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Análise Psicológica (1992), 1 o(): 19-34

O Papel do Pai em Mudança (*)

MICHAEL E. LAMB (**)

Na Última década e meia, o interesse público desenvolvimento da criança. Disto resultaram


e dos técnicos pelos papéis desempenhados abundantes trocas retóricas acerca do novo pai;
pelos pais no desenvolvimento dos filhos, a retórica continua, infelizmente, a ultrapassar
aumentou grandemente. No princípio desta era a análise séria. Ao fornecer uma breve panorâ-
de redescobrimento paterno, os psicólogos mica integrativa do papel ou múltiplos papéis
sustentavam que os pais poderiam ter um papel desempenhados pelos pais, este capítulo tenta
importante a desempenhar na educação da reparar esse desiquilíbrio.
criança, apesar do seu envolvimento (relati- A tese apresentada aqui é a de que
vamente ao da mãe) ser fortemente limitado. presenciamos a quarta de uma série de
Os psicólogos puseram em causa os seguintes mudanças nas conceptualizações populares dos
pressupostos: (1) que exista uma correlação papéis e responsabilidades do pai. Hoje espera-
directa entre o grau de envolvimento e o grau -se dos pais que estejam envolvidos mais
de influência dos pais e, (2) que as mães, se activamente do que no passado nos cuidados
têm mais influência do que os pais, a tenham da criança e, de forma modesta, o pai médio
de modo exclusivo (ex: Lamb 1976, 1981c: Lynn contemporâneo está, de facto, mais implicado
1974). Subsequentemente,o interesse pelos pais do que o seu predecessor. Poderá ser no entanto
acentuou-se, através da descoberta pelos técnicos um erro presumir que este envolvimento aumen-
e população em geral, da mova paternidade». tado seja necessariamente benéfico em todas
O novo pai, imortalizado para muitos no as circunstâncias familiares (Lamb, Pleck &
desempenho de Dustin Hoffman em Kramer Levine, 1985). Mais propriamente, para com-
contra Kramer, é um participante activo, preender como as crianças são afectadas por
envolvente e empenhado em todas as dimensões variações no envolvimento paterno, as circuns-
dos cuidados e educação da criança. Como era tâncias individuais têm de ser consideradas.
de esperar, a convicção de que tais pais existem No debate recente quanto aos papéis em
e proliferam, levou a mais especulação quanto mudança dos pais, grande parte da discussão
a importância das influências paternas no centrou-se na sua participação crescente nos
cuidados directos e na educação dos filhos. Esta
(*) Apesar de publicado inicialmente em 1986 (The nova perspectiva sublinha a passagem do
Father’s Role: Applied Perspectives, New York: interesse pelos pais como pessoas envolvidas
Wiley), este texto ainda representa uma boa revisão primordialmente no sustento económico da
sobre os aspectos relacionados com o papel do pai família e eventualmente na disciplina e controlo
e por isso mesmo optámos por inclui-lo neste número dos filhos mais velhos (ex: Benson, 1968;
sobre as relações parentais (Nota do Editor).
(**) National Institute of Child Health and Human Bowlby, 1951), para um ponto de vista que, cada
Development, BSA Building, Room 331, 9190 vez mais salienta o papel que os pais têm nos
Rockville Pike, Bethesda, MD 20814, USA. cuidados directos da criança de qualquer nível

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etário. Para apreciar plenamente esta mudança 1.1. O Formador Moral
e explicar melhor as formas como os pais
A fase mais precoce estendeu-se dos tempos
contemporâneos têm influência, é útil examinar
Puritanos, passando pelo período Colonial, até
mudanças históricas na conceptualização dos
ao início dos tempos Republicanos. Durante este
papéis e responsabilidades paternas. Este texto
longo período, o papel do pai era visto como
começa portanto com uma breve revisão
dominado pela responsabilidade da supervisão
histórica destinada a pôr em perspectiva os
e ensinamento moral. Era do consenso popular
papéis paternos contemporâneos. Na segunda
que os pais eram, primordialmente, responsáveis
parte, são comentados os dados que dizem
por assegurar que os filhos crescessem com um
respeito ao tipo e amplitude do envolvimento
sentido adequado dos valores, adquiridos
paterno, bem como os relativos ao alcance das
essencialmente do estudo de material religioso,
mudanças no envolvimento paterno nestes tal como a Bíblia. Na medida em que se definiu
últimos anos. São focados em seguida os efeitos um papel mais alargado, os pais assumiam
paternos no desenvolvimento da criança e responsabilidade pela educação dos filhos -
resumidos os resultados gerados por três tipos não pelo facto da educação e instrução serem
diferentes de investigações efectuadas nas valorizadas por si, mas porque as crianças
últimas quatro décadas. Por fim, são descritos tinham de ter instrução para poderem ler as
os factores que pesam sobre o grau e tipo de Escrituras.
envolvimento que os pais têm na vida dos filhos.
Como o capítulo aflora um largo espectro de 1.2. Função de Sustento Económico
assuntos e questões, a sua cobertura é necessa- Durante o período da industrialização
riamente selectiva. Para os leitores motivados centralizada ocorreu uma modificação na
para mais detalhe ou documentação acerca das conceptualização dominante do papel do pai
conclusões aqui apresentadas são incluídas (Pleck, 1984a). O seu papel veio a ser definido
referências a estudos empíricos essenciais e as em grande parte pelo prover económico em vez
maiores revisões integrativas da literatura. de se definir por parâmetros de ensinamento
moral e, esta conceptualização do pai perdurou
desde meados do século XIX até a Grande
1. OS PAIS NA HISTÓRIA NORTEAMERICANA Depressão (Pleck, 1976). Uma análise da
literatura popular da altura e de cartas escritas
Poderá ser útil para a compreensão da entre pais e filhos, confirma a conceptualização
confusão e interesse contemporâneo pela dominante da paternidade como sustento econó-
paternidade, recuar historicamente e examinar mico. Isto não quer dizer que outros aspectos
as mudanças que se verificaram na conceptuali- do papel do pai, tal como a responsabilidade
zação dos papéis paternos. Os dados disponíveis assumida pela tutelagem moral, tenham desapa-
são obviamente limitados mas, os historiadores recido. Mais exactamente, o sustento económico
sociais sustentam que muito se pode aprender veio ao de cima por ser a característica mais
da pesquisa de cartas (convimos que poucos importante e determinante da paternidade e ser
escreviam cartas e que muitos menos pensavam o critério pelo qual se poderia avaliar os «bons
em preservá-las para a posteridade) e escritos pais».
literários ou populares de eras particulares.
Segundo Pleck (1984a), podemos discernir na 1.3. O Modelo de Tipificação Sexual
verdade quatro fases ou períodos nos dois Talvez como resultado da Grande Depressão,
últimos centenários da história social Norte- do «New Dealn e da disrupção e deslocação
americana. Em cada uma delas sobressaiu um provocada pela Segunda Guerra Mundial, o fim
motivo dominante diferente, fazendo com que desta guerra trouxe uma nova conceptualização
outros aspectos de um papel complexo e da paterninade. Embora se mantenha a impor-
multifacetado parecessem comparativamente tância das funções de sustento económico e de
muito menos importantes. orientação moral, aparece um novo foco para

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a função paterna, o de modelo de tipificação acompanhamento moral, apoio emocional da
sexual, especialmente para os filhos varões. mãe).
Muitos livros e artigos na literatura técnica se
centraram na necessidade de modelos fortes de 1.5. Modos Actuais de Influência Paterna
tipificação sexual e, muitos técnicos concluiram
que os pais não estavam obviamente a obter Se pensarmos na paternidade apenas em
bons resultados a este nível (ex: Levy, 1943; termos da maneira como os pais podem influen-
Strecker, 1946). As suas inadequações foram ciar os filhos, podemos discernir pelo menos
sublinhadas em obras dramáticas tais como quatro modos dos pais conseguirem um impacto
Fúria de Viver e ridicularizados em comédias substancial nos filhos e no seu desenvolvimento.
e desenhos animados como, por exemplo Obviamente, o sustento económico continua
Blondie e A11 in the Family (Ehrenreich & hoje a ser um componente chave do papel
English, 1979). paterno na maioria dos segmentos da sociedade
(Benson, 1968; Cazenave, 1979; Pleck, 1983).
1.4. O Novo Pai Envolvente Mesmo na maioria das famílias em que existem
dois assalariados, o pai continua a ser visto
Por último, por volta de meados da década como principal fonte de rendimento, nem que
de 70, chegou-se a uma quarta etapa. Deu-se seja pelo facto da persistência de disparidades
pela primeira vez uma identificação difundida entre os salários de trabalhadores masculinos
do pai como progenitor activo, envolvente e e femininos. O apoio económico da família é
envolvido nos cuidados. O ser pai activamente uma forma indirecta mas importante com que
foi definido como a componente central da os pais contribuem para a educação e saúde
paternidade e como a unidade de medida pela afectiva dos filhos.
qual se poderia aferir os ((bons pais)). Esta Uma segunda fonte importante, mas indi-
redefinição do aspecto mais notável e louvável recta, de influência provém do papel do pai
da paternidade ocorreu primeiro nos meios como fonte de apoio emocional para os outros
populares de comunicação social, onde foi que estão envolvidos nos cuidados directos da
difundido em obras como Kramer contra Kra- criança, principalmente a mãe (Parke, Power
rner e O Estranho Mundo de Garp. Depressa & Gottman, 1979). O facto do pai funcionar
se seguiu o interesse profissional pela nova como fonte de apoio emocional para a mãe e
paternidade. outros elementos da família, aumenta no geral
É primordial reconhecer as mudanças na a qualidade da relação mãe-criança e facilita
conceptualização da paternidade porque as consequentemente o ajustamento positivo da
quatro imagens ou funções acima delineadas criança; pelo contrário, quando os pais não dão
continuam a ser importantes embora o grau de apoio, os filhos podem-se ressentir (Rutter, 1973,
importância varie consoante o grupo. Numa 1979). Os pais podem também afectar a quali-
sociedade pluralista como a nossa coexistem dade da dinâmica familiar ao estar envolvidos
várias concepções do papel paterno e é nas actividades domésticas relacionadas com a
importante lembrar que enquanto jornalistas e criança, aliviando as tarefas da mãe (Pleck,
cineastas têm louvado nos últimos dez anos, 1983, 1984b). (Podendo o envolvimento paterno
a paternidade activa e envolvente, muitos no trabalho doméstico ser igual um bom
cidadãos têm uma concepção muito diferente modelo para os filhos.)
da função paterna. Os pais também influenciam os filhos ao
Para além disso devemos reconhecer que os interagir directamente com eles e, a maior parte
pais desempenham muitos papéis, que a impor- deste capítulo interessa-se pelas influências
tância relativa de cada um varia de um contexto paternas que decorrem dos cuidados, do ensino,
para outro e que o ser pai activamente - o do brincar e da interacção directa com as
foco central deste texto - tem de ser visto no crianças (Lamb, 1981b). A maioria da investi-
contexto de muitas outras coisas que os pais gação sobre as influências paternas centra-se
fazem pelos filhos (por exemplo, sustento nestes padrões de influência directa apesar do
económico, modelo de tipificação sexual, papel paterno ter múltiplos aspectos e os pais

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poderem afectar o desenvolvimento dos filhos Podemos distinguir três componentes do
de muitas outras formas. envolvimento parental para efeitos de análise.
O primeiro e o mais restrictivo é o tempo
passado em interacção efectiva com a criança
2. QUANTIFICANDO A NOVA PATERNIDADE (a alimentá-la, a ajudá-la nos trabalhos de casa
ou a jogar 2i bola no jardim). Este tempo, que
Dedicou-se muita atenção recentemente aos Lamb e seus colaboradores (1987) denominaram
papéis em evolução dos pais, com ênfase de envolvimento ou interacção, não inclui o
especial no «novo pai», que está, por definição, tempo dedicado a trabalhos domésticos relacio-
profundamente envolvido nos cuidados do dia- nados com a criança ou o tempo passado numa
-a-dia e na educação dos filhos. Infelizmente, divisão enquanto a criança brinca noutra
muitos dos dados que dizem repeito a nova divisão ao lado. Lamb e colaboradores incluíram
paternidade são de natureza jornalística e não estes tempos numa segunda categoria consti-
sabemos até que ponto os homens que figuram tuída por actividades que envolvem graus menos
em tais relatos são realmente representativos. intensos de interacção. Estas actividades
Assim, antes de prosseguirmos com o tema, pressupõem os pais estarem acessíveis para a
precisamos perguntar; o que faz o pai Norte- criança mais do que em interacção directa. São
americano comum, e como se modificou isso exemplos, estar na cozinha a cozinhar enquanto
ao longo dos últimos anos? a criança brinca na divisão vizinha ou mesmo
aos pés do adulto.
2.1. Componentes do Envolvimento Paterno O último tipo de envolvimento é o mais difícil
de definir mas é talvez o mais importante de
Um grande número de estudos foram conce- todos. Trata-se de até que ponto o progenitor
bidos para determinar tanto o tempo que os assume, completamente, a responsabilidade pelo
pais passam com os filhos como o tipo de bem estar e cuidados da criança. Pode-se ilustrar
actividades em que se ocupam ( b m b , Pleck, através da diferença entre ser responsável pelos
Charnov & Levine, 1985; 1987; Pleck, 1983). cuidados da criança e ser capaz e estar disposto
Muitos destes estudos dizem respeito a amostras a «ajudar» quando é oportuno. Responsa-
pequenas e frequentemente não representativas bilidade implica saber quando a criança precisa
- um problema perene da investigação do de ir ao pediatra, marcar a consulta e assegurar
desenvolvimento. Afortunadamente, esta área que a criança chegue lá. Responsabilidade
de investigação pode vangloriar-se de vários implica tomar medidas quanto aos cuidados da
estudos que abarcam amostras representativas criança assegurando-se que tem roupa para
a nível nacional, de pessoas (tanto mães como vestir ou que fica acompanhada quando está
pais) a quem perguntaram o que faziam e doente. Muito do tempo necessário para ser um
quanto faziam. progenitor responsável não é passado em
Dada a disponibilidade destes dados, interacção directa com a criança. Consequente-
pareceria fácil determinar o que os pais mente, é fácil os investigadores deixarem passar
contemporâneos fazem na verdade. Infelizmente este tipo de envolvimento. É difícil quantificar
a tarefa não é tão fácil quanto parece porque o tempo em questão, em particular porque a
os resultados dos diferentes inquéritos variam ansiedade, preocupação e planeamento para as
dramaticamente. Um dos problemas é que diversas contigências, que a responsabilidade
diferentes investigadores invocam definições parentai implica, ocorre frequentemente quando
implícitas muito diferentes de envolvimento o progenitor está aparentemente a fazer outra
parental, utilizando como suas componentes coisa.
actividades distintas. Assim a comparação dos Com a distinção entre os diferentes
resultados torna-se muito difícil. Portanto, para componentes ou tipos de envolvimento parental
compreender os dados, é necessário primeiro abordados nos vários estudos, conseguiu-se
agrupar os estudos pelas suas semelhanças nas maior consistência de estudo para estudo do
definições implícitas de envolvimento paterno que acontecia anteriormente, embora subsistindo
(Lamb, Pleck, Charnov & Levine, 1987). um grau considerável de inconsistência. Em

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parte, isto deve-se ao facto da distinção recente empregada, os níveis de envolvimento e
entre os três tipos de envolvimento ter sido acessibilidade paterna relativamente aos da mãe
aplicada retrospectivamente aos resultados de são ambos substancialmente mais elevados do
investigações independentes realizadas anos que em famílias em que a mãe está
antes e, existirem ainda diferenças entre estudos desempregada (Lamb e col., 1987; Pleck, 1983).
quanto a definições específicas de envolvimento, Os dados para a interacção directa e
acesso e responsabilidade. Por exemplo, num acessibilidade são em média de 33% e 65%
dos maiores inquéritos nacionais, ((ver TV respectivamente. No entanto, no que diz respeito
juntos)) foi agrupado com as actividades do tipo h responsabilidade, não existe evidência de um
interactivo, enquanto que noutro estudo foi efeito do emprego da mãe sobre o nível de
incluído como uma componente de acesso. envolvimento paterno. Mesmo quando a mãe
Deve-se autorizar a permanência da definição e o pai estão empregados 30 ou mais horas por
idiosincrática de envolvimento de cada semana, a parte de responsabilidade assumida
investigador mas devem-se usar avaliações pelos pais parece tão insignificante como
relativas por oposição a avaliações absolutas quando as mães estão desempregadas.
para comparar os resultados dos diferentes Tendo em vista as controvérsias que se
estudos. Em vez de comparar directamente o geraram a este nível, vale a pena comentar que
tempo que os pais passam a ((interagir com» os pais não passam mais tempo em interacção
os filhos, devem-se calcular proporções (por com os filhos quando a mãe está empregada;
exemplo, comparando com a quantidade de mais propriamente, as proporções acima
tempo que as mães dedicam h interacção, referidas apenas aumentam porque as mães
quanto tempo é que os pais lhe dedicam?) e, fazem menos. Assim, os pais estão proporcio-
comparar estas proporções. A situação torna- nalmente mais envolvidos quando as mães estão
-se então muito mais clara. São obtidos, nos empregadas embora em termos absolutos o peso
vários estudos resultados surpreendentemente do seu envolvimento não se altere de forma
parecidos apesar das diferenças de fundo nos significativa. As controvérsias lamentáveis neste
métodos utilizados para avaliar a gestão do campo parecem dever-se a uma confusão entre
tempo (diário versus estimativa), o tamanho e números proporcionais e números absolutos.
representatividade regional das amostras em
questão e a data em que os estudos foram 2.3. Caracteríiticas da Criança e da Famií’ia
efectuados. que Afectam o Envolvimento Paterno

2.2. Grau de envolvirnento paterno Os investigadores também exploraram


alterações no envolvimento paterno em relação
Consideramos primeiro dados que dizem a idade da criança (Pleck, 1983). É interessante
respeito ao grau de envolvimento dos pais em notar que as mudanças que se dão são as
família em que estão presentes os dois mesmas para mães e pais. Ambos passam mais
progenitores e em que a mãe está desempregada tempo com os cuidados da criança quando as
(Lamb e col., 1987; Pleck, 1983). Os dados crianças são mais pequenas - uma tendência
nestas famílias apontam para que o pai passa que, embora compreensível, contradiz o
mais ou menos 20 a 25% tanto tempo como pressuposto popular de que os pais se envolvem
a mãe em interacção directa ou envolvimento mais a medida que a criança cresce. Os pais
com os filhos e, mais ou menos um terço do poderão saber mais acerca de crianças mais
tempo estando acessível aos filhos. A velhas do que crianças mais novas, poderão
discrepância maior entre envolvimento paterno sentir-se mais a vontade e competentes e parecer
e materno situa-se na área da responsabilidade. mais interessados, mas parece que não dedicam
Vários estudos mostram que os pais basicamente mais tempo aos seus filhos mais velhos. Em
não assumem responsabilidade (como anterior- parte isto pode ser devido ao facto das crianças
mente definida) pelos cuidados ou educação dos mais velhas já não quererem interagir tanto com
filhos. os pais; preferem a interacção com os seus pares
Em famílias biparentais em que a mãe está e/ou irmãos.

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Estão no entanto correctas as suposições As interacções da mãe com os filhos são
populares acerca dos efeitos do sexo da criança dominadas pelos cuidados enquanto que os pais
(Lamb, 1981b). Os pais estão de facto mais se definem comportamentalmente como parcei-
interessados e mais envolvidos com os filhos ros de jogo. Na realidade as mães brincam
do que com as filhas. Tendem a passar mais muito mais do que os pais com os filhos mas,
tempo com rapazes do que com raparigas, enquanto proporção do total da interacção pais-
independentemente da idade da criança. -crianças, o jogo é uma componente muito mais
Existem no entanto, para além destas variações saliente da interacção pai-criança, enquanto que
associadas a idade e sexo, variações consistentes, os cuidados, são a componente mais saliente
regionais, étnicas ou religiosas, a nível do tempo da interacção mãe-criança.
que os progenitores - mães e pais - passam Embora as mães estejam associadas aos
com os filhos (Pleck, 1983). cuidados e os pais ao jogo, não podemos
pressupor que os pais são menos capazes de
2.4. Mudanças ao Longo do Tempo cuidar da criança. Vários investigadores
tentaram estudar a competência relativa de mães
O termo mova paternidade» sugere que o e pais no que diz respeito aos cuidados e
pai de hoje é distinto do pai do passado. funções parentais e, os resultados destes estudos
Infelizmente existem poucos dados acerca de são bastante claros (Lamb, 1981a). Em primeiro
mudanças ao longo do tempo nos graus de lugar, mostram que no período neonatal não
envolvimento paterno. existem diferenças entre mães e pais a nível de
Os melhores dados disponíveis provêm de um competência - ambos podem ser igualmente
relatório recente de Juster que comparou os bons (ou igualmente maus). Contrariamente a
resultados de um inquérito nacional de 1975 noção de instinto materno, as competências
com os resultados obtidos seis anos mais tarde parentais são no geral adquiridas, tanto por
noutro inquérito. Em 1981 o pai médio passava mães como por pais, no contacto diário. No
muito mais tempo (mais 26%) no tipo de cuida- entanto, as mães estão mais presentes no dia-
dos mais intensos (interacção directa) do que -a-dia do que os pais; não é de surpreender que
em 1975. O aumento percentual para as mães se tornem mais sensíveis aos filhos, mais em
foi substancialmente menor (7%) o que pelo sintonia com eles e mais conscientes das
menos em parte se deve as mudanças surgirem características e necessidades de cada criança.
relativamente a níveis de base mais elevados. Os pais, devido a sua falta de experiência,
De qualquer forma subsiste substancial discre- tornam-se correspondentemente menos sensíveis
pância entre níveis de envolvimento paterno e e vêm a sentir menos confiança nas suas capaci-
materno; apesar do grande aumento do envolvi- dades parentais. Assim, os pais continuam a
mento paterno, em 1981 as mães continuam a permitir e a ceder a responsabilidade as mães,
interagir com os filhos substancialmente mais enquanto que as mães assumem cada vez mais
do que os pais. Tanto em 1976 como em 1981, responsabilidade, não porque vêem isso como
o envolvimento paterno foi mais do que um o seu papel, mas também porque os cônjuges
terço do das mães, aumentando de 29% em não parecem ser especialmente competentes
1976 para 34% em 1981. enquanto provedores de cuidados. Daí decorre
que as diferenças entre mães e pais se tornem
2.5. Estilos Comportamentais de Mães e Pais mais evidentes ao longo do tempo. Algumas
diferenças não são no entanto irreversíveis.
Até aqui debruçámo-nos sobre o tempo que Quando as circunstâncias atiram os pais para
os progenitores passam com os filhos, deixando o papel de principal responsável ou quando os
de lado o facto de que poderão existir variações pais escolhem redefinir o seu papel parenta1 e
em termos do conteúdo das suas interacções. as suas relações pai-criança, são perfeitamente
Tanto os dados da observação como os dados capazes de adquirir as competências necessárias
de inquéritos sugerem que mães e pais iniciam (Hipgrave, 1982; Levine, 1976; Russell, 1983).
interacções bastantes diferentes com os filhos Na realidade, no entanto, a maioria dos pais
(Goldman & Goldman, 1983; Lamb, 1981a, b). nunca se envolve tanto nos cuidados da criança

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como a parceira e, assim, as diferenças entre 3.1. A Abordagem Correlacional
mães e pais tendem a aumentar.
Vamos considerar primeiro estudos que
procuravam correlações entre características
2.6. Resumo
paternas e filiais. Nestes estudos, os
A noção da «emergência do novo pai envol- investigadores podiam dedicar-se por exemplo
vente)) não é inteiramente mítica já que se a avaliar o calor, proximidade ou hostilidade
verificaram aumentos ao longo do tempo nos (ver revisões da literatura de Biller, 1971; Lamb,
graus médios de envolvimento paterno. As mães 1976, 1981c) das relações pai-criança ou, a
continuam a assumir a responsabilidade pelos masculinidade e autoritarismo dos pais e,
cuidados do dia-a-dia dos filhos e a dedicar- correlacionavam então avaliações dos cons-
-lhes mais tempo. A discrepância entre mães tructos paternos ou relacionais com avaliações
e pais é particularmente saliente na área que de alguma característica teórica da criança. Esta
denominámos responsabilidade; a este nível estratégia foi adoptada em muitos dos estudos
existem poucos dados acerca das mudanças primordiais da influência paterna, sendo que
seculares do comportamento paterno. Noutras a maioria destes se centrava no desenvolvimento
áreas, as mudanças, embora significativas são da tipificação sexual, especialmente nos filhos
ainda bastante modestas. Para além do mais, varões. Isto é compreensível na medida em que
as características das interacções maternas e muitos destes estudos se efectuaram desde a
paternas mantiveram-se relativamente constantes década de 40 até ao início dos anos 60, altura
ao longo do tempo. As mães são identificadas em que o papel do pai era considerado mais
com os cuidados e os pais com o brincar. importante na sua vertente de modelo de
tipificação sexual. O esquema destes estudos
iniciais era bastante simples: o investigador
3. INFLUÊNCIASPATERNAS NO avaliava a masculinidade dos pais e dos filhos
DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA e determinava então até que ponto existia uma
correlação entre os dois conjuntos de resultados.
O tema deste capítulo muda agora da acção Para grande surpresa dos investigadores, não
dos pais para a influência dos pais no se evidenciava correlação consistente entre os
desenvolvimento dos filhos. Sobressairam ao dois, um resultado surpreendente porque parecia
longo das várias décadas de investigação nesta violar um pressuposto de base quanto a função
área, três corpos de literatura; (1) estudos fundamental desempenhada pelos pais. Se os
correlacionais, (2) estudos acerca da ausência pais não faziam dos seus filhos homens, que
paterna e (3) estudos acerca do impacto de um papel desempenhar então?
grande envolvimento paterno. Todos são impor- Os psicólogos levaram certo tempo a perceber
tantes para a compreensão da influência paterna que o pressuposto de base poderia ser desade-
no desenvolvimento da criança. Nesta secção quado. Os investigadores não chegaram a per-
as três abordagens são descritas e os seus guntar: porque é que os rapazes haveriam de
resultados são resumidos separadamente. No querer ser como o pai? Provavelmente só
entanto os resumos não são de forma alguma quereriam ser parecidos com um pai de quem
exaustivos; na verdade, nas duas primeiras gostassem e que respeitassem, com quem a
subsecções apenas se discutem investigações que relação fosse calorosa e positiva. Verificou-se
envolveram pais e filhos a título de exemplo. de facto que a qualidade da relação pai-filho
Revisões mais detalhadas e englobantes é uma variável mediadora importante: quando
encontram-se noutros textos (Adams, Milner & a relação entre pais masculinos e filhos é boa,
Schrept, 1984; Lamb, 1981c; Lamb, Pleck & os rapazes são de facto mais masculinos.
Levine, 1985). O objectivo aqui é de exempiificar Estudos posteriores sugeriram que a qualidade
as características chave da investigação empírica, da relação é de facto, no que diz respeito ao
que estimularam alterações de fundo na nossa desenvolvimento da masculinidade filial, a
conceptualização dos padrões de influência variável crucial (Mussen & Rutherford, 1963;
paterna. Payne & Mussen, 1956; Sears, Maccoby &

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Levin, 1957). A masculinidade do pai tem, pelo do pai eram mais importantes; os pais com estas
contrário, pouca importância. Ou seja, quando características tendiam a ter filhos competentes
a relação com os pais é calorosa, os rapazes e motivados para o sucesso (Radin, 1978, 1981,
parecem adaptar-se aos padrões de tipificação 1982). No que diz respeito a influência da mãe
sexual da sua cultura, independentemente da no desempenho do filho, são importantes as
«masculinidade» dos pais. Por isso, podemos mesmas características, o que de novo sugere
esperar que tenham mudado nos últimos quinze que os pais influenciam a criança devido as suas
anos os efeitos de uma relação pai-filho características pessoais e sociais envolventes e
próxima, dado se terem modificado igualmente não em virtude das suas características de
nesse período as preferências culturais e «homem» (tais como a masculinidade).
expectativas face ao comportamento masculino. A investigação acerca d o ajustamento
Da mesma forma que uma relação próxima psicológico propõe uma conclusão similar:
potenciava antigamente o desenvolvimento de enquanto a masculinidade paterna é irrelevante,
filhos masculinos, poderíamos prever por o calor e proximidade paterna são vantajosos
exemplo que, hoje em dia, os pais calorosos que (Biller, 1971; Lamb, 1981b). Assim, de estas três
têm relações próximas com os filhos teriam áreas do desenvolvimento - desenvolvimento
filhos mais andrógenos do que outros pais (já da tipificação sexual, nível de desempenho e
que a androgenia parece ser um objectivo ajustamento psicológico - as crianças parecem
contemporâneo) (Baruch & Barnet, 1983; Radin, mais favorecidas quando a sua relação com o
1978; Radin & Sagi, 1982). pai é próxima e calorosa. No geral, o mesmo
Portanto, no que diz respeito a influência se verifica no caso das mães e, as crianças que
paterna no desenvolvimento da tipificação têm relações próximas com os dois progenitores
sexual, o resultado fundamental é que as são grandemente beneficiadas. Poucos aspectos
características do pai (tal como a masculinidade) do sexo do progenitor parecem ter um peso
são muito menos importantes formativamente evidente no que diz respeito a influência sobre
do que o calor e proximidade do pai e a as crianças. Parece que são as características
natureza da sua relação com o filho. Trata-se do pai, como pai, mais do que as características
de um resultado interessante e importante do pai como homem, que influenciam o desen-
porque o calor e proximidade têm sido vistos volvimento da criança.
tradicionalmente como características femininas.
Assim, as características «femininas» do pai - 3.2. Investigação Acerca da Ausência do Pai
o seu calor e qualidade envolvente - parecem
estar associadas a um melhor ajustamento dos Ao mesmo tempo que nos anos 50 desabro-
filhos, pelo menos quando o ajustamento é chava o corpo de investigação que aqui denomi-
definido em termos de tipificação sexual'. namos de «correlacional», estava em desenvolvi-
Os resultados encontrados em estudos acerca mento outro corpo de literatura que incluiu
das influências paternas sobre o nível de estudos em que os investigadores tentavam
realização ou desempenho foram similares compreender o papel do pai estudando famíiias
(Radin, 1981). O pressuposto inicial foi que os sem pai. O pressuposto é de que ao comparar
pais influenciam positivamente a motivação o comportamento e personalidades de crianças
para o sucesso já que sendo o elemento da educadas com e sem pai se poderia - essencial-
família que exemplifica o sucesso no ((mundo mente por um processo de subtração - avaliar
real», os filhos quereriam com certeza imitá- a influência típica do pai. O grosso dos estudos
-los a esse nível. De novo tornou-se rapidamente correlacionais e de ausência do pai foram
claro que o calor, proximidade e envolvimento efectuados aproximadamente na mesma era: não
é de surpreender que os fenómenos estudados
fossem parecidos e que os resultados fossem a
Este pressuposto é questionável, especialmente vários níveis similares. No caso dos estudos de
devido a forma como são geralmente operacionali-
zados na literatura os papéis de cada sexo. Remetemos ausência do pai, os resultados parecem também
os leitores para Pleck (1981) e Lamb e col. (1985) consistentes com os pressupostos populares.
para uma discussão aprofundada destas questões. Infelizmente a literatura acerca da ausência do

26
pai é volumosa e controversa: para uma discus- põe ênfase na ausência de um modelo mascu-
são mais detalhada, remete-se o leitor para lino de tipificação sexual, não pode obviamente
outras fontes (Adams, Milner & Schrepf, 1984; ser completa ou englobante. Assim tornou-se
Biller, 1974; Lamb, 1981; Herzog & Sudia, 1963). cada vez mais evidente que na mediação dos
Neste contexto, é suficiente referir que os efeitos da ausência do pai no desenvolvimento
rapazes que crescem sem os pais parecem ter da criança, outros factores podem ser pelo
«problemas» nas áreas da tipificação sexual e menos tão importante (ou mesmo mais impor-
de desenvolvimento da identidade sexual, tantes) quanto a existência de um modelo de
desempenho escolar, ajustamento psicológico tipificação sexual.
e talvez de controlo da agressividade. Em primeiro lugar, há a ausência de um co-
No entanto devemos considerar duas questões -pai - alguém que ajude com os cuidados a
que a investigação da ausência do pai levanta. prestar a criança, que está lá quando um dos
Em primeiro lugar, mesmos se concordarmos progenitores precisa de um descanço, que
que existem diferenças entre crianças educadas completa os recursos de um progenitor em
com o pai presente e as educadas em família relação as exigências da criança (Maccoby,
com o pai ausente, temos de nos perguntar 1977). Em segundo lugar, existe o stress
porque existem essas diferenças e como as económico que acompanha o mono-parenta-
interpretar. Em segundo lugar, será importante lismo, especialmente no caso das mães sozinhas.
não esquecer que embora possam existir dife- A média e mediana de rendimento económico
renças de grupo entre por exemplo 100 rapazes para mulheres solteiras chefes de família são
que crescem sem o pai e 100 rapazes que significativamente mais baixas do que a média
crescem com o pai, isto não quer dizer que cada de rendimento de qualquer outro grupo e, a
criança que cresce sem pai tem problemas numa disparidade aumenta ainda quando conside-
ou mesmo em todas as áreas acima menciona- ramos o rendimento per capita em vez do
das ou que, todas as crianças cujos pais vivem rendimento por agregado familiar (Glick &
em casa se desenvolvem normativamente. Não Norton, 1979). Em terceiro lugar, o tremendo
podemos fazer inferências quanto a casos stress económico que as mães solteiras
individuais a partir de resultados de grupo, vivenciam, acompanha-se de stress emocional
porque é grande a heterogeneidade intra-grupo. decorrente de um certo grau de isolamento
Isto obriga-nos a perguntar o porquê da exis- social e das atitudes predominantemente de
tência de tal heterogeneidade. Porque é que censura que a sociedade continua a expressar
alguns rapazes parecem sofrer consequências em relação a mães solteiras ou divorciadas e
nocivas devido a ausência do pai e outros não? seus filhos (Hetherington, Cox & Cox, 1982).
Genericamente, a questão é: que aspectos do Por último, existe a importante questão dos
contexto de pai ausente estão na base das conflitos maritais do pré-divórcio (e pós-
diferenças de grupo entre crianças em contextos -divórcio), já que de todos os resultados da área
de pai-ausente e pai-presente e, qual a justifi- da socialização, o melhor validado é aquele que
cação para a substancial variação intra-grupo? aponta para o facto das crianças se ressentirem
Inicialmente, investigadores e académicos quando há hostilidade ou conflito na família
tentaram explicar os efeitos da ausência do pai (Rutter, 1973, 1979; Lamb, 1981b). Posto que
em termos da ausência de um modelo masculino a maioria das famílias mono-parentais são o
de tipificação sexual. Pressupôs-se que na resultado de um divórcio e, dado que o divórcio
ausência de um modelo parenta1 masculino, os é frequentemente precedido por períodos de
rapazes não poderiam adquirir identidades hostilidade conjugal aberta ou velada, o conflito
masculinas fortes e papéis de tipificação sexual do pré-divórcio poderá ter um papel funda-
e que não teriam um modelo de sucesso com mental na justificação dos problemas das
o qual se identificar (Biller, 1974). O problema crianças sem pai. No outro extremo, as crianças
desta interpretação é que muitos rapazes sem sem pai que têm antes e depois do divórcio uma
pai parecem desenvolver-se normalmente no que boa relação com ambos progenitores, têm no
diz respeito ao desenvolvimento da tipificação geral um melhor ajustamento do que as que
sexual e desempenho. Uma exemplificação que não a tiveram (Hess & Camara, 1979).

27
Em suma, os dados sugerem que a ausência elevado de envolvimento paterno permitiria a
do pai pode não ser necessariamente nociva pela ambos progenitores fazerem o que subjectiva-
ausência de um modelo de tipificação sexual, mente era importante para eles. Permitia aos
mas porque muitos aspectos do papel paterno- pais satisfazerem o seu desejo de se tornarem
-económico, social, emocional - ficam por mais próximos dos filhos e, às mães, ter uma
preencher ou são desadequadamente desem- relação com os filhos adequadamente próxima
penhados. É essencial para a compreensão da e manter igualmente objectivos de carreira. Ou
influência do pai no desenvolvimentoda criança seja, o envolvimento paterno aumentado poderá
o reconhecimento da multiplicidade dos papéis ter levado a que ambos os progenitores se
do pai incluindo o sustento económico, e o sentissem mais realizados. Consequentemente
apoio emocional para a mulher. as relações eram provavelmente mais calorosas
e ricas do que teriam sido noutras circunstân-
3.3. Estudos de Envolvimento Paterno cias. Podemos especular que o resultado positivo
Aumentado obtido por crianças com pais muito envolvidos
Por último temos de tomar em consideração se deve em grande parte ao facto do envolvi-
estudos recentes acerca dos efeitos para a mento paterno ter criado um contexto familiar
criança do envolvimento paterno aumentado em que os progenitores se sentem bem quanto
como por exemplo no caso de pais que, quer ao seu matrimónio e quanto as disposições que
partilham, quer se responsabilizam predomi- conseguiram tomar.
nantemente pelos cuidados da criança (Lamb, Em todos estes estudos os pais estavam
Pleck & Levine, 1985; Russell, 1983; Russell & envolvidos porque tanto eles como as suas
Radin, 1983). Esta questão foi abordada em três parceiras o desejaram. Em casos em que os pais
ou quatro estudos e os resultados são são forçados a se envolver, talvez por um
notoriamente consistentes no que diz respeito despedimento enquanto a parceira arranjou um
a crianças em idade pré-escolar cujos pais são emprego e pôde retê-lo, os resultados poderão
responsáveis por pelo menos 40% a 45% dos ser bem diferentes. Nestas circunstâncias a
cuidados intra-família da criança. As crianças esposa poderá sentir ressentimento pelo facto
com pais muito envolvidos caracterizam-se por do marido não ter conseguido reter um emprego
uma competência cognitiva aumentada, maior e sustentar a sua família, enquanto que o
empatia, ideias menos esteriotipadas acerca da marido poderá sentir ressentimento por ter de
tipificação sexual e um locus de controlo mais fazer ((trabalho de mulher» com as crianças
interno (Pruett, 1983; Radin, 1982; Radin & quando na verdade preferiria estar «lá fora»
Sagi, 1982; Sagi, 1982). De novo, o que nos a ganhar a vida e sustentar a família (ver
devemos perguntar é ((Porque é que ocorre este Russell, 1983). Esta constelação de factores terá
tipo de diferenças?» provalmente efeitos adversos nas crianças da
A este respeito, três factores são provavel- mesma forma que o mesmo grau de envolvi-
mente importantes (Lamb e col., 1985). Em mento tem efeitos positivos quando as
primeiro lugar, quando os pais assumem papéis circunstâncias são mais benignas. A questão
menos esteriotipados sexualmente, os próprios crucial é que o grau de envolvimento do pai
filhos têm atitudes menos esteriotipadas em pode ser muito menos significativo (no que diz
relação aos papéis masculinos e femininos. Em respeito aos efeitos sobre as crianças) do que
segundo lugar, estas crianças podem ser as razões para o seu envolvimento e a avaliação
beneficiadas, em particular na área da compe- que ele e a sua parceira fazem deste envolvi-
tência cognitiva, por terem dois progenitores mento.
muito envolvidos em vez de apenas um. Isto Em suma, os efeitos poderão em muitos casos
assegura-lhes a diversidade de estimulação que ter mais a ver com o contexto do envolvimento
decorre da interacção com pessoas com estilos paterno do que com o envolvimento paterno
comportamentais diferentes. Uma terceira por si. Dado que os sentimentos de uma pessoa
questão importante tem a ver com o contexto vão colorir a forma como ela ou ele se com-
familiar em que estas crianças são criadas. Em porta com a criança, o que tem importância
todos os estudos até aqui relatados, um nível não é tanto quem está em casa mas a vivência

28
de estar em casa dessa pessoa. O comporta- envolvimento paterno (Juster, 1987). Se esta
mento é influenciado também pelos sentimentos tendência continuar, o número de famílias em
do parceiro acerca do estado das coisas: os que o maior envolvimento do pai é benéfico
estados emocionais de ambos os progenitores vai aumentar.
afectam a dinâmica familiar.

3.4. Resumo 4. OS DETERMINANTES DO


ENVOLVIMENTO PATERNO
Os três tipos de investigação quanto a
influência paterna sugerem, em conjunto, um 4.1. A Motivação
quadro notavelmente consistente. Globalmente
em primeiro lugar, as influências de pais e mães São fundamentais quatro factores para a
sobre os seus filhos parecem ser mais similares compreensão das variações no grau de envolvi-
do que distintas. As dimensões importantes da mento paterno (Lamb e col., 1987). Primeiro
influência parenta1 são as que se ligam as há a motivação - até que ponto o pai quer
características parentais mais do que as estar envolvido. Dados de inquéritos sugerem
características relacionadas com o sexo do que 40% dos pais gostariam de ter mais tempo
progenitor. Em segundo lugar, a natureza do para dedicar aos filhos do que têm presente-
efeito pode variar substancialmente consoante mente (Quim & Staines, 1979). Isto significa
valores individuais e culturais. Encontra-se um que um número substancial de homens estão
exemplo clássico disto na literatura acerca do motivados para um maior envolvimento. Por
desenvolvimento da tipificação sexual. Devido outro lado os mesmos dados sugerem que mais
a alterações culturais, houve modificações nos de metade dos pais não querem passar mais
objectivos da tipificação sexual assumidos para tempo com os filhos do que presentemente
rapazes e raparigas, e isto produziu alterações passam. Não existe obviamente unanimidade
nos efeitos do envolvimento paternal sobre a quanto ao facto de um aumento no envolvi-
criança. Nos anos 50 uma masculinidade ou mento paterno ser desejável; este é um aspecto
feminilidade adequada ao sexo era objectivo importante quando consideramos a necessidade
pretendido; hoje em dia pretende-se a de avaliar as motivações parentais na tentativa
androgenia ou flexibilidade na tipificação de compreender as influências parentais.
sexual. E, enquanto nos anos 50 o envolvimento Houve no entanto mudanças recentes nos
do pai parecia associar-se a maior masculinidade níveis de motivação paterna que podem ser
nos rapazes, hoje em dia associa-se a padrões atribuídas essencialmente ao movimento
de tipificação sexual menos esteriotipados, tanto feminino e a s questões que este levanta quanto
em rapazes como em raparigas. Em terceiro aos papéis masculinos e femininos tradicionais.
lugar, os padrões de influência variam substan- A invasão dos média pelo «novo pai» afectou
cialmente consoante os factores sociais que igualmente os níveis de motivação. O programa
definem o significado do envolvimento do pai oficial mais imponente até agora empreendido
para crianças em famíiias específicas, em meios foi iniciado nos princípios dos anos 70 pelo
sociais determinados. Por último, o período de governo Sueco, numa tentativa de incentivar os
tempo que os pais e crianças passam juntos tem homens a envolverem-se mais nos cuidados da
provavelmente muito menos importância do que criança (Lamb & Levine, 1983). As imagens de
o que fazem nesse tempo e como pais, mães, prospectos e cartazes publicados pelo governo
crianças e outras pessoas significativas Sueco mostram um homem que não é um
percepcionam e avaliam a relação pai-criança. homem vulgar mas sim um homem forte e
nido isto significa que um elevado envolvi- musculoso a segurar um bebé pequenino. Esta
mento paterno pode ter nalgumas circunstâncias imagem aborda implicitamente uma das mais
efeitos positivos e negativos noutras. O mesmo cruciais barreiras atitudinais para o envolvi-
sucede para o baixo envolvimento paterno. Não mento paterno: a noção de que é efeminado
podemos esquecer no entanto as mudanças envolver-se nos cuidados da criança. Da mesma
históricas recentes nos níveis médios de forma as ilustrações dessas imagens veiculam

29
a mensagem de que ((homens a sério» podem- crianças e, não podem simplesmente retirar-se
-se envolver activamente nos cuidados da dos desafios em questão. Têm de fingir que
criança. A mensagem é importante porque sabem o que estão a fazer e têm consequente-
muitos homens continuam a sentir que paterni- mente de aprender as competências necessárias
dade activa e masculinidade são incompatíveis. tão depressa quanto possível. Para além da
A persistência deste tipo de medos ajuda a auto-confiança, a sensibilidade é também
explicar o porquê da lentidão de algumas fundamental (Lamb, 1980). A sensibilidade tem
mudanças motivacionais e, em particular, o a ver com o ser capaz de ler os sinais da criança,
porquê do aumento modesto (nacionalmente ou saber o que ela quer, saber responder adequada-
internacionalmente) do número de pais que mente, saber que expectativas são realistas e por
desempenham um papel substancial nos aí fora. Tanto a sensibilidade como a auto-
cuidados da criança, apesar das mudanças -confiança são características abstractas mas,
tremendas nos padrões de trabalho feminino. são provavelmente ambas muito mais impor-
tantes do que competências específicas. As
4.2. Competências e Auto-Confiança competências específicas podem, no entanto,
tornar-se veículos úteis para o desenvolvimento
A motivação só por si não garante um da sensibilidade e auto-confiança.
aumento do envolvimento: também são necessá-
rias competências e auto-confiança. Frequente- 4.3. Apoio
mente homens manifestamente motivados
queixam-se de que a falta de competências (da O terceiro factor que influencia o envolvi-
qual são exemplos a ignorância ou o ser mento paterno é o apoio, e especialmente dentro
desastrado) impede um maior envolvimento. da família, o apoio proveniente da mãe. Os
Estas queixas podem representar desculpas mas mesmos inquéritos que mostram que a maioria
podem também ser reflexo de um medo dos homens se quer envolver mais, mostram que
genuíno. entre 60% a 80% das mulheres não querem que
Programas formais de desenvolvimento de os maridos estejam mais envolvidos do que
competências podem ser da maior importância estão actualmente (Pleck, 1982; Quinn &
quando os homens estão motivados pois, a Staines, 1979). Isto sugere que, embora muitas
ausência de competências forma uma barreira mães gostassem que os maridos participassem
fundamental ao envolvimento paterno. No mais, uma maioria substancial está contente
entanto, a melhor maneira dos homens inicia- com o status quo.
rem o seu envolvimento com os filhos poderá Poderão existir várias razões para esta atitude.
ser o ter actividades com os filhos de que Algumas mães podem achar que os seus mari-
possam disfrutar conjuntamente. O objectivo dos são incompetentes e que o seu envolvimento
deveria ser os pais desenvolverem um sentimento vai criar, mais do que poupar, trabalho. Mais
de auto-confiança de forma a que possam vir importante, um maior envolvimento paterno
a disfrutar de estar com os filhos e sentir cada pode pôr em perigo a dinâmica fundamental
vez mais auto-confiança. Uma vez que os pais de poder dentro da família (Polatnick, 1973,
se apercebam de que os seus filhos são verdadei- 1974). Os papéis de mãe e gestora da casa são
ramente divertidos, que os adoram e que não dois papéis em que a autoridade da mãe não
geram uma série infindável de crises embara- foi questionada; constituem em conjunto a
çosas, estarão dispostos a alargar o leque de Única área em que as mulheres têm verdadeiro
actividades e contextos em que eles e os filhos poder e controlo. Um maior envolvimento pater-
funcionam juntos com sucesso. A questão chave no poderá ameaçar este poder e proeminência.
é o desenvolvimento da confiança - as compe- O balanço da permuta tem um valor dúbio
tências podem ser adquiridas mais tarde. Muitos porque embora nas duas últimas décadas um
pais não se dão conta de que a maioria das número cada vez maior de mulheres ingresse
mães primíparas são tão incompetentes e estão no mundo activo, ficam no geral restringidas
tão aterrorizadas quanto eles. A diferença é que a ocupações de baixo pagamento, baixo prestí-
se espera que as mulheres saibam cuidar das gio e com poucas perspectivas de promoção.

30
No fundo, está-se a pedir Bs mulheres que 4.4. Práticas Institucionais
desistam do seu poder numa área em que o
As práticas institucionais constituem o Último
poder e autoridade não foram questionados,
factor que influencia o envolvimento paterno.
em troca da possibilidade de poder noutra área.
Temos, entre as razões mais citadas pelos pais
Muitas mulheres preferem manter a sua autori-
para explicar os baixos níveis de envolvimento
dade na área dos cuidados da criança mesmo
paterno, a necessidade familiar de sustento
se isso implica exaustão física e mental.
económico e as barreiras impostas pelo local
As atitudes das mulheres face ao envolvi-
de trabalho (ex: Yankelovich, 1974). Obviamente
mento paterno têm mudado muito pouco nos
esta questão é importante para muitos homens
últimos cerca de quinze anos (Pleck, 1982;
e continuará a sê-lo enquanto os homens
Polatnick, 1973-1974). A sua resistência vai
assumirem e, se espere deles que assumam, o
prevalecer provavelmente até que mudanças
papel de fonte principal de rendimento. No
fundamentais se verifiquem na sociedade a nível
entanto, também é verdade que os homens não
de distribuição básica de poder. Mesmo as
trocam de um modo linear o tempo de trabalho
I mulheres que dizem que acolheriam bem um
I por tempo para a família. Dados de inquérito
envolvimento paterno aumentado, poderão
mostram que as mulheres traduzem cada hora
sentir mais ambivalência do que os resultados
do inquérito indicam. extra de não-trabalho em 40 a 45 minutos extra
de trabalho na família, enquanto que para os
As diferentes atitudes maternas quanto ao
homens, cada hora não passada em trabalho
envolvimento paterno levantam questões
remunerado, traduz-se em menos de 20 minutos
importantes quanto ao envolvimento do pai e
de trabalho na família (Pleck, 1983). Assim,
as consequências prováveis para crianças
enquanto as pressões do trabalho têm um efeito
pequenas. Como já referimos, as consequências
significativo no envolvimento parentaí, os efeitos
do envolvimento para a dinâmica familiar
são um pouco diferentes para homens e
podem ser críticas. Portanto, ao decidir se o
mulheres. Estar no trabalho reduz de facto o
envolvimento do pai deve ser incentivado em
período de tempo que os pais dedicam aos
famílias específicas, temos de ter em conta as
filhos mas, quando têm tempo passam apenas
preferências e atitudes de ambos progenitores.
uma pequena porção dele com os filhos2.
Isto implica a articulação dos pressupostos e
A licença de paternidade é o meio de incen-
valores individuais e a posterior negociação no
tivo do envolvimento paterno mais frequente-
sentido de alcançar um consenso satisfatório.
mente discutido. Este foco quase exclusivo está
O conflito entre cônjuges poderá tornar-se
de facto mal orientado porque a licença de
cada vez mais comum porque as atitudes e
paternidade será dificilmente a resposta para
pressupostos das mulheres parecem estar a
um maior envolvimento paterno. Temos de
evoluir mais depressa do que os dos homens.
recordar que neste país menos de um terço das
A este nível poderá ser significativo o facto de
nos dois estudos longitudinais de envolvimento mulheres que trabalham têm qualquer tipo de
licença de parto paga; se a licença de parto não
intenso do pai (Russell, 1983; Radin & Gold-
é permitida, a licença de paternidade cota-se
smith, 1985) se evidenciar uma taxa notoria-
como objectivo irrealista. Para além disso a
mente elevada de dissolução familiar, quando
licença de paternidade facilita apenas o
as famílias são contactadas de novo mais tarde.
envolvimento durante um espaço de tempo
Assim, apesar da boa dinâmica inicial (pelo
muito curto no início da vida da criança e,
menos nas famílias estudadas por Radin),
parece ter um efeito limitado no envolvimento
problemas substanciais e de fundo quanto aos
ou comportamento paterno posterior (Hwang
papéis e responsabilidades podem surgir mais
e col., 1985). Seriam mais Úteis práticas que
tarde, particularmente nesta era de ambivalência
permitissem aos homens envolverem-se ao longo
e confusão. É importante recordar esta «faceta
oculta» do envolvimento paterno apesar do Para além das limitações impostas pelo tempo
envolvimento do pai ser globalmente importante de trabalho em si, toda a identificação da paternidade
e desejável num número cada vez maior de com o papel de sustento económico leva ti limitação
famílias. do envolvimento masculino nos cuidados da criança.

31
de vários anos, do que a licença de paternidade. A new exploration in American family history.
Como sugere Pleck, os horários flexíveis seriam In Father and child: Developmental and clinical
sem dúvida de grande valor para muitos pais perspectives (S.H. Cath, A.R. Gurwitt & J.M.
(e mães) envolvidos mas empregados. Ross, Eds.), Boston: Little Brown.
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4.5. Resumo Glick, P.C. & Norton, A.J. (1979). Marrying,
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Podemos conceber os quatro factores (moti- Population Bulletin, 32 (5, whole issue).
vação, competências e auto-confiança, apoio e Goldman, J.D.G. & Goldman, R.J. (1983). Children’s
práticas institucionais) como uma hierarquia de perceptions of parents and their roles: A cross-
factores que influenciam o envolvimento do pai -nationa1 study in Australia, England, North
com os filhos. Devem existir condições favorá- America, and Sweden. Sex Roles, 9 791-812.
veis a cada um destes níveis para que um maior Herzog, R. & Sudia, C.E. (1973). Children in
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podem debruçar sobre as pessoas, a cada um Hess, R.D. & Camara, K.A. (1979). Post-divorce
destes níveis, centrando-se nas áreas em que os family relationships as mediating factors in the
factores de inibição são os mais proeminentes. consequences of divorce for children. Journal of
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difíceis de contornar do que qualquer outra. Hetherington, E.M., Cox, M. & Cox, R. (1982).
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Sociology, 18: 44-86. Embora de forma sucinta foram abordados neste

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texto uma série de questões relativas ao envolvimento ABSTRACT
paterno nos cuidados da criança. Como já referimos,
o intenso interesse actual da parte de académicos e A number of issues pertaining to paternal
investigadores pelos papéis e funções paternas, reflecte involvement in child care have been adressed, albeit
as últimas de uma série de mudanças na forma como briefly, in this article. As mentioned earlier, the
a sociedade Norte-Americana conceptualiza e idealiza current high degree of interest in paternal roles and
a paternidade. O nível médio de envolvimento paterno functions on the part of scholars and researchers
aumentou nos últimos anos, de forma compatível reflects the latest in a series of shifts in the way in
com a noção de «nova paternidade», embora o which American society conceptualizes and idealizes
aumento tenha sido modesto. As mães continuam fatherhood. Consistent with the notion of a mew
a dedicar mais tempo do que os pais a interacção fatherhood)), the average level of paternal involvement
ou disponibilidade para os filhos e, isto mantem-se has increased in the last severa1 years, although the
mesmo quando ambos os progenitores estão emprega- increase has been modest. Mothers still spend much
dos. Para além disso, a responsabilidade em última more time than do fathers in interaction with or
análise pelos cuidados e educação da criança accessibility to their children, and this remains true
mantem-se no domínio quase exclusivo das mães, even when both parents are employed. Furthermore,
enquanto que os pais «ajudam quando podem (ou ultimate responsabiiity for child care and chiid rearing
quando é conveniente))). Vários factores, incluindo remains the near-exclusive province of mothers, while
a motivação, competências e auto-confiança, o apoio fathers «help out when they can (or when it is
e factores institucionais, parecem afectar os níveis convenient)». A number of factors, including motiva-
de envolvimento paterno, mas muitos deles parecem tion, skills and self-confidence, support, and institu-
reflectir manifestações dum outro pressuposto: os tional factors, appear to affect levels of parent
homens são primordialmente e fundamentalmente involvement, but many of these reflect manifestations
trabalhadores e fonte de rendimento, as mulheres são of an underlying assumption: Men are first and fore-
essencialmente educadoras. most workers and breadwinners, women are primarily
Qualquer que seja o nível de envolvimento, os pais nurturers.
parecem de facto influenciar o desenvolvimento dos Whatever the extent of their involvement, fathers
filhos tanto directamente, através da interacção, como do appear to influence their children’s development,
indirectamente, devido ao seu impacto (positivo ou both directly by means of interaction and indirectly
negativo) no clima sócio-emocional da família. As by virtue of their impact (positive and negative) on
atitudes quanto aos níveis adequados de envolvimento their family’s social and emotional ciimate. Attitudes
paterno variam lagarmente. concerning appropriate levels of paternal involvement
O envolvimento paterno, quer de nível elevado quer vary widely. Thus, paternal involvement, whether of
de nível baixo, pode ser benéfico ou prejudicial para a high or low level, can be beneficia1 or harmful to
o desenvolvimento da criança consoante as atitudes child development, depending on the attitudes and
e valores dos pais em questão. Assim, é de máxima values of the parents concerned. It is thus critically
importância reconhecer a diversidade intercultural e important to recognize intercultural and intracultural
intracultural quando exploramos as influências diversity when exploring paternal influences on the
paternas no desenvolvimento da criança. child development.

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