de estruturas. 3ºedição. São Paulo: 2012

Existem situações em que ocorre perda da seção transversal das barras de aço, sempre que
essa redução da área total ultrapassar 15% é necessário a complementação das barras, existem
diversas maneiras de se executar essa complementação, seja por furação, sobreposição e
substituição entre outras opções.

Figura 32: Complementação de armadura

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
57

Figura 33: Complementação de armadura longitudinal

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

Figura 34: Complementação de armadura transversal

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

Quando a armadura estiver preparada é o momento de fazer o recobrimento, que pode ser com
concreto, graute e argamassas especiais. As formas devem ser construídas de modos a
permitir o acesso de equipamentos para preenchimento das peças danificadas.
58

Figura 35: Grauteamento de pilar

Vedacit. Manual técnico recuperação de estruturas. 3ºedição. São Paulo: 2012

Figura 36: Formas de pilar e viga

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

Depois de realizada a concretagem deve ser feita a remoção do concreto excedente.


59

Figura 37: remoção de concreto excedente

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

Casos em que a estrutura fique aparente e exposta a agente agressores é preciso que a
mesma tenha uma proteção química, normalmente esse tipo de proteção é semelhante a tinta
,porém possui propriedade singulares, a especificação do tipo de agente agressor é
imprescindível para a utilização do material correto.

Figura 38: Tintas protetoras

Vedacit. Manual técnico recuperação de estruturas. 3ºedição. São Paulo: 2012


60

4.1 CUSTO DE PREVENTIVO X CUSTO CORRETIVO

Os custos podem ser visto de duas maneiras segundo [1], o custo preventivo é referente a
uma manutenção periódica obedecendo algum programa de inspeção, as retas B e C
representam esse tipo de custo, é visível que o mesmo é muito menor que o custo corretivo
que é representado pela reta D. O custo corretivo é referente a uma manutenção ou reforço de
ultima hora, que normalmente envolve muita mão-de-obra e demanda muito tempo.

Figura 39: Gráfico custo x tempo

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.

A figura 35 mostra um gráfico que exemplifica a relação entre o avanço da corrosão com o
tempo, e o ponto no qual se torna inviável a recuperação.
61

Figura 40: Gráfico corrosão x tempo

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
62

Figura 41: Prevenção x correção

Vedacit. Manual técnico recuperação de estruturas. 3ºedição. São Paulo: 2012

Existem situação em que o proprietário e o construtor se deparam com o dilema de recuperar


a estrutura ou demolir e fazer novas peças, sem duvida nenhuma o fator decisivo é o custo
final, o gráfico abaixo mostrar até que ponto é viável recuperar e quando não vale a pena
executar uma nova estrutura.
Figura 42: Desempenho x vida útil

Fonte: patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: PINI, 2009.
63

5. CONCLUSÃO

Em vista dos argumentos apresentados fica claro que as patologias realmente estão
presentes em muitas estruturas de concreto, não é preciso ir longe para se identificar uma
patologia a olho nú, obras mal impermeabilizadas, mal executadas ou mesmo sem nenhum
controle de qualidade. A carbonatação é sem duvida a patologia mais comum em grandes
centros urbanos, pois as grandes concentrações de CO2 associada a umidade relativa do ar
ideal faz com que esse fenômeno se inicie e quando não identificado e tratado a tempo
pode facilmente levar a edificação a ruina. Em indústrias ou locais onde a contato da
estrutura com a maré o mal mais comum é o ataque de sulfetos, sais e ácidos. De fato
ficou evidente que as patologias podem reduzir ou mesmo acabar com a vida útil de uma
estrutura de concreto. Mesmo sabendo que atualmente a tecnologia da construção civil
oferece muitas soluções para tratar essas patologias, ainda assim fica bem claro que o
investimento em prevenção é a melhor solução, pois a dosagem de um concreto é algo
relativamente simples para um profissional com formação técnica em construção civil, a
analise do tipo de ambiente a ser construído é de suma importância, pois assim poderão
ser atendidas as condicionantes das normas.
64

6. RECOMENDAÇÃO DE TRABALHOS FUTUROS

A engenharia de solução de patologias precisa sempre estar sendo alimentada com novos
indicadores, pois o clima esta cada vez mais atípica e fatalmente pode levar o aparecimento de
novas patologias ou mesmo acelerar o aparecimento das patologias já conhecidas, por isso
seria interessante que fossem realizados experimentos em laboratório e em campo a fim de
ajudar no crescimento desse setor importante da engenharia civil.
65

7. REFERENCIAS

1-SOUZA,V,C,M ; RIPPER, T. patologia,recuperação e reforço de estruturas de concreto.


São Paulo: PINI, 2009.

2-ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Informação de


documentação - Referências - Elaboração.Rio de Janeiro.2014.

3- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120: Informação de


documentação - Referências - Elaboração.Rio de Janeiro.1980.

4- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14931: Informação de


documentação - Referências - Elaboração.Rio de Janeiro.2004

5-CAVACO,J,R,Z.patologias nas estruturas de concreto armado.São Paulo.2008

6-Curso piloto de informação para operários e encarregados Módulo: estruturas de


concreto armado Aula: armaduras nas estruturas de concreto armado.Disponivel em:
http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/upload/ativos/119/anexo/modiii.pdf
Acessado em: 05 novembro de 2014.

7-Carine Toso Hartmann;Paulo Roberto do Lago Helene. Avaliação de aditivos


superplastificantes base policarboxilatos destinados a concreto de cimento Portland.
São Paulo:EPUSP, 2003

8-Enio Pazini Figueiredo; Gibson Meira. Corrosão das armaduras das estruturas de
concreto. Mérida-México,2013

9-Vedacit. Manual técnico aditivos para concretos e argamassas. 6ºedição. São Paulo:
2010

10-Vedacit. Manual técnico impermeabilização de estruturas. 7ºedição. São Paulo: 2012


66

11- Vedacit. Manual técnico recuperação de estruturas. 3ºedição. São Paulo: 2012

12-Abilio P B; David S S. Corrosão de armadura em estrutura de concreto


armado.Pará:2008

13-Coutinho, Joana de Sousa. Durabilidade ataque por sulfatos. Porto: 2001